Prévia do material em texto
01/11/2022 15:37 ana_dis_u4_s2_wa https://colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=geilmaarmil2019%40gmail.com&usuarioNome=GEILMA+AZEVEDO+DA+SILVA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3343008&atividadeDescricao=… 1/2 Você sabia que seu material didático é interativo e multimídia? Ele possibilita diversas formas de interação com o conteúdo, a qualquer hora e de qualquer lugar. Mas na versão impressa, alguns conteúdos interativos são perdidos, por isso, fique atento! Sempre que possível, opte pela versão digital. Bons estudos! Nesta webaula, você estudará sobre a memória, o interdiscurso, a dominação e a resistência. Memória A teoria do discurso se ocupa de questões sociais significadas na materialidade linguística, da relação entre língua, sujeito e história. Logo, a concepção de memória como algo individual, de cada um, é incompatível com a proposta da Análise de Discurso, já que poderíamos sustentar a teoria do discurso com uma noção de memória centrada no sujeito. Assim, na Análise do Discurso, a memória (ou interdiscurso) é tratada como a base do dizível, ou seja, ela sustenta os dizeres possíveis em dada sociedade, em dado momento histórico. Além disso, o sujeito se filia a uma rede de sentidos, determinada pela ideologia e pelo inconsciente, o que irá afetá-lo no processo de interpretação de um texto. Interdiscurso O discurso é produzido a partir da articulação entre dois eixos: o vertical, que é o eixo da memória ou do interdiscurso, e o horizontal, que é o eixo da formulação do dizer ou do intradiscurso. A memória ou o interdiscurso constitui o conjunto de formulações já feitas que determinam as possibilidades de formulação. Porém, as formulações são feitas e, depois, esquecidas, dando a impressão de que o que dizemos fomos nós quem “inventamos”, ou seja, que somos “donos” de nossas palavras. Segundo Eni Orlandi (2006a, p. 22): “distinguimos o interdiscurso do que chamamos memória institucionalizada que é aquela justamente que fica disponível, arquivada em nossas instituições e da qual não esquecemos. A ela temos acesso, basta para isso consultar os arquivos onde ela está representada”. Memória metálica Além da memória discursiva (interdiscurso) e da memória institucional (arquivo), temos também a chamada memória metálica, que, de acordo com Orlandi é: [...] produzida pela mídia, pelas novas tecnologias de linguagem. A memória da máquina, da circulação, que não se produz pela historicidade, mas por um construto técnico (televisão, computador etc.). Sua particularidade é ser horizontal (e não vertical, como a define Courtine), não havendo assim estratificação em seu processo, mas distribuição em série, na forma de adição, acúmulo: o que foi dito aqui e ali e mais além vai-se juntando como se formasse uma rede de filiação e não apenas uma soma. Quantidade e não historicidade. — (ORLANDI, 2006b, s.p.). “ ” Dominação Há um processo que faz com que determinadas posições (dominantes/dominados, inteligentes/ignorantes, bonitos/feios etc.) sejam constituídas e ocupadas. O sujeito não apenas “manda” ou “obedece”, simplesmente reproduzindo as relações de poder vigentes: ele também pode transformá-las, mas não como bem entender. Como disse Marx: “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem a partir de elementos livremente escolhidos por eles, mas em circunstâncias que eles encontram imediatamente diante de si, dadas e herdadas do passado” (MARX, 1852 apud ALTHUSSER, 1978, p. 70). Da mesma forma, na teoria do discurso entendemos que “os homens fazem a história que é possível ser feita” (LAGAZZI-RODRIGUES, 2006a, p. 90) Resistência Segundo Orlandi (1999, p.16), “a questão do sujeito, da ideologia e (...) da resistência como algo que não se dá apenas pela disposição privilegiada de um sujeito que então poderia ser livre e só não é por falta de vontade... Ou, o que dá no mesmo, que, sem ideologia, seríamos felizes para sempre” faz parte do movimento de resistência o que Pêcheux (2009) chama de identificação e de contraidentificação: Análise do Discurso Memória e interdiscurso Unidade 4 – Seção 2 Imprimir 01/11/2022 15:37 ana_dis_u4_s2_wa https://colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=geilmaarmil2019%40gmail.com&usuarioNome=GEILMA+AZEVEDO+DA+SILVA&disciplinaDescricao=&atividadeId=3343008&atividadeDescricao=… 2/2 O sujeito pode se identificar com determinada posição (com isto, assume o discurso do “bom sujeito”: o sujeito da enunciação e o sujeito universal são superpostos). Identificação Contraidentificação O conceito de resistência não está relacionado ao ato de resistir às dificuldades, como se fosse um ato heroico, por exemplo, mas sim com uma condição de ser sujeito na linguagem. Segundo De Nardi e Nascimento (2016, p. 88): “o sujeito resiste a discursos outros ao ser interpelado em sujeito do discurso pela ideologia porque, para ser sujeito, é necessário ocupar uma posição no discurso e, portanto, resistir a outras. Eis o que entendemos como sendo um dos movimentos da resistência”. Nesta webaula, avançamos na compreensão da noção de memória, que está na base da teoria do discurso, e relacionamos os aspectos do processo de subjetivação que permitem pensar a questão da resistência sem incorrer em ingenuidades.