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OBJETO DE APRENDIZAGEM 
TEXTO 84
COMO SURGIU A INTERNET?
Carolina de Aguiar Teixeira Mendes1
Podemos dividir a história da humanidade em 
três importantes eras: agrícola, industrial e digital. 
Na era digital a sociedade tem recebido o nome 
de “sociedade da informação”, aquela cuja cultura 
e economia dependem essencialmente da tecno-
logia, da comunicação e da informação. Em tese, 
todos participam de alguma maneira da interação, 
compartilhando o conhecimento com base nas 
informações que possuem.
Através da convergência tecnológica, o pro-
cesso de troca de comunicação é muito facilitado. 
ocessar informações variadas 
orma: a forma digital. Diferentes apa-
relhos são multifuncionais, fazendo uso somente 
de um pequeno chip. Através de celulares, por 
exemplo, acessamos a Internet, ouvimos r 
músicas em formato mp3, enviamos e-mails,
fotos, vídeos e mensagens curtas de texto (SMS), 
entre tantas outras funções.
A era é nova e o nome que deram à sociedade 
atual é pomposo. Deve-se ter cuidado, porém, em 
não generalizar, tendo em vista a realidade brasi-
leira que é marcada pela exclusão digit 
queda de preços e o crescimento da Internet a 
inclusão digital tem aos poucos acontecido, mas 
ainda a passos de tartaruga.
Observemos o que nos ensina Hugo Assmann, 
professor e Doutor em Teologia, com ênfase em 
Filosofia da Educação: 
 “A sociedade da informação é a sociedade que 
está sempre a constituir se, na qual são ampla-
mente utilizadas tecnologias de armazenamento
e transmissão de dados e informação de baixo 
custo. Esta generalização da utilização da infor-
mação e dos dados é acompanhada por inovações 
organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que 
alterarão profundamente o modo de vida tanto no 
mundo do trabalho como na sociedade em geral.
No futuro, poderão existir modelos diferentes 
de sociedade da informação, tal como hoje existem 
diferentes modelos de sociedades industrializadas. 
Esses modelos podem divergir na medida em que 
evitam a exclusão social e criam novas oportuni-
dades para os desfavorecidos. A importância da 
dimensão social caracteriza o modelo europeu. 
Este modelo deverá também estar imbuído de uma 
forte ética de solidariedade.
A mera disponibilização crescente da informa-
ção não basta para caracterizar uma sociedade 
da informação. O mais importante é o desenca-
deamento de um vasto e continuado processo de 
aprendizagem.”
Neste contexto, podemos falar da Internet. 
A Internet surgiu nos anos 60, na época da Guerra 
Fria, nos Estados Unidos. O Departamento de 
Defesa americano pretendia criar uma rede de 
comunicação de computadores em pontos estra-
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OBJETO DE APRENDIZAGEM
TEXTO 1121OBJETO DE APRENDIZAGEM texto 1121
Um laboratório de inovação na periferia chamado Solano Trindade
Aupa [Fernanda Patrocínio, 21/5/2019]
De banco comunitário a moeda social, passando por promoção de festivais culturais até distribuição de cestas orgânicas, a Agência Solano Trindade e seu criador Thiago Silva são a prova viva 
do poder e dos talentos periféricos
Andar pelas ruas do Campo Limpo é deixar de lado a imagem de violência dos noticiários e 
conhecer um reduto cultural dinâmico e um ambiente empreendedor bem articulado. Mas como 
isso funciona? Conhecer a Agência Popular Solano Trindade e a história do Banco Comunitário 
União Sampaio pode ser uma das respostas para entender o impacto local dessas iniciativas. A 
reportagem da Aupa foi conhecer de perto esse laboratório de inovação em negócios de impacto 
e conversou com um de seus principais articuladores.
Thiago Vinicius de Paula da Silva, de trinta anos, é empreendedor social, produtor cultural e 
criador da agência. Para entender a história de Thiago é preciso olhar a história das mulheres 
de sua família e da comunidade. “Venho de uma família onde a maioria das lideranças é de 
mulheres, uma história de trabalho e de luta”, comenta ele. “As mulheres atravessaram séculos 
buscando qualidade de vida, e tudo o que temos de bom hoje na comunidade, como escolas e 
unidades básicas de saúde, é graças ao movimento delas. É interessante notar que sempre que 
uma mulher consegue um direito, toda a sociedade é beneficiada”, diz Thiago enquanto segura 
no colo a filha de um ano, Maria Flor. Prova viva da presença feminina é a própria mãe de Thiago, 
tia Nice, ou dona Nice, que, no dia da reportagem, comandava a cozinha preparando feijoada 
tradicional e vegetariana para um encontro cultural naquele domingo de sol.
O diálogo da agência com a comunidade é bem direto. “Nossa comunicação é do post ao poste. 
Quando há eventos, como o Festival Percurso, fazemos faixas, usamos carros de som. Afinal, 
nem todo mundo tem smartphone.” A agência está presente nos espaços e também oferece 
seu próprio espaço para articulação local. Quem quiser trabalhar ou fazer reuniões na agência 
é bem-vindo. A casa também oferece um espaço de coworking.
As ações da agência impactam milhares de pessoas por ano. “Temos o Festival Percurso e 
também uma rede de empreendimentos que a gente dedica à formação”, explica. Ele acredita que 
o verdadeiro impacto das iniciativas é “tirar a comunidade das páginas policiais para ocupar as 
páginas culturais”. Indagado sobre o modelo de negócio, Silva afirma que a palavra que o define 
é versatilidade. “Precisa ser um modelo bem dinâmico, porque a gente não tem uma coisa certa. 
Desde o evento que fazemos na agência até os empreendimentos-satélites, tudo faz com que a 
gente não dependa do governo”, elenca o empreendedor social.
O início
Tudo começou em 2009, quando Silva e seus amigos perceberam que havia muitas ONGs, porém 
nem sempre as atividades impactavam o local. “Era bastante assistencialismo e pouco desenvol-
vimento”, comenta ele, que fez parte do Projeto Arrastão, organização sem fins lucrativos que 
atua na região do Campo Limpo desde 1968, dando suporte às famílias que vivem em condição 
de pobreza, oferecendo programas relacionados às áreas de educação, cultura, geração de renda, 
habitação e qualidade de vida. Em 2004, quando tinha quinze anos, depois da participação no 
Arrastão, Silva fez parte da primeira turma da Artemisia e criou o projeto Reativar e Empreender, 
sobre educação ambiental e coleta seletiva. A família de Thiago morava em frente ao córrego 
Pirajuçara, onde há problema de acúmulo de lixo e enchentes. Com o apoio da Artemisia, ele 
ainda cursou dois anos de Administração de Empresas na Pontificia Universidade Católica de 
São Paulo (PUC).
Foi partindo desses incômodos e provocações que, há dez anos, o grupo de Thiago começou 
a estudar um tema que, segundo ele, “é muito complicado na periferia: a questão do crédito e 
do microcrédito”. Foi nesse momento que o grupo se organizou e montou um banco comunitário, 
com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas da Universidade de São Paulo (ITCP/
USP), que tem a missão de promover a economia solidária.
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OBJETO DE APRENDIZAGEM 
TEXTO 84
COMO SURGIU A INTERNET?
Carolina de Aguiar Teixeira Mendes1
Podemos dividir a história da humanidade em 
três importantes eras: agrícola, industrial e digital. 
Na era digital a sociedade tem recebido o nome 
de “sociedade da informação”, aquela cuja cultura 
e economia dependem essencialmente da tecno-
logia, da comunicação e da informação. Em tese, 
todos participam de alguma maneira da interação, 
compartilhando o conhecimento com base nas 
informações que possuem.
Através da convergência tecnológica, o pro-
cesso de troca de comunicação é muito facilitado. 
ocessar informações variadas 
orma: a forma digital. Diferentes apa-
relhos são multifuncionais, fazendo uso somente 
de um pequeno chip. Através de celulares, por 
exemplo, acessamos a Internet, ouvimos r 
músicas em formato mp3, enviamos e-mails,
fotos, vídeos e mensagens curtas de texto (SMS), 
entre tantas outras funções.
A era é nova e o nome que deram à sociedade 
atual é pomposo. Deve-se ter cuidado, porém, em 
não generalizar, tendo em vista a realidadebrasi-
leira que é marcada pela exclusão digit 
queda de preços e o crescimento da Internet a 
inclusão digital tem aos poucos acontecido, mas 
ainda a passos de tartaruga.
Observemos o que nos ensina Hugo Assmann, 
professor e Doutor em Teologia, com ênfase em 
Filosofia da Educação: 
 “A sociedade da informação é a sociedade que 
está sempre a constituir se, na qual são ampla-
mente utilizadas tecnologias de armazenamento
e transmissão de dados e informação de baixo 
custo. Esta generalização da utilização da infor-
mação e dos dados é acompanhada por inovações 
organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que 
alterarão profundamente o modo de vida tanto no 
mundo do trabalho como na sociedade em geral.
No futuro, poderão existir modelos diferentes 
de sociedade da informação, tal como hoje existem 
diferentes modelos de sociedades industrializadas. 
Esses modelos podem divergir na medida em que 
evitam a exclusão social e criam novas oportuni-
dades para os desfavorecidos. A importância da 
dimensão social caracteriza o modelo europeu. 
Este modelo deverá também estar imbuído de uma 
forte ética de solidariedade.
A mera disponibilização crescente da informa-
ção não basta para caracterizar uma sociedade 
da informação. O mais importante é o desenca-
deamento de um vasto e continuado processo de 
aprendizagem.”
Neste contexto, podemos falar da Internet. 
A Internet surgiu nos anos 60, na época da Guerra 
Fria, nos Estados Unidos. O Departamento de 
Defesa americano pretendia criar uma rede de 
comunicação de computadores em pontos estra-
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E daí despertou a conscientização. “Começamos a causar uma grande reflexão na periferia, 
sobre o potencial econômico do território. As pessoas olhavam pra gente e perguntavam: ‘Nossa, 
mas vocês sabem o que são juros?’. É um racismo estrutural”, relata Silva. “Foi a primeira vez 
que os pobres se uniram para falar de dinheiro numa perspectiva de microcrédito, e não numa 
perspectiva de dívida. E aí fundamos o banco, que é aqui no Jardim Maria Sampaio”, completa ele, 
enquanto aponta para o bairro e mostra um enorme grafitti, feito pelo artista plástico Gamão 
Souza Dias, em homenagem a Marielle Franco.
Mas o debate vai além da questão da moeda e chega também na produção e comercialização 
de itens culturais. O grupo participa da cena cultural local, em saraus e shows e perceberam a 
dificuldade que os artistas locais tinham para lançar livros e discos. Era necessário investir nes-
ses talentos, e Thiago articulou esse movimento. “Fizemos nosso primeiro empréstimo cultural 
para o financiamento do livro Manda busca, do Luan Luando, em 2011. Com o financiamento do 
livro, vimos também o retorno da grana e, nesse momento, compreendemos o surgimento da 
Agência Popular Solano Trindade, com três eixos no ciclo produtivo: fomento, produção cultural 
e comercialização”, explica Silva. “É na parte da comercialização do produto que o artista dialoga 
com a comunidade. Então, durante muito tempo a gente ‘exportou’ a cultura da periferia para 
cidade, já que a distância é gigantesca”, recorda Thiago.
A atuação e o diálogo das iniciativas vão além das próprias relações comerciais e inserem-se 
também no campo artístico, com a participação da Agência Solano na 31ª Bienal Internacional 
de Arte de São Paulo, em 2014. “Levamos mais de vinte atrações da periferia lá”, comenta Silva.
Festival Percurso
A Agência Popular Solano Trindade, em parceria com o grupo C de Cultura, organiza o Fes-
tival Percurso – de Jardim a Jardim, que promove música, poesia, dança, teatro, encontros e 
negócios entre as comunidades periféricas. A presença de povos de matriz africana e indígenas 
de Parelheiros reforça a identidade do evento. O festival acontece todos os anos na Praça do 
Campo Limpo e conta com a presença de nomes fortes da cena cultural local, como MV Bill, em 
2018, e os membros dos Racionais MC’s – Mano Brown apresentou o show Boogie Naipe ao 
evento em 2017.
A cada edição, o festival tem um custo de R$ 300.000,00 e, para acontecer, conta com 
apoios como o do Sesc, Greenpeace, Poiesis, Fábrica de Cultura, entre outras empresas que 
contribuíram para a edição 2018. “Não cobramos porcentagem de nada: são famílias, mulheres 
que lideram suas famílias em uma ação empreendedora”, comenta Silva. Para a última edição, 
a agência conseguiu apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC) e do Programa Municipal 
de Apoio a Projetos Culturais (Pro-Mac), com isenção estadual e municipal. O evento de 2018 
homenageou Paul Singer, economista e docente da USP, que faleceu naquele ano e foi um dos 
grandes pensadores sobre economia solidária no país.
Durante o evento o agência promove a circulação da moeda social solano e sua cotação 
para o real é de um para um. Durante o Festival Percurso, cada convidado recebeu cinquenta 
solanos – ao todo, haviam 6 mil solanos em circulação no evento, que conta ainda com equipe 
de cerca de duzentas pessoas para se viabilizar.
Assim, o solano serve para mostrar a força de ações de economia solidária. O articulador 
cultural ressalta ainda a frase do poeta Solano Trindade: “Pesquisar, ir na fonte de origem e 
devolver ao povo em forma de arte”. A circulacão da moeda é uma maneira de fomentar, produzir 
e comercializar os produtos desenvolvidos na comunidade, de modo a gerar renda e sustentar a 
cadeia de trabalho comunitário a partir de trocas de serviços. “Uma andorinha só não faz verão, 
mas pode acordar o bando todo”, conclui o empreendedor social parafraseando o poeta Binho, 
em entrevista concedida para o Imagina Coletivo.
Comida na cabeça
É comum ver Silva dando entrevistas e palestras para falar sobre comida in natura e orgânica. A 
casa também vende orgânicos em sua sede às quintas-feiras, conta ainda com uma Kombi para 
o transporte e a venda itinerante, além de uma equipe de deliveries. Por mês, eles fazem cerca 
de quinhentas entregas para bairros como Butantã, Brooklin, Lapa e Centro – desse montante, 
cerca de cinquenta cestas são para atender pedidos feitos na própria periferia. “Temos uma his-
tória de busca por segurança alimentar há muitos anos. A região do Campo Limpo se organizou 
para lutar contra a carestia”, contextualiza o articulador sobre o movimento dos anos 1970, que 
lutava contra o encarecimento do custo de vida e, claro, do acesso à comida. “Há mulheres na 
comunidade que atuaram nesse movimento e seguem, hoje, conosco. O próprio bairro fala muito 
sobre isso: aqui antes eram grandes chácaras. Quando as pessoas passaram a chegar, vindas 
da Bahia e outras partes do Nordeste ou mesmo do Paraná, como é o caso da minha mãe, elas 
se deparavam com um lugar completamente detonado, com poucos terrenos – e, claro, sem ter 
onde plantar”, revela Thiago.
A agência percebeu, então, um fenômeno: as camadas mais ricas passaram a ter acesso 
ao orgânico, e as mais pobres, à comida industrializada ou de baixa qualidade. E isso revela os 
quadros de desertos alimentares, ou seja, lugares de difícil acesso a alimentos nutritivos, ge-
rando a diminuição de seu consumo. O problema, fruto da desigualdade social, é tão grave que 
há mapeamento dessas localidades, além de discussões entre governo, universidades e demais 
representações da sociedade civil em busca de soluções (ver o filme Fonte da juventude [2017], 
de Estevão Ciavatta, que traz essa questão e tem relatos de Silva sobre o assunto).
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Podemos dividir a história da humanidade em 
três importantes eras: agrícola, industrial e digital. 
Na era digital a sociedade tem recebido o nome 
de “sociedade da informação”, aquela cuja cultura 
e economia dependem essencialmente da tecno-
logia, da comunicação e da informação. Em tese, 
todos participam de alguma maneira da interação, 
compartilhando o conhecimento com base nas 
informações que possuem.
Através da convergência tecnológica, o pro-
cesso de troca de comunicação é muitofacilitado. 
ocessar informações variadas 
orma: a forma digital. Diferentes apa-
relhos são multifuncionais, fazendo uso somente 
de um pequeno chip. Através de celulares, por 
exemplo, acessamos a Internet, ouvimos r 
músicas em formato mp3, enviamos e-mails,
fotos, vídeos e mensagens curtas de texto (SMS), 
entre tantas outras funções.
A era é nova e o nome que deram à sociedade 
atual é pomposo. Deve-se ter cuidado, porém, em 
não generalizar, tendo em vista a realidade brasi-
leira que é marcada pela exclusão digit 
queda de preços e o crescimento da Internet a 
inclusão digital tem aos poucos acontecido, mas 
ainda a passos de tartaruga.
Observemos o que nos ensina Hugo Assmann, 
professor e Doutor em Teologia, com ênfase em 
Filosofia da Educação: 
 “A sociedade da informação é a sociedade que 
está sempre a constituir se, na qual são ampla-
mente utilizadas tecnologias de armazenamento
e transmissão de dados e informação de baixo 
custo. Esta generalização da utilização da infor-
mação e dos dados é acompanhada por inovações 
organizacionais, comerciais, sociais e jurídicas que 
alterarão profundamente o modo de vida tanto no 
mundo do trabalho como na sociedade em geral.
No futuro, poderão existir modelos diferentes 
de sociedade da informação, tal como hoje existem 
diferentes modelos de sociedades industrializadas. 
Esses modelos podem divergir na medida em que 
evitam a exclusão social e criam novas oportuni-
dades para os desfavorecidos. A importância da 
dimensão social caracteriza o modelo europeu. 
Este modelo deverá também estar imbuído de uma 
forte ética de solidariedade.
A mera disponibilização crescente da informa-
ção não basta para caracterizar uma sociedade 
da informação. O mais importante é o desenca-
deamento de um vasto e continuado processo de 
aprendizagem.”
Neste contexto, podemos falar da Internet. 
A Internet surgiu nos anos 60, na época da Guerra 
Fria, nos Estados Unidos. O Departamento de 
Defesa americano pretendia criar uma rede de 
comunicação de computadores em pontos estra-
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A cultura do alimento orgânico e das Pancs (plantas alimentícias não convencionais) sempre 
esteve na base das comunidades, mas hoje esses alimentos acabam sendo acessados pelas 
camadas mais abastadas da sociedade. Dentro dos córregos que cortam o Capão Redondo nasce 
uma planta chamada sabugueiro – hype em restaurantes de alta gastronomia em São Paulo –, 
e esses estabelecimentos vão até Campo Limpo buscá-la.
Otto Scharmer, professor do Massachussetts Institute of Technology (MIT) e cofundador do 
Presencing Institute, desenvolveu o laboratório de inovação e nutrição em alimentação no Campo 
Limpo. “Ele e sua equipe vieram até a quebrada compreender junto com a gente o sistema de 
alimentação. Desde 2014, eles me apoiam na compreensão do sistema – porque não adianta 
agir sem entender o funcionamento. Só quando entendemos o mecanismo é que conseguimos 
abalá-lo com algumas conexões fortes”, ensina Thiago. Está prevista para 2019, na sede da 
agência, a inauguração do restaurante da Solano Trindade. “A gente estima que serão servidas 
oitocentas refeições por mês, cerca de trinta por dia”, comenta o empreendedor.
As iniciativas são muitas, e Thiago traz consigo a inovação periférica realizada dentro do 
seu laboratório vivo no Campo Limpo. Seja qual for a ação e o impacto realizados pelo banco 
comunitário, pela agência ou pelo futuro restaurante, a missão é uma só: empreender em rede 
para articular a periferia.
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