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Caso concreto 3 - Joana

Petição inicial: ação de obrigação de fazer c/c danos materiais, morais e estéticos (tutela de urgência) contra companhia de energia. Relata choque em 01/04/2022 por cabo solto, queimaduras em 30% do corpo e ~1 mês de internação; despesas R$1.000 e R$500. Pede remoção do poste (multa R$200/dia) e indenização, fundamenta responsabilidade objetiva (art.37§6º).

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AO JUÍZO DA ____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE _______ 
 
 
JOANA, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da cédula de identidade 
nº ..., expedido pelo ..., inscrito no CPF sob o nº ..., endereço eletrônico, telefone 
..., residente e domiciliado à rua ..., nº ..., Vila Valqueire, Rio de Janeiro - RJ, CEP: 
..., vem, respeitosamente, a presença de V. Exa., na presença da sua advogada 
devidamente constituída e abaixo assinada, com endereço comercial à Rua 
(endereço completo com CEP), endereço eletrônico ____, propor 
 
AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C DANOS MATERIAIS, MORAIS E 
ESTÉTICOS 
(COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA) 
 
em face da Companhia de Energia Elétrica _____, pessoa jurídica de direito 
privado, inscrita sob o CNPJ nº ..., a ser citada na pessoa de seu representante 
legal, com endereço eletrônico ..., situada na rua..., bairro..., cidade..., Estado..., 
CEP: ..., mediante os pressupostos fáticos e jurídicos que passa a expor: 
 
I. DA TUTELA DE URGÊNCIA 
A Autora sofreu danos gravíssimos devido a inobservância da Empresa Ré, 
acerca da proximidade entre o poste de energia elétrica e a casa da Joana. 
Por diversas vezes a autora fez reclamações sobre o assunto e nada foi feito a 
respeito, neste sentido, requer a concessão da tutela de urgência, com fulcro 
no art. 300 do CPC, para que a empresa Ré seja compelida a remover o poste 
do local em que se encontra, conforme fundamentação supra, no prazo de..., 
sob pena de multa diária de R$ 200,00 (duzentos reais). 
 
II – DOS FATOS 
Ocorre que a Ré instalou postes de energia passando os cabos muito próximos 
a residência da Autora. Indagada pela autora sobre a proximidade dos cabos à 
residência, a Ré nada respondeu. 
 
Por diversas outras vezes a autora questionou e alertou a companhia de energia 
elétrica acerca dos riscos da instalação, mas a empresa nada fez. 
 
No dia 01/04/2022, por volta das 19h30, Joana estava no segundo andar de sua 
residência e, quando foi buscar uma roupa que estava no varal, tomou uma 
descarga elétrica sendo arremessada para fora de seu apartamento, caindo na 
calçada do prédio. 
 
Devido a potência da descarga elétrica, a Autora ficou desacordada e foi 
socorrida pelo seu filho, que a levou ao hospital. A descarga elétrica ocorreu 
pois um cabo de alta tensão que passa corrente elétrica se soltou do posto e 
encostou no varal de Joana que é de alumínio. 
 
Em decorrência do acidente, ocorrido por culpa exclusiva da Ré, a autora 
apresentou queimaduras de 1º, 2º e 3º graus em 30% do corpo, abrangendo 
tórax, anteroposterior, membros superiores, coxas e perna esquerda. 
A Autora ficou interna por aproximadamente um mês, passando por 
acompanhamento médico e psicológico regular, em razão do abalo psicológico 
sofrido. 
 
Além disso, após a alta hospitalar, a nutricionista do hospital prescreveu uma 
alimentação especial para a autora, para evitar infecções, por conta da extensão 
do dano. As notas fiscais de supermercados somam o montante de R$ 1.000 
reais (mil reais) e os gastos com transporte até o hospital para consultas e troca 
de curativos, somam, aproximadamente, R$ 500,00 (quinhentos reais). 
 
III – DOS FUNDAMENTOS 
A ré é responsável pelos atos comissivos/omissivos que adotou, como preceitua 
o artigo 37, §6º da Carta Constitucional. Vale destacar que, neste caso, a 
responsabilidade da Ré é objetiva, ficando a vítima dispensada da 
demonstração de culpa, pois trata-se de um dano derivado de uma conduta 
exclusiva da Ré. 
 
III.I – DO DANO MATERIAL 
Como é possível observar diante a narrativa fática, a autora teve muitos gastos 
devido o dano causado pela Ré, neste sentido, requer a indenização por dano 
material. 
Neste caso, o dano material fica caracterizado pelos gastos da autora com os 
alimentos necessários para fazer a dieta prescrita pela nutricionista com 
objetivo de evitar infecções e os gastos com transporte até o hospital para a 
troca de curativos. 
Sabe-se que o dano material é o prejuízo sofrido em razão de determinado 
evento danoso. 
 
III.II – DO DANO MORAL 
Por diversas vezes a autora questionou a ré acerca da instalação do poste, 
alertou dos riscos que aquilo poderia causar e nunca foi ouvida, até que sofreu 
danos gravíssimos dos quais por anos carregará marcas eternas, na pele e na 
alma. 
 
Ressalte-se que a reparação desse tipo de dano tem tríplice caráter: punitivo, 
indenizatório e educativo, como forma de desestimular a reiteração do ato 
danoso. A busca de sua reparação não é o ressarcimento. Ao contrário, é a 
tentativa de minorar os sentimentos de angústia, frustração, desespero e 
impotência que atingem as pessoas que suportam determinados danos. 
 
Como bem ressalta a ilustre jurista Maria Celina Bodin de Moraes, “o foco 
precípuo é a situação em que se encontra a vítima, visando recompor a violência 
sofrida em sua dignidade através da reparação integral do dano”. 
 
III.III – DO DANO ESTÉTICO 
Em relação ao dano estético, entende-se que são distintas as indenizações por 
dano estético, material e moral. A primeira remunera a deformidade física e, a 
segunda, a dor moral ou física. 
 
É preciso ter em mente que alterações físicas visíveis, ojeriza, repulsa, nojo 
àquele que observa a pessoa que possui a negativa marca estética, 
independente de poder ser sanado ou não. A simples marca aparente, que 
causa repugnância à vítima gera, per si, o dano estético, não sendo requisito 
para a sua configuração a irreversibilidade. 
 
Leciona a doutrina que “não deixa de ser deformidade permanente a que permite 
dissimulação. Ninguém está obrigado a usar postiços ou disfarces para favorecer a 
sorte do seu ofensor. O ofendido pode mesmo negar-se a um tratamento de plástica 
(nem sempre livre de perigos), sem que por isso o ofensor deixe de responder [...] 
permanência não quer dizer perpetuidade [...] deve considerar a irreparabilidade 
natural, uma vez que não pode a vítima ser obrigada a submeter-se a soluções 
cirúrgicas ou utilizar-se de artifícios.” 
 
Com efeito, a permanência do dano estético é apenas no sentido de manter a 
vítima permanentemente em situação constrangedora, exposta ao ridículo em 
razão das marcas ou deformidades na sua aparência física, sendo irrelevante a 
possibilidade de mitigação ou retirada dessas marcas, salvo para fins de fixação 
do quantum devido pelo dano estético provocado. 
 
V. DOS PEDIDOS 
Em face do exposto de forma cristalina, torna-se demonstrada a indiscutível 
falha na prestação de serviço por parte ré. Nessas condições, e confiando na 
sensibilidade jurídica e experiência profissional que notabilizam V. Exa., espera 
e requer a parte autora, à luz da Lei e do melhor direito, o seguinte: 
 
a) A concessão da tutela de urgência para que a empresa ré seja compelida 
a remover o poste do local em que se encontra, conforme 
fundamentação supra, no prazo de..., sob pena de multa diária de R$ 
200,00 (duzentos reais); 
 
b) A designação de audiência prévia de conciliação, nos termos do art. 319, 
VII, do CPC; 
 
c) Seja a Empresa Ré citada por meio postal, nos termos do art. 246, inciso 
I do CPC, para oferecer contestação no prazo legal; 
 
d) Seja julgado procedente o pedido para condenar a parte ré a INDENIZAR 
a parte autora pelos danos materiais experimentados, o valor de R$ 
1.500,00 (mil e quinhentos reais); 
 
e) Seja julgado procedente o pedido para condenar a parte ré a 
COMPENSAR a parte autora pelos danos morais experimentados, o valor 
de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais); 
 
f) Seja julgado procedente o pedido para condenar a parte ré a INDENIZAR 
a parte autora pelos danos estéticos sofridos, o valor de R$ 50.000,00 
(cinquenta mil reais); 
 
g) Seja a empresa Ré condenada ao pagamento de custas processuais e 
honorários advocatícios no montante de 20% ao final da ação. 
 
VI. DAS PROVAS 
Requer a produção de todos os meios de provas em direito admitido,especialmente documentais suplementares. 
 
VII. DO VALOR DA CAUSA 
Atribui-se a causa, para efeito de alçada o valor de R$ 101.500,00 (cento e um 
mil e quinhentos reais). 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento. 
Local/data 
OAB/ADVOGADA

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