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Trecho de romance contemporâneo (tradução do grupo Bookworm’s Cafe). Contém dedicatória, aviso do grupo e tabela de conteúdos, além do início do capítulo narrado por Hollis, recém-divorciada que descobre a traição do ex e lida com o casamento da irmã, Harper.

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Para Tash Drake. 
Você vai fazer muita falta. 
Obrigada por tudo. 
Descanse em paz. 
TABELA DE 
CONTEÚDOS 
AVISO — BWC 
1 
2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 
9 
10 
11 
12 
13 
14 
15 
16 
17 
18 
19 
20 
21 
22 
23 
24 
EPÍLOGO 
ONE-TIMER - CENA BÔNUS 
AGRADECIMENTOS 
AVISO — BWC 
Essa presente tradução é de autoria pelo grupo Bookworm’s 
Cafe. Nosso grupo não possui fins lucrativos, sendo este um 
trabalho voluntário e não remunerado. Traduzimos livros com 
o objetivo de acessibilizar a leitura para aqueles que não sabem 
ler em inglês. 
Para preservar a nossa identidade e manter o funcionamento 
dos grupos de tradução, pedimos que: 
• Não publique abertamente sobre essa tradução em 
quaisquer redes sociais (por exemplo: não responda a 
um tweet dizendo que tem esse livro traduzido); 
• Não comente com o autor que leu este livro 
traduzido; 
• Não distribua este livro como se fosse autoria sua; 
• Não faça montagens do livro com trechos em 
português; 
• Se necessário, finja que leu em inglês; 
• Não poste – em nenhuma rede social – capturas de 
tela ou trechos dessa tradução. 
Em caso de descumprimento dessas regras, você será banido 
desse grupo. 
Caso esse livro tenha seus direitos adquiridos por uma 
editora brasileira, iremos exclui-lo do nosso acervo. 
Em caso de denúncias, fecharemos o canal 
permanentemente. 
Aceitamos críticas e sugestões, contanto que estas sejam 
feitas de forma construtiva e sem desrespeitar o trabalho da 
nossa equipe. 
1 
Hollis 
Casamentos devem ser dias felizes. Eles devem ser preenchidos 
com sorrisos, amor e lágrimas de alegria. 
Casamentos não devem ser preenchidos com tristeza 
infinita e lágrimas suficientes para encher um maldito vaso 
decorativo. 
Mas aqui estou eu, sentada no meu carro, chorando porque 
minha irmãzinha vai se casar com o amor de sua vida neste fim 
de semana e eu acabei de assinar meus papéis de divórcio no 
início da semana. 
Eu não posso me forçar a sair e enfrentar tudo isso. 
Não me interpretem mal, estou mais do que emocionada 
pela minha irmãzinha. Harper sempre foi cética quando se trata 
de amor, então o fato de ela estar prestes a subir ao altar e trocar 
votos é algo monumental. É um negócio ainda maior porque 
ela está se casando com a estrela da NHL, Collin Wright, mas 
essa é uma conversa totalmente diferente. 
Vê-la ter uma vida perfeita que ela nunca quis quando eu era 
a garotinha que planejou seu casamento aos cinco anos de idade 
e pensou que tinha encontrado o felizes para sempre? Sim, dói. 
Não tanto quanto descobrir que seu marido tinha uma 
amante e eles estavam dormindo juntos antes de você se casar, 
mas ainda dói. 
Limpo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, frustrada por 
elas – minhas lágrimas e meu ex-marido e sua amante. Por mais 
embaraçoso que tenha sido quando Harper chegou em casa 
para contar a minha mãe e a mim que ela estava noiva, eu chorei 
também. Na frente dela. Tipo, realmente caí em lágrimas como 
uma terrível irmã mais velha. 
Depois de toda aquela confusão, não tem como eu entrar 
assim. 
Outra lágrima escorre pelo meu rosto, e eu a limpo. Não vou 
estragar o grande fim de semana da minha irmã com minhas 
lágrimas bobas. 
Uma velha caminhonete surrada, tocando música tão alto 
que está chacoalhando as minhas janelas, vem balançando para 
o estacionamento, chicoteando no espaço ao lado do meu 
como se pertencesse aqui. Eu sei, de fato, que não pertence. 
Minhas sobrancelhas se unem em frustração porque o idiota 
nem se incomoda em diminuir a música. Ele não sabe que duas 
pessoas que estão loucamente apaixonadas estão lá dentro para 
ensaiar uma cerimônia para que amanhã possam começar uma 
nova vida juntos? 
Ugh. 
Um conjunto de lágrimas frescas escorre pelo meu rosto 
com o pensamento. Fecho os olhos com força, tentando afastar 
os pensamentos do que perdi, depois enxugo o rosto de novo, 
que tenho certeza que está uma bagunça. Eu abaixo o parasol 
para verificar o pequeno espelho dentro e, sim, estou uma 
bagunça. Listras pretas correm pelas minhas bochechas e uma 
bagunça de maquiagem fica embaixo de cada olho. Tudo 
porque meu rímel favorito não estava disponível na versão à 
prova d'água porque claro que não estava. 
Não é uma grande surpresa, no entanto. Nada deu certo 
desde que fui enganada pelo meu ex-marido traidor. 
Bateram na traseira do meu carro e o motorista fugiu... em 
um estacionamento que não tinha câmeras. 
Fui detida por furto porque o caixa não queria acreditar em 
mim que a embalagem da barra de chocolate no carrinho não 
era minha e eu estava me sentindo mesquinha o suficiente para 
discutir. 
Ah, e aquele corte de cabelo que eu dei a mim mesma? Um 
massacre, deixando-me com um chanel curto, o que eu não 
queria. 
Foram dois meses desafiadores, para dizer o mínimo. 
O único ponto positivo é que este divórcio não foi arrastado 
por mais tempo do que o necessário. Thad me concedeu o 
divórcio quando percebeu que eu tinha cópias de suas 
mensagens. Você pensaria que, sendo um advogado, ele teria 
feito um trabalho melhor em cobrir seus rastros, mas não. Ele 
deixou tudo exposto, bem ali para eu ver. Uma parte de mim se 
pergunta se ele fez isso de propósito. A maneira como ele agiu 
nos meses que antecederam nosso casamento, como ele não 
estava envolvido no planejamento e estava provocando brigas, 
deveria ter sido uma bandeira vermelha, mas eu estava muito 
presa nos anos que coloquei em nosso relacionamento e no que 
eu queria para o meu futuro para ver o que isso era. 
Mentiras. 
Tudo foram grandes mentiras. 
Eu deveria ter ouvido minha melhor amiga, Emilia, quando 
ela disse que Thad era um babaca em quem não se podia 
confiar. Claro, ela disse isso quando estava bêbada, mas há 
verdade em nossas divagações embriagadas, certo? 
— O nome dele é Thad, Hollis. Isso deve dizer tudo o que você 
precisa saber sobre o babaca. 
Em retrospectiva, ela estava certa. 
Eu gostaria que ela estivesse aqui agora. Ela sempre me faz 
rir. Mas eu tenho que sofrer esta noite sozinha. 
Amanhã, porém... amanhã nós beberemos. E, em seguida, 
beberemos um pouco mais. Já sei que vou precisar. 
Com um suspiro, eu estendo a mão pela minha BMW – um 
presente de Thad, já que ele não queria que suas transgressões 
voltassem para seus amigos da empresa – para abrir o porta-
luvas. 
E… nada. 
Nem uma maldita coisa. 
— A única vez que eu não tenho dez bilhões de guardanapos 
da Starbucks enfiados lá… 
Eu fecho com força, então inclino minha cabeça para trás 
contra o assento, tentando não chorar mais uma vez. Eu não 
preciso de uma bagunça ainda maior para limpar. 
— Ugh. Controle-se, Hollis. Você está sendo ridícula. É 
apenas um guardanapo. É isso. É um guardanapo. 
Lágrimas ardem em meus olhos de novo porque não é 
apenas um guardanapo, é um casamento também, um 
casamento pelo qual certamente vou chorar, e não exatamente 
pelas razões certas. 
Fecho os olhos para bloquear todos os pensamentos 
negativos que estão passando pela minha mente e respiro 
fundo. 
Então repito. 
E um… 
— OH MEU DEUS! 
Eu olho para a velha caminhonete ao meu lado, aquela 
maldita música ainda chacoalhando minhas janelas. Com os 
amassados, arranhões e o para-choque pendurado pelo que 
parece ser uma linha de fita adesiva, não entendo como a 
caminhonete em si não se partiu com o volume da música. 
As janelas são escurecidas, mas não tão escuras que eu não 
consiga ver o interior. O motorista está recostado no banco sem 
se importar com o mundo, um par de óculos escuros cobrindo 
os olhos, parecendo que não vai se mexer tão cedo. 
Esse idiota está sendo sério? 
É irritante. Ele é irritante. 
Aposto que Harper e Collin devem estar lá dentro agora se 
perguntando o que diabos é esse barulho alto e desagradável. 
Eu serei amaldiçoada se esse idiota arruinar o ensaio da minha 
irmãzinha. 
Eu empurro a porta do meu carro aberta, marcho para o 
lado do motorista da caminhonete do idiota, e bato minha 
palma contra a janela. 
Ele não se move. 
O quê… 
Eu bato najanela novamente. 
Nenhuma reação. Nem mesmo um estremecer. 
Esse idiota está dormindo? 
Eu bato na janela uma terceira vez e... nada. 
Eu bufo, revirando os olhos para o céu. Então, porque estou 
completamente fora de mim, bato uma última vez, só que não 
há janela, e me conecto com o rosto do estranho, derrubando 
seus óculos escuros. 
Eu… acabei de bater em uma pessoa! 
— Ah, merda! — Eu grito, retraindo minha mão e 
posicionando na minha boca. 
Acabei de me divorciar, minha vida está uma bagunça, 
acabei de bater em uma pessoa e agora provavelmente vou para 
a cadeia por agressão. Minha vida pode ficar pior? 
O cara, que parece vagamente familiar, mas não consigo 
identificá-lo, mexe a mandíbula para frente e para trás com o 
golpe inesperado. Ele levanta sua grande mão, seus longos 
dedos acariciando o local onde minha palma acertou seu rosto. 
Seu peito sobe e depois desce com um suspiro pesado. 
Eu prendo a respiração enquanto ele lentamente, como em 
um ritmo glacial lento, puxa seus óculos de aviador para baixo 
e me perfura com os olhos verdes mais deslumbrantes que eu já 
vi. Eles são tão únicos e bonitos que eu suspiro audivelmente. 
Felizmente, evitando ainda mais constrangimento, minha 
mão ainda está firmemente sobre minha boca, então duvido 
que ele ouça. 
Seus lindos olhos que são da cor de pinheiro se estreitam, e 
mesmo isso não é suficiente para me fazer parar de olhar para 
eles. Eles são tão diferentes de tudo que eu já vi antes. Não é a 
cor que os torna tão únicos. É a dor e os segredos que estão 
escondidos dentro dos redemoinhos que os fazem se destacar. 
Esse cara passou por coisas que o endureceram. 
Uma carranca simpática puxa meus lábios porque eu posso 
entender. Já passei por coisas que me endureceram também. 
— É sério isso, porra? 
E assim, minha simpatia se foi. 
Seu tom é agudo e sombrio. E sim, tudo bem, ele pode ter 
uma razão para estar irritado desde que eu tecnicamente bati 
nele, mas ainda assim, ele é o idiota que veio correndo para o 
estacionamento quando há um ensaio de casamento lá dentro. 
Rude por si só, mas especialmente rude, já que ele nem pertence 
aqui. 
— Estou falando sério. Seu gosto de merda para música é 
alto e perturbador e você não tem porque estar aqui. 
Não é um gosto de merda para música. Eu amo a música. 
Todo mundo adora a música que está tocando. É um crime não 
amar Queen, mas não vou admitir isso para o idiota. 
Ele levanta uma sobrancelha escura. 
— É mesmo? 
— É mesmo. Este é um evento privado. 
— Evento privado, hein? 
— Sim e… 
Ele zomba… então aperta o botão para subir a janela de 
volta, efetivamente me interrompendo. 
Minha mandíbula afrouxa enquanto olho para a 
caminhonete, observando-o desaparecer novamente. 
Quem diabos esse cara pensa que é? 
Estou prestes a bater na maldita coisa de novo, mas não 
tenho a chance. O ronco alto de seu veículo morre 
abruptamente, e ele abre a porta. Eu pulo para trás para não ser 
atingida por ele, embora eu ache que seria justo se eu fosse 
atingida. 
Ele desliza para fora da caminhonete e se eleva sobre mim. 
Ele é tão alto que eu literalmente tenho que inclinar minha 
cabeça para trás para olhar para ele. Ele estende a mão e vira o 
boné de beisebol em sua cabeça para trás, e estou irritada 
comigo mesma por achar a ação remotamente atraente, 
especialmente porque esse cara é um completo idiota. 
Mesmo que ele esteja usando aqueles malditos óculos 
escuros de aviador novamente, eu posso sentir seu olhar 
quente. Eu o encaro de volta, cruzando os braços sobre o peito, 
recusando-me a recuar. Eu tento não pensar em quão ridícula 
eu provavelmente pareço agora. Eu sou pelo menos quinze 
centímetros mais baixa do que ele, embora eu esteja usando 
salto alto e toda arrumada em um vestido longo para o ensaio. 
— Este é um evento privado. Que parte de privado você não 
está compreendendo? 
Aponto de volta para a placa que diz claramente que o 
estacionamento está fechado, mas ele não parece se importar. 
Não. 
Seus lábios se contraem. 
Ele está se divertindo, e isso me irrita ainda mais. 
Ele se recosta em sua velha caminhonete suja e cruza os 
braços sobre o peito como se estivesse se acomodando e não 
planejando sair quando claramente não deveria estar aqui. 
— Eu acho que tudo. Você pode explicar o que a palavra 
privado significa? 
Eu zombo. 
— Significa que você não está convidado. Você não 
pertence aqui. 
Ele concorda. 
— E como exatamente você sabe que eu não pertenço aqui? 
Pelo o que eu sei, é você que não pertence aqui. 
Eu aceno com a mão a minha roupa. 
— Meu traje diz o contrário. 
— Entendo, e por que seu traje é tão importante? 
— Ha! — Eu aponto um dedo para ele. — Se você 
pertencesse aqui, isso nem seria uma pergunta. Você saberia 
exatamente por que estou vestida como... 
— Como se você tivesse um pau na bunda? 
Pela segunda vez desde que conheci esse homem, suspiro 
audivelmente com suas palavras. 
Um pau na minha bunda? 
Thad costumava ficar irritado sempre que eu usava algo 
muito decotado em um dos muitos jantares de clientes que 
tínhamos de comparecer. Aprendi rapidamente que não queria 
criar problema e deveria me cobrir. 
Eu nunca pensei que meu guarda-roupa gritasse que eu 
tenho um pau na minha bunda. 
Eu estreito meus olhos para ele, escolhendo ignorar seu 
golpe. 
— Você precisa sair antes que eu chame a segurança. 
Não faço ideia se este lugar tem segurança, mas ele não sabe 
que eu não sei. 
Ele ri, e é um som baixo e profundo. 
— Vá em frente. Chame. 
Eu não gosto da confiança em suas palavras. Ele parece 
muito certo de que não há ninguém para quem eu possa ligar. 
— Eu vou. 
— Bom. Eu vou esperar. 
Ele afunda ainda mais contra a caminhonete, me 
observando. 
Esperando. 
E esperando. 
— Bem? — Ele pergunta, arqueando uma sobrancelha. — 
Você vai ligar? 
— Eu não tenho meu telefone. 
— Tudo bem. Você pode usar o meu. 
Ele enfia a mão no bolso de trás e pega o iPhone mais 
recente, e estende na minha direção. Eu olho para ele com 
surpresa, o dispositivo é o oposto do que ele está dirigindo. Ele 
não parece que deveria ter a última geração de qualquer coisa, 
não quando sua caminhonete está literalmente sendo mantida 
junta com, caramba, são braçadeiras ao redor do espelho? 
— Vá em frente. Ligue. — Ele sacode o telefone para mim. 
Quando não alcanço o dispositivo, um sorriso lento surge em 
seus lábios. — Oh, eu entendi. Você nunca ligaria. Você estava 
apenas tentando me assustar, hein? 
— Não. Eu vou ligar. 
Ele mexe o telefone novamente, e eu não pego. 
Ele solta outra risada baixa, então desliza o telefone no bolso 
de trás. Seus braços voltam sobre o peito, e seus lábios estúpidos 
são puxados em um sorriso estúpido. 
— Ouça, querida, eu… 
— Eu não sou sua querida. Eu não sou nada sua. — Eu 
caminho em direção a ele, lábios curvados com o apelido 
indesejado, e não paro até que estou a poucos metros de 
distância, meu dedo apontado firmemente para ele. Ele não 
parece nem um pouco assustado. Na verdade, ele parece 
divertido por ter me irritado, e isso me irrita ainda mais. — 
Você está invadindo um evento privado, e eu… 
Ele levanta a mão, me parando. 
— Deixe-me ver se entendi. Você me bateu e você está com 
raiva de mim? 
— Eu não bati em você de propósito! E a única razão pela 
qual eu bati em você é porque eu estava tentando fazer você 
desligar sua maldita música porque este é um evento privado e 
você está… 
— Deixe-me adivinhar… estou invadindo? — Ele balança a 
cabeça, então se afasta da caminhonete, inclinando-se para 
baixo até que estejamos no nível dos olhos. Nossos narizes estão 
quase se tocando neste momento, e eu deveria estar totalmente 
assustada porque esse cara é um estranho. Mas eu não estou. 
Estou com muita raiva para ficar assustada. 
Eu também não deveria estar notando que seu lábio inferior 
é maior que o superior ou quão macios seus lábios parecem. 
Mas eu noto. 
Só por um segundo. 
Então, ele abre esses lábios, e todos os pensamentos dequalquer coisa que não seja raiva voam pela janela. 
— Bem, eu tenho novidades para você, querida: eu não 
estou invadindo. Eu… 
As portas do local se abrem, chamando nossa atenção. 
— Oh meu Deus! Você está aqui! — Minha irmãzinha bate 
palmas, pulando nos calcanhares animadamente, o maior 
sorriso no rosto. Eu não posso deixar de sorrir de volta para ela. 
Collin está logo atrás dela, com as mãos nos bolsos, 
observando-a com um sorriso no rosto enquanto ela desce as 
escadas em minha direção. 
Harper me puxa para um abraço, e eu a aperto de volta, 
derretendo em seu calor. Por um momento, quase esqueço 
tudo o que acabou de acontecer e o idiota parado a poucos 
metros de mim. 
Ela se afasta, me olhando. 
— Você parece… 
— Como uma bagunça? Eu sei. — Eu limpo o rímel que 
está acumulado sob meus olhos. — Desculpe. Foi meio que 
uma manhã emocional. 
Um sorriso simpático puxa em seus lábios, e eu odeio isso. 
Não quero a simpatia dela. 
Especialmente não neste fim de semana. 
Eu aceno com a mão. 
— Chega disso. Estou tão feliz por você, Harper. 
Seu sorriso triste fica radiante sem mais nem menos. 
— Obrigada. Estou tão feliz por mim também. E estou tão 
feliz que vocês dois já se conheceram — ela diz, acenando para 
o cara de pé atrás de nós. 
— Que bom que você encontrou — Collin diz, dando um 
tapinha em seu ombro e me trazendo de volta à realidade. 
— Quase não encontrei. — O cara sorri quando diz isso, e é 
como se eles estivessem em algum segredo que o resto de nós 
não conhece. 
— Por que é bom que nos conhecemos? — Eu pergunto, 
olhando para os três, sem entender como eles se conhecem. 
— Este é o companheiro de time de Collin com quem você 
estará andando pelo corredor, duh. Agora vamos — ela diz, 
enlaçando seu braço no meu e me arrastando em direção ao 
prédio. — Vocês estão atrasados e temos alguns treinos para 
fazer. 
Este é o meu parceiro para o fim de semana? 
Este cara? Aquele que eu dei um soco na cara? 
Ele é um jogador profissional de hóquei? 
Eu olho de volta para ele, observando enquanto ele 
lentamente sobe as escadas atrás de nós, aquele sorriso 
presunçoso que ele não consegue remover firmemente no 
lugar. 
Puta que pariu. 
2 
Lowell 
Collin tem sorte de ser como um irmão para mim porque, caso 
contrário, de jeito nenhum eu aguentaria essa merda. 
Primeiro eu tenho que passar o fim de semana inteiro com 
meus companheiros de time no período fora de temporada. 
Não me entenda mal, eu amo esses caras, mas também amo 
meu tempo sozinho. E agora ele está me dizendo que eu tenho 
que passar o fim de semana com a garota que me deu um soco 
na cara minutos atrás. 
Claro, eu estava errado por entrar no estacionamento com 
minha música tocando como um maníaco, mas não acho que 
isso justifica ser atingido na cara por uma estranha. 
Especialmente não no estacionamento do meu próprio 
negócio. 
Olho para a minha agressora. Ela está com a cabeça jogada 
para trás rindo de algo que Emilia, a gerente de mídia social da 
equipe, está dizendo. 
Olhando para ela agora sem todo o rímel escorrendo pelo 
rosto e o olhar enlouquecido em seus olhos, é claro que eu 
deveria ter percebido o fato de que esta é a irmã de Harper. É 
óbvio que elas são parentes. Seus rostos têm a mesma forma, e 
elas têm os mesmos lábios carnudos, o mesmo nariz empinado. 
Inferno, até a cor do cabelo delas é do mesmo tom de marrom. 
Elas parecem que poderiam ser gêmeas em vez de ter a diferença 
de idade de dois anos que eu sei que existe entre elas. 
E como eu sei todas essas informações? Collin. O cara nunca 
cala a boca sobre sua futura esposa. Mas suponho que isso é de 
se esperar quando você encontra a sua pessoa. 
Eu pensei que tinha encontrado a minha pessoa uma vez. 
Ah, como eu estava errado. Muito, muito, embaraçosamente 
errado. 
Hollis deve sentir meu olhar porque ela olha para mim, e 
aquele sorriso que ela estava usando é substituído por uma 
carranca profunda em questão de milissegundos. A mudança é 
tão drástica que me faz rir. O que, claro, a irrita ainda mais. É 
como se ela estivesse irritada com a minha mera existência. 
Ela olha para mim, e meu sorriso se abre ainda mais. Eu rio 
quando ela vira as costas para mim completamente. 
Fizemos vários ensaios para o casamento amanhã, e cada vez 
que eu tinha que dar os braços com Hollis, ela ficava mais rígida 
e ficava mais longe de mim. Não demorou muito para Harper 
perceber, e ela puxou Hollis de lado. Não tenho ideia do que 
elas conversaram, mas quando passamos pela quarta vez, foi 
muito mais tranquilo. 
Agora que terminamos de praticar, Hollis voltou a ser fria 
como gelo. Engraçado, porque eu deveria ser aquele que está 
irritado, dadas as circunstâncias de nossa apresentação. 
— Já está se divertindo? 
Meu companheiro de time, Rhodes, desliza ao meu lado. Ele 
toma um gole de sua taça de champanhe, então solta um longo 
suspiro como se estivesse tão exausto com tudo isso quanto eu. 
O que é ainda mais engraçado sabendo que de todos nós, ele é 
o que se casou mais vezes. 
Olho para a cicatriz em seu rosto e momentaneamente me 
sinto mal porque, mesmo depois de tanto tempo conhecendo-
o, ainda é a primeira coisa que meus olhos vêem. Acho que 
quando você tem uma cicatriz logo abaixo do olho, descendo 
pela bochecha e cortando os lábios e é tão marcada e irregular 
quanto a dele, é meio que esperado. 
Se ele percebe, ele não diz nada. Em vez disso, ele toma outro 
gole, olhando para a pequena multidão à nossa frente. Não há 
muitas pessoas, apenas cerca de vinte e cinco, mas parece uma 
centena dado o quanto eu não quero estar aqui agora. 
Eu dou grunhido em resposta à sua pergunta. 
Ele ri. 
— Parece que você está se divertindo tanto quanto eu em 
multidões. 
Um dos nossos melhores defensores no Carolina Comets, 
Adrian Rhodes, não é exatamente conhecido por ser social. Ele 
é tão notório por pular entrevistas quanto por suas estatísticas 
no gelo. Ele não gosta de imprensa, e ele certamente não gosta 
de multidões. 
Inferno, antes de sua esposa, Ryan, aparecer, tivemos que 
lutar com unhas e dentes para conseguir que o cara fosse tomar 
uma cerveja conosco, seus próprios companheiros de time, 
depois de um jogo. Embora ainda tenhamos que convencê-lo a 
sair com mais frequência, houve muitas vezes no ano passado 
que ele disse sim sem que estivéssemos pressionando muito. 
Mas ainda assim, o cara odeia multidões. Para mim, não são 
tanto as multidões; é apenas o evento. 
— Estou feliz que Ryan não me fez usar gravata. Eu recebo 
o suficiente disso durante a temporada. 
Porra, nem me diga. Se eu pudesse queimar meu terno e 
gravata, eu o faria. Eu sei que alguns caras adoram se vestir para 
jogos, mas eu não sou um deles. E é exatamente por isso que eu 
usei um par de jeans escuros e uma camisa de botão. Eu já tenho 
que me vestir para este evento amanhã. Eu não vou fazer isso 
hoje também. 
— Cara, eu estou feliz que nunca tivemos que passar por 
toda essa formalidade de para o nosso casamento. 
— Quero dizer, para ser justo, você se casou em Vegas... duas 
vezes. 
Ele sorri como se estivesse pensando nisso. 
— E eu faria isso de novo em um piscar de olhos. 
— Mesmo a primeira vez? 
— Especialmente a primeira vez. Isso me levou a Ryan. 
Eu faço uma careta para o amor de tudo isso. 
Rhodes percebe e ri do meu desconforto. 
— Sabe, é meio engraçado que, como um cara que odeia 
tanto relacionamentos, você é co-proprietário de um dos locais 
de casamento mais populares com sua irmã. 
— Confie em mim, eu vejo a ironia nisso também. 
Não muito tempo atrás, minha irmã mais nova, Stacie, veio 
até mim com a ideia de abrir um local de casamento ao lado da 
cervejaria que possuímos juntos na minha cidade natal, que fica 
a cerca de duas horas da arena em que jogo. 
Eu admito, foi preciso um pouco de convencimento para eu 
concordar com a ideia de montar um local para casamentos. 
Somos uma cervejaria, por que precisamos realizar casamentos? 
Mas quando ficou claro para mim que era algopelo qual ela era 
apaixonada, achei justo apoiá-la. Afinal, ela abriu mão de muito 
de sua infância pelos meus sonhos e aspirações de jogar hóquei 
profissional. 
Então, lançamos um novo prédio e conectamos os dois com 
uma enorme área de estar ao ar livre, que é facilmente 
transformada no cenário perfeito de recepção ao ar livre. 
Eu nunca pensei que estaria hospedando o casamento do 
meu companheiro de time aqui, mas Harper se apaixonou pelo 
lugar mesmo sem saber que era meu negócio, já que não é 
realmente algo que eu anuncio. Sou mais um co-proprietário 
silencioso, especialmente durante a temporada de hóquei. Ela 
ficou mais do que emocionada quando eu dei a eles o desconto 
para amigos e familiares, o que significa que eu não cobrei um 
centavo deles pelo local. Então, eles estarem me torturando 
com todas essas outras besteiras é realmente injusto. 
Não é nada contra Collin e Harper. Estou feliz por eles. O 
que eles têm parece ser uma das raras ocorrências, algo real. 
Assim como o que Ryan e Rhodes têm. 
Não, meu problema tem a ver com meu desdém pelos 
relacionamentos em geral. 
Amor e eu? Não nos damos muito bem. 
Minha irmã acha que estou sendo teimoso e que preciso 
seguir em frente. Isso é fácil para ela dizer. Não foi ela que foi 
levada a acreditar que engravidou uma mulher, a pediu em 
casamento, anunciou para o mundo que ele propôs, depois 
descobriu que era tudo falso e nada mais que uma armadilha 
para conseguir seu dinheiro de hóquei profissional. 
Uma armadilha em que caí direitinho. 
A pior parte? Na verdade, pensei que estava apaixonado por 
ela... e sei que estava apaixonado pelo bebê que nunca existiu. 
Eu não apenas lamentei a perda do meu relacionamento; eu 
lamentei a perda de um futuro que nunca foi realmente meu, e 
não estou prestes a me lançar em outro relacionamento. Ser 
queimado assim uma vez foi o suficiente para mim, obrigado. 
Então eu mantenho as coisas leves e casuais nesse 
departamento. O passe único não é bom apenas no gelo. É mais 
ou menos assim que eu vivo. 
— Ok, pergunta séria, mais alguém notou a falta de gatinhas 
nessa coisa? 
Nós dois nos viramos para Miller, que está examinando a 
multidão com o cenho franzido. 
— Primeiro — Rhodes lhe dá um tapa na nuca —, não. Pare 
de tentar pegar mulheres. Em segundo lugar, não diga gatinhas. 
É estranho. 
— Primeiro, ai. Seu cuzão. — Miller esfrega no local. — 
Segundo, não estou tentando pegar mulheres agora. Estou 
apenas fazendo reconhecimento. 
— Reconhecimento? 
— Para amanhã — ele elabora. 
Eu reviro os olhos. 
— Você é exaustivo. 
— E com tesão. Muito tesão. Solitário também. 
— Sim, mas tenho certeza que sua mão direita não está — 
comenta Rhodes, nem mesmo se preocupando em esconder 
seu sorriso por trás de sua taça de champanhe. 
— Exatamente! Esse é meu problema. — Ele levanta a mão. 
— Está ficando cansada. Tenho certeza de que está calejada, 
olhe! 
— Eu realmente prefiro não discutir seus problemas de 
masturbação, Miller — eu digo a ele. 
— Você prefere falar sobre porque você se atrasou? Era você 
quem estava se masturbando? 
Eu olho para ele. 
— Dificilmente. 
Não que eu fosse admitir isso para o idiota, mas posso 
simpatizar com ele. Meu pau viu minha mão mais do que viu 
uma boceta no último ano. 
Mas isso foi por escolha. Depois de vencer a Copa, eu queria 
tentar outra vez, e sabia que não poderia nos levar longe se não 
me concentrasse. Então foi isso que eu fiz. Joguei hóquei e tirei 
todas as outras distrações da mesa. 
Claramente, não foi suficiente. Fomos eliminados dos 
playoffs1 na segunda rodada. 
Mas não quero remoer sobre isso agora. 
— Por que você estava atrasado, no entanto? — Rhodes 
pergunta. — Não queria vir? — Bingo. — Até eu cheguei aqui 
antes de você, o que nunca acontece. Você sempre chega 
primeiro. 
Ele tem razão; não é como se eu faltasse nas coisas. 
Geralmente sou o primeiro no gelo de manhã e o último a sair 
todos os dias e depois de cada jogo. 
— Fui detido no estacionamento. 
Ele ergue uma sobrancelha questionadora. 
— O estacionamento? Aqui? 
— Sim. Você não sabe que estou invadindo? 
Eu sinto que deveria estar mais irritado com todo o 
encontro, mas pensando em como Hollis parecia totalmente 
 
1 Torneio anual de eliminação para decidir o vencedor da Copa Stanley. 
insana do lado de fora da minha janela com manchas de rímel 
escorrendo pelo rosto, não posso deixar de rir. 
— Na sua própria propriedade? — Rhodes pergunta, 
parecendo tão confuso quanto eu quando fui abordado. 
— Aparentemente sim. 
— Isso soa… 
— Completamente louco? Sim, eu sei. Diga isso a maluca 
que me agrediu no estacionamento. 
— Alguém agrediu você no estacionamento? 
— Não qualquer pessoa. A irmã de Harper. 
Miller, em seu típico estilo dramático, engasga. 
— De jeito nenhum. 
— Sim. Acertou bem na minha cara. 
— Então, eu sei que ela deveria ser sua garota e tudo mais, 
portanto você tem as primeiras ordens, mas isso significa que 
você não tem chance com ela? Ela está disponível, então? — 
Rhodes e eu lançamos um olhar incrédulo para ele. — O quê? 
Ela é gostosa! 
— Gostosa ou não, ela é louca. 
Ele dá de ombros. 
— Louca pode ser divertido. 
— O que há de errado com você? Acabei de dizer que ela me 
agrediu. 
— Oh meu Deus! Eu não te agredi! Foi um acidente! 
Eu me viro para encontrar Hollis parada ali. Ela tem uma 
mão em seu quadril, seus lábios apertados enquanto ela olha 
para mim com os olhos cheios de ira. 
Eu menti mais cedo quando disse que ela está vestida como 
se tivesse um pau na bunda. Sim, claro, seu vestido cobre todos 
os seus bens e mais alguns, mas definitivamente a abraça em 
todos os lugares certos também. É sexy de uma maneira 
discreta, especialmente agora que ela tirou a maquiagem. 
Francamente, ela é linda, e é uma distração pra caralho. 
E irritante, porque não quero achá-la atraente. Ela é louca. 
Huh. Talvez Miller tenha razão sobre loucura, afinal… 
— Você realmente bateu nele? — Miller levanta a mão para 
cumprimentá-la. — Boa! Ele provavelmente mereceu. 
Ela ignora a mão dele, mantendo os olhos em mim. 
— Eu obviamente não sabia quem você era. 
— E você não se incomodou em tentar descobrir também. 
Você apenas assumiu que eu não pertencia aqui. Por quê? Por 
causa do meu veículo? 
— Aquela coisa é uma merda total — Rhodes entra na 
conversa. 
Eu admito, minha caminhonete não está na melhor forma. 
Mas é a mesma maldita caminhonete que tenho desde o 
momento em que completei dezesseis anos, e ainda não estou 
pronto para deixá-la morrer. Mesmo que eu possa comprar um 
veículo melhor, inferno, eu poderia comprar vários melhores, 
eu não posso desistir dela. Ela tem sido boa para mim, e eu sinto 
que devo isso a ela, mantê-la. 
— E-eu… — ela gagueja. — Bem, eu… 
— Você o quê? Me julgou? Tirou conclusões precipitadas? 
— Não! Sim! 
— Bem, qual é? Não ou sim? 
— Ambos. 
— Diga-me, você agride todo mundo que você não conhece 
com base nas conclusões que você tira? Sabe, pensando bem, 
havia muita força por trás daquele soco. Parecia meio 
premeditado para mim. 
Seus olhos se estreitam, sua mão se fecha ao seu lado. 
— Ah, acredite em mim, se eu quisesse bater em você, você 
saberia. 
Eu não conheço essa mulher, mas algo me diz que ela pode 
estar dizendo a verdade. Ela pode parecer um pouco certinha, 
mas por aquela atitude raivosa que ela mostrou no 
estacionamento, eu diria que ela é tudo menos isso. 
— De alguma forma eu duvido disso, querida — eu me 
pego dizendo apenas para provocá-la. 
A maneira como sua mandíbula trabalha para frente e para 
trás é um sinal de que ela não gosta nem um pouco. 
Agora, normalmente, tenho reflexos muito bons. Você não 
se torna um jogador da NHL sem eles. Eu geralmente posso ler 
as pessoas muito bem. Mais uma vez, jogador profissional de 
hóquei. É apenas um conjunto de habilidades que vem com o 
jogo. 
Mas em nenhum lugar, nem uma vez em todos os meus anos 
de treinamento e praticando um esporteprofissionalmente, 
estive preparado para esse momento. 
Como se estivesse acontecendo em câmera lenta e eu 
estivesse na platéia assistindo ao desenrolar na tela grande, 
Hollis levanta sua taça de champanhe... e joga o líquido 
diretamente no meu rosto. 
Miller e Rhodes saltam para trás bem a tempo, deixando-me 
ali encharcado e irritado. 
Hollis dá um passo em minha direção, seus olhos nublados 
e mais raivosos do que eu já os vi, o que diz alguma coisa. 
Quando ela fica na ponta dos pés, nossos narizes estão quase se 
tocando. 
É então que noto uma diferença fundamental entre ela e 
Harper, seus olhos. 
Poças de azul escuro cheias de raiva me encaram. 
Mas não é qualquer azul escuro, e não é apenas raiva. Há 
uma profunda tristeza solitária nadando lá também. 
Por um momento, uma parte de mim esquece tudo o que 
aconteceu no estacionamento e que estou coberto de 
champanhe. Por um momento, tudo o que sinto é empatia 
completa por ela. Eu sei como é essa tristeza profunda, e eu não 
gosto que ela esteja sentindo isso. 
— Eu. Não sou. Sua. Querida. 
Hollis gira nos calcanhares e se afasta, toda a sala saltando os 
olhos entre mim e ela recuando, tentando descobrir o que 
diabos aconteceu. 
— Cara — Rhodes sussurra no meu ouvido. — Que porra 
você fez com ela? 
Eu corro minha mão pelo meu rosto para limpá-lo, 
sacudindo o excesso de champanhe dos meus dedos. Alguns 
convidados me encaram por acertar gotículas neles, mas eu 
realmente não me importo. Aparentemente, eu tenho um 
problema maior. 
— Acho que acabei de irritar minha acompanhante para o 
fim de semana. 
— Sim, eu diria. — Ele solta uma risada sem humor. — 
Chegando. 
Ele abaixa a cabeça para o outro lado da sala onde Collin está 
correndo em minha direção enquanto sua futura esposa se 
aproxima da saída, correndo atrás de sua irmã. Ele não para até 
estar bem na minha frente, seu nariz queimando de raiva. Eu só 
o vi assim uma outra vez, e nessa vez, ele acabou algemado. 
Eu levanto minha mão para detê-lo. 
— Guarde isso. Eu não estou no clima. 
Ele dá um passo em minha direção de qualquer maneira, 
ignorando minha mão. 
— Eu não dou a mínima se você está de bom humor ou não. 
Eu também não me importo com o que foi tudo isso. Tudo o 
que me importa é que você conserte isso e que você conserte 
rápido. 
Com um suspiro, dou-lhe um aceno conciso, então sigo na 
mesma direção que Harper e Hollis foram, tentando o meu 
melhor para ignorar todos os olhares curiosos e murmúrios dos 
outros convidados. 
Parte de mim entende sua frustração comigo. Se alguém 
fosse ao casamento da minha irmã e estragasse tudo como eu 
acabei de fazer, eu provavelmente reagiria da mesma maneira. 
Mas nada disso é realmente minha culpa. Não fui eu que agi 
como um louco. Não fui eu quem estava julgando se alguém 
pertencia ou não a este lugar. Não sou eu quem bateu. Não fui 
eu que joguei champanhe na cara de alguém. 
Ok, tudo bem. Eu cutuquei e estimulei um pouco, mas 
ainda assim. Um pouco dramático, não? 
Eu entro no corredor, e meus olhos imediatamente vão para 
duas figuras no final dele. Hollis e Harper estão amontoadas, 
Harper com os braços em volta de sua irmã mais velha, 
consolando-a. Hollis está chorando, isso é óbvio. Seus ombros 
estão tremendo com seus soluços, e eles não estão exatamente 
quietos. 
Estou começando a suspeitar que tive muito pouco a ver 
com sua explosão no estacionamento e agora. Isso me faz sentir 
mal porque outra coisa está claramente acontecendo. 
O desejo mais estranho de andar pelo corredor e confortá-la 
vem sobre mim, e isso me faz parar de repente. 
Meus sapatos rangem contra o chão, e os olhos de Harper 
encontram os meus com o som. Ela estreita os olhos, 
balançando a cabeça para me impedir de chegar mais perto. Ela 
se afasta de Hollis, então murmura algo para ela que eu não 
consigo entender daqui. O que quer que ela diga, Hollis acena 
com a cabeça e enxuga os olhos. 
Hollis dá um último aperto na irmã antes de sair correndo 
pela porta da frente sem olhar para trás. Harper a observa ir por 
um momento antes de se virar para mim e voltar pelo corredor 
com o olhar mais raivoso que eu já vi dela. Ela só tem cerca de 
1,60m, pequena comparada à minha estatura de 1,90m, mas 
porra, ela está assustadora agora. 
Eu abro minha boca para me desculpar com ela, mas 
quando ela levanta a mão, eu a fecho. 
— Qualquer pedido de desculpas ou contestação que você 
está prestes a me dar, guarde para Hollis amanhã. Ela está 
passando por muita coisa agora e não precisa de mais drama esta 
noite. — Ela dá outro passo em minha direção. — Mas se eu 
descobrir amanhã que você não se desculpou com minha irmã, 
vou fazer você pagar o inferno, e eu assisto muitos filmes de 
terror, então conheço muitos lugares bons para esconder um 
corpo onde eles não vão encontrar você por anos. 
Eu realmente não duvido que ela esteja dizendo a verdade. 
Então, eu aceno. 
— Entendido. 
— Bom. Agora vamos voltar para a festa. Para, você sabe, 
meu casamento amanhã. 
Com um último olhar, ela passa por mim. 
E eu sei que este fim de semana longo ficou muito maior. 
3 
Hollis 
— Oh meu Deus, você deveria ter visto o jeito que vocês dois 
caminharam até o altar. Vocês estavam tão duros! Ainda não 
consigo acreditar que você bateu nele. 
— Ele mereceu! Você poderia ter me avisado sobre ele, você 
sabe — eu reclamo para Emilia enquanto deslizamos até um 
dos muitos bares que este lugar tem. 
— Oh, vamos lá. Ele não é tão ruim — ela diz. — Na 
verdade, ele é realmente muito legal. Provavelmente um dos 
caras mais legais do time, para ser honesta. Ele sempre joga por 
coisas de caridade e é tão bom com todas as crianças. 
— Parece que você tem uma queda por ele. 
— Ha. Dificilmente. Quero dizer, o homem é insanamente 
gostoso? Sim. Obviamente. Duh. Mas você não quer mexer 
com jogadores de hóquei. — Ela diz isso como se estivesse 
falando por experiência própria, e eu tenho a sensação de que 
ela está. 
Emilia se mudou para cá há alguns anos depois que 
descobriu que seu namorado estava vivendo uma vida dupla 
com ela e a vizinha ao lado. Assim como eu, ela teve que largar 
tudo. Embora eu sentisse falta dela, eu não podia culpá-la por 
isso. Especialmente quando lhe ofereceram um cargo de 
gerente de mídia social em um time profissional de hóquei. 
No primeiro fim de semana em que ela morou aqui, ela teve 
um caso de duas noites com um cara misterioso, e algo em 
minhas entranhas me diz que foi um dos jogadores com quem 
ela trabalha, embora ela não confirme. 
— Espere... não é ele, é? 
— Oh… não. — Embora suas bochechas fiquem vermelhas. 
— Peça-me um vinho, sim? Vou correr para o banheiro bem 
rápido. 
Eu me sento em um banquinho e suspiro. Meus pés estão 
me matando, e eu não quero nada mais do que tomar um 
banho quente e mergulhar nele por horas. 
— Longo dia? — O barman pergunta, colocando um 
guardanapo na minha frente. 
— O mais longo. 
Acordei esta manhã com uma dor de cabeça terrível, sem 
dúvida por causa de todo o choro de ontem. Então, quando 
verifiquei minha conta bancária, como faço todas as manhãs 
porque sou responsável assim, percebi que alguém havia feito 
não uma, não duas, mas três compras no meu cartão sem minha 
autorização. Adivinha quem passou a manhã ao telefone com 
o banco para tratar disso? Eu. 
Então, o café que eu tinha entregue pelo serviço de quarto, 
uma ostentação por si só, não veio com creme, e quando liguei 
para a recepção para pedir um pouco, eles me disseram que 
estavam sem. O que significava que eu estava presa com café 
preto, e eu odeio café preto. 
Isso foi tudo antes mesmo de eu sair da cama. 
Eu também tive que lidar com minha irmã surtando com 
coisas de última hora, minha mãe surtando com coisas de 
última hora, e todo mundo surtando com coisas de última 
hora. E nem me fale sobre os olhares de pena que tenho 
recebido de todos que sabem que acabei de me divorciar. 
Foi um dia emocionalmente desgastante em muitos níveis. 
O barman ri como seentendesse a piada, mesmo que ele não 
tenha ideia de quanto esse dia realmente foi longo para mim. 
— O que eu posso trazer para você? 
— Você tem achocolatado? 
Não sei por que digo isso. Eu tinha toda a intenção de ficar 
bêbada esta noite, mas o vinho não parece atraente agora. 
Ele levanta as sobrancelhas, então lança um olhar para o bar. 
— Temos achocolatado esta noite, chefe? 
Chefe? 
Eu virei no meu banquinho para encontrar minha pessoa 
menos favorita no mundo agora. 
Na verdade, provavelmente minha segunda pessoa menos 
favorita no mundo agora, foda-se aquele idiota que roubou as 
informações do meu cartão de crédito. 
Prendo a respiração, esperando que ele diga algo estúpido, 
porque aparentemente é a única coisa que pode sair de sua 
boca. 
Mas para minha surpresa, ele não diz. Ele apenas olha para o 
barman e acena com a cabeça. 
— Sim, nós temos. 
O barman bate no balcão duas vezes e me diz que já vai 
voltar, então vai embora. Eu me viro para agradecê-lo pela 
bebida, mas as palavras morrem na minha língua quando 
percebo que ele está se levantando e movendo dois bancos para 
se sentar ao meu lado. 
Tipo bem ao meu lado. Tão perto que posso sentir o cheiro 
dele, e ele tem um cheiro divino. Quase como uma sugestão de 
algo amadeirado com apenas uma nota de laranja. 
Odeio que eu tenha gostado. 
Ele não diz nada enquanto se senta, seu calor me envolvendo 
como um cobertor que eu não pedi. De alguma forma, ele 
parece muito mais alto sentado ao meu lado do que de pé ao 
meu lado. Eu não achava que meus saltos me davam tanta 
altura, mas me sinto tão pequena sentada ao lado dele agora. 
— Você sabe que sua irmã e Collin pagaram por um open 
bar, certo? 
— Estou ciente. 
Ele levanta uma sobrancelha, esperando que eu explique. 
Não, porque tudo o que posso ouvir é a voz de Thad na minha 
cabeça. Ele costumava ficar tão bravo comigo quando eu pedia 
em suas funções de trabalho porque era “embaraçoso”. 
— Achocolatado, Hollis? Sério? Você é uma adulta, os adultos 
não bebem achocolatado. Cresça. 
Mas ele nunca soube que eu amo tanto achocolatado 
porque me lembra das manhãs cedo com meu pai. Ele se 
levantava, tomava um bule de café e lia o jornal. Ele me servia 
um copo de achocolatado e me entregava a seção de palavras 
cruzadas. Sentávamos calmamente à mesa da cozinha enquanto 
ele lia e eu trabalhava. 
Sempre foi uma coisa de conforto para mim. Sempre que 
estou em uma situação de alto estresse, tomo um copo de 
achocolatado para acalmar meus nervos. Isso me ajuda a voltar 
a tempos mais simples, quando eu era jovem, esperançosa e não 
percebia o quão cruel o mundo pode ser. 
Antes do meu marido acabar se mostrando nada melhor do 
que qualquer outro homem na minha vida e me traísse. 
— Ok — diz ele, e, chocantemente, abandona o assunto. Ele 
levanta a própria bebida de sua escolha, parece um coquetel de 
algum tipo, e toma um gole saudável. 
Sentamos um ao lado do outro em silêncio por um longo 
tempo. Quanto tempo, eu não tenho ideia, mas seria muito 
errado pedir ao cara para ir embora depois do que ele acabou de 
fazer por mim com o achocolatado. 
Além disso, acho que devo a ele depois de ontem. Eu tento 
não me encolher pensando nisso. Esse não foi um dos melhores 
momentos da minha vida. 
Eu não tenho ideia do que aconteceu. Minhas emoções 
levaram o melhor de mim. Eu já estava estressada com a 
situação, e ele e sua atitude presunçosa não melhoraram nada. 
— Olha, sobre ontem — ele diz como se pudesse ler minha 
mente. — Eu… 
Levanto a minha mão, parando-o. 
— Não precisa se desculpar. Sou eu quem deveria estar 
pedindo desculpas. Eu estava completamente fora de mim em 
muitos aspectos, e lamento isso. Estou passando por um 
momento difícil, mas não deveria ter descontado em você. 
— Eu não ia me desculpar. 
Eu empurro minha cabeça para trás. 
— Como é? 
— Eu não ia me desculpar. Eu só ia dizer que sinto muito 
por você estar passando pelo que quer que esteja passando, mas 
eu te perdoo por suas ações ontem. 
Cara, esse homem é engraçado. 
— Você está falando sério? 
— Você está falando sério? Porque pelo que me lembro, eu 
não estava fazendo nada além de cuidar da minha vida ontem. 
Você foi quem me atacou. Ambas as vezes. 
— Você provocou. 
— Ok, tudo bem — diz ele com um encolher de ombros. — 
Eu admito isso. 
— E eu admito que eu posso ter sido um pouco… 
— Louca? Errática? Completamente idiota? 
Eu estreito meus olhos para ele, mesmo que ele não esteja 
errado. Fui eu quem atacou ontem, literalmente, embora não 
pretendesse. Mas foi ele que me provocou. Ele deve assumir a 
culpa também. 
Estou cansada demais para continuar discutindo e me 
importando. 
Eu solto um longo suspiro. 
— Olha, é óbvio que começamos com o pé errado, e sim, 
talvez eu estivesse um pouco — enfatizo a palavra para que ele 
saiba que não sou a única culpada aqui — louca ontem, mas 
podemos começar de novo? 
Ele me olha com cuidado, aqueles cativantes olhos verdes 
dele saltando para frente e para trás entre os meus próprios 
olhos azuis. Me assistindo. Esperando. Eu não sei para quê, mas 
seu olhar penetrante é intenso o suficiente para me fazer mexer 
no meu assento. Não gosto de como isso não me traz conforto 
nem desconforto. 
Se alguma coisa, eu me sinto vista pela primeira vez em 
muito tempo. 
Depois do que parece uma eternidade, ele me dá um aceno 
lento. 
— Sim, podemos começar de novo. — Ele levanta sua 
bebida assim que o barman coloca um copo de achocolatado 
na minha frente. — A recomeçar? 
— A recomeçar. 
Nós brindamos com nossos copos. 
Tomo um gole do meu achocolatado enquanto ele toma o 
resto de sua bebida, então acena para o barman pedindo outra. 
— Você não se afastou de mim depois da cerimônia — diz 
ele, passando a mão pelo cabelo. — Estou impressionado. E 
impressionado que você não me bateu ou jogou champanhe 
em mim. 
— Bem, a noite ainda é uma criança — eu digo. 
— Isso é justo. — Ele limpa a garganta e passa a mão sobre a 
barba por fazer em seu rosto. — Acho que devo dizer que sinto 
muito. Eu mesmo fui um pouco... antagônico. 
— Um pouco? 
— Ok, muito. Eu só... não gosto muito de casamentos. 
— Não gosta muito de casamentos? Você não é o 
proprietário deste local? 
— Co-proprietário. — Ele concorda. — Com minha irmã, 
na verdade. Ela é quem queria usar a propriedade extra para 
casamentos. Achei que deveríamos apenas construir uma área 
de atividade ou espaço aberto para os food trucks pararem, mas 
ela estava certa sobre os números para um local de casamento. 
É muito mais lucrativo do que qualquer outra coisa. 
Ah, então ele é um desses caras, sempre sobre o dinheiro. 
Thad também era assim. Ele queria o melhor e mais recente, 
e queria antes que qualquer outra pessoa pudesse tê-lo. 
— Sim, tenho certeza que você está sofrendo por dinheiro, 
Sr. Superstar da NHL. 
— Ah, então você sabe meu nome. Eu estava começando a 
me perguntar. 
Eu reviro os olhos. 
— Eu sei seu nome, Lowell. 
Mesmo que a sala esteja mal iluminada, não perco a forma 
como seus olhos brilham quando digo seu nome pela primeira 
vez, testando-o em meus lábios e ouvidos. 
— Cameron. 
— Huh? 
— Meu primeiro nome, é Cameron. 
Eu estendo minha mão para ele. 
— Prazer em conhecê-lo, Cameron. Eu sou Hollis. 
Seus olhos brilham novamente quando ele aperta minha 
mão. 
— Prazer em conhecê-la, Hollis. 
Um arrepio percorre minha espinha quando meu nome sai 
de seus lábios. Ele diz isso como se estivesse xingando e beijando 
tudo de uma vez. 
Nós não puxamos nossas mãos para trás imediatamente. Na 
verdade, é seguro dizer que ficamos sentados segurando as 
palmas das mãos um do outro por muito mais tempo do que o 
apropriado. 
Eu não consigo me afastar e, aparentemente, ele também 
não. Eu não entendo, e baseado na forma como suas 
sobrancelhas afundam cada vez mais a cada segundo, ele 
também não. 
O barman coloca uma nova bebida na frente de Lowell, e 
finalmente quebramos o contato. 
— Então — eu digo, esfregando minha mão contra minhacoxa. Não tenho certeza se estou limpando seu toque ou 
tentando saboreá-lo. — Como exatamente uma estrela da 
NHL que não gosta de casamentos se torna dono de um local 
para casamentos? 
— Não é qualquer local de casamento, um local de 
casamento e uma cervejaria. — Ele dá de ombros. — Apenas 
algo divertido para investir. Eu realmente não tenho muito a 
dizer por aqui. Minha irmã é a verdadeira chefe. 
Não sei por que, mas gosto que ele não leve todo o crédito 
pelo negócio como a maioria dos homens faria. Eu gosto que 
ele foca a atenção em sua irmã. Embora eu tenha certeza de que 
sendo um jogador da NHL, ele recebe muita atenção. Ele não 
precisa disso também. 
— Acho que isso faz sentido, então. Mas se você não gosta 
de casamentos, por que deu a aprovação? 
— Porque era o que ela queria. — Ele diz isso como um fato, 
e eu gosto disso também. 
— Eu entendo. E você não gosta de casamentos porque… 
— E você estava chorando em seu carro ontem porque… — 
ele desafia. 
Bem, merda. Ele me pegou bem aí. 
Com base na maneira como ele sorri, ele também sabe. Ele 
leva sua bebida à boca, ainda olhando para mim com 
expectativa como se eu fosse derramar minhas entranhas com 
apenas um olhar. Sem chance. 
— Puxa, eu me sinto muito melhor. Eu tive que fazer xixi 
durante todos aqueles discursos. A propósito, o seu foi ótimo. 
— Emilia se joga no banco ao meu lado. — Oh, bom, você 
pediu o meu vinho. 
Exceto que eu não pedi o vinho dela. Esqueci disso no 
momento em que me sentei e percebi que Lowell estava aqui. 
Olho ao redor, tentando descobrir de quem veio, e não 
perco o jeito que o cara mais velho do outro lado do bar está 
olhando fixamente para este lado, os olhos firmemente em 
Emilia. Quando ele finalmente tira os olhos dela e percebe que 
eu estou olhando para ele, ele desvia o olhar. 
Emilia não percebe nada disso. Ela apenas pega seu copo, 
bebendo metade de uma vez antes de acenar para o meu. 
— Eles têm achocolatado aqui? 
— Eu me certifiquei de que eles trouxessem um pouco para 
ela. 
— Ah, ei, Lowell. Não te vi aí. 
— Emilia. — Seus olhos saltam entre nós. — Vocês duas se 
conhecem? 
— Você poderia dizer isso. — Emilia me dá uma cotovelada 
de leve, sorrindo. — Nós nos conhecemos desde a primeira 
série, o primeiro dia da primeira série para ser exata. Hollis era 
muito tímida na época e ficou tão nervosa no ônibus para a 
escola que vomitou na lancheira e não contou a ninguém sobre 
isso. Quando chegou a hora do almoço, me senti mal e dividi 
metade do meu sanduíche de manteiga de amendoim e geleia 
com ela. Somos melhores amigas desde então. 
Eu tento não reagir à história porque mesmo sendo apenas 
uma criança, ainda é embaraçoso. 
— Huh — diz Lowell. — É difícil imaginar Hollis tão 
tímida. 
— Eu posso imaginar que é para você. Ouvi dizer que ela 
bateu muito bem em você. 
— Claro que sim. É uma lutadora, essa aí. 
— Essa aí está sentada bem aqui — eu interrompo, olhando 
incisivamente para Emilia, que apenas sorri de volta para mim. 
— Vamos, vamos dançar. 
— Mas você odeia dançar. 
— Não, eu não odeio. 
— Sim, você odeia. Você mal dançou no seu casam... — Ela 
para no meio da frase, fechando a boca, percebendo que talvez 
agora não seja um bom momento para falar sobre isso. — Você 
tem razão. Você adora dançar. Vamos dançar. — Ela engole o 
resto de seu vinho em um gole, então pula do banco. — Além 
disso, eles estão tocando Queen, e você ama Queen. 
No momento em que ela diz isso, meus olhos encontram os 
de Lowell, e seu olhar verde está dançando de tanto rir. 
— Ama eles, hein? — Ele diz. — Pensei que fossem... como 
você os chamou mesmo? Merda? 
Emilia suspira. 
— Ela nunca falaria isso! Ela é obcecada por eles. 
— É mesmo, Hollis? 
Eu dou de ombros, e ele balança a cabeça com um sorriso 
que acho encantador demais enquanto Emilia me arrasta para 
longe. 
Pela primeira vez desde que o conheci, não tenho certeza se 
quero ficar longe dele. 
4 
Lowell 
Eu me sinto como um maldito esquisito agora. 
Eu estive sentado no bar nos últimos vinte minutos apenas 
assistindo Hollis e Emilia dançando na pista. Elas estão rindo 
de alguma coisa, o que, eu não sei, mas não posso deixar de 
notar que esta versão de Hollis é exatamente o oposto da versão 
que conheci ontem. 
Honestamente, ela é confusa como o inferno. 
E intrigante. 
Eu odeio que ela seja intrigante porque isso me faz querer 
conhecê-la. Eu não quero querer conhecê-la. 
— Você parece uma merda esmagada de cachorro. 
— Obrigado. Eu esperava que alguém notasse o quanto eu 
trabalhei para ter uma boa aparência hoje. 
Smith ri, sentando-se no banco ao meu lado. 
— Isso tem alguma coisa a ver com a briga que você 
começou na noite passada? 
— Um, não foi uma briga. Dois, como você sabe disso? 
Você não estava lá. 
Ele levanta um ombro. 
— A notícia se espalha. 
— Miller? — Seu sorriso é resposta suficiente, e eu balanço 
minha cabeça. — Maldito novato. — Eu bebo o resto do meu 
coquetel e aceno para o barman pedindo outro. — Não é sobre 
ontem à noite. É só... outra merda. 
— Outra merda tipo aquela garota que você está olhando? 
Meus olhos voltam para a pista de dança no meio do pátio. 
Hollis tem os braços para cima enquanto ela balança a bunda 
de um lado para o outro. Honestamente, ela é uma dançarina 
horrível. Sem ritmo e não sabe mexer o corpo de jeito nenhum. 
Mas por alguma razão, eu ainda não consigo desviar o olhar. 
— Interessante — ele murmura, e volto minha atenção para 
ele. 
— O quê? 
— Nada. Faz tempo que não te vejo assim. 
— Assim como? 
— Cativado. 
Eu zombo. 
— Não estou cativado. Eu estou… 
— Interessado? 
Eu olho para ele. 
— Intrigado, é tudo. 
— Certo. 
— Cara, não é nada. 
Ele ergue as mãos em inocência. 
— Eu não disse que era. 
— Seu tom fez parecer. 
— E sua insistência de que não é nada também fez. 
— Porque não é nada. Você sabe como me sinto sobre 
relacionamentos. 
Quando tudo aconteceu com Celine há vários anos, Smith 
estava lá para me ajudar a juntar os pedaços e me recompor. Eu 
ainda estava me encontrando com os Comets na época, e Smith 
me colocou sob sua asa e me ajudou a enroscar minha cabeça 
de volta para que toda a bagunça não afetasse muito meu 
desempenho no gelo. Ele disse que eu era muito jovem e tinha 
uma carreira muito promissora para deixar algo assim me 
derrubar e me mandar de volta para a AHL. 
Então, adotei sua filosofia de vida: o hóquei vem em 
primeiro lugar, não importa o quê. Eu vivi por essa regra nos 
últimos anos e isso me manteve no caminho certo. Por causa 
disso, eu pude levantar a Taça Stanley sobre minha cabeça, e é 
disso que se trata, não é? 
— E você entende, nós temos a mesma visão sobre isso — 
eu digo. 
Ele passa a mão pelo queixo, coçando a barba bem aparada 
que mantém. 
— Não sei. Estou começando a pensar que posso estar 
errado sobre isso, afinal. 
Eu jogo minha cabeça para trás, surpreso com suas palavras. 
— Oh cara, me diga que você não está ficando mole comigo 
também. Já é ruim ouvir Collin e Rhodes falando sobre suas 
esposas. Não me diga que eles pegaram você também. 
Ele levanta um ombro. 
— Não. Apenas... envelhecendo. Começando a perceber as 
coisas que importam e as que não importam. 
— O hóquei importa. 
— O hóquei sempre importa. Mas... algumas coisas 
importam mais. 
Eu sigo sua linha de visão para a pista de dança, e a menos 
que eu esteja completamente louco, ele está olhando direto 
para a parceira de dança de Hollis. 
Eu tenho perguntas, tantas perguntas, mas assim como eu, 
Smith é um cara reservado. Isso é algo com o qual concordamos 
e respeitamos um ao outro. 
Eu não posso deixar de me perguntar se Emilia pode ser a 
causa da mudança que eu vi nele nos últimos dois anos. A linha 
do tempo bate… 
— Me ignore — diz ele, interrompendo meus pensamentos. 
— É apenas o casamento. Às vezes eles te fazem pensar, sabe? 
Sobre coisas que você pode estar perdendo. 
Uma pontada aguda no meu peito chama minha atenção. 
— Perdendo? O que pode estar faltando? 
Ele me dáum olhar que me diz que eu sei exatamente a que 
ele está se referindo, mas eu ignoro. 
Ele quer dizer amor. Não sinto falta do amor porque não 
preciso dele. Eu não preciso disso porque eu já tive e é uma 
porcaria. Tudo que eu preciso é hóquei... e talvez alguns 
encontros de uma noite. É isso. 
— Enfim. — Ele se afasta do bar, então me dá um tapinha 
nas costas. — Eu vou impedir Miller de apalpar a avó de Ryan. 
Ele está ficando atrevido, e eu não confio no novato. 
Eu rio porque provavelmente não é uma má ideia. Dizer que 
Miller é um pouco imprevisível seria um eufemismo. 
Ele se vira e dá dois passos antes de girar de volta para mim. 
Eu levanto uma sobrancelha para ele em questão. 
— Convide-a para dançar. 
— Convidar quem para dançar? 
— A garota que você não consegue tirar os olhos. Confie em 
mim, se eu pudesse convidar alguém para dançar agora, eu faria. 
— Ele olha para a pista de dança ansiosamente antes de balançar 
a cabeça e recuar para a multidão. 
Eu tiro meus olhos de suas costas e olho para a multidão na 
pista. Hollis está dançando bem no centro, balançando os 
braços, se divertindo como nunca. 
Ela parece ridícula. Feliz. 
E por um breve momento, eu quero estar lá com ela me 
divertindo também. 
A música lentamente desliza em um ritmo muito mais 
suave. Emilia faz um movimento em direção ao bar, mas Hollis 
acena para ela, balançando para frente e para trás lentamente, 
sozinha no meio da multidão. 
Eu não sei porque eu faço isso. Pode ser as palavras de Smith 
se repetindo na minha cabeça, ou pode ser porque ela parece 
tão estranha balançando para frente e para trás sozinha. De 
qualquer forma, deixo meus pés me levarem para frente. 
Eu não paro até estar bem na frente dela. Seus olhos se 
arregalam, surpresos ao me ver. Estou surpreso com isso 
também. 
Eu não sei quem faz o primeiro movimento, mas em um 
segundo ela está a um metro de distância de mim, e no próximo 
ela está em meus braços, não mais dançando desajeitadamente 
sozinha. 
Estamos nos movendo lentamente pela pista de dança, 
completamente coordenados, e é confortável fazer isso com ela. 
Talvez seja só porque eu não estive tão perto de alguém em 
muito tempo, mas seu corpo se sente bem ao lado do meu. 
Suave... quente. 
— Você é muito bom nisso — ela murmura baixinho depois 
de vários longos segundos em silêncio. 
— Aulas. 
— Huh? 
— Eu tive aulas de dança. Balé também. Muitos jogadores 
de hóquei fazem isso. Nos ajuda a nos mover melhor no gelo, 
aumenta nossa flexibilidade e agilidade. 
Ela inclina a cabeça para o lado. 
— Isso é... inesperado. 
— Além disso, isso nos ajuda a marcar pontos com as 
mulheres. 
— É algo que você precisa de ajuda? Marcar pontos com as 
mulheres? 
— Eu não sei, você me diz. Como eu estou indo? 
— Escala de um a dez? — Eu concordo. — Eu diria um 
quatro sólido. 
— Um quatro? 
— Um quatro sólido. 
— Ah, sim, sólido torna muito melhor. 
— Quero dizer, realmente torna. Você pode ser um quatro 
suave, que é mais como um três. 
— De dez? 
Ela acena. 
— Temo que sim. 
— E como alguém consegue um três de dez exatamente? 
Ela gesticula atrás de mim, então eu nos giro, querendo ver 
o que ela está olhando. 
— Você vê aquele cara dançando com a velhinha? Isto é um 
três sólido. Ele definitivamente ganha pontos por se divertir 
com os idosos, mas perde muitos pontos porque parece 
desesperado, como se estivesse se esforçando demais para 
impressionar alguém. 
— Você sabe que é meu companheiro de time, certo? 
— Ei, eu não faço as regras, eu apenas as repasso. 
— Eu diria que sua pontuação é perfeita porque, bem, eu 
conheço Miller e ele definitivamente está se esforçando demais, 
mas ainda estou confuso como ele é um três sólido enquanto 
eu sou um quatro sólido. Não dancei com nenhuma velhinha 
esta noite, e certamente não pareço desesperado. Como estou 
apenas um ponto à frente dele? 
— Ah, veja, é aí que fica meio complicado. Você não dançou 
com nenhuma velhinha esta noite, então você definitivamente 
perde pontos aí. Você também não dançou com ninguém esta 
noite, então você perde mais pontos aí. Na verdade, tudo o que 
você fez foi sentar no bar se escondendo, então, novamente, 
você perde mais pontos. A esse ponto, você é um. 
— Como você sabe o que eu tenho feito a noite toda? 
Suas bochechas ficam rosadas como se ela tivesse admitido 
algo que não deveria. 
— Esse não é o ponto — ela murmura. — O ponto são os 
pontos. 
— Certo. E eu tenho... um? Por não ser cavalheiresco o 
suficiente e ser um idiota anti-social, mas também não parecer 
desesperado? 
Ela balança a cabeça. 
— Quatro. 
— Como eu ganho os outros três? 
— Terno elegante e a barba sexy e desleixada combinada 
com sua atitude de clube de corações solitários, dando-lhe toda 
essa vibe de, estou quebrado, por favor, conserte-me, trouxe-lhe 
alguns. 
— Vamos definitivamente voltar para aquele terno elegante 
e a barba sexy desalinhada. 
— Ah, veja, você falou, então você voltou para um três. 
Você é muito mais fofo quando não fala. 
— Devidamente anotado. Não falar, entendi. 
— Olhe para isso, já baixou para dois. 
— Bem, já que estou perdendo pontos a cada minuto, 
gostaria de abordar toda a coisa do clube dos corações solitários. 
Posso garantir que não estou aqui procurando uma amante ou 
uma amiga. 
— Sério? Afinal, é um casamento. Não é isso que as pessoas 
fazem em casamentos? Eles dão uns amassos e fazem más 
escolhas que vão se arrepender mais tarde porque estão tristes e 
solitários porque outra pessoa está tendo seu felizes para 
sempre quando eles são um recém-divorciado de quase trinta 
anos começando sua vida novamente. 
Eu levanto uma sobrancelha arqueada para ela. 
— Parece que você está falando por experiência própria. 
Mas faria sentido, o motivo pelo qual ela estava chorando 
em seu carro, o motivo pelo qual ela chorou durante todo o fim 
de semana, o motivo pelo qual suas emoções parecem estar em 
todo lugar. 
Se ela é recém-divorciada, este fim de semana deve doer para 
ela. 
A única indicação de que eu posso estar certo é a maneira 
como seus olhos se afastam dos meus pouco antes que a mesma 
tristeza que eu vi antes volte para seu olhar, e isso me faz querer 
abraçá-la e envolvê-la em meus braços para formar uma camada 
protetora para que ninguém possa machucá-la novamente. 
Quem quer que a tenha quebrado assim, eu quero quebrá-los. 
Mais do que isso, quero vê-la feliz e despreocupada 
novamente. Eu faria qualquer coisa para ter isso de volta. 
Eu a puxo para mais perto até que seu corpo esteja colado ao 
meu e coloco meus lábios em seu ouvido, tentando não me 
distrair com o quão bom é seu cheiro quando estou tão perto 
dela. Sua frequência cardíaca aumenta com a nossa 
proximidade, e eu posso ouvir sua respiração ficando mais forte 
a cada segundo. 
— Diga-me, Hollis, você está procurando um amante ou 
amigo? 
Ela engole em seco. É tão audível que eu ouço isso também. 
Ela inclina a cabeça para trás, olhando para mim, sua língua 
correndo para molhar os lábios. 
— Você está oferecendo? 
É a minha vez de ficar surpreso porque eu não esperava que 
ela dissesse isso. 
— Isso depende... Qual deles você está procurando? 
Ela ri, embora não haja humor nisso, e lentamente balança a 
cabeça. 
— Nenhum. Eu não tenho nenhum interesse em procurar 
também. Não agora. 
— Todo mundo merece um amigo, Hollis. Até você. — Eu 
inclino minha cabeça para baixo até que estejamos olho no 
olho. — Especialmente você. 
Outra respiração gaguejante. 
Seus olhos lampejam para os meus lábios, depois para os 
meus olhos, de volta para os meus lábios mais uma vez. 
Se eu me movesse apenas um centímetro, nossas bocas 
tocariam. Eu estaria beijando Hollis, e não acho que iria parar 
tão cedo. 
Ela abre a boca para responder, mas o que quer que esteja 
prestes a dizer é interrompido pelo som do obturador de uma 
câmera. 
Eu encaro o intruso. 
— Desculpe — diz o fotógrafo do casamento, não 
parecendo nem um pouco arrependido. — Vocês dois estavam 
apenas…uau. A química estava brilhando, eu tive que capturá-
la. 
Ele balança a câmera para nós e tira mais algumas fotos antes 
de sair. O momento passou. 
Eu olho de volta para Hollis, mas com o quão rígida ela 
ficou em meus braços, eu já sei o que está por vir antes mesmo 
que ela diga. 
— Eu tenho que ir. 
Ela se afasta, e eu a deixo ir. 
Não sei quanto tempo fico ali olhando ela se afastar, e não 
sei quanto tempo fico ali parado depois que ela se foi. 
Eu sei que levo um segundo para sentir falta dela e querer 
abraçá-la novamente, e dois segundos para afastar as centenas 
de perguntas que já estão passando pela minha cabeça. 
Também sei que preciso de exatamente trinta passos para 
chegar à porta que leva para fora, e demoro um minuto para 
encontrá-la nos jardins ao lado da cervejaria. 
Ela está sentada em um banco, os ombros curvados para a 
frente, a cabeça apoiada nas mãos. É óbvio que ela está 
chateada, mas não sei sobre o quê, e não sei por que me importo 
tanto. 
Por que diabos eu me importo tanto? 
Eu caminho em direção a ela lenta e silenciosamente, não 
querendo assustá-la, mas de alguma forma, ela sabe que estou 
aqui. 
— Você não pode ser meu amigo, Lowell. 
Sento-me no banco ao lado dela, sem perder a lágrima que 
escorre pelo seu rosto. 
— Por que não? 
— Porque eu não gosto de você. 
Eu rio baixinho, gentilmente alcançando seu rosto e 
inclinando-o para que ela esteja olhando para mim. 
— Isso é bom. Eu também não gosto muito de você. 
É mentira. Eu gosto dela. Na verdade, não consigo me 
lembrar da última vez que gostei tanto de alguém quanto gosto 
dela. 
Eu não quero gostar dela, assim como eu realmente não 
quero lutar contra essa vontade de pressionar meus lábios nos 
dela. Eu não quero querer beijá-la. 
Mas eu quero. 
Eu realmente, realmente quero. 
Especialmente quando ela está olhando para mim com os 
olhos arregalados cheios de lágrimas não derramadas. Eu quero 
beijar toda a tristeza e todos os problemas que ela parece estar 
tendo. Quero vê-la sorrir novamente. Eu quero vê-la rir. 
Quero prová-la. 
Acho que ela está tão surpresa quanto eu quando pressiono 
meus lábios nos dela. Ela leva um momento para responder, 
como se estivesse esperando seu cérebro entender o que está 
acontecendo. 
Eu estou esperando meu cérebro entender o que está 
acontecendo também. 
Por que estou beijando ela? Que diabos estou fazendo? 
Eu não sei quanto tempo ficamos assim, imóveis, nossos 
lábios apenas descansando juntos, mas é como se toda a tensão 
saísse do ar em um segundo e não estivéssemos mais sentados. 
Hollis me beija de volta como se fosse o primeiro e último 
beijo que ela vai ter, e eu não ouso desperdiçar um segundo, 
deslizando minha mão mais para cima em seu cabelo, a outra 
indo para seu quadril, arrastando-a para mim até ela estar 
montada no meu colo. 
Ela solta um gemido baixo no momento em que nossos 
corpos se conectam, então se acomoda contra mim como se 
estivesse sentada exatamente onde ela pertence. Suas mãos 
entram no meu cabelo, me puxando para mais perto e 
aprofundando o beijo. 
Não há como ela não sentir meu pau através dessas calças 
horríveis, assim como não há como confundir a mancha 
molhada pressionando contra mim onde nossos corpos estão se 
encontrando. 
Eu arrasto minhas mãos por seu corpo, correndo meus 
dedos ao longo de suas curvas, memorizando-as, certificando-
me de tocar cada centímetro dela. Eu deslizo minhas mãos 
sobre sua bunda e sob o vestido fino e esvoaçante que está 
amarrado em torno de sua cintura. Minhas mãos deslizam 
sobre suas nádegas, e faço um ruído baixo de aprovação quando 
percebo que ela está usando uma calcinha fio-dental. 
Ela afasta a boca com o som, sua respiração fica irregular 
enquanto ela olha para mim com olhos vidrados, desta vez por 
um motivo diferente de lágrimas. 
— O que estamos fazendo, Lowell? 
— Estou sendo seu amigo. 
Ela ri baixinho. 
— Eu disse que não quero ser sua amiga. Eu não gosto de 
você. 
— Tudo bem. Então eu estou sendo seu amante. 
Ela esmaga o lábio entre os dentes. 
— Isso é uma má ideia. 
— Eu sei. 
— É uma ideia muito, muito ruim. 
— Eu sei. 
— Isso é exatamente como uma daquelas ideias ruins que eu 
estava falando antes. 
— Eu sei, Hollis. — Eu aperto as bochechas de sua bunda, 
deixando cair minha testa na dela. — Eu sei. 
Ela está certa. É uma péssima ideia. Tipo, a pior possível de 
todos os tempos. 
Ela é cunhada do meu companheiro de time. Collin me 
mataria. Sem mencionar que ela é recém-divorciada e dormir 
com ela agora provavelmente cairia em uma área moralmente 
cinzenta. Ela está muito vulnerável emocionalmente. 
Ela também... 
Ela move os quadris, esfregando-se contra o meu pau, que 
ainda está morrendo de vontade de sair dessas calças. Eu agarro 
seus quadris, puxando-a para mais perto porque, oh Deus, ela 
é tão boa. Eu corro meu nariz ao longo de sua mandíbula, 
amando o cheiro de flores frescas que parece estar irradiando 
dela. 
— O que você está fazendo, Hollis? 
— Não sei. 
— Achei que era uma má decisão. 
— E é. Tão ruim. 
— A pior — eu concordo, salpicando beijos ao longo de seu 
pescoço. 
Ela acena. 
— Lowell? 
— Hum? 
Ela se afasta, nossos olhos colidindo, a lua refletindo em seu 
olhar azul escuro. 
Se este é o momento em que ela vai embora, quero 
memorizá-la. Ela é linda, sua pele ligeiramente pegajosa do calor 
no ar, bochechas coradas dos meus beijos, cabelo uma bagunça 
feita pelas minhas mãos. 
Sua boca se abre, e ela diz algo que eu não sabia que precisava 
tanto ouvir: 
— Quero tomar uma decisão ruim com você. 
5 
Hollis 
Eu não choro desde o casamento da Harper em julho, uma 
coisinha da qual estou imensamente orgulhosa, considerando 
o quão estressante tudo tem sido na minha vida. 
Mas hoje? Hoje eu sinto vontade de chorar, e é tudo porque 
eu simplesmente tive que sair do meu apartamento e tentar 
trabalhar em outro lugar durante o dia. 
No momento em que entrei no café bonitinho que 
encontrei há algumas semanas, sabia que era uma má ideia. O 
cheiro aqui é... ugh, está horrível hoje, e está fazendo meu 
estômago revirar como louco. Geralmente cheira a um doce e 
delicioso assado, uma grande razão pela qual venho aqui. 
Hoje não. 
Hoje, o café cheira a queimado, a calda de avelã está me 
fazendo engasgar, e se eu tiver que sentir o cheiro de mais um 
sanduíche de ovo aquecido, eu realmente posso vomitar. 
Agarro meu estômago, desejando não vomitar. Falta só um 
pouco mais para terminar de escrever, e depois disso acabei e 
posso tirar o fim de semana e a segunda-feira de folga. 
É uma das coisas que eu amo na escrita de conteúdo, a 
flexibilidade. Eu também adoro poder pegar e trabalhar em 
qualquer lugar que eu quiser. Isso tornou muito mais fácil fazer 
as malas de toda a minha vida e me mudar pelo estado após o 
divórcio. 
Deixar minha mãe e tentar fazê-la entender que eu ficaria 
bem sozinha? Bem, essa foi uma história totalmente diferente. 
Meu estômago protesta novamente e eu pressiono minha 
mão contra ele, esperando acalmá-lo. Eu fecho meus olhos, 
sugando algumas respirações profundas para não vomitar no 
meio da cafeteria. 
Vamos, Hollis. Apenas meia hora a mais. Você consegue. 
Meu telefone vibra contra a mesa, e estou envergonhada 
pela maneira como corro para verificá-lo. 
Eu murcho quando vejo que é apenas minha mãe ligando 
pela quinta vez hoje, mesmo sabendo que estou trabalhando. 
Eu mando sua ligação para o correio de voz e espero meu 
telefone acender com uma mensagem irritada de dois minutos. 
Eu não sei por que eu esperava que fosse alguém diferente. 
É sempre só minha mãe ligando, não importa o quanto eu 
queira que seja outra pessoa. 
É bobo por muitas razões. Um, eu nunca lhe dei meu 
número. E dois, eu não deveria querer que ele ligasse. 
Soube o resultado no minuto em que pedi a Lowell que me 
levasse para a cama. Foi uma coisa de uma única vez. Era isso. 
Então acordar decepcionada com o lugar frio ao meu lado na 
manhã seguinte é minha própria culpa.Ele não entrar em contato comigo é provavelmente o 
melhor. Quero dizer, ele é companheiro de time do meu 
cunhado. Me envolver com ele, de novo, não seria a melhor 
decisão. Eu acho que estou esgotada em más decisões 
ultimamente. 
— Bem-vinda ao Cup of Joe's! O que posso te dar hoje? 
— Vou tomar um café com leite de avelã e depois um ovo… 
Eu alcanço o que está mais próximo de mim, que por acaso 
é minha bolsa de notebook, e coloco para fora todo o conteúdo 
do meu estômago. Eu gemo, limpando minha boca com as 
costas da minha mão. Eu alcanço cegamente um guardanapo 
da minha mesa e o uso para limpar minha testa suada. 
O que diabos está errado comigo? 
Esta é a segunda vez esta semana que eu vomito. Primeiro, 
foi por causa de restos de pizza estragada, algo que eu nunca 
acreditei que fosse uma coisa até que eu vi respingado no vaso 
sanitário. Agora, a julgar pelo macarrão no fundo da bolsa do 
meu notebook, é a comida chinesa que eu pedi ontem à noite. 
— Ugh — eu resmungo, jogando o guardanapo na bolsa 
agora arruinada e sentando contra a mesa em que estou sentada. 
— Ótimo. Exatamente o que eu precisava. 
— Você está bem? — Alguém pergunta ao meu lado. 
Eu aceno com a mão, não realmente prestando atenção 
enquanto fecho meus olhos e puxo algumas respirações 
profundas e firmes porque meu estômago está revirando 
novamente. 
Não sei por quanto tempo fico sentada assim, mas sou 
interrompida por uma voz doce e velha. 
— Aqui está, querida. — Eu abro meus olhos para 
encontrar uma mulher que parece ter uns sessenta anos 
segurando um copo de água para mim. — Beba isso. Vai ajudar. 
Eu alcanço o copo e engulo sem questionar. Meu estômago 
ronca novamente quando a água o atinge, mas não demora 
muito para que ele se acalme. 
— Obrigada — eu consigo engasgar, minha garganta 
doendo de vomitar. — E eu sinto muito. Eu estou tão 
envergonhada. 
— Está tudo bem, querida. Todas nós já passamos por isso 
antes. 
— Todas nós já vomitamos em público antes? 
— Bem, a maioria de nós mães já. Realmente não é grande 
coisa. 
Mães? Sobre o que ela está falando? 
— Eu não sou mãe. 
— Oh, desculpe. Eu pensei… — Ela acena com a mão 
enrugada. — Bem, não importa o que eu pensei. Não é 
importante. Você precisa de outro copo de água? 
— Na verdade, isso seria ótimo, obrigada. Acho que não 
suporto o cheiro de andar pelo lugar. 
Ela franze os lábios como se quisesse dizer alguma coisa, 
então balança a cabeça, pensando melhor. Ela pega o copo das 
minhas mãos e volta para o balcão para reabastecer. 
Mães? Eu balanço minha cabeça. A velhota acha que estou 
grávida? Eu pareço grávida? Eu sei que comi muita comida 
chinesa ontem à noite, mas não estou grávida. Isso não é… 
— Ah, porra. 
— Perdão? — A senhora diz, colocando um novo copo de 
água na mesa. 
— Eu… 
Eu tenho que ir. 
Eu tenho que ir agora. 
Eu me levanto da cabine tão rápido que a água espirra do 
copo. Eu nem me importo que quase atinja meu notebook. 
Estou muito ocupada surtando. 
— Muito obrigada por sua ajuda — eu digo para a mulher 
enquanto pego minhas coisas. Jogo minha bolsa do notebook 
no lixo, depois pego o resto das minhas coisas, jogando minha 
bolsa no ombro. — Mas eu tenho que ir. 
— Ir? Tem certeza de que está em condições de ir, querida? 
Não. 
— Sim, estou bem. Obrigada novamente. E desculpe. 
— Está bem. Eu… 
Eu não ouço o resto de suas palavras. 
Já estou fora da porta, voando pela calçada até a farmácia 
mais próxima. Vou imediatamente para o corredor de cuidados 
familiares e pego nada menos que seis kits. Como uma decisão 
de última hora, pego um saco de copos Solo e vou para o 
banheiro. 
Eu nem me incomodo em pagar nada. Farei isso depois. 
Estou muito assustada para esperar que alguém ligue para isso. 
Eu preciso saber agora. 
Eu rasgo todos eles, junto com os copos, e pairo sobre o vaso 
sanitário, querendo fazer xixi. 
Depois de mergulhar cada palito, eu espero. 
E assisto. 
E espero. 
E assisto. 
E espero. 
E finalmente… eu choro. 
Choro porque nem um, nem dois, mas todos os seis testes 
dizem a mesma coisa. 
Eu estou grávida. 
 
— Estou grá… 
A palavra fica presa na minha garganta, e eu a engulo. 
Uma vez. Duas vezes. 
Eu corro minha língua sobre meus lábios e tento mais uma 
vez. 
— Estou gráv… 
Fica travado novamente. 
É a mesma coisa que vem acontecendo nos últimos três dias 
desde que fiz esses testes. Depois de chorar no banheiro da 
farmácia por vinte minutos, paguei os exames e peguei mais três 
só para ter certeza, depois levei para casa e fiz tudo de novo. Os 
resultados foram os mesmos em cada um. 
Assim como os resultados foram os mesmos esta manhã, 
quando ouvi de volta da minha médica. 
— Parabéns, Srta. Kelly, você está grávida. 
Eu vomitei em seu escritório com suas palavras. Ela não 
ficou muito feliz com isso, ou o fato de que eu já estava com 
nove semanas e não tinha a menor ideia. 
Depois que expliquei que sempre tive períodos erráticos e 
tenho estado sob muito estresse desde o meu divórcio, ela 
entendeu. Ela perguntou se eu ia contar ao meu ex-marido 
sobre o bebê. 
Eu ri até chorar. 
Então eu vomitei novamente. 
Eu ainda não consigo acreditar. 
Como diabos isso aconteceu? 
Quer dizer, eu sei como. Eu só… como?! 
Usamos proteção. Eu sei que usamos proteção. Eu 
literalmente o vi colocar a camisinha. 
Mas talvez algo tenha acontecido. Quero dizer, estávamos 
indo muito forte. Talvez tenha estourado e nenhum de nós 
percebeu. Talvez seja tudo minha culpa, porque eu realmente 
não consigo me lembrar da última vez que tomei minha pílula 
anticoncepcional porque eu estava muito distraída com tudo o 
que estava acontecendo na minha vida. 
Talvez… 
Não. 
Vou enlouquecer pensando em todos os diferentes cenários. 
Nenhum deles vai mudar o resultado. 
— Estou grávida. 
Eu solto um suspiro gaguejante, completamente chocada 
até o meu interior. Acabei de me divorciar há três meses, e o 
primeiro cara com quem durmo, completamente por capricho, 
me engravidou. O que diabos eu fiz na minha vida passada para 
merecer esse tipo de carma? 
Eu descanso minha cabeça contra o volante apenas para 
pular de surpresa quando a buzina toca. Bem, se Harper não 
sabia que eu estava aqui antes, ela definitivamente sabe agora. 
Apenas alguns segundos depois, a porta da frente se abre, e 
ela fica lá, olhando para mim, perplexa porque eu estou apenas 
sentada no meu carro, buzinando. O que ela não sabe é que 
estou sentada no meu carro buzinando porque estou com 
medo de entrar lá e dizer a ela que estou grávida... do bebê de 
Lowell. 
Estou principalmente apavorada porque ela não tem ideia 
de que dormimos juntos. 
Nesse momento, o carro de Emilia estaciona na garagem de 
Harper, e ela acena animadamente para mim. Eu nem tenho 
coragem de acenar de volta. 
Perguntei a Harper se poderíamos ter um dia das meninas 
hoje na casa dela. Achei que eu poderia muito bem deixá-las 
saber as consequências de minhas ações juntas, em vez de ter 
que repetir uma e outra vez. Principalmente porque não tenho 
certeza se posso. 
Pego minha bolsa e minha confiança e saio do meu carro 
assim que Emilia sai do dela. 
Ela bate palmas. 
— Estou muito animada com o dia de hoje. Eu preciso de 
uma pausa antes que todos aqueles garotos fedorentos 
comecem a voltar para o rinque em algumas semanas. 
Só de pensar nos jogadores de rinque e hóquei me dá 
vontade de vomitar meu café da manhã. 
Ou talvez seja apenas o enjoo matinal. 
De qualquer forma, eu mantenho minha mão no meu 
estômago, tentando empurrar a sensação para baixo. É algo que 
tenho me pego fazendo muito nos últimos dias, tocando meu 
estômago. 
Há um bebê dentro de mim. Estou gerando uma vida 
humana. 
Não é que eu nunca pensei que teria um bebê ou uma 
família. Eu estaria mentindo se dissesse que não queria essas 
coisas com Thad uma vez. Na verdade, eu tinha toda a nossa 
vida planejada praticamente desde o início. 
Nós nos casaríamos e seríamos apenas nós por alguns anos 
para que pudéssemos navegar a vida como recém-casadosjuntos sem o estresse extra de começar uma família. Então, 
quando eu fizesse trinta anos, eu pararia de tomar meu 
anticoncepcional e começaríamos a tentar. Nós estaríamos 
juntos por oito anos naquele momento. Estaríamos prontos. 
O que eu nunca planejei foi ele me traindo e jogando tudo 
fora. 
Agora estou divorciada, solteira e grávida de um homem 
que mal conheço. Não faço ideia de como Lowell vai reagir. 
Ele vai ficar chateado? Ele vai negar que o bebê é dele? Ele 
vai participar e me ajudar a criá-lo? Eu quero que ele me ajude a 
criar um filho? Será que ele vai mesmo querer o bebê? 
Eu quero o bebê? 
No momento em que a pergunta passa pela minha cabeça, 
eu sei a resposta. 
Sim. Eu quero este bebê mesmo que Lowell não queira. 
Mesmo que ele não queira fazer parte da vida dessa criança, 
estou bem com isso. Eu posso cuidar disso sozinha. Eu sou 
forte e independente e eu... 
Oh Deus, estou chorando de novo. 
— Ei, ei, ei — Emilia diz com uma voz suave, me puxando 
em seus braços. — O que está acontecendo? 
— É… é… e-eu… 
Mas as palavras não vêm. 
— Shhh. Está tudo bem. Vamos entrar e encher você com 
um pouco de vinho. Isso vai fazer você se sentir melhor. 
Isso me faz chorar ainda mais porque não posso tomar 
vinho e ela nem sabe disso. 
Entramos na casa, passando por Harper, que me lança um 
olhar preocupado cheio de tantas perguntas. Emilia me leva 
para a sala e me joga no sofá, me entregando uma caixa de lenços 
e uma almofada enquanto ela se senta ao meu lado para me 
consolar. 
— Vou pegar o vinho — diz Harper, indo para a cozinha. 
— Pare! 
A palavra sai mais dura do que o esperado, e ela para. 
— Pare? Está tudo bem? Eu… — Ela para quando eu 
começo a balançar minha cabeça. 
— Não, nada está bem. 
Harper engole em seco, então olha para Emilia, que apenas 
dá de ombros. 
— Você pode se sentar? — Eu pergunto a ela. 
Ela lentamente se abaixa para o sofá em frente a nós. 
— Eu… você… você está me assustando, Hollis. O que está 
acontecendo? 
Respiro fundo várias vezes antes de finalmente reunir 
coragem para encontrar o olhar curioso da minha irmã. 
Quando o faço, tenho a sensação de que ela já sabe o que estou 
prestes a dizer a ela. 
— Eu estou grávida. 
Emilia suspira ao meu lado. 
Mas não Harper. Ela não reage. 
Acho que não gosto que ela não reaja. 
— Cale-se! — Emilia diz, empurrando-me. — Você está 
mentindo. 
Eu me viro para ela. 
— Quem me dera estar. 
— Como? Quando? É — ela estremece — do Thad? 
— Não. 
Ela solta um suspiro aliviado. 
— Oh! Graças a Deus. Escapou dessa. — A lâmpada se 
apaga para ela. — Bem, se não é de Thad, então quem? 
Deslizo meus olhos para Harper. 
— Lowell — ela diz baixinho. 
Eu engulo em seco só de ouvir seu nome. 
— É, não é? — Harper pressiona. 
Quando eu aceno, Emilia engasga novamente. 
— O-o-o quê? — Ela gagueja. — Como! Onde! Quando! 
— Meu casamento — Harper a responde. 
Eu aceno novamente. 
— Foi para isso que você desapareceu? — Emilia dá um tapa 
no meu ombro. — Você mentiu para mim! Você disse que 
voltou para o seu quarto porque não estava se sentindo bem e 
achou que algo não tinha caído bem. 
— Mais como caiu em alguma coisa, em um pau. 
Eu caí na gargalhada com as palavras diretas de Harper, e é 
exatamente o que eu precisava. Eu rio e rio até que meu riso se 
transforma em lágrimas mais uma vez. 
Não sei quanto tempo demoro para parar de chorar, mas 
quando paro, tenho um lenço de papel na mão, cortesia de 
Emilia, e enxugo os olhos. 
— Desculpe — eu digo. — Estou meio que um desastre 
hormonal agora. 
— Não se desculpe. Esta é uma situação de mudança de vida 
aqui. 
Eu ri ironicamente. 
— Você pode dizer isso de novo. 
— O que você vai fazer? 
— Bem, tenho certeza de que provavelmente vou chorar um 
pouco mais, mas depois disso, não tenho certeza. 
Emilia ri. 
— Não, quero dizer, com o bebê. Você vai… 
— Sim — eu respondo a sua pergunta não feita. — Eu vou 
mantê-lo, não importa o quê. 
Ela me dá um sorriso simpático porque todas nós sabemos 
que minha vida está prestes a mudar completamente. Inferno, 
minha vida já mudou completamente. Desde o momento em 
que os testes no banheiro da farmácia deram positivo, eu sabia 
que nada voltaria a ser o mesmo. 
— O que aconteceu? Achei que vocês dois não estavam se 
dando bem — Emilia diz. 
Eu penso no casamento que agora parece tão distante, 
provavelmente porque eu sinto que vivi três vidas nos últimos 
três dias, e franzo a testa. Meus problemas naquele dia parecem 
tão bobos comparados a isso. 
— Nós não estávamos. Então estávamos. E então realmente 
estávamos. — Eu dou de ombros. — Você sabe como são os 
casamentos, eles te deixam com tesão e você faz coisas 
estúpidas. 
— Ha. Você pode dizer isso de novo. — Ela não elabora, 
mas tenho certeza que tem a ver com seu homem misterioso 
que pode ou não ser um jogador de hóquei. — Então, vocês 
dois estão namorando agora? 
Eu balanço minha cabeça. 
— Não. Foi apenas uma coisa de uma vez. 
— Ele é meio conhecido por isso. — Ela bate a mão na boca. 
— Desculpe. Ignore isso. 
Ela não tem do que se desculpar. Com base na maneira 
como ele saiu do meu quarto com tanta facilidade, eu meio que 
percebi que não era a primeira vez que ele deixava uma mulher 
nua sozinha em uma cama. 
— Está tudo bem — eu digo a ela, embora eu não me sinta 
exatamente bem. Me preocupa que Lowell não aceite muito 
bem a notícia da gravidez. 
— Eu, uh, odeio ser a pessoa a perguntar, mas você já contou 
a Lowell? — Harper pergunta como se estivesse lendo minha 
mente. 
— Ainda não. 
— Contar a ele o quê? 
Todas nós pulamos com o som repentino da voz de Collin. 
Ele está de pé na cozinha, olhando para nós com as mãos nos 
quadris, olhos atentos correndo entre nós três. Ele está 
respirando com dificuldade, um fone de ouvido ainda no 
ouvido, suado e nojento como se tivesse acabado de correr 
quinze quilômetros, e inferno, ele provavelmente correu. 
Nenhuma de nós fala, então ele diz: 
— O que você vai contar ao Lowell? 
— Que ele tem uma bela bunda! — Emilia deixa escapar em 
pânico. 
É inútil. Collin não é estúpido. Ele sabe que acabou de 
entrar em uma conversa séria. 
— Ele fez alguma coisa? 
— O quê? Não! Bem, sim, mais ou menos. 
Suas sobrancelhas se aproximam. 
— Eu vou matá-lo. — Ele gira nos calcanhares como se fosse 
matá-lo neste exato instante, e eu me levanto do sofá. 
— Pare! 
— Não. Se ele te magoou ou te chateou, eu vou matá-lo. 
Harper, onde está a nossa pá? 
— Está na garagem. 
— Harper! — Eu grito com ela, correndo para a cozinha 
atrás dele. 
Ela encolhe os ombros. 
— Desculpe, apenas reflexo. 
— Collin, pare. Você não pode matá-lo. 
— E por que diabos não? 
— Porque estou grávida! 
Ele para, os olhos arregalados. 
— Você está grávida? O que isso tem a ver com Lo… — Ele 
leva um momento para entender, mas quando isso acontece, 
suas sobrancelhas se unem mais uma vez. — Você está grávida 
e está dizendo que o bebê é de Lowell? 
Eu coloco minha mão sobre minha barriga. 
— Sim. 
— O casamento? 
— Sim. 
— Entendi. — Ele acena com a cabeça algumas vezes, depois 
bate palmas. — Bem, agora eu estou realmente matando ele. 
— Collin! — Harper adverte desta vez. 
— O quê? Você não pode esperar que eu não o mate! Ele é 
um idiota e se aproveitou de sua irmã quando ela estava 
vulnerável e a engravidou. Ele precisa de sua cabeça esmagada 
por isso! 
Ele está errado e certo. 
Ele está errado porque Lowell não se aproveitou de mim. 
Inferno, fui eu quem o beijou de volta. Fui eu que lhe disse que 
não precisava de um amigo. Fui eu que pedi para ele tomar uma 
decisão ruim comigo. 
Eu tento não rir disso porque essa não era realmente a 
decisão ruim que eu estava falando. Eu só quis dizer sexo, um 
caso de uma noite que tornaria estar perto um do outro um 
pouco estranho e desconfortável porque nos vimos nus. 
Eu não quis dizer uma decisão ruim do tipo me engravidar. 
— Você não pode matá-lo ainda. Ele nem sabe. Vamos pelo 
menos ver como ele reage antes de nos comprometermos com 
vários anosde prisão. — Harper tenta argumentar com o 
marido, indo beijá-lo na bochecha para acalmá-lo. 
Funciona. 
— Tudo bem — Collin admite. — Mas se esse filho da puta 
reagir de forma diferente do que a alegria completa e absoluta, 
ele está morto. 
Isso não soa nada justo, mas eu não digo isso a ele. Tenho 
certeza de que a última coisa que ele espera é ouvir de mim, e 
aposto que ele realmente não está esperando o que vou ter que 
dizer a ele. Se ele reagir com algo além de choque completo, 
ficarei surpresa. 
Só espero que ele não me afaste completamente. Já tive 
notícias de mudança de vida suficientes esta semana. 
— Quando você vai contar a ele? — Collin pergunta. 
— Eu, uh, ia dizer a ele esta noite. 
— Ok. Isso é provavelmente melhor. Estamos prestes a 
entrar na pré-temporada em breve, e… — Ele para. 
Certo. Porque Lowell é um jogador profissional de hóquei. 
Estou grávida e o pai é um superstar da NHL. 
Eu não tinha isso no meu cartão de bingo. 
Eu concordo. 
— Eu sei. Eu direi a ele. 
— Bom. — Ele balança a cabeça, murmurando algo que não 
consigo entender, mas tenho certeza de que não é nada de bom 
sobre Lowell e toda essa situação. Ele aponta para o corredor. 
— Eu vou tomar um banho, deixar vocês meninas terminarem 
seu pequeno festival de hormônios. — Ele dá um beijo rápido 
na cabeça de Harper, então sai pelo corredor. 
— Uh, ei, Collin? 
Ele se vira. 
— Sim? 
— Você acha que eu poderia conseguir o número do 
Lowell? 
Ele pisca uma vez. Duas vezes. Em seguida, abaixa a cabeça, 
balançando-a. 
— Morto pra caralho. 
6 
Lowell 
Eu pressiono o botão de diminuir na esteira várias vezes, 
levando minha velocidade de onze km/h para um bom e rápido 
seis km/h para me refrescar. Eu tento não me esgotar muito na 
academia fora de temporada, especialmente porque eu ajudo 
no acampamento de verão. 
Ultimamente, porém, tenho tanta energia e frustração 
reprimida que, se não fizer algo para gastar tudo, vou entrar em 
combustão. Não tenho a menor ideia do que há de errado 
comigo, mas não consegui me livrar desse sentimento de 
irritação durante todo o verão. 
Fico irritado porque estou entediado em casa, mas fico 
irritado quando tenho que sair de casa. Fico irritado quando há 
muito barulho e irritado quando está completamente 
silencioso. Nada parece certo, tudo está apenas um pouco... 
errado. 
Eu estou um pouco errado. 
Acho que o pior de tudo é que quase consigo identificar o 
minuto exato em que comecei a me sentir assim: na manhã 
seguinte ao casamento de Collin e Harper. 
Levou cada grama de força de vontade que eu tinha para me 
fazer rastejar para fora da cama e deixar Hollis dormindo, mas 
eu fiz isso porque foi o que concordamos. Eu fiz isso porque 
sabia que começar algo com a cunhada do meu companheiro 
de time seria muito, muito estúpido. Eu fiz isso porque eu 
estava com medo de gostar dela um pouco demais, e eu não 
posso permitir isso. 
Exceto que desde que a deixei deitada lá, não consegui parar 
de pensar nela. 
Eu não fui capaz de parar de pensar sobre como ela sentia 
debaixo de mim. Ou a maneira como ela ficou tensa e 
choramingou pouco antes de gozar. O jeito que ela gemeu meu 
nome como se fosse uma maldição. E eu definitivamente não 
consigo parar de pensar no gosto dela nos meus lábios. 
Por mais que tente, não consigo parar de pensar nela. 
Meu pau começa a inchar, o que é realmente inconveniente, 
considerando que estou tentando relaxar, não trabalhar de 
volta. 
Diminuo a velocidade da esteira mais um pouco, deixando 
minhas pernas esfriarem por um meio quilômetro antes de 
tomar banho e ir para casa para mais uma noite enfiado dentro 
da minha casa com uma salada Caesar e um filme da Marvel. 
Normalmente, quando me canso de ficar sozinho, ligo para 
Collin ou Rhodes ou até Smith. Mas nas duas últimas vezes que 
fiz, todos os três me dispensaram, então não me preocupei com 
eles desde então. 
Eu poderia ligar para Miller e ver o que ele está fazendo, mas 
não estou tão desesperado... ainda. Além disso, a pré-
temporada está próxima. Tenho certeza de que posso encontrar 
algo para me manter ocupado até lá. 
Desligo a máquina e pego a toalha de mão que tenho no 
porta-copos. Eu passo no meu rosto, enxugando o suor que 
está pingando de mim, e pego meu telefone. 
Estou surpreso ao ver que tenho uma nova mensagem. Eu 
não ouvi durante a minha corrida, mas eu estava bem 
concentrado, então isso não é nenhuma surpresa. 
Desconhecido: Oi. 
Isso é o que a primeira mensagem diz, e eu junto minhas 
sobrancelhas, irritado. Não reconheço o número e não consigo 
discernir muito de uma palavra de duas letras. 
Então, meu telefone vibra contra a minha mão. 
Desconhecido: Uau. Isso foi estúpido. Eu percebi que 
você provavelmente não tem ideia de quem é, hein? 
E eu ainda não sei. 
Desconhecido: É Hollis. 
Desconhecido: Do casamento. 
Desconhecido: O casamento de Harper e Collin. 
Desconhecido: Eu sou a irmã de Harper, Hollis. 
Eu sorrio quando ela explica demais e me encontro um 
pouquinho incomodado que ela realmente acha que eu poderia 
esquecê-la. 
Eu não poderia esquecê-la se eu tentasse, e acredite em mim, 
eu tentei. 
Eu: Desculpe, você deve ter me confundido com outra 
pessoa. Não me lembro de ninguém chamada Hollis 
do casamento de Harper e Collin. 
Eu: Espere, é você, querida? 
Hollis: No caso de você estar se perguntando, eu estou 
intensamente te dando um olhar raivoso agora. 
Eu: Anotado. 
Hollis: Collin me deu seu número. Espero que você não 
se importe. 
Eu: Não me importo. 
E essa é a verdade. Eu não me importo. 
Na verdade, estou feliz que Collin deu a ela meu número. 
Eu não posso nem contar o número de vezes que eu quis pedir 
a ele e me impedi de fazê-lo. 
Eu: Mas estou surpreso por ter notícias suas. 
Hollis: Dada a forma como deixamos as coisas, tenho 
certeza. 
Eu não tenho certeza se isso é uma indireta de como eu saí 
antes que ela acordasse, mas isso me faz sentir culpado de 
qualquer maneira. 
Hollis: Você gostaria de jantar comigo esta noite? 
Por mais surpreso que eu estivesse ao ver a mensagem dela 
aparecer no meu telefone, isso me surpreende ainda mais. 
Eu quero jantar com ela? Sim. Mas eu deveria dizer a ela que 
não, deveria dizer a ela que estou ocupado ou saindo com 
alguém, deveria lembrá-la que a noite que compartilhamos foi 
uma coisa de uma vez só. 
Eu não deveria estar jogando este jogo perigoso com ela. 
Mas eu quero. Eu realmente, realmente quero. 
Meus dedos voam sobre a tela, e eu clico em enviar antes que 
eu possa pegar tudo de volta. 
Eu: Sim. 
 
Eu saio da minha caminhonete e jogo minhas chaves para o 
manobrista. 
Ele me olha como se eu fosse louco. 
— Ah, senhor? 
— Coloque-o sob o nome Lowell. 
Seus olhos se arregalam, reconhecendo o nome. 
— Sim, senhor — ele murmura, abaixando a cabeça e 
correndo para o lado do motorista da minha caminhonete 
surrada que eu realmente não tenho motivo para usar 
estacionamento com manobrista. 
Deslizo a mão pela minha camisa de botão, algo que quase 
nunca uso, e respiro fundo. Não que eu fosse admitir em voz 
alta, mas estou quase nervoso para ver Hollis. 
Eu não deveria estar. Isso não é um encontro nem nada. É 
apenas um jantar entre dois amigos que definitivamente se 
viram nus. 
Mas não somos amigos. 
Ou amantes. 
Não faço ideia do que somos. 
É por isso que esta é uma ideia absolutamente horrível. Eu 
deveria sair, deveria mandar uma mensagem para ela e dizer a 
ela que algo aconteceu. 
Mas não consigo me impedir de abrir a porta do restaurante 
de qualquer maneira. 
Levo dois segundos para vê-la sentada no final do bar. Ela 
está olhando para a bebida à sua frente, seus dedos brincando 
com o canudo, empurrando os cubos de gelo para frente e para 
trás. 
Deus, mesmo de lado ela é mais bonita do que eu me 
lembro, e eu me lembro muito dela. Seu cabelo castanho está 
mais comprido do que há alguns meses, e está amarrado em um 
coque bagunçado e baixo que parece quase como se ela tivesse 
acabado dejuntar e também totalmente intencional ao mesmo 
tempo. Ela está usando um vestido com estampa de flores 
combinado com um cardigã sobre os ombros, deixando muito 
para a imaginação. 
Como se ela pudesse sentir minha presença, ela se vira para 
a porta, e nossos olhares se chocam pela primeira vez em meses. 
Ela parece a mesma, mas diferente, e não consigo identificar o 
porquê. 
Os cantos de seus lábios se inclinam um pouco como se ela 
estivesse feliz e triste em me ver. Não tenho certeza de como me 
sinto sobre isso enquanto caminho pelo restaurante, tentando 
ignorar os olhares dos outros clientes. 
Eu realmente não saio muito, e esta é uma grande razão para 
isso. As pessoas estão sempre me encarando, falando de mim 
por trás das mãos, tentando descobrir de onde exatamente me 
conhecem, e os fãs de hóquei que me conhecem nem sempre 
respeitam os limites. 
Mas não estou prestando atenção a eles agora. 
A única coisa em que posso me concentrar é em Hollis. 
Não quebramos o contato visual. Nem quando eu deslizo 
no banco ao lado dela, e nem mesmo quando o barman para na 
nossa frente. 
— O que posso te trazer? — Ele pergunta. 
— Eu vou ter o que ela está tendo. 
— Pode deixar. 
Eu a encaro, observando-a porque não consigo tirar os olhos 
dela. 
Não é que eu pensei que nunca mais a veria. Ela é irmã de 
Harper; eu sabia que iríamos nos encontrar em algum 
momento. Eu só não achei que a veria novamente, não em gelo 
neutro. 
Sem pensar muito sobre isso, eu me inclino para frente e dou 
um beijo rápido em sua bochecha. Eu não perco a sua 
inspiração forte pelo gesto inocente. 
Mas não é inocente. Nós dois sabemos disso. 
Quando me inclino para trás, ainda não consigo parar de 
olhar para ela. 
Ela se move sob o meu olhar, o sorriso em seus lábios 
ficando tímido enquanto suas bochechas ficam rosadas. 
— O quê? — Ela pergunta, quase como se estivesse nervosa. 
— Nada. Só... é bom ver você. 
Ela solta um suspiro, pegando o canudo de sua bebida de 
volta entre os dedos. 
— Você diz isso agora. 
Eu inclino minha cabeça de forma questionadora, sem 
entender o que ela quer dizer, mas não tenho a opção de 
perguntar porque o barman desliza minha bebida para mim, 
tirando nós dois do momento. 
— Obrigado — eu digo a ele. 
— Sem problemas. Gostaria de fazer um pedido para o seu 
jantar ou precisa de um momento? 
— Eu... não estou com fome — ela diz, seus lábios se 
curvando para cima. 
— Tem certeza? 
Ela acena. 
— Positivo. Eu estive... doente recentemente. Ainda não 
estou me sentindo bem. 
— Nem mesmo algumas batatas fritas? 
Seus olhos se iluminam quando eu digo isso. 
— Na verdade, isso parece bom. 
— Duas porções de batatas fritas, por favor — digo ao 
barman. — Uma com bacon e queijo. 
Hollis avança ao meu lado, uma mão cobrindo a boca como 
se estivesse prestes a vomitar com a mera menção disso. 
Eu a pego pelo quadril para impedi-la de cair do banco. 
— Você está bem? 
Ela assente, ainda sem tirar a mão da boca. 
— O ba… — Outra guinada. — Sem bacon. Por favor. 
— Ok, sim. Nada de bacon. — Eu aceno para o barman, que 
parece entender o que está acontecendo, então olho para 
Hollis. — Você tem certeza que está bem? Se você não estiver 
disposta a isso, podemos nos encontrar em outro momento. 
Ela balança a cabeça, movendo a mão da boca e puxando 
algumas respirações profundas. 
— Não, eu estou bem. Precisamos fazer isso hoje à noite. 
— Fazer o que esta noite? É só jantar. 
Ela estremece. 
— Mas não é apenas um jantar. 
— Ok. — Eu desenho a palavra, completamente confuso 
com o que está acontecendo agora. 
Espero que ela me atualize, mas ela não o faz. Ela volta sua 
atenção para a bebida à sua frente, mergulhando o canudo nos 
cubos de gelo que ainda não derreteram. 
Tomo um gole da minha própria bebida e faço uma careta. 
— Ugh. O que diabos é isso? 
— Água com gás. 
— Isso definitivamente não é o que eu estava esperando — 
eu digo, colocando o copo para baixo, lembrando-me de pedir 
ao barman uma bebida de verdade. — Tem gosto de bunda. 
Ela sorri para isso, então tão rápido quanto o sorriso 
apareceu, ele se foi. Ela está agindo de forma estranha e inquieta 
demais para o meu gosto. 
Algo está definitivamente acontecendo. 
— O que está acontecendo, Hollis? 
Ela abre a boca para falar, então a fecha novamente, 
balançando a cabeça. 
Estou começando a ficar frustrado com suas não respostas. 
Estou prestes a perguntar a ela o que diabos está acontecendo 
quando o barman coloca as duas cestas de batatas fritas entre 
nós. 
Para horror de Hollis, e meu, eles esqueceram de deixar de 
fora o bacon. 
No momento em que a cesta está no balcão, ela tapa a boca 
com a mão e corre em direção aos banheiros, esbarrando não 
em um, mas em dois garçons em seu caminho. 
Levo vários segundos para entender o que está acontecendo 
antes de sair atrás dela para ter certeza de que ela está bem. Eu 
invado o banheiro feminino, sem me importar com quem mais 
poderia estar lá, e a encontrei debruçada sobre um vaso 
sanitário esvaziando o estômago. 
Seja qual for a doença que ela teve, ela definitivamente ainda 
tem. 
Eu enrolo minha mão em torno dela, assumindo o controle 
de segurar seu cabelo enquanto ela continua soltando tudo. 
Quando o último de seus suspiros secos diminui, eu a deixo ir 
e a ajudo a ficar de pé. Ela se vira em meus braços, enterrando o 
rosto no meu peito. 
Eu apenas a seguro. 
Mesmo quando ela começa a chorar, eu ainda a abraço. O 
que quer que esteja acontecendo, está quebrando ela... e está 
me quebrando vê-la assim. 
Quando seus soluços param, ela se afasta de mim, então 
enxuga seus olhos. Só pelo olhar neles, tenho a sensação de que 
o que quer que esteja prestes a sair da boca dela vai me destruir. 
— Eu estou grávida. 
Meu coração cai direto no chão. 
Quando ela me convidou para jantar, não achei que ela 
estivesse me convidando para me dizer que estava grávida. 
A parte mais assustadora de tudo isso é que eu sei que ela 
está me contando porque isso me envolve. 
Mesmo assim, não consigo evitar as palavras que saem da 
minha boca em seguida: 
— Você tem certeza? 
— Tenho certeza. A médica confirmou esta manhã. Eu… 
— Não — eu a cortei, balançando a cabeça. — Você tem 
certeza? 
Seus olhos se estreitam. 
— É melhor você não estar me perguntando o que eu acho 
que você está me perguntando, Lowell. 
Eu não respondo. 
Suas narinas dilatam, e ela empurra meu peito com tanta 
força que eu tropeço para trás para fora da cabine. Ela segue, 
seus olhos quase pretos, balançando a cabeça enquanto se 
dirige para a pia. 
— Tenho certeza? Você está falando sério? 
Mais uma vez, não digo nada. 
— Saia! — Ela grita, me empurrando novamente. — Vá! 
Mas eu não saio. Eu não vou. 
Não posso. 
Estou preso aqui neste lugar tentando descobrir como 
diabos isso aconteceu. 
Cansada de mim, ela joga as mãos para cima e se move para 
a pia. Ela enche as mãos com sabonete e esfrega e esfrega e 
esfrega, tudo isso enquanto murmura sobre o quão idiota eu 
sou. 
Eu sou um burro. Eu sou um idiota que de alguma forma 
engravidou meu caso de uma noite, então questionei se o bebê 
é meu sabendo muito bem que é. 
Eu engulo o nó se formando na minha garganta. 
Ela desliga a água, então pega uma toalha de papel, secando 
as mãos. 
Ela se vira, olhando para mim. 
— Você tem algo a dizer? 
— Eu... eu não sei o que você quer que eu diga. Eu não 
entendo como isso aconteceu. Usei camisinha. Eu sempre uso 
camisinha. 
Ela bufa uma risada. 
— Sim, bem, claramente os preservativos nem sempre são 
infalíveis. 
Eles não são, e especialmente não são se tiverem sido 
adulterados. 
Eu não expresso a preocupação, principalmente porque me 
sinto doente por pensar nisso. Hollis nunca faria isso. 
Ela joga a toalha de papel no lixo, então cruza os braços 
sobre o peito, me observando e esperando. Eu não sei o que ela 
está esperando porque eu não sei o que dizer agora. 
Isso não é... não é assim que deveria ser. 
Apenas uma noite. É isso. 
Não isso. Nunca isso.— O que, Lowell? Nada a dizer? 
— Eu não sei o que você quer que eu diga. 
— Eu quero que você diga outra coisa além de Você tem 
certeza, porque isso é tudo o que você disse sobre a coisa toda. 
— Estou apenas... em choque agora. Eu não vejo você há 
meses e então você simplesmente aparece e me anuncia que está 
grávida e eu estou apenas... tentando processar tudo. 
— Não me vê há meses? Você é quem me deixou na cama! 
— Você conhecia as regras — eu digo, e é exatamente a coisa 
errada a dizer. 
Ela joga a cabeça para trás como se eu tivesse dado um tapa 
nela com minhas palavras. 
— Sabia as regras? — Ela zomba. — Sim, eu acho que eu 
sabia. Mas adivinhe, Lowell? As regras mudaram. O jogo 
mudou. Estou grávida quer você goste ou não, e vou ter esse 
bebê quer você goste ou não. Se você não quer se envolver, 
apenas diga, mas não fique aí e aja como se tudo fosse minha 
culpa e eu tenha feito isso de propósito para prender você ou 
algo assim. 
Eu engulo a bile que nada pela minha garganta. Ela não sabe 
o quão perto ela está do que exatamente aconteceu comigo e 
com Celine. Ficar grávida, casar, pegar meu dinheiro, esse era o 
plano. 
Não sei com quem Hollis estava antes de mim. Não sei se ela 
estava com alguém depois de mim. E embora eu não ache que 
Hollis faria o que Celine fez, há muitas variáveis para formar 
uma opinião agora, especialmente quando, na realidade, eu não 
a conheço muito bem. 
— Oh meu Deus. — Sua boca cai aberta. — Isso é o que 
você pensa, não é? Você acha que eu planejei isso, não é? Acha 
que foi um esquema que eu inventei ou algo assim. — Ela dá 
um passo em minha direção, seu nariz quase tocando o meu. — 
Bem, adivinhe, amigo? Eu não queria isso, e especialmente não 
queria com você. 
Ela passa por mim e sai do banheiro, me deixando ali de pé 
me perguntando que porra eu vou fazer. 
7 
Hollis 
— Ele disse o quê? 
— E eu cito, você tem certeza? 
— Aquele idiota! — Emilia explode, batendo a mão na 
mesa. 
— Eu não posso acreditar que ele disse isso. — Ryan está 
sentada com a boca aberta, olhando para mim como se eu 
tivesse duas cabeças. É como me senti ontem à noite quando eu 
ouvi. 
Harper é a única que não disse uma palavra, mas posso ver a 
forma como sua mandíbula está apertada. Ela está tão chateada 
quanto elas, e não tenho dúvidas de que ela já está 
determinando como vai se safar do assassinato dele. 
Eu amo a indignação delas por mim, mas praticamente 
aconteceu exatamente como eu esperava. Quer dizer, claro, eu 
não achei que Lowell questionaria se o bebê é realmente dele 
ou insinuaria que eu engravidei de propósito para prendê-lo, 
mas imaginei que ele não ficaria exatamente emocionado por 
ter um filho com seu caso de uma noite também. 
Deus, o olhar em seu rosto quando eu disse a ele… havia uma 
mistura de emoções em tão pouco tempo. Ele parecia 
aterrorizado, o que não era surpresa. Então parecia que ele ia 
vomitar, novamente, nenhuma surpresa. 
Depois veio a traição e o desgosto. 
Esses dois doeram mais. 
Um garçom coloca uma cesta de batatas fritas para nós e 
deixa três margaritas. Nós quatro estamos sentadas em uma 
mesa do lado de fora de um restaurante mexicano para almoçar, 
porque acredito firmemente que não há nada que o chilli com 
queijo e a tequila não possam consertar. Já que eu não posso 
tomar tequila, estou deixando elas ficarem bêbadas por mim 
em solidariedade a esse momento hilário que estou passando 
agora. 
Como minha vida ficou tão bagunçada nesse último ano? 
— Eu o odeio — diz Emilia, tomando um gole de sua 
margarita, balançando a cabeça. — Ele sempre pareceu um cara 
tão legal. Eu não posso acreditar que ele disse isso. 
— Está tudo bem. — Eu aceno minha mão. — Foi apenas... 
chocante. 
— Não está tudo bem, Hollis — ela insiste. — Está longe de 
estar bem. Foi ele quem fez isso com você, e ele precisa assumir 
a responsabilidade por isso. 
— Caso você tenha esquecido, eu fui uma participante ativa 
em toda a experiência. 
— Ah, eu não esqueci. Não esqueci porque estou morrendo 
de vontade de saber como foi o sexo, mas fiquei com muito 
medo de perguntar porque não queria que você caísse em 
lágrimas novamente. 
Eu roubo uma batata da cesta e jogo nela. 
— Ei! — Ela joga uma de volta na minha direção, me 
errando completamente e acertando a pessoa na mesa atrás de 
nós. 
Eles não percebem, e todas nós rimos de sua distração. 
— Estou meio curiosa também — Ryan diz, pegando sua 
própria batata. — Lowell sempre passou esse tipo de vibração 
intensa. Eu me pergunto se isso vai para o quarto também. 
— Estou totalmente dizendo ao Rhodes que você pensa em 
outros caras no quarto. 
Ryan olha para Harper. 
— Você não ousaria. Ele vai... na verdade, quer saber? Vá em 
frente e diga a ele. Eu aceito o castigo. — Ela coloca a batata na 
boca, quase tonta com esse pensamento. 
— Então, como foi? — Emilia pergunta novamente. 
— Como foi o quê? — Finjo ignorância, tomando um gole 
da minha água. 
— O sexo! — Ela grita um pouco alto demais, atraindo 
olhares dos outros nas mesas ao lado da nossa. — Você sabe, o 
sexo que você teve com o jogador de hóquei profissional 
quente como o inferno. Eles têm resistência por dias, você sabe. 
— Parece que você está falando por experiência — eu lanço 
de volta, e ela desvia os olhos, evitando meu olhar. Droga. Um 
dia desses, eu vou fazer com que ela fale sobre isso. 
— Definitivamente estou falando por experiência quando 
digo que você ouviu direito — diz Ryan. 
— Posso confirmar — Harper concorda. 
— Viu? Eu tinha razão. Nos diga. 
— Foi… — Eu levanto um ombro. — Foi bom. 
— Bom? Bom? Você engravidou de um sexo bom? Que sem 
graça. — Emilia faz bico. — Nunca diga isso ao seu filho. 
Eu rio. 
— Acho que não vou contar a história de como meu bebê 
foi concebido. 
— Nunca se sabe. Minha mãe me contou uma vez, em 
detalhes. Tipo, detalhes demais. — Ela estremece, então pega 
sua bebida novamente. — Ela estava bêbada, que é o que estou 
prestes a ficar. — Ela toma um gole saudável, depois mergulha 
outra batata no queijo. — Diga-me ou eu vou jogar essa batata 
suja como o inferno em você. 
— Você não faria. 
— Ah, eu faria. 
Ela a levanta para jogá-la na minha direção, e eu levanto 
minha mão. 
— Tudo bem. Vou te contar. Abaixe a arma. — Eu balanço 
minha cabeça em suas travessuras enquanto ela coloca a batata 
em sua boca com um sorriso vitorioso. Olho ao redor da mesa, 
e todas elas estão olhando para mim com expectativa, 
aparentemente muito interessadas em saber como foi o sexo 
com Lowell. 
Não sei o que dizer a elas porque não sei como colocar em 
palavras. 
Não sei como dizer a elas que pensei nisso quase sem parar 
desde que aconteceu. Eu não sei como dizer a elas que foi a 
experiência mais incrível da minha vida. Como ele me deitou 
na cama e levou seu tempo tirando meu vestido do meu corpo, 
então beijando cada centímetro dele, me levando ao orgasmo 
duas vezes antes de deslizar para dentro de mim e fazer o 
terceiro. Como ele foi gentil nas melhores maneiras e duro em 
outras as ainda melhores. 
E como a pior parte é que nem mesmo sendo um idiota 
gigante na noite passada pode manchar isso. 
Não sei como dizer nada disso, então apenas digo: 
— Melhor do que qualquer coisa que já tive antes. 
Não que eu tenha muito com o que comparar. Eu só fiz sexo 
com três homens na minha vida. Um era meu namorado do 
ensino médio, e isso acabou em cerca de dois segundos. O outro 
era Thad, e ele era praticamente um pônei que sabe apenas um 
truque... se você contar apenas golpear em mim em uma 
posição de papai e mamãe como sendo um truque. 
— Você está totalmente brilhando só de pensar nisso. — 
Emilia sorri, balançando as sobrancelhas para cima e para 
baixo. 
— Eu acho que isso é apenas parte de estar grávida. 
— Ou o sinal de algum sexo muito quente. — Ela franze a 
testa como se tivesse acabado de se lembrar com quem foi 
aquele sexo realmente gostoso. — Estou pensando em ir até 
meu tio e dizer a ele que Lowell está sendo um idiotagigante. 
Fazer com que ele mexa com seu equipamento ou algo assim. 
— Embora eu aprecie muito, isso não é necessário. 
— Eu poderia fazer com que Rhodes acidentalmente 
acertasse as bolas dele durante o treino — Ryan oferece. 
Eu sorrio. 
— Mais uma vez, obrigada, mas não. 
— Você tem que saber que Collin vai matá-lo quando 
souber disso, não é? — Harper diz. 
— Não, porque você não vai dizer a ele. 
— Hollis! Você não pode estar falando sério! 
— Estou. Estou falando muito sério. Toda essa... coisa... é 
entre mim e Lowell e é isso. Eu não preciso de vocês, senhoras, 
para enviar seus homens para lutar minhas batalhas por mim. 
— Olho incisivamente para Emilia porque não sei exatamente 
quem é o homem dela, mas também não quero que ela tenha 
ideias. — Vai ficar tudo bem. Eu vou resolver. 
Harper balança a cabeça, claramente chateada comigo. 
Estou chateada comigo também, especialmente por me meter 
nessa confusão onde o pai do meu bebê pensa que eu sou 
apenas uma maria patins tentando prendê-lo. 
Eu não tenho ideia do que deu a ele a ideia de que esse é o 
tipo de pessoa que eu sou, mas realmente me incomoda que ele 
pense que eu sou remotamente capaz de fazer algo assim. Foi o 
que me manteve acordada metade da noite tentando descobrir. 
Bem, isso e a vontade de fazer xixi a cada maldita hora. 
— Você já contou para a mamãe? — Harper pergunta. 
Eu gemo. 
— Ugh. Não, ainda não. Principalmente porque estou com 
medo de que ela comece a procurar apartamentos aqui no 
momento em que descobrir. 
— Eu ficaria surpresa se ela já não tivesse começado agora 
que nós duas moramos aqui. 
Eu amo minha mãe de um jeito feroz. Ela é uma boa pessoa 
com um coração muito bom, e Harper e eu somos seu mundo 
inteiro. 
Mas ela também pode ser muito... sufocante. Ela nem 
sempre foi assim. Claro, ela era uma mãe preocupada e sempre 
quis que nós, meninas, tomássemos cuidado, mas ficou pior 
depois que nosso pai faleceu. De repente, em todos os lugares 
que íamos e tudo que fazíamos era muito perigoso. Aposto que 
se ela pudesse se safar, ela teria nos embrulhado em plástico 
bolha só para evitar que nos machucássemos novamente. 
Manter Harper e eu a salvo e ser superprotetora é sua 
maneira de lidar não apenas com a morte de meu pai, mas como 
ele morreu, em um acidente de carro a caminho de ver sua 
amante. 
Até aquele ponto, eles tiveram o casamento perfeito. 
Dezesseis anos de felicidade. Dezesseis anos dançando na 
cozinha ao som de Frank Sinatra e luxuosos jantares de 
aniversário. Dezesseis anos de beijos de bom dia e nunca indo 
para a cama com raiva. 
Dizer que seu coração se partiu da pior maneira quando ela 
descobriu por que ele estava no meio de uma tempestade de 
neve seria um eufemismo. Ela quer nos proteger dessa mesma 
dor. 
Eu coloco minha mão sobre minha barriga ainda plana 
porque, de uma maneira louca, eu meio que entendo agora. 
Ainda nem conheci meu bebê e já tenho essa vontade intensa 
de protegê-lo a todo custo. Eu não posso imaginar o quão forte 
esse sentimento vai ser quando eles tiverem quase trinta anos. 
— Vamos falar sobre outra coisa — diz Emilia. — Como 
nomes de bebês ou algo assim. Pessoalmente, acho o nome 
Emilia lindo, mas posso ser incrivelmente tendenciosa quanto 
a isso. 
— Você é — Harper diz a ela. — Mas acho que todas 
podemos concordar que Harper também é um nome bonito. 
Olho para Ryan. 
— Se importa de colocar seu próprio nome no ringue 
também? 
— Não. Vou guardar meu nome para mim, obrigada. 
Embora eu ache que você deveria nomear seu bebê com algo 
foda, como Buffy ou Khaleesi. 
Espero que ela ria, mas ela não o faz. 
— Ah, e quanto a Katniss? Ou Xena? Você sabe, como a 
Princesa Guerreira. Eu já sei! — Emilia dispara. — Alanis! 
Como Morissette. Ela é como a esmagadora das esperanças e 
sonhos dos homens e é incrível. Total deusa do rock de garotas 
raivosas. 
— Isso é… vou levar isso em consideração também. 
— E se for um menino? — Ressalta Ryan. 
— Thor. Definitivamente Thor — diz Emilia. — Não, 
espere! E Thanos? Espere, não. Thor é muito melhor. 
Ryan e Emilia começam um debate sobre nomes, mas 
Harper não se junta. Em vez disso, ela desliza a mão na minha e 
a aperta. 
— Mesmo que Lowell não participe, é óbvio que a bebê 
Buffy Khaleesi Katniss Xena Alanis será muito amada. 
— Ou Thor Thanos. 
Ela sorri. 
— Ou Thor Thanos. 
E pela primeira vez desde que fiz aqueles testes, não me sinto 
tão sozinha. 
 
Eu estava certa sobre minha mãe. 
Eu seguro meu telefone apoiado no meu travesseiro e tento 
não suspirar quando ela começa a listar todos os apartamentos 
que ela está olhando nas proximidades. 
— E então há um que está a cerca de apenas três quilômetros 
de você. Eles têm um jardim lindo que eu posso imaginar 
apreciando meu café da manhã — ela diz, virando o telefone, 
tipo literalmente o telefone inteiro, não apenas a câmera, para 
me mostrar uma foto distorcida do referido jardim. 
— Parece ótimo, mãe, mas você não acha que está se 
precipitando? 
Ela vira o telefone de volta e me dá um olhar afiado. 
— Não fale com esse tom comigo, Hollis Pearl. 
Eu tento não me encolher com o uso do meu nome do meio, 
que eu detesto completamente. Eu prometo a mim mesma 
naquele momento não dar ao meu filho um nome do meio 
horrível. 
— Vou ser avó. Uma avó, Hollis! Claro que vou querer fazer 
parte da vida dessa criança, e não posso fazer isso do outro lado 
do estado, posso? 
Quero salientar que sim, ela pode, e vou fazer viagens de ida 
e volta o tempo todo, mas sei que não importa o que eu diga, 
não será suficiente. Eu também posso me resignar ao fato de 
que minha mãe vai se mudar dessa forma com ou sem minha 
aprovação. É apenas uma questão de tempo agora. 
— Eu sei, mãe, eu só… — Minhas palavras são cortadas por 
um grande bocejo, e uma carranca puxa seus lábios no 
momento em que minha boca se abre. 
— O que há de errado? Tudo certo? 
Eu mal resisto à vontade de revirar os olhos. 
— Está tudo bem. Eu só estou cansada, você sabe. 
Crescendo uma vida e tudo isso. Tenho certeza de que você se 
lembra como é. 
— Oh, Deus, como lembro. Vocês meninas me esgotaram 
tanto antes mesmo de nascerem. Especialmente Harper porque 
ela era tão imprevisível. — Um sorriso doce puxa seus lábios. — 
Para sempre marchando ao ritmo de seu próprio tambor, 
aquela lá. 
Ela está certa. Harper sempre foi quem ela é e nunca se 
desculpou por isso nem um dia em sua vida. Sempre admirei 
isso nela e gostaria de poder dizer que fiz o mesmo, mas não fiz. 
Enquanto Harper sempre foi do tipo que se destaca na 
multidão e tenta coisas novas, eu sou do tipo que se mistura e 
não corre muitos riscos. Era mais fácil desse jeito. Mais seguro. 
Claro que a única vez que saio da minha zona de conforto e 
faço algo arriscado, sou punida por isso. 
Eu acaricio meu estômago. Desculpe, pequenino, você não é 
uma punição. 
— De qualquer forma, eu deveria deixar você descansar um 
pouco — minha mãe diz, me surpreendendo. — Tenho certeza 
que esta semana foi muito animada para você. 
Animada não é a palavra exata que eu usaria para isso. 
Quando eu disse a ela que estou grávida, a primeira coisa que 
ela perguntou foi se o bebê é de Thad e se nós voltaríamos a 
ficar juntos. No começo, fiquei muito magoada por ela pensar 
que eu voltaria para ele depois do que ele fez comigo. Mas 
quando ela soltou um suspiro de alívio quando eu disse a ela 
que não tinha chance, fiquei feliz. 
Ela perguntou se eu estava namorando alguém, e eu disse 
que não. 
Depois disso, ela largou o tópico. Fiquei surpresa que ela 
não insistiu no assunto ou fez mais perguntas, já que ela 
normalmente se intromete sobre todo o resto. Acho que ela 
podia sentir meu tumulto em relação à situação. Ela não está 
perguntando agora, mas eu sei que ela vai mais tarde, e eu já 
estou temendo a conversa. 
— Algo assim — murmuro. 
A preocupação puxa seus olhos e eu posso dizer que ela tem 
muito a dizer, mas ela não diz. Em vez disso, ela diz: 
— Eu te amo, Hollis. Tudo ficará bem.E porque eu estou uma bagunça completa, lágrimas ardem 
em meus olhos. Esta semana foi exaustiva, e acho que não 
percebi o quanto precisava ouvir isso da minha própria mãe. 
— Obrigada, mãe. Eu também te amo. 
— Eu sei. — Ela pisca. — Descanse um pouco, ok? Me ligue 
amanhã. 
— Eu vou. Boa noite. 
— Boa noite, menina. 
Eu jogo meu telefone no travesseiro ao meu lado e rolo de 
costas. Eu olho para o teto, passando minhas mãos sobre meu 
estômago, maravilhada com o fato de que eu tenho um 
pequeno humano do tamanho de uma cereja crescendo dentro 
de mim. 
Harper estava certa. Mesmo que Lowell não participe, sei 
que esse bebê será amado e cuidado. Eu tenho o apoio de 
algumas das melhores pessoas do mundo que vão garantir que 
isso seja verdade. 
— Tudo vai ficar bem — digo a mim mesma enquanto 
meus olhos se fecham. 
Desta vez, quando digo isso, quase acredito. 
8 
Lowell 
— Calma aí! Estou indo! 
Eu empurro meu braço pela minha camisa enquanto ando 
pela casa para descobrir quem diabos está batendo na minha 
porta a esta hora. São apenas sete da manhã, e não tenho ideia 
de quem possa ser. Apenas três pessoas no time sabem onde 
moro, e uma dessas pessoas é o treinador. 
Com os olhos embaçados, esbarro em uma mesa no 
corredor. 
— Porra — murmuro, irritado com a mesa e comigo 
mesmo. Eu dormi como merda de cachorro nas últimas duas 
noites, e eu realmente prefiro não lidar com quem está parado 
na minha varanda agora. 
Eu abro a porta, uma carranca firmemente no lugar. 
— O q… — Eu nem mesmo digo a palavra completa antes 
de um punho atingir meu rosto e eu tropeço para trás para 
dentro da casa. — Que diabos… — Agarro meu rosto enquanto 
Collin abre caminho para dentro da minha casa. 
Ele bate a porta atrás dele, então me empurra na parede com 
tanta força que vou ficar surpreso se não houver um amassado 
nela. Ele arrasta seu antebraço sobre minha garganta, me 
segurando no lugar enquanto me dá um olhar assassino. 
— Que diabos, cara? — Eu cuspo, e ele nem vacila quando 
meu sangue respinga em seu rosto. — Que porra você está 
fazendo na minha casa, Wright? 
— Que diabos há de errado com você? — Ele sibila, 
empurrando minha traqueia com pressão suficiente para tirar 
o fôlego de mim. — Huh? Que porra há de errado com você, 
Lowell? 
Ele aperta o braço na minha garganta novamente, desta vez 
com força suficiente para eu engasgar. Eu faço uma tentativa 
sem esforço de tentar me soltar dele, mas o idiota é grande e não 
vai a lugar nenhum. Além disso, no fundo eu sei que eu mereço 
isso e muito mais. 
Eu fui um idiota total com Hollis na outra noite. No 
segundo em que o choque de tudo passou, eu sabia que estava 
completamente errado. 
Ela não estaria armando para mim. Eu sei que ela não faria. 
Nós não passamos muito tempo juntos, mas eu sei que ela não 
é esse tipo de pessoa. 
Depois que ela me contou, eu fiquei acordado metade da 
noite olhando para o meu telefone tentando decidir se eu 
deveria ligar ou mandar uma mensagem e o que diabos eu ia 
dizer para tornar tudo melhor. Eu continuei em branco porque 
não tenho ideia de como vou tornar isso melhor. 
Merda. Já se passaram trinta e seis horas e ainda não sei 
como vou melhorar. 
— Eu… eu sinto muito, ok? Eu fodi as coisas. Você está feliz? 
Seus olhos se estreitam em mim, certificando-se de que 
estou dizendo a verdade. Satisfeito com o que vê, ele me 
empurra mais uma vez antes de me soltar, deixando-me cair de 
volta aos meus pés. 
Eu engulo em respirações profundas de ar e limpo o sangue 
vazando do meu nariz e boca. 
— Merda, cara — eu digo, ainda tentando recuperar o 
fôlego. — Você tem sorte que eu já perdi meus dentes de 
verdade, senão eu ficaria muito irritado. 
— Sim, bem, junte-se ao clube porque eu estou irritado. — 
Ele balança a cabeça para mim. — Que porra é essa, cara? 
Eu tomo mais algumas respirações profundas antes de me 
empurrar da parede e me endireitar. Eu passo por ele, 
certificando-me de bater em seu ombro, e vou para a cozinha 
para limpar todo o sangue e pegar uma bolsa de gelo. 
Ele segue atrás de mim, sem dúvida abrindo buracos na 
parte de trás da minha cabeça. 
— Você realmente perguntou a ela se ela tem certeza que é 
seu? 
Eu faço uma careta com suas palavras enquanto pego uma 
garrafa de água da geladeira e abro a tampa. Eu agito a água ao 
redor da minha boca algumas vezes para tirar o gosto de sangue. 
Então eu bebo o resto em um gole e fecho a geladeira, não me 
preocupando em oferecer nada a Collin porque foda-se ele 
depois do que ele acabou de fazer. 
Quer dizer, eu mereci, mas foda-se ele. 
— Eu... meio que insinuei — eu finalmente digo depois de 
vários longos momentos. 
— E você também insinuou que ela engravidou de 
propósito para tentar prendê-lo? 
Outra careta, o que é resposta suficiente. 
Pego o pano de prato que está pendurado no fogão, coloco 
um pouco de água fria e o pressiono no meu lábio rachado, que 
sem dúvida já dobrou de tamanho. 
Porra, Collin bate forte. 
— Eu tenho que perguntar de novo… o que diabos há de 
errado com você, Lowell? Por que diabos você diria isso para 
ela? Você realmente acha que isso é algo que Hollis é capaz? 
— Não! De jeito nenhum. 
— Então por que você disse isso? 
Eu estreito meus olhos para ele. 
— Você sabe porque. 
— Por causa daquela merda com Celine todos esses anos 
atrás? 
— Sim! 
— Cara! — Ele passa as mãos pelo cabelo como se estivesse 
irritado comigo. Bem, eu estou fodidamente irritado com ele, 
invadindo minha casa e me batendo no raiar do dia. — Supere 
essa porra logo. 
— Não é exatamente tão fácil. 
— É sim. Porque elas são duas pessoas completamente 
diferentes. 
— Você acha que eu não sei disso? 
Ele mantém os braços abertos. 
— Aparentemente não, porque aqui estamos. 
— Eu surtei, ok? Em minha defesa, eu tinha acabado de 
descobrir que meu caso de uma noite engravidou. Meio que 
muito para absorver, não? 
Ele range os dentes. 
— Eu lhe devo outra por isso também, por tirar vantagem 
dela quando ela estava vulnerável. 
— Não foi assim — eu argumento, porque não foi. 
Pelo menos eu não acho que foi. 
Porra… foi? Será que… Hollis não queria? Eu sabia que ela 
estava sofrendo com o casamento e quão recente era o divórcio, 
mas não é como se eu a tivesse pressionado a nada. Inferno, foi 
ela quem me pediu para tomar uma decisão ruim com ela. Eu 
fiz algo errado ao dizer sim? 
— Como isso aconteceu? Você não embrulhou sua merda? 
— Claro que sim! Eu só… A camisinha era meio velha, 
certo? Era uma que eu tinha na minha carteira há um tempo. 
— Há um tempo? Quanto tempo é um tempo? 
Eu torci meu rosto, não querendo admitir. 
— Um… ano. Ou mais. 
Ele joga a cabeça para trás com um gemido. 
— Puta merda. Não é à toa que você a engravidou. 
— Ei, não é como se eu tivesse ido ao seu casamento na 
esperança de cair em alguma boceta, ok? Isso não fazia parte do 
meu plano. Eu sei como as mulheres desapegadas estão 
desesperadas em casamentos para se apegar a alguém. Eu não 
estava prestes a me envolver nisso. 
— Mas você fez. Você se envolveu nisso, e veja onde isso te 
levou. 
Porra. Ele me tem nessa. 
Eu descanso meus cotovelos no balcão e coloco minha 
cabeça em minhas mãos. Não acredito que me meti nesta 
situação. Mais uma vez, tecnicamente. 
Só que desta vez, é real. É muito real e muito assustador. 
— Como você está se sentindo? 
— Como merda. Meu rosto dói, e agora estou com uma dor 
de cabeça latejante e acho que meu dente está solto. E eu… 
— Não, não isso. Sobre o bebê, seu idiota. 
Certo. Isso. 
Isso é uma enxurrada de emoções totalmente diferentes que 
eu não tenho certeza se quero entrar tão cedo. 
Eu estou assustado. 
Estou com raiva. 
Estou preocupado. 
Estou confuso. 
Eu estou tantas coisas diferentes, e estou tendo muita 
dificuldade em processar tudo isso. 
— Eu… 
Outra batida forte soa na porta, me interrompendo. 
Quem diabos é desta vez? 
Eu olho para Collin, e ele dá de ombros. 
— Me venceu. 
Eu empurro o balcão e vou para a porta da frente. Eu a abroe, pela segunda vez esta manhã, um punho acerta meu rosto. 
— Ow! Filho da puta! — Eu seguro meu nariz, que agora 
está sangrando junto com meu lábio enquanto eu tropeço para 
trás com o impacto. 
— Seu idiota de merda! — Rhodes se enfurece, me jogando 
contra a parede como Collin fez. — Você está louco? Você tem 
um desejo de morte? Você… 
Um movimento no corredor chama sua atenção. Collin está 
encostado na parede, de braços cruzados, claramente curtindo 
o show. 
— Não se importe comigo — diz ele. — Por favor, 
continue. 
Eu empurro Rhodes, tentando tirar a fera de um homem de 
cima de mim. Ele olha para mim, me empurrando contra a 
parede mais uma vez antes de me soltar. 
Não consigo decidir se quero manter meu nariz coberto ou 
esfregar o hematoma que sem dúvida está se formando no meu 
peito neste momento. 
— Porra — murmuro, olhando entre eles. — Alguém mais 
vai entrar na minha casa hoje? 
A porta, que nunca foi fechada, é aberta, e Miller caminha 
para dentro. 
— Eu não vou bater em você, Lowell. — Ele levanta as 
mãos. — Não posso me dar ao luxo de estragar essas luvas de 
seda. 
— Por que diabos vocês estão aqui tão cedo? 
— Uh, porque aparentemente você é um idiota que 
precisava de uma surra, e vindo de mim isso é algo — explica 
Miller. Ele fecha a porta da frente, então bate palmas. — Então, 
o que tem para o café da manhã, rapazes? Estou morrendo de 
fome. 
Com um suspiro, eu balanço minha cabeça e os deixo no 
corredor enquanto eu vou para o meu quarto pegar uma 
camisa limpa, já que esta agora tem manchas de sangue depois 
que eu levei um soco no rosto duas vezes. 
Como não são nem oito da manhã e eu já estou 
ensanguentado e machucado? 
Depois de pegar uma camisa, volto para a cozinha. Collin e 
Rhodes estão encostados na ilha me encarando. Miller está se 
servindo de um bule de café, mas não consegue descobrir como 
o filtro funciona. 
Eu o empurro para fora do caminho e termino o trabalho, 
definindo o tamanho para um pote cheio e pressionando 
iniciar antes de me virar para encontrar os olhares dos meus 
companheiros de time. 
— Harper? — Aponto para Collin. 
Ele concorda. 
— Ryan? — Digo a Rhodes. 
Outro aceno. 
Eu olho para Miller. 
— Então por que diabos você está aqui? 
Ele dá de ombros. 
— Eu estava vindo porque estava entediado e o 
acampamento de verão só vai acontecer daqui a algumas horas. 
Sinceramente, não tenho ideia do que está acontecendo. 
— São sete da manhã! 
— Você realmente vai ficar bravo com um cara por sentir 
falta de seu capitão? — Ele projeta o lábio, fazendo beicinho de 
um jeito que me faz querer ser o terceiro cara a dar um soco 
hoje. 
Em vez disso, apenas reviro os olhos para ele e me viro para 
pegar o café agora acabado. Pego duas canecas, porque foda-se 
Collin e Rhodes, do armário acima do bule, despejo uma xícara 
para mim e uma xícara para Miller, e deslizo uma em sua 
direção. 
— Obrigado — diz ele, tomando um gole alto. — Então, o 
que eu perdi? 
Sua inocência nos faz rir. 
— Esse merda aqui — Rhodes levanta o polegar na minha 
direção — dormiu com a irmã de Harper no casamento. 
— Que cachorro sujo, você. — Miller sorri para mim, 
balançando a cabeça. — Achei que ela era muito louca para 
você? 
Eu não respondo a ele. A única pessoa louca neste momento 
sou eu por pensar que o que fizemos foi uma boa ideia. 
— Isso não é tudo — acrescenta Collin. — Ela está grávida. 
Miller suspira. 
— De jeito nenhum! Você não embrulhou? 
Eu jogo minha cabeça para trás em um gemido. 
— Por que todo mundo continua me perguntando isso? 
Claro que sim! 
— Não bem o suficiente, aparentemente. Você tem que 
usar duas e merda. 
Rhodes lança a Miller um olhar preocupado. 
— Não se usa duas. Nunca. Você faz isso? 
— Uh… n-não — diz Miller, não soando nem um pouco 
convincente. 
Eu nem estou tocando nesse assunto agora. Eu não tenho 
energia. Eu tenho meus próprios problemas para lidar. 
— O que você vai fazer? — Miller faz a pergunta de um 
milhão de dólares para a qual todos querem uma resposta. 
Porra. O que eu vou fazer? Eu não estava procurando por 
isso e certamente não estava preparado. Inferno, eu fui jantar 
com Hollis meio que esperando molhar meu pau no final da 
noite. Eu não esperava que essa grande bomba de mudança de 
vida fosse lançada sobre mim. 
Então, o que eu vou fazer? 
A longo prazo? Eu não tenho ideia. Isso não depende 
inteiramente de mim. 
Mas eu sei o que preciso fazer a curto prazo, e isso é pedir 
desculpas a Hollis… se ela me deixar. 
Olho para Collin e Rhodes, que estão olhando para mim, 
esperando para ouvir o que tenho a dizer. Eu engulo o nó que 
está na minha garganta desde ontem, então solto uma 
respiração pesada. 
— Acho que tenho um telefonema para fazer. 
9 
Hollis 
Depois que deixamos as coisas no restaurante na outra noite, a 
última coisa que eu esperava esta manhã era receber uma 
ligação de Lowell perguntando se ele poderia vir até minha casa. 
Eu disse que não no começo porque não tinha certeza se 
queria lidar com o estresse de vê-lo antes da minha consulta esta 
tarde, mas ele insistiu e acabei cedendo. É por isso que estou 
atualmente na frente do meu espelho na minha terceira roupa 
da manhã tentando me convencer a não me trocar novamente. 
Parte do meu cérebro está gritando que eu deveria usar 
aquela mini-saia de couro que comprei há dois meses, porque 
logo estarei grande demais para passar pelos meus quadris, mas 
sei que isso é completamente impraticável. 
Se não fosse por náuseas, dores de cabeça e alterações 
hormonais, você não saberia que eu estava grávida. Tudo 
parece igual, embora eu saiba que não será o caso nos próximos 
meses. 
Eu não sei como me sinto sobre isso ainda, ver como meu 
corpo vai mudar. Eu sei que algumas mulheres adoram estar 
grávidas e amam a aparência de seus corpos, enquanto outras 
detestam. Eu me pergunto onde eu vou me encaixar nesse 
aspecto. 
Eu enfio dois pares de meias enroladas no meu sutiã, em 
seguida, pego um travesseiro da minha cama e o enfio debaixo 
da minha camisa. Eu me olho no espelho, tentando imaginar 
como vou ficar andando com um pequeno humano dentro de 
mim. 
Vai ser... diferente, com certeza. Vou parecer uma pessoa 
totalmente diferente. Inferno, eu vou ser uma pessoa 
totalmente diferente. Isso é difícil de conciliar às vezes. 
Uma batida soa na porta, me puxando dos meus 
pensamentos. 
Merda! Lowell. 
Minha frequência cardíaca aumenta e minhas palmas 
começam a ficar pegajosas. É estúpido. Eu não deveria me 
sentir assim sobre o homem cujo bebê estou carregando, mas 
me sinto. 
Estou nervosa porque ele me deixa nervosa. 
Estou nervosa porque não tenho ideia de como essa 
conversa vai acontecer. 
Estou apenas... nervosa. 
Eu puxo o travesseiro do meu estômago e o jogo na cama 
antes de correr para a porta da frente. Eu tomo uma respiração 
profunda e calmante, passando a mão pelo meu cabelo. 
Quando sinto que não vou desmaiar, eu a abro. 
Recolher o fôlego foi uma jogada inteligente, porque no 
momento em que meus olhos pousam em Lowell, ele o rouba 
de volta. Ele é tão... magnético. Eu não quero ser atraída por 
ele. Não quero que ele fique no norte e eu no sul. 
Ele está vestindo uma camisa cinza clara simples e um par de 
jeans que abraça suas coxas um pouco bem demais. Há um 
boné de beisebol pendurado para trás em sua cabeça, e ele está 
ostentando o que parece ser um corte recente no lábio sobre o 
qual eu quero perguntar a ele. 
Quando alcanço aqueles olhos verdes que me fazem sentir 
todo tipo de coisas que não entendo, percebo que ele está me 
olhando com um olhar inquisidor, como se estivesse 
procurando alguma indicação de que vou bater a porta na cara 
dele. 
Eu não vou... ainda. 
Em vez disso, eu me movo para o lado, permitindo que ele 
passe. No momento em que ele cruza a soleira, eu respiro 
novamente. 
Fecho a porta atrás dele, me apoiando nela porque de 
repente estou me sentindo tonta. Eu não sei se é por estar perto 
dele ou simplesmente estar exausta, algo queestou mais do que 
nunca ultimamente. 
Ele olha ao redor do pequeno apartamento, e eu percebo 
que este lugar deve ser risível comparado a onde quer que ele 
more. Ele é um maldito jogador de hóquei. Ele provavelmente 
tem uma mansão... ou duas. 
Quando ele termina de examinar, ele enfia as mãos nos 
bolsos da calça jeans e olha para mim. Seus olhos percorrem 
lentamente meu corpo, começando pelos meus pés, indo até o 
topo. Ele me inspeciona de perto, não perdendo um único 
centímetro, como se estivesse procurando por qualquer sinal 
de que eu realmente estou grávida. Eu quero dizer a ele que não 
está aparecendo ainda, mas antes que eu possa dizer as palavras, 
ele sorri. 
— Bem, esses cresceram muito mais rápido do que eu 
esperava. 
Minhas sobrancelhas se juntam, e eu olho para baixo. 
Oh Deus. 
Minhas bochechas estão em chamas quando eu alcanço 
meu sutiã, arranco as meias enroladas e as jogo no sofá. 
— Eu estava... praticando. 
— Ter peitos? 
Eu olho para ele, me afastando da porta e indo para a 
cozinha. 
— Você gostaria de algo para beber? 
— Ah, sim. Vodka, se você tiver. — Eu lhe envio um olhar, 
e ele ri. — Eu estava brincando. Embora uma bebida soe bem 
agora. Estou, uh, meio nervoso. 
— Você? Sr. Superstar da NHL, nervoso? 
Ele sorri com o apelido enquanto se senta no pequeno 
recanto do café da manhã. 
— Os jogadores de hóquei ficam nervosos, você sabe. 
— Huh. Teria imaginado que você já estaria acostumado 
com a pressão. 
— Esse tipo de pressão é um pouco diferente. 
— Isso é justo. — Abro a geladeira e alcanço o recipiente de 
suco de laranja. — Eu não tenho vodka, mas tenho suco. 
— Suco também funciona. 
Pego dois copos do armário e sirvo um para cada um de nós. 
É engraçado porque eu nunca fui uma grande fã de suco de 
laranja, mas por algum motivo, é quase tudo que eu quero 
beber hoje em dia. 
Eu deslizo um copo na direção de Lowell, então devolvo o 
suco para a geladeira antes de pegar meu próprio copo e me 
recostar no balcão. 
— Você deveria estar de pé? 
Meus olhos caem em fendas. 
— Aviso justo, há muitos objetos pontiagudos nesta 
cozinha com os quais posso esfaquear você. 
— Vou levar isso em consideração. — Ele sorri para mim 
sobre a borda de seu suco de laranja antes de tomar um gole, 
estremecendo com a picada da acidez no corte em seu lábio. 
— O que aconteceu com o seu rosto? — Eu pergunto. 
— Collin. 
Eu levanto minhas sobrancelhas, surpresa. 
— E Rhodes — acrescenta. 
— Por causa de…? 
Ele se mexe desconfortavelmente no banco, não 
encontrando meus olhos quando diz: 
— Você. 
Ah. Então é por isso que ele me ligou, porque Collin e 
Rhodes o fizeram, não porque ele realmente se importa. 
— Mas não é por isso que eu liguei — ele diz como se 
soubesse exatamente o que eu estava pensando. — Eu ia ligar 
antes que eles… bem… — Ele aponta para o rosto, então limpa 
a garganta. — Eu simplesmente não sabia o que dizer. 
— E agora você sabe? 
— Não. — Ele ri sem humor. — Não tenho a menor ideia, 
mas eu não poderia simplesmente sentar e deixar você pensar 
coisas ruins sobre mim também. 
— Eu não estava pensando coisas ruins sobre você. 
Não é totalmente mentira. 
Eu achava que ele era um idiota por questionar a 
legitimidade da minha gravidez acidental? Definitivamente. 
Mas... eu também entendi. Dada a forma como nos 
conhecemos, não tenho certeza se posso culpá-lo por atacar 
durante um momento emocional. 
Ele tira o boné da cabeça e passa a mão pelo cabelo castanho 
escuro antes de recolocá-lo. Ele suspira. 
— Eu, uh, estava noivo antes. 
Minhas sobrancelhas se erguem porque isso é novidade para 
mim, especialmente considerando o quanto ele protestou 
contra casamentos. 
— Foi há vários anos. Eu estava saindo com essa garota por 
cerca de oito meses, e foi bem sério, você sabe. — Ele dá de 
ombros. — Eu a amava. 
Ele toma o resto de seu suco de laranja, então se levanta e vai 
para a pia. Ele enxagua o copo e o coloca na lava-louças. Eu o 
vejo se mover pela minha cozinha como se ele morasse aqui 
também, e não tenho certeza de como me sinto sobre o fato de 
que eu não odeie isso exatamente. 
Quando ele termina, ele se vira para mim, descansando as 
costas contra o balcão à minha frente. Ele cruza os braços sobre 
o peito, e eu faço o meu melhor para ignorar a forma como sua 
camisa se estende sobre seus músculos enquanto ele olha para 
um buraco no chão. 
— Eu a pedi em casamento quando ela engravidou. 
Meus olhos saltam para ele, surpresos. 
Ele... já é pai? 
— Fizemos o anúncio do noivado, planejamos o 
casamento… a coisa toda. Eu estava feliz. Eu estava animado. 
Eu queria a esposa, o bebê e o futuro. Quatro meses. — Seus 
lábios se apertam e ele balança a cabeça uma vez antes de 
finalmente me olhar nos olhos. — Demorei quatro meses para 
saber que ela estava mentindo. 
A dor em seus olhos é tão clara, e eu tenho o desejo de 
atravessar a cozinha e envolver meus braços ao redor dele. 
Quem quer que seja essa mulher, ela fez uma coisa com ele, e 
isso realmente me faz odiá-la por machucá-lo. 
— Ela nunca esteve grávida. Ela só queria que eu pedisse em 
casamento e apressar o casamento para que eu não pudesse 
desistir. E eu acreditei, sabe? Eu era tão jovem, estúpido e 
apaixonado que acreditei. Eu não questionei nada. Todas as 
consultas com o médico dela foram em dias em que eu tinha 
jogos, e eu nunca pensei em questionar isso porque quem 
realmente acha que a pessoa que eles amam está ferrando com 
eles assim? 
Ele olha para mim, mas não realmente para mim. É mais 
como se ele estivesse olhando através de mim, como se estivesse 
lá no passado e ouvindo tudo de novo, que ela mentiu para ele. 
Ele parece tão... quebrado. 
— Lamento o que aconteceu com você — eu digo baixinho, 
e ele sai de qualquer neblina em que está. 
Ele funga algumas vezes, então se sacode como se estivesse 
sacudindo as memórias. 
— É por isso que eu assumi o pior sobre você, porque eu já 
estive lá antes, mas eu não deveria ter feito isso. Eu não deveria 
ter colocado meu passado em você assim. Eu sou a pessoa que 
está arrependido. 
Eu concordo. 
— Obrigada por me dizer. 
— Obrigado por não mentir. — Ele estreita os olhos. — 
Certo? 
— Eu diria que meu enjoo matinal na outra noite foi uma 
boa indicação de que não, não estou mentindo. 
Ele assente algumas vezes. 
— Se vale de algo, sinto muito que você esteja nessa situação. 
— Sinto muito, também. Eu definitivamente não planejei 
isso. 
Ele dá uma risada meio sem graça. 
— Eu definitivamente também não. 
Eu termino o resto do meu suco de laranja, e ele pega o copo 
de mim, enxaguando-o e colocando-o na lava-louças também. 
Estou impressionada novamente com o quão confortável ele 
parece estar no meu apartamento e o quanto isso não me 
incomoda. Normalmente, se alguém viesse aqui e começasse a 
agir como se essa fosse a casa deles também, eu ficaria irritada, 
mas, e talvez seja porque estou carregando o bebê dele, não me 
sinto assim com Lowell. 
— Como você está se sentindo? — Ele pergunta. 
— Cansada, enjoada. Tipo, eu tenho que fazer muito xixi. 
Eu continuo tendo sonhos estranhos com bebês loiros que são 
bebês, mas também parecem pessoas velhas. — Eu estremeço. 
— É estranho. 
Não conto a ele o outro sonho recorrente que tenho tido 
porque é sobre ele. Eu continuo sonhando que ele se oferece 
para me pagar um milhão de dólares para pegar meu bebê e ir 
embora, para nunca entrar em contato com ele e nunca, nunca 
dizer uma palavra a ninguém. Isso me fez acordar chorando nas 
últimas duas noites, mas guardo isso para mim. 
Ele ri. 
— E sobre o bebê? Como você está se sentindo sobre isso? 
— Assustada — eu digo honestamente. — Tipo muito, 
muito assustada. Mas também… ok. — Ele balança a cabeça 
como se entendesse. — E você? Como você se sente… sobre o 
bebê? 
— Assustado. Tipo muito, muito assustado — ele ecoa. 
Eu sorrio porque me conforta que ele também esteja 
aterrorizado com essa nova aventura em que nos metemos. 
— Quando você descobriu? 
— Oficialmente?Na segunda-feira. Extraoficialmente? 
Última sexta-feira. 
— Como? 
— Café com leite de avelã e sanduíches de ovo. 
Ele inclina a cabeça, sobrancelhas juntas. 
— Café com leite de avelã e sanduíches de ovo? 
— Sim. Eu estava sentada no Cup of Joe's, e o cheiro dessas 
duas coisas era tão forte que vomitei na bolsa do meu 
notebook. Sinceramente, se não fosse a velhinha que comentou 
sobre isso, eu não teria pensado duas vezes, e ainda hoje talvez 
nem soubesse. Minha menstruação não está normal há algum 
tempo por causa de todo o estresse com o divórcio e tudo mais, 
e desde que usamos proteção, nunca suspeitei que pudesse estar 
grávida. 
Eu me sinto meio estúpida por não estar mais em sintonia 
com meu corpo ou questionar por que eu não menstruava há 
meses, mas não há nada que eu possa fazer sobre isso agora. 
Meu telefone vibra contra o balcão, e eu sei o que é antes 
mesmo de olhar. Atravesso a cozinha para verificar e posso 
sentir os olhos de Lowell em mim o tempo todo. 
— Você precisava atender isso? — Ele pergunta. 
Eu balanço minha cabeça. 
— Não é um telefonema, é um alarme. Eu tenho um 
compromisso. 
— Para o bebê? 
Eu concordo. 
— Sim. 
— E você vai agora? — Eu aceno novamente. Ele se afasta 
do balcão. — Eu vou com você. 
— Você não precisa. 
— Você tem razão. Eu não preciso… eu quero. 
— Você… quer fazer parte disso? 
Ele faz uma carranca mais profunda do que eu já o vi fazer 
antes. 
— Você está brincando comigo, certo? Claro que quero 
fazer parte disso. Por que eu não iria querer? 
Eu dou de ombros. 
— Não sei. Nós realmente não nos conhecemos muito bem. 
Quero dizer, sim, nós tivemos essa conexão e compartilhamos 
uma noite juntos, mas é isso. Não é como se nenhum de nós 
planejasse continuar a se ver depois daquela noite. Isso... isso é 
diferente de apenas esbarrar um no outro depois de fazer sexo e 
fazer toda aquela coisa de dança desajeitada de nós nos vimos 
nus. 
— Eu lembro. 
— Isso não é algo que simplesmente nos afastamos de 
manhã, Lowell. 
— Eu sei. 
— Isso é um bebê. Isso é para sempre. 
Ele rosna. 
— Eu sei o que isso significa, Hollis, e eu quero isso. 
— Tem certeza? 
— Mais certeza do que eu já tive em toda a minha vida. 
Eu tento não deixar meu alívio transparecer. Por mais que 
eu estivesse preparada para o contrário, eu esperava que ele 
dissesse isso. 
— Ok. Então provavelmente deveríamos ir. Minha consulta 
é em uma hora. 
 
— Lembre-me novamente por que chegamos aqui trinta 
minutos mais cedo quando nosso compromisso foi vinte 
minutos atrás e ainda estamos esperando? 
Nosso compromisso. 
Eu não perco que ele diz isso. A maneira como ele se inseriu 
nisso faz meu estômago vibrar, e eu ainda não sei se isso é uma 
coisa boa ou ruim. 
Ele dirigiu no limite de velocidade exato no caminho até 
aqui, o que me deixou louca. Então ele não me deixou sair da 
caminhonete a menos que ele abrisse a porta, o que também era 
irritante, embora um pouco fofo. 
Ele insistiu em me ajudar a descer e carregar minha bolsa. Eu 
realmente queria lembrá-lo que eu mal estou grávida e ele estava 
sendo extremamente exagerado, mas toda vez que eu abria 
minha boca para dizer alguma coisa, eu não conseguia 
pronunciar as palavras. Acho que é porque estou aliviada por 
ele querer fazer parte disso comigo. 
Não tenho nenhuma ideia maluca de que de repente vamos 
namorar e depois nos casar e viver felizes para sempre. Isso não 
vai acontecer, e eu estou bem com isso. Mas só o fato de ele estar 
aqui? Que ele não está fugindo ou tentando jogar dinheiro em 
mim para ficar quieta sobre o bebê? 
Sim, faz meu estômago vibrar com certeza. 
— Tenho certeza que vai ser apenas mais alguns minutos. 
Ele me lança um olhar que diz que isso não é provável. 
— Estamos aqui há muito tempo. 
— Eu sei, mas o que podemos fazer sobre isso? 
Ele bufa, então antes que eu perceba, ele está marchando 
pela sala. 
— Lowell! — Eu sussurro-grito para ele, e ele me ignora. — 
Cameron! — Eu assobio. 
Desta vez ele se vira, seus olhos brilhando com o uso de seu 
primeiro nome antes de levantar a mão como se estivesse 
tentando me acalmar. Ele caminha até a recepção com 
arrogância suficiente, do tipo que não é tanto que o faça parecer 
idiota. Ele descansa os antebraços, os antebraços que eu sei que 
parecem incríveis, no balcão e se inclina em direção à jovem 
enfermeira sentada lá. 
— Oi — ele diz para ela, usando a mesma voz que eu já ouvi 
dele antes, lisa e sedosa e todo tipo de quente. — Eu queria 
saber se você poderia me dizer quanto tempo ainda vai 
demorar, Josie. 
Ele coloca ênfase extra no nome dela, colocando o charme 
no máximo. 
E funciona. Vermelho rouba suas bochechas, e ela bate os 
cílios para ele. 
— Deixe-me verificar bem rápido. Qual é o nome mesmo? 
— Lowell. — Novamente, mais ênfase no nome. — Estava 
meio que esperando que pudéssemos entrar em breve. Eu 
tenho treino de hóquei daqui a pouco, e… — Ele para, 
esperando que ela ligue os pontos. 
Se a forma como seus olhos brilham é alguma indicação, ela 
sabe exatamente quem ele é, e tenho a sensação de que estamos 
prestes a ser os próximos. Ela se vira para o computador, os 
dedos voando sobre o teclado, o mouse clicando rapidamente. 
E então… 
— Ah, você está com sorte. A doutora irá vê-lo agora. 
— Sério? Uau. Muito obrigado, Josie. 
Ele envia a ela aquele mesmo sorriso de derreter as calcinhas 
que ele me deu no casamento de Harper, e eu aposto cem 
dólares que a cadeira da garota está molhada agora. 
Lowell acena para mim enquanto ela se levanta para nos 
deixar entrar. 
Eu levanto minhas sobrancelhas para ele. 
— Você é incorrigível, sabia disso? 
— Eu não tenho ideia do que você está falando — diz ele, 
segurando a porta aberta para mim. — Agora vamos ver nosso 
bebê. 
Nosso bebê. 
Eu não perco que ele diz isso. 
E eu não perco o jeito que isso me faz sentir. 
10 
Lowell 
— Eu trouxe donuts. 
Eu seguro a caixa azul bebê do segredo mais bem guardado 
desta cidade como uma oferta de paz por estar alguns minutos 
atrasado. 
Hollis parece surpresa ao me ver. 
— Você está aqui. 
— Sim? — Não sei por que é uma pergunta, mas também 
não sei por que ela está questionando minha presença. — Nós 
temos uma consulta, certo? 
— Eu não tinha certeza se você queria ir, já que não te vejo 
há um tempo… 
— Desde que não interfira no hóquei, estarei lá. Sempre. 
Não vou mentir e dizer que não a tenho evitado um pouco, 
mas isso é porque não sei como ficar perto dela. Ela quer que eu 
apenas fique na casa dela? Ela quer ir para a minha? Deveríamos 
passar algum tempo juntos? Eu realmente não sei como 
atravessar isso. Eu nunca precisei antes. 
Na verdade, não passo tempo com alguém com quem dormi 
desde Celine, e todo mundo sabe como isso acabou. 
Hollis balança a cabeça. 
— Quer saber, não importa. Não importa. Devemos ir. 
Estamos atrasados. 
— Eu sei, e eu sinto muito por isso — eu digo enquanto ela 
sai de seu apartamento, então se vira para trancá-lo. — É por 
isso que eu trouxe donuts para compensar isso. 
— Você está atrasado, então decidiu se atrasar ainda mais 
parando para comprar donuts? 
— Bem, não. Eu pensei em pegar os donuts primeiro, e 
quando eu estava saindo com os donuts na mão, 
completamente na hora, lembre-se, minha caminhonete não 
ligou. 
Ela me lança um olhar enquanto entramos no elevador e ela 
aperta o botão do Hall de Entrada. 
— Deixe-me colocar minha cara de chocada por que sua 
caminhonete de merda não ligou. Diga-me, Lowell, 
exatamente quantas camadas de fita adesiva estão segurando 
seu para-choque? 
— Ei! Você deve saber que Fiona não gosta de ser falada 
dessa maneira. 
— Fiona? Você nomeou sua caminhonete de Fiona? 
— Sim. Princesa Fiona para ser mais preciso. Como a de 
Shrek. 
Ela leva um momento para entender. 
— Porque ela é grande, verde e feia. 
— Precisamente. — Sorrio enquanto saímos do elevador. — 
De qualquer forma, não é culpa dela — eu digo, segurando a 
porta de seu prédio aberta para ela, tentando marcar alguns 
pontos devolta. — Era minha. Eu sabia que não deveria arriscar 
desligá-la. Ela fica meio irritada quando está frio lá fora. 
— Estou tão confusa sobre por que você está dirigindo por 
aí naquele pedaço de lixo. Você não ganha seis milhões e meio 
por ano? 
— Primeiro, são sete. Segundo, não se atreva a chamar meu 
bebê de um pedaço de lixo. Ela tem sentimentos, você sabe. 
Hollis revira os olhos enquanto eu abro a porta do carro 
para ela. 
— Preciso lembrá-lo — ela sobe na caminhonete, então 
aponta para sua barriga — você terá um bebê para se preocupar 
em breve também. 
— Eu vou pegar um segundo carro, então. Eu não vou 
desistir de Fiona ainda. Não posso. Aqui. — Eu entrego a ela os 
donuts e me certifico de que ela está segura no veículo antes de 
fechar a porta e ir para o meu lado. Eu subo atrás do volante da 
minha amada caminhonete embora surrada, e aciono o motor. 
Assim como antes no food truck de donuts, ela se agita. São 
necessárias três tentativas, mas ela finalmente liga, e nós 
estamos pegando a estrada. 
Eu posso sentir o olhar de Hollis em mim, e eu olho para ela. 
— O quê? 
— Nada. 
— Não é nada. O que é? 
Ela acena com a mão em direção ao painel com um sorriso 
divertido como se isso explicasse tudo. 
— O quê? É parte do charme dela — eu explico. — Além 
disso, ela não pode ir até que eu termine de jogar hóquei. 
— E quão perto você está de terminar? 
— Uns dez anos, se eu tiver sorte. 
— Eu não acho que esta caminhonete pode durar mais dez 
anos. 
— Shh! Pare de azarar! 
Ela bufa, então abre a caixa de donuts. Ela pega um e o 
segura como se me perguntasse de que tipo. 
— Creme de Boston. 
Ela acena com a cabeça, então dá uma grande mordida, e eu 
quase saio da estrada quando um pouco de creme branco 
escorre pelo seu queixo. Ela limpa rapidamente antes que eu 
faça algo estúpido como estacionar esta caminhonete e puxá-la 
para o meu colo e nos lembrar de como chegamos a essa 
situação em primeiro lugar. 
— Qual é o seu grande apego a ela, afinal? 
Grande apego a…? 
Ah, certo… minha caminhonete. 
Eu tento me ajustar o mais discretamente possível e dou de 
ombros. 
— Não sei. Ela é apenas… Bem, ela esteve lá comigo durante 
tudo isso. Peguei ela quando eu tinha dezesseis anos. Eu mesmo 
paguei por ela depois de trabalhar e economizar por dois anos. 
— Eu acaricio o painel com carinho. — Passamos pelo ensino 
médio, faculdade, draft, NHL… tudo. 
Nós paramos em um semáforo e eu olho para encontrar os 
lábios de Hollis puxados em um sorriso. 
— Ela é seu amuleto da sorte, Lowell? 
— O quê? Não. — Sinto as pontas das minhas orelhas 
esquentarem com a minha mentira. — Eu não acredito em 
amuletos da sorte. 
— Tenho quase certeza que ser supersticioso é como a regra 
número um para jogar hóquei. 
— Oh, sim? Você é uma especialista em hóquei agora? 
Ela franze o nariz. 
— Não. Na verdade, não gosto muito disso. 
— Você não… Como é? 
— Sim, não é realmente minha coisa. 
— Eu... Uau. Estou sem palavras agora. 
— Desculpe? 
— Está tudo bem. Eu acho. Talvez. — Eu bato minha mão 
contra o volante. — Não, não. Não está bem na verdade. Tipo, 
como? Como? Hóquei é… 
— Eh. 
— Eh? Eh? — Eu balanço minha cabeça. — Eu vou fazer 
você amar. Apenas observe. 
— Você pode tentar, mas eu duvido. 
— Isso é o que sua irmã disse também, agora olhe para ela. 
Tenho certeza de que ela pintou o rosto por pelo menos metade 
dos jogos na temporada passada. 
— Isso é porque ela é louca. 
— E você não é? 
— Não. 
— Hum. Parece que me lembro de um certo alguém 
socando outra pessoa por causa de sua música estar muito alta. 
Tenho certeza de que isso se qualifica como louca. 
— Não se foi justificado. 
Eu balanço minha cabeça com um sorriso e me concentro 
na estrada. O caminho para o médico não é longo, e estamos 
entrando no estacionamento em pouco tempo. Ela estava 
preocupada com o atraso, mas ainda estamos trinta minutos 
adiantados. 
Eu desligo a caminhonete e olho para cima, apenas 
observando-a enquanto ela olha pela janela. Seus lábios estão 
ligeiramente separados e há uma pequena ruga entre as 
sobrancelhas com o quão profunda ela está pensando agora. 
Quero estender a mão e passar o dedo por todas as linhas 
que marcam sua testa, afastá-las junto com todas as suas 
preocupações e dúvidas. Mas estou com medo de que se eu 
tocá-la, eu não serei capaz de parar. 
— Você está bem? — Eu pergunto baixinho. 
Ela pula um pouco, quase como se tivesse esquecido que eu 
estava aqui, então limpa a garganta. 
— Sim. Eu só… Desculpe. Me perdi em pensamentos por 
um minuto. 
— O que você estava pensando? 
— Honestamente? Tudo. O quão bom são esses donuts. A 
consulta. Como vamos criar um filho juntos quando você é um 
jogador profissional de hóquei e está ausente metade do ano. 
Como toda a nossa vida está mudando. Apenas... tudo. — Ela 
suspira, então joga o donut meio comido na caixa, já parecendo 
exausta pelo dia. 
Entendo. É muito para absorver. 
— Não precisamos pensar em tudo isso agora. Ainda temos 
tempo. Acho que agora, só precisamos nos concentrar em nos 
conhecer melhor. 
Ela bufa. 
— Certo. Porque nós realmente não nos conhecemos além 
do quarto, não é? 
— Pessoalmente, acho que o quarto é um bom lugar para 
conhecer alguém. 
— Sim, estou bem ciente desse fato sobre você. 
Ela sorri, mas é triste, e isso me deixa triste. Eu sei que ela está 
preocupada com tantas coisas, e eu também estou, mas eu não 
quero que hoje seja sobre todo o estresse do que está por vir. 
— Conte-me sobre a consulta de hoje — eu digo para 
distraí-la. — O que está acontecendo? 
— Nós podemos ouvir os batimentos cardíacos do bebê. 
Eu sento direito. 
— Nós podemos? — Ela acena. — É por isso que você está 
nervosa? 
Outro aceno. 
— Sim. Estou apenas... com medo. Preocupada. 
— Com o que? 
— Que não vamos ouvir nada. 
Foda-se minha regra sobre não tocá-la. Eu preciso tocá-la 
agora. Eu me aproximo e agarro a mão de Hollis, entrelaçando 
nossos dedos. Ela fica surpresa no início, mas não demora 
muito para relaxar. Seus ombros caem quando ela encosta 
contra o assento, como se apenas o fato de eu tocá-la de alguma 
forma tivesse tirado algum peso de seus ombros. 
Isso me faz sentir mal porque nem passou pela minha cabeça 
que algo assim era uma possibilidade. O pensamento de que 
isso aconteça me deixa mais triste do que eu pensava ser 
possível, e estou surpreso com isso. 
Quando tudo aconteceu com Celine, levantei paredes. 
Muitas paredes, tipo todas as paredes quando se tratava de algo 
sério. Sem relacionamentos. Sem promessas de futuros. Nem 
mesmo o café da manhã na manhã seguinte, porque ele apenas 
estabelecia muitas expectativas e eu não estava no negócio de 
cumpri-las. 
Desde que conheci Hollis, sinto as rachaduras naqueles 
tijolos que empilhei tão alto. E essa rachadura? Talvez seja a 
maior de todas. 
Acabou de me ocorrer neste exato momento que eu quero 
este bebê. Eu quero muito esse bebê. Não quero entrar no 
consultório daquela médica e não haver batimentos cardíacos. 
— Excelente. Agora você também parece assustado. 
— Estou — eu digo honestamente, e sua boca cai aberta 
com a minha confissão. — Mas também sei que não temos 
nada com que nos preocupar. Nós vamos entrar lá e ouvir os 
batimentos cardíacos do nosso bebê, e tudo vai ficar bem. 
— Como você sabe? 
— Porque eu simplesmente sei. E se eu estiver errado, deixo 
você me bater de novo. Eu sei o quanto você ama fazer isso. 
— Ugh — ela geme. — Eu não posso acreditar que estou 
tendo um bebê com você. 
— Bem, está acontecendo, então acredite, querida. — Eu 
pisco para ela, e ela revira os olhos, mas eu vejo o sorriso 
brincando em seus lábios. — Agora venha, vamos entrar antes 
que estejamos realmente atrasados. 
Eu empurro minha porta aberta, mas paro quando ouço 
meu nome em seus lábios. 
— Ei, Cameron? 
— Hum? — Eu olho de volta para ela. 
Ela está olhando para mim com olhos inseguros. 
Ela não diz nada por um longo momento, apenas me encara. 
Então, finalmente… 
— Estou feliz que seja você.Eu odeio que minha garganta fique apertada e meus olhos 
ardam com lágrimas não derramadas. Suas palavras são como 
um soco no estômago e a última coisa que eu esperava que ela 
dissesse. 
Eu limpo minha garganta e passo minha língua pelos meus 
lábios. 
— Também estou feliz que seja você, Hollis. 
 
Orgulho cresce em meu peito enquanto olho para o grupo de 
caras no gelo. 
Eles parecem bons. Eles parecem prontos. 
No momento, estamos ganhando de três a um em nosso 
jogo de pré-temporada contra a Flórida, e eu soube no 
momento em que meus patins tocaram o gelo que isso é 
exatamente o que eu estava precisando. Estar no gelo onde 
pertenço, colocar minha cabeça no lugar e mergulhar no jogo 
pelo qual vivo. 
— Há pernas fortes lá fora já — comenta Collin, os olhos 
treinados na mesma coisa que estou olhando. 
— Aí garoto, Miller! — Eu grito enquanto ele voa. O 
treinador está testando-o em algumas novas linhas nesta 
temporada, mas ele parece bem, parece afiado. — Mantenha 
essa energia e acho que será uma boa temporada. 
— Falou como um verdadeiro capitão — diz Rhodes. Ele 
olha para a esquerda e para a direita, certificando-se de que 
ninguém está prestando atenção em nós, então se inclina um 
pouco. — Você, uh, já contou ao treinador? 
Eu balanço minha cabeça, olhando para o cara baixo com a 
barriga redonda, tentando imaginar o homem que costumava 
jogar como um executor, mas achando difícil ver. 
— Ainda não. 
— Você precisa contar antes da temporada começar. 
Ele tem razão. Eu sei que ele tem. 
Eu só realmente não estou ansioso para entrar no escritório 
do treinador e dizer a ele: 
— Ei, se lembra daquela vez que eu pedi minha namorada 
em casamento porque ela estava grávida e planejamos um 
casamento, e então descobri que ela não estava grávida e foi uma 
grande coisa? Sim, bem, desta vez eu engravidei o meu caso de 
uma noite, e ela realmente engravidou dessa vez. Ah, e, a 
propósito, ela vai dar à luz em abril. 
Ele vai cagar um tijolo. 
— Eu vou. 
— Harper disse que as coisas estão indo bem — Collin 
comenta com o canto da boca, os olhos ainda rastreando o que 
está acontecendo no gelo à nossa frente. 
— Ryan até disse que você vai a consultas com ela e 
conseguiu ouvir os batimentos cardíacos ontem — acrescenta 
Rhodes. 
— Eu ouvi que você chorou. 
— Eu não chorei — eu minto, porque eu juro que estou 
levando para o meu túmulo que depois que eu deixei Hollis em 
seu apartamento, eu chorei no meu caminho para casa. Eu me 
senti estúpido por isso, mas ainda não consigo entender o fato 
de que isso está acontecendo. 
Com Celine, foi diferente quando ela me procurou dizendo 
que estava grávida. Nós estávamos namorando há meses 
naquele momento. Claro, nosso relacionamento ainda estava 
naquela fase inicial de lua de mel e ainda havia muito 
aprendizado e crescimento a fazer, mas estávamos 
comprometidos um com o outro. 
Com Hollis, é uma arena totalmente diferente que estamos 
jogando agora, e isso é o que mais me assusta. 
— Ouvi dizer que você chorou como um bebê — acrescenta 
Rhodes. 
Eu chorei. 
— Vai se foder. — Eu faço uma careta para eles. — Isso é 
tudo que vocês quatro fazem? Apenas sentar e fofocar sobre 
minha vida privada? 
— Tem sido um assunto quente na mesa de jantar 
ultimamente — diz Collin. — Quero dizer, você engravidou 
minha cunhada. Ela e Harper conversam muito, você sabe. 
— Sobre algo bom? — Estou apenas meio brincando. 
Estou curioso como o inferno como a versão não filtrada de 
Hollis está lidando com tudo isso. Em um minuto estou bem, 
no próximo estou levemente pirando. Se estou indo e voltando, 
não consigo imaginar como ela está se sentindo com toda a 
mistura de hormônios em cima disso. 
Ele não tem a chance de responder, porque o treinador nos 
coloca no gelo. Rhodes e Collin formam duplas como de 
costume, e eu passo por eles, indo em direção a um passe que 
praticamos mil vezes. O disco bate exatamente onde eu preciso, 
então eu o envio para Smith, que o bate de volta enquanto tenta 
lutar contra o homem de Florida. 
Eles estão tão preocupados em se defender contra Smith que 
nem percebem que eu tenho o disco até o último minuto, e 
então já é tarde demais. Eu enterro, passando pelo goleiro deles, 
e a pequena multidão aqui em casa enlouquece. 
Tacos vão para o ar, e Smith bate sua luva contra a minha 
em comemoração. 
— Bom passe, cara. 
— Não. Isso foi tudo você. — Ele é sempre tão modesto 
sobre suas habilidades, mas todos sabemos que ele não estaria 
jogando na NHL na sua idade se não tivesse a garra que tem. 
Subimos de volta ao banco, recuperando o fôlego, prontos 
para nossa próxima corrida. 
— Ei. — Collin se inclina para mim, seus olhos fixos em seus 
defensores. — O que você disse antes? Sobre se o que ela diz 
sobre você é bom ou ruim? 
— Sim? 
— É bom, cara. 
Eu precisava ouvir isso mais do que pensava. 
— Bom. Isso é bom. 
— Mas eu juro, se você machucá-la, você está morto. 
Ele não precisa estar olhando para mim para eu saber que ele 
está falando sério. 
— Eu não planejo fazer isso. 
E essa é a verdade. 
Você não pode machucar o que você não toca. 
11 
Hollis & Lowell 
Lowell: Eu contei ao treinador hoje. 
Hollis: Ele surtou? 
Lowell: Apenas sobre a data de nascimento. 
Hollis: O que há de errado com a data de nascimento? 
Lowell: Nós realmente precisamos falar sobre sua falta 
de conhecimento de hóquei. 
Lowell: Abril é o playoffs. 
Hollis: Ah. E eles são importantes? 
Lowell: ... 
Hollis: Estou brincando! 
Hollis: Eu sei que é importante porque determina o 
vencedor do Super Bowl. 
Lowell: Eu... eu não consigo. Eu simplesmente não 
consigo. 
Hollis: O quê? Algo errado? *bate os cílios* 
Lowell: Eu sei que você está apenas brincando, mas as 
palavras machucam, Hollis. Elas realmente, realmente 
machucam. 
Lowell: Vou fazer da minha única missão fazer você 
amar o hóquei antes que esse bebê chegue aqui. 
Hollis: Veremos sobre isso. 
 
Lowell: Como você está se sentindo? 
Hollis: Bem. 
Lowell: Apenas bem? 
Hollis: Eu tenho um humano crescendo dentro de mim 
que está esgotando toda a minha energia e me 
tornando uma psicopata hormonal. 
Hollis: COMO VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU?! 
Lowell: Tudo bem. 
Hollis: Você realmente não precisa ficar me checando 
todos os dias. 
Lowell: É o MEU humano crescendo dentro de você 
que está esgotando toda a sua energia e tornando 
você uma psicopata hormonal. 
Lowell: Você realmente acha que eu não vou checar 
você? 
Hollis: Ah. Ok. Entendo. 
Lowell: Obrigado. E de nada. 
Hollis: De nada pelo quê? Esse alienígena dentro de 
mim? 
Lowell: Sim. Mas também por checar você. 
Hollis: Por favor. NÃO aja como se estivesse ME fazendo 
um favor. Isto é tudo culpa sua. 
Lowell: É preciso dois. 
Hollis: Lowell... 
Hollis: Por favor. Estou cansada. Não aguento mais 
disputa hoje. 
Lowell: Pode me dizer se você realmente conseguiu 
segurar alguma comida dentro de você? 
Hollis: A médica disse que estava tudo bem e eu não 
deveria me preocupar. 
Lowell: Ok. Então vou me preocupar por nós dois. 
Lowell: Apenas me mande uma mensagem, sua 
mulher teimosa, ok? 
Hollis: Tudo bem. 
Lowell: Pare de dizer tudo bem. 
Hollis: Ok… 
Hollis: Tudo bem. 
 
Lowell: Calíope 
Hollis: Não. 
Lowell: Bom. 
Lowell: Eu odeio esse nome. 
Hollis: Então por que você sugeriu? 
Lowell: Apenas certificando de que estamos na 
mesma página. 
Hollis: Falando em página… 
Hollis: E Paige? 
Lowell: Eu sou... indiferente. 
Hollis: *emoji revirando os olhos* 
Hollis: Claro que você é. 
Lowell: Eu sugeri nada menos que cinco nomes para 
você essa semana e esta é a primeira vez que rejeito 
um dos seus e recebo um CLARO?! 
Lowell: Além disso, observe que não foi um não 
definitivo. Apenas disse que sou indiferente. 
Hollis: Isso basicamente significa não. 
Lowell: *pisca* 
Hollis: *pisca mais rápido* 
Lowell: *pisca forte E mais rápido* 
Hollis: É muito rude de sua parte discutir com uma 
mulher grávida, sabe. Isso causaestresse para o bebê. 
Lowell: Deixe ela fora disso. 
Hollis: Ou ele. 
Hollis: Ainda não sabemos. 
Lowell: É uma menina. Eu posso sentir. 
Hollis: Ah, você pode? Pode sentir isso? Mesmo 
quando não está dentro do seu corpo roubando todo 
o seu conforto e alegria? 
Lowell: Alguém é um pouco dramática, não? 
Lowell: Você ficaria feliz se eu mandasse entregar 
comida aí? 
Hollis: Eu ficaria feliz se você me deixasse em paz. 
Hollis: E envie um cheeseburger. 
 
Lowell: Você ainda está irritada? 
Hollis: Sim. 
Lowell: Por quê? 
Hollis: UMA SALADA, LOWELL. Você me mandou uma 
salada. Isso é apenas... errado. Em muitos níveis. 
Lowell: Primeiro, eu mandei uma salada porque VOCÊ 
foi quem reclamou do ganho de peso no telefone na 
outra noite. 
Lowell: Dois, eu estava lendo um livro sobre bebês e 
eles disseram que alimentos gordurosos provavelmente 
não são os melhores para consumir. Eles são difíceis de 
digerir. Eu te fiz um favor. 
Hollis: Bem, me faça outro favor, não me faça mais 
favores! 
Lowell: Esse é um pedido muito improdutivo, você não 
acha? 
Hollis: Lembra quando eu disse que não gostava de 
você? 
Lowell: Sim. 
Hollis: Bem, de alguma forma, eu gosto ainda menos 
de você hoje. 
Lowell: Vou me lembrar disso para quando eu passar 
por um drive-thru e não pedir sorvete para você. 
Hollis: Você não ousaria. 
Lowell: Desculpe. Eu não posso enviar mensagens de 
texto. Estou ocupado pedindo comida. 
Hollis: Cale a boca e me traga chocolate. 
Hollis: NÃO! Sorvete. 
Hollis: Espere. Chocolate. 
Hollis: Lowell? 
Lowell: Esta é uma mensagem automática. A pessoa 
que você está tentando alcançar está no drive-thru 
esperando um pequeno sorvete para ninguém além 
dele mesmo. Por favor, tente novamente mais tarde. 
Hollis: Eu te odeio. 
Lowell: Bem que você queria. 
 
Hollis: É uma merda que vocês perderam esta noite. 
Lowell: Você assistiu ao jogo? 
Hollis: Não. Harper assistiu. 
Hollis: Por acaso eu estava lá. 
Lowell: Você assistiu totalmente. 
Hollis: Não. Eu nem gosto de hóquei, lembra? 
Lowell: Retire isso. 
Hollis: É chato. 
Lowell: Hollis... 
Hollis: E devagar. 
Lowell: Devagar?! Você está brincando comigo? Eu 
posso literalmente patinar mais rápido do que o limite 
de velocidade do meu bairro! 
Lowell: Eu não posso acreditar que estou tendo um 
bebê com uma odiadora de hóquei. Estou tão 
envergonhado de mim mesmo. 
Hollis: Você não está. 
Lowell: Você está certa. Mas eu deveria estar. 
 
Lowell: Você sabia que nosso bebê é do tamanho de 
um par de botinhas de bebê? 
Lowell: O que quer que isso seja. 
Hollis: Você está olhando sites de bebês de novo? 
Lowell: Sim. Como não estou aí, gosto de saber o que 
você está experienciando. 
Hollis: Isso é... na verdade meio fofo. 
Lowell: Eu sei. 
Lowell: Também ainda é menor do que um pau médio, 
mas vou ter que deixar Miller saber que o bebê está 
alcançando ele rápido. 
Hollis: Umm... com licença? 
Hollis: Como um pênis? 
Lowell: Sim. 
Hollis: Você acabou de comparar nosso filho com um 
pênis? UM PÊNIS? 
Lowell: Mais uma vez, sim. 
Hollis: Como... O quê... Por que você sabe o tamanho 
do pau médio? 
Lowell: Todos os caras sabem disso instintivamente. 
Lowell: É uma coisa. Confie em mim. 
Lowell: Falando nisso... como nos sentimos em relação 
a Dick2? 
Hollis: Eu retiro o que disse. Você não é fofo. 
Lowell: Acho que Richard também está fora de 
questão? 
Lowell: Hollis? 
Lowell: Tudo bem. Eu irei parar. Mas vai ser muito DURO 
de fazer. 
Hollis: Se você acha que estou acima de te dar uma 
joelhada nas bolas, não estou. 
Lowell: Oh, estou muito ciente de toda a dor que você 
gosta de me infligir. 
Hollis: Bom. Agora lembre-se disso na próxima vez que 
você comparar nosso filho com um pênis. 
 
2 Significa pênis em inglês mas também é conhecido como o diminutivo do nome Richard. 
12 
Hollis 
— Então, você está animada com seu primeiro jogo de hóquei 
profissional? 
Não que eu fosse admitir isso para ele tão cedo, mas o 
projeto de Lowell para me fazer amar o hóquei até quando o 
bebê chegar aqui está realmente se movendo muito mais rápido 
do que eu pensava. 
Embora eu ache que devo mais crédito a Harper do que a 
ele. Ela está me fazendo assistir a todos os jogos da pré-
temporada e explicando tudo para mim. Eu ainda não entendo 
muito, mas admito que é divertido de assistir. 
— Eu acho… que sim? 
Olho ao redor da grande arena quase vazia com os olhos 
arregalados. A maioria das pessoas ainda está vagando pelo 
saguão comprando mercadorias e se enchendo de cerveja e 
comida antes do aquecimento começar. Este lugar é enorme, e 
eu não posso acreditar que está prestes a ser lotado com 20.000 
fãs de hóquei gritando. 
Estou orgulhosa de mim mesma por manter meus 
hormônios sob controle porque só tive que me esconder no 
banheiro uma vez para chorar quando me deparei com uma 
garotinha de cabelo escuro e tranças que tinha LOWELL e o 
número 55 costurado nas costas. Ela era tão fofa, e tudo que eu 
conseguia pensar era… Essa poderia ser a minha. 
— Apenas espere até o jogo começar. Você vai se apaixonar 
totalmente por isso então — minha irmã diz. — Eu nunca 
pensei que iria gostar disso, e agora eu amo. 
Eu quero salientar que ela provavelmente ama muito 
porque seu marido joga, mas eu não falo. 
— E vai deixar você tão excitada — Ryan acrescenta. — 
Tipo, inacreditavelmente. Seu desejo sexual provavelmente já 
está fora dos limites, então aposto que quando terminarmos 
este jogo, você vai querer escalar seu homem como um poste. 
Estou um pouco surpresa com o quão certa ela está sobre o 
meu desejo sexual estar totalmente fora dos limites. Acordei 
nada menos que quatro vezes esta semana de sonhos sexuais 
muito vívidos, tão vívidos que tive que me fazer gozar todas as 
vezes ou então não tinha como voltar a dormir. Eu sei que 
dizem que os desejos sexuais de algumas mulheres podem ser 
muito intensos durante a gravidez, mas eu não esperava que 
fosse tão intenso. 
Assim como eu não esperava que a estrela dos meus sonhos 
fosse Lowell, mas oh, ele foi a estrela. 
A parte mais frustrante de tudo isso é que não importa o 
quão quente meus sonhos sejam, eles ainda são pálidos em 
comparação com a realidade, e isso é algo que eu tenho que 
viver todos os dias. 
— Ele não é meu homem. 
Ryan e Harper olham uma para a outra e fazem muito 
pouco para esconder seus sorrisos. 
— Ele não é meu homem — eu insisto, irritada com seus 
sorrisos. — Não há nada de relacionamento ou íntimo 
acontecendo entre nós. Nós somos apenas amigos. 
— Para desgosto de sua vagina, tenho certeza. Aposto que 
adoraria levar o pau dele. 
— Ryan! — Harper sibila, olhando ao redor para se 
certificar de que ninguém a ouviu. 
— Desculpe. Me ignore. Hóquei me deixa com tesão, e eu 
nem sou a grávida. É tão — ela balança os ombros — quente. 
— Ela sempre fica assim durante o jogo — explica Harper. 
— Eu juro, ela e Rhodes transam como coelhos quando tudo 
acaba. 
— Eu definitivamente posso confirmar isso, mas não ouse 
sentar aí me julgando assim quando você sabe que você e Collin 
fazem o mesmo. 
As bochechas de Harper ficam vermelhas, sem negar isso. 
— Podemos, por favor, parar de falar sobre sexo? Ryan 
estava certa, minha libido está um pouco louca agora e não 
posso fazer nada sobre isso, então fiquem quietas. 
— Por que você não pode fazer nada? 
Eu aponto para o meu estômago. 
— Hum, olá. 
— Sim, e? 
— Quem vai querer dormir com uma mulher grávida? 
— Hum, provavelmente o pai do seu bebê. 
Eu enrugo meu nariz. 
— Eu não vou dormir com Lowell. 
— Por que? Com medo de que ele te engravide? 
Eu reviro os olhos. 
— Não. Não vou dormir com ele porque ele me engravidou. 
— Ok… — Ela arrasta a palavra, claramente confusa. 
Eu suspiro. 
— Eu não posso dormir com ele porque não estamos juntos, 
Harper. Sim, ele me engravidou, mas não estamos namorando 
nem nada. 
— Lembre-me novamente porque vocês não estão 
namorando. 
— Porque ele não tem relacionamentos sérios. 
— Eu diria que ter um bebê juntos é muito sério, Hollis. 
— Você tem razão. É… mas não é como se isso tivesse sido 
planejado. Nós nem deveríamos nos ver de novo. 
— Mas agora vocês estão se vendo novamente e você está 
grávida do bebê dele. 
— Sim… 
— Então, qual é o problema se vocês dormirem juntos? 
Você não vai ficar com outras pessoas enquanto estiver grávida, 
vai? 
— Não! Claro que não! 
— Ok. Então… 
— Então o quê? 
— Então monte naquele pau enquanto você pode! — Diz 
Ryan. 
Harper aponta o polegar para Ryan. 
— Sim, o que ela disse. 
— Eu… Ok. Vou levar isso em consideração. 
Mas não vou levar isso em consideração. Lowell e eu 
realmente não conversamos sobre nosso relacionamento ou 
exatamente como vamos criar esse bebê, mas acho que não 
precisamos. Ele foi claro desde o início, ele não quer um 
relacionamento. Ele já cometeu o erro de se jogar em algo que 
não estava totalmente pronto, e se machucou. Ele não vai 
cometer o mesmo erro novamente. 
O rugido da multidão chama nossa atenção, e os Comets 
começam a se aquecer, começando pelo goleiro. Eles pisam no 
gelo um por um e patinam em círculos na metade do rinque 
mais próxima de nós. 
Collin e Rhodes quase imediatamente vêm para a frente de 
onde estamos sentadas, e é absolutamente adorável assistir 
Harper e Ryan torcerem para seus maridos enquanto usam 
seus números nas costas. 
Uma súbita onda de ciúme cresce em mim. Não entendo o 
que significa ou de onde vem, então a empurro para baixo e 
finjo que nunca aconteceu, depois concentro minha atenção de 
volta no gelo. 
Eu absorvo tudo, absolutamente hipnotizada por tudo o 
que está acontecendo. Eu não tenho ideia de como eles estão 
ignorando com sucesso as pessoas batendo no vidro e tentando 
chamar sua atenção com sinais e gritos e tudo mais, enquanto 
também se aquecem para o jogo. Como eles estão bloqueando 
isso, eu não tenho ideia, mas é impressionante. 
Mesmo que eu só tenha visto fotos dele de uniforme e 
provavelmente não conseguiria identificá-lo se tentasse, eu sei 
o momento em que Lowell pisa no gelo porque os fãs do 
Comets enlouquecem pelo seu capitão. 
Mas ele não presta atenção neles. 
Não. 
Ele olha para mim. 
Na verdade, ele patina direto para mim e fica parado no 
vidro, aquele sorriso estúpido dele que está realmente 
começando a crescer em mim firmemente no lugar. Ele inclina 
a cabeça e murmura uma palavra: Bem? 
Eu aceno, amando que mesmo quando ele deveria estar se 
concentrando em seu jogo, ele está preocupado comigo e com 
o bebê. 
Seu sorriso se alarga, satisfeito com essa resposta. Seus olhos 
vagam pela minha frente, demorando-se no meu peito e depois 
na minha barriga, ambos estão começando a crescer, antes que 
ele arraste seu olhar de volta para o meu rosto. Seu olhar me faz 
balançar contra o meu assento. 
Ele bate no vidro duas vezes com a ponta do taco, depois sai 
patinando. 
Eu posso sentir os olhos em mim, e eu me viro para 
encontrar Harper perfurando buracos na lateral da minha 
cabeça. 
— O quê? — Eu pergunto. 
Ela sorri, balançando a cabeça lentamente antes de voltar sua 
atenção para o gelo. 
Mas não antes de ouvi-la murmurar: 
— Apenas amigos, minha bunda. 
 
Ryan estava certa. 
Muito, muito certa. 
A campainha final acabou de soar, e estou mais excitada do 
que nunca. Assistir a homens adultos patinando atrás de um 
disco e empurrando um ao outro não deveria ser quente, nem 
um pouco. Mas de alguma forma… é. 
Tipo muito, muito quente. 
— Bem… — Ryan diz, abanando-se. — Isso foi legal. 
Eu rio, porque eu também. 
— Nós vamos para o Slapshots? — Harper pergunta. 
— O que é Slapshots? 
— Um bar de esportes na esquina. Eles têm a tradição de ir 
até lá depois de cada jogo de abertura em casa — diz Ryan. — 
Podemos caminhar até lá. Os caras vão se encontrar com a 
gente daqui a pouco depois de todo o burburinho. 
Então é isso que fazemos. Caminhamos alguns quarteirões 
e pegamos uma mesa, e eu aprendo que “burburinho” significa 
suas entrevistas pós-jogo, um treino rápido, o que me deixa 
totalmente impressionada, e rever o que deu errado e o que deu 
certo. 
Eu diria que desde que eles terminaram o jogo por 5 a 1 e 
venceram o 15º jogo consecutivo em casa, muita coisa deu 
certo. 
Não ficamos sentadas no Slapshots muito tempo antes dos 
caras entrarem. Todos aplaudem quando eles são vistos, depois 
voltam para suas respectivas bebidas, e eu gosto que eles 
tenham um lugar onde possam sair assim e não serem 
incomodados pela maior parte. 
O barman traz várias cervejas antes mesmo que os caras 
tenham a chance de se sentar, já sabendo o que querem. 
— Ei, Rod. Pode trazer um copo de água com gás com limão 
quando você tiver a chance? 
Ele parece confuso com o pedido de Lowell, mas quando 
Lowell acena para mim, a compreensão surge, e ele acena com 
a cabeça, saindo para preparar a bebida. 
— Obrigada — eu digo para Lowell enquanto ele toma o 
lugar vazio ao meu lado, tentando ignorar o quão bom ele 
parece e cheira agora. Ele tem um boné virado para trás e está 
vestindo jeans e uma camisa com o número 55 no peito. 
Simples, mas com a confiança e adrenalina que ele está 
passando depois de vencer esta noite, ele parece dez vezes mais 
bonito. 
Ou talvez seja apenas o tesão falando novamente. 
Ele pisca em resposta, e eu tenho que me abanar porque 
meu rosto aquece instantaneamente. 
— Você está bem? 
— Sim, apenas… quente. E um pouco cansada. 
— Não precisamos ficar muito tempo, só uma cerveja e 
depois podemos ir. Eu ia perguntar se você queria voltar para 
minha casa esta noite. Só para... você sabe... conhecer, ter 
certeza de que está tudo certo para o bebê e tudo mais. — Ele 
fala rápido. — Mas se você estiver muito cansada… 
— Eu não estou — eu digo muito rapidamente. — Não 
estou muito cansada. Isso parece bom. Legal. 
— Bom. Legal. — Ele sorri. — Ok. 
E é exatamente isso que fazemos. 
Lowell toma uma cerveja antes de se afastar da mesa, 
estendendo sua mão na minha direção. 
— Está pronta? 
Eu aceno e deslizo minha mão na dele, permitindo que ele 
me ajude a sair da cadeira. Eu tento ignorar o fato de que ele 
não solta minha mão. 
— Estamos indo — ele anuncia para a mesa. 
— Aww, já? — Miller reclama, cutucando o lábio inferior. 
— Boo. 
— Desculpe. Preciso levar minhas meninas para casa. Elas 
estão cansadas. 
Harper se anima com suas palavras. 
— Meninas?! 
— Ignore-o. Ainda não sabemos o que teremos. Ele só acha 
que sabe que é uma menina. 
— Porque é — insiste Lowell. 
Eu o ignoro. 
— Decidimos esperar para descobrir na marca de vinte 
semanas. 
— Meu dinheiro está em um menino — diz Collin. 
— Não. Eu digo que é uma garota — Rhodes entra na 
conversa. 
— Time garota aqui também — Miller concorda. 
— Você está oficialmente em menor número. — Lowell 
coloca a mão na minha barriga. — Você ouviu isso? É melhor 
você ser uma garota ou você está de castigo. 
Eu olho boquiaberta para ele. 
É a primeira vez que ele toca minha barriga, e a primeira vez 
que ele fala com o bebê. Isso me surpreende, não apenas porque 
estamos em público e todo mundo está definitivamente 
olhando para nós agora, mas porque ele faz isso com tanta 
facilidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo para 
ele. 
Eu gosto que seja natural. Eu gosto que é natural um pouco 
demais. 
— O quê? — Ele pergunta, e eu percebo que ainda estou 
olhando para ele. 
— Nada. — Eu afasto meus olhos dos dele enquanto pisco 
as lágrimas que ameaçam transbordar. — Vamos sair daqui. 
 
A casa de Lowell é muito mais modesta do que eu imaginava. 
Ele é um jogador da NHL que ganha mais em um ano do que 
eu provavelmente vou ver em toda a minha vida, e eu pensei 
que sua casa seria de andares altos em um terreno extenso com 
um milhão de janelas e pisos de mármore. 
Em vez disso, ele vive em um condomínio fechado em cerca 
de dois acres, e nenhuma casa é vistosa ou luxuosa. Parece 
apenas uma comunidade normal para pessoasnormais. 
— Eu gosto do seu carro novo — digo a ele, passando as 
mãos pelo interior de seu Audi SUV novinho em folha. 
— Eu prometi a você que iria comprar um novo para o bebê. 
Eu sorrio porque ele prometeu isso, e eu amo que ele 
manteve sua promessa. 
— Não se preocupe, Fiona está guardada em segurança na 
minha garagem. Achei que estava muito frio para ela esta noite. 
— Ah, ufa. Eu estava tão preocupada com ela. 
— Eu sei que você estava. 
Ele me lança um sorriso enquanto para em uma entrada 
curta e clica em um botão para que a garagem se abra. 
Talvez eu seja realmente ignorante sobre o que os jogadores 
de hóquei fazem com seu dinheiro, mas eu definitivamente não 
esperava que sua garagem abrigasse sua caminhonete e só. 
Não, espere, isso parece um saco de tacos de golfe enfiado 
no canto. 
Saímos do SUV, e ele me leva para dentro de casa pela 
cozinha. Algumas luzes inteligentes acendem quando 
entramos, e a primeira coisa que noto é o conceito aberto, que 
deixa a sala visível de todos os ângulos na espaçosa área de 
cozinha. Apesar dos armários azul marinho e das bancadas de 
granito preto, a cozinha é clara e aberta. Aposto que é ainda 
mais lindo durante o dia. A sala de estar contém um sofá, uma 
TV montada na parede e duas estantes forradas com 
quinquilharias. 
Tudo é tão... modesto. 
— Não é o que você esperava? — Ele pergunta enquanto eu 
absorvo tudo. 
— Nem um pouco — eu admito. — Achei que haveria mais 
ouro. 
Ele ri. 
— Não. Eu mesmo sou mais um cara prateado. 
Eu sorrio. 
— É uma casa muito boa, Lowell. 
— Obrigado. Eu gostaria de levar todo o crédito por isso, 
mas eu tive um designer para fazer tudo. Eu só queria algo 
simples e elegante que não custasse um braço e uma perna no 
caso de eu jogar em outro lugar. 
A possibilidade disso nunca passou pela minha cabeça, e 
meu coração começa a acelerar pensando nele se afastando. 
— Isso é algo que vai acontecer? 
— Planejo ser igual Sidney Crosby na minha carreira e jogar 
em um time, mas isso não significa que não seja uma 
possibilidade. 
Minha mão instintivamente vai para minha barriga como se 
quisesse proteger meu bebê daquele desgosto. 
Ele não perde isso. 
— Me siga. Eu tenho algo para te mostrar. 
Ele me leva por um corredor escuro, não parando até chegar 
à porta no final. 
Eu levanto minhas sobrancelhas para ele, curiosa. 
— Sei que ainda não discutimos a mecânica de toda essa 
situação, algo que provavelmente deveríamos sentar e fazer, 
mas estou trabalhando em algo. Você sabe… apenas no caso. 
Ele abre a porta e acende a luz. 
Meu queixo cai, incapaz de acreditar no que estou vendo. 
É um berçário. 
Também não é qualquer berçário, é lindo com um design 
personalizado de uma paisagem montanhosa da meia-noite 
estampada na parede. A mobília é de um cinza suave e há 
toques de ouro e amarelo por toda parte. Há um berço semi 
construído no meio de tudo isso, o que me diz que é ele quem 
está montando tudo sozinho. 
— Você fez isso? — Eu pergunto, meus olhos correndo em 
todos os lugares, não querendo perder um único detalhe. 
— Sim. Eu, uh, tenho trabalhado nisso desde a noite em que 
você me contou. 
Eu não sei o que eu esperava que ele dissesse, mas não era 
isso. 
— Você tem? — Ele concorda. — Mas você não… Você 
disse… Você… 
— Em pânico. Entrei em pânico, mas nem uma vez em toda 
aquela conversa eu disse que não queria o bebê ou queria fazer 
parte da vida dele. Eu sempre quis isso e sempre vou querer — 
Ele se aproxima, suas mãos encontrando minha barriga pela 
segunda vez esta noite. Ele se dobra nos joelhos para encontrar 
meus olhos. — Isso é para sempre, Hollis, e eu estou dentro. 
Um. 
Dois. 
Três. 
Isso são quantos segundos eu duro antes de esmagar minha 
boca na dele. 
13 
Lowell 
Quando pedi a Hollis para ir à minha casa esta noite, não era 
para isso. Eu queria mostrar a ela que estou pronto, que estou 
me preparando. 
Eu não queria que isso acontecesse. 
Ela me beija mais forte, quase como se ela o fizesse, eu 
responderia. Eu não respondo porque não posso deixar de 
pensar na última vez que ela me beijou quando não deveria. 
Eu coloco minhas mãos em seus quadris, e ela toma isso 
como um sinal, pressionando mais em mim. Por apenas um 
momento, eu desisto, pressionando-a contra a parede mais 
próxima e devorando-a. Eu deslizo meu joelho entre suas 
pernas, e ela geme, se esfregando contra ele. 
Eu sei que é errado e não deveríamos estar fazendo isso, mas 
não consigo resistir. Eu quero beijá-la. Eu quero beijá-la tão 
desesperadamente. Eu quero desde o momento em que a vi 
sentada no bar na noite em que ela me disse que está grávida. 
Eu queria correr por aquele restaurante e puxá-la em meus 
braços e compensá-la por deixá-la para trás, e eu queria beijá-la 
todos os dias desde então. 
Mas eu não a beijei porque não é disso que se trata agora. É 
sobre o bebê, não nós. 
Eu afasto minha boca e ela me segue, tentando me beijar 
novamente, mas eu a seguro de volta com firmeza. 
Seus olhos estão vidrados, sua respiração vem em jorros 
curtos enquanto ela pisca para mim. 
— O que há de errado? 
— Isso… Não foi por isso que eu trouxe você aqui. 
— Isso é doce, realmente, mas eu sou uma garota crescida. 
Eu quero isso. 
— Mas e se eu não fizer isso? 
Seu rosto cai. 
— É… é porque estou grávida? 
— O quê?! Não, não. Não é nada disso. Hollis, você é… — 
Incrível. Linda. Corajosa. — Não é porque você está grávida. 
Ela olha para mim, seus olhos ainda brilhantes, mas desta vez 
com lágrimas não derramadas. Seu queixo balança um pouco 
quando ela pergunta: 
— Então o que é? 
— É só… — Eu pressiono minha testa contra a dela, 
apertando meus olhos fechados. — Isso já é complicado. 
— O que é? 
— Isso... nós… 
— Eu sei. — Ela suspira. — Eu sei. É só que eu... sofro. 
É como se suas palavras estivessem presas ao meu pau, 
porque no momento em que elas saem de seus lábios, estou 
mais duro do que nunca. Eu não poderia me parar se eu 
tentasse. 
— Por favor, Cameron. — Ela move seus quadris, seus 
olhos se fechando enquanto ela se balança contra minha coxa 
vestida de jeans. — Por favor. Não precisa significar nada. Eu 
só preciso de algo. Qualquer coisa. 
Eu posso ser algo. 
Eu posso ser qualquer coisa. 
— Eu preciso de você. 
Quatro palavras, quatro palavras e todas as desculpas que eu 
tinha voam pela janela. 
Sem outra palavra, eu bato minha boca na dela, então a pego 
em meus braços e nos conduzo pela casa. Não paro de beijá-la 
e não paro de andar até chegar ao meu quarto. Nem mesmo 
quando eu a deito na cama e me coloco entre suas pernas eu 
paro. Eu não paro até que ela esteja se fodendo na minha coxa 
e chorando por liberação. 
— Mais — ela implora. — Eu preciso de mais. Por favor. 
Eu beijo meu caminho até sua garganta e me sento, 
levantando-a junto comigo. Por mais que eu ame vê-la usar 
meu número, preciso vê-la ainda mais. Eu tiro sua camiseta de 
seu corpo e jogo o material de lado, gentilmente a empurrando 
de volta para baixo. Seus cabelos castanhos se espalham ao 
redor dela, seus seios, que estão se enchendo cada vez mais, 
derramando-se dos bojos de seu sutiã. 
Tudo o que posso fazer é olhar porque ela é linda pra 
caralho. Ela é linda assim, e tudo que eu posso pensar é o 
quanto ela tem pela frente e como eu não posso esperar para vê-
la crescer meu filho. 
Gosto tanto da ideia que a beijo, agradecendo com os lábios 
de um jeito que não sei fazer com minhas palavras. Não demora 
muito para que ela esteja se esfregando contra minha coxa 
novamente, e eu sei que se eu não conseguir dar seu alívio logo, 
ela vai explodir. 
Beijo meu caminho até sua garganta e passando por seus 
seios, nos quais prometo passar mais tempo mais tarde. Eu 
pressiono beijos sobre sua barriga, prometendo adorar isso mais 
tarde também, e não paro até atingir o cós de sua calça jeans. 
Então, eu rio. 
— O que é tão engraçado? — Ela pergunta, sentando-se 
para olhar o que estou vendo. 
Há uma pequena faixa de cabelo segurando o botão de seu 
jeansporque sua barriga é grande demais para caber. É ridículo 
e adorável. 
— Oh — ela murmura timidamente. — Isso. 
— Sim, isso. — Meus ombros tremem mais. 
Ela olha carrancuda e empurra meu ombro. 
— Cala a boca! Não é engraçado. Todos os meus jeans bons 
estavam lavando e não consegui abotoar esse. — Ela geme, 
então me empurra novamente. — Esqueça. 
Ela tenta se mover para fora da cama, mas eu não me mexo 
tão facilmente. 
— Mova-se — ela exige. 
— Não — eu digo, agarrando seus pulsos quando ela 
começa a bater no meu peito. Eu empurro até que suas costas 
batem na cama, então trago seus braços sobre a cabeça e os 
seguro lá. 
— Deixe-me ir, Lowell. 
— Ah, então voltei a ser Lowell agora? 
— Sim, porque você é um idiota. 
— Eu não sou. 
— Você é. 
— Não sou. Agora pare de se mexer. 
— Você é tão irritante. Você é… 
Eu beijo o insulto de seus lábios, e leva dois segundos antes 
que ela esteja gemendo e se esfregando contra mim novamente. 
Meu pau está latejando atrás do zíper do meu jeans, e acho que 
preciso de uma liberação tanto quanto ela. 
Mas ainda não. 
Ela geme quando eu puxo minha boca da dela e traço o 
mesmo caminho de antes para seu pescoço e sobre seus seios e 
barriga. Desta vez, a única razão pela qual paro é para 
desabotoar o botão improvisado de seu jeans. 
Ela se apoia nos cotovelos para olhar para mim. 
— O que você está fazendo? — Ela murmura, sua voz áspera 
com luxúria. 
— Te provando. — Eu olho para ela. — Eu posso provar 
você, certo? 
Ela engole, prendendo o lábio inferior entre os dentes com 
um aceno de cabeça. 
Eu deslizo seu jeans de suas pernas, tentando não rir de sua 
urgência em me ajudar, então me reposiciono entre elas, 
passando minha língua sobre ela antes que ela tenha a chance 
de protestar novamente. 
— Unghhh — ela grita, arqueando-se para fora da cama. — 
Oh Deus. Mais. 
E eu atendo. 
Eu espalhei sua boceta com a minha língua, lambendo, 
chupando e me enchendo até que ela está praticamente 
fodendo meu rosto. Suas mãos batem no meu cabelo, me 
segurando a ela enquanto ela faz o que quer comigo, e eu nunca 
estive tão feliz por ser usado em toda a minha vida. Suas pernas 
começam a tremer, e eu sei que ela está perto. 
Eu mantenho a mesma pressão aplicada com a minha língua 
enquanto deslizo lentamente dois dedos dentro dela. Eu os 
curvo, e isso é tudo o que preciso. 
— Cameron… — ela geme, suas pernas tremendo ao redor 
da minha cabeça enquanto ela se quebra. 
Espero que suas pernas parem de tremer antes de deslizar 
meus dedos para fora dela e beijar meu caminho de volta para 
seu corpo. Ela está coberta por um leve brilho de suor, e seu 
cabelo está uma bagunça. Isso me lembra da primeira noite que 
tivemos juntos e, por um momento, gostaria de nunca ter ido 
embora. 
Eu rolo até que estou de costas, arrastando-a junto comigo. 
Ela descansa a cabeça no meu peito e solta um suspiro satisfeito. 
— Me dê cinco minutos — ela promete, suas palavras 
sonolentas e arrastadas. 
Esses cinco minutos nunca chegam e eu também não3, mas 
nunca estive tão satisfeito. 
 
— Você não pode estar falando sério. 
— Eu estou. 
Hollis coloca as mãos nos quadris, e eu tento não olhar 
muito para a barriga que está se tornando mais e mais óbvia a 
cada dia. 
Não é que eu não queira olhar, eu realmente quero, mas se 
eu olhar por muito tempo, tenho medo de fazer algo como 
atravessar o apartamento dela e jogá-la no balcão e fazer o que 
quero com ela. Ver meu filho crescer dentro dela está fazendo 
algo comigo que eu nunca esperei. 
Eu gosto disso. Muito. 
É por isso que estou aqui o tempo todo agora e não consigo 
me lembrar da última vez que passei mais de uma noite na 
minha própria cama. 
— Você realmente não quer descobrir? 
 
3 No inglês, “coming” possui o duplo sentido de gozar e chegar a algum lugar. 
— Não. — Ela balança a cabeça, o coque solto em cima 
balançando enquanto ela se move pela cozinha. — Quero ser 
surpreendida. Você é mais do que bem-vindo para descobrir, 
mas eu não quero saber. 
— Estou surpreso. 
— Por quê? 
Eu dou de ombros. 
— Não sei. Achei que você tinha todos esses planos 
grandiosos de preparar um quarto de bebê com um tema, cores 
e tudo mais. 
— Eu tinha. — Eu inclino minha cabeça, sem entender 
aonde ela quer chegar. — Antes, quero dizer — ela elabora. — 
Com Thad. 
Certo. O ex dela. O ex que é um grande pedaço de merda e 
que eu quero socar. 
— Por que não agora, então? 
— Eu… eu não sei. Talvez eu esteja pegando superstições de 
hóquei ou algo assim, mas como nada disso é o que eu planejei 
para minha vida, achei melhor continuar com isso e ficar 
surpresa. 
Tudo nos últimos meses tem sido tão insano que quase 
esqueci que Hollis não está divorciada por nem seis meses. Eu 
não posso imaginar como ela deve estar se sentindo indo de 
casada feliz para divorciada e grávida de um cara que ela mal 
conhece tudo no espaço de um ano. 
Tem que estar tomando um peso mental sobre ela. 
— Você quer saber o que eu acho? — Eu pergunto 
enquanto ela coloca seu copo de água fresca na mesa, sobe de 
volta para seu lugar no sofá e puxa o computador de volta para 
o colo. 
É um dia de jogo para mim, e em algum momento nas 
últimas semanas, isso se tornou nossa rotina até que eu tenha 
que estar no rinque. Eu me aproximo e nos deitamos no sofá. 
Às vezes ela trabalha, às vezes eu leio, às vezes conversamos, mas 
na maioria das vezes é só sobre passar um tempo juntos. 
— O quê? 
— Você só não quer ver se estou certo e é uma menina. 
— Bem, você quer saber o que eu acho? 
— O quê? — Eu ecoo. 
— Eu acho que preciso fazer xixi. 
Eu zombo, suspirando. 
— Estou chocado. Chocado! 
— Bem quando me sento também. — Ela revira os olhos, 
deixando seu laptop de lado, então se levanta do sofá. Ela oscila 
um pouco, e eu estou de pé em um instante para pegá-la. 
Eu agarro sua cintura, segurando-a firme. 
— Você está bem? 
— Sim — diz ela —, só um pouco vacilante. — Ela aponta 
para a barriga. — Ainda me acostumando com essa grande 
coisa. 
— Não é grande. 
— Não tente me acalmar, Lowell. Eu estou grande. 
— Você não está. Você parece do tamanho de um pimentão 
ou uma garrafa de xampu de bebê. Faça sua escolha. — Suas 
sobrancelhas se juntam com as minhas palavras. — Sites de 
bebês, eles são estranhos. 
— Ah. — Ela assente, afastando-se. — Volto logo. 
Ela lentamente faz seu caminho para o banheiro, e eu não 
me atrevo a sentar até que ela feche a porta atrás dela. 
Eu não gosto que ela esteja instável, mas acho que também 
posso entender. Seu corpo está mudando muito a cada dia, 
mesmo que ela nem sempre possa vê-lo. É… bem, meio que 
fodidamente incrível se você me perguntar. 
Eu caio de volta no sofá e quase derrubo seu notebook da 
almofada com a força. Consigo agarrá-lo antes que ele caia no 
chão e, no processo, o ativo. 
Eu sei que não deveria olhar. É uma total invasão de 
privacidade. 
Mas eu faço isso de qualquer maneira porque na tela está um 
apartamento, e acho que isso pode me envolver um pouco. 
Ela está pensando em se mudar? Ela não mencionou isso e 
eu simplesmente esqueci, não é? 
Eu clico ao redor da página e verifico as fotos. É… bom. Não 
é exatamente o que eu gostaria de viver, mas, novamente, tenho 
o luxo de ser exigente. 
É um apartamento de dois quartos e o aluguel é quase o 
dobro do que ela está pagando aqui, sem mencionar que fica do 
lado oposto da cidade... e da arena, o que significa que estarei 
mais longe dela e do bebê. 
Não quero ficar mais longe dela ou do bebê. 
Eu… 
Ah merda. 
Ela quer que eu a convide para morar comigo? 
Eu gosto de estar com ela. Eu gosto de tocá-la. E eu 
definitivamente gosto do que fizemos na semana passada em 
minha casa. 
Mas isso é tudo diferente do que realmente estar em um 
relacionamento. 
Não tenho certeza se estou pronto para isso, mesmo que 
tenhamos um bebê juntos. Uma coisa é amar e cuidar do bebê 
que cresce dentro dela. O bebê não pode me machucar. Tudo 
o que o bebê saberáé como me amar. 
Mas Hollis… ela pode causar muito mais danos do que isso. 
Não tenho certeza se estou pronto para dar a alguém esse poder 
ainda. 
Eu ouço a descarga do vaso sanitário, em seguida a água é 
ligada, então eu clico de volta na primeira foto e coloco o 
notebook de volta onde ela estava. Eu faço o meu melhor para 
não parecer culpado quando ela sai do banheiro, fingindo rolar 
alguma coisa no meu telefone. 
— Ah, muito melhor. Por uns vinte minutos, quero dizer. 
— Ela ri de sua própria piada enquanto volta para o sofá. 
Eu meio que sorrio para ela. Ela volta sua atenção para seu 
notebook. 
Clique. 
Rolagem. 
Clique. 
Rolagem. 
Eu não paro de observá-la. 
Não consigo parar de observá-la. 
Ela percebe. 
— Você se lembra do casamento de Harper e Collin quando 
eu pedi aquele achocolatado e você não zombou de mim por 
isso? 
— Sim. 
— E lembra como Emilia veio e ela e eu dançamos? 
— Sim. Foi quando descobri que você é uma mentirosa que 
ama Queen. 
— Todo mundo ama Queen, Lowell. Tenho certeza de que 
é uma lei real em algum lugar. 
— Eu não acho que é assim que funciona, mas tudo bem. 
Por que você está perguntando sobre o casamento? 
— Eu só estava me perguntando se você se lembra de 
quando você se sentou no bar olhando para mim, me vendo 
dançar por uns vinte minutos como um completo esquisito. 
— Você sabia que eu estava observando você? 
— Você é meio difícil de ignorar. — Ela levanta uma 
sobrancelha. — De qualquer forma, eu só queria que você 
soubesse que está fazendo isso de novo. 
— Fazendo o que de novo? 
— Olhando para mim como um esquisito. 
Porra. 
— É a sua beleza. Não me canso dela. 
É verdade, mas não é a única razão pela qual estou olhando. 
Estou olhando porque estou com medo de que ela queira mais 
e eu possa não ser capaz de dar a ela. 
Ela bufa. 
— Espero que o hóquei cubra seu seguro de visão. Você 
claramente precisa checar seus olhos. 
Eu franzo a testa. Essa é a segunda vez apenas hoje que ela 
comenta sobre seu corpo, e eu me pergunto se é porque ela está 
envergonhada com as mudanças. 
Eu suspiro, então estendo a mão e fecho seu computador, 
roubando-o de suas mãos. 
— Ei! Eu estava lendo uma coisa! 
Coloco o notebook na mesa. 
— O que você estava lendo? 
— Um... uh... um artigo! Ha! 
— Oh, sim? — Eu levanto uma sobrancelha desafiadora. — 
Sobre o quê? 
— Como se safar do assassinato do papai do seu bebê. 
Eu não posso deixar de sorrir. 
Papai do bebê. 
Papai. 
Eu vou ser pai. 
É a primeira vez que ouço a palavra em referência a mim, e 
eu gosto, e não de um jeito bizarro. Vou ser o pai de um 
menininho ou de uma menininha, e acho que ainda não caiu a 
ficha. Não tenho certeza se vai cair até que o bebê esteja aqui. 
É assustador. 
E emocionante também. 
Mas principalmente assustador. 
Eu balanço minha cabeça, afastando todos os pensamentos 
que tentam me intrometer, então me concentro na tarefa em 
mãos: rastejar pelo sofá até estar deitado em cima dela e 
estarmos perfeitamente encaixados um no outro. 
— Você não pode me matar. 
— Você tem razão. Collin vai fazer isso. 
— Eu posso aguentar o Collin. 
— Uh, o lábio cortado que você tinha um tempo atrás diz o 
contrário. 
— Não. O lábio cortado que eu tinha dizia que eu merecia 
o que recebi, não que eu não pudesse aguentá-lo. 
— Hum. Estou apostando em Collin. 
— Oh? — Eu pergunto, abaixando minha cabeça e 
correndo meu nariz ao longo de sua mandíbula, sentindo o 
cheiro que é completamente dela. — É mesmo? 
— Mmm — ela geme quando eu corro minha língua sobre 
a coluna de seu pescoço, incapaz de me impedir de saboreá-la 
—, hmm. É isso m-mesmo. 
Eu rio contra ela, amando como ela é receptiva. Eu 
pressiono meus quadris contra ela, deixando-a sentir tudo o 
que ela está fazendo comigo, deixando-a sentir que mesmo que 
ela ache que não é atraente, eu acho. 
Eu continuo pressionando beijos ao longo de seu pescoço, 
sua clavícula, sua bochecha e tudo o que posso, exceto sua boca, 
tudo enquanto balanço meus quadris nela. Ela choraminga 
toda vez que meu pau roça bem entre suas pernas, e ela arqueia 
os quadris para cima, buscando mais contato. 
— Ei, Hollis? 
— Hum? 
Eu me esfrego contra ela novamente. Outro gemido. Eu 
arrasto meus lábios para longe de seu corpo e me afasto, 
quebrando nosso contato. 
Desta vez, quando ela choraminga, é doloroso. 
— Não. O que você está fazendo? Eu… 
— Quietinha — eu interrompo, olhando para ela. — Eu 
preciso que você me escute, ok? 
— Ok — ela diz, e eu rio porque isso não é ficar quieta. 
Ela dobra os lábios, uma promessa de não dizer mais nada. 
— Você é linda. — Ela abre a boca, mas eu a interrompo 
com um olhar afiado e ela fecha a boca. — Tudo em você é 
lindo, até as partes que você não gosta. Inferno, especialmente 
as partes que você não gosta. Essas são as minhas favoritas 
porque elas precisam de amor extra. 
Um sorriso começa a deslizar em seus lábios. 
— O que você está fazendo... crescendo esse bebê dentro de 
você... é mágico. Sexy. Você é sexy. Eu preciso que você perceba 
isso, ok? Eu preciso que você perceba que ver seu estômago 
crescer e saber que é o meu bebê é a coisa mais gostosa que eu já 
tive o prazer de testemunhar. 
Ela não diz nada, mas ela não precisa. Eu posso ver as 
lágrimas escorrendo de seus olhos e caindo em seu cabelo. 
— Então, da próxima vez que você decidir falar besteira 
sobre você, eu quero que você se lembre que toda vez que você 
fizer isso, minha ereção morre, e isso é apenas um desperdício 
de uma boa ereção. 
Uma risada borbulha dela, e eu a capturo com um beijo, 
querendo guardar para mim. Posso não ser capaz de dar a ela 
tudo o que ela precisa, como um relacionamento ou boas-
vindas em minha casa, mas posso dar isso a ela agora. 
Eu a beijo até meu alarme tocar, me lembrando que preciso 
estar no rinque logo. 
Então eu a beijo um pouco mais. E mais uma vez antes de eu 
sair pela porta. 
— Se vencermos esta noite — digo a ela —, isso se tornará 
meu ritual pré-jogo. Tem que ser, pela ciência. 
Ela ri e balança a cabeça. 
— Malditos jogadores de hóquei e suas superstições. 
Naquela noite, vencemos Seattle por 4 a 0. 
 
Eu nunca entendi antes quando os pais do time se queixavam 
de estar longe de suas esposas e filhos, mas entendo agora, e 
nunca estive mais animado para um avião pousar na minha 
vida. Estou tão empolgado que quase me torno uma dessas 
pessoas, que batem palmas quando o piloto aterrissa com 
sucesso. 
Eu não me importo. 
Não me importo porque sinto falta de Hollis e preciso vê-la. 
Percebo que provavelmente estou ficando muito 
confortável passando tempo com ela, mas não posso ficar 
longe. Sempre que não estamos juntos, eu quero estar. Sempre 
que estamos juntos, eu nunca quero sair. Eu apenas gosto de 
estar perto dela, e nem tudo está totalmente relacionado com 
ela carregando meu filho. 
Eu apenas gosto dela. 
Eu entendo agora, sobre o que Smith estava falando quando 
disse que estava aprendendo o que importa e o que não 
importa, o que estava faltando e o que não estava. 
Hollis é o que estava faltando para mim. 
Percebo isso agora quando tropeço em seu prédio logo 
depois das duas da manhã. Nosso avião pousou não muito 
tempo atrás, e embora eu continuasse dizendo a mim mesmo 
que era tarde demais para incomodá-la e só precisava ir para 
casa, eu dirigi até aqui de qualquer maneira. Mesmo que eu 
continuasse dizendo a mim mesmo para me virar e não entrar 
no elevador, eu fiz isso de qualquer maneira, e mesmo que eu 
tenha prometido a mim mesmo que não iria bater na porta 
dela, é exatamente isso que estou fazendo agora. 
Eu bato meus dedos contra a madeira, e são apenas alguns 
segundos até que eu ouço um barulho vindo de dentro do 
apartamento. 
Hollis abre a porta. Embora seu cabelo esteja desgrenhado, 
ela não parecia estar dormindo. Na verdade, parece que ela 
estava esperando acordada. 
Por mim. 
Ela está vestindo uma camiseta fina que está apertada sobre 
a barriga, que eu juro que é ainda maior do que era da última 
vezque a vi. Seus seios, que aumentaram pelo menos metade 
do tamanho de uma xícara, estão se esticando tanto contra o 
tecido que seus mamilos são quase visíveis através dele. Ela está 
vestindo um short minúsculo e um olhar em seus olhos que diz 
que ela está com fome... e não de comida. 
Meu pau instantaneamente ganha vida, lutando contra a 
calça que eu não me incomodei em trocar. 
— Oi — ela diz baixinho, seus lábios se curvando no canto. 
Eu sorrio de volta. 
— Ei. 
Ela não se move, e eu também não. 
Então, de repente, nós dois estamos nos movendo ao 
mesmo tempo. 
Eu não tenho ideia de quem alcança quem primeiro, mas em 
um segundo estou do lado de fora do apartamento dela, e no 
próximo estou dentro com ela contra a parede, suas pernas em 
volta de mim, nossas bocas fundidas como se beijar um ao 
outro é para o que elas foram feitas. 
Não beijá-la por quatro dias pareceu um inferno. 
Beijá-la por quatro segundos parece o paraíso. 
E não tenho ideia de como vou parar. 
14 
Hollis 
Eu não deveria estar esperando acordada por Lowell por várias 
razões. 
1. Não sei a que horas ele voltará para a Carolina do Norte. 
2. Eu não tenho ideia se ele está vindo aqui, porque não é 
algo que discutimos. 
3. Não estamos juntos. 
4. Estou me apegando demais e sei que estou. 
Apesar de saber de tudo isso, estou esperando acordada de 
qualquer maneira. 
Eu sinto falta dele. Eu sinto falta de sair com ele e rir com 
ele. Eu sinto falta de percorrer os sites de bebês com ele, nos 
deixando preocupados com o que está por vir. Eu só sinto 
falta... dele. 
Algo mudou entre nós naquela noite em sua casa. Não 
apenas fisicamente, mas emocionalmente também. Foi a 
primeira vez que realmente pude ver o quanto ele realmente 
está empenhado nisso. Você pode dizer que vai fazer tudo o que 
quiser, mas as ações falam mais alto do que as palavras, e a ação 
de Lowell de construir um quarto para nosso bebê 
definitivamente falou muito. 
Uma batida soa na minha porta, e eu pulo do sofá antes que 
eu possa pensar muito sobre porque estou tão animada com a 
ideia de ver Lowell, então abro a porta. 
Muitos dos caras tendem a trocar o terno quando estão no 
avião de volta para casa, mas Lowell não o fez esta noite. Ele está 
vestindo um terno cinza escuro perfeitamente sob medida que 
faz seus olhos verdes parecerem ainda mais cativantes e um 
sorriso que diz que ele veio por um motivo. 
Ele passa os olhos pelo meu corpo, e eu juro que posso sentir 
seu olhar me penetrando entre as minhas pernas, assim como 
sua língua fez algumas semanas atrás. Nós não tivemos uma 
repetição daquela noite, mas eu quero uma, muito. 
Especialmente depois das muitas sessões de amassos que 
tivemos desde então. Ele sempre parece recuar no último 
minuto quando está começando a ficar bom, mas esta noite, eu 
quero mais. 
Esta noite, eu o quero. 
— Oi — eu sussurro. 
— Ei — ele diz, aquele sorriso dele crescendo. 
Não tenho ideia de quanto tempo ficamos ali olhando um 
para o outro, assim como não tenho ideia de quem é que dá o 
primeiro passo. Tudo o que sei é que um segundo Lowell está 
do lado de fora da minha porta sorrindo para mim, e no 
próximo ele me pressiona contra a parede com sua boca 
fundida à minha. 
— Deus, eu senti falta da sua boca — diz ele contra mim. 
Eu senti a sua falta. 
Mas eu não digo isso. 
Em vez disso, digo: 
— Senti mais falta da sua. 
Então ele me beija nos lábios. Ele me beija até que eu tenha 
quase certeza de que eles estarão machucados amanhã. Até que 
estou literalmente me contorcendo contra ele, precisando de 
alívio. Até que eu esteja tão excitada que vou explodir se algo 
mais não acontecer em breve. 
— Lowell… 
Ele ri sombriamente, como se soubesse o que está fazendo 
comigo o tempo todo. Ele vai se afastar, pisando no freio como 
tem feito, e eu não posso desta vez. 
Eu preciso de uma liberação. 
Agarro as lapelas de seu terno, sem deixá-lo correr, e olho 
diretamente em seus profundos olhos verdes, amando a 
maneira como eles escurecem quando ele começa a entender o 
que estou pedindo silenciosamente. 
Implorando. 
Ele engole em seco uma vez. Duas vezes. 
— Tem certeza? — Ele pergunta baixinho. 
Ele não está me perguntando se tenho certeza de que quero 
fazer sexo. Nós dois sabemos a resposta para isso. Ele está 
perguntando se eu tenho certeza que entendo o que realmente 
significa o que estamos prestes a fazer. 
Sexo. 
Apenas sexo. 
Eu sei disso, e ele também sabe. Ele não pode oferecer mais, 
e eu nem tenho certeza se estou pronta para mais. 
Mas isso agora? Isso eu definitivamente estou pronta. 
Apenas sexo. 
Eu quero apenas sexo. 
— Sim. 
Seus olhos piscam com apenas essa simples palavra, então ele 
está devastando minha boca novamente. 
Nós nos beijamos pelo que parecem horas antes de ele 
arrancar sua boca da minha, descer pelo meu queixo e pela 
minha garganta. Ele me beija lá, beliscando e chupando, 
deixando para trás manchas que certamente serão visíveis 
amanhã, mas agora eu não me importo. Não quando sua mão 
está deslizando ao longo da minha lateral, seus dedos roçando 
o cós do meu short, mas nunca deslizando sob o pequeno 
pedaço de tecido. Mais e mais, me torturando lentamente. 
Deliciosamente. 
Eu amo e odeio isso, e eu quero mais e quero que ele pare. 
Quando ele finalmente mergulha os dedos no meu short, eu 
suspiro com o alívio do que está por vir. 
Lowell lentamente move seus dedos cada vez mais para 
baixo até que apenas a ponta de seu dedo roça meu clitóris. Eu 
assobio com o contato, e ele ri novamente como um idiota, 
claramente gostando do meu desconforto. 
Ele não move a mão por um longo tempo. Ele apenas segura 
a ponta do dedo ali, alternando entre caminhos de beijos no 
meu pescoço e chupando meus lábios. 
Então, finalmente – porra, finalmente – ele mergulha um 
único dedo em mim, e meus joelhos quase se dobram. 
— Porra, você está molhada. 
— Porque você está me torturando! 
Ele ri novamente. 
— Você gosta disso. 
— Eu gosto — eu ofego, descendo em seu dedo que está 
deslizando para dentro e para fora de mim, amando o jeito que 
sua palma está roçando meu clitóris. — Tanto. Mas você sabe 
o que mais eu gostaria? 
— Hum? 
— Ser fodida. 
Ele faz uma pausa apenas por um momento, depois diz: 
— Acho que posso fazer isso. 
Eu grito quando ele retira o dedo de mim, e mais uma vez 
quando ele leva o dedo brilhante à boca e o lambe. 
— Merda — ele geme. — Eu quase esqueci o quão bom é o 
seu gosto. 
— Você… gosta de fazer isso? 
— Gosto? Você está brincando comigo? — Ele ri 
zombeteiramente, um lado de seus lábios se curvando em um 
sorriso. — Eu passaria vinte e quatro horas inteiras com meu 
rosto enterrado em sua boceta se pudesse. 
Eu tremo com o pensamento, adorando a ideia, 
especialmente considerando a última vez que ele estava entre 
minhas pernas, eu pensei que ia parar de respirar em um ponto. 
Ele não perde o meu arrepio. 
— É isso que você quer? — Ele me segura através do meu 
short. — Eu comendo sua linda boceta? 
— S-Sim. Não. Sim. 
Ele ri. 
— Bem, qual dos dois, querida? 
— O que quero dizer é sim, mas não agora. Agora, eu 
quero… — Eu suspiro quando seu polegar pressiona em mim 
através do meu short, circulando meu clitóris com uma força 
que é simplesmente deliciosa o suficiente. — Eu quero… 
— Ser fodida, não é? 
Eu engulo em seco, assentindo. 
Ele se afasta, tipo, se afasta completamente. 
Eu o alcanço, mas ele balança a cabeça apenas uma vez. Ele 
chuta os sapatos, então, lentamente, ele empurra o paletó dos 
ombros e o joga de lado. Suas mãos caem em seu cinto, e eu 
estou praticamente salivando ao vê-lo desenganchá-lo. Ele não 
tira as calças, no entanto. Ele não puxa seu pau para fora, e de 
alguma forma, é mais quente do que se ele estivesse realmente 
nu. 
Seus dedos hábeis fazem um trabalho rápido de desabotoar 
os botões de sua camisa. Ele tira e joga em algum lugar também. 
Ele é maravilhoso. Não há outra palavra para descrevê-lo. 
Ele estende a mão, um dedo sob meu queixo, e o inclina.— Não se mova — ele instrui, e eu aceno. 
Então ele se foi. Para o outro lado da sala. 
Ele se senta no sofá, abrindo bem as pernas, e apenas me 
observa. Seus olhos percorrem meu corpo de cima a baixo, 
então ele faz tudo de novo. Apenas. Assistindo. 
É enervante e emocionante ao mesmo tempo. Eu nunca fui 
tocada assim antes, e ele nem está me tocando fisicamente. Ele 
está apenas olhando, e de alguma forma, é muito mais. 
— Tire a roupa. — Sua voz é baixa e dominante, e isso me 
deixa ansiosa para seguir suas instruções. 
Eu agarro a bainha da camiseta fina que estou vestindo e 
lentamente a puxo sobre minha cabeça. Eu não estou usando 
sutiã, e é tão estranho estar diante de Lowell com apenas um 
short. 
Quando eu não faço um movimento para tirá-lo, ele levanta 
uma sobrancelha, esperando. 
Eu quero fazê-lo esperar. 
Eu quero fazê-lo se contorcer e ansiar por mim como eu 
estou por ele. Então eu pego meu cabelo bagunçado e o enrolo 
em um rabo de cavalo, amando a forma como os fios escovam 
levemente em minhas omoplatas. Amando a maneira como 
seus olhos acompanham cada movimento. Amando a forma 
como o humor dança em seus olhos quando ele percebe o que 
estou fazendo. 
Finalmente, quando estou bem e pronta, arrasto o short 
pelas minhas pernas, saindo dele e jogando-o para o lado. 
Seus olhos se arregalam, depois escurecem, e ele inala uma 
respiração afiada ao me ver. Ele desliza suas calças para baixo de 
suas pernas, seu pau finalmente saltando livre, e oh Deus, é tão 
bonito quanto eu me lembro. 
Ele acaricia uma, duas vezes, estendendo a mão para pegar 
suas bolas e puxá-las. Meus mamilos ficam duros só de observá-
lo, e eu aposto que se eu deslizar minha mão entre minhas 
pernas agora, eu estaria encharcada. 
Só então percebo que nunca tive nenhum poder neste 
momento. Era tudo ele. 
Sempre foi ele. 
— Venha. 
Lentamente, atravesso a sala, gostando de vê-lo brincar 
consigo mesmo. 
Eu paro em seus joelhos. 
— O que agora? 
— Agora, você me usa. 
Me usa. 
Ele disse isso antes, e assim como antes, isso faz algo em mim. 
Eu sei que ele está abrindo mão do controle porque ele quer 
que eu me sinta confortável. Eu amo que ele está colocando 
meu conforto em primeiro lugar. Eu acho que é mais quente 
do que qualquer outra coisa que aconteceu esta noite. 
Ele estende um único dedo, deslizando-o pela minha boceta 
por um momento, apenas para trazê-lo de volta à boca para 
provar. 
Eu menti. Essa é a coisa mais quente que ele fez esta noite, e 
isso me faz cair em seu colo, literalmente. Eu monto nele, 
entrelaçando meus braços ao redor de seu pescoço e me 
esfregando contra ele. Ele olha para baixo, observando onde 
estamos conectados. 
— Porra — ele murmura. — Você é perfeita. 
— Ainda não fiz nada. 
Suas mãos encontram minha bunda, amassando minhas 
bandas. 
— E se você não fizer em breve, posso revogar toda a coisa 
de ser um cavalheiro que estou fazendo. 
Eu rolo meu lábio inferior entre os dentes. 
— Desculpe, Lowell, estou provocando você demais? 
Eu me esfrego contra ele novamente. 
— Isso é levar as coisas muito devagar para você? 
Outra esfregada. 
— Isso… 
Eu não termino a frase. 
Eu não termino a frase porque de repente sou levantada e o 
pau de Lowell está empurrando para dentro de mim. 
Nós dois soltamos um gemido baixo quando ele desliza, 
centímetro por centímetro delicioso. 
Eu senti falta disso. É a primeira coisa que passa pela minha 
cabeça, o que é ridículo porque só tive isso uma vez. 
Eu me inclino para frente, descansando minha testa contra 
a dele, tentando me acostumar com seu tamanho novamente. 
— Você sente… — Ele engole. — Porra. 
— Bom para porra? 
— Ótimo para porra. 
Ele bate sua boca na minha, me beijando lentamente 
enquanto me deixa assumir a liderança, permitindo que eu 
trabalhe lentamente nele. Ele não me apressa; ele me deixa ter o 
controle total. 
Meu orgasmo está crescendo cada vez mais alto e está ao 
meu alcance, eu só preciso… 
— Lowell… 
Seus dedos que estão tocando levemente nas pontas do meu 
rabo de cavalo são a única indicação do que está por vir. De 
repente, ele envolve meu cabelo em volta de seu punho e puxa 
minha cabeça para trás com força suficiente para causar uma 
pontada de dor, mas não o suficiente para ser malicioso. 
Eu grito quando sua outra mão vem para descansar na base 
da minha garganta, onde ele aplica apenas o menor indício de 
pressão enquanto ele fode comigo. Uma e outra vez. Mais 
rápido. Mais forte. Tão carente que acho que posso realmente 
desmoronar. 
E então eu desmorono. 
Meu orgasmo me atinge do nada, uma luz branca ofuscante 
atrás dos meus olhos e um formigamento da cabeça aos pés. 
Não houve aviso. Nenhum crescimento usual. Apenas 
quebrou a terra ao meu redor sem nenhum preâmbulo. 
Minha boceta aperta em torno do pau de Lowell e ele está 
surfando na mesma onda que estou momentos depois, 
derramando-se dentro de mim. Quase instantaneamente 
desabo em cima dele, e ele me pega com facilidade, como se 
soubesse que isso aconteceria o tempo todo. Ele envolve seus 
braços em volta de mim enquanto eu descanso minha cabeça 
em seu ombro, tentando recuperar o fôlego. 
Eu não tenho ideia de quanto tempo ficamos sentados 
assim, Lowell me segurando e desenhando pequenos círculos 
nas minhas costas, eu descansando contra ele. 
Mas por mais longo que seja, sei que não é suficiente. 
O que não é uma coisa boa, porque isso tem que ser 
suficiente. 
Com toda a energia que posso reunir, me afasto, finalmente 
olhando para o homem que acabou de fazer meu mundo 
implodir. Seus curiosos olhos verdes estão me observando, 
procurando ter certeza de que estou bem com o que acabou de 
acontecer. 
Eu estou bem com isso. 
Estou mais do que bem com isso. Muito bem com isso. 
— Bem, a boa notícia é que eu definitivamente não te 
engravidei desta vez. 
Uma risada explode de mim porque é o que eu não sabia que 
precisava agora. 
Mas Lowell sabia. 
Lowell sempre sabe. 
E isso é o que mais me assusta. 
15 
Lowell 
Eu tentei resistir a ela. 
Deus me ajude, eu tentei. 
Mas era impossível com ela olhando para mim com aqueles 
olhos azuis safira cheios de desejo e necessidade. Então, eu cedi, 
e se isso significasse acordar com ela enrolada em volta de mim 
como ela está atualmente, eu faria tudo de novo. 
Inferno, eu faria tudo de novo, mesmo se ela não estivesse. 
A noite passada foi incrível. O tipo de inacreditável que te abala 
profundamente e te assusta porque você tem certeza de que 
absolutamente nada será tão bom novamente. 
Não pode ser. É impossível. 
Ela se mexe contra mim, e eu posso dizer pela mudança em 
sua respiração que ela está começando a acordar, o que significa 
que eu provavelmente deveria parar de olhar para ela como um 
completo esquisito. 
— Mmm. — Ela se aconchega mais fundo em mim. — Você 
está quente. 
— É uma benção e uma maldição. 
— Estou sempre com frio. 
— Já reparei. 
Ela pressiona um beijo suave ao meu lado, e eu posso sentir 
seu sorriso contra mim. É o mesmo sorriso idiota que estou 
usando. 
— Bom dia — ela murmura. 
— Bom dia. Dormiu bem? 
— Mmm — ela diz novamente, desta vez esticando seu 
corpo. — Muito bem. 
— Você está dolorida? 
— Um pouco. — Ela cora. — Mas eu gosto. 
Eu gosto que ela goste. 
Ela se apoia no cotovelo e olha para mim. 
— Posso tentar alguma coisa? 
— É claro. 
Ela se inclina e pressiona seus lábios nos meus. É um beijo 
rápido antes que ela se afaste, mas eu a agarro, mantendo-a 
como refém antes que ela possa ir muito longe. 
— Nós tentamos isso antes — eu digo a ela. 
Ela ri. 
— Nós tentamos, mas você vai me agradecer mais tarde. 
Ela me beija de novo, mas desta vez, ela não se afasta, ela 
segue para o sul. 
E continua indo e indo. 
Ela faz uma pausa quando chega ao meu estômago. 
— Isso é... isso é algodão no seu umbigo? — Ela desenterra 
o pedaço de penugem, jogando-o no chão. 
— Ei! Coloque isso de volta! Isso estava me mantendo 
aquecido. 
— Você é ridículo. — Ela sufoca uma risada contra meu 
estômago,continuando seu caminho. 
Ela parece e sente fodidamente incrível, deslizando sobre 
mim, pressionando beijos no meu estômago. Sua boceta desliza 
contra meu pau enquanto ela continua seu ataque lânguido, e 
eu estou apenas levemente envergonhado pelo som que sai da 
minha garganta. 
Ela ri, então coloca beijos em todas as minhas coxas, 
obedientemente ignorando meu pau que está provavelmente 
mais duro do que nunca na minha vida. Eu faria qualquer coisa 
neste momento para sentir seus lindos lábios em volta dele. 
Ela beija minha coxa direita, depois minha esquerda. De 
volta à minha direita, mas desta vez ela está um pouco mais 
perto das minhas bolas. Ela continua até que eu tenha certeza 
de que vou enlouquecer sem ela tocar no meu pau. 
Então, em uma lambida lenta e longa, ela traça sua língua 
das minhas bolas até a ponta do meu pau e finalmente o cobre 
com a boca. 
Por mais constrangedor que seja, eu quase gozo. 
— Poooorra. — Meus quadris sobem involuntariamente. 
Ela ri ao meu redor, e eu juro porra, eu sinto isso nos dedos 
dos pés também. Ela me chupa, rolando a língua ao redor da 
cabeça, usando uma mão para segurar meu comprimento e a 
outra para raspar levemente as unhas ao longo da sensível parte 
interna da minha coxa. 
Eu vou morrer. 
Eu vou morrer, e esta vai ser a morte mais épica de todos os 
tempos. 
Eu nem percebo que eu levantei meus quadris até que ela 
engasga, e eu imediatamente me sinto mal, recuando. 
— Merda. Porra. Eu sinto muito. Eu… 
Ela me empurra de volta para baixo, continuando a 
trabalhar em mim, e não demora muito até que eu volte para 
onde eu estava, prestes a fazer uma bagunça. 
— Eu vou gozar, Hollis, então a menos que você queira… 
— Me use — ela murmura, repetindo minhas palavras de 
volta para mim. 
Ela envolve seus seios em volta do meu pau duro e abre a 
boca. Ela quer que eu foda seus peitos. 
Oh Deus. 
Então eu faço. 
Eu fodo seus seios, amando a forma como a ponta do meu 
pau roça sua língua. Tudo é apenas o suficiente para me fazer 
explodir. 
— Vou goz… 
É tudo o que posso fazer antes de cobrir seus lábios, garganta 
e queixo com meu esperma, e estaria mentindo se dissesse que 
a visão dela coberta de mim não foi suficiente para me preparar 
para outra rodada imediatamente. 
Porque é. Eu não sei exatamente porque é, mas é quente e 
está fazendo algo comigo. 
Ela fica de joelhos, olhando para mim com um sorriso 
orgulhoso. 
— Você está bem? 
Eu rio, me jogando de volta na cama enquanto ela rasteja de 
volta para os travesseiros. 
— Eu não posso acreditar que acabei de foder seus peitos. 
Isso é merda que você faz quando tem dezoito anos e sua 
namorada está menstruada, mas você quer foder e ela diz não a 
anal, então você vai entre os peitos dela. 
— Isso soa… estranhamente específico. — Hollis levanta 
uma sobrancelha divertida. 
Eu dou de ombros. 
— Só uma história que ouvi de um cara. 
— Uh-hum. — Ela ri. — Desculpe, nós não... eu só estou 
cansada. 
Minhas sobrancelhas se juntam. 
— Hollis, você não precisa se desculpar, e você também não 
precisa me deixar foder seus peitos porque você se sente muito 
cansada para transar. 
— Bem, eu queria. Portanto, não. 
— Essa é a sua maneira de dizer não a anal? 
Ela solta uma risada. 
— Sim. É sim. 
— Ainda… certo? 
Ela balança a cabeça com um sorriso, rolando para longe de 
mim. 
— Você não tem treino esta manhã? 
Ah, porra. 
Eu corro para verificar a hora, mas ainda é cedo. Tipo, 
muito cedo para estar de pé. 
Mas eu tenho uma ideia. 
— Vamos — eu digo a ela. — Eu quero te levar a algum 
lugar. 
— É para o chuveiro? Porque… — Ela olha para a bagunça 
secando nela. 
— Sim. E depois para donuts. 
— Donuts? — Ela sai correndo da cama mais rápido do que 
eu a vi se mover em semanas e corre para o banheiro. — Estou 
tomando banho primeiro! — Ela chama, e eu rio. 
Definitivamente, não estamos nos revezando. 
 
— Este é o lugar de onde você está comprando donuts? 
— Sim. Por quê? 
— Não sei. Acho que não estava esperando um food truck 
adorável. Eu pensei que seria uma pequena loja familiar ou algo 
assim. 
— Não. Apenas Scout. 
Ela levanta uma sobrancelha. 
— Scout? Você está na base do primeiro nome com a 
fabricante de donuts? 
— Você está com ciúmes? 
— Não — ela diz rapidamente... muito rápido. 
Eu tento não pensar muito sobre o quanto eu gosto da ideia 
de Hollis ter ciúmes de outra mulher comigo. Não que ela 
tenha uma razão para ter, mas ainda assim. 
— Certo. Claro. — Eu pisco. — Fique aí. 
Dou a volta na caminhonete e abro a porta, ajudando-a a 
descer. 
— Você não tem que fazer isso, você sabe. Sou 
perfeitamente capaz de sair de um veículo sozinha. Estou 
grávida, mas não tão grávida. 
— Você está realmente reclamando sobre eu ser um 
cavalheiro agora? 
— Eu… bem, não. Mais ou menos. — Suas bochechas 
escurecem enquanto fazemos nosso caminho até o food truck 
que virou loja de donuts. 
— Fui criado com boas maneiras, Hollis, e grávida ou não, 
ainda vou ajudá-la a sair da caminhonete. Porque é isso que os 
cavalheiros fazem. 
Ela fica na ponta dos pés para sussurrar: 
— Os cavalheiros também fazem o que você fez comigo esta 
manhã? 
Não tenha uma ereção. 
Não tenha uma ereção. 
Não. Tenha. Uma. Ereção. 
— Comporte-se — murmuro, tanto para ela quanto para 
mim, porque sei que realmente não quero me comportar agora. 
Entramos no final da fila. Está curta hoje. Normalmente ela 
tem cerca de dez pessoas toda vez que venho aqui. Eu não tenho 
ideia de como Scout dá conta de tudo, mas ela sempre faz. 
— Então, como você descobriu sobre este lugar? — Hollis 
pergunta, observando a pequena organização. 
— Bem… eu cresci cerca de duas horas daqui, e Scout foi 
para o ensino médio comigo. Ela é dois anos mais nova e estava 
na mesma série que minha irmã. A notícia correu em casa que 
ela era dona desse lugar, então eu fiz a minha missão de vir e 
apoiá-la tanto quanto eu puder. Eu também posso me certificar 
de causar uma cena quando estou aqui e tirar fotos minhas o 
máximo possível, na esperança de que isso apareça nas mídias 
sociais e dê a ela um pouco do reconhecimento que ela merece. 
O que eu não digo a ela é que Scout foi muito intimidada 
por ser tímida e por ter pais gays, e eu não podia suportar a ideia 
de ela colocar tudo nesse negócio e dar errado, não depois de 
tudo que ela passou. 
Hollis inclina a cabeça para o lado, me estudando. Ela não 
para, nem mesmo quando me mexo desconfortavelmente sob 
seu olhar. 
— O quê? — Eu pergunto. 
— Nada. É que… Você é um cara legal, Lowell. 
— Você está surpresa com isso? 
Ela leva um momento para responder, e é assim que eu sei 
que é honesto e não um reflexo. 
— Não. 
Isso faz meu coração inchar de orgulho. 
— Sr. Lowell! 
Uma vozinha tira minha atenção de Hollis, e eu olho para 
encontrar a menina de oito anos que acredita que somos os 
melhores amigos do mundo correndo até mim, um caderno de 
desenho e um lápis na mão, como de costume. 
Para ser justo, ela está certa, nós somos os melhores amigos 
do mundo. 
— O que eu te disse sobre me chamar de Sr. Lowell? — Eu 
pergunto enquanto ela derrapa até parar na minha frente. 
— Que faz você parecer seu pai e você não é nenhum velho. 
— Isso mesmo. — Eu ergo meu punho, e ela bate nele. — O 
que você está fazendo aqui hoje, senhorita Macie? Sem escola 
hoje? 
— Não. Eu tenho o dia de folga porque os professores 
precisam conversar com as mamães e os papais. 
— Eles estão falando com os seus mamãe e papai? 
Ela balança a cabeça inflexivelmente. 
— Não! Eu tenho sido boa! 
— Sem mais chutes? 
Ela coloca a mão no quadril. 
— Só quando os meninos precisam. 
Eu junto meus lábios, tentando não rir. 
— Isso é justo. 
— Quem é? — Ela aponta para Hollis. — Essa é sua 
namorada? — A palavra namorada sai com o menor indício de 
desdém, e nem eu nem Hollis deixamos de notar. 
— Eu sou… amiga de Lowell — Hollis diz a ela, estendendo 
a mão para cumprimentá-la. 
Macie olha para sua mão, depois de volta para Hollis. 
— Eu sou a melhoramiga de Lowell. 
— Ah, então é de você quem ele está me contando, hein? 
Eu sorrio porque eu sei que ela está apenas tentando fazer 
Macie se sentir importante. Eu nunca mencionei ela para Hollis 
antes. 
Os olhinhos de Macie se arregalam. 
— Ele fala de mim? 
Hollis assente. 
— O tempo todo. Ele estava me dizendo que você é uma boa 
artista também. 
— Eu sou uma boa artista. Você quer ver? 
— Eu adoraria. — Hollis se vira para mim. — Pegue alguns 
donuts para nós, sim? 
Ela pisca, então deixa Macie arrastá-la para uma mesa 
próxima. Eu observo enquanto elas vão, indo até a frente do 
food truck para pedir. 
Scout sendo Scout, ela já tem o meu pedido de costume 
pronto para entregar. 
— Posso ter um achocolatado e um creme de Boston 
também? 
Eu pego seu sorriso pelo canto do meu olho, então 
finalmente olho para ela. 
Ela está me observando com um olhar que não consigo 
decifrar, e não sei como me sinto sobre isso. Conheço a Scout à 
distância há muito tempo, e até fomos amigos nos últimos 
anos. Não gosto de não conseguir ler essa expressão quando 
normalmente sempre consigo. 
— O quê? 
Ela balança a cabeça, levantando as mãos. 
— Nada. 
— Besteira. Esse olhar quer dizer alguma coisa. 
— O que você está fazendo com ela, Lowell? 
— Com quem? 
Scout acena para a mesa onde Macie e Hollis estão com as 
cabeças curvadas, discutindo o que quer que estejam 
desenhando. Elas parecem tão fofas e, com o cabelo escuro de 
Macie, quase parecem que poderiam ser mãe e filha. 
Isso vai ser meu algum dia. 
O pensamento me atinge de uma só vez, e estou surpreso 
com isso. 
Eu sei logicamente, isso será meu algum dia. Mas não meu 
meu. 
E o pensamento de que eu quero que seja me aterroriza. 
Deslizo meu cartão para Scout. 
— Não é nada. 
Suas sobrancelhas se erguem, os cantos de sua boca se 
inclinando. 
— Então meu olhar também não era nada. 
Nós dois estamos falando merda, e nós dois sabemos disso. 
16 
Hollis 
— Eu gostaria de ficar de olho em seus enjoos matinais, mas 
tudo parece bem. Sua altura de fundo uterino é de cerca de 
vinte centímetros. 
— O fungo dela o quê? 
— Fundo — eu corrijo Lowell, tentando não rir porque ele 
parece incrivelmente preocupado. — Ela quer dizer a distância 
do meu osso púbico ao meu útero. 
— Vinte centímetros… isso são sete polegadas e meia mais 
ou menos, certo? 
— Um pouco mais, sim. 
Ele concorda. 
— E isso é bom? 
— Sim. A medida está na faixa. Agora, vocês gostariam de 
saber se vão ter um menino ou uma menina hoje? 
— Não. 
— Sim. 
Respondemos a médica ao mesmo tempo, e ela ri da nossa 
diferença de opinião. 
— Parece que temos uma divisão. 
Se há algo que mais discutimos durante esta gravidez, é 
querer saber ou manter uma surpresa. Sou do time da surpresa 
enquanto Lowell está morrendo de vontade de saber, embora 
eu ache que é principalmente porque ele quer provar que está 
certo se o bebê é uma menina. 
Eu sempre pensei que gostaria de saber também, mas com o 
passar das semanas, percebo que realmente não importa para 
mim o que teremos. Tudo que eu quero é poder olhar nos 
olhos daquele bebê e dizer: Eu te amo. O resto não importa, e 
nunca importará. 
— Isso é normal? — Lowell pergunta da cadeira ao meu 
lado. 
Ele está sentado para a frente, cotovelos apoiados nos 
joelhos, observando tudo acontecendo. É o mesmo olhar que 
eu vi dele quando ele está assistindo a qualquer coisa 
relacionada ao hóquei, sério e estudioso. 
Mesmo com a temporada a todo vapor, ele tem estado 
muito atento e presente. Inferno, ele apareceu para esta 
consulta hoje ainda molhado de seu banho depois do treino 
matinal, e então quando isso acabar, ele vai voltar para o rinque 
para um jogo hoje à noite. 
Não deveria me surpreender, mas surpreende. Algo me diz 
que se eu tivesse esse bebê com outra pessoa, ele não estaria tão 
envolvido, e isso me faz sentir de maneiras que eu sei que não 
deveria estar me sentindo. 
— É muito comum — diz a médica de forma 
tranquilizadora. — Muitos pais são opostos na decisão de saber 
ou não. Que tal eu colocar em um envelope e quem quiser saber 
pode olhar? Parece bom? 
— Isso é perfeito — eu respondo, então olho para Lowell. 
— Você está feliz? 
— Sim. Mal posso esperar para ver que estou certo. 
A médica ri e continua com o exame. Quando terminamos, 
ela nos diz que tudo parece perfeito e que nos verá na nossa 
próxima consulta, então nos manda para a recepção para 
marcar. 
— Meu pênis. 
— O quê?! — Eu grito, olhos arregalados, olhando para a 
recepcionista que ou não está nos prestando atenção ou é 
muito boa em atuar. Eu engulo em seco, olhando para o 
homem que eu poderia matar hoje. — O-o que tem? 
— Sua altura uterina é do tamanho do meu pênis. Vinte 
centímetros. 
Eu não tenho que olhar no espelho para saber que minhas 
bochechas estão pegando fogo agora. 
— Cameron! 
— O quê? É. 
— Isso é… legal. — Eu olho de volta para a recepcionista, 
que, com base em como suas bochechas estão vermelhas, agora 
está ouvindo atentamente a nossa conversa. Eu abaixo minha 
voz. — Você não poderia ter encontrado literalmente mais 
nada para comparar essa medida? Literalmente qualquer outra 
coisa que tenha vinte centímetros? 
— Vinte centímetros e meio. — Ele dá de ombros. — Tenho 
certeza que poderia, mas estou mais familiarizado com esta. 
— Isso é… Ok, tudo bem. 
Balanço a cabeça, prometendo com os olhos cumprir aquela 
ameaça de homicídio. Volto-me para a recepcionista, que 
parece querer rir e subir em cima de Lowell para ver se ele está 
mentindo ou não. 
— Nossa consulta — eu retruco, e até mesmo estou surpresa 
com o quão maldosa eu soo. 
— Oh! É claro! — Ela corre para marcar nossa próxima 
visita e nos dá um cartão com todas as informações. 
Lowell coloca a mão na parte inferior das minhas costas 
enquanto saímos. 
— Eu gostei disso — diz ele calmamente. 
— Hum? 
— Seu ciúme. 
— Eu não estava com ciúmes — minto. — Eu estava 
apenas... pronta para sair. 
Ele levanta as sobrancelhas e junta os lábios, claramente não 
acreditando em mim enquanto me conduz em direção à 
caminhonete, porque sim, ele ainda está dirigindo o carro 
velho, e abre a porta para mim. Ele me ajuda a subir para dentro 
e, quando me sento, estou sem fôlego, porque essa é apenas a 
minha vida agora. 
Suspiro, recostando-me no assento. 
— Você está bem? — Ele pergunta, indo do riso para a 
preocupação enquanto procura uma resposta em meus olhos. 
— Sim, apenas... cansada. 
Ele está sempre fazendo isso, sempre encarando e olhando 
para mim, como se estivesse realmente olhando para mim. Às 
vezes é enervante, e às vezes eu gosto demais. 
Estou começando a perceber que gosto demais de muitas 
coisas nele. 
Eu gosto de como ele é paciente e de como ele é solidário. 
Como ele é engraçado, inteligente e gentil também. Eu gosto 
do jeito que ele olha para mim do outro lado da sala, e eu gosto 
do jeito que ele me toca como se ele não fosse capaz de não me 
tocar. Eu gosto do jeito que me sinto quando estou com ele, 
protegida e cuidada. 
E eu realmente gosto do jeito que ele ama nosso bebê. 
Ele se aglomera contra mim, deslizando as mãos pelas 
minhas coxas até minha barriga saliente. 
Não suporto mais ninguém tocando. Algumas pessoas 
tentaram no supermercado – muito assustador? – e é 
desconfortável mesmo durante os exames. Inferno, nem 
mesmo Harper tocou. 
Mas quando são as mãos de Lowell em mim, é calmante, e 
eu quase anseio pela calma. 
— Tem certeza que é isso? 
— Tenho certeza. 
Ele acena com a cabeça, em seguida, a abaixa, colocando os 
lábios perto da minha barriga. 
— Desculpe, pequena senhorita, mas você está cansando 
sua mãe e esse é o meu trabalho, ok? 
Ele coloca um beijo suave na minha barriga, e agora não 
estou mais cansada, estou excitada. Há algo em vê-lo falar com 
nosso bebê que me deixa louca, e ele tem feito isso com mais 
frequência ultimamente, o que significa que eu tenho rasgado 
mais as roupas dele. 
Nós realmente não falamos sobre dormirmos juntos, mas 
também não estamos nãofalando sobre isso. Está meio que… 
acontecendo. 
Eu quero perguntar a ele o que isso significa, se é alguma 
coisa, mas também não quero estragar o que quer que esteja 
acontecendo. Eu só quero aproveitar e passar por esses últimos 
meses da minha gravidez. 
— Você já terminou? — Eu o puxo de volta. — Você sabe 
que me deixa excitada quando você fica todo papai em cima de 
mim. — Eu soltei um chiado. — Não como papai papai. Mas 
papai, o tipo não pervertido de papai. 
Seus olhos dançam com o riso. 
— Devidamente anotado. 
— Cala a boca — eu resmungo, totalmente envergonhada. 
— Você vai abrir esse envelope ou não? 
Ele enfia a mão no bolso de trás e tira o envelope contendo 
o ultrassom do nosso bebê. 
Ele balança na minha direção. 
— Tem certeza que não quer saber? 
— Certeza absoluta. Não me diga. Não dê nenhuma 
indicação se você está certo, o que você não está, ou se eu estou 
certa, o que eu estou. Mas você pode olhar. 
Ele desliza o dedo no envelope e o abre, retirando o 
ultrassom apenas o suficiente para ver os resultados. 
E então nada acontece. 
Não há uma única contração em seu rosto quando ele vê. 
Eu o observo mais de perto do que qualquer coisa que eu 
observei antes, mas ele não revela nada. Ele simplesmente 
coloca o exame de volta no envelope e o coloca de volta no 
bolso. 
Toda essa curiosidade que venho afastando há meses vem 
correndo para mim, e eu quero alcançar, abrir o ultrassom e ver 
por mim mesma neste momento. 
Ele ri. 
— Você quer totalmente saber agora, não é? 
Eu rosno para ele. 
— Mais uma vez, cale a boca. 
Outra risada. 
Eu gemo. 
— Você não tem um jogo de hóquei para jogar ou algo 
assim? 
— Não, querida, eu tenho um jogo de hóquei para ganhar. 
 
— Por favor, me diga que o brilho que você tem não é apenas 
gravidez, mas porque alguém levou pau do jogador de hóquei 
quente como o inferno que a engravidou. 
Água com gás jorra da minha boca com suas palavras. 
— Meu Deus, Emilia. — Eu corro as costas da minha mão 
em meus lábios para limpá-los. — Ryan disse isso antes. Quem 
diz levar pau? Afinal, o que isso quer dizer? 
— Sabe quando ele te deita e te fode tão bem que você não 
consegue andar direito por pelo menos dois dias? Isso é levar 
pau. 
Eu solto uma risada. 
— Oh meu Deus, o que há de errado com você? 
Ela dá de ombros, afastando seu longo cabelo vermelho do 
caminho. 
— Estou com tesão e faz uma eternidade desde que eu 
mesma não levei pau. Tenho certeza de que trabalhar com 
todos esses jogadores gostosos não está ajudando em nada. Está 
começando a me afetar. 
— Eu sinto muito. — E eu sinto muito. Eu sei como é estar 
perto de Lowell o dia todo e não levar pau, então eu entendo. 
— Está bem. A culpa é minha. — Ela acena para mim. — 
De qualquer forma, você não respondeu minha pergunta. Isso 
é um brilho de sexo e não um brilho de bebê? — Ela toma um 
gole de seu vinho, me olhando com expectativa. 
Eu dou de ombros evasivamente, mas conheço Emilia desde 
a primeira série, e ela sabe exatamente o que significam todos os 
meus encolher de ombros. 
— Ha! — Ela aponta para mim. — Você totalmente 
transou, não foi? 
Eu rolo meus lábios juntos, assentindo. 
— Eu transei. Eu transei muito. Tipo muito mesmo. 
— Espere, isso está acontecendo há algum tempo? — Ela faz 
uma careta quando eu aceno. — Eu me sinto tão mal por não 
estar por perto, mas é… 
Eu aceno minha mão. 
— É o meio da temporada de hóquei. Eu entendo, e não é 
grande coisa. Eu sei que você está ocupada encurralando 
homens adultos que adoram se jogar no gelo. Você tem uma 
vida e um emprego. Entendo. Eu, eu estou meio que aqui, 
esperando para ter esse bebê, procurando um apartamento 
maior e esperando que eu possa trabalhar nos próximos meses 
para que eu possa pagar pelo apartamento maior quando o 
bebê vier. 
Encontrei um lugar que fica quase diretamente entre a casa 
de Lowell e a arena. Está decentemente dentro do meu 
orçamento com alguns ajustes, mas sei que vou ter que gastar o 
dobro do tempo que costumo fazer nos próximos meses para 
poder economizar dinheiro para qualquer tipo de licença 
maternidade. 
Também sei que vai ser muito trabalhoso para mim quando 
o bebê nascer, porque Lowell está prestes a estar na parte mais 
importante de sua temporada. 
Ela inclina a cabeça. 
— O que você quer dizer? Por que você não vai morar com 
Lowell? 
— Por que eu iria morar com ele? 
— Uh, porque ele te engravidou! 
— Sim, estou ciente desse fato. 
— E vocês estão dormindo juntos! 
— Mais uma vez, sim, ciente disso. 
— Você está me dizendo que estão dormindo juntos, você 
está grávida do bebê dele e não vai morar com ele? 
— Sim, basicamente. 
Ela não diz nada por vários longos momentos. Ela apenas 
me observa, e é enervante porque quando Emilia apenas 
observa, significa que o que ela disser em seguida é algo que eu 
sei que não vou gostar. 
— Você é louca — ela sussurra. — Este bebê sugou todas as 
suas células cerebrais e você ficou totalmente insana. 
Até certo ponto, ela não está errada. Mas não é disso que se 
trata. 
— Não vejo qual é o grande problema. 
— Você não vê qual é o grande problema… — Ela murmura 
minhas palavras de volta para si mesma, então zomba. — 
Vamos. Você é mais esperta do que isso, Hollis. Eu sei que você 
é. 
Eu sou. Mas também sou burra o suficiente para continuar 
fazendo isso. 
Eu aceno para afastar as suas palavras. 
— Está bem. Estou bem. Estamos bem. 
— Você está? 
— Sim! 
Sai mais alto do que o pretendido, mas estou ficando 
frustrada com sua linha de questionamento. Eu sou uma adulta 
crescida. Eu sei o que estou fazendo. 
— Desculpe — eu digo. — É só que… Nós dois estamos 
muito conscientes do que é isso. É o mesmo resultado da última 
vez. Não é nada sério. 
Ela olha incisivamente para os sapatos dele que estão perto 
da porta. 
— Admito que parece um pouco sério, mas não é isso. 
Somos apenas duas pessoas curtindo a companhia uma da 
outra enquanto esperamos que nosso bebê venha a este 
mundo. Não tenho noções preconcebidas sobre o que está 
acontecendo entre nós, e sei que Lowell também não tem 
noções preconcebidas sobre o que está acontecendo entre nós. 
Caso você tenha esquecido, eu não estou divorciada nem há um 
ano inteiro. Não estou procurando apressar nada sério. — 
Passo a mão na barriga. — Bem, além do meu bebê, é claro. Mas 
não é como se eu pudesse devolver. Não guardei o recibo. 
Ela ri levemente, mas a alegria escapa de seu olhar penetrante 
muito cedo. 
— Posso dizer algo? 
— Conhecendo você, você vai de qualquer maneira. — Eu 
faço sinal para ela continuar. 
— Passo um bom tempo em torno do time. Sim, eu não 
viajo com eles com frequência, mas estou aqui em casa com eles 
quando estão no rinque, o que nós duas sabemos que é muitas 
horas por dia durante a temporada. Então, é seguro dizer que 
conheço esses caras muito bem, o que significa que posso dizer 
isso com confiança: nunca vi Lowell do jeito que ele está agora. 
— O que você quer dizer com o jeito que ele está agora? 
— Quero dizer… mais leve. Feliz. — Ela toma um gole de 
seu vinho. — Não me interprete mal, ele sempre foi muito legal 
e amigável e ele é apenas um cara muito bom. Mas ele também 
sempre foi reservado e um pouco cauteloso, especialmente 
quando se trata de deixar alguém se aproximar de algo sobre sua 
vida pessoal. Dito isso, não posso dizer quantas vezes 
testemunhei aquele homem passar uma foto de seu ultrassom 
com nada além de orgulho em seu rosto, assim como não posso 
dizer o número de vezes que vi seu rosto iluminar falando não 
apenas do seu bebê, mas de você. Digo isso como uma pessoa 
que viu isso sem nem saber que vocês dois estavam dormindo 
juntos, o que significa que estou vindo do ponto de vista da 
pura honestidade quando digo que ele tem sentimentos por 
você. 
Eu suspiro. 
— É claro que ele provavelmente tem alguns sentimentos 
por mim, estou carregando o bebê dele. 
— Verdade, mas… — Ela levanta o ombro. — Eu não sei, 
Hollis. É diferente. Ele está diferente. Mesmo que nenhumde 
vocês esteja pronto para admitir isso, ele tem sentimentos de 
verdade por você, e a menos que você de alguma forma os 
admita, nenhum de vocês vai sair ileso disso no final. 
— Final? Não há final, Emilia. Eu sou a mãe do filho dele. 
Ela leva o vinho aos lábios e levanta a sobrancelha. 
— Eu sei, e essa é a porra de tudo. 
17 
Lowell 
Eu poderia ficar aqui e assistir isso o dia todo. 
Isso é o que passa pela minha mente enquanto eu me inclino 
contra a parede dentro do apartamento de Hollis, observando-
a balançar a bunda do outro lado da sala. Lembro-me da 
primeira vez que a vi dançar, e lembro-me de pensar que ela era 
terrível nisso. 
Ela ainda é. E ainda assim, eu ainda amo vê-la. 
Radio Ga Ga do Queen está explodindo de um dispositivo 
inteligente no balcão, e ela não tem ideia de que estou aqui. Ela 
está usando uma colher de pau como microfone e cantando 
terrivelmente desafinada. 
É adorável. Ela é adorável. 
Eu não a alerto sobre minha presença até que a música 
desapareça. 
— Muito bom! Bis! — Eu bato palmas. 
Aparentemente, foi a coisa errada a fazer. 
— FILHO DE UMA…! — Ela se vira, a mão no peito. — 
Lowell! Eu acabei de mijar nas calças, seu idiota! 
Ela sai correndo para o banheiro e bate a porta, enquanto 
murmura para si mesma. 
Não vou mentir, me sinto mal. 
Mas só um pouco. 
Eu entro no apartamento e me jogo no sofá dela. Não 
demora muito para que ela esteja marchando de volta para fora 
do banheiro com uma carranca firme no rosto, ainda 
resmungando. 
Sua carranca se aprofunda no momento em que ela me vê. 
— O que diabos você ainda está fazendo aqui? 
— Uh, é dia de jogo. 
— E? 
— E eu sempre venho aqui no dia do jogo. 
— Bem, eu não quero você aqui. Saia. — Ela aponta para a 
porta. 
— Ei, ei, ei — eu digo, saindo do sofá. — Eu não posso 
simplesmente ir embora. Eu sempre venho aqui no dia do jogo. 
Ela revira os olhos. 
— Jogadores de hóquei malucos e suas superstições 
estúpidas. — Ela cruza os braços sobre o peito. — Tudo bem. 
Você pode ficar, mas eu não vou dormir com você, não depois 
que você acabou de me fazer mijar nas calças. Você não pode 
simplesmente chegar e assustar mulheres grávidas, Lowell. 
— Não odeie nossas superstições, ok? Elas são uma coisa 
real, e há muita ciência para provar isso. Segundo, eu não queria 
te assustar. Você deixou seu apartamento destrancado, algo 
sobre o qual provavelmente deveríamos conversar porque isso 
é extremamente perigoso. Eu poderia ter sido qualquer um. — 
Ela abre a boca para argumentar, mas eu continuo assim 
mesmo. — E terceiro, você acha que eu só vim aqui para fazer 
sexo? 
— B-bem… Bem… — Ela joga os braços para cima. — Sim! 
Não é por isso que você vem aqui? 
Minha boca se abre de surpresa. 
— Hum, não. Quando eu vim aqui e me joguei em você ou 
implorei por sexo? Você é a grávida com tesão, lembra? 
— Ah, então você não quer fazer sexo comigo? Você está 
apenas atendendo ao meu pedido porque eu sou uma maníaca 
louca por sexo, hein? 
— Bem, você acertou a parte maníaca. 
— Lowell… — ela rosna. 
— Hollis… — Eu rosno de volta. 
Ela literalmente bufa e sopra, e eu não posso deixar de rir. 
Ela joga os braços para cima, tentando se afastar de mim, mas 
eu não deixo. Em vez disso, eu a puxo para o meu abraço, 
envolvendo meus braços ao redor dela. 
— Pare, pare, pare — eu digo, prendendo-a enquanto 
suspiro. — Eu preciso que você me escute e me ouça 
atentamente aqui, certo? Não estou aqui apenas para sexo. Eu 
gosto? Sim. Nada me agrada mais do que sair deste 
apartamento com o seu cheiro ainda no meu rosto e dedos. — 
Seus olhos escurecem com minhas palavras. — Mas não é por 
isso que venho aqui. Eu venho aqui porque você está 
carregando meu filho e eu gosto de passar tempo com ele e você. 
Ok? Então não minimize minha vinda aqui como sendo apenas 
para sexo. Embora, novamente, eu realmente ame essa parte. 
Tipo, realmente, realmente amo essa parte. Eu 
provavelmente amo essa parte muito mais do que deveria. 
Estamos dormindo juntos há algum tempo, e quase não 
consigo me lembrar de uma época em que não estávamos 
dormindo juntos. 
Eu entendo. É uma libertação para ela, e estou feliz em 
ajudá-la, mas não tenho ideia do que isso vai significar para nós 
no futuro. 
Eu não quero pensar sobre isso ou qualquer besteira pesada 
agora. É dia de jogo, e eu não vou ao apartamento dela no dia 
de jogo para colocar tudo na minha cabeça. Venho aqui para 
relaxar. 
Além disso, quase todas as vezes que venho aqui, vencemos, 
mas não vou dizer isso a ela. 
Ela suspira, então passa os braços em volta do meu pescoço, 
seus dedos indo para as pontas do meu cabelo, puxando 
levemente os fios. 
— Ok, tudo bem. Você pode ficar. 
— Eu posso? 
Ela acena. 
— Sim. Mas, Lowell? 
— Hum? 
— Eu mudei de ideia. Eu realmente gostaria de fazer sexo 
agora. 
 
— Faça de novo, mas mais devagar. 
— Mais devagar? 
— Sim. — Ela lambe os lábios enquanto eu sigo suas 
instruções. — Oh Deus. Sim, assim mesmo. 
— Você gosta disso? 
— Eu gosto. Eu gosto muito disso. 
— Você quer mais? 
Ela prende o lábio entre os dentes, me observando 
atentamente. 
— Mais devagar. 
— Eu não posso ir mais devagar. Meu maxilar já está ficando 
apertado. — Eu mexo para frente e para trás, então coloco 
minha faca para baixo, sentando na minha cadeira, dando um 
tapinha em meu estômago cheio. — Além disso, estou cheio. 
— Foi um bife! 
— Foi um bife dois bifes atrás, Hollis. Estou cheio. 
Estamos sentados aqui nas últimas duas horas jantando, e 
como Hollis não tem permissão para comer carne mal passada, 
ela está me forçando a comer os bifes por ela. 
E por forçar, quero dizer que eu definitivamente queria. 
— Covarde. 
Para ser justo, os bifes são bem pequenos, e se eu não tivesse 
comido uma cesta inteira de pão antes que eles chegassem, eu 
provavelmente poderia ter terminado este também. O que eu 
não digo a Hollis é que estou tentando não me encher demais 
porque tenho um pressentimento com o jeito que ela está 
esfregando as coxas a noite toda, esta noite vai acabar com nós 
dois nus em sua cama. 
— Desculpe-me, garçom, você acha que eu poderia levar 
cerca de, oh, trezentos gramas deste molho ranch para viagem, 
por favor? 
Hollis imediatamente tapa a boca com a mão, inspirando e 
expirando profundamente pelo nariz. Eu sei imediatamente 
que foi apenas a menção do ranch. Eu tentei colocar um pouco 
na minha salada na semana passada e ela correu para o banheiro 
mais rápido do que eu já a vi correr, e isso inclui quando eu 
acidentalmente a fiz fazer xixi nas calças... pela segunda vez. 
O casal na mesa que acabou de pedir o molho percebeu. 
— Zachary! — A mulher ferve. — Pare com isso! 
— O quê? Este lugar tem um ranch muito bom, e moramos 
a uma hora de distância. Não há como eu sair daqui sem um 
pouco para levar. 
— Uh, deixe-me ir verificar com meu gerente. — O garçom 
sai correndo, parecendo tão preocupado quanto eu porque esse 
cara acabou de pedir uma pequena garrafa inteira de ranch para 
viagem. 
A mulher balança a cabeça em direção à nossa mesa. 
— Você acabou de deixar aquela mulher enjoada com seu 
vício nojento por ranch. 
Ele suspira. 
— Como você ousa! Ranch não é nojento, você acha meu 
vício por ranch fofo! 
— Pare de dizer isso! — Ela olha para Hollis, que está 
começando a parecer um pouco verde. — Tenho certeza de que 
ela está a um segundo de explodir. 
Hollis balança a cabeça para cima e para baixo, olhos 
arregalados, e eu rio, o que me rende um olhar. 
A mulher se inclina. 
— Sinto muito por ele. Às vezes ele deixa suas maneiras em 
casa. — Ela olha para a barriga redonda de Hollis. — Ah, você 
está grávida! Isso realmente explica muito. Você sabe quando 
minha melhor amiga, Zoe, estava grávida, ela era exatamente da 
mesma maneira. Mesmo a mera menção de — ela olha para o 
marido — bem, as coisas que não devem ser nomeadas e ela 
estava pronta para colocar para fora. 
Hollis respira fundo mais algumas vezes e tira a mão da boca. 
Ela esboça um pequeno sorriso.— Está bem. Eu sou a única que sente muito. Eu não queria 
interromper sua refeição com o meu problema. 
A mulher acena para ela. 
— Não é nada demais. — Ela vira os olhos para mim, os 
apertando. — Você parece muito familiar. 
— Delia! — Seu marido adverte. 
— O quê? — Ela pergunta. — Ele não parece familiar? 
O cara coloca a cabeça nas mãos. 
— Isso é porque você o assiste o tempo todo. Ele é o capitão 
do Carolina Comets, para quem temos ingressos para a 
temporada! 
— Oh! — Por um momento ela parece envergonhada, então 
ela acena com a mão com um encolher de ombros. — Você sabe 
que eu só gosto dos lanches e bundas de hóquei. Eu não 
conseguia distinguir uma primeira jogada de um downtouch 
ou seja lá como eles são chamados. — Ela estende a mão. — Oi, 
eu sou Delia. Este é meu marido, Zach. 
— Hollis. — Ela se apresenta, apertando a mão da mulher, 
então aponta para mim. — E Cam... bem, você o conhece 
como Lowell. 
Zach limpa a garganta. 
— Apesar de minha esposa não conhecer você, sou um 
grande fã. Eu sei que é um mundo pequeno, mas você pode 
estar um pouco familiarizado com meu irmão. Ele é agente de 
alguns caras do seu time. Shep Clark? 
— Ah, sim. Encontrei Shep algumas vezes. Ele representa 
Rhodes e Wright. — Honestamente, o cara é um agente 
talentoso e conseguiu para os dois alguns bons negócios 
recentemente. — Definitivamente um mundo pequeno. Você 
disse que mora a uma hora de distância, certo? 
— Sim, dependendo do trânsito. 
— Você já foi à cervejaria em Caseyville? 
— Não fomos. Passei em frente muitas vezes em nosso 
caminho para Slice. — Zach dá um tapinha em seu estômago. 
— Aquela pizzaria é matadora. 
— Tão boa. Horrível para a minha cintura no período fora 
de temporada. Na verdade, sou co-proprietário da cervejaria 
com minha irmã. 
— Não brinca? Bem, definitivamente vamos passar lá agora. 
— Você deveria se encontrar lá com Sully e Porter na 
próxima vez que vocês se reunirem para conversar sobre 
aplicativos e segurança e afins — diz Delia. 
— Aplicativos? 
— Sim — Zach responde. — Minha empresa os desenvolve. 
— Sim? Minha irmã mencionou algo sobre querer talvez 
obter um aplicativo para a cervejaria. Devemos nos reunir 
algum dia e conversar sobre isso. 
Os olhos de Zach se arregalam. 
— Cara. Eu adoraria isso. E eu nem vou pedir para você 
autografar minha camisa na reunião. 
— Você vai esperar até depois, certo? — Pergunta Delia. 
— Obviamente. 
Eu rio. 
— Combinado. 
— Odeio encurtar isso — diz sua esposa, olhando para o 
telefone —, mas devemos sair. Não quero deixar de colocar as 
crianças na cama. 
— Vocês dois têm filhos? — Hollis pergunta, animando-se. 
— Quantos? 
Ela tem feito isso com frequência ultimamente. Sempre que 
há um bebê ou crianças por perto, ela presta mais atenção a eles 
como se estivesse tentando obter alguma visão sobre a 
maternidade. 
— Oito. 
Meus olhos quase saltam da minha cabeça. 
— Oito? 
Ela ri. 
— Desculpe, eu deveria ter esclarecido, nossos filhos são 
cabras. 
— Cabras pigmeus para ser exato — Zach diz, pegando seu 
telefone. — Olhe aqui. 
— Aquilo são suéteres de Harry Potter? 
— Foda, certo? 
— Fantástico. A camisa do Comets também é um belo 
toque, mas provavelmente sou um pouco tendencioso. 
Zach ri, então adiciona meu número no seu telefone e o 
guarda no bolso. 
— Vamos deixar você voltar para sua refeição e falar mais 
tarde sobre o aplicativo para a cervejaria. 
— Parece bom. 
Apertamos as mãos assim que o garçom volta com um pote 
de ranch para ele. Eu nunca vi o rosto de alguém se iluminar 
tanto antes. Ele o embala em seu peito, e eu juro que o ouvi 
chamá-lo de seu precioso. 
— Talvez a gente veja você em um jogo? — Delia diz 
enquanto se levanta. 
Zach desliza sua jaqueta ao redor dela. 
— Sim, você pode ensinar a essa aqui que não há touchdowns 
no hóquei. 
Hollis ri. 
— Não se preocupe, estou em dia com a linguagem. Nós 
vamos fazer de você uma profissional em pouco tempo. 
Ela foi resistente em aprender o jogo no início, mas nos 
últimos meses ela realmente começou a gostar, e é algo que 
realmente me excita. Gosto de vê-la animada com o jogo que 
tanto amo, e gosto de vê-la nas arquibancadas torcendo por 
mim enquanto jogo. 
Collin e Rhodes disseram antes que juram que seus pés se 
movem mais rápido e seus tacos batem melhor no disco 
quando sabem que Harper e Ryan estão no meio da multidão. 
Eu sempre pensei que eles estavam cheios de merda, mas eu 
entendo agora. É reconfortante saber que há alguém nas 
arquibancadas que não se importa apenas com o seu jogo, mas 
com você. 
Também é uma grande motivação trabalhar duro, porque 
se eu jogar bem as minhas cartas e vencermos, eu marco dois 
gols naquela noite. 
Os dois acenam e se viram para ir embora, mas não vão 
muito longe antes de eu ouvir Zach dizer a Delia: 
— Não acredito que você não o reconheceu. 
— O quê? Ele estava sentado. Eu não podia ver a bunda dele. 
Hollis ri. 
— Eles eram divertidos, mas quando ela disse oito filhos, eu 
quase me mijei. Eu não podia imaginar. Eu não tenho espaço 
nem para uma criança no meu apartamento, muito menos para 
oito. — Ela balança a cabeça, bebendo sua água. — Falando 
nisso... eu, uh, encontrei um lugar entre o rinque e sua casa. 
Eu me sento mais reto na minha cadeira, tentando não 
deixar minha respiração soar tão trêmula quanto parece no 
meu peito. 
— Oh? 
— Eu-eu achei que seria bom estar mais perto de você para 
quando o bebê nascer. 
— Sim, uh, eu, uh, gostaria disso. 
Parecemos discos arranhados, pulando nossas palavras. Eu 
me sinto especialmente desconfortável porque não tenho ideia 
do que devo dizer aqui. 
Devo me oferecer para deixá-la mudar para minha casa? É 
isso que ela está insinuando? Se não, devo me oferecer para 
pagar pelo apartamento dela? Eu posso pagar, então não é 
grande coisa, mas qual é a etiqueta aqui? O que é mesmo aqui? 
— O que estamos fazendo? O que… 
— Oh, não! — O garçom vem correndo pela nossa mesa em 
pânico. — Eu dei aquele homem queijo azul em vez de ranch! 
Desta vez, Hollis vomita. 
O que quer que isso aqui seja, teremos que descobrir mais 
tarde. 
18 
Hollis 
— Oh. Minha. Nossa! 
O grito da minha mãe é tão alto que faz meus ouvidos 
zumbirem. 
Ela envolve seus braços em volta de mim, me puxando para 
um abraço o melhor que pode, já que minha barriga cresceu 
tanto. 
— Você está adorável, Hollis! 
Eu forço um sorriso porque com certeza não me sinto 
adorável. 
Eu me sinto gigantesca, exausta e simplesmente 
sobrecarregada o tempo todo. Se meus pés não estão doendo, 
são minhas costas. Se não tenho dor de cabeça, estou tão 
cansada que não consigo manter os olhos abertos. Se não estou 
com fome, estou mal-humorada. Tem sido uma coisa atrás da 
outra, e estou realmente ansiosa para que esses próximos meses 
terminem. 
Minha mãe gentilmente acaricia minha barriga saliente, e 
momentaneamente me sinto culpada porque nem quero que 
ela a toque. 
Apenas Lowell. 
— Você está linda. — Ela passa as mãos sobre mim. — 
Simplesmente linda. 
— Mãe — eu lamento. — Pare. 
— Você também pode parar enquanto está na frente, Sra. 
Kelly. Ela nunca vai ouvir. Eu tento dizer a ela todos os dias que 
ela é linda, e ela sempre discute comigo. — Lowell me lança um 
olhar, então estende a mão. — É ótimo finalmente conhecê-la. 
Eu sou Cameron. 
Minha mãe dá um olhar de desdenho para a mão dele e 
depois para o rosto, de volta para a mão. Finalmente ela o tira 
do caminho e o puxa para um abraço gigante. 
— Oh, não seja bobo, meu querido. Me abrace! Agora 
somos uma família! 
É a primeira vez que ouço alguém chamar Lowell de família, 
e é a primeira vez que percebo que ele é da família. Mesmo que 
Lowell e eu não estejamos juntos, esse bebê sempre nos 
conectará. 
Isso de alguma forma me aterroriza e me dá conforto de uma 
só vez. 
Minha mãe me lança um sorriso por cima do ombro, então 
pisca. Ele é fofo, ela murmura. 
E ela está certa. Ele é fofo. Ele é muito, muito fofo. 
Ele é fofo quando está fazendo coisas como esfregarmeus 
pés ou minha barriga, preparar um lanche para mim ou pegar 
meu telefone porque esqueci de pegá-lo antes de me sentar. 
Mas minha parte favorita dele? Minha parte favorita dele é 
à noite, quando ele deita a cabeça na minha barriga e sente 
nosso bebê se mexer. Ele faz isso quase todas as noites em que 
está em casa, na verdade. Não me lembro da última vez que 
passamos uma noite separados um do outro. 
Essa é outra coisa que de alguma forma me apavora e me dá 
conforto de uma vez. Estou ficando tão acostumada com ele, e 
estou começando a me preocupar que estou ficando muito 
acostumada com ele. 
Ainda temos que discutir a mecânica do que vai acontecer 
depois que o bebê chegar. Ele quer se mudar? Ele quer que eu 
me mude? Ou ele está satisfeito com o que estamos fazendo 
agora? Se ele não estiver satisfeito com o que estamos fazendo 
agora, ele quer dividir a guarda ou vai lutar pela custódia? Ele 
vai pagar pensão alimentícia, ou ele vai trabalhar em outra 
coisa? 
Eu não sei, e parte de mim não quer saber a resposta para 
nenhuma dessas perguntas. Eu sei que isso não é lógico ou 
inteligente e isso é algo que precisamos descobrir em breve, mas 
não agora. 
Não agora porque é Natal e minha mãe acabou de atravessar 
o estado para estar aqui. Embora eu nunca vá admitir isso em 
voz alta para ela porque ela vai me dar aquele olhar que diz eu 
avisei, eu senti falta da minha mãe e preciso dela agora mais do 
que nunca. 
Minha mãe coloca a mão na minha barriga novamente, 
então olha para Lowell. 
— Pisque duas vezes se for uma menina. 
Ele não reage de jeito nenhum. 
Ele está de boca fechada sobre o que estamos tendo, e eu 
amo sua dedicação a isso. 
— Espere um segundo, você acabou de deixar a mamãe 
tocar sua barriga? — Harper pergunta da cozinha. — Isso é 
uma palhaçada! Você nunca me deixa tocá-la. 
— Sério? Eu toco nela o tempo todo — diz Lowell. 
Harper acena para ele. 
— Você não conta, papai. 
Eu não perco o jeito que ele sorri quando ela o chama assim. 
Eu percebi o quanto ele gosta da ideia de ser pai, e é exatamente 
por isso que eu comprei o presente mais brega que eu poderia 
pensar para o Natal, e eu mal posso esperar para dar a ele. 
— Oh, ei, pessoal — Collin diz enquanto caminha pelo 
corredor vestindo um par de joggers com o logotipo da Comets 
neles. — Desculpe, eu estava colocando os cachorros lá em 
cima. Eles ficam um pouco indisciplinados quando muitas 
pessoas estão aqui, e eu não queria que eles incomodassem 
ninguém. 
Ele envolve seus braços em volta de mim em um abraço 
gentil. 
É engraçado porque toda vez que eu vejo Collin desde que 
eu disse a ele que estou grávida, ele me abraça, só que ele sempre 
faz isso levemente como se estivesse com medo de me quebrar 
me apertando muito forte. 
Eu sei que Harper e Collin não querem filhos e eu respeito 
completamente isso, mas também sei que eles vão se tornar os 
melhores tios do mundo. 
— Ei, Col. — Eu o aperto de volta com a mesma leveza. 
— Você está enorme — diz ele, e eu sinto o momento em 
que ele percebe o que disse. Ele me solta e recua meio metro. — 
Eu… quero dizer… você está… 
Lowell dá um passo agressivo em direção a ele, parando na 
minha frente como se quisesse me proteger. 
Não vou mentir, o movimento me deixa totalmente 
molhada. 
Agarro a camisa de Lowell, puxando-o de volta. 
— Calma, garoto, eu sei o que ele quis dizer. — Eu me viro 
para Collin. — Eu acho que o que você quis dizer foi, Deus, 
Hollis, esse bebê com certeza está crescendo e você está carregando 
esse peso extra que definitivamente não é seu tão bem. 
Ele aponta uma arma de dedo para mim. 
— Isso. Foi exatamente isso que eu quis dizer. 
Minha mãe aponta para Lowell. 
— Este é burro como aquele é? — Ela pergunta, referindo-
se a Collin. 
— Às vezes — eu respondo honestamente. 
— Ei! — Lowell protesta. — Eu não sou. 
— Você literalmente me disse dois dias atrás que eu era 
“fofa para uma garota grávida”. 
— Eu não… eu estava… 
Harper se aproxima e dá um tapa na nuca dos dois. 
— Idiotas. Vocês dois. 
Ambos ficam vermelhos em seus momentos de idiotice. 
A campainha toca e Harper agarra Collin, arrastando-o para 
a porta da frente para os deveres de anfitrião. 
— Vamos — ela diz. — Vamos fingir ser bons anfitriões e 
cumprimentar o resto de seus amigos idiotas. 
— Eles não são idiotas — ele argumenta. 
— Eu peço desculpa mas não concordo. Eu conheci Miller. 
— Eh. — Ele inclina a cabeça para frente e para trás. — 
Justo. 
— Então, Lowell — minha mãe diz, pegando sua mão e 
puxando-o para a cozinha. Ela pula em um banquinho e dá um 
tapinha no que está ao lado dela, indicando que ele deveria se 
sentar também. — Diga-me, como você e minha filha se 
conheceram exatamente? Ela tem sido muito discreta sobre o 
assunto. 
Minha mãe e eu estamos dançando em torno desse assunto 
há meses. Eu sei que ela nunca me julgaria pelo que aconteceu, 
mas isso não torna menos embaraçoso que eu tenha 
engravidado do meu caso de uma noite na noite do casamento 
da minha irmã. É ainda mais embaraçoso que eu tenha dado 
um soco naquele caso de uma noite no dia anterior porque eu 
estava um desastre emocional. 
É apenas algo que eu não queria repetir. 
— Bem, Sra. Kelly, é uma história meio engraçada… — 
Lowell diz, sentando-se ao lado dela. 
Ela dá um tapa no ombro dele. 
— Oh, pare com essa coisa da Sra. Kelly. Eu não sou mais 
uma senhora. Meu marido traidor desgraçado está morto há 
anos. 
Ela diz isso alegremente, mas eu sei que o que meu pai fez 
ainda a machuca, mesmo depois de todos esses anos. Assim 
como mesmo estando grávida e tendo um bebê com outro 
homem, ainda estou magoada pelo que Thad fez comigo. 
Às vezes, quando penso em tudo o que passei nos últimos 
seis ou sete meses, isso meio que me surpreende. Pulei de uma 
situação de mudança de vida para outra sem espaço para 
respirar. Não admira que eu esteja tão cansada o tempo todo. 
Como se ele não quisesse que eu o esquecesse, o bebê se 
mexe e eu coloquei minha mão na barriga para acalmá-lo. 
— Apenas me chame de Evelyn — minha mãe diz a ele. — 
Ou Nana. — Ela olha para mim. — Só não vó ou vovó. Eu 
quero um apelido supimpa, divertido, jovem e descolado. 
— Bem, você não está começando muito bem com esse 
pedido. Ninguém mais diz descolado. 
— Ou supimpa, a propósito. 
Ela acena com a mão. 
— Pare de implicar com Nana e apenas me conte a história 
de como vocês dois se conheceram. Não deixe de fora um único 
detalhe também. 
Para minha consternação, ele não deixa. 
Nem um único detalhe. 
No momento em que ele termina de presenteá-la com a 
história de como nos conhecemos, todos – Ryan, Rhodes, 
Miller, Emilia e Smith – chegaram para o jantar. 
Minha mãe fica quieta durante a coisa toda, não deixando 
escapar um único pio. Então, quando ele finalmente terminou 
de me envergonhar na frente de todo mundo, ela olhou para 
mim e disse: 
— Você deu aquele soco como seu pai te ensinou? 
— Sim, senhora. 
Ela acena com a cabeça uma vez. 
— Boa garota. Agora vamos comer. 
 
O jantar acabou, a maior parte da bagunça foi limpa e as sobras, 
o pouco que há com vários jogadores de hóquei aqui, foram 
guardadas. Harper e eu estamos lado a lado na pia da cozinha 
lavando pratos. 
Lowell veio aqui pelo menos quatro vezes tentando me fazer 
entrar lá e sentar enquanto ele lava a louça, mas eu continuo 
empurrando-o para fora da cozinha e de volta para a varanda 
gigante em que todos estão amontoados. 
— Então — Harper começa, batendo seu ombro no meu —
, como foi seu último Natal sem filhos? 
— Você quer dizer além de Lowell contar para nossa mãe 
como eu dei um soco nele? 
Ela ri, assentindo. 
— Sim, fora isso. 
Eu sorrio também. 
— Foi agradável. Tranquilo. Mesmo com Miller aqui. 
Eu esfrego minha escova sobre a panela suja, refletindo 
sobre o que ela acabou de me perguntar. Este foi o meu último 
Natal sem filhos, e isso é algo que nem passou pela minha 
cabeça até que Harper falou sobre isso. Eu também tive meu 
último Halloween sem filhose meu último Dia de Ação de 
Graças sem filhos. 
Acho que nunca pensei realmente em todas as maneiras que 
essas férias vão mudar para mim a partir de agora. Eu me 
pergunto se é algo que Lowell pensou. 
— Como vão as coisas com ele? — Eu olho para ela. — 
Lowell, quero dizer. Imagino por esse sorriso idiota em seu 
rosto, que é em quem você está pensando. 
— Não foi um sorriso bobo. 
— Ah, foi totalmente. É muito óbvio que vocês dois estão 
apaixonados um pelo outro. 
Eu decido ignorar isso. 
— As coisas com Lowell estão bem. Acho que nós dois 
estamos começando a ficar realmente empolgados com o bebê. 
— E o resto está tudo bem? — Ela balança as sobrancelhas 
para cima e para baixo. 
— Muito sutil. — Eu rio. — Tudo é… bom. 
— Tipo, bom ou — ela faz um movimento de sarrada — 
bom? 
Eu rio. 
— O segundo. 
— Sim? — Ela bate no meu ombro novamente. — Bom. Eu 
gosto do Lowell. 
— Eu gosto dele também. 
— Gosta, gosta dele? 
— O que é isso, ensino médio? 
— Às vezes parece que sim. 
— Isso é justo. E gosto, gosto. Eu acho. 
— Você acha? 
Eu dou de ombros. 
— Não sei. Acabei de me divorciar, Harper. É… bem, é meio 
complicado, você sabe. 
Ela franze a testa. 
— Uau. Eu meio que esqueci disso. 
— Eu não. 
Ela ri. 
— Nesse caso, apenas tome cuidado, sabe? Bom é… bem, 
bom e tudo, mas corações partidos são uma merda. 
— Muito — eu concordo. — Mas terei cuidado. 
— Ótimo. Porque eu odiaria ter que ajudar Collin a enterrar 
o corpo de seu capitão. — Ela balança a cabeça. — Ainda não 
consigo acreditar que você vai ter um bebê com um jogador de 
hóquei. 
— Ainda não consigo acreditar que você é casada com um 
jogador de hóquei. — Eu movimento minha mão ao redor da 
cozinha. — Quero dizer, olhe para isso... Toda a sua vida 
mudou. 
Agora ela é aquela com um sorriso bobo no rosto. 
— Eu sei. E pense, se eu realmente tivesse atropelado ele com 
meu carro, nada disso teria acontecido. 
— É realmente preocupante o quão ruim você dirige à noite. 
— É preocupante o quão ruim ela é dirigindo em geral — 
diz Ryan, entrando na cozinha com Emilia e minha mãe em 
seus calcanhares. — Uma vez na faculdade, ela subiu tanto o 
meio-fio que dobrou o aro e tivemos que rebocá-lo. Mas não se 
preocupe, ela dirigiu assim por três dias antes de consertá-lo 
porque não conseguia dizer a diferença entre sua direção ruim 
e um aro torto. 
A boca da minha mãe cai aberta. 
— Harper Dolores Kelly! 
— Acho que você quer dizer Harper Dolores Wright. — 
Minha irmã sorri orgulhosa. 
Às vezes, com toda a loucura que está acontecendo na 
minha vida ultimamente, esqueço que ela e Collin ainda estão 
firmes em sua fase de lua de mel. 
Tento me lembrar da minha fase de lua de mel com Thad, 
mas não consigo me lembrar de uma época em que tenha 
parecido tão feliz quanto Harper parece agora. Se estou sendo 
completamente honesta comigo mesma, o que quer que esteja 
acontecendo com Lowell é provavelmente o mais feliz que já 
estive em anos. 
O que é realmente muito triste quando você pensa sobre 
isso. 
— Então, mãe — Harper começa, e a maneira como ela diz 
isso não tão indiferente me preocupa que eu não vou gostar do 
que ela está prestes a dizer. — Agora que os caras estão na outra 
sala e podemos conversar sem eles bisbilhotando, o que você 
achou do Lowell? 
Eu atiro um olhar para minha irmã. Traidora. 
— Você quer dizer além da bunda dele? 
— Mãe! — Eu deixo cair o prato que estou segurando na 
pia, água e bolhas espirrando por toda parte. 
— O quê? Eu tenho olhos, então você não pode realmente 
me culpar. Vocês continuam trazendo todos esses jogadores de 
hóquei, e todo mundo sabe que os jogadores de hóquei têm 
bundas bonitas. 
— É verdade. Tenho certeza de que foi feito um estudo 
sobre isso ou algo assim. 
— Sim. É apenas ciência neste momento — Ryan concorda 
com Emilia. 
— Tenho 99,99% de certeza de que não é assim que a ciência 
funciona. 
— Como é que ninguém sabe como a ciência funciona? — 
Eu murmuro. 
— De qualquer forma — minha mãe diz, me ignorando —
, eu acho que ele é um bom partido. 
— Um bom partido? Ninguém mais fala isso. 
— Primeiro eu não posso dizer descolado ou supimpa, e 
agora eu não posso dizer bom partido? 
Ryan dá um tapinha no braço dela. 
— Não se preocupe, Evelyn. Minha avó está muito 
atualizada em todas as gírias mais populares. Ela pode informá-
la sobre o que está acontecendo nos dias de hoje. 
— Eu adoraria isso. Nós, avós, temos que ficar juntas. 
Eu não digo a ela que a avó de Ryan é definitivamente muito 
velha para algumas das coisas que saem de sua boca. Eu só a 
encontrei uma vez no casamento de Harper e Collin, e do jeito 
que aquela mulher estava flertando com alguns dos caras do 
time, fiquei surpresa que ela não pediu a Miller para ir para casa 
com ela. Eu também fiquei feliz, porque ele poderia realmente 
ter feito isso. 
— Bem, já que eu não posso dizer que ele é um partido, 
posso dizer isso… — Um sorriso lento e açucarado aparece em 
seus lábios. — Eu gosto dele. Eu realmente, realmente gosto 
dele. E ele vai ser um pai incrível para seu bebê, Hollis. 
Provavelmente são apenas os hormônios, definitivamente 
100% apenas os hormônios, mas as palavras da minha mãe 
fazem com que as lágrimas se acumulem em meus olhos em um 
instante. Acho que não percebi o quanto queria que minha 
mãe aprovasse o pai do meu bebê. 
— Honestamente? — Ela levanta um ombro. — Estou feliz 
que não seja Thad. Aquele homem era um idiota total. Eu 
ainda posso dizer isso, certo? 
— Oh meu Deus, obrigada! — Emilia concorda. — Falo 
isso há anos! Ele me deu vibrações tão ruins. 
— Ele realmente deu. Ele me lembrou seu pai, na verdade. 
Minha boca afrouxa. 
— Eu não tinha ideia de que era isso que você pensava sobre 
ele, mãe. 
— Eu não queria dizer nada porque eu sabia o quanto você 
o amava, e você parecia feliz. Eu pensei que talvez fossem 
apenas minhas próprias inseguranças sobre meu casamento 
desmoronado, e eu não achei que seria justo colocar isso em seu 
relacionamento. No final, descobri que eu estava certa, e essa é 
a última coisa que eu queria. — Ela olha entre Harper e eu. — 
Eu sei que vocês meninas pensam que eu sou superprotetora e 
tudo que eu quero fazer é sufocá-las, e embora isso possa ser 
parcialmente verdade, eu faço isso porque eu amo vocês mais 
do que tudo e só quero o que é bom para vocês. — Ela olha 
incisivamente para minha barriga. — Espero que você entenda 
isso em breve também. 
Eu vou. Eu já entendo. 
— Eu posso dizer que seu homem lá fora com a bunda 
bonita já entende. 
Ela pisca, e todas nós rimos, a tensão no cômodo 
quebrando. 
— Tudo bem, quem está aqui falando sobre minha bunda 
bonita de novo? — Collin diz enquanto entra na cozinha, 
seguido de perto pelo resto dos caras. 
— Só porque alguém menciona uma bunda bonita, não 
significa que eles estão falando sobre a sua. — Harper acaricia 
sua bochecha. 
Ele bufa. 
— Certo. Claro. 
— Elas podem estar falando sobre a minha. — Miller se vira, 
projetando o traseiro para todos verem. 
— Eu posso garantir a você, não era a sua bunda — Emilia é 
impassível. 
Não perco o jeito que os olhos de Smith se estreitam quando 
Emilia olha para a bunda de Miller. Assim como ele fez no 
casamento de Harper e Collin, ele me pega olhando para ele e 
desvia o olhar. 
Interessante… 
— Rude. — Miller olha. — Acho que, por isso, você me 
deve um presente. 
— Essa é a sua maneira de perguntar se podemos fazer a 
troca de presentes agora? — Harper pergunta. 
Ele cruza as mãos sob o queixo. 
— Por favor, mãe? 
Ela revira os olhos. 
— Tudo bem, vamos. Todos para a grande sala. 
Ela acena para todo mundo ir, e todos saem até ficar só 
Lowell e eu. Ele envolve os braços em volta da minha cintura 
assim que estou secando minhas mãos no pano de prato, e eu 
sorrio com a visão, admirando a forma como seus dedos estão 
espalhados sobre a minha barriga. 
— Você está a fim de ficar para os presentes? — Ele dá um 
beijo no meu pescoço. — Eu sei que você não estava se sentindo 
bem antes. 
Minhamédica não está muito preocupada com isso, desde 
que eu me mantenha hidratada, mas ainda estou com muita 
náusea e vomitando algumas vezes por semana. Partes de mim 
querem apressar esta gravidez para que eu não tenha mais que 
lidar com isso, mas uma grande parte de mim quer que ela 
desacelere também. Está indo rápido demais, e admito que 
estou com um pouco de medo do que está por vir. 
— Eu estou bem se você estiver bem. 
— Eu estou. — Eu me viro em seus braços. — Além disso, 
eu tenho algo que eu acho que você vai gostar. 
— Ah, vamos trocar presentes? 
Pânico dispara através de mim. Porcaria. Eu nem pensei em 
perguntar. Eu sei que não estamos juntos, mas eu apenas assumi 
que seria bom para mim dar um presente de Natal para o pai 
do meu bebê. Isso está indo longe demais? 
Ele ri. 
— Eu estou brincando. Estamos trocando presentes. Você 
tinha que ver sua cara. 
— Você é mau. — Eu belisco seus lados, e ele grita. 
— Ei! Seja legal. O treinador vai acabar com você se você for 
danificar este corpo. 
— Eu não tenho medo do treinador. 
— Você deveria ter. Ele é pequeno, mas malvado. 
— Sou pequena, mas malvada. 
— É verdade, mas você não vai me machucar. 
— É? 
— Não. Eu sou um bom partido para você fazer isso. 
Eu suspiro. 
— Você ouviu isso? 
— Não vou confirmar nem negar que todos nós estávamos 
ouvindo. 
— Cameron! — Eu assobio. — Isso é horrível! 
Ele dá de ombros. 
— É bom para o nosso ego. 
— Sim, porque todo mundo está falando sobre suas belas 
bundas. 
— Eu não ouço você reclamando da minha bela bunda. 
— Eh. É ok. 
— Ok? — Ele parece ofendido. — Apenas ok? 
— Sim. — Agarro sua mão, puxando-o para onde já posso 
ouvir Miller pegando os presentes. — Agora vamos. Vamos 
abrir os presentes para que possamos ir para casa e você possa 
tocar a minha bunda. 
Suas sobrancelhas se erguem. 
— Tipo realmente, realmente tocar sua bunda? 
— Depende de quão rápido conseguirmos abrir esses 
presentes. 
Então é ele que está me puxando para fora da cozinha. 
19 
Lowell 
Eles dizem que a ausência faz o coração se afeiçoar. Eu não sei 
quem diabos eles eram, mas eles estavam certos. 
Atualmente, estamos em uma viagem de seis jogos com uma 
sequência de derrotas de quatro jogos. Eu sinto falta da minha 
cama. Sinto falta da cama de Hollis. Sinto falta de ter Hollis 
perto de mim na minha cama. 
Mas acima de tudo? Acima de tudo, sinto falta do nosso 
bebê. 
— Bem, isso foi um show de merda. — Collin cai no banco 
ao meu lado, tirando seu equipamento com toda a frustração 
que sinto também. — Nós fomos uns merdas lá fora. 
Eu deveria ser o capitão do time. Eu deveria voltar com o 
discurso de resposta e nos motivar a sair dessa queda, deveria 
nos preparar e nos levar lá para vencer o próximo jogo. 
Mas agora, eu concordo. Nós fomos uns merdas lá fora. Nós 
sabíamos. A multidão sabia disso. O outro time sabia disso. 
Todo mundo sabia. Não estávamos jogando como os campeões 
da Copa que eu sei que podemos ser, e foi frustrantemente 
embaraçoso. 
Eu gostaria que estivéssemos em casa agora. Se estou 
jogando hóquei de merda, prefiro jogar hóquei de merda em 
casa para que pelo menos eu possa voltar para casa, para Hollis. 
Precisamos tirar nossas cabeças de nossas bundas e recuperar 
esses pontos. Estamos em um ponto muito crucial na 
temporada para deixar tudo escapar assim. 
— Porra — Miller geme, sentando do outro lado de mim. 
— Como é que jogamos tão mal e eu estou tão cansado? 
Eu dou de ombros. 
— Estar longe de casa é uma merda. 
— Você acertou. Eu não sei como vocês fazem isso, ficando 
longe de suas mulheres o tempo todo. — Ele bate seu ombro 
contra o meu. — Em breve você estará longe de sua mulher e 
seu filho. 
— Ela não é minha mulher. 
Ele me lança um olhar incrédulo. 
— Cara, tenho certeza que ela é sua mulher. Você vai ter um 
filho com ela. 
— E? 
— E, isso a torna sua. 
— Não. As pessoas têm guardas compartilhadas o tempo 
todo. 
— Sim, mas as outras pessoas dormem juntas e têm guardas 
compartilhadas? Oh, espere. Isso não se chama guarda 
compartilhada, isso se chama relacionamento — diz Rhodes do 
outro lado da sala, levantando uma sobrancelha. 
— Ei, agora — Collin entra na conversa. — Não vá dizer a 
palavra com R perto de Lowell. Todos nós sabemos que ele vai 
correr e se esconder. 
Olho para Smith, esperando que ele me apoie, mas não 
encontro um olhar de simpatia em seu rosto. Se alguma coisa, 
ele parece concordar com os Três Patetas aqui. 
Me irrita que ele concorde. De todos nesta sala, Smith 
deveria saber como me sinto. Ele está casado com o jogo há mais 
tempo do que eu. Inferno, ele é aquele que me ensinou a 
desligar meus sentimentos e apenas jogar. 
É isso que estou fazendo. Estou desligando e afastando todo 
o resto. Estou jogando, embora terrivelmente, mas estou 
focando no hóquei e no bebê. Não estou pensando em Hollis 
ou em como ela tem o poder de esmagar meu coração. Eu não 
estou pensando sobre isso de forma alguma. 
— Calem a boca — eu resmungo para todos eles. — Se 
vistam. Temos um avião para pegar. 
— Oooh, alguém está ansioso para chegar em casa para sua 
mulher — provoca Miller. 
— Eu só quero que você saiba, Miller, quando ele bater em 
você, eu vou rir e rir e rir — diz Rhodes. 
— Eu também vou rir. E possivelmente te segurar. 
— Ei! — Miller atira punhais em Collin. — O que eu fiz 
para você? 
— Existir. 
 
— Isso é uma ocorrência normal em sua vida? — Miller se 
inclina para mim, mantendo a voz baixa enquanto olha para a 
cena na nossa frente. — Porque isso está meio que me deixando 
desconfortável. 
Eu sei o que ele quer dizer. Eu também fico desconfortável 
em lidar com isso. 
— Sim. Acontece algumas vezes por semana. Mas… — Eu 
levanto um ombro. — Vale a pena. Espero. 
Hollis está segurando uma roupa de bebê com girafas e 
soluçando. É o choro que está deixando Miller desconfortável. 
Ele sorri. 
— Sim, vale a pena. Eu nunca pensei que iria gostar de 
garotas grávidas, mas Hollis parece gostosa toda grávida. 
Eu me viro para ele com um olhar que o faz recuar e erguer 
as mãos. 
— Ei, agora… eu não quis dizer nada com isso. Eu só quis 
dizer que, uh, hum… 
— Miller? — Eu fecho e abro meus punhos, tentando me 
convencer a não dar um soco no cara no nosso chá de bebê. 
— Sim? 
— Vai. Embora. 
— Entendido. 
Ele foge mais rápido do que eu já o vi se mover no gelo, e isso 
significa alguma coisa, porque o garoto é rápido pra caralho em 
patins. 
— Essas são algumas vibrações bastante territoriais que você 
está emitindo sobre alguém que você nem está namorando. — 
Smith se aproxima de mim, um copo de uísque na mão. — 
Porque vocês supostamente ainda não estão namorando, 
certo? 
Eu o ignoro, olhando de volta para Hollis, observando 
enquanto ela joga a cabeça para trás e ri, enxugando as lágrimas. 
Harper e Emilia estão sentadas uma de cada lado dela, Ryan no 
chão com um bloco de papel no colo, fazendo anotações para 
cartões de agradecimento mais tarde. 
Minha casa não é grande nem nada, mas tenho muito 
espaço, especialmente comparado ao apartamento de Hollis. 
Embora com a montanha de presentes ao redor dela, eu não 
tenho ideia de onde vou colocar tudo isso. 
Mesmo que nossa agenda seja exaustiva e eu tenho certeza 
que todos eles preferem estar em outro lugar em seu dia de 
folga, o time apareceu para nos apoiar em massa. Quase todos 
os membros da nossa lista estão aqui, e o treinador Heller está 
no canto apreciando os salgadinhos com sua esposa. Inferno, 
até nosso goleiro, que é famoso por não gostar de crianças, está 
aqui. 
Não que eu fosse admitir isso para qualquer um desses 
bastardos, mas é bom saber que eles se importam conosco o 
suficiente para estar aqui hoje. Eu sei que Hollis também 
agradece o apoio. 
Ela olha para mim do outro lado da sala, e seu rosto se 
ilumina no momento em que nossos olhos se conectam. Ela 
parece feliz, muito feliz. É uma mudança tão grande da mulher 
louca manchada de rímel que conheci no verão passado. 
A parte mais louca é que eu aaceitaria dos dois jeitos. 
— Vamos lá, cara. Você não pode realmente me dizer que 
não está namorando, não quando você está olhando para ela 
assim. 
— Eu não sei do que você está falando. Não há nada 
acontecendo. 
É mentira. 
Nós dois sabemos que é mentira. 
Eu odeio que nós dois saibamos tanto quanto eu odeio o 
olhar que ele está me dando agora. 
— Uh-hum. Claro. Certo. Nada mesmo. 
— O que está acontecendo com você e Emilia? Isso também 
não é nada? — Eu atiro de volta, e ele fecha a boca, parecendo 
muito menos arrogante. Eu sorrio. — Foi o que pensei. 
— Nada está acontecendo comigo e… — ele engole em seco 
— ela. 
Eu zombo. 
— Você não pode nem dizer o nome dela. 
— Eu posso. 
— Prove. 
Ele levanta o queixo. 
— Não. Eu não preciso provar nada para você. 
— Esquisito. Eu não preciso provar nada para você 
também. 
Passo por ele, recuando para a cozinha por alguma coisa, 
qualquer coisa para me afastar dele e de seu olhar curioso. 
Abro a geladeira e olho ao redor, mas não tenho ideia do que 
estou procurando. O chá de bebê teve um bufê, e não há nada 
aqui que eu possa tirar que vai fazer algum sentido. 
— Você está se escondendo? 
De tantas maneiras. 
Eu me viro para encontrar Hollis de pé dentro da cozinha, 
sua mão descansando em sua barriga muito grávida. 
A luz do sol está aparecendo atrás dela, irradiando ao redor 
dela como o farol de luz em uma noite escura de tempestade 
que ela é. Ela é linda, e a vontade de beijá-la e tocá-la me 
domina. 
Atravesso a cozinha aberta, agarrando sua mão e arrastando-
a pelo corredor até o meu quarto. Eu não paro até que 
estejamos dentro e eu a tenha pressionada contra a porta. 
Ela engasga e pisca para mim com surpresa quando eu 
pressiono minha ereção nela. 
— Eu não estou me escondendo. Nós estamos nos 
escondendo. 
— Nós estamos? 
— Sim, e eu não posso acreditar que você acabou de me 
arrastar aqui para me encantar, sua pequena atrevida. 
Ela sorri. 
— Ah, eu fiz? 
— Sim, você fez. — Eu corro meu nariz ao longo de sua 
bochecha. — E então você me instruiu a empurrar este vestido 
muito sexy para cima e ficar de joelhos para que eu possa ver 
sua linda boceta. 
Ela solta um gemido suave, e eu nem fiz nada com ela ainda. 
— Lowell… nós temos convidados. 
— E daí? Eles podem esperar. Além disso, serei rápido. — 
Eu pisco. 
Eu caio de joelhos, agarro a bainha do vestido dela e levanto. 
Ela precisa se ajustar quando o vestido chega à barriga e suspira 
de frustração. 
— Ugh. Estou tão… 
Eu paro, olhando para ela com um olhar afiado. 
— Eu sei que você não estava prestes a dizer algo 
depreciativo sobre seu corpo, Hollis. 
Ela balança a cabeça. 
— N-não. 
— Você está mentindo pra mim? 
— Depende. Serei punida se estiver? 
Eu começo a ficar de pé, e ela rapidamente me empurra de 
volta para baixo. 
— Tudo bem! Sim, eu ia dizer algo sobre minha... situação. 
Você está feliz? 
— Não. 
Eu enfio meus dedos em sua calcinha, em seguida, arrasto 
para baixo em suas pernas. Eu agarro uma perna e a coloco 
sobre meu ombro, amando o jeito que ela estremece quando o 
ar frio atinge sua boceta exposta. 
— Um elogio, uma lambida. 
— Huh? 
Eu olho para ela. 
— Você diz um elogio sobre si mesma, e essa sua linda 
boceta rosa recebe uma lambida. 
— U-uma lambida? Vai precisar de um pouco mais do que 
isso. 
— Então continue falando. 
— Eu… eu não tenho nada a dizer. Eu… 
Eu vou me levantar novamente, e ela solta um pequeno 
guincho. 
— Eu sou bonita! — Ela grita, e eu sorrio com a urgência em 
sua voz. 
Eu passo minha língua sobre ela, e ela suspira. Eu me afasto, 
e ela choraminga. 
— Continue — eu encorajo. 
— Eu… eu… eu sou incrível. 
Outro deslizar. 
— Eu sou adorável. 
Outra prova. 
— Eu sou fofa. 
Outra lambida. 
— Eu sou sexy. 
Outro golpe. 
— Eu sou sua. 
Minha. 
Eu chupo seu clitóris em minha boca, e ela grita, seus dedos 
emaranhados no meu cabelo, brincando com os fios enquanto 
eu me perco no gosto dela. Eu chupo, beijo e como, fodendo 
ela com meus dedos e língua, e eu não solto até que suas pernas 
estão tremendo e eu estou praticamente segurando ela. 
— Por favor, Cameron. Por favor. 
Eu esfrego aquele ponto dentro dela que eu sei que ela gosta 
e chupo seu clitóris até que ela exploda, seu corpo ficando 
rígido por um momento antes de cair no orgasmo. Eu me 
sento, admirando meu trabalho enquanto ela se inclina contra 
a porta, suas pernas ainda trêmulas e sua respiração ainda mais 
trêmula. 
Nós não falamos enquanto eu deslizo sua calcinha de volta 
para cima de suas pernas e endireito seu vestido antes de limpar 
meu rosto e nos levar de volta para a festa. Na verdade, não 
pronunciamos uma palavra o dia todo até nos deitarmos 
naquela noite e escorregarmos entre meus lençóis, onde usamos 
nossos corpos para falar todas as palavras que nunca 
poderíamos dizer. 
20 
Hollis & Lowell 
Lowell: Gordie? 
Hollis: Hum... não. 
Lowell: Howe? 
Hollis: Como4 o quê? 
Lowell: Não. Como Gordie Howe. 
Hollis: Goldie Hawn??? 
Lowell: O quê? NÃO! 
Lowell: GORDIE HOWE 
Hollis: Nunca ouvi falar dela. 
Lowell: Eu... 
Lowell: Achei que seu conhecimento de hóquei era 
muito mais adequado do que isso. 
 
4 Em inglês, "How". 
Lowell: Eu falhei com você. 
Lowell: Na verdade, estou me aposentando agora. 
Não posso, em sã consciência, ter um filho com uma 
mulher que não sabe quem é Gordie Howe. 
Hollis: Você vai superar isso. 
Lowell: Desculpe. Não posso atender o telefone agora. 
Eu estou morto. 
Hollis: E dramático. Não se esqueça do dramático. 
 
Hollis: Hum... senhor? 
Lowell: Ok, primeiro, eu não sabia que seria excitante. 
Hollis: Não está acontecendo, então siga em frente. 
Lowell: *resmunga* Tudo bem. Seguindo em frente. 
Lowell: Como posso ajudá-la, senhora? 
Hollis: Você mandou entregar uma pizza no meu 
apartamento? Especificamente uma em forma de 
coração? 
Lowell: Ah. Isso. 
Lowell: Sim, fui eu. 
Hollis: Por quê???? 
Lowell: Porque é Dia dos Namorados. 
Lowell: Nosso bebê pode não estar aqui ainda, mas eu 
queria ter certeza de que mamãe estava bem 
cuidada. 
Hollis: Isso é... muito fofo. Tipo, muito, muito fofo. 
Hollis: Eu meio que quero te beijar agora. 
Lowell: Eu deixaria. 
Hollis: Tenho certeza que você deixaria. 
Lowell: Eu gostaria que não estivéssemos na estrada DE 
NOVO. 
Lowell: Porra, eu odeio jogos fora de casa. 
Lowell: Especialmente porque estou sempre preso no 
ônibus ao lado de Miller e ele nunca quer calar a boca. 
Hollis: E o Miller cala a boca? 
Lowell: Não. Literalmente nunca. 
Lowell: Agora, ele está me contando a mesma história 
que começou a me contar NO AVIÃO. 
Lowell: Isso foi HORAS atrás. 
Lowell: E nem é uma boa história. Eu adivinhei o final 
dois minutos depois. 
Hollis: Diga a ele para se acalmar. 
Lowell: Eu disse. Eu digo. 
Lowell: Da próxima vez, vou trazer fita adesiva. 
Hollis: Ele provavelmente vai lamber. 
Lowell: Provavelmente. 
Lowell: Como vai o trabalho? Adiantando como você 
queria? 
Hollis: Sim, mas acho que vou encerrar a noite. Estou 
cansada. O bebê está sugando toda a minha energia 
hoje. 
Lowell: Vá descansar, então. Leve a sua pizza para a 
cama, abrace ela e finja que sou eu. 
Hollis: Isso não é nada estranho. 
Lowell: Ei, eu conheço algumas pessoas que levam sua 
pizza muito a sério e não se importam. 
Hollis: Estou realmente com medo de saber se você é 
uma dessas “algumas pessoas”. 
Lowell: Acho que você nunca saberá. 
Hollis: Vejo você amanhã? 
Lowell: Sim. 
Lowell: Ah, e feliz Dia dos Namorados. 
Lowell: Vou te dar seu presente amanhã. *emoji de 
lingua* 
 
Lowell: Elsa? 
Hollis: Ela é uma fodona total, mas não. 
Hollis: E Geórgia? 
Lowell: Igual o estado? 
Hollis: Sim. 
Lowell: Hmm... eu não odeio isso. 
Hollis: Isso seria muito mais fácil se eu soubesse o que 
estávamos tendo… 
Lowell: Seria, exceto que você não quer saber, 
lembra? 
Lowell: Na verdade, você me prometeu danos 
corporais se eu tentasselhe dizer. 
Hollis: Então você está dizendo que tem medo de 
mim? 
Lowell: HA! Sem chance. 
Lowell: Mas também... sim. 
Lowell: Então, novamente, se você me desse um soco, 
não seria a primeira vez. 
Hollis: LOWELL! 
Hollis: Eu juro, se você continuar trazendo isso à tona… 
Lowell: Foi traumático! 
Hollis: Não foi! Se alguma coisa, provavelmente te 
excitou. 
Hollis: Lowell? 
Hollis: Oh Deus. 
Hollis: Te excitou, não foi?? 
Hollis: LOWELL! 
Hollis: Ah, espere. Acabei de perceber que você 
provavelmente está jogando hóquei agora. 
Hollis: VAI TIME! TOUCHDOWN! 
 
Hollis: Acho que a médica sentiu falta de flertar com 
você hoje. 
Lowell: Lamento não poder estar lá. 
Hollis: Eu também. 
Lowell: Como foi? 
Hollis: Está tudo bem. O bebê está saudável. 
Lowell: E a mamãe? 
Hollis: Ela está saudável também. Apenas com fome. 
Lowell: O que você quer? Vou te mandar comida. 
Hollis: Você não precisa me mandar comida toda vez 
que estou com fome. Eu sou uma garota grande. Eu 
posso me alimentar. 
Hollis: Além disso, tenho outro compromisso para ir. 
Lowell: Outro? 
Lowell: Não vejo nada na minha agenda do Google. 
Hollis: É para ver um apartamento. 
Lowell: Ah. 
Lowell: É isso que você quer? Um apartamento maior? 
Hollis: Mais como eu PRECISO de um maior. 
Hollis: Inferno, VOCÊ mal se encaixa neste. 
Hollis: Além disso, vai ser bom estar mais perto de você 
e do rinque e tudo mais. Torna mais fácil para todos 
quando o bebê chegar. 
Lowell: Porque você estará lá, e eu estarei aqui. 
Hollis: Exatamente. 
Lowell: Isso é o que você quer, certo? 
Hollis: Você vem hoje à noite? 
Lowell: Provavelmente não. De manhã cedo no rinque. 
Fica para a próxima? 
Hollis: Claro. 
Lowell: Noite. 
21 
Hollis 
— Oh merda — eu gemo, sentando no sofá onde adormeci 
assistindo ao jogo de hóquei de Lowell. 
Eu esfrego a mão na minha testa, um latejar surdo 
começando. Sinto como se tivesse sido atropelada, mas 
suponho que seja porque não dormi bem ontem à noite 
sozinha na minha cama. Passei muito tempo pensando, 
mexendo e virando e pouco tempo dormindo. 
Coloco a mão na barriga, tentando aliviar as leves cólicas 
que estou tendo, meu estômago claramente não concordando 
com o burrito que comi no almoço. Eu verifico o placar do jogo 
e vejo que os Comets estão perdendo com apenas sete para o 
terceiro, e se eles perderem, Lowell vai estar de mau humor 
quando ele vier. 
Se ele vier. 
Ele não fez isso nas últimas noites, o que não é nada parecido 
com ele. Na verdade, não consigo me lembrar da última vez que 
não passamos a noite juntos quando ele teve um jogo em casa. 
Não tê-lo na minha cama parece errado, tão errado que faz meu 
estômago doer. Ou talvez seja o burrito. 
A pior parte é que não sei se é algo que fiz de errado ou se ele 
está se sentindo errado sobre algo que estamos fazendo, mas 
nenhuma das opções me agrada. 
Meu estômago dói novamente, e eu estremeço com a dor. 
— Desculpe por isso, bebê. Mamãe promete nunca mais 
comprar burritos daquele food truck. 
Eu me pergunto se foi o burrito, porque eu não me senti tão 
bem ontem também. 
— Que tal assim? Se mamãe não estiver se sentindo melhor 
pela manhã, ela vai ligar para a médica, ok? 
O bebê chuta como se ele concordasse, e eu sorrio. 
A primeira vez que senti uma agitação, eu chorei. Lowell 
estava dormindo ao meu lado, e eu chorei tanto que o acordei 
com meus soluços. Então ficamos acordados até duas da manhã 
só sentindo nosso bebê mexer. 
Os movimentos são muito mais do que apenas uma agitação 
agora, e tenho quase certeza de que esses pequenos momentos 
entre nós são o que mais sentirei falta sobre estar grávida. 
Eu mantenho minha mão na minha barriga e volto minha 
atenção para o jogo. O tempo começa a passar rápido no 
relógio, e os Comets ainda estão perdendo por um gol. Faltam 
apenas três minutos e eles tiram o goleiro. 
Eu sei que isso sempre pode ser uma grande aposta. Eles 
podem compensar o ponto que estão perdendo ou estão dando 
ao outro time a chance de marcar um gol e fechar o negócio. 
Infelizmente, o favor não está com eles esta noite, porque 
nem dez segundos após a vantagem do homem, o outro time 
envia o disco voando pelo gelo e direto para o gol vazio. O 
operador de câmera dá um zoom no rosto de Lowell no banco, 
e ele parece completamente derrotado e desapontado. Eu sei o 
quanto eles precisam desses pontos esta noite, mas as chances 
parecem pequenas agora. 
Outra cãibra forte me atinge, e estou quase começando a me 
perguntar se isso é mais do que eu acho que é. 
Eu me levanto do sofá para ir ao banheiro, e no momento 
em que eu faço isso, eu sei que isso é mais do que eu penso que 
é. A sala parece toda cambaleante, instável e fora, e sinto que 
vou desmaiar. Eu desabo de volta no sofá, tentando recuperar 
o fôlego. Minha cabeça começa a latejar, e sinto que há mil 
pequenos elefantes dançando dentro dela. 
Algo está errado. 
Pego meu telefone e começo a ligar para Lowell, então 
lembro que ele está no meio de um jogo. Ele não pode atender 
ou fazer nada sobre isso. 
Em vez disso, ligo para Harper. 
Ela responde quase imediatamente. 
— Por favor, me diga que você está assistindo a este jogo. 
Isso é miserável. Eles precisam muito desses pontos. Collin vai 
ficar tão chateado quando chegar em casa. Eu… 
— Harper — eu a corto bruscamente. 
— O que há de errado? — Ela diz, e eu já posso ouvir o 
pânico em sua voz. É o mesmo pânico que está se instalando em 
mim também. — Algo está errado? Está tudo bem? 
— Eu preciso que você me leve para o hospital. 
 
Ouço Lowell antes de vê-lo. 
— Onde ela está, porra? — Ele rosna, e eu me sinto mal por 
qualquer enfermeira que ele está rosnando agora. — Onde está 
Hollis? 
Nem cinco segundos depois, ele entra correndo no pequeno 
quarto em que estou. 
Seus olhos estão arregalados quando ele me vê em todas as 
máquinas, seus lábios apertados com preocupação enquanto 
ele corre em minha direção. Ele apenas fica lá e encara e encara 
e encara um pouco mais. Seus olhos estão vidrados e em pânico, 
e sua respiração está acelerada. 
Então tudo volta à realidade para ele, e ele atravessa o quarto, 
pegando meu rosto em suas mãos. 
— O bebê está bem? 
Ele passa as mãos pelo meu rosto e pelo meu cabelo, me 
olhando por qualquer sinal de dano. Não há nenhum; é tudo 
interno. 
Eu amo que a primeira coisa que sai da boca dele é sobre o 
bebê. 
— O bebê está bem — eu prometo a ele. — Só um susto. 
Ele cede contra mim em alívio, pressionando um beijo duro 
na minha testa. 
— O que aconteceu? Harper não me disse nada, apenas 
disse que eu precisava chegar aqui. Eu vim logo após o jogo. 
— Harper consegue ser tão dramática. 
— Dramática? — Ele acena para todas as coisas que eu estou 
ligada. — Então o que é tudo isso? 
— Monitores para mim e para o bebê. Eu também tive que 
fazer xixi em um copo, o que é muito difícil quando você está 
grávida. E eles verificaram meu colo do útero, que foi quase 
mais doloroso do que a razão pela qual eu entrei. 
— E isso foi por quê? 
— Eu me senti um pouco tonta e tive uma forte dor de 
cabeça, algumas cólicas. 
— Cólicas? Como Braxton Hicks5? 
— Você sabe o que são Braxton Hicks? 
— O quê? — Ele dá de ombros. — Eu leio. 
Eu sorrio. 
— Não foi Braxton Hicks. Estas eram diferentes. Apenas… 
desconfortáveis. Eu estava um pouco desidratada. 
Ele se afasta e inclina a cabeça. 
— Desidratada? Como se você não estivesse bebendo água 
suficiente? 
 
5 As Braxton Hicks são contrações de falso trabalho de parto. 
— Eu pensei que eu estava. Eu tenho feito xixi o suficiente 
para parecer que estou. 
Suas sobrancelhas estão bem juntas enquanto ele se afasta de 
mim, e é uma coisa boa porque eu não gosto do olhar que ele 
está me dando agora. 
— Hollis, você faz xixi o tempo todo, mesmo quando não 
deveria fazer xixi. Você tem um bebê pressionando sua bexiga. 
Isso não significa que você está bebendo o suficiente. 
— E-eusinto muito. Eu pensei… 
Ele balança a cabeça. 
— Não é só você, Hollis. Isso é sobre o meu bebê também. 
Eu chicoteio minha cabeça para trás com suas palavras, 
surpresa. Não faço ideia de onde vem sua súbita hostilidade e 
frustração, mas sei que não mereço. O bebê está bem, e isso é 
tudo que importa. 
— Nosso bebê. 
— Você sabe o que eu quero dizer. 
Eu olho para ele. 
— Não, desculpe. Eu não sei. 
— É irresponsável de sua parte não… 
— Irresponsável? Irresponsável? Você age como se eu tivesse 
feito isso de propósito! Eu estive doente, Lowell! Não é minha 
culpa. 
— Doente? 
— Sim! E você saberia disso se estivesse por perto. 
— Oh Deus. — Ele revira os olhos. — Desculpe-me se estive 
ocupado jogando hóquei. Você sabe que nem sempre posso 
estar por perto durante a temporada. 
— Você não teve problemas com isso até recentemente. 
— O que isso deveria significar? 
— Significa que, caso você não tenha notado, você não tem 
exatamente estado por perto ultimamente. 
Ele não tem. Não há dias. Ele não vai até a minha casa. Ele 
mal me mandou uma mensagem. Ele está se afastando, esteja 
ele pronto para admitir ou não. 
— Eu tenho jogado hóquei! Na NHL! 
— Pare de dizer isso! Pare de dizer isso como se importasse 
ou mudasse alguma coisa. Todas as noites nesta temporada 
você não teve nenhum problema em passar a noite na minha 
cama. 
— Então é isso? — Ele zomba, andando de um lado para o 
outro com um olhar de desgosto em suas feições. — Você está 
brava porque eu não estive por perto para foder você? 
O ar é sugado para fora dos meus pulmões com as palavras 
dele, e eu juro que se eu não estivesse toda ligada em aparelhos, 
eu estaria fora dessa cama e deste quarto tão rápido porque eu 
não suporto ficar com ele por mais um minuto. 
Não faço ideia para quem estou olhando agora. Quem quer 
que seja, não é Lowell. 
Este não é o mesmo homem que passou inúmeras noites 
esfregando minhas costas ou me ajudando a fazer xixi no meio 
da noite. Este não é o mesmo homem que me enviou uma pizza 
em forma de coração há apenas algumas semanas, porque 
estava preocupado que eu não estivesse comendo o suficiente. 
Este não é o mesmo homem que me olha como se eu fosse a 
única pessoa no mundo. Este não é o mesmo homem que olha 
para mim, especialmente quando ele está olhando através de 
mim agora. 
Este homem? Este não é o homem que me faz sentir como 
se eu fosse dele. 
Não conheço esse homem, e também não quero conhecê-lo. 
— Eu… 
A porta é aberta e eu fecho minha boca, não querendo 
discutir com Lowell na frente da médica. 
Ela sorri para nós, andando mais para dentro do quarto. 
— Ah! Seu marido está aqui. Isso é… 
— Nós não estamos juntos. Eu sou apenas o pai. 
Meu coração cai, e eu sei que se eu estivesse de pé agora, eu 
precisaria me sentar. 
Suas palavras são duras e finais, e mesmo que eu saiba que 
nunca definimos exatamente o que estamos fazendo, eu não 
esperava que parecesse que estou tendo meu coração arrancado 
do peito pela maneira como ele insiste que não somos nada. 
Não estou pedindo um anel ou um compromisso, mas o 
que passamos fazendo nos últimos meses realmente não 
significa nada para ele? 
Porque significa algo para mim. 
Pelo tom de sua voz, significa muito para mim. 
Lowell não está olhando para mim. Ele está apenas olhando 
para a médica, que está desviando os olhos entre nós dois. 
— Bem? — Lowell pede, lábios achatados em uma carranca. 
A médica limpa a garganta. 
— Você está sendo liberada, Srta. Kelly. Tudo parece muito 
melhor agora. Só preciso ter certeza de que você está bebendo 
muitos líquidos. — Ela se vira para Lowell. — Talvez pegue 
uma bebida isotônica ou duas a caminho de casa, Sr. Lowell. 
Como atleta, tenho certeza de que você conhece os benefícios 
de reabastecer seus eletrólitos. — Ela se vira para mim. — 
Parece bom? Alguma pergunta para mim antes de darmos alta? 
— Não, Dra. Kane, muito obrigada por sua ajuda hoje. Eu 
realmente agradeço. 
Ela sorri. 
— Não é problema nenhum. Vemos isso acontecer de 
tempos em tempos, especialmente quando a futura mãe está 
sob estresse. Apenas certifique-se de estar descansando, 
fazendo pausas quando puder e tentando evitar qualquer 
gatilho de estresse. Isso pode tornar o cérebro da mamãe ainda 
pior. — Ela pisca. — Eu vou levar isso para a recepção, e nós 
vamos levá-la em seu caminho em breve. 
Ela se arrasta para fora do quarto, deixando-nos morrer 
lentamente neste espaço privado de oxigênio. 
— É isso que você quer, Lowell? 
Ele arregala os olhos. 
— Huh? 
— Quando o bebê chegar… é isso que você quer ser? Só o 
pai? 
Ele sabe o que estou perguntando. 
Ele sabe o que estou perguntando, e ele apenas fica lá. Ele 
não responde. Apenas me encara... através de mim. 
Eu odeio tanto. 
E neste momento, eu odeio tanto ele. 
— Eu… 
— Perdoe-me, Sr. Lowell, mas queríamos repassar algumas 
informações de seguro com você. 
Ele fecha a boca, me enviando um último olhar antes de 
seguir a médica para fora do quarto, e eu tenho minha resposta. 
Não estou sozinha tempo suficiente para deixar a realidade 
do que acabou de acontecer fervilhar antes que uma enfermeira 
chegue e me ajude a me soltar e sair da cama. Ela está me 
deixando em uma cadeira de rodas, política do hospital, 
quando pergunta: 
— Você tem alguém para te levar para casa? 
— Eles estão esperando lá fora. 
Ela acena com a cabeça, então me leva até a entrada da 
frente. Ela está me ajudando a sair da cadeira de rodas e entrar 
no carro quando Lowell derrapa pela porta de vidro deslizante 
do hospital. 
— Hollis, espere! — Ele chama, correndo pela calçada até 
nós. 
— Obrigada — eu digo para a enfermeira. — Nós cuidamos 
disso daqui. 
Ela olha de mim para Lowell, certificando-se de que estou 
bem, então pega a cadeira de rodas e sai. 
— Você não pode estar falando sério — diz Lowell, parando 
diante de mim. — Você está indo embora com Harper? 
— O que importa para você com quem eu vou embora, 
Lowell? Não estamos juntos, lembra? 
Ele abre a boca para dizer algo, então a fecha. Ele sabe que 
são suas palavras que estou jogando de volta para ele, e é por 
isso que ele não pode nem se defender agora. 
— Te mando uma mensagem. — E eu vou. Estou grávida 
do bebê dele. Eu não estou excluindo ele. Eu me viro para 
Harper, que está lançando um olhar desagradável na direção de 
Lowell. — Vamos. 
Ela me ajuda a entrar em seu carro, olhando para ele o tempo 
todo. Quando estamos prestes a nos afastar, ela suspira, e eu sei 
que ela está prestes a mergulhar no discurso de eu te avisei. 
— Não — eu digo a ela calmamente. — Por favor. Agora 
não. 
Outro suspiro, então um aceno de cabeça. 
Vejo Lowell desaparecer pelo espelho retrovisor, deixando 
metade do meu coração no estacionamento do hospital. 
22 
Lowell 
Eu não posso nem começar a contar o número de vezes que me 
machuquei em todos os meus anos jogando hóquei. Eu tive 
ossos quebrados. Eu levei discos de mais de 160 quilômetros 
por hora em lugares que as pessoas nunca deveriam levar discos. 
Perdi dentes. Fui espancado a ponto de não conseguir andar 
por dias. 
Já joguei com tudo isso. 
Mas essa dor? Não tenho certeza se posso lidar com isso. 
E desta vez, é tudo culpa minha. 
Eu fodi. 
Eu fodi tudo, e não apenas no gelo, onde perdemos uma 
vantagem de 3 a 1 ontem e perdemos de 7 a 3 porque minha 
cabeça estava completamente fora do jogo. 
Não. Eu fodi tudo muito antes desta noite, tantas vezes na 
verdade. 
Eu nunca deveria ter beijado Hollis. 
Eu nunca deveria ter dormido com ela. 
Eu nunca deveria ter continuado dormindo com ela. 
E eu definitivamente, cem por cento não deveria ter me 
apaixonado por ela. 
Mas eu beijei, eu dormi com ela, eu continuei dormindo 
com ela, e eu me apaixonei pra caralho. 
Ficar naquele quarto de hospital vendo-a com todos aqueles 
tubos e monitores me quebrou. Isso me quebrou e me assustou 
pra caralho que isso me quebrou, porque isso não é sobre nós. 
Nunca deveria ser sobre nós. 
As coisas com Hollis nunca deveriam sertão sérias. Uma 
vez, uma noite, e seguiríamos em frente. Uma noite e agiríamos 
como se nunca tivesse acontecido. Ela não deveria estar por 
perto, e ela definitivamente não deveria engravidar. 
Essa coisa toda tem sido uma bagunça desde o início, e eu só 
tenho a me culpar por ceder à tentação e quebrar minha regra 
de que o hóquei vem primeiro, não importa o quê. Não sei o 
momento exato em que me apaixonei por ela, provavelmente 
quando ela me deu um soco, mas sei o momento exato em que 
percebi que não poderia amá-la. Eu não posso amá-la porque se 
eu fizer isso, eu posso perdê-la. Se eu nunca a amar, nunca 
saberei como é perdê-la, e posso ir embora intacto. 
Mas isso é besteira. 
Sempre foi uma besteira. 
Eu sei disso agora. Eu sei disso porque estou sentado neste 
banco esquecido por Deus em um milhão de pedaços 
quebrados, e não tenho ideia de como me recompor. 
— Como você quer? 
Eu suspiro, porque eu sabia que teria notícias dele em algum 
momento. Eu termino de amarrar meus patins, então olho para 
Collin, que está de pé sobre mim com os braços cruzados e um 
olhar assassino gravado em seus olhos. 
Ele está irritado, e eu não o culpo nem um pouco. 
Eu me sento, encontrando sua ira porque eu mereço e sei 
que mereço. 
— Como eu quero o quê? 
— Sua morte. Envenenamento? Machado? Flecha? Pá? 
Corda? Faca? Motosserra? Colher? Faça sua escolha. 
— Vai se foder. Não estou com disposição para seus jogos. 
— Oh, confie em mim, isso não é um jogo. 
Imagine minha porra de surpresa quando ele realmente 
puxa uma colher do bolso de trás e me bate no topo da cabeça 
com ela. 
— AI! O que… 
Ele me agarra pelo suéter, me levantando do banco e me 
puxando até quase tocarmos os narizes. 
— Cai fora, Wright — eu fervo, ignorando os gritos 
surpresos de que porra é essa dos nossos companheiros, que já 
estão seminus se preparando para o treino. — Não é a sua 
batalha. 
— Besteira, que não é. Sua garota esteve no meu sofá na 
última semana enquanto a minha garota estava consertando 
ela. É um problema meu tanto quanto seu. 
Ele me puxa para perto até que estamos nariz com nariz, e 
eu agarro seu suéter, empurrando ele, mas ele não se mexe. 
— Deixa para lá. 
— Não! — Ele ruge. 
Eu o empurro novamente, pegando seu queixo com meu 
punho que está segurando seu suéter. É o primeiro golpe, e é 
tudo o que precisa para seus olhos escurecerem e para ele dar 
um soco em mim. 
Eu deixei ele me bater. Eu deixei ele me bater porque eu 
mereço isso e muito mais. 
Não sei quanto tempo ele me bate. Eu paro de contar e paro 
de rebater. Eu apenas aguento, aceitando minha punição. 
Por que isso? O que está acontecendo agora? Não é nada 
comparado a como estou me sentindo por dentro. 
— Cara, cara. Uau. Vamos, cara, isso é o suficiente, certo? 
Relaxa. 
Rhodes o puxa, tentando arrastá-lo para longe. Ele não cede, 
e eu gosto que ele não ceda. Eu gosto que ele esteja aqui 
protegendo Hollis. Eu nunca estive tão feliz por ser atingido em 
toda a minha vida. 
— Que porra está acontecendo aqui?! 
Collin me deixa cair no instante em que o treinador entra na 
sala, uma carranca marcando seu rosto enquanto ele observa o 
estado triste de cada um de nós. Suas mãos estão em seus 
quadris, seus lábios pressionados e com raiva. Ele balança a 
cabeça, parecendo completamente enojado por nós dois. 
— É isso que estamos fazendo agora, hein? Brigando entre 
si em vez do outro time? — Ele zomba. — Fodidamente 
desprezível. — Ele aponta um dedo para Collin. — Você vai 
ficar no banco, começando hoje à noite. — Então ele aponta 
para mim. — Você? Dois jogos. Você deveria estar liderando 
este time, especialmente agora, quando mais precisamos. Em 
vez disso, você está aqui brigando com seus próprios 
companheiros de time. Você sabe melhor do que isso, capitão. 
Eu odeio o jeito que ele cospe a palavra em mim. 
Não me sinto um capitão. Especialmente não agora. 
Eu aceno, aceitando. 
— Bom. Agora dê o fora para o gelo e deixe o que quer que 
seja essa merda aqui. Entendido? — Ele ri ironicamente, 
balançando a cabeça e resmungando enquanto sai. — Malditas 
crianças. Tudo um bando de crianças. 
A porta se fecha atrás dele e a sala está completamente 
silenciosa, todos apenas observando para ver o que vai 
acontecer a seguir entre Collin e eu. 
Nós nos encaramos por um longo tempo até que, 
finalmente, Rhodes coloca a mão em seu ombro. 
— Temos treino, cara. Isto acabou. 
— Não, não acabou. Ele não pode apenas quebrá-la e ir 
embora. Não é assim que funciona. 
— Quebrar ela? — Eu murmuro. — Eu não a quebrei. Ela 
me quebrou. 
Collin se vira, pronto para mais. 
— O que você disse? 
— Eu disse que não quebrei Hollis. Ela quebrou a mim, e 
eu a amo, ok? — Eu me empurro para cima, cambaleando um 
pouco por ter sido derrubado como um saco de pancadas. 
Esfrego minha mandíbula que já está latejando, tentando 
recuperar o fôlego que simplesmente parece não vir. — Eu a 
amo. Você está feliz agora, porra? 
— Não — Collin ferve. — Eu não ficarei feliz até que ela 
esteja feliz, e você tem um monte de coisas para consertar. 
 
— Isso é tudo culpa sua — eu digo a Smith enquanto nos 
dirigimos para o prédio para o jogo hoje à noite, o jogo que eu 
não vou jogar porque eu estou de fora mesmo estando saudável. 
Todo mundo sabe que esse é o pior jeito de estar fora. Isso 
significa que você estragou tudo e agora você tem que pagar, 
forçando seu time a pegar a falta sem você enquanto você fica 
sentado no camarote com a noite de folga, observando as 
repercussões de suas ações. 
É uma merda, e é especialmente horrível porque o treinador 
quer Collin e eu no camarote juntos. Com base nos hematomas 
no meu rosto e no lábio cortado que ele está usando, é claro que 
entramos nisso um com o outro. A imprensa vai ter uma porra 
de um banquete com isso, sem dúvida. 
— Sim? E como é isso exatamente? 
— Você me disse para convidá-la para dançar, e eu convidei. 
Se eu não tivesse feito isso, eu não estaria nessa bagunça de jeito 
nenhum. 
Suas sobrancelhas se erguem, e eu odeio que o olhar que ele 
está me dando diga que nós dois sabemos que isso não é 
verdade. Acho que mesmo se Hollis e eu não tivéssemos 
dançado naquela noite, ainda teríamos acabado naquele jardim 
juntos, enrolados um no outro como um encontro clandestino 
sob as estrelas. 
Se não tivéssemos, Smith teria me dito para convidá-la para 
dançar. 
Ele sabia o tempo todo. 
Idiota. 
— O que você vai fazer? 
Olho de volta para Fiona. A única coisa que quero fazer é 
pular dentro dela e dirigir até Hollis e dizer a ela o quanto eu 
sinto muito. 
Mas não posso. Eu tenho que estar aqui, para um jogo de 
hóquei que eu nem vou jogar porque o treinador é sádico. 
— Eu vou consertar isso. Eventualmente. 
— Como? 
— Não sei. 
— Isso pode soar maluco, mas você já tentou uma 
comunicação honesta? 
Eu bufo. 
— Como você tentou com Emilia? 
— Minha situação é um pouco mais… complicada. 
— E a minha não é? 
— Não. É bem simples se você tirar a cabeça da bunda e 
olhar de uma perspectiva não danificada. 
— Mas estou danificado. 
Ele para de andar, virando-se para mim. 
— Você tem razão. Você está, mas Hollis também. Ela se 
divorciou há menos de um ano porque seu marido a estava 
traindo. Então ela engravidou logo em seguida. Ela também 
está danificada, mas adivinha? Ela não sai por aí erguendo 
muros e bloqueando as pessoas porque tem medo. Ela está 
enfrentando essa merda de frente, o que é muito mais do que 
posso dizer de você. 
Eu… porra. Ele tem razão. Eu sei que ele tem razão. 
— Eu sei. — Eu esfrego a mão no meu rosto, exalando 
bruscamente. — Eu sei, ok? Eu sou um idiota. Um idiota maior 
do que Miller. 
— Sim, você é — diz Miller enquanto caminha por mim 
atirando olhares de julgamento. 
Merda. Até o novato está me incomodando. 
Smith suspira. 
— Eu coloquei minha vida em pausa pela minha carreira. 
Estou casado com este jogo há mais tempo do que você está 
vivo. O hóquei é minha vida, mas não precisa ser a sua. Então, 
se você a ama e háuma chance de você ter uma família, 
aproveite essa chance. Porque confie em mim, Lowell, esses 
anos? Eles vão passar rápido, e antes que você perceba, você será 
um velho como eu assinando contratos de um ano esperando 
que você possa se manter no jogo que você ama por mais um 
pouco, porque você sabe quando acabar, você estará realmente 
sozinho. 
Eu engulo, minha boca pegajosa e seca só de pensar em viver 
uma vida sem Hollis nela. Quero dizer, sim, sempre estaremos 
conectados por causa do bebê, mas só de pensar em outro 
homem criando meu filho também, outro homem a tocando… 
conhecendo-a do jeito que eu conheço… 
Eu não aguento. 
Tem que ser eu. 
Eu sou sua, ela prometeu. 
Minha, eu jurei. 
— Diga a ela, Lowell. 
23 
Hollis 
— Tudo bem, me diga o que está acontecendo. 
Minhas sobrancelhas se juntam. 
— Eu não sei o que você quer dizer. Não está acontecendo 
nada. 
Emilia me olha com olhos astutos. 
— Hum, boa tentativa. Mas você é minha melhor amiga e 
eu te conheço melhor do que isso. Então, me diga... o que 
aconteceu? 
Tudo aconteceu. 
— Não foi nada. 
— Não foi nada. Você estava desidratada e no hospital, 
então claramente não era nada. 
Oh. É disso que ela está falando. 
— Certo. Foi só isso, um pouco de desidratação, mas estou 
melhor agora. 
— Bom. Estou feliz. Agora me conte sobre o que aconteceu 
com Lowell. 
Meu coração salta na minha garganta só de ouvir seu nome. 
— O-o que tem ele? 
— Por que ele está deprimido ao redor do rinque? 
Ele está? 
Acho que em outra vida, em outra época, me daria um 
pouco de satisfação saber que ele está sofrendo como eu. 
Mas não. Se alguma coisa, isso me faz sentir pior. 
Uma pequena onda de desconforto surge na minha barriga, 
e eu a esfrego para ajudar a acalmá-la. Eu tomo nota mental do 
tempo como eu tenho feito o dia todo desde que elas 
começaram nas primeiras horas da manhã. Elas estão ficando 
mais próximas e mais dolorosas, isso é certeza. 
— Eu não sei o que você quer dizer — eu digo a ela, 
empurrando com o desconforto. 
— Sim, você sabe. Comece a falar. 
Eu sei que ela não vai desistir. Para ser justa, eu sabia que ela 
não ia desistir quando ela veio aqui esta noite quando ela 
deveria estar trabalhando. Ela tirou um dia pessoal só para 
passar um tempo comigo. Eu a amo por isso, mas eu também 
teria ficado bem em ter uma noite para mim mesma para ficar 
de mau humor. 
Finalmente convenci Harper a parar de “passar por aqui” 
para me checar, não me tirar do meu apartamento para um “dia 
das garotas” e me sequestrar para me levar para a casa dela e 
assistir ao jogo hoje à noite, no qual Collin está de volta em ação 
depois de ficar de fora na noite passada. 
Eu estava na casa deles quando ele voltou do treino com o 
lábio machucado. Eu não perguntei como ele conseguiu. Eu já 
sabia. 
Isso me fez amar que Collin vai ser o tio do meu bebê um 
pouco mais naquele momento. Eu sei que ele sempre estará 
seguro com ele por perto. 
Eu informo Emilia sobre tudo. O que aconteceu no 
hospital, o que aconteceu antes disso. Tudo o que tem passado 
pela minha mente nos últimos meses. 
Quando termino, ela não diz nada por vários longos 
momentos. Então, seus lábios puxam em um sorriso suave, o 
coque de lindos cabelos ruivos empilhados no alto, tombando 
para o lado com a cabeça inclinada. 
— Você ama ele, não é? 
Eu afundo meus dentes em meu lábio inferior. 
— Eu amo. Mas isso é ruim, certo? Eu… acabei de sair de um 
relacionamento de longo prazo. Inferno, acabei de sair de um 
casamento. Eu não posso estar apaixonada por outra pessoa já, 
posso? 
— Claro que você pode. Não há cronograma para coisas 
assim, Hollis. É isso que está prendendo você? 
De certa forma, é. Eu não disse isso a Harper porque, sem 
ofensa para ela, ela não entenderia. Ela não sabe o que é se 
prometer a alguém e ter ele te traindo da pior maneira possível. 
Emilia… ela entende. 
— Sim. Não. Eu não sei. Nunca definimos oficialmente o 
que éramos, sabe? Nós apenas… éramos. Até que não éramos. 
— Mas parecia que vocês estavam namorando, não é? 
Eu concordo. 
— Sim. 
Por mais que eu dissesse a mim mesma para não fazer isso, 
eu me apeguei a ele. Eu me apeguei a nós. 
— Quando a médica entrou no quarto e o chamou de meu 
marido… — Eu paro, evocando a imagem do olhar em seu rosto 
quando ela disse isso com facilidade. — Ele disse que era apenas 
o pai. Foi isso. 
Não consigo parar de pensar no jeito que ele olhou para 
mim naquele quarto de hospital. Ele parecia zangado, 
assustado, magoado e voltou a ficar assustado. Eu entendo, eu 
também estava com medo. 
Mas era mais do que isso com ele. Ele parecia inseguro. 
Sobre nós... sobre tudo. 
Isso me assustou mais do que qualquer outra coisa. Não 
posso abrir meu coração para alguém novamente e depois me 
machucar. Eu simplesmente não posso. Tenho mais do que eu 
para pensar. Eu também tenho meu bebê. 
— Eu vejo as engrenagens girando em sua cabeça, e você é 
uma tola se pensa que aquele homem não te ama, Hollis. Eu vi 
o jeito que ele olha para você. Você significa o mundo para ele. 
Aposto que você significa mais do que o mundo para ele. Ele 
não vai te machucar. Eu sei que ele não vai. 
— Dar a ele esse poder, no entanto… 
— Confie em mim — ela diz —, eu sei melhor do que 
ninguém como isso é assustador. Quero dizer, olhe para mim, 
já se passaram quase três anos desde O Idiota Que Não Deve 
Ser Nomeado, e eu ainda não consigo superar isso. 
Se eu achava que o que passei com Thad foi uma montanha-
russa, não é quase nada comparado ao que aconteceu com 
Emilia e seu ex. Eu não a culpo por não estar pronta, embora 
eu ache que isso tem a ver com um certo jogador de hóquei mais 
velho… 
— Mas acho que em todas as pessoas no mundo, Lowell 
pode valer a pena colocar seu coração em risco. Você precisa 
falar com ele. Diga a ele como você está se sentindo. Seja 
honesta com ele. 
Sinceramente, acho que ela está certa. Inferno, eu sei que ela 
está certa. Eu posso colocar meu coração lá fora e ver o que 
acontece, ou posso me machucar e sofrer sozinha. 
Eu nunca fui de fugir dos meus problemas, e não vou 
começar agora. 
— Eu vou. Vou falar com ele e vou dizer como me sinto. 
Eu… 
Outra onda de pressão me atinge, e eu pressiono minha 
barriga mais uma vez. 
Emilia percebe desta vez. 
— Você está bem? 
— Uh... sim. — Eu estremeço. 
— Tem certeza? 
— Talvez? Estou com cólicas. 
— Há quanto tempo você está com cólicas? 
— Inconsistente? O dia todo. Consistentemente? Algumas 
horas, eu acho. 
— Algumas horas… — ela murmura. — Hollis, você está… 
— Oh Deus. — Eu cambaleio para frente, meu estômago 
realmente doendo agora. 
— Fale comigo. Diga-me o que está acontecendo. É como 
quando você se sentiu desidratada? 
— Não, não. Isso é… eu… eu não sei. Outra coisa… ah! — 
Mais uma onda de dor me atravessa. 
— Você está em trabalho de parto? 
— Não! Sim! Eu não posso estar! Eu nem tenho minha bolsa 
de viagem pronta! 
— Sim, tenho certeza de que é exatamente o que seu bebê 
está esperando, você estar preparada com sua bolsa de viagem. 
— Não — outro aceno, outra inspiração profunda — está 
ajudando, Emilia. 
— Tudo bem — diz ela, de pé. — Levante. Vamos para o 
hospital. 
— O quê? — Eu bato nela. — Não. Estou lhe dizendo, não 
é nada. Eu saberia se estivesse em trabalho de parto. Eu… 
— Você está fazendo xixi no sofá?! 
Eu olho para baixo e, sim, há uma poça de fluido 
transformando o sofá cinza claro em um escuro. 
Oh não… 
— Uh, Emilia? Acho que posso estar em trabalho de parto. 
— Não brinca! Vamos, levante. Estamos indo. 
Ela me agarra, me ajudando a sair do sofá, jogando a bolsa 
por cima do ombro enquanto se apressa para colocar os 
sapatos. 
Outra contração me atinge. 
Oh meu Deus. 
Eu estive em trabalho de parto o dia todo e não percebi? 
Meu estômago tem doído mais ao longo do dia, mas eu não 
deveria estar em trabalho de parto ainda. Estou com apenas 38 
semanas. Eu ainda tenho tempo… 
— Ok, vamos lá — ela diz, me levando até a porta. 
— Meu telefone! 
— Seu…onde está? 
Eu aponto para o sofá, ainda tentando respirar com a dor, já 
que está durando cerca de um minuto de cada vez agora. 
— Preciso ligar… 
— Quem? Para quem você precisa que eu ligue? 
— Lowell. Eu preciso de Lowell. 
24 
Lowell 
Estou prestes a ser pai. 
Eu. 
Eu não posso acreditar. 
— Você não pode mover esta caminhonete mais rápido? Eu 
sei que ela está desmoronando, mas merda, você está dirigindo 
como se estivesse prestes a ser avô, não pai. 
Estamos a quinze minutos do hospital presos no trânsito. 
Está se movendo, mas não rápido o suficiente. 
Malditos dias de jogo. 
Eu mando um olhar na direção de Harper. 
— Eu só posso ir tão rápido quanto o tráfego. 
— O caralho que você pode. Coloque este bebê no ombro. 
Dê a volta. 
— Você tem alguma noção sobre as legalidades quando se 
trata de dirigir? 
— Não. 
— Lembre-me por que eu trouxe você de novo? 
— Uh, porque você precisa de mim! 
Eu solto uma risada. 
— Mais como você me pressionou. — Eu balanço minha 
cabeça. — Eu não sei o que há com vocês, mulheres Kelly, 
apenas se intrometendo nos negócios de outras pessoas. 
— Lowell, eu juro, eu vou beliscar seu mamilo se você não 
calar a boca e dirigir. Não quero perder o nascimento da minha 
sobrinha ou sobrinho! 
— E você acha que eu quero perder o nascimento do meu 
filho? 
— Então dirija! — Ela grita. 
E eu faço. 
Levo Fiona para o acostamento da estrada e acelero. 
Parecemos loucos. Completamente malucos. O que 
estamos fazendo é ilegal, e se os Comets não estiverem irritados 
por eu ter perdido o jogo sem cumprir o meu segundo dia fora 
do jogo, eles vão ficar muito irritados depois que descobrirem 
sobre isso. 
O telefone de Harper emite um sinal sonoro com uma 
notificação. 
— É Emilia — diz ela. — Ela diz que a colocaram em um 
quarto e estão esperando a médica. 
— Quão dilatada ela está? 
— Ugh, nojento. Não quero saber o tamanho do colo do 
útero da minha irmã. 
— Harper… 
— Tudo bem. É um três. 
— Está bem, está bem. Então, temos tempo. Isso é bom. 
Diminuo a velocidade da caminhonete enquanto inspiro 
profundamente pelo nariz, depois expiro pela boca. Estou 
nervoso pra caralho. Na verdade, a última vez que fiquei tão 
nervoso foi durante a final da Copa. Eu nunca teria contado 
aos meninos porque eles não precisavam me ver suar, mas eu 
estava enlouquecendo. 
Isso não é nada comparado a isso. 
— Você está fazendo Lamaze6? 
— O quê? Tenho assistido alguns vídeos no YouTube. Me 
processe. 
Hollis e eu passamos horas sentados em seu quarto 
aprendendo técnicas de respiração. Praticávamos até 
começarmos a rir. 
Então começávamos a nos beijar. E isso sempre levou a mais. 
— É fofo — ela diz. Ela estende a mão, apertando meu 
braço. — Você vai ser um bom pai, Lowell. 
Posso jurar que alguém está cortando cebolas nesta 
caminhonete porque lágrimas brotam dos meus olhos. Eu as 
seguro, fungando. Se Harper percebe, ela não diz nada, e eu 
gosto que ela não diga nada. 
— Você está animada para ser tia? 
— Sim. Eu vou ser incrível nisso. Já tenho um monte de café 
e açúcar em casa. 
 
6 Lamaze é um método com técnicas de respiração e preparação para o parto. 
— Tenho certeza de que você não deveria dizer aos pais que 
vai alimentar seus filhos com cafeína e açúcar. 
— Oh. Bem, então, eu definitivamente não tenho nenhum 
café ou açúcar em casa. Absolutamente zero. 
Eu bufo, então ligo a seta do carro. Posso ser um idiota por 
dirigir na beira da estrada, mas pelo menos tenho algumas boas 
maneiras. 
Entramos no estacionamento e encontramos uma vaga. 
Então, eu me sento lá. Eu sento lá porque estou tendo um 
ataque de pânico completo e total e, ai meu Deus, eu não posso 
acreditar que isso está realmente acontecendo agora. Eu não 
posso acreditar que isso está acontecendo quando Hollis e eu 
não nos falamos há dias. 
Achei que teria mais tempo. Achei que ainda teria semanas 
para convencê-la de que estou loucamente apaixonado por ela 
e quero passar o resto da minha vida mostrando isso a ela. 
— Lowell? Você está bem? Você parou de Lamazear. 
Eu rio com isso porque não é uma palavra real e isso quebra 
minha tensão. 
— Estou bem. Eu estou apenas… 
— Eu sei — ela diz. — Entendo. Mas você precisa tirar a 
cabeça da bunda e entrar lá. É um esforço de equipe e vocês 
precisam apoiar uns aos outros agora. Sua garota, minha irmã, 
está esperando por você. Não faça ela fazer isso sozinha. 
Eu sorrio para ela. 
— Sabe, você não seria tão ruim atrás do banco. Nós 
poderíamos precisar de uma motivadora como você. 
— Eu sei. Agora, vá dizer à minha irmã que você a ama. 
— Sim, treinadora. 
 
— Estou procurando por Kelly. Hollis Kelly. 
— Quem é você? — A enfermeira na estação pergunta. 
— O… namorado. E o pai. 
— Oh! — Ela diz animada. — Nós estávamos imaginando 
quando você chegaria aqui. Me siga. Eu vou te levar até ela. Eu 
estava prestes a fazer meu check-in. 
Sigo a enfermeira baixinha pelo corredor, fazendo Lamaze 
durante todo o caminho. 
— Boa técnica — diz ela por cima do ombro, empurrando 
a porta aberta. 
Toda a minha técnica sai pela janela quando vejo Hollis 
deitada na cama. Ela parece… bem, fodidamente linda. 
E com dor. Seus olhos estão bem fechados e ela está 
segurando seu estômago, tentando arduamente inspirar e 
expirar pelo nariz. Ela faz isso pelo que parece uma eternidade, 
e tudo o que posso fazer é assistir. 
— Oh! Graças a Deus! Você está aqui! — Emilia diz atrás de 
mim, entrando na sala carregando dois copos grandes cheios de 
gelo, um refrigerante debaixo do braço. — Ela está morrendo 
de vontade de um pouco de água. 
Eu não acho que Hollis ouve nada disso porque quando a 
contração finalmente diminui e ela abre os olhos, ela parece 
completamente chocada ao me ver. 
— Cameron, você está… 
— Eu te amo. 
As palavras simplesmente saem dos meus lábios. Tão rápido 
e tão aleatoriamente que até a enfermeira para o que está 
fazendo e olha por cima do ombro para mim. 
Eu a ignoro, entrando mais no quarto. 
— Eu te amo, Hollis. Estou apaixonado por você. Tipo, 
realmente apaixonado por você. Na verdade, acho que posso te 
amar mais do que amo hóquei. — Dou mais alguns passos, me 
aproximando da cama onde ela está olhando para mim com 
olhos arregalados e vidrados. — Mas eu não te amo mais do que 
nosso bebê, e espero que você possa entender isso. 
Ela dobra os lábios, mal segurando um soluço. 
Eu não aguento. Eu tenho que tocá-la. 
Corro pelo resto da distância em passos apressados e seguro 
seu rosto em minhas mãos. Olho para aqueles olhos azuis 
profundos e escuros dos quais não me canso, os que nunca irei 
me cansar. 
— Eu só preciso que você saiba que eu te amo, ok? 
Ela acena com a cabeça, e então, eu a beijo. 
Eu não me importo se eu não devo beijá-la agora. Eu não me 
importo se ela está brava comigo. 
Eu tenho que beijá-la. Eu não posso ficar aqui e não beijá-la. 
Felizmente, ela me beija de volta com tanto fervor. 
— Você está aqui — ela diz quando eu me afasto, algumas 
lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Eu beijo essas também. 
— Estou aqui. 
Eu a beijo novamente, e depois mais uma vez por garantia. 
— Tudo bem, pai — diz a enfermeira, rindo de nós. — 
Precisamos verificar algumas coisas. Fique à vontade ali no 
canto, certo? 
Eu me movo para o outro lado da cama, não soltando a mão 
de Hollis enquanto a enfermeira a examina e garante que tudo 
esteja bem. 
— Bem, estamos indo bem. Estamos em quatro centímetros 
agora. Ainda temos algumas horas, então apenas descanse, tudo 
bem mamãe? 
Hollis acena com a cabeça, já parecendo cansada. 
A enfermeira promete que mais pessoas vão entrar e sair, 
depois vai embora. 
Emilia aponta para a porta. 
— Eu vou dar a vocês dois um pouco de privacidade. Deixe-
me saber quando posso começar a tocar Bon Jovi. 
— Bon Jovi? 
— Você sabe, quando estivermos halfway there e livin’ on a 
prayer.7 — Ela pisca, então fecha a porta atrás dela, deixando 
Hollis e eu sozinhos pela primeira vez em uma semana.Eu solto um suspiro e olho para ela. Mesmo um pouco 
suada e cansada das contrações, ela é fodidamente 
deslumbrante. 
— Oi — ela sussurra baixinho. 
— Oi. 
Então eu apenas olho porque ela está aqui e eu estou aqui e 
nós estamos tendo um bebê e eu não consigo entender isso. 
Não sei quanto tempo ficamos assim, mas é tempo 
suficiente para que o dia se transforme em noite e o luar brilhe 
pela janela diretamente sobre ela. Ela se parece exatamente 
como ela estava naquele jardim, e acho que eu a amava mesmo 
naquela época. 
— Sinto muito — digo a ela, as palavras saindo de mim. — 
Eu sinto muito. Eu sou um idiota por sugerir que você faria 
qualquer coisa para prejudicar nosso bebê. Eu só estava… 
— Assustado — ela fornece para mim, assentindo. — Eu sei. 
Eu também estava. Eu também estou. 
Eu solto um suspiro porque me faz sentir melhor saber que 
ela está com medo disso também. 
 
7 Referência à música de Bon Jovi “Livin’ On A Prayer”. “Estamos quase lá / 
Vivendo de preces” 
— Eu não planejei isso, sabe? Eu tenho sido tão contra 
relacionamentos, amor e todas as besteiras que os acompanham 
por tanto tempo. Tenho colocado o hóquei em primeiro lugar 
e tento esquecer que as pessoas têm a capacidade de quebrar 
você. Mas ao longo do caminho, esqueci que existe todo esse 
outro lado do amor. Esqueci todas as partes boas, aquelas que 
fazem você se sentir no topo do mundo. Esqueci todas as partes 
que fazem com que seja tão bom quanto levantar um troféu 
sobre minha cabeça. 
— Não é qualquer troféu, é o troféu do Super Bowl. 
Eu olho para ela, e ela ri. 
Porra, eu senti falta dessa risada. 
Ela fica sóbria, apertando minha mão. 
— Eu sei o que você quer dizer, Lowell. O pensamento de 
me colocar de volta no mercado depois do meu divórcio me fez 
querer vomitar. Inferno, ainda me dá vontade de vomitar. 
Achei que teria mais tempo antes de pular em outra coisa que 
mudaria a minha vida. Achei que teria tempo para descobrir o 
que deu errado antes, para descobrir o que quero da vida. Mas 
isso — ela coloca a mão na barriga — isso é o que eu quero. Não 
é o que eu planejei, nem de longe, mas nunca fiquei tão feliz 
por algo acontecer. E estou feliz que tenha sido você. 
— Estou feliz que sou eu também. Mesmo se nós não 
dermos certo juntos, estou tão feliz que meu bebê sempre terá 
você. 
— É um bebê de sorte, hein? 
— O mais sortudo. — Eu beijo sua mão, tentando ignorar o 
jeito que minhas mãos estão definitivamente tremendo agora. 
— Nós somos totalmente loucos por isso, certo? 
— Absolutamente loucos. 
— Tudo bem. Ouvi dizer que louco é quente. 
Eu pisco, e ela ri. 
— Miller? — Eu concordo. — Era de se imaginar. Eu não 
posso acreditar que estamos aqui agora. 
— Eu sei. 
— Eu não posso acreditar que você me ama. 
— Eu amo. 
— E eu não posso acreditar que eu te amo também. 
Suas palavras não deveriam me chocar. Não dadas as 
circunstâncias. 
Mas elas chocam. 
Elas me chocam porque… isso? 
Isso é o que Smith estava falando o tempo todo. 
Isso é o que estava faltando. 
Elas. 
 
— Ok, uau. Esse é o pacotinho mais fofo de todos os tempos. 
Harper murmura para a bebê aninhada em segurança em 
seus braços. É a mesma coisa que ela tem feito nos últimos 
trinta minutos, não deixando uma única pessoa ter a chance de 
segurá-la. 
Hollis finalmente deu à luz logo após a meia-noite. 
Vê-la dar à luz a nossa filha ficará para sempre gravado em 
minha mente. Não apenas porque foi completamente nojento, 
absolutamente ninguém pode negar isso, mas porque eu juro 
que me fez apaixonar ainda mais por ela vendo seu poder 
através disso. 
— Já decidiram o nome? — Collin pergunta, olhando por 
cima do ombro de Harper. 
Ambos foram incapazes de parar de olhar. 
— Miller! — O próprio cara diz. — É totalmente unissex. 
Eu reviro os olhos. 
— Não é Miller, mas nós resolvemos algo. Você quer dizer a 
eles? 
— Você pode dizer — diz Hollis, parecendo exausta, mas 
tão incrivelmente linda, de uma só vez. 
— Freddie Olivia Lowell. 
Harper olha para sua sobrinha recém-nascida. 
— Freddie. É perfeito. 
Todos eles clamam ao redor dela novamente, olhando para 
a bebê de forma diferente com o nome dela. 
— É perfeito, você sabe — diz Hollis, sorrindo para mim. 
— Eu sei. E você também. — Eu pisco. 
— Você sabe que não podemos fazer sexo por seis semanas, 
certo? 
— Estou ciente… 
— Então, por que você está dizendo tantas coisas legais? 
Eu me inclino, pressionando minha testa contra a dela. 
— Porque eu estou apaixonado por você… querida. 
Ela suspira. 
— Eu vou deixar você se safar dessa vez, mas só porque você 
me deu uma linda garotinha. 
— Inferno de passe único, certo? 
— O melhor passe único da minha vida. 
— Eu te amo, Hollis. 
— E eu te amo... Cameron. 
EPÍLOGO 
Hollis 
Eu estava certa. 
Cerca de um mês depois que Freddie nasceu, minha mãe 
arrumou minha casa de infância, aquela que guardava tantas 
lembranças boas e ruins para ela, e se mudou para o outro lado 
do estado para ficar mais perto de sua nova neta. Ela é obcecada 
por Freddie. 
Honestamente, não posso culpá-la, também sou obcecada. 
Se eu achava que amava minha garotinha quando ela era 
apenas uma pequena vibração dentro de mim, eu estava errada. 
Esse amor não é nada comparado a ver minha bebê crescer. 
Já se passaram nove meses desde que minha filha nasceu, e 
ainda não consigo acreditar que sou mãe. Eu não posso 
acreditar que eu criei e carreguei um pequeno humano e agora 
eu posso ver esse bebê florescer pelo resto de sua vida. 
Freddie ri do outro lado da sala, o som chamando minha 
atenção. Seus pequenos braços estão estendidos em direção ao 
pai, e eu não posso deixar de sorrir quando ele a arranca das 
mãos de sua avó, soprando beijos em seu pescoço gorducho. 
— Você está tão apaixonada por ele. É nojento. 
Olho para minha irmã, que está observando Lowell com seu 
próprio sorriso. 
— Quem é você para falar. — Viro meus olhos para o 
marido dela, que está ao lado de Lowell, fazendo caretas para 
Freddie. — Você está tão apaixonada por ele. 
— Sim. Eu estou. — Ela suspira sonhadora. — Você 
acredita que é aqui que estamos? 
— Nem um pouco. 
— Você é mãe. 
— E você é uma esposa. 
— E logo você vai ser uma esposa... certo? — Ela levanta as 
sobrancelhas em questão como se eu estivesse guardando 
algum tipo de segredo. 
Eu rio, em seguida, mostro minha mão para ela. 
— Ainda sem anel. 
Ela suspira de novo, só que desta vez é menos melancólico e 
mais irritado. 
— Idiota. 
Esses dois últimos anos foram os mais tumultuados da 
minha vida entre encontrar meu ex-marido me traindo, me 
divorciar dele, ficar grávida de um caso de uma noite e depois 
me apaixonar pelo dito passe único. Acrescente morar com 
Lowell e se ajustar à maternidade, além de ser a namorada de 
um jogador profissional de hóquei, e, sim, tem sido um passeio 
louco. 
Mas se Lowell perguntasse… eu diria que sim em um piscar 
de olhos. 
Assim como eu pensava que amava Freddie antes que ela 
nascesse, se eu achava que o amor que eu tinha por Lowell era 
forte antes de nossa bebê vir a este mundo, eu estava 
completamente errada. Vê-lo se tornar pai levou meus 
sentimentos por ele a um nível totalmente diferente. 
Acho que nunca vou esquecer a primeira vez que ele teve 
que sair para um jogo fora de casa depois que Freddie nasceu. 
Durante o parto? Nem uma única lágrima, mas sair do lado de 
Freddie pela primeira vez? Ele perdeu. Ele chorou por dez 
minutos antes de finalmente sair pela porta para pegar o voo. 
Seu treinador lhe deu um sermão, mas Lowell jura que gastar 
esses minutos extras com sua filha valeu a pena. 
Esse foi o primeiro momento em que me apaixonei ainda 
mais por ele. Houve cerca de cem outros momentos desde 
então que me fizeram me apaixonar ainda mais forte. 
Como quando ele chegou em casa às duas da manhã depois 
de um jogo fora de casa e insistiu em ficar de plantão noturno 
com Freddie, que estava lutando para dormir a noite toda. 
Quando saímos para umencontro e meus seios começaram 
a vazar pelo meu vestido, mesmo que ele não estivesse vestindo 
uma camiseta, ele tirou a camisa para que eu pudesse cobrir. Ele 
nem se importou que ele tivesse que ficar sem camisa sob o 
paletó durante o resto do nosso jantar. 
E mesmo agora, hoje, ele está andando por aí vestindo 
aquela camisa boba que comprei para ele no primeiro Natal 
que passamos juntos, nem um pouco envergonhado pelas letras 
em negrito O PAI MAIS GOSTOSO DO HÓQUEI DO 
MUNDO. 
Como se ele soubesse que estamos falando sobre ele, os 
olhos de Lowell encontram os meus, e um sorriso enorme 
ilumina seu rosto. Ele se aproxima de nós, Freddie em seus 
braços. Ela estende a mão para mim, mas Harper entra em cena, 
roubando-a. 
— O quê? Você não quer a mamãe. Você quer a tia Harper! 
As tias são muito mais legais do que as mães — ela diz, roçando 
seu nariz contra o de Freddie enquanto sua sobrinha ri e 
balbucia algumas bobagens. 
— Mães e tias são legais e tudo mais, mas os tios que são os 
melhores! — Collin declara, roubando Freddie dos braços de 
sua esposa. Ele a coloca em seu tapete, caindo no chão e 
empilhando blocos enquanto Freddie assiste com empolgação. 
Ela sabe exatamente o que está por vir. 
Harper e Collin ainda são firmemente contra ter seus 
próprios filhos, mas isso não significa que eles não sejam 
constantes completas na vida de Freddie. O número de vezes 
que tive que implorar para minha irmã passar um tempo com 
a minha própria filha é um pouco ridículo se você me 
perguntar. Ambos estão aqui em nossa casa sem parar, 
roubando toda a atenção de Freddie. 
— Tios honorários também — acrescenta Rhodes, 
sentando-se de joelhos ao lado deles e pegando Freddie no colo 
para recriar uma cena de Godzilla enquanto ele a derruba pelos 
blocos. 
Harper, Ryan e minha mãe se sentam no sofá, rindo 
enquanto se revezam jogando blocos e monstros com ela. É o 
jogo favorito dela. 
Não há uma única alma nesta sala que ousaria dizer que 
Freddie não é amada. É tão óbvio pela forma como ela atraiu a 
atenção de cada pessoa, incluindo o sempre mal-humorado 
Smith, que é reconhecidamente um pouco menos mal-
humorado nos dias de hoje. 
Lowell desliza os braços em volta da minha cintura, 
deixando cair o queixo para descansar na minha cabeça. 
— Eles estão tão apaixonados por ela — diz ele, 
pressionando um beijo na minha têmpora. — Assim como eu 
estou tão apaixonado por você. 
— Isso foi incrivelmente brega. Diga isso de novo. 
Ele ri. 
— Eu estou tão apaixonado por você. — Ele deixa cair os 
lábios no meu ouvido e estende a mão sobre a minha barriga 
ainda plana. — Por vocês três. 
Posso não estar guardando segredos sobre um noivado, mas 
estou guardando outro. 
Estou grávida. 
Nós não planejamos isso, mas ficamos significativamente 
menos chocados desta vez. 
— Você acha que eles vão amar o segundo tanto quanto a 
primeira? — Eu sussurro para ele. 
— Eu não sei como eles não poderiam. Nós fazemos bebês 
fofos. 
Eu sorrio para Freddie, seus cachos escuros saltando 
enquanto ela ri com todo o seu corpo. 
— Isso nós fazemos. 
— Você acha que vamos amar o bebê tanto assim? 
— Sim. Mas eu tenho que admitir, eu vou te amar um 
pouco menos. 
Minhas sobrancelhas se juntam, e eu olho para ele. 
— Você irá? 
— Sim, mas só porque vou ter que abrir espaço no meu 
coração para outra garota. Não é nada pessoal. 
Meu coração pula uma batida. 
— Acho justo, mesmo que não seja uma menina. 
Ele levanta as sobrancelhas. 
— Você realmente quer apostar contra mim, dado o meu 
histórico? 
— Você tinha 50% de chance de estar certo. Não é tão 
impressionante. 
— Não? Bem, se você não está impressionada com isso, 
deixe-me mostrar algo que vai impressioná-la. — Ele empurra 
seus quadris em mim, e não há como confundir a sensação de 
seu pau contra minha bunda. 
— Lowell! — Eu assobio. — Temos companhia! 
— Uh, sim, vocês tem, e eu vou fingir que não testemunhei 
tudo isso. — Emilia acena com a mão em nossa direção 
enquanto passa por nós, sentando-se no sofá entre Miller e 
Smith. 
Miller desliza o braço pelas costas do sofá atrás dela, mas o 
remove com a mesma rapidez quando vê o olhar que Smith está 
direcionando para ele. 
Eu junto meus lábios, tentando não rir. 
— Já podemos mandar todos para casa? — Pergunta 
Lowell. 
Desta vez eu rio. Lowell sempre foi uma pessoa 
notoriamente reservada, a ponto de apenas cinco pessoas no 
time saberem onde ele morava, mas agora temos uma rotação 
quase constante de pessoas entrando e saindo, especialmente 
aos domingos, quando organizamos um brunch sempre que os 
Comets estão em um trecho de jogo em casa. 
— Eles acabaram de chegar. 
— Então? Estou pronto para ter você sozinha novamente. 
— Você acabou de me ter sozinha. 
Ele corre o nariz ao longo do meu pescoço. 
— Não foi suficiente. Mas, para ser justo, nunca será 
suficiente. 
— Tenho certeza que você vai se cansar de mim 
eventualmente. 
— Sem chance. — Ele dá um beijo no meu pescoço. — Para 
sempre, lembra? 
— Eu lembro. 
— Lembra? Porque se você precisar de um lembrete, terei 
prazer em assinar um acordo juridicamente vinculativo para 
garantir que você não esqueça. Você sabe, um com anéis e tal. 
Eu inclino minha cabeça para cima, encontrando seus olhos 
verdes, que geralmente são tão certos e tão confiantes. 
— Você acabou de me pedir em casamento? 
— Não. Sim. Mais ou menos? 
— Mais ou menos? 
— Quero dizer… — Ele passa a língua pelos lábios. — É 
isso... é isso que você quer? 
Não acontece com frequência, na verdade, só o vi assim duas 
vezes, mas Lowell está nervoso. 
— É isso que você quer? — Eu ecoo. 
— Eu perguntei a você primeiro. 
Ele sorri, e eu reviro os olhos. 
Ele ri disso. 
— Sim. É o que eu quero. 
— Porque estou grávida? 
Suas sobrancelhas se juntam. 
— Não. Eu… Não. Na verdade, acho que queria isso desde 
o momento em que nos conhecemos. 
— Você queria se casar comigo quando eu dei um soco em 
você? 
— O que posso dizer? — Ele dá de ombros. — Eu gosto das 
loucas. — Ele pisca. — O que você diz, querida? Quer se casar? 
— Você está falando sério? 
— Completamente. 
Eu pisco para ele, atordoada. 
— Não brinca comigo… — Eu aviso, estreitando meus 
olhos. 
— Eu nunca faria isso. Eu já sei que você tem um gancho de 
direita malvado. 
— Cameron… estou falando sério. 
— Eu também estou. 
Ele se afasta de mim... e cai sobre um joelho. Ele enfia a mão 
no bolso, exibindo um lindo anel de lágrima. 
Minha mão voa para minha boca porque eu não estava 
esperando isso hoje. 
— Eu te amo, Hollis, mais do que eu já amei alguém, além 
de Freddie, em toda a minha vida. Case comigo. 
— Eu… — Olho para os outros, que agora estão todos nos 
observando atentamente, monstros e blocos completamente 
esquecidos. Eu olho de volta para Lowell, que está sorrindo 
para mim com um sorriso que é totalmente confiante demais. 
Ele sabe, porque é claro que sabe, que vou dizer… 
— Sim! 
Todos na sala explodem em um coro de alegria. 
Lowell dá um beijo rápido na minha barriga antes de ficar 
de pé, me lançando em seus braços e me enchendo de beijos. 
— Você estava planejando isso? — Pergunto. 
— Este exato momento? Não, mas já tenho o anel há algum 
tempo. 
— Quanto tempo é algum tempo? 
— Nove meses. 
— Mas isso é… 
Ele tem isso desde que Freddie nasceu. 
— Alguém quer dar os parabéns à mamãe e ao papai. 
Eu agarro Freddie de Harper, aconchegando minha bebê 
perto. Lowell envolve seus braços em torno de nós duas, e acho 
que este pode ser o meu momento favorito de nós. 
— Ma... mãe. 
Eu suspiro, lágrimas brotando em meus olhos. 
— Oh meu Deus! Ela disse mamãe! 
— Agora diga papai. — Lowell tenta persuadi-la. 
— Ma... mãe — Freddie diz novamente, sorrindo. 
— Diga papai. 
Ela apenas sorri para ele. 
— Ah! Mamãe vence. Mamãe é a favorita — eu provoco. 
— Tudo bem, querida — diz Lowell, beijando sua cabeça, 
mas mantendo os olhos nos meus para que eu possa ver o puro 
amor nadando neles. — Mamãe é a minha favorita também. 
Eu menti. 
Este é o meu momento favoritode nós. 
ONE-TIMER - 
CENA BÔNUS 
AVISO: 
A cena bônus a seguir é NSFW. 
Se você quiser saber o que aconteceu durante aquela noite… 
Hollis 
 Minha respiração já difícil fica mais violenta quando Lowell 
abre a porta de seu quarto de hotel e a realidade do que estamos 
prestes a fazer realmente se instala. 
Eu entro no quarto, Lowell seguindo de perto atrás de mim. 
O estalo da porta se fechando atrás de nós é alto. Quase tão alto 
quanto meu coração martelando no meu peito. 
Ele dá um passo para as minhas costas e não há dúvida de 
seu pau duro pressionando contra minha bunda. Tenho 
certeza que é da intensa sessão de amassos que tivemos no 
elevador no caminho até aqui. 
Ele desliza as mãos em volta da minha cintura, me puxando 
de volta contra ele. Eu suspiro quando sua boca encontra meu 
pescoço exposto. 
— Você está bem? 
Eu concordo. 
— Sim. 
Mas… estou? 
Lowell crava os dentes no meu pescoço e a mordida vai 
direto para entre minhas pernas. 
Oh sim. Estou bem. 
Ele ri sombriamente com o pequeno barulho que me deixa. 
— Eu diria que sim. 
Eu quero ficar irritada com sua arrogância, mas neste caso, 
é justificado. 
O jeito que ele me faz sentir com apenas um toque de seus 
lábios… Deveria ser um crime alguém fazer alguém se sentir tão 
bem, especialmente quando você sabe que não vai durar. 
Mas não quero pensar nisso agora. 
Ele me gira em seus braços, esmagando sua boca na minha 
sem aviso prévio. 
Está bem. Eu não quero um aviso para isso. 
Lowell empurra sua língua pelos meus lábios, invadindo 
minha boca como se ele pertencesse ali. Nós nos movemos 
juntos em sincronia, cada um recebendo e dando, enquanto ele 
me empurra para a cama. 
A parte de trás dos meus joelhos bate no colchão e com um 
leve empurrão de Lowell, eu caio de costas nele. 
Ele encaixa seu corpo sobre o meu, caindo entre minhas 
pernas como se ele fosse feito para caber. Seus lábios encontram 
os meus mais uma vez e estou perdida nele. 
Ele arrasta beijos pelo comprimento do meu pescoço, 
depois de volta para os meus lábios, alternando entre mordidas 
provocantes e lambidas calmantes. 
— Preciso provar você — ele murmura, puxando meu 
vestido para baixo apenas o suficiente para meus seios se 
soltarem. Eu nunca estive mais animada por não estar usando 
sutiã. 
Sua boca se fecha ao redor do meu mamilo e estou quase 
envergonhada pelo som que sai de mim. 
Se ele percebe, ele não diz nada. Ele está muito focado em 
mostrar aos meus seios a atenção pela qual eles estão morrendo 
de vontade. 
Thad nunca gostou dos meus seios, sempre reclamando do 
tamanho ou da falta deles, e isso sempre me deixava 
constrangida. 
A boca de Lowell em volta do meu mamilo? Eu não me 
sinto insegura de forma alguma. 
Eu me sinto apreciada. 
Eu não tenho ideia de quanto tempo ele passa beijando 
meus seios ou quanto tempo passa até que suas mãos deslizam 
para baixo dos meus lados, empurrando meu vestido já 
amarrotado ainda mais alto. 
Eu não poderia contar os segundos que leva para ele puxar 
minha calcinha pelas minhas pernas se eu tentasse. 
E não poderia, nem se fosse por minha vida, somar os 
momentos que leva para ele enterrar o rosto entre minhas 
coxas, deslizando a língua sobre minhas partes mais sensíveis. 
Nenhum de nós tirou a roupa. Meu vestido de dama de 
honra está enrolado na minha cintura e ele está vestindo seu 
terno, seus joelhos cavando no chão de um quarto de hotel 
enquanto ele me come como se eu fosse sua última refeição que 
ele mal podia esperar para chegar. 
É quente de uma forma que eu não esperava. 
Ele murmura algo ao meu redor que soa muito com doce 
para caralho, embora eu não possa ter certeza. Estou muito 
perdida na sensação de sua língua deslizando sobre meu clitóris 
repetidamente. Muito envolvida na forma como seus dedos se 
unem a sua boca, deslizando em minha boceta encharcada com 
facilidade. 
Parece incrível. 
Ele parece incrível. 
Ele suga meu clitóris em sua boca, e eu gemo, batendo 
minhas mãos em seu cabelo, segurando-o em mim enquanto 
me aproximo cada vez mais de um orgasmo. Se ele 
simplesmente… 
— Oh Deus — eu sussurro, embora soe mais como um 
gemido. 
Ele ri contra mim, e no segundo em que as vibrações 
atingem, vejo estrelas. 
Tipo, fodidas estrelas legítimas atrás dos meus olhos. 
Minhas pernas balançam ao redor de sua cabeça como 
nunca antes e tenho certeza de que estou puxando seu cabelo, 
mas não me importo, e acho que ele também não. 
Quando os tremores finalmente diminuem, ele desliza os 
dedos do meu corpo e se recosta, respirando pesado. Eu 
empurro meus cotovelos, olhando para ele bem a tempo de vê-
lo limpar a evidência do meu orgasmo de seus lábios. 
Seus olhos estão vidrados enquanto ele se levanta. Ele 
encaixa sua boca sobre a minha mais uma vez e eu sinto meu 
gosto nele enquanto ele me puxa para os meus pés. Ele puxa o 
zíper do meu vestido para baixo, em seguida, empurra o 
material para longe até que ele se acumule em meus pés. Ele tira 
o paletó, então trabalha nos botões de sua camisa. Eu 
provavelmente deveria ajudá-lo a se despir, mas eu mal estou de 
pé, o auge do meu orgasmo me deixando inútil. 
Quando ele quebra nosso beijo, o olhar em seus olhos é 
caloroso. 
— Suba na cama, Hollis. Mãos e joelhos. 
Eu não discuto. 
Eu rastejo para a cama enquanto ele empurra suas calças 
para baixo em suas pernas fortes. 
Eu olho bem a tempo de ver seu pênis livre de sua cueca e 
santo inferno. É lindo. Ele é lindo. Todas as linhas duras de seus 
músculos definidos. Seu corpo é incrível e estou ansiosa para 
sentir o peso dele contra mim. 
Ele me observa observá-lo, sua mão indo para seu 
comprimento duro, acariciando-o várias vezes enquanto seus 
olhos me fitam. 
Eu poderia vê-lo se masturbar o dia todo, mas não quero 
isso. 
Eu quero ele. 
— Lowell? 
— Hum? — Ele diz, tirando os olhos da minha bunda. 
— Me fode logo. 
Ele geme com minhas palavras, e elas o estimulam 
exatamente como eu esperava que fizessem. Ele se abaixa para 
pegar sua carteira para um preservativo. 
Ele faz uma pausa por um momento, e me pergunto se ele 
está tendo dúvidas, mas quando estou prestes a perguntar se 
está tudo bem, ele se vira para mim e abre o pacote. 
Ele rola o preservativo, então sobe atrás de mim, suas mãos 
passando sobre minha bunda. O calor irradia dele enquanto ele 
desliza atrás de mim, seu pau roçando minhas bandas. Ele se 
inclina sobre mim, pressionando beijos suaves no meio das 
minhas costas. Eu tremo com o toque, saboreando-o. 
Ele não perde isso. 
— Você é linda, Hollis — ele sussurra, me beijando 
novamente. 
Outro arrepio quando ele desliza um dedo dentro de mim. 
Eu aperto seu dedo, precisando de mais. 
— Porra — ele murmura. — Aposto que sua boceta vai ser 
incrível apertando meu pau. 
— Será. Então continue com isso. 
Ele ri sombriamente. 
— Impaciente. 
— Muito. Faz muito tempo desde que eu estive… 
As palavras se transformam em um gemido quando ele 
desliza dentro de mim sem aviso prévio. 
— Oh Deus — eu murmuro. 
Outra risada suave. 
— Você continua me chamando assim e eu talvez tenha que 
mudar meu nome. 
— Cameron? 
— Sim? 
— Cale a boca e me fode logo. 
Ele ri, então me ataca... com força. 
E ele não para. Ele me fode com uma paixão. Nossos corpos 
batendo juntos em um ritmo que me faz perseguir outro 
orgasmo em poucos minutos. 
Ele alcança ao meu redor, pressionando dois dedos no meu 
clitóris, e é tudo que eu preciso. 
Meu orgasmo me atinge do nada e ele está certo, é incrível 
apertar seu pau. 
Meus braços começam a tremer quando meu segundo 
orgasmo da noite drena toda a minha energia e Lowell percebe. 
Sem aviso, ele me vira de costas, então entra de volta em mim 
como se nunca tivéssemos perdido o impulso. 
Ele coloca uma perna em seu ombro enquanto bate em mim 
sem nenhum preâmbulo. Uma e outra vez. Seus olhos se 
fecharam com força. 
Ele está perto, mas posso dizer que ele está se segurando. 
Saboreando isso. Eu gostaria de ter saboreado também, já que 
esta é a única vez queteremos juntos, mas não havia nenhuma 
maneira de eu ter me segurado como ele. 
— Cameron… 
Seu olhar se encaixa no meu e é tudo o que precisa, sua 
vontade quebra e ele goza. 
Eu o alcanço, puxando sua boca até a minha. Nossos lábios 
se encontram e ele empurra sua língua na minha boca, 
movendo-a contra a minha enquanto ele diminui seus 
movimentos, tirando cada gota que pode. 
Ele puxa sua boca da minha, roçando beijos suaves contra 
meus lábios antes de se afastar completamente. Ele levanta da 
cama, tirando o preservativo e jogando-o na lixeira ao lado da 
mesa. Ele sobe de volta na cama ao meu lado e envolve seus 
braços em volta de mim, me puxando até que eu esteja colada 
ao seu lado. 
Um silêncio inquieto cai sobre o quarto. 
Não sei qual é o protocolo aqui, especialmente porque 
nunca fiz isso antes. 
Devo dizer obrigada? Saio agora ou depois? Eu não tenho 
ideia. 
— Pare. 
— Huh? 
— Pare de pensar nisso — diz ele calmamente. — Descanse. 
— Descansar? 
— Sim. Você vai precisar. 
Eu rio, olhando para ele. 
— Segundo round? 
Ele encontra meus olhos. 
— Eu não tenho outro preservativo. Mas há muitas outras 
coisas que podemos fazer. — Ele me envia um sorriso 
diabólico, em seguida, pressiona um beijo suave na minha testa. 
— Descanse. 
Ele se vira, depois fecha os olhos. 
Por mais cansada que esteja, sei que não vou conseguir 
dormir de jeito nenhum, não com Lowell ao meu lado. 
Não quando me sinto mais viva do que já me senti em toda 
a minha vida. 
E especialmente quando não tenho ideia de como vou 
embora sabendo que nunca mais me sentirei assim. 
Algo me diz que acabei de cometer um grande erro. 
AGRADECIMENTO
S 
Meu marido, o fuzileiro naval. Quando este livro completar 
um mês, estaremos juntos por 15 anos. Alguns dias, eu não 
posso acreditar que conseguimos. Mas em outros? Em outros 
dias eu sabia que daríamos certo o tempo todo. Eu te amo. 
Laurie. Obrigada por estar sempre lá quando eu preciso de 
você e por me manter no caminho certo. 
Minha mãe e irmãs. Obrigada por sempre estar lá quando 
eu preciso desabafar. Eu amo todas vocês. 
Minha equipe de edição. Literalmente não poderia ter 
feito isso sem vocês. 
#almagêmea. Eu não poderia fazer isso sem você e seu apoio 
constante. Eu te amo e obrigada por sempre me mostrar seus 
peitos. *piscadela* 
Os Blogueiros, Bookstagrammers e BookTok. Seu 
suporte é incomparável. Seu trabalho duro não passa 
despercebido por mim. Obrigada por tudo. 
Meus Tidbits. Vocês são minhas pessoas favoritas para 
passar o tempo na internet. 
Leitor. Obrigada por confiar em mim com esta trope nova 
para mim. Espero que você tenha amado Lowell e Hollis tanto 
quanto eu amei ao escrevê-los. Mal posso esperar para enfrentar 
minha próxima trope nova em SIN BIN. 
Com amor e gratidão inabalável, 
Teagan

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