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Para Tash Drake. Você vai fazer muita falta. Obrigada por tudo. Descanse em paz. TABELA DE CONTEÚDOS AVISO — BWC 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 EPÍLOGO ONE-TIMER - CENA BÔNUS AGRADECIMENTOS AVISO — BWC Essa presente tradução é de autoria pelo grupo Bookworm’s Cafe. Nosso grupo não possui fins lucrativos, sendo este um trabalho voluntário e não remunerado. Traduzimos livros com o objetivo de acessibilizar a leitura para aqueles que não sabem ler em inglês. Para preservar a nossa identidade e manter o funcionamento dos grupos de tradução, pedimos que: • Não publique abertamente sobre essa tradução em quaisquer redes sociais (por exemplo: não responda a um tweet dizendo que tem esse livro traduzido); • Não comente com o autor que leu este livro traduzido; • Não distribua este livro como se fosse autoria sua; • Não faça montagens do livro com trechos em português; • Se necessário, finja que leu em inglês; • Não poste – em nenhuma rede social – capturas de tela ou trechos dessa tradução. Em caso de descumprimento dessas regras, você será banido desse grupo. Caso esse livro tenha seus direitos adquiridos por uma editora brasileira, iremos exclui-lo do nosso acervo. Em caso de denúncias, fecharemos o canal permanentemente. Aceitamos críticas e sugestões, contanto que estas sejam feitas de forma construtiva e sem desrespeitar o trabalho da nossa equipe. 1 Hollis Casamentos devem ser dias felizes. Eles devem ser preenchidos com sorrisos, amor e lágrimas de alegria. Casamentos não devem ser preenchidos com tristeza infinita e lágrimas suficientes para encher um maldito vaso decorativo. Mas aqui estou eu, sentada no meu carro, chorando porque minha irmãzinha vai se casar com o amor de sua vida neste fim de semana e eu acabei de assinar meus papéis de divórcio no início da semana. Eu não posso me forçar a sair e enfrentar tudo isso. Não me interpretem mal, estou mais do que emocionada pela minha irmãzinha. Harper sempre foi cética quando se trata de amor, então o fato de ela estar prestes a subir ao altar e trocar votos é algo monumental. É um negócio ainda maior porque ela está se casando com a estrela da NHL, Collin Wright, mas essa é uma conversa totalmente diferente. Vê-la ter uma vida perfeita que ela nunca quis quando eu era a garotinha que planejou seu casamento aos cinco anos de idade e pensou que tinha encontrado o felizes para sempre? Sim, dói. Não tanto quanto descobrir que seu marido tinha uma amante e eles estavam dormindo juntos antes de você se casar, mas ainda dói. Limpo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, frustrada por elas – minhas lágrimas e meu ex-marido e sua amante. Por mais embaraçoso que tenha sido quando Harper chegou em casa para contar a minha mãe e a mim que ela estava noiva, eu chorei também. Na frente dela. Tipo, realmente caí em lágrimas como uma terrível irmã mais velha. Depois de toda aquela confusão, não tem como eu entrar assim. Outra lágrima escorre pelo meu rosto, e eu a limpo. Não vou estragar o grande fim de semana da minha irmã com minhas lágrimas bobas. Uma velha caminhonete surrada, tocando música tão alto que está chacoalhando as minhas janelas, vem balançando para o estacionamento, chicoteando no espaço ao lado do meu como se pertencesse aqui. Eu sei, de fato, que não pertence. Minhas sobrancelhas se unem em frustração porque o idiota nem se incomoda em diminuir a música. Ele não sabe que duas pessoas que estão loucamente apaixonadas estão lá dentro para ensaiar uma cerimônia para que amanhã possam começar uma nova vida juntos? Ugh. Um conjunto de lágrimas frescas escorre pelo meu rosto com o pensamento. Fecho os olhos com força, tentando afastar os pensamentos do que perdi, depois enxugo o rosto de novo, que tenho certeza que está uma bagunça. Eu abaixo o parasol para verificar o pequeno espelho dentro e, sim, estou uma bagunça. Listras pretas correm pelas minhas bochechas e uma bagunça de maquiagem fica embaixo de cada olho. Tudo porque meu rímel favorito não estava disponível na versão à prova d'água porque claro que não estava. Não é uma grande surpresa, no entanto. Nada deu certo desde que fui enganada pelo meu ex-marido traidor. Bateram na traseira do meu carro e o motorista fugiu... em um estacionamento que não tinha câmeras. Fui detida por furto porque o caixa não queria acreditar em mim que a embalagem da barra de chocolate no carrinho não era minha e eu estava me sentindo mesquinha o suficiente para discutir. Ah, e aquele corte de cabelo que eu dei a mim mesma? Um massacre, deixando-me com um chanel curto, o que eu não queria. Foram dois meses desafiadores, para dizer o mínimo. O único ponto positivo é que este divórcio não foi arrastado por mais tempo do que o necessário. Thad me concedeu o divórcio quando percebeu que eu tinha cópias de suas mensagens. Você pensaria que, sendo um advogado, ele teria feito um trabalho melhor em cobrir seus rastros, mas não. Ele deixou tudo exposto, bem ali para eu ver. Uma parte de mim se pergunta se ele fez isso de propósito. A maneira como ele agiu nos meses que antecederam nosso casamento, como ele não estava envolvido no planejamento e estava provocando brigas, deveria ter sido uma bandeira vermelha, mas eu estava muito presa nos anos que coloquei em nosso relacionamento e no que eu queria para o meu futuro para ver o que isso era. Mentiras. Tudo foram grandes mentiras. Eu deveria ter ouvido minha melhor amiga, Emilia, quando ela disse que Thad era um babaca em quem não se podia confiar. Claro, ela disse isso quando estava bêbada, mas há verdade em nossas divagações embriagadas, certo? — O nome dele é Thad, Hollis. Isso deve dizer tudo o que você precisa saber sobre o babaca. Em retrospectiva, ela estava certa. Eu gostaria que ela estivesse aqui agora. Ela sempre me faz rir. Mas eu tenho que sofrer esta noite sozinha. Amanhã, porém... amanhã nós beberemos. E, em seguida, beberemos um pouco mais. Já sei que vou precisar. Com um suspiro, eu estendo a mão pela minha BMW – um presente de Thad, já que ele não queria que suas transgressões voltassem para seus amigos da empresa – para abrir o porta- luvas. E… nada. Nem uma maldita coisa. — A única vez que eu não tenho dez bilhões de guardanapos da Starbucks enfiados lá… Eu fecho com força, então inclino minha cabeça para trás contra o assento, tentando não chorar mais uma vez. Eu não preciso de uma bagunça ainda maior para limpar. — Ugh. Controle-se, Hollis. Você está sendo ridícula. É apenas um guardanapo. É isso. É um guardanapo. Lágrimas ardem em meus olhos de novo porque não é apenas um guardanapo, é um casamento também, um casamento pelo qual certamente vou chorar, e não exatamente pelas razões certas. Fecho os olhos para bloquear todos os pensamentos negativos que estão passando pela minha mente e respiro fundo. Então repito. E um… — OH MEU DEUS! Eu olho para a velha caminhonete ao meu lado, aquela maldita música ainda chacoalhando minhas janelas. Com os amassados, arranhões e o para-choque pendurado pelo que parece ser uma linha de fita adesiva, não entendo como a caminhonete em si não se partiu com o volume da música. As janelas são escurecidas, mas não tão escuras que eu não consiga ver o interior. O motorista está recostado no banco sem se importar com o mundo, um par de óculos escuros cobrindo os olhos, parecendo que não vai se mexer tão cedo. Esse idiota está sendo sério? É irritante. Ele é irritante. Aposto que Harper e Collin devem estar lá dentro agora se perguntando o que diabos é esse barulho alto e desagradável. Eu serei amaldiçoada se esse idiota arruinar o ensaio da minha irmãzinha. Eu empurro a porta do meu carro aberta, marcho para o lado do motorista da caminhonete do idiota, e bato minha palma contra a janela. Ele não se move. O quê… Eu bato najanela novamente. Nenhuma reação. Nem mesmo um estremecer. Esse idiota está dormindo? Eu bato na janela uma terceira vez e... nada. Eu bufo, revirando os olhos para o céu. Então, porque estou completamente fora de mim, bato uma última vez, só que não há janela, e me conecto com o rosto do estranho, derrubando seus óculos escuros. Eu… acabei de bater em uma pessoa! — Ah, merda! — Eu grito, retraindo minha mão e posicionando na minha boca. Acabei de me divorciar, minha vida está uma bagunça, acabei de bater em uma pessoa e agora provavelmente vou para a cadeia por agressão. Minha vida pode ficar pior? O cara, que parece vagamente familiar, mas não consigo identificá-lo, mexe a mandíbula para frente e para trás com o golpe inesperado. Ele levanta sua grande mão, seus longos dedos acariciando o local onde minha palma acertou seu rosto. Seu peito sobe e depois desce com um suspiro pesado. Eu prendo a respiração enquanto ele lentamente, como em um ritmo glacial lento, puxa seus óculos de aviador para baixo e me perfura com os olhos verdes mais deslumbrantes que eu já vi. Eles são tão únicos e bonitos que eu suspiro audivelmente. Felizmente, evitando ainda mais constrangimento, minha mão ainda está firmemente sobre minha boca, então duvido que ele ouça. Seus lindos olhos que são da cor de pinheiro se estreitam, e mesmo isso não é suficiente para me fazer parar de olhar para eles. Eles são tão diferentes de tudo que eu já vi antes. Não é a cor que os torna tão únicos. É a dor e os segredos que estão escondidos dentro dos redemoinhos que os fazem se destacar. Esse cara passou por coisas que o endureceram. Uma carranca simpática puxa meus lábios porque eu posso entender. Já passei por coisas que me endureceram também. — É sério isso, porra? E assim, minha simpatia se foi. Seu tom é agudo e sombrio. E sim, tudo bem, ele pode ter uma razão para estar irritado desde que eu tecnicamente bati nele, mas ainda assim, ele é o idiota que veio correndo para o estacionamento quando há um ensaio de casamento lá dentro. Rude por si só, mas especialmente rude, já que ele nem pertence aqui. — Estou falando sério. Seu gosto de merda para música é alto e perturbador e você não tem porque estar aqui. Não é um gosto de merda para música. Eu amo a música. Todo mundo adora a música que está tocando. É um crime não amar Queen, mas não vou admitir isso para o idiota. Ele levanta uma sobrancelha escura. — É mesmo? — É mesmo. Este é um evento privado. — Evento privado, hein? — Sim e… Ele zomba… então aperta o botão para subir a janela de volta, efetivamente me interrompendo. Minha mandíbula afrouxa enquanto olho para a caminhonete, observando-o desaparecer novamente. Quem diabos esse cara pensa que é? Estou prestes a bater na maldita coisa de novo, mas não tenho a chance. O ronco alto de seu veículo morre abruptamente, e ele abre a porta. Eu pulo para trás para não ser atingida por ele, embora eu ache que seria justo se eu fosse atingida. Ele desliza para fora da caminhonete e se eleva sobre mim. Ele é tão alto que eu literalmente tenho que inclinar minha cabeça para trás para olhar para ele. Ele estende a mão e vira o boné de beisebol em sua cabeça para trás, e estou irritada comigo mesma por achar a ação remotamente atraente, especialmente porque esse cara é um completo idiota. Mesmo que ele esteja usando aqueles malditos óculos escuros de aviador novamente, eu posso sentir seu olhar quente. Eu o encaro de volta, cruzando os braços sobre o peito, recusando-me a recuar. Eu tento não pensar em quão ridícula eu provavelmente pareço agora. Eu sou pelo menos quinze centímetros mais baixa do que ele, embora eu esteja usando salto alto e toda arrumada em um vestido longo para o ensaio. — Este é um evento privado. Que parte de privado você não está compreendendo? Aponto de volta para a placa que diz claramente que o estacionamento está fechado, mas ele não parece se importar. Não. Seus lábios se contraem. Ele está se divertindo, e isso me irrita ainda mais. Ele se recosta em sua velha caminhonete suja e cruza os braços sobre o peito como se estivesse se acomodando e não planejando sair quando claramente não deveria estar aqui. — Eu acho que tudo. Você pode explicar o que a palavra privado significa? Eu zombo. — Significa que você não está convidado. Você não pertence aqui. Ele concorda. — E como exatamente você sabe que eu não pertenço aqui? Pelo o que eu sei, é você que não pertence aqui. Eu aceno com a mão a minha roupa. — Meu traje diz o contrário. — Entendo, e por que seu traje é tão importante? — Ha! — Eu aponto um dedo para ele. — Se você pertencesse aqui, isso nem seria uma pergunta. Você saberia exatamente por que estou vestida como... — Como se você tivesse um pau na bunda? Pela segunda vez desde que conheci esse homem, suspiro audivelmente com suas palavras. Um pau na minha bunda? Thad costumava ficar irritado sempre que eu usava algo muito decotado em um dos muitos jantares de clientes que tínhamos de comparecer. Aprendi rapidamente que não queria criar problema e deveria me cobrir. Eu nunca pensei que meu guarda-roupa gritasse que eu tenho um pau na minha bunda. Eu estreito meus olhos para ele, escolhendo ignorar seu golpe. — Você precisa sair antes que eu chame a segurança. Não faço ideia se este lugar tem segurança, mas ele não sabe que eu não sei. Ele ri, e é um som baixo e profundo. — Vá em frente. Chame. Eu não gosto da confiança em suas palavras. Ele parece muito certo de que não há ninguém para quem eu possa ligar. — Eu vou. — Bom. Eu vou esperar. Ele afunda ainda mais contra a caminhonete, me observando. Esperando. E esperando. — Bem? — Ele pergunta, arqueando uma sobrancelha. — Você vai ligar? — Eu não tenho meu telefone. — Tudo bem. Você pode usar o meu. Ele enfia a mão no bolso de trás e pega o iPhone mais recente, e estende na minha direção. Eu olho para ele com surpresa, o dispositivo é o oposto do que ele está dirigindo. Ele não parece que deveria ter a última geração de qualquer coisa, não quando sua caminhonete está literalmente sendo mantida junta com, caramba, são braçadeiras ao redor do espelho? — Vá em frente. Ligue. — Ele sacode o telefone para mim. Quando não alcanço o dispositivo, um sorriso lento surge em seus lábios. — Oh, eu entendi. Você nunca ligaria. Você estava apenas tentando me assustar, hein? — Não. Eu vou ligar. Ele mexe o telefone novamente, e eu não pego. Ele solta outra risada baixa, então desliza o telefone no bolso de trás. Seus braços voltam sobre o peito, e seus lábios estúpidos são puxados em um sorriso estúpido. — Ouça, querida, eu… — Eu não sou sua querida. Eu não sou nada sua. — Eu caminho em direção a ele, lábios curvados com o apelido indesejado, e não paro até que estou a poucos metros de distância, meu dedo apontado firmemente para ele. Ele não parece nem um pouco assustado. Na verdade, ele parece divertido por ter me irritado, e isso me irrita ainda mais. — Você está invadindo um evento privado, e eu… Ele levanta a mão, me parando. — Deixe-me ver se entendi. Você me bateu e você está com raiva de mim? — Eu não bati em você de propósito! E a única razão pela qual eu bati em você é porque eu estava tentando fazer você desligar sua maldita música porque este é um evento privado e você está… — Deixe-me adivinhar… estou invadindo? — Ele balança a cabeça, então se afasta da caminhonete, inclinando-se para baixo até que estejamos no nível dos olhos. Nossos narizes estão quase se tocando neste momento, e eu deveria estar totalmente assustada porque esse cara é um estranho. Mas eu não estou. Estou com muita raiva para ficar assustada. Eu também não deveria estar notando que seu lábio inferior é maior que o superior ou quão macios seus lábios parecem. Mas eu noto. Só por um segundo. Então, ele abre esses lábios, e todos os pensamentos dequalquer coisa que não seja raiva voam pela janela. — Bem, eu tenho novidades para você, querida: eu não estou invadindo. Eu… As portas do local se abrem, chamando nossa atenção. — Oh meu Deus! Você está aqui! — Minha irmãzinha bate palmas, pulando nos calcanhares animadamente, o maior sorriso no rosto. Eu não posso deixar de sorrir de volta para ela. Collin está logo atrás dela, com as mãos nos bolsos, observando-a com um sorriso no rosto enquanto ela desce as escadas em minha direção. Harper me puxa para um abraço, e eu a aperto de volta, derretendo em seu calor. Por um momento, quase esqueço tudo o que acabou de acontecer e o idiota parado a poucos metros de mim. Ela se afasta, me olhando. — Você parece… — Como uma bagunça? Eu sei. — Eu limpo o rímel que está acumulado sob meus olhos. — Desculpe. Foi meio que uma manhã emocional. Um sorriso simpático puxa em seus lábios, e eu odeio isso. Não quero a simpatia dela. Especialmente não neste fim de semana. Eu aceno com a mão. — Chega disso. Estou tão feliz por você, Harper. Seu sorriso triste fica radiante sem mais nem menos. — Obrigada. Estou tão feliz por mim também. E estou tão feliz que vocês dois já se conheceram — ela diz, acenando para o cara de pé atrás de nós. — Que bom que você encontrou — Collin diz, dando um tapinha em seu ombro e me trazendo de volta à realidade. — Quase não encontrei. — O cara sorri quando diz isso, e é como se eles estivessem em algum segredo que o resto de nós não conhece. — Por que é bom que nos conhecemos? — Eu pergunto, olhando para os três, sem entender como eles se conhecem. — Este é o companheiro de time de Collin com quem você estará andando pelo corredor, duh. Agora vamos — ela diz, enlaçando seu braço no meu e me arrastando em direção ao prédio. — Vocês estão atrasados e temos alguns treinos para fazer. Este é o meu parceiro para o fim de semana? Este cara? Aquele que eu dei um soco na cara? Ele é um jogador profissional de hóquei? Eu olho de volta para ele, observando enquanto ele lentamente sobe as escadas atrás de nós, aquele sorriso presunçoso que ele não consegue remover firmemente no lugar. Puta que pariu. 2 Lowell Collin tem sorte de ser como um irmão para mim porque, caso contrário, de jeito nenhum eu aguentaria essa merda. Primeiro eu tenho que passar o fim de semana inteiro com meus companheiros de time no período fora de temporada. Não me entenda mal, eu amo esses caras, mas também amo meu tempo sozinho. E agora ele está me dizendo que eu tenho que passar o fim de semana com a garota que me deu um soco na cara minutos atrás. Claro, eu estava errado por entrar no estacionamento com minha música tocando como um maníaco, mas não acho que isso justifica ser atingido na cara por uma estranha. Especialmente não no estacionamento do meu próprio negócio. Olho para a minha agressora. Ela está com a cabeça jogada para trás rindo de algo que Emilia, a gerente de mídia social da equipe, está dizendo. Olhando para ela agora sem todo o rímel escorrendo pelo rosto e o olhar enlouquecido em seus olhos, é claro que eu deveria ter percebido o fato de que esta é a irmã de Harper. É óbvio que elas são parentes. Seus rostos têm a mesma forma, e elas têm os mesmos lábios carnudos, o mesmo nariz empinado. Inferno, até a cor do cabelo delas é do mesmo tom de marrom. Elas parecem que poderiam ser gêmeas em vez de ter a diferença de idade de dois anos que eu sei que existe entre elas. E como eu sei todas essas informações? Collin. O cara nunca cala a boca sobre sua futura esposa. Mas suponho que isso é de se esperar quando você encontra a sua pessoa. Eu pensei que tinha encontrado a minha pessoa uma vez. Ah, como eu estava errado. Muito, muito, embaraçosamente errado. Hollis deve sentir meu olhar porque ela olha para mim, e aquele sorriso que ela estava usando é substituído por uma carranca profunda em questão de milissegundos. A mudança é tão drástica que me faz rir. O que, claro, a irrita ainda mais. É como se ela estivesse irritada com a minha mera existência. Ela olha para mim, e meu sorriso se abre ainda mais. Eu rio quando ela vira as costas para mim completamente. Fizemos vários ensaios para o casamento amanhã, e cada vez que eu tinha que dar os braços com Hollis, ela ficava mais rígida e ficava mais longe de mim. Não demorou muito para Harper perceber, e ela puxou Hollis de lado. Não tenho ideia do que elas conversaram, mas quando passamos pela quarta vez, foi muito mais tranquilo. Agora que terminamos de praticar, Hollis voltou a ser fria como gelo. Engraçado, porque eu deveria ser aquele que está irritado, dadas as circunstâncias de nossa apresentação. — Já está se divertindo? Meu companheiro de time, Rhodes, desliza ao meu lado. Ele toma um gole de sua taça de champanhe, então solta um longo suspiro como se estivesse tão exausto com tudo isso quanto eu. O que é ainda mais engraçado sabendo que de todos nós, ele é o que se casou mais vezes. Olho para a cicatriz em seu rosto e momentaneamente me sinto mal porque, mesmo depois de tanto tempo conhecendo- o, ainda é a primeira coisa que meus olhos vêem. Acho que quando você tem uma cicatriz logo abaixo do olho, descendo pela bochecha e cortando os lábios e é tão marcada e irregular quanto a dele, é meio que esperado. Se ele percebe, ele não diz nada. Em vez disso, ele toma outro gole, olhando para a pequena multidão à nossa frente. Não há muitas pessoas, apenas cerca de vinte e cinco, mas parece uma centena dado o quanto eu não quero estar aqui agora. Eu dou grunhido em resposta à sua pergunta. Ele ri. — Parece que você está se divertindo tanto quanto eu em multidões. Um dos nossos melhores defensores no Carolina Comets, Adrian Rhodes, não é exatamente conhecido por ser social. Ele é tão notório por pular entrevistas quanto por suas estatísticas no gelo. Ele não gosta de imprensa, e ele certamente não gosta de multidões. Inferno, antes de sua esposa, Ryan, aparecer, tivemos que lutar com unhas e dentes para conseguir que o cara fosse tomar uma cerveja conosco, seus próprios companheiros de time, depois de um jogo. Embora ainda tenhamos que convencê-lo a sair com mais frequência, houve muitas vezes no ano passado que ele disse sim sem que estivéssemos pressionando muito. Mas ainda assim, o cara odeia multidões. Para mim, não são tanto as multidões; é apenas o evento. — Estou feliz que Ryan não me fez usar gravata. Eu recebo o suficiente disso durante a temporada. Porra, nem me diga. Se eu pudesse queimar meu terno e gravata, eu o faria. Eu sei que alguns caras adoram se vestir para jogos, mas eu não sou um deles. E é exatamente por isso que eu usei um par de jeans escuros e uma camisa de botão. Eu já tenho que me vestir para este evento amanhã. Eu não vou fazer isso hoje também. — Cara, eu estou feliz que nunca tivemos que passar por toda essa formalidade de para o nosso casamento. — Quero dizer, para ser justo, você se casou em Vegas... duas vezes. Ele sorri como se estivesse pensando nisso. — E eu faria isso de novo em um piscar de olhos. — Mesmo a primeira vez? — Especialmente a primeira vez. Isso me levou a Ryan. Eu faço uma careta para o amor de tudo isso. Rhodes percebe e ri do meu desconforto. — Sabe, é meio engraçado que, como um cara que odeia tanto relacionamentos, você é co-proprietário de um dos locais de casamento mais populares com sua irmã. — Confie em mim, eu vejo a ironia nisso também. Não muito tempo atrás, minha irmã mais nova, Stacie, veio até mim com a ideia de abrir um local de casamento ao lado da cervejaria que possuímos juntos na minha cidade natal, que fica a cerca de duas horas da arena em que jogo. Eu admito, foi preciso um pouco de convencimento para eu concordar com a ideia de montar um local para casamentos. Somos uma cervejaria, por que precisamos realizar casamentos? Mas quando ficou claro para mim que era algopelo qual ela era apaixonada, achei justo apoiá-la. Afinal, ela abriu mão de muito de sua infância pelos meus sonhos e aspirações de jogar hóquei profissional. Então, lançamos um novo prédio e conectamos os dois com uma enorme área de estar ao ar livre, que é facilmente transformada no cenário perfeito de recepção ao ar livre. Eu nunca pensei que estaria hospedando o casamento do meu companheiro de time aqui, mas Harper se apaixonou pelo lugar mesmo sem saber que era meu negócio, já que não é realmente algo que eu anuncio. Sou mais um co-proprietário silencioso, especialmente durante a temporada de hóquei. Ela ficou mais do que emocionada quando eu dei a eles o desconto para amigos e familiares, o que significa que eu não cobrei um centavo deles pelo local. Então, eles estarem me torturando com todas essas outras besteiras é realmente injusto. Não é nada contra Collin e Harper. Estou feliz por eles. O que eles têm parece ser uma das raras ocorrências, algo real. Assim como o que Ryan e Rhodes têm. Não, meu problema tem a ver com meu desdém pelos relacionamentos em geral. Amor e eu? Não nos damos muito bem. Minha irmã acha que estou sendo teimoso e que preciso seguir em frente. Isso é fácil para ela dizer. Não foi ela que foi levada a acreditar que engravidou uma mulher, a pediu em casamento, anunciou para o mundo que ele propôs, depois descobriu que era tudo falso e nada mais que uma armadilha para conseguir seu dinheiro de hóquei profissional. Uma armadilha em que caí direitinho. A pior parte? Na verdade, pensei que estava apaixonado por ela... e sei que estava apaixonado pelo bebê que nunca existiu. Eu não apenas lamentei a perda do meu relacionamento; eu lamentei a perda de um futuro que nunca foi realmente meu, e não estou prestes a me lançar em outro relacionamento. Ser queimado assim uma vez foi o suficiente para mim, obrigado. Então eu mantenho as coisas leves e casuais nesse departamento. O passe único não é bom apenas no gelo. É mais ou menos assim que eu vivo. — Ok, pergunta séria, mais alguém notou a falta de gatinhas nessa coisa? Nós dois nos viramos para Miller, que está examinando a multidão com o cenho franzido. — Primeiro — Rhodes lhe dá um tapa na nuca —, não. Pare de tentar pegar mulheres. Em segundo lugar, não diga gatinhas. É estranho. — Primeiro, ai. Seu cuzão. — Miller esfrega no local. — Segundo, não estou tentando pegar mulheres agora. Estou apenas fazendo reconhecimento. — Reconhecimento? — Para amanhã — ele elabora. Eu reviro os olhos. — Você é exaustivo. — E com tesão. Muito tesão. Solitário também. — Sim, mas tenho certeza que sua mão direita não está — comenta Rhodes, nem mesmo se preocupando em esconder seu sorriso por trás de sua taça de champanhe. — Exatamente! Esse é meu problema. — Ele levanta a mão. — Está ficando cansada. Tenho certeza de que está calejada, olhe! — Eu realmente prefiro não discutir seus problemas de masturbação, Miller — eu digo a ele. — Você prefere falar sobre porque você se atrasou? Era você quem estava se masturbando? Eu olho para ele. — Dificilmente. Não que eu fosse admitir isso para o idiota, mas posso simpatizar com ele. Meu pau viu minha mão mais do que viu uma boceta no último ano. Mas isso foi por escolha. Depois de vencer a Copa, eu queria tentar outra vez, e sabia que não poderia nos levar longe se não me concentrasse. Então foi isso que eu fiz. Joguei hóquei e tirei todas as outras distrações da mesa. Claramente, não foi suficiente. Fomos eliminados dos playoffs1 na segunda rodada. Mas não quero remoer sobre isso agora. — Por que você estava atrasado, no entanto? — Rhodes pergunta. — Não queria vir? — Bingo. — Até eu cheguei aqui antes de você, o que nunca acontece. Você sempre chega primeiro. Ele tem razão; não é como se eu faltasse nas coisas. Geralmente sou o primeiro no gelo de manhã e o último a sair todos os dias e depois de cada jogo. — Fui detido no estacionamento. Ele ergue uma sobrancelha questionadora. — O estacionamento? Aqui? — Sim. Você não sabe que estou invadindo? Eu sinto que deveria estar mais irritado com todo o encontro, mas pensando em como Hollis parecia totalmente 1 Torneio anual de eliminação para decidir o vencedor da Copa Stanley. insana do lado de fora da minha janela com manchas de rímel escorrendo pelo rosto, não posso deixar de rir. — Na sua própria propriedade? — Rhodes pergunta, parecendo tão confuso quanto eu quando fui abordado. — Aparentemente sim. — Isso soa… — Completamente louco? Sim, eu sei. Diga isso a maluca que me agrediu no estacionamento. — Alguém agrediu você no estacionamento? — Não qualquer pessoa. A irmã de Harper. Miller, em seu típico estilo dramático, engasga. — De jeito nenhum. — Sim. Acertou bem na minha cara. — Então, eu sei que ela deveria ser sua garota e tudo mais, portanto você tem as primeiras ordens, mas isso significa que você não tem chance com ela? Ela está disponível, então? — Rhodes e eu lançamos um olhar incrédulo para ele. — O quê? Ela é gostosa! — Gostosa ou não, ela é louca. Ele dá de ombros. — Louca pode ser divertido. — O que há de errado com você? Acabei de dizer que ela me agrediu. — Oh meu Deus! Eu não te agredi! Foi um acidente! Eu me viro para encontrar Hollis parada ali. Ela tem uma mão em seu quadril, seus lábios apertados enquanto ela olha para mim com os olhos cheios de ira. Eu menti mais cedo quando disse que ela está vestida como se tivesse um pau na bunda. Sim, claro, seu vestido cobre todos os seus bens e mais alguns, mas definitivamente a abraça em todos os lugares certos também. É sexy de uma maneira discreta, especialmente agora que ela tirou a maquiagem. Francamente, ela é linda, e é uma distração pra caralho. E irritante, porque não quero achá-la atraente. Ela é louca. Huh. Talvez Miller tenha razão sobre loucura, afinal… — Você realmente bateu nele? — Miller levanta a mão para cumprimentá-la. — Boa! Ele provavelmente mereceu. Ela ignora a mão dele, mantendo os olhos em mim. — Eu obviamente não sabia quem você era. — E você não se incomodou em tentar descobrir também. Você apenas assumiu que eu não pertencia aqui. Por quê? Por causa do meu veículo? — Aquela coisa é uma merda total — Rhodes entra na conversa. Eu admito, minha caminhonete não está na melhor forma. Mas é a mesma maldita caminhonete que tenho desde o momento em que completei dezesseis anos, e ainda não estou pronto para deixá-la morrer. Mesmo que eu possa comprar um veículo melhor, inferno, eu poderia comprar vários melhores, eu não posso desistir dela. Ela tem sido boa para mim, e eu sinto que devo isso a ela, mantê-la. — E-eu… — ela gagueja. — Bem, eu… — Você o quê? Me julgou? Tirou conclusões precipitadas? — Não! Sim! — Bem, qual é? Não ou sim? — Ambos. — Diga-me, você agride todo mundo que você não conhece com base nas conclusões que você tira? Sabe, pensando bem, havia muita força por trás daquele soco. Parecia meio premeditado para mim. Seus olhos se estreitam, sua mão se fecha ao seu lado. — Ah, acredite em mim, se eu quisesse bater em você, você saberia. Eu não conheço essa mulher, mas algo me diz que ela pode estar dizendo a verdade. Ela pode parecer um pouco certinha, mas por aquela atitude raivosa que ela mostrou no estacionamento, eu diria que ela é tudo menos isso. — De alguma forma eu duvido disso, querida — eu me pego dizendo apenas para provocá-la. A maneira como sua mandíbula trabalha para frente e para trás é um sinal de que ela não gosta nem um pouco. Agora, normalmente, tenho reflexos muito bons. Você não se torna um jogador da NHL sem eles. Eu geralmente posso ler as pessoas muito bem. Mais uma vez, jogador profissional de hóquei. É apenas um conjunto de habilidades que vem com o jogo. Mas em nenhum lugar, nem uma vez em todos os meus anos de treinamento e praticando um esporteprofissionalmente, estive preparado para esse momento. Como se estivesse acontecendo em câmera lenta e eu estivesse na platéia assistindo ao desenrolar na tela grande, Hollis levanta sua taça de champanhe... e joga o líquido diretamente no meu rosto. Miller e Rhodes saltam para trás bem a tempo, deixando-me ali encharcado e irritado. Hollis dá um passo em minha direção, seus olhos nublados e mais raivosos do que eu já os vi, o que diz alguma coisa. Quando ela fica na ponta dos pés, nossos narizes estão quase se tocando. É então que noto uma diferença fundamental entre ela e Harper, seus olhos. Poças de azul escuro cheias de raiva me encaram. Mas não é qualquer azul escuro, e não é apenas raiva. Há uma profunda tristeza solitária nadando lá também. Por um momento, uma parte de mim esquece tudo o que aconteceu no estacionamento e que estou coberto de champanhe. Por um momento, tudo o que sinto é empatia completa por ela. Eu sei como é essa tristeza profunda, e eu não gosto que ela esteja sentindo isso. — Eu. Não sou. Sua. Querida. Hollis gira nos calcanhares e se afasta, toda a sala saltando os olhos entre mim e ela recuando, tentando descobrir o que diabos aconteceu. — Cara — Rhodes sussurra no meu ouvido. — Que porra você fez com ela? Eu corro minha mão pelo meu rosto para limpá-lo, sacudindo o excesso de champanhe dos meus dedos. Alguns convidados me encaram por acertar gotículas neles, mas eu realmente não me importo. Aparentemente, eu tenho um problema maior. — Acho que acabei de irritar minha acompanhante para o fim de semana. — Sim, eu diria. — Ele solta uma risada sem humor. — Chegando. Ele abaixa a cabeça para o outro lado da sala onde Collin está correndo em minha direção enquanto sua futura esposa se aproxima da saída, correndo atrás de sua irmã. Ele não para até estar bem na minha frente, seu nariz queimando de raiva. Eu só o vi assim uma outra vez, e nessa vez, ele acabou algemado. Eu levanto minha mão para detê-lo. — Guarde isso. Eu não estou no clima. Ele dá um passo em minha direção de qualquer maneira, ignorando minha mão. — Eu não dou a mínima se você está de bom humor ou não. Eu também não me importo com o que foi tudo isso. Tudo o que me importa é que você conserte isso e que você conserte rápido. Com um suspiro, dou-lhe um aceno conciso, então sigo na mesma direção que Harper e Hollis foram, tentando o meu melhor para ignorar todos os olhares curiosos e murmúrios dos outros convidados. Parte de mim entende sua frustração comigo. Se alguém fosse ao casamento da minha irmã e estragasse tudo como eu acabei de fazer, eu provavelmente reagiria da mesma maneira. Mas nada disso é realmente minha culpa. Não fui eu que agi como um louco. Não fui eu quem estava julgando se alguém pertencia ou não a este lugar. Não sou eu quem bateu. Não fui eu que joguei champanhe na cara de alguém. Ok, tudo bem. Eu cutuquei e estimulei um pouco, mas ainda assim. Um pouco dramático, não? Eu entro no corredor, e meus olhos imediatamente vão para duas figuras no final dele. Hollis e Harper estão amontoadas, Harper com os braços em volta de sua irmã mais velha, consolando-a. Hollis está chorando, isso é óbvio. Seus ombros estão tremendo com seus soluços, e eles não estão exatamente quietos. Estou começando a suspeitar que tive muito pouco a ver com sua explosão no estacionamento e agora. Isso me faz sentir mal porque outra coisa está claramente acontecendo. O desejo mais estranho de andar pelo corredor e confortá-la vem sobre mim, e isso me faz parar de repente. Meus sapatos rangem contra o chão, e os olhos de Harper encontram os meus com o som. Ela estreita os olhos, balançando a cabeça para me impedir de chegar mais perto. Ela se afasta de Hollis, então murmura algo para ela que eu não consigo entender daqui. O que quer que ela diga, Hollis acena com a cabeça e enxuga os olhos. Hollis dá um último aperto na irmã antes de sair correndo pela porta da frente sem olhar para trás. Harper a observa ir por um momento antes de se virar para mim e voltar pelo corredor com o olhar mais raivoso que eu já vi dela. Ela só tem cerca de 1,60m, pequena comparada à minha estatura de 1,90m, mas porra, ela está assustadora agora. Eu abro minha boca para me desculpar com ela, mas quando ela levanta a mão, eu a fecho. — Qualquer pedido de desculpas ou contestação que você está prestes a me dar, guarde para Hollis amanhã. Ela está passando por muita coisa agora e não precisa de mais drama esta noite. — Ela dá outro passo em minha direção. — Mas se eu descobrir amanhã que você não se desculpou com minha irmã, vou fazer você pagar o inferno, e eu assisto muitos filmes de terror, então conheço muitos lugares bons para esconder um corpo onde eles não vão encontrar você por anos. Eu realmente não duvido que ela esteja dizendo a verdade. Então, eu aceno. — Entendido. — Bom. Agora vamos voltar para a festa. Para, você sabe, meu casamento amanhã. Com um último olhar, ela passa por mim. E eu sei que este fim de semana longo ficou muito maior. 3 Hollis — Oh meu Deus, você deveria ter visto o jeito que vocês dois caminharam até o altar. Vocês estavam tão duros! Ainda não consigo acreditar que você bateu nele. — Ele mereceu! Você poderia ter me avisado sobre ele, você sabe — eu reclamo para Emilia enquanto deslizamos até um dos muitos bares que este lugar tem. — Oh, vamos lá. Ele não é tão ruim — ela diz. — Na verdade, ele é realmente muito legal. Provavelmente um dos caras mais legais do time, para ser honesta. Ele sempre joga por coisas de caridade e é tão bom com todas as crianças. — Parece que você tem uma queda por ele. — Ha. Dificilmente. Quero dizer, o homem é insanamente gostoso? Sim. Obviamente. Duh. Mas você não quer mexer com jogadores de hóquei. — Ela diz isso como se estivesse falando por experiência própria, e eu tenho a sensação de que ela está. Emilia se mudou para cá há alguns anos depois que descobriu que seu namorado estava vivendo uma vida dupla com ela e a vizinha ao lado. Assim como eu, ela teve que largar tudo. Embora eu sentisse falta dela, eu não podia culpá-la por isso. Especialmente quando lhe ofereceram um cargo de gerente de mídia social em um time profissional de hóquei. No primeiro fim de semana em que ela morou aqui, ela teve um caso de duas noites com um cara misterioso, e algo em minhas entranhas me diz que foi um dos jogadores com quem ela trabalha, embora ela não confirme. — Espere... não é ele, é? — Oh… não. — Embora suas bochechas fiquem vermelhas. — Peça-me um vinho, sim? Vou correr para o banheiro bem rápido. Eu me sento em um banquinho e suspiro. Meus pés estão me matando, e eu não quero nada mais do que tomar um banho quente e mergulhar nele por horas. — Longo dia? — O barman pergunta, colocando um guardanapo na minha frente. — O mais longo. Acordei esta manhã com uma dor de cabeça terrível, sem dúvida por causa de todo o choro de ontem. Então, quando verifiquei minha conta bancária, como faço todas as manhãs porque sou responsável assim, percebi que alguém havia feito não uma, não duas, mas três compras no meu cartão sem minha autorização. Adivinha quem passou a manhã ao telefone com o banco para tratar disso? Eu. Então, o café que eu tinha entregue pelo serviço de quarto, uma ostentação por si só, não veio com creme, e quando liguei para a recepção para pedir um pouco, eles me disseram que estavam sem. O que significava que eu estava presa com café preto, e eu odeio café preto. Isso foi tudo antes mesmo de eu sair da cama. Eu também tive que lidar com minha irmã surtando com coisas de última hora, minha mãe surtando com coisas de última hora, e todo mundo surtando com coisas de última hora. E nem me fale sobre os olhares de pena que tenho recebido de todos que sabem que acabei de me divorciar. Foi um dia emocionalmente desgastante em muitos níveis. O barman ri como seentendesse a piada, mesmo que ele não tenha ideia de quanto esse dia realmente foi longo para mim. — O que eu posso trazer para você? — Você tem achocolatado? Não sei por que digo isso. Eu tinha toda a intenção de ficar bêbada esta noite, mas o vinho não parece atraente agora. Ele levanta as sobrancelhas, então lança um olhar para o bar. — Temos achocolatado esta noite, chefe? Chefe? Eu virei no meu banquinho para encontrar minha pessoa menos favorita no mundo agora. Na verdade, provavelmente minha segunda pessoa menos favorita no mundo agora, foda-se aquele idiota que roubou as informações do meu cartão de crédito. Prendo a respiração, esperando que ele diga algo estúpido, porque aparentemente é a única coisa que pode sair de sua boca. Mas para minha surpresa, ele não diz. Ele apenas olha para o barman e acena com a cabeça. — Sim, nós temos. O barman bate no balcão duas vezes e me diz que já vai voltar, então vai embora. Eu me viro para agradecê-lo pela bebida, mas as palavras morrem na minha língua quando percebo que ele está se levantando e movendo dois bancos para se sentar ao meu lado. Tipo bem ao meu lado. Tão perto que posso sentir o cheiro dele, e ele tem um cheiro divino. Quase como uma sugestão de algo amadeirado com apenas uma nota de laranja. Odeio que eu tenha gostado. Ele não diz nada enquanto se senta, seu calor me envolvendo como um cobertor que eu não pedi. De alguma forma, ele parece muito mais alto sentado ao meu lado do que de pé ao meu lado. Eu não achava que meus saltos me davam tanta altura, mas me sinto tão pequena sentada ao lado dele agora. — Você sabe que sua irmã e Collin pagaram por um open bar, certo? — Estou ciente. Ele levanta uma sobrancelha, esperando que eu explique. Não, porque tudo o que posso ouvir é a voz de Thad na minha cabeça. Ele costumava ficar tão bravo comigo quando eu pedia em suas funções de trabalho porque era “embaraçoso”. — Achocolatado, Hollis? Sério? Você é uma adulta, os adultos não bebem achocolatado. Cresça. Mas ele nunca soube que eu amo tanto achocolatado porque me lembra das manhãs cedo com meu pai. Ele se levantava, tomava um bule de café e lia o jornal. Ele me servia um copo de achocolatado e me entregava a seção de palavras cruzadas. Sentávamos calmamente à mesa da cozinha enquanto ele lia e eu trabalhava. Sempre foi uma coisa de conforto para mim. Sempre que estou em uma situação de alto estresse, tomo um copo de achocolatado para acalmar meus nervos. Isso me ajuda a voltar a tempos mais simples, quando eu era jovem, esperançosa e não percebia o quão cruel o mundo pode ser. Antes do meu marido acabar se mostrando nada melhor do que qualquer outro homem na minha vida e me traísse. — Ok — diz ele, e, chocantemente, abandona o assunto. Ele levanta a própria bebida de sua escolha, parece um coquetel de algum tipo, e toma um gole saudável. Sentamos um ao lado do outro em silêncio por um longo tempo. Quanto tempo, eu não tenho ideia, mas seria muito errado pedir ao cara para ir embora depois do que ele acabou de fazer por mim com o achocolatado. Além disso, acho que devo a ele depois de ontem. Eu tento não me encolher pensando nisso. Esse não foi um dos melhores momentos da minha vida. Eu não tenho ideia do que aconteceu. Minhas emoções levaram o melhor de mim. Eu já estava estressada com a situação, e ele e sua atitude presunçosa não melhoraram nada. — Olha, sobre ontem — ele diz como se pudesse ler minha mente. — Eu… Levanto a minha mão, parando-o. — Não precisa se desculpar. Sou eu quem deveria estar pedindo desculpas. Eu estava completamente fora de mim em muitos aspectos, e lamento isso. Estou passando por um momento difícil, mas não deveria ter descontado em você. — Eu não ia me desculpar. Eu empurro minha cabeça para trás. — Como é? — Eu não ia me desculpar. Eu só ia dizer que sinto muito por você estar passando pelo que quer que esteja passando, mas eu te perdoo por suas ações ontem. Cara, esse homem é engraçado. — Você está falando sério? — Você está falando sério? Porque pelo que me lembro, eu não estava fazendo nada além de cuidar da minha vida ontem. Você foi quem me atacou. Ambas as vezes. — Você provocou. — Ok, tudo bem — diz ele com um encolher de ombros. — Eu admito isso. — E eu admito que eu posso ter sido um pouco… — Louca? Errática? Completamente idiota? Eu estreito meus olhos para ele, mesmo que ele não esteja errado. Fui eu quem atacou ontem, literalmente, embora não pretendesse. Mas foi ele que me provocou. Ele deve assumir a culpa também. Estou cansada demais para continuar discutindo e me importando. Eu solto um longo suspiro. — Olha, é óbvio que começamos com o pé errado, e sim, talvez eu estivesse um pouco — enfatizo a palavra para que ele saiba que não sou a única culpada aqui — louca ontem, mas podemos começar de novo? Ele me olha com cuidado, aqueles cativantes olhos verdes dele saltando para frente e para trás entre os meus próprios olhos azuis. Me assistindo. Esperando. Eu não sei para quê, mas seu olhar penetrante é intenso o suficiente para me fazer mexer no meu assento. Não gosto de como isso não me traz conforto nem desconforto. Se alguma coisa, eu me sinto vista pela primeira vez em muito tempo. Depois do que parece uma eternidade, ele me dá um aceno lento. — Sim, podemos começar de novo. — Ele levanta sua bebida assim que o barman coloca um copo de achocolatado na minha frente. — A recomeçar? — A recomeçar. Nós brindamos com nossos copos. Tomo um gole do meu achocolatado enquanto ele toma o resto de sua bebida, então acena para o barman pedindo outra. — Você não se afastou de mim depois da cerimônia — diz ele, passando a mão pelo cabelo. — Estou impressionado. E impressionado que você não me bateu ou jogou champanhe em mim. — Bem, a noite ainda é uma criança — eu digo. — Isso é justo. — Ele limpa a garganta e passa a mão sobre a barba por fazer em seu rosto. — Acho que devo dizer que sinto muito. Eu mesmo fui um pouco... antagônico. — Um pouco? — Ok, muito. Eu só... não gosto muito de casamentos. — Não gosta muito de casamentos? Você não é o proprietário deste local? — Co-proprietário. — Ele concorda. — Com minha irmã, na verdade. Ela é quem queria usar a propriedade extra para casamentos. Achei que deveríamos apenas construir uma área de atividade ou espaço aberto para os food trucks pararem, mas ela estava certa sobre os números para um local de casamento. É muito mais lucrativo do que qualquer outra coisa. Ah, então ele é um desses caras, sempre sobre o dinheiro. Thad também era assim. Ele queria o melhor e mais recente, e queria antes que qualquer outra pessoa pudesse tê-lo. — Sim, tenho certeza que você está sofrendo por dinheiro, Sr. Superstar da NHL. — Ah, então você sabe meu nome. Eu estava começando a me perguntar. Eu reviro os olhos. — Eu sei seu nome, Lowell. Mesmo que a sala esteja mal iluminada, não perco a forma como seus olhos brilham quando digo seu nome pela primeira vez, testando-o em meus lábios e ouvidos. — Cameron. — Huh? — Meu primeiro nome, é Cameron. Eu estendo minha mão para ele. — Prazer em conhecê-lo, Cameron. Eu sou Hollis. Seus olhos brilham novamente quando ele aperta minha mão. — Prazer em conhecê-la, Hollis. Um arrepio percorre minha espinha quando meu nome sai de seus lábios. Ele diz isso como se estivesse xingando e beijando tudo de uma vez. Nós não puxamos nossas mãos para trás imediatamente. Na verdade, é seguro dizer que ficamos sentados segurando as palmas das mãos um do outro por muito mais tempo do que o apropriado. Eu não consigo me afastar e, aparentemente, ele também não. Eu não entendo, e baseado na forma como suas sobrancelhas afundam cada vez mais a cada segundo, ele também não. O barman coloca uma nova bebida na frente de Lowell, e finalmente quebramos o contato. — Então — eu digo, esfregando minha mão contra minhacoxa. Não tenho certeza se estou limpando seu toque ou tentando saboreá-lo. — Como exatamente uma estrela da NHL que não gosta de casamentos se torna dono de um local para casamentos? — Não é qualquer local de casamento, um local de casamento e uma cervejaria. — Ele dá de ombros. — Apenas algo divertido para investir. Eu realmente não tenho muito a dizer por aqui. Minha irmã é a verdadeira chefe. Não sei por que, mas gosto que ele não leve todo o crédito pelo negócio como a maioria dos homens faria. Eu gosto que ele foca a atenção em sua irmã. Embora eu tenha certeza de que sendo um jogador da NHL, ele recebe muita atenção. Ele não precisa disso também. — Acho que isso faz sentido, então. Mas se você não gosta de casamentos, por que deu a aprovação? — Porque era o que ela queria. — Ele diz isso como um fato, e eu gosto disso também. — Eu entendo. E você não gosta de casamentos porque… — E você estava chorando em seu carro ontem porque… — ele desafia. Bem, merda. Ele me pegou bem aí. Com base na maneira como ele sorri, ele também sabe. Ele leva sua bebida à boca, ainda olhando para mim com expectativa como se eu fosse derramar minhas entranhas com apenas um olhar. Sem chance. — Puxa, eu me sinto muito melhor. Eu tive que fazer xixi durante todos aqueles discursos. A propósito, o seu foi ótimo. — Emilia se joga no banco ao meu lado. — Oh, bom, você pediu o meu vinho. Exceto que eu não pedi o vinho dela. Esqueci disso no momento em que me sentei e percebi que Lowell estava aqui. Olho ao redor, tentando descobrir de quem veio, e não perco o jeito que o cara mais velho do outro lado do bar está olhando fixamente para este lado, os olhos firmemente em Emilia. Quando ele finalmente tira os olhos dela e percebe que eu estou olhando para ele, ele desvia o olhar. Emilia não percebe nada disso. Ela apenas pega seu copo, bebendo metade de uma vez antes de acenar para o meu. — Eles têm achocolatado aqui? — Eu me certifiquei de que eles trouxessem um pouco para ela. — Ah, ei, Lowell. Não te vi aí. — Emilia. — Seus olhos saltam entre nós. — Vocês duas se conhecem? — Você poderia dizer isso. — Emilia me dá uma cotovelada de leve, sorrindo. — Nós nos conhecemos desde a primeira série, o primeiro dia da primeira série para ser exata. Hollis era muito tímida na época e ficou tão nervosa no ônibus para a escola que vomitou na lancheira e não contou a ninguém sobre isso. Quando chegou a hora do almoço, me senti mal e dividi metade do meu sanduíche de manteiga de amendoim e geleia com ela. Somos melhores amigas desde então. Eu tento não reagir à história porque mesmo sendo apenas uma criança, ainda é embaraçoso. — Huh — diz Lowell. — É difícil imaginar Hollis tão tímida. — Eu posso imaginar que é para você. Ouvi dizer que ela bateu muito bem em você. — Claro que sim. É uma lutadora, essa aí. — Essa aí está sentada bem aqui — eu interrompo, olhando incisivamente para Emilia, que apenas sorri de volta para mim. — Vamos, vamos dançar. — Mas você odeia dançar. — Não, eu não odeio. — Sim, você odeia. Você mal dançou no seu casam... — Ela para no meio da frase, fechando a boca, percebendo que talvez agora não seja um bom momento para falar sobre isso. — Você tem razão. Você adora dançar. Vamos dançar. — Ela engole o resto de seu vinho em um gole, então pula do banco. — Além disso, eles estão tocando Queen, e você ama Queen. No momento em que ela diz isso, meus olhos encontram os de Lowell, e seu olhar verde está dançando de tanto rir. — Ama eles, hein? — Ele diz. — Pensei que fossem... como você os chamou mesmo? Merda? Emilia suspira. — Ela nunca falaria isso! Ela é obcecada por eles. — É mesmo, Hollis? Eu dou de ombros, e ele balança a cabeça com um sorriso que acho encantador demais enquanto Emilia me arrasta para longe. Pela primeira vez desde que o conheci, não tenho certeza se quero ficar longe dele. 4 Lowell Eu me sinto como um maldito esquisito agora. Eu estive sentado no bar nos últimos vinte minutos apenas assistindo Hollis e Emilia dançando na pista. Elas estão rindo de alguma coisa, o que, eu não sei, mas não posso deixar de notar que esta versão de Hollis é exatamente o oposto da versão que conheci ontem. Honestamente, ela é confusa como o inferno. E intrigante. Eu odeio que ela seja intrigante porque isso me faz querer conhecê-la. Eu não quero querer conhecê-la. — Você parece uma merda esmagada de cachorro. — Obrigado. Eu esperava que alguém notasse o quanto eu trabalhei para ter uma boa aparência hoje. Smith ri, sentando-se no banco ao meu lado. — Isso tem alguma coisa a ver com a briga que você começou na noite passada? — Um, não foi uma briga. Dois, como você sabe disso? Você não estava lá. Ele levanta um ombro. — A notícia se espalha. — Miller? — Seu sorriso é resposta suficiente, e eu balanço minha cabeça. — Maldito novato. — Eu bebo o resto do meu coquetel e aceno para o barman pedindo outro. — Não é sobre ontem à noite. É só... outra merda. — Outra merda tipo aquela garota que você está olhando? Meus olhos voltam para a pista de dança no meio do pátio. Hollis tem os braços para cima enquanto ela balança a bunda de um lado para o outro. Honestamente, ela é uma dançarina horrível. Sem ritmo e não sabe mexer o corpo de jeito nenhum. Mas por alguma razão, eu ainda não consigo desviar o olhar. — Interessante — ele murmura, e volto minha atenção para ele. — O quê? — Nada. Faz tempo que não te vejo assim. — Assim como? — Cativado. Eu zombo. — Não estou cativado. Eu estou… — Interessado? Eu olho para ele. — Intrigado, é tudo. — Certo. — Cara, não é nada. Ele ergue as mãos em inocência. — Eu não disse que era. — Seu tom fez parecer. — E sua insistência de que não é nada também fez. — Porque não é nada. Você sabe como me sinto sobre relacionamentos. Quando tudo aconteceu com Celine há vários anos, Smith estava lá para me ajudar a juntar os pedaços e me recompor. Eu ainda estava me encontrando com os Comets na época, e Smith me colocou sob sua asa e me ajudou a enroscar minha cabeça de volta para que toda a bagunça não afetasse muito meu desempenho no gelo. Ele disse que eu era muito jovem e tinha uma carreira muito promissora para deixar algo assim me derrubar e me mandar de volta para a AHL. Então, adotei sua filosofia de vida: o hóquei vem em primeiro lugar, não importa o quê. Eu vivi por essa regra nos últimos anos e isso me manteve no caminho certo. Por causa disso, eu pude levantar a Taça Stanley sobre minha cabeça, e é disso que se trata, não é? — E você entende, nós temos a mesma visão sobre isso — eu digo. Ele passa a mão pelo queixo, coçando a barba bem aparada que mantém. — Não sei. Estou começando a pensar que posso estar errado sobre isso, afinal. Eu jogo minha cabeça para trás, surpreso com suas palavras. — Oh cara, me diga que você não está ficando mole comigo também. Já é ruim ouvir Collin e Rhodes falando sobre suas esposas. Não me diga que eles pegaram você também. Ele levanta um ombro. — Não. Apenas... envelhecendo. Começando a perceber as coisas que importam e as que não importam. — O hóquei importa. — O hóquei sempre importa. Mas... algumas coisas importam mais. Eu sigo sua linha de visão para a pista de dança, e a menos que eu esteja completamente louco, ele está olhando direto para a parceira de dança de Hollis. Eu tenho perguntas, tantas perguntas, mas assim como eu, Smith é um cara reservado. Isso é algo com o qual concordamos e respeitamos um ao outro. Eu não posso deixar de me perguntar se Emilia pode ser a causa da mudança que eu vi nele nos últimos dois anos. A linha do tempo bate… — Me ignore — diz ele, interrompendo meus pensamentos. — É apenas o casamento. Às vezes eles te fazem pensar, sabe? Sobre coisas que você pode estar perdendo. Uma pontada aguda no meu peito chama minha atenção. — Perdendo? O que pode estar faltando? Ele me dáum olhar que me diz que eu sei exatamente a que ele está se referindo, mas eu ignoro. Ele quer dizer amor. Não sinto falta do amor porque não preciso dele. Eu não preciso disso porque eu já tive e é uma porcaria. Tudo que eu preciso é hóquei... e talvez alguns encontros de uma noite. É isso. — Enfim. — Ele se afasta do bar, então me dá um tapinha nas costas. — Eu vou impedir Miller de apalpar a avó de Ryan. Ele está ficando atrevido, e eu não confio no novato. Eu rio porque provavelmente não é uma má ideia. Dizer que Miller é um pouco imprevisível seria um eufemismo. Ele se vira e dá dois passos antes de girar de volta para mim. Eu levanto uma sobrancelha para ele em questão. — Convide-a para dançar. — Convidar quem para dançar? — A garota que você não consegue tirar os olhos. Confie em mim, se eu pudesse convidar alguém para dançar agora, eu faria. — Ele olha para a pista de dança ansiosamente antes de balançar a cabeça e recuar para a multidão. Eu tiro meus olhos de suas costas e olho para a multidão na pista. Hollis está dançando bem no centro, balançando os braços, se divertindo como nunca. Ela parece ridícula. Feliz. E por um breve momento, eu quero estar lá com ela me divertindo também. A música lentamente desliza em um ritmo muito mais suave. Emilia faz um movimento em direção ao bar, mas Hollis acena para ela, balançando para frente e para trás lentamente, sozinha no meio da multidão. Eu não sei porque eu faço isso. Pode ser as palavras de Smith se repetindo na minha cabeça, ou pode ser porque ela parece tão estranha balançando para frente e para trás sozinha. De qualquer forma, deixo meus pés me levarem para frente. Eu não paro até estar bem na frente dela. Seus olhos se arregalam, surpresos ao me ver. Estou surpreso com isso também. Eu não sei quem faz o primeiro movimento, mas em um segundo ela está a um metro de distância de mim, e no próximo ela está em meus braços, não mais dançando desajeitadamente sozinha. Estamos nos movendo lentamente pela pista de dança, completamente coordenados, e é confortável fazer isso com ela. Talvez seja só porque eu não estive tão perto de alguém em muito tempo, mas seu corpo se sente bem ao lado do meu. Suave... quente. — Você é muito bom nisso — ela murmura baixinho depois de vários longos segundos em silêncio. — Aulas. — Huh? — Eu tive aulas de dança. Balé também. Muitos jogadores de hóquei fazem isso. Nos ajuda a nos mover melhor no gelo, aumenta nossa flexibilidade e agilidade. Ela inclina a cabeça para o lado. — Isso é... inesperado. — Além disso, isso nos ajuda a marcar pontos com as mulheres. — É algo que você precisa de ajuda? Marcar pontos com as mulheres? — Eu não sei, você me diz. Como eu estou indo? — Escala de um a dez? — Eu concordo. — Eu diria um quatro sólido. — Um quatro? — Um quatro sólido. — Ah, sim, sólido torna muito melhor. — Quero dizer, realmente torna. Você pode ser um quatro suave, que é mais como um três. — De dez? Ela acena. — Temo que sim. — E como alguém consegue um três de dez exatamente? Ela gesticula atrás de mim, então eu nos giro, querendo ver o que ela está olhando. — Você vê aquele cara dançando com a velhinha? Isto é um três sólido. Ele definitivamente ganha pontos por se divertir com os idosos, mas perde muitos pontos porque parece desesperado, como se estivesse se esforçando demais para impressionar alguém. — Você sabe que é meu companheiro de time, certo? — Ei, eu não faço as regras, eu apenas as repasso. — Eu diria que sua pontuação é perfeita porque, bem, eu conheço Miller e ele definitivamente está se esforçando demais, mas ainda estou confuso como ele é um três sólido enquanto eu sou um quatro sólido. Não dancei com nenhuma velhinha esta noite, e certamente não pareço desesperado. Como estou apenas um ponto à frente dele? — Ah, veja, é aí que fica meio complicado. Você não dançou com nenhuma velhinha esta noite, então você definitivamente perde pontos aí. Você também não dançou com ninguém esta noite, então você perde mais pontos aí. Na verdade, tudo o que você fez foi sentar no bar se escondendo, então, novamente, você perde mais pontos. A esse ponto, você é um. — Como você sabe o que eu tenho feito a noite toda? Suas bochechas ficam rosadas como se ela tivesse admitido algo que não deveria. — Esse não é o ponto — ela murmura. — O ponto são os pontos. — Certo. E eu tenho... um? Por não ser cavalheiresco o suficiente e ser um idiota anti-social, mas também não parecer desesperado? Ela balança a cabeça. — Quatro. — Como eu ganho os outros três? — Terno elegante e a barba sexy e desleixada combinada com sua atitude de clube de corações solitários, dando-lhe toda essa vibe de, estou quebrado, por favor, conserte-me, trouxe-lhe alguns. — Vamos definitivamente voltar para aquele terno elegante e a barba sexy desalinhada. — Ah, veja, você falou, então você voltou para um três. Você é muito mais fofo quando não fala. — Devidamente anotado. Não falar, entendi. — Olhe para isso, já baixou para dois. — Bem, já que estou perdendo pontos a cada minuto, gostaria de abordar toda a coisa do clube dos corações solitários. Posso garantir que não estou aqui procurando uma amante ou uma amiga. — Sério? Afinal, é um casamento. Não é isso que as pessoas fazem em casamentos? Eles dão uns amassos e fazem más escolhas que vão se arrepender mais tarde porque estão tristes e solitários porque outra pessoa está tendo seu felizes para sempre quando eles são um recém-divorciado de quase trinta anos começando sua vida novamente. Eu levanto uma sobrancelha arqueada para ela. — Parece que você está falando por experiência própria. Mas faria sentido, o motivo pelo qual ela estava chorando em seu carro, o motivo pelo qual ela chorou durante todo o fim de semana, o motivo pelo qual suas emoções parecem estar em todo lugar. Se ela é recém-divorciada, este fim de semana deve doer para ela. A única indicação de que eu posso estar certo é a maneira como seus olhos se afastam dos meus pouco antes que a mesma tristeza que eu vi antes volte para seu olhar, e isso me faz querer abraçá-la e envolvê-la em meus braços para formar uma camada protetora para que ninguém possa machucá-la novamente. Quem quer que a tenha quebrado assim, eu quero quebrá-los. Mais do que isso, quero vê-la feliz e despreocupada novamente. Eu faria qualquer coisa para ter isso de volta. Eu a puxo para mais perto até que seu corpo esteja colado ao meu e coloco meus lábios em seu ouvido, tentando não me distrair com o quão bom é seu cheiro quando estou tão perto dela. Sua frequência cardíaca aumenta com a nossa proximidade, e eu posso ouvir sua respiração ficando mais forte a cada segundo. — Diga-me, Hollis, você está procurando um amante ou amigo? Ela engole em seco. É tão audível que eu ouço isso também. Ela inclina a cabeça para trás, olhando para mim, sua língua correndo para molhar os lábios. — Você está oferecendo? É a minha vez de ficar surpreso porque eu não esperava que ela dissesse isso. — Isso depende... Qual deles você está procurando? Ela ri, embora não haja humor nisso, e lentamente balança a cabeça. — Nenhum. Eu não tenho nenhum interesse em procurar também. Não agora. — Todo mundo merece um amigo, Hollis. Até você. — Eu inclino minha cabeça para baixo até que estejamos olho no olho. — Especialmente você. Outra respiração gaguejante. Seus olhos lampejam para os meus lábios, depois para os meus olhos, de volta para os meus lábios mais uma vez. Se eu me movesse apenas um centímetro, nossas bocas tocariam. Eu estaria beijando Hollis, e não acho que iria parar tão cedo. Ela abre a boca para responder, mas o que quer que esteja prestes a dizer é interrompido pelo som do obturador de uma câmera. Eu encaro o intruso. — Desculpe — diz o fotógrafo do casamento, não parecendo nem um pouco arrependido. — Vocês dois estavam apenas…uau. A química estava brilhando, eu tive que capturá- la. Ele balança a câmera para nós e tira mais algumas fotos antes de sair. O momento passou. Eu olho de volta para Hollis, mas com o quão rígida ela ficou em meus braços, eu já sei o que está por vir antes mesmo que ela diga. — Eu tenho que ir. Ela se afasta, e eu a deixo ir. Não sei quanto tempo fico ali olhando ela se afastar, e não sei quanto tempo fico ali parado depois que ela se foi. Eu sei que levo um segundo para sentir falta dela e querer abraçá-la novamente, e dois segundos para afastar as centenas de perguntas que já estão passando pela minha cabeça. Também sei que preciso de exatamente trinta passos para chegar à porta que leva para fora, e demoro um minuto para encontrá-la nos jardins ao lado da cervejaria. Ela está sentada em um banco, os ombros curvados para a frente, a cabeça apoiada nas mãos. É óbvio que ela está chateada, mas não sei sobre o quê, e não sei por que me importo tanto. Por que diabos eu me importo tanto? Eu caminho em direção a ela lenta e silenciosamente, não querendo assustá-la, mas de alguma forma, ela sabe que estou aqui. — Você não pode ser meu amigo, Lowell. Sento-me no banco ao lado dela, sem perder a lágrima que escorre pelo seu rosto. — Por que não? — Porque eu não gosto de você. Eu rio baixinho, gentilmente alcançando seu rosto e inclinando-o para que ela esteja olhando para mim. — Isso é bom. Eu também não gosto muito de você. É mentira. Eu gosto dela. Na verdade, não consigo me lembrar da última vez que gostei tanto de alguém quanto gosto dela. Eu não quero gostar dela, assim como eu realmente não quero lutar contra essa vontade de pressionar meus lábios nos dela. Eu não quero querer beijá-la. Mas eu quero. Eu realmente, realmente quero. Especialmente quando ela está olhando para mim com os olhos arregalados cheios de lágrimas não derramadas. Eu quero beijar toda a tristeza e todos os problemas que ela parece estar tendo. Quero vê-la sorrir novamente. Eu quero vê-la rir. Quero prová-la. Acho que ela está tão surpresa quanto eu quando pressiono meus lábios nos dela. Ela leva um momento para responder, como se estivesse esperando seu cérebro entender o que está acontecendo. Eu estou esperando meu cérebro entender o que está acontecendo também. Por que estou beijando ela? Que diabos estou fazendo? Eu não sei quanto tempo ficamos assim, imóveis, nossos lábios apenas descansando juntos, mas é como se toda a tensão saísse do ar em um segundo e não estivéssemos mais sentados. Hollis me beija de volta como se fosse o primeiro e último beijo que ela vai ter, e eu não ouso desperdiçar um segundo, deslizando minha mão mais para cima em seu cabelo, a outra indo para seu quadril, arrastando-a para mim até ela estar montada no meu colo. Ela solta um gemido baixo no momento em que nossos corpos se conectam, então se acomoda contra mim como se estivesse sentada exatamente onde ela pertence. Suas mãos entram no meu cabelo, me puxando para mais perto e aprofundando o beijo. Não há como ela não sentir meu pau através dessas calças horríveis, assim como não há como confundir a mancha molhada pressionando contra mim onde nossos corpos estão se encontrando. Eu arrasto minhas mãos por seu corpo, correndo meus dedos ao longo de suas curvas, memorizando-as, certificando- me de tocar cada centímetro dela. Eu deslizo minhas mãos sobre sua bunda e sob o vestido fino e esvoaçante que está amarrado em torno de sua cintura. Minhas mãos deslizam sobre suas nádegas, e faço um ruído baixo de aprovação quando percebo que ela está usando uma calcinha fio-dental. Ela afasta a boca com o som, sua respiração fica irregular enquanto ela olha para mim com olhos vidrados, desta vez por um motivo diferente de lágrimas. — O que estamos fazendo, Lowell? — Estou sendo seu amigo. Ela ri baixinho. — Eu disse que não quero ser sua amiga. Eu não gosto de você. — Tudo bem. Então eu estou sendo seu amante. Ela esmaga o lábio entre os dentes. — Isso é uma má ideia. — Eu sei. — É uma ideia muito, muito ruim. — Eu sei. — Isso é exatamente como uma daquelas ideias ruins que eu estava falando antes. — Eu sei, Hollis. — Eu aperto as bochechas de sua bunda, deixando cair minha testa na dela. — Eu sei. Ela está certa. É uma péssima ideia. Tipo, a pior possível de todos os tempos. Ela é cunhada do meu companheiro de time. Collin me mataria. Sem mencionar que ela é recém-divorciada e dormir com ela agora provavelmente cairia em uma área moralmente cinzenta. Ela está muito vulnerável emocionalmente. Ela também... Ela move os quadris, esfregando-se contra o meu pau, que ainda está morrendo de vontade de sair dessas calças. Eu agarro seus quadris, puxando-a para mais perto porque, oh Deus, ela é tão boa. Eu corro meu nariz ao longo de sua mandíbula, amando o cheiro de flores frescas que parece estar irradiando dela. — O que você está fazendo, Hollis? — Não sei. — Achei que era uma má decisão. — E é. Tão ruim. — A pior — eu concordo, salpicando beijos ao longo de seu pescoço. Ela acena. — Lowell? — Hum? Ela se afasta, nossos olhos colidindo, a lua refletindo em seu olhar azul escuro. Se este é o momento em que ela vai embora, quero memorizá-la. Ela é linda, sua pele ligeiramente pegajosa do calor no ar, bochechas coradas dos meus beijos, cabelo uma bagunça feita pelas minhas mãos. Sua boca se abre, e ela diz algo que eu não sabia que precisava tanto ouvir: — Quero tomar uma decisão ruim com você. 5 Hollis Eu não choro desde o casamento da Harper em julho, uma coisinha da qual estou imensamente orgulhosa, considerando o quão estressante tudo tem sido na minha vida. Mas hoje? Hoje eu sinto vontade de chorar, e é tudo porque eu simplesmente tive que sair do meu apartamento e tentar trabalhar em outro lugar durante o dia. No momento em que entrei no café bonitinho que encontrei há algumas semanas, sabia que era uma má ideia. O cheiro aqui é... ugh, está horrível hoje, e está fazendo meu estômago revirar como louco. Geralmente cheira a um doce e delicioso assado, uma grande razão pela qual venho aqui. Hoje não. Hoje, o café cheira a queimado, a calda de avelã está me fazendo engasgar, e se eu tiver que sentir o cheiro de mais um sanduíche de ovo aquecido, eu realmente posso vomitar. Agarro meu estômago, desejando não vomitar. Falta só um pouco mais para terminar de escrever, e depois disso acabei e posso tirar o fim de semana e a segunda-feira de folga. É uma das coisas que eu amo na escrita de conteúdo, a flexibilidade. Eu também adoro poder pegar e trabalhar em qualquer lugar que eu quiser. Isso tornou muito mais fácil fazer as malas de toda a minha vida e me mudar pelo estado após o divórcio. Deixar minha mãe e tentar fazê-la entender que eu ficaria bem sozinha? Bem, essa foi uma história totalmente diferente. Meu estômago protesta novamente e eu pressiono minha mão contra ele, esperando acalmá-lo. Eu fecho meus olhos, sugando algumas respirações profundas para não vomitar no meio da cafeteria. Vamos, Hollis. Apenas meia hora a mais. Você consegue. Meu telefone vibra contra a mesa, e estou envergonhada pela maneira como corro para verificá-lo. Eu murcho quando vejo que é apenas minha mãe ligando pela quinta vez hoje, mesmo sabendo que estou trabalhando. Eu mando sua ligação para o correio de voz e espero meu telefone acender com uma mensagem irritada de dois minutos. Eu não sei por que eu esperava que fosse alguém diferente. É sempre só minha mãe ligando, não importa o quanto eu queira que seja outra pessoa. É bobo por muitas razões. Um, eu nunca lhe dei meu número. E dois, eu não deveria querer que ele ligasse. Soube o resultado no minuto em que pedi a Lowell que me levasse para a cama. Foi uma coisa de uma única vez. Era isso. Então acordar decepcionada com o lugar frio ao meu lado na manhã seguinte é minha própria culpa.Ele não entrar em contato comigo é provavelmente o melhor. Quero dizer, ele é companheiro de time do meu cunhado. Me envolver com ele, de novo, não seria a melhor decisão. Eu acho que estou esgotada em más decisões ultimamente. — Bem-vinda ao Cup of Joe's! O que posso te dar hoje? — Vou tomar um café com leite de avelã e depois um ovo… Eu alcanço o que está mais próximo de mim, que por acaso é minha bolsa de notebook, e coloco para fora todo o conteúdo do meu estômago. Eu gemo, limpando minha boca com as costas da minha mão. Eu alcanço cegamente um guardanapo da minha mesa e o uso para limpar minha testa suada. O que diabos está errado comigo? Esta é a segunda vez esta semana que eu vomito. Primeiro, foi por causa de restos de pizza estragada, algo que eu nunca acreditei que fosse uma coisa até que eu vi respingado no vaso sanitário. Agora, a julgar pelo macarrão no fundo da bolsa do meu notebook, é a comida chinesa que eu pedi ontem à noite. — Ugh — eu resmungo, jogando o guardanapo na bolsa agora arruinada e sentando contra a mesa em que estou sentada. — Ótimo. Exatamente o que eu precisava. — Você está bem? — Alguém pergunta ao meu lado. Eu aceno com a mão, não realmente prestando atenção enquanto fecho meus olhos e puxo algumas respirações profundas e firmes porque meu estômago está revirando novamente. Não sei por quanto tempo fico sentada assim, mas sou interrompida por uma voz doce e velha. — Aqui está, querida. — Eu abro meus olhos para encontrar uma mulher que parece ter uns sessenta anos segurando um copo de água para mim. — Beba isso. Vai ajudar. Eu alcanço o copo e engulo sem questionar. Meu estômago ronca novamente quando a água o atinge, mas não demora muito para que ele se acalme. — Obrigada — eu consigo engasgar, minha garganta doendo de vomitar. — E eu sinto muito. Eu estou tão envergonhada. — Está tudo bem, querida. Todas nós já passamos por isso antes. — Todas nós já vomitamos em público antes? — Bem, a maioria de nós mães já. Realmente não é grande coisa. Mães? Sobre o que ela está falando? — Eu não sou mãe. — Oh, desculpe. Eu pensei… — Ela acena com a mão enrugada. — Bem, não importa o que eu pensei. Não é importante. Você precisa de outro copo de água? — Na verdade, isso seria ótimo, obrigada. Acho que não suporto o cheiro de andar pelo lugar. Ela franze os lábios como se quisesse dizer alguma coisa, então balança a cabeça, pensando melhor. Ela pega o copo das minhas mãos e volta para o balcão para reabastecer. Mães? Eu balanço minha cabeça. A velhota acha que estou grávida? Eu pareço grávida? Eu sei que comi muita comida chinesa ontem à noite, mas não estou grávida. Isso não é… — Ah, porra. — Perdão? — A senhora diz, colocando um novo copo de água na mesa. — Eu… Eu tenho que ir. Eu tenho que ir agora. Eu me levanto da cabine tão rápido que a água espirra do copo. Eu nem me importo que quase atinja meu notebook. Estou muito ocupada surtando. — Muito obrigada por sua ajuda — eu digo para a mulher enquanto pego minhas coisas. Jogo minha bolsa do notebook no lixo, depois pego o resto das minhas coisas, jogando minha bolsa no ombro. — Mas eu tenho que ir. — Ir? Tem certeza de que está em condições de ir, querida? Não. — Sim, estou bem. Obrigada novamente. E desculpe. — Está bem. Eu… Eu não ouço o resto de suas palavras. Já estou fora da porta, voando pela calçada até a farmácia mais próxima. Vou imediatamente para o corredor de cuidados familiares e pego nada menos que seis kits. Como uma decisão de última hora, pego um saco de copos Solo e vou para o banheiro. Eu nem me incomodo em pagar nada. Farei isso depois. Estou muito assustada para esperar que alguém ligue para isso. Eu preciso saber agora. Eu rasgo todos eles, junto com os copos, e pairo sobre o vaso sanitário, querendo fazer xixi. Depois de mergulhar cada palito, eu espero. E assisto. E espero. E assisto. E espero. E finalmente… eu choro. Choro porque nem um, nem dois, mas todos os seis testes dizem a mesma coisa. Eu estou grávida. — Estou grá… A palavra fica presa na minha garganta, e eu a engulo. Uma vez. Duas vezes. Eu corro minha língua sobre meus lábios e tento mais uma vez. — Estou gráv… Fica travado novamente. É a mesma coisa que vem acontecendo nos últimos três dias desde que fiz esses testes. Depois de chorar no banheiro da farmácia por vinte minutos, paguei os exames e peguei mais três só para ter certeza, depois levei para casa e fiz tudo de novo. Os resultados foram os mesmos em cada um. Assim como os resultados foram os mesmos esta manhã, quando ouvi de volta da minha médica. — Parabéns, Srta. Kelly, você está grávida. Eu vomitei em seu escritório com suas palavras. Ela não ficou muito feliz com isso, ou o fato de que eu já estava com nove semanas e não tinha a menor ideia. Depois que expliquei que sempre tive períodos erráticos e tenho estado sob muito estresse desde o meu divórcio, ela entendeu. Ela perguntou se eu ia contar ao meu ex-marido sobre o bebê. Eu ri até chorar. Então eu vomitei novamente. Eu ainda não consigo acreditar. Como diabos isso aconteceu? Quer dizer, eu sei como. Eu só… como?! Usamos proteção. Eu sei que usamos proteção. Eu literalmente o vi colocar a camisinha. Mas talvez algo tenha acontecido. Quero dizer, estávamos indo muito forte. Talvez tenha estourado e nenhum de nós percebeu. Talvez seja tudo minha culpa, porque eu realmente não consigo me lembrar da última vez que tomei minha pílula anticoncepcional porque eu estava muito distraída com tudo o que estava acontecendo na minha vida. Talvez… Não. Vou enlouquecer pensando em todos os diferentes cenários. Nenhum deles vai mudar o resultado. — Estou grávida. Eu solto um suspiro gaguejante, completamente chocada até o meu interior. Acabei de me divorciar há três meses, e o primeiro cara com quem durmo, completamente por capricho, me engravidou. O que diabos eu fiz na minha vida passada para merecer esse tipo de carma? Eu descanso minha cabeça contra o volante apenas para pular de surpresa quando a buzina toca. Bem, se Harper não sabia que eu estava aqui antes, ela definitivamente sabe agora. Apenas alguns segundos depois, a porta da frente se abre, e ela fica lá, olhando para mim, perplexa porque eu estou apenas sentada no meu carro, buzinando. O que ela não sabe é que estou sentada no meu carro buzinando porque estou com medo de entrar lá e dizer a ela que estou grávida... do bebê de Lowell. Estou principalmente apavorada porque ela não tem ideia de que dormimos juntos. Nesse momento, o carro de Emilia estaciona na garagem de Harper, e ela acena animadamente para mim. Eu nem tenho coragem de acenar de volta. Perguntei a Harper se poderíamos ter um dia das meninas hoje na casa dela. Achei que eu poderia muito bem deixá-las saber as consequências de minhas ações juntas, em vez de ter que repetir uma e outra vez. Principalmente porque não tenho certeza se posso. Pego minha bolsa e minha confiança e saio do meu carro assim que Emilia sai do dela. Ela bate palmas. — Estou muito animada com o dia de hoje. Eu preciso de uma pausa antes que todos aqueles garotos fedorentos comecem a voltar para o rinque em algumas semanas. Só de pensar nos jogadores de rinque e hóquei me dá vontade de vomitar meu café da manhã. Ou talvez seja apenas o enjoo matinal. De qualquer forma, eu mantenho minha mão no meu estômago, tentando empurrar a sensação para baixo. É algo que tenho me pego fazendo muito nos últimos dias, tocando meu estômago. Há um bebê dentro de mim. Estou gerando uma vida humana. Não é que eu nunca pensei que teria um bebê ou uma família. Eu estaria mentindo se dissesse que não queria essas coisas com Thad uma vez. Na verdade, eu tinha toda a nossa vida planejada praticamente desde o início. Nós nos casaríamos e seríamos apenas nós por alguns anos para que pudéssemos navegar a vida como recém-casadosjuntos sem o estresse extra de começar uma família. Então, quando eu fizesse trinta anos, eu pararia de tomar meu anticoncepcional e começaríamos a tentar. Nós estaríamos juntos por oito anos naquele momento. Estaríamos prontos. O que eu nunca planejei foi ele me traindo e jogando tudo fora. Agora estou divorciada, solteira e grávida de um homem que mal conheço. Não faço ideia de como Lowell vai reagir. Ele vai ficar chateado? Ele vai negar que o bebê é dele? Ele vai participar e me ajudar a criá-lo? Eu quero que ele me ajude a criar um filho? Será que ele vai mesmo querer o bebê? Eu quero o bebê? No momento em que a pergunta passa pela minha cabeça, eu sei a resposta. Sim. Eu quero este bebê mesmo que Lowell não queira. Mesmo que ele não queira fazer parte da vida dessa criança, estou bem com isso. Eu posso cuidar disso sozinha. Eu sou forte e independente e eu... Oh Deus, estou chorando de novo. — Ei, ei, ei — Emilia diz com uma voz suave, me puxando em seus braços. — O que está acontecendo? — É… é… e-eu… Mas as palavras não vêm. — Shhh. Está tudo bem. Vamos entrar e encher você com um pouco de vinho. Isso vai fazer você se sentir melhor. Isso me faz chorar ainda mais porque não posso tomar vinho e ela nem sabe disso. Entramos na casa, passando por Harper, que me lança um olhar preocupado cheio de tantas perguntas. Emilia me leva para a sala e me joga no sofá, me entregando uma caixa de lenços e uma almofada enquanto ela se senta ao meu lado para me consolar. — Vou pegar o vinho — diz Harper, indo para a cozinha. — Pare! A palavra sai mais dura do que o esperado, e ela para. — Pare? Está tudo bem? Eu… — Ela para quando eu começo a balançar minha cabeça. — Não, nada está bem. Harper engole em seco, então olha para Emilia, que apenas dá de ombros. — Você pode se sentar? — Eu pergunto a ela. Ela lentamente se abaixa para o sofá em frente a nós. — Eu… você… você está me assustando, Hollis. O que está acontecendo? Respiro fundo várias vezes antes de finalmente reunir coragem para encontrar o olhar curioso da minha irmã. Quando o faço, tenho a sensação de que ela já sabe o que estou prestes a dizer a ela. — Eu estou grávida. Emilia suspira ao meu lado. Mas não Harper. Ela não reage. Acho que não gosto que ela não reaja. — Cale-se! — Emilia diz, empurrando-me. — Você está mentindo. Eu me viro para ela. — Quem me dera estar. — Como? Quando? É — ela estremece — do Thad? — Não. Ela solta um suspiro aliviado. — Oh! Graças a Deus. Escapou dessa. — A lâmpada se apaga para ela. — Bem, se não é de Thad, então quem? Deslizo meus olhos para Harper. — Lowell — ela diz baixinho. Eu engulo em seco só de ouvir seu nome. — É, não é? — Harper pressiona. Quando eu aceno, Emilia engasga novamente. — O-o-o quê? — Ela gagueja. — Como! Onde! Quando! — Meu casamento — Harper a responde. Eu aceno novamente. — Foi para isso que você desapareceu? — Emilia dá um tapa no meu ombro. — Você mentiu para mim! Você disse que voltou para o seu quarto porque não estava se sentindo bem e achou que algo não tinha caído bem. — Mais como caiu em alguma coisa, em um pau. Eu caí na gargalhada com as palavras diretas de Harper, e é exatamente o que eu precisava. Eu rio e rio até que meu riso se transforma em lágrimas mais uma vez. Não sei quanto tempo demoro para parar de chorar, mas quando paro, tenho um lenço de papel na mão, cortesia de Emilia, e enxugo os olhos. — Desculpe — eu digo. — Estou meio que um desastre hormonal agora. — Não se desculpe. Esta é uma situação de mudança de vida aqui. Eu ri ironicamente. — Você pode dizer isso de novo. — O que você vai fazer? — Bem, tenho certeza de que provavelmente vou chorar um pouco mais, mas depois disso, não tenho certeza. Emilia ri. — Não, quero dizer, com o bebê. Você vai… — Sim — eu respondo a sua pergunta não feita. — Eu vou mantê-lo, não importa o quê. Ela me dá um sorriso simpático porque todas nós sabemos que minha vida está prestes a mudar completamente. Inferno, minha vida já mudou completamente. Desde o momento em que os testes no banheiro da farmácia deram positivo, eu sabia que nada voltaria a ser o mesmo. — O que aconteceu? Achei que vocês dois não estavam se dando bem — Emilia diz. Eu penso no casamento que agora parece tão distante, provavelmente porque eu sinto que vivi três vidas nos últimos três dias, e franzo a testa. Meus problemas naquele dia parecem tão bobos comparados a isso. — Nós não estávamos. Então estávamos. E então realmente estávamos. — Eu dou de ombros. — Você sabe como são os casamentos, eles te deixam com tesão e você faz coisas estúpidas. — Ha. Você pode dizer isso de novo. — Ela não elabora, mas tenho certeza que tem a ver com seu homem misterioso que pode ou não ser um jogador de hóquei. — Então, vocês dois estão namorando agora? Eu balanço minha cabeça. — Não. Foi apenas uma coisa de uma vez. — Ele é meio conhecido por isso. — Ela bate a mão na boca. — Desculpe. Ignore isso. Ela não tem do que se desculpar. Com base na maneira como ele saiu do meu quarto com tanta facilidade, eu meio que percebi que não era a primeira vez que ele deixava uma mulher nua sozinha em uma cama. — Está tudo bem — eu digo a ela, embora eu não me sinta exatamente bem. Me preocupa que Lowell não aceite muito bem a notícia da gravidez. — Eu, uh, odeio ser a pessoa a perguntar, mas você já contou a Lowell? — Harper pergunta como se estivesse lendo minha mente. — Ainda não. — Contar a ele o quê? Todas nós pulamos com o som repentino da voz de Collin. Ele está de pé na cozinha, olhando para nós com as mãos nos quadris, olhos atentos correndo entre nós três. Ele está respirando com dificuldade, um fone de ouvido ainda no ouvido, suado e nojento como se tivesse acabado de correr quinze quilômetros, e inferno, ele provavelmente correu. Nenhuma de nós fala, então ele diz: — O que você vai contar ao Lowell? — Que ele tem uma bela bunda! — Emilia deixa escapar em pânico. É inútil. Collin não é estúpido. Ele sabe que acabou de entrar em uma conversa séria. — Ele fez alguma coisa? — O quê? Não! Bem, sim, mais ou menos. Suas sobrancelhas se aproximam. — Eu vou matá-lo. — Ele gira nos calcanhares como se fosse matá-lo neste exato instante, e eu me levanto do sofá. — Pare! — Não. Se ele te magoou ou te chateou, eu vou matá-lo. Harper, onde está a nossa pá? — Está na garagem. — Harper! — Eu grito com ela, correndo para a cozinha atrás dele. Ela encolhe os ombros. — Desculpe, apenas reflexo. — Collin, pare. Você não pode matá-lo. — E por que diabos não? — Porque estou grávida! Ele para, os olhos arregalados. — Você está grávida? O que isso tem a ver com Lo… — Ele leva um momento para entender, mas quando isso acontece, suas sobrancelhas se unem mais uma vez. — Você está grávida e está dizendo que o bebê é de Lowell? Eu coloco minha mão sobre minha barriga. — Sim. — O casamento? — Sim. — Entendi. — Ele acena com a cabeça algumas vezes, depois bate palmas. — Bem, agora eu estou realmente matando ele. — Collin! — Harper adverte desta vez. — O quê? Você não pode esperar que eu não o mate! Ele é um idiota e se aproveitou de sua irmã quando ela estava vulnerável e a engravidou. Ele precisa de sua cabeça esmagada por isso! Ele está errado e certo. Ele está errado porque Lowell não se aproveitou de mim. Inferno, fui eu quem o beijou de volta. Fui eu que lhe disse que não precisava de um amigo. Fui eu que pedi para ele tomar uma decisão ruim comigo. Eu tento não rir disso porque essa não era realmente a decisão ruim que eu estava falando. Eu só quis dizer sexo, um caso de uma noite que tornaria estar perto um do outro um pouco estranho e desconfortável porque nos vimos nus. Eu não quis dizer uma decisão ruim do tipo me engravidar. — Você não pode matá-lo ainda. Ele nem sabe. Vamos pelo menos ver como ele reage antes de nos comprometermos com vários anosde prisão. — Harper tenta argumentar com o marido, indo beijá-lo na bochecha para acalmá-lo. Funciona. — Tudo bem — Collin admite. — Mas se esse filho da puta reagir de forma diferente do que a alegria completa e absoluta, ele está morto. Isso não soa nada justo, mas eu não digo isso a ele. Tenho certeza de que a última coisa que ele espera é ouvir de mim, e aposto que ele realmente não está esperando o que vou ter que dizer a ele. Se ele reagir com algo além de choque completo, ficarei surpresa. Só espero que ele não me afaste completamente. Já tive notícias de mudança de vida suficientes esta semana. — Quando você vai contar a ele? — Collin pergunta. — Eu, uh, ia dizer a ele esta noite. — Ok. Isso é provavelmente melhor. Estamos prestes a entrar na pré-temporada em breve, e… — Ele para. Certo. Porque Lowell é um jogador profissional de hóquei. Estou grávida e o pai é um superstar da NHL. Eu não tinha isso no meu cartão de bingo. Eu concordo. — Eu sei. Eu direi a ele. — Bom. — Ele balança a cabeça, murmurando algo que não consigo entender, mas tenho certeza de que não é nada de bom sobre Lowell e toda essa situação. Ele aponta para o corredor. — Eu vou tomar um banho, deixar vocês meninas terminarem seu pequeno festival de hormônios. — Ele dá um beijo rápido na cabeça de Harper, então sai pelo corredor. — Uh, ei, Collin? Ele se vira. — Sim? — Você acha que eu poderia conseguir o número do Lowell? Ele pisca uma vez. Duas vezes. Em seguida, abaixa a cabeça, balançando-a. — Morto pra caralho. 6 Lowell Eu pressiono o botão de diminuir na esteira várias vezes, levando minha velocidade de onze km/h para um bom e rápido seis km/h para me refrescar. Eu tento não me esgotar muito na academia fora de temporada, especialmente porque eu ajudo no acampamento de verão. Ultimamente, porém, tenho tanta energia e frustração reprimida que, se não fizer algo para gastar tudo, vou entrar em combustão. Não tenho a menor ideia do que há de errado comigo, mas não consegui me livrar desse sentimento de irritação durante todo o verão. Fico irritado porque estou entediado em casa, mas fico irritado quando tenho que sair de casa. Fico irritado quando há muito barulho e irritado quando está completamente silencioso. Nada parece certo, tudo está apenas um pouco... errado. Eu estou um pouco errado. Acho que o pior de tudo é que quase consigo identificar o minuto exato em que comecei a me sentir assim: na manhã seguinte ao casamento de Collin e Harper. Levou cada grama de força de vontade que eu tinha para me fazer rastejar para fora da cama e deixar Hollis dormindo, mas eu fiz isso porque foi o que concordamos. Eu fiz isso porque sabia que começar algo com a cunhada do meu companheiro de time seria muito, muito estúpido. Eu fiz isso porque eu estava com medo de gostar dela um pouco demais, e eu não posso permitir isso. Exceto que desde que a deixei deitada lá, não consegui parar de pensar nela. Eu não fui capaz de parar de pensar sobre como ela sentia debaixo de mim. Ou a maneira como ela ficou tensa e choramingou pouco antes de gozar. O jeito que ela gemeu meu nome como se fosse uma maldição. E eu definitivamente não consigo parar de pensar no gosto dela nos meus lábios. Por mais que tente, não consigo parar de pensar nela. Meu pau começa a inchar, o que é realmente inconveniente, considerando que estou tentando relaxar, não trabalhar de volta. Diminuo a velocidade da esteira mais um pouco, deixando minhas pernas esfriarem por um meio quilômetro antes de tomar banho e ir para casa para mais uma noite enfiado dentro da minha casa com uma salada Caesar e um filme da Marvel. Normalmente, quando me canso de ficar sozinho, ligo para Collin ou Rhodes ou até Smith. Mas nas duas últimas vezes que fiz, todos os três me dispensaram, então não me preocupei com eles desde então. Eu poderia ligar para Miller e ver o que ele está fazendo, mas não estou tão desesperado... ainda. Além disso, a pré- temporada está próxima. Tenho certeza de que posso encontrar algo para me manter ocupado até lá. Desligo a máquina e pego a toalha de mão que tenho no porta-copos. Eu passo no meu rosto, enxugando o suor que está pingando de mim, e pego meu telefone. Estou surpreso ao ver que tenho uma nova mensagem. Eu não ouvi durante a minha corrida, mas eu estava bem concentrado, então isso não é nenhuma surpresa. Desconhecido: Oi. Isso é o que a primeira mensagem diz, e eu junto minhas sobrancelhas, irritado. Não reconheço o número e não consigo discernir muito de uma palavra de duas letras. Então, meu telefone vibra contra a minha mão. Desconhecido: Uau. Isso foi estúpido. Eu percebi que você provavelmente não tem ideia de quem é, hein? E eu ainda não sei. Desconhecido: É Hollis. Desconhecido: Do casamento. Desconhecido: O casamento de Harper e Collin. Desconhecido: Eu sou a irmã de Harper, Hollis. Eu sorrio quando ela explica demais e me encontro um pouquinho incomodado que ela realmente acha que eu poderia esquecê-la. Eu não poderia esquecê-la se eu tentasse, e acredite em mim, eu tentei. Eu: Desculpe, você deve ter me confundido com outra pessoa. Não me lembro de ninguém chamada Hollis do casamento de Harper e Collin. Eu: Espere, é você, querida? Hollis: No caso de você estar se perguntando, eu estou intensamente te dando um olhar raivoso agora. Eu: Anotado. Hollis: Collin me deu seu número. Espero que você não se importe. Eu: Não me importo. E essa é a verdade. Eu não me importo. Na verdade, estou feliz que Collin deu a ela meu número. Eu não posso nem contar o número de vezes que eu quis pedir a ele e me impedi de fazê-lo. Eu: Mas estou surpreso por ter notícias suas. Hollis: Dada a forma como deixamos as coisas, tenho certeza. Eu não tenho certeza se isso é uma indireta de como eu saí antes que ela acordasse, mas isso me faz sentir culpado de qualquer maneira. Hollis: Você gostaria de jantar comigo esta noite? Por mais surpreso que eu estivesse ao ver a mensagem dela aparecer no meu telefone, isso me surpreende ainda mais. Eu quero jantar com ela? Sim. Mas eu deveria dizer a ela que não, deveria dizer a ela que estou ocupado ou saindo com alguém, deveria lembrá-la que a noite que compartilhamos foi uma coisa de uma vez só. Eu não deveria estar jogando este jogo perigoso com ela. Mas eu quero. Eu realmente, realmente quero. Meus dedos voam sobre a tela, e eu clico em enviar antes que eu possa pegar tudo de volta. Eu: Sim. Eu saio da minha caminhonete e jogo minhas chaves para o manobrista. Ele me olha como se eu fosse louco. — Ah, senhor? — Coloque-o sob o nome Lowell. Seus olhos se arregalam, reconhecendo o nome. — Sim, senhor — ele murmura, abaixando a cabeça e correndo para o lado do motorista da minha caminhonete surrada que eu realmente não tenho motivo para usar estacionamento com manobrista. Deslizo a mão pela minha camisa de botão, algo que quase nunca uso, e respiro fundo. Não que eu fosse admitir em voz alta, mas estou quase nervoso para ver Hollis. Eu não deveria estar. Isso não é um encontro nem nada. É apenas um jantar entre dois amigos que definitivamente se viram nus. Mas não somos amigos. Ou amantes. Não faço ideia do que somos. É por isso que esta é uma ideia absolutamente horrível. Eu deveria sair, deveria mandar uma mensagem para ela e dizer a ela que algo aconteceu. Mas não consigo me impedir de abrir a porta do restaurante de qualquer maneira. Levo dois segundos para vê-la sentada no final do bar. Ela está olhando para a bebida à sua frente, seus dedos brincando com o canudo, empurrando os cubos de gelo para frente e para trás. Deus, mesmo de lado ela é mais bonita do que eu me lembro, e eu me lembro muito dela. Seu cabelo castanho está mais comprido do que há alguns meses, e está amarrado em um coque bagunçado e baixo que parece quase como se ela tivesse acabado dejuntar e também totalmente intencional ao mesmo tempo. Ela está usando um vestido com estampa de flores combinado com um cardigã sobre os ombros, deixando muito para a imaginação. Como se ela pudesse sentir minha presença, ela se vira para a porta, e nossos olhares se chocam pela primeira vez em meses. Ela parece a mesma, mas diferente, e não consigo identificar o porquê. Os cantos de seus lábios se inclinam um pouco como se ela estivesse feliz e triste em me ver. Não tenho certeza de como me sinto sobre isso enquanto caminho pelo restaurante, tentando ignorar os olhares dos outros clientes. Eu realmente não saio muito, e esta é uma grande razão para isso. As pessoas estão sempre me encarando, falando de mim por trás das mãos, tentando descobrir de onde exatamente me conhecem, e os fãs de hóquei que me conhecem nem sempre respeitam os limites. Mas não estou prestando atenção a eles agora. A única coisa em que posso me concentrar é em Hollis. Não quebramos o contato visual. Nem quando eu deslizo no banco ao lado dela, e nem mesmo quando o barman para na nossa frente. — O que posso te trazer? — Ele pergunta. — Eu vou ter o que ela está tendo. — Pode deixar. Eu a encaro, observando-a porque não consigo tirar os olhos dela. Não é que eu pensei que nunca mais a veria. Ela é irmã de Harper; eu sabia que iríamos nos encontrar em algum momento. Eu só não achei que a veria novamente, não em gelo neutro. Sem pensar muito sobre isso, eu me inclino para frente e dou um beijo rápido em sua bochecha. Eu não perco a sua inspiração forte pelo gesto inocente. Mas não é inocente. Nós dois sabemos disso. Quando me inclino para trás, ainda não consigo parar de olhar para ela. Ela se move sob o meu olhar, o sorriso em seus lábios ficando tímido enquanto suas bochechas ficam rosadas. — O quê? — Ela pergunta, quase como se estivesse nervosa. — Nada. Só... é bom ver você. Ela solta um suspiro, pegando o canudo de sua bebida de volta entre os dedos. — Você diz isso agora. Eu inclino minha cabeça de forma questionadora, sem entender o que ela quer dizer, mas não tenho a opção de perguntar porque o barman desliza minha bebida para mim, tirando nós dois do momento. — Obrigado — eu digo a ele. — Sem problemas. Gostaria de fazer um pedido para o seu jantar ou precisa de um momento? — Eu... não estou com fome — ela diz, seus lábios se curvando para cima. — Tem certeza? Ela acena. — Positivo. Eu estive... doente recentemente. Ainda não estou me sentindo bem. — Nem mesmo algumas batatas fritas? Seus olhos se iluminam quando eu digo isso. — Na verdade, isso parece bom. — Duas porções de batatas fritas, por favor — digo ao barman. — Uma com bacon e queijo. Hollis avança ao meu lado, uma mão cobrindo a boca como se estivesse prestes a vomitar com a mera menção disso. Eu a pego pelo quadril para impedi-la de cair do banco. — Você está bem? Ela assente, ainda sem tirar a mão da boca. — O ba… — Outra guinada. — Sem bacon. Por favor. — Ok, sim. Nada de bacon. — Eu aceno para o barman, que parece entender o que está acontecendo, então olho para Hollis. — Você tem certeza que está bem? Se você não estiver disposta a isso, podemos nos encontrar em outro momento. Ela balança a cabeça, movendo a mão da boca e puxando algumas respirações profundas. — Não, eu estou bem. Precisamos fazer isso hoje à noite. — Fazer o que esta noite? É só jantar. Ela estremece. — Mas não é apenas um jantar. — Ok. — Eu desenho a palavra, completamente confuso com o que está acontecendo agora. Espero que ela me atualize, mas ela não o faz. Ela volta sua atenção para a bebida à sua frente, mergulhando o canudo nos cubos de gelo que ainda não derreteram. Tomo um gole da minha própria bebida e faço uma careta. — Ugh. O que diabos é isso? — Água com gás. — Isso definitivamente não é o que eu estava esperando — eu digo, colocando o copo para baixo, lembrando-me de pedir ao barman uma bebida de verdade. — Tem gosto de bunda. Ela sorri para isso, então tão rápido quanto o sorriso apareceu, ele se foi. Ela está agindo de forma estranha e inquieta demais para o meu gosto. Algo está definitivamente acontecendo. — O que está acontecendo, Hollis? Ela abre a boca para falar, então a fecha novamente, balançando a cabeça. Estou começando a ficar frustrado com suas não respostas. Estou prestes a perguntar a ela o que diabos está acontecendo quando o barman coloca as duas cestas de batatas fritas entre nós. Para horror de Hollis, e meu, eles esqueceram de deixar de fora o bacon. No momento em que a cesta está no balcão, ela tapa a boca com a mão e corre em direção aos banheiros, esbarrando não em um, mas em dois garçons em seu caminho. Levo vários segundos para entender o que está acontecendo antes de sair atrás dela para ter certeza de que ela está bem. Eu invado o banheiro feminino, sem me importar com quem mais poderia estar lá, e a encontrei debruçada sobre um vaso sanitário esvaziando o estômago. Seja qual for a doença que ela teve, ela definitivamente ainda tem. Eu enrolo minha mão em torno dela, assumindo o controle de segurar seu cabelo enquanto ela continua soltando tudo. Quando o último de seus suspiros secos diminui, eu a deixo ir e a ajudo a ficar de pé. Ela se vira em meus braços, enterrando o rosto no meu peito. Eu apenas a seguro. Mesmo quando ela começa a chorar, eu ainda a abraço. O que quer que esteja acontecendo, está quebrando ela... e está me quebrando vê-la assim. Quando seus soluços param, ela se afasta de mim, então enxuga seus olhos. Só pelo olhar neles, tenho a sensação de que o que quer que esteja prestes a sair da boca dela vai me destruir. — Eu estou grávida. Meu coração cai direto no chão. Quando ela me convidou para jantar, não achei que ela estivesse me convidando para me dizer que estava grávida. A parte mais assustadora de tudo isso é que eu sei que ela está me contando porque isso me envolve. Mesmo assim, não consigo evitar as palavras que saem da minha boca em seguida: — Você tem certeza? — Tenho certeza. A médica confirmou esta manhã. Eu… — Não — eu a cortei, balançando a cabeça. — Você tem certeza? Seus olhos se estreitam. — É melhor você não estar me perguntando o que eu acho que você está me perguntando, Lowell. Eu não respondo. Suas narinas dilatam, e ela empurra meu peito com tanta força que eu tropeço para trás para fora da cabine. Ela segue, seus olhos quase pretos, balançando a cabeça enquanto se dirige para a pia. — Tenho certeza? Você está falando sério? Mais uma vez, não digo nada. — Saia! — Ela grita, me empurrando novamente. — Vá! Mas eu não saio. Eu não vou. Não posso. Estou preso aqui neste lugar tentando descobrir como diabos isso aconteceu. Cansada de mim, ela joga as mãos para cima e se move para a pia. Ela enche as mãos com sabonete e esfrega e esfrega e esfrega, tudo isso enquanto murmura sobre o quão idiota eu sou. Eu sou um burro. Eu sou um idiota que de alguma forma engravidou meu caso de uma noite, então questionei se o bebê é meu sabendo muito bem que é. Eu engulo o nó se formando na minha garganta. Ela desliga a água, então pega uma toalha de papel, secando as mãos. Ela se vira, olhando para mim. — Você tem algo a dizer? — Eu... eu não sei o que você quer que eu diga. Eu não entendo como isso aconteceu. Usei camisinha. Eu sempre uso camisinha. Ela bufa uma risada. — Sim, bem, claramente os preservativos nem sempre são infalíveis. Eles não são, e especialmente não são se tiverem sido adulterados. Eu não expresso a preocupação, principalmente porque me sinto doente por pensar nisso. Hollis nunca faria isso. Ela joga a toalha de papel no lixo, então cruza os braços sobre o peito, me observando e esperando. Eu não sei o que ela está esperando porque eu não sei o que dizer agora. Isso não é... não é assim que deveria ser. Apenas uma noite. É isso. Não isso. Nunca isso.— O que, Lowell? Nada a dizer? — Eu não sei o que você quer que eu diga. — Eu quero que você diga outra coisa além de Você tem certeza, porque isso é tudo o que você disse sobre a coisa toda. — Estou apenas... em choque agora. Eu não vejo você há meses e então você simplesmente aparece e me anuncia que está grávida e eu estou apenas... tentando processar tudo. — Não me vê há meses? Você é quem me deixou na cama! — Você conhecia as regras — eu digo, e é exatamente a coisa errada a dizer. Ela joga a cabeça para trás como se eu tivesse dado um tapa nela com minhas palavras. — Sabia as regras? — Ela zomba. — Sim, eu acho que eu sabia. Mas adivinhe, Lowell? As regras mudaram. O jogo mudou. Estou grávida quer você goste ou não, e vou ter esse bebê quer você goste ou não. Se você não quer se envolver, apenas diga, mas não fique aí e aja como se tudo fosse minha culpa e eu tenha feito isso de propósito para prender você ou algo assim. Eu engulo a bile que nada pela minha garganta. Ela não sabe o quão perto ela está do que exatamente aconteceu comigo e com Celine. Ficar grávida, casar, pegar meu dinheiro, esse era o plano. Não sei com quem Hollis estava antes de mim. Não sei se ela estava com alguém depois de mim. E embora eu não ache que Hollis faria o que Celine fez, há muitas variáveis para formar uma opinião agora, especialmente quando, na realidade, eu não a conheço muito bem. — Oh meu Deus. — Sua boca cai aberta. — Isso é o que você pensa, não é? Você acha que eu planejei isso, não é? Acha que foi um esquema que eu inventei ou algo assim. — Ela dá um passo em minha direção, seu nariz quase tocando o meu. — Bem, adivinhe, amigo? Eu não queria isso, e especialmente não queria com você. Ela passa por mim e sai do banheiro, me deixando ali de pé me perguntando que porra eu vou fazer. 7 Hollis — Ele disse o quê? — E eu cito, você tem certeza? — Aquele idiota! — Emilia explode, batendo a mão na mesa. — Eu não posso acreditar que ele disse isso. — Ryan está sentada com a boca aberta, olhando para mim como se eu tivesse duas cabeças. É como me senti ontem à noite quando eu ouvi. Harper é a única que não disse uma palavra, mas posso ver a forma como sua mandíbula está apertada. Ela está tão chateada quanto elas, e não tenho dúvidas de que ela já está determinando como vai se safar do assassinato dele. Eu amo a indignação delas por mim, mas praticamente aconteceu exatamente como eu esperava. Quer dizer, claro, eu não achei que Lowell questionaria se o bebê é realmente dele ou insinuaria que eu engravidei de propósito para prendê-lo, mas imaginei que ele não ficaria exatamente emocionado por ter um filho com seu caso de uma noite também. Deus, o olhar em seu rosto quando eu disse a ele… havia uma mistura de emoções em tão pouco tempo. Ele parecia aterrorizado, o que não era surpresa. Então parecia que ele ia vomitar, novamente, nenhuma surpresa. Depois veio a traição e o desgosto. Esses dois doeram mais. Um garçom coloca uma cesta de batatas fritas para nós e deixa três margaritas. Nós quatro estamos sentadas em uma mesa do lado de fora de um restaurante mexicano para almoçar, porque acredito firmemente que não há nada que o chilli com queijo e a tequila não possam consertar. Já que eu não posso tomar tequila, estou deixando elas ficarem bêbadas por mim em solidariedade a esse momento hilário que estou passando agora. Como minha vida ficou tão bagunçada nesse último ano? — Eu o odeio — diz Emilia, tomando um gole de sua margarita, balançando a cabeça. — Ele sempre pareceu um cara tão legal. Eu não posso acreditar que ele disse isso. — Está tudo bem. — Eu aceno minha mão. — Foi apenas... chocante. — Não está tudo bem, Hollis — ela insiste. — Está longe de estar bem. Foi ele quem fez isso com você, e ele precisa assumir a responsabilidade por isso. — Caso você tenha esquecido, eu fui uma participante ativa em toda a experiência. — Ah, eu não esqueci. Não esqueci porque estou morrendo de vontade de saber como foi o sexo, mas fiquei com muito medo de perguntar porque não queria que você caísse em lágrimas novamente. Eu roubo uma batata da cesta e jogo nela. — Ei! — Ela joga uma de volta na minha direção, me errando completamente e acertando a pessoa na mesa atrás de nós. Eles não percebem, e todas nós rimos de sua distração. — Estou meio curiosa também — Ryan diz, pegando sua própria batata. — Lowell sempre passou esse tipo de vibração intensa. Eu me pergunto se isso vai para o quarto também. — Estou totalmente dizendo ao Rhodes que você pensa em outros caras no quarto. Ryan olha para Harper. — Você não ousaria. Ele vai... na verdade, quer saber? Vá em frente e diga a ele. Eu aceito o castigo. — Ela coloca a batata na boca, quase tonta com esse pensamento. — Então, como foi? — Emilia pergunta novamente. — Como foi o quê? — Finjo ignorância, tomando um gole da minha água. — O sexo! — Ela grita um pouco alto demais, atraindo olhares dos outros nas mesas ao lado da nossa. — Você sabe, o sexo que você teve com o jogador de hóquei profissional quente como o inferno. Eles têm resistência por dias, você sabe. — Parece que você está falando por experiência — eu lanço de volta, e ela desvia os olhos, evitando meu olhar. Droga. Um dia desses, eu vou fazer com que ela fale sobre isso. — Definitivamente estou falando por experiência quando digo que você ouviu direito — diz Ryan. — Posso confirmar — Harper concorda. — Viu? Eu tinha razão. Nos diga. — Foi… — Eu levanto um ombro. — Foi bom. — Bom? Bom? Você engravidou de um sexo bom? Que sem graça. — Emilia faz bico. — Nunca diga isso ao seu filho. Eu rio. — Acho que não vou contar a história de como meu bebê foi concebido. — Nunca se sabe. Minha mãe me contou uma vez, em detalhes. Tipo, detalhes demais. — Ela estremece, então pega sua bebida novamente. — Ela estava bêbada, que é o que estou prestes a ficar. — Ela toma um gole saudável, depois mergulha outra batata no queijo. — Diga-me ou eu vou jogar essa batata suja como o inferno em você. — Você não faria. — Ah, eu faria. Ela a levanta para jogá-la na minha direção, e eu levanto minha mão. — Tudo bem. Vou te contar. Abaixe a arma. — Eu balanço minha cabeça em suas travessuras enquanto ela coloca a batata em sua boca com um sorriso vitorioso. Olho ao redor da mesa, e todas elas estão olhando para mim com expectativa, aparentemente muito interessadas em saber como foi o sexo com Lowell. Não sei o que dizer a elas porque não sei como colocar em palavras. Não sei como dizer a elas que pensei nisso quase sem parar desde que aconteceu. Eu não sei como dizer a elas que foi a experiência mais incrível da minha vida. Como ele me deitou na cama e levou seu tempo tirando meu vestido do meu corpo, então beijando cada centímetro dele, me levando ao orgasmo duas vezes antes de deslizar para dentro de mim e fazer o terceiro. Como ele foi gentil nas melhores maneiras e duro em outras as ainda melhores. E como a pior parte é que nem mesmo sendo um idiota gigante na noite passada pode manchar isso. Não sei como dizer nada disso, então apenas digo: — Melhor do que qualquer coisa que já tive antes. Não que eu tenha muito com o que comparar. Eu só fiz sexo com três homens na minha vida. Um era meu namorado do ensino médio, e isso acabou em cerca de dois segundos. O outro era Thad, e ele era praticamente um pônei que sabe apenas um truque... se você contar apenas golpear em mim em uma posição de papai e mamãe como sendo um truque. — Você está totalmente brilhando só de pensar nisso. — Emilia sorri, balançando as sobrancelhas para cima e para baixo. — Eu acho que isso é apenas parte de estar grávida. — Ou o sinal de algum sexo muito quente. — Ela franze a testa como se tivesse acabado de se lembrar com quem foi aquele sexo realmente gostoso. — Estou pensando em ir até meu tio e dizer a ele que Lowell está sendo um idiotagigante. Fazer com que ele mexa com seu equipamento ou algo assim. — Embora eu aprecie muito, isso não é necessário. — Eu poderia fazer com que Rhodes acidentalmente acertasse as bolas dele durante o treino — Ryan oferece. Eu sorrio. — Mais uma vez, obrigada, mas não. — Você tem que saber que Collin vai matá-lo quando souber disso, não é? — Harper diz. — Não, porque você não vai dizer a ele. — Hollis! Você não pode estar falando sério! — Estou. Estou falando muito sério. Toda essa... coisa... é entre mim e Lowell e é isso. Eu não preciso de vocês, senhoras, para enviar seus homens para lutar minhas batalhas por mim. — Olho incisivamente para Emilia porque não sei exatamente quem é o homem dela, mas também não quero que ela tenha ideias. — Vai ficar tudo bem. Eu vou resolver. Harper balança a cabeça, claramente chateada comigo. Estou chateada comigo também, especialmente por me meter nessa confusão onde o pai do meu bebê pensa que eu sou apenas uma maria patins tentando prendê-lo. Eu não tenho ideia do que deu a ele a ideia de que esse é o tipo de pessoa que eu sou, mas realmente me incomoda que ele pense que eu sou remotamente capaz de fazer algo assim. Foi o que me manteve acordada metade da noite tentando descobrir. Bem, isso e a vontade de fazer xixi a cada maldita hora. — Você já contou para a mamãe? — Harper pergunta. Eu gemo. — Ugh. Não, ainda não. Principalmente porque estou com medo de que ela comece a procurar apartamentos aqui no momento em que descobrir. — Eu ficaria surpresa se ela já não tivesse começado agora que nós duas moramos aqui. Eu amo minha mãe de um jeito feroz. Ela é uma boa pessoa com um coração muito bom, e Harper e eu somos seu mundo inteiro. Mas ela também pode ser muito... sufocante. Ela nem sempre foi assim. Claro, ela era uma mãe preocupada e sempre quis que nós, meninas, tomássemos cuidado, mas ficou pior depois que nosso pai faleceu. De repente, em todos os lugares que íamos e tudo que fazíamos era muito perigoso. Aposto que se ela pudesse se safar, ela teria nos embrulhado em plástico bolha só para evitar que nos machucássemos novamente. Manter Harper e eu a salvo e ser superprotetora é sua maneira de lidar não apenas com a morte de meu pai, mas como ele morreu, em um acidente de carro a caminho de ver sua amante. Até aquele ponto, eles tiveram o casamento perfeito. Dezesseis anos de felicidade. Dezesseis anos dançando na cozinha ao som de Frank Sinatra e luxuosos jantares de aniversário. Dezesseis anos de beijos de bom dia e nunca indo para a cama com raiva. Dizer que seu coração se partiu da pior maneira quando ela descobriu por que ele estava no meio de uma tempestade de neve seria um eufemismo. Ela quer nos proteger dessa mesma dor. Eu coloco minha mão sobre minha barriga ainda plana porque, de uma maneira louca, eu meio que entendo agora. Ainda nem conheci meu bebê e já tenho essa vontade intensa de protegê-lo a todo custo. Eu não posso imaginar o quão forte esse sentimento vai ser quando eles tiverem quase trinta anos. — Vamos falar sobre outra coisa — diz Emilia. — Como nomes de bebês ou algo assim. Pessoalmente, acho o nome Emilia lindo, mas posso ser incrivelmente tendenciosa quanto a isso. — Você é — Harper diz a ela. — Mas acho que todas podemos concordar que Harper também é um nome bonito. Olho para Ryan. — Se importa de colocar seu próprio nome no ringue também? — Não. Vou guardar meu nome para mim, obrigada. Embora eu ache que você deveria nomear seu bebê com algo foda, como Buffy ou Khaleesi. Espero que ela ria, mas ela não o faz. — Ah, e quanto a Katniss? Ou Xena? Você sabe, como a Princesa Guerreira. Eu já sei! — Emilia dispara. — Alanis! Como Morissette. Ela é como a esmagadora das esperanças e sonhos dos homens e é incrível. Total deusa do rock de garotas raivosas. — Isso é… vou levar isso em consideração também. — E se for um menino? — Ressalta Ryan. — Thor. Definitivamente Thor — diz Emilia. — Não, espere! E Thanos? Espere, não. Thor é muito melhor. Ryan e Emilia começam um debate sobre nomes, mas Harper não se junta. Em vez disso, ela desliza a mão na minha e a aperta. — Mesmo que Lowell não participe, é óbvio que a bebê Buffy Khaleesi Katniss Xena Alanis será muito amada. — Ou Thor Thanos. Ela sorri. — Ou Thor Thanos. E pela primeira vez desde que fiz aqueles testes, não me sinto tão sozinha. Eu estava certa sobre minha mãe. Eu seguro meu telefone apoiado no meu travesseiro e tento não suspirar quando ela começa a listar todos os apartamentos que ela está olhando nas proximidades. — E então há um que está a cerca de apenas três quilômetros de você. Eles têm um jardim lindo que eu posso imaginar apreciando meu café da manhã — ela diz, virando o telefone, tipo literalmente o telefone inteiro, não apenas a câmera, para me mostrar uma foto distorcida do referido jardim. — Parece ótimo, mãe, mas você não acha que está se precipitando? Ela vira o telefone de volta e me dá um olhar afiado. — Não fale com esse tom comigo, Hollis Pearl. Eu tento não me encolher com o uso do meu nome do meio, que eu detesto completamente. Eu prometo a mim mesma naquele momento não dar ao meu filho um nome do meio horrível. — Vou ser avó. Uma avó, Hollis! Claro que vou querer fazer parte da vida dessa criança, e não posso fazer isso do outro lado do estado, posso? Quero salientar que sim, ela pode, e vou fazer viagens de ida e volta o tempo todo, mas sei que não importa o que eu diga, não será suficiente. Eu também posso me resignar ao fato de que minha mãe vai se mudar dessa forma com ou sem minha aprovação. É apenas uma questão de tempo agora. — Eu sei, mãe, eu só… — Minhas palavras são cortadas por um grande bocejo, e uma carranca puxa seus lábios no momento em que minha boca se abre. — O que há de errado? Tudo certo? Eu mal resisto à vontade de revirar os olhos. — Está tudo bem. Eu só estou cansada, você sabe. Crescendo uma vida e tudo isso. Tenho certeza de que você se lembra como é. — Oh, Deus, como lembro. Vocês meninas me esgotaram tanto antes mesmo de nascerem. Especialmente Harper porque ela era tão imprevisível. — Um sorriso doce puxa seus lábios. — Para sempre marchando ao ritmo de seu próprio tambor, aquela lá. Ela está certa. Harper sempre foi quem ela é e nunca se desculpou por isso nem um dia em sua vida. Sempre admirei isso nela e gostaria de poder dizer que fiz o mesmo, mas não fiz. Enquanto Harper sempre foi do tipo que se destaca na multidão e tenta coisas novas, eu sou do tipo que se mistura e não corre muitos riscos. Era mais fácil desse jeito. Mais seguro. Claro que a única vez que saio da minha zona de conforto e faço algo arriscado, sou punida por isso. Eu acaricio meu estômago. Desculpe, pequenino, você não é uma punição. — De qualquer forma, eu deveria deixar você descansar um pouco — minha mãe diz, me surpreendendo. — Tenho certeza que esta semana foi muito animada para você. Animada não é a palavra exata que eu usaria para isso. Quando eu disse a ela que estou grávida, a primeira coisa que ela perguntou foi se o bebê é de Thad e se nós voltaríamos a ficar juntos. No começo, fiquei muito magoada por ela pensar que eu voltaria para ele depois do que ele fez comigo. Mas quando ela soltou um suspiro de alívio quando eu disse a ela que não tinha chance, fiquei feliz. Ela perguntou se eu estava namorando alguém, e eu disse que não. Depois disso, ela largou o tópico. Fiquei surpresa que ela não insistiu no assunto ou fez mais perguntas, já que ela normalmente se intromete sobre todo o resto. Acho que ela podia sentir meu tumulto em relação à situação. Ela não está perguntando agora, mas eu sei que ela vai mais tarde, e eu já estou temendo a conversa. — Algo assim — murmuro. A preocupação puxa seus olhos e eu posso dizer que ela tem muito a dizer, mas ela não diz. Em vez disso, ela diz: — Eu te amo, Hollis. Tudo ficará bem.E porque eu estou uma bagunça completa, lágrimas ardem em meus olhos. Esta semana foi exaustiva, e acho que não percebi o quanto precisava ouvir isso da minha própria mãe. — Obrigada, mãe. Eu também te amo. — Eu sei. — Ela pisca. — Descanse um pouco, ok? Me ligue amanhã. — Eu vou. Boa noite. — Boa noite, menina. Eu jogo meu telefone no travesseiro ao meu lado e rolo de costas. Eu olho para o teto, passando minhas mãos sobre meu estômago, maravilhada com o fato de que eu tenho um pequeno humano do tamanho de uma cereja crescendo dentro de mim. Harper estava certa. Mesmo que Lowell não participe, sei que esse bebê será amado e cuidado. Eu tenho o apoio de algumas das melhores pessoas do mundo que vão garantir que isso seja verdade. — Tudo vai ficar bem — digo a mim mesma enquanto meus olhos se fecham. Desta vez, quando digo isso, quase acredito. 8 Lowell — Calma aí! Estou indo! Eu empurro meu braço pela minha camisa enquanto ando pela casa para descobrir quem diabos está batendo na minha porta a esta hora. São apenas sete da manhã, e não tenho ideia de quem possa ser. Apenas três pessoas no time sabem onde moro, e uma dessas pessoas é o treinador. Com os olhos embaçados, esbarro em uma mesa no corredor. — Porra — murmuro, irritado com a mesa e comigo mesmo. Eu dormi como merda de cachorro nas últimas duas noites, e eu realmente prefiro não lidar com quem está parado na minha varanda agora. Eu abro a porta, uma carranca firmemente no lugar. — O q… — Eu nem mesmo digo a palavra completa antes de um punho atingir meu rosto e eu tropeço para trás para dentro da casa. — Que diabos… — Agarro meu rosto enquanto Collin abre caminho para dentro da minha casa. Ele bate a porta atrás dele, então me empurra na parede com tanta força que vou ficar surpreso se não houver um amassado nela. Ele arrasta seu antebraço sobre minha garganta, me segurando no lugar enquanto me dá um olhar assassino. — Que diabos, cara? — Eu cuspo, e ele nem vacila quando meu sangue respinga em seu rosto. — Que porra você está fazendo na minha casa, Wright? — Que diabos há de errado com você? — Ele sibila, empurrando minha traqueia com pressão suficiente para tirar o fôlego de mim. — Huh? Que porra há de errado com você, Lowell? Ele aperta o braço na minha garganta novamente, desta vez com força suficiente para eu engasgar. Eu faço uma tentativa sem esforço de tentar me soltar dele, mas o idiota é grande e não vai a lugar nenhum. Além disso, no fundo eu sei que eu mereço isso e muito mais. Eu fui um idiota total com Hollis na outra noite. No segundo em que o choque de tudo passou, eu sabia que estava completamente errado. Ela não estaria armando para mim. Eu sei que ela não faria. Nós não passamos muito tempo juntos, mas eu sei que ela não é esse tipo de pessoa. Depois que ela me contou, eu fiquei acordado metade da noite olhando para o meu telefone tentando decidir se eu deveria ligar ou mandar uma mensagem e o que diabos eu ia dizer para tornar tudo melhor. Eu continuei em branco porque não tenho ideia de como vou tornar isso melhor. Merda. Já se passaram trinta e seis horas e ainda não sei como vou melhorar. — Eu… eu sinto muito, ok? Eu fodi as coisas. Você está feliz? Seus olhos se estreitam em mim, certificando-se de que estou dizendo a verdade. Satisfeito com o que vê, ele me empurra mais uma vez antes de me soltar, deixando-me cair de volta aos meus pés. Eu engulo em respirações profundas de ar e limpo o sangue vazando do meu nariz e boca. — Merda, cara — eu digo, ainda tentando recuperar o fôlego. — Você tem sorte que eu já perdi meus dentes de verdade, senão eu ficaria muito irritado. — Sim, bem, junte-se ao clube porque eu estou irritado. — Ele balança a cabeça para mim. — Que porra é essa, cara? Eu tomo mais algumas respirações profundas antes de me empurrar da parede e me endireitar. Eu passo por ele, certificando-me de bater em seu ombro, e vou para a cozinha para limpar todo o sangue e pegar uma bolsa de gelo. Ele segue atrás de mim, sem dúvida abrindo buracos na parte de trás da minha cabeça. — Você realmente perguntou a ela se ela tem certeza que é seu? Eu faço uma careta com suas palavras enquanto pego uma garrafa de água da geladeira e abro a tampa. Eu agito a água ao redor da minha boca algumas vezes para tirar o gosto de sangue. Então eu bebo o resto em um gole e fecho a geladeira, não me preocupando em oferecer nada a Collin porque foda-se ele depois do que ele acabou de fazer. Quer dizer, eu mereci, mas foda-se ele. — Eu... meio que insinuei — eu finalmente digo depois de vários longos momentos. — E você também insinuou que ela engravidou de propósito para tentar prendê-lo? Outra careta, o que é resposta suficiente. Pego o pano de prato que está pendurado no fogão, coloco um pouco de água fria e o pressiono no meu lábio rachado, que sem dúvida já dobrou de tamanho. Porra, Collin bate forte. — Eu tenho que perguntar de novo… o que diabos há de errado com você, Lowell? Por que diabos você diria isso para ela? Você realmente acha que isso é algo que Hollis é capaz? — Não! De jeito nenhum. — Então por que você disse isso? Eu estreito meus olhos para ele. — Você sabe porque. — Por causa daquela merda com Celine todos esses anos atrás? — Sim! — Cara! — Ele passa as mãos pelo cabelo como se estivesse irritado comigo. Bem, eu estou fodidamente irritado com ele, invadindo minha casa e me batendo no raiar do dia. — Supere essa porra logo. — Não é exatamente tão fácil. — É sim. Porque elas são duas pessoas completamente diferentes. — Você acha que eu não sei disso? Ele mantém os braços abertos. — Aparentemente não, porque aqui estamos. — Eu surtei, ok? Em minha defesa, eu tinha acabado de descobrir que meu caso de uma noite engravidou. Meio que muito para absorver, não? Ele range os dentes. — Eu lhe devo outra por isso também, por tirar vantagem dela quando ela estava vulnerável. — Não foi assim — eu argumento, porque não foi. Pelo menos eu não acho que foi. Porra… foi? Será que… Hollis não queria? Eu sabia que ela estava sofrendo com o casamento e quão recente era o divórcio, mas não é como se eu a tivesse pressionado a nada. Inferno, foi ela quem me pediu para tomar uma decisão ruim com ela. Eu fiz algo errado ao dizer sim? — Como isso aconteceu? Você não embrulhou sua merda? — Claro que sim! Eu só… A camisinha era meio velha, certo? Era uma que eu tinha na minha carteira há um tempo. — Há um tempo? Quanto tempo é um tempo? Eu torci meu rosto, não querendo admitir. — Um… ano. Ou mais. Ele joga a cabeça para trás com um gemido. — Puta merda. Não é à toa que você a engravidou. — Ei, não é como se eu tivesse ido ao seu casamento na esperança de cair em alguma boceta, ok? Isso não fazia parte do meu plano. Eu sei como as mulheres desapegadas estão desesperadas em casamentos para se apegar a alguém. Eu não estava prestes a me envolver nisso. — Mas você fez. Você se envolveu nisso, e veja onde isso te levou. Porra. Ele me tem nessa. Eu descanso meus cotovelos no balcão e coloco minha cabeça em minhas mãos. Não acredito que me meti nesta situação. Mais uma vez, tecnicamente. Só que desta vez, é real. É muito real e muito assustador. — Como você está se sentindo? — Como merda. Meu rosto dói, e agora estou com uma dor de cabeça latejante e acho que meu dente está solto. E eu… — Não, não isso. Sobre o bebê, seu idiota. Certo. Isso. Isso é uma enxurrada de emoções totalmente diferentes que eu não tenho certeza se quero entrar tão cedo. Eu estou assustado. Estou com raiva. Estou preocupado. Estou confuso. Eu estou tantas coisas diferentes, e estou tendo muita dificuldade em processar tudo isso. — Eu… Outra batida forte soa na porta, me interrompendo. Quem diabos é desta vez? Eu olho para Collin, e ele dá de ombros. — Me venceu. Eu empurro o balcão e vou para a porta da frente. Eu a abroe, pela segunda vez esta manhã, um punho acerta meu rosto. — Ow! Filho da puta! — Eu seguro meu nariz, que agora está sangrando junto com meu lábio enquanto eu tropeço para trás com o impacto. — Seu idiota de merda! — Rhodes se enfurece, me jogando contra a parede como Collin fez. — Você está louco? Você tem um desejo de morte? Você… Um movimento no corredor chama sua atenção. Collin está encostado na parede, de braços cruzados, claramente curtindo o show. — Não se importe comigo — diz ele. — Por favor, continue. Eu empurro Rhodes, tentando tirar a fera de um homem de cima de mim. Ele olha para mim, me empurrando contra a parede mais uma vez antes de me soltar. Não consigo decidir se quero manter meu nariz coberto ou esfregar o hematoma que sem dúvida está se formando no meu peito neste momento. — Porra — murmuro, olhando entre eles. — Alguém mais vai entrar na minha casa hoje? A porta, que nunca foi fechada, é aberta, e Miller caminha para dentro. — Eu não vou bater em você, Lowell. — Ele levanta as mãos. — Não posso me dar ao luxo de estragar essas luvas de seda. — Por que diabos vocês estão aqui tão cedo? — Uh, porque aparentemente você é um idiota que precisava de uma surra, e vindo de mim isso é algo — explica Miller. Ele fecha a porta da frente, então bate palmas. — Então, o que tem para o café da manhã, rapazes? Estou morrendo de fome. Com um suspiro, eu balanço minha cabeça e os deixo no corredor enquanto eu vou para o meu quarto pegar uma camisa limpa, já que esta agora tem manchas de sangue depois que eu levei um soco no rosto duas vezes. Como não são nem oito da manhã e eu já estou ensanguentado e machucado? Depois de pegar uma camisa, volto para a cozinha. Collin e Rhodes estão encostados na ilha me encarando. Miller está se servindo de um bule de café, mas não consegue descobrir como o filtro funciona. Eu o empurro para fora do caminho e termino o trabalho, definindo o tamanho para um pote cheio e pressionando iniciar antes de me virar para encontrar os olhares dos meus companheiros de time. — Harper? — Aponto para Collin. Ele concorda. — Ryan? — Digo a Rhodes. Outro aceno. Eu olho para Miller. — Então por que diabos você está aqui? Ele dá de ombros. — Eu estava vindo porque estava entediado e o acampamento de verão só vai acontecer daqui a algumas horas. Sinceramente, não tenho ideia do que está acontecendo. — São sete da manhã! — Você realmente vai ficar bravo com um cara por sentir falta de seu capitão? — Ele projeta o lábio, fazendo beicinho de um jeito que me faz querer ser o terceiro cara a dar um soco hoje. Em vez disso, apenas reviro os olhos para ele e me viro para pegar o café agora acabado. Pego duas canecas, porque foda-se Collin e Rhodes, do armário acima do bule, despejo uma xícara para mim e uma xícara para Miller, e deslizo uma em sua direção. — Obrigado — diz ele, tomando um gole alto. — Então, o que eu perdi? Sua inocência nos faz rir. — Esse merda aqui — Rhodes levanta o polegar na minha direção — dormiu com a irmã de Harper no casamento. — Que cachorro sujo, você. — Miller sorri para mim, balançando a cabeça. — Achei que ela era muito louca para você? Eu não respondo a ele. A única pessoa louca neste momento sou eu por pensar que o que fizemos foi uma boa ideia. — Isso não é tudo — acrescenta Collin. — Ela está grávida. Miller suspira. — De jeito nenhum! Você não embrulhou? Eu jogo minha cabeça para trás em um gemido. — Por que todo mundo continua me perguntando isso? Claro que sim! — Não bem o suficiente, aparentemente. Você tem que usar duas e merda. Rhodes lança a Miller um olhar preocupado. — Não se usa duas. Nunca. Você faz isso? — Uh… n-não — diz Miller, não soando nem um pouco convincente. Eu nem estou tocando nesse assunto agora. Eu não tenho energia. Eu tenho meus próprios problemas para lidar. — O que você vai fazer? — Miller faz a pergunta de um milhão de dólares para a qual todos querem uma resposta. Porra. O que eu vou fazer? Eu não estava procurando por isso e certamente não estava preparado. Inferno, eu fui jantar com Hollis meio que esperando molhar meu pau no final da noite. Eu não esperava que essa grande bomba de mudança de vida fosse lançada sobre mim. Então, o que eu vou fazer? A longo prazo? Eu não tenho ideia. Isso não depende inteiramente de mim. Mas eu sei o que preciso fazer a curto prazo, e isso é pedir desculpas a Hollis… se ela me deixar. Olho para Collin e Rhodes, que estão olhando para mim, esperando para ouvir o que tenho a dizer. Eu engulo o nó que está na minha garganta desde ontem, então solto uma respiração pesada. — Acho que tenho um telefonema para fazer. 9 Hollis Depois que deixamos as coisas no restaurante na outra noite, a última coisa que eu esperava esta manhã era receber uma ligação de Lowell perguntando se ele poderia vir até minha casa. Eu disse que não no começo porque não tinha certeza se queria lidar com o estresse de vê-lo antes da minha consulta esta tarde, mas ele insistiu e acabei cedendo. É por isso que estou atualmente na frente do meu espelho na minha terceira roupa da manhã tentando me convencer a não me trocar novamente. Parte do meu cérebro está gritando que eu deveria usar aquela mini-saia de couro que comprei há dois meses, porque logo estarei grande demais para passar pelos meus quadris, mas sei que isso é completamente impraticável. Se não fosse por náuseas, dores de cabeça e alterações hormonais, você não saberia que eu estava grávida. Tudo parece igual, embora eu saiba que não será o caso nos próximos meses. Eu não sei como me sinto sobre isso ainda, ver como meu corpo vai mudar. Eu sei que algumas mulheres adoram estar grávidas e amam a aparência de seus corpos, enquanto outras detestam. Eu me pergunto onde eu vou me encaixar nesse aspecto. Eu enfio dois pares de meias enroladas no meu sutiã, em seguida, pego um travesseiro da minha cama e o enfio debaixo da minha camisa. Eu me olho no espelho, tentando imaginar como vou ficar andando com um pequeno humano dentro de mim. Vai ser... diferente, com certeza. Vou parecer uma pessoa totalmente diferente. Inferno, eu vou ser uma pessoa totalmente diferente. Isso é difícil de conciliar às vezes. Uma batida soa na porta, me puxando dos meus pensamentos. Merda! Lowell. Minha frequência cardíaca aumenta e minhas palmas começam a ficar pegajosas. É estúpido. Eu não deveria me sentir assim sobre o homem cujo bebê estou carregando, mas me sinto. Estou nervosa porque ele me deixa nervosa. Estou nervosa porque não tenho ideia de como essa conversa vai acontecer. Estou apenas... nervosa. Eu puxo o travesseiro do meu estômago e o jogo na cama antes de correr para a porta da frente. Eu tomo uma respiração profunda e calmante, passando a mão pelo meu cabelo. Quando sinto que não vou desmaiar, eu a abro. Recolher o fôlego foi uma jogada inteligente, porque no momento em que meus olhos pousam em Lowell, ele o rouba de volta. Ele é tão... magnético. Eu não quero ser atraída por ele. Não quero que ele fique no norte e eu no sul. Ele está vestindo uma camisa cinza clara simples e um par de jeans que abraça suas coxas um pouco bem demais. Há um boné de beisebol pendurado para trás em sua cabeça, e ele está ostentando o que parece ser um corte recente no lábio sobre o qual eu quero perguntar a ele. Quando alcanço aqueles olhos verdes que me fazem sentir todo tipo de coisas que não entendo, percebo que ele está me olhando com um olhar inquisidor, como se estivesse procurando alguma indicação de que vou bater a porta na cara dele. Eu não vou... ainda. Em vez disso, eu me movo para o lado, permitindo que ele passe. No momento em que ele cruza a soleira, eu respiro novamente. Fecho a porta atrás dele, me apoiando nela porque de repente estou me sentindo tonta. Eu não sei se é por estar perto dele ou simplesmente estar exausta, algo queestou mais do que nunca ultimamente. Ele olha ao redor do pequeno apartamento, e eu percebo que este lugar deve ser risível comparado a onde quer que ele more. Ele é um maldito jogador de hóquei. Ele provavelmente tem uma mansão... ou duas. Quando ele termina de examinar, ele enfia as mãos nos bolsos da calça jeans e olha para mim. Seus olhos percorrem lentamente meu corpo, começando pelos meus pés, indo até o topo. Ele me inspeciona de perto, não perdendo um único centímetro, como se estivesse procurando por qualquer sinal de que eu realmente estou grávida. Eu quero dizer a ele que não está aparecendo ainda, mas antes que eu possa dizer as palavras, ele sorri. — Bem, esses cresceram muito mais rápido do que eu esperava. Minhas sobrancelhas se juntam, e eu olho para baixo. Oh Deus. Minhas bochechas estão em chamas quando eu alcanço meu sutiã, arranco as meias enroladas e as jogo no sofá. — Eu estava... praticando. — Ter peitos? Eu olho para ele, me afastando da porta e indo para a cozinha. — Você gostaria de algo para beber? — Ah, sim. Vodka, se você tiver. — Eu lhe envio um olhar, e ele ri. — Eu estava brincando. Embora uma bebida soe bem agora. Estou, uh, meio nervoso. — Você? Sr. Superstar da NHL, nervoso? Ele sorri com o apelido enquanto se senta no pequeno recanto do café da manhã. — Os jogadores de hóquei ficam nervosos, você sabe. — Huh. Teria imaginado que você já estaria acostumado com a pressão. — Esse tipo de pressão é um pouco diferente. — Isso é justo. — Abro a geladeira e alcanço o recipiente de suco de laranja. — Eu não tenho vodka, mas tenho suco. — Suco também funciona. Pego dois copos do armário e sirvo um para cada um de nós. É engraçado porque eu nunca fui uma grande fã de suco de laranja, mas por algum motivo, é quase tudo que eu quero beber hoje em dia. Eu deslizo um copo na direção de Lowell, então devolvo o suco para a geladeira antes de pegar meu próprio copo e me recostar no balcão. — Você deveria estar de pé? Meus olhos caem em fendas. — Aviso justo, há muitos objetos pontiagudos nesta cozinha com os quais posso esfaquear você. — Vou levar isso em consideração. — Ele sorri para mim sobre a borda de seu suco de laranja antes de tomar um gole, estremecendo com a picada da acidez no corte em seu lábio. — O que aconteceu com o seu rosto? — Eu pergunto. — Collin. Eu levanto minhas sobrancelhas, surpresa. — E Rhodes — acrescenta. — Por causa de…? Ele se mexe desconfortavelmente no banco, não encontrando meus olhos quando diz: — Você. Ah. Então é por isso que ele me ligou, porque Collin e Rhodes o fizeram, não porque ele realmente se importa. — Mas não é por isso que eu liguei — ele diz como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. — Eu ia ligar antes que eles… bem… — Ele aponta para o rosto, então limpa a garganta. — Eu simplesmente não sabia o que dizer. — E agora você sabe? — Não. — Ele ri sem humor. — Não tenho a menor ideia, mas eu não poderia simplesmente sentar e deixar você pensar coisas ruins sobre mim também. — Eu não estava pensando coisas ruins sobre você. Não é totalmente mentira. Eu achava que ele era um idiota por questionar a legitimidade da minha gravidez acidental? Definitivamente. Mas... eu também entendi. Dada a forma como nos conhecemos, não tenho certeza se posso culpá-lo por atacar durante um momento emocional. Ele tira o boné da cabeça e passa a mão pelo cabelo castanho escuro antes de recolocá-lo. Ele suspira. — Eu, uh, estava noivo antes. Minhas sobrancelhas se erguem porque isso é novidade para mim, especialmente considerando o quanto ele protestou contra casamentos. — Foi há vários anos. Eu estava saindo com essa garota por cerca de oito meses, e foi bem sério, você sabe. — Ele dá de ombros. — Eu a amava. Ele toma o resto de seu suco de laranja, então se levanta e vai para a pia. Ele enxagua o copo e o coloca na lava-louças. Eu o vejo se mover pela minha cozinha como se ele morasse aqui também, e não tenho certeza de como me sinto sobre o fato de que eu não odeie isso exatamente. Quando ele termina, ele se vira para mim, descansando as costas contra o balcão à minha frente. Ele cruza os braços sobre o peito, e eu faço o meu melhor para ignorar a forma como sua camisa se estende sobre seus músculos enquanto ele olha para um buraco no chão. — Eu a pedi em casamento quando ela engravidou. Meus olhos saltam para ele, surpresos. Ele... já é pai? — Fizemos o anúncio do noivado, planejamos o casamento… a coisa toda. Eu estava feliz. Eu estava animado. Eu queria a esposa, o bebê e o futuro. Quatro meses. — Seus lábios se apertam e ele balança a cabeça uma vez antes de finalmente me olhar nos olhos. — Demorei quatro meses para saber que ela estava mentindo. A dor em seus olhos é tão clara, e eu tenho o desejo de atravessar a cozinha e envolver meus braços ao redor dele. Quem quer que seja essa mulher, ela fez uma coisa com ele, e isso realmente me faz odiá-la por machucá-lo. — Ela nunca esteve grávida. Ela só queria que eu pedisse em casamento e apressar o casamento para que eu não pudesse desistir. E eu acreditei, sabe? Eu era tão jovem, estúpido e apaixonado que acreditei. Eu não questionei nada. Todas as consultas com o médico dela foram em dias em que eu tinha jogos, e eu nunca pensei em questionar isso porque quem realmente acha que a pessoa que eles amam está ferrando com eles assim? Ele olha para mim, mas não realmente para mim. É mais como se ele estivesse olhando através de mim, como se estivesse lá no passado e ouvindo tudo de novo, que ela mentiu para ele. Ele parece tão... quebrado. — Lamento o que aconteceu com você — eu digo baixinho, e ele sai de qualquer neblina em que está. Ele funga algumas vezes, então se sacode como se estivesse sacudindo as memórias. — É por isso que eu assumi o pior sobre você, porque eu já estive lá antes, mas eu não deveria ter feito isso. Eu não deveria ter colocado meu passado em você assim. Eu sou a pessoa que está arrependido. Eu concordo. — Obrigada por me dizer. — Obrigado por não mentir. — Ele estreita os olhos. — Certo? — Eu diria que meu enjoo matinal na outra noite foi uma boa indicação de que não, não estou mentindo. Ele assente algumas vezes. — Se vale de algo, sinto muito que você esteja nessa situação. — Sinto muito, também. Eu definitivamente não planejei isso. Ele dá uma risada meio sem graça. — Eu definitivamente também não. Eu termino o resto do meu suco de laranja, e ele pega o copo de mim, enxaguando-o e colocando-o na lava-louças também. Estou impressionada novamente com o quão confortável ele parece estar no meu apartamento e o quanto isso não me incomoda. Normalmente, se alguém viesse aqui e começasse a agir como se essa fosse a casa deles também, eu ficaria irritada, mas, e talvez seja porque estou carregando o bebê dele, não me sinto assim com Lowell. — Como você está se sentindo? — Ele pergunta. — Cansada, enjoada. Tipo, eu tenho que fazer muito xixi. Eu continuo tendo sonhos estranhos com bebês loiros que são bebês, mas também parecem pessoas velhas. — Eu estremeço. — É estranho. Não conto a ele o outro sonho recorrente que tenho tido porque é sobre ele. Eu continuo sonhando que ele se oferece para me pagar um milhão de dólares para pegar meu bebê e ir embora, para nunca entrar em contato com ele e nunca, nunca dizer uma palavra a ninguém. Isso me fez acordar chorando nas últimas duas noites, mas guardo isso para mim. Ele ri. — E sobre o bebê? Como você está se sentindo sobre isso? — Assustada — eu digo honestamente. — Tipo muito, muito assustada. Mas também… ok. — Ele balança a cabeça como se entendesse. — E você? Como você se sente… sobre o bebê? — Assustado. Tipo muito, muito assustado — ele ecoa. Eu sorrio porque me conforta que ele também esteja aterrorizado com essa nova aventura em que nos metemos. — Quando você descobriu? — Oficialmente?Na segunda-feira. Extraoficialmente? Última sexta-feira. — Como? — Café com leite de avelã e sanduíches de ovo. Ele inclina a cabeça, sobrancelhas juntas. — Café com leite de avelã e sanduíches de ovo? — Sim. Eu estava sentada no Cup of Joe's, e o cheiro dessas duas coisas era tão forte que vomitei na bolsa do meu notebook. Sinceramente, se não fosse a velhinha que comentou sobre isso, eu não teria pensado duas vezes, e ainda hoje talvez nem soubesse. Minha menstruação não está normal há algum tempo por causa de todo o estresse com o divórcio e tudo mais, e desde que usamos proteção, nunca suspeitei que pudesse estar grávida. Eu me sinto meio estúpida por não estar mais em sintonia com meu corpo ou questionar por que eu não menstruava há meses, mas não há nada que eu possa fazer sobre isso agora. Meu telefone vibra contra o balcão, e eu sei o que é antes mesmo de olhar. Atravesso a cozinha para verificar e posso sentir os olhos de Lowell em mim o tempo todo. — Você precisava atender isso? — Ele pergunta. Eu balanço minha cabeça. — Não é um telefonema, é um alarme. Eu tenho um compromisso. — Para o bebê? Eu concordo. — Sim. — E você vai agora? — Eu aceno novamente. Ele se afasta do balcão. — Eu vou com você. — Você não precisa. — Você tem razão. Eu não preciso… eu quero. — Você… quer fazer parte disso? Ele faz uma carranca mais profunda do que eu já o vi fazer antes. — Você está brincando comigo, certo? Claro que quero fazer parte disso. Por que eu não iria querer? Eu dou de ombros. — Não sei. Nós realmente não nos conhecemos muito bem. Quero dizer, sim, nós tivemos essa conexão e compartilhamos uma noite juntos, mas é isso. Não é como se nenhum de nós planejasse continuar a se ver depois daquela noite. Isso... isso é diferente de apenas esbarrar um no outro depois de fazer sexo e fazer toda aquela coisa de dança desajeitada de nós nos vimos nus. — Eu lembro. — Isso não é algo que simplesmente nos afastamos de manhã, Lowell. — Eu sei. — Isso é um bebê. Isso é para sempre. Ele rosna. — Eu sei o que isso significa, Hollis, e eu quero isso. — Tem certeza? — Mais certeza do que eu já tive em toda a minha vida. Eu tento não deixar meu alívio transparecer. Por mais que eu estivesse preparada para o contrário, eu esperava que ele dissesse isso. — Ok. Então provavelmente deveríamos ir. Minha consulta é em uma hora. — Lembre-me novamente por que chegamos aqui trinta minutos mais cedo quando nosso compromisso foi vinte minutos atrás e ainda estamos esperando? Nosso compromisso. Eu não perco que ele diz isso. A maneira como ele se inseriu nisso faz meu estômago vibrar, e eu ainda não sei se isso é uma coisa boa ou ruim. Ele dirigiu no limite de velocidade exato no caminho até aqui, o que me deixou louca. Então ele não me deixou sair da caminhonete a menos que ele abrisse a porta, o que também era irritante, embora um pouco fofo. Ele insistiu em me ajudar a descer e carregar minha bolsa. Eu realmente queria lembrá-lo que eu mal estou grávida e ele estava sendo extremamente exagerado, mas toda vez que eu abria minha boca para dizer alguma coisa, eu não conseguia pronunciar as palavras. Acho que é porque estou aliviada por ele querer fazer parte disso comigo. Não tenho nenhuma ideia maluca de que de repente vamos namorar e depois nos casar e viver felizes para sempre. Isso não vai acontecer, e eu estou bem com isso. Mas só o fato de ele estar aqui? Que ele não está fugindo ou tentando jogar dinheiro em mim para ficar quieta sobre o bebê? Sim, faz meu estômago vibrar com certeza. — Tenho certeza que vai ser apenas mais alguns minutos. Ele me lança um olhar que diz que isso não é provável. — Estamos aqui há muito tempo. — Eu sei, mas o que podemos fazer sobre isso? Ele bufa, então antes que eu perceba, ele está marchando pela sala. — Lowell! — Eu sussurro-grito para ele, e ele me ignora. — Cameron! — Eu assobio. Desta vez ele se vira, seus olhos brilhando com o uso de seu primeiro nome antes de levantar a mão como se estivesse tentando me acalmar. Ele caminha até a recepção com arrogância suficiente, do tipo que não é tanto que o faça parecer idiota. Ele descansa os antebraços, os antebraços que eu sei que parecem incríveis, no balcão e se inclina em direção à jovem enfermeira sentada lá. — Oi — ele diz para ela, usando a mesma voz que eu já ouvi dele antes, lisa e sedosa e todo tipo de quente. — Eu queria saber se você poderia me dizer quanto tempo ainda vai demorar, Josie. Ele coloca ênfase extra no nome dela, colocando o charme no máximo. E funciona. Vermelho rouba suas bochechas, e ela bate os cílios para ele. — Deixe-me verificar bem rápido. Qual é o nome mesmo? — Lowell. — Novamente, mais ênfase no nome. — Estava meio que esperando que pudéssemos entrar em breve. Eu tenho treino de hóquei daqui a pouco, e… — Ele para, esperando que ela ligue os pontos. Se a forma como seus olhos brilham é alguma indicação, ela sabe exatamente quem ele é, e tenho a sensação de que estamos prestes a ser os próximos. Ela se vira para o computador, os dedos voando sobre o teclado, o mouse clicando rapidamente. E então… — Ah, você está com sorte. A doutora irá vê-lo agora. — Sério? Uau. Muito obrigado, Josie. Ele envia a ela aquele mesmo sorriso de derreter as calcinhas que ele me deu no casamento de Harper, e eu aposto cem dólares que a cadeira da garota está molhada agora. Lowell acena para mim enquanto ela se levanta para nos deixar entrar. Eu levanto minhas sobrancelhas para ele. — Você é incorrigível, sabia disso? — Eu não tenho ideia do que você está falando — diz ele, segurando a porta aberta para mim. — Agora vamos ver nosso bebê. Nosso bebê. Eu não perco que ele diz isso. E eu não perco o jeito que isso me faz sentir. 10 Lowell — Eu trouxe donuts. Eu seguro a caixa azul bebê do segredo mais bem guardado desta cidade como uma oferta de paz por estar alguns minutos atrasado. Hollis parece surpresa ao me ver. — Você está aqui. — Sim? — Não sei por que é uma pergunta, mas também não sei por que ela está questionando minha presença. — Nós temos uma consulta, certo? — Eu não tinha certeza se você queria ir, já que não te vejo há um tempo… — Desde que não interfira no hóquei, estarei lá. Sempre. Não vou mentir e dizer que não a tenho evitado um pouco, mas isso é porque não sei como ficar perto dela. Ela quer que eu apenas fique na casa dela? Ela quer ir para a minha? Deveríamos passar algum tempo juntos? Eu realmente não sei como atravessar isso. Eu nunca precisei antes. Na verdade, não passo tempo com alguém com quem dormi desde Celine, e todo mundo sabe como isso acabou. Hollis balança a cabeça. — Quer saber, não importa. Não importa. Devemos ir. Estamos atrasados. — Eu sei, e eu sinto muito por isso — eu digo enquanto ela sai de seu apartamento, então se vira para trancá-lo. — É por isso que eu trouxe donuts para compensar isso. — Você está atrasado, então decidiu se atrasar ainda mais parando para comprar donuts? — Bem, não. Eu pensei em pegar os donuts primeiro, e quando eu estava saindo com os donuts na mão, completamente na hora, lembre-se, minha caminhonete não ligou. Ela me lança um olhar enquanto entramos no elevador e ela aperta o botão do Hall de Entrada. — Deixe-me colocar minha cara de chocada por que sua caminhonete de merda não ligou. Diga-me, Lowell, exatamente quantas camadas de fita adesiva estão segurando seu para-choque? — Ei! Você deve saber que Fiona não gosta de ser falada dessa maneira. — Fiona? Você nomeou sua caminhonete de Fiona? — Sim. Princesa Fiona para ser mais preciso. Como a de Shrek. Ela leva um momento para entender. — Porque ela é grande, verde e feia. — Precisamente. — Sorrio enquanto saímos do elevador. — De qualquer forma, não é culpa dela — eu digo, segurando a porta de seu prédio aberta para ela, tentando marcar alguns pontos devolta. — Era minha. Eu sabia que não deveria arriscar desligá-la. Ela fica meio irritada quando está frio lá fora. — Estou tão confusa sobre por que você está dirigindo por aí naquele pedaço de lixo. Você não ganha seis milhões e meio por ano? — Primeiro, são sete. Segundo, não se atreva a chamar meu bebê de um pedaço de lixo. Ela tem sentimentos, você sabe. Hollis revira os olhos enquanto eu abro a porta do carro para ela. — Preciso lembrá-lo — ela sobe na caminhonete, então aponta para sua barriga — você terá um bebê para se preocupar em breve também. — Eu vou pegar um segundo carro, então. Eu não vou desistir de Fiona ainda. Não posso. Aqui. — Eu entrego a ela os donuts e me certifico de que ela está segura no veículo antes de fechar a porta e ir para o meu lado. Eu subo atrás do volante da minha amada caminhonete embora surrada, e aciono o motor. Assim como antes no food truck de donuts, ela se agita. São necessárias três tentativas, mas ela finalmente liga, e nós estamos pegando a estrada. Eu posso sentir o olhar de Hollis em mim, e eu olho para ela. — O quê? — Nada. — Não é nada. O que é? Ela acena com a mão em direção ao painel com um sorriso divertido como se isso explicasse tudo. — O quê? É parte do charme dela — eu explico. — Além disso, ela não pode ir até que eu termine de jogar hóquei. — E quão perto você está de terminar? — Uns dez anos, se eu tiver sorte. — Eu não acho que esta caminhonete pode durar mais dez anos. — Shh! Pare de azarar! Ela bufa, então abre a caixa de donuts. Ela pega um e o segura como se me perguntasse de que tipo. — Creme de Boston. Ela acena com a cabeça, então dá uma grande mordida, e eu quase saio da estrada quando um pouco de creme branco escorre pelo seu queixo. Ela limpa rapidamente antes que eu faça algo estúpido como estacionar esta caminhonete e puxá-la para o meu colo e nos lembrar de como chegamos a essa situação em primeiro lugar. — Qual é o seu grande apego a ela, afinal? Grande apego a…? Ah, certo… minha caminhonete. Eu tento me ajustar o mais discretamente possível e dou de ombros. — Não sei. Ela é apenas… Bem, ela esteve lá comigo durante tudo isso. Peguei ela quando eu tinha dezesseis anos. Eu mesmo paguei por ela depois de trabalhar e economizar por dois anos. — Eu acaricio o painel com carinho. — Passamos pelo ensino médio, faculdade, draft, NHL… tudo. Nós paramos em um semáforo e eu olho para encontrar os lábios de Hollis puxados em um sorriso. — Ela é seu amuleto da sorte, Lowell? — O quê? Não. — Sinto as pontas das minhas orelhas esquentarem com a minha mentira. — Eu não acredito em amuletos da sorte. — Tenho quase certeza que ser supersticioso é como a regra número um para jogar hóquei. — Oh, sim? Você é uma especialista em hóquei agora? Ela franze o nariz. — Não. Na verdade, não gosto muito disso. — Você não… Como é? — Sim, não é realmente minha coisa. — Eu... Uau. Estou sem palavras agora. — Desculpe? — Está tudo bem. Eu acho. Talvez. — Eu bato minha mão contra o volante. — Não, não. Não está bem na verdade. Tipo, como? Como? Hóquei é… — Eh. — Eh? Eh? — Eu balanço minha cabeça. — Eu vou fazer você amar. Apenas observe. — Você pode tentar, mas eu duvido. — Isso é o que sua irmã disse também, agora olhe para ela. Tenho certeza de que ela pintou o rosto por pelo menos metade dos jogos na temporada passada. — Isso é porque ela é louca. — E você não é? — Não. — Hum. Parece que me lembro de um certo alguém socando outra pessoa por causa de sua música estar muito alta. Tenho certeza de que isso se qualifica como louca. — Não se foi justificado. Eu balanço minha cabeça com um sorriso e me concentro na estrada. O caminho para o médico não é longo, e estamos entrando no estacionamento em pouco tempo. Ela estava preocupada com o atraso, mas ainda estamos trinta minutos adiantados. Eu desligo a caminhonete e olho para cima, apenas observando-a enquanto ela olha pela janela. Seus lábios estão ligeiramente separados e há uma pequena ruga entre as sobrancelhas com o quão profunda ela está pensando agora. Quero estender a mão e passar o dedo por todas as linhas que marcam sua testa, afastá-las junto com todas as suas preocupações e dúvidas. Mas estou com medo de que se eu tocá-la, eu não serei capaz de parar. — Você está bem? — Eu pergunto baixinho. Ela pula um pouco, quase como se tivesse esquecido que eu estava aqui, então limpa a garganta. — Sim. Eu só… Desculpe. Me perdi em pensamentos por um minuto. — O que você estava pensando? — Honestamente? Tudo. O quão bom são esses donuts. A consulta. Como vamos criar um filho juntos quando você é um jogador profissional de hóquei e está ausente metade do ano. Como toda a nossa vida está mudando. Apenas... tudo. — Ela suspira, então joga o donut meio comido na caixa, já parecendo exausta pelo dia. Entendo. É muito para absorver. — Não precisamos pensar em tudo isso agora. Ainda temos tempo. Acho que agora, só precisamos nos concentrar em nos conhecer melhor. Ela bufa. — Certo. Porque nós realmente não nos conhecemos além do quarto, não é? — Pessoalmente, acho que o quarto é um bom lugar para conhecer alguém. — Sim, estou bem ciente desse fato sobre você. Ela sorri, mas é triste, e isso me deixa triste. Eu sei que ela está preocupada com tantas coisas, e eu também estou, mas eu não quero que hoje seja sobre todo o estresse do que está por vir. — Conte-me sobre a consulta de hoje — eu digo para distraí-la. — O que está acontecendo? — Nós podemos ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Eu sento direito. — Nós podemos? — Ela acena. — É por isso que você está nervosa? Outro aceno. — Sim. Estou apenas... com medo. Preocupada. — Com o que? — Que não vamos ouvir nada. Foda-se minha regra sobre não tocá-la. Eu preciso tocá-la agora. Eu me aproximo e agarro a mão de Hollis, entrelaçando nossos dedos. Ela fica surpresa no início, mas não demora muito para relaxar. Seus ombros caem quando ela encosta contra o assento, como se apenas o fato de eu tocá-la de alguma forma tivesse tirado algum peso de seus ombros. Isso me faz sentir mal porque nem passou pela minha cabeça que algo assim era uma possibilidade. O pensamento de que isso aconteça me deixa mais triste do que eu pensava ser possível, e estou surpreso com isso. Quando tudo aconteceu com Celine, levantei paredes. Muitas paredes, tipo todas as paredes quando se tratava de algo sério. Sem relacionamentos. Sem promessas de futuros. Nem mesmo o café da manhã na manhã seguinte, porque ele apenas estabelecia muitas expectativas e eu não estava no negócio de cumpri-las. Desde que conheci Hollis, sinto as rachaduras naqueles tijolos que empilhei tão alto. E essa rachadura? Talvez seja a maior de todas. Acabou de me ocorrer neste exato momento que eu quero este bebê. Eu quero muito esse bebê. Não quero entrar no consultório daquela médica e não haver batimentos cardíacos. — Excelente. Agora você também parece assustado. — Estou — eu digo honestamente, e sua boca cai aberta com a minha confissão. — Mas também sei que não temos nada com que nos preocupar. Nós vamos entrar lá e ouvir os batimentos cardíacos do nosso bebê, e tudo vai ficar bem. — Como você sabe? — Porque eu simplesmente sei. E se eu estiver errado, deixo você me bater de novo. Eu sei o quanto você ama fazer isso. — Ugh — ela geme. — Eu não posso acreditar que estou tendo um bebê com você. — Bem, está acontecendo, então acredite, querida. — Eu pisco para ela, e ela revira os olhos, mas eu vejo o sorriso brincando em seus lábios. — Agora venha, vamos entrar antes que estejamos realmente atrasados. Eu empurro minha porta aberta, mas paro quando ouço meu nome em seus lábios. — Ei, Cameron? — Hum? — Eu olho de volta para ela. Ela está olhando para mim com olhos inseguros. Ela não diz nada por um longo momento, apenas me encara. Então, finalmente… — Estou feliz que seja você.Eu odeio que minha garganta fique apertada e meus olhos ardam com lágrimas não derramadas. Suas palavras são como um soco no estômago e a última coisa que eu esperava que ela dissesse. Eu limpo minha garganta e passo minha língua pelos meus lábios. — Também estou feliz que seja você, Hollis. Orgulho cresce em meu peito enquanto olho para o grupo de caras no gelo. Eles parecem bons. Eles parecem prontos. No momento, estamos ganhando de três a um em nosso jogo de pré-temporada contra a Flórida, e eu soube no momento em que meus patins tocaram o gelo que isso é exatamente o que eu estava precisando. Estar no gelo onde pertenço, colocar minha cabeça no lugar e mergulhar no jogo pelo qual vivo. — Há pernas fortes lá fora já — comenta Collin, os olhos treinados na mesma coisa que estou olhando. — Aí garoto, Miller! — Eu grito enquanto ele voa. O treinador está testando-o em algumas novas linhas nesta temporada, mas ele parece bem, parece afiado. — Mantenha essa energia e acho que será uma boa temporada. — Falou como um verdadeiro capitão — diz Rhodes. Ele olha para a esquerda e para a direita, certificando-se de que ninguém está prestando atenção em nós, então se inclina um pouco. — Você, uh, já contou ao treinador? Eu balanço minha cabeça, olhando para o cara baixo com a barriga redonda, tentando imaginar o homem que costumava jogar como um executor, mas achando difícil ver. — Ainda não. — Você precisa contar antes da temporada começar. Ele tem razão. Eu sei que ele tem. Eu só realmente não estou ansioso para entrar no escritório do treinador e dizer a ele: — Ei, se lembra daquela vez que eu pedi minha namorada em casamento porque ela estava grávida e planejamos um casamento, e então descobri que ela não estava grávida e foi uma grande coisa? Sim, bem, desta vez eu engravidei o meu caso de uma noite, e ela realmente engravidou dessa vez. Ah, e, a propósito, ela vai dar à luz em abril. Ele vai cagar um tijolo. — Eu vou. — Harper disse que as coisas estão indo bem — Collin comenta com o canto da boca, os olhos ainda rastreando o que está acontecendo no gelo à nossa frente. — Ryan até disse que você vai a consultas com ela e conseguiu ouvir os batimentos cardíacos ontem — acrescenta Rhodes. — Eu ouvi que você chorou. — Eu não chorei — eu minto, porque eu juro que estou levando para o meu túmulo que depois que eu deixei Hollis em seu apartamento, eu chorei no meu caminho para casa. Eu me senti estúpido por isso, mas ainda não consigo entender o fato de que isso está acontecendo. Com Celine, foi diferente quando ela me procurou dizendo que estava grávida. Nós estávamos namorando há meses naquele momento. Claro, nosso relacionamento ainda estava naquela fase inicial de lua de mel e ainda havia muito aprendizado e crescimento a fazer, mas estávamos comprometidos um com o outro. Com Hollis, é uma arena totalmente diferente que estamos jogando agora, e isso é o que mais me assusta. — Ouvi dizer que você chorou como um bebê — acrescenta Rhodes. Eu chorei. — Vai se foder. — Eu faço uma careta para eles. — Isso é tudo que vocês quatro fazem? Apenas sentar e fofocar sobre minha vida privada? — Tem sido um assunto quente na mesa de jantar ultimamente — diz Collin. — Quero dizer, você engravidou minha cunhada. Ela e Harper conversam muito, você sabe. — Sobre algo bom? — Estou apenas meio brincando. Estou curioso como o inferno como a versão não filtrada de Hollis está lidando com tudo isso. Em um minuto estou bem, no próximo estou levemente pirando. Se estou indo e voltando, não consigo imaginar como ela está se sentindo com toda a mistura de hormônios em cima disso. Ele não tem a chance de responder, porque o treinador nos coloca no gelo. Rhodes e Collin formam duplas como de costume, e eu passo por eles, indo em direção a um passe que praticamos mil vezes. O disco bate exatamente onde eu preciso, então eu o envio para Smith, que o bate de volta enquanto tenta lutar contra o homem de Florida. Eles estão tão preocupados em se defender contra Smith que nem percebem que eu tenho o disco até o último minuto, e então já é tarde demais. Eu enterro, passando pelo goleiro deles, e a pequena multidão aqui em casa enlouquece. Tacos vão para o ar, e Smith bate sua luva contra a minha em comemoração. — Bom passe, cara. — Não. Isso foi tudo você. — Ele é sempre tão modesto sobre suas habilidades, mas todos sabemos que ele não estaria jogando na NHL na sua idade se não tivesse a garra que tem. Subimos de volta ao banco, recuperando o fôlego, prontos para nossa próxima corrida. — Ei. — Collin se inclina para mim, seus olhos fixos em seus defensores. — O que você disse antes? Sobre se o que ela diz sobre você é bom ou ruim? — Sim? — É bom, cara. Eu precisava ouvir isso mais do que pensava. — Bom. Isso é bom. — Mas eu juro, se você machucá-la, você está morto. Ele não precisa estar olhando para mim para eu saber que ele está falando sério. — Eu não planejo fazer isso. E essa é a verdade. Você não pode machucar o que você não toca. 11 Hollis & Lowell Lowell: Eu contei ao treinador hoje. Hollis: Ele surtou? Lowell: Apenas sobre a data de nascimento. Hollis: O que há de errado com a data de nascimento? Lowell: Nós realmente precisamos falar sobre sua falta de conhecimento de hóquei. Lowell: Abril é o playoffs. Hollis: Ah. E eles são importantes? Lowell: ... Hollis: Estou brincando! Hollis: Eu sei que é importante porque determina o vencedor do Super Bowl. Lowell: Eu... eu não consigo. Eu simplesmente não consigo. Hollis: O quê? Algo errado? *bate os cílios* Lowell: Eu sei que você está apenas brincando, mas as palavras machucam, Hollis. Elas realmente, realmente machucam. Lowell: Vou fazer da minha única missão fazer você amar o hóquei antes que esse bebê chegue aqui. Hollis: Veremos sobre isso. Lowell: Como você está se sentindo? Hollis: Bem. Lowell: Apenas bem? Hollis: Eu tenho um humano crescendo dentro de mim que está esgotando toda a minha energia e me tornando uma psicopata hormonal. Hollis: COMO VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU?! Lowell: Tudo bem. Hollis: Você realmente não precisa ficar me checando todos os dias. Lowell: É o MEU humano crescendo dentro de você que está esgotando toda a sua energia e tornando você uma psicopata hormonal. Lowell: Você realmente acha que eu não vou checar você? Hollis: Ah. Ok. Entendo. Lowell: Obrigado. E de nada. Hollis: De nada pelo quê? Esse alienígena dentro de mim? Lowell: Sim. Mas também por checar você. Hollis: Por favor. NÃO aja como se estivesse ME fazendo um favor. Isto é tudo culpa sua. Lowell: É preciso dois. Hollis: Lowell... Hollis: Por favor. Estou cansada. Não aguento mais disputa hoje. Lowell: Pode me dizer se você realmente conseguiu segurar alguma comida dentro de você? Hollis: A médica disse que estava tudo bem e eu não deveria me preocupar. Lowell: Ok. Então vou me preocupar por nós dois. Lowell: Apenas me mande uma mensagem, sua mulher teimosa, ok? Hollis: Tudo bem. Lowell: Pare de dizer tudo bem. Hollis: Ok… Hollis: Tudo bem. Lowell: Calíope Hollis: Não. Lowell: Bom. Lowell: Eu odeio esse nome. Hollis: Então por que você sugeriu? Lowell: Apenas certificando de que estamos na mesma página. Hollis: Falando em página… Hollis: E Paige? Lowell: Eu sou... indiferente. Hollis: *emoji revirando os olhos* Hollis: Claro que você é. Lowell: Eu sugeri nada menos que cinco nomes para você essa semana e esta é a primeira vez que rejeito um dos seus e recebo um CLARO?! Lowell: Além disso, observe que não foi um não definitivo. Apenas disse que sou indiferente. Hollis: Isso basicamente significa não. Lowell: *pisca* Hollis: *pisca mais rápido* Lowell: *pisca forte E mais rápido* Hollis: É muito rude de sua parte discutir com uma mulher grávida, sabe. Isso causaestresse para o bebê. Lowell: Deixe ela fora disso. Hollis: Ou ele. Hollis: Ainda não sabemos. Lowell: É uma menina. Eu posso sentir. Hollis: Ah, você pode? Pode sentir isso? Mesmo quando não está dentro do seu corpo roubando todo o seu conforto e alegria? Lowell: Alguém é um pouco dramática, não? Lowell: Você ficaria feliz se eu mandasse entregar comida aí? Hollis: Eu ficaria feliz se você me deixasse em paz. Hollis: E envie um cheeseburger. Lowell: Você ainda está irritada? Hollis: Sim. Lowell: Por quê? Hollis: UMA SALADA, LOWELL. Você me mandou uma salada. Isso é apenas... errado. Em muitos níveis. Lowell: Primeiro, eu mandei uma salada porque VOCÊ foi quem reclamou do ganho de peso no telefone na outra noite. Lowell: Dois, eu estava lendo um livro sobre bebês e eles disseram que alimentos gordurosos provavelmente não são os melhores para consumir. Eles são difíceis de digerir. Eu te fiz um favor. Hollis: Bem, me faça outro favor, não me faça mais favores! Lowell: Esse é um pedido muito improdutivo, você não acha? Hollis: Lembra quando eu disse que não gostava de você? Lowell: Sim. Hollis: Bem, de alguma forma, eu gosto ainda menos de você hoje. Lowell: Vou me lembrar disso para quando eu passar por um drive-thru e não pedir sorvete para você. Hollis: Você não ousaria. Lowell: Desculpe. Eu não posso enviar mensagens de texto. Estou ocupado pedindo comida. Hollis: Cale a boca e me traga chocolate. Hollis: NÃO! Sorvete. Hollis: Espere. Chocolate. Hollis: Lowell? Lowell: Esta é uma mensagem automática. A pessoa que você está tentando alcançar está no drive-thru esperando um pequeno sorvete para ninguém além dele mesmo. Por favor, tente novamente mais tarde. Hollis: Eu te odeio. Lowell: Bem que você queria. Hollis: É uma merda que vocês perderam esta noite. Lowell: Você assistiu ao jogo? Hollis: Não. Harper assistiu. Hollis: Por acaso eu estava lá. Lowell: Você assistiu totalmente. Hollis: Não. Eu nem gosto de hóquei, lembra? Lowell: Retire isso. Hollis: É chato. Lowell: Hollis... Hollis: E devagar. Lowell: Devagar?! Você está brincando comigo? Eu posso literalmente patinar mais rápido do que o limite de velocidade do meu bairro! Lowell: Eu não posso acreditar que estou tendo um bebê com uma odiadora de hóquei. Estou tão envergonhado de mim mesmo. Hollis: Você não está. Lowell: Você está certa. Mas eu deveria estar. Lowell: Você sabia que nosso bebê é do tamanho de um par de botinhas de bebê? Lowell: O que quer que isso seja. Hollis: Você está olhando sites de bebês de novo? Lowell: Sim. Como não estou aí, gosto de saber o que você está experienciando. Hollis: Isso é... na verdade meio fofo. Lowell: Eu sei. Lowell: Também ainda é menor do que um pau médio, mas vou ter que deixar Miller saber que o bebê está alcançando ele rápido. Hollis: Umm... com licença? Hollis: Como um pênis? Lowell: Sim. Hollis: Você acabou de comparar nosso filho com um pênis? UM PÊNIS? Lowell: Mais uma vez, sim. Hollis: Como... O quê... Por que você sabe o tamanho do pau médio? Lowell: Todos os caras sabem disso instintivamente. Lowell: É uma coisa. Confie em mim. Lowell: Falando nisso... como nos sentimos em relação a Dick2? Hollis: Eu retiro o que disse. Você não é fofo. Lowell: Acho que Richard também está fora de questão? Lowell: Hollis? Lowell: Tudo bem. Eu irei parar. Mas vai ser muito DURO de fazer. Hollis: Se você acha que estou acima de te dar uma joelhada nas bolas, não estou. Lowell: Oh, estou muito ciente de toda a dor que você gosta de me infligir. Hollis: Bom. Agora lembre-se disso na próxima vez que você comparar nosso filho com um pênis. 2 Significa pênis em inglês mas também é conhecido como o diminutivo do nome Richard. 12 Hollis — Então, você está animada com seu primeiro jogo de hóquei profissional? Não que eu fosse admitir isso para ele tão cedo, mas o projeto de Lowell para me fazer amar o hóquei até quando o bebê chegar aqui está realmente se movendo muito mais rápido do que eu pensava. Embora eu ache que devo mais crédito a Harper do que a ele. Ela está me fazendo assistir a todos os jogos da pré- temporada e explicando tudo para mim. Eu ainda não entendo muito, mas admito que é divertido de assistir. — Eu acho… que sim? Olho ao redor da grande arena quase vazia com os olhos arregalados. A maioria das pessoas ainda está vagando pelo saguão comprando mercadorias e se enchendo de cerveja e comida antes do aquecimento começar. Este lugar é enorme, e eu não posso acreditar que está prestes a ser lotado com 20.000 fãs de hóquei gritando. Estou orgulhosa de mim mesma por manter meus hormônios sob controle porque só tive que me esconder no banheiro uma vez para chorar quando me deparei com uma garotinha de cabelo escuro e tranças que tinha LOWELL e o número 55 costurado nas costas. Ela era tão fofa, e tudo que eu conseguia pensar era… Essa poderia ser a minha. — Apenas espere até o jogo começar. Você vai se apaixonar totalmente por isso então — minha irmã diz. — Eu nunca pensei que iria gostar disso, e agora eu amo. Eu quero salientar que ela provavelmente ama muito porque seu marido joga, mas eu não falo. — E vai deixar você tão excitada — Ryan acrescenta. — Tipo, inacreditavelmente. Seu desejo sexual provavelmente já está fora dos limites, então aposto que quando terminarmos este jogo, você vai querer escalar seu homem como um poste. Estou um pouco surpresa com o quão certa ela está sobre o meu desejo sexual estar totalmente fora dos limites. Acordei nada menos que quatro vezes esta semana de sonhos sexuais muito vívidos, tão vívidos que tive que me fazer gozar todas as vezes ou então não tinha como voltar a dormir. Eu sei que dizem que os desejos sexuais de algumas mulheres podem ser muito intensos durante a gravidez, mas eu não esperava que fosse tão intenso. Assim como eu não esperava que a estrela dos meus sonhos fosse Lowell, mas oh, ele foi a estrela. A parte mais frustrante de tudo isso é que não importa o quão quente meus sonhos sejam, eles ainda são pálidos em comparação com a realidade, e isso é algo que eu tenho que viver todos os dias. — Ele não é meu homem. Ryan e Harper olham uma para a outra e fazem muito pouco para esconder seus sorrisos. — Ele não é meu homem — eu insisto, irritada com seus sorrisos. — Não há nada de relacionamento ou íntimo acontecendo entre nós. Nós somos apenas amigos. — Para desgosto de sua vagina, tenho certeza. Aposto que adoraria levar o pau dele. — Ryan! — Harper sibila, olhando ao redor para se certificar de que ninguém a ouviu. — Desculpe. Me ignore. Hóquei me deixa com tesão, e eu nem sou a grávida. É tão — ela balança os ombros — quente. — Ela sempre fica assim durante o jogo — explica Harper. — Eu juro, ela e Rhodes transam como coelhos quando tudo acaba. — Eu definitivamente posso confirmar isso, mas não ouse sentar aí me julgando assim quando você sabe que você e Collin fazem o mesmo. As bochechas de Harper ficam vermelhas, sem negar isso. — Podemos, por favor, parar de falar sobre sexo? Ryan estava certa, minha libido está um pouco louca agora e não posso fazer nada sobre isso, então fiquem quietas. — Por que você não pode fazer nada? Eu aponto para o meu estômago. — Hum, olá. — Sim, e? — Quem vai querer dormir com uma mulher grávida? — Hum, provavelmente o pai do seu bebê. Eu enrugo meu nariz. — Eu não vou dormir com Lowell. — Por que? Com medo de que ele te engravide? Eu reviro os olhos. — Não. Não vou dormir com ele porque ele me engravidou. — Ok… — Ela arrasta a palavra, claramente confusa. Eu suspiro. — Eu não posso dormir com ele porque não estamos juntos, Harper. Sim, ele me engravidou, mas não estamos namorando nem nada. — Lembre-me novamente porque vocês não estão namorando. — Porque ele não tem relacionamentos sérios. — Eu diria que ter um bebê juntos é muito sério, Hollis. — Você tem razão. É… mas não é como se isso tivesse sido planejado. Nós nem deveríamos nos ver de novo. — Mas agora vocês estão se vendo novamente e você está grávida do bebê dele. — Sim… — Então, qual é o problema se vocês dormirem juntos? Você não vai ficar com outras pessoas enquanto estiver grávida, vai? — Não! Claro que não! — Ok. Então… — Então o quê? — Então monte naquele pau enquanto você pode! — Diz Ryan. Harper aponta o polegar para Ryan. — Sim, o que ela disse. — Eu… Ok. Vou levar isso em consideração. Mas não vou levar isso em consideração. Lowell e eu realmente não conversamos sobre nosso relacionamento ou exatamente como vamos criar esse bebê, mas acho que não precisamos. Ele foi claro desde o início, ele não quer um relacionamento. Ele já cometeu o erro de se jogar em algo que não estava totalmente pronto, e se machucou. Ele não vai cometer o mesmo erro novamente. O rugido da multidão chama nossa atenção, e os Comets começam a se aquecer, começando pelo goleiro. Eles pisam no gelo um por um e patinam em círculos na metade do rinque mais próxima de nós. Collin e Rhodes quase imediatamente vêm para a frente de onde estamos sentadas, e é absolutamente adorável assistir Harper e Ryan torcerem para seus maridos enquanto usam seus números nas costas. Uma súbita onda de ciúme cresce em mim. Não entendo o que significa ou de onde vem, então a empurro para baixo e finjo que nunca aconteceu, depois concentro minha atenção de volta no gelo. Eu absorvo tudo, absolutamente hipnotizada por tudo o que está acontecendo. Eu não tenho ideia de como eles estão ignorando com sucesso as pessoas batendo no vidro e tentando chamar sua atenção com sinais e gritos e tudo mais, enquanto também se aquecem para o jogo. Como eles estão bloqueando isso, eu não tenho ideia, mas é impressionante. Mesmo que eu só tenha visto fotos dele de uniforme e provavelmente não conseguiria identificá-lo se tentasse, eu sei o momento em que Lowell pisa no gelo porque os fãs do Comets enlouquecem pelo seu capitão. Mas ele não presta atenção neles. Não. Ele olha para mim. Na verdade, ele patina direto para mim e fica parado no vidro, aquele sorriso estúpido dele que está realmente começando a crescer em mim firmemente no lugar. Ele inclina a cabeça e murmura uma palavra: Bem? Eu aceno, amando que mesmo quando ele deveria estar se concentrando em seu jogo, ele está preocupado comigo e com o bebê. Seu sorriso se alarga, satisfeito com essa resposta. Seus olhos vagam pela minha frente, demorando-se no meu peito e depois na minha barriga, ambos estão começando a crescer, antes que ele arraste seu olhar de volta para o meu rosto. Seu olhar me faz balançar contra o meu assento. Ele bate no vidro duas vezes com a ponta do taco, depois sai patinando. Eu posso sentir os olhos em mim, e eu me viro para encontrar Harper perfurando buracos na lateral da minha cabeça. — O quê? — Eu pergunto. Ela sorri, balançando a cabeça lentamente antes de voltar sua atenção para o gelo. Mas não antes de ouvi-la murmurar: — Apenas amigos, minha bunda. Ryan estava certa. Muito, muito certa. A campainha final acabou de soar, e estou mais excitada do que nunca. Assistir a homens adultos patinando atrás de um disco e empurrando um ao outro não deveria ser quente, nem um pouco. Mas de alguma forma… é. Tipo muito, muito quente. — Bem… — Ryan diz, abanando-se. — Isso foi legal. Eu rio, porque eu também. — Nós vamos para o Slapshots? — Harper pergunta. — O que é Slapshots? — Um bar de esportes na esquina. Eles têm a tradição de ir até lá depois de cada jogo de abertura em casa — diz Ryan. — Podemos caminhar até lá. Os caras vão se encontrar com a gente daqui a pouco depois de todo o burburinho. Então é isso que fazemos. Caminhamos alguns quarteirões e pegamos uma mesa, e eu aprendo que “burburinho” significa suas entrevistas pós-jogo, um treino rápido, o que me deixa totalmente impressionada, e rever o que deu errado e o que deu certo. Eu diria que desde que eles terminaram o jogo por 5 a 1 e venceram o 15º jogo consecutivo em casa, muita coisa deu certo. Não ficamos sentadas no Slapshots muito tempo antes dos caras entrarem. Todos aplaudem quando eles são vistos, depois voltam para suas respectivas bebidas, e eu gosto que eles tenham um lugar onde possam sair assim e não serem incomodados pela maior parte. O barman traz várias cervejas antes mesmo que os caras tenham a chance de se sentar, já sabendo o que querem. — Ei, Rod. Pode trazer um copo de água com gás com limão quando você tiver a chance? Ele parece confuso com o pedido de Lowell, mas quando Lowell acena para mim, a compreensão surge, e ele acena com a cabeça, saindo para preparar a bebida. — Obrigada — eu digo para Lowell enquanto ele toma o lugar vazio ao meu lado, tentando ignorar o quão bom ele parece e cheira agora. Ele tem um boné virado para trás e está vestindo jeans e uma camisa com o número 55 no peito. Simples, mas com a confiança e adrenalina que ele está passando depois de vencer esta noite, ele parece dez vezes mais bonito. Ou talvez seja apenas o tesão falando novamente. Ele pisca em resposta, e eu tenho que me abanar porque meu rosto aquece instantaneamente. — Você está bem? — Sim, apenas… quente. E um pouco cansada. — Não precisamos ficar muito tempo, só uma cerveja e depois podemos ir. Eu ia perguntar se você queria voltar para minha casa esta noite. Só para... você sabe... conhecer, ter certeza de que está tudo certo para o bebê e tudo mais. — Ele fala rápido. — Mas se você estiver muito cansada… — Eu não estou — eu digo muito rapidamente. — Não estou muito cansada. Isso parece bom. Legal. — Bom. Legal. — Ele sorri. — Ok. E é exatamente isso que fazemos. Lowell toma uma cerveja antes de se afastar da mesa, estendendo sua mão na minha direção. — Está pronta? Eu aceno e deslizo minha mão na dele, permitindo que ele me ajude a sair da cadeira. Eu tento ignorar o fato de que ele não solta minha mão. — Estamos indo — ele anuncia para a mesa. — Aww, já? — Miller reclama, cutucando o lábio inferior. — Boo. — Desculpe. Preciso levar minhas meninas para casa. Elas estão cansadas. Harper se anima com suas palavras. — Meninas?! — Ignore-o. Ainda não sabemos o que teremos. Ele só acha que sabe que é uma menina. — Porque é — insiste Lowell. Eu o ignoro. — Decidimos esperar para descobrir na marca de vinte semanas. — Meu dinheiro está em um menino — diz Collin. — Não. Eu digo que é uma garota — Rhodes entra na conversa. — Time garota aqui também — Miller concorda. — Você está oficialmente em menor número. — Lowell coloca a mão na minha barriga. — Você ouviu isso? É melhor você ser uma garota ou você está de castigo. Eu olho boquiaberta para ele. É a primeira vez que ele toca minha barriga, e a primeira vez que ele fala com o bebê. Isso me surpreende, não apenas porque estamos em público e todo mundo está definitivamente olhando para nós agora, mas porque ele faz isso com tanta facilidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo para ele. Eu gosto que seja natural. Eu gosto que é natural um pouco demais. — O quê? — Ele pergunta, e eu percebo que ainda estou olhando para ele. — Nada. — Eu afasto meus olhos dos dele enquanto pisco as lágrimas que ameaçam transbordar. — Vamos sair daqui. A casa de Lowell é muito mais modesta do que eu imaginava. Ele é um jogador da NHL que ganha mais em um ano do que eu provavelmente vou ver em toda a minha vida, e eu pensei que sua casa seria de andares altos em um terreno extenso com um milhão de janelas e pisos de mármore. Em vez disso, ele vive em um condomínio fechado em cerca de dois acres, e nenhuma casa é vistosa ou luxuosa. Parece apenas uma comunidade normal para pessoasnormais. — Eu gosto do seu carro novo — digo a ele, passando as mãos pelo interior de seu Audi SUV novinho em folha. — Eu prometi a você que iria comprar um novo para o bebê. Eu sorrio porque ele prometeu isso, e eu amo que ele manteve sua promessa. — Não se preocupe, Fiona está guardada em segurança na minha garagem. Achei que estava muito frio para ela esta noite. — Ah, ufa. Eu estava tão preocupada com ela. — Eu sei que você estava. Ele me lança um sorriso enquanto para em uma entrada curta e clica em um botão para que a garagem se abra. Talvez eu seja realmente ignorante sobre o que os jogadores de hóquei fazem com seu dinheiro, mas eu definitivamente não esperava que sua garagem abrigasse sua caminhonete e só. Não, espere, isso parece um saco de tacos de golfe enfiado no canto. Saímos do SUV, e ele me leva para dentro de casa pela cozinha. Algumas luzes inteligentes acendem quando entramos, e a primeira coisa que noto é o conceito aberto, que deixa a sala visível de todos os ângulos na espaçosa área de cozinha. Apesar dos armários azul marinho e das bancadas de granito preto, a cozinha é clara e aberta. Aposto que é ainda mais lindo durante o dia. A sala de estar contém um sofá, uma TV montada na parede e duas estantes forradas com quinquilharias. Tudo é tão... modesto. — Não é o que você esperava? — Ele pergunta enquanto eu absorvo tudo. — Nem um pouco — eu admito. — Achei que haveria mais ouro. Ele ri. — Não. Eu mesmo sou mais um cara prateado. Eu sorrio. — É uma casa muito boa, Lowell. — Obrigado. Eu gostaria de levar todo o crédito por isso, mas eu tive um designer para fazer tudo. Eu só queria algo simples e elegante que não custasse um braço e uma perna no caso de eu jogar em outro lugar. A possibilidade disso nunca passou pela minha cabeça, e meu coração começa a acelerar pensando nele se afastando. — Isso é algo que vai acontecer? — Planejo ser igual Sidney Crosby na minha carreira e jogar em um time, mas isso não significa que não seja uma possibilidade. Minha mão instintivamente vai para minha barriga como se quisesse proteger meu bebê daquele desgosto. Ele não perde isso. — Me siga. Eu tenho algo para te mostrar. Ele me leva por um corredor escuro, não parando até chegar à porta no final. Eu levanto minhas sobrancelhas para ele, curiosa. — Sei que ainda não discutimos a mecânica de toda essa situação, algo que provavelmente deveríamos sentar e fazer, mas estou trabalhando em algo. Você sabe… apenas no caso. Ele abre a porta e acende a luz. Meu queixo cai, incapaz de acreditar no que estou vendo. É um berçário. Também não é qualquer berçário, é lindo com um design personalizado de uma paisagem montanhosa da meia-noite estampada na parede. A mobília é de um cinza suave e há toques de ouro e amarelo por toda parte. Há um berço semi construído no meio de tudo isso, o que me diz que é ele quem está montando tudo sozinho. — Você fez isso? — Eu pergunto, meus olhos correndo em todos os lugares, não querendo perder um único detalhe. — Sim. Eu, uh, tenho trabalhado nisso desde a noite em que você me contou. Eu não sei o que eu esperava que ele dissesse, mas não era isso. — Você tem? — Ele concorda. — Mas você não… Você disse… Você… — Em pânico. Entrei em pânico, mas nem uma vez em toda aquela conversa eu disse que não queria o bebê ou queria fazer parte da vida dele. Eu sempre quis isso e sempre vou querer — Ele se aproxima, suas mãos encontrando minha barriga pela segunda vez esta noite. Ele se dobra nos joelhos para encontrar meus olhos. — Isso é para sempre, Hollis, e eu estou dentro. Um. Dois. Três. Isso são quantos segundos eu duro antes de esmagar minha boca na dele. 13 Lowell Quando pedi a Hollis para ir à minha casa esta noite, não era para isso. Eu queria mostrar a ela que estou pronto, que estou me preparando. Eu não queria que isso acontecesse. Ela me beija mais forte, quase como se ela o fizesse, eu responderia. Eu não respondo porque não posso deixar de pensar na última vez que ela me beijou quando não deveria. Eu coloco minhas mãos em seus quadris, e ela toma isso como um sinal, pressionando mais em mim. Por apenas um momento, eu desisto, pressionando-a contra a parede mais próxima e devorando-a. Eu deslizo meu joelho entre suas pernas, e ela geme, se esfregando contra ele. Eu sei que é errado e não deveríamos estar fazendo isso, mas não consigo resistir. Eu quero beijá-la. Eu quero beijá-la tão desesperadamente. Eu quero desde o momento em que a vi sentada no bar na noite em que ela me disse que está grávida. Eu queria correr por aquele restaurante e puxá-la em meus braços e compensá-la por deixá-la para trás, e eu queria beijá-la todos os dias desde então. Mas eu não a beijei porque não é disso que se trata agora. É sobre o bebê, não nós. Eu afasto minha boca e ela me segue, tentando me beijar novamente, mas eu a seguro de volta com firmeza. Seus olhos estão vidrados, sua respiração vem em jorros curtos enquanto ela pisca para mim. — O que há de errado? — Isso… Não foi por isso que eu trouxe você aqui. — Isso é doce, realmente, mas eu sou uma garota crescida. Eu quero isso. — Mas e se eu não fizer isso? Seu rosto cai. — É… é porque estou grávida? — O quê?! Não, não. Não é nada disso. Hollis, você é… — Incrível. Linda. Corajosa. — Não é porque você está grávida. Ela olha para mim, seus olhos ainda brilhantes, mas desta vez com lágrimas não derramadas. Seu queixo balança um pouco quando ela pergunta: — Então o que é? — É só… — Eu pressiono minha testa contra a dela, apertando meus olhos fechados. — Isso já é complicado. — O que é? — Isso... nós… — Eu sei. — Ela suspira. — Eu sei. É só que eu... sofro. É como se suas palavras estivessem presas ao meu pau, porque no momento em que elas saem de seus lábios, estou mais duro do que nunca. Eu não poderia me parar se eu tentasse. — Por favor, Cameron. — Ela move seus quadris, seus olhos se fechando enquanto ela se balança contra minha coxa vestida de jeans. — Por favor. Não precisa significar nada. Eu só preciso de algo. Qualquer coisa. Eu posso ser algo. Eu posso ser qualquer coisa. — Eu preciso de você. Quatro palavras, quatro palavras e todas as desculpas que eu tinha voam pela janela. Sem outra palavra, eu bato minha boca na dela, então a pego em meus braços e nos conduzo pela casa. Não paro de beijá-la e não paro de andar até chegar ao meu quarto. Nem mesmo quando eu a deito na cama e me coloco entre suas pernas eu paro. Eu não paro até que ela esteja se fodendo na minha coxa e chorando por liberação. — Mais — ela implora. — Eu preciso de mais. Por favor. Eu beijo meu caminho até sua garganta e me sento, levantando-a junto comigo. Por mais que eu ame vê-la usar meu número, preciso vê-la ainda mais. Eu tiro sua camiseta de seu corpo e jogo o material de lado, gentilmente a empurrando de volta para baixo. Seus cabelos castanhos se espalham ao redor dela, seus seios, que estão se enchendo cada vez mais, derramando-se dos bojos de seu sutiã. Tudo o que posso fazer é olhar porque ela é linda pra caralho. Ela é linda assim, e tudo que eu posso pensar é o quanto ela tem pela frente e como eu não posso esperar para vê- la crescer meu filho. Gosto tanto da ideia que a beijo, agradecendo com os lábios de um jeito que não sei fazer com minhas palavras. Não demora muito para que ela esteja se esfregando contra minha coxa novamente, e eu sei que se eu não conseguir dar seu alívio logo, ela vai explodir. Beijo meu caminho até sua garganta e passando por seus seios, nos quais prometo passar mais tempo mais tarde. Eu pressiono beijos sobre sua barriga, prometendo adorar isso mais tarde também, e não paro até atingir o cós de sua calça jeans. Então, eu rio. — O que é tão engraçado? — Ela pergunta, sentando-se para olhar o que estou vendo. Há uma pequena faixa de cabelo segurando o botão de seu jeansporque sua barriga é grande demais para caber. É ridículo e adorável. — Oh — ela murmura timidamente. — Isso. — Sim, isso. — Meus ombros tremem mais. Ela olha carrancuda e empurra meu ombro. — Cala a boca! Não é engraçado. Todos os meus jeans bons estavam lavando e não consegui abotoar esse. — Ela geme, então me empurra novamente. — Esqueça. Ela tenta se mover para fora da cama, mas eu não me mexo tão facilmente. — Mova-se — ela exige. — Não — eu digo, agarrando seus pulsos quando ela começa a bater no meu peito. Eu empurro até que suas costas batem na cama, então trago seus braços sobre a cabeça e os seguro lá. — Deixe-me ir, Lowell. — Ah, então voltei a ser Lowell agora? — Sim, porque você é um idiota. — Eu não sou. — Você é. — Não sou. Agora pare de se mexer. — Você é tão irritante. Você é… Eu beijo o insulto de seus lábios, e leva dois segundos antes que ela esteja gemendo e se esfregando contra mim novamente. Meu pau está latejando atrás do zíper do meu jeans, e acho que preciso de uma liberação tanto quanto ela. Mas ainda não. Ela geme quando eu puxo minha boca da dela e traço o mesmo caminho de antes para seu pescoço e sobre seus seios e barriga. Desta vez, a única razão pela qual paro é para desabotoar o botão improvisado de seu jeans. Ela se apoia nos cotovelos para olhar para mim. — O que você está fazendo? — Ela murmura, sua voz áspera com luxúria. — Te provando. — Eu olho para ela. — Eu posso provar você, certo? Ela engole, prendendo o lábio inferior entre os dentes com um aceno de cabeça. Eu deslizo seu jeans de suas pernas, tentando não rir de sua urgência em me ajudar, então me reposiciono entre elas, passando minha língua sobre ela antes que ela tenha a chance de protestar novamente. — Unghhh — ela grita, arqueando-se para fora da cama. — Oh Deus. Mais. E eu atendo. Eu espalhei sua boceta com a minha língua, lambendo, chupando e me enchendo até que ela está praticamente fodendo meu rosto. Suas mãos batem no meu cabelo, me segurando a ela enquanto ela faz o que quer comigo, e eu nunca estive tão feliz por ser usado em toda a minha vida. Suas pernas começam a tremer, e eu sei que ela está perto. Eu mantenho a mesma pressão aplicada com a minha língua enquanto deslizo lentamente dois dedos dentro dela. Eu os curvo, e isso é tudo o que preciso. — Cameron… — ela geme, suas pernas tremendo ao redor da minha cabeça enquanto ela se quebra. Espero que suas pernas parem de tremer antes de deslizar meus dedos para fora dela e beijar meu caminho de volta para seu corpo. Ela está coberta por um leve brilho de suor, e seu cabelo está uma bagunça. Isso me lembra da primeira noite que tivemos juntos e, por um momento, gostaria de nunca ter ido embora. Eu rolo até que estou de costas, arrastando-a junto comigo. Ela descansa a cabeça no meu peito e solta um suspiro satisfeito. — Me dê cinco minutos — ela promete, suas palavras sonolentas e arrastadas. Esses cinco minutos nunca chegam e eu também não3, mas nunca estive tão satisfeito. — Você não pode estar falando sério. — Eu estou. Hollis coloca as mãos nos quadris, e eu tento não olhar muito para a barriga que está se tornando mais e mais óbvia a cada dia. Não é que eu não queira olhar, eu realmente quero, mas se eu olhar por muito tempo, tenho medo de fazer algo como atravessar o apartamento dela e jogá-la no balcão e fazer o que quero com ela. Ver meu filho crescer dentro dela está fazendo algo comigo que eu nunca esperei. Eu gosto disso. Muito. É por isso que estou aqui o tempo todo agora e não consigo me lembrar da última vez que passei mais de uma noite na minha própria cama. — Você realmente não quer descobrir? 3 No inglês, “coming” possui o duplo sentido de gozar e chegar a algum lugar. — Não. — Ela balança a cabeça, o coque solto em cima balançando enquanto ela se move pela cozinha. — Quero ser surpreendida. Você é mais do que bem-vindo para descobrir, mas eu não quero saber. — Estou surpreso. — Por quê? Eu dou de ombros. — Não sei. Achei que você tinha todos esses planos grandiosos de preparar um quarto de bebê com um tema, cores e tudo mais. — Eu tinha. — Eu inclino minha cabeça, sem entender aonde ela quer chegar. — Antes, quero dizer — ela elabora. — Com Thad. Certo. O ex dela. O ex que é um grande pedaço de merda e que eu quero socar. — Por que não agora, então? — Eu… eu não sei. Talvez eu esteja pegando superstições de hóquei ou algo assim, mas como nada disso é o que eu planejei para minha vida, achei melhor continuar com isso e ficar surpresa. Tudo nos últimos meses tem sido tão insano que quase esqueci que Hollis não está divorciada por nem seis meses. Eu não posso imaginar como ela deve estar se sentindo indo de casada feliz para divorciada e grávida de um cara que ela mal conhece tudo no espaço de um ano. Tem que estar tomando um peso mental sobre ela. — Você quer saber o que eu acho? — Eu pergunto enquanto ela coloca seu copo de água fresca na mesa, sobe de volta para seu lugar no sofá e puxa o computador de volta para o colo. É um dia de jogo para mim, e em algum momento nas últimas semanas, isso se tornou nossa rotina até que eu tenha que estar no rinque. Eu me aproximo e nos deitamos no sofá. Às vezes ela trabalha, às vezes eu leio, às vezes conversamos, mas na maioria das vezes é só sobre passar um tempo juntos. — O quê? — Você só não quer ver se estou certo e é uma menina. — Bem, você quer saber o que eu acho? — O quê? — Eu ecoo. — Eu acho que preciso fazer xixi. Eu zombo, suspirando. — Estou chocado. Chocado! — Bem quando me sento também. — Ela revira os olhos, deixando seu laptop de lado, então se levanta do sofá. Ela oscila um pouco, e eu estou de pé em um instante para pegá-la. Eu agarro sua cintura, segurando-a firme. — Você está bem? — Sim — diz ela —, só um pouco vacilante. — Ela aponta para a barriga. — Ainda me acostumando com essa grande coisa. — Não é grande. — Não tente me acalmar, Lowell. Eu estou grande. — Você não está. Você parece do tamanho de um pimentão ou uma garrafa de xampu de bebê. Faça sua escolha. — Suas sobrancelhas se juntam com as minhas palavras. — Sites de bebês, eles são estranhos. — Ah. — Ela assente, afastando-se. — Volto logo. Ela lentamente faz seu caminho para o banheiro, e eu não me atrevo a sentar até que ela feche a porta atrás dela. Eu não gosto que ela esteja instável, mas acho que também posso entender. Seu corpo está mudando muito a cada dia, mesmo que ela nem sempre possa vê-lo. É… bem, meio que fodidamente incrível se você me perguntar. Eu caio de volta no sofá e quase derrubo seu notebook da almofada com a força. Consigo agarrá-lo antes que ele caia no chão e, no processo, o ativo. Eu sei que não deveria olhar. É uma total invasão de privacidade. Mas eu faço isso de qualquer maneira porque na tela está um apartamento, e acho que isso pode me envolver um pouco. Ela está pensando em se mudar? Ela não mencionou isso e eu simplesmente esqueci, não é? Eu clico ao redor da página e verifico as fotos. É… bom. Não é exatamente o que eu gostaria de viver, mas, novamente, tenho o luxo de ser exigente. É um apartamento de dois quartos e o aluguel é quase o dobro do que ela está pagando aqui, sem mencionar que fica do lado oposto da cidade... e da arena, o que significa que estarei mais longe dela e do bebê. Não quero ficar mais longe dela ou do bebê. Eu… Ah merda. Ela quer que eu a convide para morar comigo? Eu gosto de estar com ela. Eu gosto de tocá-la. E eu definitivamente gosto do que fizemos na semana passada em minha casa. Mas isso é tudo diferente do que realmente estar em um relacionamento. Não tenho certeza se estou pronto para isso, mesmo que tenhamos um bebê juntos. Uma coisa é amar e cuidar do bebê que cresce dentro dela. O bebê não pode me machucar. Tudo o que o bebê saberáé como me amar. Mas Hollis… ela pode causar muito mais danos do que isso. Não tenho certeza se estou pronto para dar a alguém esse poder ainda. Eu ouço a descarga do vaso sanitário, em seguida a água é ligada, então eu clico de volta na primeira foto e coloco o notebook de volta onde ela estava. Eu faço o meu melhor para não parecer culpado quando ela sai do banheiro, fingindo rolar alguma coisa no meu telefone. — Ah, muito melhor. Por uns vinte minutos, quero dizer. — Ela ri de sua própria piada enquanto volta para o sofá. Eu meio que sorrio para ela. Ela volta sua atenção para seu notebook. Clique. Rolagem. Clique. Rolagem. Eu não paro de observá-la. Não consigo parar de observá-la. Ela percebe. — Você se lembra do casamento de Harper e Collin quando eu pedi aquele achocolatado e você não zombou de mim por isso? — Sim. — E lembra como Emilia veio e ela e eu dançamos? — Sim. Foi quando descobri que você é uma mentirosa que ama Queen. — Todo mundo ama Queen, Lowell. Tenho certeza de que é uma lei real em algum lugar. — Eu não acho que é assim que funciona, mas tudo bem. Por que você está perguntando sobre o casamento? — Eu só estava me perguntando se você se lembra de quando você se sentou no bar olhando para mim, me vendo dançar por uns vinte minutos como um completo esquisito. — Você sabia que eu estava observando você? — Você é meio difícil de ignorar. — Ela levanta uma sobrancelha. — De qualquer forma, eu só queria que você soubesse que está fazendo isso de novo. — Fazendo o que de novo? — Olhando para mim como um esquisito. Porra. — É a sua beleza. Não me canso dela. É verdade, mas não é a única razão pela qual estou olhando. Estou olhando porque estou com medo de que ela queira mais e eu possa não ser capaz de dar a ela. Ela bufa. — Espero que o hóquei cubra seu seguro de visão. Você claramente precisa checar seus olhos. Eu franzo a testa. Essa é a segunda vez apenas hoje que ela comenta sobre seu corpo, e eu me pergunto se é porque ela está envergonhada com as mudanças. Eu suspiro, então estendo a mão e fecho seu computador, roubando-o de suas mãos. — Ei! Eu estava lendo uma coisa! Coloco o notebook na mesa. — O que você estava lendo? — Um... uh... um artigo! Ha! — Oh, sim? — Eu levanto uma sobrancelha desafiadora. — Sobre o quê? — Como se safar do assassinato do papai do seu bebê. Eu não posso deixar de sorrir. Papai do bebê. Papai. Eu vou ser pai. É a primeira vez que ouço a palavra em referência a mim, e eu gosto, e não de um jeito bizarro. Vou ser o pai de um menininho ou de uma menininha, e acho que ainda não caiu a ficha. Não tenho certeza se vai cair até que o bebê esteja aqui. É assustador. E emocionante também. Mas principalmente assustador. Eu balanço minha cabeça, afastando todos os pensamentos que tentam me intrometer, então me concentro na tarefa em mãos: rastejar pelo sofá até estar deitado em cima dela e estarmos perfeitamente encaixados um no outro. — Você não pode me matar. — Você tem razão. Collin vai fazer isso. — Eu posso aguentar o Collin. — Uh, o lábio cortado que você tinha um tempo atrás diz o contrário. — Não. O lábio cortado que eu tinha dizia que eu merecia o que recebi, não que eu não pudesse aguentá-lo. — Hum. Estou apostando em Collin. — Oh? — Eu pergunto, abaixando minha cabeça e correndo meu nariz ao longo de sua mandíbula, sentindo o cheiro que é completamente dela. — É mesmo? — Mmm — ela geme quando eu corro minha língua sobre a coluna de seu pescoço, incapaz de me impedir de saboreá-la —, hmm. É isso m-mesmo. Eu rio contra ela, amando como ela é receptiva. Eu pressiono meus quadris contra ela, deixando-a sentir tudo o que ela está fazendo comigo, deixando-a sentir que mesmo que ela ache que não é atraente, eu acho. Eu continuo pressionando beijos ao longo de seu pescoço, sua clavícula, sua bochecha e tudo o que posso, exceto sua boca, tudo enquanto balanço meus quadris nela. Ela choraminga toda vez que meu pau roça bem entre suas pernas, e ela arqueia os quadris para cima, buscando mais contato. — Ei, Hollis? — Hum? Eu me esfrego contra ela novamente. Outro gemido. Eu arrasto meus lábios para longe de seu corpo e me afasto, quebrando nosso contato. Desta vez, quando ela choraminga, é doloroso. — Não. O que você está fazendo? Eu… — Quietinha — eu interrompo, olhando para ela. — Eu preciso que você me escute, ok? — Ok — ela diz, e eu rio porque isso não é ficar quieta. Ela dobra os lábios, uma promessa de não dizer mais nada. — Você é linda. — Ela abre a boca, mas eu a interrompo com um olhar afiado e ela fecha a boca. — Tudo em você é lindo, até as partes que você não gosta. Inferno, especialmente as partes que você não gosta. Essas são as minhas favoritas porque elas precisam de amor extra. Um sorriso começa a deslizar em seus lábios. — O que você está fazendo... crescendo esse bebê dentro de você... é mágico. Sexy. Você é sexy. Eu preciso que você perceba isso, ok? Eu preciso que você perceba que ver seu estômago crescer e saber que é o meu bebê é a coisa mais gostosa que eu já tive o prazer de testemunhar. Ela não diz nada, mas ela não precisa. Eu posso ver as lágrimas escorrendo de seus olhos e caindo em seu cabelo. — Então, da próxima vez que você decidir falar besteira sobre você, eu quero que você se lembre que toda vez que você fizer isso, minha ereção morre, e isso é apenas um desperdício de uma boa ereção. Uma risada borbulha dela, e eu a capturo com um beijo, querendo guardar para mim. Posso não ser capaz de dar a ela tudo o que ela precisa, como um relacionamento ou boas- vindas em minha casa, mas posso dar isso a ela agora. Eu a beijo até meu alarme tocar, me lembrando que preciso estar no rinque logo. Então eu a beijo um pouco mais. E mais uma vez antes de eu sair pela porta. — Se vencermos esta noite — digo a ela —, isso se tornará meu ritual pré-jogo. Tem que ser, pela ciência. Ela ri e balança a cabeça. — Malditos jogadores de hóquei e suas superstições. Naquela noite, vencemos Seattle por 4 a 0. Eu nunca entendi antes quando os pais do time se queixavam de estar longe de suas esposas e filhos, mas entendo agora, e nunca estive mais animado para um avião pousar na minha vida. Estou tão empolgado que quase me torno uma dessas pessoas, que batem palmas quando o piloto aterrissa com sucesso. Eu não me importo. Não me importo porque sinto falta de Hollis e preciso vê-la. Percebo que provavelmente estou ficando muito confortável passando tempo com ela, mas não posso ficar longe. Sempre que não estamos juntos, eu quero estar. Sempre que estamos juntos, eu nunca quero sair. Eu apenas gosto de estar perto dela, e nem tudo está totalmente relacionado com ela carregando meu filho. Eu apenas gosto dela. Eu entendo agora, sobre o que Smith estava falando quando disse que estava aprendendo o que importa e o que não importa, o que estava faltando e o que não estava. Hollis é o que estava faltando para mim. Percebo isso agora quando tropeço em seu prédio logo depois das duas da manhã. Nosso avião pousou não muito tempo atrás, e embora eu continuasse dizendo a mim mesmo que era tarde demais para incomodá-la e só precisava ir para casa, eu dirigi até aqui de qualquer maneira. Mesmo que eu continuasse dizendo a mim mesmo para me virar e não entrar no elevador, eu fiz isso de qualquer maneira, e mesmo que eu tenha prometido a mim mesmo que não iria bater na porta dela, é exatamente isso que estou fazendo agora. Eu bato meus dedos contra a madeira, e são apenas alguns segundos até que eu ouço um barulho vindo de dentro do apartamento. Hollis abre a porta. Embora seu cabelo esteja desgrenhado, ela não parecia estar dormindo. Na verdade, parece que ela estava esperando acordada. Por mim. Ela está vestindo uma camiseta fina que está apertada sobre a barriga, que eu juro que é ainda maior do que era da última vezque a vi. Seus seios, que aumentaram pelo menos metade do tamanho de uma xícara, estão se esticando tanto contra o tecido que seus mamilos são quase visíveis através dele. Ela está vestindo um short minúsculo e um olhar em seus olhos que diz que ela está com fome... e não de comida. Meu pau instantaneamente ganha vida, lutando contra a calça que eu não me incomodei em trocar. — Oi — ela diz baixinho, seus lábios se curvando no canto. Eu sorrio de volta. — Ei. Ela não se move, e eu também não. Então, de repente, nós dois estamos nos movendo ao mesmo tempo. Eu não tenho ideia de quem alcança quem primeiro, mas em um segundo estou do lado de fora do apartamento dela, e no próximo estou dentro com ela contra a parede, suas pernas em volta de mim, nossas bocas fundidas como se beijar um ao outro é para o que elas foram feitas. Não beijá-la por quatro dias pareceu um inferno. Beijá-la por quatro segundos parece o paraíso. E não tenho ideia de como vou parar. 14 Hollis Eu não deveria estar esperando acordada por Lowell por várias razões. 1. Não sei a que horas ele voltará para a Carolina do Norte. 2. Eu não tenho ideia se ele está vindo aqui, porque não é algo que discutimos. 3. Não estamos juntos. 4. Estou me apegando demais e sei que estou. Apesar de saber de tudo isso, estou esperando acordada de qualquer maneira. Eu sinto falta dele. Eu sinto falta de sair com ele e rir com ele. Eu sinto falta de percorrer os sites de bebês com ele, nos deixando preocupados com o que está por vir. Eu só sinto falta... dele. Algo mudou entre nós naquela noite em sua casa. Não apenas fisicamente, mas emocionalmente também. Foi a primeira vez que realmente pude ver o quanto ele realmente está empenhado nisso. Você pode dizer que vai fazer tudo o que quiser, mas as ações falam mais alto do que as palavras, e a ação de Lowell de construir um quarto para nosso bebê definitivamente falou muito. Uma batida soa na minha porta, e eu pulo do sofá antes que eu possa pensar muito sobre porque estou tão animada com a ideia de ver Lowell, então abro a porta. Muitos dos caras tendem a trocar o terno quando estão no avião de volta para casa, mas Lowell não o fez esta noite. Ele está vestindo um terno cinza escuro perfeitamente sob medida que faz seus olhos verdes parecerem ainda mais cativantes e um sorriso que diz que ele veio por um motivo. Ele passa os olhos pelo meu corpo, e eu juro que posso sentir seu olhar me penetrando entre as minhas pernas, assim como sua língua fez algumas semanas atrás. Nós não tivemos uma repetição daquela noite, mas eu quero uma, muito. Especialmente depois das muitas sessões de amassos que tivemos desde então. Ele sempre parece recuar no último minuto quando está começando a ficar bom, mas esta noite, eu quero mais. Esta noite, eu o quero. — Oi — eu sussurro. — Ei — ele diz, aquele sorriso dele crescendo. Não tenho ideia de quanto tempo ficamos ali olhando um para o outro, assim como não tenho ideia de quem é que dá o primeiro passo. Tudo o que sei é que um segundo Lowell está do lado de fora da minha porta sorrindo para mim, e no próximo ele me pressiona contra a parede com sua boca fundida à minha. — Deus, eu senti falta da sua boca — diz ele contra mim. Eu senti a sua falta. Mas eu não digo isso. Em vez disso, digo: — Senti mais falta da sua. Então ele me beija nos lábios. Ele me beija até que eu tenha quase certeza de que eles estarão machucados amanhã. Até que estou literalmente me contorcendo contra ele, precisando de alívio. Até que eu esteja tão excitada que vou explodir se algo mais não acontecer em breve. — Lowell… Ele ri sombriamente, como se soubesse o que está fazendo comigo o tempo todo. Ele vai se afastar, pisando no freio como tem feito, e eu não posso desta vez. Eu preciso de uma liberação. Agarro as lapelas de seu terno, sem deixá-lo correr, e olho diretamente em seus profundos olhos verdes, amando a maneira como eles escurecem quando ele começa a entender o que estou pedindo silenciosamente. Implorando. Ele engole em seco uma vez. Duas vezes. — Tem certeza? — Ele pergunta baixinho. Ele não está me perguntando se tenho certeza de que quero fazer sexo. Nós dois sabemos a resposta para isso. Ele está perguntando se eu tenho certeza que entendo o que realmente significa o que estamos prestes a fazer. Sexo. Apenas sexo. Eu sei disso, e ele também sabe. Ele não pode oferecer mais, e eu nem tenho certeza se estou pronta para mais. Mas isso agora? Isso eu definitivamente estou pronta. Apenas sexo. Eu quero apenas sexo. — Sim. Seus olhos piscam com apenas essa simples palavra, então ele está devastando minha boca novamente. Nós nos beijamos pelo que parecem horas antes de ele arrancar sua boca da minha, descer pelo meu queixo e pela minha garganta. Ele me beija lá, beliscando e chupando, deixando para trás manchas que certamente serão visíveis amanhã, mas agora eu não me importo. Não quando sua mão está deslizando ao longo da minha lateral, seus dedos roçando o cós do meu short, mas nunca deslizando sob o pequeno pedaço de tecido. Mais e mais, me torturando lentamente. Deliciosamente. Eu amo e odeio isso, e eu quero mais e quero que ele pare. Quando ele finalmente mergulha os dedos no meu short, eu suspiro com o alívio do que está por vir. Lowell lentamente move seus dedos cada vez mais para baixo até que apenas a ponta de seu dedo roça meu clitóris. Eu assobio com o contato, e ele ri novamente como um idiota, claramente gostando do meu desconforto. Ele não move a mão por um longo tempo. Ele apenas segura a ponta do dedo ali, alternando entre caminhos de beijos no meu pescoço e chupando meus lábios. Então, finalmente – porra, finalmente – ele mergulha um único dedo em mim, e meus joelhos quase se dobram. — Porra, você está molhada. — Porque você está me torturando! Ele ri novamente. — Você gosta disso. — Eu gosto — eu ofego, descendo em seu dedo que está deslizando para dentro e para fora de mim, amando o jeito que sua palma está roçando meu clitóris. — Tanto. Mas você sabe o que mais eu gostaria? — Hum? — Ser fodida. Ele faz uma pausa apenas por um momento, depois diz: — Acho que posso fazer isso. Eu grito quando ele retira o dedo de mim, e mais uma vez quando ele leva o dedo brilhante à boca e o lambe. — Merda — ele geme. — Eu quase esqueci o quão bom é o seu gosto. — Você… gosta de fazer isso? — Gosto? Você está brincando comigo? — Ele ri zombeteiramente, um lado de seus lábios se curvando em um sorriso. — Eu passaria vinte e quatro horas inteiras com meu rosto enterrado em sua boceta se pudesse. Eu tremo com o pensamento, adorando a ideia, especialmente considerando a última vez que ele estava entre minhas pernas, eu pensei que ia parar de respirar em um ponto. Ele não perde o meu arrepio. — É isso que você quer? — Ele me segura através do meu short. — Eu comendo sua linda boceta? — S-Sim. Não. Sim. Ele ri. — Bem, qual dos dois, querida? — O que quero dizer é sim, mas não agora. Agora, eu quero… — Eu suspiro quando seu polegar pressiona em mim através do meu short, circulando meu clitóris com uma força que é simplesmente deliciosa o suficiente. — Eu quero… — Ser fodida, não é? Eu engulo em seco, assentindo. Ele se afasta, tipo, se afasta completamente. Eu o alcanço, mas ele balança a cabeça apenas uma vez. Ele chuta os sapatos, então, lentamente, ele empurra o paletó dos ombros e o joga de lado. Suas mãos caem em seu cinto, e eu estou praticamente salivando ao vê-lo desenganchá-lo. Ele não tira as calças, no entanto. Ele não puxa seu pau para fora, e de alguma forma, é mais quente do que se ele estivesse realmente nu. Seus dedos hábeis fazem um trabalho rápido de desabotoar os botões de sua camisa. Ele tira e joga em algum lugar também. Ele é maravilhoso. Não há outra palavra para descrevê-lo. Ele estende a mão, um dedo sob meu queixo, e o inclina.— Não se mova — ele instrui, e eu aceno. Então ele se foi. Para o outro lado da sala. Ele se senta no sofá, abrindo bem as pernas, e apenas me observa. Seus olhos percorrem meu corpo de cima a baixo, então ele faz tudo de novo. Apenas. Assistindo. É enervante e emocionante ao mesmo tempo. Eu nunca fui tocada assim antes, e ele nem está me tocando fisicamente. Ele está apenas olhando, e de alguma forma, é muito mais. — Tire a roupa. — Sua voz é baixa e dominante, e isso me deixa ansiosa para seguir suas instruções. Eu agarro a bainha da camiseta fina que estou vestindo e lentamente a puxo sobre minha cabeça. Eu não estou usando sutiã, e é tão estranho estar diante de Lowell com apenas um short. Quando eu não faço um movimento para tirá-lo, ele levanta uma sobrancelha, esperando. Eu quero fazê-lo esperar. Eu quero fazê-lo se contorcer e ansiar por mim como eu estou por ele. Então eu pego meu cabelo bagunçado e o enrolo em um rabo de cavalo, amando a forma como os fios escovam levemente em minhas omoplatas. Amando a maneira como seus olhos acompanham cada movimento. Amando a forma como o humor dança em seus olhos quando ele percebe o que estou fazendo. Finalmente, quando estou bem e pronta, arrasto o short pelas minhas pernas, saindo dele e jogando-o para o lado. Seus olhos se arregalam, depois escurecem, e ele inala uma respiração afiada ao me ver. Ele desliza suas calças para baixo de suas pernas, seu pau finalmente saltando livre, e oh Deus, é tão bonito quanto eu me lembro. Ele acaricia uma, duas vezes, estendendo a mão para pegar suas bolas e puxá-las. Meus mamilos ficam duros só de observá- lo, e eu aposto que se eu deslizar minha mão entre minhas pernas agora, eu estaria encharcada. Só então percebo que nunca tive nenhum poder neste momento. Era tudo ele. Sempre foi ele. — Venha. Lentamente, atravesso a sala, gostando de vê-lo brincar consigo mesmo. Eu paro em seus joelhos. — O que agora? — Agora, você me usa. Me usa. Ele disse isso antes, e assim como antes, isso faz algo em mim. Eu sei que ele está abrindo mão do controle porque ele quer que eu me sinta confortável. Eu amo que ele está colocando meu conforto em primeiro lugar. Eu acho que é mais quente do que qualquer outra coisa que aconteceu esta noite. Ele estende um único dedo, deslizando-o pela minha boceta por um momento, apenas para trazê-lo de volta à boca para provar. Eu menti. Essa é a coisa mais quente que ele fez esta noite, e isso me faz cair em seu colo, literalmente. Eu monto nele, entrelaçando meus braços ao redor de seu pescoço e me esfregando contra ele. Ele olha para baixo, observando onde estamos conectados. — Porra — ele murmura. — Você é perfeita. — Ainda não fiz nada. Suas mãos encontram minha bunda, amassando minhas bandas. — E se você não fizer em breve, posso revogar toda a coisa de ser um cavalheiro que estou fazendo. Eu rolo meu lábio inferior entre os dentes. — Desculpe, Lowell, estou provocando você demais? Eu me esfrego contra ele novamente. — Isso é levar as coisas muito devagar para você? Outra esfregada. — Isso… Eu não termino a frase. Eu não termino a frase porque de repente sou levantada e o pau de Lowell está empurrando para dentro de mim. Nós dois soltamos um gemido baixo quando ele desliza, centímetro por centímetro delicioso. Eu senti falta disso. É a primeira coisa que passa pela minha cabeça, o que é ridículo porque só tive isso uma vez. Eu me inclino para frente, descansando minha testa contra a dele, tentando me acostumar com seu tamanho novamente. — Você sente… — Ele engole. — Porra. — Bom para porra? — Ótimo para porra. Ele bate sua boca na minha, me beijando lentamente enquanto me deixa assumir a liderança, permitindo que eu trabalhe lentamente nele. Ele não me apressa; ele me deixa ter o controle total. Meu orgasmo está crescendo cada vez mais alto e está ao meu alcance, eu só preciso… — Lowell… Seus dedos que estão tocando levemente nas pontas do meu rabo de cavalo são a única indicação do que está por vir. De repente, ele envolve meu cabelo em volta de seu punho e puxa minha cabeça para trás com força suficiente para causar uma pontada de dor, mas não o suficiente para ser malicioso. Eu grito quando sua outra mão vem para descansar na base da minha garganta, onde ele aplica apenas o menor indício de pressão enquanto ele fode comigo. Uma e outra vez. Mais rápido. Mais forte. Tão carente que acho que posso realmente desmoronar. E então eu desmorono. Meu orgasmo me atinge do nada, uma luz branca ofuscante atrás dos meus olhos e um formigamento da cabeça aos pés. Não houve aviso. Nenhum crescimento usual. Apenas quebrou a terra ao meu redor sem nenhum preâmbulo. Minha boceta aperta em torno do pau de Lowell e ele está surfando na mesma onda que estou momentos depois, derramando-se dentro de mim. Quase instantaneamente desabo em cima dele, e ele me pega com facilidade, como se soubesse que isso aconteceria o tempo todo. Ele envolve seus braços em volta de mim enquanto eu descanso minha cabeça em seu ombro, tentando recuperar o fôlego. Eu não tenho ideia de quanto tempo ficamos sentados assim, Lowell me segurando e desenhando pequenos círculos nas minhas costas, eu descansando contra ele. Mas por mais longo que seja, sei que não é suficiente. O que não é uma coisa boa, porque isso tem que ser suficiente. Com toda a energia que posso reunir, me afasto, finalmente olhando para o homem que acabou de fazer meu mundo implodir. Seus curiosos olhos verdes estão me observando, procurando ter certeza de que estou bem com o que acabou de acontecer. Eu estou bem com isso. Estou mais do que bem com isso. Muito bem com isso. — Bem, a boa notícia é que eu definitivamente não te engravidei desta vez. Uma risada explode de mim porque é o que eu não sabia que precisava agora. Mas Lowell sabia. Lowell sempre sabe. E isso é o que mais me assusta. 15 Lowell Eu tentei resistir a ela. Deus me ajude, eu tentei. Mas era impossível com ela olhando para mim com aqueles olhos azuis safira cheios de desejo e necessidade. Então, eu cedi, e se isso significasse acordar com ela enrolada em volta de mim como ela está atualmente, eu faria tudo de novo. Inferno, eu faria tudo de novo, mesmo se ela não estivesse. A noite passada foi incrível. O tipo de inacreditável que te abala profundamente e te assusta porque você tem certeza de que absolutamente nada será tão bom novamente. Não pode ser. É impossível. Ela se mexe contra mim, e eu posso dizer pela mudança em sua respiração que ela está começando a acordar, o que significa que eu provavelmente deveria parar de olhar para ela como um completo esquisito. — Mmm. — Ela se aconchega mais fundo em mim. — Você está quente. — É uma benção e uma maldição. — Estou sempre com frio. — Já reparei. Ela pressiona um beijo suave ao meu lado, e eu posso sentir seu sorriso contra mim. É o mesmo sorriso idiota que estou usando. — Bom dia — ela murmura. — Bom dia. Dormiu bem? — Mmm — ela diz novamente, desta vez esticando seu corpo. — Muito bem. — Você está dolorida? — Um pouco. — Ela cora. — Mas eu gosto. Eu gosto que ela goste. Ela se apoia no cotovelo e olha para mim. — Posso tentar alguma coisa? — É claro. Ela se inclina e pressiona seus lábios nos meus. É um beijo rápido antes que ela se afaste, mas eu a agarro, mantendo-a como refém antes que ela possa ir muito longe. — Nós tentamos isso antes — eu digo a ela. Ela ri. — Nós tentamos, mas você vai me agradecer mais tarde. Ela me beija de novo, mas desta vez, ela não se afasta, ela segue para o sul. E continua indo e indo. Ela faz uma pausa quando chega ao meu estômago. — Isso é... isso é algodão no seu umbigo? — Ela desenterra o pedaço de penugem, jogando-o no chão. — Ei! Coloque isso de volta! Isso estava me mantendo aquecido. — Você é ridículo. — Ela sufoca uma risada contra meu estômago,continuando seu caminho. Ela parece e sente fodidamente incrível, deslizando sobre mim, pressionando beijos no meu estômago. Sua boceta desliza contra meu pau enquanto ela continua seu ataque lânguido, e eu estou apenas levemente envergonhado pelo som que sai da minha garganta. Ela ri, então coloca beijos em todas as minhas coxas, obedientemente ignorando meu pau que está provavelmente mais duro do que nunca na minha vida. Eu faria qualquer coisa neste momento para sentir seus lindos lábios em volta dele. Ela beija minha coxa direita, depois minha esquerda. De volta à minha direita, mas desta vez ela está um pouco mais perto das minhas bolas. Ela continua até que eu tenha certeza de que vou enlouquecer sem ela tocar no meu pau. Então, em uma lambida lenta e longa, ela traça sua língua das minhas bolas até a ponta do meu pau e finalmente o cobre com a boca. Por mais constrangedor que seja, eu quase gozo. — Poooorra. — Meus quadris sobem involuntariamente. Ela ri ao meu redor, e eu juro porra, eu sinto isso nos dedos dos pés também. Ela me chupa, rolando a língua ao redor da cabeça, usando uma mão para segurar meu comprimento e a outra para raspar levemente as unhas ao longo da sensível parte interna da minha coxa. Eu vou morrer. Eu vou morrer, e esta vai ser a morte mais épica de todos os tempos. Eu nem percebo que eu levantei meus quadris até que ela engasga, e eu imediatamente me sinto mal, recuando. — Merda. Porra. Eu sinto muito. Eu… Ela me empurra de volta para baixo, continuando a trabalhar em mim, e não demora muito até que eu volte para onde eu estava, prestes a fazer uma bagunça. — Eu vou gozar, Hollis, então a menos que você queira… — Me use — ela murmura, repetindo minhas palavras de volta para mim. Ela envolve seus seios em volta do meu pau duro e abre a boca. Ela quer que eu foda seus peitos. Oh Deus. Então eu faço. Eu fodo seus seios, amando a forma como a ponta do meu pau roça sua língua. Tudo é apenas o suficiente para me fazer explodir. — Vou goz… É tudo o que posso fazer antes de cobrir seus lábios, garganta e queixo com meu esperma, e estaria mentindo se dissesse que a visão dela coberta de mim não foi suficiente para me preparar para outra rodada imediatamente. Porque é. Eu não sei exatamente porque é, mas é quente e está fazendo algo comigo. Ela fica de joelhos, olhando para mim com um sorriso orgulhoso. — Você está bem? Eu rio, me jogando de volta na cama enquanto ela rasteja de volta para os travesseiros. — Eu não posso acreditar que acabei de foder seus peitos. Isso é merda que você faz quando tem dezoito anos e sua namorada está menstruada, mas você quer foder e ela diz não a anal, então você vai entre os peitos dela. — Isso soa… estranhamente específico. — Hollis levanta uma sobrancelha divertida. Eu dou de ombros. — Só uma história que ouvi de um cara. — Uh-hum. — Ela ri. — Desculpe, nós não... eu só estou cansada. Minhas sobrancelhas se juntam. — Hollis, você não precisa se desculpar, e você também não precisa me deixar foder seus peitos porque você se sente muito cansada para transar. — Bem, eu queria. Portanto, não. — Essa é a sua maneira de dizer não a anal? Ela solta uma risada. — Sim. É sim. — Ainda… certo? Ela balança a cabeça com um sorriso, rolando para longe de mim. — Você não tem treino esta manhã? Ah, porra. Eu corro para verificar a hora, mas ainda é cedo. Tipo, muito cedo para estar de pé. Mas eu tenho uma ideia. — Vamos — eu digo a ela. — Eu quero te levar a algum lugar. — É para o chuveiro? Porque… — Ela olha para a bagunça secando nela. — Sim. E depois para donuts. — Donuts? — Ela sai correndo da cama mais rápido do que eu a vi se mover em semanas e corre para o banheiro. — Estou tomando banho primeiro! — Ela chama, e eu rio. Definitivamente, não estamos nos revezando. — Este é o lugar de onde você está comprando donuts? — Sim. Por quê? — Não sei. Acho que não estava esperando um food truck adorável. Eu pensei que seria uma pequena loja familiar ou algo assim. — Não. Apenas Scout. Ela levanta uma sobrancelha. — Scout? Você está na base do primeiro nome com a fabricante de donuts? — Você está com ciúmes? — Não — ela diz rapidamente... muito rápido. Eu tento não pensar muito sobre o quanto eu gosto da ideia de Hollis ter ciúmes de outra mulher comigo. Não que ela tenha uma razão para ter, mas ainda assim. — Certo. Claro. — Eu pisco. — Fique aí. Dou a volta na caminhonete e abro a porta, ajudando-a a descer. — Você não tem que fazer isso, você sabe. Sou perfeitamente capaz de sair de um veículo sozinha. Estou grávida, mas não tão grávida. — Você está realmente reclamando sobre eu ser um cavalheiro agora? — Eu… bem, não. Mais ou menos. — Suas bochechas escurecem enquanto fazemos nosso caminho até o food truck que virou loja de donuts. — Fui criado com boas maneiras, Hollis, e grávida ou não, ainda vou ajudá-la a sair da caminhonete. Porque é isso que os cavalheiros fazem. Ela fica na ponta dos pés para sussurrar: — Os cavalheiros também fazem o que você fez comigo esta manhã? Não tenha uma ereção. Não tenha uma ereção. Não. Tenha. Uma. Ereção. — Comporte-se — murmuro, tanto para ela quanto para mim, porque sei que realmente não quero me comportar agora. Entramos no final da fila. Está curta hoje. Normalmente ela tem cerca de dez pessoas toda vez que venho aqui. Eu não tenho ideia de como Scout dá conta de tudo, mas ela sempre faz. — Então, como você descobriu sobre este lugar? — Hollis pergunta, observando a pequena organização. — Bem… eu cresci cerca de duas horas daqui, e Scout foi para o ensino médio comigo. Ela é dois anos mais nova e estava na mesma série que minha irmã. A notícia correu em casa que ela era dona desse lugar, então eu fiz a minha missão de vir e apoiá-la tanto quanto eu puder. Eu também posso me certificar de causar uma cena quando estou aqui e tirar fotos minhas o máximo possível, na esperança de que isso apareça nas mídias sociais e dê a ela um pouco do reconhecimento que ela merece. O que eu não digo a ela é que Scout foi muito intimidada por ser tímida e por ter pais gays, e eu não podia suportar a ideia de ela colocar tudo nesse negócio e dar errado, não depois de tudo que ela passou. Hollis inclina a cabeça para o lado, me estudando. Ela não para, nem mesmo quando me mexo desconfortavelmente sob seu olhar. — O quê? — Eu pergunto. — Nada. É que… Você é um cara legal, Lowell. — Você está surpresa com isso? Ela leva um momento para responder, e é assim que eu sei que é honesto e não um reflexo. — Não. Isso faz meu coração inchar de orgulho. — Sr. Lowell! Uma vozinha tira minha atenção de Hollis, e eu olho para encontrar a menina de oito anos que acredita que somos os melhores amigos do mundo correndo até mim, um caderno de desenho e um lápis na mão, como de costume. Para ser justo, ela está certa, nós somos os melhores amigos do mundo. — O que eu te disse sobre me chamar de Sr. Lowell? — Eu pergunto enquanto ela derrapa até parar na minha frente. — Que faz você parecer seu pai e você não é nenhum velho. — Isso mesmo. — Eu ergo meu punho, e ela bate nele. — O que você está fazendo aqui hoje, senhorita Macie? Sem escola hoje? — Não. Eu tenho o dia de folga porque os professores precisam conversar com as mamães e os papais. — Eles estão falando com os seus mamãe e papai? Ela balança a cabeça inflexivelmente. — Não! Eu tenho sido boa! — Sem mais chutes? Ela coloca a mão no quadril. — Só quando os meninos precisam. Eu junto meus lábios, tentando não rir. — Isso é justo. — Quem é? — Ela aponta para Hollis. — Essa é sua namorada? — A palavra namorada sai com o menor indício de desdém, e nem eu nem Hollis deixamos de notar. — Eu sou… amiga de Lowell — Hollis diz a ela, estendendo a mão para cumprimentá-la. Macie olha para sua mão, depois de volta para Hollis. — Eu sou a melhoramiga de Lowell. — Ah, então é de você quem ele está me contando, hein? Eu sorrio porque eu sei que ela está apenas tentando fazer Macie se sentir importante. Eu nunca mencionei ela para Hollis antes. Os olhinhos de Macie se arregalam. — Ele fala de mim? Hollis assente. — O tempo todo. Ele estava me dizendo que você é uma boa artista também. — Eu sou uma boa artista. Você quer ver? — Eu adoraria. — Hollis se vira para mim. — Pegue alguns donuts para nós, sim? Ela pisca, então deixa Macie arrastá-la para uma mesa próxima. Eu observo enquanto elas vão, indo até a frente do food truck para pedir. Scout sendo Scout, ela já tem o meu pedido de costume pronto para entregar. — Posso ter um achocolatado e um creme de Boston também? Eu pego seu sorriso pelo canto do meu olho, então finalmente olho para ela. Ela está me observando com um olhar que não consigo decifrar, e não sei como me sinto sobre isso. Conheço a Scout à distância há muito tempo, e até fomos amigos nos últimos anos. Não gosto de não conseguir ler essa expressão quando normalmente sempre consigo. — O quê? Ela balança a cabeça, levantando as mãos. — Nada. — Besteira. Esse olhar quer dizer alguma coisa. — O que você está fazendo com ela, Lowell? — Com quem? Scout acena para a mesa onde Macie e Hollis estão com as cabeças curvadas, discutindo o que quer que estejam desenhando. Elas parecem tão fofas e, com o cabelo escuro de Macie, quase parecem que poderiam ser mãe e filha. Isso vai ser meu algum dia. O pensamento me atinge de uma só vez, e estou surpreso com isso. Eu sei logicamente, isso será meu algum dia. Mas não meu meu. E o pensamento de que eu quero que seja me aterroriza. Deslizo meu cartão para Scout. — Não é nada. Suas sobrancelhas se erguem, os cantos de sua boca se inclinando. — Então meu olhar também não era nada. Nós dois estamos falando merda, e nós dois sabemos disso. 16 Hollis — Eu gostaria de ficar de olho em seus enjoos matinais, mas tudo parece bem. Sua altura de fundo uterino é de cerca de vinte centímetros. — O fungo dela o quê? — Fundo — eu corrijo Lowell, tentando não rir porque ele parece incrivelmente preocupado. — Ela quer dizer a distância do meu osso púbico ao meu útero. — Vinte centímetros… isso são sete polegadas e meia mais ou menos, certo? — Um pouco mais, sim. Ele concorda. — E isso é bom? — Sim. A medida está na faixa. Agora, vocês gostariam de saber se vão ter um menino ou uma menina hoje? — Não. — Sim. Respondemos a médica ao mesmo tempo, e ela ri da nossa diferença de opinião. — Parece que temos uma divisão. Se há algo que mais discutimos durante esta gravidez, é querer saber ou manter uma surpresa. Sou do time da surpresa enquanto Lowell está morrendo de vontade de saber, embora eu ache que é principalmente porque ele quer provar que está certo se o bebê é uma menina. Eu sempre pensei que gostaria de saber também, mas com o passar das semanas, percebo que realmente não importa para mim o que teremos. Tudo que eu quero é poder olhar nos olhos daquele bebê e dizer: Eu te amo. O resto não importa, e nunca importará. — Isso é normal? — Lowell pergunta da cadeira ao meu lado. Ele está sentado para a frente, cotovelos apoiados nos joelhos, observando tudo acontecendo. É o mesmo olhar que eu vi dele quando ele está assistindo a qualquer coisa relacionada ao hóquei, sério e estudioso. Mesmo com a temporada a todo vapor, ele tem estado muito atento e presente. Inferno, ele apareceu para esta consulta hoje ainda molhado de seu banho depois do treino matinal, e então quando isso acabar, ele vai voltar para o rinque para um jogo hoje à noite. Não deveria me surpreender, mas surpreende. Algo me diz que se eu tivesse esse bebê com outra pessoa, ele não estaria tão envolvido, e isso me faz sentir de maneiras que eu sei que não deveria estar me sentindo. — É muito comum — diz a médica de forma tranquilizadora. — Muitos pais são opostos na decisão de saber ou não. Que tal eu colocar em um envelope e quem quiser saber pode olhar? Parece bom? — Isso é perfeito — eu respondo, então olho para Lowell. — Você está feliz? — Sim. Mal posso esperar para ver que estou certo. A médica ri e continua com o exame. Quando terminamos, ela nos diz que tudo parece perfeito e que nos verá na nossa próxima consulta, então nos manda para a recepção para marcar. — Meu pênis. — O quê?! — Eu grito, olhos arregalados, olhando para a recepcionista que ou não está nos prestando atenção ou é muito boa em atuar. Eu engulo em seco, olhando para o homem que eu poderia matar hoje. — O-o que tem? — Sua altura uterina é do tamanho do meu pênis. Vinte centímetros. Eu não tenho que olhar no espelho para saber que minhas bochechas estão pegando fogo agora. — Cameron! — O quê? É. — Isso é… legal. — Eu olho de volta para a recepcionista, que, com base em como suas bochechas estão vermelhas, agora está ouvindo atentamente a nossa conversa. Eu abaixo minha voz. — Você não poderia ter encontrado literalmente mais nada para comparar essa medida? Literalmente qualquer outra coisa que tenha vinte centímetros? — Vinte centímetros e meio. — Ele dá de ombros. — Tenho certeza que poderia, mas estou mais familiarizado com esta. — Isso é… Ok, tudo bem. Balanço a cabeça, prometendo com os olhos cumprir aquela ameaça de homicídio. Volto-me para a recepcionista, que parece querer rir e subir em cima de Lowell para ver se ele está mentindo ou não. — Nossa consulta — eu retruco, e até mesmo estou surpresa com o quão maldosa eu soo. — Oh! É claro! — Ela corre para marcar nossa próxima visita e nos dá um cartão com todas as informações. Lowell coloca a mão na parte inferior das minhas costas enquanto saímos. — Eu gostei disso — diz ele calmamente. — Hum? — Seu ciúme. — Eu não estava com ciúmes — minto. — Eu estava apenas... pronta para sair. Ele levanta as sobrancelhas e junta os lábios, claramente não acreditando em mim enquanto me conduz em direção à caminhonete, porque sim, ele ainda está dirigindo o carro velho, e abre a porta para mim. Ele me ajuda a subir para dentro e, quando me sento, estou sem fôlego, porque essa é apenas a minha vida agora. Suspiro, recostando-me no assento. — Você está bem? — Ele pergunta, indo do riso para a preocupação enquanto procura uma resposta em meus olhos. — Sim, apenas... cansada. Ele está sempre fazendo isso, sempre encarando e olhando para mim, como se estivesse realmente olhando para mim. Às vezes é enervante, e às vezes eu gosto demais. Estou começando a perceber que gosto demais de muitas coisas nele. Eu gosto de como ele é paciente e de como ele é solidário. Como ele é engraçado, inteligente e gentil também. Eu gosto do jeito que ele olha para mim do outro lado da sala, e eu gosto do jeito que ele me toca como se ele não fosse capaz de não me tocar. Eu gosto do jeito que me sinto quando estou com ele, protegida e cuidada. E eu realmente gosto do jeito que ele ama nosso bebê. Ele se aglomera contra mim, deslizando as mãos pelas minhas coxas até minha barriga saliente. Não suporto mais ninguém tocando. Algumas pessoas tentaram no supermercado – muito assustador? – e é desconfortável mesmo durante os exames. Inferno, nem mesmo Harper tocou. Mas quando são as mãos de Lowell em mim, é calmante, e eu quase anseio pela calma. — Tem certeza que é isso? — Tenho certeza. Ele acena com a cabeça, em seguida, a abaixa, colocando os lábios perto da minha barriga. — Desculpe, pequena senhorita, mas você está cansando sua mãe e esse é o meu trabalho, ok? Ele coloca um beijo suave na minha barriga, e agora não estou mais cansada, estou excitada. Há algo em vê-lo falar com nosso bebê que me deixa louca, e ele tem feito isso com mais frequência ultimamente, o que significa que eu tenho rasgado mais as roupas dele. Nós realmente não falamos sobre dormirmos juntos, mas também não estamos nãofalando sobre isso. Está meio que… acontecendo. Eu quero perguntar a ele o que isso significa, se é alguma coisa, mas também não quero estragar o que quer que esteja acontecendo. Eu só quero aproveitar e passar por esses últimos meses da minha gravidez. — Você já terminou? — Eu o puxo de volta. — Você sabe que me deixa excitada quando você fica todo papai em cima de mim. — Eu soltei um chiado. — Não como papai papai. Mas papai, o tipo não pervertido de papai. Seus olhos dançam com o riso. — Devidamente anotado. — Cala a boca — eu resmungo, totalmente envergonhada. — Você vai abrir esse envelope ou não? Ele enfia a mão no bolso de trás e tira o envelope contendo o ultrassom do nosso bebê. Ele balança na minha direção. — Tem certeza que não quer saber? — Certeza absoluta. Não me diga. Não dê nenhuma indicação se você está certo, o que você não está, ou se eu estou certa, o que eu estou. Mas você pode olhar. Ele desliza o dedo no envelope e o abre, retirando o ultrassom apenas o suficiente para ver os resultados. E então nada acontece. Não há uma única contração em seu rosto quando ele vê. Eu o observo mais de perto do que qualquer coisa que eu observei antes, mas ele não revela nada. Ele simplesmente coloca o exame de volta no envelope e o coloca de volta no bolso. Toda essa curiosidade que venho afastando há meses vem correndo para mim, e eu quero alcançar, abrir o ultrassom e ver por mim mesma neste momento. Ele ri. — Você quer totalmente saber agora, não é? Eu rosno para ele. — Mais uma vez, cale a boca. Outra risada. Eu gemo. — Você não tem um jogo de hóquei para jogar ou algo assim? — Não, querida, eu tenho um jogo de hóquei para ganhar. — Por favor, me diga que o brilho que você tem não é apenas gravidez, mas porque alguém levou pau do jogador de hóquei quente como o inferno que a engravidou. Água com gás jorra da minha boca com suas palavras. — Meu Deus, Emilia. — Eu corro as costas da minha mão em meus lábios para limpá-los. — Ryan disse isso antes. Quem diz levar pau? Afinal, o que isso quer dizer? — Sabe quando ele te deita e te fode tão bem que você não consegue andar direito por pelo menos dois dias? Isso é levar pau. Eu solto uma risada. — Oh meu Deus, o que há de errado com você? Ela dá de ombros, afastando seu longo cabelo vermelho do caminho. — Estou com tesão e faz uma eternidade desde que eu mesma não levei pau. Tenho certeza de que trabalhar com todos esses jogadores gostosos não está ajudando em nada. Está começando a me afetar. — Eu sinto muito. — E eu sinto muito. Eu sei como é estar perto de Lowell o dia todo e não levar pau, então eu entendo. — Está bem. A culpa é minha. — Ela acena para mim. — De qualquer forma, você não respondeu minha pergunta. Isso é um brilho de sexo e não um brilho de bebê? — Ela toma um gole de seu vinho, me olhando com expectativa. Eu dou de ombros evasivamente, mas conheço Emilia desde a primeira série, e ela sabe exatamente o que significam todos os meus encolher de ombros. — Ha! — Ela aponta para mim. — Você totalmente transou, não foi? Eu rolo meus lábios juntos, assentindo. — Eu transei. Eu transei muito. Tipo muito mesmo. — Espere, isso está acontecendo há algum tempo? — Ela faz uma careta quando eu aceno. — Eu me sinto tão mal por não estar por perto, mas é… Eu aceno minha mão. — É o meio da temporada de hóquei. Eu entendo, e não é grande coisa. Eu sei que você está ocupada encurralando homens adultos que adoram se jogar no gelo. Você tem uma vida e um emprego. Entendo. Eu, eu estou meio que aqui, esperando para ter esse bebê, procurando um apartamento maior e esperando que eu possa trabalhar nos próximos meses para que eu possa pagar pelo apartamento maior quando o bebê vier. Encontrei um lugar que fica quase diretamente entre a casa de Lowell e a arena. Está decentemente dentro do meu orçamento com alguns ajustes, mas sei que vou ter que gastar o dobro do tempo que costumo fazer nos próximos meses para poder economizar dinheiro para qualquer tipo de licença maternidade. Também sei que vai ser muito trabalhoso para mim quando o bebê nascer, porque Lowell está prestes a estar na parte mais importante de sua temporada. Ela inclina a cabeça. — O que você quer dizer? Por que você não vai morar com Lowell? — Por que eu iria morar com ele? — Uh, porque ele te engravidou! — Sim, estou ciente desse fato. — E vocês estão dormindo juntos! — Mais uma vez, sim, ciente disso. — Você está me dizendo que estão dormindo juntos, você está grávida do bebê dele e não vai morar com ele? — Sim, basicamente. Ela não diz nada por vários longos momentos. Ela apenas me observa, e é enervante porque quando Emilia apenas observa, significa que o que ela disser em seguida é algo que eu sei que não vou gostar. — Você é louca — ela sussurra. — Este bebê sugou todas as suas células cerebrais e você ficou totalmente insana. Até certo ponto, ela não está errada. Mas não é disso que se trata. — Não vejo qual é o grande problema. — Você não vê qual é o grande problema… — Ela murmura minhas palavras de volta para si mesma, então zomba. — Vamos. Você é mais esperta do que isso, Hollis. Eu sei que você é. Eu sou. Mas também sou burra o suficiente para continuar fazendo isso. Eu aceno para afastar as suas palavras. — Está bem. Estou bem. Estamos bem. — Você está? — Sim! Sai mais alto do que o pretendido, mas estou ficando frustrada com sua linha de questionamento. Eu sou uma adulta crescida. Eu sei o que estou fazendo. — Desculpe — eu digo. — É só que… Nós dois estamos muito conscientes do que é isso. É o mesmo resultado da última vez. Não é nada sério. Ela olha incisivamente para os sapatos dele que estão perto da porta. — Admito que parece um pouco sério, mas não é isso. Somos apenas duas pessoas curtindo a companhia uma da outra enquanto esperamos que nosso bebê venha a este mundo. Não tenho noções preconcebidas sobre o que está acontecendo entre nós, e sei que Lowell também não tem noções preconcebidas sobre o que está acontecendo entre nós. Caso você tenha esquecido, eu não estou divorciada nem há um ano inteiro. Não estou procurando apressar nada sério. — Passo a mão na barriga. — Bem, além do meu bebê, é claro. Mas não é como se eu pudesse devolver. Não guardei o recibo. Ela ri levemente, mas a alegria escapa de seu olhar penetrante muito cedo. — Posso dizer algo? — Conhecendo você, você vai de qualquer maneira. — Eu faço sinal para ela continuar. — Passo um bom tempo em torno do time. Sim, eu não viajo com eles com frequência, mas estou aqui em casa com eles quando estão no rinque, o que nós duas sabemos que é muitas horas por dia durante a temporada. Então, é seguro dizer que conheço esses caras muito bem, o que significa que posso dizer isso com confiança: nunca vi Lowell do jeito que ele está agora. — O que você quer dizer com o jeito que ele está agora? — Quero dizer… mais leve. Feliz. — Ela toma um gole de seu vinho. — Não me interprete mal, ele sempre foi muito legal e amigável e ele é apenas um cara muito bom. Mas ele também sempre foi reservado e um pouco cauteloso, especialmente quando se trata de deixar alguém se aproximar de algo sobre sua vida pessoal. Dito isso, não posso dizer quantas vezes testemunhei aquele homem passar uma foto de seu ultrassom com nada além de orgulho em seu rosto, assim como não posso dizer o número de vezes que vi seu rosto iluminar falando não apenas do seu bebê, mas de você. Digo isso como uma pessoa que viu isso sem nem saber que vocês dois estavam dormindo juntos, o que significa que estou vindo do ponto de vista da pura honestidade quando digo que ele tem sentimentos por você. Eu suspiro. — É claro que ele provavelmente tem alguns sentimentos por mim, estou carregando o bebê dele. — Verdade, mas… — Ela levanta o ombro. — Eu não sei, Hollis. É diferente. Ele está diferente. Mesmo que nenhumde vocês esteja pronto para admitir isso, ele tem sentimentos de verdade por você, e a menos que você de alguma forma os admita, nenhum de vocês vai sair ileso disso no final. — Final? Não há final, Emilia. Eu sou a mãe do filho dele. Ela leva o vinho aos lábios e levanta a sobrancelha. — Eu sei, e essa é a porra de tudo. 17 Lowell Eu poderia ficar aqui e assistir isso o dia todo. Isso é o que passa pela minha mente enquanto eu me inclino contra a parede dentro do apartamento de Hollis, observando- a balançar a bunda do outro lado da sala. Lembro-me da primeira vez que a vi dançar, e lembro-me de pensar que ela era terrível nisso. Ela ainda é. E ainda assim, eu ainda amo vê-la. Radio Ga Ga do Queen está explodindo de um dispositivo inteligente no balcão, e ela não tem ideia de que estou aqui. Ela está usando uma colher de pau como microfone e cantando terrivelmente desafinada. É adorável. Ela é adorável. Eu não a alerto sobre minha presença até que a música desapareça. — Muito bom! Bis! — Eu bato palmas. Aparentemente, foi a coisa errada a fazer. — FILHO DE UMA…! — Ela se vira, a mão no peito. — Lowell! Eu acabei de mijar nas calças, seu idiota! Ela sai correndo para o banheiro e bate a porta, enquanto murmura para si mesma. Não vou mentir, me sinto mal. Mas só um pouco. Eu entro no apartamento e me jogo no sofá dela. Não demora muito para que ela esteja marchando de volta para fora do banheiro com uma carranca firme no rosto, ainda resmungando. Sua carranca se aprofunda no momento em que ela me vê. — O que diabos você ainda está fazendo aqui? — Uh, é dia de jogo. — E? — E eu sempre venho aqui no dia do jogo. — Bem, eu não quero você aqui. Saia. — Ela aponta para a porta. — Ei, ei, ei — eu digo, saindo do sofá. — Eu não posso simplesmente ir embora. Eu sempre venho aqui no dia do jogo. Ela revira os olhos. — Jogadores de hóquei malucos e suas superstições estúpidas. — Ela cruza os braços sobre o peito. — Tudo bem. Você pode ficar, mas eu não vou dormir com você, não depois que você acabou de me fazer mijar nas calças. Você não pode simplesmente chegar e assustar mulheres grávidas, Lowell. — Não odeie nossas superstições, ok? Elas são uma coisa real, e há muita ciência para provar isso. Segundo, eu não queria te assustar. Você deixou seu apartamento destrancado, algo sobre o qual provavelmente deveríamos conversar porque isso é extremamente perigoso. Eu poderia ter sido qualquer um. — Ela abre a boca para argumentar, mas eu continuo assim mesmo. — E terceiro, você acha que eu só vim aqui para fazer sexo? — B-bem… Bem… — Ela joga os braços para cima. — Sim! Não é por isso que você vem aqui? Minha boca se abre de surpresa. — Hum, não. Quando eu vim aqui e me joguei em você ou implorei por sexo? Você é a grávida com tesão, lembra? — Ah, então você não quer fazer sexo comigo? Você está apenas atendendo ao meu pedido porque eu sou uma maníaca louca por sexo, hein? — Bem, você acertou a parte maníaca. — Lowell… — ela rosna. — Hollis… — Eu rosno de volta. Ela literalmente bufa e sopra, e eu não posso deixar de rir. Ela joga os braços para cima, tentando se afastar de mim, mas eu não deixo. Em vez disso, eu a puxo para o meu abraço, envolvendo meus braços ao redor dela. — Pare, pare, pare — eu digo, prendendo-a enquanto suspiro. — Eu preciso que você me escute e me ouça atentamente aqui, certo? Não estou aqui apenas para sexo. Eu gosto? Sim. Nada me agrada mais do que sair deste apartamento com o seu cheiro ainda no meu rosto e dedos. — Seus olhos escurecem com minhas palavras. — Mas não é por isso que venho aqui. Eu venho aqui porque você está carregando meu filho e eu gosto de passar tempo com ele e você. Ok? Então não minimize minha vinda aqui como sendo apenas para sexo. Embora, novamente, eu realmente ame essa parte. Tipo, realmente, realmente amo essa parte. Eu provavelmente amo essa parte muito mais do que deveria. Estamos dormindo juntos há algum tempo, e quase não consigo me lembrar de uma época em que não estávamos dormindo juntos. Eu entendo. É uma libertação para ela, e estou feliz em ajudá-la, mas não tenho ideia do que isso vai significar para nós no futuro. Eu não quero pensar sobre isso ou qualquer besteira pesada agora. É dia de jogo, e eu não vou ao apartamento dela no dia de jogo para colocar tudo na minha cabeça. Venho aqui para relaxar. Além disso, quase todas as vezes que venho aqui, vencemos, mas não vou dizer isso a ela. Ela suspira, então passa os braços em volta do meu pescoço, seus dedos indo para as pontas do meu cabelo, puxando levemente os fios. — Ok, tudo bem. Você pode ficar. — Eu posso? Ela acena. — Sim. Mas, Lowell? — Hum? — Eu mudei de ideia. Eu realmente gostaria de fazer sexo agora. — Faça de novo, mas mais devagar. — Mais devagar? — Sim. — Ela lambe os lábios enquanto eu sigo suas instruções. — Oh Deus. Sim, assim mesmo. — Você gosta disso? — Eu gosto. Eu gosto muito disso. — Você quer mais? Ela prende o lábio entre os dentes, me observando atentamente. — Mais devagar. — Eu não posso ir mais devagar. Meu maxilar já está ficando apertado. — Eu mexo para frente e para trás, então coloco minha faca para baixo, sentando na minha cadeira, dando um tapinha em meu estômago cheio. — Além disso, estou cheio. — Foi um bife! — Foi um bife dois bifes atrás, Hollis. Estou cheio. Estamos sentados aqui nas últimas duas horas jantando, e como Hollis não tem permissão para comer carne mal passada, ela está me forçando a comer os bifes por ela. E por forçar, quero dizer que eu definitivamente queria. — Covarde. Para ser justo, os bifes são bem pequenos, e se eu não tivesse comido uma cesta inteira de pão antes que eles chegassem, eu provavelmente poderia ter terminado este também. O que eu não digo a Hollis é que estou tentando não me encher demais porque tenho um pressentimento com o jeito que ela está esfregando as coxas a noite toda, esta noite vai acabar com nós dois nus em sua cama. — Desculpe-me, garçom, você acha que eu poderia levar cerca de, oh, trezentos gramas deste molho ranch para viagem, por favor? Hollis imediatamente tapa a boca com a mão, inspirando e expirando profundamente pelo nariz. Eu sei imediatamente que foi apenas a menção do ranch. Eu tentei colocar um pouco na minha salada na semana passada e ela correu para o banheiro mais rápido do que eu já a vi correr, e isso inclui quando eu acidentalmente a fiz fazer xixi nas calças... pela segunda vez. O casal na mesa que acabou de pedir o molho percebeu. — Zachary! — A mulher ferve. — Pare com isso! — O quê? Este lugar tem um ranch muito bom, e moramos a uma hora de distância. Não há como eu sair daqui sem um pouco para levar. — Uh, deixe-me ir verificar com meu gerente. — O garçom sai correndo, parecendo tão preocupado quanto eu porque esse cara acabou de pedir uma pequena garrafa inteira de ranch para viagem. A mulher balança a cabeça em direção à nossa mesa. — Você acabou de deixar aquela mulher enjoada com seu vício nojento por ranch. Ele suspira. — Como você ousa! Ranch não é nojento, você acha meu vício por ranch fofo! — Pare de dizer isso! — Ela olha para Hollis, que está começando a parecer um pouco verde. — Tenho certeza de que ela está a um segundo de explodir. Hollis balança a cabeça para cima e para baixo, olhos arregalados, e eu rio, o que me rende um olhar. A mulher se inclina. — Sinto muito por ele. Às vezes ele deixa suas maneiras em casa. — Ela olha para a barriga redonda de Hollis. — Ah, você está grávida! Isso realmente explica muito. Você sabe quando minha melhor amiga, Zoe, estava grávida, ela era exatamente da mesma maneira. Mesmo a mera menção de — ela olha para o marido — bem, as coisas que não devem ser nomeadas e ela estava pronta para colocar para fora. Hollis respira fundo mais algumas vezes e tira a mão da boca. Ela esboça um pequeno sorriso.— Está bem. Eu sou a única que sente muito. Eu não queria interromper sua refeição com o meu problema. A mulher acena para ela. — Não é nada demais. — Ela vira os olhos para mim, os apertando. — Você parece muito familiar. — Delia! — Seu marido adverte. — O quê? — Ela pergunta. — Ele não parece familiar? O cara coloca a cabeça nas mãos. — Isso é porque você o assiste o tempo todo. Ele é o capitão do Carolina Comets, para quem temos ingressos para a temporada! — Oh! — Por um momento ela parece envergonhada, então ela acena com a mão com um encolher de ombros. — Você sabe que eu só gosto dos lanches e bundas de hóquei. Eu não conseguia distinguir uma primeira jogada de um downtouch ou seja lá como eles são chamados. — Ela estende a mão. — Oi, eu sou Delia. Este é meu marido, Zach. — Hollis. — Ela se apresenta, apertando a mão da mulher, então aponta para mim. — E Cam... bem, você o conhece como Lowell. Zach limpa a garganta. — Apesar de minha esposa não conhecer você, sou um grande fã. Eu sei que é um mundo pequeno, mas você pode estar um pouco familiarizado com meu irmão. Ele é agente de alguns caras do seu time. Shep Clark? — Ah, sim. Encontrei Shep algumas vezes. Ele representa Rhodes e Wright. — Honestamente, o cara é um agente talentoso e conseguiu para os dois alguns bons negócios recentemente. — Definitivamente um mundo pequeno. Você disse que mora a uma hora de distância, certo? — Sim, dependendo do trânsito. — Você já foi à cervejaria em Caseyville? — Não fomos. Passei em frente muitas vezes em nosso caminho para Slice. — Zach dá um tapinha em seu estômago. — Aquela pizzaria é matadora. — Tão boa. Horrível para a minha cintura no período fora de temporada. Na verdade, sou co-proprietário da cervejaria com minha irmã. — Não brinca? Bem, definitivamente vamos passar lá agora. — Você deveria se encontrar lá com Sully e Porter na próxima vez que vocês se reunirem para conversar sobre aplicativos e segurança e afins — diz Delia. — Aplicativos? — Sim — Zach responde. — Minha empresa os desenvolve. — Sim? Minha irmã mencionou algo sobre querer talvez obter um aplicativo para a cervejaria. Devemos nos reunir algum dia e conversar sobre isso. Os olhos de Zach se arregalam. — Cara. Eu adoraria isso. E eu nem vou pedir para você autografar minha camisa na reunião. — Você vai esperar até depois, certo? — Pergunta Delia. — Obviamente. Eu rio. — Combinado. — Odeio encurtar isso — diz sua esposa, olhando para o telefone —, mas devemos sair. Não quero deixar de colocar as crianças na cama. — Vocês dois têm filhos? — Hollis pergunta, animando-se. — Quantos? Ela tem feito isso com frequência ultimamente. Sempre que há um bebê ou crianças por perto, ela presta mais atenção a eles como se estivesse tentando obter alguma visão sobre a maternidade. — Oito. Meus olhos quase saltam da minha cabeça. — Oito? Ela ri. — Desculpe, eu deveria ter esclarecido, nossos filhos são cabras. — Cabras pigmeus para ser exato — Zach diz, pegando seu telefone. — Olhe aqui. — Aquilo são suéteres de Harry Potter? — Foda, certo? — Fantástico. A camisa do Comets também é um belo toque, mas provavelmente sou um pouco tendencioso. Zach ri, então adiciona meu número no seu telefone e o guarda no bolso. — Vamos deixar você voltar para sua refeição e falar mais tarde sobre o aplicativo para a cervejaria. — Parece bom. Apertamos as mãos assim que o garçom volta com um pote de ranch para ele. Eu nunca vi o rosto de alguém se iluminar tanto antes. Ele o embala em seu peito, e eu juro que o ouvi chamá-lo de seu precioso. — Talvez a gente veja você em um jogo? — Delia diz enquanto se levanta. Zach desliza sua jaqueta ao redor dela. — Sim, você pode ensinar a essa aqui que não há touchdowns no hóquei. Hollis ri. — Não se preocupe, estou em dia com a linguagem. Nós vamos fazer de você uma profissional em pouco tempo. Ela foi resistente em aprender o jogo no início, mas nos últimos meses ela realmente começou a gostar, e é algo que realmente me excita. Gosto de vê-la animada com o jogo que tanto amo, e gosto de vê-la nas arquibancadas torcendo por mim enquanto jogo. Collin e Rhodes disseram antes que juram que seus pés se movem mais rápido e seus tacos batem melhor no disco quando sabem que Harper e Ryan estão no meio da multidão. Eu sempre pensei que eles estavam cheios de merda, mas eu entendo agora. É reconfortante saber que há alguém nas arquibancadas que não se importa apenas com o seu jogo, mas com você. Também é uma grande motivação trabalhar duro, porque se eu jogar bem as minhas cartas e vencermos, eu marco dois gols naquela noite. Os dois acenam e se viram para ir embora, mas não vão muito longe antes de eu ouvir Zach dizer a Delia: — Não acredito que você não o reconheceu. — O quê? Ele estava sentado. Eu não podia ver a bunda dele. Hollis ri. — Eles eram divertidos, mas quando ela disse oito filhos, eu quase me mijei. Eu não podia imaginar. Eu não tenho espaço nem para uma criança no meu apartamento, muito menos para oito. — Ela balança a cabeça, bebendo sua água. — Falando nisso... eu, uh, encontrei um lugar entre o rinque e sua casa. Eu me sento mais reto na minha cadeira, tentando não deixar minha respiração soar tão trêmula quanto parece no meu peito. — Oh? — Eu-eu achei que seria bom estar mais perto de você para quando o bebê nascer. — Sim, uh, eu, uh, gostaria disso. Parecemos discos arranhados, pulando nossas palavras. Eu me sinto especialmente desconfortável porque não tenho ideia do que devo dizer aqui. Devo me oferecer para deixá-la mudar para minha casa? É isso que ela está insinuando? Se não, devo me oferecer para pagar pelo apartamento dela? Eu posso pagar, então não é grande coisa, mas qual é a etiqueta aqui? O que é mesmo aqui? — O que estamos fazendo? O que… — Oh, não! — O garçom vem correndo pela nossa mesa em pânico. — Eu dei aquele homem queijo azul em vez de ranch! Desta vez, Hollis vomita. O que quer que isso aqui seja, teremos que descobrir mais tarde. 18 Hollis — Oh. Minha. Nossa! O grito da minha mãe é tão alto que faz meus ouvidos zumbirem. Ela envolve seus braços em volta de mim, me puxando para um abraço o melhor que pode, já que minha barriga cresceu tanto. — Você está adorável, Hollis! Eu forço um sorriso porque com certeza não me sinto adorável. Eu me sinto gigantesca, exausta e simplesmente sobrecarregada o tempo todo. Se meus pés não estão doendo, são minhas costas. Se não tenho dor de cabeça, estou tão cansada que não consigo manter os olhos abertos. Se não estou com fome, estou mal-humorada. Tem sido uma coisa atrás da outra, e estou realmente ansiosa para que esses próximos meses terminem. Minha mãe gentilmente acaricia minha barriga saliente, e momentaneamente me sinto culpada porque nem quero que ela a toque. Apenas Lowell. — Você está linda. — Ela passa as mãos sobre mim. — Simplesmente linda. — Mãe — eu lamento. — Pare. — Você também pode parar enquanto está na frente, Sra. Kelly. Ela nunca vai ouvir. Eu tento dizer a ela todos os dias que ela é linda, e ela sempre discute comigo. — Lowell me lança um olhar, então estende a mão. — É ótimo finalmente conhecê-la. Eu sou Cameron. Minha mãe dá um olhar de desdenho para a mão dele e depois para o rosto, de volta para a mão. Finalmente ela o tira do caminho e o puxa para um abraço gigante. — Oh, não seja bobo, meu querido. Me abrace! Agora somos uma família! É a primeira vez que ouço alguém chamar Lowell de família, e é a primeira vez que percebo que ele é da família. Mesmo que Lowell e eu não estejamos juntos, esse bebê sempre nos conectará. Isso de alguma forma me aterroriza e me dá conforto de uma só vez. Minha mãe me lança um sorriso por cima do ombro, então pisca. Ele é fofo, ela murmura. E ela está certa. Ele é fofo. Ele é muito, muito fofo. Ele é fofo quando está fazendo coisas como esfregarmeus pés ou minha barriga, preparar um lanche para mim ou pegar meu telefone porque esqueci de pegá-lo antes de me sentar. Mas minha parte favorita dele? Minha parte favorita dele é à noite, quando ele deita a cabeça na minha barriga e sente nosso bebê se mexer. Ele faz isso quase todas as noites em que está em casa, na verdade. Não me lembro da última vez que passamos uma noite separados um do outro. Essa é outra coisa que de alguma forma me apavora e me dá conforto de uma vez. Estou ficando tão acostumada com ele, e estou começando a me preocupar que estou ficando muito acostumada com ele. Ainda temos que discutir a mecânica do que vai acontecer depois que o bebê chegar. Ele quer se mudar? Ele quer que eu me mude? Ou ele está satisfeito com o que estamos fazendo agora? Se ele não estiver satisfeito com o que estamos fazendo agora, ele quer dividir a guarda ou vai lutar pela custódia? Ele vai pagar pensão alimentícia, ou ele vai trabalhar em outra coisa? Eu não sei, e parte de mim não quer saber a resposta para nenhuma dessas perguntas. Eu sei que isso não é lógico ou inteligente e isso é algo que precisamos descobrir em breve, mas não agora. Não agora porque é Natal e minha mãe acabou de atravessar o estado para estar aqui. Embora eu nunca vá admitir isso em voz alta para ela porque ela vai me dar aquele olhar que diz eu avisei, eu senti falta da minha mãe e preciso dela agora mais do que nunca. Minha mãe coloca a mão na minha barriga novamente, então olha para Lowell. — Pisque duas vezes se for uma menina. Ele não reage de jeito nenhum. Ele está de boca fechada sobre o que estamos tendo, e eu amo sua dedicação a isso. — Espere um segundo, você acabou de deixar a mamãe tocar sua barriga? — Harper pergunta da cozinha. — Isso é uma palhaçada! Você nunca me deixa tocá-la. — Sério? Eu toco nela o tempo todo — diz Lowell. Harper acena para ele. — Você não conta, papai. Eu não perco o jeito que ele sorri quando ela o chama assim. Eu percebi o quanto ele gosta da ideia de ser pai, e é exatamente por isso que eu comprei o presente mais brega que eu poderia pensar para o Natal, e eu mal posso esperar para dar a ele. — Oh, ei, pessoal — Collin diz enquanto caminha pelo corredor vestindo um par de joggers com o logotipo da Comets neles. — Desculpe, eu estava colocando os cachorros lá em cima. Eles ficam um pouco indisciplinados quando muitas pessoas estão aqui, e eu não queria que eles incomodassem ninguém. Ele envolve seus braços em volta de mim em um abraço gentil. É engraçado porque toda vez que eu vejo Collin desde que eu disse a ele que estou grávida, ele me abraça, só que ele sempre faz isso levemente como se estivesse com medo de me quebrar me apertando muito forte. Eu sei que Harper e Collin não querem filhos e eu respeito completamente isso, mas também sei que eles vão se tornar os melhores tios do mundo. — Ei, Col. — Eu o aperto de volta com a mesma leveza. — Você está enorme — diz ele, e eu sinto o momento em que ele percebe o que disse. Ele me solta e recua meio metro. — Eu… quero dizer… você está… Lowell dá um passo agressivo em direção a ele, parando na minha frente como se quisesse me proteger. Não vou mentir, o movimento me deixa totalmente molhada. Agarro a camisa de Lowell, puxando-o de volta. — Calma, garoto, eu sei o que ele quis dizer. — Eu me viro para Collin. — Eu acho que o que você quis dizer foi, Deus, Hollis, esse bebê com certeza está crescendo e você está carregando esse peso extra que definitivamente não é seu tão bem. Ele aponta uma arma de dedo para mim. — Isso. Foi exatamente isso que eu quis dizer. Minha mãe aponta para Lowell. — Este é burro como aquele é? — Ela pergunta, referindo- se a Collin. — Às vezes — eu respondo honestamente. — Ei! — Lowell protesta. — Eu não sou. — Você literalmente me disse dois dias atrás que eu era “fofa para uma garota grávida”. — Eu não… eu estava… Harper se aproxima e dá um tapa na nuca dos dois. — Idiotas. Vocês dois. Ambos ficam vermelhos em seus momentos de idiotice. A campainha toca e Harper agarra Collin, arrastando-o para a porta da frente para os deveres de anfitrião. — Vamos — ela diz. — Vamos fingir ser bons anfitriões e cumprimentar o resto de seus amigos idiotas. — Eles não são idiotas — ele argumenta. — Eu peço desculpa mas não concordo. Eu conheci Miller. — Eh. — Ele inclina a cabeça para frente e para trás. — Justo. — Então, Lowell — minha mãe diz, pegando sua mão e puxando-o para a cozinha. Ela pula em um banquinho e dá um tapinha no que está ao lado dela, indicando que ele deveria se sentar também. — Diga-me, como você e minha filha se conheceram exatamente? Ela tem sido muito discreta sobre o assunto. Minha mãe e eu estamos dançando em torno desse assunto há meses. Eu sei que ela nunca me julgaria pelo que aconteceu, mas isso não torna menos embaraçoso que eu tenha engravidado do meu caso de uma noite na noite do casamento da minha irmã. É ainda mais embaraçoso que eu tenha dado um soco naquele caso de uma noite no dia anterior porque eu estava um desastre emocional. É apenas algo que eu não queria repetir. — Bem, Sra. Kelly, é uma história meio engraçada… — Lowell diz, sentando-se ao lado dela. Ela dá um tapa no ombro dele. — Oh, pare com essa coisa da Sra. Kelly. Eu não sou mais uma senhora. Meu marido traidor desgraçado está morto há anos. Ela diz isso alegremente, mas eu sei que o que meu pai fez ainda a machuca, mesmo depois de todos esses anos. Assim como mesmo estando grávida e tendo um bebê com outro homem, ainda estou magoada pelo que Thad fez comigo. Às vezes, quando penso em tudo o que passei nos últimos seis ou sete meses, isso meio que me surpreende. Pulei de uma situação de mudança de vida para outra sem espaço para respirar. Não admira que eu esteja tão cansada o tempo todo. Como se ele não quisesse que eu o esquecesse, o bebê se mexe e eu coloquei minha mão na barriga para acalmá-lo. — Apenas me chame de Evelyn — minha mãe diz a ele. — Ou Nana. — Ela olha para mim. — Só não vó ou vovó. Eu quero um apelido supimpa, divertido, jovem e descolado. — Bem, você não está começando muito bem com esse pedido. Ninguém mais diz descolado. — Ou supimpa, a propósito. Ela acena com a mão. — Pare de implicar com Nana e apenas me conte a história de como vocês dois se conheceram. Não deixe de fora um único detalhe também. Para minha consternação, ele não deixa. Nem um único detalhe. No momento em que ele termina de presenteá-la com a história de como nos conhecemos, todos – Ryan, Rhodes, Miller, Emilia e Smith – chegaram para o jantar. Minha mãe fica quieta durante a coisa toda, não deixando escapar um único pio. Então, quando ele finalmente terminou de me envergonhar na frente de todo mundo, ela olhou para mim e disse: — Você deu aquele soco como seu pai te ensinou? — Sim, senhora. Ela acena com a cabeça uma vez. — Boa garota. Agora vamos comer. O jantar acabou, a maior parte da bagunça foi limpa e as sobras, o pouco que há com vários jogadores de hóquei aqui, foram guardadas. Harper e eu estamos lado a lado na pia da cozinha lavando pratos. Lowell veio aqui pelo menos quatro vezes tentando me fazer entrar lá e sentar enquanto ele lava a louça, mas eu continuo empurrando-o para fora da cozinha e de volta para a varanda gigante em que todos estão amontoados. — Então — Harper começa, batendo seu ombro no meu — , como foi seu último Natal sem filhos? — Você quer dizer além de Lowell contar para nossa mãe como eu dei um soco nele? Ela ri, assentindo. — Sim, fora isso. Eu sorrio também. — Foi agradável. Tranquilo. Mesmo com Miller aqui. Eu esfrego minha escova sobre a panela suja, refletindo sobre o que ela acabou de me perguntar. Este foi o meu último Natal sem filhos, e isso é algo que nem passou pela minha cabeça até que Harper falou sobre isso. Eu também tive meu último Halloween sem filhose meu último Dia de Ação de Graças sem filhos. Acho que nunca pensei realmente em todas as maneiras que essas férias vão mudar para mim a partir de agora. Eu me pergunto se é algo que Lowell pensou. — Como vão as coisas com ele? — Eu olho para ela. — Lowell, quero dizer. Imagino por esse sorriso idiota em seu rosto, que é em quem você está pensando. — Não foi um sorriso bobo. — Ah, foi totalmente. É muito óbvio que vocês dois estão apaixonados um pelo outro. Eu decido ignorar isso. — As coisas com Lowell estão bem. Acho que nós dois estamos começando a ficar realmente empolgados com o bebê. — E o resto está tudo bem? — Ela balança as sobrancelhas para cima e para baixo. — Muito sutil. — Eu rio. — Tudo é… bom. — Tipo, bom ou — ela faz um movimento de sarrada — bom? Eu rio. — O segundo. — Sim? — Ela bate no meu ombro novamente. — Bom. Eu gosto do Lowell. — Eu gosto dele também. — Gosta, gosta dele? — O que é isso, ensino médio? — Às vezes parece que sim. — Isso é justo. E gosto, gosto. Eu acho. — Você acha? Eu dou de ombros. — Não sei. Acabei de me divorciar, Harper. É… bem, é meio complicado, você sabe. Ela franze a testa. — Uau. Eu meio que esqueci disso. — Eu não. Ela ri. — Nesse caso, apenas tome cuidado, sabe? Bom é… bem, bom e tudo, mas corações partidos são uma merda. — Muito — eu concordo. — Mas terei cuidado. — Ótimo. Porque eu odiaria ter que ajudar Collin a enterrar o corpo de seu capitão. — Ela balança a cabeça. — Ainda não consigo acreditar que você vai ter um bebê com um jogador de hóquei. — Ainda não consigo acreditar que você é casada com um jogador de hóquei. — Eu movimento minha mão ao redor da cozinha. — Quero dizer, olhe para isso... Toda a sua vida mudou. Agora ela é aquela com um sorriso bobo no rosto. — Eu sei. E pense, se eu realmente tivesse atropelado ele com meu carro, nada disso teria acontecido. — É realmente preocupante o quão ruim você dirige à noite. — É preocupante o quão ruim ela é dirigindo em geral — diz Ryan, entrando na cozinha com Emilia e minha mãe em seus calcanhares. — Uma vez na faculdade, ela subiu tanto o meio-fio que dobrou o aro e tivemos que rebocá-lo. Mas não se preocupe, ela dirigiu assim por três dias antes de consertá-lo porque não conseguia dizer a diferença entre sua direção ruim e um aro torto. A boca da minha mãe cai aberta. — Harper Dolores Kelly! — Acho que você quer dizer Harper Dolores Wright. — Minha irmã sorri orgulhosa. Às vezes, com toda a loucura que está acontecendo na minha vida ultimamente, esqueço que ela e Collin ainda estão firmes em sua fase de lua de mel. Tento me lembrar da minha fase de lua de mel com Thad, mas não consigo me lembrar de uma época em que tenha parecido tão feliz quanto Harper parece agora. Se estou sendo completamente honesta comigo mesma, o que quer que esteja acontecendo com Lowell é provavelmente o mais feliz que já estive em anos. O que é realmente muito triste quando você pensa sobre isso. — Então, mãe — Harper começa, e a maneira como ela diz isso não tão indiferente me preocupa que eu não vou gostar do que ela está prestes a dizer. — Agora que os caras estão na outra sala e podemos conversar sem eles bisbilhotando, o que você achou do Lowell? Eu atiro um olhar para minha irmã. Traidora. — Você quer dizer além da bunda dele? — Mãe! — Eu deixo cair o prato que estou segurando na pia, água e bolhas espirrando por toda parte. — O quê? Eu tenho olhos, então você não pode realmente me culpar. Vocês continuam trazendo todos esses jogadores de hóquei, e todo mundo sabe que os jogadores de hóquei têm bundas bonitas. — É verdade. Tenho certeza de que foi feito um estudo sobre isso ou algo assim. — Sim. É apenas ciência neste momento — Ryan concorda com Emilia. — Tenho 99,99% de certeza de que não é assim que a ciência funciona. — Como é que ninguém sabe como a ciência funciona? — Eu murmuro. — De qualquer forma — minha mãe diz, me ignorando — , eu acho que ele é um bom partido. — Um bom partido? Ninguém mais fala isso. — Primeiro eu não posso dizer descolado ou supimpa, e agora eu não posso dizer bom partido? Ryan dá um tapinha no braço dela. — Não se preocupe, Evelyn. Minha avó está muito atualizada em todas as gírias mais populares. Ela pode informá- la sobre o que está acontecendo nos dias de hoje. — Eu adoraria isso. Nós, avós, temos que ficar juntas. Eu não digo a ela que a avó de Ryan é definitivamente muito velha para algumas das coisas que saem de sua boca. Eu só a encontrei uma vez no casamento de Harper e Collin, e do jeito que aquela mulher estava flertando com alguns dos caras do time, fiquei surpresa que ela não pediu a Miller para ir para casa com ela. Eu também fiquei feliz, porque ele poderia realmente ter feito isso. — Bem, já que eu não posso dizer que ele é um partido, posso dizer isso… — Um sorriso lento e açucarado aparece em seus lábios. — Eu gosto dele. Eu realmente, realmente gosto dele. E ele vai ser um pai incrível para seu bebê, Hollis. Provavelmente são apenas os hormônios, definitivamente 100% apenas os hormônios, mas as palavras da minha mãe fazem com que as lágrimas se acumulem em meus olhos em um instante. Acho que não percebi o quanto queria que minha mãe aprovasse o pai do meu bebê. — Honestamente? — Ela levanta um ombro. — Estou feliz que não seja Thad. Aquele homem era um idiota total. Eu ainda posso dizer isso, certo? — Oh meu Deus, obrigada! — Emilia concorda. — Falo isso há anos! Ele me deu vibrações tão ruins. — Ele realmente deu. Ele me lembrou seu pai, na verdade. Minha boca afrouxa. — Eu não tinha ideia de que era isso que você pensava sobre ele, mãe. — Eu não queria dizer nada porque eu sabia o quanto você o amava, e você parecia feliz. Eu pensei que talvez fossem apenas minhas próprias inseguranças sobre meu casamento desmoronado, e eu não achei que seria justo colocar isso em seu relacionamento. No final, descobri que eu estava certa, e essa é a última coisa que eu queria. — Ela olha entre Harper e eu. — Eu sei que vocês meninas pensam que eu sou superprotetora e tudo que eu quero fazer é sufocá-las, e embora isso possa ser parcialmente verdade, eu faço isso porque eu amo vocês mais do que tudo e só quero o que é bom para vocês. — Ela olha incisivamente para minha barriga. — Espero que você entenda isso em breve também. Eu vou. Eu já entendo. — Eu posso dizer que seu homem lá fora com a bunda bonita já entende. Ela pisca, e todas nós rimos, a tensão no cômodo quebrando. — Tudo bem, quem está aqui falando sobre minha bunda bonita de novo? — Collin diz enquanto entra na cozinha, seguido de perto pelo resto dos caras. — Só porque alguém menciona uma bunda bonita, não significa que eles estão falando sobre a sua. — Harper acaricia sua bochecha. Ele bufa. — Certo. Claro. — Elas podem estar falando sobre a minha. — Miller se vira, projetando o traseiro para todos verem. — Eu posso garantir a você, não era a sua bunda — Emilia é impassível. Não perco o jeito que os olhos de Smith se estreitam quando Emilia olha para a bunda de Miller. Assim como ele fez no casamento de Harper e Collin, ele me pega olhando para ele e desvia o olhar. Interessante… — Rude. — Miller olha. — Acho que, por isso, você me deve um presente. — Essa é a sua maneira de perguntar se podemos fazer a troca de presentes agora? — Harper pergunta. Ele cruza as mãos sob o queixo. — Por favor, mãe? Ela revira os olhos. — Tudo bem, vamos. Todos para a grande sala. Ela acena para todo mundo ir, e todos saem até ficar só Lowell e eu. Ele envolve os braços em volta da minha cintura assim que estou secando minhas mãos no pano de prato, e eu sorrio com a visão, admirando a forma como seus dedos estão espalhados sobre a minha barriga. — Você está a fim de ficar para os presentes? — Ele dá um beijo no meu pescoço. — Eu sei que você não estava se sentindo bem antes. Minhamédica não está muito preocupada com isso, desde que eu me mantenha hidratada, mas ainda estou com muita náusea e vomitando algumas vezes por semana. Partes de mim querem apressar esta gravidez para que eu não tenha mais que lidar com isso, mas uma grande parte de mim quer que ela desacelere também. Está indo rápido demais, e admito que estou com um pouco de medo do que está por vir. — Eu estou bem se você estiver bem. — Eu estou. — Eu me viro em seus braços. — Além disso, eu tenho algo que eu acho que você vai gostar. — Ah, vamos trocar presentes? Pânico dispara através de mim. Porcaria. Eu nem pensei em perguntar. Eu sei que não estamos juntos, mas eu apenas assumi que seria bom para mim dar um presente de Natal para o pai do meu bebê. Isso está indo longe demais? Ele ri. — Eu estou brincando. Estamos trocando presentes. Você tinha que ver sua cara. — Você é mau. — Eu belisco seus lados, e ele grita. — Ei! Seja legal. O treinador vai acabar com você se você for danificar este corpo. — Eu não tenho medo do treinador. — Você deveria ter. Ele é pequeno, mas malvado. — Sou pequena, mas malvada. — É verdade, mas você não vai me machucar. — É? — Não. Eu sou um bom partido para você fazer isso. Eu suspiro. — Você ouviu isso? — Não vou confirmar nem negar que todos nós estávamos ouvindo. — Cameron! — Eu assobio. — Isso é horrível! Ele dá de ombros. — É bom para o nosso ego. — Sim, porque todo mundo está falando sobre suas belas bundas. — Eu não ouço você reclamando da minha bela bunda. — Eh. É ok. — Ok? — Ele parece ofendido. — Apenas ok? — Sim. — Agarro sua mão, puxando-o para onde já posso ouvir Miller pegando os presentes. — Agora vamos. Vamos abrir os presentes para que possamos ir para casa e você possa tocar a minha bunda. Suas sobrancelhas se erguem. — Tipo realmente, realmente tocar sua bunda? — Depende de quão rápido conseguirmos abrir esses presentes. Então é ele que está me puxando para fora da cozinha. 19 Lowell Eles dizem que a ausência faz o coração se afeiçoar. Eu não sei quem diabos eles eram, mas eles estavam certos. Atualmente, estamos em uma viagem de seis jogos com uma sequência de derrotas de quatro jogos. Eu sinto falta da minha cama. Sinto falta da cama de Hollis. Sinto falta de ter Hollis perto de mim na minha cama. Mas acima de tudo? Acima de tudo, sinto falta do nosso bebê. — Bem, isso foi um show de merda. — Collin cai no banco ao meu lado, tirando seu equipamento com toda a frustração que sinto também. — Nós fomos uns merdas lá fora. Eu deveria ser o capitão do time. Eu deveria voltar com o discurso de resposta e nos motivar a sair dessa queda, deveria nos preparar e nos levar lá para vencer o próximo jogo. Mas agora, eu concordo. Nós fomos uns merdas lá fora. Nós sabíamos. A multidão sabia disso. O outro time sabia disso. Todo mundo sabia. Não estávamos jogando como os campeões da Copa que eu sei que podemos ser, e foi frustrantemente embaraçoso. Eu gostaria que estivéssemos em casa agora. Se estou jogando hóquei de merda, prefiro jogar hóquei de merda em casa para que pelo menos eu possa voltar para casa, para Hollis. Precisamos tirar nossas cabeças de nossas bundas e recuperar esses pontos. Estamos em um ponto muito crucial na temporada para deixar tudo escapar assim. — Porra — Miller geme, sentando do outro lado de mim. — Como é que jogamos tão mal e eu estou tão cansado? Eu dou de ombros. — Estar longe de casa é uma merda. — Você acertou. Eu não sei como vocês fazem isso, ficando longe de suas mulheres o tempo todo. — Ele bate seu ombro contra o meu. — Em breve você estará longe de sua mulher e seu filho. — Ela não é minha mulher. Ele me lança um olhar incrédulo. — Cara, tenho certeza que ela é sua mulher. Você vai ter um filho com ela. — E? — E, isso a torna sua. — Não. As pessoas têm guardas compartilhadas o tempo todo. — Sim, mas as outras pessoas dormem juntas e têm guardas compartilhadas? Oh, espere. Isso não se chama guarda compartilhada, isso se chama relacionamento — diz Rhodes do outro lado da sala, levantando uma sobrancelha. — Ei, agora — Collin entra na conversa. — Não vá dizer a palavra com R perto de Lowell. Todos nós sabemos que ele vai correr e se esconder. Olho para Smith, esperando que ele me apoie, mas não encontro um olhar de simpatia em seu rosto. Se alguma coisa, ele parece concordar com os Três Patetas aqui. Me irrita que ele concorde. De todos nesta sala, Smith deveria saber como me sinto. Ele está casado com o jogo há mais tempo do que eu. Inferno, ele é aquele que me ensinou a desligar meus sentimentos e apenas jogar. É isso que estou fazendo. Estou desligando e afastando todo o resto. Estou jogando, embora terrivelmente, mas estou focando no hóquei e no bebê. Não estou pensando em Hollis ou em como ela tem o poder de esmagar meu coração. Eu não estou pensando sobre isso de forma alguma. — Calem a boca — eu resmungo para todos eles. — Se vistam. Temos um avião para pegar. — Oooh, alguém está ansioso para chegar em casa para sua mulher — provoca Miller. — Eu só quero que você saiba, Miller, quando ele bater em você, eu vou rir e rir e rir — diz Rhodes. — Eu também vou rir. E possivelmente te segurar. — Ei! — Miller atira punhais em Collin. — O que eu fiz para você? — Existir. — Isso é uma ocorrência normal em sua vida? — Miller se inclina para mim, mantendo a voz baixa enquanto olha para a cena na nossa frente. — Porque isso está meio que me deixando desconfortável. Eu sei o que ele quer dizer. Eu também fico desconfortável em lidar com isso. — Sim. Acontece algumas vezes por semana. Mas… — Eu levanto um ombro. — Vale a pena. Espero. Hollis está segurando uma roupa de bebê com girafas e soluçando. É o choro que está deixando Miller desconfortável. Ele sorri. — Sim, vale a pena. Eu nunca pensei que iria gostar de garotas grávidas, mas Hollis parece gostosa toda grávida. Eu me viro para ele com um olhar que o faz recuar e erguer as mãos. — Ei, agora… eu não quis dizer nada com isso. Eu só quis dizer que, uh, hum… — Miller? — Eu fecho e abro meus punhos, tentando me convencer a não dar um soco no cara no nosso chá de bebê. — Sim? — Vai. Embora. — Entendido. Ele foge mais rápido do que eu já o vi se mover no gelo, e isso significa alguma coisa, porque o garoto é rápido pra caralho em patins. — Essas são algumas vibrações bastante territoriais que você está emitindo sobre alguém que você nem está namorando. — Smith se aproxima de mim, um copo de uísque na mão. — Porque vocês supostamente ainda não estão namorando, certo? Eu o ignoro, olhando de volta para Hollis, observando enquanto ela joga a cabeça para trás e ri, enxugando as lágrimas. Harper e Emilia estão sentadas uma de cada lado dela, Ryan no chão com um bloco de papel no colo, fazendo anotações para cartões de agradecimento mais tarde. Minha casa não é grande nem nada, mas tenho muito espaço, especialmente comparado ao apartamento de Hollis. Embora com a montanha de presentes ao redor dela, eu não tenho ideia de onde vou colocar tudo isso. Mesmo que nossa agenda seja exaustiva e eu tenho certeza que todos eles preferem estar em outro lugar em seu dia de folga, o time apareceu para nos apoiar em massa. Quase todos os membros da nossa lista estão aqui, e o treinador Heller está no canto apreciando os salgadinhos com sua esposa. Inferno, até nosso goleiro, que é famoso por não gostar de crianças, está aqui. Não que eu fosse admitir isso para qualquer um desses bastardos, mas é bom saber que eles se importam conosco o suficiente para estar aqui hoje. Eu sei que Hollis também agradece o apoio. Ela olha para mim do outro lado da sala, e seu rosto se ilumina no momento em que nossos olhos se conectam. Ela parece feliz, muito feliz. É uma mudança tão grande da mulher louca manchada de rímel que conheci no verão passado. A parte mais louca é que eu aaceitaria dos dois jeitos. — Vamos lá, cara. Você não pode realmente me dizer que não está namorando, não quando você está olhando para ela assim. — Eu não sei do que você está falando. Não há nada acontecendo. É mentira. Nós dois sabemos que é mentira. Eu odeio que nós dois saibamos tanto quanto eu odeio o olhar que ele está me dando agora. — Uh-hum. Claro. Certo. Nada mesmo. — O que está acontecendo com você e Emilia? Isso também não é nada? — Eu atiro de volta, e ele fecha a boca, parecendo muito menos arrogante. Eu sorrio. — Foi o que pensei. — Nada está acontecendo comigo e… — ele engole em seco — ela. Eu zombo. — Você não pode nem dizer o nome dela. — Eu posso. — Prove. Ele levanta o queixo. — Não. Eu não preciso provar nada para você. — Esquisito. Eu não preciso provar nada para você também. Passo por ele, recuando para a cozinha por alguma coisa, qualquer coisa para me afastar dele e de seu olhar curioso. Abro a geladeira e olho ao redor, mas não tenho ideia do que estou procurando. O chá de bebê teve um bufê, e não há nada aqui que eu possa tirar que vai fazer algum sentido. — Você está se escondendo? De tantas maneiras. Eu me viro para encontrar Hollis de pé dentro da cozinha, sua mão descansando em sua barriga muito grávida. A luz do sol está aparecendo atrás dela, irradiando ao redor dela como o farol de luz em uma noite escura de tempestade que ela é. Ela é linda, e a vontade de beijá-la e tocá-la me domina. Atravesso a cozinha aberta, agarrando sua mão e arrastando- a pelo corredor até o meu quarto. Eu não paro até que estejamos dentro e eu a tenha pressionada contra a porta. Ela engasga e pisca para mim com surpresa quando eu pressiono minha ereção nela. — Eu não estou me escondendo. Nós estamos nos escondendo. — Nós estamos? — Sim, e eu não posso acreditar que você acabou de me arrastar aqui para me encantar, sua pequena atrevida. Ela sorri. — Ah, eu fiz? — Sim, você fez. — Eu corro meu nariz ao longo de sua bochecha. — E então você me instruiu a empurrar este vestido muito sexy para cima e ficar de joelhos para que eu possa ver sua linda boceta. Ela solta um gemido suave, e eu nem fiz nada com ela ainda. — Lowell… nós temos convidados. — E daí? Eles podem esperar. Além disso, serei rápido. — Eu pisco. Eu caio de joelhos, agarro a bainha do vestido dela e levanto. Ela precisa se ajustar quando o vestido chega à barriga e suspira de frustração. — Ugh. Estou tão… Eu paro, olhando para ela com um olhar afiado. — Eu sei que você não estava prestes a dizer algo depreciativo sobre seu corpo, Hollis. Ela balança a cabeça. — N-não. — Você está mentindo pra mim? — Depende. Serei punida se estiver? Eu começo a ficar de pé, e ela rapidamente me empurra de volta para baixo. — Tudo bem! Sim, eu ia dizer algo sobre minha... situação. Você está feliz? — Não. Eu enfio meus dedos em sua calcinha, em seguida, arrasto para baixo em suas pernas. Eu agarro uma perna e a coloco sobre meu ombro, amando o jeito que ela estremece quando o ar frio atinge sua boceta exposta. — Um elogio, uma lambida. — Huh? Eu olho para ela. — Você diz um elogio sobre si mesma, e essa sua linda boceta rosa recebe uma lambida. — U-uma lambida? Vai precisar de um pouco mais do que isso. — Então continue falando. — Eu… eu não tenho nada a dizer. Eu… Eu vou me levantar novamente, e ela solta um pequeno guincho. — Eu sou bonita! — Ela grita, e eu sorrio com a urgência em sua voz. Eu passo minha língua sobre ela, e ela suspira. Eu me afasto, e ela choraminga. — Continue — eu encorajo. — Eu… eu… eu sou incrível. Outro deslizar. — Eu sou adorável. Outra prova. — Eu sou fofa. Outra lambida. — Eu sou sexy. Outro golpe. — Eu sou sua. Minha. Eu chupo seu clitóris em minha boca, e ela grita, seus dedos emaranhados no meu cabelo, brincando com os fios enquanto eu me perco no gosto dela. Eu chupo, beijo e como, fodendo ela com meus dedos e língua, e eu não solto até que suas pernas estão tremendo e eu estou praticamente segurando ela. — Por favor, Cameron. Por favor. Eu esfrego aquele ponto dentro dela que eu sei que ela gosta e chupo seu clitóris até que ela exploda, seu corpo ficando rígido por um momento antes de cair no orgasmo. Eu me sento, admirando meu trabalho enquanto ela se inclina contra a porta, suas pernas ainda trêmulas e sua respiração ainda mais trêmula. Nós não falamos enquanto eu deslizo sua calcinha de volta para cima de suas pernas e endireito seu vestido antes de limpar meu rosto e nos levar de volta para a festa. Na verdade, não pronunciamos uma palavra o dia todo até nos deitarmos naquela noite e escorregarmos entre meus lençóis, onde usamos nossos corpos para falar todas as palavras que nunca poderíamos dizer. 20 Hollis & Lowell Lowell: Gordie? Hollis: Hum... não. Lowell: Howe? Hollis: Como4 o quê? Lowell: Não. Como Gordie Howe. Hollis: Goldie Hawn??? Lowell: O quê? NÃO! Lowell: GORDIE HOWE Hollis: Nunca ouvi falar dela. Lowell: Eu... Lowell: Achei que seu conhecimento de hóquei era muito mais adequado do que isso. 4 Em inglês, "How". Lowell: Eu falhei com você. Lowell: Na verdade, estou me aposentando agora. Não posso, em sã consciência, ter um filho com uma mulher que não sabe quem é Gordie Howe. Hollis: Você vai superar isso. Lowell: Desculpe. Não posso atender o telefone agora. Eu estou morto. Hollis: E dramático. Não se esqueça do dramático. Hollis: Hum... senhor? Lowell: Ok, primeiro, eu não sabia que seria excitante. Hollis: Não está acontecendo, então siga em frente. Lowell: *resmunga* Tudo bem. Seguindo em frente. Lowell: Como posso ajudá-la, senhora? Hollis: Você mandou entregar uma pizza no meu apartamento? Especificamente uma em forma de coração? Lowell: Ah. Isso. Lowell: Sim, fui eu. Hollis: Por quê???? Lowell: Porque é Dia dos Namorados. Lowell: Nosso bebê pode não estar aqui ainda, mas eu queria ter certeza de que mamãe estava bem cuidada. Hollis: Isso é... muito fofo. Tipo, muito, muito fofo. Hollis: Eu meio que quero te beijar agora. Lowell: Eu deixaria. Hollis: Tenho certeza que você deixaria. Lowell: Eu gostaria que não estivéssemos na estrada DE NOVO. Lowell: Porra, eu odeio jogos fora de casa. Lowell: Especialmente porque estou sempre preso no ônibus ao lado de Miller e ele nunca quer calar a boca. Hollis: E o Miller cala a boca? Lowell: Não. Literalmente nunca. Lowell: Agora, ele está me contando a mesma história que começou a me contar NO AVIÃO. Lowell: Isso foi HORAS atrás. Lowell: E nem é uma boa história. Eu adivinhei o final dois minutos depois. Hollis: Diga a ele para se acalmar. Lowell: Eu disse. Eu digo. Lowell: Da próxima vez, vou trazer fita adesiva. Hollis: Ele provavelmente vai lamber. Lowell: Provavelmente. Lowell: Como vai o trabalho? Adiantando como você queria? Hollis: Sim, mas acho que vou encerrar a noite. Estou cansada. O bebê está sugando toda a minha energia hoje. Lowell: Vá descansar, então. Leve a sua pizza para a cama, abrace ela e finja que sou eu. Hollis: Isso não é nada estranho. Lowell: Ei, eu conheço algumas pessoas que levam sua pizza muito a sério e não se importam. Hollis: Estou realmente com medo de saber se você é uma dessas “algumas pessoas”. Lowell: Acho que você nunca saberá. Hollis: Vejo você amanhã? Lowell: Sim. Lowell: Ah, e feliz Dia dos Namorados. Lowell: Vou te dar seu presente amanhã. *emoji de lingua* Lowell: Elsa? Hollis: Ela é uma fodona total, mas não. Hollis: E Geórgia? Lowell: Igual o estado? Hollis: Sim. Lowell: Hmm... eu não odeio isso. Hollis: Isso seria muito mais fácil se eu soubesse o que estávamos tendo… Lowell: Seria, exceto que você não quer saber, lembra? Lowell: Na verdade, você me prometeu danos corporais se eu tentasselhe dizer. Hollis: Então você está dizendo que tem medo de mim? Lowell: HA! Sem chance. Lowell: Mas também... sim. Lowell: Então, novamente, se você me desse um soco, não seria a primeira vez. Hollis: LOWELL! Hollis: Eu juro, se você continuar trazendo isso à tona… Lowell: Foi traumático! Hollis: Não foi! Se alguma coisa, provavelmente te excitou. Hollis: Lowell? Hollis: Oh Deus. Hollis: Te excitou, não foi?? Hollis: LOWELL! Hollis: Ah, espere. Acabei de perceber que você provavelmente está jogando hóquei agora. Hollis: VAI TIME! TOUCHDOWN! Hollis: Acho que a médica sentiu falta de flertar com você hoje. Lowell: Lamento não poder estar lá. Hollis: Eu também. Lowell: Como foi? Hollis: Está tudo bem. O bebê está saudável. Lowell: E a mamãe? Hollis: Ela está saudável também. Apenas com fome. Lowell: O que você quer? Vou te mandar comida. Hollis: Você não precisa me mandar comida toda vez que estou com fome. Eu sou uma garota grande. Eu posso me alimentar. Hollis: Além disso, tenho outro compromisso para ir. Lowell: Outro? Lowell: Não vejo nada na minha agenda do Google. Hollis: É para ver um apartamento. Lowell: Ah. Lowell: É isso que você quer? Um apartamento maior? Hollis: Mais como eu PRECISO de um maior. Hollis: Inferno, VOCÊ mal se encaixa neste. Hollis: Além disso, vai ser bom estar mais perto de você e do rinque e tudo mais. Torna mais fácil para todos quando o bebê chegar. Lowell: Porque você estará lá, e eu estarei aqui. Hollis: Exatamente. Lowell: Isso é o que você quer, certo? Hollis: Você vem hoje à noite? Lowell: Provavelmente não. De manhã cedo no rinque. Fica para a próxima? Hollis: Claro. Lowell: Noite. 21 Hollis — Oh merda — eu gemo, sentando no sofá onde adormeci assistindo ao jogo de hóquei de Lowell. Eu esfrego a mão na minha testa, um latejar surdo começando. Sinto como se tivesse sido atropelada, mas suponho que seja porque não dormi bem ontem à noite sozinha na minha cama. Passei muito tempo pensando, mexendo e virando e pouco tempo dormindo. Coloco a mão na barriga, tentando aliviar as leves cólicas que estou tendo, meu estômago claramente não concordando com o burrito que comi no almoço. Eu verifico o placar do jogo e vejo que os Comets estão perdendo com apenas sete para o terceiro, e se eles perderem, Lowell vai estar de mau humor quando ele vier. Se ele vier. Ele não fez isso nas últimas noites, o que não é nada parecido com ele. Na verdade, não consigo me lembrar da última vez que não passamos a noite juntos quando ele teve um jogo em casa. Não tê-lo na minha cama parece errado, tão errado que faz meu estômago doer. Ou talvez seja o burrito. A pior parte é que não sei se é algo que fiz de errado ou se ele está se sentindo errado sobre algo que estamos fazendo, mas nenhuma das opções me agrada. Meu estômago dói novamente, e eu estremeço com a dor. — Desculpe por isso, bebê. Mamãe promete nunca mais comprar burritos daquele food truck. Eu me pergunto se foi o burrito, porque eu não me senti tão bem ontem também. — Que tal assim? Se mamãe não estiver se sentindo melhor pela manhã, ela vai ligar para a médica, ok? O bebê chuta como se ele concordasse, e eu sorrio. A primeira vez que senti uma agitação, eu chorei. Lowell estava dormindo ao meu lado, e eu chorei tanto que o acordei com meus soluços. Então ficamos acordados até duas da manhã só sentindo nosso bebê mexer. Os movimentos são muito mais do que apenas uma agitação agora, e tenho quase certeza de que esses pequenos momentos entre nós são o que mais sentirei falta sobre estar grávida. Eu mantenho minha mão na minha barriga e volto minha atenção para o jogo. O tempo começa a passar rápido no relógio, e os Comets ainda estão perdendo por um gol. Faltam apenas três minutos e eles tiram o goleiro. Eu sei que isso sempre pode ser uma grande aposta. Eles podem compensar o ponto que estão perdendo ou estão dando ao outro time a chance de marcar um gol e fechar o negócio. Infelizmente, o favor não está com eles esta noite, porque nem dez segundos após a vantagem do homem, o outro time envia o disco voando pelo gelo e direto para o gol vazio. O operador de câmera dá um zoom no rosto de Lowell no banco, e ele parece completamente derrotado e desapontado. Eu sei o quanto eles precisam desses pontos esta noite, mas as chances parecem pequenas agora. Outra cãibra forte me atinge, e estou quase começando a me perguntar se isso é mais do que eu acho que é. Eu me levanto do sofá para ir ao banheiro, e no momento em que eu faço isso, eu sei que isso é mais do que eu penso que é. A sala parece toda cambaleante, instável e fora, e sinto que vou desmaiar. Eu desabo de volta no sofá, tentando recuperar o fôlego. Minha cabeça começa a latejar, e sinto que há mil pequenos elefantes dançando dentro dela. Algo está errado. Pego meu telefone e começo a ligar para Lowell, então lembro que ele está no meio de um jogo. Ele não pode atender ou fazer nada sobre isso. Em vez disso, ligo para Harper. Ela responde quase imediatamente. — Por favor, me diga que você está assistindo a este jogo. Isso é miserável. Eles precisam muito desses pontos. Collin vai ficar tão chateado quando chegar em casa. Eu… — Harper — eu a corto bruscamente. — O que há de errado? — Ela diz, e eu já posso ouvir o pânico em sua voz. É o mesmo pânico que está se instalando em mim também. — Algo está errado? Está tudo bem? — Eu preciso que você me leve para o hospital. Ouço Lowell antes de vê-lo. — Onde ela está, porra? — Ele rosna, e eu me sinto mal por qualquer enfermeira que ele está rosnando agora. — Onde está Hollis? Nem cinco segundos depois, ele entra correndo no pequeno quarto em que estou. Seus olhos estão arregalados quando ele me vê em todas as máquinas, seus lábios apertados com preocupação enquanto ele corre em minha direção. Ele apenas fica lá e encara e encara e encara um pouco mais. Seus olhos estão vidrados e em pânico, e sua respiração está acelerada. Então tudo volta à realidade para ele, e ele atravessa o quarto, pegando meu rosto em suas mãos. — O bebê está bem? Ele passa as mãos pelo meu rosto e pelo meu cabelo, me olhando por qualquer sinal de dano. Não há nenhum; é tudo interno. Eu amo que a primeira coisa que sai da boca dele é sobre o bebê. — O bebê está bem — eu prometo a ele. — Só um susto. Ele cede contra mim em alívio, pressionando um beijo duro na minha testa. — O que aconteceu? Harper não me disse nada, apenas disse que eu precisava chegar aqui. Eu vim logo após o jogo. — Harper consegue ser tão dramática. — Dramática? — Ele acena para todas as coisas que eu estou ligada. — Então o que é tudo isso? — Monitores para mim e para o bebê. Eu também tive que fazer xixi em um copo, o que é muito difícil quando você está grávida. E eles verificaram meu colo do útero, que foi quase mais doloroso do que a razão pela qual eu entrei. — E isso foi por quê? — Eu me senti um pouco tonta e tive uma forte dor de cabeça, algumas cólicas. — Cólicas? Como Braxton Hicks5? — Você sabe o que são Braxton Hicks? — O quê? — Ele dá de ombros. — Eu leio. Eu sorrio. — Não foi Braxton Hicks. Estas eram diferentes. Apenas… desconfortáveis. Eu estava um pouco desidratada. Ele se afasta e inclina a cabeça. — Desidratada? Como se você não estivesse bebendo água suficiente? 5 As Braxton Hicks são contrações de falso trabalho de parto. — Eu pensei que eu estava. Eu tenho feito xixi o suficiente para parecer que estou. Suas sobrancelhas estão bem juntas enquanto ele se afasta de mim, e é uma coisa boa porque eu não gosto do olhar que ele está me dando agora. — Hollis, você faz xixi o tempo todo, mesmo quando não deveria fazer xixi. Você tem um bebê pressionando sua bexiga. Isso não significa que você está bebendo o suficiente. — E-eusinto muito. Eu pensei… Ele balança a cabeça. — Não é só você, Hollis. Isso é sobre o meu bebê também. Eu chicoteio minha cabeça para trás com suas palavras, surpresa. Não faço ideia de onde vem sua súbita hostilidade e frustração, mas sei que não mereço. O bebê está bem, e isso é tudo que importa. — Nosso bebê. — Você sabe o que eu quero dizer. Eu olho para ele. — Não, desculpe. Eu não sei. — É irresponsável de sua parte não… — Irresponsável? Irresponsável? Você age como se eu tivesse feito isso de propósito! Eu estive doente, Lowell! Não é minha culpa. — Doente? — Sim! E você saberia disso se estivesse por perto. — Oh Deus. — Ele revira os olhos. — Desculpe-me se estive ocupado jogando hóquei. Você sabe que nem sempre posso estar por perto durante a temporada. — Você não teve problemas com isso até recentemente. — O que isso deveria significar? — Significa que, caso você não tenha notado, você não tem exatamente estado por perto ultimamente. Ele não tem. Não há dias. Ele não vai até a minha casa. Ele mal me mandou uma mensagem. Ele está se afastando, esteja ele pronto para admitir ou não. — Eu tenho jogado hóquei! Na NHL! — Pare de dizer isso! Pare de dizer isso como se importasse ou mudasse alguma coisa. Todas as noites nesta temporada você não teve nenhum problema em passar a noite na minha cama. — Então é isso? — Ele zomba, andando de um lado para o outro com um olhar de desgosto em suas feições. — Você está brava porque eu não estive por perto para foder você? O ar é sugado para fora dos meus pulmões com as palavras dele, e eu juro que se eu não estivesse toda ligada em aparelhos, eu estaria fora dessa cama e deste quarto tão rápido porque eu não suporto ficar com ele por mais um minuto. Não faço ideia para quem estou olhando agora. Quem quer que seja, não é Lowell. Este não é o mesmo homem que passou inúmeras noites esfregando minhas costas ou me ajudando a fazer xixi no meio da noite. Este não é o mesmo homem que me enviou uma pizza em forma de coração há apenas algumas semanas, porque estava preocupado que eu não estivesse comendo o suficiente. Este não é o mesmo homem que me olha como se eu fosse a única pessoa no mundo. Este não é o mesmo homem que olha para mim, especialmente quando ele está olhando através de mim agora. Este homem? Este não é o homem que me faz sentir como se eu fosse dele. Não conheço esse homem, e também não quero conhecê-lo. — Eu… A porta é aberta e eu fecho minha boca, não querendo discutir com Lowell na frente da médica. Ela sorri para nós, andando mais para dentro do quarto. — Ah! Seu marido está aqui. Isso é… — Nós não estamos juntos. Eu sou apenas o pai. Meu coração cai, e eu sei que se eu estivesse de pé agora, eu precisaria me sentar. Suas palavras são duras e finais, e mesmo que eu saiba que nunca definimos exatamente o que estamos fazendo, eu não esperava que parecesse que estou tendo meu coração arrancado do peito pela maneira como ele insiste que não somos nada. Não estou pedindo um anel ou um compromisso, mas o que passamos fazendo nos últimos meses realmente não significa nada para ele? Porque significa algo para mim. Pelo tom de sua voz, significa muito para mim. Lowell não está olhando para mim. Ele está apenas olhando para a médica, que está desviando os olhos entre nós dois. — Bem? — Lowell pede, lábios achatados em uma carranca. A médica limpa a garganta. — Você está sendo liberada, Srta. Kelly. Tudo parece muito melhor agora. Só preciso ter certeza de que você está bebendo muitos líquidos. — Ela se vira para Lowell. — Talvez pegue uma bebida isotônica ou duas a caminho de casa, Sr. Lowell. Como atleta, tenho certeza de que você conhece os benefícios de reabastecer seus eletrólitos. — Ela se vira para mim. — Parece bom? Alguma pergunta para mim antes de darmos alta? — Não, Dra. Kane, muito obrigada por sua ajuda hoje. Eu realmente agradeço. Ela sorri. — Não é problema nenhum. Vemos isso acontecer de tempos em tempos, especialmente quando a futura mãe está sob estresse. Apenas certifique-se de estar descansando, fazendo pausas quando puder e tentando evitar qualquer gatilho de estresse. Isso pode tornar o cérebro da mamãe ainda pior. — Ela pisca. — Eu vou levar isso para a recepção, e nós vamos levá-la em seu caminho em breve. Ela se arrasta para fora do quarto, deixando-nos morrer lentamente neste espaço privado de oxigênio. — É isso que você quer, Lowell? Ele arregala os olhos. — Huh? — Quando o bebê chegar… é isso que você quer ser? Só o pai? Ele sabe o que estou perguntando. Ele sabe o que estou perguntando, e ele apenas fica lá. Ele não responde. Apenas me encara... através de mim. Eu odeio tanto. E neste momento, eu odeio tanto ele. — Eu… — Perdoe-me, Sr. Lowell, mas queríamos repassar algumas informações de seguro com você. Ele fecha a boca, me enviando um último olhar antes de seguir a médica para fora do quarto, e eu tenho minha resposta. Não estou sozinha tempo suficiente para deixar a realidade do que acabou de acontecer fervilhar antes que uma enfermeira chegue e me ajude a me soltar e sair da cama. Ela está me deixando em uma cadeira de rodas, política do hospital, quando pergunta: — Você tem alguém para te levar para casa? — Eles estão esperando lá fora. Ela acena com a cabeça, então me leva até a entrada da frente. Ela está me ajudando a sair da cadeira de rodas e entrar no carro quando Lowell derrapa pela porta de vidro deslizante do hospital. — Hollis, espere! — Ele chama, correndo pela calçada até nós. — Obrigada — eu digo para a enfermeira. — Nós cuidamos disso daqui. Ela olha de mim para Lowell, certificando-se de que estou bem, então pega a cadeira de rodas e sai. — Você não pode estar falando sério — diz Lowell, parando diante de mim. — Você está indo embora com Harper? — O que importa para você com quem eu vou embora, Lowell? Não estamos juntos, lembra? Ele abre a boca para dizer algo, então a fecha. Ele sabe que são suas palavras que estou jogando de volta para ele, e é por isso que ele não pode nem se defender agora. — Te mando uma mensagem. — E eu vou. Estou grávida do bebê dele. Eu não estou excluindo ele. Eu me viro para Harper, que está lançando um olhar desagradável na direção de Lowell. — Vamos. Ela me ajuda a entrar em seu carro, olhando para ele o tempo todo. Quando estamos prestes a nos afastar, ela suspira, e eu sei que ela está prestes a mergulhar no discurso de eu te avisei. — Não — eu digo a ela calmamente. — Por favor. Agora não. Outro suspiro, então um aceno de cabeça. Vejo Lowell desaparecer pelo espelho retrovisor, deixando metade do meu coração no estacionamento do hospital. 22 Lowell Eu não posso nem começar a contar o número de vezes que me machuquei em todos os meus anos jogando hóquei. Eu tive ossos quebrados. Eu levei discos de mais de 160 quilômetros por hora em lugares que as pessoas nunca deveriam levar discos. Perdi dentes. Fui espancado a ponto de não conseguir andar por dias. Já joguei com tudo isso. Mas essa dor? Não tenho certeza se posso lidar com isso. E desta vez, é tudo culpa minha. Eu fodi. Eu fodi tudo, e não apenas no gelo, onde perdemos uma vantagem de 3 a 1 ontem e perdemos de 7 a 3 porque minha cabeça estava completamente fora do jogo. Não. Eu fodi tudo muito antes desta noite, tantas vezes na verdade. Eu nunca deveria ter beijado Hollis. Eu nunca deveria ter dormido com ela. Eu nunca deveria ter continuado dormindo com ela. E eu definitivamente, cem por cento não deveria ter me apaixonado por ela. Mas eu beijei, eu dormi com ela, eu continuei dormindo com ela, e eu me apaixonei pra caralho. Ficar naquele quarto de hospital vendo-a com todos aqueles tubos e monitores me quebrou. Isso me quebrou e me assustou pra caralho que isso me quebrou, porque isso não é sobre nós. Nunca deveria ser sobre nós. As coisas com Hollis nunca deveriam sertão sérias. Uma vez, uma noite, e seguiríamos em frente. Uma noite e agiríamos como se nunca tivesse acontecido. Ela não deveria estar por perto, e ela definitivamente não deveria engravidar. Essa coisa toda tem sido uma bagunça desde o início, e eu só tenho a me culpar por ceder à tentação e quebrar minha regra de que o hóquei vem primeiro, não importa o quê. Não sei o momento exato em que me apaixonei por ela, provavelmente quando ela me deu um soco, mas sei o momento exato em que percebi que não poderia amá-la. Eu não posso amá-la porque se eu fizer isso, eu posso perdê-la. Se eu nunca a amar, nunca saberei como é perdê-la, e posso ir embora intacto. Mas isso é besteira. Sempre foi uma besteira. Eu sei disso agora. Eu sei disso porque estou sentado neste banco esquecido por Deus em um milhão de pedaços quebrados, e não tenho ideia de como me recompor. — Como você quer? Eu suspiro, porque eu sabia que teria notícias dele em algum momento. Eu termino de amarrar meus patins, então olho para Collin, que está de pé sobre mim com os braços cruzados e um olhar assassino gravado em seus olhos. Ele está irritado, e eu não o culpo nem um pouco. Eu me sento, encontrando sua ira porque eu mereço e sei que mereço. — Como eu quero o quê? — Sua morte. Envenenamento? Machado? Flecha? Pá? Corda? Faca? Motosserra? Colher? Faça sua escolha. — Vai se foder. Não estou com disposição para seus jogos. — Oh, confie em mim, isso não é um jogo. Imagine minha porra de surpresa quando ele realmente puxa uma colher do bolso de trás e me bate no topo da cabeça com ela. — AI! O que… Ele me agarra pelo suéter, me levantando do banco e me puxando até quase tocarmos os narizes. — Cai fora, Wright — eu fervo, ignorando os gritos surpresos de que porra é essa dos nossos companheiros, que já estão seminus se preparando para o treino. — Não é a sua batalha. — Besteira, que não é. Sua garota esteve no meu sofá na última semana enquanto a minha garota estava consertando ela. É um problema meu tanto quanto seu. Ele me puxa para perto até que estamos nariz com nariz, e eu agarro seu suéter, empurrando ele, mas ele não se mexe. — Deixa para lá. — Não! — Ele ruge. Eu o empurro novamente, pegando seu queixo com meu punho que está segurando seu suéter. É o primeiro golpe, e é tudo o que precisa para seus olhos escurecerem e para ele dar um soco em mim. Eu deixei ele me bater. Eu deixei ele me bater porque eu mereço isso e muito mais. Não sei quanto tempo ele me bate. Eu paro de contar e paro de rebater. Eu apenas aguento, aceitando minha punição. Por que isso? O que está acontecendo agora? Não é nada comparado a como estou me sentindo por dentro. — Cara, cara. Uau. Vamos, cara, isso é o suficiente, certo? Relaxa. Rhodes o puxa, tentando arrastá-lo para longe. Ele não cede, e eu gosto que ele não ceda. Eu gosto que ele esteja aqui protegendo Hollis. Eu nunca estive tão feliz por ser atingido em toda a minha vida. — Que porra está acontecendo aqui?! Collin me deixa cair no instante em que o treinador entra na sala, uma carranca marcando seu rosto enquanto ele observa o estado triste de cada um de nós. Suas mãos estão em seus quadris, seus lábios pressionados e com raiva. Ele balança a cabeça, parecendo completamente enojado por nós dois. — É isso que estamos fazendo agora, hein? Brigando entre si em vez do outro time? — Ele zomba. — Fodidamente desprezível. — Ele aponta um dedo para Collin. — Você vai ficar no banco, começando hoje à noite. — Então ele aponta para mim. — Você? Dois jogos. Você deveria estar liderando este time, especialmente agora, quando mais precisamos. Em vez disso, você está aqui brigando com seus próprios companheiros de time. Você sabe melhor do que isso, capitão. Eu odeio o jeito que ele cospe a palavra em mim. Não me sinto um capitão. Especialmente não agora. Eu aceno, aceitando. — Bom. Agora dê o fora para o gelo e deixe o que quer que seja essa merda aqui. Entendido? — Ele ri ironicamente, balançando a cabeça e resmungando enquanto sai. — Malditas crianças. Tudo um bando de crianças. A porta se fecha atrás dele e a sala está completamente silenciosa, todos apenas observando para ver o que vai acontecer a seguir entre Collin e eu. Nós nos encaramos por um longo tempo até que, finalmente, Rhodes coloca a mão em seu ombro. — Temos treino, cara. Isto acabou. — Não, não acabou. Ele não pode apenas quebrá-la e ir embora. Não é assim que funciona. — Quebrar ela? — Eu murmuro. — Eu não a quebrei. Ela me quebrou. Collin se vira, pronto para mais. — O que você disse? — Eu disse que não quebrei Hollis. Ela quebrou a mim, e eu a amo, ok? — Eu me empurro para cima, cambaleando um pouco por ter sido derrubado como um saco de pancadas. Esfrego minha mandíbula que já está latejando, tentando recuperar o fôlego que simplesmente parece não vir. — Eu a amo. Você está feliz agora, porra? — Não — Collin ferve. — Eu não ficarei feliz até que ela esteja feliz, e você tem um monte de coisas para consertar. — Isso é tudo culpa sua — eu digo a Smith enquanto nos dirigimos para o prédio para o jogo hoje à noite, o jogo que eu não vou jogar porque eu estou de fora mesmo estando saudável. Todo mundo sabe que esse é o pior jeito de estar fora. Isso significa que você estragou tudo e agora você tem que pagar, forçando seu time a pegar a falta sem você enquanto você fica sentado no camarote com a noite de folga, observando as repercussões de suas ações. É uma merda, e é especialmente horrível porque o treinador quer Collin e eu no camarote juntos. Com base nos hematomas no meu rosto e no lábio cortado que ele está usando, é claro que entramos nisso um com o outro. A imprensa vai ter uma porra de um banquete com isso, sem dúvida. — Sim? E como é isso exatamente? — Você me disse para convidá-la para dançar, e eu convidei. Se eu não tivesse feito isso, eu não estaria nessa bagunça de jeito nenhum. Suas sobrancelhas se erguem, e eu odeio que o olhar que ele está me dando diga que nós dois sabemos que isso não é verdade. Acho que mesmo se Hollis e eu não tivéssemos dançado naquela noite, ainda teríamos acabado naquele jardim juntos, enrolados um no outro como um encontro clandestino sob as estrelas. Se não tivéssemos, Smith teria me dito para convidá-la para dançar. Ele sabia o tempo todo. Idiota. — O que você vai fazer? Olho de volta para Fiona. A única coisa que quero fazer é pular dentro dela e dirigir até Hollis e dizer a ela o quanto eu sinto muito. Mas não posso. Eu tenho que estar aqui, para um jogo de hóquei que eu nem vou jogar porque o treinador é sádico. — Eu vou consertar isso. Eventualmente. — Como? — Não sei. — Isso pode soar maluco, mas você já tentou uma comunicação honesta? Eu bufo. — Como você tentou com Emilia? — Minha situação é um pouco mais… complicada. — E a minha não é? — Não. É bem simples se você tirar a cabeça da bunda e olhar de uma perspectiva não danificada. — Mas estou danificado. Ele para de andar, virando-se para mim. — Você tem razão. Você está, mas Hollis também. Ela se divorciou há menos de um ano porque seu marido a estava traindo. Então ela engravidou logo em seguida. Ela também está danificada, mas adivinha? Ela não sai por aí erguendo muros e bloqueando as pessoas porque tem medo. Ela está enfrentando essa merda de frente, o que é muito mais do que posso dizer de você. Eu… porra. Ele tem razão. Eu sei que ele tem razão. — Eu sei. — Eu esfrego a mão no meu rosto, exalando bruscamente. — Eu sei, ok? Eu sou um idiota. Um idiota maior do que Miller. — Sim, você é — diz Miller enquanto caminha por mim atirando olhares de julgamento. Merda. Até o novato está me incomodando. Smith suspira. — Eu coloquei minha vida em pausa pela minha carreira. Estou casado com este jogo há mais tempo do que você está vivo. O hóquei é minha vida, mas não precisa ser a sua. Então, se você a ama e háuma chance de você ter uma família, aproveite essa chance. Porque confie em mim, Lowell, esses anos? Eles vão passar rápido, e antes que você perceba, você será um velho como eu assinando contratos de um ano esperando que você possa se manter no jogo que você ama por mais um pouco, porque você sabe quando acabar, você estará realmente sozinho. Eu engulo, minha boca pegajosa e seca só de pensar em viver uma vida sem Hollis nela. Quero dizer, sim, sempre estaremos conectados por causa do bebê, mas só de pensar em outro homem criando meu filho também, outro homem a tocando… conhecendo-a do jeito que eu conheço… Eu não aguento. Tem que ser eu. Eu sou sua, ela prometeu. Minha, eu jurei. — Diga a ela, Lowell. 23 Hollis — Tudo bem, me diga o que está acontecendo. Minhas sobrancelhas se juntam. — Eu não sei o que você quer dizer. Não está acontecendo nada. Emilia me olha com olhos astutos. — Hum, boa tentativa. Mas você é minha melhor amiga e eu te conheço melhor do que isso. Então, me diga... o que aconteceu? Tudo aconteceu. — Não foi nada. — Não foi nada. Você estava desidratada e no hospital, então claramente não era nada. Oh. É disso que ela está falando. — Certo. Foi só isso, um pouco de desidratação, mas estou melhor agora. — Bom. Estou feliz. Agora me conte sobre o que aconteceu com Lowell. Meu coração salta na minha garganta só de ouvir seu nome. — O-o que tem ele? — Por que ele está deprimido ao redor do rinque? Ele está? Acho que em outra vida, em outra época, me daria um pouco de satisfação saber que ele está sofrendo como eu. Mas não. Se alguma coisa, isso me faz sentir pior. Uma pequena onda de desconforto surge na minha barriga, e eu a esfrego para ajudar a acalmá-la. Eu tomo nota mental do tempo como eu tenho feito o dia todo desde que elas começaram nas primeiras horas da manhã. Elas estão ficando mais próximas e mais dolorosas, isso é certeza. — Eu não sei o que você quer dizer — eu digo a ela, empurrando com o desconforto. — Sim, você sabe. Comece a falar. Eu sei que ela não vai desistir. Para ser justa, eu sabia que ela não ia desistir quando ela veio aqui esta noite quando ela deveria estar trabalhando. Ela tirou um dia pessoal só para passar um tempo comigo. Eu a amo por isso, mas eu também teria ficado bem em ter uma noite para mim mesma para ficar de mau humor. Finalmente convenci Harper a parar de “passar por aqui” para me checar, não me tirar do meu apartamento para um “dia das garotas” e me sequestrar para me levar para a casa dela e assistir ao jogo hoje à noite, no qual Collin está de volta em ação depois de ficar de fora na noite passada. Eu estava na casa deles quando ele voltou do treino com o lábio machucado. Eu não perguntei como ele conseguiu. Eu já sabia. Isso me fez amar que Collin vai ser o tio do meu bebê um pouco mais naquele momento. Eu sei que ele sempre estará seguro com ele por perto. Eu informo Emilia sobre tudo. O que aconteceu no hospital, o que aconteceu antes disso. Tudo o que tem passado pela minha mente nos últimos meses. Quando termino, ela não diz nada por vários longos momentos. Então, seus lábios puxam em um sorriso suave, o coque de lindos cabelos ruivos empilhados no alto, tombando para o lado com a cabeça inclinada. — Você ama ele, não é? Eu afundo meus dentes em meu lábio inferior. — Eu amo. Mas isso é ruim, certo? Eu… acabei de sair de um relacionamento de longo prazo. Inferno, acabei de sair de um casamento. Eu não posso estar apaixonada por outra pessoa já, posso? — Claro que você pode. Não há cronograma para coisas assim, Hollis. É isso que está prendendo você? De certa forma, é. Eu não disse isso a Harper porque, sem ofensa para ela, ela não entenderia. Ela não sabe o que é se prometer a alguém e ter ele te traindo da pior maneira possível. Emilia… ela entende. — Sim. Não. Eu não sei. Nunca definimos oficialmente o que éramos, sabe? Nós apenas… éramos. Até que não éramos. — Mas parecia que vocês estavam namorando, não é? Eu concordo. — Sim. Por mais que eu dissesse a mim mesma para não fazer isso, eu me apeguei a ele. Eu me apeguei a nós. — Quando a médica entrou no quarto e o chamou de meu marido… — Eu paro, evocando a imagem do olhar em seu rosto quando ela disse isso com facilidade. — Ele disse que era apenas o pai. Foi isso. Não consigo parar de pensar no jeito que ele olhou para mim naquele quarto de hospital. Ele parecia zangado, assustado, magoado e voltou a ficar assustado. Eu entendo, eu também estava com medo. Mas era mais do que isso com ele. Ele parecia inseguro. Sobre nós... sobre tudo. Isso me assustou mais do que qualquer outra coisa. Não posso abrir meu coração para alguém novamente e depois me machucar. Eu simplesmente não posso. Tenho mais do que eu para pensar. Eu também tenho meu bebê. — Eu vejo as engrenagens girando em sua cabeça, e você é uma tola se pensa que aquele homem não te ama, Hollis. Eu vi o jeito que ele olha para você. Você significa o mundo para ele. Aposto que você significa mais do que o mundo para ele. Ele não vai te machucar. Eu sei que ele não vai. — Dar a ele esse poder, no entanto… — Confie em mim — ela diz —, eu sei melhor do que ninguém como isso é assustador. Quero dizer, olhe para mim, já se passaram quase três anos desde O Idiota Que Não Deve Ser Nomeado, e eu ainda não consigo superar isso. Se eu achava que o que passei com Thad foi uma montanha- russa, não é quase nada comparado ao que aconteceu com Emilia e seu ex. Eu não a culpo por não estar pronta, embora eu ache que isso tem a ver com um certo jogador de hóquei mais velho… — Mas acho que em todas as pessoas no mundo, Lowell pode valer a pena colocar seu coração em risco. Você precisa falar com ele. Diga a ele como você está se sentindo. Seja honesta com ele. Sinceramente, acho que ela está certa. Inferno, eu sei que ela está certa. Eu posso colocar meu coração lá fora e ver o que acontece, ou posso me machucar e sofrer sozinha. Eu nunca fui de fugir dos meus problemas, e não vou começar agora. — Eu vou. Vou falar com ele e vou dizer como me sinto. Eu… Outra onda de pressão me atinge, e eu pressiono minha barriga mais uma vez. Emilia percebe desta vez. — Você está bem? — Uh... sim. — Eu estremeço. — Tem certeza? — Talvez? Estou com cólicas. — Há quanto tempo você está com cólicas? — Inconsistente? O dia todo. Consistentemente? Algumas horas, eu acho. — Algumas horas… — ela murmura. — Hollis, você está… — Oh Deus. — Eu cambaleio para frente, meu estômago realmente doendo agora. — Fale comigo. Diga-me o que está acontecendo. É como quando você se sentiu desidratada? — Não, não. Isso é… eu… eu não sei. Outra coisa… ah! — Mais uma onda de dor me atravessa. — Você está em trabalho de parto? — Não! Sim! Eu não posso estar! Eu nem tenho minha bolsa de viagem pronta! — Sim, tenho certeza de que é exatamente o que seu bebê está esperando, você estar preparada com sua bolsa de viagem. — Não — outro aceno, outra inspiração profunda — está ajudando, Emilia. — Tudo bem — diz ela, de pé. — Levante. Vamos para o hospital. — O quê? — Eu bato nela. — Não. Estou lhe dizendo, não é nada. Eu saberia se estivesse em trabalho de parto. Eu… — Você está fazendo xixi no sofá?! Eu olho para baixo e, sim, há uma poça de fluido transformando o sofá cinza claro em um escuro. Oh não… — Uh, Emilia? Acho que posso estar em trabalho de parto. — Não brinca! Vamos, levante. Estamos indo. Ela me agarra, me ajudando a sair do sofá, jogando a bolsa por cima do ombro enquanto se apressa para colocar os sapatos. Outra contração me atinge. Oh meu Deus. Eu estive em trabalho de parto o dia todo e não percebi? Meu estômago tem doído mais ao longo do dia, mas eu não deveria estar em trabalho de parto ainda. Estou com apenas 38 semanas. Eu ainda tenho tempo… — Ok, vamos lá — ela diz, me levando até a porta. — Meu telefone! — Seu…onde está? Eu aponto para o sofá, ainda tentando respirar com a dor, já que está durando cerca de um minuto de cada vez agora. — Preciso ligar… — Quem? Para quem você precisa que eu ligue? — Lowell. Eu preciso de Lowell. 24 Lowell Estou prestes a ser pai. Eu. Eu não posso acreditar. — Você não pode mover esta caminhonete mais rápido? Eu sei que ela está desmoronando, mas merda, você está dirigindo como se estivesse prestes a ser avô, não pai. Estamos a quinze minutos do hospital presos no trânsito. Está se movendo, mas não rápido o suficiente. Malditos dias de jogo. Eu mando um olhar na direção de Harper. — Eu só posso ir tão rápido quanto o tráfego. — O caralho que você pode. Coloque este bebê no ombro. Dê a volta. — Você tem alguma noção sobre as legalidades quando se trata de dirigir? — Não. — Lembre-me por que eu trouxe você de novo? — Uh, porque você precisa de mim! Eu solto uma risada. — Mais como você me pressionou. — Eu balanço minha cabeça. — Eu não sei o que há com vocês, mulheres Kelly, apenas se intrometendo nos negócios de outras pessoas. — Lowell, eu juro, eu vou beliscar seu mamilo se você não calar a boca e dirigir. Não quero perder o nascimento da minha sobrinha ou sobrinho! — E você acha que eu quero perder o nascimento do meu filho? — Então dirija! — Ela grita. E eu faço. Levo Fiona para o acostamento da estrada e acelero. Parecemos loucos. Completamente malucos. O que estamos fazendo é ilegal, e se os Comets não estiverem irritados por eu ter perdido o jogo sem cumprir o meu segundo dia fora do jogo, eles vão ficar muito irritados depois que descobrirem sobre isso. O telefone de Harper emite um sinal sonoro com uma notificação. — É Emilia — diz ela. — Ela diz que a colocaram em um quarto e estão esperando a médica. — Quão dilatada ela está? — Ugh, nojento. Não quero saber o tamanho do colo do útero da minha irmã. — Harper… — Tudo bem. É um três. — Está bem, está bem. Então, temos tempo. Isso é bom. Diminuo a velocidade da caminhonete enquanto inspiro profundamente pelo nariz, depois expiro pela boca. Estou nervoso pra caralho. Na verdade, a última vez que fiquei tão nervoso foi durante a final da Copa. Eu nunca teria contado aos meninos porque eles não precisavam me ver suar, mas eu estava enlouquecendo. Isso não é nada comparado a isso. — Você está fazendo Lamaze6? — O quê? Tenho assistido alguns vídeos no YouTube. Me processe. Hollis e eu passamos horas sentados em seu quarto aprendendo técnicas de respiração. Praticávamos até começarmos a rir. Então começávamos a nos beijar. E isso sempre levou a mais. — É fofo — ela diz. Ela estende a mão, apertando meu braço. — Você vai ser um bom pai, Lowell. Posso jurar que alguém está cortando cebolas nesta caminhonete porque lágrimas brotam dos meus olhos. Eu as seguro, fungando. Se Harper percebe, ela não diz nada, e eu gosto que ela não diga nada. — Você está animada para ser tia? — Sim. Eu vou ser incrível nisso. Já tenho um monte de café e açúcar em casa. 6 Lamaze é um método com técnicas de respiração e preparação para o parto. — Tenho certeza de que você não deveria dizer aos pais que vai alimentar seus filhos com cafeína e açúcar. — Oh. Bem, então, eu definitivamente não tenho nenhum café ou açúcar em casa. Absolutamente zero. Eu bufo, então ligo a seta do carro. Posso ser um idiota por dirigir na beira da estrada, mas pelo menos tenho algumas boas maneiras. Entramos no estacionamento e encontramos uma vaga. Então, eu me sento lá. Eu sento lá porque estou tendo um ataque de pânico completo e total e, ai meu Deus, eu não posso acreditar que isso está realmente acontecendo agora. Eu não posso acreditar que isso está acontecendo quando Hollis e eu não nos falamos há dias. Achei que teria mais tempo. Achei que ainda teria semanas para convencê-la de que estou loucamente apaixonado por ela e quero passar o resto da minha vida mostrando isso a ela. — Lowell? Você está bem? Você parou de Lamazear. Eu rio com isso porque não é uma palavra real e isso quebra minha tensão. — Estou bem. Eu estou apenas… — Eu sei — ela diz. — Entendo. Mas você precisa tirar a cabeça da bunda e entrar lá. É um esforço de equipe e vocês precisam apoiar uns aos outros agora. Sua garota, minha irmã, está esperando por você. Não faça ela fazer isso sozinha. Eu sorrio para ela. — Sabe, você não seria tão ruim atrás do banco. Nós poderíamos precisar de uma motivadora como você. — Eu sei. Agora, vá dizer à minha irmã que você a ama. — Sim, treinadora. — Estou procurando por Kelly. Hollis Kelly. — Quem é você? — A enfermeira na estação pergunta. — O… namorado. E o pai. — Oh! — Ela diz animada. — Nós estávamos imaginando quando você chegaria aqui. Me siga. Eu vou te levar até ela. Eu estava prestes a fazer meu check-in. Sigo a enfermeira baixinha pelo corredor, fazendo Lamaze durante todo o caminho. — Boa técnica — diz ela por cima do ombro, empurrando a porta aberta. Toda a minha técnica sai pela janela quando vejo Hollis deitada na cama. Ela parece… bem, fodidamente linda. E com dor. Seus olhos estão bem fechados e ela está segurando seu estômago, tentando arduamente inspirar e expirar pelo nariz. Ela faz isso pelo que parece uma eternidade, e tudo o que posso fazer é assistir. — Oh! Graças a Deus! Você está aqui! — Emilia diz atrás de mim, entrando na sala carregando dois copos grandes cheios de gelo, um refrigerante debaixo do braço. — Ela está morrendo de vontade de um pouco de água. Eu não acho que Hollis ouve nada disso porque quando a contração finalmente diminui e ela abre os olhos, ela parece completamente chocada ao me ver. — Cameron, você está… — Eu te amo. As palavras simplesmente saem dos meus lábios. Tão rápido e tão aleatoriamente que até a enfermeira para o que está fazendo e olha por cima do ombro para mim. Eu a ignoro, entrando mais no quarto. — Eu te amo, Hollis. Estou apaixonado por você. Tipo, realmente apaixonado por você. Na verdade, acho que posso te amar mais do que amo hóquei. — Dou mais alguns passos, me aproximando da cama onde ela está olhando para mim com olhos arregalados e vidrados. — Mas eu não te amo mais do que nosso bebê, e espero que você possa entender isso. Ela dobra os lábios, mal segurando um soluço. Eu não aguento. Eu tenho que tocá-la. Corro pelo resto da distância em passos apressados e seguro seu rosto em minhas mãos. Olho para aqueles olhos azuis profundos e escuros dos quais não me canso, os que nunca irei me cansar. — Eu só preciso que você saiba que eu te amo, ok? Ela acena com a cabeça, e então, eu a beijo. Eu não me importo se eu não devo beijá-la agora. Eu não me importo se ela está brava comigo. Eu tenho que beijá-la. Eu não posso ficar aqui e não beijá-la. Felizmente, ela me beija de volta com tanto fervor. — Você está aqui — ela diz quando eu me afasto, algumas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Eu beijo essas também. — Estou aqui. Eu a beijo novamente, e depois mais uma vez por garantia. — Tudo bem, pai — diz a enfermeira, rindo de nós. — Precisamos verificar algumas coisas. Fique à vontade ali no canto, certo? Eu me movo para o outro lado da cama, não soltando a mão de Hollis enquanto a enfermeira a examina e garante que tudo esteja bem. — Bem, estamos indo bem. Estamos em quatro centímetros agora. Ainda temos algumas horas, então apenas descanse, tudo bem mamãe? Hollis acena com a cabeça, já parecendo cansada. A enfermeira promete que mais pessoas vão entrar e sair, depois vai embora. Emilia aponta para a porta. — Eu vou dar a vocês dois um pouco de privacidade. Deixe- me saber quando posso começar a tocar Bon Jovi. — Bon Jovi? — Você sabe, quando estivermos halfway there e livin’ on a prayer.7 — Ela pisca, então fecha a porta atrás dela, deixando Hollis e eu sozinhos pela primeira vez em uma semana.Eu solto um suspiro e olho para ela. Mesmo um pouco suada e cansada das contrações, ela é fodidamente deslumbrante. — Oi — ela sussurra baixinho. — Oi. Então eu apenas olho porque ela está aqui e eu estou aqui e nós estamos tendo um bebê e eu não consigo entender isso. Não sei quanto tempo ficamos assim, mas é tempo suficiente para que o dia se transforme em noite e o luar brilhe pela janela diretamente sobre ela. Ela se parece exatamente como ela estava naquele jardim, e acho que eu a amava mesmo naquela época. — Sinto muito — digo a ela, as palavras saindo de mim. — Eu sinto muito. Eu sou um idiota por sugerir que você faria qualquer coisa para prejudicar nosso bebê. Eu só estava… — Assustado — ela fornece para mim, assentindo. — Eu sei. Eu também estava. Eu também estou. Eu solto um suspiro porque me faz sentir melhor saber que ela está com medo disso também. 7 Referência à música de Bon Jovi “Livin’ On A Prayer”. “Estamos quase lá / Vivendo de preces” — Eu não planejei isso, sabe? Eu tenho sido tão contra relacionamentos, amor e todas as besteiras que os acompanham por tanto tempo. Tenho colocado o hóquei em primeiro lugar e tento esquecer que as pessoas têm a capacidade de quebrar você. Mas ao longo do caminho, esqueci que existe todo esse outro lado do amor. Esqueci todas as partes boas, aquelas que fazem você se sentir no topo do mundo. Esqueci todas as partes que fazem com que seja tão bom quanto levantar um troféu sobre minha cabeça. — Não é qualquer troféu, é o troféu do Super Bowl. Eu olho para ela, e ela ri. Porra, eu senti falta dessa risada. Ela fica sóbria, apertando minha mão. — Eu sei o que você quer dizer, Lowell. O pensamento de me colocar de volta no mercado depois do meu divórcio me fez querer vomitar. Inferno, ainda me dá vontade de vomitar. Achei que teria mais tempo antes de pular em outra coisa que mudaria a minha vida. Achei que teria tempo para descobrir o que deu errado antes, para descobrir o que quero da vida. Mas isso — ela coloca a mão na barriga — isso é o que eu quero. Não é o que eu planejei, nem de longe, mas nunca fiquei tão feliz por algo acontecer. E estou feliz que tenha sido você. — Estou feliz que sou eu também. Mesmo se nós não dermos certo juntos, estou tão feliz que meu bebê sempre terá você. — É um bebê de sorte, hein? — O mais sortudo. — Eu beijo sua mão, tentando ignorar o jeito que minhas mãos estão definitivamente tremendo agora. — Nós somos totalmente loucos por isso, certo? — Absolutamente loucos. — Tudo bem. Ouvi dizer que louco é quente. Eu pisco, e ela ri. — Miller? — Eu concordo. — Era de se imaginar. Eu não posso acreditar que estamos aqui agora. — Eu sei. — Eu não posso acreditar que você me ama. — Eu amo. — E eu não posso acreditar que eu te amo também. Suas palavras não deveriam me chocar. Não dadas as circunstâncias. Mas elas chocam. Elas me chocam porque… isso? Isso é o que Smith estava falando o tempo todo. Isso é o que estava faltando. Elas. — Ok, uau. Esse é o pacotinho mais fofo de todos os tempos. Harper murmura para a bebê aninhada em segurança em seus braços. É a mesma coisa que ela tem feito nos últimos trinta minutos, não deixando uma única pessoa ter a chance de segurá-la. Hollis finalmente deu à luz logo após a meia-noite. Vê-la dar à luz a nossa filha ficará para sempre gravado em minha mente. Não apenas porque foi completamente nojento, absolutamente ninguém pode negar isso, mas porque eu juro que me fez apaixonar ainda mais por ela vendo seu poder através disso. — Já decidiram o nome? — Collin pergunta, olhando por cima do ombro de Harper. Ambos foram incapazes de parar de olhar. — Miller! — O próprio cara diz. — É totalmente unissex. Eu reviro os olhos. — Não é Miller, mas nós resolvemos algo. Você quer dizer a eles? — Você pode dizer — diz Hollis, parecendo exausta, mas tão incrivelmente linda, de uma só vez. — Freddie Olivia Lowell. Harper olha para sua sobrinha recém-nascida. — Freddie. É perfeito. Todos eles clamam ao redor dela novamente, olhando para a bebê de forma diferente com o nome dela. — É perfeito, você sabe — diz Hollis, sorrindo para mim. — Eu sei. E você também. — Eu pisco. — Você sabe que não podemos fazer sexo por seis semanas, certo? — Estou ciente… — Então, por que você está dizendo tantas coisas legais? Eu me inclino, pressionando minha testa contra a dela. — Porque eu estou apaixonado por você… querida. Ela suspira. — Eu vou deixar você se safar dessa vez, mas só porque você me deu uma linda garotinha. — Inferno de passe único, certo? — O melhor passe único da minha vida. — Eu te amo, Hollis. — E eu te amo... Cameron. EPÍLOGO Hollis Eu estava certa. Cerca de um mês depois que Freddie nasceu, minha mãe arrumou minha casa de infância, aquela que guardava tantas lembranças boas e ruins para ela, e se mudou para o outro lado do estado para ficar mais perto de sua nova neta. Ela é obcecada por Freddie. Honestamente, não posso culpá-la, também sou obcecada. Se eu achava que amava minha garotinha quando ela era apenas uma pequena vibração dentro de mim, eu estava errada. Esse amor não é nada comparado a ver minha bebê crescer. Já se passaram nove meses desde que minha filha nasceu, e ainda não consigo acreditar que sou mãe. Eu não posso acreditar que eu criei e carreguei um pequeno humano e agora eu posso ver esse bebê florescer pelo resto de sua vida. Freddie ri do outro lado da sala, o som chamando minha atenção. Seus pequenos braços estão estendidos em direção ao pai, e eu não posso deixar de sorrir quando ele a arranca das mãos de sua avó, soprando beijos em seu pescoço gorducho. — Você está tão apaixonada por ele. É nojento. Olho para minha irmã, que está observando Lowell com seu próprio sorriso. — Quem é você para falar. — Viro meus olhos para o marido dela, que está ao lado de Lowell, fazendo caretas para Freddie. — Você está tão apaixonada por ele. — Sim. Eu estou. — Ela suspira sonhadora. — Você acredita que é aqui que estamos? — Nem um pouco. — Você é mãe. — E você é uma esposa. — E logo você vai ser uma esposa... certo? — Ela levanta as sobrancelhas em questão como se eu estivesse guardando algum tipo de segredo. Eu rio, em seguida, mostro minha mão para ela. — Ainda sem anel. Ela suspira de novo, só que desta vez é menos melancólico e mais irritado. — Idiota. Esses dois últimos anos foram os mais tumultuados da minha vida entre encontrar meu ex-marido me traindo, me divorciar dele, ficar grávida de um caso de uma noite e depois me apaixonar pelo dito passe único. Acrescente morar com Lowell e se ajustar à maternidade, além de ser a namorada de um jogador profissional de hóquei, e, sim, tem sido um passeio louco. Mas se Lowell perguntasse… eu diria que sim em um piscar de olhos. Assim como eu pensava que amava Freddie antes que ela nascesse, se eu achava que o amor que eu tinha por Lowell era forte antes de nossa bebê vir a este mundo, eu estava completamente errada. Vê-lo se tornar pai levou meus sentimentos por ele a um nível totalmente diferente. Acho que nunca vou esquecer a primeira vez que ele teve que sair para um jogo fora de casa depois que Freddie nasceu. Durante o parto? Nem uma única lágrima, mas sair do lado de Freddie pela primeira vez? Ele perdeu. Ele chorou por dez minutos antes de finalmente sair pela porta para pegar o voo. Seu treinador lhe deu um sermão, mas Lowell jura que gastar esses minutos extras com sua filha valeu a pena. Esse foi o primeiro momento em que me apaixonei ainda mais por ele. Houve cerca de cem outros momentos desde então que me fizeram me apaixonar ainda mais forte. Como quando ele chegou em casa às duas da manhã depois de um jogo fora de casa e insistiu em ficar de plantão noturno com Freddie, que estava lutando para dormir a noite toda. Quando saímos para umencontro e meus seios começaram a vazar pelo meu vestido, mesmo que ele não estivesse vestindo uma camiseta, ele tirou a camisa para que eu pudesse cobrir. Ele nem se importou que ele tivesse que ficar sem camisa sob o paletó durante o resto do nosso jantar. E mesmo agora, hoje, ele está andando por aí vestindo aquela camisa boba que comprei para ele no primeiro Natal que passamos juntos, nem um pouco envergonhado pelas letras em negrito O PAI MAIS GOSTOSO DO HÓQUEI DO MUNDO. Como se ele soubesse que estamos falando sobre ele, os olhos de Lowell encontram os meus, e um sorriso enorme ilumina seu rosto. Ele se aproxima de nós, Freddie em seus braços. Ela estende a mão para mim, mas Harper entra em cena, roubando-a. — O quê? Você não quer a mamãe. Você quer a tia Harper! As tias são muito mais legais do que as mães — ela diz, roçando seu nariz contra o de Freddie enquanto sua sobrinha ri e balbucia algumas bobagens. — Mães e tias são legais e tudo mais, mas os tios que são os melhores! — Collin declara, roubando Freddie dos braços de sua esposa. Ele a coloca em seu tapete, caindo no chão e empilhando blocos enquanto Freddie assiste com empolgação. Ela sabe exatamente o que está por vir. Harper e Collin ainda são firmemente contra ter seus próprios filhos, mas isso não significa que eles não sejam constantes completas na vida de Freddie. O número de vezes que tive que implorar para minha irmã passar um tempo com a minha própria filha é um pouco ridículo se você me perguntar. Ambos estão aqui em nossa casa sem parar, roubando toda a atenção de Freddie. — Tios honorários também — acrescenta Rhodes, sentando-se de joelhos ao lado deles e pegando Freddie no colo para recriar uma cena de Godzilla enquanto ele a derruba pelos blocos. Harper, Ryan e minha mãe se sentam no sofá, rindo enquanto se revezam jogando blocos e monstros com ela. É o jogo favorito dela. Não há uma única alma nesta sala que ousaria dizer que Freddie não é amada. É tão óbvio pela forma como ela atraiu a atenção de cada pessoa, incluindo o sempre mal-humorado Smith, que é reconhecidamente um pouco menos mal- humorado nos dias de hoje. Lowell desliza os braços em volta da minha cintura, deixando cair o queixo para descansar na minha cabeça. — Eles estão tão apaixonados por ela — diz ele, pressionando um beijo na minha têmpora. — Assim como eu estou tão apaixonado por você. — Isso foi incrivelmente brega. Diga isso de novo. Ele ri. — Eu estou tão apaixonado por você. — Ele deixa cair os lábios no meu ouvido e estende a mão sobre a minha barriga ainda plana. — Por vocês três. Posso não estar guardando segredos sobre um noivado, mas estou guardando outro. Estou grávida. Nós não planejamos isso, mas ficamos significativamente menos chocados desta vez. — Você acha que eles vão amar o segundo tanto quanto a primeira? — Eu sussurro para ele. — Eu não sei como eles não poderiam. Nós fazemos bebês fofos. Eu sorrio para Freddie, seus cachos escuros saltando enquanto ela ri com todo o seu corpo. — Isso nós fazemos. — Você acha que vamos amar o bebê tanto assim? — Sim. Mas eu tenho que admitir, eu vou te amar um pouco menos. Minhas sobrancelhas se juntam, e eu olho para ele. — Você irá? — Sim, mas só porque vou ter que abrir espaço no meu coração para outra garota. Não é nada pessoal. Meu coração pula uma batida. — Acho justo, mesmo que não seja uma menina. Ele levanta as sobrancelhas. — Você realmente quer apostar contra mim, dado o meu histórico? — Você tinha 50% de chance de estar certo. Não é tão impressionante. — Não? Bem, se você não está impressionada com isso, deixe-me mostrar algo que vai impressioná-la. — Ele empurra seus quadris em mim, e não há como confundir a sensação de seu pau contra minha bunda. — Lowell! — Eu assobio. — Temos companhia! — Uh, sim, vocês tem, e eu vou fingir que não testemunhei tudo isso. — Emilia acena com a mão em nossa direção enquanto passa por nós, sentando-se no sofá entre Miller e Smith. Miller desliza o braço pelas costas do sofá atrás dela, mas o remove com a mesma rapidez quando vê o olhar que Smith está direcionando para ele. Eu junto meus lábios, tentando não rir. — Já podemos mandar todos para casa? — Pergunta Lowell. Desta vez eu rio. Lowell sempre foi uma pessoa notoriamente reservada, a ponto de apenas cinco pessoas no time saberem onde ele morava, mas agora temos uma rotação quase constante de pessoas entrando e saindo, especialmente aos domingos, quando organizamos um brunch sempre que os Comets estão em um trecho de jogo em casa. — Eles acabaram de chegar. — Então? Estou pronto para ter você sozinha novamente. — Você acabou de me ter sozinha. Ele corre o nariz ao longo do meu pescoço. — Não foi suficiente. Mas, para ser justo, nunca será suficiente. — Tenho certeza que você vai se cansar de mim eventualmente. — Sem chance. — Ele dá um beijo no meu pescoço. — Para sempre, lembra? — Eu lembro. — Lembra? Porque se você precisar de um lembrete, terei prazer em assinar um acordo juridicamente vinculativo para garantir que você não esqueça. Você sabe, um com anéis e tal. Eu inclino minha cabeça para cima, encontrando seus olhos verdes, que geralmente são tão certos e tão confiantes. — Você acabou de me pedir em casamento? — Não. Sim. Mais ou menos? — Mais ou menos? — Quero dizer… — Ele passa a língua pelos lábios. — É isso... é isso que você quer? Não acontece com frequência, na verdade, só o vi assim duas vezes, mas Lowell está nervoso. — É isso que você quer? — Eu ecoo. — Eu perguntei a você primeiro. Ele sorri, e eu reviro os olhos. Ele ri disso. — Sim. É o que eu quero. — Porque estou grávida? Suas sobrancelhas se juntam. — Não. Eu… Não. Na verdade, acho que queria isso desde o momento em que nos conhecemos. — Você queria se casar comigo quando eu dei um soco em você? — O que posso dizer? — Ele dá de ombros. — Eu gosto das loucas. — Ele pisca. — O que você diz, querida? Quer se casar? — Você está falando sério? — Completamente. Eu pisco para ele, atordoada. — Não brinca comigo… — Eu aviso, estreitando meus olhos. — Eu nunca faria isso. Eu já sei que você tem um gancho de direita malvado. — Cameron… estou falando sério. — Eu também estou. Ele se afasta de mim... e cai sobre um joelho. Ele enfia a mão no bolso, exibindo um lindo anel de lágrima. Minha mão voa para minha boca porque eu não estava esperando isso hoje. — Eu te amo, Hollis, mais do que eu já amei alguém, além de Freddie, em toda a minha vida. Case comigo. — Eu… — Olho para os outros, que agora estão todos nos observando atentamente, monstros e blocos completamente esquecidos. Eu olho de volta para Lowell, que está sorrindo para mim com um sorriso que é totalmente confiante demais. Ele sabe, porque é claro que sabe, que vou dizer… — Sim! Todos na sala explodem em um coro de alegria. Lowell dá um beijo rápido na minha barriga antes de ficar de pé, me lançando em seus braços e me enchendo de beijos. — Você estava planejando isso? — Pergunto. — Este exato momento? Não, mas já tenho o anel há algum tempo. — Quanto tempo é algum tempo? — Nove meses. — Mas isso é… Ele tem isso desde que Freddie nasceu. — Alguém quer dar os parabéns à mamãe e ao papai. Eu agarro Freddie de Harper, aconchegando minha bebê perto. Lowell envolve seus braços em torno de nós duas, e acho que este pode ser o meu momento favorito de nós. — Ma... mãe. Eu suspiro, lágrimas brotando em meus olhos. — Oh meu Deus! Ela disse mamãe! — Agora diga papai. — Lowell tenta persuadi-la. — Ma... mãe — Freddie diz novamente, sorrindo. — Diga papai. Ela apenas sorri para ele. — Ah! Mamãe vence. Mamãe é a favorita — eu provoco. — Tudo bem, querida — diz Lowell, beijando sua cabeça, mas mantendo os olhos nos meus para que eu possa ver o puro amor nadando neles. — Mamãe é a minha favorita também. Eu menti. Este é o meu momento favoritode nós. ONE-TIMER - CENA BÔNUS AVISO: A cena bônus a seguir é NSFW. Se você quiser saber o que aconteceu durante aquela noite… Hollis Minha respiração já difícil fica mais violenta quando Lowell abre a porta de seu quarto de hotel e a realidade do que estamos prestes a fazer realmente se instala. Eu entro no quarto, Lowell seguindo de perto atrás de mim. O estalo da porta se fechando atrás de nós é alto. Quase tão alto quanto meu coração martelando no meu peito. Ele dá um passo para as minhas costas e não há dúvida de seu pau duro pressionando contra minha bunda. Tenho certeza que é da intensa sessão de amassos que tivemos no elevador no caminho até aqui. Ele desliza as mãos em volta da minha cintura, me puxando de volta contra ele. Eu suspiro quando sua boca encontra meu pescoço exposto. — Você está bem? Eu concordo. — Sim. Mas… estou? Lowell crava os dentes no meu pescoço e a mordida vai direto para entre minhas pernas. Oh sim. Estou bem. Ele ri sombriamente com o pequeno barulho que me deixa. — Eu diria que sim. Eu quero ficar irritada com sua arrogância, mas neste caso, é justificado. O jeito que ele me faz sentir com apenas um toque de seus lábios… Deveria ser um crime alguém fazer alguém se sentir tão bem, especialmente quando você sabe que não vai durar. Mas não quero pensar nisso agora. Ele me gira em seus braços, esmagando sua boca na minha sem aviso prévio. Está bem. Eu não quero um aviso para isso. Lowell empurra sua língua pelos meus lábios, invadindo minha boca como se ele pertencesse ali. Nós nos movemos juntos em sincronia, cada um recebendo e dando, enquanto ele me empurra para a cama. A parte de trás dos meus joelhos bate no colchão e com um leve empurrão de Lowell, eu caio de costas nele. Ele encaixa seu corpo sobre o meu, caindo entre minhas pernas como se ele fosse feito para caber. Seus lábios encontram os meus mais uma vez e estou perdida nele. Ele arrasta beijos pelo comprimento do meu pescoço, depois de volta para os meus lábios, alternando entre mordidas provocantes e lambidas calmantes. — Preciso provar você — ele murmura, puxando meu vestido para baixo apenas o suficiente para meus seios se soltarem. Eu nunca estive mais animada por não estar usando sutiã. Sua boca se fecha ao redor do meu mamilo e estou quase envergonhada pelo som que sai de mim. Se ele percebe, ele não diz nada. Ele está muito focado em mostrar aos meus seios a atenção pela qual eles estão morrendo de vontade. Thad nunca gostou dos meus seios, sempre reclamando do tamanho ou da falta deles, e isso sempre me deixava constrangida. A boca de Lowell em volta do meu mamilo? Eu não me sinto insegura de forma alguma. Eu me sinto apreciada. Eu não tenho ideia de quanto tempo ele passa beijando meus seios ou quanto tempo passa até que suas mãos deslizam para baixo dos meus lados, empurrando meu vestido já amarrotado ainda mais alto. Eu não poderia contar os segundos que leva para ele puxar minha calcinha pelas minhas pernas se eu tentasse. E não poderia, nem se fosse por minha vida, somar os momentos que leva para ele enterrar o rosto entre minhas coxas, deslizando a língua sobre minhas partes mais sensíveis. Nenhum de nós tirou a roupa. Meu vestido de dama de honra está enrolado na minha cintura e ele está vestindo seu terno, seus joelhos cavando no chão de um quarto de hotel enquanto ele me come como se eu fosse sua última refeição que ele mal podia esperar para chegar. É quente de uma forma que eu não esperava. Ele murmura algo ao meu redor que soa muito com doce para caralho, embora eu não possa ter certeza. Estou muito perdida na sensação de sua língua deslizando sobre meu clitóris repetidamente. Muito envolvida na forma como seus dedos se unem a sua boca, deslizando em minha boceta encharcada com facilidade. Parece incrível. Ele parece incrível. Ele suga meu clitóris em sua boca, e eu gemo, batendo minhas mãos em seu cabelo, segurando-o em mim enquanto me aproximo cada vez mais de um orgasmo. Se ele simplesmente… — Oh Deus — eu sussurro, embora soe mais como um gemido. Ele ri contra mim, e no segundo em que as vibrações atingem, vejo estrelas. Tipo, fodidas estrelas legítimas atrás dos meus olhos. Minhas pernas balançam ao redor de sua cabeça como nunca antes e tenho certeza de que estou puxando seu cabelo, mas não me importo, e acho que ele também não. Quando os tremores finalmente diminuem, ele desliza os dedos do meu corpo e se recosta, respirando pesado. Eu empurro meus cotovelos, olhando para ele bem a tempo de vê- lo limpar a evidência do meu orgasmo de seus lábios. Seus olhos estão vidrados enquanto ele se levanta. Ele encaixa sua boca sobre a minha mais uma vez e eu sinto meu gosto nele enquanto ele me puxa para os meus pés. Ele puxa o zíper do meu vestido para baixo, em seguida, empurra o material para longe até que ele se acumule em meus pés. Ele tira o paletó, então trabalha nos botões de sua camisa. Eu provavelmente deveria ajudá-lo a se despir, mas eu mal estou de pé, o auge do meu orgasmo me deixando inútil. Quando ele quebra nosso beijo, o olhar em seus olhos é caloroso. — Suba na cama, Hollis. Mãos e joelhos. Eu não discuto. Eu rastejo para a cama enquanto ele empurra suas calças para baixo em suas pernas fortes. Eu olho bem a tempo de ver seu pênis livre de sua cueca e santo inferno. É lindo. Ele é lindo. Todas as linhas duras de seus músculos definidos. Seu corpo é incrível e estou ansiosa para sentir o peso dele contra mim. Ele me observa observá-lo, sua mão indo para seu comprimento duro, acariciando-o várias vezes enquanto seus olhos me fitam. Eu poderia vê-lo se masturbar o dia todo, mas não quero isso. Eu quero ele. — Lowell? — Hum? — Ele diz, tirando os olhos da minha bunda. — Me fode logo. Ele geme com minhas palavras, e elas o estimulam exatamente como eu esperava que fizessem. Ele se abaixa para pegar sua carteira para um preservativo. Ele faz uma pausa por um momento, e me pergunto se ele está tendo dúvidas, mas quando estou prestes a perguntar se está tudo bem, ele se vira para mim e abre o pacote. Ele rola o preservativo, então sobe atrás de mim, suas mãos passando sobre minha bunda. O calor irradia dele enquanto ele desliza atrás de mim, seu pau roçando minhas bandas. Ele se inclina sobre mim, pressionando beijos suaves no meio das minhas costas. Eu tremo com o toque, saboreando-o. Ele não perde isso. — Você é linda, Hollis — ele sussurra, me beijando novamente. Outro arrepio quando ele desliza um dedo dentro de mim. Eu aperto seu dedo, precisando de mais. — Porra — ele murmura. — Aposto que sua boceta vai ser incrível apertando meu pau. — Será. Então continue com isso. Ele ri sombriamente. — Impaciente. — Muito. Faz muito tempo desde que eu estive… As palavras se transformam em um gemido quando ele desliza dentro de mim sem aviso prévio. — Oh Deus — eu murmuro. Outra risada suave. — Você continua me chamando assim e eu talvez tenha que mudar meu nome. — Cameron? — Sim? — Cale a boca e me fode logo. Ele ri, então me ataca... com força. E ele não para. Ele me fode com uma paixão. Nossos corpos batendo juntos em um ritmo que me faz perseguir outro orgasmo em poucos minutos. Ele alcança ao meu redor, pressionando dois dedos no meu clitóris, e é tudo que eu preciso. Meu orgasmo me atinge do nada e ele está certo, é incrível apertar seu pau. Meus braços começam a tremer quando meu segundo orgasmo da noite drena toda a minha energia e Lowell percebe. Sem aviso, ele me vira de costas, então entra de volta em mim como se nunca tivéssemos perdido o impulso. Ele coloca uma perna em seu ombro enquanto bate em mim sem nenhum preâmbulo. Uma e outra vez. Seus olhos se fecharam com força. Ele está perto, mas posso dizer que ele está se segurando. Saboreando isso. Eu gostaria de ter saboreado também, já que esta é a única vez queteremos juntos, mas não havia nenhuma maneira de eu ter me segurado como ele. — Cameron… Seu olhar se encaixa no meu e é tudo o que precisa, sua vontade quebra e ele goza. Eu o alcanço, puxando sua boca até a minha. Nossos lábios se encontram e ele empurra sua língua na minha boca, movendo-a contra a minha enquanto ele diminui seus movimentos, tirando cada gota que pode. Ele puxa sua boca da minha, roçando beijos suaves contra meus lábios antes de se afastar completamente. Ele levanta da cama, tirando o preservativo e jogando-o na lixeira ao lado da mesa. Ele sobe de volta na cama ao meu lado e envolve seus braços em volta de mim, me puxando até que eu esteja colada ao seu lado. Um silêncio inquieto cai sobre o quarto. Não sei qual é o protocolo aqui, especialmente porque nunca fiz isso antes. Devo dizer obrigada? Saio agora ou depois? Eu não tenho ideia. — Pare. — Huh? — Pare de pensar nisso — diz ele calmamente. — Descanse. — Descansar? — Sim. Você vai precisar. Eu rio, olhando para ele. — Segundo round? Ele encontra meus olhos. — Eu não tenho outro preservativo. Mas há muitas outras coisas que podemos fazer. — Ele me envia um sorriso diabólico, em seguida, pressiona um beijo suave na minha testa. — Descanse. Ele se vira, depois fecha os olhos. Por mais cansada que esteja, sei que não vou conseguir dormir de jeito nenhum, não com Lowell ao meu lado. Não quando me sinto mais viva do que já me senti em toda a minha vida. E especialmente quando não tenho ideia de como vou embora sabendo que nunca mais me sentirei assim. Algo me diz que acabei de cometer um grande erro. AGRADECIMENTO S Meu marido, o fuzileiro naval. Quando este livro completar um mês, estaremos juntos por 15 anos. Alguns dias, eu não posso acreditar que conseguimos. Mas em outros? Em outros dias eu sabia que daríamos certo o tempo todo. Eu te amo. Laurie. Obrigada por estar sempre lá quando eu preciso de você e por me manter no caminho certo. Minha mãe e irmãs. Obrigada por sempre estar lá quando eu preciso desabafar. Eu amo todas vocês. Minha equipe de edição. Literalmente não poderia ter feito isso sem vocês. #almagêmea. Eu não poderia fazer isso sem você e seu apoio constante. Eu te amo e obrigada por sempre me mostrar seus peitos. *piscadela* Os Blogueiros, Bookstagrammers e BookTok. Seu suporte é incomparável. Seu trabalho duro não passa despercebido por mim. Obrigada por tudo. Meus Tidbits. Vocês são minhas pessoas favoritas para passar o tempo na internet. Leitor. Obrigada por confiar em mim com esta trope nova para mim. Espero que você tenha amado Lowell e Hollis tanto quanto eu amei ao escrevê-los. Mal posso esperar para enfrentar minha próxima trope nova em SIN BIN. Com amor e gratidão inabalável, Teagan