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➔ Na dermatologia, após anamnese completa e exame clinico detalhado, o caso deve ser abordado em três passos consecutivos: a) determinar o padrão dermatológico predominante no paciente; b) elaborar a lista de diagnósticos diferenciais c) fazer os exames complementares ➔ Padrão dermatológico: Lesão primárias e secundárias Lesões Primárias: Lesões primárias são aquelas advindas diretamente do processo patológico. Não são patagnomônicas, mas oferecem informações importantes sobre o processo patológico. Lesão Secundária: as lesões secundárias derivam da evolução da lesão primária, do processo patológico ou são consequências de traumatismos infligidos à pele pelo animal. São bem menos específicas que as primárias LESÕES PRIMÁRIAS: - Mácula: Área circunscrita, plana e não palpável cor distinta a pele ao redor, de até 1cm de diâmetro. Figura 1 - Máculas hiperpigmentadas em lábio de gato com lentigo - Mancha: Máculas maiores que 1cm. Figura 2 - Mancha despigmentada em nariz de cão com vitiligo (seta) - Pápula: Lesão sólida circunscrita, elevada, superficial de até 1cm de diâmetro. São causados por infiltrados inflamatórios na derme. Causas comum: Hipersensibilidade e piodermite Figura 3 - Pápulas em região torácica de cão com foliculite - Pláca: Lesão sólida superficial, plana, circunscrita e elevada, com mais de 1cm de diâmetro. Uma pápula que aumentou em duas dimensões. DERMATOLOGIA Por: Ruan Carvalho Figura 4 - Placa em abdome de cão Placa - Inchaço: Uma pápula ou placa edematosa e transitória. Figura 5 - Inchaço, comedos (seta fina) e bolha (seta larga) em cão com hipotireoidismo - Nódulo: Lesão palpável, sólida arredondada ou elíptica com profundidade/espessura. Uma pápula que aumentou em 3 dimensões. uma lesão sólida elevada com mais de 1 cm de diâmetro. Geralmente é bem delimitada Figura 7 – Nódulo em pele - Tumor: lesão sólida, saliente ou não, com mais de cinco centímetros de diâmetro. Tumor em cão - Verrucosidade: Lesão sólida, exofítica (que cresce para fora da superfície da pele), acinzentada, áspera, dura inelástica, ocorre pelo aumento da camada córnea. Abscesso: formação circunscrita de tamanho variável, encapsulado, proeminente ou não, contendo líquido purulento na pele ou tecidos subjacentes. Há calor, dor e flutuação. Flegmão/flemão: aumento de volume de consistência flutuante, não ecapsulado, de tamanho variável, proeminente ou não, contendo líquido purulento na pele ou tecido subjacentes. Há calor e dor. • Significado clínico: infecção por perfuração ou via hematógena. Hematoma: formação circunscrita de tamanho variável, proeminente ou não, decorrente de extravasamento sanguíneo na pele ou tecidos subjacentes. Hematoma em orelha de cão (otohematoma) Eritema: Coloração avermelhada da pele decorrente de vasodilatação. O eritema volta à coloração normal quando submetido à pressão • Significado clínico: geralmente ocorre em dermatopatias inflamatórias e, frequentemente, está associado aos quadros pruriginosos DIASCOPIA - Diferenciação: Hemorrágica X Vascular Se pressionar a lâmina na região avermelhada da pele e a cor ficar ‘’branca’’ é vascular, caso contrário é hemorrágico - Milia: São cistos cheios de queratina dentro ou logo abaixo da epiderme, mas sem abertura para a superfície. Milia são mais frequentemente associados a um excesso de corticosteroides (Iatrogênicos ou naturais) Figura 8 – Milia em região ventral de cão - Cisto: Cavidade elíptica, fechada, contendo fluido ou material semi-sólido. Figura 9 – Cisto sebáceo em cão Cisto - Vesícula: Elevação circunscrita de até 1cm de diâmetro, contendo fluido seroso. Figura 9 - Vesícula em pele de cão com farmacodermia - Bolha: Uma vesícula com mais de 1cm de diâmetro Figura 10 - Inchaço, comedos (seta fina) e bolha (seta larga) em cão com hipotireoidismo - Pústulas: Lesão elevada circunscrita contendo fluido purulento. Figura 11 - Pústulas em cão com piodermite - Petéquia: Área de depósito de sangue ou seus pigmentos, com até 1cm de diâmetro; a de coloração arroxeada chama-se púrpura. Petéquias em orelhas de cão - Equimose: Área de depósito de sangue ou seus pigmentos, com mais de 1cm de diâmetro; a de coloração arroxeada chama-se púrpura. LESÕES SECUNDÁRIAS: Descamação: Perda de células da epiderme que podem estar secas ou oleosas. Figura 12 - Descamação generalizada em cão com leishmaniose visceral Colarete epidérmico: Aro circular de descamação com margem de crosta e/ou eritema. Esta lesão é mais comumente associada a piodermite superficial Figura 13 - Colarete em cão com piodermite Colarete epidérmico Comedo: Oclusão do folículo piloso (poro). Esfoliativo Secundária Figura 14 - comedos Hiperqueratose: espessamento de pele decorrente do aumento da camada córnea. A pele torna-se áspera, inelástica, dura e de coloração acinzentada. Denominada de leucoplasia, quando ocorre em mucosas. • Significado clínico : processo inflamatório crônico ou região de traumas repetidos (calo ou calosidade). Doenças virais (cinomose) Urticária e Angiodema: Elevação irregular, de tamanho, pruriginosa, resultante de extravasamento de plasma, formando um edema dérmico. O angioedema representa uma área de edema circunscrito na face, que pode ocorrer no subcutâneo, causando tumefação. aumento da espessura, depressível (sinal de Godet), sem alterações de coloração, decorrente do extravasamento de plasma na derme e/ou hipoderme. Significado clínico: inflamação aguda ANGIOEDMA Perdas teciduais: Erosão: Uma escavação da pele limitada à epiderme e que não ultrapassa a junção derme-epiderme. Erosão Úlcera: Cavitação de tamanho e forma irregulares que estende- se pela derme. Figura 15 - Úlcera em lábio superior de cão com Leishmaniose Visceral Crosta: Coleções de exsudatos cutâneos secos de diversas cores. Concreção que se forma em área de perda tecidual, decorrente do acúmulo de proteínas séricas, eritrócitos, leucócitos e células epidérmicas descamadas na superfície da pele. Figura 16 Escoriação: Abrasão da pele, usualmente de origem superficial e traumática. Figura 17 - escoriação em face dorsal de pescoço de gato com hipersensibilidade alimentar Fissura: Rachadura na pele definida por paredes de bordas ‘afiadas’. Figura 18 - Fissuras (setas) em pele de cão com demodicose Fissura é uma fenda linear que se estende através da epiderme Endurecimento: Espessamento palpável da pele. Cicatriz: Formação de tecido conectivo substituindo tecido perdido por doença ou injúria. A cicatriz é um defeito visível que pode estar deprimido de forma palpável e composto por tecido fibroso que substitui a pele normal. Atrofia: Afinamento ou depressão da pele, devido à redução do tecido subjacente. Liquenificação: Área difusa de espessamento da pele, com resultante aumento das linhas e marcas cutâneas. Associada á irritação crônica e a fricção aplicada na pele por coçar. Escara ou úlcera de decúbito: área com perda tecidual, decorrente de necrose tecidual. Ocorre, comumente, em situações de decúbito prolongado em que há pressão de uma determinada área, com diminuição da irrigação Fístulas: canal com pertuito na pele que drena foco de supuração ou necrose e elimina material purulento ou sanguinolento. Significado clínico: presença de foco infeccioso ou corpo estranho em tecidos subjacentes. FÍSTULA - Alopecia: A alopecia é uma diminuição ou perda visível da pelagem. A alopecia secundáriapode resultar da remoção manual do cabelo por coçar. Alopecia é uma denominação genérica para diminuição do número absoluto de folículos pilosos em uma área de superfície corporal ou diminuição do comprimento (tamanho) dos pelos, com ou sem diminuição do número de folículos pilosos • Hipotricose – denominação específica para perda parcial dos folículos pilosos • Tonsura - denominação específica para diminuição do comprimento dos folículos pilosos, decorrente de fratura Hiperpigmentação: Escurecimento da pele. (Melanodermia) Hiperpigmentação em região peitoral da pele - Alopecia: A alopecia é uma diminuição ou perda visível da pelagem. A alopecia secundária pode resultar da remoção manual do cabelo por coçar. EXAMES COMPLEMENTARES E TESTES DIAGNÓSTICOS Com a lista de diagnósticos diferenciais em mãos, faz-se necessário priorizar as possíveis doenças, embasadas na história, apresentação clínica e predisposições raciais. O quadro serve de guia para a confecção de um banco de dados mínimo, visto que apresenta os padrões já descritos, bem como sugere os próximos passos a serem tomados em direção ao diagnóstico definitivo Exames complementares: - Tricograma: O tricograma é utilizado para avaliação das pontas, hastes e raízes dos pelos o que permite a identificação da fase de crescimento, defeitos na pigmentação e, em alguns casos, infecções por fungos. O exame é simples e consiste na remoção dos pelos, sem provocar a quebra ou corte, com uma pinça hemostática, aplicação em uma lâmina com óleo mineral, coberta com lamínula e visualização no microscópio óptico em aumentos de 4-10x6. A avaliação da ponta dos pelos permite diferenciar a queda de pelo por prurido daquela não traumática, particularmente útil em pacientes felinos que apresentam o hábito de se lamber, uma vez que o prurido provoca a quebra da extremidade do pelo. O exame da haste do pelo permite a identificação de falhas na pigmentação que podem sugerir alopecia por displasia folicular do pelo preto ou por diluição de cor. A identificação de dermatófitos e ovos de ectoparasitas é possível, no entanto, a sensibilidade, do tricograma, é extremamente baixa. As raízes podem ser examinadas para a caracterização do ciclo de renovação do folículo piloso. Normalmente, a maioria das raças de cães e gatos apresenta maior número de pelos no estágio telógeno. tricograma (A) Fase anágena (crescimento) do pelo de um gato. Observe que a extremidade do bulbo é arredondada, pigmentada e dobrada para um lado. (B) Fase catágena do pelo de um cão. O bulbo é intermediário entre as formas anágena e telógena. (C) Fase telógena (queda) do pelo de um gato. Extremidades proximais de ambos os bulbos, pelos primários (grandes) e secundários (pequenos), são pontiagudos e não têm pigmento. TRICOGRAMA Raspados cutâneos (Pesquisa direta de sarnas e fungos): A pesquisa direta de sarnas e fungos compreende o exame complementar mais utilizado na dermatologia veterinária. A técnica é simples, de baixo custo e extremamente útil, sendo utilizada no diagnóstico e acompanhamento terapêutico de sarna demodécica, sarna sarcóptica e dermatofitose. A profundidade do raspado deve ser adaptada para a doença em questão, mas os locais de escolha são as áreas onde a pele se encontra anormal, eritematosa e/ou onde há presença de pápulas, pústulas, comedos, descamação e alopecia. Caso existem dúvidas, o clínico realiza antes os raspados superficiais e posteriormente o raspado profundo. Materiais: Raspado de pele para Demodicose e Escabiose: Raspado cutâneo Raspado tem que ser feito em áreas de lesões primárias Baixo custo Ótima sensibilidade quando feito corretamente Exame de predileção Técninca simples Diagnóstico de: Sarna demodécica, sarcoóptica e dermatofitoses técnica consiste no corte dos pelos mais longos da área afetada (quando necessário) seguida de aplicação de óleo mineral na pele ou na lâmina de bisturi raspagem no sentido do crescimento dos pelos para a coleta de material O material coletado deve ser colocado em lâmina de vidro seguida de homogeneização, cobertura com lamínula e exame direto ao microscópio Raspado de pele O raspado superficial é utilizado em duas afecções contagiosas importantes, caracterizadas por prurido extremo e pele eritematosa e com formação de crostas, que são a escabiose canina causada pelo Sarcoptes scabiei (var canis) e a infecção em felinos pelo Notoedres cati. Como tais ácaros infectam apenas a camada superficial da pele, e migram por ela, determinando a formação de túneis, a preocupação no momento da coleta consiste em raspar áreas mais amplas de pele que fazer o raspado profundo, não sendo necessário o sangramento capilar. Os raspados devem ser múltiplos e as áreas de escolha são as bordas dos pavilhões auditivos, a pele glabra da região abdominal e aquela que recobre as articulações úmero- radio-ulnar e tíbio-társica (Imagem abaixo) Locais preferencias dos raspados O encontro de um único ácaro tem valor diagnóstico, bem como o encontro de peletes fecais castanho- escuros do ácaro!! resultados negativos não eliminam a doença da lista de diagnósticos diferenciais!! Raspado de pele Profundo: Na suspeita de demodicose a pele deve ser fortemente comprimida entre os dedos para facilitar a extrusão dos ácaros do interior do folículo e os raspados devem ser profundos, até que se observe sangramento capilar, e realizado em aproximadamente cinco locais. Raspado de pele para dermatofitoses: Deve-se colher o material raspando a pele limpa com álcool, após cortar os pelos, se necessário. O raspado deve ser feito de forma bastante superficial e delicada, pois a contaminação com sangue ou exsudatos pode comprometer os resultados, especialmente o da cultura. O material obtido deve conter pelos, fraturados ou íntegros, obtidos das bordas das lesões alopécicas, descamação e crostas e deve ser colocado em frascos de boca rosqueada, mas a tampa não deve ser apertada, pois a falta de oxigênio pode extinguir os dermatófitos da amostra, levando à resultados falso-negativos. A colocação da amostra entre duas lâminas, unidas por fita adesiva apenas nas pontas ou ainda, em envelopes de papel são também formas aceitáveis de armazenamento Amostra de raspado entre duas lâminas unidas por fita Cultura fúngica: A cultura fúngica, seguida da identificação das macroconídeas é o melhor meio de diagnóstico das dermatofitoses. O meio de cultura mais apropriado para crescimento e identificação dos dermatófitos é o DTM. Tal meio muda sua cor de amarelo claro para vermelho quando torna-se alcalino, o que acontece em fase precoce de crescimento dos dermatófitos, por vezes antes do crescimento da cultura. Após o crescimento da cultura, faz-se necessário o exame microscópico das macroconídeas, para a confirmação da presença dos dermatófitos patogênicos, identificação de gênero e espécie, o que auxilia na identificação das fontes de infecção. Meio de cultura negativo(amarelo) e positivo(vermelho) Citologia da pele e do ouvido: O exame citológico da pele ou da secreção auricular objetiva a avaliação e estudo morfológico de células das camadas superficiais da pele, bem como a identificação de micro-organismos, como bactérias, leveduras e protozoários. Este é um exame de fácil execução e baixo custo, que fornece informações muito importantes sobre a pele e ouvido do paciente e, não raramente, pode definir o diagnóstico e o melhor tratamento a ser instituído. Desta forma, a citologia deve ser empregada em uma grande variedade de afecções, sejam pruriginosas, pustulares,crostosas, nodulares, em placas, descamativas ou com alopecia. Técnica de aposição (imprint/impressão): utilizado nos pacientes com pele descamativa, oleosa ou úmida. A lâmina de vidro pode ser friccionada ou comprimida diretamente sobre a pele. Impressão da lâmina na área de lesão Esfregaço da lâmina com o material obtido da técnica de imprint Tecnicas citológicas SWABS Tecnincas de aposião (Imprint/imp ressão) Aspiração por agulha fina escarificação Aspiração por agulha fina: muito utilizada para obtenção de amostras de nódulos, cistos, massas e placas. Devem-se utilizar seringas de três a 10 ml e agulhas de 18, 20 ou 22 gauges. A lesão é firmemente segura, a agulha é inserida e a aspiração é feita, até 10 vezes se possível. O êmbolo da seringa é solto para liberar a pressão e a seringa e a agulha são retiradas do nódulo. Não se deve empurrar o êmbolo. A agulha é removida, o êmbolo é puxado, a agulha é recolocada e o material é depositado na lâmina de vidro e espalhado com outra lâmina (confeccionando- se a lâmina como um esfregaço ou “squash”) ou com pincel antes de ser corado. Escarificação: É a técnica de escolha para a coleta de amostras quando existem crostas, vesículas ou descamações do estrato córneo. A pele afetada é exposta e a superfície raspada superficial e delicadamente com uma lâmina de bisturi. Os debris são transferidos para a lâmina de vidro e espalhados uniformemente, com o uso de outra lâmina ou pincel. Swab/ As hastes de algodão: Comumente utilizadas para coleta de amostras do conduto auditivo, lesões interdigitais ou mesmo lesões com superfícies crostosas secas. Para obten- ção do material de conduto auditivo, o “swab” é inserido no meato acústico externo, à cerca do terço médio do canal horizontal, rotacionado e retirado contendo secreção que é transferida para a lâmina de vidro, rolando-se o “swab”. Se a região estiver seca, pode-se umedecer a haste de algodão com solução salina antes da coleta de material. Independentemente da forma de obtenção do material, a coloração mais comumente utilizada para citologia dermatológica é do tipo Romanowski, com destaque para o Panóptico rápido, sendo a lâmina examinada em aumento de 1000x (objetiva de imersão). Confecção de lâmina com material coletado do swab Biopsia e histopatologia: Na prática dermatológica a anamnese, exame físico do animal e os exames laboratoriais de triagem (citologia, pesquisa pa- rasitológica do raspado cutâneo, tricografia, micológico direto) são essenciais para a pesquisa diagnóstica. No entanto, não raramente esses procedimentos são insuficientes para estabelecer o diagnóstico definitivo ou mesmo auxiliar o clínico diante de quadros preocupantes ou sem resposta terapêutica inicial adequada. Nestes casos, é necessário avançar nas técnicas diagnósticas, utilizando-se do exame histopatológico da pele. No entanto, não é apenas a habilidade do dermatopatologista o único fator necessário para o sucesso do exame histopatológico da pele. De igual importância está a capacidade do clínico em realizar adequadamente o procedimento de biópsia, reconhecer as lesões que mais representam o processo patológico e manusear corretamente os fragmentos biopsiados. A amostra coletada deve ser submetida ao laboratório com a solicitação do exame, constando da história clínica, exame físico, tratamentos realizados, resultados e as suspeitas clínicas. Fotos do animal e das lesões dermatológicas também são úteis e devem ser enviadas sempre que possível. Para que o resultado do exame possa ser maximizado é importante existir integração en- tusiástica e respeitosa entre o clínico e o patologista responsável. Quando Biopsiar? Orienta-se que as principais indicações para a biópsia e exame histopatológico sejam: lesões suspeitas de serem neoplásicas, ulcerações crônicas (podem ser neoplásicas), dermatoses de aparência grave e desfigurantes (dermatoses bolhosas, ulcerativas e necrosantes multifocais a generalizadas) e as dermatoses que necessitam de exame histopatológico para diagnóstico (displasias anexiais, adenite sebácea, doenças imunomediadas, algumas dermatoses nutricionais). A glicocorticoterapia deve ser interrompida no mínimo de duas a três semanas antes da biópsia, devido às alterações histológicas decorrentes desses fármacos. Se existir processo piogênico, convém tratar a condição com antibióticos antes do procedimento de biópsia. Tal conduta aumenta a chance do reconhecimento da enfermidade de base que causam as piodermites. Qual o local que deve ser biopsiado? De preferência, a biópsia deve ser obtida de lesões primárias (mácula, mancha, pústula, vesícula, bolha, nódulo, descamação, comedos, alopecia e discromias). Estas lesões são as mais representativas para o diagnóstico, pois evoluem do processo patológico principal. As lesões secundárias, que evoluem das lesões primárias, da ação traumática, exsudação ou medicação, são consideradas em segundo plano, mas também podem ser muito úteis para o diagnóstico (ex: crostas). O local ideal para a biópsia varia com a natureza da doença. Na maioria dos casos é mais informativo o exame histológico de uma lesão ”madura” ao invés da lesão muito jovem ou antiga. Nas lesões vésico- bolhosas é preferível buscar uma nova. Nas lesões mais antigas pode já ter ocorrido re-epitelização, deslocando para as porções superiores da epiderme a posição inicial da clivagem, como também é mais provável que se instale o processo inflamatório secundário à infecção. Note que as lesões pustulosas e vésico-bolhosas, em cães e gatos, são, em geral, muito frágeis e rompem-se facilmente, com o mínimo trauma, devendo ser prontamente biopsiadas. DIAGNÓSTICO - Histórico: Identificação do animal, idade do animal, espécie/raça e antecedentes Importante a identificação, idade e raça porque existem doenças que acometem mais uma raça/espécie que outra ou durante mais um período da vida do animal - Início do quadro: Tem que perguntar como eram as lesões no início dos sintomas caso o paciente demore muito tempo a ir ao veterinário porque provavelmente as lesões primárias podem não existir mais - Sinais clínicos: Lesões dermatológicas - Importante porque existem sinais clínicos que, apesar de não serem patognomônicas, podem te direcionar para uma lista de diagnóstico e excluir outras. Ou a ordem em que os sinais aparecem, como por exemplo se o prurido é a o primeiro sinal clínico que aparece no paciente, podemos pensar em doenças imuno-mediadas e de hipersensibilidade - Outros órgãos: Sinais sistémicos É necessário fazer uma avaliação geral no paciente porque sinais clínicos de outros sistemas podem refletir na pele e gerar lesões, como no caso das endocrinopatias - Contactantes: Animais e humanos Necessário saber se o animal possui outros contactante e se esses contactantes estão apresentando alguma sintomatologia (tanto humanos quanto animais) - Ambiente e manejo: Cidades frequentadas Existem cidades que tem incidência de algum agente em que outra cidade não tenha. Ex: leishmania - Terapias utilizadas e resultados: Se vocês esta suspeitando de uma doença fúngica, mas o animal já foi tratado com um antifúngico, a primeira coisa que se deve fazer é conferir a base do medicamento, se a dose foi calculado corretamente e se o tratamento foi realizado pelo tempo certo Para a realização da biopsia se deve fazer a realização de anestesia local a depender da técnica empregada O material coletado deve ser colocado em uma substância fixadora. A solução de formalina a 10% é ainda o fixador que melhor preserva as estruturascelulares e é o agente mais utilizado na medicina veterinária. INSPEÇÃO DIRETA: -Iluminação: Necessário ter uma iluminação muito boa - Necessário fazer a avaliação e verificar se a alteração é na pele e/ou no pelo - Classificação das lesões : Quanto a distribuição: Localizada, disseminada e generalizada Diferença entre disseminada e generalizada: A lesão disseminada ela ocorre a partir de uma lesão localizada e se espalha pelo corpo, já a lesão generalizada ela já começa com vários focos de lesão Localizada: Disseminada: Generalizada: Quanto a topografia: Simétricas ou assimétricas Simétricas: Se existe uma lesão que acomete o lado esquerdo e direito de formar simétricas, provavelmente é uma endocrinopatia, porque as outras dermatopatias são assimétricas Assimétricas: Atingem o lado direito e esquerdo de forma aleatória e assimétrica. Ocorrem na maiorias das doenças dermatológicas Lesão simétrica DISTRIBUIÇÃO/TOPOGRAFIA Classificação das lesões quanto a profundidade: De superfície: Quando acomete as camadas mais externas da epiderme na região dos queratinócitos - Superficial: Quando acomete a epiderme - Profunda: Ultrapassa a membrana basal A membrana basal é a camada que vai lanças as célula para fazer a reepitelização da pele, caso ocorre uma lesão na membrana basal, vai ocorrer a proliferação de tecido conjuntivo e gerar uma cicatriz - FISIOLOGIA DA PELE: - Principais funções: Proteção contra perdas líquidas; Proteção contra lesões externas químicas, físicas ou microbiológicas; Produção de estruturas queratinizadas (pelos, unhas e a camada córnea); Termorregulação; Imunorregulação; Secreção glandular (sebácea e sudorípara) - Epiderme: Formada pelas células que são produzidas pelo estrato basal que vão se multiplicando e sofrendo maturação e formando o estrato espinhoso, estrato granuloso até o estrato córneo que é a fase onde perdem o núcleo - A camada germinativa da epiderme é a membrana basal e ela vai ser sempre requisitada quando houver a necessidade de ter reepitelização da epiderme - Existem situações em que percebemos que o estrato córneo está tendo uma hiper proliferação, como por exemplo quando os pacientes estão tendo um quadro de seborreia, que é um estimulo para que a última cada se descame, formando a caspa - O carcinoma espino celular estar relacionado a camada espinhosa da epiderme - O carcinoma de células basais é um tipo de neoplasia relacionado a camada basal da epiderme - As duas neoplasias citadas anteriormente são neoplasias malignas e no caso dos gatos os carcinomas de células escamosas são altamente frequentes, sobretudo em gatos de pele branca. Ainda que sejam malignos, tem uma capacidade de metástase muito baixa - Essas duas neoplasias o tratamento é cirúrgico com a retirada da neoplasia com margem de segurança de no mínimo 2cm em todas as direções. Porém, muitas vezes é complicado conseguir essa margem de segurança por que essas neoplasias ocorrem com mais frequência na face - Se a margem de segurança não for respeitada, pode ocorrer recidiva do quadro - No caso dos cães, na pele, as neoplasias mais importantes são os mastocitomas - 30% da demanda de proteína é requerida para pele e para os pelos, então é preciso que ocorra uma nutrição adequada do paciente. Quando o animal está desnutrido e com uma dieta pobre, seus pelos vão ser opacos, quebradiços e com bastante queda de pelo. - Existe também um controle hormonal que vai auxiliar no crescimento do pelo, como por exemplo os hormônios tireoidianos, os corticoides endógenos e exógenos, melatonina. Por isso que nas endocrinopatias podemos ter como manifestações clínicas a alopecia - DERMATOPATIAS: -Casuística de 40% em clínica (MUUUITA COISA) - Porque tão incidente? 1º) A pele é um órgão externo e o maior deles 2º) Lesões de fácil visualização pelo tutor - O diagnóstico e o tratamento de muitas dermatopatias são desafiadores e as vezes não tem cura, somente controle - A maior parte das dermatopatias bacterianas primárias que ocorrem nos cães ocorrem por uma imunodeficiência do próprio animal de responder aquela bactéria - É importante durante o exame clínico saber sobre os antecedentes do paciente porque a demodicose é uma sarna que, embora o animal não nasça com ela, o animal pode se infectar com ela quando encostar o focinho na mãe para se amamentar. E de forma geral, quando o animal tem imunidade boa, ele faz um controle da demodicose e o ácaro não se prolifera, mas vai permanecer na microbiota da pele sem causar lesão, só vai causar lesão se o animal tiver uma queda na imunidade, ai ele vai passar a apresentar os sinais clínicos da demodicose, que é a manifestação clínica do demodex - O prurido é um dos sinais mais importante na dermatopatia, ainda que 90% das dermatopatias causem prurido, tem algumas que causam antes de qualquer outro tipo de lesão como por exemplo as imunomediadas e as de hipersensibilidade que a primeira manifestação clínica é o prurido. Caso o prurido vier depois, pensar em outros diagnósticos DERMATOPATIAS BACTERIANAS - A microbiota da pele é composta por bactérias residentes e que por algum fator que ocorra um descontrole na proteção da pele, esses microrganismos começam a se multiplicar de maneira exacerbada -Existe um sistema de proteção na pele, tanto celular quanto humoral, que faz a proteção da pele e impede a proliferação exacerbada dessas bactérias. Porém, diante de algumas situações a um descontrole nesses mecanismos de defesa e alguns microrganismos (principalmente o Staphylococcus pseudointermedius) começam a se multiplicar de maneira exacerbada e essa proliferação exacerbada vai resultar em lesão dermatológica - Importante ressaltar que mais de 90% das dermatopatias que temos em cães e gatos possuem infecção bacteriana secundária. E quem são os agentes causadores da infecção secundárias? Segue a lista abaixo MICROBIOTA RESIDENTE NA PELE CANINA A microbiota transitória é capaz também de se multiplicar, mas normalmente não estão presentes, mas podem infectar, se multiplicar e causar lesões dermatológicas Na pele dos felinos nos temos o Micrococcus como o principal agente e o Staphylococcus coagulasenegative que também causa bastante lesões - Staphylococcus pseudointermedius como principal agente no cão e temos que saber o agente porque quando formos iniciar um tratamento, temos que saber quais bases agem sobre esse agente - SÓ SE UTILIZA ANTIBIOTICO SISTÉMICOS EM PIODERMITES PROFUNDAS E NESSES CASOS SE ASSOCIAM O ANTIBIOTICOS SISTEMICO E TÓPICO. QUANDO ESTÃO SUPERFICIAIS, DEVE-SE FAZER A UTULIZAÇÃO APENAS DE ANTIBIOTICOS TÓPICOS - Como foi descrito anteriormente, as dermatopatias bacterianas, normalmente, não acometem os cães e gatos de forma primária, quando ela ocorre de maneira primária ela está relacionada a uma imunodeficiência primária, ou seja, o animal não conseguiu desenvolver uma imunidade celular ou humoral - Ou então o animal desenvolve as dermatopatias bacterianas quando tem alguma imunodeficiência adquirida, como por exemplo um quadro endócrino de hipotireoidismo ou hiperadreno ou em tratamento com quimiotaerápicos que faz com que a imunidade do paciente caia e ele desenvolva as dermatopatias - A maior parte das dermatopatias bacterianas são através de infecção secundária, então qualquer lesão ou escoriação que leve a ruptura do mecanismo de defesa da pele é suficiente para que as bactérias comecem a se proliferar ali. Então absolutamente qualquer coisa pode desenvolver umadermatopatia bacteriana secundária, porque as bactérias estão ali na pele só esperando uma oportunidade para se proliferar - É NECESSÁRIO DETERMINAR A CAUSA PRIMÁRIA - Caso seja por uma imunodeficiência primária ou adquirida, vai ser muito difícil tratar esse paciente porque ele vai ter infecções recorrentes e quadros de infecções profundas como uma furunculose - Normalmente o sinônimo para as dermatopatias bacterianas é PIODERMITE BACTERIANAS - A distribuição das lesões bacterianas é assimétrica e o prurido vai depender do grau de inflamação local As piodermites elas podem receber uma classificação com base na localização delas na pele e podem ser classificadas em piodermites de superfície que são mais externas, como por exemplo as pústulas que são delimitadas pelo extrato córneo, que é a última camada de queratina na pele. Temos as superficiais que chegam na epiderme e as profundas que chegam na derme e podem ir para o subcutâneo como é no caso das celulites -Quanto mais externa é a pioderma, mais tranquilo ele é em relação à sinais clínicos e tratamento. Quanto mais profundo mais grave para o animal e mais incisivo vai ser o tratamento PIODERMITES DE SUPERFICIES: - Na classificação das piodermites de superfície inclui-se: • Dermatite piotraumática • intertrigo • síndrome de supercrescimento bacteriano Dermatite Pio traumática ou Dermatite úmida aguda: A dermatite piotraumática ou dermatite úmida aguda tem início abrupto e é causado pelo autotraumatismo no ato de coçar (lambedura, mordedura ou roçadura) devido à alguma doença de base pruriginosa. - SINAIS CLÍNICOS: Geralmente encontra-se uma lesão única, alopécica, erodida ou ulcerada, de aspecto úmido e coloração amarelada e até brilhante, altamente pruriginosa e por vezes dolorida, podendo ter localizações variadas. -As doenças de base podem ser ectoparasitoses, alergopatias cutâneas, afecções de glândulas adanais, otites externas, psicodermatoses e até doenças músculo-esqueléticas que causem dor e lambedura local - DIAGNÓSTICO: Essencialmente clínico com anamnese e exame físico e dermatológico detalhados. Porém, as vezes é necessário descartar diagnósticos diferenciais tendo que abrir mão de exames complementares como citológico, histopatologia,, cultura e antibiograma - TRATAMENTO: O mais importante é conduzir um planejamento diagnóstico eficaz para caracterizar a doença de base, pois só assim evita-se falhas terapêuticas e/ou recorrência do quadro de piodermite. Além disso, alguns fatores como extensão e gravidade das lesões, temperamento do paciente, tipo de pelagem, ambiente onde vive e o comprometimento do proprietário com o tratamento prescrito, são essenciais para o sucesso da terapia - A terapia tópica é a escolha de eleição com a utilização de shampoos a base de clorexidina com uma concentração maior que 2% para ter uma ação de secar a pele, deixando agir por no mínimo 5 minutos e depois realizando o enxague - Colar elisabetano Intertrigo ou dermatite das dobras cutâneas: O intertrigo ou dermatite das dobras cutâneas ocorre em animais de raças que possuem excesso de pele como Shar pei, Bulldog Francês, Bulldog Inglês, Pug, entre outras, em locais de dobras cutâneas como face, base de cauda e região perivulvar. Devido à falta de ventilação e/ou higiene adequada destes locais, há proliferação bacteriana e fúngica, causando eritema, mau odor, untuosidade e exsudato esbranquiçado. Em casos mais graves podem ocorrer erosões, úlceras e dor Diagnóstico: Clínico com anamnese e exame físico e dermatológico detalhados Síndrome de supercrescimento bacteriano (SCB): A síndrome de supercrescimento bacteriano (SCB) é uma afecção secundária a uma doença de base, geralmente alergopatias cutâneas, caracterizada por eritema difuso, descamação, exsudato untuoso e queratoseborreico, lignificação, hiperqueratose, odor forte, escoriações e alopecia. Geralmente acomete a região ventral, principalmente regiões axilar e inguinal, mas também pode acometer região interdigital e pinas. Por assemelhar-se clinicamente à malasseziose, deve-se realizar exame citológico das lesões, onde evidencia-se um excessivo número de cocos extracelulares e baixo número de neutrófilos. Lesões típicas de piodermite superficial como pápulas, pústulas, colarinhos epidérmicos e crostas estão ausentes, pois as bactérias não estão infiltradas na epiderme, apenas em sua superfície. Devido a isso, alguns autores não a consideram como uma forma de piodermite - IMPETIGO: O impetigo ocorre principalmente em cães jovens menores de 12 meses de idade, e é caracterizado por pústulas epidérmicas sem envolvimento folicular, pápulas eritematosas, crostas melicéricas e colarinhos epidérmicos. As lesões predominam na região abdominal meso e hipogástrica, podendo se estender para região axilar e face interna dos membros pélvicos. O prurido é discreto ou inexistente. Geralmente é secundário a uma doença de base, sendo que em filhotes deve-se investigar endoparasitoses, deficiências nutricionais e doenças virais como cinomose A característica do impetigo é que tenham lesões de duração pequena sem que tenhamos que fazer intervenções medicamentosas Tratamento: - Tratamento tópico com a utilização de shampoo a base de clorexidina a 2% e melhorar a imunidade do animal - ACNE FELINA/PIODERMITE MENTONIANA/FOLICULITE MENTONIANA A acne felina é uma doença de pele bem reconhecida no gato. A teoria atual sobre a etiologia e patogênese sugere um distúrbio de queratinização que é comumente complicado por uma infecção bacteriana secundária. O tratamento recomendado são xampus tópicos anti-seborreicos em gatos com doença leve e antibióticos sistêmicos concomitantes e/ou corticosteróides em gatos com doença grave. A incidência de acne felina na literatura varia de “incomum” a “comum”. em contraste com a acne humana, a acne felina não está confinada à adolescência. A literatura atual descreve a acne felina como um distúrbio de queratinização, ocorrendo então infecções bacterianas secundárias. Isso é baseado no achado histopatológico precoce no processo da doença de acúmulos de queratina no infundíbulo folicular inferior e o achado clínico subsequente de cilindros foliculares. Embora a queratinização folicular anormal tenha sido implicada na acne humana, a extrapolação como etiologia da acne felina pode não ser válida. Ocasionalmente, dermatofitose, demodicose, infecção por Malassezia pachydermatis e granulomas eosinofílicos podem mimetizar/causar/estar relacionados aos sinais clínicos da acne felina. Inicialmente, são encontrados comedões e cilindros foliculares, geralmente no queixo, mas ocasionalmente também nos lábios. Pápulas, pústulas, nódulos, fístulas, inflamação e linfadenopatia regional podem ser encontrados se a doença progride. O prurido é relatado como incomum, a menos que uma infecção grave esteja presente. O diagnóstico é feito mais comumente com base nos sinais clínicos. Os achados histológicos relatados são variáveis, mostrando folículos pilosos hiperceratóticos dilatados com ou sem pustulose folicular nas lesões iniciais, com progressão para furunculose, inflamação piogranulomatosa e adenite sebácea. Bactérias isoladas da acne felina têm sido estafilococos, estreptococos Pasteurella multocida - Tratamento: Além do tratamento tópico com shampoos, em estudos atuais a pomada de mupirocina apresentou ótimos resultados - AIE NÃO SE DEVE UTILIZAR EM CASOS DE BACTERIAS PORQUE ELES INDUZEM UMA MAIOR PROLIFERAÇÃO Furunculo/Abscessos: A foliculite é uma infecção do folículo piloso —ela atinge a parte mais superficial da pele. O furúnculo é uma foliculite que avança—é mais profundo e alcança a derme O material que é drenado de dentro do abscesso é um material importantíssimo para se fazer a coleta e cultura, diferente do tumor, que a parte flutuante não é interessante para a coleta - É necessário deixar um dreno no abscesso para que ele não feche e continue a acumular material - É recomendado fazer a introdução de uma sonda urinária, preparar uma solução de povidina tópico a 1% e realizar a lavagem até a coloração do material sair quase que translucido -Associado a lavagem, se o animal está em um quadro de furunculose, tem que entrar com antibiótico sistémico por um período acima de 2 semanas - Furúnculo: inflamação profunda do folículo piloso, ou seja, uma foliculite causada por bactéria que vai inflamando e rompe o bulbo e vai formando essa coleção de material purulento - Sthaphylococcus pseudointermedius: Por via de regra é a bactéria que está presente nos abscessos. Caso você não consiga fazer uma cultura, pode-se abrir mão de antibióticos que peguem essa bactéria Ex.: Amoxicilina + clavu; cefalexina, Ampicilina; Enrofloxacina (o melhor para pseudointermédios e outras afecções de pele, trato urinário e respiratório) Abcesso com fístula drenando material CELULITE: A celulite é uma inflamação e infecção que acomete as camadas profundas da derme e tecido subcutâneo, geralmente localizada, porém pouco delimitada. A lesão apresenta-se edemaciada, dolorida, drenando líquido purulento ou sanguinolento e os pacientes acometidos apresentam sinais sistêmicos, como febre e prostração. A fascite necrotizante é uma forma rara e severa de celulite associada com certas toxinas bacterianas de Streptococcus spp. Além disso, a celulite juvenil é uma forma estéril que acomete principalmente filhotes, onde há edema facial agudo, aparecimento de pápulas, pústulas, crostas e até fístulas. Esta condição deve estar presente no diagnóstico diferencial, pois é estéril e responde ao tratamento com corticosteróides. - Foliculite furunculose do pastor alemão - Os indivíduos possuem uma deficiência de imunoglobulinas, principalmente as imunoglobulinas A, que são responsáveis pela defesa cutânea e impedem a proliferação das bactérias. E com essa deficiência, eles ficam mais propenso a multiplicação das bactérias. Então no caso dos pastores, eles têm uma imuno deficiência primárias em que não conseguem controlar a proliferação bacteriana e ficam com uma suscetibilidade muito maior a esse tipo de lesão. - Muito complicado de lidar com essas lesões - Podemos entrar com antibiótico e durante o tratamento vai haver a melhora das lesões, mas assim que o tratamento é suspenso, as lesões voltam Quadro de foliculite furunculose do pastor alemão - Quando chega no estágio da foto de cima, temos que intervir com antibioticoterapia, depois que ocorrer a melhora, temos que focar o tratamento na prevenção dessas lesões e da proliferação bacteriana para que não ocorra esse quadro novamente - Diagnóstico: Biopsia para ter a absoluta certeza que não se trata de qualquer outro agente, mas se deve fazer raspado e citologia antes da biopsia e só deve fazer após o tratamento com antibiótico - Tratamento: Tratar as lesões ativas e profundas com antibioticoterapia, após o tratamento, focar na prevenção aumentando a imunidade do animal Levamisol – Um antiparasitário que tem como efeito aumentar a resposta da imunidade celular, ele faz com que ocorra uma migração de linfócitos e há a possibilidade de alguns animais responderem a isso (20 a 30% dos animais respondem). Porém o levamisol tem alguns efeitos colaterais e isso animal teria que usar a medicação para o resto da vida por ser uma imunodeficiência primária (A prof nunca usou nesses casos) - Cimetidina – Um protetor gástrico que também tem um efeito de fazer um aumento da imunidade do animal (A prof nunca usou para esses casos) - Própolis + Terapia tópica quando não tem mais lesões ativas (É o que a prof mais utiliza) - Recomendação da antibioticoterapia: Passar o antibiótico por 14 dias, marca retorno, se não visualizar mais nenhuma lesão, continua o antibiótico por mais 5 dias e depois suspende - Diagnóstico diferencial: Hipersensibilidade alimentar, reações a fármacos - PIODERMITE DOS CALOS DE APOIO: -Sinônimo: Higroma, Piodermite do ponto de pressão ou calo infectado -Etiologia: Região de calos com atrito e infecção secundária por S. pseudointermedius -Sinais clínicos: Placa hipercetatótica, com pústulas, fístulas, úlceras, celulite em regiões de cotovelo e joelho Raças acometidas: Pastor alemão, Dogue alemão, Doberman, São bernado, Rotweiller - Pode ocorrer em externo e proeminência ósseas em animais de pequeno porte como Dachshund e pointer - Diagnóstico: Exame clínico -Tratamento: Aliviar o trauma (colchão ou almofadas); Perda de peso em casos de obesidades; uso de compressas mornas; uso tópico de solução hidratantes, antibioticoterapia tópico, utilizar roupas acolchoadas nas regiões acometidas - Foliculites/piodermites profundas/pododermatite: -Sinonimos: Foliculite/furunculose podal ou pode dermatite -Etiologia: Traumas, corpos estranhos, neoplasias, Demodicose, Dermatofitose, Dermatite alérgica de contato dermatite psicogênica, doenças auto-imunes, hipotireoidismo, idiopátics Sinais clínicos: Eritema, Edema, exsudação,alopecia,ulceras, fistulas, nódulos interdigitais, paroníquia, celulite - Regiões mais complexas de serem tratadas -Tratamento tópico com pedilúvio por no mínimo 5 minutos - Parte do tratamento tópico de todas as dermatopatias bacterianas é a realização da tricotomia da lesão. As dermatopatias bacteriana tem como característica produzir exsudato que vão fazer com que tenha a presença de crosta (crosta é o resíduo do processo inflamatório junto com resto celular e junto com sangue). E como as bactérias fazem parte da microbiota normal da pele, a crosta faz com que tenha um meio de cultura para as bactérias proliferarem AFECÇÕES FÚNGICAS DERMATOLÓGICAS - Dermatofitose: A dermatofitose é uma dermatose fúngica superficial de cães e gatos. Os patógenos mais comuns de pequenos animais pertencem aos gêneros Microsporum e Trichophyton. É uma doença de pele importante porque é contagiosa, infecciosa e pode ser transmitida às pessoas. - Na maioria dos hospedeiros imunocompetentes, a dermatofitose é uma doença de pele autolimitante dentro de semanas e meses. - O tratamento é recomendado com o objetivo de encurtar o curso da doença e para evitar a propagação a outros animais e pessoas - Principais agentes: Microsporum canis (infecta tanto gatos quanto cães) e não faz parte da microbiota normal da pele de cães e gato - Prevalência e fatores de risco: A determinação da verdadeira prevalência e predisposição racial para dermatofitose é difícil porque não é uma doença de ocorrência espontânea, não é notificável e não é uma doença fatal. A infecção varia em gravidade e desaparece sem tratamento em muitos cães e gatos. Todos esses fatores influenciam os dados de predileção por raça e prevalência - Pacientes de todas as idades e raças podem ser afetados, mas animais jovens e aqueles sob estresse fisiológico severo estão predispostos. Gatos persas, yorkshire terriers e jack russell terriers parecem estar super representados; - Lesões nodulares subcutâneas têm sido observadas quase exclusivamente em gatos persas e cães yorkshire terrier. - Cães de trabalho e de caça estão predispostos a lesões de kerion, que são áreas focais de dermatofitoses que se assemelham a lesões nodulares drenantes de piodermite profunda - - Sinais clínicos: Os sinaisclínicos refletem a patogênese da doença, ou seja, invadem todas as estruturas queratinizadas, com isso, pode haver a combinação de perda de pelo, pápulas, escamas, crostas, eritema, ringworm, obstrução folicular, hiperpigmentação e alterações no crescimento das unhas, normalmente as lesões são assimétricas, o prurido é variável, mas em geral é mínima ou ausente. Quando o prurido está presente, o autotraumatismo pode mimetizar áreas de dermatite piotraumática ou lesões ulceradas. - As lesões costumam ocorrer em face,orelhas e focinho dos gatos e depois progridem para as patas e outras parte do corpo - Trasmissão: Contato direto com outro hospedeiro infectado ou fômites - Testes diagnósticos - Nenhum teste diagnóstico é considerado padrão ouro para dermatofitose - Tricograma - Exame microscópico do pelo (avulsão do pelo):Os pelos devem ser arrancados no sentido de crescimento. O óleo mineral deve ser usado para a montagem. As lamínulas devem ser colocadas em amostras de lâminas e visualizadas com ampliação de 4x e 10x. Os pelos infectados são mais largos e de aparência mais pálida, e esporos ectotrix que envolvem o cabelo podem estar presentes Visão microscópica de um cabelo infectado mais largo(seta) que o cabelo normal; estruturas internas da haste do cabelo não são visíveis. Ampliação de 10x. Visão microscópica de um cabelo recém-infectado mais largo do que os pêlos circundantes; algumas estruturas internas (por exemplo, pigmento preto escuro; seta) são visíveis na parte proximal do cabelo. - Lâmpada de wood: Ferramenta de diagnóstico que pode ser realizada no próprio consultório. É uma lâmpada ultravioleta que detecta alguns agentes que produzem florescência. - É um teste de triagem – O animal pode não demonstrar fluorescência, mas isso não quer dizer que ele seja negativo, ou pode flourescer, mas não ser positivo - O principal dermatófito de importância veterinária que produz fluorescência é o M. canis. Relatos clínicos de dermatofitose por M. gypseum ou M. persicolor em cães e gatos observam falta de fluorescência nos pelos infectados - A fluorescência verde característica observada em fios de cabelo infectados por M. canis é devido a um metabólito químico solúvel em água (pteridina) localizado dentro do córtex ou medula do cabelo. A fluorescência é devido a uma interação química que ocorre como resultado da infecção e não está associado a esporos ou material infeccioso. - Durante o exame, o clínico deve segurar a lâmpada a 2 a 4 cm da pele do paciente e proceder lentamente, começando pela cabeça. A fluorescência verde-maçã na haste do cabelo é sugestiva de infecção por M canis. As crostas não brilham e podem precisar ser levantadas para encontrar pelos infectados embaixo - Falso fluorescência (Falso positivo): Fiapos, medicamentos tópicos, material seborreico e até resíduos de sabão podem fluorescer, mas não têm a fluorescência verde-maçã/verde esmeralda de M. canis Exame dos cabelos com lâmpada de Wood. A fluorescência verde-maçã clássica de M canis, o único patógeno veterinário importante que fluoresce, pode ser notada Cultura fúngica: Muitas vezes afirma-se que a cultura fúngica é o padrão ouro de diagnóstico, mas esta ferramenta de diagnóstico apenas detecta a presença ou ausência de esporos fúngicos na pelagem ou amostra de cabelo. Como acontece com qualquer ferramenta de diagnóstico, ocorrem resultados falsos positivos e falsos negativos Técnicas: Escova de Mackenzie, avulsão do pelo e fita adesiva - A técnica de escova é o procedimento mais comumente descrito em estudos publicados e relatos de casos e é amplamente utilizado. É simples, atraumático, econômico e rápido. As escovas de cerdas macias embaladas individualmente são micologicamente estéreis; quadrados de carpete devem ser esterilizados antes do uso para evitar o crescimento excessivo de contaminantes. Não existe uma técnica padrão. 20 pinceladas, 2 a 3 minutos de escovação ou escovação até que as cerdas estejam cheias de pelos são todos os pontos finais da amostragem - A segunda técnica é a retirada de pelos para a cultura de dermatófitos, a retirada dos pelos deves ocorre nas bordas das lesões ativas - A terceira técnica é pressionar uma fita adesiva sobre a lesão e em seguida pressionar na superfície de uma placa de cultura fúngica - Após a cultura é indicado fazer a observação da amostra no microscópio para a confirmação do agente: Macroconídios de M. canis - Biopsia: O exame histológico do tecido raramente é relatado como uma ajuda diagnóstica de rotina para diagnósticar dermatofitoses em pequenos animais. A revisão de literatura revela três apresentações clínicas em que o diagnóstico por biopsia de pele foi reportado. 1º - Investigação de uma ferida ou nódulo que não cicatriza causado por dermatofitose 2º - Investigação de cães com lesões de natureza crônica e/ou por suspeita de pênfigo 3º - Lesões de pele incomum não facilmente atribuídas a outras causas - Tratamento: Em animais saudáveis, a dermatofitose geralmente se resolve por conta própria; O tratamento destina-se a encurtar o curso da doença e limitar o contágio - Os proprietários devem ser informados de que a dermatofitose é uma doença zoonótica sem risco de vida que causa lesões cutâneas facilmente tratáveis e devem ser instruídos a consultar seu médico pessoal se tiverem dúvidas ou suspeitarem de lesões cutâneas. A desinformação sobre limpeza, desinfecção e contaminação ambiental é generalizada; os proprietários devem ser informados de que os esporos fúngicos não invadem as superfícies domésticas como outros fungos (por exemplo, mofo), não causam doenças respiratórias e podem ser facilmente removidos - Terapia Tópico: O tratamento tópico do pêlo não é considerado uma parte opcional da terapia. A terapia tópica diminui a excreção de material infeccioso, mata os esporos de ecto thrix (não afetados pela terapia sistêmica) na pelagem, ajuda a prevenir o desenvolvimento de novas lesões e diminui o contágio e a contaminação ambiental O tratamento tópico do pelo não é considerado uma parte opcional da terapia!! Aplicação duas vezes por semana de enxofre ou um xampu de miconazol/clorexidina são atualmente terapias tópicas eficazes no tratamento da dermatofitose generalizada em cães e gatos Cloresten (Clorexine 2% e Miconazol 2,5% - O enxofre é eficaz, é imediatamente esporicida e tem atividade residual. O enxofre de cal pode secar o pelo ou as almofadas das patas quando usado por períodos prolongados. - O xampu de miconazol (2%)/gluconato de clorexidina (2%) está amplamente disponível e é esporicida, mas não tem atividade residual. Embora nenhum estudo in vivo tenha determinado o tempo de contato ideal, um estudo in vitro descobriu que 3 minutos de contato era esporicida; portanto, 3 a 10 minutos de contato são recomendados. (A prof recomenda no mínimo 5 min) - Os xampus de miconazol são eficazes in vitro, mas in vivo são mais eficazes quando combinados com clorexidina. - A clorexidina como monoterapia é pouco eficaz e não é recomendada. - A terapia tópica focal adjuvante aplicada duas vez ao dia é recomendada para lesões focais e/ou lesões em áreas de difícil tratamento (por exemplo, face, orelhas). - Para lesões perioculares, miconazol a 2% creme vaginal de nitrato é recomendado - Sistêmicos: a Itraconazol (não manipulado) e terbinafina são os tratamentos mais eficazes e seguros para dermatofitoses. - Recomenda-se que as cápsulas sejam administradas com alimentos para diminuir os efeitos adversos gastrointestinais e diminuir o pH gástrico e aumentar a absorção- O itraconazol manipulado não deve ser usado devido à baixa biodisponibilidade - Existem vários protocolos utilizados para o itraconazol, entre eles tem: 1º - Pulsoterapia de baixa dose (1,5 a 3,0 mg/kg a cada 15 dias com a medicação/15 sem medicação) 2º - terapia diária combinada com pulsoterapia (10 mg/kg por 28 dias e depois semana com medicação/ semana sem medicação) 3º - terapia diária até a cura (8-10 mg/kg) 4º - Terapia diária (5-10 mg/kg) por 21 dias associada de terapia apenas tópica até a cura -A recomendação é que só suspenda o tratamento após os a resolução completa das lesões e exame micológico negativo - Efeitos colaterais: Estudos experimentais e de campo descobriram que esta droga é bem tolerada, com os efeitos colaterais mais adversos sendo vômitos e/ou diminuição do apetite - O uso não é recomendado em gestante ou cães amamentando - Hoje se preconiza para os animais, tanto sintomáticos, quanto assintomáticos que estejam em contato com quem é sintomático, que deve-se fazer o tratamento com produtos tópicos (enxofre, miconazol+clorex) e a frequência do tratamento vai depender do tipo de produto, quando vamos utilizar shampoo a frequência dos banhos vão ser de 2 a 3x na semana deixando agir por no mínimo 5 min antes do enxague. Já a Loção é um produto que tem absorção rápida, que é interessante, já que se é absorvida rápida, então o animal não lambe e sua frequência de uso vai ser 2x ao dia. Já a pomada ela fica agindo por mais tempo. Na veterinária utilizamos mais os shampoos e loções - A terapia sistêmica é indicada em animais que apresentam muitas lesões e que apresentam quérion -Deve-se tratar os contactante com o mesmo shampoo dos sintomáticos e no caso de lesões em face, o ideal é a utilização de loções - A griseofulvina é eficaz, mas também tem mais efeitos colaterais potenciais em comparação com o itraconazol e a terbinafina. (não utilizar) - Cetoconazol e fluconazol são opções de tratamento menos eficazes e o cetoconazol tem mais potencial para efeitos colaterais adversos. (não utilizar) - Desinfecção do ambiente: - Existem algumas razões pelas quais se deve fazer a desinfecção do ambiente, entre elas: -Minimizar o risco de transmissão da doença a pessoas e outros animais - Para minimizar o transporte de fômites na pelagem de animais que podem complicar o monitoramento da doença - Encurtar o curso do tratamento prevenindo/minimizando reinfecção e falsos positivos devido a fômites e transporte de esporos no pelo - Desinfetantes antifúngicos: Além de ter boa eficácia antifúngica, o produto deve ser atóxico e com baixa irritação para os animais e usuários. Além disso, deve ser acessível, fácil de aplicar, de preferência pronto para uso fora do recipiente para minimizar os erros de diluição e compatível com as superfícies em que será usado 1 – O hipoclorito de sódio: tem se mostrado consistentemente um desinfetante eficaz quando usado em concentrações que variam de 1:10 a 1:100, mesmo com tempos de contato curtos. É importante notar que existem diferentes concentrações de alvejante doméstico vendido no balcão, e que pode falhar se estiver desatualizado. Existem muitas razões para não usar água sanitária e estas incluem: Potencial para reagir com outros produtos químicos para criar gases tóxicos, odor desagradável, danos em superfícies duras, descoloração de fibras e superfícies coloridas , danos aos acabamentos do piso, rápida perda de eficácia uma vez diluído e problemas de saúde humana. O produto é irritante para animais e pessoas - A desinfecção de superfícies não porosas deve seguir algumas etapas para a sua eficácia: A primeira é a remoção mecânica de todos os detritos por meio de aspiração ou varredura. Os desinfetantes não funcionam na presença de detritos orgânicos. A segunda é a lavagem da superfície alvo com um detergente até que a área esteja visivelmente limpa. O uso de um detergente é importante porque levantará os detritos das superfícies. Os detergentes devem ser enxaguados da superfície alvo porque alguns podem inativar os desinfetantes. Essas duas etapas são as mais importantes e, em muitos casos, sozinhas descontaminam uma superfície. A etapa final é a aplicação de um desinfetante para matar quaisquer esporos residuais Prognóstico: O prognóstico é bom em pacientes com dermatofitose superficial e cães com reações de kerion. ➔ QUÉRION (Dermatofitose nodular): -A dermatofitose é uma afecção fúngica que pode acometer cães e gatos de diversas idades. Uma apresentação pouco comum para esta doença é sua forma nodular, chamada quérion. - Quérion (dermatofitose nodular) é uma apresentação clínica de micose cutânea caracterizada por uma dermatite profunda que varia de uma reação granulomatosa até piogranulomatosa, com aspecto de nódulo edematoso, circular e alopécico -Em animais é causado principalmente pelas espécies de dermatófitos Microsporum gypseum, M. canis e Trichophyton mentagrophytes - Este quadro é reflexo de uma resposta inflamatória, resultante de uma reação de hipersensibilidade do hospedeiro, estimulada pelos produtos metabólitos do dermatófito. Em muitos casos coexiste uma infecção bacteriana que é normalente causada por Staphylococcus intermedius - Diagnóstico e tratamento: Os mesmos utilizados na dermatofitose, mas nesse caso o tratamento sistêmico é o mais recomendado QUÉRION Apresentação de quérion em cadela, a tutora também relatou apresentar lesão de pele, que foi uma informação importante para fechar o diagnóstico Lesões causada pelo agente Trichophyton mentagrophytes: - Quando acomete a unha, causa deformação na unha, fragilidade e crescimento tortuoso. Na unha o tratamento é mais demorado - Esse agente costuma causa bastante lesões crostosas e pode ter diagnóstico diferencial de pênfigo foleaceo ➔ MALASSEZIA O gênero Malassezia é composto por um grupo de leveduras lipofílicas que evoluíram como comensais cutâneos e patógenos cutâneos oportunistas de uma variedade de mamíferos e aves. A dermatite por Malassezia em cães e gatos evoluiu de uma doença obscura e controversa sobre sua existência, para agora ser um diagnóstico de rotina na prática veterinária geral. Os sinais clínicos são bem reconhecidos e as abordagens diagnósticas são bem desenvolvidas. Uma gama de terapias tópicas e sistêmicas é reconhecidamente eficaz, principalmente quando os fatores predisponentes são identificados e corrigidos. -Malassezia pachydermatis é um habitante normal da pele e mucosas caninas saudáveis. Malassezia pachyder matis também predomina na pele do gato doméstico, embora outras espécies sejam ocasionalmente identificadas, principalmente M. nana no canal auditivo e M. slooffiae na prega ungueal. O tamanho da população varia marcadamente entre os sítios anatômicos e entre as diferentes raças. Essas populações comensais de Malassezia fornecem um reservatório de leveduras que podem proliferar e/ou induzir uma resposta inflamatória sob a influência de vários fatores predisponentes do hospedeiro - Patogênese: A presença de um fungo nutricionalmente absorvente dentro do estrato córneo expõe o hospedeiro a uma série de produtos químicos, imunógenos e alérgenos, incluindo carboidratos, proteínas e lipídios associados à parede celular fúngica; enzimas secretadas que geram tanto substratos para nutrição quanto uma série de subprodutos metabólicos irritantes. A parede celular de Malassezia spp. é incomum em espessura e interação com outros micróbios comensais também pode influenciar a patogenicidade e a expressão de fatores de virulência. Assim, essas leveduras comensais provavelmentesão altamente reguladas por interações contínuas com o sistema imunológico do hospedeiro e essas interações determinam se o resultado é inflamação(ou seja, doença fúngica) ou não -A aderência e ligação especifica do micróbio as células do hospedeiro é um passo chave na colonização e infecção de animais pelos fungos oportunistas e patogênicos. A adesão de M. pachydermatis aos corneócitos caninos envolve uma pequena família de proteínas que são covalentemente ligadas aos carboidratos da parede celular e ancoradas a membrana plasmática. As células da malassezia aderidas aos queratinócitos tem potencial apara modular a expressão de uma série de citocinas, quimiocinas e peptídeos antimicrobianos, o resultado dos quais pode ser imunoestimulante (como pode ocorrer em estado patológico, caracterizado pelo desenvolvimento de inflamação cutânea) ou imunossupressor (promovendo transporte de patógenos oportunistas) - Conforme dito, uma mudança na imunidade do hospedeiro, microclima da pele alterado ou perturbação na fisiologia epidérmica associada a doenças concomitantes pode predispor aos animais a apresentação clínica da malassezia Raças predisponentes: West Highland White terriers, setters ingleses, shihtzus, basset hounds, Cocker spaniels, boxers, dachshunds, poodles, Devon rex e sphynx - Doenças inflamatórias pruriginosas, como dermatite atópica pode criar alterações microclimáticas da pele devido a arranhões (lesão de descontinuidade da pele), lambidas (umidade adicionada) ou aumento da produção de sebo pode proporcionar a proliferação da malazessia e consequentemente aumentar a inflamação associada a dermatite atópica ➔ Apresentação clínica em cães: A dermatite por Malassezia geralmente se apresenta como dermatite pruriginosa ou otite e é um importante diagnóstico diferencial em qualquer cão com esses sinais -O prurido pode manifestar-se como fricção da face, sacudir a cabeça, coçar as orelhas, lamber/ mastigar a pata, escoriação anal ou coçar generalizado, dependendo da localização da infecção - Lesões cutâneas em cães com dermatite por Malassezia podem ser localizadas ou generalizadas. -Ao exame, as lesões cutâneas são caracterizadas por eritema difuso e quantidades variáveis de escamas cerato-sebáceas que podem ser marrom, amarela ou cinza ao prurido. Quando a paroníquia está envolvida, há coloração vermelho-marrom das garras (Figura 5) ou cabelo, com inflamação do tecido mole circundante. - Casos crônicos podem ter liquenificação acentuada. A hiperpigmentação também pode ocorrer com cronicidade, dependendo da raça; por exemplo, os West Highland white terriers normalmente desenvolvem essa alteração com doença crônica (Figura 6), enquanto os basset hounds normalmente não. Cães com lesões generalizadas geralmente têm um odor desagradável e rançoso. - A hiperpigmentação vai estar presente em processos inflamatórios crônico porque esses processos geram aumento da produção de melanina Hiperpigmentação em processo crônico Liquenificação ➔ Apresentação clínica em gatos: Eritema, geralmente com escamas cerato-sebáceas, e prurido (mínimo, leve, moderado ou intenso) dominam a apresentação clínica. Pode haver otite externa concomitante e uma predileção por raça observada (Devon rex, sphynx). A dermatite por Malassezia pode ocorrer em gatos que apresentam um fenótipo de doença alérgica da pele, dermatite facial idiopática (Persa / Himalaia), acne felina e distúrbios médicos internos graves, como alopecia paraneoplásica felina e dermatite esfoliativa associada ao timoma. ➔ Diagnóstico: Passar um swab nas dobras; fita de acetado para citologia em objetiva de 100x Exame citológico utilizando fita de acetato ➔ Tratamento: O tratamento da malasseziose é o mesmo da dermatofitose, ou seja, pode ser utilizado como terapia tópica o shampoo de miconazol associado com a clorexidina a 2% ou pode ser utilizado o enxofre, só precisa ter cuidado porque o enxofre resseca a pele, mas nos casos de malassezia isso não é um problema já que a pele desses animais vai estar bastante oleosas. E para terapia sistêmica o mais recomendado é a utilização do itraconazol - A griseofuvina não é eficaz para malasseziose - A griseofuvina e cetaconazol sistémico tem alta toxicidade para os animais TRATAMENTO TÓPICO – C = Candidíase; D = Dermatofitose; M= Malasseziose ESPOROTRICOSE sporotricose é uma micose subaguda ou crônica causada pelos fungos do gênero Sporothrix. A doença acomete o homem e muitos animais, especialmente os felinos domésticos. A micose pode se apresentar na forma cutânea localizada, linfocutânea, linfática ou disseminada, e raramente evolui para a forma extracutânea. tem aspectos micro e macromorfológico distintos, em função do substrato e da temperatura, naquela ambiente (25 ºC) é filamentoso e a 37 ºC é leveduriforme, tal como se apresenta no suscetível, animal ou humano Figura 1 - Sporothrix schenckii na forma de micélio, a 27° Figura 2 - Sporothrix schenckii na forma de levedura a 37°C A infecção se dá pelo contacto com o solo (transmissão dita geofílica, a partir do escavar e encobrir as dejeções com terra pelo hábito inato dos felinos), com vegetais secos ou em decomposição e cascas de arvore (locais de afiação ungueal de gatos errantes), pela mordedura e arranhadura do suscetível - Patogenia: O Sporothrix sp não é capaz de penetrar a pele intacta; logo, a infecção ocorre geralmente por inoculação do agente, quando o fungo penetra camadas mais profundas do tecido e se converte para a forma de levedura. A partir desse ponto, o agente pode permanecer no local da inoculação e desenvolver lesões nodulares que ulceram centralmente e drenam exsudato castanho- avermelhado ou purulento, ou pode se disseminar pela via hematógena ou linfática e se estabelecer nos olhos, trato gastrointestinal, sistema nervoso central e outros órgãos. A forma que assume a doença é determinada pela resposta imunológica do hospedeiro. A inalação, aspiração ou ingestão do fungo podem também produzir doença - O período de incubação nos animais pode oscilar entre um e três meses - Achados clínicos: Nos felinos, altamente suscetíveis a esporotricose, a evolução é rápida. Os sinais variam de uma infecção subclínica, apresentando uma única lesão em pele com regressão espontânea, para até uma forma fatal de manifestação sistêmica devido a disseminação hematógena. Na forma disseminada, os sinais sistêmicos são febre, mal-estar e anorexia. Os gatos apresentam três síndromes clínicas: a) cutânea localizada, b) linfocutânea e c) cutânea disseminada. A forma cutânea, a mais comumente observada, é caracterizada por feridas que ulceram centralmente, drenando um exsudato castanho-escuro. Os principais sintomas são lesões, nódulos e ulcerações em pele e mucosas, principalmente em regiões da cabeça, lombar e porção distal dos membros.. - Diagnóstico: Demonstração do fungo por microscopia direta do exsudato, exame histopatológico e cultivo do S. schenckii a partir de biopsia Exames laboratoriais: Hemograma, exame de urina ou bioquímica sérica - Diagnósticos diferenciais: Os sinais clínicos da esporotricose não são específicos e podem ser observados em outras doenças. Por isso, deve ser efetuado o diagnóstico diferencial para doenças bacterianas, como pioderma, micobacteriose, nocardiose, actinomicose, criptococose, complexo granuloma eosinofílico, neoplasia, lúpus, pênfigo vulgar, parasitas e lesões induzidas por fármacos. - Tratamento: Terapia de escolhapara gatos: - Itraconazol: 10 mg/kg VO 1x ao dia, podendo fracionar esta dose e administrar a cada 12 horas - Associação eficiente para gatos: Itraconazol + 5- fluocistosina (Ancotil) no mínimo durante 1 mês e mais 1 semana após a cura clínica - O uso de glicocorticoides e outros imunossupressores é contraindicado durante o tratamento - Terapia de escolha para cães: - Terbinafina: 30-40 mg/Kg a cada 12 ou 24h - Fluconazol: 10mg/Kg a cada 24 horas com alimento -5-Fluocitosina: 40-60mg/kg VO 1x ao dia -Prognóstico: Cães: Reservado a favorável - Com terapia apropriada involui em 10 ou 15 dias Gatos: Reservado a desfavorável – Caraterísticas zoonóticas e a terapia é longa podendo demorar até aproximadamente 6 meses, porém é curativa CRIPTOCOCOSE CRIPTOSPORIDEO DOENÇAS PARASITÁRIAS - Demodicose demodicose ocorre quando os ácaros Demodex , que fazem parte da flora normal de um animal, proliferam na pele (mais frequentemente no folículo piloso) - No cão, eles são transmitidos durante os primeiros dias de vida da mãe para os filhotes, quando ocorre a apresentação clínica do demodex em adultos é porque está relacionado a alguma doença base ou quando os animais estão imunologicamente comprometidos ou são submetidos a terapia imunossupressora - Três espécies de ácaros Demodex afetam os cães: D canis, D injai (ácaro de corpo longo) e D. cornei (ácaro de corpo curto). - Duas espécies afetam os gatos: D cati (ácaro de corpo longo) e D gatoi (ácaro de corpo curto e largo). - Com excessão do Demodex gatoi no gato, o cão é a única espécie onde animais jovens e saudáveis desenvolvem a demodicose. Esta demodicose juvenil foi presumivelmente devido a deficiência medidada por células Ácaro de corpo longo Demodex felino - A demodicose pode se desenvolver em qualquer idade. - Nenhuma predileção por sexo é observada em cães ou gatos. - As raças com maior risco de desenvolver demodicose generalizada de início juvenil devido a D canis incluem shar-peis, pit bulls, Boston terriers, buldogues ingleses, boxers, pinschers miniatura, Great Danes e pugs - Evidências emergentes sugerem que fox terriers de pelo duro, e terriers em geral, também podem estar predispostos à demodicose. - Não há predileção por raça reconhecida em gatos - Em cães jovens a demodicose tem uma base genética e provavelmente múltiplos genes são envolvidos - Fatores de risco para cães e gatos: doenças crônicas graves, neoplasias, uso prolongado de glicocorticóides e quimioterapia. - Em cães, os fatores de risco para demodicose generalizada de início juvenil incluem piodermite, coccidiose, ancilostomídeos, pelagem curta e falta de participação em um plano de bem-estar de cuidados preventivo - A demodicose focal é comum em filhotes e estresse fisiológico e debilitação são fatores de risco -Em gatos, D. gatoi é contagioso. Gatos em risco para esta infestação tendem a vir de populações de alta densidade Fisiopatogenia: A doença clínica resulta da proliferação excessiva de ácaros na pele devido a defeitos ou comprometimento do sistema imunológico da pele. -Sinais clínicos: A demodicose juvenil em cães apresenta uma grande variedade de sinais clínicos, desde alopecia leve e localizada até formas generalizadas graves com sinais Sistêmicos proeminentes. Essas variações podem ser observadas na mesma ninhada de filhotes - No cão, as formas localizadas e generalizadas de demodicose foram diferenciadas com base no fato de que a grande maioria dos cães com demodicose localizadas entraram em remissão espontânea sem tratamento. - Os sinais clínicos se desenvolvem após a proliferação do ácaro; eles dependem do grau de proliferação do ácaro Inicialmente, pode haver hipotricose/alopecia não inflamatória e/ ou dermatite inflamatória com eritema leve, formação de comedões, descamação e hipotricose/alopecia associada As lesões podem ser focais ou multifocais a coalescentes envolvendo grandes áreas do corpo. Tamponamento folicular, dilatação e hiperpigmentação dos óstios foliculares capilares podem estar presentes e, quando vistos, são indícios clínicos da doença. A demodicose do pedal comumente causa hiperpigmentação bastante acentuada (de ambos os folículos e da pele circundante) e pode apresentar inflamação interdigital significativa, edema e dor. Em apresentações mais inflamatórias, pápulas de orientação folicular podem se desenvolver. O prurido geralmente não é característico de apresentações mais leves; no entanto, é mais comum se a variante morfológica de corpo curto de D. canis estiver presente e/ou se ocorrer infecção bacteriana secundária. Cilindros foliculares (escama aderente às hastes capilares) podem estar presentes Na doença mais grave ou avançada, a infecção bacteriana secundária pode levar a pústulas foliculares, furunculose com escamas, crostas, exsudação e ulceração com tratos de drenagem. A demodicose pustulosa grave e generalizada pode ser dolorosa e associada a hiperpigmentação, linfadenopatia, letargia e febre. Nesses cães gravemente afetados, a septicemia secundária à infecção bacteriana é possível e pode até ter um desfecho fatal - Demodex injai foi relatado em várias raças de cães, mas parece super-representado em raças terrier e seus cruzamentos.60 Embora possa estar associado a eritema, formação de comedões, hiperpigmentação e alopecia, semelhante a D. canis, a característica clínica mais marcante e consistente é a oleosidade acentuada do tronco dorsal - Sinais clínicos em gatos: Demodex cati pode causar doença localizada ou generalizada e as lesões incluem eritema, hipotricose/alopecia, escamas e crostas (Figura 6). O prurido é variável, mas pode ser intenso em alguns indivíduos. Doença generalizada com geralmente está associada a uma doença subjacente, como o vírus da imunodeficiência felina, xantoma ou diabetes mellitus. Em alguns gatos, nenhuma outra doença pode ser identificada Demodex gatoi é um ácaro contagioso que habita o estrato córneo (como Sarcoptes) e a característica clínica mais comum é o prurido que varia de leve a muito intenso. As lesões cutâneas além da alopecia auto-induzida e escamação são hiperpigmentação secundária, erosão superficial e ulceração. As alterações são predominantemente tronculares, sendo o abdome ventral relatado como local de predileção RESUMÃO DOS SINAIS CLÍNICOS A demodicose em cães é caracterizada por alopecia e comedões, cilindros foliculares, pápulas e pústulas. Em cães mais severamente afetados podem desenvolver-se crostas com infecções bacterianas secundárias e sinais sistêmicos. Cães com demodicose por D. canis também podem apresentar prurido, principalmente quando há infecção secundária. Demodex injae ocorre com mais frequência em raças terrier e, além disso, causa oleosidade excessiva. Em gatos, D. cati apresenta sinais clínicos semelhantes, enquanto que, em contraste, as infestações com o contagioso D. gatoi geralmente levam a prurido troncular - Diagnóstico: - Raspado cutâneo: As raspagens cutâneas profundas são consideradas a ferramenta diagnóstica de escolha na maioria dos pacientes com suspeita de demodiose. As amostras podem ser coletadas com curetas, espátulas, lâminas de bisturi. Colocar uma gota de óleo minera no instrumento de amostragem ou diretamente na pele é útil para uma melhor aderência dos detritos amostrados ao instrumento. Múltiplas raspagens de aproximadamente 1 cm2 de pele afetada devem ser realizadas na direção do crescimento do cabelo e, principalmente, a pele deve ser espremida constantemente ou intermitentemente durante a raspagempara extrudar os ácaros da profundidade dos folículos para a superfície. Apertar a pele mostrou aumentar o número de ácaros encontrados. Lesões primárias como pápulas foliculares e pústulas devem ser selecionadas para obter o melhor rendimento. Se no início precoce pápulas e pústulas não estiverem presentes, áreas eritematosas e alopécicas devem ser escolhidas. As áreas ulceradas não são adequadas, pois são menos propensos a encontrar parasitas em tais áreas. A pele é raspada até que ocorra sangramento capilar, indicando profundidade suficiente da raspagem. Os detritos recolhidos devem ser de cor avermelhada a acastanhada, indicando material suficiente Os detritos são então transferidos para uma lâmina, misturados com óleo mineral e examinados com uma lamínula ao microscópio - As amostras devem ser avaliadas imediatamente - Como os ácaros Demodex fazem parte da microfauna normal, um ácaro identificado em várias raspagens profundas da pele pode ser um achado normal, mas incomum. No entanto, mais de um ácaro é fortemente sugestivo de demodicose clínica. Se apenas um ácaro for encontrado em um cão com sinais clínicos compatíveis, outras raspagens de pele devem ser realizadas para confirmar o diagnóstico Raspado cutâneo profundo - Tricograma: têm sido relatados como uma alternativa aos raspados cutâneos profundos e são particularmente úteis em áreas de difícil raspagem, como áreas perioculares e interdigitais. Uma área de 1 cm2 deve ser arrancada com fórceps no sentido do crescimento do cabelo e colocada em uma lâmina de óleo minera Ácaros em tricograma - Teste de fita: As fitas adesivas também têm sido relatadas como um excelente método de diagnóstico da demodicose canina. Ao apertar a pele, a fita de acetato é pressionada sobre a pele com a superfície adesiva para baixo e depois fixada em uma lâmina. - Em casos de não detecção do ácaro nos exames anteriores ou em granulomas, pode ser realizado a biopsia de pele - O exame direto do exsudato de pústulas ou tratos de drenagem pode revelar ácaros em alguns casos. As amostras podem ser coletadas espremendo o exsudato em uma lâmina de vidro e visualizadas pela adição de óleo mineral e uma lamínula. - Em gatos, D gatoi é contagioso. Gatos em risco para esta infestação tendem a vir de populações de alta densidade. estresse fisiológico e debilitação são fatores de risco. - Os ácaros são encontrados em raspagens profundas da pele ou através de tricogramas capilares; os últimos são úteis para locais de amostragem próximos aos olhos ou difíceis de raspar (por exemplo, áreas interdigitais). Depenar o pelo pode ser o teste diagnóstico de escolha para amostragem de cães com pelo oleoso - Os ácaros D cati tendem a ser facilmente encontrados em raspados de pele. - Os ácaros D gatoi podem ser difíceis de encontrar mesmo quando o paciente apresenta prurido grave. Para esses ácaros, os testes sugeridos incluem raspagens superficiais amplas da pele, arrancamento de pelos, flutuações fecais ou resposta à terapia - Os teste laboratoriais são mais úteis ao procurar a causa subjacente da demodicose de inicio adulto em cães Diagnóstico diferencial: A demodicose canina pode mimetizar qualquer doença de pele; a regra geral é ‘’ demodicose até que prove o contrário’’ - Em gatos deve-se considerar a demodicose em qualquer gato com queda de cabelo, alopecia simétrica ou prurido Tratamento para cães: Isoxazolinas: Recentemente, um grupo de parasiticidas também eficaz contra demodicose canina foi introduzida na medicina veterinária. Esses ectoparasiticidas são isoxazolinos e incluem fluralaner, sarolaner, afoxolaner e lotilaner. Estas moléculas tem como alvo um sítio de ligação que inibe os canais de cloreto de insetos e acaro, em particular aqueles controlados pelo neurotransmissor GABA, bloqueando transferências pré e pos sinpaticas de ions cloreto através das membranas celulares. A hiperexcitação prolongada induzida por isoxazolina resulta em atividade descontrolado do SNC e morte do insetos e acarinos. -Fluralaner: é uma isoxazolina que atinge concentração máxima dentro de 24h e é quantificada no plasma por até 112 dias após uma única administração - Absorção aumentada quando dada junto com alimento - Eliminada pelas fezes com excreção hepática -Adm via oral de 3 em 3 meses - A forma de adm aumenta a adesão do tratamento pelo tutor, o que promove um maior sucesso no tratamento - Em estudo, raspados de pele foram negativos em todos os cães tratados com fluralaner após 56 dias - Efeitos colaterais são incomuns ou raro - Fluralaner é um método eficaz, seguro e uma conveniente opção de tratamento para todas as raças de cães com demodicose. Porém, devido a casos muito raros de efeitos adversos neurológicos, é recomendado uso com cautela para cães com epilepsia pré-existente Nome comercial do FLuralaner: Bravecto - Afoxolaner: Um dos membros da família das isoxazolinas -é uma forma eficaz e segura de controle de pulgas e carrapatos - Efeitos adversos raros ou ausentes - devido a casos muito raros de efeitos adversos neurológicos, é recomendado uso com cautela para cães com epilepsia pré-existente - Altamente eficaz para tratamento de demodicose -Produto saboroso com sabor carne - Após a administração por via oral em cães é rapidamente absorvido pela circulação sistêmica - Altamente ligado a proteínas - Eliminado lentamente pelo corpo com excreções biliares -Meia vida plasmática terminal de 15 dias Nome comercial do foxalaner: Nexgard - Saralaner: Esta isoxazolina pode ser usado com segurança para cachorros a partir de oito semanas de idade - Em um estudo inicial in vivo em cães, o sarolaner demonstrou eficácia robusta (99,8%) por 35 dias contra pulgas e carrapatos p -Possui rara reação adversa - Sarolaner está atualmente autorizado como mastigável comprimido com indicações para o tratamento de pulgas, carrapatos, demodicose e ácaros de orelha Nome comercial do Saralaner: Simparic Lotilano: É a mais nova molécula de isoxazolina - Droga eficaz contra demodicose canina -Em estudos, após a primeira e segunda dose (56 dias) todos os animais tratados deram raspado negativo Nome comercial: Credeli - Tratamento da demodicose felina: - Varios medicamentos têm sido usados para tratar a demodicose felina, incluindo banhos com amitraz, enxofre, invermectina por via oral e por injeção, selemectina, milbeminina e moxidectina/imidaclopride spot on - Porém os tratamentos bem sucedidos foram banhos com enxofre e amitraz, porém nem sempre são bem tolerados pelos felinos - Moxidectin/imidacloprid (advocate): - A administração semanal do spot-on se mostrou eficaz Selemectina (revolution): - Fluralaner: O fluralaner oral spot on tem sido usado em um gato com demodicose levando à rápida resolução dos sinais clínicos e raspagens de pele negativas Prognóstico: Com o advento e uso generalizado da terapia com isoxazolina para controle de pulgas e carrapatos, a incidência futura de demodicose pode ser afetada. Quão proeminente isso efeito será continua a ser visto nos próximos anos. - Curiosamente, o tratamento de 15 cadelas reprodutoras com 25 mg/kg de fluralaner 10 dias antes do acasalamento programado e três meses depois com uma segunda dose, resultou em redução acentuada no número de filhotes saindo com demodicose em comparação com a ninhada anterior - Nesse estudo, todas as 15 cadelas deram aluz a filhotes saudáveis e 14, das 15 ninhadas não desenvolveram demodicose no primeiro ano e dois filhotes de uma ninhada desenvolveram apenas demodicose localizada- Estudo revelou que o fluralaner é eficaz não apenas como tratamento, mas também como prevenção em demodicose juvenil generalizada e com predisposição de à raça - ESCABIOSE: A sarna sarcóptica é a infecção apresentada na pele, causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. Estes ácaros são microscópicos e não podem ser vistos a olho nu. Este parasita se aloja na pele dos animais e gera uma dermatite pruriginosa severa e generalizada. -Dentre os animais, o cão doméstico (Canis lupus familiaris), é indubitavelmente, o animal mais atingido, especialmente quando este é um cão sem tutor ou que se encontra em um Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses - SINAIS CLÍNICOS: - Intenso prurido -Pele fina e sem pelos: abdome ventral, tórax, membros, periocular, focinho, margem da orelha, cotovelo, Joelho - Podem desenvolver uma infecção bacteriana secundária - DIAGNÓSTICO: Raspado de pele O parasitológico é difícil achar e deve ser feita o raspado em em diversos locais e utilizar a óleo mineral - Apenas a presença de 1 ácaro já fecha diagnóstico - Reflexo otopodal: Fricção da ponta da orelha, refleco de coçar com os membros, porém não é patognomônico (82% dos casos positivos, com diagnóstico de escabiose) Ácaro Sarcoptes scabiei - Diagnóstico diferencial: Piodermas, atopia, Hipersensibilidade alimentar, dermatite de contato, dermatite por malassezia, queiletielose, dermatite seborréica, otoacaríase - É um potencial zoonótico - Tratamento: Atualmente são utilizado as Isoxazolinas para tratamento de sarna - Pode ser utilizados também a selemectina (Revolution) e Moxidectin/imidacloprid (advocate) Sarna Notoedrica: A sarna notoédrica (sarna felina) é uma dermatose intensamente pruriginosa e formadora de crostas dos gatos, causada pelo ácaro sarcoptiforme Notoedres cati. O ácaro também pode infestar cães e pode causar lesões transitórias nos seres humanos em contato com os animais infestados. A sarna notoédrica é altamente contagiosa, geralmente por meio do contato direto. O ácaro pode sobreviver fora do hospedeiro por somente alguns dias - Sinais clínicos: A infecção manifesta-se como lesões escamosas, secas, com crostas nas bordas das orelhas e na face e pele espessada e algo coriácea. O purido associado é freqüente intenso, e pode haver graves escoriações na cabeça e no pescoço por arranhaduras. Nos casos típicos as lesões aparecem primeiramente na borda medial do pavilhão auricular e em seguida se disseminam nas orelhas, face, pálpebras e pescoço. Pode difundir-se pela cauda por contato quando o gato se limpa e dorme e pode ter presença de alopecia e liquenificação Arquivo pessoal - Diagnóstico: Os sinais clínicos da sarna notoedrica são bem clássicas e já podem predispor a um diagnóstico somente pela analise clínica, porém, para fechar o diagnóstico deve ser realizado um raspado cutâneo (destacar uma crosta do pavilhão auricular) Ácaro Notoedres cati - Tratamento: Similar ao tratamento da sarna demodex e da escabiose com a utilização de isoxazolinas ou selemectina Linxacariose: Lynxacarus radovskyié um ácaro pertencente à família Listrophoridae, que possui como sua característica anatômica um tamanho que varia em torno de 0,5mm e entre 430 e 515μc de comprimento, propriedades essas que possibilitam a sua permanência na porção distal da haste pilosa do hospedeiro, fato que permite sua visualização a olho nu - Forma de transmissão ocorre principalmente através do contato direto. Contudo, os fômites também são citados como uma importante via de transmissão entre esses animais. Contudo, é de suma importância destacar que mesmo em uma população grande de felinos em determinado ambiente,apenas uma quantidade menor pode se infectar, haja vista que o agente não possui um alto poder de contágio - Sinais clínicos: - A maior parte dos animais manifestam de forma subclínica - Quando visíveis, os sinais clínicos apresentados variam no que diz respeito a intensidade, de acordo com o parasitismo do ácaro no animal examinado e do tempo de duração da infestação - Os sintomas clínicos mais relatados da infecção por esse agente são pruridos com intensidade variada, pelagem que lembra o aspecto de “sal e pimenta” no pelo do animal, além de possíveis áreas alopécicas que podem ser justificadas pela facilidade da queda de pelo no manuseio do animal infectado, podendo surgir caspas e dermatite miliar - animal pode manifestar distúrbios gastrointestinais em decorrência do excesso de lambedura, podendo ocasionar êmese, irritação ou prolapsos retais, constipação e bolas de pelo - Diangóstico: Avulsão do pelo da área mais afetada e visualização em microscópio é interessante adicionar o hidróxido de potássio na lâmina para uma melhor visualização - Muito comum na região de Ilhéus/Itabuna 35% dos gatos - Tratamento: Selemectina, Isoxazolina (de preferência o furalaner) Infestação por pulga e carrapatos: - Carrapato: Rhipicephalus, Amblyomma - Podem causar reações cutâneas -Podem ser vetores de diversas enfermidades (algumas zoonoses) -Pulgas: Ctenocephalides felis -DAPP: Deermatite atópica por picada de pulga -Tratamento: agentes pulicidas e carrapaticidas (Isoxazolinas) Animal com DAPP DAPP: Ctenocephalides felis é a principal espécie de pulga queinfesta tanto cães como gatos. Ela também representa o ectoparasita mais importante para cães em muitas partes do mundo. Sem tratamento, a infestação persistente de pulgas pode induzir prurido intenso e trauma autoinfligido. Com a exposição repetida, os cães podem desenvolver hipersensibilidade aos componentes da saliva da pulga, uma “condição” que leva à dermatite alérgica a picada de pulgas (DAPP). Os cães predispostos à DAPP e que vivem em uma área endêmica, normalmente desenvolverão sinais clínicos aproximadamente aos 5 anos de idade. No entanto, os sinais clínicos podem aparecer em qualquer idade, particularmente se os animais mudarem de uma área de baixa exposição ao risco para uma área onde as pulgas são endêmicas. Tendo ocorrido a sensibilização, basta um pequeno número de picadas de pulga para iniciar a reincidência clínica . Nos cães, a apresentação clínica típica da DAPP é uma dermatite papular pruriginosa que fica concentrada nas ancas, tórax dorsal, flancos, rabo e área perineal. O prurido fica geralmente focalizado nas áreas caudais e no rabo, embora alguns cães expressem prurido generalizado. Os sinais clínicos podem incluir alopecia, crostas, hiperpigmentação, liquenificação e lesões de dermatite piotraumática. Infecções de pele secundárias frequentemente complicam o quadro clínico dos cães, que podem desenvolver foliculite bacteriana e/ou dermatite por Malassezia - Dermatite à picada de mosca: -Carcaterizadas por áreas eritematosas, crostas hemorrágicas e erosões localizadas em região de margem de orelha -Tratamento deve ser realizado com solução antissépticas e repelentes - Miiase: Infestação por larvas de Dermatobia hominis causam lesões nodulares, conhecidas como dermatobiose ou berne -Tratamento é realizado por remoção mecâninca das larvas Mosca Dermatobia hominis Tunguiase: Tunga penetrans conhecido como ‘’bicho de porco e ‘’bicho de pé’’ - Terapia: Remoção mecânica e uso de antiparasitários Tunga penetrans -- Afecções dermatológicas imunomediadas - Atopia: Dermatopatia inflamatóriae pruriginosa, com predisposição genética, caracterizadas por manifestações clínicas associada com aumento de igE contra antígenos ambientais e ativação de resposta imune celular - Predisposição: -Algumas raças são mais predispostas que outras: shar-pei, Lhasa Apso, Shih Tzu, Dálmata, Pug, Golden, Bocer, Labrador e Scnauzer miniatura - Fêmeas são mais predispostas -Incidência na população felina é desconhecida -Exposição pode ser via epicutânea, inalatória ou oral - Sinais clínicos: -Prurido, principalmente em região de face, paras, axila e virilha - Eritema, escoriação, hiperpigmentação, liquinificação, otite externa, dermatite por lambedura acral, pododermatite - Podem ter associações com dermatite alérgica à picada de pulgas, pioderma bacteriano secundário, infecção por malassezia secundária - Principais características: Primeira apresentação em idade inferior há 3 anos (6 meses - 3anos); Histórico familiar de atopia; Prurido no inicio da apresentação clínica (prurido sem outras lesões iniciais); É responsivo a corticoide, Piodermas recorrentes, acometimento dos membros, otite externa (50% dos casos), acometimento da região perioral - Diagnóstico diferencial: - Prurido sem lesão primária podemos pensar em hipersensibilidade alimentar, seborreia primária ou dermatite psicogênica - Prurido com pápulas: Pioderma, DAPP, Escabiose/demodicose, ectoparasitos, hipersensibilidade por contato - Diagnóstico: Histórico, sinais clínicos, exclusão dos diferenciais, teste de exclusão para hipersensibilidade alimentar, teste intradérmico, dosagem de IgE - Diagnóstico clínico: Ao menos três dos “sinais principais” ◦ Prurido ◦ Envolvimento facial e / ou digital ◦ Liquenificação da superfície flexora do tarso ou extensor superfície do carpo ◦ Dermatite crônica ou recidivante crônica ◦ História individual ou familiar de atopia ◦ Predileção da raça - Ao menos três dos “sinais secundários”: ◦Início dos sinais antes dos 3 anos de idade ◦ Eritema facial ◦ Conjuntivite bacteriana ◦ Pioderma estafilocócica superficial ◦IgE específica de alérgeno elevada TESTE INTRADERMICO