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UM ESTUDO SOBRE REABILITAÇÃO PREDIAL: caso da reabilitação em meio ocupado de alojamentos sociais na área metropolitana de Paris LIVIA BEATRIZ MACHADO DE ALMEIDA 2021 UM ESTUDO SOBRE REABILITAÇÃO PREDIAL: caso da reabilitação em meio ocupado de alojamentos sociais na área metropolitana de Paris LÍVIA BEATRIZ MACHADO DE ALMEIDA Projeto de Graduação apresentado ao curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Orientador: Profa. Rosane Martins Alves RIO DE JANEIRO Abril de 2021 UM ESTUDO SOBRE REABILITAÇÃO PREDIAL: caso da reabilitação em meio ocupado de alojamentos sociais na área metropolitana de Paris Lívia Beatriz Machado de Almeida PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL. Examinado por: ________________________________________________ Profa. Rosane Martins Alves, D.Sc. ______________________________________________ Prof. Elaine Garrio Vazquez, D.Sc. _______________________________________________ Prof. Eduardo Linhares Qualharini, D.Sc. _______________________________________________ Prof. Assed Naked Haddad, D.Sc. RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL Abril de 2021 Almeida, Lívia Beatriz Machado de Um estudo sobre reabilitação predial: caso da reabilitação em meio ocupado de alojamentos sociais na área metropolitana de Paris/ Lívia Beatriz Machado de Almeida – Rio de Janeiro: UFRJ/Escola Politécnica, 2021. xii, 127 p.:il.; 29,7 cm. Orientador: Rosane Martins Alves Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de Engenharia Civil, 2021. Referências Bibliográficas: p. 111-116 1. Introdução 2. Reabilitação 3. Reabilitação no Brasil 4. Caso: Reabilitação de alojamentos sociais em meio ocupado na área metropolitana de Paris 5. Recomendações para projetos de reabilitação voltados para habitação I. Alves, Rosane Martins. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Civil. III. Reabilitação Predial: Caso da Reabilitação em Meio Ocupado de Alojamentos Sociais na Área Metropolitana de Paris Dedico este trabalho à minha mãe, Mara Cintia Machado da Silva, minha família, meus amigos e meus professores, sobretudo, minha orientadora Rosane Martins Alves e a professora Elaine Garrido Vazquez. Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/ UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro Civil. UM ESTUDO SOBRE REABILITAÇÃO PREDIAL: caso da reabilitação em meio ocupado de alojamentos sociais na área metropolitana de Paris Lívia Beatriz Machado de Almeida Abril de 2021 Orientadora: Rosane Martins Alves Na década de 50, o Brasil passou por um processo de aumento da densidade populacional urbana através da verticalização das cidades e, com o passar dos anos, uma grande quantidade de edifícios se encontra em processo de degradação, necessitando de reabilitação. Contudo, a quantidade de projetos de reabilitação realizados no Brasil é muito inferior ao número de edificações que demandam este tipo de intervenção. Dessa forma, é necessário que o conceito e os métodos de reabilitação se popularizem para que se possa atender essa demanda da forma mais adequada possível. Este trabalho pretende apresentar o conteúdo presente na bibliografia e na norma brasileira referente a métodos e técnicas de aplicação da reabilitação predial. Além disso, será apresentado o caso de um projeto de reabilitação de alojamentos sociais em meio ocupado na área metropolitana de Paris. A partir da associação do levantamento bibliográfico com a experiência adquirida no caso, serão expostas recomendações para estimular a realização de projetos de reabilitação voltados para edificação. Palavras-chave: Reabilitação predial, Reabilitação urbana, Alojamentos sociais. Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Engineer. A STUDY ON BUILDING REHABILITATION: case of a rehabilitation project in an occupied social housing site in the Paris metropolitan area Lívia Beatriz Machado de Almeida April 2021 Adviser: Rosane Martins Alves In the 1950s, Brazil underwent a process of urban densification characterized by the verticalization of cities and, over the years, many of the buildings constructed since that time went through a process of degradation, requiring rehabilitation. However, the number of rehabilitation projects carried out in Brazil is much lower than the amount of buildings in demand of rehabilitation. It is, therefore, necessary that the concept and methods of rehabilitation become popular so that this demand can be met in the best possible way. This work intends to present the content regarding the methods and techniques applicable to building rehabilitation available the Brazilian bibliography and norm. In addition, a case of a rehabilitation project in an occupied social housing site in the Paris metropolitan area will be presented. Based on the association of the bibliographic research with the experience acquired in the case, recommendations to encourage housing rehabilitation will be proposed. Keywords: Building rehabilitation, Urban rehabilitation, Social housing. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1.1 - Antigo Instituto de Eletrotécnica e Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), na Rua Visconde do Rio Branco, na Praça da República. ................................................................................................ 21 Figura 1.2 - Automóvel Clube, na Rua do Passeio ......................................................... 21 Figura 1.3 - Reabilitação de alojamentos sociais em Nanterre, na França. .................... 22 Figura 2.1– Comparativo entre novas edificações e as que sofreram Manutenção/Reabilitação ....................................................................................... 26 Figura 2.2 – Divisão do mercado da construção nos países europeus em subsetores em 2018 ........................................................................................................................ 26 Figura 2.3 - Desenvolvimento da renovação de edifícios na Alemanha ........................ 27 Figura 2.4 - A reabilitação de edifícios no contexto do setor da construção civil e as atividades que pode compreender........................................................................... 30 Figura 3.1 – Esquema do grupo de agentes interessados nos projetos de reabilitação predial no Brasil ..................................................................................................... 41 Figura 3.2 – Shopping Jardim Pamplona ....................................................................... 46 Figura 3.3 – Villa Aymoré após projeto de reabilitação................................................. 49 Figura 3.4 – Causas das anomalias em edificações ........................................................ 50 Figura 3.5 - Fatores que influenciam os níveis de intervenções ..................................... 54 Figura 3.6 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 1: Diagnóstico do imóvel ..... 58 Figura 3.7 – Fluxogramadas fases da reabilitação. Fase 2: Projeto ............................... 58 Figura 3.8 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 3: Planejamento e gestão da produção ................................................................................................................. 59 Figura 3.9 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 4: Ocupação da edificação. ... 59 Figura 3.10 – Cobertura provisória colocada acima da original para possibilitar a intervenção neste elemento com uma menor influência de fatores externos ......... 64 Figura 3.11 – Montante de agregado reciclado produzido na usina recicladora da Prefeitura Municipal de São Paulo ......................................................................... 70 Figura 3.12 – Agregados reciclados selecionados em diversas frações ......................... 70 Figura 4.1 – Localização das intervenções de reabilitação em relação à Paris .............. 72 Figura 4.2 – Localização das intervenções de reabilitação em relação à Rosny-Sous- Bois ......................................................................................................................... 72 Figura 4.3 – Vista de satélite da obra da reabilitação ..................................................... 73 Figura 4.4 – Visualização 3D do projeto ........................................................................ 74 Figura 4.5 – Piso vinílico e revestimento cerâmico instalados na presença de amianto 78 Figura 4.6 - Plano de implantação do canteiro de obras ................................................. 79 Figura 4.7 - Programa 5S ................................................................................................ 80 Figura 4.8 - Impermeabilização realizada na cobertura ................................................. 81 Figura 4.9 – Fachada projetada e executada ................................................................... 82 Figura 4.10 - Cercas de proteção e andaimes instalados ao redor da fachada ................ 83 Figura 4.11 - Andaimes automatizados utilizados para trabalho nas fachadas .............. 83 Figura 4.12 - Fluxograma do método de execução do sistema de isolamento térmico da obra ......................................................................................................................... 84 Figura 4.13 - Esquema do sistema de isolamento térmico da obra ................................ 84 Figura 4.14 - Exemplo de demarcação das áreas de estocagem provisória .................... 85 Figura 4.15 - Ficha de “Estado Atual” – Parte 1 ............................................................ 86 Figura 4.16 - Ficha de “Estado Atual” – Parte 2 ............................................................ 87 Figura 4.17 - Ficha de trabalho ....................................................................................... 90 Figura 4.18 – Ordem padrão das intervenções ............................................................... 92 Figura 4.19 -Cronograma geral do trabalho em apartamentos ....................................... 93 Figura 4.20 - Cronogramas semanais ............................................................................. 94 Figura 4.21 – Exemplo dos trabalhos de elétrica e hidrossanitários realizados nos apartamentos (substituição do quadro de luz e das tubulações de água) ................ 96 Figura 4.22 – Exemplo de observações feitas durante o autocontrole ........................... 98 Figura 5.1 – Taxa de vacância em prédios de escritórios em SP em 2020 ................... 100 Figura 5.2 – Idade dos imóveis na cidade do Rio de Janeiro ....................................... 103 Figura 5.3 – Reabilitação da fachada do hotel Sofitel, em Copacabana, RJ. ............... 104 Figura 5.4 – Reabilitação da fachada do Edifício Palm Beach, na orla da Praia da Costa, ES. ........................................................................................................................ 104 LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Investimentos da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL em habitação no ano de 2005 ................................................................................................................... 28 Tabela 2.2 – Conceitos relacionados à reabilitação ........................................................ 29 Tabela 2.3 – Iniciativas relacionadas a reabilitação e seus benefícios ........................... 32 Tabela 2.4 – Objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável ............. 35 Tabela 3.1 – Intervenientes de um projeto de intervenção ............................................. 40 Tabela 3.2 – Semelhanças e diferenças entres obras tradicionais e de reabilitação. ...... 42 Tabela 3.3 – Critérios de avaliação de anomalias .......................................................... 51 Tabela 3.4 – Classificação das anomalias ...................................................................... 51 Tabela 3.5– Classificação dos impactos das anomalias segundo os critérios gerais ...... 52 Tabela 3.6– Classificação das anomalias segundo os critérios de análise dos componentes funcionais ......................................................................................... 53 Tabela 3.7– Níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação............................ 54 Tabela 3.8– Níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação............................ 55 Tabela 3.9 – Níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação ........................... 56 Tabela 3.10 – Fases da reabilitação ................................................................................ 60 Tabela 3.11 – Recomendações e táticas a serem implementadas em obras de reabilitação ................................................................................................................................ 62 Tabela 3.12 – Medidas para tornar as obras de reabilitação mais sustentáveis .............. 66 Tabela 3.13 – Tecnologias para tornar as obras de reabilitação mais sustentáveis ........ 66 Tabela 4.1 – Normas para projetos de reabilitação na França ........................................ 74 Tabela 4.2 – Artigos de referência para projetos de reabilitação na França ................... 75 Tabela 4.3 – Trabalhos realizados na obra em questão .................................................. 76 Tabela 4.4 - Informações levantadas nas fichas de “Estado Atual” ............................... 87 Tabela 4.5 - Medidas a serem tomadas para o bom desenvolvimento das intervenções de reabilitação.............................................................................................................. 91 Tabela 4.6 – Classificação dos aspectos dos trabalhos analisados nos autocontroles .... 97 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento CEF - Caixa Econômica Federal CMMAD - Comissão Mundial para o Meio Ambiente HIS - Habitação de Interesse Social IBAPE - Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia PAC - Pró-Lar Atuação em Cortiços ICMS - Imposto sobre a circulação de Mercadorias e Serviços SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES ............................................................................................ 8 LISTA DE TABELAS ................................................................................................... 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS .................................................................... 11 SUMÁRIO ...................................................................................................................... 12 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 15 1.1.1 Considerações Iniciais ...............................................................................15 1.1.2 Reabilitação Predial como Contribuição ................................................. 17 2 REABILITAÇÃO ................................................................................................. 25 2.5.1 Conceito de Sustentabilidade .................................................................... 34 2.5.2 Sustentabilidade Social ............................................................................. 36 2.5.3 Sustentabilidade Ambiental ...................................................................... 37 2.5.4 Sustentabilidade Financeira ..................................................................... 38 3 REABILITAÇÃO NO BRASIL .......................................................................... 40 3.1.1 Exemplos de projetos de reabilitação ...................................................... 44 3.2.1 Identificar e avaliar anomalias/patologias nas edificações .................... 50 3.2.2 Definir o nível de intervenção ................................................................... 54 3.2.3 Determinar a estrutura do processo de reabilitação .............................. 57 4 CASO: PROJETO DE REABILITAÇÃO EM MEIO OCUPADO DE ALOJAMENTOS SOCIAIS NA ÁREA METROPOLITANA DE PARIS ............ 71 4.5.1 Impermeabilização da Cobertura ............................................................ 81 4.5.2 Renovação da Fachada: Procedimento de execução .............................. 82 4.5.3 Sistema de Isolamento Térmico para as Fachadas ................................. 84 4.6.1 États de lieux ou Estado atual ................................................................... 85 4.6.2 Planejamento do trabalho nos alojamentos ............................................ 89 4.6.3 Assistência aos locatários e sua integração no controle dos trabalhos . 95 4.6.4 Gestão da reclamação dos locatários, autocontrole e entrega do apartamento ........................................................................................................... 96 5 RECOMENDAÇÕES PARA PROJETOS DE REABILITAÇÃO VOLTADOS PARA HABITAÇÃO ............................................................................ 99 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. 108 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 111 APÊNDICE A – NORMAS BRASILEIRAS RELACIONADAS AO TEMA DA REABILITAÇÃO ......................................................................................................... 117 15 1 INTRODUÇÃO CONTEXTO E IMPORTÂNCIA DO TEMA 1.1.1 Considerações Iniciais O contínuo processo de esvaziamento do centro das grandes cidades brasileiras, tem se agravado com o passar dos anos. Isso tem ocasionado subutilização da infraestrutura instalada. No que diz respeito às instalações prediais, reverter o processo de esvaziamento dos edifícios, seja por degradação, obsolescência funcional ou, mais recentemente, por obsolescência energética, em função das atuais exigências de sustentabilidade ambiental, exige diferentes tipos de intervenção, cujo conjunto é conhecido como reabilitação A reabilitação de edifícios no Brasil pode ser considerada como necessária. No entanto, programas relacionados à intervenção em edifícios em áreas centrais têm sido timidamente desenvolvidos (JESUS, BARROS 2011). Quando se trata de um empreendimento para reabilitação, o processo de produção envolvido é distinto em relação ao de um edifício novo. A Construção Civil é uma atividade que traz benefícios nos âmbitos econômico e social. A criação de novas construções e a reforma de estruturas já existentes permite a geração de mão de obra, o comércio, a venda e a locação de propriedades (LARUCCIA, 2014). Contudo, inevitavelmente, as edificações se tornam obsoletas com o passar do tempo, conforme já mencionado. Tal obsolescência pode ser advinda de disfunções e falhas dos materiais e sistemas existentes ou da incompatibilidade do edifício com a função a qual se propõe ou é forçado a executar (INDUTA, 2017). Apesar da importância social e econômica da construção civil, tal atividade é extremamente degradante, causando impactos ambientais em todas as etapas de sua cadeia produtiva. No Brasil, estima-se que a construção habitacional utilize uma tonelada de material por metro quadrado construído (SOUZA; DEANA, 2007). A degradação se inicia na fase de extração de matéria prima, representando de 15 a 50% da extração total, sendo a maior parte desses recursos não renováveis. Somente para produzir dois dos agentes principais na construção civil, o concreto e a argamassa, são consumidos 220 milhões de agregados naturais, no Brasil. Já em relação a madeira, 2/3 da sua extração é 16 destinada à construção civil e o uso de árvores de áreas não manejadas gera uma complexa cadeia de impactos ambientais que altera a fauna, a flora e o ar (JOHN, 2007). Além do impacto causado pela altíssima quantidade de recursos extraídos1, da extração podem advir outros impactos físicos, como desmoronamento nas pedreiras de calcário e erosão devido às vibrações produzidas no terreno. A extração de argila em rios pode causar o aprofundamento dos cursos d’água, diminuindo a quantidade de água nos leitos e prejudicando os habitats ali existentes, o que diminui a biodiversidade de diversas regiões. Destaca-se também a questão da escavação de solos contaminados. Estes solos causam “riscos à segurança das pessoas e das propriedades, riscos à saúde pública e dos ecossistemas, restrições ao desenvolvimento urbano e redução do valor imobiliário do terreno” (SÁNCHES, 2001; ARAÚJO; CARDOSO, 2010) Contudo, a degradação continua no processo produtivo dos materiais de construção, sobretudo em se tratando do cimento, é extremamente comum nas obras atuais. Na produção de tal material aglomerante, grandes quantidades de gases poluentes são emitidas na atmosfera: o óxido de enxofre, óxido de nitrogênio, monóxido de carbono, compostos de chumbo e o 𝐶𝑂2. A emissão de 𝐶𝑂2 é particularmente preocupante porque tal gás é responsável pela intensificação do efeito estufa e a quantidade emitida pelas cimenteiras representa aproximadamente 5% da emissão mundial (FELIX; POSSAN, 2018). No processo produtivo, sempre há perdas. Perdas são “[...] toda a quantidade de material consumida além da quantidade teoricamente necessária, que é aquela indicada no projeto e seus memoriais, demais prescrições do executor, para o produto sendo executado[...]”. Simultaneamente, a perda incorporada representa a “[...] incorporação de materiais superiores à teoricamente prescrita [...]” em atividades de moldagem in loco (SOUZA,2005). Na construção civil, como exemplo de perda incorporada, tem-se o aumento da espessura das lajes ou camadas de revestimento em relação a especificação de projeto, para corrigir erros, por exemplo, levando ao consumo excessivo de materiais (ARAÚJO.; CARDOSO, 2010). Segundo o Ministério do Ambiente, além dos impactos relacionados ao consumo de energia, há aqueles associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Estima-se que 1 Disponível em :< https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1569-processo-de-producao-do- cimento-gera-emissoes-e-pode-diminuir-biodiversidade.html> Acesso: 20/10/2020 17 mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes da construção. Há também a geração de resíduos perigosos, que apresenta, de maneira simplificada, três consequências graves: contaminação dos resíduos inertes, que segundo a NBR 100004 de 2004, se mantem inalterados por um longo período de tempo, impactos ao meio físico no local da obra e riscos à saúde e segurançados trabalhadores, vizinhança e sociedade (LARUCCIA, 2014). A contaminação dos resíduos inertes pode acontecer no momento de demolição, por exemplo, se parte da tinta do revestimento ficar aderida nos blocos. Na construção, a contaminação pode ocorrer por falhas na separação dos resíduos na obra (ARAÚJO; CARDOSO, 2010). Segundo Ângulo e John (2006), a presença de resíduos perigosos em aterros de inertes, taludes e obras de infraestrutura causam problemas como a dispersão de fibras de cimento amianto pela compactação em aterros, expondo funcionários e a população local a riscos de saúde e incêndios, pela presença de substâncias orgânicas. Outra consequência da contaminação de resíduos é o aumento da concentração de contaminantes por reciclagem intensa e cíclica (ARAÚJO; CARDOSO, 2010). O uso excessivo de embalagens, que não possam ser reutilizadas ou recicladas, de materiais não renováveis, que utilizem energia em demasia ou que emitam excesso de poluente em sua fabricação, é danoso ao meio ambiente e não incorpora nenhum valor ao empreendimento (ARAÚJO; CARDOSO, 2010). A geração de resíduos perigosos na construção civil, ainda não pode ser totalmente evitada, porém, pode ser minimizada ou controlada. (ARAÚJO; CARDOSO, 2010) E por fim, quando já finalizada a construção, o ambiente construído continua a causar impactos ao meio ambiente, de uma forma contínua. Claro que é necessária a utilização de recursos (água, eletricidade, etc.) pelo homem, porém, tendo em vista a utilização excessiva e exagerada, e a enorme população que usufrui desses bens, é preciso reavaliar esses hábitos para diminuir a degradação ambiental que eles causam (LARUCCIA, 2014). 1.1.2 Reabilitação Predial como Contribuição No cenário atual da construção civil, a reabilitação de edificações vem se mostrando relevante pelo fato de contribuir para um melhor uso do ambiente urbano, diminuir as 18 consequências negativas causadas pela construção civil e reabitar espaços anteriormente inutilizados. Além disso, o custo para requalificar uma edificação desatualizada ou que precisa se adequar a novos usos através da reabilitação é mais baixo do que se comparado a uma construção nova (JESUS; BARROS, 2011). A Tabela 1.1 mostra resultados de um estudo minucioso dos custos envolvidos na produção de cinco empreendimentos de reabilitação habitacional realizado na cidade de São Paulo. Tabela 1.1: Comparação entre custos diretos de produção de obras novas e de reabilitação (data-base: 2006) Fonte: (JESUS; BARROS, 2011). A reabilitação deve ter caráter sustentável e, por isso, ao elaborar um projeto de reabilitação, busca-se intervir sobre o meio ambiente causando a menor quantidade de danos possível, com um orçamento reduzido e o uso de ecomateriais e materiais já utilizados anteriormente. Uma obra sustentável2 procura aproveitar recursos naturais que não são advindos da extração (como por exemplo, iluminação natural e vento), racionalizar o uso de energia, prover soluções tecnológicas que reduzam o consumo de água (reuso, aproveitamento da água de chuva, utilização de temporizadores e descargas que consomem menos água), contemplar áreas para coleta seletiva de lixo e assegurar que seja feita da maneira adequada (reciclagem), reduzir a poluição e criar ambientes saudáveis, utilizando tecnologias para regular acústica e temperatura, aumentando, assim, o conforto de seus usuários. Apesar de não haver um roteiro pronto para realizar um projeto de reabilitação, algumas diretrizes, presentes no relatório Brundtland, em 1987, devem ser levadas em consideração: pensar em longo prazo o planejamento da obra; aumentar a eficiência energética; usar a água adequadamente e reaproveitá-la; explorar as condições ambientais e os recursos naturais passivos de maneira sustentável; usar materiais e técnicas ambientalmente responsáveis; gerir os resíduos sólidos reciclando, reutilizando e reduzindo; promover conforto e qualidade interna 2 Disponível em: <https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/atualidades/sustentabilidade-na-construcao- civil.htm> Acesso em: 20/11/2019 19 dos ambientes; não impermeabilizar o solo completamente e integrar o projeto ao contexto urbano (transporte de massa e ou alternativos); Sendo a gestão de resíduos um assunto tão relevante, vale destacar algumas recomendações3 para que ela ocorra da melhor maneira possível: promover a mudança nos conceitos de arquitetura convencional, na direção de projetos flexíveis com possibilidade de readequação para futuras mudanças, o que facilita o uso e atendimento de novas necessidades, reduzindo as demolições; buscar soluções que potencializem o uso racional de energia ou de energias renováveis; atentar-se para a gestão ecológica da água; reduzir o uso de materiais com alto impacto ambiental e reduzir os resíduos da construção com modulação de componentes para diminuir perdas e especificações que permitam a reutilização de materiais. Contudo, o grande desafio é passar da teoria à prática4. Neste sentido, o Sebrae indica como referências importantes as normas da ABNT para tornar a construção sustentável. Entre elas, vale citar a ABNT NBR 15112:2004 – Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas de transbordo e triagem – Diretrizes. Ela orienta como projetar, implantar e operar uma área de transbordo e triagem, que é fundamental para a gestão correta dos resíduos sólidos, reduzindo o impacto no ambiente. No que tange à iluminação, a ABNT disponibiliza normas específicas sobre o uso de blocos de vidro na construção civil, como a ABNT NBR 15215-1:2005 – Iluminação natural – Parte 1: Conceitos básicos e definições. Além de expor as exigências a realizar um projeto de reabilitação, é importante salientar seus benefícios5. Dentre eles, destacam-se: a redução de gastos, que se dá pela otimização dos processos; o aumento do conforto aos proprietários, garantido por cuidados arquitetônicos sustentáveis relacionados ao controle térmico, de luz e demais fatores ambientais; o aumento do apelo e conforto visual, gerado pelos mesmos fatores; e o aumento da popularidade e do valor das vendas, uma vez que o conceito de sustentabilidade é cada vez mais valorizado no ambiente contemporâneo. Desta forma, a reabilitação se apresenta como uma solução interessante para a readequação de edificações, sobretudo públicas, às normas vigentes, ao reaproveitar recursos naturais, racionalizar o uso da energia e utilizar tecnologias que permitam economizar. Vale lembrar que a aplicação da reabilitação impõe às empresas ou organizações responsáveis pelo 3 Disponível em: <https://www.sienge.com.br/blog/sustentabilidade-na-construcao-civil/> Acesso em: 20/11/2019 4 Disponível em: <https://www.sienge.com.br/blog/sustentabilidade-na-construcao-civil/> Acesso em: 20/11/2019 5 Disponível em: <https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/atualidades/sustentabilidade-na-construcao- civil.htm> Acesso em: 20/11/2019 20 projeto, a necessidade de se ter uma equipe multidisciplinar e altamente qualificada para concepção da reabilitação. Isso é necessário para que o projeto possa se adaptar a cada situação e para que haja o monitoramento constante para a enfrentar e se adequar aos desafios da execução do projeto (INDUTA, 2017). MOTIVAÇÃO DO TRABALHO O forte movimento de urbanização que ocorreu a partir da década de 1950, alavancou o crescimento da construção civil. Grande quantidade de prédios foi construída e com o passar do tempo não houve as devidas intervenções para readequações que se fizessem necessárias, de modo a recolocá-las em norma. Dessa forma, grande número de edificações se encontra abandonada ou inadequada em relação ao uso ou função. Essa situação se torna muito clara ao observar-se, por exemplo, o centro do Rio de Janeiro. Nesta área existe uma grande quantidade de edifícios antigos eaté mesmo históricos cuja condição estrutural permitiria a continuidade de seu uso, porém, devido ao descaso e a falta de interesse em adaptar essas edificações, estas se encontram desabrigadas. Dois exemplos de edificações nesta situação são o Antigo Instituto de Eletrotécnica e Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), abandonado há sete anos (Figura 1.1) e o Automóvel Clube (Figura 1.2), na Rua do Passeio, no Centro do Rio de Janeiro, que está sem uso desde 2004.6 6 Disponível em: < https://diariodorio.com/historia-do-edificio-do-automovel-clube/> Acesso em: 11/04/2021 21 Figura 1.1 - Antigo Instituto de Eletrotécnica e Escola de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), na Rua Visconde do Rio Branco, na Praça da República. Fonte: < https://noticias.uol.com.br/album/2012/12/17/predios-historicos-do-rio-de-janeiro-sofrem- com-falta-de-conservacao.htm?foto=15>. Acesso em: 08/03/2021 Figura 1.2 - Automóvel Clube, na Rua do Passeio Fonte: https://diariodorio.com/historia-do-edificio-do-automovel-clube/>. Acesso em: 08/03/2021 Mesmo quando realizados projetos de reabilitação predial no Brasil, normalmente, estão ligados ao restauro, ocorrendo em edificações prestigiadas e históricas, com o objetivo de fazer com que retornem ao seu estado original. Porém, para que a reabilitação ocorra, não necessariamente, as edificações precisam ser históricas ou prestigiadas para terem diversos tipos de uso. https://noticias.uol.com.br/album/2012/12/17/predios-historicos-do-rio-de-janeiro-sofrem-com-falta-de-conservacao.htm?foto=15 https://noticias.uol.com.br/album/2012/12/17/predios-historicos-do-rio-de-janeiro-sofrem-com-falta-de-conservacao.htm?foto=15 22 Tendo em vista que é de grande dimensão o déficit habitacional no Brasil há muitas edificações que poderiam ser reabilitadas e utilizadas para fins habitacionais, abrigando famílias e indivíduos de baixa renda ou em situação de emergência. Além disso, a reabilitação predial traz consequências positivas para o ambiente urbano, seu entorno, atraindo, assim, para a área reabilitada, comércio, transporte, lazer e segurança, o que poderia contribuir para a promoção de novos centros urbanos, tornando-os mais inclusivos. Na França, a reabilitação predial vem acontecendo de forma bem mais natural do que no Brasil. A aplicação da reabilitação ultrapassou o restauro de construções celebres e passou a ser reconhecido como necessário em construções obsoletas e possibilidades de novos empreendimentos em prédios desabrigados. Para exemplificar, a imagem da Figura 1.3 representa alojamentos sociais reabilitados na França. Figura 1.3 - Reabilitação de alojamentos sociais em Nanterre, na França. Fonte: < https://www.vinci-construction.fr/actualites/logements-sociaux-rehabilitation-bat-son-plein>. Acesso em: 08/03/2021 É importante que essa mudança de paradigma ocorra no Brasil para que se possa melhor administrar e utilizar o espaço urbano, preferencialmente de modo a torná-lo o mais inclusivo e eficiente possível. OBJETIVOS DO TRABALHO Este trabalho traz um estudo sobre reabilitação predial, onde foram apresentados seus conceitos e definições, além da identificação dos níveis e etapas envolvidos. Apresenta-se as https://www.vinci-construction.fr/actualites/logements-sociaux-rehabilitation-bat-son-plein 23 metodologias, técnicas e regulamentações referentes ao projeto de reabilitação predial no Brasil. Alguns exemplos de projetos de reabilitação no Brasil são também elencados. O caso de um projeto de reabilitação de alojamentos sociais em meio ocupado na área metropolitana de Paris, é apresentado como um exemplo de aplicação deste tipo de intervenção predial. Adicionalmente, a partir da associação do estudo realizado ao caso apresentado, foram evidenciadas recomendações para projetos de reabilitação voltados para habitação. METODOLOGIA Inicialmente, em relação à reabilitação, foi feita a revisão bibliográfica de teses, dissertações, monografias, livros e sites específicos de modo a compreender seu contexto, os conceitos principais a ela relacionados, seus objetivos, principais obstáculos e sua relação e interação com o conceito de sustentabilidade. Em seguida, foram apuradas normas, legislações, artigos técnicos, dissertações e livros para levantar as metodologias, técnicas e tecnologias construtivas e os requisitos (descritos em normas) para concepção e execução de um projeto de reabilitação no Brasil. Foi compartilhada a experiência da realização de um projeto de reabilitação em meio ocupado na área metropolitana de Paris, na França, ou seja, foi realizado trabalho de campo (entre 2018 e 2019), onde foram descritas as etapas do trabalho e a metodologia de execução, evidenciando as particularidades e pontos de atenção associados a esse tipo de projeto, além das principais dificuldades encontradas. A partir da associação do levantamento bibliográfico com a experiência adquirida durante o estágio do autor no exterior, foram propostas recomendações para incentivar intervenções de reabilitação para fins habitacionais. ESTRUTURA DO TRABALHO Este trabalho é composto por seis capítulos estruturados da seguinte forma: O capítulo 1 tem por função apresentar o contexto e a importância do tema, seguida da motivação do presente trabalho e seu objetivo, a metodologia escolhida para o desenvolvimento do trabalho e a sua estrutura. O capítulo 2 apresenta o contexto da reabilitação (os primeiros registros e sua aplicação nacional e internacional), os principais conceitos relacionados à reabilitação (reforma, 24 reabilitação, renovação, etc.) e quais os seus objetivos numa edificação. Além disso, são esclarecidos alguns dos principais desafios da reabilitação e sua relação com a sustentabilidade. O capítulo 3 detalha a experiência da reabilitação no Brasil, apresentando exemplos de sua aplicação, metodologias, técnicas e tecnologias construtivas e as normas técnicas relevantes para esse tipo de intervenção. O capítulo 4, apresenta o caso de um projeto de reabilitação de alojamentos sociais executado na área metropolitana de Paris de 2018 a 2019, em meio habitado. Nesse estudo são abordadas as particularidades da execução de um projeto de reabilitação em meio ocupado, suas dificuldades, procedimentos e recomendações. No capítulo 5, as informações levantadas nos capítulos 3 e 4 são unificadas de modo a apresentar recomendações para promover o aumento do número de projetos de reabilitação voltadas para habitação. O capítulo 6 trata das considerações finais. Em seguida são apresentadas as referências bibliográficas. No APÊNDICE A deste trabalho são apresentados os objetivos e principais temas abordados nas normas brasileiras relacionadas ao tema da reabilitação, além da consideração da sua aplicação direta em obras de reabilitação predial. 25 2 REABILITAÇÃO O CONTEXTO DA REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS A regeneração urbana, seja ela lenta e pontual ou rápida e global, certamente não é um fenômeno novo. Na França, na segunda metade do século XVIII, Foucault atribui o surgimento do fenômeno da urbanização ao suporte para a medicina social, sendo que os planos de renovação urbana ocorreram no sentido da higienização. Dois exemplos clássicos desses planos são a reforma de Paris, que destruiu grande parte da estrutura existente, organizou a cidade em bairros e abriu largas avenidas. No Brasil, ocorreu o “Bota-Abaixo” de Pereira Passos, no Rio de Janeiro, demolindo cortiços e instalando redes de esgoto e de abastecimento de água (VASCONCELLOS; MELLO, 2003). A “era de demolições” somente começou a ser revista no século XIX, com a sistematização de trabalhos de pesquisa, identificação, proteção e conservação do patrimônio arquitetônico, que resultou na consolidaçãodo conceito de monumento histórico. A manifestação concreta dessa mudança de perspectiva ocorreu no fim da segunda guerra, após as reconstruções das cidades europeias e o surgimento de novas capitais, construídas de acordo com os preceitos de Corbusier (VASCONCELLOS; MELLO, 2003; LANZINHA, 2006). Além disso, durante muito tempo o conceito de reabilitação esteve associado somente ao património edificado, contudo, faz-se necessário enquadrar o conceito de reabilitação urbana, como uma intervenção em espaços públicos, surgindo da importância de conservar e proteger a cultura, o ambiente, a economia e a sociedade para além da arquitetura e dos edifícios existentes (OLIVEIRA,2011). Uma avaliação do cenário internacional revela que, dentro da totalidade dos serviços prestados pela indústria da construção civil, a reabilitação do patrimônio urbano representa uma maior fatia das atividades realizadas em relação às novas construções. Isso pode ser comprovado ao analisar o gráfico apresentado na Figura 2.1 a seguir, que demonstra a porcentagem do mercado da construção destinado a manutenção ou reabilitação (verde) e a construção de novos empreendimentos (azul). 26 Figura 2.1– Comparativo entre novas edificações e as que sofreram Manutenção/Reabilitação nos países europeus Fonte: (EUROCONSTRUCT, 1997 apud VALE, 2006) O gráfico da Figura 2.2 representa a divisão do mercado da construção nos países europeus, nos subsetores residenciais renovado e novo, não-residenciais renovado e novo e de infraestrutura renovada e nova, no ano de 2018. Figura 2.2 – Divisão do mercado da construção nos países europeus em subsetores em 2018 Fonte: (EUROCONSTRUCT CONFERENCE, 2018), Adaptado 27 Pode-se observar, no gráfico da Figura 2.3, o desenvolvimento da renovação de edifícios na Alemanha através do investimento financeiro do setor, em bilhões de euros, de 2004 a 2018, com projeções até 2021. Do lado esquerdo do gráfico tem-se a renovação de edifícios residenciais e do lado direito a renovação de edifícios não-residenciais: Figura 2.3 - Desenvolvimento da renovação de edifícios na Alemanha Fonte: (EUROCONSTRUCT CONFERENCE, 2019), Adaptado Nos Estados Unidos, várias iniciativas nos âmbitos federal, estadual e municipal foram criadas para incentivar e regulamentar obras de reabilitação, dentre elas está o Uniform Code for Building Conservation, de 1995, o National Applicable Recommended Rehabilitation Provisions, divulgado pelo U.S. Department of Housing and Urban Development (HUD) em 1997 e o New Jersey Rehabilitation Subcode, publicado em 1998 (BUILDING TECHNOLOGY,2001). Entretanto, até o presente momento, as ações de reabilitação empreendidas no Brasil não são muito representativas, como pode ser observado na tabela 2.1. Nota-se que, em 2005, do total de recursos financeiros investidos pela CEF (Caixa Econômica Federal) em programas habitacionais, apenas 5% são destinados às obras de reabilitação (JESUS,2008). 28 Tabela 2.1 – Investimentos da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL em habitação no ano de 2005 Origem dos recusos Programa R$ milhões Ministérios das cidades Urbanização 188,76 Reabilitação Central 31,77 Reabilitação do Patrimônio 20,34 Habitação de Interesse Social 209,15 PSH 580,00 FGTS Operações Especiais – Habitação Popular 7.050,00 Carta de Crédito 1.000,00 PAR 1.314,94 CAIXA Porgramas Caixa de Habitação 200,00 FAT Programas Caixa de Habitação 300,00 TOTAL 10.894,96 Fonte: (REVISTA CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO, 2005) CONCEITOS DE REABILITAÇÃO Oliveira et.al. (2016) levanta as duas possibilidades de conotação do termo “reabilitação”, a primeira relativa a escala do edifício e as ações nele realizadas e a segunda referente a reestruturação urbana da área em que o edifício está inserido. Do ponto de vista urbanístico, a Carta de Lisboa - Carta da Reabilitação Urbana Integrada, elaborada no Primeiro Encontro Luso-Brasileiro de Reabilitação Urbana em 1995, definiu reabilitação como: “uma estratégia de gestão urbana que procura requalificar a cidade existente através de intervenções múltiplas destinadas a valorizar as potencialidades sociais, econômicas e funcionais a fim de melhorar a qualidade de vida das populações residentes; isso exige o melhoramento das condições físicas do parque construído pela sua reabilitação e instalação de equipamentos, infraestruturas, espaços públicos, mantendo a identidade e as características da área da cidade a que dizem respeito.” Além disso, segundo o Decreto-Lei n.º307 – Regime Jurídico da Reabilitação Urbana, de 10 de outubro de 2009, a reabilitação urbana é: [...] a forma de intervenção integrada sobre o tecido urbano existente, em que o património urbanístico e imobiliário é mantido, no total ou em parte substancial, e modernizado através da realização de obras de remodelação ou beneficiação dos sistemas de infraestruturas urbanas, dos equipamentos e dos espaços urbanos ou verdes de utilização coletiva e de obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação ou demolição dos edifícios (PORTUGAL,2009). 29 Já no contexto predial, para Qualharini (2020), a Reabilitação pode ser considerada como uma reforma gerenciada em uma construção, para a sua adaptação às atividades requeridas na vida útil da edificação, ou então para proporcionar a modernização de suas funcionalidades, além de possibilitar a implantação das tecnologias contemporâneas disponíveis. Também no nível do edifício, Appleton (2011) acredita que a reabilitação pode ser entendida como o conjunto de operações que objetivam aumentar o nível de qualidade dos sistemas de uma edificação, de modo que atinja conformidade com padrões de exigência funcionais mais rigorosos do que para os quais foi planejada. Uma vez que se pretende desenvolver um projeto de reabilitação neste trabalho, é importante definir alguns termos para que se possa diferenciá-los. Em seguida, serão expostas na Tabela 2.2, definições de Barrientos (2004) dos conceitos mais relevantes para esse trabalho. Tabela 2.2 – Conceitos relacionados à reabilitação Conceito Descrição Diagnóstico Descrição do problema patológico incluindo sintomas, causas, mecanismo e caracterizando a gravidade do problema. Conservação De caráter sistêmico, corresponde ao conjunto de ações destinadas ao prolongamento do desempenho da edificação, auxiliando o processo de controle do imóvel. Manutenção Conjunto de ações com o objetivo de reduzir a velocidade de deterioração dos materiais e de partes das edificações. A manutenção se subdivide na modalidade preventiva e na corretiva. Profilaxia Relação de materiais e procedimentos visando a correção de anomalias. Reforma Intervenção que busca o retorno a forma original. Reparos Intervenção pontual de anomalias localizadas. Reconstrução Renovação total ou parcial das edificações desativadas ou destinadas a reabilitação. Recuperação Compreende a correção das patologias de modo a reconduzir a edificação a seu estado de equilíbrio. Reabilitação Reforma gerenciada em uma construção, para a sua adaptação às atividades requeridas na vida útil da edificação, ou então para proporcionar a modernização de suas funcionalidades, além de 30 possibilitar a implantação das tecnologias contemporâneas disponíveis. Restauração Corresponde a um conjunto de ações desenvolvidas de modo a recuperar a imagem, a concepção original ou o momento áureo da história da edificação. A expressão tem sua utilização no que se refere a intervenções em obras de arte. Terapia Procedimento que visa as especificações para recuperação e eliminação dos problemas patológicos das edificações. Retrofit Termo técnico que significa voltar ao que era, mas com atualização tecnológica, propiciando incorporar sistemas e materiais contemporâneos, prolongandoa vida útil e a funcionalidade das benfeitorias. Fonte: (BARRIENTOS, 2004; QUALHARINI,2020). Adaptado A Figura 2.4 apresenta um esquema que permite visualizar onde está situada a reabilitação de edifícios no contexto da construção civil e os conceitos apresentados na Tabela 2.2, a ela relacionados. Figura 2.4 - A reabilitação de edifícios no contexto do setor da construção civil e as atividades que pode compreender. Fonte: (BCSD PORTUGAL, 2004). Adaptado por (JESUS, 2008) 31 OBJETIVOS DA REABILITAÇÃO Segundo Qualharini (2020), o objetivo da reabilitação é valorizar patrimônios edificados para conduzir a requalificação de espaços, devido ao abandono e à consequente degradação destas áreas, que formam enclaves em antigos centros urbanos, por sua condição envelhecida e carência de preservação. A degradação urbana também pode ser advinda de um crescimento acelerado, desorganizado e além dos limites físicos da área em questão. Esse fenômeno resulta em um esvaziamento demográfico destas áreas pela desqualificação, tanto das benfeitorias quanto da inadequada infraestrutura, gerando problemas de habitabilidade, e consequentemente de marginalidade e segurança (QUALHARINI, 2020). A reabilitação também pode ser realizada como meio de reconhecer a importância sociocultural do patrimônio arquitetônico urbano, que passará por intervenções que conduzam a um novo paradigma local, promovendo um equilíbrio tanto dos valores físico-econômicos, quanto dos socioambientais (QUALHARINI, 2020). Marcuse (1988, apud VARGAS e CASTILHO, 2006) põe em evidência o fato de que as intervenções de reabilitação não devem ser reservadas a edificações expressivas, monumentais ou históricas, mas também edifícios comuns para todos os tipos de uso. Além disso, nenhum desses tipos de reabilitação devem ser realizados para trazer um congelamento da cidade. Já para Cinciardi e Bruna (2004), o objetivo da reabilitação é possibilitar a readequação e reinserção do bem edificado à estrutura da cidade, contribuindo para a maximização e otimização do espaço construído e para a preservação dos valores arquitetônicos e paisagísticos das cidades Aguiar et.al. (2003) definem o objetivo fundamental da reabilitação como sendo a resolução de deficiências físicas e as anomalias de conservação, ambientais e funcionais, acumuladas ao longo dos anos, procurando ao mesmo tempo uma modernização e uma beneficiação geral do imóvel sobre o qual incide – atualizando as suas instalações, equipamentos e a organização dos espaços existentes, melhorando o seu desempenho funcional e tornando esses edifícios aptos para o seu completo e atualizado reuso. Aikivouri (1996) ressalta que as razões para realizar intervenções em edifícios estão associadas à obsolescência funcional, às exigências causadas por mudanças em seu uso e a redução de gastos de manutenção. Em construções antigas, as intervenções ligadas as obsolescências funcionais são apresentadas na forma de ausência de elevadores e do uso da eletricidade para sistemas de 32 iluminação e climatização. Já em edifícios mais modernos, a obsolescência funcional se evidencia na forma de sistemas hidrossanitários, de eletricidade e de ar-condicionado ineficientes, que consomem mais energia e água que o necessário (QUALHARINI, 2012; CROITOR, 2008). Quanto a mudança do uso da construção, esta pode ser causada por uma modificação da função da região no contexto da cidade, alterações em leis de zoneamento e implementação de planos de desenvolvimento urbano (CROITOR, 2008). Além disso, a reabilitação busca readequar e reinserir edificações no meio urbano tendo uma preocupação clara com os materiais que serão utilizados para realizar a intervenção. Essa preocupação envolve não somente a quantidade de recursos gastos durante a produção e utilização do produto, mas também daqueles resultantes do seu transporte e armazenamento, atentando-se para a energia incorporada. Preferencialmente, os produtos devem apresentar as seguintes particularidades: menor emissões de CO2 na sua fabricação; a não utilização de matérias tóxicas; baixa utilização de combustíveis fósseis; ter como base materiais reciclados e que garantem reciclagem futura; redução de material na sua produção; possuir um longo ciclo de vida; ser biodegradáveis (COSTA,2010). A reabilitação então, se apresenta como um meio de adequar as edificações e os produtos nela utilizados aos requisitos mencionados acima. Além destes requisitos, algumas outras iniciativas7 que devem ser levadas em consideração ao reabilitar edificações são apresentadas na Tabela 2.3. Tabela 2.3 – Iniciativas relacionadas a reabilitação e seus benefícios Iniciativas Benefícios Green Buildings Este tipo de construção, promovem segurança, praticidade e conforto além de fornecer uma alta qualidade de vida para seus moradores. Não obstante, o custo dos materiais utilizados nesse tipo de projeto, como o tijolo ecológico, é significativamente menor do que o convencional. Gerenciamento adequado dos resíduos Redução de custo e impacto ambiental. Investimento em novas tecnologias Reduz o consumo de papel, aumenta a eficiência da obra e reduz os seus custos. 7 Disponível em: <https://www.sienge.com.br/blog/sustentabilidade-na-construcao-civil/> Acesso em: 20/11/2019 33 Redução do consumo de energia É fundamental considerar as práticas simples para a sustentabilidade na construção civil, como o uso de recursos para iluminação e refrigeração que dispendam menos energia. Para tanto, deve-se avaliar a incidência de sol e de vento no local, e os melhores materiais e equipamentos que permitam transparecer a luz durante o dia ou circular o vento nos espaços. É possível também ir mais além e propor-se a criar no prédio meios para a contribuição parcial ou total da energia necessária para sustentá-lo com o uso de painéis solares, por exemplo. Fonte:<https://www.sienge.com.br/blog/sustentabilidade-na-construcao-civil/>, Acesso em 28/03/2021 OBSTÁCULOS DA REABILITAÇÃO O desenvolvimento de um projeto reabilitação é sempre muito complexo porque deve ser feito sob medida, exigindo um planejamento prévio detalhado: cada empreendimento possui diferente tipologia, idade, nível de deterioração, uso e localização. Um dos fatores que mais interfere na complexidade do projeto é a idade da construção. Isso se deve pelo fato de construções antigas (mais de 10 anos) possuírem nenhum registro ou, registros em más condições das informações necessárias para desenvolver-se um projeto de reabilitação (memoriais descritivos, plantas, registro de intervenções anteriores, informações quanto ao uso da edificação, etc.) (INDUTA, 2017). Por isso, o levantamento de dados é uma das fases mais importantes de um projeto de reabilitação. Tal levantamento é subdividido em: levantamento métrico da edificação (plantas, cortes, fachadas) e levantamento cadastral das instalações existentes (elétrica, hidráulica e sanitária) (MORAES,2011). Moraes (2011) seleciona alguma das razões para limitações e restrições impostas a um projeto de reabilitação: as limitações físicas da antiga estrutura; as restrições encontradas pelos profissionais em trabalhar sobre um projeto de outro autor; a resistência a realizar empreendimento não convencionais, por acreditar que eles não seriam bem sucedidos; os impactos causados pela distribuição de cargas da estrutura devido às novas divisões internas; as diferenças entre a legislação vigente no momento da elaboração do antigo projeto e a legislação atual; o estigma da demolição como solução; o grau de incerteza relacionado à baixa qualidade do conhecimento de reabilitação; a falta de padronização das medidas da edificação existente podendo interferir na execução dos serviços e, por consequência, na produtividade da obra. 34 Outra dificuldadeencontrada é a falta de coordenação entre as frentes de trabalho simultâneas durante um projeto de reabilitação, que muitas vezes são interdependentes e uma falha em qualquer uma delas causaria retrabalho, custo extra e atraso no cronograma. Além disso, em se tratando de edificações antigas com registros escassos ou pouco confiáveis, é muito recorrente ter que se fazer modificações no projeto original por se encontrar uma nova patologia ou uma instalação ou configuração diferente do esperado. Segundo Vale (2006), a complexidade em se desenvolver um projeto de reabilitação também está na necessidade de se executar 3 atividades essenciais: conceber, representar e testar. O maior desafio se encontra no fato dessas atividades não serem independentes ou sequenciais. A concepção não está restrita a fase inicial do projeto, em uma reabilitação, constantemente o projetista se vê obrigado a imaginar uma nova solução para um problema que foi diagnosticado durante a execução da obra, que exige uma nova concepção, representação e teste. Além disso, a concepção também se dá no sentido de buscar soluções não convencionais e imaginar possíveis dificuldades futuras mesmo que elas não se façam claras através dos dados obtidos. SUSTENTABILIDADE E CONSTRUÇÃO CIVIL 2.5.1 Conceito de Sustentabilidade Na segunda metade do século XX, diante da crise social e ambiental pela qual o mundo passava, emergiu o conceito de desenvolvimento sustentável. Na CMMAD (Comissão Mundial para o Meio Ambiente) ou Comissão de Bruntland, desenvolveu-se um relatório conhecido como “Nosso Futuro Comum”. Neste relatório destacam-se as questões sociais, principalmente no que se refere ao uso da terra, sua ocupação, suprimento de água, abrigo e serviços sociais, educativos e sanitários, além de administração do crescimento urbano. Entretanto, um de seus pontos mais relevantes foi a definição de desenvolvimento sustentável como “aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”. Tal conceito foi consolidado no documento “Agenda 21”, desenvolvido durante a Conferência Rio 92 ou Comissão Mundial para o Meio Ambiente de 92 e foi incorporado em diversas outras agendas mundiais de desenvolvimento e direitos humanos (BARBOSA,2008). 35 Mais recentemente, chefes de Estado e de Governo e altos representantes, reunidos na sede das Nações Unidas em Nova York em setembro de 2015, quando a Organização comemora seu septuagésimo aniversário, decidiram sobre os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável globais e os consolidaram na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável8. Tais objetivos são apresentados na Tabela 2.4, a seguir. Tabela 2.4 – Objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável Objetivo 1 Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Objetivo 2 Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Objetivo 3 Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Objetivo 4 Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Objetivo 5 Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Objetivo 6 Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Objetivo 7 Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos. Objetivo 8 Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos. Objetivo 9 Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. Objetivo 10 Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Objetivo 11 Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Objetivo 12 Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Objetivo 13 Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos. Objetivo 14 Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Objetivo 15 Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. 8 Disponível em: <https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf> Acesso em: 11/05/2020 https://nacoesunidas.org/pos2015/ods11/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods11/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods12/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods13/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods14/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods14/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods15/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods15/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods15/ 36 Objetivo 16 Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. Objetivo 17 Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Fonte: <https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf> Acesso em: 28/03/2021 2.5.2 Sustentabilidade Social Ao introduzir o conceito de desenvolvimento sustentável, é imprescindível trazer a discussão da dimensão social, principalmente pelo fato dela ter sido historicamente a mais negligenciada. É necessário que as organizações e seus administradores recolham mais informações e deem mais importância ao tema (LOURENÇO; CARVALHO, 2013). Para Foladori (2002 apud LOURENÇO; CARVALHO,2013), anteriormente, durante os anos 1980 a 2000, a análise da sustentabilidade social tinha como principal foco a pobreza e o incremento populacional. Contudo, felizmente, com o passar dos anos, o conceito de sustentabilidade social evolui com base em critérios mais modernos de empoderamento e governança (LOURENÇO; CARVALHO, 2013). O desenvolvimento sustentável social na atualidade tem como meta o respeito das necessidades humanas, a melhoria da qualidade de vida da população e justiça social. Procura- se transformar a situação social, a maneira como a renda é distribuída e o conjunto de condições que contribuem para o bem-estar físico e psicológico do indivíduo. Para obtê-lo, é necessário implementar uma série de iniciativas: alfabetizar cidadãos, tratar as áreas habitacionais mais frágeis alterando a dinâmica dos gastos sociais e inserindo a população marginalizada na sociedade através de políticas de emprego, por exemplo, para que, em seguida, tais grupos possam se familiarizar e potencializar o aspecto ambiental do desenvolvimento sustentável (OUERJ, 2015). Nesse mesmo sentido, segundo Almeida (1999), “Uma população com nível cultural e educacional elevado respeita mais o meio ambiente, colaborando desta forma para o desenvolvimento sustentável do planeta”. Entretanto, o desenvolvimento sustentável não afeta somente a população excluída socialmente, uma vez que aplicá-lo provoca o aumento do bem- estar da sociedade como um todo. https://nacoesunidas.org/pos2015/ods16/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods16/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods16/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods17/ https://nacoesunidas.org/pos2015/ods17/ 37 Quando estendemos o conceito de sustentabilidade para a construção civil, temos como exemplo o emprego de material reciclado em programas de habitação popular que traz bons resultados. Os custos de produção da infraestrutura podem ser reduzidos e, apesar da produção de componentes originários do entulho, empregar maquinaria pesada, pode-se associar tal produção a cooperativasque podem participar da coleta e transporte do material (CIOCCHI; CORRÊA,2009). Associamos a sustentabilidade social na construção civil ao objetivo 11 da Agenda do Desenvolvimento Sustentável de 2030: tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentável. Pretende-se, até 2030, garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, e aos serviços básicos e urbanizar as favelas 2.5.3 Sustentabilidade Ambiental A preocupação com o desenvolvimento sustentável no Brasil e a criação de indicadores que pudessem medi-lo está intimamente ligada à realização da Eco-929 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro no ano de 1992), em que a comunidade política internacional reconheceu o conceito de desenvolvimento sustentável e começou a delinear suas ações buscando proteger o meio ambiente. O conceito de sustentabilidade ambiental está relacionado à necessidade de se associar o uso de recursos naturais e a degradação do meio ambiente causada pelo desenvolvimento socioeconômico à preservação e conservação do mesmo para que, no futuro, continue sendo possível utilizar-se do meio ambiente econômica e socialmente. A busca da produção limpa é a procura de estratégias ambientais preventivas, integradas e aplicadas a processos, produtos e serviços de modo a se obter uma economia eco eficiente trazendo menos riscos aos seres humanos e ao meio ambiente (OUERJ, 2015). Ao buscar exemplos do desenvolvimento sustentável ambiental na construção civil, encontra-se a reciclagem de entulho. Tal iniciativa propicia uma economia circular, em que um produto que já foi usado para determinado fim, pode ser reintroduzido no ciclo de produção como matéria prima. Desta forma, reduz-se a intensidade da extração de jazidas para obtenção de matéria prima. Além disso, cria-se um destino adequado para o produto, para que não seja 9 Disponível em :< https://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/rio20/a-rio20/conferencia-rio-92- sobre-o-meio-ambiente-do-planeta-desenvolvimento-sustentavel-dos-paises.aspx> Acesso em: 20/11/2019 38 depositado em áreas impróprias, ocupando, assim, espaços que poderiam ter outro uso e podendo contribuir para poluição (CIOCCHI; CORRÊA,2009). A sustentabilidade ambiental neste contexto, é mencionada na Agenda do Desenvolvimento Sustentável de 2030 através dos objetivos 12 e 15, respectivamente: assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis; e proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. Em relação ao objetivo 12 (assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis), serão tomadas as seguintes medidas: implementar o Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis, com todos os países tomando medidas, e os países desenvolvidos assumindo a liderança, tendo em conta o desenvolvimento e as capacidades dos países em desenvolvimento; reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso até 2030; e incentivar as empresas, especialmente as empresas grandes e transnacionais, a adotar práticas sustentáveis e a integrar informações de sustentabilidade em seu ciclo de relatórios. Já em relação ao objetivo 15 (proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade), tem-se como objetivos, até 2020: assegurar a conservação, recuperação e uso sustentável de ecossistemas terrestres e de água doce interiores e seus serviços, em especial florestas, zonas úmidas, montanhas e terras áridas, em conformidade com as obrigações decorrentes dos acordos internacionais; promover a implementação da gestão sustentável de todos os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e aumentar substancialmente o florestamento e o reflorestamento globalmente; e tomar medidas urgentes e significativas para reduzir a degradação de habitat naturais, deter a perda de biodiversidade e, proteger e evitar a extinção de espécies ameaçadas. 2.5.4 Sustentabilidade Financeira A sustentabilidade financeira se resume ao desempenho macroeconômico e financeiro, atentando-se ao consumo de recursos materiais e uso de energia. Para obtê-lo pretende-se aumentar a eficiência do processo produtivo e alterar as estruturas de consumo exorbitante que levam a uma produção excessiva. Em nenhum momento procura-se combater o desenvolvimento econômico, o que se busca, apenas, é combinar a dimensão econômica com 39 questões sociais e ambientais que asseguram a própria prosperidade da empresa e que transparecem seu compromisso com o bem-estar da sociedade e do meio ambiente em que está inserida. Uma empresa será sustentável economicamente quando for capaz de garantir aos seus colaboradores de alto ou baixo escalão condições econômicas para se viver com dignidade. Este cenário pode ser alcançado com a implantação da ética na estratégia de negócios, investimentos, dentre outras mudanças na estrutura empresarial (OUERJ, 2015). No âmbito da construção civil, a reciclagem de entulho mostra-se como um bom exemplo de sustentabilidade econômica. Incialmente, em se tratando da deposição desses resíduos, é mais interessante economicamente reciclá-los que os dispor irregularmente. Enquanto o custo do município para administrar 1 m³ de entulho é de 10 dólares, o custo da reciclagem é estimado em US$ 2,50/m3. (CIOCCHI; CORRÊA,2009). Segundamente, em relação ao uso deste produto como matéria prima, quando utilizado para produção de agregados, pode trazer uma economia de 80% comparado ao custo de outros agregados e quando utilizado para produção de componentes pode trazer uma economia de 70% em relação a similares com matéria prima convencional (CIOCCHI; CORRÊA,2009). Pode-se associar a sustentabilidade financeira aos seguintes objetivos da Agenda do Desenvolvimento Sustentável de 2030: objetivo 8 - promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos e objetivo 12 - assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Para atingir o objetivo 8 (promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos) busca-se promover políticas orientadas para o desenvolvimento que apoiem as atividades produtivas, geração de emprego decente, empreendedorismo, criatividade e inovação, e incentivar a formalização e o crescimento das micro, pequenas e médias empresas, inclusive por meio do acesso a serviços financeiros; melhorar progressivamente, até 2030, a eficiência dos recursos globais no consumo e na produção, e empenhar-se para dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental, de acordo com o Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis, com os países desenvolvidos assumindo a liderança; e até 2030, alcançar o emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas as mulheres e homens, inclusive para os jovens e as pessoas com deficiência, e remuneração igual para trabalho de igual valor. Já a fim de alcançar o objetivo 12 (assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis) pretende-se até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da 40 prevenção, redução, reciclagem e reuso; e incentivar as empresas, especialmente as empresas grandes e transnacionais, a adotar práticas sustentáveis e a integrar informações de sustentabilidade em seu ciclo de relatórios. 3 REABILITAÇÃO NO BRASIL EXPERIÊNCIA DA REABILITAÇÃO NO BRASILA reabilitação de edifícios, no Brasil, tem ainda pequena representatividade no setor da construção civil, quando comparada com vários países da Europa e dos Estados Unidos. Muitas de suas características foram aproveitadas do setor das novas construções. Um dos pontos em comum entre os setores das construções novas e reabilitadas são os principais intervenientes envolvidos no projeto. Estes foram descritos no relatório do projeto REABILITA (2007) e no estudo de Leusin e Goldman (2005), sintetizados por Jesus (2008) e apresentados na Tabela 3.1. Tabela 3.1 – Intervenientes de um projeto de intervenção Interveniente Representante/ Função Proprietário de imóveis • Representante: Pessoas físicas ou jurídicas ou poder público • Função: Definir o valor de venda do imóvel (determinante na análise de viabilidade do projeto de reabilitação) Escritórios de projeto/ Acessorias técnicas • Função: Elaborar os projetos, desde o básico até o executivo Obs: São poucos os escritórios especializados na elaboração de projetos de reabilitação no Brasil, para elaborá-los, costuma utilizar-se da experiência adquirida em projetos de novas construções Construtoras • Representante: Construtoras advindas do setor de construções novas Obs: As construtoras de novas edificações costumam ter pouca ou nenhuma experiência em obras de reabilitação. Experiências em obras de reforma são úteis, porém normalmente restritas a pequenos reparos na edificação. Agentes financiadores • Representante: Principalmente empresas públicas responsáveis pela gestão de programas habitacionais Ex: Caixa Econômica Federal (CEF) em âmbito nacional e Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e Companhia Metropolitana de Habitação (COHAB) em São Paulo 41 Associações organizadas • Representante: Cidadãos organizados • Função: Sugerir ações e indicar de imóveis com possibilidade de reabilitação para órgãos públicos e agentes financiadores Municípios • Representante: Gestores locais • Função: o Formulação, planejamento e execução de ações de reabilitação o Articulação de parceiros o Aporte de recursos o Formulação de leis para regulação do uso e ocupação do solo nas áreas de intervenção Órgãos internacionais • Função: Prestar assistência técnica, assessorar o planejamento das ações e viabilizar o aporte de recursos internacionais Fonte: (REABILITA, 2007; LEUSIN; GOLDMAN, 2003, JESUS,2008) Silva (2017) representou em um esquema o grupo de agentes interessados nos projetos de intervenção predial no Brasil, conforme mostra a Figura 3.1. Figura 3.1 – Esquema do grupo de agentes interessados nos projetos de reabilitação predial no Brasil Fonte: (SILVA, 2017) Apesar de possuir vários pontos em comum, os projetos de reabilitação utilizam materiais, procedimentos e lógicas de construção específicas, na medida em que podem ter sido submetidos a diversos tipos de ocupações e usos (FEIJÓ,2012). 42 Para pontuar as semelhanças e diferenças entre obras tradicionais e de reabilitação, Nakamura (2011) construiu um quadro, reproduzido na Tabela 3.2, em que são citados aspectos chave da construção e, para cada um deles, foi descrita a sua necessidade e método de execução em obras tradicionais e de reabilitação. Tabela 3.2 – Semelhanças e diferenças entres obras tradicionais e de reabilitação. Aspectos da Construção Obra tradicional Reabilitação Predial Demolição Ocorre apenas quando há estruturas no terreno que precisam ser removidas. É uma atividade muito comum, especialmente quando há uma modificação de uso. Terraplanagem Necessária para limpar e nivelar o terreno antes de iniciar a construção. Raramente acontece. Canteiro de Obras É montado antes do início das obras de acordo com o número de trabalhadores envolvidos. É mais limitado em função das construções existentes e da eventual ocupação do edifício. Fundações e Estrutura São executados a partir do zero, seguindo orientações dos projetos de fundações e de estrutura. Pode ser necessário adaptá-las, principalmente quando há mudança do uso da edificação. Fechamentos Pode usar a tradicional alvenaria ou painéis pré- fabricados de vedação. Quando necessários, ocorrem da mesma forma que em uma obra convencional. Impermeabilização Necessária para assegurar a vida útil da construção. A intervenção pode ser um motivo adicional para se refazer a impermeabilização. Assim evitam-se o retrabalho e gastos extras com acabamento. Acabamentos Pode utilizar materiais diferentes de acordo com padrão e tipo de construção. Uma das etapas cruciais. É fundamental para dar uma aparência mais atual à construção e valorizar o imóvel. Instalações prediais Instalações (água, esgoto, energia, ar condicionado, A modernização das instalações prediais é fundamental para adaptar a 43 gás e comunicações) são executadas para garantir o pleno funcionamento do edifício. construção às novas exigências dos usuários e às novas técnicas de segurança. Fachada Varia de acordo com o padrão e o tipo da construção. Pode prever a troca de revestimentos e a substituição de esquadrias, por exemplo. Tempo médio da obra Longo, de acordo com a complexidade da obra. Pequenas reformas podem ser feitas em poucas semanas, mas intervenções mais complexas tendem a demorar mais do que construir um edifício novo. Mão de obra Quantidade e grau de especialização da mão de obra variam de acordo com o estágio da obra. Menos numerosa que em obras tradicionais, mas os trabalhadores são mais especializados e treinados para trabalhar em condições adversas, como em edifícios ocupados. Fonte: (NAKAMURA,2011), Adaptado por (SILVA,2017) A maior parte do investimento na área da reabilitação de edifícios é advinda de órgãos públicos, devido às pressões impostas por grupos sociais ligados à população de baixa renda, como os “sem teto”, que buscam ocupar imóveis vacantes em áreas centrais para disponibilizar habitações de interesse social (HIS). Quando este não é o caso, o investimento do Estado na reabilitação tem como objetivo valorizar e preservar do patrimônio cultural e artístico. Mesmo assim, as intervenções de reabilitação predial são pontuais no Brasil (JESUS,2008). Já os investimentos no setor privado na reabilitação são reduzidos em relação ao setor público e principalmente voltados à empreendimentos comerciais. Esse cenário deve-se, majoritariamente, ao alto valor dos imóveis das áreas centrais de grandes cidades, quando comparado ao das áreas mais afastadas do centro. Além disso, há desinteresse por parte da classe média e alta em adquirir apartamentos reabilitados em regiões centrais devido às dificuldades destes de atender as exigências desses públicos, como vagas de garagem (TEIXEIRA et al,2005). Outra razão para falta de entusiasmo das empresas privadas em realizar intervenções de reabilitação é a maior quantidade de riscos e incertezas quanto ao custo e o prazo das obras, em relação às obras de novas construções (JESUS,2008). 44 Esses riscos são amplificados pela instabilidade da produtividade de obras de reabilitação, resultante da complexidade da logística interna no canteiro de obras e da limitação da área destinada ao canteiro de obras e da restrição dos horários em que se pode realizar intervenções. Por conseguinte, não é razoável utilizar os conceitos, coeficientes e metodologias de medição de produtividade de construções novas para elaborar orçamentos de obras de reabilitação, pois os resultados obtidos podem não ser condizentes com a realidade (CARVALHO et.al.,2006 apud JESUS,2008). A solução para adequação dos orçamentos às obras de reabilitação seria a aplicação de fatores numéricos (contingências) aos coeficientes de produtividade de mão de obrade obras novas. Esses fatores numéricos devem ser escolhidos caso a caso, segundo as particularidades e exigências impostas pela obra de reabilitação em questão. De posse de modelos de custo de produção de obras de reabilitação que apresentem resultados reais que sejam registrados e utilizados de forma corrente será possível estimular o setor imobiliário a aplicar investimentos nesse tipo de projeto (CARVALHO et.al.,2006 apud JESUS,2008). Outro empecilho para popularização de intervenções de reabilitação é a carência de legislações voltadas para esse tipo de intervenção. As legislações e códigos existentes referem- se a novas construções e são rígidos, dificultando, assim, a aplicação dos critérios de construção aos empreendimentos de reabilitação (CARVALHO,2005 apud JESUS,2008; REABILITA, 2007). 3.1.1 Exemplos de projetos de reabilitação Dentre os projetos de reabilitação urbana desenvolvidos pelas cidades brasileiras, é possível destacar: o Projeto de Revitalização de Centros Históricos, em Olinda, o Projeto Praia Grande, em São Luís do Maranhão; o Corredor Cultural, no Rio de Janeiro; a Revitalização do Pelourinho, em Salvador; o Plano de Revitalização do Bairro do Recife, em Recife e Feliz Lusitânia, Enseada das Rocas, Projeto Ver-o Peso, em Belém e a Associação Viva o Centro, em São Paulo (FEIJÓ,2012). Alguns exemplos de ações no âmbito da reabilitação nas áreas centrais de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro foram descritos no relatório do Projeto REABILITA (2007) e serão mencionados a seguir. 45 3.1.1.1 São Paulo Os projetos de reabilitação no centro de São Paulo foram justificados pela redução do número de moradores e domicílios nesta área a partir década de 1980. No mesmo período, houve um aumento da presença de domicílios vagos e diminuição dos imóveis alugados (REABILITA, 2007). No que tange aos lotes da região, quase todos foram verticalizados no final da década de 1950 e, em geral, precisavam de renovações em seus sistemas elétricos, hidráulicos, de segurança e de esquadrias, além de adaptações para o uso e atendimento das novas necessidades das edificações. Restam poucos terrenos livres na área central e a maioria dos terrenos vagos é resultante da demolição de construções não verticalizadas (REABILITA, 2007). Apesar da perda populacional e da presença de vazios, a região central de São Paulo concentra aproximadamente 10% dos estabelecimentos, 10% dos equipamentos culturais do Município e muitas condições de acessibilidade, com a presença de metrô, trens intermunicipais e terminais de ônibus locais e intermunicipais. Com 70% da sua área destinada a comércio e serviços, a região gera 7% do número de empregos da cidade (REABILITA, 2007). Para reverter o quadro de altas quantidades de vazios, muitos projetos de intervenções foram elaborados e implantados nas áreas centrais de São Paulo, vários destes relacionados a conservação e preservação das cidades e a recuperação do patrimônio cultural e bens públicos (REABILITA, 2007). A partir de 1990, a maior parte dos órgãos públicos se reinstalou no Centro, impondo uma série de readequações a antigas edificações. Também foi implantado o Programa Monumenta - BID, que selecionou construções na área da Luz para obras de recuperação e restauro, sobretudo as ligadas ao patrimônio histórico e às atividades culturais: Pinacoteca do estado de São Paulo, Museu de Arte Sacra, Universidade da Música, Catedral da Sé, Mosteiro de São Bento, Teatro Municipal, Biblioteca Municipal e outros (REABILITA, 2007). Felizmente, os programas de recuperação da área central não se limitaram à recuperação do patrimônio histórico. Desde a década de 1990, movimentos de luta por moradia vem ocupando diversos prédios na área central e reivindicado políticas e programas para HIS neste local. Para responder à estas demandas, o governo estadual criou, em 1998, o Pró-Lar Atuação em Cortiços (PAC) (REABILITA, 2007). Outro programa na área da habitação foi o Programa de Cortiços/ Reabilitação da Moradia Coletiva, ele buscava a capacitação dos moradores dos cortiços, fiscalização e regulamentação dos imóveis e intervenções nos cortiços. Neste programa, os próprios 46 proprietários readequariam seus imóveis com o auxílio de linhas de crédito e subsídios. No caso de necessidade de interdição do cortiço, as famílias removidas eram assistidas (REABILITA, 2007). Para exemplificar projetos de reabilitação mais recentes, temos o caso do Shopping Jardim Pamplona (Figura 3.2), em São Paulo. Para sua implantação, foram realizadas intervenções em um hipermercado de rede francesa com área superior a 40 mil m², cuja construção datava do início dos anos 1970 (SILVA, 2017). O prédio reabilitado era composto por subsolo, térreo mais quatro pavimentos e o atrativo para sua reabilitação era a sua localização estratégica, estando situado em uma área com alta concentração de indivíduos com renda elevada, que estariam dispostos a consumir no novo estabelecimento (SILVA, 2017). Figura 3.2 – Shopping Jardim Pamplona Fonte: Disponível em: < https://www.archdaily.com.br/br/905219/shopping-jardim-pamplona-l35acia- arquitetura> Acesso em: 03/04/2021 Outro exemplo recente de empreendimento de reabilitação no centro de São Paulo foi inaugurado em 2015 na forma de depósitos de armazenamento. Tais depósitos são fruto da recuperação de edifícios antigos em estado de abandono, proporcionando-os um novo uso. A localização destes depósitos em avenidas movimentadas era estratégica, tornando o empreendimento uma oportunidade interessante de investimento (SILVA, 2017). https://www.archdaily.com.br/br/905219/shopping-jardim-pamplona-l35acia-arquitetura https://www.archdaily.com.br/br/905219/shopping-jardim-pamplona-l35acia-arquitetura 47 3.1.1.2 Salvador Em Salvador, um programa de recuperação foi realizado em uma área tombada pela UNESCO como patrimônio da Humanidade e a ele foram associadas intervenções em edifícios para HIS em resposta às reivindicações dos ocupantes (REABILITA, 2007). Assim como no caso anterior, o centro de Salvador sofreu decréscimos populacionais desde 1980, possuía uma alta vacância imobiliária e poucos terrenos vazios. A maior parte imóveis presentes na região foram edificados do século XVII ao XIX e encontravam-se em alto estado de degradação, além de muitos estarem abandonados. Esta situação foi agravada pela criação de uma nova centralidade, que passou a representar 12% da arrecadação do Imposto sobre a circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de todo o Estado da Bahia. (REABILITA, 2007). As primeiras ações de recuperação do Centro implantadas para modificar essa dinâmica ocorreram em 1967, se voltaram ao turismo e ao assistencialismo e não foram bem-sucedidas. Mais tarde, na década de 1990, o Estado colocou em prática intervenções para recuperação do centro histórico de Salvador, envolvendo 500 imóveis e buscando a reabilitação destas edificações, o aumento da oferta de estacionamento de automóveis, a melhoria da infraestrutura (sistema hidrossanitário, elétrico, de telefone e de combate a incêndios) e a recuperação de monumentos históricos e edificações com valor histórico. Várias das famílias que habitavam esses edifícios foram indenizadas e realocadas. Algumas destas famílias se deslocaram para áreas distantes e outras se acomodaram em edifícios do mesmo perfil, abandonados (REABILITA, 2007). O desenvolvimento do uso habitacional da área central de Salvador é resultante das pressões dos moradores dessas áreas que forçaram a interrupção das obras de recuperação e requisitaram a inclusão de ações ligadas a HIS no programa de reabilitação. Essa nova fase de intervenções teve o aporte de capital privado e envolveu financiamentos para que a população intervisse em seus próprios imóveis e permanecesse na área. Também foram recuperados antigoscasarões pertencentes ao patrimônio histórico de Salvador para sua disponibilização como unidades habitacionais (REABILITA, 2007). 3.1.1.3 Rio de Janeiro 48 A reabilitação de edifícios para HIS no centro da cidade do Rio de Janeiro é resultante da atuação de várias esferas governamentais. Apesar do esvaziamento populacional ocorrido nesta região, lá encontram-se os mais relevantes monumentos arquitetônicos e artísticos da cidade, além de edificações e marcos históricos do seu desenvolvimento urbano. Ademais, esta área é considerada o segundo maior centro financeiro do país, abriga uma das zonas portuárias mais importantes do Brasil e concentra mais estabelecimentos comerciais e de serviço, centros de pesquisa e universidades do que qualquer outra área da cidade (REABILITA, 2007). O centro do Rio de Janeiro é a região mais antiga da cidade e a que mais foi alvo de intervenções de grande porte no século XX. Deste modo, suas edificações passaram por um intenso processo de degradação que causou a evasão de seus habitantes originais para cortiços, favelas e espaços vazios ocupados irregularmente (REABILITA, 2007). Para reverter este cenário, era necessário criar uma política para recuperar essas áreas centrais, incentivando a implementação de projetos de criação de habitações nos espaços vazios e em prédios subutilizados, abandonados e em ruínas. Tal política deveria ultrapassar o contexto da habitação e se estender tanto ao desenvolvimento de atividades culturais e sociais e a quanto a dinamização das atividades econômicas (REABILITA, 2007). O projeto precursor da reabilitação urbana na região central do Rio de Janeiro foi o Corredor Cultural, concebido em 1979 com o objetivo de conciliar a preservação e o desenvolvimento da área, sem que o último se sobreponha ao primeiro. Pretendia-se promover a preservação ambiental, reestruturação urbana, revitalização das atividades e melhoria do espaço ambiental (REABILITA, 2007). A partir do Projeto Corredor Cultural, foram estruturados diversos outros planos de reabilitação urbana no Centro. Dentre eles, destacam-se o Projeto SASs, o Plano Porto do Rio e as intervenções nas áreas da Lapa e Cruz Vermelha. Além desses, contribuíram para o processo de reabilitação da região os seguintes projetos: Projeto Morro da Conceição, Projeto Teleporto, Projeto Praça Tirandentes e o Plano de Reabilitação Integrada de São Cristóvão (REABILITA, 2007). Entretanto, somente começam a surgir projetos destinados à reabilitação de edifícios para HIS a partir dos anos 1990, com a criação da Secretaria Municipal do Habitat, voltada à promoção do uso racional da estrutura urbana existente, a ampliação da oferta de habitações, ao combate do esvaziamento populacional e ao aumento da atividade imobiliária na Área Central. Alinhados a estas novas premissas, criou-se o Programa Favela-Bairro, Programa Morar Carioca e Programa Novas alternativas (REABILITA, 2007). 49 Apesar de terem apresentados resultados significativos, a execução desses projetos foi longa devido a sua complexidade, a ausência de documentos de referência e a falta mão de obra qualificada a um custo razoável para realizar as intervenções, tanto de reabilitação quanto de manutenção (REABILITA, 2007). Recentemente, no centro do Rio de Janeiro o programa Porto Maravilha foi implementado para a melhoria da imagem do centro da cidade e recuperação de suas áreas desvalorizadas. Este programa proporcionou a inauguração dos museus MAR, Museu do Amanhã e Centro Cultural José Bonifácio (CCJB), além da restauração dos galpões da Gamboa e a Igreja São Francisco da Prainha (SILVA, 2017). Pode-se também mencionar a possibilidade de realização de projetos de restauro aliados à reconversão, como o das casas da Villa Aymoré no bairro da Glória (Figura 3.3). No local, os sobrados construídos no século XX, tombados pelo patrimônio histórico, apresentavam um avançado estágio de degradação, tendo uma das edificações colapsado. A Villa foi reabilitada através do financiamento de uma incorporadora que converteu os sobrados em salas comerciais para aluguel (SILVA, 2017). Figura 3.3 – Villa Aymoré após projeto de reabilitação Fonte: Disponível em: < http://bohrerpernau.com.br/?p=746> Acesso em: 03/04/2021 50 METODOLOGIAS DA REABILITAÇÃO NO BRASIL A necessidade da implementação de ações de reabilitação é usualmente condicionada pela deficiência em três fatores: desempenho do envelope (fachadas e coberturas), condições de habitabilidade e conforto, e comportamento estrutural. Para o desempenho do envelope, a reabilitação pode trazer melhores condições de habitabilidade, já para as condições de habitabilidade e conforto, a reabilitação pode amplificar o bem-estar e otimizar o desempenho dos sistemas. Por último, para o comportamento estrutural, intervenções de reabilitação podem garantir a segurança dos usuários e de seus bens. De acordo com a razão pela qual decide-se implementar ações de reabilitação, escolhe- se a melhor metodologia para executá-las. A metodologia de implementação de um projeto de reabilitação é dividida em 3 (três) etapas: identificação e avaliação de anomalias, definição do nível de intervenção e determinação da estrutura do processo de reabilitação em fases. Cada uma dessas três etapas pode ser realizada de uma maneira diferente. Nos subcapítulos seguintes, foram expostas opções encontradas na bibliografia brasileira, para cada uma delas. Desta forma, tem-se diversas metodologias de implementação para projetos de reabilitação em função das diferentes combinações possíveis entre essas opções. 3.2.1 Identificar e avaliar anomalias/patologias nas edificações Segundo o IBAPE (2013), as anomalias em edificações são causadas pelos fatores indicados na Figura 3.4: Figura 3.4 – Causas das anomalias em edificações Fonte: (IBAPE, 2013) 51 A avaliação das anomalias é o primeiro passo do método para reabilitar uma edificação. Paiva et al. (2006) avalia tais anomalias de acordo com dois critérios, apresentados na tabela 3.3: Tabela 3.3 – Critérios de avaliação de anomalias Critério geral • Consequência da anomalia • Tipo de correção/ Método de tratamento da anomalia Critério de local de manifestação/ componentes funcionais • Elementos primários (paredes externas e internas, pavimentos e coberturas) • Elementos secundários (esquadrias) • Revestimentos e acabamentos dos elementos primários e secundários • Instalações Fonte: (PAIVA et al., 2006), Adaptado Todavia, Qualharini (2020), divide os critérios de componentes funcionais somente em elementos primários e secundários. Os elementos primários são aqueles que precisam de intervenções de fácil realização em pequenas áreas, como a correção de patologias superficiais, limpeza ou substituição. Já as anomalias em elementos secundários influenciam em sua aparência e exigem a análise da presença de degradação superficial ou acúmulo de oxidação/sujeira, caso essas patologias ocorram nos elementos de acabamento de instalação ou maquinário, elas surgem de um conjunto de fala de manutenção e impõe a realização de reparos. Em função desses critérios, Paiva et al. (2006) classificam as anomalias nas seguintes categorias, conforme apresenta a Tabela 3.4. Tabela 3.4 – Classificação das anomalias Anomalias Pequenas Consequência: Presença de um aspecto prejudicial para o edifício Correção: Simples: limpeza, substituição ou pequenas correções Elementos primários: Pontuais e superficiais Elementos Secundários: Caráter estético Revestimentos e acabamentos: Desgaste, pequenas rachaduras e sujidade Instalações: Caráter estético Anomalias Médias Consequência: Impacto no uso e conforto do usuário Correção: Intervenções pontuais 52 Elementos primários: Facilmente identificáveis Elementos Secundários: Problemasmecânicos, funcionais ou redução de durabilidade. Identificação difícil. Não oferecem riscos à segurança Revestimentos e acabamentos: Deterioração dos materiais Instalações: Deterioração pontual e deficiência no funcionamento Anomalias Grandes Consequência: Acidentes sem gravidade. Risco à saúde e segurança dos usuários. Correção: Substituição ou reparação ampla dos elementos Elementos primários: Facilmente identificáveis. Grandes efeitos. Elementos Secundários: Facilmente identificáveis. Grandes efeitos. Revestimentos e acabamentos: Degradação de grandes áreas. Risco de queda de placas de pequena altura. Instalações: Degradação grande que pode causar funcionamento deficiente. Anomalias Muito Grandes Consequência: Acidentes graves. Risco à saúde e segurança dos usuários. Correção: Substituições ou reparações totais Elementos primários: Ausência de elementos e deterioração avançada. Condições de segurança e habitabilidade em risco. Substituição total de elementos. Elementos Secundários: Grande deterioração ou ausentes. Risco à segurança e invasões. Revestimentos e acabamentos: Ausência de elementos em grandes áreas. Risco de queda de placas de grande altura. Instalações: Degradação grande a ponto de impedir o funcionamento do sistema. Fonte: (PAIVA et al., 2006), Adaptado (ASSUMPÇÃO,2018) Qualharini (2020) classificou os impactos das patologias pequenas, médias, grandes e muito grandes nas edificações segundo os critérios gerais (consequências e meios de reparo) e de análise de componentes funcionais (elementos pontuais, elementos secundários, revestimentos e acabamentos e instalações) conforme apresentam as Tabelas 3.5 e 3.6 abaixo, adaptadas de Marinho (2011). Tabela 3.5– Classificação dos impactos das anomalias segundo os critérios gerais Impactos das patologias nas Edificações Patologias x Critérios Gerais Patologias Pequenas Médias Grandes Muito grandes 53 Consequências Impacto visual Afetam a usabilidade Indicam risco de acidentes em ampla área Configuram risco de acidentes de alta gravidade Reparo Limpeza ou intervenções pontuais Substituição/ intervenção parcial Substituição/ intervenção extensa Substituição/ intervenção total Fonte: (MARINHO, 2011), Adaptado (QUALHARINI, 2020) Tabela 3.6– Classificação das anomalias segundo os critérios de análise dos componentes funcionais Impactos das patologias nas Edificações Patologias x Critérios de análise dos componentes funcionais Patologias Pequenas Médias Grandes Muito grandes Elementos pontuais Pequenas áreas Facilmente perceptíveis, com danos localizados Impacto considerável, com possíveis acidentes Alta deterioração com inexistência de manutenção, oferecendo riscos à segurança Elementos secundários Impacto visual Interferência na funcionalidade ou diminuição da durabilidade Impacto considerável, com possíveis acidentes Alta deterioração com inexistência de manutenção, oferecendo riscos à segurança Revestimentos e acabamentos Desgaste ou aspecto visual desagradáv el Danos em regiões bem marcadas Degradação em grandes áreas de risco de queda de elementos Risco de queda em grande escala Instalações Afetam apenas o caráter estético Degradação localizada Degradação em grandes trechos e que prejudicam o funcionamento Degradação generalizada e inoperabilidade Fonte: (MARINHO, 2011), Adaptado (QUALHARINI, 2020) C ri té ri o s d e a n á li se d e co m p o n en te s fu n ci o n a is C ri té ri o s G er a is 54 3.2.2 Definir o nível de intervenção Antes de conceber um projeto de reabilitação, deve-se definir a qual nível de intervenção a edificação será submetida, de acordo com seu estado atual e ações necessárias para corrigir suas anomalias. Paiva et al. (2006) levantaram os principais fatores que condicionam o nível de intervenção das obras de reabilitação. Estes fatores foram retratados no esquema apresentado na Figura 3.5. Figura 3.5 - Fatores que influenciam os níveis de intervenções Fonte: (ASSUMPÇÃO,2018), Adaptado de (PAIVA ET. AL., 2006). Complementarmente, Paiva et. al (2006) categorizaram os níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação da maneira apresentada na Tabela 3.7: Tabela 3.7– Níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação Nível de intervenção Exemplos de intervenções executadas Nível 1: Reabilitação ligeira • Criação de vãos para otimizar a iluminação e ventilação naturais • Limpeza do telhado e substituição pontual de telhas danificadas • Reparação de pequenas anomalias nos rebocos e pintura das fachadas externas e internas (garagens, corredores e portas de apartamentos) • Reparação da caixilharia (moldura de madeira ou metal) • Recuperação dos sistemas predais (elétrico, telefônico, gás e hidráulico) • Reaplicação de revestimentos 55 Nível 2: Reabilitação média • Reparo ou troca parcial de elementos de madeira • Reparo ou reforço de elementos estruturais • Beneficiação das áreas comuns do edifício • Pequenas alterações no layout • Melhoria dos equipamentos existentes e instalações sanitárias • Troca parcial dos sistemas prediais (elétrico, telefônico, gás e hidráulico) • Alteração de fachadas ou esquadrias Nível 3: Reabilitação profunda • Grandes modificações no layout, com possível alteração no nível de habitações • Reparo de elementos danificados que ofereçam risco a segurança dos usuários (escadas, paredes divisórias, elementos de cobertura etc.) • Introdução de instalações e equipamentos em falta Nível 4: Reabilitação excepcional • Utilização de técnicas de restauro para recuperar fachadas • Substituição e/ou reforço dos elementos estruturais • Elevação para padrões elevados e superiores aos existentes Fonte: (PAIVA et al., 2006), Adaptado Já o relatório do projeto REABILITA (2007), caracteriza os diferentes níveis de intervenção em uma obra de reabilitação da conforme é apresentado na Tabela 3.8: Tabela 3.8– Níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação Nível de intervenção Referência Pequenos reparos nas edificações Intervenções que envolvem pequenas ações, como pintura, recuperação dos sistemas prediais (elétrico, telefonia, gás e hidráulico), recolocação de peças e reaplicação de parte do revestimento. Reforma total ou parcial nas edificações Intervenções de porte médio, com troca parcial de sistemas prediais, recuperação e/ou alteração de fachadas ou de esquadrias, substituição de revestimentos, demolição e execução de vedações horizontais e/ou verticais. Pode envolver mudança de layout interno com geração de resíduos, mas mantendo o uso original do imóvel 56 Reconstrução total ou parcial seguindo as características originais da edificação Obra de porte maior, com reconstrução ou restituição parcial, utilizando fundações, vedações horizontais e verticais, estruturas e/ou coberturas ainda existentes e em bom estado. Segue parcialmente ou totalmente a concepção arquitetônica original (gabarito de altura, volumetria, etc.), principalmente nos imóveis tombados pelos órgãos do patrimônio, mudando ou não seu uso original. Restauro parcial ou total na edificação Intervenção realizada a partir da reconstituição parcial ou total da edificação, de parte de sistemas e componentes, com base em documentos e projetos disponíveis sobre a construção e história do imóvel, obrigatória para os imóveis tombados, conforme as normas de tombamento, mudando ou não o seu uso original. Fonte: (REABILITA, 2007), Adaptado Qualharini (2020) também classificou os níveis de intervenções de obras de reabilitação, desta vez em função de sua aplicação, como demonstradona Tabela 3.9: Tabela 3.9 – Níveis de intervenção atribuídos a obras de reabilitação Nível de intervenção Aplicação Nível 1: Reabilitação rápida Quando o estado de conservação da edificação é aceitável, excluindo a necessidade de reparar ou substituir elementos que precisam ser recuperados Execução de pequenas reparações ou melhorias de instalações e equipamentos (fixação de elementos de vedação e acabamento) Nível 2: Reabilitação média Atende as condições de uma reparação rápida Quando há necessidade de uma reforma parcial ou total da edificação, podendo incluir mudanças do layout interno, mas mantendo o seu uso original Ainda que seja possível executar a maior parte das intervenções com a presença dos habitantes, nesse tipo de reabilitação, pode ser necessário realojar os usuários para execução de atividades específicas Nível 3: Reabilitação profunda Quando as ações necessárias são significativas, compreendendo demolições e reconstruções de paredes divisórias, elementos estruturais e até pavimentos. Estas 57 obras implicam na incorporação, em pequena escala, de materiais novos e alterações de soluções construtivas Requerem a desocupação do edifício por período considerável Nível 4: Reabilitação especial Quando as intervenções têm grande amplitude e seu custo de execução é comparável ao de construções novas Caso não exista a necessidade de preservação por tombamento ou o resultado não atenda às expectativas dos usuários, é indicado estudar a viabilidade da demolição ou substituição por novas edificações Requerem urgência com graves riscos de colapso Fonte: (QUALHARINI, 2020), Adaptado 3.2.3 Determinar a estrutura do processo de reabilitação Determinado o nível de intervenção, é necessário dividir o processo de reabilitação em etapas para que se possa tomar decisões coerentes e embasadas. Antes de iniciar o processo de reabilitação, precisa-se decidir que caminho será tomado em relação a edificação (demolir/construir ou intervir/reabilitar). Para tomar essa decisão, realiza-se um pré-diagnóstico, que não tem um custo comparável ao diagnóstico do projeto de reabilitação, para executar inspeções visuais e avaliações superficiais e levantar dimensões, documentações e plantas existentes, de modo a permitir o desenvolvimento de um anteprojeto. (BARRIENTOS,2004) De acordo com o resultado do pré diagnóstico a edificação será demolida, caso a reabilitação for técnica e economicamente inviável e os elementos estruturais estejam altamente degradados, representando perigo ou falta de estabilidade ao edifício, ou reabilitada, quando é viável recuperar, reaproveitar ou melhorar a edificação, conforme as suas exigências de conforto e uso. (BARRIENTOS,2004) Uma vez tomada a decisão de reabilitar, pode-se seguir a estrutura do processo de reabilitação conforme sugere o relatório do Projeto REABILITA (2007), dividindo-o em quatro fases (que se decompõe em muitos passos): diagnóstico do imóvel, projeto, planejamento e gestão da produção e ocupação da edificação. Estas fases se interpõem ao longo do processo, conforme a complexidade das intervenções. Esta estrutura foi organizada no fluxograma ilustrado nas Figuras 3.6, 3.7, 3.8 e 3.9, respectivamente. 58 Figura 3.6 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 1: Diagnóstico do imóvel Fonte: (REABILITA, 2007) Figura 3.7 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 2: Projeto Fonte: (REABILITA, 2007) 59 Figura 3.8 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 3: Planejamento e gestão da produção Fonte: (REABILITA, 2007) Figura 3.9 – Fluxograma das fases da reabilitação. Fase 4: Ocupação da edificação. Fonte: (REABILITA, 2007) Inicialmente, é elaborado um diagnóstico da situação física, legal e social do empreendimento em questão. Esta fase permite determinar o tipo de intervenção a ser aplicada e as possíveis soluções para que ela seja viável financeiramente, funcional e compatibilizada ao seu contexto físico e social (REABILITA, 2007). Uma vez o imóvel diagnosticado, dá-se início a elaboração do projeto na fase 2. De modo a elaborar um excelente projeto, aconselha-se promover a coparticipação de uma equipe multidisciplinar com a assessoria do poder público local, do agente financiador, dos moradores e da associação de moradores. Nesta fase, são realizadas inspeções mais aprofundadas para documentação de anomalias. Em seguida, a viabilidade do projeto é analisada e este é aprovado junto aos órgãos competentes (REABILITA, 2007). Na terceira fase são feitos o planejamento, a execução, o acompanhamento e a conclusão da obra (REABILITA, 2007). Enfim, na última fase, é realizada a gestão da ocupação. Com o intuito de assegurar que os edifícios sejam utilizados da melhor forma possível e, assim, minimizar transtornos referentes à conservação, são desenvolvidos manuais de recomendações de operação e manutenção para moradores e ou administradores (REABILITA, 2007). Por outro lado, Freitas (2012) reparte o processo de reabilitação em seis fases: análise de viabilidade, diagnóstico, definição da estratégia, projeto de execução, análise técnico- 60 econômica de propostas e execução da obra. A descrição de cada uma dessas fases foi organizada na Tabela 3.10. Tabela 3.10 – Fases da reabilitação Fase 1 – Análise da viabilidade • Avaliação da viabilidade de execução da obra segundo aspectos técnicos, financeiros, de tempo e de espaço • Realização pesquisas documentais, levantamentos, reconhecimentos e ensaios para melhor conhecer o imóvel em questão Obs1: A viabilidade econômica depende do nível das intervenções e a margem de incerteza desse estudo depende da qualidade dos levantamentos feitos. Obs2: Deve-se considerar o valor tangível e intangível do imóvel (valores artísticos, culturais e históricos) Fase 2 – Diagnóstico • Análise do estado de conservação do edifício • Elaboração da estratégia de atuação na reabilitação • Pesquisa histórica: Identificação da função presente e passada da edificação • Recolhimento e análise de informações escritas e plantas disponíveis (muitas vezes essas informações não existem e é preciso produzi-las) • Vistorias internas e externas • Avaliação da necessidade de monitoramento do edifício (caso de movimentos da estrutura) • Sondagens, ensaios e medições para caracterizar materiais, elementos construtivos, condições de conforto e qualidade do ar de ambientes internos Obs: É recomendável que o diagnóstico seja elaborado por uma equipe multidisciplinar de técnicos especializados e instruídos em reabilitação. Fase 3 – Definição da estratégia • Levantamento de possibilidades de soluções com suas estimativas de custo e durabilidade • Avaliação técnica e econômica de soluções Obs: A estratégia deve atender a padrões mínimos de qualidade relacionados à durabilidade, compatibilidade, 61 reversibilidade e a consideração do valor patrimonial intangível da edificação. Fase 4 – Projeto de execução • Garantia da existência de plantas e memoriais descritivos (pré-existentes ou elaborados na fase de diagnóstico) • Detalhamento de todos os trabalhos exigidos para a reabilitação Obs: O êxito das intervenções de reabilitação está sujeito a qualidade, ao nível de detalhamento do projeto e a integração dos trabalhos nele descritos. Fase 5 – Análise técnico-econômica de propostas • Busca por propostas de várias empresas • Avaliação da metodologia de intervenção • Análise dos preços dos materiais • Estudo das alternativas apresentadas • Avaliação dos trabalhos anteriores das empresas • Análise de múltiplos parâmetros (preço, experiência, prazo, garantia) Obs: É ideal que a empresa que executará a obra de reabilitação seja especializada na área. Fase 6 – Execução da obra Exige o acompanhamento constante do projetistapara evitar erros, identificar imprecisões e realizar correções. Esse acompanhamento reduz custos e retrabalho. Depois das intervenções finalizadas, executa-se uma vistoria completa das intervenções realizada e disponibiliza-se as novas plantas e termos de garantia. Fonte: (FREITAS, 2012), Adaptado Segundo Paiva et al. (2006), é preciso atentar-se a harmonia entre as fases de análise, diagnóstico, projeto e execução da obra de reabilitação para que se obtenha o melhor resultado na perspectiva econômica, temporal, no sentido de reduzir o prazo, e ambiental, maximizando a reutilização dos resíduos da intervenção. 62 RECOMENDAÇÕES, TÉCNICAS E TECNOLOGIAS DA REABILITAÇÃO NO BRASIL Os métodos construtivos aplicados nos projetos de reabilitação seguem uma lógica alternativa às obras tradicionais. Contudo, se espelharam nas técnicas adotadas em construções novas, adaptando suas táticas ao cenário das construções que precisam de reabilitação, para readequar seus sistemas e ou corrigir anomalias (SILVA,2017). Para auxiliar e embasar o desenvolvimento de projetos de reabilitação, o Caderno de Síntese Tecnológica – Reabilitação de Edifícios (2015) e o relatório do Projeto REABILITA (2007) expõem orientações, técnicas e métodos de construção. Destacam-se algumas dessas recomendações e táticas por componente da edificação organizadas na tabela 3.11. Tabela 3.11 – Recomendações e táticas a serem implementadas em obras de reabilitação Componente da edificação Recomendações e táticas a serem aplicadas Estrutura • Implementar soluções que não resultem em um aumento significativo de carga. • Priorizar o uso de materiais similares ou compatíveis com a estrutura existente. • Focar na reparação e reforço de elementos em alto estágio de degradação, principalmente os verticais (paredes e pilares). • Assegurar a segurança global do edifício: cintagem e aperfeiçoamento das ligações entre os pavimentos e as paredes e as paredes entre si. • Elaborar laudo estrutural da edificação. Cobertura • Executar impermeabilização em lajes de cobertura com manta asfáltica e concreto vassourado. • Utilizar de telhas cerâmicas sobre estrutura de madeira. • Implantar uma cobertura provisória acima da original que proteja a área de intervenção contra a água da chuva e intempéries, possibilitando a remoção segura dos elementos, a limpeza, a recomposição e remontagem da cobertura. Paredes • Executar o fechamento de juntas, rebocos armados, confinamento transversal com o auxílio de conectores ou pregos, injeção de caldas, desmonte, reconstrução e soluções mistas. 63 Fundações • Executar o reforço e manutenção das fundações originais levando em conta laudos estruturais. • Utilizar técnicas condizentes com as restrições de espaço e acesso da intervenção. Vãos envidraçados • Garantir o desempenho básico do elemento: estanqueidade a água, resistência mecânica e contenção das infiltrações de ar. Pisos • Recuperar o elemento (quando se pode reaproveitá-lo). • Retirada e substituição do elemento (caso contrário). • Realizar diagnóstico através de inspeção visual e do uso de equipamentos auxiliares. Instalações elétricas e de telecomunicações • Substituir as fiações antigas por novas e as tubulações originais por outras de PVC. • Implantar estrutura de telecomunicações quando esta é inexistente. • Adequar as instalações elétricas e de telecomunicações as normas vigentes. • Uso de shafts para comportar as novas instalações, camuflando- os conforme necessário. Instalações hidráulicas e de esgoto • Garantir o desempenho das instalações. • Reabilitar os sistemas por meio da instalação de novas tubulações de PVC. • Uso de shafts para comportar as novas instalações, camuflando- os conforme necessário. Fonte: (CADERNO DE SÍNTESE TECNOLÓGICA – REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS, 2015; REABILITA, 2007; SILVA, 2017). Adaptado A Figura 3.10 mostra um exemplo de recomendação a reabilitações de cobertura: a implantação de cobertura provisória colocada acima da original. 64 Figura 3.10 – Cobertura provisória colocada acima da original para possibilitar a intervenção neste elemento com uma menor influência de fatores externos Fonte: (FERREIRA, 2012) Quanto ao canteiro de obras e o fluxo de materiais, deve-se atentar ao planejamento do layout do canteiro de modo a evitar transtornos causados pela restrição de espaço de sua área de implementação, tal como a dificuldade do fornecimento de insumos. Já, para reduzir os inconvenientes relacionados a grande produção de dejetos advinda de demolições e da substituição de elementos, deve-se buscar reutilizar, reaproveitar esses materiais ou instalar sistemas aparentes (SILVA,2017). Hestnes e Kofoed (2002) também fizeram recomendações em relação a projetos de reabilitação. Incialmente, recomenda-se escolher as tecnologias, de modo a adequá-las a cada edificação e garantir que mais de uma tecnologia não elimine a mesma anomalia, aumentando os custos da intervenção. No que tange ao clima, busca-se implementar técnicas de resfriamento naturais em regiões quentes, de isolamento e aquecimento solar em regiões frias e de ventilação, em ambos, para reduzir gastos com energia e manter a temperatura ambiente confortável. Ainda em relação ao clima, vale utilizar-se de técnicas passivas como o sombreamento, coberturas verdes, a ventilação e iluminação natural para reduzir a dependência de sistemas mecânicos e de sua manutenção (HESTNES, KOFOED,2002; MORETTINI, 2012; SANTAMOURIS, DASCALAKI,2002). 65 Ressalta-se que as intervenções de reabilitação realizadas podem causar implicações em outros elementos, mesmo que haja um esforço para compatibilizar o novo ao antigo. Felizmente, essas implicações podem ser positivas, pode-se implementar soluções que corrijam mais de uma necessidade do edifício ao mesmo tempo. Um exemplo desse tipo de solução é o isolamento térmico de paredes externas, que pode simultaneamente tornar a edificação estanque a água e resistente ao fogo (LANZINHA,2013). Para tornar o edifício reabilitado mais sustentável, é importante atentar-se a alguns requisitos: otimização do uso da água, otimização do desempenho energético, conforto térmico, conforto visual, conforto acústico, gestão de resíduos, relação com o entorno e compatibilidade com a construção existente (LANZINHA, 2013; MOTA, 2018). Em relação ao uso da água, procura-se reduzir o seu consumo, captar a água de chuva e reutilizar as águas servidas e de chuva. Já para aumentar o desempenho energético, além das medidas citadas anteriormente, deve-se haver um empenho no sentido de implementar o uso de energias renováveis na edificação (LANZINHA,2013; MOTA,2018). Para melhoria do conforto visual aproveita-se a iluminação natural e otimiza-se a iluminação artificial com luminárias apropriadas, sensores de presença, sensores fotoelétricos e iluminação direta. Ademais, para aprimorar a gestão de resíduos são executadas táticas para minimizar a sua geração dos resíduos e praticar a reciclagem (LANZINHA,2013; MOTA,2018). Por fim, deve-se priorizar a relação do edifício reabilitado com seu entorno, atentando- se à poluição e aos barulhos causados, à interdição de vias, à contaminação do solo e à sujidade nas vias (LANZINHA, 2013; MOTA, 2018). Pode-se utilizar equipamentos para aprimorar o resultado de intervenções de reabilitação sustentáveis como, por exemplo: a projetora de argamassa, que acelera a execução de procedimentos e reduz o desperdício de argamassa; o cortador de parede, que reduz o volume de dejetos e o tempo de execução; a pistola de pintura pulverizadora, que permite um menor consumo de material e um melhor acabamento; e a lavadora de alta pressão, que induz um menor consumo de água ao realizar atividades de limpeza (MOTA,2018; FERRAREZI,2016). Kruger e Seville (2016) sugerem medidaspara melhorar o desempenho sustentável de edifícios a serem reabilitados, que se encontram dispostas na Tabela 3.12. 66 Tabela 3.12 – Medidas para tornar as obras de reabilitação mais sustentáveis Elementos da edificação Medidas a serem implementadas Fundações • Prezar pela durabilidade. • Impermeabilizar a fundação para protegê-la da infiltração de água e do excesso de umidade do solo. Paredes e pisos • Considerar conciliar soluções alternativas locais, como o uso de taipa, com soluções tradicionais, como tijolo de alvenaria. Cobertura • Modelar o telhado para garantir o escoamento rápido e contínuo da água da chuva. Revestimento externo • Privilegiar a implantação de acabamentos impermeáveis e recicláveis Esquadrias • Optar por esquadrias que promovam a estanqueidade, isolamento térmico e a melhor utilização das características naturais da edificação, como iluminação e ventilação natural. Espaço de convívio externo • Garantir a circulação de ar. Sistemas hidrossanitários • Utilização de válvulas redutoras de pressão para reduzir o consumo de água. Sistemas de ventilação, aquecimento e ar condicionado • Assegurar que os novos sistemas instalados são compatíveis com os outros sistemas existentes, como o elétrico, adaptando-os quando necessário. Fonte: (MOTA,2018; KRUGER, SEVILLE, 2016), Adaptado Ainda para tornar edificações reabilitadas mais sustentáveis, Morettini (2012) recomenda a implementação de algumas tecnologias, conforme apresentado na Tabela 3.13. Tabela 3.13 – Tecnologias para tornar as obras de reabilitação mais sustentáveis Tecnologia Método de instalação/ Benefícios Revestimentos externos não aderidos Método de instalação: Fixação de placas de rocha, placas metálicas ou revestimentos cerâmicos em suportes metálicos. Benefícios: • Intervenções pontuais na estrutura original, reduzindo a geração de resíduos e o risco de colapso • Promoção da estanqueidade, conforto térmico e acústico e segurança das áreas no entorno do edifício reabilitado Cortina de vidro na fachada Método de instalação: Fixação de vidros laminados, termo absorventes, refletivos e 67 insulados em estruturas metálicas no exterior do edifício. Benefícios: Vedação, estanqueidade, redução sonora, luminosidade, ventilação, sombreamento e transmitância térmica. Paredes de gesso acartonado Método de instalação: Fixação de placas acartonadas em estruturas de aço. Benefícios: • Baixo acréscimo de carga a estrutura em relação a paredes tradicionais devido a leveza do material • Possibilidade de compartimentar ambientes • Passagem de instalações em seu interior, excluindo a necessidade de se intervir na estrutura original, otimizando espaço e valorizando a estética (em relação a instalações aparentes) • Conforto térmico e acústico Paredes de bloco de concreto celular Método de instalação: Blocos com ar incorporado ao material assentados de forma semelhante aos tijolos cerâmicos. Benefícios: • Uso de mão de obra não especializada • Menor acréscimo de carga em relação a paredes tradicionais • Conforto térmico e redução sonora Forro suspenso Método de instalação: Fixação de revestimentos de madeira, gesso, PVC ou fibra a perfis de aço na laje ou teto original. Benefícios: • Passagem de instalações em seu interior, excluindo a necessidade de se intervir na estrutura original, otimizando espaço e valorizando a estética (em relação a instalações aparentes) • Redução da geração de resíduos em relação a uma intervenção para troca do forro • Fácil manutenção • Conforto térmico e redução sonora Piso elevado Método de instalação: Pisos suspensos através de apoios. Benefícios: • Passagem de instalações em seu interior, excluindo a necessidade de se intervir na estrutura original, otimizando espaço e valorizando a estética (em relação a instalações aparentes) • Redução da geração de resíduos em relação a uma intervenção para troca do piso • Fácil manutenção 68 • Redução sonora Instalações pré- montadas Método de instalação: Kits de tubulação de PVC e cobre pré-montados implementados de modo semelhante as instalações tradicionais. Benefícios: • Facilidade de instalação e manutenção Obs: Para otimizar a sua instalação, devem-se definir níveis para sua instalação em pisos e paredes. Sistema de esgoto a vácuo Método de instalação: Implementação de um sistema de sucção de dejetos da caixa de coleta de esgoto e de um triturador. Benefícios: • Possibilidade de uso de tubulações de menor diâmetro • Não exigência de declive para o transporte os resíduos • Conforto acústico, redução de resíduos e otimização do uso de água Ar-condicionado por volume refrigerante variável (VRV) Método de instalação: Implementação de um sistema que permite a regulação da temperatura por ambiente, conforme o desejado. Benefícios: • Conforto térmico • Economia de energia Lâmpadas LED Método de instalação: Mesmo modo de instalação de lâmpadas incandescentes Benefícios: • Conforto visual • Otimização energética Painéis fotovoltaicos Método de instalação: Instalação em coberturas ou fachadas. Benefícios: • Conforto visual • Otimização energética Fonte: (MOTA,2018; KRUGER, SEVILLE, 2016), Adaptado NORMAS DA REABILITAÇÃO NO BRASIL Foi realizado um levantamento das normas brasileiras relacionadas ao tema da reabilitação, juntamente à consideração da sua aplicação direta em obras de reabilitação predial, seus escopos ou objetivos e principais temas abordados. Estas informações estão unificadas no Apêndice A. 69 Este levantamento permitiu identificar a pequena quantidade de normas que podem ser utilizadas em projetos de reabilitação, dado que mesmo as normas relacionadas ao desempenho de edificações (requisitos gerais, sistemas estruturais, de piso, de vedações verticais, de cobertura e hidrossanitários) restringem expressamente o seu uso neste tipo de intervenção. A aplicação dessas normas seria de grande valia pois nelas são descritos os requisitos de segurança (estrutural, contra o fogo, no uso e na operação), habitabilidade (desempenho térmico, acústico e lumínico, funcionalidade, acessibilidade e conforto) e sustentabilidade (durabilidade, manutenibilidade e impacto ambiental). Entretanto, normas de participação de intervenientes, inspeção e perícia predial, reforma, manutenção, estruturas de concreto reforçado e desempenho térmico podem auxiliar o desenvolvimento de projetos de intervenções de reabilitação. As normas de participação de intervenientes, inspeção e perícia predial podem amparar o processo da reabilitação na fase de diagnóstico, apresentando metodologias e requisitos mínimos para a identificação, classificação das características do imóvel e caracterização da propriedade e fixando as condições exigíveis de participação dos agentes envolvidos na reabilitação. As normas de reforma e manutenção podem contribuir na escolha das soluções a serem executadas no projeto de reabilitação, através da apresentação de possibilidades para alterar as características da edificação ou de suas funções, do planejamento das intervenções da análise técnica das suas implicações. A contribuição dessas normas também está associada à apresentação de requisitos de segurança da edificação, dos usuários e do entorno que devem ser levados em consideração ao se intervir na edificação, e da necessidade de supervisionar constantemente as atividades realizadas. Na fase de ocupação, essas normas podem ser úteis para fundamentar a elaboração dos manuais de uso e manutenção dos edifícios que serão entregues aos habitantes da edificação, além da melhor maneira de transmitir essa informação, em linguagem didática. A norma de estruturas concreto reforçado pode ser utilizada durante a fase elaboração do projeto de reabilitação emcasos mais específicos em que a estrutura de uma obra que se deseja reabilitar está muito degradada, de modo a apresentar seu método de dimensionamento, estabelecer seus requisitos e demonstrar como realizar seu controle de qualidade. Aplicável as fases de diagnóstico e concepção do projeto de reabilitação, as normas de desempenho térmico (definições, métodos de cálculo e zoneamento bioclimático) permitem a identificação das características térmicas de materiais, componentes construtivos e ambientes, além do enquadramento da edificação em questão em um zoneamento bioclimático brasileiro. 70 Desta forma, facilita-se o processo de escolha e análise de viabilidade das alternativas apresentadas para solucionar problemas relacionados ao conforto térmico das edificações. Ademais, estas normas estabelecem recomendações e diretrizes para adequação climática de habitações. Além disso, observa-se o surgimento de normas focadas em projetos sustentáveis, mesmo que não voltadas a recuperação de edifícios, como a de utilização de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil para execução de camadas de pavimentação. Nas figuras 3.11 e 3.12 são representados, respectivamente, um montante de agregados reciclados e estes agregados depois de sua separação em frações que permitam a execução dos trabalhos de pavimentação. Figura 3.11 – Montante de agregado reciclado produzido na usina recicladora da Prefeitura Municipal de São Paulo Fonte: (ABDOU, BERNUCCI, 2007) Figura 3.12 – Agregados reciclados selecionados em diversas frações Fonte: (ABDOU, BERNUCCI, 2007) 71 4 CASO: PROJETO DE REABILITAÇÃO EM MEIO OCUPADO DE ALOJAMENTOS SOCIAIS NA ÁREA METROPOLITANA DE PARIS TRABALHO DE CAMPO, ÁREA DE ESTUDO E PERFIL DOS MORADORES DO MEIO OCUPADO Foi realizado trabalho de campo, entre agosto de 2018 e fevereiro de 2019, através de estágio em uma obra de reabilitação em meio ocupado na empresa GTM Bâtiment, filial do grupo VINCI Construction France, em Rosny—Sous-Bois, Île de France, França. A participação se deu desde a programação dos trabalhos até a entrega dos alojamentos. Durante o trabalho de campo como estagiário, com cargo de assistente de engenheiro de obra, foram desempenhadas as seguintes tarefas: gerenciamento das atividades, organização e planejando dos trabalhos a serem realizados com as equipes terceirizadas (trabalhos hidrossanitários, eletricidade, pintura e revestimento), comunicação com os locatários dos edifícios com o objetivo de informá-los, assisti-los e apoiá-los (tarefa relevante), elaboração do cronograma das intervenções (sujeito a atualizações constantes), controle durante e ao fim dos trabalhos para garantir boa qualidade e bom andamento das intervenções, e gerenciamento de possíveis problemas e disfunções resultantes dos trabalhos executados. As Figuras 4.1 e 4.2, apresentam, respectivamente, um recorte da área metropolitana de paris e a comuna de Rosny-Sous-Bois, com destaque na localização onde foram realizadas as intervenções de reabilitação (em vermelho). Rosny-Sous-Bois é marcada por uma baixa quantidade de dispositivos culturais e de lazer, uma quantidade de escolas e hospitais abaixo da média francesa e uma população de 46.207 habitantes, que de 2016 a 2017 apresentou um crescimento de 1,7%. Dentre eles, 14% estão empregados em profissões que exigem nível de escolaridade superior, 30% tem formação profissionalizante e 30% não possuem diploma do ensino médio.10 10 Disponível em< https://www.cityzia.fr/villes-et-quartiers/se-renseigner/ile-de-france/seine-saint-denis- 93/rosny-sous-bois-93110/?activer_carte>. Acesso em: 09/04/2021 https://www.cityzia.fr/villes-et-quartiers/se-renseigner/ile-de-france/seine-saint-denis-93/rosny-sous-bois-93110/?activer_carte https://www.cityzia.fr/villes-et-quartiers/se-renseigner/ile-de-france/seine-saint-denis-93/rosny-sous-bois-93110/?activer_carte 72 Figura 4.1 – Localização das intervenções de reabilitação em relação à Paris Fonte: Google Maps, Adaptado Acesso em: 11/04/2021 Figura 4.2 – Localização das intervenções de reabilitação em relação à Rosny-Sous-Bois Fonte: Google Maps, Adaptado Acesso em: 11/04/2021 A população da região tem idade média de 36 anos e os aposentados representam 23% dos residentes.11 A área em que ocorreram as intervenções era uma área relativamente perigosa onde era de conhecimento, a existência de tráfico de drogas e se entendia que não era possível entrar em alguns dos apartamentos em que a reabilitação estava planejada. 11 Disponível em<https://www.cityzia.fr/villes-et-quartiers/se-renseigner/ile-de-france/seine-saint-denis- 93/rosny-sous-bois-93110/?activer_carte>. Acesso em: 09/04/2021 https://www.cityzia.fr/villes-et-quartiers/se-renseigner/ile-de-france/seine-saint-denis-93/rosny-sous-bois-93110/?activer_carte https://www.cityzia.fr/villes-et-quartiers/se-renseigner/ile-de-france/seine-saint-denis-93/rosny-sous-bois-93110/?activer_carte 73 O projeto consistiu na reabilitação de 222 alojamentos sociais distribuídos em 5 edifícios (Figura 4.3), 2 de 5 andares, 2 de 11 andares e 1 de 15 andares. Esses 222 alojamentos têm tipologias desde estúdios até 4 quartos e a maior parte dos trabalhos foi eita em suas áreas molhadas e molháveis (banheiro, lavabo e cozinha). A Figura 4.3 apresenta uma imagem de satélite em que estão destacadas em verde as edificações onde houve participação no projeto de reabilitação. Figura 4.3 – Vista de satélite da obra da reabilitação Fonte: Google Maps, Adaptado Acesso em: 11/04/2021 Esses alojamentos sociais eram habitados por uma população de baixa renda, incapaz de financiar seu próprio imóvel, a quem o governo francês disponibilizou habitações simples em prédios antigos, construídos na década de 60. Essa população era composta em grande parte por imigrantes, majoritariamente de origem árabe, que nem sempre eram fluentes na língua francesa e que mesmo com moradia garantida, passavam dificuldades financeiras, sobretudo para sustentar famílias de grande porte. Outra parte relevante dos moradores eram os idosos, que muitas vezes residiam no complexo habitacional desde a sua inauguração e possuíam dificuldade de mobilidade, também não tinham capacidade financeira para executar as mudanças necessárias para promover um uso adequado da edificação. A Figura 4.4 apresenta a imagem de visualização 3D do projeto de reabilitação. 74 Figura 4.4 – Visualização 3D do projeto Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) As obras de reabilitação são cada vez mais numerosas na França em função da busca de um menor custo de exploração (em relação a construções novas), redução de custos de manutenção, aumento das performances técnicas, térmicas e ecológicas e a melhora do aspecto estético da edificação. As principais normas que regem um projeto de reabilitação na França são apresentadas na tabela 4.1. Tabela 4.1 – Normas para projetos de reabilitação na França NF ISO 15686 Julho 2011 Edifícios e bens imobiliários construídos – Concepção levando em consideração a vida útil NF EN 16627 Agosto 2015 Contribuição das obras de construção para o desenvolvimento sustentável - Avaliação do desempenho económico dos edifícios - Métodos de cálculo NF EN 15978 Maio 2012 Contribuição das obras de construção para o desenvolvimento sustentável - Avaliação do desempenho ambiental dos edifícios - Métodos de cálculo NF ISO 20887 Junho 2020 Desenvolvimento sustentável em edifícios e obras de engenharia civil – Concepção para desmontagem e adaptabilidade - Princípios, exigências e recomendações NF EN 15885 Novembro 2018 Classificação e características das técnicas de renovação, reparação e substituição de redes de drenagem e esgoto XP CEN/TS 17440 Setembro 2020 Avaliação e renovação de estruturas existentes NFEN ISO 11299 Dezembro 2018 Sistemas de canalização em plástico para a renovação de redes subterrâneas de distribuição de gás 75 NF EN ISO 11298 Abril 2018 Sistemas de canalização em plástico para a renovação de redes subterrâneas de abastecimento de água NF P96-107 Dezembro 2020 Acessibilidade dos estabelecimentos abertos ao público - Sinalização e orientação nos estabelecimentos abertos ao público Fonte: Autor, a partir das Normas Francesas Além disso, a editora “Techniques de L'ingénieur” ou Técnicas do Engenheiro, publica artigos técnicos e científicos de referência e tem em sua base documental alguns artigos especificamente voltados para reabilitação predial. Estes são mencionados na Tabela 4.2. Tabela 4.2 – Artigos de referência para projetos de reabilitação na França R1410 – Dezembro 2013 Avaliação e controle não destrutivos na engenharia civil C6300 – Outubro 2016 Reparação de estruturas de concreto armado - Parte 1: patologias e diagnóstico C6302 – Novembro 2016 Reparo de estruturas de concreto armado - Parte 2: compatibilidade e desempenho IN133 – Dezembro 2011 Novo sistema de reforço de estruturas em concreto armado, madeira e aço ecoeficiente C2351 – Maio 2016 Reabilitação com aço - Reforço e consolidação com aço C2352 – Maio 2016 Reabilitação com aço - Elevação, extensões e requalificação C6301 – Novembro 2017 Reparos e adequação as normas de incêndio C6304 – Outubro 2017 Adaptação a novas cargas, atendimento às normas térmicas e acústicas Fonte: Disponível em: < https://www.techniques-ingenieur.fr/base-documentaire/construction-et- travaux-publics-th3/vieillissement-pathologies-et-rehabilitation-du-batiment-ti256/>. Acesso em 21/04/2021 Na execução de obras de reabilitação em meio ocupado, o locatário representa o ator central do empreendimento, ao lado das outras partes interessadas tradicionais. Além da metodologia clássica de acompanhamento de obra, o gerente da obra de reabilitação precisa implantar e garantir a utilização de ferramentas de comunicação para gerir a relação com os locatários (cartazes, quadros e comunicação pessoal) e ser o interlocutor entre os locatários e os funcionários subcontratados. A intervenção em meio ocupado exige fortes competências relacionais, uma vez que exige o conhecimento e a antecipação das expectativas de cada um dos stakeholders, sejam os subcontratados, a empreiteira, o arquiteto e os clientes, neste caso representados pela empresa responsável pela gestão dos alojamentos sociais e os locatários em si. 76 A experiência da empresa GTM em obras de reabilitação permitiu o desenvolvimento de metodologias de gestão, organização e execução e de um savoir-faire12 para este tipo de intervenção. OBJETIVOS DO PROJETO DE REABILITAÇÃO Destacam-se os seguintes objetivos principais, para o referido projeto de reabilitação em meio ocupado: melhoria do conforto térmico da residência (renovação das fachadas e adequação os sistemas hidrossanitário, de eletricidade e de ventilação à norma vigente); aumento do conforto em geral; reforço das qualidades técnicas dos edifícios; melhora da qualidade de vida dos habitantes (integração dos trabalhos realizado nas áreas comuns e privativas dos apartamentos); supressão dos riscos ligados a segurança das pessoas, bens e ao incêndio; implementação da acessibilidade aos deficientes físicos; proteção ao amianto presente nos revestimentos internos das edificações. Os trabalhos realizados neste complexo habitacional estão descritos na Tabela 4.3. Tabela 4.3 – Trabalhos realizados na obra em questão Trabalhos nas áreas comuns • Renovação do sistema de iluminação dos halls e escadas • Homogeneização do controle de acesso aos edifícios • Renovação dos ARS (Abrigos de Resíduos Sólidos) e bicicletário • Regularizar o sistema de incêndio • Embelezamento dos halls • Embelezamento das escadas • Reestruturação do hall de um dos edifícios Trabalhos na área exterior • Melhoria da entrada de um dos edifícios Trabalho nos alojamentos (áreas privativas) • Pintura das áreas molhadas e molháveis • Instalação de um novo sistema de água quente • Revisão de toda a marcenaria da residência 12 Savoir-faire: Competência adquirida pela experiencia em resolver problemas específicos de um trabalho; perícia, habilidade. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/savoir- faire/#:~:text=Significado%20de%20Savoir%2Dfaire&text=Capacidade%20para%20solucionar%20ou%20resol ver,que%20resulta%20dessa%20capacidade%3B%20tato. > Acesso em: 11/04/2021 77 • Renovação do sistema elétrico • Substituição de equipamentos sanitários conforme levantamento feito durante a concepção Trabalhos em subsolo • Renovação/ Reorganização dos espaços para depósito pessoal Trabalhos em fachada • Revisão da marcenaria • Limpeza e isolação exteriores • Garantir a segurança da fachada Trabalhos em telhado • Renovação da impermeabilização • Recuperação dos sistemas de ventilação • Instalação de guarda-corpos Fonte: Autor Esta intervenção teve a assistência de escritórios de estudos térmicos e acústicos para execução do projeto. Foram realizados cálculos, plantas técnicas e diagnósticos a fim de executar soluções adaptadas, eficazes e de acordo com as regulamentações aplicáveis. A empresa responsável pela execução do trabalho (GTM) definiu as restrições de execução, a viabilidade técnica e o planejamento financeiro do empreendimento conforme a evolução do projeto, devido a imprevisibilidade e necessidade de adaptação de um projeto de reabilitação. Ocasionalmente foi necessário incluir ou retirar atividades do planejamento inicial da obra devido a novas informações constatadas ao longo de sua realização, como, por exemplo, o tratamento de pontos de infiltração não identificados incialmente. PRESENÇA DE AMIANTO NA OBRA Um dos desafios dessa obra foi a presença de amianto. O complexo habitacional onde as intervenções foram realizadas foi construído nos anos 60 e, nesta época, era habitual a utilização de cola a base de amianto para instalação de revestimentos cerâmicos. Por essa razão, foi necessário tomar uma série de precauções quando se identificava a presença de azulejos e pisos fixados com cola de amianto (estes possuíam formato e cor característicos). Na presença de cola de amianto, não se pode, de forma alguma, retirar ou quebrar o elemento cerâmico, pois, ao fazer isso, o amianto da cola, que é volátil, entra em contato com o ar e contamina, por meio da inalação, qualquer pessoa presente no local onde ocorreu o 78 evento. Deve-se cobrir este elemento cerâmico de modo que a troca da nova camada de piso ou azulejo não danifique o revestimento original.13 No caso de azulejos colados com amianto, presentes na cozinha e no banheiro, era necessário cobri-los inicialmente com uma placa de compensado para depois instalar uma segunda camada de azulejo com argamassa (Figura 4.5). A placa de compensado era essencial para que se pudesse substituir a última camada de azulejos no futuro sem atingir a camada inicial colada com amianto. Já no caso do piso, foi utilizado um piso vinílico para cobrir o piso original (Figura 4.5). Esse piso vinílico não poderia ser colado de forma definitiva no piso original pois não se podia criar uma situação em que, ao remover o piso vinílico, retirava-se o piso anterior, colocando indivíduos em contato com o amianto. O piso vinílico era afixado no anterior através de pontos de cola em seus limites. Figura 4.5 – Piso vinílico e revestimento cerâmico instalados na presença de amianto Fonte: Autor IMPLANTAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO CANTEIRO DE OBRAS Devido ao fato de obras de reabilitação em meio ocupado imporem a presença simultânea dos locatários, subcontratados e empreiteira, deve-se dar uma atenção especial a elaboração de um plano de instalação do canteiro de obras.As áreas de circulação de pessoas e veículos, de armazenamento, de descarte, e de carga e descarga de produtos devem ser bem 13 Informações fornecidas pelos gerentes da obra durante o estágio. 79 definidas para que a segurança dos locatários e dos demais participantes da obra seja assegurada. Todas as áreas mencionadas anteriormente devem ser sinalizadas de forma adequada. A Figura 4.6 apresenta o plano de implantação do canteiro de obras do projeto de reabilitação em questão. Figura 4.6 - Plano de implantação do canteiro de obras Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) No que tange a organização do canteiro de obras, a manutenção da ordem é essencial nos canteiros de reabilitação, dado que, muitas vezes, as intervenções a serem feitas em cada um dos apartamentos são diferentes. Dessa forma, elas exigem materiais diferentes que podem não ter sido comprados em larga escala e a recompra de um ou poucos elementos pode causar um atraso na obra e a ociosidade de um ou vários subcontratados. Deve-se saber, sempre, a quantidade e a localização exatas de todos os elementos comprados tanto para evitar gastos não previstos e otimizar o tempo dos trabalhadores. Busca- se dispor de uma área de armazenamento por edifício, por exemplo, para que não se precise movimentar equipamentos além do necessário, evitando danos aos equipamentos. Para assegurar a organização do canteiro de obras pode-se utilizar dos seguintes recursos: utilização de recursos visuais como cartazes e placas; implantação do 5S (Figura 4.7), 80 método de melhoria na segurança, organização das estações de trabalho e otimização de espaço, combinando a produtividade e a qualidade. Figura 4.7 - Programa 5S Fonte: <https://blog.qualylife.com.br/6-motivos-para-implementar-o-programa-5s/> Acesso em 27/03/2021 Devido à falta de espaço e presença constante de locatários, é preciso garantir a eficiência e organização da gestão de dejetos. As caçambas de lixo devem ser esvaziadas regularmente e em uma alta frequência para não causar incômodo aos locatários e o lixo não pode ultrapassar os limites da caçamba, tampouco invadir vias de circulação do complexo de edifícios. Cuidados adicionais devem ser tomados quando parte dos resíduos da obra são perigosos, como os contaminados por amianto, por exemplo. Neste caso, caçambas e sinalizações específicas devem ser implantadas para reduzir o risco de contaminação. Uma das preocupações de um projeto de reabilitação em meio ocupado é a identificação de todos os trabalhadores da obra de acordo com o padrão da empresa. A identificação através de um crachá com o nome da empresa certificava os locatários de que os trabalhadores que entravam em seus apartamentos eram funcionários da empresa e ajudava a empresa a controlar os membros das equipes subcontratadas, como ativos no dia em questão. 81 TRABALHOS RELACIONADOS À COBERTURA E FACHADA 4.5.1 Impermeabilização da Cobertura O sistema de impermeabilização foi instalado após a retirada da brita presente na cobertura dos edifícios, em seguida, a impermeabilização existente foi substituída por um sistema de impermeabilização “auto protegido”. A impermeabilização auto protegida é um tipo de impermeabilização que recebe uma proteção integrada ao revestimento impermeável, normalmente devido à dificuldade de acesso ao local onde é instalada.14,15 O novo sistema de impermeabilização de base betuminosa foi instalado sobre uma primeira camada de reboco à frio também de base betuminosa. A cobertura de isolamento era composta de uma dupla camada de painéis de espuma rígida de poliuretano voltado para impermeabilização. Também foram instalados guarda-corpos para garantir a segurança de indivíduos que viessem a realizar trabalhos na cobertura, conforme pode ser observado na Figura 4.8. Figura 4.8 - Impermeabilização realizada na cobertura Fonte: Autor 14 Disponível em: < https://www.mederreg.fr/etancheite-toiture-terrasse-autoprotege.html> Acesso em: 11/04/2021 15 Disponível em: < https://www.batiproduits.com/fiche/produits/etancheite-autoprotegee-pour-toitures-terrasse- p69031213.html> Acesso em: 11/04/2021 82 4.5.2 Renovação da Fachada: Procedimento de execução Para renovação da fachada, foi executada uma fina camada de reboco sobre o sistema de isolamento, como mostrado na Figura 4.9. Figura 4.9 – Fachada projetada e executada Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) Anteriormente à execução dos trabalhos em fachada, as zonas de trabalho foram delimitadas por cercas de proteção (Figura 4.10), que tinham como objetivo proteger os trabalhadores em relação à queda, limitar a área impactada pela sujeira resultante das intervenções e impedir a entrada de indivíduos não autorizados no local. Para realização dos trabalhos, foram utilizados andaimes regulares (Figura 4.10) e bî- mats ou andaimes automatizados (Figura 4.11), que permitem a realização de trabalho em uma altura de até 15 andares e que proporcionam um maior conforto ao trabalhador. Em operações em meio ocupado não se pode realizar intervenções, nem mesmo na fachada, sem que os locatários estejam cientes. Normalmente, é recomendado que os locatários retirem seus bens das varandas e janelas com antecedência para que nada seja danificado. 83 Figura 4.10 - Cercas de proteção e andaimes instalados ao redor da fachada Fonte: Autor Figura 4.11 - Andaimes automatizados utilizados para trabalho nas fachadas Fonte: Autor 84 4.5.3 Sistema de Isolamento Térmico para as Fachadas Para as fachadas, foi escolhido um sistema de isolamento térmico instalado pela parte externa, composto por uma fina camada de argamassa sobre o isolante. O método de execução adotado para instalação do sistema está representado no esquema da Figura 4.12. Figura 4.12 - Fluxograma do método de execução do sistema de isolamento térmico da obra Fonte: Autor A Figura 4.13 apresenta o esquema do sistema de isolamento térmico da obra, destacando as camadas que o compõem. Figura 4.13 - Esquema do sistema de isolamento térmico da obra Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) TRABALHOS NAS ÁREAS PRIVATIVAS O conjunto de intervenções previstas nos alojamentos é constituído de tarefas individuais, ou seja, independentes umas das outras. Contudo, geralmente, um tipo de trabalho a ser realizado depende da execução de outro. Por exemplo, caso seja necessária a mudança do revestimento cerâmico do banheiro e a troca de seus equipamentos sanitários, é preciso retirar o revestimento cerâmico antigo para depois substituir os equipamentos sanitários e, em seguida, instalar novos azulejos. Fixação mecânica das placas de isolante sobre a fachada existente Preenchimento dos espaços entre as placas com lâminas do isolante ou espuma de poliuretano Aplicação de argamassa sobre o isolante Instalação de uma fita telada juntamente de uma fina camada de argamassa para fixação Instalação de uma última camada de revestimento em argamassa 85 Outra questão importante, quando se trata de reabilitação em meio ocupado, é o respeito e a proteção do elemento edificado, que são essenciais em um projeto de reabilitação. Por isso, durante a obra, foram tomadas algumas medidas para proteger o alojamento, tais como: utilização de filme plástico sobre aberturas (portas e janelas), móveis e objetos dos locatários para impedir a propagação de poeira e utilização de placas para proteger o piso da entrada do apartamento. Também eram protegidas as áreas comuns como escadas elevadores e halls para evitar a sujeira e degradação de paredes e revestimentos. Para reduzir o impacto da intervenção e organizar os locais de estoque provisório de material nas áreas comuns, esses locais eram marcados e delimitadospor placas de material plástico contornadas por faixas vermelhas. Como pode-se observar na Figura 4.14. Figura 4.14 - Exemplo de demarcação das áreas de estocagem provisória das áreas comuns das edificações Fonte: Autor 4.6.1 États de lieux ou Estado atual Antes de início da obra, foram realizadas inspeções em cada um dos alojamentos para fazer o levantamento do seu estado atual. Durante a inspeção, era necessária a presença do locatário, do arquiteto e de um representante dos locatários (como um síndico ou empresa gestora do complexo habitacional). As visitas eram agendadas com os locatários e eram distribuídos “avisos de passagem”, documentos que estabeleciam as datas e horários em que a visita ocorreria. A visita tem como objetivo estabelecer um primeiro contato com o locatário, criar um clima de confiança e 86 levantar informações-chave do locatário (meios de contato, permanência ou ausência dos locatários em seu apartamento durante o horário comercial, condições de saúde específicas, períodos de férias, etc.) e do alojamento (estado atual do alojamento). Para o levantamento, armazenamento e posterior tratamento destes dados, foram utilizados tablets durante as visitas aos alojamentos. Segue, nas Figuras 4.15 e 4.16, o modelo do documento “Estado Atual” dos alojamentos, com o registro das informações de identificação do apartamento, de seus habitantes, do estado dos revestimentos, do estado dos equipamentos sanitários e do estado da rede elétrica. Figura 4.15 - Ficha de “Estado Atual” – Parte 1 Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) 87 Figura 4.16 - Ficha de “Estado Atual” – Parte 2 Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) Na Tabela 4.4, desenvolve-se o conteúdo apresentado no documento “Estado Atual” dos alojamentos, citando as informações recolhidas referentes a identificação do apartamento (endereço, tipologia, estado sanitário) e de seus habitantes (meio de contato, presença de grávidas ou idosos) e ao estado dos revestimentos, dos equipamentos sanitários e da rede elétrica (classificação dos estados). Tabela 4.4 - Informações levantadas nas fichas de “Estado Atual” Identificação do apartamento • Endereço do apartamento • Tipologia do apartamento (estúdio, 1/2/3 quartos) • Data da última realização de trabalhos (caso aplicável) • Presença de detector de fumaça • Funcionamento do interfone • Excesso de elementos e móveis no apartamento • Estado sanitário do apartamento • Presença de uma a antena parabólica • Funcionamento do abastecimento de gás 88 Identificação dos habitantes • Nome e telefone do locatário • Horários de ausência • Férias previstas • Presença de habitantes idosos ou doentes • Presença de crianças na primeira infância • Presença de habitantes que trabalham a noite • Presença de pessoas grávidas ou em assistência maternidade • Presença de animais • Capacidade dos locatários de se comunicar em francês • Presença de habitantes com deficiência física • Posse de um depósito pessoal no subsolo • Necessidade de tratamento do depósito no subsolo • Necessidade de ajuda com a movimentação dos móveis • Necessidade de fornecimento de caixas • Presença dos habitantes durante os trabalhos realizados • Possibilidade de entrega das chaves do apartamento Estado dos revestimentos • Estado das paredes, tetos, pisos e portas das seguintes áreas: entrada, corredor, dispensa, cozinha, sala, banheiro, WC, quartos, área de serviço e varanda • Os estados foram classificados como bom, intermediário ou ruim e, no caso do piso, era destacada a presença de revestimento cerâmico pois nesse empreendimento a sua instalação foi realizada com cola de amianto e, por isso, o piso original não pode ser retirado ou quebrado. Estado dos equipamentos • Cozinha: estado do móvel da pia, a pia, o azulejo no entorno da pia, a entrada e saída de ar e a presença de cozinha planejada • Banheiro: estado da pia, banheira/chuveiro, azulejo no entorno dos equipamentos sanitários e a entrada e saída de ar • WC: estado da bacia sanitária e do ramal de esgoto Estado da rede elétrica Tipo de trabalho: trazer os sistemas à conformidade, refazer o sistema completamente, não realizar nenhum trabalho Fonte: Autor Durante a visita são tiradas fotos de todos os cômodos dos apartamentos para facilitar a posterior elaboração de um planejamento dos trabalhos a serem realizados, uma vez que a sua execução e andamento sãos adaptados a cada alojamento. 89 Todas as partes interessadas do projeto devem assinar a ficha de “Estado Atual” do apartamento de modo a atestar a sua concordância com as informações e estados ali assinalados e evitar mal-entendidos futuros. 4.6.2 Planejamento do trabalho nos alojamentos A organização dos trabalhos nos alojamentos exige uma análise caso a caso para aperfeiçoar o encadeamento das tarefas de cada intervenção e evitar atrasos. A análise caso a caso é particularmente importante em uma obra de reabilitação em meio ocupado, como essa, pois este complexo habitacional foi construído nos anos 1960 e, desde então, os locatários que ocuparam o apartamento fizeram uma série de mudanças de forma independente e heterogênea. Muitas vezes, era possível encontrar tubulações de água e a passagem de rede elétrica em locais diferentes das plantas originais. Buscava-se adaptar as novas instalações elétricas, de água e de equipamentos à configuração atual dos apartamentos, definindo o futuro layout de cada um dos apartamentos no momento da visita para o preenchimento da ficha de “Estado Atual”. As fichas de “Estado Atual” são tratadas, organizadas e agrupadas em um quadro- resumo presente nas “Fichas de trabalho” (Figura 4.17). O quadro-resumo aponta a necessidade ou não de realização dos trabalhos de troca de equipamentos sanitários, piso, revestimento cerâmico, sistema de água quente e renovação do sistema elétrico nos seguintes cômodos: banheiros, WC e cozinha de cada um dos apartamentos. Nestas fichas, detalhava-se a duração prevista das intervenções, as medidas a serem tomadas pelos locatários antes do início da realização dos trabalhos (movimentação dos móveis, possibilidade de acesso ao apartamento (horários e espaço para trabalho),etc.) e as eventuais consequências da realização dos trabalhos (cortes de água e energia). Além disso, esta ficha permite o levantamento de todas as quantidades de materiais e equipamentos necessários a realização de trabalhos, que auxilia a criação de um cronograma de compras e a organização do estoque da melhor forma possível. 90 Figura 4.17 - Ficha de trabalho Fonte: Própria (fornecida pela empresa GTM Bâtiment) Outro ponto essencial ao planejar as intervenções na reabilitação é o encadeamento dos trabalhos dos funcionários terceirizados. Cada trabalhador ou grupo de trabalho tem uma velocidade de avanço em suas atividades que se compromete a manter e que a empresa contratante ou o gerente da obra tem a responsabilidade de respeitar. No caso desta obra, a equipe de encanadores era capaz de trocar as tubulações, os equipamentos sanitários do banheiro (pia, banheira e bacia sanitária), o reservatório de água quente e a pia da cozinha de um alojamento em um dia. Contudo, caso não fosse necessário realizar todos esses trabalhos em um só apartamento, outro tipo de atividade deveria ser planejada para preencher o tempo disponível. A dinâmica de atribuição de atividades extras aos trabalhadores é específica na reabilitação em meio ocupado pois, normalmente, as equipes são pequenas e os trabalhos só podem ser realizados mediante a prévia autorização dos locatários. Logo, a alteração dos trabalhos a serem realizados em um determinado dia não é uma tarefa simples. Para possibilitar o bom desenvolvimento das atividades planejadas, algumas medidasforam tomadas. Elas foram organizadas conforme pode ser observado na Tabela 4.5. 91 Tabela 4.5 - Medidas a serem tomadas para o bom desenvolvimento das intervenções de reabilitação Comunicação com os locatários • 1 mês antes do início dos trabalhos nos apartamentos: os locatários foram informados através dos avisos colocados cartazes nas áreas comuns (halls, elevadores e escadas) • 2 semanas antes dos trabalhos nos apartamentos: o os locatários são informados através de correspondências personalizadas em que são anexadas suas respectivas “Fichas de trabalho” o os locatários são informados da organização e do cronograma dos trabalhos a serem realizados em seus apartamentos Visitas frequentes aos apartamentos Deve-se buscar, ao máximo, informar aos funcionários terceirizados quaisquer tipos de particularidades dos apartamentos e possíveis imprevistos na execução dos trabalhos. Portanto, é ideal visitar cotidianamente os apartamentos onde ocorrerão intervenções antes que os trabalhadores iniciem o seu trabalho, em busca de impedimentos ou pontos que possam causar dificuldades aos trabalhos. Esses impedimentos podem ser simples, como, por exemplo, não retirar os móveis e objetos do banheiro antes do trabalho dos encanadores. Constante atualização do cronograma Em função da velocidade de execução dos trabalhos por parte dos trabalhadores, empecilhos causados pelos locatários (não disponibilização das chaves ou acesso ao apartamento no dia da intervenção) e pelas condições do apartamento em si (uma tubulação cuja troca não estava planejada que se rompe, uma infiltração só identificada ao se retirar o revestimento cerâmico) é imprescindível o cronograma do projeto seja atualizado constantemente e que todas as partes sejam informadas sobre essas atualizações. Fonte: Autor A duração total estipulada para realização dos trabalhos nos apartamentos foi de 3 semanas. Desta forma, o gerente da obra se compromete a respeitar esse prazo assegurando a boa qualidade dos trabalhos realizados. Para garantir a qualidade, eram realizados autocontroles e os problemas e irregularidades mapeados durante a sua execução eram transmitidos aos subcontratados de maneira que pudessem ser resolvidos o mais rapidamente possível. Procurou-se agendar intervenções todos os dias até o fim dos trabalhos para causar o menor incômodo possível aos locatários. Os trabalhos costumavam ocorrer na ordem apresentada no esquema da Figura 4.18. 92 Figura 4.18 – Ordem padrão das intervenções Fonte: Autor Em casos específicos, era necessário alterar a ordem padrão das atividades ou incluir intervalos entre as intervenções para otimizar a programação. Dois cronogramas que regiam a organização dos trabalhos eram atualizados constantemente e simultaneamente: o cronograma geral do trabalho em apartamentos (Figura 4.19), utilizado pelos gerentes de obra e os cronogramas individuais de cada uma das equipes subcontratadas, que eram entregues ao início da semana (Figura 4.20). Trabalhos de elétrica Retirada dos revestimentos cerâmicos Trabalhos hidrossanitá rios Instalação de novos revesti- mentos cerâmicos Trabalhos de pintura Assentam ento de piso 93 Figura 4.19 -Cronograma geral do trabalho em apartamentos Fonte: Autor 94 Figura 4.20 - Cronogramas semanais Fonte: Autor 95 4.6.3 Assistência aos locatários e sua integração no controle dos trabalhos Conforme o progresso das intervenções nos apartamentos, a empresa fornece caixas de papelão para que os locatários possam esvaziar o conteúdo dos cômodos em que ocorrerão os trabalhos, sobretudo as áreas molháveis e molhadas. Caso os locatários não possam mover seus bens e móveis por razões como doença, deficiência física ou idade avançada, o locatário pode requisitar à empresa este serviço. Para isso, os locatários deveriam preencher um documento de “Isenção de responsabilidade”, em que atesta que quaisquer danos causados aos seus bens não serão responsabilidade da empresa. Com o intuito de integrar os locatários no controle da qualidade e no avanço dos trabalhos nos alojamentos, após finalizadas as intervenções de cada uma das frentes (trabalhos hidrossanitários, pintura, etc.), um documento “Quitus travaux” ou “Finalização de trabalho”, era preenchido e assinado pelo locatário e pelo representante da equipe subcontratada. Neste documento constavam informações dos locatários: nome e endereço do apartamento e informações referentes aos trabalhos executados: responsável pelo trabalho e empresa da qual faz parte e os detalhes das atividades realizadas. O documento de finalização do trabalho permite tanto o acompanhamento das atividades realizadas por parte do gerente de obra quanto a avaliação da qualidade dos serviços prestados por parte dos locatários, permitindo que estes fizessem observações positivas ou negativas. Tal documento ainda permite a rastreabilidade do estado do alojamento ao fim de cada uma das intervenções (estado dos equipamentos e materiais instalados e dos bens dos locatários). A empresa se comprometia a tratar os problemas identificados no documento de finalização de trabalho em até 48 horas. A Figura 4.21 apresenta dois exemplos de trabalhos realizados nos apartamentos (substituição do quadro de luz e das tubulações de água). 96 Figura 4.21 – Exemplo dos trabalhos de elétrica e hidrossanitários realizados nos apartamentos (substituição do quadro de luz e das tubulações de água) Fonte: Autor 4.6.4 Gestão da reclamação dos locatários, autocontrole e entrega do apartamento No escritório da empresa, havia um “Espaço para locatários” exclusivo para questões relacionadas aos trabalhos programados em seus apartamentos e no exterior dos edifícios e às reclamações em relação a procedimentos como entrega de chaves e identificação do depósito no subsolo. Os locatários com necessidade de fazer uma queixa preenchiam uma “Ficha de reclamação” com os seus dados, os dados do seu alojamento e a sua reclamação. A empresa se responsabilizava por fornecer uma resposta à reclamação, em 48h, prazo em que eram estipuladas as medidas a serem tomadas em relação ao problema relatado e em que os trabalhadores terceirizados eram informados do que deveria ser feito para resolvê-lo. A primeira fase do processo de entrega do apartamento, ou seja, a finalização oficial dos trabalhos no apartamento (a não ser que existissem disfunções ou irregularidades resultantes dos trabalhos realizados) é chamada autocontrole. Os autocontroles eram realizados pelos gerentes e assistentes de gerente da obra assim que os trabalhos eram finalizados. Era ideal que os locatários estivessem presentes durante os 97 autocontroles para que pudessem verbalizar suas críticas ou observações relativas as intervenções realizadas. Tal controle era realizado com o auxílio de uma ficha de inspeção preenchida em tablets que possuía diversas abas, cada uma correspondente a uma frente de trabalho (trabalhos hidrossanitários, pintura, revestimento cerâmico, eletricidade e piso). Em cada uma dessas abas encontravam-se aspectos do trabalho a serem analisados e avaliados como bom, a rever, em vigilância e pendente. A Tabela 4.6 apresenta como eram classificados os aspectos dos trabalhos analisados nos autocontroles. Tabela 4.6 – Classificação dos aspectos dos trabalhos analisados nos autocontroles Bom Trabalho realizado conforme o esperado A rever Trabalhos que precisavam ser refeitos Em vigilância Trabalhos que possuiam pequenos defeitos que não eram considerados graves, mas que deveriam ser acompanhados Pendentes Trabalhos planejados ainda não realizados Fonte: Autor Sempre que algum dos critérios não era atendido, o responsável pelo controle deveria fotografar edescrever o elemento em questão de forma a melhor apresentar as irregularidades aos trabalhadores terceirizados. A Figura 4.22, apresenta dois exemplos de irregularidades encontradas nos autocontroles. 98 Figura 4.22 – Exemplo de observações feitas durante o autocontrole (pintura mal feita e fios aparentes) Fonte: Autor Na ocasião da entrega do apartamento, as partes interessadas (empresa contratada para realizar o trabalho (GTM), arquiteto, representante do locatário e locatário) tinham a oportunidade de dar a sua opinião e fazer observações sobre os trabalhos realizados em cada um dos cômodos. Caso algum aspecto do trabalho feito não atendesse às expectativas de qualquer uma das partes, era marcada uma nova intervenção para corrigir os erros encontrados e uma nova visita seria realizada após a correção. 99 5 RECOMENDAÇÕES PARA PROJETOS DE REABILITAÇÃO VOLTADOS PARA HABITAÇÃO INCENTIVOS PARA PROJETOS DE REABILITAÇÃO VOLTADOS PARA HABITAÇÃO Segundo a Fundação João Pinheiro, em 2019, o Brasil atingiu um déficit habitacional de 5,876 milhões de moradias, que representam 8% dos domicílios do país. O indicador em questão considera domicílios precários, em coabitação e domicílios com elevado custo de aluguel.16 Estes domicílios precários compõem 23% destas quase 6 milhões de moradias que estão em condições de insalubridade e precisam ou de intervenções de reabilitação que as tornem habitações regulares ou que os seus habitantes sejam realocados para outros domicílios que respeitem requisitos mínimos de habitabilidade. Tais moradores poderiam ser direcionados a edificações abandonadas, antigas ou desatualizadas que foram objeto de projetos de reabilitação. (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO, 2020) Alguns instrumentos urbanísticos podem contribuir para o desenvolvimento de reabilitações para habitação como, por exemplo, a Utilização Compulsória, o Consórcio Imobiliário, o IPTU Progressivo no Tempo, o Direito de Preempção e a Desapropriação com pagamentos em títulos. Em geral, esses instrumentos possibilitam a tomada ou facilitação da compra de imóveis que se encontram ociosos, subutilizados ou que não atendem a função social da propriedade urbana por parte do poder público. (SOUZA,2009) Para incentivar a realização de obras de reabilitação para fins habitacionais pode-se utilizar de estratégias já implementadas, como as apresentadas no relatório do Projeto REABILITA (2007) nas intervenções em São Paulo. Um dos projetos descritos no relatório, o Programa de Cortiços/ Reabilitação da Moradia Coletiva, promoveu a reabilitação de edifícios ocupados através do oferecimento de linhas de crédito e subsídios de origem pública aos proprietários desses apartamentos. O ideal é que os proprietários responsáveis pelas intervenções em suas habitações sejam assistidos por empresas especializadas na área da reabilitação, para garantir que o projeto tenha o melhor andamento e resultado possíveis. 16 Disponível em: < https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/04/deficit-habitacional-do-brasil-cresceu-e- chegou-a-5876-milhoes-de-moradias-em-2019-diz-estudo.ghtml > Acesso em 09/04/2021 100 É possível, também, criar novos programas que promovam obras de reabilitação financiadas por investimentos públicos diretos. Estes investimentos poderiam ser direcionados à melhoria de desempenho de edificações ocupadas ou abandonadas em áreas marcadas pelo esvaziamento populacional, trazendo desenvolvimento à área, através de atração do comércio, serviços, transporte e segurança. Já para fomentar intervenções de reabilitação fruto de investimento privado, seria fundamental desenvolver métodos de previsão do custo de obras de reabilitação de maneira adequada, como o apresentado no trabalho de Jesus (2008). Ademais, deve- se adaptar o conceito e os parâmetros de produtividade para obras de reabilitação, incluindo fatores e margens de erro condizentes com os riscos desse tipo de projeto, para mostrar que, apesar das incertezas, projetos de reabilitação podem ser viáveis financeiramente. Também para desfazer o estigma de que empreendimentos de reabilitação não são interessantes, poderiam ser disponibilizados incentivos por parte do Estado para realização de projetos de reabilitação por empresas privadas, na forma de redução dos custos de aquisição de edifícios em alto estado de degradação em áreas centrais, por exemplo. O cenário de 2020 e 2021 de desocupação dos edifícios comerciais devido à pandemia do Covid-19 e posterior baixa de preço apresenta uma outra possibilidade de incentivo à projetos de reabilitação para fins habitacionais, através da conversão de uso destes edifícios. De acordo com a consultoria imobiliária Cushman&Wakefield, o mercado corporativo paulistano sofreu um grande choque em 2020 (Figura 5.1). Somente no mês de junho, São Paulo teve mais áreas de edifícios classe A devolvidas do que alugadas, com uma margem de 10,1mil m². Essa conjuntura é resultante do bom funcionamento do sistema de home office nas empresas, que não pretendem manter seus espaços comerciais. 17 Figura 5.1 – Taxa de vacância em prédios de escritórios em SP em 2020 Fonte: < https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/01/13/ l>Acessado em 09/04/2021 17Disponível em: <https://www.jornalcontabil.com.br/o-mercado-se-questiona-sera-o-fim-dos-predios- comerciais/>. Acesso em 09/04/2021 https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/01/13/com-devolucoes-e-home-office-numero-de-imoveis-comerciais-vagos-aumenta-em-2020-e-tendencia-segue-de-alta.ghtml 101 O aumento da disponibilidade associado a redução dos preços de edifícios corporativos apresenta uma oportunidade para o desenvolvimento de projetos de reabilitação para habitação, através da adequação do uso destas edificações. O empresário Claudio Castro, da Sérgio de Castro Imóveis, levanta exemplos de edifícios comerciais na área central do Rio de Janeiro com potencial para conversão em habitação. São citados o histórico edifício A Noite, na Praça Mauá e outros prédios antigos que possuem entre cinco e 12 andares na Avenida Rio Branco (entre a Praça Mauá e a Visconde de Inhaúma) e no entorno da Avenida Franklin Roosevelt.18 Quanto mais projetos de reabilitação forem implementados, maior será o número de empresas com experiência nessa área e a quantidade de mão-de-obra qualificada e adaptada às particularidades desse tipo de obra, a um preço acessível. Essa evolução permitirá que essas empresas concorram entre si, de modo que, ao se elaborar um projeto de reabilitação, sejam comparadas soluções variadas e que as alternativas apresentadas se tornem cada vez mais eficientes e viáveis economicamente. AUMENTO DA PERFORMANCE DE EDIFICAÇÕES REABILITADAS É importante compreender que em projetos de reabilitação de habitações, é possível promover um aumento de performance aos edifícios que ultrapasse a melhora das condições de habitabilidade ou a mudança de seu uso. Pode ser incluído no escopo do projeto o aumento do desempenho energético e sustentável da edificação. Quanto ao aumento do desempenho energético da edificação, algumas iniciativas são passíveis de implementação em obras de reabilitação. Parte destas iniciativas estão relacionadas a instalação de equipamentos para reduzir o consumo de energia elétrica, como painéis fotovoltaicos ou placas solares de aquecimento de água. Também pode-se executar soluções que reduzam os gastos de energia relativos à adequação da temperatura da edificação, em função do clima da região, como o isolamento térmico, o uso de estratégias passivas de climatização, como o sombreamento e a ventilação natural, a implementação de coberturas verdes e a instalação de um sistema de ar-condicionado por volume refrigerante variável (VRV), que permite a regulação da temperatura por ambiente, conforme o desejado. 18 Disponível em:< https://oglobo.globo.com/rio/centro-do-rio-precisara-ser-reinventado-apos-fechamento-de-lojas-escritorios-por-causa-da-pandemia-do-coronavirus-24522844>. Acesso em 09/04/2021 102 Os gastos de energia atrelados ao conforto visual podem ser reduzidos adaptando o projeto para priorizar a iluminação natural, o uso de lâmpadas que possibilitem um menor consumo de energia luminárias apropriadas, a instalação de sistemas de iluminação ativados por sensores de presença e a iluminação direta. Ainda para atingir um melhor desempenho da edificação quanto a sustentabilidade, deve-se atentar a gestão de resíduos e do uso da água. Em relação a gestão de resíduos, é essencial controlar a sua produção, através da redução de demolições e descartes e do incentivo à reutilização, bem como monitorar a sua destinação adequada, estimulando a coleta seletiva e o encaminhamento desses materiais para instituições e coletivos que se encarregam da sua reciclagem. Já no que tange a gestão do uso da água, ações como a coleta das águas da chuva e posterior reutilização para trabalhos de limpeza e a instalação de válvulas redutoras de pressão, podem reduzir o consumo de água. Na escala do apartamento, os moradores ainda podem se utilizar de soluções como o armazenamento da água da máquina de lavar ou da pia do banheiro para limpeza ou descarga. É válido salientar que as obras de reabilitação para o aumento de performance não são restritas a edificações com alto nível de degradação. Edificações recentes que ainda respeitam os requisitos de habitabilidade podem buscar a melhoria do desempenho energético e sustentável. Apesar destas iniciativas embutirem gastos extras ao custo inicial da obra, o seu uso a longo prazo compensa o investimento inicial. Sobretudo ao reabilitar edificações para fins habitacionais, a redução do custo mensal dos moradores é um enorme benefício. RECOMENDAÇÕES PARA UMA BOA GESTÃO DE PROJETOS DE REABILITAÇÃO EM MEIO OCUPADO A reabilitação em meio ocupado não é uma prática amplamente difundida no Brasil da mesma maneira que é nos países desenvolvidos. Aqui, tem-se uma cultura que prioriza a demolição em relação a implantação de projetos de reabilitação. Contudo, grande parte desses edifícios é demolida prematuramente, uma vez que apenas de 0,5 a 1% dos edifícios com idade entre 30 e 50 anos precisariam ser demolidos. Segundo o Anuário Estatístico da Cidade do Rio de Janeiro 1999, existem aproximadamente 350 mil edifícios construídos há mais de 44 anos (Figura 5.2). (MARTINS; SALCEDO, 2018; BULLEN e LOVE, 2009 apud ARAÚJO,2012) 103 Figura 5.2 – Idade dos imóveis na cidade do Rio de Janeiro Fonte: (BARRIENTOS,2004) Essa priorização por demolição, é advinda da falsa crença de que a realização de empreendimentos de reabilitação é muito onerosa, devido aos riscos que impõe e o cálculo da sua produtividade baseado em obras novas, e, por isso, não apresenta um lucro satisfatório. Além disso, a falta de mão de obra especializada desencoraja o desenvolvimento desse tipo de projeto. (BARRIENTOS, 2004; JESUS,2008) Contudo, existem exemplos de intervenções em meio ocupado no Brasil. Um deles foi citado anteriormente no texto, o Programa de Cortiços/ Reabilitação da Moradia Coletiva, em São Paulo, que propiciou a reabilitação de edifícios ocupados financiada por linhas de crédito e subsídios de origem pública oferecidas aos proprietários das edificações. É importante destacar que, nesse projeto, eram os proprietários os responsáveis por reabilitar seus apartamentos, não foram contratadas empresas especializadas para planejar e gerir a obra das edificações como um todo. Além disso, pode-se citar casos de reabilitação de fachada do hotel Sofitel (Figura 5.3) , no bairro de Copacabana no Rio de Janeiro, e do edifício Palm Beach (Figura 5.4) na orla da Praia da Costa, ES. Nestes casos somente foi substituído o revestimento externo das edificações enquanto estas se encontravam ocupadas. 104 Figura 5.3 – Reabilitação da fachada do hotel Sofitel, em Copacabana, RJ. Fonte: Google Maps Acesso em 12/04/2021 Figura 5.4 – Reabilitação da fachada do Edifício Palm Beach, na orla da Praia da Costa, ES. Fonte: Google Maps Acesso em 12/04/2021 105 Realizar intervenções em fachada segundo os devidos critérios e recomendações poderia evitar acidentes, como o ocorrido em 2019 no prédio da Rua João Lira, número 28, no Leblon, com a queda de placas de mármore em uma jovem. Após o ocorrido, ao identificar que havia riscos de novos acidentes, a Defesa Civil fez interdições na frente do prédio e na entrada lateral da garagem.19 Casos como esse evidenciam o descaso com a conservação e fiscalização de edificações no Rio. De acordo com a Prefeitura, dos cerca de 130 mil imóveis legalizados, menos da metade executaram as inspeções determinadas por lei. Dentre esses prédios que realizaram as inspeções, aproximadamente 60% tiveram problemas apontados em seus laudos. 20 A reabilitação desses edifícios enquanto ocupados evitaria transtornos causados pelo seu esvaziamento enquanto são solucionadas as anomalias e evitaria acidentes como o apresentado. A experiência adquirida na participação da gestão de um empreendimento de reabilitação para habitação em meio ocupado (apresentado anteriormente neste trabalho) permite destacar-se boas práticas para realização de uma obra deste tipo. Para uma boa gestão de projetos de reabilitação em meio ocupado é recomendada a documentação de todas as fases do projeto com a aprovação dos locatários ou proprietários dos apartamentos onde ocorrerem as intervenções, para que as decisões se tornem oficiais. Os moradores devem estar de acordo com o diagnóstico inicial realizado em seu apartamento, com os tipos de intervenção que serão realizadas, entrando ao nível de detalhe dos cômodos que serão afetados e os equipamentos que serão alterados, com as suas responsabilidades durante os trabalhos, como o acesso ao apartamento e a movimentação de móveis para possibilitar a intervenção, com o planejamento e com a duração inicial dos trabalhos. Além disso, é importante a sua aprovação da finalização oficial dos trabalhos junto à empresa interventora. O registro dessas decisões por escrito resguarda a empresa que realiza a reabilitação no caso de eventuais mal-entendidos relacionados a um pedido de acréscimo de intervenções por parte dos habitantes ou reclamações em relação ao prazo da intervenção quando os moradores, porventura, não permitiram o acesso ao apartamento. Além do registro dessas informações, é importante a sua divulgação de forma pública, por meio de cartazes exibidos em halls e elevadores, no caso de informações mais gerais, e de 19 Disponível em: < https://oglobo.globo.com/rio/apos-passar-por-terceira-cirurgia-no-cerebro-jovem-atingida- por-placas-de-predio-no-leblon-esta-em-coma-23506791 >. Acesso em 12/04/2021 20 Disponível em: < https://oglobo.globo.com/rio/apos-passar-por-terceira-cirurgia-no-cerebro-jovem-atingida- por-placas-de-predio-no-leblon-esta-em-coma-23506791 >. Acesso em 12/04/2021 106 forma particular mediante correspondências direcionadas a locatários ou proprietários específicos. Quanto à realização dos trabalhos, é essencial que se crie um canal de comunicação prático entre a empresa interventora e os moradores das habitações. Esse canal deve estar ao alcance de todos os residentes, e, desta forma, não podem ser exclusivamente digitais, como e- mail e whatsapp, caso a integralidade dos moradores não tenha acesso a essas ferramentas. Através desse canal de comunicação, serão notificadas informações chave da intervenção, tais quais sua data de início, a duração planejada, o detalhamento das intervenções previamente acordadas (sistemas, equipamentos e cômodos afetados), para possibilitar uma última mudança no escopo dos trabalhos antes do seu início, as responsabilidades dos moradores antes acertadas e qualquer tipo de mudançanos trabalhos que ocorram durante a intervenção. É imperativo que todos os desvios do planejamento original sejam comunicados a todos os intervenientes afetados pela mudança o mais rapidamente possível. Todos devem estar cientes das implicações desses imprevistos, sejam eles causados pelos trabalhadores terceirizados, devido à má execução de uma intervenção, pelos residentes, provocados pela dificuldade de acesso ao apartamento ou falha no cumprimento das recomendações durante as intervenções (como molhar uma parede sem revestimento) ou pela descoberta de uma nova anomalia na edificação, que resultará em um acréscimo de atividades no escopo inicial do projeto. Caso esses imprevistos estejam relacionados a erros na execução das atividades de intervenção, estes devem ser corrigidos o quanto antes, pois um problema em um sistema da edificação pode afetar os outros, causando retrabalho, a inclusão de novas atividades no projeto, um aumento do prazo das intervenções e a insatisfação dos moradores. Devem ser criados mecanismos para identificar e mitigar irregularidades nos trabalhos durante a sua execução. Algumas das possibilidades de mecanismos são visitas regulares aos apartamentos ao fim de cada uma das intervenções, fichas de controle preenchidas pelos residentes ao final de cada atividade e um sistema de recebimento e tratamento de reclamação dos moradores. Estes procedimentos minimizam bastante a não ocorrência de problemas que possam afetar os trabalhos futuros ou, na hipótese de serem constatados erros, a sua resolução pode ser realizada em períodos de tempo mais curtos. Em relação a gestão das reclamações dos residentes, é recomendada a existência de um procedimento específico para o seu registro e tratamento, preferencialmente apoiado pelo uso de documentos escritos com a assinatura do locatário em que estes descrevem em detalhes os problemas ou insatisfações que levaram ao apontamento da reclamação. Devem ser pré- 107 definidos prazos para o repasse e tratamento dessas reclamações, para estabelecer uma relação de confiança entre a empresa interventora e o locatário. Além da definição de um procedimento para receber e tratar as queixas dos moradores, é interessante que exista um espaço no escritório da obra e um funcionário específico para recepcionar os locatários, para que estes se sintam tão bem recebidos quanto possível. Ainda em relação ao bem-estar dos clientes, é importante instruir os trabalhadores em relação as particularidades das intervenções de reabilitação. Deve-se ter muito cuidado com os bens dos residentes e com a edificação original para evitar aumento de gastos e prazo do projeto. Além disso, diferentemente das obras para construções novas, é fundamental que os terceirizados atentem-se a limpeza do apartamento, por isso, é de sua responsabilidade proteger os bens dos moradores e realizar uma limpeza básica ao final da intervenção, retirando dejetos da construção e o excesso de poeira. É essencial em obras de reabilitação que seja feita uma análise, anterior a realização dos trabalhos, em relação a presença de substâncias contaminantes e perigosas que possam resultar na ocorrência de doenças, sobretudo quando a obra ocorre em meio ocupado. Devem ser levantadas soluções para se adequar às limitações causadas pelo elemento contaminante e estas devem ser executadas por empresas especializadas ou trabalhadores devidamente capacitados, que compreendam a fundo os riscos que o elemento impõe. Também devem estar cientes dos riscos de infecção os residentes da edificação. Devem ser transmitidas a estes, esclarecimentos sobre a presença de uma substância perigosa em seus apartamentos e recomendações claras do que deve ser feito para impedir a sua contaminação. Ao final dos trabalhos, é importante assegurar os residentes quanto às garantias dos trabalhos realizados e informá-los sobre o uso adequado das instalações em seus apartamentos e os riscos e recomendações ao realizar novas intervenções. 108 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS COMENTÁRIOS Este trabalho buscou mostrar a importância da reabilitação predial, seja para adequar um edifício às normas correntes, melhorar suas condições de habitabilidade ou modificar a sua função. Salientou-se que a reabilitação não deve estar restrita a prédios históricos ou considerados patrimônio cultural. Todas as edificações, mesmo que não sejam tão antigas como aquelas concebidas na década de 50, estão sujeitas a anomalias causadas pelo uso incorreto, por intempéries ou pelo tempo e por isso, devem ser consideradas objeto de projetos de reabilitação. Mostrou-se que no Brasil o advento da reabilitação é novo e pouco significativo, não atendendo a demanda de prédios com alto nível de degradação. Esse cenário advém do pouco investimento na área que é quase integralmente de origem pública. O investimento privado poderia abrir novas possibilidades para o avanço da reabilitação no Brasil, porém, o pequeno número de normas e regulamentações relacionadas e aplicáveis a reabilitação associado a um conceito de produtividade restrito a obras novas, desestimula um envolvimento maior dessas empresas nesse setor, devido à crença de que estas poderão envolver custos mais altos do que o de obras novas. No sentido de ampliar e desenvolver o mercado de reabilitação de edifícios no Brasil alguns aspectos devem ser aprimorados. Um deles é o desenvolvimento de mais estudos relacionados à previsão de custos e aos coeficientes de produtividade voltados às intervenções de reabilitação. Além disso, é essencial a difusão dos conceitos e métodos de reabilitação tanto no contexto acadêmico, em universidades, quanto no âmbito dos órgãos públicos responsáveis pelos Planos Diretores, Estatutos da Cidade e regulamentação e fiscalização de obras. Deste modo, seriam formados mais profissionais, sobretudo engenheiros e arquitetos, capacitados para a realização de projetos deste tipo e os profissionais nas instituições do governo estariam familiarizados com intervenções de reabilitação, estando, assim, preparados para fomentá-las (através, por exemplo, da elaboração de mais políticas institucionais no sentido da reabilitação), assisti-las, aprová-las e vistoriá-las. Todas as iniciativas no sentido de se incutir a perspectiva da sustentabilidade na construção civil são extremamente importantes, principalmente quando se observa o tamanho do impacto desse setor no meio ambiente. Tal impacto é observado desde a etapa da extração de matéria prima, passando pelas etapas de intervenção no solo e no ambiente ao entorno da 109 construção e de produção de dejetos que não são reaproveitados até o impacto contínuo e permanente do gasto de energia e água que uma edificação traz até o final da sua vida útil. Por esse motivo, deve-se buscar promover os conceitos de sustentabilidade na construção civil e em obras de reabilitação. Pode-se por exemplo, reutilizar dejetos da construção civil como matéria prima de outras construções, utilizando-os como agregado graúdo, instalar equipamentos que permitam que a edificação produza energia de forma renovável e se utilizar de técnicas passivas como o sombreamento e ventilação natural para reduzir o gasto energético das edificações. Atitudes nesse sentido beneficiam não somente o meio ambiente, mas também fatores financeiros, diminuindo gastos tanto no momento da intervenção quanto no uso futuro da edificação. Quanto ao aspecto social, pode-se perceber, através dos exemplos brasileiros, que todo o movimento de reabilitação realmente efetivo contou com o envolvimento da população, buscando-se não somente se concentrar sobre equipamentos políticos ou culturais, como prefeituras ou museus, mas também edificações voltadas para a habitação ou HIS. É a ocupação de edifícios reabilitados que reduz os vazios populacionais e instiga o renascimento de antigoscentros de interesse ou a criação de novos. Esses centros de interesse atraem comércio, transporte e trazem sensação de maior segurança. Já em relação a execução dos projetos de reabilitação, deve-se reconhecer que este tipo de projeto impõe uma série de desafios como a necessidade de modelá-lo às necessidades e restrições específicas da reabilitação, a eventual falta de documentação da edificação, a interação e interferência entre as intervenções de melhoria e a adaptação constante do projeto e de seu cronograma, resultante de imprevistos. Contudo, existem vários livros e estudos na literatura brasileira para direcionar e orientar projetos de reabilitação, que levantam métodos de intervenção e recomendações para um bom andamento da obra. Em relação a reabilitação em meio ocupado e em alojamentos sociais, é fato que, é pouquíssimo explorada no Brasil. No caso apresentado da área metropolitana de Paris, na França, esse tipo de intervenção foi realizado para beneficiar os moradores em situação de emergência, que residiam em um conjunto habitacional de propriedade do governo francês. Indivíduos com perfil similar de precariedade são parte representativa da população brasileira. A reabilitação de edifícios, tanto desocupados quanto habitados poderiam servir de moradia adequada à população de áreas de risco, de baixa renda, que passariam a ter posse de um imóvel mais digno. Tal prática, caso pudesse ter maior incentivo e ser mais difundida em termos de habitação seria uma contribuição benéfica para o contexto brasileiro. 110 SUGESTÕES A partir da pesquisa realizada, como sugestão para trabalhos futuros, pode-se propor um levantamento de edificações, em cidade(s) brasileira(s), que podem ser objeto de projetos de reabilitação voltados para habitação. A reabilitação pode ser realizada tanto para edificações desocupadas, quanto para edificações que são utilizadas para habitação e que apresentem um alto nível de degradação, bem como prédios que possuem outro tipo de uso e podem ser convertidos para se adequar à habitação. Esse levantamento, identificado por tipo, pode auxiliar programas de origem pública e/ou empresas privadas que tenham interesse em realizar tais intervenções. 111 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABDOU, M. R.; BERNUCCI, L.L.B. 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ABNT NBR 16280:2020 Reforma em edificações — Sistema de gestão de reformas — Requisitos Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Estabelecer os requisitos para sistemas de gestão de controle de processos, projetos, execução e segurança, incluindo meios para: • Prevenções de perda de desempenho decorrente das ações de intervenção gerais ou pontuais nos sistemas, elementos ou componentes da edificação; • Planejamento, projetos e análises técnicas de implicações da reforma na edificação • Alteração das características originais da edificação ou de suas funções • Descrição das características de execução das obras de reforma • Segurança da edificação, do entorno e de seus usuários • Registro documental da situação da edificação, antes da reforma, dos procedimentos utilizados e do pós-obra de reforma • Supervisão técnicas dos processos e das obras Temas abordados • Requisitos para gestão da reforma – Organização de diretrizes • Requisitos para realização de reformas em edificações • Incumbências ou encargos • Requisitos para documentação das obras de reforma • Modelo orientativo para realização de obras de reforma em edificações • Modelo de fluxo de gestão de obras de reforma em edificações 2. ABNT NBR 16747:2020 Inspeção predial – Diretrizes, conceitos, terminologia e procedimento Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Aplicabilidade Edificações de qualquer tipologia, públicas ou privadas, para avaliação global da edificação, fundamentalmente através de exames sensoriais por profissional habilitado Objetivo • Apresentar diretrizes, conceitos e terminologia a procedimentos relativos à inspeção predial, visando uniformizar metodologia, estabelecendo métodos e etapas mínimas da atividade 118 • Avaliar as condições globais da edificação e detectar e existência de problemas de conservação ou funcionamento, com base em uma análise fundamentalmente sensorial por um profissional habilitado. Com base nesta análise, pode ser recomendada a contratação de inspeções prediais especializadas ou outras ações para que se possa aprofundar e refinar o diagnóstico. Os procedimentos e recomendações para as inspeções prediais especializadas não estão cobertos por esta norma. Temas abordados • Subconjuntos de requisitos mínimos na avaliação do desempenho: o Segurança ▪ Estrutural ▪ Contra incêndio ▪ No uso e na operação) o Habitabilidade ▪ Estanqueidade ▪ Saúde ▪ Higiene ▪ Qualidade do ar ▪ Funcionalidade e acessibilidade o Sustentabilidade ▪ Durabilidade ▪ Manutenibilidade o Etapas do processo de inspeção predial o Levantamento de dados e documentação o Análise dos dados e documentação solicitados e disponibilizados o Anamnese para identificação de características construtivas da edificação (idade, histórico de manutenção, intervenções, reformas e alterações de uso ocorridas) o Vistoria da edificação de forma sistêmica, considerando a complexidade das instalações existentes o Classificação das irregularidades constatadas o Recomendação das ações necessárias para restaurar ou preservar o desempenho dos sistemas, subsistemas e elementos construtivos da edificação afetados por falhas de uso, operação ou manutenção, anomalias ou manifestações patológicas constatadas e/ou não conformidade com a documentação analisada (considerando, para 119 tanto, o entendimento de mecanismos de deterioração atuante e as possíveis causas das falhas, anomalias e manifestações patológicas) o Organização das prioridades, em patamares de urgência, tendo em conta as recomendações apresentadas pelo inspetor predial o Avaliação da manutenção o Avaliação do uso o Redação e emissão do laudo técnico de inspeção 3. ABNT NBR 14037:2011 Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações - Requisitos para elaboração e apresentação dos conteúdos Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Estabelecer os requisitos mínimos para elaboração e apresentação dos conteúdos a serem incluídos no manual de uso, operação e manutenção das edificações elaborado e entregue pelo construtor e/ou incorporador, conforme legislação vigente para: • Informar aos proprietários e ao condomínio as características técnicas da edificação construída • Descrever procedimentos recomendáveis e obrigatório para a conservação, uso e manutenção da edificação, bem como para a operação dos equipamentos • Em linguagem didática, informar e orientar os proprietários e condomínio com relação às duas obrigações no tocante à realização de atividade de manutenção e conservação, e de condições de utilização da edificação • Prevenir a ocorrência de falhas ou acidentes decorrentes de uso inadequado • Contribuir para que a edificação atinja a vida útil do projeto Temas abordados • Requisitos para a elaboração e apresentação do manual • Requisitos para os conteúdos dos capítulos e subdivisões do manual 4. ABNT NBR 15575-1:2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 1: Requisitos gerais Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Aplicabilidade • Essa norma não se aplica a: o Obras de reformas o Retrofit de edifícios 120 Objetivo • Estabelecer os requisitos e critérios de desempenho aplicáveis às edificações habitacionais, como todo um integrado, bem como a serem avaliados de forma isolada par um ou mais sistemas específicos • Servir como base para procedimentos de avaliação do desempenho de sistemas construtivos • Estabelecer critérios relativos ao desempenho térmico, acústico, lumínico e de segurança ao fogo, devem ser atendidos individual e isoladamente pela própria natureza conflitante dos critérios de medições Temas abordados • Requisitos dos usuários: o Segurança: ▪ Estrutural ▪ Contra o fogo ▪ No uso e na operação o Habitabilidade: ▪ Estanqueidade ▪ Desemprenho térmico ▪ Desempenho acústico ▪ Desemprenho lumínico ▪ Saúde higiene e qualidade do ar ▪ Funcionalidade e acessibilidade ▪ Conforto tátil e antropodinâmico o Sustentabilidade ▪ Durabilidade ▪ Manutenibilidade ▪ Impacto ambiental 5. ABNT NBR 15575-2:2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Aplicabilidade • Essa norma não se aplica a: o Obras de reformas o Retrofit de edifícios Objetivo • Estabelecer os requisitos e critérios de desempenho que se aplicam somente ao sistema estrutural da edificação habitacional • Servir como base para procedimentos de avaliação do desempenho de sistemas construtivos 121 • Estabelecer critérios relativos ao desempenho térmico, acústico, lumínico e de segurança ao fogo, devem ser atendidos individual e isoladamente pela própria natureza conflitante dos critérios de medições Temas abordados • Requisitos dos usuários: o Segurança estrutural o Durabilidade e manutenibilidade 6. ABNT NBR 15575-3:2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Aplicabilidade • Essa norma não se aplica a: o Obras de reformas o Retrofit de edifícios Objetivo • Estabelece os requisitos e critérios de desempenho que se aplicam ao sistema de pisos da edificação habitacional. • Servir como base para procedimentos de avaliação do desempenho de sistemas construtivos • Estabelecer critérios relativos ao desempenho térmico, acústico, lumínico e de segurança ao fogo, devem ser atendidos individual e isoladamente pela própria natureza conflitante dos critérios de medições Temas abordados • Requisitos dos usuários: o Desempenho estrutural o Segurança ao fogo o Segurança no uso e na operação o Estanqueidadeo Desempenho acústico o Durabilidade e manutenibilidade o Funcionalidade e acessibilidade o Conforto tátil, visual e antropodinâmico 122 7. ABNT NBR 15575-4:2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas — SVVIE Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Aplicabilidade • Essa norma não se aplica a: o Obras de reformas o Retrofit de edifícios Objetivo • Estabelecer os requisitos, critérios e métodos para a avaliação do desemprenho de sistemas de vedações verticais internas e externas (SVVIE) de edificações habitacionais ou de seus elementos • Servir como base para procedimentos de avaliação do desempenho de sistemas construtivos • Estabelecer critérios relativos ao desempenho térmico, acústico, lumínico e de segurança ao fogo, devem ser atendidos individual e isoladamente pela própria natureza conflitante dos critérios de medições Temas abordados • Requisitos dos usuários: o Desempenho estrutural o Segurança contra incêndio o Estanqueidade o Desempenho térmico o Desempenho acústico o Durabilidade e manutenibilidade 8. ABNT NBR 15575-5:2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Aplicabilidade • Essa norma não se aplica a: o Obras de reformas o Retrofit de edifícios Objetivo • Estabelece requisitos e critérios de desempenho requeridos para os sistemas de coberturas para edificações habitacionais • Servir como base para procedimentos de avaliação do desempenho de sistemas construtivos • Estabelecer critérios relativos ao desempenho térmico, acústico, lumínico e de segurança ao fogo, devem ser atendidos individual e isoladamente pela própria natureza conflitante dos critérios de medições 123 Temas abordados • Requisitos dos usuários: o Desempenho estrutural o Segurança contra incêndio o Segurança no uso na operação o Estanqueidade o Desempenho térmico o Desempenho acústico o Durabilidade e manutenibilidade o Funcionabilidade e acessibilidade 9. ABNT NBR 15575-6:2013 Edificações habitacionais — Desempenho Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Aplicabilidade • Essa norma não se aplica a: o Obras de reformas o Retrofit de edifícios Objetivo • Estabelece os requisitos e critérios de desempenho que se aplicam ao sistema hidrossanitário da edificação habitacional. • Servir como base para procedimentos de avaliação do desempenho de sistemas construtivos • Estabelecer critérios relativos ao desempenho térmico, acústico, lumínico e de segurança ao fogo, devem ser atendidos individual e isoladamente pela própria natureza conflitante dos critérios de medições Temas abordados • Requisitos dos usuários: o Segurança estrutural o Segurança contra incêndio o Segurança no uso e na operação o Estanqueidade o Durabilidade e manutenibilidade o Saúde, higiene e qualidade do ar o Funcionalidade e acessibilidade o Conforto tátil e antropodinãmico o Adequação ambiental 124 10. ABNT NBR 5671: 1990 Participação dos intervenientes em serviços e obras de engenharia e arquitetura Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo • Fixar as condições exigíveis de participação dos intervenientes em serviços e obras de engenharia e arquitetura, definindo suas responsabilidades e prerrogativas, visando garantir características adequadas aos empreendimentos. Temas abordados • Condições gerais dos intervenientes • Condições específicas dos intervenientes • Registros de ocorrências • Recebimento, uso e manutenção 11. ABNT NBR 5674:2012 Manutenção de edificações — Requisitos para o sistema de gestão de manutenção Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Estabelecer os requisitos para a gestão do sistema de manutenção de edificações, incluindo meios para: • Preservar as características originais da edificação • Prevenir a perda de desempenho decorrente da degradação dos seus sistemas, elementos ou componentes Temas abordados • Requisitos para a manutenção o Organização o Conteúdo básico do relatório de inspeção o Programa de manutenção • Requisitos para o planejamento anual das atividades • Requisitos para o controle do processo de manutenção • Requisitos para a documentação • Incumbências ou encargos 12. ABNT NBR 15220-1:2005 Desempenho térmico de edificações Parte 1: Definições, símbolos e unidades Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Estabelecer as definições e correspondentes símbolos e unidades de termos relacionados com o desempenho térmico de edificações Temas abordados • Características térmicas de materiais, elementos e componentes construtivos • Características térmicas de ambientes 125 • Grandezas do clima, do ambiente e da fisiologia humana relacionada ao condicionamento térmico de edificações 13. ABNT NBR 15220-2:2005 Desempenho térmico de edificações Parte 2: Método de cálculo da transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator solar de elementos e componentes de edificações Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Estabelecer procedimentos para o cálculo das propriedades térmicas de elementos e componentes das edificações Temas abordados • Fórmulas básicas • Resistência térmica de um componente • Capacidade térmica de um componente • Fator de ganho de calor solar de elementos opacos 14. ABNT NBR 15220-3:2005 Desempenho térmico de edificações Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo • Estabelecer um zoneamento bioclimático brasileiro abrangendo um conjunto de recomendações e estratégias construtivas destinadas às habitações unifamiliares de interesse social • Estabelecer recomendações e diretrizes construtivas, sem caráter normativo, para adequação climática de habitações unifamiliares de interesse social, de até 3 pavimentos Temas abordados • Zoneamento bioclimático brasileiro • Parâmetros e condições de contorno • Diretrizes construtivas para cada zona climática • Estratégias de condicionamento térmico 15. ABNT NBR 15115:2004 Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Execução de camadas de pavimentação – Procedimentos Diretamente aplicável a reabilitação predial: NÃO Objetivo Estabelecer os critérios para execução de camadas de reforço do subleito, sub-base e base de pavimentos, bem como camada de revestimento primário, com agregado 126 reciclado, de resído sólido da construção civil, denominado “agregado reciclado”, em obras de pavimentação. Temas abordados • Requisitos que os materiais devem atender • Equipamentos utilizados para execução da camada de agregados recicláveis • Execução • Controle • Recomendações de ordem geral 16. ABNT NBR 16935:2021 Projeto de estruturas de concreto reforçado com fibras — Procedimento Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Estabelecer os requisitos de desempenho mecânico de estruturas de concreto reforçado com fibras (CRF) para atuação isolada ou em conjunto com as armaduras, para elementos estruturais e placas que apresentem capacidade redistribuição de esforços considerando a interface com o meio elástico, dimensionados e verificados do Estado Limite Último (ELU) e no Estado Limite de Serviço (ELS). Temas abordados • Propriedades do concreto reforçado com fibras (CRF) • Estruturas de concreto reforçado com fibras • Dimensionamento no ELU • Verificação no ELS • Especificação do CRF • Controle de qualidade do CRF127 17. ABNT NBR 13752:1996 Perícias de engenharia na construção civil Diretamente aplicável a reabilitação predial: SIM Objetivo Fixar as diretrizes básicas, conceitos, critérios e procedimentos relativos às perícias de engenharia na construção civil bem como: • Classifica o objeto quanto à natureza • Institui a terminologia, as convenções e as notações • Define a metodologia básica aplicável • Estabelece os critérios a serem empregados nos trabalhos • Prescreve diretrizes para apresentação de laudos e pareceres técnicos Temas abordados • Condições gerais • Condições específicas • Controle • Recomendações de ordem geral