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Deus e as dores da alma 
Encontrando Deus nos dias de pranto 
 
Índice 
 
Aula 1: Diagnóstico: como está a sua alma? 
Aula 2: Deus e a dor: encontrando Deus no império do gemido 
Aula 3: Quando o corpo revela o estado da alma 
Aula 4: Curando feridas antigas 
Aula 5: Jó e a pedagogia das adversidades 
Aula 6: Perguntas que assolam os que sofrem 
Aula 7: Ansiedade: uma enfermidade da alma 
Aula 8: A necessária faxina da alma 
Aula 9: Perdão: a libertação por excelência 
Aula 10: Vitória sobre a crise 
Aula 11: Redenção: a palavra que redefine a dor 
Aula 12: Deus tem uma nova história para você 
 
Bibliografia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 1 
Como está a sua alma? (Mt. 16. 26, 27) 
 
 Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja, mas perder a si 
mesmo? O que vocês teriam para dar em troca da sua alma? 
(Mt. 16. 26, 27, Bíblia “A Mensagem”) 
Introdução 
 
 Quanto tempo você tem tirado para você? 
 
 Vivemos com as nossas agendas tão carregadas, tão reféns das coisas por 
fazer, que esquecemos o mais importante: cuidar da alma. Ruth Graham, filha 
do saudoso Billy Graham, escreveu um livro com um tema intrigante: “Em 
cada banco de igreja repousa um coração partido”. 
 A alma, a substância mais sensível do universo, também precisa de 
cuidados, alimento, faxina. Ela se cansa, geme, pede por socorro: “Como a corça 
anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma 
tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a 
Deus?” (Sl. 42. 1, 2). 
 Passamos a maior parte da nossa vida cuidando do corpo, gerando até 
mesmo uma espécie de corpo-dependência: a idolatria do corpo! Não são 
poucas as pessoas que vivem na “escravidão da estética”: a obsessão do “corpo 
perfeito”: cirurgias plásticas, tratamentos caros, uma loucura pelas medidas. É 
óbvio que precisamos cuidar do corpo (até porque ele é o “templo do Espírito”, 
I Co. 6. 19), mas não devemos fazer desse cuidado uma doença. 
 É triste ver pessoas escravas de um desespero estético, sofrendo 
absurdamente com regimes malucos, passando fome, ou engordando demais 
por falta de controle daquilo que come, amargando o desequilíbrio mortal entre 
quantidade e qualidade. 
 Cuidado com os extremos: nem a “dieta da agulha”, nem a competição 
para ver quem come mais! Equilíbrio é fundamental. Cuidar da alma é 
fundamental para uma vida de qualidade. 
 
 Vamos fazer um mergulho em nossa alma? 
 
1. Como está a sua alma? 
 
 
 
 Enquanto muitos estão numa guerra falida com o corpo, a alma 
apodrece aos poucos, agonizando, chorando por um encontro que a preencha 
de amor! O tema da investigação da alma é um dos mais recorrentes da 
literatura cristã, principalmente no livro dos Salmos. São diversos os salmos 
que tratam dessa busca pela alma. 
 
 Pense nas seguintes questões: 
 
• O que adianta ter um rígido controle do que entra pela boca se o que sai 
dela é sujo? 
• O que adianta deixar o rosto liso se a alma se encontra enrugada? 
• O que adianta gastar rios de dinheiro para “embelezar-se” se o espelho 
não consegue mostrar a intimidade? 
 
 Um dos passos fundamentais para se mudar essa mentalidade é 
transformar o olhar! A Bíblia diz que: “Os olhos são a candeia do corpo. Se os 
seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos 
forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está 
dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mt. 6. 22, 23). 
 Esses mesmos versículos, na extraordinária versão de Eugene Peterson, 
“A Mensagem”, diz: “Os olhos são as janelas do corpo. Se vocês abrirem bem 
os olhos com admiração e fé, seu corpo se encherá de luz. Se viverem com os 
olhos cheios de cobiça e desconfiança, seu corpo será um celeiro cheio de grãos 
mofados. Se fecharem as cortinas dessas janelas, sua vida será uma escuridão”. 
 Mude o olhar e você mudará a postura da sua alma! 
 
2. A tragédia de perder a alma, mas continuar vivendo 
 
 É possível “perder a alma”, mas continuar vivendo? Sim! Jesus disse 
isso: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” 
Ele não estava falando de morte, mas de outro jeito de morrer. É quando você 
vive, mas sem desejo! As crianças entendem bem disso! Talvez por isso Jesus 
vivia rodeado delas! 
 Pedro Bloch, em seu “Dicionário de humor infantil”, escreveu a opinião 
de uma garotinha sobre a importante questão: “O que é viver?” Ela respondeu: 
“Quando a gente vive, a gente existe. Quando a gente morre, a gente desiste”. 
O que ela está dizendo, em outras palavras, é: “quando a gente vive, a gente 
tem alma!” 
 
 Reflita profundamente sobre isso: 
 
• Se você não se importa com o sofrimento dos outros, você perdeu sua 
alma; 
 
 
• Se você é daquelas que passam por cima de tudo e de todos por uma 
promoção, você perdeu sua alma; 
• Se você não consegue sorrir com as coisas simples da vida, você perdeu 
sua alma; 
• Se você nem consegue lembrar quando foi a última vez que chorou de 
rir, você perdeu sua alma; 
• Se faz muito tempo que você não abraça seu filho, seu marido, seus 
familiares sem estar de olho no celular, você perdeu sua alma; 
• Se você se acha o centro do universo, você perdeu sua alma; 
• Se você é daquelas que adora maltratar e humilhar sua empregada, você 
perdeu sua alma... 
 
 Perder a alma é desperdiçar a vida, abrir mão de amar por causa de uma 
carreira, valorizar coisas ao invés de pessoas. Quem não tem alma perde o 
prazer de cantar, dançar, sonhar. Pode até ter muitas coisas, mas também tem 
a companhia inseparável do tédio – a posse sem desejo! 
 Você ainda tem alma? 
 
3. Como resgatar a alegria da alma? 
 
 No texto de Mateus 16. 25 há uma pista que precisamos seguir: “Quem 
quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha 
causa, a encontrará”. Na versão “A Mensagem”, está assim: “O auto sacrifício 
é o caminho – o meu caminho – para que vocês descubram a sua verdadeira 
identidade”. 
 A lógica do texto é um imperativo: “Redescubra a sua identidade!” Ela 
precisa ter o foco em Cristo. A alma tem dono! Quando você está satisfeito em 
Cristo, tudo muda! Seu olhar, suas expectativas, até sua relação com o corpo. 
Você se transforma numa nova pessoa – uma pessoa de alma! 
 Brilhar sozinho é perigoso, paradoxalmente faz apagar a luz que há em 
você, mergulhando-a na mais terrível escuridão: as trevas da alma. É quando 
você percebe que quanto mais compra, acumula, possui, menos vive. 
 Faça agora mesmo uma desintoxicação da alma. Limpe-se. Penetre no 
mais profundo de sua intimidade e tenha um encontro com o Deus que te 
conhece além do que você mesma é capaz de imaginar. 
 A fama, o sucesso, o prazer são coisas boas, mas não são tudo! O que 
preenche o vazio da alma é somente a Santa Presença de Deus. Dostoiévski, 
grande escritor russo, dizia que “o vazio da alma humana tem o tamanho exato 
de Deus”. 
 
 Cuidar da alma precisa ser um exercício diário. No texto de Mateus 16. 
24, Jesus diz: “quem quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a cada 
 
 
dia a sua cruz, e siga-me”. Tomar a cruz “a cada dia” é fazer a experiência 
cotidiana do mergulho na interioridade. 
 O Salmo 90. 12 também vai na mesma direção: “Ensina-nos a contar os 
nossos dias, de tal maneira que alcancemos um coração sábio”. Cuidar da alma 
é tarefa diária, consciência atenta para que as feridas não se tornem em morte. 
É ter um coração sábio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 2 
Deus e a dor: encontrando Deus no império do gemido (Jó 6. 1-13 e Sl. 31. 10-
13) 
 
Introdução 
 
 Em Hiroshima há um monumento chamado “Monumento da paz das 
crianças”, também conhecido como “Torre das gaivotas”, porque lembra a 
menina Sadako Sasaki que fez mais de mil gaivotas azuis usando papel deinvólucros de remédios até morrer de leucemia em consequência da radiação 
atômica. Essas e outras situações são memoriais da dor. Retratos absurdos 
daquilo que nos dilacera. Ninguém vive sem dor! 
 Dizem que os cisnes representam a beleza do sofrimento, pois seu canto 
fica ainda mais belo quando sentem dor. Todos nós temos a indigesta 
companhia da dor: por exemplo, a dor da decepção, aquela horrível sensação 
de traição – violentas ondas destruindo nossos castelos de sonhos. 
 O mundo é um museu da dor: Hiroshima, Nagasaki, Holocausto, 
Soweto, Palestina, Faixa de Gaza... Geografias da lágrima. O inferno da alma. 
Lugares da opressão. A dor tem as marcas da imparcialidade: é implacável, 
trabalha com o princípio da totalidade. Na agenda da dor todo mundo é igual. 
 A arte é uma das áreas mais afetadas pela dor. Tom Jobim cantava: 
“Tristeza não tem fim; felicidade sim”. Fernando Pessoa definiu o poeta assim: 
“O poeta é um fingidor...” A dor é a quintessência da arte. Uma professora de 
psicologia chegou a dizer que “o mundo é movido pelos angustiados”: é a dor 
como companheira da genialidade. Uma música antiga dizia: “alegria, te 
suplico, pise leve, com cuidado, pois a dor tem ouvido aflito e descansa no 
quarto ao lado”. 
 A dor é a batalha mais impressionante de todas, pois ocorre em nossa 
interioridade, nos domínios da intimidade, nos labirintos da alma, nas 
insondáveis profundezas do eu. 
 
 A Bíblia trabalha com duas poderosas verdades: 
 
 1. Ninguém é imune à dor; 
 2. Deus participa da nossa dor! 
 
 Vamos observar alguns detalhes sobre encontrar Deus no império do 
gemido: 
 
 
 
1. Uma certeza: Deus não está ausente! 
 
 Quando estamos no processo da dor, a irritante sensação da ausência 
conspira contra a nossa fé. Drummond: “é sempre no meu sempre a mesma 
ausência”. O vazio incomoda. O vazio assusta! 
 A grande certeza bíblica que temos é que Deus participa da nossa dor. 
Ele não conhece a apatia, a insensibilidade. Não é uma Divina Indiferença, mas 
o Pai de Amor. 
 Deus sofre junto com o seu povo. A Bíblia mostra Deus armando sua 
tenda entre os nômades do Sinai. Ele vai para o exílio, cativeiro, fornalha, 
sepultura. Em Jesus, Deus chora Lázaro. Seu envolvimento vai além das 
palavras. Deus abraça a experiência humana. Em Cristo, Deus “entra no 
tempo”. 
 Ele experimentou as fragilidades da infância. Chesterton escreveu: “As 
mãos que fizeram o sol e as estrelas eram muito pequenas para trocar as 
próprias roupas, ou para alcançar as grandes cabeças do gado”. Nossa vitória 
está quando entendemos o poder dessa verdade: Deus não se isola da dor. Jesus 
e a viúva de Naim (Lc. 7. 11-17). 
 
2. Na Cruz, Deus Mudou a Natureza da Dor 
 
 John Stott disse algo poderosos: “O que torna o sofrimento insuportável 
não é tanto a dor que o acompanha, mas o sentimento de que Deus não se 
importa. E é esta caricatura caluniosa de Deus que a cruz quebra em pedaços”. 
 W. Dyer disse: “Cristo despojou-se da coroa para coroar-nos, pôs de lado 
suas vestes para com elas cobrir nossos farrapos e desceu do céu para 
conservar-nos fora do inferno. Jejuou quarenta dias para poder banquetear-se 
conosco por toda a eternidade; desceu do céu à terra para poder enviar-nos da 
terra ao céu”. 
 O Salmo 22 é um retrato de Deus na dor! “Por que me desamparaste?” ­ 
Por causa de Cristo, Deus sabe como nos sentimos. Lutero, dizia que na cruz 
vemos “Deus lutando com Deus”. 
 John Piper escreveu: “Deus, por vezes, retira o descanso de nossas 
almas, não para nos fazer infelizes, mas para que o desassossego nos lance em 
seu peito”. Na cruz, a natureza da dor passa a ser de Deus: Jesus assume cada 
sensação de tal forma que elas se tornam suas. (At. 9.4) Ele assume a dor da 
perseguição. 
 Alguns perguntam: “Por que Jesus manteve suas feridas?” Ele guardou 
consigo uma representação eterna de sua humanidade ferida. Ele entende, 
respeita e conhece nossa dor. Dor do homem, dor de Deus. 
 
3. A dor é uma escola – o aprendizado das lágrimas 
 
 
 
 Em Jó 40.8 Deus faz uma pergunta que desmonta nossos protestos! Uma 
pergunta que assola todo aquele que atravessa o vale apertado da dor é: “por 
que Deus não explica?” Um pensador escreveu: “Permanecemos na ignorância 
de muitos detalhes não porque Deus se agrade em nos manter na escuridão, 
mas porque não temos capacidade para absorver tanta luz”. 
 A escola da dor tem a finalidade de nos ajudar a desenvolver a dádiva 
da perseverança, que significa aprender a transformar dor em glória! Paulo 
suportou tribulações e morreu decapitado. Jó suportou tribulações e foi 
ricamente recompensado – o que podemos esperar de Deus na hora da dor? 
Não um padrão rígido, calculista e mecânico, mas a livre iniciativa do Soberano 
que desmonta as regras e nos surpreende! 
 Um guerreiro revolucionário em 1793, dizia a um humilde camponês 
crente, da Vendéia, França: “vamos arrasar as igrejas de vocês, e pôr abaixo 
todas as torres – tudo que lembrar as superstições do passado e tudo que traga 
à mente de vocês a ideia de Deus. Vamos arrancar Deus de vocês através da 
dor, muita dor”. E o camponês respondeu: “Cidadão! você vai precisar arrasar 
as estrelas também!” 
 
 É possível encontrar Deus no império do gemido, na terra angustiante 
de todos os ais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 3 
Quando o corpo revela o estado da alma (Lc. 13.10-17) 
 
Introdução 
 
 O texto que lemos mostra uma estranha conexão entre as dores: a 
espiritual e a física. Uma mulher que andava encurvada por causa de uma 
opressão espiritual. Imagine qual seria o impacto sobre a igreja se a nossa forma 
exterior revelasse o nosso estado interior! Se alguém que tivesse visão como a 
do Salvador pudesse olhar para nós agora e visse o nosso interior sendo 
revelado no exterior, qual seria a aparência dessa multidão? 
 Creio que imagens deploráveis seriam apresentadas. Em muitas 
poltronas estariam sentadas pessoas tortas, enxergando com os olhos apáticos 
da morte, tendo apenas a casca, mas sofrendo de uma espiritualidade 
agonizante. Você tremeria, meu irmão, caso visse que ao seu lado, na poltorna, 
estivesse alguém detonado pela dor. 
 Um grande e crescente número de pessoas doentes entra nas igrejas 
todos os dias. Eles são muito parecidos com os saudáveis! Somente os olhos do 
discernimento espiritual podem detectar qual é o espírito que se move neles. É 
um cego aqui, outro mutilado ali; uma mulher encurvada no meio da igreja... 
A deformidade espiritual possui várias e dolorosas formas. 
 Como seria triste se pudéssemos perceber ao nosso redor pessoas febris, 
tendo calafrios e convulsões; sentindo calor e frio alternadamente, queimando 
de entusiasmo fanático num dia e gelados como icebergs no outro, tomados 
pelos demônios da indiferença. 
 A igreja é uma espécie de grande Tanque de Betesda. Um lugar onde os 
doentes de todo tipo se reúnem à espera de libertação. Se as nossas dores 
interiores fossem estampadas na nossa face, eu lhes garanto que iríamos 
encurtar e muito o nosso tempo diante do espelho! 
 O que nos alegra hoje é a poderosa certeza que esse texto nos dá: Jesus 
Cristo anda entre nós sem se afastar pelo fato de estarmos tão doentes! Ele se 
deleita em nos livrar do sofrimento! 
 O texto nos mostra uma mulher reduzida à metade. Vista pela 
tortuosidade dos olhares de nojo, indiferença ou pena. Num lugar onde todos 
estão de pé, quem anda encurvado, entra e sai sem ser notado. 
 Provavelmente, Jesus estava numa posição elevada para facilitar a 
comunicação do seu ensino. Dali pôde ver aquela que ninguém via. Hebreus 
 
 
13.8 afirma que “Jesus Cristo é o mesmo ontém, hoje e eternamente”, portanto, 
tenho uma grande notícia esta noite: Ele ainda vê os invisíveis. Ele ainda 
endireita os encurvados! Ele não mudou! 
 Há muita gente que ainda se sente invisível. Mas, I Sm. 16.7 dizque “O 
Senhor não vê como vê o homem”. O mesmo Deus que viu Davi no campo 
cuidando de poucas ovelhas e a encurvada na sinagoga, também te vê! Pode 
ser que ninguém te veja. Ninguém te dê nada. Ninguém se importe com você. 
Mas o Libertador te enxerga. Você jamais revelaria as dores da sua alma, mas 
hoje, o Senhor consegue ver além das camadas de disfarce. Ele vê o que te 
aflige. 
 Ainda que você se considere a última pessoa do planeta, o tempo da 
libertação chegou - o milagre do amor será realizado em você! 
 
 Vamos observar alguns detalhes desse texto tão inspirador: 
 
1. A aflição da alma parece diminuir a nossa realidade 
 
 O texto nos diz que a mulher estava há 18 anos encurvada. Dezoito anos 
sem a capacidade de levantar a cabeça e ver o sol nascer e as estrelas brilharem. 
Dezoito anos olhando para o chão, para a direção do pó. 
 Dezoito anos andando para a sepultura. Seu caminhar pesado era um 
tormento. Imagine então as lembranças de tempos passados. Um tempo 
quando podia correr, podia abraçar as pessoas, podia levantar a cabeça com a 
postura da dignidade. Agora, tudo o que via era o chão. Muitos se encontram 
nessa situação. Até mesmo as lembranças dos dias melhores acentuam a 
aflição. Gente encurvada pelo peso da vida. 
 A mulher do texto é condenada à própria miséria. Curvada sobre si 
mesma, ela é obrigada a viver para dentro. É como abraçar os próprios 
fantasmas. Quanto mais o tempo passava, mas ela se curvava para dentro. 
Dezoito anos na escura caverna do desespero. 
 O texto diz que ela “de modo algum podia endireitar-se”. Não faltaram 
tentativas para a cura. Essas tentativas fracassadas apenas aumentavam o gosto 
amargo da própria derrota. Quantas pessoas vivem exatamente assim: 
afundando cada vez mais na própria angústia. Choram todas noites, vivem à 
base de remédios e congressos. E cada vez mais a concha se fecha para dentro. 
 É gente que frequenta festas e banquetes, mas esse estranho peso nunca 
sai de cima, o que leva à conclusão de que não nasceram para a alegria. Quanto 
mais alguém tenta confortá-los, mais se afastam. E não fazem isso por birra, 
mas sim porque estão voltados para o chão, encurvados. Não conseguem ver 
nada que venha do céu. 
 Preciso lembrar-lhes que isso não é culpa deles. O texto diz que ela não 
conseguia endireitar-se. Quem sofre assim também não consegue. Não 
devemos fazer o papel do inimigo e acusá-los de não orarem, de esfriamento, e 
 
 
etc. Eles não precisam de falsos conselhos. Você não precisa mandar um cego 
abrir os olhos, ou dizer ao encurvado que ele tem que levantar! 
 Provérbios 25.20 é taxativo: “O que canta canções para o coração aflito é 
como aquele que despe a roupa num dia de frio, ou como o vinagre sobre a 
ferida”. Não é uma questão de fazer, mas de ir até aquele que pode todas as 
coisas! 
 Sei que alguns já tentaram bravamente, já fizeram todo tipo de esforço. 
Procuram “andar com pessoas espirituais”; frequentam inúmeras reuniões de 
oração, consultam tudo quanto é tipo de profeta, leem livros de autoajuda, mas 
nada dá resultado. Algumas dores são espirituais e só podem ser curadas pela 
ação sobrenatural do Espírito de Deus. 
 Esse texto nos dá uma certeza extraordinária: Satanás levou 18 anos para 
construir aquelas correntes e aprisionar aquela mulher. Jesus não levou nem 18 
minutos para libertá-la! 
 
 Spurgeon, num maravilhoso sermão sobre essa mulher disse algo 
poderoso: 
 
Construa, construa as suas masmorras, ó demônio dos infernos, lance 
suas fundações bem profundas. Coloque suas camadas de granito tão 
firmemente juntas a ponto de ninguém poder movimentar uma pedra 
sequer de sua estrutura. Contudo, quando Ele, o Mestre, vier, irá 
destruir todas as suas obras. Ele simplesmente irá falar, e, tal qual a 
estrutura sem substância de uma miragem, sua Fortaleza irá desfazer-se 
no ar. Dezoito anos de melancolia jamais irão provar que Jesus não pode 
libertar o cativo; apenas lhes oferecem a oportunidade de mostrar mais 
uma vez o poder de sua graça. 
 
O libertador quebra qualquer corrente! 
 
2. Mesmo encurvada, a mulher estava na casa de oração 
 
 Devia ser extremamente doloroso, vergonhoso e cansativo para aquela 
mulher se deslocar até à sinagoga. Motivos e desculpas não faltavam. Mas ela 
estava lá! Ela estava no mesmo lugar que Jesus! E isso basta! 
 O Diabo sempre vai enumerar milhares de motivos para que você não 
vá ouvir a Palavra. Ele sabe que basta uma Palavra e as cadeias serão 
quebradas. 
 Jesus a chamou de “filha de Abraão” (v. 16). Sua aparência não tirou o 
privilégio de sua linhagem! O inferno não conseguiu quebrar seu 
relacionamento com o Pai. A ação demoníaca não foi capaz de apagar a marca 
da fé: “filha de Abraão”. 
 
 
 Esse texto tem um detalhe maravilhoso: ao curá-la, Jesus não precisou 
dizer: “perdoados estão os teus pecados”. Não era um caso de iniquidade, de 
pecado escondido, era uma opressão. Um ataque do maligno. Tudo que ela 
precisava não era de repreensão, era de amor! 
 O coração dela estava em paz com Deus. Por isso ela estava na casa de 
oração. O filho doente, geralmente se sente melhor quando está com seus pais. 
A filha doente estava em casa. No momento em que ela é curada o texto diz 
que ela “glorificava a Deus”. 
 
3. Satanás pode nos atacar, mas não pode nos matar! 
 
 Satanás não a possuía, mas a prendia, oprimia. Notamos nos evangelhos 
que Jesus nunca impôs as mãos sobre alguém possuído pelos demônios - ele 
sempre ordenou e eles saíram. Ela era oprimida por uma doença maligna, não 
possuída por espíritos malignos. 
 Note que Jesus não “amarrou” o Diabo. Ele libertou a mulher! O 
compromisso de Jesus nunca foi com o inimigo, mas com as vidas que ele veio 
libertar! Sempre que a nossa preocupação for com o Diabo, perdemos de vista 
as pessoas que ele atormenta. É aqui que a igreja faz entrevista com o demônio 
e fica fascinada com o jogo de poder. Isso pode gerar uma dupla possessão - a 
do inimigo e a da mídia! 
 O inimigo tem muitas formas de ataque: uma interpretação errada das 
Escrituras; uma pregação ouvida de modo errado; uma profetada podem 
prender um fardo pesado no coração do ouvinte por longos anos... 
 Satanás prendeu aquela mulher a si mesma e ao chão. Ainda hoje essa é 
uma poderosa cadeia usada pelo inimigo das nossas almas. Existem muitas 
pessoas encarceradas dentro de si mesmas: vaidosas, orgulhosas, que só 
pensam em si mesmas. Gente que só vive encurvada, lamentando as suas dores 
e chorando as próprias deformidades. Outros vivem murmurando sobre o 
mundo triste ao seu redor: sempre escravos da mesma dor - a própria vida ou 
o próprio chão. Não conseguem olhar para Cristo. 
 Nesse texto temos mais uma daquelas magníficas lições que a Bíblia 
pode nos ensinar: O Diabo fez tudo o que podia. Assim como fez com Jó. Ele 
tirou tudo de Jó, mas não pôde matá-lo. Ele encurvou a mulher até à sepultura, 
mas não pôde enterrá-la. Ele tem limites! Deus não! 
 Satanás não vai destruir sua vida. Ele não tem poder para matá-lo. Ele 
sabe que você não pode ser destruído porque está além do alcance de suas 
armas. Ele tenta machucá-lo pelo medo. Ele é o mestre do teatro dos horrores. 
Ele sabe que não pode te matar com um tiro, então te assusta com o barulho. 
Ele sabe que não pode matá-lo, então o amarra como um sacrifício. Tortura. 
Mas é tudo encenação, teatro. 
 Você pertence a Jesus! Ninguém pode arrancá-lo das mãos do Pai. 
 
 
 
4. O libertador nunca nos perde de vista! 
 
 A primeira coisa que o texto dá destaque é o olhar de Jesus! Seu olhar 
foi na direção do chão onde ela estava. Ele a viu! Seus olhos não a viram apenas 
como alguém digna de dó que frequenta o culto. Ele viu a prisioneira carente 
de libertação! 
 Depois que a viu, o texto diz que ele a chamou! E ela foi! Mal podia se 
mover. Ela foi a ele do modo como estava! Ele a chamou das cadeias para a 
liberdade. Ele quer que vocêse aproxime dele exatamente como está, pois é 
nele que encontramos a verdadeira libertação. Não são as nossas forças ou a 
nossa experiência - é Ele! Jesus disse: “você está livre da sua enfermidade”. O 
fim da angústia chegou! Pode olhar para cima! As correntes caíram! Veja a luz! 
 Intrigante é que, mesmo após essas palavras de Jesus, a mulher 
permanece encurvada! Ela ficou tanto tempo encurvada que agora faltava 
forças para se endireitar. Mas é aqui que o libertador age! Ele “impôs as mãos 
sobre ela” - o toque do amor restaurou as forças e a levantou do chão. Ela já 
não pertence ao chão! 
 O texto diz que “imediatamente ela se endireitou”. Depois do toque do 
amor, a mulher tem coragem para agir! Os laços do mal se abriram e agora ela 
é capaz de levantar o rosto e olhar para Cristo! 
 
 A força do inimigo tem limite. Suas estratégias não suportam a luz. 
Portanto, o tempo da libertação chegou! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 4 
Curando feridas antigas (Lm. 3.19-24) 
 
Introdução 
 
 Eugene Peterson, na Bíblia “A Mensagem”, traduziu este texto assim: 
 
Nunca vou esquecer a desgraça, o gosto das cinzas, o veneno que engoli. 
Lembro de tudo - ah, e como lembro! - o sentimento de chegar ao fundo 
do poço. Mas há outra coisa que me lembro e, ao lembrar, continuo 
agarrado à esperança: o amor leal do Eterno não pode ter acabado, seu 
amor misericordioso não pode ter secado. Eles são renovados a cada 
manhã. Como é grande tua fidelidade! Eu me apego ao Eterno (digo e 
repito). Ele é tudo que me restou. 
 
 A Bíblia é o livro de todos os gemidos. As dores mais agudas da nossa 
intimidade são tratadas em suas páginas. É o livro dos retorcidos. Nem Jesus 
escapou das dores. A intensidade do Getsêmane está para sempre registrada 
nas Escrituras. Viver dói - às vezes, dói demais. 
 Dores da alma costumam gerar um forte desequilíbrio nas lembranças. 
São as memórias amargas, os espinhos do coração. Quem sofre dessas dores 
costuma julgar a vida toda apenas por esta lente. Vidas amargas, almas 
solitárias, dias cinzas. Quando as dores da alma latejam, nenhum homem é 
grande, nenhuma mulher é poderosa - todos somos frágeis. 
 Uma das mais dolorosas formas de dores da alma são as feridas antigas. 
São dores que habitam os porões da alma. 
 
 Vamos tratar das feridas antigas, pois à luz da Graça de Deus, a cura da 
interioridade é possível: 
 
1. Lembranças antigas: feridas que parecem nunca sarar 
 
 Existem feridas na alma que parecem nunca sarar. Elas sangram de vez 
em sempre! Dia sim e dia também elas latejam, gritam sua estranha presença. 
 
 
 
 Lembranças antigas são aquelas marcas que a guerra da vida fez questão 
de deixar: 
 
 Palavras devastadoras: certas palavras são malignamente tatuadas na 
alma. Elas ficam tão profundamente gravadas não apenas pelo seu conteúdo, 
mas principalmente por quem falou ou pelo momento em que foram ditas. 
 Foram palavras que desconcertaram, provocaram vergonha, abriram 
enormes fendas na alma, mataram sonhos. Palavras/punhais que feriram e 
sangraram nossa mais íntima segurança. 
 
 Humilhação: só quem já foi humilhado sabe a dor que isso provoca. 
Gente que teve a vida exposta, sofreu a violência de todos os olhares. Como dói 
ver o sorriso sarcástico no rosto dos acusadores! A vergonha caminha no passo 
da humanidade desde o Éden. 
 Quem já foi humilhado, exposto à mídia, aos monstros ou à multidão, 
sabe bem como a alma fica em frangalhos. A palavra humilde, vem do latim 
húmus, pó, chão - quem já foi humilhado sabe bem o gosto do pó. 
 
 Acusações injustas: a injustiça costuma deixar um gosto amargo na boca 
de quem já sofreu seus ataques. Quem já foi acusado injustamente sabe como 
fica a sua cabeça: uma mistura louca de sentimentos, raiva, dores agudas, choro 
nervoso, protesto. 
 Acusador é o principal serviço de Satanás. Seus agentes ainda são 
especialistas em destruir vidas a partir de acusações injustas, infundadas e 
impiedosas. Existem muitas outras formas de lembranças antigas e todas elas 
deixam suas marcas em nossas almas. Se não forem tratadas, podem matar! 
 
 Lembranças antigas podem gerar o câncer da alma: a vingança, o 
ressentimento, a amargura crônica que nos impede de desfrutarmos da alegria 
de viver. Apesar de tudo isso, tenho uma grande notícia: por causa de Jesus, 
nossas lembranças antigas mais dolorosas podem ser curadas! 
 A cruz é ponto da virada! Na cruz, Jesus transformou a nossa relação 
com o passado e suas dores - é possível sorrir de novo. Quem olha para a cruz, 
já não vê a morte e a destruição - agora vê a vida e a ressurreição - em Cristo, 
nossas piores lembranças podem ser transformadas em louvor, testemunho e 
vida! 
 
2. Os fantasmas da vida: realidades que assustam 
 
 Fantasmas existem, são mais reais do que gostaríamos de admitir. Não 
estou falando do folclore cinematográfico, nem das lendas urbanas e culturais 
- esses não assustam tanto… 
 
 
 Estou falando dos nossos fantasmas, dos monstros individuais que 
atacam e assustam a todos nós! O fantasma dos sonhos mortos: pouca coisa 
assusta mais do que o fantasma dos sonhos mortos. 
 
• Casamentos que acabaram em ruínas 
• Filhos que morreram 
• A falência que arruinou tudo 
• Ministérios destruídos por algum escândalo 
• Decepção: com os filhos, com Deus, com a vida 
 
 Sonhos mortos também matam. Os zumbis da vida são aqueles que 
acordam todas as manhãs com o gosto amargo da frustração. Vivem 
fantasiando o som bem fraco dos aplausos que nunca vieram… 
 
 O fantasma de algum abuso: o fantasma dos abusos ataca todos os dias, 
em todos os lugares, em todas as igrejas! Quem já foi alvo de algum abuso - 
qualquer um - sente um enorme peso na alma. Anda na vida como se estivesse 
algemado, sonha correndo nu pelas ruas sob os olhares e sorrisos maldosos. 
Acorda assustado, asfixiado, sofrendo de taquicardia. 
 
 Os abusos costumam abrir uma fenda bem no meio do peito: 
 
• Abuso sexual: a dor da intimidade invadida. 
• Abuso social: gente diminuída como se fosse coisa 
• Abuso político: a história da nossa nação 
• Abuso profissional: gente escrava da profissão da família 
• Abuso espiritual: igrejas tóxicas, pastores e líderes que se tornam 
verdadeiros carrascos da culpa. 
 
 Abuso é o uso destruidor do outro. É algo tão diabólico que aprisiona, 
gerando um medo tão forte de viver que pode levar ao suicídio. Existem 
pessoas tão fortemente marcadas por lembranças de abusos que, mesmo sem 
perceberem, tornam-se abusivas! 
 
• Brigam com tudo e com todos, 
• Gritam demais, 
• Repetem freneticamente suas qualidades e conquistas, só para 
disfarçarem seu medo de que as feridas apareçam. 
 
 Não são poucos os que tentam disfarçar suas dores causando dores em 
alguém. Quando a sua vida dói, você pode se tornar um causador de dores em 
si mesmo e nos outros. 
 
 
 
3. Graça: o remédio para todas as lembranças! 
 
 A graça de Deus é o remédio para todas as piores lembranças. Ela 
transforma pranto em dança, choro em júbilo e lamento em esperança! Para 
cada alma ferida, machucada, agredida, a graça tem o bálsamo, a cura, a 
transformação. 
 
• Pela graça, Jacó tornou-se Israel, “príncipe de Deus” 
• Pela graça, José tornou-se símbolo de perdão e cura na família 
• Pela graça, Raabe, a prostituta, tornou-se heroína da fé (Hb.11.31) 
• Pela graça, Sara, Ana, Raquel, tornaram-se mães. A graça quebrou a 
prisão da esterilidade 
• Pela graça, Davi, com todas as marcas do passado, tornou-se “o homem 
segundo o coração de Deus” 
• Pela graça, Pedro foi perdoado! 
• Pela graça, Paulo foi transformado! 
 
 Por causa da graça de Deus qualquer ferida, lembrança ou trauma 
podem ser tratados, curados e transformados em louvor! A graça de Deus não 
cobra de mim aquilo que o mundo tanto cobra: perfeição! Ela me liberta para 
ser o filho amado queDeus quer que eu seja, ainda que imperfeito. Somos filhos 
amados do Pai. 
 
 Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, encontraram as seguintes 
palavras escritas dentro de uma cela, num campo de concentração nazista: 
 
 Creio no sol, mesmo que ele não brilhe; 
 Creio no amor, mesmo que esteja oculto; 
 Creio em Deus, ainda que ele esteja em silêncio. 
 
 Creia, Deus pode sarar suas lembranças antigas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 5 
Jó e a pedagogia da adversidade (Jó 42.1-6) 
 
Introdução 
 
 Juan Luis Segundo diz que Deus não é teólogo, Deus é pedagogo. 
Frederick Buechner foi ainda mais longe ao perguntar: “Sem de alguma forma 
me destruir no processo, como Deus poderia se revelar de uma maneira que 
não deixasse margem para dúvidas? Se não houvesse lugar para dúvidas, não 
haveria lugar para mim”. 
 Olhando para a Bíblia, temos um vislumbre de um Deus que não quer 
tanto ser analisado, mas sim, amado! Teólogos medievais diziam que o homem 
é o risco de Deus. Chesterton disse que a ideia central de grande parte do 
Antigo Testamento pode ser chamada de a ideia da solidão de Deus. Jó é parte 
da pergunta de Deus: o homem escolherá me amar pelo que sou ou pelo que 
dou? 
 George MacDonald compreendeu bem a questão da pedagogia da 
adversidade: “Em vez de esmigalhar o poder do mal com a força divina; em 
vez de impor a justiça e destruir os ímpios; em vez de pacificar a terra mediante 
o governo de um príncipe perfeito, Deus deixou que o mal agisse à vontade. 
Ele se satisfez com as formas lentas e desencorajadoras de ajudar apenas no 
essencial, tornando bons os homens; expulsando, e não simplesmente 
controlando Satanás... Amar a justiça é fazê-la crescer, não é vingá-la!” 
 A pedagogia da adversidade trabalha com o amadurecimento, a 
perseverança, que não é somente a capacidade de suportar tribulações, mas de 
transformá-las em glória! 
 É bom lembrar que as mais difíceis indagações da vida nunca são 
removidas. Nunca ficamos sabendo por que Deus faz isto ou aquilo, por que o 
avião caiu ou aconteceu um desastre natural, mas, segundo Helmut Thielicke, 
somos redimidos do poder destrutivo dessas perguntas – o pânico não mais 
nos domina, porque a pedagogia de Deus nos traz paz! 
 
 Vamos refletir sobre a pedagogia da adversidade: 
 
1. A pedagogia da adversidade passa pelas perdas 
 
 
 
 É o caminho doloroso da desstruição dos nossos castelos. É aqui que 
entramos no território dos porquês. Na verdade, não é o sofrimento que nos 
perturba, é o sofrimento não merecido! 
 Por que? É a pergunta do oprimido. A exteriorização das inquietações. 
É uma pergunta tão importante que a Bíblia registra suas inúmeras ocorrências. 
A pergunta é parte fundamental de quem está na devastação das perdas. Quem 
perde pergunta! 
 Soren Kierkegaard disse que os cristãos parecem estudantes que 
desejam olhar as respostas dos seus problemas de matemática no fim do livro. 
No capítulo 38, Deus é quem faz as perguntas! 
 O que encanta em Jó é que ele viu o lado mais obscuro da vida, ouviu o 
silêncio de Deus, mas optou pela fidelidade – creu! Bem-aventurados os que 
não viram, mas creram! 
 Jó antecipa a aflição de outro justo: Cristo. Na cruz, o justo brada e recebe 
o silêncio como resposta. Os discípulos aprenderam no domingo de páscoa essa 
pedagogia que passa pelas perdas: quando Deus parece ausente, pode estar 
mais perto do que nunca. Quando Deus parece morto, pode estar tornando a 
viver! 
 O padrão de três dias: tragédia, trevas e triunfo se tornou parte do 
enredo da vida (Rm. 8.28). A pedagogia de Deus passa pelas perdas. O adverso 
é a introdução do verso novo na poesia divina. 
 
2. A pedagogia da adversidade passa pela honestidade 
 
 Deus ouviu tudo o que Jó disparou contra ele, e não julgou como pecado. 
O que Deus não tolera é a indiferença! Você pode ficar com raiva de Deus, mas 
jamais indiferente a Ele. 
 A dor estreita a visão. Sendo a mais pessoal das sensações, ela nos força 
a pensar quase que exclusivamente em nós mesmos. Quando isso acontece, a 
tendência é camuflarmos nossas reais motivações, é a máscara como artifício 
de fuga. Deus está na honestidade! 
 Quando a honestidade é a base da nossa teologia muitas paranoias são 
desconstruídas. Aprendemos nosso tamanho em relação a Deus e nos 
recusamos a cair nos mesmos erros. Ninguém pode estabelecer condições para 
Deus. A soberania de Deus é vislumbrada pelos olhos curados pela 
honestidade. 
 William Thompson disse algo impressionante: “Deus nunca esta a salvo 
de nós. Uma vez que Deus foi visto nascendo num estábulo, nunca mais 
poderemos ter certeza sobre onde ele aparecerá, ou o que fará, qual o custo, a 
que nível absurdo de auto-humilhação ele se rebaixará em sua incansável busca 
por amor. Ele irá até à cruz!” 
 
 
 A honestidade de Deus fez Ele descer aqui. O conhecimento é passivo, 
intelectual; o sofrimento é ativo, pessoal. Nenhuma resposta intelectual 
solucionará o sofrimento. Talvez seja por isso que Deus enviou seu próprio 
filho como uma das respostas à dor humana, para experimentá-la e absorvê-la 
dentro de si. A Encarnação não “soluciona” o problema da dor, mas dá uma 
resposta ativa, pessoal, honesta. 
 Jó é honesto, justo. Grita, esbraveja, silencia, chora, rasga as vestes. Dá 
vazão ao sentimento. Uma das poucas coisas que lhe restou foi o verbo! Uma 
relação honesta com um Deus honesto é terapêutica, pedagógica, teológica e 
sólida. 
 
3. A pedagogia da adversidade passa pela família 
 
 A família de Jó sintetiza os dois pontos: é parte de suas perdas, e teste 
de sua honestidade. Seus filhos aparecem no capítulo primeiro fazendo festas, 
banquetes. Talvez, ignorando o perigo à sua volta, gastam fortunas em 
banquetes que atemorizavam o coração de Jó, a ponto de ele levantar altares e 
fazer sacrifícios. Ser pai é levantar altares constantes. 
 Um dos primeiros alvos da ação diabólica é justamente seus filhos. Isso 
sinaliza para a importância dos corações dos pais convertidos aos filhos e dos 
corações dos filhos convertidos aos pais (Ml. 4.6). Esse é um tema que a Bíblia 
parece insistir – filhos oprimidos. Jesus teve vários encontros com filhos 
sofrendo ataques demoníacos. 
 A esposa de Jó também é figura de destaque. Ela fica à margem, mas não 
deslocada do enredo. A dor das perdas também a aflige. Coração de mãe 
dilacerado pelas mortes de seus filhos e filhas. No capítulo 2. 9-10 ela aperece 
com um brado amargurado: “amaldiçoa teu Deus e morre!” 
 Não é fácil ver a destruição de tudo o que você mais ama e permanecer 
com a retórica da leveza. A poesia de Jó abre aspas para a fúria. Ela estava 
sentindo toda a dor de ser atacada em suas áreas vitais. Ela disse corajosamente 
o que alguns de nós tem medo de dizer! Honestidade! Ela expressa em voz alta 
o que muito de nós se limitam a murmurar em oculto. 
 No final do livro Deus faz uma restauração de Jó, e não uma retribuição. 
Jó passa a perceber as grandiosas lições que aprendera: seus olhos agora veem 
a Deus, sua vida foi transformada. Curiosamente, Jó sai dessa espiral de dores, 
perdas e adversidades com um misto de adoração, santidade e glória. Crise 
sim, tragédia não! 
 
 Jó é mais do que um livro, é uma pedagogia divina no caos. 
 
 Soren Kierkegaard fez uma oração que precisa ser nossa também: 
 
 
 
“Pai Celeste! Caminha conosco como antigamente caminhavas com os 
hebreus. Oh, não nos faças crer que nos tornamos grandes demais para 
menosprezar tua educação, mas faze que cresçamos para nos 
conformarmos a ela. Que possamos crescer sob ela como um trigo bom 
cresce sem pressa: que não nos esqueçamos de quanto Tu fizeste por nós! 
E, quando tua ajuda nos tiver assistido solicitamente com um milagre, 
faze que não voltemos a procurá-la como criaturas ingratas, porque 
comemos e nos saciamos. Faze-nos sentir que sem ti para nada 
prestamos, mas não permitas queo sintamos em vil impotência e, sim, 
em confiança vigorosa, com a certeza feliz de que Tu és forte nos fracos.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 6 
Perguntas que assolam os que sofrem (Jó 7. 7-21) 
 
Introdução 
 
 É praticamente impossível sofrer e não fazer uma série devastadora de 
perguntas. É a arte do desabafo. É próprio da dor a inquietação, o 
questionamento. Ela exige urgência, atenção total. Exclusividade: o jogador de 
futebol, mesmo sendo assistido por milhões de pessoas, rola no chão de dor. 
 As perguntas mais intrigantes, os questionamentos mais ácidos nascem 
da alma em fúria, da violenta agitação da vida, do conflito entre a estabilidade 
e o caos. É a guerra estabelecida bem no meio do peito: entre o desejo de vencer 
e a dor que insiste em ficar. Diante da dor da alma, todos somos indefesos, 
mesmo aqueles que se julgam “superiores”. C S Lewis dizia que todos estão 
aptos a vencer uma dor: exceto aquele que a sente! 
 O mesmo C S Lewis, que passou pela horrenda dor de ver sua esposa 
morrer de câncer, disse: “Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso 
prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por 
intermédio de nossa dor; esta é seu megafone para despertar um mundo 
surdo”. 
 Uma coisa precisa ficar bem clara para nós: quando o assunto é dor, 
perguntar não significa sinal de fraqueza, mas de humanidade – 
reconhecimento de limites – o passo da graça. 
 
 Vamos pensar sobre algumas das mais inquietantes perguntas que 
assolam os que sofrem, para que você que sofre, perceba que não está sozinho: 
 
1. Por que? A pergunta do oprimido (v. 20-21) 
 
 Por que? é a pergunta básica de toda pessoa oprimida pela dor. A 
palavra opressão tem suas raízes num sistema de tortura da Idade Média: 
pedras pesadas sobre tábuas num corpo frágil! 
 O porquê? é companheiro do homem desde seus começos: é uma das 
primeiras perguntas que as crianças aprendem. Uma garotinha, vendo a mãe 
chorando, perguntou: mamãe, por que a gente chora? E a mãe, sabiamente, 
 
 
respondeu: o choro, filhinha, foi o jeito que Deus inventou para a gente não 
explodir. 
 Carlos Drummond de Andrade fez uma pegunta muito forte: Há alma 
no homem? E quem pôs na alma algo que a destrói? O erro de Drummond é 
achar que esse “algo” da alma a destrói – pelo contrário – é isso que a educa, 
fortalece e transforma! 
 A Bíblia é tão honesta que faz questão de lotar suas páginas com os por 
quês? Uma das piores inquietações que essa pergunta gera é a seguinte: por 
que Deus não explica? Vivemos atolados no mistério da dúvida! Deus não 
explica não por que gosta de nos aprisionar na escuridão da dúvida, mas 
porque não temos capacidade de absorver tanta luz! 
 Joseph Bayley disse: “Na escuridão, lembre-se do que aprendeu na luz”. 
 
2. Onde está Deus? A pergunta do desesperado (Jó 6.13) 
 
 A dor desmonta o orgulho. Ela arrasa nossos castelos. Envergonha nosso 
status. De que adianta ter fama e dinheiro quando se está em coma? A dor veste 
a roupa do absurdo. 
 
 Existem algumas dores que marcam profundamente: 
 
• A dor da vergonha; 
• A dor da impotência diante do diagnóstico do médico; 
• A dor da traição; 
• A dor das palavras ditas para machucar profundamente; 
• A dor da mentira escondida durante anos... 
 
 Cada uma dessas dores nos joga de costas no chão frio da vida. É lá do 
chão que a gente olha para cima e pergunta: Onde está Deus? Todo sofrimento 
pede uma causa. Perguntar por Deus é buscar sentido na dor. Alguns 
perguntam por Deus, não para aprenderem da dor, mas para jogar a culpa! 
 A pergunta é um grito: Onde está Deus? Deus está na dor! A dor não 
muda Deus, mas muda quem sofre! É a mais incrível professora da vida. O que 
dói ainda vive! Deus entende tanto de dor que enviou ao mundo o Consolador! 
 A atitude mais necessária na dor não é a negação, é a perseverança! 
“Transformar dores em glória”; fracasso em triunfo, lamentos em louvores, 
tragédia em testemunho! 
 John Johnson disse: “Homens e mulheres são limitados não por seu 
lugar de nascimento, nem pela cor da sua pele, mas pelo tamanho de sua 
esperança!” 
 
3. Até quando? A pergunta de quem desafia o tempo (Jó 6.8-10) 
 
 
 
 Uma das dores mais difíceis de suportar é a dor da expectativa – a dor 
da espera. Guimarães Rosa escreveu que esperar é reconhecer-se incompleto. 
Esperar é um verbo cuja conjugação faz doer a alma, pois exige intensidade e 
insistência – duas coisas que a dor esmigalha na alma de quem sofre. 
 A dor estabelece uma estranha parceria com o tempo. O relógio de quem 
sofre parece um carcereiro dos sentimentos. Já notou como as noites de dor 
demoram muito mais? A agenda da dor não tem pressa. 
 Uma das maiores lições que aprendemos é que na dor Deus nos nos 
ensina a suportar a tirania do tempo para ganharmos a eternidade. É a divina 
pedagogia do calendário. Edith Eva Eger, autora do belíssimo A bailarina de 
Auschwitz, disse: “Não adianta cobrir o alho com chocolate. Não vai ficar 
gostoso. Da mesma forma, não adianta negar a realidade ou tentar escondê-la 
sob algo doce. A esperança não é um desvio da escuridão. É o combate à 
escuridão”. 
 
 A grande pergunta que devemos fazer quando o império da dor se 
estabelece é a seguinte: Senhor, Pai de amor, o que queres ensinar-me? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 7 
Ansiedade: uma enfermidade da alma (Mt. 6.25-34) 
 
Introdução 
 
 J. Blanchard disse que a ansiedade nunca fortalece você para o amanhã; 
ela apenas o enfraquece para o dia de hoje. A ansiedade é uma enfermidade da 
alma. O ansioso atropela processos, sofre por antecipação, quer colher antes 
mesmo de plantar. Vive na véspera, chorando por dores que ainda não sentiu. 
A ansiedade é como uma cadeira de balanço: exige esforço, mas não leva a 
lugar algum! 
 A ansiedade é a doença mais democrática da nossa geração. Atinge 
pobres e ricos, jovens e velhos, doutores e analfabetos, cristãos e ateus. Não 
escolhe endereço, não respeita crenças, não teme amuletos! A ansiedade é 
considerada pelos psicólogos como a mais perigosa doença do século. De 
acordo com OMS mais de 50% das pessoas que passam pelos hospitais são 
vítimas da ansiedade. 
 Vivemos num mundo infectado pelo vírus da infelicidade. Não é por 
acaso que a indústria do sucesso vende tanto. São fabricantes de ilusões para 
preencher o vazio da alma. Um dos medicamentos mais comercializados no 
Brasil é o Rivotril. Trata-se de uma droga contra a ansiedade, de custo baixo, 
que se tornou, duramte algum tempo, o segundo remédio mais vendido no 
Brasil, atrás apenas do anticoncepcional Microvlar. 
 O texto de Mateus é parte do magistral Sermão do Monte. Nele Jesus 
Atinge o cerne das inquietações que tanto nos desestabilizam – ansiedades, 
medos, frustrações. 
 
 Vamos observar algumas dimensões dessa problemática à luz desse 
texto: 
 
1. É preciso curar o olhar 
 
 O texto começa dizendo: “Portanto vos digo...”: Trata-se de uma 
conclusão de Jesus. Antes de nos convocar a agir, ele nos convoca a pensar 
sobre a difícil questão das escolhas. Ele estava falando sobre escolhas: além de 
escolher entre dois tesouros (onde ajuntá-los) e entre duas visões (onde fixar os 
olhos), jaz uma escolha ainda mais básica: entre dois senhores (a quem servir). 
 
 
 Depois de expor a difícil questão das escolhas, Jesus que sabe que o 
homem é um ser em busca, enfatiza a cura do olhar! Para que a alma seja livre 
das algemas da ansiedade, precisa ter os olhos curados pela graça! O texto 
manda olhar: para as aves do céu, os lírios do campo. Olhar para além do palco 
da vida. Olhar para fora da banalidade cotidiana. Olhar para Deus. 
 Se você deseja a cura para a ansiedade que assola sua alma e domina 
seus sonhos, olhe para Deus!Deixe-se ser curado em seu olhar! A ansiedade 
deixa a mira baixa, mas o colírio da Palavra cura os nossos olhos! (Is. 40.30, 31: 
como águias...). 
 
2. É preciso derrotar o medo 
 
 Em algum aspecto todos temos medo. Gosto muito do que disse um 
pastor antigo: “Tenho medo, mas o medo não me tem!” O medo é o alimento 
da ansiedade. Todo ansioso tem medo. O medo é um gigante que se alimenta 
da carência. É o microscópio que aumenta o perigo. É o carcereiro que a 
ansiedade usa para acorrentar a alma nas masmorras do desespero. 
 Nesse texto Jesus fala sobre três perguntas básicas que o ansioso faz, cuja 
raiz é o medo: “Que comeremos? Que beberemos? Que vestiremos?” Spurgeon 
chamou isso de “a trindade dos cuidados do mundo”. É bom notarmos que 
Jesus não está desprezando nem negando as necessidades do homem, ele 
mesmo nos ensinou a orar: “o pão nosso de cada dia...” 
 Jesus está nos ensinando a confiar no Pai de amor, pois a Bíblia diz que 
“o perfeito amor lança fora o medo” (I Jo. 4.18). Na confiança vigorosa e no 
amor de Pai, na relação com Deus, domesticamos o medo, aniquilamos sua 
fúria. Não vamos destrui-lo por completo, mas vamos tirar dele seu poder de 
assustar! Confie no Pai, ame a Deus e você vencerá o medo do amanhã porque 
seu Deus já está lá! 
 
3. É preciso santificar o comum 
 
 O ansioso perde a graça do comum. Esquece que a felicidade não está 
no final do caminho, mas enquanto se anda. Não é no depois, é no durante. É a 
alegria enquanto assiste ao filme, enquanto come aquela comida, enquanto ri com 
os amigos, durante as férias, enquanto abraça os filhos... Viver o enquanto é a arte 
de santificar o presente, abençoar o comum, transformar em extraordinário o 
normal. Como dizia um pensador: “A fé faz ver no banal o que olhos banais 
não conseguem ver”. 
 Santificar o comum é entender que há coisas que não podemos controlar, 
há coisas que não podemos prever e coisas que não podemos mudar, mas em 
todas elas vivemos e podemos reagir! 
 É preciso sair das garras do fatalismo: “O que tiver de ser, será”. Será? 
A vida está repleta de coisas que deveriam ter sido, mas não foram, e outras 
 
 
que jamais deveriam ter sido, mas foram! Isso é viver! Deus não nos livra das 
crises, mas nas crises! É preciso sair do cárcere da indecisão: gente paralisada 
na vida. Projetando tudo, mas não fazendo nada. Mia Couto escreveu que é 
sempre bom lembrar que “o hoje morre hoje!” 
 É preciso fugir do labirinto do consumismo: Os bilhões de dólares da 
pessoa mais rica do mundo não são suficientes; é preciso ser o primeiro do 
mundo. A insatisfação é crônica. Tudo é pouco. Somos a geração do vazio. 
Compra-se muito, ama-se pouco! Quando santificamos o comum aprendemos 
a glorificar a Deus pelo hoje, pelo que Nele podemos ser. 
 Como disse Martin Luther King: “Ainda não somos o que gostaríamos 
de ser. Não somos o que ainda iremos ser, mas a graças a Deus não somos mais 
quem éramos!” 
 
 É tempo de cura para a alma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 8 
A necessária faxina da alma (Sl. 42.5) 
 
Introdução 
 
 Na belíssima versão de Eugene Peterson, “A Mensagem”, a tradução 
desse verso do salmo 42 é primorosa: 
 
Por que você está deprimida, ó minha alma? 
Por que chora de melancolia? 
Olhe para Deus, 
E logo o louvará outra vez. 
Ele põe um sorriso no meu rosto. 
Ele é o meu Deus. 
 
 Fazer faxina não é fácil: trata-se de um trabalho pesado, intenso, chato e 
cansativo - mas necessário! Sem faxina o pó acumula, o lixo toma conta, a casa 
sente. A alma também precisa de faxina. E nela, a faxina também é dura, ácida 
e cansativa. 
 
• Quando o lixo da alma acumula, o corpo sofre, a família percebe e a vida 
dói. 
• Quando o mofo da alma se espalha, o desânimo toma conta, o mato 
cresce e as feras aparecem. 
• Quando os porões da alma ficam fechados por muito tempo, os insetos 
emocionais se alastram, o casamento geme e a vida espiritual paralisa. 
• Quando temos coragem de fazer a necessária faxina da alma, 
descobrimos a quantidade de lixo emocional que conseguimos guardar, 
e isso assusta! 
 
 Fazer a faxina da alma é uma questão de sobrevivência. Se não for feita, 
a vida se torna insossa, um jardim abandonado, muito mais sombras do que 
luzes. É aqui que nasce a depressão. O conselho de Paulo na Ceia dos coríntios 
é sempre bem-vindo: “Examine-se pois o homem a si mesmo” (I Co. 11.28). 
 
 Vamos refletir sobre alguns aspectos da necessária faxina da alma: 
 
 
 
1. Os entulhos emocionais 
 
 Entulhos emocionais são as tralhas da mente, a bagagem extra, o lixo 
emocional. São dejetos da interioridade que vão se acumulando ao longo do 
dia. Na dinâmica da alma, aquilo que você alimenta, cresce! 
 
 São muitos os entulhos emocionais, mas quero destacar quatro que são 
devastadores: 
 
 Rejeição: É o sentimento de que a vida lhe virou as costas. É sentir-se 
sempre à margem, sem abrigo, afeto ou acolhimento. A rejeição pode vir desde 
o ventre materno. Isaías 49.15 pontua essa dolorosa verdade: "Será que uma 
mãe pode esquecer do seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho 
que gerou? Embora ela possa se esquecer, eu não me esquecerei de você!” (NVI) 
 
 Ódio: É a alma em estado de ebulição. É quando o sangue ferve, a luz 
da mente se apaga e a escuridão nos leva a cometermos os atos dos quais nos 
envergonharemos muito. O ódio é perigoso, pois corrói a bondade e nos 
prepara para a matança. A Bíblia é repleta de episódios de ódio, principalmente 
na família. Os irmãos de José são um caso clássico (Gn. 37.3). 
 A redenção do ódio que José promoveu ainda serve de exemplo: Efraim 
e Manassés. Em Gn. 48.1-5; 20, Jacó "adota" Efraim e Manassés (dois egípcios), 
e eles não brigam por causa disso. José criou seus filhos para viverem o amor 
entre irmãos. Não há na Bíblia relato de brigas entre os dois. 
 
 Ressentimento: É, literalmente, “sentir de novo”. É a memória teimosa, 
que arranca a casca da ferida, que mastiga raivas, rumina ódios, alimenta 
projetos de vingança. O ressentimento te transforma numa máquina de 
malignidades. Você bebe veneno todos dias, gole por gole, bem devagar (é o 
caso de Absalão e Amnom, II Sm. 13). 
 
 Culpa: São as algemas da alma, o cárcere do coração. A culpa é uma 
jaula da mente. Ela promove o terrível espetáculo da acusação: você desenvolve 
a “síndrome de réu”: tem a angustiante sensação de que “todo mundo sabe”, 
“todo mundo viu”. Davi, em sua aflição, pensa exatamente como quem é 
atormentado pela culpa: Sl. 31.13: “Ouço muitos cochicharem a meu respeito; 
o pavor me domina, pois conspiram contra mim, tramando tirar-me a vida”. 
Outra versão diz: “Atrás de portas fechadas, tramam contra mim”. 
 Os entulhos emocionais tendem a crescer. Se não cuidarmos do nosso 
coração, ele pode se transformar num terreno baldio, sem vida, sem alegria de 
viver. 
 
 
 
2. As fúrias da alma 
 
 A alma protesta: é por isso que nos sentimos tão agitados, elétricos, 
acelerados. A alma grita, brada por atenção, por uma análise profunda e 
honesta. Não se engane: não dá para disfarçar, a alma se entrega! 
 
 Existem diversos modos de expressão da alma, mas quero refletir sobre 
três dos mais intensos: 
 
 Ansiedade: É a inquietação da mente, a agitação máxima das águas da 
alma. A ansiedade é uma pandemia: ela atinge todas as pessoas, de todas as 
idades, em todos os lugares e de todas as crenças. 
 
 Medo: O medo é um tipo diferente de bandido: ele não quer a sua joia, 
seu carro ou sua casa; ele quer a sua paz! O medo é um estado de alma que só 
é vencido pelo amor. João, em sua Primeira Epístola (4.18-19), escreveu: “No 
amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o 
medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós 
amamos porque ele nos amou primeiro”. 
 
 Excessos:Quando a alma está em fúria, perde o senso do equilíbrio, 
portanto, perde o medo dos abismos. É aqui que ela se lança aos extremos. 
 
 Alguns dos piores excessos da alma são: 
 
• Autocrítica excessiva: a alma tende a distorcer a autoimagem; 
• Excesso de passado: você fica preso ao retrovisor; 
• Excesso de futuro: você aposta tudo na incerteza 
 
 As fúrias da alma nunca se cansam, pois nós as alimentamos com doses 
diárias de ilusão e vida vazia (redes sociais). 
 
3. Os monstros da interioridade 
 
 Embora a alma tenha muito medo dos seus fantasmas, ela, ainda assim, 
os cria! O que nos assusta, de verdade, não são os monstros de fora, são os de 
dentro. Os monstros que alimentamos sob disfarces, desculpas e deslizes. 
 Quanto mais feio for o fantasma que atormenta a alma, mais ela tentará 
fugir dele criando máscaras, rotas de escape, malabarismos semânticos (“é só 
uma fase”; “isso é herança genética”…). 
 
 Quero refletir sobre alguns dos piores monstros que atormentam as 
nossas almas: 
 
 
 
• Fracasso: todos fracassamos, mas a nossa alma tende a acreditar que isso 
é exclusividade dela; 
• Sonhos mortos: poucos fantasmas da alma assustam mais do que os 
sonhos mortos; 
• Narcisismo: do grego narkê, raiz do termo narcótico. O narcisismo é a 
alma apaixonada pela imagem que fez de si, a persona. 
• Competição predatória: a alma ativa o “modo predador”, esse lugar em 
nós onde ninguém mais tem reconhecimento. 
• Relações tóxicas: todos os tipos de abuso: do sexual ao religioso. 
 
 Os monstros da alma usam a chantagem como arma: jogam na nossa 
cara, todos os dias, que somos bagaços existenciais, menos que gente. Eles 
adoram a violência simbólica, o teatro da mente. 
 
4. A terapia da graça 
 
 A graça é o amor escandaloso de Deus. É o jeito de Deus amar: não por 
imposição, força ou domínio, mas por abraço, aproximação e escuta amorosa. 
 
 A graça nos dá uma aula sobre a cura das nossas emoções: 
 
• A graça não é controle, é liberdade; 
• Não é poder, é amor; 
• Não é justiçamento, é justiça generosa; 
• Não é punição, é tratamento; 
• Não é grito, é diálogo; 
• Não é imposição, é proposição; 
• Não é você, não sou eu; é Deus! 
 
 Contra os entulhos emocionais, abra espaço para a novidade diária da 
Palavra, para que as janelas da alma sintam a atmosfera abençoada do renovo: 
é confissão (Sl. 32.3-5: “enquanto encobri a minha culpa, meus ossos 
envelheceram…”). 
 Contra as fúrias da alma, saiba que Jesus, no Sermão do Monte, já havia 
tocado no assunto, e propôs a “pedagogia do olhar”: “Olhem para as aves do 
céu, os lírios do campo…” (Mt. 6.25-34). O descanso necessário vem quando 
trocamos de lente (Asafe, Sl. 73.17: “Até que entrei no santuário de Deus e 
compreendi o destino dos ímpios”). 
 Contra os monstros da interioridade, saiba que você não luta sozinho: 
Paulo sabia disso (II Co. 12.9-10): 
 
 
 
Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder 
se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais 
alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse 
em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos 
insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, 
quando sou fraco é que sou forte. 
 
 O mesmo texto, II Co. 12.8-10, na versão “A Mensagem”, de Eugene 
Peterson, é extraordinário: 
 
O anjo de Satanás fez o melhor que pôde para me derrubar, mas o que 
conseguiu foi me pôr de joelhos. Sem chance que eu ande de nariz 
empinado e orgulhoso! No princípio, eu não pensava nele como um 
dom, e pedi a Deus que o removesse. Repeti o pedido três vezes; então 
ele me disse: Minha graça é o bastante; é tudo de que você precisa. 
Minha força brota da sua fraqueza. 
 
 A frase de Hebreus 11.34 ainda é poderosa: “Da fraqueza tiraram força”. 
 
• Você precisa abrir as janelas da alma para que entre a luz da 
misericórdia. 
• Você precisa abrir as janelas da alma porque Deus é claustrofóbico: ele 
gosta de lugares amplos, abertos, arejados. Ele plantou um jardim, não 
uma cela. 
• Você precisa aprender a guardar certo: “De tudo o que se deve guardar, 
guarda o seu coração” (Pv. 4.23). Não acumule entulhos emocionais. 
• Você precisa aprender a valorizar o que não se pode perder: “De que 
adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma?” (Mc. 8.36). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 9 
Perdão: a libertação por excelência (Mt. 18.21-22) 
 
“Nesse instante, Pedro teve a coragem de perguntar: ‘Mestre, quantas vezes 
tenho de perdoar o irmão que me prejudica? Sete?’ Jesus respondeu: ‘Sete é 
pouco. Tente setenta vezes sete’” 
Mateus 18.21-22, Bíblia: “A Mensagem” 
 
 
Introdução 
 
 O perdão é um tema curioso: muito fácil de falar, muito difícil de viver! 
 No texto de Mateus, Pedro queria fazer algo que ainda é uma tentação 
constante para nós: impressionar Jesus! Algumas escolas rabínicas, com o 
desejo de se afirmarem sobre as outras, diziam perdoar quatro vezes! Pedro quer 
ir além: sete vezes! Jesus, surpreende: setenta vezes sete! É um limite que Pedro 
quer? Pois terá o ilimitado da graça! 
 “Setenta vezes sete” é mais do que sempre! É o perdão como regra da 
vida, não como uma exceção. Muita gente sofre por causa da ausência do 
perdão. Buscam, como Pedro, alguma “desculpa” para não perdoar. 
 Falta de perdão adoece a alma. Você fica carregando pesos, fardos no 
coração. É importante lembrar que o ato de perdoar livra-nos de carregarmos 
fardos que não nos pertencem! A própria palavra "perdoar", em nosso idioma, 
já contém a partícula "doar". Perdoar é deixar ir, soltar! Edith Eva Eger diz que 
“o perdão não é algo que se dá a alguém. É como você se liberta”. 
 Já senti esse peso em meu coração. Já vivi anos com essa angústia 
martelando o peito. Meus olhos tinham uma sombra que vinha de dentro. O 
rosto sempre cansado, nenhuma festa tinha graça, o semblante sempre pesado. 
Muitas noites chorei sozinho, aparentemente sem motivo, mas só lá dentro é 
que a gente descobre os motivos das lágrimas de fora. Estou aprendendo a 
perdoar. É uma aula constante. Não é fácil, mas com a ajuda do Espírito Santo, 
a gente consegue! 
 A falta de perdão faz mal para você. Guardar amarguras leva-nos a 
contrair enfermidades da alma, a ruína dos sonhos. Importante também é 
lembrar que perdoar não é esquecer, mas lembrar sem mágoa. 
 
 
 A oração do Pai Nosso contém essa verdade: "perdoa as nossas dívidas 
assim como nós perdoamos..." (Mt. 6. 12). Podemos perdoar! O texto afirma que 
é possível! 
 Tenho uma pergunta para você: Por que ficar carregando fardos que não 
lhe pertencem? Busque a ajuda do Pai e você se tornará leve! Você não precisa 
carregar raiva, dor, injustiças dentro de si. Quando soltar tudo isso, perceberá 
a alegria de viver sem cadeias, sem algemas. Vai sentir o cheiro do novo, da 
casa limpa, da certeza feliz de que é bom ser livre. 
 Uma das grandes crises que nos assaltam é consequência do 
ressentimento, que, literalmente, significa “sentir de novo”. É viver com uma 
espécie de memória teimosa que insiste em não ir embora. Muitas pessoas 
passam a vida como escravas do ressentimento, do ódio, do ranger de dentes. 
Quanto mais tempo você gastar alimentando ódios, mais raízes de amargura 
brotarão na sua alma. 
 Cuidado para não se tornar um reservatório de angústias. Uma pessoa 
amarga, fria, dolorosa, rancorosa é sempre mortal para as relações. Não 
permita que a alegria seja apenas uma pálida lembrança em sua alma. Quantas 
pessoas nem se lembram mais da última vez em que sorriram de verdade! 
Muitos vivem um dilúvio de lágrimas. 
 
 Sem perdão você decreta a morte do amanhã. 
 
 Vamos refletir sobre o perdão como libertação por excelência: 
 
1. A libertação do ciclo terrível da vingança 
 
 Só o perdão consegue parar o ciclo mortal da vingança. Só quem perdoa 
quebraa corrente maligna de fúrias, calúnias e morte. Uma pessoa perdoadora 
é uma agente da transformação. Onde essa pessoa está o ciclo da vingança 
perde sua força. 
 Não busque vingança. Um provérbio antigo diz: “aquele que procura 
vingança deve cavar duas covas”. Deixe que Deus tome conta de tudo. 
Romanos 12. 19 diz: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com 
Deus a ira, pois está escrito: ‘minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor”. 
Nesse texto, Paulo cita Deuteronômio 32. 35 e aplica uma grande lição para 
aquela igreja, em Roma, bem acostumada à questão da vingança. 
 Perdoe e seja liberto da compulsão da vingança. 
 
2. Perdão é pura graça! 
 
 Ninguém perdoa sozinho! Isso não é algo que fazemos tranquilamente, 
sem renúncia. Aliás, renúncia sem dor não é renúncia. Perdoar é sempre um 
ato de graça. É através da graça de Deus que conseguimos liberar o perdão. Se 
 
 
a graça de Deus não agir, apenas acumulamos frustrações. Foi pela graça de 
Deus que José conseguiu perdoar seus irmãos (Gn. 45. 3-5). Mesmo sabendo 
que seus irmãos o odiavam, ele ofereceu o seu melhor: perdão. 
 Perdoar é oferecer ao outro uma nova chance. Uma nova história. Os 
rabinos dizem que o mandamento “Não matarás” (Dt. 5. 17) não é apenas a lei 
lógica que impede algum assassinato, pois muitas pessoas são incapazes de 
matar. Portanto, eles acreditam que esse mandamento vai muito além – é o 
Mandamento do Perdão! Não permita que a pessoa que te feriu morra de vez 
na sua história! Ofereça a ficha limpa, a segunda chance, o nascer de novo! 
 Quantas vezes você já ouviu alguém dizendo: “Fulano morreu para 
mim!” Essa frase é muito perigosa, pois a vida tem suas voltas. O inimigo é 
mestre em abrir sepulturas nas nossas relações. O perdão é a ressurreição das 
relações mortas! 
 A graça é o favor imerecido de Deus para nós. Não merecemos, mas Ele, 
por sua infinita bondade, nos ama! Esse é o combustível do perdão. 
 
• Somente as pessoas que foram amadas podem amar; 
• Só as pessoas que foram libertas podem apregoar libertação. 
• Só as pessoas curadas oferecem cura. 
• Somente as pessoas perdoadas podem perdoar! 
 
 É a graça que opera o milagre de recebermos em nossas vidas pessoas 
que nos feriram. Acredite: a graça de Deus é para você! É possível perdoar o 
imperdoável, pois Deus já perdoou o imperdoável em você! 
 
3. Perdoar não é “passar a borracha” 
 
 Uma folha suja: isso é tudo o que a borracha pode fazer. 
 Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “vamos passar uma borracha 
sobre isso”. Esse é o engano mais comum quando o assunto é perdão. Isso 
apenas potencializa as lembranças. Você vai lembrar. As folhas da sua memória 
não se apagam com uma simples borracha na ponta do lápis da raiva. 
 Como fazer, então? Somente o fogo do Espírito Santo pode, de fato, 
“apagar” as memórias amargas. É permitir que a chama do Espírito apague 
completamente, destrua a força do pecado. Se o perdão não for total, não será 
perdão, apenas o medíocre estabelecimento de uma trégua. Quando você 
perdoa faz uma importante descoberta: liberta um prisioneiro: você! Nunca 
mais a dependência do outro. 
 Quem não perdoa vive com o inimigo. Canaliza todas as forças 
arquitetando planos contra o outro. Sujando as páginas da própria história. 
Vivendo de acumular vergonha. Carregando fardos, bagagens pesadas que 
ferem a alma. Como diz um ditado popular: “ressentimento é você tomar um 
copo de veneno esperando que a pessoa que te feriu morra”. 
 
 
 O ressentimento abre feridas profundas que o tempo insiste em manter 
abertas. O porão da existência fica cheirando a mofo. O caminho da superação 
dos conflitos nunca é um caminho fácil. Por isso Jesus faz questão de passar 
por Samaria. Em João 4. 4, o texto afirma: “Era-lhe necessário passar por 
Samaria”. Samaria é a terra do conflito, da guerra entre judeu e samaritano. 
Jesus foi lá. Atravessou o chão do ódio. Como cristãos, esse ainda é o nosso 
caminho! 
 Não podemos mudar o passado. Cada um de nós adoraria ter a chance 
de entrar numa espécie de “túnel do tempo” e ter direito a uma segunda 
tentativa, mas a realidade é implacável. Alguém disse que “a vida é como uma 
moeda, você pode gastá-la do jeito que quiser, mas só poderá gastá-la uma 
vez”. 
 Quando chamo sua atenção para isso o que quero não é aumentar a sua 
culpa – você não precisa disso – quero apenas propor ajuda para que cada um 
de nós encare o fato de que culpar os outros nunca resolve o problema. Não 
passe uma borracha, lave sua alma no sangue do Cordeiro! (I João 1. 7) 
 
4. O autoperdão é fundamental 
 
 Muitas pessoas perdoam aos outros, mas não a si mesmas. Sofrem 
caladas durante anos. Muitas usam a máscara da alegria, mas sorrindo por fora, 
sangram por dentro. Ainda não passaram pela maravilhosa experiência do 
autoperdão. 
 O que é “autoperdão”? É você entender que, se Deus já te perdoou, você 
está absolutamente livre! A Bíblia diz que “não há condenação para os que 
estão em Cristo Jesus” (Rm. 8. 1). É quando você também se perdoa. Não tente 
ser melhor do que Deus! Se Deus já te perdoou, perdoe-se! 
 Sem o autoperdão caio na tendência à indiferença. Mesmo sem querer 
acabo criando uma casca de insensibilidade com todos. Como não consigo me 
perdoar, também não posso oferecer perdão a ninguém, pois passo a acreditar 
que a minha dor é a maior de todas. 
 Em I João 3. 19, 20 está escrito que “se o nosso coração nos condena, 
maior é Deus do que o nosso coração”. Nem mesmo os carrascos da mente 
podem nos afastar do amor de Deus. Deus nos ama. Deus te ama como a filha 
do seu coração, o filho do seu amor. Aceite essa verdade pela graça. 
 
 Romanos 8. 35-39, na versão “A Mensagem” deve estar em sua mente 
para sempre: 
 
 “Acham que alguém será capaz de lavantar uma barreira entre 
nós e o amor de Cristo por nós? Não há como! Nem problemas, nem 
tempos difíceis, nem ódio, nem fome, nem desamparo, nem ameaças de 
poderosos, nem punhaladas nas costas, nem mesmo os piores pecados 
 
 
listados nas Escrituras: ‘Eles nos matam a sangue frio, porque odeiam a 
ti. Somos vítimas fáceis: eles nos pegam, um a um’. Nada disso nos 
intimida, porque Jesus nos ama. Estou convencido de que nada – vivo 
ou morto, angelical ou demoníaco, atual ou futuro, alto ou baixo, 
pensável ou impensável – absolutamente nada pode se intrometer entre 
nós e o amor de Deus quando vemos o modo com que Jesus, nosso 
Senhor, nos acolheu”. 
 
 É tempo de se perdoar, de oferecer perdão e de viver livre! O perdão é a 
libertação por excelência! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 10 
Vitória sobre a crise (Jr. 12.1-5) 
 
Introdução 
 
 Eugene Peterson, na versão “A Mensagem”, traduziu assim: 
 
Tu estás certo, ó Eterno, e estabeleces a justiça. 
Nem tenho como duvivar disso. Mas tenho algumas perguntas. 
Por que os maus se dão tão bem na vida? 
Por que artistas sem caráter fazem sucesso? 
Tu os plantaste, e eles criaram raízes. 
Floresceram e produziram fruto. 
Eles falam como se fossem teus grandes amigos, mas não se importam 
contigo. 
Mas tu me conheces nos mínimos detalhes, e não deixas passar nada! 
Faz que paguem por seu jeito de viver, e que paguem com a vida, como 
ovelhas marcadas para o matadouro. 
Por quanto tempo ainda vamos ter de aturar isso, o país devastado, as 
fazendas em ruínas, e tudo isso por causa da maldade desses perversos? 
Até os animais do campo e as aves estão morrendo porque eles não 
querem nada com Deus e acham que Deus nada tem a ver com eles. 
“Jeremias, se você está cansado nesta corrida a pé com os homens, o que 
te faz pensar que pode apostar corrida com cavalos? 
E, se não consegue deixar a razão prevalecer em dias tranquilos, o que 
vai acontecer quando os problemas correrem solto, como o Jordão na 
época da enchente?” 
 
 Estamosdiante de uma oração dolorida, confrontadora, irritada, 
intrigante. Uma oração de quem está no meio de uma crise. Jeremias tinha ido 
à sua cidade natal, Anatote, cerca de 5 km de Jerusalém, uma cidade levita no 
território de Benjamin. Ele estava voltando de uma experiência duríssima: 
enfrentar a crise familiar! Após pregar um terrível sermão contra o Templo e o 
stablishment religioso (cap. 7), Jeremias tinha se tornado um parente perigoso, 
um familiar incômodo. 
 
 
 Ser visto como um peso na família nunca é uma experiência agradável. 
Ser alvo de planos de morte da própria família deve ter sido profundamente 
amargo e decepcionante (Jr. 11.19). A oração de Jeremias é puro desabafo, é 
terapia do coração, uma fala da alma. Uma oração quando as fibras da vida 
estão quase arrebentando. Ainda bem que servimos a um Deus que escuta e 
interpreta gemidos! 
 A oração de Jeremias é muito parecida com os Salmos de Davi e de Asafe 
(37 e 73). Lembra também a dolorida reflexão de Jó 21.7-13 e o desabafo de 
Habacuque. A Bíblia é o livro dos cansados! O texto das nossas revoltas. Esse 
texto pode nos ensinar lições tremendas sobre a perseverança e a 
ressignificação necessária na crise. É um texto para limpar a percepção. 
 Nosso grande desafio na crise é não nos perdermos no processo! Não se 
perca no meio das suas crises! Sua família precisa de você! 
 
 Vamos refletir sobre novas percepções para não nos perdermos no meio 
das nossas crises: 
 
1. É preciso aprender a ouvir o que Deus está dizendo no meio das minhas 
crises! 
 
 Jeremias teve a liberdade de conversar com Deus sobre as coisas que 
apertavam seu coração e asfixiavam sua alma. No versículo 2 ele faz uma 
referência irônica ao Salmo 1: “Tu os plantaste e eles criaram raízes”. A oração 
no meio das crises costuma ser ácida, às vezes, tóxica - mas é pura, verdadeira, 
honesta! 
 A beleza desse texto está no diálogo: Jeremias faz uma pergunta 
ingenuamente audaciosa e recebe uma resposta amistosamente evasiva - é um 
diálogo tão profundo que é capaz de redefinir a percepção! Jeremias pondera, 
protesta e pergunta. Deus responde com novas perguntas! É uma relação de 
profundidade, de uma fé que tem espaço para as dúvidas! 
 
 Deus está dizendo a Jeremias duas coisas magistrais: 
 
• Se você acha que agora está difícil, entenda, vai piorar! 
• Eu te projetei para correr com os cavalos! Eu sei do que você é capaz! 
 
 Deus estava limpando a percepção do profeta - ampliando a visão. 
 Deus pergunta a Jeremias: “Se no chão plano você não consegue ficar de 
pé, como vai fazer na floresta do Jordão?” Deus chama a atenção de Jeremias 
para a parte mais baixa e densamente arborizada do vale do Jordão. Era onde 
viviam os animais selvagens, as feras (Jr. 7.11). 
 Deus estava dizendo a Jeremias: “Levante os olhos, perceba o panorama 
maior. Você foi feito para batalhas muito mais excelentes, para alvos 
 
 
infinitamente maiores, portanto, pare de reclamar! Poupe energia! Encare seus 
medos! Você não é um derrotado, a menos que desista!” Deus está falando algo 
a você no meio das suas crises: “Levante-se e lute!” 
 
2. É preciso aprender a lições de Deus no meio das minhas crises 
 
 Deus trava uma conversa com Jeremias capaz de abalar as estruturas do 
seu raciocínio e dos seus argumentos. Jeremias tenta uma teologia, mas 
encontra uma pedagogia! 
 Deus começa ensinando o profeta a combater a doença do vitimismo. 
Eugene Peterson tem um livro sobre Jeremias cujo título é: “Corra com os 
cavalos”. O vitimismo é uma doença dos fracos de espírito. É uma enfermidade 
da alma. Quem vive atolado no lamaçal da vitimização nunca cresce. Passa o 
dia inteiro enrolado no cobertor das próprias misérias. Sufocado na própria 
murmuração. 
 
 Deus está dando duas poderosas diretrizes a Jeremias e a nós: 
 
• Não se deixe afogar nas próprias lágrimas. 
• Não morra antes de viver! 
 
 Deus dá a Jeremias uma suprema aula sobre a excelência do viver. É um 
chamado à vida! Deus ensina a Jeremias a sabedoria de não tropeçar nas coisas 
mínimas: “O que você, realmente, quer? Arrastar-se com a multidão sonolenta 
e apática ou competir com os cavalos?” 
 Deus está dizendo a você: não faça tempestades em copos d’água; não 
deixe que as palavras faladas ganhem significados que nunca tiveram. Corra 
com os cavalos! 
 
3. Valorize as suas crises, pois elas são a escola de Deus 
 
 Jeremias não estava sendo mimado, estava sendo tratado, fortalecido. 
 
 Olhando para esse texto, aprendo, pelo menos, duas poderosas lições 
para a minha ressignificação das crises: 
 
• A vida com Deus não se resume em saber o que Deus faz por mim, mas 
sim o que Deus faz em mim! 
• Uma vida excelente não é aquela onde eu sei tudo o que Deus vai fazer; 
é aquela onde eu aprendo o que eu posso fazer tendo um Deus como 
Ele! 
 
 
 
 É preciso aprender que experiências amargas podem nos levar à 
maturidade e nos preparar para os embates mais densos, as florestas e as 
corridas com os cavalos! Quando a minha fé não se incomoda, se acomoda! 
Quando a minha fé não agiliza, paraliza! 
 Quando você passar pelas crises, mude a sua percepção. Daniel Luz 
escreveu algo que procuro sempre carregar na minha lembrança: “Quando 
você passar pelo inferno, não pare para tirar fotografias”. Redefina-se no meio 
das suas crises - não se perca! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 11 
Redenção: a palavra que redefine a dor (I Co. 1.18) 
 
Introdução 
 
 Eugene Peterson, em sua versão da Bíblia, “A Mensagem”, traduziu esse 
verso de modo brilhante; “A Mensagem que aponta para Cristo na cruz parece 
tolice para os que caminham para a destruição, mas para quem está no caminho 
da salvação faz todo sentido”. 
 Tudo o que é vivo sente dor. A dor é o fato básico da existência. Não há 
vida sem dor. O mundo é um museu da lágrima, o lugar dos retorcidos. Até 
Deus sentiu dor. Christian Wiman disse algo tremendo: “Cristo é Deus 
gritando: ‘Estou aqui!’” 
 Deus, em Cristo, entrou no drama da história humana como um dos seus 
personagens, não com uma exibição de onipotência, mas de uma forma 
extremamente íntima e vulnerável. João, no seu evangelho 1.14, diz que “o 
verbo se fez carne e habitou entre nós”. A vizinhança adotada por Jesus não foi 
um lugar blindado, cheio dos mais belos jardins e da vida fácil. Foi um lugar 
sinistro com um passado sombrio e um futuro assustador. 
 O mundo de hoje está imerso em dor. São, literalmente, milhares de 
mortes, choro abundante e o sentimento horrível de ameaça por todos os lados. 
Muitos estão vivemos, hoje, dois dos piores tipos de dor: a dor de quem perde 
alguém, e a dor de se iludir fingindo que não está acontecendo, só para não 
afundar nos próprios medos! 
 Para o cristão, Deus não trata a dor somente quando a expulsa, mas 
sobretudo quando a redime - redenção é a palavra para hoje! 
 
 
 Por que redenção é uma palavra tão importante para hoje? 
 
1. Porque vai além do impacto, produz transformação 
 
 
 
 A visão cristã do sofrimento concentra-se na palavra “redenção”, e no 
“redentor”. A verdadeira fé cristã sabe que a dor será redimida! Isso não explica 
muito, mas muda tudo! 
 Quando Jesus estava com os discípulos no jardim do Getsêmane e Pedro 
cortou a orelha de um soldado na tentativa de impedir a prisão do mestre, Jesus 
disse que poderia convocar mais de doze legiões de anjos para impedir que ele 
sofresse (Mt. 26.53), mas ele não fez! O caminho da redenção passa pelo 
sofrimento, não ao redor dele! 
 Redenção é resgate, restauração. É trazer de volta, libertar de um peso, 
de uma algema, de um cárcere. A dor redimida é a dor que se transforma - de 
cadeia em escola; de mal em bem! Dor transformada não significa que a ferida 
deixou de existir; significa que ela não controla mais a sua vida! Foi 
transformada!A cura oferecida pelos gurus do sucesso fácil, produz a negação da dor, 
não a sua redenção. Geram uma fé de resultados, não de relacionamento. 
Produzem impacto, não transformação. Prometem, mas não cumprem. 
 
 Por que redenção é uma palavra tão importante para hoje? 
 
2. Porque a redenção vai além do físico, toca a alma 
 
 O mais extraordinário crime da história - a execução pública do próprio 
Filho de Deus - é o exemplo perfeito do poder ampliado da redenção. Quando 
falamos da crucificação, dizemos “sexta-feira santa”, porque a redenção gerou 
uma mudança do conceito. Ninguém se refere a ela como “sexta-feira trágica” 
ou “sexta-feira maligna”. A redenção muda o nosso jeito de ver. 
 
 Jerry Sittser, no livro A graça revelada, disse algo maravilhoso: 
 
Muitas palavras que começam com o prefixo “re” referem-se a algum 
estado original do passado. Nós re-formamos a casa, re-tornamos às aulas 
depois de um recesso escolar, re-organizamos o escritório, re-descobrimos 
algum prazer esquecido. A palavra redimir acrescenta uma nova 
dimensão simplesmente apontando para a frente, para o futuro. Um 
escravo redimido é libertado para uma nova vida; um pecador redimido 
entra num novo estado de graça. Entretanto, a redenção sempre envolve 
um custo. Para redimir um escravo, alguém precisa pagar. Para redimir 
um planeta, Alguém precisou morrer. 
 
 Dor redimida é mais profunda do que dor removida. Muitos querem a 
só a cura, não a redenção. Quando temos a redenção, temos mais do que a cura, 
temos a aula! 
 
 
 O salmo 119.71 é cirúrgico: “Foi-me bom ter sido afligido, para que 
aprendesse os teus estatutos”. Aflição, humilhação, dor ou provação são 
palavras banidas da teologia secularizada e consumista da Igreja 
contemporânea. A lição da perspectiva, “foi bom pra mim”, só é aprendida 
pelos que entendem a dor como processo e não como maldição. 
 
 Precisamos reaprender. 
 
 Por que redenção é uma palavra tão importante para hoje? 
 
3. Porque não fica só no “hoje” 
 
 O cristão acredita na redenção da história - no futuro redimido! O 
apóstolo Paulo escreveu em I Co. 15.19: “Se a nossa esperança em Cristo é 
apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. Philip 
Yancey escreveu que “se relembrarmos aquele dia no Calvário, perceberemos 
um padrão: Deus transforma uma aparente derrota numa decisiva vitória”. É 
a dinâmica de Deus! 
 A esperança na redenção completa é a nossa alegria! As dores não serão 
removidas, mas poderão ser redimidas! Santo Agostinho disse: “Provados pela 
mesma desgraça, os maus odeiam a Deus e blasfemam, enquanto os bons oram 
e louvam. A diferença não está na desgraça sofrida, mas na qualidade de quem 
sofre. Agitados, o lodo e o perfume, o primeiro cheira mal e o segundo exala 
agradável fragrância”. 
 Não devemos nos acostumar com a dor a ponto de banalizar o mal e a 
morte, mas sim, lembrar-nos sempre de que a redenção é a palavra para hoje - 
e para o nosso amanhã. A promessa de Apocalipse 21.4 ainda está em vigor: 
“Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, 
nem lamento, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram”. Redenção! A 
letra do velho hino diz: “sim, eu amo a mensagem da cruz” - que mensagem é 
essa? Redenção! 
 
 Em Lucas 23.43, estão Jesus e o ladrão, crucificados, machucados, 
atormentados pela dor mais aguda e, mesmo assim, o nível da conversa entre 
os dois é admirável: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. A redenção não 
desce da cruz, nem esvazia a dor, antes, a amplia e propõe o paraíso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 12 
Deus tem uma nova história para você! (Is. 43.19) 
 
Introdução 
 
 Agostinho, em suas Confissões, disse algo que abala as fibras da minha 
alma: 
 
Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas 
dentro de mim e eu te buscava fora de mim. Como um animal, lançava-
me sobre as coisas belas que tu criaste. Tu estavas comigo, mas eu não 
estava contigo. Mantinham-me atado, longe de ti, essas coisas que, se 
não fossem sustentadas por ti, deixariam de ser. Chamaste-me, gritavas-
me, rompeste a minha surdez. Brilhaste e resplandeceste diante de mim, 
e expulsaste dos meus olhos a cegueira. Exalaste o teu Espírito e aspirei 
o seu perfume, e desejei-te. Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti. 
Tocaste-me e abrasei-me na tua paz. 
 
 O texto que lemos é de uma beleza magistral: Isaías é o profeta perfeito 
para esse tipo de visão. Ele é o profeta marcado por uma visão extraordinária 
em seu chamado (Is. 6.1). Quem tem uma visão do que Deus faz experimenta 
transformação! 
 Vivemos numa sociedade infectada pelo mal da mesmice. Um tempo 
onde tudo é novo, mas um novo sem encanto, um novo que dura pouco, 
efêmero. Como disse um poeta, nada é mais velho que o novo! 
 Uma das marcas dessa sociedade da mesmice é o tédio: a posse sem 
desejo. Uma geração acostumada a tudo que vem fácil e que na mesma 
proporção que se realiza, se anula. Gigantes da tecnologia, mas amargando um 
nanismo espiritual. 
 O texto de Isaías aponta para a esperança: caminho no deserto e rio na 
sequidão. O texto no hebraico, um dos melhores textos do ponto de vista 
 
 
literário da crítica bíblica, diz: “Farei correr rios em terras devastadas!” Isso 
aponta para a transformação das realidades marcadas pela dor. 
 Deserto e sequidão são retratos da espiritualidade contemporânea. 
Depois do pecado o jardim foi ameaçado, ficou acinzentado, adulterado. Mas 
em João 20.15, “O Jardineiro” voltou! A esperança retornou! A nova história 
começou! 
 O profeta Isaías é atingido por uma espécie de divina perplexidade – ele 
visualiza pela fé essa coisa nova que Deus está fazendo – e fica perplexo pelo 
povo ainda não vê! Abra os olhos espirituais e veja a coisa nova que Deus está 
fazendo! 
 
 Quem são as pessoas para as quais Deus tem uma nova história? 
 
1. Deus tem uma nova história para pessoas marcadas pela vida 
 
 O mundo é feito de gente marcada. Marcas são nossas companheiras de 
caminhada, tanto no deserto quanto nas terras devastadas! 
 Uma rápida olhada para a Bíblia e veremos uma gente que não tem nada 
de perfeição: Jacó era trapaceiro, Noé se embriagou, Abraão era de família 
idólatra, os filhos de Jó viviam em festas e nunca chamavam o pai, os filhos de 
Samuel não andavam nos caminhos de Deus, Moisés gaguejava, Gideão estava 
inseguro, Davi foi sanguinário, Jonas fugiu de Deus, Elias caiu em depressão, 
Pedro era genioso, Tomé era incrédulo, Marta era preocupada demais com a 
correria da vida, Zaqueu era pequeno na estatura e no caráter, Paulo era uma 
fera assassina e Lázaro estava morto – Deus não chama os qualificados, Ele 
qualifica os chamados! 
 Seja qual for a marca que a vida deixou em você, Deus tem uma nova 
história!!! 
 
2. Deus tem uma nova história para pessoas encarceradas pela culpa 
 
 Não há nada pior do que ser condenado pelo próprio coração. Só Deus 
é maior do que isso. I Jo. 3.20: “Maior é Deus do que o nosso coração!” A culpa 
engessa a alma. Ela é a arma do chantagista. Ela paralisa os sonhos. Mantém o 
indivíduo sob suspeita. É a síndrome de réu: Quando é que isso vai vir à tona? 
 Corações atormentados pela culpa não conseguem ter alegria em nada e 
em época alguma (solitários no Carnaval e melancólicos no Natal). Davi 
experimentou essa dor: No Salmo 31.9-12 ele descreve como se sentiu: 
 
Tem compaixão de mim, ó Senhor, porque estou angustiado; 
consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu 
corpo. Pois a minha vida está gasta de tristeza, e os meus anos de 
suspiros; a minha força desfalece por causa da minha iniqüidade, e os 
 
 
meus ossos se consomem. Por causa de todos os meus adversários 
tornei-me em opróbrio, sim, sobremodo o sou para os meus vizinhos, e 
horror para os meus conhecidos; os que me vêem na rua fogem de mim. 
Souesquecido como um morto de quem não há memória; sou como um 
vaso quebrado. 
 
 Deus tem uma nova história para você hoje! Lave suas culpas no sangue 
do Cordeiro. 
 
3. Deus tem uma nova história para os que desistiram de sonhar 
 
 Shakespeare dizia que somos feitos da mesma substância que os sonhos. 
Henrique Rojas disse que o homem é sobretudo futuro. Eclesiastes 3.11 diz que 
Deus colocou a eternidade no coração do homem – sonhos! 
 Muitos são os que desistiram de sonhar! Esqueceram-se das promessas. 
Insistem em ver a vida apenas pela lente embaçada do medo, pelo retrovisor 
das angústias, pela lágrima da depressão ou pelo sufocamento da vida (Jo. 5: 
“38 anos”). Em Lc. 24.13-35 há uma nova história restaurando sonhos mortos! 
Emaús é a estrada dos novos sonhos! Deus tem uma nova história para você! 
 
 Deus é especialista em recomeços, em novas histórias. Precisamos 
redescobrir a fé nesse Deus que ajuda a ser, não apenas que me dá. Nossa 
experiência espiritual se fortalece e se amplia sempre que entramos na escola 
da graça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia 
 
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BRIZOTTI, Alan. Quando a vida dói: reflexões bíblicas para tratar as dores da alma. 
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KIVITZ, Ed René. O livro mais mal-humorado da Bíblia: a acidez da vida e a sabedoria 
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LOURENÇO, Frederico. Bíblia, volume 1: Novo Testamento: os quatro Evangelhos. 
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LUZ, Daniel C. Recarregando a bateria humana. São Paulo: DVS Editora, 2015 
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MANNING, Brennan O evangelho maltrapilho. São Paulo: Mundo 
Cristão/Textus, 2005 
MAZZAROLO, Isidoro. Jó: amor e ódio vêm do mesmo Deus? Rio de Janeiro: 
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PETERSON, Eugene. A Mensagem: Bíblia em linguagem contemporânea. São 
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___________________. Ânimo: o antídoto contra o tédio e a mediocridade. São Paulo, 
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SCHÖKEL, L. A.; DIAZ, J. L. S. Profetas I. São Paulo: Paulus, 1988. 
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____________________ & BRAND, Paul. A dádiva da dor. São Paulo: Mundo 
Cristão, 2005. 
____________________. Decepcionado com Deus: três perguntas que ninguém ousa 
fazer. São Paulo: Mundo Cristão, 2004 
 
Alan Brizotti: Nascido em São Paulo, graduado em Teologia (FATEH), 
psicanalista pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica (IBPC). Formado em 
Teologia e Axiologia (ESAB, Escola Superior Aberta do Brasil), Filosofia e 
Políticas Educacionais (ESAB), Intervenções Psicológicas na Ótica da 
Psicanálise (ESAB), Docência da Educação à Distância (ESAB), Leaders of 
Learning (Harvard University). É escritor com 22 livros publicados, dentre eles: 
Árvores: por uma liderança que influencie gerações (livro que, em 2018, foi escolhido 
pela Coopercentral-Aurora Alimentos, como presente aos líderes da empresa); 
O líder (in)dispensável: por uma liderança relevante e inspiradora; (4ª edição); 
Quando a vida dói: reflexões bíblicas para tratar as dores da alma (7ª edição). Também 
é palestrante e conferencista em todo o território nacional e em mais de 12 
países, dentre eles, França, Inglaterra, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica 
e Holanda. Seu trabalho como mentor é reconhecido e respeitado por milhares 
de alunos no Brasil e exterior. É casado com Mari Brizotti e pai de Eduardo 
Brizotti.

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