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EPIDEMIOLOGIA, HIGIENE E SANEAMENTO SUMÁRIO 1. EPIDEMIOLOGIA, HIGIENE E SANEAMENTO......................................3 2. EPIDEMIOLOGIA.....................................................................................4 3. HISTÓRIA DA EPIDEMIOLOGIA.............................................................5 4. DEFINIÇÕES E CONCEITOS IMPORTANTES EM EPIDEMIOLOGIA...9 5. ÁREA DE ATUAÇÃO DA EPIDEMIOLOGIA.........................................25 6. DEFINIÇÃO DE SAÚDE.........................................................................26 7. EPIDEMIOLOGIA E SAÚDE PÚBLICA.................................................27 8. EPIDEMIOLOGIA BÁSICA....................................................................28 9. HIGIENE E SANEAMENTO...................................................................32 10. PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS PELA FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO..................................................................................43 11. REFERÊNCIA........................................................................................47 3 1. EPIDEMIOLOGIA, HIGIENE E SANEAMENTO Nesta apostila iremos abordar os seguintes temas: EPIDEMIOLOGIA, HIGIENE E SANEAMENTO, assuntos importantes para a nossa formação e crescimento profissional. O objetivo desta matéria é informar, explicar, apresentar e discutir assuntos relacionados a Epidemiologia, Higiene e Saneamento. (Fonte: https://escritospsicanaliticos.wordpress.com/2016/01/31/epidemiologia-basica-e-saude-publica/) 4 2. EPIDEMIOLOGIA O objetivo principal da epidemiologia é melhorar a saúde das populações. Nesta apostila vamos estudar um pouco dos princípios básicos e métodos epidemiológicos. (Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/3134076/) A epidemiologia é uma ciência fundamental para a saúde pública. A epidemiologia tem dado grande contribuição à melhoria da saúde das populações. A epidemiologia é essencial no processo de identificação e mapeamento de doenças emergentes. Na maioria das vezes, ocorrem grandes atrasos entre as descobertas epidemiológicas e a sua aplicação na população. 5 3. HISTÓRIA DA EPIDEMIOLOGIA A epidemiologia originou-se das observações de Hipócrates feitas há mais de 2000 anos de que fatores ambientais influenciam a ocorrência de doenças. Entretanto, foi somente no século XIX que a distribuição das doenças em grupos humanos específicos passou a ser medida em larga escala. Isso determinou não somente o início formal da epidemiologia como também as suas mais espetaculares descobertas. Hipócrates (460 a.C - 377 a.C), considerado o pai da medicina científica, foi o primeiro a sugerir que as causas das doenças não eram intrínsecas à pessoa nem aos desígnios divinos, mas que estava relacionada a características ambientais. Embora as causas relatadas por Hipócrates tenham sido superadas, reconhecemos que ele lançou as bases para a procura da causalidade das doenças e agravos à saúde, norte principal da epidemiologia até hoje. Hipócrates, em Tratado dos ares, das águas e dos lugares (século V a.C.), coloca os termos epidêmico e endêmico, derivados de epidemion (verbo que significa visitar: enfermidades que visitam) e endemion (residir enfermidades que permanecem na comunidade). Ele sugere que condições tais como o clima de uma região, a água ou sua situação num lugar em que os ventos sejam favoráveis são elementos que podem ajudar o médico a avaliar a saúde geral de seus habitantes. Em outra obra, Tratado do prognóstico e aforismos, trouxe a ideia, então revolucionária, de que o médico poderia predizer a evolução de uma doença mediante a observação de um número suficiente de casos. Essa também é, até hoje, uma das principais características da epidemiologia e da demografia. 6 Hipócrates considerava que para se fazer uma correta investigação das doenças, era necessário o conhecimento das peculiaridades de cada lugar, e a observação da regularidade das doenças num contexto populacional. O inglês John Graunt, em 1662, publicou em Londres, um trabalho sobre as observações acerca das estatísticas de mortalidade no qual analisou nascimentos e óbitos semanais, quantificou o padrão de doença na população londrina e apontou características importantes nesses eventos, tais como: diferenças entre os sexos, diferenças na distribuição urbano-rural; elevada mortalidade infantil; variações sazonais (ROTHMAN, 1996). Graunt também é considerado um dos precursores da epidemiologia e da demografia como disciplinas, já que criou as bases para a observação da distribuição de freqüência de dados populacionais de mortalidade coletados rotineiramente. Outro inglês, John Snow, é pioneiro na procura sistemática dos determinantes das epidemias. Seu ensaio sobre a maneira de transmissão da cólera, publicado em 1855, apresenta memorável estudo a respeito de duas epidemias de cólera ocorridas em Londres em 1849 e 1854 (WINKELSTEIN, 1995). Suas anotações sistemáticas sobre os casos levaram a desenvolver a ideia de que a epidemia da cólera era ocasionada por parasitas invisíveis e não por miasmas. Elaborou hipóteses sobre a qualidade da água como meio principal de contágio. Daquela época até o início do século XX, a epidemiologia foi ampliando seu campo, e suas preocupações concentraram-se sobre os modos de transmissão das doenças e o combate às epidemias. Os achados de John Snow , de que o risco de contrair cólera em Londres estava relacionado ao consumo de água proveniente de uma determinada companhia, proporcionaram uma das mais espetaculares conquistas da epidemiologia. Os 7 estudos epidemiológicos de Snow foram apenas um dos aspectos de uma série abrangente de investigações que incluiu o exame de processos físicos, químicos, biológicos, sociológicos e políticos. A partir das primeiras décadas do século XX, com a melhoria do nível de vida nos países desenvolvidos e com o consequente declínio na incidência das doenças infecciosas, outras enfermidades de caráter não-transmissível (doenças cardiovasculares, câncer e outras) passaram a ser incluídas entre os objetos de estudos epidemiológicos, além do que, pesquisas mais recentes, sobretudo as que utilizam o método de estratificação social, enriqueceram esse campo da ciência, ensejando novos debates. No entanto, é a partir do final da Segunda Guerra Mundial que assistimos ao intenso desenvolvimento da metodologia epidemiológica, com a ampla incorporação da estatística, propiciada em boa parte pelo aparecimento dos computadores. A aplicação da epidemiologia passa a cobrir um largo espectro de agravos à saúde. Os estudos de Doll e Hill (1954), estabelecendo associação entre o tabagismo e o câncer de pulmão, e os estudos de doenças cardiovasculares desenvolvidas na população da cidade de Framingham, Estados Unidos, são dois exemplos da aplicação do método epidemiológico em doenças crônicas. A abordagem epidemiológica que compara os coeficientes (ou taxas) de doenças em subgrupos populacionais tornou-se uma prática comum no final do século XIX e início do século XX. A sua aplicação foi inicialmente feita visando o controle de doenças transmissíveis e, posteriormente, no estudo das relações entre condições ou agentes ambientais e doenças específicas. Na segunda metade do século XX, esses métodos foram aplicados para doenças 8 crônicas não transmissíveis tais como doença cardíaca e câncer, sobretudo nos países industrializados. Primeiras observações epidemiológicas John Snow identifcou o local de moradia de cada pessoa que morreu por cólera em Londres entre 1848-49 e 1853-54 e notou uma evidente associação entre a origem da água utilizadapara beber e as mortes ocorridas. A partir disso, Snow comparou o número de óbitos por cólera em áreas abastecidas por diferentes companhias e verificou que a taxa de mortes foi mais alta entre as pessoas que consumiam água fornecida pela companhia Southwark. Baseado nessa sua investigação, Snow construiu a teoria sobre a transmissão das doenças infecciosas em geral e sugeriu que a cólera era disseminada através da água contaminada. Dessa forma, foi capaz de propor melhorias no suprimento de água, mesmo antes da descoberta do micro- organismo causador da cólera; além disso, sua pesquisa teve impacto direto sobre as políticas públicas de saúde. O trabalho de Snow relembra que medidas de saúde pública, tais como melhorias no abastecimento de água e saneamento, têm trazido enormes contribuições para a saúde das populações. Ficou ainda demonstrado que, desde 1850, estudos epidemiológicos têm identificado medidas apropriadas a serem adotadas em saúde pública. Entretanto, epidemias de cólera são ainda frequentes nas populações pobres, especialmente em países em desenvolvimento. Em 2006, houve em Angola 40 mil casos de cólera com 1.600 óbitos, enquanto no Sudão foram 13.852 casos e 516 mortes, somente nos primeiros meses do mesmo ano. (Fonte: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3497840/mod_resource/content/3/BONITA%20et%20al%20- %20cap%C3%ADtulo%201.pdf) 9 4. DEFINIÇÕES E CONCEITOS IMPORTANTES EM EPIDEMIOLOGIA A epidemiologia foi definida por Last como ―o estudo da distribuição e dos determinantes de estados ou eventos relacionados à saúde em populações específicas, e sua aplicação na prevenção e controle dos problemas de saúde‖. Essa definição deixa claro que os epidemiologistas estão preocupados não somente com a incapacidade, doença ou morte, mas, também, com a melhoria dos indicadores de saúde e com maneiras de promover saúde. O termo ―doença‖ compreende todas as mudanças desfavoráveis em saúde, incluindo acidentes e doenças mentais. (Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/291029/) 10 A Epidemiologia estuda o processo saúde-doença em populações humanas, com o objetivo de prevenção e controle. Cabe à Epidemiologia encontrar respostas para as seguintes questões: 1) Como a doença se distribui segundo as características das pessoas, dos lugares que elas habitam e da época considerada? 2) Que fatores determinam a ocorrência da doença e sua distribuição na população? 3) Que medidas devem ser tomadas a fim de prevenir e controlar a doença? Como devem ser conduzidas? 4) Qual o impacto das ações de prevenção e controle sobre a distribuição da doença? A Associação Internacional de Epidemiologia (IEA), em seu Guia de Métodos de Ensino (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD, 1973), define epidemiologia como: o estudo dos fatores que determinam a frequência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas. Enquanto a clínica dedica-se ao estudo da doença no indivíduo, analisando caso a caso, a epidemiologia debruça-se sobre os problemas de saúde em grupos de pessoas, às vezes grupos pequenos, na maioria das vezes envolvendo populações numerosas. 11 (Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/279004/) Sendo assim, a epidemiologia tem muito em comum com a demografia: ambas estudam populações. De acordo com a IEA, são três os principais objetivos da epidemiologia: I. Descrever a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde das populações humanas. II. Proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação das ações de prevenção, controle e tratamento das doenças, bem como para estabelecer prioridades. III. Identificar fatores etiológicos na gênese das enfermidades. O conceito de epidemiologia depende, em grande medida, do contexto histórico, dos conhecimentos acumulados na área de saúde, da etapa da 12 transição epidemiológica e demográfica, bem como da interpretação que se tenha em determinada época e contexto sobre a saúde (BEAGLEHOLE; BONITA; KJELLSTRÖM, 1994). (Fonte: https://pt.slideshare.net/elisreis0601/epidemiologia-conceitos-basicos) Epidemiologia ―é a ciência que estuda a distribuição e os determinantes dos problemas de saúde (fenômenos e processos associados) em populações humanas‖, segundo definem Almeida e Rouquayrol. É a ciência básica para a saúde coletiva, principal ciência de informação de saúde. Estuda a saúde, mas na prática principalmente pela ausência de saúde sob as formas de doenças e agravos, estes últimos definidos pelo diagnóstico clínico. Seu objeto são as relações de ocorrência de saúde-doença em massa (em sociedades, coletividades, comunidades, classes sociais, grupos específicos, etc.). As relações são referidas e analisadas mediante o conceito de risco. 13 A Epidemiologia Descritiva estuda o comportamento das doenças em uma comunidade, isto é, em que situações elas ocorrem na coletividade, segundo características ligadas à pessoa (quem), ao lugar ou espaço físico (onde) e ao tempo (quando) fornecendo elementos importantes para se decidir que medidas de prevenção e controle estão mais indicadas para o problema em questão e também avaliar se as estratégias adotadas causaram impacto, diminuindo e controlando a ocorrência da doença em estudo. Quanto aos Modelos Explicativos em Epidemiologia que são as formas de explicar a saúde e o adoecimento humano, desenvolvemos a seguir os mais usados na epidemiologia. Este resumo foi baseado no livro Introdução à Epidemiologia de Naomar de Almeida Filho e Maria Zélia Rouquayrol – 2002. Citamos, também a seguir, algumas definições fundamentais que têm cada qual seu entendimento particular e mais ou menos importância a depender do modelo. Modelo Biomédico – onde temos mais claramente a saúde como ocorrência de doença e esta como desajuste ou falha orgânica ocasionada na reação a um estímulo a cuja ação o organismo está exposto. Quanto à etiopatogenia, as doenças podem ser: infecciosas ou não infecciosas e conforme sua duração, agudas ou crônicas. Modelo Processual – trabalha com o conceito de processo saúde- doença ou história natural da doença. Segundo Levell e Clark - 76, ―denomina- se de história natural da doença ao conjunto de processos interativos que cria o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até às alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte‖. Este objetiva dar sentido a diferentes 14 métodos de prevenção e controle dos problemas de saúde. Abrange a ocorrência das doenças em 2 domínios: o meio externo onde atuam determinantes e agentes e o meio interno onde se desenvolve a doença. No externo atuariam os fatores exteriores de natureza física, biológica, política e sócio-cultural. No Interno se processariam as mudanças bioquímicas, fisiológicas e histológicas e atuariam os fatores hereditários, congênitos, as alterações orgânicas consequentes de enfermidades anteriores e outros. Teríamos: o período patogênico (= doença propriamente dita) e o pré- patogênico. Na pré-patogênese são importantes as definições dos fatores denominados de Agentes e Determinantes. O modelo fala em configurações com Probabilidades de Risco: mínimo, intermediário e máximo. Modelo Sistêmico – Segundo Roberts, 1978 sistema é ―um conjunto de elementos de tal forma relacionados que uma mudança de qualquer elemento provoca mudança no estado dos demais elementos‖ e quando envolve seres vivos, costuma ser designado de ecossistema. Este conceito tem sido útil como forma de entender e analisar o processo saúde-doença. Segundo Naomar de Almeida Filho e Maria Zélia Rouquayrol - 2002, ―a estrutura geral de um dado problema de saúde constitui, funcionalmente um sistema epidemiológico em equilíbrio dinâmico. Cada vez que um de seus componentes sofre alguma alteração,esta repercute e atinge as demais partes, num processo em que o sistema busca novo equilíbrio‖. Sistema Epidemiológico - também segundo Naomar e Rouquayrol, é ―o conjunto formado por agente, suscetível e pelo meio ambiente, dotado de uma organização interna que regula as interações determinantes da produção de doença, juntamente com os fatores vinculados a cada um 15 dos elementos do sistema‖. Os componentes deste sistema a serem considerados podem pertencer ao ambiente, ao agente patogênico ou ao suscetível. Sistema epidemiológico-social - San Martin chama de ―aquele formado pelo ambiente, população, economia e cultura‖. Para ele a qualidade e dinâmica deste conjunto, incluindo o modo e as relações de produção, o tipo de desenvolvimento econômico, velocidade de industrialização, as desigualdades socioeconômicas, a concentração de poder, a participação comunitária, a responsabilidade individual e coletiva são essenciais na determinação do processo saúde-doença. Partindo das definições, podemos nos preparar para o estudo do processo saúde-doença e da intervenção sanitária no mesmo iniciando pelo entendimento dos conceitos fundamentais seguintes: AGENTES – A definição varia segundo o modelo de entendimento da epidemiologia adotado – veja Epidemiologia Descritiva: No modelo biomédico, Agentes Etiológicos ou Fatores Etiológicos são ―Os que agem na origem das doenças‖. Os agentes são os causadores das doenças (ou patógenos). No modelo processual, Agentes são ―fatores que perturbam o ser diretamente em suas funções vitais produzindo a doença‖. No modelo sistêmico o conceito extrapola o de agente ou fator etiológico clássico, onde um agente pode ser não só um micro organismo, mas um poluente químico, um gene, e outros que possam levar a agravo à saúde. 16 Nos dois últimos modelos, quando nos referimos a Agentes ou Fatores estamos falando em fatores ou agentes físicos (temperatura, radiação, etc), químicos (mercúrio), biológicos ou biopatogênicos (ancilostomídeos, nematódeos, bactérias, vírus, etc.), nutricionais (excesso de gorduras, ausência de proteínas), genéticos, etc. Os atributos dos Agentes Etiológicos ou Biopatógenos, segundo sua relação com o hospedeiro, são fundamentais para o entendimento das doenças infecciosas: Infectividade é a capacidade de certos organismos (agentes) de penetrar, se desenvolver e/ou se multiplicar em um outro (hospedeiro) ocasionando uma infecção. Exemplo: alta infectividade do vírus da gripe e a baixa infectividade dos fungos. Patogenicidade é a capacidade do agente, uma vez instalado, de produzir sintomas e sinais (doença). Ex: é alta no vírus do sarampo, onde a maioria dos infectados tem sintomas e a patogenicidade é reduzida do vírus da pólio onde poucos ficam doentes. Virulência é a capacidade do agente de produzir efeitos graves ou fatais, relaciona-se à capacidade de produzir toxinas, de se multiplicar etc. Ex: baixa virulência do vírus da gripe e do sarampo em relação à alta virulência dos vírus da raiva e do HIV. Imunogenicidade é a capacidade do agente de, após a infecção, induzir a imunidade no hospedeiro. Ex: alta nos vírus da rubéola, do sarampo, da caxumba que imunizam em geral por toda a vida, em relação à baixa imunogenicidade do vírus da gripe, da dengue, das shiguelas e das salmonelas que só conferem imunidade relativa e temporária. 17 AGRAVO À SAÚDE – mal ou prejuízo à saúde de um ou mais indivíduos, de uma coletividade ou população. BOAS PRÁTICAS – conjunto de procedimentos necessários para garantir a qualidade sanitária dos produtos em um processo de trabalho (produção ou serviço). CASO: é uma pessoa ou animal infectado ou doente que apresenta características clínicas, laboratoriais e epidemiológicas específicas de uma doença ou agravo. CASO SUSPEITO: é a pessoa cuja história clínica, sintomas e possível exposição a uma fonte de infecção sugerem que o mesmo possa estar ou vir a desenvolver alguma doença infecciosa. O caso suspeito varia de acordo com cada doença ou agravo. COEFICIENTE - é a relação entre o número de casos de um evento e uma determinada população, num dado local e época. COMUNICANTE: são todos aqueles (pessoa ou animal) que estiveram em contato com um reservatório (pessoa - caso clínico ou doente e portadores ou animal infectado) ou com ambiente contaminado, de forma a ter oportunidade de adquirir o agente etiológico de uma doença. CONTAMINAÇÃO é a presença do agente (infeccioso no modelo biomédico) ou fator de risco (ver ―FATOR‖, ―FATOR DE RISCO‖ e texto de ―Risco em Saúde‖). CONTROLE quando relacionado a doenças significa operações ou programas desenvolvidos para eliminá-las ou para reduzir sua incidência ou prevalência; 18 ou ainda atividades destinadas a reduzir um agravo até alcançar um determinado nível que não constitua mais problema de saúde pública. DADO: é uma descrição limitada da realidade (Moraes 1994), não chega a ser uma informação. DANO (Aurélio) pode ser definido como: 1- Mal ou ofensa pessoal, prejuízo moral. 2- Prejuízo material causado a alguém ou a alguma instituição pela deterioração ou inutilização de seus bens. 3- Estrago, deterioração, danificação. – ver texto de ―Risco à Saúde‖ Para nossa padronização de linguagem, consideraremos principalmente o termos ―dano à saúde‖ que será correspondente ao termo ―agravo à saúde‖ – ver texto de ―Risco à Saúde‖. DETERMINANTES - No modelo processual (ver Epidemiologia), são ―fatores contribuintes ou determinantes parciais, que em sua articulação e provável sinergia propiciam a atuação do estímulo patológico‖. Temos os determinantes econômicos (miséria, privações), determinantes culturais (defecar próximo a mananciais sem tratamento como fator de esquistossomose ou hábitos alimentares perigosos), determinantes ecológicos (desequilíbrios produzidos – poluição atmosférica- ou não pelo homem) ou determinantes psicossociais (stress como imunodepressor; agressividade e desemprego como fatores importantes nos homicídios) e biológicos. DOENÇA ou ENFERMIDADE: Falta ou perturbação da Saúde, moléstia, mal, enfermidade. Quanto às Formas das doenças: 19 Forma Manifesta é aquela que apresenta sinais e/ou sintomas clássicos de determinada doença. Forma Inaparente ou Sub-Clínica é aquela em que o indivíduo que não apresenta nenhum sinal ou sintoma (ou que apresenta muito poucos), apesar de estar com a doença presente.(revelada às vezes somente através de exames laboratoriais). Forma Abortiva ou Frustra é aquela que desaparece rapidamente após poucos sinais ou sintomas. Forma Fulminante é aquela que leva rapidamente a óbito. Quanto ao processo de adoecimento e seus Períodos: Período de Incubação é o intervalo de tempo que decorre desde a penetração do agente etiológico no hospedeiro (indivíduo já está infectado), até o aparecimento dos sinais e sintomas da doença, variando de acordo com a doença considerada. Período de Transmissibilidade é aquele em que o indivíduo é capaz de transmitir a doença quer esteja ou não com sintomas Quanto às causalidades do processo de adoecimento: Multicausalidade é o processo pelo qual as inúmeras presenças (Fatores, Agentes ou Determinantes), tendo acesso ao homem, interagem e podem provocar determinados agravos. Para que uma doença ou agravo tenha início, nenhum fator será por si só capaz de desencadear o processo patológico, esta multiplicidade é a multicausalidade. 20 Relação Causal: diz-se de numa associação estatística significativa, quando uma ocorrência pode ser atribuída a determinado fator ou fatores. Ex: associação hábito de fumar e câncer do pulmão. Relação não Causal: diz-se quando uma ocorrência não pode ser atribuída a determinado fator ou fatores apesar de ter numa associação estatísticasignificativa. Ex: associação entre manchas escuras nos dedos (e ou dentes) e câncer de pulmão. ENDEMIA - É a ocorrência de determinada doença que acomete sistematicamente populações em espaços característicos e determinados, no decorrer de um longo período, (temporalmente ilimitada), e que mantém uma de incidência relativamente constante, permitindo variações cíclicas e sazonais. EPIDEMIA – É a ocorrência em uma comunidade ou região de casos de natureza semelhante, claramente excessiva em relação ao esperado. O conceito operativo usado na epidemiologia é: uma alteração, espacial e cronologicamente delimitada, do estado de saúde-doença de uma população, caracterizada por uma elevação inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de determinada doença, ultrapassando valores do limiar epidêmico preestabelecido para aquela circunstância e doença. Devemos tomar cuidado com o uso do conceito de epidemia lato-sensu que seria a ocorrência de doença em grande número de pessoas ao mesmo tempo. EQUIDADE é a distribuição proporcional de determinado atributo ou direito populacional junto com eficiência, liberdade de escolha e maximização da saúde. Como no exemplo na prestação de serviços de saúde a equidade horizontal seria o tratamento igual de indivíduos que se encontram em situação 21 de saúde igual e a equidade vertical seria o tratamento apropriadamente desigual em situações de saúde distintas de forma a priorizar os maiores problemas e obter uma saúde igualitária. HOSPEDEIRO: Ser vivo que oferece, em condições naturais, subsistência ou alojamento a um agente infeccioso (OPAS 92). Pode ser humano ou outro animal (inclusive aves e artrópodes) Hospedeiro primário ou definitivo é onde o agente atinge a maturidade ou passa sua fase sexuada; hospedeiro intermediário ou secundário é aquele onde o parasita se encontra em forma assexuada ou larvária. No modelo sistêmico o Homem pode ser hospedeiro intermediário ou definitivo. SURTO é a ocorrência de dois ou mais casos epidemiologicamente relacionados – Alguns autores denominam surto epidêmico, ou surto, a ocorrência de uma doença ou fenômeno restrita a um espaço extremamente delimitado: colégio, quartel, creches, grupos reunidos em uma festa, um quarteirão, uma favela, um bairro etc. TENDÊNCIA SECULAR são as variações observadas em longo período de tempo, geralmente 10 anos ou mais. VARIAÇÃO CÍCLICA – são variações no comportamento (incidência e prevalência, mortalidade, letalidade, etc) das doenças em ciclos periódicos e regulares (que se repetem em períodos anuais, mensais, semanais ou até em certas horas do dia). VARIÁVEL – Que pode apresentar diversos valores distintos, que pode ter ou assumir diferentes valores, diferentes aspectos segundo os casos particulares ou as circunstâncias – ―Aurélio‖. 22 VETORES são seres vivos que veiculam o agente desde o reservatório até o hospedeiro potencial. Vetores mecânicos são os transportadores de agentes, geralmente insetos, que os carreiam nas patas, probóscides, asas ou trato gastro-intestinal contaminados e onde não há multiplicação ou modificação do agente. Vetores biológicos são aqueles em que os agentes desenvolvem algum ciclo vital antes de serem disseminados ou inoculados no hospedeiro. VEÍCULOS são fontes secundárias, intermediárias entre o reservatório e o hospedeiro como objetos e materiais (alimentos, água, roupas, instrumentos cirúrgicos, etc.). SAZONALIDADE - É a propriedade de um fenômeno considerado periódico (cíclico) de repetir-se sempre na mesma estação (sazão) do ano. As doenças são sujeitas à variação sazonal com aumentos periódicos em determinadas épocas do ano, geralmente relacionados ao seu modo de transmissão. Por extensão do significado, o termo abrange em alguns textos também as variações cíclicas. RESERVATÓRIO de agentes infecciosos (reservatório de bioagentes) é o ser humano ou animal, artrópode, planta, solo ou matéria inanimada em que um agente normalmente vive, se multiplica ou sobrevive e do qual tem o poder de ser transmitido a um hospedeiro susceptível. Classificam-se as doenças segundo seu reservatório como: Antroponoses são as doenças onde o homem é o único reservatório, único hospedeiro e único susceptível (gripes, DST, febre tifóide). 23 Zoonoses são infecções comuns aos homens e outros animais. Anfixenoses onde homens e animais são reservatórios (leiximaniose). Fitenoses - as plantas são os reservatórios e o homem susceptível (blastomicose). Obs:Os reservatórios humanos incluem os portadores e os doentes (casos clínicos). PERIGO - de acordo com o ―Aurélio‖, pode ser definido como: 1- Circunstância que prenuncia um mal para alguém ou para alguma coisa; 2- Aquilo que provoca tal circunstância; 3- Estado ou situação que inspira cuidado; 4- Situação de fato da qual decorre o temor de uma lesão física ou moral a uma pessoa ou de uma ofensa aos direitos dela. Não encontramos o termo nos textos de epidemiologia - veja discussão e uso em vigilância no texto de ―Risco à Saúde‖. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - Método de planejamento muito usado na Saúde Pública. POLUIÇÃO é a presença de substâncias nocivas à saúde, não necessariamente infecciosas, no ambiente. PONTO CRÍTICO DE CONTROLE é a etapa do processo de produção onde existe o risco de dano ao produto (ou ao trabalhador) e onde é possível aplicar medidas de controle para evitá-lo, preveni-lo ou reduzi-lo. (termo mais usado na vigilância de produtos – alimentos, método HACCAP). PORTADORES são os que têm o agente infeccioso, podem transmiti-lo, mas no momento não apresentam sintomas. Portadores ativos ou já tiveram sintomas ou virão a tê-los. 24 Portadores passivos são os que nunca apresentaram ou apresentarão sintomas; estes são os mais importantes epidemiologicamente por difundirem o agente etiológico contínua ou intermitentemente apesar de passarem desapercebidos. OCORRÊNCIA - acontecimento, sucesso, circunstância (dicionário ―Aurélio‖). PANDEMIA - caracterizada por uma epidemia com larga distribuição geográfica, atingindo mais de um país ou de um continente. Um exemplo típico deste evento é a epidemia de AIDS que atinge todos os continentes. PATÓGENO - são os agentes causadores das doenças – ver Modelo Biomédico em ―Agente‖ e em ―Epidemiologia‖. 25 5. ÁREA DE ATUAÇÃO DA EPIDEMIOLOGIA O alvo de um estudo epidemiológico é sempre uma população humana, que pode ser definida em termos geográficos ou outro qualquer. Por exemplo, um grupo específico de pacientes hospitalizados ou trabalhadores de uma indústria pode constituir uma unidade de estudo. Em geral, a população utilizada em um estudo epidemiológico é aquela localizada em uma determinada área ou país em um certo momento do tempo. Isso forma a base para definir subgrupos de acordo com o sexo, grupo etário, etnia e outros aspectos. Considerando que as estruturas populacionais variam conforme a área geográfica e o tempo, isso deve ser levado em conta nas análises epidemiológicas. (Fonte: https://pt.slideshare.net/MuriloCarvalho/aula-1-de-epidemiologia) 26 6. DEFINIÇÃO DE SAÚDE Em qualquer das definições de epidemiologia adotada, é fundamental o entendimento do que é saúde, já que é a partir dessa definição individual que construiremos o conceito coletivo. Conceituar saúde não é tarefa simples. Como a epidemiologia, esse conceito está determinado pelo contexto histórico. Os parâmetros (referências) utilizados para sua definição nortearam a criação dos indicadores epidemiológicos. Repare que o mais comum é definir a saúde como a ausência de doença. Dessa maneira, o estudo da saúde da população somente precisaria de dados sobre mortalidade e morbidade segundo causas. Entretanto, sabemos que na prática encontramos, muitas vezes,indivíduos nos quais não se diagnostica doença, mas apresentam características que poderíamos considerar não saudáveis, tais como inadaptabilidade à comunidade ou freqüente tristeza, o que torna difícil identificá-los como saudáveis. Além disso, a percepção da saúde varia muito entre culturas, entre grupos sociais, entre gerações. Considerando as situações expostas e com a finalidade de adotar um conceito positivo da saúde, em 7 de abril de 1947 entrou em vigor, na Organização Mundial da Saúde (OMS), o conceito de saúde como: “o estado de mais completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidade”. Apesar desse conceito ser de maior dificuldade operacional por requerer um completo bem-estar, é um horizonte a ser perseguido e norteador da atual epidemiologia, especificamente da epidemiologia do envelhecimento. Marcando esta data, comemoramos, anualmente, o Dia Mundial da Saúde em 7 de abril. 27 7. EPIDEMIOLOGIA E SAÚDE PÚBLICA Em termos gerais, saúde pública refere-se a ações coletivas visando melhorar a saúde das populações. A epidemiologia, uma das ferramentas para melhorar a saúde pública, é utilizada de várias formas . (Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/2766494/) Os primeiros estudos epidemiológicos tinham por objetivos investigar a causa (etiologia) das doenças transmissíveis. Tais estudos continuam sendo essenciais porque possibilitam a identificação de métodos preventivos. Nesse sentido, a epidemiologia é uma ciência médica básica que tem por objetivo melhorar a saúde das populações, especialmente dos menos favorecidos. 28 8. EPIDEMIOLOGIA BÁSICA Para nós é muito importante conhecermos um pouco mais sobre a Epidemiologia, desta forma, um livro muito interessante a ser estudado é EPIDEMIOLOGIA BÁSICA, de Beaglehole R, Bonita R, Kjellström T., um livro de cabeceira para quem tem interesse em aprofundar-se mais no assunto, desta forma vamos disponibilizar um breve resumo desta obra: EPIDEMIOLOGÍA BÁSICA. Beaglehole R, Bonita R, Kjellström T. Washington DC: Organización Panamericana de la Salud; 2003. (Publicación Científica 551). ISBN: 92-75-31551-5 O texto originou-se da necessidade percebida em muitos países de um texto básico sobre epidemiologia publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Um grande número de epidemiologistas de todo o mundo colaborou na preparação do livro, que foi testado em dez países diferentes antes da publicação da primeira edição em inglês, em 1993. O livro foi preparado claramente com a ideia de oferecer um texto de apoio para um primeiro curso em epidemiologia. No contexto brasileiro, é um livro para uso na graduação de cursos da área de saúde. Com menos de duzentas páginas, não tem a pretensão de ser exaustivo do tema, mas sim de introduzir o iniciante nos conceitos básicos da epidemiologia, assim como apresentar sua aplicação em algumas áreas, como na clínica, em questões ocupacionais, ambientais e nos serviços de saúde. A estrutura do texto, dividido em 11 capítulos, é clara e lógica. A sequência dos temas também segue uma ordem lógica e um curso pode ser montado em cima do livro seguindo essa sequência. Os primeiros seis capítulos tratam de conceitos básicos: o que é epidemiologia, medidas de ocorrência e efeito, tipos de estudo, estatística, causalidade e prevenção. Cinco desses capítulos tratam da epidemiologia aplicada a situações mais específicas: doenças transmissíveis, clínica, saúde ambiental e ocupacional e 29 serviços de saúde. O último capítulo versa sobre o aperfeiçoamento do leitor na disciplina, abordando questões como leitura de artigos, preparo de um projeto de pesquisa e indicando outras fontes de informação sobre epidemiologia, seja na forma de cursos, livros ou periódicos. Uma das maiores dificuldades em se preparar um texto introdutório, em que se queira limitar a complexidade e o tamanho, é onde parar. Neste caso, parece-me que decisões acertadas foram tomadas na maioria das vezes. Em alguns momentos, porém, o conteúdo é muito superficial e demanda algum material adicional. Mas, é importante reafirmar que este é um texto introdutório. O primeiro capítulo apresenta a já tradicional história de John Snow e a epidemia de cólera em Londres no século XIX, antes de dar uma definição da epidemiologia e de discorrer sobre sua utilidade. O capítulo é completado com alguns exemplos de aplicação da epidemiologia com sucesso no controle e diagnóstico de algumas doenças. Funciona bem para despertar o interesse do estudante, que frequentemente vê a epidemiologia como algo complicado e distante. O capítulo seguinte trata da mensuração de saúde e doença, e apresenta com clareza as medidas de ocorrência de doenças. Aborda a ideia de padronização de taxas, mas não trata de sua operacionalização. A seção sobre medidas de efeito, no entanto, é bastante sucinta, e me parece que a discussão sobre riscos relativos e atribuíveis necessitará, num curso, de complementação. Não se aborda nem chance (odds) nem a razão de chances e sua relação com a prevalência. Como muitos estudos epidemiológicos apresentam resultados em termos de chance, este parece outro tópico que merecerá aprofundamento. Tipos de estudo e vieses são abordados no capítulo 3, com um bom número de exemplos para ilustrar diferentes situações. Estudos observacionais e experimentais são tratados e discutidos com bom equilíbrio entre os conteúdos. Também os capítulos 5 (causalidade) e 6 (prevenção) apresentam cobertura suficiente dos tópicos para um curso introdutório. O capítulo sobre causalidade tem como eixo os critérios de Bradford Hill. Já o capítulo sobre prevenção é fortemente baseado nas ideias de Geoffrey Rose . 30 Na minha experiência pessoal com o livro, o que atrapalha neste capítulo é a inclusão de prevenção primordial – um conceito um tanto artificial que os alunos de graduação têm dificuldade em apreender, diferente do que ocorre com prevenção primária, secundária e terciária, bem mais concretizáveis. Estatística é uma matéria sempre difícil de ser trabalhada nas graduações da área de saúde. Não raro, os alunos não chegam mesmo a entender a necessidade desta ferramenta, visto que não apreendem a ideia de variabilidade amostral e suas consequências nas estimativas obtidas em estudos científicos baseados em amostras, especialmente a questão da precisão e a necessidade de testes. Nesse sentido, o capítulo 4 do livro não ajuda muito. Apresenta-se o essencial sobre tabelas e gráficos, e as definições das medidas de tendência central e variabilidade. Há uma seção sobre intervalo de confiança e outra sobre testes de hipóteses em que o teste Z e o teste t são apresentados. O capítulo termina com o teste do qui-quadrado, correlação, e um par de parágrafos sobre regressão linear. Diferente do restante do livro, que é rico em exemplos, este capítulo quase não os tem. Isso dificulta bastante a utilização do capítulo num curso. Ele serve basicamente como uma referência teórica para as definições e algumas fórmulas. A partir do capítulo 7, inicia-se a parte mais ligada à aplicação da epidemiologia com doenças transmissíveis. O capítulo sobre epidemiologia clínica é particularmente curto, talvez porque alguns tópicos já tenham sido trabalhados em capítulos anteriores. Seguem-se os capítulos sobre saúde ambiental e ocupacional e serviços de saúde, com um conjunto de exemplos que permitem um trabalho adequado sobre os temas, lembrando sempre o nível introdutório do livro. No geral, este é um livro atualizado e equilibrado para servir de base para um primeiro curso em epidemiologia, em nível de graduação. Alguns temas, dependendo das características do curso, deverão ser complementados. O livro está disponível em português, tradução da versão original em inglês de 1993, editadopela Livraria Santos Editora, com custo em torno de R$ 40,00. Há uma reimpressão atualizada de 2003, em espanhol, que inclui pequenas alterações. Sugere-se ao professor que investigue alternativas 31 brasileiras de textos introdutórios à epidemiologia, como o livro de Almeida Filho & Roquayrol , ou o mais extenso de Pereira . Aluísio J. D. Barros Programa de Pós-graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil. (Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csp/v22n1/26.pdf) Hill AB. The environment and disease: association or causation? Proc R Soc Med 1965; 58:295- 300. Rose G. Sick individuals and sick populations. Int J Epidemiol 1985; 14:32-8. Almeida Filho N, Rouquayrol MZ. Introdução à epidemiologia. Rio de Janeiro: Medsi; 2002. Pereira MG. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1995. 32 9. HIGIENE E SANEAMENTO Muitas pessoas acreditam que para se ter saúde basta manter uma boa alimentação e evitar vícios que afetam o organismo. Outras, que a saúde depende de acesso a bons serviços de prestação de assistência pública ou privada. Apesar de esses fatores - e muitos outros, em conjunto - serem indispensáveis para alcançarmos condições ideais de vida com saúde, faz-se necessário ressaltar que a higiene é um dos mais importantes para assegurar tais condições. (Fonte: https://pt.slideshare.net/maryanneef/higiene-pessoal-31499699) Higiene: São todas as ações que praticamos para manter a saúde física e mental e prevenir doenças. 33 Quando nos referimos à higiene, falamos não apenas da individual, no dia-a-dia, como tomar banho e escovar os dentes. Além dessas ações, voltadas para o cuidado e preservação do corpo, todas aquelas direcionadas à manutenção da saúde mental também integram o que denominamos higiene pessoal. (Fonte: https://pt.slideshare.net/maryanneef/higiene-pessoal-31499699) Nessa perspectiva, o homem deve ser orientado a buscar uma vida equilibrada, reconhecendo, porém, que a saúde física e mental dependem de ações tanto individuais como coletivas. No nível das ações individuais, para que as pessoas optem por adotá- las, faz-se necessário que saibam de sua importância e tenham condições de 34 utilizá-las. Daí a relevância da educação e orientação para a saúde transmitidas nas esferas familiar, cultural e das ações governamentais. Considerando-se o permanente inter-relacionamento do homem com os seus semelhantes e o meio ambiente, amplia-se sua responsabilidade no campo da higiene. Assim, ao nos referimos à higiene e sua relação com as condições de saúde da população não podemos pensar apenas na dimensão da responsabilidade individual. Consequentemente, o conceito de higiene deve incorporar a dimensão social, que abrange os fatores econômicos e políticos, redundando na responsabilidade governamental. Quando se Deve Lavar as Mãos? • Ao chegar no trabalho e antes de iniciar as tarefas. • Ao iniciar um novo serviço ou trocar de atividade. • Depois de utilizar o sanitário, tossir, espirrar ou assoar o nariz. • Depois de usar panos ou materiais de limpeza. • Depois de recolher lixo ou outros resíduos. • Sempre que tocar em sacarias, caixas, garrafas, sapatos e etc. • Depois de manusear alimentos crus ou não higienizados. • Antes de iniciar o manuseio de alimentos prontos. • Depois de tocar em alimentos estragados. • Depois de manusear dinheiro 35 (Fonte: http://biossegurancanarede.blogspot.com.br/2013/04/como-lavar-as-maos-adequadamente.html) Ações de higiene pessoal são aquelas que estão ao alcance do indivíduo. Dependem de seu próprio conhecimento e ou interesse em agir. 36 (Fonte: https://pt.slideshare.net/avesaves/higiene-e-sade-6676929) Saneamento é o conjunto de medidas, visando preservar ou modificar as condições do ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde. O saneamento básico, mais conhecido, restringe-se ao abastecimento de água, disposição de esgotos e destino adequado do lixo. O saneamento tanto pode ser um componente como quase um sinônimo de promoção à saúde. Segundo a World Health Organization - WHO (2004), saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico, que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre o seu bem estar físico, mental e social. A própria OMS define saúde como o estado de completo bem estar físico, social e mental, e não apenas a ausência de doença. 37 (Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=26908) Modernamente, a oferta de saneamento associa sistemas constituídos por uma infraestrutura física (obras e equipamentos) e estrutura educacional, legal e institucional que abrange os seguintes serviços: • Abastecimento de água às populações, com qualidade compatível com a proteção de sua saúde e em quantidade suficiente para a garantia de condições básicas de conforto; • Coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e sanitariamente segura dos esgotos sanitários, nestes incluídos os rejeitos provenientes das atividades doméstica, comercial e de serviços, industrial e pública; • Coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e sanitariamente segura dos resíduos sólidos rejeitados pelas mesmas atividades; 38 • Coleta de águas pluviais e controle de empoçamentos e inundações; • Controle de vetores de doenças transmissíveis (insetos, roedores, moluscos). 39 (Fonte: https://www.sosma.org.br/blog/serie-agua-o-que-e-saneamento-basico/) 40 (Fonte: https://www.sosma.org.br/blog/serie-agua-a-gestao-do-saneamento-basico/) 41 No Brasil, as companhias estaduais de saneamento são responsáveis por 79% da população abastecida. Os demais são atendidos por sistemas operados pelas próprias prefeituras municipais ou mediante convênios com o governo federal (IBGE, 2004). Outras atividades de saneamento são: controle de animais e insetos, saneamento de alimentos, escolas, locais de trabalho e de lazer e habitações. Normalmente qualquer atividade de saneamento tem os seguintes objetivos: Controle e prevenção de doenças; melhoria da qualidade de vida da população; melhorar a produtividade do indivíduo e, facilitar a atividade econômica. Você sabe a diferença entre Saneamento Ambiental e Saneamento Básico? Entre as ações de saneamento tem aquelas que nós chamamos de básicas, compreendendo o abastecimento de água, acesso a rede coletora e tratamento de esgoto, acesso a coleta e destinação de resíduos sólidos e a drenagem de águas pluviais. A ausência desses serviços tem resultado em precárias condições de saúde e incidência de doenças, principalmente de veiculação hídrica. Segundo o IBGE (2007), no Brasil, 76% da população conta com abastecimento de água por rede geral, 44% da população dispões de rede de esgoto e 76% da população tem seu resíduo coletado. No Paraná de um total de 399 municípios 191 ainda utilizam lixões para a destinação dos resíduos sólidos, apenas 64% dos municípios são atendido pela rede de esgoto A ocorrência de doenças infecciosas ocorridas pelas más condições de saneamento e esgotamento sanitário estão entre as principais causas de ausência no trabalho e baixa produtividade do trabalhador. Dados divulgados http://www.sinergiaengenharia.com.br/voce-sabe-a-diferenca-entre-saneamento-ambiental-e-saneamento-basico/ 42 pelo Ministério da Saúde, afirma que para cada R$1,00 investido no setor de saneamento, economiza-se R$4,00 com hospitais e doenças. Já o Saneamento ambiental é o conjunto de ações sócioeconômicas que tem por objetivo alcançar a Salubridade Ambiental, ou seja, um ambiente capaz de prevenir a ocorrência de doenças veiculadas pelo meio ambiente e de promover condições favoráveisà saúde da população urbana e rural. Enquanto um se preocupa mais com a questão do acesso ao serviço, esta tem um aplicação um pouco mais ampla, além do acesso aos serviços de saneamento, incluem as questões ambientais e de preservação ambiental, tais como: Qualidade do ar, qualidade da água, qualidade do solo, destinação dos resíduos sólidos, impactos ambientais e educação ambiental. A crise de água que São Paulo vem atualmente passando é resultado de uma série de questões como a falta de cuidado das nascentes, desmatamento da mata ciliar, poluição e desperdício. Para não afetar o abastecimento de água para a população, estão tendo que pensar em uma alternativa para captação dessa água. Para não agravar mais ainda a situação o Governo de São Paulo está buscando alternativas para captação de água para abastecimento público. (Fonte: http://www.sinergiaengenharia.com.br/voce-sabe-a-diferenca-entre-saneamento-ambiental-e- saneamento-basico/) 43 10. PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS PELA FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO As doenças oriundas da falta de saneamento básico são decorrentes tanto da quantidade como da qualidade das águas de abastecimento, do afastamento e destinação adequada dos esgotos sanitários, do afastamento e destinação adequada dos resíduos sólidos, da ausência de uma drenagem adequada para as água pluviais e principalmente pela falta de uma educação sanitária. Para o engenheiro sanitarista é conveniente classificar as doenças infecciosas em Categorias relacionando-as com o ambiente em que são transmitidas, desse modo: DOENÇAS INFECCIOSAS RELACIONADAS COM A ÁGUA: Podem ser causadas por agentes microbianos e agentes químicos e de acordo com o mecanismo de transmissão destas doenças. Adquiridos pela ingestão de água ou alimento contaminados: Cólera Febre tifoide Falta de água afeta a higiene pessoal e doméstica aumentando o risco de doenças, tais como: Diarreias Infecções de pele e olhos Infecções causadas por piolhos Adquiridas pelo contato com a água que contém hospedeiros aquáticos: Esquistossomose 44 Adquiridas através de picadas de insetos infectados que se reproduzem na água ou vivem próximos a reservatórios de água: Malária Febre amarela Oncocercose(causa cegueira) DOENÇAS INFECCIOSAS RELACIONADAS COM EXCRETAS (ESGOTOS): São aquelas causadas por patogênicos (vírus, bactérias, protozoários e helmintos) existentes em excretas humanas, normalmente nas fezes. Transmitidas de várias formas como: Ingestão de alimento e água contaminada com material fecal. Ex: cólera, febre tifoide. Penetração de alimentos existentes no solo através da sola dos pés. Ex: áscaris lumbricoides, amarelão. Transmissão através de insetos vetores que se reproduzem em locais onde há fezes expostas ou águas altamente poluídas. DOENÇAS INFECCIOSAS RELACIONADAS COM O LIXO: Lixos quando mal dispostos, proporcionam a proliferação de moscas, serve ainda com o criadouro e esconderijo de ratos que também são transmissores de doenças, como consequência: amebíase peste bubônica leptospirose (transmitidas pela urina do rato) e febres (devido a mordida do rato) Confira, a seguir, as principais doenças associadas à falta de saneamento básico: 45 Febre Tifoide: Doença infectocontagiosa causada pela ingestão da bactéria Salmonella typhi. Os principais sintomas são febre alta, alterações intestinais (que podem ir de prisão de ventre à forte diarreia), falta de apetite, tosse seca e aparecimento de manchas avermelhadas pelo corpo. Febre Paratifoide: Semelhante à febre tifoide, é causa por um tipo diferente de Salmonella, transmitida por fezes e urina de pessoas infectadas. Os principais sintomas são febre, diarreia, exaustão e aparecimento de manchas no tronco. Shigelose: Também chamada de disenteria bacteriana, trata-se de uma intoxicação alimentar causada pela bactéria Shigella. A doença se caracteriza por febre, vômitos, cólica abdominal, sangue nas fezes e, em alguns casos, convulsões. Cólera: Doença causada por uma bactéria transmitida por dejetos fecais de doentes, por ingestão oral (especialmente por água contaminada). O microrganismo se multiplica rapidamente no intestino humano, causando diarreia columosa, náuseas e vômitos, desidratação, câimbras, acidose e até mesmo colapso respiratório. É uma doença que, quando não devidamente tratada, pode causar a morte do paciente em até dois dias. Hepatite A: Doença contagiosa causada pelo vírus A, transmitido por meio do contato entre indivíduos e água contaminada com fezes. Geralmente não apresenta sintomas, mas os mais frequentes são cansaço, tontura, febre, dor abdominal, enjoo e pele amarelada. 46 Amebíase: Infecção parasitária que afeta o intestino. Os principais sintomas são cólicas abdominais, gases em excesso, diarreia, dor durante a evacuação e perda de peso. Giardíase: Infecção causada por parasitas que se prendem à parede do intestino, causando fraqueza generalizada, diarreia crônica e cólicas abdominais. Leptospirose: Mais comum em períodos de chuva, é causada pela infecção por uma bactéria presente na urina de ratos. Os principais sintomas são febre, vômitos, tosse e, em casos mais graves, hemorragias e insuficiência de órgãos — podendo levar à morte. (Fonte: http://biogeoqmar.paginas.ufsc.br/divulgacao/como-a-saude-publica-e-afetada-pela-falta-de- saneamento-basico/) 47 REFERÊNCIA BEAGLEHOLE, R.; BONITA, R.; KJELLSTRÖM, T. Epidemiología básica. Washington, DC: Organización Panamericana de la Salud, 1994. Epidemiologia - Teoria e Prática de Pereira, Maurício Gomes Ed. Guanabara Koogan, RJ, 1995. Epidemiologia e Saúde de Maria Zélia Rouquayrol e Naomar de Almeida Filho, 6º edição, 2003. F.G. Cezar e P. Abrantes em Princípio da Precaução: Considerações Epistemológicas sobre o princípio da precaução e sua relação com o processo de análise de risco – Caderno de Ciência & Tecnologia, Brasília, v20, n2, p255- 262, maio/ago 2003. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Atlas do Saneamento. Rio de Janeiro. 2004. Introdução à Epidemiologia de Naomar de Almeida Filho e Maria Zélia Rouquayrol - 2002 Last JM. A dictionary of epidemiology, 4th ed. Oxford, Oxford University Press, 2001. ORGANIZACIÓN MULDIAL DE LA SALUD. Epidemiologia: guia de metodos de enseñanza. Washington, DC, 1973. PALMEIRA, G. Epidemiologia. In: ROZENFELD, S., org. Fundamentos da Vigilância Sanitária [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2000, pp. 135- 194. ISBN 978-85-7541-325-8. Available from SciELO Books . Texto ―Enfoque de Risco nas Ações de Saúde‖, organizado pela Equipe Técnica do Centro de Vigilância Sanitária (Apostilas dos ―Cursos de Vigilância Sanitária 1998/99‖ e atualizado 2003). Texto ―Introdução à Epidemiologia‖ da Professora Jacira S. Simões (Apostila do Curso de Saúde Pública UNESP, Araraquara e do Curso de Vigilância Sanitária UNESP, Rio Claro – 2003). 48 Texto de Professora Esther Maria O Camargo, CBVS 1999. Texto do Prof Rubens Mazon, (CBVS 1998). Textos do ―Treinamento Básico em Vigilância Epidemiológica‖, organizado pela Equipe técnica do Centro de Vigilância Epidemiológica. WORLD HEALTH ORGANIZATION – Water, Sanitation and Hygiene Links to Health. November, 2004.