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1 RELAÇÕES PATÓGENO-HOSPEDEIRO: MECANISMOS DE ATAQUE DE FITOPATÓGENOS Margarete Camargo UNESP - FCAV 2015 Patógenos necessitam do hospedeiro para *Retirar nutrientes para o seu metabolismo (Atividades vegetativas e reprodutivas) Doença: processo dinâmico Patógeno Hospedeiro Ambiente FISIOLOGIA DO PARASITISMO MECANISMOS DE ATAQUE DOS PATÓGENOS Ciclo das relações patógeno/hospedeiro Deposição : fixar e penetrar nos tecidos do hospedeiro Colonização: ou transporte nos tecidos internos do hospedeiro Reprodução: sobre, ou, no interior do hospedeiro Patógeno - Disseminação: liberação dispersão deposição Patógeno : Altera o comportamento normal da planta Penetração: direta (Fungos) aberturas naturais (Fungos e bactérias ) ferimentos (Fungos, Bactérias e vírus) Penetração direta – força mecânica Maioria - enzimas Hospedeiro: barreiras físicas e químicas MECANISMOS DE ATAQUE DOS PATÓGENOS Fisiologia do parasitismo: ataque do patógeno defesa da planta Substâncias envolvidas: Enzimas Toxinas Hormônios Polissacarídeos Patógeno : penetrar colonizar os tecidos do hospedeiro retirar nutrientes e neutralizar reações de defesa da planta Substâncias envolvidas: Enzimas Toxinas Hormônios Polissacarídeos MECANISMOS DE ATAQUE DOS PATÓGENOS 2 mecanismos de ataque de fitopatógenos 1. Enzimas desintegração dos componentes estruturais degradação de substâncias das células afetam diretamente o protoplasma Cutícula (folhas, frutos e talos jovens) camada de cera cutina Cutinases cera Representação esquemática da estrutura e composição da cutícula e parede celular de células epidérmicas (AGRIOS, 20 05). projeções de cera camada de cera lamela de cera cutina cutícula citoplasma membrana citoplasmática lamela de pectina lamela de celulose células epidérmicas camada de celulose mecanismos de ataque de fitopatógenos monômeros de cutina induzem o gene de cutinase monômeros de cutina Diagrama representativo da penetração de um fungo, através da cutícula, de um esporo germinado. Cutinase constitutiva libera monômeros de cutina da cutícula da planta. Os genes do fungo que provocam a expressão de cutinas e levam a produção de mais cutinases que macera a cutícula da planta e permite a p enetração do fungo (AGRIOS, 2005) mecanismos de ataque de fitopatógenos Enzimas – degradação da parede celular Lamela média (substâncias pécticas) Enzimas pectinolíticas Parede primária e secundária: Celulose Hemicelulose Glicoproteínas lignina celulases hemicelulases ligninases proteinases mecanismos de ataque de fitopatógenos plasmodesmatas parede celular secundária (celulose) lumem espaço intercelular parede celular primária (celulose, pectatos) lamela média (pectatos ) Representação esquemática da estrutura das paredes de células vegetais (AGRIOS, 2005) mecanismos de ataque do patógeno Representação esquemática da composição das paredes de células vegetais mecanismos de ataque do patógeno 3 Doença: podridão parda Hospedeiro: pêssego Agente causal: Monilinia fructicola Enzimas pectinolíticas (AGRIOS, 2005) mecanismos de ataque do patógeno Doença: podridão de Rhizopus Hospedeiro: pêssego Agente causal: Rhizopus sp. Enzimas pectinolíticas (AGRIOS, 2005) MECANISMOS DE ATAQUE DOS PATÓGENOS Doença: podridão em cebola Hospedeiro: cebola Agente causal: Botrytis sp. Doença: podridão de batata Hospedeiro: batata Agente causal: Erwinia sp. Enzimas – degradação da parede celular Parede primária e secundária: Celulose Hemicelulose Glicoproteínas lignina celulases hemicelulases ligninases proteinases mecanismos de ataque do patógeno Fusarium sp. - podridão do colmo de milho. Destrói a celulose mas não o tecido vascular lignificado (AGRIOS, 2005). Enzimas celulases (AGRIOS, 2005) mecanismos de ataque do patógeno Doença: podridão do tronco Hospedeiro: pinheiro Agente causal: Phellinus sp. Enzimas ligninases - Basidiomicetos (AGRIOS, 2005) mecanismos de ataque do patógeno Doença: podridão de raízes e colo Hospedeiro: pinheiro Agente causal: Phellinus sp. Enzimas – degradação dos constituintes celulares fosfolipases proteases amilases lipases mecanismos de ataque de fitopatógenos 4 Cutinases mecanismos de ataque de fitopatógenos muitos fungos ( Colletotricum spp.) algumas bactérias ( Pseudomonas spp.) 500 espécies de Basidiomicetos alguns Ascomicetos e Deuteromicetos algumas bactérias Ligninases Hemicelulases fungos e bactérias Pectinases Celulases fungos e bactérias Erwinia spp. fungos ENZIMAS 2.Toxinas ou Fitotoxinas � afetam diretamente o protoplasma � afetam as funções celulares � Alteram a permeabilidade das membranas mecanismos de ataque de fitopatógenos São produtos de patógenos microbianos, que causam danos aos tecidos vegetais – processo doença Atividades potenciais das Fitotoxinas � mecanismos de ataque de fitopatógenos � supressoras - mecanismos de resistência; � danificam células (liberando nutrientes); � liberam enzimas degradativas; � criam micro-ambiente favorável ao patógeno; � facilitam a movimentação do patógeno; � promovem e/ou aceleram a senescência dos tecidos; � inibem invasão secundária por outros microrganismos . TOXINAS ESPECÍFICAS (seletivas ou patotoxinas) Essenciais para o estabelecimento do patógeno no hospedeiro e para a manifestação da doença. São fatores de patogenicidade ou determinantes primários de patogenicidade � mecanismos de ataque de fitopatógenos São tóxicas, em concentrações fisiológicas, apenas às espécies ou variedades hospedeiras do patógeno � mecanismos de ataque de fitopatógenos �Patógeno e toxina : especificidade semelhante em relação ao hospedeiro; resistência ou suscetibilidade do hospedeiro análoga à insensibilidade ou sensibilidade do mesmo à toxina �Virulência varia com a capacidade de produção de toxina �A toxina provoca nos hospedeiros suscetíveis os sintomas característicos da doença TOXINAS ESPECÍFICAS São produzidas somente por determinados fungos (pelo menos seis gêneros) Exemplos de fitotoxinas seletivas (específicas), Pascholati, 2011. � mecanismos de ataque de fitopatógenos 5 Aumentos na respiração de tecidos suscetíveis de aveia em fu nção da concentração de victorina ( Helminthosporium victoriae ) utilizada. (Krupka, 1958) � mecanismos de ataque de fitopatógenos Efeito de concentrações da toxina PC ( Periconia circinata ) no crescimento de raízes de cultivares de sorgo suscetível ou resistente ao patógeno (Wolpert & Dunkle, 1980) � mecanismos de ataque de fitopatógenos � mecanismos de ataque de fitopatógenos Mancha foliar de milho causada por Cochliobolus heterostrophus (T-toxina ). Mancha foliar do milho causada por Cochliobolus carbonum (HC-toxina ) Manchas em pera japonesa causadas por Alternaria alternata (AK-toxina ). Mancha foliar em macieira causada por outro strain de Alternaria alternata (AM-toxina ). *capazes de induzir a manifestação total ou parcial dos sintomas produzidos pelo patógeno, em plantas hospedeiras e nas não hospedeiras *contribuem para o aumento da severidade das doenças TOXINAS NÃO ESPECÍFICAS (não seletivas) �mecanismos de ataque de fitopatógenos Exemplos - Tabtoxina - Pseudomonas syringae pv. t abaci – Fumo - Siringotoxina - P. syringae pv. syringae – Citros - Tentoxina – Alternaria tenuis - algodoeiro - Cercosporina – Cercospora beticola - beterraba TOXINAS NÃO ESPECÍFICAS (não seletivas) � mecanismos de ataque de fitopatógenos (A) sintomas iniciais e (B) avançados em folhas jovens de fumo, manchas causadas por Pseudomonas syringae pv. tabaci e halos cloróticos causados pela tabtoxina produzida pela bactéria. � mecanismos de ataque de fitopatógenos Toxinas não seletivas (AGRIOS, 2005) 6 � mecanismos de ataque de fitopatógenos Toxinas não seletivas (AGRIOS, 2005) Manchas e halos foliares em feijoeiro causados por Pseudomonas phaseolicola e toxina Faseolotoxina. Manchas nas folhas eclorose causada pela toxina de Alternaria alternata. São compostos que ocorrem naturalmente nas plantas, ativos em baixas concentrações e que possuem a capacidade de promover, inibir ou modificar qualitativamente o crescimento das plantas, geralmente agindo à distância do sítio de produção 3. Reguladores de crescimento mecanismos de ataque de fitopatógenos Auxinas Citocininas Giberelinas Etileno Ácido abscísico 3. Reguladores de crescimento (hormônios) mecanismos de ataque de fitopatógenos Muitos fungos e bactérias fitopatogênicos podem sintetizar hormônios de crescimento Auxinas: aumentam a plasticidade da parede das célu las e promove o crescimento através do alongamento celular. mecanismos de ataque de fitopatógenos Giberelinas: alongamento de entrenós, reversão do nanismo , indução de floração, manutenção da divisão celular e dominância apical, indução de enzimas para produção de amido e síntese da parede celular. Citocininas: indução da divisão das células. Ácido abscísico: inibidor de crescimento em plantas, dormência de gemas, inibição de sementes, fechamento de estômatos, abscisão de folhas e frutos. Etileno: germinação de sementes e formação de raízes adventícias, maturação de frutos, floração, senescência, epinastia, desfolha, inibição do crescimento, aumento na permeabilidade das membranas celulares. Auxinas aumentam taxa respiratória e de transpiração inibe a lignificação Citocininas superbrotamento galhas Giberelinas alteração de crescimento Etileno senescência prematura clorose foliar distorção de tecidos Ácido abscísico alteração de crescimento 3. Reguladores de crescimento (hormônios) mecanismos de ataque de fitopatógenos hormônio patogênese mecanismos de ataque de fitopatógenos HORMÔNIOS e PATOGÊNESE doença x substâncias produzidas pelos patógenos: - muitos aspectos ainda devem ser esclarecidos - estudos bioquímicos complexos 7 Folha alargada, deformada e galha Azaléa - Exobasidium azaleae mecanismos de ataque de fitopatógenos Galha foliar ervilha de cheiro - Rhodococcus fascians Plantas doentes mostrando sintomas causados por excessiva produção de reguladores de crescimento (primariamente a uxinas) pelo patógeno (AGRIOS, 2005) Galhas Milho - Ustilago maydis Galhas Pinus - Cronartium sp. mecanismos de ataque de fitopatógenos Plantas doentes mostrando sintomas causados por excessiva produção de reguladores de crescimento (primariamente auxinas) pel o patógeno (AGRIOS, 2005) Galhas em raízes Repolho - Plamodiophora brassicae mecanismos de ataque de fitopatógenos Galhas em ramos Roseira Agrobacterium tumefaciens Representação esquemática do plasmídeo Ti de Agrobacterium tumefaciens, transferência, integração e expressão do T-DNA em uma plant a infectada que resulta na produção de tumores (AGRIOS, 2005). � mecanismos de ataque de fitopatógenos Bactérias – PSE – hospedeiro e meio de cultura PSEs � Proteção contra dessecação � Aumentar a adesão à superfície � Concentrar nutrientes � Reduzir o contato com determinadas macromoléculas 4. POLISSACARÍDEOS EXTRACELULARES (PSE) mecanismos de ataque de fitopatógenos podem atuar como fatores de patogenicidade ou virulência VÍRUS e VIRÓIDES • Estudos escassos • Sintomas das doenças viróticas podem ser causados por alguns componentes tóxicos dos vírus • Bases moleculares do processo pouco conhecidas • Vírus, geralmente: 10 genes (família Closteroviridae e Reoviridae 12 genes) mecanismos de ataque do patógeno 8 FISIOLOGIA DO PARASITISMO: patógeno • Décadas de 1940 – 1950: fisiologia dos fungos e fisiologia das plantas • Progresso: Fisiologia, microbiologia, bioquímica, bioestatística • Biologia molecular, engenharia genética, microscopi a eletrônica • Estudos sobre enzimas e fitotoxinas • Fitohormônios e polissacaríedos mecanismos de ataque do patógeno Referências bibliográficas AGRIOS, G. N. How pathogens attack plants. In: AGRIOS, G. N. Plant pathology . San Diego: Academic Press. 5 ed., cap. 5, p. 177-205, 2005. AGRIOS, G. N. How plants defend themselves against pathogens. In: AGRIOS, G. N. Plant pathology . San Diego: Academic Press. 5 ed., cap. 6, p. 207-248, 2005. PASCHOLATI, S. F. Fisiologia do parasitismo: como os patógenos atacam as plantas. In: AMORIM, L.; REZENDE, J. A. M.; BERGAMIN FILHO, A. Manual de Fitopatologia : princípios e controle. São Paulo: Editora Agronômica Ceres. 4. Ed. v.2, cap. 34, p. 543-591, 2011. Departamento de Fitossanidade Docentes Margarete Camargo Material Didático GRADUAÇÃO - 2015