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Pesquisa clínica Apresentação Recebe o nome de pesquisa clínica qualquer investigação em seres humanos que vise averiguar a segurança e/ou a eficácia de procedimentos farmacológicos, diagnósticos e de tratamento. Esta Unidade de Aprendizagem aborda este tema, suas implicações bioéticas e as condições para que tais pesquisas possam ocorrer. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o conceito de pesquisa clínica tendo em vista seu ordenamento em função dos chamados protocolos de delineamento. • Identificar o fluxo de regulamentação das pesquisas clínicas.• Desenvolver argumentos sobre as implicações éticas da participação de pacientes em pesquisa clínica. • Desafio O cartaz a seguir se refere a um evento que destaca um tema importante para as áreas de saúde e de bioética quando o assunto é pesquisa clínica no Brasil. Seu desafio consiste em realizar um aprofundamento sobre o tema e em seguida elaborar um pequeno texto que responda às seguintes questões: - O que são os placebos e qual a função deles em pesquisa clínica? - De acordo com os protocolos de delineamento de pesquisa, como se comportam em geral os pacientes em relação ao uso de placebos? - O cerne da discussão do simpósio é a proibição, em 2008, pelo CFM, do placebo quando existe tratamento efetivo. A questão gerou polêmica pois o uso do placebo pode, em determinadas especialidades, evitar uma intervenção desnecessária, protegendo, assim, o paciente. Este questionamento a que se chegou no simpósio se refere à atual política brasileira sobre uso de placebos em pesquisa clínica, instituída em 2008. O que define este procedimento em relação ao uso de placebo em pesquisas clínicas no Brasil? Infográfico Quem faz pesquisa clínica? Confira neste infográfico os principais grupos envolvidos em pesquisa clínica. Conteúdo do livro A pesquisa clínica no Brasil ainda requer melhorias no processo de regulamentação com o objetivo de facilitar e agilizar os processos de submissão dos ensaios clínicos junto aos orgãos reguladores de pesquisa clínica no país. Logo, é importante o conhecimento das etapas a serem seguidas, bem como a função que cada institução possui no desenvolvimento das pesquisas. Você conhecerá os objetivos da pesquisa clínica, sua regulamentação e algumas implicações éticas que necessitam reflexão para a participação dos sujeitos de pesquisa. Boa leitura. PARASITOLOGIA Sílvia Regina Costa Dias Pesquisa clínica Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar pesquisa clínica tendo em vista seu ordenamento em função dos protocolos de delineamento. � Identificar o fluxo de regulamentação das pesquisas clínicas. � Construir argumentos sobre as implicações éticas da participação de pacientes em pesquisa clínica. Introdução Neste capítulo, você vai compreender que a pesquisa clínica trata de es- tudos com novos medicamentos ou dispositivos médicos que requerem o desenvolvimento de ensaios clínicos para a determinação de diversos aspectos, entre eles a segurança, antes de serem implementados na indústria e então comercializados. Para isso, deve-se realizar uma série de ajustes antes do início da pesquisa junto ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os quais são órgãos reguladores no país. Logo, você aprenderá como funciona o processo de regulamen- tação das pesquisas clínicas no Brasil, definições de alguns conceitos em pesquisa clínica e as implicações éticas a que os participantes estão sujeitos. Pesquisa clínica e protocolos de ordenamento Conforme a Anvisa, as pesquisas clínicas são estudos realizados com humanos para medir os parâmetros farmacodinâmicos, farmacocinéticos, farmaco- lógicos, bem como de segurança e eficácia de novos medicamentos ou de procedimentos, por intermédio de coleta de dados, coletas de sangue e/ou outros materiais biológicos para análise laboratorial, sendo essencial para a chegada de novas alternativas terapêuticas no mercado. Esses ensaios são divididos em fases I, II, III e IV, de acordo com a quantidade de participantes e os objetivos específicos de cada etapa. Os estudos clínicos são fundamentais para determinar se é seguro o uso do medicamento, visto que não é de interesse para os pacientes, para as autoridades sanitárias nem para a indústria farma- cêutica que um medicamento promova mais riscos à saúde do que benefícios (ZUCCHETTI; MORRONE 2012; LIMA et al., 2003). O documento que determina as boas práticas clínicas foi elaborado em 2005 na IV Conferência Pan-Americana para a harmonização da regulamentação farmacêutica, na República Dominicana, com participação do Brasil. O do- cumento traz um conceito sobre o que é um ensaio clínico (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE, 2005, documento on-line) relevante: [...] é um estudo sistemático de medicamentos e/ou especialidades medicinais em voluntários humanos que seguem estritamente as diretrizes do método científico. Seu objetivo é descobrir ou confirmar os efeitos e/ou identificar as reações adversas ao produto investigado e/ou estudar a farmacocinética dos ingredientes ativos, de forma a determinar sua eficácia e segurança. Os estudos clínicos que são realizados contribuem para o desenvolvimento de medicamentos em diversas áreas da saúde, tais como oncologia, hipertensão, doenças ligadas ao sistema nervoso central, AIDS e, para isso, devem ser reali- zados estudos clínicos randomizados cujos resultados sejam de qualidade, com um número amostral adequado e cujo poder estatístico seja confiável. O que impulsiona a realização de estudos clínicos são as necessidades da população local e os benefícios promovidos (Quadro 1) (DAINESI; GOLDBAUM, 2012; MAROTTI et al., 2008). Pesquisa clínica2 Fonte: Adaptado de Interfarma (2019, documento on-line). Atrai investimentos e movimenta a economia � Investimentos diretos em estudos clínicos � Aumento da atividade econômica no país (impactos indiretos) Atua como alavanca da produção científica e inovação � Aumento da produção científica no país � Redução da perda de recursos humanos para outros países/aumento da atração de recursos humanos de outros países Aumenta o acesso à saúde � Aumento no padrão de tratamento de pacientes participantes dos estudos clínicos � Inovações que chegam ao mercado após condução exitosa de estudos, impactam positivamente a qualidade de vida da população Fortalece o sistema de saúde do país � Incremento da infraestrutura física de atendimento e cuidado ao paciente utilizada em centros de pesquisa � Acesso e conhecimento mais ágil de novas tecnologias (ex.: medicamentos e técnicas cirúrgicas) por equipes de tratamento � Conhecimento mais íntimo de novas tecnologias contribui para melhor avaliação de registro e incorporação no país � Estabelecimento de times multifuncionais em centros de excelência para teste e entrega de inovações � Aumento da frequência de atualização e treinamento profissional � Maior aderência a protocolos clínicos e cultura de medicina baseada em evidências � Redução de custos para o sistema de saúde para pacientes participantes de estudos Quadro 1. Benefícios da pesquisa clínica para o país e seu sistema de saúde 3Pesquisa clínica Além disso, alguns aspectos são relevantes para que a pesquisa seja reali- zada em determinado local. São considerados (1) os aspectos econômicos da região, estado ou país onde o estudo será iniciado, (2) os aspectos epidemio- lógicos, em razão da incidência e prevalência da doença ou condição clínica, (3) a representatividade, experiência e desempenho da região ou país em pesquisa clínica e (4) o processo de recrutamento e competitividade do local em função da disponibilidade de candidatos a participantes. Uma vez que a região apresente bons índicesnesses aspectos, o desenvolvimento do estudo se torna mais rápido e eficaz e permite um bom seguimento das etapas de execução (INTERFARMA, 2019). As fases dos estudos clínicos As pesquisas clínicas são realizadas com humanos, após passarem por uma fase não clínica, a qual é experimental em animais; posteriormente deve ser realizada a fase clínica, dividida em quatro fases para estudo do produto sob investigação, o qual consiste em um dispositivo médico em investigação, comparador ou qualquer outro produto a ser utilizado no ensaio clínico: � Fase I: envolve um pequeno número de indivíduos sadios (20 a 100 voluntários) para avaliar a segurança e a quantidade ideal da dose do produto sob investigação, avalia a farmacocinética do produto e dura em média um ano. � Fase II: envolve um número maior de indivíduos doentes (300 a 1.000 voluntários) com o objetivo de analisar a eficácia do produto sob in- vestigação e coletar mais informações sobre a segurança do produto e a ocorrência de reações adversas e dura em médias dois anos. � Fase III: envolveu um grande número de indivíduos (1 a 3 mil vo- luntários) com o intuito de confirmar os resultados de segurança e eficácia, identificar as reações adversas mais comuns e interações medicamentosas e determinar a relação risco-benefício do produto sob investigação; os resultados são comparados a outros tratamentos disponibilizados no mercado. � Fase IV: ocorre após a aprovação da segurança do produto sob investi- gação e comercialização, avalia os eventos colaterais pouco frequentes ou que não são esperados, identifica novas indicações de uso, métodos de administração e combinações e é o período de farmacovigilância. Pesquisa clínica4 Após passar por todas as fases, caso o produto seja aprovado pela Anvisa, o medicamento é registrado e então disponibilizado para uso da população (BRASIL, 2015; INTERFARMA, 2019). Histórico da regulamentação das pesquisas clínicas no Brasil Para o desenvolvimento de um estudo clínico com todas as fases que vimos anteriormente, primeiro é necessário que o estudo seja aprovado no Brasil. Logo, o primeiro requisito é a existência de um CEP na instituição que irá ser realizado o estudo, a fim de analisar e emitir parecer de avaliação sobre todos os aspectos do estudo. A Conep é encarregada de coordenar e super- visionar o trabalho exercido pelo CEP. Desse modo, CEP e Conep trabalham em conjunto nas etapas de regulamentação e serão responsáveis por cobrar o envio semestral dos relatórios parciais de acompanhamento dos projetos, certificar-se das condições do local de execução do estudo na instituição, ana- lisar o pesquisador responsável e demais membros da equipe, além de revisar o protocolo de pesquisa. Enquanto isso, a Anvisa regula os aspectos técnicos e sanitários, como autorização de importação de materiais e medicamentos do estudo (GOUY; PORTO; PENIDO, 2018). Um dos principais obstáculos é a demora em todo esse processo de avalia- ção, tanto pelo CEP e pela Conep quanto pela Anvisa, para que seja realizado. Antes, ocorria a avaliação e a aprovação do CEP da instituição e da Conep e só então era possível enviar o dossiê para avaliação pela Anvisa, sendo os principais prejudicados os estudos multicêntricos. A Resolução nº 39, de 5 de junho de 2008, que aprovou o regulamento para a realização de pesquisa clínica e auxiliou os estudos multicêntricos ao permitir que a Anvisa regulasse o cadastro e as atividades da Organização Representativa para Pesquisa Clínica (ORPC) — empresa regularmente insta- lada em território nacional, contratada pelo patrocinador ou pelo investigador patrocinador, que assume parcialmente ou totalmente, junto à Anvisa, as atribuições do patrocinador da pesquisa clínica. Com isso, passou a valer o Comunicado Especial único por pesquisa clínica submetida à apreciação pela área competente da Anvisa no qual estarão mencionados todos os centros participantes da referida pesquisa. 5Pesquisa clínica No entanto, foi revogada pela Resolução nº 10, de 20 de fevereiro de 2015, a qual dispõe sobre o regulamento para a realização de ensaios clínicos com dispositivos médicos no Brasil. Com isso, foi possível reduzir em até cinco meses o tempo de espera da avaliação dos ensaios clínicos realizados no país. Estima-se que ocorreu uma redução no tempo de avaliação dos estudos para menos de três meses, o que se considera um grande avanço (GOUY; PORTO; PENIDO, 2018). Nesse contexto de regulamentação, na Resolução nº 9, de 20 de fevereiro de 2015, constam alguns conceitos importantes para conhecimento: Centro Coordenador: centro associado ao dossiê de anuência, sendo o pri- meiro a encaminhar o protocolo clínico para análise pelo CEP e/ou pela Conep. Centro de Pesquisa ou de Ensaios Clínicos: organização pública ou privada, legitimamente constituída, na qual são realizadas pesquisas clínicas. Um Centro de Pesquisa pode ou não estar inserido em um hospital ou clínica. Investigador-patrocinador: pessoa física responsável pela condução e coorde- nação de ensaios clínicos, isoladamente ou em um grupo, realizados mediante a sua direção imediata de forma independente, desenvolvidos com recursos financeiros e materiais próprios do investigador, de entidades nacionais ou internacionais de fomento à pesquisa, de entidades privadas e outras entidades sem fins lucrativos. Pesquisador responsável: pessoa capacitada e treinada (dependendo da área da pesquisa clínica) responsável pela coordenação e condução do protocolo clínico, de acordo com as descrições apresentadas no dossiê autorizado pela Anvisa. É também responsável pela integridade e pelo bem-estar dos sujeitos da pesquisa, sem prejuízo das responsabilidades do patrocinador, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com respeito à manutenção dos critérios éticos para todos os procedimentos ao longo do estudo pela coordenação e realização da pesquisa num determinado centro e pela integridade e pelo bem-estar dos sujeitos da pesquisa, durante e após a assinatura do TCLE. Protocolo de Pesquisa: documento que descreve os objetivos, o desenho, a metodologia, as considerações estatísticas e a organização do estudo. Provê também o contexto e a fundamentação da pesquisa. Pesquisa clínica6 Fluxo da regulamentação da pesquisa clínica no Brasil A primeira etapa para a realização de um ensaio clínico no país é a avaliação de caráter ético pelo CEP institucional e pela Conep e de caráter regulatório e sanitário pela Anvisa protocolo de pesquisa. O processo avaliativo e o envio dos documentos do estudo ocorrem pela Plataforma Brasil. Caso seja apro- vado, o parecer consubstanciado é enviado com a aprovação e conforme a área temática do estudo requer aprovação posterior pela Conep. Caso não seja necessária a apreciação pela Conep e pela Anvisa, o CEP institucional emite o parecer permitindo o início do ensaio clínico (Quadro 2). Desse modo, tem-se o dossiê do estudo que apresenta o protocolo da pesquisa, o comprovante de registro nos órgãos pertinentes e o parecer de aprovação do estudo pelo CEP. Genética humana – se envolver Envio para o exterior de material genético ou qualquer material biológico humano para obtenção de material genético, salvo nos casos em que houver cooperação com o Governo brasileiro. Armazenamento de material biológico ou dados genéticos humanos no exterior e no país, quando de forma conveniada com instituições estrangeiras ou em instituições comerciais. Alterações da estrutura genética de células humanas para utilização in vivo. Pesquisas na área da genética da reprodução humana (reprogenética). Pesquisas em genética do comportamento. Pesquisas nas quais esteja prevista a dissociação irreversível dos dados dos participantes de pesquisa. Reprodução humana Pesquisas que se ocupam com o funcionamento do aparelho reprodutor, procriação e fatores que afetam a saúde reprodutiva de humanos, sendo que nessas pesquisas serão considerados"participantes da pesquisa" todos os que forem afetados pelos procedimentos delas. Quadro 2. Áreas temáticas que requerem apreciação ética pela Conep (Continua) 7Pesquisa clínica Fonte: Adaptado de Brasil (2012). Quadro 2. Áreas temáticas que requerem apreciação ética pela Conep Reprodução assistida Manipulação de gametas, pré-embriões, embriões e feto. Medicina fetal, quando envolver procedimentos invasivos Equipamentos e dispositivos terapêuticos, novos ou não registrados no país. Novos procedimentos terapêuticos invasivos. Estudos com populações indígenas. Projetos de pesquisa que envolvam organismos geneticamente modificados, células-tronco embrionárias e organismos que representem alto risco coletivo, incluindo organismos relacionados a eles, nos âmbitos de: experimentação, construção, cultivo, manipulação, transporte, transferência, importação, exportação, armazenamento, liberação no meio ambiente e descarte. Protocolos de constituição e funcionamento de biobancos para fins de pesquisa. Pesquisas com coordenação e/ou patrocínio originados fora do Brasil, excetuadas aquelas com copatrocínio do Governo brasileiro. Projetos que, a critério do CEP e devidamente justificados, sejam julgados merecedores de análise pela Conep. (Continuação) Com o andamento do estudo, devem ser encaminhados à Anvisa e ao CEP relatórios parciais semestrais e anuais de seguimento do estudo; qualquer desvio de protocolo e eventos adversos devem ser notificados, bem como dados de resultados prévios. As informações devem ser passadas pelo patrocinador do estudo ou por uma ORPC (BRASIL, 2015; GOUY; PORTO; PENIDO, 2018). Conforme a legislação vigente, prazos devem ser respeitados para o an- damento de todos os trâmites regulatórios até a aprovação (Quadro 3). De forma concomitante, deve haver esforço de toda a equipe relacionada ao ensaio clínico para a regularização do processo, bem como investimento financeiro. É importante ressaltar que independente do país de origem do estudo, todos os documentos devem ser encaminhados em português. Pesquisa clínica8 Fonte: Adaptado de Brasil (2012). Etapa Prazo Regularizado por Revisão documental do protocolo pelo CEP 15 dias (contados a partir da data de submissão do protocolo) Norma Operacional nº 1, de 30 de setembro de 2013 Emissão do parecer pelo CEP 30 dias (contados a partir do aceite da documentação) Submissão de resposta ao parecer do CEP 30 dias Revisão documental do protocolo pela Conep 15 dias (contados a partir da data de submissão do protocolo) Emissão do parecer pela Conep 60 dias (contados a partir do aceite da documentação) Submissão de resposta ao parecer de pendência da Conep 30 dias Emissão do comunicado especial pela Anvisa Desenvolvimento nacional e de produtos biológicos, e fase I e II em até 180 dias; demais estudos em até 90 dias. Se a Anvisa não se manifestar dentro desse período, o desenvolvimento clínico pode ser iniciado Resolução da Diretoria Colegiada nº 9, de 20 de fevereiro de 2015 Relatórios à Anvisa Relatórios anuais de acompanhamento. Relatório final em até 12 meses do término do ensaio clínico Relatórios ao CEP A cada seis meses Resolução CNS nº 466/2012 Quadro 3. Áreas temáticas que requerem apreciação ética pela Conep 9Pesquisa clínica Um dos requisitos para a execução dos ensaios clínicos é o local, o qual deve apresentar uma infraestrutura, equipe qualificada, aparelhos calibrados e em boas condições de uso, além disso, é indispensável que a equipe tenha certificado de treinamento em boas práticas clínicas. Além disso, para o iní- cio da pesquisa, os membros da equipe recebem o treinamento do protocolo pelo patrocinador, na chamada visita de treinamento e consequentemente de iniciação do centro de pesquisa. Para auxiliar os pesquisadores no processo de submissão de ensaios clínicos, a Anvisa elaborou o Manual para Submissão de Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento e um Dossiê Específico de Ensaios Clínicos, em sua última edição publicada em 2017, cujo objetivo foi de orientar os profissionais da área da pesquisa clínica sobre como realizar a submissão dos documentos necessários a partir das orientações da Resolução nº 9, de 20 de fevereiro de 2015, que definiu os procedimentos e os requisitos para realização de ensaios clínicos com medicamentos, incluindo a submissão do Dossiê de Desenvolvi- mento Clínico de Medicamento (DDCM) (BRASIL, 2017a). Em estudos multicêntricos, ou seja, que são executados em mais de um centro de pes- quisa ou ORPC, a aprovação do estudo é emitida primeiramente pelo CEP coordenador e depois é replicada aos outros centros participantes. Os demais CEPs institucionais devem aprovar o protocolo do estudo em relação a aspectos de infraestrutura do local e os recursos disponíveis para o desenvolvimento do estudo. Observe a seguir o fluxograma da Figura 1. Pesquisa clínica10 Figura 1. Fluxograma geral de um estudo clínico. Fonte: Adaptada de Interfarma (2019, documento on-line). 11Pesquisa clínica Problemas da pesquisa clínica no Brasil Mesmo com todos os entraves relacionados ao incentivo de estudos clínicos no país, o Brasil se encontra na 14ª colocação no ranking mundial de pesquisa clínica com 2% de representatividade em relação a todos os ensaios clínicos realizados no mundo. Apesar disso, em relação à América Latina, é o país com maior número de estudos clínicos, com 7.071 estudos já cadastrados, dos quais 1.499 estão em andamento e 205 em fase III (CLINICAL TRIALS, [2019?]). Acesse o link a seguir e faça uma busca ativa sobre os ensaios clínicos que estão em desenvolvimento no Brasil e no mundo. Até julho de 2019, a plataforma contava com 312.554 estudos distribuídos em 50 estados e 209 países. https://qrgo.page.link/EXWMH A pesquisa clínica no Brasil, até julho de 2019, não conta com uma legislação específica sobre o assunto. O projeto de Lei nº 7.082/2017 aguarda aprovação e pretende dispor sobre a pesquisa clínica com seres humanos e instituir o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa Clínica com Seres Humanos. A ideia é descentralizar o processo de aprovação dos ensaios clínicos e fornecer maior autonomia à Conep. O projeto recebeu críticas entre os pesquisadores, no entanto, até que seja aprovado, os possíveis benefícios e problemas associados à Lei não podem ser mensurados. Atualmente, o início de um protocolo de pesquisa envolvendo seres humanos leva em torno de 10 a 15 meses para ser autorizado, enquanto em outros países leva entre 3 a 5 meses. Em estudos multicêntricos, a demora implica em atrasos no recrutamento de pacientes, de modo que a maioria dos protocolos não é ofertada para o Brasil. Mesmo sendo o quinto país mais populoso do mundo, apresenta apenas 2% dos estudos clínicos em andamento. Segundo Dr. Fábio Franke, presidente da Aliança Pesquisa Clínica Brasil e membro da Socie- dade Brasileira de Oncologia Clínica, em 2013 o país deixou de participar de 112 estudos multicêntricos voltados para o tratamento de câncer e HIV. Pesquisa clínica12 Como forma de enfrentar as limitações sofridas pelas pesquisas desenvol- vidas no Brasil, por meio da Portaria nº 559, de 9 de março de 2018, institui-se o Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil, com o objetivo de aumentar a capacidade do Brasil em desenvolver e atrair ensaios clínicos. O país, em relação ao cenário mundial, apresenta baixa competitividade na realização de pesquisa clínica em razão de diversos entraves que os patrocinadores encon- tram para a regularização ética e sanitária, visto que o processo de aprovação é lento por necessitar de uma dupla análise (CEP, Conep e Anvisa). Além disso, há a falta de infraestrutura e qualificação dos centros de pesquisa e dos recursos humanos, a descontinuidade das ações de financiamento e do pouco conhecimento dos profissionais de saúde e da população em geral a respeito dos ensaios clínicos realizados no país (BRASIL, 2017b; BRASIL, 2018).O documento do Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil foi estruturado em seis eixos de ação e apontou os principais problemas associados a cada eixo (BRASIL, 2017c): 1. Regulação ética: dupla análise ética pela Conep e pelos CEPs, baixa qualificação dos CEPs e Plataforma Brasil incompatível com as de- mandas atuais. 2. Regulação sanitária: múltiplas etapas desde a submissão até o registro do produto pela Anvisa, demora nos processos de importação dos produtos para a pesquisa clínica, pagamento de taxas para submissão de pesquisas e registro de produtos na Anvisa. 3. Fomento científico e tecnológico: pesquisas de caráter somente aca- dêmico, sem potencial inovador, poucos Centros de Pesquisa Clínica com infraestrutura adequada, baixa colaboração entre o governo, uni- versidades, centros de pesquisa clínica e indústria no desenvolvimento de ensaios clínicos. 4. Formação em pesquisa clínica: falta de profissionais qualificados em Centros de Pesquisa Clínica e universidades em relação à regulação ética e sanitária, gestão da qualidade, gestão de dados e amostras, boas práticas clínicas e coordenação de ensaios clínicos. 5. Rede Nacional de Pesquisa Clínica: não há colaboração entre os centros da Rede Nacional de Pesquisa Clínica para o atendimento de demandas e produção científica. 6. Gestão do conhecimento: pouco conhecimento dos gestores, dos profissionais de saúde e da população em geral a respeito dos ensaios clínicos realizados no país e seus resultados. 13Pesquisa clínica Com a identificação dos problemas e dos objetivos de cada eixo, ações estratégicas de curto, médio e longo prazo podem ser estabelecidas a fim de melhorar a condução de estudos clínicos no país. Acesse o link a seguir para saber mais sobre quais são as estratégias criadas pelo Ministério da Saúde no Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil. https://qrgo.page.link/SL1oE Um dos objetivos da realização de estudos clínicos é ampliar a população beneficiada com novos tratamentos e medicamentos, desse modo, a descen- tralização das pesquisas dos grandes centros de pesquisa é uma forma de fornecer o acesso a mais pessoas. No Brasil, estima-se que existam mais de 300 centros de pesquisas patrocinados por grandes indústrias farmacêuticas. Desse modo, todas as medidas adotadas devem priorizar a melhora no processo de submissão de ensaios clínicos no país, sem acarretar problemas éticos e prejuízo aos participantes de pesquisa. Implicações éticas dos participantes de pesquisa A regulamentação dos ensaios clínicos deve visar à segurança dos participantes de pesquisa e para isso o processo de consentimento deve ocorrer de forma livre e, principalmente, esclarecida. Todos os indivíduos devem estar conscientes dos benefícios e dos riscos associados a sua participação. A aplicação do TCLE faz parte de um processo no qual o indivíduo ou o seu responsável (caso a pesquisa seja realizada com crianças, adolescentes ou indivíduo incapaz) deve ser instruído sobre todas as informações pertinentes. Nesse momento, os princípios bioéticos de autonomia, beneficência, não maleficência e justiça devem ser respeitados. Pesquisa clínica14 Desse modo, um dos requisitos na execução dos ensaios clínicos é que todo o processo de esclarecimento livre e esclarecido esteja descrito na visita de recrutamento dos participantes. Essa medida é necessária para a proteção e o sigilo dos participantes e a avaliação do CEP em relação à condução do assentimento dos pesquisados. Isso ocorre em função da possibilidade de os indivíduos estarem em situação de vulnerabilidade. A pesquisa clínica, por trabalhar com novos medicamentos e/ou disposi- tivos médicos para o tratamento das mais diversas doenças, pode implicar os participantes em uma falsa esperança de cura ou melhor qualidade de vida. Entretanto, o que ocorre é que não necessariamente o indivíduo receberá o novo tratamento, pois implica que ele não faz parte do grupo placebo ou da droga já vendida no mercado. Além disso, não necessariamente o novo medicamento será eficaz no tratamento. Muitas vezes, a forma como a pesquisa é “vendida” pela indústria farmacêutica pode prejudicar ou deturpar o consentimento dos participantes em razão da vulnerabilidade associada à doença (PALÁCIOS; REGO, 2015). Desse modo, uma das questões que já foi motivo de discussão pela co- munidade cientifica é o uso do placebo. No Brasil, a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.885, de 22 de outubro de 2008, vedou ao médico participar de pesquisa envolvendo seres humanos utilizando placebo, quando houver tratamento disponível eficaz já conhecido. Já a Resolução nº 466/2012 determinou que [...] As pesquisas que utilizam metodologias experimentais na área biomédica, envolvendo seres humanos, além do preconizado no item III.2, deverão ainda: ter plenamente justificadas, quando for o caso, a utilização de placebo, em termos de não maleficência e de necessidade metodológica, sendo que os benefícios, riscos, dificuldades e efetividade de um novo método terapêutico devem ser testados, comparando-o com os melhores métodos profiláticos, diagnósticos e terapêuticos atuais. Isso não exclui o uso de placebo ou nenhum tratamento em estudos nos quais não existam métodos provados de profilaxia, diagnóstico ou tratamento (BRASIL, 2012, documento on-line). Em pesquisa clínica é importante que se tenha um tratamento igual para os dois braços dos estudos, e a condição de ser um estudo duplo-cego permite que a mesma conduta seja feita tanto para o grupo controle quanto para o grupo intervenção. Desse modo, evita-se que ocorram distorções tanto pelos pesquisadores quanto pelos participantes. A questão do uso do placebo deve ser avaliada com atenção, em vista que os princípios bioéticos devem ser res- peitados, sobretudo o de beneficência e o de não maleficência aos participantes. 15Pesquisa clínica De forma complementar, a Resolução nº 466/2012 apresenta a exigência de que, ao final do estudo, é preciso o patrocinador assegurar a todos os par- ticipantes acesso gratuito, e por tempo indeterminado, aos melhores métodos profiláticos, diagnósticos e terapêuticos que se demonstraram eficazes. Essa determinação não se aplica em situações nas quais os pacientes utilizam dispositivos médicos durante uma cirurgia na qual o benefício é somente durante o procedimento. De qualquer forma, é necessário avaliar os aspectos que respeitem a beneficência e a justiça aos participantes (FREGNANI et al., 2015). BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual para submissão de dossiê de desenvolvimento clínico de medicamento (DDCM) e dossiê específico de ensaio clí- nico. 3. ed. Brasília, DF: Anvisa, 2017a. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/docu- ments/33836/2492465/Manual+para+Submiss%C3%A3o+de+Dossi%C3%AA+de+Des envolvimento+Cl%C3%ADnico+de+Medicamento+(DDCM)+e+Dossi%C3%AA+Espe c%C3%ADfico+de+Ensaio+Cl%C3%ADnico/29e9c5b1-2942-4bb9-a4dd-4fccc6fccda3. Acesso em: 28 ago. 2019. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 9, de 20 de feve- reiro de 2015. Dispõe sobre o Regulamento para a realização de ensaios clínicos com medicamentos no Brasil. Brasília, DF, 2015. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/ documents/10181/3503972/RDC_09_2015_COMP.pdf/e26e9a44-9cf4-4b30-95bc- feb39e1bacc6. Acesso em: 28 ago. 2019. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 10, de 9 de março de 2010. Dispõe sobre a notificação de drogas vegetais junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0010_09_03_2010. html. Acesso em: 28 ago. 2019. BRASIL. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM n° 1.885/2008. É vedado ao médico participar de pesquisa envolvendo seres humanos utilizando placebo, quando houver tratamento disponível eficaz já conhecido. Brasília, DF, 2008. Disponível em: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2008/1885_2008.htm. Acesso em: 28 ago. 2019. BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n° 446, de 12 de dezembro de 2012. Brasília, DF, 2012. Disponível em: https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf. Acesso em: 28 ago. 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017c. Disponível em: http://www.abifina.org.br/arquivos/do- Pesquisa clínica16 wnload/plano_de_acao_de_pesquisa_clinica_no_brasil_junho_2017.pdf. Acesso em: 28 ago. 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n° 559, de 9 de março de 2018. Altera a Portaria de Consolidação nº 5/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para instituir o Plano de Ação de Pesquisa Clínica no Brasil. Brasília, DF, 2017b. Disponível em: http://bvsms.saude. gov.br/bvs/saudelegis/gm/2018/prt0559_14_03_2018.html. Acesso em: 28 ago. 2019. CLINICAL TRIALS. Map of all studies on ClinicalTrials.gov. USA, [2019?]. Disponível em: https://clinicaltrials.gov/ct2/search/map. Acesso em: 28 ago. 2019. DAINESI, S. M.; GOLDBAUM, M. Pesquisa clínica como estratégia de desenvolvimento em saúde. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 58, n. 1, p. 2−6, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ramb/v58n1/v58n1a02.pdf. Acesso em: 28 ago. 2019. FREGNANI, J. H. T. G. et al. 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Na atualidade: A) A pesquisa clínica não pode mais envolver seres humanos, uma decisão que vem sendo constantemente criticada pela comunidade científica e grupos envolvidos. B) A prática de esconder do paciente sua participação em uma pesquisa clínica, infelizmente, ainda é legalmente admissível. C) Após passar pela fase pré-clínica, que vai da proposta e desenvolvimento inicial a testes laboratoriais, a pesquisa clínica só pode contar com pessoas saudáveis. D) Os clínicos não devem se preocupar com os protocolos pois o interesse da ciência deve vir em primeiro lugar. E) Os médicos devem estar cientes da obrigação de separar a pesquisa clínica do tratamento clínico. Este último não pode ser substituído pelo primeiro. 2) O ensaio (experimento) clínico deve ser delineado pelos protocolos de pesquisa, sobre os quais é correto dizer que: A) Os protocolos atuais, ao menos no Brasil, nunca permitem o uso de placebos. B) Os protocolos exigem que as opiniões da comunidade envolvida sejam neutralizadas. C) Os protocolos exigem que o paciente saiba qual intervenção está recebendo. D) Os protocolos podem ser tais que o médico não saiba se o paciente está recebendo medicamento ou placebo. E) Os protocolos previnem conflitos entre a prática do clínico e seu papel de pesquisador. 3) No Brasil, a pesquisa com seres humanos tem como marco regulatório a Resolução no 196/1996, do Conselho Nacional de Saúde, que, com relação às pesquisas clínicas, prevê: A) A existência de grupos de estudos credenciados pela Organização Representativa para a Pesquisa Clínica (ORPC) que substituem os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs). B) Um sistema composto por Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) coordenado pela Associação Nacional de Farmacologia (ANF). C) Um sistema de Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e a criação de Conselhos de Revisão Institucional (CRIs) comerciais e independentes. D) Uma Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), cujos pareces em pesquisa devem ser sumariamente encaminhados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). E) Um sistema de Comitês de Ética em Pesquisa (CEPS) com certa autonomia na aprovação de pesquisas, com exceção de casos inseridos nas chamadas “áreas temáticas especiais". 4) Em relação aos tratamentos inovadores fora do contexto da pesquisa clínica, podemos afirmar que: A) Cirurgiões, em particular, precisam submeter quaisquer manobras cirúrgicas à um comitê de protocolos para a pesquisa clínica. B) O clínico deve, por um princípio de confiabilidade, manter sigilo de outros profissionais em relação a um novo tratamento que ele deseja empreender. C) Os clínicos podem realizar, de forma prudente, tratamentos inovadores sem estar submetidos aos protocolos de pesquisa clínica. D) Por tratamento inovador, compreende-se igualmente a busca de novas maneiras de diagnosticar e a administração de fármacos em fase de estudos. E) Se o clínico acredita que um tratamento inovador é generalizável, deve publicar seus relatórios em revistas especializadas e assim disponibilizar sua utilização para a comunidade médica. 5) Os chamados tratamentos investigacionais descrevem formas de diagnóstico e terapia que estão sendo desenvolvidas e que ainda não alcançaram o estágio onde um ensaio clínico formalmente delineado tenha comprovado uma eficácia. Encontre abaixo a afirmativa correta em relação a este tipo de tratamento: A) Dados existentes podem sugerir que um tratamento seja tido como “promissor”, mesmo sem a comprovação efetiva de sua eficácia. B) É facultativo ao médico informar sobre a utilização de um tratamento investigacional aos seus pacientes. C) O tratamento investigacional ou experimental tem efeito placebo, isto é, apenas serve para dar esperanças aos pacientesterminais. D) Os pacientes que sofrem de um problema para o qual não exista uma terapia efetiva, devem evitar um tratamento investigacional. E) Os planos de saúde costumam apoiar a utilização deste tipo de tratamento em função de seus baixos custos. Na prática Veja na prática como os órgãos ligados à área da saúde abordam as decisões éticas em pesquisas clínicas. Atualmente, pesquisadores formados e treinados não são mais os únicos a alavancar pesquisas clínicas, é preciso que a atenção às regulamentações federais seja redobrada, pois a indústria farmacêutica recruta profissionais do mercado que muitas vezes não têm experiência em pesquisa. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Anvisa aprova novas regras para pesquisa clínica no Brasil Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://veja.abril.com.br/saude/anvisa-aprova-novas-regras-para-pesquisa-clinica-no-brasil/