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Diagnóstico Cinético
Funcional da Coluna
Cervical e Imaginologia
Profª Maria Eugênia Rossetti Borges
“Hoje não vamos estudar apenas anatomia ou testes.
Vamos aprender a pensar clinicamente sobre a cervical.”
Por que estudar cervical?
• Alta prevalência de dor cervical
• Associação com cefaleia
• Relação com membros superiores
• Impacto funcional (trabalho, tecnologia, postura)
O que é Diagnóstico Cinético Funcional?
• Não é o diagnóstico médico
• É a identificação da disfunção do movimento
• Baseado em sinais, sintomas e função
Dois pacientes com protrusão discal C5-C6 terão
o mesmo diagnóstico fisioterapêutico?
• SIM ?
• NÃO ?
O diagnóstico médico não determina
sozinho o diagnóstico funcional.
Características principais:
• Não possui corpo vertebral
• Não possui processo espinhoso
• Formato em anel
• Massas laterais volumosas
• Face articular superior côncava (articula com o occipital)
• Face articular inferior plana (articula com C2)
Função principal:
• Movimento de flexão e extensão da cabeça ("movimento de
sim")
• Articulação atlanto-occipital
Estruturas importantes:
• Arco anterior (faceta para o dente do áxis)
• Arco posterior
• Ligamento transverso do atlas (estabiliza o dente)
•Características principais:
• Possui o processo odontóide (dente do áxis)
• Corpo vertebral robusto
• Processo espinhoso geralmente bífido
• Função principal:
• Movimento de rotação da cabeça ("movimento de não")
• Articulação atlantoaxial
• Importância clínica:
• Fratura do dente → risco de instabilidade cervical grave
• Relação íntima com medula espinhal
• Corpo vertebral pequeno e retangular
• Forame vertebral grande e triangular
• Processos espinhosos geralmente bífidos (C3–C6)
• Presença de forame transversário (passagem da
artéria vertebral)
• Processos uncinados (uncus → articulações
uncovertebrais)
C7 – Vértebra Prominente:
• Processo espinhoso longo e palpável
• Geralmente não é bífido
• Marco anatômico importante
Função:
• Maior estabilidade comparada
à cervical alta
• Participação importante em
flexão/extensão e inclinação
lateral
Resumo
• Cervical alta = mobilidade e instabilidade
• Cervical baixa = mobilidade com maior controle
• 50% da rotação cervical ocorre entre C1–C2
• Região mais vulnerável a traumas graves → C1 e C2
Biomecânica Cervical
• Flexão
• Extensão
• Rotação
• Inclinação lateral
Flexão Cervical
• Movimento no plano sagital.
• Principalmente em C3–C7.
• Ocorre abertura posterior das facetas.
• Alongamento da musculatura posterior.
• Deslizamento anterior das vértebras
superiores.
🧠 Clinicamente:
• Dor em flexão → pode sugerir:
• Sobrecarga discal
• Tensão posterior
• Padrão flexor dominante
Extensão Cervical
• Movimento também no plano sagital.
• Aproximação das facetas articulares.
• Compressão posterior.
• Deslizamento posterior da vértebra superior.
🧠 Clinicamente:
• Pode comprimir forames intervertebrais.
• Em pacientes com osteófitos → pode aumentar dor radicular.
• Extensão sustentada pode agravar sintomas em estenose
foraminal.
Rotação Cervical
• Maior amplitude ocorre entre C1–C2 (≈50% da
rotação total).
• C3–C7 complementam.
🔎 Detalhe importante:
• Cervical alta (C1–C2):
• Movimento predominantemente rotacional.
• Estrutura diferente (sem disco).
• Cervical baixa:
• Movimento combinado.
Inclinação Lateral
• Movimento no plano frontal.
• Ocorre fechamento das facetas do lado
da inclinação.
• Abertura do lado oposto.
🧠 Clínica:
• Inclinação + rotação ocorre
simultaneamente (movimento acoplado).
• Isso é muito importante.
Movimento Combinado
• Na cervical, inclinação lateral não acontece
sozinha.
• Quando fazemos inclinação lateral:
• Ocorre rotação para o mesmo lado na cervical
baixa.
• Esse fenômeno é chamado movimento
acoplado.
• Exemplo:
• Inclinação lateral direita
rotação direita associada.
• 🧠 Por que isso importa?
• Se um paciente
apresenta:
• Restrição de inclinação
lateral
• Mas rotação preservada
• Pode indicar:
• Compensação segmentar
• Bloqueio específico
Diferença entre Cervical Alta e
Cervical Baixa• Cervical Alta (C0–C2)
• Mais mobilidade.
• Movimento fino.
• Importante para rotação.
• Relação com cefaleia
cervicogênica.
• Pouca estabilidade
estrutural.
• Cervical Baixa (C3–C7)
• Mais carga.
• Mais degeneração.
• Disco intervertebral
presente.
• Mais relacionada à
radiculopatia.
Característica C1 (Atlas) C2 (Áxis)
Cervical Baixa
(C3–C7)
Corpo vertebral ❌ Não possui ✅ Presente ✅ Presente
Processo
espinhoso
❌ Não possui Bífido Bífido (C3–C6)
Estrutura
especial
Massas laterais
Dente
(odontóide)
Uncus
Movimento
principal
Flexo-extensão Rotação
Movimentos
combinados
Estabilidade Menor Moderada Maior
Consequência da Hipomobilidade
Segmentar• Se C5-C6 está rígido:
• C4-C5 pode hipermobilizar.
• C6-C7 pode compensar.
• A musculatura superficial assume mais função.
• Surge dor mecânica.
• 👉Isso é diagnóstico cinético funcional.
Estabilizadores Profundos
• Longo do pescoço e
longo da cabeça
• Função:
• Estabilização segmentar
• Controle fino do
movimento
• Manutenção da lordose
fisiológica
🧠 Na dor cervical crônica:
• Inibição neuromuscular
• Ativação tardia
• Diminuição de resistência
• Consequência:
→ Superativação de
musculatura superficial
→ Padrão compensatório
Multífidos Cervicais
Função:
• Estabilidade intersegmentar
• Controle rotacional
• Disfunção:
• Dor persistente
• Instabilidade funcional
• Recorrência de sintomas
Musculatura Superficial
• ECM, trapézio superior, levantador da
escápula.
• Função:
• Movimentos globais
• Quando hiperativos:
• Rigidez
• Cefaleia tensional
• Dor referida
Trapézio
Superior
Levantad
or da
Escápula
DOR CERVICAL MECÂNICA
• Piora com movimento
• Piora com postura
sustentada
• Sem sintomas sistêmicos
Dor mecânica é:
✔ Relacionada à carga
✔ Relacionada ao movimento
✔ Reproduzível
Origem pode ser:
• Disco
• Faceta
• Músculo
• Ligamento
DOR INFLAMATÓRIA
• Rigidez > 30 min
• Melhora com movimento
• Pode acordar à noite
• Diferente da mecânica porque:
✔ Não depende de carga
✔ Tem padrão sistêmico
✔ Pode ter sintomas associados (fadiga, febre leve)
• Podemos pensar em:
• Espondiloartrites, Doenças Reumatológicas
“Por que essa dor
melhora com
movimento?”
• Aumenta circulação
• Reduz rigidez
inflamatória
DOR RADICULAR x REFERIDA
• Radicular → dermátomo
• Referida → padrão não dermatomérico
Dor Radicular
oOrigem:
• Compressão de raiz nervosa
oSintomas:
• Queimação
• Choque
• Formigamento
• Alteração reflexa
• Fraqueza
o Distribuição:
Segue mapa
dermatomérico.
o Exemplo:
C6 → polegar
Dor Referida
Origem:
• Estrutura musculoesquelética
Características:
• Difusa
• Não segue dermátomo
• Sem déficit neurológico
INSPEÇÃO
• Cabeça anteriorizada
• Retificação
• Inclinação
• Rotação
• Assimetria escapular
Vista lateral:
• Linha do lóbulo da orelha
em relação ao ombro.
Cabeça anteriorizada:
• Aumenta carga
compressiva posterior.
• Sobrecarrega extensores.
Vista posterior:
• Avaliar escápulas.
• Relação com trapézio.
“Alteração escapular pode
gerar dor cervical?”
AMPLITUDE DE MOVIMENTO
• As amplitudes normais da coluna cervical incluem:
• Flexão: 0° - 65°
• Extensão: 0° - 50°
• Inclinação Lateral 0° - 40°
• Rotação 0° a 90°
Avaliação qualitativa:
• É doloroso?
• É restrito?
• Tem algum padrão?
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
• Dermátomos
• Miótomos
• Reflexos
C5 → deltóide
C6 → extensores de punho
C7 → tríceps
Reflexos:
• Bicipital (C5–C6)
• Tricipital (C7)
Importância da comparação
bilateral.
Dermátomos
MIÓTOMOS
Ação: Flexão da Cabeça
Ação: Flexão
do Pescoço e
Inclinação
Homolateral
Ação: Inclinação
Homolateral
da Cabeça
Ação: Extensão,
Inclinação e
Rotação
Homolateral da
Cabeça
Ação: Extensão,
Inclinação e
Rotação
Ação: Extensão,
Inclinação
Homolateral eRotação
Contralateral da
Cabeça
Ação: Extensão,
Inclinação
Homolateral e
Rotação
Contralateral da
Cabeça
Ação: Extensão
da Cabeça e
Rotação
Contralateral
Ação: Extensão
da Cabeça
Ação:
* Fixo
Superiormente: Ação
Inspiratória
* Fixo Inferiormente:
- Contração
Unilateral: Flexão,
Inclinação
Homolateral e
rotação com a face
virada para o lado
oposto
- Contração Bilateral:
Flexão da Cabeça
Ação: Elevação e
Adução da
Escápula.
Inclinação e
Rotação
Homolateral da
Coluna Cervical e
Extensão da
Cabeça
Anterior e
Médio
Ação:
Elevação da
primeira
Costela e
inclinação
Homolateral
do Pescoço –
Ação
Inspiratória.
Posterior
Ação:
Elevação
da segunda
costela e
inclinação
homolatera
l do
pescoço –
Ação
inspiratória
Ação:
*Fixo na Coluna: Elevação do
Ombro, Adução das
Escápulas, Rotação Superior
das Escápulas e Depressão
de Ombro
*Fixo na Escápula: Contração
Unilateral: Inclinação
Homolateral e Rotação
Contralateral da Cabeça
Contração Bilateral: Extensão
da Cabeça
Avaliação
• Anamnese
• Inspeção (avaliação postural)
• Palpação
• Goniometria
• Testes musculares
• Testes ortopédicos e neurológicos
• Exames complementares
Anamnese
• Determinar a QP, HMA, HMP, hábitos pessoais, tipo,
localização e intensidade da dor, e principalmente associar
todos os dados colhidos aos sintomas do paciente.
• Direcionar a avaliação: (ascendente, descendente)
• Cervicalgia
• Cervicobraquialgia
• Cervicocefaléia
Inspeção
• Avaliação postural (cabeça, ombros, espasmos musculares)
• Avaliação da parte psicológica
• Face, expressão
• Atitudes (inquieto, calmo)
• Inspeção dinâmica (Ativa e Passiva)
• Flexão/ Extensão/ Inclinação/Rotação lateral e medial
Caso 1
• Paciente, 38 anos
Trabalha em
escritório
Dor cervical há 4
meses
Piora no final do dia
Sem parestesia
Melhora aos finais de
semana
Postura anteriorizada
Caso 2
• Paciente, 52 anos
Dor cervical
irradiando para
polegar
Formigamento
Fraqueza para
extensão de punho
Piora com extensão
cervical
Caso 3
Paciente, 25 anos
Rigidez matinal
de 1h
Melhora com
movimento
Dor que acorda
à noite
Cada grupo recebe 1 caso.
Tipo de dor (mecânica, radicular, inflamatória?)1️⃣�
Estrutura possivelmente envolvida2️⃣�
Qual movimento provavelmente piora3️⃣�
Que exame físico fariam4️⃣�
Precisaria de imagem? Qual?5️⃣�
Diagnóstico Cinético Funcional da Coluna Cervical e Imaginologi
Por que estudar cervical?
O que é Diagnóstico Cinético Funcional?
Dois pacientes com protrusão discal C5-C6 terão o mesmo diagnós
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Características principais:
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Biomecânica Cervical
Flexão Cervical
Extensão Cervical
Rotação Cervical
Inclinação Lateral
Movimento Combinado
Diferença entre Cervical Alta e Cervical Baixa
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Consequência da Hipomobilidade Segmentar
Estabilizadores Profundos
Multífidos Cervicais
Musculatura Superficial
Trapézio Superior
Levantador da Escápula
DOR CERVICAL MECÂNICA
DOR INFLAMATÓRIA
DOR RADICULAR x REFERIDA
Dor Radicular
Dor Referida
INSPEÇÃO
AMPLITUDE DE MOVIMENTO
Avaliação qualitativa:
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
Dermátomos
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Avaliação
Anamnese
Inspeção
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Cada grupo recebe 1 caso.
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