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Produção sustentável de 
Peixes Amazônicos I
Criação sustentável de peixes redondos
2
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
2. Iniciando a produção de peixes 
redondos 
Abertura
Neste módulo, você aprenderá as bases para iniciar sua própria produção de peixes 
redondos a partir dos diferentes tipos de manejo mais comuns no Brasil. Ao longo 
do material, abordaremos fatores importantes para o desenvolvimento da atividade 
aquícola, como reconhecimento do solo, abastecimento e escoamento das águas 
e outros pontos-chave para obter sucesso na criação de peixes.
Você conhecerá os detalhes da implantação de infraestruturas de viveiros e 
aprenderá a prepará-los, de modo a deixá-los adequados para receber alevinos. 
Objetivos de aprendizagem
• Distinguir os diferentes tipos de produção de peixes redondos utilizados 
comercialmente no Brasil.
• Reconhecer os fatores que potencializam o desenvolvimento da atividade 
aquícola em uma propriedade.
• Conhecer os processos envolvidos na implantação de uma infraestrutura 
de viveiros escavados.
• Aplicar os processos de preparação em um viveiro, deixando-o apto à 
criação.
3
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
2.1 Produção extensiva, semi-intensiva e 
intensiva
Quando falamos em sistemas de produção, a definição é extremamente ampla e 
pode ser utilizada para diversas áreas de conhecimento, como as ciências agrárias 
e a engenharia. Um sistema de produção pode ser entendido como um conjunto 
de elementos que se inter-relacionam com o objetivo de transformar entradas 
(insumos) em saídas (produtos) por meio de um processo predefinido.
Peixes
(alevinos)
Ração Peixe
comercial
Quadro 2.1. Insumos e produto
Fo
to
: 
Je
ff
er
so
n 
 C
hr
is
to
fo
le
tt
i
Fazendo um paralelo com a piscicultura, esse processo seria um conjunto de 
fatores ou elementos (infraestrutura, água, meio ambiente, entre outros) que são 
manejados para transformar entradas (água, peixes, adubos e ração) em saídas 
(peixes de tamanho comercial, resíduos e água de descarte). Esses sistemas variam 
de acordo com vários aspectos, como a infraestrutura utilizada, a dependência 
dos animais em relação à ração ofertada, a densidade de criação e o manejo 
despendido.
Dentro de um sistema de produção, a classificação tem por objetivo facilitar a 
compreensão de suas características e relações com as atividades de planejamento 
e manejo. 
Neste curso, a classificação adotada será aquela baseada na intensificação da 
produção, que é a mais utilizada pelos produtores e reflete o nível de tecnologia 
e produtividade da atividade. Alguns dos critérios adotados nessa classificação 
são a densidade de estocagem, a dependência de ração pelos peixes, a utilização 
do alimento natural, o nível de manejo empregado, os custos de produção e a 
suscetibilidade a doenças. Sob essas perspectivas, clique no link inserido no título 
abaixo veja o vídeo a seguir, que descreve brevemente a classificação dos sistemas 
de produção. 
Classificação dos sistemas de produção de peixes
a. Sistema extensivo
Fo
to
: 
G
io
va
na
 S
an
to
s
Fo
to
: 
Je
ff
er
so
n 
C
hr
is
to
fo
le
tt
i
https://youtu.be/SEUOXFuOXoo
4
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Como funciona?
No sistema extensivo, não se tem um controle detalhado do processo de produção, 
que normalmente é realizado para aproveitamento de estruturas da propriedade. As 
estruturas mais utilizadas são os açudes, as barragens e as represas, nas quais, em 
geral, não há o manejo da qualidade da água e o fornecimento de ração é esporádico. 
Normalmente, são cultivadas várias espécies e, por isso, a alimentação disponível 
para os peixes é oriunda da produtividade natural do corpo d’água, variando de 
acordo com a disponibilidade de nutrientes no meio. Portanto, é recomendada 
baixa densidade de estocagem, com consequente baixa produtividade (em torno 
3.000/ha de lâmina d’água/ciclo). As trocas de água, quando existentes, são 
realizadas por bombeamento porque, em geral, essas estruturas não têm canais 
de drenagem. As despescas, quando realizadas, são parciais e feitas com redes de 
arrasto. 
A adoção do sistema extensivo é muito comum em propriedades que possuem 
estrutura de criação, mas que não têm a piscicultura como atividade prioritária. 
Normalmente, primeiro se realiza o povoamento com alevinos e, após algum tempo, 
faz-se a despesca. 
O tempo para que os animais alcancem o tamanho comercial nesse sistema 
costuma ser maior devido à pouca disponibilidade de alimento. 
Figura 2.1. Barragem utilizada para produção de peixes
Fo
nt
e:
 R
od
rig
ue
s 
et
 a
l. 
(2
01
3
, 
p.
 9
9
)
5
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Qual o investimento? 
Os custos de produção e a suscetibilidade dos animais a doenças no sistema 
extensivo são baixos, principalmente porque a similaridade das condições de criação 
com aquelas do ambiente natural (baixas densidades de estocagem e inexistência 
de manejo ao longo do ciclo de produção) reduz o estresse dos animais.
b. Sistema semi-intensivo
Como funciona?
O sistema semi-intensivo ainda é o mais utilizado pelos produtores do Brasil e, 
como o nome sugere, a intervenção humana no processo de produção é um pouco 
maior que no extensivo. 
Os viveiros escavados, geralmente de pequeno volume quando comparados às 
barragens, são as estruturas mais presentes nesse tipo de manejo. A fertilização é 
realizada como forma de aumentar a produtividade primária da água, sendo essa a 
principal fonte de oxigênio e complementação da alimentação dos peixes criados. 
Paralelamente, também é necessário o fornecimento de ração balanceada para 
complementar a alimentação. Dessa forma, no sistema semi-intensivo, há mais 
alimento natural (fito e zooplâncton) e aumenta o gasto com ração. 
Nessa criação, é necessário acompanhar a qualidade da água, com monitoramento 
diário da temperatura e do oxigênio dissolvido, se possível antes do arraçoamento, 
além de avaliar periodicamente a transparência, o pH e os níveis de amônia, nitrito 
e nitrato. 
Esse sistema suporta maiores densidades de estocagem que o extensivo, com 
produtividade em torno de 6.000 kg/ha/ciclo (o ciclo varia de acordo com o peso 
final pretendido, que, por sua vez, muda de acordo com a região do país).
A produção semi-intensiva pode ser conduzida em sistemas estáticos ou com 
renovação de água, sendo este último o mais comum, com trocas que podem 
variar de 5 a 10% do volume total por dia. Por ter maiores taxas de estocagem, é 
comum que haja perdas na produção quando não é feito o acompanhamento da 
qualidade da água durante a criação. Para minimizar o problema, uma alternativa 
que vem sendo utilizada é o uso de equipamentos para aeração dos viveiros.
6
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Figura 2.2. Viveiro com renovação de água
Fo
to
: 
M
ar
ce
la
 M
at
av
el
i.
Qual o investimento?
Quanto mais produtivo for o sistema, mais manejo e acompanhamento técnico da 
produção será necessário. 
Os custos são mais elevados em relação ao sistema extensivo; contudo, a 
produtividade também é bem maior. 
Com o aumento da densidade de estocagem e de manejos ao longo da criação, 
que são fatores estressantes para os peixes, aumenta-se também a suscetibilidade 
dos animais a doenças.
c. Sistema intensivo
Como funciona?
A produção em sistema intensivo é a maior potencialidade do Brasil, apesar de 
ainda não ser o principal modelo de criação em todo o país. 
Nesse sistema, a intervenção humana é fator decisivo para o sucesso da criação, 
uma vez que o manejo é intensificado (vai desde a oferta de ração, que aqui 
precisa ser maior, até classificações de indivíduos por tamanho, repicagem ao 
longo do ciclo e acompanhamento constante da qualidade da água).
Devido às altasdensidades de estocagem suportadas nesse sistema, há grande 
produtividade, que chega a alcançar 40 kg/m³ de lâmina d’água. 
O alimento natural presente na água da criação não atende à demanda nutricional 
dos peixes estocados, com pouca ou nenhuma contribuição para a produção, daí a 
grande importância de se utilizar rações de qualidade e em quantidades adequadas 
durante esse método de cultivo. 
7
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Além disso, as trocas de água devem ser feitas com mais frequência devido ao 
grande volume de resíduos liberados, sejam advindos da alimentação ou dos 
processos metabólicos dos animais.
Figura 2.3. Exemplo de estrutura em um sistema intensivo de produção
Fo
to
: 
Je
ff
er
so
n 
C
hr
is
to
fo
le
tt
i.
Qual o investimento? 
A produção pode ser desenvolvida em diversas estruturas, entre elas: viveiros com 
uso de aeradores, tanques-rede e tanques de alto fluxo (raceways). 
Os custos são, em geral, elevados – mas a produtividade também é grande. 
Problemas como estresse devido ao manejo, práticas incorretas de alimentação, 
deterioração da qualidade da água e surtos de doenças são mais comuns em 
sistemas intensivos. A saúde dos peixes pode ser afetada rapidamente devido às 
altas densidades no cativeiro.
Custo
Manejo
Doenças
Extensivo
Semi-intensivo
intesivo
ALIMENTO
NATURAL
DENSIDADE
RAÇÃO
FORNECIDA
Fo
nt
e:
 K
at
o 
(2
01
9
).
Quadro 2.2. As criações de peixe
8
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
2.2 Escolha do local
A escolha do local é fundamental para o sucesso da piscicultura. O primeiro passo 
é verificar se a propriedade apresenta água de qualidade e em quantidade suficiente 
para a produção comercial de peixes. 
Clique no link inserido no título abaixo para ouvir o podcast e conhecer algumas 
dicas importantes para a escolha do local. 
Dicas importantes para escolha do local para piscicultura
A proximidade a vários mercados e a facilidade de acesso a eles são fatores 
decisivos para a seleção dos locais. O adequado posicionamento logístico permite 
reduzir o custo com transporte de produtos e insumos, diversificar os mercados 
e reduzir os riscos de comercialização, o que beneficia a competitividade do 
empreendimento. 
Na etapa de implantação propriamente dita, é importante observar a possibilidade 
de se montar uma estrutura versátil, capaz de receber diferentes fases de criação, 
várias espécies e variadas intensidades de criação, o que diminui riscos futuros 
relacionados a mudanças de mercado e técnicas de produção. 
Em criações consorciadas, um ou mais organismos aquáticos 
são produzidos em associação com organismos terrestres, que 
podem ser animais (suínos, aves etc.) ou vegetais (arroz, hortaliças 
etc.). O fluxo de subprodutos entre as criações é o que caracteriza 
o consórcio. A produtividade dos sistemas de piscicultura 
consorciada com animais está ligada diretamente à permanente 
disponibilidade de um subproduto oriundo da produção do animal 
terrestre (principalmente dejetos de suínos e aves), ao manejo 
dispensado ao cultivo e ao uso complementar de rações artificiais. 
No consórcio entre piscicultura e produção de vegetais, como 
na rizipiscicultura (produção de arroz irrigado consorciada com 
a produção de peixes) e aquaponia (combinação da produção 
de pescado com hidroponia), os subprodutos (dejetos e sobras 
de alimento) oriundos da produção de peixes contribuem para o 
crescimento do vegetal. Assim sendo, no consórcio com animais 
terrestres, a piscicultura é beneficiada pelo subproduto gerado 
com a criação do animal terrestre; já no consórcio com vegetais 
ocorre o contrário. 
Curiosidade
https://ava.sede.embrapa.br/pluginfile.php/1444374/mod_resource/content/1/Escolha%20do%20local%20para%20a%20piscicultura.mp3
9
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
a. Qualidade e disponibilidade de água
As áreas selecionadas para a piscicultura devem dispor de fontes de água de boa 
qualidade, sem riscos de contaminação por poluentes, e em quantidade mínima 
para atender à demanda da criação. O volume de água necessário depende de 
alguns fatores, sendo os principais deles: 
• área dos viveiros;
• taxas de infiltração e evaporação;
• renovação da água exigida;
• sistema de produção adotado; 
• número de vezes que os viveiros serão drenados por ano;
• estratégias para o reaproveitamento da água;
• precipitação anual que será incorporada pelos viveiros e reservatórios de 
abastecimento. 
A taxa de infiltração depende principalmente das características do solo dos 
viveiros, da eficiência do trabalho de compactação, do uso de estratégias para 
amenizar o problema e do tempo de uso do espaço em que vivem os animais. A 
infiltração tende a diminuir gradativamente quando o solo atinge a capacidade de 
campo, ou seja, à medida que seus poros vão sendo preenchidos pela matéria 
orgânica depositada no viveiro. A taxa de infiltração pode ser estimada de acordo 
com a textura do solo, conforme a tabela a seguir:
Tabela 2.1 – Valores de infiltração de água em diferentes tipos de solo em estado natural e após a 
quebra de sua estrutura e fechamento de poros
Tipo de solo
Perdas por infiltração 
(mm/dia) do solo em 
estado natural
Perdas por infiltração 
(mm/dia) do solo 
estabilizado
Arenoso 2.400 2.400
Franco arenoso 960 3-6
Franco 8-20 2-3
Franco argiloso 2,5-15 1-2
Argiloso franco 0,25-5 Cerca de 1
Argiloso 6,12 1,416
Fonte: Adaptada de Rodrigues et al. (2013).
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Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Já a evaporação da água dos viveiros varia de acordo com os meses do ano, 
acentuando-se pelas altas temperaturas, pela baixa umidade do ar e pela ação 
contínua dos ventos. Dessa forma, em regiões tropicais com alta incidência de 
radiação solar e temperatura do ar elevada, a evapotranspiração é maior que em 
regiões temperadas. Além disso, a evapotranspiração muda conforme a frequência 
e a intensidade dos ventos, a umidade relativa do ar e o acúmulo de nuvens. 
Portanto, quanto mais próxima dos trópicos for a criação, maior será a demanda 
de água.
Para se determinar a quantidade de água perdida pela evapotranspiração, é preciso 
conhecer a taxa de evaporação da região, que pode ser obtida junto à Gerência de 
Outorga da Agência Nacional de Águas (ANA).
De forma geral, a demanda de água de uma piscicultura leva em conta o volume 
de água dos viveiros, o volume infiltrado, o volume evaporado e o volume da 
precipitação. Tal necessidade pode ser calculada com uma fórmula simples, que 
apresentamos logo a seguir:
Demanda hídrica = (volume de água dos viveiros + volume de água 
reposto após a despesca + volume infiltrado + volume evaporado) – 
volume precipitado
Clique no link inserido no título a baixo e veja a seguir um vídeo sobre as fontes 
de água para piscicultura e suas características.
Fontes de agua para manejo de peixes
b. Tipo de solo
Os solos são basicamente compostos por 45% de elementos minerais, 25% de 
ar, 25% de água e 5% de material orgânico. Sua fração sólida caracteriza-se pela 
composição de elementos minerais e orgânicos, como cascalho, areia, silte, argila 
e partículas orgânicas da decomposição de vegetais e animais. As suas condições 
de fertilidade e acidez são importantes, mas não decisivas para a construção de 
viveiros, uma vez que é possível recuperar ou corrigir o solo.
As áreas selecionadas para a implantação de pisciculturas devem ser detalhadamente 
investigadas com a abertura de trincheiras e a realização de tradagens (coleta de 
amostras do solo em diversas profundidades com a ajuda de um trado) ao longo 
de toda a área. Assim, será possível conhecer as características do terreno onde 
serão construídos os viveiros, taludes e diques. As análises do perfil do solo devem 
se estender por pelo menos 60 cm abaixo da cota prevista para o fundodos 
viveiros, de modo que seja possível verificar a presença de lençol freático. 
https://youtu.be/SRzBp_Beae4
11
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Clique no link inserido no título abaixo e a seguir ouça um podcast que apresenta 
as áreas e solos mais indicados para a construção de viveiros.
Áreas e solos mais indicados para a construção de viveiros
A modelagem em forma da letra S é uma prática de campo para saber se o solo é 
apropriado para a abertura de viveiros escavados. O sistema considera três tipos 
de solo, de acordo com sua textura: arenoso, de textura média e argiloso. Para 
fazer o teste, pegue um pouco de terra nas mãos, umedeça e tente formar uma 
letra S. 
A identificação a campo, contudo, não exclui a necessidade de se fazer testes em 
laboratório para a sua exata identificação.
Clique nos círculos a seguir para aprender a identificar os diferentes tipos de solo:
Solo arenoso – possui menos de 15% de argila 
e não é possível dar forma a ele.
Solo de textura média – uma vez moldado em 
formato alongado, dobrando-se ao meio, se a 
forma quebrar ou rachar, significa que o terreno 
possui de 15 a 35% de argila.
Terreno argiloso – permite a formação da letra 
S por ser composto por mais de 35% de argila.
Fo
to
: 
Je
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so
n 
C
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i.
Fo
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Fo
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Je
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so
n 
C
hr
is
to
fo
le
tt
i.
https://ava.sede.embrapa.br/pluginfile.php/1444376/mod_resource/content/1/%C3%81reas%20e%20solos%20mais%20indicados.mp3
12
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
A construção de viveiros não deve ser feita em hipótese alguma com o solo 
excessivamente molhado ou muito seco, sob o risco de vazamento no talude ou 
até desmoronamento. 
Solos encharcados dificultam a captação e distribuição de material durante a 
construção. Além disso, quando o solo do talude secar, haverá a formação de 
rachaduras ou de canais por onde podem iniciar infiltrações. 
No caso de terrenos muito secos, dificulta-se a compactação, o que pode também 
causar problemas de infiltração. É possível umedecer o solo para compactação, 
contudo, os custos com mão de obra e o tempo de serviço aumentam. Nesse 
caso, a cada 20 cm de deposição de solo, este deve ser umedecido com o uso de 
mangueiras ou caminhão pipa e compactado com rolo, repetindo-se a operação 
em seguida.
c. Clima
O clima é decisivo para a produtividade e redução de riscos da criação. É desejável, 
durante a escolha do local, que se leve em conta o clima, que deve ser o mais 
compatível possível com a faixa de conforto térmico das espécies a serem criadas, 
em uma área com pouca variação climática. Muitas pisciculturas convivem com o 
risco de mortalidade de animais por causa das variações de temperatura. Em tais 
regiões, as espécies cultivadas devem ser adaptadas a essas condições. 
Em pisciculturas que realizam a fase de recria e terminação, o produtor deve estar 
ciente de que o crescimento de peixes tropicais, em períodos de inverno, será 
reduzido, além de o risco de mortandade crescer, especialmente quando ocorrerem 
frequentes e bruscas oscilações diuturnas na temperatura ou longos períodos com 
baixas temperaturas. Esse fato também tem influência na duração do ciclo de 
criação e deve ser considerado no planejamento da produção. 
A temperatura também é importante para a implantação de estações de alevinagem 
de espécies de clima temperado, que necessitam passar por um período de inverno 
bem definido para que atinjam a condição adequada para a reprodução. 
Outras espécies não dependem tanto da temperatura da água, mas do fotoperíodo 
e do regime de chuvas.
d. Topografia
Existem técnicas de engenharia que permitem a utilização de quase todos os tipos 
de terreno para piscicultura; entretanto, deve-se dar preferência a planícies – ou 
pelo menos a espaços com declividade suave (inferior a 2 m de desnível a cada 
100 m de distância, ou seja, 2%).
Um local com topografia adequada permite a construção de viveiros e represas 
com movimentação mínima de terra, bem como o estabelecimento de uma rede 
de abastecimento e escoamento de água por gravidade, o que torna a construção 
menos custosa e facilita o controle de enchentes e enxurradas.
13
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
e. Restrições ambientais
Ao pensar em desenvolver a piscicultura, o profissional deve estudar as restrições 
quanto ao desmatamento e conhecer as áreas de proteção ambiental das matas 
ciliares. 
Também deve ser levado em consideração o controle com relação ao uso dos 
recursos hídricos, principalmente quanto ao volume de água que pode ser captado 
e ao lançamento da água de drenagem dos viveiros (efluente) nos corpos hídricos 
naturais. 
Assim, é fundamental conhecer as regulamentações federais, estaduais e municipais 
que legislam sobre os recursos naturais, sem se esquecer dos procedimentos para 
a obtenção das licenças ambientais do empreendimento.
f. Infraestrutura básica, mão de obra, insumos e serviços
A atividade da piscicultura também depende de logística (as condições das 
estradas e a proximidade dos aeroportos e portos) para transporte de cargas e 
recebimento de uma série de insumos básicos, como ração, alevinos, corretivos e 
fertilizantes; da disponibilidade de serviços (energia e manutenção da rede elétrica; 
oferta de serviços de apoio, como terraplenagem, manutenção de veículos e 
outros equipamentos; instalação e manutenção de galpões e outras estruturas). 
Muitas facilidades em infraestrutura podem ser fatores decisivos na seleção dos 
locais. Deve-se considerar, também, a facilidade de recrutamento de mão de obra, 
temporária e permanente, e a necessidade da confecção de embalagens.
Amostras das fontes de água precisam ser enviadas a laboratórios especializados 
para análise. Entretanto, avaliações preliminares podem ser feitas diretamente no 
campo, com o uso de kits colorimétricos, oxímetros, peagâmetros, entre outros 
equipamentos portáteis.
Figura 2.4. Kit colorimétrico
Fo
to
: 
A
do
be
 S
to
ck
 (
2
01
9
).
 
14
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
2.3 Estrutura de viveiros
Os viveiros escavados são hoje a estrutura de criação mais utilizada para peixes 
redondos. Eles podem ser utilizados para a produção de alevinos, recria e engorda 
de peixes e manutenção de matrizes. 
Na piscicultura, a estrutura dos viveiros é o item de maior investimento. O valor 
pode variar, principalmente por conta do tipo de solo e da presença ou não de 
vegetação no terreno, do levantamento planialtimétrico, de seu design e da 
estrutura hidráulica para drenagem.
Clique nas caixas a seguir para conhecer alguns dos aspectos que mais influenciam 
a variação do custo da infraestrutura de piscicultura.
Quantidade e tamanho das estruturas
Para otimizar a produção de peixes, o empreendedor deve dimensionar 
a quantidade e o tamanho das estruturas de criação de acordo com a 
disponibilidade de água de qualidade na propriedade (é preciso analisar os 
parâmetros de qualidade da água e a possibilidade de contaminação com 
agrotóxicos e efluentes). Para o abastecimento dos viveiros, podem ser 
utilizadas as águas de rios, córregos, minas, poços, desde que seja avaliada a 
vazão – especialmente no período de estiagem. 
Perfil do solo
O produtor deve investigar o perfil do terreno para identificar o tipo de 
solo na cota prevista para o fundo do viveiro e para os taludes. O solo 
de textura média, com entre 15 e 35% de argila, é o mais recomendado, 
apesar de existirem soluções para implantação de viveiros em solos com 
alta permeabilidade, mas que demandam mais investimento e gastos com 
manutenção.
Topografia
O ideal é dar preferência a terrenos planos ou com declividade suave, não 
superior a 2% (ou 2 m de desnível a cada 100 m). Declividades maiores 
encarecem aimplantação por ser necessário recorrer a serviços de 
terraplanagem. A realização de um levantamento planialtimétrico é primordial, 
pois permite visualizar as curvas de nível, indicar o layout, pensar no 
posicionamento e cotas dos viveiros e selecionar um espaço que permita o 
abastecimento por gravidade.
15
Produção sustentável de Peixes Amazônicos I – 
Criação sustentável de peixes redondos
Viveiros escavados podem variar de 400 m² de área – que, normalmente, são 
utilizados na fase de recria – a estruturas de 1000 m² a 10.000 m² (um hectare) 
na fase de engorda. É importante salientar que a construção de viveiros pequenos 
é mais cara, além do fato de eles apresentarem menor área de lâmina d’água por 
causa da área ocupada pelos taludes. 
Os taludes, sempre que possível, devem ser de formato retangular, com proporção 
1:4 em largura e comprimento. Essa estruturação permite que a água escoe mais 
facilmente, de forma a favorecer a secagem do viveiro e facilitar as operações de 
manejo e despesca. 
A estrutura pode ser parcialmente escavada ou totalmente elevada no terreno (por 
exemplo, em casos em que não é possível tradar o solo por ele ser pedregoso). A 
padronização do tamanho facilita o manejo de despesca, povoamento, calagem, 
adubação e arraçoamento.
Figura 2.5. Proporção ideal entre largura e comprimento (1:4) 
dos viveiros
Fo
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e:
 R
od
rig
ue
s 
et
 a
l. 
(2
01
3
, 
p.
 1
1
8
).
Os empreendimentos voltados à recria e engorda em viveiros, barragens e açudes 
podem prever a construção de um ou mais espaços de depuração, os quais se 
destinam à permanência dos peixes após o término do ciclo de cultivo, para que o 
animal esvazie o trato digestório e elimine substâncias que eventualmente possam 
conferir características indesejáveis à carne, como odor e/ou sabor de mofo ou 
barro (off-flavor). O viveiro de depuração deve ser completamente revestido por 
manta plástica ou cimento e contar com um abastecimento de água com alta 
vazão para a renovação constante. 
Em todos os tipos de instalações, pensando nos peixes adquiridos em outras 
pisciculturas, a construção de tanques para quarentena é fundamental como 
medida de prevenção de problemas de ordem sanitária. É preciso, ainda, tomar 
um cuidado especial com a água de descarte desses tanques a fim de evitar a 
disseminação de doenças e agentes patogênicos.
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Criação sustentável de peixes redondos
2.4 Construção de viveiros escavados
Após a obtenção do licenciamento ambiental, do levantamento topográfico e 
planialtimétrico da área e do estabelecimento das cotas de níveis para abastecimento 
e drenagem, deve-se realizar a limpeza do terreno antes de iniciar a construção do 
viveiro. Com essa limpeza, é feita a retirada de tocos, pedaços de raízes e pedras, 
que, quando em excesso, podem comprometer a qualidade do viveiro e dificultar 
as operações de despesca se ficarem presos na rede de remoção. 
Em áreas com vegetação arbustiva ou rasteira, a retirada de uma camada entre 
10 e 30 cm abaixo do nível do solo é suficiente. Nesse processo, normalmente é 
utilizado trator de esteira.
Figura 2.6. Profundidades mínima e máxima e declividade do viveiro
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A profundidade dos viveiros deve variar entre 1,4 m na parte mais rasa e 1,8 m na 
mais profunda, de forma que o manejo possa ser realizado mesmo que o espaço 
esteja completamente cheio. 
Deve-se acrescentar uma borda livre de tamanho entre 0,3 e 0,4 m em viveiros de 
até 0,5 hectare, e de 0,4 a 0,5 m para viveiros de 2 a 4 hectares. Essa profundidade 
também contribui para o conforto dos peixes, pois evita a estratificação do ambiente 
aquático, mantendo a temperatura e a distribuição dos gases ao longo de toda a 
coluna d’água.
O fundo do viveiro deve apresentar um declive (de 0,5 a 3%) que permita total 
esvaziamento (drenagem completa). O desnível deve ser feito no sentido da 
entrada para a saída de água e no sentido dos taludes para o centro do viveiro, o 
que evita a formação de poças. Os pequenos acúmulos de água contribuem para 
a permanência de predadores e agentes patogênicos que podem causar prejuízos 
ao próximo ciclo de produção. 
No caso do viveiro escavado, a proporção do talude depende da estrutura e da 
coesão do solo. Normalmente, usa-se a proporção 3:1 na borda interna do viveiro 
(ou seja: para cada metro de altura, o talude avança 3 metros). Na borda externa, 
a proporção é de 2:1. A largura da crista deve ter entre 2 e 3 m, quando não for 
prevista a passagem de veículos, ou 5 m para a circulação de automóveis.
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Criação sustentável de peixes redondos
Figura 2.7. A largura dos taludes deve ser planejada de acordo com o 
manejo a ser adotado
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a. Abastecimento de água
O abastecimento de água pode ser realizado por canais a céu aberto ou por meio 
de tubulações. Tubulações de PVC são utilizadas para levar a água do canal de 
abastecimento até o viveiro, devendo-se proteger o local onde acontece a queda 
d’água para evitar a erosão do fundo do tanque. 
O controle de vazão do canal de abastecimento para o viveiro pode ser feito com a 
instalação de um registro ou utilizando-se conexões tipo “curva” ou “joelho” para 
controle de nível.
Figura 2.8. Sistema de abastecimento de água por tubulação de PVC
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4
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O revestimento dos canais de abastecimento é indicado quando o solo é muito 
permeável e pode ser feito em alvenaria, cimento pré-fabricado ou com lonas 
plásticas. Canais revestidos, apesar de aumentarem o custo de implantação, 
diminuem os gastos com manutenção (ela é muito mais custosa nos canais não 
revestidos).
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Normalmente, recomenda-se que os canais de abastecimento 
sejam construídos na forma de canaletas a céu aberto e que 
apenas a derivação destes para os viveiros seja por tubulação 
subterrânea. 
Atenção
O controle da passagem de água do canal principal para a tubulação individual do 
viveiro pode ser feito com a construção de pequenas caixas de inspeção utilizando 
“curva” ou “joelho” de controle de nível ou registro para controle de água, sendo 
esta última solução a mais prática.
O diâmetro da tubulação de abastecimento está relacionado com a área do viveiro 
escavado, de acordo com o que podemos observar na Tabela 2.2:
Tabela 2.2 – Relação entre a área dos viveiros e o diâmetro da tubulação
Área dos viveiros (m²) Diâmetro da tubulação (cm)
< 400 5 a 10
400 a 1.200 10 a 15
1.200 a 5.000 15 a 25
5.000 a 20.000 25 a 35
20.000 a 50.000 35 a 50
Fonte: Adaptada de Rodrigues et al (2013).
Os viveiros devem apresentar entrada e saída de água individual, em extremidades 
opostas, sendo preferível que o abastecimento de água seja realizado por gravidade, 
evitando-se ao máximo o gasto de energia com a utilização de bombas hidráulicas. 
Contudo, dependendo das características do empreendimento, é necessário investir 
em instalações para bombeamento. Tudo deve ser detalhadamente estudado 
na etapa de planejamento, uma vez que custos com instalação, manutenção e 
consumo de energia da estação de bombeamento podem inviabilizar a atividade.
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Figura 2.9. Abastecimento individual de viveiros
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Antes de entrar no viveiro, primeiramente a água deve passar por filtros mecânicos 
grosseiros, como grades ou telas grossas, para a retirada de galhos, folhas e peixes 
indesejáveis. Na extremidade do tubo de abastecimento, precisa ser instalada uma 
tela do tipo “mosquiteiro” para evitar a entrada de larvas, pequenos peixes e 
predadores, principalmente nas fases iniciais de criação.b. Drenagem dos viveiros
Para o correto manejo em piscicultura, é essencial a instalação de sistemas 
de drenagem eficientes, que possibilitem o esvaziamento total do viveiro. O 
escoamento da água, tanto para renovação quanto para despesca, deve ser feito 
descartando-se o líquido remanescente no fundo dos viveiros, pois essa é a água 
de pior qualidade para a criação.
Os sistemas de escoamento mais utilizados são o de joelho articulado, também 
conhecido como “cachimbo”, e o de “monge”, em alvenaria e concreto.
O cachimbo é uma estrutura de canos articulados que escoa a água. Ele pode ser 
interno – ou seja, dentro do viveiro – ou externo, fora do viveiro. O cachimbo deve 
conter, ainda, outro cano de maior diâmetro por fora para drenar a água do fundo 
do viveiro. Em viveiros de pequeno porte (até 2.000 m²), os cachimbos são mais 
recomendados, pois são menos onerosos e mais fáceis de manejar se comparados 
ao sistema monge.
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Figura 2.10. Sistema de escoamento do tipo joelho articulado (cachimbo)
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Na saída de água, é necessária a instalação de uma tela para evitar o escape de 
peixes. O nível da água é controlado movimentando-se o cachimbo para os lados, 
sendo possível retirar água da superfície ou do fundo. 
Os sistemas de abastecimento e drenagem de água são normalmente montados 
com tubulação de PVC ou PEAD (polietileno de alta densidade), sendo o diâmetro 
dos tubos determinado pela área dos viveiros. 
Em viveiros maiores, com mais de 2.000 m², a necessidade do emprego de 
tubulações de maior diâmetro dificulta a instalação do sistema cachimbo. Nessas 
áreas amplas, o sistema de drenagem tipo monge é o mais indicado. 
O monge é feito em alvenaria (são três paredes em forma de U) sobre uma base 
firme de concreto e pode ser disposto na parte interna ou externa do viveiro. 
Assim como o cachimbo, deve ser posicionado na parte mais profunda do espaço. 
Em cada uma das duas paredes paralelas do monge, são construídas canaletas 
verticais, nas quais são encaixadas placas de madeira e telas de forma que, 
dependendo de seu arranjo, permitam o controle do nível da água e a retirada dela, 
seja da superfície ou do fundo do viveiro.
Em todos os casos, o tubo de drenagem deve ser posicionado 10 cm abaixo da 
cota do viveiro para possibilitar a drenagem total da água.
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Figura 2.11. Esquema representativo de monge
c. Proteção dos taludes 
Após a construção dos taludes, eles devem ser protegidos por cobertura vegetal, 
preferencialmente com gramíneas, na crista e na borda livre (a borda livre é a 
distância entre o nível da água e a altura da crista do viveiro), até o nível da água. 
Essa medida protetiva visa reduzir as despesas com manutenção, uma vez que 
a drenagem da água das chuvas, que ocorre sobre o próprio talude em médio 
prazo, danificará a sua estrutura. A prevenção diminui os efeitos erosivos da chuva 
e vento e evita o assoreamento dos viveiros (a erosão dos taludes provoca o 
assoreamento e, com isso, é necessário custear manutenção e reparos). 
A cobertura vegetal exige manutenção (roçadas); portanto, deve-se optar por 
gramíneas de porte baixo, como grama-batatais (Paspalum notatum), capim-
bermuda (Cynodon dactylon) ou grama-esmeralda (Zoysia japonica). 
Em locais com muito vento, o atrito da água com o talude interno pode causar 
erosão. Aconselha-se, nesse caso, a construção de enrocamento com os materiais 
à disposição, como pedras e madeira. 
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Enrocamento 
de pedra
Cobertura 
vegetal
Figura 2.12. Modelo de talude com enrocamento de pedra
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2.5 Preparação de viveiros
Para iniciar um ciclo de produção, faz-se necessário preparar o viveiro que receberá 
os alevinos ou peixes para a fase de engorda. Esse processo é essencial para 
assegurar um bom início da atividade e, consequentemente, o sucesso da criação. 
Quando se trabalha em barragens de pequeno volume e viveiros, o procedimento 
inicial é a preparação da estrutura para a recepção dos animais. O preparo consiste 
em quatro etapas: esvaziamento e secagem, desinfecção, calagem e fertilização. 
Na sequência, vamos estudar cada uma delas.
a. Esvaziamento e secagem
Clique no link inserido no título abaixo e veja a seguir uma animação sobre o 
esvaziamento e a secagem de viveiros. 
Esvaziamento e secagem de viveiros
b. Desinfecção
A prática da desinfecção tem como objetivo eliminar ovos de peixes, carcaças de 
peixes de outros ciclos, peixes selvagens, caramujos, parasitas e outros pequenos 
animais que possam predar ou competir por alimento com os alevinos que serão 
estocados. 
O processo consiste no depósito de cal virgem ou hidratada (200 kg/1.000 m²) 
em todo o fundo do viveiro com uma aplicação homogênea, especialmente em 
locais com poças de água. A quantidade a ser aplicada pode variar conforme a 
quantidade de depósitos de água e o tamanho deles. Esse procedimento deve ser 
realizado dois ou três dias antes do abastecimento com água.
https://youtu.be/QbPitlrUWE4
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A cal virgem e hidratada não deve ser utilizada durante o cultivo, pois pode matar 
os peixes. Ela deve ser aplicada com bastante cuidado, usando-se luvas, botas e 
máscaras; o uso indevido e sem proteção pode ocasionar sérias queimaduras na 
pele do aplicador.
c. Calagem
Se após a desinfecção ou durante a criação o seu viveiro apresentar pH menor que 
6,5 e/ou alcalinidade inferior a 20 mg/L de carbonato de cálcio, será necessário 
fazer a calagem. 
Na preparação do viveiro, essa prática serve para neutralizar a acidez do solo e 
corrigir a alcalinidade e o pH da água, o que evita mudanças drásticas de pH. 
Além disso, o uso da calagem adequada promove a decomposição da matéria 
orgânica e, consequentemente, melhora a qualidade da água e permite a produção 
de fitoplâncton. Com o viveiro vazio, deve-se aplicar calcário, com uma quantidade 
que varia de acordo com o pH existente.
A aplicação de calcário pode ser feita também ao longo da produção, para correção 
da qualidade da água, se esta apresentar altas variações nos valores de pH ou 
alcalinidade baixa – lembrando que, durante a criação de peixes, pode-se aplicar 
calcário, mas nunca a cal. Diferentemente do calcário, a cal virgem ou hidratada 
reage rapidamente com a água e provoca um aumento repentino de temperatura e 
pH, mudanças que causam a mortandade dos peixes. 
d. Adubação inicial
A adubação favorece o desenvolvimento do plâncton, formado por organismos 
muito pequenos que servem de alimento natural para os peixes e, ainda, são 
os principais responsáveis pela produção de oxigênio na água. O plâncton, em 
sistemas extensivos, é praticamente a única fonte de alimento para os peixes e, em 
criações semi-intensivas, pode complementar a alimentação dos animais, de modo 
a reduzir os custos com ração. 
Veja as abas para conhecer os três tipos de adubação: orgânica, inorgânica e 
mista.
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Orgânica
É realizada com a utilização de estercos orgânicos e adubos vegetais.
Inorgânica
Utiliza fertilizantes inorgânicos, como ureia, superfosfato triplo e cloreto de 
potássio.
Mista
Emprega uma fonte orgânica concomitantemente com uma inorgânica.
A quantidade de fertilizante ou de adubo necessária varia bastante entre 
pisciculturas, sendo importante que o produtor conheça a médio e longo prazo a 
resposta da sua estrutura de criação ao procedimento de adubação.
Na aplicação, distribua o adubouniformemente no fundo do viveiro, seguindo a 
quantidade recomendada, com um maior volume perto da entrada de água. Inicie 
o enchimento do viveiro mantendo o nível da água em torno de 50 cm nos sete 
primeiros dias. Após esse período, continue normalmente o abastecimento. 
O adubo químico deve ser diluído em água antes de ser distribuído; já o adubo 
orgânico pode ser depositado diretamente em toda a superfície do viveiro. O farelo 
de arroz ou trigo deve ser aplicado umedecido, na consistência de um mingau 
grosso. 
A adubação deve ser feita em geral uma semana antes do povoamento. Em dias 
nublados, o tempo para o desenvolvimento do alimento natural pode ser maior 
devido à menor intensidade de luz. Uma semana após a adubação, que é a última 
etapa da preparação do viveiro, já existe alimento natural no espaço e um ambiente 
adequado para a recepção dos alevinos, o que permite ao criador prosseguir com 
o povoamento. 
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Síntese
Finalizamos nosso segundo módulo do curso, em que aprendemos como instalar o 
sistema de produção dos peixes redondos. No próximo módulo, o assunto será a 
qualidade da água. Confira!
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Referências
IZEL, A. C. U.; Crescãncio, R.; O'Sullivan, F.F.L.A.; Chagas, E.C.; Boijink, 
C.L.; Silva, J.I. Produção intensiva de tambaqui em tanques escavados 
com aeração. 2013. (Circular Técnica 39) Manaus: Embrapa Amazônia 
Ocidental, 4p. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/
bitstream/item/100638/1/Circ-Tec-39.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020. 
Lima, A. F.; Silva, A.P.; Rodrigues, A.P.O.; Bergamin, G.T.; Lima, L.K.F.; Torati, 
L.S.; Pedroza Filho, M.X.; Maciel, P.O.; Flores, R.M.V. 2015. Manual de 
piscicultura familiar em viveiros escavados. Brasília: Embrapa, 143p 
LIMA, A. F.; SILVA, A. P. da; RODRIGUES, A. P. O.; BERGAMIN, G. T.; 
TORATI, L. S.; PEDROZA FILHO, M. X.; MACIEL, P. O. Biometria de peixes: 
piscicultura familiar. Palmas: Embrapa Pesca e Aquicultura, 2013. Disponível 
em:https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/93125/1/
Biometria.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020.
Rodrigues A.P.O., Lima A., Alves A., Rosa D., Torati L.; Santos V. 2013. 
Piscicultura de água doce: multiplicando conhecimentos. Brasília: Embrapa, 
440p. 
PEREIRA, A. da C. Produção de tilápias. Niterói: Programa Rio Rural 2012. 
52 p.
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https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/93125/1/Biometria.pdf
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