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Indaial – 2021 Instrumento: InIcIação ao teclado Profª Morgana Tillmann 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2021 Elaboração: Profª Morgana Tillmann Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: T577i Tillmann, Morgana Instrumento: Iniciação ao teclado. / Morgana Tillmann. – Indaial: UNIASSELVI, 2021. 183 p.; il. ISBN 978-65-5663-634-4 ISBN Digital 978-65-5663-633-7 1. Iniciação ao teclado. – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 786.207 apresentação Acadêmico, bem-vindo ao livro Instrumento: Iniciação ao Teclado. Este livro está dividido em três unidades. Na Unidade 1, abordaremos os instrumentos de tecla ao longo da história e os mecanismos de produção sonora, os diferentes tipos de teclado e algumas funções e noções básicas do teclado. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos as escalas e os campos harmônicos, a harmonização de melodias, o acompanhamento, o autoacompanhamento e o repertório. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos as noções elementares da música e a prática em teclado. Esperamos que o material seja de fáceis compreensão e assimilação dos conceitos aqui trabalhados. Bom estudo! Profª Morgana Tillmann Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! LEMBRETE sumárIo UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES ................................................................ 1 TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA ............................... 3 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3 2 O ÓRGÃO ............................................................................................................................................ 3 2.1 O ÓRGÃO HIDRÁULICO ............................................................................................................ 4 2.2 O ÓRGÃO PORTATIVO ................................................................................................................ 5 2.3 O ÓRGÃO POSITIVO ................................................................................................................... 6 2.4 O ÓRGÃO DE CÂMARA .............................................................................................................. 7 3 O CLAVICÓRDIO .............................................................................................................................. 8 4 O CRAVO ............................................................................................................................................. 9 5 O PIANO ............................................................................................................................................ 11 5.1 OS DIFERENTES TIPOS DE PIANO ......................................................................................... 13 5.1.1 Piano de cauda ..................................................................................................................... 13 5.1.2 Piano vertical ........................................................................................................................ 15 5.1.3 Piano digital .......................................................................................................................... 15 6 O ACORDEÃO ................................................................................................................................... 16 7 A ESCALETA ...................................................................................................................................... 17 8 TECLADO ........................................................................................................................................... 17 8.1 TELEGRAPH MUSICAL ............................................................................................................. 18 8.2 ONDAS MARTENOT .................................................................................................................. 18 8.3 O TECLADO: DO SURGIMENTO À ATUALIDADE ............................................................. 19 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 21 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 22 TÓPICO 2 — DIFERENTES TIPOS DE TECLADO ...................................................................... 25 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 25 2 OS DIFERENTES TIPOS DE TECLADO ...................................................................................... 25 2.1 TECLADOS ARRANJADORES .................................................................................................. 25 2.1.1 Funcionalidades do teclado musical arranjador ............................................................. 26 2.1.2 Funcionalidades essenciais em um teclado arranjador .................................................. 26 2.1.3 Teclado arranjador para iniciantes .................................................................................... 27 2.1.4 Teclado arranjador semiprofissional e profissional ........................................................ 27 2.2 TECLADOS CONTROLADORES .............................................................................................. 28 2.3 TECLADOS SINTETIZADORES ................................................................................................ 29 2.3.1 Teclados sintetizadores analógicos ...................................................................................29 2.3.2 Teclados sintetizadores híbridos ....................................................................................... 30 2.3.3 Teclados sintetizadores digitais ......................................................................................... 30 2.3.4 Os teclados sintetizadores no cinema ............................................................................... 31 2.4 TECLADOS WORKSTATIONS ................................................................................................... 33 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 34 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 35 TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO ............................................... 37 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 37 2 NOTAS MUSICAIS DO TECLADO ............................................................................................. 37 2.1 NOTAS NATURAIS NO TECLADO .......................................................................................... 37 2.2 NOTAS ALTERADAS NO TECLADO ...................................................................................... 37 2.3 NOTAS NO TECLADO E A RELAÇÃO COM A PARTITURA MUSICAL ......................... 38 3 COMPREENDENDO AS PARTITURAS PARA O TECLADO ................................................ 39 3.1 PARTITURA COM CLAVE DE SOL COM CIFRA .................................................................. 40 3.2 PARTITURAS COM CLAVE DE SOL E CLAVE DE FÁ ......................................................... 41 3.3 FUNÇÕES BÁSICAS DO TECLADO ....................................................................................... 43 3.3.1 Teclas sensitivas ................................................................................................................... 44 3.3.2 Dual Voice ............................................................................................................................. 45 3.3.3 Split ........................................................................................................................................ 45 3.3.4 Transpose .............................................................................................................................. 46 3.3.5 Octave .................................................................................................................................... 47 3.3.6 Metrônomo ........................................................................................................................... 47 3.3.7 Voice ...................................................................................................................................... 47 3.3.8 Style ........................................................................................................................................ 47 3.3.9 Tempo .................................................................................................................................... 48 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 49 RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 55 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 56 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 58 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO ...................................................................... 59 TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS ................................................................. 61 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 61 2 O QUE SÃO ESCALAS ..................................................................................................................... 61 2.1 UTILIZANDO OS DEDOS NA EXECUÇÃO DAS ESCALAS .............................................. 61 2.1.1 Numeração dos dedos ....................................................................................................... 61 2.1.2 Dedos nas escalas: sequência ............................................................................................. 62 2.1.3 O cruzamento de dedos na realização das escalas ......................................................... 63 2.2 ESCALAS MAIORES .................................................................................................................... 64 2.2.1 Escala de Dó Maior .............................................................................................................. 66 2.2.2 Escala de Ré Maior .............................................................................................................. 67 2.2.3 Escala de Mi Maior .............................................................................................................. 67 2.2.4 Escala de Fá Maior ............................................................................................................... 67 2.2.5 Escala de Sol Maior .............................................................................................................. 68 2.2.6 Escala de Lá Maior ............................................................................................................... 68 2.2.7 Escala de Si Maior ................................................................................................................ 68 2.3 ESCALAS MENORES .................................................................................................................. 69 2.3.1 Escala menor natural ........................................................................................................... 69 2.3.2 Escala menor harmônica ..................................................................................................... 69 2.3.3 Escala menor melódica ....................................................................................................... 70 2.3.4 Escalas de Lá menor (escala relativa: Dó Maior) ............................................................ 71 2.3.5 Escalas de Si menor (escala relativa: Ré Maior) ............................................................. 71 2.3.6 Escalas de Dó# menor (escala relativa: Mi Maior) ......................................................... 71 2.3.7 Escalas de Ré menor (escala relativa: Fá Maior) ............................................................ 72 2.3.8 Escalas de Mi menor (escala relativa: Sol Maior) ........................................................... 72 2.3.9 Escalas de Fá# menor (escala relativa: Lá Maior) .......................................................... 73 2.3.10 Escalas de Sol# menor (escala relativa: Si Maior) ........................................................ 73 3 CAMPO HARMÔNICO ................................................................................................................... 74 3.1 CAMPO HARMÔNICO DE DÓ MAIOR (SIMPLES) ............................................................. 74 3.2 CAMPO HARMÔNICO DE RÉ MAIOR (SIMPLES) .............................................................. 75 3.3 CAMPO HARMÔNICO DE MI MAIOR (SIMPLES) .............................................................. 75 3.4 CAMPO HARMÔNICO DE FÁ MAIOR (SIMPLES) .............................................................. 76 3.5 CAMPO HARMÔNICO DE SOL MAIOR (SIMPLES) ............................................................ 76 3.6 CAMPO HARMÔNICO DE LÁ MAIOR (SIMPLES).............................................................. 77 3.7 CAMPO HARMÔNICO DE SI MAIOR (SIMPLES) ................................................................ 78 RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 79 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 80 TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS ...................................................................... 81 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 81 2 FORMAÇÂO DE ACORDES ........................................................................................................... 81 2.1 ACORDE PERFEITO MAIOR ..................................................................................................... 82 2.2 ACORDE PERFEITO MENOR .................................................................................................... 83 2.3 ACORDE MAIOR COM SÉTIMA MENOR .............................................................................. 85 2.4 INVERSÃO DOS ACORDES DE 5ª (TRÍADES: ACORDES DE TRÊS NOTAS) .................. 87 2.4.1 Acorde no seu estado fundamental................................................................................... 88 2.4.2 Acorde na 1ª inversão .......................................................................................................... 88 2.4.3 Acorde na 2ª inversão .......................................................................................................... 89 3 FUNÇÕES HARMÔNICAS DO MODO MAIOR ...................................................................... 89 3.1 FUNÇÕES PRINCIPAIS ............................................................................................................... 89 3.1.1 Cadência perfeita ................................................................................................................. 90 3.1.2 Cadência plagal .................................................................................................................... 90 3.1.3 Semicadência (cadência à dominante) .............................................................................. 91 3.2 FUNÇÕES SECUNDÁRIAS ........................................................................................................ 91 3.2.1 O Grupo de subdominante ................................................................................................. 95 3.2.2 O grupo de dominante ........................................................................................................ 96 3.2.3 O grupo de tônica ................................................................................................................ 97 3.2.4 Acordes de transição ........................................................................................................... 97 RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 98 AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 99 TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO ............................... 101 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 101 2 COMO TRABALHAR COM O ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO DO TECLADO ................................................................................................................................. 101 2.1 ACORDES INVERTIDOS NO ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO .......................... 102 2.2 PREPARANDO O TECLADO PARA TOCAR COM ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO ........................................................................................................................... 103 3 ACOMPANHAMENTO NO TECLADO .................................................................................... 103 3.1 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 2/4 .......................................................................... 104 3.1.1 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº1 .............................................................................. 104 3.1.2 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº2 .............................................................................. 105 3.1.3 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº3 ............................................................................... 105 3.1.4 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº4 .............................................................................. 106 3.1.5 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº5 ............................................................................... 106 3.1.6 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº6 ............................................................................... 106 3.2 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 3/4 .......................................................................... 107 3.2.1 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº1 ............................................................................... 107 3.2.2 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº2 ............................................................................... 107 3.2.3 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº3 ............................................................................... 107 3.2.4 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº4 ............................................................................... 108 3.3 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 4/4 ........................................................................... 108 3.3.1 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº1 ............................................................................... 108 3.3.2 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº2 ............................................................................... 108 3.3.3 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº3 ............................................................................... 108 3.3.4 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº4 ............................................................................... 109 3.4 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 6/8 ........................................................................... 109 3.4.1 Padrão rítmico-melódico em 6/8 nº1 ............................................................................... 109 3.4.2 Padrão rítmico-melódico em 6/8 nº2 ............................................................................... 109 3.4.3 Padrão rítmico-melódico em 6/8 nº3 ............................................................................... 109 LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 110 RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 115 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 116 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 119 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO ..................................................................... 121 TÓPICO 1 — NOÇÕES ELEMENTARES DA MÚSICA ............................................................. 123 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 123 2 PAUTA ................................................................................................................................................ 123 2.1 NOTAS NAS LINHAS E NOS ESPAÇOS ............................................................................... 124 2.2 LINHAS SUPLEMENTARES ....................................................................................................124 2.3 NOTAS NO PENTAGRAMA .................................................................................................... 125 3 VALORES .......................................................................................................................................... 125 3.1 VALORES POSITIVOS ............................................................................................................... 126 3.2 VALORES NEGATIVOS ........................................................................................................... 126 3.3 DURAÇÃO DOS VALORES ...................................................................................................... 127 4 COMPASSO ...................................................................................................................................... 128 4.1 FÓRMULA DE COMPASSO ..................................................................................................... 128 RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 131 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 132 TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO ................................................... 133 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 133 2 POSTURA E NOMENCLATURA DAS MÃOS ........................................................................ 133 2.1 POSTURA ................................................................................................................................... 133 2.2 NOMENCLATURA DAS MÃOS.............................................................................................. 134 3 EXERCÍCIOS DE LEITURA E PRÁTICA: CLAVE DE SOL (MÃO DIREITA) .................... 135 3.1 EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL: COMPASSO QUATRO POR QUATRO ............................ 135 3.2 EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL: COMPASSO TRÊS POR QUATRO ................................... 136 3.3 EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL: COMPASSO DOIS POR QUATRO ................................... 137 4 ACORDES UTILIZADOS NAS MÚSICAS DO TÓPICO 2 DA UNIDADE 3 .................... 139 5 PRIMEIRAS MÚSICAS .................................................................................................................. 139 5.1 CAMPTOWN RACES ................................................................................................................. 139 5.2 MERRILY WE ROLL ALONG .................................................................................................... 140 5.3 MAY SONG .................................................................................................................................. 141 5.4 VIENE SUL MAR ......................................................................................................................... 142 5.5 CAN CAN .................................................................................................................................... 143 5.6 ODE À ALEGRIA ......................................................................................................................... 144 5.7 ASA BRANCA .............................................................................................................................. 146 RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 147 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 148 TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO .................................................. 151 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 151 2 SUBSTITUINDO O AUTOACOMPANHAMENTO DO TECLADO PELO ACOMPANHAMENTO MANUAL ............................................................................................ 151 3 EXERCÍCIOS DE LEITURA E PRÁTICA: CLAVE DE FÁ (MÃO ESQUERDA) ................ 151 3.1 EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO QUATRO POR QUATRO .............................. 152 3.2 EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO TRÊS POR QUATRO ...................................... 153 3.3 EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO DOIS POR QUATRO ...................................... 154 4 MÚSICAS TOCADAS COM AS DUAS MÃOS ........................................................................ 155 4.1 CAMPTOWN RACES ................................................................................................................. 156 4.1.1 Camptown Races: variação 1 .............................................................................................. 156 4.1.2 Camptown Races: variação 2 .............................................................................................. 156 4.1.3 Camptown Races: variação 3 .............................................................................................. 157 4.2 MERRILY WE ROLL ALONG .................................................................................................... 158 4.2.1 Merrily We Roll Along: variação 1 ..................................................................................... 158 4.2.2 Merrily We Roll Along: variação 2 ..................................................................................... 159 4.3 MAY SONG ................................................................................................................................. 160 4.3.1 May Song: variação 1 .......................................................................................................... 161 4.3.2 May Song: variação 2 .......................................................................................................... 161 4.3.3 May Song: variação 3 .......................................................................................................... 162 4.4 VIENE SUL MAR ........................................................................................................................ 163 4.4.1 Viene Sul Mar: variação 1 ................................................................................................... 164 4.4.2 Viene Sul Mar: variação 2 ................................................................................................... 165 4.5 CAN CAN .................................................................................................................................... 166 4.5.1 Can Can: variação 1 ............................................................................................................ 166 4.5.2 Can Can: variação 2 ............................................................................................................ 167 4.5.3 Can Can: variação 3 ............................................................................................................ 168 4.6 ODE À ALEGRIA ......................................................................................................................... 169 4.6.1 Ode à Alegria: variação 1 .................................................................................................... 169 4.6.2 Ode à Alegria: variação 2 .................................................................................................... 170 4.7 ASA BRANCA ............................................................................................................................. 171 4.7.1 Asa Branca: variação 1 ........................................................................................................ 171 4.7.2 Asa Branca: variação 2 ........................................................................................................ 172 LEITURA COMPLEMENTAR ..........................................................................................................175 RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 181 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 182 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 183 1 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • reconhecer alguns instrumentos de teclas e compreender o mecanismo de produção sonora; • compreender as particularidades dos diferentes tipos de teclados e as funções básicas; • conhecer as escalas e os campos harmônicos; • compreender os processos básicos da harmonização de melodias; • tocar algumas peças musicais. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA TÓPICO 2 – DIFERENTES TIPOS DE TECLADO TÓPICO 3 – FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 3 TÓPICO 1 — UNIDADE 1 INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, faremos um breve estudo da história de alguns instrumentos musicais de teclas. Todo o instrumento musical que utiliza um conjunto de teclas para ser tocado é denominado de instrumento de tecla. Os instrumentos de teclas estão presentes na humanidade desde o século II a.C. Por terem as formas de produção sonora variadas, apresentam diferentes estruturas de funcionamento, que veremos ao longo deste tópico. Para conhecer um pouco mais a respeito dos instrumentos de tecla ao longo da história, falaremos de alguns deles. FIGURA 1 – CONJUNTO DE TECLAS (TECLADO) FONTE: <https://www.klipartz.com/en/sticker-png-tcsyg>. Acesso em: 15 set. 2020. 2 O ÓRGÃO O órgão é um instrumento musical da família dos aerofones e é considerado o instrumento musical de tecla mais antigo da humanidade. Os órgãos variam de tamanho, indo de uma pequena média até monumentais estruturas que são do tamanho de casas de cinco andares. Atualmente, podem ser encontrados em espaços religiosos, teatros, salas de concerto, escolas de música e casas particulares. A seguir, você verá alguns tipos de órgão produzidos ao longo da história. Em se tratando de instrumentos musicais, o termo teclado se refere ao nome dado ao conjunto de alavancas chamadas de teclas, que são dispostas de forma ordenada NOTA UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 4 2.1 O ÓRGÃO HIDRÁULICO De acordo com descrições de engenheiros greco-romanos, a criação do órgão se deu por volta do século III a.C. Por depender da água para produzir e empurrar o ar comprimido para dentro dos tubos, foi chamado de órgão hidráulico. FIGURA 2 – ÓRGÃO HIDRÁULICO EM MOSAICO, DA VILA ROMANA DE NENNIG, ALEMANHA FONTE: <https://greciantiga.org/img.asp?num=0345>. Acesso em: 15 set. 2020. Na figura do mosaico da vila romana de Nennig, podemos observar dois músicos: o músico da esquerda está tocando um órgão hidráulico de 27 tubos. O pódio no qual ele se encontra serve de depósito de água e, ao lado, há duas bombas de ar cilíndricas. Com base na classificação utilizada por C. Sachs e E. M. von Horbostel, publicada em Zeitschrift für Ethnologic, 1914, um instrumento musical aerofone é qualquer instrumento no qual o som é, principalmente, produzido pela vibração do ar, sem a necessidade de membranas ou de cordas, e sem que a própria vibração do corpo do instrumento influencie, significativamente, no som produzido. NOTA Os executantes de órgão se chamam organistas. Os construtores de órgãos se chamam organeiros. NOTA TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 5 A seguir, veremos o mecanismo de funcionamento do órgão hidráulico. FIGURA 3 – MECANISMO DE FUNCIONAMENTO DO ÓRGÃO HIDRÁULICO FONTE: <https://bit.ly/2RsaaxE>. Acesso em: 15 maio 2020. No século IV, o mecanismo de água foi substituído pelo pneumático, assim, o fornecimento de ar se dava pelo manuseio de foles. No século X, os órgãos de tubos foram introduzidos nas igrejas ocidentais, sendo fabricados em tamanhos diversos. Ao longo dos anos, diferentes tipos de órgãos passaram a ser fabricados, como o órgão portativo, o órgão positivo e o órgão de câmara. Embora sejam apresentados, aqui, apenas esses órgãos, devemos compreender que existem outros tipos de órgãos que não serão abordados no atual estudo, para que o conteúdo não se estenda. 2.2 O ÓRGÃO PORTATIVO O órgão portativo (ou portátil) foi muito utilizado no século XIV. Por ser pequeno e leve, era um órgão de fácil transporte, em especial, nas procissões. Era segurado pelo próprio músico, que tocava as teclas com a mão direita e acionava o fole com a mão esquerda. De acordo com Rodrigues (2017, p. 48), essas “características de execução faziam, dele, apenas um instrumento melódico, e não de acompanhamento”. UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 6 FIGURA 4 – ÓRGÃO PORTATIVO EM AFRESCO DA CATEDRAL DE VALÊNCIA, NA ESPANHA FONTE: <https://www.pinterest.at/pin/557390891376703369/>. Acesso em: 15 maio 2020. 2.3 O ÓRGÃO POSITIVO O órgão positivo (do termo pousar) dispõe de poucos registros sonoros e, normalmente, não possui pedaleira. Servia para o acompanhamento do cantochão e como instrumento de baixo contínuo em pequenos conjuntos musicais, na época barroca. O órgão positivo também podia ser transportado, mas tinha que ser pousado (positum) em uma mesa para ser tocado e requeria um auxiliar para acionar o fole. Acesse o link a seguir para assistir a um vídeo com a execução de uma música realizada no órgão portativo, por Catalina Vicens: https://www.youtube.com/ watch?v=Uk4iVold0eU. DICAS TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 7 FIGURA 5 – ORGÃO POSITIVO FONTE: <https://musicabrasilis.org.br/instrumentos/orgao-positivo>. Acesso em: 3 fev. 2021. 2.4 O ÓRGÃO DE CÂMARA É um pequeno órgão de tubos derivado do órgão positivo. Tornou-se popular em salas de concerto e em ambientes privados. Observe um órgão de câmara fabricado pelo suíço Josef Looser: FIGURA 6 – ÓRGÃO DE CÂMARA FONTE: Kindersley (2014, p. 99) UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 8 3 O CLAVICÓRDIO O clavicórdio é um instrumento musical da família dos cordofones. Produz som a partir de um mecanismo acionado por teclas que movimentam pequenas lâminas de metal, chamadas de tangentes, que percutem as cordas, produzindo a vibração. Foi utilizado na Europa a partir do fim da Idade Média até o Período Clássico (passando pelo Renascimento e pelo Barroco). Por não possuir um som com volume adequado a grandes espaços, o clavicórdio se destinava ao auxílio nos estudos e nas composições. FIGURA 7 – CLAVICÓRDIO FONTE: <https://www.gratispng.com/png-iizpw1/>. Acesso em: 15 jun. 2020. Desde que foi inventado (no século III a.C.), o órgão permaneceu como o único instrumento de teclas até o século XIV. NOTA Cordofone é uma classificação de instrumentos musicais, utilizada por C. Sachs e E. M. von Horbostel, publicado em Zeitschrift für Ethnologic, 1914, para designar um instrumento musical que produz som através de uma corda esticada de um ponto a outro. NOTA TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 9 4 O CRAVO O cravo pertence ao grupo das cordas pinçadas (que gera som, tangendo ou beliscando uma corda), diferentemente do clavicórdio ou do piano, que tem o som produzido por meio da percussão das cordas. Os registros mais antigos do usodo cravo datam do fim do século XIV. No período Barroco (aproximadamente, entre 1600 e 1750), o cravo foi mais utilizado. Um exemplo da popularidade é o extenso acervo de música composto por Johann Sebastian Bach para o cravo. Atualmente, o cravo pode ser encontrado como instrumento na ópera, na música de câmara, em composições contemporâneas e, em especial, quando há a performance de músicas do período Barroco. FIGURA 8 – CRAVO FONTE: <https://www.filarmonica.art.br/educacional/sem-misterio/cravo/>. Acesso em: 15 maio 2020. O clavicórdio é o único teclado com cordas que pode ser tocado com vibrato. Vibrato é a ligeira oscilação na altura de uma determinada nota. NOTA Acesse o link a seguir, para ouvir o som do vibrato realizado no clavicórdio: https://www.youtube.com/watch?v=7oCGNwDokT0. DICAS UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 10 Acesse o link a seguir para ouvir a música Jesus Alegria dos Homens, composta por Johann Sebastian Bach (BWV 147), executada por Antonio Carlos de Magalhães: https://www.youtube.com/watch?v=Mle5PgITx2Y. DICAS Pelo fato de o cravo ter sido utilizado por três séculos, há uma diversidade de instrumentos que faz parte da sua família. Dentre as variações mais comuns, podemos encontrar o virginal e a espineta, que apresentam diferenças em tamanho, formato, extensão e inclinação das cordas. FIGURA 9 – VIRGINAL FONTE: <https://www.britannica.com/art/virginal>. Acesso em: 15 maio 2020. FIGURA 10 – ESPINETA FONTE: <http://www.todosinstrumentosmusicais.com.br/conheca-o-instrumento-espineta.html>. Acesso em: 15 maio 2020. TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 11 5 O PIANO O piano é um instrumento musical que produz som através das cordas percutidas. Diferentemente do clavicórdio, o mecanismo que percute a corda do piano não permanece com ela, fazendo com que a corda vibre livremente, o que possibilita uma maior duração do som. Foi inventado no início do século XVI, por Bartolomeo Cristofori, e passou por alguns aperfeiçoamentos até chegar ao piano atual. O objetivo maior da nova invenção era ampliar a capacidade de dinâmica e, especialmente, a intensidade do som no instrumento (algo difícil no cravo e muito limitado no clavicórdio), daí o nome pianoforte (que vai do pianíssimo ao fortíssimo), mais tarde, reduzido a piano. De acordo com Bennett (1986, p. 47): No começo, o piano custou muito a ganhar terreno, certamente, devido à precariedade dos primeiros modelos. Contudo, por volta de 1760, C.P.E. Bach, cujas composições para instrumentos de teclado causaram profunda impressão em Haydn, aceitou o piano em pé de igualdade com o cravo e o clavicórdio. Mais ou menos na mesma época, Johann Christian Bach, cuja música exerceu grande influência sobre o jovem Mozart, fez, em Londres, as primeiras apresentações, em público, da música de piano. Durante muito tempo, a música para teclado continuou sendo impressa, com a indicação “para piano forte ou cravo”, mas, no fim do século XVIII, o cravo já havia caído em desuso, amplamente substituído pelo piano. No período romântico, virtuoses, como Liszt, conferiram um novo papel ao piano, como instrumento solista no concerto. Ao longo do tempo, a popularidade do piano fez com que chegasse às casas, projetando, assim, a fama internacional de compositores, como Chopin, Schumann e Grieg. Em meados do século XX, o piano já estava sendo utilizado no ragtime e no jazz. Além disso, alguns compositores utilizavam-no para novas criações musicais, como o caso de Bartók, Schoenberg e Busoni. O termo virtuose é designado para se referir a um executante de nível excepcional, em especial, no que se refere ao domínio técnico. NOTA UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 12 A partir de 1940, compositores, como John Cage, compuseram obras para piano, utilizando diferentes materiais, como borracha e metal entre as cordas. As composições que usam essa técnica são conhecidas por obras para “piano preparado”. FIGURA 11 – JOHN CAGE E O PIANO PREPARADO FONTE: <https://twitter.com/metaux/status/1271845773966221313>. Acesso em: 24 maio 2020. Ragtime é considerado o primeiro gênero musical autêntico norte-americano (originário de comunidades musicais afro-americanas), e teve o pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918, no entanto, ainda hoje, são produzidas composições. Para ouvir a música Black and White, composta por George Botsford, em 1908, acesse https://www. youtube.com/watch?v=tQqBdezXKuI. DICAS No Brasil, há um grupo musical que se chama PianOrquestra. Esse grupo realiza atividades musicais com base em um longo estudo das técnicas de piano preparado e de piano expandido, que foram popularizadas por John Cage. Para ouvir a música Ponta de Areia, composição de Milton Nascimento e Fernando Brandt, interpretada pelo grupo PianOrquesta, acesse https://www.youtube.com/watch?v=6__dchZIP7Q. DICAS TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 13 5.1 OS DIFERENTES TIPOS DE PIANO Há três diferentes tipos de piano: o piano de cauda, o piano vertical e o piano digital. 5.1.1 Piano de cauda O piano de cauda tem as cordas dispostas horizontalmente. Existem diversos modelos e tamanhos de pianos de cauda, e variam de 1,8 a 3m. FIGURA 12 – PIANO DE CAUDA FONTE: <https://www.intermezzo.com.br/piano-yamaha-c7x-3-4-cauda/p>. Acesso em: 15 maio 2020. Os primeiros pianos de cauda tinham reforço de metal, o que aumentava a tensão das cordas. No entanto, para os padrões modernos, o som ainda era muito fraco e diminuía drasticamente. Veja, a seguir, as partes de um piano inglês de 1828. UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 14 FIGURA 13 – PARTES DE UM PIANO STODART, 1828 FONTE: Kindersley (2014, p. 143) FIGURA 14 – O FUNCIONAMENTO DO PIANO INGLÊS FONTE: Kindersley (2014, p. 142) Há duas escolas conceituadas na fabricação de pianos: a escola vienense e a escola inglesa. De acordo com Persone, é possível notar “a imensa distância conceitual entre o piano vienense e o piano inglês. Poderíamos, mesmo, arriscar a dizer que a escola vienense buscou um clavicórdio mais sonoro e, a inglesa, um cravo mais expressivo” (2008, p. 47). Veremos, a seguir, uma figura que apresentará o funcionamento do piano inglês. NOTA TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 15 5.1.2 Piano vertical O piano vertical, também conhecido como piano de armário, possui as cordas dispostas verticalmente. Pelo tamanho reduzido, não amplifica o som, como o piano de cauda, e é mais comum em espaços pequenos, como casas e escolas de música. FIGURA 15 – PIANO VERTICAL FONTE: <https://www.tendinfo.com.br/piano-vertical-kawai-fd115-preto>. Acesso em: 15 maio 2020. 5.1.3 Piano digital Há, ainda, o piano digital, no qual são armazenados, em uma memória eletrônica, diferentes timbres (piano, cravo, órgão etc.) para a reprodução. Os pianos digitais diferem dos teclados digitais por apresentarem teclas pesadas (como nos pianos acústicos) e pela extensão sonora. Com o piano digital, é possível realizar a alteração do volume, além do uso de fones de ouvido. Ainda, há a facilidade no transporte e não há a necessidade da manutenção da afinação. Para saber mais a respeito dos pianos digitais, acesse pianodigital.com.br. Neste site, você encontrará alguns artigos que ajudarão a compreender as diferenças entres as diferentes marcas de pianos digitais, além de outras curiosidades. DICAS UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 16 FIGURA 16 – PIANO DIGITAL FONTE: <https://www.plander.com.br/piano-digital-yamaha-dgx660b-com-fonte-original>. Acesso em: 15 maio 2020. 6 O ACORDEÃO O acordeão, ou acordeon, é um instrumento musical aerofone, de tecla, composto por um fole, palhetas livres e duas caixas harmônicas de madeira. No Brasil, o acordeão também é popularmente chamado de sanfona ou gaita.De acordo com Kleber (2018, p. 954): O acordeão foi desenvolvido por Cyril Demian, em meados de 1829, na cidade de Viena, a partir do aprimoramento de um instrumento de sopro chinês denominado de Cheng que também possuía um sistema de palhetas. Devido a uma dessas significantes transformações, Demian batizou a invenção de akkordeon, palavra derivada do verbo accordare, que, em italiano, significa “harmonizar”. A palavra harmonizar implica que seria possível tocar notas simultâneas ou acordes. A produção sonora ocorre quando o ar, que está no fole, é direcionado até as palhetas de metal, que vibram, gerando o som. Quanto maior a palheta, mais grave é o som. Quanto mais forte o ar passar pela palheta, mais intenso é o som. No acordeão, o movimento do fole é realizado pelo braço esquerdo. A mão direita toca as teclas e, a mão esquerda, os botões, chamados de baixos. TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 17 FIGURA 17 – ACORDEÃO FONTE: <http://www.tonsemelodias.com/produto/acordeao-dino-baffetti-profissional-1-a/>. Acesso em: 15 maio 2020. 7 A ESCALETA A escaleta, também conhecida como melódica, é um instrumento musical de palhetas livres e tem o funcionamento semelhante ao acordeão e à gaita de boca. Possui um teclado similar ao do piano, no entanto, menor. A escaleta é frequentemente usada para fins educativos, como aulas de musicalização infantil. Para produzir som na escaleta, é preciso soprar a boquilha, que se encontra na extremidade do lado esquerdo, além de tocar as teclas com a mão direita. FIGURA 18 – ESCALETA FONTE: <http://www.studiosomjoao.com.br/produto/escaleta-yamaha-p37d-37-teclas/115619>. Acesso em: 15 maio 2020. 8 TECLADO O teclado é um instrumento musical temperado no qual podem ser executadas melodia e harmonia. É composto por um conjunto de teclas adjacentes brancas e pretas, que, quando pressionadas, produzem som. O teclado foi criado nos anos 1960, no entanto, antes disso, alguns instrumentos próximos à ideia do teclado já estavam sendo criados, como Telegraph Musical e Ondas Martenot. UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 18 8.1 TELEGRAPH MUSICAL Em 1874, Elisha Grey criou o Telegraph Musical, o primeiro protótipo de um conceito de sons formados por impulsos elétricos, que gerava sons por meio de fios telegráficos. FIGURA 19 – TELEGRAPH MUSICAL FONTE: <https://daelectronicmusic.wordpress.com/history/musical-telegraph/>. Acesso em: 15 maio 2020. 8.2 ONDAS MARTENOT No início do século XX, mais precisamente, em 1928, foi inventado, por Maurice Martenot, o Ondas Martenot. Esse instrumento musical eletrônico é dos primeiros a ser produzido. O som é ondulante, similar ao tererim. O Sistema Temperado é o sistema de afinação responsável pela divisão do intervalo de uma oitava em doze semitons. Assim como o teclado, muitos outros instrumentos musicais são temperados, como piano, harpa, violão etc. NOTA TÓPICO 1 — INSTRUMENTOS DE TECLA AO LONGO DA HISTÓRIA 19 FIGURA 20 – ONDAS MARTENOT FONTE: <https://proyectoidis.org/ondas-martenot/>. Acesso em: 11 maio 2020. 8.3 O TECLADO: DO SURGIMENTO À ATUALIDADE Por meio do trabalho de Robert Moog, fundador do Moog Music Inc., que, na década de 60, precisamente, em 1964, o primeiro teclado surgiu. No início, os teclados eram, comercialmente, inacessíveis e de grande extensão (mediam quase a dimensão de uma parede). Além disso, possuíam inúmeros cabos e eram muito ruins em relação à afinação, como é o caso do sintetizador Moog. FIGURA 21 – SINTETIZADOR MOOG FONTE: <https://en.wikipedia.org/wiki/Moog_synthesizer>. Acesso em: 15 maio 2020. O teremim é um dos primeiros instrumentos musicais completamente eletrônicos, controlado sem qualquer contato físico pelo músico. Para ouvir o som do teremim, acesse https://www.youtube.com/watch?v=K6KbEnGnymk. DICAS UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 20 FIGURA 22 – GEORGE HARRISON (GUITARRISTA DOS BEATLES) TOCANDO UM SINTETIZADOR MOOG FONTE: <http://obaudoedu.blogspot.com/2012/05/os-beatles-e-o-sintetizador-moog.html>. Acesso em: 24 maio 2020. Quase 60 anos se passaram e, hoje, os teclados possuem inúmeros recursos, como visor de LCD, uma gama enorme de sons e de efeitos, além da possibilidade de poderem ser conectados aos computadores, aspecto que amplia a utilização e a versatilidade. Atualmente, há quatro diferentes tipos de teclado: arranjadores, controladores, sintetizadores e workstations. A respeito disso, aprofundar-nos-emos no próximo tópico. Alguns grupos de rock, do fim da década de 60, como Doors, Rolling Stones, Byrds e Monkees, gravaram músicas com o Moog. Na música Because, do último álbum dos Beatles, intitulado de Abbey Road, também é possível notar a presença do Moog. NOTA 21 Neste tópico, você aprendeu que: • Os instrumentos musicais de teclas possuem variadas formas de produção sonora. • O órgão foi o primeiro instrumento musical de tecla. • Os instrumentos de teclas que produzem som por meio de cordas se diferem no mecanismo de geração sonora, refletindo nas diferenças dos sons extraídos. • O piano foi criado com o objetivo maior de possibilitar diferentes intensidades de som. • O teclado é um instrumento musical relativamente recente, tendo diferentes tipos. RESUMO DO TÓPICO 1 22 1 O primeiro instrumento musical produzido com teclas foi o órgão. De acordo com descrições de engenheiros greco-romanos, a criação do órgão se deu por volta do século III a.C. Os primeiros órgãos foram chamados de hidráulicos. Qual das alternativas a seguir apresenta o mecanismo de produção sonora/execução musical que corresponde ao órgão hidráulico? a) ( ) O fole é acionado pela mão esquerda, enquanto o músico toca as notas do teclado com a mão direita. b) ( ) Para produzir som, é preciso soprar a boquilha, que se encontra na extremidade do lado esquerdo, e tocar as teclas com a mão direita. c) ( ) O movimento do fole é realizado com o braço esquerdo, enquanto a mão direita toca as teclas. d) ( ) Para produzir som, uma estrutura à água empurra o ar, e este é direcionado para dentro dos tubos. 2 O clavicórdio, o cravo e o piano são instrumentos de tecla pertencentes à família das cordas. Embora apresentem algumas similaridades, possuem estruturas diferentes em relação à forma da produção sonora. Relacione o instrumento que está sendo referido em cada frase a seguir e assinale a alternativa que corresponde à sequência CORRETA: I- Pertence ao grupo das cordas pinçadas (gera som, tangendo ou beliscando uma corda). II- Quando a tecla é pressionada, o martelo se levanta, e, ao mesmo tempo, o abafador é liberado, dessa forma, quando o martelo bate na corda, ela vibra livremente. III- O som é produzido pela percussão das cordas. Ao acionar as teclas, pequenas lâminas de metal, chamadas de tangentes, percutem as cordas, produzindo vibração. a) ( ) Piano, cravo e clavicórdio. b) ( ) Cravo, piano e clavicódio. c) ( ) Clavicódio, piano e cravo. d) ( ) Cravo, clavicódio e piano. 3 O piano é um instrumento musical que foi inventado no início do século XVI, por Bartolomeo Cristofori, e passou por alguns aperfeiçoamentos até chegar ao piano atual. O objetivo maior da nova invenção era possibilitar diferentes intensidades de som, daí o nome pianoforte (que vai do pianíssimo ao fortíssimo), mais tarde, reduzido a piano. Atualmente, é possível encontrar três tipos de piano. Observe os expostos a seguir e os relacione ao tipo de piano referido. Em seguida, assinale a alternativa que corresponde à sequência CORRETA: AUTOATIVIDADE 23 I- Este tipo de piano tem as cordas dispostas verticalmente. II- Este tipo de piano não possui cordas. III- Este tipo de piano tem as cordas dispostas horizontalmente. a) ( ) Piano de cauda, piano elétrico e piano vertical. b) ( ) Piano elétrico, piano de cauda e piano de armário. c) ( ) Piano vertical, piano elétrico e pianode cauda. d) ( ) Piano de armário, piano de cauda e piano elétrico. 4 A escaleta, também conhecida como melódica, é um instrumento musical de palhetas livres e tem funcionamento semelhante ao acordeão e à gaita de boca. Qual ação que deve ser realizada para produzir som na escaleta? 5 O teclado é um instrumento musical temperado no qual podem ser executadas melodia e harmonia. É composto por um conjunto de teclas adjacentes brancas e pretas, que, quando pressionadas, produzem som. Atualmente, há quatro tipos de teclados. Quais são? 24 25 TÓPICO 2 — UNIDADE 1 DIFERENTES TIPOS DE TECLADO 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos os diferentes tipos de teclados, além de apresentarmos as principais características e funções. 2 OS DIFERENTES TIPOS DE TECLADO Atualmente, há quatro tipos diferentes de teclados: arranjadores, controladores, sintetizadores e workstations. 2.1 TECLADOS ARRANJADORES O teclado arranjador oferece a função de acompanhamento automático. Nesse tipo de teclado, você toca um acorde na mão esquerda, reconhecido pelo teclado, assim, ele monta uma linha de baixo, guitarra, metais, cordas, bateria etc. O teclado arranjador tem, como objetivo, criar um arranjo completo para a música, dessa forma, torna-se ideal para aquelas pessoas que querem tocar sozinhas. Na sua grande maioria, os teclados arranjadores não possuem o foco na qualidade dos timbres, pois o objetivo é a execução do acompanhamento. Atualmente, os modelos mais comuns de teclados arranjadores são: linha PSR, da Yamaha; linha E, da Roland; e linha PA, da Korg. FIGURA 23 – TECLADO ARRANJADOR, YAMAHA PSR-E463 FONTE: <https://www.lookmusic.com.br/teclado-arranjador-yamaha-psr-e463>. Acesso em: 24 maio 2020. 26 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES 2.1.1 Funcionalidades do teclado musical arranjador Como já mencionado, o teclado musical arranjador é um instrumento ideal para o músico que toca sozinho, pois, com apenas um instrumento, pode simular um grupo musical. Observaremos, agora, algumas funcionalidades do teclado musical arranjador: • Os teclados arranjadores são teclados com grande extensão sonora, possuindo, na grande maioria, cinco oitavas. • Em geral, possuem alto falante interno de boa potência, trazendo comodidade no momento de transporte ou uso. • Apresentam uma grande variedade de acompanhamentos de estilos musicais na memória interna. • Nos teclados arranjadores de maior custo, é possível editar, além de criar os próprios acompanhamentos. • Grande parte dos teclados arranjadores possui entrada para microfone, permitindo que o músico cante sem a necessidade de uma caixa de som. 2.1.2 Funcionalidades essenciais em um teclado arranjador Há uma diversidade de teclados arranjadores que atende a diferentes necessidades. A gama de funções varia, de acordo com o custo do equipamento. Embora um teclado arranjador com inúmeros recursos seja, certamente, o mais ideal, possui um valor bem elevado, o que dificulta no momento da aquisição. Há, no entanto, funções essenciais indispensáveis para um teclado arranjador, que são cruciais no momento da execução musical e que devem ser levadas em consideração na hora de comprar um teclado arranjador: • Tecla de sensibilidade ao toque: Um teclado arranjador, sem a função de sensibilidade ao toque (função touch), não oferece a possibilidade de expressão musical em relação à intensidade, fato que acaba prejudicando, consideravelmente, uma execução instrumental. • Entrada para pedal sustain: Esse recurso permite simular a sustentação das notas, como ocorre no piano acústico. Caso você seja iniciante no estudo do teclado, não deve utilizar o pedal de sustentação no momento. No entanto, é importante que o seu teclado tenha esse recurso para que, futuramente, você possa utilizá-lo. TÓPICO 2 — DIFERENTES TIPOS DE TECLADO 27 FIGURA 24 – PEDAL SUSTAIN PARA TECLADO FONTE: <https://bit.ly/3nTL0nR>. Acesso em: 24 maio 2020. 2.1.3 Teclado arranjador para iniciantes Normalmente, os teclados arranjadores de nível iniciante possuem variados ritmos e timbres, mas não possuem a opção para unidade de memória interna, impossibilitando a ampliação e a diversificação sonoras e rítmicas do equipamento. Um exemplo disso é o teclado arranjador Yamaha PSR E363, que possui cinco oitavas, teclas sensitivas, 574 vozes, 165 estilos de acompanhamento e 150 diferentes tipos de arpejo. Falaremos mais desse teclado no Tópico 3. FIGURA 25 – TECLADO ARRANJADOR YAMAHA PSR E363 FONTE: <https://yamaha.io/3nWn3ML>. Acesso em: 6 out. 2020. 2.1.4 Teclado arranjador semiprofissional e profissional Os teclados arranjadores de níveis semiprofissional e profissional possuem unidade de memória externa, como entrada para pen drive, e opções para criação de timbres e acompanhamentos, como é o caso do teclado Korg PA 100 BR Arranjador. Esse teclado traz timbres e ritmos genuinamente brasileiros, além dos usualmente encontrados nos arranjadores. São mais de 1750 timbres e 430 ritmos. Além disso, esse teclado possui uma memória interna de 600MB e slot para cartão microSD, possibilitando o armazenamento de uma infinidade de outros dados, como timbres e ritmos diversos. 28 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES FIGURA 26 – TECLADO KORG PA 100 BR ARRANJADOR FONTE: <http://www.korg.com.br/produto/10270476-teclado-arranjador-korg-pa1000>. Acesso em: 6 out. 2020. 2.2 TECLADOS CONTROLADORES Os teclados controladores possuem diferentes números de teclas e, na sua grande maioria, não possuem timbres. Além disso, os teclados controladores não possuem autofalante, nem saída de som. A finalidade é controlar outros instrumentos digitais, através de MIDI (Musical Instrument Digital Interface). Para que isso ocorra, devem ser conectados a módulos MIDI, computadores, notebooks, tablets ou celulares. FIGURA 27 – TECLADO CONTROLADOR AKAI (25 TECLAS) FONTE: <https://www.bhguitar.com.br/controlador-akai-midi-mpk-mini-mk2-25-teclas-usb-p1500>. Acesso em: 24 maio 2020. FIGURA 28 – TECLADO CONTROLADOR AKAI (49 TECLAS) FONTE: <https://bit.ly/3nORsws>. Acesso em: 24 maio 2020. TÓPICO 2 — DIFERENTES TIPOS DE TECLADO 29 Por meio dos teclados controladores, você pode controlar timbres, efeitos, equalizações, programações, canais MIDI etc. Com um teclado controlador, você tem acesso aos mais variados timbres, com excelente qualidade, por um preço baixo em comparação a um teclado sintetizador, por exemplo, e pode realizar os mais diversos arranjos, primando pela qualidade sonora. 2.3 TECLADOS SINTETIZADORES Enquanto o teclado arranjador é especialista em ritmos e em arranjos, os teclados sintetizadores são teclados musicais desenvolvidos para produzir sons gerados artificialmente. Um teclado sintetizador é ideal para músicos que tocam em bandas. Você pode relembrar, na história dos instrumentos com teclas, abordada no Tópico 1 desta unidade, que o primeiro sintetizador foi produzido pelo Dr. Robert Moog, na década de 60. Após quase 60 anos da primeira criação, encontramos uma grande variedade de teclados sintetizadores que podem ser classificados de diversas formas. No estudo atual, utilizaremos a classificação, de acordo com a tecnologia empregada: os modelos analógicos, os híbridos e os digitais. 2.3.1 Teclados sintetizadores analógicos Os teclados sintetizadores analógicos funcionam por meio da variação de tensão, popularmente conhecidos como “controles de voltagem”, como é o caso do Minimoog: MIDI é um conjunto de códigos padronizados que representam parâmetros musicais, como tom, dinâmica, andamento e muito mais. MIDI não é áudio, são dados. MIDI é uma linguagem de computador que aciona sons. NOTA 30 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES FIGURA 29 – MINIMOOG FONTE: <https://en.audiofanzine.com/analog-synth/moog-music/minimoog/>. Acesso em: 6 out. 2020. 2.3.2 Teclados sintetizadoreshíbridos Os teclados sintetizadores híbridos podem apresentar algumas unidades analógicas e outras digitais, como será possível observar no Roland Juno-106: FIGURA 30 – ROLAND JUNO-106 FONTE: <https://www.roland.com/br/products/rc_juno-106/>. Acesso em: 6 out. 2020. 2.3.3 Teclados sintetizadores digitais Os sintetizadores digitais são os mais atuais, e a produção do som ocorre por meio do processamento de sinais. FIGURA 31 – TECLADO SINTETIZADOR MX88 YAMAHA FONTE: <https://br.yamaha.com/pt/products/music_production/synthesizers/mx88/index.html>. Acesso em: 6 out. 2020. TÓPICO 2 — DIFERENTES TIPOS DE TECLADO 31 2.3.4 Os teclados sintetizadores no cinema Na década de 70, com o sucesso da trilha sonora do filme Laranja Mecânica, executada por Wendy Carlos, o sintetizador ganhou o status de “instrumento de composição de temas para o cinema”, e passou a servir de fonte sonora para um grande número de compositores. FIGURA 32 – STOCKHAUSEN E OS PRIMEIROS SINTETIZADORES DIGITAIS UTILIZADOS EM TRILHAS SONORAS PARA O CINEMA. FONTE: <http://www.ufrgs.br/mvs/Linha_base.html>. Acesso em: 24 maio 2020. Filmes nos quais foram utilizados sintetizadores nas trilhas sonoras Existem muitos filmes nos quais os compositores utilizaram sintetizadores para compor a trilha sonora. Segue uma lista, elencando alguns mais significativos: • Runaway: Fora Do Controle (Runaway), trilha sonora composta por Jerry Goldsmith. Para ouvir um trecho, clique em https://www.youtube.com/ watch?v=qD2Y2bWB2Ks. • Inimigo Meu (Enemy Mine), trilha sonora composta por Maurice Jarre. Para ouvir essa trilha sonora completa, clique em https://www.youtube.com/ watch?v=9XpajrIZtqw&t=8s. • Marte Ataca (Mars Attacks!), trilha sonora composta por Danny Elfman. Para ouvir a trilha sonora completa, clique em https://www.youtube.com/ watch?v=587547idRBI&t=18s. • Robocop (Robocop), trilha sonora composta por Basil Poledouris. Para ouvir completa, clique em https://www.youtube.com/watch?v=SkAxTunI8jE. • Blade Runner (Blade Runner), trilha sonora composta por Vangelis. Para ouvir um trecho, clique em https://www.youtube.com/watch?v=EV95Yu6gZSY&t=29s. • Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind), trilha sonora composta por Jonh Willians. Para ouvir um trecho, clique em https:// www.youtube.com/watch?v=qDDThITaAhw. 32 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES • Tron – O Legado (Tron), trilha sonora composta por Wendy Carlos. Para ouvir um trecho, clique em https://www.youtube.com/watch?v=WY1GpedhVwQ. FIGURA 33 – POSTER DO FILME CARRUAGENS DE FOGO FONTE: <https://www.microsoft.com/em-ca/p/chariots-of-fire/8d6kgwzl5qsh>. Acesso em: 24 maio 2020. 2.4 TECLADOS WORKSTATIONS Por possuírem as funções das demais categorias de teclados, já mencionadas anteriormente, os teclados workstation são os teclados mais completos. Esses teclados são destinados a músicos profissionais e a estúdios de gravação. Alguns modelos mais atuais de teclados workstation possuem a função sampler, como é o caso do Roland FA-08 Workstation. No filme Carruagens de Fogo, Vangelis utilizou sintetizadores e outros instrumentos, como piano, e instrumentos de percussão, para compor a trilha sonora através da qual, em 1983, recebeu o Oscar. Para ouvir um trecho da trilha sonora, acesse https:// www.youtube.com/watch?v=debSsUTllR4&t=90s. DICAS TÓPICO 2 — DIFERENTES TIPOS DE TECLADO 33 FIGURA 34 – TECLADO ROLAND FA-08 WORKSTATION FONTE: <https://www.roland.com/br/products/fa-08/>. Acesso em: 6 out. 2020. FIGURA 35 – SEQUENCIADOR SAMPLER AKAI MPC2000 FONTE: <http://www.electrospectivemusic.com/sampler-electronic-musical-instrument-1969/>. Acesso em: 6 out. 2020. Sampler é um equipamento que permite armazenar amostras de sons para reproduzi-las posteriormente, alternadamente ou simultaneamente. É um equipamento utilizado, na sua grande maioria, em estúdio, podendo ser integrado a uma banda ou compondo toda uma obra musical. NOTA 34 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Os teclados arranjadores têm, como objetivo, reproduzir um acompanhamento completo para a música. Dependendo do modelo, você mesmo pode criar o seu arranjo. • Os teclados sintetizadores são desenvolvidos para produzir sons gerados artificialmente, com qualidade. • Os teclados controladores têm, como finalidade, controlar outros instrumentos digitais. Para que isso ocorra, devem ser conectados a módulos MIDI, computadores, notebooks, tablets ou celulares, pois, sozinhos, não produzem sons. • Os teclados workstations são os teclados mais completos e se destinam a músicos profissionais ou a estúdios de gravação. 35 1 Por meio do trabalho de Robert Moog, fundador do Moog Music Inc., que, na década de 60, precisamente, em 1964, o primeiro teclado surgiu. Quase 60 anos se passaram desde a fabricação dos primeiros teclados, e, atualmente, podemos encontrar quatro tipos de teclado. De acordo com o estudo realizado, qual dos quatro tipos pode ser considerado o mais completo, possuindo todas as características dos demais teclados? a) ( ) Teclados arranjadores. b) ( ) Teclados controladores. c) ( ) Teclados sintetizadores. d) ( ) Teclados workstations. 2 Existem, atualmente, quatro tipos diferentes de teclado: os teclados arranjadores, os teclados controladores, os teclados sintetizadores e os teclados workstations. Cada tipo de teclado traz características diferentes. Observe as funções a seguir e assinale a alternativa CORRETA, a respeito do teclado que está sendo abordado: I- Oferece a função de acompanhamento automático. II- Atualmente, os modelos mais comuns são: linha PSR, da Yamaha; linha E, da Roland; e linha PA, da Korg III- É um instrumento ideal para o músico que toca sozinho, pois, com apenas um instrumento, ele pode simular um grupo musical. a) ( ) Teclado arranjador. b) ( ) Teclado controlador. c) ( ) Teclado sintetizador. d) ( ) Teclado workstation. 3 Desde o tempo do cinema mudo, a música caminha lado a lado com a sétima arte. Após a criação dos primeiros teclados, foram precisos, apenas, alguns anos para que eles já estivessem fazendo parte dos instrumentos utilizados para auxiliar na sonoplastia e compor trilhas sonoras. Qual dos tipos de teclado a seguir foi muito utilizado na década de 70, para sonorizar sons de alienígenas, espaçonaves etc.? a) ( ) Teclado controlador. b) ( ) Teclado sintetizador. c) ( ) Teclado arranjador. d) ( ) Teclado workstation. AUTOATIVIDADE 36 4 A compra de um instrumento musical é algo que deve ser feito com responsabilidade. Para realizar uma compra bem-sucedida, com um bom custo-benefício, faz-se necessária a pesquisa. Além de pesquisar por preços, é importante que você tenha em mente as funções que pretende ter no seu teclado, para que, futuramente, não venha a se arrepender da sua compra. Suponha que você esteja iniciando o estudo de teclado e decida comprar um teclado arranjador, no entanto, não possui recursos necessários para comprar um que possua todas as funções desejadas. Quais são as funções mínimas que você precisa levar em consideração para que possa vir a ter uma prática satisfatória no futuro? 5 Sampler é um equipamento que permite armazenar amostras de sons para reproduzi-las posteriormente, alternadamente ou simultaneamente. É um equipamento utilizado, na sua grande maioria, em estúdio, podendo ser integrado a uma banda ou compondo toda uma obra musical. Qual dos tipos de teclados que, atualmente, dependendo do modelo, já possui a função de sampler? 37 TÓPICO 3 — UNIDADE 1 FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos as noções básicas do teclado, como as principais funções e a localização das notas musicais. 2 NOTAS MUSICAIS DO TECLADO No teclado, assim como em todos os instrumentos de teclas, os sons musicais são produzidos com o toque das teclas. Por se tratar de um instrumentoque utiliza o sistema afinação temperado, possui uma sequência de 12 semitons, que se repetem ao longo instrumento, indo do grave para o agudo. 2.1 NOTAS NATURAIS NO TECLADO No teclado, as notas naturais se encontram nas teclas brancas. Observe: FIGURA 36 – NOTAS NATURAIS NO TECLADO FONTE: <https://www.descomplicandoamusica.com/notas-de-teclado-e-piano/>. Acesso em: 4 out. 2020. 2.2 NOTAS ALTERADAS NO TECLADO Além das notas naturais, há as notas alteradas, que, na partitura, permanecem na mesma posição, sendo acrescidas de símbolos que alteram as notas naturais, deixando-as mais graves ou mais agudas. Os principais sinais de alteração são: 38 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES • Sustenido (#): Altera qualquer nota natural, aumentando um semitom. • Bemol (b): Altera qualquer nota natural, diminuindo um semitom. No teclado, as notas alteradas se localizam nas teclas pretas, e, assim como as notas naturais, repetem-se ao longo do instrumento, indo da mais grave para a mais aguda. FIGURA 37 – NOTAS ALTERADAS NO TECLADO FONTE: <https://www.descomplicandoamusica.com/notas-de-teclado-e-piano/>. Acesso em: 4 out. 2020. 2.3 NOTAS NO TECLADO E A RELAÇÃO COM A PARTITURA MUSICAL A realização da execução instrumental no teclado pode ser feita a partir da leitura da partitura na Clave de Sol e das cifras ou da leitura da Clave de Sol e da Clave de Fá. FIGURA 38 – CLAVE DE SOL FONTE: <https://avancandonamusica.com.br/clave-de-sol-como-ler-e-aprender/>. Acesso em: 4 out. 2020. FIGURA 39 – CLAVE DE FÁ FONTE: <https://avancandonamusica.com.br/como-ler-partitura/>. Acesso em: 4 out. 2020. TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 39 Todas as notas do teclado são representadas, na partitura musical, por meio da Clave de Sol e da Clave de Fá. Observe essa relação: FIGURA 40 – NOTAS DO TECLADO NA PARTITURA FONTE: <https://bit.ly/3ioTliE>. Acesso em: 4 out. 2020. Geralmente, a Clave de Fá se destina a apresentar as notas a serem tocadas na mão esquerda, enquanto a Clave de Sol se refere às notas a serem tocadas com a mão direta. 3 COMPREENDENDO AS PARTITURAS PARA O TECLADO A partitura é uma escrita musical padronizada mundialmente, ou seja, pode ser compreendida em qualquer lugar no mundo por aqueles que estudam esse sistema. Essa condição permite que um grupo de pessoas de diferentes culturas, falando diferentes línguas, toque junto, apenas lendo a partitura. Embora, na figura anterior, não estejam sendo representadas as teclas que aparecem em branco, no teclado, também são representadas por meio da escrita musical. NOTA 40 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES Embora a partitura tenha aspectos destinados aos mais diferentes instrumentos musicais, há outros, no entanto, que se destinam apenas àquele tipo de instrumento. Agora, observaremos alguns aspectos da partitura musical, uns compreendidos de maneira universal e outros destinados, exclusivamente, aos tecladistas ou instrumentos de teclas. 3.1 PARTITURA COM CLAVE DE SOL COM CIFRA Grande parte das partituras destinadas ao estudo e à prática do teclado apresenta uma linha melódica (geralmente, escrita na Clave de Sol), com indicações de acordes, por meio de cifras, a serem realizados com a mão esquerda. Observe a partitura a seguir, da música Asa Branca, de Luiz Gonzaga: FIGURA 41 – PARTITURA DA MÚSICA ASA BRANCA FONTE: A autora Agora, observe o que cada número elencado na partitura anterior representa: 1. Título da Música. 2. Compositores. 3. Sugestão de ritmo (no teclado, a função Style). TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 41 4. Sugestão de timbre (no teclado, a função Voice). 5. Sugestão de tempo (no teclado, a função Tempo). 6. Indicação da Clave (Clave de Sol). 7. Fórmula de Compasso (2/4 – dois tempos em cada compasso, sendo, a semínima, a Unidade de Tempo). 8. Notas musicais (para serem executadas com a mão direita). 9. Cifras (para serem executadas com a mão esquerda). 10. Barra de divisão de compasso. 11. Barra final. QUADRO 1 – CIFRAS FONTE: <http://optiemusic.blogspot.com/2014/07/cifras.html>. Acesso em: 4 out. 2020. 3.2 PARTITURAS COM CLAVE DE SOL E CLAVE DE FÁ Algumas partituras são escritas, utilizando as duas claves: a Clave de Sol e a Clave de Fá. Em algumas, você também deve encontrar Clave de Sol, Clave de Fá e cifras. Observe a partitura a seguir, de um trecho da música Luar do Sertão, de Catullo da Paixão Cearense: As cifras são um sistema de identificação dos acordes por meio de letras, números e sinais. Simplificam e otimizam a leitura musical. Na próxima unidade, aprofundaremos o estudo das cifras. Por hora, observe o exposto a seguir, com a base das cifras. NOTA 42 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES FIGURA 42 – PARTITURA COM TRECHO DA MÚSICA LUAR DO SERTÃO FONTE: A autora Agora, observe o que cada número elencado na partitura anterior representa: 1. Título da música. 2. Compositores. 3. Tempo sugerido. 4. Indicação da clave (Clave de Sol). 5. Indicação da clave (Clave de Fá). 6. Acidentes musicais (Fá #). 7. Fórmula de Compasso (2/4 – dois tempos em cada compasso, sendo, a semínima, a Unidade de Tempo). 8. Notas musicais da Clave de Sol (para serem executadas com a mão direita). 9. Notas musicais da Clave de Fá (para serem executadas com a mão esquerda). 10. Barra de divisão de compasso. 11. Barra dupla (simbolizando o fim de um trecho musical). TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 43 12. Barra final. 13. Indicação dos dedos. FIGURA 43 – NUMERAÇÃO DAS MÃOS FONTE: <https://aprendateclado.com/a-posicao-dos-dedos-no-teclado/>. Acesso em: 4 out. 2020. 3.3 FUNÇÕES BÁSICAS DO TECLADO Para falar das funções básicas do teclado, faremos um breve estudo acerca do teclado arranjador da Yamaha PSR E-363. Aqui, abordaremos as funções básicas, as utilidades e como aplicá-las nesse teclado. Em algumas partituras musicais, você deve perceber a sinalização para a posição dos dedos. Tal fato se deve à organização da movimentação das mãos para uma melhor performance no momento da execução musical. Na Unidade 2 deste livro, aprofundar-nos-emos nas técnicas de movimentação das mãos, por hora, aprenderemos a numeração dos dedos. ESTUDOS FU TUROS 44 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES FIGURA 44 – DESENHO DO TECLADO ARRANJADOR YAMAHA PSR E-363, COM DESTAQUE PARA OS PAINÉIS DE CONTROLE FONTE: A autora 3.3.1 Teclas sensitivas Com a função das teclas sensitivas, é possível reproduzir a intensidade desejada do som. Quando você aperta a tecla do teclado com força, o volume produzido é forte, de maior intensidade. Quanto mais fraco você apertar as teclas do teclado, mais fraco deve ser o volume produzido. No teclado Yamaha PSR E363, para você acessar a função das teclas sensitivas, deve pressionar, por alguns segundos, o botão [FUNCTION]. Em seguida, digitar os números 008 para acessar a função Touch Response (resposta ao toque). Dentro dessa função, você pode escolher uma determinada configuração de resposta ao toque, entre 1 e 4. TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 45 O número 1, referente à configuração suave, produz um volume relativamente alto, mesmo quando você toca as teclas com mais suavidade. O número 2, referente à configuração média, produz uma resposta precisa, referente à intensidade com que você toca as teclas e o volume de som produzido. No número 3, referente à configuração forte, as teclas devem ser tocadas com muita força, para que seja produzido um som com volume alto. Por fim, no número 4, referente à configuração fixa, o volume do som não está associado à intensidade empregada no momento da execução. O volume sonoro permanece o mesmo, independentemente da execução realizada. 3.3.2 Dual Voice Essa função permite que você una dois timbres. Um exemplo muito comum é o uso do timbre“piano” com a segunda voz “strings”. Para selecionar a segunda voz no teclado Yamaha PSR E363, você tem que pressionar o botão [DUAL]. Após o botão ser pressionado por um tempo, pode escolher o timbre desejado para ser a segunda voz, através das teclas numéricas. Para cancelar a função de duas vozes, basta pressionar o botão DUAL novamente. 3.3.3 Split A função split permite que você divida o teclado em duas partes: a parte da melodia (lado direto) e a parte da harmonia ou baixos. Essa função possibilita, por exemplo, que realize um arpejo na mão esquerda. Com o som de piano, faça um solo na mão direita, com o som de um sax tenor. A função Split, no teclado Yamaha PRS E363, pode ser acionada no botão Split. Assim que você seleciona a função Split, esta divide o teclado de forma padrão: C1 até F#2 com um som, e G2 até C6 com outro som. Para mudar essa configuração, é necessário apertar o botão [FUNCTION]. Em seguida, deve acessar a função 007 (Split Point), podendo mudar o ponto de divisão dos sons. Para observar a execução de um trecho musical com e sem o recurso das teclas sensitivas, acesse https://www.youtube.com/watch?v=K3V9zVxlpjk&t=81s. DICAS 46 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES Para mudar o som da voz dividida, você deve apertar o botão Function e acessar a função 017. 3.3.4 Transpose A função Transpose permite que você altere a tonalidade da música de forma automática. É o recurso que, visando ao desenvolvimento do tecladista, deve ser usado com moderação. No entanto, apresenta-se como facilitador em situações emergenciais, como quando você passa semanas treinando uma música para tocar em um grupo musical. No dia da apresentação, o vocalista apresenta um certo grau de rouquidão e não consegue atingir as notas agudas e, então, pede que você diminua a tonalidade da nota. Caso você tenha dificuldades de transpor as notas, esse recurso serve como um solucionador do problema. No teclado Yamaha PSR E363, para você acessar a função das teclas sensitivas, deve pressionar, por alguns segundos, o botão [FUNCTION]. Em seguida, digitar os números 005, para acessar a função Transposição (na tela do teclado, aparece Transpos). Com os botões [+] e [-], é possível acrescentar ou diminuir os semitons até chegar no valor necessário. A função 018 permite que você altere a oitava da voz dividida (a voz da parte esquerda do teclado), dessa forma, pode duplicar os sons, teoricamente, transformando um teclado em dois. Isso pode ser útil no ensino coletivo ou no individual, pois há a possibilidade de tocar com o aluno na mesma altura, caso o espaço não disponha de dois teclados. NOTA Vale ressaltar que, quanto mais você utilizar o recurso Transpose, menos apropriação da prática da transposição você tem. Um exemplo a não ser seguido é o fato de, constantemente, modificar as tonalidades das músicas para que possam ser tocadas com facilidade. No início do estudo de teclado, isso pode auxiliar na compreensão e na prática, no entanto, passa a prejudicar o desenvolvimento do tecladista a partir do momento em que se torna uma ação constante: exemplos disso são as transposições manuais de músicas com tonalidades que possuem muitos acidentes, como a tonalidade de Si Maior ou Sol# menor. Você tem a opção de transpor, manualmente, uma música, com a tonalidade em Si Maior (que possui cinco acidentes), para a tonalidade de Dó Maior (que não possui acidentes). Em seguida, usar a transposição automática do teclado para retornar para a tonalidade de Si Maior, assim, você está tocando uma música em Si Maior e usando as notas da tonalidade de Dó Maior. Isso é um grande facilitador para tecladistas iniciantes, no entanto, o uso constante desse recurso pode fazer com que você não pratique e, por conseguinte, não desenvolva essa habilidade tão importante para o seu aperfeiçoamento musical. NOTA TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 47 3.3.5 Octave Com o recurso “Octave”, você tem a opção de alcançar regiões mais graves ou mais agudas, que não são apresentadas na configuração original do teclado. Além disso, como já mencionado, pode utilizar a função Split, que possibilita dividir o teclado em dois e, em seguida, com a função “Octave”, fazer com que as teclas do lado esquerdo sejam tocadas nas mesmas oitavas em comparação ao lado direito, auxiliando na prática pedagógica do teclado. Para selecionar a função “Octave” no teclado Yamaha PSR E363, você deve pressionar, por alguns segundos, o botão [FUNCTION]. Após apertar o botão [FUNCTION], é necessário digitar o número 015 para acessar a função “Octave”. Com os botões [+] e [-], pode-se modificar as oitavas do teclado em, no máximo, duas oitavas mais agudas ou duas oitavas mais graves, comparando com a configuração original. 3.3.6 Metrônomo O metrônomo é uma ferramenta que produz um pulso estável e auxilia os músicos a estudarem e a executarem músicas com precisão. Em um metrônomo, os pulsos são medidos em Batimentos Por Minuto (BPM). A maior parte dos metrônomos é capaz de reproduzir de 35 a 250 BPM. Para iniciar a função do metrônomo no teclado Yamaha PSR E363, você precisa pressionar o botão [METRONOME]. Para cancelar a função, basta apertar o botão novamente. Caso você deseje mudar o tempo do metrônomo, é preciso apertar o botão [TEMPO/TAP], e, com o teclado numérico, ou usando os botões [+] e [-], indicar o tempo desejado. 3.3.7 Voice Na função “Voice”, você pode escolher o timbre desejado. A gama de timbres varia, de acordo com a marca e o modelo do teclado. Como já comentado anteriormente, alguns teclados apresentam a possibilidade de ampliação de timbres, mas não é o caso do Yamaha PSR E363. Para você acionar a função Voice no teclado Yamaha PSR E363, é necessário pressionar a tecla [VOICE] e, com o teclado numérico ou com os botões de [+] e [-], selecionar o timbre desejado. 3.3.8 Style Caso opte por tocar o teclado com um acompanhamento mecânico, na função “Style”, você pode escolher o ritmo desejado. 48 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES No teclado Yamaha PSR E363, para selecionar a função Style, é preciso pressionar a tecla [STYLE], além de selecionar o timbre desejado com o teclado numérico ou os botões [+] ou [-]. 3.3.9 Tempo A função tempo está destinada aos tecladistas que optam por utilizar um acompanhamento mecânico. Esse recurso possibilita escolher o tempo ideal para a execução da música ou do estudo. Para acionar a função “Tempo”, no teclado Yamaha PSR E363, é necessário pressionar a tecla [TEMPO] e, com o teclado numérico ou com os botões de [+] e [-], selecionar o tempo desejado. TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 49 TECLADISTAS DE INSTRUMENTOS ELETRÔNICOS: FORMAÇÃO, ATUAÇÃO E IDENTIDADES MUSICAIS (TRECHO DO ARTIGO) Maria Amélia Benincá de Farias O presente artigo se origina da minha pesquisa de mestrado intitulada Formação, Atuação e Identidades Musicais de Tecladistas de Instrumentos Eletrônicos: Um Estudo de Caso (BENINCÁ, 2017). Essa pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, área de concentração Educação Musical, no período de março de 2015 a janeiro de 2017, tendo, como orientadora, a Prof.ª Dr.ª Jusamara Souza, e integrando o grupo de pesquisa Educação Musical e Cotidiano. O interesse por esse tema parte da minha própria experiência. Sou bacharela em música, com habilitação em piano, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Contudo, minha iniciação musical se deu através do teclado eletrônico, e minha iniciação profissional na música foi como tecladista de bandas na cidade de Caxias do Sul. Em 2014, atuei, em conjuntos, como tecladista, e comecei a lecionar esse instrumento na Fundação Municipal de Artes de Montenegro – FUNDARTE, escola de artes da cidade de Montenegro, e em aulas particulares na cidade de Porto Alegre,ambas no Rio Grande do Sul. Ao ministrar aulas de teclado eletrônico, encontrei dificuldades em preparar as aulas de forma a dar conta das possibilidades tecnológicas do instrumento: o material didático, disponível para me dar respaldo, privilegiava o estudo das teclas, passando, de forma superficial, pelas questões relacionadas à tecnologia do instrumento. Tal situação provocou minha imaginação investigativa, direcionando-me, no momento da definição do tema do mestrado, para a temática do teclado eletrônico. Pesquisas acerca da formação e da atuação dos tecladistas, músicos que atuam imersos na tecnologia, ainda são escassas no Brasil. Na revisão de literatura realizada, especialmente, nos últimos anais dos eventos da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM), da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM) etc., não foram encontradas pesquisas que tratassem diretamente do assunto. Esse estudo de caso não pretendia esmiuçar a história particular de cada tecladista em um contexto individual, mas olhar para os processos vividos pelos tecladistas como representantes da ocorrência do fenômeno, sempre considerando as particularidades. Cabe apontar que os três músicos optaram por ser identificados pelos seus nomes próprios, portanto, integram, esse campo empírico: Thiago Marques, Ivan Teixeira e Vini Albernaz. LEITURA COMPLEMENTAR 50 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES As entrevistas foram realizadas entre abril e maio de 2016, e foram precedidas pela leitura e aceite do termo de consentimento. Todos os diálogos foram registrados em áudio e, posteriormente, transcritos. O material foi catalogado como “Caderno de Entrevistas”, com a abreviatura CE e a respectiva identificação. Os resultados serão apresentados em quatro blocos, relacionados aos três focos propostos dessa pesquisa: formação, atuação e identidades musicais, sendo, estas últimas discutidas em dois blocos: “especificidades da formação” e “ser ou não ser tecladista”. Formação Nos relatos dos três tecladistas, destaca-se como a socialização, vivida ainda na primeira infância, no seio familiar, teve consequências relevantes na sua formação. A socialização, segundo Nanni (2000, p. 111), é um processo que “capacita [o homem] psicológica e culturalmente a ser cidadão de uma coletividade e de uma cultura”. A socialização primária é experimentada pelo indivíduo na infância e, nesse contexto, a atuação da família é importante e significativa, pois a criança interioriza o mundo dos seus significativos “como sendo o mundo, o único mundo existente e concebível, o mundo tout court” (BERGER; LUCKMANN, 2014, p. 174). Assim, a música que chega por meio da família, ainda na infância, é uma música que fica, que se enraíza, que adere. Do primeiro contato com o teclado eletrônico em si, cabem algumas peculiaridades. Thiago e Vini tiveram a iniciação musical em instrumentos eletrônicos, tendo o teclado como um dos seus brinquedos na infância. A relação com o teclado se desenvolveu e evoluiu à medida que eles próprios se desenvolveram. Por outro lado, para Ivan, “o teclado nunca foi um brinquedo” (CE – IVAN, p. 7). Isso porque a sua iniciação musical foi por outros meios, foi pelo piano, pelo violão. Quando chegou ao teclado eletrônico, já estava musicalizado, atuando em um meio profissional, com os músicos da sua igreja, encarando, portanto, o instrumento já com uma perspectiva de atuação profissional. Aparte de um contexto de aulas formais de instrumento, os três tecladistas encontraram diversos recursos para integrar à formação. Através de meios, como a internet, as revistas, os manuais, a própria convivência com outros músicos, os três músicos tiveram acesso à necessária instrução tecnológica inicial para lidar com equipamentos. Contudo, essa instrução sempre se deu na medida necessária para permitir as explorações pessoais, características do processo de aprendizagem do uso dessas ferramentas. Ainda, as referências sonoras bem estabelecidas são importantes nesse processo: elas balizam os experimentos dos músicos nos equipamentos, direcionando a exploração para as sonoridades que conhecem e pelas quais se interessam. É esse direcionamento que integra o que Nanni (2000, p. 124) chama de saberes musicais possíveis, um “conjunto de expectativas/conhecimentos que, em níveis não muito diferentes, todos os cidadãos da nossa sociedade têm acesso, simplesmente, vivendo, comunicando, observando”. Esse conhecimento se sedimenta através das experimentações, passando de saberes musicais “possíveis” TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 51 para “saberes efetivados”. Através dessa prática de ouvir, copiar, experimentar, os conhecimentos “sonoros-referenciais” se convertem em conhecimentos práticos, de forma que as experimentações não são aleatórias ou sem direção. Além disso, essa forma de aprender a dominar os equipamentos e os softwares da tecnologia da música também é apropriada à principal característica do teclado e do instrumentista: a versatilidade. Contando apenas com uma breve introdução e passando a explorar as ferramentas por conta própria, os tecladistas puderam se desenvolver exatamente da maneira que eles precisavam, pois, como será discutido a seguir, existem várias formas de ser tecladista e de atuar através da tecnologia da música, o que gera diferentes necessidades artísticas e profissionais. Atuação Cada tecladista entrevistado tem formas próprias de atuação profissional. Como mencionado, os tecladistas consideram o teclado eletrônico um instrumento versátil, e a sua atuação também se revelou ser. À época das entrevistas, os três participantes estavam envolvidos em trabalhos com performance e produção musical. Ivan e Thiago, por sua vez, também ministravam aulas de instrumento. Neste artigo, focaremos na sua atuação dentro da performance, contexto em que se revela, especialmente, como são diversas as formas de ser tecladista. Thiago, após tocar em diversas bandas e após uma experiência vivida em um conjunto de música eletrônica, decidiu investir em um projeto autoral, de música instrumental, em parceria com um baterista, um projeto chamado de GranDense. A experiência com música eletrônica de pista foi importante porque lhe proporcionou um espaço para aprender a respeito da produção musical: nesse grupo em que atuou, em determinado momento, lhe foi requisitado produzir uma música por inteiro, ou, nas suas palavras, “desde a bateria até a última notinha” (CE1 – THIAGO, p. 19). Esse conhecimento foi importante no estabelecimento do seu projeto de música autoral porque, no GranDense, Thiago busca ocupar todos os espaços com o teclado, respaldado por esse conhecimento em produção musical, que lhe permite incluir trilhas pré-gravadas, embora ele faça questão de evitá-las. Esse é um ponto importante: é emblemático que Thiago faça questão de fazer tudo ao vivo, ou, ao menos, o máximo possível. Ivan, por sua vez, é tecladista e pianista. Essa dupla formação também lhe permite uma dupla atuação: tocando como sideman de Luiza Possi e Bruna Caram, atua como tecladista no show de banda e como pianista no show de piano e de voz. A relação de Ivan com o piano é a base da sua formação, atuação e, como será retomado, identidade. Embora tenha um verdadeiro e profundo encantamento pelo teclado, Ivan entende que o piano é a base de tudo. É difícil especular se Ivan teria essa mesma visão caso tivesse se afastado do piano após os primeiros anos da infância. Contudo, o fato é que não só não se afastou, mas seguiu atuando, também, como pianista, de forma que enxerga esses dois instrumentos em um contínuo: o piano como base, o teclado como inclusão do conhecimento tecnológico, uma característica dele. 52 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES Vini, por outro lado, explora as novas formas de performance mediadas pela tecnologiada música. Das primeiras experiências de banda ao seu projeto solo, foi um longo processo de se afastar das teclas e da tradição de performance musical que elas representam, até abraçar a tecnologia da música e as novas possibilidades trazidas por ela. Na performance musical de Vini, o computador é uma peça central, conectado a outros instrumentos, dotados de botões, pads, knobs, sliders, que lhe permitem manipular manualmente e sensivelmente as sonoridades originadas pelo computador. Ainda assim, tendo iniciado a sua vida musical nas teclas, estando, estas, carregadas de afetividade para si, o teclado permanece: seja como ferramenta criadora, seja como instrumento onde grava trilhas, ou mesmo na performance ao vivo, quando deseja manipular melodias em tempo real. Para Vini, o teclado e a tecnologia da música formam um universo autônomo, e performances musicais completas e íntegras podem acontecer dentro dos seus limites. Thiago, Ivan e Vini representam algumas das possibilidades de performance que cabem nos domínios do teclado eletrônico. Tendo vivido formações tão diferentes, tornaram-se músicos diferentes, que usam o teclado eletrônico da forma que acreditam ser a mais pertinente, a mais apropriada, sendo todas essas possibilidades válidas dentro dos seus contextos. Nesse pequeno universo de três tecladistas, a versatilidade do teclado eletrônico se destaca [...]. Especificidades da formação A relação que cada tecladista guarda com a tecnologia revela conflitos e contradições que podem ser entendidos como característicos de um músico que atua no encontro de tradições distintas e que propõem paradigmas, até certo ponto, conflitantes. Thiago, que foi musicalizado desde o início em instrumentos eletrônicos, não tem dúvidas quanto à autonomia do teclado eletrônico em relação aos instrumentos acústicos. Por outro lado, como discutido anteriormente, atrela a sua imagem às questões da tradição da performance no instrumento, vinculada às teclas e ao domínio da sua virtuosidade. Assim, embora entenda o teclado como um instrumento autônomo e tenha a tecnologia em alta conta, Thiago a compreende como sendo não essencial, mas um acessório de grande importância. Ao defini-la dessa forma, ele se posiciona como músico que tem condições de atuar independentemente dela. Ivan, por sua vez, entende que a tecnologia é essencial para a atuação musical. Para ele, a tecnologia possibilitou que mais pessoas se envolvessem com a música, porém, numa perspectiva de uma atuação profissional, defende que o uso da tecnologia seja precedido por um estudo das tradições musicais que a precedem, representadas, no caso, pelo piano, afirmando que se trata de um “conhecimento mais antigo”, considerando-o um “conhecimento de ponta” (CE – IVAN, p. 32), inclusive, questionando a qualidade dos músicos que não passaram por essa formação. TÓPICO 3 — FUNÇÕES E NOÇÕES BÁSICAS DO TECLADO 53 Já Vini considera a tecnologia absolutamente essencial, tratando do seu uso como um posicionamento político: colocar a tecnologia da música no centro da sua performance musical passa a significar ir contra os paradigmas estabelecidos na música antes do advento da tecnologia, ou, em outras palavras, assumir uma posição política por uma transformação dos valores acerca do fazer musical. Para Vini, inclusive, a questão de a tecnologia da música ser ou não ser um instrumento musical é superada: ela já é, tendo, em equipamentos, como o teclado, o computador, os MPC’s2, as ferramentas que permitem, ao músico, trabalhar com essa tecnologia para construir suas sonoridades, sua arte. Ser ou não ser tecladista As concepções a respeito de ser tecladista de cada um dos participantes da pesquisa se construíram na sua formação e na atuação. Entendendo que as “identidades na música são baseadas em categorias sociais e práticas musicais culturais” (HARGREAVES; MIELL; MACDONALD, 2002, p. 14), observa-se como suas concepções são, de fato, suas próprias práticas musicais transformadas em um conceito acerca do que é ser tecladista. Para Thiago, ser tecladista é, essencialmente, tocar “com o instrumento reagindo de maneiras diferentes” (CE2 – THIAGO, p. 13). Olhando para a sua história, lembramos que essas diferentes formas de reagir do teclado eletrônico capitanearam Thiago em primeiro lugar para o instrumento, e é na forma como o músico lida com isso que ele entende que se constitui um tecladista. Ivan, por sua vez, entende que ser tecladista é, antes de tudo, interessar-se por tecnologia. Usar o teclado como um piano, para ele, não torna seu instrumentista um tecladista. Considerando que ele é um tecladista muito próximo do piano e que dá grande valor ao estudo desse instrumento na formação do tecladista, é emblemática a sua posição na definição do que é ser tecladista. Isso porque, embora estudar piano seja importante, para Ivan, essa questão não é definidora do que é ser tecladista. Já Vini, em diversos momentos, usou expressões como “ele não é só tecladista”, ou “é um tecladista, além de outras coisas” (CE – VINI, p. 44), e “se assume, mesmo que seja em certos momentos, apenas como tecladista” (CE – VINI, p. 45). Vini tem uma visão tal do fazer musical por meio da tecnologia da música que a identidade do tecladista se constitui, para ele, apenas como uma parte disso. Vini, aliás, mostrou ter muitas dúvidas acerca de como definir a si próprio como tecladista. Ao se colocar como músico, prefere falar de si mesmo como “artista músico”, e defende que os seus equipamentos, do sintetizador ao computador, passando pelos MPCs, são os seus instrumentos (CE – VINI, p. 41). Conclusões As formas de ser tecladista são legitimadas pelas histórias que as formaram e pelos tecladistas que encontraram formas de atuar na sua perspectiva. 54 UNIDADE 1 — O TECLADO: CONHECENDO O INSTRUMENTO, A HISTÓRIA E AS POSSIBILIDADES Após refletir a respeito das questões trazidas pelos tecladistas acerca dos seus universos, defendo que o teclado eletrônico é um instrumento musical autônomo, estabelecido na prática profissional através da atuação dos músicos e do qual a educação musical pode muito se beneficiar. Lançar um novo olhar sobre as práticas musicais que se estabelecem na contemporaneidade, a partir do advento de novas tecnologias, é integrar a educação musical como área aos processos de legitimação dessas novas formas de consumir e de produzir música, já legitimadas por todos aqueles que exercem. FONTE: FARIAS, M. A. B. de. Tecladistas de instrumentos eletrônicos: formação, atuação e identidades musicais. 2017. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/685-2497-1-PB.pdf. Acesso em: 24 abr. 55 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Há a localização das notas no teclado. • Ocorre uma relação entre as notas do teclado e as notas da Clave de Sol e da Clave de Fá. • Alguns elementos da partitura são destinados à prática do teclado, como sugestão de ritmo, sugestão de timbre e cifras. • Algumas funções básicas do teclado são dual voice, split, transpose, octave, metrônomo, voice, style e tempo. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 56 1 A partitura é uma escrita musical padronizada mundialmente, ou seja, pode ser compreendida em qualquer lugar no mundo por aqueles que estudam esse sistema. Essa condição permite que um grupo de pessoas, de diferentes culturas, falando diferentes línguas, toque junto, apenas lendo a partitura. A partitura a seguir de destina à execução no teclado. Qual dos aspectos mencionados não está presente na partitura a seguir? a) ( ) Fórmula de compasso. b) ( ) Notas musicais da Clave de Fá. c) ( ) Cifras. d) ( ) Título da música. 2 O teclado arranjador é um instrumento que possui diversas funções. No Tópico 3 da Unidade 1, estudamos algumas funções básicasdo teclado arranjador. Observe as afirmativas a seguir e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta das funções apresentadas: I- Com essa função, você pode alterar a tonalidade da música de forma automática. II- Essa função permite que você alcance regiões mais graves ou mais agudas que não são apresentadas na configuração original do teclado. III- Com essa função, é possível reproduzir a intensidade desejada do som. IV- Essa função permite que você divida o teclado em duas ou mais partes. AUTOATIVIDADE 57 a) ( ) Transpose; Octave; Teclas Sensitivas; e Split. b) ( ) Metrônomo; Octave; Tempo; e Teclas Sensitivas. c) ( ) Transpose; Split; Teclas Sensitivas; e Tempo. d) ( ) Split; Transpose; Octave; e Teclas Sensitivas. 3 Embora a partitura tenha aspectos destinados aos mais diferentes instrumentos musicais, há outros, no entanto, que se destinam apenas a alguns tipos de instrumentos. Observe a figura a seguir e sinalize o que cada parte, elencada pelos números, representa: 58 REFERÊNCIAS BENNET, R. Uma breve história da música. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1986. DONALD, J. G.; CLAUDE V. P. História da música ocidental. São Paulo: Gradiva, 1997. KENNEDY, M. Dicionário Oxford de música. São Paulo: Publicações Dom Quixote Lisboa, 1994. KINDERSLEY, D. Música: guia visual definitivo. São Paulo: Publifolha, 2014. KLEBER, M. Distintos ventos dos foles: dos primeiros fonogramas ao modismo do acordeão na década de 1950 no Brasil. 2018. PERSONE, P. O fortepiano na Coleção Theresa Christina Maria: propostas para uma performance historicamente informada. 2008. RODRIGUES, J. A. O órgão ibérico em Braga instrumentos e características. Portugal: Universidade Católica Portuguesa, 2017. 59 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer algumas das escalas musicais; • visualizar alguns campos harmônicos; • compreender como se dá a formação dos acordes maiores, menores e maiores com sétima; • observar a base estrutural dos acordes invertidos; • entender as funções harmônicas principais e secundárias do modo maior; • adentrar em alguns tipos de padrões rítmico-melódicos simples, destinados à mão esquerda. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS TÓPICO 2 – HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS TÓPICO 3 – ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 60 61 UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, faremos um breve estudo das escalas e do campo harmônico. Nas escalas, traremos alguns exemplos de escalas maiores e menores, além da respectiva digitação no teclado. O estudo do campo harmônico será realizado tendo, como base, algumas das escalas maiores. 2 O QUE SÃO ESCALAS De acordo com o Kennedy (1994, p. 236), escala é “uma série de notas isoladas que sobem ou descem por graus conjuntos”. 2.1 UTILIZANDO OS DEDOS NA EXECUÇÃO DAS ESCALAS Um dos aspectos essenciais do estudo do teclado diz respeito à posição dos dedos. Ao iniciar o nosso estudo de escalas, vale apontar a necessidade de um olhar atento para o que se considera uma posição adequada. Realizar o movimento das escalas, utilizando a melhor posição dos dedos, auxilia no seu aprimoramento musical. 2.1.1 Numeração dos dedos Como já visto na Unidade 1, há uma numeração específica para a mão esquerda e para a mão direita. Cada número representa um dedo. Quando você observar números próximos às notas, estes são as referências dos dedos a serem utilizados no momento da execução musical. Caso você não se recorde da numeração dos dedos, observe: TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 62 FIGURA 1 – NUMERAÇÃO DAS MÃOS FONTE: <https://aprendateclado.com/a-posicao-dos-dedos-no-teclado/>. Acesso em: 4 out. 2020. 2.1.2 Dedos nas escalas: sequência A sequência a seguir está relacionada às escalas maiores e menores. Sequência de dedos: • Mão direita (escala ascendente): 1 – 2 – 3 – 1 – 2 – 3 – 4 – 5. • Mão direita (escala descendente): 5 – 4 – 3 – 2 – 1 – 3 – 2 – 1. • Mão esquerda (escala ascendente): 5 – 4 – 3 – 2 – 1 – 3 – 2 – 1. • Mão esquerda (escala descendente): 1 – 2 – 3 – 1 – 2 – 3 – 4 – 5. FIGURA 2 – SEQUÊNCIA DE DEDOS DA ESCALA - MÃO DIREITA FONTE: A autora FIGURA 3 – SEQUÊNCIA DE DEDOS DA ESCALA - MÃO ESQUERDA FONTE: A autora TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 63 2.1.3 O cruzamento de dedos na realização das escalas O cruzamento de dedos na realização das escalas maiores e menores, da mão direita e da mão esquerda, em escala ascendente ou descendente, dá-se como o apresentado a seguir: FIGURA 4 – O CRUZAMENTO DOS DEDOS FONTE: <http://www.piano-play-it.com/music-scales.html>. Acesso em: 4 out. 2020. A partir da figura exposta, podemos observar que onde há a sequência 3 – 1 ou 1 – 3, o cruzamento dos dedos sempre se dá com o dedo polegar abaixo do dedo médio. Observe a figura a seguir: FIGURA 5 – O CRUZAMENTO DOS DEDOS NA EXECUÇÃO DAS ESCALAS FONTE: A autora UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 64 Após compreender a sequência apresentada, recomenda-se que todos os estudos de escalas a seguir sejam realizados com base no estudo dos dedos aqui abordado. Embora as escalas a seguir sejam apresentadas entre o Dó 3 e o Si 4 (comumente destinadas à mão direita), é de suma importância que elas sejam estudadas com as duas mãos. Você pode executar a escala, com a mão esquerda, duas oitavas abaixo da apresentada nas partituras. É interessante iniciar a prática com a mão direita, em seguida, com a mão esquerda, e, para finalizar o estudo, praticar com as duas mãos simultaneamente. Caso você não tenha um teclado para realizar os seus estudos, é possível baixar um aplicativo de teclado ou piano no seu smartphone. Com o smartphone, você não pode executar as escalas com as duas mãos, no entanto, pode executar as escalas com a mão direita e, em seguida, com a mão esquerda. 2.2 ESCALAS MAIORES As escalas maiores se originam dos antigos modos gregos, especificamente, do modo Jônio, que inicia com a nota Dó. Todas as escalas maiores possuem uma sequência de distância de alturas de tom, tom, semitom, tom, tom, tom, semitom, com início e fim na nota correspondente à escala. FIGURA 6 – TONS E SEMITONS FONTE: A autora Levando em consideração as 12 notas musicais, podemos compreender o semitom como o intervalo entre uma nota e outra e, o tom, como a junção de dois semitons ou o intervalo entre duas notas. Observe a figura a seguir, para uma maior compreensão. NOTA TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 65 Compreendendo que a escala maior é a sequência de notas, e respeitando a ordem de intervalos de tom, tom, semitom, tom, tom, tom e semitom, observaremos a construção de algumas escalas maiores: QUADRO 1 – ALGUMAS ESCALAS MAIORES FONTE: A autora Para uma maior compreensão da formação e da execução das escalas, serão apresentadas algumas escalas maiores (com partitura e como tocar no teclado). As escalas apresentadas se concentrarão entre o Dó 3 (conhecido como Dó Central) e o Si 4, no entanto, vale ressaltar que uma escala pode ser encontrada e executada em qualquer tessitura. FIGURA 7 – FIGURA DESTACANDO O DÓ 3 (DÓ CENTRAL) FONTE: <http://adrianodozol.blogspot.com/2011/06/extensao-de-notas-do-teclado-com.html>. Acesso em: 24 out. 2020. UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 66 Cada escala maior tem a sua relativa menor natural, formada a partir do seu VI grau. No caso da escala de Dó Maior, a sua relativa é a Escala de Lá menor. NOTA FIGURA 8 – ESCALA DE DÓ MAIOR E A SUA RELATIVA MENOR NATURAL FONTE: A autora 2.2.1 Escala de Dó Maior FIGURA 9 – ESCALADE DÓ MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 67 2.2.2 Escala de Ré Maior FIGURA 10 – ESCALA DE RÉ MAIOR FONTE: A autora 2.2.3 Escala de Mi Maior FIGURA 11 – ESCALA DE MI MAIOR FONTE: A autora 2.2.4 Escala de Fá Maior FIGURA 12 – ESCALA DE FÁ MAIOR FONTE: A autora UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 68 2.2.5 Escala de Sol Maior FIGURA 13 – ESCALA DE SOL MAIOR FONTE: A autora 2.2.6 Escala de Lá Maior FIGURA 14 – ESCALA DE LÁ MAIOR FONTE: A autora 2.2.7 Escala de Si Maior FIGURA 15 – ESCALA DE SI MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 69 2.3 ESCALAS MENORES Há três tipos de escalas menores: escala menor natural (ou primitiva), escala menor harmônica e escala menor melódica. 2.3.1 Escala menor natural A escala menor natural é aquela na qual os semitons se encontram entre os graus II – III e V – VI. Em outras palavras, é uma sequência composta de tom, semitom, tom, tom, semitom, tom e tom. Observe: FIGURA 16 – ESTRUTURA DA ESCALA DE LÁ MENOR NATURAL FONTE: A autora FIGURA 17 – ESCALA DE LÁ MENOR NATURAL E SUA RELATIVA MAIOR FONTE: A autora 2.3.2 Escala menor harmônica A escala menor harmônica se forma a partir da escala natural. No fim do século XVI e início do século XVII, os semitons existentes entre os graus VII – VIII do modo maior passaram a ter muita importância no encadeamento dos acordes. Cada escala menor natural tem a sua relativa maior, formada a partir do seu III grau. No caso da escala de lá menor natural, a sua relativa é a Escala de Dó Maior. NOTA UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 70 Esses semitons não existem na escala menor natural, então, para que o modo menor pudesse servir a harmonia, como o modo maior, criou-se um semitom entre os VII – VIII, elevando, um semitom, no VII grau da escala menor natural: FIGURA 18 – ESCALA DE LÁ MENOR HARMÔNICA DESTACANDO O VII GRAU COM MEIO TOM ELEVADO FONTE: A autora 2.3.3 Escala menor melódica A escala menor melódica se forma a partir da harmônica. Na escala menor harmônica, entre os graus VI – VII, há um intervalo de um tom e meio difícil de entoar. Para eliminar essa dificuldade, elevou-se, em um semitom, o VI grau da escala menor harmônica na escala ascendente. FIGURA 19 – ESCALA DE LÁ MENOR MELÓDICA DESTACANDO OS VI E VII GRAUS COM MEIO TOM ELEVADO FONTE: A autora Quando a escala menor harmônica é tocada de forma descendente, transforma-se em menor natural. FIGURA 20 – ESCOLA MENOR MELÓDICA – ASCENDENTE E DESCENDENTE FONTE: A autora Das três escalas menores, a menor melódica é a única que tem a sua distribuição de tons e de semitons alterada na forma ascendente-descendente. NOTA TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 71 2.3.4 Escalas de Lá menor (escala relativa: Dó Maior) FIGURA 21 – ESCALAS DE LÁ MENOR FONTE: A autora 2.3.5 Escalas de Si menor (escala relativa: Ré Maior) FIGURA 22 – ESCALAS DE SI MENOR FONTE: A autora 2.3.6 Escalas de Dó# menor (escala relativa: Mi Maior) FIGURA 23 – ESCALAS DE DÓ# MENOR UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 72 FONTE: A autora 2.3.7 Escalas de Ré menor (escala relativa: Fá Maior) FIGURA 24 – ESCALAS DE RÉ MENOR FONTE: A autora 2.3.8 Escalas de Mi menor (escala relativa: Sol Maior) FIGURA 25 – ESCALAS DE MI MENOR TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 73 FONTE: A autora 2.3.9 Escalas de Fá# menor (escala relativa: Lá Maior) FIGURA 26 – ESCALAS DE FÁ# MENOR FONTE: A autora 2.3.10 Escalas de Sol# menor (escala relativa: Si Maior) FIGURA 27 – ESCALAS DE SOL# MENOR FONTE: A autora UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 74 3 CAMPO HARMÔNICO O Campo Harmônico é o conjunto de acordes maiores e menores de uma determinada escala. Para uma fácil assimilação, trabalharemos com a formação de acordes do Campo Harmônico a partir da junção de três graus (I, III e V), o que denominaremos de Campo Harmônico Simples. Vale ressaltar que alguns estudos mais avançados acerca do Campo Harmônico apresentam a inserção de mais um grau para a formação do acorde, o VII grau. A seguir, serão apresentados quadros com a construção de alguns Campos Harmônicos simples, além da sua escrita na partitura (Claves de Sol e de Fá). 3.1 CAMPO HARMÔNICO DE DÓ MAIOR (SIMPLES) QUADRO 2 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE DÓ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 28 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE DÓ MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 75 3.2 CAMPO HARMÔNICO DE RÉ MAIOR (SIMPLES) QUADRO 3 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE RÉ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 29 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE RÉ MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora 3.3 CAMPO HARMÔNICO DE MI MAIOR (SIMPLES) QUADRO 4 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE MI MAIOR FONTE: A autora FIGURA 30 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE MI MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 76 3.4 CAMPO HARMÔNICO DE FÁ MAIOR (SIMPLES) QUADRO 5 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE FÁ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 31 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE FÁ MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora 3.5 CAMPO HARMÔNICO DE SOL MAIOR (SIMPLES) QUADRO 6 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE SOL MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 1 — ESCALAS E CAMPOS HARMÔNICOS 77 FIGURA 32 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE SOL MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora 3.6 CAMPO HARMÔNICO DE LÁ MAIOR (SIMPLES) QUADRO 7 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE LÁ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 33 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE LÁ MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 78 3.7 CAMPO HARMÔNICO DE SI MAIOR (SIMPLES) QUADRO 8 – CONSTRUÇÃO DO CAMPO HARMÔNICO DE SI MAIOR FONTE: A autora FIGURA 34 – ACORDES DO CAMPO HARMÔNICO DE SI MAIOR (SIMPLES) FONTE: A autora 79 Neste tópico, você aprendeu que: • Escala é uma sequência de notas ascendentes ou descendentes de diferentes alturas que caminham por grau conjunto. • Todas as Escalas Maiores possuem uma sequência de distância de tom, tom, semitom, tom, tom, tom e semitom. • A escala menor natural é uma sequência composta de tom, semitom, tom, tom, semitom, tom e tom. • Para que o modo menor pudesse servir a harmonia, como o modo maior (mantendo o VII grau como a sensível da tonalidade), criou-se um semitom entre os VII – VIII graus, elevando, um semitom, o VII grau da escala menor natural. • A escala menor melódica se forma a partir da harmônica, no entanto, eleva-se, em um semitom, o VI grau da escala menor harmônica. • Quando a escala menor melódica é tocada na forma descendente, transforma- se em menor natural. • O Campo Harmônico é o conjunto de acordes maiores e menores de uma determinada escala. RESUMO DO TÓPICO 1 80 1 Todas as Escalas Maiores possuem uma sequência de distância de tom, tom, semitom, tom, tom, tom e semitom, com início e fim na nota correspondente à escala. De acordo com essa informação, assinale a alternativa que não representa uma Escala Maior: a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) 2 Para que o modo menor pudesse servir a harmonia, como o modo maior, inseriu-se um semitom entre os VII – VIII graus, elevando, um semitom, o VII grau da escala menor natural. Essa escala menor, que tem o VII elevado, é denominada de Escala Menor Harmônica. De acordo com a informação exposta, responda: qual escala a figura a seguir representa? 3 O Campo Harmônico é o conjunto de acordes maiores e menores de uma determinada escala. Observe o conjunto de acordes a seguir e assinale qual é o campo harmônico que engloba todos eles: a) ( ) Campo Harmônico simples de Dó Maior. b) ( ) Campo Harmônico simples de Fá Maior. c) ( ) Campo Harmônico simples de Mi menor. d) ( ) Campo Harmônico simples de Sol Maior. AUTOATIVIDADE 81 UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos a formação dos acordes maiores, menores e maiores com 7ª menor. Além disso, falaremos das inversões dos acordes de 5ª (tríades). Para finalizar, serão apresentadas as funções harmônicas principais e secundáriasdo modo maior. 2 FORMAÇÂO DE ACORDES Acorde é a combinação de três ou de mais sons simultaneamente. Neste estudo, será abordada a formação de alguns acordes de três e quatro sons, chamados, respectivamente, de acorde de quinta (tríades) e acorde de sétima (tétrades). QUADRO 9 – DENOMINAÇÃO DOS ACORDES DE TRÊS E QUATRO SONS FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS Duas notas tocadas simultaneamente não são acordes, mas um intervalo musical. NOTA 82 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 2.1 ACORDE PERFEITO MAIOR O acorde perfeito maior, no seu estado fundamental, compõe-se de 3ª Maior (2 tons) e 3ª menor (1 e ½ tom) ou 3ª Maior (2 tons) e 5ª justa (3 e ½ tons) em relação à fundamental. FIGURA 35 – FORMAÇÃO DO ACORDE PERFEITO MAIOR FONTE: A autora QUADRO 10 – ACORDE PERFEITO MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 83 FIGURA 36 – ACORDE PERFEITO MAIOR - FORMAÇÃO NO TECLADO FONTE: A autora 2.2 ACORDE PERFEITO MENOR O acorde perfeito menor, no seu estado fundamental, compõe-se de 3ªm (1 e ½ tom) e 3ªM (2 tons) ou 3ªm (1 e ½ tom) e 5ªJ (3 e ½ tons) em relação à fundamental. 84 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO FIGURA 37 – FORMAÇÃO DO ACORDE PERFEITO MENOR FONTE: A autora QUADRO 11 – ACORDE PERFEITO MENOR FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 85 FIGURA 38 – ACORDE PERFEITO MENOR - FORMAÇÃO NO TECLADO FONTE: A autora 2.3 ACORDE MAIOR COM SÉTIMA MENOR O acorde maior com sétima menor, no seu estado fundamental, compõe- se de 3ª M (2 tons), 3ªm (1 e ½ tom) e 3ªm (1 e ½ tom), ou 3ª M (2 tons), 5ªJ (3 e ½ tons) e 7ªm (5 tons) em relação à fundamental. 86 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO FIGURA 39 – FORMAÇÃO DO ACORDE MAIOR COM SÉTIMA MENOR FONTE: A autora QUADRO 12 – ACORDE MAIOR COM 7ª MENOR FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 87 FIGURA 40 – FORMAÇÃO DOS ACORDES MAIORES COM 7ª MENOR NO TECLADO FONTE: A autora 2.4 INVERSÃO DOS ACORDES DE 5ª (TRÍADES: ACORDES DE TRÊS NOTAS) A execução de uma tríade pode ser realizada de três formas, como veremos a seguir. 88 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 2.4.1 Acorde no seu estado fundamental Quando a nota mais grave (o baixo) é a nota fundamental, a tríade está no estado fundamental. FIGURA 41 – ESTADO FUNDAMENTAL DO ACORDE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 2.4.2 Acorde na 1ª inversão Quando a 3ª do acorde é a nota mais grave (baixo), a tríade está na 1ª inversão. FIGURA 42 – 1ª INVERSÃO DO ACORDE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 89 2.4.3 Acorde na 2ª inversão Quando a 5ª do acorde é a nota mais grave (baixo), a tríade está na 2ª inversão. FIGURA 43 – 2ª INVERSÃO DO ACORDE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3 FUNÇÕES HARMÔNICAS DO MODO MAIOR Neste tópico, estudaremos as funções harmônicas principais e secundárias do modo maior. De acordo com Koellreutter (2018, p. 259): O conceito de “harmonia”, como “teoria da concatenação de acordes”, tem a sua origem em fins do século XVII e em princípios do século XVIII, quando o “horizontalismo” do contraponto, cada vez mais, cede lugar ao “verticalismo” da emissão simultânea de três, ou mais sons de altura diferente, e às leis próprias dos acordes (Rameau), quando o sistema modal é substituído pelo tonal de maior ou menor. 3.1 FUNÇÕES PRINCIPAIS Todo o material harmônico pode ser reduzido a três funções básicas: • Tônica (T) - I Grau: Centro tonal (sensação de repouso, resolução, estabilidade). • Subdominante (S) - IV Grau: Saída do centro tonal, distanciamento (sensação de afastamento). • Dominante (D) - V Grau: Aproximação do centro tonal (sensação de tensão, instabilidade). 90 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO QUADRO 13 – INDICAÇÃO DE TÔNICA, SUBDOMINANTE E DOMINANTE DAS TONALIDADES MAIORES PRINCIPAIS Tonalidade Tônica – I Grau Subdominante – IV Grau Dominante – V Grau Dó Maior (C) Dó Maior (C) Fá Maior (F) Sol Maior (G) Ré Maior (D) Ré Maior (D) Sol Maior (G) Lá Maior (A) Mi Maior (E) Mi Maior (E) Lá Maior (A) Si Maior (B) Fá Maior (F) Fá Maior (F) Si Bemol Maior (Bb) Dó Maior (C) Sol Maior (G) Sol Maior (G) Dó Maior (C) Ré Maior (D) Lá Maior (A) Lá Maior (A) Ré Maior (D) Mi Maior (E) Si Maior (B) Si Maior (B) Mi Maior (E) Fá Sustenido Maior (F#) FONTE: A autora 3.1.1 Cadência perfeita É denominada de cadência perfeita o seguinte encaminhamento: I – IV – V – I. Seguem alguns exemplos de cadência perfeita: • Exemplo 1: trecho da música Asa Branca, de Luiz Gonzaga: FIGURA 44 – TRECHO DA MÚSICA ASA BRANCA FONTE: A autora • Exemplo 2: trecho da música Danúbio Azul, de Johann Strauss II: FIGURA 45 – TRECHO DA MÚSICA DANÚBIO AZUL FONTE: A autora 3.1.2 Cadência plagal Caracteriza-se pela resolução da subdominante diretamente na tônica. Possui duas variantes básicas: I – IV – I e I – V – IV – I. TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 91 A seguir, alguns exemplos da cadência plagal: • Exemplo 3: trecho da cantiga popular Peixe Vivo: FIGURA 46 – TRECHO DA CANTIGA POPULAR PEIXE VIVO FONTE: A autora • Exemplo 4: trecho da música Banho de Lua, gravada por Celly Campello: FIGURA 47 – TRECHO DA MÚSICA BANHO DE LUA FONTE: A autora 3.1.3 Semicadência (cadência à dominante) A semicadência consiste em uma cadência perfeita incompleta, e o apoio final é a dominante I – IV- V • Exemplo 5: trecho da música La Bamba, de Ritchie Valens: FIGURA 48 – TRECHO DA MÚSICA LA BAMBA FONTE: A autora 3.2 FUNÇÕES SECUNDÁRIAS Todo acorde diatônico de função secundária se relaciona com a função principal vizinha de 3ª superior ou inferior, podendo funcionar como o seu substituto. 92 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO Observe alguns acordes de função secundária e a relação com os acordes de função principal de 3ª superior e inferior. QUADRO 14 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE DÓ MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundária Acorde de função principal de 3ª superior Fá Maior (F) Lá menor (Am) Dó Maior (C) Sol Maior (G) Si menor com 5ª diminuta (Bm(b5)) - - Ré menor (Dm) Fá Maior (F) Dó Maior (C) Mi menor (Em) Sol Maior (G) FONTE: A autora QUADRO 15 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE RÉ MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundária Acorde de função principal de 3ª superior Sol Maior (G) Si menor (Bm) Ré Maior (D) Lá Maior (A) Dó sustenido menor com 5ª diminuta (C#m (b5)) - - Mi menor (Em) Sol Maior (G) Ré Maior (D) Fá sustenido menor (F#m) Lá Maior (A) FONTE: A autora QUADRO 16 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE MI MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundária Acorde de função principal de 3ª superior Lá Maior (A) Dó sustenido menor (C#m) Mi Maior (E) Si Maior (B) Ré sustenido menor com 5ª diminuta (D#m (b5)) - - Fá sustenido menor (F#m) Lá Maior (A) Mi Maior (E) Sol sustenido menor (G#m) Si Maior (B) FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 93 QUADRO 17 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE FÁ MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundária Acorde de função principal de 3ª superior Si Bemol Maior (Bb) Ré menor (Dm) Fá Maior (F) Dó Maior (C) Mi menor com 5ª diminuta (Em(b5)) - - Sol menor (Gm) Si Bemol Maior (Bb) Fá Maior (F) Lá menor (Am) Dó Maior (C) FONTE: A autora QUADRO 18 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE SOL MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundária Acorde de função principal de 3ª superior Dó Maior (C) Mi menor (Em) Sol Maior (G) Ré Maior (D) Fá sustenido menor com 5ª diminuta (F#m (b5)) - - Lá menor (Am) Dó Maior (C) Sol Maior (F) Si menor (Bm) Ré Maior (D) FONTE: A autora QUADRO 19 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE LÁ MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundáriaAcorde de função principal de 3ª superior Ré Maior (D) Fá sustenido menor (F#m) Lá Maior (A) Mi Maior (E) Sol sustenido menor com 5ª diminuta (G#m (b5)) - - Si menor (Bm) Ré Maior (D) Lá Maior (A) Dó sustenido menor (C#m) Mi Maior (E) FONTE: A autora 94 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO QUADRO 20 – ACORDE DIATÔNICO DE FUNÇÃO SECUNDÁRIA DA TONALIDADE DE SI MAIOR Acorde de função principal de 3ª inferior Acorde diatônico de função secundária Acorde de função principal de 3ª superior Mi Maior (E) Sol sustenido menor (G#m) Si Maior (B) Fá Sustenido Maior (F#) Lá sustenido menor com 5ª diminuta (A#m (b5)) - - Dó sustenido menor (C#m) Mi Maior (E) Si Maior (B) Ré sustenido menor (D#m) Fá Sustenido Maior (F#) FONTE: A autora A partir do estudado, percebemos que cada acorde de função principal é complementado por dois acordes de função secundária (vizinhos de 3ª). Esses acordes de função secundária podem substituir o acorde de função principal, desempenhando a mesma função. Esse conjunto de três acordes, um de função principal e dois de função secundária, é chamado de grupo funcional. Em cada tonalidade, há três grupos funcionais que se relacionam a uma das funções principais: grupo de tônica, grupo de subdominante e grupo de dominante. Atente-se a alguns acordes de função secundária e à relação com os acordes de função principal de 3ª superior e inferior. QUADRO 21 – GRUPOS DA TONALIDADE DE DÓ MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante Am C Em Dm F Am Em G Bm (b5) FONTE: A autora QUADRO 22 – GRUPOS DA TONALIDADE DE RÉ MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante Bm D F#m Em G Bm F#m A C#m (b5) FONTE: A autora QUADRO 23 – GRUPOS DA TONALIDADE DE MI MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante C#m E G#m F#m A C#m G#m B D#m (b5) FONTE: A autora TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 95 QUADRO 24 – GRUPOS DA TONALIDADE DE FÁ MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante Dm F Am Gm Bb Dm Am C Em (b5) FONTE: A autora QUADRO 25 – GRUPOS DA TONALIDADE DE SOL MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante Em G Bm Am C Em Bm D F#m (b5) FONTE: A autora QUADRO 26 – GRUPOS DA TONALIDADE DE LÁ MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante F#m A C#m Bm D F#m C#m E G#m (b5) FONTE: A autora QUADRO 27 – GRUPOS DA TONALIDADE DE SI MAIOR Grupo de Tônica Grupo de Subdominante Grupo de Dominante G#m B D#m C#m E G#m D#m F# A#m (b5) FONTE: A autora 3.2.1 O Grupo de subdominante O grupo de subdominante é composto por três acordes: o acorde formado sobre o IVº grau (subdominante: S), função principal; e os acordes formados sobre o IIº grau (subdominante relativa: Sr) e sobre o VIº grau (subdominante anti-relativa: Sa), funções secundárias. FIGURA 49 – GRUPO DE SUBDOMINANTES FONTE: A autora 96 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 3.2.2 O grupo de dominante O grupo de dominante é composto por três acordes: o acorde formado sobre o Vº grau (dominante: D), função principal; e os acordes formados sobre o IIIº grau (dominante relativa: Dr) e sobre o VIIº grau (sétima da dominante sem fundamental: D7), funções secundárias. FIGURA 50 – GRUPO DE DOMINANTES FONTE: A autora Pelo fato de IIºm pertencer somente ao grupo de subdominante, funciona, mais efetivamente, como subdominante do que VIºm, que também pertence ao grupo de tônica. O uso do VI, no entanto, não deve ser descartado, mas ser utilizado em ocasiões nas quais se deseja um afastamento menos incisivo. NOTA As abreviações utilizadas, D (dominante) e D7 (sétima da dominante sem fundamental), não têm relação direta com os acordes Ré Maior (D) e Ré Maior com sétima (D7). NOTA O IIIº m não funciona de forma tão eficiente como dominante quanto o V e o VIIm(b5), que nada mais são que o V grau com sétima, sem a tônica, por esse motivo, não é comumente utilizado como dominante. Para que o IIIº m tenha uma grande função como dominante, pode-se realizar a 1ª inversão (3ª no baixo). Assim, há mais uma variante da cadência imperfeita: I – IV – IIIm/3 – I. NOTA TÓPICO 2 — HARMONIZAÇÃO DE MELODIAS 97 3.2.3 O grupo de tônica O grupo de tônica é composto por três acordes: o acorde formado sobre o Iº grau (tônica: T), função principal; e os acordes formados sobre o VIº grau (tônica relativa: Tr) e sobre o IIIº grau (tônica anti-relativa: Ta), funções secundárias. FIGURA 51 – GRUPO DE TÔNICAS FONTE: A autora 3.2.4 Acordes de transição Como estudamos, os acordes IIIm e VIm possuem dupla função: o acorde IIIm faz parte do grupo de dominante e do grupo de tônica, e o acorde VIm faz parte do grupo de subdominante e do grupo de tônica. Podemos, no entanto, acrescentar, a esses acordes, uma terceira função: acordes de transição. Esses acordes podem ser intercalados entre a tônica e a subdominante, permitindo que o afastamento se dê de forma mais gradual: • I – VIm – IV – V – I. • I – VIm – IIm – V – I. • I – IIIm – IV – V – I. • I – IIIm – VIm – V – I. Em ambos os tipos de cadência (cadência interrompida e cadência plagal interrompida), o VIºm é um pouco mais resolutivo do que o IIIºm. Nem o VIºm e o IIIºm funcionam como tônicas absolutamente resolutivas, mas como tônicas “passageiras”. Dessa forma, toda cadência interrompida pressupõe uma continuidade. NOTA 98 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Acorde é a combinação de três ou de mais sons simultaneamente. • O acorde perfeito maior, no seu estado fundamental, compõe-se de 3ªM e 3ªm, ou 3ªM e 5ªJ, em relação à fundamental. • O acorde perfeito menor, no seu estado fundamental, compõe-se de 3ªm e 3ªM, ou 3ªm e 5ªJ, em relação à fundamental. • O acorde maior com sétima menor, no seu estado fundamental, compõe-se de 3ª M, 3ªm e 3ªm, ou 3ª M, 5ªJ e 7ªm, em relação à fundamental. • Quando a nota mais grave (o baixo) é a nota fundamental, a tríade está no estado fundamental. • Quando a 3ª do acorde é a nota mais grave (baixo), a tríade está na 1ª inversão. • Quando a 5ª do acorde é a nota mais grave (baixo), a tríade está na 2ª inversão. • Todo o material harmônico pode ser reduzido a três funções básicas: tônica, subdominante e dominante. • Todo acorde diatônico de função secundária se relaciona à função principal vizinha de 3ª superior ou inferior, podendo funcionar como o seu substituto. 99 1 Acorde é a combinação de três ou de mais sons simultaneamente. O acorde perfeito maior, no seu estado fundamental, compõe-se de 3ªM e 3ªm, ou 3ªM e 5ªJ, em relação à fundamental. De acordo com a informação exposta, marque a alternativa que não corresponde à realização de um acorde maior em um instrumento de teclas: a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) 2 Quando a nota mais grave (o baixo) é a nota fundamental, a tríade está no estado fundamental. Quando a 3ª do acorde é a nota mais grave (baixo), a tríade está na 1ª inversão. Quando a 5ª do acorde é a nota mais grave (baixo), a tríade está na 2ª inversão. De acordo com a informação dada, assinale a alternativa que representa o acorde realizado na figura a seguir, em um instrumento de teclas: a) ( ) Em: Mi Menor. b) ( ) D/F#: Ré Maior com Fá Sustenido no baixo. c) ( ) Gm: Sol Menor. d) ( ) G/B: Sol Maior com Si no Baixo. 3 Todo o material harmônico pode ser reduzido a três funções básicas: Tônica (I), Subdominante (IV) e Dominante (V). É denominada de cadência perfeita o seguinte encaminhamento: Tônica (I) – Subdominante (IV) – Dominante (V) – Tônica (I). De acordo com a informação exposta, assinale a alternativa que apresenta uma cadência perfeita tocada em um instrumento com teclas: AUTOATIVIDADE 100 a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) 101 UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, realizaremos uma breve explanação acerca do acompanhamento automático no teclado, elencando possibilidades e limitações. Falaremos das limitações das informações contidas em uma partitura para teclado e de uma das alternativaspara a execução e a prática no instrumento a partir da visualização da cifra: a execução de padrões rítmico-melódicos. Por fim, serão apresentados alguns padrões rítmico-melódicos direcionados às músicas com andamentos em 2/4, 3/4, 4/4 e 6/8. 2 COMO TRABALHAR COM O ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO DO TECLADO Como estudado na Unidade 1, o acompanhamento automático é um recurso disponível em teclados arranjadores e workstations. Devido à popularidade, será abordado, neste estudo, o uso do acompanhamento automático no teclado arranjador. O teclado arranjador possui 19 teclas destinadas ao uso do acompanhamento automático (da tecla C1 até F#2). Em alguns teclados, é possível ampliar ou diminuir essa extensão. FIGURA 52 – ÁREA DO TECLADO DESTINADA AO ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO FONTE: <https://yamaha.io/2Rqn4fM>. Acesso em: 4 out. 2021. TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 102 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO O acompanhamento automático em um teclado é um recurso muito utilizados por músicos que tocam sozinhos ou em alguns tipos de banda. Oferece, ao tecladista, a partir da digitação de um acorde, sons arranjados de diferentes instrumentos. Em alguns teclados, há a possibilidade de silenciar alguns instrumentos musicais que estão presentes em um determinado ritmo. Por exemplo, você pode escolher um ritmo de valsa e retirar, do arranjo, o som do violino, ou do baixo, ou, até mesmo, da bateria. 2.1 ACORDES INVERTIDOS NO ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO Alguns teclados arranjadores oferecem, também, a possibilidade de trabalhar com os acordes invertidos. Por exemplo, se você tocar o acorde de C/E (acorde de Dó Maior com baixo em Mi), em alguns teclados, deve ter esse som, e não apenas o som do acorde de Dó Maior (C). No entanto, em outros teclados, você não tem a possibilidade de trabalhar com a inversão de acordes. Mesmo que você toque o acorde de G/B (Sol Maior com baixo em Si), ele apresenta o som da nota Sol Maior (G), apenas. Observe as figuras a seguir, de um trecho da música Golpe de Mestre, de Scott Joplin, para compreender que, mesmo você tocando a música com os acordes invertidos, em alguns teclados, o som não corresponde aos acordes executados: FIGURA 53 – TRECHO DA MÚSICA GOLPE DE MESTRE FONTE: A autora FIGURA 54 – TRECHO DA MÚSICA GOLPE DE MESTRE - RESULTADO SONORO EM ALGUNS TECLADOS FONTE: A autora TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 103 2.2 PREPARANDO O TECLADO PARA TOCAR COM ACOMPANHAMENTO AUTOMÁTICO Os mecanismos para preparar o teclado para tocar com o acompanhamento automático diferem, de acordo com o modelo de teclado arranjador/workstation. No entanto, há dois recursos comuns em todos os teclados arranjadores, que são a função “Style” ou “Rhythm” e a função “Tempo”. Como já visto na Unidade 1, a função “Style” permite que você escolha o ritmo desejado para tocar a música. Já a função “Tempo” possibilita a escolha do andamento desejado. Com um dicionário de acordes para teclado e uma prática de estudos, você pode, facilmente, executar as músicas no teclado, utilizando o recurso do acompanhamento automático. 3 ACOMPANHAMENTO NO TECLADO A leitura da partitura para teclado, em muitos casos, não apresenta a forma de execução da mão esquerda a partir da Clave de Fá. Muitas vezes, a partitura disponível para os tecladistas apresenta apenas a leitura da Clave de Sol (destinada à mão direita) e a leitura das cifras (destinada à mão esquerda). Em alguns casos, o tecladista faz uso apenas das cifras ou de nenhum recurso visual para executar as músicas. No entanto, esse assunto não será tratado no presente estudo. Há diferentes maneiras de realizar a execução da mão esquerda, fazendo a leitura apenas da cifra apresentada. Uma delas é a execução de padrões rítmico- melódicos. No Tópico 3 da Unidade 2, seguem alguns padrões rítmico-melódicos com a finalidade de iniciar o estudo da mão esquerda. No entanto, é importante lembrar que esses padrões, aqui apresentados, são mínimos, se comparados às possibilidades existentes no estudo do teclado. A apresentação dos padrões rítmico-melódicos é dividida em quatro blocos: padrões rítmico-melódicos realizados em andamento 2/4; padrões rítmico- melódicos realizados em andamento 3/4; padrões rítmico-melódicos realizados em andamento 4/4; e padrões rítmico-melódicos realizados em andamento 6/8. 104 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 3.1 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 2/4 Compreendendo a complexidade da execução das duas mãos no início do estudo do teclado, a apresentação dos padrões rítmico-melódicos realizados em andamento 2/4 se dará de forma sistemática, pensando em uma evolução ao longo do estudo. Talvez, você sinta dificuldades ao realizar todos os padrões, no entanto, deve começar pelo padrão 1 e seguir gradativamente. Assim que terminar todos os estudos aqui apresentados, poderá se aprofundar em outros mais complexos. 3.1.1 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº1 Segue o 1º padrão rítmico-melódico em 2/4 para ser tocado com a mão esquerda realizada em uma cadência perfeita (I – IV – V – I), na tonalidade de Dó Maior. Esse padrão utiliza duas notas: a 1ª e a 5ª da escala em questão. Caso tenha interesse em treinar com outras tonalidades e/ou cadências, é só utilizar o mesmo princípio. FIGURA 55 – 1º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA – TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 56 – NOTAS QUE SÃO TOCADAS NO 1º PADRÃO RÍTMICO MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 105 3.1.2 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº2 FIGURA 57 – 2º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 58 – NOTAS QUE SÃO TOCADAS NO 2º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.1.3 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº3 FIGURA 59 – 3º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 60 – NOTAS QUE SÃO TOCADAS NO 3º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 106 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 3.1.4 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº4 FIGURA 61 – 4º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora FIGURA 62 – NOTAS QUE SÃO TOCADAS NO 4º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.1.5 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº5 FIGURA 63 – 5º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.1.6 Padrão rítmico-melódico em 2/4 nº6 FIGURA 64 – 6º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 2/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 107 3.2 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 3/4 Assim como os padrões rítmico-melódicos em 2/4, os padrões rítmico- melódicos em 3/4 serão apresentados, de acordo com o grau de complexidade. Lembrando, mais uma vez, que os padrões trabalhados nesta unidade são relativamente simples, se comparados aos inúmeros existentes. 3.2.1 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº1 FIGURA 65 – 1º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 3/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.2.2 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº2 FIGURA 66 – 2º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 3/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.2.3 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº3 FIGURA 67 – 3º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 3/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 108 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO 3.2.4 Padrão rítmico-melódico em 3/4 nº4 FIGURA 68 – 4º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 3/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.3 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 4/4 Serão apresentados quatro tipos de padrões rítmico-melódicos que podem ser tocados em andamentos de 4/4. 3.3.1 Padrão rítmico-melódicoem 4/4 nº1 FIGURA 69 – 1º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 4/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.3.2 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº2 FIGURA 70 – 2º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 4/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.3.3 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº3 FIGURA 71 – 3º PADRÃO RÍTMICO MELÓDICO EM 4/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 109 3.3.4 Padrão rítmico-melódico em 4/4 nº4 FIGURA 72 – 4º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 4/4 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.4 PADRÕES RÍTMICO-MELÓDICOS EM 6/8 A seguir, serão apresentados quatro tipos de padrões rítmico-melódicos que podem ser tocados em andamentos de 6/8. 3.4.1 Padrão rítmico-melódico em 6/8 nº1 FIGURA 73 – 1º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 6/8 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.4.2 Padrão rítmico-melódico em 6/8 nº2 FIGURA 74 – 2º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 6/8 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 3.4.3 Padrão rítmico-melódico em 6/8 nº3 FIGURA 75 – 3º PADRÃO RÍTMICO-MELÓDICO EM 6/8 - CADÊNCIA PERFEITA - TONALIDADE DE DÓ MAIOR FONTE: A autora 110 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO O ENSINO DE TECLADO EM GRUPO NA UNIVERSIDADE E O USO DO REPERTÓRIO POPULAR: APRENDIZAGEM ATRAVÉS DE PRÁTICAS HÍBRIDAS Ana Carolina Nunes do Couto 1. Introdução A disciplina Instrumento Auxiliar – Teclado faz parte da grade curricular do curso de licenciatura em Música da UFPE, local onde atuo como docente, e possui duração de quatro semestres. Tendo, como ementa, o desenvolvimento de habilidades funcionais pela prática ao teclado de estudos e peças adequadas, esta disciplina objetiva capacitar o futuro professor de Música a desenvolver suas habilidades técnicas nesse instrumento, visando à utilização pedagógica de forma expressiva e criativa em sala de aula, principalmente, no contexto da escola regular. Nesse sentido, insere-se o conceito de "instrumento auxiliar", expresso no seu título. O conteúdo e a forma de trabalhá-lo podem variar, de acordo com as linhas pedagógicas adotadas por cada docente. Este artigo pretende apresentar algumas dessas linhas escolhidas para o desenvolvimento do atual trabalho desta disciplina com os alunos, além dos critérios para tal escolha. Em seguida, apresentaremos exemplos da aplicação de tais conceitos através de práticas pedagógicas realizadas com o repertório que integra as aulas. Apesar de esse repertório incluir peças oriundas de variados gêneros e estilos musicais, recortamos o trabalho desenvolvido a partir da utilização do repertório que faz parte da música popular. Essa opção de recorte se faz pela necessidade de focalizar determinados princípios pedagógicos presentes na fundamentação teórica que orienta tais procedimentos, no intuito de apresentar uma possibilidade de abordagem que integre práticas originárias de contextos distintos, mas que, no presente trabalho, são utilizadas como complementares. 2. Embasamento teórico Existem duas práticas distintas que integram a pedagogia utilizada nas aulas de Instrumento Auxiliar – Teclado: as chamadas prática deliberada e prática informal. Distintas, a princípio, por advirem de contextos também distintos, a primeira, oriunda da prática com o repertório erudito, e, a segunda, do repertório dito popular, aparecem no atual contexto como práticas que se complementam. Além disso, cada uma dessas práticas proporciona o desenvolvimento de habilidades musicais e técnicas específicas, mas que são de fundamental importância para o instrumentista que necessita adquirir um perfil mais versátil para a atuação em diferentes contextos. Um último, contudo, igualmente importante elemento integrante do embasamento teórico deste trabalho, refere-se aos aspectos do ensino coletivo de instrumentos. LEITURA COMPLEMENTAR TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 111 Serão apresentados alguns conceitos de educadores acerca das características da aprendizagem nesse tipo de aula, além das habilidades que ela pode desenvolver. 2.1 A prática deliberada Segundo Santiago (2006, p. 53), "a prática deliberada consiste em um conjunto de atividades e estratégias de estudo, cuidadosamente planejadas, que têm, como objetivo, ajudar o indivíduo a superar suas fragilidades, além de melhorar sua performance". Essa prática vem sendo estudada por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, que buscam verificar sua eficácia para a aquisição de alto nível de performance em áreas, como a musical, o xadrez, diferentes tipos de esportes etc. Na música, mais especificamente, na aprendizagem instrumental, podemos listar as seguintes estratégias que caracterizam a prática deliberada, a partir do que encontramos em Santiago (2006): a) o uso do metrônomo b) o estudo rítmico da peça (o estudo para a compreensão dos elementos rítmicos e da maneira em que são combinados na peça, e a aplicação de diferentes variações rítmicas de determinados trechos, visando melhorar acentuações, adquirir velocidade, precisão etc.) c) a análise prévia da obra a ser estudada d) o estudo repetido de pequenos trechos da peça e) o estudo silencioso e o estudo mental da peça f) o estudo lento, com aumento gradual do andamento g) a identificação e a correção de erros h) a verbalização de ordens durante o estudo i) a marcação do dedilhado na partitura. A aplicação de tais estratégias permite um estudo mais consciente das peças musicais. Isso pode favorecer a aquisição de habilidades, como a agilidade, a precisão rítmica, a melhora no controle de dinâmicas e fraseados e da memória. No caso desta última, especificamente, alguns autores chamam a atenção para o cuidado de se trabalhar, por igual, com as diferentes memórias: a visual, que é baseada naquilo que se vê, como a partitura; as posições das mãos, braços etc.; a auditiva, que se baseia naquilo que se ouve; a memória cinestésica, que é a memória dos movimentos, adquirida através de repetições de movimentos, e estreitamente ligada à sensações motoras; e a memória lógica ou racional, que ajuda a firmar o significado e a estrutura da composição (KAPLAN, 1987; LILLIESTAM, 1995; PRIEST, 1993). 2.2 A prática informal O termo "práticas informais de aprendizagem musical" foi trazido por GREEN (2001), que investigou a maneira como os músicos populares aprendem em contextos considerados informais. 112 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO Segundo essa autora, essas práticas englobam aspectos, como: a forma de escolha do repertório, que é diretamente ligada a músicas que sejam muito conhecidas e em relação às quais se tenha grande afetividade; e as práticas aurais, como o tirar, de ouvido, músicas de gravações. Também há o fato de a aprendizagem acontecer em grupos, de maneira consciente ou inconsciente, através da interação com parentes, colegas e outros músicos que atuam sem a função formal de um professor. Também, como aspecto diretamente ligado ao aprendizado de músicos populares, existe a integração entre as ações de compor, tocar e ouvir, com grande ênfase na criatividade. As habilidades adquiridas através do uso dessas práticas se mostram distintas daquelas adquiridas pela prática deliberada, descrita anteriormente, mas que são de igual importância para o músico instrumentista. As mais evidentes parecem ser as habilidades para tocar de ouvido, para improvisar e para a execução em grupo. Segundo Green (2008), tais habilidades foram negligenciadas dentro do ensino musical formal durante muito tempo. A autora compreende que o uso das práticas informais, dentro da aprendizagem musical, em sala de aula, pode ser uma atitude inclusiva, por possibilitar que as habilidades daqueles alunos que possuem vivência com a música popular estejam presentes no desenvolvimento dos conteúdos abordados, permitindo, dessa maneira, que eles também se expressem musicalmente. Maisespecificamente, para o estudo instrumental, Santiago (2006) afirma que o uso das práticas informais pode ser relevante para o pleno desenvolvimento de outros processos essenciais ao aprendizado musical, como a familiarização com diferentes linguagens e estilos musicais e o desenvolvimento da memória. Também pode servir como elemento catalisador do processo de compreensão e maturação musical. A composição e a improvisação são, ainda, consideradas como relevantes para a aquisição de conhecimento musical e de habilidades especificamente instrumentais, como o desenvolvimento de habilidades técnicas (SANTIAGO, 2006, p. 57). 2.3 A aprendizagem instrumental em grupo O ensino coletivo de instrumentos é uma atividade que transcende o treino para a aquisição de elementos e de habilidades musicais. Diversas habilidades extramusicais emergem a partir das aulas coletivas e, quando bem orientadas, podem favorecer um ambiente satisfatório não só à aprendizagem instrumental, mas, também, ao desenvolvimento de outras habilidades adquiridas unicamente através da interação em grupo. Para Green (2008, p. 120), na aprendizagem informal, costumam ocorrer dois aspectos da aprendizagem em grupo. Primeiro, existe o que essa autora denomina de "aprendizagem no grupo". Essa aprendizagem acontece de maneira mais inconsciente ou, mesmo, acidentalmente, "sem querer", pelo simples fato de se estar fazendo parte de um grupo. Isso se dá não só durante o próprio fazer musical, mas, também, pela observação do que os colegas estão fazendo, ouvindo TÓPICO 3 — ACOMPANHAMENTO E AUTOACOMPANHAMENTO 113 e imitando. Também se aprende antes e depois do fazer musical, quando se discute e se decide o que deve ser feito, ou se avalia o que já foi feito. Esse tipo de experiência tende a conduzir a uma gradual melhora do produto musical. Segundo, existe o aspecto da aprendizagem em grupo, conhecido como "aprendizagem dirigida por um colega". Isso ocorre quando um colega ensina diretamente, falando ou demonstrando. A autora diz que costuma surgir, naturalmente, um líder nessas situações. Também costuma ocorrer o desenvolvimento de um espírito de cooperação entre os participantes (GREEN, 2008), assim como o desenvolvimento da capacidade de integrar os interesses individuais aos do coletivo (FONSECA; SANTIAGO, 1993). A linguagem que os colegas costumam usar é mais comum entre eles, e, assim, eles encontram diferentes formas de ensinar. Swanwick (1994) também lista uma série de benefícios proporcionados pela aprendizagem em aulas coletivas: julgamento crítico da execução dos outros; sensação de se apresentar em público; aprendizagem através da imitação e da comparação; escuta cuidadosa; observação perceptiva; estímulo pelos triunfos dos colegas e reconhecimento das suas dificuldades; aprendizagem por observação indireta. As aulas em grupo também são vistas como vantajosas por serem mais econômicas, dinâmicas, estimulantes e divertidas (GONÇALVES; MERHY, 1986; MONTANDON, 1995). Vale ressaltar que todos os aspectos mencionados podem ser contemplados numa aula coletiva de instrumentos, desde que ocorram em atividades devidamente orientadas. De acordo com Cruvinel (2005), nesse tipo de aula, a melhor técnica de trabalho é o estudo dirigido, em oposição aos ensinos explanatório e dissertativo. No formato dirigido, o professor assume uma postura semelhante à de um regente, dando ênfase à prática, distribuindo atividades entre todos os alunos simultaneamente, de maneira que todos estejam envolvidos nas atividades propostas. Além disso, a autora afirma que o professor de aulas coletivas de instrumento necessita possuir qualidades, como carisma, habilidade verbal, habilidade para perceber o momento ideal de permanecer ou não no mesmo exercício, organização do tempo da aula etc. (CRUVINEL, 2005). 3. Conclusão Alunos dos cursos de licenciatura em Música, futuros professores de Música necessitam dominar, ao menos, um instrumento de maneira criativa e expressiva para que deem conta de atuar em sala de aula. O uso integrado das práticas deliberada e informal permite desenvolver, no contexto universitário, uma prática pedagógica híbrida, acolhendo, de forma mais democrática, as diferentes habilidades que os alunos trazem consigo para a sala de aula, a partir das suas vivências musicais prévias, que são, quase sempre, diversificadas. O avanço em pesquisas nas áreas que envolvem a pedagogia do instrumento permite verificar que é possível utilizar distintas abordagens de maneira integrada e complementar, inclusive, com o uso do repertório composto por músicas populares. A literatura 114 UNIDADE 2 — A TÉCNICA DO INSTRUMENTO específica desse tema já é bem vasta e de relativa facilidade de acesso. O professor que está à frente de uma turma de aula coletiva de instrumento precisa estar atento a isso. Assim, espera-se, através do que foi exposto neste artigo, ter demonstrado que o uso de abordagens híbridas na aprendizagem do teclado durante a graduação pode favorecer a aquisição de habilidades e competências técnico-musicais capazes de auxiliar o futuro professor de Música nesse sentido. FONTE: COUTO, A. C. N. do C. O ensino de teclado em grupo na universidade e o uso do repertório popular: aprendizagem através de práticas híbridas. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ pm/a/zH7qkkthHVMR4Z3y8T3fsrD/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 24 abr. 2021. 115 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • O teclado arranjador possui 19 teclas destinadas ao uso do acompanhamento automático (da tecla C1 até F#2). Em alguns teclados, é possível ampliar ou diminuir essa extensão. • Alguns teclados arranjadores oferecem a possibilidade de trabalhar com os acordes invertidos. • Muitas vezes, a partitura disponível para os tecladistas apresenta apenas a leitura da Clave de Sol (destinada à mão direita) e a leitura das cifras (destinada à mão esquerda). • Há diferentes maneiras de realizar a execução da mão esquerda, fazendo a leitura apenas da cifra apresentada. Uma delas é a execução de padrões rítmico- melódicos. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 116 1 Alguns teclados arranjadores oferecem a possibilidade de trabalhar com os acordes invertidos. Por exemplo, se você tocar o acode de C/E (acorde de Dó Maior com baixo em Mi), em alguns teclados, você tem esse som, e não apenas o som do acorde de Dó Maior (C). No entanto, em outros teclados, você não tem a possibilidade de trabalhar com a inversão de acordes. Mesmo que você toque o acorde de G/B (Sol Maior com baixo em Si), deve apresentar o som da nota Sol Maior (G). Com a informação dada, informe como soará o seguinte encaminhamento harmônico (do trecho da música Chuva de Prata, de Ed Wilson e Ronaldo Bastos) em um teclado que não apresenta o recurso do acorde invertido no acompanhamento automático: a) ( ) C – B – Am – G – F – Dm - G b) ( ) C – Em – Am – Am7 – F – Dm - G c) ( ) C – Em – Am – G – F – Dm - G d) ( ) C – B – Am – Am7 – F – Dm - G 2 Há diferentes maneiras de realizar a execução da mão esquerda, fazendo a leitura apenas da cifra apresentada. Uma delas é a execução de padrões rítmico-melódicos. Observe o trecho da canção popular italiana Vieni Sul Mar, e assinale qual é o padrão rítmico-melódico que poderia ser utilizado para tocar essa música: AUTOATIVIDADE 117 a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) 3 Há diferentes maneiras de realizar a execução da mão esquerda, fazendo a leitura apenas da cifra apresentada. Uma delas é a execução de padrões rítmico-melódicos. Observe o trecho da música Aura Lea, de George R. Poulton, e assinale qual é o padrão rítmico-melódico que não poderia ser utilizado para tocar essa música: a) ( ) b) ( ) 118 c) ( ) d) ( ) 119 REFERÊNCIAS KENNEDY, M. Dicionário Oxfordde música. São Paulo: Publicações Dom Quixote Lisboa, 1994. KOELLREUTTER, H. Harmonia funcional: introdução à teoria das funções harmônicas. São João Del Rei: Fundação Koellreutter, 2018. 120 121 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender as noções elementares da música; • tocar algumas músicas com a mão direita; • tocar alguns acordes com a mão esquerda; • tocar alguns padrões rítmico-melódicos com a mão esquerda. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – NOÇÕES ELEMENTARES DA MÚSICA TÓPICO 2 – PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO TÓPICO 3 – PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 122 123 UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos algumas noções básicas dos elementos musicais, como pauta, valores e compasso. No estudo referente à pauta, traremos o conceito de pentagrama e a disposição das notas (linhas e espaços). Ao tratarmos de valores, serão elucidados os valores positivos e os valores negativos referentes à teoria musical. Por fim, no item referido ao compasso, serão abordados os conceitos de compasso e a fórmula de compasso. 2 PAUTA A pauta musical surgiu por volta do século IX. De acordo com Bohumil Med (1996, p. 13), nesse período, a pauta consistia em “uma única linha horizontal colorida (vermelha – representava a nota Fá), sendo, posteriormente, acrescentada outra linha colorida (amarela – representava a nota Dó). Guido d’Arezzo (992- 1050) sugeriu o emprego de três e de quatro linhas (o canto gregoriano utiliza, até hoje, o tetragrama)”. Atualmente, a pauta musical é compreendida como a junção de cinco linhas paralelas, denominada de pentagrama. O pentagrama é conhecido desde o século XI, no entanto, só foi adotado a partir do século XVII. TÓPICO 1 — NOÇÕES ELEMENTARES DA MÚSICA O pentagrama é um conjunto de cinco linhas paralelas, dispostas horizontalmente, formando quatro conjuntos de espaços. O conjunto de linhas e o de espaços são contados de baixo para cima. NOTA UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 124 FIGURA 1 – PENTAGRAMA FONTE: A autora 2.1 NOTAS NAS LINHAS E NOS ESPAÇOS As notas musicais podem ser escritas nas linhas e nos espaços. Observe as figuras a seguir: FIGURA 2 – NOTAS NAS LINHAS FONTE: A autora FIGURA 3 – NOTAS NOS ESPAÇOS FONTE: A autora 2.2 LINHAS SUPLEMENTARES Quando as notas ultrapassam o limite da pauta, usam-se as linhas suplementares superiores e inferiores para escrever as notas musicais. FIGURA 4 – LINHAS SUPLEMENTARES FONTE: A autora TÓPICO 1 — NOÇÕES ELEMENTARES DA MÚSICA 125 2.3 NOTAS NO PENTAGRAMA Embora esse conteúdo já tenha sido trabalhado na unidade anterior, apresentaremos, aqui, novamente, com o intuito de fortalecer o aprendizado, duas figuras com as notas da Clave de Sol e da Clave de Fá. FIGURA 5 – NOTAS DA CLAVE DE SOL E DA CLAVE DE FÁ COM INDICAÇÃO NO TECLADO FONTE: <https://umusicomelhor.com/partitura-para-iniciantes/>. Acesso em: 4 out. 2020. 3 VALORES Na música, existem sons longos e sons curtos. Em outros momentos, há, também, a ausência de sons, caracterizada como silêncio. De acordo com Med (1996, p. 20): Na NOTAÇÃO MUSICAL ATUAL, cada nota escrita na pauta informa a altura (posição da nota na linha ou no espaço da pauta), e, também, a duração (formato e configuração da nota). A DURAÇÃO RELATIVA dos sons é definida pelos valores (os valores definem as proporções entre as notas). A DURAÇÃO ABSOLUTA é dada pela indicação do andamento. Assim como na pauta, as linhas suplementares formam espaços entre si, nos quais as notas musicais também podem ser escritas. NOTA UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 126 O sinal que indica a duração relativa do som e do silêncio é denominado de valor. Há os valores positivos (chamados, também, de figuras), que indicam a duração dos sons, e os valores negativos (chamados, também, de pausas) que indicam a duração dos silêncios. 3.1 VALORES POSITIVOS Os valores positivos são sinais que indicam o tempo em que o som é produzido. Recebem formas e nomes diferentes, de acordo com a sua duração. Veja, a seguir, os valores positivos mais utilizados. FIGURA 6 – VALORES POSITIVOS FONTE: A autora 3.2 VALORES NEGATIVOS São sinais que indicam a duração do silêncio e as diferentes formas recebem os nomes, de acordo com o valor positivo de mesma duração. FIGURA 7 – VALORES NEGATIVOS TÓPICO 1 — NOÇÕES ELEMENTARES DA MÚSICA 127 FONTE: A autora 3.3 DURAÇÃO DOS VALORES Na divisão proporcional dos valores, a semibreve é considerada como o todo. Os demais valores (positivos e negativos) são considerados frações da semibreve. As figuras, segundo a ordem dos valores, valem o dobro da seguinte e a metade da anterior. FIGURA 8 – DURAÇÃO DOS VALORES POSITIVOS FONTE: A autora FIGURA 9 – DURAÇÃO DOS VALORES NEGATIVOS UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 128 FONTE: A autora 4 COMPASSO Conforme Med (1996, p. 114), o compasso é “a divisão de um trecho musical em séries regulares de tempo”, trabalhando como “agente métrico do ritmo”. Os compassos são separados por linhas verticais denominadas de barra de compasso ou travessão. FIGURA 10 – COMPASSO E BARRA DE COMPASSO FONTE: A autora 4.1 FÓRMULA DE COMPASSO A fórmula de compasso é um símbolo, geralmente, escrito por números fracionários, colocado no início de cada peça musical, e indica o valor métrico do compasso e a unidade de tempo. O numerador indica quantas figuras cabem no compasso e, o denominador, a espécie. O ponto de aumento (um ponto colocado ao lado da nota) aumenta a metade do valor. Logo, uma mínima pontuada vale três semínimas, uma semínima pontuada vale três colcheias, e assim por diante. NOTA TÓPICO 1 — NOÇÕES ELEMENTARES DA MÚSICA 129 FIGURA 11 – FÓRMULA DE COMPASSO FONTE: A autora FIGURA 12 – QUALIDADES DOS VALORES FONTE: A autora A partir da figura apresentada, podemos compreender que a fórmula de compasso 2/4 (2 representa a quantidade e 4 representa a qualidade) simboliza duas semínimas por compasso. Observe o exposto a seguir, para compreender melhor. FIGURA 13 – FÓRMULAS DE COMPASSO MAIS UTILIZADAS E OS SIGNIFICADOS FONTE: A autora UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 130 FIGURA 14 – ESCRITA MUSICAL REALIZADA COM AS FÓRMULAS DE COMPASSO MAIS UTILIZADAS FONTE: A autora FIGURA 15 – LOCAL DE ESCRITA DA FÓRMULA DE COMPASSO FONTE: A autora A fórmula de compasso é escrita uma única vez no início da música (após a clave e a armadura), permanecendo a indicação até o término da música ou a indicação de um compasso diferente. NOTA 131 Neste tópico, você aprendeu que: • O pentagrama é um conjunto de cinco linhas paralelas, dispostas horizontalmente, formando quatro conjuntos de espaços. • As notas musicais podem ser escritas nas linhas e nos espaços. • Quando as notas ultrapassam o limite da pauta, usam-se as linhas suplementares superiores e inferiores para escrever as notas musicais. • O sinal que indica a duração relativa do som e do silêncio é denominado de valor. • Há os valores positivos (chamados, também, de figuras), que indicam a duração dos sons, e os valores negativos (chamados, também, de pausas), que indicam a duração dos silêncios. • A fórmula de compasso é um símbolo colocado no início de cada peça musical que indica, geralmente, através de números fracionários, o tamanho do compasso. RESUMO DO TÓPICO 1 132 1 Compreendendo que o pentagrama é um conjunto de cinco linhas paralelas, dispostas horizontalmente, formandoquatro conjuntos de espaços e que o conjunto de linhas e o de espaços são contados de baixo para cima, responda: Qual é o nome da nota escrita na segunda linha do pentagrama com a clave de Sol? a) ( ) Dó. b) ( ) Fá. c) ( ) Sol. d) ( ) Ré. 2 O sinal que indica a duração relativa do som e do silêncio é denominado de valor. Qual é o valor que, na sua divisão proporcional, é considerado como o todo e os demais valores são considerados as suas frações? a) ( ) Colcheia. b) ( ) Semibreve. c) ( ) Mínima. d) ( ) Semínima. 3 A fórmula de compasso é um símbolo colocado no início de cada peça musical que indica, geralmente, através de números fracionários, o tamanho do compasso. O numerador indica quantas figuras cabem no compasso e, o denominador, a espécie. Quantas colcheias cabem em um compasso três por quatro? a) ( ) 4. b) ( ) 2. c) ( ) 3. d) ( ) 6. AUTOATIVIDADE 133 UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos a postura e a nomenclatura das mãos, os exercícios de leitura e de prática na Clave de Sol, os acordes e as primeiras músicas para estudo. Os exercícios abordados neste tópico serão os da Clave de Sol e estarão divididos em três partes: compasso quatro por quatro, compasso três por quatro e compasso dois por quatro. Os acordes apresentados devem se referir aos utilizados nas músicas Camptown Races, Merrily We Roll Along, May Song, Viene Sul Mar, Can Can, Ode à Alegria e Asa Branca. 2 POSTURA E NOMENCLATURA DAS MÃOS Antes de iniciar o estudo prático do teclado, é preciso observar a postura ao teclado e a nomenclatura das mãos. 2.1 POSTURA Para uma boa performance no teclado, você precisa deixar os pés apoiados no chão, o corpo ereto, os dedos, o pulso e os cotovelos alinhados, os dedos curvados para fora com os polegares retos, manter o pulso flexível e tocar sem utilizar a força, apenas com o peso do braço. Além desses aspectos essenciais citados, é importante observar a elevação do teclado. Ele deve estar em uma posição na qual você possa tocá-lo, mantendo os cotovelos rentes ao corpo. Observe a seguir: TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 134 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FIGURA 16 – POSTURA PARA TOCAR TECLADO FONTE: <https://www.wikihow.com/Play-the-Keyboard>. Acesso em: 11 dez. 2020. 2.2 NOMENCLATURA DAS MÃOS A nomenclatura das mãos já foi apresentada na unidade anterior. Como esse conceito será utilizado nesta unidade, será reapresentado, brevemente, por meio de uma figura. FIGURA 17 – NOMENCLATURA DA MÃO FONTE: <https://aprendateclado.com/a-posicao-dos-dedos-no-teclado/>. Acesso em: 4 out. 2020. Para alcançar as extremidades do teclado, você deve inclinar o corpo para os lados. É possível, também, abrir a asa do braço para ajudar a alcançar a extremidade do piano. Não vire o corpo, pois isso faz com que as mãos fiquem posicionadas erradamente sobre o teclado, prejudicando, assim, a execução musical. DICAS TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 135 3 EXERCÍCIOS DE LEITURA E PRÁTICA: CLAVE DE SOL (MÃO DIREITA) A seguir, serão apresentados alguns exercícios de leitura e de prática na Clave de Sol nos compassos: quatro por quatro, três por quatro e dois por quatro. É aconselhável, primeiramente, fazer a leitura das notas, observar a posição das mãos e, em seguida, realizar o estudo ao teclado. Caso você não possua teclado, pode baixar um aplicativo, no seu smartphone ou tablet, ou, até mesmo, um programa no seu computador. Assim, é possível treinar, de forma parcial, os conteúdos abordados nesta unidade. Outra alternativa é a aquisição de uma escaleta, que é mais acessível financeiramente. Embora você não consiga praticar, na escaleta, as oitavas informadas nesta unidade, pode realizar adaptações que fazem com que você consiga praticar com mais eficiência do que com os aplicativos ou programas para computador. 3.1 EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL: COMPASSO QUATRO POR QUATRO Observe o exercício e, primeiramente, faça a leitura sem realizar a execução instrumental. Observe a posição da mão direita, apresentada pelos números. Caso tenha dúvidas acerca da divisão dos valores apresentados em cada exercício, é recomendado que ouça o áudio do exercício que se encontra após a figura a seguir. FIGURA 18 – EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL - COMPASSO QUATRO POR QUATRO 136 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FONTE: A autora 3.2 EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL: COMPASSO TRÊS POR QUATRO Neste exercício, você encontrará a mínima pontuada. Não se esqueça: o ponto vale a metade do valor da nota. Caso haja dúvida em relação à execução, ouça o áudio que se encontra após da figura a seguir. FIGURA 19 – EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL - COMPASSO TRÊS POR QUATRO Acesse os links a seguir para ouvir os áudios dos exercícios anteriores: https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-1-clave-de-sol-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-2-clave-de-sol-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-3-clave-de-sol-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-4-clave-de-sol-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-5-clave-de-sol-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-6-clave-de-sol-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-7-clave-de-sol-compasso-4-por-4. DICAS TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 137 FONTE: A autora 3.3 EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL: COMPASSO DOIS POR QUATRO Este é o último exercício deste tópico. Caso verifique que haja a necessidade de mais treino, repita os três exercícios até perceber fluidez entre a leitura e a execução instrumental. Acesse os links a seguir para ouvir o áudio dos exercícios anteriores: https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-1-clave-de-sol-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-2-clave-de-sol-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-3-clave-de-sol-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-4-clave-de-sol-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-5-clave-de-sol-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-6-clave-de-sol-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-7-clave-de-sol-compasso-3-por-4. DICAS 138 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FIGURA 20 – EXERCÍCIOS CLAVE DE SOL - COMPASSO DOIS POR QUATRO FONTE: A autora Acesse os links a seguir para ouvir o áudio dos exercícios anteriores: https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-1-clave-de-sol-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-2-clave-de-sol-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-3-clave-de-sol-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-4-clave-de-sol-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-5-clave-de-sol-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-6-clave-de-sol-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-7-clave-de-sol-compasso-2-por-4. DICAS TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 139 4 ACORDES UTILIZADOS NAS MÚSICAS DO TÓPICO 2 DA UNIDADE 3 A seguir, serão apresentados os acordes que estão presentes nas sete músicas a serem trabalhadas neste tópico. Observe os acordes e tente executá-los com a mão esquerda. Atente-se para a posição dos dedos. FIGURA 21 – ACORDES UTILIZADOS NAS MÚSICAS DO TÓPICO 2 DA UNIDADE 3 FONTE: A autora 5 PRIMEIRAS MÚSICAS A seguir, serão apresentadas sete músicas para que você inicie o seu desenvolvimento musical no teclado. É muito importante que você execute as sete músicas, no entanto, não há problemas em mudar a ordem de aprendizado, caso observe que se sinta mais confortável em outra sequência. 5.1 CAMPTOWN RACES Observe as posições dos dedos na música CaptownRaces. Embora a música seja relativamente simples, a posição dos dedos alterna o que exige muita concentração. Você pode iniciar o estudo com a mão direita, em seguida, com a mão esquerda, e, por fim, com as duas mãos. 140 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO Neste primeiro estudo, você deve trabalhar com o acompanhamento automático. Caso não esteja realizando a execução em um teclado arranjador, faça os acordes normalmente, com a mão esquerda. Esse exercício ajuda a desenvolver as habilidades necessárias para realizar a execução da mão esquerda dessa música, no Tópico 3. Com relação ao estilo musical a ser utilizado, pode-se optar pelo country, que se aproxima da versão original. FIGURA 22 – MÚSICA CAMPTOWN RACES COM ACOMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora 5.2 MERRILY WE ROLL ALONG A música Merrily We Roll Along possui uma única posição dos dedos, tornando a execução mais simples. Fique atento para o sinal de ligação (ligadura) que aparece nos dois últimos compassos da música. Você pode escolher um estilo vibrante para a execução dessa música, mas, lembre-se: só inicie o estudo com o acompanhamento eletrônico após conseguir tocar a música com as duas mãos. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Camptown Races: https://soundcloud.com/user-777259749/camptown-races. DICAS TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 141 Caso tenha dúvidas em relação à divisão dos valores, ouça o áudio a seguir, da partitura. FIGURA 23 – MÚSICA MERRILY WE ROLL ALONG COM ACOMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora 5.3 MAY SONG Assim como a música Merrily We Roll Along, a música May Song possui apenas uma posição dos dedos, o que facilita a execução. Siga os passos já indicados: primeiramente, a leitura prévia; em segundo, a execução da mão direta; em terceiro, da mão esquerda; depois, com as duas mãos; e, por fim, quando as mudanças de acorde estiverem ocorrendo com facilidade, a execução com o acompanhamento eletrônico. Para essa música, você pode escolher um acompanhamento como uma balada ou algo similar. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Merrily We Roll Along: https://soundcloud.com/user-777259749/merrily-we-roll-along. DICAS 142 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FIGURA 24 – MÚSICA MAY SONG COM ACAMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora 5.4 VIENE SUL MAR A música Viene Sul Mar, diferente das até então trabalhadas, apresenta a fórmula de compasso 3 por 4. Além da mudança da fórmula de compasso, essa canção apresenta notas ainda não trabalhadas e, consequentemente, mudanças na posição dos dedos. Há, também, a introdução do acorde de Fá Maior (F). Observe, com calma, todos os detalhes. Caso tenha dúvidas na execução, ouça o áudio a seguir. Realize o passo a passo já apresentado nas músicas anteriores. Repita quantas vezes for necessário, antes de introduzir o acompanhamento eletrônico. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música May Song: https://soundcloud.com/user-777259749/may-song. DICAS TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 143 Essa música sugere um estilo de Valsa Vienense, mas caso não goste, opte por outro tipo de valsa. FIGURA 25 – MÚSICA VIENE SUL MAR COM ACOMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora 5.5 CAN CAN Embora a música Can Can trabalhe com apenas dois acordes, a execução não é considerada tão simples, por conta do tempo e da extensão das notas musicais. Além disso, podemos notar algumas mudanças de posição dos dedos, exigindo mais concentração durante o estudo dessa música. Apesar de a partitura apresente o tempo 140, é possível, inicialmente, estudá- la com um tempo menor. A sugestão que damos é a seguinte: quando já estiver apto para tocar com o acompanhamento automático, inicie o estudo com o tempo 80 e vá, paulatinamente, ampliando o tempo, até chegar ou se aproximar do 140. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Viene Sul Mar: https://soundcloud.com/user-777259749/viene-sul-mar. DICAS 144 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO Ouça Can Can e procure, no teclado arranjador, algum estilo e voz que se assemelhem aos observados na música. FIGURA 26 – MÚSICA CAN CAN COM ACOMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora 5.6 ODE À ALEGRIA A música Ode à Alegria apresenta novos valores: há a colcheia e a semínima pontuada. Caso você tenha dúvida em relação aos valores positivos acerca da execução dessa música, ouça o áudio que se encontra após a partitura. Além da introdução dos valores novos, surge a presença de dois novos acordes: o Lá menor e o Mi Maior com sétima menor, não se esquecendo da nota Sol 2, executada com o polegar da mão direita. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Can Can: https://soundcloud.com/user-777259749/can-can-1. DICAS TÓPICO 2 — PRÁTICA EM TECLADO: PRIMEIRO PASSO 145 Embora a música Ode à Alegria não tenha aspectos relacionados ao acompanhamento eletrônico, talvez, após você ouvi-la, seja possível encontrar algo que se assemelhe à música. FIGURA 27 – MÚSICA ODE À ALEGRIA COM ACOMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Ode à Alegria: https://soundcloud.com/user-777259749/ode-a-alegria. DICAS A partitura anterior apresentou uma pequena parte da 9ª Sinfonia de Beethoven. Acesse https://m.youtube.com/watch?v=6w0KNIIbKCw para ouvir essa sinfonia na íntegra. NOTA 146 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 5.7 ASA BRANCA Na música Asa Branca, também são encontrados aspectos novos: a anacruse, os acordes de Sol Maior com sétima menor (G7) e Dó Maior com sétima menor (C7) e o acidente musical no compasso 17. Atente-se às posições dos dedos durante a execução da canção. FIGURA 28 – MÚSICA ASA BRANCA COM ACOMPANHAMENTO ELETRÔNICO FONTE: A autora Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Asa Branca: https://soundcloud.com/user-777259749/asa-branca. DICAS 147 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • Para uma boa performance no teclado, você precisa deixar os pés apoiados no chão, o corpo ereto, os dedos, o pulso e os cotovelos alinhados, os dedos curvados para fora e com os polegares retos, manter o pulso flexível e tocar sem utilizar a força, apenas com o peso do braço. • Você pode iniciar o estudo do teclado com a mão direita, em seguida, com a mão esquerda, e, por fim, com as duas mãos. • O tempo apresentado na partitura pode ser diminuído no início do estudo. • A anacruse é uma nota ou grupo de notas não acentuada no princípio de uma frase musical. 148 1 Para uma boa performance no teclado, você precisa se atentar à postura. De acordo com o texto desta unidade, qual das alternativas não condiz com ações que levam a uma boa postura na hora da execução musical no teclado? a) ( ) Dedos curvados para fora. b) ( ) Pés apoiados no chão. c) ( ) Pulso e cotovelos alinhados. d) ( ) Polegares direcionados para a lateral. 2 Como já visto na unidade anterior e exercitado nesta unidade, seguir a nomenclatura das mãos é importante para realizar uma performance mais eficiente. De acordo com as músicas executas nesta unidade, qual seria a posição dos dedos mais indicada para executar o trecho musical a seguir? a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) 3 A anacruse é uma nota ou grupo de notas não acentuada no princípio de uma frase musical. Qual das figuras a seguir representa uma anacruse? a) ( ) b) ( ) AUTOATIVIDADE 149 c) ( ) d) ( ) 150 151 UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos a temática do acompanhamento manual para as músicas estudadas no Tópico 2. O acompanhamento manual será feito com a mão esquerda, por meio de padrões rítmico-melódicos. Ao longo deste tópico, serão apresentados de dois a três padrões rítmico- melódicos simples para cada uma das sete músicas estudadas. 2 SUBSTITUINDO O AUTOACOMPANHAMENTO DO TECLADOPELO ACOMPANHAMENTO MANUAL Embora o estudo do teclado com acompanhamento automático seja interessante para o início, aos poucos, essa prática pode parecer limitadora. Além disso, pode, muitas vezes, não agradar a todos os estudantes, ou podendo acontecer, também, de o estudante não possuir o teclado arranjador, o que impossibilita a prática com o acompanhamento automático. Compreendendo todas essas possibilidades, iniciaremos o nosso estudo do acompanhamento manual com as mesmas músicas estudadas no Tópico 2, com o acompanhamento automático, o que trará mais versatilidade no momento da execução das músicas aqui apresentadas. 3 EXERCÍCIOS DE LEITURA E PRÁTICA: CLAVE DE FÁ (MÃO ESQUERDA) A seguir, serão apresentados alguns exercícios de leitura e de prática da Clave de Fá, para ser tocada com a mão esquerda nos compassos: quatro por quatro, três por quatro e dois por quatro. É aconselhável, primeiramente, fazer a leitura das notas, além de observar a posição das mãos e, em seguida, realizar o estudo ao teclado. TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 152 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 3.1 EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO QUATRO POR QUATRO Observe a posição da mão esquerda, apresentada pelos números. Caso tenha dúvidas acerca da divisão dos valores apresentados em cada exercício, é recomendado que ouça o áudio do exercício que se encontra após a figura. FIGURA 29 – EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ - COMPASSO QUATRO POR QUATRO FONTE: A autora TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 153 3.2 EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO TRÊS POR QUATRO Neste exercício, você encontrará a mínima pontuada. Não se esqueça de que o ponto vale a metade do valor da nota. Caso haja dúvida em relação à execução, ouça o áudio que se encontra após a figura a seguir. FIGURA 30 – EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO TRÊS POR QUATRO Acesse os links a seguir para ouvir o áudio dos exercícios anteriores: https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-1-clave-de-fa-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-2-clave-de-fa-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-3-clave-de-fa-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-4-clave-de-fa-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-5-clave-de-fa-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-6-clave-de-fa-compasso-4-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-7-clave-de-fa-compasso-4-por-4. DICAS 154 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FONTE: A autora 3.3 EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ: COMPASSO DOIS POR QUATRO Este é o último exercício deste tópico. Caso verifique que haja a necessidade de mais treino, repita os três exercícios até perceber fluidez entre a leitura e a execução instrumental. FIGURA 31 – EXERCÍCIOS CLAVE DE FÁ - COMPASSO DOIS POR QUATRO Acesse os links a seguir para ouvir o áudio dos exercícios anteriores: https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-1-clave-de-fa-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-2-clave-de-fa-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-3-clave-de-fa-compasso-3-por-5; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-4-clave-de-fa-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-5-clave-de-fa-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-6-clave-de-fa-compasso-3-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-7-clave-de-fa-compasso-3-por-4. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 155 FONTE: A autora 4 MÚSICAS TOCADAS COM AS DUAS MÃOS A seguir, você aprenderá variações das músicas tocadas no Tópico 2, que poderão ser executadas com a mão esquerda. Essas execuções têm, como base, alguns padrões rítmico-melódicos simples que serão aqui apresentados. Você observará que as variações 1 são as mais simples, as variações 2 trazem uma certa complexidade, e as variações 3 são mais difíceis de executar. Dessa forma, é aconselhado que, a partir desse ponto, você trilhe o seu percurso, de acordo com a sua habilidade. No entanto, não deixe de estudar todas as variações. Acesse os links a seguir para ouvir o áudio dos exercícios anteriores: https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-1-clave-de-fa-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-2-clave-de-fa-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-3-clave-de-fa-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-4-clave-de-fa-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-5-clave-de-fa-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-6-clave-de-fa-compasso-2-por-4; https://soundcloud.com/user-777259749/exercicio-7-clave-de-fa-compasso-2-por-4. DICAS 156 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 4.1 CAMPTOWN RACES Para a execução da música Camptown Races, serão apresentadas três maneiras de tocar. 4.1.1 Camptown Races: variação 1 A primeira variação da música Camptown Races não se trata de um padrão rítmico-melódico, mas da sustentação da nota-base. Observe a posição dos dedos e execute a música a seguir: FIGURA 32 – MÚSICA CAMPTOWN RACES - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) FONTE: A autora 4.1.2 Camptown Races: variação 2 A segunda variação da música Camptown Races traz um padrão rítmico- melódico simples, composto da primeira e da quinta de cada acorde, ou seja, do acorde de Dó Maior (Dó e Sol) e do acorde de Sol Maior (Sol e Ré). Observe a disposição dos dedos da mão esquerda. Agora, a mão se movimenta: a primeira nota do padrão rítmico-melódico é tocada com o dedo 5, e a quinta nota é tocada com o dedo 1, independentemente do acorde. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Camptown Races (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/camptown-races-variacao-1. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 157 FIGURA 33 – MÚSICA CAMPTOWN RACES - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora 4.1.3 Camptown Races: variação 3 Na terceira variação da música Camptown Races, é apresentado um padrão rítmico-melódico um pouco mais complexo, composto da primeira, da terceira e da quinta de cada acorde, ou seja, no acorde de Dó Maior (Dó, Mi e Sol) e no acorde de Sol Maior (Sol, Si e Ré). Nessa variação, o padrão rítmico-melódico se constitui de primeira, quinta, terceira e quinta. Caso considere muito complexa a execução, é aconselhável que você pratique algumas músicas a seguir (que terão padrões rítmico-melódicos mais simples), e, depois, retorne nessa canção. Não se esqueça: é muito importante que você pratique essa música. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Camptown Races (variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/camptown-races-variacao-2. DICAS 158 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FIGURA 34 – MÚSICA CAMPTOWN RACES - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 3) FONTE: A autora 4.2 MERRILY WE ROLL ALONG Serão apresentadas duas variações da música Merrily We Roll Along. 4.2.1 Merrily We Roll Along: variação 1 Assim como a primeira variação da música Camptown Races, na música Merrily We Roll Along, a mão esquerda não se trata de um padrão rítmico-melódico, mas da sustentação da nota base. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Camptown Races (variação 3): https://soundcloud.com/user-777259749/camptown-races-variacao-3. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 159 FIGURA 35 – MÚSICA MERRILY WE ROLL ALONG - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) FONTE: A autora 4.2.2 Merrily We Roll Along: variação 2 Na segunda variação da música Merrily We Roll Along, há um padrão rítmico-melódico realizado com a primeira e a quinta nota do acorde. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Merrily We Roll Along (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/merrily-we-roll-along-variacao-1. DICAS160 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FIGURA 36 – MÚSICA MERRILY WE ROLL ALONG - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora 4.3 MAY SONG Serão apresentadas três variações da música May Song. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Merrily We Roll Along (variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/merrily-we-roll-along-variacao-2. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 161 4.3.1 May Song: variação 1 Na primeira variação, a nota principal do acorde é sustentada. FIGURA 37 – MÚSICA MAY SONG - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) FONTE: A autora 4.3.2 May Song: variação 2 Na segunda variação da música May Song, há um padrão rítmico-melódico simples realizado com a primeira e a quinta nota dos acordes de Dó Maior (C) e Sol Maior (G). Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música May Song (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/may-song-variacao-1. DICAS 162 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FIGURA 38 – MÚSICA MAY SONG - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora 4.3.3 May Song: variação 3 Assim como na terceira variação da música Camptown Races, a terceira variação da música May Song apresenta um padrão rítmico-melódico um pouco mais complexo, composto pela primeira, terceira e quinta notas de cada acorde. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música May Song (variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/may-song-variacao-2. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 163 FIGURA 39 – MÚSICA MAY SONG - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 3) FONTE: A autora 4.4 VIENE SUL MAR Serão apresentadas duas variações da música Viene Sul Mar. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música May Song (variação 3): https://soundcloud.com/user-777259749/may-song-variacao-3. DICAS 164 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 4.4.1 Viene Sul Mar: variação 1 A primeira variação consiste na sustentação da nota-base de cada acorde. Lembrando que há a presença na mínima pontuada, que equivale a três semínimas. FIGURA 40 – MÚSICA VIENE SUL MAR - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) FONTE: A autora TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 165 4.4.2 Viene Sul Mar: variação 2 Nessa variação, segue a execução de duas notas simultâneas. FIGURA 41 – MÚSICA VIENE SUL MAR - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Viene Sul Mar (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/viene-sul-mar-variacao-1. DICAS 166 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 4.5 CAN CAN Na música Can Can, serão apresentadas três variações. 4.5.1 Can Can: variação 1 A variação 1 consiste na execução da nota-base de cada acorde. FIGURA 42 – MÚSICA CAN CAN - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) FONTE: A autora Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Viene Sul Mar (variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/viene-sul-mar-variacao-2. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 167 4.5.2 Can Can: variação 2 Na variação 2, há um padrão rítmico-melódico simples realizado com a primeira e a quinta nota de cada acorde. FIGURA 43 – MÚSICA CAN CAN - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora Acesse o link a seguir, para ouvir o áudio da música Can Can (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/can-can-variacao-1. DICAS 168 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 4.5.3 Can Can: variação 3 A última variação da música Can Can possui uma complexidade maior. A execução se dá por meio de colcheias, com primeira, terceira e quinta notas de cada acorde. É possível que você considere esta como sendo a música mais complexa do livro. Caso tenha dificuldades nessa execução, é aconselhável deixar essa música para o fim. FIGURA 44 – MÚSICA CAN CAN - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 3) FONTE: A autora Acesse o link a seguir, para ouvir o áudio da música Can Can ((variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/can-can-variacao-2. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 169 4.6 ODE À ALEGRIA A música Ode à Alegria possui duas variações. 4.6.1 Ode à Alegria: variação 1 A variação 1 da música Ode à Alegria consiste na sustentação da nota principal de cada acorde. Nessa canção, há a inserção de dois acordes novos, ou seja, de duas novas notas a serem sustentadas: a nota lá e a nota mi. FIGURA 45 – MÚSICA ODE À ALEGRIA - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) FONTE: A autora Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Can Can (variação 3): https://soundcloud.com/user-777259749/can-can-variacao-3. DICAS 170 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO 4.6.2 Ode à Alegria: variação 2 Na variação 2, há o padrão rítmico-melódico realizado com primeira, terceira e quinta notas do acorde, e, em alguns momentos, nos quais ocorre uma passagem rápida do acorde, surge um padrão realizado com a primeira e a quinta. FIGURA 46 – MÚSICA ODE À ALEGRIA - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Ode à Alegria (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/ode-a-alegria-variacao-1. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 171 4.7 ASA BRANCA Serão apresentadas duas variações da música Asa Branca. 4.7.1 Asa Branca: variação 1 Na variação 1, da música Asa Branca, há, na mão esquerda, a sustentação da nota-base, inclusive, nos acordes com sétima menor. FIGURA 47 – ASA BRANCA - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 1) Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Ode à Alegria (variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/ode-a-alegria-variacao-2. DICAS 172 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO FONTE: A autora 4.7.2 Asa Branca: variação 2 Na variação 2, da música Asa Branca, há a execução da primeira e da quinta de cada acorde, inclusive, dos acordes com sétima. Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Asa Branca (variação 1): https://soundcloud.com/user-777259749/asa-branca-variacao-1. DICAS A leitura da partitura, principalmente, relacionada aos valores (positivos e negativos), pode ser algo complexo no início do estudo musical. No entanto, há alguns aplicativos e alguns programas para computador que podem ajudar nesse estudo. Depois de um tempo de estudo, com a decodificação de todos os códigos presentes em uma partitura, a execução musical, em qualquer instrumento, torna-se mais fácil. NOTA TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 173 FIGURA 48 – ASA BRANCA - MÃO ESQUERDA (VARIAÇÃO 2) FONTE: A autora 174 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO Acesse o link a seguir para ouvir o áudio da música Asa Branca (variação 2): https://soundcloud.com/user-777259749/asa-branca-variacao-2. DICAS TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 175 A NOTAÇÃO MUSICAL E A RELAÇÃO CONSCIENTE COM A MÚSICA: ELEMENTOS PARA REFLETIR ACERCA DA IMPORTÂNCIA DA NOTAÇÃO COMO CONTEÚDO ESCOLAR Thiago Xavier de Abreu Newton Duarte Embora educadores musicais acreditem, intuitivamente, na importância da notação musical para a formação de um indivíduo, muitas vezes, a resposta à pergunta “por que ensinar notação?” não ultrapassa esse âmbito da intuição, carecendo de profundidade e de elementos teóricos que forneçam fundamentos concretos para o entendimento do papel educacional desse conteúdo escolar. Talvez seja por isso que, principalmente, no século XX, a aquisição das capacidades de escrita e de leitura da música passou a ser questionada no seu valor educativo, chegando, mesmo, a ser considerada algo contraposto a uma prática musical rica. A crítica sustentada pelo pensamento educacional da música ao ensino da notação, normalmente, acusa o caráter mecânico dos processos de apropriação desse conteúdo, observando o conhecimento notacional, simplesmente, como um instrumental que nos proporciona executarou compor uma obra, como apropriação de símbolos meramente abstratos que se limitam a orientar a prática musical. Tal abordagem mecânica é caracterizada como algo típico do chamado ensino conservatorial. Para Maura Penna (1995, p. 133-134), no ensino conservatorial, ocorre o tratamento dos mecanismos de representação gráfica, como um código abstrato que se esgota em si mesmo, de modo que o referencial sonoro se perde. A partir daí, os princípios de organização formal (como as regras do tonalismo, o contraponto, a harmonia etc.) se tornam um jogo de regras “matemáticas” que movimentam as notas no papel, e não o manejo consciente de relações sonoras. Essa crítica à mecanicidade não se restringe à discussão acerca da notação musical, mas expressa transformações das concepções pedagógicas acerca dos processos de ensino e aprendizagem dos conteúdos técnicos e teóricos da música, abrangendo grande parte do pensamento educacional da música a partir do século XX. Para John Paynter (2002, p. 215, tradução nossa), por exemplo, seria necessária uma transformação nos currículos de educação musical, pois “um currículo torna-se muito facilmente um sumário do conhecimento a ser passado adiante, competências estabelecidas a serem adquiridas e fatos bem atestados a serem memorizados”. Murray Schafer (1991, p. 285) parece concordar com o educador britânico, pois entende que o currículo tradicional não abarca a natureza “fundamentalmente expressiva” da música: “Ela é isso, deveria ser assim, porém, com a ênfase dada à teoria, à técnica e ao trabalho da memória, a música se torna, predominantemente, uma ciência do tipo acumulação de conhecimento”. LEITURA COMPLEMENTAR 176 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO O entendimento da apropriação da notação musical, no seus sentidos unicamente técnico e utilitarista, como mera aquisição da capacidade de execução de uma partitura, é comumente acompanhado da perspectiva na qual o processo de ensino é tido como uma transmissão mecânica desse conteúdo à mente do aluno. Na verdade, trata-se da mesma problemática, de um lado, observada do ponto de vista dos conteúdos escolares (no caso, a notação musical), e, de outro, do prisma dos processos de ensino. Uma vez que a notação musical é tomada como um conteúdo cuja função formativa se encerra na mera execução instrumental, o ensino acaba por ser concebido como um movimento mecânico de depósito de conteúdo na mente do aluno. Nas palavras de Schafer (1991, p. 286), “na educação, e considerando o aspecto da transmissão de conhecimentos, o professor tem todas as respostas, e, os alunos, a cabeça vazia, pronta para assimilar informações”. Contudo, seria, a notação musical, algo morto, estático, como um mero instrumental que se reduz aos atendimentos estéril e mecânico das necessidades imediatas da performance? Seria possível um indivíduo se apropriar desse conteúdo sem que isso transformasse a relação entre ele e a música para além da capacidade de execução de uma partitura? Duarte (2016, p. 59) discute a inconsistência dessa perspectiva acerca dos conteúdos escolares e dos processos de ensino, destacando a relação dialética entre as várias dimensões: O ensino dos conteúdos escolares em nada se assemelha, portanto, a um deslocamento mecânico de conhecimentos dos livros ou da mente do professor para a mente do aluno, como se esta fosse um recipiente com espaços vazios a serem preenchidos por conteúdos inertes. O ensino é transmissão de conhecimento, mas tal transmissão está longe de ser uma transferência mecânica, um mero deslocamento de uma posição (o livro, a mente do professor) para outra (a mente do aluno). O ensino é o encontro de várias formas de atividade humana: atividade de conhecimento do mundo sintetizada nos conteúdos escolares, atividade de organização das condições necessárias ao trabalho educativo, atividade de ensino pelo professor e atividade de estudo pelos alunos. A atividade de ensino é um processo vivo, isto é, multideterminado, e cujos elementos não são coisas estáticas, mas envolvem várias formas de atividade humana, desde aquelas incluídas no momento exato do processo educativo (atividade do professor e atividade do aluno) até aquelas atividades humanas acumuladas nos conteúdos escolares, as quais medeiam a relação entre professor e aluno. Neste artigo, defenderemos, precisamente, esse caráter vivo da notação musical como um conteúdo escolar. Pretendemos demonstrar que o aprendizado da notação não se reduz às meras capacidades de escrita e de leitura, mas corresponde à apropriação dos elementos que estruturam a prática musical. Tal perspectiva pode fornecer subsídios históricos e concretos para refletirmos acerca da importância da notação musical como um conteúdo da aula de música, ou seja, da contribuição para a formação musical de uma pessoa. TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 177 A notação como um clássico da educação musical: relações entre a notação e o desenvolvimento histórico da música e dos processos educacionais O valor de um conteúdo escolar para a formação de um indivíduo emana da importância desse conteúdo para o desenvolvimento do gênero humano como um todo. Isso porque o desenvolvimento individual não está separado do desenvolvimento da humanidade, sendo, simplesmente, a manifestação concreta e particular deste. Trata-se de observar o processo formativo como uma relação dialética entre indivíduo e humanidade, ou, como define Saviani (2008b, p. 13), “o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens”. Cabe, então, às formas sistematizadas de atividade educacional, definir, em meio à múltipla variedade de produções humanas na história, os elementos necessários para a formação de uma pessoa. A respeito disso, Saviani (2008b, p. 13-14) completa: Quanto ao primeiro aspecto (a identificação dos elementos culturais que precisam ser assimilados), trata-se de distinguir entre o essencial e o acidental, o principal e o secundário, o fundamental e o acessório. Aqui me parece de grande importância, em pedagogia, a noção de “clássico”. O clássico não se confunde com o tradicional e também não se opõe, necessariamente, ao moderno e muito menos ao atual. O clássico é aquilo que se firmou como fundamental, como essencial. Pode, pois, constituir- se num critério útil para a seleção de conteúdos do trabalho pedagógico. O clássico não é algo ultrapassado, que ficou para trás na história humana e cuja apreensão se limite à internalização de regras ou fatos deslocados da vida. Clássico é aquilo que se conserva vivo na história, precisamente, por ser sempre necessário, ou seja, algo que sempre se mantém atual, na medida em que se torna parte constitutiva da prática social. Esse é o caso da notação musical. As atividades de escrita e de leitura, há muito tempo, estão presentes na prática musical e processos de ensino e de aprendizagem da música. O advento da notação não significa somente o surgimento da capacidade de registro dos elementos musicais, mas, também, altera as condições da própria produção musical, tornando-se um traço indelével da trajetória histórica. As primeiras formas de escrita da música remetem ao período entre os séculos VII e IX. São as chamadas neumas, sinais gráficos que denotam direcionamentos melódicos para o canto dos textos litúrgicos (BENT; HUGHES; PROVINE; RASTALL; KILMER; HILEY; SZENDREI; PAYNE; BENT; CHEW, 2001). Para Treitler (1984), a origem da notação neumática está diretamente ligada às efervescências econômica e cultural que ocorreram no período carolíngio, o qual, através das leis capitulares e da consequente organização da educação monasterial, criou as bases para o avanço de uma cultura letrada da música. Tal atividade notacional corresponde a uma tentativa de sistematização da prática musical, ou seja,de alcançar clareza e organização dos princípios centrais dessa prática, no intuito de dominá-la no âmbito da performance musical e nos processos de ensino e de aprendizagem. Apesar da extrema variedade das primeiras formas de escrita musical, o autor destaca esse elemento em comum: 178 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO O surgimento, praticamente, simultâneo, de notações de tipos e propósitos fundamentalmente díspares, no entanto, sugere uma ideia que conecta todas elas: que sua própria existência é um reflexo, no domínio da música, da nova orientação da cultura escrita. Escreveram- se diferentes tipos de música, para diferentes propósitos particulares, de maneiras que, rapidamente, tornaram-se altamente diferenciados. Escreveu-se. Fez-se isso no interesse de um ideal transcendente de clareza e de normatividade (TREITLER, 1984, p. 142). Na continuidade desse progressivo processo de sistematização, destacam- se, em um período mais à frente, as inovações notacionais criadas pelo monge Guido de Arezzo (992-1050), as quais fomentaram uma prática diferenciada da música, muito mais clara, acerca dos elementos musicais, e cujos desenvolvimentos, nos campos da escrita e da leitura da música, são decisivos, a tal ponto que ainda se mantêm presentes. Para Van Waesberghe (1951, p. 16): Guido de Arezzo fez duas grandes contribuições para a pedagogia da música: ele introduziu uma nova notação e desenvolveu um método para aprender a ler a música escrita nesse roteiro. Esse duplo evento deixou sua marca no ensino da música e dividiu sua história em duas fases: o período antigo, o tempo das neumas, vagas, nebulosas, difíceis ou impossíveis de decifrar, e do ensino viva voce, isto é, com aluno repetindo o mestre; e o novo período, com uma notação clara, fácil de ler, com um novo método para aprender o cantus ignotus com uma visão de canto à prima vista. Ainda, estamos na era de Guido, já que, além de pequenas variações na notação e na didática, seu sistema foi mantido até os dias atuais. Desse ponto de vista, podemos considerar que as inovações notacionais promovidas pelo monge de Arezzo são elementos clássicos da prática musical, na medida em que determinaram, e continuam determinando, a trajetória histórica da música. Essa importância está atrelada a um salto qualitativo na normatização dos elementos musicais, isto é, a um avanço decisivo na consciência e no domínio dos próprios elementos da música, notadamente, os princípios da afinação. No duplo processo de desenvolvimento (da consciência dos aspectos estruturais da música e da expressão objetiva em uma escrita), novas condições são colocadas à prática musical, mudando toda a relação entre escrita e música na maior parte da Europa, em um espaço de tempo notavelmente curto, criando as precondições para os desenvolvimentos da maior importância na música ocidental (BENT; HUGHES; PROVINE; RASTALL; KILMER; HILEY; SZENDREI; PAYNE; BENT; CHEW, 2001). Nesse sentido, a tradição da notação musical converge com o próprio processo de desenvolvimento da música, algo que não está separado dos processos educacionais. Grout e Palisca (1994, p. 96) caracterizam as mudanças ocorridas no século XI, que vieram a transformar, definitivamente, a música ocidental: Nesses anos, tiveram início certas mudanças que, quando levadas às últimas consequências, viriam a conferir, à música do Ocidente, muitas das suas características fundamentais, esses traços que a distinguem de outras músicas do mundo. Tais mudanças podem ser resumidas como se segue. TÓPICO 3 — PRÁTICA EM TECLADO: SEGUNDO PASSO 179 1. A composição foi, pouco e pouco, substituindo a improvisação enquanto forma de criação de peças musicais […]; só a partir de então, podemos dizer que as obras musicais passaram a “existir” na forma como, hoje, as concebemos, independentemente de cada execução. 2. Uma obra composta podia ser ensinada e transmitida oralmente, e podia sofrer alterações nesse processo de transmissão. Contudo, a invenção da notação musical tornou possível escrever a música de uma forma definitiva, o que podia ser aprendida a partir do manuscrito […]. 3. A música começou a ser mais conscientemente estruturada e sujeita a certos princípios ordenadores […]. 4. A polifonia começou a substituir a monofonia. É certo que a polifonia, enquanto tal, não é, exclusivamente, ocidental, mas foi a nossa música que, mais do que qualquer outra, especializou-se nessa técnica […]. As diferentes dimensões desse momento de transformação da música e das formas educacionais não são coisas isoladas, mas distintas faces de um mesmo processo. A concepção de composição de uma obra se transforma a partir do advento da notação musical. Em um processo composicional, selecionam-se os momentos mais essenciais de uma improvisação assistemática e parcialmente aleatória, praticamente, limitada ao âmbito imediato da execução, sintetizando, assim, as principais expressões musicais. A perspectiva de uma obra composicional, que, de certa forma, sempre esteve presente na prática musical via tradição oral, altera-se qualitativamente, com a difusão das atividades da escrita e da leitura da música. A notação não somente modificou a prática musical, centralizando-a na composição, performance e apreciação de uma obra musical, mas exatamente isso significa, também, um desenvolvimento de uma relação mais consciente com os princípios ordenadores da música. Isso se manifesta, musicalmente, por meio da técnica polifônica. Tomemos, por exemplo, a transição da música eclesiástica, uma característica da Idade Média, o cantochão, até a chamada ars nova (aproximadamente, séculos XIII a XV), período em que as primeiras formas de polifonia são exploradas (BENT; HUGHES; PROVINE; RASTALL; KILMER; HILEY; SZENDREI; PAYNE; BENT; CHEW, 2001; GROUT; PALISCA, 1994). A escrita musical do cantochão era baseada em neumas. Se observarmos a notação neumática com os nossos olhos hodiernos, tenderemos a tomá-la como uma forma relativamente imprecisa de indicação dos parâmetros musicais. Contudo, uma análise dessa natureza seria a histórica, desconsiderando que tal notação correspondia, exatamente, ao nível de desenvolvimento musical e da consciência dos princípios organizadores da música à época, ou seja, a notação neumática não significa uma incapacidade dos músicos e dos intelectuais da música do período medieval de construírem uma escrita musical precisa, mas era a forma notacional daquela música, isto é, que expressava o nível de desenvolvimento musical daquela época. O que chamamos de nível de desenvolvimento musical significa, simplesmente, os limites e as características da consciência e do domínio dos elementos propriamente musicais. Isso fica claro se comparamos a notação por neumas com as inovações notacionais e musicais do período da ars nova. Esse período é tão importante no estudo histórico da música justamente porque, 180 UNIDADE 3 — A METODOLOGIA PARA O ENSINO E A APRENDIZAGEM DE TECLADO nele, a consciência dos elementos musicais já estabelecidos é ampliada, criando novas formas de expressão musical que se tornaram fundamentais na música ocidental: os princípios da polifonia. Contudo, tudo isso está diretamente ligado ao surgimento do sistema mensural de notação, que sistematiza novas possibilidades rítmicas e cujos elementos essenciais, ainda hoje, permanecem como alicerce da notação moderna, direcionando a nossa prática musical (BENT; HUGHES; PROVINE; RASTALL; KILMER; HILEY; SZENDREI; PAYNE; BENT; CHEW, 2001; GROUT; PALISCA, 1994). A escrita e a leitura da música representam, assim, exemplos de conteúdos escolares típicos da educação musical, pois, do ponto de vista do desenvolvimento histórico da música e do ser humano, elas são clássicos. Os reflexos do advento da notação permanecem permeando toda a nossa prática musical, direta ou indiretamente, na música erudita ou na popular. Pense, por exemplo, no surgimentodo sistema tonal a partir da polifonia, e em como a tonalidade, ainda hoje, determina a lógica da maioria das práticas musicais no mundo ocidental. A notação modificou, de tal maneira, a prática social da música, que os elementos desse salto qualitativo não mais deixaram de estar presentes na estrutura musical. Observando, desse prisma, a notação musical perde qualquer aspecto morto, estático, adquirindo uma vivacidade de conteúdo que emana do próprio desenvolvimento humano sobre a música. Não mais se apresenta como algo meramente abstrato, mas concreto, na medida em que torna objetivos princípios essenciais da produção musical: uma figura de ritmo não é somente um sinal gráfico, mas uma síntese simbólica de uma forma socialmente convencionada de organizar o tempo, um dos parâmetros da música; o posicionamento de uma nota no pentagrama também não é algo aleatório, mas uma relação gráfica objetiva que expressa outro parâmetro da música, a altura das notas. Consequentemente, os processos de ensino e de aprendizagem da escrita e da leitura perdem, também, o caráter mecânico, apontando para uma rica dialética entre o indivíduo e a humanidade, por meio da música. FONTE: ABREU, T. X. de; DUARTE, N. A notação musical e a relação consciente com a música: elementos para refletir sobre a importância da notação como conteúdo escolar. Revista da Abem, v. 28, n. 1, p. 65-80, 2020. Para ler o artigo na íntegra, acesse http://www.abemeducacaomusical. com.br/revistas/revistaabem/index.php/revistaabem/article/view/862/569. 181 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • É possível substituir o acompanhamento eletrônico pelo acompanhamento manual. • Uma maneira simples de executar um acompanhamento manual é sustentando, com a mão esquerda, a nota principal do acorde. • Um padrão rítmico-melódico simples, que pode ser utilizado como acompanhamento manual, consiste na execução da primeira e da quinta notas de cada acorde. • Há a possibilidade de realizar um padrão rítmico-melódico com primeira, terceira e quinta notas de cada acorde, com a seguinte sequência: primeira, quinta, terceira e quinta. Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. CHAMADA 182 1 Uma maneira simples de executar um acompanhamento manual é sustentando, com a mão esquerda, a nota principal do acorde. Observe a figura a seguir e indique de qual das sequências de acorde ela faz parte: a) ( ) Fá Maior (F) – Dó Maior (C) – Sol Maior (G) – Dó Maior (C). b) ( ) Dó Maior (C) – Sol Maior (G) – Dó Maior (C) – Fá Maior (F). c) ( ) Sol Maior (G) – Fá Maior (F) – Dó Maior (C) – Sol Maior (G). d) ( ) Dó Maior (C) – Fá Maior (F) – Sol Maior (G) – Dó Maior (C). 2 Um padrão rítmico-melódico simples, que pode ser utilizado como acompanhamento manual, consiste na execução da primeira e da quinta notas de cada acorde. Qual dos padrões rítmico-melódicos a seguir corresponde à explicação dada? a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) 3 Há a possibilidade de realizar um padrão rítmico-melódico com primeira, terceira e quinta notas de cada acorde, com a seguinte sequência: primeira, quinta, terceira e quinta. Qual das figuras a seguir apresenta um padrão rítmico-melódico como o anunciado nesta questão? a) ( ) b) ( ) c) ( ) d) ( ) AUTOATIVIDADE 183 REFERÊNCIAS KENNEDY, M. Dicionário Oxford de música. São Paulo: Publicações Dom Quixote Lisboa, 1994. MED, B. Teoria da música. 4. ed. São Paulo: MusiMed Edições Musicais, 1996.