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1 
O CONCEITO DE RELAÇÃO A PARTIR DA NOÇÃO TOMÁSICA 
DA VERDADE COMO “ADEQUAÇÃO DA COISA E DO 
INTELECTO” NA QUESTÃO 16 DA PRIMEIRA PARTE DA SUMA 
TEOLÓGICA. 
doi: 10.4025/XIIjeam2013.fernandes18 
 
 
FERNANDES, Paulo Adriano Do Amaral1 
 
 
Introdução 
 
 A história do homem se confunde com a história de seu esforço em conhecer a 
realidade e compreendendo-a, conhecer-se a si mesmo, desde que o homem se descobre 
como um ser consciente descobre também a consciência como ferramenta para lhe dar 
melhores condições de adaptação ao mundo, porém o homem não se satisfaz apenas em 
adaptar-se à realidade, a adaptação humana não é uma ação mecânica ou instintiva, o 
homem se adapta melhor, na medida em que compreende mais a realidade e a si mesmo, 
deste fato emerge a temática da relação, é pertinente no esforço de compreensão da 
realidade feita pelo homem, compreender suas relações. 
 Um dos temas basilares da filosofia, desde a sua sistematização como modo de 
conhecimento, na Grécia Antiga, é o tema da verdade, no contexto do problema do 
conhecimento. E a definição clássica da verdade como adequação da coisa e do intelecto 
está entre as mais interessantes, pois há os que a acolhem como termo do esforço do 
espírito humano diante deste problema e há os que a colocam simplesmente como um 
ponto de partida para o problema do conhecimento, o nosso trabalho propõe outra 
abordagem, procurar compreender o conhecimento e a verdade, não pela perspectiva do 
intelecto ou do sujeito, nem pela perspectiva da “coisa” ou do objeto, mas da relação entre 
coisa e intelecto, o interesse é compreender o que é a “relação”, o que significa “relação” e 
 
1 Universidade Estadual De Maringa (UEM). Programa De Pós-Graduação – Mestrado Em Filosofia - 
Virtudes Morais E Virtudes Intelectuais. 
 
 
 
 2 
quais as implicações dessa relação no conhecimento, na acepção de verdade e suas 
possíveis conseqüências inclusive no modo de compreende o homem, um ser de relações. 
 Nosso trabalho se desenvolve a partir de um referencial teórico, o desenvolvimento 
do tema e apontam algumas conclusões, dada a grandeza do pensamento tomásico reserva-
se a pesquisar a questão da relação a partir da concepção tomista de verdade apenas na 
questão 16 da primeira parte da Suma de Teologia. 
 
1. Referencial teórico 
 
Na questão 16 da 1ª. parte da Suma Teológica, São Tomás de Aquino discorre 
sobre a verdade e para isso apresenta oito artigos, tendo como ponto inicial a afirmação de 
que o objeto da ciência é o verdadeiro, depois de considerar a ciência de Deus é preciso 
inquirir sobre a verdade. 
Nos oito artigos desta questão se discute se a verdade se encontra na coisa, no 
objeto, ou apenas no intelecto, se a verdade está no intelecto apenas quando ele compõe e 
divide, sobre o verdadeiro comparado com o ente e com o bem, se Deus é a verdade, se 
todas as coisas são verdadeiras em razão de uma verdade ou de muitas, se a verdade é 
eterna e se é imutável. 
A afirmação clássica do pensamento tomista sobre a verdade, que já se encontra em 
sua obra “Sobre a verdade”, quando afirma na solução do artigo 1º : “a segunda definição 
assenta naquilo em que formalmente se realiza a noção de verdadeiro, e assim diz Ysaac 
que a “verdade é a adequação da coisa e do intelecto”2, “...veritas est adaequatio rei et 
intellectus;” diante desta afirmação, o que pretendemos discutir é o significado do conceito 
de “relação”, a partir de uma necessária relação entre “a coisa” e o “intelecto”. 
Nas teses tomásicas, inicialmente se contestam as possibilidades da verdade não 
estar apenas no intelecto, mas principalmente nas coisas, e aí já emerge para nós a 
inquietação, a verdade está nas coisas cognoscíveis? A verdade está no intelecto que 
conhece? Em que sentido podemos compreender o questionamento tomista ao afirmar que 
“parece” que a verdade não está apenas no intelecto, mas principalmente nas coisas? 
Tomás, ainda no primeiro artigo da questão 16 da Primeira parte da Suma 
Teológica, justamente o que introduz esta lapidar questão, se apóia em Santo Agostinho 
 
2 Aquino, Tomás. De veritate. Art. 1. 
 
 
 
 3 
que rejeita a definição da verdade como verdadeiro apenas o que se vê ou o que aparece 
como tal ao sujeito que conhece, se este quer e pode conhecê-lo e define o verdadeiro 
como “é o que é” e aí se problematiza, parece que a verdade está nas coisas e não no 
intelecto. E ainda Tomás reflete sobre esta questão apontando o erro dos antigos filósofos e 
em Aristóteles nos Primeiros Analíticos e no livro das Categorias. Mas, observa o doutor 
angélico, no livro VI da Metafísica diz o Filósofo: “O verdadeiro e o falso não estão nas 
coisas, mas no intelecto.” 
Podemos observar que nesta primeira questão na colocação do problema que será 
objetado por Tomás é muito implícito e secundário a discussão sobre a relação entre o 
intelecto que conhece e o objeto conhecido. Como compreender esta situação? Que razões 
teria Santo Tomás para abordar indiretamente esta questão? Que importância teve e tem 
para o desenvolvimento da compreensão sobre o conhecimento das coisas, um melhor 
entendimento do conceito de relação entre sujeito cognoscente e objeto cognoscível? Que 
implicações este tipo de abordagem traz para a metafísica, a epistemologia e a partir daí 
para uma antropologia e a própria ética? É o que pretendemos refletir neste trabalho. 
Seguindo ainda o primeiro artigo da questão dezesseis, na resposta, São Tomás 
passa a falar do bem como àquilo a que tende o apetite e a verdade como àquilo que tende 
o intelecto. Quando introduzimos o tema da “tendência”, do “tender”, do “tendit”, 
entendemos uma postura do colocar-se em relação a algo ou a alguém, como uma 
determinada realidade que emerge com uma característica fundamental de atrair e 
desencadear um movimento entre duas realidades, nesse caso a do intelecto capaz de 
conhecer e a do objeto capaz de ser conhecido. 
Mas Tomás afirma que há uma diferença entre o apetite e o intelecto ou qualquer 
outro modo de conhecer. “O conhecimento consiste em que o conhecido está naquele que 
conhece, ao passo que a apetência consiste na inclinação do sujeito para aquilo que o atrai. 
Assim, o termo do apetite que é o bem, se encontra na coisa que atrai, ao passo que o termo 
do conhecimento, a verdade, está no intelecto.”3 
Assim compreendemos que, primeiro é preciso considerar as diferenças entre o 
apetite e o intelecto, porém também o apetite de certa forma, possibilita o conhecimento. 
Mas para o Aquinate, o conhecimento se da na medida em que o “conhecido” está naquele 
que conhece enquanto que a apetência se manifesta na medida em que é atraída por algo, 
 
3 AQUINO, Santo Tomás. Suma Teológica I, q.16, art.1 
 
 
 
 4 
podemos provocar afirmando que no caso do intelecto há uma relação entre o cognoscente 
e o cognoscível no próprio intelecto, há uma operação interna e no apetite há uma relação 
que se manifesta de forma exteriorizada, pois o sujeito pela apetência se inclina para 
determinada coisa que o atrai. Permanece de forma contundente a questão: o que é a 
“coisa” para o intelecto? Que relação há entre ambos? Que diferenças há entre a “coisa” 
que o intelecto conhece e a “coisa” que atrai o apetite? Que tipos de relações podem ser 
inferidas do “intelecto e da coisa”, no caso do intelecto, e do “apetite e da coisa que o 
atrai”, no caso da apetência? 
Ao refletir dessa forma a questão precisamos um esforço maior de compreensão de 
como se dá a relação do conhecido que já está naquele que conhece, que tipo de relação é 
essa? Existe alguma relação entre a coisa e o intelecto? A adequação da coisa ao intelecto é 
um tipo de relação? 
Ainda na resposta, Tomás continua afirmando que do mesmo modoque o bem está 
na coisa, enquanto ordenada ao apetite, por isso a razão da bondade passa da coisa que 
atrai ao apetite e o apetite se diz bom, conforme é do bem, assim também o verdadeiro, 
estando no intelecto à medida que se conforma com a coisa conhecida, é necessário que a 
razão de verdadeiro passe do intelecto à coisa conhecida, de modo que a coisa conhecida 
seja verdadeira na medida em que tem alguma relação com o intelecto, “...ut res etiam 
intellecta vera dicatur, secundum quod habet aliquem ordinem ad intellectum.”4 
O tema da “relação” vai sendo suscitado a partir destas afirmações tomásicas na 
resposta do primeiro artigo, para Tomas, “...uma coisa é verdadeira, absolutamente 
falando, segundo a relação com o intelecto de que depende.”5 Portanto interessa-nos 
compreender melhor o que é e como se dá esta relação. 6 
A discussão evidentemente se prolonga e aprofunda no próprio artigo primeiro e 
nos seguintes, possibilitando-nos seguir na busca de uma maior compreensão do 
significado desta relação entre o intelecto e a coisa, que na tradição latina preferiu-se o 
termo “ordinem”, ordenar-se ao intelecto, como compreender a relação entre sujeito e 
objeto numa perspectiva do ordenamento de um para com o outro e esse “um” é o objeto, 
por que não poderia ser o oposto, por que não poderia ser o intelecto voltar ao objeto? 
 
4 Id. 
5 ibidem 
6 No texto latino a expressão que encontramos na tradução por “relação” é “ordinem”, “ut res etiam intellecta 
vera dicatur, secundum quod habet aliquem ordinem ad intellectum.” 
 
 
 
 5 
Porém, este tipo de problema é clássico na filosofia. Ora é o sujeito que se impõe, 
ora é o objeto que impera, desde o despertar pré-socrático na pergunta pela “arché”, 
passando por Platão e Aristóteles, Agostinho, Anselmo, Tomás, chegando aos modernos 
com Descartes e Hume, Kant, Hegel e contemporâneos como Heidegger, Sarte, Habermas. 
Vamos sendo desafiados por uma tomada de posição nesta relação dicotômica: sujeito-
objeto, ser-nada, razão pura- razão prática. Recordamos Michel Foucault (1926-1984) que 
afirmava que a filosofia é uma maneira de refletir, não sobre o que é verdadeiro e o que é 
falso, mas sobre nossa relação com a verdade. Portanto, a temática da “relação” está aí 
atual, pertinente e complexa. 
Proponho, a partir desta espinhosa questão em Tomás, que fixemos a nossa atenção 
não em um dos pólos, mas no que põe um diante do outro e assim busquemos compreender 
melhor a relação entre ambos e compreendendo melhor a relação, compreender sob uma 
nova ótica o sujeito cognoscente e o objeto cognoscível, buscando colaborar no processo 
do entendimento no qual se dá o conhecimento e o que o conhecimento provoca na 
compreensão do ser humano, sua existência e suas conseqüentes relações. 
No artigo segundo, discute-se, se a verdade está no intelecto que compõe e que 
divide, justamente aqui Tomás retoma a definição de Isaac, “in libro de Definitionibus, 
quod veritas est adaequatio rei et intellectus.” Segue inquirindo quanto a conversibilidade 
do verdadeiro e do ente, novamente emerge uma complexa e importante discussão sobre a 
ordem das coisas no ser e na verdade, que pode nos ajudar a compreender o conceito de 
relação e a partir da relação que se dá entre “ser e verdade” chegar a um entendimento 
melhor da “coisa”. 
No artigo quarto Tomás introduz o tema do bem, buscando saber se o bem, segundo 
a razão é anterior ao verdadeiro, aqui devemos procurar entender se o bem não for segundo 
a razão, o bem é segundo o que? Segundo a vontade? E a anterioridade ou a posteridade na 
relação entre o bem e o verdadeiro não nos leva novamente a perceber o tema da relação? 
O artigo quinto, parece-nos crucial na questão em discussão, questiona se Deus é a 
verdade. Como se compreende a verdade a partir de Deus? Qual é o entendimento possível 
do conceito de “relação” a partir da noção de que Deus é a verdade? Existe relação em 
Deus? Como compreender a relação entre o intelecto que conhece e a coisa conhecida, se 
Deus é a verdade? 
 
 
 
 6 
Os artigos seis e sete abordam, se todas as coisas são verdadeiras em razão de uma 
única verdade e, se a verdade criada é eterna. Assim concluímos o estudo desta questão na 
busca de uma maior compreensão do conceito de relação. 
 
2. Objetivos 
 
2.1 Objetivo geral: Compreender o conceito de “relação” a partir da noção 
tomista de verdade como adequação da coisa ao intelecto. 
 
2.2 Objetivos específicos: 
2.2.1 Apresentar a noção clássica em Tomás de Aquino de verdade como 
adequação da coisa ao intelecto na questão 16 da 1ª. parte da Suma Teológica. 
2.2.2 Compreender o conceito de “relação” a partir da concepção tomista de 
verdade, refletindo como se dá no processo do conhecimento da verdade a relação intelecto 
e coisa. 
2.2.3 Apresentar as conseqüências básicas para o entendimento do conceito de 
“relação” tanto para a epistemologia, quanto para a antropologia, derivadas da 
compreensão tomista de verdade. 
 
3. Metodologia 
 
A metodologia para se realizar tal trabalho é o da revisão bibliográfica sobre o 
tema, partindo especialmente da leitura e reflexão das fontes próprias, fichamento e 
redação da comunicação. 
 
4. Desenvolvimento 
 
Entre o intelecto e a coisa: o ser. 
 
Entre o intelecto que conhece e a coisa que se adequa ao intelecto, está o ser, por 
isso a concepção da verdade como a adequação da coisa e do intelecto leva-nos a perguntar 
pelo o que é, e em que modo se dá a relação entre ambas as realidades. 
 
 
 
 7 
O intelecto, instrumento humano que o diferencia dos demais seres na forma de se 
relacionar consigo mesmo e com as outras realidades, deve ser entendido também para 
além de si mesmo, a partir das relações que estabelece com a realidade que busca 
compreender e o que ocasiona esse processo de compreensão e apreensão da realidade em 
si mesmo. 
Na resposta do primeiro artigo da questão 16, Santo Tomás distingue o “bem” da 
“verdade”, justamente no aspecto relacional quando diferencia que o bem é aquilo a que 
tende o apetite e a verdade aquilo a que tende o intelecto. E aí afirma, para mostrar a 
distinção, “o conhecimento consiste em que o conhecido está naquele que conhece, ao 
passo que a apetência consiste na inclinação do sujeito para aquilo que o atrai.”7 
O bem que é o que busca o apetite, está na coisa que o atrai, e a verdade que é o 
que busca o conhecimento, está no intelecto. 
Para Tomás, da mesma maneira que a razão da bondade passa da coisa que atrai ao 
apetite; o verdadeiro, estando no intelecto à medida que se conforma com a coisa 
conhecida, a razão de verdadeiro passa do intelecto à coisa conhecida e então a coisa 
conhecida é dita verdadeira na medida em que tem alguma relação com o intelecto. 
Quanto ao apetite e ao bem a relação se dá pela atração, o bem e o que é o bom; a 
bondade, atrai o apetite e o apetite se volta para o bem, buscando-o. Já quanto ao 
conhecimento, a relação se dá pela adequação ou conformidade, pois a verdade se encontra 
no intelecto e por isso é possível conhecer verdadeiramente a coisa na medida em que não 
houver contradição entre a verdade no intelecto e a coisa. E isso é possível justamente pela 
adequação. 
Porém, o que nos inquieta é que, de qualquer forma é necessário admitir um tipo de 
relação entre “intelecto” e “coisa” e logo aprofundar esse fato, justamente para que 
ampliemos a concepção de “verdade”, não reduzindo-a a uma operação exclusiva do 
intelecto ou da coisa. 
Seguindo a resposta tomista, ainda no artigo primeiro, o Aquinate fala que a coisa 
conhecida, pode se referir ao intelecto por si ou por acidente, por si quando dele depende 
segundo seu ser e se refere por acidente ao intelecto pelo qual é cognoscível, no entanto o 
juízo sobre uma coisa não se faz senão em razão que lhe é essencial, por isso uma coisa é 
absolutamente verdadeira,segundo a relação com o intelecto de que depende e ai 
 
7STI q.16, art.1 
 
 
 
 8 
apresenta-se o exemplo da casa e de seu artífice, a casa é verdadeira se assemelha à forma 
que está na mente do artífice, as coisas naturais são verdadeiras na medida em que se 
assemelham às representações que estão na mente divina e conclui Tomás, que a verdade 
está principalmente no intelecto e secundariamente nas coisas enquanto se referem ao 
intelecto e a seu principio. 
Podemos observar que a verdade das coisas que está no intelecto se dá a partir da 
relação e na medida da relação entre “intelecto” e “coisa’, se há uma relação de 
semelhança entre a casa e a forma da casa que está na mente de seu artífice esta é uma casa 
verdadeira e temos uma verdade que é o termo do processo em que coincide-se “coisa”, a 
casa e a “forma” da casa no intelecto do artífice. Quando fala das coisas da natureza, são 
verdadeiras na medida que se assemelham ao que está mente divina, quanto mais por 
relação se aproxima do que está na mente divina, mais se conhece verdadeiramente uma 
coisa, verdade que inclusive revela a condição de existência das coisas que somente é 
possível por estarem na mente divina, aqui postulamos a coincidência de um trinômio: 
“verdade-existência-ser”. 
Mas o doutor Angélico ainda fala que a verdade está principalmente no intelecto e 
secundariamente nas coisas enquanto se referem ao intelecto e a seu principio, por isso 
podemos explorar a questão propondo a tese de que a verdade em última instância que está 
no intelecto é realidade na medida em que se coloca em relação com o objeto, propomos 
que a verdade que está principalmente no intelecto e secundariamente nas coisas pode ser 
compreendida como uma verdade relacional, que se revela na medida em que se dá a 
relação entre intelecto e coisa, sujeito e objeto. 
Com esta proposição não buscamos nos afastar da conclusão tomista, mas 
compreendê-la numa outra perspectiva, visando discutir seja as correntes filosóficas 
modernas e contemporâneas do subjetivismo ou do objetivismo, seja o relativismo e o 
ceticismo, com todas as suas implicações na epistemologia, antropologia e metafísica. 
Parece-me haver espaço suficiente no pensamento tomásico para refletir sobre o conceito 
de “relação”, ainda que no mundo medievo não tenha sido uma preocupação considerável, 
porém pode nos ajudar a enfrentar uma temática tão pertinente e atual que é o tema da 
“relação”. 
 
 
 
 9 
Considerando que a verdade está principalmente no intelecto e secundariamente nas 
coisas enquanto se referem ao intelecto e a seu principio, Tomás entende a razão pela qual 
a verdade é definida de tantas maneiras. 
Recorda Santo Agostinho que no tratado “Da verdadeira religião” entende a 
verdade como “...aquilo pelo qual é manifestado o que é.” E Hilário define o verdadeiro 
como a declaração ou manifestação do ser, para Tomás quando se entende a verdade como 
manifestação do ser, do que é, isso cabe à verdade no intelecto e quanto à verdade da coisa 
ordenada ao intelecto apresenta a definição agostiniana da verdade como perfeita 
semelhança com o princípio, sem nenhuma dessemelhança, Santo Tomás ainda vai se 
apoiar nesta discussão em Santo Anselmo e Avicena. 
A reflexão fica no aspecto da relação entre verdade e ser, quanto ao intelecto é 
manifestação do ser, quanto à coisa é relação de semelhança ou retidão da coisa com a 
mente. E quando se define como “adequação da coisa e do intelecto”, Santo Tomás 
defende que se pode referir tanto quanto ao intelecto, quanto à coisa cognoscível. Aliás, 
nos perguntamos, cognoscível ou conhecida? 
Para Santo Tomás, quando Agostinho fala da verdade da coisa, exclui da razão 
desta verdade a relação com nosso intelecto, pois o que é acidental exclui-se de qualquer 
definição. 
Já os filósofos antigos, afirma Tomás, não faziam proceder as espécies das coisas 
naturais de um intelecto, mas do acaso e como consideravam que o verdadeiro implica uma 
relação com o intelecto, eram obrigados a estabelecer a verdade das coisas em sua relação 
com o intelecto e ai surgiram os problemas levantados por Aristóteles no livro IV da 
Metafísica. Para o Aquinate esses inconvenientes não acontecem se fizermos consistir a 
verdade das coisas na relação com o intelecto divino. Ainda que se questione o problema 
da relação da verdade das coisas em sua relação com o intelecto, Santo Tomás resguarda o 
aspecto relacional, agora referindo-se à relação da verdade das coisas com o intelecto 
divino. 
Na resposta à proposição de que a verdade de nosso intelecto seja causada pela 
coisa, conclui Tomás, que é o ser da coisa, e não a sua verdade, que causa a verdade no 
intelecto, sustentando-se em Aristóteles que diz que uma opinião ou uma palavra é 
verdadeira porque a coisa é, e não porque a coisa é verdadeira. 
 
 
 
 10 
Concluindo esta reflexão da questão segunda do artigo 16 podemos observar que há 
um processo relacional entre o intelecto e a coisa e isso não é algo secundário ou acidental, 
é decisivo e determinante para o conhecimento, por isso Tomás, ainda que discretamente 
afirma, que a verdade está primeiramente no intelecto e secundariamente nas coisas, agora 
o que surge de toda esta reflexão, além da relação entre intelecto e coisa é o problema da 
relação entre “ser” e “verdade”. 
É fundamental compreender que “...é o ser da coisa, e não sua verdade que causa a 
verdade no intelecto.”8 O que significa “causar” a verdade no intelecto? O que significa “o 
ser da coisa” e “a verdade da coisa”? 
Entre o intelecto capaz de conhecer e a coisa cognoscível está o ser? Seria o “ser” o 
que move tanto o intelecto quanto à coisa colocando-os em relação? Tanto para que seja 
possível o intelecto conhecer, e a coisa ser conhecida, é necessário que primeiramente 
emerja o ser, como isso se dá? 
É o ser, tanto quanto o bem em relação ao apetite, que na questão do conhecimento 
atrai? Adequa a coisa ao intelecto, e no intelecto se revela como verdade? Portanto, surgem 
muitas perguntas que nos aguça a perseguir respostas e acompanhados do doutor Angélico, 
prossigamos. 
 
O “ser” desencadeia um movimento da coisa que se adéqua ao intelecto: a relação. 
 
Levantamos como hipótese de pesquisa a consideração de que entre o intelecto que 
conhece e a coisa que é conhecida revela-se o ser e a adequação da coisa ao intelecto se 
torna possível na medida em que a coisa “é”, porém o ser da coisa não apenas possibilita o 
seu conhecimento, mas desencadeia a partir do intelecto que conhece um movimento e a 
esse movimento, chamo relação. 
Por isso compreendemos que a afirmação clássica tomásica de que a verdade é a 
adequação da coisa, do objeto ao intelecto, pode ser compreendida de uma forma que nos 
leve a superar as posições extremas e antagônicas de um subjetivismo que exalta o sujeito 
de forma quase que excludente do objeto ou do objetivismo que transforma o intelecto e os 
sentidos em receptáculos do objeto. 
 
8 idem 
 
 
 
 11 
É evidente que houve na história da filosofia esforços para superar estas dicotomias 
e de forma brilhante, como no pensamento kantiano, na filosofia moderna, ou na 
fenomenologia, no pensamento contemporâneo, porém, observo que na reflexão tomásica 
encontramos recursos para compreender de uma forma nova o processo do conhecimento 
que, evidentemente considere o intelecto do sujeito cognoscente e o objeto como “coisa” 
conhecida e cognoscível, mas que desloque o foco para a relação que se dá entre ambos, de 
forma suficiente para preservar a objetividade da verdade e a apreensão da subjetividade, 
fazendo emergir um conhecimento que, acolhendo a realidade objetiva encontre um 
significado. 
A “coisa”, depois de ter sido conhecida, o que se entende como a objetividade do 
conhecimento da verdade,deve ser “significada”, a verdade da coisa que está no intelecto 
precisa ser exprimida, exteriorizada por aquelas possibilidades humanas derivadas da 
condição racional, como as variadas formas de linguagem, evidentemente que a partir da 
adequação que se deu entre a coisa e o intelecto, para que também seja uma expressão 
verdadeira, mas isso demonstra a importância do aspecto relacional existente entre 
“intelecto” e “coisa. 
Ao discutir no artigo segundo se a verdade está no intelecto que compõe e divide, 
terminologia técnica para designar o ato pelo qual o intelecto humano julga construindo 
uma proposição, na qual um atributo é afirmado de um sujeito, a composição ou negado, a 
divisão; Tomás parte da afirmação aristotélica no tratado “Sobre a alma” de que a 
composição ou a divisão não se encontram nem no sentido nem no intelecto que conhece a 
essência, por isso a verdade não está apenas no ato do intelecto, que compõe e divide, 
retoma a expressão clássica citando Isaac que define a verdade como “adequação da coisa 
e do intelecto”, e defende que tanto entendimento de objetos complexos pode adequar-se às 
coisas, quanto de objetos não complexos, como também o sentido que sente a coisa como 
é. 
Mas Tomás aponta uma problematização levantada por Aristóteles no livro VI da 
Metafísica que, a respeito dos objetos simples e da essência, não há verdade nem no 
intelecto nem nas coisas. É necessário explorar a resposta tomista para compreender tal 
afirmação aristotélica e suas conseqüências. 
Em sua resposta, Santo Tomás insiste na afirmação que a verdade segundo sua 
razão primeira, portanto não excluindo outras aproximações e perspectivas, está no 
 
 
 
 12 
intelecto, fala da necessária semelhança da coisa conhecida no intelecto, que é sua forma 
enquanto é aquele que conhece, define-se a verdade pela conformidade do intelecto e da 
coisa e conhecer tal conformidade é conhecer a verdade. Resguarda-se a questão sobre o 
que é a verdade segundo sua razão primeira? O que é esta razão primeira? Se há razão 
primeira há outras razões que seriam secundárias? 
Estes conceitos de “semelhança” e de “conformidade” poderiam ser entendidos 
como “relação”? Ou é a “semelhança” ou a “conformidade” da coisa com o intelecto que 
estabelece a relação? 
O Aquinate nos ajuda a avançar na busca da compreensão do conceito de relação 
quando diz que esta conformidade, o sentido não a conhece de modo algum, “pois ainda 
que o olho tenha a semelhança do que é visível, não conhece a relação entre a coisa vista e 
o que dela apreende.”9 
Já o intelecto pode conhecer sua conformidade com a coisa inteligível e 
entendemos que isso é possível justamente pela relação que se estabelece entre a coisa, que 
no caso dos sentidos, por exemplo, da visão se vê, e o intelecto, apreende. 
E continua Tomás esclarecendo que não é o fato de conhecer a essência da coisa 
que o intelecto apreende essa conformidade, mas quando julga que a coisa assim é, daí se 
dá o desencadeamento do processo do conhecimento e a dizer o verdadeiro. Novamente 
compreendemos que essa ação do intelecto que julga que a coisa é, e portanto se dá o 
começo do conhecimento é o que entendemos por “relação” e que sem esse momento que é 
o estabelecimento de uma relação explícita entre o intelecto e a coisa que a ele se adequa, 
não se consegue conhecer a verdade. 
Ainda respondendo as objeções do artigo segundo Santo Tomás aprofunda o 
processo do conhecimento e da busca das condições para se chegar a dizer o verdadeiro. 
Por isso afirma que esse processo se faz compondo e dividindo, pois, em qualquer 
proposição, a forma significada pelo predicado, diz Santo Tomás, ou é afirmada da coisa 
significada pelo sujeito, ou então é negada, então, compreende-se que o sentido é 
verdadeiro a respeito de alguma coisa, ou que o intelecto o seja conhecendo a essência, 
mas não que conheça ou diga a verdade. 
 
9 STI q.16, art. 2 
 
 
 
 13 
Então conclui, a verdade pode estar no sentido ou no intelecto que conhece a 
essência, como em uma coisa verdadeira, mas não da mesma maneira como o conhecido se 
encontra naquele que conhece, o que implica o termo verdadeiro. 
Para o Aquinate então, a perfeição do intelecto é o verdadeiro enquanto conhecido 
e por isso a verdade está no intelecto que compõe e divide, não nos sentidos, nem no 
intelecto que conhece a essência. 
Assim chegamos ao núcleo desta questão, o atributo “verdadeiro”, é inicialmente 
da inteligência e quando é afirmado da coisa é por derivação, na medida em que a coisa é 
introduzida pelo ato de conhecer na vida da inteligência, então conhecer é ser o outro, a 
coisa conhecida, então a verdade é uma relação de conformidade da inteligência à coisa e 
esta relação existe primeiramente na inteligência e por derivação na coisa. 
A relação, ainda que de conformidade, da coisa à inteligência é fundamental para o 
processo do conhecimento, se esta relação se dá primariamente na inteligência e apenas por 
derivação na coisa, não me parece algo “acidental” ou secundário, mas crucial para que o 
homem não apenas conheça, mas conheça com “significatividade” o conhecido. 
Quando o estudioso de São Tomás Jean-Hervé Nicolas10, comentando o artigo 16 
em nota na Suma, afirma que a característica de todo conhecimento é o de ser em maior ou 
menor grau, consciente; o que conhece, conhece-se conhecendo e isso somente se dá 
plenamente na inteligência, implica justamente num processo que demonstra a importância 
do aspecto relacional, ainda que o conhecimento culmine no intelecto. 
A inteligência humana conhece a partir do estabelecimento de relações com o 
cognoscível, o intelecto destaca a coisa a si mesma, por abstração, identificando-se com 
ela, mas sem se conhecer ainda como idêntico ao outro, sendo-o somente. Ainda não temos 
aqui a descoberta, o “juízo” quanto à adequação ou conformidade? 
Nesse sentido Santo Tomas compreende que nesse momento do processo 
cognoscente, do ponto de vista da qualificação “verdadeira”, a coisa é ainda uma coisa 
entre outras, sua verdade é de ser o que ela é, um cognoscente em ato de conhecer, 
podemos dizer, um “cognoscente cognoscível”. 
É a partir desse momento que se dá o problema que temos refletido. O 
conhecimento se dá como o ato de conhecer essa identificação com o outro que é conhecer 
o verdadeiro enquanto tal, e não somente ser verdadeiro, entendo que as coisas são e 
 
10 Jean-Hervé Nicolas (1901-2001), professor de Teologia dogmática, sacerdote dominicano de Friburgo. 
 
 
 
 14 
enquanto são, são verdadeiras, mas enquanto não se dá a adequação entre a coisa e o 
intelecto, portanto não são conhecidas, não são verdadeiras enquanto tal. 
Ser verdadeiro, então, não é apenas ser uma coisa entre outras, mas ser somente 
como uma inteligência pode ser, conhecendo-se verdadeiro, conforme à coisa conhecida. 
Não basta ser, não basta ser verdadeiro, é preciso conhecer-se como verdadeiro. 
E ainda no esforço de compreensão do pensamento tomásico, este processo se 
entende no interior da inteligência, não é a inteligência voltando-se para as coisas para 
verificar se as coisas são tais como o intelecto as conhece. 
Todo o processo se dá internamente ao intelecto que toma consciência de sua 
relação com o ser que está inscrito no próprio ato de conhecer, a coisa é conhecida 
enquanto tal, “enquanto sujeito situado diante de quem conhece.” (ST I, q.16, art.2, nota d). 
É muito interessante esse comentário, primeiro porque parece-nos um momento 
crucial, o cognoscível, a “coisa”, a partir da relação consciente do intelecto com o ser 
inscrito no próprio ato de conhecer é conhecida enquanto tal e se revela como sujeito 
“situado”, quando introduzimos essa realidade de “situação”, estamos de certa forma 
afirmando postura, relação, e é o que sucede,a coisa emerge como sujeito diante de quem 
conhece, estabelecendo relação, para ser conhecida. 
O aspecto relacional do conhecimento, ainda que partindo da clássica tese de que a 
verdade é adequação da coisa ao intelecto, é fundamental considerando que o homem 
conhece a partir da abstração do inteligível do sensível, o ser somente se apresenta ao 
homem, de início, imerso no sensível e material, é preciso desvelar o ser e acolher a sua 
verdade, estabelecendo relações e ainda admitindo que mesmo consumando no intelecto, o 
processo cognoscitivo, o mesmo depende da relação que estabelece cognoscente e 
cognoscível, para que tenhamos a coisa conhecida. 
Segundo Mário Bruno Sproviero, criticando o idealismo em sua forma exacerbada, 
que entroniza o “eu” como sujeito absoluto e sujeito absoluto do conhecimento, “...no 
realismo de Tomás, temos o intelecto aberto, cônscio de sua finitude e limitação, aceitando 
a verdade de fora.”11 A verdade deve se apresentar como única e aqui enfrentamos o 
relativismo, mas infinita e transcendente, aqui o dogmatismo e ideologias, por isso todas as 
verdades dependem da “verdade”, mas não dedutíveis a partir de um sistema fechado e 
 
11AQUINO, Santo Tomás. Verdade e conhecimento. 2ªed. São Paulo,SP, Martins Fontes,2011.pág. 91 
 
 
 
 15 
finito, assim compreendemos que o ser finito em relação à verdade deve ter uma atitude de 
abertura ao todo, à revelação do infinito, entendo uma atitude relacional. 
Sendo que o sujeito cognoscente é finito e que ao conhecer, conhece como 
adequação da coisa ao intelecto, deve-se considerar o aspecto da relação. Pois demonstra 
de um lado, a possibilidade e a capacidade do homem de conhecer como um colocar-se 
consciente diante da “coisa”, e de outro, a possibilidade e a capacidade da coisa, existir e 
existindo, ser conhecida e isso somente se dá por uma dinâmica relacional. 
Os conceitos latinos “adequatio”, “relatio”, “ordenatio” devem ser mais explorados, 
e que nos ajudem a compreender melhor e assim argüir de forma mais clara que no 
processo do conhecimento humano é fundamental a relação que se dá entre o sujeito que o 
conhece a coisa que é conhecida. 
 
5. Conclusões 
 
O esforço de compreensão do conceito de relação a partir da tese tomista de que “a 
verdade é a adequação da coisa ao intelecto” somente na questão 16 da primeira parte da 
Suma já se apresenta como algo exaustivo, porém muito intrigante. 
Apenas os artigos primeiro e segundo, já nos oferecem elementos consideráveis 
para um aprofundamento da temática, chegamos a ter condições de afirmar com maior 
serenidade que o aspecto da relação entre o intelecto e a coisa é fundamental para 
compreender o processo do conhecimento e o que é a verdade em Tomás de Aquino. 
Quando Santo Tomás reflete sobre a conversibilidade entre o “verdadeiro e o ente”, 
discutindo com o Filósofo que afirma na Metafísica, Livro II, que é a mesma a ordem das 
coisas no ser e na verdade, em sua resposta o Aquinate diz que da mesma forma que o bem 
tem a razão de ser atrativo, o verdadeiro está ordenado ao conhecimento, na medida em 
que uma coisa participa do ser, nessa mesma medida ela é cognoscível, assim como o bem 
é convertível ao ente, o verdadeiro também o é e assim como o bem acrescenta ao ser a 
razão de ser atrativo, assim também o verdadeiro acrescenta ao ser uma relação com o 
intelecto. 
Eis novamente de forma nobre na resposta tomásica o tema da relação quanto ao 
intelecto, porém se fala do verdadeiro acrescentando ao ser uma relação com o intelecto. 
 
 
 
 16 
Santo Tomás, continuando sua resposta do artigo terceiro, que apresentamos como 
conclusões a essa nossa reflexão, afirma que o verdadeiro que está no intelecto é 
convertível com o ente, como o que manifesta é convertível com o que é manifestado, o 
ente, como o verdadeiro, está nas coisas e no intelecto; ainda que o verdadeiro se encontre 
principalmente no intelecto e o ente principalmente nas coisas e é dessa forma que o 
verdadeiro e o ente se diferem quanto à razão. 
Nos artigos seguintes, podemos encontrar muitos outros elementos, para que a 
compreensão do conceito de relação se aprofunde, Tomás abordará a questão se o bem, 
segundo a razão, é anterior ao verdadeiro, se Deus é a verdade, se todas as coisas são 
verdadeiras em razão de uma única verdade, se a verdade criada é eterna e se a verdade é 
imutável. Evidentemente que são reflexões profundíssimas e que muito esclarecem a nossa 
questão. 
De certa forma, a conclusão que chegamos a partir dessa aproximação temática é da 
necessidade de tratar o aspecto relacional do cognoscente e cognoscível como algo que 
tende a nos trazer novos elementos para a compreensão do conhecimento humano e a partir 
daí de suas implicações na metafísica e também na antropologia, pois o homem que 
conhece é antes de tudo um ser de relações, que estabelece relações, e essa propriedade 
humana, que também encontramos em todos os seres, deve ser mais explorada, pois 
entenderemos melhor os modos de conhecimento, fruto do esforço da consciência, de 
entender a si mesma, mas antes, entender o que lhe circunda e encontrar, desvelar ou dar 
um significado ao que se é, ainda que seja simplesmente pelo fato de “ser”. 
 
 
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