Prévia do material em texto
SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 2. ATEROMA .............................................................................................................. 5 2.1. CLASSIFICAÇÃO DAS CALCIFICAÇÕES .............................................................................................7 2.2. CONFIABILIDADE DA RADIOGRAFIA PANORÂMICA NO DIAGNÓSTICO DE CALCIFICAÇÃO DE ATEROMA .......................................................................................................................................9 2.3. DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DE ATEROMA EM CARÓTIDA POR CIRURGIÃO DENTISTA ........... 11 3. DISCUSSÃO ......................................................................................................... 14 4. CONCLUSÃO ....................................................................................................... 17 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 19 RESUMO Este trabalho versará sobre Ateroma, uma espécie de placa ateromatosas calcificadas resultante do acúmulo de lipídeos e células inflamatórias nas paredes arteriais que formam essas placas que podem levar a doença aterosclerótica, caracterizada pelo estreitamento e enrijecimento progressivo das paredes arteriais que quando afeta as carótidas pode ocasionar o acidente vascular cerebral – AVC. Diante disso, surge a problemática de como detectar presença de ateroma, por isso discutirá sobre qual a responsabilidade do Cirurgião-dentista na visualização de possíveis placas de Ateroma através das radiografias panorâmicas da face. Essas radiografias panorâmicas da face têm se mostrado excelentes ferramentas na detecção precoce de Ateromas, uma vez que, esses achados radiopacos localizados póstero-superiormente ao ângulo da mandíbula, próximo ao osso hióide ao nível da terceira ou quarta vértebras sugerem a presença de ateroma, que está associada, a doenças cardiovasculares. Portanto, este trabalho objetiva-se realizar uma revisão de literatura sobre a importância do cirurgião dentista na detecção precoce do ateroma em radiografias panorâmicas e, consequentemente, na prevenção do AVC. Por isso, o método será de pesquisa descritiva, como a revisão de literatura de artigos na língua inglesa, na base de dados PubMed, publicados entre os anos de 2017 a 2022 pelos descritores especialista na área como Bengtsson (2018), Carasso (2020), Lim (2020) e Markman (2017) dentre outros. Haja vista, que o presente estudo possa contribuir com a comunidade odontológica no diagnóstico e manejo do paciente portador da doença aterosclerótica passível de identificação em radiografias panorâmicas da face. Palavras-chave: Placa Aterosclerótica. Radiografia Panorâmica. Cirurgião-Dentista. Diagnóstico. 4 1. INTRODUÇÃO O LDL (low density lipoprotein) pode se acumular nos vasos sanguíneos formando placas quando seu nível sérico está acima de 200mg/dl (AHMED et al., 2021). O acúmulo de lipídeos e células inflamatórias nas paredes arteriais formam as placas de ateromas, que podem levar a doença aterosclerótica, caracterizada pelo estreitamento e enrijecimento progressivo das paredes arteriais que quando afeta as carótidas pode ocasionar o acidente vascular cerebral - AVC (AKKEMIK et al., 2020). A obesidade, diabetes mellitus, tabagismo, hipertensão e hipercolesterolemia são fatores de risco para aterosclerose (GUSTAFSSON et al., 2020). O processo de calcificação da carótida pode ser justificado pelo aumento do LDL que é susceptível à oxidação em condições de estresse oxidativo, e que resulta no LDL oxidado (LDL-ox) que possui características aterogênicas, ou seja, o estresse oxidativo gera diminuição dos inibidores da calcificação através da secreção de interleucinas e PCR (proteína C-reativa) que associado ao processo inflamatório crônico resulta na diminuição da complacência vascular (SANGHVI et al., 2022). Além disso, o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e o interferon gama (IFN-γ) estimulam o endotélio a expressar osteoprotegerina (OPG), que inibe a maturação e ativação dos osteoclastos (MARINHO et al., 2020). A radiografia panorâmica digital, exame odontológico de rotina, tem se mostrado uma excelente ferramenta na detecção precoce da calcificação das artérias carótidas, através da visualização de achados radiopacos de alta qualidade, localizados póstero-superiormente ao ângulo da mandíbula, próximo ao osso hióide ao nível da terceira ou quarta vértebras (ALSWEED et al., 2019, NASSEH et al., 2018). A identificação desses achados sugere presença de ateromas, e está associado ao risco aumentado de doenças cardiovasculares (AGACAYAK et al., 2020). Nesse contexto, o Cirurgião Dentista pode auxiliar no diagnóstico precoce de calcificações das artérias carótidas, e contribuir para prevenção do AVC (CONSTANTINE et al., 2019; GUSTAFSSON et al., 2019). 5 2. ATEROMA Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura com coleta em artigos científicos sobre achados radiográficos de ateromas por cirurgiões dentistas. É importante aprofundar e atualizar os conhecimentos sobre as calcificações ateromatosas que atingem as artérias carótidas identificadas por meio da utilização de radiografias panorâmicas, porque a presença de ateromas de carótida está associada ao desenvolvimento de acidente vascular encefálico, angina, infarto do miocárdio e morte. (FRIEDLANDER, 2018, p.5) Como a radiografia panorâmica é um dos exames mais utilizados na rotina odontológica, é fundamental evidenciar ateromas calcificados na artéria carótida de pacientes em acompanhamento odontológico, a fim de encaminhá-los a avaliação médica para que outros exames sejam feitos para confirmação de diagnóstico e tratamento adequado. (TORQUATO et al., 2020, p. 3) As Calcificações das Artérias Carótidas (CAC) são percebidas como um procedimento ativado, com regulação através de enzimas que envolve calcificação desordenada e funcionamento do endotélio prejudicado, pois o acumulo de cálcio mineral aderem em regiões onde não deveriam se fixar. Visto que, as lesões distróficas podem acontecer em distintas categorias patológicas, como o desenvolvimento da aterosclerose em artérias. Portanto, em razão disso pode causar uma resposta inflamatória com aparecimento de doenças (AHMED et al., 2021; ALSWEED et al., 2019; SANGHVI et al., 2022). Através de estudo foram identificados fatores que retratam risco para a aterosclerose, o infarto do Miocárdio (IM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC), como a obesidade, diabetes mellitus, tabagismo, hipertensão e hipercolesterolemia também são fatores de risco para aterosclerose (GUSTAFSSON et al., 2020). Esses fatores têm consideração ativa em causas de episódios cerebrovasculares isquêmicos e teor de risco exclusivamente alto, em decorrência na função da inflamação no processo de enfermidade adjacente e dislipidemia (AHMED et al., 2021; FRIEDLANDER et al., 2017; CHANG et al., 2020; LEE et al., 2018; AGACAYAK et al., 2020). Além disso, o processo de calcificação da carótida pode ser justificado pelo aumento do LDL que é suscetível à oxidação quando em condições de estresse 15 no espaço intervertebral entre C3 e C4 e localizada mais ao lado da cartilagem tritíceo ou ao lado do osso hióide. (FIGUEIREDO; ROCHA; MARINHO., 2018) Portanto, pode ocorrer manifestação clínica de ateroma da artéria carótida pode desencadear AVC quando não identificado precocemente. Por isso, estudos foram desenvolvidos no período de 5 anos por Akkemik et al., (2020), para avaliar a proximidade de resultado no valor de referência do diagnóstico em Radiografia Panorâmica Digital (DPR) para detecção CAC confirmada por Ultrassonografia Doppler(DUSG), e obter a relação entre CAC descoberta por DPR e episódios cardiovasculares. Para tanto, foram avaliados 3600 pacientes, desses 158 confirmaram CAC identificado por DPR, sendo que 96 pacientes (60,75%) apresentaram CAC confirmado por DUSG e 62 pacientes (39,24%) apresentou DUSG normal que foram diagnosticados erroneamente como CAC através da DPR, sendo demonstrado que 6 eram cartilagens tritíceas calcificadas, 6 eram linfonodos calcificados comprovados por DUSG, e 50 pacientes em que a etiologia não era clara. Assim, no resultado encontrado do estudo revela que 72 (75%) dos 96 pacientes apresentaram CAC bilateral confirmado por DUSG e 24 (25%) apresentaram CAC unilateral confirmado por DUSG. Para concluir esse estudo Akkemik et al., (2020) afirma que indivíduos com CAC identificados através de DPR que possuam doenças sistêmicas comprometidas, tabagismo ou hipertensão diastólica possuem uma maior probabilidade de sofrer eventos vasculares futuros. Deste modo, indivíduos com placa carotídea identificada através da DPR precisam de condução para um ambulatório de cirurgia cardiovascular para averiguações complementares (AKKEMIK et al., 2020). Todos esses estudos foram realizados pela radiografia panorâmica, sendo o exame mais solicitado pelos dentistas, para realizar e avaliar através da visualização geral, as estruturas do complexo maxilo-mandibular. Além de evidenciar uma visão global dessas estruturas, as panorâmicas também podem identificar alterações não diretamente relacionadas com a Odontologia, o que amplia ainda mais a sua utilidade. (TUÑAS et al., 2012). É fundamental que o cirurgião-dentista saiba diferenciar os ateromas calcificados das demais estruturas radiopacas que podem ser visualizadas na região cervical, pois, a radiografia panorâmica é um exame realizado rotineiramente na 16 prática odontológica e, por abranger a região da bifurcação da artéria carótida, não sendo palpável por se encontrar no interior de um vaso. (NARIMATSU et al., 2018). No entanto, esta técnica radiográfica tem se mostrado extremamente útil para avaliação de pacientes com calcificações nessa região, em especial aqueles que são assintomáticos. Tanto o ateroma quanto a cartilagem tritícea calcificada apresentam imagens radiográficas semelhantes em uma radiografia panorâmica de rotina, uma vez que se observa como massas nodulares radiopacas ou como duas linhas verticais radiopacas inferiormente (1,5-4 cm abaixo do ângulo da mandíbula) e adjacente ao espaço intervertebral das vértebras C3 e C4. Desta forma, faz- se necessário uma nova imagem radiográfica anteroposterior do paciente como uma forma de reduzir a probabilidade de se obter erroneamente um diagnóstico, promovendo um prognóstico adequado para as condições encontradas (SILVA et al., 2012, p. 1). Os autores estudados para construção da revisão de literatura, todos concordam sobre a utilidade das radiografias panorâmicas como exame de imagem, que dá possibilidade de visualizar os ateromas como achados em radiografias panorâmicas que deve ser levada em consideração. “Vale enfatizar, que o dentista clínico pode identificar o ateroma de carótida e tem papel fundamental no encaminhamento dos pacientes para tratamento médico prevenindo possíveis complicações.” (TUÑAS et al., 2012, p. 2). 17 4. CONCLUSÃO O presente estudo buscou realizar uma revisão de literatura sobre a importância de o cirurgião dentista usar uma radiografia panorâmica para auxiliar no diagnóstico clínico odontológico, porém, pode ocorrer uma detecção precoce do ateroma nesse tipo de radiografias e, consequentemente, ajuda na prevenção do AVC. Para tanto, esses profissionais usam esse tipo de radiografia por ser de baixo custo, e tem baixa dose de radiação, continua sendo o exame mais solicitado pelo cirurgião dentista por ser mais eficiente em identificar presença de imagens radiopacas na região do pescoço. Visto, que o cirurgião-dentista passou a ter um papel fundamental no possível diagnóstico precoce de ateromas calcificados em artéria carótida visualizadas por meio de radiografia panorâmica. Ou seja, quando há suspeita da presença de ateromas calcificados em artéria carótida, requer encaminhamento do paciente para o Cardiologista e/ou cirurgião cardiovascular para uma investigação mais adequada. O diagnóstico inicial de uma condição patológica ou de uma variação da normalidade é de suma importância para prevenir ou descartar a ocorrência de qualquer doença encéfalo vascular. No entanto, vale ressaltar, que não é possível distinguir entre ateroma e a calcificação da cartilagem tritícea vista pela radiografia panorâmica, devido a imagem de ambas terem as mesmas características radiográficas, radiopacas, por isso, devem-se utilizar outros recursos de imagem, como a radiografia AP de Towne modificada para se estabelecer o diagnóstico final ou uma realização de uma ultrassonografia de Doppler para identificar a presença da placa ateromatosa no interior da artéria carótida. Diante disso, é importante saber que a calcificação é um fenômeno bioquímico que ocorre normalmente em todo o organismo humano pela deposição de sais de cálcio, principalmente o fosfato de cálcio. No entanto, devido a modificações no metabolismo celular, podem ocorrer calcificações consideradas patológicas. Apesar dos exames radiográficos proporcionarem uma riqueza de detalhes, os cirurgiões dentistas ainda encontram dificuldades em discriminá-las, e eles tem necessidade de entender essas diferenças radiográficas e alcançar o diagnóstico preciso das calcificações em tecidos moles, é a real importância para a Odontologia 18 para obter precisão na diagnose. Haja vista, que as radiografias panorâmicas auxiliam o cirurgião-dentista a entender essas diferenças radiográficas, tendo em vista a dificuldade encontrada em diferenciá-las e obter retidão no diagnóstico. Essas radiografias é uma técnica simples, rápida e de fácil execução que proporciona uma visão geral das estruturas bucomaxilofaciais. Ajuda na prática clínica odontológica exprimindo um desafio no diagnóstico correto dessa lesão pela radiografia panorâmica adequada a conduta em relação ao paciente. Assim sendo, o dentista clínico pode identificar o ateroma de carótida e é fundamental no encaminhamento dos pacientes para tratamento médico especialista para prevenir possíveis complicações. Para concluir, é visto, que o principal fator que diferencia os profissionais da saúde é a obtenção de diagnósticos cada vez mais precisos. E na área odontológica o exame radiográfico é usado para localizar patologias, como lesões cariosas, lesões apicais na raiz do elemento dentário para avaliação ortodôntica e planejamento pré-operatório, exames que se complementam com o exame clínico na cadeira odontológica. Portanto, a radiografia panorâmica tem a função de obter a imagem total dos dentes em um único exame radiográfico sendo este um exame mais rápido, completo e mais seguro ao paciente podendo elaborar um diagnóstico seguro e eficaz de todas as alterações por ventura encontradas. Pois, este exame tem importância na visualização de um ateroma, e ao detectar esses ateromas de carótida, antecipa o tratamento do paciente reduzindo os riscos de morbidade e de sua mortalidade. 19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABCMED, 2021. Ateromas - conceito, causas, características, diagnóstico, tratamento, prevenção. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas- e-doencas/1390140/ateromas-conceito-causas-caracteristicas-diagnostico- tratamento-prevencao.htm>. Acesso em: 9 set. 2022. AGACAYAK, K. S.; GULER, R.; KARATAS, P. S. Relation Between the Incidence of Carotid Artery Calcification and Systemic Diseases. Clin Interv Aging. Auckland, v.3, n.15, p.821-826, 2020. pdf. Disponível em:https://doi.org/10.2147/CIA.S256588. Acesso em: 03 set. 2022. AGUILAR, J., DOMÍNGUEZ A., GUAMAN, G., & MEDINA-Sotomayor, P. (2019). Mineralización de tejidos blandos en radiografías panorámicas. Odovtos International Journal of Dental Sciences, v. 21(3):127-136. AHMED, M. et al. Carotid Artery Calcification: What We Know So Far. Cureus. San Francisco, v.13, n.10, p.1-12, 2021. pdf. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.7759/cureus. Acesso em: 03 set. 2022. AKKEMIK, O. et al. A 5 years follow-up for ischemic cardiac outcomes in patients with carotid artery calcification on panoramic radiographs confirmed by doppler ultrasonography in Turkish population. Dentomaxillofac Radiol. Londres, v.49, n.4, p.1-10, 2020. pdf. Disponível em: https://doi.org/10.1259/dmfr.20190440. Acesso em: 06 abr. 2022. ALSWEED, A. et al. The Prevalence and Correlation of Carotid Artery Calcifications and Dental Pulp Stones in a Saudi Arabian Population. Diseases. Basileia, v.7, n.3, p. 1-10, 2019. pdf. Disponível em: https://doi.org/10.3390/diseases7030050. Acesso em: 06 abr. 2022. BAYRAM B. Digital Panoramic Radiography: A Reliable Method to Diagnose Carotid Artery Atheromas? Dentomaxillofacial Radiology, (2006) V35, 266-270. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1259/dmfr/50195822. Acesso em: 03 set 2020 BEAINI, T. L. ; DIAS, P. E. M. ; MELANI, R. F. H. Dry skull positioning device for extraoral radiology and cone-beam CT. International Journal of Legal Medicine. São Paulo, 128(1), 235–241, 4 de maio de 2013. BENGTSSON VW, PERSSON G R, BERGLUND J, RENVERT S. Carotid calcifications in panoramic radiographs are associated with future stroke or ischemic heart diseases: a long-term follow-up study. Clin Oral Invest. 2018. v23, p. 1171- 1179. BOTELHO, Thyago de Sousa; et al. Epidemiologia do acidente vascular cerebral no Brasil. Temas em Saúde. v.16, n.2, p. 361-377. 2016. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/bitstream/anima/24173/1/tcc- conclu%c3%8ddo.pdf. Acesso em: 03 set 2020