Prévia do material em texto
Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 1 Roteiro de aulas teóricas Microbiologia Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 2 INTRODUÇÃO À MICROBIOLOGIA Microbiologia: Mikros (= pequeno) + Bio (= vida) + logos (= ciência) A Microbiologia é o ramo da biologia que estuda os seres vivos microscópicos nos seus mais variados aspectos como morfologia, fisiologia, reprodução, genética, taxonomia e também interação com outros seres e o meio ambiente. Com base neste conceito a microbiologia envolve o estudo de organismos procariotos (bactérias, archaeas), eucariotos inferiores (algas, protozoários, fungos) e também os vírus. Muito embora a microbiologia seja uma ciência relativamente nova, desenvolvida nos últimos 100 anos, ela é considerada de importância por duas razões principais: � Os micro-organismos são os seres vivos ideais para estudo dos fenômenos biológicos e excelentes instrumentos para compreender a biologia molecular das células; � Muitos problemas ou transformações importantes da sociedade humana são conseqüência da atividade dos micro-organismos. Por esses motivos, a microbiologia interessa a vários campos da biologia e das ciências da saúde. A participação importante dos micro-organismos em quase todos os campos da atividade humana promovendo benefícios e poucas vezes, prejuízos, qualquer pessoa deve se interessar e familiarizar-se com os micro-organismos, suas propriedades e atividades. Surgimento da microbiologia A microbiologia nasceu da especulação do homem sobre a origem da vida, sobre as fontes das doenças epidêmicas e transmissíveis, da putrefação da matéria e processos de fermentação. Esta área do conhecimento teve seu início com os relatos de Robert Hooke e Antony van Leeuwenhoek, que desenvolveram microscópios que possibilitaram as primeiras observações de bactérias e outros micro-organismos, além de diversos espécimes biológicos. Classificação dos seres vivos • Século XVIII: existência de 2 reinos: Linnaeus: Animal e Vegetal. • 1866: Haeckel sugeriu a criação de um terceiro reino, denominado Protista, englobando as bactérias, algas, os fungos e protozoários. Esta classificação mostrou-se satisfatória até que estudos mais avançados sobre ultra-estrutura celular demonstraram duas categorias de célula: PROCARIÓTICA E EUCARIÓTICA. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 3 PROCARIÓTICA: O material nuclear representado por um único cromossomo não é envolto pela membrana nuclear. EUCARIÓTICA: O material nuclear representado por vários cromossomos é envolto pela membrana nuclear. Características Célula Procariótica Célula Eucariótica Tamanho 1 a 2 µm por 1 a 4 µm acima de 5 mm de largura ou diâmetro Número de cromossomos 1, circular mais de 1, lineares Membrana nuclear ausente presente Aparelho mitótico ausente presente Mitocôndrias ausente presente Cloroplastos ausente presente Aparelho de Golgi ausente presente Retículo endoplasmático ausente presente Lisossomos ausente presente Ribossomos 70 S, distribuídos no citoplasma 80 S, ligados a membrana Membrana citoplasmática sem esteróides com esteróides Peptideoglicano presente ausente • 1969: Wittaker propôs a expansão da classificação de Haeckel, baseando não só na organização celular, mas também na forma de obter energia e alimento: Reino Plantae, Reino Animalia, Reino Fungi, Reino Protista e Reino Monera. • 1979: Woese propõe uma nova classificação para os seres vivos baseado principalmente em aspectos evolutivos a partir da comparação das sequências de RNA ribossomal de diferentes organismos. Os organismos agora são divididos em três supra-reinos que contêm os 5 reinos anteriores. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 4 � Supra-reino Archaea (arquibactérias): são organismos procariotos que, freqüentemente são encontrados em ambientes cujas condições são bastante extremas (semelhantes às condições ambientais primordiais na Terra), sendo por isso, muitas vezes considerados como sendo “ancestrais” das bactérias. No entanto, hoje em dia considera-se as archaeas como um grupo “intermediário” entre procariotos e eucariotos. Muitos destes organismos são anaeróbios, vivendo em locais "inabitáveis" para os padrões humanos - fontes termais (com temperaturas acima de 100°C), águas com elevadíssimos teores de sal (até 5M de NaCl - limite de dissolução do NaCl), em solos e águas extremamente ácidos ou alcalinos (espécies que vivem em pH 0, outras em pH 10) e muitas são metanogênicas. Genericamente, podemos dizer que as Archaeas definem os limites da tolerância biológica às condições ambientais. � Supra-reino Bactéria (Eubactéria): Corresponde a um enorme grupo de procariotos, anteriormente classificados como eubactérias, representadas pelos organismos patogênicos ao homem, e bactérias encontradas nas águas, solos, ambientes em geral. Dentre estas, temos as bactérias fotossintetizantes (cianobactérias) e outras quimiossintetizantes, enquanto outras utilizam apenas substratos inorgânicos para seu desenvolvimento. � Supra-reino Eukarya (Eucarioto): No âmbito microbiológico, compreende as algas, protozoários e fungos (além das plantas e animais). As algas caracterizam-se por apresentarem clorofila (além de outros pigmentos), sendo encontradas basicamente nos solos e águas. Os protozoários correspondem a células eucarióticas, apigmentados, geralmente móveis e sem parede celular, nutrindo-se por ingestão e podendo ser saprófitas ou parasitas. Os fungos são também células sem clorofila, apresentando parede celular, realizando metabolismo heterotrófico, nutrindo-se por absorção. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 5 MORFOLOGIA E ESTRUTURA DA CÉLULA BACTERIANA MORFOLOGIA BACTERIANA As células bacterianas são caracterizadas morfologicamente pelo seu tamanho, forma e arranjo. 1) Tamanho - variam de 0,3 por 0,8 µm até 10 por 25 µm. - as espécies de maior interesse médico medem entre 0,5 a 1,0 µm por 2 a 5 µm. 2) Forma e arranjo Em relação às formas, a maioria das bactérias estudadas segue um padrão menos variável, embora existam vários tipos morfológicos distintos. De maneira geral, as bactérias podem ser agrupadas em três tipos morfológicos gerais: cocos, bacilos e espiralados. 2.1) Cocos (esféricos): grupo mais homogêneo em relação a tamanho sendo células menores (0,8-1,0 µm). Os cocos tomam denominações diferentes de acordo com o seu arranjo: � Diplococos: cocos agrupados aos pares. Ex: Neisseria meningitides (meningococo). � Tétrades: agrupamentos de quatro cocos. � Sarcina: agrupamentos de oito cocos em forma cúbica. � Estreptococos: cocos agrupados em cadeias. Ex: Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Streptococcus mutans. � Estafilococos: cocos em grupos irregulares, lembrando cachos de uva. Ex: Staphylococcus aureus. 2.2) Bacilo: são células cilíndricas, em forma de bastonetes que apresentam grande variação na forma e tamanho entre gêneros e espécies. Dentro da mesma espécie os bacilos são relativamente constantes sob condições normais de crescimento, podendo variar em tamanho e espessura (longos e delgados, pequenos e grossos, extremidade reta, convexa ou arredondada). Quanto ao arranjo podem variar em: � Diplobacilo: bastonetes agrupados aos pares. � Estreptobacilos: bastonetes agrupados em cadeias. � Paliçada: bastonetes alinhados lado a lado como palitos de fósforo. Ex: bacilo da difteria. 2.3) Formas helicoidais ou espiraladas: constituem o terceiro grupo morfológico sendo caracterizada por células de forma espiral que se dividem em: � Espirilos: possuem corpo rígido e apresentam geralmente morfologia em espiral incompleta. Ex: Aquaspirillium � Espiroquetas: São flexíveis e apresentam corpo mais espiralado. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasilde Oliveira 6 Ex: Treponema pallidum, Treponema denticola. Além desses três tipos morfológicos, existem algumas formas de transição. Quando os bacilos são muito curtos, podem se assemelhar aos cocos, sendo então chamados de cocobacilos (Ex: Brucella melitensis). Quando as formas espiraladas são muito curtas, assumindo a forma de vírgula, eles são chamados de vibrião (Ex: Vibrio cholerae). ESTRUTURA BACTERIANA A célula bacteriana apresenta várias estruturas. Algumas delas estão presentes apenas em determinadas espécies, enquanto outras são essenciais e estão presentes em todas as bactérias. Na figura abaixo estão representadas esquematicamente diversas estruturas bacterianas que serão comentadas a seguir: Flagelos Flagelos são organelas especiais de locomoção, constituídas por uma estrutura protéica denominada flagelina, formando longos filamentos delgados e ondulados de 3-12 µm que partem do corpo da bactéria e se estendem externamente à parede celular. Um flagelo tem três partes: o corpo basal (estrutura composta por vários anéis que ancora o flagelo à membrana citoplasmática), uma estrutura curta em forma de gancho e um longo filamento helicoidal. O flagelo propulsiona a bactéria através do líquido podendo chegar a 100 µm por segundo (o equivalente a 3000 vezes o seu comprimento por minuto). As bactérias recebem denominações especiais de acordo com a distribuição dos flagelos: atríquias (sem flagelo); monotríquias (um único flagelo em uma das extremidades); anfitríquias Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 7 (um flagelo em cada extremidade); lofotríquias (tufo de flagelos em uma extremidade); anfilofotríquias (tufo de flagelos em mais de uma extremidade) e peritríquias (flagelos em toda superfície). Fímbrias, pêlos ou “pili” As fímbrias são organelas filamentosas mais curtas e delicadas que os flagelos, constituídas por uma proteína chamada pilina e presentes em muitas bactérias (especialmente Gram negativas). Não desempenham nenhum papel relativo a mobilidade pois são encontradas tanto em espécies móveis como nas imóveis. Sua função parece estar relacionada com a troca de material genético durante a conjugação bacteriana (fímbria sexual), e também com a aderência às superfícies mucosas. Cápsula É uma camada fina ligada externamente à parede celular que constitui uma forma de proteção da bactéria contra as condições externas desfavoráveis. A cápsula está relacionada com a virulência da bactéria, pois confere resistência à fagocitose, de modo que, em uma mesma espécie, as amostras capsuladas são mais virulentas que as não capsuladas. Parede celular A parede celular bacteriana é uma estrutura rígida que recobre a membrana citoplasmática e confere forma às bactérias. Ela é constituída por ácido diaminopimérico (DPA), ácido murâmico e ácido teicóico além de aminoácidos, carboidratos e lipídeos. Uma macromolécula complexa denominada peptideoglicano (também chamada de mucopeptídeo ou mureína) forma a estrutura rígida da parede. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 8 Além disso, a parede celular protege a célula, mantém a pressão osmótica intrabacteriana, impedindo o rompimento da célula devido à entrada de água, e funciona como suporte de antígenos somáticos bacterianos. A divisão das bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, de acordo com sua resposta à coloração de Gram é decorrente das diferenças na composição e estrutura da parede celular. Gram-positivas: possuem uma quantidade maior de peptideoglicano (90%) em sua parede celular, o que torna a parede dessas bactérias mais espessa e rígida do que a das bactérias Gram-negativas. Gram-negativas: a parede celular dessas bactérias é menos espessa e elas são mais complexas do que as Gram-positivas por apresentarem uma membrana externa cobrindo a fina camada de peptideoglicano. A membrana externa é o que distingue as bactérias Gram- negativas, servindo como uma barreira seletiva para a entrada e saída de algumas substâncias da célula. O método de Gram consiste, essencialmente, no tratamento sucessivo de um esfregaço bacteriano, fixado pelo calor, com os seguintes reagentes: cristal violeta, lugol, álcool e fucscina. Toda bactéria, quer seja Gram-positiva ou Gram-negativa, absorve de maneira idêntica o cristal violeta e o lugol, adquirindo a cor roxa devido ao complexo formado pelas duas substâncias no citoplasma da célula. Entretanto ao serem tratadas pelo álcool, apresentam comportamentos diferentes: as Gram-positivas não se deixam descorar pelo álcool, enquanto as Gram-negativas o fazem sem qualquer dificuldade. Dessa forma, as bactérias Gram-positivas mantêm a cor roxa do complexo cristal violeta-lugol e as Gram-negativas, que o perderam, tornam-se descoradas. Ao receber a fucsina, somente as bactérias Gram-negativas se coram, adquirindo a cor avermelhada do corante. Membrana Citoplasmática A membrana citoplasmática separa a parede celular do citoplasma. É constituída principalmente de lipídios e proteínas, e forma uma barreira responsável pela separação do meio interno (citoplasma) e externo da célula. Ela difere da membrana citoplasmática das células eucarióticas por: Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 9 - não apresentar esteróides em sua composição; - ser sede de numerosas enzimas do metabolismo respiratório (mesmas funções das cristas mitocondriais). Estruturas Celulares Internas Citoplasma: é uma solução aquosa limitada pela membrana plasmática. Em qualquer célula, o citoplasma tem em torno de 80% de água, ácidos nucléicos, proteínas, carboidratos, lipídios, íons inorgânicos, compostos de baixo peso molecular e partículas com várias funções. Esse fluido denso é o sítio de muitas reações químicas. Ribossomos: Partículas citoplasmáticas responsáveis pela síntese protéica. Em procariotos possuem coeficiente de sedimentação de 70S sendo compostos por duas subunidades 30S e 50S. Grânulos de reserva: as células procarióticas podem acumular substâncias sob a forma de grânulos de reserva, constituídos de polímeros insolúveis. São comuns polímeros de glicose, fosfato inorgânico e lipídios. Nucleóide ou DNA bacteriano: as bactérias apresentam um cromossomo circular constituído por uma única molécula de DNA não delimitado por membrana nuclear. O cromossomo bacteriano contém todas as informações necessárias à sobrevivência da célula e é capaz de autoduplicação. Plasmídeo: algumas bactérias possuem moléculas menores de DNA circular cujos genes não determinam características essenciais, porém, muitas vezes conferem vantagens seletivas às bactérias que as possuem. Essas moléculas chamadas plasmídeos são capazes de autoduplicação independente da replicação do cromossomo, e podem existir em número variável na célula bacteriana. Esporos: Os esporos que se formam dentro da célula, chamados endosporos, são exclusivos das bactérias (principalmente as pertencentes ao gênero Bacillus e Clostridium). Eles possuem parede celular espessa, são altamente resistentes a agentes físicos (radiação, desidratação e aquecimento) e químicos (antisépticos) devido a sua parede ou capa impermeável composta de ácido dipicolínico. Os esporos surgem quando a célula bacteriana não se encontra em um meio ideal para o seu desenvolvimento. A bactéria produtora pode crescer e multiplicar-se por muitas gerações como células vegetativas. Em alguma etapa do desenvolvimento, em ambiente com exaustão de fontes de carbono e nitrogênio ou completa falta de nutrição, ocorre no interior do citoplasma vegetativo a síntese do esporo (sua formação leva por volta de 6 horas). Os esporos têm pouca atividade metabólica, podendo permanecer latentes por longos períodos, representando uma forma de sobrevivência e não de reprodução. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 10 FISIOLOGIA BACTERIANANUTRIÇÃO A análise das estruturas bacterianas revela que sua arquitetura é formada por diferentes macromoléculas, em particular, proteínas e ácidos nucléicos. Os precursores das macromoléculas podem ser retirados do meio ambiente ou ser sintetizados pelas bactérias a partir de compostos mais simples. A alternativa escolhida vai depender da disponibilidade do composto no meio e da capacidade de síntese do micro-organismo. As substâncias ou elementos retirados do ambiente e usados para construir novos componentes celulares ou para obter energia são chamados nutrientes. Os nutrientes podem ser divididos em duas classes: macronutrientes e micronutrientes. Ambos os tipos são imprescindíveis, mas os primeiros são requeridos em grandes quantidades por serem os principais constituintes dos compostos orgânicos celulares e / ou serem utilizados como combustível. Além destes elementos a célula bacteriana precisa de fatores de crescimento, água e oxigênio. Macronutrientes � Carbono: está presente na maioria das substâncias que compõem as células. As bactérias podem utilizar o carbono inorgânico existente no ambiente, na forma de carbonatos ou de CO2 como única fonte de carbono. São neste caso chamadas de autotróficas. Os micro-organismos que obrigatoriamente requerem uma fonte orgânica de carbono são denominados heterotróficos e as principais fontes, são os carboidratos. � Nitrogênio: é componente de proteínas e ácidos nucléicos, além de vitaminas e outros compostos celulares. Está disponível na natureza sob a forma de gás (N2) ou na forma combinada. Sua utilização como N2 é restrita a um grupo de bactérias cujo principal habitat é o solo. Na forma combinada, o nitrogênio é encontrado como matéria inorgânica (NH3, NO3 -, etc.) ou matéria orgânica: aminoácidos, purinas e pirimidinas. � Enxofre: faz parte de aminoácidos (cisteína e metionina), de vitaminas e grupos prostéticos de várias proteínas importantes em reações de óxido-redução. Da mesma forma que o nitrogênio, o enxofre pode ser encontrado no ambiente nas formas elementar, oxidada e reduzida; estas duas últimas aparecem como compostos orgânicos e inorgânicos. � Fósforo: é encontrado na célula na forma combinada a moléculas importantes como os nucleotídeos (ATP, CTP, GTP, UTP, TTP) e como fosfato inorgânico; nesta última forma é incorporado através de poucas reações metabólicas, embora uma delas seja de fundamental importância: a síntese de ATP a partir de ADP e fosfato. As substâncias fosforiladas podem estar envolvidas com o armazenamento de energia (como o ATP) ou atuar como reguladoras de processos metabólicos: muitas enzimas tornam-se ativas ao serem fosforiladas. Micronutrientes Os elementos ferro, magnésio, manganês, cálcio, zinco, potássio, sódio, cobre, cloro, cobalto, molibdênio, selênio e outros são encontrados sempre na forma inorgânica, fazendo parte de Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 11 minerais. São necessários ao desenvolvimento microbiano, mas em quantidades variáveis, dependendo do elemento e do micro-organismo considerados. Os micronutrientes podem atuar de diferentes maneiras, incluindo as seguintes funções principais: � Componentes de proteínas, como o ferro que participa da composição de várias proteínas enzimáticas ou não, de citocromos, etc.; � Cofatores de enzimas, como o magnésio, potássio, molibdênio, etc. � Componentes de estruturas, como o cálcio, presente em um dos envoltórios dos esporos; Fatores de crescimento São compostos orgânicos indispensáveis a um determinado micro-organismo, mas que ele não consegue sintetizar. Estes fatores devem estar, portanto presentes no meio para que o micro-organismo possa crescer. Muitos desses fatores são vitaminas, em especial do complexo B; outras vezes são aminoácidos, nucleotídeos e ácidos graxos. Quando um micro-organismo exige um determinado fator, seu crescimento será limitado pela quantidade do fator presente no meio. Água A água não constitui um nutriente, mas é absolutamente indispensável para o crescimento. As bactérias se nutrem pela passagem de substâncias em solução através da membrana citoplasmática. Oxigênio atmosférico Como a água o oxigênio atmosférico não é um nutriente e funciona apenas como receptor de hidrogênio nos processos de respiração. As bactérias têm comportamentos diferentes na presença de O2 livre: � Aeróbias: exigem a presença de oxigênio livre; � Microaerófilas: exigem a presença de O2 em pequena quantidade; � Anaeróbias estritas: não toleram a presença de O2 livre, morrendo rapidamente nessas condições. � Anaeróbias facultativas: podem crescer tanto na presença como na ausência de O2. CONDIÇÕES DE CULTIVO Para se cultivar micro-organismos deve-se obedecer a requisitos básicos obrigatórios, quais sejam incubá-los em meios de cultura adequados e incubá-los em condições ambientais igualmente adequadas. Um inóculo é uma amostra de material contendo geralmente uma pequena quantidade de micro-organismos. Obedecidas as condições citadas, os micro-organismos contidos no inóculo multiplicam-se, aumentando em número e massa e, com isto, atingindo o objetivo desejado. Meios de Cultura Meio de cultura é uma mistura de nutrientes necessários ao crescimento microbiano. Basicamente deve conter a fonte de energia e de todos os elementos imprescindíveis à vida das células. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 12 � A formulação de um meio de cultura deve levar em conta o tipo nutritivo no qual o micro- organismo pertence, considerando-se a fonte de energia (luz ou substância química), o substrato doador de elétrons (orgânico ou inorgânico) e a fonte de carbono (orgânica ou inorgânica). Estabelecidas as condições gerais, o meio de cultura deve ainda atender as necessidades específicas do grupo, da família, do gênero ou da espécie que se deseja cultivar. Assim, é imprescindível acrescentar ao meio vitaminas, cofatores, aminoácidos, etc., quando estes compostos não são sintetizados pelos micro-organismos que se deseja cultivar. � Além da composição qualitativa, o meio de cultura deve obedecer aos limites de quantidade de cada componente suportáveis pelos micro-organismos. Muitas vezes o meio de cultura deve conter substâncias para neutralizar a ação de produtos tóxicos lançados pelos próprios micro-organismos, que sofrem os efeitos de seu acúmulo. Um exemplo rotineiro é adição de tampões para impedir a queda de pH provocada pelos ácidos orgânicos produzidos por fermentação bacteriana. Os meios podem ser líquidos, quando são uma solução aquosa de nutrientes, ou sólidos, quando a solução aquosa é gelificada por um polissacarídeo extraído de algas, o ágar. Geralmente as bactérias têm maior facilidade de iniciar seu crescimento no meio líquido. O meio sólido é obrigatoriamente usado quando se pretende separar células. Cada célula individualizada ou agrupamento isolado dá origem, por multiplicação, a um aglomerado que constitui uma colônia. Colônias de diferentes espécies geralmente apresentam características morfológicas diferentes. � Os meios de cultura podem ser seletivos, quando contêm uma substância que inibe o crescimento de um determinado grupo de micro-organismos, mas permite o desenvolvimento de outros. � Meios diferenciais são aqueles que conferem características especiais às colônias que, em condições normais, seriam idênticas. INFLUÊNCIA DE FATORES AMBIENTAIS NA NUTRIÇÃO A tomada de nutrientes e posterior metabolismo são influenciados por fatores físicos e químicos do meio ambiente. Os principais fatores são: temperatura, pH, presença de enzimas. Temperatura Cada tipo de bactéria apresenta uma temperatura ótima para absorção de nutrientes que está intimamente relacionado ao crescimento e ao desenvolvimento das culturas. As variações quanto ao requerimento térmico permite classificar as bactérias segundo a temperaturaótima para o seu crescimento, em: � psicrófilas: crescem e absorvem melhor os nutrientes entre 0 e 18º C. � mesófilas: entre 25 e 40ºC. � termófilas: 50 e 80ºC. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 13 Embora grupos excêntricos, que necessitam de altas temperaturas para o seu crescimento, a maioria concentra-se no grupo de mesófilas, principalmente as de interesse médico, veterinário e agronômico. pH Os valores de pH em torno da neutralidade são os mais adequados para absorção de alimentos para a grande maioria das bactérias. Existem, no entanto, grupos adaptados a viver em ambientes ácidos e alcalinos. Exoenzimas A seletividade da membrana citoplasmática impede que macromoléculas como proteínas, amido, celulose e lipídeos sejam transportadas para o interior da célula. Para essas moléculas serem utilizadas pelos micro-organismos, é necessário quebrá-las, dando origem a compostos menores, aos quais as membranas são permeáveis. A quebra das moléculas é promovida por enzimas hidrolíticas, denominadas exoenzimas por atuarem fora da membrana citoplasmática. As exoenzimas constituem um fator de virulência, uma vez que podem hidrolisar componentes estruturais de tecidos, conferindo ao micro-organismo capacidade invasora e de permanência em outros organismos vivos. Além de estarem associadas à nutrição dos micro-organismos, as exoenzimas podem contribuir para a sua sobrevivência, uma vez que catalisam a hidrólise de substâncias que lhes são tóxicas ou mesmo letais. METABOLISMO BACTERIANO Uma vez garantidos pelo ambiente os nutrientes e as condições adequadas para assimilá-los, as bactérias vão absorvê-los e transformá-los para que cumpram suas funções básicas, quais sejam, o suprimento de energia e de matéria prima. Como matéria-prima, os nutrientes vão ser transformados em estruturas celulares ou em moléculas acessórias à sua síntese e funcionamento. Obtenção de energia Grande parte das bactérias (exceção às fotossintetizantes) vai obter toda energia de que necessita por oxidação de substâncias com alto valor energético. As substâncias preferencialmente oxidadas por micro-organismos são os açúcares, seguidos de proteínas, peptídios e, mais raramente, as gorduras. As bactérias utilizam energia para o transporte de nutrientes, o movimento dos flagelos, mas, sobretudo para as biossínteses. Fermentação Metabolismo no qual os compostos orgânicos servem como doadores e receptores de elétrons (hidrogênio). A fermentação conduz, geralmente, à cisão parcial de moléculas de glicose (glicólise). Conceito antigo (clássico): decomposição microbiana de carboidratos na ausência de oxigênio. Dentre os vários tipos de fermentação, pode-se citar: Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 14 Fermentação homolática: produção de ácido lático como produto final. Fermentação alcoólica: produção de álcool como produto final. Fermentação mista: produção de álcool, ácido e gás. Fermentação butileno-glicólica: produção do butileno glicol (não ácido) como produto final. Putrefação Decomposição de compostos nitrogenados (proteínas), utilizando-se de substância orgânica como aceptor-doador de elétrons. É um tipo de fermentação que produz produtos finais de odor desagradável: indol, escatol, ácido sulfídrico. Respiração Decomposição microbiana de substratos cujo receptor de hidrogênio é o oxigênio. Na respiração ocorrem as seguintes etapas: a) Ciclo de Krebs; b) Cadeia transportadora de elétrons; c) Fosforilação oxidativa. CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO Embora as bactérias desenvolvam-se bem em meios de cultura sólidos, os estudos de crescimento são feitos essencialmente em meios líquidos e as considerações que seguem são válidas para essas condições. Quando uma determinada bactéria é semeada num meio líquido de composição apropriada e incubada em temperatura adequada, o seu crescimento segue uma curva definida e característica. Fase lag: esta fase de crescimento ocorre quando as células são transferidas de um meio para outro ou de um ambiente para outro. Esta é a fase de ajuste e representa o período necessário para adaptação das células ao novo ambiente. As células nesta fase aumentam no volume total em quase duas ou quatro vezes, mas não se dividem. Tais células estão sintetizando DNA, novas proteínas e enzimas, que são um pré-requisito para divisão. Fase exponencial ou log: nesta fase, as células estão se dividindo a uma taxa geométrica constante até atingir um máximo de crescimento. Os componentes celulares como RNA, proteínas, peso seco e polímeros da parede celular estão também aumentando a uma taxa constante. Como as células na fase exponencial estão se dividindo a uma taxa máxima, elas são muito menores em diâmetro que as células na fase Lag. A fase de crescimento exponencial normalmente chega ao final devido à depleção de nutrientes essenciais, diminuição de oxigênio em cultura aeróbia ou acúmulo de produtos tóxicos. Fase estacionária: durante esta fase, há rápido decréscimo na taxa de divisão celular. Eventualmente, o número total de células em divisão será igual ao número de células mortas, resultando na verdadeira população celular estacionária. A energia necessária para manter as células na fase estacionária é denominada energia de manutenção e é obtida a partir da degradação de produtos de armazenamento celular, ou seja, glicogênio, amido e lipídeos. Fase de morte ou declínio: quando as condições se tornam fortemente impróprias para o crescimento, as células se reproduzem mais lentamente e as células mortas aumentam em números elevados. Nesta fase o meio se encontra deficiente em nutrientes e rico em toxinas produzidas pelos próprios micro-organismos. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 15 Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 16 GENÉTICA BACTERIANA O DNA das bactérias é uma macromolécula em forma de fita dupla circular, com comprimento de aproximadamente 1,1 mm, altamente empacotado e dobrado para se manter dentro da célula, que mede 1 a 2 µm de comprimento. MUTAÇÕES As alterações na estrutura química ou física do DNA são conhecidas como mutações, que podem ser ocasionadas por agentes físicos (raios U.V., raios X) ou químicos (ácido nitroso, peróxido de hidrogênio, agentes alquilantes) chamados mutagênicos ou genotóxicos. O organismo bacteriano não exposto a esses agentes é chamado de selvagem, enquanto que as bactérias alteradas são conhecidas como mutantes. As mutações permitem uma grande variabilidade genética. Sem elas o processo de adaptação a diferentes ambientes não seria possível. As mutações espontâneas são causadas por erros durante a replicação do DNA ou pela exposição do micro-organismo a influências extracelulares do meio ambiente (radiações ou agentes químicos). As mutações espontâneas são eventos raros, com freqüências de 1 x 109 a 1 x 1012 por geração. Classificação das mutações: Pontuais – envolvem alteração de apenas uma base nitrogenada. Podem ser classificadas em transição (mudança para outra base da mesma classe, como citosina para timina) ou transversão (mudança para outra base de outra classe, como citosina (base pirimídica) para guanina (base púrica). Sem sentido – mutação causa produção de um códon que não é específico para nenhum aminoácido, originando polipeptídeos com atividade comprometida. Sentido errado – mutação causa a substituição de um aminoácido por outro, por exemplo, um apolar por um polar, ou um aminoácido básico por um ácido, levando a alterações funcionais na proteína. Fase de leitura – correspondem a deleções ou inserções de seqüências de bases no DNA, afetando a seqüência como um todo. Alterações fenotípicas nas bactérias mutantes Auxotróficos – incapazes de sintetizar um ou mais fatores de crescimento como aminoácidos, purinas, pirimidinas, vitaminas, devido a mutações que levamà perda da função de enzimas. Resistência a drogas – mutantes podem exibir diferentes tolerâncias a drogas antibióticas. (Ex: cepas de S. aureus resistente à meticilina e vancomicina) Alterações morfológicas – incapacidade em produzir flagelo, pili, cápsula ou variações na forma da colônia. Alterações na temperatura de crescimento – mutantes incapazes de produzir metabólito ou desempenhar uma função em temperaturas diferentes à normal (temperatura restritiva). Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 17 RECOMBINAÇÃO E TRANSFERÊNCIA GÊNICA Enquanto a mutação garante a variabilidade, a recombinação genética garante que diferentes combinações de genes sejam possíveis. A recombinação se dá por um conjunto de processos que produzem rearranjos entre genes ou parte desses genes. Os mecanismos desenvolvidos evolutivamente que permitem a recombinação são transformação, transdução e conjugação. Em todos os casos, as células que fornecem o DNA são chamadas de DOADORAS e as que recebem são denominadas RECEPTORAS. TRANSFORMAÇÃO O fenômeno da transformação envolve a incorporação (por uma célula receptora) de DNA livre no meio circundante (da célula doadora). O DNA adere-se à face externa da membrana celular bacteriana, quando é clivado em fragmentos menores para ser incorporado. As enzimas exonucleases separam as duas metades da dupla fita para que somente uma entre na célula. Uma vez no citoplasma, o DNA alienígena encontra o cromossomo da célula receptora ou um plasmídio e ocorre a recombinação em sítios de homologia. Esse fenômeno pode ser observado em organismos gram-positivos e em gram-negativos. TRABULSI e ALTERTHUM, 2008 Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 18 TRANSDUÇÃO Refere-se à permuta de informação genética por meio de bacteriófagos. Os bacteriófagos (fagos) são vírus que infectam bactérias. A transdução ocorre da seguinte maneira: 1. Um fago infecta uma bactéria susceptível injetando seu DNA. 2. O DNA fágico induz a célula hospedeira a converter todo seu metabolismo para a síntese de novos fagos. 3. Finalmente, ao término do ciclo lítico do fago, vários componentes das partículas virais, no citoplasma, são montados e a célula é lisada, liberando novos fagos infectivos. Durante o processo de montagem, alguns erros ocasionais ocorrem e grandes segmentos de DNA bacteriano acabam por se incorporar no genoma do novo fago, em detrimento de porções do DNA do próprio vírus. Esses novos fagos são denominados fagos defectivos. Contudo, esses fagos defectivos ainda apresentam a capacidade de injetar seu DNA numa segunda bactéria. Uma vez que esses fagos, quase que exclusivamente, apresentam DNA somente da primeira bactéria, a infecção propriamente dita não ocorre. A recombinação pode ocorrer entre os segmentos de DNA da primeira célula infectada pelo fago e o DNA da nova célula infectada pelo fago defectivo e que passará a expressar os genes transduzidos. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 19 CONJUGAÇÃO É o único mecanismo de troca genética entre bactérias que requer contato célula a célula. As bactérias Gram-negativas capazes de participar na conjugação possuem um plasmídio denominado F, que codifica para uma fímbria sexual (proteína contrátil hidrofóbica chamada de pilina). Esta fímbria especializada atua como veículo para estabelecer contato com outra célula bacteriana, como um tubo através do qual o DNA passa durante o processo de conjugação. As células que possuem o plasmídio F são referidas como F+ enquanto as células que não apresentam este plasmídio são chamadas F-. As condições básicas para a conjugação são: Células doadoras devem carrear ao menos um único plasmídio que contenha um grupo de genes que possibilite a conjugação. Os genes contidos nesses plasmídios são responsáveis TRABULSI e ALTERTHUM, 2008 Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 20 pela síntese de pili proteicos especiais longos, finos e tubulares, em cujas extremidades livres possuem receptores que ligam-se firmemente à ligantes moleculares nas paredes de células F-. Após a união de duas células com reação sexual oposta através desses pili, essas tornam-se unidas por meio de uma “ponte conjugativa” que passa a permitir a continuidade do conteúdo citoplasmático nessas duas células. Uma enzima especial cliva uma das fitas do DNA do doador F+ em um único sítio e uma recém- sintetizada fita de DNA passa através da ponte conjugativa para o interior da célula receptora F-. Essa fita está apta a sofrer permuta com regiões de homologia no DNA da célula F-, por recombinação. A forma mais comum de conjugação envolve a transferência de plasmídios, de uma célula para outra, e se o plasmídio transferido for um plasmídio de fertilidade, a célula F- torna-se uma F+ que imediatamente começa a combinar-se com outras células F-. As bactérias Gram-positivas também são capazes de transferir material genético por meio de um processo de conjugação. Mas a transferência não ocorre através da fímbria, mas sim por uma co-agregação dos micro-organismos em resposta à produção de feromonas pela bactéria doadora. Sob estimulo dos feromonas a bactéria potencialmente receptora sintetiza uma molécula receptora que é especifica para uma adesina de conjugação presente na célula doadora. A agregação resulta no estabelecimento dos contatos célula a célula necessários à mobilização do plasmídio. Plasmídios São moléculas extracromossômicas circulares de DNA encontradas em muitas espécies bacterianas e em algumas espécies de eucariotos. São moléculas de fita dupla circular ou linear. Os plasmídios replicam-se separadamente ou junto com a célula hospedeira, passando às células-filha após a fissão bacteriana. Não são indispensáveis à célula bacteriana, mas podem conferir vantagens seletivas, como informação para degradação de certos substratos ou resistência a um antibiótico ou metal pesado. TRABULSI e ALTERTHUM, 2008 Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 21 As bactérias podem conter diferentes tipos de plasmídios ao mesmo tempo. Os plasmídios podem ser conjugativos (capacidade de autotransmissão para outra célula) ou não- conjugativos. Tipos de plasmídios: Plasmídios de tipo sexual – importantes para a transferência de plasmídios para uma célula receptora. Podem integrar-se ao cromossomo gerando uma célula conhecida como Hfr (alta freqüência de recombinação), permitindo a mobilização do cromossomo bacteriano durante a conjugação. Plasmídios R – codificam enzimas que inativam antibióticos específicos. Podem integrar-se ao DNA cromossomal bacteriano. Plasmídios Col – presentes em E. coli são capazes de produzir colicinas, substâncias capazes de inibir o crescimento de células que não possuem o plasmídio Col. Plasmídios virulentos – contem informações que favorecem a virulência durante um processo de infecção em mamíferos. Plasmídios de resistência a metais pesados – capazes de fornecer resistência a mercúrio e outros íons de metais pesados. Técnica do DNA recombinante Através do uso de técnicas de DNA recombinante a ciência consegue introduzir genes em espécies diferentes. Existem importantes aplicações dessa tecnologia na agricultura (alimentos transgênicos), na medicina (produção de insulina humana em culturas de bactérias) e no diagnóstico e prevenção de doenças (produção de Ag para vacinas e kits de diagnóstico). Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 22 CONTROLE DOS MICRO-ORGANISMOS Terminologia relacionada ao controle do crescimento microbiano Esterilização Processo de destruição, inativação definitiva e/ou remoção de todas as formas de vida de um objeto ou material. Inclui os endosporos que são as formas mais resistentes de vida. É um processo absoluto, não havendo graus de esterilização. Desinfecção Destruição (morte) de micro-organismos capazesde transmitir infecção. São usadas geralmente substâncias químicas que são aplicadas em objetos ou materiais. Reduzem ou inibem o crescimento, mas não esterilizam necessariamente. Anti-sepsia Desinfecção química da pele, mucosas e tecidos vivos. Anti-sepsia é um caso particular da desinfecção. Germicida Agente químico genérico que mata germes, micróbios: bactericida — mata bactérias; virucida — mata vírus; fungicida — mata fungos; esporocida — mata esporos etc. Bacteriostase A condição na qual o crescimento bacteriano está inibido, mas a bactéria não está morta. Se o agente (substância ou condição) for retirado, o crescimento pode recomeçar. Substâncias químicas, quimioterápicos, podem ser bacteriostáticos. Refrigeração pode funcionar como microbiostática para a maioria dos organismos. Assepsia Ausência de micro-organismo em uma área. Técnicas assépticas previnem a entrada de microorganismos em uma determinada área ou objeto estéril. Degermação Remoção de micro-organismos da pele por meio da remoção mecânica ou pelo uso de anti-sépticos. Antes das injeções, o algodão embebido em álcool é passado na pele; igualmente o álcool-iodado, preparando o campo cirúrgico. Sanitização – Tratamento destinado a reduzir as contagens microbianas em utensílios alimentares até níveis seguros de saúde pública. Padrão de morte microbiana Condições que afetam a atividade de um agente antimicrobiano, especialmente se tal agente é de natureza química. 1. Tamanho da população: Quanto maior a população, maior o tempo necessário à sua eliminação. 2. Natureza da população: Se nesta população de micro-organismos existirem endosporos, os quais são muito mais resistentes que formas vegetativas, sua eliminação não ocorrerá tão facilmente. No caso de células em diferentes estágios de crescimento - células mais jovens tendem a ser mais suscetíveis que células em fase estacionária. 3. Concentração do agente: Geralmente, quanto mais concentrado, melhor (exceto álcool). A relação entre a concentração e a eficiência via de regra não é linear. 4. Tempo de exposição: De acordo com normas da OMS, o tempo mínimo de exposição deve ser de 30 minutos. Em casos de agentes esterilizantes, a exposição deve ser tal que a chance de haver sobreviventes é de 1 em 1.000.000. 5. Temperatura: Dentro de limites, o aumento da temperatura torna o processo mais eficiente. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 23 Para agentes químicos, geralmente o aumento de 1°C da temperatura aumenta em 10 vezes a eficiência do processo. 6. Condições "ambientais": • pH do meio - quando é ácido, favorece a destruição pelo calor; • presença de matéria orgânica - dificulta a ação do produto (necessidade de lavagens dos materiais antes do controle por agentes químicos), seja por proteger o micro- organismo ou competir pelo produto em uso. Altas concentrações de açúcar, proteínas ou lipídeos diminuem a penetrabilidade do calor, enquanto o sal pode aumentar ou diminuir a resistência ao calor. A consistência do material ou solução também interfere. Controle microbiano por agentes físicos Os principais agentes físicos que promovem o controle microbiano são: Calor, Filtração, Radiações, Pressão Osmótica e Dessecação. Calor - O método mais empregado para matar micro-organismos - eficaz, barato e prático. - empregado sob duas formas: seco e úmido, - parâmetros a serem controlados: tempo e temperatura. 1. Calor Úmido a) Fervura Metodologia aquecimento a 100º C – 15 min Ação Desnaturação de proteínas Elimina a maioria das formas vegetativas dos patógenos, muitos vírus, fungos e seus esporos. Uso Desinfecção domiciliar de alimentos e água para consumo humano b) Pasteurização Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 24 Metodologia Aquecer o produto a uma dada temperatura, dado tempo, e a seguir resfriar bruscamente. • Pasteurização lenta: também conhecida como LTLT (Low Temperature Long Time, ou seja, temperatura baixa tempo longo) a temperatura chega a 63°C por um tempo de 30 minutos. • Pasteurização rápida: este processo recebe também o nome de HTST (High Temperature and Short Time, ou seja, alta temperatura e curto tempo) a temperatura chega a 72°C por um tempo de 15 segundos. • Pasteurização muito rápida: recebe também o nome de UHT (Ultra High Temperature ou temperatura ultra-elevada), onde a temperatura varia de 130°C a 150°C, por um período de três a cinco segundos. Ação Desnaturação de proteínas Elimina Algumas formas vegetativas dos patógenos (bactérias, vírus e fungos) Uso reduzir em escala industrial micro-organismos do leite, creme de leite, cerveja, vinho. c) Autoclavação Metodologia aquecimento a 121º C – 15 min, pressão de 15 libras/pol = 1,1 atm em equipamentos chamados de autoclaves. Ação Desnaturação de proteínas Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias, vírus e fungos) Uso Esterilizar meios de cultura, instrumentos cirúrgicos, seringas de vidro, soluções e numerosos outros materiais que suportam altas temperaturas e pressões. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 25 2. Calor seco a) Flambagem b) Incineração Metodologia Aquecimento do material de 900 a 1200º C em incineradores. Ação Oxidação do material até formar cinzas Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias, vírus e fungos) Uso Para papéis, carcaças de animais, restos de curativos (algodão e gazes), luvas de procedimento, materiais descartáveis contaminados com secreções biológicas. Destroem o material. Metodologia aquecimento direto na chama. Ação Oxidação do material até formar cinzas Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias, vírus e fungos) Uso esterilizar alça e fio de platina (microbiologia) Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 26 c) Ar quente / Forno Metodologia Aquecimento do material 170º C por 2h em estufas ou fornos Ação Oxidação do material até formar cinzas Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias, vírus e fungos) Uso esterilizar vidraria e outros materiais resistentes a altas temperaturas. 3. Filtração Metodologia Passagem de soluções ou gases através de filtros (membranas de nitrocelulose e acetaro de celulose – filtro HEPA) de poros suficientemente pequenos (0,22 µm) que retêm micro-organismos Ação Remoção mecânica Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias e fungos), exceto vírus Uso esterilização pela eliminação total de bactérias e fungos de soluções termossensíveis (meios de cultura, vacinas, enzimas e antibióticos) e na filtração do ar em câmaras e salas onde qualquer micro-organismo do ar é indesejável. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 27 4. Radiações a) lonizantes Metodologia Raios gama (cobalto) e raios-x promovem ionização da água, formando radicais super-reativos (superóxidos) e estes reagem com componentes celulares orgânicos, dentre eles o DNA, matando ou inativando os micro- organismos. Ação Alterações de enzimas e do DNA Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias, fungos e vírus) Uso esterilização de produtos cirúrgicos e produtos hospitalares de uso descartável, como seringas plásticas, luvas, cateteres, fios, suturas, insumos farmacêuticos. b) Não-ionizantes Metodologia Raios Ultra violeta provocam a formação de ligações químicas entre as timinas adjacentes e estes dímeros alteram a replicação do DNA no Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 28 momento da reprodução. O comprimento de onda 260nm é o mais eficaz, pois esta radiação é mais absorvida pelo DNA. Ação Alterações do DNA Elimina formas vegetativas e esporuladas dos patógenos (bactérias, fungos e vírus) Uso Controle dos micro-organismosdo ar e freqüentemente são encontradas em centros cirúrgicos, enfermarias, berçários, capelas de fluxo laminar. Atuam apenas nos micro-organismos da superfície (baixo poder de penetração) e podem causar danos aos humanos (queimaduras, lesões oculares e câncer de pele). 5. Pressão Osmótica Metodologia A alta concentração de sais ou açúcares cria um ambiente hipertônico que provoca a saída de água do interior da célula microbiana, condensando o citoplasma e retraindo a membrana. Ação Pressão osmótica promove inibição do crescimento microbiano Elimina Nenhum agente, apenas inibe crescimento de bactérias, e em menor escala, de fungos. Uso Preservação de alimentos: peixes, carnes, frutas, legumes (conservas) 6. Dessecação Metodologia Liofilização = retirada da água de produtos (água é congelada no interior das células e secada por sublimação no vácuo) Ação Desidratação celular Elimina Nenhum agente, apenas inibe crescimento de bactérias, fungos e vírus, que podem permanecer viáveis por anos. Uso Conservação de alimentos e cepas de micro-organismos para pesquisa / indústria. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 29 7. Baixas temperaturas Metodologia Refrigeração (4-8 oC), congelador (-20°C) e nitrogênio líquido (-179°C) Ação Interrupção do metabolismo. Elimina Nenhum agente, apenas inibe crescimento de bactérias, fungos e vírus, que podem permanecer viáveis por anos. Uso Conservação de alimentos e cepas de micro-organismos para pesquisa / indústria. CONTROLE DOS MICRO-ORGANISMOS 2 - Controle Microbiano por Agentes Químicos Os agentes químicos empregados no controle dos micro-organismos podem ser esterilizantes ou desinfetantes (maioria). Esterilizantes matam todos os micro-organismos em um ambiente ou material. Desinfetantes reduzem a carga microbiana de tal forma que o material tratado deixa de representar um risco de disseminação de micro-organismos e, conseqüentemente, de moléstias infecciosas no caso de patógenos. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 30 • Desinfetante é o agente químico capaz de provocar a desinfecção e é aplicado em superfícies inanimadas. • Anti-sepsia também é um processo de desinfecção empregando-se geralmente substâncias químicas (anti-sépticos) que, por sua vez, devem destruir ou inibir os micro-organismos em tecidos vivos. Por esta razão, devem ser substâncias de baixa toxicidade, e foram recentemente denominadas desinfetantes cutâneos. Não se deve confundir tais processos com a assepsia, que significa tomar medidas ou usar técnicas especiais para que uma determinada área ou objeto estéril, isento portanto de microorganismos, não venham a ser contaminados. As características ideais de um desinfetante ou anti-séptico são: a) possuir alta eficácia germicida, entendendo-se, por isto, ser de efeito rápido e ter amplo espectro antimicrobiano e ação prolongada; b) apresentar estabilidade química, devendo ser solúvel em água e nos líquidos orgânicos; c) ser inodoro ou ter odor agradável; d) ser incolor; e) não produzir manchas. Uso de agentes químicos: nenhum desinfetante isolado é apropriado para todas as circunstâncias. Escolha e Uso - De maneira geral, os desinfetantes são agentes complementares no contexto geral da desinfecção. - Métodos bastante simples e baratos como a lavagem com água quente e sabão e fervura eliminam muitas formas de microorganismos, e apresentam as vantagens de não serem tóxicos e corrosivos. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 31 - Os desinfetantes devem ser diluídos conforme sugere o fabricante para terem sua eficácia garantida. - Interferências: presença de matéria orgânica, pH do meio, tempo de exposição. Métodos de Avaliação de desinfetantes: A) Testes de Uso-Diluição 1. São mergulhados anéis metálicos em culturas de Salmonella cholerae; Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. 2. Após secagem a 37º C os anéis são colocados em solução de concentração recomendada pelo fabricante por 10 min a 20º C. 3. Colocam-se os anéis em meios de cultura para verificar o crescimento de bactérias sobreviventes. Variações: testes em endósporos bacterianos, fungos e micobactérias (causadoras da tuberculose). Para testes de agentes viricidas: utilizam-se cultura de vírus causador da doença de Newcastle (doença em pássaros e animais domésticos) que após ação do agente químico são injetados em ovos de embriões de galinha. Caso algum vírus sobreviva ao agente ele causará a morte do embrião. A) Testes de Disco – Difusão 1. Disco de papel de filtro é embebido com agente químico. 2. Após secagem, aplica-se esse disco em uma placa de ágar contendo a bactéria semeada. 3. Coloca-se a placa para incubar. 4. Se o agente for eficaz surgirá um halo de inibição do crescimento bacteriano ao seu redor. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 32 Principais Tipos de Agentes Químicos 1. Compostos orgânicos: A) Fenóis e derivados (cresóis (metil-fenol), xilenóis): Primeiros a serem usados (Lister, 1867 - salas de cirurgia). O fenol não é mais usado como desinfetante ou anti-séptico devido à sua toxicidade para os tecidos e odor desagradável. Ideais para limpeza de superfícies com pus saliva e fezes. Os derivados fenólicos (hexaclorofeno, triclosano) são empregados principalmente como anti- sépticos ou desinfetantes hospitalares, pastas dentifrícias e sabões. Estes atuam desnaturando proteínas e rompendo membranas. São tuberculocidas, efetivos na presença de matéria orgânica, permanecem ativos por muito tempo. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 33 B) Biguanidas (clorexidina) Combinada a um detergente ou álcool é utilizada no controle microbiano de pele e mucosas (escovação das mãos pré-cirúrgica e preparo da pele). Atua rompendo membranas celulares. Possui baixa toxicidade da pele, mas pode causar lesão ocular. C) Álcoois (etanol, isopropanol): Os álcoois possuem muitas qualidades desejáveis dos desinfetantes: baratos, facilmente obtidos, bactericidas diante das formas vegetativas e evaporam sem deixar resíduos. A desnaturação de proteínas é a explicação mais aceita para a ação antimicrobiana. Na ausência de água, as proteínas não são desnaturadas tão rapidamente quanto na sua presença e isto explica por que o álcool etílico absoluto é menos ativo do que as misturas de álcool e água. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 34 De todos os álcoois, o álcool etílico é o anti-séptico mais empregado, especialmente em situações que levam à ruptura da integridade da pele, como as injeções, punções etc. Na desinfecção de termômetros, a exposição durante cinco minutos em uma solução alcoólica a 70% inativa todas as formas vegetativas, desde que estes instrumentos sejam previamente limpos com uma esponja úmida a fim de eliminar o possível muco presente. D) Compostos Quaternários de Amônio: Ótimos agentes de superfície. São detergentes catiônicos, moléculas orgânicas derivadas de gorduras, atuando como umectantes e emulsificadores. Apenas os detergentes catiônicos são detergentes efetivos, que desnaturam proteínas (Ex: cloreto de benzalcônio, que mata a maioria das bactérias). 2. Halogênios Iodo: Entre os halogênios, o iodo sob forma de tintura (iodo em solução hidro-alcoólica) é um dos anti-sépticos mais utilizados na prática cirúrgica. Bactericida, fungicida e esporocida, as soluções alcoólicas a 2% de iodo exercem ação imediata. Os iodóforos (iodo + molécula orgânica, Ex. Iodo- povidine) também são utilizados, com a vantagem de não mancha e ser menos irritante. O mecanismo de ação é combinação irreversível com proteínas, provavelmente através da interação com os aminoácidos aromáticos, fenilalanina etirosina. Cloro: Muito utilizado no tratamento de águas e nas indústrias de laticínios e alimentos. Pode ser aplicado na forma de gás, hipoclorito de sódio ou de cálcio, que gera ácido hipocloroso e então O2, promovendo a oxidação de materiais celulares e causando a morte em cerca de 30 minutos. Eficaz contra fungos, bactérias e vírus, com a desvantagem ser descorar alguns materiais. É eficiente, barato, de fácil uso, mas altamente reativo com a matéria orgânica. 3. Metais Pesados Foram muito usados no passado como germicidas (prata, mercúrio, zinco e cobre), sendo atualmente substituídos por compostos menos tóxicos. Os mais usados são compostos orgânicos de mercúrio, prata, cobre e zinco. Estes atuam combinando-se com proteínas, geralmente nos grupos SH dos aminoácidos, inativando-as. Ex.: Nitrato de prata 1% e Sulfadiazina de Prata. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 35 Nitrato de prata previne oftalmia gonorréica neonatal; sulfadiazina de prata utilizada em queimaduras. 4. Agentes Oxidantes A propriedade comum destes agentes é a liberação de oxigênio nascente, que é extremamente reativo e oxida, entre outras substâncias, os sistemas enzimáticos indispensáveis para a sobrevivência dos micro-organismos. - O mais empregado, sem dúvida, é a água oxigenada em solução a 3%. A água oxigenada é particularmente adequada para lavagem de feridas e mucosas onde haja tecido morto, pois a produção de gás, em virtude da ação da catalase, facilita a limpeza da área ou da cavidade afetada e inibe bactérias anaeróbicas. - O peróxido de benzoíla é muito utilizado em tratamento de acne. 5. Esterilizantes Gasosos (óxido de etileno) Atividade esterilizante lenta tem sido empregado com sucesso na esterilização de instrumentos cirúrgicos, fios de agulhas para suturas e plásticos. Deve ser empregado com cautela e em mistura com outros gases (nitrogênio e dióxido de carbono), pois, em combinação com o ar, forma mistura explosiva. Mecanismo de ação: inativação de certas enzimas. 6. Conservantes químicos de alimentos Função de retardar a deterioração dos alimentos. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 36 Conservante Uso Ácido sórbico, benzoato de sódio Inibe fungos em queijos e refrigerantes Propionato de cálcio Inibe fungos e bactérias (Bacillus sp) em pães. Nitrato de sódio; nitrito de sódio Presunto, bacon, salsicha, lingüiça (cor vermelha das carnes e inibe botulismo), mas risco de formar nitrosaminas cancerígenas. Propriedades Gerais dos Vírus • Agentes causadores de infecções no homem, outros animais, vegetais e bactérias. • Sem metabolismo próprio. • Parasitas intracelulares obrigatórios. • São incapazes de produzir energia ou proteínas independentemente de uma célula hospedeira: multiplicam-se dentro de células vivas usando a maquinaria de síntese das células • Não se desenvolvem em ambientes extracelulares. Na forma extracelular, o vírus é uma partícula submicroscópica, conhecida como vírion ou partícula viral infectante que é uma estrutura que transporta o genoma viral da célula em que foi produzido para outras células onde o ácido nucléico poderá ser introduzido. Quando o vírus penetra na célula hospedeira, inicia-se o estado intracelular, ocorrendo a replicação viral. Composição Ácido nucléico ●DNA ou RNA Capa protéica ●Capsídeo Membrana lipoprotéica ●Envelope ou envoltório Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 37 Essa simplicidade faz com que os vírus sejam incapazes de crescimento independente em meio artificial, podendo replicar somente em células animais, vegetais ou micro-organismos. Ácido Nucléico Os vírus contêm apenas um tipo de ácido nucléico DNA ou RNA. Tanto DNA quanto RNA podem ser encontrados na forma de fita simples ou dupla. ssDNA: DNA fita simples dsDNA: DNA fita dupla ssRNA: RNA fita simples dsRNA: RNA fita dupla Capsídeo É uma capa protéica que protege o material genético do vírus. O agrupamento das proteínas virais dá ao capsídeo sua simetria característica que normalmente é icosaédrica ou helicoidal. O conjunto genoma mais capsídeo é chamado de nucleocapsídeo. Envelope viral Consiste em uma bicamada lipídica com proteínas, em geral glicoproteínas, embebidas nesta. Devido à presença de lipídios no envelope, os vírus envelopados são sensíveis ao éter, pois na presença deste solvente os lipídios são dissolvidos e o vírus perde a infectividade. As glicoproteínas do envelope são os principais antígenos virais, pois estão expostas na superfície viral. Envelope Capsídeo Ácido Nucléico Matriz Protéica Nucleocapsídeo Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 38 Enzimas Algumas partículas virais contêm enzimas que têm grande importância no processo infeccioso. Exemplo: retrovírus que carregam na partícula viral a transcriptase reversa, necessária para sua replicação. Bacteriófagos que possuem enzimas necessárias para ajudar a entrada na célula como a lisozima que perfura a parede celular bacteriana. ESTRUTURA DA PARTÍCULA VIRAL De acordo com a simetria do capsídeo os vírus podem ser classificados em: • vírus icosaédricos • vírus helicoidais • vírus de estrutura complexa VÍRUS ICOSAÉDRICOS São os vírus cujo capsídeo apresenta simetria icosaédrica. O icosaedro é um polígono de 20 faces triangulares. O ácido nucléico encontra-se empacotado no centro do polígono. Como exemplos, temos o adenovírus (DNA) e os picornavírus (RNA) que são icosaédricos, não- envelopados, e os herpes vírus (DNA) que são vírus icosaédricos envelopados. VÍRUS HELICOIDAIS Nos vírus helicoidais o capsídeo tem forma de hélice. O ácido nucléico fica no interior desta estrutura. Exemplos: vírus do mosaico do tabaco que não têm envelope e o vírus da influenza e da raiva, helicoidais envelopados. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 39 VÍRUS DE ESTRUTURA COMPLEXA Os vírus que não podem ser classificados como icosaédricos ou helicoidais são considerados vírus de estrutura complexa. Exemplo: alguns bacteriófagos como o T4, que tem um capsídeo em forma de cabeça poligonal, com estruturas adicionais, formando uma cauda, com bainha contrátil, placa basal, fibras e outras estruturas. REPLICAÇÃO VIRAL Muitas evidências experimentais sobre as fases de replicação viral derivam da pesquisa com bacteriófagos. Estes vírus infectam bactérias e seu ciclo de replicação pode ser dividido em duas fases: ciclo lítico e lisogênico. Estrutura geral de um bacteriófago 1. Cabeça: Onde está contido o cerne de ácido nucléico (DNA na maioria dos bacteriófagos, alguns possuem RNA) e um capsídeo protéico. 2. Cauda: Tubular oco, com uma bainha de filamentos espiralados de proteína contrátil e uma placa basal a qual se ligam prolongamentos (fibras da cauda). 3. Fibras da cauda: Saem da placa basal e nestas fibras, existem regiões protéicas específicas de ligação (ancoragem) do bacteriófago com a célula hospedeira. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 40 A) REPLICAÇÃO DE BACTERIÓFAGOS: Ciclo Lítico Pode ser dividido em cinco fases: 1. Adsorção 2. Penetração 3. Síntese dos componentes virais 4. Maturação 5. Liberação Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 41 1. Adsorção Primeiro estágio da infecção viral. É quando ocorre o contato inicial da célula com o vírus. Na maioria dos bacteriófagos, as proteínas responsáveis pela ligação aos receptores de bactérias estão localizadas nas pontas das fibras da cauda. 2. Penetração Uma vez ligado à célula, uma enzima viral da cauda perfura a parede celular, e a cauda penetra injetando o DNA dentro do citoplasma. 3. Síntese dos componentes virais Uma vez dentro da célula hospedeira, o genoma viral aproveita o metabolismodo hospedeiro, convertendo-o inteiramente para seus próprios fins. O ácido nucléico viral é transcrito e traduzido e as várias proteínas virais, enzimas ou componentes estruturais, também são sintetizados para os novos vírus. Em muitos fagos o ciclo do vírus do início da infecção a lise leva apenas 20 a 40 minutos. 4. Maturação Os vários componentes virais são REUNIDOS formando novos fagos. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 42 O processo é ORDENADO de forma que cada componente seja adicionado na seqüência correta. 5. Liberação Enzimas são produzidas causando lise da célula e liberando novos vírus no ambiente. Ciclo Lisogênico No ciclo lisogênico não ocorre lise celular. No ciclo lisogênico as etapas de adsorção e penetração do vírus ocorrem da mesma forma e pelos mesmos mecanismos que no ciclo lítico. Após a liberação do material genético do vírus, em vez de ocorrer a síntese dos componentes virais, ocorre integração do ácido nucléico viral ao ácido nucléico da célula hospedeira. Este é transmitido a sucessivas gerações junto com o material genético da bactéria. Uma condição essencial para que ocorra lisogenia é que o bacteriófago contenha DNA de dupla fita. Ciclo Lítico 1- O fago liga-se à célula hospedeira e injeta o DNA. 2- O DNA do fago circulariza e entra no ciclo lítico ou lisogênico. 3- O novo DNA e as proteínas do fago são sintetizadas e montadas em vírions. 4- A célula lisa, liberando os vírions. Ciclo Lisogênico 1- O fago liga-se à célula hospedeira e injeta o DNA. 2- O DNA do fago circulariza e entra no ciclo lítico ou lisogênico. 1 2 3 4 3 4 5 Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 43 3- O DNA do fago integra no cromossomo bacteriano tornando-se um profago. 4- A bactéria lisogênica reproduz-se normalmente. 5- Ocasionalmente, o profago pode ser liberado do cromossoma bacteriano e inicia um ciclo lítico. B) REPLICAÇÃO DE VÍRUS DE ANIMAIS • Semelhante ao ciclo lítico de bacteriófagos • Diferenças: � presença de envelope em alguns vírus � compartimentalização da célula hospedeira � ausência de parede celular na célula hospedeira 1. Adesão • Atração química • Espículas glicoproteícas geralmente fazem o reconhecimento 2. Síntese Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 44 • Várias estratégias, dependendo do material genético e da localização do vírus. 3. Montagem e liberação • A maioria dos vírus de DNA faz a montagem no núcleo, sendo então liberada no citoplasma. • A maioria dos vírus de RNA se desenvolve no citoplasma • A quantidade de partículas produzidas é variável • Liberação com ou sem lise Replicação de um vírus de DNA: Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 45 Síntese de DNA a partir do RNA pela enzima transcriptase reversa Integração do DNA viral ao DNA celular: provírus A célula começa a sintetizar proteínas virais Liberação de novos vírus Vírus de RNA: penetração Replicação de um retrovírus: Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 46 FUNGOS CARACTERÍSTICAS GERAIS - Seres ubíquos. - Eucarióticos - Unicelulares ou pluricelulares - Heterotróficos: não possuem capacidade de sintetizar matéria orgânica, pois, ao contrário das plantas, são desprovidos de clorofila. - Os fungos obtêm os alimentos por absorção, ao contrário dos animais que os obtêm por ingestão. - Os fungos secretam enzimas sobre o substrato que colonizam e depois absorvem as moléculas simples resultantes da degradação enzimática do substrato. - Reprodução: assexuada ou sexuada. - Substância de reserva: glicogênio Até pouco tempo, eram considerados como pertencentes ao reino Plantae, mas pelas considerações feitas acima a tendência atual é considerá-los num reino a parte, o reino Fungi ou Mycetalia. MORFOLOGIA - A identificação dos fungos é baseada quase que exclusivamente em sua morfologia tanto macro como microscopicamente. - Como eles habitam os mais variados substratos, apresentam uma sucessão formidável de tipos morfológicos, dos mais simples aos mais complexos. MORFOLOGIA MACROSCÓPICA - Macroscopicamente, os fungos podem ser divididos em dois grandes grupos: • BOLORES, que apresentam uma colônia filamentosa. • LEVEDURAS, que apresentam em geral, uma colônia cremosa. - São importantes no estudo macroscópico, o tipo de colônia, verso e reverso, velocidade de crescimento, formação de pigmentos, etc. MORFOLOGIA MICROSCÓPICA - A unidade estrutural dos fungos é representada pela hifa que forma um conjunto denominado micélio Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 47 - O micélio pode se apresentar como: • micélio vegetativo: exerce funções de assimilação, fixação e crescimento das espécies. • micélio de frutificação ou reprodutivo: serve à reprodução da espécie. - Os fungos mais complexos apresentam septos entre as células. Esses septos, no entanto, são perfurados, de modo que haja um constante fluxo de citoplasma na hifa. Isto facilita a distribuição de substâncias pelo fungo. - Todos os fungos apresentam parede celular no seu ciclo de vida. Esta apresenta quitina, polissacarídeo presente na carapaça de muitos animais (artrópodes), o que confere elevada rigidez e maior resistência à degradação microbiana. - A presença da parede impede-os de realizar fagocitose, logo se alimentam por absorção, secretando enzimas hidrolíticas para o exterior e absorvendo os nutrientes sob a forma já digerida. Esta situação permite entender melhor, porque motivo os fungos apresentam corpo sob a forma de micélio, pois sem esta estrutura, não teriam uma relação área/volume suficientemente elevada para se alimentar eficazmente. Micélio Vegetativo - Exerce funções de assimilação, fixação e crescimento das espécies. - De acordo com sua morfologia, pode ser dividido em 3 tipos: • Unicelular: Representa o grupo das leveduras, sendo constituído por células arredondadas, ovóides ou ligeiramente alongadas. O micélio unicelular reproduz-se geralmente por brotamento ou gemulação, mas pode se reproduzir também por cissiparidade ou por processos intermediários. • Filamentoso: Caracteriza os bolores e pode apresentar septos ou não, sendo chamado nesse último caso, de cenocítico. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 48 • Pseudofilamentoso: O micélio unicelular de leveduras do gênero Candida, em determinadas condições, reproduz-se por brotamentos sucessivos formando um micélio parecido como o micélio dos bolores. Micélio Reprodutivo - Funções de conservação e disseminação da espécie, geralmente mediante a formação de células especiais denominadas esporos. - Os esporos possuem um conteúdo celular denso e rico em reservas, sendo por isso considerado também um elemento de resistência. - Os esporos podem ser hialinos ou pigmentados, simples, septados, várias formas, cada tipo, junto com outras características, definindo um gênero ou uma espécie de fungo. - Os esporos de acordo com sua origem podem ser assexuados ou sexuados, podem ser formados dentro de uma estrutura, quando são denominados endósporos, ou livres, ectósporos. REPRODUÇÃO - A grande maioria dos fungos apresenta dois tipos de reprodução: sexuada e assexuada. Reprodução assexuada - Este tipo de reprodução ocorre através de: • brotamento em fungos unicelulares (leveduras); Hifa não-septada (cenocítica) Hifa septada UNICELULAR: Levedura em brotamento PSEUDOFILAMENTO FILAMENTOSO Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 49 • fragmentação do micélio, em fungos multicelulares; • esporulação, o método mais usualem fungos multicelulares. - A esporulação implica a existência de estruturas especializadas na produção de esporos, formadas por hifas verticais, mais ou menos compactadas e separadas por septos do restante micélio. - Os esporos imóveis, células de parede espessa especializadas na dispersão, são produzidos aos milhões e transportados pelo vento até atingirem um substrato favorável, onde se desenvolvem num novo micélio. - Estes esporos são geralmente libertados “explosivamente” e podem permanecer viáveis durante longos períodos de tempo. - Existem esporos mucilaginosos, de parede fina e envoltos por uma substância pegajosa que lhes permite aderir ao corpo de outros organismos, que os espalham pelo meio ambiente. Reprodução sexuada - Ocorre em condições desfavoráveis, apenas quando se pretende aumentar a variabilidade através da meiose. - A reprodução sexuada designa-se conjugação, e ocorre entre dois micélios diferentes, estirpe (+) e estirpe (-). Duas hifas crescem em direção uma à outra, transportando um núcleo na sua extremidade. Quando estas se tocam, as paredes são dissolvidas por enzimas. A fusão dos núcleos (gametas) origina uma célula diplóide (zigoto). - Em condições favoráveis, este esporo sexuado sofre meiose e origina um novo micélio haplóide. - Um mesmo fungo pode em determinadas ocasiões ter uma reprodução assexuada e em outras sexuada. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 50 - Além disso, alguns fungos apresentam, em determinadas condições, um micélio filamentoso e em outras condições, um micélio unicelular, como o das leveduras = DIMORFISMO. - EX.: Paracoccidioides brasiliensis, o Histoplasma capsulatum e o Sporothrix schenkii, importantes agentes de micoses, que na natureza ou em laboratório à temperatura de 25ºC, apresentam-se em forma de bolor e quando infectando um hospedeiro ou a 37ºC em laboratório, apresentam-se em forma de levedura. ECOLOGIA Habitat - Os fungos têm como habitat, os mais diferentes substratos. A grande maioria dos fungos vive no solo fazendo parte da reciclagem dos materiais na natureza. São encontrados também nos vegetais, na água, nos animais, etc. - Os fungos são altamente tolerantes a ambientes hostis, sendo alguns mais resistentes a ambiente hipertônicos que as bactérias (fungos são capazes de crescer num frasco de doce no frigorífico, onde não cresceriam bactérias). - Os fungos formam diversas estruturas de dispersão, sendo a principal, os esporos, e através de dispositivos especiais, essas estruturas entram em contato com várias vias de dispersão. Vias de dispersão - A principal via de dispersão é o ar atmosférico, através dos ventos. - Os fungos que se dispersam pelo ar atmosférico são denominados de fungos anemófilos e tem importância em alergias no homem e como agentes deteriorantes de diversos materiais. - Os fungos podem se dispersar também pela água, sementes, insetos, homem, animais, etc. Substrato - Quando encontram um substrato com nutrientes adequados, crescem e colonizam. - Dessa maneira, podem deteriorar vários materiais e ocasionar em vários hospedeiros, as micoses. - Através de métodos específicos, os fungos podem ser isolados de seu habitat, das vias de dispersão, de vários materiais contaminados e de diversos hospedeiros com micoses. - A variedade de enzimas permite que eles ataquem praticamente qualquer tipo de material, como madeira, papel, legumes, frutas, cereais, carnes. FISIOLOGIA DE FUNGOS Nutrientes - Os fungos são seres heterotróficos retirando os nutrientes do meio ambiente circundante. - Através da digestão enzimática externa transformam as substâncias de maneira que possam ser absorvidas. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 51 - Necessitam de 4 elementos básicos: H, O, C e N, além de outros elementos em menor quantidade: P, S, Mg, Fe, Zn, Cu, Mb, sendo que alguns fungos necessitam ainda de determinados fatores de crescimento, como por exemplo a tiamina. - De maneira geral, para o seu crescimento, necessitam de uma fonte de orgânica de C e de uma fonte orgânica ou inorgânica de N. O meio artificial básico para trabalho com fungos é ágar Sabouraud que tem como fonte de C, a glicose e como fonte de N, a peptona. Oxigenação - Os fungos são normalmente aeróbios, podendo desenvolver-se em anaerobiose, sob certas condições. - Dos Actinomicetos, devemos salientar que os do gênero Actinomyces, alguns dos quais vivem na boca do homem e dos animais, são anaeróbicos ou microaerofílos. - Na respiração, o glicídio usado como reserva de energia é o glicogênio, encontrado nas células animais, e não o amido, típico dos vegetais. pH - Quanto ao pH do meio, a sua importância é relativa, mas podemos dizer que, em geral, está em torno de 6,0. - As leveduras crescem em variações de pH entre 2,5 e 8,5 e os bolores entre 1,5 e 11. Temperatura - Também são muito liberais quanto à temperatura, mas a maioria desenvolve-se melhor entre 25º a 30º C. Alguns fungos isolados do estado parasitário preferem temperaturas próximas de 37º C, para seu isolamento inicial. - Resistem igualmente a grandes amplitudes térmicas, tolerando temperaturas de –6ºC a 50ºC ou mais, dependendo da espécie. Umidade - Ambiente saturado de umidade é melhor para os fungos. Haja vista o bolor que aparece nos lugares mais úmidos de nossas casas. - A umidade ótima para seu crescimento é entre 75 e 95%, mas também suportam uma ampla variação. Termogenia - Principalmente pelas propriedades fermentativas das leveduras, pode haver um aumento da temperatura do meio em que se desenvolvem; estas fermentações são reações exotérmicas. A oxidação total de 180 g de glicose pela levedura Saccharomyces cerevisiae, segundo Lacaz, produz cerca de 700.000 calorias. - As fermentações são devido a enzimas diversas: Glicidases (sacarases, maltases etc.), Enzimas Proteolíticas (proteases, peptidases) e ainda fosfatases, asparaginase, oxirredutase, dehidrogenase etc. Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 52 Cromogenia - Cromóparos, quando difundem no meio pigmentos que produzem. - Cromóforos, quando os pigmentos permanecem no micélio e nos esporos. - As culturas apresentam-se com variadas colorações: negra, vermelha, amarela, branca, acastanhada, verde etc. Metabólitos - O metabolismo dos fungos tanto produzem uma vitamina como uma toxina, tanto um antibiótico como um outro produto industrial qualquer (leucina, serina, arginina, metionina, ácido oléico, ácido esteárico, prolina, histidina e muitos outros). - Exemplos de alguns antibióticos e respectivos fungos produtores: GRISEOFULVINA ..................................... Penicillium griseofulvi PENICILINA ............................................... P. notatum TERRAMICINA .......................................... Streptomyces rimosus NEOMICINA ............................................... S. fradii AUREOMICINA ......................................... S. aureofaciens ESTREPTOMICINA ................................... S. griseus ANFOTERICINA B. .................................... S. nodosus CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO À FONTE DE ALIMENTOS A) Saprófitas - Obtêm energia, carbono (C) e nitrogênio (N) diretamente da matéria orgânica morta. - São os principais decompositores da biosfera. Possuem um poderoso arsenal de enzimas capazes de degradar a matéria orgânica morta. - A decomposição liberta dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera e “devolve” ao solo nitrogênio (N) e fósforo (P) nas formas minerais que as plantas poderão voltar a utilizar. - Exemplos comuns de fungos decompositores são os que se observam sobre os troncos de madeira em decomposição ou cepos de árvores cortadas. - No entanto, esta capacidade de decomposição dos fungos pode ser um problema para o homem, pois existem fungos capazes de destruir as culturas, os alimentos,roupas, navios e mesmo certos tipos de plástico. A melhor maneira de proteger de fungos qualquer material é mantê-lo num meio o mais seco possível; B) Parasitas - Colonizam hospedeiros vivos, animais ou vegetais, dos quais obtêm “alimento” com prejuízo para o hospedeiro. - Quando os fungos parasitas causam doença no hospedeiro designam-se patogênicos. - Os fungos parasitas geralmente não matam o hospedeiro, mas limitam grandemente o seu crescimento. C) Mutualistas - Fungos que estabelecem relações mutualísticas com seres autotróficos, tornando-os mais eficientes na colonização de habitat pouco hospitaleiros. Os fungos obtêm energia, C e N de Prof. M.S. Ana Paula Rodrigues Brasil de Oliveira 53 hospedeiros aos quais proporcionam benefícios (fornecem-lhes os nutrientes minerais de que necessitam para a fotossíntese e os protegem das alterações ambientais). - Exemplo de fungos mutualistas são os fungos que formam liquens (com algas ou com cianobactérias) e os fungos que formam micorrizas (em associação com as raízes das plantas). - Nas micorrizas o fungo recebe da planta nutrientes orgânicos e fornece nutrientes minerais como o fósforo, cobre, zinco, água, etc. As micorrizas também ajudam na proteção das raízes contra infecções por parte de outros micro-organismos do solo. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA - Os fungos têm grande importância econômica e muitas substâncias utilizadas no dia-a-dia são produto da atividade fúngica. - Os fungos produzem substâncias (metabólitos secundários) com elevado interesse econômico que são exploradas pelo homem: • antibióticos (penicilina) e medicamentos diversos • vitaminas • cerveja e pães (Saccharomyces cerevisae) • produção do álcool • preparação de alguns tipos de queijos: Penicillium roqueforti (queijo Roquefort) e Penicillium camemberti (queijo Camembert). • Alimentação: cogumelos champignon, shitake. - Essa variedade extraída dos fungos pode ser explicada pelo fato de que, sendo imóveis, uma de suas defesas contra predadores consiste na produção de substâncias químicas que matam ou inibem o crescimento de bactérias e outros seres vivos.