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Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Pinheiro & Corradi - Fundamentos de Mecânica dos Fluidos e Termodinâmica - 25/03/2023
1 Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
Carlos Basílio Pinheiro - Universidade federal de Minas Gerais
Wagner Corradi Barbosa - Universidade federal de Minas Gerais
APÓS O ESTUDO DESTA UNIDADE VOCÊ DEVE SER CAPAZ DE:
• Distinguir as descrições macroscópica e microscópica de sistemas;
• Distinguir os conceitos de temperatura e calor;
• Relacionar temperatura e equilíbrio térmico;
• Conceitos de equilíbrio termodinâmico e equilíbrio térmico;
• Identificar propriedades termométricas e funcionamento de termômetros:
• Entender a escala Kelvin absoluta de temperatura;
• Relacionar escalas termométricas;
• Resolver problemas relativos à dilatação térmica.
Nesta unidade inicialmente serão mostradas as formas macroscópicas e microscópicas de se
descrever um sistema sob o ponto de vista termodinâmico. A seguir serão definidas as variáveis de
estado ou propriedades de estado que caracterizam ou identificam o estado termodinâmico do
sistema. A ideia de equilíbrio térmico é estabelecida com a Lei Zero da Termodinâmica, a qual será
usada para conceituar formalmente a variável de estado Temperatura. Uma vez estabelecido
formalmente o conceito de temperatura, podemos perguntar como medi-la. Propriedades
termométricas, termômetros e escalas de temperatura serão então estudados, destacando-se o
termômetro de gás a volume constante e a escala Kelvin. Finalmente a dilatação térmica será
abordada. Vários problemas serão resolvidos ao longo do capítulo e uma série de questões
conceituais, assim como problemas, serão apresentados ao final do capítulo, visando a fixação dos
conceitos apresentados.
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LOCALIZAÇÃO DOS TÓPICOS EM CAPÍTULOS DE LIVROS
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LIVRO AUTORES EDIÇÕES SEÇÕES
Física II
Addison-Wesley
Sears, Zemansky, Young
Freedman; 10ª.
15.1 - 15.8
16.1 - 16.2
Física 2
LTC
Sears, Zemansky, Young 2ª.
14.1 – 14.6
15.1 – 15.5
16.1 – 16.5
Física 2
Livros Técnicos e
Científicos S.A
Resnick, Halliday, Krane 4ª.
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25.1 – 25.2
e 25.7
Física 2 Livros Técnicos e
Científicos S.A
Resnick, Halliday, Krane 5ª.
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The Feynman Lectures on
Physics; Vol. I Feynman, Leighton, Sands
Fundamentos de Física,
vol.2 Livros Técnicos e
Científicos S.A
Halliday, Resnick 3ª.
19.2 – 19.7
20.1 – 20.3
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Ed. Edgard Blücher
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7.1 – 7.5
8.1 – 8.4
Física, vol.1b
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18.1 – 18.2
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Física, vol.2
Livros Técnicos e
Científicos S.A
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6.1 – 6.2
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Física, Fundamentos e
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Física 2
Livros Técnicos e
Científicos S.A
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19.1 – 19.6
20.1 – 20.3
e 20.7
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1.1 Descrição Macroscópica e Microscópica
Um sistema pode ser fisicamente descrito por suas grandezas macroscópicas, tais como temperatura,
pressão, volume, energia interna, etc. e essas grandezas macroscópicas podem ser inter-relacionadas
por equações de estado apropriadamente estabelecidas. Tais grandezas, variáveis ou propriedades,
são então chamadas de variáveis de estado ou propriedades de estado.
o A pressão de um gás, grandeza macroscópica, é medida operacionalmente com um
manômetro. Microscopicamente, a pressão está relacionada com a taxa média de
transferência do momento linear do gás para o fluido do manômetro, quando as moléculas
do gás colidem com uma membrana interna de um manômetro;
o A temperatura de um gás, também uma grandeza macroscópica, é relacionada à energia
cinética translacional média das moléculas;
o Se as grandezas macroscópicas podem ser expressas em termos das grandezas
microscópicas, então as leis da termodinâmica também podem ser expressas
quantitativamente em termos da mecânica estatística, porque na descrição microscópica
existe um número infinito de partículas que na verdade representam moléculas ou átomos
as quais só podem ser caracterizados estatisticamente.
Desta forma, na descrição microscópica podemos descrever um sistema ou uma substância, por
exemplo um gás contido em um recipiente, detalhando os movimentos de cada uma das moléculas
daquele gás. Isto levaria a um número infinito de equações físicas. A abordagem de descrever um
sistema ou uma substância pela movimentação de cada uma das moléculas ou átomos constituintes
é chamada de dinâmica molecular e converge para a mecânica estatística que por sua vez, relaciona
médias de propriedades moleculares com quantidades por nós conhecidas como temperatura,
pressão e outras.
A descrição macroscópica trabalha com as propriedades em escala muito maior do que a escala
molecular e trata da interação macroscópica do sistema com sua vizinhança como salientado
anteriormente.
1.2 Variáveis de estado
As variáveis de estado são variáveis que caracterizam o estado ou a condição de um sistema
termodinâmico. Exemplos de variáveis de estado termodinâmicas são pressão (p), volume (V),
temperatura (T), energia (U) etc..
Uma variável de estado muito importante é o número de moles ou mols (n) que uma substância pode
ser constituída. Um mol de substância é a quantidade de substância que contém um número de
Avogadro de moléculas da substância em questão. O número de Avogadro NA é
6,022 x 1023 moléculas/mol. Desta forma o número de mols ou moles de uma substância é definido
de duas maneiras diferentes. Uma em termos do número das moléculas ou átomos da substância em
relação ao número de Avogadro e a outra em termos da massa da substância em relação à massa
molar da própria substância. Ou seja,
𝑛 =
𝑁
𝑁$
=
𝑚
𝑀(
(1.1)
onde N é o número de moléculas ou de átomos da substância, NA é número de Avogadro, m é a massa
da substância e M0 é sua massa molar. A massa molar M0 de um número de Avogadro de moléculas
ou átomos de uma substância pura é obtida pela tabela periódica e expressa em gramas.
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Exemplo 1: Qual o peso molecular de 1 mol de glicose (C6H12O6)?
1 mol de carbono pesa 12,011𝑔;
1 mol de hidrogênio pesa 1,0007𝑔;
1 mol de oxigênio pesa 16,999 𝑔;
O peso molecular de 1 mol de glicose (C6H12O6) é 180,145 g, esse valor é equivalente é à soma das
massas atômicas de seus constituintes (6 × 12,011𝑔 + 12 × 1,007𝑔 + 6 × 16,999𝑔).
1. Atividades para auto avaliação: Descrições Macroscópica e Microscópica da Termodinâmica
1.1 (a) Imagine um balão cheio de gás. Como seriam as descrições macroscópica e microscópica do
gás dentro desse balão? (b) Esses dois tipos de descrição são independentes um do outro ou deve
haver alguma relação entre eles? Por quê?
1.2 (a) Quais são as principais características da Termodinâmica? (b) Ela trabalha com grandezas
macroscópicas ou microscópicas?
1.3 Qual o significado do termo "sistema" em termodinâmica?
1.4 O que é estado de um sistema?
1.3 Lei zero da termodinâmica e o conceito de temperatura
Um sistema está em equilíbrio termodinâmico quando suas variáveis de estado se mantêm inalteradas
ao longo do tempo e uniformes através de todo o sistema. Logo, no equilíbrio termodinâmiconão são
observadas mudanças macroscópicas nas variáveis de estado dos sistemas.
Sistemas termodinâmicos interagem com a vizinhança através de diferentes tipos de paredes (Figura
1.1). Entre elas:
− Parede adiabática: que não permite a passagem de matéria e calor.
− Parede diatérmica: que permite somente a passagem de calor.
Figura 1.1: (a) Sistema, vizinhança e paredes que determinam trocas de energia.
Quando dois sistemas isolados A e B estão separados por uma parede adiabática, os sistemas também
estão isolados entre si. Assim, quando as variáveis de estado de um dos sistemas mudam, o outro
Vizinhança
Paredes
Universo
Trocas de energia e matéria
entre sistema e vizinhança
ocorrem através da parede
Sistema
Parede adiabática imaginária suficientemente
afastada para limitar todo o universo.
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sistema não é afetado (Figura 1.2a). Por outro lado, dois sistemas isolados do meio externo, porém
interagindo entre si através de uma parede diatérmica, conforme mostrado na (Figura 1.2b), trocam
calor, modificando simultaneamente as variáveis de estado de ambos os sistemas. Como resultado da
interação, as variáveis de estado irão se modificar até atingir valores constantes em ambos os
sistemas. Uma forma particular de equilíbrio termodinâmico é o que chamamos equilíbrio térmico.
Na situação de equilíbrio térmico as temperaturas de todas as partes do sistema se igualam.
(a)
(b)
Figura 1.2: (a) Dois sistemas isolados separados por uma parede adiabática. (b) Dois sistemas isolados
separados por uma parede diatérmica.
Existem situações nas quais dois sistemas podem estar em equilíbrio térmico mesmo que não estejam
em contato direto através de uma parede diatérmica. A
(a)
(b)
Figura 1.3(a) mostra um sistema no qual uma parede adiabática separa os sistemas A e B e uma parede
diatérmica separa tanto os sistemas A e C quanto os sistemas B e C. Portanto, se os sistemas A e C
atingem o equilíbrio térmico, o mesmo acontecerá com os sistemas B e C. A experiência mostra que
nesta situação os sistemas A e B também estão ou estarão em equilíbrio térmico conforme indicado
na
(a)
(b)
Figura 1.3(b).
(a)
(b)
Figura 1.3: Sistemas A e B separados por uma parede adiabática e ambos separados de C por uma parede
diatérmica. Antes do equilíbrio térmico (a) cada sistema possui uma temperatura ao atingir o equilíbrio
térmico (b) , todos os sistemas possuem a mesma temperatura T.
A B A B
A B
C
Ta
Tc
Tb
A B
C
T
T
T
A B
C
Ta
Tc
Tb
A B
C
T
T
T
A B
C
Ta
Tc
Tb
A B
C
T
T
T
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Dito de outra forma, dois sistemas em equilíbrio térmico com um terceiro sistema, estão também em
equilíbrio térmico entre si.
Esse resultado é chamado Lei Zero da Termodinâmica e pode ser anunciado da seguinte forma:
Existe uma grandeza escalar chamada temperatura (T) que é uma propriedade de todos os
sistemas termodinâmicos em equilíbrio térmico. Dois sistemas estão em equilíbrio térmico se e
somente se suas temperaturas forem iguais.
Conceito de temperatura
O conceito de temperatura está intimamente relacionado com o estado de equilíbrio térmico de dois
sistemas. Dois sistemas em equilíbrio térmico têm a mesma temperatura. Ou seja, se dois sistemas
são postos em contato, suas variáveis de estado se modificam até que ambos atinjam a mesma
temperatura. Suponhamos, por exemplo, que um dos sistemas seja um termômetro usado para medir
temperatura. Após o termômetro ter atingido o equilíbrio térmico com o outro sistema, ambos terão
a mesma temperatura. Na realidade, medimos a temperatura do termômetro! Sabemos que o outro
sistema tem a mesma temperatura porque ele está em equilíbrio térmico com o termômetro.
A temperatura é uma medida da média da energia térmica das partículas de uma substância. Uma vez
que se trata de um valor médio, não depende do número de partículas da substância. Nesse sentido,
não depende das dimensões do sistema. Por exemplo, a temperatura de um pequeno copo de água
fervente é o mesma que a temperatura de uma panela de água fervente. Mesmo se o volume da
panela for muito maior do que o volume do copo e contenha milhões e milhões de moléculas de água
a mais do que no copo.
2. Atividades para auto avaliação: Temperatura
2.1 Qual é a diferença entre temperatura e calor?
2.2 Como medir temperatura? Como medir calor? Explique!
2.3 Seria correto afirmar em um dia quente que “está fazendo calor”?
2.4 O que significa dizer que um sistema está em equilíbrio termodinâmico?
2.5 Se dois sistemas A e B estão, cada um, em equilíbrio termodinâmico, podemos afirmar que eles
estão em equilíbrio térmico entre si? Por quê?
2.6 Qual é a relação entre equilíbrio térmico e a definição de temperatura em termos macroscópicos?
2.7 O que diz a Lei Zero? Como ela se relaciona com a utilização de um termômetro para medir
temperatura?
1.4 Termômetros e escalas de temperatura
Uma vez estabelecido o conceito de temperatura, faz-se necessário estabelecer meios de mensurá-
la. Para tanto usamos termômetros, que são dispositivos usados para medir a temperatura. Um
termômetro pode ser constituído de qualquer substância que tenha uma propriedade variável com a
temperatura X(T). Neste caso, a substância é identificada como substância termométrica e a
propriedade identificada como propriedade termométrica porque varia com a temperatura do meio
que está inserida. Como exemplo de propriedades termométricas temos: o volume de um líquido
(como no termômetro de mercúrio ou álcool em bulbo de vidro); a pressão de um gás mantido em
volume constante (base para o de gás a volume constante); a resistência elétrica de um fio metálico
(o termômetro de fio de platina); a diferença de potencial observada na junção de dois fios metálicos
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(termopar ou par termoelétrico), variação da frequência natural com a temperatura dos cristais ou
mudança de cor com a temperatura, etc.
Um bom termômetro é aquele cuja propriedade termométrica (𝑋) apresenta variação linear com a
temperatura (T) na forma:
𝑇(𝑋) = 𝑎𝑋 + 𝑏 (1.2)
sendo a e b constantes determinadas no processo de calibração do termômetro de interesse.
Todos termômetros necessitam de uma escala de temperatura para cumprir sua função. Em 1742, o
astrônomo sueco Anders Celsius vedou mercúrio em um pequeno tubo capilar e observou como ele
se movia para cima e para baixo conforme a temperatura mudava. Celsius selecionou dois pontos de
calibração para o seu dispositivo: o ponto de congelamento da água, definido como 0 e o ponto de
ebulição normal da água rotulado como 1001. Depois dividiu o comprimento do tubo de vidro entre
estes dois pontos de calibração em 100 intervalos iguais. Ao fazer isto ele inventou a escala de
temperatura Celsius (conhecida popularmente como escala centígrada). As outras temperaturas, fora
dos 2 pontos de calibração, são deduzidas por interpolação ou extrapolação. A unidade da escala
Celsius de temperatura é o "grau Celsius” que é abreviado por °C. Observe que o símbolo ° faz parte
da unidade C e não do número. A escala Celsius é usada em praticamente todos os países do mundo
e em todas as áreas de atividade e do conhecimento da humanidade.
1.4.1 Escala Fahrenheit
A escala Fahrenheit de temperatura (amplamente usada nos Estados Unidos e Reino Unido) é também
originalmente baseada em dois pontos de calibração: o ponto de congelamento de uma mistura de
gelo e sal e a temperatura normal do corpo humano. Esta escala define a temperatura de
congelamento da água como 32 °F e a temperatura do pontode ebulição da água como 212 °F. A
conversão entre as escalas Celsius e Fahrenheit é feita observando-se a correspondência entre os
pontos de calibração, ou seja, o ponto normal de congelamento (0 °C = 32 °F) e de ebulição da água
(100 °C = 212 °F). Desta forma, a relação entre as escalas Celsius e Fahrenheit é:
𝑇: =
9
5𝑇< + 32 (1.3)
Exemplo 2: O ganho de um amplificador a base de transistor depende da temperatura. O ganho de
um certo amplificador a 20 °C é 30,0 e a 55,0 °C é 35,2. Se o ganho variar linearmente com a
temperatura neste intervalo, qual seria o ganho a 28,0 °C? A figura abaixo apresenta em termos
gráficos a situação apresentada no enunciado deste exemplo:
1 Na realidade e historicamente Celsius definiu 100 como o ponto de congelamento da água e 0 como o ponto de
ebulição normal da água. Naturalmente, isto não tira o mérito de Celsius por significativa contribuição à Termodinâmica
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Pela análise da figura abaixo podemos montar a seguinte expressão:
G − 30
35,2 − 30 =
28 − 20
55 − 20
G − 30
5,2 =
8
35 ∴ G = 31,2
1.4.2 Escala Kelvin
Uma escala de temperatura que merece uma atenção especial é a escala Kelvin, que foi estabelecida
com ajuda do termômetro de gás a volume constante. A definição dessa escala usa somente um ponto
de calibração. Em outras palavras, na escala Kelvin, quando a temperatura for 0 K, atribui-se a
propriedade termométrica x usada para defini-la o valor zero, ou seja, na equação (1.2), b = 0
𝑇(𝑋) = 𝑎𝑋 (1.4)
Desta forma geral, basta um ponto de medida para calibrar o possível termômetro na escala Kelvin,
por exemplo, em um ponto P qualquer de pressão 𝑋B e Temperatura 𝑇B, 𝑎 =
CD
ED
, ou seja,
𝑇(𝑋) = F
𝑇B
𝑋B
G𝑋 (1.5)
Por acordo decorrente das reuniões das Conferências Internacionais de Pesos e Medidas, ficou
estabelecido que o ponto de calibração da escala Kelvin é o ponto tríplice da água, isto é, a
temperatura onde o gelo, a água e o vapor de água coexistem em equilíbrio termodinâmico e a
constante da equação (1.4) é estabelecida por 𝑎 = CHI
EHI
. Desta forma, por acordo internacional, ficou
estabelecido que Ttr =273,16 K = 0,01 °C. Voltando à equação (4), 273,16 K = a Xtr, ou seja
𝑇(𝑋) = 273,16 J
𝑋
𝑋KL
M (1.6)
𝑋KL é o valor da propriedade termométrica no ponto tríplice da água. A temperatura dada pela
equação (6) vale apenas para uma determinada propriedade termométrica X. Outras propriedades
levam a diferentes leituras de temperatura. A unidade da escala Kelvin é o “Kelvin", abreviado por K.
Atualmente não se usa mais dois pontos fixos para definir a escala Celsius. A escala Kelvin é definida
e a relação entre as temperaturas Tc (Celsius) e Tk (Kelvin) é estabelecida pela equação
𝑇< = 𝑇N − 273,15 (1.7)
16 TERMODINÂMICA BÁSICA
32
5
9
+= CF TT (1.2)
Exemplo 3: 2�JDQKR�GH�XP�DPSOLÀFDGRU�D�EDVH�GH�WUDQVLVWRU�GHSHQGH�
GD�WHPSHUDWXUD��2�JDQKR�GH�XP�FHUWR�DPSOLÀFDGRU�j�����&�p������H�D������
�&�p�������6H�R�JDQKR�YDULDVVH�OLQHDUPHQWH�FRP�D�WHPSHUDWXUD�QHVWH�LQWHU�
YDOR��TXDO�VHULD�R�JDQKR�D�������&"
$�)LJ����DSUHVHQWD�HP�WHUPRV�JUiÀFRV�D�VLWXDomR�DSUHVHQWDGD�QR�HQXQ�
FLDQGR�GHVWH�H[HPSOR��3HOD�ÀJXUD�SRGHPRV�PRQWDU�D�VHJXLQWH�H[SUHVVmR��
30 28 20
35,2 30 55 20
G � �
=
� �
30 8
5,2 35
G �
=
2,31=G
3RUWDQWR��SDUD�D�WHPSHUDWXUD�GH�������&��R�JDQKR�GR�DPSOLÀFDGRU�VHUi�
DSUR[LPDGDPHQWH�����
Fig. 1.5 – Exemplo 3
Exemplo 4:�8P�WHUP{PHWUR�FDOLEUDGR�QD�HVFDOD�&HOVLXV� Or�������&��
4XDQWR�HVWD�WHPSHUDWXUD�YDOH�QD�HVFDOD�)DKUHQKHLW��8VDQGR�D�HTXDomR�������
YRFr�LUi�YHULÀFDU�TXH�D�WHPSHUDWXUD�YDOH������)��3RU�IDYRU��FRQÀUD�
8PD�HVFDOD�GH�WHPSHUDWXUD�TXH�PHUHFH�XPD�DWHQomR�HVSHFLDO�p�D�
escala Kelvin�SRUTXH�HOD�XVD�VRPHQWH�XP�SRQWR�GH�FDOLEUDomR�H�WDPEpP�
SRUTXH�D�SDUWLU�GHOD�p�TXH�VH�FRQVLGHUD�D�LPSRUWkQFLD�GR�WHUP{PHWUR�GH�
JiV�D�YROXPH�FRQVWDQWH�XP�LQVWUXPHQWR�IXQGDPHQWDO�SDUD�R�HVWDEHOHFL�
PHQWR�GD�HVFDOD�GH�WHPSHUDWXUD�GR�JiV�LGHDO�H�GD�(VFDOD�,QWHUQDFLRQDO�
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a = Tp/Xp��RX�VHMD��
X = Pressão em TE.
Xtr = Pressão no estado Triplo da Agua
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Os pontos de congelamento e ebulição da água são medidos em Kelvin e depois convertidos para
Celsius, sendo o ponto de congelamento 273,15 K ou 0,00 °C e o ponto de ebulição 373,16 K , ou seja
99,98 °C.
Exemplo 3: Quando em equilíbrio térmico no ponto triplo da água, a pressão do He em um
termômetro a gás de volume constante é 1020 Pa. A pressão do He é 288 Pa quando o termômetro
está em equilíbrio térmico com o nitrogênio líquido em seu ponto normal de ebulição. Qual é o
ponto normal de ebulição do nitrogênio obtido com este termômetro?
𝑇(𝑅) = 273,16 J
288
1020M = 77,13 𝐾
Exemplo 4: A resistência de um certo fio de platina aumenta por um fator de 1,392 entre o ponto
tríplice e o ponto normal de ebulição da água. Ache a temperatura de ebulição da água quando se
utiliza um termômetro de resistência de platina
𝑇(𝑅) = 273,16 J
𝑅
𝑅KL
M = 273,16 × 1,392 = 380,2 𝐾
ou seja, esse termômetro indicaria uma temperatura de ebulição da água de 107,05 oC, valor acima
do valor de 99,98 oC experimentalmente aceito para tal propriedade. Isto nos leva a concluir que a
resistência do fio de platina em questão, não varia linearmente com a temperatura.
Valores de temperaturas típicas nas escalas Celsius, Kelvin e Fahrenheit são mostrados na Tabela 1.1.
Tabela 1.1: Temperaturas de algumas substâncias e processos nas escalas Celsius (oC) , Kelvin (K) e
Fahrenheit (oF).
Substância Temperaturas
oC K oF
Ebulição da Água (fervura) 100 373,125 212
Corpo humano 37,0 310,2 98,6
Fusão da Água (congelamento) 0,00 273,15 32,0
Ponto triplo da água 0,01 273,16 32,0
L Ebulição do Nitrogênio -196 77 -321
Zero absoluto -273,15 0 -459,67
°F = 1.8°C + 32 K = °C + 273.15
3. Atividades para auto avaliação: Termometria
3.1 (a) A medida da temperatura da testa de outra pessoa com a mão é uma medida confiável para
saber se a pessoa está com febre? (b) Como você mediria a temperatura de um corpo?
3.2 (a) O que é propriedade termométrica? (b) Quais características tornam uma certa propriedade
termométrica apropriada para a utilização em um termômetro prático?
3.3 Qual é a diferença entre as temperaturas medidas pelas escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin?
3.4 (a) Há alguma temperatura na qual coincidem as medidas feitas na escala Kelvin e na escala
Celsius? (b) E entre a escala Kelvin e a escala Fahrenheit? (c) E entre a escala Fahrenheit e a escala
Celsius?
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1.5 Termômetro a gás a volume constante
Idealmente a temperatura de um sistema deveria ter um valor bem definido independente da
propriedade usada para medi-la. A pergunta é saber qual é o instrumento ou termômetro que
preenche este requerimento. Será mostrado abaixo que o termômetro de gás a volume constante
satisfaz esta condição, e que gases ideais são substâncias termométricas padrão. Por razões que serão
discutidas a seguir, a pressão será a propriedade termométrica escolhida para este termômetro.
Pela lei dos gases ideais, que relaciona as variáveis de estado pressão, volume ocupadopelo gás,
número de partículas do gás e temperatura mostrada na equação (1.8), verificamos que se o volume
do gás for mantido constante, a pressão neste termômetro depende linearmente da temperatura.
𝑝𝑉 = 𝑛𝑅𝑇 (1.8)
Na Figura 1.4 é apresentado o termômetro de gás a volume constante. Ele consiste de um bulbo,
contendo um gás qualquer, ligado por um tubo capilar conectado a um manômetro de mercúrio. O
bulbo de quartzo, vidro, platina ou outro material (dependendo do intervalo de temperatura a ser
medido) é colocado no banho ou ambiente cuja temperatura deseja-se conhecer. Abaixando-se ou
levantando-se o reservatório de mercúrio obriga-se o nível do mercúrio a coincidir com a marca de
referência forçando o gás no interior do termômetro a permanecer sempre com o volume constante.
Figura 1.4: Termômetro de gás a volume constante
A diferença de pressão do gás P e da pressão atmosférica Po é indicada pela diferença de altura h da
coluna de mercúrio na escala. Ou seja,
𝑃 − 𝑃( = 𝜌. 𝑔. ℎ (1.9)
Sendo ρ a densidade do mercúrio, g a aceleração da gravidade. O bulbo contendo gás é colocado no
banho a temperatura T. Levantando-se ou abaixando-se o reservatório de mercúrio, faz-se o nível de
mercúrio coincidir com o ponto O, como já dito. Supondo que todas as correções experimentais sejam
feitas (como por exemplo, levar em conta a variação do volume do bulbo e que nem todo o gás no
capilar está imerso no bulbo, etc.) a pressão absoluta P fornecerá a temperatura pela expressão:
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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𝑇(𝑝) = (273,16𝐾) J
𝑃
𝑃KL
M
W
(1.10)
onde o índice V indica que o volume do gás é mantido constante e 𝑃KL é a pressão no ponto triplo da
água.
Iremos a seguir fazer uma simulação de como se determina a temperatura T de um banho usando
este termômetro. Suponhamos que no termômetro haja certa quantidade de gás (por exemplo N2) a
certa pressão.
1. Coloca-se o termômetro de N2 em água no ponto triplo e ajusta-se sua pressão para 80 cmHg,
isto é, 𝑃KL = 80 cmHg acima de Po. Este ajuste de pressão é feito retirando ou adicionando
nitrogênio no interior do termômetro.
2. A seguir, leva-se o termômetro ao banho onde se quer medir a temperatura T. Espera-se o
equilíbrio térmico e a seguir ajusta-se a altura da coluna de mercúrio até o nível do mercúrio
coincidir com o ponto 0, isto garante o volume constante do gás no termômetro. Quando o
equilíbrio for atingido, a nova pressão pode ser calculada usando o valor de h e a expressão
(9). Por exemplo, calcula-se P (𝑃KL = 80 cmHg) = 109,334 cmHg. Assim, pela equação (10)
temos:
𝑇(𝑃) = (273,16𝐾) J
109,334
80 MW
= 373,32 𝐾
3. O termômetro é então recolocado no recipiente com água no ponto triplo e ajusta-se a
pressão a 40 cmHg, isto é, 𝑃KL = 40 cmHg acima de Po. Como anteriormente, isto é obtido
retirando nitrogênio do interior do termômetro até atingir 40 cmHg.
4. A seguir, leva-se o termômetro ao banho onde a temperatura T será medida. Espera-se o
equilíbrio térmico, e a seguir ajusta-se a altura da coluna de mercúrio até o nível do mercúrio
coincidir com o ponto 0, isto garante o volume constante do gás no termômetro. A nova
pressão pode ser calculada usando o novo valor de h e a expressão (9). Por exemplo, calcula-
se P(𝑃KL = 40 cmHg) = 54,65 cmHg. Assim, pela equação (10) temos:
T(P) = (273,16K) J
54,65
40 M\
= 373,20 K
5. Repete-se o item 3 para 𝑃KL = 20 cmHg
6. Repete-se o item 4 obtendo P (𝑃KL = 20 cmHg) = 27,323 cmHg . Pela equação (10) teremos:
𝑇(𝑃) = (273,16𝐾) J
27,323
20 MW
= 373,18 𝐾
Colocando-se os pontos em um gráfico e extrapolando para a situação onde 𝑃KL = 0 (ou seja P = Po)
encontra-se o valor verdadeiro para temperatura T (Figura 1.5). Neste caso, T = 373,15 K (ponto de
ebulição da água).
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Figura 1.5: Termômetro de gás a volume constante usando diferentes gases (O2, N2 e H2) para medição
da temperatura.
A escala de temperatura construída com ajuda do termômetro de gás a volume constante depende
das propriedades dos gases ideais(equação (1.8) mas não das propriedades químicas dos gases (desde
que estes se comportem de acordo com a equação dos gases ideais). A escala Kelvin é independente
de qualquer propriedade de qualquer substância particular. Por isso, é uma escala absoluta. A escala
Kelvin e a escala do termômetro de gás a volume constante são idênticas no intervalo de temperatura
em que este termômetro pode ser usado, sendo definida por:
𝑇(𝑃) = (273,16𝐾) J
𝑃
𝑃KL
M
W
(1.11)
Termômetros de gás a volume constante, mesmo com uma pequena quantidade de gás em seu
interior, indicam a temperatura do sistema com o qual estão em equilíbrio térmico com grande
precisão e, por isto, são escolhidos como termômetros de referência . Para se medir temperaturas
muito baixas, digamos da ordem 1 K, é preciso usar o hélio como gás de trabalho porque o hélio é o
único gás que permanece na forma gasosa em baixa pressão nesta temperatura, estabelecendo assim
o limite no qual o termômetro de gás a volume constante pode operar.
4. Atividades para auto avaliação: Termômetro a gás a volume constante
4.1 O gráfico da figura abaixo, representa as temperaturas obtidas com um termômetro de gás a
volume constante cujo bulbo está imerso em água em ebulição. Gases diferentes são usados, cada
um com uma densidade diferente, como indicado pelo eixo horizontal que representa a pressão
no ponto triplo da água (Ptr). Responda: (a) Que valor será obtido para a temperatura do ponto de
ebulição da água se for usado um termômetro de gás a volume constante que utiliza Ar e que
contém Ar suficiente para que Ptr = 80cmHg? Esse valor corresponde à temperatura absoluta? (b)
Qual seria a leitura do termômetro se fosse retirado um pouco de ar, de forma que Ptr = 20cmHg?
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4.2 Qual o valor da temperatura absoluta do ponto de ebulição da água?
4.3 Por que um termômetro de gás a volume constante permite a definição de uma escala
termométrica absoluta?
1.6 Dilatação térmica
A dilatação térmica pode ser compreendida analisando a estrutura atômica de um sólido cristalino.
Em um sólido, os átomos são mantidos juntos em um arranjo regular por forças elétricas. As
propriedades deste arranjo são semelhantes às de uma rede composta de massas e molas mostrada
na Figura 1.6(a). Existem da ordem de 1023 átomos e molas em 1 cm3 de um sólido. Os átomos de uma
estrutura sólida cristalina como esta vibram com frequência de 1013 Hz e amplitude da ordem de 10-
11 m, que é aproximadamente um décimo do diâmetro do átomo (o raio atômico é da ordem de 10-10
m). Quando a temperatura do sólido aumenta, a distância média entre os átomos aumenta como
mostrado na Figura 1.6(b) e isso leva a uma dilatação de todo o sólido. A variação de qualquer
dimensão linear do sólido, como comprimento, largura ou espessura, é chamada de dilatação linear.
Figura 1.6: (a) Podemos visualizar as forças entre átomos vizinhos em um sólido imaginando-os ligados
por molas que apresentam constantes elásticas distintas para a compressão e para o alongamento. É
mais fácil dilatar um sólido que comprimi-lo. (b) Gráfico da energia potencial pela distância entre dois
átomos vizinhos, mostrando que as forças não são simétricas. E3 > E2 > E1 e, portanto, T3 > T2 > T1.
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Por experimentação, observa-se que a dilatação linear de um corpo, caracterizada pela variação ΔL
no seu comprimento Lo, é diretamente proporcionalao próprio comprimento Lo como também à
variação de temperatura ΔT correspondente, conforme mostrado na Figura 1.7.
Figura 1.7: Como o comprimento de uma barra se comporta com a variação da temperatura. As variações
de comprimento foram exageradas para facilitar a visibilidade.
Ou seja, se ΔT for suficientemente pequeno:
∆𝐿 = 𝛼𝐿(∆𝑇
𝐿 = 𝐿((1 + 𝛼∆𝑇)
(1.12)
sendo α o coeficiente de dilatação linear, uma característica própria de cada material. O coeficiente
de dilatação linear é precisamente estimado por:
𝛼 = (∆𝐿/𝐿()a/∆𝑇 (1.13)
o qual corresponde à variação fracionária do comprimento por variação de intervalo de temperatura
na escala adotada à pressão (P) constante. Na realidade, α deveria ser tomado ponto a ponto na
temperatura da medição e da temperatura escolhida para se determinar L, entretanto a variação é
desprezível quando comparada com a precisão em que os comprimentos são medidos. Normalmente
assume-se um valor médio para uma faixa de temperatura de interesse. Na Tabela 1.2 são
apresentados os coeficientes de dilatação linear médios para algumas substâncias, no intervalo de
temperatura entre 0 °C a 100 °C.
Tabela 1.2: Coeficiente de dilatação linear de algumas substâncias no intervalo entre 0 e 100 oC.
Substância α x 10-6 (1/oC)
Chumbo 29
Alumínio 23
Latão 19
Cobre 17
Aço 11
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Vidro 9
Exemplo 5: Uma barra feita com uma liga de alumínio mede 10 cm a 20 °C e 10,015 cm no ponto
de ebulição da água. (a) Qual seu comprimento no ponto de congelamento da água? (b) Qual sua
temperatura, se seu comprimento final for 10,009 cm? Determinaremos inicialmente o valor de a.
α =
c∆LLe
f
∆T =
(10,015 − 10)
(100 − 20) = 1,88 × 10
gh °Cgk
(a) no ponto de congelamento T = 0 oC
L = Le(1 + α∆T)
L = 10(1 + 1,88 × 10gh × (0 − 20) = 9,9962 cm
(b) Se o comprimento final é 10,009 cm
L − Le = Leα∆T
10,009 − 10 = 10 × 1,88 × 10gh × (Tn − 20)
Tn = 67.9 °C
Considerando 𝐴 = 𝐿p a área de um objeto, a variação da área pode ser calculada por:
∆𝐴 = 2𝐿∆𝐿 (1.14)
Substituindo o resultado obtido para variação do comprimento em (1.13) em (1.14), obtermos que a
variação da área de um objeto isotrópico (situação em que suas grandezas físicas variam igualmente
em qualquer direção) em função da variação da temperatura é dada por:
∆𝐴 = 𝛾𝐴(∆𝑇; 𝛾 = 2𝛼
𝐴 = 𝐴((1 + 𝛾∆𝑇)
(1.15)
onde 𝛾, chamado de coeficiente de expansão superficial, é característico de cada material.
Considerando 𝑉 = 𝐿r o volume de um objeto, a variação do volume será dada por
∆𝑉 = 3𝐿
p∆𝐿 (1.16)
Substituindo o resultado obtido para variação do comprimento em (1.13) em (1.16), obtemos que a
variação do volume para um corpo isotrópico em função da variação da temperatura é dada por:
∆𝑉 = 𝛽𝑉(∆𝑇; 𝛽 = 3𝛼
𝑉 = 𝑉((1 + 𝛽∆𝑇)
(1.17)
onde 𝛽, chamado de coeficiente de dilatação volumétrica, é característico de cada material. De uma
forma geral, o coeficiente de dilatação volumétrica (𝛽), para gases e líquidos, é dado por
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𝛽 = (∆𝑉/𝑉()B/∆𝑇 (1.18)
e corresponde à variação fracionária do volume por variação de intervalo de temperatura na escala
adotada à pressão (𝑃) constante.
Exemplo 6: Um cubo de latão (alatão = 1,90 x 10-5 °C-1) tem aresta de 31 cm. Qual o acréscimo em
sua área, se a temperatura subir de 20 °C para 75 °C?
∆A = γAe∆T = 2αAe∆T
∆A = 2 ∙ (1,9 × 10gh ) ∙ (0,31 × 0,31) ∙ (75 − 20)
∆A = 2,00 × 10gwmp
Se uma aresta aumenta sua área de 2,00 ´ 10-4 m2 o cubo (6 faces) aumentará sua área de
12 ´10-4 m2
A maioria dos materiais sofre dilatação quando aquecidos e sofre contração quando resfriados. A
exceção mais notável desta regra é a água. Conforme mostrado na Figura 1.8, acima de 4 °C a água se
dilata e no intervalo de 4 °C para 0 °C (no sentido de 4 °C para 0 °C) a água também se expande,
caracterizando assim a anomalia da dilatação térmica da água. Essa característica tem consequências
importantes. Em temperaturas acima de 4 °C, a água se torna mais densa enquanto é resfriada e,
portanto, afunda. Porém, ao ser resfriada abaixo de 4 °C, ela se torna menos densa e sobe à superfície.
Esta é a razão pela qual o gelo se forma primeiro na superfície de um lago ou rio. A água também se
expande quando congela. Como o gelo é menos denso do que a água líquida, ele permanece na
superfície e atua como uma camada isolante para a água que está abaixo. Se a água se comportasse
como a maioria das substâncias e contraísse enquanto congela, então o gelo afundaria e deixaria mais
água exposta na superfície, para ser congelada. Os lagos se encheriam de gelo do fundo para cima e
seria muito provável que congelassem completamente no inverno, principalmente nos extremos dos
hemisférios norte e sul da Terra. Obviamente o congelamento completo de lagos e rios poderia
inviabilizar a vida em sistemas aquosos nessas latitudes.
Existe um grande interesse tecnológico nas áreas de engenharia, fotônica, eletrônica e aplicações
estruturais, por materiais que apresentam coeficiente de dilatação térmica negativos. Por exemplo,
misturando um material de dilatação térmica negativa com um material "normal", que se expande
com o aquecimento, seria possível obter um material compósito de expansão térmica nula. Como a
expansão térmica causa muitos problemas na engenharia, e de fato na vida cotidiana, existem muitas
aplicações potenciais para materiais apresentando expansão térmica controlada. Um exemplo simples
de um problema de expansão térmica é a tendência da obturação dentária se expandir de uma
quantidade diferente daquela observada nos dentes, por exemplo, ao se beber uma bebida quente,
causando dor de dentes. Se obturações dentárias foram feitas de um material compósito contendo
uma mistura de materiais com expansão térmica positiva e negativa, a expansão do compósito poderia
ser precisamente ajustada à do esmalte do dente.
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Figura 1.8: O volume de um grama de água aumenta de 1,000 cm3 a 0 oC para 1,034 cm3 a 100 oC.
Entretanto 1 g de água atinge seu menor volume e, portanto, maior densidade a 4 oC . Observe que entre
a 0 e 4 oC o volume da água não varia linearmente com a temperatura.
Um dos materiais mais estudados por exibir expansão térmica negativa é o Tungstato de Zircônio
(ZrW2O8). Esse composto se contrai continuamente em intervalo de temperatura entre 0,3-1050 K (a
temperaturas mais elevadas o material se decompõe). Outros materiais que exibem esse
comportamento incluem outros membros da família AM2O8 e A2(MO4)3, em que A = Zr ou Hf, M = Mo
ou W, e ZrV2O7. Gelo comum apresenta dilatação térmica negativa em suas fases hexagonal e cúbica
em temperaturas muito baixas (abaixo de -200 °C). Quartzo e uma série de zeólitas também
apresentam coeficiente de dilatação térmica negativos sob certas faixas de temperatura. Silício puro
apresenta coeficiente de dilatação térmica negativo para temperaturas entre cerca de 18 K e 120 K.
Borracha apresenta coeficiente de dilatação térmica negativa em temperaturas normais, mas a razão
para o efeito é bastante diferente do que na maioria dos outros materiais. Para a borracha, à medida
que as longas cadeias de polímero absorvem a energia elas adotam uma configuração mais
contorcida, reduzindo o volume do material.
Figura 1.9 : Variação relativa do volume do ZrW2O8 com o aumento da temperatura.
5. Atividades para auto avaliação: Dilatação Térmica
r 0.30
* 0.2-
ffi 0.1 .
x 00
> -0.1
-0.2 -<
-04 ,-0.4
0 200 400 600 800 1000 1200
Temperature(K)
Fig. 1. Plot of percentage relative expansion versus
temperature for ZrW208. Open circles are dilatom-
eter data; solid circles are neutron diffraction data.
compound ZrW208 is evidently only ther-
modynamically stable between 1380 and
1530 K ( 1). It must be rapidly cooled from
high temperature to avoid decomposition
into ZrO2 and W03. Once formed, howev-
er, this compound has a high degree of
kinetic stability at temperatures below
about 1050 K. Thus, heating ZrW208 above
1050 K results in decomposition into ZrO2
and W03, which react to reform ZrW208 if
the temperature is increased to 1380 K. The
ordering that occurs below 430 K lowers the
free energy of this system; however, this is
presumably not an equilibrium phase. If the
system were to achieve equilibrium, ZrW208
would decompose into ZrO2 and W03. This
decomposition reaction is frustrated by its
high activation energy. The system is
trapped in a high-energy state, and this phe-
nomenon may be related to the unusual
thermal expansion properties. Negative ther-
mal expansion also occurs in AgI, but only in
the metastable cubic form (12). Negative
thermal expansion in cubic AgI is confined
to a region no wider than 200°C, the ther-
mal expansion at 100 K being positive.
We begin our explanation of the
unique properties of ZrW208 and
HfW208 by eliminating certain possibili-
ties. In both ZrO2 and HfO2, there is an
abrupt negative volume expansion at a
tetragonal-to-monoclinic phase transi-
tion. This transition is associated with a
A
C
Fig. 2. Section of the ZrW208 structure (thermal ellipsoids are used for atoms).
change in the coordination number of Zr
and Hf from 8 to 7 with decreasing tem-
perature. No such coordination change
occurs in ZrW208. The shortest Zr-O dis-
tance beyond the 2.1 A octahedral coor-
dination -sphere (Table 2) is 3.66 A at
both 0.3 and 700 K. We also eliminate
from consideration any changes with tem-
perature of the Zr-O or W-O bond dis-
tances. Structure refinements conducted
at 12 temperatures from 0.3 to 700 K show
no decreases in these distances with in-
creasing temperature. Furthermore, be-
cause of differences in Zr-O and Hf-O
bonding in isostructural ZrO2 and HfO2,
the temperature of the tetragonal-to-mon-
oclinic phase transition in these two com-
pounds differs by about 4000C. By con-
trast, in ZrW208 as compared to HfW208,
there is no detectable difference in their
phase transition temperature or in their
thermal expansion properties. Significant
changes in W-O bonding occur at the 430
K phase transition (Fig. 3), but the nega-
tive coefficient of thermal expansion re-
mains similar above and below this tran-
sition. We thus conclude that subtleties of
W-O, Zr-O, or Hf-O bonding are unlike-
ly to be the cause of the negative thermal
expansion.
We are thus left with Zr-O-W linkages
as the source of the negative thermal ex-
pansion. A systematic change in the an-
gles of this linkage could have been the
source, but this is not supported by our
structural refinements. It is, however, well
documented that the potential for
M-O-M transverse vibrations (corre-
sponding in a static picture to bond bend-
ing) is significantly lower than for longi-
tudinal vibrations (which correspond to
changes in the M-O bond lengths). A
transverse vibration of a bridging 0 in a
framework in which M-O bond distances
remain largely unchanged will cause a
contraction of the M-M distance and a
negative coefficient of thermal expansion.
Because of the asymmetry of a typical
M-O potential, however, longitudinal vi-
brations tend to lead to an overall increase
in M-M distances. As discussed above, the
network arrangement of ZrW208 leads to
a highly flexible structure that can readily
accommodate the changes in M-O-M
B
03
03
01
01
Fig. 3. (A) The two crystallographically distinct W04 tetrahedra of low-tem-
perature ZrW208 in space group P213. (B) The W04 "tetrahedra" of high-
temperature ZrW208 in space group Pa3. The 04 position is only 50% occu-
pied, and the large ellipsoid of W is due to disorder along the threefold axis.
SCIENCE * VOL. 272 * 5 APRIL 1996
01
I ..l
91
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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5.1 Explique, em termos microscópicos, por que os materiais podem sofrer dilatação quando sua
temperatura é variada?
5.2 A equação ∆𝐿 = 𝛼𝐿(∆𝑇 expressa a variação do comprimento com a temperatura. Obtenha as
equações ∆𝐴 = 2𝛼𝐴(∆𝑇 e ∆𝑉 = 3𝛼𝑉(∆𝑇 que descrevem a variação da área e do volume com a
temperatura, respectivamente.
5.3 O que é dilatação aparente?
5.4 O que existe de peculiar e importante na dilatação térmica da água?
5.5 Explique a expressão para a tensão térmica :
$
= −𝑌𝛼∆𝑇, onde F é a tensão da barra, A é a área
da seção reta, α é o coeficiente de dilatação linear e Y é o módulo de Young.
5.6 Pode existir coeficiente de dilatação negativo?
1.7 Exercícios de fixação
1.7.1 Em alguns locais da Terra a temperatura em graus Celsius é igual à temperatura em graus
Fahrenheit. Qual é o valor desta temperatura? Qual é a estação mais provável?
1.7.2 O ganho de um certo amplificador à temperatura ambiente (20,0 oC) é 30,0 e a 55,0 oC é
35,2. Se o ganho variasse linearmente com a temperatura neste intervalo limitado, qual seria o
ganho a 28,0 oC?
1.7.3 Dois termômetros de gás a volume constante são imersos em um banho de água no ponto
de ebulição. Um utiliza nitrogênio e o outro hélio, e ambos contêm gás suficiente para que ptr=100
mmHg (figura abaixo). Qual é a diferença entre as pressões dos dois termômetros? Qual
termômetro apresenta a maior pressão?
1.7.4 Usando-se um termômetro de gás a volume constante verificou-se que a pressão do ponto
triplo da água (0,01 oC) era igual a 4,80 x 104 Pa e a pressão do ponto de ebulição normal da água
(100 oC) era igual a 6,50 x 104 Pa. (a) Supondo que a pressão varie linearmente com a temperatura,
use esses dados para calcular a temperatura Celsius para a qual a pressão do gás seria igual zero
(isso é, ache a temperatura Celsius do Zero absoluto). (b) O gás neste termômetro obedece à
equação Cy
Cz
= ay
az
de modo preciso? Caso esta equação fosse obedecida exatamente, e a pressão a
100 oC fosse igual a 6,50 x 104 Pa, qual seria a pressão medida a 0,01 oC?
1.7.5 Os trilhos de uma estrada de ferro são fixados quando a temperatura é de -5,0 oC. Uma seção
padrão de trilho tem 12,0m de comprimento. Qual deve ser o espaçamento entre as seções para
que não haja compressão quando a temperatura subir até 42oC?
1.7.6 Mostre que se α depende da temperatura T, então 𝐿 ≅ 𝐿( |1 + ∫ 𝛼(𝑇)𝑑𝑇
C
C�
�, onde L0 é o
comprimento à temperatura de referência T0.
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1.7.7 A área A de uma placa retangular (figura abaixo) é ab e seu coeficiente de dilatação linear é
α. Com o aumento de temperatura ∆T, o lado a dilata ∆a e o lado b, ∆b. Mostre que se
desprezarmos o termo ∆a∆b/ab, então ∆𝐴 = 2𝛼𝐴𝛥𝑇.
1.7.8 O avião supersônico Concorde possui um comprimento igual a 62,1 m quando está em
repouso no solo em um dia típico (a 15 oC). Ele é basicamente feito de alumínio. Quando ele está
voando com uma velocidade igual ao dobro da velocidade do som, o atrito com o ar aquece a parte
externa do Concorde e produz uma dilatação de 25 cm no comprimento do avião. O compartimento
dos passageiros está apoiado em rolamentos, e o avião se expande em torno dos passageiros. Qual
é a temperatura da parte externa do Concorde durante o vôo?
1.7.9 Determine o coeficiente de dilatação volumétrica da água à uma temperatura de 9 oC. Utiliza
a a figura do problema que descreve a variação do volume da água em função da temperatura.
1.7.10 Uma barra de latão possui comprimento igual a 185 cm e diâmetro de seção circular igual a
1,60 cm. Qual é a força que deve ser aplicadaa cada extremidade da barra para impedir que ela se
contraia quando for esfriada de 120 oC para 10 oC? O coeficiente de dilatação do latão vale
2 x 105 K-1 e o módulo de Young do latão vale 9 x 1010 N/m2.
1.8 Problemas
1.8.1. A uma temperatura T0, a aresta de um cubo é igual a L0 e ele possui densidade igual a ρ0. O
material constituinte do cubo possui coeficiente de dilatação volumétrica igual a β.
(a) Mostre que quando a temperatura cresce de T0+∆T, a densidade do cubo passa a ser dada
aproximadamente por 𝜌 ≅ 𝜌((1 + 𝛽∆𝑇). (Sugestão: Use a expressão (1 + 𝑥)� ≈ 1 + 𝑛𝑥,
válida quando |𝑥| ≪ 1). Explique por que este resultado aproximado é válido somente
Respostas na Pag. 31
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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quando ∆T for muito menor do que 1/β e explique por que essa aproximação é válida na
maior parte dos casos.
(b) Um cubo de cobre possui aresta de 1,25 cm a 20,0 oC. Calcule sua variação de volume e de
densidade quando sua temperatura passa para 70 oC.
1.8.2. Mostre que se os comprimentos de duas barras de materiais diferentes são inversamente
proporcionais a seus respectivos coeficientes de dilatação linear à mesma temperatura
inicial e que a variação de seus respectivos comprimentos também sejam proporcionais à
temperatura, a diferença entre os seus comprimentos será constante em todas as
temperaturas. b) Quais deveriam ser os comprimentos de uma barra de aço e uma de latão
a 0 oC para que as diferenças de seus comprimentos fosse 0,30 m em todas as temperaturas?
1.8.3. A equação :
$
= −𝑌𝛼∆𝑇 fornece a tensão necessária para manter a temperatura da barra
constante à medida que a temperatura da barra varia. Mostre que se o comprimento pudesse
variar de ∆L quando a sua temperatura varia de ∆T, a tensão seria dada por:
:
$
= 𝑌 c∆�
��
− 𝛼∆𝑇f
Onde F é a tensão da barra, L0 é o comprimento original da barra, A é a área da seção reta, α é o
coeficiente de dilatação linear e Y é o módulo de Young.
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RESPOSTAS: Atividades de autoavaliação
1. Atividades para auto avaliação: Descrições Macroscópica e Microscópica da Termodinâmica
1.1 (a) Imagine um balão cheio de gás. Como seriam as descrições macroscópica e microscópica do
gás dentro deste balão? (b) Esses dois tipos de descrição são independentes um do outro ou deve
haver alguma relação entre eles? Por quê?
(a) Na descrição microscópica, sabendo que o gás é constituído por um grande número de moléculas
poderia ser fornecida a posição e a velocidade de cada uma delas ao longo do tempo e, a partir daí,
algum conhecimento das propriedades do gás ou de seu comportamento poderiam ser obtidas (um
gás com N moléculas seria descrito por 6N parâmetros, 3 coordenadas e 3 componentes da velocidade
em cada direção do espaço para cada molécula). Outra maneira de descrever o gás no balão seria
ignorar essa estrutura microscópica e especificar apenas um reduzido número de grandezas como sua
pressão, volume, densidade, temperatura etc. Essa seria a descrição macroscópica.
(b) As descrições macroscópica e microscópica estão relacionadas entre si. Por exemplo, a pressão
(descrição macroscópica) está relacionada com a taxa média de transferência de momento linear para
as paredes do recipiente pelas partículas do gás (descrição microscópica). A temperatura (descrição
macroscópica) está relacionada com a energia cinética translacional média das moléculas de um gás
(descrição microscópica).
1.2 (a) Quais são as principais características da Termodinâmica? (b) Ela trabalha com grandezas
macroscópicas ou microscópicas?
(a) A Termodinâmica faz uma descrição macroscópica dos sistemas físicos, sem levar em conta o
comportamento individual das partículas. Por ser caráter estatístico, só sistemas com grande número
de partículas podem ser estudados através da Termodinâmica. A Termodinâmica ajuda a
compreender a maneira como as propriedades da matéria são influenciadas pela transferência de
energia. No centro desta ciência está a temperatura. Cada propriedade macroscópica investigada pela
Termodinâmica é, na verdade, um valor médio de grandezas microscópicas estudadas pela Teoria
Cinética e pela Mecânica Estatística. Isso faz com que estas ciências se relacionem estreitamente.
(b) A termodinâmica é complementar à teoria cinética e à mecânica estatística. Partindo da descrição
microscópica, especificamos as forças que atuam nessas partículas e aplicando as leis da mecânica a
cada partícula conseguiremos prever o comportamento do sistema nos instantes subsequentes. Essa
é a base da teoria cinética da matéria. A abordagem da Mecânica Estatística é ignorar a individualidade
de cada molécula e aplicar considerações estatísticas ao conjunto de moléculas.
1.3 Qual o significado do termo “sistema” em termodinâmica?
Em termodinâmica, o termo “sistema” se refere a uma parte do universo separada dele por uma
fronteira que pode ser real (concreta) ou imaginária. Muitos problemas em termodinâmica envolvem
trocas de energia entre um sistema e outro. Os sistemas que podem interagir (trocar energia) com
um dado sistema são chamados de vizinhança desse sistema. As características da fronteira que
envolve um determinado sistema influenciam a troca de energia com sua vizinhança. Assim, uma
parede adiabática é um tipo de fronteira que não permite a troca de calor entre um sistema e sua
vizinhança, ao contrário de uma parede diatérmica, que permite a troca de calor.
1.4 O que é estado de um sistema?
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
_____
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O estado de um sistema termodinâmico é determinado pelos valores das quantidades macroscópicas
relevantes para a descrição do sistema em estudo. Assim, o estado de um gás, por exemplo, pode ser
determinado por sua temperatura, pressão, volume, densidade, entropia etc. Se estivermos
interessados em descrever o comportamento termodinâmico de um sólido magnético, precisaremos
conhecer sua magnetização; diferentes tipos de sistemas, portanto, vão requerer a especificação de
diferentes quantidades macroscópicas.
2. Atividades para auto avaliação: Temperatura
2.1 Qual é a diferença entre temperatura e calor?
Temperatura é um PROPRIEDADE de todos os materiais. Quando sistemas entram em equilíbrio
térmico, eles apresentam a mesma temperatura. Enquanto existir uma diferença de temperatura
entre os sistemas fluirá do sistema de temperatura mais alta para o sistema de temperatura mais
baixa uma ENERGIA chamada CALOR.
2.2 Como medir temperatura? Como medir calor? Explique!
Mede-se temperatura utilizando um termômetro. Ou seja, um dispositivo que usa uma característica
física adequada para cada situação, que varie com a temperatura. Quando termômetro e sistema
entrarem em equilíbrio térmico, eles possuirão a mesma temperatura.
Calor deve ser medido com o auxílio de um calorímetro, recipiente que isola dois ou mais corpos,
permitindo que haja troca de energia apenas entre eles.
2.3 Seria correto afirmar em um dia quente que “está fazendo calor”?
Não. Calor não é uma característica de um sistema. Calor significa a energia que flui de um corpo para
o outro. Portanto, qualquer sistema pode ceder ou receber calor, mas nunca possuí-lo. Assim, seria
correto dizer que: “a temperatura está alta”.
2.4 O que significa dizer que um sistema está em equilíbrio termodinâmico?
Quando um sistema se encontra em equilíbrio termodinâmico não se observa mudança de nenhuma
de suas propriedades MACROSCÓPICAS, embora possa existir mudanças instantâneas de suas
propriedades microscópicas. Dito de outra forma, toda medida experimental de quantidades
macroscópicas de um sistema em equilíbriotermodinâmico fica inalteradas enquanto perdurar o
referido estado de equilíbrio.
2.5 Dois sistemas em equilíbrio termodinâmico, estão necessariamente em equilíbrio térmico entre
si? Por quê?
Note que há uma ligeira diferença entre equilíbrio termodinâmico e equilíbrio térmico. O primeiro se
refere às condições macroscópicas que um sistema deve apresentar para estar em equilíbrio
enquanto que o segundo (equilíbrio térmico) se refere à comparação da temperatura entre dois ou
mais sistemas. Cada um dos sistemas pode estar individualmente em equilíbrio termodinâmico, mas
isso não implica que eles estejam necessariamente em equilíbrio térmico. Sistemas em equilíbrio
termodinâmico em temperaturas distintas quando colocados em contato térmico evoluirão, mudando
suas condições termodinâmicas individuais até atingir o equilíbrio térmico. Se compararmos as
variáveis macroscópicas dos sistemas antes e depois deles atingirem o equilíbrio térmico, veremos
que elas são diferentes.
2.6 Qual é a relação entre equilíbrio térmico e a definição de temperatura em termos macroscópicos?
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
_____
Pinheiro & Corradi - Fundamentos de Mecânica dos Fluidos e Termodinâmica - 25/03/2023
A temperatura de um corpo é a propriedade macroscópica que expressa a energia cinética
translacional média - propriedade microscópica - das moléculas existentes no corpo em questão.
A definição de temperatura em termos macroscópicos requer compreensão do conceito de equilíbrio
térmico. Quando dois corpos com temperaturas diferentes são colocados em contato, ocorre
entre eles transferência de energia, até que se atinja uma situação de equilíbrio térmico.
2.7 O que diz a Lei Zero? Como ela se relaciona com a utilização de um termômetro para medir
temperatura?
Lei Zero da Termodinâmica: Dois sistemas que estejam em equilíbrio térmico com um terceiro sistema
estarão também em equilíbrio térmico um com o outro.
A Lei Zero afirma que se um termômetro está em equilíbrio térmico com dois sistemas distintos, estes
estarão à mesma temperatura.
2.8
Parece óbvio, mas o fato que duas pessoas conheçam o presidente da República não implica no fato
que estas duas pessoas se conheçam. Como, à época da discussão sobre o conceito de temperatura,
já existia a primeira lei da termodinâmica, e dada a importância das conclusões discutidas acima, a
assertiva foi estabelecida como a “Lei Zero da Termodinâmica”.
3. Atividades para auto avaliação: Termometria
3.1 (a) Se alguém medisse a sua temperatura com a mão e lhe dissesse que você está com febre, você
tomaria ou não um antitérmico? (b) Como você mediria a temperatura de um corpo.
(a) Certamente não, visto que nossa percepção tátil pode nos conduzir a conclusões errôneas. Num
dia frio ao tocarmos numa porta de madeira e em sua fechadura, temos a impressão de que a parte
metálica (fechadura e maçaneta) está mais fria do que a parte de madeira. No entanto, isso é um
equívoco. A porta como um todo se encontra em equilíbrio térmico com o ambiente, ou seja, à mesma
temperatura que o ambiente. Essa sensação do metal estar mais frio é devida ao fato do metal ser
melhor condutor de calor do que a madeira. Assim, a troca de calor ocorre mais rapidamente entre a
sua mão e o metal, deixando a sensação dele estar mais frio.
(b) É necessário então buscar um método de medição que evite esses percalços. O medidor mais
comum é o termômetro de mercúrio (Hg) que, à pressão constante, sofre alterações no volume
quando tem sua temperatura variada. Após certo tempo o Hg estará em equilíbrio térmico com o
sistema a ser medido. Embora a variação volumétrica seja muito usada, ela não é a única. Há vários
tipos de termômetros que funcionam com as mais diversas propriedades termométricas
(resistividade, dilatação, intensidade da radiação etc.)
3.2 O que é propriedade termométrica? Que características tornam certa propriedade termométrica
apropriada para a utilização em um termômetro?
Propriedade termométrica de um material é uma característica que varia com a temperatura. No
termômetro de mercúrio (Hg), por exemplo, a propriedade termométrica usada é o volume, que para
pequenos intervalos de temperatura varia de forma linear com a temperatura. Uma boa substância
para se usar em um termômetro é aquela que pode ser encontrada facilmente, tornando o processo
reprodutível, e tenha uma propriedade termométrica que permita boa visualização de sua variação
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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em função da temperatura. O volume da água é uma propriedade termométrica inviável, devido ao
comportamento anômalo que a água apresenta entre 0o e 4o C. Para cada comprimento da coluna da
água teremos duas possíveis temperaturas nas proximidades de 4o C.
3.3 Qual é a diferença entre as temperaturas medidas pelas escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin?
As escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin são as mais conhecidas. Elas se relacionam através das
expressões:𝑇: =
�
h
𝑇< + 32 e 𝑇< = 𝑇� − 273. A escala Celsius é erroneamente conhecida como
“centígrado”.
3.4 Há alguma temperatura na qual coincidem as medidas feitas na escala Kelvin e na escala Celsius?
E entre a escala Kelvin e a escala Fahrenheit? E entre a escala Fahrenheit e a escala Celsius?
Para sabermos se há uma temperatura coincidente entre as escalas, usamos as expressões citadas
acima, supomos sua existência e verificamos se há coerência.
Entre Kelvin e Celsius
𝑇� = 𝑇� − 273
𝑇 = 𝑇 − 273
Entre Kelvin e Fahrenheit
𝑇: =
9
5
(𝑇� − 273) + 32
𝑇 =
9
5
(𝑇 − 273) + 32
𝑇 = 575
575 K = 575oF
Entre Fahrenheit e Celsius
𝑇: =
9
5𝑇< + 32
𝑇 =
9
5𝑇 + 32
𝑇 = −40
-40oC = -40oF
4. Atividades para auto avaliação: Termômetro a gás a volume constante
4.1 O gráfico da figura abaixo, representa as temperaturas obtidas com um termômetro de gás a
volume constante cujo bulbo está imerso em água em ebulição. Gases diferentes são usados, cada
um com uma densidade diferente, como indicado pelo eixo horizontal que representa a pressão no
ponto triplo da água (Ptr). (a) Que valor será obtido para a temperatura do ponto de ebulição da água
se for usado um termômetro de gás a volume constante que utiliza Ar e que contém ar suficiente para
que Ptr = 80cmHg? Esse valor corresponde à temperatura absoluta?
(a) Pela leitura do gráfico T = 373,32 K. Este valor não corresponde à temperatura absoluta.
(b) Qual seria a leitura do termômetro se fosse retirado um pouco de Ar, de forma que Ptr = 20cmHg?
T= 373,16 K.
4.2 Qual o valor da temperatura absoluta do ponto de ebulição da água?
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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T = 373,15K, como podemos ver no gráfico.
4.3 Por que um termômetro de gás a volume constante permite a definição de uma escala
termométrica absoluta?
Para todos os gases o valor de T converge quando 𝑃�� → 0. Ou seja, quando
�
W
→ 0. Assim,
independente da substância termométrica, podemos definir uma escala absoluta para a temperatura.
5. Atividades para auto avaliação: Dilatação Térmica
5.1 Explique, em termos microscópicos, por que os materiais podem sofrer dilatação quando sua
temperatura é variada?
O conjunto de átomos que forma um material vibra constantemente em torno de um ponto de
equilíbrio. Quanto maior a temperatura do corpo maior é a amplitude de vibração. A energia potencial
do conjunto de átomos é semelhante ao que se observa na primeira figura abaixo:
Quanto T aumenta (de T1 para T2) variamos as posições médias (de <X1> para <X2>) e
consequentemente a distância entre átomos. Por isso verificamos uma dilatação ou contração. Se o
potencial fosse simétrico como indicado abaixo, independentemente da temperatura, a posição
média de cada átomo seria a mesma econsequentemente não observaríamos mudança das distâncias
interatômicas.
5.2 A equação 𝛥𝐿 = 𝛼𝐿𝛥𝑇 expressa a variação do comprimento com a temperatura. Obtenha as
equações 𝛥𝐴 = 2𝛼𝐴(𝛥𝑇e 𝛥𝑉 = 3𝛼𝑉(𝛥𝑇 que descrevem a variação da área e do volume com a
temperatura, respectivamente.
𝛥𝐿 = 𝐿 − 𝐿� = 𝐿�𝛼𝛥𝑇
𝐿 = 𝐿�(1 + 𝛼𝛥𝑇)
𝐴 = 𝐿p; 𝐴( = 𝐿(p
𝛥𝐴 = 𝐴 − 𝐴� = 𝐿p − 𝐿(p
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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𝛥𝐴 = 𝐿(p(1 + 2𝛼𝛥𝑇 + 𝛼p𝛥𝑇p) − 𝐿(p
𝛥𝐴 = 𝐴((1 + 2𝛼𝛥𝑇 + 𝛼p𝛥𝑇p − 1)
Mas 𝛼p𝛥𝑇p<<1 e ∴ 𝛥𝐴 = 𝐴�2𝛼𝛥𝑇
𝑉 = 𝐿r; 𝑉( = 𝐿(r
𝛥𝑉 = 𝑉 − 𝑉� = 𝐿r − 𝐿(r
𝛥𝑉 = 𝐿(r(1 + 3𝛼𝛥𝑇 + 3𝛼p𝛥𝑇p + 𝛼r𝛥𝑇r) − 𝐿(r
𝛥𝐴 = 𝑉((1 + 3𝛼𝛥𝑇 + 3𝛼p𝛥𝑇p + 𝛼r𝛥𝑇r − 1)
Mas 𝛼p𝛥𝑇p ≪1 e 𝛼r𝛥𝑇r≪1 ∴ 𝛥𝑉 = 𝑉�3𝛼𝛥𝑇
5.3 O que é dilatação aparente?
Quando observamos a expansão da coluna de mercúrio no interior de um termômetro, na realidade
estamos observando a diferença de dilatação entre o mercúrio e o recipiente. A substância líquida,
em geral se dilata mais que os sólidos. Essa diferença é o que torna possível a leitura do termômetro.
Se os coeficientes de dilatação do mercúrio e do vidro fossem iguais, ambos teriam a mesma expansão
ao serem aquecidos e a coluna de mercúrio permaneceria na mesma marca da escala. Dilatação
aparente é a diferença entre a variação volumétrica do líquido e do recipiente, que é dada por
�𝛽liq − 3𝛼solido�.
5.4 O que existe de peculiar e importante na dilatação térmica da água?
A água, assim como a maioria das substâncias, se expande ao ser aquecida. No entanto, a dilatação
só vale para temperaturas acima de 4o C. Esse líquido tão comum apresenta um comportamento
singular quando tem a sua temperatura variada entre 0o C e 4o C. Nesta faixa a queda de temperatura
provoca expansão da água, desta forma a densidade máxima da água ocorre a 4o C, isso pode ser
observado colocando um cubo de gelo num copo com água, como ele é menos denso, o gelo (sólido)
flutua. Essa singularidade da água é fundamental para a vida. Quando os lagos congelam na superfície
as camadas inferiores se mantém a uma temperatura de 4o C.
5.5 Explique a expressão para a tensão térmica :
$
= −𝑌𝛼𝛥𝑇, onde F é a tensão da barra, A é a área da
seção reta, α é o coeficiente de dilatação linear e Y é o módulo de Young.
J
𝛥𝐿
𝐿 Mtermica
= 𝛼𝛥𝑇
J
𝛥𝐿
𝐿 Mtensão
=
1
𝑌
𝐹
𝐴
À medida que T varia a barra sofre dilatação, e consequentemente fica sujeita a uma tensão que tende
a impedir a dilatação. Ou seja, como c��
�
f
termica
+ c��
�
f
tensão
= 0.
𝛼𝛥𝑇 = −
1
𝑌
𝐹
𝐴
Logo,
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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𝐹
𝐴 = −𝑌𝛼𝛥𝑇
5.6 Pode existir coeficiente de dilatação negativo?
Sim. Isto ocorre se o corpo contrai quando sua a temperatura aumenta. Lembre-se que 𝛼 = k
��
dL
dT
. Este
comportamento é comum a vários materiais, entre eles podemos citar a borracha.
RESPOSTAS: Exercícios de Fixação
1.7.1 Em alguns locais da Terra a temperatura em graus Celsius é igual à temperatura em graus
Fahrenheit. Qual é o valor desta temperatura? Qual é a estação mais provável?
Resposta
Considerando que TF=TC, então
T� =
9
5T� + 32
T =
9
5T + 32 ⇒ T = −40 ℃ = −40 ℉
A estação mais provável é o inverno.
1.7.2 O ganho de um certo amplificador à temperatura ambiente (20,0 oC) é 30,0 e a 55,0 oC é 35,2.
Se o ganho variasse linearmente com a temperatura neste intervalo limitado, qual seria o ganho a
28,0 oC?
Resposta
Considerando a relação linear temos que a cada 35 oC de variação há um ganho de 5,2 ��
��
. Podemos
encontrar qual é o ganho com a variação de 1 oC usando a equação da reta
y = ax + b :
30 = a20+ b
35, 2 = a55+ b
Resolvendo o sistema, temos que a = 0,15eb = 27
∴ y = 0,15x + 27
y(28) = 0,15(28) + 27 = 31, 2
1.7.3 Dois termômetros de gás a volume constante são imersos em um banho de água no ponto
de ebulição. Um utiliza nitrogênio e o outro hélio, e ambos contêm gás suficiente para que ptr=100
cm Hg Qual é a diferença entre as pressões dos dois termômetros e qual é a maior?
Resposta
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Tomando Ptr como sendo 100 mm de Mercúrio para ambos termômetros. De acordo com a Figura
1.5, o termômetro de N2 fornece 373,32 K para o ponto de ebulição da água. Usamos a Equação T =
273,16 × ¡
¡¢£
∴ P = ¤
273,16
ptr para determinar a pressão:
P¦ =
373,32
273,16
(100) P¦ = 136,67mmHg
Analogamente, o termômetro de hidrogênio fornece 373,05 K para o ponto de ebulição da água e
P§ =
r¨r,�h
273,16
(100) P§ = 136,57 mmHg
A pressão no termômetro de nitrogênio é maior que a pressão no termômetro de hidrogênio por 0,10
mm de mercúrio.
1.7.4 Usando-se um termômetro de gás a volume constante verificou-se que a pressão do ponto
triplo da água (0,01 oC) era igual a 4,80 x 104 Pa e a pressão do ponto de ebulição normal da água
(100 oC) era igual a 6,50 x 104 Pa.
a) Supondo que a pressão varie linearmente com a temperatura, use esses dados para calcular a
temperatura Celsius para a qual a pressão do gás seria igual zero (isso é, ache a temperatura
Celsius do Zero absoluto).
b) O gás neste termômetro obedece à equação ¤y
¤z
= ¡y
¡z
de modo preciso? Caso esta equação fosse
obedecida exatamente, e a pressão a 100oC fosse igual a 6,50 x 104 Pa, qual seria a pressão medida
a 0,01oC?
Resposta
4,80 × 10w = 0,01a + b
6,50 × 104 = 100a + b
Resolvendo o sistema: a = 170 e b = 48000
P = aT+ b
0=170 T+ 48000
T= -282 0C
20 TERMODINÂMICA BÁSICA
Fig. 1.7 - Termometro de gás à volume constante usando hidrogênio, nitrogênio ou oxigê-
QLR�FRPR�ÁXLGR�GH�VXD�RSHUDomR�
$�HVFDOD�GH�WHPSHUDWXUD�UHVSHLWDGD�SHOR�WHUP{PHWUR�GH�JiV�D�YROXPH�
FRQVWDQWH�p�a escala de temperatura de gás ideal��TXH�p�D�PHVPD�HVFDOD�
.HOYLQ��GHÀQLGD�SHOD�VHJXLQWH�H[SUHVVmR�
( )
tr
Ptr P
PKT
0
lim16,273
o
�= (V constante) (1.9)
3HOR� IDWR�GHVWHV� WHUP{PHWURV�QD� FRQGLomR�GH�SUDWLFDPHQWH�QHQKXP�
JiV�HP�VHX�LQWHULRU�FRQFRUGDUHP�HP�TXDOTXHU�WHPSHUDWXUD�FRPR�YLVWR�QD�
)LJXUD�����HOHV�VHUYHP�SDUD�GHÀQLU�H�PHGLU�WHPSHUDWXUD�FRP�D�PHOKRU�SUH�
FLVmR�SRVVtYHO�H�EDVLFDPHQWH�SRU�FDXVD�GLVWR�VmR�HVFROKLGRV�FRPR�termô-
metros padrões.
0HVPR�VHQGR�WHUP{PHWUR�TXH�LQGHSHQGHQWH�GR�JiV�XVDGR�HOH�GHSHQGH�
GDV�SURSULHGDGHV�GRV�JDVHV�HP�JHUDO��SURSULHGDGHV�HVWDV�UHSUHVHQWDGDV�SHOR�
FKDPDGR�JiV�LGHDO�TXH�VHUi�HVWXGDGR�QR�FDSLWXOR�VHJXLQWH�
3DUD�VH�PHGLU�WHPSHUDWXUD�PXLWR�EDL[D��GLJDPRV�GD�RUGHP���.�p�SUH�
FLVR�XVDU�R�KpOLR�FRPR�JiV�GH� WUDEDOKR�SRUTXH�R�KpOLR�p�R�~QLFR�JiV�TXH�
SHUPDQHFH�QD�IRUPD�JDVRVD�j�EDL[D�SUHVVmR�QHVWD�WHPSHUDWXUD��FRORFDQGR�
DVVLP�R�OLPLWH�DWp�RQGH�HVWH�WLSR�GH�WHUP{PHWUR�SRGH�RSHUDU�
1.3. Dilatação térmica
$�GLODWDomR�WpUPLFD�SRGH�VHU�FRPSUHHQGLGD��LPDJLQDQGR�D�HVWUXWXUD�
GH�XP�VyOLGR�FULVWDOLQR��2V�iWRPRV�VmR�PDQWLGRV� MXQWRV�HP�XP�DUUDQMR�
UHJXODU�SRU�IRUoDV�HOpWULFDV��FRPR�VH�IRVVHP�XP�FRQMXQWR�GH�PRODV�OLJD�
GDV�HQWUH�HOHV��(P�XP�FPó�Ki�FHUFD�GH������´PRODVµ��2V�iWRPRV�GH�XPD�
HVWUXWXUD�VyOLGD�FULVWDOLQD�FRPR�HVWD�YLEUD�HP�FHUFD�GH������+]�HP�XPD�
DPSOLWXGH�GD� RUGHP�GH�������P�� TXH� p� DSUR[LPDGDPHQWH�XP�GpFLPR�GR�
GLkPHWUR�GR�iWRPR��
4XDQGR�D�WHPSHUDWXUD�DXPHQWD��RV�iWRPRV�YLEUDP�FRP�DPSOLWXGHV�
PDLRUHV�H�VXD�GLVWDQFLD�PpGLD�DXPHQWD��,VWR�OHYD�D�XPD�GLODWDomR�GH�WRGR�R�
FRUSR�VyOLGR��$�YDULDomR�GH�TXDOTXHU�GLPHQVmR�OLQHDU�GR�VyOLGR��FRPR�FRP�
SULPHQWR��ODUJXUD�RX�HVSHVVXUD�p�FKDPDGD�GH�GLODWDomR�OLQHDU.
3RU�H[SHULPHQWDomR�REVHUYD�VH�TXH�D�GLODWDomR� OLQHDU�GH�XP�FRUSR��
FDUDFWHUL]DGD�SHOD�YDULDomR�¨/�QR�VHX�FRPSULPHQWR�/�p�GLUHWDPHQWH�SURSRU�
FLRQDO�DR�SUySULR�FRPSULPHQWR�/�FRPR�WDPEpP�j�YDULDomR�GH�WHPSHUDWXUD�¨7�FRUUHVSRQGHQWH��RX�VHMD���TXDQGR�¨7�IRU�VXÀFLHQWHPHQWH�SHTXHQR��
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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b) Usando a equação ¤y
¤z
= ¡y
¡z
teríamos 1,3662 = 1,3541, assim percebemos que o gás no termômetro
não obedece de modo preciso a equação mencionada.
¤y
¤z
= ¡y
¡z
→ 373©
273©
= ª,50«10
¬Pa
¡z
→ Pk = 4,76 × 10wPa
1.7.5 Os trilhos de uma estrada de ferro são fixados quando a temperatura é de -5,0o C. Uma seção
padrão de trilho tem 12,0 m de comprimento. Qual deve ser o espaçamento entre as seções para
que não haja compressão quando a temperatura subir até 42o C?
Resposta
Considerando que o coeficiente linear do Ferro seja 12,0 x 10-6 C-1, um trilho de ferro de 12 metros de
comprimento, submetido a um aumento de temperatura de 47oC, sofrerá uma dilatação dada por :
ΔL = αL�ΔT
ΔL = 12, 0 × 10gªCgk.(12, 0m).(47, 0oC)
ΔL = 6,7mm
O trilho se dilata em 6,7 mm. Este deve ser o espaçamento entre eles para que não ocorra compressão
quando a temperatura for 42oC.
1.7.6 Mostre que se α depende da temperatura T, então L ≅ Le |1 + ∫ α(T)dT
¤
¤°
�,
onde L0 é o comprimento à temperatura de referência T0.
Resposta
α =
ΔL
L
1
ΔT
α(T) =
1
L
dL
dT
α(T)dT =
dL
L
± α(T)dT = ±
dL
L
²
²�
¤
¤�
ln
L
L�
= ± α(T)dT
¤
¤�
L
L�
= e∫ ³(¤)dT
´
´�
Em primeira aproximação por expansão de séria de Taylor, e« = 1 + x
L
L�
= 1 + ± α(T)dT
¤
¤�
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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L ≃ L� ¶1 +± α(T)dT
¤
¤�
·
1.7.7 A área A de uma placa retangular (figura abaixo) é a.b e seu coeficiente de dilatação linear é
α. Com o aumento de temperatura ∆T, o lado a dilata ∆a e o lado b, ∆b.
Mostre que se desprezarmos o termo ∆a∆b/ab, então ∆A = 2αAΔT.
Resposta
A� = a�.b� An = a.b = (a� + Δa)(b� + Δb)
ΔA = An − A�
ΔA = [(a� + Δa)(b� + Δb)] − a�b�
ΔA = [a�b� + a�Δb + b�Δa + ΔaΔb] − a�b�
ΔA = [a�b� + a�(b�αΔT) + b�(a�αΔT) + (a�αΔT)(b�αΔT)] − a�b�
ΔA = 2a�b�αΔT + a�b�αpΔTp
a�b�αpΔTp esse termo é extremamente pequeno, por isso pode ser desprezado, então temos:
ΔA = 2αA�ΔT
1.7.8 O avião supersônico Concorde possui um comprimento igual a 62,1 m quando está em
repouso no solo em um dia típico (a 15oC). Ele é basicamente feito de alumínio. Quando ele está
voando com uma velocidade igual ao dobro da velocidade do som, o atrito com o ar aquece a parte
externa do Concorde e produz uma dilatação de 25 cm no comprimento do avião. O compartimento
dos passageiros está apoiado em rolamentos, e o avião se expande em torno dos passageiros. Qual
é a temperatura da parte externa do Concorde durante o vôo?
Resposta
DT = (DL)/( DL0) = (25 x 10-2 m)/((2.4 x 10-5 (oC)-1)(62.1 m)) = 168 oC.
Logo a temperatura é igual a 168 oC.
1.7.9 Determine o coeficiente de dilatação volumétrica da água à uma temperatura de 9oC. Utiliza
a figura do problema que descreve a variação do volume da água em função da temperatura.
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Resposta
O coeficiente pode ser achado pela inclinação da curva a 9oC.
β =
1
V�
ΔV
ΔT =
1
1.00025cmr
(1.0003cmr − 1.0000cmr)
(10eC − 6eC) → β = 0.000075/
eC = 7.5x10gh/eC.
1.7.10 Uma barra de latão possui comprimento igual a 185 cm e diâmetro de seção circular igual a
1,60 cm. Qual é a força que deve ser aplicada a cada extremidade da barra para impedir que ela se
contraia quando for esfriada de 120 oC para 10 oC? O coeficiente de dilatação do latão vale
2 x 105 K-1 e o módulo de Young do latão vale 9 x 1010 N/m2.
Resposta
F = -Y aADT
= -(9 x 1010 Pa)(2.0 x 10-5(oC)-1) (2.01 x 10-4 m2) (-110oC)
= 4.0 x 104 N.
RESPOSTAS: Problemas
1.8.1 À uma temperatura T0, a aresta de um cubo é igual a L0 e ele possui densidade igual a ρ0. O
material constituinte do cubo possui coeficiente de dilatação volumétrica igual a β.
(a) Mostre que quando a temperatura cresce de T0+∆T, a densidade do cubo passa a ser dada
aproximadamente por ρ ≈ ρ�(1 − βΔT). (Sugestão: Use a expressão (1 + x)½ ≈ 1 + nx, válida
quando |x|<<1) Explique porque este resultado aproximado é valido somente quando ∆T for muito
menor do que 1/β e explique por que é de esperar essa aproximação na maior parte dos casos.
(b) Um cubo de cobre possui aresta de 1,25 cm a 20,0 oC. Calcule sua variação de volume e de
densidade quando sua temperatura passa para 70 oC.
Resposta
(a)
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Pinheiro & Corradi - Fundamentos de Mecânica dos Fluidos e Termodinâmica - 25/03/2023
ρ� =
¾
\�
∴ ρ = ¾
\�¿\�À�¤
ρ =
mV�
1 + βΔT =
ρ�
1 + βΔT
Se (1 + x)½ ≈ 1 + nx, então (1 + βΔT)gk ≈ 1 − βΔT
ρ(T) ≈ ρ�(1 − βΔT)
Δρ(T) ≈ −ρ�βΔT
Este resultado aproximado é valido somente quando ∆T for muito menor do que 1/β porque a
expressão usada é válida para |x|<<1 βΔT<<1
(b)
Variação de volume:
ΔV = V�β ΔT
ΔV = 1,953(5,1 × 10gh)(50)
ΔV = 4,98 × 10grcmr
Variação de Densidade:
Δρ
ρ�
≈ (5,1 × 10gh)(50)
Δρ
ρ�
≈ 2,5 × 10gr %
1.8.2 a) Mostre que se os comprimentos de duas barras de materiais diferentes são inversamente
proporcionais a seus respectivos coeficientes de dilatação linear à mesma temperatura inicial e que a
variação de seus respectivos comprimentos também sejam proporcionais à temperatura, a diferença
entre os seus comprimentos será constante em todas as temperaturas. b) Quais deveriam ser os
comprimentos de uma barra de aço e uma de latão a 0 oC para que as diferenças de seus
comprimentos fosse 0,30 m em todas as temperaturas?
Resposta
(a)
A temperatura inicial considere-se os comprimentos das duas barras dados por:
(1) Lk� =
¦
³z
(2) Lp� =
¦
³y
onde N é a constante de proporcionalidade.
A variação dos respectivos comprimentos também é proporcional à variação da temperatura. Logo
(3) ΔLk = ΔLp = NΔT
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Assim, quando a temperatura varia de um ∆T, tem-se:
(4) Lk = Lk� + ΔLk =
¦
³z
+ NΔT
(5) Lp = Lp� + ΔLp =
¦
³y
+ NΔT
A diferença entre os comprimentos iniciais das barras será obtida subtraindo (2) e (1)
(6) ΔL� = Lk� − Lp� =
¦
³z
− ¦
³y
(7) ΔL� = N
³zg³y
³z³y
A diferença entre os comprimentos das barras após uma variação da temperatura ΔT será obtida
subtraindo (5) e (4)
ΔL = Lk − Lp =
N
αk
+ NΔT −
N
αp
− NΔT
ΔL = N
αk − αp
αkαp
ΔL = ΔL�
Logo, a diferença de comprimento é constante para qualquer variação de temperatura.
(b) Sendo ∆L= 0,30 m e os valores dos coeficientes de expansão do aço e do latão dados por
αp = αaço = 11 × 10gª ℃gk e αk = αlatão = 19 × 10gª ℃gk
Obtemos
N = ³z³y
³zg³y
ΔL = (19)(11) × 10
Ä12
(19g11)×10ÄÅ
(0,30) = 7,84 × 10gª
Portanto,
Lk� =
7,84 × 10gª
19 × 10gª
= 0,4125m
Lp� =
7,84 × 10gª
11 × 10gª
= 0,7125m
Tal que
ΔL� = Lk� − Lp� = 0,30m
1.8.3 A equação �
Æ
= −YαΔT fornece a tensão necessária para manter a temperatura da barra
constante à medida que a temperatura da barra varia. Mostre que se o comprimento pudesse variar
de ∆L quando a sua temperatura varia de ∆T, a tensão seria dada por:
F
A = YJ
ΔL
L�
− αΔTM
Equilíbrio térmico, Temperatura e Dilatação
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Onde F é a tensão da barra, L0 é o comprimento original da barra, A é a área da seção reta, α é o
coeficiente de dilatação linear e Y é o módulo de Young.
Resposta
Por definição temos: c�²
²�
f
termica
= αΔT c�²
²�
f
tensão
= �
AY
ΔLtérmica = L�αΔT ΔLtensão =
�
AY
L�
ΔLtotal = ΔLtermica + ΔLtensão
ΔLtotal = L�αΔT +
F
AY
L�
ΔLtotal− L�αΔT =
F
AY
L�
J
ΔLtotal − L�αΔT
L�
M Y =
F
A
F
A = YJ
ΔL
L�
− αΔTM