Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

KAMILE FERREIRA - M42 
Anti histamínicos servem para alergias e 
gastroproteção. A histamina tem papel na 
secreção de ácido clorídrico. Tem outros papeis 
fisiológicos, que, mexendo nisso, podem trazer 
outros papeis terapêuticos. 
A histamina é um mediador de alergia, mas 
também tem papel na secreção gástrica, ela 
consegue estimular a célula parietal no 
estômago, estimula a bomba de prótons, que vai 
jogar ácido clorídrico e próton de hidrogênio 
dentro do estômago formando o ácido clorídrico. 
Então a histamina tem papel na alergia, é um dos 
mediadores da inflamação, mas também tem 
papel na secreção gástrica. 
Além disso, atua no sistema nervoso central 
como neuromodulador e neurotransmissor, a 
histamina mantém o indivíduo acordado, 
controla a vigília. Bloquear histamina no cérebro 
diminui o estado de alerta (fenergan, dramin). Ela 
também é quimiotática para leucócitos em 
processos infecciosos. No processo infeccioso, 
tem liberação de histamina e ela chama os 
leucócitos. 
Tem medicamentos que conseguem afetar a 
histamina para controlar alergias e outros que 
conseguem afetar a histamina diminuindo a 
secreção de HCl, diminuindo a secreção gástrica. 
Ranitidina – é um antagonista de histamina na 
secreção gástrica, porém, desde a pandemia, esse 
medicamento saiu do mercado, não tem mais. 
A histamina é produzida e armazenada nos 
mastócitos, quando esse mastócito é 
desgranulado, essa histamina sai para o sangue. 
Quando essa histamina vai para o sangue, ela tem 
que encontrar os receptores. O mastócito guarda 
a histamina e, ao ser estimulado pela IgE, libera a 
histamina. O IgE é um dos grandes fatores da 
desgranulação mastocitária. Esses mastócitos 
podem ser desgranulados mecanicamente (é 
comum dar morfina e o paciente começar a se 
coçar, porque a morfina consegue desgranular o 
mastócito e liberar mecanicamente a histamina). 
A histamina é formada a partir da histidina e ela 
nunca fica sozinha dentro do mastócito, fica 
dentro de vesículas e ligada a uma molécula de 
heparina fisiológica ou a uma molécula de 
condroitina, enquanto estiver ligada a essas 
moléculas, ela não tem ação, pode ir pro sangue, 
que não vai ter ação. Mas, quando o mastócito é 
desgranulado, a histamina sai livre, ela chega no 
sangue livre, então precisa encontrar os 
receptores para poder agir. 
A desgranulação dos mastócitos acontece em 
processos alérgicos, principalmente a partir da 
interação entre o antígeno e a imunoglobulina. 
Então tem a ativação, entrada de cálcio, a 
vesícula cheia de histamina vai se fundir e vai 
liberar a histamina livre. 
Essa histamina vai encontrar os receptores, que 
podem ser 4: H1, H2, H3 e H4. Essa é a histamina 
mastocitaria, mas existe uma não mastocitaria, 
que funciona como neurotransmissor no cérebro, 
tá relacionada com o estado de vigília ou que está 
relacionada com as células parietais gástricas. 
Todos os receptores são acoplados a proteína G. 
H1 – Gq, H2 – Gs, H3 e H4 – Gi. 
Terapeuticamente, não existe medicamentos que 
afetam os 4 receptores, só H1 e H2. 
O medicamento que bloqueia o H2 pode diminuir 
a secreção de ácido. Os antagonistas de H2 são 
chamados gastroprotetores. 
Já o H1 tá no músculo liso, no endotélio, nas 
células que permitem coceira. Quando a 
histamina se liga a H1 no vaso vai causar 
vasodilatação, no músculo liso do pulmão vai 
causar broncoconstrição. As ações ativadas da 
histamina quando se ligam a H1 são as 
relacionadas com alergias (coceira, rubor). O 
mesmo receptor da alergia, tá no cérebro 
mantendo a pessoa acordada, por isso um anti 
histamínico causa sonolência. 
Receptor H1 – processos alérgicos; antagonista 
de H1 é anti alérgico; estão no músculo liso, 
endotélio e cérebro. Receptor H2 – processos 
gástricos; antagonista de H2 é gastroprotetor; 
estão na mucosa gástrica, músculo cardíaco, 
mastócitos e cérebro. 
Se a histamina se liga a H1, tem reações 
urticariformes, que é comum ter prurido na 
KAMILE FERREIRA - M42 
alergia, isso associado a vasodilatação, acaba 
tendo edema. A histamina ligada ao H1 no 
endotélio estimula a liberação de NO, que gera 
rubor e calor devido a vasodilatação (muito 
forte), 7 minutos após aplicação de histamina já 
tem uma vasodilatação muito intensa, por isso 
que, ao encontrar um alérgeno, a reação é 
rápida. 
Se estimular o H1 causa prurido, vasodilatação, 
broncoconstrição (pacientes em processos 
alérgicos podem ter dificuldade respiratória, 
também tem edema de glote, caso seja 
hipersensibilidade tipo 1), não é muito comum, 
mas a histamina pode causar o aumento da 
contração intestinal e causar diarreias. Também 
pode contrair o útero e causar abortos. 
Teste de hiperreatividade brônquica – se tiver 
doença pulmonar, vai ter hiperreação. Não pode 
fazer em grávidas. 
O H2 tá na célula parietal do estômago e a 
histamina estimula a secreção de ácido. Não 
existe medicamentos para H3 e H4. 
Antagonistas H1 
Tem mais ações além de antialérgicos. 
o anti H1 pode ser de primeira geração 
(prometazina, que é o fenergan, hidroxizina, 
difenidramida, dimenidrinato, que é o dramin) ou 
segunda geração (loratadina e allegra, que é a 
fexofenadina). A loratadina é um pró fármaco, a 
desloratadina é a forma ativa. Atualmente, 
usamos mais os de segunda geração, porque os 
de 1° geração são mais lipossolúveis do que os de 
2° geração. A lipossolubilidade aumenta a 
penetração no SNC, quanto mais lipossolúvel, 
maior é a penetração na barreira 
hematoencefálica. Então os de 1° geração 
possuem muito efeito sedativo, pois vai agir no 
H1 do cérebro. Se não quiser um efeito sedativo, 
pode usar o de 2° geração que é menos 
lipossolúvel. As duas tem potências semelhantes. 
Nenhum anti-histamínico de 2° geração controla 
náuseas, pois a zona de gatilho tá no SNC, e os de 
2° geração não conseguem penetrar. 
Não é incomum os de 1° geração causarem 
efeitos anticolinérgicos. O fenergan consegue 
diminuir os efeitos extra piramidais que o haldol 
provoca. Efeito anti emético – só com os de 1°. 
A meia vida dos de 2° geração é maior, precisa 
usar menos vezes. Mas servem só para processos 
alérgicos. 
Uso contínuo de anti-histamínicos causam 
tolerância. Para problemas crônicos, vale mais a 
pena usar corticoides. Não dá pra usar só anti 
histamínico em crises de asma, não controla. O 
angioedema também não é controlado pelo anti 
histamínico. 
Efeitos tóxicos: sono, ação anticolinérgica, 
hipotensão postural, alergias, excitação e 
convulsões em crianças (efeito paradoxal: efeito 
inesperado, não tem explicação fisiológica, 
quanto menor a criança, maior a chance de 
ocorrer). 
As vezes, o dramin é utilizado para condicionar a 
criança a realizar um procedimento, mas pode 
causar o efeito paradoxal. 
Fenergan (prometazina), hidroxizina (bom pra 
coceira), dramin (dimenidrinato) e a 
difenidramina – 1° geração. 
Buclizina e ciproheptadina aumentam o apetite. 
Loratadina (criança de menos 2 anos não usa), 
desloratadina e allegra (fexofenadina) – 2° 
geração. 
Antagonistas H2 
São gastroprotetores. 
Para o estômago funcionar bem, os agentes 
protetores e agressores devem estar em 
equilíbrio. Se algum dos dois se sobressair do 
outro, tem a doença ácido péptica. 
Até os anos 2000, o misoprostol (cytotec) era o 
único fármaco gastroprotetor que conseguia 
aumentar o muco do estômago, aumentando a 
proteção do estômago, mas causa contração 
uterina e foi retirado do mercado. 
KAMILE FERREIRA - M42 
A maioria dos fármacos gastroprotetores regulam 
a formação e secreção do HCl. 
Quando a gente come, o corpo entende que vai 
precisar digerir e tem a secreção do ácido 
clorídrico. Existem três mediadores capazes de 
estimular a secreção gástrica : acetilcolina, 
histamina e gastrina. Todos os três, ao estimular 
as células parietais, ativam a bomba de prótons, 
que vai jogar H+ no estômago, que vai se juntarcom o Cl- e formar HCl. 
Acetilcolina se liga ao receptor M1, acoplada a 
proteína Gq e vai ativar a bomba de prótons para 
formação de HCl. 
Acetilcolina se liga no receptor M1, a gastrina se 
liga no receptor G, histamina se liga no receptor 
H2, vão estimular suas proteínas G, que vão 
estimular a bomba de prótons. 
Ao bloquear a ligação da acetilcolina com o M1, 
reduz a produção do ácido – pirezenpina. 
Consegue reduzir a secreção de ácido em 
pequenas proporções, pois ainda tem a gastrina e 
a histamina estimulando a secreção de ácido. 
Ao bloquear o receptor de H2, diminui o estímulo 
da bomba, mas também é parcial (mais eficiente 
que a da acetilcolina). 
Não existe antagonista de receptor da gastrina. 
Omeprazol – age bloqueando a bomba de 
prótons. Não importa o estímulo de acetilcolina, 
gastrina ou histamina, vai ter um bloqueio de 
quase 100% da bomba. Todos os prazois são 
inibidores da bomba de prótons. 
Antagonistas de H2 que tem no mercado: 
cimetidina (tem muita interação medicamentosa 
e efeitos tóxicos), famotidina (basicamente, é o 
único que realmente ainda tá no mercado) e 
nizatidina (é muito cara). A ranitidina não tá mais 
no mercado desde a pandemia porque formava 
nitrosamina além do que podemos consumir 
(muitas substâncias que consumimos possuem 
nitratos na sua estrutura, e esse nitratos podem 
formar nitrosamina – substância que não altera o 
DNA, mas facilita que outras substâncias 
cancerígenas cheguem ao DNA mais rápido; é 
uma substância pro cancerígena). 
Um inibidor de bomba de prótons e um 
antagonista de H2 são indicados para as mesmas 
coisas. Mas quando tem gastrite, que não precisa 
de um medicamento tão potente, é mais indicado 
utilizar um antagonista de H2, porque ele é 
parcial. Mas se tiver um paciente com úlcera ou 
sangramento, utiliza um mais potente, como os 
inibidores de bomba de prótons. 
Outra desvantagem dos H2: dependendo da 
posologia, precisa usar 2 vezes ao dia, já os 
bloqueadores de bomba só usa uma vez. 
Por que tem que usar omeprazol em jejum? 
Porque, se eu me alimentar antes de utilizar o 
omeprazol, já vai ter uma quantidade de ácido 
produzido. 
Os anti histamínicos são indicados para serem 
tomados a noite, tem um efeito melhor, porque a 
histamina tá relacionada com a secreção basal do 
ácido. 
A cimetidina gera muitos efeitos adversos, como 
hepatoxicidade, ginecomastia, etc e tem muita 
interação medicamentosa. 
 Os antiácidos não são para tratamento de 
doenças, são para casos sintomáticos e pontuais, 
utilizados para sintomas. Se você utilizar mais de 
3 antiácidos por dia, você precisa fazer um 
tratamento porque os sintomas estão muito 
intensos. Antiácidos são bases, que, ao encontrar 
o ácido do estômago, vai neutraliza-lo. 
Tem antiácidos a base de alumínio, cálcio e sódio. 
Existem eles isolados ou combinados. Grávida 
pode usar, menos os de alumínio, porque tem 
efeito constipante. Os de magnésio são laxantes. 
Pacientes com insuficiência renal não pode fazer 
uso desses antiácidos, principalmente os de sódio 
e cálcio, porque eles não vão conseguir fazer o 
controle iônico, pode alterar o pH do sangue e 
causar alcalose metabólica. 
Antiácido é local, não é absorvido. Mas alguns 
medicamentos pode se complexar com íons, e se 
esses medicamentos forem utilizados com esse 
KAMILE FERREIRA - M42 
antiácidos, pode diminuir a absorção. Exemplo: 
tetraciclinas. 
A simeticona tenta quebrar gases para diminuir a 
sensação de estufamento. Simeticona é o luftal. 
Inibidor de bombas de prótons (IBP) – tratamento 
da H pylori, pode gerar gastrite e úlcera. Tem que 
tratar a H pylori e proteger o estômago. 
Omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol, 
exomeprazol, deslanzoprazol. 
Omeprazol e lanzoprazol são pró fármacos, 
porém possuem ativação na célula parietal. 
O omeprazol é inativo até chegar no estômago 
pela corrente sanguínea, pois só chega na célula 
parietal através da vascularização, é um pró 
fármaco que pode ser usado por via endovenosa. 
Os IBP, por serem muito bem tolerados, não 
possuírem muitos efeitos adversos e trazerem 
conforto a um sintoma muito incômodo, estavam 
sendo utilizados por muito tempo e na forma de 
automedicação. Isso começou a afetar a digestão, 
diminuiu a absorção de proteínas (pepsina 
ativada em pH acido), diminuiu a proteção contra 
bactérias (o ácido clorídrico é uma das principais 
barreiras contra micro-organismo bacterianos). 
Pacientes que usam IBP a muito tempo estão 
mais propensos a infecções gastrointestinais. 
Também diminuiu a absorção de alguns 
nutrientes que precisam do pH ácido. Exemplo: o 
pH ácido faz com que a vitamina B12 seja 
absorvida. 
Quem usa IBP tem mais chance de ter pneumonia 
(exposição maior a outros micro-organismos), 
tem mais risco de ter anemia e fraturas ósseas 
(diminuição da absorção de ferro e cálcio). 
Aumenta a formação de gastrina (pra aumentar a 
produção de HCl), que, em excesso, tem efeito 
trófico e pode causar câncer. 
O clopidogrel tem interação medicamentosa com 
o omeprazol. O clopidogrel precisa ser ativado no 
fígado para funcionar, o omeprazol inibe a 
enzima que ativa o clopidogrel no fígado e o 
paciente tem mais risco de ter trombose. 
Misoprostol – é o cytotec; sobe o muco; não é 
indicado para gestantes. 
Sucralfato – pouco usado; caro; é um sal de 
açúcar; funciona como band-aid do estômago; 
quando se tem uma lesão no estômago e usa o 
sucralfato, ele forma um gel, que migra pra onde 
tá lesionado e permite que a lesão cicatrize sem 
que o HCl encoste no local, mas se dissolve rápido 
(tem que tomar muito) e não pode usar nenhum 
inibidor de secreção de ácidos, pois, para virar 
gel, precisa do pH ácido.

Mais conteúdos dessa disciplina