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– AVC - Terminologias: AVC, AVE, derrame, infarto - Déficit neurológico focal de causa vascular - Principal doença cérebro vascular - AVC isquêmico: obstrução do fluxo sanguíneo - AVC hemorrágico: hemorragias intracranianas por rompimento de aneurismas e/ou más formações arteriovenosas VASCULARIZAÇÃO CEREBRAL - 2/3 anterior do cérebro: artéria carótida interna -> território vascular carotídeo A. carótida interna -> a. cerebral anterior e média *Entre as a. cerebrais anterior tem a. comunicante anterior - 1/3 posterior do cérebro -> território vertebro basilar A. vertebrais -> a. basilar -> a. cerebral posterior *Entre cerebrais posterior e média tem a. comunicante posterior Obs.: polígono de willis fica na base do cérebro LOBOS 1. LOBO FRONTAL a. Córtex pré-frontal: comportamento e cognitivo *AVC nessa área: sinais de frontalização (não comporta de forma adequada perante a sociedade – hipersexualização, mudanças de comportamento, raiva, irritabilidade); alteração de memória; alteração de atenção b. Área pré-motora: imaginação do movimento e córtex motor primário: desenhos do movimento, esquematização do movimento *AVC nessa área: paresia (redução da força motora), plegia/paralisia (abolição da força motora) c. Área de Broca (hemisfério dominante): motricidade dos músculos da fala *AVC nessa área: afasia motora (dificuldade de articular as palavras) 2. LOBO PARIETAL a. Giro pós-central: interpretação da sensibilidade e área associativa somatossensorial: interpretação da informação sensorial *AVC nessa área: parestesia (distorção da sensibilidade – “formigamento”), hipoestesia (redução da sensibilidade dolorosa), anestesia (ausência da sensibilidade dolorosa) b. Área de Wernicke (hemisfério dominante): compreensão da linguagem *AVC nessa área: não compreende a fala, o que é perguntado para pessoa c. Área de associação secundárias: musical, leitura, imaginação dos objetos *AVC nessa área: não imagina os objetos, não compreende musica 3. LOBO OCCIPITAL a. Córtex visual: visão e área de associação visual: interpreta o que foi visto *AVC nessa área: perda visual, hemianopsia (apagamento de metade do campo visual), agnosia visual (não reconhece os objetos, pessoas) 4. LOBO TEMPORAL a. Córtex auditivo e área de associação auditiva: audição e memória *AVC nessa área: perda auditiva, perda de memoria HOMUNCULO - 2/3 inferiores (face e membros inferiores) -> irrigado pela cerebral média *Predomínio facio-braquial - 1/3 superior (membros inferiores e pés) -> cerebral anterior *Predomínio membros inferiores TRATOS - Tratos fazem transporte das informações *Trato corticoespinal: força/contração muscular -> fibras motoras se cruzam na decussação das pirâmides no bulbo IRRIGAÇÃO - A. cerebral média (75%): vasculariza parte posterior do lobo frontal (incluindo área de Broca), parte superior (maior parte) do lobo temporal e maior parte do lobo parietal - A. cerebral anterior: vasculariza grande parte lobo frontal e parte superior do lobo parietal - A. cerebral posterior: vasculariza lobo occipital e lobo temporal EPIDEMIOLOGIA - AVC é grave; emergência neurológica + comum; mais comuns em pacientes negros e em homens - No AVC o mais importante é a prevenção FATORES DE RISCO - Não modificáveis: idade, etnia, gênero, genética - Modificáveis: HAS, DM, dislipidemia, histórico de DCV, sedentarismo, obesidade, tabagismo, F.A. AVCi TC - Zona central de isquemia (“vermelho”): necrose, área não funciona mais -> vascularização central/principal - Zona de penumbra (“verde”): fluxo sanguíneo reduziu pela metade, área não funciona, porém, neurônios estão “vivos” -> vascularização por colaterais *4h30min até no máximo 6 horas para reverter zona de penumbra Obs.: na TC divide o cérebro em três terços (anterior, médio e posterior) ETIOLOGIA 1. EMBÓLICO **Principal causa a. Cardioembólico: embolo vem do coração Ex.: endocardite, FA, valvopatias, infarto ant. ext. b. Arterioembólico: embolo se originou de placa de ateroma em artérias pelo corpo -> trombo se desprende -> oclusão de artérias cerebrais 2. TROMBÓTICO - Placa de ateroma que formou na a. cerebral -> forma trombo -> AVC isquêmico 3. LACUNAR - Enfartamento das a. lacunares/penetantres *Normalmente são pequenos, então, gravidade depende da localização 4. CRIPTOGÊNICO **Segunda principal causa - Causa desconhecida; não consegue detectar a FISIOPATOLOGIA - Zona central de isquemia: *Acúmulo de sódio e H2O na célula -> edema citotóxico; *Morte de células da glia -> rompimento da barreira hematoencefálica -> edema vasogênico - Zona de penumbra: edema -> com tempo zona vai morrendo AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA - Diagnóstico deve ser realizada de forma rápida - Sempre suspeitar de AVC diante de déficits neurológicos focal súbitos *Déficit que você sabe de onde vem *Rima labial desloca para o lado da musc. normal IMPORTANTE!!!! MANEJO DO PACIENTE SUSPEITO DE AVC -> MOV -> ABCD da emergência - A: via aérea *Aspirar vai aérea (broncoaspiração) *Avaliar necessidade de IOT (glasgow < 9) - B: respiração *SatO2 < 90% => oferecer oxigênio em baixo fluxo Não oferecer O2, se SatO2 > 90% -> pois, pode gerar vasoconstrição e piorar o quadro - C: circulação *Hipertensão permissiva -> edema aumenta PIC, gera queda da PPC (menor FSC), consequentemente, aumenta PAM para equilibrar => deve manter essa pressão elevada PPC = PAM – PIC - D: incapacidade e glicemia *Anamnese direcionada: início dos sintomas, progressão do quadro, uso de medicações, comorbidades/doença de base, alergias *Exame neurológico direcionado: mover membros, fala, coordenação equilíbrio e teste visual *Avaliar glicemia => hipo/hiper podem piorar edema -> Escala NIHSS (admissão e de 6/6h) - Tabela de 11 itens que avaliam a disfunção neurológica do paciente *Avalia: nível de consciência, desvio ocular, paresia facial, linguagem, fala, negligencia, função motora e sensitiva dos membros, ataxia - 0 (nenhum déficit) até 42 (máx. déficit) pontos: *NIHSS > 4 = trombólise *NIHSS > 6 = trombectomia (CAT vasos cerebrais) *NIHSS > 22 = maior risco de hemorragia -> Exames laboratoriais - Hemograma, coagulograma - tempo de tromboplastina parcial e protrombina, VHS, VDRL (dx diferencial: neurossífilis), sódio e potássio, creatinina, enzimas cardíacas (troponina e CKMB massa), glicemia e ECG -> Neuroimagem - TC de crânio sem contraste (repetir em 24 a 48 horas) => preferencial!! *Dia 0: lado direito não diferencia substância branca de cinzenta, giros e sulcos são menos visíveis *Dia 3: presença de hipodensidade em terço médio, lobo parietal direito e parte de lobo frontal *Dia 5: hipodensidade mais discreta *Dia 11: formação da gliose (“cicatriz”) e retrações dos tecidos cerebrais Obs.: TC é sempre invertida, meu lado esquerdo é o lado direito do paciente *Formação cilíndrica hiperdensa: artéria hiperdensa => artéria com trombo no interior - RNM => demora muito tempo, mas consegue ver o AVC ainda nas primeiras 6h TRATAMENTO DO AVCi -> Trombólise *Até 4,5h do início dos sintomas => se não sabe o horário, considera última vez que paciente foi visto bem *Paciente apresenta critérios de inclusão *Afastar contraindicações *Consentimento *Manter PA < 185x110 mmHg *Segundo acesso periférico (acesso só para o trombolítico) - Indicações: > 18 anos, diagnostico clinico de AVCi, presença de déficit significativo, TC sem hemorragia - Contraindicação absoluta: HIC; suspeita de HSA; hemorragia interna ativa, RNI > 1,7; plaquetas < 100.000; AVC prévio;trauma ou cirurgia intracraniana < 3 meses; politrauma ou cirurgia de grande porte nos últimos 14 dias - Contraindicação relativa: AVC com melhora progressiva; PAS > 185 ou PAD > 110; punção lombar há < 21 dias; antecedentes de hemorragia intracraniana ou IAM há < 21 dias, glicemia > 400 ou < 50; convulsão no quadro inicial - Medicação: Alteplase diluído em SF 0,9% com solução de 1mg/mL *0,9 mg/kg (máx. 90mg) *10% em bolus e restante administrado em 1 hora com BIC - Investigar para ver se tem sinais de hemorragia *Realiza avaliação NIHSS a cada 15 min, durante a trombólise **Piora do NIHSS => para trombólise e realiza nova TC - Cuidados após trombólise: monitorar paciente por 24h na unidade de AVC ou UTI *Sinais de sangramento, sinais vitais, piora do quadro neurológico *Região hiperdensidade (branco)=> sangue *Região hipodensa (preto) => isquemia -> Trombectomia mecânica - Retirada mecânica do trombo com uso de cateter com stent + sucção - Indicado para pacientes com contraindicação absoluta a trombólise, falha na trombólise, trombos em artérias próximas - Inicio do quadro em até 6 horas, NIHSS ≥ 6, ASPECTS ≥ 6 => “regra da besta (666)” -> Manejo da PA - Tratar se ≥ 220x120 mmhg se não for fazer trombólise - Tratar se ≥ 185x110 mmhg se for fazer trombólise ou para pacientes com IAM, dissecação aórtica e encefalopatia hipertensiva - 15% de redução de PA no primeiro dia - Cuidado com hipotensão -> risco de hipoperfusão - Tratamento: BB, BCC e nitroprussiato de sódio -> Cuidados gerais - Evitar hipertermia -> aumenta consumo de O2, piora quadro *Utilizar antipirético (paracetamol) - Evitar hiper/hipoglicemia -> manter entre 80-140 *Piora edema -> Não elegíveis a trombólise e após 24-48h da trombólise - AAS 100 mg/dia ou clopidogrel 75 mg/dia - Enoxaparina 40 mg/dia SC ou heparina convencional 5.000U SC de 8/8h - Estatina de alta potência -> na maior dose possível - Avaliação neurológica e cardiológica -> Investigações etiológicas adicionais - Doppler de carótidas e vertebrais - Eco - ECG AIT - Qualquer episódio de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, da medula espinal ou retiniana, sem evidencia de infarto agudo nos exames de imagem - Tempo não faz mais parte da definição; - Alto risco para AVC; - Investigar etiologia e fazer prevenção LEMBRAR!!!: AVC mesmo com tratamento adequado, ainda é uma doença que deixa muitas sequelas -> muito importante prevenção AVCh - 15-20% dos casos de AVC - Principal fator de risco: HAS → HEMORRAGIA SUBARACNOIDEA - Sangramento no espaço subaracnóideo - Geralmente resultante do rompimento de aneurisma - Altas taxas de mortalidade: 15-30% antes da chegada no hospital e 35% em 30 dias - Etiologia mais comum: aneurisma na circulação anterior do polígono de Willis (a. cerebral anterior, a. comunicante anterior e a. carótida interna) *Aneurisma se desenvolvem região de bifurcação - Fatores de risco: HAS, história familiar de aneurisma, idade avançada (> 60 anos), tabagismo, afro-americanos, doença renal policística, doença do tecido conjuntiva CAUSAS DE HSA - Ruptura de aneurisma sacular (80%) - Malformações arteriovenosas -> pacientes jovens com HSA - Traumatismo - Apoplexia hipofisária - Distúrbios de coagulação - Aneurisma micócito - Dissecção arterial intracraniana FISIOPATOLOGIA DA HSA *PPC = pressão de perfusão cerebral *Vasoespasmo cerebral -> piora isquemia -> piora edema -> piora PIC APRESENTAÇÃO CLÍNICA HSA - 10-43% das pessoas possui cefaleia sentinela de 2 a 8 semanas antes do rompimento do aneurisma - Cefaleia súbita que atinge o máx. de intensidade em pouco tempo (cefaleia em trovoada) *Pior dor de cabeça da vida - Acompanhada por náuseas e vômitos - Perda de consciência (pode ter ou não) - Meningite asséptico com sinais de meningismo - Paralisia do NCIII: ptose, desvio esterno do olhar e anisocoria - Papiledema - Pode ter déficits neurológicos focais DIAGNÓSTICO -> TC de crânio sem contraste *Alta sensibilidade e especificidade nas primeiras 24 horas *Pico de sensibilidade em 6 horas *Sensibilidade reduz com tempo *Sangue é hiperdenso -> fica entre giros e sulcos -> Angio-TC *Visualização do aneurisma e planejamento cirúrgico -> RNM -> Punção lombar *Casos suspeitos com TC normal; *Conversão de oxihemogloblina em bilirrubina => xantocromia (patognnomônico) Xantocromia surge a partir de 6-12 horas; -> Angiografia -> Laboratorial: TTPA, RNI, plaquetas, ECG, sódio, troponina e RX de tórax TRATAMENTO DO HSA - Tratamento de suporte, manejo precoce e unidade neurointensiva; - Evitar ressangramento (nas principais 24 h): *Manutenção da PA < 160 mmHg - labelatol e nitroprussiato de sódio; *Repouso, laxantes, ansiolíticos, analgesia; *Ácido épsilon-aminocapróico (controverso) - Tratamento do aneurisma: *Embolização do aneurisma x cirurgia; *Experiência profissional deve orientar o tratamento; PREVENÇÃO E TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES - Hidrocefalia: DVE (dreno); - HIC: cabeceira a 30º, manitol, sedação, analgesia, hipotermia, craniectomia descompressiva; - Crises epilépticas: levitaracetam para tratamento e fenitoína para prevenção s/n; - Vasoespasmo (4º-14º dia): nimodipina 60 g, VO, a cada hora; se sintomático, SF0,9% 1000 ML em 30 min; → HEMORRAGIA INTRAPARENQUIMATOSA - Causas: ruptura de pequenos aneurismas (Charcot-Bouchard) e angiopatia amiloide (idosos) - Principal fator de risco: HAS - Fatores de risco: idade > 55 anos; HAS; tabagismo e etilismo; drogas (cocaína); angiopatia amiloide cerebral: malformação arteriovenosa FISIOPATOLOGIA HIP MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA HIP - Apresenta cefaleia progressiva, vômitos e depressão do nível de consciência; - Déficit neurológico focal agudo (indistinguível de AVCi): • Putâmen (30-50%) – hemiplegia fáscio-braquio- crural contralateral, com hemianestesia e hemianopsia; • Tálamo (15-20%) – hemianestesia inicial, cursando com hemiplegia fáscio-braqui-crural, pupilas míoticas e afasia; • Cerebelo (10-30%) – vertigem, náuseas, vômitos e ataxia cerebelar; • Ponte (10-15%) – tetraplegia, coma e pupilas puntiformes e fotorreagentes); DIAGNÓSTICO DE HIP -> TC de crânio sem contraste *Extensão do hematoma, grau do edema circulante; *Sangue hiperdenso (branco) -> RNM; TRATAMENTO HIP - PIC < 20 cmH2O, PPC > 60 mmHg; - Tratar PAS entre 150-220 com labelatol ou esmolol, objetivando PAS < 140 mmHg; - PAS > 220 => manejar PAM de acordo com PPC; - Controle da glicemia; - Cirurgia: hematoma cerebelar > 3 cm ou entre 1 e 3 cm com repercussão neurológica, hematoma lobar ou putaminal volumoso; - DVE (dreno) se hidrocefalia com repercussão clínica;