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ANTI-HIPERTENSIVOS A pressão arterial é dada pela multiplicação do débito cardíaco e resistência vascular periférica. Quando existe uma diminuição da PA, as células justaglomerulares liberam renina, que converte o angiotensinogênio em angiotensina I. A angiotensina I é convertida pela ECA (enzima conversora de angiotensina) em angiotensina II. A maior parte dessa reação ocorre nos pulmões. Essa angiotensina II estimula a secreção de aldosterona pelo córtex da glândula suprarrenal. Além disso, a angiotensina II provoca a vasoconstrição periférica. A inibição da ECA, também inibe as reações de conversão de bradicinina em compostos inativos. ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO A hipertensão moderada pode ser controlada algumas vezes com monoterapia, mas a maioria dos pacientes requer mais de um fármaco para obter o controle. As recomendações atuais são de iniciar o tratamento com diurético tiazídico, IECA, bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) ou bloqueador dos canais de cálcio (BCC). Se a pressão arterial não é controlada adequadamente, deve ser acrescentado o segundo fármaco, selecionado com base na minimização dos efeitos adversos. Pacientes com pressão arterial sistólica acima de 160 mmHg ou pressão arterial diastólica maior que 100 mmHg (ou pressão sistólica mais de 20 mmHg acima do objetivo ou diastólica mais de 10 mmHg acima do objetivo) devem ser iniciados em dois anti- hipertensivos simultaneamente. DIURÉTICOS Independentemente da classe, o mecanismo de ação inicial dos diuréticos é baseado na redução do volume (aumentam o volume de urina excretado), o que leva à diminuição da pressão arterial. O tratamento com doses baixas de diuréticos é seguro, barato e eficaz na prevenção de derrame, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca. A maioria dos diuréticos são inibidores dos transportadores renais de íons e diminuem a reabsorção de Na+ em diferentes partes do néfron. Como resultado, os íons Na+ e outros, como o Cl–, entram na urina em quantidades maiores do que a quantidade normal juntamente com água, que é carregada passivamente para manter o equilíbrio osmótico. DIURÉTICOS TIAZÍDICOS Exemplos: hidroclorotiazida, indapamida e a clortalidona Diuréticos tiazídicos podem ser usados como tratamento farmacológico inicial contra a hipertensão, a menos que alguma razão obrigue a escolha de outro fármaco. Os diuréticos tiazídicos diminuem a pressão arterial inicialmente por aumentar a excreção de sódio e água. Eles inibem a reabsorção de cloreto de sódio no TCD. Isso causa uma redução do volume extracelular, resultando em diminuição do débito cardíaco e do fluxo sanguíneo renal. Com o tratamento prolongado, o volume de plasma volta ao normal, mas persiste o efeito hipotensor relacionado com a diminuição da resistência periférica. Aumento da excreção de Na+ e Cl−: Os diuréticos tiazídicos e tipo tiazídicos causam diurese com aumento da excreção de Na+ e Cl–, que pode resultar na excreção de urina hiperosmolar (concentrada). Perda de K+: Como os tiazídicos aumentam o Na+ no filtrado, que chega ao túbulo distal, mais K+ também é trocado por Na+; com o uso prolongado desses fármacos, ocorre perda contínua de K+ do organismo. Assim, o K+ sérico deve ser medido periodicamente (com frequência no início do tratamento) para evitar a hipopotassemia. Diminuição da excreção urinária de cálcio: Os diuréticos tiazídicos e tipo tiazídicos diminuem o conteúdo de Ca2+ na urina, promovendo sua reabsorção no túbulo contorcido distal, onde o hormônio paratireóideo regula a reabsorção. Esse efeito contrasta com os diuréticos de alça, que aumentam a concentração de Ca2+ na urina. USOS Os tiazídicos são úteis no tratamento combinado com uma variedade de outros anti-hipertensivos, incluindo β-bloqueadores, IECAs, BRAs e diuréticos poupadores de potássio. Clinicamente, os tiazídicos são a principal medicação anti-hipertensiva, pois são baratos, fáceis de administrar e bem tolerados. IC leve, edema resistente grave, prevenção de cálculos (aumenta a reabsorção de cálcio). Os diuréticos de alça (não os tiazídicos) são os diuréticos de escolha para reduzir o volume extracelular na insuficiência cardíaca. Contudo, os diuréticos tiazídicos podem ser acrescentados se for necessária diurese adicional. Os tiazídicos podem ser úteis no tratamento da hipercalciúria idiopática, pois inibem a excreção urinária de Ca2+. Isso é particularmente benéfico para pacientes com cálculos de oxalato de cálcio no trato urinário. !!!!!!!!!!! Se o paciente tem litíase renal, pode-se usar diurético tiazídico, mas não os diuréticos de alça. Os tiazídicos não são eficazes em pacientes com má função renal porque dependem da secreção de ácidos orgânicos nos rins. FARMACOCINÉTICA Os tiazídicos são eficazes por via oral. A maioria dos tiazídicos leva de 1 a 3 semanas para reduzir de modo estável a pressão arterial e tem meia-vida prolongada. Todos os tiazídicos são secretados pelo sistema EFEITOS INDESEJÁVEIS Podem causar hipopotassemia, hiperuricemia e, em menor extensão, hiperglicemia em alguns pacientes, dislipidemia, impotência masculina. DIURÉTICOS DE ALÇA Exemplos: furosemida, torsemida, bumetanida e ácido etacrínico Os diuréticos de alça atuam rapidamente, bloqueando a reabsorção de sódio e cloreto nos rins, mesmo em pacientes com má função renal ou naqueles que não responderam ao diurético tiazídico. Esses agentes inibem reversível e competitivamente o cotransportador de Na+-K+-2Cl–, o NKCC2, na membrana apical (luminal) das células epiteliais da parte ascendente da alça de Henle. Essa parte ascendente da alça de Henle forma urina diluída, pois não reabsorve água, apenas sais. Como o ramo ascendente da alça de Henle é o principal local de reabsorção de sal, fármacos que afetam esse local, como os diuréticos de alça têm o maior efeito diurético. Em consequência, ocorre também inibição da reabsorção paracelular de cátions divalentes, particularmente cálcio e magnésio. O aumento do aporte de cálcio e magnésio luminais nos locais distais de reabsorção no túbulo contorcido distal pode levar a uma elevação da excreção urinária de cálcio e magnésio. A hipocalcemia e/ou hipomagnesemia resultantes podem ser clinicamente significativas em alguns pacientes que necessitam de administração prolongada de agentes de alça. Os diuréticos de alça causam diminuição da resistência vascular renal e aumento do fluxo sanguíneo renal. Como os tiazídicos, eles podem causar hipopotassemia. Explicação: muito sódio chega aos túbulos coletores, havendo muita ação da bomba Na+ K+, tentando captar esse sódio e consequentemente há excreção aumentada de potássio. Sintomas da hipocalemia (hipopotassemia): arritmias, fraqueza muscular, constipação, tonturas, irritabilidade e confusão. Além disso, o paciente pode ter alcalose sanguínea devido à excreção aumentada de íons H+ decorrentes da tentativa de compensação no transporte antiporte hidrogênio/sódio. Os diuréticos de alça raramente são usados isoladamente para tratar a hipertensão, mas são comumente usados para tratar sintomas de insuficiência cardíaca e edema. FARMACOCINÉTICA • Ativo por VO ou parenteral e baixa toxicidade; • Baixa lipossolubilidade; • 65% absorvido no TGI; • Pico de ação: 20 a 30min; • Meia vida: 19 a 100min; • Excreção: renal. USOS Os diuréticos de alça são os fármacos de escolha para reduzir edema pulmonar agudo e edema periférico agudo ou crônico causado por insuficiência cardíaca ou renal. Devido ao seu rápido início de ação, particularmente quando administrados por via intravenosa (IV), esses fármacos são úteis nas situações de emergência, como edema pulmonar agudo. Também são usados para tratar hipercalcemia e hiperpotassemia.EFEITOS INDESEJÁVEIS • Hipocalemia; • Alcalose metabólica (excreção de hidrogênio na urina); • Hiperuricemia (A furosemida e o ácido etacrínico competem com o ácido úrico pelos sistemas secretores renais, bloqueando, assim, sua secreção e, dessa forma, causando ou agravando os ataques de gota); • Surdez; • Risco de formação de cálculos renais (aumentam excreção de cálcio). DIURÉTICOS POUPADORES DE POTÁSSIO Amilorida e triantereno (inibidores do transporte de sódio epitelial nos ductos distais e coletores), bem como espironolactona e eplerenona (antagonistas de receptor da aldosterona), reduzem a perda de potássio na urina. Atuam no túbulo coletor inibindo a reabsorção de Na+ e a excreção de K+. Os diuréticos poupadores de potássio são usados algumas vezes associados aos diuréticos de alça e aos tiazídicos para reduzir a espoliação do potássio causada por esses diuréticos. O principal uso dos poupadores de potássio é no tratamento da hipertensão (mais frequente em associação com um tiazídico) e da insuficiência cardíaca (antagonistas da aldosterona). Nesta classe, há fármacos com dois mecanismos de ação distintos: os antagonistas da aldosterona e os bloqueadores dos canais de sódio. Antagonistas da aldosterona: espironolactona e eplerenona 1. Mecanismo de ação: A espironolactona é um esteroide sintético que antagoniza a aldosterona no receptor intracelular citoplasmático, inativando o complexo espironolactona-receptor. Ele impede a translocação do complexo receptor para o núcleo da célula-alvo, bloqueando a produção de proteínas mediadoras que normalmente estimulam os locais de troca Na+ /K+ do túbulo coletor. Assim, a falta de proteínas mediadoras evita a reabsorção de Na+ e, por consequência, a secreção de K+ e H+. Usos terapêuticos: frequentemente são administrados junto com um diurético tiazídico ou de alça, para evitar a excreção de K+, que, de outra forma, ocorre com esses fármacos. A espironolactona é particularmente eficaz em situações clínicas associadas com hiperaldosteronismo secundário, como a cirrose hepática e a síndrome nefrótica. Usados na hipertensão resistente, ascites e insuficiência cardíaca. Triantereno e amilorida O triantereno e a amilorida bloqueiam os canais de transporte de Na+, resultando em diminuição na troca Na+ /K+. Embora apresentem ação diurética poupadora de K+ semelhante à dos antagonistas da aldosterona, sua capacidade de bloquear os locais de troca Na+ /K+ no túbulo coletor não depende da presença de aldosterona. EFEITOS INDESEJÁVEIS • Hipercalemia; • Acidose metabólica (diminui a excreção de H+); • Espironolactona: efeitos esteroides, ginecomastia, impotência, hiperplasia prostática. Β-BLOQUEADORES Os β-bloqueadores são opção de tratamento para pacientes hipertensos com doença ou insuficiência cardíaca concomitante. AÇÕES Os β-bloqueadores reduzem a pressão arterial primariamente diminuindo o débito cardíaco. Eles também podem diminuir o efluxo simpático do sistema nervoso central (SNC) e inibir a liberação de renina dos rins, reduzindo, assim, a formação de angiotensina II e a secreção de aldosterona. O protótipo dos β-bloqueadores é o propranolol, que atua em receptores β1 e β2. Os β-bloqueadores não seletivos, como propranolol e nadolol, são contraindicados devido ao bloqueio da broncodilatação mediada por β2. Os β-bloqueadores devem ser usados com cautela no tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca aguda ou doença vascular periférica. USOS TERAPÊUTICOS A vantagem terapêutica primária dos β-bloqueadores é observada em pacientes hipertensos com doença cardíaca concomitante, como taquiarritmia supraventricular (p. ex. fibrilação atrial), infarto do miocárdico prévio, angina pectoris e insuficiência cardíaca crônica. As condições que desaconselham o uso de β-bloqueadores incluem doença broncoespástica como asma, bloqueio cardíaco de segundo e terceiro graus e doença vascular periférica grave. FARMACOCINÉTICA Os β-bloqueadores são ativos por via oral para o tratamento da hipertensão. O propranolol sofre biotransformação de primeira passagem extensa e altamente variável. Os β-bloqueadores podem demorar várias semanas até desenvolverem seu efeito pleno. Esmolol, metoprolol e propranolol estão disponíveis em formulação intravenosa (IV). EFEITOS ADVERSOS Comuns: Os β-bloqueadores podem causar bradicardia, hipotensão e efeitos adversos no SNC, como fadiga, letargia e insônia. Os β-bloqueadores podem diminuir a libido e causar disfunção erétil, o que pode reduzir acentuadamente a adesão do paciente. Alterações nos padrões lipídicos séricos: Os β- bloqueadores não seletivos podem desregular o metabolismo lipídico, diminuindo a lipoproteína de alta densidade (HDL) e aumentando os triglicerídeos. Retirada do fármaco: A retirada abrupta dos β- bloqueadores pode causar angina, infarto do miocárdio e mesmo a morte súbita de pacientes com doença cardíaca isquêmica. Por isso, esses fármacos devem ser reduzidos gradualmente ao longo de algumas semanas em pacientes com hipertensão e doença cardíaca isquêmica. IECA Exemplos: Enalapril, lisinopril, captopril, Fosinopril. São os fármacos de primeira escolha no tratamento de hipertensão em uma variedade de pacientes, incluindo os com alto risco de doença coronária ou história de diabetes, AVE, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio ou doença renal crônica. Mecanismo de ação: esses fármacos atuam em todo o corpo, inibindo a enzima peptidil dipeptidase. Os IECAs diminuem a pressão arterial reduzindo a resistência vascular periférica sem aumentar reflexamente o débito, a frequência ou a contratilidade cardíaca. A ECA também é responsável pela degradação da bradicinina, um peptídeo que aumenta a produção de óxido nítrico e prostaciclinas nos vasos sanguíneos. Ambos, óxido nítrico e prostaciclinas, são potentes vasodilatadores. Os IECAs diminuem os níveis de angiotensina II e aumentam os de bradicinina. Ocorre vasodilatação de arteríolas e veias como resultado da menor vasoconstrição causada pela redução dos níveis de angiotensina II e maior vasodilatação devido ao aumento da bradicinina. Reduzindo os níveis de angiotensina II circulante, os IECAs também diminuem a secreção de aldosterona, resultando em menor retenção de sódio e água. Usos terapêuticos: Como os BRAs, os IECAs retardam a progressão da nefropatia diabética e diminuem a albuminúria. Por isso, são fortemente indicados para uso em pacientes com nefropatia diabética. Os efeitos benéficos na função renal podem resultar da diminuição da pressão intraglomerular devido à vasodilatação da arteríola eferente. Os IECAs são usados no cuidado de pacientes após infarto do miocárdio e são fármacos de primeira escolha no tratamento de pacientes com disfunções sistólicas. Os IECAs são os fármacos de primeira escolha para tratar a insuficiência cardíaca, os pacientes hipertensos com doença renal crônica e os pacientes com risco elevado de doença arterial coronariana. Todos os IECAs são igualmente eficazes no tratamento da hipertensão, em doses equivalentes. Farmacocinética: Todos os IECAs são biodisponíveis por via oral como fármaco ou pró-fármaco. Todos são convertidos no metabólito ativo no fígado, exceto captopril e lisinopril, de forma que estes dois podem ser preferidos para pacientes com grave insuficiência hepática. Fosinopril é o único IECA que não é eliminado primariamente pelos rins e não requer ajuste de dosagem em pacientes com insuficiência renal. Enalaprilato é o único fármaco desta classe disponível para uso IV. Efeitos adversos: efeitos adversos comuns incluem tosse seca, exantema, febre, alteração do paladar, hipotensão (em estados hipovolêmicos) e hiperpotassemia. A tosse seca, que ocorreem cerca de 10% dos pacientes, parece ser decorrente do aumento dos níveis de bradicinina e substância P na árvore pulmonar e melhora dentro de poucos dias após a interrupção. A tosse seca acontece mais frequentemente em mulheres. O angioedema é uma reação rara, mas potencialmente fatal, que também pode ser atribuída ao aumento dos níveis de bradicinina. Os níveis de potássio devem ser monitorados durante o uso do IECA, e suplemento de potássio e diurético poupador de potássio devem ser usados com cautela devido ao risco de hiperpotassemia. Os IECAs podem induzir malformações fetais e não devem ser usados em gestantes. ANTAGONISTAS DO RECEPTOR DE ANGIOTENSINA II A losartana, a candesartana, a valsartana e a irbesartana (as chamadas sartanas) são antagonistas não peptídicos dos receptores AT1 (denominados bloqueadores de receptores [AT1] de angiotensina, BRAs), ativos por via oral. Existem dois subtipos distintos de receptores de angiotensina II: AT1 e AT2. O subtipo AT1 localiza-se predominantemente no tecido vascular e miocárdico, bem como no cérebro, no rim e nas células da zona glomerulosa das glândulas suprarrenais, que secretam aldosterona. O subtipo AT2 é encontrado na medula suprarrenal, no rim e no SNC e pode desempenhar um papel no desenvolvimento vascular. Geralmente, desencadeiam respostas anticrescimento e antiproliferativas. Os BRAs se ligam ao receptor AT1 com alta afinidade, tendo uma seletividade 10.000 vezes maior para o receptor AT1 do que para o AT2. EFEITOS FARMACOLÓGICOS É um antagonista insuperável: mesmo aumentando a quantidade de angiotensina, não há reversão do bloqueio. Os BRAs diferem farmacologicamente dos IECAs (inibidores da ECA), mas parecem comportar-se superficialmente de maneira semelhante a estes. Seus efeitos farmacológicos são similares aos dos IECAs por produzirem dilatação arteriolar e venosa e bloqueio da secreção de aldosterona, reduzindo, assim, a pressão arterial e diminuindo a retenção de sal e água. Esses fármacos inibem de maneira potente e de modo seletivo a maioria dos efeitos biológicos da angiotensina II, incluindo a contração do músculo liso vascular, as respostas pressóricas rápidas, as respostas pressóricas lentas, a sede, a liberação de vasopressina, a secreção de aldosterona, a liberação de catecolaminas pelas suprarrenais, o aumento da neurotransmissão noradrenérgica, o aumento do tônus simpático, as alterações da função renal e a hiperplasia e hipertrofia celulares. Os BRAs não aumentam os níveis de bradicinina. Eles podem ser usados como fármacos de primeira escolha para o tratamento da hipertensão, especialmente em pacientes com forte indicação de diabetes, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica. Os BRAs não devem ser associados com IECA para o tratamento da hipertensão devido à similaridade de mecanismo e de efeitos adversos. Estes fármacos também são teratogênicos e não devem ser usados em gestantes. FARMACOCINÉTICA Todos os BRAs são ativos por via oral e dosificados uma vez ao dia, com exceção da valsartana, que deve ser ingerida duas vezes por dia. Eles são altamente ligados às proteínas plasmáticas e, exceto a candesartana, apresentam grande volume de distribuição. A losartana, o primeiro membro aprovado da classe, difere dos demais, pois sofre extensa biotransformação de primeira passagem pelo fígado, incluindo a conversão em seu metabólito ativo. Os demais fármacos apresentam metabólitos inativos. A eliminação dos metabólitos e do composto original ocorre na urina e nas fezes. EFEITOS ADVERSOS Os BRAs têm perfil de efeitos adversos e interações similar ao dos IECAs. Contudo, os BRAs têm incidência menor de tosse e angiedema. Como os IECAs, eles são contraindicados na gestação. Podem causar insuficiência renal, hipercalemia, disfunção hepática, hipotensão ortostática. LOSARTANA 14% é convertida em metabólito ativo chamado EXP 3174 – ácido 5-carboxílico (muito potente). Níveis plasmáticos máximos: 1-3 horas; Meia-vida: 2-9 horas; Depuração: renal e hepática ADM: 1-2x ao dia e dose de 25-100mg/dia. Losartana Potássica é indicado para retardar a progressão da doença renal, retardo avaliado com base na redução da incidência combinada de duplicação da creatinina sérica, insuficiência renal terminal (necessidade de diálise ou transplante renal) ou morte, e para reduzir a proteinúria. O efeito anti-hipertensivo máximo é alcançado 3 a 6 semanas após o início do tratamento. ANTAGONISTAS DOS CANAIS DE CA 2 + Exemplos: verapamil, diltizaem, felodipina Os BCCs são uma opção de tratamento recomendado para hipertensos com diabetes ou angina. Doses elevadas de BCCs de curta duração devem ser evitadas devido ao maior risco de infarto do miocárdio por vasodilatação excessiva e acentuada estimulação cardíaca reflexa. AÇÕES A concentração intracelular de cálcio tem um papel importante na manutenção do tônus da musculatura lisa e na contração do miocárdio. O cálcio entra nas células musculares através de canais de cálcio voltagem- -sensíveis. Isso dispara a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático e da mitocôndria, aumentando adicionalmente o nível de cálcio citosólico. Os antagonistas de canais de cálcio bloqueiam a entrada de cálcio por se ligarem aos canais de cálcio do tipo L no coração e nos músculos lisos dos vasos coronarianos e arteriolares periféricos. Isso causa o relaxamento do músculo liso vascular, dilatando principalmente as arteríolas. Os BCCs não dilatam veias. USOS TERAPÊUTICOS No tratamento da hipertensão, os BCCs podem ser usados como tratamento inicial ou adicional. Eles são úteis no tratamento de pacientes hipertensos que também têm asma, diabetes e/ou doença vascular periférica porque, diferentemente dos β-bloqueadores, eles não têm potencial de afetar adversamente essas condições. Todos os BCCs são úteis no tratamento da angina. Além disso, diltiazem e verapamil são usados no tratamento da fibrilação atrial. EFEITOS ADVERSOS VASODILATORES DIRETOS Nitroprussiato de sódio, Nitroglicerina, Dinitrato Isossorbida. Atuam sobre o músculo liso vascular e/ou sobre o endotélio vascular adjacente para diminuir o tônus muscular. A maioria dos vasodilatadores reduz a contratilidade dos complexos actina-miosina nas células musculares lisas vasculares. Existem várias categorias de vasodilatadores. Os doadores farmacológicos de NO – como nitratos orgânicos e nitroprussiato de sódio – causam vasodilatação ao ativar a guanilil ciclase e aumentam, portanto, a desfosforilação da miosina de cadeias leves. NITROPRUSSIATO O nitroprussiato de sódio sofre decomposição espontânea, liberando NO e cianeto. A seguir, o cianeto é convertido em tiocianato no fígado e o tiocianato é excretado pelos rins. O acúmulo excessivo de cianeto pode resultar em distúrbios do equilíbrio ácido-básico, arritmias cardíacas e até mesmo morte. A toxicidade do tiocianato também pode ser observada em pacientes com comprometimento da função renal, causando desorientação, psicose, espasmos musculares e convulsões. Indicações: A principal indicação do uso de nitroprussiato de sódio é no manejo de emergências hipertensivas, por causa do seu rápido e potente efeito de diminuição da PA. O nitroprussiato é indicado também para manejo de pacientes com insuficiência cardíaca aguda descompensada, visando a redução da pós-carga e pré-carga sobre o coração. Usado em pacientes sem isquemia coronariana aguda. Em cirurgias, esse fármaco é utilizado para provocar hipotensão controlada no paciente, a fim de diminuir eventuais sangramentos. Salvo contraindicações, como em pacientes com circulação cerebral inadequada.