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O Monstro que adorava ler

Conto infantil sobre um grande monstro que, ao encontrar um livro, aprende a ler com a Vovó Dragão, muda seus hábitos, é banido pelos pares e acaba contagiando outros monstros com suas leituras.

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O Monstro que adorava ler
Lili Chartrand
Era uma vez um grande monstro, horrível, sujo e malvado. Ele vivia em uma imensa Floresta, que os seres humanos às vezes as visitavam.
O trabalho do grande monstro era espantar os intrusos soltando um urro terrível.
Escondido atrás de um velho carvalho ele morria de rir ao ver as pessoas correndo para fora da floresta a toda velocidade.
Uma tarde, o grande monstro se entediava atrás do Carvalho. Desde manhã não aparecera um único visitante. Foi então que ele avistou uma garotinha. Depois de se sentar em uma pedra, ela tirou um livro da bolsa.
O grande monstro imediatamente lançou um grito horrível, que afugentou todos os pássaros.
Mas a garotinha continuava debruçada sobre o livro, cativada pela história. O grande monstro irado, inspirou então profundamente e soltou o urro mais apavorante que sabia dar! A menina teve tanto medo que deixou cair o livro e fugiu em disparada.
O grande monstro caiu na gargalhada. Estava muito orgulhoso de seu grito; nunca fora tão potente! Seria por causa do lobo que ele comeu no almoço? Ele então se certificou de que não vinha ninguém e caminhou até o livro, que o intrigava demais. NUNCA havia precisado gritar DUAS vezes para expulsar um intruso. Aquele objeto era mágico ou o'que? Ele pegou o livro, cheirou, lambeu e fez uma careta. Não tinha gosto de nada!
Furioso, o grande monstro atirou ao chão o livro, que se abriu revelando magníficas imagens coloridas. Doido de curiosidade, ele pegou o livro de volta e o folheou devagar. Então o levou para sua Gruta, fascinado pelas maravilhosas ilustrações.
A vovó dragão passeava perto da Gruta do grande monstro quando percebeu que lá dentro havia luz. Intrigada, ela entrou.
O que você está fazendo aqui? - perguntou - Devia estar vigiando a floresta!
Bem… Encontrei isto aqui e não consigo parar de olhar! - exclamou o grande monstro, estendendo-lhe o livro.
Oh! Que belo livro! Conheço a história, é maravilhosa!
Um livro? - Repetiu o grande monstro.
Puxa… Você nem ao menos sabe o que é um livro! - Suspirou a velha dragona.
Vovó Dragão explicou então ao grande monstro que as manchinhas pretas que acompanhavam os desenhos eram letras. Elas formavam palavras e, depois, frases, que compunham uma história.
Oh! Eu quero saber o que ela conta! - Exclamou o grande monstro.
Quer mesmo? Posso te ensinar a ler, eu adoraria! - declarou a vovó Dragão.
Entre os monstros daquela floresta, a velha dragona era a única que sabia ler. Seus companheiros eram preguiçosos de mais. Só pensavam em comer, dormir e aterrorizar as pobres pessoas. Mas o Grande monstro sempre fora mais curioso que os outros…
Assim começou seu aprendizado. Todas as manhãs, ele ia até a casa da Vovó Dragão, que lhe mostrava o alfabeto. Queria tanto conhecer a história que aprendeu a ler bem depressa!
Mas depois que aprendeu a ler, o grande monstro não fazia outra coisa! Escondido atrás do velho carvalho, não se importava mais em urrar quando via um ser humano ultrapassar o limite da floresta. Estava ocupado demais com a leitura, lia e relia, de novo e de novo…
Certa manhã, foi chamado para comparecer no grande conselho dos monstros.
Você não faz mais seu trabalho, por isso será banido - rugiu o chefe. - Não queremos mas vê-lo!
Dias mais tarde. Vovó Dragão, que imaginava o amigo em lágrimas na gruta, foi fazer uma visita para o consolar. Surpresa! Ele lia, tranquilamente, á luz de uma fogueirinha. Toda feliz por ver quanto seu companheiro gostava de ler, Vovó Dragão deu a ele, às escondidas, outros livros, cada um mais valioso que o outro. O grande monstro estava, por fim, muito contente com sua sorte!
Uma tarde, o monstro de duas cabeças, amigo do grande monstro, entrou na gruta.
- Você pode ler uma história para mim? - pediu ele cabisbaixo.
- Mas é claro, com prazer! - exclamou o grande monstro, muito feliz por rever seu camarada. 
Ele conhecia tão bem a história do livro que contou de modo perfeito!
O monstro de duas cabeças voltou para casa, os quatro olhos brilhando muito…
Na tarde do dia seguinte, o monstro de duas cabeças voltou à gruta com o monstro perebento. Ele estava muito curioso para ouvir a história que tanto encantara seu colega.
Naquela tarde, três pares de olhos observaram o grande monstro. No dia seguinte, quatro. No dia seguinte 12 pares de olhos não desgrudavam dele. De repente, um décimo terceiro par…
Era o chefe dos monstros! Todos ficaram surpresos ao vê-lo, mas ninguém deu uma palavra, pois o chefe era terrível quando se enfurecia.
Num canto da gruta, Vovó Dragão ria ás escondidas. Eram aqueles os monstros horripilantes que aterrorizavam a floresta inteira com seus gritos atrozes? A velha dragona só ouvia os "oh!" e "ah!" de surpresa. Foi então que uma fungada chamou-lhe a atenção: o chefe dos monstros, emocionado, assoava o nariz numa grande folha de carvalho! Vovó Dragão ficou de queixo caído.
Desde aquele dia memorável, os monstros estão com a cabeça tão cheia de belas imagens e histórias maravilhosas que se esquecem de fazer seu trabalho. Escondidos nas profundezas da floresta, eles não têm mais vontade de assustar os seres humanos. Vivem agora no mundo da lua, sonhando com as belas princesas salvas por valentes monstros...
Ah, desculpe! Por valentes Cavaleiros..
Quanto ao grande monstro, ele passa os dias lendo, escondido atrás do velho carvalho. É o único que ainda espia os visitantes, mas não para espantá-los.. Mais do que tudo, ele deseja rever a garotinha. Ela o fez descobrir um mundo tão bonito!
Assim, o grande monstro deixou o livro da menina perto da pedra onde o encontrara. Em seguida, colocou ali uma outra pedra, menor e achatada, em forma de coração... Talvez seu desejo se realize, quem sabe?

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