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b) numa instalação IT, a corrente de falta, no caso de uma única falta à massa ou à terra, é de pequena
intensidade, não sendo imperativo o seccionamento da alimentação, se satisfeita a condição c)
adiante.
Entretanto, devem ser tomadas medidas para evitar qualquer perigo no caso da ocorrência de uma
segunda falta, envolvendo outra fase, conforme prescrito na alínea e) adiante. Além isso, cabe advertir,
tendo em vista as razões que normalmente motivam a adoção do esquema IT, que ela na prática perde
sentido se a primeira falta não forlocalizada e eliminada o quanto antes;
c) as massas devem ser aterradas, seja individualmente, seja por grupos ou em conjunto. A
seguinte condição deve ser satisfeita:
RA . Id =UL
Onde:
RA é a resistência do eletrodo de aterramento das massas;
Id é a corrente de falta no caso de uma primeira falta direta entre um condutor de fase e uma massa.
O valor de Id leva em conta as correntes de fuga naturais e a impedância global de aterramento da
instalação;
UL é a tensão de contato limite.
 f) no esquema IT, os seguintes dispositivos de proteção podem ser utilizados na proteção contra
contatos indiretos:
. dispositivos de proteção a sobrecorrente;
. dispositivos de proteção a corrente diferencial-residual (dispositivos DR).
 
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Essa idéia é já bastante antiga, mas o receio de haver uma Segunda falta à terra antes de ser suprimida a
primeira falta atrasou a sua aplicação em larga escala.
Só com o uso de sistemas de controle permanente da isolação dos equipamentos e da fiação foi
possível o uso do esquema IT nos locais onde a continuidade do serviço é essencial: as instalações
hospitalares e alguns tipos de instalações industriais.
Os sistemas de controle da isolação são baseadas em uma fonte de baixa frequência (1 a 3 Hz) ou
de corrente contínua. Esta fonte permite monitorar as isolações básicas dos equipamentos com uma
correntemuito pequena. Quando falha uma isolação qualquer (ou tem seu valor muito reduzido) acende-se
uma lâmpada de um painel indicando que há uma falha à terra. É preciso que a turma de manutenção
seja treinada para executar um pronto atendimento. Como o neutro da fonte está isolado da terra, ou
aterrado através de uma resistência muito alta, a corrente de curto-circuito é muito baixa (dezenas ou
centenas de mA) e não é percebida pelo DPCC da fonte. Se a falha não for suprimida e acontecer uma
outra falha à terra haverá um curto-circuito fase-fase e em conseqüência o desligamento da fonte. A
corrente de curto-circuito fase-fase é da ordem de milhares de ampères.
 Em uma instalação bem supervisionada, com manutenção constante uma falta à terra tem uma
probabilidade muito baixa de ocorrer e uma segunda falta antes da correção da primeira é muito rara.
Não há vantagem em fazer uma instalação geral no esquema IT em todo o hospital ou em toda a
indústria.
A boa prática recomenda que o esquema IT seja utilizado em uma parte da instalação, aquela em
que a continuidade é primordial. Assim em um hospital o esquema IT deve ser reservado aos Centros
Cirúrgicos, Unidades de Terapia Intensiva, Salas de leitos de prematuros. As demais áreas como
iluminação geral, tomadas de uso geral, elevadores, lavanderias serão alimentadas pelos esquemas TN - C
ou TT.
A distribuição do Neutro no esquema IT.
Embora permitida pela IEC essa técnica foi proibida pela NBR-5410.1997. Há pedidos de
suspensão dessa restrição para a próxima revisão dessa Norma.
A vantagem de se distribuir o Neutro é de se poder dispor de uma tensão mais baixa sem
necessidade de instalar transformadores abaixadores.
Assim, no sistema 380/220V, seria disponível a tensão F-N de 220V para pequenos aparelhos e a
de 380V para as cargas mais pesadas.
 Pela norma brasileira devemos intercalar transformadores abaixadores para obter 220V ou 127V,
a razão dessa proibição foi a noticia de alguns acidentes em indústrias nas quais o neutro distribuído foi
aterrado inadvertidamente.
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A especificação da isolação dos equipamentos
Em um esquema IT, quando ocorre a primeira falta em uma das fases, a tensão fase-terra das outras
fases passa a ser igual à tensão fase-fase. Por esse motivo os equipamentos ligados entre fase e terra (como
os dispositivos de proteção contra sobretensões . DPS) devem ter a tensão nominal igual à tensão fase-
fase.
As isolações básicas dos equipamentos devem ser dimensionadas para a tensão fase-fase e não
para a tensão fase-terra como habitualmente se faz para os demais esquemas (TT e TN).
Nas instalações industriais o esquema IT deve ser reservado para aquelas máquinas cuja parada
pode representar grandes prejuízos. Como normalmente as industrias têm geração de reserva, que
proporcionam um religamento em poucos segundos não serão muitas as máquinas que exigirão um
esquema IT.
10. Choques Elétricos
Quando a instalação for alimenta em baixa tensão pela concessionária, o condutor neutro deve ser
sempreaterrado na origem da instalação. O aterramento do neutro provido pelos consumidores alimentados
embaixa tensão é essencial para que seja atingido o grau de efetividade mínimo requerido para o
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aterramento do condutor neutro da rede pública, conforme critério de projeto atualmente padronizado pelas
concessionárias de energia elétrica. Do ponto de vista da instalação, o aterramento do neutro na origem
proporciona uma melhoria na equalização de potenciais essencial à segurança.
No Brasil, as redes de distribuição pública em baixa tensão são multiaterradas, isto é, o condutor
neutro é aterrado em diversos pontos.
O choque elétrico é o efeito patofisiológico da passagem da corrente elétrica pelo corpo humano.
Essapassagem afeta o corpo desde uma sensação de formigamento até disfunções circulatórias e
respiratóriaspodendo ainda causar, queimaduras. O grau de risco para a pessoa é função da intensidade da
corrente,das partes do corpo atravessadas, e da duração da passagem da corrente. Para proteger as pessoas
contrachoque elétrico é preciso primeiro conhecer qual é o efeito da corrente elétrica no corpo humano.
Para isto foi realizado um grande estudo, pela IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional), baseado nos
estudos de medicina relacionando o choque com efeitos fisiológicos no corpo humano. O resultado deste
estudo está no documento IEC 479. Esta norma define regiões, na curva duração do choque elétrico x
intensidade, em função dos efeitos causados. Pode-se daí, e assim a NBR 5410 o faz, extrair as condições
em que é seguraa instalação elétrica, conforme pode ser visto na figura a seguir.
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A curva C1 da IEC 479-1 define os limites de intensidade da corrente/duração que não podem
sersuperados. A NBR 5410 estabelece que se a tensão de contato UC puder ultrapassar o valor da tensão de
contato limite, a duração da tensão de defeito deve ser limitada pela intervenção de dispositivos de proteção
apropriados. Baseado nestas informações a NBR 5410 especifica as condições de seccionamento da
alimentação para garantir a proteção das pessoas que utilizam desta instalação. Alguns princípios básicos
norteiam o seccionamento da alimentação, alem do fato dele ter que ser automático. O seccionamento
automático da alimentação destina-se a evitar que uma tensão de contato se mantenha por um tempo que
possa resultar em risco de efeito fisiológico perigoso para as pessoas, conforme definido na IEC 479-1.
Esta medida de proteção requer a coordenação entre o esquema de aterramento adotado e as
características dos condutores de proteção e dos dispositivos de proteção. A proteção contra contatos
indiretos pelo seccionamento automático da alimentação do circuito