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QUESTÕES OAB
1º Fase
Autor Wesley Souza
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 1 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
00642724270 - Protegido por Eduzz.com
Está Série de Questões Comentadas tem, essencialmente o objetivo de suprir duas necessidades
imprescindíveis à adequada preparação para a fase da OAB: direcionar o estudo do candidato a
questões voltadas para carreira e a possibilitar uma eficaz revisão ou sedimentação do aprendizado
teórico das Disciplinas cobradas na OAB
O que é um erro, uma vez que estudar para OAB sem conhecer a prova diminui consideravelmente as
chances de aprovação de qualquer candidato.
Esta é, inclusive, a razão para muitos se sentirem inseguros em relação ao certame. Caso você já
tenha passado por isso, saiba que é normal e algo relativamente simples de resolver.
Devido ao grande número de edições do Exame de Ordem já aplicadas, ao resolver questões da OAB é
possível desenhar mais ou menos o que a banca da FGV costuma exigir, elaboramos um E-BOOK com
600 QUESTÕES MAPEADAS POR ASSUNTO dos tópicos mais cobrados nas últimas edições da
PROVA DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL.
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 2 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
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Sumário
Direitos e Prerrogativas do Advogado .......................................................................................................................................... 7
Honorários Advocatícios............................................................................................................................................................ 11
Infrações e Sanções Disciplinares.............................................................................................................................................. 14
Processo Disciplinar.................................................................................................................................................................. 18
DIREITO CIVIL:......................................................................................................................................................................... 21
Direito das Sucessões ............................................................................................................................................................... 21
Contratos em Espécie ............................................................................................................................................................... 25
Direito das Coisas ..................................................................................................................................................................... 28
Direito de Família ...................................................................................................................................................................... 33
Das Obrigações ........................................................................................................................................................................ 36
PROCESSO CIVIL.................................................................................................................................................................... 38
Recursos................................................................................................................................................................................... 38
Processo de Execução e Cumprimento de Sentença.................................................................................................................. 45
Procedimentos Especiais........................................................................................................................................................... 48
Formação do Processo e Petição Inicial..................................................................................................................................... 50
Audiência Preliminar de Conciliação ou Mediação...................................................................................................................... 51
Direito Penal ............................................................................................................................................................................. 53
Crimes em Espécie ................................................................................................................................................................... 53
Tipicidade ................................................................................................................................................................................. 56
Crime Consumado e Tentativa................................................................................................................................................... 64
Concurso de Crimes.................................................................................................................................................................. 65
Direito Tributário........................................................................................................................................................................ 76
Obrigação e Responsabilidade Tributária................................................................................................................................... 76
Conceito de Tributo ................................................................................................................................................................... 82
Legislação Tributária ................................................................................................................................................................. 83
Exclusão do Crédito Tributário ................................................................................................................................................... 87
Processo Penal......................................................................................................................................................................... 94
Recursos................................................................................................................................................................................... 94
Ação Penal ............................................................................................................................................................................. 102
Prisão e Liberdade Provisória .................................................................................................................................................. 105
Constitucional ......................................................................................................................................................................... 110
Controle Constitucional............................................................................................................................................................ 110
Ações Constitucionais ............................................................................................................................................................. 116
Ordem Social .......................................................................................................................................................................... 127
Administrativo.......................................................................................................................................................................... 130
Agentes Públicos..................................................................................................................................................................... 130
Intervenção do Estado na Propriedade.....................................................................................................................................139
Improbidade Administrativa...................................................................................................................................................... 142
Organização da Administração Pública .................................................................................................................................... 145
DIREITO DO TRABALHO........................................................................................................................................................ 148
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 3
Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho - 00642724270 - Protegido por Eduzz.com
Remuneração e Salário........................................................................................................................................................... 148
Contrato de Trabalho............................................................................................................................................................... 151
Direito Coletivo........................................................................................................................................................................ 154
Extinção de Contrato............................................................................................................................................................... 157
Processo do Trabalho.............................................................................................................................................................. 160
Recurso em Espécie ............................................................................................................................................................... 160
Execução na Justiça do Trabalho............................................................................................................................................. 164
Atos Processuais..................................................................................................................................................................... 167
Audiência Trabalhista.............................................................................................................................................................. 170
Procedimentos Especiais......................................................................................................................................................... 172
Direito Empresarial.................................................................................................................................................................. 173
Falência e Recuperação Judicial.............................................................................................................................................. 173
Direito Societário..................................................................................................................................................................... 177
Títulos de Créditos .................................................................................................................................................................. 179
Contratos Empresariais ........................................................................................................................................................... 182
Teoria Geral............................................................................................................................................................................ 185
Direitos Humanos.................................................................................................................................................................... 186
Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica).................................................................... 186
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos .............................................................................................................. 190
Comissão Interamericana de Direitos Humanos ....................................................................................................................... 192
Eliminação da Discriminação contra Mulheres.......................................................................................................................... 192
Direito Ambiental..................................................................................................................................................................... 193
Política, Instrumentos e Sistema Nacional do Meio Ambiente ................................................................................................... 193
Responsabilidade Ambiental.................................................................................................................................................... 196
Diversos.................................................................................................................................................................................. 198
Estatuto da Criança e do Adolescente...................................................................................................................................... 199
Direito do Consumidor............................................................................................................................................................. 205
Direito Internacional................................................................................................................................................................. 215
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 4 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
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Código de Ética e Estatuto da OAB
1)Lara, advogada, é chefe do departamento jurídico da
empresa Nós e Nós, que é especializada na produção de
cordas. O departamento que ela coordena possui cerca de
cem advogados. Dez deles resolvem propor ação judicial
para reclamar direitos que são comuns a todos, inclusive à
advogada chefe do departamento.
Nos termos do Código de Ética, a advogada chefe do
departamento deve
A - assumir a defesa da empresa, por força da relação de
trabalho.
B - comunicar o fato à empresa e escusar-se de realizar a
defesa.
C - indicar advogado da sua equipe para realizar a defesa.
D - renunciar ao cargo por impossibilidade de exercício do
mesmo.
COMENTÁRIO:“Art. 4º. O advogado vinculado ao cliente ou
constituinte, mediante relação empregatícia ou por contrato
de prestação permanente de serviços, integrante de
departamento jurídico, ou órgão de assessoria jurídica,
público ou privado, deve zelar pela sua liberdade e
independência.
Parágrafo único. É legítima a recusa, pelo advogado, do
patrocínio de pretensão concernente a lei ou direito que
também lhe seja aplicável, ou contrarie expressa orientação
sua, manifestada anteriormente”.
2)Em certo local, pretende-se a aquisição de um imóvel
pelo Conselho Seccional respectivo da OAB, para
funcionar como centro de apoio em informática aos
advogados inscritos. Também se negocia a constituição
de hipoteca sobre outro bem imóvel que já integra o
patrimônio deste Conselho Seccional.
De acordo com o caso narrado, com fulcro no disposto no
Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB,
assinale a afirmativa correta.
A - A aquisição do imóvel dependerá de autorização da
maioria dos membros efetivos do Conselho Seccional; já a
constituição da hipoteca é decisão que compete à Diretoria
do Conselho Seccional.
B - Tanto a aquisição do imóvel como a constituição da
hipoteca dependerão de autorização da maioria dos
membros efetivos do Conselho Seccional.
C - Tanto a aquisição do imóvel como a constituição da
hipoteca são decisões que competem à Diretoria do
Conselho Seccional, dispensada autorização dos membros
efetivos do Conselho Seccional.
D - Aaquisição do imóvel é decisão que compete à Diretoria
do Conselho Seccional; já a constituição da hipoteca
dependerá de autorização da maioria dos membros efetivos
do Conselho Seccional.
COMENTÁRIO: Para aquisição de bem imóvel, a decisão
competirá, apenas, à Diretoria (seja Conselho Federal, seja
a Seccional). Para a constituição de Hipoteca, a decisão
dependerá de autorização do pleno (da maioria dos
membros efetivos do Conselho Federal ou Seccional).
REGULAMENTO GERAL
Artigo 48 (...) Parágrafo único. A alienação ou oneração de
bens imóveis depende de autorização da maioria das
delegações, no Conselho Federal, e da maioria dos
membros efetivos, no Conselho Seccional.
** A oneração pode ser hipotecar, penhorar, etc...**
3)O advogado Mévio casou-se com a médica Esculápia,
vindo a ter cinco filhos. No curso do casamento,
Esculápia veio a concluir o curso de Bacharel em
Direito, obtendo aprovação no Exame de Ordem e vindo
a obter o seu registro profissional, atuando,
concomitantemente com sua profissão de médica, como
advogada em vários processos. Em determinado
momento, veio a desentender-se com seu marido,
gerando diversos processos civis e criminais. Quanto à
assistência da OAB nesse caso, à luz das normas do
Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB,
é correto afirmar que a assistência
A - ocorrerá pela qualidade dos litigantes, ambos
advogados.
B - é assegurada nos processos vinculados ao exercício da
profissão.
C - poderá ocorrer em qualquer processo, autorizada pelo
Conselho Seccional.
D - é inerente à condição de advogado, mas com
autorização do Presidente da Seccional.
COMENTÁRIO: De acordo com RGOAB em seu Artigo 16º ,
contará o advogado com a assistência de representação da
OAB em inquéritos policiais ou nas ações penais em que
figurar como indiciado, acusado ou ofendido, sempre que o
fato a ele imputado decorrer do exercício da profissão ou a
este vincular-se.
4)A respeito da competência do Conselho Federal da
OAB, assinale a opção correta.
A - Compete ao Conselho Federal da OAB representar, em
juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos
advogados
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 5 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
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B - Compete ao Conselho Federal da OAB editar seu
regimento interno e o regimento interno das Seccionais da
OAB.
C - Compete ao Conselho Federal da OAB julgar, em grau
de recurso, as questões decididas pelos Conselhos
Seccionais, nos casos previstos no EAOAB e no
regulamento geral.
D - Compete ao Conselho Federal da OAB velar pela
dignidade, independência, prerrogativas e valorização da
advocacia.
COMENTÁRIO: Art.54, III -- "velar pela dignidade,
independência, prerrogativas e valorização da advocacia".
5)Em relação à organização da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), assinale a opção correta.
A - Somente é possível a criação de Caixa de Assistência
dos Advogados quando a seccional contar com mais de
1.500 inscritos.
B - A OAB está ligada ao Ministério da Justiça para fins de
dotação orçamentária.
C - O presidente de Seccional pode, a critério do Pleno,
receber remuneração pelo exercício do cargo.
D - O Conselho Seccional é órgão do Conselho Federal.
Art. 45, § 4º - “As Caixas de Assistência dos Advogados,
dotadas de personalidade jurídica própria, são criadas pelos
Conselhos Seccionais, quando estes contarem com mais de
mil e quinhentos inscritos”.
6)Assinale a afirmativa que indica como ocorrerá, em
havendo necessidade, a criação de novos Conselhos
Seccionais, de acordo com as normas do Regulamento
Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB.
A - Por meio de Lei aprovada pelo Congresso
Nacional. B - Por meio de Medida Provisória Federal.
C - Por Provimento do Conselho Federal.
D - Por meio de Resolução do Conselho Federal
COMENTÁRIO:Regulamento Geral . Art. 46. Os novos
Conselhos Seccionais serão criados mediante Resolução
do Conselho Federal.
7) Uma empresa brasileira de ônibus, com sede em São
Paulo, transportava, da cidade de Campinas – SP
para Buenos Aires, na Argentina, passageiros de
nacionalidade argentina. Em território brasileiro,
houve acidente em que faleceram todos os
passageiros e o motorista. João da Silva, advogado
inscrito na OAB/SP, colocou anúncios nos
principais jornais argentinos, oferecendo seus
serviços para o ajuizamento de ação de indenização
perante a justiça estadual de São Paulo, com a
afirmação de que garantia o êxito da demanda. Para
alguns dos familiares dos falecidos, houve,
inclusive, o envio de carta com o mesmo teor da
propaganda.
Em relação à situação acima descrita, assinale a opção
correta, de acordo com o Estatuto da OAB.
A - O Conselho Federal é originariamente competente
para dar início ao processo disciplinar contra o
advogado, visto que a infração de ostensiva
propaganda com garantia de êxito na atuação em juízo
ocorreu fora do território nacional.
B - A OAB não poderá aplicar penalidade ao advogado
em razão de a publicidade ter ocorrido fora do território
nacional.
C - Ao tomar conhecimento do fato, o tribunal de ética e
disciplina da seccional de São Paulo pode suspender o
advogado preventivamente, desde que respeitado o
contraditório prévio.
D - A Ordem dos Advogados da Argentina pode
instaurar processo ético-disciplinar contra o advogado.
COMENTÁRIO: “Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Art. 70. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na
OAB compete exclusivamente ao Conselho Seccional em
cuja base territorial tenha ocorrido a infração, salvo se a
falta for cometida perante o Conselho Federal.
§ 1º Cabe ao Tribunal de Ética e Disciplina, do Conselho
Seccional competente, julgar os processos disciplinares,
instruídos pelas Subseções ou por relatores do próprio
conselho.
§ 2º A decisão condenatória irrecorrível deve ser
imediatamente comunicada ao Conselho Seccional onde o
representado tenha inscrição principal, para constar dos
respectivos assentamentos.
§ 3º O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o
acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo
preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à
dignidade da advocacia, depois de ouvi-lo em sessão
especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo
se não atender à notificação. Neste caso, o processo
disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa
dias”.
8)Em face do Regulamento Geral do Estatuto da OAB e
dos precedentes dos tribunais superiores, assinale a
opção correta.
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 6 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
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A - As anuidades da OAB são fixadas por lei federal.
B - Os advogados públicos são dispensados do pagamento
da anuidade da OAB.
C - Os advogados públicos devem ser obrigatoriamente
inscritos na OAB.
D - As anuidades da OAB têm natureza tributária.
COMENTÁRIO:Art. 9º, RG: Exercem a advocacia pública os
integrantes da Advocacia-Geral da União, da Defensoria
Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, das autarquias
e das fundações públicas, estando obrigados à inscrição na
OAB, para o exercício de suas atividades.
9)Com relação ao Conselho Federal da OAB, assinale
a opção correta.
A - As delegações de cada unidade federativa são
compostas por seis conselheiros federais e dois suplentes.
B - Os presidentes dos Conselhos Seccionais participam do
plenário do Conselho Federal, podendo votar em desacordo
com os respectivos conselheiros federais quando abordadas
questões referentes às garantias do exercício da advocacia.
C - O Conselho Federal compõe-se dos conselheiros
federais, integrantes das delegações de cada unidade
federativa, e dos seus ex-presidentes, na qualidade de
membros honorários vitalícios.
D - O Conselho Federal atua por meio da diretoria, da
presidência, do plenário, de quatro câmaras técnicas e do
órgão especial recursal.
COMENTÁRIO:Art. 105. Compete ao Conselho
Seccional:Art.51. O Conselho Federal compõe-se:
I - dos conselheiros federais, integrantes das delegações
de cada unidade federativa;
II - dos seus ex-presidentes, na qualidade de membros
honorários vitalícios.
§ 1º Cada delegação é formada por três conselheiros
federais.
§ 2º Os ex-presidentes têm direito apenas a voz nas
sessões.
10)Em relação ao Conselho Federal da OAB, assinale a
opção correta de acordo com o Regulamento Geral da
OAB.
A - Os ex-presidentes do Conselho Federal não têm direito
a voto nas sessões desse conselho.
B - Para a edição de provimentos, exige-se o quorum de
maioria absoluta dos conselheiros federais.
C - Na hipótese de renúncia de conselheiro federal de um
estado da Federação, cabe ao Conselho Federal, na
inexistência de suplente, eleger outro que o substitua.
D - O voto da delegação de conselheiros federais de um
estado da Federação é o de sua maioria.
Art. 77. O voto da delegação é o de sua maioria, havendo
divergência entre seus membros, considerando-se
invalidado em caso de empate.
Gabarito: Código de Ética e Estatuto da OAB
1 2 3 4 5
B D B D A
6 7 8 9 10
D C C C D
Direitos e Prerrogativas do Advogado
11)Assinale a afirmativa que indica como ocorrerá, em
havendo necessidade, a criação de novos Conselhos
Seccionais, de acordo com as normas do Regulamento
Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB.
A - Por meio de Lei aprovada pelo Congresso
Nacional. B - Por meio de Medida Provisória Federal.
C - Por Provimento do Conselho Federal.
D - Por meio de Resolução do Conselho Federal
COMENTÁRIO:
#DICA:RESOLUÇÃO é um ato legislativo de conteúdo
concreto, de efeitos internos.
PROVIMENTO é acolhimento, aceitação.
12)No que se refere à organização da OAB, assinale a
opção correta.
A - As caixas de assistência dos advogados têm por objetivo
organizar os seguros de saúde dos inscritos na OAB e seus
familiares, mas não podem promover sua seguridade social
complementar.
B - A área da subseção do conselho seccional limita-se à do
município em que estiver situada.
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 7 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
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C - O presidente do Conselho Federal não precisa ser
conselheiro federal eleito.
D - O presidente do instituto dos advogados estadual é
membro honorário e tem direito a voz e voto nas reuniões
da seccional, pois o instituto é órgão da OAB.
COMENTÁRIO: CONSELHO FEDERAL (ARTIGO 51 E
SEGUINTES): o Conselho Federal, dotado de personalidade
jurídica própria, com sede na capital da República, é o órgão
supremo da OAB. A diretoria do Conselho Federal é
composta de um Presidente, de um Vice-Presidente, de um
Secretário-Geral, de um Secretário-Geral Adjunto e de um
Tesoureiro.
* O PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL NÃO
PRECISA SER CONSELHEIRO FEDERAL ELEITO. * O
CONSELHO FEDERAL ATUA MEDIANTE OS
SEGUINTES ÓRGÃOS: CONSELHO PLENO, ÓRGÃO
ESPECIAL DO CONSELHO PLENO, PRIMEIRA,
SEGUNDA E TERCEIRA CÂMARAS, DIRETORIA E
PRESIDENTE (ARTIGO 64 DO REGULAMENTO GERAL
DA OAB).
O Presidente exerce a representação nacional e
internacional da OAB, competindo-lhe convocar o Conselho
Federal, presidi-lo, representá-lo ativa e passivamente, em
juízo ou fora dele, promover-lhe a administração patrimonial
e dar execução às suas decisões.
13)De acordo com o Regulamento Geral da Advocacia,
assinale a opção correta em relação à organização e
atuação dos conselhos seccionais da OAB.
A - Os conselhos seccionais são integrados por um número
mínimo de 30 membros.
B - Não cabe intervenção do conselho seccional nas suas
subseções, visto que os integrantes das subseções são
eleitos pelo voto direto dos advogados que as integram.
C - O ajuizamento de ação civil pública pela OAB pode ser
decidido pela diretoria da seccional.
D - O cargo de conselheiro seccional não tem suplentes
eleitos, uma vez que a suplência somente está prevista para
membros do Conselho Federal.
COMENTÁRIO:Art. 105. Compete ao Conselho
Seccional: V – ajuizar, após deliberação:
b) ação civil pública, para defesa de interesses difusos de
caráter geral e coletivos e individuais homogêneos.
Parágrafo único. O ajuizamento é decidido pela Diretoria, no
caso de urgência ou recesso do Conselho Seccional.
14)Em relação ao Conselho Federal da OAB, assinale a
opção correta de acordo com o Regulamento Geral da
OAB.
A - Os ex-presidentes do Conselho Federal não têm direito
a voto nas sessões desse conselho.
B - Para a edição de provimentos, exige-se o quórum de
maioria absoluta dos conselheiros federais.
C - Na hipótese de renúncia de conselheiro federal de um
estado da Federação, cabe ao Conselho Federal, na
inexistência de suplente, eleger outro que o substitua.
D - O voto da delegação de conselheiros federais de um
estado da Federação é o de sua maioria.
COMENTÁRIO:RG EOAB - Art. 77. O voto da delegação é
o de sua maioria, havendo divergência entre seus
membros, considerando-se invalidado em caso de empate.
15)O Advogado João, conselheiro em certo Conselho
Seccional da OAB foi condenado, pelo cometimento de
crime de tráfico de influência, a pena privativa de
liberdade. João respondeu ao processo todo em
liberdade, apenas tendo sido decretada a prisão após o
trânsito em julgado da sentença condenatória. Quanto
aos direitos de João, considerando o disposto no
Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa
correta.
A - João tem direito à prisão domiciliar em razão de suas
atividades profissionais, ou à prisão em sala de Estado
Maior, durante todo o cumprimento da pena que se inicia, a
critério do juiz competente.
B - João tem direito a ser preso em sala de Estado Maior
durante o cumprimento integral da pena que se inicia.
Apenas na falta desta, em razão de suas atividades
profissionais, terá direito à prisão domiciliar.
C - João não tem direito a ser preso em sala de Estado
Maior em nenhum momento do cumprimento da pena que
se inicia, nem terá direito, em decorrência de suas
atividades profissionais, à prisão domiciliar.
D- João tem direito a ser preso em sala de Estado Maior
apenas durante o transcurso de seu mandato como
conselheiro, mas não terá direito, em decorrência de suas
atividades profissionais, à prisão domiciliar.
COMENTÁRIO:Art. 7º São direitos do advogado:
V - não ser recolhido preso, antes de sentença transitada
em julgado, senão em sala de Estado Maior, com
instalações e comodidades condignas, na sua falta, em
prisão domiciliar;
600 Questões Comentadas para OAB 1º Fase Página 8 Licenciado para - Waldir Barros de Lima Filho -
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Com isso, a casca de banana está na “ordem de prisão após o trânsito em julgado”. E pela leitura do inciso,
observamos que o advogado só será recolhido à sala de
Estado Maior, ou na sua falta, em prisão domiciliar,
quando a prisão for decretada antes do trânsito em
julgado.
Em contrapartida, se a prisão for decretada depois do
trânsito em julgado, não se aplicam as referidas
garantias.
16)A advogada Mariana, gestante, ao ingressar em certo
Tribunal de Justiça, foi solicitada a passar por aparelho
de raios X e por detector de metais.
Considerando o caso narrado, de acordo com o Estatuto da
Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta.
A - Mariana tem o direito de não ser submetida a aparelho
de raios X, embora deva passar pelo detector de metais,
independentemente de motivação.
B - Mariana tem o direito de não ser submetida a aparelho
de raios X. Quanto ao detector de metais, deverá passar
pelo aparelho apenas se evidenciada situação especial de
segurança, em ato motivado.
C - Mariana deverá, por medida de segurança, passar pelo
aparelho de raios X e pelo detector de metais, a menos que
haja contraindicação médica expressa.
D - Mariana tem o direito, independentemente do teor da
alegação sobre segurança, de não ser submetida ao
detector de metais, nem ao aparelho de raios X.
COMENTÁRIO:Estatuto da Advocacia e da
OAB É um direito consagrado à advogada
gestante.
Art. 7o-A. São direitos da advogada:
I - gestante: (Incluído pela Lei nº 13.363,de 2016)
a) entrada em tribunais sem ser submetida a
detectores de metais e aparelhos de raios X; (Incluído
pela Lei nº 13.363, de 2016)
17)Juan e Pablo, ambos advogados, atuaram
conjuntamente patrocinando uma demanda trabalhista
em favor de certo trabalhador empregado. Tiveram
bastante sucesso no exercício dessa função, tendo se
valido de teses jurídicas notórias. Em razão disso, após
o fim desse processo, duas pessoas jurídicas
contrataram, respectivamente, Juan e Pablo, como
integrantes de seus departamentos jurídicos, em
relação empregatícia. A sociedade que empregou Juan
determinou que ele atue de forma consultiva, emitindo
parecer sobre a mesma questão jurídica tratada naquele
primeiro processo, embora adotando orientação
diversa,
desta feita favorável aos empregadores. A pessoa
jurídica que emprega Pablo pretende que ele realize sua
defesa, em juízo, em processos nos quais ela é ré, sobre
a mesma questão, também sustentando o
posicionamento favorável aos empregadores.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - Juan e Pablo podem, de maneira legítima, recusar a
atuação consultiva e o patrocínio das demandas judiciais,
respectivamente, sem que isso implique violação aos seus
deveres profissionais.
B - Apenas Juan pode, de maneira legítima, recusar a
atuação consultiva sem que isso implique violação aos seus
deveres profissionais.
C - Apenas Pablo pode, de maneira legítima, recusar o
patrocínio das demandas judiciais sem que isso implique
violação aos seus deveres profissionais.
D -As recusas quanto à atuação consultiva e ao patrocínio
das demandas judiciais, por Juan e Pablo, respectivamente,
implicam violações aos seus deveres profissionais.
COMENTÁRIO:Art. 4° O advogado, ainda que vinculado ao
cliente ou constituinte, mediante relação empregatícia ou
por contato de prestação permanente de serviços, ou como
integrante de departamento jurídico, ou de órgão de
assessoramento jurídico, público ou privado, deve zelar pela
sua liberdade e independência.
Parágrafo Único: É legítima a recusa, pelo advogado, do
patrocínio de causa e de manifestação, no âmbito
consultivo, de pretensão concernente a direito que também
lhe seja aplicável ou contrarie orientação que tenha
manifestado anteriormente.
18)O advogado Fred dirigiu-se, em certa ocasião, a uma
delegacia de polícia e a um presídio, a fim de entrevistar
clientes seus que se encontravam, respectivamente,
prestando depoimento e preso. Na mesma data, o
advogado Jorge realizou audiências na sede de um
juizado especial cível e no interior de certo fórum
regional da comarca. Considerando o disposto no
Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa
correta.
A - É direito de Fred e Jorge a instalação de salas especiais
permanentes para os advogados nos seguintes locais
visitados: sede do juizado especial cível e fórum regional da
comarca. Quanto aos demais, embora seja recomendável a
existência de salas especiais, não há dever legal de
instalação.
B - É direito de Fred e Jorge a instalação de salas especiais
permanentes para os advogados em todos os locais
visitados. Quanto aos quatro locais, há dever legal de
instalação das salas.
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C - É direito de Fred e Jorge a instalação de salas especiais
permanentes para os advogados nos seguintes locais
visitados: sede do juizado especial cível, fórum regional da
comarca e presídio. Quanto à delegacia de polícia, embora
seja recomendável a existência de salas especiais, não há
dever legal de instalação.
D - É direito de Fred e Jorge a instalação de salas especiais
permanentes para os advogados nos seguintes locais
visitados: fórum regional da comarca e presídio. Quanto aos
demais, embora seja recomendável a existência de salas
especiais, não há dever legal de instalação.
COMENTÁRIO:Estatuto da Advocacia e da
OAB Art. 7º São direitos do advogado:
§ 4º O Poder Judiciário e o Poder Executivo devem instalar,
em todos os juizados, fóruns, tribunais, delegacias de polícia
e presídios, salas especiais permanentes para os
advogados, com uso assegurados à OAB. (Vide ADIN
1.127-8)
19)Tânia, advogada, dirigiu-se à sala de audiências de
determinada Vara Criminal, a fim de acompanhar a
realização das audiências designadas para aquele dia
em feitos nos quais não oficia. Tânia verificou que os
processos não envolviam segredo de justiça e buscou
ingressar na sala de audiências no horário designado.
Não obstante, certo funcionário deu-lhe duas orientações. A
primeira orientação foi de que ela não poderia permanecer
no local se todas as cadeiras estivessem ocupadas, pois
não seria autorizada a permanência de advogados de pé, a
fim de evitar tumulto na sala. A segunda orientação foi no
sentido de que, caso ingressassem na sala, Tânia e os
demais presentes não poderiam sair até o fim de cada ato,
salvo se houvesse licença do juiz, para evitar que a entrada
e saída de pessoas atrapalhasse o regular andamento das
audiências.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - A primeira orientação dada pelo funcionário viola os
direitos assegurados ao advogado, pois Tânia possui o
direito de permanecer, mesmo que de pé, na sala de
audiências. Todavia, a segunda orientação coaduna-se com
o poder-dever do magistrado de presidir e evitar tumulto no
ato judicial, não violando, por si, direitos normatizados no
Estatuto da OAB.
B - A segunda orientação dada pelo funcionário viola os
direitos assegurados ao advogado, pois Tânia possui o
direito de retirar-se a qualquer momento,
independentemente de licença do juiz, da sala de
audiências. Todavia, a primeira orientação coaduna-se com
o poder-dever do magistrado de presidir e evitar tumulto no
ato judicial, não violando, por si, direitos normatizados no
Estatuto da OAB.
C - Ambas as orientações violam os direitos assegurados,
pelo Estatuto da OAB, ao advogado, pois Tânia possui o
direito de permanecer, mesmo que de pé, na sala de
audiências, bem como de se retirar a qualquer momento,
independentemente de licença do juiz.
D - Nenhuma das orientações viola os direitos assegurados
ao advogado, pois se coadunam com o poder-dever do
magistrado de presidir e evitar tumulto no ato judicial, não
contrariando, por si sós, direitos normatizados no Estatuto
da OAB.
COMENTÁRIO:Art. 7, VII do Estatuto da Advocacia e
da OAB
Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB).
Art. 7º São direitos do advogado:
VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de
quaisquer locais indicados no inciso anterior,
independentemente de licença;
20)A advogada Ana encontra-se no quinto mês de
gestação. Em razão de exercer a profissão como única
patrona nas causas em que atua, ela receia encontrar
algumas dificuldades durante a gravidez e após o parto.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - O Estatuto da OAB confere a Ana o direito de entrar nos
tribunais sem submissão aos detectores de metais, vagas
reservadas nas garagens dos fóruns onde atuar, preferência
na ordem das audiências a serem realizadas a cada dia e
suspensão dos prazos processuais quando der à luz.
B - O Estatuto da OAB não dispõe sobre direitos
especialmente conferidos às advogadas grávidas, mas
aplicam-se a Ana as disposições da CLT relativas à
proteção à maternidade e à trabalhadora gestante.
C - O Estatuto da OAB confere a Ana o direito de entrar nos
tribunais sem submissão aos detectores de metais e
preferência na ordem das audiências a serem realizadas a
cada dia, mas não dispõe sobre vagas reservadas nas
garagens dos fóruns e suspensão dos prazos processuais
quando der à luz.
D - O Estatuto da OAB confere a Ana o direito de entrar nos
tribunais sem submissão aos detectores de metais,
preferência na ordem das audiências a serem realizadas a
cada dia e vagas reservadas nas garagens dos fóruns, mas
não dispõe sobre suspensão dos prazos processuais
quando der à luz.
COMENTÁRIO:Art. 7o-A (EAOAB).São direitos da
advogada:
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I - gestante:
a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de
metais e aparelhos de raios X;
b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;
III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz,
preferência na ordem das sustentações orais e das
audiências a serem realizadas a cada dia, mediante
comprovação de sua condição;
IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos
processuais quando for a única patrona da causa, desde
que haja notificação por escrito ao cliente.
21)Viviane, Paula e Milena são advogadas. Viviane acaba
de dar à luz, Paula adotou uma criança e Milena está em
período de amamentação. Diante da situação narrada,
de acordo com o Estatuto da OAB, assinale a afirmativa
correta.
A -Viviane e Milena têm direito a reserva de vaga nas
garagens dos fóruns dos tribunais.
B - Viviane e Paula têm direito à suspensão de prazos
processuais, em qualquer hipótese, desde que haja
notificação por escrito ao cliente.
C - Viviane, Paula e Milena têm direito de preferência na
ordem das audiências a serem realizadas a cada dia,
mediante comprovação de sua condição.
D - Paula e Milena têm direito a entrar nos tribunais sem
serem submetidas a detectores de metais e aparelhos de
raio-X.
COMENTÁRIO:
DIREITOS DA ADVOGADA
1) Gestante:
l Entrar nos tribunais sem se submeter a detectores de
metal ou raio x;
l Reserva de vagas nas garagens do fórum ;
l Prioridade nas sustentações orais e nas audiências,
comprovando sua condição.
2) Lactante:
l Acesso a creches ou a lugares de atendimento ao bebê;
l Prioridade nas sustentações orais e nas audiência,
comprovando sua condição.
3) Adotante:
l Acesso a creches ou a lugares de atendimento ao bebê;
l Prioridade nas sustentações orais e nas audiência,
comprovando sua condição;
l Suspensão de prazos processuais quando for a única
patrona da causa, desde que haja notificação ao cliente;
4) Quem der à luz:
l Acesso a creches ou a lugares de atendimento ao bebê;
l Prioridade nas sustentações orais e nas audiência,
comprovando sua condição;
l Suspensão de prazos processuais quando for a única
patrona da causa, desde que haja notificação ao cliente;
Ø Prioridade nas sustentações orais e nas audiência,
comprovando sua condição tem prazo de 120 dias;
Ø Acesso a creches ou a lugares de atendimento ao bebê
tem duração de 120 dias;
Ø Suspensão de prazos processuais quando for a única
patrona da causa, desde que haja notificação ao cliente tem
prazo de 30 dias;
Gabarito: Direito e Prerrogativas do Advogado
11 12 13 14 15
D C C D C
16 17 18 19 20
D A B C A
21
C
Honorários Advocatícios
22)O advogado Fernando foi contratado por Flávio para
defendê-lo, extrajudicialmente, tendo em vista a
pendência de inquérito civil em face do cliente. O
contrato celebrado por ambos foi assinado em 10/03/15,
não prevista data de vencimento.
Em 10/03/17, foi concluída a atuação de Fernando, tendo
sido homologado o arquivamento do inquérito civil junto ao
Conselho Superior do Ministério Público. Em 10/03/18,
Fernando notificou extrajudicialmente Flávio, pois este ainda
não havia adimplido os valores relativos aos honorários
contratuais acordados
A ação de cobrança de honorários a ser proposta por
Fernando prescreve em
A - três anos, contados de 10/03/15.
B - cinco anos, contados de 10/03/17.
C - três anos, contados de 10/03/18.
D - cinco anos, contados de 10/03/15.
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COMENTÁRIO:Art. 25 do EAOAB Prescreve em 5 (cinco)
anos a ação de cobrança de honorários de advogado,
contado o prazo:
III - da ultimação do serviço extra judicial .
23)Jorge é advogado, atuando no escritório modelo de
uma universidade. Em certa ocasião, Jorge é
consultado por um cliente, pois este gostaria de
esclarecer dúvidas sobre honorários advocatícios. O
cliente indaga a Jorge sobre o que seriam os
honorários assistenciais.
Considerando o disposto no Estatuto da Advocacia e da
OAB, assinale a opção que apresenta a resposta de Jorge.
A - Os honorários assistenciais são aqueles pagos
diretamente ao advogado que promove a juntada aos autos
do seu contrato de honorários antes de expedir-se o
mandado de levantamento ou precatório.
B - Os honorários assistenciais são aqueles devidos ao
advogado em periodicidade determinada, pela prestação de
serviços advocatícios de forma continuada, nas situações
que o cliente venha a ter necessidade, como contrapartida à
chamada “advocacia de partido”.
C - Os honorários assistenciais são aqueles fixados pelo
juiz ao advogado indicado para patrocinar causa de
juridicamente necessitado, no caso de impossibilidade da
Defensoria Pública no local da prestação do serviço.
D - Os honorários assistenciais são aqueles fixados em
ações coletivas propostas por entidades de classe em
substituição processual.
COMENTÁRIO:Segundo art.22, do Estatuto da OAB, é
assegurado os seguintes honorários:
honorários convencionais;
honorários por arbitramento judicial;
honorários de sucumbência;
Ademais, foi incluído pela Lei nº 13.725, de 2018, no
parágrafo 6° do art. supracitado, os honorários assistenciais,
prescrito com a seguinte redação, "O disposto neste artigo
aplica-se aos honorários assistenciais, compreendidos como
os fixados em ações coletivas propostas por entidades de
classe em substituição processual, sem prejuízo aos
honorários convencionais"
24)Eduardo contrata o advogado Marcelo para propor ação
condenatória de obrigação de fazer em face de João.
São convencionados honorários contratuais, porém o
contrato de honorários advocatícios é omisso quanto à
forma de pagamento. Proposta a ação, Marcelo cobra de
Eduardo o pagamento de metade dos honorários
acordados.
De acordo com o Estatuto da OAB, assinale a afirmativa
correta.
A - Marcelo pode cobrar de Eduardo metade dos
honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma
de pagamento, metade dos honorários é devida no início do
serviço e metade é devida no final.
B - Marcelo pode cobrar de Eduardo metade dos
honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma
de pagamento, os honorários são devidos integralmente
desde o início do serviço.
C - Marcelo não pode cobrar de Eduardo metade dos
honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma
de pagamento, os honorários somente são devidos após a
decisão de primeira instância.
D - Marcelo não pode cobrar de Eduardo metade dos
honorários, pois na ausência de estipulação sobre a forma
de pagamento, apenas um terço é devido no início do
serviço.
COMENTÁRIO:Art. 22. A prestação de serviço profissional
assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários
convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos
de sucumbência.
§ 3º Salvo estipulação em contrário, um terço dos
honorários é devido no início do serviço, outro terço até a
decisão de primeira instância e o restante no final.
25)Gilda, empregada terceirizada contratada pela
sociedade empresária XX Ltda. para prestar serviços ao
Município ABCD, procura o auxílio de Judite, advogada,
para o ajuizamento de reclamação trabalhista em face
do empregador e do tomador de serviços.
Considerando a existência de decisão transitada em julgado
que condenou os réus, solidariamente, ao pagamento de
verbas de natureza trabalhista, assinale a afirmativa correta.
A - Em execução contra o Município ABCD, Judite terá
direito autônomo a executar a sentença quanto aos
honorários incluídos na condenação por arbitramento ou por
sucumbência, podendo requerer que o precatório seja
expedido em seu favor.
B - Em caso de falência da sociedade empresária XX Ltda.,
os honorários arbitrados em favor de Judite serão
considerados crédito privilegiado, sendo obrigatória sua
habilitação perante o juízo falimentar.
C - Em execução contra o Município ABCD, o juiz deve
determinar que oshonorários contratuais sejam pagos
diretamente a Judite, desde que o contrato de honorários
seja anexado aos autos após a expedição do precatório,
exceto se Gilda provar que já os pagou.
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D - Judite poderá cobrar judicialmente os honorários
contratuais devidos por Gilda, devendo renunciar ao
mandato se, em sede de sentença, a demanda for julgada
procedente.
COMENTÁRIO:Artigo 23 do Estatuto da Advocacia e a
Ordem dos Advogados do Brasil.
Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por
arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado,
tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta
parte, podendo requerer que o precatório, quando
necessário, seja expedido em seu favor.
26) Os sócios de certa sociedade de advogados divergiram
intensamente quanto à solução de questões
relativas a conduta disciplinar, relação com clientes
e honorários. Em razão disso, passaram a
pesquisar quais as atribuições do Tribunal de Ética
e Disciplina, do Conselho Seccional da OAB
respectivo, que poderiam ajudar a solver suas
dificuldades.
Considerando o caso narrado, bem como os limites
de competência do Tribunal de Ética e Disciplina do
Conselho Seccional, previstos no Código de Ética e
Disciplina da OAB, assinale a afirmativa correta.
A - Não compete ao Tribunal de Ética e Disciplina
responder a consultas realizadas em tese por
provocação dos advogados, atuando apenas diante de
situações concretas.
B - Compete ao Tribunal de Ética e Disciplina atuar
como um conciliador em pendências concretas relativas
à partilha de honorários entre advogados contratados
conjuntamente.
C - Não compete ao Tribunal de Ética e Disciplina
ministrar cursos destinados a solver dúvidas usuais
dos advogados no que se refere à conduta ética que
deles é esperada.
D - Compete ao Tribunal de Ética e Disciplina coordenar
as ações do Conselho Seccional respectivo e dos
demais Conselhos Seccionais, com o objetivo de
reduzir a ocorrência das infrações disciplinares mais
frequentes.
COMENTÁRIO:Código de Ética e Disciplina da
OAB “Art. 71. Compete aos Tribunais de Ética e
Disciplina:
VI - atuar como órgão mediador ou conciliador nas questões
que envolvam:
b) partilha de honorários contratados em conjunto ou
decorrentes de substabelecimento, bem como os que
resultem de sucumbência, nas mesmas hipóteses”.
27)Daniel contratou a advogada Beatriz para ajuizar ação
em face de seu vizinho Théo, buscando o ressarcimento
de danos causados em razão de uma obra indevida no
condomínio. No curso do processo, Beatriz
substabeleceu o mandato a Ana, com reserva de
poderes. Sentenciado o feito e julgado procedente o
pedido de Daniel, o juiz condenou Théo ao pagamento
de honorários sucumbências.
Com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa
correta.
A - Ana poderá promover a execução dos honorários
sucumbências nos mesmos autos judiciais, se assim lhe
convier, independentemente da intervenção de Beatriz.
B - Ana e Beatriz poderão promover a execução dos
honorários sucumbências, isoladamente ou em conjunto,
mas devem fazê-lo em processo autônomo.
C - Ana poderá promover a execução dos honorários
sucumbências nos mesmos autos, se assim lhe convier,
mas dependerá da intervenção de Beatriz.
D - Ana não terá direito ao recebimento de honorários
sucumbências, cabendo-lhe executar Beatriz pelos valores
que lhe sejam devidos, caso não haja o adimplemento
voluntário.
COMENTÁRIO: ESTATUTO. Art. 26. O advogado
substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar
honorários sema intervenção daquele que lhe conferiu o
substabelecimento.
28) Paulo é contratado por Pedro para promover ação com
pedido condenatório em face de Alexandre, por danos
causados ao animal de sua propriedade. Em
decorrência do processo, houve condenação do réu ao
pagamento de indenização ao autor, fixados honorários
de sucumbência correspondentes a dez por cento do
apurado em cumprimento de sentença. O réu ofertou
apelação contra a sentença proferida na fase cognitiva.
Ainda pendente o julgamento do recurso, Pedro decide
revogar o mandato judicial conferido a Paulo,
desobrigando-se de pagar os honorários
contratualmente ajustados.
Nos termos do Código de Ética da OAB, a revogação do
mandato judicial, por vontade de Pedro,
A - não o desobriga do pagamento das verbas honorárias
contratadas.
B - desobriga-o do pagamento das verbas honorárias
contratadas.
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C - desobriga-o do pagamento das verbas honorárias
contratadas e da verba sucumbência.
D - não o desobriga do pagamento das verbas honorárias
sucumbências, mas o desobriga das verbas contratadas.
COMENTÁRIO:Novo Código de Ética, art. 17. A revogação
do mandato judicial por vontade do cliente não o desobriga
do pagamento das verbas honorárias contratadas, assim
como não retira o direito do advogado de receber o quanto
lhe seja devido em eventual verba honorária de
sucumbência, calculada proporcionalmente em face do
serviço efetivamente prestado.
29)Esculápio realiza contrato escrito de honorários com
Terêncio, no valor de R$ 20.000,00. Consoante as
normas estatutárias aplicáveis à espécie, é correto
afirmar que
A - esse documento não se reveste passível de futura
execução, como título executivo.
B - a ausência de pagamento do valor pactuado leva ao
arbitramento judicial dos honorários.
C - o contrato escrito é título executivo, podendo o
advogado ingressar com ação de execução dos seus
honorários.
D - esse crédito não possui privilégio em eventual
insolvência do cliente.
COMENTÁRIO:Art. 24. A decisão judicial que fixar ou
arbitrar honorários e o contrato escrito que os estipular são
títulos executivos e constituem crédito privilegiado na
falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil
e liquidação extrajudicial.
§ 1º A execução dos honorários pode ser promovida nos
mesmos autos da ação emque tenha atuado o advogado, se
assim lhe convier.
§ 2º Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do
advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais ao
trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores ou
representantes legais.
§ 3º É nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou
convenção individual ou coletiva que retire do advogado o
direito ao recebimento dos honorários de sucumbência.
§ 4º O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte
contrária, salvo aquiescência do profissional, não lhe
prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os
concedidos por sentença.
30)Laura formou-se em prestigiada Faculdade de Direito,
mas sua prática advocatícia foi limitada, o que a
impediu de ter experiência maior no trato com os
clientes. Realizou seus primeiros processos para
amigos e
parentes, cobrando módicas quantias referentes a
honorários advocatícios. Ao receber a cliente Telma,
próspera empresária, e aceitar defender os seus
interesses judicialmente, fica em dúvida quanto aos
termos de cobrança inicial dos honorários pactuados.
Em razão disso, consulta o advogado Luciano, que lhe
informa, segundo os termos do Estatuto da Advocacia, que
salvo estipulação em contrário,
A - metade dos honorários é devida no início do serviço.
B - um quinto dos honorários é devido ao início do processo
judicial.
C - a integralidade dos honorários é devida até a decisão de
primeira instância.
D - um terço dos honorários é devido no início do serviço.
COMENTÁRIO:Art. 22. A prestação de serviço profissional
assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários
convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos
de sucumbência.
§ 3º Salvo estipulação em contrário, um terço dos
honorários é devido no início do serviço, outro terço até a
decisão de primeira instância e o restante no final.
Gabarito: Honorários Advocatícios
22 23 24 25 26
B D D A B
27 28 29 30
C A C D
Infrações e Sanções Disciplinares31)Antônio e José são advogados e atuam em matéria
trabalhista. Antônio tomou conhecimento de certos
fatos relativos à vida pessoal de seu cliente, que
respondia a processo considerado de interesse
acadêmico. Após o encerramento do feito judicial,
Antônio resolveu abordar os fatos que deram origem ao
processo em sua dissertação pública de mestrado.
Então, a fim de se resguardar, Antônio notificou o
cliente, indagando se este solicitava sigilo sobre os
fatos pessoais ou se estes podiam ser tratados na
aludida dissertação. Tendo obtido resposta favorável do
cliente, Antônio abordou o assunto na dissertação.
Por sua vez, o advogado José também soube de fatos
pessoais de seu cliente, em razão de sua atuação em outro
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processo. Entretanto, José foi difamado em público,
gravemente, por uma das partes da demanda. Por ser
necessário à defesa de sua honra, José divulgou o conteúdo
particular de que teve conhecimento.
Considerando os dois casos narrados, assinale a afirmativa
correta.
A - Antônio infringiu o disposto no Código de Ética e
Disciplina da OAB, violando o dever de sigilo profissional.
Por outro lado, José não cometeu infração ética, já que o
dever de sigilo profissional cede na situação descrita.
B - Antônio e José infringiram, ambos, o disposto no Código
de Ética e Disciplina da OAB, violando seus deveres de
sigilo profissional.
C - José infringiu o disposto no Código de Ética e Disciplina
da OAB, violando o dever de sigilo profissional. Por outro
lado, Antônio não cometeu infração ética, já que o dever de
sigilo profissional cede na situação descrita.
D - Antônio e José não cometeram infração ética, já que o
dever de sigilo profissional, em ambos os casos, cede nas
situações descritas.
COMENTÁRIO:Antônio- infringiu (art. 34, VII do Estatuto,
por mais que houvesse a autorização do cliente art. 7º, XIX
do Estatuto)
José- não infringiu (pois o sigilo profissional poderá ser
quebrado no caso de justa causa, como no caso de grave
ameaça à honra_ art. 37 do Código de Ética da OAB.) GAB
A
32)Jailton, advogado, após dez anos de exercício da
advocacia, passou a apresentar comportamentos
incomuns. Após avaliação médica, ele foi diagnosticado
com uma doença mental curável, mediante medicação e
tratamento bastante demorado.
Segundo as disposições do Estatuto da Advocacia e da
OAB, o caso do advogado Jailton incide em causa de
A - suspensão do exercício profissional.
B - impedimento para o exercício profissional.
C - cancelamento da inscrição profissional.
D - licença do exercício profissional.
COMENTÁRIO:Doença Curável é hipótese de licença (art.
12, III do Estatuto da OAB .
33)Milton, advogado, exerceu fielmente os deveres
decorrentes de mandato outorgado para defesa do
cliente Tomás, em juízo. Todavia, Tomás deixou,
injustificadamente, de efetuar o pagamento dos valores
acordados a título de honorários.
Em 08/04/19, após negar-se ao pagamento devido, Tomás
solicitou a Milton que agendasse uma reunião para que este
esclarecesse, de forma pormenorizada, questões que
entendia pertinentes e necessárias sobre o processo.
Contudo, Milton informou que não prestaria nenhum tipo de
informação judicial sem pagamento, a fim de evitar o
aviltamento da atuação profissional.
Em 10/05/19, Tomás solicitou que Milton lhe devolvesse
alguns bens móveis que haviam sido confiados ao
advogado durante o processo, relativos ao objeto da
demanda. Milton também se recusou, pois pretendia alienar
os bens para compensar os honorários devidos.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - Apenas a conduta de Milton praticada em 08/04/19
configura infração ética.
B - Ambas as condutas de Milton, praticadas em 08/04/19 e
em 10/05/19, configuram infrações éticas.
C - Nenhuma das condutas de Milton, praticadas em
08/04/19 e em 10/05/19, configura infração ética.
D - Apenas a conduta de Milton praticada em 10/05/19
configura infração ética.
COMENTÁRIO:Código de Ética e Disciplina da
OAB: Da Ética do Advogado, com relação ao
cliente:
Art. 12. A conclusão ou desistência da causa, tenha havido,
ou não, extinção do mandato, obriga o advogado a devolver
ao cliente bens, valores e documentos que lhe hajam sido
confiados e ainda estejam em seu poder, bem como a
prestar-lhe contas, pormenorizadamente, sem prejuízo de
esclarecimentos complementares que se mostrem
pertinentes e necessários.
34)O advogado Felício é contatado pelo seu cliente Paulo
que pretende promover ação de responsabilidade civil
em face de Rosa, por danos causados à sua honra e ao
seu patrimônio material. Nas tratativas, o cliente
cientifica o advogado que presenciara diversos atos
criminosos praticados por Rosa e por seus familiares
Marta e Fábio. Contratado para realizar os seus serviços
profissionais, apresenta diversas ações contra o réu
Rosa em que descreve seus crimes e os praticados por
Marta e Fábio, seus filhos. A petição é subscrita
somente pelo advogado e a procuração tem os poderes
gerais para o foro. Nos termos do Estatuto da
Advocacia,
A - é inerente à atividade postulatória a menção a crimes
praticados pelas partes ou terceiros.
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B - é decorrente do processo a indicação dos fatos
essenciais ao deslinde da causa, inclusive os criminosos,
que somente demandam ciência do advogado.
C - é essencial a autorização escrita para imputação a
terceiro de fato definido como crime.
D - é possível a descrição de fatos criminosos atribuídos a
partes ou a terceiros por autorização verbal.
COMENTÁRIO:Lei 8.906/94 .Art. 34. Constitui infração
disciplinar:
XV - fazer, em nome do constituinte, sem autorização
escrita deste, imputação a terceiro de fato definido como
crime;
35)Ao final de audiência de instrução e julgamento
realizada em determinada vara criminal, o juiz solicita
que o advogado não deixe o recinto, bem como que ele
atue em outras duas audiências que ali seriam
realizadas em seguida. O advogado recusa-se a
participar das outras duas audiências mencionadas, até
mesmo por haver Defensor Público disponível.
Com base no caso exposto, assinale a afirmativa correta A -
O advogado não cometeu infração ética, porque apenas
resta configurada infração disciplinar na recusa do
advogado a prestar assistência jurídica quando há
impossibilidade da Defensoria Pública
B - O advogado cometeu infração ética, porque ele já
estava na sala de audiências.
C - O advogado não cometeu infração ética, porque é
vedado ao advogado participar de duas audiências
sucessivas.
D - O advogado cometeu infração ética, porque ele tem o
dever de contribuir para a boa administração da justiça.
COMENTÁRIO:Art. 34. Constitui infração disciplinar: XII -
recusar-se a prestar, sem justo motivo, assistência
jurídica, quando nomeado em virtude de impossibilidade da
Defensoria Pública;
36)Sobre a prescrição da pretensão punitiva das infrações
disciplinares, assinale a afirmativa correta.
A - A pretensão punitiva quanto às infrações disciplinares
prescreve em cinco anos, contados da data da constatação
oficial do fato, interrompendo-se pela instauração de
processo disciplinar ou pela notificação válida do
representado.
B - A pretensão punitiva das infrações disciplinares
prescreve em três anos, contados da data da constatação
oficial do fato, interrompendo-se pela instauração de
processo disciplinar ou pela notificação válida do
representado.
C - A pretensão punitiva das infrações disciplinares é
imprescritível.
D - A pretensão punitiva das infrações disciplinares
prescreve em cinco anos, contados da data da constatação
oficial do fato, não havendo previsão legal de marco
interruptivo de tal prazo prescricional.
COMENTÁRIO:Art. 43. A pretensão à punibilidade das
infrações disciplinares prescreve em cinco anos, contados
da data da constatação oficial do fato.
§ 1º Aplica-se a prescriçãoa todo processo disciplinar
paralisado por mais de três anos, pendente de despacho ou
julgamento, devendo ser arquivado de ofício, ou a
requerimento da parte interessada, sem prejuízo de serem
apuradas as responsabilidades pela paralisação.
§ 2º A prescrição interrompe-se:
I- pela instauração de processo disciplinar ou pela
notificação válida feita diretamente ao representado;
II - pela decisão condenatória recorrível de qualquer órgão
julgador da OAB.
Comentário: A prescrição da pretensão punitiva refere-se à
perda do direito do Estado de punir ou de executar a pena
pelo decurso do tempo, extinguindo a punibilidade do
acusado ou condenado.
O Conselho Federal da OAB editou a Súmula 01/2011, que
trata da prescrição de processos administrativos
disciplinares. O termo inicial para contagem do prazo,
decorrente de representação a que se refere o caput do art.
43 do EAOAB é a data da constatação oficial do fato pela
OAB, considerada a data do protocolo da representação ou
a data das declarações do interessado tomadas por termo
perante órgão da entidade. O prazoprescricional é de 5
(cinco) anos.
A prescrição intercorrente de que cuida o § 1º do art. 43 do
Estatuto e Súmula 01/2011 da OAB ocorre diante da
paralisação do processo por mais de 3 (três) anos sem
despacho ou julgamento. Tal prescrição é interrompida e
recomeça a fluir pelo mesmo prazo a cada despacho de
movimentação do feito. Com a prescrição intercorrente o
processo deverá ser arquivado de ofício ou por
requerimento da parte interessada. Entretanto, os eventuais
responsáveis pela
paralisação
deverão ser punidos pela OAB, após apurada as
responsabilidades do óbice mencionado.
Por fim, interrompe-se a prescrição, reiniciando a
contagem em duas situações (art. 43, § 2º, do EAOAB): I -
pela instauração de processo disciplinar ou pela notificação
válida
feita diretamente ao representado;
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II - Pela decisão condenatória recorrível de qualquer órgão
julgado da OAB. Entende-se "por qualquer órgão" aqueles
encarregados de julgamento do processo disciplinar, em
suas instâncias distintas.
37)José foi condenado criminalmente, com sentença
transitada em julgado, e, paralelamente, punido também
em processo disciplinar perante a OAB em função dos
mesmos atos que resultaram naquela condenação
criminal.
Nos termos das normas estatutárias, é correto afirmar
que
A - a reabilitação administrativa independe da criminal. B -
ambas as reabilitações podem tramitar paralelamente. C- a
reabilitação administrativa é pressuposto da criminal. D - é
pressuposto da reabilitação à OAB o deferimento da
criminal.
COMENTÁRIO:Lei 8906/94. Art. 41. É permitido ao que
tenha sofrido qualquer sanção disciplinar requerer, um ano
após seu cumprimento, a reabilitação, em face de provas
efetivas de bom comportamento. Parágrafo único. Quando a
sanção disciplinar resultar da prática de crime, o pedido de
reabilitação depende também da correspondente
reabilitação criminal.
38)Ao requerer sua inscrição nos quadros da OAB, Maria
assinou e apresentou declaração em que afirmava não
exercer cargo incompatível com a advocacia. No
entanto, exercia ela ainda o cargo de Oficial de Justiça
no Tribunal de Justiça do seu Estado. Pouco tempo
depois, já bem sucedida como advogada, pediu
exoneração do referido cargo. No entanto, um desafeto
seu, tendo descoberto que Maria, ao ingressar nos
quadros da OAB, ainda exercia o cargo de Oficial de
Justiça, comunicou o fato à entidade, que abriu
processo disciplinar para apuração da conduta de
Maria, tendo ela sido punida por ter feito falsa prova de
um dos requisitos para a inscrição na OAB.
De acordo com o EAOAB, assinale a opção que indica a
penalidade que deve ser aplicada a Maria.
A - Maria não deve ser punida porque, ao tempo em que os
fatos foram levados ao conhecimento da OAB, ela já não
mais exercia cargo incompatível com a advocacia. B - Maria
não deve ser punida porque o cargo de Oficial de Justiça
não é incompatível com o exercício da advocacia, não
tendo Maria, portanto, feito prova falsa de requisito para
inscrição na OAB.
C - Maria deve ser punida com a pena de suspensão, pelo
prazo de trinta dias.
D - Maria deve ser punida com a pena de exclusão dos
quadros da OAB.
COMENTÁRIO:#MACETE: Se envolver dinheiro + FRIC =
Suspensão
FRAUDAR A LEI / RETER AUTOS / INÉPCIA
PROFISSIONAL / CONDUTA INCOMPATÍVEL
Se for FIC exclusão
FALSA PROVA PARA INSCRIÇÃO / INIDÔNEO PARA A
ADVOCACIA / CRIME INFAMANTE
há uma exceção, como tudo no Direito, no caso o
agenciamento de causas. Apesar de envolver dinheiro, é
punível com censura.
O que não se encaixar no macete é censura.
39)O advogado João foi contratado por José para atuar em
determinada ação indenizatória. Ao ter vista dos autos
em cartório, percebeu que José já estava representado
por outro advogado na causa. Mesmo assim,
considerando que já havia celebrado contrato com
José, mas sem contatar o advogado que se encontrava
até então constituído, apresentou petição requerendo
juntada da procuração pela qual José lhe outorgara
poderes para atuar na causa, bem como a retirada dos
autos em carga, para que pudesse examiná-los com
profundidade em seu escritório.
Com base no caso apresentado, assinale a afirmativa
correta.
A - O advogado João não cometeu infração disciplinar, pois
apenas requereu a juntada de procuração e realizou carga
dos autos do processo, sem apresentar petição com
conteúdo relevante para o deslinde da controvérsia.
B - O advogado João cometeu infração disciplinar, não por
ter requerido a juntada de procuração nos autos, mas sim
por ter realizado carga dos autos do processo em que já
havia advogado constituído.
C - O advogado João não cometeu infração disciplinar, pois,
ao requerer a juntada da procuração nos autos, já havia
celebrado contrato com José.
D - O advogado João cometeu infração disciplinar prevista
no Código de Ética e Disciplina da OAB, pois não pode
aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído,
sem prévio conhecimento do mesmo.
COMENTÁRIO:Código de Ética e Disciplina da OAB
Art. 24. O substabelecimento do mandato, com reserva de
poderes, é ato pessoal do advogado da causa. §1º. O
substabelecimento do mandato sem reservas de poderes
exige o prévio e inequívoco conhecimento do cliente. §2º O
substabelecido com reserva de poderes deve ajustar
antecipadamente seus honorários com o substabelecente.
#DICA: * Substabelecimento, transferência de poderes, no
caso, de um Advogado a outro;
* Com reserva, o Advogado original permanece exercendo
seu papel, em conjunto com o novo, recente;
* Sem reserva, O advogado original sai, deixa o feito, não
reserva seu papel no ato. Só permanece o recém-chegado;
* Substabelecente, aquele que já estava presente e
substabelece, transfere os poderes ao recém-chegado; *
Substabelecido, o novo, que está recebendo os poderes
para atuar na causa.
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40)O advogado Rubem, em causa em que patrocina os
interesses da sociedade Só Fácil Ltda., cita fatos
delituosos, por escrito, contra a honra do réu, sem
autorização do seu cliente. Dias depois, é surpreendido
com ação criminal em virtude dos fatos apresentados
no processo judicial.
A descrição acima amolda-se à seguinte infração disciplinar:
A - locupletar-se, por qualquer forma, à custa do cliente ou
da parte adversa, por si ou interposta pessoa.
B - incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia
profissional.
C - prestar concurso a cliente ou a terceiro para realização
de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la.
D - fazer, em nome do constituinte, sem autorização escrita
deste, imputação a terceiro de fato definido como crime.
COMENTÁRIO:
"Art. 34. Constitui infração disciplinar: (...) XV- fazer, em
nome do constituinte, sem autorização escrita deste,
imputação a terceiro de fato definido como crime"; Artigodo
Estatuto da Advocacia e da OAB.
Gabarito: Infrações e Sanções Disciplinares
31 32 33 34 35
A D B C A
36 37 38 39 40
A D D D D
Processo Disciplinar
41)Havendo indícios de que Sara obteve inscrição na
Ordem dos Advogados do Brasil mediante prova falsa,
foi instaurado contra ela processo disciplinar.
Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
A - O processo disciplinar contra Sara pode ser instaurado
de ofício ou mediante representação, que pode ser
anônima.
B - Em caso de revelia de Sara, o processo disciplinar
seguirá, independentemente de designação de
defensor dativo.
C - O processo disciplinar instaurado contra Sara será,
em regra, público.
D - O recurso contra eventual decisão que determine
o cancelamento da inscrição de Sara não terá efeito
suspensivo.
COMENTÁRIO:O recurso contra eventual decisão que
determine o cancelamento da inscrição de Sara não terá
efeito suspensivo.
42)O Conselho Seccional X da OAB proferiu duas
decisões, ambas unânimes e definitivas, em dois
processos distintos. Acerca da matéria que é objeto do
processo 1, há diversos julgados, em sentido
diametralmente oposto, proferidos pelo Conselho
Seccional Y da OAB. Quanto ao processo 2, há apenas
uma decisãocontrária, outrora proferida pelo Conselho
Federal da OAB. De acordo com a situação narrada,
assinale a afirmativa correta.
A - Cabe recurso da decisão proferida no processo 1 ao
Conselho Federal da OAB, com fundamento na divergência
com as decisões emanadas do Conselho Seccional Y.
Também cabe recurso da decisão proferida no processo 2
ao Conselho Federal da OAB, com base na divergência com
a decisão anterior do Conselho Federal.
B - Não cabe recurso da decisão proferida no processo 1 ao
Conselho Federal da OAB, com fundamento na divergência
com as decisões emanadas do Conselho Seccional Y. No
entanto, cabe recurso da decisão proferida no processo 2 ao
Conselho Federal da OAB, com base na divergência com a
decisão anterior do Conselho Federal.
C - Cabe recurso da decisão proferida no processo 1 ao
Conselho Federal da OAB, com fundamento na divergência
com as decisões emanadas do Conselho Seccional Y. No
entanto, não cabe recurso da decisão proferida no processo
2 ao Conselho Federal da OAB, com base na divergência
com a decisão anterior do Conselho Federal.
D - Não cabem recursos das decisões proferidas no
processo 1 e no processo 2, tendo em vista a definição das
decisões emanadas do Conselho Seccional.
COMENTÁRIO:Art. 75. Cabe recurso ao Conselho Federal
de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho
Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo
unânimes, contrariem esta lei, decisão do Conselho Federal
ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o regulamento
geral, o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos.
43)Maria teve processo disciplinar recém instaurado contra
si pelo Conselho Seccional da OAB, no qual está
inscrita. No dia seguinte à sua notificação por meio de
edital, encontra-se no fórum com Tânia, sua ex-colega
de faculdade, que veio comentar com Maria sobre o
conteúdo do referido processo.
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De acordo com o Estatuto da OAB, Tânia poderia conhecer
o conteúdo do processo disciplinar instaurado, em face de
Maria,
A - por qualquer meio, dada a natureza pública de sua
tramitação.
B - se fosse parte, defensora de parte ou autoridade
judiciária competente, dada a natureza sigilosa de sua
tramitação.
C - caso tivesse tido acesso à notificação inicial, feita por
meio de edital, dada a natureza pública de sua tramitação.
D - em nenhuma hipótese, dada a natureza sigilosa de sua
tramitação.
COMENTÁRIO:EAOAB, Art. 72. O processo disciplinar
instaura-se de ofício ou mediante representação de
qualquer autoridade ou pessoa interessada.
§ 1º O Código de Ética e Disciplina estabelece os critérios
de admissibilidade da representação e os procedimentos
disciplinares.
§ 2º O processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu
término, só tendo acesso às suas informações as partes,
seus defensores e a autoridade judiciária competente.
44)O Tribunal de Ética e Disciplina de certo Conselho
Seccional da OAB decidiu pela suspensão preventiva do
advogado Hélio, acusado em processo disciplinar.
Hélio, todavia, interpôs o recurso cabível contra tal
decisão.
Considerando as regras sobre os recursos em processos
que tramitam perante a OAB, bem como a situação descrita,
assinale a afirmativa correta.
A - Em regra, os recursos em processos que tramitam
perante a OAB têm efeito suspensivo. Assim, no caso
narrado, o recurso interposto por Hélio será dotado do
aludido efeito.
B - Em regra, os recursos em processos que tramitam
perante a OAB não têm efeito suspensivo. Todavia, nesse
caso, excepcionalmente, pode ser atribuído o efeito, se
demonstrada a probabilidade de provimento ou se, sendo
relevante a fundamentação, o recorrente indicar risco de
dano grave ou de difícil reparação.
C - Em regra, os recursos em processos que tramitam
perante a OAB têm efeito suspensivo. Todavia, o recurso
manejado por Hélio se inclui em hipótese excepcional, na
qual é vedado o efeito suspensivo.
D - Em regra, os recursos em processos que tramitam
perante a OAB não têm efeito suspensivo, não sendo
permitida a concessão de tal efeito por decisão da
autoridade julgadora. Assim, no caso narrado, o recurso
interposto.
COMENTÁRIO:De acordo com o artigo 77 do Estatuto da
Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil .
Art. 77. Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto
quando tratarem de eleições (Arts. 63 e seguintes), de
suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e
Disciplina, e de cancelamento da inscrição obtida com falsa
prova.
45)Lina, cidadã que não exerce a advocacia, deseja
endereçar à presidência de certa Subseção da OAB
representação pela instauração de processo disciplinar
em face de determinado advogado, pelo cometimento
de infrações éticas. Assim, ela busca se informar sobre
como pode oferecer tal representação e qual a forma
adequada para tanto.
De acordo com o disposto no Código de Ética e Disciplina
da OAB, Lina poderá oferecer representação pela
instauração de processo disciplinar em face do advogado,
mas
A - deve endereçá-la ao presidente do respectivo Conselho
Seccional, uma vez que receber e processar representações
com tal conteúdo não se inclui entre as atribuições das
Subseções. A representação poderá ser realizada por
escrito ou verbalmente, com ou sem identificação do
representante.
B - deve formulá-la ao presidente do Conselho Seccional ou
ao presidente da Subseção. A representação poderá ser
realizada por escrito ou verbalmente, mas é necessária a
identificação do representante, sob pena de não ser
considerada fonte idônea.
C - deve endereçá-la ao presidente do respectivo Conselho
Seccional, uma vez que não se inclui entre as atribuições
das Subseções receber e processar representações com tal
conteúdo. A representação deverá ser realizada por escrito,
não sendo consideradas fontes idôneas as representações
verbais ou sem identificação do representante.
D - deve formulá-la ao presidente do Conselho Seccional ou
ao presidente da Subseção. A representação poderá ser
realizada por escrito ou verbalmente, com ou sem
identificação do representante. Será considerada fonte
idônea ainda que oferecida sem a identificação do
representante.
COMENTÁRIO:A questão abordou dois artigos do novo
código de ética.
O caput do Art. 56. A representação será formulada ao
Presidente do Conselho Seccional ou ao Presidente da
Subseção, por escrito ou verbalmente e, neste caso, será
reduzida a termo.
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E o Art. 55 § 2º Não se considera fonte idônea a que
consistir em denúncia anônima.
46)Após recebida representação disciplinar sem
fundamentos, cabe ao relator designado pelo presidente
do Conselho Seccional daOAB, à luz das normas
aplicáveis,
A - arquivar o processo ato contínuo.
B - propor ao presidente o arquivamento do
processo. C - designar data para a defesa oral pelo
advogado. D - julgar improcedente a representação.
COMENTÁRIO:Art. 51. O processo disciplinar instaura-se
de ofício ou mediante representação dos interessados, que
não pode ser anônima.
§2º: O relator pode propor ao Presidente do Conselho
Seccional ou da Subseção o arquivamento da
representação, quando esta estiver desconstituída dos
pressupostos de admissibilidade.
47)Assinale a alternativa correta: I. Os empregados da
OAB, ressalvadas as situações consolidadas
anteriormente ao vigente Estatuto da Advocacia e da
OAB, são contratados pelo regime celetista,
independentemente de concurso público. II. Cabe
recurso das decisões da Diretoria da Caixa de
Assistência dos Advogados ao Conselho Federal. III. As
Conferências dos Advogados, Nacional e Estaduais,
devem ocorrer a cada três anos, em data não
coincidente com o ano eleitoral. IV. O Presidente do
Conselho Seccional pode interpor maioria pelo
respectivo Conselho.
A - Todas as assertivas estão corretas.
B - Apenas as assertivas I, II e III estão corretas.
C - Apenas as assertivas I, III e IV estão
corretas. D - Apenas as assertivas II e IV estão
corretas.
COMENTÁRIO:I- Art. 79. Aos servidores da OAB, aplica-se
o regime trabalhista.
II-Art. 76. Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as
decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de
Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da
Caixa de Assistência dos Advogados.
III- Art. 80. Os Conselhos Federal e Seccionais devem
promover trienalmente as respectivas Conferências, em data
não coincidente com o ano eleitoral, e periodicamente,
reunião do colégio de presidentes a eles vinculados, com
finalidade consultiva.
IV- Art. 75. Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as
decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional,
quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes,
contrariem esta lei, decisão do Conselho Federal ou de
outro Conselho Seccional e, ainda, o regulamento geral, o
Código de Ética e Disciplina e os Provimentos.
Parágrafo único. Além dos interessados, o Presidente do
Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso
referido neste artigo.
48)Sobre o processo disciplinar na OAB é CORRETO
afirmar:
A - o poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB
compete ao Conselho Seccional em cuja base territorial
tenha ocorrido a infração, salvo se a falta for cometida
perante o Conselho Federal, e, ainda, ao Poder Judiciário,
desde que o magistrado seja competente para aplicar a
pena;
B - a decisão condenatória irrecorrível deve ser
imediatamente comunica ao Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil, para constar dos respectivos
assentamentos;
C - a jurisdição disciplinar não exclui a comum e, quando o
fato constituir crime ou contravenção, deve ser comunicado
às autoridades competentes. EA, 71;
D - o processo disciplinar tramita em sigilo, até o seu
término no Tribunal de Ética e Disciplina. A partir daí,
qualquer interessado pode obter informações sobre o
andamento do feito, inclusive requerer certidão para
qualquer finalidade.
COMENTÁRIO:Lei 8906 - Estatuto da Advocacia:
Art. 71. A jurisdição disciplinar não exclui a comum e,
quando o fato constituir crime ou contravenção, deve ser
comunicado às autoridades competentes.
49)Sobre o processo na OAB é CORRETO afirmar:
A - todos os prazos necessários à manifestação de
advogados, estagiários e terceiros, nos processos em geral
da OAB, são de 10 (dez) dias, inclusive para interposição de
recursos;
B - nos casos de comunicação por ofício reservado, ou de
notificação pessoal, o prazo se conta a partir da data do
recebimento do documento;
C - nos casos de publicação na imprensa oficial do ato ou
da decisão, o prazo inicia-se na data da publicação,
inclusive;
D - salvo disposição em contrário, aplicam-se
subsidiariamente ao processo disciplinar as regras da
legislação processual penal comum e, aos demais
processos, as regras gerais do procedimento administrativo
comum e da legislação processual civil, nessa ordem. - EA,
68.
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COMENTÁRIO:
#DICA: "Regrinha" do PAC:
Penal
Administrativo
Civil
50)Sobre os recursos na OAB:
A - cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões
definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, unânimes ou
não ou que contrariem ou não o Estatuto da Advocacia e da
OAB;
B - cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as
decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de
Ética e Disciplina, ou pela Diretoria da Subseção ou da
Caixa de Assistência dos Advogados;
C - todos os recursos têm efeito suspensivo e devolutivo,
exceto quando tratarem de eleições, de suspensão
preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e de
cancelamento da inscrição obtida com falsa prova. Nestes
casos o recurso deverá ser recebido apenas no efeito
devolutivo;
D - compete ao Código de Ética e Disciplina regulamentar o
cabimento de recursos específicos, no âmbito de cada
órgão julgador da OAB.
COMENTÁRIO:Lei 8906 -Estatuto da Advocacia:
Art. 76. Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as
decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de
Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da
Caixa de Assistência dos Advogados.
51)Sobre o processo disciplinar na OAB, é CORRETO
afirmar que:
A - o Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o
acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo
preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à
dignidade da advocacia, depois de ouvi-lo em sessão
especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo
se não atender à notificação. Nesse caso, o processo
disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa
dias;
B - a decisão condenatória irrecorrível deve ser
imediatamente comunicada aos órgãos da OAB (Conselho
Federal, Conselho Seccional, Subseções e Caixa de
Assistência) para constar dos respectivos assentamentos;
C - o poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB
compete exclusivamente ao Conselho Federal, salvo se a
falta for cometida no âmbito da Subseção, quando, então,
esta poderá punir o advogado inscrito em seus quadros;
D - a jurisdição disciplinar exclui a comum e, quando o fato
constituir crime ou contravenção, este pode ser comunicado
às autoridades competentes, a critério do presidente da
Seccional.
COMENTÁRIO:Lei 8906 - Estatuto da Advocacia:
Art. 70. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na
OAB compete exclusivamente ao Conselho Seccional em
cuja base territorial tenha ocorrido a infração, salvo se a
falta for cometida perante o Conselho Federal.
§ 3º O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o
acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo
preventivamente, em caso de repercussão prejudicial à
dignidade da advocacia, depois de ouvi-lo em sessão
especial para a qual deve ser notificado a comparecer, salvo
se não atender à notificação. Neste caso, o processo
disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa
dias.
Gabarito: Processo Disciplinar
41 42 43 44 45
D A B C B
46 47 48 49 50
B C C D B
51
A
DIREITO CIVIL
Direito das Sucessões
52)Arnaldo faleceu e deixou os filhos Roberto e Álvaro. No
inventário judicial de Arnaldo, Roberto, devedor
contumaz na praça, renunciou à herança, em 05/11/2019,
conforme declaração nos autos. Considerando que o
falecido não deixou testamento e nem dívidas a serem
pagas, o valor líquido do monte a ser partilhado era de
R$ 100.000,00 (cem mil reais). Bruno é primo de Roberto
e também seu credor no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil
reais). No dia 09/11/2019, Bruno tomou conhecimento da
manifestação de renúncia supracitada e, no dia
29/11/2019, procurou um advogado para tomar as
medidas cabíveis.
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Sobre esta situação, assinale a afirmativa correta.
A - Em nenhuma hipótese Bruno poderá contestar a
renúncia da herança feita por Roberto.
B - Bruno poderá aceitar a herança em nome de Roberto,
desde que o faça no prazo de quarenta dias seguintes ao
conhecimento do fato.
C - Bruno poderá, mediante autorização judicial, aceitar a
herança em nome de Roberto, recebendo integralmente o
quinhão do renunciante.
D - Bruno poderá, mediante autorização judicial, aceitar a
herança em nome de Roberto, no limite de seu crédito.
COMENTÁRIO:CC, art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar
os seus credores, renunciando à herança, poderão eles [os
credores], com autorização do juiz, aceitá-la em nome do
renunciante. [A/D]§ 1º A habilitação dos credores se fará no
prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do fato. [B]
§ 2º Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia
quanto ao remanescente, que será devolvido aos demais
herdeiros .
53)Juliana, Lorena e Júlia são filhas de Hermes, casado
com Dóris. Recentemente, em razão de uma doença
degenerativa, Hermes tornou-se paraplégico e começou
a exigir cuidados maiores para a manutenção de sua
saúde. Nesse cenário, Dóris e as filhas Juliana e Júlia se
revezavam a fim de suprir as necessidades de Hermes,
causadas pela enfermidade. Quanto a Lorena, esta
deixou de visitar o pai após este perder o movimento
das pernas, recusando-se a colaborar com a família,
inclusive financeiramente. Diante desse contexto,
Hermes procura você, como advogado(a), para saber
quais medidas ele poderá tomar para que, após sua
morte, seu patrimônio não seja transmitido a Lorena.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A - A pretensão de Hermes não poderá ser concretizada
segundo o Direito brasileiro, visto que o descendente,
herdeiro necessário, não poderá ser privado de sua legítima
pelo ascendente, em nenhuma hipótese.
B - Não é necessário que Hermes realize qualquer
disposição ainda em vida, pois o abandono pelos
descendentes é causa legal de exclusão da sucessão do
ascendente, por indignidade.
C - Existe a possibilidade de deserdar o herdeiro necessário
por meio de testamento, mas apenas em razão de ofensa
física, injúria grave e relações ilícitas com madrasta ou
padrasto atribuídas ao descendente.
D - É possível que Hermes disponha sobre deserdação de
Lorena em testamento, indicando, expressamente, o seu
desamparo em momento de grave enfermidade como causa
que justifica esse ato.
COMENTÁRIO:Art. 1.962, CC. Além das causas
mencionadas no art. 1.814 , autorizam a deserdação dos
descendentes por seus ascendentes:
IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou
grave enfermidade.
54)Mariana e Maurílio são filhos biológicos de Aldo. Este,
por sua vez, nunca escondeu ser mais próximo de seu
filho Maurílio, com quem diariamente trabalhava.
Quando do falecimento de Aldo, divorciado na época,
seus filhos constataram a existência de testamento, que
destinou todos os bens do falecido exclusivamente para
Maurílio.
Sobre a situação narrada, assinale a afirmativa correta.
A - O testamento de Aldo deverá ser integralmente
cumprido, e, por tal razão, todos os bens do autor da
herança serão transmitidos a Maurílio.
B - A disposição de última vontade é completamente nula,
porque Mariana é herdeira necessária, devendo os bens ser
divididos igualmente entre os dois irmãos.
C - Deverá haver redução da disposição testamentária,
respeitando-se, assim, a legítima de Mariana, herdeira
necessária, que corresponde a um quinhão de 50% da
totalidade herança.
D - Deverá haver redução da disposição testamentária,
respeitando a legítima de Mariana, herdeira necessária, que
corresponde a um quinhão de 25% da totalidade da
herança.
COMENTÁRIO:Art. 1.967. As disposições que excederem a
parte disponível reduzir-se-ão aos limites dela, de
conformidade com o disposto nos parágrafos seguintes.
1 Em se verificando excederem as disposições
testamentárias a porção disponível, serão
proporcionalmente reduzidas as quotas do herdeiro ou
herdeiros instituídos, até onde baste, e, não bastando,
também os legados, na proporção do seu valor.
2 Se o testador, prevenindo o caso, dispuser que se
inteirem, de preferência, certos herdeiros e legatários, a
redução far-se-á nos outros quinhões ou legados,
observando-se a seu respeito a ordem estabelecida no
parágrafo antecedente.
55)Matheus, sem filhos, casado com Jane, no regime de
comunhão parcial de bens, falece após enfarto fulminante.
De seu parentesco em linha reta são ainda vivos Carlos, seu
pai, e Irene, sua avó materna.
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A partir da situação acima, assinale a opção que indica a
sucessão de Matheus.
A - Serão herdeiros Carlos, Irene e Jane, a última em
concorrência, atribuído quinhão de 1/3 do patrimônio para
cada um deles.
B - Serão herdeiros Carlos e Jane, atribuído quinhão de 2/3
ao pai e de 1/3 à Jane, cônjuge concorrente.
C - Carlos será herdeiro sobre a totalidade dos bens,
enquanto Jane apenas herda, em concorrência com este, os
bens particulares do falecido.
D - Serão herdeiros Carlos e Jane, esta herdeira
concorrente, atribuído quinhão de metade do patrimônio
para cada um deste
COMENTÁRIO:Código Civil - Art. 1.836. Na falta de
descendentes, são chamados à sucessão os ascendentes,
em concorrência com o cônjuge sobrevivente.
1 Na classe dos ascendentes, o grau mais próximo exclui o
mais remoto, sem distinção de linhas.
Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau,
ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a
metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for
aquele grau.
56)Duas sociedades empresárias celebraram contrato de
agência com uma terceira sociedade empresária, que
assumiu a obrigação de, em caráter não eventual e sem
vínculos de dependência com as proponentes,
promover, à conta das primeiras, mediante retribuição, a
realizaçãode certos negócios com exclusividade, nos
municípios integrantes da região metropolitana de
Curitiba/PR. Ficou pactuado que as proponentes
conferirão poderes à agente para que esta as
represente, como mandatária, na conclusão dos
contratos. Antônio Prado, sócio de uma das sociedades
empresárias contratantes, consulta seu advogado
quanto à legalidade do contrato, notadamente da
delimitação de zona geográfica e da concessão de
mandato ao agente.
Sobre a hipótese apresentada, considerando as disposições
legais relativas ao contrato de agência, assinale a afirmativa
correta.
A - Não há ilegalidade quanto à delimitação de zona
geográfica para atuação exclusiva do agente, bem como em
relação à possibilidade de ser o agente mandatário das
proponentes, por serem características do contrato de
agência.
B - Há ilegalidade na fixação de zona determinada para
atuação exclusiva do agente, por ferir a livre concorrência
entre agentes, mas não há ilegalidade na outorga de
mandato ao agente para representação das proponentes.
C - Há ilegalidade tanto na outorga de mandato ao agente
para representação dos proponentes, por ser vedada
qualquer relação de dependência entre agente e
proponente, e também quanto à fixação de zona
determinada para atuação exclusiva do agente.
D - Não há ilegalidade quanto à fixação de zona
determinada para atuação exclusiva do agente, mas há
ilegalidade quanto à concessão de mandato do agente,
porque é obrigatório por lei que o agente apenas faça a
mediação dos negócios no interesse do proponente.
COMENTÁRIO:CC, art. 710. Pelo contrato de agência, uma
pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de
dependência, a obrigação de promover, à conta de outra,
mediante retribuição, a realização de certos negócios, em
zona determinada [municípios integrantes da região
metropolitana de Curitiba/PR], caracterizando-se a
distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa
a ser negociada. Parágrafo único. O proponente pode
conferir poderes ao agente para queeste o represente na
conclusão dos contratos.
Art. 711. Salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao
mesmo tempo, mais de um agente, na mesma zona, com
idêntica incumbência; nem pode o agente assumir o
encargo de nela tratar de negócios do mesmo gênero, à
conta de outros proponentes.
57)Ester, viúva, tinha duas filhas muito ricas, Marina e
Carina. Como as filhas não necessitam de seus bens,
Ester deseja beneficiar sua irmã, Ruth, por ocasião de
sua morte, destinando-lhe toda a sua herança, bens que
vieram de seus pais, também pais de Ruth. Ester o(a)
procura como advogado(a), indagando se é possível
deixar todos os seus bens para sua irmã. Deseja fazê-lo
por meio de testamento público, devidamente lavrado
em Cartório de Notas, porque suas filhas estão de
acordo com esse seu desejo.
Assinale a opção que indica a orientação correta a ser
transmitida a Ester.
A - Em virtude de ter descendentes, Ester não pode dispor
de seus bens por testamento.
B- Ester só pode dispor de 1/3 de seu patrimônio em favor
de Ruth, cabendo o restante de sua herança às suas filhas
Marina e Carina, dividindo-se igualmente o patrimônio.
C - Ester pode dispor de todo o seu patrimônio em favor de
Ruth, já que as filhas estão de acordo.
D - Ester pode dispor de 50% de seu patrimônio em favor
de Ruth, cabendo os outros 50% necessariamente às suas
filhas, Marina e Carina, na proporção de 25% para cada
uma.
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COMENTÁRIO:Como Ester tem herdeiras necessárias,
suas duas filhas, pode só dispor de 50%
Art. 1.789. Havendo herdeiros necessários, o testador só
poderá dispor da metade da herança.
50% para Ruth
os outros 50% para Marina e Carina > será dividido em 1/2
para cada filha:
Marina > 25%
Carina > 25%
58)Márcia era viúva e tinha três filhos: Hugo, Aurora e
Fiona. Aurora, divorciada, vivia sozinha e tinha dois
filhos, Rui e Júlia. Márcia faleceu e Aurora renunciou à
herança da mãe.
Sobre a divisão da herança de Márcia, assinale a
afirmativa correta.
A - Diante da renúncia de Aurora, a herança de Márcia deve
ser dividida entre Hugo e Fiona, cabendo a cada um metade
da herança.
B - Diante da renúncia de Aurora, a herança de Márcia deve
ser dividida entre Hugo, Fiona, Rui e Júlia, em partes iguais,
cabendo a cada um 1/4 da herança.
C - Diante da renúncia de Aurora, a herança de Márcia deve
ser dividida entre Hugo, Fiona, Rui e Júlia, cabendo a Hugo
e Fiona 1/3 da herança, e a Rui e Júlia 1/6 da herança para
cada um.
D - Aurora não pode renunciar à herança de sua mãe, uma
vez que tal faculdade não é admitida quando se tem
descendentes de primeiro grau.
COMENTÁRIO:A herança será dividida igualmente entre
Hugo e Fiona, pois o herdeiro renunciante é como se nunca
houvesse existido, logo não haverá direito de
representação, devendo, portanto, ser observada a regra
contida no artigo 1810 do Código Civil.
ATENÇÃO: Quando somente tiver um único herdeiro
renunciante ou se todos os outros da mesma classe
renunciarem a herança, os filhos poderão receber a herança
(art. 1811 CC).
59)Mateus não tinha mais parentes, nunca tivera
descendentes e jamais havia vivido em união estável ou
em matrimônio. Há alguns anos, ele decidiu fazer um
testamento e deixar todo o seu patrimônio para seus
amigos da vida toda, Marcos e Lucas. Seis meses
depois da lavratura do testamento, por força de um
exame de DNA, Mateus descobriu que tinha um filho,
Alberto, 29 anos, que não conhecia, fruto de um
relacionamento fugaz ocorrido no início de sua
faculdade. Mateus reconheceu a paternidade de Alberto
no Registro Civil e passou a conviver periodicamente
com o filho. No mês passado, Mateus faleceu.
Sobre sua sucessão, assinale a afirmativa
correto. A - Todo o patrimônio de Mateus caberá a
Alberto
B - Todo o patrimônio de Mateus caberá a Marcos e Lucas,
por força do testamento.
C - Alberto terá direito à legítima, cabendo a Marcos e
Lucas a divisão da quota disponível.
D - A herança de Mateus caberá igualmente aos três
herdeiros.
COMENTÁRIO:Art. 1.973. Sobrevindo descendente
sucessível ao testador, que não o tinha ou não o conhecia
quando testou, rompe-se o testamento em todas as suas
disposições, se esse descendente sobreviver ao testador.
60)Segundo o Código Civil de 2002, acerca do direito de
representação, instituto do Direito das Sucessões,
assinale a opção correta.
A - É possível que o filho renuncie à herança do pai e,
depois, represente-o na sucessão do avô.
B - Na linha transversal, é permitido o direito de
representação em favor dos sobrinhos, quando concorrerem
com sobrinhos-netos.
C - Em não havendo filhos para exercer o direito de
representação, este será exercido pelos pais do
representado.
D - O direito de representação consiste no chamamento de
determinados parentes do de cujus a suceder em todos os
direitos a ele transmitidos, sendo permitido tanto na
sucessão legítima quanto na testamentária.
COMENTÁRIO:Código Civil. Art. 1.856. O renunciante à
herança de uma pessoa poderá representá-la na sucessão
de outra.
O filho pode renunciar à herança do pai e, depois,
representá-lo na sucessão do avô.
61)Marcos e Paula, casados, pais de Isabel e Marcelo,
menores impúberes, faleceram em um grave acidente
automobilístico. Em decorrência deste fato, Pedro, avô
materno nomeado tutor dos menores, restou incumbido,
nos termos do testamento, do dever de administrar o
patrimônio dos netos, avaliado em dois milhões de
reais. De acordo com o testamento, o tutor
foidispensado de prestar contas de sua administração.
Diante dos fatos narrados e considerando as regras de
Direito Civil sobre prestação de contas no exercício da
tutela, assinale a opção correta.
A - Pedro está dispensado de prestar contas do exercício da
tutela, tendo em vista o disposto no testamento deixado
pelos pais de Isabel e Marcelo, por ser um direito disponível.
B - Caso Pedro falecesse no exercício da tutela, haveria
dispensa de seus herdeiros prestarem contas da
administração dos bens de Isabel e Marcelo.
C - A responsabilidade de Pedro de prestar contas da
administração da tutela cessará quando Isabel e Marcelo
atingirem a maioridade e derem a devida quitação.
D - Pedro tem a obrigação de prestar contas da
administração da tutela de dois em dois anos e também
quando deixar o exercício da tutela, ou sempre que for
determinado judicialmente.
COMENTÁRIO:Art. 1757, CC/02 - Os tutores prestarão
contas de dois em dois anos, e também quando, por
qualquer motivo, deixarem o exercício da tutela ou toda vez
que o juiz achar conveniente.
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Gabarito: Direito das Sucessões 52 53 54 55 56
D D D D A
57 58 59 60 61
D A A A D
Contratos em Espécie
62)Antônio, divorciado, proprietário de três imóveis
devidamente registrados no RGI, de valores de mercado
semelhantes, decidiu transferir onerosamente um de
seus bens ao seu filho mais velho, Bruno, que mostrou
interesse na aquisição por valor próximo ao de
mercado.
No entanto, ao consultar seus dois outros filhos (irmãos do
pretendente comprador), um deles, Carlos, opôs-se à venda.
Diante disso, bastante chateado com a atitude de Carlos,
seu filho que não concordou com a compra e venda do
imóvel, decidiu realizar uma doação a favor de Bruno.
Em face do exposto, assinale a afirmativa correta
A - A compra e venda de ascendente para descendente só
pode ser impedida pelos demais descendentes e pelo
cônjuge, se a oposição for unânime.
B - Não há, na ordem civil, qualquer impedimento à
realização de contrato de compra e venda de pai para filho,
motivo pelo qual a oposição feita por Carlos não poderia
gerar a anulação do negócio.
C - Antônio não poderia, como reação à legítima oposição
de Carlos, promover a doação do bem para um de seus
filhos (Bruno), sendo tal contrato nulo de pleno direito.
D - É legítima a doação de ascendentes para descendente,
independentementeda anuência dos demais, eis que o ato
importa antecipação do que lhe cabe na herança.
COMENTÁRIO:Art. 544. A doação de ascendentes a
descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa
adiantamento do que lhes cabe por herança.
63)Nos contratos de comissão, corretagem e agência, é
dever do corretor, do comissário e do agente atuar com
toda diligência, atendo-se às instruções recebidas da
parte interessada. Apesar dessa característica comum,
cada contrato conserva sua tipicidade em razão de seu
modus operandi.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
A - O agente pratica, em nome próprio, os atos a ele
incumbidos à conta do proponente; o comissário não pode
tomar parte – sequer como mandatário – nos negócios que
vierem a ser celebrados em razão de sua intermediação; o
corretor pode receber poderes do cliente para representá-lo
na conclusão dos contratos.
B - O comissário pratica, em nome próprio, os atos a ele
incumbidos à conta do comitente; o corretor não pode tomar
parte – sequer como mandatário – nos negócios que vierem
a ser celebrados em razão de sua mediação; o agente pode
receber poderes do proponente para representá-lo na
conclusão dos contratos.
C - O corretor pratica, em nome próprio, os atos a ele
incumbidos à conta do cliente; o agente não pode tomar
parte – sequer como mandatário – nos negócios que vierem
a ser celebrados no interesse do proponente; o comissário
pode receber poderes do comitente para representá-lo na
conclusão dos contratos.
D - Tanto o comissário quanto o corretor praticam, em nome
próprio, os atos a eles incumbidos pelo comitente ou cliente,
mas o primeiro tem sua atuação restrita à zona geográfica
fixada no contrato; o agente deve atuar com exclusividade
tão somente na mediação para realização de negócios em
favor do proponente.
COMENTÁRIO:Comissário - Art. 693. O contrato de
comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens
pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do
comitente.
Corretor - bastava saber que a corretagem é um contrato de
mediação com o fim de se obter negócios.
Agente - bastava saber também que a agência é um
contrato justamente para promover a realização de certos
negócios jurídicos.
64)Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que
constava da coleção de sua falecida avó, Marta. Esta, na
condição de testadora, havia destinado a biblioteca
como legado, em testamento, para sua neta, Joana
(legatária). Renata se ofereceu para visitar a biblioteca,
circunstância na qual se encantou com a coleção de
clássicos franceses.
Renata, então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$
1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção,
oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da
existência de ação que corria na Vara de Sucessões,
movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava
impugnar a validade do testamento e, por conseguinte,
reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido
por Joana. Mesmo assim, Renata decidiu adquirir a
coleção, pagando o respectivo preço. Diante de tais
situações, assinale a afirmativa correta.
A - Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e
venda, Renata não pode demandar Joana pela evicção, pois
sabia que a coisa era litigiosa.
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B - Com relação ao livro recebido em doação, Joana
responde pela evicção, especialmente porque, na data da
avença, Renata não sabia da existência de litígio.
C - A informação prestada por Joana a Renata, acerca da
existência de litígio sobre a biblioteca que recebeu em
legado, deve ser interpretada como cláusula tácita de
reforço da responsabilidade pela evicção.
D - O contrato gratuito firmado entre Renata e Joana
classifica-se como contrato de natureza aleatória, pois Marta
soube posteriormente do risco da perda do bem pela
evicção.
COMENTÁRIO:"Art. 457. Não pode o adquirente demandar
pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa."
65)Eva celebrou com sua neta Adriana um negócio jurídico,
por meio do qual doava sua casa de praia para a neta
caso esta viesse a se casar antes da morte da doadora.
O ato foi levado a registro no cartório do Registro de
Imóveis da circunscrição do bem. Pouco tempo depois,
Adriana tem notícia de que Eva não utilizava a casa de
praia há muitos anos e que o imóvel estava
completamente abandonado, deteriorando-se a cada dia.
Adriana fica preocupada com o risco de ruína completa
da casa, mas não tem, por enquanto, nenhuma
perspectiva de casar-se.
De acordo com o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - Adriana pode exigir que Eva autorize a realização de
obras urgentes no imóvel, de modo a evitar a ruína da casa.
B - Adriana nada pode fazer para evitar a ruína da casa,
pois, nos termos do contrato, é titular de mera expectativa
de fato.
C - Adriana pode exigir que Eva lhe transfira desde logo a
propriedade da casa, mas perderá esse direito se Eva vier a
falecer sem que Adriana tenha se casado.
D - Adriana pode apressar-se para casar antes da morte de
Eva, mas, se esta já tiver vendido a casa de praia para uma
terceira pessoa ao tempo do casamento, a doação feita para
Adriana não produzirá efeito.
COMENTÁRIO:Art. 125. Subordinando-se a eficácia do
negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto está se
não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de
condição suspensiva ou resolutiva, é permitido praticar os
atos destinados a conservá-lo.
66)Lucas, um grande industrial do ramo de couro, decidiu
ajudar Pablo, seu amigo de infância, na abertura do seu
primeiro negócio: uma pequena fábrica de sapatos.
Lucas doou 50 prensas para a fábrica, mas Pablo achou
pouco e passou a constantemente importunar o amigo
com novas solicitações. Após sucessivos e infrutíferos
pedidos de empréstimos de toda ordem, a relação entre
os dois se desgasta a tal ponto que Pablo, totalmente
fora de controle, atenta contra a vida de Lucas. Este,
porém, sobrevive ao atentado e decide revogar a
doação feita a Pablo. Ocorre quePablo havia
constituído penhor sobre as prensas, doadas por
Lucas, para obter um empréstimo junto ao Banco
XPTO, mas, para não interromper a produção, manteve
as prensas em sua fábrica.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
A - Para a constituição válida do penhor, é necessário que
as coisas empenhadas estejam em poder do credor. Como
isso não ocorreu, o penhor realizado por Pablo é nulo.
B - Tendo em vista que o Banco XPTO figura como terceiro
de má-fé, a realização do penhor é causa impeditiva da
revogação da doação feita por Lucas.
C - Como causa superveniente da resolução da propriedade
de Pablo, a revogação da doação operada por Lucas não
interfere no direito de garantia dado ao Banco XPTO.
D - Em razão da tentativa de homicídio, a revogação da
doação é automática, razão pela qual os direitos adquiridos
pelo Banco XPTO resolvem-se junto com a propriedade de
Pablo.
COMENTÁRIO:Art. 559, CC: A revogação por qualquer
desses motivos [art. 557, CC] deverá ser pleiteada dentro de
um ano, a contar de quando chegue ao conhecimento do
doador o fato que a autorizar, e de ter sido o donatário o seu
autor.
67)Tiago celebrou contrato de empreitada com a sociedade
Obras Já Ltda. para a construção de piscina e duas
quadras de esporte em sua casa de campo, pelo preço
total de R$ 50.000,00. No contrato ficou estabelecido
que a empreiteira seria responsável pelo fornecimento
dos materiais necessários à execução da obra.
Durante a obra, ocorreu uma enchente que alagou a região
e parte do material a ser usado na obra foi destruída. A
empreiteira, em razão disso, entrou em contato com Tiago
cobrando um adicional de R$ 10.000,00 para adquirir os
novos materiais necessários para terminar a obra.
Diante dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A - Tiago não terá que arcar com o adicional de R$
10.000,00, ainda que a destruição do material não tenha
ocorrido por culpado devedor.
B - Tiago não terá que arcar com o adicional de R$
10.000,00, porém a empreiteira não está mais obrigada a
terminar a obra, tendo em vista a ocorrência de um fato
fortuito ou de força maior.
C - Tiago terá que arcar com o adicional de R$ 10.000,00,
tendo em vista que a destruição do material não foi causada
por um fato fortuito ou de força maior.
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D - Tiago terá que arcar com o adicional de R$ 10.000,00 e
a empreiteira não está mais obrigada a terminar a obra, ante
a ocorrência de um caso fortuito ou de força maior.
COMENTÁRIO:Art. 611. Quando o empreiteiro fornece os
materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da
entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se
este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por
sua conta correrão os riscos.
Art. 612. Se o empreiteiro só forneceu mão-de-obra, todos
os riscos em que não tiver culpa correrão por conta do dono.
68)João e Maria casaram-se, no regime de comunhão
parcial de bens, em 2004. Contudo, em 2008, João
conheceu Vânia e eles passaram a ter um
relacionamento amoroso. Separando-se de fato de
Maria, João saiu da casa em que morava com Maria e foi
viver com Vânia, apesar de continuar casado com Maria.
Em 2016, João, muito feliz em seu novo relacionamento,
resolve dar de presente um carro 0 km da marca X para
Vânia. Considerando a narrativa apresentada, sobre o
contrato de doação celebrado entre João, doador, e Vânia,
donatária, assinale a afirmativa correta.
A - É nulo, pois é hipótese de doação de cônjuge adúltero
ao seu cúmplice.
B - Poderá ser anulado, desde que Maria pleiteie a
anulação até dois anos depois da assinatura do contrato.
C - É plenamente válido, porém João deverá pagar perdas e
danos à Maria.
D - É plenamente válido, pois João e Maria já estavam
separados de fato no momento da doação.
COMENTÁRIO:Art. 1.683. Na dissolução do regime de bens
por separação judicial ou por divórcio, verificar-se-á o
montante dos aquestos à data em que cessou a
convivência. A autora Maria Berenice Dias não deixa
dúvidas:
“Dessa forma, após a separação de fato, embora não
decretada a separação de corpos nem oficializado o
divórcio, os bens adquiridos por um dos cônjuges só a ele
passam a pertencer, ainda que se mantenham legalmente
na condição de casados. ”.
Entretanto, quanto aos bens adquiridos durante a
constância do casamento, seja por esforço ou contribuição
de ambos ou de um só cônjuge, deverão ser observadas as
regras do regime de bens eleito pelo casal, dentre eles: a
comunhão parcial, a comunhão universal, a separação de
bens, a e a participação final nos aquestos.
69)Marcos vendeu para Francisco, por instrumento
particular, um quadro que pintara anos antes, pelo valor
de três mil reais. No momento da celebração do
contrato, Francisco entregou a Marcos, a título de arras
penitenciais, quinhentos reais.
No contrato constou que Marcos entregaria a obra na casa
do comprador 30 dias depois da celebração da avença.
Todavia, 10 dias antes da data ajustada para a entrega,
Francisco telefonou para Marcos e comunicou que desistira
do negócio.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A - Francisco exerceu seu direito protestativo de desfazer a
avença, e por isso perderá em favor de Marcos o sinal pago
quando da celebração do contrato.
B - Francisco cometeu um ilícito contratual, pelo que Marcos
poderá reter o sinal dado pelo comprador no momento da
celebração da avença.
C - Marcos poderá pleitear indenização por perdas e danos
se provar que seu prejuízo com o desfazimento do negócio
foi superior aos R$ 500,00 pagos a título de sinal.
D - As arras penitenciais reforçam o vínculo contratual e
impedem o desfazimento do negócio, pelo que Marcos
poderá pleitear a execução específica do contrato.
COMENTÁRIO:Arras Penitenciais - são aquelas que
autorizam o direito de arrependimento sem a possibilidade
de indenização suplementar.
Arras Compensatórias - são aquelas que não autorizam o
direito de arrependimento, mas se ocorrer e se desfeito por:
a) quem recebe - devolve + atualização monetária + juros +
honorários;
b) quem dá - perde, apenas.
Obs.: a parte inocente (a ou b) se comprovar maior prejuízo
pode pedir:
- as arras em dobro (indenização suplementar) ou pedir
execução do contrato + perdas e danos + fica com as arras.
Artigos - 417, 418, 419, 420 e Súm. 412 STF.
70)Joaquim celebrou, por instrumento particular, contrato
de mútuo com Ronaldo, pelo qual lhe emprestou R$
50.000,00 (cinquenta mil reais), a serem pagos 30 dias
depois. No dia do vencimento do empréstimo, Ronaldo
não adimpliu a prestação. O tempo passou, Joaquim se
manteve inerte, e a dívida prescreveu. Inconformado,
Joaquim pretende ajuizar ação de enriquecimento sem
causa contra Ronaldo.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A - A ação de enriquecimento sem causa é cabível, uma vez
que Ronaldo se enriqueceu indevidamente à custa de
Joaquim.
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B - Como a ação de enriquecimento sem causa é
subsidiária, é cabível seu ajuizamento por não haver, na
hipótese, outro meio de recuperar o empréstimo concedido.
C - Não cabe o ajuizamento da ação de enriquecimento
sem causa, pois há título jurídico a justificar o
enriquecimento de Ronaldo.
D - A pretensão de ressarcimento do enriquecimento sem
causa prescreve simultaneamente à pretensão relativa à
cobrança do valor mutuado.
COMENTÁRIO:Art. 866, CC. Não caberá a restituição por
enriquecimento ilícito se a Lei conferir ao lesado outros
meios para se ressarcir do prejuízo sofrido.
71)Joana deu seu carro a Lúcia, em comodato, pelo prazo
de 5 dias, findo o qual Lúcia não devolveu o veículo.
Dois dias depois, forte tempestade danificou a lanterna
e o para-choque dianteiro do carro de Joana.
Inconformada com o ocorrido Joana exigiu que Lúcia a
indenizasse pelos danos causados ao veículo.
Diante do fato narrado, assinale a afirmativa correta.
A - Lúcia incorreu em inadimplemento absoluto, pois não
cumpriu sua prestação no termo ajustado, o que inutilizou a
prestação para Joana.
B - Lúcia não está em mora, pois Joana não a interpelou,
judicial ou extrajudicialmente.
C - Lúcia deve indenizar Joana pelos danos causados ao
veículo, salvo se provar que os mesmos ocorreriam ainda
que tivesse adimplido sua prestação no termo ajustado.
D- Lúcia não responde pelos danos causados ao veículo,
pois foram decorrentes de força maior.
COMENTÁRIO:Art. 397. O inadimplemento da obrigação,
positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em
mora o devedor.(Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui
mediante interpelação judicial ou extrajudicial.
Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade
da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso
fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o
atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano
sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente
desempenhada.
Gabarito: Contratos em Espécie
62 63 64 65 66
D B A A C
67 68 69 70 71
A D A C C
Direito das Coisas
72)Em 05/05/2005, Aloísio adquiriu uma casa de 500 m2
registrada em nome de Bruno, que lhe vendeu o imóvel
a preço de mercado. A escritura e o registro foram
realizados de maneira usual. Em 05/09/2005, o imóvel foi
alugado, e Aloísio passou a receber mensalmente o
valor de R$ 3.000,00 pela locação, por um período de 6
anos. Em 10/10/2009, Aloísio é citado em uma ação
reivindicatória movida por Elisabeth, que pleiteia a
retomada do imóvel e a devolução de todos os valores
recebidos por Aloísio a título de locação, desde o
momento da sua celebração.
Uma vez que Elisabeth é judicialmente reconhecida como a
verdadeira proprietária do imóvel em 10/10/2011, pergunta
se: é correta a pretensão da autoraao recebimento de todos
os aluguéis recebidos por Aloísio?
A - Sim. Independentemente da sentença de mérito, a
própria contestação automaticamente transforma a posse de
Aloísio em posse de má-fé desde o seu nascedouro, razão
pela qual todos os valores recebidos pelo possuidor devem
ser ressarcidos.
B - Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, somente
após uma sentença favorável ao pedido de Elisabeth, na
reivindicatória, é que seus argumentos poderiam ser
considerados verdadeiros, o que caracterizaria a
transformação da posse de boa-fé em posse de má-fé.
Como o possuidor de má-fé tem direito aos frutos, Aloísio
não é obrigado a devolver os valores que recebeu pela
locação.
C - Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, e uma vez
que Elisabeth foi vitoriosa em seu pleito, a posse de Aloísio
passa a ser qualificada como de má-fé desde a sua citação
no processo – momento em que Aloísio tomou
conhecimento dos fatos ao final reputados como
verdadeiros –, exigindo, em tais condições, a devolução
dos frutos recebidos entre 10/10/2009 e a data de
encerramento do contrato de locação.
D - Não. Apesar de Elisabeth ter obtido o provimento judicial
que pretendia, Aloísio não lhe deve qualquer valor, pois,
sendo possuidor com justo título, tem, em seu favor, a
presunção absoluta de veracidade quanto a sua boa-fé.
COMENTÁRIO:Código Civil. Art. 1.202. A posse de boa-fé
só perde este caráter no caso e desde o momento em que
as circunstâncias façam presumir que o possuidor não
ignora que possui indevidamente.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os
frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por
culpa
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sua, deixou de perceber, desde o momento em que se
constituiu de má-fé.
73)Arnaldo institui usufruto de uma casa em favor das
irmãs Bruna e Cláudia, que, no intuito de garantir uma
fonte de renda, alugam o imóvel. Dois anos depois da
constituição do usufruto, Cláudia falece, e Bruna,
mesmo sem “cláusula de acrescer” expressamente
estipulada, passa a receber integralmente os valores
decorrentes da locação. Um ano após o falecimento de
Cláudia, Arnaldo vem a falecer. Seus herdeiros pleiteiam
judicialmente uma parcela dos valores integralmente
recebidos+por Bruna no intervalo entre o falecimento de
Cláudia e de Arnaldo e, concomitantemente, a extinção
do usufruto em função da morte de seu instituidor.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
A - Na ausência da chamada “cláusula de acrescer”, parte
do usufruto teria se extinguido com a morte de Cláudia, mas
o usufruto como um todo não se extingue com a morte de
Arnaldo.
B - Bruna tinha direito de receber a integralidade dos
aluguéis independentemente de estipulação expressa, tendo
em vista o grau de parentesco com Cláudia, mas o usufruto
automaticamente se extingue com a morte de Arnaldo.
C - A morte de Arnaldo só extingue a parte do usufruto que
caberia a Bruna, mas permanece em vigor no que tange à
parte que cabe a Cláudia, legitimando os herdeiros desta a
receberem metade dos valores decorrentes da locação,
caso esta permaneça em vigor.
D - A morte de Cláudia extingue integralmente o usufruto,
pois instituído em caráter simultâneo, razão pela qual os
herdeiros de Arnaldo têm direito de receber a integralidade
dos valores recebidos por Bruna, após o falecimento de sua
irmã.
Conforme o art. 1.411: “Constituído o usufruto em favor de
duas ou mais pessoas, extinguir-se-á a parte em relação a
cada uma das que falecerem, salvo se, por estipulação
expressa, o quinhão desses couber ao sobrevivente”. Assim,
a parte de Cláudiaéextinta com sua morte, mas o usufruto
permanece mesmo com a morte de Arnaldo.
74)Aline manteve união estável com Marcos durante 5
(cinco) anos, época em que adquiriram o apartamento
de 80 m² onde residiam, único bem imóvel no patrimônio
de ambos. Influenciado por tormentosas discussões,
Marcos abandonou o apartamento e a cidade,
permanecendo Aline sozinha no imóvel, sustentando
todas as despesas deste. Após 3 (três) anos sem
notícias de seu paradeiro, Marcos retornou à cidade e
exigiu sua meação no imóvel.
Sobre o caso concreto, assinale a afirmativa correta.
A - Marcos faz jus à meação do imóvel em eventual
dissolução de união estável.
B - Aline poderá residir no imóvel em razão do direito real
de habitação.
C - Aline adquiriu o domínio integral, por meio de usucapião,
já que Marcos abandonou o imóvel durante 2 (dois) anos.
D - Aline e Marcos são condôminos sobre o bem, o que
impede qualquer um deles de adquiri-lo por usucapião.
COMENTÁRIO:Código Civil, art. 1.240-A. Aquele que
exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição,
posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até
250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja
propriedade dívida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que
abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua
família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja
proprietário de outro imóvel urbano ou rural. Aline usucapiu
o imóvel, através do instituto da usucapião familiar, tendo
em vista que Marcos, seu ex-companheiro, abandonou o lar
por 3 anos, e o imóvel era de 80m².
75)Aldo e Mariane são casados sob o regime da comunhão
parcial de bens, desde setembro de 2013. Em momento
anterior ao casamento, Rubens, pai de Mariane, realizou
a doação de um imóvel à filha. Desde então, a nova
proprietária acumula os valores que lhe foram pagos
pelos locatários do imóvel.
No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que
Mariane pretendesse se divorciar de Aldo. Para tal
finalidade, procurou um advogado, informando que a soma
dos aluguéis que lhe foram pagos desde a doação do imóvel
totalizava R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais),
sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) foram
auferidos antes do casamento e o restante, após. Mariane
relatou, ainda, que atualmente o imóvel se encontra vazio,
sem locatários.
Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale
a afirmativa correta.
A - Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o
total dos valores.
B - Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu
bem particular, os aluguéis por ela auferidos não se
comunicam com Aldo.
C - Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por
Mariane, durante o casamento, a título de aluguel.
D - Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do
imóvel doado a Mariane por Rubens, quanto sobre os
valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na
constância do casamento.
COMENTÁRIO:Art. 1.660. Entram na comunhão:
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I - os bens adquiridos na constância do casamento por título
oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges;
II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o
concurso de trabalho ou despesa anterior;
III - os bens adquiridos por doação, herança ou legado, em
favor de ambos os cônjuges;
IV - as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge;
V - os frutos dos bens comuns, ou dos particulares de cada
cônjuge, percebidos na constância do casamento, ou
pendentes ao tempo de cessar a comunhão.
76)Laurentino constituiu servidão de vista no registro
competente, em favor de Januário, assumindo o
compromisso de não realizar qualquer ato ou
construção que embarace a paisagem de que Januário
desfruta em sua janela. Após o falecimento de
Laurentino, seu filho Lucrécio decide construir mais
dois pavimentos na casa para ali passar a habitar com
sua esposa.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
A - Januário não pode ajuizar uma ação possessória, eis
que a servidão é não aparente.
B - Diante do falecimento de Laurentino, a servidão que
havia sido instituída automaticamente se extinguiu.
C - A servidão de vista pode ser considerada aparente
quando houver algum tipo de aviso sobre sua existência.
D - Januário pode ajuizaruma ação possessória, provando
a existência da servidão com base no título.
COMENTÁRIO:Art. 1.387. Salvo nas desapropriações, a
servidão, uma vez registrada, só se extingue, com respeito a
terceiros, quando cancelada.
77)À vista de todos e sem o emprego de qualquer tipo de
violência, o pequeno agricultor Joventino adentra
terreno vazio, constrói ali sua moradia e uma pequena
horta para seu sustento, mesmo sabendo que o terreno
é de propriedade de terceiros.
Sem ser incomodado, exerce posse mansa e pacífica por 2
(dois) anos, quando é expulso por um grupo armado
comandado por Clodoaldo, proprietário do terreno, que só
tomou conhecimento da presença de Joventino no imóvel no
dia anterior à retomada.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
A - Como não houve emprego de violência, Joventino não
pode ser considerado esbulhador.
B - Clodoaldo tem o direito de retomar a posse do bem
mediante o uso da força com base no desforço imediato, eis
que agiu imediatamente após a ciência do ocorrido.
C - Tendo em vista a ocorrência do esbulho, Joventino deve
ajuizar uma ação possessória contra Clodoaldo, no intuito
de recuperar a posse que exercia.
D - Na condição de possuidor de boa-fé, Joventino tem
direito aos frutos e ao ressarcimento das benfeitorias
realizadas durante o período de exercício da posse.
O esbulho possessório é a retirada violenta do legítimo
possuidor de um bem imóvel quer residencial, comercial ou,
como mais frequentemente vemos, rural. Atentem-se: o
esbulho possessório é crime de usurpação (quando alguém
invade com violência à pessoa, grave ameaça ou mediante
concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício
alheio).
Além da ação penal, o legítimo possuidor tem o direito de
ingressar, na esfera civil, com ação de reintegração de
posse e perdas e danos. Já a turbação é quando algum ato
de terceiro impede o livre exercício da posse, sem que o
legítimo possuidor a perca integralmente. Tal como o
esbulho, a turbação pode ocorrer através da
clandestinidade, violência ou atos cumulados, e também
responderá pelos crimes penais relacionados, quando
cabíveis.
O exemplo mais comum de turbação é quando alguém abre
um caminho ou uma passagem no terreno de outrem, ou
ainda, se por alguma conduta do turbador, o possuidor do
bem não consegue aliená-lo ou alugá-lo.
Como o legítimo possuidor pode se defender do esbulho
possessório ou da turbação?
Ele o fará através da legítima defesa, conforme estabelece
nosso Código Civil. Todavia, está há de ser sempre através
do emprego de meios razoáveis e necessários a
manutenção e/ou retomada daquela posse - turbada ou
esbulhada. Inclusive, para tal defesa, o detentor do bem
pode utilizar-se daforça física, desde que na medida exata
das necessidades daquele momento.
.Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina
ou precária.
78)George vende para Marília um terreno não edificado de
sua propriedade, enfatizando a existência de uma “vista
eterna para a praia” que se encontra muito próxima do
imóvel, mesmo sem qualquer documento comprovando
o fato. Marília adquire o bem, mas, dez anos após a
compra, é surpreendida com a construção de um
edifício de vinte andares exatamente entre o seu terreno
e o mar, impossibilitando totalmente a vista que George
havia prometido ser eterna. Diante do exposto e
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considerando que a construção do edifício ocorreu em
um terreno de terceiro, assinale a afirmativa correta.
A - Uma vez transcorrido o prazo de 10 anos, Marília pode
pleitear o reconhecimento da usucapião da servidão de
vista.
B - Mesmo sem registro, Marília pode ser considerada titular
de uma servidão de vista por destinação de George, o
antigo proprietário do terreno.
C - Mesmo sendo uma servidão aparente, as circunstâncias
do caso não permitem a usucapião de vista.
D - Sem que tenha sido formalmente constituída, não é
possível reconhecer servidão de vista em favor de Marília.
COMENTÁRIO:Para constituição de servidão, é necessário
o registro no Cartório de Registro de Imóveis. A servidão
não foi formalmente constituída, de forma que não é
possível reconhecê-la em favor de Marília.
79)O apartamento de João é invadido e, entre outras
coisas, um paletó é furtado. Três meses depois, João
descobre que o seu paletó está sendo usado por
Ricardo. Ao ser confrontado, Ricardo esclarece que
adquiriu o paletó há um mês de um brechó, que o
mantinha exposto no mostruário. Alegou ainda que
adquiriu a roupa sem saber que era proveniente de
furto. Em prova do alegado, Ricardo exibe documento
comprobatório da compra do paletó feita no brechó.
Tendo em vista a situação descrita, assinale a afirmativa
correta.
A - Ricardo não é o legítimo proprietário do paletó, pois o
adquiriu do brechó, que não era o verdadeiro dono da coisa.
B - Ricardo é o legítimo proprietário do paletó, uma vez que
o adquiriu de boa-fé, em estabelecimento comercial, que,
nas circunstâncias do caso, aparentava ser o dono da coisa.
C - Ricardo é o legítimo proprietário do paletó, mas deve
indenizar João, entregando-lhe soma equivalente ao preço
que pagou ao brechó.
D - Ricardo não é o legítimo proprietário do paletó, uma vez
que o comprou do brechó apenas dois meses depois do
furto sofrido por João.
COMENTÁRIO: CC, Art. 1.268. Feita por quem não seja
proprietário, a tradição não aliena a propriedade, exceto se
a coisa, oferecida ao público, em leilão ou estabelecimento
comercial, for transferida em circunstâncias tais que, ao
adquirente de boa-fé, como a qualquer pessoa, o alienante
se afigurar dono.
O art. 1 .268 do CC trata da alienação a no domino, aquela
realizada por quem não é odono da coisa móvel. Nessas
situações, a tradição não aliena a propriedade, exceto se a
coisa, oferecida ao público, em leilão ou estabelecimento
comercial, for transferida em circunstâncias tais que, ao
adquirente de boa-fé, como a qualquer pessoa, o alienante
se afigurar dono.
De início, o dispositivo deixa claro que o caso é de
ineficácia da venda, atingindo o terceiro degrau da Escada
Ponteana. Não se pode dizer que o caso é de invalidade
(segundo degrau), pois não há previsão de que o negócio
seja nulo ou anulável, nos Arts. 166, 167 ou 171 do CC. O
próprio STJ assim já entendeu, ainda na vigência do
CC/1916 (REsp 39.110/MG, 4.ª Turma, Rel. Min. Sálvio de
Figueiredo Teixeira, j . 28.03 . 1994, DJ 25.04. 1 994, p.
9.260).
Ato contínuo de análise do art. 1 .268, se alguém adquiriu o
bem de boa-fé, esta deve prevalecer sobre a ineficácia
decorrente da venda a no domino. Trata-se da boa-fé
objetiva, eis que reconhecida como preceito de ordem
pública (Enunciado n. 363 do CJF/STJ), a prevalecer sobre
a ineficácia. Em suma, em se tratando de bens móveis, a lei
faz concessões à teoria da aparência e à eticidade, o que,
infelizmente e como visto, não ocorre com os bens imóveis.
Flávio Tartuce .
80)Vítor, Paulo e Márcia são coproprietários, em regime de
condomínio pro indiviso, de uma casa, sendo cada um
deles titular de parte ideal representativa de um terço
(1/3) da coisa comum. Todos usam esporadicamente a
casa nos finais de semana. Certo dia, ao visitar a casa,
Márcia descobre um vazamento no encanamento
deágua. Sem perder tempo, contrata, em nome próprio,
uma sociedade empreiteira para a realização da
substituição do cano danificado. Pelo serviço, ficou
ajustado contratualmente o pagamento de R$ 900,00
(novecentos reais).
Tendo em vista os fatos expostos, assinale a afirmativa
correta.
A - A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada
contratualmente de qualquer um dos condôminos.
B - A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada
contratualmente apenas de Márcia, que, por sua vez, tem
direito de regresso contra os demais condôminos.
C - A empreiteira não pode cobrar a remuneração
contratualmente ajustada de Márcia ou de qualquer outro
condômino, uma vez que o serviço foi contratado sem a
prévia aprovação da totalidade dos condôminos.D - A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada
contratualmente apenas de Márcia, que deverá suportar
sozinha a despesa, sem direito de regresso contra os
demais condôminos, uma vez que contratou a empreiteira
sem o prévio consentimento dos demais condôminos.
COMENTÁRIO: CC: Art. 1.315. O condômino é obrigado,
na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas
de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a
que estiver sujeita. Parágrafo único. Presumem-se iguais as
partes ideais dos condôminos.
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Art. 1.318. As dívidas contraídas por um dos condôminos
em proveito da comunhão, e durante ela, obrigam o
contratante; mas terá este ação regressiva contra os
demais.
81)Por meio de contrato verbal, João alugou sua bicicleta a
José, que se comprometeu a pagar o aluguel mensal de
R$ 100,00 (cem reais), bem como a restituir a coisa
alugada ao final do sexto mês de locação. Antes de
esgotado o prazo do contrato de locação, João deseja
celebrar contrato de compra e venda com Otávio, de
modo a transmitir imediatamente a propriedade da
bicicleta.
Não obstante a coisa permanecer na posse direta de José,
entende-se que
A - o adquirente Otávio, caso venda a bicicleta antes de
encerrado o prazo da locação, deve obrigatoriamente
depositar o preço em favor do locatário José.
B - João não pode celebrar contrato de compra e venda da
bicicleta antes de encerrado o prazo da locação celebrada
com José.
C - é possível transmitir imediatamente a propriedade para
Otávio, por meio da estipulação, no contrato de compra e
venda, da cessão do direito à restituição da coisa em favor
de Otávio.
D - é possível transmitir imediatamente a propriedade para
Otávio, por meio da estipulação, no contrato de compra e
venda, do constituo possessório em favor de Otávio.
COMENTÁRIO:"Chama-se cessão de contrato, ou cessão
de situações contratuais ou de posição contratual, aquela
em que há a transferência da inteira posição ativa e passiva
do conjunto de direitos e obrigações de que é titular uma
pessoa, decorrentes de um contrato bilateral celebrado, mas
de execução ainda não concluída. (PEREIRA, Caio Mário da
Silva. Instituições de Direito Civil. v. II. 25. Ed. rev. e atual.
por Guilherme Calmon Nogueira daGama. Rio de Janeiro:
Forense, 2012, p. 376)
Sobre o instituto em comento, necessário salientar inexistir,
no ordenamento jurídico brasileiro, disciplina específica. De
fato, a despeito de sua utilidade e relevância prática, essa
modalidade de transmissão de obrigações não foi objeto de
regulamentação pelo legislador do Código Civil de 1916,
tampouco por aquele do diploma civilista de 2002. Segundo
Cristiano Chaves de Farias e Nelson Roselvald.
Não obstante, a admissibilidade deste instituto, à luz do
direito brasileiro, encontrou e ainda encontra respaldo nos
postulados da autonomia da vontade (autonomia privada),
liberdade contratual, bem como na possibilidade de
celebração de contratos atípicos. No âmbito do atual Código
Civil, destaca-se o disposto em seu artigo 425, a saber: "É
lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as
normas gerais fixadas neste Código."
Acrescente-se que, ainda sob a égide do Código Civil de
1916, esta Corte já admitira a figura em exame, ao
argumento de que "O ordenamento jurídico não coíbe a
cessão de contrato que pode englobar ou não todos os
direitos e obrigações, pretéritas, presentes ou futuras, como
ocorreu em caso, pois é contrato de forma livre." (cf.REsp n°
356.383⁄SP; trecho voto da e. Relatora, Ministra Nancy
Andrighi)."
82) Glicério construiu a casa onde reside há oito anos com
duas janelas rentes à divisa do terreno. A disposição
das janelas na divisa teve como objetivo a iluminação, a
ventilação e a vista. Na época, seu vizinho não se opôs
à construção. Ocorre que o lote vizinho foi vendido a
terceiro, e este levantouum muro rente à parede em que
se encontram as janelas.
Considerando a situação hipotética e as regras de direitos
reais, assinale a alternativa correta.
A - Por ter transcorrido o prazo prescricional de ano e dia da
data da abertura das janelas, não poderá mais o proprietário
do prédio lindeiro exigir o desfazimento da abertura irregular
da janela.
B - Não se aplica o prazo decadencial de ano e dia para
demolição e fechamento das janelas abertas irregularmente
se o proprietário do prédio lindeiro se manifestou
expressamente contrário à feitura da obra na época da
construção.
C - Considerando a hipótese de a construção ter sido
realizada de maneira irregular e o proprietário do prédio
lindeiro ter, no momento da construção, anuído de maneira
tácita, mesmo antes de ano e dia serão aplicáveis as regras
de servidão de utilidade.
D - O terceiro adquirente do prédio vizinho poderá, a todo
tempo, levantar uma edificação no seu prédio; todavia, fica
impossibilitado de vedar a claridade e a ventilação da casa
do Glicério.
COMENTÁRIO:- Art. 1.302. O proprietário pode, no lapso
de ano e dia após a conclusão da obra, exigir que se
desfaça janela, sacada, terraço ou goteira sobre o seu
prédio; escoado o prazo, não poderá, por sua vez, edificar
sem atender ao disposto no artigo antecedente, nem
impedir, ou dificultar, o escoamento das águas da goteira,
com prejuízo para o prédio vizinho.
P. Único. Em se tratando de vãos, ou aberturas para luz,
seja qual for aquantidade, altura e disposição, o vizinho
poderá, a todo tempo, levantar a sua edificação, ou contra
muro, ainda que lhes vede a claridade.
Gabarito: Direito das Coisas
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C A C C D
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C D B B C
82
B
Direito de Família
83)Salomão, solteiro, sem filhos, 65 anos, é filho de Lígia e
Célio, que faleceram recentemente e eram divorciados.
Ele é irmão de Bernardo, 35 anos, médico bem
sucedido, filho único do segundo casamento de Lígia.
Salomão, por circunstâncias sociais, não mantinha
contato com Bernardo.
Em razão de uma deficiência física, Salomão nunca
exerceu atividade laborativa e sempre morou com o pai,
Célio, até o falecimento deste. Com frequência, seu
primo Marcos, comerciante e grande amigo, o visita.
Com base no caso apresentado, assinale a opção que
indica quem tem obrigação de pagar alimento a Salomão.
A - Marcos é obrigado a pagar alimentos a Salomão, no
caso de necessidade deste.
B - Por ser irmão unilateral, Bernardo não deve, em
hipótese alguma, alimentos a Salomão.
C - Bernardo, no caso de necessidade de Salomão, deve
arcar com alimentos.
D - Bernardo e Marcos deverão dividir alimentos, entre
ambos, de forma igualitária.
COMENTÁRIO:Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a
obrigação aos descendentes, guardada a ordem de
sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos
como unilaterais.
84)Arnaldo, publicitário, é casado com Silvana, advogada,
sob o regime de comunhão parcial de bens. Silvana
sempre considerou diversificar sua atividade
profissional e pensa em se tornar sócia de uma
sociedade empresária do ramo de tecnologia. Para
realizar esse investimento, pretende vender um
apartamento adquirido antes de seu casamento com
Arnaldo; este, mais conservador na área negocial, não
concorda com a venda do bem para empreender.
Sobre a situação descrita, assinale a afirmativa correta.
A - Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para
alienar o apartamento, pois destina-se ao incremento da
renda familiar.
B - A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é
necessária, por conta do regime da comunhão parcial de
bens.
C - Silvana não precisa de autorização de Arnaldo para
alienar o apartamento, pois se trata de bem particular.
D - A autorização de Arnaldo para alienação por Silvana é
necessária e decorre do casamento, independentemente do
regime de bens.
COMENTÁRIO:O bem em si não comunicará pois é
particular, mas se tratando de venda de tal bemé
necessária sim a autorização do marido. Na hipótese de
regime de comunhão parcial de bens, ele tem direito as
frutos, lucros, rendimentos auferidos desse imóvel durante a
constância do casamento. Vendê-lo seria uma espécie de
perda patrimonial, e sempre que tratarmos de perda precisa
se de autorização .
85)Asdrúbal praticou feminicídio contra sua esposa
Ermingarda, com quem tinha três filhos, dois menores
de 18 anos e um maior.Nesse caso, quanto aos filhos,
assinale a afirmativa correta.
A - Asdrúbal terá suspenso o poder familiar sobre os três
filhos, por ato de autoridade policial.
B - Asdrúbal perderá o poder familiar sobre os filhos
menores, por ato judicial.
C - Asdrúbal terá suspenso o poder familiar sobre os filhos
menores, por ato judicial.
D - Asdrúbal perderá o poder familiar sobre os três filhos,
por ato de autoridade policial.
COMENTÁRIO:Código Civil. Art. 1.638. Perderá por ato
judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder
familiar aquele que:
I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder
familiar:
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza
grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime
doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou
menosprezo ou discriminação à condição de mulher;
86)Mônica, casada pelo regime da comunhão total de bens,
descobre que seumarido, Geraldo, alienou um imóvel
pertencente ao patrimônio comum do casal, sem a
devida vênia conjugal. A descoberta agrava a crise
conjugal entre ambos e acaba conduzindo ao divórcio
do casal.Tempos depois, Mônica ajuíza ação em face de
seu ex-marido, objetivando a invalidação da alienação
do imóvel.
Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - O juiz pode conhecer de ofício do vício decorrente do
fato de Mônica não ter anuído com a alienação do bem.
B - O fato de Mônica não ter anuído com a alienação do
bem representa um vício que convalesce com o decurso do
tempo.
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C - O vício decorrente da ausência de vênia conjugal não
pode ser sanado pela posterior confirmação do ato por
Mônica.
D - Para que a pretensão de Mônica seja acolhida, ela
deveria ter observado o prazo prescricional de dois anos, a
contar da data do divórcio.
COMENTÁRIO:De acordo com art. 1.647, inc. I do Código
Civil/2002, diz que:
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos
cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime
da separação absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
No mesmo sentido, o art. 1.649 do CC/02, leciona
que:
Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz,
quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato
praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe
aanulação, até dois anos depois de terminada a
sociedade conjugal.
Deste modo fica caracterizado vício no negócio jurídica,
tornando-o inválido pela ausência do consentimento do
cônjuge, direito que convalesce com o decurso do tempo
(art. 1.648, CC/02), matéria esta, disciplinada no art. 220 do
CC/02, diz que:
Art. 220. A anuência ou a autorização de outrem,
necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo
modo que este, e constará, sempre que se possa, do
próprio instrumento.
87)Roberto e Ana casaram-se, em 2005, pelo regime da
comunhão parcial de bens. Em 2008, Roberto ganhou na
loteria e, com os recursos auferidos, adquiriu um imóvel
no Recreio dos Bandeirantes. Em 2014, Roberto foi
agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto da
herança de sua tia. Em 2015, Roberto e Ana se
separaram.
Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a
afirmativa correta.
A - Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em
Santa Teresa são bens comuns e, por isso, deverão ser
partilhados em virtude da separação do casal.
B - Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes
deve ser partilhado, sendo o imóvel situado em Santa
Teresa bem particular de Roberto.
C - Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser
partilhado, sendo o imóvel situado no Recreio dos
Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido
com o produto de bem advindo de fato eventual.
D - Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo
em vista que ambos são bens particulares de Roberto.
COMENTÁRIO:Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: "I - os
bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe
sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou
sucessão, e os sub- rogados em seu lugar."
88)A respeito do poder familiar, assinale a alternativa
correta.
A - O filho que possua dezesseis anos de idade, ainda que
tenha contraído casamento válido, permanece sujeito ao
poder familiar de seus pais até que complete dezoito anos
de idade.
B - Na constância do casamento entre os pais, havendo
falta ou impedimento de um deles, caberá ao outro obter
autorização judicial, a fim de exercer com exclusividade o
poder familiar sobre os filhos comuns do casal.
C - Exorbita os limites do exercício do poder familiar exigir
que os filhos prestem quaisquer serviços aos pais, ainda
que sejam considerados próprios para a idade e condição
daqueles.
D - Não é autorizado ao novo cônjuge interferir no poder
familiar exercido por sua esposa sobre os filhos por ela
havidos na constância do primeiro casamento, mesmo em
caso de falecimento do pai das crianças.
COMENTÁRIO:Art. 1.631. Durante o casamento e a união
estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou
impedimento de um deles, o outro o exercerá com
exclusividade.
Art 1.636. O pai ou a mãe que contrai novas núpcias, ou
estabelece união estável, não perde, quanto aos filhos do
relacionamento anterior, os direitos ao poder familiar,
exercendo-os sem qualquer interferência do novo cônjuge
ou companheiro.
89)Maria, solteira, após a morte de seus pais em acidente
automobilístico, propõe demanda por alimentos em face
de Pedro, seu parente colateral de segundo grau. Diante
dos fatos narrados e considerando as normas de
Direito Civil, assinale a opção correta.
A - Como Pedro é parente colateral de Maria, não tem
obrigação de prestar alimentos a esta, ainda que haja
necessidade por parte dela.
B - Pedro só será obrigado a prestar alimentos caso Maria
não possua ascendentes nem descendentes, ou, se os
possuir, estes não tiverem condições de prestá-los ou
complementá-los.
C - A obrigação de prestar alimentos é solidária entre
ascendentes, descendentes e colaterais, em havendo
necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante.
D - Pedro não tem obrigação de prestar alimentos, pois não
é irmão de Maria.
COMENTÁRIO:Na realidade, Maria é irmã de Pedro, pois a
questão menciona que eles são colaterais em segundo
grau. Assim sendo, Maria tem direito aos alimentos
pleiteados. No caso, Maria perdeu os ascendentes (pais) no
acidente e não tinha descendentes. Estabelece o art. 1.697,
CC: Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos
descendentes,
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guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos
irmãos, assim germanos como unilaterais. Se Maria tivesse
ascendentes e/ou descendentes, ainda assim Pedro poderia
ser responsável pelos alimentos, desde que se comprove
que os mesmos não tinham condições dearcar com tal
encargo. Nesse sentido estabelece o art. 1.698, CC: Se o
parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver
em condições de suportar totalmente o encargo, serão
chamados a concorrer os de grau imediato (...).
90)Augusto, viúvo, pai de Gustavo e Fernanda, conheceu
Rita e com ela manteve, por dez anos, um
relacionamento amoroso contínuo, público, duradouro e
com objetivo de constituir família. Nesse período,
Augusto não se preocupou em fazer o inventário dos
bens adquiridos quando casado e em realizar a partilha
entre os herdeiros Gustavo e Fernanda. Em meados de
setembro do corrente ano, Augustoresolveu romper o
relacionamento com Rita.
Face aos fatos narrados e considerando as regras de
Direito Civil, assinale a opção correta.
A - A ausência de partilha dos bens de Augusto com seus
herdeiros Gustavo e Fernanda caracteriza causa suspensiva
do casamento, o que obsta o reconhecimento da união
estável entre Rita e Augusto.
B - Sendo reconhecida a união estável entre Augusto e
Rita, aplicar-se-ão à relação patrimonial as regras do
regime de comunhão universal de bens, salvo se houver
contrato dispondo de forma diversa.
C - Em razão do fim do relacionamento amoroso, Rita
poderá pleitear alimentos em desfavor de Augusto, devendo,
para tanto, comprovar o binômio necessidade-possibilidade.
D - As dívidas contraídas por Augusto, na constância do
relacionamento com Rita, em proveito da entidade familiar,
serão suportadas por Rita de forma subsidiária.
COMENTÁRIO:Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges
ou companheiros pedir uns aos outros osalimentos de que
necessitem para viver de modo compatível com a sua
condição social,inclusive para atender às necessidades de
sua educação.
§ 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das
necessidadesdo reclamante e dos recursos da pessoa
obrigada.
§ 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à
subsistência, quando a situação de necessidade resultar de
culpa de quem os pleiteia.
91)Marcos e Paula, casados, pais de Isabel e Marcelo,
menores impúberes, faleceram em um grave acidente
automobilístico. Em decorrência deste fato, Pedro, avô
materno nomeado tutor dos menores, restou incumbido,
nos termos do testamento, do dever de administrar o
patrimônio dos netos, avaliado em dois milhões de
reais. De acordo com o testamento, o tutor foi
dispensado de prestar contas de sua administração.
Diante dos fatos narrados e considerando as regras de
Direito Civil sobre prestação de contas no exercício da
tutela, assinale a opção correta.
A - Pedro está dispensado de prestar contas do exercício da
tutela, tendo em vista o disposto no testamento deixado
pelos pais de Isabel e Marcelo, por ser um direito disponível.
B - Caso Pedro falecesse no exercício da tutela, haveria
dispensa de seus herdeiros prestarem contas da
administração dos bens de Isabel e Marcelo.
C - A responsabilidade de Pedro de prestar contas da
administração da tutela cessará quando Isabel e Marcelo
atingirem a maioridade e derem a devida quitação. D -
Pedro tem a obrigação de prestar contas da administração
da tutela de dois em dois anos e também quando deixar o
exercício da tutela, ou sempre que for determinado
judicialmente.
COMENTÁRIO:Art. 1.755, CC. Os tutores, embora o
contrário tivessem disposto os pais dos tutelados, são
obrigados a prestar contas da sua administração. Pedro não
está dispensado de prestar contas do exercício da tutela.
Art. 1.757, CC: Os tutores prestarão contas de dois em dois
anos, e também quando, por qualquer motivo, deixarem o
exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente.
Pedro tem a obrigação de prestar contas da administração
da tutela de dois em dois anos e, também quando deixar o
exercício da tutela, ou sempre que for determinado
judicialmente.
92)Tiago, com 17 anos de idade e relativamente incapaz,
sob autoridade de seus pais Mário e Fabiana, recebeu,
por doação de seu tio, um imóvel localizado na rua Sete
de Setembro, com dois pavimentos, contendo três lojas
comerciais no primeiro piso e dois apartamentos no
segundo piso. Tiago trabalha como cantor nos finais
desemana, tendo uma renda mensal de R$ 3.000,00 (três
mil reais).
Face aos fatos narrados e considerando as regras de
Direito Civil, assinale a opção correta.
A - Mário e Fabiana exercem sobre os bens imóveis de
Tiago o direito de usufruto convencional, inerente à relação
de parentesco que perdurará até a maioridade civil ou
emancipação de Tiago.
B - Mário e Fabiana poderão alienar ou onerar o bem imóvel
de Tiago, desde que haja prévia autorização do Ministério
Público e seja demonstrado o evidente interesse da prole.
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C - Mário e Fabiana não poderão administrar os valores
auferidos por Tiago no exercício de atividade de cantor, bem
como os bens com tais recursos adquiridos.
D - Mario e Fabiana, entrando em colisão de interesses com
Tiago sobre a administração dos bens, facultam ao juiz, de
ofício, nomear curador especial.
COMENTÁRIO:"Art. 1.693. Excluem-se do usufruto e da
administração dos pais:
II - os valores auferidos pelo filho maior de dezesseis anos,
no exercício de atividade profissional e os bens com tais
recursos adquiridos;"
Gabarito: Direito da Família
83 84 85 86 87
C B B B B
88 89 90 91 92
D B C D C
Das Obrigações
93)Lucas, interessado na aquisição de um carro seminovo,
procurou Leonardo, que revende veículos usados.
Ao final das tratativas, e para garantir que o negócio seria
fechado, Lucas pagou a Leonardo um percentual do valor
do veículo, a título de sinal. Após a celebração do contrato,
porém, Leonardo informou a Lucas que, infelizmente, o
carro que haviam negociado já havia sido prometido
informalmente para um outro comprador, velho amigo de
Leonardo, motivo pelo qual Leonardo não honraria a
avença. Frustrado, diante do inadimplemento de Leonardo,
Lucas procurou você, como advogado(a), para orientá-lo.
Nesse caso, assinale a opção que apresenta a orientação
dada.
A - Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título
de sinal, com atualização monetária, juros e honorários de
advogado, mas não o seu equivalente.
B - Leonardo terá de restituir a Lucas o valor pago a título
de sinal, mais o seu equivalente, com atualização
monetária, juros e honorários de advogado.
C - Leonardo terá de restituir a Lucas apenas metade do
valor pago a título de sinal, pois informou, tão logo quanto
possível, que não cumpriria o contrato.
D - Leonardo não terá de restituir a Lucas o valor pago a
título de sinal, pois este é computado como início de
pagamento, o qual se perde em caso de inadimplemento.
COMENTÁRIO:Art. 418. Se a parte que deu as arras (ou
sinal) não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por
desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu
as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito,
e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, juros e honorários de advogado.
94)Paula é credora de uma dívida de R$ 900.000,00
assumida solidariamente por Marcos, Vera, Teresa,
Mirna, Júlio, Simone, Úrsula, Nestor e Pedro, em razão
de mútuo que a todos aproveita. Antes do vencimento
da dívida, Paula exonera Vera e Mirna da solidariedade,
por serem amigas de longa data. Dois meses antes da
data de vencimento, Júlio, em razão da perda de seu
emprego, de onde provinha todo o sustento de sua
família, cai em insolvência. Ultrapassada a data de
vencimento, Paula decide cobrar a dívida.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A - Vera e Mirna não podem ser exoneradas da
solidariedade, eis que o nosso ordenamento jurídico não
permite renunciar a solidariedade de somente alguns dos
devedores.
B - Se Marcos for cobrado por Paula, deverá efetuar o
pagamento integral da dívida e, posteriormente, poderá
cobrar dos demais as suas quotas-partes. A parte de Júlio
será rateada entre todos os devedores solidários, inclusive
Vera e Mirna.
C - Se Simone for cobrada por Paula deverá efetuar o
pagamento integral da dívida e, posteriormente, poderá
cobrar dos demais as suas quotas-partes, inclusive Júlio.
D - Se Mirna for cobrada por Paula, deverá efetuar o
pagamento integral da dívida e, posteriormente, poderá
cobrar as quotas-partes dos demais. A parte de Júlio será
rateada entre todos os devedores solidários, com exceção
de Vera.
COMENTÁRIO:Art. 283, CC: O devedor que satisfez a
dívida por inteiro (Marcos) tem direito a exigir de cada um
dos codevedores a sua quota, dividindo-se igualmente por
todos a do insolvente(Júlio), se o houver, presumindo-se
iguais, no débito, as partes de todos os codevedores. Art.
284, CC: No caso de rateio entre os codevedores,
contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo
credor (Vera e Mirna), pela parte que na obrigação incumbia
ao insolvente (Júlio).
95)André, Mariana e Renata pegaram um automóvel
emprestado com Flávio, comprometendo-se
solidariamente a devolvê-lo em quinze dias. Ocorre que
Renata, dirigindo acima do limite de velocidade, causou
um acidente que levou à destruição total do veículo.
Assinale a opção que apresenta os direitos que Flávio tem
diante dos três.
A - Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente
pecuniário do carro, mais perdas e danos.
B - Pode exigir, de qualquer dos três, o equivalente
pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas e danos de
Renata.
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C - Pode exigir, de cada um dos três, um terço do
equivalente pecuniário do carro e das perdas e danos.
D - Pode exigir, de cada um dos três, um terço do
equivalente pecuniário do carro, mas só pode exigir perdas
e danos de Renata.
COMENTÁRIO:#DICA:Perdas e danos somente o culpado
responde.
C.C/02 .Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa
de um dos devedores solidários, subsiste para todos o
encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos
só responde o culpado.
96)Festas Ltda., compradora, celebrou, após negociações
paritárias, contrato de compra e venda com Chocolates
S/A, vendedora. O objeto do contrato eram 100 caixas de
chocolate, pelo preço total de R$ 1.000,00, a serem
entregues no dia 1º de novembro de 2016, data em que
se comemorou o aniversário de 50 anos de existência
da sociedade. No contrato, estava prevista uma multa
de R$ 1.000,00 caso houvesse atraso na entrega.
Chocolates S/A, devido ao excesso de encomendas, não
conseguiu entregar as caixas na data combinada, mas
somente dois dias depois. Festas Ltda., dizendo que a
comemoração já havia acontecido, recusou-se a receber
e ainda cobrou a multa. Por sua vez, Chocolates S/A não
aceitou pagar a multa, afirmando que o atraso de dois
dias não justificava sua cobrança e que o produto
vendido era o melhor do mercado. Sobre os fatos
narrados, assinale a afirmativa correta.
A - Festas Ltda. tem razão, pois houve o inadimplemento
absoluto por perda da utilidade da prestação e a multa é
uma cláusula penal compensatória.
B - Chocolates S/A não deve pagar a multa, pois a cláusula
penal, quantificada em valor idêntico ao valor da prestação
principal, é abusiva.
C - Chocolates S/A adimpliu sua prestação, ainda que dois
dias depois, razão pela qual nada deve a título de multa.
D - Festas Ltda. só pode exigir 2% de multa (R$ 20,00), teto
da cláusula penal, segundo o Código de Defesa do
Consumidor.
COMENTÁRIO:Código Civil:
Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a
obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução
completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou
simplesmente à mora.
Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso
de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á
em alternativa a benefício do credor.
Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal
não pode exceder o da obrigação principal.
97)Gilvan (devedor) contrai empréstimo com Haroldo
(credor) para o pagamento com juros do valor do mútuo
no montante de R$ 10.000,00. Para facilitar a percepção
do crédito, a parte do polo ativo obrigacional ainda
facultou, no instrumento contratual firmado, o
pagamento do montante no termo avençado ou a
entrega do único cavalo da raça manga larga marchador
da fazenda, conforme escolha a ser feita pelo devedor.
Ante os fatos narrados, assinale a afirmativa
correta. A - Trata-se de obrigação alternativa.
B - Cuida-se de obrigação de solidariedade em que
ambas as prestações são infungíveis.
C - Acaso o animal morra antes da concentração,
extingue se a obrigação.
D - O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha
da prestação cabe ao credor.
COMENTÁRIO:Código Civil Brasileiro
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe
ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
98)João é locatário de um imóvel residencial de
propriedade de Marcela, pagando mensalmente o
aluguel por meio da entrega pessoal da quantia
ajustada. O locatário tomou ciência do recente
falecimento de Marcela ao ler “comunicação de
falecimento” publicada pelos filhos maiores e capazes
de Marcela, em jornal de grande circulação. Marcela, à
época do falecimento, era viúva. Aproximando-se o dia
de vencimento da obrigação contratual, João pretende
quitar o valor ajustado. Todavia, não sabe a quem pagar
e sequer tem conhecimento sobre a existência de
inventário.
De acordo com os dispositivos que regem as regras de
pagamento, assinale a afirmativa correta.
A - João estará desobrigado do pagamento do aluguel
desde a data do falecimento de Marcela.
B - João deverá proceder à imputação do pagamento, em
sua integralidade, a qualquer dos filhos de Marcela, visto
que são seus herdeiros.
C - João estará autorizado a consignar em pagamento o
valor do aluguel aos filhos de Marcela.
D - João deverá utilizar-se da dação em pagamento para
adimplir a obrigação junto aos filhos maiores de Marcela,
estando estes obrigados a aceitar.
COMENTÁRIO:CC, art. 335 . A consignação tem lugar:
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente
receber o objeto do pagamento;
99) Jacira mora em um apartamento alugado, sendo a
locação garantida por fiança prestada por seu pai,
José. Certa vez, Jacira conversava com sua irmã
Laura acerca de suas dificuldades financeiras, e
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declarou que temia não ser capaz de pagar o
próximo aluguel do imóvel. Compadecida da
situação da irmã, Laura procurou o locador do
imóvel e, na data de vencimento do aluguel, pagou,
em nome próprio, o valor devido por Jacira, sem
oposição desta.
Nesse cenário, em relação ao débito do aluguel daquele
mês, assinale a afirmativa correta.
A - Laura, como terceira interessada, sub-rogou-se em
todos os direitos que o locador tinha em face de Jacira,
inclusive a garantia fidejussória.
B - Laura, como terceira não interessada, tem apenas
direito de regresso em face de Jacira.
C - Laura, como devedora solidária, sub-rogou-se nos
direitos que o locador tinha em face de Jacira, mas não
quanto à garantia fidejussória.
D - Laura, tendo realizado mera liberalidade, não tem
qualquer direito em face de Jacira.
COMENTÁRIO:Institui o Código Civil.
“Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em
seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar;
mas não se sub-roga nos direitos do credor.
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá
direito ao reembolso no vencimento”.
100)A transmissibilidade de obrigações pode ser realizada
por meio do ato denominado cessão, por meio da qual o
credor transfere seus direitos na relação obrigacional a
outrem, fazendo surgir as figuras jurídicas do cedente e
do cessionário. Constituída essa nova relação
obrigacional, é correto afirmar que:
A - os acessórios da obrigação principal são abrangidos na
cessão de crédito, salvo disposição em contrário.
B - o cedente responde pela solvência do devedor, não se
admitindo disposição em contrário.
C - a transmissão de um crédito que não tenha sido
celebrada única e exclusivamente por instrumento público é
ineficaz em relação a terceiros.
D - o devedor não pode opor ao cessionário as exceções
que tinha contra o cedente no momento em que veio a ter
conhecimento da cessão.
COMENTÁRIO: Art. 287 CC . "Salvo disposição em
contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os
seus acessórios."
101)Bruno cedeu a Fábio um crédito representado em título,
no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), que possuía
com Caio.
Considerando a hipóteseacima e as regras sobre cessão de
crédito, assinale a afirmativa correta.
A - Caio não poderá opor a Fábio a exceção de dívida
prescrita que, no momento em que veio a ter conhecimento
da cessão, tinha contra Bruno, em virtude da preclusão.
B - Caso Fábio tenha cedido o crédito recebido de Bruno a
Mário e este, posteriormente, ceda o crédito a Júlio,
prevalecerá a cessão de crédito que se completar com a
tradição do título cedido.
C - Bruno, ao ceder a Fábio crédito a título oneroso, não
ficará responsável pela existência do crédito ao tempo em
que cedeu, salvo por expressa garantia.
D - Conforme regra geral disposta no Código Civil, Bruno
será obrigado a pagar a Fábio o valor correspondente ao
crédito, caso Caio torne-se insolvente.
COMENTÁRIO:Art. 291. Ocorrendo várias cessões do
mesmo crédito, prevalece a que se completar com a
tradição do título do crédito cedido.
Gabarito: Das Obrigações
93 94 95 96 97
B B B A A
98 99 100 101
C B A B
PROCESSO CIVIL
Recursos
102)Em um processo em que Carla disputava a titularidade
de um apartamento com Marcos, este obteve sentença
favorável, por apresentar, em juízo, cópia de um
contrato de compra e venda e termo de quitação,
anteriores ao contrato firmado por Carla.
A sentença transitou em julgado sem que Carla
apresentasse recurso. Alguns meses depois, Carla
descobriu que Marcos era réu em um processo criminal no
qual tinha sido comprovada a falsidade de vários
documentos, dentre eles o contrato de compra e venda do
apartamento disputado e o referido termo de quitação. Carla
pretende, com base em seu contrato, retornar a juízo para
buscar o direito ao imóvel. Para isso, ela pode
A - interpor recurso de apelação contra a sentença, ainda
que já tenha ocorrido o trânsito em julgado, fundado em
prova nova.
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B - propor reclamação, para garantir a autoridade da
decisão prolatada no juízo criminal, e formular pedido que
lhe reconheça o direito ao imóvel.
C - ajuizar rescisória, demonstrando que a sentença foi
fundada em prova cuja falsidade foi apurada em processo
criminal.
D - requerer cumprimento de sentença diretamente no juízo
criminal, para que a decisão que reconheceu a falsidade do
documento valha como título judicial para transferência da
propriedade do imóvel para seu nome.
COMENTÁRIO:Existem duas maneiras de combater a força
da coisa julgada: 1 - ação rescisória 2 - ação de nulidade de
sentença (querela nullitatis). No caso, cabe ação rescisória,
nos termos do (CPC) Art. 966. A decisão de mérito,
transitada em julgado, pode ser rescindida quando: VI - for
fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em
processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria
ação rescisória;
103)Cláudio, em face da execução por título extrajudicial
que lhe moveu Daniel, ajuizou embargos à execução,
os quais foram julgados improcedentes. O advogado de
Cláudio, inconformado, interpõe recurso de apelação.
Uma semana após a interposição do referido recurso, o
advogado de Daniel requer a penhora de um automóvel
pertencente a Cláudio.
Diante do caso concreto e considerando que o juízo não
concedeu efeito suspensivo aos embargos, assinale a
afirmativa correta.
A - A penhora foi indevida, tendo em vista que os embargos
à execução possuem efeito suspensivo decorrente de lei.
B - O recurso de apelação interposto por Cláudio é dotado
de efeito suspensivo por força de lei, tornando a penhora
incorreta.
C - A apelação interposta em face de sentença que julga
improcedentes os embargos à execução é dotada de efeito
meramente devolutivo, o que não impede a prática de atos
de constrição patrimonial, tal como a penhora.
D - O recurso de apelação não deve ser conhecido, pois o
pronunciamento judicial que julga os embargos do
executado tem natureza jurídica de decisão interlocutória,
devendo ser impugnada por meio de agravo de instrumento.
COMENTÁRIO:Artigo 1012 - A apelação terá efeito
suspensivo.
§1° - Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a
produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a
sentença que:
I - homologa divisão ou demarcação de terras;
II - condena a pagar alimentos
III - extingue sem resolução do mérito ou julga
improcedentes os embargos do executado (assim como
no caso ora em tela)
IV - julga procedente o pedido de arbitragem;
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória
VI - decreta a interdição
104)O Tribunal de Justiça do Estado X, em mandado de
segurança de sua competência originária, denegou a
ordem em ação dessa natureza impetrada por Flávio.
Este, por seu advogado, inconformado com a referida
decisão, interpôs recurso especial.
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
A - O Superior Tribunal de Justiça poderá conhecer do
recurso especial, por aplicação do princípio da fungibilidade
recursal.
B - O recurso especial não é cabível na hipótese, eis que as
decisões denegatórias em mandados de segurança de
competência originária de Tribunais de Justiça somente
podem ser impugnadas por meio de recurso extraordinário.
C - O recurso especial não deve ser conhecido, na medida
em que o recurso ordinário é que se mostra cabível no caso
em tela.
D - As decisões denegatórias de mandados de segurança
de competência originária de Tribunais são irrecorríveis,
razão pela qual o recurso não deve ser conhecido.
COMENTÁRIO:O STJ entende como sendo erro grosseiro a
interposição de recurso especial quando a legislação
claramente estabelece o recurso ordinário. É por essa razão
que não há cabimento do princípio da fungibilidade
105)Na vigência do Código de Processo Civil de 2015, José
ajuizou ação contra Luíza, postulando uma indenização
de R$ 100.000,00 (cem mil reais), tendo o pedido
formulado sido julgado integralmente procedente, por
meio de sentença transitada em julgado. Diante disso,
José deu início ao procedimento de cumprimento de
sentença, tendo Luíza (executada) apresentado
impugnação, a qual, no entanto, foi rejeitada pelo
respectivo juízo, por meio de decisão contra a qual não
foi interposto recurso no prazo legal. Prosseguiu-se ao
procedimento do cumprimento de sentença para
satisfação do crédito reconhecido em favor de José.
Ocorre que, após o trânsito em julgado da sentença
exequenda e a rejeição da impugnação, o Supremo
Tribunal Federal proferiu acórdão, em sede de controle
de constitucionalidade concentrado, reconhecendo a
inconstitucionalidade da lei que fundamentou o título
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executivo judicial que havia condenado Luíza na fase de
conhecimento.
Diante da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a
situação hipotética, Luiza poderá
A - interpor recurso de agravo de instrumento contra a
decisão que rejeitou sua impugnação, mesmo já tendo se
exaurido o prazo legal para tanto, uma vez que o Supremo
Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da lei
que fundamentou a sentença exequenda.
B - interpor recurso de apelação contra a decisão que
rejeitou sua impugnação, mesmo já tendo se exaurido o
prazo legal para tanto, uma vez que o Supremo Tribunal
Federal reconheceu a inconstitucionalidade da lei que
fundamentou a sentença exequenda.
C - oferecer nova impugnação ao cumprimento de sentença,
alegando a inexigibilidade da obrigação, tendo em vista que,
após o julgamento de sua primeira impugnação, o Supremo
Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da lei
que fundamentou a sentença proferida na fase de
conhecimento, que serviu de título executivo judicial.
D - ajuizar ação rescisória, em virtude de a sentença estar
fundada em lei julgada inconstitucional pelo Supremo
Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de
constitucionalidade.
COMENTÁRIO:CPC Art. 927. Os juízes e os tribunais
observarão:
I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle
concentrado de constitucionalidade;
Art. 525, §12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1
deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação
reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou
ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo
Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação
da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal
Federal como incompatível com a , em controle de
constitucionalidade concentrado ou difuso
Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no sem o pagamento
voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o
executado, independentemente de penhora ou nova
intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação.
§ 1 Na impugnação, o executado poderá alegar:
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da
obrigação;
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode
ser rescindida quando:
V - violar manifestamente norma jurídica;
106)As irmãs Odete e Nara celebraram contrato bancário,
com cláusula de solidariedade, com uma pequena
instituição financeira, com o objetivo de constituir uma
empresa na cidade de Campos. Depois de sete anos, a
instituição financeira, semreceber o valor que lhe era
devido, propôs ação judicial em face das duas irmãs.
Ocorre que a empresa familiar teve suas atividades
encerradas por má gestão e as irmãs, há alguns anos,
não mais se falam e, por isso, contrataram
advogados(as) de escritórios de advocacia distintos
para realizar a defesa judicial.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A - Caso o(a) advogado(a) de Nara perca o prazo do
recurso de apelação, a alegação de prescrição no apelo
interposto pelo advogado(a) de Odete, se acolhida,
beneficiará Nara.
B - O litisconsórcio formado pelas irmãs pode ser
classificado como litisconsórcio passivo, necessário e
unitário.
C - Caberá à parte interessada alegar a prescrição, sendo
vedado ao magistrado reconhecer a prescrição de ofício.
D - Os prazos para as manifestações dos litisconsortes com
advogados(as) de diferentes escritórios de advocacia serão
contados em dobro, ainda quando os autos do processo
forem eletrônicos.
COMENTÁRIO:CPC; Art. 1.005. O recurso interposto por
um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou
opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo
solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor
aproveitará aos outros quando as defesas opostas ao credor
lhes forem comuns.
107)Pedro ajuizou ação indenizatória contra Diego, tendo o
juiz de primeira instância julgado integralmente
improcedentes os pedidos formulados na petição inicial,
por meio de sentença que veio a ser mantida pelo
Tribunal em sede de apelação.
Contra o acórdão, Pedro interpôs recurso especial, sob o
argumento de que teria ocorrido violação de dispositivo da
legislação federal. A Presidência do Tribunal, no entanto,
inadmitiu o recurso especial, ao fundamento de que o
acórdão recorrido se encontra em conformidade com
entendimento do Superior Tribunal de Justiça exarado no
regime de julgamento de recurso repetitivo.
Diante dessa situação hipotética, assinale a opção que
indica o recurso que Pedro deverá interpor.
A - Agravo em recurso especial, para que o Superior
Tribunal de Justiça examine se o recurso especial preenche
ou não os requisitos de admissibilidade.
B - Agravo interno, para demonstrar ao Plenário do Tribunal,
ou ao seu Órgão Especial, que o acórdão recorrido versa
sobre matéria distinta daquela examinada pelo Superior
Tribunal de Justiça no regime de julgamento do recurso
repetitivo.
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C - Agravo interno, para demonstrar ao Superior Tribunal de
Justiça que o acórdão recorrido versa sobre matéria distinta
daquela examinada pelo mesmo Tribunal Superior no
regime de julgamento do recurso repetitivo.
D - Recurso Extraordinário, para demonstrar ao Supremo
Tribunal Federal que o recurso especial deveria ter sido
admitido pela Presidência do Tribunal de origem.
COMENTÁRIO:Conforme o disposto no §2º do artigo 1.030
do CPC/15. A situação contida no caso em tela desafia o”
recurso de agravo interno para o próprio tribunal
local”.(Theodoro Junior Humberto ,vol. 3 – 50ª ed. - 2017).
108)José ajuizou ação de indenização por danos morais,
materiais e estéticos em face de Pedro. O juiz
competente, ao analisar a petição inicial, considerou os
pedidos incompatíveis entre si, razão pela qual a
indeferiu, com fundamento na inépcia.
Nessa situação hipotética, assinale a opção que indica o
recurso que José deverá interpor.
A - Apelação, sendo facultado ao juiz, no prazo de cinco
dias, retratar-se do pronunciamento que indeferiu a petição
inicial.
B - Apelação, sendo os autos diretamente remetidos ao
Tribunal de Justiça após a citação de Pedro para a
apresentação de contra-razoeis.
C - Apelação, sendo que o recurso será diretamente
remetido ao Tribunal de Justiça, sem a necessidade de
citação do réu para apresentação de contra-razoeis.
D - Agravo de Instrumento, inexistindo previsão legal de
retratação por parte do magistrado.
COMENTÁRIO:CPC, art. 331. Indeferida a petição inicial, o
autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 5 (cinco)
dias [prazo impróprio], retratar-se. a) indeferimento total:
Nesse caso a doutrina entende que se trata de sentença e
o recurso será a apelação, conforme a redação do artigo
331 do NCPC.
109)Lucas, em litígio instaurado contra Alberto, viu seus
pedidos serem julgados procedentes em primeira
instância, o que veio a ser confirmado pelo tribunal local
em sede de apelação. Com a publicação do acórdão
proferido em sede de apelação na imprensa oficial,
Alberto interpôs recurso especial, alegando que o
julgado teria negado vigência a dispositivo de lei
federal. Simultaneamente, Lucas opôs embargos de
declaração contra o mesmo acórdão, suscitando a
existência de omissão.
Nessa situação hipotética,
A - o recurso especial de Alberto deverá ser considerado
extemporâneo, visto que interposto antes do julgamento dos
embargos de declaração de Lucas.
B - Alberto, após o julgamento dos embargos de declaração
de Lucas, terá o direito de complementar ou alterar as
razões de seu recurso especial, independentemente do
resultado do julgamento dos embargos de declaração.
C - Alberto não precisará ratificar as razões de seu recurso
especial para que o recurso seja processado e julgado se os
embargos de declaração de Lucas forem rejeitados, não
alterando a decisão recorrida.
D - Alberto deverá interpor novo recurso especial após o
julgamento dos embargos de declaração.
COMENTÁRIO:Súmula 579, STJ: Não é necessário ratificar
o recurso especial interposto na pendência do julgamento
dos embargos de declaração, quando inalterado o resultado
anterior.
110)Arthur ajuizou ação perante o Juizado Especial Cível da
Comarca do Rio de Janeiro, com o objetivo de obter
reparação por danos materiais, em razão de falha na
prestação de serviços pela sociedade empresária
Consultex.
A sentença de improcedência dos pedidos iniciais foi
publicada, mas não apreciou juridicamente um argumento
relevante suscitado na inicial, desconsiderando, em sua
fundamentação, importante prova do nexo de causalidade.
Arthur pretende opor embargos de declaração para ver
sanada tal omissão.
Diante de tal cenário, assinale a afirmativa correta.
A - Arthur poderá opor embargos de declaração,
suspendendo o prazo para interposição de recurso para a
Turma Recursal.
B - Os embargos não interrompem ou suspendem o prazo
para interposição de recurso para a Turma Recursal, de
modo que Arthur deverá optar entre os embargos ou o
recurso, sob pena de preclusão.
C - Eventuais embargos de declaração interpostos por
Arthur interromperão o prazo para interposição de recurso
para a Turma Recursal.
D - Arthur não deverá interpor embargos de declaração pois
estes não são cabíveis no âmbito de Juizados Especiais.
COMENTÁRIO:Art. 50. Os embargos de declaração
interrompem o prazo para a interposição de recurso.
O art.50 da Lei 9.099/1995 estabelece que os embargos de
declaração geram a interrupção dos demais prazos
recursais.
O Novo CPC corrigiu o art. 50 da Lei dos Juizados
Especiais.
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Art. 1.065. O art. 50 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de
1995, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência)
“Art. 50. Os embargos de declaração interrompem o prazo
para a interposição de recurso.” (NR).
111)Carolina, vítima de doença associada ao tabagismo,
requereu, em processo de indenização por danos
materiais e morais contra a indústria do tabaco, a
inversão do ônus da prova, por considerar que a parte
ré possuía melhores condições de produzir a prova. O
magistrado, por meio de decisão interlocutória,
indeferiu o requerimento por considerar que a inversão
poderia gerar situação em que a desincumbência do
encargo seria excessivamente difícil.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa
correta. A - A decisão é impugnável por agravo interno.
B - A decisão é irrecorrível.
C - A decisão é impugnável por agravo de instrumento.
D - A parte autora deverá aguardar a sentença para suscitar
a questão como preliminar de apelação ou nas contras
razões do recurso de apelação.
COMENTÁRIO:#Método Mneumonico:
AGRAVO DE INSTRUMENTO �E.I.R.E.L.I._A.T.M. Veja:
1- Efeito suspensivo em embargos à execução
2- Incidente de desconsideração da personalidade
jurídica 3- Rejeição da Gratuidade Judiciária
4- Exibição ou posse de documento ou coisa
5- Litisconsorte ou terceiro
6- Inversão do ônus da prova
7- Arbitragem
8- Tutelas provisória [RESPOSTA DA
QUESTÃO] 9- Mérito do processo
112)Carlos ajuizou, em 18/03/2016, ação contra o Banco
Sucesso, pelo procedimento comum, pretendendo a
revisão de determinadas cláusulas de um contrato de
abertura de crédito. Após a apresentação de
contestação e réplica, iniciou-se a fase de produção de
provas, tendo o Banco Sucesso requerido a produção
de prova pericial para demonstrar a ausência de
abusividade dos juros remuneratórios. A prova foi
indeferida e o pedido foi julgado procedente para
revisar o contrato e limitar a cobrança de tais juros.
Sobre a posição do Banco Sucesso, assinale a
afirmativa correta.
A - Ele deve interpor recurso de agravo de instrumento
contra a decisão que indeferiu a produção de prova. Não o
tendo feito, a questão está preclusa e não admite
rediscussão.
B - Ele deve apresentar petição de protesto contra a decisão
que indeferiu a produção de prova, evitando-se a preclusão,
com o objetivo de rediscuti-la em apelação.
C - Ele deve permanecer inerte em relação à decisão de
indeferimento de produção de prova, mas poderá rediscutir
a questão em preliminar de apelação.
D - Ele deve interpor recurso de agravo retido contra a
decisão que indeferiu a produção de prova, evitando-se a
preclusão, com o objetivo de rediscuti-la em apelação.
COMENTÁRIO:O NCPC aboliu a figura do agravo retido,
interposto em face de decisão proferida pelo juiz de primeiro
grau, que, se não fosse reformada pelo magistrado, era
objeto de análise pelo tribunal, caso o recurso fosse
reiterado em preliminar de apelação ou de contrarrazões de
apelação (CPC/1973, art. 523). A nova sistemática, embora
semelhante à anterior, afasta a necessidade de interposição
imediata de recurso, para impedir a preclusão. Agora, se a
matéria incidental decidida pelo magistrado a que não
constar do rol taxativo do art. 1.015, que autoriza a
interposição de agravo de instrumento, a parte prejudicada
deverá aguardar a prolação da sentença para, em preliminar
de apelação ou nas contrarrazões, requerer a sua reforma
(art. 1.009, § 1º). Vale dizer, a preclusão sobre a matéria
somente ocorrerá se não for posteriormente impugnada em
preliminar de apelação ou nas contrarrazões.
113)Jorge ajuizou demanda contra Maria, requerendo sua
condenação à realização de obrigação de fazer e ao
pagamento de quantia certa. Fez requerimento de tutela
provisória de urgência em relação à obrigação de fazer.
Após o transcurso da fase postulatória e probatória sem
a análise do mencionado requerimento, sobreveio
sentença de procedência de ambos os pedidos autorais,
em que o juízo determina o imediato cumprimento da
obrigação de fazer. Diante de tal situação, Maria instruiu
seu advogado a recorrer apenas da parte da sentença
relativa à obrigação de fazer. Nessa circunstância, o
advogado de Maria deve
A - impetrar Mandado de Segurança contra a decisão que
reputa ilegal, tendo como autoridade coatora o juízo
sentenciante.
B - interpor Agravo de Instrumento, impugnando o
deferimento da tutela provisória, pois ausentes seus
requisitos.
C - interpor Apelação, impugnando o deferimento da tutela
provisória e a condenação final à obrigação de fazer.
D - interpor Agravo de Instrumento, impugnando a tutela
provisória e a condenação final à obrigação de fazer.
COMENTÁRIO:Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.
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§ 3o O disposto no caput deste artigo aplica-se mesmo
quando as questões mencionadas no art. 1.015 integrarem
capítulo da sentença.
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões
interlocutórias que versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
A apelação é o recurso cabível para a impugnação de todas
as questões decididas na sentença. Para afastar qualquer
dúvida, o § 3º do art. 1.009 prevê que mesmo as questões
mencionadas no art. 1.015, que contempla o rol das
decisões interlocutórias impugnáveis pelo agravo de
instrumento, serão reexaminadas na apelação quando
forem decididas na sentença. Assim, se na sentença o juiz
conceder, confirmar ou revogar tutela provisória de urgência,
cautelar ou antecipatória (art. 1.015, inciso I), ou excluir
litisconsorte, permanecendo outros no processo (art. 1.015,
inciso VII), tais decisões serão impugnáveis pela apelação,
e não pelo agravo de instrumento.
114)A sociedade Palavras Cruzadas Ltda. ajuizou ação de
responsabilidade civil em face de Helena e requereu o
benefício da gratuidade de justiça, na petição inicial. O
juiz deferiu o requerimento de gratuidade e ordenou a
citação da ré. Como a autora não juntou qualquer
documento comprobatório de sua hipossuficiência
econômica, a ré pretende atacar o benefício deferido.
Com base na situação apresentada, assinale a afirmativa
correta.
A - O instrumento processual adequado para atacar a
decisão judicial é o incidente de impugnação ao benefício de
gratuidade, que será processado em autos apartados.
B - A ré alegará na contestação que não estão presentes os
requisitos para o deferimento do benefício de gratuidade.
C - A ré alegará na contestação que o benefício deve ser
indeferido, mas terá que apresentar documentos
comprobatórios, pois a lei presume verdadeira a alegação
de insuficiência deduzida.
D - O instrumento processual previsto para atacar a decisão
judicial de deferimento do benefício é o agravo de
instrumento.
COMENTÁRIO:Art. 99 § 2o / CPC - O juiz somente poderá
indeferir o pedido se houver nos autos elementos que
evidenciem a falta dos pressupostos legais para a
concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o
pedido, determinar à parte a comprovação do
preenchimento dos referidos pressupostos.
Art. 100 / CPC - Deferido o pedido, a parte contrária poderá
oferecer impugnação na contestação, na réplica, nas
contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido
superveniente ou formulado por terceiro, por meio de
petição simples, a ser apresentada no prazo de 15 (quinze)
dias,
nos autos do próprio processo, sem suspensão de seu
curso.
Art. 101 / CPC - Contra a decisão que indeferir a gratuidade
ou a que acolher pedido de sua revogação caberá agravo
de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na
sentença, contra a qual caberá apelação.
115)Mariana propôs ação com pedido condenatório contra
Carla, julgado improcedente, o que a levoua interpor
recurso de apelação ao Tribunal de Justiça, objetivando
a reforma da decisão. Após a apresentação de
contrarrazões por Carla, o juízo de primeira instância
entendeu que o recurso não deveria ser conhecido, por
ser intempestivo, tendo sido certificado o trânsito em
julgado.
Intimada dessa decisão mediante Diário Oficial e tendo sido
constatada a existência de um feriado no curso do prazo
recursal, não levado em consideração pelo juízo de primeira
instância, Mariana deverá
A - interpor Agravo de Instrumento ao Tribunal de Justiça,
objetivando reverter o juízo de admissibilidade realizado em
primeiro grau.
B - ajuizar Reclamação ao Tribunal de Justiça, sob o
fundamento de usurpação de competência quanto ao juízo
de admissibilidade realizado em primeiro grau.
C - interpor Agravo Interno para o Tribunal de Justiça,
objetivando reverter o juízo de admissibilidade realizado em
primeiro grau.
D - interpor nova Apelação ao Tribunal de Justiça reiterando
as razões de mérito já apresentadas, postulando, em
preliminar de apelação, a reforma da decisão interlocutória,
que versou sobre o juízo de admissibilidade.
COMENTÁRIO:CPC, art. 988. Caberá reclamação da parte
interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a
competência do tribunal; § 1o A reclamação pode ser
proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento
compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca
preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir.
Art. 1.010, § 3o Após as formalidades previstas nos §§ 1o e
2o, os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz,
independentemente de juízo de admissibilidade.
"Com a mudança de competência para o juízo de
admissibilidade da apelação e dos recursos excepcionais,
que à luz do Novo Código de Processo Civil serão feitos
exclusivamente pelos tribunais competentes para o
julgamento do mérito recursal, nasce uma situação de
potencial de cabimento da reclamação constitucional por
usurpação de competência.
Basta imaginar um juiz de primeiro grau que, diante de
uma apelação manifestamente inadmissível, deixar de
recebê-la, impedindo sua remessa ao tribunal de segundo
grau. Nesse caso, como independentemente da natureza
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e/ou gravidade do vício formal a competência para analisar
a admissibilidade da apelação é exclusiva do tribunal de
segundo grau, será indiscutível o cabimento da
reclamação constitucional."
116)Gerusa ajuizou ação de cobrança em face de Vicente,
que, ao final da instrução probatória, culminou em
sentença deprocedência de seu pedido condenatório,
tendo o magistrado fixado honorários advocatícios de
sucumbência em quantia irrisória. O êxito obtido
decorreu do trabalho desenvolvido pelo Dr. Alonso,
advogado particular constituído por Gerusa em razão de
renúncia ao mandato apresentada por seu antigo
advogado, logo após a distribuição da ação. Assim que
assumiu o patrocínio da causa, o Dr. Alonso identificou
que Gerusa não possuía recursos suficientes para
custear o processo, razão pela qual requereu e obteve o
direito de gratuidade da justiça para sua cliente.
A partir dos elementos do enunciado, com base no CPC/15,
assinale a afirmativa correta.
A - O pedido de gratuidade da justiça deveria ter sido
formulado por meio de incidente processual em apenso.
B - É cabível apelação versando exclusivamente sobre a
majoração do valor dos honorários fixados pela sentença,
mediante pagamento do preparo pelo Dr. Alonso.
C - A gratuidade da justiça não poderia ter sido deferida pelo
juiz, pois Gerusa está assistida pelo advogado particular Dr.
Alonso.
D - É cabível apelação versando exclusivamente sobre a
majoração dos honorários fixados pela sentença, sendo
dispensável o pagamento do preparo em razão da
concessão do direito de gratuidade da justiça a Gerusa.
COMENTÁRIO:CPC; Art. 99. O pedido de gratuidade da
justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação,
na petição para ingresso de terceiro no processo ou em
recurso.
§ 1o Se superveniente à primeira manifestação da parte na
instância, o pedido poderá ser formulado por petição
simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá
seu curso. (A)
§ 4o A assistência do requerente por advogado particular
não impede a concessão de gratuidade da justiça. (C)
§ 5o Na hipótese do § 4o, o recurso que verse
exclusivamente sobre valor de honorários de sucumbência
fixados em favor do advogado de beneficiário estará sujeito
a preparo, salvo se o próprio advogado demonstrar que tem
direito à gratuidade. (B e D)
117)Davi ajuizou ação em face de Heitor, cumulando pedido
de cobrança no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais)
e pedido indenizatório de dano material no valor de R$
30.000,00 (trinta mil reais). Ultrapassada a fase inicial
conciliatória, Heitor apresentou contestação contendo
vários fundamentos - dentre eles, preliminar de
impugnação ao valor da causa. O Juiz proferiu decisão
saneadora, rejeitando a impugnação ao valor da causa e
determinando o prosseguimento do processo.
Com base no caso apresentado, assinale a afirmativa
correta.
A - Heitor deveria ter apresentado incidente processual
autônomo de impugnação ao valor da causa.
B - Heitor poderá formular pedido recursal de modificação
da decisão que rejeitou a impugnação ao valor da causa,
em suas razões recursais de eventual apelação.
C - O valor da causa deverá ser de R$ 70.000,00 (setenta
mil reais), pois existem pedidos cumulativos.
D - A impugnação ao valor da causa somente poderia ser
decidida por ocasião da prolatar a sentença de mérito.
COMENTÁRIO:CPC; Art. 292. O valor da causa constará
da petição inicial ou da reconvenção e será:
I - na ação de cobrança de dívida, a soma monetariamente
corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de
outras penalidades, se houver, até a data de propositura da
ação;
V - na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano
moral, o valor pretendido;
(C) VI - na ação em que há cumulação de pedidos, a
quantia correspondente à soma dos valores de todos eles;
(A e D) Art. 293. O réu poderá impugnar, em preliminar da
contestação, o valor atribuído à causa pelo autor, sob pena
de preclusão, e o juiz decidirá a respeito, impondo, se for o
caso, a complementação das custas.
Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.
(B) § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento,
se a decisão a seu respeito não comportar agravo de
instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser
suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente
interposta contra a decisão final, ou nas contra-razoeis.
Gabarito: Recursos
102 103 104 105 106
C C C D A
107 108 109 110 111
B A C C C
112 113 114 115 116
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C C B B B
117
B
Processo de Execução e Cumprimento de
Sentença
118)Maria, ao perceber que o seu bem imóvel foi arrematado
por preço vil, em processo de execução de título
extrajudicial, procurou você, como advogado(a), para
saber que defesa poderá invalidar a arrematação. Você
verifica que, no 28º dia após o aperfeiçoamento da
arrematação, a carta de arrematação foi expedida.
Uma semana depois, você prepara a peça processual.
Assinale a opção que indica a peça processual correta a ser
proposta.
A - Impugnação à execução.
B - Petição simples nos próprios autos do processo
de execução.
C - Ação autônoma de invalidação da
arrematação. D - Embargos do executado.
COMENTÁRIO:Art. 903. Qualquer que seja a modalidade
de leilão, assinado o auto pelo juiz, pelo arrematante e pelo
leiloeiro, a arrematação será considerada perfeita, acabada
e irretratável, ainda que venham a ser julgados procedentes
os embargos do executado ou a ação autônoma de que
trata o § 4o deste artigo, assegurada a possibilidade de
reparação pelos prejuízos sofridos.
§ 4o Após a expedição da carta de arrematação ou da
ordem de entrega, a invalidação da arremataçãopoderá ser
pleiteada por ação autônoma, em cujo processo o
arrematante figurará como litisconsorte necessário.
119)Pedro propõe execução de alimentos, fundada em título
extrajudicial, em face de Augusto, seu pai, no valor de
R$ 10.000,00 (dez mil reais). Regularmente citado,
Augusto não efetuou o pagamento do débito, não
justificou a impossibilidade de fazê-lo, não provou que
efetuou o pagamento e nem ofertou embargos à
execução.
Pedro, então, requereu a penhora do único bem pertencente
a Augusto que fora encontrado, qual seja, R$ 10.000,00
(dez mil reais), que estavam depositados em caderneta de
poupança. O juiz defere o pedido.
Sobre a decisão judicial, assinale a afirmativa correta.
A - Ela foi equivocada, pois valores depositados em
caderneta, em toda e qualquer hipótese, são impenhoráveis.
B - Ela foi correta, pois o Código de Processo Civil permite a
penhora de quaisquer valores depositados em aplicações
financeiras.
C - Ela foi equivocada, na medida em que o Código de
Processo Civil assegura a impenhorabilidade da caderneta
de poupança até o limite de cem salários-mínimos,
independentemente da natureza do débito.
D - Ela foi correta, pois o Código de Processo Civil admite a
penhora de valores depositados em caderneta de poupança
para o cumprimento de obrigações alimentícias.
COMENTÁRIO:CPC, art. 833. São impenhoráveis:
(...) X - a quantia depositada em caderneta de poupança,
até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à
hipótese de penhora para pagamento de prestação
alimentícia, independentemente de sua origem, bem como
às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários
mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto
no art. 528, §8º, e no art. 529, §3º.
120)Amanda ajuizou execução por quantia certa em face de
Carla, fundada em contrato de empréstimo inadimplido
que havia sido firmado entre elas, pelo valor, atualizado
na data-base de 20/3/2017, de R$ 50 mil.
Carla foi citada e não realizou o pagamento no prazo legal,
tampouco apresentou embargos, limitando-se a indicar à
penhora um imóvel de sua titularidade. Carla informou que o
referido imóvel valeria R$ 80 mil. Amanda, após consultar
três corretores de imóveis, verificou que o valor estaria bem
próximo ao de mercado, de modo que pretende dar
seguimento aos atos de leilão e recebimento do crédito.
Diante de tal situação, assinale a afirmativa que melhor
atende aos interesses de Amanda.
A - Ela deverá requerer ao juízo a avaliação do imóvel por
oficial de justiça avaliador, ato indispensável para dar
seguimento ao leilão.
B - Deverá ser requerida ao juízo a avaliação do imóvel por
especialista na área (perito); sem isso, o leilão não poderá
prosseguir.
C - Ela deverá requerer ao juízo que este faça inspeção
judicial no imóvel, de modo a confirmar seu valor.
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D - Ela deverá requerer que seja realizado o leilão, com
dispensa da avaliação judicial do bem, manifestando ao
juízo concordância com a estimativa de valor feita por Carla.
COMENTÁRIO:Artigo 871, inciso I do CPC/15. “Art. 871.
Não se procederá à avaliação quando: I - uma das partes
aceitar a estimativa feita pela outra;”
121)Cláudia, intimada pelo juízo da Vara Z para pagar a Cleide o
valor de R$ 20.000,00, com fundamento em cumprimento
definitivo de sentença, realiza, no prazo de 15 dias, o
pagamento de R$ 5.000,00.
De acordo com o que dispõe o CPC/2015, deve incidir
A - multa de 10% e honorários advocatícios sobre
R$15.000,00.
B - multa de 10% sobre R$15.000,00 e honorários
advocatícios sobre R$ 20.000,00.
C - multa de 10% e honorários advocatícios sobre R$
20.000,00.
D - multa de 10% e honorários advocatícios sobre
R$5.000,00.
COMENTÁRIO:Nos termos do art. 523, §§1º e 2º, do NCPC:
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já
fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela
incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á
a requerimento do exequente, sendo o executado intimado
para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido
de custas, se houver.
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do
caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e,
também, de honorários de advogado de dez por cento.
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no
caput, a multa e os honorários previstos no § 1o incidirão
sobre o restante.
122)O Supermercado “X” firmou contrato com a pessoa
jurídica “Excelência” – sociedade empresária de renome
- para que esta lhe prestasse assessoria estratégica e
planejamento empresarial no processo de expansão de
suas unidades por todo o país.
Diante da discussão quanto ao cumprimento da prestação
acordada, uma vez que o supermercado entendeu que o
serviço fora prestado de forma deficiente, as partes se
socorreram da arbitragem, em razão de expressa previsão
do meio de solução de conflitos trazida no contrato.
Na arbitragem, restou decidido que assistia razão ao
supermercado, sendo a sociedade empresária “Excelência”
condenada ao pagamento de indenização, além de multa de
30%.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
A - Por se tratar de um título executivo extrajudicial, deve
ser instaurado um processo de execução.
B - Por se tratar de um título executivo judicial, será
promovido segundo as regras do cumprimento de sentença.
C - A sentença arbitral só poderá ser executada junto ao
Poder Judiciário após ser confirmada em processo de
conhecimento, quando adquire força de título executivo
judicial.
D - A sentença arbitral será executada segundo as regras
do cumprimento de sentença, tendo em vista seu caráter de
título executivo extrajudicial.
COMENTÁRIO:Art. 515. São títulos executivos judiciais,
cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos
previstos neste Título:
VII - a sentença arbitral;
A sentença arbitral pode impor uma obrigação de qualquer
natureza que, se não cumprida de forma voluntária,
reclamará sua execução, que, como não pode ser
realizada perante o tribunal arbitral que carece de poder
de império, far-se-á perante o Poder Judiciário e pelo
regime do cumprimento de sentença. Colhem-se perante
o STJ: “[...] No ordenamento jurídico pátrio, o árbitro não foi
contemplado com o poder de império, de coerção, capaz de
determinar a execução de suas sentenças, motivo pelo qual,
não adimplida voluntariamente a obrigação, deve o credor
recorrer ao Poder Judiciário, requerendo o cumprimento da
sentença arbitral, cujo processamento dar-se-á no juízo cível
competente, nos moldes do art. 475-P, inc. III, do CPC. [...]”
(4ª T. – REsp nº 1.312.651/SP – Rel. Min. Marco Buzzi – j.
em 18/2/2014 – DJe de 25/2/2014) e “[...] A sentença arbitral
produz entre as partes e seus sucessores os mesmos
efeitos da sentença judicial, constituindo, inclusive, título
executivo judicial quando ostentar natureza condenatória.
[...]” (Corte Especial – SEC nº 4.516/EX – Rel. Min. Sidnei
Beneti – j. em 16/10/2013 – DJe de 30/10/2013).
123)Pedro promove ação de cobrança em face de José, pelo
descumprimento de contrato de prestação de serviços
celebrado entre as partes.
O processo instaurado teve seu curso normal, e o pedido foi
julgado procedente, com a condenação do réu a pagar o
valor pleiteado. Não houve recurso e, na fase de
cumprimento de sentença, o executado é intimado a efetuar
o pagamento e pretende ofertar resistência.
Sobre a postura adequada para o executado tutelar seus
interesses, assinale a afirmativa correta.
A - Deve oferecer embargos à execução e, para tanto,
deverá garantir o juízo com penhora, depósito ou caução.
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B - Deve oferecer impugnação à execução, devendo
garantir o juízo com penhora, depósito ou caução.
C - Deve oferecer embargos à execução, sem a
necessidade de prévia garantia do juízo paraser admitido.
D - Deve oferecer impugnação à execução, sem a
necessidade de prévia garantia do juízo com penhora.
COMENTÁRIO:Cumprimento de Sentença (nos próprios
autos) ------> Impugnação à execução, sem necessidade de
garantia de do juízo
Processo de Execução (ação autônoma) -----> Embargos à
execução
124)Jair promove ação em face de Carlos para cobrar uma
dívida proveniente de contrato (não escrito) de
prestação de serviços celebrado pelas partes. Com o
trânsito em julgado da sentença que condenou Carlos
a pagar o valor devido, Jair requer o cumprimento de
sentença. O executado foi intimado regularmente na
pessoa do seu advogado. No prazo da impugnação,
deposita o correspondente a 30% do valor devido e
requer o parcelamento do remanescente em até 6
(seis) prestações. O juiz defere o pedido do executado,
fundamentando sua decisão no princípio da menor
onerosidade, mas o exequente se insurge por
intermédio de agravo de instrumento, alegando que o
parcelamento legal não se aplica ao cumprimento de
sentença. Diante da situação hipotética, a decisão do
juiz está
A - correta, pois o parcelamento legal pode ser aplicado no
caso de cumprimento de sentença.
B - equivocada, tendo em vista que só poderia deferir se
fosse feito depósito de 50%.
C - equivocada, pois há vedação expressa para a
concessão do parcelamento legal no caso de cumprimento
de sentença.
D - correta, pois sempre se deve encontrar a forma mais
efetiva para a execução.
COMENTÁRIO:Art. 916 do NCPC. No prazo para
embargos, reconhecendo o crédito do exequente e
comprovando o depósito de 30 % (trinta por cento) do
valor em execução, acrescido de custas e de honorários de
advogado, o executado poderá requerer que lhe seja
permitido pagar o restante em até 06 (seis) parcelas
mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de
1% (um por cento) ao mês.
§ 7° O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento
da sentença.
125)Em execução por título extrajudicial, movida pela
distribuidora de bebidas Geladão em face do
Supermercado Preço Certo, o executado, citado, não
realizou o pagamento da dívida.
O exequente requereu, então, a indisponibilidade da quantia
em dinheiro existente em aplicação financeira titularizada
pelo executado, o que foi deferido pelo juízo sem a oitiva do
réu. Bloqueado valor superior à dívida, o juiz deu vista do
processo ao exequente, que requereu a conversão da
indisponibilidade em penhora.
Sobre o procedimento adotado, assinale a afirmativa correta.
A - A conversão da indisponibilidade em penhora deve ser
deferida independentemente de ciência prévia do ato
executado, visto que não houve o pagamento espontâneo
da dívida.
B - A indisponibilidade é nula, pois promovida sem a prévia
oitiva do réu, o que viola o contraditório e a ampla defesa.
C - O juiz, considerando o excesso do bloqueio, não deveria
ter dado vista do processo ao exequente, mas promovido o
cancelamento da indisponibilidade excessiva no prazo
máximo de vinte e quatro horas.
D - O juiz, independentemente do excesso da
indisponibilidade, deveria ter dado vista do processo ao
executado, a fim de que este comprovasse a
impenhorabilidade da quantia bloqueada.
COMENTÁRIO:CPC, art. 854. Para possibilitar a penhora
de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o juiz,
a requerimento do exequente, sem dar ciência prévia do
ato ao executado (B), determinará às instituições
financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido pela
autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, que
torne indisponíveis ativos financeiros existentes em
nome do executado, limitando-se a indisponibilidade ao
valor indicado na execução.
§ 1o No prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar da
resposta, de ofício, o juiz determinará o cancelamento de
eventual indisponibilidade excessiva, o que deverá ser
cumprido pela instituição financeira em igual prazo. (C) e (D)
§ 2o Tornados indisponíveis os ativos financeiros do
executado, este será intimado (A) na pessoa de seu
advogado ou, não o tendo, pessoalmente.
§ 5o Rejeitada ou não apresentada a manifestação do
executado [o que comprova sua prévia intimação],
converter-se-á a indisponibilidade em penhora, sem
necessidade de lavratura de termo, devendo o juiz da
execução determinar à instituição financeira depositária que,
no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, transfira o montante
indisponível para conta vinculada ao juízo da execução.
126)Magno ajuizou ação de execução em face de Maria,
alegando ser credor da quantia de R$ 28.000,00. A
obrigação está vencida há 50 dias, não foi paga e está
representada por contrato particular de mútuo,
regularmente originado em país estrangeiro, assinado
pelos contratantes e por duas testemunhas, estando
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indicada, para cumprimento da obrigação, a cidade de
Salinas/MG.
Após despacho positivo proferido pelo Juiz da Vara Cível de
Salinas/MG, Maria foi citada, bem como houve penhora
eletrônica de quantia existente em caderneta de poupança
de titularidade da devedora, sendo a quantia suficiente para
suportar 80% da dívida executada. A quantia penhorada foi
depositada na caderneta de poupança 10 dias antes do
ajuizamento da execução, sendo que Maria possui dois
veículos que poderiam ter sido penhorados.
A partir dos elementos do enunciado, considerando as
regras do CPC/15, assinale a afirmativa correta.
A - Antes do ajuizamento da ação de execução, exige-se
que Magno proceda à homologação do título executivo
originado em país estrangeiro.
B - Maria poderá alegar a inexistência de título executivo
extrajudicial apto a instruir a ação de execução.
C - A penhora recaiu sobre quantia impenhorável.
D - O juiz deve manter a penhora sobre a quantia
depositada e seus rendimentos.
COMENTÁRIO:CPC; Art. 784. São títulos executivos
extrajudiciais:
§ 2o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país
estrangeiro não dependem de homologação para serem
executados. [Não confundir com sentença proferida no
estrangeiro e executada no Brasil, art. 15 da LINDB.]
§ 3o O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando
satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do
lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como
o lugar de cumprimento da obrigação.
Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder
promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo
modo menos gravoso para o executado.
Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida
executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais
eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos
atos executivos já determinados.
Art. 833. São impenhoráveis:
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o
limite de 40 (quarenta) salários-mínimos [40*880 = 35.200];
Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a
seguinte ordem:
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em
instituição financeira;
IV - veículos de via terrestre;
§ 1o É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas
demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de
acordo com as circunstâncias do caso concreto.
Gabarito: Processo de Execução e Cumprimento
de Sentença
118 119 120 121 122
C D D A B
123 124 125 126
D C C C
Procedimentos Especiais
127)Gustavo procura você, como advogado(a), visando ao
ajuizamento de uma ação em face de João, para a
defesa da posse de um imóvel localizado em Minas
Gerais.
Na defesa dos interesses do seu cliente, quanto à ação
possessória a ser proposta, assinale a afirmativa correta.
A - Não é lícito cumular o pedido possessório com
condenação em perdas e danos a Gustavo, dada a
especialidade do procedimento.
B - Na pendência da ação possessória proposta por
Gustavo, não é possível, nem a ele, nem a João, propor
ação de reconhecimento de domínio, salvo em face de
terceira pessoa.
C - Se a proposta de ação de manutenção de posse por
Gustavo for um esbulho, o juiz não pode receber a ação de
manutenção de posse como reintegraçãode posse, por falta
de interesse de adequação.
D - Caso se entenda possuidor do imóvel e pretenda
defender sua posse, o meio adequado a ser utilizado por
João é a reconvenção em face de Gustavo.
COMENTÁRIO:Art. 557. Na pendência de ação
possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu,
propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a
pretensão for deduzida em face de terceira pessoa.
Parágrafo único. Não obsta à manutenção ou à reintegração
de posse a alegação de propriedade ou de outro direito
sobre a coisa.
128) Diego e Thaís, maiores e capazes, ambos sem filhos,
são formalmente casados pelo regime legal da
comunhão parcial de bens. Ocorre que, devido a
problemas conjugais e divergências quanto à divisão do
patrimônio comum do casal, o matrimônio teve fim de
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forma conturbada, o que motivou Thaís a ajuizar ação de
divórcio litigioso cumulada com partilha de bens em
face do ex-cônjuge.
Na petição inicial, a autora informa que tem interesse na
realização de audiência de conciliação ou de mediação.
Diego, regularmente citado, busca orientação jurídica sobre
os possíveis desdobramentos da demanda ajuizada por sua
ex-cônjuge.
Na qualidade de advogado(a) de Diego, assinale a opção
que apresenta os esclarecimentos corretos que foram
prestados.
A - Diego, ainda que de forma injustificada, possui a
faculdade de deixar de comparecer à audiência
regularmente designada para fins de solução consensual
do conflito, não sofrendo qualquer sanção processual em
virtude da ausência.
B - Descabe, no processo contencioso de divórcio ajuizado
por Thaís, a solução consensual da controvérsia, uma vez
que o direito em questão possui feição extra patrimonial e,
portanto, indisponível.
C - Ante a existência de vínculo prévio entre as partes, a
audiência a ser realizada para fins de autocomposição entre
Diego e Thaís deverá ser conduzida por um conciliador, que
poderá sugerir soluções para o litígio, vedada a utilização de
qualquer tipo de constrangimento ou intimidação.
D - A partir de requerimento que venha a ser formulado por
Diego e Thaís, o juiz pode determinar a suspensão do
processo enquanto os litigantes se submetem à mediação
extrajudicial.
COMENTÁRIO:Art. 694. Nas ações de família, todos os
esforços serão empreendidos para a solução consensual da
controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de
profissionais de outras áreas de conhecimento para a
mediação e conciliação.
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode
determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes
se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento
multidisciplinar.
129)Aline e Alfredo, casados há 20 anos pelo regime da
comunhão parcial de bens, possuem um filho maior de
idade e plenamente capaz. Não obstante, Aline encontra
se grávida do segundo filho do casal, estando no sexto
mês de gestação. Ocorre que, por divergências
pessoais, o casal decide se divorciar e se dirige a um
escritório de advocacia, onde demonstram consenso
quanto à partilha de bens comuns e ao pagamento de
pensão alimentícia, inexistindo quaisquer outras
questões de cunho pessoal ou patrimonial.
Assinale a opção que apresenta a orientação jurídica correta
a ser prestada ao casal.
A - Inexistindo conflito de interesses quanto à partilha de
bens comuns, Aline e Alfredo poderão ingressar com o
pedido de divórcio pela via extrajudicial, desde que estejam
devidamente assistidos por advogado ou defensor público.
B - Aline e Alfredo deverão ingressar com ação judicial de
divórcio, uma vez que a existência de nascituro impede a
realização de divórcio consensual pela via extrajudicial, ou
seja, por escritura pública.
C - O divórcio consensual de Aline e Alfredo somente
poderá ser homologado após a partilha de bens do casal.
D - A partilha deverá ser feita mediante ação judicial,
embora o divórcio possa ser realizado extrajudicialmente.
COMENTÁRIO:Conforme o artigo 733, segundo o qual: “O
divórcio consensual, a separação consensual e a extinção
consensual de união estável, não havendo nascituro ou
filhos incapazes e observados os requisitos legais, poderão
ser realizados por escritura pública, da qual constarão as
disposições de que trata o art. 731.”
130) Jorge administra cinco apartamentos de Marina. Ele
recebe os valores relativos à locação dos referidos
bens, realiza os pagamentos inerentes aos imóveis
(condomínio, IPTU), abate o valor pela prestação de
serviços e repassa o saldo residual a Marina, mediante
depósito em conta corrente, titularizada pela
contratante.
Contudo, nos últimos dez meses, Jorge tem deixado de
fornecer os relatórios mensais acerca da despesa e receita.
Incomodada, Marina o questiona acerca da omissão, que
nada faz.
Diante desse cenário, Marina procura um advogado, que,
com o objetivo de obter os relatórios, deve ajuizar
A - Ação de Execução, fundada em título extrajudicial
consubstanciado no acerto verbal havido entre as partes.
B - Ação de Reintegração de Posse dos imóveis
administrados por Jorge.
C - Ação de Exigir Contas, para que Jorge forneça os
relatórios.
D - Ação de Consignação de Pagamento, objetivando que
Jorge consigne os relatórios em Juízo.
COMENTÁRIO:Aquele que administra bens, valores ou
interesses de outras pessoas é obrigado a prestar contas,
ou seja, elaborar uma relação pormenorizada das receitas e
despesas no desenvolvimento da administração. Quando
assim não procede o titular dos bens, valores ou interesses
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pode propor a ação de exigir contas (art. 550, caput, CPC),
cujo objetivo é condenar à prestação das contas (obrigação
de fazer) e proceder ao acertamento das receitas e
despesas com vistas à condenação ao pagamento do saldo
residual (obrigação de pagar) (Daniel Amorim Assumpção
Neves, Manual de Direito Processual Civil, 9ª Ed.,
JusPodivm, 2017, p. 927).
Art. 550. Aquele que afirmar ser titular do direito de exigir
contas requererá a citação do réu para que as preste ou
ofereça contestação no prazo de 15 (quinze) dias.
131) Pedro, munido de documento comprobatório de
vínculo jurídico de prestação de serviço com Carlos e,
esgotadas todas as possibilidades consensuais para
tentar exigir o cumprimento da obrigação, promove
ação observando o rito especial monitório.
Citado, Carlos oferece embargos, apontando em preliminar,
que o rito da ação monitória não é adequado para pleitear
cumprimento de obrigação de fazer e, no mérito, alega
exceção de contrato não cumprido. Oferta, ainda,
reconvenção, cobrando os valores supostamente devidos.
Diante da situação hipotética, sobre os posicionamentos
adotados por Carlos, assinale a afirmativa correta.
A - A preliminar apontada por Carlos nos embargos deve
ser acolhida, pois é vedado pleitear cumprimento de
obrigação de fazer por intermédio de ação monitória.
B - A reconvenção deve ser rejeitada, em virtude do
descabimento dessa forma de resposta em ação monitória.
C - A preliminar indicada por Carlos não deve prosperar,
tendo em vista que é possível veicular em ação monitória
cumprimento de obrigação de fazer.
D - A forma correta de oferecer defesa em ação monitória é
via contestação, sendo assim, os embargos ofertados por
Carlos devem ser rejeitados.
COMENTÁRIO:CC, art. 700. A ação monitória pode ser
proposta por aquele que afirmar, com base em prova
escrita sem eficácia de título executivo, ter direito de
exigir do devedor capaz:
III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não
fazer. (A) e (C)
Art. 702. Independentemente de prévia segurança do juízo,
o réu poderá opor, nos próprios autos, no prazo previsto no
art. 701, embargos à ação monitória. (D) § 6o Na ação
monitória admite-se a reconvenção (B), sendo vedado o
oferecimento de reconvenção à reconvenção.
Gabarito: Procedimentos Especiais
127 128 129 130 131
B D B C C
Formação do Processo ePetição Inicial
132)Em razão da realização de obras públicas de
infraestrutura em sua rua, que envolveram o manejo de
retro escavadeiras e britadeiras, a residência de Daiana
acabou sofrendo algumas avarias. Daiana ingressou
com ação judicial em face do ente que promoveu as
obras, a fim de que este realizasse os reparos
necessários em sua residência. Citado o réu, este
apresentou a contestação.
Contudo, antes do saneamento do processo, diante do mal
estar que vivenciou, Daiana consultou seu advogado a
respeito da possibilidade de, na mesma ação, adicionar
pedido de condenação em danos morais.
Considerando o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - É possível o aditamento, uma vez que, até o
saneamento do processo, é permitido alterar ou aditar o
pedido sem o consentimento do réu.
B - Não é possível o aditamento, uma vez que o réu foi
citado e apresentou contestação.
C - É possível o aditamento, eis que, até o saneamento do
processo, é permitido aditar ou alterar o pedido, desde que
com o consentimento do réu.
D - É possível o aditamento, porquanto, até a prolação da
sentença, é permitido alterar ou aditar o pedido, desde que
não haja recusa do réu.
COMENTÁRIO:CPC; Art. 329 - O autor poderá:
I – até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de
pedir, independentemente de consentimento do réu;
II – até o saneamento do processo, aditar ou alterar o
pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu,
assegurado o contraditório mediante a possibilidade de
manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias,
facultado o requerimento de prova suplementar.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à
reconvenção e à respectiva causa de pedir.
É preciso impor a si mesmo algumas metas para se ter a
coragem de alcançá-las.
133) Márcia está muito doente e necessita fazer uso
contínuo do medicamento XYZ para sobreviver. Embora,
durante os últimos anos, tenha obtido os medicamentos
no único hospital públicoda cidade em que reside, foi
informada de que aquela era a última caixa e que, no
mês seguinte, o medicamento não seria mais fornecido
pela rede pública.
Diante de tal circunstância, desejando obter o fornecimento
do medicamento, Márcia procura você, como advogado(a),
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para elaborar a petição inicial e ajuizar a demanda que
obrigue o Poder Público ao fornecimento do medicamento
XYZ. A petição inicial distribuída trouxe o pedido de
medicamentos em caráter antecedente e tão somente a
indicação do pedido de tutela final, expondo na lide o direito
que busca realizar e o perigo de danos à saúde de Márcia.
A respeito do caso mencionado, assinale a afirmativa
correta.
A- O(A) advogado(a) de Márcia fez uso da denominada
tutela da evidência, em que se requer a demonstração do
perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo.
B - O procedimento adotado está equivocado, pois a
formulação completa da causa de pedir e do pedido final é
requisito do requerimento de tutela antecedente.
C - O(A) advogado(a) agiu corretamente, sendo possível a
formulação de requerimento de tutela antecipada
antecedente para o fornecimento de medicamento.
D - Ocorrerá o indeferimento de plano da petição inicial,
caso o juiz entenda que não há elementos para a concessão
da tutela antecipada.
COMENTÁRIO:CPC; Artigo 303 - Nos casos em que a
urgência for contemporânea à propositura da ação, a
petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela
antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com a
exposição da lide, do direito que se busca realizar e do
perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo.
Gabarito: Formação do Processo e Petição Inicial
132 133
C C
Audiência Preliminar de Conciliação ou Mediação
134) Carolina foi citada para comparecer com seu
advogado ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos
(CEJUSC) da comarca da capital, para Audiência de
Mediação (Art. 334 do CPC), interessada em
restabelecer o diálogo com Nestor, seu ex-marido. O
fato de o advogado de seu ex-cônjuge conversar
intimamente com o mediador Teófilo, que asseverava
ter celebrado cinco acordos na qualidade de mediador
na última semana, retirou sua concentração e a deixou
desconfiada da lisura daquela audiência. Não tendo sido
possível o acordo nessa primeira oportunidade, foi
marcada uma nova sessão de mediação para buscar a
composição entre as partes, quinze dias mais tarde.
Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A - Carolina pode comparecer sem seu advogado na
próxima sessão de mediação.
B - O advogado só pode atuar como mediador no CEJUSC
se realizar concurso público específico para integrar quadro
próprio do tribunal.
C - Pode haver mais de uma sessão destinada à conciliação
e à mediação, não podendo exceder 2 (dois) meses da data
de realização da primeira sessão, desde que necessária(s)
à composição das partes.
D - O mediador judicial pode atuar como advogado da parte
no CEJUSC, pois o CPC apenas impede o exercício da
advocacia nos juízos em que desempenhe suas funções.
COMENTÁRIO:CPC, art. 334, § 2º: "Poderá haver mais de
uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não
podendo exceder a 2 (dois) meses da data de realização da
primeira sessão, desde que necessárias à composição das
partes".
135)Maria ajuizou ação em face de José, sem mencionar, na
inicial, se pretendia ou não realizar audiência de
conciliação ou mediação. Assim, o juiz designou a
referida audiência, dando ciência às partes. O réu
informou ter interesse na realização de tal audiência,
enquanto Maria, devidamente intimada, quedou-se
silente. Chegado o dia da audiência de conciliação,
apenas José, o réu, compareceu.
A respeito do caso narrado, assinale a opção que apresenta
possível consequência a ser suportada por Maria.
A - Não existem consequências previstas na legislação pela
ausência da autora à audiência de conciliação ou mediação.
B - Caso não compareça, nem apresente justificativa pela
ausência, Maria será multada em até 2% da vantagem
econômica pretendida ou do valor da causa.
C - Diante da ausência da autora à audiência de conciliação
ou mediação, o processo deverá ser extinto.
D - Diante da ausência da autora à audiência de conciliação
ou mediação, as alegações apresentadas pelo réu na
contestação serão consideradas verdadeiras.
COMENTÁRIO:De acordo com o §8º, do art. 334, do
CPC/15, o não comparecimento injustificado do autor ou do
réu à audiência de conciliação é considerado ato atentatório
à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até
dois por cento da vantagem econômica pretendida ou do
valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado.
136) Diego e Thaís, maiores e capazes, ambos sem filhos,
são formalmente casados pelo regime legal da
comunhão parcial de bens. Ocorre que, devido a
problemas conjugais e divergências quanto à divisão do
patrimônio comum do casal, o matrimônio teve fim de
forma conturbada, o que motivou Thaís a ajuizar ação
de
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divórcio litigioso cumulada com partilha de bens em
face do ex-cônjuge.
Na petição inicial, a autora informa que tem interesse na
realização de audiência de conciliação ou de mediação.
Diego, regularmente citado, busca orientação jurídica sobre
os possíveis desdobramentos da demanda ajuizada por sua
ex-cônjuge.
Na qualidade de advogado(a) de Diego, assinale a opção
que apresenta os esclarecimentos corretos que foram
prestados.
A - Diego, ainda que de forma injustificada, possui a
faculdade de deixar de comparecer à audiência
regularmente designada para fins de solução consensual do
conflito, não sofrendo qualquer sanção processual em
virtude da ausência.
B - Descabe, no processo contencioso de divórcio ajuizado
por Thaís, a solução consensual da controvérsia, uma vez
que o direito em questão possui feição extra patrimonial e,
portanto,indisponível.
C - Ante a existência de vínculo prévio entre as partes, a
audiência a ser realizada para fins de auto composição
entre Diego e Thaís deverá ser conduzida por um
conciliador, que poderá sugerir soluções para o litígio,
vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou
intimidação.
D - A partir de requerimento que venha a ser formulado por
Diego e Thaís, o juiz pode determinar a suspensão do
processo enquanto os litigantes se submetem à mediação
extrajudicial.
COMENTÁRIO:Art. 694. Nas ações de família, todos os
esforços serão empreendidos para a solução consensual da
controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de
profissionais de outras áreas de conhecimento para a
mediação e conciliação.
Parágrafo único. A requerimento das partes, o juiz pode
determinar a suspensão do processo enquanto os litigantes
se submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento
multidisciplinar.
137)Marina propôs ação de reconhecimento e extinção de
união estável em face de Caio, que foi regularmente
citado para comparecer à audiência de mediação. Sobre
a audiência de mediação, assinale a afirmativa correta.
A - Se houver interesse de incapaz, o Ministério Público
deverá ser intimado a comparecer à audiência de mediação.
B - É faculdade da parte estar acompanhada de advogado
ou defensor público à audiência.
C - Em virtude do princípio da unidade da audiência,
permite-se apenas uma única sessão de mediação que, se
restar frustrada sem acordo, deverá ser observado o
procedimento comum.
D - É licito que, para a realização de mediação extrajudicial,
Marina e Caio peçam a suspensão do processo.
COMENTÁRIO:Art. 313. Suspende-se o
processo: II - pela convenção das partes;
138) Almir ingressa com ação pelo procedimento comum
em face de José, pleiteando obrigação de fazer
consistente na restauração do sinteco aplicado no piso
de seu apartamento, uma vez que, dias após a
realização do serviço ter sido concluída, o verniz
começou a apresentar diversas manchas irregulares.
Em sua inicial, afirma ter interesse na auto composição. O
juiz da causa, verificando que a petição inicial preenche os
requisitos essenciais, não sendo caso de improcedência
liminar do pedido, designa audiência de conciliação a ser
realizada dentro de 60 (sessenta) dias, promovendo, ainda,
a citação do réu com 30 (trinta) dias de antecedência.
Com base na legislação processual aplicável ao caso
apresentado, assinale a afirmativa correta.
A - Caso Almir e José cheguem a um acordo durante a
audiência de conciliação, a auto composição obtida será
reduzida a termo pelo conciliador e, independentemente da
sua homologação pelo magistrado, já constitui título
executivo judicial, bastando que o instrumento seja
referendado pelos advogados dos transatores ou por
conciliador credenciado junto ao tribunal.
B - Agiu equivocadamente o magistrado, uma vez que o
CPC/15 prevê a imprescindibilidade do prévio oferecimento
de contestação por José, no prazo de 15 (quinze) dias úteis
a serem contados de sua citação e antes da designação da
audiência conciliatória, sob pena de vulnerar o princípio
constitucional da ampla defesa e do contraditório, também
reproduzido na legislação adjetiva.
C - Caso Almir, autor da ação, deixe de comparecer
injustificadamente à audiência de conciliação, tal ausência é
considerada pelo CPC/15 como ato atentatório à dignidade
da justiça, sendo sancionado com multa de até dois por
cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da
causa, revertida em favor do Estado.
D - Almir e José não precisam comparecer à audiência de
conciliação acompanhados por seus advogados, uma vez
que, nessa fase processual, a relação processual ainda não
foi integralmente formada e não há propriamente uma lide, a
qual apenas surgirá quando do oferecimento da contestação
pelo réu.
COMENTÁRIO:Nos termos do art. 334, §8º, CPC: "O não
comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência
de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da
justiça e será sancionado com multa de até dois por cento
da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa,
revertida em favor da União ou do Estado."
139) Leilane, autora da ação de indenização por danos
morais, proposta em face de Carlindo na 5ª Vara
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Cível da comarca da capital, informou, em sua petição
inicial, que não possuía interesse na audiência de
conciliação prevista no Art. 334 do CPC/15. Mesmo
assim, o magistrado marcou a audiência de conciliação
e ordenou a citação do réu.
O réu, regularmente citado, manifestou interesse na
realização da referida audiência, na qual apenas o réu
compareceu. O juiz, então, aplicou à autora a multa de 2%
sobre o valor da causa.
Sobre o procedimento do magistrado, a partir do caso
apresentado, assinale a afirmativa correta.
A - O magistrado não deveria ter marcado a audiência de
conciliação, já que a autora informou, em sua petição inicial,
que não possuía interesse.
B - O magistrado agiu corretamente, tendo em vista que a
conduta da autora se caracteriza como um ato atentatório à
dignidade da justiça.
C - O magistrado deveria ter declarado o processo extinto
sem resolução do mérito, e a multa não possui fundamento
legal.
D - A manifestação de interesse do réu na realização da
referida audiência pode ser feita em até 72 horas antes da
sua realização.
COMENTÁRIO:Art. 334, §8º - O não comparecimento do
autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado
UM ATO ATENTATÓRIO À DIGNIDADE DA JUSTIÇA e
será sancionado uma multa de até 2% da vantagem
econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em
favor da União ou do Estado.
140) Distribuída a ação, Antônia (autora) é intimada para a
audiência de conciliação na pessoa de seu advogado.
Explicado o objetivo desse ato pelo advogado, Antônia
informa que se recusa a participar da audiência porque
não tem qualquer possibilidade de conciliação com
Romero (réu).
Acerca da audiência de conciliação ou de mediação, com
base no CPC/15, assinale a afirmativa correta.
A - Romero deverá ser citado para apresentar defesa com,
pelo menos, 15 (quinze) dias de antecedência.
B - A audiência não será realizada, uma vez que Antônia
manifestou expressamente seu desinteresse pela
conciliação.
C - Ainda que ambas as partes manifestem desinteresse na
conciliação, quando a matéria não admitir autocomposição,
a audiência de conciliação ocorrerá normalmente.
D - Antônia deve ser informada que o seu não
comparecimento é considerado ato atentatório à dignidade
da justiça, sob pena de multa.
COMENTÁRIO:De acordo com o art. 334, §8º do CPC, o
não comparecimento injustificado do autor ou do réu à
audiência de conciliação é considerado ato atentatório à
dignidade da justiça e será sancionado com multa de até 2%
da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa,
revertida em favor da União ou do Estado.
Gabarito: Audiência Preliminar de Conciliação
ou Mediação
134 135 136 137 138
C B D D C
139 140
B D
Direito Penal
Crimes em Espécie
141) Cristiane, revoltada com a traição de seu marido,
Pedro, decide matá-lo. Para tanto, resolve esperar que
ele adormeça para, durante a madrugada, acabar com
sua vida. Por volta das 22h, Pedro deita para ver futebol
na sala da residência do casal. Quando chega à sala,
Cristiane percebe que Pedro estava deitado sem se
mexer no sofá. Acreditando estar dormindo, desfere 10
facadas em seu peito. Nervosa e arrependida, liga para
o hospital e, com a chegada dos médicos, é informada
que o marido faleceu. O laudo de exame cadavérico,
porém, constatou que Pedro havia falecido momentos
antes das facadas em razão de um infarto fulminante.
Cristiane, então, foi denunciada por tentativa de
homicídio.
Você, advogado(a) de Cristiane, deverá alegar em seu favor
a ocorrência de
A - crime impossível por absoluta impropriedade do
objeto. B - desistência voluntária.
C - arrependimento eficaz.
D - crime impossível por ineficácia do meio.COMENTÁRIO:A hipótese narrada é típico caso de crime
impossível. Aplica-se a regra do art. 17 do Código Penal:
“Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do
meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível
consumar-se o crime”. Há, destarte, duas hipóteses para o
crime ser impossível: a) por ineficácia absoluta do meio:
meio é aquilo que se emprega para a prática do delito (v. g.
tentar matar alguém com revólver de plástico); ou b) por
absoluta impropriedade do objeto: objeto material é a
pessoa ou a coisa sobre a qual incide a conduta ilícita (v. g.
tentar matar um cadáver). Cristiane, destarte, não poderia
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matar Pedro, pois ele já se encontrava morto antes de ser
atingido pelas facadas. Houve crime impossível por absoluta
impropriedade do objeto.
142)Durante um assalto a uma instituição bancária, Antônio
e Francisco, gerentes do estabelecimento, são feitos
reféns. Tendo ciência da condição deles de gerentes e
da necessidade de que suas digitais fossem inseridas
em determinado sistema para abertura do cofre, os
criminosos colocam, à força, o dedo de Antônio no local
necessário, abrindo, com isso, o cofre e subtraindo
determinada quantia em dinheiro. Além disso, sob a
ameaça de morte da esposa de Francisco, exigem que
este saia do banco, levando a sacola de dinheiro
juntamente com eles, enquanto apontam uma arma de
fogo para os policiais que tentavam efetuar a prisão dos
agentes.
Analisando as condutas de Antônio e Francisco, com base
no conceito tripartido de crime, é correto afirmar que
A - Antônio não responderá pelo crime por ausência de
tipicidade, enquanto Francisco não responderá por ausência
de ilicitude em sua conduta.
B - Antônio não responderá pelo crime por ausência de
ilicitude, enquanto Francisco não responderá por ausência
de culpabilidade em sua conduta.
C - Antônio não responderá pelo crime por ausência de
tipicidade, enquanto Francisco não responderá por ausência
de culpabilidade em sua conduta.
D - Ambos não responderão pelo crime por ausência de
culpabilidade em suas condutas.
COMENTÁRIO:
# DICA:Coação física irresistível -----> Exclui a
Tipicidade Coação moral irresistível -----> Exclui a
culpabilidade
143) Isadora, mãe da adolescente Larissa, de 12 anos de
idade, saiu um pouco mais cedo do trabalho e, ao
chegar à sua casa, da janela da sala, vê seu
companheiro, Frederico, mantendo relações sexuais
com sua filha no sofá. Chocada com a cena, não teve
qualquer reação. Não tendo sido vista por ambos,
Isadora decidiu, a partir de então, chegar à sua
residência naquele mesmo horário e verificou que o fato
se repetia por semanas. Isadora tinha efetiva ciência
dos abusos perpetrados por Frederico, porém, muito
apaixonada por ele, nada fez. Assim, Isadora, sabendo
dos abusos cometidos por seu companheiro contra sua
filha, deixa de agir para impedi-los.
Nesse caso, é correto afirmar que o crime cometido por
Isadora é
A - omissivo impróprio.
B - omissivo próprio.
C - comissivo.
D - omissivo por comissão.
COMENTÁRIO:Cuida-se do típico caso de crime omissivo
impróprio, uma vez que a mãe (Isadora) tinha o dever legal
de agir a fim de impedir o resultado, logo, como deixou de
agir, irá responder como se estivesse praticado o crime,
embora não tenha, em tese, realizado os atos executórios.
Nesse sentido, aplica-se a regra do art. 13, § 2º, alínea "a",
do CP:
Art. 13, CP (...) § 2º - A omissão é penalmente relevante
quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da
ocorrência do resultado.
144)Odete é diretora de um orfanato municipal, responsável
por oitenta meninas em idade de dois a onze anos. Certo
dia Odete vê Elisabeth, uma das recreadoras contratada
pela Prefeitura para trabalhar na instituição, praticar ato
libidinoso com Poliana, criança de 9 anos, que ali estava
abrigada. Mesmo enojada pela situação que
presenciava, Odete achou melhor não intervir, porque
não desejava criar qualquer problema para si.
Nesse caso, tendo como base apenas as informações
descritas, assinale a opção correta.
A - Odete não pode ser responsabilizada penalmente,
embora possa sê-lo no âmbito cível e administrativo.
B - Odete pode ser responsabilizada pelo crime descrito no
Art. 244-A, do Estatuto da Criança e do Adolescente, verbis:
“Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no
caput do art. 2o desta Lei, à prostituição ou à exploração
sexual”.
C - Odete pode ser responsabilizada pelo crime de estupro
de vulnerável, previsto no Art. 217-A do CP, verbis: “Ter
conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor
de 14 (catorze) anos”.
D - Odete pode ser responsabilizada pelo crime de omissão
de socorro, previsto no Art. 135, do CP, verbis: “Deixar de
prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa
inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública”.
COMENTÁRIO:Perceba que Odete se omitiu de denunciar
Elisabeth e não só denunciar como evitar o resultado, pois
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Odete viu Elisabeth praticando ato libidinoso com a menor
vulnerável e não fez nada. Logo, é perfeito que nesta
situação seja aplicada a regra da relevância da omissão
prevista no § 2º do art. 13 do CP, pois neste caso a omissão
é penalmente relevante e em virtude disso Odete vai
responder pelo crime do art. 217-A c/c art. 13, § 2º, ambos
do CP, ainda que não tenha praticado o verbo núcleo do
tipo.
Por derradeiro, lembre-se que a omissão só tem relevância
causal quando presente o dever jurídico de agir. Ausente
este, não comete crime algum.
145)Assinale a opção correta, considerando a
jurisprudência do STJ e do STF.
A - O STJ não admite a aplicação do princípio da
bagatela no crime de furto, ainda que seja insignificante
o valor dos bens furtados.
B - O STF nega a possibilidade de se atribuir à
pessoa jurídica capacidade para a prática de crime
ambiental.
C - O uso de arma de brinquedo justifica aumento de
pena no caso de roubo.
D - O STJ não admite extinção da punibilidade
pela prescrição em perspectiva.
COMENTÁRIO:Súmula n. 438 do STJ reconhece ser
inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da
pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética,
independentemente da existência ou sorte do processo
penal.
Ao analisarem o HC n. 53.349, a Quinta Turma entendeu
que a extinção da punibilidade pela prescrição regula-se,
antes de transitar em julgado a sentença, pelo máximo da
pena prevista para o crime ou pela pena efetivamente
aplicada, depois do trânsito em julgado para a acusação,
conforme expressa previsão legal. Portanto, não existe
norma legal que autorize a extinção da punibilidade pela
prescrição em perspectiva.
146)É CORRETO que no crime progressivo há:
A - pluralidade de condutas delitivas encadeadas por uma
sequência causal e certa unidade de contexto, sendo a
posterior mais grave que a anterior, com desdobramento do
elemento subjetivo em momentos distintos;
B - um tipo penal, abstratamente considerado, que contém
implicitamente outro, o qual deve necessariamente ser
realizado para se alcançar o resultado;
C - o cometimento de duas infrações penais, sendo a
primeira menos grave que a segunda, a qual, por isso,
considera-se pós fato não punível;
D - o cometimento de duas ou mais infrações penais, num
mesmo contexto e contra a mesma vítima, com unidade de
desígnios.
COMENTÁRIO:
#MACETE:
CRIME PROGRESSIVO: Não ocorre mudança no dolo do
agente (desde o início da execução ele quer o resultado
mais grave). PROGRESSÃO CRIMINOSA:Ocorre
mudança no dolo agente (Ele queria o resultado
menosgrave e quandoalcança sua consumação, decide
praticar outro delito de maior gravidade).
147) Sobre o momento consumado do crime, assinale a
alternativa incorreta:
A - nos crimes materiais, a consumação ocorre com o
evento ou resultado;
B - nos crimes culposos, só há consumação com o
resultado naturalístico;
C - nos crimes formais a consumação ocorre com a própria
ação, já que não se exige o resultado naturalístico;
D - nos crimes omissivos impróprios, a consumação ocorre
com a simples omissão do agente.
COMENTÁRIO:Nos crimes comissivos por omissão ou
omissivos impróprios, o agente responde pelo resultado, e
não, pela simples omissão, uma vez que está é o meio pelo
qual o agente produziu o resultado.
148)De acordo com os postulados da teoria da imputação
objetiva, assinale a alternativa CORRETA:
A - para que ocorra a imputação objetiva da conduta típica
basta que o agente provoque uma situação de risco
juridicamente proibido, pouco importando a materialização
desse risco em resultado lesivo;
B - sendo a imputação objetiva tema afeto à tipicidade, a
atuação nos limites do risco permitido não é penalmente
típica, estando ausente o dês valor da conduta;
C - a imputação é excluída quando a conduta geradora do
resultado se configurar como uma ação que diminui o risco
existente ao invés de incrementá-lo;
D - não há imputação se a conduta geradora do resultado,
apesar de haver ocasionado um perigo relevante para o
bem jurídico, é considerada socialmente adequada.
COMENTÁRIO:A teoria da imputação objetiva foi
introduzida por Larenz e desenvolvida por Roxin e
contrapõe-se a teoria sinequa non. Apesar do nome, não se
confunde com a responsabilidade penal objetiva, pois a sua
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função é, ao contrário, limitar a responsabilidade penal,
evitando atribuição indevida e objetiva de um resultado
típico a alguém . Em uma perspectiva clássica, o tipo penal
apresentava apenas objetivos (realizava o tipo toda a vez
que alguém causava o resultado nele previsto). A
causalidade gerava a regressão ao infinito. Assim, a teoria
da imputação objetiva insere duas novas elementares no
tipo objetivo, que deixa de ser somente a causalidade:
- Causalidade - Criação de um risco proibido (nem toda a
ação perigosa é proibida pelo Direito) - Realização do risco
no resultado De acordo com as características da teoria da
imputação objetiva, não consegui entender o gabarito da
questão.
149) Em relação ao objeto jurídico e objeto material,
assinale a alternativa correta.
A - No crime de furto, o objeto jurídico é a coisa subtraída e
o objeto material é a propriedade.
B - No crime de homicídio, o objeto jurídico é a vida humana
e o objeto material é o instrumento utilizado para o crime.
C - No crime de falsidade documental, o objeto jurídico é a
fé pública e o objeto material é o documento falsificado.
D - No crime de prevaricação, o objeto jurídico é a
regularidade da administração pública e o objeto material é
o bem lesado.
COMENTÁRIO:
OBJETO JURÍDICO: bem ou interesse titulado
pela norma.
OBEJTO MATERIAL: o bem que suportou a ação.
150)Pretendendo matá-lo, Fulano coloca veneno no café de
Sicrano. Sem saber do envenenamento, Sicrano ingere
o café. Logo em seguida, Fulano, arrependido,
prescreve o antídoto a Sicrano, que sobrevive, sem
qualquer sequela. Diante disso, é correto afirmar que se
trata de hipótese de
A - crime impossível, pois o meio empregado por Fulano era
absolutamente ineficaz para obtenção do resultado
pretendido.
B - tentativa, pois o resultado não se consumou por
circunstâncias alheias à vontade de Fulano.
C - arrependimento posterior, pois o dano foi reparado por
Fulano até o recebimento da denúncia.
D - arrependimento eficaz, pois Fulano impediu
voluntariamente que o resultado se produzisse.
COMENTÁRIO:Arrependimento eficaz, irá ocorrer quando
o agente após executar todos atos lesivos, não deixa o
resultado se consumar, respondendo apenas pelos atos até
então praticados. Observação agente alvo do ato lesivo tem
que sobreviver, caso contrário não se configurar
Arrependimento eficaz.
Gabarito: Crimes em Espécie
141 142 143 144 145
A C A C D
146 147 148 149 150
B D A C D
Tipicidade
151)Yuri foi denunciado pela suposta prática de crime de
estupro qualificado em razão da idade da vítima, porque
teria praticado conjunção carnal contra a vontade de
Luana, de 15 anos, mediante emprego de grave ameaça.
No curso da instrução, Luana mudou sua versão e
afirmou que, na realidade, havia consentido na prática
do ato sexual, sendo a informação confirmada por Yuri
em seu interrogatório.
Considerando apenas as informações expostas, no
momento de apresentar alegações finais, a defesa técnica
de Yuri deverá pugnar por sua absolvição, sob o fundamento
de que o consentimento da suposta ofendida, na hipótese,
funciona como
A - causa supralegal de exclusão da ilicitude.
B - causa legal de exclusão da ilicitude.
C - fundamento para reconhecimento da atipicidade da
conduta.
D - causa supra legal de exclusão da culpabilidade.
COMENTÁRIO:O tipo penal do crime de Estupro, existe
justamente para punir o agente que obriga a vítima a praticar
relação sexual com o agente. Se a pessoa, maior de 14
anos, quiser praticar relação sexual com alguém, não existe
o crime do art. 213. Outrossim, não trata-se de estupro de
vulnerável (art. 217-A), no qual o entendimento é que se a
pessoa, mesmo querendo a conjunção carnal ou outro ato
libidinoso, for menor de 14 anos, o estupro resta
consumado. Na presente questão, Luana tem 15 anos e
consentiu com o ato sexual. Assim, o gabarito só pode ser a
letra C, pois excluindo o constrangimento + violência/grave
ameaça, não existe conduta criminosa.
152)Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após
realizado o parto, ela, sob influência do estado
puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no
intuito de matar Davi. No entanto, pensando tratar-se de
seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho
recém-nascido do casal Marta e Rogério, causando-lhe a
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morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo
crime de homicídio qualificado pela asfixia com causa
de aumento de pena pela idade da vítima.
Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de
Regina, em alegações finais da primeira fase do
procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer
A - o afastamento da qualificadora, devendo Regina
responder pelo crime de homicídio simples com causa de
aumento, diante do erro de tipo.
B - a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do
erro sobre a pessoa, não podendo ser reconhecida a
agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser
descendente da agente.
C - a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do
erro na execução (aberratio ictus), podendo ser reconhecida
a agravante de o crime ser contra descendente, já que são
consideradas as características de quem se pretendia
atingir.
D - a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do
erro sobre a pessoa, podendo ser reconhecida a agravante
de o crime ser contra descendente, já que são consideradas
as características de quem se pretendia atingir.
COMENTÁRIO:Desclassificação para o crime de
infanticídio
"Se a mãe mata outra criança imaginando que é o próprio
filho, responde por infanticídio, uma vez que não se
consideram, nesse caso, as condições ou qualidades da
vítima (vítima real), senão as da pessoa (vítima virtual)
contra quem o agente queria praticar o crime"_ Alexandre
Salim e Marcelo André de Azevedo.
Agravante
Não poderá ser reconhecida a agravante, pois o fato de o
crime ser cometido contra descendente já configura
elementar do tipo penal de infanticídio, do contrário estaria
configurado o bis in idem.
153) Enquanto assistia aum jogo de futebol em um bar,
Francisco começou a provocar Raul, dizendo que seu
clube, que perdia a partida, seria rebaixado.
Inconformado com a indevida provocação, Raul, que
estava acompanhado de um cachorro de grande porte,
atiça o animal a atacar Francisco, o que efetivamente
acontece. Na tentativa de se defender, Francisco desfere
uma facada no cachorro de Raul, o qual vem a falecer. O
fato foi levado à autoridade policial, que instaurou
inquérito para apuração.
Francisco, então, contrata você, na condição de
advogado(a), para patrocinar seus interesses.
Considerando os fatos narrados, com relação à
conduta praticada por Francisco, você, como advogado(a),
deverá esclarecer que seu cliente
A - não poderá alegar qualquer excludente de ilicitude, em
razão de sua provocação anterior.
B - atuou escorado na excludente de ilicitude da legítima
defesa.
C - praticou conduta atípica, pois a vida do animal não é
protegida penalmente.
D - atuou escorado na excludente de ilicitude do estado de
necessidade.
COMENTÁRIO:Art. 25 do CP. A legitima defesa somente
pode ser alegada contra agressão de um ser humano e, no
caso de ataque de animal, configura-se o Estado de
Necessidade. PORÉM, no caso da questão, o cão foi usado
como instrumento para cometimento do crime, assim
entende-se que a agressão se originou de um ser humano o
que viabiliza a legitima defesa.
Por quê a legítima defesa só é possível contra a ação de
um ser humano?
O art. 25 do CP diz "...injusta agressão" e segunda a
doutrina, a exemplo de Cleber Masson: Agressão é toda
ação ou omissão humana, consciente e voluntária, que lesa
ou expõe a perigo de lesão um bem ou interesse
consagrado pelo ordenamento jurídico. Portanto, agressão
exige consciência e voluntariedade, qualidade essas que
animais e coisas não possuem.
154)Durante a madrugada, Lucas ingressou em uma
residência e subtraiu um computador. Quando se
preparava para sair da residência, ainda dentro da casa,
foi surpreendido pela chegada do proprietário.
Assustado, ele o empurrou e conseguiu fugir com a
coisa subtraída.
Na manhã seguinte, arrependeu-se e resolveu devolver a
coisa subtraída ao legítimo dono, o que efetivamente veio a
ocorrer. O proprietário, revoltado com a conduta anterior de
Lucas, compareceu em sede policial e narrou o ocorrido.
Intimado pelo Delegado para comparecer em sede policial,
Lucas, preocupado com uma possível responsabilização
penal, procura o advogado da família e solicita
esclarecimentos sobre a sua situação jurídica, reiterando
que já no dia seguinte devolvera o bem subtraído.
Na ocasião da assistência jurídica, o(a) advogado(a) deverá
informar a Lucas que poderá ser reconhecido(a)
A - a desistência voluntária, havendo exclusão da tipicidade
de sua conduta.
B - o arrependimento eficaz, respondendo o agente apenas
pelos atos até então praticados.
C - o arrependimento posterior, não sendo afastada a
tipicidade da conduta, mas gerando aplicação de causa de
diminuição de pena.
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D - a atenuante da reparação do dano, apenas, não sendo,
porém, afastada a tipicidade da conduta.
COMENTÁRIO:Não ocorreu desistência voluntária porque o
agente não desistiu de prosseguir na execução do crime e
foi até o final do iter criminis.
Não ocorreu arrependimento eficaz porque o agente não
impediu a produção do resultado ou a sua consumação.
Não ocorreu arrependimento posterior pois esse instituto só
se aplica aos crimes praticados sem violência ou grave
ameaça. O fato de o agente ter empurrado o proprietário ao
ser surpreendido com sua chegada e fugido logo em
seguida configura o crime de roubo impróprio, ou seja, o
furto que se tornou roubo.
O instituto do arrependimento posterior é incompatível com
o crime de roubo em qualquer de suas modalidades.
155)Após discussão em uma casa noturna, Jonas, com a
intenção de causar lesão, aplicou um golpe de arte
marcial em Leonardo, causando fratura em seu braço.
Leonardo, então, foi encaminhado ao hospital, onde
constatou-se a desnecessidade de intervenção cirúrgica
e optou-se por um tratamento mais conservador com
analgésicos para dor, o que permitiria que ele
retornasse às suas atividades normais em 15 dias. A
equipe médica, sem observar os devidos cuidados
exigidos, ministrou o remédio a Leonardo sem observar
que era composto por substância à qual o paciente
informara ser alérgico em sua ficha de internação. Em
razão da medicação aplicada, Leonardo sofreu choque
anafilático, evoluindo a óbito, conforme demonstrado
em seu laudo de exame cadavérico.
Recebidos os autos do inquérito, o Ministério Público
ofereceu denúncia em face de Jonas, imputando-lhe o crime
de homicídio doloso. Diante dos fatos acima narrados e
considerando o estudo da teoria da equivalência, o(a)
advogado(a) de Jonas deverá alegar que a morte de
Leonardo decorreu de causa superveniente
A - absolutamente independente, devendo ocorrer
desclassificação para que Jonas responda pelo crime de
lesão corporal seguida de morte.
B - relativamente independente, devendo ocorrer
desclassificação para o crime de lesão corporal seguida de
morte, já que a morte teve relação com sua conduta inicial.
C - relativamente independente, que, por si só, causou o
resultado, devendo haver desclassificação para o crime de
homicídio culposo.
D - relativamente independente, que, por si só, produziu o
resultado, devendo haver desclassificação para o crime de
lesão corporal, não podendo ser imputado o resultado
morte.
COMENTÁRIO:
Relação de causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do
crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido. [princípio da
intranscendência
Superveniência de causa independente
§ 1º - A superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só,
produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou.
156) No dia 05/03/2015, Vinícius, 71 anos, insatisfeito e
com ciúmes em relação à forma de dançar de sua
esposa, Clara, 30 anos mais nova, efetua disparos de
arma de fogo contra ela, com a intenção de matar.
Arrependido, após acertar dois disparos no peito da esposa,
Vinícius a leva para o hospital, onde ela ficou em coma por
uma semana. No dia 12/03/2015, porém, Clara veio a
falecer, em razão das lesões causadas pelos disparos da
arma de fogo. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério
Público ofereceu denúncia em face de Vinícius, imputando
lhe a prática do crime previsto no Art. 121, § 2º, inciso VI, do
Código Penal, uma vez que, em 09/03/2015, foi publicada a
Lei nº 13.104, que previu a qualificadora antes mencionada,
pelo fato de o crime ter sido praticado contra a mulher por
razão de ser ela do gênero feminino.
Durante a instrução da 1ª fase do procedimento do Tribunal
do Júri, antes da pronúncia, todos os fatos são confirmados,
pugnando o Ministério Público pela pronúncia nos termos da
denúncia. Em seguida, os autos são encaminhados ao(a)
advogado(a) de Vinícius para manifestação.
Considerando apenas as informações narradas, o(a)
advogado(a) de Vinicius poderá, no momento da
manifestação para a qual foi intimado, pugnar pelo imediato
A - reconhecimento do arrependimento eficaz.
B - afastamento da qualificadora do homicídio.
C - reconhecimento da desistência voluntária.
D - reconhecimento da causa de diminuição de pena da
tentativa.
COMENTÁRIO:Bastar observarmos as datas e lembrar de
um conceito básico sobre aplicação teoria da atividade e
leis penais no tempo.
Em relação ao tempo do crime, adotamos a teoria da
atividade, na qual considera-se praticado o crime no
momento da ação ou omissão, independente do
resultado. Assim, Vinícius atirou em sua esposa no dia
05/03/2015. A nova lei que traz em seu bojo uma
majorante foi publicada em 09/03/2015, portanto, posterior
ao crime cometido por Vinícius.
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É de se destacar que por tratar-se de NOVATIO LEGIS IN
PEJUS (para pior), não poderá retroagir para alcançar o
réu, lembrando que se fosse uma reforma para melhor,
NOVATIO LEGIS IN MELLIUS, é possível retroagir, nos
termos do CF, Art 5°. XL - a lei penal não retroagirá,
salvo para beneficiar o réu.
157) Talles, desempregado, decide utilizar seu
conhecimento de engenharia para fabricar máquina
destinada à falsificação de moedas. Ao mesmo tempo,
pega uma moeda falsa de R$ 3,00 (três reais) e, com
um colega também envolvido com falsificações, tenta
colocá-la em livre circulação, para provar o sucesso
da empreitada.
Ocorre que aquele que recebe a moeda percebe a falsidade
rapidamente, em razão do valor suspeito, e decide chamar a
Polícia, que apreende a moeda e o maquinário já fabricado.
Talles é indiciado pela prática de crimes e, já na Delegacia,
liga para você, na condição de advogado(a), para
esclarecimentos sobre a tipicidade de sua conduta.
Considerando as informações narradas, em conversa
sigilosa com seu cliente, você deverá esclarecer que a
conduta de Talles configura
A - atos preparatórios, sem a prática de qualquer delito.
B - crimes de moeda falsa e de petrechos para falsificação
de moeda.
C - crime de petrechos para falsificação de moeda, apenas.
D - crime de moeda falsa, apenas, em sua modalidade
tentada.
COMENTÁRIO:
Crime de petrechos para falsificação de moeda:
Diz o artigo 291 do Código Penal Brasileiro que fabricar,
adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou
guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer
objeto especialmente destinado à falsificação de moeda é
crime, sujeito a pena de reclusão de dois a seis anos e
multa.
Crime de moeda falsa de $ 3,00 não existe: Crime
impossível;
Art. 17 CP - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984).
158)Pretendendo causar unicamente um crime de dano em
determinado estabelecimento comercial, após
discussão com o gerente do local, Bruno, influenciado
pela ingestão de bebida alcoólica, arremessa uma
grande pedra em direção às janelas do estabelecimento.
Todavia, sua conduta imprudente fez com que a pedra
acertasse a cabeça de Vitor, que estava jantando no
local com sua esposa, causando sua morte. Por outro
lado, a janela do estabelecimento não foi atingida,
permanecendo intacta. Preocupado com as
consequências de seus atos, após indiciamento
realizado pela autoridade policial, Bruno procura seu
advogado para esclarecimentos.
Considerando a ocorrência do resultado diverso do
pretendido pelo agente, o advogado deve esclarecer que
Bruno tecnicamente será responsabilizado pela(s)
seguinte(s) prática(s) criminosa(s):
A - homicídio culposo e tentativa de dano, em concurso
material.
B - homicídio culposo, apenas.
C - homicídio culposo e tentativa de dano, em concurso
formal.
D - homicídio doloso, apenas.
COMENTÁRIO:Trata-se de um caso referente ao art. 74,
CP (Resultado Diverso do Pretendido): "(...) quando por
acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado
diverso do pretendido, o agente responde por CULPA, se o
fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o
resultado pretendido, aplica-se a refra do artigo 70 deste
Código (referente ao concurso formal de crimes)"
Como podemos observar, houve um erro na execução na
conduta de Bruno, que queria provocar um delito de dano,
mas acabou atingindo a cabeça de Vitor, permanecendo a
janela, que queria atingir, intacta. Assim, conforme o artigo
citado, Bruno deveria responder pelo que efetivamente
praticou, se o crime estiver previsto na modalidade culposa.
Destarte, conforme o artigo 121, §3º, CP: Se o homicídio é
culposo - Pena, detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
159) Laura, nascida em 21 de fevereiro de 2000, é inimiga
declarada de Lívia, nascida em 14 de dezembro de
1999, sendo que o principal motivo da rivalidade está
no fato de que Lívia tem interesse no namorado de
Laura.
Durante uma festa, em 19 de fevereiro de 2018, Laura vem
a saber que Lívia anunciou para todos que tentaria manter
relações sexuais com o referido namorado. Soube, ainda,
que Lívia disse que, na semana seguinte, iria desferir um
tapa no rosto de Laura, na frente de seus colegas, como
forma de humilhá-la. Diante disso, para evitar que as
ameaças de Lívia se concretizassem, Laura, durante a festa,
desfere facadas no peito de Lívia, mas terceiros intervêm e
encaminham Lívia diretamente para o hospital. Dois dias
depois, Lívia vem a falecer em virtude dos golpes sofridos.
Descobertos os fatos, o Ministério Público ofereceu
denúncia em face de Laura pela prática do crime de
homicídio qualificado.
Confirmados integralmente os fatos, a defesa técnica de
Laura deverá pleitear o reconhecimento da
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A - inimputabilidade da agente.
B - legítima defesa.
C - inexigibilidade de conduta diversa.
D - atenuante da menoridade relativa.
COMENTÁRIO:Laura nasceu no dia 21/02/2000, portanto
ainda era menor de 18 anos ao tempo do fato (19/02/2018):
Art. 27 do Código Penal: os menores de 18 (dezoito) anos
são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas
estabelecidas na legislação especial (ECA).
160)Com dificuldades financeiras para comprar o novo
celular pretendido, Vanessa, sem qualquer
envolvimento pretérito com aparato policial ou judicial,
aceita, a pedido de namorado de sua prima, que havia
conhecido dois dias antes, transportar 500 g de cocaína
de Alagoas para Sergipe. Apesar de aceitar a tarefa,
Vanessa solicitou comorecompensa R$ 5.000,00, já que
estava muito nervosa por nunca ter adotado qualquer
comportamento parecido.
Após a transferência do valor acordado, Vanessa esconde o
material entorpecente na mala de seu carro e inicia o
transporte da substância. Ainda no estado de Alagoas, 30
minutos depois, Vanessa é abordada por policiais e presa
em flagrante.
Após denúncia pela prática do crime de tráfico de drogas
com causa de aumento do Art. 40, inciso V, da Lei nº
11.343/06 (“caracterizado tráfico entre Estados da
Federação ou entre estes e o Distrito Federal”), durante a
instrução, todos os fatos são confirmados: Folha de
Antecedentes Criminais sem outras anotações, primeira vez
no transporte de drogas, transferência de valores, que o
bem transportado era droga e que a pretensão era entregar
o material em Sergipe.
Intimado da sentença condenatória nos termos da denúncia,
o advogado de Vanessa, de acordo com as previsões da Lei
nº 11.343/06 e a jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, deverá pleitear
A - o reconhecimento da causa de diminuição de pena do
tráfico privilegiado e reconhecimento da tentativa.
B - o afastamento da causa de aumento e o reconhecimento
da causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado.
C - o afastamento da causa de aumento, apenas.
D - o reconhecimento da causa de diminuição de pena do
tráfico privilegiado, apenas.
COMENTÁRIO:A questão se refere a três circunstâncias
que podem interferir na dosimetria da pena: (1) tentativa, (2)
privilégio e (3) aumento de pena pela interestadualidade.
Vejamos um a um.
(1) Tentativa - No caso, muito embora a ré tenha sido presa
em flagrante antes de transpor as fronteiras estaduais que
pretendia, não há como negar que efetivamente
TRANSPORTOU substância entorpecente. Inclusive, o fez
por mais de 30 minutos. Logo, como foi realizado um dos
verbos nucleares do crime de tráfico de drogas e estão
presentes todos os elementos (objetivo e subjetivo) do
referido delito, resta clara a sua consumação (vide art. 14, I,
do Código Penal). Sendo assim, revela-se INCABÍVEL a
redução de pena da tentativa.
(2) Privilégio – O tráfico privilegiado nada mais é do que um
crime de tráfico comum, cuja pena é reduzida de 1/6 até 2/3,se o agente for primário, de bons antecedentes, e não se
dedicar a atividades criminosas nem integrar organização
criminosa. A questão informa que a ré NÃO tem qualquer
envolvimento pretérito com aparato policial ou judicial e que
NUNCA tinha adotado qualquer conduta parecida. Além
disso, a questão informa que Vanessa apenas aceita
praticar o delito “a pedido de namorado de sua prima, que
havia conhecido dois dias antes”. Diante disso, não há
dúvidas de que a ré se adéqua a todos os requisitos do
tráfico privilegiado e FAZ JUS à correspondente diminuição
de pena.
(3) Aumento da interestadualidade – Prevê o art. 40, V, da
Lei 11.343/06 que a pena será aumentada de 1/6 até 2/3 se
caracterizado o tráfico entre estados da federação. Ocorre
que, conforme entendimento sumulado pelo STJ (súmula nº
587), para a incidência dessamajorante,
éDESNECESSÁRIA a efetiva transposição de fronteiras
entre estados da federação, sendo suficiente a
demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico
interestadual. Na presente questão, não há dúvidas de que
o dolo da ré é transportar a droga de Alagoas até Sergipe.
Conclui-se, então, ser perfeitamente CABÍVEL a causa de
aumento em tela, não sendo tecnicamente correto pleitear
pelo seu afastamento.
161) No dia 28 de agosto de 2011, após uma discussão no
trabalho quando todos comemoravam os 20 anos de
João, este desfere uma facada no braço de Paulo, que
fica revoltado e liga para a Polícia, sendo João preso
em flagrante pela prática do injusto de homicídio
tentado, obtendo liberdade provisória logo em seguida.
O laudo de exame de delito constatou a existência de
lesão leve. A denúncia foi oferecida em 23 de agosto de
2013 e recebida pelo juiz em 28 de agosto de 2013.
Finda a primeira fase do procedimento do Tribunal do
Júri, ocasião em que a vítima compareceu, confirmou
os fatos, inclusive dizendo acreditar que a intenção do
agente era efetivamente matá-la, e demonstrou todo seu
inconformismo com a conduta do réu, João foi
pronunciado, sendo a decisão publicada em 23 de
agosto de 2015, não havendo impugnação pelas partes.
Submetido a julgamento em sessão plenária em 18 de julho
de 2017, os jurados afastaram a intenção de matar,
ocorrendo em sentença, então, a desclassificação para o
crime de lesão corporal simples, que tem a pena máxima
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prevista de 01 ano, sendo certo que o Código Penal prevê
que a pena de 01 a 02 anos prescreve em 04 anos.
Na ocasião, você, como advogado(a) de João, considerando
apenas as informações narradas, deverá requerer que seja
declarada a extinção da punibilidade pela
A - decadência, por ausência de representação da vítima.
B - prescrição da pretensão punitiva, porque já foi
ultrapassado o prazo prescricional entre a data do fato e a
do recebimento da denúncia.
C - (prescrição da pretensão punitiva, porque já foi
ultrapassado o prazo prescricional entre a data do
oferecimento da denúncia e a da publicação da decisão de
pronúncia.
D - prescrição da pretensão punitiva, porque entre a data do
recebimento da denúncia e a do julgamento pelo júri
decorreu o prazo prescricional.
COMENTÁRIO:Lesão leve - art. 129, CP, tem a pena de
detenção de três meses a um ano. Logo, de acordo com o
art. 109, inciso V, a prescrição (antes de transitar em
julgado) se daria em 4 anos, pois o máximo da pena em
abstrato é igual a um ano.
Ocorre que, ainda temos que observar a idade do agente,
na data do fato, que era de 20 anos de idade. Dessa forma,
de acordo com o polêmico art. 115, CP, os prazos da
prescrição devem considerar a redução pela metade, pois o
agente era menor de 21 anos.
Assim, no presente caso, o recebimento da denúncia
deveria acontecer até dia 27/08/2013, pois ainda temos que
considerar o art. 10 do código penal: "O dia do começo
inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum."
162)Decidido a praticar crime de furto na residência de um
vizinho, João procura o chaveiro Pablo e informa do seu
desejo, pedindo que fizesse uma chave que
possibilitasse o ingresso na residência, no que foi
atendido. No dia do fato, considerando que a porta já
estava aberta, João ingressa na residência sem utilizar a
chave que lhe fora entregue por Pablo, e subtrai uma TV.
Chegando em casa, narra o fato para sua esposa, que o
convence a devolver o aparelho subtraído. No dia seguinte,
João atende à sugestão da esposa e devolve o bem para a
vítima, narrando todo o ocorrido ao lesado, que, por sua vez,
comparece à delegacia e promove o registro próprio.
Considerando o fato narrado, na condição de advogado(a),
sob o ponto de vista técnico, deverá ser esclarecido aos
familiares de Pablo e João que
A - nenhum deles responderá pelo crime, tendo em vista
que houve arrependimento eficaz por parte de João e, como
causa de excludente da tipicidade, estende-se a Pablo.
B - ambos deverão responder pelo crime de furto
qualificado, aplicando-se a redução de pena apenas a João,
em razão do arrependimento posterior.
C - ambos deverão responder pelo crime de furto
qualificado, aplicando-se a redução de pena para os dois,
em razão do arrependimento posterior, tendo em vista que
se trata de circunstância objetiva.
D - João deverá responder pelo crime de furto simples, com
causa de diminuição do arrependimento posterior, enquanto
Pablo não responderá pelo crime contra o patrimônio.
COMENTÁRIO:Art. 16, CP: Nos crimes cometidos sem
violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida
de um a dois terços.Pablo não responderá pelo crime, pois
sua "participação" (cópia da chave), não foi suficiente para
configurar o concurso de agentes, pois não houve a
RELEVÂNCIA CAUSAL DA CONDUTA, um dos requisitos
para o concurso de pessoas, que trata-se da relação de
causa e efeito entre cada conduta com o resultado (teoria
da equivalência dos antecedentes causais). Como
podemos observar, a chave não foi utilizada no crime, e,
portanto, não a nexo de causalidade.
-> DICA: Requisitos para o concurso de pessoas P.R.I.L -
Pluralidade de agentes; Relevância causal de cada
conduta; Identidade de infração penal e Liame subjetivo
entre os agentes.
163)Bárbara, nascida em 23 de janeiro de 1999, no dia 15 de
janeiro de 2017, decide sequestrar Felipe, por dez dias,
para puni-lo pelo fim do relacionamento amoroso.
No dia 16 de janeiro de 2017, efetivamente restringe a
liberdade do ex-namorado, trancando-o em uma casa e
mantendo consigo a única chave do imóvel. Nove dias após
a restrição da liberdade, a polícia toma conhecimento dos
fatos e consegue libertar Felipe, não tendo, assim, se
realizado, em razão de circunstâncias alheias, a restrição da
liberdade por dez dias pretendida por Bárbara.
Considerando que, no dia 23 de janeiro de 2017, entrou em
vigor nova lei, mais gravosa, alterando a sanção penal
prevista para o delito de sequestro simples, passando a
pena a ser de 01 a 05 anos de reclusão e não mais de 01 a
03 anos, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de
Bárbara, imputando-lhe a prática do crime do Art. 148 do
Código Penal (Sequestro e Cárcere Privado), na forma da
legislação mais recente, ou seja, aplicando-se, em caso de
condenação, pena de 01 a 05 anos de reclusão.
Diante da situação hipotética narrada, é correto afirmar que
o advogado de Bárbara, de acordo com a jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal, deverá pleitear
A - a aplicação do instituto da suspensão condicional do
processo.
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B - a aplicação da lei anterior mais benéfica, ou seja, a
aplicação da pena entre o patamar de 01 a 03 anos de
reclusão.
C - o reconhecimento da inimputabilidade da acusada, em
razão da idade.
D - o reconhecimento do crime em sua modalidade tentada.COMENTÁRIO:Art. 89, lei 9099/95 - Nos crimes em que a
pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano,
abrangidas ou não por esta Lei, Ministério Público, ao
oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do
processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não
esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por
outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicionada pena (artigo 77 do
Código Penal).
164)Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente
registrada em seu nome, que mantinha no interior da
residência sem adotar os cuidados necessários,
inclusive o de desmuniciá-la, acaba,acidentalmente, por
dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa
deste, Maria.
Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e
Maria sofreu lesão corporal e debilidade permanente de
membro.
Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura
para, na condição de advogado, orientá-lo acerca das
consequências do seu comportamento.
Na oportunidade, considerando a situação narrada, você
deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico, que ele
poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de
A - homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de
arma de fogo, em concurso formal.
B - homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso
formal.
C - homicídio culposo e lesão corporal culposa, em
concurso material.
D - homicídio culposo e lesão corporal culposa, em
concurso formal.
COMENTÁRIO:#DICA:Concurso Formal: 1 ação ou
omissão = 2 ou mais crimes
Concurso Material: + de 1 ação ou omissão = 2 ou mais
crimes
No caso hipotético, Pedro disparou com a arma de fogo
atingindo Júlio e Maria, ou seja, com uma só ação ele
praticou dois crimes - CONCURSO FORMAL. Como não
teve a intenção, responde culposamente pelo homicídio e
pela lesão corporal.
- Concurso Formal: Art. 70 - Quando o agente, mediante
uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplicasse-lhe a mais grave das penas
cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada,
em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas
aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de
desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo
anterior
- Concurso Material: Art. 69 - Quando o agente, mediante
mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas
privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de
aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção,
executa-se primeiro aquela.
165)Pedro, jovem rebelde, sai à procura de Henrique, 24
anos, seu inimigo, com a intenção de matá-lo, vindo a
encontrá-lo conversando com uma senhora de 68 anos
de idade. Pedro saca sua arma, regularizada e cujo porte
era autorizado, e dispara em direção ao rival. Ao mesmo
tempo, a senhora dava um abraço de despedida em
Henrique e acaba sendo atingida pelo disparo. Henrique,
que não sofreu qualquer lesão, tenta salvar a senhora,
mas ela falece.
Diante da situação narrada, em consulta técnica solicitada
pela família, deverá ser esclarecido pelo advogado que a
conduta de Pedro, de acordo com o Código Penal, configura
A - crime de homicídio doloso consumado, apenas, com
causa de aumento em razão da idade da vítima.
B - crime de homicídio doloso consumado, apenas, sem
causa de aumento em razão da idade da vítima.
C - crimes de homicídio culposo consumado e de tentativa
de homicídio doloso em relação a Henrique.
D - crime de homicídio culposo consumado, sem causa de
aumento pela idade da vítima.
COMENTÁRIO:No presente caso tivemos um homicídio
doloso consumado, pois houve erro na execução, na forma
do art. 73 do CP. Não há aumento de pena em razão da
agravante de ter sido praticado contra pessoa idosa, pois
consideram-se as condições pessoais da vítima visada, e
não as da vítima atingida, nos termos do art. 73 c/c art. 20,
§3º do CP.
166)Tony, a pedido de um colega, está transportando uma
caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem
ter conhecimento que estas, na verdade, continham
Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro lado,
José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa
L. (maconha), pois acreditava que poderia ter pequena
quantidade do material em sua posse para fins
medicinais. Ambos foram abordados por policiais e,
diante da apreensão das drogas, denunciados pela
prática do crime de tráfico de entorpecentes.
Considerando apenas as informações narradas, o
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advogado de Tony e José deverá alegar em favor dos
clientes, respectivamente, a ocorrência de
A - erro de tipo, nos dois casos.
B - erro de proibição, nos dois casos.
C - erro de tipo e erro de proibição.
D - erro de proibição e erro de tipo.
COMENTÁRIO:No primeiro caso temos erro de tipo,
previsto no art. 20 do CP, pois o agente praticou o fato típico
por incidir em ERRO sobre um dos elementos do tipo penal
(substância entorpecente), já que acredita que não se
tratava de substância entorpecente, e sim de remédio.
No segundo caso tivemos erro de proibição, pois o agente
sabia exatamente o que estava carregando, mas acreditava
que sua conduta era lícita perante o Direito Penal, ou seja,
trata-se de um erro sobre a existência ou limites da norma
penal. Portanto, ERRO DE PROIBIÇÃO, nos termos do art.
21 do CP.
167)Acreditando estar grávida, Pâmela, 18 anos,
desesperada porque ainda morava com os pais e eles
sequer a deixavam namorar, utilizando um instrumento
próprio, procura eliminar o feto sozinha no banheiro de
sua casa, vindo a sofrer, em razão de tal
comportamento, lesão corporal de natureza grave.
Encaminhada ao hospital para atendimento médico, fica
constatado que, na verdade, ela não se achava e nunca
esteve grávida. O Hospital, todavia, é obrigado a noticiar
o fato à autoridade policial, tendo em vista que a jovem
de 18 anos chegou ao local em situação suspeita,
lesionada. Diante disso, foi instaurado procedimento
administrativo investigatório próprio e, com o
recebimento dos autos, o Ministério Público ofereceu
denúncia em face de Pâmela pela prática do crime de
“aborto provocado pela gestante”, qualificado pelo
resultado de lesão corporal grave, nos termos dos Art.
124 c/c o Art. 127, ambos do Código Penal. Diante da
situação narrada, assinale a opção que apresenta a
alegação do advogado de Pâmela.
A - A atipicidade de sua conduta.
B - O afastamento da qualificadora, tendo em vista que esta
somente pode ser aplicada aos crimes de aborto provocado
por terceiro, com ou sem consentimento da gestante, mas
não para o delito de auto aborto de Pâmela.
C - A desclassificação para o crime de lesão corporal grave,
afastando a condenação pelo aborto.
D - O reconhecimento da tentativa do crime de aborto
qualificado pelo resultado.
COMENTÁRIO:A conduta, aqui, é atípica, em razão da
ABSOLUTA IMPROPRIEDADE DO OBJETO, nos termos do
art. 17 do CP, pois temos a figura do crime impossível. Isso
se dá porque, nessas circunstâncias, Pâmela JAMAIS
conseguiria alcançar o resultado pretendido (aborto), pois
nunca esteve grávida, e o primeiro pressuposto para o
praticar auto aborto é estar grávida.
Pâmela não irá responder, ainda, pela lesão corporal, eis
que a lesão foi provocada pela própria vítima, e o direito
penal não pune a autolesão.
168)No curso de uma assembleia de condomínio de prédio
residencial foram discutidos e tratados vários pontos. O
morador Rodrigo foi o designado para redigir a ata
respectiva, descrevendo tudo que foi discutido na
reunião. Por esquecimento, deixou de fazer constar
ponto relevante debatido, o que deixou Lúcio, um dos
moradores, revoltado ao receber cópia da ata.
Indignado, Lúcio promove o devido registro na
delegacia própria, comprovando que Rodrigo, com
aquela conduta, havia lhe causado grave prejuízo
financeiro.
Após oitiva dos moradores do prédio, em que todos
confirmaram que o tema mencionado por Lúcio,de fato, fora
discutido e não constava da ata, o Ministério Público
ofereceu denúncia em face de Rodrigo, imputando-lhe a
prática do crime de falsidade ideológica de documento
público.
Considerando que todos os fatos acima destacados foram
integralmente comprovados no curso da ação, o(a)
advogado(a) de Rodrigo deverá alegar que
A - ele deve ser absolvido por respeito ao princípio da
correlação, já que a conduta por ele praticada melhor se
adequa ao crime de falsidade material, que não foi descrito
na denúncia.
B - sua conduta deve ser desclassificada para crime de
falsidade ideológica culposa.
C - a pena a ser aplicada, apesar da prática do crime de
falsidade ideológica, é de 01 a 03 anos de reclusão, já que a
ata de assembleia de condomínio é documento particular e
não público.
D - ele deve ser absolvido por atipicidade da
conduta. COMENTÁRIO:
Falsidade ideológica
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular,
declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer
inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita,
com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a
verdade sobre fato juridicamente relevante:
O crime de falsidade ideológica exige, que a conduta do
agente seja praticada com o específico fim de “prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato
juridicamente relevante”, nos termos do art. 299 do CP. Em
tendo havido mero esquecimento, não há que se falar no
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crime de falsidade ideológica, motivo pelo qual a conduta é
atípica.
Gabarito: Tipicidade
151 152 153 154 155
C B B D D
156 157 158 159 160
B C B A D
161 162 163 164 165
B D A D B
166 167 168
C A D
Crime Consumado e Tentativa
169)No dia 05/03/2015, Vinícius, 71 anos, insatisfeito e com
ciúmes em relação à forma de dançar de sua esposa,
Clara, 30 anos mais nova, efetua disparos de arma de
fogo contra ela, com a intenção de matar.
Arrependido, após acertar dois disparos no peito da esposa,
Vinícius a leva para o hospital, onde ela ficou em coma por
uma semana. No dia 12/03/2015, porém, Clara veio a
falecer, em razão das lesões causadas pelos disparos da
arma de fogo. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério
Público ofereceu denúncia em face de Vinícius, imputando
lhe a prática do crime previsto no Art. 121, § 2º, inciso VI, do
Código Penal, uma vez que, em 09/03/2015, foi publicada a
Lei nº 13.104, que previu a qualificadora antes mencionada,
pelo fato de o crime ter sido praticado contra a mulher por
razão de ser ela do gênero feminino.
Durante a instrução da 1ª fase do procedimento do Tribunal
do Júri, antes da pronúncia, todos os fatos são confirmados,
pugnando o Ministério Público pela pronúncia nos termos da
denúncia. Em seguida, os autos são encaminhados ao(a)
advogado(a) de Vinícius para manifestação.
Considerando apenas as informações narradas, o(a)
advogado(a) de Vinicius poderá, no momento da
manifestação para a qual foi intimado, pugnar pelo imediato
A - reconhecimento do arrependimento eficaz.
B - afastamento da qualificadora do homicídio.
C - reconhecimento da desistência voluntária.
D - reconhecimento da causa de diminuição de pena da
tentativa.
COMENTÁRIO:CF, Art 5°. XL - a lei penal não retroagirá,
salvo para beneficiar o réu; Isso pro DIREITO MATERIAL
#Tomecuidado pois no processo penal.CPP Art. 2 A lei
processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da
validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
170)Talles, desempregado, decide utilizar seu conhecimento
de engenharia para fabricar máquina destinada à
falsificação de moedas. Ao mesmo tempo, pega uma
moeda falsa de R$ 3,00 (três reais) e, com um colega
também envolvido com falsificações, tenta colocá-la em
livre circulação, para provar o sucesso da empreitada.
Ocorre que aquele que recebe a moeda percebe a falsidade
rapidamente, em razão do valor suspeito, e decide chamar a
Polícia, que apreende a moeda e o maquinário já fabricado.
Talles é indiciado pela prática de crimes e, já na Delegacia,
liga para você, na condição de advogado(a), para
esclarecimentos sobre a tipicidade de sua conduta.
Considerando as informações narradas, em conversa
sigilosa com seu cliente, você deverá esclarecer que a
conduta de Talles configura
A - atos preparatórios, sem a prática de qualquer delito.
B - crimes de moeda falsa e de petrechos para falsificação
de moeda.
C - crime de petrechos para falsificação de moeda, apenas.
D - crime de moeda falsa, apenas, em sua modalidade
tentada.
COMENTÁRIO:Crime de petrechos para falsificação de
moeda:
Diz o artigo 291 do Código Penal Brasileiro que fabricar,
adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou
guardar maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer
objeto especialmente destinado à falsificação de moeda é
crime, sujeito a pena de reclusão de dois a seis anos e
multa.
Crime de moeda falsa de $ 3,00 não existe: Crime
impossível;
Art. 17 CP - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia
absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984).
171)No dia 28 de agosto de 2011, após uma discussão no
trabalho quando todos comemoravam os 20 anos de
João, este desfere uma facada no braço de Paulo, que
fica revoltado e liga para a Polícia, sendo João preso em
flagrante pela prática do injusto de homicídio tentado,
obtendo liberdade provisória logo em seguida. Olaudo
de exame de delito constatou a existência de lesão leve.
A denúncia foi oferecida em 23 de agosto de 2013 e
recebida pelo juiz em 28 de agosto de 2013. Finda a
primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, ocasião
em que a vítima compareceu, confirmou os fatos, inclusive
dizendo acreditar que a intenção do agente era efetivamente
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matá-la, e demonstrou todo seu inconformismo com a
conduta do réu, João foi pronunciado, sendo a decisão
publicada em 23 de agosto de 2015, não havendo
impugnação pelas partes.
Submetido a julgamento em sessão plenária em 18 de julho
de 2017, os jurados afastaram a intenção de matar,
ocorrendo em sentença, então, a desclassificação para o
crime de lesão corporal simples, que tem a pena máxima
prevista de 01 ano, sendo certo que o Código Penal prevê
que a pena de 01 a 02 anos prescreve em 04 anos.
Na ocasião, você, como advogado(a) de João, considerando
apenas as informações narradas, deverá requerer que seja
declarada a extinção da punibilidade pela
A-decadência, por ausência de representação da vítima.
B - prescrição da pretensão punitiva, porque já foi
ultrapassado o prazo prescricional entre a data do fato e a
do recebimento da denúncia.
C - prescrição da pretensão punitiva, porque já foi
ultrapassado o prazo prescricional entre a data do
oferecimento da denúncia e a da publicação da decisão de
pronúncia.
D - prescrição da pretensão punitiva, porque entre a data do
recebimento da denúncia e a do julgamento pelo júri
decorreu o prazo prescricional.
COMENTÁRIO:Lesão leve - art. 129, CP, tem a pena de
detenção de três meses a um ano. Logo, de acordo com o
art. 109, inciso V, a prescrição (antes de transitar em
julgado) se daria em 4 anos, pois o máximo da pena em
abstrato é igual a um ano.
Ocorre que, ainda temos que observar a idade do agente,
na data do fato, que era de 20 anos de idade. Dessa forma,
de acordo com o polêmico art. 115, CP, os prazos da
prescrição devem considerar a redução pela metade, pois o
agente era menor de 21 anos.
Assim, no presente caso, o recebimento da denúncia
deveria acontecer até dia 27/08/2013, pois ainda temos que
considerar o art. 10 do código penal: "O dia do começo
inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum."
Gabarito Crime Consumado e Tentativa
169 170 171
B C BConcurso de Crimes
172)Maria, em uma loja de departamento, apresentou roupas no
valor de R$ 1.200 (mil e duzentos reais) ao caixa, buscando
efetuar o pagamento por meio de um cheque de terceira
pessoa, inclusive assinando como se fosse a titular da
conta. Na ocasião, não foi exigido qualquer documento de
identidade. Todavia, o caixa da loja desconfiou do seu
nervosismo no preenchimento do cheque, apesar da
assinatura perfeita, e consultou o banco sacado,
constatando que aquele documento constava como furtado.
Assim, Maria foi presa em flagrante naquele momento e,
posteriormente, denunciada pelos crimes de estelionato e
falsificação de documento público, em concurso material.
Confirmados os fatos, o advogado de Maria, no momento
das alegações finais, sob o ponto de vista técnico, deverá
buscar o reconhecimento
A - do concurso formal entre os crimes de estelionato
consumado e falsificação de documento público.
B - do concurso formal entre os crimes de estelionato
tentado e falsificação de documento particular.
C - de crime único de estelionato, na forma consumada,
afastando-se o concurso de crimes.
D - de crime único de estelionato, na forma tentada,
afastando-se o concurso de crimes.
COMENTÁRIO:Súmula 17 - STJ: Quando o falso se exaure
no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido.
Esta Súmula remete - se o Princípio da Consunção,
conhecido também como Princípio da Absorção,
resumidamente, o crime final absorve o crime meio.
EX: Maria usou um documento de terceiro, ou seja,
falsificação de documento (CRIME DO MEIO). Ocorreu que
Maria praticou o crime de estelionato (CRIME FINAL). Pela
Súmula 17 - STJ: o crime de estelionato absorveu o crime
de falsificação de documento.
173)Mário trabalhava como jardineiro na casa de uma família
rica, sendo tratado por todos como um funcionário
exemplar, com livre acesso a toda a residência, em
razão da confiança estabelecida. Certo dia, enfrentando
dificuldades financeiras, Mário resolveu utilizar o cartão
bancário de seu patrão, Joaquim, e, tendo conhecimento
da respectiva senha, promoveu o saque da quantia de
R$ 1.000,00 (mil reais).
Joaquim, ao ser comunicado pelo sistema eletrônico do
banco sobre o saque feito em sua conta, efetuou o bloqueio
do cartão e encerrou sua conta. Sem saber que o cartão se
encontrava bloqueado e a conta encerrada, Mário tentou
novo saque no dia seguinte, não obtendo êxito. De posse
das filmagens das câmeras de segurança do banco, Mário
foi identificado como o autor dos fatos, tendo admitido a
prática delitiva.
Preocupado com as consequências jurídicas de seus atos,
Mário procurou você, como advogado(a), para
esclarecimentos em relação à tipificação de sua conduta.
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Considerando as informações expostas, sob o ponto de
vista técnico, você, como advogado(a) de Mário, deverá
esclarecer que sua conduta configura
A - os crimes de furto simples consumado e de furto simples
tentado, na forma continuada.
B - os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança
consumado e de furto qualificado pelo abuso de confiança
tentado, na forma continuada.
C - um crime de furto qualificado pelo abuso de confiança
consumado, apenas.
D - os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança
consumado e de furto qualificado pelo abuso de confiança
tentado, em concurso material.
COMENTÁRIO:Cartão bloqueado, Conta encerrada = crime
impossível por absoluta ineficácia do meio,portanto não
houve tentativa e sim um crime consumado de furto
qualificado.
174)Cadu, com o objetivo de matar toda uma família de
inimigos, pratica, durante cinco dias consecutivos,
crimes de homicídio doloso, cada dia causando a morte
de cada um dos cinco integrantes da família, sempre
com o mesmo modus operandi e no mesmo local. Os
fatos, porém, foram descobertos, e o autor, denunciado
pelos cinco crimes de homicídio, em concurso material.
Com base nas informações expostas e nas previsões do
Código Penal, provada a autoria delitiva em relação a todos
os delitos, o advogado de Cadu
A - não poderá buscar o reconhecimento da continuidade
delitiva, tendo em vista que os crimes foram praticados com
violência à pessoa, somente cabendo reconhecimento do
concurso material.
B - não poderá buscar o reconhecimento de continuidade
delitiva, tendo em vista que os crimes foram praticados com
violência à pessoa, podendo, porém, o advogado pleitear o
reconhecimento do concurso formal de delitos.
C - poderá buscar o reconhecimento da continuidade
delitiva, mesmo sendo o delito praticado com violência
contra a pessoa, cabendo, apenas, aplicação da regra de
exasperação da pena de 1/6 a 2/3.
D - poderá buscar o reconhecimento da continuidade
delitiva, mas, diante da violência contra a pessoa e da
diversidade de vítimas, a pena mais grave poderá ser
aumentada em até o triplo.
COMENTÁRIO:CP - Decreto Lei nº 2.848 de 07 de
Dezembro de 1940
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou
omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e,
pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e
outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos
como continuação do primeiro, aplicasse-lhe a pena de um
só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas,
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas
diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena
de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se
diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo
único do art. 70 e do art. 75 deste Código. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).
175)Juarez, com a intenção de causar a morte de um casal
de vizinhos, aproveita a situação em que o marido e a
esposa estão juntos, conversando na rua, e joga um
artefato explosivo nas vítimas, sendo a explosão deste
material bélico a causa eficiente da morte do casal.
Apesar de todos os fatos e a autoria restarem provados
em inquérito encaminhado ao Ministério Público com
relatório final de indiciamento de Juarez, o Promotor
deJustiça se mantém inerte em razão de excesso de
serviço, não apresentando denúncia no prazo legal. Depois
de vários meses com omissão do Promotor de Justiça, o
filho do casal falecido procura o advogado da família para
adoção das medidas cabíveis.
No momento da apresentação de queixa em ação penal
privada subsidiária da pública, o advogado do filho do casal,
sob o ponto de vista técnico, de acordo com o Código Penal,
deverá imputar a Juarez a prática de dois crimes de
homicídio em
A - concurso material, requerendo a soma das penas
impostas para cada um dos delitos.
B - concurso formal, requerendo a exasperação da pena
mais grave em razão do concurso de crimes.
C - continuidade delitiva, requerendo a exasperação da
pena mais grave em razão do concurso de crimes.
D - concurso formal, requerendo a soma das penas
impostas para cada um dos delitos.
COMENTÁRIO:Segundo o final do art. 70, CP, o concurso
será formal, mas com o sistema de aplicação da pena no
CÚMULO MATERIAL, ou seja, soma das penas. Pois
Juarez queria a morte das duas pessoas, usando de uma
única conduta.
Obs: A exasperação é uma forma de beneficiar o réu que
com uma só conduta pratica dois resultados, sendo que um
desses resultados é, necessariamente, CULPOSO.
176)Cláudio, na cidade de Campinas, transportava e portava,
em um automóvel, três armas de fogo, sendo que duas
estavam embaixo do banco do carona e uma, em sua
cintura. Abordado por policiais, foramlocalizadas todas
as armas. Diante disso, o Ministério Público ofereceu
denúncia em face de Cláudio pela prática de três crimes
de porte de arma de fogo de uso permitido, em concurso
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material (Art. 14 da Lei nº 10.826/03, por três vezes, na
forma do Art. 69 do Código Penal). Foi acostado nos
autos laudo pericial confirmando o potencial lesivo do
material, bem como que as armas eram de calibre .38,
ou seja, de uso permitido, com numeração de série
aparente.
Considerando que todos os fatos narrados foram
confirmados em juízo, é correto afirmar que o(a)
advogado(a) de Cláudio deverá defender o reconhecimento
A - de crime único de porte de arma de fogo.
B - da continuidade delitiva entre os três delitos imputados.
C - do concurso formal entre dois delitos, em continuidade
delitiva com o terceiro.
D - do concurso formal de crimes entre os três delitos
imputados.
COMENTÁRIO:O artigo 14, do Estatuto do Desarmamento,
dispõe que: Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em
depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente,
emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar
arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem
autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Trata-se, portanto, de um tipo penal misto alternativo (ou
crime de ação múltipla), isto é, a realização de mais de uma
conduta, no mesmo contexto fático, em relação ao mesmo
objeto material, dará ensejo a apenas um crime.
177)Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente
registrada em seu nome, que mantinha no interior da
residência sem adotar os cuidados necessários,
inclusive o de dês municiá-la, acaba, acidentalmente,
por dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a
esposa deste, Maria.
Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo
projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade
permanente de membro.
Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o
procura para, na condição de advogado, orientá-lo
acerca das consequências do seu comportamento.
Na oportunidade, considerando a situação
narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista
técnico, que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos
crimes de:
A - homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de
arma de fogo, em concurso formal.
B - homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso
formal.
C - homicídio culposo e lesão corporal culposa, em
concurso material.
D - homicídio culposo e lesão corporal culposa, em
concurso formal.
COMENTÁRIO:
1 Não houve intenção, vontade livre e consciente, de Pedro
de causar a morte de Júlio e o ferimento em Maria. Logo,
temos dois crimes culposos.
2 Quando o crime for de Lesão Corporal Culposa não se
avalia se a lesão foi de natureza leve, média ou grave.
Trata-se apenas de uma lesão corporal culposa, não se
aplicando as qualificadoras.
3 O concurso de crimes caracteriza-se pelo fato de uma
mesma pessoa praticar mais de um crime no mesmo
contexto fático, com uma única ação/omissão (concurso
formal) ou com várias ações/omissões (concurso material).
4 Quando a pluralidade de crimes decorrer de uma única
ação/omissão temos o concurso formal de crimes. No
presente caso, com um único disparo acidental Pedro
praticou 2 crimes. Assim, praticou 2 crimes em concurso
formal.
178)Gilson, 35 anos, juntamente com seu filho Rafael, de 15
anos, em dificuldades financeiras, iniciaram atos para a
subtração de um veículo automotor. Gilson portava
arma de fogo e, quando a vítima tentou empreender
fuga, ele efetua disparos contra ela, a fim de conseguir
subtrair o carro. O episódio levou o proprietário do
automóvel a falecer. Apesar disso, os agentes não
levaram o veículo, já que outras pessoas que estavam
no local chamaram a Polícia. Descobertos os fatos,
Gilson é denunciado pelo crime de latrocínio
consumado e corrupção de menores em concurso
formal, sendo ao final da instrução, após confessar os
fatos, condenado à pena mínima de 20 anos pelo crime
do Art. 157, § 3º, do Código Penal, e à pena mínima de
01 ano pelo delito de corrupção de menores, não
havendo reconhecimento de quaisquer agravantes ou
atenuantes. Reconhecido, porém, o concurso formal de
crimes, ao invés de as penas serem somadas, a pena
mais grave foi aumentada de 1/6, resultando em um total
de 23 anos e 04 meses de reclusão. Considerando a
situação narrada, o advogado de Gilson poderia pleitear,
observando a jurisprudência dos Tribunais Superiores,
em sede de recurso de apelação,
A - a aplicação da regra do cúmulo material em detrimento
da exasperação, pelo concurso formal de crimes.
B - a aplicação da pena intermediária abaixo do mínimo
legal, em razão do reconhecimento da atenuante da
confissão espontânea.
C - o reconhecimento da modalidade tentada do latrocínio,
já que o veículo automotor não foi subtraído.
D - o afastamento da condenação por corrupção de menor,
pela natureza material do delito.
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COMENTÁRIO:A defesa pode sustentar que a aplicação da
pena deveria seguir o sistema do cúmulo material (somar as
penas), e não o sistema da exasperação, pois o sistema da
exasperação, aqui, se mostrou PREJUDICIAL ao acusado,
devendo ser adotado o cúmulo material (chamado “cúmulo
material benéfico), nos termos do art. 70, § único do CP.
Não há que se falar em latrocínio tentado, nos termos do
entendimento do STF (súmula 610 do STF), pois apesar de
não ter ocorrido a subtração, o resultado morte ocorreu.
Logo, latrocínio consumado.
179)Marcondes, necessitando de dinheiro para comparecer
a uma festa no bairro em que residia, decide subtrair R$
1.000,00 do caixa do açougue de propriedade de seu
pai. Para isso, aproveita-se da ausência de seu genitor,
que, naquele dia, comemorava seu aniversário de 63
anos, para arrombar a porta do estabelecimento e
subtrair a quantia em espécie necessária.
Analisando a situação fática, é correto afirmar que
A - Marcondes não será condenado pela prática de crime,
pois é isento de pena, em razão da escusa absolutória.
B - Marcondes deverá responder pelo crime de furto de
coisa comum, por ser herdeiro de seu pai.
C - Marcondes deverá responder pelo crime de furto
qualificado.
D - Marcondes deverá responder pelos crimes de dano e
furto simples em concurso formal.
COMENTÁRIO:Conforme o artigo 183, III do CP não é
aplicado a escusa absolutória em relação a Marcondes, uma
vez que o seu pai é pessoa com idade superior a 60 anos.
Diante disso o autor do crime deverá responder pelo crime
de furto qualificado com destruição ou rompimento de
obstáculo à subtração da coisa (artigo 155, parágrafo 4º do
CP).
Mesmo que a vítima não queira representar contra o autor
por ser seu filho, o inquérito policial deverá ser iniciado de
ofício pela autoridade policial por ser o crime de furto de
ação penal pública incondicionada. (artigo 5º, I do CPP).
O inquérito policial poderá ser dispensando para o
oferecimento da denúncia quando o Ministério Público tiver
todos os elementos cabíveis para a devida oferta da inicial
acusatória (artigo 27 do CPP).
Gabarito: Concurso de Crimes
172 173 174 175 176
D C D D A
177 178 179
D A C
Extinção da Punibilidade
180)João, por força de divergência ideológica, publicou, em
03 de fevereiro de 2019, artigo ofensivo à honra de
Mário, dizendo que este, quando no exercício de função
pública na Prefeitura do município de São Caetano,
desviou verba da educação em benefício de empresa de
familiares.
Mário, inconformado com a falsa notícia, apresentou
queixa-crime em face de João, sendo a inicial recebida
em 02 de maio de 2019. Após observância do
procedimento adequado, o juiz designou data para a
realização da audiência de instrução e julgamento,
sendo as partesregularmente intimadas. No dia
daaudiência, apenas o querelado João e sua defesa
técnica compareceram.
Diante da ausência injustificada do querelante, poderá a
defesa de João requerer ao juiz o reconhecimento
A - da decadência, que é causa de extinção da punibilidade.
B - do perdão doofendido, que é causa de extinção da
punibilidade.
C - do perdão judicial, que é causa de exclusão da
culpabilidade.
D - da perempção, que é causa de extinção da punibilidade.
COMENTÁRIO:A ausência injustificada do querelante a
qualquer ato do processo a que deva estar presente
configura perempção da ação penal. Consequentemente, a
punibilidade do querelado é extinta. (Art. 60, III, CPP c/c art.
107, IV, CP).
181)No dia 28 de agosto de 2011, após uma discussão no
trabalho quando todos comemoravam os 20 anos de
João, este desfere uma facada no braço de Paulo, que
fica revoltado e liga para a Polícia, sendo João preso em
flagrante pela prática do injusto de homicídio tentado,
obtendo liberdade provisória logo em seguida. O laudo
de exame de delito constatou a existência de lesão leve.
A denúncia foi oferecida em 23 de agosto de 2013 e
recebida pelo juiz em 28 de agosto de 2013. Finda a
primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, ocasião
em que a vítima compareceu, confirmou os fatos, inclusive
dizendo acreditar que a intenção do agente era efetivamente
matá-la, e demonstrou todo seu inconformismo com a
conduta do réu, João foi pronunciado, sendo a decisão
publicada em 23 de agosto de 2015, não havendo
impugnação pelas partes. Submetido a julgamento em
sessão plenária em 18 de julho de 2017, os jurados
afastaram a intenção de matar, ocorrendo em sentença,
então, a desclassificação para o crime de lesão corporal
simples, que tem a pena máxima prevista de 01 ano, sendo
certo que o Código Penal prevê que a pena de 01 a 02 anos
prescreve em 04 anos.
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Na ocasião, você, como advogado(a) de João, considerando
apenas as informações narradas, deverá requerer que seja
declarada a extinção da punibilidade pela
A - decadência, por ausência de representação da vítima.
B - prescrição da pretensão punitiva, porque já foi
ultrapassado o prazo prescricional entre a data do fato e a
do recebimento da denúncia.
C - (prescrição da pretensão punitiva, porque já foi
ultrapassado o prazo prescricional entre a data do
oferecimento da denúncia e a da publicação da decisão de
pronúncia.
D - prescrição da pretensão punitiva, porque entre a data do
recebimento da denúncia e a do julgamento pelo júri
decorreu o prazo prescricional.
COMENTÁRIO:Lesão leve - art. 129, CP, tem a pena de
detenção de três meses a um ano. Logo, de acordo com o
art. 109, inciso V, a prescrição (antes de transitar em
julgado) se daria em 4 anos, pois o máximo da pena em
abstrato é igual a um ano. Ocorre que, ainda temos que
observar a idade do agente, na data do fato, que era de 20
anos de idade. Dessa forma, de acordo com o polêmico art.
115, CP, os prazos da prescrição devem considerar a
redução pela metade, pois o agente era menor de 21 anos.
Assim, no presente caso, o recebimento da denúncia
deveria acontecer até dia 27/08/2013, pois ainda temos que
considerar o art. 10 do código penal: "O dia do começo
inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum."
182)Silva foi vítima de um crime de ameaça por meio de uma
ligação telefônica realizada em 02 de janeiro de 2016.
Buscando identificar o autor, já que nenhum membro de
sua família tinha tal informação, requereu, de imediato,
junto à companhia telefônica, o número de origem da
ligação,vindo a descobrir, no dia 03 de julho de 2016,
que a linha utilizada era de propriedade do ex-namorado
de sua filha, Carlos, razão pela qual foi até a residência
deste, onde houve a confissão da prática do crime.
Quando ia ao Ministério Público, na companhia de
Marta, sua esposa, para oferecer representação, Silva
sofreu um infarto e veio a falecer. Marta, no dia seguinte,
afirmou oralmente, perante o Promotor de Justiça, que
tinha interesse em representar em face do autor do fato,
assim como seu falecido marido.
Diante do apelo de sua filha, Marta retorna ao Ministério
Público no dia 06 de julho de 2016 e diz que não mais tem
interesse na representação. Ainda assim, considerando que
a ação penal é pública condicionada, o Promotor de Justiça
ofereceu denúncia, no dia 07 de julho de 2016, em face de
Carlos, pela prática do crime de ameaça.
Considerando a situação narrada, o(a) advogado(a) de
Carlos, em resposta à acusação, deverá alegar que
A - ocorreu decadência, pois se passaram mais de 6 meses
desde a data dos fatos.
B - a representação não foi válida, pois não foi realizada
pelo ofendido.
C - ocorreu retratação válida do direito de representação.
D - a representação não foi válida, pois foi realizada
oralmente.
COMENTÁRIO:Nesse caso, a representação, em si, foi
válida, eis que realizada por legitimado (cônjuge do
falecido), bem como realizada dentro do prazo de seis
meses a contar da data em que a vítima teve ciência da
autoria do fato. A retratação da representação também
ocorreu de forma válida, eis que se deu antes do
oferecimento da denúncia (art. 25 do CPP), motivo pelo qual
o MP não poderia ter denunciado o infrator.
183)No dia 15 de abril de 2011, João, nascido em 18 de maio
de 1991, foi preso em flagrante pela prática do crime de
furto simples, sendo, em seguida, concedida liberdade
provisória. A denúncia somente foi oferecida e recebida
em 18 de abril de 2014, ocasião em que o juiz designou
o dia 18 de junho de 2014 para a realização da audiência
especial de suspensão condicional do processo
oferecida pelo Ministério Público. A proposta foi aceita
pelo acusado e pela defesa técnica, iniciando-se o
período de prova naquele mesmo dia. Três meses
depois, não tendo o acusado cumprido as condições
estabelecidas, a suspensão foi revogada, o que ocorreu
em decisão datada de 03 de outubro de 2014. Ao final da
fase instrutora, a pretensão punitiva foi acolhida, sendo
aplicada ao acusado a pena de 01 ano de reclusão em
regime aberto, substituída por restritiva de direitos. A
sentença condenatória foi publicada em 19 de maio de
2016, tendo transitado em julgado para a acusação.
Intimado da decisão respectiva, João procura você, na
condição de advogado(a), para saber sobre eventual
prescrição, pois tomou conhecimento de que a pena de 01
ano, em tese, prescreve em 04 anos, mas que, no caso
concreto, por força da menoridade relativa, deve o prazo ser
reduzido de metade.
Diante desse quadro, você, como advogado(a), deverá
esclarecer que
A - ocorreu a prescrição da pretensão punitiva entre a data
do fato e a do recebimento da denúncia.
B - ocorreu a prescrição da pretensão punitiva entre a data
do recebimento da denúncia e a da publicação da sentença
condenatória.
C - ocorreu a prescrição da pretensão executória entre a
data do recebimento da denúncia e a da publicação da
sentença condenatória.
D - não há que se falar em prescrição, no caso apresentado.
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COMENTÁRIO:Neste caso não ocorreu a prescrição da
pretensão punitiva. Primeiramente, não ocorreu a prescrição
da pretensão punitiva ordinária (comum), pois tal
modalidade de prescrição leva em conta a pena máxima
prevista para o delito (04 anos), logo, a prescrição somente
ocorreria em 08 anos, nos termos do art. 109, IV do CP.
Ainda que se reduza tal prazo pela metade, em razão de ser
o agente menor de 21 anos na data do fato (art. 115 do CP),
ainda assim não teria ocorrido prescrição, pois não passou
mais de 04 anos entre um marco interruptivo da prescrição e
outro.
Por fim, devemos analisar se ocorreu a prescrição da
pretensão punitiva RETROATIVA, que leva em conta a pena
APLICADA. Considerando a pena aplicada (01 ano), o prazo
prescricional seria de 04 anos, nos termos do art. 109, V do
CP, reduzidos pela metade em razão de ser o agente menor
de 21 anos na data do fato, logo, a prescrição retroativa
ocorreria em 02 anos.
Agora devemos saber se entre um marco interruptivo da
prescrição, e outro, transcorreu mais de02 anos. Entre a
data do fato (15.04.2011) e o recebimento da denúncia
(18.04.2011) transcorreu mais de 02 anos. Todavia, a
prescrição retroativa não pode ocorrer antes do recebimento
da denúncia, logo, esqueçamos esse período.
Com relação ao período entre o recebimento da denúncia
(18.04.2016) e a publicação da sentença recorrível
(19.05.2016), também transcorreu mais de 02 anos. Porém,
nesses 02 anos e 01 mês, tivemos aproximadamente 03
meses de suspensão do processo (entre 18.06.2014 e
03.10.2014). Nesse período de três meses o prazo de
prescrição FICOU SUSPENSO, nos termos do art. 89, §6º
do CPP. Assim, se descontarmos esses três meses,
também não passou mais de 02 anos entre o recebimento
da denúncia e a publicação da sentença recorrível, logo, não
ocorreu a prescrição retroativa.
Assim, não ocorreu prescrição no presente caso.
184)No dia 29/04/2011, Júlia, jovem de apenas 20 anos de
idade, praticou um crime de lesão corporal leve (pena:
de 03 meses a 01 ano) em face de sua rival na disputa
pelo amor de Thiago. A representação foi devidamente
ofertada pela vítima dentro do prazo de 06 meses,
contudo a denúncia somente foi oferecida em
25/04/2014. Em 29/04/2014 foi recebida a denúncia em
face de Júlia, pois não houve composição civil,
transação penal ou suspensão condicional do processo.
Nesta hipótese,
A - poderá ser requerido pelo advogado de Júlia o
reconhecimento da prescrição pela pena ideal, pois entre a
data dos fatos e o recebimento da denúncia foram
ultrapassados mais de 03 anos.
B - deverá, caso aplicada ao final do processo a pena
mínima prevista em lei, ser reconhecida a prescrição da
pretensão punitiva retroativa, pois entre a data dos fatos e o
recebimento da denúncia foram ultrapassados mais de 03
anos.
C - não foram ultrapassados 03 anos entre a data dos fatos
e do recebimento da denúncia, pois o prazo prescricional
tem natureza essencialmente processual e não material.
D - deverá ser reconhecida, de imediato, a prescrição da
pretensão punitiva pela pena em abstrato.
COMENTÁRIO:
Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de
liberdade [no caso, um ano] cominada ao crime, verificando
se:
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano
ou, sendo superior, não excede a dois;
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou; [29/04/2011]
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição
quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21
(vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70
(setenta) anos. [portanto, o prazo de prescrição é de dois
anos]
Crime cometido no dia 29/04/2011. No dia 29/04/2013 já se
encontrava prescrito, (art. 10, CP)
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; [que ocorreu
no dia 29/04/2014]
O crime já estava prescrito quando do recebimento da
denúncia.
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
CPP; Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se
reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo de
ofício.
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185)Com relação às causas de extinção da punibilidade
previstas no artigo 107 do Código Penal, assinale a
alternativa correta.
A - O perdão do ofendido é ato unilateral, prescindindo de
anuência do querelado.
B - Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um
deles impede, quanto aos outros, a agravação da pena
resultante da conexão.
C - A perempção é causa de extinção de punibilidade
exclusiva da ação penal privada.
D - Em caso de morte do réu, não há falar em extinção da
punibilidade, devendo o juiz absolvê-lo com base no método
de resolução de conflitos do in dubio pro reo.
COMENTÁRIO:
Art. 107, IV, CP - pela renúncia do direito de queixa ou pelo
perdão aceito, nos crimes de ação privada)
Art. 60 - CPP - Nos casos em que somente se procede
mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal:
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o
andamento do processo durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua
incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no
processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer
das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto
no art. 36;
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar
presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas
alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, está se
extinguir sem deixar sucessor.
186)Felipe, menor de 21 anos de idade e reincidente, no dia
10 de abril de 2009, foi preso em flagrante pela prática
do crime de roubo. Foi solto no curso da instrução e
acabou condenado em 08 de julho de 2010, nos termos
do pedido inicial, ficando a pena acomodada em 04 anos
de reclusão em regime fechado e multa de 10 dias, certo
que houve acompensação daagravante da reincidência
com a atenuante da menoridade. A decisão transitou em
julgado para ambas as partes em 20 de julho de 2010.
Foi expedido mandado de prisão e Felipe nunca veio a
ser preso.
Considerando a questão fática, assinale a afirmativa correta.
A - A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória ocorrerá em 20 de julho de 2016.
B - A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória ocorreu em 20 de julho de 2014.
C - A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória ocorrerá em 20 de julho de 2022.
D - A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
executória ocorrerá em 20 de novembro de 2015.
COMENTÁRIO:
O art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste
Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de
liberdade cominada ao crime, verificando-se:(nesse prazo
analisamos as penas disposta no código penal)
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois
anos e não excede a quatro;
Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a
sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e
verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior(109), os
quais se aumentam de um terço, se o condenado é
reincidente.(neste prazo analisamos as penas disposta pelo
juiz.)
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição
quando o criminoso era,ao tempo do crime, menor de 21
(vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70
(setenta) anos.( para aplicar esse art. a condenação do
novo crime praticado terá que ter transitado em julgado.)Art.
112 - O termo inicial da prescrição após a sentença
condenatória irrecorrível começa do dia que transitar em
julgado a sentença condenatória
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no computo do prazo.
Conta-se os dias, os meses, os anos pelo calendário
comum.
Para resolver a questão iremos conjugar os 05 artigos:
No presente caso o agente foi condenado pelo juiz a
04(quartos) anos,
Teoricamente a pena prescreveria em 08(oito) , mas como
na questão foi dado como certo que o agente é
reincidente(ou seja transitou em julgado) teria um acréscimo
de mais 1/3 no prazo prescricional que corresponde a
02(dois) anos e 08(oito) meses. Contando os prazos o
agente teria 10(dez) anos e 08(oito) meses se não fosse
menor de 21 anos. sendo que este valor será reduzido à
metade, pois iremos aplicar o art.115 do CP o agente na
época dos fatos era menor de 21(vinte e um) anos. Sendo
assim, chegamos ao tempo final de prescrição de 05(cinco)
anos e 04(quatro) meses.
Aplicando o art.112 do código penal o termo inicial começa
no dia 20/07/2010 porque foi o dia que transitou em julgado.
Para contagemdesse prazo iremos utilizar o art.10 do CP
ou seja vai ser computado o dia 20 e éramos contar de
forma corrida pelos meses e anos pelo calendário comum.
Sendo assim o prazo prescricional terminará no dia
20/11/2015.
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187)Francisco foi condenado por homicídio simples,
previsto no Art. 121 do Código Penal, devendo cumprir
pena de seis anos de reclusão. A sentença penal
condenatória transitou em julgado no dia 10 de agosto
de 1984. Dias depois, Francisco foge para o interior do
Estado, onde residia, ficando isolado num sítio. Após a
fuga, as autoridades públicas nunca conseguiram
capturá-lo. Francisco procura você como advogado(a)
em 10 de janeiro de 2014.
Com relação ao caso narrado, assinale a afirmativa correta
A - Ainda não ocorreu prescrição do crime, tendo em vista
que ainda não foi ultrapassado o prazo de trinta anos
requerido pelo Código Penal.
B - Houve prescrição da pretensão executória
C - Não houve prescrição, pois o crime de homicídio simples
é imprescritível.
D - Houve prescrição da pretensão punitiva pela pena em
abstrato, pois Francisco nunca foi capturado
COMENTÁRIO:
Termo inicial da prescrição após a sentença
condenatória irrecorrível
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição
começa a correr:
I – do dia em que transita em julgado a sentença
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a
suspensão condicional da pena ou o livramento condicional;
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando
o tempo da interrupção deva computar-se na pena.
Prescrição
no caso de evasão do condenado ou de revogação do
livramento condicional
Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de
revogar-se o livramento condicional, a prescrição é
regulada pelo tempo que resta da pena.
188) Extingue a punibilidade do agente
A - a decadência, nos crimes de ação penal privada e
pública incondicionada.
B - a renúncia, nos crimes de ação penal privada subsidiária
da pública.
C - a perempção, nos crimes de ação penal privada.
D - o perdão, nos crimes de ação penal pública
condicionada à representação.
COMENTÁRIO:
Art. 60 CPP. Nos casos em que somente se procede
mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal: I -
quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o
andamento do processo durante 30 dias seguidos; II -
quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua
incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no
processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer
das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto
no art. 36; III - quando o querelante deixar de comparecer,
sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que
deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de
condenação nas alegações finais; IV - quando, sendo o
querelante pessoa jurídica, está se extinguir sem deixar
sucessor.
Assim, a perempção é caracterizada pela inércia do
querelante após deflagrada a ação, não se confundindo,
portanto, com a decadência. Porém, o instituto da
perempção não se aplica nas ações penais de iniciativa
pública incondicionada ou condicionada à representação do
ofendido, sendo aplicável somente às ações penais de
iniciativa privada.
Extinção da punibilidade
Art. 107 CP- Extingue-se a punibilidade:
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
189)Acerca do instituto da prescrição penal e seus efeitos,
assinale a opção correta.
A - A partir do trânsito em julgado da sentença penal
condenatória, começa a correr o prazo da prescrição da
pretensão punitiva.
B - O reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva
significa que o réu pode ser considerado reincidente caso
pratique novo crime.
C - Ocorrendo a prescrição da pretensão executória, o título
executório é formado com o trânsito em julgado; entretanto,
o Estado perde o direito de executar a sentença penal
condenatória.
D - Ocorrendo a prescrição da pretensão executória, a
vítima não tem à sua disposição o título executivo judicial
para promover a liquidação e execução cível.
COMENTÁRIO:
Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado
a sentença final
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a
sentença final, começa a correr: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
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I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade
criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a
permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
assentamento do registro civil, da data em que o fato se
tornou conhecido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e
adolescentes, previstos neste Código ou em legislação
especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito)
anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação
penal. (Redação dada pela Lei nº 12.650, de 2012)
Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória
irrecorrível
Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição
começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - do dia em que transita em julgado a sentença
condenatória, para a acusação, ou a que revoga a
suspensão condicional da pena ou o livramento condicional;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando
o tempo da interrupção deva computar-se na pena.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
190)Trata-se de causa extintiva da punibilidade consistente
na exclusão, por lei ordinária com efeitos retroativos, de
um ou mais fatos criminosos do campo de incidência do
Direito Penal,
A - o indulto individual.
B - a anistia.
C - o indulto coletivo.
D - a graça.
COMENTÁRIO:ANISTIA:
Anistia “significa o esquecimento de certas infrações penal”.
Se aplicada a crimes políticos chama-se anistia especial e
se incidir sobre delitos comuns, anistia comum. É cabível a
qualquer momento: antes ou depois do processo e mesmo
depois da condenação. É uma lei, portanto, é concedida
pelo congresso nacional. É inaplicável aos delitos que se
referem a “prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos”. Após concedida a anistia, não
pode ser revogada. Ela possui caráter de generalidade, não
abrangendo pessoas e sim fatos, atingindo um maior
número de beneficiados. É uma das causas de extinção de
punibilidade. Não abrange os efeitos civis.
DIFERENÇAS ENTRE A ANISTIA, GRAÇA E O INDULTO:
A anistia exclui o crime, rescinde a condenação e extingue
totalmente a punibilidade; a graça e o indulto apenas
extingue a punibilidade, podendo ser parciais; A anistia, em
regra, atinge crimes políticos; a graça e o indulto, crimes
comuns; A anistia pode ser concedida pelo poder legislativo;
a graça e o indulto são de competência exclusiva do
Presidente da República; A anistia pode ser concedida
antes da sentença final ou depois da condenação
irrecorrível; a graça e o indulto pressupõem o trânsito em
julgado da sentença condenatória. Graça e o indulto
apenas extinguem a punibilidade, persistindo os efeitos do
crime. Graça é em regra individual e solicitada, enquanto o
indulto é coletivo e espontâneo.
191)No crime de apropriação indébita previdenciária, o
pagamento integral dos débitos oriundos da falta de
recolhimento de contribuições sociais, efetuado
posteriormente ao recebimento da denúncia, é
A - causa de exclusão da tipicidade.
B - causa de extinção da punibilidade.
C - indiferente penal.
D - circunstância atenuante.
COMENTÁRIO:
Apropriação indébita previdenciária (Incluído pela Lei nº
9.983, de 2000)
Art. 168-A. Deixar de repassarà previdência social as
contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma
legal ou convencional: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
§ 2o É extinta a punibilidade se o agente,
espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento
das contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma definida
em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
192)Assinale a opção correta, considerando a jurisprudência
do STJ e do STF.
A - O STJ não admite a aplicação do princípio da bagatela
no crime de furto, ainda que seja insignificante o valor dos
bens furtados.
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B - O STF nega a possibilidade de se atribuir à pessoa
jurídica capacidade para a prática de crime ambiental.
C - O uso de arma de brinquedo justifica aumento de pena
no caso de roubo.
D - O STJ não admite extinção da punibilidade pela
prescrição em perspectiva.
COMENTÁRIO:
Súmula n. 438 do STJ reconhece ser inadmissível a
extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
punitiva com fundamento em pena hipotética,
independentemente da existência ou sorte do processo
penal.
Ao analisarem o HC n. 53.349, a Quinta Turma entendeu
que a extinção da punibilidade pela prescrição regula-se,
antes de transitar em julgado a sentença, pelo máximo da
pena prevista para o crime ou pela pena efetivamente
aplicada, depois do trânsito em julgado para a acusação,
conforme expressa previsão legal. Portanto, não existe
norma legal que autorize a extinção da punibilidade pela
prescrição em perspectiva.
193)No dia 18/10/2005, Eratóstenes praticou um crime de
corrupção ativa em transação comercial internacional
(Art. 337-B do CP), cuja pena é de 1 a 8 anos e multa.
Devidamente investigado, Eratóstenes foi denunciado e, em
20/1/2006, a inicial acusatória foi recebida. O processo teve
regular seguimento e, ao final, o magistrado sentenciou
Eratóstenes, condenando-o à pena de 1 ano de reclusão e
ao pagamento de dez dias-multa. A sentença foi publicada
em 7/4/2007. O Ministério Público não interpôs recurso,
tendo, tal sentença, transitado em julgado para a acusação.
A defesa de Eratóstenes, por sua vez, que objetivava sua
absolvição, interpôs sucessivos recursos. Até o dia
15/5/2011, o processo ainda não havia tido seu definitivo
julgamento, ou seja, não houve trânsito em julgado final.
Levando-se em conta as datas descritas e sabendo-se que,
de acordo com o art. 109, incisos III e V, do Código Penal, a
prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final,
verifica-se em 12 (doze) anos se o máximo da pena é
superior a quatro e não excede a oito anos e em 4 (quatro)
anos se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo
superior, não exceda a dois, com base na situação
apresentada, é correto afirmar que
A - não houve prescrição da pretensão punitiva nem
prescrição da pretensão executória, pois desde a publicação
da sentença não transcorreu lapso de tempo superior a
doze anos.
B - ocorreu prescrição da pretensão punitiva retroativa, pois,
após a data da publicação da sentença e a última data
apresentada no enunciado, transcorreu lapso de tempo
superior a 4 anos.
C - ocorreu prescrição da pretensão punitiva superveniente,
que pressupõe o trânsito em julgado para a acusação e leva
em conta a pena concretamente imposta na sentença.
D - não houve prescrição da pretensão punitiva, pois, como
ainda não ocorreu o trânsito em julgado final, deve-se levar
em conta a teoria da pior hipótese, de modo que a
prescrição, se houvesse, somente ocorreria doze anos após
a data do fato.
COMENTÁRIO:
Prescrição superveniente, intercorrente ou subsequente: É a
modalidade de prescrição da pretensão punitiva (não há
trânsito em julgado para ambas as partes) que se verifica
entre a publicação da sentença condenatória recorrível (ou
acórdão condenatório recorrível) e seu trânsito em julgado
para a defesa. Daí seu nome: superveniente, ou seja,
posterior à sentença. Depende do trânsito em julgado para a
acusação no tocante à pena imposta, seja pela não
interposição de recurso, seja pelo seu improvimento.
Portanto, é possível falar em prescrição intercorrente ainda
que sem trânsito em julgado para a acusação, quando tenha
recorrido o MP ou o querelante sem pleitear o aumento da
pena (exemplo: modificação do regime prisional). Além
disso, admite-se também a prescrição intercorrente quando
o recurso da acusação visa ao aumento da pena, mas
mesmo com o seu provimento e considerando-se a pena
imposta pelo Tribunal, ainda assim tenha decorrido o prazo
prescricional. Exemplo: a pena do furto simples foi fixada em
1 (um) ano. O MP recorre, requerendo seja a reprimenda
elevada para 2 (dois) anos. Ainda que obtenha êxito, o
prazo da prescrição permanecerá inalterado em 4 (quatro)
anos.
194)Quanto à prescrição da pretensão executória. É certo
afirmar:
A - Não incide sobre a medida de segurança aplicada ao
inimputável.
B - Para a sua contagem, na pena imposta devem ser
desconsideradas eventuais agravantes e causas de
aumento especial de pena.
C - Ela é determinada pelo máximo da pena privativa de
liberdade cominada em abstrato.
D - A sua contagem tem início com a publicação da
sentença condenatória .
COMENTÁRIO:
A prescrição da pretensão executória alcança não só os
imputáveis, mas também aqueles submetidos ao regime de
medida de segurança. Isso porque essa última está inserida
no gênero sanção penal, do qual figura, como espécie, ao
lado da pena. Por esse motivo, o CP não precisa
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estabelecer, especificamente, a prescrição no caso de
aplicação exclusiva de medida de segurança ao acusado
inimputável, aplicando-se, nesses casos, a regra disposta
no art. 109 do referido código.
HC 41.744-SP, DJ 20/6/2005; REsp 1.103.071-RS, DJe
29/3/2010, e HC 85.755-MG, DJe 24/11/2008. HC 59.764-
SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/5/2010.
195) A ocorrência da abolitio criminis possibilita ao réu:
A - ver cessada a execução e os efeitos penais da sentença
condenatória;
B - ver cessada a execução e os efeitos civis da sentença
condenatória;
C - eximir-se da obrigação de indenizar o dano causado
pelo crime;
D - livrar-se do confisco.
COMENTÁRIO:Ocorre abolitio criminis quando uma lei nova
descriminaliza um fato que era anteriormente considerado
crime, cessando assim a execução e os efeitos penais da
sentença condenatória.
196)Sobre os crimes imprescritíveis no ordenamento
jurídico brasileiro, assinale a alternativa CORRETA:
A - os crimes praticados contra crianças e adolescentes;
B - os crimes hediondos, de tortura e de tráfico de
entorpecentes;
C - os crimes de racismo e ação de grupos armados, civis
ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático;
D - os crimes de terrorismo e racismo.
COMENTÁRIO:
IMPRESCRITÍVEIS
1- RACISMO
2- AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS
INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA OU ANISTIA
1- TERRORISMO
2- TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTE E DROGAS
AFINS
3- TORTURA
4- HEDIONDOS
INAFIANÇÁVEIS – TODOS ANTERIOR
Os crimes hediondos são:
I - homicídio (art. 121);
II - latrocínio (art. 157, § 3o);
III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o); IV -
extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art.
159, caput, e §§ lo, 2o e 3o);
V - estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o);
VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o,
2o, 3o e 4o);
VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o); VII-B -
falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art.
273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B);
Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime
de genocídio.
197)“A” desferiu o primeiro tiro em “B” em 30 de março de
2000. Em 31 de março de 2000, “A” desferiu o segundo e
terceiro tiros em “B”. “B” falece em 23 de abril de 2000.“A” foi condenado por homicídio doloso. Para fins de
prescrição, qual o início da contagem do prazo
prescricional anterior ao trânsito em julgado da
sentença final?
A - No dia 30 de março de 2000.
B - No dia 31 de março de 2000.
C - No dia 23 de abril de 2000.
D - Pelo princípio da ubiquidade, dia 30 de março ou 31 de
março de 2000.
COMENTÁRIO:
Art. 111, CP - A prescrição, antes de transitar em julgado
a sentença final, começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou;
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade
criminosa;
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a
permanência;
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de
assentamento do registro civil, da data em que o fato se
tornou conhecido.
198) No que diz respeito ao indulto, assinale a opção
correta.
A - O indulto somente pode ser concedido por lei elaborada
pelo Congresso Nacional.
B - Trata-se de atribuição do presidente da República,
exercida por meio de expedição de decreto.
C - Não se admite indulto parcial.
D - Se o sentenciado for beneficiado por indulto coletivo,
este benefício não pode ser reconhecido, de ofício, pelo
juízo das execuções penais competente.
COMENTÁRIO:Leciona Rogério Greco:
A graça e o indulto são da competência do Presidente da
República. (...) A diferença entre os dois institutos é que a
graça é concedida individualmente a uma pessoa
específica, sendo que o indulto é concedido de maneira
coletiva a fatos determinados pelo Chefe do Poder
Executivo. (...) O indulto coletivo, ou simplesmente indulto,
é, normalmente,
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concedido anualmente pelo Presidente da República por
meio de decreto.
199) Ainda de acordo com o que dispõe o CP, assinale a
opção correta.
A - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa
de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e
os efeitos penais e civis da sentença condenatória.
B - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu
a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se
produziu o resultado, sendo irrelevante o local onde deveria
produzir-se o resultado.
C - A lei excepcional ou temporária, embora tenha decorrido
o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias
que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a
sua vigência.
D - Considera-se praticado o crime no momento da
produção do resultado.
COMENTÁRIO:Art. 3º - A lei excepcional ou temporária,
embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.
200) A respeito da prescrição, assinale a opção correta.
A - Nas infrações permanentes, assim como na bigamia e
na falsificação, a prescrição da pretensão punitiva começa a
correr a partir do primeiro dia em que o crime ocorreu.
B - No caso de o condenado evadir-se, a prescrição da
pretensão executória deve ser regulada pelo tempo que
resta da pena.
C - A prescrição começa a correr a partir do dia em que
transita em julgado, para a defesa, a sentença condenatória.
D - O curso da prescrição interrompe-se pelo oferecimento
da denúncia e pela sentença condenatória ou absolutória
recorrível.
COMENTÁRIO:São cinco as modalidades de prescrição
penal no Brasil: (1) prescrição pela pena máxima em
abstrato; (2) prescrição superveniente ou intercorrente; (3
prescrição retroativa; (4 prescrição virtual ou antecipada ou
em perspectiva (só admitida em primeira instância); (5)
prescrição da pretensão executória. A Lei 12.234/2010
trouxe mudanças na primeira, terceira e quarta modalidades.
Primeira: antes, quando a pena máxima é inferior a um ano,
a prescrição em abstrato acontecia em dois anos. Agora foi
fixado o prazo de três anos (que passou a ser o menor
prazo prescricional previsto no artigo 109 do Código Penal).
Isso afetou a prescrição das sanções da lei de execução
penal (que também passou a ser de três anos).
Segunda: a prescrição retroativa (prescrição contada para
trás, depois da sentença condenatória com trânsito em
julgado para a acusação) acabou pela metade. Antes da
nova lei a prescrição retroativa podia acontecer ou entre a
data do fato e o recebimento da denúncia ou queixa ou entre
o recebimento da denúncia ou queixa e a publicação da
sentença condenatória. Dois eram os períodos
prescricionais possíveis. Com a redação nova tornou-se
impossível computar qualquer tempo antes do recebimento
da denúncia ou queixa. Ou seja: a prescrição retroativa,
agora, só pode acontecer entre o recebimento da denúncia
ou queixa e a publicação da sentença.Foi cortada pela
metade. A prescrição retroativa, em síntese, não acabou.
Foi extinta pela metade.
Gabarito: Extinção da Punibilidade
180 181 182 183 184
D B C D D
185 186 187 188 189
C D B C C
190 191 192 193 194
B B D C A
195 196 197 198 199
A C C B C
200
B
Direito Tributário
Obrigação e Responsabilidade Tributária
201)A sociedade empresária ABC Ltda. foi autuada pelo
Fisco do Estado Z apenas pelo descumprimento de uma
determinada obrigação tributária acessória, referente à
fiscalização do ICMS prevista em lei estadual (mas sem
deixar de recolher o tributo devido). Inconformada,
realiza a impugnação administrativa por meio do auto
de infração. Antes que sobreviesse a decisão
administrativa da impugnação, outra lei estadual
extingue a previsão da obrigação acessória que havia
sido descumprida.
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta.
A - A lei estadual não é instrumento normativo hábil para
extinguir a previsão dessa obrigação tributária acessória
referente ao ICMS, em virtude do caráter nacional desse
tributo.
B - O julgamento administrativo, nesse caso, deverá levar
em consideração apenas a legislação tributária vigente na
época do fato gerador.
C - Não é possível a extinção dos efeitos da infração a essa
obrigação tributária acessória após a lavratura do respectivo
auto de infração.
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D - A superveniência da extinção da previsão dessa
obrigação acessória, desde que não tenha havido fraude,
nem ausência de pagamento de tributo, constitui hipótese
de aplicação da legislação tributária a ato pretérito.
COMENTÁRIO:CTN, art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato
pretérito: [...] II - tratando-se de ato não definitivamente
julgado: [...] b) quando deixe de tratá-lo como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não
tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de
pagamento de tributo; [...]
202)Pedro tem três anos de idade e é proprietário de um
apartamento. Em janeiro deste ano, o Fisco notificou
Pedro para o pagamento do Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU), por meio do envio do carnê de cobrança
ao seu endereço. Os pais de Pedro, recebendo a
correspondência, decidiram não pagar o tributo, mesmo
possuindo recursos suficientes para tanto.
Diante da impossibilidade de cumprimento da obrigação por
Pedro, assinale a afirmativa correta.
A - Os pais de Pedro devem pagar o tributo, na qualidade
de substitutos tributários.
B - O Fisco deverá aguardar Pedro completar 18 anos para
iniciar o processo de execução da dívida.
C - Os pais de Pedro responderão pelo pagamento do
tributo, uma vez que são responsáveis tributários na
condição de terceiros.
D - O Fisco deve cobrar o tributo dos pais de Pedro, já que
são contribuintes do IPTU.
COMENTÁRIO:CTN, art. 134. Nos casos de impossibilidade
de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo
contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos
em que intervierem ou pelas omissões de que forem
responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus
filhos menores;
203)A pessoa jurídica Sigma teve lavrado contra si um auto
de infração. A autuação fiscal lhe impôs multa pela falta
de exibição de notas fiscais durante um determinado
período. Após ser citadaem sede de execução fiscal, a
pessoa jurídica Sigma alegou, em embargos à
execução, que não apresentou as notas fiscais porque
elas haviam sido furtadas por seu antigo gerente geral,
que, com elas, praticara ilícito criminal, tendo sido, por
isso, condenado na esfera penal por sonegação fiscal e
furto daquelas notas.
Com base nessa narrativa, no que tange ao pagamento da
multa tributária, assinale a afirmativa correta.
A - A responsabilidade é pessoal do antigo gerente por ter
cometido infração conceituada na lei como crime.
B - A empresa deve arcar com o pagamento da multa,
sendo possível, posteriormente, uma ação de regresso em
face do antigo gerente geral.
C - O antigo gerente não pode ser responsabilizado na
esfera cível/tributária, por já ter sido condenado na esfera
penal.
D - O caso é de responsabilidade solidária, por ter a
empresa nomeado o antigo gerente para cargo de tamanha
confiança.
COMENTÁRIO:Art. 137. A responsabilidade é pessoal
ao agente:
I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou
contravenções, salvo quando praticadas no exercício
regular de administração, mandato, função, cargo ou
emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida
por quem de direito;
III - quanto às infrações que decorram direta e
exclusivamente de dolo específico: dos diretores,
gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de
direito privado, contra estas.
204)A pessoa jurídica XXX é devedora de Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de multa de
ofício e de juros moratórios (taxa Selic), relativamente
ao exercício de 2014. O referido crédito tributário foi
devidamente constituído por meio de lançamento de
ofício, e sua exigibilidade se encontra suspensa por
força de recurso administrativo. No ano de 2015, a
pessoa jurídica XXX foi incorporada pela pessoa jurídica
ZZZ.
Sobre a responsabilidade tributária da pessoa jurídica ZZZ,
no tocante ao crédito tributário constituído contra XXX,
assinale a afirmativa correta.
A - A incorporadora ZZZ é responsável apenas pelo
pagamento da CSLL e dos juros moratórios (taxa Selic).
B - A incorporadora ZZZ é integralmente responsável tanto
pelo pagamento da CSLL quanto pelo pagamento da multa
e dos juros moratórios.
C - A incorporadora ZZZ é responsável apenas pelo tributo,
uma vez que, em razão da suspensão da exigibilidade, não
é responsável pelo pagamento das multas e dos demais
acréscimos legais.
D - A incorporadora ZZZ é responsável apenas pela CSLL e
pela multa, não sendo responsável pelo pagamento dos
juros moratórios.
COMENTÁRIO:Art. 132 CTN e Súmula 554 STJ: Na
hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da
sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela
sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas
referentes a fatos geradores ocorridos até a data da
sucessão. (Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
09/12/2015, DJ 15/12/2015) O novo enunciado dispõe que,
em casos de sucessão empresarial (cisão, fusão,
incorporação, transformação ou alienação), todo o passivo
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tributário, incluindo-se aí as multas punitivas e moratórias,
fica sob a responsabilidade da empresa sucessora.
Vale lembrar do Recurso Especial em Repetitivo nº
923.012/MG.
205)Considere que Luís é um andarilho civilmente capaz que
não elegeu nenhum lugar como seu domicílio tributário,
não tem domicílio civil, nem residência fixa, e não
desempenha habitualmente atividades em endereço
certo.
A partir da hipótese apresentada, de acordo com o Código
Tributário Nacional e no silêncio de legislação específica,
assinale a afirmativa correta.
A - Luís nunca terá domicílio tributário.
B - O domicílio tributário de Luís será o lugar da situação de
seus bens ou da ocorrência do fato gerador.
C - O domicílio tributário de Luís será, necessariamente, a
sede da entidade tributaste.
D - O domicílio tributário de Luís será a residência de seus
parentes mais próximos ou o lugar da situação dos bens de
Luís.
COMENTÁRIO:Art. 127. Na falta de eleição, pelo
contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na
forma da legislação aplicável, considera-se como tal:
I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual,
ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual
de sua atividade;
II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às
firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos
atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada
estabelecimento;
III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer
de suas repartições no território da entidade tributaste.
§ 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas
em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á
como domicílio tributário do contribuinte ou
responsável o lugar da situação dos bens ou da
ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à
obrigação.
§ 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio
eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a
fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do
parágrafo anterior.
206)João e Maria celebraram entre si contrato de locação,
sendo João o locador e proprietário do imóvel. No
contrato, eles estipularam que a responsabilidade pelo
pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e
Territorial Urbana (IPTU) do imóvel será de Maria,
locatária.
Com base nessas informações, assinale a afirmativa correta.
A - O contrato será ineficaz entre as partes, pois transferiu a
obrigação de pagar o imposto para pessoa não prevista em
lei.
B - O contrato firmado entre particulares não poderá se opor
ao fisco municipal, no que tange à alteração do sujeito
passivo do tributo.
C - O contrato é válido e eficaz, e, por consequência dele, a
responsabilidade pelo pagamento do tributo se tornará
solidária, podendo o fisco municipal cobrá-lo de João e/ou
de Maria.
D - No caso de o fisco municipal cobrar o tributo de João,
ele não poderá ajuizar ação regressiva em face de Maria.
COMENTÁRIO:CTN Art. 123. Salvo disposições de lei em
contrário, as convenções particulares, relativas à
responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem
ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição
legal do sujeito passivo das obrigações tributárias
correspondentes.
207)A pessoa jurídica XYZ, prestadora de serviços
contábeis, é devedora de Imposto sobre a Renda
Pessoa Jurídica(IRPJ), além de multa moratória e
punitiva, dos anos-calendário de 2014 e 2015.
No ano de 2016, a pessoa jurídica XYZ foi incorporada pela
pessoa jurídica ABC, também prestadora de serviços
contábeis.
Sobre a responsabilidade tributária da pessoa jurídica ABC,
assinale a afirmativa correta.
A - Ela é responsável apenas pelo IRPJ devido, não sendo
responsável pelo pagamento das multas moratória e
punitiva.
B - Ela é responsável integral, tanto pelo pagamento do
IRPJ devido quanto pelas multas moratória e punitiva.
C - Ela não é responsável pelo pagamento do IRPJ e das
multas moratória e punitiva, uma vez que não praticou o fato
gerador do tributo.
D - Ela é responsável apenas pelo IRPJ e pela multa
moratória, não sendo responsável pelo pagamento da multa
punitiva.
COMENTÁRIO:A responsabilidade do adquirente comercial
pode ser:
λIntegral -> se o alienante não continuar atuando
comercialmente;
λSubsidiária -> se o alienante continuar atuando
comercialmente ou voltar a atuar em até 6 meses (1º
alienante, 2º adquirente);
STJ - Na hipótese de sucessão empresarial, a
responsabilidade da sucessora abrange não apenas os
tributos devidos pela sucedida, mas também as multas
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moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores
ocorridos até a data da sucessão (Súmula 554).
208)João e Pedro são, por lei, contribuintes obrigados
solidariamente a pagardeterminado tributo. Foi
publicada lei que isenta os ex-combatentes do
pagamento de tal tributo,sendo este o caso pessoal
somente de João. Tendo em vista essa situação,
assinale a afirmativa correta.
A - Sendo um caso de isenção pessoal, a lei não exonera
Pedro, que permanece obrigado a pagar o saldo
remanescente, descontada a parcela isenta em favor de
João.
B - Pedro ficará totalmente exonerado do pagamento,
aproveitando-se da isenção em favor de João.
C - O imposto poderá ser cobrado de Pedro ou de João,
pois a solidariedade afasta a isenção em favor deste.
D - Pedro permanece obrigado a pagar integralmente o
imposto, nada obstante a isenção em favor de João.
COMENTÁRIO: CTN: Art. 124. São solidariamente
obrigadas:
II - as pessoas expressamente designadas por lei.
Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não
comporta benefício de ordem.
Solidariedade legal (inciso II): ocorre sob determinação da
lei, que designa expressamente as pessoas que deverão
responder solidariamente pela obrigação tributária. Exemplo:
no caso de encerramento de uma sociedade de pessoas, os
sócios são solidariamente responsáveis, consoante o art.
134, VII, do CTN.
Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os
seguintes os efeitos da solidariedade:
I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita
aos demais;
II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os
obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles,
subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais
pelo saldo;
III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos
obrigados, favorece ou prejudica aos demais.
Quanto à extensão dos efeitos da isenção e da remissão,
ressalvados os benefícios de outorga pessoal, cite-se um
elucidativo exemplo: João, José e Pedro são três co
proprietários de uma área urbana ribeirinha, devendo-se,
assim, pagar o IPTU no valor total de R$ 300,00. Caso haja
isenção pessoal, v.g., para João, os demais – José e Pedro
– continuarão como co-devedores solidários de R$ 200,00,
ou seja, R$ 100,00 para cada, indicando-se o saldo.
209)XYZ é um estabelecimento empresarial que foi alienado
e cujo adquirente continuou a explorar a mesma
atividade.
Considerando que também o alienante de XYZ continuou a
exercer atividade empresarial no mesmo ramo de negócio,
assinale a afirmativa correta.
A - O adquirente é integralmente responsável pelos tributos
devidos até a data da alienação do estabelecimento, sem
responsabilidade do alienante.
B - O adquirente e o alienante são responsáveis, cada qual,
por 50% dos tributos devidos até a data da alienação do
estabelecimento.
C - A responsabilidade pelos tributos devidos até a data da
alienação é integralmente do alienante, sem
responsabilidade do adquirente.
D - Como o alienante continuou a explorar atividade
empresarial, a responsabilidade do adquirente pelos tributos
devidos até a data da alienação é subsidiária com o
alienante.
COMENTÁRIO: CTN Art. 133. A pessoa natural ou jurídica
de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título,
fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial
ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a
mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome
individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou
estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:
I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do
comércio, indústria ou atividade;
II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na
exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data
da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo
de comércio, indústria ou profissão. (se continua explorando
atividade do mesmo ramo, mesmo que em outra loja de
comércio)
210)A pessoa jurídica XYZ celebra contrato de locação de
automóveis com a pessoa jurídica ABC, proprietária dos
veículos, pelo prazo de 5 (cinco) anos. Os automóveis
serão utilizados pelos diretores da pessoa jurídica XYZ.
Segundo o contrato, a locatária XYZ é a responsável
pelo pagamento do Imposto sobre Propriedade de
Veículos Automotores – IPVA de todos os automóveis
durante o prazo contratual.
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
A - O contrato é nulo, uma vez que altera, por meio de
convenção particular, a condição de sujeito ativo da
obrigação tributária.
B - O contrato é válido e eficaz entre as partes, porém não
produzirá efeito contra a Fazenda Pública, que poderá exigir
o IPVA do proprietário dos veículos, a pessoa jurídica ABC.
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C - O contrato é válido e eficaz entre as partes e poderá ser
oposto contra a Fazenda Pública, que somente poderá
exigir o cumprimento da obrigação tributária pela locatária
XYZ, conforme previsão contratual.
D - O contrato é válido e eficaz entre as partes e poderá ser
oposto contra a Fazenda Pública desde que seja editada
Resolução pelo Secretário Estadual de Fazenda autorizando
a referida transferência de sujeição passiva tributária.
COMENTÁRIO:CTN - Art. 123. "Salvo disposições de lei em
contrário, as convenções particulares, relativas à
responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem
ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição
legal do sujeito passivo das obrigações tributárias
correspondentes."
De acordo com Hugo de Brito Machado: "As convenções
particulares não operam alteração na sujeição passiva
tributária. Não obrigam, portanto, a Fazenda Pública a
assegurar a quem não participa da relação de tributação o
direito de defesa no processo administrativo fiscal de
constituição do crédito tributário. O que se obrigou
contratualmente obrigou-se perante o sujeito passivo, e não
perante a Fazenda" (Curso de Direito Tributário, Malheiros).
211)A pessoa jurídica A declarou débitos de Imposto sobre a
Renda (IRPJ) que, no entanto, deixaram de ser quitados.
Diante do inadimplemento da contribuinte, a União
promoveu o protesto da Certidão de Dívida Ativa (CDA)
decorrente da regular constituição definitiva do crédito
tributário inadimplido.
Com base em tais informações, no que tange à
possibilidade de questionamento por parte da contribuinte
em relação ao protesto realizado pela União, assinale a
afirmativa correta.
A - O protesto da CDA é indevido, uma vez que o crédito
tributário somente pode ser cobrado por meio da execução
fiscal.
B - O protesto da CDA é regular, por se tratar de
instrumento extrajudicial de cobrança com expressa
previsão legal.
C - O protesto da CDA é regular, por se tratar de
instrumento judicial de cobrança com expressa previsão
legal.
D - O protesto da CDA é indevido, por se tratar de sanção
política sem previsão em lei.
COMENTÁRIO:
O CDA goza de presunção de certeza e liquidez
relativa, podendo ser afastada por prova em contrário.
Por isso, o STF julgou que " O protesto das certidões de
dívida ativa constitui mecanismo constitucional e legítimo
por não restringir de forma desproporcional quaisquer
direitos fundamentais garantidos aos contribuintes e assim
não constituir sanção política " (ADI 5135)
Demais características da CDA
Quem constitui inscrição em dívida ativa:
- União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios
- Respectivas autarquias (Sociedades de Economia Mista e
Empresas Públicas).
Características do CDA:
- Título executivo extrajudicial (Art. 585 VII CPC e art. 784,
IX do NCPC)
- Embasa a inicial na ação executiva. (Art. 6 §1
LEF). Efeitos da inscrição em dívida ativa:
- Transforma o crédito tributário em dívida ativa tributária
(Contábil);
- Gera presunção de liquidez e certeza do crédito, Lei 6830
art.3º (Material);
- Permite a cobrança da dívida ativa tributária sob as
normas da Lei de Execução Fiscal, lei 6830
(Processual).
212) Com base no Sistema Tributário Nacional, assinale a
alternativa correta.
A - A contribuição de melhoria é um tributo de competência
exclusiva dos Estados federados.
B - As taxas podem ser instituídas pela União, Estados e
Distrito Federal e Municípios.
C - O ICMS tem destinação orçamentária específica.
D - Os impostos têmpor finalidade precípua a intervenção
do Estado na atividade econômica.
COMENTÁRIO:Art. 145 da CF/88. A União, os Estados, o
Distrito Federal e
os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou
pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis;
Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77
consideram-se:
I - utilizados pelo contribuinte:
a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título;
b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória,
sejam postos à sua disposição mediante atividade
administrativa em efetivo funcionamento;
II - específicos, quando possam ser destacados em
unidades autônomas de intervenção, de utilidade, ou de
necessidades públicas;
III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização,
separadamente, por parte de cada um dos seus usuários.
213)O Art. 146, III, a, da Constituição Federal estabelece que
lei complementar deve trazer a definição dos fatos
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