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Agradecimentos
Aos meus irmãos, Raphael e Leonardo. Às minhas queridas
cunhadas Érica e Cintia. Às minhas amigas Rosana Aparecida e
Maria Inês, pela amizade, confiança e incentivo. A todos meus
amigos verdes, com carinho.
Francini Imene Dias Ibrahin
À Francini, minha esposa, fonte eterna de paixão e inspiração,
que faz de nossas vidas um jardim sempre florido. Aos meus pais,
Luis (in memoriam) – grande figura em que sempre me espelharei e
Nadir – minha eterna mãezinha. Aos meus queridos filhos Sérgio,
Pedro e Gabriela, com meu amor eterno.
Fábio José Ibrahin
À Deus, pela vida e oportunidades. À minha família pelo apoio
incondicional. Aos amigos, sem eles eu nada seria; em especial à
Francini e Fábio Ibrahin que me chamaram para este desafio.
Eliane Ramos Cantuária
Sobre a autora
Francini Imene Dias Ibrahin é advogada ambientalista,
professora universitária, mestre em Direito Ambiental e Políticas
Públicas pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP),
especialista em Direito Administrativo pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC/SP) e membro fundadora da
Comunidade de Juristas de Língua Portuguesa (CJLP). Intelectual,
autodidata, ambientalista e escritora em coautoria, dos livros
Legislação Ambiental; Gestão de Resíduos; e, como Reconhecer e
Identificar Plantas. Autora da obra Geoprocessamento Ambiental;
Educação Ambiental e de vários artigos publicados, entre eles: A
relação existente entre o meio ambiente e os Direitos Humanos: um
diálogo necessário com a vedação do retrocesso. Revista do
Instituto de Direito Brasileiro. Lisboa: Faculdade de Direito da
Universidade de Lisboa, ano 1, v. 12, 2012. Danos morais
ambientais coletivos. Revista de Direito Ambiental. São Paulo:
Revista dos Tribunais, v. 58, 2010. p. 134-146.
Fábio José Ibrahin é Mestre em Direito Ambiental e Políticas
Públicas pela Universidade Federal do Amapá. Especialista em
Direito dos Contratos pelo Centro de Extensão Universitária
(CEU/SP). Advogou até 2006, com ênfase nas áreas do Direito Civil,
Direito Administrativo e Direito Processual Penal. Atualmente é
Policial Federal – Departamento de Polícia Federal, no Estado de
São Paulo-SP. Membro fundador da Comunidade de Juristas de
Língua Portuguesa – CJLP (www.cjlp.org). Ambientalista e Autor do
livro: Gerenciamento e controle da água de lastro e a
responsabilidade civil dos operadores do sistema, São Paulo:
Almedina, 2013.
Eliane Ramos Cantuária é amapaense e amazônida de
coração. Bacharel em Comunicação Social com habilitação em
Jornalismo e Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal
do Pará (UFPa). Bacharel em Direito pela Faculdade Seama e
Mestre em Direito Ambiental e Políticas Públicas pela Universidade
Federal do Amapá (Unifap). Servidora Pública do Estado do Amapá
e professora da Faculdade de Macapá, Grupo Kroton. Curiosa por
natureza.
Sumário
Capítulo 1 – O Meio Ambiente e Impactos Ambientais
1.1 Conceito e espécies de meio ambiente
1.2 O meio ambiente e a Constituição Federal
1.3 O desenvolvimento sustentável e o meio ambiente
1.4 A água e o problema de sua contaminação
1.5 Impactos ambientais
1.5.1 Avaliação de impactos ambientais
1.5.2 Licenciamento ambiental
Agora é com você!
Capítulo 2 – Legislação Sobre o Uso e a Destinação da Água e
Efluentes
2.1 Considerações gerais
2.2 Um pouco de história
2.3 O valor da água e a tutela do Estado
2.4 O meio ambiente e a destinação da água e efluentes
2.5 O uso e a destinação da água e efluentes na Constituição
Federal
2.6 A legislação infraconstitucional e as águas e efluentes
2.6.1 A Política Nacional de Recursos Hídricos
2.6.2 As normas e padrões de qualidade da água
2.6.3 A Política Nacional de Saneamento Básico
Agora é com você!
Capítulo 3 – Tratamento de Águas e Efluentes Industriais e
Domésticos
3.1 Considerações gerais
3.2 Um pouco de história
3.3 Da água e sua complexidade ao conceito de tratamento de
águas e efluentes industriais e domésticos
3.3.1 Características do tratamento da água
3.4 Principais processos de purificação da água
3.4.1 Aeração ou arejamento
3.4.2 Sedimentação ou decantação
3.4.3 Coagulação
3.4.4 Filtração
3.4.5 Tratamento por contato, leito de coque, de pedra ou
de pedriscos para remoção do ferro; carvão ativado
para remoção do odor e do sabor
3.4.6 Correção da dureza
3.4.7 Desinfecção
3.4.8 Sabor e odor
3.4.9 Controle da corrosão
3.5 Tratamentos da água mais comumente utilizados
3.5.1 A instalação de desferrização
3.5.2 A utilização de filtros lentos
3.5.3 O tratamento químico
3.5.4 Decantação
3.5.5 A filtração da água
3.5.6 Superfiltros ou dupla filtração
3.6 Considerações iniciais sobre os efluentes
3.6.1 Um pouco de história
3.6.2 O tratamento dos efluentes
3.6.3 Tratamento preliminar
3.6.4 Tratamento primário de efluentes
3.6.5 Tratamento secundário de efluentes
3.6.6 Tratamento terciário ou pós-tratamento
Agora é com você!
Capítulo 4 – O Gerenciamento e os Resíduos Sólidos
4.1 Política Nacional de Resíduos Sólidos
4.1.1 Instrumentos ambientais
4.1.2 Responsabilidade compartilhada
4.1.3 Logística reversa
4.2 Plano Nacional de Resíduos Sólidos
4.2.1 Etapas do Plano de Gerenciamento de Resíduos
4.3 Classificação dos resíduos sólidos
4.3.1 Resíduos perigosos e não perigosos
4.4 Resíduos industriais
4.5 Resíduos químicos
4.5.1 Resíduos químicos em laboratórios de pesquisa e
ensino
4.6 Resíduos radioativos
4.7 Resíduos urbanos
4.8 Resíduos da saúde
4.9 Saneamento básico
4.9.1 Abastecimento da água
4.10 Resíduos do esgoto
Agora é com você!
Capítulo 5 – Tratamento de Resíduos
5.1 Importância do tratamento dos resíduos
5.2 Teoria dos 5 Rs
5.3 Reciclagem de resíduos
5.3.1 Reciclagem de vidro
5.3.2 Reciclagem do plástico
5.3.3 Reciclagem de metais
5.3.4 Reciclagem de papel
5.3.5 Reciclagem de pneus
5.3.6 Compostagem
5.4 Tratamento de resíduos
5.4.1 Processos térmicos
5.4.2 Processos físicos
5.4.3 Controle de emissão de gases poluentes
5.5 Destinação dos rejeitos
5.5.1 Transbordo
5.5.2 Aterros sanitários
5.5.3 Aterros industriais
Agora é com você!
Bibliografia
Apresentação
Amigo leitor, apresentamos a obra Análise Ambiental –
Gerenciamento de resíduos e tratamento de efluentes, com o intuito
de trazer assuntos de interesse nacional e atender a demanda de
cursos em constante crescimento, mediante uma linguagem
simples, didática e objetiva.
Essa obra foi estruturada com fotos, ilustrações e exemplos que
estão presentes em nosso cotidiano. Ao final de cada capítulo,
inserimos exercícios práticos. Possui cinco capítulos distribuídos da
seguinte forma:
Capítulo 1 – O Meio Ambiente e Impactos Ambientais
Inicia a obra com os aspectos gerais e específicos do meio
ambiente; o seu conceito e as suas espécies. Abordaremos o meio
ambiente e sua relação com a Constituição Federal; o
desenvolvimento sustentável entre outros aspectos que envolvem o
meio ambiente. Compreenderemos sobre a importância da água e o
problema de sua contaminação. Observaremos ainda, os impactos
ambientais, em suas principais vertentes: a avaliação dos impactos
ambientais e suas repercussões no meio ambiente, como também o
licenciamento ambiental.
Capítulo 2 – Legislação Sobre o Uso e Destinação da Água
e Efluentes
Trata da legislação que rege o uso e a destinação da água e
efluentes no Brasil. Aborda o valor econômico, social e ambiental
dos recursos hídricos e a importância da tutela do Estado sobre
esses bens ambientais. Observaremos a Constituição Federal de
1988, como também as inovações, a visão da sociedade e do Poder
Púbico sobre a água e os efluentes, e, ainda as políticas nacionais
de Recursos Hídricos e de Saneamento Básico.
Capítulo 3 – O Tratamento de Águas e Efluentes Industriais
e Domésticos
Apresenta informações sobre o tratamento de águas e efluentes
industriais e domésticos. Destaca o conceito, as características, os
principais processos de purificação da água, os tratamentos mais
utilizados, o tratamento de efluentes, os três principais tipos de
tratamento de efluentes e o objetivo de cada um deles, como
também a importância de se trataros efluentes antes de despejar
sobre os cursos d’água para a preservação da saúde humana e do
meio ambiente.
Capítulo 4 – O Gerenciamento e os Resíduos Sólidos
Aborda a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a definição e
classificação dos resíduos, os resíduos perigosos e resíduos não
perigosos, resíduos industriais, resíduos químicos, resíduos urbanos
e, ainda, saneamento básico e os resíduos de esgotos.
Capítulo 5 – Tratamento de Resíduos
Compreende o tratamento dos resíduos, os processos térmicos,
a incineração, o coprocessamento, a pirólise e o plasma; como
também os processos físicos, a centrifugação, a separação
gravitacional, a redução de partículas e o controle de emissão de
gases poluentes. Demonstra ainda o que é a teoria dos R’s e,
também, a finalidade dos aterros sanitários convencionais e aterros
industriais.
Bons estudos!
Os autores
1.1
Para começar
Neste capítulo, iremos estudar os aspectos gerais e específicos do meio
ambiente; o conceito e as suas espécies. Trataremos do meio ambiente e de sua
relação com a Constituição Federal; o desenvolvimento sustentável, entre outros
objetos que envolvem o meio ambiente. Aprenderemos sobre a importância da
água e o problema de sua contaminação. Veremos ainda os impactos
ambientais, em suas principais vertentes: a avaliação dos impactos ambientais e
suas repercussões no meio ambiente, bem como o licenciamento ambiental.
Conceito e espécies de meio
ambiente
Você saberia dizer o que é meio ambiente? Você já parou para
pensar que tudo que nos rodeia é considerado meio ambiente?
Observe. Tudo que está a nossa volta integra o meio ambiente.
Você já deve ter ouvido falar que o ambiente do trabalho é leve, que
o ambiente de tal equipe é descontraído, que um determinado
restaurante tem um ambiente aconchegante. Poderá ter ouvido ainda
que um filme foi ambientado em uma época determinada ou ainda
que a temperatura ambiente é agradável. Perceba que isso tudo
demonstra a intensa relação do homem com o meio ambiente.
Ao falarmos sobre problemas ambientais como contaminação de
rios, falta de água, desmatamento, aquecimento global, poluição etc.,
fica muito mais fácil a visualização do que é o meio ambiente, porém
esse não é o seu único aspecto.
A ideia reducionista que os meios de comunicação transmitem
de que o meio ambiente seria apenas aspectos ligados aos
fenômenos, causas e problemas relacionados com a natureza deve
ser abandonada, uma vez que o termo meio ambiente é muito mais
abrangente. Vejamos.
Derivado do latim, o termo ambiente é composto de dois
vocábulos: amb, que significa ao redor, à volta, e o verbo ire, ir, que
juntos formam: ambire, ou seja, ir a volta, tudo que está em volta, ao
redor. Percebeu a intensidade e amplitude do significado dessas
palavras?
O meio ambiente é objeto de estudo multidisciplinar, envolvendo
as ciências biológicas e exatas, como biologia, ecologia, química,
geografia, física, bem como das ciências humanas, como o direito, a
filosofia, antropologia, sociologia, economia, entre outras.
O artigo 3° da Lei n° 6.938/81, da Política Nacional do Meio
Ambiente, define o conceito de meio ambiente no direito brasileiro,
considerando-o “o conjunto de condições, leis, influências e
interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga e
rege a vida em todas as suas formas”.
»
»
A lei abrange, em sua definição, a proteção do meio ambiente,
do espaço, do lugar que abriga e conserva todas as formas de vida e
a sua interação com diferentes fatores.
A doutrina classifica o meio ambiente como: meio ambiente
natural ou físico, meio ambiente cultural, meio ambiente artificial e
meio ambiente do trabalho. Vamos a eles:
meio ambiente natural ou físico: formado pelo solo, água, ar,
flora e fauna;
Figura 1.1 – Meio ambiente natural. O solo, a água, o ar, a flora (conjunto de
espécies vegetais/plantas) e a fauna (conjunto de animais) integram o meio
ambiente natural.
meio ambiente cultural: formado pelo patrimônio histórico,
artístico, arqueológico, espeleológico, cultural, paisagístico
e turístico;
»
Figura 1.2 – Museu do Ipiranga, localizado na cidade de São Paulo – SP. O prédio
do Museu do Ipiranga foi construído às margens do riacho do Ipiranga, onde D.
Pedro I declarou a independência do país, em 1822. A grandiosa construção, em
estilo neoclássico renascentista, está situada ao fundo do Parque da
Independência.
meio ambiente artificial: constituído pelo conjunto de
edificações (espaço urbano) e equipamentos públicos
(áreas verdes, praças, ruas, avenidas etc.).
»
Figura 1.3 – Conjunto de edificações. É um meio ambiente artificial, um espaço
urbano que também faz parte do meio ambiente.
meio ambiente do trabalho: integra a proteção do homem no
local do seu trabalho, a prevenção de acidentes, as
condições e normas de segurança, saúde, higiene e
salubridade do trabalho.
1.2
Figura 1.4 – Meio ambiente do trabalho. A preocupação com a saúde e segurança
do trabalhador é objeto de proteção ambiental.
É fundamental a observação e conservação do meio ambiente
em todas as suas vertentes. Não há vida saudável sem o equilíbrio
ambiental.
O meio ambiente e a Constituição
Federal
No Brasil, não havia a consciência e preocupação com a
proteção do meio ambiente nas Constituições anteriores à de 1988.
Não havia nem ao menos o emprego do termo meio ambiente. Havia
tão somente referência a alguns de seus elementos, como minério, a
pesca, floresta, entre outros, o que denotava apenas uma
preocupação com aspectos econômicos, e não ambientais.
Com o advento da Constituição Federal de 1988, inaugurou-se
uma nova fase, destacando-se a importância da proteção do meio
ambiente no cenário nacional e mundial ao estabelecer, em seu
artigo 225, que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-
lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
A atual Constituição é considerada por muitos doutrinadores
uma Constituição “verde e cidadã”.
Diante desse cenário, dispõe ela que o meio ambiente é de uso
comum do povo, ou seja, não pertence a indivíduos isolados, mas a
toda a sociedade indistintamente. É essencial e indispensável à
sadia qualidade de vida, isso porque não há como se ter vida
saudável sem a existência de um meio ambiente sadio e
ecologicamente equilibrado.
A Constituição Federal, ao proteger o meio ambiente
ecologicamente equilibrado, tutela a vida em todas as suas formas,
não somente a vida humana, incluindo-se aqui toda a fauna e flora
existentes, o que é muito pertinente, pois ainda desconhecemos
grande parte de nossa biodiversidade, então protegê-la é, sem
dúvida, o melhor caminho a ser seguido.
O leitor pode imaginar: o direito ao meio ambiente sadio e
equilibrado é um direito humano e fundamental para a existência de
uma vida digna.
A defesa e preservação do meio ambiente são dever do poder
público. Não há faculdade, não pode deixar de defendê-lo ou
preservá-lo sob qualquer argumento. Perceba que o poder público
não atua se quiser, ele é obrigado a cumprir tais determinações em
razão do mandamento constitucional.
Cabe também à coletividade igual dever, pois todos temos o
dever de defender e proteger o meio ambiente, juntamente com o
poder público. Ressalte-se que essa obrigação não é para ser
cumprida apenas para o momento atual, para os que aqui vivem,
mas é para resguardar as gerações que virão a existir para que
possam gozar também de um meio ambiente sadio e equilibrado,
garantindo a perpetuação da espécie para o futuro.
Para defender e preservar o meio ambiente, o poder público tem
obrigações específicas previstas na Constituição Federal, e que,
conforme o artigo 225, parágrafo primeiro, são de:
I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e
prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético
do País e fiscalizar as entidades dedicadasà pesquisa e
manipulação de material genético;
III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços
territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos,
sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei,
vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos
atributos que justifiquem sua proteção;
IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio
ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade;
V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de
técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida,
a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino
e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as
práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem
a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
Observem que todos os incisos do parágrafo primeiro do artigo
225 da CF/1988 cuidam da preservação e proteção do meio
ambiente, bem como tratam da educação ambiental. Isso mostra o
quão importantes são a conscientização e a efetiva necessidade de
se preservar e defender o meio ambiente.
É somente com o exercício da cidadania ambiental, gerada pela
educação ambiental, e a preservação e proteção do meio ambiente
1.3
que as decisões e políticas públicas envolvendo a exploração de
recursos naturais ou outros recursos ambientais poderão se tornar
mais sustentáveis ambientalmente. Foto: Arquivos
Figura 1.5 – Meio ambiente natural. O ar, os rios, a vegetação, a terra, os peixes,
entre outros elementos do meio ambiente, são de uso comum do povo. Todos têm
o dever constitucional de proteger, defender e preservar o meio ambiente.
Fique de olho!
O meio ambiente é para o homem o que a alma é para o corpo. Não há vida de
um sem o outro. Estão interligados.
O desenvolvimento sustentável e o
meio ambiente
O desenvolvimento econômico no Brasil foi costumeiramente
realizado de forma poluidora e degradadora. Sem qualquer
preocupação com a sustentabilidade, os produtos eram extraídos da
natureza. O processo de industrialização foi realizado sem nenhuma
preocupação com a preservação ambiental, o que também ocorreu
na maioria dos países.
O marco inicial da conscientização dos governantes e da opinião
pública sobre os problemas e os danos ambientais causados pelo
crescimento econômico e pela produção industrial, como a poluição
da terra, do ar e da água, ocorreu em 16 de junho de 1972, em
Estocolmo, na Suécia, com a realização da Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que contou com a
participação de países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Compareceram representantes de 113 países, organizações não
governamentais e organismos da ONU.
Essa Conferência foi o primeiro grande evento internacional a
adotar medidas de proteção ao meio ambiente de forma global.
Nessa Conferência, foram determinados quais seriam os
princípios comuns que serviriam aos povos do mundo, como
inspiração e guia, para preservar e melhorar o meio ambiente
humano, surgindo assim o documento chamado “Declaração da
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano”,
também conhecido como “Declaração de Estocolmo”, com sete
pontos em seu preâmbulo e 26 princípios.
A Declaração de Estocolmo afirma em seu preâmbulo que o
homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente, que
pode transformar tudo que o cerca, mas deve ter o discernimento de
fazê-lo de forma correta, para poder levar a todos os povos os
benefícios do desenvolvimento e oferecer-lhes a oportunidade de
enobrecer sua existência.
Afirma ainda que o homem, ao promover o progresso, criando
tecnologias novas etc., também é responsável por inúmeros danos
ambientais, como a poluição da água, do ar, da terra, causando
males aos seres vivos, a destruição e o esgotamento de recursos
insubstituíveis, entre outros.
Informa que o homem deve aplicar seus conhecimentos para
criar um meio ambiente melhor para as gerações presentes e
futuras, mediante a participação e a cooperação de todas as nações
e povos; que deve combater os riscos que ameaçam o meio
ambiente e que deve empregar um esforço para a educação em
questões ambientais, dirigida tanto às gerações jovens como aos
adultos.
Foi também criado, na Conferência de Estocolmo, o Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a primeira
agência ambiental internacional, no âmbito da ONU.
Surge em 1987, quinze anos depois da Conferência de
Estocolmo, o Relatório Brundtland, ou Nosso Futuro Comum,
documento produzido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), que
propõe o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo “o
desenvolvimento que atende às necessidades do presente, sem
comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às
próprias necessidades”.
O Relatório Brundtland considerou duas variáveis: ressaltou não
só o componente ambiental como também o componente social do
desenvolvimento, ou seja, que o desenvolvimento deveria ser não só
ambientalmente sustentável como também socialmente sustentável e
economicamente viável.
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento da ONU, em 1992, produziu a Declaração Rio 92,
em que reafirmou os valores consagrados na Declaração de
Estocolmo, reconheceu a natureza integral e interdependente da
Terra e apresentou 27 princípios que deveriam ser observados para
a proteção ao meio ambiente local e internacional.
Essa declaração de princípios consagrou o ser humano como o
centro das preocupações, garantindo-lhe o direito à vida saudável e
produtiva, em harmonia com a natureza.
A Declaração de Princípios serve como um norte a ser seguido a
fim de influenciar e dirigir as políticas e as decisões ambientais de
um país. Esses princípios direcionam os países a adotar leis e regras
que efetivamente venham defender e proteger o meio ambiente.
A Declaração estabelece que os Estados têm o direito de
explorar seus recursos ambientais e a responsabilidade de não
causar danos. Salienta a necessidade de o desenvolvimento
sustentável ser executado atentando-se para os problemas
ambientais, visando resguardar a existência das gerações futuras.
Outra preocupação da Declaração é reafirmar a necessidade de
erradicação da pobreza, de ações internacionais na área ambiental,
atendendo a todos os países, prioritariamente aos países em
desenvolvimento. Traz ainda, em seu bojo, o princípio da
participação, da prevenção e da cooperação entre os países.
Valoriza por sua vez a participação da mulher, dos jovens e do
indígena na proteção ao meio ambiente. Preza por uma solução
pacífica dos conflitos ambientais entre os países e reafirma a
necessidade da participação de todos em busca de um futuro melhor
e um desenvolvimento sustentável.
Ainda na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) de
1992, foi elaborado um programa de ação, conhecido como Agenda
21, que visa garantir o desenvolvimento econômico em condições de
igualdade para toda a humanidade. É uma lista de prioridades para
os países observarem.
O Princípio 1 da Agenda 21 afirma que “os seres humanos
constituem o centro das preocupações relacionadas com o
desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e
produtiva em harmonia com a Natureza”.
Figura 1.6 – Casas de ribeirinhos. Muitos ribeirinhos moram em pequenas casas
de madeira em cima ou ao lado do rio, sem saneamento básico e sem condições
dignas. Exigir melhores condições é um direito. Cuidar do meio ambiente em que
se vive é um dever de todos. O desenvolvimento deve ser sustentável e capaz de
proporcionar uma vida digna a todos.
O Princípio 3 da Agenda 21 dispõe que “o direito ao
desenvolvimento deve exercer-se de forma tal que responda
equitativamente às necessidades de desenvolvimentoe ambientais
das gerações presentes e futuras”, e o Princípio 4 afirma que, “a fim
de alcançar o desenvolvimento sustentável, a proteção do meio
ambiente deverá constituir parte integrante do processo de
desenvolvimento e não poderá considerar-se de forma isolada”.
Figura 1.7 – Modificação de ambiente natural. Exploração de jazida de ferro, no
município de Serra do Navio – AP. O homem deve ter consciência de que a
proteção do meio ambiente deve fazer parte do desenvolvimento econômico.
As propostas da Agenda 21 têm como base a participação
popular, a educação, a vontade política como fatores indispensáveis
para o desenvolvimento sustentável. São ainda tratados pela Agenda
21 temas como a qualidade de vida na Terra, a utilização dos
recursos naturais, a proteção dos oceanos e da atmosfera, o uso de
produtos químicos, o desperdício humano e o crescimento
econômico global.
No Brasil, o tema do desenvolvimento sustentável está
estampado no artigo 170 da Constituição Federal de 1988, que
estabelece a necessidade de equilíbrio entre crescimento
econômico, preservação ambiental e equidade social.
Determina o artigo 170 da Constituição Federal que:
A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e
na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna,
conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes
princípios:
I – soberania nacional;
II – propriedade privada;
III – função social da propriedade;
IV – livre concorrência;
V – defesa do consumidor;
VI – defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços
e de seus processos de elaboração e prestação;
VII – redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII – busca do pleno emprego;
IX – tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital
nacional de pequeno porte;
IX – tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e
administração no País. (destaques nossos)
Perceba que a Constituição Federal de 1988 indicou claramente
a necessidade de harmonia entre as atividades econômicas e a
preservação ambiental, princípios basilares da sustentabilidade.
A melhor distribuição de renda e a erradicação dos problemas
sociais fazem parte de um desenvolvimento sustentável, o que pode
ser obtido com a redução das desigualdades regionais e sociais
observadas num crescimento econômico organizado.
Fique de olho!
Para tratar das questões relacionadas à sustentabilidade, é necessário maior
integração das três dimensões do desenvolvimento sustentável: o crescimento
econômico, a justiça social, conciliados com a preservação ambiental.
O desenvolvimento sustentável implica a existência da vida
sustentável, e se traduz em viver em harmonia com a natureza e
com os demais seres vivos, no acesso à educação, bem como na
garantia de direitos humanos e fundamentais.
Faz parte de um desenvolvimento sustentável a conservação
dos recursos ambientais que sustentam a vida no planeta, mediante
o seu uso sustentável, como a água, o ar, o solo, as plantas, os
animais, as florestas, os campos, os ecossistemas marinhos e
fluviais que dão suporte à pesca, entre outros.
Perceba que o uso é considerado sustentável se for delimitado
pela capacidade de regeneração do recurso ambiental, caso
contrário será considerado degradação ambiental.
Poderíamos considerar mais um passo em busca da
sustentabilidade a minimização do esgotamento dos recursos não
renováveis como o petróleo, o gás e o carvão, que poderia ocorrer
mediante a reciclagem, como também pela utilização em menor
quantidade na fabricação de determinado produto ou pela adoção de
tecnologia limpa.
Atitudes como um comportamento com ética ambiental, o
consumo sustentável, as ações comunitárias, programas de
sustentabilidade podem refletir em um desenvolvimento efetivamente
sustentável.
Um dos aspectos primordiais da existência e manutenção do
desenvolvimento sustentável é educação ambiental. É a educação
ambiental que será o instrumento capaz de contribuir para a
existência de um desenvolvimento sustentável, na medida em que
conscientiza dos problemas ambientais e sociais, bem como
possibilita a participação e o comportamento ético.
1.4
Figura 1.8 – Desmatamento da floresta amazônica. O progresso econômico deve
existir, mas deve ser conciliado com a sustentabilidade ambiental e social.
A educação ambiental caminha ao encontro do desenvolvimento
sustentável porque mostra o rumo adequado e proporciona a
consciência, a possibilidade da multiplicação e do desenvolvimento
de boas práticas ambientais e sociais. Afinal, a sustentabilidade da
Terra está nas mãos do homem. Ele é o único ser responsável pelo
seu futuro e o destino das próximas gerações.
A água e o problema de sua
contaminação
A água é um recurso essencial para o equilíbrio dos
ecossistemas e para a existência de todas as formas de vida na
Terra.
É responsável, ainda, por regular a temperatura corporal, diluir
sólidos e transportar nutrientes e resíduos por entre os vários órgãos
no corpo humano.
Aproximadamente 70% da água doce do mundo é utilizada para
a agricultura. E, nas atividades industriais, ela atua nas etapas de
diluição, transporte e resfriamento dos processos de manufatura e
transformações de matéria-prima.
Nosso planeta tem cerca de 370 milhões de quilômetros
quadrados de água, mas de água salgada, que é imprópria para o
consumo doméstico, agrícola ou industrial, sendo que os processos
de dessalinização possuem um custo altíssimo.
A água cobre 71% da superfície da Terra, sendo que 1,6% estão
nos aquíferos e 0,001% na atmosfera como vapor, nuvens e
precipitação. Os oceanos detêm 97% da água superficial. Geleiras e
calotas polares detêm 2,4%, e outros, como rios, lagos e lagoas,
representam 0,6% da água do planeta.
O Brasil é apontado como um dos países que tem o maior
estoque de água doce do mundo, com aproximadamente 12% do
total de água corrente, de rios e lagos, do planeta. Nós temos o
segundo rio mais extenso do mundo, que é o rio Amazonas, com
mais de mil afluentes, e de longe aquele com maior fluxo de água por
vazão, com uma média superior à dos próximos sete maiores rios
combinados.
Figura 1.9 – A vazão do rio Amazonas é enorme, abrangendo aproximadamente
16% da descarga total dos rios do globo nos oceanos e mares.
Apesar da abundância, o país sofre com a escassez de água
potável em muitos lugares.
A distribuição dessa água é desigual no território nacional, com
a Amazônia concentrando por volta de 70% das nossas reservas de
águas correntes, seguida pelo Centro-Sul, com 27%, e pela Região
Nordeste, com 3%.
Outro fator agravante é a falta de saneamento básico nas
residências da população brasileira. Atualmente, 55% da população
não tem água tratada nem saneamento básico.
Calcula-se também a existência de grande desperdício da água
por empresas de abastecimento e por grande parte da sociedade.
Você já parou para observar o quanto pequenas atitudes como:
não contaminar os cursos d’água; aproveitar as águas da chuva,
armazenado-as de maneira correta; usar produtos biodegradáveis;
»
»
»
fechar a torneira enquanto escova os dentes; evitar o desperdício,
entre outras, podem fazer a diferença?
Figura 1.10 – Poluição hídrica de um córrego. A educação ambiental é um
instrumento capaz de conscientizar a população quanto à importância de se evitar
a poluição da água, que é fonte de vida.
Alguns pesquisadores estimaram que em 2025 mais da metade
da população mundial sofrerá com a falta de água potável.
A contaminação da água é um dos principais problemas que
surgiram nas últimas décadas. As águas contaminadas com
numerosas substâncias recebem o nome de águas residuais.
A água pode ser contaminada de muitas maneiras:
pela acumulação de lixos e detritos nas fontes, poços e
cursos de água;
pelo esgoto doméstico que bairros e cidades lançam nos
rios e mares;
pelo lixo jogado nas ruas, que é carregado pela água da
chuva, contaminando rios,lagos, represas e mares;
»
»
»
pelos resíduos tóxicos, como solventes, metais pesados,
resíduos radioativos, detergentes e desinfetantes, que
algumas fábricas e indústrias lançam nos rios;
pelos produtos químicos, como os agrotóxicos (inseticida,
fungicida, herbicida, bactericida) que os agricultores utilizam
para combater as doenças das suas plantações, aumentar a
produtividade e a qualidade da lavoura, que as águas das
chuvas levam para os rios e para os lençóis de água
subterrâneos;
pelo derramamento de óleo e petróleo nos mares.
Figura 1.11 – Sistema Cantareira. Abastecimento destinado a captação e
tratamento de água para a Grande São Paulo. Atualmente está em crise em razão
do prolongado período de seca. Seus reservatórios já atingiram 8,2% de sua
capacidade utilizável.
Os dejetos humanos lançados nos rios, lagos e mares são
constituídos de matéria orgânica. Esses resíduos causam o aumento
da quantidade de nutrientes disponíveis no ambiente, fenômeno
denominado eutroficação (do grego eu, bem, bom, e trofos, nutrição).
1)
2)
3)
A eutroficação proporciona a proliferação de bactérias
aeróbicas, que consomem rapidamente todo o oxigênio existente na
água, levando vegetais e animais aquáticos à morte, tornando o rio
inadequado para a sobrevivência dos seres vivos, deixando-o como
esgotos a céu aberto.
Esses locais são fontes de muitas doenças, com bactérias que
podem causar diversas doenças como cólera, hepatite, disenteria,
febre tifoide, entre outras.
A utilização do mercúrio pelos garimpeiros para a separação de
ouro e de minério bruto envenena e mata diversas formas de vida.
Os peixes envenenados pelo metal podem causar sérios problemas
no sistema nervoso humano. Essa tem sido uma preocupação
constante especialmente na Região Norte do Brasil.
O reaproveitamento é a melhor solução para o problema dos
esgotos, que devem ser tratados para eliminar as impurezas e matar
os micro-organismos. Os resíduos semissólidos, resultantes do
tratamento dos esgotos, podem ser utilizados como fertilizantes,
enquanto o gás metano, produzido pela putrefação da matéria
orgânica, pode ser utilizado como combustível e para geração de
energia.
Em 1997 entrou em vigor a Lei n° 9.433/1997, também
conhecida com “Lei das Águas”, que instituiu a Política Nacional de
Recursos Hídricos (PNRH) e a criação do Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh) e da Agência
Nacional de Águas (ANA).
Essa lei gerou uma forma de gestão descentralizada e
participativa, a Lei das Águas, e está baseada em seis fundamentos:
A água é um bem de domínio público;
A água é um recurso natural limitado, dotado de valor
econômico;
Em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos
hídricos é para o consumo humano e a dessedentação de
4)
5)
6)
animais;
A gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o
uso múltiplo das águas;
A bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação
da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;
A gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e
contar com a participação do poder público, dos usuários e
das comunidades.
Amplie seus conhecimentosObserva-se a preocupante situação iniciada em março de 2011, em que um
intenso terremoto de grau superior a 9,0 na Escala Richter sacudiu o
arquipélago do Japão, principalmente na região de Fukushima e Miyagi,
secundado por um violento tsunami, que acabou por destruir toda a região e
matar milhares de pessoas.
Naquela oportunidade, as seis centrais elétricas da região, geradoras a partir de
reatores nucleares, foram fortemente abaladas em suas estruturas de
contenção, e passaram a emitir radioatividade não só na atmosfera, mas
também na região litorânea do Oceano Pacífico pelas águas empregadas nas
tentativas de resfriamento dos núcleos dos reatores nucleares. A radiação
emitida com o acidente causou a contaminação da água, peixes e organismos
microscópicos a até 600 quilômetros da costa japonesa.
Em 2014, o assunto voltou novamente à tona quando a agência nuclear do
Japão elevou o nível de gravidade de um vazamento de água com
radioatividade na usina nuclear de Fukushima, passível de escoar, mais uma
vez, para águas da costa marítima japonesa.
Figura 1.12 – Usina nuclear de Fukushima, no Japão. A água que resfriava os
reatores da usina vazou para o Oceano Pacífico, causando a contaminação da
água, peixes e organismos microscópicos existentes na costa japonesa.
Para saber mais, acesse: <http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/radiacao-
atingiu-600-quilometros-da-costa-japonesa-em-3-meses>.
Para garantir a gestão racional e o uso sustentável dos recursos
hídricos, a Lei n° 9.433/1997 estabelece os seguintes instrumentos
1)
2)
3)
4)
5)
de gestão: planos de recursos hídricos; enquadramento dos corpos
d’água em classes, segundo os usos preponderantes; outorga dos
direitos de uso de recursos hídricos; cobrança pelo uso da água; e
sistema de informações sobre recursos hídricos.
É importante você saber que a Organização das Nações Unidas
(ONU) redigiu um documento, em 22 de março de 1992, denominado
“Declaração Universal dos Direitos da Água”, apontando a
importância da água para a existência de vida na Terra. Veja os
artigos:
A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente,
cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada
cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.
A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial
de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não
poderíamos conceber como seriam a atmosfera, o clima, a
vegetação, a cultura ou a agricultura.
Os recursos naturais de transformação da água em água
potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim, a água
deve ser manipulada com racionalidade, precaução e
parcimônia.
O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da
preservação da água e de seus ciclos. Estes devem
permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir
a continuidade da vida sobre a Terra. Esse equilíbrio depende,
em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde
os ciclos começam.
A água não é somente herança de nossos predecessores; ela
é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua
proteção constitui uma necessidade vital, assim como a
obrigação moral do homem para com as gerações presentes e
futuras.
6)
7)
8)
9)
10)
1.5
A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um
valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes,
rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em
qualquer região do mundo.
A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem
envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita
com consciência e discernimento para que não se chegue a
uma situação de esgotamento ou de deterioração da
qualidade das reservas atualmente disponíveis.
A utilização da água implica respeito à lei. Sua proteção
constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo
social que a utiliza. Essa questão não deve ser ignorada nem
pelo homem nem pelo Estado.
A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de
sua proteção e as necessidades de ordem econômica,
sanitária e social.
O planejamento da gestão da água deve levar em conta a
solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição
desigual sobre a Terra.
Educação ambiental, conscientização, combate à poluição da
água e saneamento básico são instrumentos para a existência de um
meio ambiente sadio e equilibrado.
Impactos ambientais
É necessário submeter a uma análise e controle prévio a
implantação de atividades ou obras que efetiva ou potencialmente
possam causar degradação ao meio ambiente. Essa atividade é
necessária a fim de se antever os riscos e possíveis impactos
ambientais a serem corrigidos, prevenidos, minimizados e/ou
compensados quando da sua instalação, sua operação e, em
determinados casos, quando do encerramento das atividades.
1.5.1
A palavra “impacto” (do latim impactus) significa “choque” ou
“colisão”.No direito ambiental ela também aparece nesse sentido,
decorrente da realização de obras ou atividades com alteração
danosa do ambiente natural, artificial, cultural ou social.
A lei define impacto ambiental como “qualquer alteração das
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,
causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das
atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a
segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e
econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio
ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais”.
A Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei n°
6.938/1981, elencou como medidas preventivas afetas ao Estado a
Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e o licenciamento para a
instalação de obras ou atividades potencialmente poluidoras. Vamos
estudá-las!
Avaliação de impactos ambientais
A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) é um importante
instrumento de planejamento e controle que leva em consideração o
meio ambiente na tomada das decisões, levando em conta o fator
ambiental em qualquer ação ou decisão.
É importante não confundir a Avaliação de Impactos Ambientais
(AIA), prevista como instrumento da Política Nacional do Meio
Ambiente, com uma ferramenta do licenciamento ambiental chamada
de Estudo de Impacto Ambiental (EIA), o qual veremos um pouco
mais adiante.
A Avaliação de Impacto Ambiental foi inspirada no direito
americano (National Environmental Policy Act) e foi inserida em
nosso direito positivo pela Lei n° 6.803/1980, dentre as diretrizes
básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição.
Posteriormente, vários Decretos e Resoluções do Conama-Conselho
Nacional do Meio Ambiente foram editados.
A Resolução n° 237, de 19/12/1997, do Conama, que alterou
parte da Resolução n° 001/1986, proporcionou maior organização e
uniformidade ao sistema de licenciamento ambiental até então
vigente no país.
A referida Resolução do Conama, em seu art. 1°, inciso III, deixa
bem claro que a Avaliação de Impacto Ambiental, que ela denomina
de “Estudos Ambientais”, é gênero, de que são espécies todos os
outros estudos relativos aos aspectos ambientais apresentados
como elementos formadores de convicção para a análise da Licença
Ambiental, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle
ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental,
plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise
preliminar de risco.
Destaca-se que a própria Resolução do Conama n° 237/1997
referiu-se ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como uma das mais
importantes espécies de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) e em
seu art. 3° assim estabeleceu:
Art. 3° – A licença ambiental para empreendimentos e atividades
consideradas efetiva ou potencialmente causadoras de significativa
degradação do meio dependerá de prévio estudo de impacto
ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente
(EIA/Rima), ao qual dar-se-á publicidade, garantida a realização de
audiências públicas, quando couber, de acordo com a
regulamentação.
Parágrafo único. O órgão ambiental competente, verificando que a
atividade ou empreendimento não é potencialmente causador de
significativa degradação do meio ambiente, definirá os estudos
ambientais pertinentes ao respectivo processo de licenciamento.
Como se pode ver, a AIA não pode ser reduzida a uma de suas
modalidades, ao EIA/Rima, embora essa seja uma de suas mais
importantes espécies, conforme já salientado.
Poderíamos dizer que a Resolução Conama n° 237/1997 deixou
claro que o EIA é espécie do gênero “avaliação de impactos
ambientais” e que ele é exigível somente quando houver risco de
significativa degradação ambiental, risco esse presumível, salvo
prova em contrário, para as atividades relacionadas no art. 2° da
Resolução Conama n° 001/1986.
1.5.1.1 Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA), seguido do respectivo
Relatório de Impacto Ambiental – Rima, consagrados na expressão
EIA/Rima, é a prática mais frequente e conhecida da AIA. É
considerado um dos mais importantes instrumentos de
compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a
preservação do meio ambiente, já que é providenciado antes da
instalação de obra ou de atividade potencialmente causadora de
significativa degradação, como preleciona o art. 225, §1°, inc. IV, da
CF/1988.
Até meados da década de 1980, não se tinha a menor
preocupação com o meio ambiente quando da análise de projetos
desenvolvimentistas, que somente levavam em conta para sua
aprovação as variáveis técnicas e econômicas, desprezando-se
qualquer preocupação com o meio ambiente, causando graves
impactos locais e regionais, comprometendo em muitas vezes
importantes ecossistemas e grandes bancos genéticos da natureza.
A obrigatoriedade do EIA foi um marco na escala evolutiva do
direito ambiental nacional, pois estávamos ficando cada vez mais
pobres em termos ambientais, e se estudos de impacto sérios
tivessem sido elaborados certamente boa parte desses recursos
naturais que foram para sempre perdidos poderia ter sido
aproveitada e preservada.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto
Ambiental (Rima) não são sinônimos. O EIA é um conjunto de
estudos realizados por especialistas de diversas áreas, com dados
técnicos detalhados, e compreende o levantamento da literatura
científica e legal pertinente, trabalhos de campo, análises de
laboratório e o próprio Rima. O Rima faz parte do EIA. E a conclusão
do EIA deve ser simples e acessível para qualquer interessado.
Servir como suporte para um adequado planejamento de obras
ou atividades que interferem no ambiente, esse é o papel do EIA,
que tem o dever de qualificar e, na medida do possível, quantificar de
forma antecipada o impacto ambiental. Não foi por outro motivo que,
dado seu papel de instrumento preventivo de danos, a Constituição
Federal de 1988 lhe deu o nome jurídico de “estudo prévio de
impacto ambiental”.
O EIA foi concebido com a ideia de se prever o dano, e, a partir
de então, preveni-lo antes de sua manifestação. Daí a necessidade
de que seja elaborado no momento correto, ou seja, antes do início
da execução da atividade ou obra, ou mesmo antes de atos
preparatórios do projeto.
A fim de cumprir sua finalidade, que é a prevenção de danos ao
ambiente, o EIA tem três condicionantes básicos: a transparência
administrativa, a consulta aos interessados e a motivação da decisão
ambiental.
Quanto a sua base legal, o EIA, no Brasil, não nasceu com os
contornos que tem hoje. Foi evoluindo com o passar dos anos e se
solidificou com a nova ordem constitucional de 1988, que, entre
outras inovações, somente tornou exigível o EIA/Rima “para
instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de
significativa degradação do meio ambiente” (art. 225, § 1°, IV, da
CF/1988).
Tendo em vista que o EIA é um documento científico complexo,
envolvendo diversas áreas de conhecimento, optou o legislador
brasileiro em deixar sua elaboração a cargo de uma equipe
multidisciplinar habilitada, conforme diz o art. 11 da Resolução
Conama n° 237/1997.
A habilitação da equipe multidisciplinar se dá com a inscrição de
seus membros no Cadastro Técnico Federal de Atividades, sob a
administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama), conforme definido pela
Resolução Conama n° 001/1988. Somente profissionais, empresas
ou sociedades civis regularmente registrados nesse cadastro é que
I –
II –
III –
IV –
I –
II –
poderão ser aceitos para fins de análise e estudos de impacto
ambiental.
Também afirma a lei que todas as despesas e custos referentes
à realização do EIA, bem como o custo da análise para a obtenção
da licença ambiental, correrão por conta do proponente do projeto,
pois afinal é ele o interessado direto no projeto e o que irá lucrar com
a atividade.
Por determinação legal, tanto o EIA quanto o Rima têm um
conteúdo mínimo fixado. É umadelimitação material que não deixa
qualquer margem de opção ou escolha nem à administração, nem ao
proponente do projeto, nem aos cidadãos interessados.
Com relação ao EIA, são seus requisitos básicos, a saber:
diagnóstico ambiental da área de influência do projeto;
análise dos impactos ambientais;
definição de medidas mitigadoras;
programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos
ambientais.
Já o Rima refletirá as conclusões do EIA. As informações
técnicas que ali devem constar devem estar em linguagem clara e
acessível ao público, bem ilustradas por mapas com escalas
adequadas, quadros, gráficos, imagens etc., de modo que qualquer
um que o ler possa compreender claramente os possíveis impactos
ambientais do projeto e quais seriam suas alternativas, comparando-
se os prós e contras de cada uma delas.
O Rima deverá ter como conteúdo mínimo:
objetivos e justificativas do projeto, sua relação e
compatibilidade com as políticas setoriais, planos e programas
governamentais;
descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e
locacionais, especificando para cada uma delas, nas fases de
construção e operação, a área de influência, matérias-primas,
III –
IV –
V –
VI –
VII –
mão de obra, fontes de energia, processos e técnicas
operacionais, efluentes, emissões de resíduos, perdas de
energia, empregos diretos e indiretos a serem gerados, relação
custo/benefício dos ônus e benefícios sociais e ambientais;
síntese do diagnóstico ambiental da área de influência do
projeto;
descrição dos impactos ambientais, considerando o projeto,
suas alternativas, os horizontes de tempo de incidência dos
impactos, e indicando os métodos, técnicas e critérios adotados
para sua identificação, quantificação e interpretação;
caracterização da qualidade ambiental futura da área de
influência, comparando as diferentes situações de adoção do
projeto e suas alternativas, bem como a hipótese de sua não
realização;
descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas
em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que
não puderem ser evitados e o grau de alteração esperado;
recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões
e comentários de ordem geral).
No campo do EIA/Rima temos dois princípios fundamentais: o
princípio da publicidade e o princípio da participação pública. O
primeiro diz respeito ao direito que qualquer cidadão tem de
conhecer os atos praticados pelos seus agentes públicos. O segundo
aplica-se ao direito que tem o cidadão de intervir no procedimento de
tomada das decisões ambientais. Esses princípios estão alinhados
ao que determina o art. 225, § 1°, inciso IV, da Constituição, que
obriga o Poder Público a dar publicidade ao Estudo Prévio de
Impacto Ambiental, bem como o que determina a Resolução
Conama n° 237/1997, em seu art. 3°, que determina que ao EIA/Rima
se dará publicidade, garantida a realização de audiências públicas.
O EIA/Rima, no direito brasileiro, representa hoje um
instrumento fundamental de proteção ambiental, de suma
importância no controle da qualidade das decisões públicas e
privadas que afetam diretamente o meio ambiente.
Outras modalidades de avaliação de impacto
ambiental (AIA)
A fim de definir qual o estudo apropriado ao licenciamento de
cada empreendimento específico, a AIA contém uma etapa inicial,
chamada de triagem ou definição de âmbito, que realiza a
adequação do estudo ambiental a ser realizado, distinguindo-o
daqueles outros que devem ser submetidos à apresentação de EIA.
Não faz sentido exigirem-se estudos complexos, caros,
demorados como o EIA/Rima, para atividades ou obras simples e/ou
de pequeno porte, que não trazem impactos ambientais relevantes.
Por isso, o Conama editou a Resolução n° 237, de 19/12/1997, que
relacionou, em um rol exemplificativo, as espécies de estudos
ambientais, como: Plano e Projeto de Controle Ambiental; Relatório
Ambiental; Relatório Ambiental Preliminar; Diagnóstico Ambiental;
Plano de Manejo; Plano de Recuperação de Área Degradada e
Análise Preliminar de Risco.
Dessa forma, essas outras modalidades de AIA, ou estudos
ambientais, figuram ao lado do Estudo de Impacto Ambiental e seu
respectivo Relatório – EIA/Rima, que deverá ser utilizado nas
hipóteses legais previstas para sua utilização.
Temos, ainda, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que é
um dos instrumentos associados à Política Nacional do Meio
Ambiente, embora esse nome em específico não conste do diploma
legal. O EIV é uma modalidade de AIA que será aplicado a estudos
de impactos ambientais urbanos, na qual os efeitos repercutirão
estritamente na área urbana, podendo abranger um impacto
ambiental de um sistema viário ou do tráfego urbano.
Compreenda que todos esses instrumentos criados de proteção
ambiental constituem um ferramental poderoso para o Poder Público
1.5.2
fazer uma gestão ambiental eficaz, desafiando-o a criar políticas
públicas coerentes e concretizadoras.
Licenciamento ambiental
O licenciamento ambiental é um procedimento administrativo
pelo qual o órgão ambiental autoriza a localização, a instalação, a
ampliação e a operação de empreendimentos e/ou atividades que
utilizam recursos ambientais e que são consideradas efetiva ou
potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma,
possam dar causa a uma degradação ambiental.
Poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de
atividades humanas. O termo degradação pode ser compreendido
como a alteração adversa das características do meio ambiente. Não
há como estabelecer de forma definitiva as atividades que causam
degradação ou mesmo o grau de alteração adversa ocasionado.
Logo, caberá consulta ao órgão ambiental para determinar se o
empreendimento necessita de licenciamento.
Há atividades que devem ser necessariamente licenciadas. A
Resolução Conama n° 237/97 traz, em seu Anexo I, um rol de
atividades sujeitas ao licenciamento ambiental. Para as atividades lá
listadas, o licenciamento é essencial. Entretanto, essa relação é
apenas exemplificativa.
O empreendedor inúmeras vezes deve procurar o órgão
ambiental por exigência de outros órgãos da administração pública
responsáveis por autorizações de atividades, como as Prefeituras
Municipais, para loteamentos urbanos e construção civil em geral;
Incra, para atividades rurais;· DNER e DER, para construção de
rodovias;· DNPM, para atividade de lavra e/ou beneficiamento
mineral; Ibama ou órgão ambiental estadual, para desmatamento.
Podemos citar como potencialmente poluidoras do meio
ambiente e, portanto, passíveis de licenciamento ambiental: as
atividades agropecuárias relacionadas à criação de animais, ao
cultivo, à irrigação e aos projetos de assentamento e colonização. Os
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impactos ambientais dessas atividades são diversos e variados.
Métodos de cultivo inadequados podem ocasionar o desmatamento,
a degradação dos solos, a desertificação de áreas, a contaminação
dos ecossistemas por agrotóxicos, além de emissões de gás metano
(CH4) para a atmosfera devido às queimadas. A criação de animais,
quando praticada de forma extensiva, igualmente contribui para o
desmatamento e a perda de biodiversidade.
Fique de olho!
A lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605/98), em seu artigo 60, estabelece que é
crime:
”construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do
território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente
poluidores sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou
contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes”.
E determina a seguinte pena: detenção, de um a seis meses, ou multa, ou
ambas as penas cumulativamente.
Igualmente, necessitam de licenciamento ambiental, entre
outras, as atividades de:
extração e tratamento de minerais;
indústria de produtos minerais não metálicos;
indústria de couros e peles;
indústria de produtos de matéria plástica;
indústria de produtos alimentares e bebidas;
transporte, terminais e depósitos;
indústria de fumo.
O processo de licenciamento ambientalé bastante dependente
de informações constantes de mapas, cartogramas, coordenadas de
localização, que são obtidos com o geoprocessamento ambiental.
São esses instrumentos que irão ilustrar e especificar a correta
localização dos empreendimentos e o alcance dos seus impactos
potenciais.
É muito comum a utilização, pelos órgãos ambientais, das
informações cartográficas fornecidas pelo empreendedor em um
processo de licenciamento. Os analistas e licenciadores carregam
tais informações no sistema de posicionamento global (GPS) e as
utilizam em suas vistorias, o que permite verificar e comprovar em
campo, com maior precisão, a veracidade das informações
fornecidas e o contexto geográfico em que se inserem o
empreendimento e/ou atividade.
Os órgãos responsáveis pelo licenciamento no âmbito dos
estados são os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente e, no âmbito
federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), através da Diretoria de Licenciamento
Ambiental, atuante em projetos de infraestrutura que atinjam mais de
um estado e, ainda, nas atividades de petróleo e gás e na plataforma
continental.
A Lei n° 6.938/81 e as Resoluções do Conselho Nacional do
Meio Ambiente (Conama) traçam as principais diretrizes para a
execução do licenciamento ambiental. Além dessas, recentemente
foi publicada a Lei Complementar n° 140/2011, que trata da
competência estadual e federal para o licenciamento, tendo como
fundamento a localização do empreendimento.
Um processo de licenciamento ambiental possui três etapas
distintas: Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de
Operação.
Os estudos ambientais são elaborados pelas equipes
multidisciplinares, devidamente habilitados e registrados no Cadastro
Técnico Federal de Atividades, sob a administração do Ibama,
conforme definido pela Resolução do Conama n° 001/1988, à custa
do empreendedor, e entregues aos órgãos ambientais para análise e
deferimento. Para cada etapa do licenciamento há estudos
específicos a serem elaborados.
Na fase de licença prévia (LP), em sendo o empreendimento de
significativo impacto ambiental, o empreendedor deve encaminhar ao
órgão ambiental o Estudo de Impacto Ambiental e respectivo
Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Para os demais
empreendimentos, são requeridos estudos mais simplificados.
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é um documento técnico-
científico formado por: diagnóstico ambiental dos meios físico, biótico
e socioeconômico; análise dos impactos ambientais do projeto e de
suas alternativas; definição e elaboração das medidas mitigadoras
dos impactos negativos e programas de acompanhamento e
monitoramento ambiental. O Relatório de Impacto Ambiental (Rima)
é um documento público que traz as informações e conclusões do
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e deve ser apresentado de forma
objetiva e adequada à compreensão de toda a população. Nessa
etapa é que são realizadas as audiências públicas para que a
comunidade interessada e/ou afetada pelo empreendimento ou
atividade seja consultada.
Na fase de licença de instalação (LI) o empreendedor deve
elaborar o Plano Básico Ambiental (PBA), que detalha os programas
ambientais necessários para a minimização dos impactos negativos
e a maximização dos impactos positivos, identificados quando da
elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA).
Na fase de licença de operação (LO), o empreendedor deve
elaborar um conjunto de relatórios descrevendo a implantação dos
programas ambientais e medidas mitigadoras previstas nas etapas
de licença prévia (LP) e licença de instalação (LI).
Vamos recapitular?
Neste capítulo aprendemos que o meio ambiente é tudo o que está ao
nosso redor e que ele é classificado em natural ou físico, cultural, artificial e do
trabalho. Vimos ainda que o meio ambiente está previsto e assegurado em
nossa Constituição Federal. Compreendemos que o desenvolvimento econômico
deve ser ambiental e socialmente sustentável. Percebemos que a água é um
1)
2)
3)
4)
recurso essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e para a existência de
todas as formas de vida e que sua contaminação é um dos principais problemas
que surgiram nas últimas décadas.
Observamos ainda que é necessário submeter a uma análise e controle
prévio a implantação de atividades ou obras que efetiva ou potencialmente
possam causar degradação ao meio ambiente, e como instrumentos para
viabilizar essa atividade estatal a legislação elencou como medidas preventivas
afetas ao Estado a Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) e o licenciamento
para a instalação de obras ou atividades potencialmente poluidoras.
Agora é com você!
Qual a sua opinião sobre o desenvolvimento sustentável? É
possível conciliar o crescimento econômico com a justiça social
e a preservação do meio ambiente? Justifique.
Pesquise em jornais, revistas ou sites da internet práticas de
sustentabilidade nas empresas e/ou comunidade.
Assista ao filme indicado a seguir e discuta, com os seus
colegas e os professores, a relação do conteúdo exibido e os
temas abordados neste capítulo.
Pesquise na internet exemplos de Relatório de Impacto
Ambiental (Rima), tal como o Aproveitamento Hidrelétrico Belo
Monte, disponível no site:
http://www.eletrobras.com/ELB/data/Pages/LUMIS46763BB8PT
BRIE.htm e discuta com seus colegas e professores o
conteúdo, a autoria e a importância da sua realização.
2.1
Para começar
Neste capítulo você aprenderá sobre a legislação que rege o uso e a
destinação da água e efluentes no Brasil. Vai compreender sobre o valor
econômico, social e ambiental dos recursos hídricos e a importância da tutela do
Estado sobre esses bens ambientais. Vai compreender ainda o porquê de a
Constituição Federal de 1988 ser considerada um marco no sistema legislativo
brasileiro. E, ainda, observará a visão da sociedade e do Poder Púbico sobre a
água e os efluentes, por meio das políticas nacionais de Recursos Hídricos e de
Saneamento Básico.
Considerações gerais
Calcula-se que aproximadamente 74% da superfície da Terra
seja constituída por água. Por mais abundantes que pareçam os
recursos hídricos, a água disponível para consumo humano se
restringe a 0,8% do total existente no planeta, incluindo não somente
as águas superficiais, mas também as subterrâneas, que podem
estar a uma profundidade de até 4.000 metros. O restante da água
se encontra nos oceanos e nas geleiras.
Saiba que recurso hídrico, segundo o Vocabulário Básico de
Recursos Naturais e Meio Ambiente do IBGE, é a quantidade das
águas superficiais e/ou subterrâneas presente em uma região ou
bacia, disponível para qualquer tipo de uso.
No Oriente Médio, nove entre 14 países vivem em condições de
escassez de água, e desses pelo menos seis devem duplicar a
população nos próximos 25 anos. Além disso, cerca de 40% da
população mundial vive em bacias hidrográficas compartilhadas por
dois ou mais países, o que frequentemente gera conflitos como na
Índia e Bangladesh (Ganges), México e Estados Unidos (Colorado),
República Eslovaca e Hungria (Danúbio).
O Brasil é um país premiado, pois se calcula que cerca de 8%
da reserva mundial de água doce está situada em solo nacional,
sendo que 80% desse montante se concentra na Região Amazônica
e os demais 20% se espalham nas outras regiões brasileiras, que
concentram 95% da população do país.
A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo, com
uma drenagem de 5,8 milhões de km2, 3,9 milhões dos quais se
encontram em solo brasileiro. O rio Amazonas é responsável por
20% da água doce despejada anualmente nos oceanos por todos os
rios do globo, e é o maior do mundo em volume de água. A Bacia do
Prata é a segunda maior bacia da América do Sul, drenan- do uma
área correspondente a 10,5% do território brasileiro, com 3,2 milhões
de km2. Já a Bacia do São Francisco é a terceira bacia hidrográfica
do Brasil e a única totalmente brasileira, ocupando uma área de
aproximadamente 8% do território nacional.
Figura 2.1 – Bacia hidrográfica amazônica. É a maior bacia hidrográfica domundo,
com uma drenagem de 5,8 milhões de km2.
Outro destaque brasileiro são as águas subterrâneas. O
Aquífero Guarani é o maior manancial de água doce do mundo e
está localizado na região centro-leste da América do Sul, alcançando
Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Ocupa uma área de 1,2
milhões de km2, e constitui uma importantíssima reserva estratégica
para o abastecimento da população e para o desenvolvimento de
atividades econômicas e de lazer.
Figura 2.2 – Aquífero Guarani, o maior manancial de água doce do mundo.
Como demonstrado anteriormente, a água é escassa em
determinadas áreas e em outras nem tanto. Um exemplo clássico é o
Brasil: enquanto se tem abundância na Região Amazônica, no sertão
nordestino ela é escassa. Mas inquestionável é a importância da
água à saúde humana e animal, daí por que ela ser considerada um
bem precioso, o que motiva a preocupação de todos os países,
preocupação essa que pode ser refletida em um aparato de leis e
normas que regulam o uso e a destinação de águas e efluentes.
2.2
2.3
Amplie seus conhecimentosUm grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA)
apresentou, no dia 16 de agosto de 2014, um estudo preliminar que aponta o
Aquífero Alter do Chão como o de maior volume de água potável do mundo.
Indicou, ainda, que a reserva subterrânea está localizada sob os estados do
Amazonas, Pará e Amapá e tem volume de 86 mil km3 de água doce, quase o
dobro do volume de água potável do Aquífero Guarani, que conta com 45 mil
km3 de volume. A pesquisa continuará para avaliar o potencial de vazão e
mensurar a capacidade de abastecimento da reserva, como também calcular a
melhor forma de exploração da água, sem comprometer o meio ambiente.
Para saber mais, acesse:
http:<//www.inest.uff.br/index.php/opinioes/108-opiniao/patrimonio-
brasileiro/204-aquifero-alter-do-chao-ou-aquifero-grande-amazonia>
http:<//famildf.com.br/index.php/noticias/510-rio-hamza-ou-aquifero-alter-do-
chao>. Data de acesso: 16/09/2014.
Um pouco de história
A preocupação com a água é registrada em nossa literatura
desde a época do Brasil Colônia. As primeiras normas que afetavam
direta ou indiretamente os recursos hídricos nacionais foram as
Ordenações Afonsinas e Filipinas, consideradas bastante avançadas
para a época, pois foram elaboradas para a Península Ibérica, que, à
época, convivia com a escassez de água potável.
Outros marcos normativos históricos de proteção aos recursos
hídricos brasileiros foram: a proibição, pelos holandeses, do
lançamento de bagaço de cana nos rios e açudes feita pelos
senhores de engenho; como também as Cartas Régias de 1796 a
1799. A primeira criou a figura do “juiz conservador das matas”, e a
segunda proibia o corte da floresta e a derrubada de algumas
espécies madeireiras de valor comercial, entre outros regulamentos
que tinham como foco a preservação e a conservação da natureza
no Brasil Colônia, incluindo as águas no rol de bens protegidos.
O valor da água e a tutela do Estado
Na atualidade, a água é reconhecida como um recurso natural
renovável limitado, porém dotado de economicidade, isto é, dotado
de valor econômico, que inclui o custo ambiental do seu uso. E esse
custo deve ser medido pecuniariamente para que se possa
racionalizar o consumo, sem, é claro, privar a população carente do
mínimo necessário à dignidade.
A perspectiva é de que muitas disputas e guerras sejam
deflagradas nos próximos anos motivadas pela escassez de água no
mundo. Alguns países do Oriente Médio já se encontram em
situação crítica, e até mesmo no Brasil, a cidade de São Paulo, entre
outras cidades, já começa a enfrentar situações de racionamento de
água. Por conta disso, em 17 de setembro de 2013, foi sancionada a
Lei n° 12.862, que estabeleceu diretrizes nacionais para o
saneamento básico, com o objetivo de incentivar a economia no
consumo de água.
O Decreto n° 24.643, de 1934, mais conhecido como Código de
Águas, é considerado a primeira iniciativa do poder público brasileiro
para disciplinar o aproveitamento industrial das águas, assim como o
aproveitamento e a exploração da energia hidráulica.
Apesar de ser chamado de Código de Águas, o Decreto n°
24.643/34 recebeu inúmeras críticas à época por ter tido como base
de sua criação as legislações vigentes na Europa, em especial
França e Itália. O Decreto foi considerado inadequado à realidade
brasileira. Por isso, mesmo reconhecendo a importância histórica do
Decreto, temos a Constituição Federal de 1988 (CF/88) como o
grande marco na forma de observar e preservar o meio ambiente e,
por conseguinte, os recursos hídricos. Não queremos afirmar com
isso que antes de 1988 não havia nenhuma espécie de
regulamentação do uso e dos recursos hidrológicos brasileiros,
conforme já demonstrado anteriormente.
Foi a Constituição de 1988 que reconheceu a água como bem
essencial à sadia qualidade de vida e passou a caracterizá-la
juridicamente como um bem ambiental, regida pelo artigo 225 da
CF/88 e harmonizada com a ordem econômica do capitalismo,
conforme disposto nos seus artigos 1°, inciso IV, e, 170 e seguintes.
A inclusão da água como um bem ambiental, adaptado à ordem
econômica do capitalismo, conforme entendimento adotado pela
atual Constituição, proporcionou ao Estado brasileiro a possibilidade
de gerenciar seu uso, fugindo da mera faceta de “direitos de
propriedade” individuais ou públicos como anteriormente observado;
isto é, como bem ambiental, é de uso comum do povo, dela não
podendo ninguém estabelecer relação jurídica que venha a implicar a
possibilidade do exercício de outras prerrogativas individuais ou
mesmo coletivas de forma absolutamente livre, dependente apenas
de sua vontade, ou desejo da pessoa humana, seja no plano
individual ou metaindividual.
O bem ambiental é de natureza difusa, pertencente a todos
indistintamente, devendo ser gerido e protegido pelo Poder Público,
assim como pelo cidadão, conforme previsto no artigo 225 da CF/88.
Esse bem deve ser utilizado racionalmente pelas atuais gerações
para que se resguardem os direitos das futuras gerações em
também utilizá-los.
Regra geral, o bem ambiental é de uso comum do povo,
portanto o uso e fruição dele são um direito fundamental, uma vez
que está ligado diretamente ao direito à vida. Pode ser observado
sob a perspectiva do macrobem (indivisível e não sujeito a
apropriação) e do microbem, quando o recurso ambiental puder ser
fracionado e passível de apropriação, desde que observadas as
regras próprias de direito.
O uso e fruição e consequentemente o dano ambiental e sua
necessidade de reparação ultra-passam a barreira do individual e
atingem os interesses difusos ou transindividuais, ou seja, atingem
interesses que ultrapassam o interesse puramente individual ou
coletivo sob a perspectiva de um grupo determinado ou facilmente
determinável. O interesse difuso estrutura-se como um interesse
pertencente a todos.
É o artigo 99 do Código Civil Brasileiro que classifica os tipos de
bens públicos. São três as categorias de bens públicos: os de uso
comum do povo, destinados ao uso indistinto de todos, como os
locais abertos à utilização pública, tais como rios, mares, estradas,
ruas e praças, ou seja, são afetados ao uso coletivo; os de uso
especial, que são afetados a um serviço ou estabelecimento público,
tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou
estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou
municipal; os dominicais, que são os únicos a cumprir a função
patrimonial ou financeira do Estado, podendo apenas essa categoria
ser passível de alienação, isto é, transações comerciais como a
venda e compra.
Os bens públicos são submetidos a um regime jurídico especial
de proteção, que os torna inalienáveis, imprescritíveis e
impenhoráveis. A inalienabilidade está relacionada à proibição de
transações de propriedades de valor econômico de um indivíduo,
como imóveis, moto, automóvel, barco, computador, filmadora etc.,
ou corporação, que pode ser convertido em dinheiro; a
imprescritibilidade relaciona-seaos direitos que não se perdem no
tempo; e a impenhorabilidade está relacionada à garantia especial
que se tem de que determinados bens patrimoniais não podem ser
objeto de penhora por credores, em virtude de disposição legal. A
Constituição Federal de 1988 dispõe, no artigo 100, sobre a penhora
de bens públicos, disciplinando a forma pela qual o seu pagamento
deve ser executado. As sentenças judiciárias contra a Fazenda
Pública não permitem a penhora de seus bens.
2.4
Fique de olho!
O artigo 3O artigo 3° da Lei n° 11.445/2007, alíneas a, b, c e d, descreve o que é
considerado saneamento básico, constituindo-se nos serviços de abastecimento
de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana e manejo de resíduos
sólidos; drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Ao mesmo tempo, o
artigo 4drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Ao mesmo tempo, o
artigo 4° apresenta o que não compõe os serviços de saneamento básico, que
são os recursos hídricos (regidos pela Lei n° saneamento básico, que são os
recursos hídricos (regidos pela Lei n° 9.433/97); soluções individuais não
dependentes de terceiros e ação de responsabilidade privada.de terceiros e
ação de responsabilidade privada.
O meio ambiente e a destinação da
água e efluentes
O bem ambiental tem o atributo de ser de uso comum do povo e
fundamental à qualidade de vida dos seres vivos, como observado
no item anterior, sendo, portanto, classificado como juridicamente
relevante, objeto de proteção estatal e tutelado pelo direito
constitucional, administrativo, civil e penal. Por consequência, o
detentor de um bem natural poderá ser responsabilizado no âmbito
administrativo, civil e penal, ante o descumprimento de obrigações
de natureza ambiental a ele impostas pela legislação específica e
pela Constituição.
Percebe-se que o direito, ao tutelar o bem ambiental, tem como
finalidade última resguardar e proteger a vida na Terra. Os bens
ambientais são vistos como escassos, compreendendo a sua
importância para a espécie humana, a necessidade de sua
manutenção e conservação, com foco não apenas no campo
econômico, mas especialmente no campo social, resguardando o
direito das futuras gerações.
Então, o titular do bem ambiental é a coletividade, assim
entendida como os brasileiros e estrangeiros residentes no país (CF,
art. 5°, caput). Trata-se, pois, de um direito transindividual, de
natureza indivisível, cujos titulares são pessoas indeterminadas,
ligadas por uma circunstância de fato.
Bem ambiental, necessário à vida, seja ela humana ou animal,
harmonizada pelas regras do capitalismo, a água é um insumo
básico para quase todos os processos industriais, e é vital para a
produção de alimentos. Daí sua importância imprescindível às
nações.
O crescimento populacional, aliado à crescente demanda por
água potável dos grandes centros urbanos e à elevação dos níveis
de poluição e consequentemente contaminação dos mananciais de
água, tem levado os países a buscar novas alternativas para o
controle da utilização da água, ou seja, o uso racional desse recurso.
De acordo com o Instituto Trata Brasil, no período de 2003 a
2007, a população brasileira produziu aproximadamente 8,4 bilhões
de litros de esgoto por dia. Desse volume, 5,4 bilhões, ou seja, 64%,
não receberam nenhum tipo de tratamento e foram despejados
diretamente no meio ambiente, contaminando o solo, rios,
mananciais e praias do país inteiro, sem citar os danos que essa
prática ocasiona à saúde da população.
Pesquisas relacionadas ao reuso da água e à destinação dos
efluentes são incentivadas como uma das estratégias para se
conservar a potabilidade da água na atualidade e no futuro. Isso
porque se observa que os mananciais atuais utilizados para o
abastecimento público estão cada vez mais poluídos e deteriorados,
seja pela carência de investimentos em coleta, seja pela falta de
controle público. Ademais, novos mananciais necessários para suprir
as demandas por água potável se situam cada vez mais distantes
dos centros consumidores, ocasionando maiores despesas com o
transporte do líquido e com tratamento e disposição final de esgotos
e dos resíduos sólidos gerados pela sua utilização.
2.5
Figura 2.3 – Descarga de um efluente industrial e esgoto não tratado despejado
em um córrego. Isso representa uma ameaça à saúde da população.
As águas superficiais possuem múltiplos usos, servindo para o
abastecimento público, processos industriais e agricultura. São
diretamente utilizadas como receptoras de despejos industriais e
domésticos. Indiretamente, são influenciadas por fontes difusas de
poluição, como agrotóxicos ou resíduos sólidos. As cargas
atmosféricas também atingem as águas pelas chuvas ou mesmo
diretamente, através da queda de partículas em suspensão.
Compreenda que, ao mesmo tempo em que há uma carência
crescente por água potável no mundo, há também uma necessidade
crescente de repensar a forma como vem sendo despejada a água
utilizada, seja pelo uso doméstico, seja pelo uso industrial, para que
seja garantido o retorno desses efluentes ao meio ambiente
ocasionando o menor dano possível.
Fique de olho!
Aproximadamente 65% de toda a água atualmente consumida é utilizada na
agricultura, com 25% utilizados pelas indústrias e o restante, cerca de 10%, para
os fins urbanos, isto é, uso doméstico.
O uso e a destinação da água e
efluentes na Constituição Federal
No início dos anos 1980, o Brasil, e a maior parte dos países
latino-americanos, experimentou um intenso processo de
democratização política, econômica e social, que culminou com uma
maior participação da sociedade civil organizada nas discussões de
temas importantes como infraestrutura, saúde, direitos humanos,
comunicação, educação e, muito especialmente, o meio ambiente,
segmento que até então permanecia esquecido das decisões
políticas.
A problemática ambiental se tornou causa social e aglutinou
grupos de vários setores sociais, cuja força política começou a
despertar o interesse de categorias sociais nunca antes visto como
parlamentares, governantes, trabalhadores, industriais, jovens e
mulheres. Preservar e conservar os recursos naturais passou a ser a
ordem do dia, o que motivou as discussões para que surgissem os
atuais instrumentos para a proteção legal da natureza.
Reconheceu-se que a visão individualista do direito, que marcou
todo o século XIX e até a primeira metade do século XX, não mais se
mostrava suficiente para resolver questões de intensa repercussão
social. Assim, nasceram as demandas coletivas, como um novo
paradigma na ordem jurídica, não mais preocupada apenas com as
normas moldadas essencialmente para cuidar da relação entre
indivíduos ou dos conflitos entre o indivíduo e o Estado, mas um
novo pensar, a era dos direitos coletivos ou difusos, que nasceram
com a característica principal de indeterminação de seus titulares e
indivisibilidade de seu objeto.
Nesse contexto de redemocratização, de inserção das
discussões sobre os direitos coletivos e a importância do meio
ambiente para a qualidade de vida do homem é que a Constituição
Federal de 1988 foi gestada. Daí por que ela ser considerada um
grande marco no direito pátrio e uma das mais modernas do mundo.
A introdução de temas como Comunicação, Meio Ambiente, Cidades
demonstra o nível de participação e de pressão social nas
proposições legislativas dos deputados constituintes.
Essas explicações são necessárias para que o leitor tenha ideia
da atual estrutura da nossa Carta Magna, entendendo que, mesmo
sendo um documento imprescindível para a organização política do
Estado brasileiro, a Constituição ainda se mostra incompleta em
determinadas áreas, carecendo de regulamentação, o que na
linguagem jurídica significa dizer leis específicas que regem a
matéria, leis especiais ou leis infraconstitucionais.
Na verdade, caro leitor, a Constituição apresenta as diretrizes da
ação estatal para determinados temas, e as demais leis organizam a
atuação estatal de acordo com o que foi escrito na Constituição, daí
por que se falar em PolíticaNacional de Meio Ambiente, Política
Nacional de Recursos Hídricos, Política Nacional de Saneamento
Básico, entre outras.
Partindo da Constituição Republicana de 1988, temos o
reconhecimento da água como bem ambiental, portanto
imprescindível à sadia qualidade de vida, conforme já visto
anteriormente. No mesmo documento, o artigo 21, incisos XIX e XX,
expressa respectivamente a competência da União em instituir o
sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir
critérios de outorga de direitos de seu uso; e instituir diretrizes para o
desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e
transportes urbanos.
O termo saneamento básico deve ser entendido como o
conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de
abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana,
manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais
urbanas, conforme definição expressa na Lei n° 11.445, de 05 de
janeiro de 2007 (lei especial, conforme vimos anteriormente).
Observe que a Constituição lá em 1988 já previu a
responsabilidade da União em instituir um sistema para o
gerenciamento dos recursos hídricos que levasse em consideração o
bem ambiental e a necessidade de autorizações para utilização
desse bem que é de uso comum, e, portanto, imprescindível à vida.
Esse mesmo sistema deveria observar ainda o desenvolvimento
urbano, garantindo a todos o uso racional desse recurso ambiental.
A Constituição foi mais longe ao garantir a todos os direitos de
habitação, transportes urbanos e saneamento básico, este, por sua
vez, compreendendo uma série de obras e serviços que garantem o
retorno dos resíduos e efluentes ao meio ambiente com a menor
carga possível de agentes poluidores. Por isso, dizemos que desde a
Constituição de 1988, a chamada Constituição Cidadã, já houve a
garantia indiscriminada de que todos recebessem água potável para
o consumo e a garantia de se ter as águas servidas, ou seja, as já
2.6
utilizadas, escoadas pelo Poder Público para que sejam realizados o
tratamento e o retorno desse material à natureza. Observe que
estamos falando em garantia constitucional, que virá a se efetivar por
meio de políticas públicas.
As políticas públicas são construídas por toda uma conjuntura
social, econômica e política de pressão em que o Estado passa a
agir como um mediador dessas pressões da sociedade. E a partir
dos anseios sociais se criam estratégias para solucionar os
problemas, ou seja, é a partir das necessidades sociais que surgem
os serviços públicos. Importante ressaltar, caro leitor, que as
pressões sofridas pelo Estado para a execução de políticas públicas
devem atender não apenas os interesses das elites, mas de todos
em níveis local, nacional e também internacional, em especial na
seara ambiental.
A legislação infraconstitucional e as
águas e efluentes
A Constituição Federal é a responsável pela definição de
princípios e diretrizes gerais da organização do país. Está no topo
das leis, isto é, está acima das demais, devendo estas se
compatibilizar com aquela. Na seara do direito, se faz referência à
Pirâmide de Kelsen para entender a hierarquização e subordinação
das leis (veja Figura 2.4).
Figura 2.4 – Pirâmide de Kelsen.
Nesse cenário, foi então a própria Constituição Federal de 1988
que delegou a responsabilidade à União de instituir um sistema para
o gerenciamento dos recursos hídricos que levasse em consideração
o bem ambiental e as autorizações para utilização desse bem. Ela
previu ainda que esse sistema deveria obrigatoriamente observar o
desenvolvimento urbano, garantindo a todos, indiscriminadamente, o
uso racional da água. Foi a Constituição, também, que garantiu o
direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e
sadio e o saneamento básico, compreendido como obras e serviços
necessários à garantia do retorno dos resíduos e efluentes ao meio
ambiente com o mínimo possível de agentes poluidores. Logo, é
dever do Estado, garantido pela Constituição, a prestação de
serviços de água e saneamento básico.
Os padrões de qualidade ambiental são instrumentos legais para
a execução da Política Nacional do Meio Ambiente. Nasce, então, a
competência do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama),
que é a de instituir normas, critérios e padrões relativos ao controle e
à manutenção da qualidade do meio ambiente com vistas ao uso
racional desses recursos ambientais.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é um órgão
consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente
a)
b)
c)
d)
e)
(Sisnama). Foi instituído pela Lei n° 6.938/81, que dispõe sobre a
Política Nacional do Meio Ambiente. É presidido pelo ministro do
Meio Ambiente. É um órgão colegiado representativo de cinco
setores, a saber: órgãos federais, estaduais, municipais, setor
empresarial e sociedade civil.
As competências do Conama são:
estabelecer normas e critérios para o licenciamento de
atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, a ser
concedido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e
Municípios e supervisionado pelo referido Instituto;
determinar, quando julgar necessário, a realização de
estudos das alternativas e das possíveis consequências
ambientais de projetos públicos ou privados, requisitando
aos órgãos federais, estaduais e municipais, bem como às
entidades privadas, informações, notadamente as
indispensáveis à apreciação de Estudos Prévios de Impacto
Ambiental e respectivos Relatórios, no caso de obras ou
atividades de significativa degradação ambiental, em
especial nas áreas consideradas patrimônio nacional;
decidir, por meio da Câmara Especial Recursal - CER, em
última instância administrativa, em grau de recurso, sobre
as multas e outras penalidades impostas pelo Ibama;
determinar, mediante representação do Ibama, a perda ou
restrição de benefícios fiscais concedidos pelo Poder
Público, em caráter geral ou condicional, e a perda ou
suspensão de participação em linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito;
estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de
controle da poluição causada por veículos automotores,
aeronaves e embarcações, mediante audiência dos
Ministérios competentes;
f)
g)
h)
i)
j)
k)
l)
m)
n)
o)
estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle
e à manutenção da qualidade do meio ambiente, com vistas
ao uso racional dos recursos ambientais, principalmente os
hídricos; estabelecer os critérios técnicos para a declaração
de áreas críticas, saturadas ou em vias de saturação;
acompanhar a implementação do Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Nature-za-SNUC conforme
disposto no inciso I do art. 6° da Lei n° 9.985, de 18 de julho
de 2000;
estabelecer sistemática de monitoramento, avaliação e
cumprimento das normas ambientais;
incentivar a criação, a estruturação e o fortalecimento
institucional dos Conselhos Estaduais e Municipais de Meio
Ambiente e gestão de recursos ambientais e dos Comitês
de Bacia Hidrográfica;
avaliar regularmente a implementação e a execução da
política e normas ambientais do País, estabelecendo
sistemas de indicadores;
recomendar ao órgão ambiental competente a elaboração
do Relatório de Qualidade Ambiental, previsto no inciso X
do art. 9° da Lei n° 6.938, de 1981;
estabelecer sistema de divulgação de seus trabalhos;
promover a integração dos órgãos colegiados de meio
ambiente;
elaborar, aprovar e acompanhar a implementação da
Agenda Nacional do Meio Ambiente, a ser proposta aos
órgãos e às entidades do Sisnama, sob a forma de
recomendação;
deliberar, sob a forma de resoluções, proposições,
recomendações e moções, visando o cumprimento dos
p)
a)
b)
c)
d)
2.6.1
objetivos da Política Nacional de Meio Ambiente;
elaborar o seu regimento interno.
Os principais atos do Conama são:
as resoluções utilizadas quando se tratar de deliberação
vinculada a diretrizes e normas técnicas, critérios e padrões
relativos à proteção ambiental e ao uso sustentável dos
recur-sos ambientais;
as moções, quando setratar de manifestação, de qualquer
natureza, relacionada à temática ambiental;
as recomendações, quando se tratar de manifestação
acerca da implementação de políticas, programas públicos
e normas com repercussão na área ambiental, inclusive
sobre os termos de parceria de que trata a Lei n° 9.790, de
23 de março de 1999;
as proposições, quando se tratar de matéria ambiental a ser
encaminhada ao Conselho de Governo ou às Comissões do
Senado Federal e da Câmara dos Deputados; as decisões,
quando se tratar de multas e outras penalidades impostas
pelo Ibama, em última instância administrativa e grau de
recurso, por meio de deliberação da Câmara Especial
Recursal – CER.
A Política Nacional de Recursos
Hídricos
A Lei n° 9.433, de 08 de janeiro de 1997, também conhecida
com “Lei das Águas”, instituiu a Política Nacional de Recursos
Hídricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos (Singreh). Segundo essa Lei, a Política Nacional
de Recursos Hídricos tem seis fundamentos.
a)
b)
c)
O primeiro deles é o reconhecimento de que a água é um bem
de domínio público. O segundo é que ela é um recurso natural
limitado, dotado de valor econômico. O terceiro define as prioridades
para o caso de escassez, prioritariamente para o consumo humano e
em seguida para o consumo de animais. O quarto fundamento diz
respeito à gestão dos recursos hídricos e prevê o uso múltiplo das
águas. O quinto define bacia hidrográfica como a unidade territorial
passível de implementação da Política Nacional de Recursos
Hídricos (PNRH) e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento
de Recursos Hídricos (Singreh). E o sexto obriga à gestão
descentralizada dos recursos hídricos, contando com a participação
do Poder Público, dos usuários e das comunidades.
O artigo 2° da Lei das Águas apresenta os objetivos da PNRH.
São eles:
I – assegurar à atual e às futuras gerações a necessária
disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos
respectivos usos;
II – a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo
o transporte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento
sustentável;
III – a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de
origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos
naturais.
As diretrizes gerais de ação do Estado, previstas no artigo 3° da
Lei das Águas, são:
a gestão sistemática dos recursos hídricos, sem dissociação
dos aspectos de quantidade e qualidade; isto é, não há como
gerenciar os recursos hídricos sem observar aspectos ligados à
quantidade e à qualidade dos mananciais;
a adequação da gestão de recursos hídricos às diversidades
físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais
das diversas regiões do País;
a integração da gestão de recursos hídricos com a gestão
ambiental;
d)
e)
f)
a articulação do planejamento de recursos hídricos com o dos
setores usuários e com os planejamentos regional, estadual e
nacional;
a articulação da gestão de recursos hídricos com a do uso do
solo;
a integração da gestão das bacias hidrográficas com a dos
sistemas estuarinos e zonas costeiras.
Observe que na gestão dos recursos hídricos, além da
quantidade e da qualidade dos mananciais de água, outros itens
devem ser observados, como as peculiaridades regionais, o uso
adequado do solo, as características geofísicas das bacias
hidrográficas. Uma obrigatoriedade imposta à União pela Lei das
Águas é articulação com os estados para o gerenciamento dos
recursos hídricos de interesse comum.
A mesma lei apresenta os instrumentos da Política Nacional de
Recursos Hídricos. São eles: os Planos de Recursos Hídricos; o
enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos
preponderantes da água; a outorga dos direitos de uso de recursos
hídricos; a cobrança pelo uso de recursos hídricos; a compensação a
municípios; o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos.
Você sabe o que são Planos de Recursos Hídricos?
São planos diretores que orientam a implementação da Política
Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos
hídricos. Eles devem ser de longo prazo, para que prevejam
planejamento compatível com o período de implantação de
programas e projetos, tendo como conteúdo mínimo o diagnóstico da
situação dos recursos hídricos; a análise de alternativas de
crescimento demográfico, de evolução de atividades produtivas e de
modificações dos padrões de ocupação do solo; o balanço entre
disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em
quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais;
metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria
da qualidade dos recursos hídricos disponíveis; medidas a serem
tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a serem
implantados, para o atendimento das metas previstas; prioridades
para outorga de direitos de uso de recursos hídricos; diretrizes e
critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos; propostas
para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos. Há ainda a obrigatoriedade, prevista
na Lei das Águas, de elaboração de Planos de Recursos Hídricos
por bacia hidrográfica, por estado e para o país.
O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os
usos preponderantes da água, visa assegurar às águas qualidade
compatível com os usos mais exigentes a que forem destinadas;
diminuir os custos de combate à poluição das águas, mediante ações
preventivas permanentes.
Fique de olho!
Outorga é ato pelo qual se consente, dá, atribui, transmite, concede, autoriza
outra pessoa a praticar algo em seu nome. É também a concessão de um direito
para fazer algo, como no caso dos recursos hídricos, quando é dada a outorga
do direito de uso, isto é, confere ao outorgado o direito de utilização de um lago,
rio, ou águas subterrâneas, mas não confere ao usuário a propriedade à água,
apenas o direito à sua utilização. Para o direito há uma grande diferença entre o
direito de uso e o direito de propriedade. No primeiro caso, a cessão se restringe
à utilização, enquanto no segundo o direito assegura a seu titular uma série de
poderes como usar, gozar, usufruir, dispor e reaver um bem, de modo absoluto,
exclusivo e perpétuo (art. 5°, XXII e XXIII, CF).
O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos não
implica a alienação parcial das águas, que são inalienáveis,
conforme visto anteriormente, mas o simples direito de seu uso. Tem
como objetivo assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos
da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. Estão
sujeitos à outorga pelo Poder Público os direitos de uso, a derivação
ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para
consumo final, inclusive abastecimento público ou insumo de
processo produtivo; a extração de água de aquífero subterrâneo para
consumo final ou insumo de processo produtivo; como também o
lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líquidos
ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte
ou disposição final; o aproveitamento dos potenciais hidrelétricos e
outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da
água existente em um corpo de água.
A própria Lei n° 9.433 de 1997 expressa situações em que os
direitos de uso não dependem de outorga pelo Poder Público, como
o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de
pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural; as
derivações, captações e lançamentos considerados insignificantes;
as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes.
Observe que todas as situações em que não há a necessidade de
formalização da outorga para se ter direito ao uso da água estão
relacionadas à insignificância do volume da água utilizada,
diferentemente da utilização para a geração de energia elétrica, caso
específico em que há a necessidade da outorga.
A outorga será efetivada por ato da autoridade competente do
Poder Executivo Federal, dos Estados ou do Distrito Federal,podendo o Poder Executivo Federal (Presidência da República)
delegar aos Estados e ao Distrito Federal a competência para
conceder outorga de direito de uso de recurso hídrico de domínio da
União.
A Lei faculta ainda a suspensão parcial ou total da outorga, em
definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias:
I – não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;
II – ausência de uso por três anos consecutivos;
III – necessidade premente de água para atender a situações de
calamidade, inclusive as decorrentes de condições climáticas
adversas;
IV – necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação
ambiental;
V – necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse
coletivo, para os quais não se disponha de fontes alternativas;
VI – necessidade de serem mantidas as características de
navegabilidade do corpo de água.
O prazo máximo para a outorga de direitos de uso dos recursos
será de 35 anos, podendo ser renovado.
Coube ainda à Lei das Águas criar uma estrutura administrativa
para analisar, coordenar e acompanhar as decisões do Poder
Público ligadas aos recursos hídricos. Tem-se, então, a criação do
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh),
que por sua vez é formado pelo Conselho Nacional de Recursos
Hídricos, pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelos Conselhos
de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal, pelos
Comitês de Bacias Hidrográficas, pelas Agências de Água e pelas
Organizações civis de recursos hídricos. Observe na figura a seguir o
esquema de organização do Singreh.
Figura 2.5 – Organização do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos-Singreh.
Apesar de comporem o Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos, conforme visto anteriormente, os Conselhos de
Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal, os Comitês de
Bacias Hidrográficas, as Agências de Água e as Organizações de
Recursos Hídricos não serão objeto de estudo neste capítulo, por
dependerem de estabelecimento pelos estados e municípios, por
isso nos ateremos a breves comentários acerca do Conselho
Nacional de Recursos Hídricos e da Agência Nacional de Águas para
que se tenha uma ideia de como se dá a gerência dos recursos
hídricos no país.
2.6.1.1 Sistema Nacional de Gerenciamento de
Recursos Hídricos
O Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(Singreh) foi criado pela Lei n° 9.433 de 1997 e tem como objetivo, de
acordo com artigo 32 da referida lei, coordenar a gestão integrada
das águas; arbitrar administrativamente os conflitos relacionados
com os recursos hídricos; implementar a Política Nacional de
Recursos Hídricos; planejar , regular e controlar o uso, a preservação
e a recuperação dos recursos hídricos; e promover a cobrança pelo
uso de recursos hídricos. É composto por representantes do
Conselho Nacional de Recursos Hídricos; Agência Nacional de
Águas (ANA); Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do
Distrito Federal; Comitês de Bacia Hidrográfica; órgãos dos poderes
públicos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais cujas
competências se relacionem à gestão de recursos hídricos; e
Agências de Água.
2.6.1.2 Conselho Nacional de Recursos Hídricos
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos também foi criado
pela Lei das Águas e é composto por representantes dos Ministérios
e Secretarias da Presidência da República com atuação no
gerenciamento ou no uso de recursos hídricos; representantes
indicados pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos;
representantes dos usuários dos recursos hídricos; representantes
das organizações civis de recursos hídricos. É presidido pelo ministro
do Meio Ambiente.
Entre as competências expressas no art. 35 da Lei n°
9.433/1997, que trata do Conselho Nacional de Recursos Hídricos,
se destacam a compatibilização dos planejamentos de recursos
hídricos nacional, regionais, estaduais e dos setores usuários; ser a
última instância para arbitrar conflitos entre Conselhos Estaduais de
Recursos Hídricos; aprovar propostas de instituição dos Comitês de
Bacia Hidrográfica; aprovar e acompanhar a execução do Plano
Nacional de Recursos Hídricos; analisar propostas de alteração da
legislação pertinente a recursos hídricos e à PNRH.
2.6.1.3 A Agência Nacional de Águas
A Agência Nacional de Águas (ANA) foi criada por meio da Lei n°
9.984, de 17 de julho de 2000, com a finalidade de implantar e
gerenciar a Política Nacional de Recursos Hídricos e coordenar o
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Está
vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.
A atuação da ANA deverá, por força da lei de sua criação,
obedecer aos fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos da
Política Nacional de Recursos Hídricos, isto é, da Lei n° 9.433/97
anteriormente citada, e deverá ser desenvolvida em articulação com
órgãos e entidades públicas e privadas integrantes do Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Entre as atribuições da ANA, definidas pela lei que a criou,
podem se destacar: a supervisão, controle e avaliação das ações e
atividades decorrentes do cumprimento da legislação federal
pertinente aos recursos hídricos; disciplinar a implementação,
operacionalização, controle e avaliação dos instrumentos da Política
Nacional de Recursos Hídricos até por meio da criação de normas;
outorgar, por intermédio de autorização, o direito de uso de recursos
hídricos em corpos de água de domínio da União; planejar e
promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os efeitos de
secas e inundações, no âmbito do Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, em articulação com o órgão
central do Sistema Nacional de Defesa Civil, em apoio aos Estados e
Municípios; estimular a pesquisa e a capacitação de recursos
humanos para a gestão de recursos hídricos; entre outras atribuições
necessárias ao cumprimento de suas finalidades, que são implantar
e gerenciar a Política Nacional de Recursos Hídricos e coordenar o
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, sempre
tendo em mente os seis fundamentos da Política Nacional de
Recursos Hídricos, quais sejam: a água é um bem de domínio
público; é um recurso natural limitado, mas dotado de valor
econômico; deve prioritariamente atender as necessidades do
consumo humano e em seguida o consumo de animais, em caso de
escassez; a gestão dos recursos hídricos é baseada no uso múltiplo
das águas; as bacias hidrográficas são a unidades territoriais
passíveis de implementação da PNRH e atuação do Singreh; deverá
a gestão dos recursos hídricos contar com a participação do Poder
Público, dos usuários e das comunidades, isto é, tem o caráter
participativo.
No exercício de suas competências, a ANA zelará pela
prestação do serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários,
em observância aos princípios da regularidade, continuidade,
eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia, modicidade
tarifária e utilização racional dos recursos hídricos. Esses princípios
são os que regem os serviços públicos, que podem ser traduzidos
em qualidade no atendimento das necessidades da sociedade, por
um preço justo e acessível a todos, utilizando-se para tanto da
melhor tecnologia disponível, o que na área da administração
significa otimização de recursos, sejam eles humanos, materiais ou
naturais.
Outro ponto que merece destaque está relacionado aos prazos
das outorgas de direito de uso, que podem ser compreendidos como
o prazo em que o particular ou uma empresa poderá usar o recurso
hídrico, observado o disposto em lei e/ou em contrato, como se seu
fosse, lembrando que as outorgas citadas aqui dizem respeito às que
pertencem ao domínio da União: até 2 anos, para início da
implantação do empreendimento objeto da outorga; até 6 anos, para
conclusão da implantação do empreendimento projetado; até 35
anos, para vigência da outorga de direito de uso.
A ANA é dirigida por uma Diretoria Colegiada, composta por
cinco membros, todos nomeados pelo Presidente da República, com
mandatos não coincidentesde 4 anos, sendo admitida uma única
recondução consecutiva. Contará também com uma Procuradoria. O
2.6.2
Diretor-Presidente da ANA é escolhido pelo Presidente da República
entre os membros da Diretoria Colegiada, e investido na função por 4
anos ou pelo prazo que restar de seu mandato. Em caso de vaga no
curso do mandato, este será completado por sucessor escolhido pelo
Presidente da República e membro da Diretoria Colegiada, que
exercerá o mandato pelo prazo remanescente. A exoneração
imotivada de dirigentes da ANA só poderá ocorrer nos 4 meses
iniciais dos respectivos mandatos. Após esse prazo, os dirigentes da
ANA somente perderão o mandato em decorrência de renúncia, de
condenação judicial transitada em julgado ou de decisão definitiva
em processo administrativo disciplinar (PAD). Sem prejuízo do que
preveem as legislações penal e relativa à punição de atos de
improbidade administrativa no serviço público, será causa da perda
do mandato a inobservância, por qualquer um dos dirigentes da
ANA, dos deveres e proibições inerentes ao cargo que ocupa. Quem
deve instaurar o PAD é o ministro de Estado do Meio Ambiente, e
será conduzido por comissão especial, competindo ao Presidente da
República determinar o afastamento preventivo, quando for o caso, e
proferir o julgamento. Aos dirigentes da ANA é vedado o exercício de
qualquer outra atividade profissional, empresarial, sindical ou de
direção político-partidária. Também é proibido aos dirigentes da ANA
ter interesse direto ou indireto em empresa relacionada com o
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, sendo
que a única exceção é nos casos de atividades profissionais
decorrentes de vínculos contratuais mantidos com entidades públicas
ou privadas de ensino e pesquisa.
As normas e padrões de qualidade
da água
As normas de qualidade das águas para o abastecimento são
chamadas de Padrões de Potabilidade, e em nível nacional são
reguladas pelo Governo Federal e internacionalmente pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), não descartando em
nenhuma hipótese as responsabilidades dos estados e dos
municípios em preservar os recursos hídricos.
Como já visto anteriormente, a água é um bem ambiental com
valor econômico e social inquestionável tutelada pelo Estado. Daí a
importância de se ter garantida a sua qualidade. E para a efetivação
da qualidade das águas e seus múltiplos usos são necessárias
medidas de proteção e controle. A proteção ocorre por meio da
edição de leis, decretos, resoluções, entre outros, sendo um exemplo
a Lei das Águas. O controle é realizado de diversas formas, entre
elas as análises físico-químicas, que normalmente são insuficientes,
já que as condições analíticas são limitadas, considerando-se a
existência de milhões de diferentes substâncias químicas no
ambiente, que interagem continuamente, originando novas
substâncias, o que justifica a interferência no Poder Público no
sentido de se instituir um padrão mínimo de qualidade da água, que
não interfira na saúde dos seres humanos e dos animais.
Os padrões de qualidade ambiental são um dos instrumentos
legais de execução da Política Nacional do Meio Ambiente delegada
ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e exercida por
meio da Resolução n° 357, que dispõe sobre a classificação dos
corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento,
bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de
efluentes, entre outras providências. Essa norma estabelece três
classificações para o tratamento da água. São elas: tratamento
avançado, que são as técnicas de remoção e/ou inativação de
constituintes refratários aos processos convencionais de tratamento,
os quais podem conferir à água características tais como: cor, odor,
sabor, atividade tóxica ou patogênica; tratamento convencional,
caracterizado como a clarificação com utilização de coagulação e
floculação, seguida de desinfecção e correção de pH; tratamento
simplificado, que consiste na clarificação por meio de filtração e
desinfecção e correção de pH quando necessário.
Em nosso país esse padrão está expresso na Portaria do
Ministério da Saúde (MS) n° 2914 de 12 de dezembro de 2011, que
dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da
qualidade da água para consumo humano e seu padrão de
potabilidade. No documento, água potável é definida como a água
para consumo humano cujos parâmetros microbiológicos, físicos,
químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade e que não
ofereça riscos à saúde.
O artigo 4° da Portaria do Ministério da Saúde n° 2914/11
também é o responsável pela conceituação de outros termos
específicos como: sistema de abastecimento de água para consumo
humano (instalação composta por conjunto de obras civis, materiais
e equipamentos, destinada à produção e à distribuição canalizada de
água potável para populações, sob a responsabilidade do poder
público); controle da qualidade da água para consumo humano
(conjunto de atividades exercidas de forma contínua pelos
responsáveis pela operação de sistema ou solução alternativa de
abastecimento de água, destinadas a verificar se a água fornecida à
população é potável); vigilância da qualidade da água para consumo
humano (conjunto de ações adotadas continuamente pela autoridade
de saúde pública, para verificar se a água consumida pela população
atende a esta Norma e para avaliar os riscos que os sistemas e as
soluções alternativas de abastecimento de água representam para a
saúde humana); coliformes totais (bactérias do grupo coliforme,
bacilos gram-negativos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, não
formadores de esporos, oxidase-negativos, capazes de se
desenvolver na presença de sais biliares ou agentes tensoativos que
fermentam a lactose com produção de ácido, gás e aldeído a 35,0 ±
0,5 °C em 24-48 horas). Veja a seguir algumas das tabelas com os
padrões de qualidade da água aceitos para o consumo de acordo
com a Portaria do MS n° 2.914/11.
Quanto ao padrão microbiológico, observe a Tabela 2.1.
Tabela 2.1 – Padrão microbiológico da qualidade da água.
Fonte: Portaria 2914 de 2011 do Ministério da Saúde.
Quanto ao padrão de turbidez, veja Tabela 2.2.
Tabela 2.2 – Padrão de turbidez da água.
Tratamento da água VMP(1)
Desinfecção (para águas subterrâneas) 1,0 uT(2) em 95% das
amostras
Filtração rápida (tratamento completo ou filtração
direta)
0,5 (3) uT(2) em 95% das
amostras
Filtração lenta 1,0 (3) uT(2) em 95% das
amostras
Notas:
(1) Valor máximo permitido.
(2) Unidade de turbidez.
(3) Esse valor deve atender ao padrão de turbidez de acordo com o especificado
no § 2° do art. 30.
Fonte: Portaria 2914 de 2011 do Ministério da Saúde
Quanto ao padrão organoléptico de potabilidade, veja Tabela
2.3.
Tabela 2.3 – Padrão organoléptico de potabilidade.
Fonte: Portaria 2914 de 2011 do Ministério da Saúde
Quanto ao padrão potabilidade para substâncias químicas que
representam risco à saúde, observe Tabela 2.4.
Tabela 2.4 – Padrão potabilidade para substâncias químicas que representam risco
à saúde.
Fonte: Portaria 2914 de 2011 do Ministério da Saúde
Quanto ao padrão de radioatividade da água para consumo
humano, veja Tabela 5:
Tabela 2.5 – Padrão de radioatividade da água para consumo humano.
Parâmetro(1) Unidade VMP
Rádio-226 Bq/L 1
Rádio-228 Bq/L 0,1
Notas:
2.6.3
a)
(1) Sob solicitação da Comissão Nacional de Energia Nuclear, outros
radionuclídeos devem ser investigados.
Fique de olho!
Dados recentes do Instituto Trata Brasil apontam que entre os anos de 2003 e
2007 a população brasileira produziu cerca de 8,4 bilhões de litros de esgoto por
dia. Desse total, apenas 36% do esgoto gerado nas cidades brasileira recebe
algum tipo de tratamento antes de retornar à natureza; os outros 64% são
despejados diretamente na natureza sem qualquer tratamento.
A Política Nacional de Saneamento
Básico
Embora esteja garantida em nossa Constituição, a efetivação do
serviço de saneamento básico a todos ainda é um desafio para o
Poder Público. Na tentativa de mudar essa situação, foi promulgada,no dia 5 de janeiro de 2007, a Lei n° 11.445, que estabelece diretrizes
nacionais para o saneamento básico e para a Política Nacional de
Saneamento Básico (PNSB).
A Lei n° 11.445/2007 revogou a antiga Lei n° 6.528 de 1978.
Com quase 30 anos de atraso, a nova lei veio para revigorar os
serviços públicos de distribuição e tratamento de água e de
esgotamento sanitário no país. Sistematizou, ainda, políticas públicas
de saneamento básico, por meio do estabelecimento de princípios,
objetivos, ampliação dos direitos dos usuários, instituição de órgão
regulador e incentivo à participação popular. Daí o porquê de se falar
em um novo marco regulatório para área.
A Nova Lei do Saneamento Básico apresenta alguns princípios
fundamentais:
universalização do acesso, compreendida como a
facilitação do acesso a todas as pessoas, por meio da
adoção de políticas públicas inclusivas;
b)
c)
d)
e)
f)
g)
integralidade, que se refere ao direito dos usuários ao
acesso integral dos serviços de saneamento de acordo com
as suas necessidades;
prestação adequada do serviço de saneamento básico
conforme a saúde pública e a proteção do meio ambiente,
isto é, a execução dos serviços deve observar as normas de
saúde pública e de proteção do meio ambiente;
disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de
drenagem e de manejo de águas pluviais adequados à
saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio
público e privado, isto é, a obrigação do Poder Público em
realizar a drenagem e manejo das águas da chuva em
áreas urbanas com vistas à proteção da saúde pública e do
patrimônio das pessoas;
adoção de métodos, técnicas e processos que considerem
as peculiaridades locais e regionais, isto é, cada localidade
deverá definir, de acordo com a sua realidade, os serviços
de saneamento, baseados nas condições de urbanização,
ambientais, culturais, sociais, econômicas e políticas;
articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e
regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua
erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde
e outras de relevante interesse social voltadas para a
melhoria da qualidade de vida para as quais o saneamento
básico seja fator determinante, o que demonstra a
interdisciplinaridade da PNSB, devendo ela funcionar em
conjunto com as demais políticas públicas, em especial as
de Meio Ambiente, Saúde e Desenvolvimento Urbano, sob
pena de se tornar ineficiente;
eficiência e sustentabilidade econômica se referem ao
Princípio da Eficiência, expresso no artigo 37 da
Constituição Federal, que obriga a Administração Pública à
prestação de serviços com qualidade e utilizando o mínimo
h)
i)
j)
k)
l)
de recursos financeiros possíveis, isto é, otimização de
recursos. O mesmo princípio autoriza a cobrança de taxas e
tarifas pelo Poder Público;
utilização de tecnologias apropriadas, considerando a
capacidade de pagamento dos usuários e a adoção de
soluções graduais e progressivas, obriga o Poder Público,
de acordo com os recursos disponíveis, a se valer das
tecnologias mais avançadas para a execução dos serviços
de saneamento, observando o menor impacto ambiental
possível;
transparência das ações, baseada em sistemas de
informações e processos decisórios institucionalizados,
representa a obrigatoriedade do Poder Público em divulgar
informações pertinentes à área e o incentivo à participação
e da sociedade nas decisões tomadas;
controle social, que são os mecanismos que garantem à
sociedade não apenas informações da área, mas
especialmente a participação nos processos de formulação
de políticas públicas, planejamento e avaliação dos serviços
de saneamento prestados pelo Poder Público;
segurança, qualidade e regularidade, ou seja, os serviços
de saneamento básico devem ser prestados pelo Poder
Público de maneira que possam atender às necessidades
básicas da população de modo a não atentar contra a
segurança, ter um mínimo de qualidade e não poder ser
interrompidos, salvo ocasiões em que a lei autoriza;
integração das infraestruturas e serviços com a gestão
eficiente dos recursos hídricos. Nesse ponto, há um
reconhecimento da interdependência das Políticas
Nacionais de Saneamento Básico e Recursos Hídricos,
afinal ambas estão relacionadas à água enquanto bem
ambiental limitado e dotado de valor econômico.
»
»
»
»
»
a)
b)
c)
d)
e)
f)
Amplie seus conhecimentosConsiderados essenciais pela Lei n.° 7.783/89 (Lei da Greve), os serviços de
abastecimento de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana e
manejo de resíduos sólidos apenas poderão ser interrompidos em casos
especiais, como:
situações de emergência que atinjam a segurança das pessoas e bens;
necessidade de efetuar serviços de reparo, modificações ou melhorias de
qualquer natureza nos sistemas;
negativa do usuário em permitir a instalação de dispositivo de leitura da
água consumida, após ter sido previamente notificado a respeito (avisado
com no mínimo 30 dias de antecedência);
manipulação indevida de qualquer tubulação;
inadimplemento do usuário do serviço de abastecimento de água quanto ao
pagamento das tarifas, após ter sido formalmente notificado.
Para saber mais, acesse a Lei n.° 7.783/89 no site:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7783.htm>, data de acesso
16/09/2014.
A Nova Lei de Saneamento Básico expressa em seus artigos 48
e 49, respectivamente, as diretrizes e os objetivos da Política Federal
de Saneamento Básico, que são:
prioridade para as ações que promovam a equidade social e
territorial no acesso ao saneamento básico;
aplicação dos recursos financeiros por ela administrados de
modo a promover o desenvolvimento sustentável, a
eficiência e a eficácia;
estímulo ao estabelecimento de adequada regulação dos
serviços;
utilização de indicadores epidemiológicos e de
desenvolvimento social no planejamento, na implementação
e na avaliação das suas ações de saneamento básico;
melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais e
de saúde pública;
colaboração para o desenvolvimento urbano e regional;
g)
h)
i)
j)
k)
l)
garantia de meios adequados para o atendimento da
população rural dispersa, inclusive mediante a utilização de
soluções compatíveis com suas características econômicas
e sociais peculiares;
fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, à
adoção de tecnologias apropriadas e à difusão dos
conhecimentos gerados;
adoção de critérios objetivos de elegibilidade e prioridade,
levando em consideração fatores como nível de renda e
cobertura, grau de urbanização, concentração populacional,
disponibilidade hídrica, riscos sanitários, epidemiológicos e
ambientais;
adoção da bacia hidrográfica como unidade de referência
para o planejamento de suas ações;
estímulo à implementação de infraestruturas e serviços
comuns a municípios, mediante mecanismos de cooperação
entre entes federados;
estímulo ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de
equipamentos e métodos economizadores de água. Essa
diretriz foi introduzida pela Lei n° 12.862, de 17 de setembro
de 2013, que estabeleceu diretrizes nacionais para o
saneamento básico, com o objetivo de incentivar a
economia no consumo de água.
O artigo 48 faz ainda uma menção, em seu parágrafo único, à
obrigatoriedade da União em levar em consideração a articulação
quando do planejamento ou execução das políticas de
desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate e
erradicação da pobreza, de proteção ambiental, de promoção da
saúde e outras de relevante interesse social voltadas à melhoria da
qualidade de vida, inclusive no que se refere ao financiamento.
Os objetivos da Política Federal de Saneamento Básico,
segundo a Lei n° 11.445/2007 e alterações posteriores, são:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
contribuir para o desenvolvimento nacional, a redução das
desigualdades regionais, a geração de emprego e de renda
e a inclusão social;
priorizar planos, programas e projetos que visem à
implantação e ampliação dos serviços e ações de
saneamento básico nas áreas ocupadas por populações de
baixa renda;proporcionar condições adequadas de salubridade
ambiental aos povos indígenas e outras populações
tradicionais, com soluções compatíveis com suas
características socioculturais;
proporcionar condições adequadas de salubridade
ambiental às populações rurais e de pequenos núcleos
urbanos isolados;
assegurar que a aplicação dos recursos financeiros
administrados pelo poder público se dê segundo critérios de
promoção da salubridade ambiental, de maximização da
relação benefício-custo e de maior retorno social;
incentivar a adoção de mecanismos de planejamento,
regulação e fiscalização da prestação dos serviços de
saneamento básico;
promover alternativas de gestão que viabilizem a
autossustentação econômica e financeira dos serviços de
saneamento básico, com ênfase na cooperação federativa;
promover o desenvolvimento institucional do saneamento
básico, estabelecendo meios para a unidade e articulação
das ações dos diferentes agentes, bem como do
desenvolvimento de sua organização, capacidade técnica,
gerencial, financeira e de recursos humanos, contempladas
as especificidades locais;
i)
j)
k)
l)
fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico, a
adoção de tecnologias apropriadas e a difusão dos
conhecimentos gerados de interesse para o saneamento
básico;
minimizar os impactos ambientais relacionados à
implantação e ao desenvolvimento das ações, obras e
serviços de saneamento básico e assegurar que sejam
executados de acordo com as normas relativas à proteção
do meio ambiente, ao uso e ocupação do solo e à saúde;
incentivar a adoção de equipamentos sanitários que
contribuam para a redução do consumo de água. Esse
objetivo foi introduzido pela Lei n° 12.862, de 17 de
setembro de 2013;
promover educação ambiental voltada para a economia de
água pelos usuários, objetivo introduzido pela Lei n° 12.862,
de 17 de setembro de 2013.
Alguns pontos merecem comentários especiais. O primeiro deles
é o reconhecimento de que a Lei n° 11.445/2007 é um marco efetivo
sobre a forma de observar o saneamento básico nacional. Como
visto anteriormente, o saneamento básico alcança outros serviços,
além do abastecimento de água potável e do tratamento de esgoto,
como a limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos, a
drenagem e o manejo das águas pluviais. Entretanto, ressalta-se que
o nosso foco se ateve exclusivamente aos dois primeiros aspectos,
que são: a água potável e a coleta e tratamento de esgoto, em
virtude do objetivo do presente capítulo, que trata da legislação sobre
o uso e a destinação da água e efluentes.
Além das duas principais leis tratadas no decorrer deste capítulo
há outras normas que regem a utilização e a destinação das águas e
efluentes no Brasil, como as elencadas no quadro a seguir. Mas, por
tratar de aspectos muito específicos, não foram objeto de maiores
comentários neste capítulo, que se ateve aos maiores regramentos,
pois são os responsáveis, respectivamente, pela Política Nacional de
Recursos Hídricos e pela Política Nacional de Saneamento Básico,
instituindo fundamentos, diretrizes e objetivos que devem ser
alcançados nas três esferas de poder e com a imprescindível
participação da sociedade nas decisões acerca do tema.
Observe no quadro 2.1 outras normas.
Quadro 2.1 – Normas que regem o uso e a destiração das águas efluentes
Fonte: Abetre (Adaptado).1
Vamos recapitular?
Ao longo deste capítulo você descobriu que a preocupação com os recursos
hídricos no Brasil começou há muitos anos, ainda na época em que o Brasil era
colônia de Portugal. Aprendeu também que a água é um recurso natural
renovável limitado, dotado de valor econômico e imprescindível para a vida
humana, animal e vegetal.
Observou que a Constituição Federal de 1988 reconheceu a água como
bem essencial à sadia qualidade de vida, passando então a caracterizá-la
juridicamente como um bem ambiental, regida, portanto, pelas normas de direito
ambiental e pelo artigo 225 da CF/88 e harmonizada com a ordem econômica do
capitalismo. Por conta desse reconhecimento, os recursos hídricos passaram a
se adaptar à nova forma de observar o meio ambiente e as legislações que
regem o uso e a destinação da água e efluentes passaram a se adaptar a essa
nova visão, que busca a interdisciplinaridade e a integração de políticas e
esforços para que se garanta a utilização racional dos recursos hídricos, dando
oportunidade, para esta e para as futuras gerações, de utilização da água de
forma sustentável e a mais pura possível.
1)
2)
3)
4)
5)
Agora é com você!
Busque em jornais, revistas e sites da internet, a exemplo do
www.cetesb.com, mais informações a respeito da história da
legislação sobre águas do Brasil.
Pesquise em livros, artigos ou sites da internet sobre a
Pirâmide de Hans Kelsen e aprofunde o seu conhecimento
sobre o funcionamento, a hierarquização e a subordinação das
leis no ordenamento jurídico brasileiro.
Explique o que signifi ca a economicidade da água.
Qual a finalidade de o direito, em especial após a Constituição
Federal de 1988, considerar a água um bem ambiental?
Qual a importância do estabelecimento de padrões de
qualidade da água potável para a população?
3.1
Para começar
Este capítulo tem o objetivo de apresentar informações sobre o tratamento
de águas e efluentes industriais e domésticos. Nele serão apresentadas noções
sobre o conceito, as características, os principais processos de purificação da
água, os tratamentos mais utilizados, o tratamento de efluentes, os três
principais tipos de tratamento de efluentes e o objetivo de cada um deles, além
da importância de se tratar os efluentes antes de despejá-los sobre os cursos
d’água para a preservação da saúde humana e do meio ambiente.
Considerações gerais
Um dos principais problemas que qualquer cidade enfrenta é o
da coleta e tratamento dos resíduos por ela gerados. Quanto maior o
número de pessoas que vivem em uma determinada cidade, maior
será a sua geração de resíduos. Cada resíduo possui características
específicas, que levam à necessidade de diferentes formas de
coleta, tratamento e disposição. Na maioria dos casos, o volume de
resíduos gerados supera, em muito, a capacidade natural da
assimilação do meio ambiente que circunda esses centros urbanos.
O resultado é uma crescente deterioração nas condições ambientais
e o aumento visível dos níveis de poluição.
Em um passado recente, os resíduos produzidos eram
simplesmente jogados em lagos, rios, riachos, lagoas, ou seja, em
cursos d’água onde se processava a depuração por vias naturais,
isto é, um grande volume de água limpa e oxigenada diluía a
pequena carga de esgotos e resíduos industriais. Os micro-
organismos existentes no curso de águas e encarregavam da
degradação oxidativa desse alimento inesperado, retirando pouco
oxigênio da água (O2), não interferindo, assim, na vida aquática.
Entretanto, o aumento da população e da atividade industrial gerou
consequentemente um maior volume de efluentes e esgotos,
obrigando a coletividade e as indústrias a construir plantas de
tratamento dessa água poluída para evitar mortandade de peixes,
mau cheiro, epidemias e outros problemas ambientais. Era o início
da busca constante por soluções técnicas viáveis do ponto de vista
econômico e social, para auxiliar na despoluição e conservação dos
corpos d’água.
Os efluentes são produtos líquidos ou gasosos produzidos por
indústrias e aqueles que resultam dos esgotos domésticos urbanos,
que são lançados no meio ambiente.
Ainda hoje, a maioria dos sistemas de tratamento de esgotos
existentes nas cidades brasileiras se limita apenas despejar os
resíduos brutos nos corpos de água, ação essa responsável pelo
agravamento dos problemas de poluição.
3.2
Figura 3.1 – Resíduos brutos despejados diretamente nos corpos d’água. Isso é
causa do agravamento da poluição e representa um grande risco à saúde humana
e ambiental.
Um pouco de história
O tratamento de águas para o abastecimento público teve
origem na Escócia, e John Gibb foi o primeiro construtor de um filtro
lento. A cidadede Campos, no litoral do estado do Rio de Janeiro, foi
a pioneira na instalação de equipamentos para a filtração rápida da
água, em 1880. Na atualidade, existem no país mais de mil estações
de tratamento de água, algumas delas entre as maiores do mundo.
Você sabe o que é tratamento de água?
O tratamento de água em sentido amplo é a remoção de
impurezas e contaminantes, antes de destiná-la ao consumo
humano. Justifica-se essa preocupação, já que a água sempre
contém resíduos de substâncias presentes no meio ambiente, tais
como micro-organismos e sais mine-rais, necessitando, portanto, de
tratamento para a remoção de impurezas que podem ser prejudiciais
ao homem.
Normalmente o tratamento da água é realizado para atender
necessidades higiênicas, estéticas ou econômicas. As higiênicas
estão relacionadas à remoção de bactérias, protozoários, vírus e
outros micro-organismos presentes, ou ainda para a retirada de
substâncias venenosas ou nocivas à saúde humana, redução do
excesso de impurezas e de teores elevados de compostos
orgânicos. As correções estéticas relacionam-se às alterações de
cor, odor e sabor, enquanto as econômicas estão relacionadas à
redução de corrosividade, dureza, turbidez, ferro, manganês etc.
A natureza e a composição do solo, sobre o qual a água escoa,
determinam as impurezas adicionais que ela apresenta, fato
agravado pelo aumento e expansão da população e
consequentemente das áreas ocupadas. Outro fator que contribui
grandemente para a qualidade da água são as atividades
econômicas desenvolvidas, em especial a agricultura e a indústria,
ocasionando a insegurança das fontes de água superficial, sendo,
portanto, obrigatória uma forma de tratamento antes do consumo.
Observe na tabela a seguir a relação entre as impurezas mais
comuns encontradas, os estados em que são observadas e os
principais efeitos.
Tabela 3.1 – Relação de impurezas.
3.3
Fonte: Richter e Neto (2005).
Da água e sua complexidade ao
conceito de tratamento de águas e
efluentes industriais e domésticos
Diferentemente do que muitos pensam, a água é uma
substância muito complexa. E até os dias atuais ninguém pôde vê-la
em estado de absoluta pureza. Quimicamente, sabe-se que, mesmo
sem impurezas, a água é a mistura de 33 substâncias distintas.
Inúmeras são as impurezas que se apresentam nas águas
naturais. Várias delas são inofensivas à saúde, outras são perigosas,
como vírus, bactérias, parasitas, substâncias tóxicas e até elementos
radioativos.
As normas de qualidade para as águas que servem ao
abastecimento são chamadas de Padrões de Potabilidade. No Brasil,
essas normas são definidas pelo Ministério da Saúde.
Internacionalmente, são elaboradas pela Organização Mundial da
Saúde (OMS). Atualmente, a potabilidade da água é regida pela
Portaria do Ministério da Saúde de n° 2914, de 12 de dezembro de
2011, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância
da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de
potabilidade.
Entendendo que a qualidade da água varia de acordo com uma
série de critérios, inclusive o tempo, exige-se que sejam feitas
3.3.1
análises rotineiras em diferentes épocas do ano, para que só assim
se possa reduzir o efeito da variação dos resultados obtidos após o
tratamento.
Fique de olho!
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 80% de todas as doenças
que se manifestam nos países em desenvolvimento são provenientes da má
qualidade da água.
Características do tratamento da
água
O tratamento da água varia de acordo com a sua captação, daí
a importância da escolha da fonte coletora. Assim, por exemplo, se a
água por encontrada, ou captada de poços profundos, águas
subterrâneas, geralmente dispensa tratamento, pois essas águas
são naturalmente filtradas pelo solo e, como não estão expostas, não
foram contaminadas, logo também não apresentam turbidez,
necessitando apenas de uma desinfecção com cloro. A clorificação
das águas deve ser observada como medida de segurança,
principalmente para as águas superficiais.
A turbidez da água é uma das suas características físicas, e
decorre da presença de substâncias em suspensão, isto é, partículas
sólidas suspensas, finamente divididas ou em estado coloidal, e de
organismos microscópicos. O tamanho das partículas em suspensão
pode variar. A presença dessas partículas provoca a dispersão e a
absorção da luz, deixando a água com aparência nebulosa,
esteticamente indesejável e potencialmente perigosa. A turbidez está
diretamente relacionada à redução de transparência. Para a
Meteorologia, porém, ela representa qualquer condição da atmosfera
que resulte na redução de sua transparência à luz, excluindo-se a
presença de nuvens (NBR 9896/1993).
São chamados de nefelômetros os equipamentos mais utilizados
para medir a turbidez. Com a utilização desses aparelhos pode-se
aferir em uma célula fotoelétrica a quantidade de luz dispersa por
meio da amostra de água. A Unidade Nefelométrica de Turbidez
(UNT) é a unidade de medição da turbidez da água, cuja sigla em
inglês é NTU, muito utilizada e adotada inclusive pela literatura
nacional.
Há uma estreita relação entre a turbidez da água e a sua
potabilidade, mais especialmente em relação à desinfecção por
vírus. Isto é, a desinfecção da água, principalmente a inativação de
vírus, é mais eficaz quanto menor for a turbidez . O padrão
atualmente aceito, após filtragem, é menor que 1,0 UNT; quanto
menor a turbidez melhor será a qualidade da água, por isso o
recomendado é que esse número seja sempre inferior a 0,2 UNT.
A cor é outra característica física da água. Tem-se que a água
pura é visualmente ausente de cor. Normalmente a cor está
relacionada a ácidos húmicos e tanino, originados da decomposição
de vegetais, e, dessa forma não representam risco algum para a
saúde. Entretanto, a presença de cor pode fazer com que o
consumidor busque fontes de água de aspecto mais agradável e
nem sempre mais seguras.
O sabor e o odor são características consideradas em conjunto,
pois geralmente a sensação de sabor origina-se do odor. Por serem
sensações subjetivas, causadas por impurezas dissolvidas,
normalmente de natureza orgânica, como fenóis, resíduos
industriais, gases dissolvidos, entre outras, são de difícil avaliação.
Outras características físicas da água são a temperatura e a
condutividade elétrica. A temperatura é responsável por acelerar ou
retardar reações químicas, reduzir a solubilidade dos gases ou
acentuar a sensação de cor e sabor, enquanto a condutividade
elétrica depende da quantidade de sais dissolvidos na água. É a
determinação da condutividade elétrica que permite obter uma
estimativa rápida do conteúdo de sólidos de uma amostra.
Além das características físicas, podem ser observadas na água
também as características químicas e biológicas. As químicas são
basicamente alcalinidade, acidez, dureza, ferro e manganês,
cloretos, sulfatos e sólidos totais, nitratos, impurezas orgânicas,
oxigênio dissolvido, fenóis e detergentes, substâncias tóxicas, entre
outras, enquanto as características biológicas dizem respeito a
contagem de bactérias, pesquisa de coliformes, radioativos, entre
outras.
A partir do que foi observado até aqui, podemos concluir que
tratar a água significa deixá-la em condições recomendáveis para o
consumo humano ou utilização para fins industriais, daí a
importância do tratamento da água antes do consumo, para que
sejam evitados problemas relacionados à saúde humana, animal e
vegetal.
Para conhecer um pouco sobre as doenças relacionadas ao
consumo de água não tratada, observe na Tabela 3.2 as principais
doenças relacionadas à água não potável.
Tabela 3.2 – Principais doenças relacionadas à água não potável
Doenças Agentes causadores
Febre tifoide Salmonela tifoide
Febres paratifoides Salmonelas paratifoides (A,B,C)
Disenteria bacilar Bacilo disentérico
Disenteria amebiana Entamoeba hystolitica
Cólera Vibrião do cólera
Diarreia Enterovírus, E. coli
Hepatite infecciosa Vírus tipo A
Giardiose Giardia lamblia
Fonte: OMS
3.4
3.4.1
Principaisprocessos de purificação
da água
Os principais processos de purificação da água correspondem
às fases por que a água deve passar até que esteja apta ao
consumo humano. Portanto, são períodos que devem acontecer para
que se obtenha a potabilidade da água. Dentre os principais
processos de purificação da água destacam-se: Aeração ou
Arejamento; Sedimentação ou Decantação; Coagulação; Filtração;
Tratamento por contato, leito de coque, de pedra ou de pedriscos;
Correção da dureza; Desinfecção; Sabor e odor; e Controle da
corrosão. Ao longo deste capítulo, você terá a oportunidade de
conhecer um pouco sobre cada um dos principais processos de
purificação da água.
Aeração ou arejamento
É o processo pelo qual uma fase gasosa – usualmente o ar – e a
água são colocadas em contato estreito com a finalidade de transferir
substâncias voláteis da água para o ar e substâncias solúveis do ar
para a água, de forma a se obter o equilíbrio satisfatório entre os
teores dessas substâncias.
A aeração, ou arejamento, justifica-se apenas nas ocasiões em
que as águas a serem tratadas apresentem carência ou excesso de
gases e substâncias voláteis e intercambiáveis. Normalmente é
utilizada em águas que não estão em contato com o ar, como águas
subterrâneas (poços), águas captadas em galerias de infiltração e
águas de partes profundas de grandes represas.
A literatura classifica os objetivos da aeração das águas em
duas espécies. São elas a remoção de gases dissolvidos em
excesso nas águas e ainda de substâncias voláteis e a introdução de
gases nas águas. A remoção de gases, como também das
substâncias voltáveis da água, serve para deixar a água menos
agressiva, como na retirada do gás carbônico em teores elevados,
ou na retirada de ácido sulfídrico, visto que ele prejudica
3.4.2
esteticamente a água. Outro exemplo é a extração de substâncias
aromáticas voláteis, que causam odor e sabor; o excesso de cloro e
metano, pois eles também alteram o odor e o sabor.
A introdução de gases nas águas possibilita que gases como o
oxigênio auxiliem na oxidação de compostos ferrosos ou magnosos.
O processo também auxilia no aumento dos teores de oxigênio e
nitrogênio dissolvidos na água.
Os tipos mais comuns de aeradores são de queda por gravidade
(tipo cascata e de tabuleiros); de repuxo e de borbulhamento. Os de
cascatas são usados para a remoção de gás carbônico e de
substâncias voláteis em instalações e vazão pequenas. Os
aeradores de tabuleiros são recomendados para a adição de
oxigênio e oxidação de compostos ferrosos ou magnosos. São
construídos com três a nove tabuleiros ou bandejas, iguais e
superpostos com uma distância máxima de 0,75 m (altura) através
dos quais a água percorre.
Os aeradores de repuxo são utilizados em grandes instalações
para intercâmbio de gases e substâncias voláteis. Normalmente
exigem pressão de água que pode variar entre 2 e 7 metros,
dependendo da altura que o jato é desejado e por conseguinte do
tempo de exposição especificado.
Os aeradores por borbulhamento normalmente são tanques
retangulares, nos quais se instalam tubos perfurados, placas ou
tubos porosos difusores que servem para distribuir o ar em forma de
pequenas bolhas. As bolhas formadas tendem a flutuar e escapar
pela superfície da água. Para ampliar o tempo de contato, faz-se
com que a água avance em fluxo de espiral ao longo do tanque, para
tantoutilizam-se difusores junto a uma das paredes do tanque.
Sedimentação ou decantação
É um processo dinâmico de separação de partículas sólidas
suspensas nas águas. É uma das etapas mais comuns no processo
de tratamento da água. Consiste na utilização das forças
gravitacionais para separar partículas de densidade superior à da
água, depositando-as em uma superfície ou zona de
armazenamento. As partículas que não são removidas na
sedimentação, seja por seu pequeno tamanho ou por serem de
densidade muito próxima à da água, deverão ser removidas em outra
etapa, que é a da filtração.
Os decantadores mais utilizados são: decantadores de fluxo
horizontal, que apresentam alta eficiência e baixa sensibilidade a
condições de sobrecarga, e decantadores tubulares ou de alta taxa.
Figura 3.2 – Decantação, uma das etapas mais comuns no processo de tratamento
da água.
3.4.3
Fique de olho!
Cerca de 36 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável na
América Latina, alerta o Banco Mundial. Cerca de 80% dessas pessoas vivem
em áreas rurais, causando um impacto negativo na saúde da população,
principalmente nas crianças, que são mais vulneráveis a doenças
gastrointestinais, que podem levar à morte.
Coagulação
A água contém materiais finamente divididos, no estado coloidal,
ou em solução, que não podem ser removidos por sedimentação
simples, sendo necessária a adição de coagulante para formar flocos
ou aglomerados que sedimentam com facilidade. A sedimentação,
com coagulação prévia, é um processo de clarificação usado na
maioria das estações de tratamento, visando reduzir a carga de
sólidos aplicada aos filtros. Essa etapa consiste na aplicação de
coagulantes (sulfato de alumínio, compostos de ferro) e substâncias
auxiliares.
Figura 3.3 – Coagulação: é usada para reduzir a carga de sólidos aplicada aos
filtros.
3.4.4 Filtração
A filtração é um processo de separação do sólido-líquido e que
envolve fenômenos físicos, químicos e por vezes biológicos. Tem o
objetivo de remover as impurezas da água por meio da passagem
desta por um meio poroso. Daí por que se diz que o mecanismo de
filtração envolve fenômenos físicos e físico-químicos, já que durante
o processo ocorrem o transporte, sedimentação, difusão, aderência
por forças intermoleculares e/ou eletrostáticas, ponte química, entre
as partículas e os grãos filtrantes.
À medida que amplia o volume de depósitos, a velocidade
intersticial aumenta, provocada pela diminuição da porosidade, com
um correspondente aumento da perda de carga e das forças
hidrodinâmicas de cisalhamento, arrastando, em consequência, uma
certa quantidade de partículas para o interior do meio filtrante. Essas
partículas podem ser retidas nas capas mais profundas ou ser
carreadas pelo filtrante.
Os estudos mostram que a espessura do leito filtrante em quase
nada afeta a filtração, ao passo que as características dos materiais
que compõem o leito, isso sim, influenciam diretamente no
rendimento dos filtros. A areia fina, por exemplo, produz um efluente
da mais alta qualidade, porém é resistente à penetração de sólidos,
que ficam retidos na superfície. Com o tempo, os sólidos retidos
tendem à acumulação e compactação, dificultando, dessa forma, a
remoção pela simples lavagem. Inicia-se então um processo de
deterioração do leito filtrante, com a formação de bolas de lodo,
gretas e fendas. A ampliação da capacidade de deposição de sólidos
pode ser obtida com o emprego de filtros de dupla camada de
antracito e areia, devendo-se no entanto observar a granulometria e
a espessura desses materiais. Por isso, esse pode ser considerado o
principal problema desse processo de purificação da água, a
manutenção do leito filtrante em boas condições.
A literatura demonstra que existe uma série de tipos de filtração,
como: lenta ou rápida, em leito de contato, superfiltração, todos os
quais no entanto respeitam os princípios básicos do processo, isto é,
a remoção de impurezas da água por sua passagem através de um
meio poroso.
Quando a velocidade com que a água percorre o leito filtrante é
baixa, chama-se leito filtro lento. Ao contrário, quando a velocidade
da água é elevada, é denominado filtro rápido. A filtração em leito de
contato ocorre quando três etapas consecutivas são responsáveis
pela remoção do ferro: a absorção de íons de ferro na superfície do
sólido, a oxidação (com os complexos oxigenados da superfície ou
oxigênio molecular absorvido na superfície); e, completando a etapa,
a precipitação de Fe3+.
Figura 3.4 – A filtração é utilizada para remover as impurezas da água por meio da
passagem desta por um meio poroso.
Já a superfiltração é considerada pela literaturauma nova
geração de instalações de tratamento de água, aplicável às
pequenas comunidades com apreciáveis vantagens técnicas e
econômicas. Ela surgiu a partir das observações do comportamento
dos filtros russos ou clarificadores de contato, e se resume à junção
de duas técnicas já comprovadamente eficazes no tratamento da
água, a russa e a americana, que realizam a floculação, a
3.4.5
3.4.6
sedimentação e a filtração preliminar em um primeiro momento e, em
seguida, a filtração mais perfeita e segura.
Tratamento por contato, leito de
coque, de pedra ou de pedriscos
para remoção do ferro; carvão
ativado para remoção do odor e do
sabor
Esse é um dos processos de purificação da água. Tem o objetivo
de remover as impurezas da água por meio da passagem desta por
um meio poroso. Por isso, é um mecanismo de filtração que envolve
fenômenos físicos e físico-químicos, pois no decorrer do processo
acontecem o transporte, a sedimentação, a difusão, a aderência por
forças intermoleculares e/ou eletrostáticas, a ponte química, entre
outras ações e reações entre as partículas sólidas e os grãos
filtrantes.
Está relacionado a três etapas consecutivas, que são as
responsáveis pela remoção do ferro, por meio da passagem da água
por um meio poroso que pode ser carvão mineral, pedra, pedrisco ou
areia. Cada um desses meios possui características próprias que
estão relacionadas à granulometria desses produtos.
Quanto maior for a granulometria, ou seja, quanto maior for a
espessura do filtrante, menor será o poder de filtração, mas a
limpeza do meio filtrante ocorrerá com maior facilidade. Quanto
menor a espessura do meio filtrante, maior garantia de uma filtração
mais segura, no entanto maiores serão as dificuldades para a
limpeza do meio filtrante.
Correção da dureza
A dureza é uma característica da água marcada pela presença
de alguns íons metálicos, principalmente os de cálcio (Ca2+) e
magnésio (Mg2+) e, em grau menor, dos íons ferrosos (Fe2+) e do
a)
b)
estrôncio (S2+). A dureza é expressa em termos de CaCO3 e
classifica-se em espécies:
pelos íons metálicos (cálcio e magnésio);
pelos ânions associados aos íons metálicos (carbonos e
não carbonos).
Para efeito de potabilidade, são admitidos valores relativamente
altos de dureza. Observe na Tabela 3.3 a classificação das águas em
termos de dureza.
Tabela 3.3 – Classificação da água quanto a sua dureza
Moles Dureza inferior a 50 mg/L em Ca CO3
Dureza moderada Dureza entre 50 mg/L e 150 mg/L em Ca CO3
Duras Dureza entre 150 a 300 mg/L em Ca CO3
Muito duras Dureza superior a 300 mg/L em Ca CO3
Fonte Richter e Neto, 2005, p32 No
Brasil, conforme já visto anteriormente, a Portaria do Ministério
da Saúde n° 2.914/2011 estabelece o limite máximo de 500 mg
CaCO3/L para que a água seja admitida como potável. A maior
dificuldade é o gosto, que poderá ser considerado uma característica
desagradável de águas muito duras. Há, no entanto, águas naturais
duras consideradas satisfatórias para consumo humano (VMA = 500
mg/L).
Entre os inconvenientes da água dura tem-se como o principal a
menor capacidade de precipitar sabão, isto é, fazer a espuma. Por
isso, para o uso em banho, lavagem de louças e roupas, fazer a
barba, lavar o carro e muitos outros usos, a água dura não é tão efi
ciente como a mole (macia ou branda, em português de Portugal). A
água dura pode ser indesejável para alguns processos indus-triais,
como para levedar certos tipos de cerveja, ou pode causar depósitos
de calcita em caldeiras, máquinas de lavar e canos.
3.4.7
A correção da dureza da água poderá ser feita pela adição de
cal (método mais barato) ou por meio do uso de resinas
permutadoras de íons, que os sequestram, impedindo dessa forma a
sua deposição nas canalizações e nas máquinas.
Fique de olho!
A desinfecção da água com cloro é uma das técnicas mais antigas de
tratamento. Desde que passou a ser utilizada, houve queda no índice de
mortalidade infantil e redução das doenças provocadas pela água contaminada.
Desinfecção
É a destruição de micro-organismos patogênicos presentes na
água, como bactérias, vírus, vermes e protozoários. A desinfecção
faz-se necessária, já que é impossível garantir a remoção total dos
micro-organismos pelos processos físico-químicos normalmente
utilizados no tratamento da água.
O procedimento de desinfecção depende primeiramente da
natureza do desinfetante e do tipo do organismo que se quer inativar,
mas outros aspectos também devem ser levados em consideração,
como a temperatura da água, o pH e a própria concentração do
desinfetante. Algumas espécies de esporos e vírus são muito mais
resistentes que determinadas bactérias.
Os agentes de desinfecção (desinfetantes) mais utilizados são o
cloro e seus compostos (hipocloritos, cal clorada), ozônio, raios
ultravioleta, entre outros. De todos eles, o cloro é o desinfetante mais
utilizado graças a algumas particularidades como: preço acessível;
disponibilidade em diversas formas como gás, líquido ou sólido
(hipoclorito); facilidade de aplicação devido à solubilidade (7,0 g/L a
aproximadamente 20 °C); resíduo em solução facilmente
determinável, e não perigoso ao ser humano; proteção do sistema de
distribuição; capacidade de destruir a maioria dos micro-organismos
patogênicos.
3.4.8
3.4.9
Mesmo com todas as vantagens anteriormente apontadas, o
cloro apresenta alguns aspectos que merecem menção: em forma de
gás, é venenoso e corrosivo, requerendo um cuidadoso manejo.
Pode causar problemas de gosto, odor, especialmente na presença
de fenóis.
O cloro é um elemento químico da família dos halogênios, de
número atômico 17 e peso atômico de 35,457. Na sua forma
elementar, é um gás de cor esverdeada que pode ser facilmente
comprimido em um líquido claro, cor de âmbar, que solidifica à
pressão atmosférica e à temperatura de 102 °C.
Sabor e odor
As sensações de sabor e odor estão, na maioria das vezes,
associadas aos compostos orgânicos voláteis. O controle dessas
sensações no processo de tratamento da água ocorre por meio da
cloração. Quando se utiliza o cloro em uma estação de tratamento de
água para o controle do sabor e do odor, a aplicação é feita antes
dos demais produtos químicos, ou seja, realiza-se a pré-cloração,
com o objetivo de manter um residual de cloro livre através de todas
as fases do tratamento.
Mas o controle do sabor e do odor é, algumas vezes, um
problema complexo, e nem sempre a cloração somente será
suficiente, podendo ser necessário dispor-se de facilidades para a
decloração por aeração e/ou por aplicação de dióxido de enxofre,
carvão ativado ou amônia.
Controle da corrosão
A corrosão é um processo de destruição continuada de corpos
sólidos, especialmente metais, que envolve alterações de
composição química. A corrosão de canalizações, equipamentos
metálicos etc. representa um grande prejuízo aos serviços de
abastecimento de água. As tubulações corroídas, além de terem vida
útil curta, apresentam menor capacidade de condução da água.
3.5
3.5.1
Existem várias modalidades de corrosão, destacando-se a
autocorrosão, que se deve ao fato de que todos os metais, em
contato com a água, tendem a entrar em solução, sob a forma iônica.
Normalmente o controle da corrosão se dá por meio da
utilização de cal, carbono de sódio, metafosfato, silicato e outros.
Tratamentos da água mais
comumente utilizados
Os tratamentos mais comuns são: instalação de desferrização;
filtros lentos; tratamento químico, que, por sua vez, se subdivide em
coagulação, floculação, decantação e filtração rápida; super-filtros e
filtros de fluxo ascendente (clarificadores de contato, ou filtros
russos), processos já descritos anteriormente.
Para que se tenha uma noção mais abrangente dos tipos de
tratamentos mais comuns, passaremos à caracterização de cada um
deles. A intenção aqui não é esgotar os conhecimentos a respeito do
tema, mas apresentar as espécies e despertar o interesse em buscar
mais informações dos tipos de tratamento da água e sua importância
para a manutenção da saúde.
A instalação de desferrizaçãoÉ a implantação de equipamentos destinados ao tratamento de
águas límpidas, bacteriologicamente boas, porém com teores
excessivos de ferro. O excesso de ferro é tóxico e provoca vômito,
diarreia e lesão intestinal. O metal pode acumular-se no corpo
quando um indivíduo o recebe em quantidades excessivas ou por um
longo tempo. O acúmulo de ferro no organismo humano pode
aumentar a incidência de problemas cardíacos, diabetes, cirrose e
tumores hepáticos. Os exames de sangue podem revelar se o
indivíduo apresenta excesso de ferro.
Outros inconvenientes apontados pelo teor excessivo de ferro
nas águas são: manchas em tecidos, roupas, utensílios, aparelhos
3.5.2
sanitários etc.; sabor desagradável (metálico); prejudica a
preparação de café e chá; interfere nos processos industriais como a
fabricação de papel e tecidos, cervejarias, tinturarias etc.; pode
causar depósitos e incrustações; pode possibilitar o desenvolvimento
de bactérias ferruginosas nocivas.
A utilização de filtros lentos
É recomendada para águas cuja cor mais turbidez seja inferior a
50 ou 60. Como já observado anteriormente, a filtração é um
processo de separação do sólido-líquido. Tem o objetivo de remover
as impurezas da água por meio da passagem desta por um meio
poroso. Nos filtros lentos, a veloci-dade com que a água percorre o
leito filtrante é baixa.
Amplie seus conhecimentosVocê sabia que a desinfecção da água pode ser realizada utilizando-se o sol?
É a técnica conhecida como desinfecção solar, ou SODIS, sigla do inglês Solar
Disinfection, um método simples de tratamento da água que combina os raios
solares com o calor, para destruir bactérias, vírus e parasitas. A água
contaminada é colocada em garrafas de plástico transparentes e exposta ao sol.
A primeira vez que o método SODIS foi apresentado foi em 1984, pelo Fundo
das Nações Unidas para a infância (Unicef). Depois, várias pesquisas foram
realizadas pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia Ambiental da Suíça,
que comprovaram que o SODIS melhora a qualidade da água, tornando-a
potável.
O Unicef e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam essa técnica
como “uma alternativa nova e inovadora de desinfecção da água para consumo
humano”.
Figura 3.5 – Aplicação do método SODIS na Indonésia. É um método de
desinfecção da água de baixo custo que utiliza os raios ultravioleta do sol e
garrafas plásticas do tipo PET transparentes.
O método SODIS é aplicado já há vários anos na Índia, Indonésia, Peru,
Bolívia, Uzbequistão etc. Faz parte também do Programa de Água e
Saneamento do Banco Mundial para a América Latina.
Para saber mais, acesse: <http://www.onu.org.br/cerca-de-36-milhoes-de-
pessoas-nao-tem-acesso-a-agua-potavel-na--america-latina-alerta-banco-
mundial/>, data de acesso 17/09/2014.
3.5.3
3.5.4
Figura 3.6 – Modo de utilizar o método SODIS, uma técnica simples e eficaz.
O tratamento químico
É um pouco mais complexo. Compreende quatro etapas:
coagulação, floculação, decantação e filtração rápida, e destina-se a
águas superficiais geralmente turvas e/ou coloridas. É a espécie de
tratamento mais utilizada nas cidades de médio e pequeno porte do
país. Tem como objetivo a clarificação da água e consiste em
promover a redução na sua turbidez, cor e carga orgânica, através
da eliminação de sólidos suspensos por meio de processos físico-
químicos.
O processo de coagulação está intimamente relacionado ao
fenômeno de neutralização, uma vez que consiste na aglutinação,
isto é, aproximação das partículas, para que elas se tornem maiores
e possam sedimentar rapidamente. Como exemplos de coagulantes
ou floculantes utilizados no tratamento da água tem-se o sulfato de
alumínio (AI2 (SO4)3,) o policloreto de alumínio (PAC), o cloreto
férrico (FeCl3), o sulfato ferroso (FeSO4), o hidróxido de cálcio
(Ca(OH)2), polímeros aniônicos e não iônicos, polímeros catiônicos,
policátions.
A floculação corresponde ao crescimento dos flocos, após a
coagulação. Durante essa etapa, a velocidade da água deve ser
suficiente para promover o contato entre os coágulos, sem ser
demasiadamente alta e que venha a produzir a quebra destes.
Decantação
3.5.5
3.5.6
Ocorre normalmente após a floculação. Nessa etapa, os flocos
formados na fase anterior separam-se da água, sedimentando-se, no
fundo dos tanques. É o processo pelo qual se verifica a deposição
dos flocos pela ação da gravidade. Na floculação, por injeção de ar,
os flocos, em vez de sedimentarem, vão para a superfície, onde são
recolhidos, ou seja, em vez de descerem, sobem para a superfície.
A filtração da água
Consiste em fazê-la passar através de materiais porosos
capazes de reter ou remover impurezas. Em geral, os filtros são
compostos por seixos, areia, carvão antracitoso.
Figura 3.7 – Estação de Tratamento de Água (ETA). A água captada por rios ou
represas vem com folhas, peixes, lodo, bactérias, e, para chegar às casas limpa e
sem cheiro, precisa passar aproximadamente 3 horas dentro de uma estação de
tratamento, o que inclui fases de decantação da sujeira, filtragem e adição de cloro
e flúor etc.
Superfiltros ou dupla filtração
É a espécie de tratamento de água, aplicável às pequenas
comunidades, com grandes vantagens técnicas e econômicas. De
acordo com a literatura, a ideia que suscitou a superfiltração
decorreu de observações relativas ao comportamento dos filtros
russos (clarificadores de contato). A experiência demonstra que
esses filtros de fluxo ascendente realizam com eficiência a
floculação, a clarificação e a filtração da água, evitando a
necessidade de tratamento prévio em floculadores e decantadores.
Constatou-se na realidade que a coagulação e a floculação realizada
em meio poroso, e na presença de compostos previamente
precipitados, conduzem a resultados excelentes, podendo permitir
considerável economia de reagentes.
Figura 3.8 – Estação de tratamento de esgotos. É por meio dos processos físicos,
químicos ou biológicos que são removidos as cargas poluentes do esgoto,
devolvendo ao ambiente o produto final, efluente tratado, em conforme os padrões
exigidos pela legislação ambiental.
3.6
Amplie seus conhecimentosO lodo descartado das Estações de Tratamento de Água (ETAs) pode ser
utilizado para fabricação de tijolos cerâmicos.
A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) passou a adotar essa
técnica após uma pesquisa que teve início em 2010 e que acabou sendo
certificada pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), após diversas
avaliações técnicas. Os chamados ‘tijolos ecológicos’ terão sua massa
produzida com até 15% de lodo extraído das unidades de tratamento, o melhor
resultado percentual em nível nacional na produção do material.
A indústria cerâmica é um setor de extrema importância econômica para o
Brasil. Estima-se que tenha um faturamento médio de R$ 4,2 bilhões, e é
responsável pela geração de 214 mil empregos diretos com participação no PIB
(Produto Interno Bruto) estimada em 1%, correspondendo a cerca de US$ 6
bilhões (ABCeram, 2003).
Figura 3.9 – Tijolo ecológico. O lodo de esgoto pode ser utilizado para a
fabricação de tijolos cerâmicos, proporcionando a reciclagem dos resíduos
provenientes do processo de tratamento de água.
Para saber mais, acesse: <http://www.compesa.com.br/noticias/lodo-de-
tratamento-de-agua-sera-usado-na-fabricacao-de-tijolos-ecologicos>, data de
acesso 16/09/2014.
Considerações iniciais sobre os
efluentes
Antes de conversamos sobre o tratamento de efluentes, cabe
lembrar que existem dois tipos clássicos de efluentes: o esgoto
a)
doméstico, resultante das residências e do comércio, e aquele que
resulta da atividade industrial.
Os efluentes industriais podem variar de acordo com o tipo de
produção das empresas, por isso podem conter óleos, metais
pesados, entre outros produtos provenientes da atividade industrial.
Perceba que são altamente poluentes, motivo pelo qual devem ser
tratados antes de voltarem ao meio ambiente.
Assim como o tratamento da água, o tratamento de efluentes
industriais consiste em uma série de processos,que podem ser de
ordem física, química e até biológica, para que seja feita a
eliminação dos agentes contaminantes presentes, contribuindo assim
para a produção de água limpa ou pelo menos reutilizável e ainda
para a produção de resíduos sólidos, também chamados de lodo,
que podem ser usados como matéria-prima para outros processos.
A intenção aqui não é esgotar todos os tipos de processos de
tratamento de águas e efluentes, mas apresentar de maneira didática
as formas usualmente utilizadas no país.
Muitos são os processos atuais de tratamento de águas e
efluentes e águas residuárias. Assim como os processos de
tratamento da água, os processos de tratamento dos esgotos e
efluentes podem sofrer variações decorrentes das características
peculiares. Deve-se levar em consideração a origem, hora de
produção ou amostragem, como também a extensão da rede
coletora e seu estado de conservação.
A Resolução n° 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama) dispõe sobre a classificação dos corpos de água e
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como
estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes,
entre outras providências. Essa norma estabelece três classificações
para o tratamento da água. São elas:
tratamento avançado, que são as técnicas de remoção e/ou
inativação de constituintes refratários aos processos
convencionais de tratamento, os quais podem conferir à
b)
c)
3.6.1
água características tais como: cor, odor, sabor, atividade
tóxica ou patogênica;
tratamento convencional, caracterizado como a clarificação
com utilização de coagulação e floculação, seguida de
desinfecção e correção de pH;
tratamento simplificado, que consiste na clarificação por
meio de filtração e desinfecção e correção de pH quando
necessário.
Com funções e objetivos diferentes, os processos de tratamento
da água buscam a potabilidade desse líquido para consumo humano,
irrigação de lavouras, atividades de lazer, ou para a criação de
animais, enquanto o tratamento dos efluentes objetiva a retirada de
poluentes dos resíduos líquidos ou gasosos resultantes da atividade
industrial e os resíduos produzidos domesticamente pelo homem.
Um pouco de história
A história registra que desde os tempos mais antigos, época em
que os homens começaram a criar cidades, já havia a preocupação
com as águas servidas. Há registro de que no ano de 3750 a.C.
foram construídas galerias de esgotos em Nipur, na Índia, e na
Babilônia. No Império Romano, eram feitas ligações diretas das
casas até os canais. Entretanto, na Idade Média não se tem notícia
de grandes realizações no que diz respeito ao saneamento, em
especial aos esgotos, o que contribuiu fortemente para as grandes
epidemias ocorridas na Europa, no período entre os séculos XIII e
XIX, coincidindo com o crescimento desordenado de algumas
cidades.
A Inglaterra foi um dos países europeus que mais sofreu com as
epidemias, talvez por ter servido de berço à Revolução Industrial, e,
por conseguinte, por ter recebido intensa migração populacional do
campo em direção às cidades, que ainda não dispunham de
infraestrutura urbana para atender a demanda de todo aquele
contingente populacional; e também pelas características
3.6.2
geográficas dos rios ingleses, de curta extensão. Esses podem ser
considerados alguns dos fatores que contribuíram para que a
Inglaterra fosse o primeiro país a iniciar pesquisas e adotar as
necessárias medidas para o saneamento.
A partir de 1815, Londres (Inglaterra) começou a lançar os
esgotos em galerias de águas pluviais; Hamburgo, na Alemanha,
começou a partir de 1842, e Paris (França), a partir de 1880. O
crescimento das cidades em todo o mundo no final do século XIX e
início do século XX fez com que outros países seguissem o exemplo
inglês e começassem a se preocupar com o tratamento do esgoto.
Salvo raras exceções, nas cidades brasileiras somente a partir
da década de 1970 é que come-çou a acontecer um avanço na área
do saneamento. Apesar de várias cidades brasileiras já contarem
com Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), a grande maioria
não realiza nem mesmo a coleta, e menos ainda trata seus efluentes.
Mas inevitavelmente terão que fazê-lo, caso contrário em pouco
tempo ficarão sem mananciais de águas apropriadas para o
abastecimento público e consequentemente sofrerão sérios
problemas de saúde pública.
O tratamento dos efluentes
Esgoto sanitário ou efluente doméstico, como já citado
anteriormente, são os termos usados para caracterizar dejetos
provenientes de residências, edifícios comerciais, indústrias,
instituições ou quaisquer edificações que contenham banheiros e/ou
cozinhas, dispostos em fossas ou tanques de acúmulo. Compõem-se
basicamente de líquidos de hábitos higiênicos e das necessidades
fisiológicas como urina, fezes, restos de comida, lavagem de áreas
comuns etc. Sua composição inclui sólidos suspensos, sólidos
dissolvidos, matéria orgânica, nutrientes (nitrogênio e fósforo) e
organismos patogênicos (vírus, bactérias, protozoários e helmintos).
Já o efluente industrial biodegradável possui características
próprias, inerentes aos processos industriais. Suas características
3.6.3
químicas, físicas e biológicas variam de acordo com o ramo de
atividade da indústria, operação, matérias-primas utilizadas etc.
Indústrias como abatedouros (frigoríficos); aterros sanitários;
indústria automotiva (apenas o efluente tratado ou livre de
contaminantes); cerâmicas; cervejarias; destilarias, funerárias (água
de preparação de corpos); gráficas (livres de solventes); hotéis,
motéis e condomínios; indústrias de cosméticos, de embalagens, de
medicamentos veterinários, de móveis, de produtos de higiene, de
produtos de limpeza, farmacêutica, alimentícias, de papel (celulose),
de ração animal, de refrigerantes; lavanderias; metalúrgicas;
shoppings centers, entre outras, podem enviar seus dejetos para
tratamento biológico, químico ou físico. Reforça-se que, para que
sejam avaliados os parâmetros de tratamento, é necessário que uma
amostra do resíduo líquido seja coletada e enviada para
caracterização em laboratório credenciado, somente assim poderão
ser planejadas as etapas de despoluição a serem seguidas para
deixar o efluente em condições de retornar ao meio ambiente
prejudicando-o o menos possível.
Costuma se classificar os processos de tratamento de efluentes
em preliminar, primários, secundários e terciários ou pós-tratamento.
Compreenda que o objetivo maior é devolver o efluente ao rio de
forma que não altere as características físicas, químicas e biológicas
deste.
Tratamento preliminar
A primeira etapa do ciclo de tratamento dos efluentes, sejam
eles domésticos ou industriais, consiste na remoção de sólidos
grosseiros, areia e gorduras. Por isso, essa etapa compreende três
sistemas: a remoção de sólidos grosseiros (grades); a remoção de
sólidos grosseiros sedimentáveis (caixa de areia); e a remoção de
gorduras e sólidos flutuantes (caixa de gordura). A finalidade dessa
etapa é retirar preliminarmente os elementos sólidos presentes nos
efluentes, visando facilitar o transporte do material até a próxima
etapa do processo.
A remoção ou trituração de sólidos grosseiros pode ser feita por
meio de grades de barras, trituradores e peneiras. As grades têm a
finalidade de reter o material sólido grosseiro para posterior remoção
e disposição final. Os trituradores têm a finalidade de reduzir as
dimensões dos sólidos grosseiros, ou até mesmo a sua
desintegração, retornando-os aos esgotos. As peneiras possuem a
mesma finalidade das grades, qual seja, reter os sólidos grosseiros.
Mas, como são dotadas de aberturas pequenas, são capazes de
remover resíduos mais finos, aumentando dessa forma a eficiência
desse sistema de tratamento prévio.
Dos três sistemas utilizados na fase preliminar de tratamento de
esgotos destaca-se a grade de barras, por ser o dispositivo mais
comumente utilizado no país. Ela normalmente é composta por
barras paralelas de espessura e espaçamento adequados às
características do esgoto que se deseja tratar.Geralmente são
formadas por barras de ferro ou aço arrumadas paralelamente,
perpendicular-mente ou inclinadas, o que possibilita o fluxo normal
dos esgotos, evitando grandes perdas de carga e retendo o material
grosseiro transportado pelo esgoto.
Com o tempo, há a necessidade de se retirar o material que fica
retido nas barras para que se evite o represamento do esgoto e
consequentemente o retardamento das demais etapas de
tratamento. A retirada desse material pode ser feita manual ou
mecanicamente. Quando for manual, deve ser realizada com maior
frequência, para que não cause o represamento. Quando for
mecanizada, há dispositivos que controlam a quantidade de material
retido, removendo-o temporariamente.
Quanto ao material removido, as melhores técnicas orientam
que ele deve ser lavado e seco e, se necessário, receber a adição de
substâncias químicas, para somente então ser encaminhado ao seu
destino final, que pode ser aterro sanitário ou incineração, evitando
assim transtornos nas estações de tratamento.
As caixas de areia localizam-se nas estações de tratamento logo
após as grades de barras e são dotadas de dispositivos para reter e
3.6.4
remover a areia contida nos esgotos para que se evite a abrasão nos
equipamentos e nas tubulações posteriores. Elas são dotadas de
compartimentos especificamente construídos para armazenar a
quantidade de areia retida entre intervalos de cada limpeza. A
remoção de areia retida pode ser feita de maneira manual, hidráulica
ou mecanizada, dependendo da vazão. De acordo com as normas
brasileiras ABNT, NBE 12209, a remoção manual poderá ser
realizada para vazões de até 50 L/s; para vazões superiores, a
limpeza deverá ser mecanizada.
As gorduras são usualmente originadas de esgotos de cozinha
ou despejos industriais gerados no processamento de óleos e
gorduras de origem animal ou vegetal. Elas têm a capacidade de se
agrupar, alterando dessa forma o tempo de detenção de acordo com
a velocidade de ascensão.
A operação das caixas de gordura pode se resumir à limpeza
periódica e remoção da gordura retida, para que se evite que o
material seja arrastado com o efluente.
Tratamento primário de efluentes
Após a primeira fase, ou preliminar do tratamento de efluentes,
passa-se então para o chamado tratamento primário, que por sua
vez é composto basicamente por duas etapas, floculação e
decantação. Daí por que a maior parte da literatura sobre o tema
afirma que o tratamento primário é constituído unicamente por
processos físico-químicos. Nessa etapa ocorrem a sedimentação e
neutralização da carga do efluente a partir de um tanque de
equalização e adição de produtos químicos. Em seguida, ocorre a
separação de partículas líquidas ou sólidas através de processos de
floculação e sedimentação, utilizando floculadores e decantador
(sedimentador) primário.
Nessa etapa, a função da decantação é clarificar o esgoto,
removendo sólidos que, isoladamente ou em flocos, podem
sedimentar pelo seu próprio peso, isto é, a decantação tem a
finalidade de sedimentar os sólidos orgânicos e inorgânicos
presentes nos efluentes. Também chamada de decantação primária,
essa etapa consiste na separação de sólido (lodo) e líquido (efluente
bruto) por meio da sedimentação das partículas sólidas.
Os efluentes fluem vagarosamente através dos decantadores,
permitindo que os sólidos em suspensão, que apresentam densidade
maior do que a do líquido circundante, sedimentem gradualmente no
fundo. Essa massa de sólidos, denominada lodo primário bruto, pode
ser adensada no poço de lodo do decantador e enviada diretamente
para a digestão ou pode ser enviada para os adensadores.
As condições de decantação estão relacionadas à velocidade de
sedimentação dos sólidos dentro do tanque ou à taxa de escoamento
superficial. A separação sólido-líquido por decantação centrífuga é
semelhante à sedimentação por gravidade, com as partículas sendo
aceleradas por uma força centrífuga, maior que a aceleração da
gravidade. Nessa etapa, são sedimentados (decantação) os sólidos
em suspensão que vão se acumulando no fundo do decantador,
formando o lodo primário, que depois é retirado para dar
continuidade ao processo.
O lodo primário é um líquido com viscosidade maior que a água,
oriundo do tratamento de esgoto sanitário. A percentagem de sólidos
presentes no lodo primário varia de acordo com o tipo de decantador,
sendo mais comuns números variando entre 2 a 8%. Dentre as
espécies de decantadores destacam-se o decantador circular não
mecanizado, o decantador retangular não mecanizado e o
decantador circular.
A floculação é um processo de coagulação, que consiste na
adição de produtos químicos que promovem a aglutinação e o
agrupamento das partículas a serem removidas, tornando o peso
específico dessas partículas maior que o da água, facilitando a
decantação. Observe que normalmente os processos de floculação
acontecem juntamente com a decantação.
Após a realização das etapas previstas do tratamento primário,
na maioria dos casos, o nível de tratamento ainda é insuficiente para
permitir o lançamento do efluente em um corpo d’água. O efluente
3.6.5
oriundo dos decantadores primários ainda abrigam no mínimo 60%
da Demanda Bioquí-mica de Oxigênio (DBO) do valor original. Dessa
forma, é quase sempre necessário o tratamento secundário, que visa
remover os sólidos dissolvidos, bem como os sólidos finamente
particulados, que deixaram de ser removidos no tratamento primário.
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) é a quantidade de
oxigênio dissolvido, necessária aos micro-organismos durante a
estabilização da matéria orgânica em decomposição, sob condições
aeróbicas, ou seja, é a forma mais utilizada para se medir a
quantidade de matéria orgânica presente. É por meio da
determinação da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) que se
pode obter o grau de poluição de uma água residual, já que há uma
relação direta entre a DBO e a poluição do efluente.
Quanto maior o grau de poluição orgânica, maior a DBO do
corpo d’água. Importa lembrar que as variações dependerão do tipo
de rede, dos despejos admitidos, da qualidade do material
empregado e principalmente da natureza dos despejos, sejam eles
domésticos ou industriais.
Apesar da deficiência na redução da DBO que ocorre no
tratamento primário, a eficácia dele pode chegar a 70% em termos
de materiais sólidos suspensos.
Vamos ver agora o tratamento secundário ou biológico.
Tratamento secundário de
efluentes
Nessa etapa ocorre a remoção da matéria orgânica, por meio de
reações bioquímicas, em que os micro-organismos irão se alimentar
da matéria orgânica, convertendo-a em gás carbônico e água. Esse
processo é realizado por meio de filtração biológica, processo de
lodos ativados, decantação intermediária e lagoas de estabilização.
Os filtros biológicos são dispositivos em que ocorre a aplicação
uniforme dos esgotos sobre o meio filtrante. Nesse local há a
formação de meios de cultura biológica. O processo se dá da
seguinte forma: os esgotos são lançados sobre os filtros nos quais
ocorre a formação de meios de cultura biológica. A matéria orgânica
é absorvida na camada biológica, e esta sofre a degradação
aeróbica nas camadas envolventes do material filtrante, que é rica
em organismos aeróbicos. À medida que os organismos crescem, a
espessura da camada biológica aumenta e o oxigênio deixa de
penetrar em todas as camadas, ficando as mais internas desprovidas
do gás, passando a se comportar anaerobicamente, isto é, sem
oxigênio. A parte líquida (esgoto percolado) entre o meio filtrante
“lava” a camada de limo que acumula no meio e leva consigo o
excesso de sólidos e limo em permanente substituição das camadas
biológicas.
O meio filtrante normalmente é composto por pedregulhos,
cascalhos, pedras britadas, entre outros materiais inertes. O mais
comum é a utilização de pedras britadas de diâmetro variando entre
5 a 10 centímetros. A brita é arrumada nos tanques de maneira que
permita que o esgoto e o ar possam circular fluentemente, mantendo
dessa forma as condições aeróbicasnecessárias para o
desenvolvimento das culturas biológicas.
No fundo da camada filtrante, há um sistema de drenagem para
que se viabilize o fluxo contínuo de entrada e saída do esgoto. Este é
formado normalmente por blocos ou calhas pré-moldadas de
concreto, barro vidrado, cimento amianto ou plástico. A recirculação
do efluente aumenta o tempo de contato deste com a camada
filtrante, reduz os problemas relacionados ao odor e aos insetos
(moscas), entre outros benefícios.
Os lodos ativados são processos biológicos em que o esgoto
afluente é misturado com o lodo ativado por micro-organismos,
agitado e aerado, para na sequência passarem por um decantador e
serem novamente separados. O lodo ativado segue novamente para
o tanque de aeração e o esgoto tratado segue para as lagoas de
estabilização.
O processo de lodos ativados convencional apresenta variações
que afetam diretamente nos parâmetros de avaliação da eficiência
do processo de tratamento, como a porcentagem de remoção de
DBO, idade do lodo, carga volumétrica (kg DBO/m3), entre outros.
O tratamento por lodos ativados é considerado pela literatura da
área o sistema de biorremediação mais versátil e eficiente, já que
esse sistema opera com pouco substrato auxiliar e é capaz de
remover a toxicidade crônica e aguda, com um menor tempo de
aeração.
No lodo existe um grande número de espécies bacterianas, além
de fungos, protozoários e outros micro-organismos, que podem
favorecer a redução de um grande número de compostos. Esse tipo
de processo, desenvolvido na Inglaterra no início do século XX, vem
sendo utilizado nos mais diversos tipos de efluentes, inclusive no
tratamento de esgotos sanitários. Esse tipo de processo é
fundamentado na utilização de bactérias e fungos que requerem
oxigênio molecular. As suas formas mais comuns de aplicação
industrial estão representadas pelas lagoas aeradas e pelos
sistemas de lodos ativados.
As lagoas aeradas assemelham-se construtivamente às lagoas
de estabilização facultativas, mas dependem da colocação artificial
do oxigênio requerido pelos organismos decompositores da matéria
orgânica solúvel e finamente particulada. A energia de aeração
também possibilita a manutenção da massa líquida em total
suspensão, e possibilita ainda a formação de flocos biológicos, para
posterior separação na unidade seguinte de sedimentação. A
remoção de lodo ocorre em períodos de poucos anos. Nas lagoas
aeradas são admitidas profundidades de até 3,0 m, definidas em
função da aplicação dos dispositivos de aeração e misturação.
Já a lagoa de estabilização é uma espécie de reator biológico,
que, ao receber esgoto bruto, o submete à degradação biológica,
estabilizando ou mineralizando o máximo possível da carga orgânica
e com isso reduzindo o número de micro-organismos patogênicos
existentes. A estabilização da matéria orgânica é realizada pela
3.6.6
oxidação bacteriológica. Ela se baseia em dois princípios biológicos
fundamentais: respiração e fotossíntese. Nela é fundado um ciclo em
que os micro-organismos fotossensibilizantes sintetizam a matéria
orgânica, liberando oxigênio no meio, e organismos heterótrofos
alimentam-se de matéria orgânica, utilizam oxigênio para sua
oxidação e libertação de energia necessária e liberam, como
subproduto dessa atividade, gás carbônico necessário à
fotossíntese.
Tratamento terciário ou pós-
tratamento
O tratamento terciário é normalmente constituído de unidades de
tratamento físico-químico que visam a remoção complementar da
matéria orgânica e de compostos não biodegradáveis, de nutrientes,
de poluentes tóxicos e/ou específicos de metais pesados, de sólidos
inorgânicos dissolvidos, sólidos em suspensão remanescentes, e de
patogenias por desinfecção dos esgotos tratados. Também chamado
de pós-tratamento, é nessa fase que são removidos os poluentes
específicos como os micronutrientes (nitrogênio, fósforo...) e
patogênicos (bactérias, fungos), isso quando se deseja que o
efluente tenha qualidade superior, ou quando o tratamento não
atingiu a qualidade desejada.
As principais características desse processo são as lagoas de
maturação, cloração para desinfecção, ozonização também para
desinfecção, remoção de nutrientes, remoção de complexos
orgânicos, eletrodiálise, osmose reversa, troca iônica, remoção de
nutrientes. Nessa fase há diversas etapas específicas, que variam de
acordo com o grau de depuração que se deseja alcançar,
caracterizando tratamentos para situações especiais, com o objetivo
de completar o tratamento secundário, sempre que as condições
locais exigirem um grau de depuração excepcionalmente elevado
(usos ou reusos das águas receptoras).
No caso de efluentes industriais, a própria empresa que faz o
tratamento de esgoto exige que a indústria monitore a qualidade dos
efluentes mandados para a estação. Caso haja substâncias muito
tóxicas ou que não podem ser removidas pelo tratamento oferecido
pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) pública, a indústria é
obrigada a construir a sua própria ETE para tratar seu próprio
efluente.
Os principais processos de tratamento de efluentes líquidos
estão na etapa terciária, e, de acordo com o que se espera do
resultado final, os referidos processos se encontram-se na Tabela
3.4.
Tabela 3.4 – Processos de tratamento2.
Conforme a tabela, os principais tipos de procedimentos para
remoção de sólidos dissolvidos são: osmose reversa; troca iônica;
eletrodiálise reversa; evaporação.
A osmose reversa é (RO) um processo de separação que usa
pressão para forçar uma solução através de uma membrana que
retém o soluto em um lado e permite que o solvente passe para o
outro lado, isto é, o processo de forçar a solução de uma região de
alta concentração de soluto através de uma membrana para uma
região de baixa concentração de soluto, por meio da aplicação de
uma pressão externa que exceda a pressão osmótica. A troca iônica
é a troca entre íons presentes numa solução e íons sólidos presentes
na resina.
Na eletrodiálise, os íons são transferidos através de membranas
semipermeáveis, como consequência da aplicação de voltagem de
uma corrente contínua, enquanto no processo de osmose reversa,
que é um processo de filtragem, a água de alimentação se concentra
em sais ao passar pelo sistema, resultando em um concentrado
hiperfiltrado.
Vamos recapitular?
No decorrer deste capítulo, estudamos o tratamento da água e efluentes
industriais e domésticos. Observamos que o tratamento da água é realizado para
atender necessidades higiênicas, estéticas ou econômicas. Tratar a água
significa deixá-la em condições recomendáveis para o consumo humano ou
utilização para fins industriais. Vimos que o tratamento evita problemas
relacionados à saúde humana, animal e vegetal. Aprendemos também que a
natureza e a composição do solo, sobre a qual a água escoa, determinam as
impurezas adicionais que a água apresenta, fato agravado pelo aumento da
população e pelas atividades econômicas desenvolvidas, em especial a
agricultura e a indústria. Conhecemos ainda os principais processos de purifi
cação da água.
Aprendemos também que existem dois tipos clássicos de efluentes: o
esgoto doméstico, resultante das residências e do comércio, e aquele que
resulta da atividade industrial. Este último varia de acordo com o tipo de
produção das empresas. Aprendemos que, assim como o tratamento da água, o
tratamento de efluentes industriais consiste em uma série de processos, de
ordem física, química e até biológica, para que seja feita a eliminação dos
agentes contaminantes presentes nos efluentes para que possam retornar ao
meio ambiente ocasionando o mínimo possível de dano ambiental. Por isso,
foram apresentadas as fases de tratamento dos efluentes, desde a preliminar até
a terciária, alcançada apenas quando se deseja que o efluente tenha quali-dade
superior, ou quando o tratamento não atingiu a qualidade desejada, ou seja,
utilizada para a remoção de poluentes específicos como os micronutrientes
(nitrogênio, fósforo...) e patogênicos (bactérias, fungos).
Finalmente, destacamosa finalidade primeira do tratamento dos efluentes,
sejam eles domésticos ou industriais, que é usar com racionalidade os recursos
que a natureza nos oferece, garantindo o direito das futuras gerações.
1)
2)
3)
4)
5)
Agora é com você!
Quais as principais características de um tratamento terciário
ou pós-tratamento de efluentes? Lembre-se de que essa fase
tem o objetivo de depurar ao máximo os efluentes para que
estes possam ser reutilizados para fins diversos daqueles
inicialmente observados ou para que retornem ao meio natural
provocando o menor dano possível.
Pesquise em livros, sites da internet, jornais e revistas quais os
tipos de resinas que podem ser utilizadas para a correção da
dureza da água e, consequentemente, a manutenção de
máquinas e equipamentos.
Considerando que existem diversas variações do processo de
lodos ativados convencional, como a aeração crescente,
escalonada, de alta capacidade, prolongada, mistura completa,
com nitrificação, processo Kraus etc., pesquise quais as
características dos efluentes em cada uma dessas variações.
Como podemos conceituar a desinfecção e esterilização da
água?
Procure em livros, revistas e sites informações a respeito da
pandemia da peste bubônica que assolou a Europa entre os
anos de 1345 a 1349 e que vitimou cerca de 43 milhões de
pessoas, em uma época em que a população mundial não
chegava à casa dos 400 milhões de pessoas. Busque as
causas da transmissão da doença e relacione com os temas
abordados neste capítulo.
4.1
Para começar
Você irá aprender sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a definição
e classificação dos resíduos, os resíduos perigosos e resíduos não perigosos,
resíduos industriais, resíduos químicos, resíduos urbanos e, ainda, saneamento
básico e os resíduos de esgotos.
Política Nacional de Resíduos
Sólidos
A Política Nacional de Resíduos Sólidos é estabelecida pela Lei
n° 12.305, de 02 de agosto de 2010. Essa lei traz um conjunto de
princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações
»
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»
adotadas, isoladamente ou em regime integrado com os Estados,
Distrito Federal, Municípios e iniciativa privada, com o objetivo de
realizar o gerenciamento dos resíduos sólidos.
A Lei n° 12.305/10, em seu artigo 3°, inciso XVI, define resíduos
sólidos como:
Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de
atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se
procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos
estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em
recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu
lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou
exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em
face da melhor tecnologia disponível.
A Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos complementa e
atua conjuntamente ao estabelecido nas leis: Política Nacional de
Mudanças Climáticas (Lei n° 12.187/09), Política Nacional de
Recursos Hídricos (Lei n° 9433/97) e Lei Federal de Saneamento
Básico (Lei n° 11.445/ 07).
A iniciativa privada e os entes da Federação devem realizar o
planejamento e a adoção de medidas de gerenciamento dos
resíduos sólidos, para se adequarem de forma administrativa e
operacional ao cumprimento do Plano Nacional de Resíduos Sólidos,
que será desenvolvido em um prazo limite de 20 (vinte) anos sob a
coordenação do Ministério do Meio Ambiente.
A lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos possui vários
objetivos, dentre os quais destacamos:
proteção da saúde pública e da qualidade ambiental;
não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento
dos resíduos sólidos, bem como disposição final
ambientalmente adequada dos rejeitos;
estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e
consumo de bens e serviços;
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»
adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias
limpas como forma de minimizar impactos ambientais;
redução do volume e da periculosidade dos resíduos
perigosos;
legitimação das políticas estaduais e municipais de resíduos
sólidos;
acordo setorial entre o poder público e fabricantes,
importadores, distribuidores ou comerciantes, com a
delegação de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de
vida do produto;
proibição definitiva de aterros a céu aberto (lixões);
implantação de sistema de coleta seletiva pública;
definição dos princípios do poluidor-pagador e o protetor-
recebedor;
incentivos econômicos prioritários para iniciativas com
responsabilidade ambiental;
o inventário e o sistema declaratório anual de resíduos
sólidos;
inclusão social e econômica dos catadores de lixo por meio
de cooperativas;
adoção e estruturação do sistema de logística reversa.
A Lei n° 12.305/10, em seu artigo 6°, estabelece quais são os
princípios fundamentais da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Observe.
Art. 6o São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos:
I – a prevenção e a precaução;
II – o poluidor-pagador e o protetor-recebedor;
III – a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que
considere as variáveis ambiental, social, cultural, econômica,
4.1.1
tecnológica e de saúde pública;
IV – o desenvolvimento sustentável;
V – a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o
fornecimento, a preços competitivos, de bens e serviços
qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam
qualidade de vida e a redução do impacto ambiental e do consumo
de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à
capacidade de sustentação estimada do planeta;
VI – a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o
setor empresarial e demais segmentos da sociedade;
VII – a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos;
VIII – o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável
como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e
renda e promotor de cidadania;
IX – o respeito às diversidades locais e regionais;
X – o direito da sociedade à informação e ao controle social;
XI – a razoabilidade e a proporcionalidade.
Instrumentos ambientais
Os instrumentos ambientais visam dar cumprimento à existência
do desenvolvimento sustentável. Isso significa que a proteção do
meio ambiente é parte integrante do processo de desenvolvimento
de toda e qualquer atividade. Deve ainda o desenvolvimento ser
observado sob os aspectos social, econômico e ambientalmente
sustentável para o nosso planeta.
O leitor deve compreender que o descarte incorreto de resíduos
pode provocar a poluição do solo, do ar e da água e pode ainda
causar a proliferação de diversas doenças aos seres vivos e que isso
tudo faz com que seja necessário existirem instrumentos ambientais,
hábeis a evitar e minimizar os impactos e riscos ambientais.
1)
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»
4.1.2
Vários são os instrumentos ambientais para a implantação da
Política Nacional de Resíduos Sólidos, previstos no artigo 8° da Lei n°
12.305/10, entre eles:
planos de resíduos sólidos;
os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos
sólidos;
a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras
ferramentas relacionadas à implementação da
responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos;
o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas
ou de outras formas de associação de catadores de
materiais reutilizáveis e recicláveis;
o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e
agropecuária;
a cooperação técnica e financeira entre os setores público e
privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos
produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão,
reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e
disposição final ambientalmente adequada de rejeitos;
a educação ambiental.
Responsabilidade compartilhada
A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto
é prevista na Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos e definida
no artigo 3°, inciso XVI, como um:
Conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos
fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes,dos
consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza
urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume
de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os
impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental
decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei.
Os objetivos da responsabilidade compartilhada, conforme o
artigo 30, parágrafo único, da Lei n° 12.305/10, são:
Art. 30. A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos tem por objetivo:
I – compatibilizar interesses entre os agentes econômicos e sociais
e os processos de gestão empresarial e mercadológica com os de
gestão ambiental, desenvolvendo estratégias sustentáveis;
II – promover o aproveitamento de resíduos sólidos, direcionando-
os para a sua cadeia produtiva ou para outras cadeias produtivas;
III – reduzir a geração de resíduos sólidos, o desperdício de
materiais, a poluição e os danos ambientais;
IV – incentivar a utilização de insumos de menor agressividade ao
meio ambiente e de maior sustentabilidade;
V – estimular o desenvolvimento de mercado, a produção e o
consumo de produtos derivados de materiais reciclados e
recicláveis;
VI – propiciar que as atividades produtivas alcancem eficiência e
sustentabilidade;
VII – incentivar as boas práticas de responsabilidade
socioambiental.
Compreenda que a Política Nacional de Resíduos Sólidos
oficializou a responsabilidade compartilhada da sociedade, da
indústria, do comércio e das três esferas do governo na gestão dos
resíduos sólidos urbanos.
As pessoas devem acondicionar corretamente o lixo, fazendo a
separação e coleta seletiva. As indústrias devem recolher e dar a
destinação adequada aos produtos que fabricarem ou distribuírem,
colocando postos de recolhimento em locais do comércio. Os
fabricantes e vendedores também são responsáveis pelo
recolhimento das embalagens.
4.1.3
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»
»
Logística reversa
As empresas devem adotar a logística reversa de seus produtos,
o que significa que devem viabilizar a coleta e a restituição dos
resíduos sólidos a sua origem inicial (fabricantes, importadores,
distribuidores ou comerciantes), para o reaproveitamento ou outra
destinação final ambientalmente adequada.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos determina os
segmentos prioritários que devem realizar a logística reversa. São
eles:
agrotóxicos, seus resíduos e embalagens;
pilhas e baterias;
óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de
luz mista;
produtos eletrônicos e seus componentes.
Para a efetiva implantação e operacionalização da logística
reversa, bem como para que possa ser possível o retorno dos
resíduos em seus setores produtivos de origem, as empresas
devem:
implantar procedimentos de compra de produtos ou
embalagens usados;
disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e
recicláveis;
atuar em parceria com cooperativas de associação de
catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis.
4.2
Amplie seus conhecimentosUm fabricante de refrigerantes foi responsabilizado pelos danos ambientais
decorrentes do descarte irregular de garrafas PET de seus produtos. Conforme
a decisão da 4.a Turma do Superior Tribunal de Justiça, proferida em junho de
2014, a empresa terá de recolher os vasilhames deixados pelos consumidores
em ruas, córregos e qualquer outro lugar impróprio, informar procedimento de
recompra no rótulo dos produtos, bem como aplicar 20% de sua verba
publicitária em campanhas educativas.
Para saber mais, acesse: <http://www.stj.jus.br>, data de acesso 16/09/2014. e
consulte o processo n.° Recurso Especial 684.753.
Figura 4.1 – O descarte incorreto de garrafas PET pode provocar a
contaminação dos rios e lagos. O fabricante é responsável pelo descarte das
embalagens.
Plano Nacional de Resíduos Sólidos
O gerenciamento dos resíduos sólidos consiste no conjunto de
ações, diretas ou indiretas, que envolve as etapas de coleta,
transporte, tratamento e destinação final ambientalmente correta dos
resíduos sólidos e dos rejeitos, que devem estar em consonância
com o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
I –
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»
»
»
O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos indica as
formas ambientalmente adequadas desde as etapas de geração,
acondicionamento, transporte, tratamento, reciclagem e destinação
dos resíduos. Além dos benefícios pelo manejo adequado dos
resíduos sólidos, a implantação efetiva de um Plano de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos pode proporcionar vantagens
às empresas, visando o melhor custo-benefício.
Perceba que o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
busca minimizar a geração de resíduos na fonte, controlar e reduzir
riscos ao meio ambiente, bem como assegurar o correto manuseio e
disposição final.
Os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos são, segundo
o artigo 20 da Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos,
obrigatórios para determinadas empresas e instituições que sejam:
Geradoras dos seguintes resíduos sólidos:
resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os
gerados nessas atividades, excetuados os resíduos sólidos
urbanos, englobados os resíduos domiciliares, originários
de atividades domésticas em residências urbanas e os
resíduos de limpeza urbana, originários da varrição, limpeza
de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza
urbana;
resíduos industriais: gerados nos processos produtivos e
instalações industriais;
resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de
saúde, conforme definido em regulamento ou em normas
estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do Sistema
Nacional de Vigilância Sanitária;
resíduos de mineração: os gerados na atividade de
pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios.
São obrigatórios também para:
4.2.1
II – os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços
que:
a) gerem resíduos perigosos;
b) gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não
perigosos, por sua natureza, composição ou volume, não sejam
equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público
municipal.
III – as empresas de construção civil, nos termos do regulamento
ou de normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do
Meio Ambiente (Sisnama);
IV – os responsáveis pelos terminais e outras instalações de
resíduos de serviços de transportes, originários de portos,
aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e
passagens de fronteira; e, nos termos do regulamento ou de
normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio
Ambiente e, se couber, do Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária, as empresas de transporte;
V – os responsáveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido
pelo órgão competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente
(Sisnama), do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) ou
do Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa).
O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos é parte
integrante e um dos requisitos exigidos em um processo de
licenciamento ambiental de um empreendimento ou atividade pelo
órgão competente do Sistema Nacional do Meio Ambiente
(Sisnama).
Etapas do Plano de Gerenciamento
de Resíduos
O Plano de Gerenciamento de Resíduos deve ser devidamente
elaborado e desenvolvido em etapas.
A primeira etapa é o planejamento. Essa etapa está vinculada
ao levantamento dos aspectos ambientais dos resíduos gerados, aos
»
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»
requerimentos legais e à definição dos objetivos e metas a serem
alcançados.
Nessa etapa devem ser identificadas as fontes de geração de
resíduos. Para isso é preciso percorrer os processos da empresa e
verificar quais são os resíduos gerados em todos os processos, bem
como deve ser determinada a quantidade desse resíduo, para ser
analisado o custo e definidas as formas de armazenamento,
transporte e destinação final.
A identificação não é apenas nos processos industriais, devendo
ser analisados, por exemplo:
escritórios: papel e papelão usado; cartuchos de
impressoras; pilhas e baterias etc.;banheiros e cozinhas: produtos de limpeza e higiene, restos
de comida etc.;
manutenção: óleo lubrificante usado; latas de óleo; peças
inservíveis etc.
Posteriormente, deve ser realizada a classificação dos resíduos
sólidos gerados em uma determinada atividade.
O Plano de Gerenciamento de Resíduo deverá conter os
objetivos e metas a serem alcançados. Deverá existir prioridade à
redução da geração na fonte, com a previsão de procedimentos e
ações que priorizam a não geração dos resíduos, bem como
reutilização e reciclagem de resíduos.
Um exemplo é a reciclagem de latinhas de alumínio, em que as
latinhas passam por um processo de beneficiamento para que o
alumínio seja reaproveitado no processo de industrialização.
Após o planejamento, a segunda etapa é a implementação. Para
cada atividade a ser desenvolvida é fundamental a indicação dos
responsáveis. O treinamento e o conhecimento técnico de todos
envolvidos são necessários para o armazenamento e o transporte
dos resíduos até a disposição final.
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Depois de realizada a implementação do Programa de
Gerenciamento de Resíduos, a terceira etapa é acompanhar o seu
desenvolvimento, ou seja, monitorar e promover ações corretivas
quando necessário.
O monitoramento deverá ser realizado mediante a criação de
indicadores vinculados a resíduos (quantitativos, qualitativos e
financeiros), fundamentais para a avaliação e mensuração dos
ganhos econômicos e ambientais, bem como para a elaboração de
metas e objetivos.
As medições dos indicadores escolhidos devem ser comparadas
periodicamente.
É importante sempre fazer uma análise dos resultados das
medições, como por exemplo:
quantidade de pilhas e baterias trocadas durante um
trimestre;
quantidade de baterias substituídas por recarregáveis;
custo para envio das baterias para reciclagem.
Lembre-se: o aproveitamento dos resíduos gerados pode trazer
grandes benefícios ambientais e econômicos, como redução de
custos de transporte e de matéria-prima, disposição legal do aterro,
utilização dos recursos naturais, redução dos riscos ambientais etc.
O artigo 21 da Lei n° 12.305/2010 estabelece que o plano de
gerenciamento de resíduos sólidos deve ter o seguinte conteúdo
mínimo:
I – descrição do empreendimento ou atividade;
II – diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados,
contendo a origem, o volume e a caracterização dos resíduos,
incluindo os passivos ambientais a eles relacionados;
III – observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do
Sisnama, do SNVS e do Suasa e, se houver, o plano municipal de
gestão integrada de resíduos sólidos:
a)
b)
explicitação dos responsáveis por cada etapa do gerenciamento
de resíduos sólidos;
definição dos procedimentos operacionais relativos às etapas
do gerenciamento de resíduos sólidos sob responsabilidade do
gerador;
IV – identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas
com outros geradores;
V – ações preventivas e corretivas a serem executadas em
situações de gerenciamento incorreto ou acidentes;
VI – metas e procedimentos relacionados à minimização da
geração de resíduos sólidos e, observadas as normas
estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à
reutilização e reciclagem;
VII – se couber, ações relativas à responsabilidade compartilhada
pelo ciclo de vida dos produtos, na forma do art. 31;
VIII – medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados
aos resíduos sólidos;
IX – periodicidade de sua revisão, observado, se couber, o prazo
de vigência da respectiva licença de operação a cargo dos órgãos
do Sisnama.
4.3
Fique de olho!
A Lei n° 9.605 de 1998, Lei de Crimes Ambientais, estabelece sanções para
quem praticar condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, o que engloba o
gerenciamento inadequado de resíduos sólidos. Assim, determina que: “...causar
poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar
em danos à saúde humana, ou que pro-poluição de qualquer natureza em níveis
tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que
provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: [...] §
2voquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora: [...] § 2°
Se o crime: [...] V - Ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou
gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as
exigênmento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou
substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou
regulamentos: Pena - reclusão, de um a cinco anos”.
Figura 4.2 – Lixão. Lançar resíduos em desacordo com a lei é crime ambiental.
Classificação dos resíduos sólidos
A gestão adequada dos resíduos sólidos implica a necessidade
de realizar um diagnóstico e levantamento da quantidade e
»
a)
b)
»
»
»
qualificação do material descartado.
A análise do tipo de resíduo é extremamente importante para a
verificação dos impactos ambientais e a adoção das medidas
mitigadoras adequadas. É ainda relevante para implantação do
beneficiamento dos resíduos detectados e etapas operacionais como
separação, acondicionamento, armazenamento, transporte e
disposição final.
Os resíduos podem ser classificados quanto a sua origem e
quanto a sua periculosidade.
A classificação dos resíduos leva em conta as suas
propriedades e aspectos diversos, que, conforme a Política Nacional
de Resíduos Sólidos, podem ter as seguintes características, para a
deter-minação de sua origem:
resíduos sólidos domiciliares: são resíduos originários de
atividades domésticas em residências urbanas, e são
divididos em resíduos secos e resíduos úmidos, com estas
características:
resíduos secos: embalagens plásticas, papéis, metais, vidros,
metais diversos e embalagens longavida.
resíduos úmidos: restos de alimentos, folhas, cascas, sementes
e outros resíduos orgânicos industrializados.
resíduos de limpeza pública: atividades do saneamento
básico e outros, como varrição, limpeza de patrimônios
públicos, bueiros, bocas de lobo, feiras livres, eventos
públicos, parques, cemitérios etc.
resíduos da construção civil: restos de alvenarias,
argamassas, concreto, asfalto, solo, gesso e detritos como
madeira, fiação elétrica, tubos, metais etc.
resíduos dos serviços de saúde: produtos biológicos e
infectantes, peças anatômicas, rejeitos radioativos,
materiais perfurocortantes etc.
»
»
a)
b)
»
»
4.3.1
resíduos industriais: são provenientes das atividades
industriais e processos produtivos.
resíduos agrossilvopastoris: são provenientes de atividades
ligadas à agricultura e à pecuária, e dividem-se em resíduos
orgânicos e inorgânicos, como por exemplo:
orgânicos: resíduos das plantações, abate nas criações de
animais (bovinos, caprinos, ovinos, suínos, aves etc.), resíduos
gerados nas pastagens e outras atividades florestais;
inorgânicos: agrotóxicos, fertilizantes, produtos farmacêuticos e
diversas formas de embalagens.
resíduos dos serviços terrestres: são gerados em atividades
do transporte rodoviário, ferroviário, aéreo, aquaviário, e
também das instalações de trânsito de usuários como
rodoviárias, portos, aeroportos e passagens de fronteiras;
resíduos de mineração: provenientes do beneficiamento, da
pesquisa e extração de minérios, inclusive das atividades de
suporte como desmonte de rochas, manutenção de
equipamentos e veículos pesados e atividades
administrativas.
Resíduos perigosos e não
perigosos
A classificação dos resíduos quanto ao grau de periculosidade
se justifica principalmente para permitir a correta avaliação dos riscos
potenciais desses materiais, em várias fases e etapas do
gerenciamento dos resíduos na gestão ambiental, realizadas com
base nas suas características e interação com outros tipos de
resíduos ou isoladamente.
A norma técnica NBR 10004:2004 da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) disciplina a classificação dos resíduos
sólidos perigosos e define os seguintes critérios para o
reconhecimento da periculosidade dos resíduos, que, devido as suas
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características e em função de suas propriedades físicas, químicas
ou infectocontagiosas, podem apresentar:
risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência
de doenças ou acentuando seus índices;
riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado
de forma inadequada.
Alguns resíduos podem apresentar características danosas por
meio de agentes químicos, físicos ou biológicos específicos que
podem causar riscos à saúde dos seres vivos e ao meio ambiente,
devido ao grau e às propriedades toxicológicas em sua composição.
A contaminação pode ocorrer por inalação, ingestão ou absorção
cutânea, causando efeitos adversos como, por exemplo:
intoxicação aguda após a exposição de doses elevadas ou
repetidas vezes por determinado agente tóxico;
desenvolvimento cancerígeno por meio de substâncias,
misturas e outros agentes desencadeadores da doença;
alteração na estrutura genética dos seres vivos,
principalmente na fase embrionária ou fetal, podendo
ocorrer mutações ou defeitos genéticos;
impactos ambientais devido a substâncias ou misturas
ecotóxicas.
A classificação dos resíduos conforme a sua periculosidade
envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem
e suas características. A comparação desses constituintes deve ser
realizada por meio de listagens de resíduos e substâncias cujo
impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido por meio de laudos
e análises laboratoriais elaborados por técnicos devidamente
habilitados.
A Norma 10004: 2004 da ABNT faz a divisão dos resíduos, para
avaliação de suas características de periculosidade, nas seguintes
classes:
a)
b)
»
»
a)
»
»
»
»
b)
»
c)
»
resíduos classe I: perigosos;
resíduos classe II: não perigosos, que são ainda divididos em:
resíduos classe II – A: não inertes;
resíduos classe III – B: inertes.
Diante da hipótese de impossibilidade de um resíduo poder ser
determinado, de acordo com as suas características, em razão de
motivos técnicos ou econômicos, a sua classificação caberá aos
órgãos estaduais e federais de controle da poluição e preservação
ambiental.
Os resíduos perigosos são aqueles que apresentam
periculosidade e as características de:
inflamabilidade, em que uma amostra representativa dele obtida
apresenta qualquer uma das seguintes propriedades:
não ser líquida e ser capaz de produzir fogo por fricção,
absorção de umidade ou por alterações químicas
espontâneas;
ser líquida e ter ponto de fulgor inferior a 60 °C, com
exceção das soluções com menos de 24% de álcool;
ser um oxidante definido como substância que pode liberar
oxigênio e, como resultado, estimular a combustão e
aumentar a intensidade do fogo em outro material;
ser um gás comprimido inflamável, conforme a Portaria n°
204/1997 do Ministério dos Transportes;
corrosividade, em que são caracterizados como corrosivos os
resíduos na forma:
aquosa, líquida e com capacidade de corroer o aço;
reatividade, em que a amostragem representativa dele obtida
pode apresentar as seguintes propriedades:
ser instável e reagir de forma violenta, sem detonar;
»
»
»
»
»
»
d)
»
»
»
»
»
»
»
e)
reagir de forma violenta com a água;
formar misturas potencialmente explosivas com a água;
gerar vapores e fumos tóxicos danosos á saúde pública ou
ao meio ambiente;
ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a
ação de forte estímulo físico;
ser explosivo, produzindo um resultado prático, através de
explosão ou efeito pirotécnico;
a quantidade de íons em sua composição ultrapassa as
normas técnicas vigentes;
toxicidade, em que a amostra representativa dele obtida:
apresentar potencial de migrar para o ambiente, devido a
condições impróprias de manuseio;
apresentar persistência do constituinte ou qualquer produto
tóxico de sua degradação;
apresentar potencial para degradar-se em constituintes não
perigosos;
apresentar extensão de bioacumulação nos ecossistemas;
ser constituída por restos de embalagens contaminadas
com substâncias, conforme especificadas na relação em
anexo na norma;
resultar de derramamentos ou de produtos fora de
especificação ou do prazo de validade que contenham
quaisquer substâncias constantes na relação em anexo da
norma;
possuir em suas características as propriedades tóxicas
especificadas pela norma (agente teratogênico, mutagênico,
carcinogênico, ecotóxico etc.);
patogenicidade, em que uma amostra representativa obtida
apresentar suspeita ou contiver:
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
a)
»
»
»
micro-organismos patogênicos;
proteínas virais;
organismos geneticamente modificados;
ácido desoxirribonucleico (DNA) ou ácido ribonucleico
(RNA) recombinantes;
outros organismos e toxinas capazes de produzir doenças.
Quanto à patogenicidade, a norma 10004 da ABNT especifica:
que os resíduos de serviços de saúde deverão ser
classificados conforme ABNT NBR 12808;
que os resíduos gerados nas estações de tratamento de
esgotos domésticos e os resíduos sólidos domiciliares,
salvo os originados na assistência à saúde da pessoa ou
animal, não serão classificados segundo os critérios de
patogenicidade.
São exemplos de resíduos perigosos:
acumuladores elétricos à base de chumbo (baterias);
óleo lubrificante usado ou contaminado;
equipamentos descartados contaminados com óleo;
lâmpada com vapor de mercúrio após o uso (fluorescentes).
Os resíduos não perigosos são classificados pela Norma 10004
da ABNT em:
classe II A – não inertes: são aqueles que não se enquadram
nas classificações:
de resíduos classe i: perigosos;
de resíduos classe ii b: inertes, nos termos da norma;
possuem propriedades como biodegradabilidade,
combustibilidade ou solubilidade em água.
b)
»
4.4
classe III B – inertes: são quaisquer resíduos que, quando
amostrados de uma forma representativa, submetidos a um
contato dinâmico e estático com água destilada ou deionizada, à
temperatura ambiente:
não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a
concentrações superiores aos padrões de potabilidade de
água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor.
Resíduos industriais
As atividades industriais geram diferentes tipos de resíduos,
originados dos mais diversos ramos como a metalurgia, celulose e
papel, alimentício, mineração etc.
O artigo 13 da Lei n° 12.305/2010, Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS) define “resíduos industriais” como aqueles gerados
nos processos produtivos e instalações industriais. Entre os resíduos
industriais, inclui-se também grande quantidade de material perigoso,
que necessita de tratamento especial devido ao seu alto potencial de
impacto ambiental e à saúde.
De acordo com a Resolução do Conama n° 313/2002, resíduo
sólido industrial é todo resíduo que resulte de atividades industriais e
que se encontre nos estados sólido, semissólido, gasoso, quando
contido, e líquido, em que as particularidades tornem inviável o seu
lançamento na rede pública de esgoto ou em corpos d’água, ou
exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis
diante de uma melhor tecnologia disponível. Estão incluídos nessa
definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água e
aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de
poluição.
O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos deve envolver,
após a classificação, a quantificação dos resíduos na fonte geradora,
o manuseio, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte,
reuso ou reciclagem, tratamento e disposição final adequada de
acordo com as características e a classe de cada resíduo.
»
Figura 4.3 – Resíduos da atividade Industrial. A dispersão dos poluentes gerados
pela indústria química pode provocar impactos ambientais, como a contaminação
do solo, do ar e da água.
A segregação dos resíduos deve ser realizada na fonte
geradora, por meio de lixeiras padronizadas. Todas as lixeiras
deverão estar identificadas com cores e rótulos definidos pela
Resolução Conama n° 275/2001, que estabelece o código de cores
para diferentes tipos de resíduos, não alterando sua classificaçãode
forma que sejam minimizados os riscos ambientais.
A coleta interna deve ser efetuada conforme a necessidade de
cada setor. O acondicionamento dos resíduos sólidos gerados deve
ser realizado conforme necessidade de cada resíduo, de modo a
minimizar os riscos ambientais.
As formas mais usuais de se acondicionar os resíduos sólidos
industriais são:
tambores metálicos de 200 litros para resíduos sólidos sem
características corrosivas;
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
bombonas plásticas de 200 ou 300 litros para resíduos
sólidos com características corrosivas ou semissólidos em
geral;
big-bags plásticos, que são sacos, normalmente de
polipropileno trançado, de grande capacidade de
armazenamento, quase sempre superior a 1 m3;
contêineres plásticos, padronizados nos volumes de 120,
240, 360, 750, 1.100 e 1.600 litros, para resíduos que
permitem o retorno da embalagem;
caixas de papelão, de porte médio, de até 50 litros, para
resíduos a serem incinerados.
Os processos de tratamento dos resíduos sólidos industriais
são:
neutralização, para resíduos com características ácidas ou
alcalinas;
secagem ou mescla, que é a mistura de resíduos com alto
teor de umidade a outros resíduos secos ou com materiais
inertes, como serragem;
encapsulamento, que consiste em revestir os resíduos com
uma camada de resina sintética impermeável e de
baixíssimo índice de lixiviação;
incorporação, em que os resíduos são agregados à massa
de concreto ou de cerâmica em uma quantidade tal que não
prejudique o meio ambiente;
processos de destruição térmica, como incineração e
pirólise.
A destinação final dos resíduos sólidos industriais pode ser
por:
landfarming: tratamento biológico no qual a parte orgânica
do resíduo é decomposta pelos micro-organismos presentes
na camada superficial do próprio solo. É um tratamento
»
4.5
bastante utilizado na disposição final de derivados de
petróleo e compostos orgânicos;
aterros industriais, sendo indispensáveis a existência de
sistemas de drenagem pluvial e a impermeabilização do seu
leito para evitar a contaminação do solo e do lençol freático
com as águas da chuva que percolam através dos resíduos.
Resíduos químicos
O resíduo químico pode ser definido como todo material com
potencial de causar danos a organismos vivos, materiais, estruturas
ou ao meio ambiente, bem como que pode se tornar perigoso por
interação com outros materiais.
A falta de tratamento e a incorreta disposição de resíduos
químicos podem levar à contaminação do meio ambiente,
comprometendo assim a saúde pública.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou a
norma NBR 16725, que trata de resíduo químico, informações sobre
segurança, saúde e meio ambiente, ficha com dados de segurança
de resíduos químicos e rotulagem.
Essa norma é complementar à legislação específica vigente
referente a resíduos químicos e se aplica aos resíduos químicos
classificados como perigosos pela ABNT na NBR 10004, bem como
para materiais contaminados com produtos ou resíduos químicos,
tais como embalagens, filtros etc.
O gerador do resíduo químico deve tornar disponíveis ao
receptor e usuário um rótulo e uma ficha com dados de segurança
completos, nos quais devem ser relatadas informações pertinentes
quanto à segurança, saúde e meio ambiente.
De acordo com a Resolução n° 420, de 12 de fevereiro de 2004,
da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os resíduos
perigosos são subdivididos em nove classes, de acordo com o risco
ou o mais sério dos riscos que apresentam. São eles: explosivos,
gases, sólidos inflamáveis, substâncias oxidantes e peróxidos
orgânicos, material radioativo, substâncias corrosivas e substâncias
e artigos perigosos diversos.
Os resíduos químicos devem ser segregados, ou seja,
separados, de acordo com suas propriedades químicas, físicas e
biológicas, nas unidades geradoras no momento da geração.
Durante a segregação, os resíduos químicos perigosos devem ser
separados dos não perigosos.
A periculosidade do resíduo deve ser considerada para a
realização da segregação. Assim, um resíduo perigoso deve ser
separado de outro não perigoso. A norma brasileira NBR 10.004 de
2004 define um resíduo perigoso como aquele que apresenta
características de toxicidade, inflamabilidade, corrosividade,
patogenicidade ou reatividade. Além disso, um resíduo não pode ser
descartado em rede de esgoto se ferir a legislação referente ao
lançamento de efluentes líquidos em corpos d’água ou em rede de
esgoto, como, por exemplo, determina a Resolução do Conama
357/02.
O estado físico do resíduo igualmente deve ser considerado,
devendo os resíduos sólidos ser separados dos resíduos líquidos. A
incompatibilidade química dos resíduos químicos também deve ser
levada em consideração quando do seu descarte. Resíduos
contendo substâncias incompatíveis devem ser segregados para
evitar a ocorrência de reações indesejadas e eventuais acidentes.
Os resíduos químicos segregados deverão ser acondicionados
em recipientes fisicamente resistentes e quimicamente compatíveis
com os resíduos. Esses recipientes deverão ser apropriadamente
rotulados e tampados e deverão, ainda, ser armazenados sobre
bandejas de contenção para prevenir possíveis acidentes.
Existem diversos tipos de tratamento que podem ser adotados
para que um resíduo deixe de ser perigoso, tenha sua periculosidade
diminuída ou possa ser reutilizado, tais como: neutralização,
redução, oxidação, precipitação, destilação, degradação química,
biodegradação etc.
Outros tratamentos podem ser realizados fora de um laboratório,
por empresas ou instalações especializadas, como: tratamentos
térmicos, como a incineração ou o coprocessamento; estabilização e
solidificação, tratamento de efluentes etc.
Os resíduos químicos que não puderem ser tratados no
laboratório de origem devem ser armazenados temporariamente em
abrigos específicos, até que sejam retirados por uma empresa
especializada. Os recipientes devem estar fechados e
apropriadamente rotulados. Devem ainda estar sobre coletores
secundários, longe de fontes de luz, calor e de água, e separados
por compatibilidade química. Além disso, recomenda-se que seja
elaborada uma ficha de emergência sobre o resíduo. É necessário
ainda verificar periodicamente o estado dos recipientes e de suas
etiquetas.
Quando não houver tratamento disponível para um resíduo
químico, este deverá ser enviado para um aterro licenciado para o
recebimento de resíduos perigosos, denominado Classe 1.
O transporte de resíduos químicos deve ser realizado conforme
determina a Resolução n° 420 da Agência Nacional de Transporte
Terrestre (ANTT), de acordo com as características específicas do
material.
O gerenciamento de resíduos químicos prevê, como última
etapa, o registro de todas as atividades realizadas nas outras etapas
dos gerenciamentos, bem como devem ser guardados os
documentos como certificados e licenças ambientais.
.5.1
Figura 4.4 – Resíduo químico. O gerador do resíduo químico é responsável pelo
correto armazenamento, transporte e disposição final.
Resíduos químicos em laboratórios
de pesquisa e ensino
A composição dos resíduos químicos gerados em laboratórios
de pesquisa e ensino costuma ser tão variada quanto as áreas de
pesquisa em que eles são produzidos. A quantidade gerada de
resíduos nesse segmento é extremamente menor se comparada à
das atividades industriais, mas a questão ambiental é que esses
resíduos não possuem uma técnica padrão para o seu tratamento,
devido ao potencial de variação da sua composição e principalmente
por apresentarem vários níveis de toxicidade, sendo eles de
características físico-químicas ou bioquímicas muito distintas em sua
geração.
As instituições de ensino e pesquisa devem desenvolver estudos
para determinar os principais indicadores ambientais presentes em
laboratórios da área química de pesquisa para criar uma sistemática
padronizada de quantificações dos resíduos gerados provenientes do
processamento dos produtos químicos com as substâncias testes.
No caso de laboratóriosquímicos de pesquisa, o principal
potencial que pode gerar impacto ambiental é a geração de resíduos
líquidos oriundos do processamento das amostras analisadas e os
insumos usados para se obter os resultados.
O levantamento realizado pela instituição de ensino e pesquisa
possibilita o estabelecimento de procedimentos adequados para o
armazenamento, a recuperação e a disponibilização dos resíduos
gerados. Isso tudo favorece a prevenção de impactos ambientais e
possíveis contaminações do solo, ar, água, flora, fauna etc.
Perceba que é preciso classificar e quantificar os resíduos
gerados nos laboratórios químicos.
É necessário que seja adotado um sistema de gerenciamento de
resíduos que atenda as resoluções da: Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), como a Resolução da Diretoria
Colegiada (RDC) n° 306/04, além de outras normas e leis como as da
ABNT-NBR 10004, NBR 12235, NBR 7500, NBR 13221 e da
Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) NE-6.05 etc.
Segundo a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 306/04, o
sistema de gerenciamento de resíduos consiste em caracterizar,
classificar, segregar, transportar, armazenar, tratar e destinar, além
das suas quantificações, que consistem em desenvolver
“instrumentos de avaliação e controle, incluindo a construção de
indicadores claros, objetivos, autoexplicativos e confiáveis, que
permitam acompanhar a eficácia do PGRSS implantado”.
Compreenda que isso tudo contribui para o fornecimento de
dados e para o estabelecimento de metas de redução da geração de
resíduos, e, consequentemente, a diminuição dos riscos e impactos
ambientais adversos.
Posteriormente ao levantamento de todos os tipos e fontes de
resíduos gerados (que podem ser codificados e inseridos em um
mapa ou planilha), os resíduos devem ser classificados segundo as
características definidas pela ABNT – NBR 10004/04.
Observe que o gerenciamento de resíduos é uma prática que
consiste em controlar o potencial de impactos ambientais dos
resíduos gerados de uma determinada atividade, e a metodologia
aplicada para o gerenciamento dos resíduos químicos consiste em
caracterizar, segregar, armazenar e destinar de forma correta e legal
os resíduos gerados.
Após a caracterização e a classificação dos resíduos gerados,
por meio do inventário de resíduos, é possível estabelecer padrões
específicos e tratar os resíduos conforme os seus riscos
correlacionados ao meio ambiente e o seu potencial de minimização.
Você deve saber que um gerenciamento de resíduos somente
poderá obter resultados positivos com a conscientização e a
educação ambiental de todos os envolvidos. Logo, é importante que
a instituição de ensino e pesquisa promova treinamentos, cursos,
campanhas de conscientização, entre outras atividades, com o
objetivo de demonstrar a importância da responsabilidade ambiental.
Veja ainda que, para que o laboratório se preocupe efetivamente
com o tratamento e a disposição final dos resíduos, deve: reduzir e
reutilizar a geração de resíduos, reciclar o componente material ou
energético do resíduo etc.
Compreenda que reduzir ao mínimo a geração de resíduos
significa, por exemplo, utilizar apenas o necessário e suficiente de
amostras para análise.
Pense que sempre que possível devem ser adotados métodos
de reduzir, reutilizar, reciclar, o que ajuda a evitar que compostos de
comprovada toxicidade contaminem o meio ambiente.
Um sistema de gerenciamento de resíduos implantado na
instituição de pesquisa e ensino apresenta muitos aspectos positivos,
como a diminuição dos gastos com a compra de reagentes e
insumos; o desenvolvimento de novos métodos de tratamento para
redução, reciclagem e reutilização dos resíduos; a minimização da
4.6
exposição aos riscos dos funcionários envolvidos nos estudos. Tudo
isso é benéfico para o meio ambiente em todas as suas formas.
Resíduos radioativos
Rejeitos radioativos são considerados quaisquer materiais
resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos
em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados
nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e para
as quais a reutilização é imprópria ou não prevista.
O material radioativo deve ser descartado conforme determina a
Norma Cnen NE 6.05, de 1985, Gerência de Rejeitos Radioativos em
Instalações.
Os rejeitos são classificados em categorias segundo o estado
físico, a natureza da radiação, a concentração e a taxa de exposição.
Os rejeitos devem ser separados, fisicamente, de quaisquer
outros materiais.
Os recipientes destinados tanto à segregação quanto à coleta,
transporte e armazenamento de rejeitos devem portar o símbolo
internacional de presença de radiação, colocado de maneira clara e
visível.
a)
b)
c)
d)
e)
f)
Figura 4.5 – Rejeitos radioativos. O descarte incorreto representa um grande risco
à saúde da população.
A segregação de rejeitos deve ser feita no mesmo local em que
forem produzidos, levando em conta as seguintes características:
sólidos, líquidos ou gasosos;
meiavida curta ou longa (T1/2 > 60 dias);
compactáveis ou não compactáveis;
orgânicos ou inorgânicos;
putrescíveis ou patogênicos, se for o caso;
outras características perigosas (explosividade,
combustibilidade, inflamabilidade, piroforicidade,
corrosividade e toxicidade química).
Após cada serviço de transporte interno, os veículos utilizados
devem ser monitorados e, se for preciso, descontaminados.
O local da instalação destinado ao armazenamento provisório de
rejeitos deve:
a)
b)
c)
d)
e)
f)
g)
h)
i)
j)
k)
l)
armazenar com segurança os rejeitos, do ponto de vista
físico e radiológico, até que possam ser removidos para
local determinado pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear;
ter um sistema que permita o controle da liberação de
material radioativo para o meio ambiente;
dispor de monitoração de área;
situarse distante das áreas normais de trabalho, sendo
cercado e sinalizado com acesso restrito a pessoal
autorizado;
ter piso e paredes impermeáveis e de fácil
descontaminação;
possuir blindagem para o exterior que assegure o
cumprimento dos requisitos de radioproteção;
possuir sistemas de ventilação, exaustão e filtragem;
dispor de meios que evitem a dispersão do material por
animais;
apresentar delimitação clara das áreas restritas e, se
necessário, locais reservados à monitoração e
descontaminação individuais;
possuir sistemas de tanques e drenos de piso para a coleta
de líquidos provenientes de vazamentos, descontaminações
etc.;
dispor de meios para evitar a decomposição de matérias
orgânicas;
prover segurança contra ação de eventos induzidos por
fenômenos naturais;
m)
n)
o)
a)
b)
c)
d)
e)
possuir barreiras físicas que visem a minimizar a dispersão
e migração de material radioativo para o meio ambiente;
dispor, para facilitar o manuseio dos materiais e minimizar a
exposição de trabalhadores, de procedimentos apropriados
sempre afixados em paredes, quadros e outros lugares bem
visíveis;
os preliminares de proteção física e radioproteção, bem
como procedimentos para situações de emergência.
Os tratamentos de rejeitos radioativos estão sujeitos a
aprovação da Cnen, em conformidade com normas específicas para
cada tipo de instalação.
A eliminação de rejeitos líquidos na rede de esgotos sanitários
está sujeita aos requisitos determinados pela Comissão Nacional de
Energia Nuclear.
A eliminação de rejeitos sólidos no sistema de coleta de lixo
urbano deve ter sua atividade específica limitada a 7,5 x 10 4 Bq/kg
(2 mCi/kg).
As instalações devem manter os registros atualizados de todos
os rejeitos, descrevendo:
identificação do rejeito e localização do recipiente que o
contém;
procedência e destino;
transferências externas e internas;
eliminações realizadas, particularizando as atividades
diárias líberadas;
outras informações pertinentes à segurança.
Periodicamente, de acordo com as determinações contidas na
autorização para operação, deve ser enviado à Comissão Nacional
de Energia Nuclear (Cnen) o controle de variações de inventáriode
todo o material radioativo.
4.7
Amplie seus conhecimentosVocê sabia que as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2, que estão
localizadas em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, correm o risco de ser
desligadas nos próximos anos por falta de espaço para armazenar o lixo
atômico? Pois é. O Relatório de 2012 enviado pela Comissão de Energia
Nuclear ao Tribunal de Contas da União relata que Angra 2 pode ser desligada
em 2017, em razão de a capacidade de armazenamento de combustível estar
quase esgotada.
A Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares, afirma que vem tomando
providências no sentido de otimizar tanto o uso do combustível como a
ocupação das unidades de armazenamento existentes.
Figura 4.6 – Usinas nucleares Angra 1 e 2. A Comissão Nacional de Energia
Nuclear aponta que o desligamento de Angra 1 e 2 pode ocorrer em razão da
falta de espaço para armazenar o lixo atômico.
Fonte de Pesquisa: <http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/05/falta-de-
espaco-para-lixo-atomico-pode-desligar-usinas-de-angra-1-e-2.html>.
Para saber mais acesse: <http://www.eletronuclear.gov.br>.
Resíduos urbanos
O volume dos resíduos sólidos gerados nos centros urbanos é
sempre crescente. O aumento da produção industrial, o consumo
desenfreado, o crescimento da quantidade populacional, bem como
fatores econômicos e sociais típicos das grandes cidades, são
apontados como os responsáveis pelo aumento dos resíduos
urbanos.
A Lei do Saneamento Básico Nacional (Lei n° 1.445/2007), em
seu artigo 3°, inciso I, letra ‘c’, determina que a limpeza urbana e o
manejo de resíduos sólidos são um conjunto de atividades,
infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte,
transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo
originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas.
A limpeza e a coleta têm como objetivo a promoção da saúde
pública, a melhoria na qualidade de vida e a valorização imobiliária.
Perceba que uma cidade não pode estar repleta de sujeira nas
vias públicas, com os odores fétidos dos rios e o acúmulo do lixo nas
calçadas. Deve, sim, ter uma coleta seletiva eficiente,
acondicionamento, transporte e destinação adequados de resíduos e
rejeitos.
A coleta seletiva reduz os riscos de disseminação de doenças e
evita que materiais degradáveis, como restos de comida, sobras de
cozinha, folhas, cascas de frutas, animais mortos, excrementos,
papelão, como também materiais não degradáveis, como vasilhames
de medicamentos, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias entre
outros, contaminem o meio ambiente.
O acondicionamento dos materiais descartados deve ser
adotado para que seja determinada a destinação final mais
adequada, a fim de possibilitar a reutilização e reciclagem dos
resíduos ou o envio dos rejeitos aos aterros sanitários e industriais.
Você deve saber que é muito comum nos centros urbanos a
existência de problemas ambientais causados pelas águas pluviais,
em que o manejo e a drenagem têm a finalidade de prevenir a
proliferação de doenças (leptospirose, dengue) e inundações,
alagamentos, deslizamentos etc.
A disposição inadequada do lixo causa por diversas vezes a
obstrução de canais e galerias, o que por sua vez ocasiona
alagamentos, vítimas e enormes prejuízos.
Um sistema eficiente de drenagem pode proporcionar um
escoamento rápido das águas superficiais, como poças, lamaçais e
águas estagnadas, o que impede a existência de ambiente insalubre
e a proliferação de doenças.
É importante você saber ainda que o assoreamento dos rios
representa um grande problema gerado pelo descarte indevido dos
resíduos urbanos. Assoreamento é um processo em que se observa
no leito dos rios um acúmulo de detritos, lixo, entulho, entre outros
materiais, no fundo dos rios e lagoas. Isso interfere na topografia de
seus leitos e provoca seu transbordamento em épocas de grande
quantidade de chuvas.
O descarte inadequado de resíduos coloca em risco e
compromete os recursos naturais e a qualidade de vida das atuais e
futuras gerações.
Fique de olho!
A dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus, que ocorre
principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil.
As epidemias normalmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente após
períodos chuvosos.
O vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, uma espécie
hematófaga originária da África que chegou ao continente americano na época
da colonização.
Alguns municípios do país apresentam uma situação de epidemia de dengue. A
forma de evitá-la é simples: é combater os focos de acúmulo de água, locais
propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é
importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos,
tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores,
garrafas, caixas-d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras,
entre outros.
Figura 4.7 – Mosquito Aedes aegypti. O vírus da dengue é transmitido pela
picada da fêmea do Aedes aegypti, um mosquito diurno que se multiplica em
depósitos de água parada e acumulada.
Para saber mais, acesse o site: http://www.dengue.org.br
4.8 Resíduos da saúde
Os resíduos dos serviços de saúde são disciplinados pela
Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência de Vigilância
Sanitária (Anvisa) n° 306/04 e pela Resolução do Conselho do Meio
Ambiente (Conama) n° 358/05.
Essas resoluções estabelecem o gerenciamento dos resíduos
sólidos da saúde em todas as suas etapas. Definem a conduta dos
diferentes agentes da cadeia de responsabilidade, veem a prevenção
como eixo principal e o tratamento como uma alternativa para dar
destinação adequada aos resíduos com potencial de contaminação.
A Resolução do Conama n° 358/05 trata do gerenciamento na
visão da preservação dos recur-sos naturais e do meio ambiente.
Determina a competência dos órgãos ambientais estaduais e
municipais para estabelecerem critérios para o licenciamento
ambiental dos sistemas de tratamento e destinação final dos
resíduos sólidos da saúde.
A RDC da Anvisa n° 306/04 disciplina e regulamenta o controle
dos processos de segregação, acondicionamento, armazenamento,
transporte, tratamento e disposição final. Estabelece procedimentos
operacionais em função dos riscos envolvidos e concentra seu
controle na inspeção dos serviços de saúde.
A RDC da Anvisa n° 306/04 e a Resolução do Conama n°
358/2005 definem como geradores de resíduos sólidos da saúde
todos os serviços relacionados com o atendimento à saúde humana
ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de
trabalhos de campo; laboratórios analíticos de produtos para a
saúde; necrotérios, funerárias e serviços em que se realizem
atividades de embalsamamento, serviços de medicina legal,
drogarias e farmácias, inclusive as de manipulação;
estabelecimentos de ensino e pesquisa na área da saúde, centro de
controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos,
importadores, distribuidores produtores de materiais e controles para
diagnóstico in vitro, unidades móveis de atendimento à saúde;
serviços de acupuntura, serviços de tatuagem, entre outros similares.
Os resíduos sólidos da saúde são classificados em função de
suas características e riscos que podem acarretar ao meio ambiente
e à saúde.
De acordo com a RDC da Anvisa n° 306/04 e a Resolução do
Conama n° 358/05, os resíduos sólidos da saúde são classificados
em cinco grupos: A, B, C, D e E.
Grupo A
Compreende os componentes com possível presença de
agentes biológicos que, por suas características de maior virulência
ou concentração, podem apresentar risco de infecção. Exemplos:
placas e lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas
(membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo sangue etc.
Grupo B
Engloba substâncias químicas que podem apresentar risco à
saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas
características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e
toxicidade. Exemplos: medicamentos apreendidos, reagentes de
laboratório,resíduos contendo metais pesados etc.
Grupo C
Compreende qualquer material resultante de atividades
humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores
aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão
Nacional de Energia Nuclear (Cnen), tais como serviços de medicina
nuclear e radioterapia, entre outros.
Grupo D
Não apresenta risco biológico, químico ou radiológico à saúde
ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos
domiciliares, por exemplo, sobras de alimentos e do preparo de
alimentos, resíduos das áreas administrativas, entre outros.
Grupo E
Materiais perfurocortantes ou escarificantes, tais como lâminas
de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas
de bisturi, lancetas, espátulas e entre outros similares.
O risco no manejo dos resíduos sólidos da saúde ocorre diante
da possibilidade de os acidentes acontecerem em razão de falhas no
acondicionamento e segregação dos materiais perfurocortantes, sem
utilização de proteção mecânica.
O risco ao meio ambiente é representado pela possibilidade
potencial de contaminação do solo, dos lençóis subterrâneos, pelo
lançamento dos resíduos sólidos da saúde em lixões ou aterros
controlados, que também causa riscos aos catadores, por lesões
provocadas por materiais cortantes e/ou perfurantes, e, ainda, por
ingestão de alimentos contaminados ou aspiração de material
particulado contaminado em suspensão.
Figura 4.8 – O lixo hospitalar representa risco de contaminação do meio ambiente
e perigo à saúde da população, que pode ter contato com material contaminado e
perfurocortante.
A contaminação do ar também é um risco existente se os
resíduos sólidos da saúde forem tratados pelo processo de
incineração descontrolado, com a emissão de gases poluentes para
a atmosfera.
Os estabelecimentos de serviços de saúde são os responsáveis
pelo correto gerenciamento de todos os resíduos sólidos da saúde
por eles gerados, mas, pelo princípio da responsabilidade
compartilhada, ela se estende a outros atores, como o poder público
e as empresas de coleta, tratamento e disposição final.
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Amplie seus conhecimentosA Agenda 21 constitui um marco mundial na busca do desenvolvimento
sustentável e é o principal documento da Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, assinado por 170 países, inclusive
o Brasil. A problemática dos resíduos sólidos recebeu atenção especial no
capítulo 21, seção II: Buscando soluções para o problema do lixo sólido, em que
são apontadas algumas propostas para o seu enfrentamento, dentre as quais se
destacam as seguintes recomendações:
redução do volume de resíduos na fonte (com ênfase no desenvolvimento
de tecnologias limpas nas linhas de produção e análise do ciclo de vida de
novos produtos a serem colocados no mercado);
reutilização, mediante o reaproveitamento direto sob a forma de um
produto, tal como as garrafas retornáveis e certas embalagens
reaproveitáveis;
recuperação e extração de algumas substâncias dos resíduos para uso
específico como, por exemplo, os óxidos de metais, entre outros;
reciclagem, com o reaproveitamento cíclico de matérias-primas de fácil
purificação, tais como papel, vidro, alumínio etc.;
tratamento, com a transformação dos resíduos por meio de tratamentos
físicos, químicos e biológicos;
disposição final, mediante a promoção de práticas de disposição final
ambientalmente segura;
recuperação de áreas degradadas, com a identificação e reabilitação de
áreas contaminadas por resíduos;
ampliação da cobertura dos serviços ligados aos resíduos, como o
planejamento, da coleta até a disposição final.
Para saber mais, acesse: <http://www.mma.gov.br/responsabilidade-
socioambiental/agenda-21/agenda-21-global/item/681>, data de acesso
16/09/2014.
Acesse também:
<http://www.remabrasil.org/Members/suassuna/campanhas/falta-de-espaco-
para-lixo-atomico-pode-desligar-usinas-de-angra-1-e-2/view>, data de acesso
16/09/2014.
A Constituição Federal, em seu artigo 30, estabelece como
competência dos municípios, “organizar e prestar, diretamente ou
sob o regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de
interesse local, incluído o de transporte coletivo, que têm caráter
essencial”.
1)
2)
3)
4)
Dentro desse manejo dos resíduos sólidos da saúde temos
várias etapas:
segregação: em que é realizada a separação dos resíduos no
local de sua geração;
acondicionamento: o embalo dos resíduos sólidos da saúde é
feito em sacos impermeáveis e resistentes, de maneira
adequada, conforme as suas características físicas, químicas e
biológicas, em sacos ou recipientes que evitem vazamentos e
resistam às ações de punctura e ruptura. A capacidade dos
recipientes de acondicionamento deve ser compatível com a
geração diária de cada tipo de resíduo. Devem ser
acondicionados em saco, constituído de material resistente a
ruptura e vazamento, impermeável, conforme a NBR 9191/2000
da ABNT, respeitados os limites de peso de cada saco, sendo
vedado o seu esvaziamento ou reaproveitamento. Os sacos
devem estar contidos em recipientes de material lavável,
resistente a punctura, ruptura e vazamento, com tampa provida
de sistema de abertura sem contato manual, com cantos
arredondados, e ser resistente ao tombamento. Os recipientes
de acondicionamento existentes nas salas de cirurgia e nas
salas de parto não necessitam de tampa para vedação. Os
resíduos líquidos devem ser acondicionados em recipientes
constituídos de material compatível com o líquido armazenado,
resistentes, rígidos e estanques, com tampa rosqueada e
vedante.
identificação: em que são determinados quais são os resíduos
presentes nos recipientes de acondicionamento, utilizando-se
símbolos, cores e frases, atendendo aos parâmetros
referenciados na norma NBR 7.500 da ABNT, além de outras
exigências relacionadas à identificação de conteúdo e ao risco
específico de cada grupo de resíduos;
armazenamento temporário: são acondicionados
temporariamente os recipientes nos quais estão contidos os
5)
6)
resíduos, perto do ponto em que eles foram gerados, facilitando
o seu recolhimento dentro do estabelecimento. Não poderá ser
feito armazenamento temporário com disposição direta dos
sacos sobre o piso, sendo obrigatória a conservação dos sacos
em recipientes de acondicionamento. A sala para guarda de
recipientes de transporte interno de resíduos deve ter pisos e
paredes lisas e laváveis, sendo o piso ainda resistente ao
tráfego dos recipientes coletores. Deve possuir ponto de
iluminação artificial e área suficiente para armazenar, no mínimo,
dois recipientes coletores, para o posterior traslado até a área de
armazenamento externo. Quando a sala for exclusiva para o
armazenamento de resíduos, deve estar identificada como
“SALA DE RESÍDUOS”. Os resíduos de fácil putrefação que
venham a ser coletados por período superior a 24 horas de seu
armazenamento devem ser conservados sob refrigeração e,
quando não for possível, devem ser submetidos a outro método
de conservação. O armazenamento de resíduos químicos deve
atender à NBR 12235 da ABNT;
armazenamento externo: são acondicionados os recipientes nos
quais estão contidos os resíduos, até que seja realizada a coleta
externa. O transporte interno de resíduos deve ser realizado
atendendo a roteiro previamente definido e em horários não
coincidentes com a distribuição de roupas, alimentos e
medicamentos, períodos de visita ou de maior fluxo de pessoas
ou de atividades. Deve ser feito separadamente de acordo com
o grupo de resíduos e em recipientes específicos a cada grupo
de resíduos;
coleta e transporte externos: são recolhidos os resíduos sólidos
da saúde do armazenamento externo, e, posteriormente
encaminhados para uma unidade de tratamento e destinação
final. O tratamento dos resíduos sólidos da saúde consiste na
descontaminação dos resíduos, através de meios químicos ou
físicos, que deve ser realizada em locais seguros, podendo ser
por:
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4.9
processos térmicos: autoclavagem, incineração, pirólise, ou
atémesmo uso de aparelhos de micro-ondas;
processos químicos: os materiais devem ser previamente
triturados e depois imersos em desinfetantes por alguns
minutos;
irradiação: em que há uma excitação da camada externa
dos elétrons das moléculas, devido à radiação ionizante,
deixando-as carregadas, com o rompimento do material
genético (DNA ou RNA) dos micro-organismos, resultando
na morte dos mesmos.
Após todos esses processos, o material resultante pode ser
depositado no solo, previamente preparado para recebê-los,
obedecendo a critérios técnicos de construção e operação, e com
licenciamento ambiental de acordo com a Resolução do Conama n°
237/97.
Saneamento básico
O saneamento básico é um conjunto de serviços, infraestruturas
e instalações operacionais de abastecimento de água potável;
esgotamento sanitário; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos;
drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de
atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem
urbana de águas pluviais.
A Lei n° 11.445/2007 estabelece diretrizes nacionais para o
saneamento básico, que por sua vez é regulamentado pelo Decreto
n° 7.217/2010.
Os serviços públicos de saneamento básico serão prestados
com base nos seguintes princípios fundamentais, segundo o artigo
2°, da Lei n° 11.445/07:
I – universalização do acesso;
II – integralidade, compreendida como o conjunto de todas as
atividades e componentes de cada um dos diversos serviços de
»
saneamento básico, propiciando à população o acesso na
conformidade de suas necessidades e maximizando a eficácia das
ações e resultados;
III – abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza
urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas
adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente;
IV – disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de
drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde
pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado;
V – adoção de métodos, técnicas e processos que considerem as
peculiaridades locais e regionais;
VI – articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e
regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua
erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde e
outras de relevante interesse social voltadas para a melhoria da
quali-dade de vida, para as quais o saneamento básico seja fator
determinante;
VII – eficiência e sustentabilidade econômica;
VIII – utilização de tecnologias apropriadas, considerando a
capacidade de pagamento dos usuários e a adoção de soluções
graduais e progressivas;
IX – transparência das ações, baseada em sistemas de
informações e processos decisórios institucionalizados;
X – controle social;
XI – segurança, qualidade e regularidade;
XII – integração das infraestruturas e serviços com a gestão
eficiente dos recursos hídricos;
XIII – adoção de medidas de fomento à moderação do consumo de
água.
Observe que o saneamento básico compreende os serviços de:
abastecimento de água potável: constituído pelas
atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao
abastecimento público de água potável, desde a captação
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»
4.9.1
até as ligações prediais e respectivos instrumentos de
medição;
esgotamento sanitário: constituído pelas atividades,
infraestruturas e instalações operacionais de coleta,
transporte, tratamento e disposição final adequados dos
esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu
lançamento final no meio ambiente;
limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de
atividades, infraestruturas e instalações operacionais de
coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do
lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de
logradouros e vias públicas;
drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto
de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de
drenagem urbana de águas pluviais, de transporte,
detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de
cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais
drenadas nas áreas urbanas.
O artigo 4° do Decreto n° 7.210/10 considera como serviço
público de abastecimento de água a sua distribuição mediante
ligação predial, incluindo eventuais instrumentos de medição, bem
como, quando vinculadas a essa finalidade, as atividades de:
reservação de água bruta; captação; adução de água bruta;
tratamento de água; adução de água tratada e reservação de água
tratada.
Abastecimento da água
A água pode servir de meio de transporte de agentes
patogênicos eliminados pelo homem através de dejetos, ou
poluentes químicos e radioativos, presentes nos esgotos industriais.
Esses agentes patogênicos podem atingir o homem por meio da
ingestão direta da água, pelo contato da água com a pele e
4.10
mucosas, como também mediante o seu uso em irrigação ou
preparação de alimentos.
As principais doenças que podem ser transmitidas pela ingestão
direta de água sem tratamento são: febres tifoide e paratifoide,
disenterias bacilar e amebiana, cólera, hepatite infecciosa,
poliomielite etc. E as principais doenças causadas por contato da
água com pele e mucosas são: esquistossomose, infecções nos
olhos, ouvidos, nariz e garganta, doenças de pele etc.
Para que possa ser consumida pelo homem, a água deve
obedecer a alguns padrões de qualidade. A água geralmente contém
algum tipo de impureza (física, química ou biológica), que devem ser
controladas para torná-la potável, conforme determinações técnicas
estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
Podemos encontrar as seguintes impurezas na água: impurezas
físicas (relacionadas a cor, sabor, odor e temperatura); impurezas
químicas (substâncias dissolvidas na água, tais como salini-dade,
alcalinidade, agressividade, ferro, manganês, cloreto, fluoreto e
compostos tóxicos) e impurezas biológicas (micro-organismos
patogênicos, como bactérias, vírus, protozoários e vermes
(coliformes fecais), provenientes geralmente de dejetos humanos).
Tudo isso demonstra a importância da realização do tratamento
da água para o uso e consumo humano, como também representa a
relevante necessidade de se evitar a sua contaminação.
Resíduos do esgoto
Os resíduos líquidos de processos industriais e de atividades
humanas são denominados esgoto sanitário, que, de acordo com a
NBR 9648/ 86 da ABNT, é assim definido: esgoto sanitário é o
despejo líquido constituído de esgoto doméstico e industrial, água de
infiltração e a contribuição parasitária.
Esgoto são águas que têm suas características alteradas após
sua utilização, com grande potencial de poluição. Podem ser
classificados como: esgoto doméstico, industrial ou pluvial, em que:
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esgoto doméstico: despejo líquido resultante do uso da
água para a higiene e necessidades fisiológicas;
esgoto industrial: despejo líquido resultante dos processos
industriais, respeitando os padrões de lançamentos
estabelecidos;
esgoto pluvial: são os esgotos provenientes das águas de
chuva.
O lançamento inadequado do esgoto nos corpos receptores
(rios, lagos, mares etc.) causa a poluição do meio ambiente, por
causa de seus resíduos patogênicos que podem ser responsáveis
pela disseminação de inúmeras doenças, tais como febre tifoide,
esquistossomose, cólera, amebíase, shigeloses, hepatite A,
leptospirose etc.
A ausência de tratamento de esgoto causa essas e outras
doenças que afetam pessoas de todas as idades, mas
especialmente as crianças, ao ingerirem ou terem contato com a
água contaminada.
Fique de olho!
Investir em saneamento básico é investir em saúde. Economistas avaliam que a
cada R$ 1,00 gasto com tratamento de esgoto são economizados R$ 4,00 em
saúde pública. O esgoto encanado é tão importante para melhorar o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) que um dos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio (metas socioeconômicas que os países integrantes da Organização das
Nações Unidas se comprometeram a atingir até 2015) é reduzir pela metade o
número de pessoas sem rede de esgoto.
Os dejetos são transportados por tubulações até aos corpos
receptores,por meio de sistemas coletivos ou individuais na coleta
do esgoto sanitário, a saber:
sistema misto: a rede recebe o esgoto sanitário e águas
pluviais;
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sistemas separados: o esgoto doméstico e o esgoto
industrial são separados das águas pluviais;
sistema unitário: a rede recebe o esgoto doméstico,
industrial e pluvial em um único coletor.
A carga poluidora dos efluentes sanitários deve ser tratada em
Estações de Tratamento, com o objetivo de atender a padrões
mínimos de segurança, conforme determina a Resolução do Conama
n° 430/2011.
A Resolução do Conama n° 430/2011 estabelece em seu artigo
6° que:
Art. 6° – Excepcionalmente e em caráter temporário, o órgão
ambiental competente poderá, mediante análise técnica
fundamentada, autorizar o lançamento de efluentes em desacordo
com as condições e padrões estabelecidos nesta Resolução,
desde que observados os seguintes requisitos:
I – comprovação de relevante interesse público, devidamente
motivado;
II – atendimento ao enquadramento do corpo receptor e às metas
intermediárias e finais, progressivas e obrigatórias;
III – realização de estudo ambiental tecnicamente adequado, a
expensas do empreendedor responsável pelo lançamento;
IV – estabelecimento de tratamento e exigências para esse
lançamento;
V – fixação de prazo máximo para o lançamento, prorrogável a
critério do órgão ambiental competente, enquanto durar a situação
que justificou a excepcionalidade aos limites estabelecidos nesta
norma; e
VI – estabelecimento de medidas que visem neutralizar os
eventuais efeitos do lançamento excepcional.
Figura 4.9 – Manutenção do sistema de escoamento do esgoto sanitário. O
lançamento inadequado do esgoto nos corpos receptores causa a poluição do
meio ambiente e pode provocar diferentes doenças aos homens.
A Resolução do Conama n° 430/11 relaciona, ainda, os
parâmetros do nível de toxicidade de várias substâncias químicas,
que, em conjunto com outras normas técnicas vigentes, devem ser
utilizados para garantir os padrões mínimos de segurança em seu
tratamento, antes de serem dispersos nos recursos hídricos.
Vamos recapitular?
Você aprendeu que a Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê vários
instrumentos ambientais hábeis a evitar e minimizar os impactos e riscos
1)
2)
3)
ambientais, entre eles a responsabilidade compartilhada, a logística reversa e o
Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Observou que o descarte incorreto de
resíduos pode provocar a poluição do solo, do ar e da água, podendo ainda
causar a proliferação de diversas doenças aos seres vivos. Aprendeu ainda que
os resíduos podem ser classificados quanto a sua origem e quanto a sua
periculosidade.
Compreendeu que o descarte inadequado dos resíduos industriais
(processos produtivos e instalações industriais), resíduos químicos (material com
potencial de causar danos), resíduos urbanos, resíduos da saúde e resíduos
radioativos coloca em risco e compromete os recursos naturais e a qualidade de
vida das atuais e futuras gerações. Aprendeu também que o lançamento
inadequado do esgoto nos corpos receptores causa, além da poluição do meio
ambiente, diferentes doenças para toda a população.
Agora é com você!
Assista o documentário Trashed – Para onde vai nosso lixo
(2012).
O filme mostra a saga do lixo produzido em todo o mundo e as
consequências do descarte inadequado no meio ambiente e na
saúde da população. No cenário, uma montanha de lixo
hospitalar, restos de comida, animais mortos e todo tipo de
resíduo produzido pela cidade nos últimos 30 anos dão uma
ideia do problema gerado. É dirigido por Candida Brady e
estrelado pelo ator Jeremy Irons.
Em seguida, discuta com seus colegas e professores: qual a
mensagem principal do filme? Qual a relação dos temas
abordados neste capítulo com o filme?
Considerando que a geração de resíduos sólidos no Brasil é
um dos grandes problemas enfrentados pelo poder público,
principalmente no âmbito municipal, faça uma análise e aponte
soluções ou projetos que poderiam ser adotados por sua
cidade e/ou comunidade em busca de um meio ambiente mais
sustentável.
Pesquise em sites, revistas, livros se existe alguma política
pública ambiental em sua cidade ou região que incentive o
reaproveitamento dos resíduos ou o descarte correto dos
rejeitos.
4)
5)
Aponte os benefícios existentes com a correta separação dos
resíduos. Pesquise alguns materiais comumente descartados e
que poderiam ser reaproveitados.
Em sua comunidade, pesquise e aponte quais medidas
poderiam ser adotadas para aumentar a conscientização
ambiental.
5.1
Para começar
Você irá aprender sobre o tratamento dos resíduos, os processos térmicos, a
incineração, o coprocessamento, a pirólise e o plasma, bem como os processos
físicos, a centrifugação, a separação gravitacional, a redução de partículas e o
controle de emissão de gases poluentes. Compreenderá também o que é a teoria
dos Rs e, ainda, aprenderá a finalidade dos aterros sanitários convencionais e
aterros industriais.
Importância do tratamento dos
resíduos
O crescimento populacional e o aumento da produção industrial
provocam cada vez mais o crescimento da produção de resíduos
sólidos, o que tem ocasionado diferentes problemas e impactos
ambientais que necessitam ser minimizados.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei n°
12.305, de 02 de agosto de 2010, determina que todo resíduo seja
processado apropriadamente antes da destinação final. Alternativas
como a coleta seletiva, a reciclagem e a compostagem são bons
exemplos de soluções utilizadas para o processamento correto dos
resíduos. O que não é aproveitado – resíduos sólidos denominados
“rejeitos” – deverá ser encaminhado para aterros sanitários,
coprocessamento, incineração etc.
Atualmente, cerca de 50% dos resíduos urbanos gerados têm
destinação inadequada, diante do custo quase zero dos lixões e
aterros “controlados”, ou em razão de não serem atendidos por coleta
pública.
A gestão de resíduos sólidos é um dos principais instrumentos
para evitar os riscos de contaminação do meio ambiente.
A importância que vem sendo dada aos resíduos sólidos é
consequência da contaminação de cursos d’água e lençóis
subterrâneos, das questões sociais ligadas aos catadores, atrativos
turísticos e a transmissão de doenças.
Figura 5.1 – Lixão. O lixo não tratado adequadamente pode acarretar sérios
problemas ambientais e à saúde da população.
Quando não é tratado corretamente, o lixo pode ser altamente
poluente e afetar diretamente a saúde da população, através de
doenças como febre tifoide, diarreias, giardíase, leptospirose, entre
outras. Poderá acarretar também impactos ao meio ambiente, visto
que o produto final decorrente da decomposição da matéria orgânica
presente no lixo, o chamado chorume, líquido altamente poluente, de
cor escura e odor nauseante, originado de processos biológicos,
químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos, é capaz
de contaminar o solo e lençóis freáticos, prejudicando dessa forma os
cursos d’água da região.
Um correto gerenciamento dos resíduos sólidos representa
melhoria da qualidade de vida da população e preservação do meio
ambiente. A busca por soluções deve passar pelo esforço integrado
dos órgãos públicos, instituições privadas, comunidade e de você,
leitor.
Amplie seus conhecimentosUm estudo realizado pela engenheira agrônoma Luciana Jandelli Gimenes, em
seu doutoramento em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente pelo Instituto de
Botânica da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, concluiu que fungos das
espécies Trametes villosa e Lentinus crinitus auxiliam na limpeza de solos
contaminados com a substância química pentaclorofenol (PCF). Esses fungos
são capazes de quebrar as moléculas de organoclorados e “atacar” o PCF e até o
hexaclorobenzeno (HCB), outro composto químico.
O PCF, conhecido como “pó da china”, é classificado pela Organização Mundial
da Saúde como altamente perigoso e tóxico, gerador de câncer e capaz de afetar
o sistema imunológico humano.
O pentaclorofenol (PCF) foidurante muito tempo utilizado como conservante de
madeira em postes de luz, por suas propriedades desinfetantes, fungicidas,
moluscocidas, inseticidas e bactericidas. Também foi empregado como um
subproduto de indústrias químicas fabricantes de insumos agrícolas.
Entre os anos de 1960 e 1980, esse composto químico foi enterrado ou disposto
de forma inadequada em aterros, em diferentes locais no Brasil, o que causou a
contaminação do solo e das águas subterrâneas. Os casos mais conhecidos
ocorreram no estado de São Paulo, nas cidades de Cubatão e Paulínia.
O PCF é um pesticida clorofenólico de caráter ácido, constituído de benzeno com
cinco átomos de cloro substituídos, cuja estrutura química é representada por
C6Cl5OH. Esse poluente pertence ao grupo dos hidrocarbonetos halogenados e
é altamente resistente à degradação biótica e abiótica, apresentando uma alta
persistência no meio ambiente.
Figura 5.2 – Os fungos Trametes villosa e Lentinus crinitus são capazes de
auxiliar na limpeza de solos contaminados com a substância química
pentaclorofenol (PCF).
A área contaminada com PCF é muito difícil de ser recuperada, em razão da
estabilidade química do composto, que se decompõe muito lentamente ou nem
se degrada.
5.2
Para saber mais, acesse:
<http://www.biodiversidade.pgibt.ibot.sp.gov.br/Web/teses/2011/Pdf/Luciana_Jand
elli_Gimenes_DR.pdf>, acesso em 16/09/2014.
Teoria dos 5 Rs
A princípio surgiu a teoria dos 3 Rs, representada pelas ações de
reduzir, reutilizar e reciclar. Essa teoria ficou mundialmente conhecida
pela sua aparição na Agenda 21, um documento elaborado por 179
países durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio
Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92).
Mas, o que é reduzir, reutilizar e reciclar?
Reduzir implica diminuir o consumo e o desperdício, evitar a
geração de resíduos. Podemos adotar algumas ações: substituir
descartáveis por duráveis, utilizar frente e verso das folhas de papel,
imprimir menos, comprar produtos que possuam refil etc.
Reutilizar produtos e materiais é atribuir uma nova função ao que
seria descartado, prolongando a sua vida útil por meio de conserto,
restauração e/ou reaproveitamento.
Reciclar significa proceder à transformação físico-química de um
material para obtenção de um novo produto ou matéria-prima.
Leitor: será que você avalia a durabilidade do que consome?
Para reduzir, torna-se necessário verificar se a quantidade que se
deseja é suficiente ou exagerada. Um exemplo muito bom são as
embalagens de produtos de limpeza. Você deve comprar o refil ou
mais uma embalagem que certamente irá para o lixo?
Outro exemplo são os celulares. Será que é necessário trocar um
celular que está funcionando perfeitamente por um novo modelo com
visual diferente? Mas e o lixo eletrônico? Será que alguém se recorda
dele quando compra um novo produto? A sociedade atual nos mostra
a toda hora produtos novos e novas tecnologias. Cuidado!
Lembre-se: reduzir significa consumir menos. Observar a
quantidade e a real necessidade. Realizar trocas sustentáveis.
Reduzir certamente não é fácil, mas podemos conseguir.
Figura 5.3 – Resíduos. Reduzir, repensar, reutilizar, reciclar e recusar: práticas que
podem contribuir para a preservação do meio ambiente.
Quanto à reutilização, você certamente deve se lembrar dos
copos de vidro contendo requeijão ou massa de tomate, que
acabavam fazendo parte dos utensílios domésticos. É um exemplo
antigo de reutilização. Dar um novo uso para as coisas, evitando que
elas virem lixo, é reutilizar. Podemos ainda utilizar os potes de
margarina ou de sorvete como recipientes para congelar alimentos,
fazer bolsas e vasos utilizando garrafas PET etc.
Um exemplo interessante iniciou-se no estado do Pará, em que
os detentos realizam a confecção de vassouras a partir da reutilização
de garrafas PET. Os detentos são pagos pela produção e ainda têm
um dia de pena reduzido a cada três dias trabalhados. Eles aprendem
o ofício em oficinas profissionalizantes, além de utilizar técnicas de
reciclagem e reutilização. As vassouras produzidas pelos detentos
abastecem as unidades penais do estado. O trabalho na oficina é
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totalmente artesanal, com ferramentas confeccionadas pelos próprios
detentos.
Observe que a reutilização não é apenas dos materiais e
embalagens. A água é outro elemento que deve e pode ser
reutilizado. A água que sobra da lavagem das roupas, por exemplo,
pode ser utilizada para lavar o quintal. A água da lavagem dos
vegetais pode ser reaproveitada para regar o jardim ou os vasos de
plantas. A água da chuva também pode ser usada para lavar o carro,
o quintal e regar as plantas.
Os alimentos também podem ser reaproveitados. As sobras de
alimentos podem virar adubo orgânico, a exemplo da borra de café.
As cascas de batata, abacaxi, banana, talos de legumes, entre outros,
podem virar deliciosas receitas.3
A reciclagem de produtos é de extrema importância. Mas, para
que isso efetivamente ocorra, é preciso que exista a conscientização
das pessoas para recolher, separar e destinar os produtos aos postos
de coleta. Veja algumas vantagens da reciclagem:
redução da quantidade de resíduos encaminhados ao aterro
sanitário;
redução dos impactos ambientais durante a produção de
novas matérias- primas;
redução do consumo de energia elétrica;
geração de novos empregos ligados aos materiais
recicláveis;
redução da poluição ambiental.
Atualmente, a teoria dos três Rs cresceu, e agora são cinco os
Rs, incluindo mais dois: repensar e recusar.
Repensar quais são nossos hábitos de consumo e os descartes
realizados. Será que o que você está comprando é algo de que
realmente está precisando? Há impulso por consumismo? Está
consumindo apenas por modismo? Você pensou em reaproveitar algo
que já tem? Como você descarta o lixo na sua casa? Você separa
5.3
embalagens? Dá destinação correta para o óleo de cozinha usado?
Repensar nosso comportamento diário de consumo e o descarte do
lixo produzido é uma das formas de cuidar do nosso ambiente.
Recusar os produtos que agridem a saúde e o meio ambiente
também é colaborar com o processo de conservação. Prefira produtos
de empresas que tenham compromisso com o meio ambiente. Evite o
excesso de sacolas plásticas, prefira as de tecido. Procure comprar
produtos e embalagens recicláveis.
Perceba que toda a teoria dos Rs nos mostra a importância de
reduzir ao máximo a produção do lixo. Isso diminui a degradação do
ambiente, evita a contaminação do solo e da água, a poluição do ar, a
falta de energia, diminui a quantidade de roedores e doenças na
população. Então, por que não a observar-la? Caso contrário, como
poderão as futuras gerações viver em um ambiente sadio e
equilibrado?
Fique de olho!
Pratique os 5 Rs: repense, reduza, recicle, reutilize e recuse!
Reciclagem de resíduos
Reciclar resíduo é reaproveitar um material beneficiado como
matéria-prima para um novo produto. A expressão vem do inglês
recycle (re = repetir, e cycle = ciclo).
A reciclagem ocorre quando um material volta ao estado original
e pode ser transformado novamente em um produto igual em todas as
suas características, como por exemplo uma lata de alumínio que
pode ser derretida de volta ao estado em que estava antes de ser
beneficiada, podendo novamente voltar a ser uma lata com as
mesmas características.
Vários materiais podem ser reciclados, como o papel, o vidro, o
metal e o plástico. A reciclagem é um processo industrial que contribui
para a diminuição dos impactos socioambientais, visto que utiliza
5.3.1
5.3.2
menos recursos naturais (água e energia) do que seriam consumidos
na nova produção desses materiais, aumenta a vida útil dos aterros,
diminui gastos públicos e pode gerar renda para os catadores de
material reciclável.
Reciclagem de vidro
Reciclar vidro é reaproveitá-lo, possibilitando a criação de novos
materiais, diminuindo o acúmulo no meio ambiente, gerando renda,
emprego e matéria-prima.
O vidro pode ser reciclado ilimitadamente. Geralmente, o vidro
recebe uma lavagem para retirada dassujidades e em seguida passa
por um processo de trituração. Os cacos são então aquecidos e
fundidos a uma temperatura acima de 1300 °C. Após esse processo,
garrafas, copos, entre outros, podem ser moldados e utilizados
novamente. É uma verdadeira economia de energia e matériaprima.
Figura 5.4 – Vidro para reciclagem. Vários são os benefícios da reciclagem do vidro
e incluem não só a preservação do meio ambiente e sua qualidade como material e
embalagem, como também a viabilidade econômica e a geração de empregos.
Reciclagem do plástico
5.3.3
O plástico é um derivado do petróleo, proveniente de resinas
sintéticas. O plástico é um dos materiais mais encontrados nos aterros
sanitários, e sua decomposição pode demorar séculos para ocorrer.
As sacolas de supermercados, utensílios cotidianos, peças de
automóveis, embalagens de produtos e garrafas PET, entre outros,
constituem grande parte do nosso lixo doméstico.
A coleta seletiva e a reciclagem representam diminuição da
quantidade de resíduos e economia de energia, matéria-prima, renda
e trabalho. O plástico coletado pode ser proveniente de postos de
coleta seletiva, programas sociais, escolas, cooperativas de
catadores. Após a coleta, o plástico é posteriormente lavado e
enviado a um processo de descontaminação, permitindo a sua
granulação. Todo o processo de seleção, moagem, lavagem e
descontaminação segue padrões específicos.
Figura 5.5 – Plástico para reciclagem. A reciclagem do plástico contribui para a
diminuição da quantidade de resíduos que vão para o aterro sanitário, gera renda
para inúmeras pessoas, além de representar uma excelente matéria-prima para a
indústria.
Reciclagem de metais
Os metais em geral são considerados materiais 100% recicláveis.
Um dos metais mais reciclados é o alumínio. O processo de seu
reaproveitamento consiste na retirada de impurezas, como areia, terra
5.3.4
e metais ferrosos, na remoção das tintas e vernizes e, por fim, na
fundição do metal. Num forno especial, ele fica líquido, para depois se
tornar laminado. São essas chapas que são transformadas em novas
latas. Os catadores representam grande parte dos agentes que
realizam a coleta seletiva do alumínio. São eles que recolhem os
restos nas ruas e vendem o material às empresas recicladoras.
Os metais podem ser reciclados por várias vezes, o que
representa economia de energia e matéria-prima, reduz custos, poupa
a utilização e contaminação da água e reduz a emissão de poluentes.
Figura 5.6 – Metal para reciclagem. O metal pode ser reciclado várias vezes sem
perder suas características e qualidade.
Reciclagem de papel
A reciclagem do papel é muito importante para a proteção do
meio ambiente. A sua reciclagem representa menor incidência de
árvores cortadas, diminuição de resíduos, redução de energia e do
consumo de água utilizada na produção.
Podem ser reciclados os seguintes tipos de papéis: papelão,
jornal, revistas, papel de fax, papel-cartão, envelopes, fotocópias, e
impressos em geral. Não são recicláveis o papel higiênico, papel-
toalha, fotografias, papel-carbono, etiquetas e adesivos.
As fábricas e indústrias são abastecidas por uma grande rede de
aparistas, cooperativas e outros fornecedores de papel pós-consumo
que fazem a triagem, a classificação e o enfardamento do material. A
cadeia produtiva que envolve a atividade de reciclagem de papéis
gera empregos e renda, movimenta a economia e contribui para a
existência de um meio ambiente sustentável.
Os papéis recicláveis, depois de coletados por cooperativas ou
catadores, são separados por tipo e vendidos para os “aparistas”, que
transformam os papéis em aparas que são enfardadas e vendidas
para as indústrias, onde são cortados em tiras e colocados num
tanque de água quente e mexidos até que formem uma pasta de
celulose. Posteriormente, drena-se a água e retiram-se as impure-zas.
Após, é despejada sobre uma tela de arame. A água passa e restam
as fibras. O material é seco, prensado por pesados cilindros a vapor e
alisado por rolos de ferro, enrolado em bobinas, e passa a ser papel
novamente.
Figura 5.7 – Papel para reciclagem. A reciclagem do papel contribui para a
conservação de recursos naturais e energéticos e gera renda para inúmeras
5.3.5
pessoas e cooperativas.
Reciclagem de pneus
A Política Nacional de Meio Ambiente, em seu artigo 94,
Subseção X - dos Pneumáticos, bem como o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (Conama), no artigo 2 da Resolução n° 416/09,
considera pneu ou pneumático inservível: “aquele que apresente
danos irreparáveis em sua estrutura não se prestando mais à
rodagem, ou à reforma”. A resolução obriga as empresas fabricantes
e as importadoras de pneumáticos e veículos a coletar e a dar
destinação final, ambientalmente adequada, aos pneus inservíveis
existentes no território nacional, estabelecendo uma proporção de
coleta relativa às quantidades fabricadas e/ou importadas.
Os pneus usados podem ser reutilizados após sua
recauchutagem. Esse processo consiste na remoção por raspagem da
banda de rodagem desgastada da carcaça e na colocação de uma
nova banda. Após a vulcanização, o pneu “recauchutado” deverá ter a
mesma durabilidade que o novo. Há limites no número de
recauchutagem que um pneu pode suportar sem afetar seu
desempenho, ou seja, em algum momento os pneus serão
considerados inservíveis e então descartados.
A produção de pneus novos é enorme, e o descarte dos velhos
também tem sido em grande quantidade. Logo, a reciclagem deve ser
realizada. Seu processo exige a separação da borracha vulcanizada
de outros componentes, tais como metais e tecidos. Os pneus são
cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As
lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água e
produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-
las. O produto obtido pode ser então refinado em moinhos até a
obtenção de uma manta uniforme ou extrudado para a obtenção de
grânulos de borracha. Pode-se utilizar esse material para cobrir áreas
de lazer e quadras esportivas, fabricar tapetes para automóveis;
passadeiras; saltos e solados de sapatos; colas e adesivos; câmaras
de ar; rodos domésticos etc.
5.3.6
Figura 5.8 – Pneus usados. Reciclar pneus é obrigação prevista em lei. Os pneus
descartados podem ser reciclados ou reutilizados para diversos fins, como a
regeneração da borracha, geração de energia, na engenharia civil, nos asfaltos,
entre outros.
Tudo isso representa uma diminuição do passivo ambiental dos
pneus inservíveis no país, como também auxilia na proteção e
conservação do nosso meio ambiente.
Compostagem
A compostagem é um processo biológico de decomposição e de
reciclagem da matéria orgânica contida em restos de origem animal
ou vegetal formando um composto. Ela possibilita um destino útil para
os resíduos orgânicos agrícolas, industriais e domésticos, reduzindo o
seu volume nos aterros.
Os resíduos orgânicos são formados por materiais de origem
animal ou vegetal, como estercos de animais, bagaço de cana-de-
açúcar, serragem, restos de capina, aparas de grama, restos de folhas
de jardim, palhadas de milho e de frutíferas, como também os restos
de alimentos de cozinha, crus ou cozidos, como cascas de frutas e de
vegetais, restos de comida etc.
5.4
O resultado final desse processo é um composto orgânico que
pode ser aplicado ao solo para melhorar suas características, sem
riscos ao meio ambiente.
Os produtos da compostagem são muito utilizados em jardins,
hortas e na adubação de solo para produção agrícola em geral. Ele é
um adubo orgânico que aumenta a retenção de água pelo solo e
devolve à terra os nutrientes de que ela necessita, gerando redução
de herbicidas e pesticidas. Além disso, a presença de matéria
orgânica no solo aumenta o número de minhocas, insetos e micro-
organismos desejáveis, o que reduz a incidência de doenças de
plantas.
Figura 5.9 – A compostagem transforma o lixo em adubo orgânico.
Tratamento de resíduos
O resíduo disposto de forma incorreta pode causar graves
problemas ambientais, comopoluição, mau odor, contaminação do
solo, da água e do ar, podendo ainda ser um grande vetor de
doenças. Os resíduos sólidos também são responsáveis por 6,7% da
geração de gases de efeito estufa pela decomposição anaeróbica nos
5.4.1
aterros sanitários no estado de São Paulo, segundo a Companhia
Ambiental do Estado de São Paulo.
Segundo dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Limpeza
Pública e Resíduos Especiais), entre 2007 e 2010, no Brasil,
observou-se uma quantidade crescente de resíduos que receberam
destinação inadequada (42% do total, ou 23 milhões de toneladas em
2010), ou seja, lixões a céu aberto ou aterros “controlados”.
Em 02/08/2010, entrou em vigor a Lei Nacional de Resíduos
Sólidos n° 12.305, que tem como meta a eliminação de lixões e
aterros controlados até 2014, assim como o também o aumento da
coleta seletiva.
A adequada destinação desses resíduos é um dos grandes
desafios da humanidade. A tarefa de dar um tratamento adequado
aos resíduos deve ser executada observando-se a categoria ou tipo
de resíduo gerado, bem como a legislação que determina a forma de
se tratar o seu destino final.
Processos térmicos
O processo térmico é um termo utilizado para qualquer tecnologia
de tratamento de resíduos que envolva altas temperaturas durante o
processamento dos resíduos, não ocorrendo a combustão do resíduo
na maior parte desse processo.
Os processos térmicos podem ser executados por meio de
tecnologias que utilizam altas temperaturas, como a pirólise, ou
mediante a utilização de baixas temperaturas.
5.4.1.1 Incineração
A incineração é um processo de eliminação de resíduos sólidos
urbanos e industriais, que consiste na queima dos resíduos em fornos
e usinas próprias, permitindo assim a redução do seu volume e a
destruição dos micro-organismos que causam doenças, contidos
principalmente no lixo hospitalar e industrial.
A incineração causa a emissão de gases tóxicos, e, nesses
casos, para evitar a poluição do ar, é necessário instalar filtros e
equipamentos especiais, o que torna o custo de investimento e
manutenção bastante elevado.
Figura 5.10 – Indústria de incineração. A queima dos resíduos possibilita, também,
aproveitar a energia térmica gerada, transformando-a em energia elétrica.
5.4.1.2 Coprocessamento
O coprocessamento consiste no reaproveitamento de resíduos
nos processos de fabricação de cimento. O resíduo é utilizado como
substituto parcial de combustível ou matéria-prima, e as cinzas
resultantes são incorporadas ao produto final, o que deve ser feito de
forma controlada e ambientalmente segura.
O tempo que os resíduos permanecem em todo o processo, bem
como a temperatura do forno de cimento (normalmente entre 1400 e
1500 °C), é adequado para destruir termicamente a matéria orgânica.
Esses fornos também devem ter mecanismos de controle de poluição
atmosférica para minimizar a emissão de particulados, óxidos de
nitrogênio (NOX) e os óxidos de enxofre (SOX) para a atmosfera.
Essa é uma alternativa frequentemente utilizada para tratamento
térmico de grande variedade de resíduos, por ter um baixo custo, mas
torna-se necessário um constante monitoramento das emissões
atmosféricas, da temperatura dos fornos, do tempo do processo e da
oxigenação.
5.4.1.3 Pirólise
A pirólise pode ser definida como a degradação térmica de
qualquer material orgânico na ausência parcial ou total de um agente
oxidante, ou até mesmo em um ambiente com uma concentração de
oxigênio capaz de evitar a gaseificação intensiva do material orgânico.
A pirólise normalmente ocorre a uma temperatura mínima de 400 °C
até o início do regime de gaseificação intensiva.
A pirólise de biomassa é considerada um processo de obtenção
de energia renovável, isso porque a biomassa libera sua energia em
forma de calor e o carbono é transformando em CO2. Esse processo
só restitui à atmosfera o CO2 absorvido pela planta durante seu
crescimento, não contribuindo efetivamente para o efeito estufa.
Somente acelera a decomposição da biomassa, reciclando o carbono
sem adição substancial de CO2 à atmosfera, ao contrário do que
acontece com os combustíveis fósseis.
A biomassa é a quantidade de matéria orgânica como serragem,
bagaço de cana-de-açúcar, palha de cana-de-açúcar, capim-elefante,
casca de arroz, palha de café, entre outros, produzida numa
determinada área de um terreno. A biomassa é capaz de gerar gases
que em usinas específicas são transformados em energia,
proporcionando o reaproveitamento dos resíduos, além de ser uma
fonte energética renovável e limpa, já que emite menos gases
poluentes.
Figura 5.11 – Carvão vegetal. Obtido pela pirólise da madeira, é um recurso
energético barato e renovável, usado em várias indústrias.
A produção do carvão vegetal é realizada pela carbonização da
madeira, que é realizada pela pirólise. O carvão vegetal é muito
utilizado como combustível para aquecedores, lareiras, churrasqueiras
e fogões a lenha. O bio-óleo é um líquido negro obtido por meio do
processo da pirólise de biomassa e utilizado principalmente como
combustível para aquecimento e a geração de energia elétrica.
A Petrobras, no Brasil, faz uso da pirólise em uma usina de
reprocessamento de xisto e pneus, para produção de óleo e gases
utilizados como combustíveis. Para isso, os pneus são triturados para
após serem colocados em reatores juntamente com o xisto. Depois é
realizada a pirólise, resultando em alguns subprodutos, como o óleo e
o gás.
5.4.1.4 Plasma
Há mudanças significativas nas propriedades de um gás quando
ele é aquecido a temperaturas elevadas. A cerca de 2000°C, as
moléculas do gás começam a se dissociar em estado atômico. A 3000
»
»
5.4.2
°C, os átomos são ionizados pela perda de parte dos elétrons. Esse
gás ionizado é chamado de plasma.
O plasma é gerado e controlado em forma de tochas de plasma,
de maneira idêntica a um queimador empregado em fornos, podendo
incidir sobre os resíduos.
A utilização do plasma em consórcio com o processo de pirólise é
uma tecnologia que visa a destruição de resíduos, que associa as
altas temperaturas geradas pelo plasma à pirólise dos resíduos.
As principais vantagens e desvantagens do uso de plasma na
decomposição térmica de subs-tâncias são:
vantagens: elevadas temperaturas causam rápida e completa
pirólise da substância orgânica, permitindo fundir e vitrificar
certos resíduos inorgânicos; os produtos vitrificados são
similares a um mineral de alta dureza; reduções de volume
extremamente elevados, podendo ser superiores a 99%.
desvantagens: é uma técnica que exige um vultoso
investimento, até porque sua eficiência depende de sua
interligação a uma central termoelétrica. O volume de gases
inicialmente gerado é mais baixo do que na combustão
convencional, mas depois da combustão dos gases
produzidos é idêntico ao de outras formas de incineração. O
sistema não dispensa um sofisticado sistema de lavagem de
gases, tal como na incineração, a fim de se realizar a
retenção dos metais voláteis e dos gases ácidos.
Processos físicos
Processos físicos são aqueles que não alteram a natureza da
matéria dos resíduos e de seus contaminantes. São geralmente
empregados como pré-tratamento para que os resíduos sejam
posterior-mente encaminhados para tratamento e/ou disposição final.
Os processos físicos de tratamento de resíduos englobam:
centrifugação; separação gravitacional; e redução de partículas.
5.4.2.1 Centrifugação
É o processo mecânico de separação de mistura de substâncias
de densidades diferentes geradas pela ação da força centrífuga. Pela
variação da velocidade de rotação do equipamento ou de suas
dimensões, pode-se aumentar a força centrífuga e com isso diminuir o
tempo necessário para a separação dos componentes da mistura.
A centrifugação faz com que o volume de resíduos seja reduzido.
Isso é muito utilizado pelas indústrias com o objetivo de concentrar o
resíduo, separando o máximo possível de água.
Foi o que fez uma grande empresa de alimentos para melhorar a
qualidade dos resíduos orgânicos destinados a compostagem. A
centrifugaçãopermitiu que os resíduos apresentassem menor teor de
umidade e que ocorresse maior presença de materiais sólidos de
óleos e graxos de forma mais concentrada. Após o processo de
centrifugação, os resíduos passaram a ter mais qualidade, tanto para
a compostagem como para a produção de adubo orgânico e de ração
animal.
A água mais limpa, com maior qualidade e com carga orgânica
muito menor, passou a ser enviada para a estação de tratamento de
efluentes, para tratamento e disposição final.
Perceba, leitor, que tudo isso contribui para a redução dos
resíduos e para preservação do meio ambiente.
5.4.2.2 Separação gravitacional
É a técnica de separação de mistura de substâncias que explora
as diferenças de densidade entre as fases. A dimensão do
equipamento e a eficiência do processo dependem da velocidade de
sedimentação dos sólidos, da viscosidade do fluido e da concentração
de partículas e para classificação, na qual partículas de tamanhos
diferentes são separadas.
Esse processo pode ser empregado para remover da água
quantidade variável de óleos, graxas e lubrificantes, além de uma
variedade de outros materiais em suspensão, que podem incluir areia,
5.4.3
terra, argila e outros, bem como substâncias dissolvidas, tais como
detergentes, sais, metais pesados etc.
A separação gravitacional é utilizada na indústria do petróleo para
separação do óleo e seus derivados da água.
5.4.2.3 Redução de partículas
É o método constituído por processos mecânicos formados por
sistemas sequenciais de peneiras e moinhos, montados para reduzir a
granulometria do resíduo final ou manter as características dos
produtos finais dentro de limites desejados.
Veja que interessante. Algumas empresas do setor calçadista, da
região de Três Coroas, no Rio Grande do Sul, perceberam que
geravam uma grande quantidade de resíduos de solados de
poliuretano. Para minimizar e diminuir a quantidade de resíduo
gerada, bem como incentivar a reciclagem e o reaproveitamento
desses materiais, resolveram incorporá-los em outros produtos com
maior valor agregado. A moagem de solados de poliuretano foi
realizada pelo processo de redução de partículas, em que um moinho
de facas diminuiu o tamanho de partículas dos resíduos. Posterior-
mente, esses resíduos foram misturados a poliuretano flexível, para a
elaboração de um material de atenuação do ruído de impacto em
pisos de edifícios.
O processo de redução de partícula também pode ser utilizado
para a diminuição e o reaproveitamento dos resíduos de madeira. As
toras de madeira, que constituem resíduo de uma fábrica de celulose,
podem, por exemplo, mediante a técnica de redução de partículas, ser
usadas na fabricação de chapas aglomeradas.
Controle de emissão de gases
poluentes
A atmosfera corresponde à camada de ar que envolve o globo
terrestre e é composta por uma massa de gases na qual
permanentemente ocorrem reações químicas. Por estar em constante
movimento, ela absorve uma grande variedade de sólidos, gases e
líquidos provenientes de fontes naturais e industriais, que podem se
dispersar, reagir entre si ou com outras substâncias já presentes na
atmosfera.
Há uma grande variedade de fontes de emissão de poluentes,
mas podemos considerar dois tipos básicos de fontes de poluição: as
específicas e as múltiplas. As fontes específicas são fixas em
determinado espaço territorial e ocupam uma área relativamente
limitada, permitindo uma avaliação individual. São exemplos de fontes
específicas de poluição as indústrias situadas em uma dada região.
As fontes múltiplas podem ser fixas ou móveis, e geralmente se
dispersam pela comunidade, o que dificulta a possibilidade de serem
avaliadas individualmente. Os veículos automotores são um bom
exemplo de fontes múltiplas.
No Brasil, são poluentes padronizados: partículas totais em
suspensão, fumaça, dióxido de enxofre (SO2), partículas inaláveis,
monóxido de carbono (CO), ozônio (O3), dióxido de nitrogênio etc.
5.5
Figura 5.12 – Emissão de gases poluentes: perigo à saúde humana e ao meio
ambiente.
O aquecimento global gerado pelo efeito estufa que é provocado
pela emissão de gases poluentes tem sido objeto de grande
preocupação. Sabemos que a quantidade cada vez maior de
indústrias, a utilização crescente de combustíveis fósseis, o aumento
da frota de veículos, tudo isso contribui para o aumento da poluição.
Mas o que pode ser feito para minimizar tal efeito?
A redução da emissão de gases poluentes pode começar de
forma bem simples. Assim, em nossas casas, podemos usar
lâmpadas fluorescentes; optar por aparelhos elétricos que consumam
menos energia; usar uma quantidade menor de água quente; desligar
os aparelhos eletrodomésticos que não estejam sendo usados;
reciclar o lixo; fazer uso de energia solar ou eólica; comprar produtos
produzidos em sua região ou comunidade.
A diminuição da emissão de gás carbônico poderá também
ocorrer se reduzirmos o uso de combustíveis fósseis (gasolina, diesel,
querosene) e aumentarmos o uso de biocombustíveis e etanol; se
utilizarmos o sistema de transporte coletivo (ônibus, metrô, trens) ou a
bicicleta.
Várias medidas podem minimizar a emissão de gases poluentes.
Vejamos: a instalação de sistemas de controle de emissão de gases
poluentes nas indústrias; a ampliação da geração de energia através
de fontes limpas e renováveis: hidrelétrica, eólica e solar, já que as
termoelétricas usam combustíveis fósseis; a recuperação do gás
metano nos aterros sanitários; se o desmatamento for reduzido e o
programa de reflorestamento e arborização for implantado; a
construção de prédios com implantação de sistemas que visem
economizar energia (uso da energia solar para aquecimento da água
e refrigeração) e água (captação da água da chuva) etc.
Destinação dos rejeitos
A destinação final ambientalmente adequada inclui a reutilização,
a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento
energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos
competentes, entre elas a disposição final, observando normas
operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde
pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos.
A destinação final não pode ser confundida com a disposição
final.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei n° 12.305/10, em seu
art. 3°, define a disposição final ambientalmente adequada como:
“distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas
operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde
pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais
adversos”.
A disposição final ambientalmente adequada de rejeitos deve ser
feita somente para os resíduos que comprovadamente não são mais
passíveis de alguma forma de tratamento.
Confira o que diz a Lei n° 12.305/2010:
Art. 9° - Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser
observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução,
reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
§ 1° - Poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação
energética dos resíduos sólidos urbanos, desde que tenha sido
comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a
implantação de programa de monitoramento de emissão de gases
tóxicos aprovado pelo órgão ambiental.
§ 2° - Política Nacional de Resíduos Sólidos e as Políticas de
Resíduos Sólidos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
serão compatíveis com o disposto no caput e no § 1° deste artigo e
com as demais diretrizes estabelecidas nesta Lei.
Saiba que há grande diferença entre lixão e aterro.
Lixão é a disposição final sem proteção alguma do solo e do ar.
Os resíduos ficam a céu aberto, atraindo ratos, cobras e insetos, e,
com estes, as doenças e perigos para as pessoas que vivem em sua
redondeza.
O lixo polui o meio ambiente com os gases de efeito estufa,
contribuindo para o aquecimento global, bem como pode infiltrar-se no
solo e poluir os lençóis de águas subterrâneos, isso sem contar o odor
insuportável que é gerado.
O lixão, também chamadode vazadouro, é uma forma
inadequada de disposição final de resíduos sólidos.
Infelizmente muitas cidades brasileiras ainda utilizam o lixão
como disposição final para os seus resíduos. Com o surgimento da
Lei n° 12.305/10 os lixões só serão permitidos até agosto de 2014.
Fique de olho!
A situação mais crítica no nosso país é do Lixão da Estrutural, a 15 quilômetros
de Brasília. É um terreno com o tamanho de inúmeros campos de futebol, com
uma montanha de lixo de cerca de 50 metros de altura. Nesse local
aproximadamente dois mil catadores de material reciclável trabalham dia e noite.
Figura 5.13 – Lixão Estrutural, em Brasília. Funcionando de maneira improvisada
há mais de 50 anos, o local chegou ao seu limite, com cerca de 30 milhões de
toneladas de lixo.
5.5.1
1)
2)
3)
4)
5.5.2
O aterro é uma forma de disposição de resíduos no solo que,
fundamentada em critérios de engenharia e normas operacionais
específicas, garante e possibilita um confinamento seguro em termos
de poluição ambiental e de proteção à saúde pública.
É uma estrutura cuidadosamente projetada dentro do solo ou
sobre ele, em que o lixo é isolado do ambiente a sua volta (lençol
freático, ar e chuva). Esse isolamento é obtido através de um
revestimento e uma cobertura diária de terra.
Há dois tipos de aterros: aterros sanitários convencionais,
destinados a receber resíduos sólidos urbanos, e aterros industriais,
projetados especialmente para receber resíduos industriais.
Transbordo
Transbordo é a denominação que se dá à instalação intermediária
entre o serviço de coleta e o ponto de destinação final, em cujo interior
os resíduos são transferidos de um veículo a outro meio de transporte,
que podem ser: caminhões de maior capacidade, barcaças ou vagão
ferroviário.
O transbordo pode ser classificado:
Quanto ao meio de transporte adotado: podendo ser por via
rodoviária, ferroviária ou hídrica;
Quanto à armazenagem do lixo: em decorrência da existência ou
não de fosso de acumulação de resíduos;
Quanto ao tratamento prévio do lixo: com ou sem sistema de
redução de volume;
Quanto ao sistema de redução do volume adotado: por
compactação dos resíduos, por trituração ou por reciclagem.
Aterros sanitários
O aterro sanitário é um aprimoramento de uma das técnicas mais
antigas usadas pelo homem para descarte de seus resíduos,
conhecido por aterramento.
É uma obra de engenharia que tem como objetivo acomodar, no
solo, resíduos sólidos no menor espaço prático possível, causando o
menor dano ou risco possível à saúde pública e ao meio ambiente,
cobrindo-os com uma camada de terra ou outro material inerte, na
conclusão da jornada de trabalho ou em intervalos menores, se
necessário.
É o método sanitário mais simples de destinação final de resíduos
sólidos urbanos. O aterro sanitário exige cuidados especiais e
técnicas específicas a serem seguidas, desde a seleção e o preparo
da área até sua operação e monitoramento.
Atualmente, por não terem como objetivo o tratamento ou a
reciclagem dos materiais presentes no lixo urbano, os aterros
sanitários vêm sendo severamente criticados. De fato, os aterros
sanitários são uma forma de armazenamento de lixo no solo,
alternativa que não pode ser considerada a mais indicada, uma vez
que os espaços úteis para essa técnica se tornam cada vez mais
escassos.
Figura 5.14 – Aterro sanitário. A destinação de resíduos sólidos urbanos por
aterramento do lixo no solo exige cuidados especiais para evitar a contaminação do
solo e do lençol freático.
O aterro sanitário deve contar com todos os elementos de
proteção ambiental: impermeabilização de base e laterais; sistema de
recobrimento diário e cobertura final; coleta e drenagem de líquidos
5.5.3
percolados; coleta e tratamentos dos gases; drenagem superficial;
tratamento de líquidos percolados e sistema de monitoramento, tudo
isso para evitar danos ao meio ambiente, evitando a contaminação
das águas subterrâneas pelo chorume e acúmulo do biogás resultante
da decomposição anaeróbia do lixo no interior do aterro.
Para avaliar a eficiência do aterro quanto à sua operação e ao
controle ambiental, devem ser realizados: controle das águas
superficiais e subterrâneas da área; monitoramento da qualidade do
chorume (líquido de elevado potencial poluidor, de cor escura e de
odor desagradável, resultado da decomposição da matéria orgânica) e
do efluente tratado; caracterização dos resíduos da massa aterrada;
monitoramento geotécnico do maciço do aterro; e controle da saúde
das pessoas envolvidas na operação do aterro.
Tudo isso mostra o quanto precisamos adotar práticas de redução
dos resíduos que produzimos. A disposição final deveria ser restrita
somente ao rejeito, isto é, à parte inaproveitável dos resíduos sólidos.
Precisamos compreender que devemos agir para proteger o meio
ambiente, a saúde e subsistência do homem na Terra.
Aterros industriais
O local de destinação final de resíduos sólidos produzidos por
indústrias é chamado de aterro industrial.
Segundo a norma da ABNT 10004/2004, resíduos sólidos
industriais seriam todos os resíduos no estado sólido ou semissólido
resultantes das atividades industriais, incluindo lodos e determinados
líquidos, cujas características tornem inviável seu lançamento na rede
pública de esgotos ou corpos d´água ou que exijam para isso
soluções técnica e economicamente inviáveis.
A instalação de um aterro industrial é regida por legislação
própria que tem o objetivo de diminuir os impactos ambientais. Para
tanto, são imperativos a implantação de sistemas de
impermeabilização, a drenagem e o tratamento de gases e efluentes.
O órgão responsável, no Brasil, pelo licenciamento e pela
fiscalização dos aterros industriais são os Institutos Estaduais de Meio
Ambiente (Iema) de cada estado em que o aterro foi instalado.
Normas registradas na ABNT regem esse serviço e dão respaldo ao
órgão público para aplicar a lei.
A técnica presente em um aterro industrial consiste em confinar
os resíduos industriais na menor área e volume possíveis, cobrindo-os
com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de
trabalho ou em intervalos menores, caso necessário.
O aterro industrial é uma alternativa de destinação de resíduos
industriais que se utiliza de técnicas que permitem a disposição
controlada desses resíduos no solo, minimizando os impactos
ambientais e sem causar danos ou riscos à saúde pública.
Amplie seus conhecimentosSegundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos
Especiais (Abrelpe), o Brasil tem potencial para produzir mais de 280 megawatts
de energia a partir do biogás capturado em unidades de destinação de resíduos
sólidos. O volume seria suficiente para abastecer uma população de cerca de 1,5
milhão de pessoas.
A captação do gás gerado nos aterros para transformá-lo em energia elétrica é
uma forma de aproveitar os resíduos para gerar energia e evitar o lançamento de
gases de efeito estufa (GEE) na camada de ozônio e seu consequente impacto.
O biogás é o nome comum dado a qualquer gás que foi produzido pela quebra
biológica da matéria orgânica na ausência de oxigênio. Geralmente consiste em
uma mistura gasosa composta principalmente de gás metano (CH4) e gás
carbônico (CO2), com pequenas quantidades de gás sulfídrico (H2S) e umidade.
No estado de São Paulo, já existem duas usinas de metano implantadas nos
aterros sanitários, Bandeirantes e São João, localizados respectivamente nos
bairros Perus e São Mateus da cidade de São Paulo. De acordo com a Abrelpe, o
Brasil conta com 22 projetos que preveem o aproveitamento energético do
biogás. É a geração de energia elétrica de forma sustentável.
Para saber mais, acesse: <http://www.meioambiente.ufrn.br/?p=16475>, data de
acesso 16/09/2014.
Figura 5.15 – Produção artificial de biogás. O biogás é considerado um
combustível gasoso com conteúdo energético elevado e alto poder calorífico,
semelhante ao do gás natural.
1)
2)
3)
a)
Acesse também:
<http://www.remabrasil.org/Members/suassuna/campanhas/falta-de-espaco-para-lixo-atomico-podedesligar-usinas-de-angra-1-e-2/view>, data de acesso
16/09/2014.
Vamos recapitular?
Você aprendeu que a crescente produção de resíduos sólidos é a causa de
vários problemas ambientais que necessitam ser minimizados. A teoria dos 5 Rs
(reduzir, reutilizar, reciclar, repensar e recusar) auxilia este processo.
Compreendeu também que os resíduos devem receber tratamento adequado.
Temos os processos térmicos, tais como a incineração, o coprocessamento, a
pirólise e o plasma; e os processos físicos, que são a centrifugação, a separação
gravitacional, a redução de partículas e o controle da emissão de gases
poluentes. Viu também que o aterro é uma forma de disposição de resíduos no
solo, podendo ser aterros sanitários convencionais destinados a receber resíduos
sólidos urbanos e aterros industriais, projetados especialmente para receber
resíduos industriais.
Agora é com você!
Assista ao filme Lixo extraordinário e discuta com seus colegas e
professores os diferentes problemas ligados ao lixo e sua
relação com os catadores.
O filme é um documentário anglo-brasileiro lançado em 2010,
com direção de Lucy Walter, que relata o trabalho do artista
plástico brasileiro Vik Muniz com catadores de material reciclável
em um dos maiores aterros controlados do mundo: o Jardim
Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro.
Em sua comunidade, bairro, escola ou trabalho a teoria dos 5 Rs
é adotada? Você pratica as ações de reciclar, reutilizar, recusar,
repensar e reduzir? Explique.
Para onde devem ser encaminhados, respectivamente, os restos
de alimentos; pilhas e baterias; resíduos sólidos (vidros,
plásticos, papéis, metais)?
usina de compostagem, reciclagem e incineração.
b)
c)
d)
e)
4)
5)
biodigestor, lixão e incineração.
usina de compostagem, postos de coleta e reciclagem.
incineração, postos de coleta e lixão.
ixão, incineração e biodigestor.
Considerando que cada brasileiro produz em média 1,2
kg/resíduos/dia (Abrelpe, 2010) e que os moradores da Região
Sudeste juntamente com os da Região Nordeste são os que
mais geram resíduos, em torno de 1,3 kg/hab-dia, enquanto a
geração dos habitantes da Região Sul apresenta o menor índice:
0,879 kg/hab-dia (Abrelpe, 2010), pode-se imaginar quanto lixo é
produzido em um ano em nossa cidade? Como você, cidadão,
se posiciona diante disso?
Pesquise em sites da internet, revistas, jornais e livros empresas
que adotam diferentes formas de tratamento de resíduos. Faça
uma lista, compare os processos adotados e depois discuta com
seus colegas e professores.
1
2
3
Disponível em: <www.abetre.org.br/biblioteca/legislacao>. Acesso em 23 mar.
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Disponível em:
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Vice-presidente Claudio Lensing
Gestora do ensino técnico Alini Dal Magro
Coordenadora editorial Rosiane Ap. Marinho Botelho
Editora de aquisições Rosana Ap. Alves dos Santos
Assistente de aquisiçõesMônica Gonçalves Dias
EditorasMárcia da Cruz Nóboa Leme
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Rodrigo Novaes de Almeida
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Assistente de produção Fábio Augusto Ramos
Valmir da Silva Santos
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Revisão Clara Diament
Diagramação Ione Franco
CapaMaurício S. de França
Impressão e acabamento
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA
PUBLICAÇÃO (CIP)
ANGÉLICA ILACQUA CRB-8/7057
Ibrahin, Francini Imene Dias
Análise ambiental : gerenciamento de resíduos e tratamento de efluentes /
Francini Imene Dias Ibrahin, Fábio José Ibrahin, Eliane Ramos Cantuária.. -- 1.
ed. -- São Paulo : Érica, 2015.
Bibliografia.
ISBN 978-85-365-2961-5
1. Água - Purificação 2. Gestão ambiental 3. Gestão ambiental - Aspectos
sociais 4. Reciclagem (Resíduos etc.) 5. Resíduos - Gestão 6. Resíduos das
estações de tratamento de água - Purificação I. Ibrahin, Fábio José. II.
Cantuária, Eliane Ramos. III. Título.
14-10266 CDD-671.7
Índices para catálogo sistemático:
1. Efluentes residuais : Tratamento: Tecnologia 671.7
Copyright© Francini Imene Dias Ibrahin, Fábio José Ibrahin,
Eliane Ramos Cantuária
2015 Saraiva Educação
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1a edição
2a tiragem: 2017
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Edição digital: junho 2018
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