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Lara de Aquino Santos 
 
SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR – NP1 
PERGUNTAS DISCENTES 
CLÍNICA INFANTIL II 
 
01. Durante a consulta com o ortodontista Carlos, Paula, mãe de 
Joãozinho de 9 anos de idade, relatou estar bastante preocupada com 
a dentição de seu filho, pois quando mais novo a criança apresentava 
um lindo sorriso, com dentes juntos e alinhados. Entretanto, agora 
que os “novos dentes estavam nascendo”, estes estariam espaçados e 
amarelados. A mesma apresentou uma documentação ortodôntica 
solicitada por outro profissional e informou que um ‘‘dente de leite’’ de 
João tinha caído, porém o permanente não havia erupcionado. Tendo 
em vista a radiografia panorâmica do paciente e as informações 
citadas, responda. 
 
a) Se faz necessário a realização de uma intervenção ortodôntica? 
Justifique. 
RESPOSTA: Não. Com base no exame clínico e radiográfico, Joãozinho 
encontra-se na fase de dentição mista, e esta é marcada por diversas 
mudanças no arco dentário. O aparecimento de algumas características 
oclusais transitórias é considerado normal e um período característico deste 
estágio de dentadura, é descrita por Broadbent como ‘‘fase do patinho feio”. 
Essa fase é caracterizada pela ausência de espaço maxilar que leva ao 
surgimento da fase do patinho feio, e consiste em um posicionamento 
antiestético, porém fisiológico, no qual os caninos permanentes geram uma 
pressão contra as raízes dos incisivos laterais permanentes, causando a 
convergência de suas raízes, a divergência e vestibularização das coroas dos 
incisivos centrais e laterais, além de sobremordida profunda e diastemas. 
Essa fase permanece até mais ou menos dos 10 aos 12 anos de idade, até que 
a maxila obtenha o aumento de tamanho suficiente, para que a raiz dos 
incisivos assuma uma posição vertical e os caninos superiores movam-se para 
baixo, para a frente e lateralmente, acompanhando as raízes dos incisivos 
laterais. Dessa forma, esse período não deve ter interferência ortodôntica, 
pois a erupção dos caninos promoverá a resolução das características 
presentes nessa fase, assim como o fechamentos dos diastemas. 
Lara de Aquino Santos 
b) A dentição mista caracteriza-se pela presença de dentes decíduos e 
permanentes simultaneamente nos arcos dentais, ocorrendo a transição 
para a dentição permanente, e está pode ser dividida em 1° período 
transitório, período intertransitório e 2° período transitório. O que 
caracteriza cada período? 
RESPOSTA: O 1° período transitório é caracterizado pela erupção dos 
primeiros molares e incisivos permanentes. Nessa fase observa-se a presença 
de diastemas entre os incisivos, assim como uma erupção mais labial destes 
na maxila, ocupando um perímetro maior no arco. O período intertransitório 
é considerado um período de passividade, pois compreende ao período de 
repouso na substituição dos dentes decíduos pelos permanentes, com duração 
aproximada de 1 ano e meio. Nessa fase é possível observar uma ausência de 
espaço maxilar que leva ao surgimento da fase do patinho feio. O 2° período 
transitório é caracterizado pela erupção dos caninos, pré-molares e segundos 
molares permanentes. 
 
02. Sabendo que Joãozinho apresenta a documentação ortodôntica em 
mãos, Doutor Carlos decidiu estudar o seu caso por meio da análise 
dos modelos de gesso, pois estes constituem em um dos elementos de 
grande importância para o diagnóstico e planejamento dos tratamentos 
ortodônticos. Com base nessas informações, discorra sobre a análise 
da discrepância de modelo. 
RESPOSTA: Joãozinho apresenta dentes decíduos e permanentes na 
cavidade oral, com isso Doutor Carlos analisará os modelos de gesso por 
meio do método da dentadura mista. Este método visa prever através de 
tabelas ou radiografias, o tamanho dos dentes permanentes não 
erupcionados e se estes terão espaço no arco ósseo. Para o cálculo da 
discrepância de modelo (DM), Doutor Carlos deverá medir inicialmente o 
espaço presente (EP) e o espaço requerido (ER). O espaço presente 
corresponde ao tamanho do osso basal, compreendido entre a mesial do 
primeiro molar permanente de um lado à mesial do primeiro molar do lado 
oposto. Para medir este espaço é necessário o auxilio de um fio de latão 
para contornar o arco, e em seguida retifica-se em milímetros o valor do 
espaço presente total. Já o espaço requerido é a somatória do maior 
diâmetro mésio-distal de cada dente, a partir da mesial do primeiro molar. 
Com o auxilio de um compasso de ponta seca, mede-se o diâmetro mésio-
distal de cada dente individualmente. Com a régua milimetrada soma-se 
todos esses valores para obter o espaço requerido total. Tendo os valores 
Lara de Aquino Santos 
referentes ao EP e ER o ortodontista deverá calcular a discrepância de 
modelo (DM), que é obtida através da diferença entre o espaço presente 
e o espaço requerido. Esse resultado pode ser positivo, negativo ou nula 
(DM = EP – ER). A discrepância positiva é quando o espaço presente é maior 
que o espaço requerido. Existe a presença de diastemas no arco dental, 
portanto vai haver sobra de espaço ósseo para a erupção dos dentes 
permanentes. Já a discrepância negativa é quando o espaço presente é 
menor que o espaço requerido. Não existe espaço para a erupção dos 
dentes permanentes não erupcionados. A discrepância nula é quando o 
espaço presente é igual ao espaço requerido, ou seja, o tamanho ósseo é 
justo para abrigar os dentes permanentes.