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APOL 
Questão 1/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Vimos que um novo tipo de Estado começou a ser forjado. No entanto, somente após as críticas iluministas a partir do século XVIII e com a 
consolidação do capitalismo como sistema econômico é que o chamado Estado Moderno se tornou preponderante”. 
Fonte: Rota de aprendizagem 2, p. 2. 
Tendo como base os ensinamentos do professor Carlos Alberto Simioni e a contextualização acima, analise as afirmativas abaixo 
assinalando V para verdadeiro ou F para falso. Após, assinale a alternativa correta acerca dos princípios iluministas desenvolvidos 
por Kant. 
 
I. Desenvolveu o conceito de Estado-Nação, no qual representava a atuação do Estado enquanto ator no cenário internacional. 
II. Apresenta fatores que poderiam evitar a guerra entre as nações, como a não intervenção, a formulação de tratados sem ressalvas, o 
republicanismo, o fim do patrimonialismo e o fim dos exércitos permanentes. 
III. Elaborou a proposta de uma espécie de “direito internacional” que deixou uma herança no campo das relações internacionais. 
IV. Para Kant, os Estados deveriam entrar em acordo e criar uma federação de nações, o que de fato se tentou no século XX, com a Liga das 
Nações e com a Organização das Nações Unidas (ONU). 
Você não pontuou essa questão 
 
A V, F, V, V 
 
B V, V, F, F 
Você assinalou essa alternativa (B) 
 
C F, V, V, V 
 
D F, V, F, V 
 
E F, F, V, V 
Questão 2/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“No século XIX, o capitalismo, com sua específica forma de relação de trabalho (assalariado), estava se consolidando na Europa. A Inglaterra 
era o país no qual o processo estava mais avançado; havia centenas de fábricas e milhares de operários. As condições de trabalho, no entanto, 
eram precárias. No livro O Capital, escrito em meados daquele século, Marx analisa como as próprias instituições britânicas, ao longo de 
décadas, criaram uma legislação trabalhista que, na visão desse autor, era insuficiente. O parlamento inglês, por exemplo, paulatinamente 
reduziu a jornada de trabalho após várias denúncias de médicos, religiosos, jornais e de comissões do próprio Parlamento (Marx, 1987)”. 
Fonte: Rota de aprendizagem 3, p. 3. 
Tendo como base os ensinamentos do professor Carlos Alberto Simioni e a contextualização acima, analise as opções abaixo e 
assinale a alternativa que faz uma análise correta da concepção de Estado para Karl Marx. 
 
A O Estado é um instrumento: o grande partido da classe economicamente dominante. 
Você assinalou essa alternativa (A) 
 
B O Estado é o grande guardião da propriedade privada, a base da liberdade e da igualdade. 
 
C O Estado é uma instituição que, em determinado território, de forma legítima monopoliza o instrumental de coação física (a violência 
legítima). 
 
D O Estado é aparelho de dominação tradicional do proletariado e do lumpemproletariado. 
 
E O Estado é um estado hipotético em que cada um é completamente livre para fazer o que quer. 
Questão 3/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Se assumirmos a formação do Estado como parte do processo de modernização que começou com o Renascimento, então os primeiros Estados 
nacionais surgiram em territórios que hoje correspondem a França, Inglaterra, Portugal e Espanha durante os séculos XV e XVI. Esse processo 
ocorreu simultaneamente ao mercantilismo, e esses Estados eram marcados pelas feições do absolutismo (Bresser-Pereira, 2009)”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 46 e 47. 
Tendo como base os ensinamentos do professor Carlos Alberto Simioni e a contextualização acima, analise os enunciados abaixo e 
responda a seguinte questão: o que podemos compreender por mercantilismo? 
 
A Foi um conjunto de práticas econômicas que pregava que o Estado deveria estar no controle do comércio internacional, bem como se 
responsabilizar pela prosperidade econômica. 
Você assinalou essa alternativa (A) 
 
B Foi um sistema econômico, político e social que se fundamenta especialmente sobre a propriedade da terra, cedida pelo senhor feudal ao 
vassalo em troca de serviços mútuos. 
 
C Sistema de governo baseado nas relações de dependência que se criam ao redor do poder dos caciques políticos locais. 
 
D Subsistema de relação política, com uma pessoa recebendo de outra a proteção em troca do apoio político. Também é chamado política do 
favor. 
 
E É a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado. Foi comum em praticamente 
todos os absolutismos. 
Questão 4/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Hobbes fala de uma natureza imutável dos homens em relação ao tempo e a história, o que os coloca em condição de igualdade plena entre si 
e faz com que nenhum possa se sobrepor integralmente aos demais. Para o autor, essa situação leva a uma instabilidade, na qual ninguém 
consegue saber o que os outros pensam ou desejam. O mais prudente sempre seria atacar, com vistas a evitar ser atacado em algum momento. 
Assim, o homem estaria em um permanente estado de guerra de todos contra todos”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 36. 
Tendo como referência o conteúdo abordado no livro base da disciplina e seus conhecimentos sobre Hobbes, analise as afirmativas 
abaixo e selecione a alternativa que descreve corretamente o que podemos compreender por estado de natureza. 
 
A O estado de natureza é um estado hipotético em que cada um é completamente livre para fazer o que quer. É um estado sem normas 
reconhecidas por todos, sem contrato, em que aflora a natureza humana. 
Você assinalou essa alternativa (A) 
 
B O estado de natureza é um estado formado por normas e regras obedecidas por todos. 
 
C O estado de natureza é uma referência ao governo de muitos, principalmente, ao modelo democrático. 
 
D Estado de natureza é um conceito desenvolvido por Kant onde não existe distinção entre política e religião. 
 
E Estado de natureza é um conceito desenvolvido por Karl Marx que trata, principalmente, da questão da exploração do proletariado. 
Questão 5/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Podemos considerar Marshall como um dos autores que lançou as bases teóricas do Estado de bem-estar social por meio de sua teoria da 
cidadania. Kerstenetzky (2012, p. 27) afirma que o referido autor foi um “fundador do campo teórico do welfare state" e desenvolveu uma 
justificativa pública e argumentos convincentes para a construção do Estado de bem-estar social, em uma concepção universal da fruição de 
direitos sociais como base para o acesso a cidadania”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 127 e 128. 
Com base nos seus conhecimentos sobre a teoria de Marshall, analise as opções abaixo e assinale a alternativa que faz uma análise 
correta. 
 
I. Marshall mostrou com maestria a existência de conexões dinâmicas entre as lutas por direitos e a construção do Estado-nação, especialmente 
no que se refere a implementação de políticas sociais dentro de uma ordem econômica capitalista. 
II. Marshall desenvolveu o conceito de cidadania, que perpassa a interação que se dá entre os cidadãos e entre estes e o Estado-nação. 
III. De acordo com Marshall, os direitos políticos têm como princípio básico a participação no poder por parte dos cidadãos, ou seja, o direito de 
estar no governo da sociedade. Em suma, é o direto de poder votar e ser votado. 
IV. Marshall elaborou a proposta de uma espécie de “direito internacional”que deixou uma herança no campo das relações internacionais. 
 
A Apenas as afirmativas I e III estão corretas 
 
B Apenas as afirmativas II e IV estão corretas 
 
C Apenas as afirmativas III e IV estão corretas 
 
D Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas 
Você assinalou essa alternativa (D) 
 
E Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas 
Questão 6/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“O terceiro autor do rol dos contratualistas é Jean Jacques Rousseau. Como já ressaltado, os contratualistas objetivavam reconstruir a história 
da humanidade por meio do método lógico-dedutivo e da construção de modelos hipotéticos. Entre eles, Rousseau foi o que mais se apossou 
desse método”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 41. 
Com base nos seus conhecimentos sobre os contratualistas, analise as afirmativas abaixo, assinalando V para verdadeiro e F para 
falso. 
Após, assinale a assertiva que faz a análise correta da filosofia política de Rousseau. 
( ) Para Rousseau, a humanidade é boa por natureza, e é a sociedade que a corrompe. 
( ) Rousseau acreditava na existência da vontade coletiva. Essa não é a vontade expressa pelos políticos na Assembleia, mas uma vontade 
comum a todos os membros de uma sociedade. 
( ) Rousseau tinha uma concepção elitista da política, já que desconfiava das capacidades de que muitos pudessem exercer um governo 
racional. 
( ) Para Rousseau, o contrato social foi uma espécie de "mal necessário", tendo em vista a impossibilidade de retorno ao estado de natureza. 
 
A V, F, V, V 
 
B V, V, F, F 
 
C V, V, F, V 
Você assinalou essa alternativa (C) 
 
D F, V, F, V 
 
E V, F, V, F 
Questão 7/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Max Weber (1864-1920) foi o autor que mais bem conceituou a transição do Estado absolutista para o moderno. Ele também soube delinear 
com grande precisão a economia capitalista e todas as transformações estruturais decorridas do processo de modernização e racionalização. 
Seus principais conceitos são, sobretudo, em relação ao Estado moderno e a emergência da administração do tipo burocrática” (Adaptado). 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 52. 
Tendo como referência seus conhecimentos sobre a teoria weberiana, analise as afirmativas abaixo e selecione a alternativa que faz a 
análise correta. 
I. Na abordagem weberiana, os indivíduos calculam a forma mais eficaz para atingir seus objetivos. Sua teoria é chamada de Teoria da Escolha 
Racional. 
II. Para Weber Estado é o lócus onde poder e dominação se encontram; é a arena política por excelência. 
III. Para Weber, existiram três tipos ideais de dominação: tradicional, carismática e racional. 
IV. A Teoria weberiana lança mão de uma abordagem oriunda da economia e postula que o comportamento dos indivíduos é irracional. 
 
A Está correta apenas a afirmativa II 
 
B Estão corretas apenas as afirmativas I e III 
 
C Estão corretas apenas as afirmativas II e III 
Você assinalou essa alternativa (C) 
 
D Estão corretas apenas as afirmativas I, II e IV 
 
E Estão corretas apenas as afirmativas I, III e IV 
Questão 8/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“A visão liberal da economia é a de que o mercado é capaz de assegurar o bem-estar de toda a sociedade, reservando ao Estado o menor 
espaço possível. A justificação normativa para tanto foi definida pelos economistas David Ricardo (1772-1823) e, especialmente, Adam Smith 
(Silva; Souza, 2010), entre o final do século XVIII e o início do século XIX”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 2017, p. 63. 
Com base nos conhecimentos da disciplina sobre o período Iluminista, analise as opções abaixo, assinalando V para verdadeiro ou F 
para falso. Após, assinale a alternativa que faz uma análise correta acerca das contribuições de Adam Smith para a formação do Estado 
Moderno: 
 
I. O principal aspecto do pensamento de Smith é o fato de ele defender um mercado livre das garras do Estado. 
II. Adam Smith foi um dos primeiros a propor a visão hoje conhecida como Estado mínimo, pouco intervencionista. 
III. Adam Smith apresentou uma ideia moderna de Estado. Analisou o Estado e o poder político como tendo natureza própria e sendo ponto 
central da política moderna. O Estado como realidade própria. 
IV. Adam Smith propôs três atribuições para o Estado: proteção contra ameaças ou invasão externa; proteção contra ameaças na própria 
sociedade; criação de instituições e obras públicas que não gerem interesse da iniciativa privada. 
 
A V, F, V, V 
 
B V, V, F, F 
 
C V, V, F, V 
Você assinalou essa alternativa (C) 
 
D F, V, F, V 
 
E V, F, V, F 
Questão 9/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Dominação significa encontrar obediência de acordo com o conteúdo da ordem mandada, fato que pressupõe disciplina e obediência imediata 
e a noção de treino (socialização). Portanto, demanda uma associação de dominação, ou seja, um aparato, um quadro administrativo, uma 
estrutura de dominação cuja peculiaridade é determinada pelo caráter do círculo de pessoas que exercem sua administração e seu alcance. 
Mais que isso, a dominação é sempre validada e atribui-se sentido a ela envolvendo as noções de autoridade e legitimidade”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 55. 
Tendo como base a teoria weberiana, analise as opções abaixo e assinale a alternativa que faz uma análise correta do tipo de 
dominação racional. 
 
I. A dominação racional é aquela que se calca na validade de regras racionalmente estatuídas. 
II. Na dominação racional, o poder é legitimado por um sistema de regras racionais, ou seja, obedecem-se às regras, e não às pessoas; daí que 
ela é impessoal e aponta para competências objetivas. 
III. Weber resume a dominação racional como “a autoridade do ‘passado eterno’, ou seja, dos costumes santificados pela validez imemorial e 
pelo hábito, enraizado nos homens, de respeitá-los. 
IV. Na dominação racional há autoridade institucional, hierarquia oficial e qualificação profissional. No que se refere ao quadro administrativo, há 
separação absoluta em relação aos meios administrativos. 
 
A Apenas as afirmativas I e III estão corretas 
 
B Apenas as afirmativas I e IV estão corretas 
 
C Apenas as afirmativas III e IV estão corretas 
 
D Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas 
Você assinalou essa alternativa (D) 
 
E Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas 
Questão 10/10 - Estado Moderno e Contemporâneo 
Leia o texto abaixo e depois responda à questão: 
“Keynesianismo é o termo utilizado para designar o conjunto de políticas econômicas que foram influenciadas pela teoria do inglês John Maynard 
Keynes e que, com o enfraquecimento do ideário liberal, constituíram a alternativa principal a ortodoxia do laissez-faire após o termino da 
Segunda Guerra Mundial (1939-1945)”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões teóricas sobre sua trajetória. Curitiba: InterSaberes, 
2017, p. 103. 
Com base nos seus conhecimentos sobre o Keynesianismo, analise as afirmativas abaixo e selecione a alternativa que faz uma análise 
correta. 
 
I. Keynes defendeu, de forma pioneira, o mais drástico programa neoliberal, enfatizando a necessidade de os países industrializados aumentarem 
a taxa de desemprego como parte da estratégia para combater os sindicatos. 
II. Keynes acreditava que, apesarde suas limitações, o capitalismo ainda era o modo mais eficiente de promover o progresso nas sociedades e, 
por isso, precisava ser mais bem administrado. 
III. Em sua obra, A teoria geral do emprego, do juro e da moeda, Keynes não apenas apontou as deficiências, mas também propôs uma nova 
compreensão do funcionamento do sistema capitalista. Assim, oferecia uma saída para a crise baseada na intervenção do Estado. 
IV. O Estado voltou a ter um papel importante nos assuntos econômicos, não como condutor do desenvolvimento dos países (como no 
mercantilismo ou no Estado socialista), mas como regulador das relações que se estabelecem no mercado. 
 
A Apenas as afirmativas I e II estão corretas 
 
B Apenas as afirmativas II e IV estão corretas 
 
C Apenas as afirmativas III e IV estão corretas 
 
D Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas 
 
E Apenas as afirmativas II, III e IV estão corretas 
Você assinalou essa alternativa (E) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO MODERNO E 
CONTEMPORÂNEO 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Alberto Simioni 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Embora a ideia de nação ou império seja conhecida desde a Antiguidade, 
o conceito de nação ou país (Estado-Nação), tal qual conhecemos hoje, tem sua 
origem no início da Era Moderna, mais especificamente ao final da Idade Média 
(final do século XV e século XVI, período conhecido como Renascimento, 
quando ocorreram extraordinárias transformações sociais, econômicas, 
artísticas, religiosas e políticas). A partir desse momento, um sistema político 
denominado absolutismo (ou Antigo Regime) paulatinamente foi se fortalecendo 
na Europa e perdurou por quase três séculos, dando início a um processo de 
institucionalização do Estado. Assim, o chamado Estado nacional moderno 
passou a se constituir como uma das mais sólidas instituições da modernidade, 
a partir da sua aceitação (legitimidade) enquanto força militar específica e ator 
por excelência do cenário internacional, e também a partir de sua estrutura 
burocrática cada vez mais eficiente e poderosa. 
Nesta aula, analisaremos a origem remota do chamado Estado nacional 
moderno, procurando relacioná-la com o contexto social e político no qual surgiu; 
vamos analisar alguns casos específicos de nações absolutistas, diferenciando-
as e elencando fatores comuns a todas elas. 
Se, por um lado, essa instituição nasceu durante o período absolutista, 
teve seu marco inicial com a Revolução Francesa (1789) e sua efetiva 
instauração nos séculos XIX e XX, quando se alastrou pelo mundo como um 
modelo cada vez mais padronizado de organização estatal, por outro, apesar de 
conter uma série de elementos que caracterizariam o Estado moderno, o Estado 
absolutista ainda possuía fortes vínculos com a lógica de dominação feudal. Isso 
o tornou uma espécie de Estado híbrido. Neste sentido, é importante analisarmos 
em que aspectos ele foi fundamental para superar a lógica feudal, e também em 
que aspectos ele se aproximou do atual Estado moderno. Esse contraponto é 
essencial para entendermos o quanto as ideias iluministas e liberais foram 
importantes para forjar tal instituição, assim como para entendermos a lógica de 
dominação moderna e os princípios gerais das relações internacionais baseados 
no Estado-Nação. 
Sou Carlos Alberto Simioni, sociólogo, mestre em Sociologia, doutor em 
Meio Ambiente e Desenvolvimento. Acompanharei vocês na disciplina de Estado 
Moderno e Contemporâneo. Espero que aprendamos muito nesta jornada. 
 
 
3 
TEMA 1 – DO ESTADO ABSOLUTISTA AO ESTADO NACIONAL MODERNO 
O absolutismo pode ser entendido como um sistema político que perdurou 
na Europa entre o século XVI e o final do século XVIII. Foi um período de 
transição entre o feudalismo e o capitalismo. Diferenciou-se do modelo feudal na 
medida em que se organizou a partir de uma forte centralização administrativa e 
política. 
Ao longo do século XVI foi se estabelecendo na Europa a ideia de um 
Estado forte, que se personifica na figura do monarca. Mas foi no século XVII 
que este modelo se consolidou, de forma que se criou uma instituição com poder 
absoluto, distanciando-se da interferência da nobreza e da igreja. A ideia de 
nação ou nacionalidade passa a basear-se no território e na noção de povo 
(todos os que habitam o território), e não tanto na etnia ou religião, como foi, por 
exemplo, em boa parte do Império Romano e no feudalismo. A partir dessa nova 
ideia de nação traçavam-se os objetivos do Estado absolutista, fossem 
comerciais, fosse a proteção aos súditos. De fato, o comércio internacional 
passou a crescer a partir da lógica do mercantilismo, ou seja, um comércio acima 
de tudo estatal, ainda que existissem companhias privadas, bancos e 
empreendedores individuais. Em relação à segurança, o Estado era agora o 
grande protetor, com a criação dos exércitos nacionais compostos por cidadãos, 
e não mais por mercenários ou indivíduos de outras nacionalidades. 
Mas o que produziu tão profundas transformações? Quando se analisa 
determinado período da história, é fundamental que compreender o contexto 
social, político e econômico da época. Duas mudanças se iniciavam sem, no 
entanto, se aprofundar – o fim da servidão, aquela forma medieval de relação 
entre o senhor e o trabalhador, e o fortalecimento da classe burguesa. O Estado 
absolutista assumia, ainda, uma função muito mais de proteção à nobreza do 
que de fortalecimento da burguesia ou dos camponeses. De acordo com Perry 
Anderson, o absolutismo não significou melhores condições de vida aos 
camponeses. Antes disso, o temor de uma revolta geral desta classe, agora livre 
da servidão, fez com que a nascente burguesia fosse cooptada juntamente à 
nobreza pelas monarquias absolutas. Essa aliança teria sido fundamental para 
pacificar a sociedade e garantir o apoio político daquelas classes sociais que, na 
verdade, tinham interesses opostos (a burguesia e a nobreza). Assim, o Estado 
absolutista, apesar de alguns traços modernos, foi, na verdade, um instrumento 
 
 
4 
de domínio da classe social que dominava desde o feudalismo. De acordo com 
o autor, “Essencialmente, o absolutismo era apenas isso. Um aparelho de 
dominação feudal recolocado e reforçado, destinado a sujeitar as massas 
camponesas [...]. Era a carapaça política de uma nobreza atemorizada” 
(Anderson, 2004, p. 18). 
Por outro lado, ocorreu naquele período um intenso processo de 
urbanização, a partir de dois elementos. A expulsão dos camponeses, forçando-
os a migrar para as cidades, e o nascimento da indústria moderna, ainda em 
seus primeiros passos, com novas formas de produção (o tear mecânico foi o 
maior exemplo). Outros fatores também contribuíram, como o desenvolvimento 
técnico, em especial no que diz respeito à navegação, permitindo o domínio dos 
mares e, consequentemente, das novas terras então descobertas (América, 
África e o Extremo Oriente). Em conjunto, tais fatores induziram uma nova 
mentalidade, principalmente em relação ao comércio, que deixa de ser centrado 
em pequenas localidades e passa a se concentrar em amplos mercados, 
basicamente mercados europeus, mas com um sistema de produção já global 
(as colônias espalhadas pelo mundo). 
É neste contexto que a moderna ideia de Estado-Nação começa a ser 
forjada, mas não sem variados conflitos. Inglaterra, França, Holanda, Áustria, 
Suécia, Rússia, Portugal e Espanha estão se organizando como nações. Há 
disputas por mercados e por colônias, além de disputas religiosas que acabaram 
por contribuir para a formação desta nova instituição, como veremos a seguir. 
TEMA 2 – ESTADO BUROCRÁTICO E ESTADO-NAÇÃO 
Ao falar em Estado, temos duas abordagens distintas. Uma se refere à 
organização interna de um país; outra, ao Estado como ator internacional. A 
primeira se refere à Administração Pública, ao sistema político, às regras 
constitucionais, aos direitos e deveresdos cidadãos. De acordo com Bresser 
Pereira (2008), em termos administrativos, “o Estado é o sistema constitucional-
legal e a organização que o garante”. Já o Estado Nação “é a unidade político-
territorial soberana” e se caracteriza pelo papel exercido no cenário 
internacional. O autor arremata: “Em cada Estado-Nação ou estado nacional 
existe uma nação ou uma sociedade civil, um estado e um território (Bresser 
Pereira, 2008). Vejamos a seguir alguns detalhes dessas duas formas de Estado 
durante o período absolutista. 
 
 
5 
2.1 O Estado burocrático 
As amplas transformações sociais e econômicas ocorridas a partir do 
século XVI tiveram forte impacto sobre a organização política das sociedades 
europeias de então. Dessas transformações, algumas foram essenciais para que 
a instituição estatal fosse aos poucos sendo fortalecida, em especial para 
conduzir a economia mercantilista. 
O mercantilismo foi o modelo econômico predominante durante o 
absolutismo europeu. Consistia basicamente em uma política de acúmulo de 
riquezas – metais preciosos provenientes da América. A nobreza e a burguesia 
comercial, tanto como o Estado, assumiam esse papel de acúmulo, sendo o 
Estado o grande indutor e protetor desse sistema. Mas o poder estatal tinha já 
interesses próprios e, para isso, precisava de um estado forte, que protegesse a 
produção, o território, os meios de transporte e os cidadãos. Internamente, 
deveria gerar ordem social em uma sociedade que passava por mudanças 
radicais. Na Europa, em vez do trabalho servil, prevalecia o cada vez mais 
comum trabalho assalariado. Nas colônias, o predominante era o trabalho 
escravo. O Estado torna-se, então, o agente de controle das massas 
camponesas, dos trabalhadores urbanos, dos escravos e dos povos 
conquistados. 
Outra característica é a centralização: todas as decisões passavam pelo 
monarca e seus conselheiros a partir de uma rígida estrutura hierárquica. Mas a 
principal ferramenta da centralização foi a arrecadação de impostos. Em vez de 
cada nobre cobrar impostos, como ocorria na Idade Média, no absolutismo o 
Estado centraliza a arrecadação, de forma que isso o alimenta e o torna cada 
vez mais forte. Neste contexto, os negócios de Estado se ampliam e surgem os 
primeiros rudimentos da organização burocrática moderna, com os chamados 
‘juristas’, os funcionários encarregados de redigir as leis. De acordo com 
Anderson (2004, p. 28), esses eram indivíduos com formação em princípios do 
direito romano, retomado desde a Renascença. No entanto, tais princípios 
acabaram em um cenário muitas vezes contraditório, misturando modernos 
instrumentos de administração e formas arcaicas, como o patrimonialismo, forma 
de organização estatal – ou mesmo social – na qual o público e o privado se 
confundem ou, antes, na qual o público está submetido ao privado. 
 
 
 
6 
2.2 O Estado-Nação 
Em termos do que hoje definimos como “relações internacionais”, o 
cenário a partir do século XVI estava se ampliando com a formação de nações 
e a colonização das terras recém-descobertas que, em muitos casos, gerava 
conflitos por posse, pela busca de metais preciosos e pelo domínio de mercados. 
Até então, os mediadores no cenário internacional eram a Igreja Católica e o 
Sacro Império Romano1, que submetiam direta ou indiretamente as nações 
europeias. É neste momento que um novo ator internacional começa a emergir, 
o Estado-Nação, com seus interesses políticos e econômicos específicos e com 
uma lógica própria de existência. Mas é um fator conjuntural que selará o 
fortalecimento deste novo ator: as guerras religiosas. 
O avanço do protestantismo acabou por gerar uma das mais sangrentas 
guerras da história europeia: a Guerra dos 30 anos (1618-1648). Não cabe aqui 
entrar em detalhes sobre esse conflito, mas importa saber que, nele, culminou o 
Tratado de Westfalia (1648), conhecido como um ponto de virada (embora 
simbólico naquele momento) nas relações internacionais. O tratado estabelecia 
que nenhum Estado poderia interferir em outro e, mais que isso, todo Estado é 
soberano, isto é, não está sujeito a nenhuma autoridade humana ou institucional 
maior. A partir deste tratado, o Estado-Nação paulatinamente se tornou 
independente na medida em que a igreja foi perdendo seu poder; primeiramente, 
com o enfraquecimento do argumento do direito divino e, em segundo lugar, com 
a Igreja deixando de ser um árbitro internacional, possibilitando um sistema laico 
– não ligado à igreja – de relações internacionais, prevalecente até os dias 
atuais. 
TEMA 3 – O ESTADO ABSOLUTISTA E SUA IDEOLOGIA 
Transformações tão amplas ou profundas em uma sociedade exigem 
novas formas de interpretação e de justificativas para a sua efetiva aceitação e 
legitimação. Nesse sentido, as ideologias são essenciais. Se na Idade Média 
europeia a Igreja Católica era a principal criadora e disseminadora de 
justificativas para explicar a realidade, nos períodos Renascentista e Absolutista 
 
1 Não confundir com o Império Romano da Antiguidade. O Sacro Império Romano foi uma 
tentativa medieval, a partir do século XI, de reviver aquele império, mas sem muito sucesso. No 
entanto, não deixou de ser uma instituição a interferir nos assuntos internacionais e internos das 
nações europeias. Foi extinto por Napoleão Bonaparte. 
 
 
7 
outras explicações são necessárias. A religião católica ainda era dominante, mas 
tinha concorrência, fosse do protestantismo ou das ideias cada vez mais 
frequentes de que a política, assim como o Estado, tinha uma realidade própria. 
O absolutismo, então, caracteriza-se em termos ideológicos como uma mescla 
de valores religiosos tradicionais e valores modernos laicos. 
A ideia moderna de Estado foi apresentada por Maquiavel no Livro O 
Príncipe (1532), no qual ele analisa o Estado e o poder político como tendo 
natureza própria e sendo ponto central da política moderna. Já Hobbes é um dos 
principais defensores do absolutismo monárquico. Na obra Leviatã (1651), com 
base em uma visão pessimista da natureza humana, ele defende um Estado o 
mais forte possível para evitar que “o homem seja lobo do homem”, dando 
segurança aos súditos; no plano externo, a ideia é impedir que um Estado invada 
ou interfira em outro. Assim, o estado absoluto seria o garantidor da paz interna 
e da segurança externa. 
No absolutismo, a soberania se confunde com o poder pessoal do rei, 
ideia celebrizada pela famosa frase do regente francês Luís XIV, “O Estado sou 
eu”. Tal princípio é fundamentado pela ideia do Direito Divino, no qual o poder 
seria uma concessão a determinados indivíduos, mas também pela proposta 
laica do cardeal francês Richelieu (1585-1642), a expressão “Razão de Estado”. 
Por outro lado, o surgimento do protestantismo no século XVI acabou por 
gerar diversas mudanças no plano ideológico, seja como facilitador da aceitação 
de diversos valores do nascente capitalismo (tese de Max Weber em A ética 
protestante e o espírito do capitalismo), seja por fomentar conflitos entre as 
nações daquele período. Diferentes ideologias prevaleceram durante o 
absolutismo, o que trouxe implicações no modelo de Estado que certos países 
adotaram. É o caso da recusa de Portugal e da Espanha em aceitar os novos 
valores econômicos. Se em meados do século XVI eram nações de vanguarda, 
a partir da adoção dos princípios da Contrarreforma recusaram inovações, 
gerando um tipo de Estado que sufocou o nascente capitalismo. Enquanto a 
Inquisição findava em outros países, Portugal e Espanha resgataram-na como 
prática religiosa e de Estado. Assim, o Estado absolutista, nesses países, antes 
de se modernizar, desperdiçou tempo e grande parte das riquezas obtidas na 
América. 
 
 
 
8 
TEMA 4 – MODELOS DE ESTADO ABSOLUTISTA 
A França foi a nação com o mais perfeito modelo de Estado Absolutista, 
principalmentesob reinado de Luís XIV (1638-1715), consolidando o 
mercantilismo e criando uma forte centralização política e administrativa. O maior 
teórico deste momento foi o Cardeal Richelieu, que criou a expressão 
“Razão de Estado”, ou seja, o uso de ações ou leis ilegais, incluindo o 
autoritarismo e a aplicação da violência nos planos interno e externo, para 
supostos benefícios do Estado, mas também o uso da razão para conduzir as 
questões desta instituição. A França controlou a influência dos nobres nas 
questões políticas e administrativas, fortalecendo os funcionários e criando uma 
forte burocracia controlada pelo rei. 
Se a França foi um modelo clássico de Estado absolutista, outras 
potências europeias seguiram caminhos um tanto diferentes. A Inglaterra é o 
caso mais notório. Ainda no Século XIII, bem antes do absolutismo, os ingleses 
estabeleceram certos controles ao poder dos monarcas. Em 1688, a Revolução 
Gloriosa acarretou, entre outras coisas, uma monarquia com poderes limitados 
pelo Parlamento, instituição que, naquela época, já se dividia em dois partidos e 
governava o vencedor das eleições parlamentares, o qual tinha o poder, 
inclusive, de nomear os ministros. A maior parte do sistema político britânico 
atual tem sua origem neste período. A Revolução Inglesa foi uma revolução 
burguesa, a primeira da história, e o Estado britânico incorporou uma série de 
exigências desta classe social, o que em outras nações só ocorreria dois séculos 
depois. 
A Rússia do início do século XVIII começava a se transformar em um 
império, mas com um tipo de Estado Absolutista mais aberto à modernização. 
Era o chamado despotismo esclarecido, primeiramente com Pedro, o Grande 
(1672-1715), e posteriormente com Catarina II (1725-1796). Valores absolutistas 
conviveram com ideais de modernização, incluindo a ênfase à indústria, ao 
aparelhamento da marinha e abertura de portos e à ciência, aceitando-se muitas 
das ideias iluministas em vigor na Europa Ocidental neste período. 
Portugal também seguiu o modelo político das demais potências 
europeias, mas por vias diferentes. De um lado, assim como a Espanha, foi 
profundamente influenciado pela Igreja Católica, enquanto as demais potências 
paulatinamente se distanciavam. Os portugueses, ainda, fecharam-se para os 
 
 
9 
valores capitalistas burgueses, aceitando tão somente o chamado capitalismo 
de Estado. Isso acabou por influenciar um tipo de Estado cheio de contradições, 
conforme constata R. Faoro (2001), para quem o Estado colonial português 
transformou os altos funcionários públicos praticamente em elementos da 
nobreza, sufocando a burguesia e privilegiando os funcionários de Estado. Em 
meados do século XVIII, em Portugal, ainda prevalecia uma organização estatal 
arcaica, cheia de superstições, fraca hierarquia e excesso de funcionários 
(Faoro, 2001, p. 204). Neste período, nem mesmo o “déspota esclarecido” 
Marquês de Pombal conseguiu efetivamente modernizar o país. 
TEMA 5 – CRISE E DECADÊNCIA DO ESTADO ABSOLUTISTA 
Ao final do século XVIII, apesar do despotismo esclarecido, uma tentativa 
de coexistência com o novo cenário moderno e com os novos valores 
propagados pelo Iluminismo, era notório que o Estado absolutista era uma forma 
anacrônica de governo. A ascensão da burguesia era cada vez mais evidente, 
demandando mais espaço político e econômico e menos controle do Estado. O 
capitalismo superou de vez o mercantilismo e o Estado-Nação tornou-se a 
principal instituição internacional – notadamente, a potência da época era a 
Inglaterra. A ciência prosperava e a religião perdia o espaço que ocupava como 
ator político. É neste cenário que as ideias iluministas encontram terreno fértil 
para prosperar (cf. Aula 2). O pensamento de Locke, Smith, Rousseau, 
Montesquieu, Kant circulou não apenas pela Europa, mas também pelas 
colônias americanas. O ideal de liberdade individual ou nacional influenciaria 
processos de luta por independência em vários lugares, principalmente na 
América, culminando, poucas décadas depois, no surgimento de diversas 
nações. 
Neste ínterim, em 1789, explode aquela que é considerada o marco da 
passagem do absolutismo para a modernidade: a Revolução Francesa. Mesmo 
considerando que a França só se tornou efetivamente republicana e capitalista, 
no sentido moderno do termo, quase 100 anos depois, aquela Revolução 
mostrou ao mundo que mudanças estruturais estavam ocorrendo, inclusive 
induzindo a que um novo tipo de Estado fosse pensado e organizado, pautado 
em princípios distintos daqueles apregoados pelo absolutismo. 
Entretanto, além da França, outro processo revolucionário ocorria do 
outro lado do Atlântico, onde os ideais de modernização tinham mais liberdade 
 
 
10 
para prosperar. Foi a independência dos Estados Unidos da América, a primeira 
experiência mundial de um Estado formado a partir dos ideais iluministas. É o 
que veremos na próxima aula, com o chamado Estado liberal. 
NA PRÁTICA 
Nem toda a Europa se transformou em Estado absolutista. A Holanda era 
uma república2 dominada pela burguesia comercial. A Suíça era uma república 
quase que isolada, com muitas instituições democráticas. Itália e Alemanha 
ainda não estavam unificadas, divididas em vários estados com características 
distintas. Em termos globais, existiam outras forças políticas, como o Império 
Otomano e a China, cujos Estados eram muito parecidos com o feudal europeu. 
FINALIZANDO 
Vimos, nesta aula, o Estado absolutista e sua influência no surgimento e 
consolidação dos modernos Estados nacionais. Foram cerca de três séculos 
durante os quais o atual Estado-Nação germinou e o chamado Estado 
burocrático moderno encontrou um solo fértil para se desenvolver, seja do ponto 
de vista econômico e político, seja a partir de mudanças no plano ideológico. 
Contudo, o Estado absolutista ainda era essencialmente feudal ao garantir o 
domínio da nobreza, fato que só seria superado com o advento do Estado liberal. 
 
 
2 A Holanda se transformou em Monarquia Constitucional em 1815. 
 
 
11 
REFERÊNCIAS 
ANDERSON, P. Linhagens do estado absolutista. São Paulo: Brasiliense, 
2004. 
BRESSER PEREIRA, L. C. Nação, Estado e Estado-Nação. Disponível em 
<http://www.bresserpereira.org.br/papers/2008/08.21.Na%C3%A7%C3%A3o.E
stado.Estado-Na%C3%A7%C3%A3o-Mar%C3%A7o18.pdf>. Acesso: 16 jan. 
2018. 
FAORO, R. Os donos do poder. São Paulo: Globo, 2001. 
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Nova Cultural, 1997. (Os Pensadores) 
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Porto Alegre: L&PM Editores, 2011. 
WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: 
Companhia da Letras, 2004. 
WEFFORT, F. Formação do pensamento político brasileiro. São Paulo: Ática, 
2006. 
http://www.bresserpereira.org.br/papers/2008/08.21.Na%C3%A7%C3%A3o.Estado.Estado-Na%C3%A7%C3%A3o-Mar%C3%A7o18.pdf
http://www.bresserpereira.org.br/papers/2008/08.21.Na%C3%A7%C3%A3o.Estado.Estado-Na%C3%A7%C3%A3o-Mar%C3%A7o18.pdf
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO MODERNO E 
CONTEMPORÂNEO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Alberto Simioni 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Na primeira aula, vimos como o absolutismo se caracterizou como um 
período de transição: entre outros aspectos, um novo tipo de Estado começou a 
ser forjado. No entanto, somente após as críticas iluministas a partir do século 
XVIII e com a consolidação do capitalismo como sistema econômico é que o 
chamado Estado Moderno se tornou preponderante. Entre o final daquele século 
e o ano da grande crise econômica capitalista, 1929, as principais nações do 
mundo ocidental organizaram um Estado caracterizado por princípios liberais, 
fossem repúblicas, monarquias constitucionais, parlamentarismos ou 
presidencialismos na sua forma de governo. 
Desde o Tratado de Westfália, a instituição Estado-Nação foipaulatinamente se libertando da interferência religiosa, e o pressuposto de não 
interferência passou a predominar, ainda que nem sempre observado na prática. 
Esta consolidação não se deu sem conflitos, a começar pela Revolução 
Francesa em 1789, símbolo de uma mudança de era, mas também em outras 
nações europeias, onde a antiga nobreza tentava manter seu poder. 
No início do século XIX, três modelos de Estado liberal surgiram: na 
Inglaterra e nos EUA, como veremos adiante, e o Estado napoleônico, mais 
centralizado, hierárquico e autoritário, no entanto, com curta duração (apesar 
disso, deixou heranças, como, por exemplo, o Código Napoleônico, código civil 
que, em parte, dura até os dias de hoje). Outros modelos de Estado existiam, 
incluindo países europeus, como a Suíça e a Rússia (Itália e Alemanha iniciavam 
o processo de unificação), além das jovens nações independentes no continente 
americano. Na Ásia, em 1900, o Império Otomano continuava forte, mas com 
sinais de decadência. A Índia era colônia britânica. A China estava cada vez mais 
fraca; Japão e Pérsia (Irã) começavam a surgir como nações modernas. Na 
África, somente dois países eram independentes: Libéria e Abissínia (Etiópia). 
Acima de tudo, aos poucos a burocracia passa a ser o grande condutor 
das coisas de Estado e uma grande fonte de poder. O Estado burocrático, cada 
vez mais racional (científico) e laico, passou a ser o grande “gerente” da 
administração do Estado-Nação. Em todos os países, uma forma cada vez mais 
uniforme de administração do Estado foi tomando forma, esticando seus 
tentáculos, mesmo que o discurso liberal fosse contrário a esse fortalecimento. 
Este era o Estado burocrático moderno. 
 
 
3 
TEMA 1 – A CRÍTICA ILUMINISTA 
O Iluminismo, séculos XVII e XVIII, foi um conjunto de obras e ideias que 
questionava o absolutismo e os valores medievais que ainda vigoravam na 
sociedade europeia – por exemplo, o teocentrismo, que deveria ser substituído 
pelo domínio da razão (ciência). O termo “Iluminismo” contrapõe-se à ideia de 
“trevas” que obscureciam o conhecimento, típico do período medieval, de forma 
a iluminar o mundo com um novo tipo de conhecimento, que certamente seria 
usado para os assuntos da política e do Estado. 
Os princípios iluministas regem, em maior ou menor grau, a maioria das 
democracias modernas – assim como uma parte do cenário internacional – a 
partir da lógica do Estado-Nação, da mediação das organizações internacionais 
e dos tratados internacionais. A seguir, as ideias de alguns iluministas sobre o 
Estado. 
1.1 John Locke (1632-1704) 
É considerado um dos precursores do Iluminismo e um dos principais 
disseminadores do pensamento liberal, em especial no que tange à defesa da 
propriedade privada como garantia da liberdade. Suas ideias estão expostas na 
obra Segundo tratado sobre o governo (1681), na qual defende valores típicos 
do Iluminismo: um Estado não autoritário, contrariando o pensamento 
hobbesiano, comum naquele período, e o uso da razão para explicar a realidade 
(e não do pensamento religioso ou da fé). Ainda, criticou a ideia do “Direito 
divino”, em voga durante sua vida (auge do absolutismo). Para Locke, o Estado 
deve estar sujeito à lei. Defendeu a divisão do poder, sendo o Legislativo o mais 
importante, pois representa o povo, a fonte real de poder. Mas o Estado, acima 
de tudo, seria o grande guardião da propriedade privada, base da liberdade. 
1.2 Adam Smith (1723 -1790) 
O principal aspecto do pensamento de Smith para esta aula é o fato de 
ele defender um mercado livre das garras do Estado. Portanto, é um dos 
primeiros a propor a visão hoje conhecida como Estado mínimo, pouco 
intervencionista. Lembremos que o Estado absolutista era extremamente 
intervencionista. No livro A riqueza das nações (1776), Smith defende as bases 
do capitalismo moderno, como a livre concorrência privada, o crescimento 
 
 
4 
econômico, o acúmulo de capital e a divisão do trabalho, e também propõe três 
atribuições básicas para o Estado: 1) proteção contra ameaças ou invasão 
externa (defesa); 2) proteção contra ameaças na própria sociedade; 3) criação 
de instituições e obras públicas que não gerem interesse da iniciativa privada 
(indivíduos ou empresas). Em conjunto, tais fatores formariam um “Estado 
guardião”, protetor da iniciativa privada, assim como garantidor da soberania do 
Estado-Nação, além de um investidor naquilo que atualmente se denomina 
“obras de infraestrutura”, pelo menos aquelas que não atraem interesse privado, 
por serem muito caras ou por não gerarem lucro. É neste prisma que o papel 
institucional do Estado se coloca para Smith, pois seria o garantidor da justiça, 
em termos de liberdade individual, do comércio, da garantia à propriedade 
privada e de segurança. 
1.3 Charles de Montesquieu (1689-1755) 
Na obra O espírito das leis (1748), este pensador propõe ideias que 
impeçam a tirania ou o governo despótico, evitando a violência e a 
arbitrariedade, tão comuns durante o Absolutismo. Baseando-se no modelo 
inglês, Montesquieu faz o contraponto monarquia constitucional e república 
versus despotismo. O Estado seria estruturado em função de três poderes 
independentes: 1) o Executivo dirigiria as coisas públicas em função das leis, no 
entanto, teria o poder de veto; 2) a Magistratura seria um poder impessoal e 
independente, com leis criadas pelos representantes do povo, 3) o Legislativo 
(Parlamento). As atribuições do Estado seriam racionalmente divididas, e um 
poder só interferiria em outro em situações especiais. Seria o que ele designou 
de “sistema de contrapesos”, no qual o poder controla o poder. 
1.4 Jean Jacques Rousseau (1712-1778) 
Rousseau defende a soberania popular em um Estado que mantenha o 
interesse geral, garantindo o direito à propriedade. O que o diferencia dos demais 
é o argumento de que o direito à propriedade seria a grande causa da 
desigualdade entre os homens e dos conflitos existentes nas sociedades 
humanas. Na obra O contrato social (1762), propõe um Estado republicano, cuja 
função seria evitar a guerra ou os conflitos, garantindo a vontade geral, ou seja, 
 
 
5 
a vontade da maioria. A educação seria o meio por excelência para garantir a 
igualdade entre todos os cidadãos, sendo função do Estado garanti-la. 
1.5 Immanuel Kant (1724-1804) 
Defensor das ideias iluministas, escreveu o tratado A paz perpétua, no 
qual apresenta princípios que poderiam evitar a guerra entre as nações, como a 
não intervenção, a formulação de tratados sem ressalvas, o republicanismo, o 
fim do patrimonialismo (o Estado pertencendo ao monarca) e o fim dos exércitos 
permanentes. Mas foi a proposta de uma espécie de “direito internacional” que 
deixou uma herança no campo das relações internacionais. O princípio deste 
direito seria o fato de que os Estados viviam na iminência de guerra entre si e, 
para evitar tal situação, deveriam entrar em acordo e criar uma federação de 
nações, o que de fato se tentou no século XX, com a Liga das Nações e com a 
Organização das Nações Unidas (ONU). 
TEMA 2 – A INGLATERRA COMO POTÊNCIA 
O Tratado de Westfalia em 1648 foi um marco a partir do qual o Estado-
Nação passou, paulatinamente, a ser a instituição predominante no cenário 
internacional. Inglaterra e Holanda eram, naquele momento, as potências que 
despontavam, embora França e Espanha fossem nações poderosas. Mas a 
França só se fortaleceu efetivamente décadas depois, enquanto a Espanha 
entrava em decadência – em boa medida, por não se desligar totalmente dos 
valores medievais, mas também por sucessivas derrotas militares. 
Assim, ainda no período absolutista, a Inglaterra supera o poderio dos 
concorrentes e entra no século XIX como potência maior, principalmente após 
vencer a França bonapartista. Há várias explicações para o fato de a Inglaterra 
tornar-se a potência predominante. Apesar de seu territóriorelativamente pobre, 
três fatores foram essenciais para possibilitar sua hegemonia: o domínio dos 
mares, a Revolução Industrial e a abertura para a mentalidade capitalista. 
Para Mello (1994), a esquadra de guerra, a marinha mercante e as 
inúmeras bases espalhadas pelo mundo seriam a garantia de segurança às Ilhas 
Britânicas e ao domínio do comércio internacional. Isso seria confirmado mais 
tarde por uma teoria geopolítica – o almirante norte-americano Alfred Mahan 
criou a Teoria do Poder Marítimo (1890): a nação que dominasse as principais 
 
 
6 
vias de navegação dominaria o mundo. A teoria, inclusive, instigou os EUA a 
seguirem os mesmos passos da Inglaterra no início do século XX. 
A Inglaterra foi o berço da Revolução Industrial, o que possibilitou um 
aumento em escala sem precedentes na produção de mercadorias. O que lhe 
deu amplas vantagens comerciais na concorrência com outras nações, 
oferecendo produtos baratos e em abundância. A Inglaterra possuía amplas 
jazidas de carvão, produto essencial para a energia a vapor, ampliando o poder 
britânico e consolidando o capitalismo como forma hegemônica da economia 
mundial. 
Com este poderio, a Inglaterra dominou o cenário internacional. Desde o 
século XVIII, período absolutista, influenciava certos países, como Portugal. 
Posteriormente, influenciou diretamente na independência de países latino-
americanos. Após a vitória sobre Napoleão Bonaparte, a Inglaterra reinou quase 
isoladamente como Estado-Nação hegemônico, consolidando o chamado 
Império Britânico. 
2.1 O modelo político-econômico liberal 
Com uma economia francamente capitalista, os ingleses consolidaram, 
no século XIX, o modelo político que vinha sendo gestado dois séculos antes. 
Em termos de Estado-Nação, a Inglaterra foi a potência hegemônica, conduzindo 
uma política imperialista, ou seja, uma política de expansão territorial pelo 
mundo, conquistando regiões e países – ou, pelo menos, conquistando-os 
cultural e economicamente. Neste momento, os ingleses iniciaram o 
“colonialismo”, isto é, a colonização na Ásia e na África, além de manter 
territórios no Caribe. 
Internamente, o Estado Britânico era liberal em todos os aspectos, 
econômica e politicamente. Mas não era um liberalismo como o atual. Era 
altamente protecionista e intervencionista, garantindo pela força o domínio 
comercial e industrial britânico. Politicamente, era uma monarquia constitucional 
parlamentarista, ou seja, quem realmente dominava o cenário político era o 
Parlamento, inclusive os assuntos externos. O poder é limitado, sendo o 
Executivo conduzido pelo Primeiro Ministro, escolhido pelo partido vencedor das 
eleições. O parlamento é dividido em Câmara Alta (dos lordes, equivalente ao 
Senado) e Câmara Baixa (dos comuns, equivalente à câmara dos deputados). 
 
 
7 
O Império Britânico começa a perder seu poder após a I Guerra Mundial e se 
desmantela, de fato, após a II Guerra Mundial. 
TEMA 3 – OS EUA E O ESTADO LIBERAL REPUBLICANO 
Se a Inglaterra construiu um modelo de Estado diferente da maioria dos 
países europeus, predominantemente liberal, foram os EUA que mais 
radicalizaram essa proposta. Lembremos que defender ideias liberais no final do 
século XVIII era ser “revolucionário”. Os EUA tiveram uma colonização distinta 
da latino-americana e, desde seus primórdios, no século XVII, colonos chegaram 
ao território norte-americano pautados em um ideal religioso protestante 
baseado no mito da terra prometida. No entanto, também tinham uma 
mentalidade aberta a uma democracia de base, ou seja, altamente participativa 
nas menores instâncias de poder, desde a Igreja até o espaço comunitário local. 
É o que analisa um dos primeiros pensadores a procurar entender o fenômeno, 
o liberal Alexis de Tocqueville, na obra Da democracia na América, escrita após 
visita aos EUA em 1831, quando ainda era basicamente um país agrícola, com 
25 estados. 
Após a independência em 1776, os EUA tiveram certas facilidades em 
relação à Europa para que a democracia avançasse quase sem limites: ausência 
de uma aristocracia; cultura aberta à participação de base (soberania local); fim 
do voto censitário e Lei de Sucessões, que acabou com os privilégios 
hereditários do período colonial. 
A partir de então, Tocqueville, 50 anos depois da independência, analisa 
os efeitos deste processo nos EUA, cultural e politicamente. Argumenta que as 
implicações daquela experiência se alastrariam pelo mundo, pois este não era 
um fenômeno somente norte-americano; antes, indicava algo bem mais profundo 
das sociedades modernas: o avanço da democracia e o predomínio de 
sociedades que hoje chamaríamos de padrão classe média. 
Saliente-se que tal situação não significa que os EUA eram uma nação 
“maravilhosa”. O fato de ser democrática não significava ausência de injustiças. 
Existiam fatores conjunturais ou típicos da época (que hoje chamaríamos de não 
democráticos, injustos e violentos). É o caso da escravidão, do extermínio de 
nações indígenas e da usurpação de territórios do México em 1848. 
 
 
 
8 
3.1 Democracia como princípio 
A soberania é um dos primeiros aspectos ressaltados por Tocqueville 
(2000) ao afirmar que, na comuna (localidade, a township, algo como um 
município), havia grande autonomia desde o período colonial em relação aos 
habitantes, que decidiam a maior parte dos seus problemas locais. Após a 
independência, essa cultura democrática facilitou ou mesmo forçou que a nação 
se organizasse a partir desses princípios. É neste aspecto que o Estado norte-
americano foi uma novidade naquele momento, distinto inclusive do modelo 
inglês, também diferente dos demais países europeus. 
Esse tipo de democracia era inimaginável para a maioria dos países 
daquele período. Por exemplo, quase todos os cidadãos votavam1. Grande parte 
dos funcionários públicos locais era eleita, e havia pouca burocracia. Muitas 
decisões locais eram tomadas em assembleias. O que se denomina hoje de 
associativismo era uma prática constante em 1831. Ainda hoje, restam 
elementos daquela experiência, como a eleição do xerife (responsável pela 
aplicação da lei nos condados), de certos agentes públicos e de juízes de 
primeira instância; há também grande variação na legislação de cada estado ou 
município. 
3.2 Uma nação republicana e liberal 
Os chamados pais fundadores da nação norte-americana foram 
fortemente influenciados pelo Iluminismo; tal influência resultou em um modelo 
de Estado distinto: republicano, tendo desde o início um presidente eleito; três 
poderes, com um judiciário fortalecido; uma federação de estados altamente 
descentralizados nos aspectos administrativos. 
A própria discussão sobre a estruturação do Estado norte-americano foi 
diferenciada, com as proposições defendidas por cada parte expondo suas 
ideias em jornais. Havia ampla liberdade para criação de jornais, fossem grandes 
ou simplesmente panfletos locais. Vários desses textos estão atualmente 
reunidos na coletânea O federalista, na qual se debate teses contrapostas, 
como, por exemplo: federação ou confederação; centralização ou 
 
1 Lembremos que mesmo onde não havia escravidão, como nos estados do Norte, poucos 
cidadãos negros votavam, fato descrito por Tocqueville. As mulheres só tiveram o direito de votar 
em 1920. 
 
 
9 
descentralização (um Estado central forte ou autonomia local); monarquia 
constitucional ou república; a divisão dos poderes. Prevaleceu um modelo de 
federação, mas com várias características de confederação. Tocqueville afirma 
que, em termos de administração, os EUA eram altamente descentralizados, 
restando ao Estado Nacional cuidar dos assuntos externos e promover a justiça, 
mas com poder de submeter a legislação estadual, caso necessário, embora raro 
– como foi, posteriormente, o caso da luta por direitos civis no séculoXX. 
TEMA 4 – O APORTE WEBERIANO 
O sociólogo Max Weber é considerado um dos maiores teóricos ou 
intérpretes do Estado Moderno. Em sua vasta obra, analisou inúmeros temas, 
incluindo o advento do chamado Estado racional legal, fruto de um lento 
processo histórico, com raízes na Idade Média, mas que só se consolidou na 
Modernidade, e primeiramente no mundo ocidental, com o predomínio do 
capitalismo e do Estado-Nação. Antes de ser uma espécie de exaltação do 
Estado, o liberal Weber estava preocupado com o risco de que esta instituição 
se transformasse em uma moderna forma de dominação. 
4.1 O Estado monopólio do uso da violência 
Uma das mais conhecidas frases de Weber é a que define o Estado 
moderno como a instituição que, em determinado território, de forma legítima (de 
acordo com as regras socialmente aceitas), monopoliza o instrumental de 
coação física (a violência legítima), reunindo para esse fim meios 
organizacionais, dirigentes e funcionários, desapropriando os líderes autônomos 
que antes detinham aquele poder (Weber, 2004). Tal fato se realiza no poder de 
coagir e, se for o caso, de forçar, por exemplo, a ação da polícia, de fiscais, de 
oficiais de justiça, das forças armadas e de variadas instituições estatais ou por 
elas designadas. 
4.2 A burocracia estatal como forma de dominação 
No absolutismo e no mundo antigo, o poder se encarnava na figura do 
soberano ou da nobreza, de forma que as leis eram muitas vezes aplicadas de 
maneira pessoal, ou seja, variavam de acordo com as circunstâncias ou com a 
preferência da autoridade. Para Weber, uma peculiaridade da modernidade é o 
 
 
10 
predomínio de uma dada forma de dominação, a institucional ou legal, que se 
manifesta de maneira impessoal na forma de leis e de uma administração 
científica, isto é, baseada no cálculo racional, usando os modernos meios 
técnicos e organizacionais. Seus principais agentes não são indivíduos, mas 
organizações diversas. Os indivíduos são, antes de tudo, representantes ou 
agentes dessas instituições. Nessa perspectiva, o poder político é também 
institucional, ou seja, não se encontra nos indivíduos, ainda que sejam agentes. 
Dessa forma, Weber (2004) afirma que “o futuro pertence à burocratização”, ou 
seja, no mundo moderno, seria impossível fugir desta nova e poderosa forma de 
dominação, pois ela seria imperceptível e até mesmo agradável. O resultado 
seria uma servidão diferente de todas as formas precedentes, pois agora está 
atrelada a um gigantesco organismo, o Estado administrado cientificamente. 
TEMA 5 – A CRISE DO ESTADO LIBERAL 
Até a II Grande Guerra, a Inglaterra dominou o cenário internacional, 
embora outras nações europeias estivessem fortalecidas, e também os EUA. 
Nessas nações, o modelo capitalista reinou soberano, com variações de país 
para país. Mas as duas guerras mundiais e a grande crise econômica de 1929 
abalaram a fé no liberalismo como modelo a conduzir o mundo. 
A crise de 1929 foi um grande golpe em relação à fé incondicional nas 
teses liberais, tão comum até então nas principais nações ocidentais. Embora 
exista um debate sobre as reais causas desta crise, ela resultou posteriormente 
em um Estado mais intervencionista, seja de modelo autoritário, seja de modelo 
socialdemocrata. Tanto é que nos anos 30 – período entre guerras – predominou 
no Ocidente um Estado autoritário e nacionalista (antiliberal e anticomunista), 
como foi o caso do nazifascismo. Após a II Guerra, predominou o chamado 
welfare state (Estado do bem-estar social, tema da Aula 4). 
Além disso, velhos problemas persistiam, em especial a pobreza e a 
miséria. A crise de 1929 só piorou tal situação, expondo ainda mais o velho 
dilema europeu (e também global) de populações vivendo na pobreza. Até 
aquele momento, os Estados Nacionais não tinham resposta para tal problema. 
 
 
11 
NA PRÁTICA 
O chamado Estado liberal, típico do século XIX e início do século XX, era 
bastante excludente. O consumo de mercadorias diversas era restrito às 
reduzidas classes alta e média. Em termos políticos, na maioria dos países uma 
pequena parcela da população efetivamente participava das eleições. No 
entanto, após a Primeira Guerra Mundial, houve uma progressiva ampliação da 
democracia, com grandes parcelas da população passando a participar das 
decisões: pobres, mulheres, população negra e indígena, analfabetos, dentre 
outras. Mais recentemente, tem ocorrido uma democratização do consumo em 
todos os lugares do globo, ainda que exista pobreza e miséria. 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula o advento e o fortalecimento do Estado moderno liberal 
a partir das críticas elaboradas por autores iluministas. No século XIX, algumas 
nações levaram adiante o modelo de Estado liberal, principalmente Inglaterra e 
EUA. Aliado ao predominante modo de produção capitalista, o Estado liberal 
permitiu que valores da Modernidade, tais como democracia, liberdade, livre 
mercado e empreendedorismo, se alastrassem pelo mundo. É verdade que isso 
muitas vezes foi apenas simbólico, contraditório. Mas é inegável que tais valores 
fazem parte dos projetos da maioria das sociedades contemporâneas. 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
MELLO, L. L. I. A geopolítica do poder terrestre revisitada. Revista Lua Nova, 
n. 34. São Paulo: dez. 1994. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?sc
ript=sci_arttext&pid=S0102-64451994000300005>. Acesso: 16 jan. 2018. 
TOCQUEVILLE, A. Da democracia na América. São Paulo: Martins Fontes, 
1998. vol. 1. 
WEBER, M. Economia e sociedade. Brasília: Ed. UNB, 2004. vol. 2. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO MODERNO E 
CONTEMPORÂNEO 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Alberto Simioni 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Dentre os pensadores modernos, o primeiro a criticar os fundamentos do 
liberalismo foi Rousseau, em 1754, quando afirmou que a origem da 
desigualdade se encontrava na posse da propriedade (Rousseau, 2008). Para 
os liberais, inversamente, a propriedade privada era o maior fundamento de 
liberdade, e o Estado seria seu guardião. Este é um dos principais contrapontos 
entre liberalismo e socialismo. 
Poucas décadas depois do texto de Rousseau, com a Revolução 
Industrial e o capitalismo, as primeiras indústrias, no sentido moderno do termo, 
iniciaram um processo de exploração do trabalho que hoje seria considerado 
desumano ou análogo à escravidão. Jornadas de trabalho de 14 horas ou mais. 
Fábricas com ambiente insalubre. Baixíssimos salários. Ausência de legislação 
trabalhista e uma multidão de desempregados, expulsos do campo e prontos a 
substituir quem não aceitasse aquelas condições. O discurso de liberdade, 
igualdade e fraternidade, na prática, não estava ocorrendo para a maioria; antes, 
havia desigualdade e sofrimento, muito maiores que no período feudal. 
É neste contexto que as primeiras ideias socialistas surgiram. 
Inicialmente, as propostas consistiram em experimentos individuais – não em 
revoluções ou reformulações no Estado –, posteriormente chamadas de 
socialismo utópico. Mas, em meados do século XIX, surge o socialismo científico, 
com o projeto de tomada do poder pelos trabalhadores; o socialismo se torna um 
ideal revolucionário. Marx e Engels disseminaram o termo comunismo, uma 
proposta de mudança radical na sociedade. A classe trabalhadora tomaria o 
poder, incluindo o Estado Burguês. Depois, seria construída a nova sociedade e 
um novo tipo de Estado (ou sua extinção). Assim, há um debate não apenas em 
relação ao tipo de sociedade (capitalista ou comunista), mas também em relação 
a uma suposta sociedade comunista, sobre que tipo de Estado deveria existir. 
Nesta aula, veremos as críticas marxistas ao Estado Capitalista e as primeiras 
experiências de Estados Comunistas a partir da Revolução Russa em 1917. 
TEMA 1 – CRÍTICA AO ESTADO CAPITALISTA 
Qualquer abordagem marxista parte de um princípio básico:todas as 
sociedades, em todas as épocas, sempre estiveram divididas em classes sociais 
diferentes – a dominante e a(s) explorada(s). Ao longo da história, em um 
 
 
3 
processo lento e natural, elas entram em conflito. Na sociedade capitalista não 
seria diferente. Outras teorias, como a das elites, ou mesmo o liberalismo, 
concordam com esse pressuposto (divisão entre classes), considerando-o 
normal. O marxismo, porém, considera tal divisão como injusta e passível de ser 
mudada cientificamente, desde que um processo racional e revolucionário 
conduzido pela classe explorada construa uma sociedade sem distinções de 
classes. 
1.1 Crítica ao Estado Capitalista 
No século XIX, o capitalismo, com sua específica forma de relação de 
trabalho (assalariado), estava se consolidando na Europa. A Inglaterra era o país 
no qual o processo estava mais avançado; havia centenas de fábricas e milhares 
de operários. As condições de trabalho, no entanto, eram precárias. No livro O 
Capital, escrito em meados daquele século, Marx analisa como as próprias 
instituições britânicas, ao longo de décadas, criaram uma legislação trabalhista 
que, na visão desse autor, era insuficiente. O parlamento inglês, por exemplo, 
paulatinamente reduziu a jornada de trabalho após várias denúncias de médicos, 
religiosos, jornais e de comissões do próprio Parlamento (Marx, 1987). 
Dessa forma, qual era o papel do Estado? Lembremos que o Estado 
Britânico se fundamentava em princípios liberais, procurando interferir 
minimamente em assuntos privados. No entanto, no início do século XIX, 
iniciaram-se as primeiras revoltas dos trabalhadores – por exemplo, o Ludismo 
(1819, revolta contra a substituição de homens por máquinas, quando os 
trabalhadores as quebravam ou destruíam as fábricas). Diversas revoltas 
ocorreram pela Europa durante aquele século e, em geral, os governos tomavam 
partido da classe burguesa, enviando a polícia e o exército para conter os 
operários. Procurar o governo (Poder Executivo) não surtia efeito, pois este era 
composto muitas vezes pelos próprios burgueses ou por seus representantes. 
Esta é a razão que levou Marx e Engels a afirmar no Manifesto Comunista, 
publicado em 1848, que 
a burguesia, desde o estabelecimento da grande indústria e do 
mercado mundial, conquistou, finalmente, a soberania política 
exclusiva no Estado representativo moderno. O governo 
moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns 
de toda a classe burguesa. (Marx & Engels, 1986) 
 
 
 
4 
Contudo, tal análise não pode ser tomada ao pé da letra, afinal, são 
escritos de um manifesto, e não de uma obra acadêmica mais elaborada. Na 
obra de Marx é possível verificar outras abordagens sobre o Estado, como 
veremos a seguir. 
TEMA 2 – ANÁLISE ESTRUTURAL E CONJUNTURAL DO ESTADO 
A teoria marxista é considerada como estruturalista, ou seja, parte do 
princípio de que, independentemente do período histórico, em todas as 
sociedades há estruturas ou fatores que as sustentem. Seria o caso do fator 
econômico ou da maneira como os homens, na luta pela sobrevivência, se 
organizam, geram e distribuem bens e riquezas. Todas as instituições sociais 
estariam condicionadas, em última instância, por este fator. Com o Estado e suas 
variações ao longo da história não seria diferente. A ideia vista anteriormente do 
Estado como gerente da burguesia está atrelada a este princípio. 
No entanto, ao lado das estruturas existem fatores conjunturais, ou seja, 
aqueles que, em dado momento, talvez não estejam ligados à estrutura, podendo 
ser explicados por variáveis diferentes e múltiplas, mas que, no conjunto, podem 
sustentar determinadas situações e aparentar que são estruturais. No marxismo, 
tal diferença é definida como infra e superestrutura. 
A política e o Estado seriam elementos da superestrutura, isto é, 
condicionados pela economia (mercado, produção e distribuição da riqueza). 
Mas a superestrutura também tem importância, como argumentam Codato e 
Perissinoto (2001), afirmando que o próprio Marx analisou determinadas 
conjunturas políticas em suas – relativamente – pouco conhecidas obras 
históricas. Nestas obras seria possível observar a visão do pensador sobre o 
Estado, mais do que é possível no Manifesto. 
2.1 A análise de Marx sobre o Estado enquanto instituição política 
Para os autores, há críticas à visão estrutural de Estado decorrentes de 
ela impedir uma análise de “sua configuração interna, seus níveis decisórios e 
as funções que os diversos centros de poder cumprem, seja como produtores de 
decisões, seja como organizadores políticos dos interesses das classes e 
frações dominantes” (2001, p. 10). No entanto, argumentam que nem o próprio 
Marx menosprezou tal fato, exemplificando como ele analisou os fatores 
 
 
5 
conjunturais do Estado durante os tumultuados anos entre 1848 e 1851 na 
França. Diversas crises políticas culminaram no golpe de Estado de Luís 
Bonaparte (sobrinho de N. Bonaparte). Nesse contexto, o Estado foi disputado 
por diferentes classes ou frações de classe (diferentes tipos de burguesia – 
comercial, industrial, financeira etc.). 
Outro ponto analisado é a diferença entre aparelho de Estado e poder de 
Estado. A pergunta central é: Nas sociedades modernas, o Estado é 
efetivamente controlado pela classe dominante? Em sentido geral, os autores 
afirmam que Marx percebe o Estado como atrelado ao fator classe social. Mas 
em certas ocasiões a instituição é mais autônoma. A diferença básica seria entre 
os grupos economicamente dominantes – frações da classe burguesa – e os 
grupos politicamente dominantes – que poderiam ser uma daquelas frações, ou 
mesmo um período de dominação política por uma classe subalterna sem, no 
entanto, interferir no domínio da classe economicamente dominante. Esta seria 
a diferença básica entre aparelho de Estado, que pode ser governado por 
diferentes grupos, classes ou frações de classe, e o poder de Estado, quando 
sempre o poder da classe domina os meios de produção. Portanto, mesmo que 
em certo momento uma classe subalterna comande o Estado, na verdade ela se 
ilude, pois não possui o poder real daquela sociedade. 
O aparelho de Estado possui diferentes instâncias de poder. Tomando 
exemplos atuais, uma coisa seria controlar (vamos supor) o Ministério da 
Fazenda ou de Infraestrutura; outra coisa seria dominar o Ministério da Cultura. 
Para Codato e Perissinoto, somente alguns ramos de Estado possuem poder 
efetivo: 
Concretamente, o poder político concentra-se em núcleos 
específicos do aparelho do Estado; estes, por sua vez, podem 
ser ocupados diretamente (ou controlados, ou influenciados) por 
diferentes classes sociais; nesse caso, o poder relativo de cada 
uma delas será determinado pela proximidade ou distância que 
mantiver em relação ao centro decisório mais importante. (p. 20) 
Os autores concluem analisando que Marx percebeu a complexidade do 
Estado com suas diferentes esferas de poder e o fato de ser dirigido por 
diferentes classes sociais. Mas, a partir de certo limite, o poder real se dá pela 
classe que controla os principais centros de poder, a mesma classe que controla 
os meios de produção. 
TEMA 3 – MODELOS DE ESTADO COMUNISTA: URSS 
 
 
6 
O primeiro Estado Comunista surgiu após a Revolução Russa, em 1917. 
Com a criação da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), tinha-se 
de pensar em como gerir aquela imensa nação com um novo sistema econômico 
e princípios políticos diferentes daqueles que regiam o Estado Liberal. Mas, na 
verdade, isso não iria se diferir muito dos princípios do Estado-Nação e daqueles 
elencados por Weber (violência, moderna administração e burocracia). 
Os novos princípios eram: abolição da propriedade privada, substituição 
do capitalismo como modo de produção e erradicação da miséria, socializando 
(distribuindo) os meios de produção. Então, que papel teria o Estadoneste 
processo, se ele era anteriormente visto como instrumento de opressão das 
classes dominantes? Não demorou muito e o Estado soviético se transformou 
em um dos maiores e mais poderosos Estados da modernidade. Mas, 
internamente, a lógica do Estado não era muito diferente da lógica dos demais 
países. 
3.1 A estrutura política 
A URSS tinha um sistema político baseado em Soviets, os conselhos de 
representação de operários e camponeses – instituídos, na verdade, em 1905, 
mas sem muito poder. Com a Revolução, pelo menos na teoria, tais conselhos 
seriam a base do poder político (Reed, 1918). Posteriormente, a nação implantou 
o regime de partido único, o Partido Comunista (PC), e formou-se um complexo 
sistema de representação popular, semelhante ao parlamentarismo ocidental. 
Na prática, contudo, a URSS era uma nação autoritária; o poder era altamente 
centralizado pelo Poder Executivo (Presidium). O Politburo, Comitê Central do 
PC, decidia os principais temas e o parlamento os ratificava, principalmente nos 
períodos de maior autoritarismo, como no stalinismo (1924-1953). O Soviet 
Supremo era o parlamento nacional e, seu Secretário-Geral, o Chefe de Estado. 
3.2 Administração e economia 
A URSS também possuía uma moderna administração burocrática, 
conhecida como nomenklatura, formada principalmente pelos altos dirigentes do 
PC e por trabalhadores de vários setores, quase todos pertencentes ao partido. 
É interessante lembrar que a URSS, ainda nos anos de 1920, implantou um 
sistema de produção baseado no fordismo, procurando equiparar-se à alta 
 
 
7 
produtividade dos países ocidentais. Com o tempo, o Estado transformou-se em 
um imenso aparato repressivo e, para muitos comunistas, foi um desvirtuamento 
da Revolução substituir o poder dos soviets pela burocracia. 
A economia soviética era altamente planificada, ou seja, planejada em 
detalhes pelo Estado. Desde os anos de 1930, foram implantados vários planos 
de metas. A cada 5 anos, determinadas áreas eram priorizadas. Não havia 
mercado financeiro. O comércio e o trabalho eram controlados minuciosamente. 
A burocracia e o partido efetivamente controlavam a economia. 
TEMA 4 – MODELOS DE ESTADO COMUNISTA: CHINA E CUBA 
Ainda que não diferindo muito do Estado Soviético, as nações aliadas à 
URSS procuraram encontrar caminhos próprios. Vejamos dois exemplos: China 
e Cuba, nações que tiveram uma história própria e contextos diferentes de 
formação do Estado, mas nem por isso muito diferentes entre si. 
4.1 China 
Em 1949, a Revolução comandada por Mao Tse Tung reforçou o poderio 
do bloco soviético, condicionado, àquela altura, pela Guerra Fria. As primeiras 
medidas foram: centralizar a economia, nacionalizar a indústria (ainda pequena) 
e promover a reforma agrária, com sistema de cooperativas no campo. 
Politicamente, havia um sistema de partido único, o Comunista (PC), que 
realmente comandava o país, o qual esteve nas mãos de Mao até sua morte, em 
1976. Havia, ainda, a grande meta política de formar uma sociedade camponesa 
igualitária. O Estado comandou a chamada Revolução Cultural no final dos anos 
de 1960, perseguindo supostos inimigos ou reacionários. Foi um sistema quase 
fechado para o comércio mundial até os anos de 1980, quando uma nova 
orientação do PC permitiu maior abertura econômica e certos princípios 
capitalistas, resultando na China que hoje conhecemos, um poderoso ator 
internacional e grande produtor e consumidor de mercadorias em um sistema 
que pouco tem de comunista, pois aderiu à economia de mercado há décadas. 
Por outro lado, o Estado chinês, altamente centralizador, continua controlando 
as terras e várias empresas1. Muitos empresários são filiados ao PC. 
 
1 Ver https://www.epochtimes.com.br/a-china-continua-comunista/#.Wa3NKdR97Mx. 
https://www.epochtimes.com.br/a-china-continua-comunista/#.Wa3NKdR97Mx
 
 
8 
4.2 Cuba 
Cuba, após a Revolução de 1959, organizou sua economia e Estado de 
acordo com o padrão comunista mundial: Partido Único, o PC; economia 
planificada a partir da burocracia que centraliza as principais decisões; sistema 
representativo unicameral, com eleição dos representantes que, na verdade, 
cumprem as decisões do poder centralizado (Coelho, 2013), pelo menos quanto 
aos principais temas. Na prática, o Poder Executivo comandou efetivamente o 
país, liderado por Fidel Castro, que governou Cuba por mais de 40 anos. 
TEMA 5 – CRISE DO ESTADO COMUNISTA 
Os Estados comunistas tiveram um padrão comum de formação e 
funcionamento. Tal modelo de Estado foi muito criticado pelas nações 
capitalistas, basicamente por ser burocrático demais, pouco produtivo e 
antidemocrático. O fato de a URSS, no contexto da Guerra Fria, ter influenciado 
a tomada do poder pelos comunistas fez com que quase todos aqueles países 
tivessem pouca autonomia. Eram considerados como satélites da URSS, tanto 
política como economicamente. Assim, quando a URSS colapsou, ao final dos 
anos de 1980, praticamente todo o bloco comunista seguiu o mesmo rumo, 
excetuando-se China, Vietnã, Coreia do Norte, Laos e Cuba. 
O Estado soviético colapsou por duas razões complementares. 
Economicamente, não era um modelo eficiente, considerado burocrático demais, 
pouco inovador e sem liberdade. A economia russa como um todo não conseguiu 
acompanhar o altíssimo custo da Guerra Fria, sempre exigindo inovação e 
enormes gastos com a indústria militar. O Estado Comunista era altamente 
repressor, cerceando as liberdades mínimas. Cada país poderia ter maior ou 
menor grau de repressão interna, mas as diferenças não eram tão grandes 
assim. A consequência é que a população destes países estava insatisfeita e, a 
partir de 1989, o modelo de Estado Comunista começa a ruir. 
NA PRÁTICA 
O Bloco Comunista, durante a Guerra Fria, teve seus membros rebeldes. 
Além da China, que se distanciou da URSS já nos anos de 1950, dois outros 
países escolheram modelos de Estado um tanto alternativos. Albânia e 
Iugoslávia, cada um à sua maneira, enfrentaram o poderoso Estado Soviético, 
 
 
9 
pelo menos até certo ponto. No plano geral, eram aliados, mas, em termos de 
modelo de Estado e de economia, se distanciaram. A Albânia, um dos países 
mais pobres da Europa, permaneceu como uma nação stalinista, mesmo após a 
morte de Stalin em 1953 e uma série de mudanças na URSS (como a inserção 
no mercado internacional, o capitalismo de Estado). A Albânia permaneceu 
controlada de forma autoritária e com uma economia extremamente fechada, 
liderada na lógica do culto à personalidade por Enver Hoxha, o grande líder – 
algo semelhante ao que ocorre atualmente na Coreia do Norte. Já a Iugoslávia 
(hoje dividida em seis países, nos Bálcãs) escolheu um modelo mais light, ou 
seja, além de um distanciamento dos soviéticos, tentou implantar um modelo 
cooperativo de economia, com a criação de empresas geridas pelos 
trabalhadores, e não pelo Estado. Tal modelo ficou conhecido como Autogestão 
Iugoslava. 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula as críticas marxistas ao Estado Moderno (Liberal). 
Também estudamos o debate em relação à concepção de Estado na Teoria 
Marxista – se determinado pela infraestrutura econômica ou com autonomia 
relativa, isto é, ser dominado por uma classe social não detentora dos meios de 
produção. Vimos, ainda, as primeiras experiências históricas de Estados 
Comunistas – inicialmente, a URSS; posteriormente, outros países. Tais 
experiências foram marcadas por transformações sociais de vulto, mas também 
por forte centralização e burocratização, conformando um Estado autoritário e 
repressivo, até o colapso da URSS, restando hoje poucos países efetivamente 
com um Estado Comunista. 
 
 
 
10 
REFERÊNCIAS 
CODATO, A. N. & PERISSINOTTO, R. M. O Estado como instituição: uma leitura 
das obras históricas de Marx. Crítica Marxista, n. 13. Campinas:Boitempo, 
2001. 
COELHO, T. Representação política em Cuba: um Estado dos trabalhadores? 
2013. Disponível em: 
<https://www.revistas.usp.br/leviathan/article/view/132325/128467>. Acesso: 17 
jan. 2018. 
MARX, K. O capital. vol. 1. São Paulo: Bertrand Brasil, 1987. 
MARX, K. & ENGELS, F. O manifesto comunista. Rio de Janeiro: Global 
Editora, 1986. 
REED, J. A estrutura do sistema soviético. In: The Liberator (Soviets in 
Action), out./1918. Disponível em: 
<https://www.marxists.org/portugues/reed/1918/10/estrutura.htm>. Acesso: 17 
jan. 2018. 
ROUSSEAU, J. J. Discurso sobre a desigualdade entre os homens. Porto 
Alegre: L&PM Pocket, 2008. 
 
 
https://www.revistas.usp.br/leviathan/article/view/132325/128467
https://www.marxists.org/portugues/reed/1918/10/estrutura.htm
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO MODERNO E 
CONTEMPORÂNEO 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Alberto Simioni 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Na segunda metade do século XX, consolidou-se nos países capitalistas 
desenvolvidos, principalmente na Europa, um determinado tipo de Estado, 
conhecido como Welfare State, ou Estado do Bem-Estar Social. Sua 
característica principal, de acordo com Arretche, era a ação do Estado no tocante 
à “provisão de serviços sociais, cobrindo as mais variadas formas de risco da 
vida individual e coletiva” (1995). As nações que radicalizaram tal modelo foram, 
principalmente, as que tiveram governos socialdemocratas ou coalizões 
socialistas e liberais. Até hoje, Suécia e Finlândia, por exemplo, são países 
conhecidos pelos excelentes e diversos serviços sociais, como saúde, educação 
e assistência na velhice, oferecidos a toda a população. Mas existem diferentes 
modelos de Welfare State, inclusive em países liberais. 
Embora a pobreza e a miséria sempre fizessem parte da história europeia, 
houve uma intensificação a partir do surgimento e consolidação do capitalismo, 
conforme vimos na Aula 3. Nas sociedades industriais do século XIX, diversos 
problemas sociais estavam em evidência, concentrados nas grandes e médias 
cidades, conhecidos como a questão social – miséria, fome, analfabetismo, 
criminalidade, desemprego, falta de assistência hospitalar, população sem 
residência, tudo isso colocou em xeque as promessas que a sociedade 
capitalista e liberal apregoava. Foi então que atores sociais diversos (políticos, 
religiosos, trabalhadores, filantropos) começaram a propor ações para acabar 
com tais problemas, ou menos diminui-los. Mas quem deveria agir? 
Antes vistas com resignação, a igreja e a filantropia (caridade, ajuda ao 
próximo, em sentido individual) é que cuidavam de tais temas, pelo menos até 
onde podiam. No entanto, as sociedades modernas possuíam novas noções de 
direitos, como os direitos civis (à vida, à liberdade, à propriedade privada e à 
igualdade perante a lei) e os direitos políticos (votar ou ser votado, participar do 
governo, fundar partidos e associações; participar ou organizar manifestações). 
Contudo, reivindicava-se uma nova gama de direitos sociais. Além disso, havia 
um grande temor de que aquela precária situação social resultasse em revolta 
popular, pois a Revolução Francesa ainda estava na memória daquelas 
sociedades. Dessa forma, no final do século XIX e início do século XX, algumas 
nações iniciaram um processo em que o Estado assumia a responsabilidade de 
assistir à população, sendo o embrião do Welafare State – mas isso apenas se 
consolidaria após a II Guerra mundial. É o que veremos a seguir. 
 
 
3 
TEMA 1 – A QUESTÃO SOCIAL E O PAPEL DO ESTADO 
Embora o tema questão social esteja inserido em um amplo debate teórico 
(se os problemas sociais são efeitos naturais da industrialização e urbanização 
ou de fatores individuais, ou se são decorrência da exploração de uma classe 
social sobre outra) e político (se é uma abordagem conservadora ou 
progressista), não é objetivo desta aula entrar nestes debates. Antes, pretende-
se pensar sobre como, nas sociedades modernas, o Estado foi 
progressivamente incumbido de agir neste campo. 
É importante frisar que uma característica do Estado Moderno é 
justamente a de assumir funções que antes eram de esfera privada ou de certas 
instituições sociais, como a Igreja Católica na Europa. O Estado Moderno passa 
a se responsabilizar diretamente pela proteção interna e externa da nação, pela 
justiça e, direta ou indiretamente, por educação, saúde, economia e ações de 
infraestrutura. Dessa forma, em relação à questão social, as nações modernas 
iniciam um processo de discussão política, ou seja, um debate sobre os 
chamados “novos direitos”, incluindo os direitos sociais. A partir disso, pensa-se 
o que fazer, quem realiza as ações e de que forma. 
Tal debate já vinha acontecendo séculos antes. A Inglaterra, berço da 
Revolução Industrial, foi um dos primeiros países a propor ações relativas aos 
chamados “problemas sociais”, típicos das grandes cidades que se formaram a 
partir do século XVI. Em 1601, é promulgada a Lei dos Pobres que, entre outros, 
propunha ações assistencialistas (na lógica da caridade) realizadas pela Igreja 
e com financiamento do Estado. Tal lei perdurou até o século XIX, quando foi 
substituída por ações repressivas, ou mesmo violentas, no início das primeiras 
lutas trabalhistas e do movimento operário. Por outro lado, ao final daquele 
século – Era Vitoriana (Governo da Rainha Vitória) – o Estado começou a 
interferir mais diretamente, com outra forma de ação. De acordo com Arretche 
(1995), 
Era de prosperidade e confiança, teria marcado o início da adoção de 
medidas de política social: leis de assistência aos indigentes, leis de 
proteção aos trabalhadores da indústria, medidas contra a pobreza etc. 
Em tais medidas, estaria o embrião daquilo que, mais tarde, após a 
Segunda Grande Guerra, seria conhecido como Welfare State. 
 
 
 
4 
Neste mesmo período, a Alemanha também implantou medidas de 
assistência e de seguro social. Mesmo os EUA, país de forte tradição liberal, 
implantou, após a crise econômica de 1929, medidas de proteção e assistência 
social. No entanto, as duas grandes guerras, além da depressão econômica dos 
anos de 1930, forçaram o estabelecimento de políticas sociais, levadas a cabo 
após 1945. 
TEMA 2 – WELFARE STATE SOCIALDEMOCRATA 
Em meados do século XIX, na Europa, surgem o movimento operário, os 
sindicatos, os partidos políticos ligados ao marxismo e um movimento socialista 
denominado Socialdemocracia – incialmente com ideais revolucionários, apesar 
de participar da luta política institucional. No entanto, com novas propostas do 
alemão Eduard Bernstein (1850-1932), a socialdemocracia dividiu os socialistas, 
pois se afastou de algumas das principais teses marxistas, em especial aquelas 
que pressupunham a inevitabilidade de uma revolução, a progressiva 
pauperização das classes médias e a piora das condições de trabalho do 
operariado1. Antes disso, Bernstein afirmava que uma série de reformas, dentro 
do sistema capitalista, permitiu a melhoria das condições de vida dos 
trabalhadores, a concessão de certos direitos e a ampliação do consumo. 
Tais ideias geraram duas distintas opções políticas: Reforma ou 
revolução? A social democracia optou em 1918 pelas reformas, embora ainda 
pretendesse atingir o objetivo marxista de uma sociedade mais equitativa e sem 
exploração de uma classe social sobre outra (Przeworsk, 1988). O Estado seria 
o grande agente para realizar as reformas necessárias. Logo após a II Guerra 
Mundial, alguns países tiveram um amplo domínio socialdemocrata ou coalizões 
destes com socialistas e liberais. É o caso dos países nórdicos (escandinavos). 
Arrecthe (1995), baseada na obra de Esping Andersen, aponta os países 
escandinavos como os principais modelos de Welfare State socialdemocrata. 
Nestes [países], o movimento operário foi capaz de traduzir seus 
objetivoshistóricos em políticas sociais de um certo tipo, dado que foi 
capaz de expressar-se politicamente através de partidos sociais 
democratas, os quais mantiveram o controle parlamentar por 
significativos períodos de tempo. 
 
1 No pós-guerra, inclusive, a socialdemocracia rejeitou a tese marxista da luta de classes. 
 
 
5 
Neste modelo, o princípio básico é o da equidade, e não o do mérito 
(modelo liberal, do tipo quem contribui tem direito). Assim, os serviços sociais 
são amplos e universais, independentemente de contribuição ou do valor da 
contribuição. Outro princípio importante é o de que tais políticas não são custos, 
mas investimentos, na medida em que a sociedade é beneficiada com padrões 
mínimos de educação, saúde, habitação, renda e erradicação da miséria. 
A Suécia é um exemplo do modelo socialdemocrata, o qual foi 
preponderante no país entre 1932 e 1986, mesmo que liberais ou conservadores 
estivessem no governo em certos períodos. Desde o início do século XX, a nação 
vinha implantando políticas sociais, como pensões, seguros e leis de proteção 
ao trabalhador. O Estado era o principal agente dessas políticas. Em 1932, o 
Partido Socialdemocrata chega ao poder e, embasado nas ideias de Gunnar 
Myrdal, inicia um processo mais radical de políticas sociais, o que facilitou o 
predomínio das teses reformistas da social democracia no pós-guerra. 
TEMA 3 – WELFARE STATE CONSERVADOR 
Até o final do século XIX, a Igreja Católica pouco interferia na questão 
social, pelo menos em termos políticos. Não se fazia críticas às possíveis causas 
de tais problemas, nem se apontava as soluções. Certamente, a Igreja agia na 
lógica da caridade e da filantropia – como, por exemplo, mantendo orfanatos. 
Foi então que, em 1891, alarmado com o avanço do socialismo, do movimento 
operário e do modelo capitalista predominante, o Papa Leão XIII lançou uma 
Encíclica2 na qual discute situação e condições de trabalho dos operários. A 
partir daí, é lançada uma proposta de acordo entre as classes sociais 
(contrapondo-se à tese da luta de classes). O documento modificou a forma de 
ação católica em relação aos problemas sociais e foi a base da chamada 
Doutrina Social da Igreja. Uma das consequências desse fato foram as propostas 
de ação do Estado, principalmente como condutor de processos de melhoria das 
condições de vida e de trabalho. A igreja seria mediadora, junto aos sindicatos, 
mas na lógica da cooperação e harmonia entre as classes sociais. 
Arretche (1995) afirma que este posicionamento da igreja favoreceu um 
determinado modelo de Welfare State, predominante na Europa católica, em 
 
2 Carta enviada a todos os bispos expondo um ponto de vista ou forma de ação da Igreja, 
orientando a ação e a tomada de decisão em relação a fatos concretos da vida e da realidade. 
 
 
6 
especial na Alemanha, Áustria, Itália e França, além de países onde o papel do 
Estado era forte, como o caso do Japão. Seriam basicamente 
países nos quais a Igreja teve um poderoso papel nas reformas sociais 
e onde o absolutismo era forte, sendo, portanto, lentamente abolido; 
países nos quais a revolução burguesa foi fraca, incompleta ou mesmo 
ausente. Marcado pela iniciativa estatal, este modelo favoreceu um 
ativo intervencionismo estatal destinado a promover lealdade e 
subordinação ao Estado e deter a marcha do socialismo e do 
capitalismo. 
Neste modelo, considerado por Esping Andersen (1991) como corporativo 
ou Welafare state monárquico, estaria garantido o bem-estar social e a 
harmonia entre as classes, lealdade e produtividade. Segundo este 
modelo, um sistema eficiente de produção não derivaria da 
competição, mas da disciplina. Um Estado autoritário seria muito 
superior ao caos dos mercados no sentido de harmonizar o bem do 
Estado, da comunidade e do indivíduo. 
Os serviços sociais, então, não são tão amplos como nos países 
escandinavos, e os benefícios variam de acordo com a classe social do 
beneficiário. Por outro lado, a Alemanha investiu maciçamente em uma 
educação pública universal, fato que elevou o padrão dos trabalhadores e da 
própria indústria alemã, desde o começo do século XX. 
TEMA 4 – WELFARE STATE LIBERAL 
O Welfare State avançou mesmo nos países de tradição liberal, onde há 
resistência à interferência e à participação do Estado na economia ou em temas 
sociais. Em tal tradição, pressupõe-se que os indivíduos seriam os maiores 
responsáveis pela sua situação social – princípio do mérito. Em países como os 
anglo-saxões (EUA, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia), o papel do Estado é 
mínimo, e este incentiva o mercado a oferecer, por exemplo, planos privados de 
aposentadorias. De acordo com Esping Andersen (1991), neste modelo, a 
atuação do Estado se baseia em assistência “aos comprovadamente pobres, 
reduzidas transferências universais ou planos modestos de previdência social. 
Os benefícios atingem principalmente uma clientela de baixa renda, em geral da 
classe trabalhadora ou dependentes do Estado”. 
Os EUA formam um exemplo básico deste modelo com o chamado New 
Deal (1933-1945), programa governamental criado para amenizar os efeitos da 
crise econômica dos anos de 1930, quando foi criada a Previdência Social e “um 
sistema de seguro-desemprego, além de fornecimento de auxílio financeiro às 
 
 
7 
famílias menos abastadas e com filhos em idade de dependência” (Gomes, 
2006). Ressalte-se ainda que, mesmo neste modelo, há muita disparidade. A 
Inglaterra, por exemplo, possui serviços sociais bem mais amplos que os EUA. 
No caso norte-americano, altamente descentralizado, há muita variedade de 
políticas sociais em cada Estado da federação, ou mesmo nos municípios. 
 TEMA 5 – A CRISE DO WELFARE STATE 
Nos anos de 1970, ocorreu uma forte crise financeira global: inflação, 
estagnação econômica, juros altos, desemprego – problemas decorrentes, 
dentre outros fatores, da crise do petróleo e de uma crise fiscal. Neste segundo 
aspecto, o Welfare State foi apontado pelos críticos neoliberais como um dos 
principais responsáveis da crise, na medida em que os gastos estatais eram 
enormes e a altíssima carga de impostos não dava conta de atender à crescente 
demanda. 
Outros fatores intensificaram a crise, como, por exemplo, a diminuição da 
taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida, ou seja, o número de 
aposentados cada vez maior e, o de contribuintes para financiar o sistema, cada 
vez menor. 
Ao mesmo tempo, a Teoria Neoliberal se fortalece e aponta algumas 
hipóteses para as falhas do modelo, conforme indica Draibe (1984) a respeito 
das críticas ao Welfare State, quando os gastos sociais do Estado só 
aumentavam, gerando. 
desequilíbrio orçamentário, provocando deficits públicos recorrentes, 
que penalizam a atividade produtiva e provocam inflação e 
desemprego. [...] Em resumo, os gastos sociais e sua forma de 
financiamento são responsáveis pela inflação, declínio dos 
investimentos e, portanto, pelo desemprego. 
Outros pontos indicados pela crítica neoliberal eram o excessivo 
paternalismo, o comodismo, a pouca eficiência/produtividade, além de uma 
ampla burocracia, inchando o Estado com muitos funcionários, aumentando os 
gastos. Por outro lado, os chamados progressistas também faziam críticas, 
afirmando que o tradicional padrão de acordo entre classes sociais predominante 
após a II Guerra estaria esgotado, forçando o conflito entre elas. Nessa 
perspectiva, o Welfare State teria sido apenas uma forma de amenizar o conflito 
entre classes, contribuindo para manter a ordem social capitalista. 
 
 
8 
Em função dessas críticas, principalmente a dos neoliberais, a partir dos 
anos de 1980 vários países passaram a rever seus programas sociais, ou os 
gastos com eles, e a enfatizar soluções típicas de mercado, privatizando 
empresas e fomentandoa previdência privada. Ainda assim, em termos 
comparativos, os programas sociais da maioria das nações europeias ocidentais 
são amplos e de boa qualidade, porém, os princípios são outros. Moser (2011) 
aponta uma nova geração de políticas e programas sociais na Europa unificada, 
definidas como políticas sociais ativas, ao invés de passivas 
Tais políticas fazem parte do processo de desestruturação de um 
modelo de provisão – o welfare – para a construção de um novo modelo 
de regulação estatal – o workfare – partidário de uma racionalidade de 
retribuição expressa na obrigatoriedade de participação dos cidadãos 
em medidas de ativação voltadas ao mercado de trabalho. 
Portanto, ao mesmo tempo em que há um questionamento da 
universalização dos programas sociais (por exemplo, se seria justo alguém ser 
beneficiário sem ter contribuído), atualmente as políticas sociais possuem outras 
características, fundamentadas em novas demandas, como a criação de 
empregos, inserção dos migrantes e adaptação das economias nacionais aos 
padrões globais. 
NA PRÁTICA 
Nos antigos países comunistas, foi estabelecido um amplo sistema de 
proteção social. Um Relatório do Programa das Nações Unidas para o 
Desenvolvimento (Pnud) de 1999 comparava a situação de tais países antes e 
após o fim do comunismo: “Se a renda monetária era baixa, era estável e 
segura. [...] O acesso à educação e à saúde era gratuito. A aposentadoria estava 
assegurada e as pessoas podiam desfrutar de outras formas de proteção social” 
(apud Realismo Político, 2014). De acordo com Esping Andersen (1995), tais 
nações tinham um modelo de serviços sociais parecido com o dos países 
escandinavos, e se caracterizava por três pilares básicos: 
[...] pleno, e quase obrigatório, emprego; seguridade social ampla e 
universalista e um sistema de benefícios altamente desenvolvido, 
tipicamente baseado nas empresas e em salários indiretos. De fato, e 
de modo bastante semelhante à Escandinávia, a estratégia de 
maximização do emprego foi a condição sine qua non de equilíbrio do 
sistema, uma vez que minimizava a carga de dependência do welfare 
state. 
 
 
9 
Cuba é o modelo mais conhecido aqui no Brasil. Apesar da relativa 
pobreza, ainda hoje os serviços sociais e a assistência médica cubana possuem 
um padrão superior à maioria dos países latino-americanos. Contudo, é inegável 
que, desde que a maioria daquelas nações abandonou o regime comunista, 
muitas das políticas também cessaram, em especial a do pleno emprego. 
FINALIZANDO 
Nesta aula foram expostos os principais aspectos do chamado “Estado do 
Bem-Estar Social” – Welfare State -, um tipo de ação do Estado que predominou 
na maioria das nações desenvolvidas entre o final da II Guerra e o final dos anos 
de 1970. Os diversos problemas sociais intensificados pela industrialização e 
pelo capitalismo foram combatidos por ações pontuais na esfera da assistência 
social, da previdência e de serviços de saúde e educação. Três modelos básicos 
de Welfare State foram criados. O Socialdemocrata, o Conservador e o Liberal 
– com grau de universalização e de participação do Estado como principal 
diferencial entre eles. A partir dos anos de 1970, uma grave crise internacional 
fez com que o modelo se esgotasse, impulsionando uma busca por alternativas 
de sobrevivência, permitindo que propostas típicas de mercado fossem 
incorporadas. Apesar disso, ainda hoje a maioria das nações europeias possui 
serviços sociais públicos e gratuitos, que atendem a maior parte da população. 
 
 
 
10 
REFERÊNCIAS 
ARRETCHE, M. T. S. Emergência e desenvolvimento do Welfare State: 
teorias explicativas. In: Boletim informativo e bibliográfico. Rio de Janeiro, n. 39, 
1º semestre, p. 3-40. Disponível em: 
<http://docs11.minhateca.com.br/396431177,BR,0,0,Emerg%C3%AAncia-e-
Desenvolvimento-do-Welfare-State---Teorias-Explicativas---Marta-
Arretche.pdf>. Acesso: 17 jan. 2018. 
DRAIBE, S. & HENRIQUE, W. Welfare state, crise e gestão da crise: um balanço 
da literatura internacional. Revista Brasileira de Ciências Sociais – ANPOCS, 
v. 3, n. 6, p. 5.378, 1988. Disponível em: 
<http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_06/rbcs06_04.htm>. 
Acesso: 17 jan. 2018. 
ESPING-ANDERSEN, G. As três economias políticas do Welfare State. Lua 
Nova, 1991, n. 24, p. 85-116. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
64451991000200006>. Acesso: 17 jan. 2018. 
______. O futuro do Welfare State na nova ordem mundial. Lua Nova, 1995, n. 
35, p. 73-111. 
GOMES, F. G. Conflito social e Welfare State: Estado e desenvolvimento social 
no Brasil. Rev. Adm. Pública, 2006, v. 40, n. 2, p. 201-234. Disponível em 
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-
76122006000200003&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso: 17 jan. 2018. 
MOSER, L. A nova geração de políticas sociais no contexto europeu: workfare e 
medidas de ativação. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 14, n. 1, p. 68-77, 
maio/2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rk/v14n1/v14n1a08.pdf>. 
Acesso: 17 jan. 2018. 
PRZEWORSKI, A. A socialdemocracia como fenômeno histórico. Lua 
Nova,1988, n. 15. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
64451988000200004>. Acesso: 17 jan. 2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO MODERNO E 
CONTEMPORÂNEO 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Alberto Simioni 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A teoria neoliberal surge ao final da II Guerra Mundial a partir de uma forte 
crítica ao socialismo, ao intervencionismo estatal e ao Welfare State. O texto de 
Friedrich August von Hayek, O caminho da servidão, lançado em 1944, é 
considerado o momento de fundação do neoliberalismo, equivalente ao 
Manifesto comunista para o socialismo. Em 1947, na Suíça (Mont Pèlerin), 
ocorre um encontro de vários intelectuais liberais, como Milton Friedman, Hayek, 
Lipmann, Ludwig von Mises, Karl Popper. Todos comungavam as críticas de 
Hayek e criaram uma associação para divulgar suas ideias (Anderson, 1996). Na 
verdade, o economista Von Mises já havia escrito antes vários textos com o 
mesmo conteúdo, inclusive propondo a diferenciação entre o velho liberalismo e 
um liberalismo renovado, mais tarde conhecido como neoliberalismo. 
É importante salientar algumas diferenças entre o liberalismo clássico – 
típico dos séculos XVIII e XIX – e a nova proposta. Em termos gerais, as ideias 
são muito semelhantes, pautadas em liberdade individual, direito à propriedade 
privada e defesa da economia de mercado (concorrência e livre iniciativa). Mas 
uma primeira diferença é o adversário a ser combatido. Os liberais clássicos 
combatiam o Absolutismo e a decadente sociedade feudal. Já os neoliberais têm 
o socialismo e o Estado do Bem-Estar Social como seus maiores adversários. 
Outra diferença histórica é que, nos séculos XVIII e XIX, o Estado-nação estava 
se consolidando, de forma que o discurso liberal, ainda que enfatizando o livre 
mercado, precisava de um Estado forte para dar garantias às empresas 
nacionais e à própria burguesia, classe social que estava se consolidando. 
Nesse sentido, o Estado contribuiu para a formação de oligopólios, ou do 
protecionismo econômico. A Inglaterra Vitoriana é um bom exemplo deste fato. 
Já os neoliberais não admitem protecionismos, monopólios ou oligopólios, nem 
mesmo a ideia de um Estado economicamente forte, pois defendem um 
comércio sem fronteiras. Assim, a globalização é vista por alguns como um 
fenômeno, se não gerado, pelo menos incentivado pelo neoliberalismo. 
Contudo, durante duas décadas, as ideias neoliberais não tiveram muito 
espaço nos meios governamentais e acadêmicos, até que, em meados dos anos 
de 1960, as universidades começaram a acatar tais ideias e, em termos políticos, 
na década de 1970, foram implementados os primeiros programas neoliberais, 
reorientando a ação do Estado em diversospaíses. É o que veremos nesta aula. 
 
 
3 
TEMA 1 – ESTADO E NEOLIBERALISMO 
Para os neoliberais, a ideia geral de Estado pode ser resumida no 
conhecido jargão Estado mínimo. O liberalismo clássico já apregoava tal ideia, 
combatendo os princípios da altamente centralizada economia mercantilista. 
Mas, após a II Guerra e principalmente a partir dos anos de 1970, a crítica se 
volta para o Estado do Bem-Estar Social e para os princípios keynesianos de 
condução da economia pelo Estado, vistos como um germe de socialismo e 
totalitarismo, dada a excessiva ação do Estado na vida dos cidadãos. De acordo 
com M. Friedman (1984), a liberdade econômica fundamentaria a liberdade 
política permitindo aos 
indivíduos cooperarem, sem coerção ou direção centralizada, 
reduzindo a área sobre a qual é exercido o poder político. Além disso, 
dispersando o poder, o mercado livre proporciona um contrapeso a 
qualquer concentração do poder político que porventura venha a surgir. 
A combinação de poder político e econômico nas mesmas mãos 
constitui receita certa de tirania. 
As principais atribuições do Estado mínimo seriam: manutenção e 
garantia da ordem (justiça e polícia); zelo pelo bom funcionamento do mercado; 
segurança externa; infraestrutura – investir só em casos de falta de interesse ou 
de capital privado. Além disso, o Estado deveria ser “enxuto”. Neste prisma, 
algumas medidas monetaristas seriam fundamentais para sanear o Estado, tais 
como: 
 Diminuição dos gastos, reduzindo a inflação e o descontrole orçamentário; 
 Privatização; 
 Juros e câmbio desvinculados do Estado; 
 Abertura comercial; 
 Mercado desregulamentado; 
 Livre circulação de capitais; 
 Reforma fiscal, diminuindo os impostos dos mais ricos e das empresas, 
pois teriam mais poder de investimento; 
 Combate ao alto poder dos sindicatos e suas excessivas reivindicações; 
 Redução da dívida externa, no caso de países em desenvolvimento; 
 Crítica a subsídios e a incentivos de créditos ou fiscais, pois resultariam 
em maiores gastos públicos; 
 Serviços públicos pagos; 
 
 
4 
 Redução dos programas assistenciais (seguro social, renda mínima, 
programas de habitação, salário mínimo, assistência médica gratuita), 
indicados apenas aos mais carentes. 
A desigualdade não seria um problema, pois, antes disso, seria indutora 
da competição e da concorrência. Haveria o combate ao pleno emprego artificial, 
ou seja, aquele fomentado pelo Estado (um certo grau de desemprego é bem 
visto, pois incentiva a competição). Os indivíduos seriam os maiores 
responsáveis pela sua situação futura (por exemplo, formando poupança ou 
participando de fundos de pensão, tornando-os independentes das políticas 
sociais do Estado). 
Um dos maiores incentivos às políticas neoliberais foi o conjunto de 
diretrizes chamado de Consenso de Washington, a partir de uma reunião em 
1989 encabeçada pelo FMI (Fundo Monetário internacional), por funcionários do 
governo norte-americano e agências de fomento internacionais, como o BID 
(Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Banco Mundial. Consistia em 
várias recomendações, primeiramente aos países latino-americanos, mas 
depois indicadas para todos os países. A receita era sempre a mesma, conforme 
exposto anteriormente. Com tal incentivo, diversos países implantaram políticas 
neoliberais em maior ou menor grau. É importante salientar que, nos anos de 
1980, houve uma intensificação da Guerra Fria e o discurso fortemente 
anticomunista do neoliberalismo contribuiu para sua aceitação. Na Europa 
Ocidental, a partir daquela década, muitos países aderiram às suas propostas. 
TEMA 2 – MODELOS DE ESTADO NEOLIBERAL: INGLATERRA 
O Estado inglês foi o primeiro a adotar políticas neoliberais. Em 1979, 
Margareth Thatcher, do Partido Conservador, assume o poder e logo põe em 
prática diversas reformas sociais e de Estado, em um modelo considerado como 
o mais puro e profundo programa neoliberal (Anderson, 1995). 
Baseando-se neste programa, o Partido Conservador comanda a 
Inglaterra por quase 20 anos, permitindo a execução de um projeto de diminuição 
do tamanho do Estado, restringindo seu papel na economia e fomentando a ação 
do mercado, inclusive reduzindo os impostos sobre as rendas mais altas. 
Exemplos deste programa foram: a redução do número de funcionários públicos, 
um setor no qual havia forte sindicalização; privatização de empresas do setor 
 
 
5 
de energia, siderurgia, telecomunicações e distribuição de água. Fecharam-se 
minas de carvão deficitárias – lembrando que, àquela época, a mineração de 
carvão era uma das principais fontes de emprego para muitas cidades inglesas. 
Tudo isso gerou um forte embate com os sindicatos, que fomentaram uma greve 
geral em 1985, sendo duramente reprimidos, culminando na vitória de Thatcher: 
“Foi nas minas de carvão, mais do que em qualquer outro lugar, que uma visão 
socialista que valorizava o bem-estar das comunidades operárias mais do que o 
lucro finalmente teve de ceder para uma nova era de individualismo e 
empreendedorismo” (Burns, 2013). 
A maior parte das minas foi fechada e o carvão necessário para a indústria 
de energia passou a ser importado, mais barato que o inglês. Era o fim de um 
setor antes fundamental para a Inglaterra, desde os primórdios da Revolução 
Industrial, no final do século XVIII1. 
Outro programa básico foi a ideia de saneamento das finanças do Estado, 
em especial no combate à inflação e com redução de gastos, como o auxílio 
moradia, fomentando a ação do mercado para que os cidadãos pobres 
comprassem moradias populares. A maior parte das chamadas moradias sociais 
(casas alugadas junto ao Estado, em geral pertencentes aos municípios ou a 
entidades sem fins lucrativos ou, ainda, ao setor de locação privada) foi 
privatizada através do programa Right to buy (Direito de compra) durante o 
governo Thatcher, levando a uma grande redução do modelo de habitação 
social2. Ainda assim, não se eliminam certas ações do Estado, como, por 
exemplo quanto às crianças ricas ou pobres, que precisam 
de escolas adequadas para desenvolver seus talentos e habilidades. 
A partir daí se pode pensar em outra tarefa do governo: a criação de 
uma rede de proteção e benefícios para aquela parcela da população 
que, involuntariamente, não consegue manter-se no mercado de 
trabalho, por velhice ou doença. (Thatcher, citada por Rezende, 1994) 
 A partir do Governo Thatcher não houve mais retorno ao padrão de 
Estado típico do pós-guerra. Mesmo os governos trabalhistas assumiram 
algumas teses neoliberais que, pode-se dizer, atualmente são modelo 
predominante. 
 
1 Ver a este respeito <https://www.publico.pt/2015/08/22/economia/noticia/reino-unido-o-fim-de-
uma-era-que-comecou-com-a-revolucao-industrial-1705619>. 
2 Ver <https://www.theguardian.com/housing-network/2015/dec/07/housing-right-to-buy-
margaret-thatcher-data>. 
 
 
6 
TEMA 3 – MODELOS DE ESTADO NEOLIBERAL: EUA 
O Presidente Ronald Reagan chega ao poder em 1981 eleito pelo Partido 
Republicano, que possuía uma nova estratégia de governo baseada nas ideias 
neoliberais disseminadas na década anterior. Seu slogan preferido era a famosa 
frase “O Estado não é a solução, é o problema”. Ele contribuiu para fomentar a 
ideia que mais tarde seria conhecida como “Consenso de Washington”, que 
vinha sendo transmitida, vigorosamente, a partir do começo da 
Administração Reagan nos Estados Unidos, com muita competência e 
fartos recursos, humanos e financeiros, por meio de agências 
internacionais e do governo norte-americano. Acabaria cabalmente 
absorvida por substancial parcela das elites políticas, empresariais e 
intelectuais da região, como sinônimo de modernidade, passando seu 
receituário a fazer parte do discurso e da ação dessas elites, como se 
de sua iniciativa e de seu interesse fosse. (Batista, 1994) 
Emboranão tenha realizado reformas tão drásticas quanto as promovidas 
por Thatcher, Reagan reduziu os impostos dos mais ricos, elevou as taxas de 
juros e esmagou a única greve de monta que marcou seu mandato, a dos 
controladores aéreos (Anderson, 1996). Por outro lado, o período de acirramento 
da Guerra Fria nos anos de 1980 aumentou enormemente os gastos militares, 
gerando certo descontrole orçamentário e aumentando a dívida externa. 
Embora os EUA nunca tenham formado um amplo sistema de bem-estar 
social, ainda assim existiam certas políticas sociais direcionadas aos mais 
carentes, como visto na Aula 3. O governo Reagan cortou parte desses gastos 
devido à redução dos impostos. Ao final dos anos de 1980, a inflação foi reduzida 
e a economia se estabilizou, mas o debate sobre o papel do Estado persiste 
ainda hoje, contrapondo os Democratas (defensores de uma relativa ação do 
Estado em certos assuntos) e os Republicanos (ferrenhos defensores das ideias 
neoliberais), como, por exemplo, em relação ao Obamacare, programa do 
Governo Obama (democrata) de subsídios federais ao sistema de saúde, 
ampliando os serviços para famílias mais pobres. Tal programa é vigorosamente 
criticado pelo Presidente D. Trump (republicano), que pretende derrubá-lo. 
TEMA 4 – UM MODELO AUTORITÁRIO DE ESTADO NEOLIBERAL: CHILE 
O pensamento neoliberal possui um claro aspecto político: o combate ao 
socialismo e ao intervencionismo estatal. Some-se a isso o contexto da Guerra 
Fria, quando não fazia muita diferença para os países hegemônicos, EUA e 
 
 
7 
URSS, se um país aliado era governado por um ditador ou por um democrata, 
fato corroborado em parte pela Teoria Neoliberal. Isso explica por que o Chile, 
governado entre 1973 e 1990 por Augusto Pinochet, um dos mais brutais 
ditadores militares latino-americanos, tenha implantado as primeiras políticas 
neoliberais conduzidas por Milton Friedman e apoiadas pelos EUA. 
Para os neoliberais, a liberdade econômica é que conduz à liberdade 
política, e não o contrário, o que certamente induziu Friedman a apoiar Pinochet, 
como o próprio teórico explicita (Friedman, citado por Leite, 2015): 
Não tenho nada de bom a dizer sobre o regime político imposto por 
Pinochet. […] Era um regime político terrível. O verdadeiro milagre 
chileno não tem a ver com o quão bom foi o desempenho econômico 
do Chile; o verdadeiro milagre esteve na disposição de uma junta 
militar em contrariar os seus princípios e apoiar reformas de livre 
mercado, deixando que elas fossem implantadas por defensores 
sinceros dos princípios de livre mercado. No Chile, o motor do novo 
regime de liberdades políticas foi gerado pela liberdade econômica, 
assim como pelo sucesso econômico resultante desta, dando origem 
ao referendo que introduziu um regime politicamente democrático. 
Portanto, apesar do discurso sobre liberdade, não importa muito se 
o regime é democrata, autoritário ou mesmo ditatorial. O regime político 
ideal é o que consegue neutralizar os sindicatos e diminuir a carga 
fiscal sobre os lucros e fortunas, ao mesmo tempo que desregula o 
máximo possível a economia. Pode conviver tanto com a democracia 
parlamentar inglesa, como durante o governo da Sra. M. Thatcher, 
como com a ditadura do Gen. A. Pinochet no Chile. Sua associação 
com regimes autoritários é tática e justificada dentro de uma situação 
de emergência (evitar uma revolução social ou a ascensão de um 
grupo revolucionário). A longo prazo, o regime autoritário, ao assegurar 
os direitos privados, mais tarde ou mais cedo, dará lugar a uma 
democracia. (Schilling, s.d.) 
No início do regime militar chileno, em 1973, a política econômica foi 
protecionista e nacionalista, mas os resultados não foram bons, o que levou 
Pinochet a buscar assessoria junto a economistas chilenos treinados na 
Universidade de Chicago, propagadora do neoliberalismo. A Universidade 
Católica do Chile também tinha programas de intercâmbio com a mesma 
universidade norte-americana. Aqueles economistas ficaram conhecidos como 
Chicago Boys (Leite, 2015), orientados por Friedman. Na América Latina, o 
Estado Chileno adotou de forma pioneira o mais drástico programa neoliberal, 
aumentando a taxa de desemprego, parte da estratégia de combater os 
sindicatos, criando um grande contingente de desempregados; liberalizou a 
economia; privatizou bens públicos, cujo exemplo maior são as universidades 
(públicas ou privadas – antes de Pinochet eram financiadas pelo Estado. Após, 
 
 
8 
a maioria dos cursos passou a ser pago. Hoje, apenas 15% dos recursos provêm 
do Estado3); diminuiu impostos sobre os mais ricos. O resultado foi a queda da 
inflação e uma relativa estabilidade da economia, pelo menos se compararmos 
com outros países do continente naquele período. Posteriormente, a Argentina 
(governo Menen), o Brasil (F. H. Cardoso) e o México implantaram modelos mais 
modestos de neoliberalismo, mas sem os mesmos resultados do Chile. 
TEMA 5 – CRÍTICAS AO ESTADO NEOLIBERAL 
As políticas neoliberais tiveram êxito no combate à inflação e na 
diminuição do deficit fiscal. Também diminuiu a visão paternalista de Estado, que 
induzia a comportamentos pouco competitivos ou ao comodismo. Por outro lado, 
as críticas são várias, dados os princípios frios, muitas vezes considerados 
desumanos. O aumento do desemprego, da desigualdade e a diminuição dos 
programas sociais são vistos como elementos de favorecimento dos mercados, 
em especial do financeiro. O equilíbrio das contas públicas e a diminuição de 
impostos não significou maiores investimentos produtivos, e sim especulativos, 
conforme indica um dos maiores críticos do neoliberalismo, Anderson (1996): 
podemos encontrar um elemento importante na desregulamentação 
dos mercados financeiros (liberdade de movimento dos capitais, das 
vendas e compras de obrigações, criação de novos produtos 
financeiros etc.). Essa desregulamentação liga-se intrinsecamente ao 
programa neoliberal, levando a que os investimentos financeiros ou 
especulativos sejam mais rentáveis que os produtivos. 
Um fator inesperado foi o crescimento das despesas sociais ligadas ao 
desemprego, ampliando enormemente os orçamentos sociais dos Estados, 
principalmente aqueles com amplos programas de bem-estar social. Outros 
fatores sociológicos contribuíram para aumentar o problema, por exemplo, do 
maior percentual de população idosa, aumentando o número de aposentados, 
ou seja, maiores despesas sociais com aposentadorias e pensões. 
O fator político relacionado ao tipo de democracia é criticado por diversos 
autores, como Thomas Picketty, Paul Krugman, Perry Anderson, Noam 
Chomski, a partir do fato de que os principais atores sociais a conduzir as 
decisões econômicas e políticas seriam as grandes corporações internacionais 
e o mercado financeiro, muitas vezes com mais poder que os estados nacionais. 
 
3 Ver <https://www.terra.com.br/noticias/educacao/ensino-superior-pago-veja-os-casos-de-eua-
franca-e-chile,7649b8abb04c6410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html>. 
 
 
9 
Em termos ideológicos, surge um novo tipo de comportamento social e 
político, como constatam Dardot e Chaval (2016), para quem um novo tipo de 
sujeito social passa a preponderar nas sociedades modernas. Esse sujeito 
conduz sua vida como se fosse uma empresa. O objetivo é o sucesso econômico 
(empresarial ou individual) acima de outros valores, com base em maior 
eficiência e cálculo constante. Os valores sociais passam a ser muito mais 
determinados em função do individualismo do que de fatores comunitários. E, 
como vimos, ao neoliberalismo não importa muito se um governo é democrático 
ou não, desde que introduza as mudanças propostas por aquela teoria. Foi o 
caso do apoio às diversas ditaduras ou regimes corruptos espalhados pelo 
mundo. 
NA PRÁTICA 
A partir dos anos de 1980, diversos países adotaram, se não o modeloneoliberal de Estado, ao menos alguns de seus princípios. Na Europa, alguns 
países tiveram governos socialistas ou sociais-democratas, como François 
Mitterrand na França, Felipe Gonzalez na Espanha, Mario Soares em Portugal, 
Bettino Craxi na Itália, Andreas Papandreou na Grécia. Todos adotaram políticas 
de cunho neoliberal, em especial Mitterrand (eleito em 1983) que, após dois anos 
de tentativas de levar a cabo um tradicional modelo socialdemocrata, acabou por 
priorizar “a estabilidade monetária e o controle dos deficits públicos e das 
concessões fiscais aos detentores de capitais. O objetivo de pleno emprego é 
abandonado” (Anderson, 1996). Nos anos de 1990, Tony Blair, na Inglaterra, foi 
um dos casos mais exemplares, pois, sendo representante do Partido 
Trabalhista (socialdemocrata), sua gestão incorporou diversos princípios 
neoliberais. Inclusive, foi um dos incentivadores da tese conhecida como 
“Terceira Via”, a mescla de princípios sociais-democratas e liberais. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, vimos as principais características do Estado Neoliberal. 
Primeiramente, foi empreendida uma diferenciação entre a noção de estado para 
o liberalismo clássico e para o neoliberalismo, assim como suas principais 
características e fundamentos. Em seguida, foram analisados alguns exemplos 
 
 
10 
de Estado Neoliberal, como Inglaterra, EUA e Chile. Finalmente, foram 
apresentadas as principais críticas a este padrão de Estado. 
 
 
 
11 
REFERÊNCIAS 
ANDERSON, P. History and Lessons of Neo-Liberalism. The construction of 
a single track. Geneva, 1996. Disponível em: 
<http://page2.ch/EdPage2/p2_neolib_anderson>. Acesso: 5 jun. 2018. 
BATISTA, P. N. O Consenso de Washington. A visão neoliberal dos problemas 
latino-americanos. Disponível em: 
<http://www.consultapopular.org.br/sites/default/files/consenso%20de%20washi
ngton.pdf>. Acesso: 5 jun. 2018. 
BURNS, J. F. Thatcher e os mineiros. O Estado de S.Paulo, 18 abr. 2013. 
Disponível em: <http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,thatcher-e-os-
mineiros-imp-,1022398>. Acesso: 5 jun. 2018. 
DARDOT, P.; LAVAL, C. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade 
neoliberal. Rio de Janeiro: Boitempo, 2016. 
NEOLIBERALISMO: alguns princípios básicos. Educa Terra. Disponível em: 
<http://educaterra.terra.com.br/voltaire/atualidade/neoliberalismo2.htm>. 
Acesso: 5 jun. 2018. 
FRIEDMAN, M. Capitalismo e liberdade. São Paulo: Abril Cultural, 1984. 
LEITE, D. Pinochet e o liberalismo: liberdade econômica e política no Chile. 
Mercado Popular, 16 abr. 2015. Disponível em 
<http://mercadopopular.org/2015/04/pinochet-e-o-liberalismo-liberdade-
economica-e-politica-no-chile/>. Acesso: 5 jun. 2018. 
REZENDE, M. A. A receita da leoa: entrevista com Margareth Thatcher. Veja, 
17 fev. 2017. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/reveja/margaret-
thatcher-ensina-a-receita-do-8216-capitalismo-popular-8217/>. Acesso: 5 jun. 
2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO MODERNO E 
CONTEMPORÂNEO 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Alberto Simioni 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
No mundo contemporâneo, a maioria dos Estados está configurada a 
partir de fundamentos neoliberais, ou pelo menos a partir de alguns de seus 
aspectos, ou então, de modelos moldados em algum grau por princípios sociais 
democratas ou socialistas, ainda que neste último caso em reduzido número. Por 
outro lado, há uma multiplicidade de formas de Estado que, em tese, 
fundamentam-se em algum desses modelos, mas incorporando outros aspectos 
que podem inclusive se tornar sua característica principal. É o caso de países 
nos quais a religião mantém forte laço com a política, em especial no Irã e no 
Afeganistão durante o Regime Talibã ou, ainda, a tentativa recente de 
estabelecer, na Síria e Iraque, o “Estado Islâmico” (Daesh), com sua proposta 
radical de teocracia. 
Além da religião, outras variáveis podem interferir na conformação de um 
Estado, como, por exemplo, a influência do populismo. Embora o populismo seja 
um fenômeno muito amplo e diverso, é inegável que, nos países em que é forte, 
como na Venezuela e nas Filipinas, o Estado assume feições diferenciadas. Há 
ainda outras variáveis, como o autoritarismo – ou mesmo o totalitarismo: um 
Estado antidemocrático e com poder exercido de forma extremamente autoritária 
e violenta, como, por exemplo, na Coreia do Norte ou em pequenos e exóticos 
países, como a Suazilândia. 
O fator geográfico pode dar uma característica diferente a certos países 
e influenciar a autonomia de certos Estados: por exemplo, o fato de ser um 
pequeno território com escassa população, ser uma ilha ou ser um território 
afastado. Em tais casos, há sempre algum tipo de dependência em relação a um 
país mais forte ou organização, como os países atrelados à Comunidade 
Britânica de Nações ou países antes colonizadores. Outros Estados são 
exóticos, possuindo funções diferenciadas, como o Vaticano. Finalmente, há na 
atualidade situações marcadas pela ausência ou desintegração do Estado, em 
especial em zonas de guerra civil. 
TEMA 1 – ESTADO NEOPOPULISTA 
A democracia típica do século XIX era elitista, com reduzida participação 
popular e, em muitos casos, como na América Latina, baseada em dominação 
de oligarquias regionais. Nos anos de 1930, no entanto, surgiram novos modos 
 
 
3 
de exercer o poder, em especial na relação entre governantes e povo. Não se 
tratava mais de uma política restrita à elite. É o caso do populismo. Tratava-se 
de uma forma de poder baseada na visão unitária do Estado, entendido como 
uma comunidade de interesses solidários no qual o líder faz a mediação entre 
as distintas classes sociais, com amplo apoio da classe trabalhadora, mas 
também da classe média, com relativa repressão à oposição (Ianni, 1975). O 
populismo pode ser democrático ou ditatorial. O líder populista possui 
peculiaridades: sua imagem se confunde com a do Estado, pois se enfatiza a 
identidade, que Ianni denomina de Estado-chefe-povo. Tal identidade é criada 
através do carisma pessoal do líder, de sua habilidade em se relacionar com o 
povo utilizando temas e formas de discursos típicos das massas, colocando-se 
de forma paternalista e heroica, como protetor do povo. 
O populismo prevaleceu na América Latina até os anos de 1950, mas 
voltou a aparecer nas últimas décadas com novas roupagens. De acordo com 
Fausto (2006), “as novas lideranças populistas se caracterizam pelo 
personalismo, pela difusão da crença no herói salvador, pelas práticas 
autoritárias”, mas também pelo discurso voltado aos efeitos da globalização e a 
problemas da Modernidade, tais como exclusão social, desemprego, combate à 
criminalidade e ao narcotráfico. O novo populismo possui uma base de apoio 
quase que somente de base popular, não caracterizada pela classe 
trabalhadora, mas pelas massas marginalizadas (id.). Atualmente, são exemplos 
deste processo a Venezuela e as Filipinas. 
1.1 Venezuela 
O discurso populista pode ter características mais à esquerda ou mais à 
direita no espectro político. A Venezuela representa o primeiro caso, desde que 
o líder Hugo Chaves assumiu o poder em 1992 quando, paulatinamente, 
estabeleceu uma nova política de Estado mais intervencionista, centralizadora e 
nacionalista e também as conhecidas características baseadas no enaltecimento 
do líder e o apelo ou um discurso orientado para temas populares. A simbologia 
bolivariana (relativa ao herói da independência, Simon Bolívar) é um exemplo 
disso, ao reforçar a ideia do heroísmo quase mítico do presidente. Há no regime 
venezuelano uma boa dose de autoritarismo, em especial na repressão à 
oposição, fato já conhecido no velho populismo. “A democracia populista tem a 
singularidade de excluir, de modo nítido, as forças não populistas. Isto é, esta 
 
 
4 
democracia não abre a todas as classes e grupos da sociedadenacional as 
mesmas oportunidades de acesso ao poder” (Ianni, 1975). 
Na Venezuela, este fato é notório. Tanto Chávez como seu sucessor, 
Nicolas Maduro, possuem atributos considerados como neopopulistas, com a 
oposição sendo excluída direta ou indiretamente do acesso ao poder. 
Certamente, não é uma situação fácil de analisar, pois parte desta oposição tem 
profundas relações com a chamada economia transnacional e fortes imbricações 
com o discurso neoliberal predominante, além da influência norte-americana, 
inegável de observar no apoio à oposição venezuelana. 
1.2 Filipinas 
Apesar de o populismo consistir em um fenômeno majoritariamente latino-
americano, não é raro encontrar pelo mundo líderes com tais características, 
como, por exemplo, algumas lideranças de partidos de direita na Europa ou o 
ex-mandatário italiano Silvio Berlusconi. As Filipinas caracterizam um caso novo 
e curioso de populismo, considerada uma República Constitucionalista, na qual 
o presidente é chefe de governo e chefe de Estado; o Legislativo é bicameral. 
No entanto, o país viveu décadas de ditadura sob Ferdinand Marcos, que 
governou entre 1965 e 1986. Posteriormente, cinco outros presidentes 
governaram até que, em 2016, Rodrigo Duterte assumiu o poder. Trata-se de um 
político com características nítidas do populismo. Excelente na comunicação, 
usa um discurso popular voltado ao combate ao narcotráfico. Recursos e 
instituições de Estado são usados neste combate. Os discursos do presidente 
muitas vezes são considerados grosseiros, entremeados de palavrões, como 
quando afirma que vai matar ou prender os traficantes e viciados, xingando-os. 
Contudo, tal discurso cativa grande parte da população, e os índices de 
aprovação do presidente são maiores que 70%1. 
TEMA 2 – ESTADOS TEOCRÁTICOS 
No mundo antigo e medieval, era praxe considerar que um soberano 
possuía origem divina, e o Estado se confundia com aquele líder. A Modernidade 
trouxe a concepção de Estado Laico, separando religião e política. Ainda assim, 
 
1 Ver Filipinas: reino do terror, política antidrogas já levou à execução de mais de 10 mil 
pessoas: <https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/03/eps/1499089617_332439.html> e 
<http://pt.euronews.com/2016/05/10/filipinas-populismo-leva-duterte-a-presidencia>. 
 
 
5 
é inegável que a religião exerça forte influência sobre o mundo moderno, mesmo 
no país mais poderoso, os EUA, ainda que de forma indireta. Um Estado 
Teocrático é aquele que possui leis e, por vezes, a própria organização 
submetida a uma doutrina religiosa considerada oficial. Contudo, não 
necessariamente tal relação indica um Estado Teocrático. Em alguns casos, 
como em muitos países islâmicos ou católicos, há leis cuja raiz está em certas 
leituras do livro considerado sagrado, o Alcorão ou a Bíblia, fundamentando 
alguns tipos de punições por crimes ou a proibição do aborto, mas nem por isso 
se pode dizer que o Estado naqueles países não possui fortes elementos da 
organização burocrática moderna. 
Um Estado efetivamente teocrático é aquele organizado na crença de que 
o faz de acordo com a vontade divina, submetendo as decisões, direta ou 
indiretamente, a clérigos da religião oficial. Há graus diferentes de influência 
religiosa. Ela pode ser extrema, como nos casos em que a Constituição é criada 
de acordo com determinada interpretação do livro sagrado (por exemplo: 
Afeganistão Talibã, em que se defendia a aplicação da Sharia, a lei islâmica). 
Em tais países, membros de outras religiões não possuem todos os direitos civis 
nem acesso aos melhores cargos de Estado. Os líderes políticos são também 
líderes religiosos, e há casos de países em que há grande influência religiosa, 
contudo, adaptada aos elementos do mundo moderno (como no Irã, onde há 
lideranças laicas, mas altamente influenciadas pelas lideranças religiosas). 
2.1 Afeganistão “Talibã” 
Na década de 1990, este país foi dominado por um grupo islâmico 
denominado “Talibã”. Décadas antes, o país, apesar de pobre, procurava se 
adequar ao modelo ocidental de Estado. A Guerra Fria, contudo, o colocou entre 
as duas poderosas potências mundiais, EUA e URSS, como aponta Tariq Ali 
(2002). Para combater a invasão soviética em 1979, os norte-americanos 
financiaram grupos de religiosos radicais, até então muito pequenos em número, 
mas extremamente aguerridos – Osama Bin Laden é um exemplo. O resultado 
foi o famoso “Vietnã dos russos”, que durou até 1989. Com o fim da URSS, o 
Afeganistão foi esquecido, facilitando o domínio daqueles grupos radicais. 
O Talibã foi um movimento religioso extremamente radical que dominou 
o Afeganistão após a turbulenta guerra civil pós-Guerra Fria, quando este grupo 
tomou conta do Estado Afegão, entre 1996 e 2001. Foi liderado pelo Mulá Omar. 
 
 
6 
“Mulá” é a designação local dada aos especialistas na interpretação do Corão. 
O objetivo político era de que o país voltasse aos bons tempos do profeta 
Maomé, no século VII de nossa era. As regras sociais deveriam estar 
estritamente ligadas à interpretação literal do islã. Neste momento, o mundo 
conheceu, por exemplo, o rigoroso tratamento dado às mulheres e a perseguição 
a outras religiões, simbolizada pela destruição das milenares estátuas de Buda 
em função do combate à idolatria. Tudo com amparo ou ação direta do Estado. 
2.2 Irã 
Em 1979, o Irã passa por uma revolução comandada por grupos religiosos 
Xiitas – Xiitas e Sunitas são variações do islamismo, tal qual protestantismo e 
catolicismo no cristianismo. A partir daí, o país implanta um regime teocrático, 
um pouco mais brando que o do Afeganistão. No Irã, há uma espécie de Poder 
Moderador que, entre outros poderes, controla as forças armadas e indica os 
responsáveis pelos veículos da mídia: o Chefe de Estado é um Aiatolá, um 
clérigo xiita escolhido por outros clérigos; estes, por sua vez, escolhidos por voto 
popular – para concorrerem, devem ter a permissão do Conselho dos Guardiões 
da Constituição, algo como uma Suprema Corte em democracias tradicionais. 
Tal órgão é composto de forma paritária por clérigos e juristas, e também possui 
a atribuição de verificar se as leis estão adequadas à Constituição e às leis 
islâmicas, além de ser responsável pela aprovação da lista de candidatos em 
eleições, excetuando-se as locais (Milani, 2009). 
Mas há também um presidente eleito pelo povo, responsável pelo Poder 
Executivo. Para concorrer, deve ser aprovado pelo Conselho de Guardiões e ser 
xiita. O poder legislativo segue as mesmas regras, excetuando-se que algumas 
minorias étnicas e religiosas têm direito a alguns poucos assentos no Parlamento 
(Souza, s.d.)2. Atualmente, o parlamento é dominado por reformistas, embora 
quem domine efetivamente o país sejam os conservadores. Há vários partidos 
políticos de cada tendência, mas, ainda assim, a diferença básica está no grau 
de influência religiosa sobre o Estado, e não na sua separação. 
 
 
2 Ver ainda: Entenda o sistema político iraniano: 
<http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2001/010528_poderes.shtml>. 
 
 
7 
TEMA 3 – ESTADOS TOTALITÁRIOS E AUTORITÁRIOS 
O conceito de Estado (ou Regime) Totalitário possui divergências, 
principalmente na diferenciação com o Estado Autoritário. De acordo com o 
sociólogo Juan Linz, totalitarismo se diferencia de autoritarismo no que tange ao 
grau de repressão e de controle não democrático de uma sociedade. Seria uma 
dominação total, amparada pelas leis e pela força bruta. As principais 
características seriam: ideologia oficial, muitas vezes com aspectos místicos ou 
milenaristas (por exemplo, o líder visto como um grande herói, quase divino); um 
só partido político, propagador da ideologia; controle completo dos meios de 
comunicação e das forças armadas; controle policial de todos – criminosos,adversários ou simples cidadãos (Linz, 1979). Já o Estado Autoritário possui um 
pluralismo controlado, sufocado, que permite certas associações e alguma 
oposição. As leis e os demais poderes podem, eventualmente, interferir no 
combate ao arbítrio, como nas várias ditaduras latino-americanas nos anos de 
1970. 
3.1 Coreia do Norte 
A Coreia do Norte é um país fechado, com poucas informações sobre o 
que realmente ocorre3, fato que reforça a tese de que este é um regime totalitário, 
mas isso ainda não é uma prova cabal. Acima de tudo, é anti-imperialista, o que 
explica o antagonismo atual em relação aos EUA. No Ocidente, pouco se 
conhece sobre a magnitude da destruição gerada durante a Guerra da Coreia 
(1950-1953) e sua reconstrução praticamente por meios próprios. Em todo caso, 
algumas características podem ser elencadas no sentido de indicar um grau 
máximo de autoritarismo. 
A Coreia do Norte é governada por uma mesma família desde os anos de 
1950, quando se tornou comunista. Há intensa propaganda oficial com o objetivo 
de reforçar o culto à personalidade, isto é, uma forte propaganda na forma de 
exaltação do líder máximo, atribuindo-lhe virtudes extraordinárias, como a 
realização de grandes façanhas na guerra ou na política, além de inteligência e 
bondade acimas da média, dentre outros fatores. Há uma Ideologia de Estado, 
 
3 As principais fontes de informação sobre o país provêm de desertores, de diplomatas e de 
funcionários de agências internacionais que ali viveram por um tempo, além de profissionais que 
foram chamados a trabalhar, professores ou médicos, por exemplo, ou alguns jornalistas. 
 
 
8 
o socialismo Juche, criada pelo líder revolucionário Kim Il Sung, baseada em um 
forte nacionalismo, acompanhada de um ideal de não dependência de outros 
países, nem mesmo dos socialistas (Silva & Andrade, 2017). Os meios de 
comunicação são totalmente controlados, incluindo a internet e a telefonia, 
conforme relatório da Anistia Internacional (Fang, 2016), sendo 
uma arma fundamental nos esforços das autoridades para ocultar os 
detalhes sobre a terrível situação dos direitos humanos no país. Os 
norte-coreanos não são apenas privados da oportunidade de saber o 
que acontece no mundo, eles são impedidos de falar ao mundo sobre 
sua situação de privação quase total dos direitos humanos. 
3.2 Suazilândia 
Suazilândia, um país pobre encravado entre África do Sul e Moçambique, 
é considerado como a última monarquia absolutista do planeta. Lá o Rei controla 
o Poder Executivo, interfere no Judiciário, nomeia o Primeiro Ministro, os juízes, 
indica parte dos membros do Legislativo, além de ter poder de veto sobre as leis. 
A família real controla os melhores negócios do país. Todas as terras pertencem 
ao Rei Mswati III, no poder desde 1986 (Santana, 2010)4. Além disso, a 
repressão e a violência fazem parte da rotina diária dos cidadãos. 
"O silêncio é parte da nossa cultura", descreve N. Twala, que trabalha 
num cassino on-line para clientes na África do Sul, onde o jogo é 
proibido. "Aprendemos na escola que temos de amar e respeitar o rei, 
assim como amamos nossos pais e respeitamos os mais velhos", 
explica Nqobizwe Shipanga, de 25 anos, que estuda Relações 
Públicas. Os trabalhos escolares incluem poesias de louvor ao rei, e 
ensina-se que seu poder emana de Deus, como ocorria com Luís XIV, 
o "Rei Sol" da França. (Id.) 
Não há quase nenhum espaço para a oposição. Zanini (2010) afirma que 
os partidos políticos são proibidos e, nas eleições, só concorrem os 
independentes, 
e correm o risco perene de o mandato ser cassado pelo monarca com 
uma canetada. Entidades que buscam autonomia são perseguidas 
com dureza. A última demonstração de força veio no Dia do Trabalho, 
quando um ativista de um partido banido foi preso por usar uma 
camiseta da agremiação. Dias depois, apareceu morto na cela. 
Suicídio, segundo a polícia. [...] A crítica ao soberano é punida 
severamente. 
 
 
4 Ver também: <http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/suazilandia-os-desafios-da-politica-
na-ultima-monarquia-absolutista-da-africa>. 
 
 
9 
TEMA 4 – MICROESTADOS 
Há países espalhados pelo globo cujos territórios e população equivalem 
a um pequeno ou médio município brasileiro. Apesar disso, podem possuir as 
mesmas prerrogativas dos demais países, inclusive com assento na ONU e 
direito de voto na Assembleia Geral, o órgão deliberativo desta instituição. Há 
diversas especificidades em cada um destes países, podendo variar o grau de 
autonomia, a forma de governo e o papel do Estado. 
4.1 Estados Federados da Micronésia 
Consiste em um conjunto de mais de 600 ilhas distribuídas em um 
território oceânico de mais de 2.900 km contíguos (ou cerca de 2,5 milhões de 
km² de oceano), mas com área efetiva de terras de pouco mais de 700 km². A 
população é de mais de 104 mil habitantes (2017). Trata-se de um Estado 
soberano, independente desde 1979, associado aos EUA, responsável por sua 
defesa. A Micronésia é dividida em 4 territórios autônomos, Chuuk, Kosrae, 
Pohnpei e Yap. É uma República Presidencialista, com parlamento unicameral, 
mas o governo central tem pouco poder efetivo. De acordo como o Departamento 
de Estado norte-americano, os EUA, além de protetores, são o principal parceiro 
comercial, tendo vários acordos bilaterais, inclusive no que tange ao direito de 
os cidadãos micronésios viverem ou estudarem nos EUA sem vistos5. Em 
contrapartida, os norte-americanos possuem bases navais na região. 
4.3 Liechtenstein 
Pequeno país europeu com território pouco maior que 160 km² (a cidade 
de São Paulo tem 1.521 km²) e população de cerca de 35 mil habitantes. É 
considerado um principado, ou seja, quase uma cidade-estado cujo governo é 
exercido por um príncipe (Monarquia Constitucional), com parlamento e 
representação. Contudo, com população tão pequena, é comum que os 
cidadãos exerçam formas de democracia direta, tendo grandes poderes de 
destituir políticos ou de vetar ou aprovar leis. Principados não possuem 
 
5 Departamento de Estado. Relações dos EUA com os Estados Federados da Micronésia. 
<https://www.state.gov/r/pa/ei/bgn/1839.htm>. 
 
 
10 
soberania total6. De acordo com um instituto propagador das ideias neoliberais, 
o principado se caracteriza por ser o país que mais se adequa aos princípios 
desta teoria (Instituto Von Mises, S.d.). O Príncipe Regente Hans Adam II é um 
disseminador dessas ideias, em especial as relativas ao risco de um excessivo 
crescimento do Estado. 
TEMA 5 – ESTADOS EXÓTICOS 
Alguns Estados fogem aos modelos tradicionais, seja porque têm uma 
finalidade distinta de outros Estados, seja porque são, digamos assim, semi- 
independentes. Um Estado Autônomo é aquele que, embora pertença a um país, 
possui grande autonomia política e econômica. Pode ser cultural e 
geograficamente distinto do país a que pertence, como é o caso de algumas ilhas 
caribenhas, mas também pode estar encravado no território nacional, como a 
Catalunha, na Espanha. Não é raro que fatores étnicos e religiosos resultem na 
maior autonomia de certas regiões (por exemplo, o Curdistão iraquiano e a ilha 
filipina de Mindanao (muçulmana)). Vejamos alguns outros exemplos. 
5.1 Antilhas Holandesas 
Até 2010, este território holandês formado por cinco ilhas no Caribe, com 
cerca de 800 km² e população próxima de 200 mil habitantes, possuía grande 
autonomia, inclusive com Constituição própria, parlamento e governo local 
centralizado, além de governos específicos em cada ilha. O Reino dos Países 
Baixos (Holanda) tinha a responsabilidade de proteção. A partir daquele ano 
ocorreu a dissolução das Antilhas Holandesas. “As ilhas de Curaçao e São 
Martinho tornaram-se territórios autônomos do Reino dos Países Baixos.Aruba 
já tinha tal status desde 1986. Bonaire, Santo Eustáquio e Saba tornaram-se 
municípios especiais dos Países Baixos” (Paho, 2012). 
5.2 Vaticano 
É considerado o menor país do mundo, com 0,44 km², encravado em 
Roma. Na realidade, é curioso que seja considerado um país. Sua população de 
 
6 Andorra, por exemplo, é uma diarquia, isto é, possui dois chefes de Estado, o presidente 
francês e o bispo da comarca catalã de Urgel (Espanha). A França e a Espanha são protetoras 
de Andorra. 
 
 
11 
cerca de 800 habitantes é composta por religiosos e pela guarda suíça, 
tradicionais guardiães do Vaticano, os quais mantêm sua nacionalidade original. 
A quantidade de turistas é muito maior que a de residentes. A Santa Sé é 
responsável pelos assuntos eclesiásticos e o Estado do Vaticano é a sede 
temporal da Igreja Católica, tornando-se independente em 1929. Mas lembremos 
que, até o período absolutista, o papado interferia diretamente nos assuntos 
internacionais, sendo um mediador e, em certos casos, um ator internacional 
reconhecido. O Estado é chefiado pelo papa, um cargo vitalício, e o pontífice 
nomeia os auxiliares que exercerão funções administrativas e diplomáticas. 
NA PRÁTICA 
Situações de guerra civil geraram em alguns países contextos inusitados, 
como o fim ou quase ausência do Estado. É o caso da Somália, da República 
Democrática do Congo (antigo Zaire) e da Líbia, após a morte do ditador Khadafi. 
Em tais casos, diferentes grupos com distintas características políticas, étnicas 
e religiosas tentam assumir o poder, mas nenhum com efetivo poder de 
prevalecer sobre os demais. O caso mais notório é o da Somália, onde por 
alguns anos os chamados Senhores da Guerra, líderes de clãs locais, 
governaram pequenos territórios dentro do país. Nessas situações, há 
intervenção direta e indireta de países vizinhos, assim como das Nações Unidas 
(Missões de Paz) e de órgãos regionais, como a OUA (Organização da Unidade 
Africana). 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula que, no mundo contemporâneo, há outras variáveis para 
analisar o Estado, e não apenas os critérios ideológicos ou econômicos – liberal, 
comunista, socialdemocrata ou neoliberal. Fatores como o neopopulismo, a 
religião, as características geográficas e históricas, democracia ou autoritarismo 
e fatores geográficos interferem direta ou indiretamente no modelo de Estado 
assumido – ou mesmo a fragilização do Estado em alguns casos específicos. 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
ALI, T. Confronto de fundamentalismos. São Paulo: Record, 2002. 
CONTROLE absoluto do governo sobre comunicações com o resto do mundo 
deixa famílias desoladas. Anistia Internacional Brasil, 9 mar. 2016. Disponível 
em: <https://anistia.org.br/noticias/coreia-norte-controles-mais-rigorosos-sobre-
comunicacao-com-o-mundo-exterior-deixam-familias-desoladas/>. Acesso: 5 
jun. 2018. 
FAUSTO, B. O neopopulismo na América Latina. Folha de São Paulo, 17 fev. 
2006. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1702200609.
htm>. Acesso: 5 jun. 2018. 
IANNI, O. A formação do Estado populista na América Latina. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1975. 
INSTITUTO VON MISES. Liberdade e economia austríaca no principado de 
Liechtenstein. Disponível em: <http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1890>. 
Acesso: 5 jun. 2018. 
LINZ, J. Um regime autoritário: Espanha. In: CARDOSO, F. H. & MARTINS, 
C. E. Política e Sociedade. São Paulo: Nacional, 1979. 
MILANI, A. Iran: A Coup In Three Steps. Forbes, 15 jun. 2009. Disponível em: 
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ahmadinejad-opinions-contributors-milani.html>. Acesso: 5 jun. 2018. 
PAHO – Pan American Health Organization. Saúde nas Américas, ed. 2012, v. 
regional. Disponível em: <http://www.paho.org/salud-en-las-americas-
2012/index.php?option=com_docman&view=download&category_slug=sna-
2012-capitulos-pais-28&alias=239-antilhas-holandesas-
239&Itemid=231&lang=pt>. Acesso: 5 jun. 2018. 
SANTANA, L. Absolutismo resiste na Suazilândia. O Estado de S.Paulo. 
Disponível em: <http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,absolutismo-
resiste-na-suazilandia-imp-,574541>. Acesso: 5 jun. 2018. 
SILVA, D. L. S. & ANDRADE, C. A. O. Sobre a Coreia do Norte no ciberespaço: 
o Juche e o Grande Líder nas páginas do solidariedade à Coreia Popular. 
Boletim Historiar, n. 20, jul./set. 2017. Disponível em: 
 
 
13 
<https://seer.ufs.br/index.php/historiar/article/viewFile/7391/5948>. Acesso: 5 
jun. 2018. 
SOUSA, R. G. Sistema político iraniano. Disponível em: 
<http://brasilescola.uol.com.br/historia/sistema-politico-iraniano.htm>. Acesso: 5 
jun. 2018. 
U.S. Department of State. Bureau of East Asian and Pacific Affairs. U.S. 
Relations With the Federated States of Micronesia, 9 out. 2017. Disponível 
em: <https://www.state.gov/r/pa/ei/bgn/1839.htm>. Acesso: 5 jun. 2018. 
ZANINI, F. País representa relíquia dos reinos absolutistas. Folha de S.Paulo, 
24 maio 2010. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2405201002.htm>. Acesso: 5 jun. 
2018. 
 
 
 
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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estado moderno e contempora neo – Estúdo dirigido 
 
 
 
 
Material de disciplina 
 
 
CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexões 
teóricas sobre sua trajetória. Cúritiba: Intersaberes, 2017 
 
Ví deoaúlas 1 a 6. 
 
Rotas de Aprendizagem (Material para impressa o) 1 a 6. 
 
 
Neste breve resúmo, destacamos a importa ncia para seús estúdos de algúns temas diretamente 
relacionados ao contexto trabalhado nesta disciplina. Os temas súgeridos abrangem o conteú do 
programa tico da súa disciplina nesta fase e lhe proporcionara o maior fixaça o de tais assúntos, 
conseqúentemente, melhor preparo para o sistema avaliativo adotado pelo Grúpo Uninter. Esse 
e apenas úm material complementar, qúe júntamente com a Rota de Aprendizagem completa 
(livro-base, videoaúlas e material vincúlado) das aúlas compo em o referencial teo rico qúe ira 
embasar o seú aprendizado. Utilize-os da melhor maneira possí vel. 
 
 
 
 
 
 
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Bons estúdos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atença o! 
 
Esse material e para úso exclúsivo dos estúdantes da Uninter, e na o deve ser públicado oú 
compartilhado em redes sociais, reposito rios de textos acade micos oú grúpos de mensagens. O 
seú compartilhamento infringe as polí ticas do Centro Universita rio UNINTER e podera implicar 
em sanço es disciplinares, com possibilidade de desligamento do qúadro de alúnos do Centro 
Universita rio, bem como responder aço es júdiciais no a mbito cí vel e criminal. 
 
 
 
 
 
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Sumário 
 
 
Tema: Do Estado Absolútista ao Estado Nacional Moderno ................................................................................................................ 4 
Tema: Contratúalistas: Hobbes, Locke e Roússeaú .................................................................................................................................. 5 
Tema: A crí tica Ilúminista ................................................................................................................................................................................... 7 
Tema: Estado Búrocra tico e Estado-Naça o .................................................................................................................................................. 8 
Tema: O aporte Weberiano .............................................................................................................................................................................. 10 
Tema: Welfare State .............................................................................................................................................................................................13 
Tema: Estado e Neoliberalismo ..................................................................................................................................................................... 15 
Tema: Novas formas de organizaça o estatal (Neopopúlismo, Estados teocra ticos, Estados totalita rios e 
aútorita rios, MicroEstados, Estados exo ticos e Estados fra geis) .................................................................................................... 17 
Tema: Globalizaça o e o Estado digital ......................................................................................................................................................... 20 
 
 
 
 
 
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Tema: Do Estado Absolutista ao Estado Nacional Moderno 
 
“Hobbes e Locke, em particúlar, foram contempora neos a s Revolúço es Inglesas qúe ocorreram 
em qúase todo o se cúlo XVII, tendo como caracterí stica central o conflito entre a Coroa e o 
Parlamento. A Coroa representava o absolútismo e o Parlamento representava a búrgúesia 
liberal ascendente. Foi úm perí odo de crise polí tica, religiosa e econo mica. Foi nesse contexto 
de gúerra civil e de úma sociedade carente de úma aútoridade polí tica central qúe Thomas 
Hobbes e John Locke, ambos ingleses, viveram e escreveram súas teorias sobre o contrato 
social”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es 
teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 35. De acordo com a rota de 
aprendizagem 1, “Ao longo do se cúlo XVI foi se estabelecendo na Eúropa a ideia de úm Estado 
forte, qúe se personifica na figúra do monarca. Mas foi no se cúlo XVII qúe este modelo se 
consolidoú, de forma qúe se crioú úma institúiça o com poder absolúto, distanciando-se da 
interfere ncia da nobreza e da igreja” (p.3). O Absolútismo pode ser definido como úm “sistema 
polí tico qúe predominoú na Eúropa entre o se cúlo XVI e o final do se cúlo XVIII” (04’48”). “As 
principais caracterí sticas do Estado Absolútista sa o: centralizaça o: Estado forte regido por úm 
ú nico individúo; primeiros passos da organizaça o búrocra tica moderna; Economia 
mercantilista; e Patrimonialismo” (06’50”). E ainda, “a ideia de naça o oú nacionalidade passa a 
basear-se no territo rio e na noça o de povo (todos os qúe habitam o territo rio), e na o tanto na 
etnia oú religia o, como foi, por exemplo, em boa parte do Impe rio Romano e no feúdalismo. Em 
relaça o a segúrança, o Estado era agora o grande protetor, com a criaça o dos exe rcitos nacionais 
compostos por cidada os, e na o mais por mercena rios oú indiví dúos de oútras nacionalidades”. 
Fonte: Rota de Aprendizagem 1, p. 3 e Ví deo Aúla 1 (04’48”) e (06’50”). 
 
--- 
 
“Se assúmirmos a formaça o do Estado como parte do processo de modernizaça o qúe começoú 
com o Renascimento, enta o os primeiros Estados nacionais súrgiram em territo rios qúe hoje 
correspondem a França, Inglaterra, Portúgal e Espanha dúrante os se cúlos XV e XVI. Esse 
processo ocorreú simúltaneamente ao mercantilismo, e esses Estados eram marcados pelas 
feiço es do absolútismo (Bresser-Pereira, 2009)”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do 
Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: 
Intersaberes, 2017, p. 46 e 47. De acordo com a rota de aprendizagem 1, “O mercantilismo foi o 
modelo econo mico predominante dúrante o absolútismo eúropeú. Consistia basicamente em 
úma polí tica de acú múlo de riqúezas – metais preciosos provenientes da Ame rica. A nobreza e 
a búrgúesia comercial, tanto como o Estado, assúmiam esse papel de acú múlo, sendo o Estado 
o grande indútor e protetor desse sistema”. Fonte: Rota de aprendizagem 1, p. 5. 
 
--- 
 
“O pensamento moderno, por súa vez, teve iní cio com o Renascimento italiano, do qúal se 
destaca Maqúiavel (1469-1527). Considera-se como perí odo moderno aqúele qúe vai do 
Ilúminismo ate o iní cio do se cúlo XX, e como contempora neo, o perí odo qúe se inicia na segúnda 
 
 
 
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metade do se cúlo XX” (Adaptado). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno 
ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 14 e 
15. Maqúiavel apresentoú úma ideia moderna de Estado. Analisoú o Estado e o poder polí tico 
como tendo natúreza pro pria e sendo ponto central da polí tica moderna. O Estado como 
realidade pro pria. Essa definiça o pode ser verificada na rota de aprendizagem 1, “A ideia 
moderna de Estado foi apresentada por Maqúiavel no Livro O Príncipe (1532), no qúal ele 
analisa o Estado e o poder polí tico como tendo natúreza pro pria e sendo ponto central da 
polí tica moderna”. Fonte: Rota de aprendizagem 1, p.7. 
 
Tema: Contratualistas: Hobbes, Locke e Rousseau 
“Hobbes fala de úma natúreza imúta vel dos homens em relaça o ao tempo e a histo ria, o qúe os 
coloca em condiça o de igúaldade plena entre si e faz com qúe nenhúm possa se sobrepor 
integralmente aos demais. Para o aútor, essa sitúaça o leva a úma instabilidade, na qúal ningúe m 
consegúe saber o qúe os oútros pensam oú desejam. O mais prúdente sempre seria atacar, com 
vistas a evitar ser atacado em algúm momento. Assim, o homem estaria em úm permanente 
estado de gúerra de todos contra todos”. O estado de natúreza e úm estado hipote tico em qúe 
cada úm e completamente livre para fazer o qúe qúer. E úm estado sem normas reconhecidas 
por todos, sem contrato, em qúe aflora a natúreza húmana. Essa ideia pode ser melhor 
compreendida na pa gina 35 do livro base da disciplina. “Os teo ricos do contratúalismo tinham 
como ponto de partida o estado de natúreza: a sitúaça o na qúal os indiví dúos viviam como 
proprieta rios livres e igúais de si mesmos e com úm leqúe irrestrito de aça o. Súas teorias 
giravam fúndamentalmente em torno da explicaça o do abandono, por parte dos indiví dúos, de 
úm estado de natúreza fictí cio para constitúir úma sociedade politicamente organizada. Essa 
passagem do estado de natúreza para úm estado civil teria acontecido por meio de úm pacto: 
úm contrato social qúe originaria o Estado” (p. 35). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do 
Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: 
Intersaberes, 2017, p.35-36. 
 
--- 
 
“O objetivo capital e principal da únia o dos homens em comúnidades sociais e de súa súbmissa o 
a governos e a preservaça o de súa propriedade. O estado de natúreza e carente de múitas 
condiço es. Em primeiro lúgar, ele carece de úma lei estabelecida, fixada, conhecida, aceita e 
reconhecida pelo consentimento geral, para ser o padra o do certo e do errado e tambe m a 
medida comúm para decidir todas as controve rsias entre os homens. (Locke, 1994, p. 156)”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es 
teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 39. De acordo com a rota de 
aprendizagem 2, John Locke “E considerado úm dos precúrsores do Ilúminismo e úm dos 
principais disseminadores do pensamento liberal, em especial no qúe tange a defesa da 
propriedade privada como garantia da liberdade. Súas ideias esta o expostas na obra Segundo 
tratado sobre o governo (1681), na qúal defende valores tí picos do Ilúminismo: úm Estado na o 
aútorita rio, contrariando o pensamento hobbesiano, comúm naqúele perí odo, e o úso da raza o 
para explicar a realidade (e na o do pensamento religioso oú da fe ). Ainda, criticoú a ideia do 
 
 
 
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“Direito divino”, em voga dúrante súa vida (aúge do absolútismo). Para Locke, o Estado deve 
estar sújeito a lei. Defendeú a divisa o do poder, sendo o Legislativo o mais importante, pois 
representa o povo, a fonte real de poder. Maso Estado, acima de túdo, seria o grande gúardia o 
da propriedade privada, base da liberdade” (p. 3). Fonte: Rota de Aprendizagem 2, p. 3. 
 
--- 
 
“Oútro aútor fúndamental do pensamento polí tico moderno foi Montesqúieú (1689-1755). No 
seú modelo esta a ideia de pesos e contrapesos, oú seja, úma abordagem realista do feno meno 
polí tico institúcional sobre como somente úm poder pode impor limites a oútro poder” 
(Adaptado). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: 
reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 39 – nota de rodape ). 
Montesqúieú propo s úma teoria mais so lida sobre a separaça o dos poderes, refinando a ideia 
aristote lica de constitúiça o mista, oú seja, de balanceamento entre as institúiço es democra ticas, 
aristocra ticas e mona rqúicas. De acordo com a rota de aprendizagem 2, “Na obra O espírito das 
leis (1748), Este pensador propo e ideias qúe impeçam a tirania oú o governo despo tico, 
evitando a viole ncia e a arbitrariedade, ta o comúns dúrante o Absolútismo. Baseando-se no 
modelo ingle s, Montesqúieú faz o contraponto monarqúia constitúcional e repú blica versus 
despotismo. O Estado seria estrútúrado em fúnça o de tre s poderes independentes: 1) o 
Execútivo dirigiria as coisas pú blicas em fúnça o das leis, no entanto, teria o poder de veto; 2) a 
Magistratúra seria úm poder impessoal e independente, com leis criadas pelos representantes 
do povo, 3) o Legislativo (Parlamento). As atribúiço es do Estado seriam racionalmente 
divididas, e úm poder so interferiria em oútro em sitúaço es especiais. Seria o qúe ele designoú 
de “sistema de contrapesos”, no qúal o poder controla o poder”. Fonte: Rota de Aprendizagem 2, 
p. 4. 
 
--- 
 
“Os filo sofos contratúalistas búscavam a fúndamentaça o racional do poder soberano para 
consegúir úma base de legitimidade qúe na o necessitasse das explicaço es divinas oú religiosas. 
Mais especificamente, os teo ricos do contratúalismo tinham como ponto de partida o estado de 
natúreza”. Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacqúes Roússeaú sa o os nomes dos mais 
importantes filo sofos contratúalistas. Essa afirmativa pode ser verificada no livro base da 
disciplina, “A melhor forma de compreender o Estado moderno e búscar as teorias mais 
inflúentes sobre ele. Por isso, na o ha como iniciar a discússa o sem apresentar os tre s teo ricos 
contratúalistas ico nicos: Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704) e Jean Jacqúes 
Roússeaú (1712-1778). Esses aútores sofreram inflúe ncia direta do contexto histo rico em qúe 
viviam, como as ditas descobertas de novos múndos considerados na o civilizados e a posterior 
colonizaça o do múndo na o eúropeú” (p. 34 e 35). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do 
Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: 
Intersaberes, 2017, p. 34 e 35. 
 
 
 
 
 
 
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Tema: A crítica Iluminista 
“Os princí pios ilúministas regem, em maior oú menor graú, a maioria das democracias 
modernas – assim como úma parte do cena rio internacional – a partir da lo gica do Estado-
Naça o, da mediaça o das organizaço es internacionais e dos tratados internacionais”. O 
ilúminismo foi úm conjúnto de obras e ideias qúe qúestionava o absolútismo e os valores 
medievais qúe ainda vigoravam na sociedade eúropeia. Essa definiça o pode ser verificada na 
pa gina 3 da rota de aprendizagem 2, “O Ilúminismo, se cúlos XVII e XVIII, foi úm conjúnto de 
obras e ideias qúe qúestionava o absolútismo e os valores medievais qúe ainda vigoravam na 
sociedade eúropeia – por exemplo, o teocentrismo, qúe deveria ser súbstitúí do pelo domí nio da 
raza o (cie ncia).O termo “Ilúminismo” contrapo e-se a ideia de “trevas” qúe obscúreciam o 
conhecimento, tí pico do perí odo medieval, de forma a ilúminar o múndo com úm novo tipo de 
conhecimento, qúe certamente seria úsado para os assúntos da polí tica e do Estado”. Fonte: 
Rota de Aprendizagem 2, p. 3. 
 
--- 
 
“A paz perpe túa trata qúe o direito cosmopolí tico deve circúnscrever-se a s condiço es de úma 
hospitalidade úniversal. Dessa forma, Kant traz no terceiro artigo definitivo de úm tratado de 
paz perpe túa, o fato de qúe existe úm direito cosmopolitano relacionado com os diferentes 
modos do conflito dos indiví dúos intervirem nas relaço es com oútros indiví dúos. A pessoa qúe 
esta em seú territo rio, no seú domí nio, pode repelir o visitante se este interfere em seú domí nio. 
No entanto, caso o visitante mantenha-se pací fico, na o seria possí vel hostiliza -lo. Tambe m, na o 
se trata de úm direito qúe obrigatoriamente o visitante poderia exigir daqúele qúe o tem assim, 
mas sim, de úm direito qúe persiste em todos os homens, o do direito de apresentar-se na 
sociedade. O direito de cada úm na súperfí cie terrestre pode ser limitado no sentido da 
súperfí cie. Ja o indiví dúo deve tolerar a presença do oútro, sem interferir nele, visto qúe tal 
direito persiste a toda espe cie húmana. Enta o, o direito da posse comúnita ria da súperfí cie 
terrestre pertence a todos aqúeles qúe gozam da condiça o húmana, existindo úma tolera ncia de 
todos a fim de qúe se alcance úma convive ncia plena. Veja qúe o ato de hostilidade esta presente 
no ato do direito de hospitalidade. Mesmo qúe o espaço seja limitado, os indiví dúos devem se 
comportar pacificamente com o intúito de se alcançar a paz de conví vio mú túo. O 
relacionamento entre as pessoas esta na constrúça o dos direitos de cada úm, sendo 
indispensa vel para a compreensa o do direito cosmopolí tico de modo a garantir as condiço es 
necessa rias para termos úma hospitalidade úniversal. Por fim, a na o violaça o do direito 
cosmopolitano e o direito pú blico da húmanidade criara condiço es para o favorecimento da paz 
perpe túa, proporcionando a esperança de úma possí vel aproximaça o do estado pací fico”. Fonte: 
Wikipe dia, 2018. Disponí vel em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Immanúel_Kant>. Acesso em: 
04 abr. 2018. De acordo com a rota de aprendizagem 2, “Defensor das ideias ilúministas, Kant 
escreveú o tratado A paz perpétua, no qúal apresenta princí pios qúe poderiam evitar a gúerra 
entre as naço es, como a na o intervença o, a formúlaça o de tratados sem ressalvas, o 
repúblicanismo, o fim do patrimonialismo (o Estado pertencendo ao monarca) e o fim dos 
exe rcitos permanentes. Mas foi a proposta de úma espe cie de “direito internacional” qúe deixoú 
úma herança no campo das relaço es internacionais. O princí pio deste direito seria o fato de qúe 
os Estados viviam na imine ncia de gúerra entre si e, para evitar tal sitúaça o, deveriam entrar 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Immanuel_Kant
 
 
 
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em acordo e criar úma federaça o de naço es, o qúe de fato se tentoú no se cúlo XX, com a Liga das 
Naço es e com a Organizaça o das Naço es Unidas (ONU)”. Fonte: Rota de aprendizagem 2, p. 5. 
 
--- 
 
“A expansa o do capitalismo e seú aprofúndamento pela Revolúça o Indústrial reestrútúraram a 
sociedade eúropeia por meio da modernizaça o econo mica. Trata-se da era das ma qúinas a 
vapor, da invença o da eletricidade, das cidades cada vez mais popúlosas (trazendo consigo 
todos os problemas de úma úrbanizaça o acelerada) e do progresso indústrial marcado por úma 
desúmana e exacerbada exploraça o da ma o de obra da classe trabalhadora. Foi esse o contexto 
qúe Karl Marx (1818-1883) viveú e dúrante o qúal escreveú”. De acordo com o livro base da 
disciplina “O Estado na o teria úma útilidade em si mesmo; pelo contra rio, estaria sempre a 
serviço de úma classe economicamente dominante, úma vez qúe esta seria incapaz de alcançar 
por si so seús pro prios interesses. O Estado e úm instrúmento: o grande partido da classe 
economicamente dominante” (p. 72). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Modernoao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 71-
72. 
 
Tema: Estado Burocrático e Estado-Nação 
“O aparelho estatal como o conhecemos atúalmente teve seús contornos definidos pelo 
contratúalismo liberal, por meio dos regimes democra ticos representativos, qúe se 
consolidaram como ordem júrí dica e governamental. A ideia de Estado-naça o existiú 
primordialmente nas grandes pote ncias múndiais no se cúlo XIX e iní cio do se cúlo XX. Foram 
elas qúe impúseram o modelo a ser segúido e definiram o campo da atividade polí tica e do 
fúncionamento das engenharias institúcionais qúe daí súrgiram (Cha telet; Pisier-Koúchner, 
1983). Ele e refere ncia para o poder polí tico organizado, a únidade polí tica mais relevante nos 
tempos posteriores a modernidade” (Adaptado). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do 
Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: 
Intersaberes, 2017, p. 26. De acordo com a rota de aprendizagem 1, “Em termos do qúe hoje 
definimos como “relaço es internacionais”, o cena rio a partir do se cúlo XVI estava se ampliando 
com a formaça o de naço es e a colonizaça o das terras rece m-descobertas qúe, em múitos casos, 
gerava conflitos por posse, pela búsca de metais preciosos e pelo domí nio de mercados. Ate 
enta o, os mediadores no cena rio internacional eram a Igreja Cato lica e o Sacro Impe rio Romano, 
qúe súbmetiam direta oú indiretamente as naço es eúropeias. E neste momento qúe úm novo 
ator internacional começa a emergir, o Estado-Naça o, com seús interesses polí ticos e 
econo micos especí ficos e com úma lo gica pro pria de existe ncia...”“O Estado-Naça o 
paúlatinamente se tornoú independente na medida em qúe a igreja foi perdendo seú poder; 
primeiramente, com o enfraqúecimento do argúmento do direito divino e, em segúndo lúgar, 
com a Igreja deixando de ser úm a rbitro internacional, possibilitando úm sistema laico – na o 
ligado a igreja – de relaço es internacionais, prevalecente ate os dias atúais”. Em súma, e o Estado 
como ator internacional. Fonte: Rota de Aprendizagem 1, p. 6. 
 
--- 
 
 
 
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“O feno meno da búrocracia e caracterí stica central das administraço es modernas. A búrocracia 
e formada por pessoas igúais e livres em sitúaça o de nivelamento social, com obrigaço es 
objetivas e compete ncias fixas. Os contratos de trabalho ocorrem pela seleça o segúndo a 
qúalificaça o profissional, com sala rios fixos de acordo com a hierarqúia (meritocracia). A 
búrocracia se apresenta como úma forma de dominaça o rí gida, com alto graú de controle e 
disciplina. O ní vel de qúalificaça o cresce continúamente com a búrocracia” (Adaptado). Fonte: 
CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre 
súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 58. De acordo com a ví deo aúla 1, “Vimos qúe ha 
distintas abordagens sobre o Estado: Estado Búrocra tico qúe se refere a administraça o interna 
do Estado-Naça o e Estado-Naça o qúe e entendido como ator internacional” (11’20”). “O estado 
búrocra tico se caracteriza, ja no perí odo absolútista, por úma administraça o interna 
centralizada. O Estado búrocra tico tambe m regúla e fornece proteça o interna aos sú ditos na 
forma de criaça o de institúiço es, exemplos: polí cia e forças armadas, institúiço es controladas 
por legislaça o. O estado tambe m controla e protege a economia e controla a arrecadaça o de 
impostos” (11’25”) (Adaptado). 
 
--- 
 
“O patrimonialismo e úma ideia essencial para a definiça o do Homem Cordial, conceito 
idealizado pelo socio logo Se rgio Búarqúe de Holanda em Raí zes do Brasil. Victor Núnes Leal, 
em seú cla ssico "Coronelismo: enxada e voto" trabalha de modo magistral o patrimonialismo no 
Brasil. Para este aútor, a medida qúe o poder pú blico ia se afirmando sobre o poder privado, e o 
Estado imperial ganhava força e podia prescindir da "múleta" dada pelos latifúndia rios e 
senhores de terras, este mesmo Estado teria extralegalmente tolerado qúe o fazendeiro (o 
chamado "coronel") embarcasse dentro da "canoa" do Estado moderno; em troca da "força 
moral" (dos votos) dos corone is fazendeiros, o Estado brasileiro continúoú, embora 
ilegalmente, homologando os poderes formais e informais destas figúras. Ja os fazendeiros, 
"perdendo os ane is para conservar os dedos", soúberam adaptar-se aos novos tempos, e 
embarcaram qúase inco lúmes na "canoa sem remo" da repú blica. O legado do poder privado, 
mesmo hoje, ainda sobrevive dentro da ma qúina governamental com o úso e presença do 
"jeitinho brasileiro", qúando a maioria dos polí ticos veem o cargo pú blico qúe ocúpam como 
úma "propriedade privada" súa, oú de súa famí lia, em detrimento dos interesses da 
coletividade”. Fonte: Wikipe dia, 2018. Disponí vel em: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Patrimonialismo> Acesso em: 04 abr. 2018. De acordo com a 
ví deo aúla 1 “Dúrante o perí odo absolútista, na o havia distinça o entre o pú blico e o privado. Oú 
seja, o monarca (o rei) e as aútoridades podiam útilizar os recúrsos privados oú pú blicos de 
forma ambí gúa. Por exemplo: o rei poderia retirar o dinheiro do cofre e comprar presentes para 
pessoas pro ximas qúe ningúe m iria reclamar” (08’30”). Fonte: Ví deo Aúla 1 (08’30”). 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Patrimonialismo
 
 
 
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Tema: O aporte Weberiano 
“Max Weber (1864-1920) foi o aútor qúe mais bem conceitúoú a transiça o do Estado absolútista 
para o moderno. Ele tambe m soúbe delinear com grande precisa o a economia capitalista e todas 
as transformaço es estrútúrais decorridas do processo de modernizaça o e racionalizaça o. Seús 
principais conceitos sa o, sobretúdo em relaça o ao Estado moderno e a emerge ncia da 
administraça o do tipo búrocra tica” (Adaptado). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do 
Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: 
Intersaberes, 2017, p. 52. De acordo com a rota de aprendizagem 2, “O socio logo Max Weber e 
considerado úm dos maiores teo ricos oú inte rpretes do Estado Moderno. Em súa vasta obra, 
analisoú inú meros temas, inclúindo o advento do chamado Estado racional legal, frúto de úm 
lento processo histo rico, com raí zes na Idade Me dia, mas qúe so se consolidoú na Modernidade, 
e primeiramente no múndo ocidental, com o predomí nio do capitalismo e do Estado-Naça o” (p. 
9). “Uma das mais conhecidas frases de Weber e a qúe define o Estado moderno como a 
institúiça o qúe, em determinado territo rio, de forma legí tima (de acordo com as regras 
socialmente aceitas), monopoliza o instrúmental de coaça o fí sica (a viole ncia legí tima), 
reúnindo para esse fim meios organizacionais, dirigentes e fúnciona rios, desapropriando os 
lí deres aúto nomos qúe antes detinham aqúele poder (Weber, 2004).Tal fato se realiza no poder 
de coagir e, se for o caso, de forçar, por exemplo, a aça o da polí cia, de fiscais, de oficiais de jústiça, 
das forças armadas e de variadas institúiço es estatais oú por elas designadas” (p.9). E ainda, 
“No absolútismo e no múndo antigo, o poder se encarnava na figúra do soberano oú da nobreza, 
de forma qúe as leis eram múitas vezes aplicadas de maneira pessoal, oú seja, variavam de 
acordo com as circúnsta ncias oú com a prefere ncia da aútoridade. Para Weber, úma 
pecúliaridade da modernidade e o predomí nio de úma dada forma de dominaça o, a institúcional 
oú legal, qúe se manifesta de maneira impessoal na forma de leis e de úma administraça o 
cientí fica, isto e , baseada no ca lcúlo racional, úsando os modernos meios te cnicos e 
organizacionais”. Fonte: rota de aprendizagem 2, p. 9 e 10. 
 
--- 
 
“Oútra caracterí stica da dominaça o racional e a docúmentaça o dos processos. Trata-se do 
feno menoda búrocracia – caracterí stica central das administraço es modernas. A búrocracia e 
formada por pessoas igúais e livres em sitúaça o de nivelamento social, com obrigaço es objetivas 
e compete ncias fixas”. De acordo com o livro base da disciplina, “a dominaça o racional e aqúela 
qúe se calca na validade de regras racionalmente estatúí das. O poder e legitimado por úm 
sistema de regras racionais, oú seja, obedecem-se a s regras, e na o as pessoas; daí qúe ela e 
impessoal e aponta para compete ncias objetivas. Na dominaça o racional ha aútoridade 
institúcional, hierarqúia oficial e qúalificaça o profissional. No qúe se refere ao qúadro 
administrativo, ha separaça o absolúta em relaça o aos meios administrativos, e as atividades 
profissionais sa o realizadas em locais separados dos domicí lios dos fúnciona rios. O fúnciona rio 
na o possúi o cargo, apenas o direito ao cargo por úm ví ncúlo objetivo (Weber, 1984, 2011)”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es 
teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 58. 
 
 
 
 
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“Existe sempre a crença na validade da estrútúra de dominaça o qúe molda as aço es sociais, o 
qúe constitúi o primeiro impúlso a determinar súa orientaça o para úm objetivo (Weber, 1984, 
2011). E importante ressaltar qúe dominaça o e poder na o ocorrem separadamente; ao 
contra rio, podem ocorrer júntos oú haver úma transiça o de úm para o oútro. O Estado e o lócus 
onde poder e dominaça o se encontram; e a arena polí tica por excele ncia”. De acordo com o livro 
base da disciplina, “A dominaça o carisma tica, por seú túrno, tem como fúndamento de 
legitimidade fatores “extracotidianos” das caracterí sticas “sobre-húmanas” do lí der. Nesse 
sentido, os dominados obedecem em virtúde de provas constantes (“milagres”) e súa crença no 
lí der nasce do entúsiasmo. Para continúar existindo, a dominaça o carisma tica precisa de provas 
constantes. Seú qúadro administrativo e a comúnidade, o se qúito, o agrúpamento de segúidores 
paútado por úm cara ter emocional. De acordo com as qúalidades carisma ticas do lí der, os 
dominados assúmem úma caracterí stica jústaposta: profeta e discí púlos, gúerreiro e seú 
se qúito, lí der e homens de confiança etc. Na o ha , portanto, hierarqúia, carreira, nomeaça o oú 
compete ncias fixas, o qúe existe e a “missa o” dos grúpos. Sem sala rio oú prebendas, apenas 
relaça o amorosa oú de camaradagem. Sem aútoridades fixas, apenas emissa rios. Sem 
regúlamentos, normas oú direito racional, somente o qúe “esta escrito”, aqúilo qúe “em verdade 
vos digo” (Weber, 1984, 2011). A dominaça o carisma tica e extracotidiana porqúe ocorre fora de 
formas cotidianas de dominaça o. Ela e irracional por na o haver regras oú tradiço es. Alheia a 
economia, vive de aqúisiço es ocasionais por meio de doaço es, gorjetas, extorsa o e viole ncia” (p. 
57). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es 
teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 55-57. 
 
--- 
 
“No qúe diz respeito a s formas de gesta o econo mica, a dominaça o tradicional emperra o 
desenvolvimento do capitalismo racional em raza o da vincúlaça o tradicional em relaça o a 
tribútaça o, a arbitrariedade da fixaça o de taxas, impostos, monopo lios etc. Esse contexto 
impossibilita ca lcúlos previsí veis de arrecadaça o, impedindo as atividades aqúisitivas (Weber, 
1984, 2011)”. De acordo com o livro base da disciplina, “Weber resúme a dominaça o tradicional 
como “a aútoridade do ‘passado eterno’, oú seja, dos costúmes santificados pela validez 
imemorial e pelo ha bito, enraizado nos homens, de respeita -los. Assim se apresenta o ‘poder 
tradicional’, qúe o patriarca oú o senhor de terras exercia antigamente”. Ha , portanto, múito 
espaço para a arbitrariedade do senhor. Trata-se do reino do favoritismo e do clientelismo, em 
qúe faltam princí pios de compete ncia fixa segúndo regras objetivas, hierarqúia racional, 
contrato livre, nomeaça o, formaça o profissional (Weber, 1984, 2011)”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; 
JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. 
Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 56-57. 
 
--- 
 
“Para entender o pensamento weberiano, precisamos fazer úma breve revisa o de súa 
metodologia de ana lise. O qúe o aútor procúra demonstrar e a possibilidade de generalizaço es 
 
 
 
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nas cie ncias húmanas e sociais. Para tanto, mobiliza a metodologia da sociologia compreensiva, 
qúe búsca interpretar as aço es húmanas visando identificar as caúsalidades nos eventos 
histo ricos. A abordagem weberiana apresenta o conceito-chave tipo ideal, qúe consegúe 
condensar os aspectos da súa matriz intelectúal”. De acordo com o livro base da disciplina “A 
abordagem weberiana apresenta o conceito-chave tipo ideal, qúe consegúe condensar os 
aspectos da súa matriz intelectúal: trata-se de úm recúrso heúrí stico qúe orienta os 
pesqúisadores na descoberta tanto dos motivos das aço es húmanas qúanto das relaço es de 
caúsalidade dos eventos histo ricos, qúe, por meio de comparaça o, possibilitam captar graús de 
generalizaço es (Weber, 2004).O tipo ideal e úma abstraça o conceitúai qúe procúra reter as 
semelhanças de casos tí picos gerais. Ao constrúir úma classificaça o como essa – púra, por ser 
impossí vel de existir na realidade procúra-se retirar as singúlaridades e preservar os aspectos 
gerais de determinado feno meno. Por ser úm constrúcto mental, tal conceito permite encontrar 
graús e ní veis de generalizaço es no múndo concreto. E úm modelo qúe se compara a úma 
lanterna qúe gúia o pesqúisador em úma realidade complexa de relaço es caúsais (Weber, 1984). 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es 
teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 52-53. 
 
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“Weber foi úm aútor qúe consegúiú decifrar as transformaço es de seú tempo, úm múndo 
atravessado de contradiço es polí ticas e revolúço es tecnolo gicas e cientificas. Súa percepça o a 
respeito do feno meno búrocra tico na gesta o organizacional e dos desafios para a democracia 
liberal qúe daí derivaram e ainda contempora nea. O Estado qúe ele via se desenvolver era úma 
ma qúina perfeita de racionalidade administrativa sob a e gide normativa do espí rito liberal” 
Clemente & Júliano, p.62. “Oútra caracterí stica de Weber e o individúalismo metodolo gico, qúe 
consiste em entender e explicar os feno menos polí ticos e sociais tendo como base o indiví dúo. 
Jon Elster apresenta úma conceitúaça o bastante elúcidativa a respeito do individúalismo 
metodolo gico. Para o aútor, seria úma metodologia na qúal: todos os feno menos sociais – súa 
estrútúra e súa múdança – sa o, em princí pio, explica veis por fatores qúe envolvem apenas as 
pessoas, súas propriedades, seús objetivos, súas crenças e súas aço es. Passar das institúiço es 
sociais e dos padro es agregados de comportamento para os indiví dúos e úma operaça o 
semelhante a passagem do estúdo das ce lúlas a s mole cúlas. (Elster, 1985, p. 5, tradúça o nossa)”. 
Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas 
sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 54-62. 
 
--- 
 
“Com o foco voltado para as condútas húmanas e múnido da abordagem dos tipos ideais, Weber 
constro i súa teoria com base nas “aço es sociais” dos agentes. Contúdo, na o e qúalqúer tipo de 
condúta qúe caracteriza úma aça o social, mas somente aqúela na qúal ha úma interaça o entre 
os agentes qúe se orientam reciprocamente”. A discússa o sobre o conceito de Poder ocúpa úm 
papel de destaqúe na obra de Max Weber. De acordo com o livro base da disciplina “poder 
significa a capacidadede impor súa pro pria vontade a oútros. Trata-se, no múndo moderno, da 
polí tica e do agir polí tico. O poder tomado isoladamente e úm conceito qúe na o diz múita coisa. 
 
 
 
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Torna-se necessa rio qúalifica -lo “em relaça o a qúe” e “sobre o qúe” úm agente possúi poder. Ele 
e sempre relacional, oú seja, súa releva ncia se da pelas circúnsta ncias em qúe ocorre úma 
relaça o de poder”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao 
Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 54 e 55. 
 
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“As relaço es de poder envolvem sempre úm ca lcúlo, no qúal adentram dimenso es estrate gicas 
das condútas húmanas, envolvendo o conhecimento pre vio do oútro e a tentativa de antecipar 
comportamentos fútúros. Assim, os atribútos do poder se orientam por úma aça o racional em 
relaça o aos fins (Weber, 1984; 2011). Em oútras palavras: polí tica [e ] o conjúnto de esforços 
feitos visando a participar do poder oú a inflúenciar a divisa o do poder, seja entre Estados, seja 
no interior de úm ú nico Estado” (Weber, 2011, p. 60)”. De acordo com o livro base da disciplina 
“Dominaça o, por súa vez, significa encontrar obedie ncia de acordo com o conteú do da ordem 
mandada, fato qúe pressúpo e disciplina e obedie ncia imediata e a noça o de treino 
(socializaça o). Portanto, demanda úma associaça o de dominaça o, oú seja, úm aparato, úm 
qúadro administrativo, úma estrútúra de dominaça o cúja pecúliaridade e determinada pelo 
cara ter do cí rcúlo de pessoas qúe exercem súa administraça o e seú alcance. Mais qúe isso, a 
dominaça o e sempre validada e atribúi-se sentido a ela envolvendo as noço es de aútoridade e 
legitimidade. Existe sempre a crença na validade da estrútúra de dominaça o qúe molda as aço es 
sociais, o qúe constitúi o primeiro impúlso a determinar súa orientaça o para úm objetivo 
(Weber, 1984, 2011). E importante ressaltar qúe dominaça o e poder na o ocorrem 
separadamente; ao contra rio, podem ocorrer júntos oú haver úma transiça o de úm para o oútro. 
O Estado e o lo cús onde poder e dominaça o se encontram; e a arena polí tica por excele ncia” (p. 
55). Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es 
teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 55. 
 
Tema: Welfare State 
“No final do se cúlo XIX e iní cio do se cúlo XX, algúmas naço es iniciaram úm processo em qúe o 
Estado assúmia a responsabilidade de assistir a popúlaça o, sendo o embria o do Welfare State – 
mas isso apenas se consolidaria apo s a II Gúerra múndial”. De acordo com a rota de 
aprendizagem 4, “Na segúnda metade do se cúlo XX, consolidoú-se nos paí ses capitalistas 
desenvolvidos, principalmente na Eúropa, úm determinado tipo de Estado, conhecido como 
Welfare State, oú Estado do Bem-Estar Social. Súa caracterí stica principal, de acordo com 
Arretche, era a aça o do Estado no tocante a “provisa o de serviços sociais, cobrindo as mais 
variadas formas de risco da vida individúal e coletiva” (1995). As naço es qúe radicalizaram tal 
modelo foram, principalmente, as qúe tiveram governos socialdemocratas oú coalizo es 
socialistas e liberais. Ate hoje, Súe cia e Finla ndia, por exemplo, sa o paí ses conhecidos pelos 
excelentes e diversos serviços sociais, como saú de, edúcaça o e assiste ncia na velhice, oferecidos 
a toda a popúlaça o” (p.2) E ainda, “E importante frisar qúe úma caracterí stica do Estado 
Moderno e jústamente a de assúmir fúnço es qúe antes eram de esfera privada oú de certas 
institúiço es sociais, como a Igreja Cato lica na Eúropa. O Estado Moderno passa a se 
responsabilizar diretamente pela proteça o interna e externa da naça o, pela jústiça e, direta oú 
 
 
 
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indiretamente, por edúcaça o, saú de, economia e aço es de infraestrútúra. Dessa forma, em 
relaça o a qúesta o social, as naço es modernas iniciam úm processo de discússa o polí tica, oú seja, 
úm debate sobre os chamados “novos direitos”, inclúindo os direitos sociais. A partir disso, 
pensa-se o qúe fazer, qúem realiza as aço es e de qúe forma”. Fonte: Rota de aprendizagem 4, p. 
2 e 3. 
 
--- 
 
Embora a pobreza e a mise ria sempre fizessem parte da histo ria eúropeia, hoúve úma 
intensificaça o a partir do súrgimento e consolidaça o do capitalismo. Nas sociedades indústriais 
do se cúlo XIX, diversos problemas sociais estavam em evide ncia, concentrados nas grandes e 
me dias cidades, conhecidos como a qúesta o social – mise ria, fome, analfabetismo, 
criminalidade, desemprego, falta de assiste ncia hospitalar, popúlaça o sem reside ncia, túdo isso 
colocoú em xeqúe as promessas qúe a sociedade capitalista e liberal apregoava. De acordo com 
a rota de aprendizagem 4, “No modelo de Welfare State socialdemocrata, o princí pio ba sico e o 
da eqúidade, e na o o do me rito (como ocorre no modelo liberal, do tipo em qúe qúem contribúi 
tem direito). Assim, os serviços sociais sa o amplos e úniversais, independentemente de 
contribúiça o oú do valor da contribúiça o. Oútro princí pio importante e o de qúe tais polí ticas 
na o sa o cústos, mas investimentos, na medida em qúe a sociedade e beneficiada com padro es 
mí nimos de edúcaça o, saú de, habitaça o, renda e erradicaça o da mise ria. Fonte: Rota de 
aprendizagem 4, p. 2-5. 
 
--- 
 
“O Welfare State avançoú mesmo nos paí ses de tradiça o liberal, onde ha resiste ncia a 
interfere ncia e a participaça o do Estado na economia oú em temas sociais. Em tal tradiça o, 
pressúpo e-se qúe os indiví dúos seriam os maiores responsa veis pela súa sitúaça o social”. De 
acordo com a rota de aprendizagem 4, “No modelo de Welfare State liberal, a atúaça o do Estado 
se baseia em assiste ncia “aos comprovadamente pobres, redúzidas transfere ncias úniversais oú 
planos modestos de previde ncia social. Os benefí cios atingem principalmente úma clientela de 
baixa renda, em geral da classe trabalhadora oú dependentes do Estado”. Os EUA formam úm 
exemplo ba sico deste modelo com o chamado New Deal (1933-1945), programa governamental 
criado para amenizar os efeitos da crise econo mica dos anos de 1930, qúando foi criada a 
Previde ncia Social e “úm sistema de segúro-desemprego, ale m de fornecimento de aúxí lio 
financeiro a s famí lias menos abastadas e com filhos em idade de depende ncia” (Gomes, 2006). 
Ressalte-se ainda qúe, mesmo neste modelo, ha múita disparidade. A Inglaterra, por exemplo, 
possúi serviços sociais bem mais amplos qúe os EUA. No caso norte-americano, altamente 
descentralizado, ha múita variedade de polí ticas sociais em cada Estado da federaça o, oú 
mesmo nos múnicí pios”. Fonte: Rota de aprendizagem 4, p. 6 e 7. 
 
--- 
 
“Ate o final do se cúlo XIX, a Igreja Cato lica poúco interferia na qúesta o social, pelo menos em 
termos polí ticos. Na o se fazia crí ticas a s possí veis caúsas de tais problemas, nem se apontava as 
 
 
 
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solúço es. Certamente, a Igreja agia na lo gica da caridade e da filantropia – como, por exemplo, 
mantendo orfanatos. Foi enta o qúe, em 1891, alarmado com o avanço do socialismo, do 
movimento opera rio e do modelo capitalista predominante, o Papa Lea o XIII lançoú úma 
Encí clica na qúal discúte sitúaça o e condiço es de trabalho dos opera rios. A partir daí , e lançada 
úma proposta de acordo entre as classes sociais (contrapondo-se a tese da lúta de classes). O 
docúmento modificoú a forma de aça o cato lica em relaça o aos problemas sociais e foi a base da 
chamada Doútrina Social da Igreja”. Fonte: Rota de aprendizagem 4, p. 5. De acordo com a rota 
de aprendizagem 4, “No modelo de Welfare State conservador, considerado por Esping 
Andersen (1991) como corporativo oú Welfare State mona rqúico, estariagarantido o bem-estar 
social e a “harmonia entre as classes, lealdade e produtividade. Segundo este modelo, um sistema 
eficiente de produção não derivaria da competição, mas da disciplina. Um Estado autoritário seria 
muito superior ao caos dos mercados no sentido de harmonizar o bem do Estado, da comunidade 
e do indivíduo”. Os serviços sociais, enta o, na o sa o ta o amplos como nos paí ses escandinavos, e 
os benefí cios variam de acordo com a classe social do beneficia rio”. Fonte: Rota de 
aprendizagem 4, p. 5-6. 
 
--- 
 
“Desde o iní cio da de cada de 1980 úma ideologia neoliberal espalhoú-se pelo múndo, 
simbolizada pelos anos de Thatcher e Reagan no poder. As investidas contra os Estados de Bem-
Estar Social (oú regimes de polí ticas sociais) na Inglaterra e nos EUA foram anúnciadas como a 
prova de úma nova era”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao 
Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p.151. De 
acordo com a rota de aprendizagem 4, “Nos anos de 1970, ocorreú úma forte crise financeira 
global: inflaça o, estagnaça o econo mica, júros altos, desemprego – problemas decorrentes, 
dentre oútros fatores, da crise do petro leo e de úma crise fiscal. Neste segúndo aspecto, o 
Welfare State foi apontado pelos crí ticos neoliberais como úm dos principais responsa veis da 
crise, na medida em qúe os gastos estatais eram enormes e a altí ssima carga de impostos na o 
dava conta de atender a crescente demanda. Ao mesmo tempo, a Teoria Neoliberal se fortalece 
e aponta algúmas hipo teses para as falhas do modelo, conforme indica Draibe (1984) a respeito 
das crí ticas ao Welfare State, qúando os gastos sociais do Estado so aúmentavam, gerando: 
desequilíbrio orçamentário, provocando déficits públicos recorrentes, que penalizam a atividade 
produtiva e provocam inflação e desemprego. [...] Em resumo, os gastos sociais e sua forma de 
financiamento são responsáveis pela inflação, declínio dos investimentos e, portanto, pelo 
desemprego. Oútros pontos indicados pela crí tica neoliberal eram o excessivo paternalismo, o 
comodismo, a poúca eficie ncia/prodútividade, ale m de úma ampla búrocracia, inchando o 
Estado com múitos fúnciona rios, aúmentando os gastos”. Fonte: Rota de aprendizagem 4, p. 7. 
 
Tema: Estado e Neoliberalismo 
“O texto de Friedrich Aúgúst von Hayek, O caminho da servidão, lançado em 1944, e considerado 
o momento de fúndaça o do neoliberalismo, eqúivalente ao Manifesto comúnista para o 
socialismo. Em 1947, na Súí ça (Mont Pe lerin), ocorre úm encontro de va rios intelectúais 
liberais, como Milton Friedman, Hayek, Lipmann, Lúdwig von Mises, Karl Popper. Todos 
 
 
 
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comúngavam as crí ticas de Hayek e criaram úma associaça o para divúlgar súas ideias 
(Anderson, 1996). Na verdade, o economista Von Mises ja havia escrito antes va rios textos com 
o mesmo conteú do, inclúsive propondo a diferenciaça o entre o velho liberalismo e úm 
liberalismo renovado, mais tarde conhecido como neoliberalismo”. Para discorrer sobre as 
semelhanças entre o liberalismo cla ssico e o neoliberalismo e preciso ter em mente qúe, de 
acordo com a rota de aprendizagem 5, “Em termos gerais, as ideias sa o múito semelhantes, 
paútadas em liberdade individúal, direito a propriedade privada e defesa da economia de 
mercado concorre ncia e livre iniciativa)”. Fonte: Rota de aprendizagem 5, p. 2. 
 
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“Para evitar qúe o exercí cio da liberdade de úm indiví dúo constranja a liberdade de oútro, e 
necessa ria a proteça o das leis do Estado, desde qúe limitadas ao mí nimo aceita vel para garantir 
a ordem geral, o cúmprimento dos contratos e a proteça o da sociedade contra-ataqúes 
externos”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: 
reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 18. Para responder sobre 
o qúe podemos compreender por Estado mí nimo, e importante ter claro qúe, de acordo com a 
rota de aprendizagem 5, “As principais atribúiço es do Estado mí nimo seriam: manútença o e 
garantia da ordem (jústiça e polí cia); zelo pelo bom fúncionamento do mercado; segúrança 
externa; infraestrútúra – investir so em casos de falta de interesse oú de capital privado. Ale m 
disso, o Estado deveria ser “enxúto”. Fonte: Rota de aprendizagem 5, p. 3. 
 
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“Dúrante dúas de cadas, as ideias neoliberais na o tiveram múito espaço nos meios 
governamentais e acade micos, ate qúe, em meados dos anos de 1960, as úniversidades 
começaram a acatar tais ideias e, em termos polí ticos, na de cada de 1970, foram implementados 
os primeiros programas neoliberais, reorientando a aça o do Estado em diversos paí ses”. Sobre 
as diferenças entre o liberalismo cla ssico e o neoliberalismo, lemos na rota de aprendizagem 5 
qúe “e importante salientar algúmas diferenças entre o liberalismo cla ssico – tí pico dos se cúlos 
XVIII e XIX – e a nova proposta. Os liberais cla ssicos combatiam o Absolútismo e a decadente 
sociedade feúdal. Ja os neoliberais te m o socialismo e o Estado do Bem-Estar Social como seús 
maiores adversa rios. Oútra diferença histo rica e qúe, nos se cúlos XVIII e XIX, o Estado-naça o 
estava se consolidando, de forma qúe o discúrso liberal, ainda qúe enfatizando o livre mercado, 
precisava de úm Estado forte para dar garantias a s empresas nacionais e a pro pria búrgúesia, 
classe social qúe estava se consolidando. Nesse sentido, o Estado contribúiú para a formaça o de 
oligopo lios, oú do protecionismo econo mico. A Inglaterra Vitoriana e úm bom exemplo deste 
fato. Ja os neoliberais na o admitem protecionismos, monopo lios oú oligopo lios, nem mesmo a 
ideia de úm Estado economicamente forte, pois defendem úm come rcio sem fronteiras. Assim, 
a globalizaça o e vista por algúns como úm feno meno, se na o gerado, pelo menos incentivado 
pelo neoliberalismo” (Adaptado). Fonte: Rota de aprendizagem 5, p. 2. 
 
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“Os primeiros Estados a implementar polí ticas neoliberais foram o Reino Unido e os Estados 
Unidos, onde os princí pios econo micos do livre mercado eram mais firmemente estabelecidos 
(Heywood, 2003). Nos anos 1980, para controlar a inflaça o, as administraço es de Ronald 
Reagan, nos Estados Unidos, e de Margareth Thatcher, no Reino Unido, redúziram os gastos 
pú blicos para controlar a oferta de dinheiro no mercado”. Fonte: CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. 
C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. Cúritiba: 
Intersaberes, 2017, p. 162. De acordo com a rota de aprendizagem 5, “As polí ticas neoliberais 
tiveram e xito no combate a inflaça o e na diminúiça o do de ficit fiscal. Tambe m diminúiú a visa o 
paternalista de Estado, qúe indúzia a comportamentos poúco competitivos oú ao comodismo. 
Por oútro lado, as crí ticas sa o va rias, dados os princí pios frios, múitas vezes considerados 
desúmanos. O aúmento do desemprego, da desigúaldade e a diminúiça o dos programas sociais 
sa o vistos como elementos de favorecimento dos mercados, em especial do financeiro. O 
eqúilí brio das contas pú blicas e a diminúiça o de impostos na o significoú maiores investimentos 
prodútivos, e sim especúlativos”. Fonte: Rota de aprendizagem 5, p. 8. 
 
Tema: Novas formas de organização estatal (Neopopulismo, Estados teocráticos, Estados 
totalitários e autoritários, MicroEstados, Estados exóticos e Estados frágeis) 
 
“A democracia tí pica do se cúlo XIX era elitista, com redúzida participaça o popúlar e, em múitos 
casos, como na Ame rica Latina, baseada em dominaça o de oligarqúias regionais. Nos anos de 
1930, no entanto, súrgiram novos modos de exercer o poder, em especial na relaça o entre 
governantes e povo. Na o se tratava mais de úma polí tica restrita a elite. E o caso do popúlismo”.De acordo com a rota de aprendizagem 6, sobre o popúlismo: “Tratava-se de úma forma de 
poder baseada na visa o únita ria do Estado, entendido como úma comúnidade de interesses 
solida rios no qúal o lí der faz a mediaça o entre as distintas classes sociais, com amplo apoio da 
classe trabalhadora, mas tambe m da classe me dia, com relativa repressa o a oposiça o (Ianni, 
1975). O popúlismo pode ser democra tico oú ditatorial. O lí der popúlista possúi pecúliaridades: 
súa imagem se confúnde com a do Estado, pois se enfatiza a identidade, qúe Ianni denomina de 
Estado-chefe-povo. Tal identidade e criada atrave s do carisma pessoal do lí der, de súa 
habilidade em se relacionar com o povo útilizando temas e formas de discúrsos tí picos das 
massas, colocando-se de forma paternalista e heroica, como protetor do povo”. Fonte: Rota de 
aprendizagem 6, p. 2-3. 
 
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“Fatores como o neopopúlismo, a religia o, as caracterí sticas geogra ficas e histo ricas, 
democracia oú aútoritarismo e fatores geogra ficos interferem direta oú indiretamente no 
modelo de Estado assúmido – oú mesmo a fragilizaça o do Estado em algúns casos especí ficos”. 
Fonte: Rota de aprendizagem 6, p.11. De acordo com a rota de aprendizagem 6, “O popúlismo 
prevaleceú na Ame rica Latina ate os anos de 1950, mas voltoú a aparecer nas ú ltimas de cadas 
com novas roúpagens. De acordo com Faústo (2006), “as novas lideranças popúlistas se 
caracterizam pelo personalismo, pela difúsa o da crença no hero i salvador, pelas pra ticas 
aútorita rias”, mas tambe m pelo discúrso voltado aos efeitos da globalizaça o e a problemas da 
Modernidade, tais como exclúsa o social, desemprego, combate a criminalidade e ao 
 
 
 
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narcotra fico. O novo popúlismo possúi úma base de apoio qúase qúe somente de base popúlar, 
na o caracterizada pela classe trabalhadora, mas pelas massas marginalizadas” (p. 3). Fonte: 
Rota de aprendizagem 6, p. 3. 
 
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“No múndo antigo e medieval, era praxe considerar qúe úm soberano possúí a origem divina, e 
o Estado se confúndia com aqúele lí der. A Modernidade troúxe a concepça o de Estado Laico, 
separando religia o e polí tica”. Fonte: Rota de aprendizagem 6, p. 4. De acordo com a rota de 
aprendizagem 6, “Um Estado efetivamente teocra tico e aqúele organizado na crença de qúe o 
faz de acordo com a vontade divina, súbmetendo as deciso es, direta oú indiretamente, a cle rigos 
da religia o oficial. Ha graús diferentes de inflúe ncia religiosa” (p .5). Fonte: Rota de 
aprendizagem 6, p. 5. 
 
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“A ideia de totalitarismo como poder polí tico “total” atrave s do estado foi formúlada em 1923 
por Giovanni Amendola qúe criticoú o fascismo italiano como úm sistema fúndamentalmente 
diferente das ditadúras convencionais. O termo depois ganhoú conotaço es positivas nos 
escritos de Giovanni Gentile, o principal teo rico do fascismo. Ele úsoú o termo "totalita rio" para 
se referir a estrútúra e metas do novo estado. O novo estado deveria dispor sobre a 
"representaça o total da naça o e a orientaça o total das metas nacionais". Ele descreveú o 
totalitarismo como úma sociedade em qúe a ideologia do estado teria inflúe ncia, se na o poder, 
sobre a maioria de seús cidada os. Segúndo Benito Mússolini, este sistema politiza túdo qúe e 
espiritúal e húmano”. Fonte: Wikipe dia, 2018. Disponí vel em: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Totalitarismo>. Acesso em: 22 ago. 2018. De acordo com o 
socio logo Júan Linz, totalitarismo se diferencia de aútoritarismo no qúe tange ao graú de 
repressa o e de controle na o democra tico de úma sociedade. Seria úma dominaça o total, 
amparada pelas leis e pela força brúta. As principais caracterí sticas seriam: ideologia oficial, 
múitas vezes com aspectos mí sticos oú milenaristas (por exemplo, o lí der visto como úm grande 
hero i, qúase divino); úm so partido polí tico, propagador da ideologia controle completo dos 
meios de comúnicaça o e das forças armadas; controle policial de todos – criminosos, 
adversa rios oú simples cidada os. Ja o Estado Aútorita rio possúi úm plúralismo controlado, 
súfocado, qúe permite certas associaço es e algúma oposiça o. As leis e os demais poderes podem, 
eventúalmente, interferir no combate ao arbí trio, como nas va rias ditadúras latino-americanas 
nos anos de 1970. Fonte: Rota de aprendizagem 6, p. 7. 
 
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“Algúns Estados fogem aos modelos tradicionais, seja porqúe te m úma finalidade distinta de 
oútros Estados, seja porqúe sa o, digamos assim, semi-independentes. Um Estado Aúto nomo e 
aqúele qúe, embora pertença a úm paí s, possúi grande aútonomia polí tica e econo mica. Pode 
ser cúltúral e geograficamente distinto do paí s a qúe pertence, como e o caso de algúmas ilhas 
caribenhas, mas tambe m pode estar encravado no territo rio nacional, como a Catalúnha, na 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Totalitarismo
 
 
 
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Espanha. Na o e raro qúe fatores e tnicos e religiosos resúltem na maior aútonomia de certas 
regio es (por exemplo, o Cúrdista o iraqúiano e a ilha filipina de Mindanao (múçúlmana)”. Sa o 
modelos de estados exo ticos: Antilhas Holandesas - Ate 2010, este territo rio holande s formado 
por cinco ilhas no Caribe, com cerca de 800 km² e popúlaça o pro xima de 200 mil habitantes, 
possúí a grande aútonomia, inclúsive com Constitúiça o pro pria, parlamento e governo local 
centralizado, ale m de governos especí ficos em cada ilha. O Reino dos Paí ses Baixos (Holanda) 
tinha a responsabilidade de proteça o. A partir daqúele ano ocorreú a dissolúça o das Antilhas 
Holandesas. “As ilhas de Cúraçao e Sa o Martinho tornaram-se territo rios aúto nomos do Reino 
dos Paí ses Baixos. Arúba ja tinha tal statús desde 1986. Bonaire, Santo Eústa qúio e Saba 
tornaram-se múnicí pios especiais dos Paí ses Baixos” (Paho, 2012). Vaticano - E considerado o 
menor paí s do múndo, com 0,44 km², encravado em Roma. Na realidade, e cúrioso qúe seja 
considerado úm paí s. Súa popúlaça o de cerca de 800 habitantes e composta por religiosos e 
pela gúarda súí ça, tradicionais gúardia es do Vaticano, os qúais mante m súa nacionalidade 
original. A qúantidade de túristas e múito maior qúe a de residentes. A Santa Se e responsa vel 
pelos assúntos eclesia sticos e o Estado do Vaticano e a sede temporal da Igreja Cato lica, 
tornando-se independente em 1929. Mas lembremos qúe, ate o perí odo absolútista, o papado 
interferia diretamente nos assúntos internacionais, sendo úm mediador e, em certos casos, úm 
ator internacional reconhecido. O Estado e chefiado pelo papa, úm cargo vitalí cio, e o pontí fice 
nomeia os aúxiliares qúe exercera o fúnço es administrativas e diploma ticas”. Fonte: Rota de 
aprendizagem 6, p. 10 e 11. 
 
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“Ha paí ses espalhados pelo globo cújos territo rios e popúlaça o eqúivalem a úm peqúeno oú 
me dio múnicí pio brasileiro. Apesar disso, podem possúir as mesmas prerrogativas dos demais 
paí ses, inclúsive com assento na ONU e direito de voto na Assembleia Geral, o o rga o deliberativo 
desta institúiça o. Ha diversas especificidades em cada úm destes paí ses, podendo variar o graú 
de aútonomia, a forma de governo e o papel do Estado”. Sa o exemplos de microestados: 
Liechtenstein - Peqúeno paí s eúropeú com territo rio poúco maior qúe 160 km² (a cidade de Sa o 
Paúlo tem 1.521 km²) e popúlaça o de cerca de 35 mil habitantes. E considerado úm principado, 
oú seja, qúase úma cidade-estado cújo governo e exercido por úm prí ncipe (Monarqúia 
Constitúcional), com parlamento e representaça o. Contúdo, com popúlaça o ta o peqúena, e 
comúm qúe os cidada os exerçam formas de democracia direta, tendo grandes poderes de 
destitúir polí ticos oú de vetar oú aprovar leis. Principados na o possúem soberania total. De 
acordo com úm institúto propagador das ideias neoliberais, o principado se caracterizapor ser 
o paí s qúe mais se adeqúa aos princí pios desta teoria (Institúto Von Mises, S.d.). O Prí ncipe 
Regente Hans Adam II e úm disseminador dessas ideias, em especial as relativas ao risco de úm 
excessivo crescimento do Estado; Estados Federados da Microne sia - Consiste em úm conjúnto 
de mais e 600 ilhas distribúí das em úm territo rio ocea nico de mais de 2.900 km contí gúos (oú 
cerca de 2,5 milho es de km² de oceano), mas com a rea efetiva de terras de poúco mais de 700 
km². A popúlaça o e de mais de 104 mil habitantes (2017). Trata-se de úm Estado soberano, 
independente desde 1979, associado aos EUA, responsa vel por súa defesa. A Microne sia e 
dividida em 4 territo rios aúto nomos, Chúúk, Kosrae, Pohnpei e Yap. E úma Repú blica 
Presidencialista, com parlamento únicameral, mas o governo central tem poúco poder efetivo. 
De acordo como o Departamento de Estado norte-americano, os EUA, ale m de protetores, sa o o 
 
 
 
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principal parceiro comercial, tendo va rios acordos bilaterais, inclúsive no qúe tange ao direito 
de os cidada os microne sios viverem oú estúdarem nos EUA sem vistos. Em contrapartida, os 
norte-americanos possúem bases navais na regia o”. Fonte: Rota de aprendizagem 6, p. 9 e 10. 
 
 
 
Tema: Globalização e o Estado digital 
“O conceito de globalizaça o foi amplamente debatido nas dúas de cadas passadas. Ele diz 
respeito a úm feno meno ainda em marcha e qúe, em linhas gerais, representa o processo por 
meio do qúal o Estado-naça o se torna cada vez mais poroso e aberto as qúesto es qúe provem 
do contexto internacional. Mais especificamente, a globalizaça o se refere a “todos os atores – 
governos nacionais, organizaço es na o governamentais, empresas e cidada os – tornando-se mais 
abertos a inflúe ncias internacionais e relacionando-se e agindo sob tais inflúe ncias (Kúhnle, 
2007, p. 89)”. De acordo com o livro base da disciplina, “Iniciamos pela dimensa o cúltúral da 
globalizaça o, qúe permeia as va rias a reas em qúe se estabelecem as relaço es sociais. A 
globalizaça o cúltúral e associada a maneira pela qúal a circúlaça o de informaço es e 
conhecimentos e difúndida pelo múndo, qúase instantaneamente, pelas mí dias digitais. O 
conteú do dessa circúlaça o se relaciona a distintos “tipos de vida”, propagados graças ao avanço 
de novas tecnologias os qúais, pore m, na o esta o dissociados dos processos histo ricos de 
desenvolvimento dos paí ses. Kúhnle (2007) chama a atença o para a ocidentalizaça o oú 
“americanizaça o” do múndo qúe freqúentemente acompanha essa difúsa o; úma vez qúe “os EUA 
e o ‘Ocidente’ tem tido úma vantagem te cnica e polí tica no qúe se refere a disseminaça o de 
informaço es, conhecimentos, ideias, institúiço es prodútos, em escala múndial [...] ela implica, 
no mí nimo, a homogeneizaça o das cúltúras múndiais” (Kúhnle, 2007, p. 94). Fonte: CLEMENTE, 
A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa 
trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 171 e 172. 
 
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“Nos ú ltimos 20 anos, as Tecnologias de Informaça o e Comúnicaça o (TICs) deram úm salto de 
qúalidade, possibilitando a abertúra ao múndo digital por interme dio da internet. Essa 
revolúça o tecnolo gica na comúnicaça o global constitúiú-se como úm dos principais pilares da 
globalizaça o no múndo contempora neo e impactoú va rias a reas da vida húmana, inclúindo 
principalmente a esfera econo mica, a cúltúral e a polí tica (Kúhnle, 2007)”. De acordo com o livro 
base da disciplina, “A globalizaça o econo mica, por súa vez, embora na o seja úm evento recente", 
apresenta algúmas caracterí sticas marcantes na contemporaneidade, a saber: a 
internacionalizaça o da prodúça o, do come rcio e dos investimentos estrangeiros; o aúmento das 
redes de corporaço es transnacionais; o abandono da regúlaça o dos flúxos financeiros, levando 
ao incremento da mobilidade do capital, das mercadorias e de oútros serviços; úm regime 
diferenciado de livre competitividade no come rcio exterior; a criaça o de úm mercado em escala 
global; os deslocamentos e as realocaço es de atividades econo micas no interior dos paí ses; e o 
aúmento do ní vel de competitividade entre as naço es (Kúhnle, 2007).Júntamente com a 
expansa o do neoliberalismo e a prepondera ncia do capitalismo financeiro, a globalizaça o foi 
responsa vel pela incorporaça o de economias nacionais em úma economia global, na qúal a 
 
 
 
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prodúça o e internacionalizada e o capital flúi livremente entre paí ses” (p. 173).Fonte: 
CLEMENTE, A. J.; JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre 
súa trajeto ria. Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 170-173. 
 
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“O Banco Múndial, o Fúndo Moneta rio Internacional (FMI), a Organizaça o para a Cooperaça o e 
o Desenvolvimento Econo mico (OCDE), a Unia o Eúropeia (UE) e a Organizaça o Internacional do 
Trabalho (OFF), entre oútras, exercem, de va rias formas, úm papel nas polí ticas de bem-estar 
em ní vel múndial”. Essas organizaço es existem em úm ní vel súpranacional, o qúe, de acordo com 
o livro base da disciplina, “nos leva a úm aspecto apontado por Kúhnle (2007), a globalizaça o 
polí tica. O aútor explica qúe ela diz respeito a ampliaça o das relaço es polí ticas transnacionais 
nos ní veis governamentais e entre organizaço es na o governamentais (ONGs). Na o apenas 
“podemos pensar em va rias qúesto es, ideias e institúiço es qúe se tornam globais - como a 
democracia, os direitos húmanos e a proteça o do meio ambiente’ (Kúhnle, 2007, p. 93) –como 
tambe m podemos constatar qúe a globalizaça o permitiú criar complexas institúiço es 
internacionais na tentativa de criar úma sociedade civil global” (p.176). Fonte: CLEMENTE, A. J.; 
JULIANO, M. C. Do Estado Moderno ao Contemporâneo: reflexo es teo ricas sobre súa trajeto ria. 
Cúritiba: Intersaberes, 2017, p. 176-177.