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Maria Clara Cavalcante ESCABIOSE E PEDICULOSE ESCABIOSE Doença contagiosa causada pelo Sarcoptes scabiei var hominis – exclusivo da pele do homem, morrendo rápido se fora dela Produz dermatose pruriginosa com predomínio noturno Contágio direto – mas tem certa possibilidade longínqua (indiretamente – através de objetos recentemente contaminados por um doente) Incide tem todas as idades, mas é mais comum em adultos e não tem predileções Endêmica, com surtos epidêmicos Tem relação com promiscuidade (sobretudo sexual) Ciclo evolutivo: • Dura 15 dias, em média • Período de incubação: 3-4 semanas – quando surge a erupção pruriginosa ou 1-2 dias em casos de reinfecção O prurido surge por 2 mecanismos: • Alérgico (eosinofilia sanguínea, sobretudo na escabiose crostosa) • Mecânico (progressão do parasita, sobretudo a noite, como consequência do calor do leito) Clínica: Lesão típica – túnel escabiótico sinuoso, na extremidade tem pequena vesícula do tamanho da cabeça de um alfinete (eminência acarina – onde o parasita se encontra) • Esses túneis aumentam com a progressão da doença e se localizam principalmente nos dedos, pregas interdigitais, punhos, cotovelos, mamilos, axila, genitália, nádegas e hipogastro • Em crianças, é comum ter lesões no couro cabeludo, palmas e plantas • Pode ocorrer, além de pápulascrostosas, lesões ponfosas urticariformes em áreas que não há túneis Pode ter lesões de escoriações com impetiginização secundária Pode haver evolução para glomerulonefrite Em saco escrotal e pênis, podem ocorrer nódulos eritematosos típicos e muito pruriginosos, podendo continuar após o tratamento – se assemelha a um linfoma, sendo um pseudolinfoma. O que completa o quadro é um prurido noturno ESCABIOSE CROSTOSA Sarna norueguesa Formação de crostas estratificadas localizadas, preferencialmente, em eminências ósseas, podendo comprometer as unhas, face, cabeça e palmoplantares Ocorre em pessoas com a higiene precária, neuropatas, deficientes mentais e imunodeprimidos A quantidade de parasitas é astronômica – explicando os surtos nosocomiais obrigatórios, se não diagnosticados Pode ser uma manifestação pelo vírus HTLV-1 e tem que pedir sorologia em quadros suspeitos DIAGNÓSTICO O prurido noturno e os túneis levam ao diagnóstico, que pode ser confirmado pelo achado do parasita A curetagem do túnel umedecido com solução potassa possibilita o achado de ovos, larvas e ninfas O dermatoscópio viabiliza a confirmação do diagnóstico pelo achado de pequenas estruturas triangulares (asa delta) e enegrecidas, acompanhado pelo segmento linear na base do triangulo (corresponde a porção pigmentada anterior do ácaro e ao túnel escabiótico preenchido por ovos e fezes do parasita) Pode-se realizar o método de fita gomada (caso tenha acometimento de nádegas) e fazer raspado de lesão (preferencialmente a noite, pois ocorre aumento da temperatura corporal e a fêmea fica mais ativa, aumentando a sensibilidade) TRATAMENTO Tratar todos os contatos Maria Clara Cavalcante O prurigo persiste em função da alergia ao ácaro, mesmo após o início do tratamento Adm a medicação por 2-3 noites seguidas e repetidas 1x semana após No adulto: • Aplica-se do pescoço pra baixo, no corpo todo Em crianças até 10 anos: • Inclusive no couro cabeludo até o final do corpo As medicações devem ser removidas no banho da manhã seguinte ao tratamento Tratamento tópico: • Permetrina 5% em solução (muito efetiva e baixa toxicidade) – recomendado aplicação única à noite e uma segunda após 5-7 dias. Não deve ser usada em crianças <2m, gestantes e durante o aleitamento • Enxofre (na forma de precipitado – 5-10%) em vaselina líquida ou pasta d’água por 3 noites consecutivas – Adequado para crianças <2m, gestantes e durante o aleitamento Tratamento sistêmico: Ivermectina – 1 cp para cada 30kg • Evitado em crianças <15kg, pacientes com alteração da barreira (meningites, AVC, TCE) e na amamentação • Adm com cautela em pacientes em uso de substâncias que atuam no SNC • Mecanismo de ação é sobre os canais de cloro controlados pelo glutamato e bem menos pelo GABA, levando a uma paralisia flácida dos agentes etiológicos • Tratamento: Dose única ou repetida após 10 dias, em jejum ou longe das refeições; • Recomenda-se seu uso em formas especiais de escabiose (crostosa, HIV, imunideprimidos) e deve ser evitadp o seu uso indiscriminado PEDICULOSE Três localizações principais: • Cabeça – (Pediculus humanus var) • Tronco – (P. humanus var. corporis) • Região pubiana (Phthirus pubis) Clínica: Cabeça: • Prurido intenso, com preferência por regiões occiptais e retroauriculares • Sinais de escoriação e infecção secundária, com repercussão ganglionar regional • Além do achado dos parasitos, podem se encontrar lêndeas (ovos alongados, esbranquiçados e que se fixam por meio de uma gelatina ao longo dos cabelos) Corporal: • Lesões papulourticarifomes e hemorrágicas decorrentes da picada e da sensibilidade provocada pela inoculação salivar • Localizam-se preferencialmente no tronco, abdome e nádegas e as vezes em membros • Escoriações lineares, liquenificação e pigmentação completam o quadro (doença do vagabundo) Pubiana: • Se fixam nos osteofolículos, injetando sua saliva que alteram a hemoglobina originamos manchas puntiformes cerúleas • prurido intenso havendo também escoriações e crostículas hemorrágica • pode haver impetiginização e eczematização secundárias • localizam-se preferencialmente nas regiões pubiana e perineal porém às vezes no abdômen tórax coxas e região supraciliar Tratamento: • Loção de lindano 1% • Benzoato de benzila 25% • Monossulfiram 25% Devem ser empregados por apenas uma noite, com repetição 8-10 dias após Uso de ivermectina é útil Em geral, é imperativo fazer o tratamento conjunto dos comunicantes Uso de pente fino metálico pode ajudar no diagnóstico e tratamento, assim como o corte do cabelo