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Programa Mais Médicos para o Brasil 2ª edição EIXO 4 | ATENÇÃO À SAÚDE Abordagem a problemas de olhos e visão MÓDULO 24 Programa Mais Médicos para o Brasil EIXO 4 | ATENÇÃO À SAÚDE Universidade Federal do Maranhão (UFMA) 2023 Abordagem a problemas de olhos e visão MÓDULO 24 2ª edição Instituições patrocinadoras: Ministério da Saúde Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) Secretaria-Executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Diretoria de Tecnologias na Educação (DTED/UFMA) Universidade Aberta do SUS da Universidade Federal do Maranhão (UNA-SUS/UFMA) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) B823a Brasil. Ministério da Saúde. Abordagem a problemas de olhos e visão [módulo 24] / Ministério da Saúde, Universidade Federal do Maranhão. Brasília: Fundação Oswaldo Cruz, 2023. Inclui referências. 68 p. : il., tabs. (Projeto Mais Médicos para o Brasil. Atenção à saúde ; 4). ISBN: 978-65-84901-36-0 1. Atenção básica. 2. Oftalmopatias. 3.Sistema Único de Saúde. 4. UNA-SUS. I. Título II. Universidade Federal do Maranhão. III. Série. CDU 610 Bibliotecária: Juliana Araujo Gomes de Sousa | CRB1 3349 Ficha Técnica © 2023. Ministério da Saúde. Sistema Universidade Aberta do SUS. Fundação Oswaldo Cruz. Universidade Federal de São Paulo. Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação e utilização dessa obra, em parte ou em sua totalidade, nos termos da licença para usuário final do Acervo de Recursos Educacionais em Saúde (ARES). Deve ser citada a fonte e é vedada a sua utilização comercial. Referência bibliográfica MINISTÉRIO DA SAÚDE. UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO. Abordagem a problemas de olhos e visão [módulo 24]. 2. ed. In: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Projeto Mais Médicos para o Brasil. Eixo 4: atenção à saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 68 p. Ministério da Saúde Nísia Trindade Lima | Ministra Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) Nésio Fernandes de Medeiros Junior| Secretário Departamento de Saúde da Família (DESF) Ana Luiza Ferreira Rodrigues Caldas| Diretora Coordenação Geral de Provimento Profissional (CGPROP) Wellington Mendes Carvalho | Coordenador Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Mario Moreira | Presidente Secretaria-executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) Maria Fabiana Damásio Passos | Secretária-executiva Coordenação de Monitoramento e Avaliação de Projetos e Programas (UNA-SUS) Alysson Feliciano Lemos | Coordenador Assessoria de Planejamento (UNA-SUS) Aline Santos Jacob Assessoria Pedagógica (UNA-SUS) Márcia Regina Luz Sara Shirley Belo Lança Soraya Medeiros Falqueiro Adriana Alves de Almeida Revisor Técnico-Científico UNA-SUS Paula Zeni Miessa Lawall Rodrigo Luciano Bandeira de Lima Rodrigo Pastor Alves Pereira Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Natalino Salgado Filho | Reitor Diretoria de Tecnologias na Educação (DTED/UFMA) Ana Emilia Figueiredo de Oliveira | Diretora Coordenação da UNA-SUS/UFMA Ana Emilia Figueiredo de Oliveira | Coordenadora Geral Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Diretoria de Tecnologias na Educação – DTED/UFMA Universidade Aberta do SUS da Universidade Federal do Maranhão – UNA-SUS/UFMA Endereço: Avenida dos Portugueses, 1966, Bacanga. Cidade/Estado: São Luís - MA CEP: 65080-805 Telefone: (98) 3272-9633 E-mail: atendimento.dted.ufma.br Site: https://www.unasus.ufma.br/ http://eadparavc.dted.ufma.br Créditos Revisores Técnico-Científicos UNA-SUS Ana Paula Borges Carrijo Paula Zeni Miessa Lawall Rodrigo Luciano Bandeira de Lima Rodrigo Pastor Alves Pereira Designer Gráfico UNA-SUS Claudia Peixoto Schirmbeck Apoio Técnico UNA-SUS Acervo de Recursos Educacionais em Saúde (ARES) – UNA-SUS Fhillipe de Freitas Campos Juliana Araujo Gomes de Sousa Tainá Batista de Assis Engenheiro de Software UNA-SUS José Rodrigo Balzan Onivaldo Rosa Júnior Desenvolvedor de Moodle UNA-SUS Claudio Monteiro Jaqueline de Carvalho Queiroz Josué de Lacerda Silva Luciana Dantas Soares Alves Lino Vaz Moniz Márcio Batista da Silva Rodrigo Mady da Silva Coordenadora Geral DTED/UNA-SUS/UFMA Ana Emília Figueiredo de Oliveira Coordenador Acadêmico (relacionado à temática) Humberto Oliveira Serra Gestão de Projetos da UNA-SUS/UFMA Amanda Rocha Araujo Coordenação de Produção Pedagógica da UNA-SUS/UFMA Paola Trindade Garcia Coordenação de Ofertas Educacionais da UNA-SUS/UFMA Elza Bernardes Monier Conteudistas Carlos Frederico Confort Campos Mannasses Araujo Costa Edição Textual UNA-SUS/UFMA Talita Guimarães Santos Sousa Camila Cantanhede Vieira Designers Gráficos UNA-SUS/UFMA João Victor Marinho Figueiredo Priscila Penha Coelho Lindomar Dantas Conrado Filho Carlos Haide Sousa Santos Designers Instrucionais UNA-SUS/UFMA Mizraim Nunes Mesquita Luís Gustavo Sodré Sousa Helen Maysa Belfort Sousa Karoline Corrêa Trindade Izabel Cristina Vieira de Oliveira Elisa Miranda Costa Samira Vasconcelos Gomes Steffi Greyce de Castro Lima Desenvolvedora Moodle UNA-SUS/UFMA Thacyla Lima Engenheira de Software UNA-SUS/UFMA Rayanne Silveira Administrador AVA/Moodle UNA-SUS/UFMA Jefferson de Almeida Paixão Apoio técnico UNA-SUS/UFMA Catarina Barbosa Azevedo Paulo Anderson Câmara Ribeiro Thálya Maciel de Alencar Equipe de Atualização do Material UNA-SUS/UFSC Sheila Rubia Lindner Elza Berger Salema Coelho Carolina Carvalho Bolsoni Dalvan Antônio de Campos Naiane Cristina Salvi Deise Warmling Sabrina Blasius Faust Tcharlies Dejandir Schmitz Thays Berger Conceição Sumário Apresentação 1. Olhos vermelhos Introdução da unidade 1.1 Avaliação dos olhos e visão 1.2 Olho vermelho 1.3 Conjuntivites 1.4 Glaucoma agudo 1.5 Iridociclite 1.6 Queimaduras: física e química 1.7 Corpo estranho 1.8 Erosão da córnea 1.9 Blefarite 1.10 Hemorragia subconjuntival Fechamento da unidade 2. Perda de acuidade visual Introdução da unidade 2.1 Acuidade visual 2.1.1 Causas de perda da acuidade visual 2.2 Miopia 2.3 Hipermetropia 2.4 Astigmatismo 2.5 Presbiopia 2.6 Catarata 2.7 Glaucoma crônico e congênito 2.8 Doenças retinianas Fechamento da unidade 3. Condições oculares mais comuns Introdução da unidade 3.1 Olho seco 3.2 Pterígio 3.3 Ptose palpebral 3.4 Hordéolo e calázio 10 11 11 12 18 18 22 23 24 26 28 29 31 33 34 34 35 39 39 41 42 43 44 45 48 52 53 53 54 55 57 59 3.5 Estrabismo 3.6 Fotofobia Fechamento da unidade Encerramento Referências Biografia dos conteudistas 60 62 63 64 65 67 Apresentação Caro profissional estudante, Seja bem-vindo ao módulo de Abordagem a Problemas de Olhos e Visão. A visão é um dos principais sentidos do ser humano. Por consequência, demanda atendimento de qualidade, cuidado e atenção desde o primeiro contato com os serviços de saúde. Este livro aborda o tema dos problemas de olhos e visão. A compreensão e o manejo das principais causas de perda da acuidade visual, processos inflamatórios e infecciosos e o manejo das principais urgências oftalmológicas configuram-se como uma estratégia de promoção de saúde pública, uma vez que pode proporcionar um melhor preparo da formação médica no primeiro nível de atenção à saúde. Dessa forma, esperamos que você tenha um bom estudo e que este livro contribua para que você consiga prestar um cuidado cada vez melhor para a população pela qual é responsável, ao lidar com os motivos de consulta relacionados aos olhos e à visão. Ao final do módulo, você deverá ser capaz de: • Diagnosticar e tratar na APS as doenças que afetam a córnea, a conjuntiva, a íris ou o corpo ciliar, principais causas de hiperemia da conjuntiva que se expressam por olho vermelho, além de identificar os casos agudos (de urgência ou emergência) ou crônicos que necessitam de referência ao especialista focal; • Avaliar a acuidade visual com a escala de Snellen e com o teste do reflexo vermelho através do oftalmoscópio, identificando as causas de limitação da visão aguda e progressiva,Seu efeito redutor de pressão intraocular inicia-se entre 1 e 5 dias e no máximo, pode ser observado após 3 semanas de uso, devendo ser administrada 1 gota 2 vezes ao dia (pela manhã e à noite) no saco conjuntival do olho afetado; Agentes hiperosmóticos: São muito úteis quando há uma elevação repentina na pressão intraocular. As drogas usadas costumeiramente são o Manitol, droga de uso endovenoso, o Glicerol e a Isossorbida, de uso oral. O isossorbida pode ser usada em pacientes diabéticos, enquanto Glicerol não, pois sua metabolização final resulta em glicose. Esses medicamentos são utilizados para o controle agudo da PIO e raramente usados além de poucos dias. Os hipotensores oculares são a única opção farmacológica disponível para o tratamento efetivo do glaucoma e suas complicações. Nas últimas décadas os avanços no desenvolvimento dessas medicações bem como as opções para a terapia combinada aumentaram. Essa combinação de antiglaucomatosos tem a conveniência de trazer a eficácia de dois agentes hipotensores oculares simultaneamente e aumentar a adesão do paciente ao tratamento. Como o glaucoma é uma doença incurável e as lesões prévias são irreversíveis, o tratamento é contínuo, sem duração pré-determinada, o que exige um adequado acompanhamento oftalmológico e um investimento importante na compreensão e na adesão do paciente. Quando o tratamento clínico é ineficaz, intolerável ou não conta com a adesão do paciente, a cirurgia antiglaucomatosa deve ser considerada para fins de controle da doença. Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para emergência oftalmológica: suspeita de glaucoma agudo (olho vermelho geralmente unilateral, dor ocular grave de início abrupto, náuseas e vômitos, olho tenso à palpação) (REGULASUS, 2017a). Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para oftalmologia: suspeita (por exemplo, por aumento da pressão intraocular ou aumento da escavação do disco óptico) ou diagnóstico de glaucoma (REGULASUS, 2017a). 2.8 DOENÇAS RETINIANAS As doenças que comprometem a retina podem ser próprias deste sítio anatômico (descolamento de retina, maculopatia senil, retinite pigmentar) ou secundárias a uma doença sistêmica, na Atenção Primária, destacam-se a retinopatia diabética e hipertensiva (DUNCAN et al., 2013). 49 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Na retinopatia diabética as pessoas referem visão embaçada, pontos ou manchas escuras flutuando na visão; piora da capacidade visual à noite e perda de visão central ou periférica. Os sintomas da retinopatia hipertensiva, geralmente, só se desenvolvem no final da doença e incluem visão turva ou defeitos do campo visual. A retinopatia diabética é uma microangiopatia progressiva, caracterizada por oclusão e danos aos pequenos vasos sanguíneos. Assim como na retinopatia hipertensiva sua evolução depende da rapidez de sua instalação, da duração da doença de base e da idade do indivíduo. Cerca de 80% dos diabéticos com 25 anos de doença vão ter retinopatia e cerca de 5% das pessoas com 30 anos de doença vão desenvolver cegueira. É recomendado que pessoas com DM1 sejam avaliadas ou referenciadas para avaliação oftalmológica (fundoscopia) dentro de 3 anos após o início da doença e, a partir daí, façam avaliação anual. Aquelas com HAS ou DM2 devem ser referenciadas para avaliação oftalmológica no momento do diagnóstico e reexaminadas pelo menos uma vez ao ano (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). O diagnóstico é baseado no histórico do paciente e em sintomas e achados à oftalmoscopia sob dilatação pupilar. Em pessoas portadoras de diabetes, o exame de fundo de olho pode apresentar: Sem retinopatia aparente: Sem alterações; Retinopatia diabética não proliferativa leve: Microaneurismas apenas; Retinopatia diabética não proliferativa moderada: Achados mais abundantes que na retinopatia não proliferativa leve, e menos abundantes que na retinopatia não proliferativa grave; Retinopatia diabética não proliferativa grave: Presença de um dos seguintes achados: mais de 20 hemorragias retinianas em cada um dos quatro quadrantes retinianos, ensalsichamento venoso em dois quadrantes ou microanormalidades vasculares intrarretinianas em um quadrante; Retinopatia diabética proliferativa: Presença de neovasos e/ou hemorragia vítrea ou pré-retiniana. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 50 Na hipertensão, a extensão e a gravidade da retinopatia são geralmente representadas em uma escala de 1 a 4. A escala é chamada de Sistema de Classificação Keith – Wagener – Barker. Os quatro graus aumentam em gravidade, como você pode observar no esquema a seguir: Pessoas com retinopatia de grau 4 têm um risco maior de acidente vascular cerebral e podem ter doença renal ou cardíaca associadas. O tratamento deve ser dirigido à patologia de base e também à microangiopatia da circulação retiniana. Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para emergência oftalmológica: diminuição de acuidade visual aguda ou associada à percepção súbita de sombra ou cortina sobre parte do campo de visão, fotopsia (flashes luminosos), moscas volantes ou metamorfopsia (percepção irreal de tortuosidade ou deformação da imagem) (REGULASUS, 2017a). Condições clínicas que indicam a necessidade de solicitar retinografia na Atenção Primária à Saúde (seguimento anual após primeira avaliação presencial com Oftalmologista), considerando a frequência já explanada ou o surgimento de sinais ou sintomas anormais antes do período em que ocorreria a próxima avaliação REGULASUS, 2017a): a) Diagnóstico de retinopatia diabética não proliferativa leve; ou b) Rastreamento de retinopatia em pacientes com diabetes (DM1 ou DM2). Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para oftalmologia (REGULASUS, 2017a): 51 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Rastreamento de retinopatia diabética: rastreamento de retinopatia diabética em gestantes com DM1 ou DM2, preferencialmente no primeiro trimestre gestacional (não é necessário encaminhar para rastreamento gestantes com diabetes gestacional); ou a avaliação inicial de pacientes com DM2 (no momento do diagnóstico) ou DM1 (em até três anos após o diagnóstico); ou rastreamento anual de retinopatia diabética em pacientes com DM1 ou DM2 (na impossibilidade de solicitar retinografia na APS); ou surgimento de sinais ou sintomas anormais antes do período em que deveria ocorrer a próxima avaliação com o Oftalmologista. Diagnóstico de retinopatia diabética identificado por retinografia: edema macular diabético; ou retinopatia proliferativa; ou retinopatia não proliferativa moderada/ grave; ou retinopatia não proliferativa leve na impossibilidade de acompanhar por retinografia na APS. Rastreamento de maculopatia em pacientes que utilizam cloroquina/ hidroxicloroquina; Outras doenças de retina estabelecidas (degeneração macular, descolamento de retina, oclusão de veia central da retina, entre outros). Todo paciente diabético ou pacientes em uso crônico de hidroxicloroquina/cloroquina necessitam de rastreamento para retinopatia, independente de diminuição na acuidade visual (REGULASUS, 2017a). Caso o paciente não tenha doenças maculares prévias, sem fatores de risco maiores (doença renal com taxa de filtração glomerular subnormal ou uso concomitante de tamoxifeno) e com uma dose de hidroxicloroquina/cloroquina apropriada, pode ser feito rastreamento anual até os primeiros cinco anos de uso. O rastreamento deve ser mais frequente se o paciente usa doses superiores a 5mg/kg/dia e/ou tem fatores de risco maiores (MARMOR et al., 2016). O rastreamento de retinopatia deve ser feito a cada um a dois anos em pacientes diabéticos (DUNCAN et al., 2022). Lembre-se! EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 52 FECHAMENTO DA UNIDADE A maioria dos pacientes que buscam atendimento por causas oftalmológicas apresentamuma queixa de piora da capacidade visual ou olho inflamado (olho vermelho). Por vezes, pode haver associação entre essas duas queixas. Por essa razão, um correto diagnóstico diferencial, baseado na anamnese, que caracteriza a instalação e cronologia do quadro, além da existência de fatores de melhora e piora e fatores desencadeantes são muito importantes para condução do caso e para oferta de serviços disponíveis na rede de saúde. Os erros de refração são prevalentes e o acompanhamento e o tratamento por meio do uso de óculos e lentes de correção têm efeitos importantes na qualidade de vida dos pacientes. Na próxima unidade você aprenderá sobre as morbidades oftalmológicas mais frequentes na consulta na Atenção Primária à Saúde. 53 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Condições oculares mais comuns INTRODUÇÃO DA UNIDADE Além das queixas de olho vermelho e de acuidade visual, você encontrará pacientes trazendo demandas sobre algumas outras afecções oculares e visuais bastante frequentes na APS. Nessas consultas, seu trabalho, como médico na APS é importante, pois, apesar de, em geral, não serem quadros graves, eles causam desconforto significativo e sua abordagem terapêutica pode ajudar esses pacientes. Com a finalidade de preparar você para atuar diante desses casos, esta unidade abordará os tópicos necessários para que, ao final, você seja capaz de: UNIDADE 03 Compreender as morbidades oftalmológicas mais frequentes na APS; Realizar a abordagem diagnóstica e estabelecer o plano terapêutico para as condições oculares mais comuns; Identificar os casos que necessitam de referência ao especialista focal (Oftalmologista). Aproveite a oportunidade para aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto, de modo que, ao receber indivíduos com condições oculares comuns, como estrabismo, olho seco, pterígio etc., você se sinta preparado para conduzir cada caso na APS e realizar os encaminhamentos a outros níveis de atenção, quando necessário. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 54 3.1 OLHO SECO Os sintomas de olho seco atingem uma parcela significativa da população, estando entre as queixas oculares mais frequentes na Atenção Primária à Saúde. Esses sintomas atingem principalmente (SIMON et al., 2020): É causado por uma disfunção do filme lacrimal, seja pela pouca produção de lágrimas, seja pelo aumento da evaporação. Seus principais achados são hiperemia conjuntival leve a moderada, sensação de olho seco, olho “grudando” ou de corpo estranho ocular, ardência ocular, embaçamento visual ou oscilação na qualidade da visão e lacrimejamento. Você deve realizar o diagnóstico desta condição de forma clínica, associando a história clínica com achados típicos de exame físico citados. A população idosa (embora também ocorram em jovens); Tabagistas; Pessoas em uso de alguns medicamentos como anti-hipertensivos, antidepressivos, anticoncepcional oral, diuréticos, anti-histamínicos; Portadores de doenças sistêmicas, em especial a síndrome de Sjögren; Exposição a fatores como poluição, ar seco, ar-condicionado, uso de computador e televisão excessivos; Pós-operatórios de cirurgias como ceratomileuse local assistida por laser (LASIK) para correção de erros refrativos (miopia, astigmatismo, hipermetropia) em virtude de lesão das terminações nervosas sensoriais da córnea e cirurgias faciais, bem como usuários de lentes de contato. 55 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Exceto quando você identificar ou suspeitar de olho seco por alguma patologia de base, como as doenças do tecido conectivo, não solicite qualquer tipo de exame complementar. Nos casos em que você identificar alguma patologia de base, como a síndrome de Sjögren, referencie o paciente ao Reumatologista ou ao Oftalmologista que acompanha a condição para investigação do quadro. Se você tiver familiaridade com a condição de base, faça a investigação específica necessária. Utilize lubrificantes oculares tópicos, conhecidos como “lágrimas artificiais” como tratamento de escolha para esta condição. Estes lubrificantes são soluções que contém eletrólitos, surfactantes e agentes de diferentes viscosidades, que permitem recuperar temporariamente a homeostase do filme lacrimal. As diferentes apresentações existentes no mercado variam entre as substâncias e suas concentrações, não havendo evidência de superioridade entre elas. Os dois tipos principais de lubrificantes oculares tópicos são os em gel (mais viscosos) e os mais líquidos. Os primeiros duram mais tempo em atuação e requerem reaplicações menos frequentes, porém trazem um borramento visual, temporário e de resolução rápida e espontânea, logo da aplicação, maior que o outro tipo. O uso de soluções com vasoconstritores alivia a sintomatologia, porém não as prescreva de forma crônica devido aos efeitos colaterais locais e sistêmicos que costumam ocorrer (DUNCAN et al., 2013), como aumento de pressão arterial, alterações de ritmo cardíaco bem como tolerância em seu uso. Reavalie o paciente após cerca de quatro semanas, para identificar se houve melhora do quadro com as medidas terapêuticas tomadas. Você deve encaminhar os pacientes com esta condição quando suspeitar de doença subjacente que esteja causando a condição ou quando não apresentarem qualquer melhora de sintomas após quatro semanas de medidas terapêuticas (DUNCAN et al., 2013). 3.2 PTERÍGIO O pterígio é um crescimento fibrovascular da conjuntiva por cima da córnea, em direção ao seu ápice. Está associado à exposição a climas quentes e com poeira, através de hiperresponsividade da conjuntiva à radiação ultravioleta e ao ressecamento. Ocorre mais no lado nasal da córnea, embora possa ocorrer no lado temporal também (SIMON et al., 2020). Observe nas imagens a seguir aspectos dessa condição: EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 56 Figura 20: Olho com pterígio. Fonte: Sciencia58. Wikimedia Commons. © Figura 21: Olho com pterígio invadindo a pupila. Fonte: Jmvaras. Wikimedia Commons. © Embora, sejam frequentemente assintomáticos, os principais sintomas do pterígio se devem à instabilidade no filme lacrimal, como ardência, sensação de corpo estranho ocular e hiperemia conjuntival, bem como dor ocular, inflamação ou fotossensibilidade. Ele pode levar ao astigmatismo se ultrapassar a córnea em mais de 4mm e reduzir acuidade visual, caso acometa o eixo visual. Esta é mais uma condição em que você realizará o diagnóstico de forma clínica, associando a história clínica com achados típicos de exame físico. Sendo assim, você não deve fazer qualquer investigação complementar, exceto quando o pterígio apresentar características atípicas (aparência gelatinosa ou semitransparente, rápida alteração da sua configuração), pois é importante que você faça o diagnóstico diferencial de carcinoma in situ. A principal medida terapêutica que você deve tomar é sintomática, com o uso de colírios lubrificantes. Você pode precisar usar corticoides ou Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINES) tópicos na presença de inflamação. No entanto, você deve utilizá- los de forma parcimoniosa, pois os corticoides podem causar catarata, aumento da pressão ocular e os AINES, ceratite, respectivamente. Oriente o uso de óculos de sol, pois ajuda a prevenir aumento da lesão (DUNCAN et al., 2013). Também pode ser removida cirurgicamente em lesões maiores que 4mm, quando cobrir a pupila, quando houver perda visual (SIMON et al., 2020; GUSSO; LOPES; DIAS, 2019) ou por decisão estética do paciente. Nestes casos, você deverá encaminhar ao Oftalmologista. Reavalie o paciente pelo menos um mês após o tratamento sintomático para avaliar melhora ou resolução dos sintomas. Você deve encaminhar o paciente com pterígio quando associado a diminuição de acuidade visual (REGULASUS, 2017a), ele apresentar lesão maior que 4 mm ou quando não há melhora sintomática com o tratamento clínico. A remoçãocirúrgica simples, no entanto, está associada à alta taxa de recidiva. Alternativas como radioterapia adjuvante pós-cirúrgica, uso de agentes quimioterápicos como a mitomicina C, têm menores taxas de recidiva, porém com riscos significativos como o desenvolvimento de esclerite necrotizante, endoftalmite, escleroceratite, esclerite e escleromalácias. 57 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 3.3 PTOSE PALPEBRAL Também chamada de blefaroptose, este quadro se caracteriza quando uma ou ambas as pálpebras superiores assumem uma posição anomalamente baixa, como na figura abaixo (habitualmente, ficam 2mm acima do limbo, que é uma zona de transição em forma de anel, de aproximadamente 1mm de largura, entre a córnea, a conjuntiva bulbar e a esclera). Frequentemente, a ptose palpebral é somente um problema estético, mas pode causar problemas visuais importantes, quando cobre o eixo visual. Além da própria ptose, os outros sintomas vão depender do tipo e da causa da ptose (SIMON et al., 2020). Você pode classificá-las em quatro tipos (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019): Figura 22: Olho com ptose palpebral congênita. Fonte: Andrewya. Wikimedia Commons. Miogênica, como na malformação do músculo elevador da pálpebra superior e na miastenia grave. Aponeurótica, como na ptose senil ou no uso prolongado de lentes de contato. Neurogênica, na lesão do nervo oculomotor ou na síndrome de Horner. Mecânica, como na presença de neoplasia ou cicatriz ou nervos não neoplásicos volumosos. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 58 Você deve fazer o diagnóstico da condição de forma clínica e o diagnóstico etiológico é corroborado pelos dados da anamnese e do exame físico. Na anamnese, é importante que você questione se a condição está presente desde o nascimento ou se surgiu aguda ou cronicamente. Outros dados importantes que você deve perguntar são: o fato de piorar com o passar do dia ou com o cansaço (podendo indicar miastenia grave), associação com diplopia ou cefaleia, antecedente pessoal de trauma ou cirurgia ocular, uso de lentes de contato e história familiar de ptose. Lembre-se! Ao exame físico, é importante que você verifique a presença da ptose: peça para o paciente olhar para baixo o máximo que puder, sem movimentar a cabeça, em seguida, para cima, o máximo que puder. A margem inferior da pálpebra superior deve mover-se mais que 8mm. Em casos de ptose grave, a pálpebra superior move-se menos que 4mm. Outro dado importante é o reflexo pupilar: se dilatada, pode ser devido à paralisia do nervo oculomotor (de causa central ou periférica) e você deve referenciar ao Oftalmologista com urgência para descartar presença de hemorragia, aneurisma ou neoplasia. Se a pupila estiver miótica, investigue a síndrome de Horner (DENNISTON; MURRAY, 2018). O tratamento vai depender da causa subjacente à ptose. A miastenia grave tem tratamento clínico indicado. Na maioria das situações, o tratamento é cirúrgico. Idealmente este deve ser adiado o máximo possível (especialmente em crianças) para melhor resultado estético. No entanto, não demore em encaminhar quando a ptose palpebral levar à obstrução do eixo visual, que pode levar à ambliopia. A toxina botulínica, bem como o preenchimento com ácido hialurônico são utilizados na dermatologia para suspensão do olhar cansado, no caso de alguns tipos de ptoses palpebrais por flacidez, arqueando-se a sobrancelha, através da aplicação, para que as pálpebras sejam tracionadas para cima. No entanto, a toxina botulínica pode causar ptose palpebral como efeito adverso de uma aplicação incorreta, devendo o procedimento ser realizado com cautela. A maior parte dos casos de ptose palpebral vão necessitar de sua referência ao Oftalmologista, já que são de correção cirúrgica, como na malformação do músculo elevador da pálpebra superior, na ptose senil, no uso prolongado de lentes de contato e nas causas mecânicas. A miastenia grave é de tratamento clínico, em geral em regime de internação hospitalar. No caso de suspeita de paralisia do nervo oculomotor, deve ocorrer com urgência. No entanto, em todos os casos o seu acompanhamento conjunto na APS é fundamental para realizar a coordenação do cuidado. 59 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Lembre-se! Figura 23: Olho com hordéolo. Fonte: Imrankabirhossain. Wikimedia Commons. © Figura 24: Olho com calázio. Fonte: Jordan M. Graff. Wikimedia Commons. © 3.4 HORDÉOLO E CALÁZIO O hordéolo, popularmente conhecido como terçol, é a infecção aguda das glândulas palpebrais (tanto as internas – glândulas de Meibomius –, quanto as externas – glândulas de Zeis ou de Moll). Você encontrará como principais achados eritema, dor e edema da pálpebra acometida. O calázio é um cisto retido nas glândulas de Meibomius formado após um hordéolo interno. Costuma ser composto de material sebáceo e não apresenta mais sinais de inflamação aguda. Seus sintomas dependem do tamanho e da localização (DENNISTON; MURRAY, 2018). Essas são condições de diagnóstico clínico, que você deve associar à história com achados típicos de exame físico, sendo assim não deve solicitar qualquer investigação complementar para hordéolo ou calázio na APS. O aspecto observado pode ser semelhante ao das imagens abaixo. Para o tratamento do hordéolo, tanto interno quanto externo, oriente o uso de compressas mornas. O uso de antibióticos tópicos é frequente, porém, sua eficácia é controversa, sendo assim, não os utilize. O quadro pode demorar de um a três semanas para a resolução completa. Prescreva o uso de xampu infantil em associação com água morna para a desobstrução e resolução do quadro. Para o tratamento do calázio, pode haver resolução espontânea, porém é pouco frequente. Na ausência de sinais inflamatórios, a orientação de uso de compressa quente costuma ser pouco efetiva, e o tratamento deve ser cirúrgico, caso o quadro não se resolva espontaneamente. Caso o cisto se cronifique, referencie ao Oftalmologista para tratamento cirúrgico ou com injeção de corticoide intralesional (DUNCAN et al., 2013). EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 60 Encaminhe o paciente ao Oftalmologista quando estiver indicado o tratamento cirúrgico ou a injeção de corticoide intralesional para resolução do calázio. Também considere encaminhamento na suspeita de celulite pré-septal ou orbital ou na presença de movimento ocular reduzido e redução da acuidade visual. A suspeita de neoplasia, com alteração das glândulas com aparência atípica deve ser referenciada. A recorrência de calázio no mesmo lugar também pode gerar encaminhamento (DUNCAN et al., 2013; SIMON et al., 2020). No entanto, a recorrência no mesmo lugar é um fato comum e o paciente que você instruir adequadamente e com boa capacidade cognitiva deve ser estimulado a gerir seu autocuidado nas recorrências e retornar para avaliação, caso alguma situação diferente dos episódios anteriores se apresente, podendo evitar encaminhamentos desnecessários. 3.5 ESTRABISMO Trata-se de uma anormalidade do alinhamento coordenado dos dois olhos. Está associado à falha da coordenação da movimentação ocular. Costuma acometer crianças, mas também pode acometer adultos. Quanto mais jovem na identificação, mais benigna costuma ser a causa de base (SIMON et al., 2020). Os principais fatores de risco são (DENNISTON; MURRAY, 2018): Pode ocorrer por falha de alinhamento de um ou de ambos os olhos, como pode ser observado na imagem abaixo, podendo ser classificado como esotropia, quando a direção dos olhos converge e como exotropia, quando a direção dos olhos é divergente. História familiar de estrabismo. Hipermetropia. Síndromes genéticas como Down e Turner. Doenças neurológicas. Catarata. Retinoblastoma e anormalidades craniofaciais. 61 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão É mais uma condição que você deve realizar diagnóstico clínico na APS. Paraisto, é importante que você faça uma história clínica e completa, buscando identificar possíveis causas e fatores associados, como o histórico familiar: tempo de início, mudança de padrão, diminuição da acuidade visual, a presença de erros refrativos, sinais de alterações de sistema nervoso central (que possam justificar a presença de neoplasia). Você deve realizar o exame físico completo e não só focado nos olhos e na visão. Verifique alterações de dismorfismo corporal, especialmente na região de cabeça e olhos. No exame ocular, avalie a acuidade visual, a motilidade ocular e descarte a presença de diplopia (DENNISTON; MURRAY, 2018). Em crianças a partir de seis meses, você deve investigar clinicamente o estrabismo na APS e encaminhar ao serviço de referência oftalmológica para diagnóstico etiológico e tratamento. Antes desta idade, é comum haver um estrabismo fisiológico na criança. Você deve realizar rastreamento de estrabismo durante toda a puericultura (DUNCAN et al., 2013), pois pode cursar com perda irreversível de acuidade visual se não abordado em tempo oportuno e pode trazer questões psicossociais ao paciente ligadas à estética. Para isso, você deve realizar o teste de Hirshberg para diferenciar estrabismo patológico do pseudoestrabismo, comum em crianças devido epicanto (REGULASUS, 2017b). Você não precisará de exames complementares para o diagnóstico, no entanto, estes podem ser úteis para investigar caso suspeite de uma etiologia específica. O tratamento de qualquer causa de estrabismo deve ser feito pelo Oftalmologista, sendo imprescindível que você encaminhe o paciente para outro nível de atenção. No entanto, a discussão com o paciente e a família sobre as consequências do quadro, especialmente as psicossociais é um papel fundamental que você deve cumprir. Em crianças menores de seis meses de idade, o estrabismo pode ocorrer de forma fisiológica. No entanto, deve se resolver espontaneamente até que a criança complete seis meses de idade (DUNCAN et al., 2013). A partir dos seis meses, encaminhe todo paciente ao Oftalmologista. Figura 25: Estrabismo divergente ou exotropia. Fonte: KLN55. Wikimedia Commons. © EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 62 3.6 FOTOFOBIA Fotofobia é a sensibilidade exagerada ou intolerância à luz. Pode ocorrer devido à luz natural ou artificial. Trata-se de um sintoma, e não de uma doença. Embora algumas pessoas possam apresentar fotofobia de forma espontânea, em geral, está associada a uma série de problemas oculares como: olhos secos, doenças da córnea, uveíte, blefarite, conjuntivite, inflamação da íris, doenças da retina, glaucoma (SIMON et al., 2020); bem como ao pós-operatório de cirurgias refrativas. Além disso, pode estar associada a causas extraoculares, como enxaqueca, meningite, albinismo, rinite alérgica (DUNCAN et al., 2013). Outro fator mais recente que pode desenvolver fotofobia é a condição denominada síndrome da visão do computador (do inglês, computer vision syndrome). Definida pela Associação Americana de Optometria, a síndrome se caracteriza por problemas extraoculares, como rigidez e dor cervical, problemas da superfície ocular como lacrimejamento e secura ocular, e problemas de acomodação visual como visão borrada e fotofobia. Esta síndrome está associada ao uso prolongado de telas como computador, tablets e celulares (AMERICAN OPTOMETRIC ASSOCIATION, [s.d]). Para realizar o diagnóstico dessa condição você deve utilizar a história clínica trazida pelo paciente. Questione e investigue os diagnósticos diferenciais através da história e do exame físico. Você deve usar exames complementares para a investigação dos diagnósticos diferenciais que podem causar a fotofobia. Além do tratamento da causa de base, o único tratamento possível é que você oriente a proteção ocular com o uso de óculos escuros ou redução de iluminação, nos locais onde isso for possível, incluindo em telas de televisão e computador, ou mesmo em uso de celulares. Nestes, oriente a existência da opção de usar aplicativos que filtram a luz azul e permitem o uso das telas em modo noturno. Além disso, sempre que possível restrinja ou diminua o tempo de exposição às telas, em especial para crianças (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2019). O sintoma em si não requer encaminhamento ao Oftalmologista. No entanto, para a investigação das causas etiológicas, bem como para o tratamento delas, você pode precisar encaminhar o paciente para outros níveis de atenção da rede. Fonte: Cookie Studio. Freepik.com. © 63 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão FECHAMENTO DA UNIDADE Nesta unidade discutimos diversos problemas de olhos e visão que são bastante prevalentes na Atenção Primária à Saúde: a queixa de olho vermelho, a perda de acuidade visual e outros problemas oculares, como a ptose palpebral, o hordéolo e calázio, a fotofobia, o estrabismo, o pterígio e o olho seco. Essas condições habitualmente não trazem riscos significativos à saúde, porém podem causar desconfortos importantes à vida das pessoas acometidas por elas. No entanto, especialmente na queixa de olho vermelho, você deve ser capaz de identificar aquelas que podem trazer risco à saúde visual do paciente. Com esta unidade, esperamos que você se sinta mais preparado para conseguir identificar, conduzir e referenciar, quando necessário, os quadros visuais e oculares, provendo, assim, um cuidado mais qualificado aos seus pacientes. É importante lembrar que, quando houver a necessidade de encaminhamento para outro nível de atenção, seja oftalmologia de urgência ou ambulatorial, o médico de família e comunidade deve realizar um relatório adequado da situação clínica, com um relato sucinto, porém completo, da anamnese, os dados de exame físico, geral e específico de olhos e visão que colheu e que serão importantes ao médico que avaliará o paciente, incluindo avaliação de acuidade visual por Snellen ou fundoscopia, quando forem importantes. Uma ficha de encaminhamento completa e adequadamente preenchida coopera significativamente com a coordenação do cuidado do paciente, facilitando seu cuidado no outro nível de atenção. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 64 Encerramento Caro profissional estudante, Chegamos ao final do módulo de Abordagem a Problemas de Olhos e Visão! Nesse módulo, você pôde reconhecer os problemas mais frequentes e relevantes ligados aos olhos e à visão no contexto da Atenção Primária à Saúde, de modo que agora deve estar mais bem preparado para analisar essas situações e determinar os procedimentos adequados para cada caso. Você percebeu que é possível diagnosticar e tratar na APS as doenças que afetam os olhos e a visão, reconhecer as principais causas de olho vermelho e identificar os casos que necessitam de encaminhamento ao Oftalmologista. A correta avaliação pelo médico do serviço de Atenção Primária evita encaminhamentos desnecessários e agiliza casos urgentes. E é aí que reside a importância do estudo continuado e da vontade de ser cada vez mais resolutivo em suas ações assistenciais. Assim, esperamos que você continue se aprofundando nos temas aqui abordados para que tenha cada vez mais capacidade e segurança na abordagem aos problemas de olhos e visão. Como resultado, esperamos que essa etapa do curso possa contribuir para disponibilização de um cuidado mais efetivo à população do seu território. Continue seus estudos nos próximos módulos a fim de aprimorar suas competências para lidar com as condições mais prevalentes na APS. Agradecemos a sua participação. 65 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea: queixas mais comuns na Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamentode Atenção Básica. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Cadernos temáticos do PSE – Saúde Ocular. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Glaucoma. Brasília, DF: 2019. Disponível em: . Acesso em: 01 nov. 2020. CORRÊA, Edison José; BOTEON, Joel Edmur; MOLINARI, Luiz Carlos; MOREIRA, Angela; OLIVEIRA, Bruno de Morais. Avaliação ocular de crianças e adolescentes na atenção básica à saúde. In: GUSMAO, C. M. G. et al. II Relato de experiências em tecnologias educacionais do Sistema UNA-SUS 2015. 22. ed. Recife, PE: Editora Universitária UFPE, p.196 - 211, 2015. Disponível em: . Acesso em: 01 nov. 2020. DENNISTON, Alastair K. O.; MURRAY, Philip I. Oxford Handbook of Ophtalmology. 3 ed. Oxford: Oxford University Press, 2018. DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I,; GIUGLIANI, E. R. J.; DUNCAN, M. S.; GIUGLIANI, C. (Orgs.). Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 4 ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I,; GIUGLIANI, E. R. J.; DUNCAN, M. S.; GIUGLIANI, C. (Orgs.). Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2022. 2 v. GUSSO, Gustavo; LOPES, José M. C.; DIAS, Lêda C. (Orgs.). Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática. Porto Alegre: Artmed, 2019, 2388 p. NESCON - Núcleo de Educação em Saúde Coletiva. Tabela para avaliação da acuidade visual - 3, 2010a. Disponível em: . Acesso em: 01 nov. 2020. NESCON - Núcleo de Educação em Saúde Coletiva. Tabela para avaliação da acuidade visual - 2, 2010b. Disponível em: . Acesso em: 24 maio. 2021. PERNAMBUCO. Secretaria Executiva de Assistência à Saúde. Gerência de Assistência Farmacêutica. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Glaucoma, 2013. Disponível em: . Acesso em: 24 maio. 2021. REGULASUS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de Encaminhamento para Oftalmologia Adulto, 2017a. Disponível em: . Acesso em: 24 maio. 2021. REGULASUS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de encaminhamento para Oftalmologia Pediátrica, 2017b. Disponível em: https:// www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/ oftalmologia_ pediatrica.pdf. Acesso em: 04 abr. 2023. SECKER, G. A.; DANIELS, J. T. Limbal epithelial stem cells of the cornea. StemBook, ed. The Stem Cell Research Community, StemBook, 2009.doi/10.3824/ stembook.1.48.1. Disponível em: . SIMON, Chantel; EVERITT, Hazel; VAN DORP, Francoise; HUSSAIN, Nazia; NASH, Emma; PEET, Danielle. Oxford Handbook of General Practice. 5 ed. Oxford: Oxford University Press, 2020. TELESSAÚDE-RS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Quais as causas e como tratar a conjuntivite neonatal? 2020. Disponível em: https://www.ufrgs.br/telessauders/ perguntas/conjuntivite-neonatal/. Acesso em: 04 abr. 2023. US Preventive Services Task Force (USPSTF). Vision Screening in Children Aged 6 Months to 5 Years: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA, 318 (9): 836–844, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1001/ jama.2017.11260. Acesso em: 04 abr. 2023. https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340495619PCDT%20Glaucoma. pdf https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340495619PCDT%20Glaucoma. pdf https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340495619PCDT%20Glaucoma. pdf https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340495619PCDT%20Glaucoma. pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/oftalmologia_adulto.pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/oftalmologia_adulto.pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/oftalmologia_adulto.pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/ oftalmologia_pediatrica.pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/ oftalmologia_pediatrica.pdf https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/protocolos_resumos/ oftalmologia_pediatrica.pdf https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chemical_ burn_injury.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Chemical_ burn_injury.jpg https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/conjuntivite-neonatal https://www.ufrgs.br/telessauders/perguntas/conjuntivite-neonatal https://doi.org/10.1001/jama.2017.11260 https://doi.org/10.1001/jama.2017.11260 67 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Biografia dos conteudistas Carlos Frederico Confort Campos Médico de família e comunidade formado pela USP-SP, doutorando em Ciências Médicas – Educação e Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fellow de pesquisa no Clinical Skills Centre da Universidade de Auckland, Nova Zelândia. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0797220905549025 Mannasses Araujo Costa Médico de família e comunidade e especialista em Medicina de Tráfego, mestre em Saúde da Família pela ABRASCO e Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Maranhão. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9681393156046742 http://lattes.cnpq.br/0797220905549025 http://lattes.cnpq.br/9681393156046742 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 68 Programa Mais Médicos para o Brasil EIXO 4 | ATENÇÃO À SAÚDE REALIZAÇÃO Abordagem a problemas de olhos e visão MÓDULO 24 2ª edição Universidade Federal do Maranhão (UFMA)com foco nos defeitos refrativos e nas patologias do globo ocular ou das vias ópticas e os casos agudos (de urgência ou emergência) ou crônicos que necessitam de encaminhamento ao Oftalmologista; • Tratar as doenças oculares comuns na APS, como as que cursam com ressecamento ocular, infecções e posicionamento anormal das pálpebras, crescimento fibrovascular da conjuntiva, identificando os casos de urgência ou emergência que necessitam de encaminhamento ao Oftalmologista. Para estudar e apreender as informações e os conceitos abordados, bem como trilhar todo o processo ativo de aprendizagem, está prevista uma carga horária de 15 horas para este módulo. 11 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Olhos vermelhos INTRODUÇÃO DA UNIDADE A queixa de olho vermelho é uma das mais comuns que você encontrará em consultas sobre problemas oculares na APS. Isto porque ela compreende uma grande variedade de diagnósticos. E estes diagnósticos variam de afecções simples como conjuntivites e blefarites a quadros graves, com risco de perda de função visual como o glaucoma agudo e as queimaduras físicas e químicas. Sua atuação como médico na APS permitirá a identificação precoce dos problemas relacionados ao olho vermelho. Com isso, você poderá realizar o diagnóstico diferencial e instituir o tratamento necessário, realizando o encaminhamento precoce aos serviços de urgência, quando for importante. Com a finalidade de preparar você para essa atuação, esta unidade abordará os tópicos necessários para que, ao final, você seja capaz de: UNIDADE 01 Identificar as principais morbidades que cursam com o sinal oftalmológico de olho vermelho; Realizar a abordagem diagnóstica da queixa de olho vermelho na APS; Estabelecer o plano terapêutico para as principais patologias que cursam com o olho vermelho. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 12 Aproveite a oportunidade para aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto, de modo que, ao receber indivíduos com queixa de olho vermelho na APS, você se sinta preparado para avaliar e conduzir cada caso oportunamente. 1.1 AVALIAÇÃO DOS OLHOS E DA VISÃO Antes de iniciarmos com a discussão sobre olho vermelho, vamos retomar alguns princípios básicos da avaliação de olhos e visão. É importante que você se lembre da anatomia básica da região dos olhos. As partes do olho e da região periocular podem ser vistas nas duas imagens a seguir: Figura 01: Anatomia externa do olho. Fonte: Centro de Tecnologia em Saúde-CETES, Núcleo de Telessaúde da Faculdade de Medicina da UFMG. 13 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Figura 02: Globo ocular. Fonte: Rhcastilhos e Jmarchn. Wikimedia Commons. © Para que você possa visualizar melhor as partes importantes da anatomia do olho, indicamos o vídeo “Anatomia do olho”, produzido pela parceria UNA-SUS/UFMG e o Centro de Tecnologia em Saúde-CETES. Disponível em: . Na avaliação de um paciente com queixas oftalmológicas, você deve seguir normalmente o formato SOAP (Subjetivo-Objetivo-Avaliação-Plano) do registro clínico orientado por problemas, porém não esqueça de investigar os antecedentes oculares (cirurgias, traumas, doenças oculares prévias). Ao realizar o exame físico, além do exame físico geral, que deve ser realizado em algumas situações (a serem discutidas adiante), lembre-se das etapas específicas do exame de olhos e visão, que são: inspeção de olhos e anexos (ectoscopia), palpação, motilidade ocular, reflexos pupilares, campimetria de confrontação, acuidade visual e fundoscopia. A seguir, leia sobre cada uma dessas etapas. https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1957 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 14 Inspeção de olhos e anexos (ectoscopia) Na inspeção, também chamada de ectoscopia, você deve ter a atenção voltada para alterações visíveis nas regiões de órbitas, pálpebras, cílios, supercílios, olhos; você poderá utilizar com iluminação ambiente ou o auxílio de luzes auxiliares, como lanternas. É importante que você observe a posição dos olhos em relação à órbita e entre si, bem como seu alinhamento. Além disso, deve ser observada a conjuntiva, a esclera, a córnea e a íris. É importante observar a presença de hiperemia, sangramentos, corpos estranhos, perfurações (somente as mais grosseiras vão ser visíveis à ectoscopia), ou mesmo pus e herniação de elementos internos como a íris. Palpação Você deve palpar a região periorbitária, buscando alterações físicas, como massas, crepitações, enfisema de subcutâneo; esta etapa é mais significativa em traumas. Motilidade ocular extrínseca Você deve avaliar a capacidade de movimentação dos olhos, sem o paciente movimentar a cabeça. Peça que o paciente fixe a visão em um objeto, que pode ser uma caneta ou o seu dedo e diga para ele seguir o objeto com os olhos, sem mover a cabeça. Mova o objeto em todas as direções, em geral em forma de H, para testar a função da musculatura extrínseca dos olhos. Além disso, é importante que você avalie se os olhos se movem coordenada e simetricamente. Motilidade ocular intrínseca ou reflexos pupilares Aqui você deve avaliar a função dos músculos internos dos olhos através dos reflexos pupilares. Inicialmente, verifique se as duas pupilas são simétricas em tamanho (pode haver uma pequena diferença fisiológica entre elas, mas em geral, possuem tamanhos semelhantes). A seguir, em um ambiente idealmente mais escuro, ilumine um dos olhos com uma lanterna e observe a reação de ambas as pupilas. O reflexo fotomotor direto normal se dá com a contração da pupila iluminada, e o reflexo fotomotor consensual normal, com a contração da outra pupila. Ao remover a fonte de luz, ambas as pupilas devem se dilatar. Campimetria de confrontação Esta avaliação serve para que você verifique qual é a amplitude a qual chega a visão do paciente. Neste exame, estando distante um metro do paciente, peça que ele tampe um dos olhos com as mãos em cuia (para não pressionar o olho) e fique na frente dele, com o olho “invertido” tampado (por exemplo, se o paciente tampar seu olho esquerdo, tampe seu olho direito). Vocês devem estar com os olhos na mesma altura, em geral, sentados. Com a outra mão em uma distância média entre ambos, movimente a mão ou os dedos nos quatro quadrantes, buscando identificar algum local em que você enxergue e o paciente não. O paciente deve identificar o movimento da sua mão em cada quadrante. 15 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Acuidade visual Essa medida é utilizada para avaliar a capacidade do paciente diferenciar detalhes espaciais. Você deve buscar por indícios de perda desta capacidade, por meio da Escala de Snellen. Será discutida com detalhes adiante neste livro. Fundoscopia Este exame serve para avaliar o nervo óptico e a mácula. Para ser realizado, você precisará de um oftalmoscópio direto. Você deve estar com os olhos na mesma altura dos olhos do paciente e deverá utilizar o olho do mesmo lado ao qual vai avaliar o paciente (por exemplo, para examinar o olho esquerdo do paciente, use seu olho esquerdo). Para buscar o nervo óptico, você deve se lembrar que este fica em posição medial. Para avaliar a mácula, peça que o paciente olhe para a luz, pois é com a mácula que o paciente “enxerga”. Além destes, avalie os vasos e possíveis alterações nestes, como exsudatos e tortuosidade. Observe nos vídeos abaixo mais detalhes sobre como realizar alguns desses exames. - Veja como executar a campimetria de confrontação no vídeo “Campimetria por confrontação”. Disponível em: . - Veja como executar a fundoscopia no vídeo “Oftalmoscopia direta”. Disponível em: . Para que você consiga executar esses exames e outros procedimentos na Atenção Primária à Saúde (APS), é importante,ao chegar na sua unidade de saúde, que você se certifique se estão disponíveis os materiais e insumos mínimos para realizar um bom trabalho quando se deparar com condições oculares e visuais. Os materiais encontram-se no quadro a seguir: https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1952 https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1952 https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/2039 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 16 Tipos Materiais Indicação Geral Cotonete; Limpeza local; eversão de pálpebra superior; remoção de corpo estranho. Pinças delicadas; Remoção de corpo estranho, como cílios soltos nos fórnices conjuntivais, ou que atritam a córnea por implantação defeituosa (triquíase), corpo estranho etc. Seringas com cânulas acopladas; Irrigação ocular com solução adequada (solução fisiológica). Concha protetora ou escudo plástico; Proteção ocular, quando indicada; pode ser substituída, por exemplo, por um copo plástico de café ou algo similar. Objetos para teste de acuidade Brinquedos pequenos para testar fixação ocular de bebês menores (medindo em torno de 2cm), sem ruído); brinquedos maiores e com contrastes de cores, sem ruído, para crianças; Teste de acuidade visual. Tabelas de optótipos Tabela de Snellen (letras, “E” ou figuras). Teste de acuidade visual. Iluminação Oftalmoscópio monocular direto; Exame básico de fundo de olho; reflexo vermelho. Lanterna. Reflexo pupilar; localização e remoção de corpo estranho; reflexo vermelho. Curativo ocular Oclusores de gaze e algodão; compressas; lenço limpo etc. Em compressas geladas na conjuntivite viral ou alérgica; oclusão ocular para encaminhamento à referência secundária/terciária, bloqueando o piscamento. Fonte: Adaptado de Molinari e Boteon (2016). Quadro 1 – Materiais para atendimento oftalmológico na Unidade Básica de Saúde Além desses materiais, é fundamental que você tenha acesso a um “kit básico” de medicamentos que possa utilizar, conforme disposto no quadro a seguir: 17 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Tipos Medicação Indicação Lágrima artificial (*) Carboximetilcelulose sódica 0,5%: pingar uma ou duas gotas no olho afetado sempre que necessário Dependendo da causa: tratamento principal ou coadjuvante nas manifestações de olho seco. Pomada epitelizante Várias formulações Epitezan®: 1g contém: 10.000UI de acetato de retinol, 25mg de aminoácidos, 5mg de metionina e 5mg de cloranfenicol. Promoção e proteção da epitelização (renovação da pele) e regeneração dos tecidos oculares lesados. Redução da pressão intraocular (PIO) Acetazolamida 250mg. Glaucoma crônico: 250mg, VO, 1-4x/dia (até 1000mg/dia). Anestesia local Colírio de proximetacaína a 1%: para retirada de corpo estranho, aplica-se uma a duas gotas no fundo do saco conjuntival; pede-se ao paciente que mantenha os olhos fechados por alguns minutos. Anestesia local para procedimentos, como a retirada de corpos estranhos. Colírio midriático Colírio de atropina 1%. Em quadros de iridociclite e queimaduras. Colírio miótico Colírio de pilocarpina 2%. Agente miótico para primeiro atendimento de glaucoma agudo, enquanto aguarda o encaminhamento à Unidade Especializada. Antibiótico tópico (colírio) Quinolonas (ciprofloxacina, ofloxacina etc.), tobramicina, cloranfenicol, gentamicina. Aplicação de uma gota em cada olho, de 2/2 horas, nos dois primeiros dias; e de 4/4 horas por mais 5 a 7 dias. Irrigação ocular Soro fisiológico. Irrigação frequente na queimadura química. Colírio com corticoide (**) Dexametasona a 0,1%. Em quadros de queimaduras e pterígio. Corante Colírio de fluoresceína sódica a 1% ou a 2%. Evidenciação de lesões do epitélio ceratoconjuntival. *Há outras lágrimas artificiais à base de carboximetilcelulose, álcool polivinílico, hidroxipropilmetilcelulose, ácido hialurônico, carmelose e hipromelose. **As reações adversas incluem, em ordem decrescente de frequência: elevação da pressão intraocular (PIO) com possível desenvolvimento de glaucoma e dano não frequente ao nervo óptico, formação de catarata subcapsular posterior e atraso na cicatrização. Fonte: Adaptado de Molinari e Boteon (2016). Quadro 2 – Medicamentos para atendimento oftalmológico na Unidade Básica de Saúde EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 18 Caso você não disponha de algum desses itens, entre em contato com a gestão da unidade de saúde, bem como com a secretária local de saúde, para solicitá-los. 1.2 OLHO VERMELHO Olho vermelho é a hiperemia da conjuntiva bulbar secundária à dilatação de vasos sanguíneos subesclerais. Pode ser manifestação de lesões em qualquer parte do bulbo ocular, desde as mais comuns e simples a problemas graves e com risco de perda da função visual (DUNCAN et al., 2013). É uma das queixas oculares que você mais encontrará na Atenção Primária à Saúde e demanda que você realize uma anamnese e um exame físico apropriados, de modo a se identificar causas que requerem encaminhamento urgente ao Oftalmologista. Em geral, estas situações cursam com algumas das seguintes características: redução da acuidade visual, dor intensa e “dentro” do olho (diferentemente das superficiais, como em uma conjuntivite), reflexo pupilar reduzido ou ausente, história de trauma, bem como a presença de sangue ou pus visíveis na câmara anterior, manter o olho aberto em ambiente claro (DUNCAN, 2022). 1.3 CONJUNTIVITES Conjuntivite é o processo inflamatório da conjuntiva. Você deve avaliar se é secundário a um quadro infeccioso, seja ele viral ou bacteriano; ou a uma reação alérgica, localizada nos olhos. As conjuntivites costumam cursar com hiperemia conjuntival, sensação de corpo estranho ocular, edema palpebral, lacrimejamento, prurido e, menos frequentemente, fotofobia e embaçamento visual. Atente-se à secreção ocular, pois ela costuma denotar o tipo de agente causador: • Hialina (alérgica); • Serosa (viral); • Mucopurulenta (bacteriana). Os quadros virais costumam vir acompanhados de linfadenomegalia pré-auricular e folículos subpalpebrais. Não realize investigação com qualquer tipo de exame, dado que esta condição é pouco grave e habitualmente autolimitada. Assim, você deve realizar o diagnóstico de forma clínica, observando as características como as das imagens abaixo. 19 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Figura 03: Aspecto clínico de conjuntivite bacteriana causada por Neisseria gonorrhoeae. Fonte: Tanalai. Wikimedia Commons. © Figura 04: Aspecto clínico de conjuntivite viral. Fonte: Microrao. Wikimedia Commons. © Figura 05: Aspecto clínico de conjuntivite alérgica. Fonte: James Heilman. Wikimedia Commons. © Não se preocupe excessivamente com o diagnóstico etiológico, já que ele é habitualmente difícil de fazer com médicos acertando entre 50 a 75% das vezes, quando comparado com diagnósticos laboratoriais (DUNCAN et al., 2013; SIMON et al., 2020). O tipo de secreção é uma das características que mais colabora para você realizar o diagnóstico diferencial e, mesmo com ausência de terapia especifica, a grande maioria das conjuntivites tem uma história natural autolimitada e de pouca morbidade (DUNCAN et al., 2022). EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 20 Os quadros bacterianos apresentam secreção mucopurulenta, com conjuntivas lisas e inflamadas e sem linfadenomegalia. Bacteriana Os virais cursam com secreção serosa, com folículos subpalpebrais e com linfadenopatia pré-auricular. Viral A etiologia alérgica costuma ser caracterizada por prurido, lacrimejamento, histórico de contato com alérgeno ou aspecto sazonal, bem como a presença de alergia ativa em outro sítio, como na rinite alérgica. Alérgica No caso dos quadros infecciosos, é importante que você oriente e a família sobre a higiene das mãos, dos olhos e dos produtos de uso pessoal. O uso de lente de contato deve ser interrompido até a resolução de sintomas/sinaisde doença infecciosa ocular (DUNCAN et al., 2022). Figura 06: Higienização das mãos. Fonte: Ededchechine. Freepik. Oriente que os olhos devem ser lavados com água limpa com o uso de um pano limpo e que não deixe fragmentos à limpeza, como panos de algodão; explique que pode ser utilizada uma gaze para a limpeza também. Indique o uso de água mais fria, pois ela pode aliviar os quadros que cursam com prurido e sensação de corpo estranho. 21 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Oriente que os olhos devem ser lavados com água limpa com o uso de um pano limpo e que não deixe fragmentos à limpeza, como panos de algodão; explique que pode ser utilizada uma gaze para a limpeza também. Indique o uso de água mais fria, pois ela pode aliviar os quadros que cursam com prurido e sensação de corpo estranho. O uso de antibióticos tópicos é controverso, já que mesmo os quadros infecciosos costumam ser autolimitados na ausência de tratamento específico. Indique antibióticos nos casos de conjuntivite bacteriana com quadro mais pronunciado, quando os sintomas não apresentarem melhora em 3 a 5 dias ou quando o paciente preferir usar (após ser orientado). Nessas situações, você deve utilizar colírios antibióticos tópicos associados ou não de cloranfenicol, gentamicina, neomicina com polimixina B, tobramicina, ofloxacina ou ciprofloxacina, com melhora em 2 a 3 dias, em geral (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Considerando o aumento da prevalência de bactérias resistentes a antibióticos, é importante ser muito criterioso ao se indicar antibioticoterapia para quadros de conjuntivite infecciosa. Lembre-se! Nos quadros alérgicos, além das medidas já explicitadas, é importante que você afaste o alérgeno (caso identificado). Quanto ao tratamento medicamentoso, considere vasoconstritores tópicos, como a nafazolina por no máximo dois dias, anti-histamínicos orais ou tópicos, como a olopatadina ou o cromoglicato de sódio (lembrando que estes medicamentos são contra indicados em pacientes com glaucoma de ângulo fechado) (DUNCAN et al., 2022). Nos quadros infecciosos, é importante que você afaste a pessoa acometida de conjuntivite por aproximadamente sete dias, de forma a evitar contágio nos ambientes de trabalho ou de estudos, no caso de crianças e jovens em idade escolar. É importante que você reavalie o paciente após sete dias do início do tratamento, para identificar se houve resolução dos sintomas. Com relação aos critérios de encaminhamento para outros níveis de atenção, está indicado que você encaminhe ao Oftalmologista quando não houver melhora do quadro após uma semana ou se houver perda de acuidade visual (SIMON et al., 2020). Além disso, você deve encaminhar com urgência ao serviço de referência, em caso de suspeita de conjuntivite infecciosa em pacientes menores de um mês de vida (TELESSAÚDERS-UFRGS, 2020). EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 22 1.4 GLAUCOMA AGUDO O glaucoma agudo é raro, porém, de gravidade intensa, que ocorre pelo aumento agudo da pressão intraocular, sendo considerado uma urgência oftalmológica. Este quadro é mais frequente em pessoas portadoras de glaucoma de ângulo fechado, geralmente idosos. Destacamos aqui a importância de se questionar os antecedentes oftalmológicos na consulta de acompanhamento ao idoso. Os sintomas mais frequentes são dor ocular intensa, que pode ser percebida como cefaleia, hiperemia ocular pericorneal, endurecimento do bulbo ocular à palpação, pupila fixa e midriática, visão drasticamente reduzida, fotofobia e edema de córnea. Como o diagnóstico desse quadro de urgência é iminentemente clínico, não há necessidade de que você realize qualquer exame complementar na APS. Você deve encaminhar o paciente com glaucoma agudo ao serviço de urgência oftalmológica o mais rápido possível. No entanto, na ausência desse serviço você pode iniciar tratamento de emergência com agentes mióticos, como a pilocarpina (colírio a 2%) a cada 15 minutos associados com diuréticos, como a acetazolamida 250mg 6/6 horas, por via oral, ou manitol a 20%, 250ml, 70 gotas/minuto, por via intravenosa (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Acetazolamida e manitol podem ser utilizados em associação caso estejam disponíveis no seu serviço. Com relação aos critérios de encaminhamento para outros níveis de atenção, considerando a gravidade clínica, reiteramos a importância de, neste quadro, você encaminhar o paciente ao serviço oftalmológico de urgência assim que fizer o diagnóstico. Quando o paciente sair do quadro agudo ou na ausência de resposta satisfatória, mesmo com a instituição do tratamento adequado, você deve reavaliá- lo e ele deve ser referenciado ao Oftalmologista para correção cirúrgica e controle da pressão intraocular (SIMON et al., 2020). Figura 07: Glaucoma agudo de ângulo fechado do olho direito. Fonte: James Heilman. Wikimedia Commons. © 23 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 1.5 IRIDOCICLITE A iridociclite é um quadro pouco frequente que se caracteriza pela inflamação da íris e do corpo ciliar. Tem associação com traumas contusos ou doenças sistêmicas como espondilite anquilosante e doença de Behçet. O quadro clínico é composto por dor ocular aguda intensa que piora com a palpação e a convergência dos olhos, visão embaçada, fotofobia e lacrimejamento. Ao examinar o paciente, você observará hiperemia pericorneal violácea e miose fixa e irregular. Você pode identificar hipópio, que é a presença de pus na câmara anterior (vista como “nível líquido”) (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019), como pode ser observado na imagem abaixo. Não realize qualquer investigação com exames complementares, pois o diagnóstico vai ser realizado especialmente pelo aspecto que pode ser observado durante o exame físico, que é como o da imagem. Como abordagem terapêutica, você pode utilizar 1 gota de atropina a 1% a cada 6 horas para alívio da dor. Quanto ao encaminhamento a outros níveis de atenção, o recomendado é que o paciente seja prontamente encaminhado ao Oftalmologista (DUNCAN et al., 2013), pois a iridociclite é mais um dos quadros de olho vermelho que precisam ser referenciados a esse profissional com urgência. É recomendado que após retorno da avaliação de urgência, o paciente seja investigado para doenças infecciosas ou reumatológicas por se tratar de pacientes de maior risco para essas patologias (DUNCAN, 2022). Figura 08: Olho apresentando hipópio - exsudato leucocitário na câmara anterior do olho. Fonte: Rakesh Ahuja. Wikimedia Commons. © EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 24 1.6 QUEIMADURAS: FÍSICA E QUÍMICA As queimaduras físicas são infrequentes, costumam ocorrer após exposição à irradiação ultravioleta (solda elétrica) sem o devido uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Também pouco comuns, as queimaduras químicas quando ocorrem por contato com agentes alcalinos podem prejudicar a visão do paciente definitivamente. Já os agentes ácidos produzem quadros oculares menos graves (DUNCAN et al., 2013). Os sintomas das queimaduras físicas surgem de 10 a 12 horas após a exposição, com intensa dor e vermelhidão ocular, blefaroespasmo (piscar demais devido à contração involuntária da pálpebra) e fotofobia (DUNCAN et al., 2013). Os sintomas relacionados com o contato dos olhos com substâncias alcalinas e ácidas aparecem logo após o contato, exigindo tratamento imediato, devendo-se referenciar urgentemente ao serviço de oftalmologia (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Em geral, a pessoa que sofreu uma queimadura física nos olhos, quando busca atendimento, não associa seus sintomas (dor ocular intensa com fotofobia) à sua causa (DUNCAN et al., 2013), o que pode retardar a condução adequada e o encaminhamento ao especialista focal (Oftalmologista). Durante a consulta, você pode identificar na anamnese a causa (física ou química da queimadura) e, na inspeção dos olhos, com um foco de luz ou uma pequena lanterna,as alterações de posição, aspecto e coloração das pálpebras e cílios; da conjuntiva, se há lacrimejamento excessivo, vermelhidão e/ou secreção. Se disponível, aplica-se uma gota de fluoresceína (colírio) e, com o auxílio de uma lanterna, procura-se por áreas que se coram de amarelo ou, com luz azul do oftalmoscópio, se coram de verde (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Na Atenção Primária, somente a anamnese e o exame físico são necessários para o diagnóstico. O aspecto que pode ser observado no exame, no caso das queimaduras químicas, pode ser semelhante ao da imagem abaixo. Figura 09: Lesão por queimadura química. Fonte: Secker e Daniels. Wikimedia Commons. © 25 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão O tratamento das queimaduras físicas consiste em instilar uma gota de colírio anestésico e, em seguida, fazer a oclusão ocular binocular após aplicação de pomada antibiótica (por exemplo, associação de acetato de retinol, 10.000UI, aminoácidos, 25mg, metionina, 5mg, cloranfenicol, 5mg), sedação e repouso por 24 horas e orientações sobre prevenção de futuros eventos. Se a dor for muito intensa, pode-se instilar uma gota de atropina a 1% (colírio) antes da oclusão do olho afetado. Normalmente, o epitélio corneano se regenera em 48 a 60 horas (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). No trajeto até unidade oftalmologia de referência, pode-se irrigar abundantemente com soro fisiológico (DUNCAN et al., 2022). Após o contato com substâncias químicas deve-se realizar a lavagem imediata e demorada do olho atingido com qualquer fonte de água fria disponível, utilizar analgésicos sistêmicos, uma gota de colírio de atropina a 1% (se a dor for muito intensa) e corticosteroide (dexametasona 0,1%, 1 a 2 gotas até 4 a 6 vezes/dia se necessário), além de oclusão com pomada de antibiótico, a mesma citada nas queimaduras físicas, por exemplo (DUNCAN et al., 2013). Você deve emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) caso a lesão tenha sido consequente às funções laborais do paciente e orientar em relação ao uso de EPIs no trabalho, caso tenha atividades laborais de risco para acidentes com os olhos. Quanto aos critérios de encaminhamento para outros níveis de atenção, a indicação é que todos os pacientes que sofreram queimaduras químicas e/ou físicas nos olhos devem ser encaminhados com urgência para avaliação oftalmológica. Após uma abordagem inicial cuidadosa na APS, o glaucoma agudo, a iridociclite e as queimaduras físicas ou químicas requerem encaminhamento aos serviços oftalmológicos de urgência. Lembre-se! EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 26 1.7 CORPO ESTRANHO Este quadro ocorre quando algum corpo estranho entra em contato com o olho, produzindo incômodo. O quadro clínico se apresenta com a sensação de corpo estranho ocular, dor, fotofobia e lacrimejamento. Na Atenção Primária à Saúde, somente o exame físico é necessário para que você realize o diagnóstico deste quadro, não havendo necessidade de usar exames complementares. Sendo assim, você deve fazer o diagnóstico por meio da identificação do corpo estranho ao exame ocular. É importante que você realize uma inspeção detalhada do olho acometido, com uma fonte de luz adequada (oftalmoscópio direto ou lanterna e lupa) e a instilação prévia de uma gota de colírio anestésico. Solicite ao paciente que olhe para todos os lados, sendo vital que você faça a eversão da pálpebra superior a fim de identificar o corpo estranho eventualmente nesta posição. Figura 10: Corpo estranho na córnea. Fonte: Community Eye Health. Flickr. © Observe o procedimento para eversão palpebral no vídeo “Eversão da pálpebra superior e retirada de corpo estranho subtarsal”, disponível em: . Na imagem a seguir, você pode observar um exemplo de corpo estranho localizado na córnea. Se você não conseguir identificar o corpo estranho, referencie ao Oftalmologista. Caso seja possível identificá-lo, mas tratar- se de metal, lesão penetrante ou tempo maior que 12 horas, também encaminhe. Devido a possibilidade de oxidação, corpos estranhos de ferro podem após 2 a 4 horas deixar anel de ferrugem no olho e, se for o caso, deve ser encaminhado ao oftalmologista (DUNCAN et al., 2022). Nos casos que requerem encaminhamento, é importante lubrificar a córnea, pois alivia os sintomas até que o Oftalmologista avalie. Convém, se possível, encaminhar com curativo oclusivo (DUNCAN et al., 2022). https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/2007/3/4629.mp4 27 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Fora destas condições, tente a remoção do corpo estranho. Irrigue a córnea com soro fisiológico ou água destilada. Com um cotonete molhado, tente remover o corpo estranho, com movimentos para cima. Se a manobra for bemsucedida, aplique colírio ou pomada antibiótica e oclua o olho acometido por 24 horas com gaze (DUNCAN et al., 2013). Após 24 horas, reavalie o paciente, especialmente para identificar se ainda há algum sintoma após a retirada. Lembre-se que você deve emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) caso a lesão tenha sido consequente às funções laborais do paciente e orientar em relação ao uso de EPIs no trabalho, caso tenha atividades laborais de risco para acidentes com os olhos. Você deve encaminhar o paciente a outros níveis de atenção quando: Não for possível identificar o corpo estranho; Tratar-se de corpo estranho de metal ou trauma penetrante; Houver presença do corpo estranho por mais de 12 horas; Houver falha na tentativa de remoção; Você não estiver confiante na sua habilidade para remoção ou na ausência de material adequado para fazê-lo; Houver suspeitas de corpo estranho adicional, laceração da esclerótica ou perfuração de córnea; Após a retirada com sucesso do corpo estranho, o paciente ainda apresentar sintomas depois de 24h de curativo oclusivo. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 28 1.8 EROSÃO DA CÓRNEA É uma condição que ocorre devido à desepitelização de uma parte da córnea, em geral secundária ao agente de contato, atrito, raspão com a córnea ou condições como a herpes ocular. Pode ser causada por objetos pequenos como pontas de lápis, unhas, lentes de contato ou pela remoção de corpo estranho (SIMON et al., 2020). Na anamnese, o paciente costuma se queixar de dor ocular aguda, sensação de corpo estranho, fotofobia e ardência. Você deve tentar elucidar o agente causador através de uma história clínica detalhada. Não se esqueça de questionar a presença de partículas em alta velocidade (como um cortador de grama). Na Atenção Primária à Saúde, você não deve solicitar exames complementares já que o quadro tem diagnóstico clínico. Para realizá-lo, além da anamnese, você precisa realizar o exame físico dos olhos. Identifique as lesões pela iluminação oblíqua da córnea. Utilize uma gota do colírio de fluoresceína, que destacará a lesão (em amarelo, se usando lanterna comum, ou em verde, se usando a luz azul cobalto do oftalmoscópio direto), como pode ser observado na imagem abaixo. Você pode usar uma gota de colírio anestésico previamente ao exame se o paciente apresentar dor severa. Descarte a presença de corpo estranho; se houver, tente removê-lo (DUNCAN et al., 2013), conforme discutido na seção anterior. Figura 11: Erosão na córnea aparente após a coloração com fluoresceína. Fonte: James Heilman. Wikimedia Commons. © 29 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Lembre-se que lesões pequenas costumam ter resolução espontânea entre 12 a 24 horas. Você pode prescrever analgésicos orais conforme demanda. Reavalie seu paciente após 48 horas, para identificar se há persistência de sintomas. Não utilize os colírios anestésicos e de corticoide. Também não há indicação de uso de curativo oclusivo com pomada antibiótica em lesões menores que 10mm. Nas maiores, não há evidência suficiente para justificaro uso. Apesar de ser prática frequente, também não utilize colírios cicloplégicos já que não há evidência apoiando o seu uso. Você deve emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) caso a lesão tenha sido consequente às funções laborais do paciente e orientar em relação ao uso de EPIs no trabalho, caso tenha atividades laborais de risco para acidentes com os olhos. Quanto à decisão de encaminhamento a outros níveis de atenção, você deve referenciar seu paciente ao Oftalmologista caso se trate de lesão penetrante ou lesão que não melhora em 48 horas. 1.9 BLEFARITE A blefarite se refere à inflamação crônica, de baixo grau das glândulas de Meibomius e margens palpebrais. Apresenta-se com longa história de irritação, ardência, secura e olhos vermelhos (SIMON et al., 2020). Pode estar associada à disfunção seborreica ou contaminação por Staphylococcus aureus (blefarite anterior) mais frequente em jovens e mulheres na meia idade ou à disfunção das glândulas de Meibomius (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Ambos os casos podem levar a um quadro de olho seco e irritação ocular crônica, bem como predispor ao surgimento de hordéolos e calázios (DUNCAN et al., 2013). A blefarite seborreica é a mais frequente em idosos (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Apenas o exame físico é necessário para o quadro. Contudo, a blefarite é também um achado comum nos pacientes com rosácea, assim como em outras doenças sistêmicas (DUNCAN et al., 2013), cabendo a investigação de outras condições clínicas associadas. O diagnóstico é sugerido por sintomas de prurido, queimação e fincadas na pálpebra em ambos os olhos, piores pela manhã. Os sintomas são frequentemente intermitentes, com exacerbações e remissões ocorrendo durante longos períodos. Ao exame, as laterais das pálpebras estão inflamadas e vermelhas e podem apresentar crostas, como no exemplo na imagem abaixo (DUNCAN et al., 2013). EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 30 A pessoa deve ser alertada sobre a necessidade de tratamento por toda a vida e que a cura é improvável, sendo possível apenas o controle dos sintomas, na grande maioria dos casos (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). A base do tratamento está intimamente ligada com a higiene palpebral. Sendo assim, indica-se: • Aplicação de compressas mornas sobre as pálpebras por alguns minutos; • Em seguida, massagem das pálpebras no sentido da margem; • Limpeza da margem palpebral com lenço sem álcool ou cotonete umedecido; • Limpeza com uma mistura de água e xampu neutro (no início duas vezes ao dia e depois diariamente). Você deve considerar em caso de infecção o uso de colírio ou pomada de antibiótico associado a corticoide (ex.: sulfato de neomicina, sulfato de polimixina B e dexametasona, 1,5cm de pomada ou 1 a 2 gotas de colírio até 4 vezes ao dia) por até 7 a 14 dias, se necessário (DUNCAN et al., 2013). Além disso, para o olho seco o uso de lágrimas artificiais (1 ou 2 gotas nos olhos afetados sempre que necessário) (SIMON et al., 2020), e o tratamento das alterações sistêmicas relacionadas devem ser consideradas. Aconselhe os pacientes a evitarem o uso de produtos para maquiagem dos olhos. Estudos sugerem que, com base no tratamento da rosácea ocular, a utilização de tetraciclinas por via oral traz benefícios para pacientes com blefarite crônica, porém a dose ideal e a duração do tratamento ainda não estão bem estabelecidas (DUNCAN et al., 2013). Figura 12: Crostas na base dos cílios com blefarite seborreica. Fonte: Imrankabirhossain. Wikimedia Commons. © 31 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Encaminhe ao Oftalmologista os casos em que haja incerteza do diagnóstico, evidência de doença corneana (visão borrada, dor) ou piora da acuidade visual. Pacientes que apresentem resistência ao tratamento ou assimetria palpebral significativa também devem ser encaminhados para excluir a presença de neoplasia da margem palpebral. 1.10 HEMORRAGIA SUBCONJUNTIVAL Apesar de habitualmente assustar os pacientes, é um quadro benigno, que se caracteriza pelo acúmulo de sangue sob a conjuntiva. Costuma acontecer em idosos. Pode ocorrer espontaneamente ou após manobra de Valsalva em situações como espirros, tosse, vômitos. Está fracamente associado a picos hipertensivos. Em geral, não cursa com qualquer sintoma e o paciente só percebe quando vê no espelho ou quando alertado por outra pessoa (GUSSO; LOPES; DIAS 2019). Você deve fazer o diagnóstico de forma exclusivamente clínica, através da anamnese e do aspecto observado no exame físico, que costuma ser semelhante ao do exemplo na imagem abaixo. Figura 13: Olho com hemorragia subconjuntival. Fonte: Therealbs2002. Wikimedia Commons. © EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 32 Você não precisa fazer qualquer tipo de investigação com exames complementares, exceto se o quadro for recorrente, se a hemorragia for extensa ou associada a outros quadros hemorrágicos sistêmicos, nos quais você deve investigar as provas de coagulação. Você pode realizar a medida da pressão arterial, para rastrear quadros hipertensivos. A sua conduta deve ser expectante, pois costuma ter resolução espontânea entre uma a duas semanas. É importante que você tranquilize o paciente quanto à mudança da coloração da hemorragia, decorrente da sua absorção, e sobre a benignidade do quadro (SIMON et al., 2020). A reavaliação não é obrigatória, mas pode ajudar a tranquilizar o paciente com as mudanças de coloração da hemorragia em absorção. Considere encaminhar se você identificar defeitos de coagulação ou se você não conseguir visualizar a borda posterior da hemorragia, pois pode estar associada a hematoma orbitário, trauma penetrante ou fratura de órbita. Para o esclarecimento e a discussão de casos clínicos, queixas ou alterações de exame físico, uma possibilidade importante e acessível é a Plataforma de Telessaúde RS, que provê um serviço nacional gratuito de discussão de casos, por meio do telefone 0800 644 6543 e por meio do link: . Vale destacar também o Portal Saúde Baseada em Evidências, uma importante base de informações para os profissionais da APS: . https://www.ufrgs.br/telessauders/ https://psbe.ufrn.br 33 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão FECHAMENTO DA UNIDADE Encerramos aqui a unidade sobre olho vermelho. Os quadros que levam a essa condição são bastante frequentes na Atenção Primária à Saúde. Você deve saber reconhecer e realizar o diagnóstico diferencial, a fim de distinguir essas situações de modo a identificar os quadros que requerem encaminhamento imediato a serviços oftalmológicos de urgência, como o glaucoma agudo, as queimaduras e a iridociclite, dos quadros de manejo local, como a maioria das conjuntivites e os corpos estranhos. Sempre que tiver dúvidas em qualquer passo da consulta, é importante discutir com os pares e buscar informações que possam auxiliar no diagnóstico e na indicação da abordagem terapêutica. Consulte o Telessaúde RS quando necessário para esclarecimentos de casos clínicos. Esperamos que, com esta unidade, você se sinta mais preparado para atender a sua população adscrita, sentindo que tem mais ferramentas para dar um cuidado de saúde ocular qualificado para seus pacientes. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 34 Perda de acuidade visual INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, abordaremos as causas de limitação visual e de perda da visão de acordo com o tempo de evolução dos sintomas e a importância do exame de fundo de olho em pacientes sintomáticos e pacientes considerados de risco para perda da acuidade visual. Você verá que a Acuidade Visual (AV) pode ser medida mostrando-se objetos de tamanhos e formas diferentes que se encontram a uma mesma distância do olho do observador. A forma mais correta para medir a acuidade é utilizando a tabela de Snellen ou de optótipos nas quais cadalinha corresponde a uma fração, que representa a acuidade visual (DUNCAN et al., 2013). Essas e outras orientações importantes serão abordadas com a finalidade de preparar você para atuar diante desses casos na Atenção Primária à Saúde (APS), de modo que você seja capaz de: UNIDADE 02 Aplicar a escala de Snellen para medir a acuidade visual e identificar pacientes com limitação visual; Classificar as causas de limitação visual e as principais causas de perda da visão de acordo com o tempo de evolução dos sintomas; Realizar exame de fundo de olho em pacientes sintomáticos e avaliar pacientes considerados de risco para perda da acuidade visual. 35 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão A maioria das patologias (ou dos diagnósticos) estudados nesta unidade são quadros crônicos que demandarão o seguimento conjunto com o especialista focal em oftalmologia. Lembre-se de incluir o resultado do exame de Snellen no encaminhamento (folha de referência à atenção secundária). Aproveite a oportunidade para aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto, de modo que, ao receber indivíduos com limitação visual ou perda da visão, você se sinta preparado para conduzir de maneira mais oportuna a avaliação de cada caso. O cuidado desses pacientes necessita que você compartilhe com outros profissionais o acompanhamento ao longo do tempo, fortalecendo vínculos e arranjos centrados no usuário. 2.1 ACUIDADE VISUAL A Acuidade Visual (AV) é o grau de aptidão do olho para distinguir detalhes espaciais (a forma e o contorno dos objetos). Diversas condições podem causar uma baixa na acuidade visual que ocorre quando o nível de visão, mesmo com a melhor correção visual disponível, permanece inferior aos critérios de normalidade (OTTAIANO et al., 2019). A forma mais simples de diagnosticar a limitação da visão é medir a acuidade visual com a escala de Snellen - um con- junto de linhas com figuras, letras, números ou símbolos de forma padro- nizada, de tamanhos progressivamente menores, chamados optótipos (DUNCAN et al., 2013). A tabela com a escala de Snellen, para alfabetizados e não alfabe- tizados, pode ser observada na figura abaixo. Fonte: Clément Falize. Unsplash. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 36 Um paciente apresenta visão normal quando, ao ser colocado frente a uma escala de Snellen consegue identificar os menores números, letras, figuras ou símbolos que nela se encontram. Um paciente apresenta limitação da visão quando não identifica um ou mais números, letras, figuras ou símbolos da escala, sendo tanto mais acentuada a limitação quanto maiores forem os símbolos percebidos da escala (DUNCAN et al., 2013). Na figura abaixo, você pode observar uma simulação de exame de acuidade visual com uso da Tabela de Snellen adaptada. Figura 14: À esquerda, tabela de Snellen para alfabetizados, à direita, tabela de Snellen para não alfabetizados (optótipos). Fonte: NESCON, 2010a e 2010b. 37 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Figura 15: Exame da acuidade visual com Tabela de Snellen adaptada para 3m. Fonte: Adaptado de Corrêa et al. (2015). Quanto ao rastreamento em pacientes adultos assintomáticos, embora o uso da escala de Snellen seja recomendado, ainda não há consenso a respeito da periodicidade mais adequada para o exame (DUNCAN et al., 2013). O Programa Saúde na Escola recomenda que os estudantes do ensino fundamental, a partir dos cinco anos e um mês, e os estudantes do ensino médio, até os dezesseis anos, realizem a avaliação da saúde ocular pelo menos uma vez por ano (BRASIL, 2016). A recomendação da USPSTF é de rastreamento em todas crianças de três a cinco anos (USPSTF, 2017). A tabela de Snellen não é apenas para ser usada em avaliação de acuidade visual em escolares, deve ser usada em qualquer consulta em serviços de Atenção Primária à Saúde em que o médico suspeita de diminuição de acuidade visual (BRASIL, 2012). O exame pode ser feito também por outros profissionais da saúde treinados para isso, que serão citados a seguir. Lembre-se! As avaliações devem ser realizadas com maior frequência nos pacientes considerados de risco: diabéticos, hipertensos, com história familiar de doença ocular (glaucoma, degeneração macular) ou aqueles que trabalham em ocupações que representam risco para os olhos (trabalhadores da construção civil, operadores de máquinas da metalurgia, funcionários da indústria química, mineradores, entre outros) e que utilizam lentes de contato ou medicamentos com efeitos colaterais oftalmológicos (DUNCAN et al., 2013). EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 38 Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a avaliação da acuidade visual pode ser realizada por agentes comunitários de saúde, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, professores, alfabetizadores ou por qualquer outra pessoa, desde que adequadamente qualificada (CORRÊA et al., 2015). Por isso, capacite sua equipe e seus professores/alfabetizadores para a aplicação do teste de acuidade visual, uma forma simples, rápida e com baixo custo para descobrir anomalias da visão. Para adequada aplicação da técnica, sugerimos a leitura do “Anexo I - Avaliação da Acuidade Visual a partir da utilização do Teste de Snellen” da Série Cadernos temáticos do PSE – Saúde Ocular do Ministério da Saúde, 2016, páginas 19 a 23, disponível em: . A acuidade visual é medida em formato de fração: o numerador refere-se à distância que o olho testado consegue enxergar; e o denominador, trata da distância que um olho normal saudável enxerga. Por exemplo, uma acuidade visual de 20/60 significa que o olho testado vê a 20 pés (6 metros) de distância aquilo que um olho normal pode ver a 60 pés (18 metros). Assim, quanto maior a diferença entre o numerador e o denominador, menor a acuidade visual do olho testado. A partir dos três/quatro anos de idade, a expectativa é que a criança alcance a visão “normal” do adulto (20/20 ou 6/6). Sendo assim, após a aplicação do teste de Snellen, de acordo com a classificação internacional para a acuidade visual, considera-se visão subnormal a partir de 20/60, cegueira legal a partir de 20/200 e cegueira a partir de 20/400 (CORRÊA et al., 2015). É muito importante que você realize a descrição do exame desta forma (de acordo com a classificação internacional) para fins de encaminhamentos à perícia médica/previdenciária, principalmente em locais com menor disponibilidade de recursos. Se o paciente não consegue ler a linha correspondente ao maior optótipo, procedese de outra forma, pedindo ao paciente para contar os dedos mostrados pelo examinador a uma distância conhecida e determinada (ex.: quatro metros, três metros e assim por diante). Caso o paciente não enxergue a mão do examinador, este deve aproximá-la até a distância em que o paciente consiga ver corretamente o número de dedos mostrado (CORRÊA et al., 2015). Para que você possa visualizar melhor como executar a medida da acuidade visual, assista ao vídeo “Avaliação da acuidade visual pelo Teste de Snellen”, disponível em: . http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/caderno_saude_ocular.pdf http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/caderno_saude_ocular.pdf https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/10608 https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/10608 39 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 2.1.1 CAUSAS DE PERDA DA ACUIDADE VISUAL As causas de limitação de visão podem ser divididas, a princípio, em dois grandes grupos: Geram necessidade de óculos ou lentes de contato. Os principais são miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Defeitos ópticos Catarata e glaucoma. Patologias do globo ocular ou das vias ópticas O déficit da visão pode ser dividido em agudo e progressivo,o primeiro sendo uma urgência oftalmológica. Veja no esquema abaixo as causas mais frequentes: 2.2 MIOPIA Condição de início na infância, desenvolvendo-se de modo gradual até os 30 anos de idade. Tem importante traço hereditário (DUNCAN et al., 2013). Na miopia, os olhos são capazes de focar objetos que se encontram perto, mas não conseguem Perda visual aguda transitória: acomete um ou ambos os olhos, com duração de até 24 horas. Tem como causa oclusão vascular temporária na circulação intraocular ou córtex visual, depressão neuronal pós-enxaqueca ou acidente vascular cerebral. Causas de perda aguda da acuidade visual Ametropia: presença de erros refrativos, que são herdados, envolvem muitas variáveis e não necessariamente estão presentes nos nascimentos. Catarata: opacificação do cristalino. Glaucoma: dano progressivo do nervo óptico. Causas de perda visual progressiva Perda visual aguda persistente: tem como etiologia distúrbios nos meios ópticos (córnea, humor aquoso, cristalino, humor vítreo), na retina e nas vias ópticas. Tem duração superior a 24 horas e não é causada por isquemia transitória. Degeneração retiniana: alteração patológica retrogressiva da retina. Retinopatia hipertensiva e diabética: microangiopatia dos vasos retinianos. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 40 visualizar com clareza objetos mais distantes. A imagem forma-se antes do ponto focal da retina (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019), como explicitado na imagem abaixo. Não há necessidade, a princípio, de exame complementar na APS, como os indivíduos têm dificuldade para enxergar à distância, ler placas de trânsito e dirigir à noite é comum aproximarem-se dos objetos para vê-los melhor. Franzir a testa e apertar os olhos também são sinais comuns em pessoas com miopia não corrigida (BRASIL, 2016). O diagnóstico é baseado na história clínica, avaliação da acuidade visual e refração (determinação do erro de refração) com o Oftalmologista. A miopia pode ser corrigida com óculos, lentes de contato e por cirurgia refrativa. Você deve referenciar todos os pacientes com ametropia a fim de realizarem o teste de refração e receberem a conduta com o Oftalmologista. Figura 16: Olho míope - acima, formação da imagem “antes” da retina no olho míope e, abaixo, correção da miopia com uso de lentes côncavas (negativas). Fonte: Gumenyuk I.S. Wikimedia Commons. © 41 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 2.3 HIPERMETROPIA Condição fisiológica ao nascimento que diminui progressivamente durante a infância. Graus elevados podem causar limitação e desconforto visuais, e se não puder ser corrigida pela acomodação (hipertrofia manifesta), será uma das causas de ambliopia (visão fraca) de privação em crianças, podendo ser bilateral (DUNCAN et al., 2013). Na hipermetropia olhos são capazes de focar no que se encontra longe, mas não conseguem visualizar com clareza objetos próximos. A imagem se forma depois do ponto focal da retina (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019), como explicitado na figura abaixo. Figura 17: Hipermetropia – acima, formação da imagem “atrás” da retina no olho hipermétrope, abaixo, correção da hipermetropia com uso de lentes convexas (positivas). Imagem formada no ponto focal na retina. Fonte: Gumenyuk I.S. Wikimedia Commons. © EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 42 A hipermetropia é uma causa frequente de esotropia (estrabismo) e ambliopia monocular. Esotropia é fisiológica quando o bebê e a criança pequena tentam focar um objeto. Necessita da diferenciação do estrabismo patológico. Na hipermetropia, a pessoa faz um esforço visual maior para poder enxergar bem de perto, o que faz com que ela tenha resistência às atividades que exijam visão para perto (leitura e artesanato, por exemplo), mesmo em crianças e jovens (BRASIL, 2016). O diagnóstico é baseado na história clínica, avaliação da acuidade visual e refração (determinação do erro de refração) com o Oftalmologista. A hipermetropia pode ser corrigida com óculos, lentes de contato e por cirurgia refrativa. Você deve referenciar todos os pacientes com ametropia a fim de realizarem o teste de refração e receberem a conduta com o Oftalmologista. 2.4 ASTIGMATISMO O astigmatismo é a deficiência de acuidade visual provocada em pessoas que apresentam um formato irregular da córnea ou do cristalino, como pode ser observado na figura abaixo, o que gera, no olho, vários focos em diferentes eixos, resultando em graus variáveis de refração e distorção dos objetos. Figura 18: Olho astigmata: dois focos diferentes de formação de imagem. Fonte: Gumenyuk I.S. Wikimedia Commons. © 43 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Pode causar dificuldade visual tanto para perto quanto para longe, podendo gerar dificuldades para dirigir em período noturno (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). É a condição mais frequente em consultórios de oftalmologia, grande parte das pessoas é portadora de desconfortáveis sintomas, como cefaleia, decorrentes desse vício de refração não corrigido (DUNCAN et al., 2013). Por apresentar alta frequência, as pessoas com queixas de visão borrada e cefaleia devem ser investigadas. A identificação precoce de possíveis alterações da visão é otimizada com apoio das equipes de APS e de educadores no cotidiano da escola e é vital para promover a saúde ocular, evitando o comprometimento visual (BRASIL, 2016). Lembre-se! O diagnóstico é baseado na história clínica, avaliação da acuidade visual e refração (determinação do erro de refração) com o Oftalmologista. O astigmatismo pode ser corrigido com óculos, lentes de contato e por cirurgia refrativa. Você deve referenciar todos os pacientes com ametropia a fim de realizarem o teste de refração e receberem a conduta com o Oftalmologista. 2.5 PRESBIOPIA A presbiopia não é considerada um erro de refração, trata-se de uma situação fisiológica que surge de modo gradual por volta dos 40 anos de idade, independente do sexo, da profissão ou utilização excessiva dos olhos (DUNCAN et al., 2013; GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). Ela decorre da perda do poder acomodativo, ou seja, da mudança na forma do cristalino, através de alteração na sua curvatura e espessura central, modificando a capacidade de focalizar a imagem no plano retiniano. O paciente se queixa de dificuldade visual para perto, sobretudo em atividades como ler, escrever ou costurar. Assim como na hipermetropia ocorre uma dificuldade para enxergar objetos de perto, contudo essa condição ocorre em pessoas a partir dos 40 anos, devido ao envelhecimento natural do cristalino do olho. Por ser prevalente, as pessoas com queixas de visão borrada e cefaleia devem ser investigadas. O diagnóstico é baseado na história clínica, avaliação da acuidade visual e refração (determinação do erro de refração) com o Oftalmologista. A correção é feita com o uso de lentes de óculos (bifocais ou multifocais), ou mesmo com lentes de contato. Referencie ao Oftalmologista os pacientes que, por volta dos 40 anos de idade ou mais, relatam dificuldade ou esforço para enxergar para perto. EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 44 2.6 CATARATA A opacidade do cristalino (lente) é encontrada em 75% das pessoas acima de 65 anos. Na maioria das vezes, não requer tratamento. A catarata resulta da opacificação da lente associada à perda visual (SIMON et al., 2020). Os sintomas típicos da catarata incluem visão turva (dificuldade para ler e reconhecer faces), dificuldade para enxergar à noite, aumento da sensibilidade ocular à luz e presença de halo claro ao redor de focos de luz (DUNCAN et al., 2013). Para as pessoas entre 18 e 60 anos e que não fazem parte de nenhum grupo de risco para doenças oculares, o ideal é ser submetido a uma avaliação com Oftalmologista a cada dois anos. Enquanto para os idosos (catarata senil), pessoas com problemas metabólicos (DM, galactosemia, doença de Wilson, hipocalcemia), usuáriosde fármacos (corticoide e clorpromazina), fumantes, pessoas com exposição prolongada à radiação solar (trabalhadores rurais, pescadores e vendedores ambulantes), vítimas de trauma ocular e as que apresentam afecções oculares como uveíte, a avaliação deve ser anual (DUNCAN et al., 2013). O exame dos olhos e da visão pode demonstrar uma diminuição da capacidade visual pelo teste de acuidade visual (tabela de Snellen ou de optótipos), pupila branca e teste do reflexo vermelho diminuído na inspeção dos olhos com um foco de luz, uma pequena lanterna ou mesmo a luz do oftalmoscópio. O aspecto observado pode ser semelhante ao da figura abaixo. Figura 19: Olho humano com catarata. Fonte: Rakesh Ahuja. Wikimedia Commons. © 45 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Os únicos tratamentos efetivos para catarata são a remoção do cristalino opaco por intermédio de técnica cirúrgica e a possibilidade de implante de lentes intraoculares. A cirurgia é eletiva e sua indicação depende do grau de incapacidade visual do paciente. O pós-operatório envolve a necessidade do reforço de alguns conselhos ao paciente, como evitar inclinar-se para frente por algumas semanas e evitar a realização de exercícios vigorosos (DUNCAN et al., 2013). Existe também uma forma congênita de catarata que deve ser precocemente identificada através do teste do reflexo vermelho na primeira consulta de puericultura ou antes da alta da maternidade e corrigida cirurgicamente, para que a visão possa desenvolver-se na criança (DUNCAN et al., 2013). O encaminhamento de pessoas com catarata para o Oftalmologista se justifica quando há diminuição da acuidade visual (em vistas ao procedimento cirúrgico ou revisão de grau após procedimento). O acompanhamento da acuidade visual pode ser realizado na APS por meio da tabela de acuidade visual. Recomenda-se encaminhamento para oftalmologia (cirúrgica): paciente com diagnóstico de catarata e com queixa de diminuição da capacidade visual funcional (queixa de diminuição visual que interfere nas suas atividades da vida diária); ou diminuição da acuidade visual medida com a tabela de acuidade visual (REGULASUS, 2017a). Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para oftalmologia geral (REGULASUS, 2017a): • Paciente com diagnóstico de catarata, previamente operado, com necessidade de revisão por queixa de diminuição de acuidade visual; • Paciente com suspeita de catarata (idade acima de 60 anos; queixa de turvação não-dolorosa e progressiva da visão, em um ou ambos os olhos); • Perda de reflexo vermelho através da pupila ou obscurecimento dos detalhes do fundo de olho). A catarata pode ocorrer em adultos não-idosos quando outros fatores de risco estão presentes, principalmente diabetes, uso de corticoide sistêmico prolongado ou trauma ocular prévio. Lembre-se! 2.7 GLAUCOMA CRÔNICO E CONGÊNITO Glaucoma é a primeira causa de cegueira irreversível no mundo, correspondendo a 2% de todos os casos. Trata-se de uma neuropatia óptica, em que a lesão do nervo resulta em dano progressivo com perda dos axônios das células ganglionares levando à disfunção da visão e perda do campo visual (GUSSO; LOPES; DIAS, 2019). EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 46 Na Atenção Primária, é importante identificar as formas clínicas de apresentação do glaucoma agudo, crônico e congênito (DUNCAN et al., 2013), deixando para o Oftalmologista a classificação: glaucoma primário de ângulo aberto, glaucoma de pressão normal, glaucoma primário de ângulo fechado, glaucoma congênito e glaucoma secundário. • O glaucoma agudo que cursa com limitação da visão, olho intensamente vermelho e dolorido e com pressão intraocular muito elevada já foi abordado na unidade que tratou sobre olho vermelho. • No glaucoma crônico, o paciente é assintomático e a limitação da visão iniciase por uma restrição do seu campo visual, sendo que a visão central só é atingida nas etapas mais finais da doença, e é sempre irreversível (DUNCAN et al., 2013). • O glaucoma congênito apresenta-se em 1 a cada 10.000 nascidos vivos, mais frequentemente no sexo masculino, na maior parte das vezes de acometimento bilateral (SIMON et al., 2020). Caracteriza-se por globos oculares de tamanho aumentado (buftalmia), fotofobia, blefaroespasmo e lacrimejamento. As córneas também têm diâmetro aumentado e são pouco transparentes. O tratamento cirúrgico deve ser instituído imediatamente para normalizar as cifras tensionais ao nascimento/ao diagnóstico (DUNCAN et al., 2013). A triagem populacional para glaucoma não se mostrou custo-efetiva nos Estados Unidos. Ela parece ser mais útil quando focada em populações de risco, como idosos, pacientes com familiares glaucomatosos e indivíduos latinos e afrodescendentes. No Brasil, há carência de estudos de custo-efetividade da triagem para glaucoma (BRASIL, 2019). A identificação de fatores de risco e da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão à Atenção Primária um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos (BRASIL, 2019). O diagnóstico do glaucoma é baseado na história familiar do indivíduo, nos sinais clínicos e nos exames oftalmológicos (PERNAMBUCO, 2013): Trinometria (Tonometria de aplanação) Oftalmoscopia (Fundo de olho) Gonioscopia Exame para medição da pressão intraocular; Exame para avaliar o fundo do olho, para comprovar se existe algum dano no nervo óptico; Exame realizado para análise do ângulo entre a córnea e a íris, útil para detectar e diferenciar os vários tipos de glaucoma; 47 EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão Campimetria ou exploração do campo visual Exame para avaliar se há perda do campo visual. Esta prova não se realiza rotineiramente, mas é imprescindível para confirmar o diagnóstico e estabelecer o tratamento adequado. Por isso, deve ser realizada quando a trinometria ou a oftalmoscopia dão resultados que levam o Oftalmologista a suspeitar que a doença está na sua fase inicial e necessita de confirmar o diagnóstico. O objetivo primário do tratamento de glaucoma é a redução da Pressão Intraocular (PIO). Nos últimos anos, diversos estudos evidenciaram a eficácia dessa conduta na redução das taxas de progressão da doença (BRASIL, 2019). Os fármacos antiglaucomatosos mais usados na redução da PIO são tópicos, na forma de colírios, e subdividem-se em grupos, de acordo com sua estrutura química ou seu mecanismo de ação (BRASIL, 2019). Todos os medicamentos abaixo constam na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - Rename 2020 no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2020): Antagonistas beta-bloqueadores adrenérgicos (Maleato de Timolol a 0,25% e 0,5%, posologia recomendada é 1 gota, 2 vezes ao dia por olho afetado); Parassimpaticomiméticos (Pilocarpina a 1%, 2% e 4%, a posologia ideal é 1 gota a cada quatro horas); Agonistas adrenérgicos (Tartarato de Brimonidina a 0,2%, a posologia recomendada é 1 gota, 3 vezes ao dia por olho afetado); Inibidores da anidrase carbônica (São fármacos diuréticos, porém utilizados no tratamento do Glaucoma por reduzirem a formação do humor aquoso do olho pelo mesmo mecanismo. Acetozolamida 250mg, a posologia diária recomendada é de 250 a 1000mg por via oral ao dia. Brinzolamida a 1%, a posologia recomendada é de 1 a 2 gotas, 2 a 3 vezes ao dia por olho afetado. Dorzolamida a 2%, a posologia recomendada é de 1 a 2 gotas, 3 vezes ao dia por olho afetado); Análogos das prostaglandinas (Travoprosta a 0,004%, a posologia recomendada é 1 gota, 1 vez ao dia por olho afetado, à noite); EIXO 04 | MÓDULO 24 Abordagem a problemas de olhos e visão 48 Derivados docosanoides: O mecanismo de ação é semelhante ao da Latanoprosta, aumentando o fluxo de humor aquoso sem alterar sua produção, entretanto, seu efeito hipotensor ocular é inferior ao observado com essa outra medicação.