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A tentativa portuguesa para encontrar um caminho marítimo para a Índia, tinha como objetivo poder importar directamente as especiarias e luxos do Oriente e boicotar os intermediários árabes que traziam esses produtos para a Europa atrás dos mares Vermelho e Mediterrâneo. Estes intermediários, impunham taxas alfandegárias sobre os produtos que atravessam os seus mares e territórios, o que fazia com que ficassem muito mais caros quando chegavam aos portos europeus. Havia, pois, que suprimir esse controlo e “libertar” o comércio internacional das mãos dos árabes. Esse foi uma das causas da expansão. Outras causas que podemos destacar:
· A falta de metais preciosos ( ouro e metal) – era uma moeda que dinamização as trocas comerciais dentro e for a da Europa, daí a necessidade de metais preciosos para o seu fabrico.
· Procura de caminhos seguro para a Índia.
E foi no século XV que os portugueses começaram a procurar caminhos ao longo da costa ocidental africana com o objetivo de chegar ou alcançar o comércio de especiarias em Índia.
A penetração mercantil europeia 
 
O século XV foi marcado pelo início da expansão marítima europeia. Portugal e Espanha, gozando de uma localização geográfica favorável e por estarem muito avançados no campo da construção naval, lancaram-se na procura e exploração de novos continentes para resolver os seus problemas económicos e sociais.
A presença portuguesa em Moçambique data dos séculos XV/XVI. Em 1498 chegaram a Moçambique os primeiros portugueses, chefiados por Vasco da Gama, na sua rota rumo à Índia.
A penetração mercantil europeia foi levada a cabo essencialmente por portugueses. Estes, movidos por interesses económicos, sociais e religiosos, ocuparam e colonizaram Moçambique. Numa primeira fase ocuparam posições costeiras, junto de pontos de comércio, mas, mais tarde, foram para o interior junto dos pontos de extração de ouro.
Factores da mercantil penetração europeia
A penetração mercantil europeia, sobretudo portuguesa, foi motivada por factores de diferentes ordens, destacando mais os motivos económicos.
Factores económicos
Os portugueses viram em Moçambique uma dupla função económica. Por um lado, era um bom local para escoar produtos produzidos em Portugal e por outro lado, era um local com raras, dispendiosas e apetecíveis matérias- primas, como ouro, o marfim assim como um local propício ao tráfico de escravos. Os portugueses foram provavelmente os primeiros europeus a fixarem-se na litoral moçambicana porque precisavam de ouro. Quando Vasco da Gama, na viagem de procura do caminho marítimo ara a índia, passou por Moçambique, ouviu falar de um reino no interior muito rico em ouro. Era o império de Mwenemutapa. Com ouro, os portugueses, especialmente a burguesia comercial, podiam pagar os seus excessos: as especiarias orientais e os produtos exóticos do mercado europeu. Assim, Moçambique tornou-se numa importante fonte de abastecimento de produtos, com o ouro, entre outros, e , por gozar de uma posição estratégica favorável para o controlo das rotas comerciais com o Oriente, passa a ser motivo de cobiça por parte dos Portugueses. Assim, foi o ouro que atraiu os Portugueses ao nosso país, dando início a uma nova etapa na história de Moçambique – a fase do ouro. Daurante vários séculos o ouro foi o produto mais importante no comércio com os portugueses, mas quando começou a rarear ou quando não o havia em determinada região, os portugueses voltaram-se para o marfim. O marf era um produto exótico e caro que os portugueses levavam para a Europa a fim de comerciar . Depois dos ciclos de exploração do ouro e do marfim, os portugueses começaram a comercializar escravos.
Factores sociais
Para a aristocracia dos Mutapas o importante era o desenvolvimento do comércio com os mercadores estrangeiros, pois com estes tinham a garantia para a obtenção de bens de prestígio como tecidos. Por isso, a primeira comunidade portuguesa permanente nas proximidades da capital do Mwenemutapa surgiu logo em 1541. 
Numa primeira fase, tanto a penetração como a convivência eram pacíficas; vivia-se um ambiente de coexistência pacífica. Este cenário mudou com a morte do padre jesuíta Gonçalo da Silveira em 1561, altura em que começou o envio de expedições militares para impor á força a presença portuguesa na região. O grande objetivo dos portugueses na região era económico.
Factores religiosos 
 Do ponto de vista religioso, os Portugueses pretendiam fazer duas coisas. Em primeiro lugar queriam espalhar fé cristã e, em segundo lugar , pretendiam enfraquecer o Islão.
A vontade de evangelizar os africanos foi um dos motivos da expansão marítima. O clero, ordem social composta por sacerdotes e outras clérigos, era um dos grandes conselheiros da Coroa portuguesa. Jogando com a sua influência e posição privilegiada, o clero conseguiu convencer os portugueses que a expansão traria muitos convertidos á sua religião. Essa vontade de evangelizar era evidente na pressão que os portugueses fizeram para que se baptizassem os monarcas dos primeiros Estados moçambicanos.
A presença portuguesa e o Estado dos Mwenemutapa (1505/1963)- o ciclo do Ouro
No início do século XVI, o interesse dos portugueses pelo comércio levou-os a iniciar o processo da sua fixação no território. Inicialmente, a fixação, fez-se no litoral, particularmente em Sofala em 1505 e na ilha de Moçambique em 1507. Com a sua fixação esperavam os portugueses controlar as vias de escoamento de ouro do interior, e em menor escala, de marfim as quais tinha em Sofala os seus términos. Quando estes se fixaram, não só passaram a servir de intermediários comerciais, como ocuparam e dominaram alguns pontos de produção. Como é o caso de Moçambique.
 Estes, no início pareciam só querer comprar ouro e marfim, mas depois percebeu-se que a sua vontade era alcançar as minas de ouro. 
Esta fixação provocou tensão entre os árabes e os próprios portugueses pelo controlo do comércio, mas até finais do século XVI os árabes detêm a supremacia no comércio com os shona.
Neste período, inicial, a penetração portuguesa no interior tinha em vista montar um sistema de alianças com as classes dominantes locais, de forma a criar condições favoráveis da actuação do capital mercantil. Numa primeira fase a aliança visava eliminar a concorrência dos mercadores árabes e conseguir o reconhecimento do capital mercantil português como único parceiro no comércio.
Para atingir os seus objectivos, os portugueses adoptaram um sistema de alianças com a aristocracia shona, mas em finais do século XVI a aliança não era ainda suficiente para pôr em causa a autoridade do Mwenemutapa. Pelo contrário a aristocracia possuía uma margem de manobra e de iniciativa bastante lata daí que os agentes portugueses subordinam-se aos imperativos sociais e ideológicos dos Shona.
 Os elementos fundamentais da supremacia shona sobre os mercadores estrangeiros manifestavam-se no pagamento da curva e da empata e na observância do ritual “descalçar, tirar o chapéu, estar desarmado e bater palmas para entrar na corte” em sinal de respeito ao rei. 
O trabalho de mineração era geralmente organizado no quadro das relações de parentesco e da divisão das tarefas no decorrer do processo produtivo fazia-se de acordo com esse quadro. Eram sobretudo mulheres e crianças que trabalhavam nas minas ou, pelo menos, cabiam-lhes as tarefas mais duras e perigosas, nomeadamente a de penetrar nas escuras galerias à procura de ouro. O trabalho nas minas provocou a fuga de comunidades inteiras, particularmente nas áreas mineiras. Entretanto, o capital mercantil, apesar dos aluimentos e das fugas de comunidades, submetia cada vez mais a produção ao valor de troca, numa sociedade em que antes predominara a produção de valores de uso. Portanto as pessoas passaram a ser obrigadas a dedicar mais tempo a mineração em prejuízo das actividades viradas para a subsistência.
Uma Cronologia das fundações de feitorias em Moçambique:
· 1505- Fundação da feitoria-fortaleza de Sofala
· 1507- Fundação da feitoria-fortalezada ilha de Moçambique.
· 1530- Fundação das feitorias de Tete e Sena.
· 1544- Fundação da feitorivde Quelimane.
A luta entre os portugueses e árabes 
 As lutas entre os árabes, em território moçambicano, eram de teor econômico, mas também religioso e político.
Quando os portugueses chegaram pela primeira vez a Moçambique, já os árabes-swahili estavam estabelecidos na região. Eles detinham o controle do comércio na costa oriental de África, desde o Cabo Guardafui, na Somália, até Sofala, em Moçambique. O objectivo dos Portugueses era controlar o acesso às zonas produtoras de ouro, pois só assim poderiam acabar com a escassez de metais preciosos em Portugal e comprar as especiarias e produtos asiáticos, muito apreciados pelos Europeus naquele época 
Foi o início de uma longa luta entre Portugueses e árabes-swahili pelo controlo do comércio do Oceano Índico, em geral, e do comércio do ouro com o Mwenemutapa, em particular.
Em 1511, os Portugueses atacam Angoche, onde os árabes-swahili tinham formado um núcleo de resistência e usavam o Zambeze ( Viana) como vai de penetração para o interior. Em 1516, os Inhamunda de Quiteve e Desanda, com o apoio dos Árabes-swahili, atacaram os comerciantes portugueses que pretendiam fazer comércio com o Mwenemutapa.
Estes confrontos também reflectiam rivalidades ideológicas: de um lado, o mundo cristão e, do outro, o mundo islâmico. Daí o interesse político-militar dos portugueses em atacar e dominar os Árabes-swahili no Oceano Índico.
A partir de 1530, os portugueses penetraram no vale do Zambeze: Tete e Sena são fundadas em 1530 e Quelimane em 1544. Os árabes-swahili foram gradualmente substituídos como intermediários comerciais. Encontrado resistência por parte dos Shona-Caronga, penetraram no território por via da influência ideológica, enviando, em 1561, o padre Jesuíta Gonçalo da Silveira para baptizar o Mwenemutapa reinante, bem como os restantes membros da aristocracia local.
Ao penetrar por via esférica ideológica, os Portugueses pretendiam:
· Monopolizar o comércio do ouro;
· Impedir a acção dos mercadores asiáticos;
· Influenciar as decisões políticas do imperador em seu benefício próprio;
· Obrigar os camponeses a desviarem-se da sua principal atividade produtiva para se dedicarem á mineração do ouro
Apesar de baptizado com o nome de Sebastião, o Mwenemutapa reinante acusou o padre de feitiçaria, condenando-o á morte. Retaliando, os Portugueses enviaram, em 1571, uma expedição chefiada por Francisco Barreto com o objectivo de conquistar as zonas auríferas e punir e submeter o Mwenemutapa. Está expedição, e outras que se seguiram, não tiveram grandes êxitos devido à resistência oferecida pelos Shonas. Contudo, a presença portuguesa era irreversível. 
Os acordos de 1607 e suas repercussões
Seguiram-se anos de conflitualidade que se traduziram em confrontos armados com o envio de expedições militares portuguesas:
-a primeira em 1571, veio a fracassar e composta por Francisco Barreto, Vasco Fernandes Homem e Lourenço Carvalho;
- a segunda tentou atingir a região da capital do império através de Sofala, Manica e Teve, mas também não logrou.
De modo a não comprometerem a sua busca do ouro e a criarem formas de dependência ao Mwenemutapa, os portugueses estabeleceram feiras comerciais no planalto no interior da terras de Mwenemutapa, aproximadamente por volta de 1580: Masapa, Bukutu, Ruhanje, Manzovo, Dambarare, Chipiriviri. A feira mais importante foi Masapa, comandada pelo capitão das Portas, o mais importante intermediário nas relações comerciais entre os portugueses e o Mwenemutapa.
A dependência do Mwenemutapa aos portugueses cresceu na forma de novos tratados tais como o Tratado de 1607 e de 1629. No geral, Estes documentos garantiam aos portugueses a liver circulação de homens e bens isentas de pagamento de qualquer tributo. O Mwenemutapa teve também de ceder terras ricas em meios de ouro ou em ouro fluvial.a obrigatoriedade de Mwenemutapa consultar o capitão português de Massapa antes de tomar qualquer decisão; a permissão para os mercadores entrarem na corte de Mwenemutapa sem respeitar o protocolo e a autorização para a construção de igrejas. 
O tratado de 1607 e suas repercussões 
A situação política começou a alterar -se a partir de 1590, com a morte do Mutapas Negomo e a sucessão de Gatsi Lucere. Este só conseguiu manter o seu poder graças ao auxílio dos portugueses com quem rubricou um acordo de assistência militar em 1607
No Mwenemutapa, a classe dominante encontrava-se envolvida em profundas contradições. Gatsi Lucere, o imperador, sentindo-se impotente para debelar a revolta comandada por Mathuzianye, viu-se obrigado a pedir ajuda aos portugueses (1607).
Assim, em 1607, a rebelião foi vencida e Gatsi Lucere, cedeu as minas do seu Estado aos Portugueses. Entre 1607 e 1627, a presença portuguesa foi-se consolidando, principalmente com o estabelecimento de prazeiros e missionários. Com a morte de Gatsi Lucere, subiu ao poder o seu filho Capranzina (1627), que representava uma facção oposta aos portugueses. A inquietação dos Portugueses foi ultrapassada em 1629, quando Mavuru, ti de Capranzina, o derrubou com o apoio português. Os Portugueses baptizaram Mavuru (que adoptou o nome de Filipi II) e este declarou-se vassalo de Portugal.
O tratado de 1629 e suas repercussões
 A luta pela hegemonia comercial só terminaria aparentemente em 1629, altura em que é rubricado o Tratado de 1629.
Em 1629, Mavuru pediu apoio militar aos portugueses para lutar contra o seu sobrinho Capranzina. Os portugueses com esse acordo tiveram:
· Não exigir aos funcionários e mercadores portugueses a observância das regras protocolares quando recebidos por altos dignitários da corte(descalçar, tirar o chapéu, etc);
· Não obrigar os mercadores portugueses a pagarem os impostos inerentes à sua actividade (a curva);
· Aceitar uma força constituída por 50 soldados na corte;
· Expulsar os mercadores asiáticos do império;
· Facilitar o estabelecimento da igreja cristã;
· Permitir criação de prazos.
De salientar que o estabelecimento deste acordo teve repercussões graves. O comércio com os Arabes terminou. Aumentou muito o número de comerciantes e de aventureiros portugueses nas terras do Império do Mutapas. A exploração dos recursos naturais do território aumentou bastante. Isso foi visível na extracção mineira, mas também na procura de marfim. A penetração mercantil portuguesa fez com que se operassem mudanças na estrutura social . As populações campesinas que dantes se dedicavam ao trabalho agrícola agora eram desviadas para o trabalho mineiro. Isto fez com que os campos ficassem por cultivar, tivessem de importar mais víveres e cereais e também que morressem mais pessoas no trabalho mineiro.
Este acordo veio, por fim, abrir a porta á formação de novas unidades políticas, fundadas por mercadores portugueses estabelecidos como proprietários de terras, os prazos.

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