Prévia do material em texto
ANA LUISA ARRABAL DE ALMEIDA – ECOLOGIA BÁSICA -O que são histórias de vida? São todos os eventos que influenciam no ciclo de vida de um organismo. As histórias de vida se referem aos padrões e estratégias de vida que os organismos adotam ao longo do seu ciclo de vida, incluindo os eventos importantes, como nascimento, crescimento, reprodução e morte. Elas descrevem como os indivíduos alocam recursos, como crescimento, reprodução e sobrevivência, levando em consideração as pressões seletivas do ambiente. -O trade off é a relação negativa entre duas características de histórias de vida. Os trade- offs são compromissos que os organismos precisam fazer devido às limitações de recursos e energia. Isso significa que, ao investir em um determinado aspecto de vida, como o crescimento, pode haver uma redução dos recursos disponíveis para outros aspectos, como a reprodução. Esses trade- offs surgem porque os recursos são finitos e as demandas são diversas, e os organismos precisam alocá-los de forma eficiente para maximizar sua aptidão. -Vamos considerar dois aspectos importantes na história de vida do Handroanthus vellosoi: crescimento e reprodução. Essa espécie de árvore é conhecida por seu rápido crescimento em altura e pela produção de flores vistosas que atraem polinizadores. No entanto, ela também possui um padrão de vida relativamente curto, com uma expectativa de vida em torno de 30 a 40 anos. O trade-off aqui ocorre entre o investimento em crescimento e o investimento em reprodução. O Handroanthus vellosoi canaliza muita energia e recursos para o crescimento rápido, o que lhe permite alcançar alturas consideráveis em um curto período. Esse investimento no crescimento é uma estratégia adaptativa para competir por luz solar e ocupar rapidamente o espaço na floresta. No entanto, esse rápido crescimento tem suas consequências. O Handroanthus vellosoi, em comparação com outras espécies de árvores de vida longa, tem um investimento reprodutivo relativamente menor. Ele atinge a idade reprodutiva em um curto período, produzindo flores abundantes e atraindo polinizadores, mas, devido à sua expectativa de vida mais curta, não tem tanto tempo para acumular recursos e investir em reprodução repetida ao longo dos anos. Essa alocação de recursos limitados para o crescimento rápido resulta em um menor investimento na reprodução ao longo da vida da árvore. Em contraste, espécies de árvores com expectativa de vida mais longa tendem a investir mais em reprodução, produzindo menos flores por ano, mas com uma maior duração e repetição ao longo dos anos. -O número de ovos postos por uma galinha está relacionado à sua idade devido ao trade-off na alocação de recursos entre crescimento, manutenção do corpo e reprodução. Galinhas jovens investem mais recursos em crescimento, enquanto galinhas mais velhas priorizam a manutenção e sobrevivência do corpo, resultando em uma redução na produção de ovos. -Quando se trata da produção de sementes, as plantas enfrentam um trade-off entre a produção de um grande número de sementes menores ou um menor número de sementes maiores. Esse trade-off está relacionado à alocação de recursos limitados, como nutrientes, energia e matéria orgânica. Se uma planta aloca a maior parte de seus recursos para a produção de um grande número de sementes, cada semente individual terá acesso a uma quantidade limitada de recursos. Isso geralmente resulta em sementes menores em tamanho, pois cada semente recebe uma menor parcela dos recursos disponíveis. Essa estratégia de produção de muitas sementes menores é chamada de "estratégia de r" ou seleção r, em que o objetivo é maximizar o número de descendentes produzidos, mesmo que cada descendente tenha uma menor quantidade de recursos disponíveis para o seu crescimento e sobrevivência. Por outro lado, se uma planta aloca uma quantidade maior de recursos para a produção de sementes individuais, cada semente terá acesso a uma maior quantidade de recursos. Isso geralmente resulta em sementes maiores em tamanho, pois cada semente recebe uma maior parcela dos recursos disponíveis. Essa estratégia de produção de menos sementes, mas maiores em tamanho, é chamada de "estratégia de K" ou seleção K, em que o objetivo é investir mais recursos em cada descendente para aumentar sua chance de sobrevivência e sucesso reprodutivo. -A defesa das plantas contra a herbivoria envolve uma variedade de estratégias, incluindo mecanismos químicos, físicos e biológicos: -Defesas químicas: as plantas produzem uma ampla gama de compostos químicos que podem ser tóxicos ou desagradáveis para os herbívoros. Esses compostos incluem compostos fenólicos, taninos, alcaloides, terpenoides e outros metabólitos secundários. Essas substâncias podem atuar como repelentes, inibidores de alimentação ou até mesmo venenos para os herbívoros. Por exemplo, as plantas produtoras de taninos podem tornar suas partes comestíveis amargas e difíceis de digerir, desencorajando a herbivoria. -Defesas físicas: as plantas desenvolveram várias características físicas para evitar a herbivoria. Isso inclui a presença de espinhos, tricomas (pelos), cutícula espessa e folhas coriáceas. Essas estruturas podem dificultar a alimentação dos herbívoros, causar danos físicos ou atuar como uma barreira mecânica protetora. Por exemplo, os espinhos presentes em algumas plantas podem desencorajar os herbívoros de se aproximarem ou consumirem partes da planta. -Defesas biológicas: algumas plantas estabelecem associações mutualísticas com outros organismos que as auxiliam na defesa contra herbívoros. Por exemplo, as plantas podem atrair insetos predadores ou parasitoides que se alimentam dos herbívoros que as atacam. Essa interação benéfica entre a planta e os insetos auxiliares pode reduzir a pressão da herbivoria e proteger a planta contra danos. -Muitas vezes os trade-offs não acontecerão, sendo importante ressaltar que, se um indivíduo tem energia para investir em várias áreas ao mesmo tempo, ele investirá. -Dispersão e migração: a dispersão é a maneira pela qual os organismos se afastam uns dos outros. 1. Ex.: sementes carreadas para longe da planta-mãe. 2. Ex.: leões jovens partem a procura de novos territórios. -Migração: movimento direcional em massa pelo qual os indivíduos se dirigem de um local para outro. 1. Ex.: aves migratórias. 2. Ex.: migração de grandes mamíferos africanos. -Para monitorar nascimentos e mortes em uma população, são utilizadas as “Tabelas de vida”. -As tabelas de vida são ferramentas usadas para descrever a mortalidade e a sobrevivência em uma população ao longo do tempo. Elas são construídas usando dados demográficos e fornecem informações sobre a probabilidade de mortalidade e sobrevivência em diferentes idades. -Tabela de vida dinâmica ou de coorte: um grupo de indivíduos é acompanhado durante todo o seu ciclo de vida, até que todos morram. Tabela de vida dinâmica e estática em que cada linha do gráfico idade/ tempo representa um indivíduo. Tabela de vida de coorte: registra a sobrevivência de um grupo de indivíduos (coorte) que nascem em um determinado período. Tabela de vida estática: deve-se conhecer a idade de todos os indivíduos. -Tabela de vida estática: são baseadas na estrutura etária da população. -Tabela de vida para o gafanhoto Chortippus brunneus: -R0 é um número de indivíduos produzidos por indivíduo em uma geração e, dessa forma, a população não cresce quando o R0=1. -Curvas de sobrevivência: Seleção K: • Características: A seleção K é associada a ambientes estáveis e próximos à capacidade máxima de suporte (capacidade de sustentar uma determinada população). • Estratégia reprodutiva: Organismos sob seleção K tendem a investir uma quantidade considerável de recursos em cada descendente.• Taxa reprodutiva: A taxa reprodutiva é baixa, com poucos descendentes sendo produzidos. • Sobrevivência e longevidade: Organismos sob seleção K geralmente possuem maior investimento no cuidado parental e têm maior probabilidade de sobreviver até a idade reprodutiva. Eles também tendem a ter uma expectativa de vida mais longa. • Exemplos: Mamíferos de grande porte, como elefantes e seres humanos, são frequentemente citados como exemplos de organismos sob seleção K. Seleção R: • Características: A seleção R está associada a ambientes imprevisíveis, com recursos limitados e condições instáveis. • Estratégia reprodutiva: Organismos sob seleção R tendem a produzir um grande número de descendentes com menor investimento de recursos em cada um. • Taxa reprodutiva: A taxa reprodutiva é alta, com muitos descendentes sendo produzidos. • Sobrevivência e longevidade: Organismos sob seleção R geralmente têm menor investimento no cuidado parental e podem apresentar menor probabilidade de sobreviver até a idade reprodutiva. Eles também tendem a ter uma expectativa de vida mais curta. • Exemplos: Organismos que produzem grandes quantidades de ovos ou sementes, como peixes de desova em massa, insetos que colocam numerosos ovos e plantas que produzem uma grande quantidade de sementes, são frequentemente citados como exemplos de organismos sob seleção R. Curva de sobrevivência de espécie R- estrategistas e K-estrategistas. -Na curva do meio, o risco de mortalidade independe da idade. • 0 < R0 < 1: cada indivíduo não se repõe na próxima geração e a população está diminuindo. • R0 > 1: cada indivíduo é substituído por mais do que um na próxima geração e a população está aumentando. -Crescimento logístico: início que parece exponencial e estabilização de acordo com a capacidade suporte.