Logo Passei Direto
Buscar

Aula de Metodologia Científica sobre itens iniciais de artigos: título, autoria, palavras‑chave; elementos da introdução (tema e delimitação, problema, objetivos geral e específicos, justificativas), dicas para título, NBR 6022 e exemplo de minicurrículo.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Dayse Mendes 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, você conhecerá quais são os itens iniciais de um artigo 
científico e os elementos que compõem a introdução desse artigo. Para tanto, 
você será apresentado ao título, autoria e palavras-chave, que são os itens 
iniciais do artigo, observando a sua importância e como desenvovê-los. Logo a 
seguir, você terá acesso aos vários elementos que compõem a introdução de um 
artigo científico que são o tema e delimitação do tema; a formulação do 
problema, na qual se estabelece a pergunta de pesquisa; os objetivos geral e 
específicos; e as justificativas prática e teórica. 
Além desses elementos obrigatórios, é importante escrever ao final da 
Introdução um parágrafo resumo que dê ao leitor uma visão panorâmica do que 
ele vai encontrar ao longo do texto. Lembre-se que, embora a introdução seja o 
primeiro item do conteúdo de um artigo, ela deve ser revisada após o término da 
escrita desse artigo já que é possível que, com o decorrer do desenvolvimento 
do texto, algumas informações precisem ser modificadas para se ajustarem ao 
artigo como um todo. Não tenha receio de fazer e refazer sua introdução até que 
ela fique o mais próximo possível do que se deseja de uma introdução, que é 
demonstrar ao leitor o que ele vai encontrar ao longo do artigo! 
TEMA 1 – TÍTULO E OUTROS ITENS INICIAIS 
Você decidiu escrever um artigo científico. Seja porque teve essa vontade 
de vivenciar a experiência de contar para outras pessoas sobre um estudo ou 
pesquisa que desenvolveu, seja porque recebeu a tarefa de escrever um artigo 
científico, para finalizar seu curso de graduação ou de pós-graduação, por 
exemplo. É a primeira vez que realiza essa atividade e você percebe que é uma 
tarefa que exige dedicação e conhecimento acerca daquilo que se pretende 
descrever. 
Pode-se dizer que o artigo científico é a parte final de um estudo ou 
pesquisa realizado por você para tentar entender uma determinada situação e 
você quer, na verdade, você tem como objetivo, que outras pessoas leiam o seu 
artigo e possam utilizar desse estudo que você desenvolveu e decidiu tornar 
público. 
Então, você percebe que é necessário o poder de convencimento, já que 
um dos primeiros grandes desafios quando se toma a decisão de desenvolver 
 
 
3 
um artigo científico é fazer com que as pessoas tenham interesse em ler. Desta 
forma, o primeiro desafio é dar nome a ele, um nome que expresse 
adequadamente o que se encontra descrito ao longo do texto. Esse nome é 
denominado de Título do artigo. O título deve comunicar com clareza a meta da 
pesquisa realizada. Mas também é necessário que ele seja atrativo e gere 
vontade de leitura no público-alvo que se pretende atingir. 
Figura 1 – Título do artigo 
 
Crédito: estudio Maia/Shutterstock. 
Um título eficaz para um artigo científico deve ter algumas características. 
Entre elas, esse título deve transmitir os principais temas do estudo e destacar 
a importância da pesquisa. Mas também deve ser conciso e objetivo, ao mesmo 
tempo em que consiga atrair os leitores para que se interessem pela sua 
pesquisa. 
Assim, vale a pena observar algumas dicas de como escrever um bom 
título para o seu artigo: “primeiro, liste os temas abordados pelo artigo. Tente 
juntar todos os temas no título usando a menor quantidade de palavras possível. 
Um título muito longo parecerá desajeitado, incomodará os leitores e 
provavelmente não atenderá os requisitos do local em que se pretende publicá-
lo”. 
 
 
4 
A partir disso, escreva alguns títulos possíveis e então selecione o melhor 
título para refiná-lo um pouco mais. Pergunte a algumas pessoas a opinião delas 
(familiares, colegas de trabalho, colegas de estudo). Reserve um tempo para 
fazer todas essas ações e, com isso, terá um bom resultado (Springer, 2022). 
Além do título, outro elemento inicial que você precisa acrescentar no seu 
artigo é a identificação dos autores. De acordo com a NBR 6022 (2018), que é a 
norma no Brasil que diz como escrever um artigo científico, o autor é a pessoa 
física responsável pela criação do conteúdo de um determinado documento. Já 
as informações a serem apresentadas quanto à autoria variam conforme o local 
em que se vai publicar o artigo. É importante observar as regras para submissão 
do artigo e o que se pede em termos de informação de autoria. Podem ser 
solicitadas informações como nome, e-mail, minicurrículo, nome da instituição 
de ensino com a qual o autor tem vínculo, entre outras. 
No caso do projeto final de curso, o que se pede é o nome do(s) autor 
(es), e do orientador, e em nota de rodapé, os títulos que essas pessoas 
possuem. Geralmente, como autores haverá, no mínimo, você e seu orientador. 
Veja a Figura 2 e os exemplos de minicurrículo logo a seguir: 
Figura 2 – Como informar autor/orientador 
 
Fonte: Dayse Mendes, 2022. 
PS.: minicurrículo deve aparecer em nota de rodapé, com fonte Arial 10 
1.Graduando do curso de Bacharelado em Engenharia de Produção (nome da 
instituição). 
2.Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de 
Santa Catarina, Engenheiro Mecânico pela Universidade Federal do Paraná, 
professor [...]. 
Outro dos elementos iniciais em um artigo são as palavras-chave. Essas 
são sempre solicitadas, não importa o local de publicação. As palavras-chave 
auxiliam indexadores e mecanismos de busca a encontrar artigos relevantes. 
 
 
5 
Elas têm o mesmo papel das hashtags (#) nas redes sociais. Se uma base de 
dados puder encontrar seu artigo, os leitores também poderão encontrá-lo. Isso 
provavelmente aumentará o número de pessoas que acessarão o seu artigo, e 
provavelmente levará o seu artigo a ser mais citado em outras pesquisas, o que 
demonstra a relevância do seu estudo, assim como seguidores, curtidas e 
comentários demonstram a relevância de uma rede social. E é isso que se 
deseja, que muitas pessoas leiam e usem o seu artigo. 
Para que os buscadores encontrem suas palavras-chave, elas devem 
representar adequadamente o conteúdo do seu artigo e ser específicas do 
campo ou subcampo de pesquisa que você está realizando (Springer, 2022). Por 
exemplo, seu campo de estudos é Gestão da Qualidade e seu subcampo são as 
Ferramentas da Qualidade. Nesse caso, você poderia ter como palavras-chave 
fluxograma, diagrama de Pareto, histograma. 
Figura 3 – Hashtags e palavras-chave 
 
Crédito: Cagkan Sayin/Shutterstock. 
No que se refere à quantidade, você não deve criar mais do que cinco 
palavras-chave. O ideal é entre três e cinco. Existe uma norma que regula 
especificamente a forma de escrever resumos e palavras-chave em artigos. É a 
NBR 6028. 
Essa norma estabelece que as palavras-chave devem ser escritas 
totalmente com letra minúscula, a não ser que a palavra seja um nome próprio. 
Estabelece também que a separação entre as palavras-chave seja feita com 
 
 
6 
vírgula. O ideal é que suas palavras-chave sejam diferentes das palavras que 
você usou no seu título, mas que representem o tema estudado. Essas regras 
precisam ser seguidas quando você desenvolver seu artigo. Relembre, então, 
no Quadro 1, quais são os itens iniciais de um artigo científico: 
Quadro 1 – Itens iniciais 
Item O que é 
Título É o nome do artigo 
Identificação dos autores São as informações acerca das pessoas que 
escreveram o artigo 
Palavras-chave São as “hashtags” dos artigos científicos 
Fonte: Dayse Mendes, 2022 
Há mais um elemento inicial nos artigos científicos, que é o resumo. 
Porém, pela sua importância, ele será tratado com mais profundidade em um 
outro momento. 
TEMA 2 – INTRODUÇÃO: TEMA E DELIMITAÇÃO DO TEMA 
Ao começar a desenvolver a escrita da Introdução do seu artigo, você vai 
se deparar com alguns itens imprescindíveis nesse item. O primeiro deles é o 
tema. Este é o assunto que norteoua pesquisa que está sendo apresentada no 
artigo. Provavelmente, ele ocupará um parágrafo ou dois de sua introdução, já 
que a ideia é descrever sobre o que você pesquisou. Conforme Praça (2015, p. 
78), o tema “refere-se a aspectos gerais sobre um determinado assunto a ser 
estudado, diferentemente do título da pesquisa, que deve ser mais específico e 
escolhido posteriormente”. 
No entanto, para realizar a pesquisa em si e escolher o tema, você deve 
observar uma série de quesitos. Sua escolha deve levar em conta suas aptidões 
em relação à elaboração da pesquisa. Você deve ter domínio e capacidade 
necessários para estudar esse assunto. Algumas dicas podem auxiliar você na 
escolha do que estudar. 
Você deve se perguntar: 1. Estou atualizado sobre os acontecimentos na 
minha área de atuação? Quais são as coisas recentes que estão acontecendo 
nessa área? 2. Consigo identificar uma necessidade e, a partir dela, desenvolver 
 
 
7 
uma pesquisa a respeito? Consigo definir uma situação-problema relacionada a 
essa necessidade? 
Uma boa maneira de se informar sobre o que está acontecendo na área 
que você pretende estudar é buscar plataformas de estudos científicos e nelas 
começar a selecionar artigos científicos que o auxiliem a compreender melhor o 
tema definido para sua pesquisa. Veja o Quadro 2. 
Quadro 2 – Plataformas de pesquisa 
Plataforma Link 
Scielo <http://www.scielo.br/> 
Periódicos Capes <http://www.periodicos.capes.gov.br/> 
Academia.Edu <http://www.academia.edu/> 
BDTD <http://bdtd.ibict.br/vufind/> 
Google Acadêmico <https://scholar.google.com.br/> 
Fonte: Dayse Mendes, 2022. 
Para verificar se o tema escolhido por você é relevante, você deve analisar 
se, com sua pesquisa, o grau de conhecimento sobre o assunto irá aumentar. 
Você deve se perguntar se a sua pesquisa acrescenta algo ao que já é conhecido 
sobre o tema. Por exemplo, você decide estudar sobre inteligência artificial (IA). 
O que você vai produzir sobre IA vai melhorar o entendimento em relação ao que 
já existe sobre esse tema? Lembre-se que sua contribuição não precisa ser 
impactante ou extremamente inovadora, mas ela deve fazer com que haja algum 
avanço em relação àquilo que já se conhece sobre o assunto. 
Após definir o tema, você deve partir para a delimitação do tema. Está 
relacionada à determinação de um campo de ação específico. Após a escolha 
do tema de pesquisa, ou seja, do assunto que se deseja provar ou desenvolver, 
se delimita um tema de pesquisa elegendo “uma parcela delimitada de um 
assunto, estabelecendo limites ou restrições para o desenvolvimento da 
pesquisa pretendida” (Magalhães; Orquiza, 2002, p. 18). 
A delimitação do tema pode surgir com base na sua observação do 
cotidiano, na vida profissional, em programas de pesquisa, em contato e 
relacionamento com especialistas, no feedback de pesquisas já realizadas e em 
estudo da literatura especializada. Na prática, a delimitação consiste em 
escolher, entre os vários aspectos levantados sobre uma situação problema, 
aquele que merecerá estudo e investigação no momento (Santos, p. 55). 
 
 
8 
Utilizando ainda o exemplo de Inteligência Artificial, a delimitação do tema 
poderia ser o uso de IA em simulação de processos produtivos na Empresa X. 
O exemplo mostra que, ao se escolher e delimitar um aspecto, abandona-se 
outros possíveis temas que poderiam ser abordados na pesquisa. Isso se deve 
à necessidade de priorização, tendo em vista os recursos escassos disponíveis 
para as pesquisas, tais como tempo, pessoas ou recursos financeiros. 
Tanto o tema como a delimitação do tema, devem ser descritos de forma 
bem clara na Introdução do artigo científico, de forma que qualquer pessoa que 
leia esses parágrafos iniciais consiga compreender perfeitamente do que o artigo 
está tratando. Não se deve inserir outros assuntos, mesmo que pareçam 
relacionados ao tema, já que a ideia não é colocar uma grande quantidade de 
informação, mas, sim, o suficiente para deixar claro qual estudo está sendo 
realizado. Quantidade aqui não é qualidade! 
Figura 4 – Textos inadequados 
 
Fonte: Lero Lero, 2022. 
Evite escrever textos genéricos, que possam servir para descrever 
qualquer assunto, só porque eles parecem bonitos ou impactantes. Textos desse 
tipo, prolixos e sem conteúdo real, não são adequados para a escrita de artigos 
científicos e vão aparentar o uso de textos gerados automaticamente por 
computador, como os famosos geradores de lero-lero. 
 
 
 
 
 
9 
TEMA 3 – INTRODUÇÃO: FORMULAÇÃO DO PROBLEMA 
Mais um item que não pode faltar na Introdução do seu artigo é a 
formulação do problema de pesquisa. Sua pesquisa deve ser focada sobre um 
problema relacionado ao tema escolhido, ou seja, uma questão associada ao 
tema e com importância real, que ainda não tenha sido devidamente respondida 
pela literatura existente. É importante ressaltar que um problema não é, 
necessariamente, algo negativo, mas, sim, uma situação que pode ser 
interessante analisar. 
Para elaborar seu problema de pesquisa, você deve ter em mente 
algumas condições. De acordo com Martins e Theóphilo (2007), entre essas 
condições, o problema de pesquisa deve ser acessível e se inserir em algum 
campo do conhecimento, deve ser bem definido e ater-se a uma única solução, 
e deve ser elaborado já se pensando antecipadamente sugestões de forma de 
investigação para resolvê-lo. 
É necessário, também, segundo os autores, identificar se não há nenhum 
tipo de pressuposto falso que dificulte a comprovação do que se está estudando. 
No Quadro 3, você poderá ver uma sequência de questionamentos e orientações 
para estabelecer de forma mais concreta o seu problema de pesquisa. 
Quadro 3 – Dicas para elaboração do problema de pesquisa 
Questionamentos Orientações 
Você fez um recorte adequado do seu objeto de 
pesquisa? 
O problema deve ser claro e 
preciso 
Seus termos estão definidos de forma adequada 
e evitam ambiguidades? 
O problema deve ser respondível 
Você possui os meios adequados para buscar a 
solução da sua situação-problema? 
O problema deve ser suscetível 
de solução 
É possível realizar a pesquisa com os 
instrumentos e tempo que você possui? 
O problema deve ser delimitado a 
uma dimensão viável 
Você está usando algum tipo de juízo de valor? O problema deve ser científico 
Fonte: elaborado com base em Araújo, 2020. 
No momento da formulação do problema, você vai desenvolver uma 
pergunta de pesquisa. É uma questão que o pesquisador deseja responder ao 
se aprofundar em seu problema de pesquisa. Um problema científico deve ser 
 
 
10 
elaborado em forma de questão para que seja claro, objetivo e resumido, e que 
se relacione com todos os itens da pesquisa. Desta forma, é necessário que o 
problema seja apresentado “com uma pergunta inteligente que indique os 
caminhos que o investigador deve seguir” (Cunha et al., 2012, p. 128). 
A pergunta de pesquisa não pode ter respostas abertas como “sim” ou 
“não”. Ela deve causar no pesquisador esforço para a formulação de uma 
resposta específica e cientificamente aceitável, já que, segundo Gil (2022), nem 
todo problema pode ser resolvido por meio de um tratamento científico. Desta 
forma, é preciso identificar o que é científico daquilo que não é. Um problema 
tem natureza científica quando envolve situações que podem ser testadas e 
replicadas a partir de um método estabelecido para tanto. É o que chamamos de 
método científico. 
Figura 5 – Pergunta de pesquisa 
 
Crédito: sdecoret/Shutterstock. 
Veja alguns exemplos de perguntas de pesquisa: 
• Qual o impacto da implementação da ISO 9001:2015 nos processos 
produtivos da Empresa XXX, no período compreendido entre 2018 e 
2022? 
• O ensino à distância de Engenharia Mecânica influencia na capacidade 
produtiva de montadoras de veículos no estado de São Paulo? 
• Há relação entre o uso de energias não renováveis e o aumento da 
temperaturaglobal, nos últimos cinco anos? 
 
 
11 
Observe que essas perguntas de pesquisa não podem ser respondidas 
com um simples sim ou não, demandam estudo para uma solução adequada e 
delimitam o que se pretende estudar, tornando o recorte da pesquisa bem claro. 
Agora, veja alguns exemplos do que não é uma pergunta de pesquisa: 
• Qual a melhor técnica para construir uma edificação sustentável? 
• É bom adotar jogos eletrônicos como forma de capacitar os colaboradores 
da Empresa XXX? 
• É importante se preocupar com a destinação de resíduos sólidos? 
• Há vida em Marte? 
Algumas dessas questões trazem juízo de valor, outras podem ser 
respondidas com um sim ou não, e outras trazem questões que carecem de 
evidências para que se comece um estudo sobre elas. Em sua pergunta de 
pesquisa, evite utilizar palavras como melhor, pior, bom, ruim, importante. 
Adjetivos devem ser evitados em qualquer tipo de escrita científica. Evite ainda 
trazer curiosidades ou situações inviáveis de serem respondidas em seu 
problema de pesquisa. 
Se você conseguiu formular corretamente o problema e estabeleceu uma 
boa pergunta de pesquisa, que possa ser tratada de forma científica, você já 
pode iniciar a organização do desenvolvimento do seu estudo (Atena, 2020). 
TEMA 4 – INTRODUÇÃO: OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICOS 
Definido e delimitado seu tema de pesquisa e formulado seu problema de 
pesquisa, cabe, a seguir, apresentar em sua Introdução os objetivos de 
pesquisa. Você deve estabelecer o que pretende alcançar com a pesquisa, em 
seu objetivo geral, e as metas específicas para que o objetivo geral se cumpra, 
nos objetivos específicos. 
No objetivo geral, deve-se definir o que se pretende alcançar, ao final, com 
a execução da pesquisa. Essa resposta será dada pelo pesquisador, que deverá 
encontrá-la ao longo do seu estudo. Desta forma, o objetivo geral deve expressar 
claramente aquilo que o pesquisador busca com sua investigação. Santos (1993, 
p. 60) esclarece que o objetivo não diz respeito ao que o pesquisador vai fazer 
(isto é, procedimento de pesquisa), “mas o que pretende conseguir como 
resultado intelectual final de sua investigação”. 
 
 
 
12 
Figura 6 – Objetivos de pesquisa 
 
Crédito: Dmitry Demidovich/Shutterstock. 
Os objetivos específicos, por sua vez, retratam as ações necessárias para 
se cumprir com o objetivo geral. Nesse sentido, eles são a subdivisão do objetivo 
geral. Pode-se dizer que os objetivos específicos definem metas específicas da 
pesquisa que sucessivamente complementam e viabilizam o alcance do objetivo 
geral. Para De Sordi (2017, p. 34), o objetivo geral e os objetivos específicos 
devem: 
transmitir uma unidade de informação bastante lógica e natural, o que 
significa sem sobreposições ou desvios; além disso, todos os 
específicos devem suportar o objetivo geral, ou seja, os objetivos 
específicos direcionam os trabalhos para o alcance do objetivo geral. 
Para a seção de procedimentos, cada objetivo específico gerará de 
forma bastante direta e clara uma ou mais etapas de pesquisa. 
Bertolini (2016) explica que o objetivo geral está mais próximo do 
problema, enquanto os objetivos específicos têm mais relação com a 
metodologia do trabalho científico. Desta forma, enquanto o objetivo geral estuda 
um fenômeno, os objetivos específicos vão medir, analisar, avaliar esse 
fenômeno que está sendo estudado. 
Você deve ter alguns cuidados ao elaborar seus objetivos, evitando 
algumas situações que possam dificultar a realização do seu estudo. Entre esses 
cuidados, está: verificar se você confundiu o objetivo geral com um objetivo 
específico; evitar escolher um objetivo específico extremamente óbvio; propor 
 
 
13 
algo impossível de se alcançar, seja pela falta de recursos, seja porque a 
proposta não tem uma solução plausível; cuidar para ordenar adequadamente 
os objetivos específicos, já que eles devem conduzir a uma sequência lógica de 
ações; verificar se você confundiu o objetivo geral com o tema de pesquisa. 
Um exemplo comum de erro na formulação dos objetivos é colocar como 
objetivo específico a revisão da literatura. Revisão de literatura não é um objetivo 
específico do seu estudo, visto que a revisão deve ser realizada para qualquer 
estudo científico. Evite esse erro! 
Para redigir os objetivos, você deve observar que, como os objetivos geral 
e específicos são ações, eles devem sempre ser escritos iniciando com verbos 
de ação no infinitivo. Este é um padrão que deve ser realizado. Não é aceitável 
escrever objetivos em qualquer outro formato. 
A ordem de apresentação dentro de sua Introdução também tem um 
padrão a ser seguido que é o da sequência da execução dos objetivos ao longo 
do estudo. Então, apresenta-se primeiro o objetivo geral e depois cada um dos 
objetivos específicos, conforme sua sequência lógica. 
Veja um exemplo de objetivo geral e seus respectivos objetivos 
específicos: 
Objetivo geral: analisar acidentes na Fábrica XX, de acordo com o tipo 
de atividade 
Objetivos específicos: 
• Identificar quais acidentes ocorrem na fábrica. 
• Apurar com que frequência os acidentes ocorrem. 
• Averiguar em quais postos de trabalho ocorrem os acidentes. 
• Identificar a causa dos acidentes. 
• Classificar o tipo de acidente em relação à atividade exercida. 
Exemplos de verbos para objetivos 
Geral: abranger; analisar; desenvolver; demonstrar; estabelecer; interpretar. 
Específicos: apurar; configurar; classificar; citar; categorizar; checar; codificar; 
corrigir; contestar; converter; diferenciar; desenvolver; distinguir; documentar; 
enunciar; exprimir; estabilizar; estimar; exemplificar; expressar; fornecer; generalizar; 
identificar; ilustrar; inferir; produzir; realizar; revisar; reunir; reportar; repercutir; 
reduzir; restringir; revelar; salientar; selecionar; situar; sustentar; usar. 
 
 
14 
Embora o objetivo geral seja um item da Introdução, ele também vai 
aparecer em seu artigo científico no Resumo e nas Considerações Finais. E você 
não deve mudar a escrita dele para colocá-lo nessas outras partes do artigo. Ele 
deve ser escrito sempre exatamente da forma como foi apresentado na 
Introdução. 
TEMA 5 – INTRODUÇÃO: JUSTIFICATIVA PRÁTICA E TEÓRICA 
Seu artigo científico deve apresentar uma utilidade prática e/ou teórica, 
visto que seu estudo deve trazer alguma contribuição nova, ser relevante. Ao 
desenvolver uma pesquisa e descrevê-la em um artigo científico, você deve ter, 
para você mesmo e para os seus leitores, quais são as contribuições que sua 
pesquisa e, por consequência, o seu artigo trazem tanto em termos práticos 
como em termos conceituais para a sociedade. 
Desta forma, um dos itens que não pode faltar na sua introdução é a sua 
explicação do porquê a pesquisa foi realizada e como ela pode auxiliar a resolver 
alguma situação e a trazer avanços no entendimento do tema pesquisado. 
Portanto, é necessário apresentar justificativa para a realização da pesquisa, que 
convença o leitor da importância do estudo realizado. E você deve apresentar 
tanto uma justificativa prática quanto uma justificativa teórica na Introdução do 
seu artigo. Com isso, você esclarece ao leitor, desde o início, a relevância e a 
originalidade do seu estudo nos seus aspectos prático e conceitual. 
No que diz respeito à justificativa teórica, você deve apresentar qual 
avanço conceitual o seu artigo está apresentando. Não se assuste com isso. O 
nível de contribuição conceitual estará sempre atrelado ao nível de 
conhecimento do pesquisador. Há expectativas diferentes entre o que um 
estudante de graduação deve apresentar em relação à produção de um doutor, 
por exemplo, visto que o domínio desses dois pesquisadores está em nível 
distinto de capacidade de produzir conceitos ou teorias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
Figura 7 – Nível de conhecimento 
 
Crédito: VectorMine/Shutterstock. 
Já a justificativa prática deve mostrarqual a contribuição que seu estudo 
trouxe em termos utilitários, ou seja, qual a utilidade, em termos reais, que seu 
estudo proporcionou. Para desenvolvê-la, é interessante que você se pergunte 
e descreva na justificativa, por que você escolheu este tema, que resultados você 
tem a expectativa de alcançar, qual a contribuição real do estudo para resolver 
a situação problema, para quem se destina o seu estudo e como essas pessoas 
serão beneficiadas com os resultados obtidos? 
Quadro 4 – Dicas para elaboração das justificativas 
Itens da justificativa Perguntas que o pesquisador deve realizar 
Conveniência Para que serve a sua pesquisa? 
Relevância social Qual a importância para a sociedade? Quem será 
beneficiado com os resultados da pesquisa? De que 
maneira? 
Implicações práticas A pesquisa irá ajudar a resolver algum problema real? 
Valor teórico Com a pesquisa, algum vazio de conhecimento será 
preenchido? É possível sugerir ideias, recomendações ou 
hipóteses para estudos futuros? 
Utilidade metodológica A pesquisa pode ajudar a criar um novo instrumento para 
coletar ou analisar dados? Será que ela sugere como 
estudar mais adequadamente uma situação problema? 
Fonte: elaborado com base em Sampieri et al., 2013. 
 
 
16 
Importante salientar que motivações pessoais não devem nunca ser 
descritas como justificativa para um estudo científico. Por mais que o estudo seja 
seu e as escolhas feitas para sua realização tenham um caráter pessoal (é a sua 
pesquisa!), além de algumas imposições, como ter de fazer um artigo para o seu 
Projeto de Final de Curso, essas escolhas ou imposições não serão aceitas 
como justificativas plausíveis. Suas justificativas devem se basear na 
conveniência, na relevância social, nas implicações práticas, no valor teórico e 
na utilidade metodológica do seu estudo. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, você pôde conhecer cada um dos elementos que comporão 
a Introdução do seu artigo científico e como eles devem ser formulados durante 
a sua escrita. Dessa forma, você pôde compreender o que é o título e qual a sua 
importância. Entendeu como você vai identificar a autoria do artigo. Identificou a 
associação entre as palavras-chave e as hashtags. 
Pecebeu que na primeira parte do texto da sua Introdução terá descrito o 
tema e a delimitação do tema. Logo a seguir, você deverá apresentar na 
Introdução a sua formulação do probelma de pesquisa, sempre por meio de uma 
pergunta de pesquisa. Com esses itens já desenvolvidos, você apresentará seus 
objetivos de pesquisa, tanto o objetivo geral quanto os objetivos específicos. E, 
logo a seguir, você deverá justificar o seu estudo, de forma prática e teórica, 
mostrando ao leitor a relevância e a originalidade do seu estudo, finalizando 
assim os itens obrigatórios de uma Introdução. 
Você pôde perceber que todos esses itens devem levar o leitor a uma 
compreensão clara do que você pretende apresentar ao longo do artigo, mas 
também devem despertar o interesse desse leitor. Como último item da 
Introdução é interessante, mas não obrigatório, construir um parágrafo com a 
estrutura do artigo, ou seja, o que será tratado nos próximos capítulos. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
ATENA. Como identificar o tema de pesquisa. Disponível em 
<https://www.atenaeditora.com.br/blog/como-identificar-o-tema-de-uma-
pesquisa/>. Acesso em: 29 set. 2022. 
ARAÚJO, D. de. 5 dicas para formular um problema de pesquisa excelente. 
2020. Disponível em: <https://www.caedjus.com/dicas-para-formular-um-
problema-de-pesquisa-excelente/>. Acesso em: 29 set. 2022. 
ABNT. NBR 6022: Informação e documentação – Artigo em publicação periódica 
técnica e/ou científica – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. 
BERTOLINI, S. M. M. G. Pesquisa científica: do planejamento à divulgação. 
Jundiaí: Paco Editorial, 2016. 
CAUCHICK, P. A. (Org.). Metodologia científica para engenharia. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2019. 
DE SORDI, J. O. Desenvolvimento de projeto de pesquisa. São Paulo: 
Saraiva, 2017. 
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 7. ed. Barueri: Atlas, 2022. 
MARTINS, G. de A.; THEÓPHILO, C. R. Metodologia da investigação 
científica para ciências sociais aplicadas. São Paulo: Atlas, 2007. 
PRAÇA, F. S. G. Metodologia da pesquisa científica: organização estrutural e os 
desafios para redigir o trabalho de conclusão. Revista Eletrônica Diálogos 
Acadêmicos, v. 8, n. 1, jan./jul., 2015. p. 72-87. Disponível em: 
<http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170627112856.pdf>. Acesso 
em: 29 set. 2022. 
SAMPIERI, R. H. et al. Metodologia de pesquisa. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 
2013. 
SANTOS, A. R. dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. Rio 
de Janeiro: DP&A editora, 1999. 
SPRINGER. Título, Resumo e Palavras-Chave. 2022. Disponível em: 
<https://www.springer.com/br/authors-
editors/authorandreviewertutorials/writing-a-journal-manuscript/title-abstract-
and-keywords/12011956>. Acesso em: 29 set. 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Dayse Mendes 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, veremos como desenvolver o segundo capítulo de nosso 
artigo científico, denominado Fundamentação Teórica. Para que possamos 
escrever adequadamente esse capítulo importante do artigo, devemos ter alguns 
conhecimentos prévios que facilitarão esse processo. Nesse sentido, seremos 
apresentados ao conceito de conhecimento e, mais específicamente, de 
conhecimento científico. Após entendermos o que é o conhecimento científico, 
será possível perceber o porquê de se ter um padrão para a escrita do artigo 
como um todo e, em especial, da Fundamentação Teórica. 
Tendo compreendido o que é conhecimento científico, veremos como 
elaborar a base conceitual que dará origem ao capítulo de Fundamentação, 
inclusive aprendendo a fazer fichamentos, uma estratégia fundamental para 
quem desenvolve artigos científicos. Você também terá acesso a uma série de 
dicas do que não é base conceitual e das situações que devemos evitar 
enquanto estamos fazendo nossa busca dos conceitos necessários à nossa 
pesquisa. Já sabendo o que é e o que não é uma base conceitual, teremos a 
possibilidade de compreender como escrever adequadamente a 
Fundamentação. Finalmente, seremos alertados acerca do plágio, uma ação que 
não é adequada a pesquisadores, nem moral nem legalmente. Vamos 
compreender as maneiras e os motivos para evitar o plágio, seja na 
Fundamentação Teórica, seja em qualquer outro capítulo do artigo científico. 
TEMA 1 – O QUE É CONHECIMENTO? 
Para escrever um artigo científico, vamos lidar com conhecimento. Seja 
ao buscá-lo, para compreender melhor o tema que escolhemos, seja quando o 
artigo já estiver pronto e pudermos disseminar o conhecimento que adquirimos 
durante a realização do nosso estudo. Mas nós já nos perguntamos o que é 
conhecimento? Se conhecimento é o ato de conhecer, o que é conhecer? 
Conhecer está relacionado à situação de uma conduta adequada em relação 
àquilo que nos cerca. 
Conhecemos como devemos nos comportar no local em que vivemos 
para que possamos sobreviver nesse ambiente. Entretanto, o conhecimento é 
maior do que somente conhecer para sobreviver. Porque, embora possamos 
afirmar que todos os organismos vivos são sistemas cognitivos capazes de 
 
 
3 
conhecer o mundo em que vivem, nem todos são capazes de produzir 
conhecimento (Andrade; Silva, 2005). 
O conhecimento é, portanto, um processo próprio do ser humano de 
aprender sobre algo que ele ignorava, sendo assim um procedimento de 
compreensão do mundo que o cerca. Como produção do conhecimento, 
podemos entender o processo de conhecer somado à possibilidade de retomar 
esse processo, descrever como ele aconteceu e melhorá-lo em uma próxima vez 
em que a situação se apresentar. Assim, nesse processo, sempre haverá alguém 
para conhecer e algo para ser conhecido.Figura 1 – Processo do conhecimento 
 
Crédito: Fran_Kie/Shutterstock. 
Para um entendimento amplo do conceito de conhecimento, é necessário 
compreender dois outros elementos relacionados à ideia de conhecimento: 
dados e informação. Dados são elementos brutos, ou seja, que ainda não foram 
processados, assim, não têm nenhuma significação imediata. Podemos dizer 
que são coleções de evidências relevantes sobre um fato observado (De Sordi, 
2015, p. 9). Essas coleções têm características que podem ser observadas para 
melhor defini-las, que são “a possibilidade de transmissão ou processamento por 
máquinas ou pelo homem; matéria-prima para geração de informação; 
compreendem números, palavras e imagens” (De Sordi, 2015, p. 12). Os dados 
podem ser pensados como pedaços de informação, que, ao serem manipulados, 
geram esse novo elemento. 
Informação, portanto, é gerada a partir do momento em que uma coleção 
de dados é processada. A palavra informação em si tem uma série de outros 
sentidos, mas sempre com a ideia de algo que é conhecido e precisa ser 
https://www.shutterstock.com/g/frankies
 
 
4 
passado à frente. Para nós, o significado mais importante é o que relaciona 
informação e dados. Assim, definiremos informação como “a interpretação de 
um conjunto de dados segundo um propósito relevante e de consenso para o 
público-alvo” (De Sordi, 2015, p. 13). Como características, De Sordi (2015, p. 
13-14) destaca que a informação “requer a definição de unidades de análise, o 
consenso entre as pessoas responsáveis pelo processamento e o público leitor 
da informação, bem como o envolvimento intelectual humano de maneira mais 
intensa e complexa do que o exigido para a geração de dados”. 
Figura 2 – Dados, informação, conhecimento 
 
Crédito: Hanss/Shutterstock. 
Finalmente, o conhecimento pode ser compreendido, sob essa ótica de 
relacionamento com dados e informação, como a informação que foi assimilada 
por alguém e, depois disso, transformou-se em algo que pertence à pessoa que 
passou por esse processo. Logo, há uma relação explícita com o termo 
informação, já que conhecimento pode ser entendido como informação 
adquirida. Interessante ressaltar que, dessa forma, o conhecimento é individual. 
Mesmo que a informação dada a pessoas diferentes seja a mesma, o 
conhecimento de cada uma será diferente, já que depende da forma como cada 
pessoa assimilou aquela informação. 
 
 
5 
1.1 Tipos de conhecimento 
Não existe uma definição única para conhecimento, pois isso depende do 
ponto de vista que se está usando para trabalhar com a ideia de conhecimento. 
Nesse sentido, há uma série de formas para entendê-lo, de acordo com a área 
de estudos que trata da questão. Assim, é possível apontar vários tipos de 
conhecimentos distintos. 
Correia (2022) propõe uma tipologia de conhecimentos, subdividindo-os 
em sete possibilidades diferentes, que são: o saber da vida, o conhecimento 
mítico, o conhecimento teológico, o conhecimento filosófico, o conhecimento 
técnico, o saber das artes, e o conhecimento científico. 
O saber da vida, ou o saber da experiência, é um tipo de conhecimento 
estudado pela filosofia e pela educação, e diz respeito à vivência do ser humano 
e de sua capacidade de ir construindo de forma instintiva um conjunto de 
saberes, desde o momento em que nasce até o dia de sua morte. É um conjunto 
de saberes que, normalmente, denominamos senso comum, pois não é 
construído de acordo com procedimentos científicos ou metodológicos, mas sim 
por meio de vivência espontânea da vida. Em contrapartida, é interessante por 
não ter fronteiras: “tudo o que diz respeito à condução da vida na terra pode se 
tornar objeto a ser explorado e representado nesse nível de conhecimento da 
realidade” (Correia, 2022). Pode ser denominado, também, conhecimento 
empírico, correspondendo àquele que vem da prática, da relação da pessoa com 
o objeto conhecido, mesmo que essa relação seja assistemática. 
O conhecimento mítico está relacionado a uma forma antiga, em termos 
históricos, e mística de se compreender o mundo e o que nos cerca. A busca por 
compreender fenômenos naturais por meio de explicações sobrenaturais e 
intuição está relacionada a essa forma de conhecimento. Portanto, é um tipo de 
conhecimento que, assim como o saber da vida, não é resultado de 
experimentação científica, mas sim do entendimento de que seres fantásticos e 
suas histórias sobrenaturais são os responsáveis pela razão de ser daquilo que 
existe no mundo. 
 
 
6 
Figura 3 – Conhecimento mítico 
 
Crédito: Sermsak Rattanagowin/Shutterstock. 
O conhecimento teológico, por sua vez, fundamenta-se na fé. Embora 
possa parecer, na atualidade, um conhecimento inadequado, visto que hoje nos 
pautamos pelo racionalismo, foi uma importante forma de pensar e fazer evoluir 
o conhecimento durante grande parte da história humana. Conforme Correia 
(2022), esse tipo de conhecimento “parte da compreensão e da aceitação da 
existência de um Deus ou de deuses, os quais constituem a razão de ser de 
todas as coisas”. Esse ser superior detém todo o conhecimento do mundo que 
nos cerca e vai revelando à humanidade alguns desses seus saberes. Assim, 
cabe àquele que quer obter esse saber apenas aceitar essa verdade revelada, 
que é indiscutível, inquestionável. Os saberes adquiridos por meio de 
conhecimento teológico são dogmas que não necessitam da razão para sua 
compreensão. 
Conhecimento filosófico é um conhecimento racional, embora não seja 
experimental, pois surgiu como forma de compreensão de mundo antes de os 
métodos científicos serem concebidos. A intenção no uso desse tipo de saber 
está relacionada à necessidade da busca da verdade, do porquê das coisas. E 
essa busca se faz por meio de uma sistemática em que aquele que procura o 
conhecimento elabora uma série de perguntas e sai em busca das respostas. 
Como exemplos de perguntas relacionadas ao conhecimento filosófico, Correia 
(2022) apresenta “Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Qual 
é o valor da vida humana? O que é o tempo? O que é o sentido da vida?”. 
 
 
7 
Outro tipo de conhecimento é o técnico, que está relacionado ao saber 
fazer, à operacionalização de formas de se lidar com a natureza e o mundo ao 
nosso redor. O objetivo é que o ser humano possa dominar a natureza e 
transformá-la para seja útil à vivência humana. Para Correia (2022), é o tipo de 
conhecimento “especializado e específico que se esmera na aplicação de todos 
os outros saberes que lhe podem ser úteis”. Esse conhecimento está 
disseminado em toda a sociedade atualmente, já que não conseguimos viver 
sem inovação tecnológica e suas aplicações. 
Correia (2022) destaca como mais um tipo de conhecimento o saber das 
artes. Ele é pertinente às questões estéticas do ser humano – lembrando que 
estética está relacionada aos sentimentos que as coisas que estão ao nosso 
redor produzem em nós. Assim, esse saber dá ao ser humano a possibilidade 
de refinar seu espírito, experimentar e compreender o belo e entender sua 
importância em nossa sociedade. 
Sendo, possivelmente, o mais conhecido da atualidade, o conhecimento 
científico é produzido de forma racional, mediante investigação planejada da 
realidade, utilizando experimentos ou entendimento lógico daquilo que se quer 
compreender dentro da natureza e da sociedade. Assim, em contraposição aos 
tipos de conhecimento anteriores, trata-se de um conhecimento que é 
“sistemático, metódico e que não é realizado de maneira espontânea, intuitiva, 
baseada na fé ou simplesmente na lógica racional” (Correia, 2022). 
O conhecimento científico, portanto, é gerado pelo uso do método 
científico, ou seja, segue todas as etapas necessárias de pesquisa para se 
chegar ao entendimento do fenômeno que está sendo investigado. Ao se lançar 
hipóteses e corroborá-las, ou não, é possível avançar no entendimento de um 
determinadoassunto e intervir na realidade de forma a transformá-la. Araújo 
(2018, p. 4) complementa a explicação sobre esse tipo de conhecimento 
afirmando que ele busca leis e métodos que auxiliem a explicar fenômenos de 
modo racional. A autora ainda ressalta que “o conhecimento científico pode ser 
alterado, reformulado, aprimorado e testado continuamente, devendo ser 
divulgado e benéfico socialmente”. 
 
 
8 
Figura 4 – Conhecimento científico 
 
Crédito: Black Jack/Shutterstock. 
Ao escrever o nosso artigo científico, naturalmente estaremos lidando 
com esse tipo de conhecimento, tanto no momento em que estivermos 
desenvolvendo nosso estudo quanto no momento de buscar as informações 
necessárias para construir nossa base teórico-conceitual. Esta dará a 
fundamentação necessária para que possamos ter mais clareza se a 
problematização que definimos é adequada e se o uso do conhecimento 
científico estará presente, pois é esse tipo de conhecimento que é aceito como 
adequado em uma pesquisa acadêmica. 
TEMA 2 – BUSCA DE BASE CONCEITUAL 
Para gerar conhecimento científico de forma adequada, é necessário 
estabelecer uma série de procedimentos, ou passos, que possibilitam que um 
estudo possa ser compreendido como ciência. A essa série de procedimentos 
denominamos metodologia científica. Assim, para construir o conhecimento 
científico, o primeiro passo é realizar uma busca adequada das bases 
conceituais que farão parte da pesquisa e, por consequência, da seção de 
Fundamentação Teórica do artigo, da pesquisa científica. 
Devemos compreender que pesquisa alguma parte da estaca zero. Dessa 
forma, de acordo com Magalhães e Orquiza (2002), uma procura em fontes 
documentais ou bibliografias é necessária para evitar a duplicação de esforços, 
https://www.shutterstock.com/g/kosecki
 
 
9 
já que não podemos perder tempo tentando descobrir ideias que já foram 
encontradas. 
Para começar a busca da nossa base conceitual, devemos ter em mente 
o tema de pesquisa. É importante lembrar que o tema é o assunto pelo qual 
temos interesse. Vale aqui uma dica preciosa dada por Dickman e Dickman 
(2020, p. 11), que orientam o pesquisador a se dedicar a um único foco de 
pesquisa, pois assim vamos “acumular cada dia mais informações e 
conhecimentos sobre ele”, o que faz com que nos tornamos “aos poucos uma 
referência na área de conhecimento”. Então, a dica valiosa é escrever “muito 
sobre pouco”, pois “quanto menos assuntos” pesquisarmos, melhor (Dickman; 
Dickman, 2020). 
Com o tema em mãos, devemos começar a buscar fontes de informação 
que servirão de base para a Fundamentação Teórica. Esse tipo de situação 
exige o trabalho com fontes de informação formal, pois esse tipo de informação 
já se encontra estruturada e está baseada em dados. Existem três tipos de fontes 
de informação distintas que são utilizadas no desenvolvimento de pesquisa 
científica. São elas: a fonte primária, a fonte secundária, e a fonte terciária. 
A fonte primária de informação diz respeito às informações originais que 
são disseminadas na forma em que o autor disponibilizou inicialmente essas 
informações, sem interferência e análise de outros meios. Cunha (2001) cita que 
as fontes primárias dizem respeito a descobertas ou novas informações que são 
compartilhadas pelo autor. Tendo em vista todas essas características, Menezes 
(2021) afirma que as fontes primárias serão as que devemos utilizar no 
embasamento de nossa pesquisa. 
Já as fontes de informação secundárias são aquelas que contêm 
informações sobre as fontes primárias de maneira estruturada. Assim, as fontes 
secundárias são uma espécie de organizadores das fontes primárias, que 
facilitam o acesso e guiam o leitor no entendimento das informações primárias. 
Nesse sentido, análises, interpretações, resumos e sínteses das fontes primárias 
são exemplos de fontes secundárias (Cunha, 2001; Menezes, 2021). Podemos 
utilizar diretamente as fontes secundárias na Fundamentação Teórica, mas o 
ideal é que usemos a fonte secundária apenas para encontrar as publicações 
originais que usaremos em nossa pesquisa. 
Finalmente, as fontes de informação terciárias podem ser descritas como 
aquelas que tem como função principal auxiliar o pesquisador na busca pelas 
 
 
10 
fontes primárias e secundárias, indicando e organizando essas fontes para 
facilitar o acesso a elas. Assim, em sua maioria, não trazem informação ou 
assuntos como um todo, apenas sugerem onde encontrar essas informações. 
(Cunha, 2001; Menezes, 2021). 
Figura 5 – Fontes de informação 
 
Fonte: Mendes, 2022. 
Quadro 1 – Exemplos de fontes de informação 
Exemplos de fontes de informação 
Fonte primária Fonte secundária Fonte terciária 
Artigos em periódicos 
científicos; teses e 
dissertações; anais de 
congressos; patentes; 
normas técnicas; relatórios 
técnicos; legislação; dados 
estatísticos; documentos 
governamentais; entrevistas; 
discursos etc. 
Livros; manuais; internet; 
dicionários; enciclopédias; 
tabelas; unidades de 
medidas e estatística; bases 
de dados e bancos de 
dados; bibliografias e 
índices; livros e artigos de 
metodologia científica; 
filmes; vídeos etc. 
Mecanismos de busca 
(Google); portais; revisões 
de literatura; bibliografias; 
índices; almanaques; listas 
de leituras; enciclopédias; 
manuais de instrução; 
dicionários; serviços de 
indexação e resumo etc. 
Fonte: Menezes, 2021; Cunha, 2001. 
Uma boa forma de trabalhar com as informações obtidas ao longo da 
busca é realizar o fichamento de todas as obras e demais fontes que 
pesquisarmos, visto que é fundamental organizar todas essas informações. 
O fichamento é uma ferramenta utilizada pelos pesquisadores que facilita 
a organização das informações relevantes sobre o trabalho científico que se 
deseja desenvolver. Medeiros (2019) afirma que essa prática pode parecer 
demorada e entediante, porém, à medida que o pesquisador se familiariza com 
o procedimento, percebe sua importância e o ganho de tempo na escrita dos 
trabalhos científicos. 
Fundamentação 
teórica 
Fonte terciária Fonte secundária Fonte primária 
 
 
11 
Figura 6 – Exemplo de fichamento 
 
Fonte: Medeiros, 2019, p. 110. 
Na Figura 6, vemos um exemplo de ficha com as informações necessárias 
para elaborarmos o fichamento. Podemos usar um processador de texto ou um 
editor de planilhas para estruturar essas fichas, mas elas não precisam ser 
exatamente nesse formato. O mais recomendado é buscarmos um formato com 
o qual nos adaptamos e tenhamos facilidade para encontrar as informações 
necessárias. Não adianta fazer um bom fichamento se depois não usarmos 
essas informações estruturadas em nossa Fundamentação Teórica. A 
construção dos fichamentos deve ser em função dos temas de pesquisa, e 
deverá facilitar o diálogo entre os textos identificados. 
Vale comentar, ainda, acerca da Figura 6, que na parte referente ao texto 
podemos apenas copiar trechos da obra para usá-los como citação direta ou 
citação indireta na nossa Fundamentação. Entretanto, o fichamento fica mais 
interessante se, junto dos recortes, já colocarmos comentários e análises. Esse 
é um fichamento mais completo e que nos auxilia ainda mais no desenvolvimento 
da nossa Fundamentação, já que não precisaremos consultar novamente o 
documento original. Finalmente, vale comentar que o item Local em que se 
encontra a obra pode trazer tanto informação de local físico, como é o caso do 
exemplo da figura, quanto do local na internet (site) em que se localiza a obra 
consultada e fichada. 
 
 
12 
TEMA 3 – O QUE NÃO É UMA BASE CONCEITUAL 
Para começar a construir nosso artigo, usando as informações corretas 
para construir conhecimento científico, devemos buscar o auxílio de outras 
pessoas/autores que já desenvolveram pesquisas semelhantes à nossa. Então, 
vamos ler e analisar outras pesquisas que possam nos auxiliar a entender melhor 
sobre nosso tema e problematização.Nesse momento, alguns cuidados são 
necessários para que nossa base de conceitos possa realmente nos ajudar na 
compreensão do que pretendemos estudar e, posteriormente, escrever no artigo 
científico. 
É a nossa base conceitual que vai dar origem à seção de Fundamentação 
Teórica do artigo, a qual tem o propósito de concentrar informações conceituais 
retiradas da literatura pertinente, de forma a explicar conceitos, definições e 
características fundamentais dos assuntos relacionados ao nosso projeto. Ou 
seja, nesse momento, nossa opinião não é relevante, ela não deve ser 
colocada nessa seção. Haverá outro momento no artigo em que poderemos 
expressar nossa opinião e os nossos achados de pesquisa, com base no que 
lemos e analisamos. 
É importante pontuar que literatura sobre o assunto não significa somente 
livros sobre o tema que conseguimos identificar durante a pesquisa. Quando 
falamos de literatura que fará parte da nossa base conceitual, estamos sim nos 
referindo a livros, mas também e, principalmente, a artigos científicos, relatórios 
de pesquisa e outros materiais de fontes primárias confiáveis que possam dar a 
base para o entendimento de nosso tema de pesquisa. Em contrapartida, livros 
muito antigos (que não sejam clássicos da área), textos jornalísticos (como 
artigos de jornais ou de revistas de circulação nacional), blogs, plataformas de 
conteúdo livre (como Wikipédia), por exemplo, não são fontes adequadas e não 
devem fazer parte de nossa base conceitual. 
 
 
13 
Figura 5 – Pesquisa e leitura de artigos 
 
Crédito: Andrey_Popov/Shutterstock. 
Outro ponto importante a que devemos nos atentar é o que vamos 
selecionar para colocar na Fundamentação Teórica. Não devemos colocar tudo 
que encontrarmos durante as leituras, mesmo porque, na prática, não vamos 
conseguir absorver tudo o que vamos pesquisar e ler, mesmo que sejam 
informações que são de interesse da pesquisa. E, sob outra perspectiva, nem 
tudo o que vamos ler é relevante para nossa pesquisa. Assim, devemos ter em 
mente que a Fundamentação Teórica é um texto organizado, com conteúdo 
conectado de maneira lógica. Deve ser escrito de forma que favoreça o 
entendimento. Não é somente reunir um punhado de referências e colocá-las no 
artigo de maneira aleatória. 
Mais uma situação a se evitar é fazer uma coleção de cópias de 
parágrafos dos autores, uma atrás da outra, como uma “colcha de retalhos”. O 
nosso texto não pode ser só “Ctrl C + Ctrl V”. Mesmo que não possamos 
expressar nossa opinião, devemos cuidar para que os textos utilizados na 
Fundamentação Teórica façam sentido. É essencial lembrarmos que o leitor tem 
de entender o que tentamos expressar. 
 
 
14 
Figura 6 – Ctrl C + Ctrl V 
 
Crédito: Doodlart/Shutterstock. 
Finalmente, ao desenvolvermos a base conceitual, não devemos colocar 
qualquer explicação sobre o desenvolvimento do estudo realizado em si. Ou 
seja, as etapas que realizamos para atingir o objetivo da pesquisa, o 
procedimento de pesquisa ou outras questões relacionadas à forma como 
conduzimos o trabalho deverão constar em uma seção denominada 
Metodologia. Então, na Fundamentação Teórica, não haverá explicações sobre 
o local (uma empresa, por exemplo) em que realizamos nosso estudo, 
entrevistas ou questionários realizados, experimentos que conduzimos ou 
qualquer outra ação que realizamos para alcançar o objetivo de pesquisa, porque 
essas ações não fazem parte de nossa base conceitual. 
Além disso, é importante lembrar que todos os conceitos abordados nessa 
seção do artigo precisam ter exclusiva relação com o foco do estudo, ou seja, 
devemos evitar desenvolver aprofundamentos de conteúdos que não vão 
influenciar ou que não fizeram parte da pesquisa ou, ainda, que não terão 
conexão com os tópicos que serão abordados no artigo. Quantidade não é 
qualidade. 
TEMA 4 – COMO FAZER SUA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
Depois de preparar uma excelente base conceitual, está na hora de usar 
todos os fichamentos realizados, “colocar a mão na massa” e escrever a 
segunda parte do artigo científico, a Fundamentação Teórica. Uma boa 
Fundamentação Teórica é aquela que é suficiente para que nós e os leitores do 
artigo entendamos, com a profundidade necessária, o tema de pesquisa. Para 
 
 
15 
tanto, devemos apresentar teorias e informações relacionadas ao problema de 
pesquisa, bem como pesquisas anteriores que possam dar subsídios à pesquisa. 
No que se refere às pesquisas anteriores, uma boa medida é procurar trabalhar 
com artigos ou outros documentos produzidos até, no máximo, cinco anos. 
Além disso, devemos ler todas as publicações que consultarmos e conferir 
se as fontes são seguras, fazendo uma análise criteriosa, pois, na prática, não 
absorvemos tudo o que lemos, nem mesmo vamos conseguir relacionar todas 
as obras fichadas ao “pé da letra”. Contudo, o importante não é a quantidade de 
autores citados, mas sim a qualidade e a pertinência das citações em relação ao 
tema de pesquisa e a concatenação das ideias apresentadas. 
A Fundamentação Teórica tem o propósito de concentrar informações 
conceituais retiradas das fontes de pesquisa, de preferências das fontes 
primárias, para explicar conceitos, definições e características fundamentais dos 
assuntos relacionados ao artigo. O objetivo da Fundamentação Teórica é 
explorar os estudos já publicados que envolvem o tema, aprofundando e 
detalhando os conceitos relacionados ao nosso objetivo. 
A seguir, apresentamos algumas dicas importantes que devemos 
observar ao escrever a Fundamentação Teórica, em especial porque devemos 
ter em mente que o texto deve ser técnico. Assim, o uso de adjetivos sem a 
devida comprovação, como bom, ruim, excelente, fantástico, super, inovador, 
moderno, entre outros, tornam o texto clichê e diminuem o valor de escrita. 
Isso também vale para o uso de generalizações das situações, com frases 
como: “todo mundo faz as operações da mesma forma”, “todas as pessoas usam 
internet”, “nenhuma empresa se preocupa com os funcionários” etc. Devemos 
evitar esse tipo de texto, em especial porque, dessa forma, faremos julgamentos 
e emitiremos nossa opinião, elementos que não podem fazer parte da 
Fundamentação. 
Finalmente, mas não menos importante, devemos utilizar uma linguagem 
impessoal. Nesse sentido, o ideal é o uso da terceira pessoa do singular. Fez-
se, estudou-se e foi analisado são exemplos de escrita adequada. É possível 
usar nós, a primeira pessoa do plural, caso façamos nosso artigo com outras 
pessoas. Se estivermos escrevendo sozinhos, o mais adequado é o uso da 
terceira pessoa do singular. 
No que diz respeito ao formato da Fundamentação Teórica, é muito 
importante organizarmos tema e subtemas em seções primárias e secundárias. 
 
 
16 
Seções terciárias serão utilizadas apenas se julgarmos necessário. Dessa forma, 
podemos criar subtítulos a fim de organizar os temas envolvidos no projeto. Na 
Figura 7, vamos observar os subtítulos de exemplo para o seguinte tema: 
“Qualidade no processo de produção de softwares”. 
Figura 7 – Seções da Fundamentação Teórica 
 
Fonte: Mendes, 2022. 
Outro ponto importante é que a Fundamentação Teórica será baseada em 
publicações de outros autores, por isso, é imprescindível a utilização das 
citações, que podem ser diretas ou indiretas. A citação é a forma de dizer ao 
leitor que determinada parte do texto do seu artigo não é uma ideia desenvolvida 
por nós mesmos, mas sim por outra pessoa. 
Existe uma norma específica para elaborar as citações, que é a ABNT 
NBR 10520, de agosto de 2022, que vamos aprender a aplicar em outro 
momento. No entanto, é importante sempre lembrarmos que Fundamentação 
Teórica sem citações não é Fundamentação Teórica. 
Figura 8 – Exemplos de citação direta 
 
Fonte: Mendes, 2022. 
Isso significa que citações de outros estudos são obrigatórias, já que a 
Fundamentação traz os estudos similaresou os conceitos que baseiam nosso 
estudo. Não é possível apresentar uma Fundamentação Teórica sem citações 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1 QUALIDADE 
2.2.1 As funções de um departamento de qualidade 
2.2 PROCESSO DE PRODUÇÃO DE SOFTWARES 
2.3 A CERTIFICAÇÃO ISO PARA A PRODUÇÃO DE SOFTWARES 
 
 
 
17 
diretas ou indiretas dos achados feitos na literatura sobre o tema. Vale ressaltar 
que todas as citações realizadas no artigo como um todo devem ser descritas 
nas Referências (que são o último item do artigo científico), assim como todas 
as referências mencionadas devem ser encontradas ao longo do texto. Se lemos, 
mas não citamos, seja de forma direta ou indireta, não devemos incluir nas 
Referências, mesmo que achemos o conteúdo muito importante. Se a leitura foi 
tão importante para o seu estudo, então devemos citá-la no texto. 
TEMA 5 – PLÁGIO 
Um assunto muito importante quando se trata da escrita de um artigo 
científico, derivada de uma pesquisa, é o plágio. 
Vamos imaginar que passamos um ano de nossa vida pesquisando, 
estudando e escrevendo para finalizar nosso Projeto de Final de Curso, o que 
certamente não foi um processo fácil. Isso demandou tempo pessoal, dinheiro, 
entre outros recursos. Tivemos de renunciar a alguns momentos pessoais ou 
com sua família para finalizar o estudo. Publicamos nosso artigo e, um tempo 
depois, vamos imaginar que descobrimos que uma pessoa copiou trechos do 
artigo e assumiu o que copiou como se fosse de sua autoria. Como nos 
sentiríamos? 
Figura 9 – Sentimento do plagiado 
 
Crédito: M.G.O/ Shutterstock. 
Talvez não tenhamos parado para pensar que os textos que encontramos 
em livros, artigos, na internet, demandaram uma série de esforços e recursos de 
quem os escreveu. Não é correto se apossar de todo esse conteúdo sem apontar 
de forma adequada quem fez o esforço para que o texto ficasse disponível para 
 
 
18 
nós e todas as pessoas que precisam dele. Essa é, então, uma questão moral. 
Nossa família deve ter dito em algum momento de nossa vida que pegar coisas 
dos outros não é certo. Pegar texto dos outros também não. 
Além da questão moral, também há a questão legal. A Lei n. 10.695, de 
1º de julho de 2003, conhecida como Lei Antipirataria, em seu art. 1º diz que 
“violar direitos de autor e os que lhe são conexos” pode acarretar como pena 
“reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa”. Para determinar quais são os 
direitos do autor, existe a Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regula 
todas as situações relacionadas aos direitos autorais. Assim, o autor que sofre 
plágio está amparado legalmente. Quem comete plágio está sujeito a sofrer as 
penalidades legais, assim como a desmoralização acadêmica. 
Figura 10 – Plágio 
 
Crédito: Ayunannas/Shutterstock. 
No entanto, nem sempre temos a intenção de cometer plágio. Apenas não 
sabíamos que aquilo que imaginávamos que era pesquisa (como copiar e colar 
da internet) na verdade é errado. Ou então copiamos um texto e mudamos as 
palavras, colocando sinônimos no lugar; ou parafraseamos corretamente o texto, 
mas não citamos a origem da ideia; ou, ainda, usamos um texto nosso já 
publicado e não mencionamos a autoria na citação. Todas essas situações 
configuram plágio. Então, é importante conhecer suas modalidades. Sim, há 
diferentes formas de cometer plágio. Veja as mais comuns: 
 
 
https://www.shutterstock.com/g/Ayunannas
 
 
19 
• Plágio direto: cópia literal do texto original, sem referência ao autor 
e sem indicar que é uma citação. 
• Plágio indireto: reprodução, com as próprias palavras, das ideias de 
um texto original (paráfrase), sem indicação da fonte. 
• Plágio de fontes: utilização das fontes de um autor consultado 
(fontes secundárias) como se tivessem sido consultadas em 
primeira mão. 
• Plágio consentido: apresentação ou assinatura de trabalho alheio 
como de autoria própria, com anuência do verdadeiro autor. 
• Autoplágio: reapresentação, como se fosse original, de trabalho de 
própria autoria (em todo ou em parte). (BVSMS Saúde, 2022) 
Por mais que tenhamos retrabalhado fortemente um texto, se a ideia não 
é nossa, precisamos citar a fonte da informação. Ao fazer as citações e a 
referenciação correta, não cometeremos plágio. Assim, podemos garantir que 
não teremos problemas com a submissão do artigo ou a aprovação do Projeto 
Final de Curso. Plágio é motivo para não atribuição de nota na correção do artigo, 
então, tomemos todas as precauções necessárias para evitá-lo. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, pudemos compreender como desenvolver a Fundamentação 
Teórica do nosso artigo científico. 
Para isso, descobrimos que trabalhar com um tipo específico de 
conhecimento, o conhecimento científico, exige um procedimento padrão para 
sua construção. Assim, pudemos perceber que devemos inciar a 
Fundamentação Teórica buscando as bases conceituais que norteiam o nosso 
estudo. Para tanto, observamos que existem diferentes fontes de informação. As 
fontes aceitas para o desenvolvimento da Fundamentação são as fontes formais 
e, dentre elas, existem três tipos distintos: as fontes primárias, as fontes 
secundárias e as fontes terciárias. Aprendemos, ainda, que as fontes a serem 
efetivamente usadas na Fundamentação são as fontes primárias, como também 
que as fontes secundárias e terciárias podem auxiliar a encontrar as fontes 
primárias adequadas. Também, aprendemos que é interessante fazer 
fichamentos das informações que pesquisamos. Esses fichamentos nos 
auxiliarão na escrita do artigo científico. Percebemos, ainda, que muitas coisas 
que imaginávamos poder usar no artigo não são consideradas boas bases 
conceituais. Essas são situações que precisamos evitar quando estivermos 
desenvolvendo nossa base conceitual e escrevendo a Fundamentação Teórica. 
De acordo com todos esses conhecimentos, compreendemos, então, o 
que é a Fundamentação Teórica e como desenvolvê-la, sempre atentos tanto à 
 
 
20 
correção quanto ao uso de fontes de outras pessoas adequadamente, para que 
não cometamos plágio e precisemos sofrer as consequências negativas de 
plagiar obras de outros autores, já que agora temos o conhecimento sobre uma 
série de situações que denotam essa cópia indevida. 
 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
ANDRADE, L. A. B.; SILVA, E. P. O conhecer e o conhecimento: comentários 
sobre o viver e o tempo. Ciências & Cognição, v. 4, p. 35-41, 2005. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10520: 
Informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de 
Janeiro, 2022. 
ARAÚJO, W. M. de. Teorias da Aprendizagem. Curitiba: InterSaberes, 2018. 
BRASIL. Lei n. 10.695, de 1º de julho de 2003. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 2 jul. 2003. Disponível em: <https://legislacao. 
presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=10695&ano=2003&ato=e87o3aq10d
RpWT990>. Acesso em: 23 set. 2022. 
_____. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: <https://legislacao. 
presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=9610&ano=1998&ato=02dMTRE1Ee
NpWT89a>. Acesso em: 23 set. 2022. 
BVSMS SAÚDE. Plágio acadêmico: conhecer para combater. Disponível em: 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/plagio_academico.pdf>. Acesso 
em: 23 set. 2022. 
CORREIA, W. Os diversos tipos de conhecimento. Disponível em: 
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/FILO
SOFIA/Artigos/diversos_tipos_conhecimento.pdf>. Acesso em: 23 set. 2022. 
CUNHA, M. B. da. Para saber mais: fontes de informação em ciência e 
tecnologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2001. 
DE SORDI, J. O. Administração da informação: fundamentos e práticas para 
uma nova gestão do conhecimento. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. 
DICKMANN, I.; DICKMANN, I. Artigo científico: o passo a passo para escrever 
e publicar em revistas e coletâneas. Chapecó:Livrologia, 2020. 
MAGALHÃES, L. E. R.; ORQUIZA, L. M. Metodologia do trabalho científico: 
elaboração de trabalhos. Curitiba: FESP, 2002. 
MEDEIROS, J. B. Redação científica: prática de fichamentos, resumos, 
resenhas. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2019. 
 
 
22 
MENEZES, S. Fontes de informação: definição, tipologia e confiabilidade. 2021. 
Disponível em: <https://www.ufrgs.br/bibeng/fontes-de-informacao-definicao-
tipologia-confiabilidade/>. Acesso em: 23 set. 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Dayse Mendes 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, vamos aprender a contar para os leitores do nosso artigo, 
em detalhes, o que definimos que seria a nossa pesquisa e como a fizemos. 
Essa explicação dos procedimentos que realizamos deve ser desenvolvida no 
capítulo de metodologia, que traz a especificação do problema, o delineamento 
de pesquisa, população e amostragem, coleta e tratamento de dados e o relato 
dos procedimentos experimentais. 
Inicialmente, vamos entender que devemos apresentar hipótese de 
pesquisa, que é uma espécie de frase afirmativa que funciona como resposta ao 
nosso problema de pesquisa. Nesse mesmo momento, também apresentaremos 
nossas variáveis de pesquisa, especificando o nosso problema. A próxima etapa 
de nossa Metodologia diz respeito ao delineamento de pesquisa, em que vamos 
compreender que precisamos caracterizar a nossa pesquisa sob uma série de 
aspectos distintos. Vamos também aprender a como descrever os nossos 
procedimentos referentes a dados, tanto no que se refere à população e amostra, 
como também à forma como os coletamos e tratamos. Finalmente vamos 
aprender como descrever, em detalhe, seus procedimentos experimentais, caso 
tenhamos realizado algum experimento em nossa pesquisa. Todos esses 
procedimentos são descritos no capítulo de Metodologia tanto para comprovar 
que seguimos um método científico em nossa pesquisa como para auxiliar outros 
pesquisadores a replicarem o nosso estudo, seja para aumentar a confiabilidade 
de nossa pesquisa, seja para contrapor outras hipóteses em relação ao estudo. 
TEMA 1 – ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA 
O terceiro capítulo de nosso artigo trata da Metodologia. Ou seja, nesse 
capítulo, vamos contar ao leitor, com a maior quantidade possível de detalhes, o 
que e como fizemos a nossa pesquisa. Isso serve para confirmar com o leitor 
que usamos um caminho de pesquisa realmente científico, como também para 
que outros pesquisadores possam seguir esse mesmo caminho indicado por nós 
e refazer a pesquisa. Essa ação de refazer se chama “replicar a pesquisa”. 
Muitas pesquisas necessitam dessa replicação de vários pesquisadores para 
que seus resultados sejam aceitos pela comunidade científica ou, até mesmo, 
pela sociedade. Então precisamos tomar cuidado com esse capítulo e o que 
vamos relatar nele. 
 
 
3 
Você precisa deixar claro para o leitor, em termos metodológicos, o que 
fizemos na nossa pesquisa. A essa parte denominamos especificação do 
problema de pesquisa. Essa especificação auxilia tanto a nós, enquanto 
estivermos realizando a pesquisa, quanto ao leitor que pretenda replicar o nosso 
estudo, ou, com base nele, construir uma nova pesquisa. Esse auxílio vem em 
uma compreensão mais aprofundada do problema, já apresentado na introdução 
do artigo, mas sem grandes detalhes. 
Figura 1 – Hipóteses de pesquisa 
 
Crédito: Ileezhun/Shutterstock. 
A especificação do problema começa com o lançamento de hipóteses de 
pesquisa. Uma hipótese é uma espécie de resposta ou de solução em relação 
ao nosso problema de pesquisa. Assim, ao escrever nossa hipótese, precisamos 
relembrar qual foi a pergunta de pesquisa que lançamos na introdução do artigo. 
A hipótese de pesquisa deve ser redigida em forma de afirmação, em uma única 
frase que deve ser clara e escrita de forma bem objetiva e exata. 
Existem tipos diferentes de hipóteses. De acordo com Richardson (2017, 
p. 106), é possível classificar as hipóteses segundo o número de variáveis que 
essa hipótese tem e qual a relação entre elas. Vale comentar que variáveis de 
pesquisa definem qualquer tipo de relação de causa e efeito que possa ser 
observada em nosso estudo. Assim, é possível identificar três tipos distintos de 
hipóteses, como podemos observar no Quadro 1 a seguir. 
 
 
4 
Quadro 1 – Tipos de hipóteses quanto às variáveis 
Hipótese Conceito Exemplo 
Hipóteses univariadas ou 
singulares 
São as que apresentam 
apenas uma variável. 
Menos de 20% das peças 
verificadas apresentam 
problemas de qualidade. 
Hipóteses multivariadas ou 
de associação 
São as que apresentam 
ligação entre duas ou mais 
variáveis. 
Redes de computadores que 
apresentam lentidão também 
apresentam dificuldade na 
realização de backup. 
Hipóteses de relação causal 
ou de causalidade 
São as que apresentam 
relação de causa e efeito 
entre as variáveis. 
Quanto maior o nível 
educacional do trabalhador, 
maior sua produtividade 
Hipóteses de tendência 
(trend) 
São aquelas que tratam da 
direção do movimento de 
uma ou mais variáveis ao 
longo do tempo. 
O uso de ferramentas de 
metaverso aumentará nos 
próximos quatro anos. 
Fonte: Richardson, 2017, p. 106. 
Descrita a ou as hipóteses de pesquisa em nossa metodologia, cabe 
agora propormos uma série de definições para apresentar os termos importantes 
e as variáveis de pesquisa. Há duas definições a serem realizadas, a definição 
constitutiva e a definição operacional. A definição constitutiva diz respeito ao 
conceito que foi utilizado durante a pesquisa, seja das variáveis, seja dos termos 
importantes para a pesquisa. Já a definição operacional diz respeito a como as 
variáveis foram observadas na situação real do estudo. Vejamos um exemplo de 
definição constitutiva (DC) e operacional (DO) da variável centralização, um 
elemento de estrutura organizacional, na Figura 2 a seguir. 
Figura 2 – Exemplo de definição constitutiva (DC) e operacional (DO) da variável 
centralização 
Centralização 
DC: “distribuição de autoridade ou poder decisório nas organizações” (Machado da Silva; 
Alperstedt, 1995, p. 313). 
DO: grau de participação dos membros organizacionais nas decisões. O grau de participação 
na tomada de decisão será mensurado a partir de uma adaptação da Escala de Aston. 
Crédito: Mendes, [S.d.]. 
A primeira parte da metodologia, em que esmiuçamos o problema e 
descrevemos o que ele é, fica pronta assim que escrevemos a hipótese, 
estabelecemos quais são as variáveis do estudo, e descrevemos de forma 
constitutiva e operacional essas variáveis, finalizando nossa especificação do 
 
 
5 
problema. Disso em diante, podemos começar a descrever como fizemos a 
nossa pesquisa. 
TEMA 2 – DELINEAMENTO DE PESQUISA 
Além de contarmos o que fizemos em nossa pesquisa, outra importante 
preocupação é o relato de como a fizemos. O primeiro passo desse relato é o 
delineamento de pesquisa, ou seja, vamos classificar a pesquisa que 
desenvolvemos em, pelo menos, um parágrafo. Existem várias formas de se 
fazer uma pesquisa científica. Precisamos dizer ao leitor quais dessas formas 
utilizamos. A classificação se divide em quatro grandes grupos, que são: o tipo 
de pesquisa quanto à natureza, o tipo de pesquisa quanto à abordagem, o tipo 
de pesquisa quanto aos objetivos e o tipo de pesquisa quanto aos 
procedimentos. 
As pesquisas científicas podem ser classificadas quanto à natureza como 
pesquisa básica ou aplicada. A pesquisa básica tem como objetivo o progresso 
da ciência. Já a pesquisa aplicada, por sua vez, gera “conhecimento para 
aplicação prática dirigida à solução de problemas específicos” (Magalhães; 
Orquiza, 2002, p. 11). Os artigos de engenharia são, por característica própria 
da área, do tipo pesquisa aplicada, visto que tem por objetivo a utilização, as 
“consequências práticas do conhecimento”, envolvendo verdadese interesses 
específicos (Magalhães; Orquiza, 2002, p. 11). 
Quanto à abordagem do problema, relatamos se a análise dos 
fenômenos estudados é realizada por meio de pesquisa qualitativa ou pesquisa 
quantitativa. A pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, 
o que significa traduzir, em números, opiniões e informações para classificá-las 
e analisá-las (Magalhães; Orquiza, 2002). Já a pesquisa qualitativa, como o 
próprio nome diz, trabalha com características de qualidade dos dados, sem 
necessidade de intervenções estatísticas. 
A pesquisa quantitativa se baseia na medição numérica e na análise 
estatística para estabelecer padrões e comprovar teorias. Tal pesquisa se torna 
viável por ser possível mensurar e quantificar as respostas que se conseguiu 
quando se fez a coleta de dados, por meio do uso de recursos e de técnicas 
estatísticas. Já a pesquisa qualitativa considera que há situações que não 
podem ser traduzidas em números. Assim, esse tipo de pesquisa utiliza a coleta 
de dados sem medição numérica para descobrir ou aprimorar perguntas de 
 
 
6 
pesquisa no processo de interpretação de fenômenos ou de situações-problema. 
É possível mesclar os dois tipos e realizar uma pesquisa quali-quanti, ou seja, 
uma pesquisa que usa tanto os métodos quantitativos quanto os métodos 
qualitativos de tratamento dos dados, no intuito de poder fazer uma análise mais 
aprofundada sobre o tema estudado. 
Figura 3 – Pesquisa quantitativa 
 
Crédito: Bakhtiar Zein/Shutterstock. 
As pesquisas científicas podem ser classificadas quanto aos seus 
objetivos, relacionando-os ao grau de aproximação que o pesquisador tem em 
relação ao fenômeno em estudo. Assim tem-se as pesquisas exploratória, 
descritiva e explicativa. A pesquisa exploratória diz respeito à primeira 
aproximação a um tema e visa criar maior familiaridade em relação a um fato ou 
fenômeno, ou seja, ao definir que a pesquisa é exploratória, diremos ao leitor 
que não encontramos nada parecido com o nosso estudo quando construímos 
nossa base conceitual. Por isso, a pesquisa exploratória é quase sempre feita, 
em termos de procedimento, como levantamento bibliográfico, entrevistas com 
profissionais que estudam/atuam na área, visitas a websites etc. 
A pesquisa descritiva, por sua vez, é um levantamento das 
características conhecidas de uma situação-problema. Nesse tipo de pesquisa, 
o interesse é descrever o fato ou fenômeno que se observa durante a pesquisa, 
para tornar o tema mais claro. É normalmente feita na forma de levantamento ou 
observações sistemáticas do problema escolhido. Finalmente, a pesquisa 
explicativa tem por objetivo criar uma teoria aceitável a respeito de um fato ou 
fenômeno. Essa pesquisa se ocupa com os “porquês” do problema, isto é, com 
a identificação dos fatores que contribuem para explicar o que está acontecendo 
em relação ao tema estudado (Santos, 1999). 
https://www.shutterstock.com/g/Bakhtiar+Zein
 
 
7 
É possível dizer então que, quanto aos objetivos, há uma espécie de 
hierarquia entre elas. É impossível fazer uma pesquisa explicativa sem que, 
antes, alguém tenha feito uma pesquisa exploratória sobre o tema. Devemos 
lembrar que estamos tratando do tema aqui, então se pretendemos escrever, por 
exemplo, acerca da economia de energia pela utilização de placas solares na 
empresa em que trabalhamos, mesmo que acreditamos inicialmente que este é 
um estudo exploratório porque ninguém fez um estudo desses nessa empresa, 
essa ideia é incorreta, pois muitas pessoas já pesquisaram e escreveram como 
tema a energia solar. Assim, essa pesquisa será descritiva ou explicativa. 
A última classificação diz respeito aos procedimentos, ou seja, vamos 
descrever os métodos práticos utilizados para juntar as informações necessárias 
à nossa pesquisa. Aqui, ainda não descrevemos em detalhes como fizemos a 
coleta de dados, somente informa o padrão utilizado para essa coleta. Nesse 
caso, as pesquisas científicas podem ser classificadas como pesquisa 
bibliográfica, documental, experimental, de levantamento, estudo de caso, de 
campo, de laboratório, ex-post-facto, survey, participante, pesquisa-ação, design 
science, etnográfica, etnometodológica. Alguns desses tipos são mais adequados 
a pesquisas voltadas à engenharia que outros. Assim, é importante ter uma noção 
sobre cada um deles. Vejamos os tipos de pesquisa no Quadro 2 a seguir. 
Quadro 2 – Tipos de pesquisa quanto aos procedimentos 
Tipo de pesquisa Característica 
Bibliográfica Uso de um conjunto de materiais escritos/gravados que contém informações já elaboradas e publicadas por outros autores. 
Documental 
Uso de fontes documentais originais e não publicadas, tais 
como relatórios de empresas, documentos arquivados, obras 
originais de qualquer natureza, entre outras. 
Experimental 
Um fato ou um fenômeno da realidade é reproduzido de forma 
controlada, com o objetivo de descobrir os fatores que o 
produzem ou por ele são produzidos. 
De levantamento 
Busca-se informação diretamente com um grupo de interesse 
a respeito dos dados que se deseja obter. Trata-se de um 
procedimento útil em pesquisas exploratórias e descritivas. 
Estudo de caso 
Estudo de caso diz respeito a selecionar um objeto de pesquisa 
restrito, com o objetivo de aprofundar-lhe os aspectos 
característicos. Esse objeto pode ser, por exemplo, uma 
empresa, uma comunidade. 
(continua) 
 
 
 
 
8 
(Quadro 2 – conclusão) 
Tipo de pesquisa Característica 
De campo Está relacionada ao local no qual acontecem os fatos e 
fenômenos. Nesse tipo de pesquisa, se recolhe os dados in 
natura, no local de observação, como percebidos pelo 
pesquisador. 
De laboratório Está relacionada ao local no qual acontecem os fatos e 
fenômenos. Nesse tipo de pesquisa, se recolhe os dados em 
laboratório, com o experimento acontecendo sob controle do 
pesquisador. 
Ex-post-facto Pesquisa experimental que acontece naturalmente, sem o 
controle do pesquisador em que, depois do fenômeno ter 
acontecido, tenta explicá-lo e entendê-lo. 
Survey O pesquisador busca informações diretamente com o grupo em 
que deseja obter dados. As pesquisas de opinião são um 
exemplo desse tipo de procedimento. 
Participante Os pesquisadores envolvem-se no trabalho de pesquisa de 
modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de 
um resultado esperado, com poder de decisão quanto à 
situação em estudo. 
Pesquisa-Ação Os pesquisadores envolvem-se no trabalho de pesquisa de 
modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de 
um resultado esperado, mas sem poder de decisão quanto à 
situação em estudo. 
Design science research Um processo rigoroso de projetar artefatos para resolver 
problemas, avaliar o que foi projetado ou o que está 
funcionando, e comunicar os resultados obtidos. 
Etnográfica É o estudo de características de um grupo específico, tais como 
cultura e comportamento. 
Etnometodológica É o estudo do cotidiano dos indivíduos. 
Fonte: Magalhães e Orquiza (2002); De Sordi (2017) 
Ao escrever o parágrafo de delineamento da metodologia, vamos dizer ao 
leitor, então, o tipo de pesquisa que fizemos quanto à sua natureza, à sua 
abordagem, aos seus objetivos e ao seu procedimento. Por exemplo, digamos 
que nós investigamos o uso de tecnologias de informação na empresa em que 
trabalhamos para verificar se o uso está influenciando a produtividade das 
pessoas. Para tanto, elaboramos um questionário, com escalas nas respostas, 
e o distribuímos para os chefes de todos os setores da empresa. 
Nesse caso, no parágrafo inicial de metodologia, devemos comentar que 
essa é uma pesquisa aplicada por trazer um estudo prático; é quantitativa por 
usar um questionário que vai quantificar os resultados e possibilitará utilizar 
estatística para a análise; é descritiva porque vai descrever se as tecnologias de 
informação influenciam a produtividade; é um estudo de caso visto que está 
sendo feita na empresaem que trabalhamos, mas também é um levantamento 
 
 
9 
porque estamos buscando as informações necessárias com os chefes do 
setores, ou seja, com o grupo que tem as informações de que precisamos. 
Nesse parágrafo, também é relevante acrescentarmos informações sobre 
a empresa, tais como o nome, seu setor de atuação (o que ela faz), o local em 
que atua (cidade, estado, país), entre outras informações que acreditamos ser 
necessário para que o leitor entenda que tipo de empresa sediou o estudo. Se 
não pudermos divulgar o nome da empresa, podemos descrevê-la de forma 
genérica, por exemplo, uma empresa de grande porte do setor de informática 
localizada na região metropolitana de Curitiba. 
TEMA 3 – POPULAÇÃO E AMOSTRAGEM 
O próximo passo para escrever a metodologia é contar ao leitor como 
decidimos a população e a amostragem utilizada no estudo. Isso, é claro, 
dependendo do tipo de procedimento que decidimos utilizar na pesquisa. De 
acordo com Barros Neto et al. (2010), o alvo de qualquer experimento pode ser 
denominado “população”, e o objetivo de qualquer experimento é chegar a 
conclusões sobre a população. Uma população pode ser um grupo de pessoas, 
mas também pode ser outro tipo de conjunto, tais como um grupo de objetos, 
um grupo de empresas, um grupo de animais, um grupo de números/medições. 
Ou seja, a população de um estudo é um conjunto de elementos que têm 
características em comum. De forma mais específica, população é “qualquer 
coleção de indivíduos ou valores, finita ou infinita” (Barros Neto et al., 2010, p. 
31). 
Figura 4 – População e amostra 
 
Crédito: Iamnee/Shutterstock. 
https://www.shutterstock.com/g/Iamnee
 
 
10 
Como, normalmente, não é possível trabalhar com toda a população, 
busca-se uma amostra representativa. Isso acontece de modo geral pelas 
limitações de recursos que enfrentamos ao fazer uma pesquisa, em especial em 
termos de tempo e recursos financeiros. Nesse momento, a estatística nos ajuda 
a lidar com essa situação e a manter os procedimentos científicos que estão 
sendo utilizados no estudo. Uma amostra pode ser definida como uma “parte da 
população, normalmente selecionada com o objetivo de se fazer inferências 
sobre a população” (Barros Neto et al., 2010, p. 31). 
As amostras podem ser probabilísticas ou não probabilísticas, 
dependendo do procedimento de escolha dessa amostra. Uma amostragem 
probabilística se caracteriza quando todos os elementos da população têm 
probabilidade conhecida e superior a zero de serem selecionados na amostra. 
Já a amostragem não probabilística se caracteriza pela escolha dos elementos 
da população não seguir um modelo aleatório, ou seja, a escolha dos elementos 
que participarão da amostra é deliberada, feita com influência do pesquisador de 
acordo com sua necessidade. Cada uma dessas formas de amostragem é 
composta por tipos distintos. Vejamos os mais comuns no Quadro 3 a seguir. 
Quadro 3 – Tipos de amostragem 
Amostragem Tipo 
Probabilística 
Amostragem aleatória simples 
Amostragem sistemática 
Amostragem estratificada 
Amostragem por conglomerados 
Não Probabilística 
Amostragem por conveniência 
Amostragem por julgamento 
Amostragem por cotas 
Amostragem bola de neve 
Fonte: Prodanov; Freitas, 2013. 
Devemos descrever em um parágrafo da metodologia qual a população 
de nosso estudo, se utilizamos ou não amostra e qual é a amostragem utilizada, 
se probabilística ou não probabilística, bem como qual o tipo específico de 
amostragem. Será importante descrever os procedimentos, estatísticos ou não, 
utilizados para a definição da amostra. Vamos resgatar o exemplo da 
investigação sobre o uso de tecnologias de informação na empresa em que 
trabalhamos. Devemos, nesse parágrafo da metodologia, apresentar que a 
população corresponde à empresa e que utilizamos como amostra não 
 
 
11 
probabilística por julgamento o conjunto de chefes de todos os setores da 
empresa. Esse tipo de amostragem é justificado por termos julgado que quem 
teria as melhores informações sobre o assunto seriam esses chefes. 
TEMA 4 – COLETA E TRATAMENTO DOS DADOS 
Existe mais um parágrafo obrigatório na metodologia, em que 
descreveremos para o leitor como coletamos e tratamos os dados da pesquisa. 
Coletar dados é juntar as informações necessárias ao desenvolvimento dos 
raciocínios previstos nos objetivos de pesquisa (Santos, 1999). 
Existem muitos procedimentos diferentes para a realização da coleta de 
dados, que variam de acordo com as circunstâncias ou com o tipo de 
investigação que se fez. Em linhas gerais, há instrumentos distintos que podem 
ser utilizados para realizar a coleta de dados. Entre eles, os mais comuns são a 
entrevista, o questionário, o formulário, a coleta documental, a observação, as 
medidas de opinião e atitudes, as técnicas mercadológicas, os testes, a 
sociometria, as análises de conteúdo, as histórias de vida. Para pesquisas 
voltadas à engenharia, alguns desses instrumentos não são utilizados pelo seu 
viés de pesquisa social. 
A entrevista, o questionário e o formulário são instrumentos de coleta de 
dados muito utilizados e inicialmente muito parecidos, pois todos eles partem da 
ideia de que pessoas selecionadas responderão a questões sobre o tema de 
pesquisa. No entanto, a forma de aplicar esses instrumentos difere, diferindo 
também os resultados alcançados na coleta. A entrevista é uma conversa 
“efetuada face a face, de maneira metódica”, proporcionando verbalmente ao 
entrevistador “a informação necessária”. O questionário, por sua vez, é “um 
instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de 
perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do 
entrevistador”. Já o formulário se caracteriza pelo “contato face a face entre 
pesquisador e informante” e pelo roteiro de perguntas ser “preenchido pelo 
entrevistador, no momento da entrevista”. (Oliveira et al., 2016, p. 8-11). 
 
 
12 
Figura 5 – Questionário 
 
Crédito: Song_about_summer/Shutterstock. 
Se trabalhamos com um desses instrumentos em nossa pesquisa, 
devemos comentar na metodologia do artigo qual deles foi utilizado, quantas 
pessoas participaram da coleta, quando o instrumento foi aplicado, e quanto de 
retorno de respostas foi obtido. 
Após a coleta, os dados devem ter sido selecionados, codificados e 
tabulados. Chama-se a essas ações de “tratamento dos dados”. Conforme 
Marconi e Lakatos (2022, p. 194), a seleção é “o exame minucioso dos dados”. 
A partir do momento em que estamos de posse do material que coletamos, é 
necessário observar ele contém falhas ou informações inadequadas que possam 
vir a distorcer o resultado da pesquisa. A seleção pode auxiliar a melhorar a 
qualidade dos dados e também a “evitar posteriores problemas de codificação”. 
Já a codificação “é a técnica operacional utilizada para categorizar os 
dados que se relacionam” e serve para transformar os dados em símbolos que, 
assim, podem ser tabelados e contados. A tabulação, por sua vez, é “a 
disposição dos dados em tabelas, possibilitando maior facilidade na verificação 
das inter-relações entre eles”, e sua representação gráfica, que proporciona uma 
interpretação mais rápida (Marconi; Lakatos, 2022, p. 194). Devemos descrever, 
 
 
13 
na metodologia, como cada uma dessas etapas de tratamento foi realizada, ou 
seja, como coletamos, codificamos e tratamos os dados da pesquisa. 
TEMA 5 – PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS 
No caso de termos realizado um experimento (isso é bastante comum em 
estudos de engenharia), teremos que descrever como realizamos esse 
experimento. Podemos, inclusive, abrir uma nova seção dentro do capítulo de 
metodologia, separando os procedimentos metodológicos, referentes à 
abordagem em relação ao problema de pesquisa, dos seus procedimentos de 
experimento. 
Figura 5 – Procedimento experimental 
 
Crédito: Oleksiy Mark/Shutterstock. 
A descrição começacom a caracterização da estratégia experimental 
que utilizamos. Nesse caso, devemos descrever a forma geral a respeito de 
como abordamos o problema. De acordo com Fentanes (2014), nesse momento 
podemos apresentar um esquema da estratégia experimental em, por exemplo, 
um diagrama de fluxo. Podemos apresentar também, nesse início, a descrição 
do local em que o estudo foi realizado, que pode ser, por exemplo, um 
https://www.shutterstock.com/g/scanrail
 
 
14 
laboratório, uma bancada, um espaço específico dentro de uma empresa, entre 
outras situações. 
 Logo a seguir, lista-se todos os materiais utilizados no trabalho, com o 
maior detalhamento possível. Quando for o caso, apresenta-se as fontes de onde 
foram obtidos os materiais e indica-se fornecedor e número de catálogo. Lista-
se também, de forma detalhada, os equipamentos e instrumentos usados no 
experimento, descrevendo “dados da marca, modelo, casa construtora e lugar 
de fabricação”. Caso o equipamento ou instrumento tenha sido construído 
especialmente para o projeto, “serão incluídos detalhes como esquemas, 
princípio de funcionamento e características principais” (Fentanes, 2014, p. 97). 
Finalmente, descrevemos os procedimentos analíticos e/ou 
instrumentais. Aqui se apresenta, passo a passo, como se realizou a análise, a 
medição, a observação do experimento e os padrões utilizados. “Se os 
procedimentos resultam tediosos e sua descrição volumosa, é muito adequado 
apresentar os princípios gerais de medição e as referências aos artigos ou 
documentos que descrevem a medição, e incluir, em um anexo, os detalhes 
passo a passo do procedimento” (Fentanes, 2014, p. 97). 
É interessante observar se os objetivos específicos que descrevemos na 
introdução estão em consonância com a descrição do experimento aqui 
realizada. Parte dos objetivos específicos deve apontar para as etapas do 
experimento. Então, vale a pena retornar à introdução e verificar se está tudo 
correto. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, conhecemos uma série de etapas a serem descritas no 
capítulo de metodologia. Entendemos a importância desse capítulo no nosso 
artigo, já que ele vai comprovar que seguimos os passos necessários para 
desenvolver uma pesquisa científica e também possibilitará que outros 
pesquisadores sigam esses passos e repliquem a pesquisa. Aprendemos 
também que, nesse capítulo, vamos tratar da especificação do problema, com a 
apresentação da hipótese de pesquisa e da definição das variáveis do estudo, 
delimitando assim o que é a nossa pesquisa. 
Em outro momento, vamos tratar da explicação de como nossa pesquisa 
foi feita, por meio do delineamento de pesquisa, da descrição de população e da 
amostragem de nosso estudo, e da forma como foi realizada a coleta e o 
 
 
15 
tratamento de dados em nossa pesquisa. Finalmente, compreendemos que, no 
caso de o nosso estudo ser um experimento, teremos que apresentar mais um 
item em nosso capítulo de metodologia, que será o relato detalhado dos 
procedimentos de nosso experimento. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
BARROS NETO, B. de; SCARMINIO, I. S.; BRUNS, R. E. Como fazer 
experimentos: pesquisa e desenvolvimento na ciência e na indústria. Porto 
Alegre: Bookman, 2010. 
FENTANES, E. G. A tarefa da ciência experimental: um guia prático para 
pesquisar e informar resultados nas ciências naturais. Rio de Janeiro: LTC, 2014. 
MAGALHÃES, L. E. R.; ORQUIZA, L. M. Metodologia do trabalho científico: 
elaboração de trabalhos. Curitiba: Fesp, 2002. 
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 
9. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 
OLIVEIRA, J. C. P. de et al. O questionário, o formulário e a entrevista como 
instrumentos de coleta de dados: vantagens e desvantagens do seu uso na 
pesquisa de campo em ciências humanas. In: CONGRESSO NACIONAL DE 
EDUCAÇÃO, 3., Natal. Anais…, Natal: Realize, 2016. Disponível em: 
<https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2016/TRABALHO_EV056_M
D1_SA13_ID8319_03082016000937.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2022. 
PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. de. Metodologia do trabalho científico: 
métodos e técnicas de pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: 
Feevale, 2013. 
RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2017. 
SANTOS, A. R. dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. Rio 
de Janeiro: DP&A, 1999. 
SORDI, J. O. de. Desenvolvimento de projeto de pesquisa. São Paulo: Saraiva, 
2017. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Dayse Mendes 
 
 
2 2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, você saberá como realizar o capítulo Resultados e Discussão 
em seu artigo científico. Para tanto, você compreenderá que os Resultados são 
a apresentação dos achados que respondem à pergunta de pesquisa, lançada 
ao iniciar o estudo do fenômeno escolhido. Você também compreenderá que a 
melhor forma de proporcionar os Resultados é por meio de ilustrações. Assim, 
espera-se que na apresentação dos Resultados o leitor possa ter acesso, no 
artigo, a tabelas, gráficos e outros tipos de ilustração que esclareçam, de forma 
simples, os achados de pesquisa. Você compreenderá que, além de apresentar 
os Resultados, também é necessário trazer uma análise acerca desses achados 
e que a essa análise se dá o nome de Discussão. Ela é, na verdade, sua 
interpretação do que aconteceu ao longo do estudo e que determinou os 
resultados alcançados. Finalmente, você verá que uma forma de apresentar 
Resultados e Discussão se dá por meio da descrição do que foi possível obter 
ao desenvolver modelos ou protótipos. Assim, você será apresentado aos 
conceitos de Modelo e de Protótipo e verá como deve inserir essa experiência 
com modelos e protótipos em seu artigo. 
TEMA 1 – O QUE APRESENTAR EM RESULTADOS 
Você realizou toda a coleta e tratamento dos dados referentes à sua 
pesquisa e agora chegou o momento de escrever um novo capítulo em seu 
artigo, denominado Resultados e Discussão. É nesse momento que você poderá 
comentar com suas próprias palavras o que conseguiu observar em relação ao 
estudo. O objetivo deste capítulo é apresentar os principais achados e, 
dependendo do tipo de metodologia utilizada, mostrar o tratamento estatístico 
dos dados coletados. 
Conforme Pereira (2018), é necessário selecionar as informações que 
constarão da seção de Resultados, já que não é possível incluir todos os dados 
coletados. Além disso, de acordo com Marconi e Lakatos (2022, p. 195), a 
“importância dos dados está não em si mesmos, mas em proporcionarem 
respostas às investigações”. Então, é necessário escolher apenas o essencial 
para responder à pergunta de pesquisa e alcançar os objetivos planejados no 
início do estudo e descritos na Introdução do artigo. 
 
 
3 3 
Alguns itens que não podem faltar em sua seção de Resultados são uma 
recapitulação objetiva acerca de sua metodologia e um descritivo dos achados 
de pesquisa. A forma de descrever os resultados deve ser feita com os verbos 
no passado, pois você estará descrevendo o que foi realizado. 
 
Créditos: fizkes/Shutterstock. 
Para Machado (2018), é necessário organizar a apresentação dos 
resultados de forma a facilitar o entendimento daquilo que você está tentando 
transmitir ao leitor do seu artigo. Para tanto, a autora sugere “seguir a mesma 
ordem descrita na seção de metodologia ou uma ordem de relevância, da 
resposta mais para a menos importante em relação às suas perguntas de 
pesquisa ou hipóteses”. Ainda segundo Machado (2018), seguir a ordem dos 
passos descritos no item de Metodologia pode ser mais simples, já que assim 
“você garante que cada método descrito possui resultados relevantes a serem 
apresentados”. 
Pereira (2013, p. 354) sugere que se apresente em resultados uma 
descrição da amostra estudada, uma resposta à questão central de pesquisa, 
ressaltando o achado principal,uma descrição de informações adicionais que 
você entenda que são relevantes e outros achados que surgiram durante a 
realização da pesquisa, como detalhes da empresa ou do setor estudados (se 
você realizou um estudo de caso) que não foram apresentados na Metodologia. 
 
 
4 4 
Se não for apresentada em Resultados alguma etapa de experimento, ou 
mesmo um experimento inteiro, é necessário retirar a descrição do experimento 
de sua Metodologia. Na verdade, você deve ajustar os demais itens do seu artigo 
de acordo com o que vai apresentar em Resultados. Por outro lado, 
independentemente de os resultados serem favoráveis, estatisticamente 
significantes, ou estarem de acordo com a sua expectativa, “se seus achados 
forem relevantes para sua pesquisa, eles deverão ser incluídos no trabalho. Os 
resultados observados muitas vezes não são os esperados, mas se você 
conduziu seus experimentos com qualidade, esses resultados podem gerar 
dados importantes para sua área de pesquisa” (Machado, 2018). 
Pereira (2013, p. 354) ressalta que o leitor espera encontrar em 
Resultados somente informações relevantes, que possam demonstrar os 
achados de pesquisa de forma “simples, objetiva, clara, concisa, ordenada”, em 
texto rigoroso e que siga as “regras de comunicação científica habitualmente 
aceitas”. Para alcançar esse objetivo, Pereira (2013) ainda ressalta a 
necessidade de revisar seu texto quantas vezes for necessário. 
TEMA 2 – TABELAS E ILUSTRAÇÕES 
Uma excelente forma de apresentar os resultados obtidos durante o seu 
estudo é por meio de ilustrações. Você já deve ter ouvido a expressão “Quer que 
eu desenhe?”. Embora possa parecer uma expressão grosseira, de alguém que 
se cansou de explicar algo, essa é uma expressão válida quando buscamos 
traduzir informações de uma maneira acessível, que todos possam enxergar e 
entender. Nesse sentido, é de grande valia acrescentar no seu capítulo de 
Resultados e Discussão, mais especificamente em Resultados, todo o tipo de 
ilustração que possa garantir a você que o leitor conseguirá, de maneira simples, 
acessar e compreender as informações que você entende relevantes para o seu 
estudo. 
 
 
 
5 5 
 
Créditos: Nazarii M/Shutterstock. 
Ao apresentar ok resultados principais de pesquisa, busque fazê-lo 
usando tabelas e ilustrações. Como ilustrações, você pode usar quadros, 
gráficos, desenhos, esquemas, diagramas, fluxogramas, modelos, fórmulas, 
entre outras. Todas as ilustrações, com exceção de quadros, gráficos e fórmulas 
devem ser mencionados no seu texto como Figura. Todas as ilustrações são 
importantes para facilitar a visualização da informação que você pretende passar 
ao leitor. 
Isso se deve, conforme Machado (2018), porque a maioria dos leitores, 
ao acessarem artigos científicos buscam, num primeiro momento, observar 
tabelas e figuras, sem ler mais atentamente o texto, tentando verificar se aquele 
artigo os interessa ou não. Então, é importante que você crie ilustrações e 
tabelas que sejam claras, objetivas e que possam ser entendidas sem a 
necessidade de uma leitura mais aprofundada do texto. 
Pereira (2018, p. 97) propõe que sejam adotados três princípios ao se 
escrever a seção de Resultados e se organizar as ilustrações e tabelas, que são: 
Apresentar os resultados em sequência lógica no texto e nas 
ilustrações. 
Enfatizar ou resumir apenas observações importantes e não repetir, no 
texto, todas as informações das tabelas ou das ilustrações. 
Indicar, sempre que apropriado, a significância estatística dos 
resultados. 
Ou seja, o texto da seção de Resultados deve complementar as 
ilustrações, evitando-se texto que não traga informações sobre as tabelas e 
 
 
6 6 
ilustrações que constam na seção. Além disso, estabeleça uma ordem lógica de 
apresentação dos fatos verificados ao longo do seu estudo, para que seus 
achados possam ser entendidos por todos que lerem a seção. 
TEMA 3 – O QUE APRESENTAR COMO DISCUSSÃO 
Após descrever todos os resultados relevantes encontrados em seu 
estudo, você precisa apresentar explicações para causas e circunstâncias que 
envolveram esses achados de sua pesquisa e dar sentido ao que encontrou. 
Esse será o conteúdo da seção de Discussão. Conforme Pereira (2013, p. 537), 
essa seção “é o local do artigo que abriga os comentários sobre o significado 
dos resultados, a comparação com outros achados de pesquisas” e sua posição 
sobre o tema pesquisado, sendo uma das partes mais importantes do seu artigo. 
A seção de Discussão traz a interpretação que você conseguiu dar a tudo 
que analisou, inclusive vinculando o conhecimento gerado a outros 
conhecimentos. Conforme Marconi e Lakatos (2021, p. 195), a interpretação 
significa a exposição do “verdadeiro significado do material apresentado, em 
relação aos objetivos propostos e ao tema” definido para a pesquisa. Aspectos 
importantes relacionados à interpretação são a possibilidade de se construir 
tipos, modelos ou esquemas explicativos em relação ao fenômeno estudado e a 
ligação com a teoria adotada para o estudo. 
É nessa seção, segundo Machado (2018), que você responde as suas 
perguntas de pesquisa e justifica a abordagem que você utilizou para realizar o 
seu estudo, estabelecendo “uma ligação entre o que foi descrito na introdução, 
baseado na literatura disponível sobre o assunto, e como o seu estudo se 
desenvolveu para responder os objetivos ou hipóteses que te incentivaram a 
conduzir sua pesquisa”. 
 
 
 
7 7 
 
Créditos: VectorMine/Shutterstock. 
É interessante manter uma ordem de apresentação que deixe sua seção 
de Discussão mais interessante ao leitor. Pereira (2013) e Saldiva (2012) 
recomendam iniciar a Discussão apresentando um resumo dos achados mais 
importantes, descritos em Resultados. Por exemplo, “os dados obtidos ao longo 
do estudo evidenciam que há impacto da variável y sobre a variável x, como 
previsto inicialmente”. Logo a seguir, pode-se apresentar uma comparação 
crítica com a literatura pertinente, esclarecendo ao mesmo tempo se os estudos 
apresentados na Fundamentação Teórica concordam ou discordam dos 
resultados do seu estudo. 
Para Saldiva (2012, p. 513), esse é o momento oportuno de comentar 
sobre estudos que discordem dos resultados obtidos na sua pesquisa. Conforme 
o autor, “seria oportuna a apresentação das possíveis razões da divergência”, já 
que esse tipo de situação pode demonstrar que você descobriu algo novo em 
seu estudo, que outros autores ainda não haviam observado, não sendo correto 
ou “eticamente justificável ignorar deliberadamente os estudos divergentes”. 
A próxima etapa seria descrever a sua interpretação dos achados. 
Lembre-se: você não deve repetir o que descreveu em Resultados, mas sim, 
com base neles, trazer explicações que você considera plausíveis para o que 
aconteceu em sua pesquisa. Com essa análise, você pode finalizar a sua seção 
de Discussão. 
É importante ressaltar que a Discussão pode ser apresentada em uma 
seção separada de Resultados, mas que o mais comum é que ela seja 
 
 
8 8 
apresentada como um ou dois parágrafos junto a Resultados, em um único 
capítulo sem divisão de seções. 
TEMA 4 – MODELOS E PROTÓTIPOS 
Caso você tenha desenvolvido um modelo ou um protótipo em seu Projeto 
de Final de Curso, o local correto dentro do artigo para apresentar o que você 
conseguiu desenvolver é no capítulo de Resultados e Discussões. Mas, antes 
de verificar a forma de apresentar esses sistemas ou artefatos, é necessário 
compreendê-los. 
De acordo com Dym et al. (2010, p. 183-184), um modelo pode ser 
entendido como uma representação, em escala menor, de um artefato, 
equipamento, processo ou “um exemplo para imitação ou simulação”. Desta 
forma, os modelos servem para “ilustrar certos comportamentos ou fenômenos, 
quando tentamos verificar a validade de uma teoria”. Os modelos podem ser 
construídos com os mais variados materiais e podem ser físicosou digitais e, 
normalmente, são testados em ambientes controlados “para validar seu 
comportamento esperado”. 
 
Créditos: Gorodenkoff/Shutterstock. 
Protótipos, por sua vez, podem ser entendidos, segundo Dym et al. (2010, 
p. 183), como “as primeiras formas em escala natural e normalmente funcional 
de um novo projeto”. De acordo com os autores, pode-se pensar num protótipo 
como um modelo funcional de um artefato que está sendo projetado, cujo 
 
 
9 9 
objetivo é testar o possível funcionamento do artefato no ambiente em que se 
dará a sua operação. Assim, é possível observar que há diferenças significativas 
entre modelos e protótipos, em especial quanto à sua intenção, já que os 
protótipos destinam-se a demonstrar que um produto funcionará 
conforme foi projetado, de modo que são testados em seus ambientes 
operacionais reais ou em ambientes não controlados semelhantes o 
mais próximo possível de seus mundos reais relevantes. Já os modelos 
são intencionalmente testados em ambientes controlados que 
permitem ao seu construtor (e ao projetista, se não for a mesma 
pessoa) entender o comportamento ou fenômeno em particular que 
está sendo modelado. (Dym et al., 2010, p. 184) 
 
Créditos: Pixel B/Shutterstock. 
Protótipos se tornaram importantes ferramentas de desenvolvimento de 
produtos, em especial com o surgimento do Design Thinking, um método de 
resolução de problemas, em que uma das etapas é a prototipagem. A criação de 
um protótipo permite demonstrar como o produto vai funcionar na prática e 
validar, junto aos usuários, esse funcionamento, evitando que erros ou 
problemas só sejam descobertos após o lançamento do produto final. 
TEMA 5 – COMO APRESENTAR MODELOS E PROTÓTIPOS NO ARTIGO 
Se você está utilizando de modelos ou protótipos em seu Projeto de Final 
de Curso, há duas situações a serem consideradas em sua apresentação no 
artigo, que são como você desenvolveu esse modelo/protótipo e quais os 
 
 
10 10 
resultados obtidos com a construção do modelo ou do protótipo. No que diz 
respeito ao como, ele deve ser descrito no capítulo de Metodologia. Já é do seu 
conhecimento que no capítulo de Metodologia você pode apresentar 
experimentos realizados. Para descrever como você desenvolveu o modelo ou 
o protótipo, utilize as mesmas etapas de apresentação de experimentos. 
 
Créditos: Maksim Shmeljov/Shutterstock. 
Quanto à apresentação do que você obteve ao construir um modelo ou 
um protótipo, ela deve ser feita no capítulo de Resultados e Discussão. Você 
pode apresentar uma descrição do modelo/protótipo e de como ele funciona, os 
resultados dos testes realizados por você com o modelo/protótipo, as qualidades 
e defeitos do seu modelo ou protótipo que você pode observar ao colocá-lo em 
testes e funcionamento, e, até mesmo, sugestões para melhorias ou avanços no 
modelo/protótipo proposto inicialmente por você e que possam ser aprimorados 
em outros experimentos realizados por você ou por outro pesquisador. 
Como qualquer outra espécie de Resultado, espera-se que você 
apresente ilustrações do seu modelo ou do seu protótipo. Essas ilustrações 
podem ser fotos, esquemas, desenhos técnicos, telas, entre outras 
representações que possibilitem ao leitor uma compreensão bem apurada do 
que você desenvolveu. 
 
 
11 11 
FINALIZANDO 
Nesta aula, você pôde acompanhar a descrição da realização do capítulo 
de Resultados e Discussão. Assim, você descobriu que, para apresentar 
Resultados, você deve esclarecer ao leitor quais foram os achados que 
responderam à sua pergunta de pesquisa. Você também ficou ciente de que a 
melhor forma de apresentar os Resultados é por meio de tabelas, quadros, 
gráficos, entre outras ilustrações. Você percebeu que não basta apresentar os 
Resultados, também é preciso trazer a Discussão, ou seja, a sua interpretação 
do que aconteceu ao longo do seu estudo e que determinou os resultados 
alcançados. Você pôde conhecer um pouco sobre Modelos e Protótipos e sobre 
como apresentar esse tipo de desenvolvimento de pesquisa em seu artigo. 
 
 
 
12 12 
REFERÊNCIAS 
DYM, C. L. et al. Introdução à engenharia. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010. 
MACHADO, L. Como escrever os resultados e discussão do seu trabalho 
acadêmico. 2018. Disponível em: <https://proficienciaconsultoria.com.br/como-
escrever-os-resultados-e-discussao-do-seu-trabalho-academico/>. Acesso em: 
6 nov. 2022. 
MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia 
científica. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 
PEREIRA, M. G. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiologia 
e Serviços de Saúde, Brasília, v. 22, n. 2, jun. 2013. 
PEREIRA, M. G. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 
SALDIVA, P. Discussão. Revista da Associação Médica Brasileira, Rio de 
Janeiro, v. 58, n. 5, out. 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Dayse Mendes 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Seu artigo está chegando ao fim. Falta fazer somente o capítulo de 
Considerações Finais/Conclusão, o Resumo e revisar todos os capítulos para 
então submetê-lo à publicação. Para desenvolver esse últimos itens, você 
descobrirá, nesta etapa, a diferença entre Considerações Finais e Conclusão e 
vai aprender a redigir esse capítulo. Você deverá observar quais partes o 
compõem, como a reapresentação do objetivo geral de pesquisa, as dificuldades 
enfrentadas e as possibilidades de novos estudos que possam surgir com base 
em sua pesquisa. 
Você também vai aprender a redigir o Resumo. Embora esse item seja 
um dos primeiros a serem apresentados no artigo, logo após o título e o nome 
dos autores, ele deve ser desenvolvido por último, já que apresentará ao leitor 
tudo o que ele vai encontrar ao longo do artigo. Então você vai perceber que não 
faz sentido fazer o Resumo antes de terminar completamente o seu artigo, pois 
haverá grande possibilidade de retrabalho. 
Finalmente, você terá acesso a algumas ideias sobre publicação. Mesmo 
que seu objetivo de curto prazo seja apenas apresentar o seu artigo para 
aprovação na disciplina de Projeto de Conclusão de Curso, por que não 
aproveitar que tem um artigo pronto e publicá-lo em um periódico científico ou 
em um congresso? 
TEMA 1 – DIFERENÇA ENTRE CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÃO 
Chegou a hora de colocar um ponto final no seu artigo. Você vai escrever 
o último capítulo, cujo nome é Considerações Finais, mas também pode ser 
denominado Conclusão, dependendo da orientação do local em que você vai 
publicar, bem como do resultado do seu estudo até o momento da publicação. 
Você vai precisar compreender em que ponto seu estudo/sua pesquisa está ao 
publicar o artigo para definir se o item final será denominado Considerações 
Finais ou Conclusão. 
A Conclusão pode ser entendida como algo definitivo. Você realmente 
chegou ao fim do estudo e não há mais reflexões possíveis de serem extraídas 
dele em uma situação futura, em uma continuidade da pesquisa. Já nas 
Considerações Finais ainda não há um resultado definitivo, havendo a 
possibilidade de novas reflexões com base no que foi construído até o momento. 
 
 
3 
Essa é uma situação mais comum, já que a maioria dos temas de pesquisa pode 
ser explorada sob uma série de aspectos diferentes. É extremamente difícil 
afirmar que um estudo se esgotou por completo. 
No artigo do seu Projeto de Final de Curso, você utilizará a expressão 
Considerações Finais, pois, além da explicação já dada, o termo traz a ideia de 
aprimoramento e de conhecimento que sempre poderá ser atualizado. 
Figura1 – Ponto final 
 
Crédito: Monster Ztudio/Shutterstock. 
 Resta saber o que se deve apresentar nesse capítulo do artigo. Conforme 
Cervo et al. (2007, p. 124), você precisa recuperar uma série de questões que 
ficaram em aberto ao longo do artigo, apresentando se 
sua pesquisa resolveo problema originalmente escolhido, amplia a 
compreensão sobre ele, mostra novas relações ou mesmo descobre 
outros problemas; sua hipótese, ao final foi confirmada ou refutada pela 
pesquisa; os objetivos geral e específicos previamente definidos foram 
alcançados; a metodologia de trabalho escolhida foi suficiente para a 
consecução de seus propósitos ou se houve necessidade, ao longo da 
pesquisa, de adotar outras técnicas ou procedimentos para lidar com 
situações não previstas; a bibliografia previamente selecionada 
correspondeu as expectativas [...] 
No primeiro parágrafo, você pode relembrar o leitor do tema de pesquisa, 
apresentando uma síntese do seu estudo, agora com suas próprias palavras. 
Você deve, necessariamente, retomar seu objetivo geral. É preciso literalmente 
copiá-lo da Introdução, exatamente com as mesmas palavras e, a partir daí, 
descrever se o objetivo foi alcançado ou não. E não se preocupe se ele não foi 
 
 
4 
alcançado. Isso pode acontecer em qualquer estudo e não diminui a importância 
de sua pesquisa. Mesmo que não alcance o objetivo, você gerou informação que 
se transformará em conhecimento científico com a publicação do artigo. 
Aqui é importante justificar e explicar o motivo de você entender que o 
objetivo de pesquisa foi alcançado ou não. Esse parágrafo, no qual você discorre 
sobre o alcance do objetivo, é fundamental para o encerramento do artigo, já que 
é nele que você demonstra se, ao realizar seu estudo, foi possível responder à 
pergunta de pesquisa, se o problema original foi resolvido, se você conseguiu 
validar sua hipótese de pesquisa. 
TEMA 2 – APRESENTAÇÃO DAS DIFICULDADES DE PESQUISA 
Dentro do capítulo de Considerações Finais, você deve abordar outro 
assunto relevante para o leitor que está acompanhando a pesquisa. Trata-se de 
apresentar quais foram as dificuldades que você enfrentou ao longo do seu 
processo de pesquisa. Você fica feliz, imaginando que vai poder contar ao leitor 
todos os dramas vivenciados ao longo desse período, como foi difícil, que 
grandes desafios você teve que enfrentar etc. Esqueça essa ideia. Esse não é o 
momento de “chorar as pitangas”. Seu artigo é científico e a apresentação das 
dificuldades de pesquisa deve utilizar uma linguagem científica. 
Figura 2 – Chorar as pitangas 
 
Crédito: Heri Yusuf/Shutterstock. 
 
 
5 
Por outro lado, você pode temer apresentar fraquezas de seu estudo e, 
assim, não obter uma boa avaliação. Não se preocupe, você não só pode como 
deve descrever as dificuldades metodológicas e/ou experimentais de seu 
estudo. Isso demonstra seu amadurecimento como pesquisador, já que você 
conseguiu observar que algumas ações não aconteceram como você as 
concebeu. Mas, assim como em outros capítulos do artigo, há uma forma correta 
de expor essas situações adversas. 
É muito comum projetarmos fazer o estudo de determinada forma e não 
acontecer conforme o planejado. Prazos, população, tipo de amostragem, tipo 
de instrumento de coleta de dados, tipo de tratamento dos dados, forma de 
realizar o experimento, disponibilidade de materiais e equipamentos, 
cumprimento dos objetivos de pesquisa, resultados, há muitas coisas que podem 
não acontecer como o planejado. E você certamente não desistiu de realizar sua 
pesquisa por conta desses imprevistos. 
Então, é importante contar ao leitor as situações vivenciadas e que você 
acredita serem as mais relevantes em termos de limitações ao estudo. Ao 
descrevê-las, exponha qual é essa limitação ou dificuldade, explique de forma 
objetiva porque ela ocorreu e relate que consequência trouxe. Esse relato pode 
servir de alerta a outro pesquisador que queira replicar seu estudo, para que ele 
possa evitar ter de passar pelas mesmas adversidades que você. É possível, 
inclusive, dar sugestões, explicando as soluções utilizadas durante o processo 
para vencer essas dificuldades. 
Há algumas limitações clássicas que você pode expor em seu trabalho, 
sem medo de errar. Por exemplo, se você fizer um estudo de caso, não pode 
generalizar os resultados, já que servem, a priori, apenas para o caso estudado. 
Outro exemplo: se você fez uma amostragem intencional, ela não garante a 
representatividade de toda a população. Vale a pena se aprofundar nos 
problemas que o tipo de procedimento de pesquisa escolhido apresenta. Esses 
problemas podem dar uma boa ideia do que apresentar no parágrafo de 
dificuldades de pesquisa. 
Mas lembre-se: você não deve inventar limitações. Relate somente aquilo 
que realmente aconteceu no seu estudo! 
 
 
 
 
6 
TEMA 3 – PROPOSTA DE NOVAS PESQUISAS E FINALIZAÇÃO 
Outro parágrafo a ser apresentado em seu capítulo de Considerações 
Finais é o de sugestões de pesquisas futuras. Quando você finaliza a pesquisa 
e pode apontar as limitações de seu estudo, também terá condição de indicar 
direções relevantes para futuras investigações. 
De acordo com Pereira (2018, p.125), ao se apoiar nas limitações do 
trabalho, é possível sugerir pesquisas futuras que apresentem uma maior 
qualidade. Dentre essas possibilidades estão fazer pesquisa com “maior 
tamanho da amostra, coleta de dados com determinado instrumento de melhor 
confiabilidade, maior tempo com os participantes, adoção de outro tipo de 
delineamento”, entre outras. 
Além disso, ao se encerrar um ciclo de pesquisa, a solução proveniente 
desse estudo criará uma nova situação em relação ao fenômeno estudado e isso 
gera novos problemas a serem investigados. 
Para Pereira (2018, p.125), o “escritor científico que antevê possíveis 
desdobramentos para o assunto que estudou” pode indica-los em sua conclusão 
e eles servirão “de estímulo para outros investigarem o assunto” e adotarem 
novos problemas com base no estudo. 
Figura 3 – Novas ideias 
 
Crédito: mentalmind/Shutterstock. 
 
 
7 
Para finalizar o artigo, você deve esclarecer em suas Considerações 
Finais a relevância dos resultados obtidos. Você não deve repetir os resultados, 
pois eles já foram apresentados no capítulo de Resultados e Discussão. A 
relevância pode ser prática, com a resolução de um problema real, e também 
pode se acadêmica, com o avanço do conhecimento naquela área que você 
estudou. Mas não escreva de forma genérica. Aponte o que efetivamente 
avançou com o seu estudo. Lembre-se de observar suas justificativas na 
Introdução. O que você propôs como justificativa se cumpriu? Se sim, aí estão 
seus argumentos quanto à relevância do estudo. 
Finalmente, mas não menos importante, você não deve usar citações 
em suas Considerações Finais. Espera-se que depois de um exaustivo estudo 
sobre determinado tema você tenha domínio sobre ele e possa trazer sua marca 
pessoal ao estudo. 
De acordo com Cervo et al. (2007, p. 125), é nesse momento que o ponto 
de vista do autor aparece, trazendo “uma conclusão original, um conhecimento 
novo ou simplesmente uma nova reformulação de conhecimentos existentes” e 
deixando evidente a capacidade do autor de apresentar seu estudo, fruto de 
esforço e dedicação na solução de seu problema de pesquisa. 
TEMA 4 – COMO FAZER UM RESUMO 
Embora o Resumo seja um dos primeiros itens no seu artigo, logo após o 
Título e o Nome dos Autores, ele é o último item a ser elaborado. Somente após 
a conclusão de sua pesquisa e da escrita do artigo você dedicará um tempo para 
organizar o Resumo. Isso porque ele é uma espécie de apresentação daquilo 
que é mais relevante no artigo. Lembre-se que esse será o primeiro contato do 
leitor com seu texto. É nele que você comunicará o conteúdo trabalhado, 
permitindo que o leitor tome a decisão, ou não, de se debruçar sobre o seu 
estudo. 
 
 
 
8 
Figura 4 – Espiando o Resumo 
 
Crédito: Anton Vierietin/Shutterstock. 
De acordo com Cervo et al. (2007, p.126), fazer um Resumo correto 
significa “apresentar o que há de essencial no texto, obedecendo a uma 
hierarquia de ideias e à mesma sequência em que aparecem no texto”.A ABNT 
NBR 6028:2021 recomenda usar resumos informativos em documentos 
científicos. Um resumo informativo “informa finalidades, metodologia, resultados 
e conclusões do documento, de tal forma que possa, inclusive, dispensar a 
consulta ao original” (ABNT, 2021, p. 1). 
Desta forma, em seu artigo, você vai seguir essa recomendação de uso 
de um resumo informativo. Nele você informará o leitor sobre a finalidade, o 
método e os resultados obtidos com o seu estudo, em formato de texto corrido, 
em um único parágrafo, com detalhes suficientes para que o leitor decida se fará 
a leitura do texto completo. No entanto, esses detalhes têm limitação. Seu 
Resumo deve conter de 150 a 250 palavras no máximo em uma sequência de 
frases concisas. 
 
 
9 
Primeiro, deve-se descrever a contextualização de seu tema 
(problemática). Depois, apresentar o Objetivo Geral (os Objetivos Específicos 
não aparecem no Resumo). Comente, também, sobre as justificativas práticas e 
teóricas da pesquisa. Explique a metodologia utilizada e, para finalizar, explique 
de maneira sucinta quais foram os principais resultados encontrados e se seu 
objetivo de pesquisa foi alcançado ou não. Não utilize citações. Lembre-se que 
o Resumo pode dar muito trabalho. Dificilmente você conseguirá escrevê-lo sem 
fazer várias versões antes de chegar naquela que será a definitiva. Então, 
guarde um tempo para dedicar somente ao Resumo. 
Além disso, dependendo do veículo de publicação, é possível que você 
tenha que fazer seu Resumo em outra língua, mais comumente o inglês. O 
resumo em inglês é denominado Abstract. Se você não domina a escrita do 
inglês, pode, nesse momento, buscar uma ajuda especializada para realizá-lo. 
TEMA 5 – COMO E ONDE PUBLICAR 
Agora que você finalizou a escrita do seu artigo científico, pode se 
perguntar: é necessário publicar? Na verdade, há uma série de benefícios em 
publicar um artigo científico. Se você considerar que dificilmente vai parar de 
estudar somente porque finalizou a graduação, e a possibilidade de fazer uma 
pós-graduação é grande, saiba que as pós mais concorridas têm processos 
seletivos que podem considerar, entre outros critérios, se você já possui alguma 
intimidade com pesquisa científica. Comprovar publicação evidencia essa 
intimidade. 
Mesmo que você não tenha pretensões acadêmicas e não esteja 
interessado em fazer um mestrado ou um doutorado, deve demonstrar para o 
mercado de trabalho que é uma pessoa que se interessa por novos 
conhecimentos e que sabe como fazer a busca das informações necessárias 
para a construção desse conhecimento. Publicar um artigo pode auxiliar você a 
demonstrar essa preocupação, não só para você, mas para a organização em 
que pretende trabalhar, ou já trabalha e pretende ascender profissionalmente. 
Além disso, seu artigo pode trazer real contribuição para outros 
pesquisadores e/ou para a sociedade por meio das informações que você 
disponibilizou e que podem servir para ampliar o conhecimento sobre o tema 
estudado. 
 
 
10 
Convencido de que é interessante publicar seu artigo e não somente 
postá-lo para atribuição de nota na disciplina de Projeto de Conclusão de Curso? 
Resta, então, saber onde e como submeter seu artigo para publicação. 
Figura 5 – Evento científico 
 
Crédito: Gennady Danilkin/Shutterstock. 
 Há algumas possibilidades distintas. As mais comuns são a publicação 
em Anais de eventos científicos ou a publicação em Periódicos Científicos. A 
decisão se dará por alguns fatores sobre os quais você deve refletir, como o 
tempo, os recursos financeiros, o impacto que você gostaria de obter com a 
publicação e as exigências da pós-graduação que você está cursando ou 
pretende cursar. 
As publicações em Anais de eventos costumam ser mais simples. Trata-
se de uma coletânea de trabalhos apresentados para determinado evento, 
podendo ser uma publicação física ou, como é mais comum atualmente, uma 
digital. A publicação é mais simples porque, de modo geral, há menos rigor na 
avaliação dos trabalhos submetidos, em comparação com periódicos científicos. 
Isso acontece por conta do pouco tempo que normalmente se tem entre a 
submissão dos artigos e a realização do evento. 
Além disso, eventos são bons lugares para se comunicar pesquisas em 
andamento. Elas serão analisadas de forma diferente do que seriam se já 
 
 
11 
estivessem concluídas. Também é necessário considerar que “quando bem 
feitos e divulgados, são ótimas ferramentas de propaganda para os autores e 
seus trabalhos, pois dialogam com diversos pesquisadores que estiveram 
presentes no evento”, fazendo com que você possa ampliar sua rede de 
conhecimento sobre a pesquisa (Sant’ana, 2018). 
Se há vantagens por um lado, por outro há o dever de participar do evento. 
Para a publicação nos Anais, exige-se a presença de pelo menos um dos autores 
para apresentação e debate do estudo realizado. Então, normalmente a 
submissão do artigo é gratuita, mas a participação no evento não. É necessário 
arcar, no mínimo, com as custas de inscrições. Se for um evento presencial, 
também há custos de deslocamento e estadia. 
Já o periódico científico é uma revista dedicada a esse tipo de publicação, 
nacional ou internacional. É comum a delimitação de um eixo temático, ou linhas 
de pesquisa, norteando quais trabalhos serão aceitos pela revista. Há revistas 
que cobram valores para a publicação do artigo, que podem variar dependendo 
de sua classificação e renome. Revistas de elite não costumam cobrar, mas, por 
outro lado, são extremamente exigentes em sua análise para aceitação do 
trabalho. 
Figura 6 – Periódico científico 
 
Crédito: PolyPloiid/Shutterstock. 
 
 
12 
Se você já estiver cursando ou pretende cursar Mestrado ou Doutorado, 
o programa de pós vai exigir de você uma classificação mínima do periódico para 
a publicação. Essa classificação é, no Brasil, denominada Sistema Qualis e 
demonstra a qualidade da produção acadêmica dos artigos publicados no 
periódico. A classificação atual, de 2017-2020, tem os periódicos classificados 
nos seguintes estratos: “A1, mais elevado; A2; A3; A4; B1; B2; B3; B4; C - peso 
zero” (Plataforma Sucupira, 2022). Essa exigência não acontece em outros 
níveis da academia. 
Se você decidir submeter seu artigo a um periódico científico, é importante 
ser realista quanto ao seu estudo, se ele está adequado em relação à linha 
editorial da revista e se ele é bom o suficiente para aquele tipo de revista. Quanto 
maior a classificação, maior a exigência dos avaliadores. Eles formam o corpo 
editorial do periódico, que “avalia a pertinência do tema, podendo pedir 
informações extras e alterações no corpo do texto. Este processo pode levar 
meses, então é importante ter critério com antecedência para ganhar tempo 
depois” (Jessie, 2021). 
A submissão em periódicos científicos é, portanto, mais trabalhosa do que 
em anais de eventos científicos, mas, por outro lado, é tida como mais relevante. 
Então, você avaliar bem o que deseja com a publicação para que possa escolher 
com mais assertividade que veículo prefere. A partir disso, começa a busca pelos 
eventos ou periódicos nos quais você acredita ter condições de submeter seu 
artigo para publicação. Você pode buscar informações em consulta a 
plataformas de busca genéricas como o Google, ou plataformas específicas de 
eventos como Even3, Doity, Sympla, ou ainda plataformas específicas, como a 
Plataforma Sucupira, na qual ficam armazenados os dados Qualis de periódicos 
das mais diversas áreas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Figura 7 – Classificação Qualis 
 
Fonte: Plataforma Sucupira, 2022. 
De acordo com Medeiros e Tomasi (2021, p. 125), há algumas regras 
básicas a serem cumpridas quando se pretende alcançar a publicação de seu 
artigo: 
seguir as instruções que a revista prescreve; ser cuidadoso com a 
redação do texto, observando a necessidade de produzirdiversas 
versões até atingir um nível adequado; submeter o artigo a algum 
amigo da área, capaz de contribuir com sugestões para 
aprimoramento; revisar o texto incansavelmente, substituindo 
argumentos fracos por outros mais fortes, eliminando expressões 
inexpressivas, cortando o supérfluo ou pleonástico, buscando tornar 
mais precisos os enunciados, ocupando-se da coerência e coesão 
textual, harmonizando os tempos verbais, pontuando rigorosamente o 
texto, eliminando adjetivos e advérbios desnecessários. 
Finalizando, um exemplo de possibilidade de publicação em periódico 
científico é o Caderno Progressus, um periódico dedicado às pesquisas 
realizadas em especial, mas não somente, por alunos dos cursos de Engenharia 
e Tecnólogos da Escola Politécnica da UNINTER. 
 
 
 
 
 
14 
Figura 8 – Caderno Progressus 
 
Fonte: Cadernos Uninter, 2022. 
Quando finalizar seu artigo, converse com seu tutor de Projeto de Final de 
Curso e verifique com ele a possibilidade de publicar no Caderno Progressus. 
Essa pode ser uma boa decisão para encaminhar seu artigo, que demandou 
tanto esforço, ao conhecimento da sociedade! 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, você compreendeu como deve finalizar o seu artigo. 
Verificou que há diferença entre as denominações Conclusão e Considerações 
Finais e ficou ciente de que, em Projeto de Final de Curso, você usará a 
denominação Considerações Finais em seu artigo. Compreendeu também que 
esse capítulo traz, como todos os demais, alguns padrões a serem cumpridos. 
Você deve, necessariamente, reapresentar seu objetivo geral de pesquisa, 
exatamente com as mesmas palavras que você usou quando o escreveu na sua 
Introdução, e dizer se atingiu esse objetivo ou não. Essa reapresentação faz 
 
 
15 
parte de uma parágrafo de síntese, no qual você relembra ao leitor o que estava 
buscando ao realizar a pesquisa. 
Além desse item de síntese, você viu que deve apresentar as limitações 
do seu estudo, aquelas mais relevantes, que possam auxiliar outras 
pesquisadores a evitar essas dificuldades. Como terceiro item padrão, você 
observou que há necessidade de sugerir pesquisas futuras e, assim, encaminhar 
a finalização do capítulo de Considerações Finais. 
Você também aprendeu sobre o que é e como fazer o Resumo, que será 
o primeiro item textual a aparecer, mas que deve ser desenvolvido por último, 
quando você já tiver finalizado o artigo e souber exatamente o que deve ser 
escrito no Resumo, já que ele delimita, normalmente, se o leitor interessado em 
seu estudo vai continuar a ler o artigo ou não. 
Finalmente, você adquiriu algumas informações sobre publicação, tanto 
em Anais de eventos científicos quanto em Periódicos Científicos, para que você 
possa tomar a decisão de publicar ou não o artigo e, se decidir publicar, qual o 
veículo de publicação mais interessante para você. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6028: 
Informação e documentação — Resumo, resenha e recensão — Apresentação. 
Rio de Janeiro: ABNT, 2021. 
CERVO, A; BERVIAN, P; SILVA, R. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: 
Pearson Prentice Hall, 2007. 
JESSIE, K. Como publicar artigos científicos. 29/11/2021. Disponível em 
<https://engenharia360.com/como-publicar-artigos-cientificos/>. Acesso em: 9 
nov. 2022. 
MEDEIROS, J; TOMASI, C. Redação de artigos científicos: métodos de 
realização, seleção de periódicos, publicação. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2021. 
PEREIRA, M. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 
SANT’ANA, F. Publicar em revista, em anais de eventos ou como preprint? 
21/05/2018. Disponível em: <https://galoa.com.br/blog/publicar-em-revista-em-
anais-de-eventos-ou-como-preprint/>. Acesso em: 9 nov. 2022. 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Dayse Mendes 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta abordagem, você conhecerá as normas que regem o padrão a ser 
utilizado para a publicação de artigos científicos. Há uma série de regras 
específicas que você deve conhecer para que seu artigo possa ser entendido 
como científico. Quem orienta esses padrões no Brasil é a Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT), tanto para a redação científica como para uma 
série de outros padrões que você, como engenheiro, deverá cumprir em sua 
jornada profissional. 
Assim, primeiramente, conhecerá a ABNT, para, depois, ter ciência de 
algumas das normas publicadas pela ABNT, as quais garantem que seu artigo 
estará em conformidade com o que é esperado de uma publicação científica. 
Assim, você terá acesso a informações sobre as normas ABNT NBR 6022:2018, 
ABNT NBR 10520:2002 e a ABNT NBR 6023:2018, que tratam, 
respectivamente, de informação e documentação – artigo em publicação 
periódica técnica e/ou científica –, apresentação; informação e documentação – 
citações em documentos – apresentação; e informação e documentação – 
referências – elaboração. Para finalizar, você conhecerá alguns aplicativos que 
podem auxiliá-lo a utilizar, de forma mais adequada, todas essas normas em seu 
artigo científico. 
TEMA 1 – O QUE SÃO NORMAS ABNT 
Para compreender o que são as normas ABNT e qual o papel na escrita 
do seu artigo, é importante, antes de tudo, compreender o que é a ABNT e qual 
a importância dessa organização na vida do profissional engenheiro. Tudo 
começa com a necessidade de padronização e normalização. Como definição, 
você pode entender a padronização como uma “técnica que busca a redução de 
variabilidade nos processos, descrevendo suas atividades para auxiliar em sua 
execução” (SILVA; SILVA, 2017, p. 133). A descrição das atividades se dá por 
meio de um padrão, que pode ser entendido como um documento que 
estabelece claramente o que deve ser realizado. 
Para que a padronização possa acontecer, é necessário, inicialmente, 
estabelecer sua normalização. A normalização pode ser definida como uma 
“atividade destinada a estabelecer, em face de problemas reais ou potenciais de 
 
 
3 
mercado e tecnologia, diretrizes para utilização comum e repetida, tendo em 
vista a obtenção de previsibilidade nos resultados”. 
A normalização resulta na elaboração, publicação e divulgação de 
diversos documentos; dentre esses tem destaque as normas. Uma 
norma consiste num documento, estabelecido por consenso e 
aprovado por um organismo reconhecido, que define regras, linhas de 
orientação ou características para atividades ou produtos destinados à 
utilização comum. As normas devem ser baseadas nos resultados 
consolidados da ciência, da tecnologia e da experiência, visando ao 
desenvolvimento da sociedade. (Toledo et al., 2014, p. 77) 
Para o estabelecimento dessas normas, surgiu, em 1946, a International 
Organization for Standardization (ISO), uma organização sem fins lucrativos, 
localizada na Suíça, que se preocupa em “desenvolver Normas Internacionais 
voluntárias, baseadas em consenso e relevantes para o mercado”. Para tanto, 
conta com a participação de 167 organismos nacionais de normalização. Suas 
ações são elaboradas por comitês técnicos que estudam o padrão a ser 
proposto. A partir da aprovação de todos os países que integram o estudo, a 
regra passa a valer e cada nação fica responsável pela tradução da norma para 
a sua língua. 
No Brasil, o organismo oficial de normalização é a Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT). A instituição tem por missão: 
prover a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado, por meio 
de documentos normativos e avaliação de conformidade, que permita 
a produção, a comercialização e o uso de bens e serviços de forma 
competitiva e sustentável nos mercados interno e externo, contribuindo 
para o desenvolvimento científico e tecnológico, proteção do meio 
ambiente, defesa do consumidor e para inovação. (ABNT, 2022) 
Atualmente, a ABNT disponibiliza milhares de normasreferentes aos mais 
diferentes tipos de situações, de desenho técnico a padrão de equipamentos, de 
sistemas de gestão a governança de dados. Tudo que pode e deve ser 
normalizado, para benefício da sociedade, passa pelo trabalho de elaboração de 
normas da ABNT. 
 
 
 
4 
Figura 1 – Padrões e normas 
 
Crédito: garagestock/Shutterstock. 
Entre essas normas, estão as de produção acadêmica. São essas que 
nos interessam quanto à escrita de um artigo científico. Para a produção 
científica, existem várias normas. O que nos interessa para que você possa 
produzir o seu artigo em projeto final de curso são as de resumo, formatação, 
citação e referências. 
A norma ABNT NBR 6028:2021, relativa a resumo, já foi citada 
anteriormente. Nesta abordagem, vamos trabalhar com as normas ABNT NBR 
6022:2018, ABNT NBR 10520:2002 e a ABNT NBR 6023:2018, que tratam, 
respectivamente, de informação e documentação – artigo em publicação 
periódica técnica e/ou científica – apresentação; informação e documentação – 
citações em documentos – apresentação; e informação e documentação – 
referências – elaboração. 
Cada uma dessas normas cuida de um aspecto diferente e relevante para 
a escrita padrão de um artigo científico. 
 
 
5 
TEMA 2 – ARTIGO EM PUBLICAÇÃO PERIÓDICA TÉCNICA E/OU CIENTÍFICA 
Uma publicação periódica técnica ou científica é um tipo de publicação 
que acontece com uma frequência determinada e que tem por objetivo divulgar 
avanços científicos e tecnológicos, obtidos por meio de estudos, pesquisas e 
experimentos. A ideia é que a publicação periódica possa alcançar várias 
pessoas que tenham interesse nos resultados dessas pesquisas. Além disso, a 
publicação dos resultados de uma pesquisa faz parte dos passos a serem 
seguidos, para que se possa afirmar que o estudo seguiu um método científico. 
Isso se deve à ideia de que uma pesquisa pode sempre ser replicada, permitindo, 
assim, a verificação dos resultados por outros pesquisadores. 
Figura 2 – Periódico científico 
 
Crédito: LightField Studios/Shutterstock. 
Por isso, as publicações periódicas científicas têm uma série de normas 
que precisam ser seguidas, para garantir essa possibilidade de replicação do 
estudo. É nesse sentido que a ABNT NBR 6022:2018 especifica princípios gerais 
para elaboração e apresentação de elementos que constituem artigos em um 
periódico técnico e/ou científico. Ou seja, essa norma garante os padrões a 
serem seguidos para quem pretende publicar um artigo científico. E esses 
 
 
6 
padrões acontecem tanto em publicações em meios físicos (em papel) como em 
meios digitais. 
Como qualquer outra NBR, a 6022:2018 traz o seu escopo, ou seja, para 
que ela serve, as referências que foram utilizadas ou são relacionadas a essa 
norma, os termos e definições utilizados na norma, e as orientações específicas 
sobre como deve ser composto um artigo. A norma esclarece que existem dois 
tipos de artigos distintos, o artigo original e o artigo de revisão. O artigo original 
é “parte de uma publicação que apresenta temas ou abordagens originais”, 
enquanto o artigo de revisão é “parte de uma publicação que resume, analisa e 
discute informações já publicadas” (ABNT, 2018a, p.1-2). Qualquer desses tipos 
é aceito para que você desenvolva e publique seu artigo de projeto final de curso. 
A NBR 6022:2018 propõe uma estrutura específica para os artigos 
científicos, que você pode ver na figura 3, e explica cada um desses elementos, 
ressaltando que a nomenclatura dos títulos dos elementos textuais fica a critério 
do leitor. É bastante comum que os editores responsáveis pelo periódico 
informem a quem deseja submeter um artigo qual é a nomenclatura a ser 
utilizada. No caso do artigo para o projeto final de curso, o elemento textual 
obrigatório de desenvolvimento se subdivide em três elementos, cuja 
nomenclatura é fundamentação teórica, metodologia, resultados e discussão. 
Figura 3 – Elementos estruturais de um artigo 
 
Fonte: ABNT NBR 6022 (2018, p. 4). 
 
 
7 
Todos os elementos obrigatórios para o artigo que você desenvolverá em 
projeto final de curso são explicados nos conteúdos de nosso estudo. Caso você 
tenha dúvida sobre os demais elementos, vale a pena ler a NBR 6022:2018, que 
está disponível no conteúdo disponibilizado, pois na norma são explicados em 
detalhes cada um dos elementos. 
A NBR 6022:2018 prossegue explicando uma série de regras gerais sobre 
formato, seções, citações e notas, sigla, equações e fórmulas, ilustrações e 
tabelas. No que diz respeito a formato e seções, para que você possa escrever 
seu artigo de projeto final de curso, você terá a sua disposição um template, ou 
seja, um modelo pronto em word com o formato correto. Esse template segue as 
regras propostas pela NBR em questão no que diz respeito ao tamanho de fonte 
a ser utilizada, 12 para o texto e um tamanho menor para citações longas, notas, 
legendas e fontes das ilustrações e tabelas. 
Quanto a siglas, a NBR propõe que “quando mencionada pela primeira 
vez no texto, deve ser indicada entre parênteses, precedida do nome completo” 
(ABNT, 2018, p. 7). Nas próximas vezes que aparecer no texto, é possível 
mencionar somente a sigla. Veja o exemplo: Conselho Regional de 
Administração e Agronomia do Paraná (Crea-PR). No que se refere a equações 
e fórmulas, a NBR indica que, para “facilitar a leitura, devem ser destacadas no 
texto e, se necessário, numeradas com algarismos arábicos entre parênteses, 
alinhados à direita”. Veja a figura 4: 
Figura 4 – Equações e fórmulas 
 
Fonte: ABNT NBR 6022 (2018, p. 7). 
Sobre as ilustrações (desenhos, gravuras, imagens) a instrução é de que: 
qualquer que seja o tipo de ilustração, esta deve ser precedida de sua 
palavra designativa (desenho, esquema, fluxograma, fotografia, 
gráfico, mapa, organograma, planta, quadro, retrato, figura, imagem, 
entre outros), seguida de seu número de ordem de ocorrência no texto, 
em algarismos arábicos, de travessão e do respectivo título. 
Imediatamente após a ilustração, deve-se indicar a fonte consultada 
 
 
8 
[...]. A ilustração deve ser citada no texto e inserida o mais próximo 
possível o trecho a que se refere. (ABNT, 2018a, p. 7) 
Finalmente, quanto às tabelas, a orientação é de que elas sejam citadas 
ao longo do texto, ou seja, não devem ser simplesmente colocadas no artigo sem 
nenhum tipo de explicação, e “inseridas o mais próximo possível do trecho a que 
se referem”, com a indicação da fonte consultada (ABNT, 2018a, p. 8). 
A formatação a ser seguida é aquela proposta pelas Normas de 
Apresentação Tabular do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Você pode consultar essas normas na biblioteca do IBGE, em 
<https://biblioteca.ibge.gov.br>/. 
Vale comentar a diferença entre quadro e tabela, de forma que você 
nomeie corretamente esses elementos, caso você os use no seu artigo. A tabela 
demostra dados quantitativos (números), enquanto os quadros apresentam 
dados qualitativos (informações). Seus formatos são diferentes: o quadro é 
formado por linhas verticais e horizontais e deve ter todas as extremidades 
fechadas. Já a tabela também é formada por linhas verticais e horizontais, mas 
as bordas laterais devem ser mantidas abertas. Veja os exemplos de formato n 
figura 5: 
Figura 5– Formato de tabela e quadro 
 
Caso você tenha dúvida quanto a quais elementos estruturais propostos 
na NBR 6022 são realmente utilizados no seu artigo para projeto final de curso, 
é importante que você consulte o tutor da disciplina de projeto final de curso, 
bem como o professor que será seu orientador. São só eles que determinam 
com você o que pode e o que não pode constar no seu artigo. 
 
 
9 
TEMA 3 – CITAÇÕES EM DOCUMENTOS 
Uma das maiores dificuldades de quem nunca escreveu um artigo é fazer, 
de forma adequada, as citações das fontes de informação que se está utilizando 
como base para a realizaçãodo artigo. Para fazer essas citações de forma 
correta, você deve se basear na ABNT NBR 10520:2002. Essa norma orienta 
você quanto aos vários formatos que uma citação pode assumir dentro de um 
texto científico. Mas antes de analisarmos as orientações da NBR 10520:2002, 
vale a pena entendermos o que é uma citação. 
 Figura 6 – Citações 
 
Crédito: Tartila/Shutterstock. 
Citações são partes de textos que você consultou para construir a base 
conceitual e está usando no seu artigo para apoiar as ideias acerca do estudo 
que você realizou. Em especial, quando você está começando a desenvolver 
pesquisas e precisa dar credibilidade àquilo que você quer propor em seu 
estudo, você não pode prescindir de usar citações. De acordo com a NBR 
10520:2002, uma citação é a “menção de uma informação extraída de outra 
fonte” (ABNT, 2002, p. 1). 
Para fazer uma citação, é necessário entender algumas regras, já que 
você deve segui-las para poder escolher quais tipos de citação você deve usar 
ao longo do seu texto. A primeira diferenciação entre citações diz respeito a 
mencionar o texto copiando literalmente o que o autor escreveu ou fazer 
paráfrases. Ao copiar literalmente, você estará fazendo uma citação direta. Já 
 
 
10 
ao parafrasear, ou seja, ao trabalhar o texto sem fazer uma transcrição textual, 
você estará fazendo uma citação indireta. 
Quando você faz uma citação direta, é possível fazê-la de duas formas: a 
citação direta curta ou a citação direta longa, a depender de quantas linhas essa 
transcrição literal vai ocupar em seu texto. Para cópias de até três linhas, a 
citação é direta curta e para cópias de mais do que três linhas, a citação é direta 
longa. Além disso, é possível, embora não recomendado, fazer citação de 
citação, quando você usa um trecho de obra que foi citado por um autor que não 
é autor original daquele texto. 
Cada uma dessas situações será apresentada no seu artigo de forma 
diferente. Vamos ver cada uma delas e apresentar alguns exemplos para você 
poder seguir quando precisar fazer as citações em seu artigo. A primeira regra 
que você precisa saber é que usamos o sistema autor-data. 
De acordo com a NBR 10520:2002, nesse tipo de sistema de citação, “a 
indicação da fonte é feita pelo sobrenome de cada autor ou pelo nome da 
entidade responsável [...], seguido(s) da data de publicação do documento [...]” 
(ABNT, 2002, p. 4). Então, toda vez que você fizer uma citação em seu artigo, 
deverá colocar o sobrenome do autor da obra que está usando ou a identificação 
da entidade responsável (quando não houver autor definido) e a data em que a 
obra foi publicada. Como data, usa-se o ano de publicação da obra. 
Há duas possibilidades para usar o sistema autor-data. Ou você cita o 
autor na frase e coloca a data entre parênteses logo depois do sobrenome do 
autor, que deve ter somente a primeira letra do sobrenome em caixa-alta, ou 
você cita entre parênteses o sobrenome do autor, com todas as letras 
maiúsculas, e a data logo depois que finalizar a frase, ou seja, depois do ponto 
final. 
Essas instruções valem tanto para citações indiretas quanto para citações 
diretas. Para citações diretas, você precisa acrescentar mais uma informação, 
que é o número da página em que está o trecho de texto que você está copiando. 
O número da página é citado com uma letra p minúscula seguida de um ponto 
(p.) e o número da página em si. Para uma citação direta curta, você vai 
transcrever o trecho e colocá-lo entre aspas, sem alterar o tamanho da fonte. 
Veja os exemplos na figura 7. 
 
 
11 
Figura 7 – Citações curtas 
 
 
Fonte: Caderno Progressus, 2021. 
Para citações diretas longas, há um formato especial a ser utilizado. 
Conforme a NBR 10520:2002, esse tipo de citação deve ser destacado com 
recuo de 4 cm da margem esquerda; ser em letra menor que a do texto, no nosso 
caso, o recomendado é tamanho 10; com espaçamento simples e sem aspas 
(ABNT, 2002, p. 2). Veja modelos na figura 8. 
Figura 8 – Citações longas 
 
 
 
Fonte: Caderno Progressus, 2021. 
Já no caso das citações indiretas, o formato será igual ao das citações 
diretas curtas, porém, sem colocar o número da página. Ao citar a autoria ao final 
da frase, coloca-se o sobrenome do autor, em caixa-alta, e a data da publicação, 
 
 
12 
entre parênteses. Ao citar a autoria ao longo da frase, o sobrenome do autor é 
citado na frase somente com a primeira letra do sobrenome em maiúscula, com 
a data entre parênteses. Veja exemplos na figura 9. 
Figura 9 – Citações indiretas 
 
 
Fonte: Caderno Progressus, 2021. 
Finalmente, a citação de citação que, segundo a NBR 10520:2002, diz respeito 
à citação “direta ou indireta de um texto que não se teve acesso ao original”, 
deve ser realizada informando o autor original seguido pela expressão apud ou 
pela expressão citado por e pela informação do autor utilizado (ABNT, 2002, p. 
2). Veja o exemplo na figura 10. Nesse caso, o acesso à obra de Costa e 
Adabaugh é o autor original a que não se teve acesso. Costa é o autor que cita 
Adabaugh em sua obra. 
Figura 10 – Citação de citação 
 
Fonte: Caderno Progressus, 2021. 
Fazendo um pequeno resumo do que foi visto até aqui sobre a inserção 
do autor na citação: autor incluído na frase deve ter seu sobrenome escrito com 
a primeira letra em maiúsculo e as demais letras em minúsculo. Autor incluído 
ao final da frase, entre parênteses, deve ter seu sobrenome escrito com todas 
as letras em maiúsculo. Quanto ao formato, observe o resumo no quadro 1. 
 
 
13 
Quadro 1 – Formatos de citações 
Tipo de citação Formato 
Citação direta curta Transcrição do texto deve ficar entre aspas e o tamanho de letra se 
mantém igual ao resto do texto 
Citação direta longa Transcrição do texto deve ficar destacada com recuo de 4 cm da 
margem esquerda, em letra menor que a do texto (tamanho 10), com 
espaçamento simples e sem aspas 
Citação indireta O texto-base deve ser parafraseado, mas não deve mudar o sentido 
do que o autor original propõe 
Citação de citação Usa-se a palavra apud ou a expressão citado por para indicar que 
se trata de citação de citação 
Os formatos apresentados aqui são os que mais comumente serão 
utilizados quanto à citação. Há uma série de outras possibilidades, tais como 
citações com mais de uma autoria, supressões de parte de texto, comentários, 
ênfases ou qualquer outra mudança no texto, que também tem regras a serem 
seguidas. Como são situações menos comuns, caso você precise utilizá-las em 
seu artigo, verifique as regras na NBR 10.520:2002 ou pergunte ao seu tutor 
como proceder. 
TEMA 4 – REFERÊNCIAS 
Você fez uma série de citações ao longo do seu artigo e precisa, então, 
referenciar as fontes dessas suas citações. Para tanto, existe uma série de 
regras que estão disponíveis na ABNT NBR 6023:2018. As referências são o 
último item do seu artigo e são elas que evidenciam que você buscou realmente 
uma base conceitual para realizar seu estudo, ao mesmo tempo em que auxiliam 
outros pesquisadores a buscarem essas fontes para que possam desenvolver 
seus estudos. Uma das grandes fontes de um pesquisador será o item de 
referências utilizado por outro pesquisador. 
 
 
14 
Figura 11 – Referência de livro
 
Fonte: Caderno Progressus, 2021. 
Você precisa apresentar esse item de forma correta. Uma primeira 
questão, já comentada anteriormente, é que todas as obras que você citar em 
seu artigo devem constar nas referências. O inverso também é verdadeiro: todas 
as obras que estão referenciadas devem constar citadas em algum local do texto. 
As referências devem ser apresentadas em ordem alfabética. Elas são 
compostas por dois tipos de elementos: os essenciais e os complementares. 
De acordo com a NBR 6023:2018, elementos essenciais são “as 
informações indispensáveis à identificação do documento. Os elementos 
essenciais são estritamente vinculados ao suporte documental e variam,portanto, conforme o tipo”. Já os elementos complementares são “as 
informações que, acrescentadas aos elementos essenciais, permitem melhor 
caracterizar os documentos” (ABNT, 2018b, p. 4). As referências devem ser 
escritas em conformidade com os modelos apresentados no quadro 2. 
Quadro 2 – Modelos de referências 
Tipo de obra Elementos essenciais Formato 
Livro, folheto Autor, título, subtítulo (se 
houver), edição (se houver), 
local, editora e data de 
publicação 
Sobrenome do autor em 
caixa-alta, seguido de vírgula 
e do nome completo do autor 
em letras maiúsculas e 
minúsculas. Se houver mais 
de um autor, separá-los por 
ponto e vírgula. Título em 
negrito 
Trabalho acadêmico Autor, título, subtítulo (se 
houver), ano de depósito, tipo 
do trabalho (tese, 
dissertação, trabalho de 
conclusão de curso e outros), 
grau (doutorado, mestrado, 
especialização, entre outros) 
e curso entre parênteses, 
vinculação acadêmica, local e 
data de apresentação ou 
defesa 
Sobrenome do autor em 
caixa-alta, seguido de vírgula 
e do nome completo do autor 
em letras maiúsculas e 
minúsculas. Se houver mais 
de um autor, separá-los por 
ponto e vírgula. Título em 
negrito 
Livros, folhetos ou trabalhos 
acadêmicos disponíveis em 
meio digital ou eletrônico 
Acrescentar aos elementos já 
citados a descrição física do 
suporte (CD, DVD, pen drive, 
e-book, blu-ray disc e outros) 
Sobrenome do autor em 
caixa-alta, seguido de vírgula 
e do nome completo do autor 
em letras maiúsculas e 
minúsculas. Se houver mais 
de um autor, separá-los por 
 
 
15 
ponto e vírgula. Título em 
negrito 
Livros, folhetos ou trabalhos 
acadêmicos disponíveis on-
line 
Acrescentar aos elementos 
essenciais, já citados, o 
endereço eletrônico, 
precedido da expressão 
Disponível em: e a data de 
acesso precedida da 
expressão Acesso em:. 
Elementos complementares 
à referência podem ser 
acrescentados para melhor 
identificar o documento, 
como o horário, o número 
DOI, entre outros 
Sobrenome do autor em 
caixa-alta, seguido de vírgula 
e do nome completo do autor 
em letras maiúsculas e 
minúsculas. Se houver mais 
de um autor, separá-los por 
ponto e vírgula. Título em 
negrito 
Seção, capítulo, volume, 
fragmento e outras partes de 
uma obra com autor e/ou 
título próprios 
Autor e título da parte, 
seguidos da expressão In: e 
da referência completa da 
obra, como visto 
anteriormente 
Sobrenome do autor da parte 
em caixa-alta, seguido de 
vírgula e do nome completo 
do autor em letras maiúsculas 
e minúsculas. Sobrenome do 
autor da obra em caixa-alta, 
seguido de vírgula e do nome 
completo do autor em letras 
maiúsculas e minúsculas. 
Título da obra em negrito 
Publicação periódica, artigo, 
comunicação, editorial, 
entrevista, reportagem, 
resenha e outros 
Autor, título do artigo, 
subtítulo (se houver), título do 
periódico, subtítulo (se 
houver), local de publicação, 
numeração do ano e/ou 
volume, número e/ou edição, 
tomo (se houver), páginas 
inicial e final e data ou 
período de publicação 
Sobrenome do autor em 
caixa-alta, seguido de vírgula 
e do nome completo do autor 
em letras maiúsculas e 
minúsculas. Título do 
periódico em negrito 
Fonte: ABNT NBR 6023, 2018. 
Vale ressaltar que autor será uma pessoa física ou uma entidade (pessoa 
jurídica, evento, instituição, organização, empresa, comitê, comissão, entre 
outros, responsável pela publicação em que não se distingue autoria pessoal). 
Vale também comentar que há situações em que o documento consultado não 
apresenta nenhum tipo de autoria. Nessa situação, a referência inicia com o título 
da obra. 
Os tipos de referência apresentados aqui são os mais comuns. Existem 
outros tipos de referenciação que também têm regras a serem seguidas. Caso 
você precise utilizá-las em seu artigo, verifique as regras na NBR 6023:2018 ou 
pergunte ao seu tutor como proceder. 
 
 
16 
TEMA 5 – TEMPLATE E APLICATIVOS 
Para realizar seu artigo de acordo com as normas, você terá acesso a um 
template com o formato exigido para a confecção. O template será 
disponibilizado na sua disciplina de projeto final de curso e trará uma série de 
dicas de como redigir o seu trabalho. Mas, além dessa ajuda, você pode se valer 
das bibliotecas que você tem disponível no ambiente virtual. As bibliotecas Minha 
Biblioteca e Biblioteca Virtual Pearson possuem uma grande quantidade de livros 
que podem auxiliá-lo em sua pesquisa, tanto no tema como em orientações de 
metodologia. 
Já na biblioteca de normas ABNT, você tem acesso a todas as normas 
citadas ao longo do nosso estudo, além de outras que possam interessá-lo em 
sua rotina profissional. Para acessá-las, é simples. Entre no seu ambiente virtual 
de aprendizagem, clique em Biblioteca e, a seguir, em Normas ABNT. 
Figura 12 – Normas ABNT no ambiente virtual 
 
Você também pode usar algumas ferramentas on-line para facilitar um 
pouco do seu trabalho com a escrita do artigo e com algumas preocupações que 
 
 
17 
você deve ter quanto às normas que você seguir. Uma das ferramentas mais 
conhecidas para a realização de citação e de referências é o Mendeley. O 
Mendeley é um gerador de referências automático, um suplemento para auxiliar 
a realizar citações no seu documento, além de permitir o armazenamento e o 
compartilhamento de documentos. O Mendeley Citação é compatível com o 
Microsoft Office 365. O endereço é <https://www.mendeley.com>. 
Figura 13 – Logo do Mendeley 
 
Fonte: Seeklogo, S.d. 
Mais um software que pode ajudar você com as referências é o EndNote. 
O programa pode auxiliá-lo a encontrar bases de dados de interesse para sua 
pesquisa, armazenar e compartilhar suas referências com outras pessoas e criar 
referências formatadas enquanto você escreve seu artigo. O endereço é 
<https://www.myendnoteweb.com>. 
Outro gerenciador de referências, baseado na NBR 6023:2018, é o More. 
Por meio dele, é possível criar referências automáticas para os mais diferentes 
tipos de obras, incluindo situações bastante atuais como, por exemplo, a 
referenciação de redes sociais. O endereço é <https://www.more.ufsc.br>/ 
Se você buscar no Google, encontrará vários geradores de referências 
que poderá utilizar. No entanto, é preciso ter cuidado, pois nem todos estão 
adequados à versão mais recente da NBR 6023 ou conseguem gerar todos os 
tipos possíveis de referências citadas na norma e alguns geram as referências 
em estilos que não utilizamos em projeto final de curso. Então, fique atento, 
porque o software que deveria auxiliar pode acabar atrapalhando você. Na 
dúvida, é sempre importante consultar o tutor de projeto final de curso. 
 
 
18 
FINALIZANDO 
Nesta abordagem, você pôde entender quais normas são importantes 
quando se está escrevendo um artigo científico. Você compreendeu que há uma 
organização que orienta sobre essas normas no Brasil, a Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT), tanto para a redação científica como para uma 
série de outros padrões que você, como engenheiro, deverá cumprir em sua 
jornada profissional. 
Além disso, teve acesso a explicações sobre o que se espera, em termos 
de normas, em um artigo científico ao conhecer a ABNT NBR 6022:2018. Você 
também entendeu a importância e como elaborar citações, em seus modelos 
mais comuns, ao conhecer a NBR 10520:2002. Soube que, ao usar citações em 
seu artigo, deve elencar as referências das fontes de informação citadas e que, 
ao colocar essas referências no trabalho, deve seguir a ABNT NBR 6023:2018. 
Para finalizar, você pôde conhecer alguns aplicativos que podem auxiliá-lo a 
desenvolver suas citações e referências, facilitando, assim, seu trabalho de 
manter os padrões no seu artigo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 6022: 
informação e documentação – Artigo em publicação periódica técnica e/ou 
científica – apresentação.Rio de Janeiro: ABNT, 2018a. 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 6023: 
informação e documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 
2018b. 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 6028: 
informação e documentação – Resumo, resenha e recensão – Apresentação. 
Rio de Janeiro: ABNT, 2021. 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 10520: 
informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de 
Janeiro: ABNT, 2002. 
ENDNOTE. Disponível em: <https://www.myendnoteweb.com>. Acesso em: 5 
dez. 2022. 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: 
https://biblioteca.ibge.gov.br/. Acesso em: 5 dez. 2022. 
MENDELEY. Disponível em: <https://www.mendeley.com>. Acesso em: 5 dez. 
2022. 
SEEKLOGO. Disponível em: <https://seeklogo.com/vector-
logo/444958/mendeley>. Acesso em: 5 dez. 2022. 
SILVA, R. A. da; SILVA, O. R. da. Qualidade, padronização e certificação. 
Curitiba: Intersaberes, 2017. 
TOLEDO, J. C. de et al. Qualidade: gestão e métodos. Rio de Janeiro: LTC, 
2014. 
 
	CONVERSA INICIAL
	TEMA 1 – O QUE APRESENTAR EM RESULTADOS
	TEMA 2 – TABELAS E ILUSTRAÇÕES
	TEMA 3 – O QUE APRESENTAR COMO DISCUSSÃO
	TEMA 4 – MODELOS E PROTÓTIPOS
	TEMA 5 – COMO APRESENTAR MODELOS E PROTÓTIPOS NO ARTIGO
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS
	Conversa inicial
	Seu artigo está chegando ao fim. Falta fazer somente o capítulo de Considerações Finais/Conclusão, o Resumo e revisar todos os capítulos para então submetê-lo à publicação. Para desenvolver esse últimos itens, você descobrirá, nesta etapa, a diferença...
	Você também vai aprender a redigir o Resumo. Embora esse item seja um dos primeiros a serem apresentados no artigo, logo após o título e o nome dos autores, ele deve ser desenvolvido por último, já que apresentará ao leitor tudo o que ele vai encontra...
	Finalmente, você terá acesso a algumas ideias sobre publicação. Mesmo que seu objetivo de curto prazo seja apenas apresentar o seu artigo para aprovação na disciplina de Projeto de Conclusão de Curso, por que não aproveitar que tem um artigo pronto e ...
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS
	ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 6028: Informação e documentação — Resumo, resenha e recensão — Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.
	Conversa inicial
	Nesta abordagem, você conhecerá as normas que regem o padrão a ser utilizado para a publicação de artigos científicos. Há uma série de regras específicas que você deve conhecer para que seu artigo possa ser entendido como científico. Quem orienta esse...
	Assim, primeiramente, conhecerá a ABNT, para, depois, ter ciência de algumas das normas publicadas pela ABNT, as quais garantem que seu artigo estará em conformidade com o que é esperado de uma publicação científica. Assim, você terá acesso a informaç...
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

Mais conteúdos dessa disciplina