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DE���T��O��� PA����C�I���ID����OS� ➢ É uma doença infecciosa granulomatosa sistêmica de evolução aguda, subaguda ou crônica causada por fungo dimórfico, o Paracoccidioides brasiliensis, potencialmente fatal; ➢ É a infecção fúngica sistêmica mais importante no Brasil; ➢ O fungo apresenta grande variabilidade fenotípica e virulência, tem no solo seu habitat natural, mas também alguns animais (ex: tatu); ➢ Sinonímia: Blastomicose sul-americana, doença de Lutz-Splendore-Almeida, Micose de Lutz. EPIDEMIOLOGIA ➢ É a principal micose sistêmica do Brasil, e encontra-se entre as 10 principais causas de morte por doenças infecciosas e parasitárias, crônicas e recorrentes; ➢ O Brasil conta com aproximadamente 80% dos casos relatados, sobretudo nas regiões Sudeste, Sul e Centro-oeste. Na região Norte, Rondônia é endêmicas e no Pará existe aumento gradativo do número de casos; ➢ O sexo masculino responde por 80% da forma clínica crônica; as mulheres são menos acometidas pois P. brasiliensis possui um receptor citoplasmático para o betaestradiol que impede a transformação do micélio inalado para a forma patogênica; ➢ A idade mais acometida é aquela entre os 30 aos 50 anos, rara em crianças; ➢ O trabalhador ou ex-trabalhador rural representa o grupo profissional mais acometido (dermatose ocupacional). PATOGENIA ➢ Se inalado, o fungo pode ser destruído ao atingir o parênquima pulmonar ou se multiplicar e produzir o foco primário no gânglio linfático regional do hilo pulmonar. A disseminação do fungo pode ocorrer transitoriamente por via hematogênica, com a instalação de focos metastáticos em diferentes órgãos. ➢ A infecção pode evoluir para: 1. Resolução e cicatrização completa do complexo primário; 2. Involução e manutenção de fungos quiescentes viáveis no parênquima pulmonar em um ou mais focos metastáticos com reativação a qualquer tempo e disseminação hematogênica; 3. Com doença progressiva pulmonar e/ou sistêmica. ➢ Sem tratamento a doença é fatal, em imunodeprimidos a mortalidade é de 30%, ocorrem recaídas frequentes pós tratamento. ➢ O tratamento é para o resto da vida. CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA ➢ PARACOCCIDIOIDOMICOSE INFECÇÃO: ausência de sinais e sintomas clínicos e teste intradérmico com paracoccidioidina positivo. ➢ PARACOCCIDIOIDOMICOSE DOENÇA ✔ FORMA REGRESSIVA: infecção pulmonar primária, com manifestações respiratórias inespecíficas. ✔ FORMA AGUDA-SUBAGUDA: ocorre, sobretudo, em crianças, adolescentes e adultos jovens após disseminação hematogênica primária, tropismo do fungo pelo sistema monocítico-fagocitário (gânglios, fígado, baço e medula) = forma grave. ✔ FORMA CRÔNICA: principalmente em adulto, ocorre devido à reativação endógena de focos quiescentes ou à reinfecção exógena. ↪ UNIFOCAL - ex.: pulmão, pele, mucosas e glândulas adrenais ↪ MULTIFOCAL - ex.: tegumento-pulmonar ➢ PARACOCCIDIOIDOMICOSE ASSOCIADA À IMUNOSSUPRESSÃO CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA ➢ Lesão clássica: tegumento-pulmonar; ➢ As manifestações pulmonares ocorrem em 80 a 90% dos casos, são silenciosas ou oligossintomáticas (tosse seca ou secreção espessa e esbranquiçada); acentuação progressiva para dispneia aos esforços com intensidade progressiva; ➢ Pode evoluir para doença pulmonar obstrutiva crônica, estenose e obstrução das vias aéreas superiores; ➢ Alterações radiológicas variáveis; Mar���l� Simões Cav����n�i - Der����lo��� - Pro�. Dr. Edi���r� Pel���r��i - M6- 2023.1 DE���T��O��� ➢ As lesões da cavidade oral são frequentes na forma crônica do adulto e raras na forma aguda-subaguda do tipo juvenil; ➢ Estomatite moriforme de Aguiar Pupo - lesão ulcerada rasa com granulações finais e pontilhado hemorrágico, localizadas na mucosa lábio inferior, mucosa jugal, gengivas, palato, pilar amigdaliano e língua; sialorréia é frequente; ➢ Lesões de mucosas em outras localizações (nasal, ocular e genital) são incomuns. Estomatite moriforme de Aguiar Pupo: placa ulcerovegetante, com presença de pontilhado hemorrágico chamado de moriforme. Parece cacho de amora. ➢ As lesões cutâneas ocorrem por contiguidade das lesões mucosas, disseminação hematogênica ou excepcionalmente inoculação direta; ➢ Localizam-se preferencialmente no segmento cefálico, seguido dos MMSS e MMII; ➢ Morfologia variável: lesões úlceras, infiltrativas, pápulo-nodulo-tumorais, vegetantes, verrucosas e tipo abscesso. Mar���l� Simões Cav����n�i - Der����lo��� - Pro�. Dr. Edi���r� Pel���r��i - M6- 2023.1 DE���T��O��� ➢ O comprometimento ganglionar é regra em casos juvenis; principalmente em cadeias cervicais superficiais, axilares e inguinais; abscesso e não cicatriza espontaneamente; ➢ Sempre investigar paracoco na presença de adenomegalia mesentérica, para-aórtica e para-hilar hepática; ➢ Pode comprometer o intestino, fígado e baço, principalmente nos casos juvenis, lesões osteoarticulares são assintomáticas e incomuns (lesões líticas); ➢ Valorizar sinais e sintomas do comprometimento adrenal e SNC. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS QUANDO SUSPEITAR?? ➔ Paciente com uma ou mais das seguintes manifestações, durante pelo menos quatro semanas, excluída a tuberculose e outras doenças que curso semelhante: ● Tosse com ou sem expectoração e dispnéia; ● Sialorréia, odinofagia e rouquidão; ● Lesão ulcerada na mucosa nasal ou oral; ● Lesão cutânea ulcerada, vegetações, nódulos, placas, etc. ● Adenomegalia cervical ou generalizada, com ou sem supuração e fistulização; ● Criança ou adulto jovem com hepatoesplenomegalia e/ou tumoração abdominal. DIAGNÓSTICO ➢ Clinico-epidemiologico ➢ Histopatológico ➢ Exame micológico direto e cultura (padrão ouro): ↪ Isolamento e identificação - 25° C e 37% ↪ Material pus, escarro, raspado de lesões tegumentares e fragmentos de tecidos; exame que obrigatoriamente deve ser solicitado; ↪ Meio ágar-Sabouraud, na temperatura ambiente sob a forma de colônias branco-amareladas e aspecto de pipoca estourada e a 37°C de cultura leveduriforme, de cor creme e aspecto enrugado. ↪ Presença de estruturas leveduriformes arredondadas, com dupla refringência, que podem apresentar gemulações múltiplas - imagem em roda de leme - espectro diagnóstico deste agente. ➢ Sorologia - A técnica de imunodifusão dupla permite também o acompanhamento dos pacientes sob tratamento por avaliação periódica das titulações; Mar���l� Simões Cav����n�i - Der����lo��� - Pro�. Dr. Edi���r� Pel���r��i - M6- 2023.1 DE���T��O��� sensibilidade maior que 80% e especificidade maior que 90%. TRATAMENTO ➢ A Anfotericina B é para casos de imunodeprimidos que fazem uso por 2-4 semanas ou até melhora do quadro e depois fazem o tratamento normal PROGNÓSTICO E EVOLUÇÃO ➢ A prognose depende do quadro clínico inicial. As lesões cutâneas cicatrizam em algumas semanas, a regressão dos linfonodos é mais lenta e a melhora radiológica do quadro pulmonar ocorre em alguns meses. O acompanhamento sorológico é imprescindível. ➢ Critérios de cura: clínica, micológica, radiológica e sorológica. ➢ Doente deve ficar sob controle permanente, já que podem ocorrer recidivas. Mar���l� Simões Cav����n�i - Der����lo��� - Pro�. Dr. Edi���r� Pel���r��i - M6- 2023.1