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DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO
Fontes do Direito da Seguridade Social
Livro Eletrônico
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Fontes do Direito da Seguridade Social
Direito PreviDenciário
Frederico Martins
 
Sumário
Fontes do Direito da Seguridade Social .............................................................................................................4
1. Fontes do Direito da Seguridade Social .........................................................................................................4
1.1. conceito e classificações ....................................................................................................................................4
1.2. espécies de Fontes Formais do Direito da Seguridade Social ......................................................4
1.3. Síntese das Fontes Formais e Materiais do Direito da Seguridade Social .......................... 10
1.4. A Força normativa dos Princípios ................................................................................................................12
2. interpretação das normas de Seguridade Social ...................................................................................13
2.1. tipologia das normas de Seguridade Social .........................................................................................13
2.2. As normas de Seguridade Social: Direitos Fundamentais, Máxima efetividade e 
interpretação Mais Favorável ................................................................................................................................14
2.3. A hermenêutica clássica e constitucional das normas de Seguridade Social ................15
3. Aplicação das normas de Seguridade Social ...........................................................................................21
3.1. Sobre a Subsunção da norma Jurídica .......................................................................................................21
3.2. Sobre o Positivismo Jurídico ......................................................................................................................... 22
3.3. A Aplicação da “Lei” no tempo .................................................................................................................... 24
3.4. A Aplicação da “Lei” no espaço ..................................................................................................................48
4. Antinomias normativas .......................................................................................................................................55
4.1. os critérios de Solução em caso de conflito de normas ..............................................................56
5. integração das normas de Seguridade Social ........................................................................................62
5.1. A Analogia .................................................................................................................................................................62
5.2. os costumes ........................................................................................................................................................... 67
5.3. A equidade ...............................................................................................................................................................70
5.4. os Princípios Gerais de Direito .................................................................................................................... 73
6. eficácia das normas de Seguridade Social ............................................................................................... 73
6.1. os Planos de checagem da norma Jurídica ........................................................................................... 73
6.2. A eficácia Social e técnica da norma de Seguridade Social ....................................................... 74
6.3. classificação das normas quanto a sua eficácia ..............................................................................75
resumo ...............................................................................................................................................................................77
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exercícios ...........................................................................................................................................................................90
Gabarito .............................................................................................................................................................................. 97
Gabarito comentado ................................................................................................................................................... 98
referências ..................................................................................................................................................................... 124
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Fontes do Direito da Seguridade Social
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FonteS Do Direito DA SeGUriDADe SociAL
1. Fontes do direito da seguridade social
1.1. conceito e classiFicações
Fonte do direito é a origem de onde nasce a normatividade, dotada de bilateralidade, ge-
neralidade, abstratividade, imperatividade e coercibilidade, relativa a um determinado ramo 
de nosso ordenamento jurídico.
As fontes do direito podem ser materiais ou formais. Na doutrina de Kelsen a fonte ma-
terial unicamente aceitável é aquela que provem da vontade do Estado, ou seja, da vontade 
do legislador. Dessa forma não haveria espaço para outras fontes materiais que não fossem 
aquelas tecnicamente extraídas da vontade do legislador.
Em verdade, não é possível mais concordar com esse posicionamento, já que em um regi-
me democrático há de se considerar diversos instrumentos efetivadores da vontade popular 
e, bem assim, de cada parcela da sociedade. As fontes materiais não podem se resumir uni-
camente à vontade do legislador em uma era de constitucionalismo pós-moderno, na qual a 
sociedade é também interprete da constituição (Peter HARBELE, por exemplo, leciona acerca 
da sociedade aberta dos interpretes da Constituição).
Já as fontes formais são aquelas que derivam do processo legislativo ou, em alguns casos, 
ou melhor, em algumas ciências jurídicas, também dos costumes, o que não é o caso do direito 
previdenciário, ramo esse de nosso ordenamento jurídico que somente admite a expressão 
formalizada da lei, por meio de lei em sentido estrito, bem como por decretos e regulamentos.
Por obvio que não podemos esquecer as normas advindas da Constituição, fonte formal 
de suprema posição nesse rol de fontes formais.
Além das normas do poder constituinte originário, também se devem incluir no rol de fontes 
formais de suprema categoria as emendas constitucionais que advieram após a promulgação 
da constituição de 1988.
Em seguida, temos as leis complementares, ordinárias e delegadas. Por fim, as medidas 
provisórias.
1.2. espécies de Fontes Formais do direito da seguridade social
De início, cabe anotar duas observações importantes sobre as fontes formais de caráterinfralegal:
(i) elas não podem contrariar a lei, sob pena de exorbitarem de seu poder regulamentar; e
(ii) criam efeito vinculante para a própria Administração Pública, ressalvado, claro, o poder 
de autotutela, ou seja, de a Administração revogar ou anular seus próprios atos administrativos 
quando inconvenientes ou contrários à lei.
 
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As principais leis em sentido estrito no âmbito da Seguridade Social, ou seja, as principais 
fontes formais do Direito da Seguridade Social são:
Quanto às leis complementares, no Direito da Seguridade Social elas estão previstas apenas 
no art. 195, § 4º, c/c art. 154, inciso I, ambos da CF, que diz que a “lei poderá instituir outras 
fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”.
Já as leis delegadas, embora previstas de modo indistinto no art. 68, da CF/88, para qual-
quer ramo do Direito (com as vedações, entretanto, anotadas no § 1º, e incisos do referido 
artigo), na prática não existem no campo previdenciário ainda.
De outro lado, as medidas provisórias são bastante frequentes na seara do Direito da 
Seguridade Social, conquanto nem sempre venham dotadas dos requisitos de relevância e 
urgência para suas edições.
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Os decretos legislativos podem ser vistos por vezes como fonte formal do Direito da Se-
guridade Social, eis são os instrumentos normativos que permitem a veiculação interna de 
tratados, convenções e acordos internacionais. Permite-se, com os decretos legislativos, a 
expansão do chamado bloco de constitucionalidade em matéria de Direito da Seguridade Social.
Parcela da doutrina aponta essa possibilidade como comprovadora de que há fontes do 
direito internacional no campo do direito previdenciário, escorando-se, inclusive, na previsão 
do art. 85-A, da Lei n. 8.212/91, cuja redação diz que os “tratados, convenções e outros acordos 
internacionais de que Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil sejam partes, e 
que versem sobre matéria previdenciária, serão interpretados como lei especial”.
Como exemplo de tratado ratificado pelo Brasil, pode-se citar o referente participação brasi-
leira na criação da OIT – Organização Internacional do Trabalho, o que restou internalizado em 
nosso ordenamento jurídico por meio do Decreto Legislativo n. 269, de 18/09/2008. No campo do 
Direito da Seguridade Social, interessante observar que essa convenção indica as 9 contingencias 
sociais clássicas para que um sistema de seguridade social de um país signatário possa ser 
valido, quais sejam: auxílio-doença, assistência médica, amparo ao desemprego, acidentes do 
trabalho e doenças ocupacionais, velhice, invalidez, morte, maternidade e subsídios familiares.
Os Acordos Internacionais de Previdência Social preveem o cômputo do tempo de con-
tribuição ou seguro cumprido em países signatários para aquisição de direito a benefícios, 
aplicando-se a regra da totalização.
Os benefícios concedidos no bojo de acordos previdenciários assinados pelo Brasil são 
chamados de BENEFÍCIOS POR TOTALIZAÇÃO e estão previstos no Decreto 3.048/99. De acor-
do, ainda, com a Instrução Normativa 128, do INSS, a regra da totalização prevê o cômputo dos 
tempos de contribuição ou seguro dos países acordantes para fins da elegibilidade do benefício, 
com pagamento proporcional ao tempo de contribuição vertido para cada país, se alcançados 
todos os requisitos necessários ao reconhecimento do direito. Para o reconhecimento de direito, 
será levado em consideração a validação do tempo de contribuição ou seguro do país acordante, 
o qual será computado ao tempo de contribuição da legislação brasileira, para fins de aquisição 
da carência, tempo de contribuição e manutenção da qualidade de segurado (art. 405, da IN 128).
Interessante pontuar aqui que os benefícios concedidos por totalização podem ser INFE-
RIORES AO SALÁRIO-MÍNIMO, eis que são pagos com base em uma RMI (renda mensal inicial) 
proporcional ao tempo de contribuição cumprido no país em que será concedido. Cada acordo 
pode prever de modo diverso, isto é, pode blindar o pagamento do benefício previsto em suas 
normas a fim de que as prestações não sejam pagas em valor inferior ao salário-mínimo, mas, 
na ausência de qualquer regra expressa nesse sentido, vale o art. 35, § 1º, do Decreto 3.048/99:
Art. 35. A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir o salário-de-contri-
buição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor inferior ao do salário mínimo nem 
superior ao limite máximo do salário-de-contribuição, exceto no caso previsto no art. 45.
§ 1º A renda mensal inicial pro rata dos benefícios por totalização, concedidos com base em acor-
dos internacionais, será proporcional ao tempo de contribuição para previdência social brasileira 
e poderá ter valor inferior ao do salário-mínimo. (Redação dada pelo Decreto n. 10.410, de 2020).
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Decreto/D10410.htm#art1
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Na base de normas regulamentares, o Decreto n. 3.048/99 é o mais importante ato do 
Poder Executivo na seara do Direito Previdenciário, explicitando e detalhando o conteúdo legal 
presente na Lei n. 8.213/91.
Importante perceber que o Decreto 3.048/99 passou por uma série de alterações e inclusões 
de texto oriundas do Decreto 10.410/20, cujo publicação se deu já no contexto da emenda 
Constitucional 103. Com isso, o Regulamento da Previdência Social já está atualizado com 
as normas constitucionais atuais.
Aliás, muito cuidado!
As normas da Lei n. 8.212/91 e Lei n. 8.213/91 estão desatualizadas, parcialmente, em 
relação a nossa ultima reforma previdenciária, ocorrida no ano de 2019, a qual culminou na 
publicação da Emenda Constitucional 103/19 e promoveu uma mudança drástica em nosso 
ordenamento jurídico-previdenciário.
Ainda no campo infralegal, temos também como fonte formal do Direito da Seguridade 
Social, as Portarias, as Instruções Normativas, as Ordens de Serviço de Ministérios relaciona-
dos à arrecadação e concessão e benefícios e programas da seguridade social, bem como as 
Resoluções do Conselho Nacional da Previdência Social e, por fim, eventuais pareceres internos.
Professor, os costumes são fontes formais do Direito da Seguridade Social?
NÃO, os costumes não são fontes formais do direito previdenciário ou, mesmo, da se-
guridade social, na medida em que a estrita legalidade é princípio que não se pode olvidar 
nesta seara, tanto pelo fato de que os atos e programas de seguridade social são emanados 
da Administração Pública, quanto pelo fato de que sempre há de se considerar a exata e cor-
respondente previa fonte de custeio para que uma nova contingencia social sejaatendida ou 
ainda ampliada no espectro de cobertura de proteção social estatal.
E a jurisprudência, é fonte do Direito da Seguridade Social?
Para certa parte da doutrina, como LAZZARI1, não pode ser considerada fonte formal do 
Direito, senão vejamos:
No sistema de civil law, a fonte primordial é a norma legislada, 15 de modo que os órgãos judiciais, 
ainda que atuando na lacuna da lei, não criam direito, apenas suprindo a ausência de norma es-
pecífica, ou seja, não gerando qualquer precedente vinculativo, nem mesmo quando da edição de 
enunciados de súmula de jurisprudência dominante dos Tribunais.
(...)
A jurisprudência é, portanto, critério – importante, muitas vezes fundamental – de integração das 
normas jurídicas, observando-se qual tenha sido a conclusão a que chegaram os órgãos julgadores.
1 Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2590-2593). 
Forense. Edição do Kindle.
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Assim, para LAZZARI, a jurisprudência é mero meio de integração do Direito, nada se re-
velando como fonte formal da norma previdenciária, sobretudo em sistema jurídico como o 
nosso baseado no modelo de civil law.
Já para outra parte da doutrina, como ZAMBITE, a jurisprudência seria sim fonte formal 
do Direito da Seguridade Social, mormente em se considerando que estamos hoje a meio 
caminho de um modelo de civil law para um modelo commom law, com o ganho de força nor-
mativa cada vez maior dos precedentes judiciais. Não que tenhamos vivido hoje um sistema 
brasileiro de common law, mas é inegável que hoje temos fortes traços em nosso sistema 
processual que dão proeminência vinculante aos precedentes judiciais.
Vejamos mais algumas indagações importantes.
A súmula vinculante é fonte do Direito?
A súmula vinculante é, de fato, o maior expoente da transição acima, eis que cria nova 
fonte do Direito a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal, encontrando guarida cons-
titucional por meio do art. 103-A, da CF/88.
As decisões sumuladas do Conselho de Recursos da Previdência Social são fontes do 
direito da Seguridade Social?
São fontes formais do Direito da Seguridade Social e possuem efeito vinculante no âmbito 
interno da Administração Pública.
A doutrina é fonte do Direito da Seguridade Social?
Não se mostra como fonte formal da seguridade social, servindo apenas como instrumen-
to de interpretação da norma jurídica. Trata-se apenas de modo interpretativo, pertencendo, 
assim, à temática da hermenêutica jurídica, não a das fontes do Direito.
Para ZAMBITE, contudo, a doutrina poderia ser fonte formal do Direito da Seguridade so-
cial, pois influencia a criação das leis e também a atividade judicante dos magistrados. Nada 
obstante, na medida em que a doutrina não possui traço de coercibilidade, ou seja, não pode 
impor o cumprimento de determinada norma derivada de seu processo hermenêutico, não 
pode ser considerada fonte do Direito.
É que, de fato, para que haja Direito Objetivo, devem estar presentes os elementos carac-
terísticos da lei, ou seja, deve haver a coercibilidade atribuída ao órgão legiferante para que 
a norma seja autoaplicável.
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Vejamos o que diz sua doutrina:
JURISPRUDÊNCIA
“(...) temos como fonte de direito e, por consequência, da legislação previdenciárias, 
as leis e demais atos normativos, além da jurisprudência, segundo alguns, a doutrina 
também seria fonte de direito, devido à sua intensa participação no desenvolvimento de 
leis e constante influência nas decisões dos magistrados.
Entretanto, devido à ausência de coercibilidade de suas posições, muitas vezes anta-
gônicas, a doutrina é aqui excluída como fonte do Direito, adotando-se posição mais 
tradicional”.
Já com relação à jurisprudência, assim diz ZAMBITTE2:
A jurisprudência, como geradora de norma jurídica individual em razão das decisões judiciais, é 
fonte de Direito, pois suas sentenças são vinculantes para as partes. Ainda mais as decisões rei-
teradas de tribunais que alteram, com frequência, o conteúdo dos atos administrativos, os quais 
são adaptados às interpretações do Judiciário. Este ponto ainda é mais evidente com a atual 
possibilidade do Supremo Tribunal Federal em editar súmulas vinculantes.
A equidade é fonte do Direito da Seguridade Social?
Não pode ser considerada fonte formal de qualquer ramo do direito (ressalvado o âmbito 
do Direito Internacional), a não ser quando expressamente autorizado pela lei, tal como pre-
visto no art. 140, parágrafo único, do Código de Processo Civil. Em verdade, ainda quando 
autorizado, não se trataria de fonte formal do direito, mas apenas de meio de integração da 
norma jurídica.
E quanto aos princípios de Direito não escritos (implícitos) e escritos (explícitos), são 
fontes do Direito da Seguridade Social?
Com relação aos princípios escritos nenhuma dúvida de que se tratam de fontes formais, 
algumas vezes com caráter de sobreprincípio, tal como no caso do principio da isonomia, o 
que gera evidentemente um influxo decisivo nas normas jurídicas da seguridade social.
Há que se chamar à atenção, contudo, que o princípio da prévia fonte de custeio (ou da 
contrapartida) é de grande força na seara do Direito da Seguridade Social, não podendo ser 
relegado e, assim, não se pode falar que a isonomia, por exemplo, exerceria força absoluta 
para permitir a concessão de um benefício não previsto em lei.
2 IBRAHIM, Fábio Zambitte, in Curso de Direito Previdenciário, 24ª Edição, Rio de Janeiro. Ed. Impetus, 2019, pg. 143.
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Há que se tomar cuidado, sempre, portanto, na ponderação de regras e princípios, com 
as regras e princípios específicos do segmento jurídico.
Já quanto aos princípios não escritos, a doutrina tem caminhado no mesmo caminho dos 
princípios escritos, especialmente, por exemplo, no que toca aos princípios da proporciona-
lidade e da razoabilidade.
Em verdade, esses princípios podem ser extraídos da garantia fundamental do due process 
of law, sendo certo que a observância do devido processo legal insculpido no art. 5º, inciso 
LIV, da CF/88, possui em sua acepção substantiva a indispensável presença da proporciona-
lidade em sentido estrito e da razoabilidade.
1.3. síntese das Fontes Formais e materiais do direito da seguridade 
social
Em síntese, podemos resumir da seguinte forma:
• FONTES MATERIAIS DO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL: os fatos sociais, políticos e 
econômicos que ensejam o surgimento da norma jurídica previdenciária. Ou seja, é tudo 
aquilo que propicia, motiva e estimula o surgimento da lei e, dessa maneira, da norma 
relativa à seguridade social. Uma fonte material do Direito da Seguridade Social, pois, pode 
serfacilmente exemplificado pelo déficit nas contas públicas relacionado à Previdência 
Social no país. A necessidade de equilíbrio das contas públicas é fonte material clara do 
Direito da Seguridade Social, fazendo com que o Congresso Nacional vote atos normati-
vos (emendas constitucionais, leis ordinárias, etc) que possam atender às contingências 
socioeconômicas advindas daquelas circunstâncias financeiras atuais do Estado.
• FONTES FORMAIS DO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL: são os atos editados pelo 
Poder Legislativo e Poder Executivo (e, em alguns casos, também pelo Poder Judiciário, 
pois, como se sabe, todos os Poderes da República exercem funções atípicas, não sen-
do impossível, aliás, frequente, que o Poder Judiciário necessite editar normas internas 
que repercutam em elementos regulamentadores de benefícios previdenciários afetos 
ao seu regime próprio, para aqueles servidores e juízes que ainda mantêm seus regimes 
previdenciários destrelados do RGPS e do Funpresp-Jud) que geram efetivamente o poder 
de comando e de império estatal nas relações subjetivas das pessoas, no caso, criando, 
majorando, modificando ou extinguindo direitos relativos à seguridade social.
Podemos resumir as seguintes fontes formais do Direito da Seguridade Social, seguindo, 
agora, a hierarquia das leis Kelseniana:
• Constituição Federal de 1988: e, por vezes, Constituições anteriores também, eis que, 
pelo princípio do tempus regit actum, muitas vezes é necessário no Direito Previdenciário 
verificar quais eram os requisitos normativos da época da contingencia social para saber 
se há direito a um benefício ou não;
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• Emendas Constitucionais: e, quanto a essas fontes, não apenas o seu conteúdo modifica-
dor direto da Constituição Federal de 1988, mas também o que se veicula em seu corpo 
formal, textual, isto é, aquilo que se define como normas permanentes presentes no texto 
da respectiva emenda, bem como normas transitórias e, por fim, normas de transição;
• Leis Complementares: que na seguridade social pode ser muito bem exemplificada pelas Leis 
Complementares n. 108/2001 e 109/2001, que dispõem, respectivamente “sobre a relação 
entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, suas autarquias, fundações, socie-
dades de economia mista e outras entidades públicas e suas respectivas entidades fechadas de 
previdência complementar” e “sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras provi-
dências”. Em verdade, basicamente, a Lei Complementar 108/01 trata das entidades fechadas 
de previdência social – os chamados Fundos de Pensão – enquanto que a Lei Complementar 
109/01 trata das entidades abertas de previdência social, as quais podem ser, por exemplo, 
comercializadas por instituições financeiras por meio dos chamados Planos PGBL e VGBL.
• Lei Ordinárias: as quais podem ser bem representadas no campo da seguridade social 
brasileira pelas Leis n. 8.213 e 8.212, ambas de 1991, mas também por meio da Lei n. 
8.742/93, que trata, especialmente, do pagamento do benefício assistencial à pessoa 
com deficiência e ao idoso.
• Medidas Provisórias: um exemplo marcante do uso de medidas provisórias para se pro-
mover reformas importantes na previdência social, foi a edição da Medida Provisória n. 
664/04, convertida, posteriormente, na Lei n. 13.135/15, que alterou as Leis n. 8.213/91, 
n. 10.876/04, n. 8.112/90 e n. 10.666/03. Outro exemplo foi dado pela Medida Provisória 
n. 871/19, convertida parcialmente, depois, na Lei n. 13.846/19, normas essas que foram 
cunhadas na época de “minirreforma previdenciária”.
• Instruções Normativas, Portarias e Memorandos: são normas que tratam de esmiuçar o 
regulamento da Previdência Social e se aprofundam em questões que não são devidamen-
te tratadas na Lei n. 8.213/91 e no Decreto 3.048/99, conquanto, de outro lado, também, 
possam extrapolar certas matérias que não teriam sido tratadas originariamente na lei, 
seja a favor ou contra os segurados. No âmbito do INSS, atualmente, existe a Instrução 
Normativa n. 128/22, a qual foi publicada juntamente com as Portaria que lhe acompanham, 
quais sejam as Portarias 990 a 999, todas, também, de 28 de março de 2022. Elas são 
aplicáveis ao regime geral de previdência social. Além desses atos editados pelo Poder 
Executivo, é comum que o INSS edite Memorandos internos para regular temas ainda mais 
pontuais. No âmbito dos regimes próprios, também há uma importante Portaria recente-
mente editada, que é a Portaria MTP n. 1467/2022, a qual regula todo o regramento dos 
regimes próprios atualmente, de todos os entes da Federação, funcionando quase como 
um regulamento da Lei n. 9.717/98, a qual ainda é a norma geral dos regimes próprios 
no país, mesmo após a publicação da Emenda Constitucional 103/19. De acordo com o 
art. 9º, caput, da referida emenda constitucional, até que “entre em vigor lei complementar 
que discipline o § 22 do art. 40 da Constituição Federal, aplicam-se aos regimes próprios 
de previdência social o disposto na Lei n. 9.717, de 27 de novembro de 1998”.
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1.4. a Força normativa dos princípios
Com relação aos princípios, é importante salientar que hoje vivemos na era do pós-posi-
tivismo, com os ditames axiológicos do chamado neoconstitucionalismo, de forma que os 
princípios, sejam eles implícitos ou explícitos, deixaram de ser meros meios de integração 
das normas jurídicas, mas sim efetivas fontes do Direito.
Nessa nova ótica constitucionalista, os princípios são dotados de valor normativo tanto 
quanto às regras legais, embora carreados de maior abstração e generalidade, bem como, 
com frequência, de conceitos indeterminados.
Mas o que é importante observar é que não há princípio absoluto, sendo sempre neces-
sário e indispensável que se faça a devida ponderação de interesses constitucionalmente 
envolvidos para se definir qual é a norma do caso. Os princípios veiculam standards norma-
tivos, definidores de um padrão jurídico a ser seguido por todos os sistemas legais de um 
determinado Direito Objetivo.
Professor, existe hierarquia entre princípios e regras?
NÃO. Inexiste hierarquia, mas os princípios são sempre as bases axiológicas de um 
sistema jurídico. Dessa maneira, uma determinada regra pode até ser a determinante para 
um determinado caso, mas não poderá contrariar um princípio, a menos que outro princípio 
demande maior balanceamento para o valor que o conclama.
Por exemplo: pode haver extensão da chamada grande invalidez prevista no art. 45, caput, 
da Lei n. 8.213/91 para qualquer espécie de aposentadoria, a pretexto do princípio da 
isonomia?
Não, prevalecendo a regra prevista no citado artigo, que somente prevê o acréscimo de 25% 
para os casos específicos lá tratados. É que, como dito, não cabe falar em criação, majoração 
ou extensão de benefícios previdenciários ou assistenciais que não encontrem prévia previ-
são orçamentária, sob pena de se invalidar o princípio da prévia fonte de custeio previsto no 
art. 195, § 5º, da CF/88 (“nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, 
majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total”).Essa, aliás, foi a mesma interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal quando do 
julgamento do TEMA 1025, de sua repercussão geral, conforme segue:
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A tese fixada foi a seguinte:
JURISPRUDÊNCIA
Direito Previdenciário e Constitucional. Recurso extraordinário. Sistemática da repercussão 
geral. Preliminar de conhecimento. Questão constitucional. Debate originário. Superior 
Tribunal de Justiça. Ausência de Preclusão. Precedentes. Mérito. Auxílio-acompanhante. 
Adicional de 25%. (art. 45 da Lei n. 8.213/1991). Necessidade de assistência permanente 
de terceiro. Aposentadoria por invalidez. Extensão do benefício a outras modalidades de 
aposentadoria. Impossibilidade. Princípio da reserva legal. (art. 45 da Lei n. 8.213/91). 
Fonte de custeio. Distributividade. Modulação de efeitos. Valores percebidos de boa-fé. 
Recurso extraordinário provido.
1. Na dicção do art. 45 Lei n. 8.213/91, o benefício intitulado “auxílio-acompanhante” tem 
como destinatários os aposentados por invalidez, não sendo possível sua extensão para 
os demais segurados, beneficiários de outras modalidades de aposentadoria, em obser-
vância dos princípios da reserva legal, da distributividade e da regra de contrapartida.
2. Modulação dos efeitos da tese de repercussão geral, de forma a se preservarem os 
direitos dos segurados cujo reconhecimento judicial tenha se dado por decisão transi-
tada em julgado até a data do presente julgamento.
3. São irrepetíveis os valores alimentares recebidos de boa-fé por força de decisão judi-
cial ou administrativa até a proclamação do resultado do presente julgamento.
4. Fixada a seguinte tese de repercussão geral:
“No âmbito do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), somente lei pode criar ou 
ampliar benefícios e vantagens previdenciárias, não sendo possível, por ora, a exten-
são do auxílio da grande invalidez (art. 45 da Lei n. 8.213/91) a todas às espécies de 
aposentadoria”.
5. Recurso extraordinário a que se dá provimento.
(RE 1221446, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 21/06/2021, PRO-
CESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-155 DIVULG 03-08-2021 
PUBLIC 04-08-2021)
2. interpretação das normas de seguridade social
2.1. tipologia das normas de seguridade social
Já sabemos de onde surgem as normas, ou seja, já entendemos a classificação das fontes 
de normas em fontes materiais e fontes formais, agora é hora de entender melhor, e mais a 
fundo, a norma previdenciária e suas nuances. Isso porque o direito da seguridade social e 
em especial o direito previdenciário trata de compartimentar muito bem certas etapas ou de 
alocar certas regras jurídicas as quais incidem em pilares de sustentação, digamos, de toda 
a seguridade social.
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Nessa base de percepções, temos normas que cuidam da entrada do segurado no regime 
normativo de proteção social e, bem assim, de sua manutenção ou, ainda, extinção de seu 
vínculo jurídico com um determinado regime jurídico-previdenciário. De outro lado temos 
normas que somente cuidam da manutenção e da arrecadação dos sistemas de proteção 
social, especialmente no que troca ao seu custeio e financiamento.
Sobre isso, podemos nos fundamentar na doutrina de LAZZARI3, que muito bem sintetiza 
essa classificação com base em duas fontes doutrinárias, ambas bastante didáticas a meu 
ver e que, por isso mesmo, merecem nossa lembrança. Vejamos. A 1ª classificação é dada 
por FEIJÓ COIMBRA, citada por LAZZARI, que assim se subdivide:
Já a 2ª classificação é dada por FÁBIO LOPES VILELA BERBEL4, e acrescenta duas espé-
cies àquelas acima indicadas, senão vejamos:
a) normas de manutenção do valor real dos benefícios; e
b) normas de irredutibilidade dos benefícios.
2.2. as normas de seguridade social: direitos Fundamentais, máxima 
eFetividade e interpretação mais Favorável
Tratam-se, sempre, é bom lembrar, de normas de direito fundamental de 2ª dimensão, 
veiculadoras de direitos sociais. Sendo assim, é mais do que impositivo que o interprete da 
norma a leia com horizonte largo de sua efetividade, ou seja, lembrando-se do princípio da 
máxima efetividade dos direitos fundamentais.
Além disso, não se pode esquecer do princípio universal da proteção da dignidade da 
pessoa humana, que pode ser representado pelo axioma principiológico pro homine.
Nessa base de valores fundamentais, a leitura das normas acima, sejam elas de custeio, 
de filiação ou de regulação dos benefícios em si, necessariamente resultará na interpretação 
mais favorável à pessoa humana.
3 Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2667-2671). 
Forense. Edição do Kindle.
4 BERBEL, Fábio Lopes Vilela. Teoria Geral da Previdência Social. São Paulo: Quartier Latin, 2005, pp. 115-117.
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Claro, é bom registrar, que essa interpretação mais favorável VOLTA-SE PARA A NORMA 
e não para os fatos. Quero dizer com isso que a dúvida fática sobre a existência ou não de 
uma condição jurídica que permita a concessão de um benefício não poderá resultar na pro-
cedência de um pedido unicamente por conta do princípio pro homine.
Pois não me refiro a dúvida dos fatos e, sim, a dúvida na interpretação da lei, ou melhor, a 
ambivalência hermenêutica da leitura da norma de seguridade social. Se houver mais de uma 
interpretação possível, dentro dos métodos e modo de interpretação que vamos aprender, a 
escolha do interprete devera recair naquela que seja mais favorável abstratamente à pessoa.
EXEMPLO
Se em uma determinada ação previdenciária na qual se pretende pensão por morte, a compa-
nheira do instituidor do benefício não traz provas suficientes de sua relação de união estável, 
deixando, com isso, margem de dúvida razoável para o Juízo decidir ao seu favor, a solução será 
a improcedência da ação. Porque a duvida que favorece a pessoa, pelo principio pro homine, 
não é a duvida dos fatos, mas sim a duvida, a ambivalência hermenêutica, em relação a norma 
em abstrato.
Esse dever interpretativo escorado no princípio pro homine também se escora em norma 
de caráter geral prevista no art. 5º, da Lei de Introdução Às Normas do Direito Brasileiro (a 
antiga Lei de Introdução ao Código Civil), cuja natureza, como se sabe, é de lex legum, ou seja, 
lei das leis.
Com espeque no art. 5º, da LINDB, pois, a interpretação da norma necessariamente se 
coadunará com os fins sociais a que ela se destina. No caso, os fins sociais a que se des-
tinam todas aquelas espécies de normas de seguridade social acima listadas serão os fins 
protetivos do direito fundamental à seguridade social.
2.3. a hermenêutica clássica e constitucional das normas de 
seguridade social
Para estudarmosa interpretação das normas jurídicas do Direito da Seguridade Social é 
preciso que seja lembrado que suas fontes formais mais proeminentes provêm diretamente da 
Constituição Federal de 1988 e, bem assim, das Emendas Constitucionais que já estudamos 
no Capítulo I de nosso curso.
Quais são as Emendas Constitucionais que promoveram as reformas da previdência até hoje?
São as seguintes:
• Emenda Constitucional n. 3/93
• Emenda Constitucional n. 20/98;
• Emenda Constitucional n. 41/03;
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• Emenda Constitucional n. 45/07;
• Emenda Constitucional n. 70/12;
• Emenda Constitucional n. 88/15;
• Emenda Constitucional n. 103/19.
 
A Emenda Constitucional n. 103/19 será objeto especial de nosso estudo em capítulo próprio. 
Foi promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal5 no dia 12/11/2019 
(publicação no Diário Oficial da União no dia 13 de novembro de 2019). Foi “apresentada pelo 
governo em fevereiro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 tramitou por seis me-
ses na Câmara e quase três no Senado. O objetivo da medida, segundo o Executivo, é reduzir o 
déficit nas contas da Previdência Social. A estimativa de economia é de cerca de R$ 800 bilhões 
em 10 anos”6.
É muito importante perceber, portanto, que no estudo do Direito da Seguridade Social há 
esse peso das normas constitucionais, não sendo, por óbvio, suficiente o aprendizado dessa 
vasta disciplina jurídica tão somente por meio das leis (lei aqui empregada em sentido estrito).
Logo, ao abordarmos o tópico da interpretação das normas jurídicas presentes no Direito 
da Seguridade Social, precisamos ter em mente que há nessa temática um estudo comparti-
mentado em dois momentos: um relacionado à hermenêutica constitucional e outro relacio-
nado à hermenêutica clássica. Estudar a interpretação das normas jurídicas, pois, é estudar 
a hermenêutica jurídica.
2.3.1. Hermenêutica Jurídica: Abordagens Preliminares
Muito bem. Para ilustrar melhor o conhecimento do leitor, vale lembrar que a expressão 
hermenêutica tem sua etimologia derivada do grego “hermeneuein” (que significa declarar, 
anunciar e esclarecer). Interessante, ainda, observar – para melhor fixação do conceito – que, 
no contexto filosófico da mitologia grega, a etimologia da palavra “hermenêutica” também 
provém do deus Hermes, filho de Zeus e Maia, cuja divindade era, dentre outras, a de ser o 
intérprete e mensageiro dos deuses.
E mais tarde, ainda nos primórdios da filosofia grega, Aristóteles foi além da mitologia 
e sistematizou o conceito da hermenêutica, a ciência da interpretação. Na origem, pois, las-
treando-se na filosofia grega, temos que a hermenêutica é um ramo da filosofia que estuda 
a interpretação.
5 Relembrando a “lei seca”, vejamos o art. 60, § 3º, da CF/88:
“Art. 60. Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: (...) § 3º A emenda à Constituição será promulgada 
pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem”.
6 Extraído de: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/11/12/promulgada-emenda-constitucional-da-reforma-
-da-previdencia, em 05/12/2019, às 09:12.
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Já no campo do Direito pós-moderno a hermenêutica clássica se finca, contudo, para 
além das noções de bases puramente filosóficas, sendo delimitada por técnicas e métodos 
de interpretação da norma jurídica. Essa técnicas e métodos são essenciais para o máximo 
alcance do que se pode conceber como sendo o justo, porque a subsunção da norma jurídica 
ao fato não pode decorrer simplesmente de automatismo, de um processo mecânico, extraí-
do mediante processo superficial de pura leitura mecanizada dos dispositivos dispersos em 
nosso ordenamento jurídico.
Há mais a se fazer do que isso para se atingir a vontade da lei, ou melhor, para se alcançar 
o “espírito da lei” (acepção essa proveniente das palavras de Rudolph Von Ihering em sua obra 
referente à teoria do fim do direito, a qual trata do método teleológico, mais adiante abordado).
Sobre essa necessidade de aprofundamento interpretativo quanto ao fundo intelectivo do 
direito invocado, cabe lembrar, inclusive, que o antigo axioma jurídico relacionado à matéria 
de sucessões, do Direito Civil, “in claris cessat interpretatio” (“na clareza da lei, cessa a inter-
pretação”: axioma esse que remonta, no mínimo, ao período do Digesto, promulgado no ano de 
530 d.C) não deve, realmente, ser a pedra de toque do hermeneuta jurídico. É fundamental, 
pois, que a norma jurídica seja extraída de um conjunto técnicas e instrumentos que dão azo 
à razoável intepretação do correspondente dispositivo legal.
2.3.1.1. Sobre a Hermenêutica Jurídica clássica
Nesse passo é que entram os conceitos de ELEMENTOS e MÉTODOS interpretativos da 
hermenêutica jurídica.
Cabe registrar, porém, que sobre essas designações (“elementos” e “métodos”), não há, em 
verdade, um absoluto consenso na doutrina acerca de suas particularizações classificatórias. 
Isso porque, conforme a doutrina de ANDRÉ RAMOS TAVARES7,
inúmeros são os métodos, elementos e teorias apontados como aptos a serem utilizados pelo 
intérprete em sua atividade. Tais referências são sempre instrumentais, quer dizer, valem como 
meios de alcançar o conteúdo normativo apenas enunciado.
Nada obstante, de um modo geral, é possível apontar que os denominados ELEMENTOS 
ou CRITÉRIOS interpretativos clássicos são os seguintes:
• o elemento GRAMATICAL (que permite a interpretação literal);
• o elemento LÓGICO (que permite a interpretação lógica, decorrente de processos racio-
nais dedutivos ou indutivos);
• o elemento HISTÓRICO (que permite a interpretação histórica, com base nos aconte-
cimentos históricos relacionados aos precedentes sociais, econômicos e políticos da 
atividade parlamentar que originou a norma, bem como as discussões relacionadas ao 
próprio processo legislativo em si da norma);
7 RAMOS TAVARES, André. Curso de Direito Constitucional. 10ª Edição, Revista e Atualizada, Editora Saraiva – São Paulo, pg. 104.
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• o elemento SISTEMÁTICO (que permite a interpretação sistemática, ou seja, aquele que 
busca compatibilizar a norma a ser interpretada com o restante do ordenamento jurídico, 
almejando situar a norma, objeto central da interpretação, no todo e, assim, extrair sua 
melhor normatividade)
• o elemento TELEOLÓGICO (que permite a interpretação teleológica ou finalística).
• o elemento SOCIOLÓGICO (que permite a visualizaçãodo contexto social e cultural dos 
destinatários da norma, visando, assim, ao atendimento dos fins sociais da lei, tal como 
previsto no art. 5º, da LINDB. Vale chamar à atenção ao fato de que a interpretação da 
norma pelo elemento sociológico tem sido associada à equidade. Veja-se, assim, que 
o conceito de equidade é tão fluido que ele pode figurar, a depender do ramo do Direito 
e da lei que o rege, como fonte do Direito, elemento de integração da norma jurídica – 
juntamente com a analogia, os costumes e os princípios de Direito – ou, por fim, como 
critério valorativo de interpretação social da norma).
Quanto aos MÉTODOS clássicos, eles podem variar quanto à origem da base intelectiva 
do processo interpretativo e são os seguintes.
• quanto à origem:
a) método DOUTRINÁRIO, realizado pelos “doutos” (que permite a intepretação doutrinária);
b) método JURISPRUDENCIAL, realizado pelos juízes e tribunais (que permite a interpre-
tação jurisprudencial);
c) método AUTÊNTICO, realizado pelo legislador (que permite a edição de uma lei 
interpretativa).
• quanto aos resultados:
a) método DECLARATIVO (que delimita o exato alcance da norma);
b) método EXTENSIVO (que estende o alcance da norma, quando essa disse menos do 
que deveria);
c) método RESTRITIVO (que restringe o alcance da norma, quando essa disse mais do 
que deveria).
Visto isso, vamos abordar, agora, as lições referentes à hermenêutica constitucional.
2.3.1.2. Sobre a Hermenêutica constitucional
Afora os elementos e métodos clássicos acima vistos, cabe agora citar aquelas ferramentas 
que compõem a hermenêutica constitucional. Nesse sentido, para UADI LAMMÊGO BULOS8,
os métodos modernos de interpretação constitucional nada mais são do que uma releitura de ve-
lhos artifícios hermenêuticos, como nova roupagem, de modo a se adaptarem às exigências das 
constituições modernas.
8 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. 6ª ed. Rev. E atual. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 448.
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Como se vê, tais métodos não se diferenciam, na essência, daqueles clássicos, mas ape-
nas se adaptam e se disponibilizam sob nova roupagem conceitual, de acordo com as carac-
terísticas das Constituições atuais. Cabe registrar, todavia, que é inegável uma observação 
sobre isso: é que nessa roupagem há uma preocupação maior dos teóricos, como se verá, 
em abordar a construção interpretativa da norma com a constante consideração da realidade 
social em que ela se insere.
Assim, com base nessas percepções, certamente é viável admitir que haja uma hermenêu-
tica especifica para o campo das normas constitucionais. E, lembre-se: essa especificidade de 
metodologia hermenêutica decorre do fato de que no âmbito da norma constitucional não se 
pode olvidar, no decorrer do processo interpretativo, de certos axiomas que se que se conso-
lidam como inflexíveis sobreprincípios, tais como a supremacia e a unidade da Constituição.
Além disso, a “utilização de normas abstratas, de princípios, o tratamento dos direitos funda-
mentais e dos poderes e a regulamentação da esfera política”9 impõem essas particularidades 
ao interprete da norma máxima.
Em síntese, podemos arrolar os seguintes MÉTODOS específicos de INTERPRETAÇÃO 
DA NORMA CONSTITUCIONAL:
a) MÉTODO CIENTÍFICO-ESPIRITUAL: também conhecido como método integrativo, sen-
do oriundo da doutrina alemã de Rudolf Smend e visa à aproximação do hermeneuta com 
a realidade fática a ser tutelada pela norma, de modo a efetivamente atender o “espírito” da 
Constituição, daí advindo o seu nome “científico-espiritual”;
b) MÉTODO TÓPICO-PROBLEMÁTICO: doutrina de Theodor Viehweg que visa extrair a 
interpretação da norma constitucional a partir do próprio problema, de modo que o sentido 
da lei, para essa teoria, não é latente em seu próprio texto, mas sim do problema em si e, de 
modo que somente a partir disso, pelo caráter aberto das normas constitucionais, é que se 
encontra a melhor exegese;
c) MÉTODO NORMATIVO-ESTRUTURANTE: doutrina de Friedrich Muller que pontua a 
interpretação constitucional como sendo aquela que se extrai não apenas do texto da norma 
constitucional, mas também, e sobretudo, da realidade social, de modo que o “programa nor-
mativo” não se dissocia de sua perspectiva sociológica, sendo a única maneira de se alcançar 
o “enunciado normativo” constante daquele programa;
d) MÉTODO HERMENÊUTICO CONCRETIZADOR: doutrina que visa à concretização da 
norma constitucional com vistas aos aspectos sociais, mas sem olvidar uma necessária 
pré-compreensão do interprete sobre os conceitos e matrizes constitucionais vigentes, 
sendo esse o ponto de diferenciação com o método tópico-problemático, o qual dá supre-
macia interpretativa um movimento racional de análise que parte prioritariamente apenas 
do problema em si.
9 RAMOS TAVARES, André. Curso de Direito Constitucional, 10ª Edição, Revista e Atualizada, Editora Saraiva – São Paulo, pg. 104.
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Para fixarmos o conhecimento, vamos ver uma questão sobre hermenêutica constitucional?
Registro que é bem difícil de encontrarmos uma questão como essa em provas objetivas 
relacionadas ao Direito da Seguridade Social, mas considero importante fixarmos esse con-
teúdo porque em provas de segunda fase, a demonstração de conhecimento como esse pode 
alavancar, e muito, sua nota junto ao examinador. Pois em questões discursivas, sim, é bem 
possível que possa ser exigido, ainda que tangencialmente, esse conhecimento.
Vamos ver a questão!
001. (CESPE/2017/PC-MT/DELEGADO DE POLÍCIA) O método de interpretação da Cons-
tituição que, por considerá-la um sistema aberto de regras e princípios, propõe que se deva 
encontrar a solução mais razoável para determinado caso jurídico partindo-se da situação 
concreta para a norma, é denominado método
a) Hermenêutico clássico.
b) Científico-espiritual.
c) Tópico-problemático.
d) Normativo-estruturante.
e) Hermenêutico concretizador.
a) Errada. Uma vez que o enunciado da questão se refere ao método tópico-problemático. O 
método hermenêutico se baseia em doutrina que visa à concretização da norma constitucional 
com vistas aos aspectos sociais, mas sem olvidar uma necessária pré-compreensão do interprete 
sobre os conceitos e matrizes constitucionais vigentes, sendo esse o ponto de diferenciação 
com o método tópico-problemático, o qual dá supremacia interpretativa um movimento racional 
de análise que parte prioritariamente apenas do problema em si.
b) Errada. Uma vez que o enunciado da questão se refere ao método tópico-problemático. O 
método científico-espiritual visa à aproximação do hermeneuta com a realidade fática a ser 
tutelada pela norma, de modo a efetivamente atender o “espírito” da Constituição, daí advindo 
o seu nome “científico-espiritual”, mas não parte de uma situação fática para atingir a interpre-
tação cabível no caso.
c) Certa. Pois de fato se trata do método tópico-problemático. Tal método se extrai da doutrina 
de Theodor Viehweg que visa extrair a interpretação da norma constitucional a partir do próprio 
problema, de modo que o sentido da lei, para essa teoria, não é latente em seu próprio texto, mas 
simdo problema em si e, de modo que somente a partir disso, pelo caráter aberto das normas 
constitucionais, é que se encontra a melhor exegese.
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d) Errada. Uma vez que o enunciado da questão se refere ao método tópico-problemático. O 
método normativo-estruturante nasce da doutrina de Friedrich Muller que pontua a interpretação 
constitucional como sendo aquela que se extrai não apenas do texto da norma constitucional, 
mas também, e sobretudo, da realidade social, de modo que o “programa normativo” não se 
dissocia de sua perspectiva sociológica, sendo a única maneira de se alcançar o “enunciado 
normativo” constante daquele programa.
e) Errada. Uma vez que o enunciado da questão se refere ao método tópico-problemático. O 
método hermenêutico clássico não se baseia em analises que partem do caso concreto em si, 
mas sim da leitura da norma positivada.
Letra c.
3. aplicação das normas de seguridade social
3.1. sobre a subsunção da norma Jurídica
Para falar em aplicação das normas jurídicas, é preciso entender seu mecanismo lógico 
que se busca por uma ação intelectiva do interprete do texto da lei. Esse mecanismo lógico 
se chama subsunção jurídica, cuja operação parte da adequação de uma norma-tipo a um 
fato, a fim de se criar, no caso, uma norma-fato.
Trata-se, pois, de se obter nisso o que se denomina “silogismo jurídico”, por meio do qual 
se encaixa uma premissa menor (fato) em uma premissa maior (lei), extraindo-se disso uma 
conclusão que se traduz na norma jurídica aplicável ao caso.
A subsunção normativa é matéria, assim, que permite a aplicação da norma jurídica. A 
subsunção promove a validade jurídica da norma ao caso, ou não. Se for subsumida, aplicável 
e adequada, pois, haverá validade da norma jurídica invocada como premissa maior para o 
caso; do contrário, não, sendo a norma jurídica invocada inválida para ser aplicável ao fato.
A chave, contudo, para se verificar se há esse silogismo jurídico está na interpretação da 
premissa maior, ou seja, no esgotamento da hermenêutica possível para a norma jurídica em 
abstrato potencialmente aplicável ao fato. Pelos métodos interpretativos o hermeneuta dá 
validade ou não à norma conclamada.
Professor, hoje em dia podemos falar que permanece com a mesma força essa operação 
de silogismo jurídico para se achar a validade da norma jurídica ao caso concreto?
NÃO. O método subsuntivo encontrou seu nascedouro no positivismo jurídico, com o fortaleci-
mento do Estado de Direito, sobretudo, após a Revolução Francesa. Nesse contexto histórico é 
que se consolidou o positivismo jurídico, como produto do Estado Legislativo, eis que os Estados 
Absolutistas haviam sido deixados para trás.
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3.2. sobre o positivismo Jurídico
Na era dos Estados Absolutistas prevalecia a máxima “the King do not wrong”, de modo 
que não havia lei previamente definida, ressalvadas algumas exceções históricas, tais como a 
da Carta de João Sem Terra (The King John of England, que ficou conhecido por John Lackland, 
cuja tradução aproximada aponta para a expressão “João sem terra”, eis que não herdou ne-
nhuma terra de seu pai Henrique II por ser o mais jovem de oito filhos10), ocasião na qual ficou 
demarcada a cláusula do “due processo of law”, para garantir o direito de propriedade e barrar 
os excessos dos detentores do Poder.
Inaugurou-se, por meio da Magna Carta de João Sem Terra, em 1215, o sistema de ga-
rantias do cidadão contra o poder absolutista, iniciando-se, com isso, o que posteriormente 
convencionou-se chamar de Rule of Law, ou Estado de Direito (Le État de Droit). Pela beleza 
da cláusula 39 da Magna Carta de João Sem Terra, peço licença para sua transcrição, em 
tradução livre:
“Nenhum homem livre será detido ou preso, nem privado se seus bens, banido ou exilado ou, de 
algum modo, prejudicado, nem agiremos ou mandaremos agir contra ele, senão mediante um juízo 
legal de seus pares ou segundo a lei da terra”.
Até aí – e, na verdade, por muito tempo depois ainda – não havia Constituição ou lei escrita 
que pudesse imprimir força limitadora ou balanceadora nos poderes supremos e soberanos 
do Rei, que conjugava nele todos os atributos do Poder Estatal (“legislava”, executava e jul-
gava). Séculos mais tarde (século XIX), o positivismo jurídico consolidou-se no chamado 
Estado Legislativo, atribuindo-se, assim, um papel dominante, senão exclusivo, à legislação 
como fonte do direito. A Codificação Napoleônica passou a o expoente dessa nova era, de 
modo que a lei se torna a fonte principal do direito, exigindo-se, nessa toada, o exercício de 
subsunção normativa do aplicador da lei.
Importante dizer, nesse contexto, que lei e justiça são termos sinônimos para os positi-
vistas, sendo que o direito, nessa corrente jusfilosófica é monista, ou seja, apresenta apenas 
uma fonte normativa (lei escrita). O “direito natural” para o positivismo seria apenas história, 
ou, no máximo, parte secundária da filosofia do direito. Em síntese, para o positivismo, impé-
rio da lei, vige a dualidade “justiça X injustiça” em pé de igualdade valorativa com a dualidade 
“cumprimento da lei X descumprimento da lei”.
10 Cfr. Fábio Konder Comparado. A afirmação histórica dos direitos humanos, 2.ª ed., São Paulo: Saraiva, 2001, p. 67 et seq.; 
e Thiago Rodovalho. Do Direito Constitucional à Ampla e Efetiva Defesa na Assistência Judiciária Gratuita na Esfera Cri-
minal, in Revista Direitos Fundamentais & Democracia – Unibrasil, v.4, 2008, p. 1/22. Extraído de: https://www.conjur.com.
br/2015-jun-15/thiago-rodovalho-magna-carta-continua-inspirar-liberdades#_ftn12, em 05/12/2019, ás 16:15.
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Por isso que o papel do juiz, ao exercer meramente a subsunção da norma jurídica no 
contexto jusfilosófico do positivismo, é meramente funcional, sendo, nas palavras de Mon-
tesquieau11, em sua obra o Espírito das Leis, apenas a “boca da lei” (“la bouche de la loi”). 
Modernamente, falar sobre subsunção é falar, por fim, sobre a Teoria Pura do Direito, de Hans 
Kelsen, que nas primeiras linhas de sua obra afirmou que a “Teoria Pura do Direito é uma teoria 
do Direito Positivo”.
Professor, mas porque todo esse retrospecto sobre passagens históricas do positivismo?
Porque é importante você ter em mente que vivemos no pós-positivismo, cujo movimen-
to neoconstitucionalista é o seu maior expoente, mediante o abandono da mera subsunção 
da norma positivada por outras teorias que retomam a argumentação jurídica. O silogismo 
jurídico ainda opera para se extrai a aplicação da norma, mas é importante que o interprete 
da lei esteja atento a outros influxos valorativos no momento da conjunção entre a premissa 
maior (lei) e premissa menor (fato).Essas percepções estão em voga hoje no campo da seguridade social, especialmente no 
âmbito do subsistema do Dir. Previdenciário, por conta de drásticas mudanças efetuadas pela 
Emenda Constitucional 103/19. Teses de inconstitucionalidade em face de normas criadas 
pela última reforma da previdência têm sido cada vez mais invocadas nos processos judiciais 
previdenciários e, em certa medida, elas têm sido aceitas juízes.
Por exemplo, já existem julgados declarando inconstitucional a regra de cálculo da apo-
sentadoria por incapacidade permanente, estatuída com base no art. 26, caput e seu § 2º, 
da Emenda 103. A Turma Regional de Uniformização da 4ª Região fixou entendimento no 
seguinte sentido:
JURISPRUDÊNCIA
PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE. DISCRIMINA-
ÇÃO ENTRE OS COEFICIENTES DA ACIDENTÁRIA E DA NÃO ACIDENTÁRIA. CÁLCULO 
DA RENDA MENSAL INICIAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 26, § 2º, III, DA EC N.º 
103/2019. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ISONOMIA, DA RAZOA-
BILIDADE E DA IRREDUTIBILIDADE DO VALOR DOS BENEFÍCIOS E DA PROIBIÇÃO DA 
PROTEÇÃO DEFICIENTE.
[…] 2. O art. 194, parágrafo único, IV, da CF/88, garante a irredutibilidade do valor dos 
benefícios. Como a EC 103/19 não tratou do auxílio-doença (agora auxílio por incapaci-
dade temporária) criou uma situação paradoxal. De fato, continua sendo aplicável o art. 
11 “Mas os juízes da nação são apenas, como dissemos, a boca que pronuncia as palavras da lei; seres inanimados que não 
podem nem moderar a força nem o rigor dessas palavras.” (Do Espírito das Leis, Montesquieu, Martin Claret, São Paulo, 
2011, p. 175). Extraído de https://jornalggn.com.br/justica/la-bouche-de-la-loi-no-caso-do-triplex/, em 05/12/2019, às 16:38.
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61 da LBPS, cuja renda mensal inicial corresponde a 91% do salário de benefício. Desta 
forma, se um segurado estiver recebendo auxílio doença que for convertido em aposen-
tadoria por incapacidade permanente, terá uma redução substancial, não fazendo sen-
tido, do ponto de vista da proteção social, que um benefício por incapacidade temporária 
tenha um valor superior a um benefício por incapacidade permanente. 3. Ademais, não 
há motivo objetivo plausível para haver discriminação entre os coeficientes aplicáveis 
à aposentadoria por incapacidade permanente acidentária e não acidentária. […]
(5003241-81.2021.4.04.7122, TURMA REGIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DA 4ª REGIÃO, 
Relator DANIEL MACHADO DA ROCHA, juntado aos autos em 12/03/2022)
3.3. a aplicação da “lei” no tempo
Aqui falamos dos efeitos que se pode cogitar da edição de uma nova lei em relação ao 
quadro normativo anterior. Assim, falamos em direito intertemporal. A vigência de uma lei se 
inicia com a publicação da respectiva norma no diário oficial. A partir disso, considerado ainda 
o período de vacatio legis da lei, fala-se posteriormente em efetiva vigência e vigor. Veja-se 
que um dos efeitos do direito intertemporal é que, conquanto uma lei possa ser revogada, 
nada impede que ela continue a ter vigor para certas e determinadas relações jurídicas aptas 
ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada.
Podemos ter o fenômeno da ultratividade, portanto, para algumas leis que já foram revo-
gadas, mas que continuam a surtir efeitos em casos específicos escorados na garantia funda-
mental prevista no art. 5º, inciso XXXVI, da CF/88. Há, ainda, leis que são temporárias, vigendo 
apenas dentro de determinado período previamente indicado em seu texto legal. Em regra, a 
lei previdenciária possui vigência imediata, mas no campo do Direito da Seguridade Social, 
há certas peculiaridades que devem ser observadas quando falamos de direito intertemporal.
3.3.1. As normas-custeio e Anterioridade nonagesimal
A primeira delas se refere às normas de seguridade social relacionadas ao custeio do sis-
tema de proteção social estatal, eis que, tratando-se de tema ligado à seara tributária, devem 
ser observados os princípios próprios dessa área. Com efeito, não é de se olvidar o princípio 
da anterioridade nonagesimal, que se reveste em verdadeira garantia constitucional, embora 
não explicita no art. 5º, da Constituição Federal de 1988.
Por essa garantia, em havendo criação de contribuição social, ou modificação que majore 
alguma contribuição social já existente, somente poderá haver sua incidência aos correspon-
dentes fatos geradores após 90 dias da publicação do veículo normativo que a introduziu em 
nosso ordenamento.
Isso ocorreu, por exemplo, na promulgação da Emenda Constitucional n. 103, de 12 de 
novembro de 2019, relativamente ao aumento de alíquotas da contribuição previdenciária, 
tanto no âmbito do RGPS, quanto no âmbito do regime próprio da União.
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Após a promulgação da EC 103/19, todas as novéis regras atinentes aos benefícios, seus 
cálculos e demais matérias relativas à filiação, tempo de aposentadoria, entrarão imediatamente 
em vigor, notadamente porque, como já dito, basta a promulgação da Emenda Constitucional, 
sendo desnecessária a sanção presidencial para a entrada da nova norma no mundo jurídico.
A exceção fica com as alterações relacionadas ao aumento das alíquotas de contribuição 
previdenciária imposta aos segurados do RGPS e, também, dos regimes próprios da União, 
regras essas as quais somente entraram em vigor efetivamente no dia 01/03/2020, conside-
rando os noventa dias exigidos pelo art. 195, § 6º, da Constituição Federal de 1988. Vejamos 
o dispositivo constitucional para a fixação da matéria:
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos 
termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(...)
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes 
aplicando o disposto no art. 150, III, “b”.
Perceba, contudo, que não se aplica a chamada anterioridade clássica às contribuições 
sociais para a seguridade social, de modo que não se veda que uma contribuição ao ser criada 
ou majorada, seja cobrada no mesmo exercício fiscal. Assim, pode ser cobrada no mesmo 
ano em que foi instituída ou aumentada, desde que seja respeitado o prazo de 90 dias da 
chamada anterioridade nonagesimal.
Logo, grave essa primeira peculiaridade relacionada à aplicação da lei no tempo quando 
se trata de norma de custeio da seguridade social. Em verdade, quando se tratar de qualquer 
norma de cunho tributário, obviamente, deverá ser observada a garantia fundamental da an-
terioridade nonagesimal.
3.3.2. Sobre a vacatio Legis
Professor, como seria se as novas regras previdenciárias viessem em forma de lei, e não 
de emenda constitucional? Qual o seu prazo de vacatio legis?
Bom, nesse caso basta observar o comando de vacatio legis dado pela própria lei ou, em 
caso de silencio quanto a isso, o prazo dado pelo art. 1º, da Lei de Introduçãoàs Normas do 
Direito Brasileiro (Decreto-Lei n. 4.657/42), ou seja, o prazo de 45 dias depois de oficialmente 
publicada.
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Professor, já que a própria lei pode impor um determinado prazo, ou até mesmo determinar 
a vigência imediata na data de sua publicação, poderia haver uma mescla disso, ou seja, 
dar prazos de vacatio legis diferenciados para certos artigos da própria lei?
SIM, e isso não fere o princípio da isonomia, em regra, salvo se houver comprovação ma-
nifesta disso, ou seja, se não houve um discrimen razoável para desigualar prazos em função 
de desiguais. Um exemplo recente disso é o da Lei n. 13.135, de 17 de junho de 2015, que 
promoveu reformas legais e pontuais em alguns benefícios do RGPS, em especial no auxi-
lio-doença (auxílio por incapacidade temporária), aposentadoria por invalidez (aposentadoria 
por incapacidade permanente) e, sobretudo, na pensão por morte.
3.3.3. o Princípio da irretroatividade da Lei de Seguridade Social
Pois bem, trata-se do princípio da irretroatividade, sendo aplicável ainda que haja, como 
no Direito Penal, norma mais benéfica para o segurado ou beneficiário da seguridade social. 
Ou seja, não importa se a nova lei vai beneficiar o segurado, ela jamais retroagirá. Em verdade, 
na prática isso seria bem difícil, pois como já estudamos e já percebemos, a tendência nor-
mativa global é de retirar cada vez mais benefícios de seguridade social do encargo estatal, 
passando boa parte dessa responsabilidade social para a própria sociedade e, bem assim, 
para instituições privada.
Um exemplo da irretroatividade da lei previdenciária está no julgamento do TEMA 964, do 
STJ, senão vejamos:
O Superior Tribunal de Justiça, na ocasião desse julgamento, definiu, portanto, que o nível 
de ruído de 85 dB não poderia retroagir para o período em que a norma assinalava um limite 
de 90 dB. Argumentava-se que, se a norma previdenciária baixou o limite de 90 dB para 85 
dB, assim o fez por conta da proteção da saúde do trabalhador e, dessa maneira, deveria ter 
aplicação retroativa essa diminuição dos níveis de ruído exigidos para fins de caracterização 
de atividade especial.
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Como se vê, o STJ deixou muito claro que não é possível a aplicação retroativa do Decre-
to 4.882/2003, que reduziu o patamar para 85 dB, sob pena de ofensa ao art. 6º, da Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro, a LINDB, que assim diz:
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito ad-
quirido e a coisa julgada.
Sendo assim, na ótica do STJ, deve prevalecer o ato jurídico perfeito, o qual foi praticado 
ainda na vigência da norma anterior, respeitando-se, com isso, o Princípio tempus regit actum.
3.3.4. o Princípio tempus regit Actum
Igualmente, por óbvio, a lei nova também não retroagirá para prejudicar qualquer situação 
jurídica já consolidada, notadamente porque se deve ter em mente o princípio do tempus regit 
actum em matéria relacionada aos benefícios da seguridade social.
EXEMPLO
Assim, suponhamos, por exemplo, que uma senhora pretenda requerer benefício de pensão por 
morte junto ao INSS. O pedido se deve ao óbito de seu esposo, cujo falecimento ocorreu em 16 
de junho de 2015, enquanto que o requerimento junto ao INSS ocorreu em 18 de junho de 2015. 
A referida senhora, ao promover o pedido, juntou sua certidão de casamento, demonstrando 
que o enlace matrimonial já havia sido realizado há dez anos. Todavia, sua idade ainda não era 
muito avançada, contando apenas com 38 anos.
 O INSS, ao apreciar o pedido, decidiu pela concessão do benefício pleiteado, mas limitou seu 
gozo a 15 anos, já que a requerente possuía ao tempo do óbito mais de 30 e menos de 40 anos 
de idade, fazendo incidir o disposto no art. 77, § 2º, inciso V, alínea “c”, item 4, da Lei n. 8.213/91, 
com a redação dada pela Lei n. 13.135/15.
Pergunta a você: o INSS agiu corretamente?
NÃO, eis que a data do óbito é o marco temporal para se verificar qual a legislação aplicá-
vel em termos de concessão de benefício previdenciário. Ora, se o óbito ocorreu no dia 16 de 
junho de 2015, um dia, portanto, antes da vigência da Lei n. 13.135/2015, não há que se falar 
em restrição temporal do benefício de pensão por morte à requerente, nada importando, no 
caso, se o requerimento se deu já na vigência da lei nova.
Cabe frisar que a Lei n. 13.135/15 foi fruto da conversão da Medida Provisória n. 664, de 
31 de dezembro de 2014, mas a vigência dessa medida provisória, mesmo com a prorrogação 
prevista no art. 62, § 3º, da CF/88, somente se deu a partir do dia 01/06/2015. Consequen-
temente, de 02/06/2015 a 16/06/2015, não havia em nosso ordenamento jurídico qualquer 
norma vigente da MP 664/14 e, tampouco, existia inovação legal dada pela Lei n. 13.135/15.
Diante desse vácuo detectado na conversão da medida provisória em lei, claro está que 
as regras da pensão por morte anteriormente previstas na Lei n. 8.213/91 é que deveriam ser 
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aplicadas ao caso da requerente citada em nosso exemplo. Nesse passo, não havia nenhuma 
limitação ao prazo de fruição do benefício de pensão por morte, independentemente da idade 
em que o cônjuge contava no momento do óbito do instituidor da pensão, sendo essa vitalícia.
Professor, há alguma exceção à regra da irretroatividade da lei em matéria de Direito da 
Seguridade Social?
3.3.5. exceções à irretroatividade
SIM, quando falarmos em normas de custeio, pode haver retroatividade da lei, já que se 
trata, na essência de lei de natureza tributária neste tocante. Com isso, deve-se observar o 
disposto no art. 106, do Código Tributário Nacional, que assim replico para você aqui:
Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade 
à infração dos dispositivos interpretados;
II – tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que 
não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Bom, antes de explicar o dispositivo acima, é importante você lembrar que a irretroativi-
dade é regra também na seara tributária e, com efeito, na seara das normas de custeio de 
Seguridade Social. A doutrina de HUGO DE BRITO MACHADO12 salienta o seguinte a respeito 
do princípio da irretroatividade da lei tributária:
Como expressão do princípio da segurança jurídica a irretroatividade é preceito universal.
Faz parte da própria idéia do Direito.Ocorre que o legislador poderia, por razões políticas, elaboras 
leis com cláusulas expressas determinando sua aplicação retroativa.
Então, para tornar induvidosa a desvalia de tais retroativas e para dar segurança jurídica, erigiu-se 
este princípio em norma da Lei Maior, segundo a qual é vedada a cobrança de tributos ‘em relação 
a fatos geradores ocorridos antes do início da lei que os houver instituído ou aumentado.
Na Constituição Federal de 1988, o art. 150, inciso III, expressa claramente que é vedado à 
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrarem tributos “em relação a fatos 
geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado”.
Muito bem, no que toca à retroatividade da lei interpretativa, essa somente ocorrerá se 
houver benefício fiscal no entendimento de norma tributária já existente. A lei interpretati-
va não veicula conteúdo novo no ordenamento jurídico, mas sim explica e clarifica preceito 
12 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed. São Paulo: Ed. Malheiros, 2006.
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normativo já existente. Daí que, por preservação do princípio da não surpresa em matéria 
fiscal, bem como da própria anterioridade da norma tributária, somente pode incidir nos fatos 
geradores anteriores se não for realmente impositiva de sanção fiscal. Vejamos o que diz a 
clássica doutrina de VICENTE RAO13 a respeito do tema das leis interpretativas:
Fala-se freqüentemente em leis interpretativas, como leis que retroagem.
A lei interpretativa, entretanto, não contém disposição nova, não cria nem reconhece relações an-
tes inexistentes, apenas declara o sentido fiel da lei anterior e, por isso, o tempo do início de seus 
efeitos se confunde com o da lei interpretada, ou esclarecida, com a qual passa a confundir-se.
Não criando direito novo não pode provocar conflito com outra lei anterior, pois o conflito das leis 
no tempo é, em última análise, um conflito de competência, um conflito material, entre leis diversas.
A norma de custeio da Seguridade Social que eventualmente veicular sentido interpreta-
tivo a alguma outra norma tributária anterior terá retroatividade, ressalvada a imposição de 
penalidade em razão da nova interpretação dada. Ou seja, não se pode retroagir para aplicar 
penalidade, ainda que se trate de norma de cunho meramente interpretativo. Obviamente 
se trata de regra protetiva, ou seja, se for para beneficiar, retroagirá. Observe, contudo, que 
há de ser observado o conceito de “ato não definitivamente julgado” para, então, autorizar a 
retroatividade da lei previdenciária de custeio (lei tributária) a algum fato gerador anterior à 
vigência da lei nova beneficiadora.
O “ato não definitivamente julgado” é aquele no qual pende impugnação administrativa 
dentro do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto n. 70.235/72, o qual dis-
põe “sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências”. Além disso, não pode 
haver também pendencia de apreciação da matéria na via judicial, sendo que a expressão 
“não definitivamente julgado” é ampla e inclui, igualmente, a instancia judicial.
3.3.6. intepretação normativa Desfavorável e norma de transição
Professor, e quando houver interpretação desfavorável que gere novo dever para a parte, 
o que ocorre? Essa interpretação se aplica de imediato?
NÃO. E a resposta para essa indagação pode ser encontrada diretamente no art. 23, da 
LINDB, senão vejamos:
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orien-
tação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condiciona-
mento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever 
ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem 
prejuízo aos interesses gerais.
13 RAO, Vicente. In O Direito e a Vida dos Direitos, 3º edição, vol. 1, pág.337.
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Logo, se a lei interpretativa for desfavorável, isto é, impor novas obrigações ou dar novo 
condicionamento para a invocação do direito em questão, seja na seara administrativa, contro-
ladora ou judicial, deverá haver a fixação pela autoridade julgadora de um regime normativo 
de transição, a fim de que não haja violação ao princípio da boa-fé objetiva, da não surpresa 
e, bem assim, do próprio postulado do devido processo legal, seja ele em sua acepção formal 
ou substancial.
3.3.7. considerações Acerca do Art. 5º, XXXvi, da cF/88 na Seguridade Social
É de se concluir, ao perceber todas essas nuances, princípios e casos práticos de aplicação 
da lei no tempo, que a pedra angular de todo esse sistema de consideração intertemporal da 
norma jurídica se fixa no art. 5º, inciso XXXVI, da CF/88:
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
No caso da seguridade social, temos exemplos de consideração pratica dessas garantias, 
conforme os tópicos que seguem.
3.3.7.1. o Direito Adquirido
Se houver, por exemplo, a concessão de aposentadoria por idade no regime da lei previden-
ciária antes das reformas advindas com a Emenda Constitucional n. 103/19, as novas normas 
constitucionais que impõem idade mínima para a aposentadoria por idade do trabalhador 
urbano (para os homens, a idade mínima continua sendo de 65 anos, mas para as mulheres a 
idade mínima aumentou para 62 anos), não terão incidência, uma vez que o manto do direito 
adquirido protege a concessão anterior.
Assim, não haveria como a lei retroagir para quebrar o direito que já se encontra incorpo-
rado ao patrimônio da segurada, eis que nada norma anterior ela já havia cumprido todos os 
requisitos para a aposentadoria por idade, ou seja, 60 anos e 180 meses de carência.
Não é relevante, para isso, se a segurada citada no exemplo tenha ou não exercido seu 
direito à concessão de aposentadoria por idade nos moldes da norma anterior. Ou seja, para 
ela garantir a incorporação do direito a tal benefício ao seu patrimônio jurídico, não será 
necessário que a concessão tenha se dado antes da Emenda Constitucional n. 103/19. Ela 
pode requerer junto ao INSS após a Emenda, mantendo a garantia do direito adquirido, isto é, 
de que a autarquia deverá apreciar seu direito à aposentadoria de acordo com os requisitos 
anteriores à reforma da previdência.
Assim, é totalmente desnecessário que o respectivo requerimento administrativo junto ao 
INSS tenha sido feito antes daquela emenda constitucional. Pois o que vai ser determinante 
para se falar em direito adquirido à aposentadoria nos moldes da norma anterior é a verifi-
cação, no caso, de que todos os elementos constitutivos do direito esperado já tenham sido 
cumpridos e satisfeitos pelo seu sujeito ativo.
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Sobre o tema do direito adquirido, vale a lembrança da lição da valiosa e clássica doutrina 
de JOSÉ AFONSO DA SILVA14, senão vejamos, para sua melhor fixação do tema:
(...) para compreendermos melhor o que seja direito adquirido, cumpre relembrar o que se disse 
acima sobre o direito subjetivo: é um direito exercitável segunda a vontade do titular e exigível na 
via jurisdicional quando seu exercício é obstado pelo sujeito obrigado à prestação correspondente.
Se tal direito é exercido, foi devidamente prestado, tornou-se situação jurídica consumada (direito 
consumado, direito satisfeito, extinguiu-se a relação jurídica que o fundamentava (...)
Se o direito subjetivo não foi exercido, vindo a lei nova, transforma-se em direito adquirido, porque 
era direito exercitável e exigível à vontade de seu titular. Incorporou-se no seu patrimônio, para ser 
exercido quando lhe conviesse.
A lei nova não pode prejudicá-lo, só pelo fato do titular não o ter exercido antes.
Direito adquirido, é, pois, o direito já incorporado no patrimônio do titular no momento da entrada 
em vigor de lei nova, que não pode prejudicá-lo, porque ele recebe proteção direta e plena do art. 
5º XXXVI, da Constituição Federal, quando estatui: a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato 
jurídico perfeito e a coisa julgada.
Na jurisprudência, as orientações observadas nos Tribunais Superiores é, de muito, a 
mesma que noticiamos acima pela doutrina e por nossas percepções acerca dos reflexos 
inafastáveis da garantia constitucional da proteção ao direito adquirido.
Cabe registrar que a supracitada posição – no sentido de que os requisitos necessários, ou melhor, 
a reunião dos requisitos necessários já seria suficiente para delinear o direito adquirido, dispensando-
-se, com isso, o requerimento administrativo para que haja tal proteção constitucional – nem sempre 
esteve encampada pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte Suprema, ainda na égide da Constituição 
de 1967, há muitos anos (desde 1963), por exemplo, já havia editado a Súmula 359, que sinalizava 
no sentido de que era necessário o requerimento administrativo. A referida súmula assim dizia:
JURISPRUDÊNCIA
“Ressalvada a revisão prevista em lei, os proventos da inatividade regulam-se pela lei 
vigente ao tempo em que o militar, ou servidor civil, reuniu os requisitos necessários, 
inclusive a apresentação do requerimento, quando a inatividade for voluntária.”
Posteriormente, entretanto, o entendimento foi superado e em 1973, por meio do julgamen-
to RE 72509 ED-EDv15, entendeu-se que o direito adquirido já se estabelecia antes mesmo do 
requerimento administrativo. Isso implicou a alteração da Sumula 359 para a seguinte redação:
JURISPRUDÊNCIA
Ressalvada a revisão prevista em lei, os proventos da inatividade regulam-se pela lei vigente 
ao tempo em que o militar, ou o servidor civil, reuniu os requisitos necessários. (Alterada)
14 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 6.ed. 2ª. tiragem. São Paulo: RT, 1990, pg 374. Extraído de:
 http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/44023/aplicabilidade-pratica-do-direito-adquirido-em-materia-de-be-
neficios-previdenciarios, em 07/12/19, às 18:38.
15 Consulta no site do STF:
 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=38443
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A ementa do julgado, interessante replicá-la para você, foi muito clara afirmando que:
“(...)
Direito adquirido.
Se, na vigência da lei anterior, o funcionário preenchera todos os requisitos exigidos, o fato de, na 
sua vigência, não haver requerido a aposentadoria não o faz perder o seu direito, que já havia 
adquirido.
Embargos recebidos.
Alteração da Súmula 359, para se suprimirem as palavras “inclusive a apresentação do requerimento, 
quando a inatividade for voluntária”.
Há, além disso, algumas questões relacionadas à extensão do direito adquirido em matéria 
previdenciária, as quais são importantes ao nosso registro e estudo. Vejamos.
Se o instituidor da pensão já estivesse aposentado segundo as regras constitucionais 
anteriores a EC 41/03, logo com paridade e integralidade, mas o seu falecimento tenha 
ocorrido somente após a referida emenda constitucional, há direito adquirido na pensão 
por morte que garanta também a paridade e a integralidade?
Muito bem, o Supremo Tribunal Federal enfrentou esse questionamento no julgamento do 
TEMA 396, cuja ementa do julgado que reconheceu a repercussão geral assim dizia:
JURISPRUDÊNCIA
Ementa: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PENSÃO POR 
MORTE. DIREITO A PARIDADE E INTEGRALIDADE. APOSENTADORIA ANTERIOR AO 
ADVENTO DA EC 41/2003 E FALECIMENTO APÓS A SUA PROMULGAÇÃO. EXISTÊNCIA 
DE REPERCUSSÃO GERAL.
(RE 603580 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 05/05/2011, DJe-
122 DIVULG 27-06-2011 PUBLIC 28-06-2011 EMENT VOL-02552-02 PP-00162 RT v. 100, 
n. 911, 2011, p. 466-471)
O desfecho do julgamento de nossa Corte Suprema foi no sentido de dar efetividade ao 
direito adquirido apenas se o caso se enquadrar na exceção prevista no art. 7º, da EC 41/03, 
por expressa chancela do art. 3º, da EC 47/05.
Vejamos a tese fixada:
Os pensionistas de servidor falecido posteriormente à EC n. 41/2003 têm direito à paridade com 
servidores em atividade (EC n. 41/2003, art. 7º), caso se enquadrem na regra de transição prevista 
no art. 3º da EC n. 47/2005. Não tem, contudo, direito à integralidade (CF, art. 40, § 7º, inciso I).
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Consultando o inteiro teor do julgado referente a tal tese, pode-se perceber que o Supremo 
Tribunal Federal não destoou da manutenção da tese de que a pensão por morte deve ser 
concedida com base na lei vigente ao tempo do óbito, pelo princípio do tempus regit actum. 
Esse princípio, por si só, se analisado isoladamente no caso paradigmático da tese fixada, 
implicaria a não extensão da paridade à pensionista, eis que, embora o instituidor da pensão 
tenha se aposentado antes da EC 41/03, seu óbito havia se dado já quando não havia, em 
regra, direito àquela vantagem.
Mas, nada obstante a regra do tempus regit actum, o fato é que o Constituinte Derivado 
permitiu certa ultratividade da norma constitucional anterior, flexibilizando a norma de transição 
que havia sido estabelecida para abarcar também as pensões derivadas das aposentadorias 
concedidas na forma do art. 7º, da EC 43/01.
O art. 3º, da EC 47/05 expandiu a possibilidade de se reconhecer a integralidade e paridade 
a alguns servidores públicos que, embora não tivessem ainda completado os requisitos para 
a aposentação no serviço público na data da promulgação da EC 41/03, cumprissem alguns 
requisitos específicos.
Cabe frisar nessa lembrança que a extensão da integralidade com base no art. 30, caput, da EC 
47/05, somente alcança as aposentadorias, deixando de fora as pensões decorrentes dessas 
aposentações. É que o caput, do art. 3º, da EC 47/05, veja bem, somente menciona a palavra 
“aposentadoria”, sendo que a palavra pensão somenteé mencionada em seu parágrafo único, 
cujo teor se refere tão somente à paridade.
Vamos relembrar os requisitos para essa expansão (essa “colher de chá”, digamos, que o Cons-
tituinte Derivado concedeu aos servidores que não conseguiram se aposentar com paridade e 
integralidade até a edição da EC 41/03, a qual, como se sabe, acabou com aqueles benefícios 
no serviço público).
Os requisitos são os seguintes:
• que o servidor tenha ingressado no serviço público até 16/12/1998;
• que o servidor possua 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos de contribuição, 
se mulher;
• que o servidor possua 25 anos de efetivo exercício no serviço público, 15 anos de carreira 
e 5 anos no cargo em que se der a aposentadoria;
• que o servidor tenha 60 anos de idade, se homem, ou 55 anos de idade, se mulher, podendo 
essa mínimo ser reduzido em 1 ano para cada ano que exceder o tempo de contribuição 
exigível no item “I”.
 
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Professor, já entendi que a lei a ser aplicada à pensão por morte é a vigente na data do 
óbito. Mas isso vale mesmo para eventual caso em que a lei nova for mais benéfica para 
o segurado? Vamos supor que o óbito tenha ocorrido na lei “x”, a qual previa um salário 
de benefício menor, enquanto que o requerimento administrativo correspondente junto ao 
INSS somente ocorreu na vigência da lei “y”, a qual aumentou o coeficiente incidente no 
salário de benefício, logo aumentando a renda mensal inicial da pensão por morte. Qual 
lei se aplica? A lei nova, mais benéfica?
NÃO. Não há se falar em Direito Previdenciário de ultratividade da lei mais benéfica, di-
ferentemente do que ocorre no Direito Penal. Não importa se a lei nova é mais benéfica ou 
prejudicial ao segurado, ela não se aplicará aos fatos que não foram verificados na sua vigên-
cia. Se um benefício de pensão por morte foi concedido na vigência da lei anterior que previa 
um coeficiente menor do salário de benefício, as prestações previdenciárias não poderão ser 
revistas unicamente pelo fato de haver, agora, nova lei com coeficiente de cálculo do salário 
de benefício melhor.
Mais uma vez, reporto-me aqui ao princípio do tempus regit actum, que demarcará, para 
o bem ou para o mal, o direito aplicável à espécie. O Supremo Tribunal Federal já enfrentou 
essa questão no seguinte julgado:
JURISPRUDÊNCIA
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INTERPOSTO PELO INSTITUTO NACIONAL DO 
SEGURO SOCIAL (INSS), COM FUNDAMENTO NO ART. 102, III, “A”, DA CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL, EM FACE DE ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS 
FEDERAIS. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO: PENSÃO POR MORTE (LEI N. 9.032, DE 28 DE 
ABRIL DE 1995).
1. No caso concreto, a recorrida é pensionista do INSS desde 04/10/1994, recebendo 
através do benefício n. 055.419.615-8, aproximadamente o valor de R$ 948,68. Acórdão 
recorrido que determinou a revisão do benefício de pensão por morte, com efeitos finan-
ceiros correspondentes à integralidade do salário de benefícios da previdência geral, a 
partir da vigência da Lei n. 9.032/1995.
2. Concessão do referido benefício ocorrida em momento anterior à edição da Lei n. 
9.032/1995. No caso concreto, ao momento da concessão, incidia a Lei n. 8.213, de 24 
de julho de 1991.
(...)
4. O recorrente (INSS) alegou: i) suposta violação ao art. 5º, XXXVI, da CF (ofensa ao ato 
jurídico perfeito e ao direito adquirido); e ii) desrespeito ao disposto no art. 195, § 5º, da 
CF (impossibilidade de majoração de benefício da seguridade social sem a correspon-
dente indicação legislativa da fonte de custeio total).
(...)
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8. Levantamento da jurisprudência do STF quanto à aplicação da lei previdenciária no 
tempo. Consagração da aplicação do princípio tempus regit actum quanto ao momento 
de referência para a concessão de benefícios nas relações previdenciárias.
(...)
10. (...) ao estender a aplicação dos novos critérios de cálculo a todos os beneficiários 
sob o regime das leis anteriores, o acórdão recorrido negligenciou a imposição constitu-
cional de que lei que majora benefício previdenciário deve, necessariamente e de modo 
expresso, indicar a fonte de custeio total (CF, art. 195, § 5º).
(...)
12. Ausência de violação ao princípio da isonomia (CF, art. 5º, caput) porque, na espé-
cie, a exigência constitucional de prévia estipulação da fonte de custeio total consiste 
em exigência operacional do sistema previdenciário que, dada a realidade atuarial dis-
ponível, não pode ser simplesmente ignorada.
13. O cumprimento das políticas públicas previdenciárias, exatamente por estar calcado 
no princípio da solidariedade (CF, art. 3º, I), deve ter como fundamento o fato de que não 
é possível dissociar as bases contributivas de arrecadação da prévia indicação legisla-
tiva da dotação orçamentária exigida (CF, art. 195, § 5º).
(...)
14. Considerada a atuação da autarquia recorrente, aplica-se também o princípio da 
preservação do equilíbrio financeiro e atuarial (CF, art. 201, caput), o qual se demonstra 
em consonância com os princípios norteadores da Administração Pública (CF, art. 37).
15. Salvo disposição legislativa expressa e que atenda à prévia indicação da fonte de 
custeio total, o benefício previdenciário deve ser calculado na forma prevista na legis-
lação vigente à data da sua concessão. A Lei n. 9.032/1995 somente pode ser aplicada 
às concessões ocorridas a partir de sua entrada em vigor.
16. No caso em apreço, aplica-se o teor do art 75 da Lei n. 8.213/1991 em sua redação 
ao momento da concessão do benefício à recorrida. 17. Recurso conhecido e provido 
para reformar o acórdão recorrido.
(RE 415454, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 08/02/2007, 
DJe-131 DIVULG 25-10-2007 PUBLIC 26-10-2007 DJ 26-10-2007 PP-00042 EMENT VOL-
02295-06 PP-01004)
Interessante observar no julgado acima como os demais princípios da seguridade social 
também possuem influxo indissociável na consideração da lei previdenciária no tempo.
Os princípios da contrapartida (prévia fonte de custeio) e da manutenção do equilíbrio 
financeiro e atuarial são pedras angulares de toda a operacionalidade do sistema de segu-
ridade social previsto na Constituição Federal de 1988 e o princípio da isonomia, como já 
vimos anteriormente, não pode servir de pretexto para que haja a extensão ou majoração de 
proteções sociais que não encontram na fonte orçamentária de seu custeio qualquer rubrica 
sustente tal ato.
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3.3.7.2. A Questão do regime Jurídico
Professor, eu tenho mais uma dúvida em relação à lei da seguridade social no tempo: existe 
direito adquirido a regime jurídico?
NÃO. Isso já foi exaustivamente enfrentado pela jurisprudência pátria, com as chancelas 
da doutrina. O fato de uma pessoaestar filiado a um determinado regime previdenciário e ter, 
com isso, a expectativa de direito de que em um determinado tempo de vida, com determinada 
soma de contribuições, ele poderá se aposentar, não significa isso direito adquirido.
Como expus, trata-se de “expectativa de direito” e não de “direito adquirido”.
Por óbvio que poderíamos argumentar que a Constituição Federal de 1988 protege, ainda 
que implicitamente pela cláusula pétrea do due process of law, a boa-fé objetiva, a confiança 
legítima depositada nos atos administrativos e, bem assim, veda atos que violem o postulado 
jurídico do nemo potest venire contra factum proprium.
Todavia, quando se trata da proteção de um sistema normativo baseado na solidariedade, 
as expectativas de direito estabelecidas para relações jurídicas individuais devem ser ponde-
radas com a preservação de pilares axiológicos relacionados ao regime coletivo, como um 
todo (diante dos princípios da solidariedade, da contrapartida e, sobretudo, da manutenção do 
equilíbrio financeiro e atuarial do sistema de seguridade social).
Vejamos o que diz a doutrina de LAZZARI16 sobre o assunto, para fixarmos bem o assunto:
JURISPRUDÊNCIA
Não caracteriza direito adquirido o fato de um indivíduo já estar filiado a um Regime de 
Previdência Social, para efeito de pretensão de ultratividade de normas que vierem a ser 
revogadas antes que o mesmo tenha implementado todos os requisitos legais para o 
exercício do direito.
Em suma, como costuma frisar a jurisprudência dominante, “não há direito adquirido a 
regime jurídico”.
Se ao tempo da modificação da norma o indivíduo não tinha ainda possibilidade de 
postular a prestação previdenciária, a mudança legislativa pode alterar sua expectativa.
A possibilidade de edição de regras de transição, embora defendida ardorosamente 
pela doutrina portuguesa como direito daqueles que se encontram em vias de adquirir 
o direito, não encontra base jurídica tal que seja assegurada aos detentores de expec-
tativa de direito.
16 Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2792-2795). 
Forense. Edição do Kindle.
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Veja-se que a lição acima pontua bem o fato de que as normas de transição são uma 
escolha do Constituinte Derivado, algo que se viu, inclusive, em todas as Emendas Constitu-
cionais relacionadas às reformas previdenciárias no Brasil.
Vale reforçar uma percepção aqui: o art. 23, da LINDB não impõe que haja sempre uma 
norma de transição para as inovações legislativas, porque esse dispositivo legal se dirige 
apenas às decisões “administrativa, controladora ou judiciais” que estabelecerem interpre-
tação ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado. Veja-se, aliás, que além 
de se dirigir apenas aqueles tipos de decisão, também se exige que o conteúdo da decisão 
se refira à “norma de conteúdo indeterminado”, ou seja, nem toda decisão que interprete ou 
estabeleça nova orientação sobre algum dispositivo legal ou dispositivos legais exigirá uma 
“norma de transição”. Isso ocorrerá apenas para alterações interpretativas relacionadas a 
eventual “norma de conteúdo indeterminado”.
Como desfecho dessa temática – da inexistência de direito adquirido a regime jurídico – 
colaciono, ainda, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça abaixo:
JURISPRUDÊNCIA
PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. DIREITO ADQUIRIDO A 
REGIME JURÍDICO PREVIDENCIÁRIO. INEXISTÊNCIA.
I – O presente feito decorre de ação que objetiva o recebimento de pensão pecúlio post 
mortem, em virtude do falecimento do esposo da requerente, bem como indenização 
por danos morais. Na sentença, julgaram-se parcialmente procedentes os pedidos. No 
Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, a sentença foi mantida.
II – Verifica-se que, com a edição da Lei n. 9.032/95, houve a revogação da alínea a do 
inciso III do art. 18 da Lei n. 8.213/91, que previa o pagamento de benefício de “pecúlio”.
III – Ademais, a Lei n. 9.717/98 trouxe a limitação de que os regimes próprios de previ-
dência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder bene-
fícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei 
n. 8.213/91.
IV – Desse modo, à época do falecimento do servidor, ocorrida em setembro de 2005 (fl. 
11), já não mais havia previsão, no Regime Geral de Previdência Social, de pagamento 
do referido benefício.
V – Ademais, é importante ressaltar que, consoante a remansosa jurisprudência desta 
Corte Superior, não há direito adquirido a regime jurídico previdenciário. Nesse sentido: 
AgRg no REsp n. 1.212.364/RJ, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, 
julgado em 22/9/2015, DJe 30/9/2015 e AgRg no REsp n. 1.116.644/SC, Rel. Ministro 
Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 27/10/2009, DJe 7/12/2009.
VI – Agravo interno improvido.
(AgInt no REsp 1755473/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, jul-
gado em 05/02/2019, DJe 14/02/2019)
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Cabe destacar para você mais uma ocorrência de proteção prática do direito adquirido na 
legislação previdenciária brasileira. Trata-se da hipótese veiculada nos artigos 6º e 7º, ambos 
da Lei n. 9.876/9917, que assim dizem:
Art. 6º É garantido ao segurado que até o dia anterior à data de publicação desta Lei tenha cum-
prido os requisitos para a concessão de benefício o cálculo segundo as regras até então vigentes.
Art. 7º É garantido ao segurado com direito a aposentadoria por idade a opção pela não aplicação do 
fator previdenciário a que se refere o art. 29 da Lei n. 8.213, de 1991, com a redação dada por esta Lei.
A Lei n. 9.876/99 instituiu o fator previdenciário, logo após a reforma previdenciária advinda com a 
Emenda Constitucional n. 20/98, em virtude, na pratica, como se sabe, de não ter vingado no Congres-
so Nacional a aprovação da idade mínima para se aposentar no Regime Geral de Previdência Social.
Além disso, mudou a sistemática de cálculo do salário de benefício dos benefícios previden-
ciários do RGPS, determinando que o período básico de cálculo seria, então, os 80% maiores 
salários de contribuição do segurado e, não mais, os últimos 36 meses de contribuição.
Muito bem, como se pode perceber, ambas as inovações podem ser prejudiciais no cálculo 
do salário de benefício e à renda mensal inicial do benefício requerido.
Assim, havendo direito adquirido (ou seja, se satisfeitos todos os requisitos do benefício 
antes da lei nova), como o segurado possui direito ao melhor benefício dentro das opções 
legislativas disponíveis (veja bem: por hipótese, pode ser que os 80% maiores salários de 
contribuição, ou melhor, a média desses 80% maiores salários maiores de contribuição, possa 
ser mais benéfica do que os últimos 36 salários de contribuição), ele poderá optar pelo cálculo 
previsto na legislação anterior à Lei n. 9.876/99.
Por fim, cabe uma última indagação sobre lei de seguridade social no tempo: é possível 
falar em aproveitamento dos aspectos positivos de duasleis no tempo, ou seja, os pontos 
favoráveis da norma anterior e, conjuntamente, da norma nova?
NÃO, sob pena de se legislar de modo particularizado, implicando lex tertia, conforme 
julgado do Supremo Tribunal Federal que colaciono abaixo para você:
JURISPRUDÊNCIA
EMENTA: INSS. APOSENTADORIA. CONTAGEM DE TEMPO. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 3º 
DA EC 20/98. CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIÇO POSTERIOR A 16.12.1998. POSSIBI-
LIDADE. BENEFÍCIO CALCULADO EM CONFORMIDADE COM NORMAS VIGENTES ANTES 
DO ADVENTO DA REFERIDA EMENDA. INADMISSIBILIDADE. RE IMPROVIDO.
17 Dispõe sobre a contribuição previdenciária do contribuinte individual, o cálculo do benefício, altera dispositivos das Leis nos 
8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, e dá outras providências.
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I – Embora tenha o recorrente direito adquirido à aposentadoria, nos termos do art. 3º 
da EC 20/98, não pode computar tempo de serviço posterior a ela, valendo-se das regras 
vigentes antes de sua edição.
II – Inexiste direito adquirido a determinado regime jurídico, razão pela qual não é lícito 
ao segurado conjugar as vantagens do novo sistema com aquelas aplicáveis ao anterior.
III – A superposição de vantagens caracteriza sistema híbrido, incompatível com a sis-
temática de cálculo dos benefícios previdenciários.
IV – Recurso extraordinário improvido.
(RE 575089, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 
10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-202 DIVULG 23-10-2008 PUBLIC 
24-10-2008 EMENT VOL-02338-09 PP-01773 RB v. 20, n. 541, 2008, p. 23-26 RT v. 98, n. 
880, 2009, p. 122-129)
No caso do julgado acima, o recorrente almejava se aposentar com 30 anos de serviço/
contribuição nos moldes do art. 3º, da Emenda Constitucional n. 20/98, eis que já possuía 
esse tempo, ou seja, possuía direito adquirido à aposentadoria nos moldes da norma anterior. 
Todavia, nos moldes da legislação anterior, a renda mensal inicial da aposentadoria pleiteada 
ficava previsto inicialmente em 70% salário de benefício, apenas se acrescendo de somas de 
6% a cada novo ano completo de atividade (redação do art. 53, inciso II, da Lei n. 8.213/91, a 
qual restou revogada tacitamente com as normas advindas pela EC 20/98).
Claro está que o artigo 52 foi derrogado tacitamente pela Emenda Constitucional n. 20/98, já 
que, além de estipular que se trata de aposentadoria por “tempo de serviço” e não “tempo de 
contribuição”, elenca requisito etário diverso do previsto na CF/88 após a EC 20, exigindo ape-
nas 30 anos de “serviço” para homens e 25 anos de “serviço” para as mulheres. Lembro, ainda, 
de que isso se trata de simples constatação de revogação da lei, pelo critério da lex posterior 
derrogat legi priori (lei posterior derroga lei anterior), não sendo caso de inconstitucionalidade 
superveniente, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, que já se expressou nos 
seguintes termos18:
JURISPRUDÊNCIA
“(...)
A orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal, sob a Constituição de 1967/69, não 
deixava dúvida de que a compatibilidade do direito anterior com norma constitucional 
superveniente haveria de ser aferida no âmbito do direito intertemporal.
(...)
18 Extraído de:
 http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDecisao.asp?numDj=188&dataPublicacao=25/09/2012&incidente=4190309&-
capitulo=6&codigoMateria=3&numeroMateria=140&texto=4135765, em 04/11/2019, às 11:35.
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Dessa forma, resta clara a revogação da Lei municipal, no ponto em que tratava da con-
tribuição de inativos, operada pela publicação da EC 20/98, que vedou tal cobrança”.
Logo, não poderia o recorrente, mesmo, valer-se das normas relativas à aposentadoria por 
tempo de serviço anteriores à EC 20/98 e, ao mesmo tempo, tomar como tempo restante, para 
incrementar sua renda mensal inicial, o período posterior àquela Emenda Constitucional. 
3.3.7.3. o Ato Jurídico Perfeito
Aqui se aplicam os mesmos critérios de proteção relacionados ao direito adquirido, de-
vendo se considerar igualmente o princípio do tempus regit actum. Todavia, a consideração 
desse princípio necessita de um marco temporal para se tomar como referência e, então, 
sabermos qual a lei aplicável, se a anterior ou a posterior.
A definição de ato jurídico perfeito é importante no que toca ao fato de que se trata de 
uma garantia que, assim como o direito adquirido, decorre do princípio da segurança e do 
devido processo legal, mas possui distinção em grau e extensão. Isso porque também se trata 
de um reconhecimento jurídico o qual apresenta reflexos incorporáveis ao patrimônio de seu 
titular sob o manto da lei velha, mas nem sempre a incorporação desses reflexos resultará 
em direito adquirido.
Na lição da doutrina de ALEXANDRE DE MORAES19, podemos encontrar o conceito do 
instituto:
JURISPRUDÊNCIA
O ato jurídico perfeito:
“É aquele que se aperfeiçoou, que reuniu todos os elementos necessários a sua forma-
ção, debaixo da lei velha. Isto não quer dizer, por si só, que ele encerre em seu bojo um 
direito adquirido. Do que está o seu beneficiário imunizado é de oscilações de forma 
aportadas pela lei nova.”
No campo do Direito da Seguridade Social o marco será sempre a ocorrência da contingen-
cia social objeto da proteção estatal. Nos benefícios de auxílio por incapacidade temporária, 
auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente, por exemplo, a contingencia é 
a incapacidade laboral (ou restrição da capacidade, no caso do auxílio-acidente). Sendo assim, 
a data do início da incapacidade será sempre a referência temporal para se afirmar que uma 
ou outra lei deverá ser aplicada ao caso.
19 MORAES, Alexandre de, in Curso de Direito Constitucional, 33ª Edição, Editora Atlas, pg. 74, citando BASTOS, Celso. Dicio-
nário de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 1994. p. 43.
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Casos de mudanças legislativas tais como os relacionados à alteração ou criação de 
prazos de carência para a obtenção de benefícios são resolvidos por meio dessa mesma ve-
rificação. Ou seja, o prazo de carência exigido para a obtenção de um benefício previdenciário 
será sempre aquele que constar da lei que vige no momento do nascimento da contingencia 
social objeto da proteção estatal esperada. Mais uma vez tomando o exemplo dos benefícios 
relacionados à incapacidade laborativa, ou restrição dessa, a carência exigida será aquelaconstante da norma em vigor no momento do início da incapacidade.
Professor, isso já foi enfrentado pela jurisprudência?
SIM, conforme julgamento do TEMA 176 da TNU – Turma Nacional de Uniformização da 
Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, deve-se adotar o regime normativo de ca-
rência vigente no momento do surgimento da incapacidade20:
JURISPRUDÊNCIA
“Constatado que a incapacidade do( a) segurado( a) do Regime Geral da Previdência 
Social (RGPS) ocorreu ao tempo da vigência das Medidas Provisórias ns. 739/ 2016 e 
767/ 2017, aplicam-se as novas regras de carência nelas previstas” (Processo 5001792-
09.2017.4.04.7129/ RS, j. em 17.8.2018).
Outra boa lembrança da proteção do ato jurídico perfeito na esfera do Direito da Seguri-
dade Social é o relativo à comprovação de atividades consideradas nocivas para efeito de 
reconhecimento de tempo especial. Essa questão também se relaciona, obviamente, com a 
proteção do direito adquirido, na medida em que o período de atividade especial pode ser 
integrado ao patrimônio jurídico do segurado de modo autônomo do direito à aposentadoria 
em si. Isso também se aplica ao reconhecimento de tempo de segurado especial.
Ou seja, em havendo mudança das normas relacionadas à caracterização e, consequen-
temente, comprovação de períodos relacionados à atividades especiais de trabalho ou, ainda, 
a categorias peculiares de filiados do RGPS, é de se ter em mira o citado princípio tempus 
regit actum e, por conseguinte, a proteção do direito adquirido na legislação outrora vigente.
Mas especificamente no que se relaciona à comprovação documental, por exemplo, de 
certos vínculos exercidos em condições nas quais havia a presença de agentes nocivos (físi-
cos, químicos ou biológicos), a proteção ao ato jurídico perfeito permite que os documentos 
então exigíveis na época desses vínculos seja suficiente à demonstração formal de que havia 
atividade especial, mesmo que posteriormente tenha havido alteração da lei para exigir outro 
tipo de documentação.
20 Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2812-2816). 
Forense. Edição do Kindle.
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É certo que o tempo de serviço é regido pela lei vigente à data de sua prestação, assim, 
as atividades prestadas sob condições especiais se efetivam sob os critérios estabelecidos 
pela lei vigente à época em que o segurado realizou a atividade, passando a integrar, como 
direito autônomo, o patrimônio jurídico do trabalhador.
Eventual alteração ocorrida na legislação, posteriormente, não pode ser aplicada retroati-
vamente, mesmo que não mais se reconheça aquela atividade como especial, não retirando do 
trabalhador o direito à contagem do tempo de serviço na forma anterior, sendo este o enten-
dimento pacificado do STJ, considerando o princípio tempus regit actum para tal desiderato.
Vamos abordar esse benefício e todas as suas peculiaridades no capítulo próprio de nosso 
curso, mas posso lhe adiantar que até 10/10/1996 (véspera da entrada em vigor da Medida 
Provisória n. 1.523/96, convertida na Lei n. 9.528/97), a exposição aos agentes nocivos deve 
ser feita com base nos quadros anexos aos Decretos n. 53.831/64 e 83.080/79, por intermédio 
dos formulários antigos SB-40 e DSS-8030.
Já, de 11/10/1996 até 05/03/1997, a exposição aos agentes nocivos deve ser feita com 
base nos quadros anexos aos Decretos n. 53.831/64 e 83.080/79, por intermédio do PPP 
(perfil profissiográfico previdenciário), admitindo-se, contudo, os formulários DIRBEN-8030, 
SB-40, DISES-BE-5235 e DSS-8030 emitidos anteriormente, o que reverbera a proteção ao ato 
jurídico perfeito.
3.3.7.4. A coisa Julgada
No campo do Direito Previdenciário, há dois aspectos que necessitam ser abordados em 
relação à coisa julgada formada nas ações previdenciárias. A primeira é referente à natureza 
das sentenças relacionadas a benefícios por incapacidade; a segunda se refere à possibilida-
de ou não de revisão desses mesmos benefícios diretamente pelo INSS, ainda quando tenha 
havido processo judicial transitado em julgado.
A princípio, no que se relaciona a primeira situação, é importante entender que o conceito 
de incapacidade é dinâmico e variável no tempo, exigindo análise particularizada para cada 
segurado e, bem assim, para cada patologia incapacitante detectada em perícia médica. Em 
sendo variável e dinâmico, portanto, nada impede que em um processo já extinto com reso-
lução de mérito e acobertado pelo manto da coisa julgada tenha sido reconhecida a capaci-
dade para o trabalho, mas, meses depois, em outro processo judicial perceba-se que houve 
agravamento da doença e, com isso, surgimento da incapacidade anteriormente postulada.
Nessa base de progressão, havendo reconhecimento judicial da incapacidade e consequente 
concessão do benefício previdenciário de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, não 
significará isso qualquer mácula à coisa julgada formada no processo anterior. É que a coisa 
julgada em processos previdenciários relacionados à incapacidade laboral possui natureza 
rebus sic stantibus, ou seja, entram e se petrificam no mundo jurídico conforme o estado das 
coisas conhecidas pelo Juízo na oportunidade do julgamento.
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Isso quer dizer, nos termos do Supremo Tribunal Federal21, que, quanto à coisa julgada 
formada nessas condições, “sua eficácia permanece enquanto se mantiverem inalterados 
os pressupostos fáticos e jurídicos adotados para o juízo de certeza estabelecido pelo pro-
vimento sentencial”. De fato, havendo progressão da doença e atingido, então, o estado de 
incapacidade, parece evidente que se trata de uma nova relação jurídica a ser certificada pelo 
Juízo, desde que, claro, tenha havido novo requerimento administrativo, sob pena de não se 
ter desenhado o interesse jurídico no caso.
Já o segundo aspecto se refere à possibilidade, ou não, do INSS revisar ou cancelar 
benefícios previdenciários concedidos judicialmente e já acobertados pela coisa julgada. A 
resposta é SIM, mas com ressalvas óbvias, pois permitir a ampla possibilidade de revisão 
administrativa de sentenças judiciais é chancelar uma interferência totalmente anômala de 
um Poder em outro, ferindo, além disso, a garantia fundamental da inafastabilidade da tutela 
jurisdicional (art. 5º, inciso XXXVI). O Superior Tribunal de Justiça possui julgado exigindo a 
observância do paralelismo de formas nessas questões.
Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ CONCEDIDA 
JUDICIALMENTE. CANCELAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE 
DE AÇÃO JUDICIAL REVISIONAL. RECURSO ESPECIAL DO INSS A QUE SE NEGA SEGUI-
MENTO. “Com efeito, o acórdão recorrido está em consonância com o entendimento desta 
Corte de que não é possível a cessação administrativa dos benefícios por incapacidade 
concedidos judicialmente, sob pena de violação à coisa julgada material e desrespeito 
ao princípio do paralelismo das formas” (STJ, REsp 1.408.281/ SC, julg. 24.2.2017)
Mas a jurisprudência, em verdade, oscila sobre isso e, anteriormente, o Superior Tribunalde Justiça já havia julgado no sentido de que não é exigível o paralelismo de formas para 
a revisão administrativa, sendo dispensável que o INSS intente ação revisional para cessar 
benefício concedido judicialmente, desde que seja respeitado o devido processo legal e seus 
consectários (contraditório e ampla defesa do segurado). Vejamos a informação veiculada 
no Informativo 536, do STJ (de 26/03/2014):
JURISPRUDÊNCIA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DO PARALELISMO DAS FORMAS NA REVISÃO DE 
BENEFÍCIO ASSISTENCIAL.
O INSS pode suspender ou cancelar benefício de prestação continuada concedido judi-
cialmente, desde que conceda administrativamente o contraditório e a ampla defesa ao 
beneficiário, não se aplicando o princípio do paralelismo das formas.
21 MS 32435 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado 
em 04/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-206 DIVULG 14-10-2015 PUBLIC 15-10-2015)
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O STJ, por meio da Sexta Turma, aplicou o entendimento de que era necessário respei-
tar o princípio do paralelismo das formas, ou seja, concedido o benefício por meio de 
decisão judicial, somente por outra decisão judicial seria possível a autarquia fazer a 
revisão para suspender ou cancelar o benefício, nos termos do art. 471, I, do CPC (REsp 
1.201.503-RS, DJe 26/11/2012).
No entanto, esse princípio não é de observância obrigatória, devendo-se impedir, entre-
tanto, o cancelamento ou suspensão unilateral do benefício por parte da autarquia, sem 
dar oportunidade ao beneficiário de apresentar provas que entender necessárias.
Efetivamente, não se exige o paralelismo de formas por três motivos:
1) a legislação previdenciária, que é muito prolixa, não faz essa exigência, não podendo 
o Poder Judiciário exigir ou criar obstáculos à autarquia não previstos em lei;
2) foge da razoabilidade e proporcionalidade, uma vez que, por meio do processo admi-
nistrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, é 
possível extrair elementos suficientes para apurar a veracidade ou não dos argumentos 
para a suspensão ou cancelamento do benefício, o que não impede posterior revisão 
judicial;
3) a grande maioria dos benefícios sociais concedidos pela Lei Orgânica da Assistência 
Social (Lei n. 8.742/1993) são deferidos por meio de decisão judicial, o que acarreta-
ria excessiva demanda judicial, afetando em demasia o Poder Judiciário, bem como o 
departamento jurídico da autarquia, além da necessidade de defesa técnica, contratada 
pelo cidadão, sempre que houver motivos para a revisão do benefício.
Precedente citado do STJ: AgRg no Ag 1.105.324-BA, Quinta Turma, DJe 17/8/2009. 
Precedente citado do STF: RE 469.657 AgR, Segunda Turma, DJe 13/8/2012. REsp 
1.429.976-CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/2/2014.
O art. 43, § 4º, da Lei n. 8.213/1991, assinala que “o segurado aposentado por invalidez 
poderá ser convocado a qualquer momento para avaliação das condições que ensejaram o 
afastamento ou a aposentadoria, concedida judicial ou administrativamente”. Já o art. 60, § 
10, também da Lei n. 8.213/91 vai na mesma linha, asseverando que o “segurado em gozo de 
auxílio-doença, concedido judicial ou administrativamente, poderá ser convocado a qualquer 
momento para avaliação das condições que ensejaram sua concessão ou manutenção”.
Há, nessa base, um ato normativo, a Portaria Conjunta INSS n. 7, de 19 de agosto de 2016, 
que estabelece procedimentos relacionados à revisão administrativa de benefícios previden-
ciários por incapacidade prevista na Medida Provisória 739/2016. Frisa-se, contudo: qualquer 
corte de benefício que não respeite a coisa julgada é, em verdade, descumprimento de ordem 
judicial. De outro lado, vedar completamente a revisão de um benefício apenas porque ele foi 
implantado por ato judicial, após sentença ou liminar, não é condizente com a própria natureza 
desses benefícios, os quais, como dito, são concedidos sempre rebus sic stantibus.
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Importante mencionar que foi aprovada a Lei n. 14.441/22 para expandir o programa de 
revisão de benefícios por incapacidade operado pelo INSS, permitindo expressamente, agora, a 
convocação de beneficiários de auxílio-acidente. Anteriormente, já existia a previsão expressa 
para os beneficiários de auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade 
permanente e para o pensionista inválido. Vejamos:
Art. 101. O segurado em gozo de auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente ou apo-
sentadoria por incapacidade permanente e o pensionista inválido, cujos benefícios tenham sido 
concedidos judicial ou administrativamente, estão obrigados, sob pena de suspensão do benefício, 
a submeter-se a:
(Redação dada pela Lei n. 14.441, de 2022)
I – exame médico a cargo da Previdência Social para avaliação das condições que ensejaram sua 
concessão ou manutenção; (Incluído pela Lei n. 14.441, de 2022)
II – processo de reabilitação profissional prescrito e custeado pela Previdência Social; e (Incluído 
pela Lei n. 14.441, de 2022)
III – tratamento oferecido gratuitamente, exceto o cirúrgico e a transfusão de sangue, que são 
facultativos. (Incluído pela Lei n. 14.441, de 2022)
Já no que toca à cessação programada de benefícios concedidos judicialmente, pode o 
INSS promover a chamada alta programada, em caso de não demarcação do tempo de ces-
sação na sentença transitada em julgado. Essa possibilidade decorreu das inovações legais 
advindas por meio das Medidas Provisórias n. 739/2016 e 767/2017, as quais, posteriormente, 
restaram convertidas na Lei n. 13.457/2017. Essa Lei promoveu mecanismos de implementa-
ção dos chamados “pentes finos” do INSS, permitindo a cessação do benefício em 120 dias 
se não houver data de cessação apontada administrativa ou judicialmente. Vejamos o que o 
art. 60, § 9º, da Lei n. 8.213/1991 diz a respeito:
§ 9º Na ausência de fixação do prazo de que trata o § 8º deste artigo, o benefício cessará após 
o prazo de cento e vinte dias, contado da data de concessão ou de reativação do auxílio-doença, 
exceto se o segurado requerer a sua prorrogação perante o INSS, na forma do regulamento, obser-
vado o disposto no art. 62 desta Lei. (Incluído pela Lei n. 13.457, de 2017)
Sobre isso, o entendimento fixado na Turma Nacional de Uniformização (TNU), no julgamen-
to do representativo de controvérsia n. 0500774-49.2016.4.05.8305/PE, orientou-se para fixar 
a inexistência de obrigação do INSS em marcar a chamada “perícia de saída”, ou seja, aquela 
que é marcada automática e obrigatoriamente pela autarquia previdenciária antes de cessar o 
benefício. A TNU, apreciando aquele recurso representativo de controvérsia (PEDILEF n. 0500774-
49.2016.4.05.8305/PE), definiu o seu TEMA 164, sobre o qual pendia a seguinte controvérsia:
JURISPRUDÊNCIA
Saber quais são os reflexos das novas regras constantes na MP n. 739/2016 (§ § 8º e 9º 
do art. 60 da Lei n. 8.213/1991) na fixação da data de cessação do benefício auxílio-doença 
e da exigência, quando for o caso, do pedido de prorrogação, bem como se são aplicáveis 
aos benefícios concedidos e àsdemandas ajuizadas em momento anterior à sua vigência.
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E, quanto ao julgamento, de 19/04/2018, a seguinte tese foi firmada:
JURISPRUDÊNCIA
Por não vislumbrar ilegalidade na fixação de data estimada para a cessação do auxílio-
-doença, ou mesmo na convocação do segurado para nova avaliação da persistência 
das condições que levaram à concessão do benefício na via judicial, a Turma Nacional 
de Uniformização, por unanimidade, firmou as seguintes teses:
a) os benefícios de auxílio-doença concedidos judicial ou administrativamente, sem Data 
de Cessação de Benefício (DCB), ainda que anteriormente à edição da MP n. 739/2016, 
podem ser objeto de revisão administrativa, na forma e prazos previstos em lei e demais 
normas que regulamentam a matéria, por meio de prévia convocação dos segurados 
pelo INSS, para avaliar se persistem os motivos de concessão do benefício;
b) os benefícios concedidos, reativados ou prorrogados posteriormente à publicação 
da MP n. 767/2017, convertida na Lei n. 13.457/17, devem, nos termos da lei, ter a sua 
DCB fixada, sendo desnecessária, nesses casos, a realização de nova perícia para a 
cessação do benefício;
c) em qualquer caso, o segurado poderá pedir a prorrogação do benefício, com garantia 
de pagamento até a realização da perícia médica.
Em verdade, a discussão acerca da chamada “alta programada” é antiga, mas desde 
o ano de 2010, em decorrência da ACP n. 2005.33.00.020219-8 (na qual se decidiu com 
abrangência nacional) o INSS editou a Resolução INSS/PRES n. 97/2010, possibilitando a 
cessação automática, mas desde que não haja pedido de prorrogação do segurado. E isso 
restou chancelado pelo julgamento da TNU, como visto, e reverberado o art. 60, § 9º, da Lei 
n. 8.213/1991, incluído pela Lei n. 13.457/2017, de modo que é legitima a imposição de um 
prazo máximo pelo INSS, de 120 dias, conforme diz a lei, nos casos omissos, ou seja, quando 
a decisão judicial (ou administrativa) não fixar um prazo de cessação.
Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça não comunga do mesmo entendimento, tendo 
proferido reiteradas decisões no sentido de que a alta programada é contrária ao ordenamen-
to jurídico vigente e que não pode haver cessação do benefício sem perícia médica prévia, 
acompanhada de processo administrativo que garanta ao segurado o contraditório.
Nesse sentido, vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AUXÍLIO-DOENÇA. CESSAÇÃO DO PAGAMENTO 
DO BENEFÍCIO. AUSÊNCIA DE PERÍCIA MÉDICA. IMPOSSIBILIDADE.
1. A jurisprudência do STJ tem-se firmado no sentido de que é incompatível com a lei 
previdenciária a adoção, em casos desse jaez, do procedimento da “alta programada”, 
uma vez que fere o direito subjetivo do segurado de ver sua capacidade laborativa afe-
rida através do meio idôneo a tal fim, que é a perícia médica.
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2. De fato, revela-se incabível que o Instituto preveja, por mero prognóstico, em que data 
o segurado está apto para retornar ao trabalho, sem avaliar efetivamente o estado de 
saúde em que se encontra, tendo em vista que tal prognóstico pode não corresponder à 
evolução da doença, o que não é difícil de acontecer em casos mais complexos, como é 
o versado nos autos. Precedentes: REsp 1.291.075/CE, Relatora Ministra Regina Helena 
Costa, DJe 18/2/2014; REsp 1.544.417/MT, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, 
DJe 19/8/2015; REsp 1.563.601-MG, Relator Ministro Humberto Martins, DJe 30/6/2016.
3. Recurso Especial não provido. (REsp 1737688/MT, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 12/06/2018, DJe 23/11/2018)
Embora na ementa acima transcrita não tenha constado nada a respeito da possibilidade 
de pedido de prorrogação por parte do segurado, como medida apta a evitar a cessação auto-
mática, no inteiro teor do acórdão proferido há menção ao entendimento de que é do INSS o 
ônus de acompanhar o estado clínico daquele que está em gozo do benefício por incapacidade.
Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
Sobre a necessidade de reavaliação do segurado, vale dizer que todos têm acesso ao 
sistema de saúde gratuito, em que um médico do sistema público poderá acompanhar 
a recuperação do segurado e indicar se ele deve pedir a prorrogação do auxílio-doença 
por remanescer a incapacidade temporária.
Todavia, entendo não ser possível que um sistema previdenciário, cujo pressuposto é a 
proteção social, se abstenha de acompanhar a recuperação da capacidade laborativa 
dos segurados incapazes, atribuindo-lhes o ônus de auto-exame clínico, a pretexto da 
diminuição das filas de atendimento na autarquia.
Resta saber como o entendimento vai se firmar, se pela legalidade da alta programada ou 
não, sendo que é possível que o Superior Tribunal de Justiça defina a questão com base no 
art. 14, § 4º, da Lei n. 10.259/01, que assim diz:
§ 4º Quando a orientação acolhida pela Turma de Uniformização, em questões de direito material, 
contrariar súmula ou jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça -STJ, a parte inte-
ressada poderá provocar a manifestação deste, que dirimirá a divergência.
No âmbito do Supremo Tribunal Federal, houve afetação dessa questão ao TEMA 1196, 
da repercussão geral:
1196 – Constitucionalidade da Medida Provisória 739/2016, substituída pela Medida Provisória 
767/2017 e convertida na Lei n. 13.457/2017, as quais alteraram a Lei n. 8.213/1991, inserindo 
preceito sobre prazo estimado para a duração do benefício
O julgamento ainda aguarda inclusão em pauta.
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3.4. a aplicação da “lei” no espaço
3.4.1. A territorialidade da norma de Seguridade Social e Suas exceções
A regra da lei previdenciária é a da territorialidade, ou seja, incide a lei previdenciária bra-
sileira às relações jurídicas de trabalho desenvolvidas em território nacional, nos moldes das 
categorias de segurados definidos na Lei n. 8.213/1991. Há exceção, contudo, prevista na 
segunda parte do art. 11, inciso I, alínea “d”, da Lei n. 8.213/1991, no que toca ao “não-brasileiro 
sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do 
país da respectiva missão diplomática ou repartição consular”.
Portanto, na letra do referido dispositivo da lei de benefícios da previdência social, não é 
segurado obrigatório aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição 
consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a membros dessas mis-
sões e repartições, CASO ELE SEJA não-brasileiro sem residência permanente no Brasil ou o 
brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática 
ou repartição consular.
No que concerne à origem desse dispositivo, tem-se que a leitura do art. 11,I, “d”, da Lei 
n. 8.213/1991 deve ser feita em conjunto com duas Convenções Internacionais:
a) a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, da qual o Brasil é signatário e que foi inter-
nalizada em nosso ordenamento pelo Decreto n. 56.435/1965;
b) a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, da qual o Brasil também é signatário e cuja 
internalização em nosso ordenamento jurídico se deu por meio do Decreto n. 61.078/1967.
O art. 33 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e o art. 48 da Convenção 
de Viena sobre Relações Consulares tratam das relações jurídico-previdenciárias dos agentes 
diplomáticos e dos membros de repartições consulares, bem como dos membros de suas 
famílias que com eles vivam. Os referidos dispositivos possuem o mesmo sentido e finalidade, 
apesar de regularem figuras distintas e de estarem em Convenções diferentes.
Lembre-se que o chefe de uma Missão Diplomática representa politicamente o Estado 
acreditante no Estado acreditado, enquanto o chefe da Repartição Consular não possui fun-
ção representativa do ponto de vista político, atuando no estreitamento das relações privadas 
entre os países, especialmente do ponto de vista comercial. Nada obstante essa diferença, 
para ambos existe, por força das Convenções Internacionais citadas, a previsão da ISENÇÃO 
da relação jurídico-previdenciária com o país em que estejam investidos de suas funções. 
Em outros termos: para eles, não há nenhuma relação jurídico-tributária ou jurídico-previden-
ciária com o país em que atuam, não sendo considerados segurados obrigatórios, no caso 
do Brasil, do RGPS.
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Vejamos melhor o que dizem as normas internacionais citadas. O art. 33, da Convenção 
de Viena sobre Relações Diplomáticas estabelece que
o agente diplomático estará no tocante aos serviços prestados ao Estado acreditante, isento das 
disposições sobre seguro social que possam vigorar no Estado acreditado”. Já o art. 48 da Con-
venção de Viena sobre Relações Consulares estatui que “os membros da repartição consular, com 
relação aos serviços prestados ao Estado que envia, e os membros de sua família que com eles 
vivam, estarão isentos das disposições de previdência social em vigor no Estado receptor.
Então, em suma, estão isentos e não possuem relação jurídica com a previdência social 
do país em que estejam investidos:
os agentes diplomáticos e membros de suas famílias que com eles vivam;
os membros da repartição consular e membros de suas famílias que com eles vivam.
Cabe lembrar que o chefe da missão diplomática é, em regra, um agente diplomático (mas 
pode ser um membro do corpo diplomático do país acreditante), sendo, assim, o representan-
te máximo da missão. É o “diplomata” como popularmente conhecemos. A correspondente 
Convenção de Viena, no art. 33, atem-se em sua redação à isenção do agente diplomático, 
mas essa imunidade se estende, também, aos membros de sua família.
Assim, para aqueles representantes máximos da Missão Diplomática e da Repartição 
Consular, bem como para os membros de suas famílias que com eles vivam, não há condi-
ções impostas para a isenção relativa à previdência social do país acreditado. Para eles não 
haverá, em nenhuma hipótese, a formação de qualquer relação jurídica com a previdência 
social do país em que estão investidos. Isso significa que, relativamente ao nosso RGPS, não 
serão segurados obrigatórios (salvo na absurda e hipotética situação na qual eles não estejam 
cobertos pela previdência social de seus países de origem, o que é bem improvável).
E, para além dos representantes máximos e suas famílias, há outras pessoas que trabalham 
nas missões diplomáticas e nas repartições consulares as quais também ficam isentas 
com a previdência social do país acreditado (país receptor)?
SIM. Na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas previu-se isenção também para 
os “criados particulares que se acham a serviço exclusivo do agente diplomático”. Além disso, 
o art. 37 da referida convenção complementa o artigo 33, para incluir na isenção relativa à 
previdência social do país acreditado os “membros do pessoal de serviço da Missão”, bem 
como os “membros de suas famílias”. Em síntese, entre aqueles que prestam serviço para 
as missões diplomáticas, também ficam isentos com a previdência social (a princípio) os:
criados particulares que se acham a serviço exclusivo do agente diplomático;
membros do pessoal de serviço da missão, bem como os membros de suas famílias (os membros 
do pessoal de serviço da missão são “os membros do pessoal diplomático, do pessoal adminis-
trativo e técnico e do pessoal de serviço da Missão”).
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É dito “a princípio” porque há condições em relação a essas pessoas. Para todas elas há 
condições para que não haja relação jurídica com a previdência do país acreditado (país re-
ceptor). Para que elas sejam isentas da previdência social no país acreditado (país receptor), 
no caso o Brasil, não podem ser nacionais (ou seja, não podem ser brasileiras). Se forem 
brasileiras, serão filiadas ao RGPS, salvo se já tiverem cobertura previdenciária com o país 
acreditante (país de origem da missão). O brasileiro que trabalha na missão somente não 
será considerado segurado obrigatório se já for coberto pela previdência do país de origem 
ou de terceiro país.
Já o não-brasileiro (apátridas e estrangeiros) somente será segurado obrigatório se aqui 
tiver residência permanente e, ainda, não estiver coberto pela previdência de seu país ou de 
terceiro país. Vejamos a norma internacional respectiva:
CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE RELAÇÕES CONSULARES
ARTIGO 48º
Isenção do regime de previdência social
1. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 3 do presente artigo, os membros da repartição consular, 
com relação aos serviços prestados ao Estado que envia, e os membros de sua família que com 
eles vivam, estarão isentos das disposições de previdência social em vigor no Estado receptor.
2. A isenção prevista no parágrafo 1 do presente artigo aplicar-se-á também aos membros do 
pessoal privado que estejam a serviço exclusivo dos membros da repartição consular, sempre que:
a) não sejam nacionais do Estado receptor ou nele não residam permanentemente;
b) estejam protegidos pelas disposições sobre previdência social em vigor no Estado que envia 
ou num terceiro Estado.
3. Os membros da repartição consular que empreguem pessoas às quais não se aplique a isenção 
prevista no parágrafo 2 do presente artigo devem cumprir as obrigações impostas aos emprega-
dores pelas disposições de previdência social do Estado receptor.
4. A isenção prevista nos parágrafos 1 e 2 do presente artigo não exclui a participação voluntária 
no regime de previdência social do Estado receptor, desde que seja permitida por este Estado.
Em suma, para ser segurado obrigatório no Brasil (tomando a hipótese de o país acreditado 
ser o Brasil), aquele que presta serviço a uma missão diplomática em Brasília:
precisa ser brasileiro (ainda que não tenha residência permanente aqui, pois o art. 11, I, “d”, da 
Lei n. 8.213/91, somente exclui o brasileiro que já estiver amparado pela legislaçãoprevidenciá-
ria do país acreditante, impondo a necessidade de residência permanente no Brasil apenas aos 
“não-brasileiros”);
precisa residir permanentemente no Brasil, se for não-brasileiro;
em ambas as situações acima, não pode haver cobertura pela legislação previdenciária do país 
acreditante.
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Sempre deve ser questionado se já possuem ou não cobertura previdenciária no país 
acreditante (país de origem). Caso possuam, não serão segurados obrigatórios aqui no RGPS.
Exemplo 1: se um membro do pessoal de serviço da Missão Diplomática Italiana no Brasil for bra-
sileiro, bem como não estiver coberto pela previdência italiana, deverá ser considerado segurado 
obrigatório do RGPS. Ora, no exemplo temos um brasileiro e ele não está coberto pela previdência 
do país acreditante. Logo, deve ser segurado do RGPS aqui no Brasil.
Exemplo 2: se um criado particular que esteja a serviço exclusivo do agente diplomático da Missão 
Diplomática italiana for estrangeiro e tiver residência permanente no Brasil, bem como não estiver 
coberto pela previdência social italiana, deverá obrigatoriamente ser segurado obrigatório do RGPS. 
Já neste exemplo, em um primeiro momento teríamos isenção, pois não se trata de um nacional 
do Estado acreditado, mas sim de um estrangeiro. Todavia, esse estrangeiro possui residência 
permanente no Brasil e, por fim, não está coberto pela previdência de seu país de origem. Logo, 
deve ser segurado obrigatório no RGPS, aqui no Brasil.
Perceba que, se houver situação na qual o trabalhador da missão for isento com a previdên-
cia (ou seja, não for considerado segurado obrigatório), poderá ele se filiar, a nosso ver, como 
segurado facultativo. Isso se extrai do item 4 do art. 48, da Convenção, quando dispõe que a 
“isenção prevista nos parágrafos 1 e 2 do presente artigo não exclui a participação voluntária 
no regime de previdência social do Estado receptor, desde que seja permitida por este Estado”.
Na Convenção de Viena sobre Relações Consulares temos a mesma sistemática.
O chefe da repartição consular é o representante máximo dessa repartição. É o “cônsul”, 
como costumamos ouvir. O chefe da repartição consular, bem como os membros de sua família, 
não possui relação jurídico-previdenciária com o Estado acreditado (país receptor). Nesses 
casos, assim como nos casos dos agentes diplomáticos e os membros de suas famílias, 
não há condições impostas para a isenção relativa à previdência social no país acreditado. 
Ou seja, para eles também não haverá nenhuma hipótese em que se constituirá uma relação 
jurídico-previdenciária com o nosso RGPS, de modo que eles não serão segurados obrigatórios 
(salvo, igualmente, na absurda e hipotética situação na qual eles não estejam cobertos pela 
previdência social de seus países de origem, o que é bem improvável).
Mas, assim como vimos na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, há outros 
membros da repartição consular que não seja o chefe da repartição. A expressão “membros 
da repartição consular”, aliás, é ampla. Para compreender melhor seu significado, é preciso 
perceber que se trata, assim, de conceito que envolve não apenas o chefe da repartição consu-
lar, mas também os demais funcionários contratados para os serviços consulares, bem como 
os demais empregados contratados para serviços administrativos. Há, ainda, os membros do 
pessoal de serviço, integrantes do conceito, também, de “membros da repartição consular” 
(são as pessoas empregadas no serviço doméstico de uma repartição consular).
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Para esses, as condições são as mesmas para que sejam isentos da previdência social 
no país acreditado:
se forem nacionais do país acreditado, não poderão ficar isentos com a previdência social local, 
salvo se já detiverem cobertura previdenciária no país de origem;
se forem estrangeiros e tiverem residência permanente no país acreditado, não poderão ficar isentos 
com a previdência social local, salvo se já detiverem cobertura previdenciária no país de origem.
Portanto, mais uma vez, é igualmente importante verificar sempre se já há ou não cobertura 
previdenciária no país acreditante (país de origem). Caso haja essa cobertura, não importa 
se é brasileiro ou estrangeiro, não serão segurados obrigatórios aqui no RGPS. O artigo 33 da 
Convenção de Viena sobre Relações Diplomática dispõe, in verbis:
CONVENÇÃO DE VIENA SOBRE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS
Artigo 33
1. Salvo o disposto no parágrafo 3 deste artigo o agente diplomático estará no tocante aos serviços 
prestados ao Estado acreditante, isento das disposições sobre seguro social que possam vigorar 
no Estado acreditado.
2. A isenção prevista no parágrafo 1 deste artigo aplicar-se-á também aos criados particulares que 
se acham ao serviço exclusivo do agente diplomático, desde que.
a) Não sejam nacionais do Estado acreditado nem nele tenham residência permanente; e
b) Estejam protegidos pelas disposições sobre seguro social vigentes no Estado acreditado ou 
em terceiro estado.
3. O agente diplomático que empregue pessoas a quem não se aplique a isenção prevista no pará-
grafo 2 deste artigo deverá respeitar as obrigações impostas aos patrões pelas disposições sobre 
seguro social vigentes no Estado acreditado.
4. A isenção prevista nos parágrafos 1 e 2 deste artigo não exclui a participação voluntária no 
sistema de seguro social do Estado acreditado, desde que tal participação seja admitida pelo 
referido Estado.
5. As disposições deste artigo não afetam os acordos bilaterais ou multilaterais sobre seguro social 
já concluídos e não impedem a celebração ulterior de acordos de tal natureza.
É importante perceber que o art. 11, I, “d”, da Lei n. 8.213/1991, por sua vez, deriva da-
queles dispositivos internacionais:
Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (Redação 
dada pela Lei n. 8.647, de 1993)
I – como empregado: (Redação dada pela Lei n. 8.647, de 1993)
(...)
d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira 
estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluí-
dos o não-brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação 
previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular;
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Em resumo, a interpretação da norma acima, no cotejo com as normas internacionais das 
Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares, nos orienta 
aapontar o seguinte:
1) Quanto aos que prestam serviços em missões diplomáticas e repartições consulares, não serão 
segurados obrigatórios:
os não-brasileiros (apátridas e estrangeiros) sem residência permanente no Brasil
os brasileiros e não-brasileiros já amparados pela legislação previdenciária do país da respectiva 
missão diplomática ou repartição consular.
2) De outro lado, SERÃO segurados obrigatórios:
os BRASILEIROS COM ou SEM RESIDÊNCIA PERMANENTE (salvo se já estiver coberto pelo regime 
previdenciário do país acreditante).
os NÃO BRASILEIROS COM RESIDÊNCIA PERMANENTE NO BRASIL (salvo se já estiver coberto 
pelo regime previdenciário do país acreditante).
Em síntese:
PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE MITIGADA DA LEI PREVIDENCIÁRIA
(art. 11, I, “d”, da Lei n. 8.213/91)
Em relação àqueles que prestam serviço no Brasil à:
a) missão diplomática (bem como a órgãos a elas subordinados, ou a seus membros)
b) repartição consular de carreira estrangeira (bem como a órgãos a elas subordinados, ou a seus membros)
SERÃO SEGURADOS OBRIGATÓRIOS NÃO SERÃO SEGURADOS OBRIGATÓRIOS:
Brasileiros com ou sem
residência permanente no brasil
Brasileiros e não-brasileiros já amparados pela legislação 
previdenciária do país da respectiva missão diplomática 
ou repartição consular
Não-brasileiros (apátridas e estrangeiros)
com residência permanente no Brasil
Não-brasileiros (apátridas e estrangeiros)
sem residência permanente no Brasil
Nos casos em que não há relação previdenciária com o RGPS, conforme quadro acima, 
falaremos, portanto, em hipóteses nas quais a territorialidade da lei previdenciária é mitigada.
Nada obsta, contudo, a incidência de outros direitos afetos à proteção social estatal pre-
vistos na seguridade social brasileira, permanecendo hígida a possibilidade de que àqueles 
não-brasileiros seja garantido o direito à saúde e, bem assim, à assistência social. O Supre-
mo Tribunal Federal já entendeu pela constitucionalidade da pretensão ao recebimento de 
benefício assistencial previsto na Lei n. 8.472/1993 (LOAS) por parte de estrangeiro, mas 
fixando a condição de que ele seja residente no país.
JURISPRUDÊNCIA
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a condição de estrangeiro 
residente no Brasil não impede o recebimento do Benefício de Prestação Continuada 
(BPC), pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) às pessoas com deficiência 
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e aos idosos que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou ter 
o sustento provido por sua família, desde que atendidos os requisitos necessários para 
a concessão.
Em julgamento concluído nesta quinta-feira (20), o Plenário negou provimento ao Recurso 
Extraordinário (RE) 587970, no qual o INSS questionava decisão da Primeira Turma Recur-
sal do Juizado Especial Federal da 3ª Região que o condenou a conceder a uma italiana 
residente no Brasil há 57 anos o benefício assistencial de um salário mínimo, previsto 
no artigo 203, inciso V, da Constituição Federal.
O recurso extraordinário tem repercussão geral reconhecida, o que significa que o enten-
dimento firmado hoje pelo STF deve ser aplicado pelas demais instâncias do Poder 
Judiciário a processos semelhantes. A tese de repercussão geral aprovada é a seguinte: 
“Os estrangeiros residentes no país são beneficiários da assistência social prevista no 
artigo 203, inciso V, da Constituição Federal, uma vez atendidos os requisitos constitu-
cionais e legais”.
Como visto, entretanto, a única condicionante para o recebimento do benefício assisten-
cial pelo estrangeiro é que ele possua residência no Brasil. A ementa do julgado restou assim 
redigida, senão vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
ASSISTÊNCIA SOCIAL – ESTRANGEIROS RESIDENTES NO PAÍS – ARTIGO 203, INCISO 
V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – ALCANCE.
A assistência social prevista no artigo 203, inciso V, da Constituição Federal beneficia 
brasileiros natos, naturalizados e estrangeiros residentes no País, atendidos os requisi-
tos constitucionais e legais.
(RE 587970, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 20/04/2017, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-215 DIVULG 21
3.4.2. A extraterritorialidade da norma de Seguridade Social
A extraterritorialidade é, portanto, exceção no ordenamento jurídico brasileiro relativo à 
seguridade social. A regra é que a lei nacional não se aplique para fazer incidir a proteção da 
seguridade social brasileira em relação de trabalho delineadas no exterior. Mas há casos em 
que isso pode ocorrer, por expressa determinação da Lei n. 8.213/91.
Vejamos.
• Art. 11, inciso I, alínea “c”, da Lei n. 8.213/91: o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e 
contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa 
nacional no exterior.
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• Art. 11, inciso I, alínea “e”, da Lei n. 8.213/91: o brasileiro civil que trabalha para a União, 
no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja 
membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da 
legislação vigente do país do domicílio;
• Art. 11, inciso I, alínea “f”, da Lei n. 8.213/91: se um brasileiro for contratado para trabalhar 
para empresa que, embora sediada no exterior, possua empresa brasileira como titular da 
maioria do capital votante, incidirá a lei previdenciária brasileira de modo extraterritorial.
• Art. 11, inciso V, alínea “e”, da Lei n. 8.213/91: o brasileiro civil que trabalha no exterior 
para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá do-
miciliado e contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social.
Lembre-se que em todas as situações, se houver cobertura por regime próprio de previdên-
cia social do país estrangeiro, não haverá cobertura brasileira, cessando a extraterritorialidade 
da lei nacional.
4. antinomias normativas
Muito bem, vimos que o Direito da Seguridade Social possui diversificação considerável 
de normas, com especificação de regras e princípios para variados segmentos de seu com-
plexo normativo.
Assim, é natural e bastante possível que haja aparente choque de normas, umas com as 
outras, com conflitos de regramentos os quais devem ser resolvidos, portanto, pelo aplicador 
da lei a fim de imputar a correta solução ao caso.
Fala-se nessa situação em antinomia, a qual, segundo a melhor doutrina, é sempre aparente 
e não real. Isso, evidentemente, decorre de uma ficção jurídica, pois a produção legislativa é 
obviamente falha, decorrendo da natureza humana falível, de maneira que pode sim apresentar 
ao ordenamento sistemas ou meramente regras que literalmente podem se chocar.
De todo modo, a questão se resolve por princípios interpretativos e critérios de solução 
para tais conflitos, os quais, diante disso, passam a ser meramente aparentes. Em outros 
termos, sempre é possível achar um jeito de resolver esse choque, digamos assim.
Existem duas ocorrências frequentes que representam esse aparente conflito de normas: 
uma relativa a normas de distintas posições em nosso ordenamento jurídico e outra relativa 
a normasde igual hierarquia.
Dentro dessas duas ocorrências, pode-se falar ainda em uma terceira hipótese de conflito 
aparente, relativa à intertemporalidade de leis, ou seja, conflitos de lei no tempo.
A 1ª ocorrência se situa na contraposição de normas de espécie hierárquica distinta, tal 
como, por exemplo, contradição entre um dispositivo constitucional e um dispositivo legal, 
portanto, infraconstitucional.
Em tal circunstancia, a solução fica mais fácil de ser resolvida, sendo solucionada sim-
plesmente pelo critério hierárquico, sendo que a norma superior se sobrepõe a norma inferior. 
Nessa contexto, baseamo-nos na Pirâmide Normativa de Kelsen, segundo a qual, a Constitui-
ção prevalece sobre todas as demais normas do ordenamento jurídico.
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Antinomias como essa, quando envolvem a Constituição Federal, são dirimidas pela via 
do controle de constitucionalidade, seja ele difuso ou concentrado, ou seja, podem ser en-
frentados esses choques aparentes de normas pelo Supremo Tribunal Federal e pelos Juízes 
em geral quando atuam na guarda da norma constitucional pela via difusa.
4.1. os critérios de solução em caso de conFlito de normas
Quando falamos em solução de conflito de normas, a doutrina clássica sobre o tema vem, 
primeiramente, de NORBERTO BOBBIO, que se debruçando sobre o tema, alinhavou para o 
intérprete três critérios de solução de antinomias:
• critério cronológico, o qual significa que a lei posterior deve prevalecer sobre a norma 
anterior;
• critério da especialidade, o qual significa que a norma especial deve prevalecer sobre a 
norma geral;
• critério da hierarquia, o qual significa que a norma superior deve prevalecer sobre a norma 
inferior.
Em geral, como dito, as antinomias são meramente aparentes, sendo passiveis de serem 
resolvidas por um ou dois desses critérios, isolada ou conjuntamente. Alias, quando a antino-
mia conclama do interprete o uso de dois desses critérios, fala-se em antinomia de 2º grau. 
Quando se usa apenas um desses critérios, fala-se em antinomia de 1º grau.
Entendido? Muito bem, vamos adiante.
A doutrina de Maria Helena Diniz22 e Flavio Tartuce23 lecionam no sentido de que, quando 
nenhum desses critérios resolver, fala-se em antinomia real.
Referem-se à hipótese de choque entre uma norma de cunho geral superior e uma norma 
especial inferior, sendo que nessa situação não se poderia, em tese, fazer preponderar um ou 
outro critério (no caso, ou o critério cronológico, ou o critério da especialidade).
Vejamos:
“Finalizando, quando se tem conflito entre uma norma geral superior e outra norma, especial e 
inferior, qual deve prevalecer?
Ora, em casos tais, como bem expõe Maria Helena Diniz não há uma meta-regra geral de solução 
do conflito sendo caso da presença de antinomia real. São suas palavras:
“No conflito entre o critério hierárquico e o de especialidade, havendo uma norma superior-geral 
e outra norma inferior especial, não será possível estabelecer uma meta-regra geral, preferindo o 
critério hierárquico ao da especialidade ou vice-versa, sem contrariar a adaptabilidade do direito. 
Poder-se-á, então, preferir qualquer um dos critérios, não existindo, portanto, qualquer prevalência. 
Todavia, segundo Bobbio, dever-se-á optar, teoricamente, pelo hierárquico; uma lei constitucional 
22 DINIZ, Maria Helena, in Conflito de Normas. São Paulo: Editora Saraiva, 2003, p. 34 a 51.
23 TARTUCE, Flávio, in Breve Estudo das Antinomias ou Lacunas de Conflito. Extraído de http://genjuridico.com.br/2015/02/25/
breve-estudo-das-antinomias-ou-lacunas-de-conflito/ em 04/12/2019, às 19:42.
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geral deverá prevalecer sobre uma lei ordinária especial, pois se se admitisse o princípio de que 
uma lei ordinária especial pudesse derrogar normas constitucionais, os princípios fundamentais 
do ordenamento jurídico estariam destinados a esvaziar-se, rapidamente, de seu conteúdo. Mas, 
na prática, a exigência de se adotarem as normas gerais de uma Constituição a situações novas 
levaria, às vezes, à aplicação de uma lei especial, ainda que ordinária, sobre a Constituição. A supre-
macia do critério da especialidade só se justificaria, nessa hipótese, a partir do mais alto princípio 
da justiça: suum cuique tribuere, baseado na interpretação de que ‘o que é igual deve ser tratado 
como igual e o que é diferente, de maneira diferente’. Esse princípio serviria numa certa medida 
para solucionar antinomia, tratando igualmente o que é igual e desigualmente o que é desigual, 
fazendo as diferenciações exigidas fática e valorativamente”.
Embora seja possível concordar com a existência dessa hipótese levantada pelos autores 
– de que pode haver duvida em qual critério escolher para solucionar a norma aplicável – tenho 
a melhor maneira de enxergar tal fenômeno jurídico não seja por meio do conceito de conflito 
de normas.
Não há choque de duas normas, mas sim ausência, lacuna de norma, nesses casos. Ora, 
se não é possível concluir de imediato se, nesses casos, será a norma geral ou a especial, 
superior ou inferior, o que se tem é lacuna a ser integrada.
Os próprios autores citam, de fato, que deverão ser usados os instrumentos jurídicos 
previstos para preencher as lacunas da lei, tal como previsto nos artigos 4º e 5º, da Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro.
Vejamos os dispositivos, para sua revisão:
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e 
os princípios gerais de direito.
Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do 
bem comum.
Veja-se que, no caso do Direito da Seguridade Social, a lacuna decorrente da eventual 
concomitância de norma geral superior e norma especial inferior poderá ser integrada via 
princípios gerais de Direito, bem como pela percepção dos fins sociais a que se destinam as 
normas de proteção social estatal.
Com isso, a norma especial inferior poderá prevalecer sobre a norma geral superior.
Um exemplo aproximado dessa hipótese, embora não totalmente idêntico, serve para 
ilustrar nosso aprendizado em relação à peculiaridade do principio da norma mais favorável 
no âmbito do Direito da Seguridade Social.
Refiro-me ao reconhecimento da condição de segurado especial do índio.
Como se estudara em capitulo próprio, segurado especial é uma espécie de segurado 
bastante distinta das demais, tendo sua definição relacionada ao trabalho agropastoril em 
regime de economia de subsistência, ou, ainda, relacionado ao pescador artesanal.
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Nessa toada de conceituação, a Lei n. 8.213/91, contudo, nada mencionou sobre os índios 
e, com isso, remanesceria dúvida sobre o enquadramentodos indígenas como segurados 
especiais ou não.
Veja você mesmo por meio da leitura direta do art. 11, inciso VII, da Lei n. 8.213/91:
Art. 11. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (Redação 
dada pela Lei n. 8.647, de 1993)
(...)
VII – como segurado especial: a pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano 
ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o 
auxílio eventual de terceiros, na condição de: (Redação dada pela Lei n. 11.718, de 2008)
a) produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro outorgados, 
comodatário ou arrendatário rurais, que explore atividade: (Incluído pela Lei n. 11.718, de 2008)
1. agropecuária em área de até 4 (quatro) módulos fiscais; (Incluído pela Lei n. 11.718, de 2008)
2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos termos do inciso XII do 
caput do art. 2º da Lei n. 9.985, de 18 de julho de 2000, e faça dessas atividades o principal meio 
de vida; (Incluído pela Lei n. 11.718, de 2008)
b) pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca profissão habitual ou principal 
meio de vida;
e (Incluído pela Lei n. 11.718, de 2008)
c) cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 (dezesseis) anos de idade ou a este equi-
parado, do segurado de que tratam as alíneas a e b deste inciso, que, comprovadamente, trabalhem 
com o grupo familiar respectivo. (Incluído pela Lei n. 11.718, de 2008)
Percebeu que nada se fala sobre os índios?
Indo além da lei, portanto, o Decreto n. 3.048/99 mencionou expressamente os índios 
como sendo passiveis de enquadramento na condição de segurados especiais. Note-se que 
concluir pela inclusão de indígenas na descrição da lei não seria exercício interpretativo tão 
claro, na medida em que os índios, em regra, não são produtores agropastoris como “proprie-
tários, usufrutuários, possuidores, assentados, parceiros ou meeiros outorgados, comodatários 
ou arrendatário rurais”.
Assim, uma norma inferior, a qual teria o condão tão somente de regulamentar o que a Lei 
n. 8.213/91 previu, exorbitou de sua função regulamentadora e criou norma protetiva extra 
para os índios, permitindo seu enquadramento como segurados especiais. Vejamos:
Art. 62. A prova de tempo de serviço, considerado tempo de contribuição na forma do art. 60, 
observado o disposto no art. 19 e, no que couber, as peculiaridades do segurado de que tratam 
as alíneas “j” e “l” do inciso V do caput do art. 9º e do art. 11, é feita mediante documentos que 
comprovem o exercício de atividade nos períodos a serem contados, devendo esses documentos 
ser contemporâneos dos fatos a comprovar e mencionar as datas de início e término e, quando 
se tratar de trabalhador avulso, a duração do trabalho e a condição em que foi prestado. (Redação 
dada pelo Decreto n. 4.079, de 2002)
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(...) § 2º Subsidiariamente ao disposto no art. 19, servem para a prova do tempo de contribuição 
que trata o caput: (Redação dada pelo Decreto n. 6.722, de 2008).
(...)
II – de exercício de atividade rural, alternativamente: (Redação dada pelo Decreto n. 6.722, de 2008).
(...)
l) certidão fornecida pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI, certificando a condição do índio 
como trabalhador rural, desde que homologada pelo INSS. (Incluído pelo Decreto n. 6.722, de 2008).
É de se notar que a previsão exorbitadora da lei foi singela, modesta, mas deixou entrever 
que aos índios bastará a juntada de certidão da FUNAI, desde que homologada pelo INSS, 
atestando que se trata de índio efetivamente, para que haja comprovação de tempo de segu-
rado especial.
A Instrução Normativa INSS n. 128/22, contudo, escancarou e foi mais clara ainda, afir-
mando categoricamente que o índio pode se enquadrar como segurado especial quando 
reconhecido pela FUNAI, independentemente do local onde resida ou exerça suas atividades 
(o que nos aponta para a irrelevância do índio ser aldeado ou não para ser considerado se-
gurado especial).
Vejamos:
Do segurado especial
Art. 109. § 4º Enquadra-se como segurado especial o indígena cujo(s) período(s) de exercício 
de atividade rural tenha(m) sido objeto de certificação pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI, 
inclusive o artesão que utilize matéria-prima proveniente de extrativismo vegetal, independente-
mente do local onde resida ou exerça suas atividades, sendo irrelevante a definição de indígena 
aldeado, não-aldeado, em vias de integração, isolado ou integrado, desde que exerça a atividade 
rural individualmente ou em regime de economia familiar, observado os requisitos contidos nos 
arts. 112 e 113..
Este é um caso muito claro de que uma norma inferior pode se sobrepor a uma norma su-
perior. Conclui-se que no campo do Direito da Seguridade Social você deve ficar muito atento 
acerca do critério da hierarquia, a fim de solucionar antinomias aparentes, na medida em que 
nem sempre prevalecerá a norma superior.
Certo? Entendido até aqui?
Professor, e como fica se duas normas constitucionais estiverem incidindo ao mesmo 
tempo no caso? Há conflito aparente de normas nesse caso também?
NÃO. Nesse caso, não se fala em conflito aparente de normas, mas de ponderação de 
interesses e princípios constitucionais, bem como por meio dos métodos específicos de her-
menêutica constitucional, tal como já estudado nas linhas anteriores de nossa aula.
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4.1.1. Princípio “Pro Homine” x critério Hierárquico
Mas há no campo do Direito da Seguridade Social uma grande peculiaridade sobre isso. 
Bom, vou pontuar de novo: quando houver antinomia entre norma constitucional e norma 
infraconstitucional, a regra é que prevalece a norma constitucional.
EXEMPLO
Mas vamos supor que uma determinada lei venha e estenda um benefício, indicando a correta 
fonte de custeio, para uma categoria não prevista inicialmente na Constituição. Veja que isso 
no nosso modelo constitucional é bem possível, eis que nossa Constituição, dentro das clas-
sificações possíveis de seu texto, veicula texto prolixo. Uma Constituição prolixa (analítica) é 
extensa e regula situações jurídicas as quais poderiam, em tese, ser relegadas às normas de 
segundo grau.
A princípio, aplica-se a norma mais favorável e mais benéfica à pessoa, tutelando ao má-ximo seu direito fundamental à seguridade social.
Veja-se que, consequentemente, o vértice da Pirâmide de Kelsen deixa de ser sempre a 
Constituição e passa a ser sempre a norma mais favorável, ainda que ela esteja na base da 
estrutura piramidal de nosso ordenamento, por meio, por exemplo, de uma instrução normativa 
(Instrução Normativa INSS n. 15/2009, por exemplo, que detalha e muito todas as normas de 
filiação e de benefícios do RGPS, valendo muito a sua leitura integral).
Esse é o entendimento que ressoa de maneira uníssona na doutrina e cito nesse sentido 
a obra de LAZZARI24.
Vejamos:
Vejamos, inicialmente, as antinomias entre normas de espécies distintas. Neste caso, há uma 
situação que merece estudo à parte, qual seja, a da antinomia entre norma principiológica ou 
constitucional e norma infraconstitucional.
A princípio, a questão se resolve de forma simples: a norma constitucional se sobrepõe à norma 
legal, ou ao ato administrativo. Contudo, deve-se recordar que, em termos de Direito Previdenciá-
rio, as normas deste ramo estabelecem direitos e obrigações para os segurados, dependentes, 
contribuintes e para o próprio Estado – gestor do regime. Assim, as regras infraconstitucionais 
que se caracterizem como normas mais favoráveis para o indivíduo integrante do regime devem 
ser consideradas válidas.
Exemplificando, não se pode taxar de inconstitucional a Lei n. 9.876/ 99, que estendeu o benefício 
do salário-maternidade às contribuintes individuais, alegando que a Constituição somente prevê 
o benefício expressamente a empregadas urbanas, rurais e domésticas e trabalhadoras avulsas.
A norma favorece as seguradas e há fonte de custeio correspondente, logo, não se reveste tal 
norma do vício de inconstitucionalidade.
24 Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2684-2692). 
Forense. Edição do Kindle.
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Como se pode perceber, a doutrina reafirma essa mudança paradigmática da norma refe-
rencial do sistema, sendo proeminente no caso do Direito da Seguridade Social a norma mais 
favorável e não a Constituição Federal de 1988.
Mas, há que se ler com granu salis essa orientação. Nem sempre será assim tão facilmen-
te ou automaticamente. Ao meu ver, a Constituição é invariavelmente o vértice da Pirâmide 
Normativa de Kelsen, ressalvados casos extremos de cartas constitucionais arbitrárias e to-
talmente não condizentes com os Direitos Humanos internacionalmente reconhecidos, seja 
por costumes, por regras de soft law ou hard law na comunidade das nações unidas.
Em verdade, um documento normativo que se propõe a funcionar como Constituição de 
uma nação, em não contendo nenhuma regra ou princípio que se destine a proteger direitos 
fundamentais das pessoas, dogmaticamente não pode ser considerada uma Constituição. 
Pois bem, a Constituição é o topo, o ápice, a soberana norma que deve ser seguida por toda 
e qualquer outra norma produzida em um determinado ordenamento jurídico.
Logo, ainda que haja norma mais favorável sua aplicação somente poderá ser considerava 
viável se ela também encontrar base axiológica na interpretação das normas constitucionais 
como um todo. O bloco de constitucionalidade somente pode ser expandir se houver abertura 
axiológica para isso na própria Constituição.
Porque, veja bem, acompanhe comigo: como seria possível estender um benefício previ-
denciário ou assistencial para uma determinada categoria de segurado ou para uma parcela 
da sociedade sem que haja para isso a previa indicação de fonte de custeio? Ignorar uma 
previa fonte de custeio não causa um impacto desproporcional nas demais categorias de se-
gurados ou na sociedade como um todo, na medida em que acabariam por suportar os ônus 
financeiros de uma gestão irresponsável do ponto de vista atuarial do sistema previdenciário?
Parece-me que sim! Então, oriento a você a responder nas provas que, tudo bem, a norma 
mais favorável é aquela que vai prevalecer quando falamos em Direito da Seguridade Social, 
mas tome cuidado com afirmações absolutistas quando negamos a Constituição, pois tal 
documento dogmaticamente é soberano e absoluto (claro, quando respeita seus pilares exis-
tenciais mínimos, dentre eles a previsão de que haja a proteção dos direitos humanos).
Então, o princípio da norma mais favorável deve ser lido dentro de um contexto maior e, 
sempre com uma visão consequencialista do interprete. Aliás, essa é a dicção que passou a 
constar da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, pelo seu art. 20, incluído pela 
Lei n. 13.655/18, que assim diz:
Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores 
jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. (Incluído 
pela Lei n. 13.655, de 2018) (Regulamento)
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5. integração das normas de seguridade social
O processo de integração da norma jurídica visa preencher vazios na moldura positiva de 
nosso ordenamento jurídico. Não se trata de buscar a vontade da lei, a mens legis, ou seja, 
o espirito da lei como um produto autônomo da vontade do legislador, eis que isso é tarefa 
dos métodos de interpretação.
Trata-se de preencher, de colmatar, as lacunas, os vazios, as fendas existentes em nosso 
complexo de fontes formais do Direito. É tarefa obrigatória do aplicador da lei, notadamente 
o juiz, eis que ele não pode se escusar de dar o direito, conforme determina, aliás, o art. 140, 
caput, do Código de Processo Civil:
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento 
jurídico.
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.
E, dentro dessa impossibilidade de se eximir de julgar alegando lacuna ou obscuridade da 
lei, o juiz deve se valer dos caminhos propostos no art. 4º, da LINDB, que assim diz:
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e 
os princípios gerais de direito.
Assim, considerados esses métodos de integração da norma, vejamos um a um.
5.1. a analogia
A premissa básica e inicial para o emprego de analogia é a percepção da inexistência de 
norma jurídica que regule o caso em apreço. Em havendo alguma regra, principio ou qualquer 
outra fonte formal do Direito que verse sobre o tema a ser interpretado, julgado e aplicado, 
não poderá o juiz se valer da analogia.
A analogia é diferente do que se concebe como interpretação analógica, vale mencionar. 
Aquela é o preenchimento total pelo julgador de um vazio normativo sobre o fato; essa é a 
colmatação pontual e parcial de um determinado elemento descritivo da norma por meio de 
uma formula, ou standard normativo, dado pela própria norma.
Exemplo de interpretação analógica foi a percebida pelo Supremo Tribunal Federal no 
julgamento conjunto da ADPF 132 e ADI 4277, entendendo a Corte Suprema pela constitu-
cionalidade da proteção previdenciária aos casais homoafetivos. Poder-se-ia dizer que um 
dos fundamentos – não o único – foi a interpretação analógica da formula genérica que im-
plicitamente se extraidas normas constitucionais previstas no art. 226, da CF/88. Vejamos 
os dispositivos:
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
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§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher 
como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e 
seus descendentes.
É de se notar que o Constituinte Originário apontou a “família” como formula genérica, dando 
exemplos de união entre homem e mulher, mas não excluindo peremptoriamente outras formas 
de união civil ou meramente afetiva. Com isso, a formulação valorativa da família e da união 
entre duas pessoas pode ser interpretada analogicamente ao caso da união entre pessoas do 
mesmo sexo, desde que assim o façam com o objetivo potencial de constituir familiar, de manter 
relacionamento estável, duradouro, publico e continuo (affectio maritalis). Vale transcrever trecho 
do voto do Min. Ricardo Lewandowski25, no julgamento das referidas ações constitucionais:
JURISPRUDÊNCIA
“Entendo que as uniões de pessoas do mesmo sexo que se projetam no tempo e ostentam 
a marca da publicidade, na medida em que constituem um dado da realidade fenomênica 
e, de resto, não são proibidas pelo ordenamento jurídico, devem ser reconhecidas pelo 
Direito, pois, como já diziam os jurisconsultos romanos, ex facto oritur jus”.
(...)
Cuida-se, enfim, a meu juízo, de uma entidade familiar que, embora não esteja prevista 
no art. 226, precisa ter a sua existência reconhecida pelo Direito, tendo em conta a ocor-
rência de uma lacuna legal que impede que o Estado, exercendo o indeclinável papel de 
protetor dos grupos minoritários, coloque sob seu amparo as relações afetivas públicas 
e duradouras que se formam entre pessoas do mesmo sexo”.
Como se trata de importantíssimo julgamento para o seu estudo, entendo pertinente a 
transcrição da ementa do acórdão abaixo:
JURISPRUDÊNCIA
Ementa: 1. ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF). 
PERDA PARCIAL DE OBJETO. RECEBIMENTO, NA PARTE REMANESCENTE, COMO AÇÃO 
DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. UNIÃO HOMOAFETIVA E SEU RECONHECIMENTO 
COMO INSTITUTO JURÍDICO. CONVERGÊNCIA DE OBJETOS ENTRE AÇÕES DE NATU-
REZA ABSTRATA. JULGAMENTO CONJUNTO.
(...)
25 Voto do Min. LEWANDOWSKI, p. 713-714 e 719, in ADPF 132, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 
05/05/2011, DJe-198 DIVULG 13-10-2011 PUBLIC 14-10-2011 EMENT VOL-02607-01 PP-00001. Extraído de tese de mono-
grafia escrita por JONATHAS BEZERRA SILVA (A ideia de igualdade material a partir da recente jurisprudência do supremo 
tribunal federal: uma análise demarcada pela relação entre estabelecidos e não estabelecidos), em http://bdm.unb.br/bits-
tream/10483/6819/1/2013_JonathasBezerraSilva.pdf, em 09/12/19, às 11:55.
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2. PROIBIÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO DAS PESSOAS EM RAZÃO DO SEXO, SEJA NO PLANO 
DA DICOTOMIA HOMEM/MULHER (GÊNERO), SEJA NO PLANO DA ORIENTAÇÃO SEXUAL 
DE CADA QUAL DELES. A PROIBIÇÃO DO PRECONCEITO COMO CAPÍTULO DO CONSTI-
TUCIONALISMO FRATERNAL. HOMENAGEM AO PLURALISMO COMO VALOR SÓCIO-PO-
LÍTICO-CULTURAL. LIBERDADE PARA DISPOR DA PRÓPRIA SEXUALIDADE, INSERIDA NA 
CATEGORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO INDIVÍDUO, EXPRESSÃO QUE É DA AUTO-
NOMIA DE VONTADE. DIREITO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA. CLÁUSULA PÉTREA.
O sexo das pessoas, salvo disposição constitucional expressa ou implícita em sentido 
contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. Proibição de preconceito, 
à luz do inciso IV do art. 3º da Constituição Federal, por colidir frontalmente com o obje-
tivo constitucional de “promover o bem de todos”.
Silêncio normativo da Carta Magna a respeito do concreto uso do sexo dos indivíduos 
como saque da kelseniana “norma geral negativa”, segundo a qual “o que não estiver 
juridicamente proibido, ou obrigado, está juridicamente permitido”.
Reconhecimento do direito à preferência sexual como direta emanação do princípio da 
“dignidade da pessoa humana”: direito a auto-estima no mais elevado ponto da consciên-
cia do indivíduo. Direito à busca da felicidade. Salto normativo da proibição do precon-
ceito para a proclamação do direito à liberdade sexual. O concreto uso da sexualidade 
faz parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. Empírico uso da sexualidade 
nos planos da intimidade e da privacidade constitucionalmente tuteladas. Autonomia 
da vontade. Cláusula pétrea.
3. TRATAMENTO CONSTITUCIONAL DA INSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA. RECONHECIMENTO DE 
QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO EMPRESTA AO SUBSTANTIVO “FAMÍLIA” NENHUM 
SIGNIFICADO ORTODOXO OU DA PRÓPRIA TÉCNICA JURÍDICA.
A FAMÍLIA COMO CATEGORIA SÓCIO-CULTURAL E PRINCÍPIO ESPIRITUAL. DIREITO 
SUBJETIVO DE CONSTITUIR FAMÍLIA. INTERPRETAÇÃO NÃO-REDUCIONISTA.
O caput do art. 226 confere à família, base da sociedade, especial proteção do Estado. 
Ênfase constitucional à instituição da família. Família em seu coloquial ou proverbial 
significado de núcleo doméstico, pouco importando se formal ou informalmente cons-
tituída, ou se integrada por casais heteroafetivos ou por pares homoafetivos.
A Constituição de 1988, ao utilizar-se da expressão “família”, não limita sua formação a 
casais heteroafetivos nem a formalidade cartorária, celebração civil ou liturgia religiosa. 
Família como instituição privada que, voluntariamente constituída entre pessoas adultas, 
mantém com o Estado e a sociedade civil uma necessária relação tricotômica. Núcleo 
familiar que é o principal lócus institucional de concreção dos direitos fundamentais 
que a própria Constituição designa por “intimidade e vida privada” (inciso X do art. 5º).
Isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos que somente ganha plenitude 
de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada 
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família. Família como figura central ou continente, de que tudo o mais é conteúdo. Impe-
riosidade da interpretação não-reducionista do conceito de família como instituição que 
também se forma por vias distintas do casamento civil.
Avanço da Constituição Federal de 1988 no plano dos costumes. Caminhada na direção 
do pluralismo como categoria sócio-político-cultural. Competência do Supremo Tribunal 
Federal para manter, interpretativamente, o Texto Magno na posse do seu fundamental 
atributo da coerência, o que passa pela eliminaçãode preconceito quanto à orientação 
sexual das pessoas.
4. UNIÃO ESTÁVEL. NORMAÇÃO CONSTITUCIONAL REFERIDA A HOMEM E MULHER, MAS 
APENAS PARA ESPECIAL PROTEÇÃO DESTA ÚLTIMA. FOCADO PROPÓSITO CONSTITU-
CIONAL DE ESTABELECER RELAÇÕES JURÍDICAS HORIZONTAIS OU SEM HIERARQUIA 
ENTRE AS DUAS TIPOLOGIAS DO GÊNERO HUMANO. IDENTIDADE CONSTITUCIONAL 
DOS CONCEITOS DE “ENTIDADE FAMILIAR” E “FAMÍLIA”. A referência constitucional à 
dualidade básica homem/mulher, no § 3º do seu art. 226, deve-se ao centrado intuito 
de não se perder a menor oportunidade para favorecer relações jurídicas horizontais ou 
sem hierarquia no âmbito das sociedades domésticas. Reforço normativo a um mais 
eficiente combate à renitência patriarcal dos costumes brasileiros. Impossibilidade de 
uso da letra da Constituição para ressuscitar o art. 175 da Carta de 1967/1969. Não há 
como fazer rolar a cabeça do art. 226 no patíbulo do seu parágrafo terceiro. Dispositivo 
que, ao utilizar da terminologia “entidade familiar”, não pretendeu diferenciá-la da “famí-
lia”. Inexistência de hierarquia ou diferença de qualidade jurídica entre as duas formas 
de constituição de um novo e autonomizado núcleo doméstico.
Emprego do fraseado “entidade familiar” como sinônimo perfeito de família.
A Constituição não interdita a formação de família por pessoas do mesmo sexo. Consa-
gração do juízo de que não se proíbe nada a ninguém senão em face de um direito ou de 
proteção de um legítimo interesse de outrem, ou de toda a sociedade, o que não se dá 
na hipótese sub judice. Inexistência do direito dos indivíduos heteroafetivos à sua não-
-equiparação jurídica com os indivíduos homoafetivos. Aplicabilidade do § 2º do art. 5º 
da Constituição Federal, a evidenciar que outros direitos e garantias, não expressamente 
listados na Constituição, emergem “do regime e dos princípios por ela adotados”, verbis: 
“Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes 
do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a 
República Federativa do Brasil seja parte”.
5. DIVERGÊNCIAS LATERAIS QUANTO À FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Anotação 
de que os Ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cezar Peluso convergiram 
no particular entendimento da impossibilidade de ortodoxo enquadramento da união 
homoafetiva nas espécies de família constitucionalmente estabelecidas. Sem embargo, 
reconheceram a união entre parceiros do mesmo sexo como uma nova forma de entidade 
familiar. Matéria aberta à conformação legislativa, sem prejuízo do reconhecimento da 
imediata auto-aplicabilidade da Constituição.
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6. INTERPRETAÇÃO DO ART. 1.723 DO CÓDIGO CIVIL EM CONFORMIDADE COM A CONSTI-
TUIÇÃO FEDERAL (TÉCNICA DA “INTERPRETAÇÃO CONFORME”). RECONHECIMENTO DA 
UNIÃO HOMOAFETIVA COMO FAMÍLIA. PROCEDÊNCIA DAS AÇÕES. Ante a possibilidade 
de interpretação em sentido preconceituoso ou discriminatório do art. 1.723 do Código 
Civil, não resolúvel à luz dele próprio, faz-se necessária a utilização da técnica de “inter-
pretação conforme à Constituição”. Isso para excluir do dispositivo em causa qualquer 
significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre 
pessoas do mesmo sexo como família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as 
mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.
(ADPF 132, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 05/05/2011, DJe-
198 DIVULG 13-10-2011 PUBLIC 14-10-2011 EMENT VOL-02607-01 PP-00001)
A analogia possui duas subclassificações, quais sejam:
• analogia legis: preenchimento da lacuna normativa por meio de outra norma derivada de 
fonte formal do Direito presente em leis em sentido estrito, Decretos regulamentadores, 
Portarias, Instruções e demais atos normativos expressos.
• analogia iuris: preenchimento da lacuna normativa por meio mais amplo, tomando em 
consideração todos as fontes formais do Direito, notadamente os princípios gerais, os 
quais, como já abordamos, na medida me que vige hoje um modelo pós-positivista em 
nosso ordenamento jurídico constitucional, possuem natureza de fonte formal do Direito 
da Seguridade Social e, por isso, podem colmatar a norma jurídica.
Além disso, a analogia pode ser realizar uma heterointegração (busca de elementos de 
colmatação em outras fontes normativas) e uma autointegração (busca de elementos de col-
matação na própria fonte normativa, por meio dos costumes, princípios de Direito e equidade 
nos casos expressamente previstos pela lei). Interessante a observação de ZAMBITTE26 ao 
pontuar que a analogia não pode impor obrigações novas, no seguinte sentido:
A analogia, assim como os demais métodos interpretativos, também sofre outras limitações, como, 
por exemplo, a criação de obrigações.
A atual Constituição brasileira determina que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II, da CRFB/88) e, por isso, a analogia não pode criar 
obrigações, como, pro exemplo, exigir contribuição social de pessoa não definida em lei como 
sujeito passivo desta obrigação.
Concordamos em parte com a lição valiosa. É que a limitação de exações tributárias tais 
como a exemplificada encontram barreira não na conclusão de que a analogia não pode criar 
regras em desfavor dos sujeitos, mas sim em principio expresso do Direito Tributário. Assim, 
o que impede a extensão de contribuição social a sujeito passivo não incluído na norma-ma-
26 IBRAHIM, Fábio Zambitte, in Curso de Direito Previdenciário, 24ª Edição, Rio de Janeiro. Ed. Impetus, 2019, pg. 149.
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triz tributária correspondente é o principio da taxatividade e, bem assim, o da anterioridade 
tributária. Além disso, a própria regra tributária prevista no art. 108, § 1º, do Código Tributário 
Nacional expressa que o “emprego de analogia não poderá resultar na exigência de tributo não 
previsto em lei”.
Em verdade, o que impede a analogia in malam partem no Direito da Seguridade Social é 
o princípio pro misero (princípio pro homine), o qual já abordamos, cujo axioma determina que 
em caso de duvida – o que, por obvio, inclui a percepção de lacuna no ordenamento jurídico em 
face determinada situação fática – o interprete da norma de Seguridade Social deverá eleger 
a alternativa hermenêutica que mais favoreça à pessoa.
5.2. os costumes
Pratica geral, reiterada, constante, notória e, por fim, aceita como socialmente corretas, 
desde que não seja contrário a lei posta. Essa é a definição de costume. De se notar, portan-
to, diante da definição acima, que o costume somente ganha relevância jurídica normativa 
quando é composto de um elemento objetivo e de um elemento subjetivo.
O elemento objetivo deriva da percepção espacial e temporal da invocação de uma deter-
minada prática social. Já o elemento subjetivo deriva da vontade e da convicção de obriga-
toriedade da prática como necessidade social27.
Pode ser “praeter legem” (costume em sua acepção clássica como função integrador da 
norma, eis que não encontra previsão expressa na lei), “secundum legem” (costume previsto 
pela própria lei)e “contra legem” (costume contrário à lei), sendo que esse ultimo não pode 
ser juridicamente aceito. Em verdade, há quem aponte que o costume “contra legem” pode 
ser revelar em duas hipóteses: a primeira por meio do desuso e a segunda por meio uma pra-
tica ab-rogatória da lei, em franca intensão de ir contra as suas disposições. Mas ambas as 
formas não podem ser aceitas (isso, pelo menos, no âmbito do Direito da Seguridade Social, 
que exige a rígida manutenção do sistema por meio do equilíbrio financeiro e atuarial de seus 
mecanismos).
Com relação às formas aceitas (praeter legem e secundum legem), cabe lembrar, contudo, 
que se tratam de elementos de integração da norma jurídica do Direito da Seguridade Social, 
jamais fontes formais. Até, em tese, poder-se-ia dizer que o costume pode gerar fonte material, 
na medida as fontes materiais revelam o nascedouro das normas jurídicas, decorrente das 
dinâmicas sociais, econômicas e politicas em uma determinada época e em uma determinada 
sociedade. Mas, essencialmente, não geram norma formal no campo do Direito da Seguridade 
Social, apenas fornecem subsídios de colmatação de lacunas normativas para que não haja 
fato sem aplicação do Direito.
27 STOLZE, Pablo e Rodolfo Pamplona, in Novo Curso de Direito Civil, Parte Geral, 14ª edição. Editora Saraiva, 2012, São Paulo, 
pg. 65.
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Um exemplo interessante, que pode ser lembrado como uma forma de uso do costume 
para integrar a norma jurídica previdenciária, é o relativo à flexibilização da exigência de apre-
sentação de início de prova material para os trabalhadores rurais “bóias-frias”.
Sabe-se, pelo costume desse tipo de atividade, pelas praticas campesinas que se repe-
tiram ao longo de décadas em nosso país, sobretudo na abertura das fronteiras agrícolas 
para as regiões mais distantes dos centros urbanos, que os trabalhadores volantes, safristas, 
chamados de bóias-frias, não possuem a prática de assinar contratos e, em geral, possuem 
pouca instrução. Muitas vezes, são verdadeiros flagelos do campo a vagar em busca de um 
mínimo de trabalho apto a gerar o pagamento de uma diária mínima, ou apenas para terem 
onde dormir.
Em vista disso, a jurisprudência flexibilizou a obtenção de documentos por esses traba-
lhadores rurais, sem olvidar a imposição normativa, mas colmatando a norma para abarcar 
situações de trabalhadores rurais que não possuíam expressa e particularizada norma jurídica 
que lhes tutelasse adequadamente em relação às contingencias sociais do campo, dentro 
de suas realidades.
Essa temática foi enfrentada no julgamento do TEMA 554, do Superior Tribunal de Justiça, 
por meio do REsp 1321493/PR, de modo que a questão submetida a julgamento foi a seguinte:
JURISPRUDÊNCIA
Discute-se a possibilidade de admitir prova exclusivamente testemunhal (art. 55, § 3º, 
da Lei n. 8.213/1991) para configurar tempo de serviço rural para fins previdenciários 
no caso do trabalhador denominado ‘boia-fria’.
A tese firmada foi, então, a que abaixo colaciono para você:
JURISPRUDÊNCIA
Aplica-se a Súmula 149/STJ (‘A prova exclusivamente testemunhal não basta à compro-
vação da atividade rurícola, para efeitos da obtenção de benefício previdenciário’) aos 
trabalhadores rurais denominados ‘boias-frias’, sendo imprescindível a apresentação 
de início de prova material.
Por outro lado, considerando a inerente dificuldade probatória da condição de trabalha-
dor campesino, a apresentação de prova material somente sobre parte do lapso tem-
poral pretendido não implica violação da Súmula 149/STJ, cuja aplicação é mitigada se 
a reduzida prova material for complementada por idônea e robusta prova testemunhal.
Outro exemplo que vale a pena destacar para que você fixe aplicações praticas da analogia 
no campo do Direito da Seguridade Social é o caso da possibilidade de extensão do período 
de graça também para o segurado especial, permitindo-se que essa categoria de segurado 
também faça uso dos prazos previstos no art. 15, da Lei n. 8.213/91.
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Assim, entende-se na jurisprudência atual que é viável a manutenção da relação jurídi-
co-previdenciária do segurado especial quando considerada a extensão do período de graça 
de modo analógico e isonômico com o previsto no art. 15, § 1º e 2º, da Lei n. 8.213/91, sem 
distinção entre trabalhadores, sejam eles do meio urbano ou rural. Cabe ressaltar, inclusive, 
sobre isso, que tal consideração analógica já se encontra sedimentada no âmbito da TNU, no 
julgamento do PEDILEF 05009466520144058400. Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
(...)
Considero que deve prevalecer a interpretação da Turma Regional de Uniformização da 
4ª Região.
De fato, os enunciados constantes dos § 1º e 2º do artigo 15 da Lei n. 8.213/91 não 
podem ser interpretados literalmente.
A aplicação de normas, extraídas de leis ou regulamentos, para a resolução de conflitos 
sociais, tem a vantagem de simplificar o trabalho dos operadores do direito que não 
necessitam realizar juízos morais complexos.
Contudo, não é possível aplicar nenhum texto sem a realização de uma atividade de 
interpretação que não pode ser uma operação mecânica e meramente cognoscitiva. 
Por melhores que sejam os legisladores de um País, jamais será possível abarcar toda a 
complexidade da vida social e, além disso, todos os sistemas jurídicos aceitam o critério 
interpretativo de que a aplicação de uma norma não pode levar a um resultado irracional, 
absurdo ou incompatível com o princípio da isonomia.
No julgamento da Reclamação 4374, cabe recordar que o STF, no voto ministro Gilmar 
Mendes, destacou que o legislador deve tratar a matéria de forma sistemática. Isso signi-
fica dizer que todos os benefícios da seguridade social (assistenciais e previdenciários) 
devem compor um sistema consistente e coerente.
Com isso, podem-se evitar incongruências na concessão de benefícios, cuja conse-
quência mais óbvia é o tratamento anti-isonômico entre os diversos beneficiários das 
políticas governamentais.
(...)
De todo o modo, o princípio da uniformidade e equivalência das prestações devidas aos 
trabalhadores urbanos e rurais (parágrafo único do art.194 da CF/88) não compactua 
com distinções previdenciárias que não estejam amparadas em justificativas razoáveis, 
seja do ponto de vista da responsabilidade pelo recolhimento das contribuições ou no 
princípio da seletividade.
De efeito, se os trabalhadores verteram o mesmo número de contribuições, ou trabalha-
ram pelo mesmo período (nas situações em que a lei exige apenas a prova do trabalho), 
sendo todos segurados obrigatórios, não faz sentido que a manutenção da qualidade 
de segurado seja maior para uma categoria e menor para outra.
(...)
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Frederico MartinsVistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima indicadas, a 
Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos juizados Especiais Federais, 
por unanimidade, CONHECEU do incidente de uniformização e, por maioria, DEU-LHE 
PARCIAL PROVIMENTO, nos termos do voto do (a) Juiz (a) Federal DANIEL MACHADO 
DA ROCHA, que lavra o presente acordão.
(PEDILEF 05009466520144058400, JUIZ FEDERAL DANIEL MACHADO DA ROCHA, TNU, 
DOU 03/06/2016 PÁGINAS 79/167)
Essa orientação já foi também adotada pelo próprio INSS, no Ministério da Previdência 
Social, por meio da 21ª Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social: 
processo: 44232.065526/2014-91.
5.3. a equidade
Há algumas definições na doutrina para o conceito de equidade. Na origem da filosofia 
grega, foi Platão quem abordou primeiramente a equidade dentro de uma teoria da justiça. 
Entretanto, Aristóteles a desenvolveu com mais destaque, promovendo uma diferenciação 
entre equidade e justiça: aquela seria a justiça do caso concreto, dadas as circunstancias do 
caso, das partes, da sociedade, etc; essa ultima seria a imposição inflexível da norma.
Nos países de common law, baseados em um forte sistema de precedentes judiciais, a 
equidade é invocada como verdadeira fonte do Direito, sendo utilizada em um horizonte bem 
maior do que nos países de tradição normativa baseada no modelo de civil law. Nesses paí-
ses, a equidade é mero mecanismo de integração da norma jurídica, notadamente quando 
se tem em mira a determinação do 5º, da LINDB, no sentido de que na “aplicação da lei, o juiz 
atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”.
Contudo, para não haver particularizações indevidas de aplicação da lei, como justificativa 
de alcançar sempre a justiça do caso concreto e, por isso, atender às supostas finalidades 
sociais das normas, nosso ordenamento jurídico proíbe o uso indiscriminado do recurso va-
lorativo da equidade (até porque historicamente se trata de um conceito impreciso e aberto).
Essa proibição de uso indiscriminado é extraída tanto da cláusula constitucional do de-
vido processo legal e, ainda, da isonomia, quanto do art. 140, parágrafo único, do Código de 
Processo Civil, que deixa bem claro que o juiz “só decidirá por equidade nos casos previstos 
em lei”. Assim, atenção ao art. 140, parágrafo único, do Código de Processo Civil, que deixa 
bem claro que o juiz “só decidirá por equidade nos casos previstos em lei”. Esse dispositivo 
veda o uso, como regra, da equidade como fonte formal do Direito (excepcionando apenas nos 
casos previstos em lei, logo, por vezes a equidade pode sim ser fonte formal do Direito), não a 
vedando, entretanto, como fonte de integração das normas jurídicas (no campo do Direito da 
Seguridade Social, inclusive, a equidade como técnica supletiva de integração e interpretação 
da norma jurídico-previdenciária se encaixa como uma luva, digamos, na prescrição da regra 
de ouro da interpretação prevista no art. 5º, da LINDB28).
28 Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
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Além disso, nada obstante a regra geral acima, no campo do Direito da Seguridade Social, 
a equidade é fonte normativa formal no que toca especificamente à sua base principiológica 
do sistema de proteção social desenhado em nossa Constituição Federal de 1988. Refiro-me 
ao princípio da equidade na forma de participação no custeio, tal como previsto no art. 194, 
inciso V, da Constituição Federal de 1988. Veja-se, assim, que o próprio Constituinte Originário 
autorizou o uso da equidade especificamente para o regramento tributário relativo àqueles 
que vão financiar a Seguridade Social.
A equidade na forma de participação do custeio deve ser vista sob o aspecto da eleição daque-
les que funcionarão como bases financiadoras do sistema, bem como sob a ótica de que cada 
um desses que compõe essa base deverá ter a incidência das contribuições conforme suas 
capacidades contributivas.
No aspecto do trabalhador não é razoável que ele pague contribuições que onerem em demasia 
seu salário, tanto pela proteção ao salário mínimo, quanto pela irredutibilidade e intangibilidade 
da verba alimentar. Assim, o pagamento de contribuições previdenciárias deve atender às alí-
quotas diferenciadas conforme o tipo de segurado e, bem assim, sua capacidade contributiva.
Nesse sentido, um exemplo perfeito de equidade na forma de participação do custeio é o que 
veio com a Lei Complementar n. 126/03, que permitiu que certas categorias de segurados 
considerados de baixa renda possam pagar suas contribuições previdenciárias com base em 
alíquotas reduzidas.
Vemos nisso um consectário lógico do principio puro da solidariedade, eis que no sistema pre-
videnciário de repartição o fundo é composto por todos, não havendo cotas individualizadas 
como no sistema de capitalização.
De se perceber, portanto, que a equidade como principio do Direito da Seguridade Social 
funciona como um mandado de otimização da norma tributária no que se relaciona à ade-
quada, justa e proporcional oneração da capacidade contributiva daqueles que financiam o 
sistema de seguridade social no país (conforme art. 195, da CF/88).
A doutrina de LAZZARI menciona que um exemplo de uso de equidade no Direito da Seguri-
dade Social foi a equiparação da companheira como dependente previdenciária, mesmo antes 
da alteração legislativa que promoveu essa igualação. Mas ousamos não concordar com o 
ilustre doutrinador, eis que, em verdade, a inclusão da companheira se deve medida de ativismo 
judicial em razão de manifesta violação a direito fundamental, qual seja o direito à previdência.
Em casos de manifesta violação a direitos fundamentais, o Judiciário está sim autorizado 
a atuar anomalamente para assumir de modo particularizado e pontual a função normativa 
do Poder Legislativo, tão somente para impedir a violação ao direito. Veja-se que, de outro 
lado, como já referi a você, há um grande cuidado em se fazer isso na seara da Seguridade 
Social porque deve ser sempre levada em consideração o principio da contrapartida, que se 
desenha também como verdadeiro direito fundamental, todavia com natureza coletiva.
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No caso, contudo, já havia prévia fonte de custeio para o pagamento de benefícios de 
pensão por morte aos dependentes cônjuges, de modo que a ampliação pratica do numero 
de beneficiários em razão da equiparação do companheiro(a) como dependente não significa, 
por si só, violação ao principio da contrapartida.
Não se trata de majoração de beneficio ou ampliação da continência social, eis que o 
beneficio continua sendo pago com o mesmo formato de calculo e em virtude das mesmas 
contingencias sociais relacionadas ao cônjuge.
Por fim, para finalizar, podemos citar um caso no qual é possível perceber traços relativos 
de um julgamento por equidade na seara do Direito Previdenciário. Trata-se do julgamento 
do Recurso Especial 1479564/SP, por meio do qual o Superior Tribunal de Justiça entendeu 
pela concessão do benefício de auxílio-reclusão mesmo dianteda pequena ultrapassagem 
do limite relativo à renda do grupo familiar, conforme Portaria Interministerial.
Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
RECURSO ESPECIAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-RECLUSÃO. POSSIBILIDADE 
DE FLEXIBILIZAÇÃO DO CRITÉRIO ECONÔMICO ABSOLUTO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO 
PREVIDENCIÁRIA. PREVALÊNCIA DA FINALIDADE DE PROTEÇÃO SOCIAL DA PREVIDÊN-
CIA SOCIAL. RECURSO ESPECIAL DO INSS A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. O benefício de auxílio-reclusão destina-se diretamente aos dependentes de segu-
rado que contribuía para a Previdência Social no momento de sua reclusão, equiparável 
à pensão por morte; visa a prover o sustento dos dependentes, protegendo-os nesse 
estado de necessidade.
2. À semelhança do entendimento firmado por esta Corte, no julgamento do Recurso 
Especial 1.112.557/MG, Representativo da Controvérsia, onde se reconheceu a possi-
bilidade de flexibilização do critério econômico definido legalmente para a concessão 
do Benefício Assistencial de Prestação Continuada, previsto na LOAS, é possível a con-
cessão do auxílio-reclusão quando o caso concreto revela a necessidade de proteção 
social, permitindo ao Julgador a flexiblização do critério econômico para deferimento 
do benefício, ainda que o salário de contribuição do segurado supere o valor legalmente 
fixado como critério de baixa renda.
3. No caso dos autos, o limite de renda fixado pela Portaria Interministerial, vigente no 
momento de reclusão da segurada, para definir o Segurado de baixa-renda era de R$ 
710,08, ao passo que, de acordo com os registros do CNIS, a renda mensal da segurada 
era de R$ 720,90, superior aquele limite 4. Nestas condições, é possível a flexibilização 
da análise do requisito de renda do instituidor do benefício, devendo ser mantida a pro-
cedência do pedido, reconhecida nas instâncias ordinárias.
5. Recurso Especial do INSS a que se nega provimento.
(REsp 1479564/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 06/11/2014, DJe 18/11/2014)
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Perceba que o julgado acima, embora não mencione a equidade, admite a concessão do 
benefício tomando por base o caso concreto, notadamente pela razoabilidade da percepção de 
que não haverá mácula às finalidades da norma e, de outro lado, estará atendida a finalidade 
social da regra jurídica que impõe requisitos e, pela seletividade, elege aqueles que podem 
gozar do auxílio-reclusão.
É exatamente isso que a doutrina de MARIA HELENA DINIZ29 nos ressalta, ou seja, de que, em 
sendo atendida a finalidade primordial da norma jurídica e o interprete, portanto, não a desvirtuando, 
a equidade poderá ser considerada como meio supletivo de integração da regra jurídica. Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
(...) equidade ponderam-se, compreendem-se e estimam-se os resultados práticos que 
a aplicação da norma produziria em determinadas situações fáticas.
Se o resultado prático concorda com as valorações que inspiram a norma, em que se 
funda, tal norma deverá ser aplicada.
Se, ao contrário, a norma aplicável a um caso singular produzir efeitos que viriam a con-
tradizer as valorações, conforme as quais se modela a ordem jurídica, então, indubita-
velmente, tal norma não deve ser aplicada a esse caso concreto.
(...)
A equidade seria uma válvula de segurança que possibilita aliviar a tensão e antinomia 
entre a norma e a realidade, a revolta dos fatos contra os códigos.
5.4. os princípios gerais de direito
Os princípios gerais de Direito, como já enfrentado nos tópicos iniciais de nossa aula, 
revestem-se hoje de natureza indiscutível de fonte formal do Direito.
Embora estejam indicados no 4º, da LINDB como instrumento usado para suprir lacunas 
de nosso ordenamento jurídico, tratam-se, os princípios, de fontes direta da norma jurídica. 
Nada obstante, tendo em vista que carregam sempre grande carga axiomática, também po-
dem ser usados como forma de concluir eventuais omissões da lei, integrando-a por meio 
dos influxos de seus valores.
6. eFicácia das normas de seguridade social
6.1. os planos de checagem da norma Jurídica
A eficácia é um dos aspectos a serem considerados em relação a alguma norma existente 
em nosso ordenamento jurídico. Explicando melhor: quando falamos em norma, devemos 
passar por alguns planos de sua consideração. Esses planos são o da existência, da vigência, 
da validade e da eficácia.
29 DINIZ, Maria Helena, in Compêndio de Introdução à Ciência do Direito, 4ª Edição, 1992, São Paulo, citada por STOLZE, Pablo 
e Rodolfo Pamplona, in Novo Curso de Direito Civil, Parte Geral, 14ª edição. Editora Saraiva, 2012, São Paulo, pg. 65.
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O plano da existência decorre de sua simples edição, sanção (ou promulgação, no caso 
das Emendas Constitucionais) e assinatura (no caso de normas regulamentares). O plano da 
vigência origina-se da publicação da norma, podendo, contudo, ter vigência diferida no tempo 
em razão do prazo de vacatio legis que cada lei pode indicar (ou, na omissão, no prazo de 45 
dias, conforme o art. 1º, da LINDB).
O plano da validade se relaciona com a verificação de suas exigências de produção, tanto 
na ótica formal relacionada ao tramite procedimental de sua edição, quando à ótica material, 
relacionada aos controles de constitucionalidade, convencionalidade e legalidade. Por fim, o 
plano da eficácia, que se opera dentro da verificação da possibilidade da norma efetivamente 
produzir efeitos no mundo concreto (a publicação gera efeitos no mundo jurídico e a eficácia 
é o plano de análise de efeitos no mundo concreto).
6.2. a eFicácia social e técnica da norma de seguridade social
A eficácia deve ser verificada dentro do contexto de sua efetividade social e de seu con-
texto técnico30. A observação da efetividade social é feita mediante o questionamento da 
possibilidade social, econômica, politica, cultural, dentre outros aspectos, da norma jurídica 
ser imposta. Veja-se que o fato da lei não encontrar de imediato e, por si só, aceitação social 
e por isso, mitigando sua eficácia social, não a torna indesejável do ponto de vista jurídico.
Um exemplo é o julgamento da ADI 4983 pelo Supremo Tribunal Federal (constitucio-
nalidade ou não da vaquejada), por meio do qual entendeu-se que a prática da vaquejada é 
incompatível com a Constituição Federal de 1988.
JURISPRUDÊNCIA
Ministro Marco Aurélio, relator da ADI, considerou que os laudos constantes no processo 
demonstraram consequências nocivas à saúde dos animais como fraturas, ruptura de 
ligamentos, traumatismos e deslocamento da articulação do rabo e até o arrancamento 
dessa parte do corpo e outros danos causadores de dores físicas e sofrimento mental. 
Para o magistrado, a tortura e outros tipos de maus-tratos impostos aos bois na vaque-
jada são indiscutíveis e se enquadram no conceito de crueldade com animais, tal como 
expresso no artigo 225 da Constituição31.
O julgamento da referida ADI causou alvoroço nas frentes parlamentares de Estados nos 
quais é costume e comum a prática de vaquejada, como manifestação cultural. Esse movi-
mento contrário ao entendimento firmado no STF encontrou grande ressonância no Congresso 
Nacional, o que, por fim, levouà aprovação de uma Emenda Constitucional para incluir no art. 
225, da CF/88, o § 7º, que permite, em tese, a prática considerada nefasta pela Corte Suprema 
(Emenda Constitucional n. 96/2017).
30 STOLZE, Pablo e Rodolfo Pamplona, in Novo Curso de Direito Civil, Parte Geral, 14ª edição. Editora Saraiva, 2012, São Paulo, pg. 113.
31 Extraído de:
 https://www12.senado.leg.br/emdiscussao/edicoes/vaquejada/vaquejada/supremo-decidiu-sobre-conflito-entre-direitos, 
em 09/12/19, às 14:34.
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Cabe aguardar o desfecho de uma nova ação direta de inconstitucionalidade para dar um 
desfecho na controvérsia, agora travada entre o Poder Legislativo Federal e Supremo Tribu-
nal Federal (para saber mais, consulte as ADIs 5.728 e 5.772). De todo modo, o que importa 
mencionar é que a decisão vinculante do Supremo Tribunal Federal, em gerando efeitos vincu-
lantes e erga omnes, constituiu-se de verdadeira fonte formal do Direito, produzindo norma a 
ser cumprida (um non facere, relativo à proibição da prática da vaquejada). Mas a efetividade 
social dessa norma encontrou sérios impasses na realidade cultural de regiões do Brasil, 
algo que, conquanto não retire a validade da imposição normativa, enfraquece-a no quanto 
relativo a sua eficácia.
Já a eficácia técnica se refere à existência de condições normativas secundárias para a 
aplicação da lei, tal como a necessidade de algum instrumento normativo regulamentador.
6.3. classiFicação das normas quanto a sua eFicácia
Nada obstante, tem-se entendido que as normas veiculadoras de direitos fundamentais 
possuem plena aplicabilidade, em caso de omissão do legislador quando esse é demandado 
pelo Constituinte a agir na produção normativo-regulamentar, mas se mantém na inercia.
No bojo da avaliação da eficácia que cada norma carreia ao ordenamento jurídico, po-
demos arrolar certas funções eficaciais: função de bloqueio (função impeditiva, de bloqueio 
de algum comportamento); função de programa (são as normas programáticas); função de 
resguardo (objetivam resguardar e garantir alguma conduta determinada, tal como os direitos 
fundamentais relacionados aos direitos autorais). Já a clássica tipologia da eficácia das normas 
constitucionais dada por JOSÉ AFONSO DA SILVA orienta que os dispositivos da Constituição 
podem veicular:
normas de eficácia plena (regra geral)
normas de eficácia contida (exemplo no art. 5º, XIII, CF/8832)
normas de eficácia limitada (exemplo no art. 40, § 1º, da CF/88, agora, em verdade, constante do 
art. 40, § 4º-A, da CF/88, com a nova redação dada pela EC 103/19).
Com relação às normas de eficácia limitada, há de ser lembrada a questão relativa ao ar-
tigo acima mencionado, que trata da aposentadoria especial para os servidores públicos com 
deficiência, para aqueles que exercem atividades de risco e, por fim, para aqueles que exercem 
condições que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Desde a Emenda Constitucional 
n. 20/98, passando pela Emenda Constitucional n. 47/05, até a Emenda Constitucional n. 
103/19, há a previsão constitucional daquelas espécies especiais de aposentadoria.
Ocorre que sempre foi necessária, por imposição do Constituinte Derivado, a edição de 
lei complementar para que esses benefícios fossem efetivamente criados, sendo aquelas 
normas constitucionais, pois, de eficácia limitada. O problema é que essa lei complementar 
32 XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
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até hoje não sai do papel, digamos, permanecendo em mora o Poder Executivo. Lembre-se 
que a iniciativa de projetos de lei em relação aos servidores públicos da União é do Presidente 
da República, conforme o art. 61, § 1º, alínea “c”, da CF/88 e, além disso, é vedada a edição 
de medidas provisórias em relação a matérias reservadas a leis complementares, o que é o 
caso (art. 62, § 1º, III, da CF/88).
A única categoria de servidores públicos que possuem previsão em lei complementar de 
aposentadoria especial é das carreiras policiais (Lei Complementar n. 51/85, com as altera-
ções dadas pela Lei Complementar n. 144/14). Nesse contexto, o Supremo Tribunal Federal, 
em 09/04/2014, aprovou a Súmula Vinculante 33, que assim diz:
JURISPRUDÊNCIA
Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de Previdência 
Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da 
Constituição Federal, até edição de lei complementar específica.
Tal sumula visou dar fim aos sucessivos e intermináveis mandados de injunção impetra-
dos pelos servidores públicos a fim de garantirem a possibilidade de aposentadoria especial, 
tendo em vista a inexistência de norma regulamentadora do art. 40, então § 4º, da CF/88.
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reSUMo
Fontes do Direito da Seguridade Social
• conceito de fonte do direto: o nascedouro da norma, que somente nasce se vier dotada 
de bilateralidade, generalidade, abstratividade, imperatividade e coercibilidade.
• as fontes do direito podem ser materiais ou formais.
• atenção à era do positivismo: fontes matérias oriundas unicamente da atividade parla-
mentar em sentido estrito.
• atenção à era do pós-positivismo: expansão da abertura dialógica das fontes materiais.
• Fonte formal suprema: Constituição.
• FONTES MATERIAIS DO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL: os fatos sociais, políticos e 
econômicos que ensejam o surgimento da norma jurídica previdenciária. Ou seja, é tudo 
aquilo que propicia, motiva e estimula o surgimento da lei e, dessa maneira, da norma 
relativa à seguridade social. Uma fonte material do Direito da Seguridade Social, pois, pode 
ser facilmente exemplificado pelo déficit nas contas públicas relacionado à Previdência 
Social no país. A necessidade de equilíbrio das contas públicas é fonte material clara do 
Direito da Seguridade Social, fazendo com que o Congresso Nacional vote atos normati-
vos (emendas constitucionais, leis ordinárias, etc) que possam atender às contingências 
socioeconômicas advindas daquelas circunstâncias financeiras atuais do Estado.
• FONTES FORMAIS DO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL: são os atos editados pelo 
Poder Legislativo e Poder Executivo (e, em alguns casos, também pelo Poder Judiciário, 
pois, como se sabe, todos os Poderes da República exercem funções atípicas, não sendo 
impossível, aliás, frequente, que o Poder Judiciário necessite editar normas internas que 
repercutam em elementos regulamentadores de benefícios previdenciários afetos ao seu 
regime próprio, para aqueles servidores e juízesque ainda mantêm seus regimes previ-
denciários destrelados do RGPS e do Funpresp-Jud) que geram efetivamente o poder de 
comando e de império estatal nas relações subjetivas das pessoas, no caso, criando, 
majorando, modificando ou extinguindo direitos relativos à seguridade social.
• há duas observações importantes sobre as fontes formais de caráter infralegal: (i) elas 
não podem contrariar a lei, sob pena de exorbitarem de seu poder regulamentar; e (ii) 
criam efeito vinculante para a própria Administração Publica, ressalvado, claro, o poder 
de autotutela, ou seja, de a Administração revogar ou anular seus próprios atos adminis-
trativos quando inconvenientes ou contrários à lei.
• as principais fontes formais do Direito da Seguridade Social são: Lei n. 8.212/91; Lei 
n. 8.213/91; Lei n. 8.742/93; Lei n. 9.717/88; Lei n. 10.779/03; Lei n. 12.101/09; Lei n. 
12.618/12; Lei Complementar n. 142/13; Lei Complementar n. 152/15.
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• as leis complementares, no Direito da Seguridade Social elas estão previstas apenas no 
art. 195, § 4º, c/c art. 154, inciso I, ambos da CF, que diz que a “lei poderá instituir outras 
fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”.
• as medidas provisórias são bastante frequentes na seara do Direito da Seguridade Social, 
conquanto nem sempre venham dotadas dos requisitos de relevância e urgência para 
suas edições.
• os decretos legislativos podem ser vistos por vezes como fonte formal do Direito da Se-
guridade Social, eis são os instrumentos normativos que permitem a veiculação interna 
de tratados, convenções e acordos internacionais. Permite-se, com os decretos legis-
lativos, a expansão do chamado bloco de constitucionalidade em matéria de Direito da 
Seguridade Social.
• na previsão do art. 85-A, da Lei n. 8.212/91, cuja redação diz que os “tratados, convenções 
e outros acordos internacionais de que Estado estrangeiro ou organismo internacional e o 
Brasil sejam partes, e que versem sobre matéria previdenciária, serão interpretados como 
lei especial”.
• o Decreto n. 3.048/99 é o mais importante ato do Poder Executivo na seara do Direito 
Previdenciário, explicitando e detalhando o conteúdo legal presente na Lei n. 8.213/91.
• os costumes não são fontes formais do direito previdenciário ou, mesmo, da seguridade 
social.
• a jurisprudência é mero meio de integração do Direito, nada se revelando como fonte 
formal da norma previdenciária, sobretudo em sistema jurídico como o nosso baseado 
no modelo de civil law.
• as súmulas vinculantes são novas fontes do Direito a partir de decisão do Supremo 
Tribunal Federal, encontrando guarida constitucional por meio do art. 103-A, da CF/88.
• as decisões sumuladas do Conselho de Recursos da Previdência Social são fontes do 
direito da Seguridade Social.
• a doutrina não é fonte do Direito da Seguridade Social.
• a equidade não é fonte do Direito da Seguridade Social, apenas método integrativo.
• os princípios de Direito não escritos (implícitos) e escritos (explícitos), são fontes do 
Direito da Seguridade Social.
• a força normativa dos princípios: os princípios deixaram de ser meros meios de integração 
das normas jurídicas, mas sim efetivas fontes do Direito.
• não há principio absoluto, sendo sempre necessário e indispensável que se faça a devida 
ponderação de interesses constitucionalmente envolvidos para se definir qual é a norma 
do caso.
• os princípios veiculam standards normativos, definidores de um padrão jurídico a ser 
seguido por todos os sistemas legais de um determinado Direito Objetivo.
• NÃO existe hierarquia entre princípios e regras.
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interpretação das normas de Seguridade Social
• a tipologia das normas de seguridade social: há normas que cuidam da entrada do segu-
rado no regime normativo de proteção social; normas que cuidam de sua manutenção ou, 
ainda, extinção de seu vínculo jurídico com um determinado regime jurídico-previdenciário; 
normas que cuidam da manutenção e da arrecadação dos sistemas de proteção social, 
especialmente no que troca ao seu custeio e financiamento.
• os tipos de normas da Seguridade Social são: normas de filiação, ou de vinculação; 
normas de proteção, ou de amparo; normas de custeio, de natureza tributária; normas 
de manutenção do valor real dos benefícios; normas de irredutibilidade dos benefícios.
• as normas de seguridade social são normas direito fundamental de 2ª dimensão, veicu-
ladoras de direitos sociais.
• atenção à máxima efetividade dos direitos fundamentais.
• atenção ao princípio universal da proteção da dignidade da pessoa humana, que pode 
ser representado pelo axioma principiológico pro homine.
• atenção sempre à interpretação mais favorável à pessoa humana, no que toca às normas 
de Seguridade Social.
• a interpretação mais favorável volta-se para a norma e não para os fatos
• a dúvida que favorece a pessoa, pelo principio pro homine, não é a duvida dos fatos, mas 
sim a duvida, a ambivalência hermenêutica, em relação a norma em abstrato.
• a interpretação da norma de Seguridade Social necessariamente se coadunará com os 
fins sociais a que ela se destina.
• na interpretação das normas jurídicas do Direito da Seguridade Social é preciso que seja 
lembrado que suas fontes formais mais proeminentes provêm diretamente da Constitui-
ção Federal de 1988 e, bem assim, das Emendas Constitucionais que já estudamos no 
Capítulo I de nosso curso.
• estudo da interpretação das normas de Seguridade Social deve ser feito compartimentado 
em dois momentos: um relacionado à hermenêutica constitucional e outro relacionado 
à hermenêutica clássica.
• estudar a interpretação das normas jurídicas, pois, é estudar a hermenêutica jurídica.
• a palavra hermenêutica tem sua etimologia derivada do grego “hermeneuein” (que significa 
declarar, anunciar e esclarecer).
• a hermenêutica é feita por técnicas e métodos de interpretação da norma jurídica.
• atenção para o fato de que hoje, no pós-positivismo, a subsunção da norma jurídica ao 
fato não pode decorrer simplesmente de automatismo, de um processo mecânico, ex-
traído mediante processo superficial de pura leitura mecanizada.
• a norma jurídica é extraída de um conjunto técnicas e instrumentos que dão azo à razoável 
intepretação do correspondente dispositivo legal.
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• sobre técnicas, critérios e métodos de interpretação, não há, em verdade, um absoluto 
consenso na doutrina acerca de suas particularizações classificatórias.
• hermenêutica clássica: de um modo geral, é possível apontar os seguintes ELEMENTOS 
ou CRITÉRIOS interpretativos clássicos: o elemento gramatical (que permite a interpreta-
ção literal); o elementológico (que permite a interpretação lógica, decorrente de proces-
sos racionais dedutivos ou indutivos); o elemento histórico (que permite a interpretação 
histórica); o elemento sistemático (que permite a interpretação sistemática) o elemento 
teleológico (que permite a interpretação teleológica ou finalística).
• quanto aos MÉTODOS clássicos, são os seguintes: a) quanto à origem, temos o método 
doutrinário, o método jurisprudencial, o método autêntico; b) quanto aos resultados, temos 
o método declarativo, o método extensivo, o método restritivo.
• hermenêutica constitucional: conforme UADI LAMMÊGO BULOS33, “os métodos modernos 
de interpretação constitucional nada mais são do que uma releitura de velhos artifícios 
hermenêuticos, como nova roupagem, de modo a se adaptarem às exigências das cons-
tituições modernas”.
• podemos arrolar os seguintes MÉTODOS específicos de interpretação da norma cons-
titucional: método CIENTÍFICO-ESPIRITUAL, método TÓPICO-PROBLEMÁTICO, método 
NORMATIVO-ESTRUTURANTE, método HERMENÊUTICO CONCRETIZADOR.
Aplicação das normas de Seguridade Social
• o processo de aplicação das normas jurídicas começa com o conceito de subsunção da 
norma jurídica, cuja operação parte da adequação de uma norma-tipo a um fato, a fim 
de se criar, no caso, uma norma-fato.
• por meio da subsunção, faz-se um “silogismo jurídico”, por meio do qual se encaixa uma 
premissa menor (fato) em uma premissa maior (lei), extraindo-se disso uma conclusão 
que se traduz na norma jurídica aplicável ao caso.
• a realização desse silogismo, ou seja, o encaixe, é propiciado pela interpretação da pre-
missa maior, por meio das técnicas e métodos de hermenêutica.
• a aplicação da norma pelo processo subsuntivo encontrou seu nascedouro no positivismo 
jurídico, com o fortalecimento do Estado de Direito, sobretudo, após a Revolução Francesa.
• na era dos Estados Absolutistas prevalecia a máxima “the King do not wrong”, de modo 
que não havia lei previamente definida.
• o Rei conjugava todos os atributos do Poder Estatal (“legislava”, executava e julgava).
• séculos mais tarde (século XIX), o positivismo jurídico consolidou-se no chamado Esta-
do Legislativo, atribuindo-se, assim, um papel dominante, senão exclusivo, à legislação 
como fonte do direito. A Codificação Napoleônica passou a o expoente dessa nova era, de 
modo que a lei torna-se a fonte principal do direito, exigindo-se, nessa toada, o exercício 
de subsunção normativa do aplicador da lei.
33 BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. 6ª ed. Rev. E atual. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 448.
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• modernamente, falar sobre subsunção é falar, por fim, sobre a Teoria Pura do Direito, de 
Hans Kelsen, que nas primeiras linhas de sua obra afirmou que a “Teoria Pura do Direito 
é uma teoria do Direito Positivo”.
• entretanto, vivemos hoje no pós-positivismo, cujo movimento neoconstitucionalista é o 
seu maior expoente, mediante o abandono da mera subsunção da norma positivada por 
outras teorias que retomam a argumentação jurídica. O silogismo jurídico ainda opera 
para se extrai a aplicação da norma, mas é importante que o interprete da lei esteja atento 
a outros influxos valorativos no momento da conjunção entre a premissa maior (lei) e 
premissa menor (fato).
• a aplicação da “lei” no tempo: questões sobre direito intertemporal.
• em regra, a lei previdenciária possui vigência imediata, mas no campo do Direito da Se-
guridade Social, há certas peculiaridades que devem ser observadas quando falamos de 
direito intertemporal.
• exceção para as normas de seguridade social relacionadas ao custeio do sistema de 
proteção social estatal: observância do princípio da anterioridade nonagesimal (garantia 
constitucional não expressa no art. 5º, da Constituição Federal de 1988).
• a vacatio legis nas normas de Seguridade Social não possuei peculiaridades, de modo 
que é dado pela própria lei ou, em caso de silencio quanto a isso, o prazo dado pelo art. 
1º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei n. 4.657/42), ou seja, 
o prazo de 45 dias depois de oficialmente publicada.
• pode a própria lei dar prazos de vacatio legis diferenciados para certos artigos da própria 
lei. Exemplo disso é o da Lei n. 13.135, de 17 de junho de 2015, que previu em seu art. 6º 
prazos diferenciados de vacatio legis para certos dispositivos, notadamente por conta 
da proteção, razoável, de deficientes intelectuais e mentais.
• o princípio da irretroatividade: aplicável ainda que haja, como no Direito Penal, norma mais 
benéfica para o segurado ou beneficiário da seguridade social. Ou seja, não importa se 
a nova lei vai beneficiar o segurado, ela jamais retroagirá.
• o princípio do tempus regit actum em matéria relacionada aos benefícios da segurida-
de social: a data da ocorrência do fato gerador da contingencia social é sempre marco 
temporal para se definir qual a norma de Seguridade Social incidente. Exemplo: a data 
do óbito é o marco temporal para se verificar qual a legislação aplicável em termos de 
concessão de beneficio previdenciário.
• exceção à regra da irretroatividade da lei em matéria de Direito da Seguridade Social: ob-
servar o disposto no art. 106, do Código Tributário Nacional. Além disso, a Constituição 
Federal de 1988, o art. 150, inciso III, expressa claramente que é vedado à União, aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrarem tributos “em relação a fatos gera-
dores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado”.
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• a retroatividade da norma de custeio quando for interpretativa: somente ocorrerá se hou-
ver benefício fiscal no entendimento de norma tributária já existente. A lei interpretativa 
não veicula conteúdo novo no ordenamento jurídico, mas sim explica e clarifica preceito 
normativo já existente. Daí que, por preservação do princípio da não surpresa em matéria 
fiscal, bem como da própria anterioridade da norma tributária, somente pode incidir nos 
fatos geradores anteriores se não for realmente impositiva de sanção fiscal.
• as normas de custeio da Seguridade Social que eventualmente veicularem sentido in-
terpretativo a alguma outra norma tributária anterior terão retroatividade, ressalvada a 
imposição de penalidade em razão da nova interpretação dada. Obviamente se trata de 
regra protetiva, ou seja, se for para beneficiar retroagirá.
• quando houver interpretação desfavorável que gere novo dever para a parte, deve ser ob-
servado o art. 23, da LINDB, ou seja, deverá haver a fixação pela autoridade julgadora de 
um regime normativo de transição, a fim de que não haja violação ao princípio da boa-fé 
objetiva, da não surpresa e, bem assim, do próprio postulado do devido processo legal, 
seja ele em sua acepção formal ou substancial.
• direito adquirido: se houver, por exemplo, a concessão de aposentadoria por idade no 
regime da lei previdenciária antes das reformas advindas com a Emenda Constitucional 
n. 103/19, as novas normas constitucionais que impõem idade mínima para a aposenta-
doria por idade do trabalhador urbano (para os homens, aidade mínima continua sendo 
de 65 anos, mas para as mulheres a idade mínima aumentou para 62 anos), o direito 
adquirido protege a concessão anterior. No caso, para garantir a incorporação do direito 
a tal benefício ao seu patrimônio jurídico, não será necessário que a concessão tenha 
se dado antes da Emenda Constitucional n. 102/19. Tampouco será necessário que o 
respectivo requerimento administrativo junto ao INSS tenha sido feito antes daquela 
emenda constitucional.
• o que vai ser determinante para se falar em direito adquirido à aposentadoria nos moldes 
da norma anterior é a verificação, no caso, de que todos os elementos constitutivos do 
direito esperado já tenham sido cumpridos e satisfeitos pelo seu sujeito ativo.
• não há se falar no Direito da Seguridade Social de ultratividade da lei mais benéfica, dife-
rentemente do que ocorre no Direito Penal. Não importa se a lei nova é mais benéfica ou 
prejudicial ao segurado, ela não se aplicará aos fatos que não foram verificados na sua 
vigência. Se um benefício de pensão por morte foi concedido na vigência da lei anterior 
que previa um coeficiente menor do salário de benefício, as prestações previdenciárias 
não poderão ser revistas unicamente pelo fato de haver, agora, nova lei com coeficiente 
de cálculo do salário de benefício melhor.
• não existe direito adquirido a regime jurídico. O fato de uma pessoa estar filiado a um 
determinado regime previdenciário e ter, com isso, a expectativa de direito de que em 
um determinado tempo de vida, com determinada soma de contribuições, ele poderá se 
aposentar, não significa isso direito adquirido.
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• as normas de transição são uma escolha do Constituinte Derivado, algo que se viu, in-
clusive, em todas as Emendas Constitucionais relacionadas às reformas previdenciárias 
no Brasil.
• o art. 23, da LINDB não impõe que haja sempre uma norma de transição para as inovações 
legislativas, porque esse dispositivo legal se dirige apenas às decisões “administrativa, 
controladora ou judiciais” que estabelecerem interpretação ou orientação nova sobre 
norma de conteúdo indeterminado.
• não é possível falar em aproveitamento dos aspectos positivos de duas leis no tempo, ou 
seja, os pontos favoráveis da norma anterior e, conjuntamente, da norma nova.
• o ato jurídico perfeito: aqui se aplicam os mesmo critérios de proteção relacionados ao 
direito adquirido, devendo se considerar igualmente o princípio do tempus regit actum. 
No campo do Direito da Seguridade Social o marco será sempre a ocorrência da contin-
gencia social objeto da proteção estatal.
• julgamento do TEMA 176 da TNU – Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência 
dos Juizados Especiais Federais, deve-se adotar o regime normativo de carência vigente 
no momento do surgimento da incapacidade.
• outro exemplo de proteção do ato jurídico perfeito na esfera do Direito da Seguridade 
Social: é o relativo à comprovação de atividades consideradas nocivas para efeito de 
reconhecimento de tempo especial. Em havendo mudança das normas relacionadas à 
caracterização e, consequentemente, comprovação de períodos relacionados à atividades 
especiais de trabalho ou, ainda, a categorias peculiares de filiados do RGPS, é de se ter 
em mira o citado princípio tempus regit actum e, por conseguinte, a proteção do direito 
adquirido na legislação outrora vigente.
• no que se relaciona à comprovação documental, por exemplo, de certos vínculos exerci-
dos em condições nas quais havia a presença de agentes nocivos (físicos, químicos ou 
biológicos), a proteção ao ato jurídico perfeito permite que os documentos então exigíveis 
na época desses vínculos seja suficiente à demonstração formal de que havia atividade 
especial, mesmo que posteriormente tenha havido alteração da lei para exigir outro tipo 
de documentação.
• o tempo de serviço é regido pela lei vigente à data de sua prestação, assim, as atividades 
prestadas sob condições especiais se efetivam sob os critérios estabelecidos pela lei 
vigente à época em que o segurado realizou a atividade, passando a integrar, como direito 
autônomo, o patrimônio jurídico do trabalhador.
• a coisa julgada: na dição da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, em seu 
art. 6º, § 3º, da coisa julgada é a “decisão judicial de que não caiba recurso”.
• as sentenças relacionadas a benefícios por incapacidade: é importante você entender 
que o conceito de incapacidade é dinâmico e variável no tempo, exigindo analise particu-
larizada para cada segurado e, bem assim, para cada patologia incapacitante detectada 
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em perícia médica. Havendo reconhecimento judicial da incapacidade e consequente 
concessão do benefício previdenciário de auxílio por incapacidade temporária ou apo-
sentadoria por incapacidade permanente, não significará isso qualquer mácula à coisa 
julgada formada no processo anterior. É que a coisa julgada em processos previdenciários 
relacionados à incapacidade laboral possui natureza rebus sic stantibus, ou seja, entram 
e se petrificam no mundo jurídico conforme o estado das coisas conhecidas pelo Juízo 
na oportunidade do julgamento.
• possibilidade do INSS revisar ou cancelar benefícios previdenciários concedidos judicial-
mente e já acobertados pela coisa julgada: SIM, mas com ressalvas óbvias, pois permitir 
a ampla possibilidade de revisão administrativa de sentenças judiciais é chancelar uma 
interferência totalmente anômala de um Poder em outro, ferindo de morte, além disso, 
a garantia fundamental da inafastabilidade da tutela jurisdicional (art. 5º, inciso XXXVI).
• jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: não é exigível o paralelismo de formas 
para a revisão administrativa, sendo dispensável que o INSS intente ação revisional para 
cessar benefício concedido judicialmente, desde que seja respeitado o devido processo 
legal e seus consectários (contraditório e ampla defesa do segurado), conforme INFOR-
MATIVO 536, do STJ (de 26/03/2014).
• qualquer corte que não respeite a coisa julgada é, em verdade, descumprimento de ordem 
judicial. De outro lado, vedar completamente a revisão de um benefício apenas porque ele 
foi implantado por ato judicial, após sentença ou liminar, não é condizente com a própria 
natureza desses benefícios, os quais, como dito, são concedido sempre rebus sic stantibus.
• cessão programada de benefícios concedidos judicialmente, pode o INSS promover a 
chamada alta programada, em caso de não demarcação do tempo de cessação na sen-
tença transitada em julgado. Essa possibilidade decorreu das inovações legais advindas 
por meio das Medidas Provisórias n. 739/2016 e 767/2017, as quase, posteriormente, 
restaram convertidas na Lei n. 13.457/17, permitindo a cessação do benefício em 120 
dias se não houver data de cessação apontada administrativa ou judicialmente.
• sobre isso, o entendimento fixado na TNU, no julgamento do representativo de contro-
vérsia n. 0500774-49.2016.4.05.8305/PE, orientou-se para fixar a inexistência de obri-
gação do INSS em marcar a chamada “perícia de saída”, ou seja, aquela que é marcada 
automática e obrigatoriamentepela autarquia previdenciária antes de cessar o benefício. 
A TNU, apreciando aquele recurso representativo de controvérsia (PEDILEF n. 0500774-
49.2016.4.05.8305/PE), definiu o seu TEMA 164. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça 
não comunga do mesmo entendimento, tendo proferido reiteradas decisões no sentido 
de que a alta programada é contrária ao ordenamento jurídico vigente e que não pode 
haver cessação do benefício sem perícia médica prévia, acompanhada de processo ad-
ministrativo que assegure ao segurado o contraditório.
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• a aplicação da “lei” no espaço: a regra da lei previdenciária é a da territorialidade, ou seja, 
incide a lei previdenciária brasileira às relações jurídicas de trabalho desenvolvidas em 
território nacional, nos moldes das categorias de segurados definidos na Lei n. 8.213/91 
e na Lei n. 8.213/91.
• exceção: na segunda parte do art. 11, inciso I, alínea “d”, da Lei n. 8.213/91, no que toca 
ao “não-brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela le-
gislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular”.
• o Supremo Tribunal Federal entendeu pela constitucionalidade da pretensão ao recebimen-
to de benefício assistencial previsto na Lei n. 8.472/93 (LOAS) por parte de estrangeiro 
residente no país (RE 587970, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado 
em 20/04/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-215 DI-
VULG 21-09-2017 PUBLIC 22-09-2017).
• a extraterritorialidade é, portanto, exceção no ordenamento jurídico brasileiro relativo à 
seguridade social. Vejamos os casos em que isso pode ocorrer, por expressa determi-
nação da Lei n. 8.213/91: art. 11, inciso I, alínea “c” “e”, “f” da Lei n. 8.213/91, bem como 
art. 11, inciso V, alínea “e”, da Lei n. 8.213/91.
• em todas as situações, se houver cobertura por regime próprio de previdência social do 
país estrangeiro, não haverá cobertura brasileira, cessando a extraterritorialidade da lei 
nacional.
Antinomias normativas
• tendo em vista a considerável quantidade de normas de Seguridade Social, é natural e 
bastante possível que haja aparente choque entre elas, com conflitos de regramentos 
os quais devem ser resolvidos, portanto, pelo aplicador da lei a fim de imputar a correta 
solução ao caso.
• fala-se nessa situação em antinomia, a qual, segundo a melhor doutrina, é sempre apa-
rente e não real. Isso, evidentemente, decorre de uma ficção jurídica, pois a produção 
legislativa é obviamente falha, decorrendo da natureza humana falível, de maneira que 
pode sim apresentar ao ordenamento sistemas ou meramente regras que literalmente 
podem se chocar.
• a questão se resolve por princípios interpretativos e critérios de solução para tais conflitos.
• existem duas ocorrências frequentes que representam esse aparente conflito de normas: 
uma relativa a normas de distintas posições em nosso ordenamento jurídico e outra re-
lativa a normas de igual hierarquia. Dentro dessas duas ocorrências, pode-se falar ainda 
em uma terceira hipótese de conflito aparente, relativa à intertemporalidade de leis, ou 
seja, conflitos de lei no tempo.
• no choque aparente entre um dispositivo constitucional e um dispositivo legal, portanto, 
infraconstitucional, o conflito se resolve pelo critério hierárquico, com base na Pirâmide 
Normativa de Kelsen, segundo a qual, a Constituição prevalece sobre todas as demais 
normas do ordenamento jurídico.
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• a doutrina clássica sobre resolução de conflitos aparentes de normas remonta às lições 
de NORBERTO BOBBIO, por meio dos seguintes critérios de solução de antinomias: critério 
cronológico, critério da especialidade e critério da hierarquia.
• pode ser necessário incidir mais de um critério em certos casos, de modo que, nesse 
caso, fala-se em antinomia de 2º grau. Quando se usa apenas um desses critérios, fala-se 
em antinomia de 1º grau.
• quando duas normas constitucionais estiverem incidindo ao mesmo tempo, não se fala 
em conflito aparente de normas, mas em ponderação de interesses e princípios consti-
tucionais, o que se atinge por conta da unidade da Constituição e, bem assim, por meio 
dos métodos específicos de hermenêutica constitucional.
• com relação à prevalência do princípio pro homine na Seguridade Social, o vértice da Pi-
râmide de Kelsen deixa de ser sempre a Constituição e passa a ser sempre a norma mais 
favorável, ainda que ela esteja na base da estrutura piramidal de nosso ordenamento.
• oriento a você a responder nas provas que, tudo bem, a norma mais favorável é aquela 
que vai prevalecer quando falamos em Direito da Seguridade Social, mas tome cuida-
do com afirmações absolutistas quando negamos a Constituição, pois tal documento 
dogmaticamente é soberano e absoluto (claro, quando respeita seus pilares existenciais 
mínimos, dentre eles a previsão de que haja a proteção dos direitos humanos).
• então, o principio da norma mais favorável deve ser lido dentro de um contexto maior e, 
sempre com uma visão consequencialista do interprete.
integração das normas de Seguridade Social
• o processo de integração da norma jurídica visa preencher vazios na moldura positiva de 
nosso ordenamento jurídico. Trata-se de preencher, de colmatar, as lacunas, os vazios, 
as fendas existentes em nosso complexo de fontes formais do Direito.
• na impossibilidade de se eximir de julgar alegando lacuna ou obscuridade da lei, o juiz 
deve se valer dos caminhos propostos no art. 4º, da LINDB.
• a analogia: a premissa básica e inicial para o emprego de analogia é a percepção da 
inexistência de norma jurídica que regule o caso em apreço.
• a analogia é diferente do que se concebe como interpretação analógica: aquela é o preen-
chimento total pelo julgador de um vazio normativo sobre o fato; essa é a colmatação 
pontual e parcial de um determinado elemento descritivo da norma por meio de uma 
formula, ou standard normativo, dado pela própria norma.
• exemplo de interpretação analógica: julgamento da ADPF 132 (proteção previdenciária 
aos casais homoafetivos).
• a analogia possui duas subclassificações, quais sejam: analogia legis e analogia iuris.
• a analogia pode ser realizar uma heterointegração (busca de elementos de colmatação 
em outras fontes normativas) e uma autointegração (busca de elementos de colmatação 
na própria fonte normativa, por meio dos costumes, princípios de Direito e equidade nos 
casos expressamente previstos pela lei).
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• a analogia in malam partem no Direito da Seguridade Social é obstada pelo princípio pro 
misero (princípio pro homine).
• os costumes: pratica geral, reiterada, constante, notória e, por fim,aceita como social-
mente corretas, desde que não seja contrário a lei posta.
• o costume somente ganha relevância jurídica normativa quando é composto de um elemento 
objetivo e de um elemento subjetivo. O elemento objetivo deriva da percepção espacial e 
temporal da invocação de uma determinada prática social. Já o elemento subjetivo deriva 
da vontade e da convicção de obrigatoriedade da prática como necessidade social34.
• tipos de costume: “praeter legem”, “secundum legem” e “contra legem” (costume contrário 
à lei), sendo que esse ultimo não pode ser juridicamente aceito. Mas há quem aponte 
que o costume “contra legem” pode ser revelar em duas hipóteses: a primeira por meio 
do desuso e a segunda por meio uma pratica ab-rogatória da lei, em franca intensão de 
ir contra as suas disposições. Mas ambas as formas não podem ser aceitas (isso, pelo 
menos, no âmbito do Direito da Seguridade Social, que exige a rígida manutenção do sis-
tema por meio do equilíbrio financeiro e atuarial de seus mecanismos).
• o costume praeter legem e secundum legem funciona como elemento de integração da 
norma jurídica do Direito da Seguridade Social, jamais fonte formal. Pode ser, contudo, 
fonte material, na medida as fontes materiais revelam o nascedouro das normas jurídicas, 
decorrente das dinâmicas sociais, econômicas e politicas em uma determinada época e 
em uma determinada sociedade.
• exemplo do costume para integrar a norma jurídica previdenciária é o relativo à flexibiliza-
ção da exigência de apresentação de início de prova material para os trabalhadores rurais 
“bóias-frias”. Essa temática foi enfrentada no julgamento do TEMA 554, do Superior Tribu-
nal de Justiça, por meio do REsp 1321493/PR, de modo que a tese fixada foi a seguinte: 
“considerando a inerente dificuldade probatória da condição de trabalhador campesino, 
a apresentação de prova material somente sobre parte do lapso temporal pretendido 
não implica violação da Súmula 149/STJ, cuja aplicação é mitigada se a reduzida prova 
material for complementada por idônea e robusta prova testemunhal”.
• outro exemplo: possibilidade de extensão do período de graça também para o segurado 
especial, permitindo-se que essa categoria de segurado também faça uso dos prazos 
previstos no art. 15, da Lei n. 8.213/91. Tal consideração analógica já se encontra sedi-
mentada no âmbito da TNU, no julgamento do PEDILEF 05009466520144058400.
• a equidade: foi Platão quem abordou primeiramente a equidade dentro de uma teoria da 
justiça, mas Aristóteles a desenvolveu com mais destaque, promovendo uma diferenciação 
entre equidade e justiça: aquela seria a justiça do caso concreto, dadas as circunstancias 
do caso, das partes, da sociedade, etc; essa ultima seria a imposição inflexível da norma.
34 STOLZE, Pablo e Rodolfo Pamplona, in Novo Curso de Direito Civil, Parte Geral, 14ª edição. Editora Saraiva, 2012, São Paulo, 
pg. 65.
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• é maciçamente usada nos países de common law, baseados em um forte sistema de 
precedentes judiciais, a equidade é invocada como verdadeira fonte do Direito.
• nos países de civil law, a equidade é mero mecanismo de integração da norma jurídica.
• atenção ao art. 140, parágrafo único, do Código de Processo Civil, que deixa bem claro 
que o juiz “só decidirá por equidade nos casos previstos em lei”. Esse dispositivo veda o 
uso, como regra, da equidade como fonte formal do Direito (excepcionando apenas nos 
casos previstos em lei), não a vedando, entretanto, como fonte de integração das normas 
jurídicas (no campo do Direito da Seguridade Social, inclusive, a equidade como técnica 
supletiva de integração e interpretação da norma jurídico-previdenciária se encaixa como 
uma luva, digamos, na prescrição da regra de ouro da interpretação prevista no art. 5º, da 
LINDB35).
• nada obstante a regra geral acima, no campo do Direito da Seguridade Social, a equidade 
é fonte normativa formal no que toca à sua base principiológica: princípio da equidade na 
forma de participação no custeio, tal como previsto no art. 194, inciso V, da Constituição 
Federal de 1988.exemplo de julgamento por equidade na seara do Direito Previdenciário: 
Recurso Especial 1479564/SP, por meio do qual o Superior Tribunal de Justiça entendeu 
pela concessão do benefício de auxílio-reclusão mesmo diante da pequena ultrapassagem 
do limite relativo à renda do grupo familiar, conforme Portaria Interministerial.
• os princípios gerais de Direito: os princípios gerais de Direito revestem-se hoje de natureza 
indiscutível de fonte formal do Direito. Embora estejam indicados no 4º, da LINDB como 
instrumento usado para suprir lacunas de nosso ordenamento jurídico, tratam-se, os prin-
cípios, de fontes diretas da norma jurídica. Mas podem ser usados também como forma 
de concluir eventuais omissões da lei, integrando-a por meio dos influxos de seus valores.
Eficácia das Normas de Seguridade Social
• quando falamos em norma, devemos passar por alguns planos de sua consideração. 
Esses planos são o da existência, da vigência, da validade e da eficácia.
• plano da eficácia: verificação da possibilidade da norma efetivamente produzir efeitos 
no mundo concreto (a publicação gera efeitos no mundo jurídico e a eficácia é o plano de 
análise de efeitos no mundo concreto).
• a eficácia da norma deve ser vista no plano técnico e no plano social.
• eficácia social: questionamento da possibilidade social, econômica, politica, cultural, 
dentre outros aspectos, da norma jurídica ser imposta. Exemplo: ADI 4983 (constitucio-
nalidade ou não da vaquejada).
• eficácia técnica: questionamento das condições normativas secundárias para a aplicação 
da lei, tal como a necessidade de algum instrumento normativo regulamentador.
• funções das normas quanto a sua eficácia: função de bloqueio; função de programa; 
função de resguardo.
35 Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.
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• classificação das normas quanto a sua aptidão para produzir efeitos (classificação de 
JOSÉ AFONSO DA SILVA): normas de eficácia plena (regra geral); normas de eficácia 
contida (exemplo no art. 5º, XIII, CF/8836); normas de eficácia limitada (exemplo no art. 
40, § 1º, da CF/88, agora, em verdade, constante do art. 40, § 4º-A, da CF/88, com a nova 
redação dada pela EC 103/19).
• exemplo de norma de eficácia limitada na Seguridade Social: a aposentadoria especial 
para os servidores públicos com deficiência, para aqueles que exercem atividades de risco 
e, por fim, para aqueles que exercem condições que prejudiquem a saúde ou a integrida-
de física, nos termos de Lei Complementar, a qual nunca foi editada. Nesse contexto, o 
Supremo Tribunal Federal, em 09/04/2014, aprovou a Súmula vinculante 33, que diz que 
se aplicam “ao servidor público, no que couber, as regras do Regime Geral de Previdência 
Social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da 
Constituição Federal, até edição de lei complementar específica”.
36 XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidasas qualificações profissionais que a lei estabelecer;
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eXercÍcioS
001. (VUNESP/2017/CÂMARA DE BARRETOS – SP/ADVOGADO) É correto afirmar, com 
base nas Súmulas do Supremo Tribunal Federal e/ou do Superior Tribunal de Justiça, que:
a) a lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte é aquela vigente na data do 
óbito do segurado.
b) a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial não tem direito à pensão previ-
denciária por morte do ex-marido.
c) é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o décimo-terceiro salário.
d) é inconstitucional a inclusão de sócios e administradores de sociedades e titulares de firmas 
individuais como contribuintes obrigatórios da previdência social.
e) o segurado pode ajuizar eventual ação contra a instituição previdenciária somente perante 
as varas federais da Capital do Estado-Membro em que possua domicílio.
002. (CESPE/2017/TRF – 5ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO) Quanto à aplicação da 
lei previdenciária no tempo, assinale a opção correta.
a) Independentemente do benefício pretendido, aplica-se o princípio tempus regit actum: a lei do 
tempo em que se preencheram todos os requisitos para a concessão do benefício pretendido 
pelo segurado.
b) Com exceção das aposentadorias por tempo de contribuição e por idade, aplica-se a lei em 
vigor à época em que o segurado ingressou no sistema previdenciário.
c) Aplica-se o princípio lex posterior derrogat priori para os benefícios devidos aos segurados, 
independentemente de ser mais ou menos vantajoso; aplicando-se entretanto, a lei em vigor 
na data de ingresso do segurado no sistema previdenciário para os benefícios devidos aos 
dependentes.
d) Independentemente do benefício pretendido, será adotada a interpretação que mais se apro-
xima do ideal de justiça, pautado em princípio valorativo e finalístico, segundo o qual se aplica 
a lei mais vantajosa ao segurado.
e) Aplica-se o princípio lex posterior derrogat priori, com a ressalva de que havendo alteração da 
lei após o ingresso do trabalhador ao sistema previdenciário, será adotada a lei mais vantajosa 
ao beneficiário segurado ou dependente.
003. (CAIP-IMES/2016/CRAISA DE SANTO ANDRÉ – SP/ADVOGADO) Assinale a alternativa 
correta. São fontes materiais do Direito Previdenciário:
a) a doutrina e os costumes.
b) a Constituição Federal de 1988, as emendas constitucionais, as leis complementares, as leis 
ordinárias, as medida provisórias, os decretos legislativos e as resoluções do Senado.
c) os fatos sociais, políticos, econômicos que ensejam o surgimento da norma jurídica 
previdenciária.
d) os fatos sociais e políticos, a doutrina, a Constituição Federal de 1988, as emendas consti-
tucionais, as leis complementares, as leis ordinárias.
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004. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
O direito previdenciário é classificado como ramo do direito privado, tendo reconhecida, pela 
doutrina majoritária, sua autonomia didática em relação a outros ramos do direito.
005. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
As fontes formais do direito previdenciário incluem a CF e as Leis n. 8.212/1991 e n. 8.213/1991.
006. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
A vigência da lei de natureza previdenciária segue a regulamentação da Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro, de modo que, salvo disposição contrária, entra em vigor quarenta 
e cinco dias depois de oficialmente publicada.
007. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
Ao se utilizar do método de interpretação teleológico o intérprete busca compatibilizar o texto 
legal a ser interpretado com as demais normas que compõem o ordenamento jurídico, visuali-
zando a lei objeto de interpretação como parte de um todo.
008. (TRT 24R (MS)/2012/TRT – 24ª REGIÃO (MS)/JUIZ DO TRABALHO) Assinale a alter-
nativa CORRETA:
a) A eficácia das normas da Seguridade Social no tempo difere conforme o objeto contido na 
legislação. Quando a norma se referir ao custeio do sistema, as contribuições instituídas ou ma-
joradas somente serão exigidas depois de decorridos noventa dias da data da publicação da lei.
b) A proteção que cabe à Previdência Social refere-se à garantia apenas da aposentadoria.
c) Compete à Previdência Social a proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário.
d) Não é permitido no ordenamento jurídico brasileiro, regime previdenciário de caráter 
complementar.
e) Todos os salários de contribuição considerados para cálculo de benefícios da previdência 
social não sofrem atualização.
009. (FCC/2012/INSS/TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL) A interpretação da legislação previ-
denciária deve observar:
a) o costume, quando mais favorável ao segurado.
b) a Jurisprudência do Juizado Especial Federal.
c) a analogia, quando mais favorável ao segurado.
d) os princípios gerais de direito, na omissão legislativa.
e) o princípio do in dúbio pro societate em qualquer situação.
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010. (CESPE/2010/TCE-BA/PROCURADOR) Segundo entendimento do STF, lei nova mais 
benéfica que altere a forma de cálculo da renda mensal inicial da pensão por morte, aumen-
tando seu percentual, não se aplicará aos benefícios previdenciários concedidos antes de 
sua vigência.
011. (FCC/2010/TRF – 4ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA) Pu-
blicada lei modificando a contribuição social sobre a receita ou faturamento:
a) só poderá ser exigida tal contribuição após decorridos noventa dias da data da publicação 
da referida lei.
b) só poderá ser exigida tal contribuição após decorridos cento e oitenta dias da data da publi-
cação da referida lei.
c) não poderá ser exigida tal contribuição no mesmo exercício financeiro em que haja sido pu-
blicada a referida lei, independentemente da data de sua publicação.
d) poderá ser exigida tal contribuição imediatamente após a data da publicação da referida lei.
e) só poderá ser exigida tal contribuição após decorridos cento e vinte dias da data da publica-
ção da referidalei.
012. (CESPE/2008/DPE-CE/DEFENSOR PÚBLICO) A legislação previdenciária, tanto em 
matéria de benefícios como de custeio, submete-se a uma das regras gerais presentes na 
Lei de Introdução ao Código Civil, passando a viger, portanto, 45 dias após a sua publicação, 
ressalvadas as estipulações em contrário.
013. (ESAF/2009/RECEITA FEDERAL/AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL) A respeito 
do financiamento da Seguridade Social, nos termos da Constituição Federal e da legislação 
de custeio previdenciária, assinale a opção correta.
a) A pessoa jurídica em débito com o sistema de seguridade social pode contratar com o poder 
público federal.
b) Lei ordinária pode instituir outras fontes de custeio além das previstas na Constituição Federal.
c) Podem-se criar benefícios previdenciários para inativos por meio de decreto legislativo.
d) As contribuições sociais criadas podem ser exigidas noventa dias após a publicação da lei.
e) São isentas de contribuição para a seguridade social todas entidades beneficentes de utili-
dade pública distrital e municipal.
014. (ESAF/2005/RECEITA FEDERAL/AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – ÁREA 
TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA) Com relação às contribuições sociais, no âmbito da seguridade 
social, é correto afirmar:
a) As contribuições sociais, de que trata o art. 195 da CF/88, só poderão ser exigidas após de-
corridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não 
se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
b) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após 
decorridos cento e oitenta dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modifi 
cado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
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Direito PreviDenciário
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c) São isentas de contribuição para a seguridade social todas as entidades de assistência social 
que atendam às exigências estabelecidas em lei complementar.
d) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após de-
corridos noventa dias da assinatura da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes 
aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
e) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser criadas e exigidas 
após decorridos noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não 
se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
015. (FCC/2013/TRT – 5ª REGIÃO (BA)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) 
Considere as afirmações:
I – No âmbito do Direito Previdenciário, as expressões “seguridade social” e “assistência social” 
são sinônimas puras, revelando sistemas idênticos, que são universalizados, contributivos e 
contam com a participação obrigatória da União, de empregadores e empregados.
II – Em Direito Previdenciário, torna-se possível a solução de controvérsias mediante aplicação 
da equidade, de que é exemplo a concessão de salário-maternidade para o segurado homem 
que, em relação homoafetiva, adota criança.
III – As normas internacionais entre organismos estrangeiros e o Brasil, tais como tratados, 
acordos ou convenções, quando versem sobre matéria previdenciária, devem ser interpretados 
como lei especial, nos termos do artigo 85-A, da Lei n. 8212/1991.
IV – Previdência Social engloba um conceito amplo, universal, sendo em verdade o gênero da 
qual são espécies a assistência social, a saúde e a seguridade social.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) II e IV.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, III e IV.
016. (INÉDITA/2023) Marque a alternativa correta em relação às fontes do Direito da Segu-
ridade Social:
a) São fontes formais do Direito da Seguridade Social os costumes, as leis complementares e 
as leis ordinárias.
b) São fontes formais do Direito da Seguridade Social a analogia, os costumes, as leis comple-
mentares e as leis ordinárias.
c) São fontes formais do Direito da Seguridade Social as leis complementares, as leis ordinárias, 
a Constituição Federal de 1988 e as instruções expedidas pelo INSS.
d) São fontes materiais do Direito da Seguridade Social os costumes e a equidade.
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017. (INÉDITA/2023) Com relação aos princípios da Seguridade Social, marque a alternati-
va correta:
a) os princípios da Seguridade Social não são fontes formais do Direito, mas apenas orientações 
do Constituinte Originário, que criam standards normativos a serem cumpridos pelo legislador 
ordinário.
b) os princípios da Seguridade Social são os pilares de todo o sistema da seguridade social 
previsto na Constituição Federal de 1988, possuindo amplo espectro normativo e funcionando 
como fontes materiais do Direito da Seguridade Social.
c) os princípios da Seguridade Social devem ser lidos sob a ótica do pós-positivismo jurídico e 
apresentam força normativa e aplicabilidade direta, tal qual a força normativa que deriva das 
regras previstas nas leis previdenciárias, devendo prevalecer, em regra, as normas principioló-
gicas eis que superiores na Pirâmide Kelsen.
d) os princípios da Seguridade Social são fontes formais do Direito da Seguridade Social e de-
verão ser, sempre, interpretados com base no princípio da solidariedade.
018. (INÉDITA/2023) Marque a alternativa incorreta com relação aos tipos de normas de 
Seguridade Social existentes:
a) normas-custeio, normas de filiação e normas de proteção.
b) normas-custeio, normas de filiação e normas de amparo.
c) normas de manutenção do valor real dos benefícios e normas de irredutibilidade dos benefícios.
d) normas-custeio, normas de vinculação e normas de retirada.
019. (INÉDITA/2023) Sobre as normas da Seguridade Social e sua interpretação, assinale a 
alternativa correta:
a) as normas de Seguridade Social não podem ser vistas como normas de direito fundamental, 
eis que o Estado pode promover reformas previdenciárias para alterá-las.
b) O princípio pro homine é determinante na interpretação das normas da Seguridade Social e 
deve ser aplicado quando há dúvida na leitura dos fatos apresentados ao Juiz.
c) O princípio pro homine orienta a interpretação da norma da Seguridade Social sempre no 
sentido de que dela se extraia a conclusão mais favorável à pessoa humana, podendo, inclusive, 
alterar a ordem normativa da Pirâmide de Kelsen para que uma instrução normativa possa ter 
mais peso do que um determinado artigo de lei.
d) a máxima efetividade das normas de Seguridade Social somente pode ser considerada para 
as normas constitucionais de direitos sociais que apresentem eficácia plena.
020. (INÉDITA/2023) Com relação aos critérios, elementos ou métodos de interpretação da 
norma jurídica de Seguridade Social, julgue o item abaixo.
O elemento SOCIOLÓGICO permite a visualização do contexto social e cultural dos destinatá-
rios da norma, visando, assim, ao atendimento dos fins sociais da lei, tal como previsto no art. 
5º, da LINDB.
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021. (INÉDITA/2023) Com relação ao conflito de leis previdenciárias no tempo, julgue o item 
que segue.
A lei nova também não retroagirá para prejudicar qualquer situação jurídica já consolidada, 
notadamente porque se deve ter em mente o princípio do tempus regit actum em matéria rela-
cionada aos benefícios da seguridade social.
022. (INÉDITA/2023) Com relação ao conflito de leis previdenciárias no tempo, julgue o item 
que segue.
Em caso de sucessão de leis no tempo, com alteração da forma de cálculo do salário de bene-
fício para a pensão por morte, é na data do requerimento administrativo que se deve averiguar 
qual a lei aplicável, se a lei nova ou a lei velha.
023. (INÉDITA/2023) Com relação à coisa julgada na seara do Direito Previdenciário, julgue 
o item que segue.
A coisa julgada em ação previdenciária na qual se requer auxílio-doença é imutável e, por isso, 
não permite que o INSS reveja o estado de saúde do segurado e, diante da superação da pato-
logia incapacitante, cesse o benefício concedido judicialmente.
024. (INÉDITA/2023) Com relação à cessação dos benefícios previdenciários concedidos 
judicialmente, julgue o item abaixo.
Quanto à cessação programada de benefícios concedidos judicialmente, pode o INSS promover 
a chamada alta programada, em caso de não demarcação do tempo de cessação na sentença 
transitada em julgado.
025. (INÉDITA/2023) Com relação à lei previdenciária no tempo, julgue o item abaixo.
Havendo lei previdenciária nova que aumente o prazo de carência para a obtenção de um be-
nefício por incapacidade, aplicam-se suas novas disposições, mesmo aos segurados que já 
estavam filiados ao sistema quando a incapacidade laboral deles for constatada como tendo 
iniciado ao tempo da nova lei.
026. (INÉDITA/2023) Sabe-se que a norma jurídica pode ser checada em diversos planos de 
aferição, desde a sua edição até a produção normal e concreta de seus efeitos. Sendo assim, 
marque a alternativa que não representa nenhum desses planos:
a) plano da validade.
b) plano da existência.
c) plano da eficácia.
d) plano da vigência.
e) plano da publicidade.
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027. (INÉDITA/2023) Sobre a eficácia da norma jurídica, inclusive a norma jurídica da Segu-
ridade Social, julgue o item a seguir:
A norma jurídica de Seguridade Social pode ter sua eficácia aferida sob dois aspectos: o aspecto 
técnico e o aspecto social. Quanto ao aspecto técnico, significa que para se falar que possui 
eficácia é necessário verificar se há alguma dependência normativa em segundo grau, ou seja, 
alguma exigência regulamentar para que a norma seja então perfeitamente aplicável tecnica-
mente. Há no aspecto da eficácia social, a norma jurídica de Seguridade Social necessita ter 
aplicabilidade prática no seio social, de modo que, em não havendo essa aplicabilidade social, 
a lei pode ser considerada inválida em nosso ordenamento jurídico.
028. (INÉDITA/2023) Acerca dos elementos, critérios ou métodos de interpretação da her-
menêutica jurídica clássica, julgue o item que segue:
O elemento teleológico permite a interpretação que busca compatibilizar a norma a ser inter-
pretada com o restante do ordenamento jurídico, almejando situar a norma colocada como 
objeto central da interpretação no todo e, assim, extrair sua melhor normatividade sistêmica. 
Já o elemento sistemático permite a interpretação finalística da norma.
029. (INÉDITA/2023) Acerca da tipologia das normas constitucionais dada por José Afonso 
da Silva, julgue o item abaixo.
No bojo da avaliação da eficácia que cada norma carreia ao ordenamento jurídico, podemos 
arrolar certas funções eficaciais: função de bloqueio (função impeditiva, de bloqueio de algum 
comportamento); função de programa (são as normas programáticas); função de resguardo 
(objetivam resguardar e garantir alguma conduta determinada, tal como os direitos fundamen-
tais relacionados aos direitos autorais).
030. (INÉDITA/2023) Acerca do emprego da analogia nas normas de Seguridade Social, 
julgue o item a seguir.
Entende-se na jurisprudência atual que é viável a manutenção da relação jurídico-previdenciária 
do segurado especial quando considerada a extensão do período de graça de modo analógico 
e isonômico com o previsto no art. 15, § 1º e 2º, da Lei n. 8.213/91, sem distinção entre traba-
lhadores, sejam eles do meio urbano ou rural.
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GABArito
1. a
2. a
3. c
4. E
5. C
6. C
7. E
8. a
9. d
10. C
11. a
12. E
13. d
14. a
15. c
16. b
17. c
18. d
19. c
20. C
21. C
22. E
23. E
24. C
25. C
26. e
27. E
28. E
29. C
30. C
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GABArito coMentADo
001. (VUNESP/2017/CÂMARA DE BARRETOS – SP/ADVOGADO) É correto afirmar, com 
base nas Súmulas do Supremo Tribunal Federal e/ou do Superior Tribunal de Justiça, que:
a) a lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte é aquela vigente na data do 
óbito do segurado.
b) a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial não tem direito à pensão previ-
denciária por morte do ex-marido.
c) é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o décimo-terceiro salário.
d) é inconstitucional a inclusão de sócios e administradores de sociedades e titulares de firmas 
individuais como contribuintes obrigatórios da previdência social.
e) o segurado pode ajuizar eventual ação contra a instituição previdenciária somente perante 
as varas federais da Capital do Estado-Membro em que possua domicílio.
a) Certa. Base no princípio do tempus regit actum, bem como em respeito ao direito adquirido, 
sendo certo que a resposta está em consonância com a Súmula 340, do Superior Tribunal de 
Justiça (SÚMULA N. 340: “A lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte é 
aquela vigente na data do óbito do segurado”).
b) Errada. Eis que contrária à Súmula 336, do Superior Tribunal de Justiça, que assim diz: “A 
mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária 
por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente”. Ou seja, em 
regra, se renunciou não tem direito. Todavia, se houver comprovação posterior de necessidade 
econômica, os alimentos são devidos.
c) Errada. Pois vai de encontro com Súmula 688, do Supremo Tribunal Federal, no sentido de 
que é “legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário”.
d) Errada. Pois destoa do previsto na Súmula 466, do Supremo Tribunal Federal: “Súmula 466: 
Não é inconstitucional a inclusão de sócios e administradores de sociedades e titularesde 
firmas individuais como contribuintes obrigatórios da previdência social”.
e) Errada. Pois colide frontalmente com o disposto na Súmula 689, do STF, que assim diz: “O 
segurado pode ajuizar ação contra a instituição previdenciária perante o Juízo Federal do seu 
domicílio ou nas Varas Federais da capital do Estado-membro”.
Letra a.
002. (CESPE/2017/TRF – 5ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO) Quanto à aplicação da 
lei previdenciária no tempo, assinale a opção correta.
a) Independentemente do benefício pretendido, aplica-se o princípio tempus regit actum: a lei do 
tempo em que se preencheram todos os requisitos para a concessão do benefício pretendido 
pelo segurado.
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b) Com exceção das aposentadorias por tempo de contribuição e por idade, aplica-se a lei em 
vigor à época em que o segurado ingressou no sistema previdenciário.
c) Aplica-se o princípio lex posterior derrogat priori para os benefícios devidos aos segurados, 
independentemente de ser mais ou menos vantajoso; aplicando-se entretanto, a lei em vigor 
na data de ingresso do segurado no sistema previdenciário para os benefícios devidos aos 
dependentes.
d) Independentemente do benefício pretendido, será adotada a interpretação que mais se apro-
xima do ideal de justiça, pautado em princípio valorativo e finalístico, segundo o qual se aplica 
a lei mais vantajosa ao segurado.
e) Aplica-se o princípio lex posterior derrogat priori, com a ressalva de que havendo alteração da 
lei após o ingresso do trabalhador ao sistema previdenciário, será adotada a lei mais vantajosa 
ao beneficiário segurado ou dependente.
a) Certa. Pois vai ao encontro da aplicação do princípio do tempus regit actum e, bem assim, 
da Súmula 340, do Superior Tribunal de Justiça. Cabe lembrar que o enunciado da alternativa 
mereceria uma critica: é que na aposentadoria especial, embora se aplique a lei do tempo no 
momento em que todos os requisitos estiverem atendidos (tempo especial, idade mínima e 
carência), é possível se aplicar a lei da época em que as atividades nocivas foram prestada, 
protegendo-se, com isso, o ato jurídico perfeito. É o caso da consideração de atividades espe-
ciais por mero enquadramento até 28/04/1995.
b) Errada. Não há direito adquirido a regime jurídico, independentemente do benefício pretendido. 
Assim, se há uma lei vigente no momento em que o segurado se filia ao sistema, tem-se nesse 
momento mera expectativa de direito de que haverá aposentadoria nos termos então vigentes. 
Assim, até o preenchimento de todos os requisitos exigidos para a aposentadoria, tudo pode 
mudar, ressalvada a possibilidade de se implementarem normas de transição.
c) Errada. Pois a alternativa incide no mesmo erro do item anterior, ao afirmar que se aplica a lei 
vigente no momento do ingresso no sistema previdenciário. Já quanto ao fato da lei posterior 
derrogar lei anterior, de fato, está correto, devendo a lei nova ser aplicada independentemente 
de ser benéfica ou não, ressalvado, sempre, claro, o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a 
coisa julgada.
d) Errada. Pois, embora realmente deva ser aplicada a lei mais vantajosa ao segurado, o enun-
ciado da alternativa pecou ao afirmar que o interprete deverá buscar o máximo do ideal de jus-
tiça, pois tal conceito não é o mesmo do principio pro homine em matéria de Seguridade Social 
(inclusive porque o conceito de justiça é amplo e indeterminado).
e) Errada. Pois a lei que se aplica é a do momento em que todos os requisitos exigidos para o 
benefício estão atendidos, independentemente de ser benéfica ou não. Caso a lei vigente naque-
le momento não seja mais benéfica, não há como se invocar uma ultratividade da lei anterior.
Letra a.
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Frederico Martins
003. (CAIP-IMES/2016/CRAISA DE SANTO ANDRÉ – SP/ADVOGADO) Assinale a alternativa 
correta. São fontes materiais do Direito Previdenciário:
a) a doutrina e os costumes.
b) a Constituição Federal de 1988, as emendas constitucionais, as leis complementares, as leis 
ordinárias, as medida provisórias, os decretos legislativos e as resoluções do Senado.
c) os fatos sociais, políticos, econômicos que ensejam o surgimento da norma jurídica 
previdenciária.
d) os fatos sociais e políticos, a doutrina, a Constituição Federal de 1988, as emendas consti-
tucionais, as leis complementares, as leis ordinárias.
a) Errada. Pois a doutrina e os costumes não são, sequer, fontes do Direito da Seguridade So-
cial. A doutrina funciona como instrumento de hermenêutica jurídica, enquanto que a analogia 
é meio de integração da norma jurídica (conforme art. 4º, da LINDB).
b) Errada. Pois todos os veículos normativos citados são fontes formais do Direito da Seguri-
dade Social.
c) Certa. Pois as fontes matérias são os fatos sociais, políticos e econômicos que ensejam o 
surgimento da norma jurídica previdenciária. Ou seja, é tudo aquilo que propicia, motiva e estimula 
o surgimento da lei e, dessa maneira, da norma relativa à seguridade social. Uma fonte material 
do Direito da Seguridade Social, pois, pode ser facilmente exemplificado pelo déficit nas contas 
públicas relacionado à Previdência Social no país. A necessidade de equilíbrio das contas públicas 
é fonte material clara do Direito da Seguridade Social, fazendo com que o Congresso Nacional 
vote atos normativos (emendas constitucionais, leis ordinárias, etc) que possam atender às 
contingências socioeconômicas advindas daquelas circunstâncias financeiras atuais do Estado.
d) Errada. Pois a doutrina não é fonte material do Direito da Seguridade Social, assim como 
também não o são a CF/88, as emendas constitucionais, leis complementares e leis ordinárias. 
Todas essas ultimas são fontes formais do Direito.
Letra c.
004. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
O direito previdenciário é classificado como ramo do direito privado, tendo reconhecida, pela 
doutrina majoritária, sua autonomia didática em relação a outros ramos do direito.
O Direito Previdenciário não é ramo do Direito Privado, mas sim ciência jurídica que engloba 
o complexo de normas do Direito Público. Quanto à sua autonomia didática, sim, o enunciado 
está correto.
Errado.
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005. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
As fontes formais do direito previdenciário incluem a CF e as Leis n. 8.212/1991 e n. 8.213/1991.
É induvidoso que entre as fontesformais do Direito da Seguridade Social estão, de modo 
proeminente e primeiramente, a Constituição Federal de 1988 e, em seguida, de acordo com 
a Pirâmide Normativa de Kelsen, as Leis Ordinária n. 8.212/91 (lei de custeio) e 8.213/91 (lei 
de benefícios). Lembre-se, contudo, de que vige no Direito da Seguridade Social o princípio pro 
homine, que exige a aplicação da norma mais favorável à pessoa humana, independentemente 
de sua hierarquia em nossa pirâmide normativa.
Certo.
006. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
A vigência da lei de natureza previdenciária segue a regulamentação da Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro, de modo que, salvo disposição contrária, entra em vigor quarenta 
e cinco dias depois de oficialmente publicada.
De fato, não há nenhuma peculiaridade em relação à legislação de Seguridade Social no que 
toca ao momento em que ela entra em vigor, seguindo a regra geral prevista no art. 1º, da LIN-
DB. Deve-se apenas ter em mente que as normas-custeio, quando instituírem ou modificarem 
contribuição social, somente poderão ser exigidas 90 dias após a data da publicação da res-
pectiva lei, conforme art. 195, § 6º, da CF/88 (princípio da anterioridade nonagesimal). Note-se 
que esse principio não altera a vigência da lei, mas apenas a exigibilidade do tributo criado 
ou majorado. Daí é que o enunciado não peca ao generalizar a afirmação para qualquer lei de 
natureza previdenciária.
Certo.
007. (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR 
LEGISLATIVO) Acerca da legislação previdenciária, especialmente no que se refere às suas 
fontes, autonomia, vigência e interpretação, julgue o item que se segue.
Ao se utilizar do método de interpretação teleológico o intérprete busca compatibilizar o texto 
legal a ser interpretado com as demais normas que compõem o ordenamento jurídico, visuali-
zando a lei objeto de interpretação como parte de um todo.
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O item enunciado está realmente errado, na medida em que a sua descrição não é referente ao 
método teleológico, mas sim ao método sistemático. Pelo método teleológico, o intérprete busca 
alcançar o telos da norma, ou seja, sua finalidade. Já pelo método sistemático, o interprete, sim, 
busca compatibilizar o texto legal a ser interpretado com as demais normas componentes de 
nosso ordenamento jurídico.
Errado.
008. (TRT 24R (MS)/2012/TRT – 24ª REGIÃO (MS)/JUIZ DO TRABALHO) Assinale a alter-
nativa CORRETA:
a) A eficácia das normas da Seguridade Social no tempo difere conforme o objeto contido na 
legislação. Quando a norma se referir ao custeio do sistema, as contribuições instituídas ou ma-
joradas somente serão exigidas depois de decorridos noventa dias da data da publicação da lei.
b) A proteção que cabe à Previdência Social refere-se à garantia apenas da aposentadoria.
c) Compete à Previdência Social a proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário.
d) Não é permitido no ordenamento jurídico brasileiro, regime previdenciário de caráter 
complementar.
e) Todos os salários de contribuição considerados para cálculo de benefícios da previdência 
social não sofrem atualização.
a) Certa. pois vai ao encontro do que prescreve o art. 195, § 6º, da Constituição Federal de 1988:
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes apli-
cando o disposto no art. 150, III, “b”.
b) Errada. Pois os incisos do art. 201, da CF/88, vão muito além de unicamente cobrir a contin-
gencia social da idade avançada. Logo, por óbvio, que a proteção que cabe à Previdência Social 
não se limita unicamente à aposentadoria.
c) Errada. Mas permitiria, em tese, recurso, na medida em que o art. 201, inciso III, da CF/88, 
inclui a proteção da Previdência em face de desemprego involuntário. Todavia, ao que parece, 
ao mencionar a palavra “compete” no enunciado da questão, a Banca Examinadora fez certa 
referência à atribuição, no sentido do Direito Administrativo. Em sendo assim, não teria atribuição 
a Previdência (o Ministério da Previdência), mas sim o Ministério do Trabalho.
d) Errada. Pois conforme art. 202, da CF/88, expressa claramente a possibilidade de previdência 
privada em nosso ordenamento jurídico.
Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autô-
noma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição 
de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
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e) Errada. pois colide frontalmente com o texto do art. 201, § 3º, da CF/88.
§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de benefício serão devidamente 
atualizados, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
Letra a.
009. (FCC/2012/INSS/TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL) A interpretação da legislação previ-
denciária deve observar:
a) o costume, quando mais favorável ao segurado.
b) a Jurisprudência do Juizado Especial Federal.
c) a analogia, quando mais favorável ao segurado.
d) os princípios gerais de direito, na omissão legislativa.
e) o princípio do in dúbio pro societate em qualquer situação.
a) Errada. Pois o costume é elemento de integração da norma jurídica e depende, para ser invo-
cado, da omissão da lei, conforme o art. 4º, da LINDB. Como se trata de questão objetiva, que 
não exige maiores conhecimentos ou divagações sobre o tema, a letra da lei deve ser o norte 
para a resposta. De todo modo, cabe lembrar que o costume somente poderá ser invocado no 
Direito da Seguridade Social se não criar nenhuma norma, mas apenas preencher lacuna da 
lei, sem que haja, ainda, violação aos demais princípios norteadores da Seguridade Social, em 
especial o princípio da prévia fonte de custeio. É possível concluir, ademais, que pelo principio 
da norma mais favorável, a lacuna da lei apta a gerar duvida em sua interpretação não poderia 
jamais direcionar o interprete a uma conclusão contrária à máxima efetividade dos direitos 
fundamentais da Seguridade Social.
b) Errada. A legislação previdenciária não deve necessariamente observar a jurisprudência, a 
menos que essa seja vinculante.
c) Errada. Pois a analogia, assim como descrito no quanto referente a alternativa “A”, somente 
pode ser empregada quando houver lacuna da lei. As demais observações feitas em relação às 
limitações de emprego do costume também valem para a analogia (observância dos demais 
princípios da Seguridade Social e, ainda, o principio da norma mais favorável).
d) Certa. Pois bate com o disposto no art. 4º, da LINDB, sendo certo que, na letra da lei, os 
princípios gerais de Direito desempenham a função de integrar a norma jurídica quando houver 
omissão normativa. Nada obstante, como vimos em nossa aula, os princípios na era do pós-po-sitivismo desempenham função normativa de primeiro grau, ou seja, são efetivamente fontes 
do Direito e não apenas elemento de integração da norma quando essa for omissa.
e) Errada. Pois o princípio do in dubio pro societate nada tem a ver com o Direito da Seguridade 
Social, pertencendo às lições de Direito Processual Penal.
Letra d.
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010. (CESPE/2010/TCE-BA/PROCURADOR) Segundo entendimento do STF, lei nova mais 
benéfica que altere a forma de cálculo da renda mensal inicial da pensão por morte, aumen-
tando seu percentual, não se aplicará aos benefícios previdenciários concedidos antes de 
sua vigência.
De fato, a assertiva está certa, pois o Supremo Tribunal Federal realmente entendeu no sentido 
de que a lei nova, mesmo sendo mais benéfica, não pode retroagir para atingir benefícios já 
concedidos anteriormente. Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
(...) Salvo disposição legislativa expressa e que atenda à prévia indicação da fonte de 
custeio total, o benefício previdenciário deve ser calculado na forma prevista na legisla-
ção vigente à data da sua concessão. A Lei n. 9.032/1995 somente pode ser aplicada às 
concessões ocorridas a partir de sua entrada em vigor. 16. No caso em apreço, aplica-se 
o teor do art 75 da Lei n. 8.213/1991 em sua redação ao momento da concessão do 
benefício à recorrida. 17. Recurso conhecido e provido para reformar o acórdão recorrido. 
(RE 415454, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 08/02/2007, 
DJe-131 DIVULG 25-10-2007 PUBLIC 26-10-2007 DJ 26-10-2007 PP-00042 EMENT VOL-
02295-06 PP-01004)
Certo.
011. (FCC/2010/TRF – 4ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA) Pu-
blicada lei modificando a contribuição social sobre a receita ou faturamento:
a) só poderá ser exigida tal contribuição após decorridos noventa dias da data da publicação 
da referida lei.
b) só poderá ser exigida tal contribuição após decorridos cento e oitenta dias da data da publi-
cação da referida lei.
c) não poderá ser exigida tal contribuição no mesmo exercício financeiro em que haja sido pu-
blicada a referida lei, independentemente da data de sua publicação.
d) poderá ser exigida tal contribuição imediatamente após a data da publicação da referida lei.
e) só poderá ser exigida tal contribuição após decorridos cento e vinte dias da data da publica-
ção da referida lei.
a) Certa. Pois vai ao encontro do disposto no art. 195, § 6º, da CF/88.
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes apli-
cando o disposto no art. 150, III, “b”.
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b) Errada. Pois o prazo é de noventa dias e não de 180 dias, conforme o art. 196, § 6º, da CF/88.
c) Errada. Pois o princípio da anualidade tributária (ou da anterioridade anual), previsto no art. 
150, III, “b”, da CF/88, não se aplica às contribuições sociais previstas no art. 195, CF, por ex-
pressa vedação indicada na parte final do art. 195, § 6º, da CF/88.
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes apli-
cando o disposto no art. 150, III, “b”.
d) Errada. Pois ignora completamente a imposição, como vimos, do princípio da anterioridade 
nonagesimal das contribuições sociais previstas no art. 195, CF/88.
e) Errada. Pois o prazo indicado no enunciado está errado, sendo de 90 dias e não 120 dias.
Letra a.
012. (CESPE/2008/DPE-CE/DEFENSOR PÚBLICO) A legislação previdenciária, tanto em 
matéria de benefícios como de custeio, submete-se a uma das regras gerais presentes na 
Lei de Introdução ao Código Civil, passando a viger, portanto, 45 dias após a sua publicação, 
ressalvadas as estipulações em contrário.
O enunciado está realmente errado, na medida em que as normas de custeio possuem regra-
mento constitucional próprio relacionado a sua exigibilidade. Com isso, poder-se-ia concluir que 
o art. 195, § 6º, da CF/88, que estabelece o principio da anterioridade nonagesimal, afasta o 
art. 1º, da LINDB, dando um prazo especifico de vigência para as contribuições sociais. Como 
se trata de questão de lei seca, a melhor resposta é, de fato, o item ‘B”. Todavia, em uma prova 
aberta, caberia mencionar que o art. 195, § 6º, da CF/88, não estabelece prazo de vigência da 
lei, mas sim condiciona a exigibilidade do tributo ao transpasse do prazo de 90 dias. Ao meu 
ver, não se trata de vigência, mas sim de condicionamento dado pelo Constituinte Originário ao 
plano da eficácia das normas constitucionais.
Errado.
013. (ESAF/2009/RECEITA FEDERAL/AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL) A respeito 
do financiamento da Seguridade Social, nos termos da Constituição Federal e da legislação 
de custeio previdenciária, assinale a opção correta.
a) A pessoa jurídica em débito com o sistema de seguridade social pode contratar com o poder 
público federal.
b) Lei ordinária pode instituir outras fontes de custeio além das previstas na Constituição Federal.
c) Podem-se criar benefícios previdenciários para inativos por meio de decreto legislativo.
d) As contribuições sociais criadas podem ser exigidas noventa dias após a publicação da lei.
e) São isentas de contribuição para a seguridade social todas entidades beneficentes de utili-
dade pública distrital e municipal.
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a) Errada. Pois o item vai de encontro com o disposto no art. 195, § 3º, da CF/88:
§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, 
não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou 
creditícios.
b) Errada. Pois o item vai de encontro com o previsto no art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da CF/88, 
sendo exigível a lei complementar para a criação pela União de outras fontes de financiamento 
da Seguridade Social:
Art. 195. (...)
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da segu-
ridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.
Art. 154. A União poderá instituir:
I – mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumu-
lativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;
c) Errada. Pois a criação de benefícios para inativos por decreto legislativo contraria a necessi-
dade de lei ordinária para a criação de benefícios previdenciário e, bem assim, lei orçamentária 
que garanta a prévia fonte de custeio para essa criação. Ademais, um decreto legislativo é ato 
normativo voltado exclusivamente para regular questões relativas à competência constitucionaldo Congresso Nacional, tal como previsto no art. 49, da CF/88, não sendo instrumento legislativo 
hábil a inovação normativa em matéria de benefícios previdenciários.
d) Certa. Pois se trata de determinação contida no art. 195, § 6º, da CF/88.
e) Errada. Pois não são todas as entidades “beneficentes de utilidade pública distrital ou mu-
nicipal, mas sim as “entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências 
estabelecidas em lei”, conforme art. 195, § 7º, da CF/88.
Letra d.
014. (ESAF/2005/RECEITA FEDERAL/AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – ÁREA 
TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA) Com relação às contribuições sociais, no âmbito da seguridade 
social, é correto afirmar:
a) As contribuições sociais, de que trata o art. 195 da CF/88, só poderão ser exigidas após de-
corridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não 
se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
b) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após 
decorridos cento e oitenta dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modifi 
cado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
c) São isentas de contribuição para a seguridade social todas as entidades de assistência social 
que atendam às exigências estabelecidas em lei complementar.
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d) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser exigidas após de-
corridos noventa dias da assinatura da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes 
aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
e) As contribuições sociais de que trata o art. 195, da CF/88, só poderão ser criadas e exigidas 
após decorridos noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não 
se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, b, da Carta Magna.
a) Certa. Pois é a cópia fiel do art. 195, § 6º, da CF/88:
§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes apli-
cando o disposto no art. 150, III, “b”.
b) Errada. Pois indica prazo diverso do disposto no art. 150, § 6º, da CF/88.
c) Errada. Pois não bate com a letra do art. 195, § 7º, da CF/88, sendo que somente as entidades 
beneficentes de assistência social, que atendam aos requisitos previstos em lei complementar, 
é que contarão com a isenção dada pelo Constituinte Originário em relação às contribuições 
previstas no art. 195, CF/88.
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência 
social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
d) Errada. Pois o prazo para que as contribuições previstas no art. 195, CF, possam ser exigidas 
é contado da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado e, não como 
constou do enunciado, da assinatura da lei.
e) Errada. Pois troca completamente o sentido do art. 195, § 6º, da CF/88.
Letra a.
015. (FCC/2013/TRT – 5ª REGIÃO (BA)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) 
Considere as afirmações:
I – No âmbito do Direito Previdenciário, as expressões “seguridade social” e “assistência social” 
são sinônimas puras, revelando sistemas idênticos, que são universalizados, contributivos e 
contam com a participação obrigatória da União, de empregadores e empregados.
II – Em Direito Previdenciário, torna-se possível a solução de controvérsias mediante aplicação 
da equidade, de que é exemplo a concessão de salário-maternidade para o segurado homem 
que, em relação homoafetiva, adota criança.
III – As normas internacionais entre organismos estrangeiros e o Brasil, tais como tratados, 
acordos ou convenções, quando versem sobre matéria previdenciária, devem ser interpretados 
como lei especial, nos termos do artigo 85-A, da Lei n. 8212/1991.
IV – Previdência Social engloba um conceito amplo, universal, sendo em verdade o gênero da 
qual são espécies a assistência social, a saúde e a seguridade social.
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Está correto o que se afirma APENAS em
a) I, II e III.
b) II e IV.
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, III e IV.
I – Errada. Pois seguridade social não é sinônimo de assistência social, uma vez que aquela 
é gênero do qual é espécie essa última. Assim, como se sabe, a seguridade social abrange a 
previdência, a saúde e a assistência social, sendo que cada ramo de proteção social estatal 
compreende características e regras próprias. A seguridade social é calcada na universalidade 
de atendimento da cobertura e do atendimento. Com relação à característica da contributivida-
de, ela é atribuída tão somente à previdência, não à assistência. Já a participação obrigatória 
da União, dos empregadores e empregados está prevista no art. 195, da CF/88, tendo relação 
com toda a seguridade social.
II – Certa. Pois a equidade é elemento de integração do Direito da Seguridade Social e, conse-
quentemente, do Direito Previdenciário. Note-se, contudo, que a equidade não é fonte do Direito, 
com exceção da equidade na forma da participação no custeio da Seguridade Social (equidade 
como fone normativa prevista diretamente pelo Constituinte Originário), mas elemento de in-
tegração e, também, elemento de interpretação das regras jurídicas do Direito da Seguridade 
Social (art. 5º, da LINDB).
Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do 
bem comum.
Quanto à concessão do salário maternidade para adotantes homens homoafetivos, cabe re-
gistrar, primeiramente, que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do 
Recurso Extraordinário n. 778.889, já decidiu em regime de repercussão geral que deve haver 
equiparação dos prazos de afastamento entre a gestante e a adotante.
Quando o referido recurso foi afetado ao regime de repercussão geral, a ementa do julgado 
restou assim redigida, vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
Ementa: PERÍODO DE LICENÇA-MATERNIDADE. SERVIDORAS PÚBLICAS. EQUIPARAÇÃO 
ENTRE GESTANTES E ADOTANTES. PRESENÇA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. Constitui 
questão constitucional saber se a lei pode ou não instituir prazos diferenciados para a 
licença-maternidade concedida às servidoras gestantes e às adotantes, especialmente 
à luz do art. 227, § 6º, da CF/88. 2. Repercussão geral reconhecida.
(RE 778889 RG, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, julgado em 20/11/2014, ACÓRDÃO 
ELETRÔNICO DJe-046 DIVULG 10-03-2015 PUBLIC 11-03-2015 )
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Posteriormente, o julgamento do citado recurso resultou no reconhecimento de que não pode 
haver prazos diferenciados para a licença maternidade concedida às gestantes e às adotantes.
Vejamosa ementa do julgado:
JURISPRUDÊNCIA
EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO 
GERAL. EQUIPARAÇÃO DO PRAZO DA LICENÇA-ADOTANTE AO PRAZO DE LICENÇA-GES-
TANTE. 1. A licença maternidade prevista no artigo 7º, XVIII, da Constituição abrange 
tanto a licença gestante quanto a licença adotante, ambas asseguradas pelo prazo 
mínimo de 120 dias. Interpretação sistemática da Constituição à luz da dignidade da 
pessoa humana, da igualdade entre filhos biológicos e adotados, da doutrina da prote-
ção integral, do princípio da prioridade e do interesse superior do menor. 2. As crianças 
adotadas constituem grupo vulnerável e fragilizado. Demandam esforço adicional da 
família para sua adaptação, para a criação de laços de afeto e para a superação de trau-
mas. Impossibilidade de se lhes conferir proteção inferior àquela dispensada aos filhos 
biológicos, que se encontram em condição menos gravosa. Violação do princípio da 
proporcionalidade como vedação à proteção deficiente. 3. Quanto mais velha a criança 
e quanto maior o tempo de internação compulsória em instituições, maior tende a ser a 
dificuldade de adaptação à família adotiva. Maior é, ainda, a dificuldade de viabilizar sua 
adoção, já que predomina no imaginário das famílias adotantes o desejo de reproduzir 
a paternidade biológica e adotar bebês. Impossibilidade de conferir proteção inferior 
às crianças mais velhas. Violação do princípio da proporcionalidade como vedação à 
proteção deficiente. 4. Tutela da dignidade e da autonomia da mulher para eleger seus 
projetos de vida. Dever reforçado do Estado de assegurar-lhe condições para compati-
bilizar maternidade e profissão, em especial quando a realização da maternidade ocorre 
pela via da adoção, possibilitando o resgate da convivência familiar em favor de menor 
carente. Dívida moral do Estado para com menores vítimas da inepta política estatal de 
institucionalização precoce. Ônus assumido pelas famílias adotantes, que devem ser 
encorajadas. 5. Mutação constitucional. Alteração da realidade social e nova compreen-
são do alcance dos direitos do menor adotado. Avanço do significado atribuído à licença 
parental e à igualdade entre filhos, previstas na Constituição. Superação de antigo enten-
dimento do STF. 6. Declaração da inconstitucionalidade do art. 210 da Lei n. 8.112/1990 
e dos parágrafos 1º e 2º do artigo 3º da Resolução CJF n. 30/2008. 7. Provimento do 
recurso extraordinário, de forma a deferir à recorrente prazo remanescente de licença 
parental, a fim de que o tempo total de fruição do benefício, computado o período já 
gozado, corresponda a 180 dias de afastamento remunerado, correspondentes aos 120 
dias de licença previstos no art. 7º, XVIII,CF, acrescidos de 60 dias de prorrogação, tal 
como estabelecido pela legislação em favor da mãe gestante. 8. Tese da repercussão 
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geral: “Os prazos da licença adotante não podem ser inferiores aos prazos da licença 
gestante, o mesmo valendo para as respectivas prorrogações. Em relação à licença 
adotante, não é possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada”.
(RE 778889, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2016, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-159 DIVULG 29-07-2016 
PUBLIC 01-08-2016)
Visto isso, a jurisprudência pátria tem entendido que essa equiparação também deve valer para 
o adotante homem, seja ele componente de grupo familiar monoparental ou composto por um 
casal homoafetivo. A fundamentação é feita pela composição de entendimento firmados no 
REX n. 778.889, acima colacionado, e na ADPF 132, que reconheceu a constitucionalidade da 
interpretação dada ao art. 226, da CF/88, no sentido de atribuir validade jurídica à união ho-
moafetiva de casais compostos por pessoas do mesmo sexo.
Em verdade, a jurisprudência tem entendido que é possível a extensão para o pai de qualquer 
orientação sexual que, na ausência da mãe (gestante ou adotante) da criança, venha a requerer 
o benefício de salário-maternidade.
Vejamos um julgado nesse sentido do TRF-3ª Região:
JURISPRUDÊNCIA
PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO-MATERNIDADE. ÓBITO DA GENITORA. ANTECIPAÇÃO DE 
TUTELA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO EM NOME DO GENITOR. POSSIBILIDADE. – O salá-
rio-maternidade encontra-se disciplinado nos artigos 71 a 73 da Lei n. 8.213/91, consis-
tindo em remuneração devida a qualquer segurada gestante durante 120 dias, com início 
no período entre 28 dias antes do parto e a data de ocorrência deste ou, ainda, à mãe 
adotiva ou guardiã para fins de adoção, durante 120 dias, em se tratando de criança de 
até 1 ano de idade, 60 dias, se entre 1 e 4 anos e 30 dias, de 4 a 8 anos. – O direito da 
adotante ao salário-maternidade foi inovação introduzida pela Lei n. 10.421, de 15 de abril 
de 2002. – Os cuidados com a criança norteiam o sistema previdenciário, no tocante ao 
referido benefício, tanto é que, nos casos de adoção, se presume a menor necessidade 
de auxílio quanto maior for a idade do adotado. Não se trata apenas de resguardar a 
saúde da mãe, interpretação que apenas teria sentido se mantida a proteção à mãe bio-
lógica, nos moldes da redação original da Lei n. 8.213/91. Com a extensão do direito à 
mãe adotiva, resta claro que se deve dar à palavra maternidade conotação mais ampla, 
dissociando-a daquela relacionada apenas ao parto e aleitamento, e ressaltando-se o 
direito da criança à vida, à saúde, à alimentação, garantido pela Constituição, no artigo 
227, e instituído como dever da família. – Possibilidade de aplicação dos expedientes 
previstos no artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil, atual Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro, conforme redação dada pela Lei n. 12.376/2010. – Na 
hipótese em que a mãe venha a falecer, considerando-se o interesse da criança em ter 
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suas necessidades providas, possível a concessão do benefício, por analogia, ao pai, 
ora viúvo, concretizando-se a garantia prevista no artigo 227 da Constituição Federal. 
– O benefício é previsto na legislação previdenciária, por prazo determinado, com sua 
respectiva fonte de custeio, e foi concedido a segurado (contribuinte) do Regime Geral. 
– Agravo de instrumento a que se nega provimento.
(TRF-3 – AI: 27307 SP 0027307-84.2012.4.03.0000, Relator: DESEMBARGADORA FEDE-
RAL THEREZINHA CAZERTA, Data de Julgamento: 28/01/2013, OITAVA TURMa)
III – Certa. Pois se trata de cópia fiel do disposto no art. 85-A, da Lei n. 8.212/91:
Art. 85-A. Os tratados, convenções e outros acordos internacionais de que Estado estrangeiro ou 
organismo internacional e o Brasil sejam partes, e que versem sobre matéria previdenciária, serão 
interpretados como lei especial. (Incluído pela Lei n. 9.876, de 1999).
IV – Errada. Pois a previdência é espécie do gênero seguridade social (e não o contrário).
Logo, estando corretos os itens “II” e “III”, o gabarito é letra C.
Letra c.
016. (INÉDITA/2023) Marque a alternativa correta em relação às fontes do Direito da Segu-
ridade Social:
a) São fontes formais do Direito da Seguridade Social os costumes, as leis complementares e 
as leis ordinárias.
b) Sãofontes formais do Direito da Seguridade Social a analogia, os costumes, as leis comple-
mentares e as leis ordinárias.
c) São fontes formais do Direito da Seguridade Social as leis complementares, as leis ordinárias, 
a Constituição Federal de 1988 e as instruções expedidas pelo INSS.
d) São fontes materiais do Direito da Seguridade Social os costumes e a equidade.
a) Errada. Pois as fontes formais do Direito da Seguridade Social não incluem os costumes.
b) Errada. Pois as fontes formais do Direito da Seguridade Social não incluem os costumes 
e a analogia, os quais são meios ou elementos de integração da norma jurídica do Direito da 
Seguridade Social.
c) Certa. Pois, de fato, são fontes formais as leis complementares, as leis ordinárias, a Consti-
tuição Federal de 1988 e as instruções expedidas pelo INSS.
d) Errada. Pois os costumes e a equidade não são fontes materiais, mas sim elementos de 
integração da norma jurídica de Direito da Seguridade Social. Com relação à equidade, pode 
funcionar também como fonte, mas apenas no que toca ao princípio da equidade na forma de 
participação do custeio da Seguridade Social. Pode ser, por fim, elemento de interpretação da 
norma jurídica, com espeque no art. 5º, da LINDB (Art. 5º Na aplicação da lei, o juiz atenderá 
aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum).
Letra b.
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017. (INÉDITA/2023) Com relação aos princípios da Seguridade Social, marque a alternati-
va correta:
a) os princípios da Seguridade Social não são fontes formais do Direito, mas apenas orientações 
do Constituinte Originário, que criam standards normativos a serem cumpridos pelo legislador 
ordinário.
b) os princípios da Seguridade Social são os pilares de todo o sistema da seguridade social 
previsto na Constituição Federal de 1988, possuindo amplo espectro normativo e funcionando 
como fontes materiais do Direito da Seguridade Social.
c) os princípios da Seguridade Social devem ser lidos sob a ótica do pós-positivismo jurídico e 
apresentam força normativa e aplicabilidade direta, tal qual a força normativa que deriva das 
regras previstas nas leis previdenciárias, devendo prevalecer, em regra, as normas principioló-
gicas eis que superiores na Pirâmide Kelsen.
d) os princípios da Seguridade Social são fontes formais do Direito da Seguridade Social e de-
verão ser, sempre, interpretados com base no princípio da solidariedade.
a) Errada. Pois os princípios da Seguridade Social são fontes formais do Direito da Seguridade 
Social, sendo essa a parte incorreta do enunciado. Com relação à segunda parte, sim, de fato 
criam standards normativos a serem cumpridos pelo legislador ordinário.
b) Errada. Pois a parte final do enunciado está incorreta, sendo certo que os princípios da Segu-
ridade Social não são fontes materiais do Direito da Seguridade Social, mas sim fontes formais.
c) Certa. Pois, realmente, os princípios da Seguridade Social devem ser lidos dentro da ótica 
pós-positivista, na qual os princípios deixam de funcionarem unicamente como elementos de 
integração da norma jurídica, ostentando, doravante, força normativa própria. Assim, tal qual as 
regras legais e positivadas, os princípios, ainda quando não escritos, possuem força normativa 
e são fontes formais do Direito. Em regra, embora não haja hierarquia entre princípio e regra, 
quando se tratar, porém, de princípio de estirpe constitucional, esse deverá prevalecer, salvo se 
a norma mais favorável for a prevista na regra (com base no princípio da norma mais favorável 
em matéria de Seguridade Social).
d) Errada. Pois o princípio da solidariedade é um principio de consideração obrigatória quan-
do se tem em mira a interpretação da norma jurídica da Seguridade Social, mas não é a base 
principiológica que determinará de modo proeminente a conclusão do hermeneuta, mas sim o 
princípio pro homine.
Letra c.
018. (INÉDITA/2023) Marque a alternativa incorreta com relação aos tipos de normas de 
Seguridade Social existentes:
a) normas-custeio, normas de filiação e normas de proteção.
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b) normas-custeio, normas de filiação e normas de amparo.
c) normas de manutenção do valor real dos benefícios e normas de irredutibilidade dos benefícios.
d) normas-custeio, normas de vinculação e normas de retirada.
a, b, c) Certas. Eis que todas enunciam espécies da tipologia de normas da Seguridade Social, 
conforme a doutrina de LAZZARI (Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual 
de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2667-2671). Forense. Edição do Kindle.).
d) Errada. Eis que não existe na tipologia de normas da Seguridade Social as indicadas “normas 
de retirada”, devendo essa alternativa ser marcada já que é incorreta.
Letra d.
019. (INÉDITA/2023) Sobre as normas da Seguridade Social e sua interpretação, assinale a 
alternativa correta:
a) as normas de Seguridade Social não podem ser vistas como normas de direito fundamental, 
eis que o Estado pode promover reformas previdenciárias para alterá-las.
b) O princípio pro homine é determinante na interpretação das normas da Seguridade Social e 
deve ser aplicado quando há dúvida na leitura dos fatos apresentados ao Juiz.
c) O princípio pro homine orienta a interpretação da norma da Seguridade Social sempre no 
sentido de que dela se extraia a conclusão mais favorável à pessoa humana, podendo, inclusive, 
alterar a ordem normativa da Pirâmide de Kelsen para que uma instrução normativa possa ter 
mais peso do que um determinado artigo de lei.
d) a máxima efetividade das normas de Seguridade Social somente pode ser considerada para 
as normas constitucionais de direitos sociais que apresentem eficácia plena.
a) Errada. Pois as normas de Seguridade Social são, sim, normas que representam a tutela de 
direitos fundamentais sociais, vistos esses como direitos fundamentais de 2ª dimensão. E o 
fato de haver reformas previdenciárias que alterem o conteúdo desses direitos não implica 
qualquer desconsideração de sua natureza. Pelo contrário, justamente por serem considerados 
direitos fundamentais, as reformas previdenciárias encontram limitações referentes à proibição 
do retrocesso social, bem como às vedações impostas pelo art. 60, § 4º, IV, da CF/88. Assim, as 
alterações no sistema de Seguridade Social não podem excluir direitos, mas apenas modulá-los 
com razoabilidade e dentro de ponderações voltadas à manutenção do sistema, eis que, ao lado 
das garantias sociais que o Constituinte alberga, também há de ser respeitado o princípio do 
equilíbrio financeiro e atuarial.
b) Errada. Pois o princípio pro homine em matéria de Direito da Seguridade Social volta-se para 
a melhor interpretação do Direito e não dos fatos.
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c) Certa. Pois o referido princípio orienta, realmente, a busca da interpretação mais favorável 
à pessoa humana e, nesse sentido, pode até mesmo subverter a ordem das fontes normativas 
da Pirâmide de Kelsen.
d) Errada. Pois a máxima efetividade das normas de Seguridade Social vale para qualquer 
norma, seja ela legal ou constitucional. E quanto a essas, a máxima efetividade se extrai de 
qualquer norma de direito fundamental, ainda que de eficácia limitada ou programática. Essa é 
a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, senão vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
E M E N T A: PACIENTE COM HIV/AIDS – PESSOA DESTITUÍDA DE RECURSOS FINANCEI-
ROS – DIREITO À VIDA E À SAÚDE – FORNECIMENTO GRATUITO DE MEDICAMENTOS 
– DEVER CONSTITUCIONAL DO PODER PÚBLICO (CF, ARTS. 5º, CAPUT, E 196) – PRECE-
DENTES (STF) – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. O DIREITO À SAÚDE REPRESENTA 
CONSEQÜÊNCIA CONSTITUCIONAL INDISSOCIÁVEL DO DIREITO À VIDA. – O direito 
público subjetivo à saúde representa prerrogativa jurídica indisponível assegurada à 
generalidade das pessoas pela própria Constituição da República (art. 196). Traduz bem 
jurídico constitucionalmente tutelado, por cuja integridade deve velar, de maneira respon-
sável, o Poder Público, a quem incumbe formular – e implementar – políticas sociais e 
econômicas idôneas que visem a garantir, aos cidadãos, inclusive àqueles portadores 
do vírus HIV, o acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica e médico-hos-
pitalar. – O direito à saúde – além de qualificar-se como direito fundamental que assiste 
a todas as pessoas – representa conseqüência constitucional indissociável do direito à 
vida. O Poder Público, qualquer que seja a esfera institucional de sua atuação no plano 
da organização federativa brasileira, não pode mostrar-se indiferente ao problema da 
saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por censurável omissão, em grave 
comportamento inconstitucional. A INTERPRETAÇÃO DA NORMA PROGRAMÁTICA NÃO 
PODE TRANSFORMÁ- LA EM PROMESSA CONSTITUCIONAL INCONSEQÜENTE. – O caráter 
programático da regra inscrita no art. 196 da Carta Política – que tem por destinatários 
todos os entes políticos que compõem, no plano institucional, a organização federativa 
do Estado brasileiro – não pode converter-se em promessa constitucional inconse-
qüente, sob pena de o Poder Público, fraudando justas expectativas nele depositadas 
pela coletividade, substituir, de maneira ilegítima, o cumprimento de seu impostergável 
dever, por um gesto irresponsável de infidelidade governamental ao que determina a 
própria Lei Fundamental do Estado. DISTRIBUIÇÃO GRATUITA DE MEDICAMENTOS A 
PESSOAS CARENTES. – O reconhecimento judicial da validade jurídica de programas 
de distribuição gratuita de medicamentos a pessoas carentes, inclusive àquelas porta-
doras do vírus HIV/AIDS, dá efetividade a preceitos fundamentais da Constituição da 
República (arts. 5º, caput, e 196) e representa, na concreção do seu alcance, um gesto 
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reverente e solidário de apreço à vida e à saúde das pessoas, especialmente daquelas 
que nada têm e nada possuem, a não ser a consciência de sua própria humanidade e 
de sua essencial dignidade. Precedentes do STF.
(RE 271286 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 12/09/2000, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJ 24-11-2000 PP-00101 EMENT VOL-02013-07 PP-01409)
Letra c.
020. (INÉDITA/2023) Com relação aos critérios, elementos ou métodos de interpretação da 
norma jurídica de Seguridade Social, julgue o item abaixo.
O elemento SOCIOLÓGICO permite a visualização do contexto social e cultural dos destinatá-
rios da norma, visando, assim, ao atendimento dos fins sociais da lei, tal como previsto no art. 
5º, da LINDB.
O item está correto. Vale chamar à atenção ao fato de que a interpretação da norma pelo ele-
mento sociológico tem sido associada à equidade. Veja-se, assim, que o conceito de equidade é 
tão fluido que ele pode figurar, a depender do ramo do Direito e da lei que o rege, como fonte do 
Direito, elemento de integração da norma jurídica – juntamente com a analogia, os costumes e 
os princípios de Direito – ou, por fim, como critério valorativo de interpretação social da norma.
Certo.
021. (INÉDITA/2023) Com relação ao conflito de leis previdenciárias no tempo, julgue o item 
que segue.
A lei nova também não retroagirá para prejudicar qualquer situação jurídica já consolidada, 
notadamente porque se deve ter em mente o princípio do tempus regit actum em matéria rela-
cionada aos benefícios da seguridade social.
O item enunciado está correto, abordando com exatidão os reflexos do princípio tempus regit 
actum na seara da legislação previdenciária, sendo certo que a lei nova não retroagirá ainda 
quando beneficia para o segurado. Assim, a lei incidente para definir as regras previdenciárias 
de cada benefício deverá ser aquela vigente ao tempo em que o fato gerador da contingencia 
social correspondente se desenhou no mundo jurídico. Como exemplo, na pensão por morte, 
temos o óbito como a referência para a incidência da lei previdenciária, com base no princípio 
tempus regit actum.
Certo.
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022. (INÉDITA/2023) Com relação ao conflito de leis previdenciárias no tempo, julgue o item 
que segue.
Em caso de sucessão de leis no tempo, com alteração da forma de cálculo do salário de bene-
fício para a pensão por morte, é na data do requerimento administrativo que se deve averiguar 
qual a lei aplicável, se a lei nova ou a lei velha.
O item enunciado está incorreto, eis que é na data do óbito que se demarca a legislação apli-
cável, ainda quando o requerimento é feito na vigência da lei nova.
Errado.
023. (INÉDITA/2023) Com relação à coisa julgada na seara do Direito Previdenciário, julgue 
o item que segue.
A coisa julgada em ação previdenciária na qual se requer auxílio-doença é imutável e, por isso, 
não permite que o INSS reveja o estado de saúde do segurado e, diante da superação da pato-
logia incapacitante, cesse o benefício concedido judicialmente.
O item enunciado está incorreto, sendo certo que o INSS pode sim rever as benefícios concedidos 
judicialmente, desde que convoque o segurado para nova perícia e demonstre que houve, de 
fato, superação da patologia incapacitante diante da melhora do quadro de saúde do periciando. 
Esse procedimento não exige o denominado “paralelismo de formas”, ou seja, não exige que o 
INSS intente ação anulatória do julgado. Contudo, a jurisprudência do STJ não definiu ainda o 
tema de modo definitivo, havendo decisão que já decidiu pela necessidade de observância do 
paralelismo de formas, o que exigiria o ajuizamento de ação tal qual a prevista anteriormente 
no art. 471, inciso I, do CPC-73 (agora art. 505, inciso I, CPC-15).
Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DO PARALELISMO DAS FORMAS NA REVISÃO DE 
BENEFÍCIO ASSISTENCIAL.
O INSS pode suspender ou cancelar benefício de prestação continuada concedido judi-
cialmente, desde que conceda administrativamente o contraditório e a ampla defesa ao 
beneficiário, não se aplicando o princípio do paralelismo das formas.
O STJ,por meio da Sexta Turma, aplicou o entendimento de que era necessário respei-
tar o princípio do paralelismo das formas, ou seja, concedido o benefício por meio de 
decisão judicial, somente por outra decisão judicial seria possível a autarquia fazer a 
revisão para suspender ou cancelar o benefício, nos termos do art. 471, I, do CPC (REsp 
1.201.503-RS, DJe 26/11/2012).
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No entanto, esse princípio não é de observância obrigatória, devendo-se impedir, entre-
tanto, o cancelamento ou suspensão unilateral do benefício por parte da autarquia, sem 
dar oportunidade ao beneficiário de apresentar provas que entender necessárias.
Efetivamente, não se exige o paralelismo de formas por três motivos:
1) a legislação previdenciária, que é muito prolixa, não faz essa exigência, não podendo 
o Poder Judiciário exigir ou criar obstáculos à autarquia não previstos em lei;
2) foge da razoabilidade e proporcionalidade, uma vez que, por meio do processo admi-
nistrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, é 
possível extrair elementos suficientes para apurar a veracidade ou não dos argumentos 
para a suspensão ou cancelamento do benefício, o que não impede posterior revisão 
judicial;
3) a grande maioria dos benefícios sociais concedidos pela Lei Orgânica da Assistência 
Social (Lei n. 8.742/1993) são deferidos por meio de decisão judicial, o que acarreta-
ria excessiva demanda judicial, afetando em demasia o Poder Judiciário, bem como o 
departamento jurídico da autarquia, além da necessidade de defesa técnica, contratada 
pelo cidadão, sempre que houver motivos para a revisão do benefício.
Precedente citado do STJ: AgRg no Ag 1.105.324-BA, Quinta Turma, DJe 17/8/2009. 
Precedente citado do STF: RE 469.657 AgR, Segunda Turma, DJe 13/8/2012. REsp 
1.429.976-CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/2/2014.
O art. 43, § 4º, da Lei n. 8.213/91, assinala que o “segurado aposentado por invalidez poderá ser 
convocado a qualquer momento para avaliação das condições que ensejaram o afastamento 
ou a aposentadoria, concedida judicial ou administrativamente”. Já o art. 60, § 10, também da 
Lei n. 8.213/91 vai na mesma linha, asseverando que o “segurado em gozo de auxílio-doença, 
concedido judicial ou administrativamente, poderá ser convocado a qualquer momento para 
avaliação das condições que ensejaram sua concessão ou manutenção”. Há, nessa base, um 
ato normativo, a PORTARIA CONJUNTA INSS N. 7, DE 19 DE AGOSTO DE 2016, que estabelece 
procedimentos relacionados à revisão administrativa de benefícios previdenciários por incapaci-
dade prevista na Medida Provisória 739/2016. Mas, friso: qualquer corte que não respeite a coisa 
julgada é, em verdade, descumprimento de ordem judicial. De outro lado, vedar completamente 
a revisão de um benefício apenas porque ele foi implantado por ato judicial, após sentença ou 
liminar, não é condizente com a própria natureza desses benefícios, os quais, como dito, são 
concedido sempre rebus sic stantibus.
No âmbito do TRF-1ª Região, a jurisprudência ainda tem oscilado sobre a alternância de decisões 
no STJ, no que toca à exigência ou não do paralelismo de formas.
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Como exemplo de julgado que exigiu o citado paralelismo, colaciono o trecho da ementa do 
julgado abaixo:
JURISPRUDÊNCIA
Entretanto, qualquer que seja o ato administrativo que importe em supressão, ou mesmo 
redução de benefícios previdenciários, exige, sempre, a observância estrita do devido 
processo legal e do contraditório, tal como constitucionalmente previsto (artigo 5º, LIV, 
da CF/88), observância ao princípio do paralelismo das formas ou da similitude proce-
dimental, o que não ocorreu no caso, pois o que consta dos autos é que a cessação do 
benefício da autora se deu, de maneira repentina, sem que a autora pudesse ao menos 
se defender. (AC 0000145-60.2012.4.01.3819, JUIZ FEDERAL GRIGÓRIO CARLOS DOS 
SANTOS, TRF1 – 2ª CÂMARA REGIONAL PREVIDENCIÁRIA DE MINAS GERAIS, e-DJF1 
22/11/2018 PAG.)
Já no sentido de que o paralelismo não é indispensável, mas sim a garantia administrativa do 
contraditório e da ampla defesa, cito:
JURISPRUDÊNCIA
APELAÇÃO. PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. 
PENSÃO POR MORTE. CANCELAMENTO DE BENEFÍCIO. EXAURIMENTO DA INSTÂNCIA 
ADMINISTRATIVA. NECESSIDADE. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS INCABÍVEIS. 1. 
Pode a Administração Pública rever os seus atos para cancelar ou suspender benefício 
previdenciário. Todavia, deve observar o princípio constitucional do devido processo 
legal, com a garantia do contraditório e da ampla defesa, sendo certo que tal princípio 
compreende, também, a via recursal administrativa, de modo que o cancelamento, a 
suspensão, a cessação ou a revisão de benefício previdenciário somente será possí-
vel após o exaurimento de todas as instâncias administrativas. O que a jurisprudência 
da Corte Superior exige não é a aplicação do princípio do paralelismo das formas, é a 
concessão do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, sempre que 
houver necessidade de revisão do benefício previdenciário, por meio do processo admi-
nistrativo previdenciário, impedindo com isso, o cancelamento unilateral por parte da 
autarquia, sem oportunizar apresentação de provas que entenderem necessárias. (STJ, 
REsp 1.323.209/MG, Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJ de 15/04/2014; REsp 
n. 1.363.899/CE, Ministra Regina Helena Costa, DJ de 06/02/2017). Logo, não merece 
reforma a sentença que determinou o restabelecimento do benefício da impetrante. 2. 
A pensão por morte também será devida se o óbito do segurado decorrer de acidente 
de qualquer natureza ou de doença profissional ou do trabalho, independentemente do 
recolhimento de 18 (dezoito) contribuições mensais ou da comprovação de 2 (dois) anos 
de casamento ou de união estável, de acordo com o art. 77, § 2º da Lei n. 13. 135/2015. 
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3. Apelação do INSS e remessa oficial não provida. 4. Honorários incabíveis na espécie 
(art. 25 da Lei n. 12.016/2009). Custas na forma da lei, estando isento o INSS (art. 4º 
da Lei n. 9.289/96).
(AMS 0002193-50.2015.4.01.3701, DESEMBARGADORA FEDERAL GILDA SIGMARINGA 
SEIXAS, TRF1 – PRIMEIRA TURMA, e-DJF1 12/09/2018 PAG.)
Essa ultima posição parece ser a mais adequada e, ao que tudo indica, prevalecerá.
Errado.
024. (INÉDITA/2023) Com relação à cessação dos benefícios previdenciários concedidos 
judicialmente, julgue o item abaixo.
Quanto à cessação programada de benefícios concedidos judicialmente, pode o INSS promover 
a chamada alta programada, em caso de não demarcação do tempo de cessação na sentença 
transitada em julgado.
O enunciado está correto, sendoque essa possibilidade está prevista no art. 60, § 8, da Lei n. 
8.213/91. Essa possibilidade decorreu das inovações legais advindas por meio das Medidas 
Provisórias n. 739/2016 e 767/2017, as quase, posteriormente, restaram convertidas na Lei n. 
13.457/17. Essa Lei promoveu mecanismos de implementação dos chamados “pentes finos” 
do INSS, permitindo a cessação do benefício em 120 dias se não houver data de cessação 
apontada administrativa ou judicialmente. Além disso, a TNU, ao julgar o PEDILEF n. 0500774-
49.2016.4.05.8305/PE), definiu o seu TEMA 164, fixando a seguinte tese:
JURISPRUDÊNCIA
os benefícios de auxílio-doença concedidos judicial ou administrativamente, sem Data 
de Cessação de Benefício (DCB), ainda que anteriormente à edição da MP n. 739/2016, 
podem ser objeto de revisão administrativa, na forma e prazos previstos em lei e demais 
normas que regulamentam a matéria, por meio de prévia convocação dos segurados 
pelo INSS, para avaliar se persistem os motivos de concessão do benefício.
Certo.
025. (INÉDITA/2023) Com relação à lei previdenciária no tempo, julgue o item abaixo.
Havendo lei previdenciária nova que aumente o prazo de carência para a obtenção de um be-
nefício por incapacidade, aplicam-se suas novas disposições, mesmo aos segurados que já 
estavam filiados ao sistema quando a incapacidade laboral deles for constatada como tendo 
iniciado ao tempo da nova lei.
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O enunciado está correto, na medida em que nos benefícios por incapacidade é no momento 
em que essa surge que deve ser verificada a legislação incidente, pelo princípio tempus regit 
actum. Conforme julgamento do TEMA 176 da TNU – Turma Nacional de Uniformização da Ju-
risprudência dos Juizados Especiais Federais, deve-se adotar o regime normativo de carência 
vigente no momento do surgimento da incapacidade37:
JURISPRUDÊNCIA
“Constatado que a incapacidade do( a) segurado( a) do Regime Geral da Previdência 
Social (RGPS) ocorreu ao tempo da vigência das Medidas Provisórias ns. 739/ 2016 e 
767/ 2017, aplicam-se as novas regras de carência nelas previstas” (Processo 5001792-
09.2017.4.04.7129/ RS, j. em 17.8.2018).
Certo.
026. (INÉDITA/2023) Sabe-se que a norma jurídica pode ser checada em diversos planos de 
aferição, desde a sua edição até a produção normal e concreta de seus efeitos. Sendo assim, 
marque a alternativa que não representa nenhum desses planos:
a) plano da validade.
b) plano da existência.
c) plano da eficácia.
d) plano da vigência.
e) plano da publicidade.
A alternativa “E” é a única que não se coaduna com nenhum dos planos de checagem da nor-
ma, portanto incorreta e a que deve ser marcada como resposta. Quando falamos em norma, 
devemos passar por alguns planos de sua consideração. Esses planos são o da existência, da 
vigência, da validade e da eficácia. O plano da existência decorre de sua simples edição, san-
ção (ou promulgação, no caso das Emendas Constitucionais) e assinatura (no caso de normas 
regulamentares). O plano da vigência origina-se da publicação da norma, podendo, contudo, ter 
vigência diferida no tempo em razão do prazo de vacatio legis que cada lei pode indicar (ou, na 
omissão, no prazo de 45 dias, conforme o art. 1º, da LINDB). O plano da validade se relaciona 
com a verificação de suas exigências de produção, tanto na ótica formal relacionada ao tramite 
procedimental de sua edição, quando à ótica material, relacionada aos controles de constitu-
37 Castro, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito Previdenciário (Locais do Kindle 2812-2816). 
Forense. Edição do Kindle.
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cionalidade, convencionalidade e legalidade. Por fim, o plano da eficácia, que se opera dentro 
da verificação da possibilidade da norma efetivamente produzir efeitos no mundo concreto (a 
publicação gera efeitos no mundo jurídico e a eficácia é o plano de análise de efeitos no mundo 
concreto).
Letra e.
027. (INÉDITA/2023) Sobre a eficácia da norma jurídica, inclusive a norma jurídica da Segu-
ridade Social, julgue o item a seguir:
A norma jurídica de Seguridade Social pode ter sua eficácia aferida sob dois aspectos: o aspecto 
técnico e o aspecto social. Quanto ao aspecto técnico, significa que para se falar que possui 
eficácia é necessário verificar se há alguma dependência normativa em segundo grau, ou seja, 
alguma exigência regulamentar para que a norma seja então perfeitamente aplicável tecnica-
mente. Há no aspecto da eficácia social, a norma jurídica de Seguridade Social necessita ter 
aplicabilidade prática no seio social, de modo que, em não havendo essa aplicabilidade social, 
a lei pode ser considerada inválida em nosso ordenamento jurídico.
O enunciado está perfeito no que toca à menção quanto aos dois aspectos a serem observa-
dos no plano da eficácia da norma jurídica. Acertou, também, ao explicar o que são a eficácia 
técnica e eficácia social, mas quanto a essa pecou ao dizer que a lei torna-se inválida se não 
apresentar aplicabilidade social prática. A observação da efetividade social é feita mediante o 
questionamento da possibilidade social, econômica, politica, cultural, dentre outros aspectos, 
da norma jurídica ser imposta. Mas, veja: o fato da lei não encontrar de imediato e, por si só, 
aceitação social e por isso, mitigando sua eficácia social, não a torna indesejável do ponto de 
vista jurídico. Além disso, conforme o art. 3º, da LINDB, ninguém “se escusa de cumprir a lei, 
alegando que não a conhece”.
Errado.
028. (INÉDITA/2023) Acerca dos elementos, critérios ou métodos de interpretação da her-
menêutica jurídica clássica, julgue o item que segue:
O elemento teleológico permite a interpretação que busca compatibilizar a norma a ser inter-
pretada com o restante do ordenamento jurídico, almejando situar a norma colocada como 
objeto central da interpretação no todo e, assim, extrair sua melhor normatividade sistêmica. 
Já o elemento sistemático permite a interpretação finalística da norma.
O enunciado está incorreto porque é justamente o contrário. O primeiro período da oração faz 
referencia ao elemento, ou critério, sistemático, enquanto que o segundo período faz referencia 
ao critério teleológico.
Errado.
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029. (INÉDITA/2023) Acerca da tipologia das normas constitucionais dada por José Afonso 
da Silva, julgue o item abaixo.
No bojo da avaliação da eficácia que cada norma carreia ao ordenamento jurídico, podemos 
arrolar certas funções eficaciais: função de bloqueio (função impeditiva, de bloqueio de algum 
comportamento); função de programa (são as normas programáticas); função de resguardo 
(objetivam resguardar e garantir alguma conduta determinada, tal como os direitos fundamen-tais relacionados aos direitos autorais).
O enunciado do item está perfeito. De fato, a classificação das funções eficaciais das normas 
constitucionais dada por José Afonso da Silva orienta que pode haver exatamente o mencionado: 
função de bloqueio, função de programa e função de resguardo. Como exemplo, a segurança 
pública carreia em nosso ordenamento constitucional normas que possuem função de bloqueio 
e, ao mesmo tempo, função de programa. Já a Seguridade Social é normatizada por, sobretudo, 
normas que contém funções de programa.
Certo.
030. (INÉDITA/2023) Acerca do emprego da analogia nas normas de Seguridade Social, 
julgue o item a seguir.
Entende-se na jurisprudência atual que é viável a manutenção da relação jurídico-previdenciária 
do segurado especial quando considerada a extensão do período de graça de modo analógico 
e isonômico com o previsto no art. 15, § 1º e 2º, da Lei n. 8.213/91, sem distinção entre traba-
lhadores, sejam eles do meio urbano ou rural.
O enunciado está correto, eis que aborda o entendimento consolidado no âmbito da TNU, no 
julgamento do PEDILEF 05009466520144058400, no sentido de que os prazos máximos de pe-
ríodo de graça previstos no art. 15, § § 1º e 2º, da Lei de Benefícios (Lei n. 8.213/91) é aplicável 
analogicamente aos segurados rurais. Vejamos:
JURISPRUDÊNCIA
(...)
Considero que deve prevalecer a interpretação da Turma Regional de Uniformização da 
4ª Região.
De fato, os enunciados constantes dos § 1º e 2º do artigo 15 da Lei n. 8.213/91 não 
podem ser interpretados literalmente.
(...)
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De efeito, se os trabalhadores verteram o mesmo número de contribuições, ou trabalha-
ram pelo mesmo período (nas situações em que a lei exige apenas a prova do trabalho), 
sendo todos segurados obrigatórios, não faz sentido que a manutenção da qualidade 
de segurado seja maior para uma categoria e menor para outra.
(...)
Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima indicadas, a 
Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos juizados Especiais Federais, 
por unanimidade, CONHECEU do incidente de uniformização e, por maioria, DEU-LHE 
PARCIAL PROVIMENTO, nos termos do voto do (a) Juiz (a) Federal DANIEL MACHADO 
DA ROCHA, que lavra o presente acordão.
(PEDILEF 05009466520144058400, JUIZ FEDERAL DANIEL MACHADO DA ROCHA, TNU, 
DOU 03/06/2016 PÁGINAS 79/167)
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reFerÊnciAS
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IBRAHIM, Fábio Zambitte, in Curso de Direito Previdenciário, 24ª Edição, Rio de Janeiro. Ed. 
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BERBEL, Fábio Lopes Vilela. Teoria Geral da Previdência Social. São Paulo: Quartier Latin, 2005
RAMOS TAVARES, André. Curso de Direito Constitucional. 10ª Edição, Revista e Atualizada, 
Editora Saraiva – São Paulo
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de Direito Constitucional. 6ª ed. Rev. E atual. São Paulo: Saraiva, 2011
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed. São Paulo: Ed. Malheiros, 2006
RAO, Vicente. In O Direito e a Vida dos Direitos, 3º edição, vol. 1
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 6.ed. 2ª. tiragem. São Paulo: RT, 1990
MORAES, Alexandre de, in Curso de Direito Constitucional, 33ª Edição, Editora Atlas, pg. 74, 
citando BASTOS, Celso. Dicionário de direito constitucional. São Paulo: Saraiva
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TARTUCE, Flávio, in Breve Estudo das Antinomias ou Lacunas de Conflito. Extraído de http://genjuridico.
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STOLZE, Pablo e Rodolfo Pamplona, in Novo Curso de Direito Civil, Parte Geral, 14ª edição. Edi-
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COMPARATO, Fábio Konder Comparado. A afirmação histórica dos direitos humanos, 2.ª ed., São 
Paulo: Saraiva, 2001, p. 67 et seq.; e Thiago Rodovalho. Do Direito Constitucional à Ampla e Efetiva 
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thiago-rodovalho-magna-carta-continua-inspirar-liberdades#_ftn12, em 05/12/2019, ás 16:15
Montesquieu, Martin Claret, Do Espírito das Leis, São Paulo, 2011. Extraído de https://jornalggn.
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https://www.conjur.com.br/2015-jun-15/thiago-rodovalho-magna-carta-continua-inspirar-liberdades
https://www.conjur.com.br/2015-jun-15/thiago-rodovalho-magna-carta-continua-inspirar-liberdades
https://jornalggn.com.br/justica/la-bouche-de-la-loi-no-caso-do-triplex/
https://jornalggn.com.br/justica/la-bouche-de-la-loi-no-caso-do-triplex/
Frederico Martins
Formado em Direito pela UFRJ, pós-graduado em Ciências Criminais pela UNIDERP-Anhanguera, juiz
federal do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, professor de curso preparatório para concursos.
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	Sumário
	Fontes do Direito da Seguridade Social
	1. Fontes do Direito da Seguridade Social
	1.1. Conceito e Classificações
	1.2. Espécies de Fontes Formais do Direito da Seguridade Social
	1.3. Síntese das Fontes Formais e Materiais do Direito da Seguridade Social
	1.4. A Força Normativa dos Princípios
	2. Interpretação das Normas de Seguridade Social
	2.1. Tipologia das Normas de Seguridade Social
	2.2. As Normas de Seguridade Social: Direitos Fundamentais, Máxima Efetividade e Interpretação Mais Favorável
	2.3. A hermenêutica Clássica e Constitucional das Normas de Seguridade Social
	3. Aplicação das Normas de Seguridade Social
	3.1. Sobre a Subsunção da Norma Jurídica
	3.2. Sobre o Positivismo Jurídico
	3.3. A Aplicação da “Lei” no Tempo
	3.4. A Aplicação da “Lei” no Espaço
	4. Antinomias Normativas
	4.1. Os Critérios de Solução em Caso de Conflito de Normas
	5. Integração das Normas de Seguridade Social
	5.1. A Analogia
	5.2. Os Costumes
	5.3. A Equidade
	5.4. Os Princípios Gerais de Direito
	6. Eficácia das Normas de Seguridade Social
	6.1. Os Planos de Checagem da Norma Jurídica
	6.2. A Eficácia Social e Técnica da Norma de Seguridade Social
	6.3. Classificação das Normas quanto a sua Eficácia
	Resumo
	Exercícios
	Gabarito
	Gabarito Comentado
	Referências
	AVALIAR 5: 
	Página 125:

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