Prévia do material em texto
1 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br APOSTILA DE LÍNGUA PORTUGUESA Focada no concurso para a UFRJ – 2023 Prof.ª Roberta da Costa Santos 2 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Sumário Capítulo 1. Compreensão e interpretação de textos; Análise de discursos no plano das relações entre linguagem, comunicação e sociedade; Gêneros e tipos textuais ..................................... 3 Capítulo 2. Figuras de linguagem; Elementos da comunicação; Variedades linguísticas ......... 13 Capítulo 3. Coesão e coerência textuais; Equivalência e transformação de estruturas; Relações semânticas.............................................................................................................................. 22 Capítulo 4. Classe e emprego de palavras............................................................................... 36 Capítulo 5. Frase, oração e período; Período composto (coordenação e subordinação .......... 67 Capítulo 6. Sintaxe de concordância....................................................................................... 79 Capítulo 7. Sintaxe de regência............................................................................................... 86 Capítulo 8. Colocação pronominal........................................................................................... 90 Capítulo 9. Crase.................................................................................................................... 94 Capítulo 10. Pontuação......................................................................................................... 100 Capítulo 11. Acordo ortográfico: ortografia e acentuação gráfica vigentes........................... 105 Capítulo 12. Prova comentada............................................................................................... 119 3 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Capítulo 1 – Compreensão e interpretação de textos; análise de discursos no plano das relações entre linguagem, comunicação e sociedade; gêneros e tipos textuais 1. Compreensão e interpretação de textos A compreensão e a interpretação de textos são ações diferentes, mas estão intimamente relacionadas entre si. Isso porque quando se compreende um texto adequadamente, é possível chegar a determinadas conclusões sobre ele, ou seja, interpretá-lo. Assim, para compreender bem um texto, ou seja, para entender a mensagem transmitida por ele, de forma objetiva, é imprescindível ter um bom conhecimento da gramática da língua portuguesa. Além disso, o domínio do vocabulário bem como das funções relacionadas à linguagem e à comunicação são extremamente importantes. Por sua vez, para interpretar um texto adequadamente, faz-se necessária uma maior interação entre leitor e texto, tendo em vista que a interpretação é uma ação subjetiva. Quanto maior for seu conhecimento de mundo, mais facilmente você chegará a conclusões sobre o que leu. A melhor forma de aumentar o seu conhecimento de mundo, ou mundividência, é por meio da leitura de textos de tipos e gêneros diversos. Além disso, palestras, documentários, bons filmes e boas conversas podem aumentar o seu repertório informativo. Os textos presentes nas provas de língua portuguesa elaboradas pela banca PR-4 visam à avaliação da capacidade do (da) candidato (a) de compreender as ideias explícitas e de interpretar os sentidos implícitos dos textos. Por essa razão, as questões de compreensão e de interpretação de textos são muito frequentes e costumam gerar muitas dúvidas e dificuldades. Encare esse fato como algo normal. O mais importante é aprender a lidar com essas questões e progredir. Para abordá-las, é preciso, em primeiro lugar, identificar quando se está diante de uma questão de compreensão de texto e quando a questão requer sua interpretação. Em segundo lugar, é importante conhecer as estratégias para resolver cada um desses tipos de questão. É o que faremos a partir de agora. 1.1 Como diferenciar as questões de compreensão das questões de interpretação de texto? O objetivo das questões de compreensão é extrair dados objetivos de um determinado texto. Por outro lado, no que diz respeito às questões de interpretação, seu objetivo é produzir inferências, isto é, construir sentidos com base no que se leu. Como os objetivos são distintos, é possível diferenciar as questões de compreensão das questões de interpretação por meio dos comandos presentes em seus enunciados. Compreender Decodificar uma mensagem; analisar o que está explicitamente no texto. Interpretar Chegar a conclusões por meio das conexões presentes no texto; ir além do texto. 4 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Analise o quadro a seguir e observe alguns exemplos de comandos que podem aparecer na sua prova: Após analisar o comando, tendo a clareza de que se trata de uma questão de compreensão ou de interpretação, é preciso saber como lidar com ela. 1.2 Estratégias para a resolução de questões de compreensão e interpretação Primeiramente, é preciso ler o texto, preferencialmente duas vezes, no mínimo. Vale lembrar que o tempo que se “perde” com uma leitura bem-feita é compensado na hora de responder às questões. A primeira leitura, mais rápida, é a de familiarização com o conteúdo, e a segunda, mais calma e atenciosa, é a leitura analítica, aquela em que você percebe as escolhas lexicais e sintáticas feitas pelo autor. Obs.: A leitura vertical é a ideal para a resolução de questões de interpretação de texto. É preciso também ler atentamente os enunciados das questões a fim de ter a certeza de que seu comando foi compreendido. Nessa hora, vale a pena sublinhar ou circular tudo aquilo que for importante no enunciado (ideias principais, palavras-chave). Ademais, leia minuciosamente cada alternativa e já elimine, de pronto, aquelas que parecerem mais absurdas. Risque as palavras que tornam a alternativa errada. Normalmente, após eliminar as asserções absurdas ou contraditórias, fica-se entre apenas duas alternativas, o que aumenta consideravelmente suas chances de acertar a questão. Tendo em vista que as questões de compreensão exigem do (a) candidato (a) uma postura mais voltada para o entendimento daquilo que realmente está escrito no texto, é Leitura horizontal feita linha a linha, superficialmente, apenas para ter uma noção geral do texto. Leitura vertical feita de modo a entender, de forma mais analítica, o que está nas entrelinhas. COMANDOS Compreensão de texto Interpretação de texto Segundo o texto, está (in) correta... O texto possibilita o entendimento de que… De acordo com o texto, está (in) correta… Com apoio no texto, infere-se que… Tendo em vista o texto, está (in) correta… Pretende o texto mostrar que… O autor afirma que… O texto possibilita deduzir (concluir) que… O texto informa que... Depreende-se do texto que... 5 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br recomendável ater-se unicamente ao texto, deixando de lado opiniões, julgamentos e inferências. Já no que diz respeito às questões de interpretação de texto, como estas estão mais associadas ao julgamento de uma intenção, deve-se chegar a conclusões, mas sempre levando em consideração o texto e o contexto. Leia a tirinha a seguir e observe a importância do texto e do contexto para o seu entendimento: Na tirinha em questão, a primeira informação de que se dispõe, para dar início ao raciocínio, é a fala de Helga, esposa de Hagar, informando a este que sua mãe (sogra deHagar) irá visitá-los. Rapidamente Hagar responde que precisa ir à Inglaterra atacar castelos. Quando Helga pergunta por quanto tempo ele ficará fora, Hagar responde com outra pergunta, a saber, por quanto tempo a mãe de Helga ficará em sua casa. Para entender a comicidade do último quadrinho, é preciso saber que a relação entre genro e sogra costuma ser conflituosa e pouco amistosa em nossa sociedade. Pela reação de Helga e pela fala de Hagar no último quadrinho, pode-se inferir que ela não ficou nem um pouco satisfeita com fato de seu marido querer ficar distante para não ter que interagir com a sogra em sua casa. Observe que os dados fornecidos pelo contexto são suficientes para que se processe todo o raciocínio analítico. Todavia é importante perceber que o conhecimento de mundo e o uso do bom senso no momento de análise dos dados são fundamentais para garantir uma conclusão verdadeira ou, pelo menos, verossímil (possível). 1.3 Erros mais comuns na interpretação de texto Quando não se compreende o texto satisfatoriamente, pode-se incorrer em três erros clássicos. É preciso conhecê-los bem para não incorrer em nenhum deles. Extrapolação inferir algo sem base no texto; generalizar o que é particular Redução particularizar o que é geral; ater-se apenas a uma parte do texto, deixando de lado partes mais importantes; desprezar o contexto Contradição concluir de forma contrária ao texto. Assim, nunca interprete um texto inserindo ideias que o autor não mencionou. Isso normalmente acontece quando o (a) candidato (a) lê superficialmente o texto e vai direto para as perguntas. Além disso, somente contradiga o autor se o enunciado da questão indicar explicitamente que você deve fazê-lo (Indique a alternativa que apresenta ideia contrária à do texto). Leia o texto a seguir (questão adaptada): 6 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Agora, observe o conteúdo de algumas das alternativas presentes nas questões propostas para esse texto: Texto de uma das alternativas: os trabalhadores têm investido mais do que o necessário em sua formação profissional. Comentário: Há extrapolação, visto que o texto não menciona investimento dos trabalhadores, e sim necessidade de aprimorar sua formação. Texto de uma das alternativas: o desemprego aumenta em decorrência da qualificação profissional. Comentário: A alternativa é contraditória, pois o texto claramente menciona a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. Texto de uma das alternativas: o texto afirma que as empresas têm encontrado uma certa dificuldade para contratar mão de obra para os postos de trabalho que estão abertos. Comentário: Há aqui uma redução, visto que o texto não fala simplesmente em mão de obra, mas em mão de obra qualificada. Como se pôde perceber, essa análise reforça a ideia de que a leitura cuidadosa do enunciado e de cada alternativa da questão é indispensável para não incorrer nos três erros clássicos de interpretação. Saber é trabalhar Geralmente, numa situação de altos índices de desemprego, o trabalhador sente a necessidade de aprimorar a sua formação para obter um posto de trabalho. As empresas buscam os mais qualificados em cada categoria e excluem os que não se encaixam no perfil pretendido. Nos últimos anos, essa não tem sido a lógica vigente no Brasil. Segundo a pesquisa de emprego urbano feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas sucessivas de 2005 para cá. O desemprego em nove regiões metropolitanas medido pela pesquisa era de 17,9% em 2005 e fechou em 11,9% em 2010. A pesquisa do Dieese é um medidor importante, pois sua metodologia leva em conta não só o desemprego aberto (quem está procurando trabalho), como também o oculto (pessoas que desistiram de procurar ou estão em postos precários). Uma das consequências dessa situação é apontada dentro da própria pesquisa, um aumento médio no nível de rendimentos dos trabalhadores ocupados. A outra é a dificuldade que as empresas têm de encontrar mão de obra qualificada para os postos de trabalho que estão abertos. A Fundação Dom Cabral apresentou, em março, a pesquisa Carência de Profissionais no Brasil. A análise levou em conta profissionais dos níveis técnico, operacional, estratégico e tático. Do total, 92% das empresas admitiram ter dificuldades para contratar a mão de obra de que necessitam. (Língua Portuguesa, outubro de 2011. Adaptado) 7 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 2. Análise de discursos no plano das relações entre linguagem, comunicação e sociedade A análise do discurso, ramo da linguística e da comunicação, consiste no exame da estrutura de um determinado texto com vistas a compreender as construções ideológicas nele presentes. Observe que não se trata de uma mera análise textual, tendo em vista que na análise do discurso, uma investigação do contexto no qual o texto está inserido também é realizada. O objetivo da análise de todos os aspectos de um discurso é chegar ao sentido – o ponto mais importante de uma leitura. Vale ressaltar que o sentido de um discurso não é fixo, ao contrário, ele provoca efeitos de sentidos no seu receptor, ou seja, encontra-se aberto para a possibilidade de interpretação do leitor / ouvinte. Sabe-se que é aí que mora o perigo, pois há o risco de o receptor da mensagem inadvertidamente incorrer na extrapolação, na redução e até mesmo na contradição, conforme já mencionado na seção anterior. Antes de falarmos sobre a análise do discurso em si, vamos entender o que é discurso e quais são os tipos de discurso. 2.1 Tipos de discurso Discurso é um termo polissêmico, ou seja, apresenta mais de um significado. Contudo, para nosso estudo, precisamos entender o discurso como um meio pelo qual uma ideia é transmitida ou uma opinião é exposta, seja de forma oral, seja de forma escrita. Há três tipos de discurso: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre. Vamos analisar as características de cada um deles. a) discurso direto – os diálogos são transcritos sem a interferência de um narrador. Assim, o autor do texto lança mão de determinados sinais de pontuação e dos chamados verbos de elocução ou declarativos, tais como: perguntar, dizer, exclamar, ordenar, responder, indagar, entre outros. Ex.: - Purgatório o chamas tu, Sancho? – disse Dom Quixote. – Inferno lhe puderas tu chamar mais apropriadamente, ou coisa ainda pior, se a há. - No inferno nulla est retencio, segundo tenho ouvido dizer – replicou Sancho. - Não entendo o que vens a dizer com a tua “retencio” – disse Dom Quixote. (Miguel de Cervantes, Dom Quixote) b) discurso indireto – o narrador incorpora a voz de uma personagem. É também comum o uso de verbos declarativos, que iniciam o discurso, e as falas, em geral, aparecem como orações subordinadas substantivas. Ex.: Perguntou-lhe porque chegara tão tarde. Redarguiu que estivera em reunião com a diretoria. Perguntou ironicamente se fora a uma reunião regada a álcool. c) discurso indireto livre – as formas direta e indireta mesclam-se por meio de um processo no qual o narrador insere discretamente a fala ou os pensamentos do personagem na sua fala. Assim, há o emprego do discurso direto e do discurso indireto no mesmo enunciado, conservando as interrogações e exclamações da forma original. https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/periodo-composto-subordinacao.htm https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/periodo-composto-subordinacao.htm 8 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: O corpo da mulher parecia diferente. Antes era um corpo enormee volumoso. Agora era magro, minguado. E o rosto estava coberto. Quem era a pessoa que ele devia matar? Não conseguia lembrar-se. Mas tinha de saber! Devia perguntar à freira? A irmã assistia a tudo, com os olhos postos nele. Não, não podia perguntar a ela. Ela estava desconfiada. Sua suspeita era evidente. (Agatha Christie, E não sobrou nenhum) Agora que você já sabe o que é discurso e quais são os tipos de discurso, podemos avançar para a sua análise. Observe como foi realizada a análise dos seguintes slogans publicitários: Veja que a conjunção explicativa (porque) antecipa uma justificativa para que as atividades cotidianas e suas possíveis consequências sejam vistas como algo positivo pelo receptor da mensagem (contexto). Além disso, uso do pronome reflexivo (se) permite uma aproximação com o interlocutor. Por sua vez, o uso do advérbio (bem) na expressão “faz bem” confere caráter positivo à mensagem, ainda que a sujeira, na maioria das vezes, seja considerada uma coisa desagradável. Este segundo slogan apresenta um sujeito em 3ª pessoa (o próprio Bradesco) em um discurso no qual esse sujeito transfere toda a responsabilidade da ação para “você”. Observe que o banco oferece uma “oportunidade” para o receptor da mensagem estar “sempre à frente”, mas isso depende exclusivamente deste último. Ademais, o uso do pronome (você) aproxima o emissor e o receptor da mensagem. O uso do gerúndio (colocando) confere ao texto um caráter processual, ou seja, o banco está continuamente preocupado com o cliente. Por fim, o uso do advérbio de modo “à frente” demonstra a qualidade dos serviços prestados. Neste terceiro slogan, o uso do pronome possessivo (seus) transfere a responsabilidade da ação para o receptor da mensagem. O objetivo é mostrar que este tem a opção de relaxar seus pés e aliviar sua tensão e que a escolha é apenas sua, ou seja, é ele quem se responsabiliza pela decisão de seus pés tirarem férias ou não. O uso do pronome possessivo (seus) e do verbo no imperativo (dê) reforçam a responsabilidade da escolha, ou seja, se algo der errado, é porque ele não escolheu corretamente. 2.2 Implícitos da linguagem Um texto não é composto apenas por informações explícitas. Há normalmente uma série de informações implícitas, que também precisam ser levadas em consideração. Pressupostos e subentendidos são informações implícitas num texto, ou seja, não expressas formalmente, apenas sugeridas por marcas linguísticas ou pelo contexto. Cabe ao leitor, por meio de uma leitura proficiente, ir além da informação que se encontra implícita, ou seja, ler nas entrelinhas. OMO – Porque se sujar faz bem. BRADESCO – Colocando Você Sempre à Frente. CHINELOS RIDER – Dê férias para seus pés. Use Rider. 9 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br a) Pressuposto O pressuposto possui uma marca linguística que permite ao leitor inferir a informação implícita. Exatamente por haver essa marca linguística, não há como o emissor da mensagem dizer que o receptor o interpretou mal, por exemplo. Observe que há um conteúdo posto (o que foi dito / escrito) e um conteúdo pressuposto (mensagem implícita). Principais marcadores de pressuposição: a) Adjetivos: Ele ganhou sua segunda medalha de ouro. (Já há uma primeira medalha.) b) Certos advérbios: O Brasil não tem mais o melhor futebol do mundo. (Já teve.) c) Conjunções: Ela casou com um homem pobre, mas é feliz. (Quem casa com homem pobre não é feliz.) d) Orações adjetivas Os políticos, que só defendem seus interesses, não estão nem aí para o povo. (Todos os políticos são assim. Se a oração fosse restritiva, haveria exceções.) e) Certos verbos As informações coletadas pelo governo dos Estados Unidos continuam armazenadas nos computadores do Serviço Nacional de Segurança. (Já eram e permanecem sendo armazenadas.) f) Locuções que indicam circunstâncias (depois que, antes que, desde que...) Depois que ela ficou rica, nunca mais a vi. (Eu costumava vê-la antes.) Ex.: Ela adoeceu de novo. POSTO: Ela adoeceu de novo. PRESSUPOSTO: Ela já havia adoecido antes MARCADOR DE PRESSUPOSIÇÃO: locução adverbial “de novo” Ex.: Pedro deixou de beber. POSTO: Pedro deixou de beber. PRESSUPOSTO: Pedro bebia. MARCADOR DE PRESSUPOSIÇÃO: O verbo “deixar”. Ex.: O caso da corrupção tornou-se público. POSTO: O caso da corrupção tornou-se público. PRESSUPOSTO: O caso da corrupção não era público. MARCADOR DE PRESSUPOSIÇÃO: O verbo “tornar-se” 10 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) Subentendido As informações subentendidas vão depender do contexto ou da capacidade de interpretação do leitor ou ouvinte, uma vez que não há marcas linguísticas, como ocorre na pressuposição. Por essa razão, caso o receptor da mensagem se ofenda, por exemplo, o emissor da mensagem pode dizer que ele o interpretou mal, transferindo a responsabilidade da interpretação para o primeiro. Como se pôde notar, os pressupostos são mais fáceis de serem identificados, tendo em vista que estão sugeridos no texto por meio de marcas linguísticas. Por sua vez, os subentendidos precisam ser deduzidos pelo leitor, ou seja, são da sua responsabilidade. 1. “Beber é mal, mas é muito bom.” (FERNANDES, Millôr. Mais! Folha de S. Paulo, 5 ago. 2001) a) O ponto de vista do autor sobre o ato de beber (álcool) está implícito no texto. Explique qual é esse ponto de vista. b) O ponto de vista do autor é expresso por um pressuposto ou por um subentendido? Explique. 2. Ele tem muito talento para negócios; depois que se elegeu para um cargo público, há vinte anos, conseguiu amealhar um patrimônio invejável. a) Qual é a mensagem implícita no texto? b) Essa mensagem é expressa por um pressuposto ou por um subentendido? Explique. Exemplos de subentendidos: a) Professora, já são 10h. (Está implícita a mensagem de que já era para a aula ter acabado, mas caso a professora se ofenda, o aluno pode dizer: - Calma, professora, eu não estou apressando a senhora. Estou apenas informando as horas.) b) Está calor aqui dentro (para alguém que está próximo a uma janela fechada). (Neste caso há um pedido implícito para que o outro abra a janela, mas caso a pessoa não queira fazê-lo e reclame, basta que o emissor diga: - Em momento nenhum pedi que você abrisse a janela, só falei que estava calor aqui dentro.) c) Ainda não comi nada hoje (para alguém que está comendo um pacote de biscoitos). (Aqui também há um pedido implícito para que o outro lhe ofereça os biscoitos, mas caso a pessoa se aborreça, basta que o emissor diga: - Eu não pedi seus biscoitos, aliás, nem gosto de biscoitos, só falei que não comi nada hoje.) d) Sua filha é muito moderninha! Troca de namorado a cada semana. Neste caso, há uma crítica machista ao comportamento da moça. Caso a mãe se ofenda, o emissor da mensagem pode dizer: - Em momento nenhum eu quis insinuar alguma coisa sobre sua filha. Só disse que ela é moderna. Foi um elogio! Você me interpretou mal. HORA DE PRATICAR 11 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Questão 1 a) Beber faz mal à saúde, mas é um ato prazeroso. b) O ponto de vista do autor é expresso por um pressuposto, uma vez que há um marcador linguístico (mas) que impede que o emissor do texto diga que a responsabilidade pela interpretação é totalmente do receptor. Questão 2 a) Ele é corrupto, pois ninguém que se elege para um cargo público, deveria conseguir amealhar um patrimônio invejável. b) A mensagem é expressa por um subentendido, pois não há marcador linguístico. É preciso levar em consideração o contexto para inferir a mensagem. Além disso, é possível dizer que a palavra “corrupto”nunca foi mencionada e que a intenção não foi criticar. 3. Gêneros e tipos textuais Os gêneros textuais podem ser conceituados como realizações linguísticas definidas por propriedades sociocomunicativas, isto é, estão dentro de um contexto cultural, apresentando função comunicativa. Eles abrangem um conjunto ilimitado de características determinadas pelo estilo do autor, composição, conteúdo e função. Além disso, eles podem sofrer alterações ao longo do tempo, em razão das mudanças de comunicação na sociedade. Os gêneros textuais mais comuns são: poema, conto, crônica, artigo, receita culinária, propaganda, resumo, novela, dicionário, carta, resenha e e-mail. Já a tipologia textual é definida por propriedades linguísticas, tais como: vocabulário, tempos verbais, relações lógicas, construções frasais etc. Resumidamente, os tipos textuais são responsáveis pela forma como um texto se apresenta. A quantidade de tipos de textos pode variar entre 5 e 9, mas os mais comuns são: narrativo, descritivo, argumentativo-dissertativo, argumentativo-expositivo e injuntivo. 3.1 Tipologia textual Texto narrativo – consiste em evidenciar fatos vivenciados e desenvolvidos por certos personagens em um dado tempo e espaço. Texto descritivo – consiste em representar verbalmente um objeto, uma pessoa, um lugar, mediante a indicação de características, de pormenores individualizantes. Texto argumentativo-dissertativo – consiste em apresentar ideias, analisá-las, defender um ponto de vista sustentado em argumentos. Texto injuntivo – consiste em dar uma instrução, ensinar como fazer, exprimir uma ordem ou um pedido de execução ou não execução de uma determinada ação. Texto argumentativo-expositivo – consiste em apresentar um assunto ou acrescentar informações acerca de um tema específico. Utilizam-se para isso explicações e dados de outras áreas. Funciona como um texto informativo. GABARITO 12 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br É importante você saber que, apesar de a classificação ser didaticamente útil, raramente são produzidos textos puramente narrativos, descritivos, argumentativos ou injuntivos. O que ocorre, na verdade, é uma classificação que considera a predominância das características de um tipo de produção textual em detrimento dos demais, menos evidentes, mas não menos importantes. Nas provas elaboradas pela banca PR-4, é muito comum o enunciado de uma questão pedir que o (a) candidato (a) identifique qual tipologia é a predominante no texto. Para não errar, é importante analisar quem é o autor (se possível) e quais foram seus objetivos ao escrever o texto (informar, contar uma história, defender uma tese etc.). 1. O trecho “Caso o banhista seja queimado por esses animais, não deve tocar no local afetado pois a toxina se espalha para onde a pessoa levar a mão. Também é possível aplicar vinagre na região e evitar jogar água ou esfregar a mão com areia, além de procurar um centro médico para tratar os ferimentos” é do tipo a) narrativo. b) descritivo. c) argumentativo. d) injuntivo. 2. Numa reportagem sobre um acidente de trânsito, um jornal de São Paulo utilizou diversas estruturas textuais; a frase abaixo que se insere entre textos descritivos é: a) “Como o sinal estava fechado, a vítima decidiu atravessar”; b) “Após caminhar alguns passos, a vítima notou que um caminhão se aproximava”; c) “A polícia conseguiu levar a vítima para o hospital mais próximo e a deixou no setor de emergências”; d) “A esquina estava cheia de gente na hora do acidente, com um guarda de trânsito perto do sinal”; e) “O trânsito está a cada dia mais perigoso e é urgente uma penalização mais dura para os infratores”. 3. Sobre os tipos textuais, é correto afirmar, exceto: a) Os tipos textuais são caracterizados por propriedades linguísticas, como vocabulário, relações lógicas, tempos verbais, construções frasais, etc. b) Os tipos textuais são: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição. c) Geralmente variam entre cinco e nove tipos. d) Possuem um conjunto ilimitado de características, que são determinadas de acordo com o estilo do autor, conteúdo, composição e função. e) Os tipos de textos apresentam características intrínsecas e invariáveis, ou seja, não sofrem a influência do contexto de nossas atividades comunicativas. De maneira predeterminada, apresentam vocabulário, relações lógicas, tempos verbais e construções frasais que acolhem os diversos gêneros. 1. Letra D 1. O texto injuntivo, também conhecido como instrucional, tem por objetivo a explicação e o método para concretizar uma ação. Com efeito, sua função é transmitir para o leitor mais do HORA DE PRATICAR GABARITO 13 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br que simples informações, ele visa, sobretudo, a instruir, explicar, sem a finalidade de convencer o interlocutor por meio de argumentos. 2. a) errada. Texto narrativo. b) errada. Texto narrativo. c) errada. Texto narrativo. d) correta e) errada. Texto dissertativo. 3. D Capítulo 2 – Figuras de linguagem; elementos da comunicação; variedades linguísticas 1. Figuras de linguagem As figuras de linguagem são formas de expressão que destoam da linguagem cotidiana, valorizando e embelezando um texto. Algumas questões de prova cobram, direta ou indiretamente, o emprego adequado dessa linguagem diferenciada. Todavia, para que você entenda esse assunto adequadamente, é imprescindível que antes você perceba a diferença entre os conceitos de denotação e conotação, ou seja, do emprego da linguagem ora em seu sentido literal, ora em seu sentido figurado. Denotação – ocorre a denotação quando a linguagem é usada em seu sentido literal, dicionarizado, possibilitando apenas uma interpretação. Ex.: Não encontrei a chave do carro. A sopa está quente. Conotação – ocorre a conotação quando a linguagem é usada em seu sentido figurado, associativo, possibilitando mais de uma interpretação. Ex.: A chave do mistério estava diante de nossos olhos. A discussão logo ficou quente. Como se pode perceber, na conotação, houve uma atribuição de novos sentidos para as palavras chave e quente, diferentes dos encontrados em dicionários. Nesses casos, pode-se dizer que esses sentidos são subjetivos, uma vez que estão de acordo com a ideia que o autor do texto quis transmitir. 1.1 As classificações das figuras de linguagem As figuras de linguagem podem ser divididas em: • Figuras de palavras (ou semânticas); • Figuras de sintaxe (ou de construção); • Figuras de pensamento. Obs.: Há também as chamadas figuras sonoras ou de harmonia, mas elas não são normalmente cobradas em provas de concursos. Por essa razão, não iremos tratar dessas figuras. 14 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Vamos estudar cada uma delas a partir de agora. Figuras de palavras – consistem no emprego de palavras em sentido conotativo. São as seguintes: metáfora, metonímia, comparação, catacrese, sinestesia, perífrase. a) metáfora Consiste na utilização de um termo em lugar de outro, sem que haja uma relação real entre eles, mas pelo fato de que se faz uma associação e se depreende entre eles certas semelhanças. Na metáfora, diz-se que uma coisa é outra, sem se utilizar de expressões que indiquem que uma comparação está sendo feita. Ex.: “Sua boca é um cadeado E meu corpo é uma fogueira. ” (Chico Buarque de Holanda) Seus olhos são duas jabuticabas. b) metonímia Consiste na substituição de um termo por outro, quando entre eles existe uma relação de proximidade de sentidos que permite essa troca. Há metonímia quando se emprega: a parte pelo todo Ele tem inúmeras cabeças de gado. (= bois inteiros) a causa pelo efeito Ela vive à custa de meu trabalho (do produtode meu trabalho) o efeito pela causa Sócrates bebeu a morte. (= veneno) o instrumento pelo usuário Os microfones não paravam de chegar (= repórteres) o autor pela obra Estou lendo Machado de Assis. (= a obra de Machado de Assis) o continente pelo conteúdo Ele comeu um prato de sopa. ( = o conteúdo do prato) o símbolo pelo simbolizado A coroa foi disputada por muitos. (= poder) o concreto pelo abstrato João, o melhor aluno da turma, tem uma ótima cabeça. (= inteligência) a marca pelo produto Meu filho adora tomar Nescau com leite. (= achocolatado) c) comparação Consiste em uma analogia explícita entre dois ou mais termos. Diferentemente da metáfora (analogia implícita), a comparação está sempre acompanhada de uma conjunção ou locução conjuntiva comparativa. Ex.: Oscar é mais velho do que Jonas. Ela experimentou o prazer dos holofotes, assim como a dor do desprezo. Ele foi bem nos exames tanto quanto o irmão. https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/conjuncao.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/locucoes-conjuntivas.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/locucoes-conjuntivas.htm 15 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br d) catacrese Consiste na utilização de determinado termo, fora do seu contexto original, para nomear, de modo figurativo, algo que não possui um nome específico. Ex.: dente de alho pé da cadeira maçã do rosto céu da boca e) sinestesia Consiste na utilização palavras e expressões associadas às diferentes sensações percebidas pelo corpo humano (visão, audição, olfato, paladar e tato) para gerar um efeito discursivo. Ex.: cor berrante (visão + audição) perfume doce (olfato + paladar) olhar penetrante (visão + tato) risada gostosa (audição + paladar) Figuras de sintaxe – São os desvios que se evidenciam na construção do período. São as seguintes: hipérbato, pleonasmo, silepse, hipálage, elipse, zeugma, assíndeto, polissíndeto, anacoluto. a) hipérbato Consiste no deslocamento dos termos da oração no período. Ex.: Morreu o presidente. Observe que, na ordem direta, a oração seria: “O presidente morreu”. b) pleonasmo Consiste na repetição de uma ideia ou de uma função sintática. Tem como finalidade a ênfase da mensagem. Ex.: Ver com os próprios olhos. A mim ninguém me engana. c) silepse Consiste na concordância com a ideia subentendida, e não com os termos expressos. Essa figura pode ser subdividida em: Principais conjunções e locuções conjuntivas: do que, tal qual, tanto quanto, como, assim como, bem como, como se. 16 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br silepse de gênero Ex.: Visitei a velha Belo Horizonte. silepse de número Ex.: Um grupo marchou em direção à Assembleia. Gritavam palavras duras contra o governo. silepse de pessoa Ex.: Todos fomos à festa. d) hipálage Consiste em atribuir a uma palavra uma característica de outra, presente na mesma frase. Ex.: Em cada olho um grito castanho de ódio. (= Em cada olho castanho um grito de ódio.) e) elipse / zeugma Consiste na omissão de termos facilmente identificados pelo contexto. Ex.: Na praça, crianças brincando. (= Na praça havia crianças brincando.) Obs.: Se os termos omitidos já tiverem sido expressos no texto, a omissão recebe o nome de zeugma. Ex.: Alguns estudam, outros não. (= Alguns estudam, outros não estudam.) f) assíndeto Consiste na omissão de um conectivo entre elementos coordenados. ideia feminina, concordando com a palavra cidade palavra expressa masculina palavra expressa singular ideia plural (pessoas) palavra expressa: eles ideia: nós (1ª pessoa do plural) 17 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Todo coberto de medo, juro, minto, afirmo, assino. g) polissíndeto Consiste na repetição intencional de um conectivo coordenativo (geralmente a conjunção e). Ex.: E planta, e colhe, e mata, e vive, e morre. h) anacoluto Consiste no uso de um termo inicial sintaticamente desligado do restante do período. Ex.: Amanda, lembro dela sempre que chego aqui. A vida, não sei como será sem ele. Figuras de pensamento – Usadas para produzir maior expressividade à comunicação, trabalhando com a combinação de ideias e pensamentos. São as seguintes: antítese, paradoxo, eufemismo, gradação (clímax), hipérbole, prosopopeia, perífrase, apóstrofe, ironia. a) antítese Consiste na formação de uma frase com palavras ou expressões de sentidos opostos sem que a construção da frase provoque ideias contraditórias ou sem lógica. Ex.: Reginaldo estava entre a vida e a morte. Tereza conviveu com ele na alegria e tristeza. “Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada.” (Humberto Gessinger) Ela um dia estava com saúde, no outro com doença. b) paradoxo Consiste na aproximação de palavras contrárias que expressam ideias contraditórias. É também denominada também de oxímoro. Ex.: Gustavo é um velho moço; Laís vive sonhando acordada; Renata é uma pobre moça rica; c) eufemismo Consiste em suavizar a informação de um enunciado. Ex.: Jerônimo sempre falta com a verdade. (= mente) D. Lilian passou desta para melhor. (= morreu) Juca sempre foi cheinho. (= gordo) d) gradação (clímax) Consiste na enumeração de elementos frasais e tem o intuito de enfatizar as ideias numa sentença que pode ser de ritmo crescente ou decrescente. Quando ela ocorre de maneira crescente é chamada de clímax ou gradação ascendente. Por sua vez, se ocorre de maneira decrescente é chamada de anticlímax ou gradação descendente. Ex.: No restaurante, sentei, pedi, comi, paguei. (clímax) Ana estava pelo mundo e chegou no país, no estado, na cidade, no bairro. (anticlímax) 18 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br e) hipérbole Consiste no exagero e é utilizada para ressaltar algo, para dar ênfase ou para conferir ao texto uma maior expressividade. Além de ser usada no cotidiano, este exagero é frequente nas letras das músicas, na publicidade e também na literatura. Ex.: Estou morta de fome, dava tudo por sanduíche aqui, agora! Lia riu litros com aquela piada que você contou. No Rio está chovendo? Porque aqui em Salvador está chovendo horrores. f) prosopopeia Consiste na atribuição de características humanas a seres inanimados ou irracionais. Ex.: A floresta amazônica pede socorro. As flores me olhavam, sem dizer nada. g) perífrase Consiste no uso de muitas palavras ou uma frase complexa para se referir a algo que poderia ser dito de modo simples. Ex.: A cidade luz amanheceu nublada. (= Paris) O rei do futebol continua internado. (= Pelé) Fomos ao zoológico e vimos o rei da selva. (= leão) h) apóstrofe Consiste em chamar algo ou alguém (esse ser pode ser real ou imaginário). Sintaticamente falando, a apóstrofe pode ser um vocativo e é, em grande parte das vezes, aplicada no discurso direto para aproximar o emissor e o receptor da mensagem. Ex.: Senhor, tende piedade de nós. Professor, posso responder? Meu filho! Que lindo você está! i) ironia Consiste no uso de palavras com um sentido diferente ou oposto do significado mais comum. Ex.: Marcela correu tão rápido quanto uma tartaruga. A sopa está deliciosa: fria e sem tempero. Eu fico muito feliz quando você não atende às minhas ligações. 1. Identifique as figuras de palavra e de pensamento usadas nos enunciados a seguir. a) A Cidade Maravilhosa é a minha terra natal. b) Em viagens, adorava ler Machado de Assis. c) Seus olhos são duas esmeraldas. HORA DE PRATICAR https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/literaturahttps://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/vocativo 19 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br d) Trabalhou feito burro de carga para pagar as dívidas. e) A perna da cadeira quebrou. f) Seu pai é um touro. g) Comprei um Ford. h) A blusa não abotoava porque a casa do botão era pequena. i) Havia um cheiro morno em sua pele. j) Viajarei para a Veneza brasileira. a) perífrase b) metonímia c) metáfora d) comparação e) catacrese f) metáfora g) metonímia h) catacrese i) sinestesia j) perífrase 2. Elementos da comunicação No processo comunicativo, estão presentes os chamados elementos da comunicação, a saber: emissor, código, mensagem, canal, receptor, referente e ruído. Emissor aquele que emite a mensagem Código combinação de signos usados na transmissão de uma mensagem Mensagem conjunto de informações transmitidas Canal aquele por meio do qual a mensagem é transmitida: TV, rádio, jornal, revista, cordas vocais, ar etc. Receptor aquele que recebe a mensagem Referente (contexto) a situação a que a mensagem se refere. Ruído qualquer perturbação na comunicação Esquema do processo comunicativo com os elementos da comunicação. (Foto: Wikipédia) GABARITO 20 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 2.1 Elementos da comunicação e funções da linguagem Cada elemento da comunicação apresentado na subseção anterior possui uma função da linguagem, determinada pelo linguista Roman Jakobson. As funções da linguagem são as seguintes: função emotiva ou expressiva (centrada no emissor), função conativa ou apelativa (centrada no receptor), função poética (centrada na mensagem), função referencial ou denotativa (centrada no assunto), função fática (centrada no canal) e função metalinguística (centrada no código). Assim, elas determinam o objetivo dos atos comunicativos. Função emotiva (expressiva) tem como objetivo principal transmitir emoções, sentimentos e subjetividades por meio da própria opinião. Ex.: textos poéticos, cartas, diários Função conativa (apelativa) é caracterizada por uma linguagem persuasiva, cujo intuito é o de convencer o leitor. O foco é no receptor da mensagem. Ex.: propaganda, publicidade e discurso político Função poética há uma preocupação por parte do emissor em despertar a surpresa e o prazer estético por meio da escolha das palavras, das expressões, das figuras de linguagem. O principal elemento comunicativo é a mensagem. Ex.: textos literários, publicidade, provérbios, anedotas Função referencial (denotativa ou informativa) tem como objetivo principal informar, referenciar algo de forma objetiva e impessoal. Ex.: materiais didáticos, textos jornalísticos e científicos Função fática tem como objetivo estabelecer ou interromper a comunicação, ou seja, o mais importante é a relação entre o emissor e o receptor da mensagem. O foco reside no canal de comunicação. Ex.: expressões de cumprimento, saudações, discursos ao telefone Função metalinguística é caracterizada pelo uso da metalinguagem, isto é, quando a linguagem fala de si própria. Assim, o emissor explica um código utilizando o próprio código. Ex.: gramáticas, dicionários 3. Variedades linguísticas Dependendo da situação comunicativa, os usuários da língua podem eleger o nível de linguagem mais adequado para que interação verbal aconteça. Dito de outra forma, o emissor de uma mensagem pode se valer de linguagens diferentes para ocasiões distintas de forma a se fazer compreender pelo receptor. São chamadas de variedades / variações linguísticas as diferentes formas de falar determinado idioma. Uma língua apresenta, pelo menos, três tipos de diferenças internas, quais sejam: a) variações diatópicas – referentes às variedades linguísticas presentes nas diversas regiões; https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcoes-da-linguagem https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-emotiva https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-conativa https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-poetica https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-referencial https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-fatica https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-metalinguistica https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-conativa https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-conativa https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-poetica https://www.todamateria.com.br/figuras-de-linguagem/ https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-referencial https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-fatica https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-metalinguistica https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/funcao-metalinguistica https://www.todamateria.com.br/metalinguagem/ 21 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) variações diastráticas – referentes às variedades presentes nas diferentes classes sociais, considerando que cada grupo usa palavras restritas à sua comunidade, tendo em vista fatores como os diferentes graus de escolaridade. c) variações diafásicas – englobam a situação do diálogo, tratando-se de um contexto formal ou informal. Em uma mesma comunidade de fala, percebe-se, claramente, que há uma série de variedades linguísticas. Além disso, um mesmo indivíduo pode pertencer a comunidades de fala diferentes, simultaneamente, com a consequente modificação de seu comportamento linguístico em cada uma delas. De fato, esse sujeito pode utilizar itens linguísticos muito diversos para expressar aproximadamente a mesma ideia, em contextos distintos. A essa variação dá-se o nome de registro. d) variações diacrônicas – por serem variações resultantes da passagem do tempo, elas também são conhecidas como variações históricas. Em virtude de sua criatividade e das mudanças sociais, os falantes de uma língua estão sempre desenvolvendo novas formas de se comunicarem. Dessa forma, muitas palavras e expressões acabam por cair em desuso. Seguem alguns exemplos: Palavras que caíram em desuso Grafias que caíram em desuso Termos e expressões que caíram em desuso botica; macambúzio; suso; ensimesmado. flôr pharmácia lingüiça côr Aquela mulher é um avião. Aquele homem é um pão. Este doce está supimpa. Fala, bicho. e) variações diamésicas – são variações que acontecem entre a fala e a escrita ou entre os gêneros textuais. No entanto, é importante ressaltar que nem sempre a fala é informal e a escrita, formal. Há casos em que a fala pode ser bastante formal (quando se profere uma palestra, quando se é entrevistado para um emprego) e a escrita pode ser bastante informal (quando se escreve um bilhete ou uma mensagem). Nesse sentido, as diferenças podem ser mais facilmente percebidas quando estamos em uma situação de conversa (fala informal), em que o encadeamento das palavras em um diálogo sai de maneira mais fluida. Por outro lado, quando precisamos colocar o discurso no papel (escrita formal), o planejamento e cuidado com a língua são maiores. Assim, a variação diamésica diz respeito ao registro usado pelo falante (mais formal ou mais informal) ou ao suporte de transmissão de uma determinada informação que contenham características quase regulares, ou seja, gêneros textuais (ex.: bula de remédio, mensagem de WhatsApp). 3.1 Tipos de variação linguística Norma culta / padrão – é o nível de linguagem ensinado nas escolas, nos manuais didáticos, cartilhas, dicionários etc. A ele é atribuído prestígio cultural e status social. 22 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Linguagem coloquial/ informal / popular – é aquela usada de forma mais espontânea e corriqueira, não seguindo todas as regras da gramática normativa. Ao lançar mão da linguagem coloquial, o usuário da língua está mais preocupado com a transmissão do conteúdo de uma mensagem do que com a forma por meio da qual esse conteúdo será transmitido. Linguagem regional – está relacionada com as variações que ocorrem nas mais variadas comunidades linguísticas. É também conhecida como dialeto. Gírias – estão relacionadas ao cotidiano de certos grupos sociais e podem ser incorporadas ao léxico de uma língua, de acordo com sua frequência e intensidade de uso pelos falantes. Linguagem vulgar – é exatamente oposta à norma culta. As estruturas gramaticais não seguem regras ou normas de funcionamento. Ex.: “nóis vai”, “pra mim ir”, “vamo ir”. 1. Os enunciados linguísticos em evidência encontram-se grafados na linguagem coloquial. Reescreva-os de acordo com o padrão culto da linguagem. a – Os livros estão sobre a mesa. Por favor, devolve eles na biblioteca. b – Falar no celular é uma falha grave. A consequência desse ato pode ser cara. c – Me diga se você gostou da surpresa, pois levei muito para preparar ela. d – No aviso havia o seguinte comentário: Não aproxime-se do alambrado. Perigo constante. e – Durante a reunião houveram reclamações contra o atraso do pagamento dos funcionários. a – devolva-os b – falar ao celular c – diga-me; prepará-la. d – não se aproxime e - houve Capítulo 3 – Coesão e coerência textuais; equivalência e transformação de estruturas; relações semânticas 1. Coesão e coerência textuais 1.1 Coesão textual Um texto não é um amontoado caótico de orações desconexas, mas um conjunto de orações coerentes que forma um todo significativo. Nele, deve haver não só uma interdependência entre as suas partes constituintes, mas também uma adequação à realidade e ao conhecimento de mundo do interlocutor. Assim, é preciso que exista uma conexão, uma ligação, um encadeamento entre seus vários segmentos a fim de que o destinatário da mensagem consiga interpretá-lo corretamente. Essa ligação, denominada coesão, é responsável pela continuidade do texto. Para que se possa compreender, ainda que intuitivamente, o que é a coesão de um texto, considere o poema “A Pesca” de Affonso Romano de Sant’Anna: HORA DE PRATICAR GABARITO 23 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br A PESCA O anil o anzol o azul o silêncio o tempo o peixe a agulha vertical mergulha a água a linha a espuma o tempo o peixe o silêncio a garganta a âncora o peixe a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga aberto o anzol aquelíneo ágil-claro estabanado o peixe a areia o sol A princípio, o texto pode causar certo estranhamento no leitor, uma vez que não é comum, na linguagem cotidiana, produzirmos textos em que seus elementos apareçam de forma desarticulada, aos pedaços. Contudo, uma leitura mais atenta permitirá a constatação de que o texto faz sentido, ou seja, tem coerência (a coerência textual será abordada na próxima seção). De fato, a conexão entre os vários segmentos de um texto permite que não se perca a noção de unidade. Ademais, a coesão bem tecida promove a sequência, a progressão das informações, na medida em que suas referências são claras e fáceis de serem identificadas. A título de exemplificação, observe o texto a seguir: Percebe-se que os enunciados do texto anterior estão estritamente ligados entre si, ou seja, há coesão entre suas partes. As palavras que promovem essa ligação, os chamados conectivos, conectores ou elementos de conexão, são responsáveis por manifestar a relação de sentido que se estabelece entre os segmentos do texto e, portanto, apresentam função coesiva. Vejamos: Ninguém duvida de que a prática do direito consista, fundamentalmente, em argumentar, e todos costumamos convir [...] A conjunção aditiva “e” introduz um segmento que adiciona uma ideia ao que se afirmou no período anterior. [...] que melhor define o que se entende por um “bom jurista” O pronome relativo “que” retoma o pronome demonstrativo “o”. “Ninguém duvida de que a prática do direito consista, fundamentalmente, em argumentar, e todos costumamos convir em que a qualidade que melhor define o que se entende por um “bom jurista” seja sua capacidade de construir argumentos e manejá-los com habilidade. Entretanto, pouquíssimos juristas leram uma única vez um livro sobre a matéria e seguramente muitos ignoram por completo a existência de algo próximo a uma “teoria da argumentação jurídica”. 24 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br [...] a qualidade que melhor define o que se entende por um “bom jurista” seja sua capacidade de construir argumentos [...] A palavra “sua” é um pronome possessivo adjetivo e juntamente com a palavra capacidade refere-se à jurista (a capacidade do jurista). [...] sua capacidade de construir argumentos e manejá-los com habilidade. O pronome oblíquo átono “los” refere-se a argumentos. Entretanto, pouquíssimos juristas leram uma única vez um livro sobre a matéria [...] A conjunção “entretanto”, de caráter adversativo, introduz uma ideia contrária ao que se diz no período anterior. A expressão “a matéria” retoma o termo argumentação. [...] pouquíssimos juristas leram uma única vez um livro sobre a matéria e seguramente muitos ignoram por completo a existência de algo próximo a uma “teoria da argumentação jurídica”. A palavra “juristas” é novamente retomada, mas dessa vez, por meio de uma elipse, ou seja, por meio da ausência (muitos juristas). A coesão acontece tanto em um plano horizontal – entre as orações e os períodos de um texto, como em um plano vertical – entre os vários parágrafos do texto. Ela também pode ser referencial ou sequencial. Na coesão referencial, esse entrelaçamento de ideias pode ser conseguido com base em dois procedimentos, a saber: repetição e substituição. Antes de falarmos sobre esses procedimentos, é preciso entender que a coesão referencial pode ser endofórica – o referente está dentro do texto (divide-se em anafórica e catafórica) ou exofórica (dêitica) – o referente está fora do texto. Observe os seguintes exemplos: Ex. 1: Não encontrei o diretor. Ele deve ter saído mais cedo. Neste exemplo, observe que o pronome pessoal “ele” retoma o referente “diretor”, explicitamente no texto, de forma anafórica. Ex. 2: Nós éramos pequenos naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se apregoava nas ruas. No segundo exemplo, a expressão “naquele tempo” retoma um referente que não está presente no texto. ANÁFORA X CATÁFORA A substituição pronominal pode acontecer de duas formas: anáfora (remissão para trás) – primeiramente ocorre um nome e, na sequência, o pronome que lhe faz referência. Ex.: Procurei o imóvel, mas não consegui encontrá-lo. catáfora (remissão para frente) – o pronome aparece primeiro, e a seguir, o nome que, antecipadamente, ele substituiu. Ex.: Lá estava ela, minha amiga Eleonora. 25 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Depois dessas breves explicações, podemos começar a falar sobre os procedimentos de coesão referencial. a) repetição Ex. 1: Entre as pessoas de 15 a 17 anos de idade, ou seja, em idade escolar obrigatória, 78,8% se dedicavam exclusivamente ao estudo. No exemplo acima, houve uma repetição por meio de paráfrase. A paráfrase é uma forma de dizer, com outras palavras, o que já havia sido dito anteriormente a fim de deixar o enunciado mais compreensível. A expressão “ou seja” introduz a paráfrase em questão e sinaliza que a mesma ideia será apresentadanovamente numa outra formulação linguística. Há outras expressões que podem introduzir paráfrases, são elas: isto é, dito de outra forma, em outras palavras, em resumo, em suma etc. Ex. 2: O problema não está na Lei Seca, o problema está em sua interpretação. Neste caso, houve uma repetição propriamente dita com fins a contrastar as duas ideias REPETIÇÃO E POBREZA VOCABULAR Ao contrário do que se pensa, a repetição é um recurso coesivo de grande funcionalidade. Sua ocorrência nos mais variados gêneros textuais é incontestável, e isso, não necessariamente, afeta sua qualidade. A repetição de termos também não é sempre um indicador de pobreza vocabular. Contudo, esse recurso não deve ser usado indiscriminada e desnecessariamente, uma vez que tem como objetivo desempenhar algumas funções: • enfatizar algum segmento do texto; • contrastar duas ideias; • expressar a ideia de quantificação; • marcar a continuidade temática. PRONOMES DEMONSTRATIVOS Os pronomes ESSE, ESSA e ISSO fazem coesão anafórica. Ex.: Não quero saber do ocorrido. Isso não me diz respeito. Por sua vez, os pronomes ESTE, ESTA e ISTO fazem coesão catafórica. Ex.: Digo-te isto: meça suas palavras! Todavia, caso haja mais de um referente, os pronomes ESTE, ESTA, ISTO fazem coesão anafórica. Serão usados também os pronomes AQUELE, AQUELA e AQUILO. Ex.: Karina e Samanta são minhas alunas. Esta prefere língua portuguesa e aquela prefere matemática. (Observe que o pronome “esta” refere-se ao termo mais próximo: “Samanta”, ao passo que o pronome “aquela” refere-se ao termo mais distante: “Karina”.) 26 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) substituição Ex. 1: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Neste exemplo ocorreu uma substituição gramatical – os nomes (criança, adolescente) foram substituídos pelo pronome oblíquo átono (los). Note-se que, em alguns casos, o substantivo pode também ser substituído por um advérbio, como ocorre no exemplo a seguir: Ex. 2: O delegado responsável pela ocorrência determinou a realização de busca e apreensão na casa da suspeita e lá foram encontrados os pertences da vítima. Ex. 3: Os animais, portanto, na órbita Constitucional, não são destinatários de direitos fundamentais, o que nos leva a concluir que a percepção do direito é antropocêntrica. Neste caso, também ocorreu uma substituição gramatical. Contudo, aqui o pronome relativo “que” retoma o pronome demonstrativo “o”, que, por sua vez, retoma não apenas uma palavra, mas uma predicação inteira. Ex. 4: Graças a Deus eu não experimentei a força e a eficiência do air bag, pois nunca fui vítima de um acidente. Mas sou totalmente a favor do equipamento. Jamais soube de casos em que pessoas que dirigiam um carro com esse dispositivo tiveram um ferimento mais grave. (...) Na compra de um automóvel, o brasileiro deve levar em conta os diversos parâmetros de segurança, e não somente a disponibilidade do air bag. Este último item, sozinho, não pode ser considerado o “salvador da pátria”. Neste exemplo, houve uma substituição lexical (coesão lexical), já que o termo “air bag” foi substituído pelos hiperônimos: equipamento, dispositivo e item, o que garantiu a continuidade temática do texto. Vale ressaltar que, na substituição lexical, também podem ser usados sinônimos, antônimos e epítetos (palavras ou frases que qualificam o referente). HIPERÔNIMOS E HIPÔNIMOS Os hiperônimos são palavras de sentido geral, mais genérico. Por essa razão, podem substituir um número grande de termos. Por outro lado, os hipônimos são palavras de sentido mais específico. Seguem alguns exemplos: Hiperônimos Hipônimos talher garfo, faca, colher móvel cadeira, mesa, sofá roupa camisa, calça, vestido equipamento computador, balança, impressora bebida suco, refrigerante, cerveja sobremesa pudim, pavê, sorvete 27 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex. 5: Quanta violência nesta cidade! No exemplo acima, ocorreu a substituição por elipse, ou seja, por ausência, uma vez que que houve a omissão do verbo haver na frase (Quanta violência há nesta cidade). A elipse é a omissão de um termo facilmente dedutível pelo contexto. Na coesão sequencial, por sua vez, a organização das ideias é conseguida com base no procedimento conhecido como conexão. Essa conexão é normalmente realizada por conjunções, que estabelecem relações de sentido entre os trechos que ligam. Conexão Ex. 1: São modificações tímidas, que visaram, antes, a coibir distorções e punir a discriminação contra o trabalho da mulher do que propriamente incentivar sua contratação e permanência no emprego. Todavia, apresentaram-se como um avanço no vácuo legislativo que é o direito promocional do trabalho da mulher [...] No exemplo acima, o conectivo “todavia” promove uma relação de oposição entre os dois segmentos do texto. Ex. 2: Assinamos o contrato, uma vez que todos discutiram e aceitaram a proposta. A expressão “uma vez que” expressa a causa da consequência manifestada no primeiro segmento. Algumas relações semânticas estabelecidas pela conexão e seus respectivos conectores adição e, também, ainda, não só... mas também, nem, além de etc. causalidade visto que, uma vez que, já que, dado que, porque, como, tendo em vista que etc. comparação tanto (...) quanto, mais (...) do que, menos (...) do que etc. complementação como, se, que etc. conclusão portanto, pois (posposto ao verbo), por conseguinte, logo, assim, então etc. condicionalidade se, caso, a menos que, exceto se, desde que, contanto que, sem que, a menos que, a não ser que, salvo se etc. conformidade segundo, conforme, consoante, como etc. finalidade a fim de que, para que etc. justificação ou explicação ou seja, isto é, quer dizer, pois etc. oposição mas, porém, contudo, todavia, não obstante, entretanto, no entanto, embora, se bem que, apesar de, ainda que etc. temporalidade antes que, depois que, logo que, enquanto, mal, quando, apenas, assim que, sempre que, cada vez que etc. Vale ressaltar que esses valores semânticos não são fixos, ou seja, dependendo do contexto, eles podem variar. Assim, é sempre muito importante estar atento (a) às relações que se estabelecem entre as orações antes de determinar o valor semântico dos conectivos. 28 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Quando os conectivos não são bem empregados, a relação entre as ideias de um texto não fica clara para o receptor da mensagem, pois o texto resultante é incoerente. A título de exemplo, vejamos um uso muito comum, mas errôneo, das locuções posto que e eis que: Ex. de uso incorreto: Não há como entender o que realmente aconteceu, posto que sua explicação ficou confusa. Ex. de uso correto: Não há como entender o que realmente aconteceu, visto que / uma vez que / tendo em vista que a explicação ficou confusa. A locução conjuntiva posto que tem sido usada corriqueiramente como locução causal (no sentido de porque, porquanto, uma vez que) quando, na verdade deve ser empregada com valor concessivo (no sentido de embora, ainda que, se bem que, conquanto, mesmo que). Ademais, essa locução conjuntiva deve ser usada com o verbo no subjuntivo: Ex.: Posto que fosse tarde, ele decidiu esperar. O mesmo ocorre com a expressão eis que. Tem sido bastante comum o uso dessa expressãocomo se ela fosse causal, quando na verdade ela apresenta o sentido de quando e eis senão quando. Observe os exemplos a seguir: Ex. de uso incorreto: O entregador foi embora, eis que não havia ninguém morando naquele local. Ex. de uso correto: Eis que a testemunha viu a vítima passar aos gritos. Como nos foi possível observar nesta subseção, a coesão textual é o recurso por meio do qual o autor evidencia, na superfície de seu texto, as articulações que estabelecem relações de ideias, garantindo que sua coerência seja assegurada. A escolha dos conectores adequados é fundamental, visto que são eles que irão determinar as diferentes relações entre os termos, orações, períodos e parágrafos do texto. 1.2 Coerência Como vimos na subseção anterior, um texto bem construído deve apresentar conectivos empregados de forma adequada a fim de que se garanta uma conexão harmoniosa entre as suas partes. Contudo, não basta a coesão para que se ateste a qualidade de um texto. Faz-se necessário também que exista uma relação harmônica e lógica entre as ideias nele contidas. De fato, em um texto deve haver uma concatenação de ideias entre as frases, ou seja, cada ideia apresentada deve ser uma complementação de outra. A coerência textual é o instrumento de que o autor lançará mão para garantir que sua linha de raciocínio não seja quebrada e o seu texto forme um todo significativo. Ademais, a valorização das ideias apresentadas no texto aumenta na mesma proporção em que se estabelece a coerência, o que implica o fortalecimento de seu efeito persuasivo. Ademais, é possível que um texto seja perfeitamente coeso, mas não seja coerente. Considere o exemplo a seguir: Percebe-se no exemplo que existe um elemento linguístico que estabelece a coesão entre as duas ideias: o conectivo de conclusão ‘logo’. Todavia, é de fácil constatação que o Ex.: Marcel estudou bastante, logo não está mais com frio. 29 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br texto é incoerente, uma vez que não existe uma relação lógica entre estudar muito e sentir ou não sentir frio. Portanto, para que um determinado texto tenha coerência, é preciso que este apresente uma sequência que transmita ao receptor um sentido lógico a fim de que não haja contradições ou dúvidas sobre o assunto. Conforme discutido anteriormente, não se deve esquecer de que a escolha errada de um conectivo pode deturpar totalmente o sentido pretendido pelo autor. Vale lembrar que há conectivos adequados para sinalizar cada tipo de relação que se pretende estabelecer entre orações. Assim, o uso preciso dos conectivos também contribui para a construção de um texto coerente. Ademais, embora o uso desses elementos linguísticos seja dispensável em certos gêneros textuais, tais como a poesia moderna, por exemplo, seu uso proporciona maior legibilidade e continuidade de sentido. Há três princípios básicos que precisam ser respeitados para que se construa a coerência de um texto. Discorremos brevemente sobre cada um deles. Princípio da não contradição → um texto não pode apresentar situações ou ideias incompatíveis entre si. Qualquer afirmação feita ao longo do texto deve ser mantida até o final. Ademais, não deve haver no interior do texto elementos linguísticos que, de alguma forma, contradigam informações anteriores ou pressupostas, sob pena de as ideias ficarem desconexas e sem sentido. Observe, a seguir, um exemplo de texto contraditório: Ex.: Em um país onde a justiça rasteja e a palavra-chave é soltar, e não prender, a segurança pública segue sendo alvo de críticas. A maior prova disso são os complexos penitenciários cada vez mais abarrotados. Se, de acordo com o autor do texto, a regra é soltar, e não prender, como é que os complexos penitenciários estão cada vez mais abarrotados? Há uma contradição séria no texto. Princípio da não tautologia (pleonasmo vicioso) → as ideias desenvolvidas no texto não podem ser redundantes. É bem verdade que os graus de informatividade de um texto podem variar a depender do propósito do autor. Todavia, deve-se ter em mente que parágrafos informativos tendem a despertar maior interesse no interlocutor e podem, mais facilmente, persuadi-lo a aceitar determinado ponto de vista. Princípio da relevância → as ideias do texto precisam dialogar entre si. Se elas aparecem fragmentadas e sem conexão lógica umas com as outras, o texto fica confuso e incoerente. Um conjunto de enunciados é relevante quando versam sobre um mesmo tema. Se houver a necessidade de fazer uma digressão, o autor do texto deverá utilizar um marcador explícito de digressão, como por exemplo: “abrindo um parêntese”, e ao final do enunciado: “fechando o parêntese”. Um texto sem coerência certamente falhará na comunicação da mensagem pretendida pelo autor, o que pode representar um problema sério. 30 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. Indique as relações semânticas estabelecidas pelos conectivos em destaque: I. Como a chuva estava muito forte, não foi possível continuar o show. II. Eu não consegui apresentar o trabalho porque estava muito nervosa! III. Os manifestantes terão suas reivindicações atendidas, exceto se usarem de violência. IV. Estava doente, mas foi trabalhar. V. Os brasileiros são tão trabalhadores quanto os norte-americanos. a) causa, causa, condição, oposição, comparação. b) comparação, condição, finalidade, oposição, tempo. c) causa, causa, conformidade, oposição, condição. d) finalidade, comparação, tempo, condição, causa. e) causa, causa, condição, condição, causa. 2. Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o risco de infarto, mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é importante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar- se, nesses casos, com acompanhamento médico e moderação, é altamente recomendável. (ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009) As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que a) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias. b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste. c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma generalização. d) o termo “Também” exprime uma justificativa. e) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose no sangue”. 1. A 2. A 2. Equivalência e transformação de estruturas / relações semânticas A equivalência e a transformação de estruturas exigem que o (a) candidato (a) seja capaz de reescrever frases ou trechos delas. Normalmente, a maior dificuldade que se encontra é não conseguir interpretar exatamente o que está sendo cobrado no enunciado da questão. Algumas questões pedem que, ao ser reescrita a frase, seja mantida a correção gramatical. Por outro lado, há aquelas questões que exigem que seja mantido o sentido original do texto. Todavia, o mais comum, no que diz respeito à banca PR-4, é que os enunciados conjuguem ambos os pedidos, ou seja, ao reescrever o texto, é preciso manter tanto a sua correção gramatical como o seu sentido. HORA DE PRATICAR GABARITO 31 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Nas questões que envolvem reescritura de texto, além de se observar a correção gramatical e o sentido das orações, é também muito importante avaliar se houve quebra de paralelismo. 2.1 Paralelismo O paralelismo se caracteriza pelas relações de semelhançaque se estabelecem entre palavras e expressões. Essas semelhanças podem ser de ordem morfológica (quando as palavras pertencem a uma mesma classe gramatical), sintática (quando as construções das frases ou orações são semelhantes) e semântica (quando há correspondência de sentido). Falaremos sobre cada uma delas a partir de agora. a) Quebra de paralelismo de ordem morfológica Ex.: Laurinha gosta muito de nadar, jogar tênis, correr e bicicleta. Observa-se que há uma ruptura de ordem morfológica, evidenciada pelo uso de uma sequência de verbos e, ao final, de um substantivo. O termo “bicicleta” foi usado em detrimento de “andar de bicicleta”. Assim, o período sob análise carece de uma reformulação, a saber: Laurinha gosta muito de nadar, jogar tênis, correr e andar de bicicleta. b) Quebra de paralelismo de ordem sintática Ex.: A preservação de meio ambiente representa não só um dever de cidadania e é para que o planeta sobreviva. Neste caso, deveria ter sido usada a conjunção aditiva “mas também” em vez do conectivo “e”, uma vez que a locução conjuntiva “não só... mas (como) também...” é inseparável. Dessa forma, o período deveria ser reescrito assim: Ex.: A preservação de meio ambiente representa não só um dever de cidadania, mas também contribui para que o planeta sobreviva. c) Quebra de paralelismo de ordem semântica Ex.: Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis. Neste trecho, retirado da obra de Machado de Assis, o autor, a fim de ironizar o interesse de Marcela, introduz outra ideia, desta vez relacionada não mais à noção de tempo, mas a valor em dinheiro. Vale ressaltar que a quebra de paralelismo neste caso, assim como em outros retirados da literatura e das letras de músicas, é proposital e tem como objetivo ir de encontro às expectativas dos leitores. 2.2 Significação das palavras Outro tópico importante dentro do assunto semântica é a significação das palavras. Nesta subseção, trataremos das relações de sentido mais comumente abordadas nas provas de concursos públicos, a saber: sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia e polissemia. 32 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br a) Sinonímia É a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que apresentam geralmente sentidos semelhantes e que podem, por isso, ser usadas no mesmo contexto sem que haja alteração de significado do enunciado em que ocorrem. Essas palavras são chamadas de sinônimas. Encontrar palavras com sentido exatamente igual é mais difícil. Esses pares de sinônimos são chamados de perfeitos. Exemplos: bonito/belo, após/depois. Nas questões de concursos, espera-se normalmente que o (a) candidato (a) leia uma frase ou trecho de texto em que um termo esteja destacado e encontre nas alternativas uma palavra sinônima. Observe o exemplo a seguir: A variedade de palavras no léxico da língua portuguesa é vasta. Ao escrever ou proferir um trecho é possível ter mais de uma opção de palavra. Sobre o trecho abaixo, escolha a opção em que a substituição da palavra “Retificação” não confere prejuízo ao sentido. “Retificação de documentos para cidadania italiana”. a) Correção. b) Validação. c) Confirmação. d) Certificação. O gabarito desta questão é a alternativa A, tendo em vista que a palavra correção é sinônima da palavra retificação (não confundir a palavra retificação com a palavra ratificação, pois esta última significa confirmação). Há duas formas principais de se preparar para esse tipo de questão: • por meio da leitura – a leitura certamente irá ampliar o seu conhecimento do léxico da língua portuguesa. Use sempre um dicionário a fim de identificar o sentido das palavras desconhecidas; • por meio da resolução de exercícios de semântica – certamente você aprenderá muitas palavras novas ao realizar exercícios que envolvam o sentido das palavras. Novamente, consulte o dicionário sempre que precisar. Além de proporcionar a você mais segurança para resolver as questões relacionadas à semântica, o domínio do sentido das palavras também contribuirá para que você consiga interpretar bem os textos e os enunciados presentes na prova. b) Antonímia É a relação que se estabelece entre palavras que apresentam significados contrários. Essas palavras, que exprimem ideias opostas, são chamadas de antônimas. Observe o seguinte trecho retirado do romance “Perto do coração selvagem”, de Clarice Lispector: https://www.infoescola.com/literatura/clarice-lispector/ 33 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br A antonímia pode ser construída de diferentes formas: i) palavras com radicais diferentes Note a oposição de ideias que existe entre as palavras força e fraqueza e entre as palavras frio e calor presentes no texto de Clarice Lispector. Outros exemplos são: ii) palavras com o mesmo radical, cuja oposição é criada por um prefixo de negação No texto há um ótimo exemplo: a ocorrência da palavra desordenadas. Como essa palavra foi formada? Há outros prefixos que indicam negação. São eles: moral a- amoral próprio im- impróprio feliz in- infeliz legal i- ilegal inflamatório anti- anti-inflamatório iii) Palavras com o mesmo radical cuja oposição é criada através de prefixos de significados contrários: emigrar imigrar progredir regredir incluir excluir pré-operatório pós-operatório Vale destacar que a antonímia só ocorre ao nível dos adjetivos, dos nomes e dos verbos. c) Homonímia É a relação que se estabelece entre palavras que apesar de apresentarem a mesma estrutura fonológica, têm significados diferentes. Considere os exemplos a seguir: Estava alegre nesse dia, bonita também. Um pouco de febre também. Por que esse romantismo: um pouco de febre? Mas a verdade é que tenho mesmo: olhos brilhantes, essa força e essa fraqueza, batidas desordenadas do coração. Quando a brisa leve, a brisa de verão, batia no seu corpo, todo ele estremecia de frio e calor. DES (prefixo que indica negação) + desordenadas bom – mau; alto – baixo; subir – descer; entrar – sair 34 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. São Jorge é conhecido por ser o santo guerreiro. 2. Antônio é um homem são. Ele pratica exercícios diariamente e se alimenta bem. 3. O estudo e a persistência são importantes para a aprovação em concursos públicos. A palavra “são” está presente nos três exemplos. Todavia, em cada um deles, ela tem um significado diferente. No primeiro exemplo, são é a redução da palavra santo. Já no segundo exemplo, ela significa saudável. Por fim, no terceiro exemplo, ela é a flexão do verbo ser no presente do indicativo. Os homônimos podem ser de dois tipos, a saber: i) homônimos homógrafos – são palavras que apresentam a mesma grafia, mas são pronunciadas de forma diferente. Considere os exemplos a seguir: Eu gosto de viajar para o campo. Admiro sua força e coragem. Seu gosto musical é muito diferente do meu. Ele sempre força os funcionários a fazerem hora extra. ii) homônimos homófonos – são palavras que não apresentam a mesma grafia, mas são pronunciadas da mesma forma. Considere as palavras a seguir: sessão – seção – cessão senso – censo sela – cela tachar - taxar É importante destacar que os homônimos só podem ser devidamente identificados por meio do contexto. d) Paronímia A paronímia é um fenômeno linguístico que ocorre entre palavras que apresentam grafia parecida, mas significado distinto, ou seja, essas palavras têm estrutura, seja ela escrita e/ou sonora, muito semelhante, porém não há qualquer relação de significado. absolver absorver comprimento cumprimento cavaleiro cavalheiro ratificar retificar descrição discrição Cometem-se muitos erros linguísticos em virtude do desconhecimentodesse fenômeno, esses erros podem, inclusive, afetar a compreensão textual. e) Polissemia A polissemia é um fenômeno linguístico no qual um termo apresenta significados diferentes a depender do contexto. Observe os exemplos: 35 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br banco • instituição financeira • assento cabo • acidente geográfico • de vassoura, de faca • posto militar • livrar-se de algo inconveniente (dar cabo de...) manga • fruta • parte da vestimenta Obs.: Tome muito cuidado para não confundir polissemia com homonímia. 1. Estão corretamente empregadas as palavras na frase: a) Os noivos receberam os cumprimentos no salão de festas. b) O detetive que investigava o caso agiu com descrição. c) O motorista foi autuado porque infligiu a velocidade permitida. d) As denúncias contra o deputado imergiram durante a eleição. e) Os erros foram prontamente ratificados pela professora. 2. Sobre o fenômeno da paronímia, é correto afirmar: a) As palavras parônimas dão ideia de um todo do qual se originam várias partes ou ramificações. Por exemplo, a palavra religião é um todo ao qual estão ligados todos os tipos de religião. b) Chamamos de paronímia a propriedade de uma palavra ou expressão que apresenta vários sentidos além do seu sentido original. As palavras parônimas guardam uma relação de sentido entre si, o que as diferencia das palavras homônimas. c) Chamamos de parônimas as palavras que apresentam a mesma estrutura fonológica, os mesmos fonemas, a mesma acentuação e ainda assim apresentam significados completamente divergentes. d) A paronímia é um tipo de alteração semântica que ocorre quando há palavras parecidas em sua estrutura fonológica, ou seja, em sua pronúncia e escrita, mas diferentes quanto à significação. 3. Levando em consideração o contexto atribuído pelos enunciados, empregue corretamente um dos termos propostos pelas alternativas entre parênteses. a – O atacante aproveitou a jogada distraída e deu o ___________ no adversário. (cheque/xeque) b – O visitante pôs a _____________ no cavalo, despediu-se de todos e seguiu viagem. (cela/sela) c – No presídio, todos os ocupantes foram trocados de _____________. (cela/sela) d – O filme a que assisti pertence à ______ das dez. (seção/sessão/cessão) 1. A b) discrição (relativo a discreto); HORA DE PRATICAR GABARITO 36 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br c) infringiu (relativo a desobedecer, transgredir); d) emergiram (vir à tona); e) retificados (corrigidos). 2. D a) hiperonímia b) polissemia c) homonímia. 3. a – xeque b – sela c – cela d – sessão Capítulo 4 – Classe e emprego de palavras As palavras da língua portuguesa podem ser agrupadas em dez classes gramaticais, também conhecidas como classes de palavras. O critério para essa classificação é a função e a forma de uma palavra. Algumas palavras sofrem flexão ou variação em sua forma e, por essa razão, são denominadas variáveis. Por outro lado, há aquelas que não apresentam essa particularidade, motivo pelo qual são denominadas invariáveis. Veja o esquema a seguir: CLASSES DE PALAVRAS palavras variáveis artigo palavras invariáveis advérbio substantivo preposição adjetivo conjunção numeral interjeição pronome verbo Como este é um assunto muito relevante para que você consiga resolver uma série de questões, nesta seção vamos falar detalhadamente sobre cada uma dessas classes gramaticais. 1. Artigo São palavras que sempre antecedem substantivos para determiná-los ou indeterminá- los e, ao mesmo tempo, indicar seu gênero e número. Os artigos são classificados em: • definidos (o, a, os, as) – indicam seres determinados, individualizados. Ex.: O professor saiu sério da aula. • indefinidos (um, uma, uns, umas) – indicam seres de maneira vaga, generalizada 37 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Um erro não justifica o outro. 1.1 Emprego do artigo definido a) O artigo definido, no singular, pode indicar toda uma espécie. Ex.: O homem precisa evoluir. b) Diante de nomes próprios personativos, o uso do artigo é facultativo. Todavia, são determinados por artigo quando estiverem no plural. c) Alguns nomes próprios indicativos de lugar admitem o artigo, outros não. d) Após o pronome indefinido todo (a), usa-se o artigo para transmitir a ideia de totalidade. Sem o artigo, o pronome dá a ideia de “qualquer”. e) Antes de pronomes possessivos, o emprego do artigo é facultativo. f) Usa-se o artigo para substantivar outras classes gramaticais. 1.2 Emprego do artigo indefinido a) O artigo indefinido pode ser usado para dar força expressiva a um substantivo. b) O artigo indefinido pode dar a ideia de aproximação numérica. Ex.: Joana vem aqui todos os dias. A Joana vem aqui todos os dias. Os Maias viveram neste local. Ex.: O Rio de Janeiro continua lindo. Paris tem seus encantos. Ex.: Toda a turma compareceu ao evento. (a turma em sua totalidade) Toda turma tem seus problemas. (qualquer turma) Ex.: Vou vestir a minha blusa azul. Vou vestir minha blusa azul. Ex.: O infeliz só falou besteira. O não você já tem. Ex.: Aquele goleiro engoliu um frango de dar dó. Ex.: Simone deve ter uns 18 anos. 38 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 2. Substantivo É o nome com que se designa os seres em geral e que pode flexionar-se em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (aumentativo e diminutivo). Eles se classificam em: simples possuem apenas um radical sofá, livro compostos possuem mais de um radical girassol, rodapé comuns denomina qualquer ser de uma espécie sem especificá-lo cachorro, cidade próprios especifica o ser que nomeia Luís, Roma primitivos não provêm de outra palavra pedra, fruta derivados provêm de uma palavra primitiva pedreira, fruteira concretos referem-se a um ser real ou imaginário água, fada abstratos referem-se a uma ação, qualidade ou estado beleza, beijo coletivos indicam pluralidade de seres da mesma espécie cardume, matilha 2.1 Gênero No que diz respeito ao gênero, os substantivos podem ser classificados em biformes ou uniformes. São chamados de substantivos biformes, aqueles que apresentam duas formas diferentes, uma para o gênero masculino e outra para o gênero feminino: Por sua vez, os substantivos uniformes apresentam uma subclassificação. Eles podem ser comuns de dois gêneros, sobrecomuns e epicenos. Os substantivos comuns de dois gêneros apresentam uma só forma para o gênero masculino e o gênero feminino: Os substantivos sobrecomuns também apresentam apenas um gênero para o masculino e o feminino. Todavia, eles se referem somente a pessoas: o diretor - a diretora; o homem - a mulher; o freguês - a freguesa; o mestre - a mestra; o ator - a atriz. o gerente - a gerente; o colega - a colega; o doente - a doente; o artista - a artista; o turista - a turista. 39 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Por outro lado, os substantivos epicenos também apresentam um só gênero para o masculino e o feminino. Contudo eles se referem somente a animais: Obs.: Há substantivos que apresentam um significado no gênero masculino e outro significado totalmente diferente no gênero feminino. Esses substantivos recebem a denominação de heterossêmicos. o cabeça (o líder) a cabeça (parte do corpo humano) o caixa ( funcionário) a caixa (objeto) o capital (dinheiro) a capital (cidade) o grama (unidade de massa) a grama (relva) o moral (ânimo)a moral (código de ética) 1. “A gente não vai aqui repetir...” A palavra sublinhada é um substantivo: a) Comum de dois gêneros. b) Sobrecomum. c) De dois números. d) Biforme. 2. Há um substantivo comum de dois gêneros expresso na frase a) Eles eram todos cobras criadas. b) Era um pianista excepcional. c) Uma mosca zumbia incessantemente, irritando a todos no escritório. d) A criatura não tinha escrúpulos. e) O cabo Ester bateu continência antes de dirigir a palavra ao seu superior. 1. B 2. B a pessoa; o indivíduo; a vítima; o ser; a criança; a barata; a jiboia; o pinguim; a onça; o boto; HORA DE PRATICAR GABARITO 40 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 2.2 Número Acrescentar -s à palavra no singular é a principal regra de formação do plural: Existem, contudo, outras regras para a formação do plural de substantivos com terminações diferentes. Veja o quadro a seguir: Os plurais -ÕES, -ÃOS E -ÃES A maioria das palavras terminadas em -ão forma plural em -ões. O acréscimo apenas do “s”, resultando na terminação -ãos, ocorre em todas as paroxítonas (quando a sílaba tônica, mais forte, da palavra é a penúltima), em algumas oxítonas (quando a sílaba tônica é a última) e em algumas monossílabas. Terminação no singular Terminação no plural Exemplos -r -res colher - colheres -s -ses mês - meses -z -zes rapaz – rapazes -ão -ãos / -ões - ães mão - mãos balão – balões pão – pães -m -ns nuvem - nuvens Ex.: bolo – três bolos; uma caneca – várias canecas. visão – visões coração – corações eleição – eleições porão – porões limão – limões estação – estações órfão – órfãos bênção – bênçãos irmão – irmãos mão – mãos grão – grãos 41 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Poucas palavras mudam sua terminação, no plural, para -ães. Nesse caso, não há uma regra específica, mas é possível listar alguns exemplos. Formação do plural dos substantivos compostos Conforme dito anteriormente, são chamados de substantivos compostos os substantivos formados por dois ou mais radicais. Há, assim, a presença de, no mínimo, dois elementos formadores do substantivo composto. Na formação do plural dos substantivos compostos, podem ocorrer os seguintes casos: • a flexão dos dois elementos que formam a palavra; • apenas a flexão do primeiro elemento que forma a palavra; • apenas a flexão do segundo elemento que forma a palavra; • a não flexão dos elementos, que se mantêm invariáveis. Flexão apenas do primeiro elemento a) nos substantivos compostos formados por substantivo + substantivo em que o segundo termo limita o sentido do primeiro termo: Terminação no singular Terminação no plural Exemplos -n -ns / -nes hífen – hifens / hífenes -al -ais casal – casais -el -eis pastel - pastéis -ol -ois anzol - anzóis -il -is / - eis fuzil - fuzis míssil - mísseis alemão – alemães cão – cães capitão – capitães catalão – catalães charlatão – charlatães escrivão – escrivães guardião – guardiães decreto-lei - decretos-lei; público-alvo - públicos-alvo; elemento-chave - elementos-chave. Obs.: Nestes substantivos também é possível a flexão dos dois elementos: decretos-leis, cidades-satélites, públicos-alvos, elementos- chaves. 42 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) nos substantivos compostos preposicionados: Flexão apenas do segundo elemento a) nos substantivos compostos formados por tema verbal ou palavra invariável + substantivo: b) nos substantivos compostos em que há repetição do primeiro elemento: c) nos substantivos compostos formados com grão, grã e bel: Não flexão dos elementos Em alguns casos, não ocorre a flexão dos elementos formadores, ou seja, eles se mantêm invariáveis. Isso ocorre em orações substantivas e em substantivos compostos por um tema verbal e uma palavra invariável ou outro tema verbal oposto: cana-de-açúcar - canas-de-açúcar; pôr do sol - pores do sol; fim de semana - fins de semana; pé de moleque - pés de moleque. bate-papo - bate-papos; quebra-cabeça - quebra-cabeças; arranha-céu - arranha-céus; ex-namorado - ex-namorados; vice-presidente - vice-presidentes. zum-zum - zum-zuns; tico-tico - tico-ticos; lufa-lufa - lufa-lufas; reco-reco - reco-recos. grão-duque - grão-duques; grã-fino - grã-finos; bel-prazer - bel-prazeres. o disse me disse - os disse me disse; o cola-tudo - os cola-tudo; o leva e traz - os leva e traz. Obs.: Nestes substantivos também é possível a flexão dos dois elementos: zuns-zuns, ticos- ticos, lufas-lufas, recos-recos. 43 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. A respeito do plural dos substantivos compostos das frases abaixo assinale a alternativa na qual o plural entre parênteses está INCORRETO: a) “Atrás do arranha-céu” (arranha-céus) b) “Em cima do guarda-chuva” (guarda-chuvas) c) “No meio da couve-flor” (couves-flores) d) “Dentro do porta-luva” (portas-luvas) 1. D 2.3 Grau São dois os graus do substantivo, a saber: aumentativo e diminutivo. Há também duas formas de indicar os graus do substantivo: a forma analítica e a sintética. Forma analítica O substantivo é acompanhado de um adjetivo que indica proporção maior ou menor em relação à sua forma normal. caixa grande caixa pequena Forma sintética É acrescido ao substantivo um sufixo que indique aumento ou diminuição. casarão casebre 3. Adjetivo É a palavra que caracteriza um substantivo, atribuindo-lhe qualidade, condição ou estado. Assim como acontece com o substantivo, o adjetivo também apresenta flexão em gênero, número e grau. 3.1 Classificação do adjetivo Assim como ocorre com o substantivo, o adjetivo também pode ser classificado como simples, composto, primitivo, derivado e pátrio. Adjetivo simples apresenta apenas um radical pequeno, belo, alto Adjetivo composto apresenta dois ou mais radicais azul-marinho, norte-americano, político-social Adjetivo primitivo não deriva de outra palavra difícil, bom, agradável Adjetivo derivado deriva de outra palavra visível, infeliz, desonesto Adjetivo pátrio indica o local de origem ou nacionalidade de uma pessoa. brasileiro, paulista, europeu HORA DE PRATICAR GABARITO 44 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 3.2 Flexão do adjetivo a) Gênero No que diz respeito ao gênero, os adjetivos devem concordar com os substantivos que qualificam. Eles podem ser classificados em biformes ou uniformes. São chamados de adjetivos biformes, aqueles que apresentam duas formas diferentes, uma para o gênero masculino e outra para o gênero feminino: Por sua vez, os adjetivos uniformes são aqueles que apresentam uma única forma tanto para qualificar substantivos masculinos como para os femininos. Formação do feminino dos adjetivos simples Como regra geral, para formar uma palavra feminina, basta trocar a terminação “o” da palavra masculina pela terminação “a”. Contudo, há outras regras de formação do feminino. Terminação do substantivo masculino Terminação do substantivo feminino Exemplos -o -a belo – bela * -ês -or -u -a freguês – freguesa senhor – senhora cru – crua -ão -ã -ona cristão – cristã brincalhão - brincalhona -eu -eia ateu – ateia (Exceção: judeu – judia) bonito - bonita; puro - pura; corajoso - corajosa; confuso - confusa; cheio - cheia. menino alegre- menina alegre; homem inteligente - mulher inteligente; marido fiel - esposa fiel; trabalhador pobre - trabalhadora pobre; 45 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br *Exceções: superior, melhor, incolor, anterior, inferior, interior, pior, multicor, hindu, pedrês, cortês, descortês (são todas invariáveis) Formação do feminino dos adjetivos compostos Como regra geral, somente o último elemento do adjetivo composto recebe a terminação feminina. b) Número Quanto ao número, os adjetivos podem estar no singular ou no plural, devendo concordar com o substantivo a que se referem. Assim, a sua formação se assemelha à dos substantivos. Observação: Se o nome relativo à cor for um substantivo adjetivado, ele deverá permanecer invariável. Ex.: camisas cinza gravatas laranja blusas rosa camisetas creme No que diz respeito ao plural dos adjetivos compostos, os seguintes procedimentos devem ser observados: i) Flexão do último elemento Exceções: surdos-mudos (os dois elementos variam), azul-marinho, azul-celeste e verde-gaio (invariáveis) verde-claro / verde-clara socioeconômico – socioeconômica Exceção: surdo-mudo / surda-muda ciumento – ciumentos gentil – gentis audaz – audazes cortês – corteses louvável - louváveis olhos castanho-claros toalhas amarelo-escuras mesas médico-cirúrgicas crises político-econômicas https://www.todamateria.com.br/substantivos/ 46 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br ii) Invariáveis quando o último elemento é substantivo c) Grau A fim de expressar variações de intensidade, o adjetivo pode se apresentar em dois graus, quais sejam: comparativo e superlativo. i) Grau comparativo O grau comparativo se subdivide em: comparativo de igualdade: Esta escola é tão boa quanto aquela. comparativo de inferioridade A minha rua é menos movimentada que a sua. comparativo de superioridade O cabelo de Soraia é mais longo que o de Giovana. ii) Grau superlativo Por sua vez, o grau superlativo pode ser: É importante ressaltar que alguns comparativos e superlativos apresentam formas especiais. Veja a tabela a seguir: Adjetivo Grau comparativo Grau superlativo bom melhor ótimo mau pior péssimo alto superior supremo baixo inferior ínfimo grande maior máximo pequeno menor mínimo relativo • de inferioridade • de superioridade Ele é o menos inteligente do grupo. Ela é a mais competente do time. absoluto • forma analítica • forma sintética Este café está muito fraco. Este café está fraquíssimo. Os prefixos super- e ultra- também podem ser usados. O artigo é superinteressante. Sua ideia é ultramoderna. capas verde-mar mochilas amarelo-ouro vestidos azul-pavão 47 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Observações importantes: - Caso sejam comparadas as características de um mesmo ser, pode-se usar as formas mais bom, mais mau e mais grande. Ex.: Jonas é mais bom do que inteligente. Cléber é mais grande do que gordo. (Note que não há uma comparação entre dois ou mais seres. As duas características são da mesma pessoa.) 3.3 Locução adjetiva Locução adjetiva é uma expressão empregada com valor de adjetivo, representada por mais de uma palavra. Na maioria dos casos, a locução é formada por uma preposição e um substantivo. Algumas locuções adjetivas são formadas por uma preposição e um advérbio. 1. Leia a frase abaixo e escolha a alternativa onde a flexão de plural está correta. Tenho uma blusa verde-água. a) Tenho umas blusas verdes-águas. b) Tenho umas blusas verde-águas. c) Tenho umas blusas verdes- água. d) Tenho umas blusas verde-água. 2. Identifique o grau dos adjetivos das frases abaixo: Regina é tão inteligente quanto Maria. Essa matéria é muito difícil. Chegamos da escola cansadíssimos. a) comparativo de igualdade - superlativo absoluto sintético - superlativo absoluto analítico doença do coração / doença cardíaca perímetro da cidade / perímetro urbano colega de turma (não há adjetivo equivalente) cabelo de milho (não há adjetivo equivalente) andar de baixo jornal de ontem música de sempre HORA DE PRATICAR 48 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) comparativo de igualdade - superlativo relativo de superioridade - superlativo absoluto sintético c) comparativo de igualdade - superlativo absoluto analítico - superlativo absoluto sintético d) comparativo de igualdade - superlativo relativo de inferioridade - superlativo absoluto analítico 1.D 2.C 4. Numeral Numeral é a classe de palavras que indica quantidade, ordem, fração ou multiplicação dos seres. Os numerais podem ser classificados em: cardinais, ordinais, fracionários ou multiplicativos. cardinais expressam uma quantidade exata um, dois, três etc. ordinais expressam a ordem em que algo ou alguém se localiza numa série primeiro, segundo, terceiro etc. fracionários expressam o número de vezes em que os seres são divididos meio/metade, um terço, um quarto etc. multiplicativos expressam o número de vezes em que os seres são multiplicados duplo/dobro, triplo, quádruplo etc. 4.1 Numerais substantivos e numerais adjetivos Numerais substantivos - não acompanham um substantivo, ou seja, aparecem isolados, desempenhando função sintática própria do substantivo. Ex.: Foram contratados quatro para aquele departamento. Numerais adjetivos – acompanham um substantivo, exercendo a função própria de adjetivo. Ex.: Era o terceiro livro que comprava naquele mês. 4.2 Flexão dos numerais cardinais Em regra, não são flexionados. Todavia, os números um, dois e as centenas a partir de duzentos recebem flexão de gênero. As palavras milhão, bilhão, trilhão etc. recebem apenas flexão de número. Comprei seis canetas. Há duzentas pessoas no auditório. Suzana ganhou dois milhões de reais na loteria. ordinais Recebem flexão de gênero e número. Os primeiros que chegarem devem se sentar nas primeiras filas. GABARITO 49 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br fracionários Recebem flexão de gênero e número quando tem valor de adjetivo. Não são flexionados quando têm valor de substantivo Ele tomou duas doses duplas de uísque. Dez é o dobro de cinco. multiplicativos Recebem flexão de gênero e número. Recebeu dois terços do salário. Duas terças partes é muito. 5. Pronome Pronome é a classe de palavras que acompanha (pronomes adjetivos) ou substitui / representa o substantivo (pronomes substantivos). Observe os exemplos: Enquanto eu lavo a louça, você varre a casa. O seu ganho é menor que as suas despesas. De acordo com a função que exercem, eles podem ser classificados em seis tipos: 5.1 Pronomes pessoais Os pronomes pessoais são aqueles que denotam a pessoa do discurso. Eles sempre figuram no lugar de um substantivo e, por essa razão, são pronomes substantivos. Ademais, eles são classificados em pronomes pessoais retos e pronomes pessoais oblíquos. Os pronomes oblíquos, por sua vez, são subclassificados em oblíquos átonos e oblíquos tônicos. Veja a tabela: Pessoas do discurso Retos Oblíquos átonos Oblíquos tônicos 1ª do singular eu me mim, comigo 2ª do singular tu te ti, contigo 3ª do singular ele / ela se, o, a, lhe si, consigo, ele, ela 1ª do plural nós nos nós, conosco 2ª do plural vós vos vós, convosco 3ª do plural eles /elas se, os, as, lhes si, consigo, eles, elas pessoais possessivos demonstrativos indefinidos interrogativos relativos Pronomes substantivos Pronomes adjetivos 50 SUGESTÕES,CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Pronomes pessoais retos São pronomes que normalmente exercem a função de sujeito, mas podem vir a exercer a função de predicativo do sujeito em alguns casos. a) Não se deve esquecer de que os pronomes eu e tu não podem ser regidos por preposição. Assim, eles devem ser substituídos por mim e ti, respectivamente. Obs.: Em frases do tipo: A professora pediu para eu chegar mais cedo, saiba que a preposição para não rege o pronome eu, mas sim o verbo chegar (pediu para chegar). Assim, caso haja verbo após o pronome, não se deve usar o pronome oblíquo. b) Os pronomes tu e vós podem figurar como vocativos Pronomes pessoais de tratamento Os pronomes pessoais de tratamento apresentam uma peculiaridade: embora refiram-se à 2ª pessoa do discurso, sua concordância deve ser feita com a 3ª pessoa. Ex.: Vossa Senhoria já entregou todos os documentos? Observe na tabela a seguir alguns desses pronomes. Pronome Emprego você tratamento íntimo, familiar Vossa Alteza príncipes, princesas, duques Vossa Eminência cardeais Vossa Excelência altas autoridades do governo e oficiais das forças armadas Vossa Magnificência reitores de universidades Vossa Majestade reis, imperadores Vossa Meritíssima juízes de Direito Vossa Senhoria altas autoridades Vossa Santidade papa Senhor, Senhora tratamento respeitoso em geral Ex.: Eu e ele somos apenas bons amigos. (sujeito) A responsável pelo incidente é ela. (predicativo) Essa conversa é entre eu e você. (incorreto) Essa conversa é entre mim e você. (correto) Confio em tu. (incorreto) Confio em ti. (correto) Ó tu, onde estás que não me respondes? 51 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Pronomes oblíquos São pronomes que exercem a função de complemento (e não de sujeito) na oração. Conforme mencionado anteriormente, eles se apresentam de duas formas: a) átonos – não são precedidos de preposição Ex.: Perguntaram-me sobre o imóvel. b) tônicos – são precedidos de preposição Ex.: Perguntei a ele sobre o imóvel. Alguns pronomes exercem a função de objeto direto, outros, de objeto indireto, como se pode observar a seguir. Objeto direto Os pronomes o, a, os, as exercem a função de objeto direto: Ex.: Comprei uma bolsa ontem. / Comprei-a ontem. Esses pronomes assumem as formas lo, la, los, las após verbos terminados em r, s ou z, e ainda, depois da partícula eis. Ex.: Você deve comprar esta camisa. / Você deve comprá-la. Eis o homem aqui. / Ei-lo aqui. Ademais, eles assumem as formas no, na, nos, nas, se ocorrerem após verbos terminados em som nasal. Ex.: Eles dão comida aos necessitados. / Eles dão-na aos necessitados. Objeto indireto Os pronomes lhe, lhes sempre funcionam como objeto indireto. Ex.: Pedi-lhes que trouxessem o material hoje. 52 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Obs.: i) caso o pronome oblíquo se refira à mesma pessoa do pronome reto, ele será denominado reflexivo. Ex.: Eu me feri com a tesoura. (= feri a mim mesmo) ii) se os pronomes nos, vos e se indicarem ação mútua, eles serão denominados recíprocos. Ex.: Os jogadores se abraçaram ao final do jogo. iii) os pronomes me, te, lhe, nos e vos podem apresentar valor possessivo. Ex.: O chão quente queimou-me os pés. (= meus) iv) os pronomes me, te, se, o, os, a, as, nos e vos podem exercer a função de sujeito de um verbo no infinitivo. Isso ocorre com verbos do tipo deixar, mandar, fazer, perceber, sentir etc. seguidos de um verbo no infinitivo: Ex.: Deixem-no sair. (= Deixem que ele saia.) 5.2 Pronomes possessivos Os pronomes possessivos normalmente acrescentam às pessoas do discurso a ideia de posse. Eles concordam em pessoa com o possuidor e em número e gênero com o ser possuído. Observe: Tu deves convencer tuas irmãs a irem conosco, eu convencerei os meus irmãos. Os pronomes possessivos são os seguintes: singular 1ª pessoa meu, minha, meus, minhas 2ª pessoa teu, tua, teus, tuas 3ª pessoa seu, sua, seus, suas 1ª pessoa nosso, nossa, nossos, nossas Objeto direto ou objeto indireto Os pronomes me, te, se, nos, vos podem funcionar tanto como objeto direto como objeto indireto, a depender da regência verbal Ex.: Meus filhos sempre me respeitaram. Meus filhos sempre me obedeceram VTD OD OI VTI 53 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br plural 2ª pessoa vosso, vossa, vossos, vossas 3ª pessoa seu, sua, seus, suas Emprego dos pronomes possessivos a) Primeiramente é muito importante entender que, apesar de serem denominados possessivos, nem sempre esses pronomes vão indicar ideia de posse. Com efeito, em determinados contextos, eles podem indicar respeito, afetividade, ação habitual, cálculo aproximado, ofensa, predileção ou alteração do pronome de tratamento senhor. Considere os exemplos no quadro a seguir. b) Em alguns casos, faz-se necessário o uso das formas dele, dela para evitar ambiguidade. A diretora não permitiu que o funcionário usasse o seu telefone durante o expediente. A diretora não permitiu que o funcionário usasse o telefone dele durante o expediente. 5.3 Pronomes demonstrativos Os pronomes demonstrativos são usados para apontar a posição dos seres no tempo e no espaço. Alguns são variáveis, ao passo que outros são invariáveis. Observe a tabela abaixo: Variáveis invariáveis Pessoas Masculino Feminino Singular Plural Singular Plural 1ª este estes esta estas isto 2ª esse esses essa essas isso 3ª aquele aqueles aquela aquelas aquilo Emprego dos pronomes demonstrativos a) Posição dos seres no espaço - Os pronomes este (s), esta (s) e isto são usados para indicar algo ou alguém que esteja perto da primeira pessoa do discurso (aquele que fala). Sente-se aqui, meu senhor. (respeito) Minha querida professora, nunca me esquecerei da senhora. (afetividade) Suas orientações sempre me ajudaram. (ação habitual) O menino devia ter seus doze anos. (cálculo aproximado) Não repita isso, seu ignorante! (ofensa) Português sempre foi minha matéria. (predileção) Seu José chegará em breve. (alteração do pronome de tratamento senhor) Este caderno (que está comigo) foi encontrado no pátio da escola. Esta blusa que estou usando é muito confortável. Isto (aqui) é um belo trabalho. 54 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br - Os pronomes esse (s), essa (s) e isso são usados para indicar algo ou alguém que esteja perto da segunda pessoa do discurso (aquele com quem se fala). - Os pronomes aquele (s), aquela (s) e aquilo são usados para indicar algo ou alguém que esteja distante tanto de quem fala quanto de quem escuta. b) Posição dos seres no tempo - Os pronomes este (s), esta (s) e isto indicam o tempo presente em relação a quem fala. - Os pronomes esse (s), essa (s) e isso indicam o tempo passado ou futuro próximo ao momento em que o emissor fala. - Os pronomes aquele (s), aquela (s) e aquilo indicam um tempo distante em relação ao momento em que o emissor fala. c) Posição dos seres em relação à fala ou à escrita - Os pronomes este (s), esta (s) e isto são usados para indicar o que ainda será falado ou escrito. - Os pronomes esse (s), essa (s) e isso são usados para indicar o que já foi falado ou escrito. - Os pronomes este (s), esta (s), aquele (s) e aquela (s) são usados para indicar seres que já foram mencionados na fala ou na escrita. Este e esta indicam o mais próximo. Aquele e aquela indicam o mais distante.Esse caderno (que está contigo) pertence à Mariana. Essa blusa que você está usando é muito bonita. Isso (aí) é de ouro? Aquele caderno (ali) é bem antigo. Aquela árvore (lá) foi plantada pelo meu pai. Aquilo (ali) é o que estou pensando? Este dia jamais será esquecido! Ontem soube da minha aprovação. Jamais esquecerei esse momento. Há vinte anos soube da minha aprovação. Jamais esquecerei aquele momento. Na reunião de ontem, chegou-se a esta conclusão: os índices de produtividade precisam melhorar com urgência. Os índices de produtividade precisam melhorar com urgência: essa foi a conclusão a que se chegou na reunião de ontem. 55 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 5.4 Pronomes indefinidos Os pronomes indefinidos são aqueles que fazem referência, de forma vaga, à terceira pessoa do discurso. Além disso, eles podem exprimir quantidade indeterminada. Veja o exemplo a seguir: Ex.: Alguém pode me dar uma carona? Assim como os pronomes demonstrativos, eles podem ser variáveis ou invariáveis. Seguem alguns exemplos: Variáveis Invariáveis algum, alguns, alguma, algumas nenhum, nenhuns, nenhuma, nenhumas certo, certos, certa, certas muito, muitos, muita, muitas outro, outra, outros, outras pouco, pouca, poucos, poucas todo, toda, todos, todas vário, vária, vários, várias tanto, tanta, tantos, tantas quanto, quanta, quantos, quantas qualquer, quaisquer diversos, diversas um, uma, uns, umas tamanho, tamanhos, tamanha, tamanhas alguém ninguém cada outrem tudo nada algo que Emprego dos pronomes indefinidos a) Os pronomes algum, alguns, alguma, algumas, quando posicionados depois do substantivo, apresentam sentido negativo. Caso estejam posicionados antes do substantivo, terão valor positivo. b) O pronome certo só é indefinido se estiver posicionado antes do substantivo. Caso seja posicionado depois, é um adjetivo. Morangos e laranjas fazem bem à saúde. Estas são fontes de vitamina C; Aqueles, de vitamina E. Eles não demonstraram interesse algum no imóvel. Certamente alguma vantagem eles receberam. Um certo rapaz esteve aqui a sua procura. Encontrei a pessoa certa para o trabalho. 56 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br c) Se os pronomes todo e toda estiverem acompanhados de artigo, apresentam o sentido de inteiro; desacompanhados de artigo equivalem a qualquer. 5.5 Pronomes relativos Os pronomes relativos têm a função de substituir um termo expresso na oração anterior, evitando a repetição. Ademais, são conectivos e, portanto, estabelecem relação entre duas orações. Considere o seguinte exemplo: Nós conhecemos o professor. O professor ganhou o prêmio. Nós conhecemos o professor que ganhou o prêmio. Os pronomes relativos são os seguintes: Emprego dos pronomes relativos a) O pronome relativo que pode ser usado para substituir coisas ou pessoas. b) O pronome relativo quem só pode ser usado para substituir pessoas. Ele aparece sempre preposicionado. c) O pronome relativo o qual (e suas flexões) deve ser usado para evitar ambiguidade. d) O pronome relativo o qual (e suas flexões) deve ser usado após preposições e locuções prepositivas. Variáveis Invariáveis o qual, a qual, os quais, as quais que, quem cujo, cuja, cujos, cujas onde, como quanto, quantos, quantas (Obs.: a forma quanta não é empregada como pronome relativo.) quando Toda a turma compareceu ao evento. (a turma inteira) Toda turma tem seus problemas. (qualquer turma) Aqui estão as ferramentas que você me emprestou. Esta é a funcionária que foi promovida. A secretária com quem conversei resolveu o problema. Esta é a funcionária de quem lhe falei. Conheci o tio da minha amiga, o qual (ou a qual) sofreu um grave acidente. Cobriu os olhos ao redor dos quais havia manchas roxas. 57 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br e) O pronome relativo cujo (e suas flexões) apresenta valor possessivo e posiciona-se antes de um substantivo com o qual concorda. Obs.: O pronome relativo cujo (e suas flexões) não admite a posposição de determinante, ou seja, não existe cujo o nem cuja a. f) O pronome relativo onde só tem como antecedente lugar. Ele equivale a em que, no qual, na qual. 5.6 Pronomes interrogativos Os pronomes interrogativos são usados para formular uma pergunta, seja ela direta ou indireta. Assim como os pronomes indefinidos, eles também se referem, de modo impreciso, à 3ª pessoa do discurso. São eles: Variáveis Invariáveis qual, quais que quanto, quanta quem quantos, quantas 1. No trecho que a seguir transcrevemos, há vários pronomes. "Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida." Identifique, nele, dois pronomes demonstrativos, um pronome pessoal do caso reto e um pronome pessoal do caso oblíquo. 2. Encontramos pronome indefinido em: a) "Muitas horas depois, ela ainda permanecia esperando o resultado." b) "Foram amargos aqueles minutos, desde que resolveu abandoná-las." c) "A nós, provavelmente, enganariam, pois nossa participação foi ativa." d) "Havia necessidade de que tais ideias ficassem sepultadas." e) "Sabíamos o que você deveria dizer-lhe ao chegar da festa." 3. Marque a opção em que a forma pronominal utilizada está INCORRETA. A aluna com cuja mãe conversei retornou à escola hoje. A cidade onde nasci é linda! Ex.: Quantas pessoas foram contratadas? (pergunta direta) Ignora-se quantas pessoas foram contratadas. (pergunta indireta) HORA DE PRATICAR 58 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br a) É difícil, para mim, praticar certos exercícios físicos. b) Ainda existem muitas coisas importantes para eu fazer. c) Os chinelos da aposentadoria não são para ti. d) Quando a aposentadoria chegou, eu caí em si. e) Para tu não teres aborrecimentos, evita o excesso de velocidade. 1. pronomes demonstrativos: esta, o pronome pessoal do caso reto: eu; pronome pessoal do caso oblíquo: me. Comentário: Neste caso, o artigo “o” tem o valor de pronome demonstrativo. Isso porque poderia ser substituído da seguinte forma: “E aquilo que escrevo é uma névoa úmida." 2. Alternativa a: "Muitas horas depois, ela ainda permanecia esperando o resultado." Comentário: Os pronomes das orações restantes são classificados em: b) aqueles: pronome demonstrativo; c) nossa: pronome possessivo; d) tais: pronome demonstrativo; e) lhe: pronome pessoal do caso oblíquo. 3. Alternativa d: Quando a aposentadoria chegou, eu caí em si. Comentário: O pronome “eu” pertence à 1.ª pessoa do singular. O pronome “si” pertence à 2.ª pessoa do singular. O correto seria: Quando a aposentadoria chegou, eu caí em mim. 6. Verbo Verbo é a classe de palavras que exprime ação, fenômeno natural, estado ou mudança de estado, e que varia em relação ao tempo. 6.1 Flexões do verbo Os verbos sofrem flexão de número, pessoa, modo e tempo. Analise o quadro a seguir: Flexões Finalidades Exemplos Número O verbo concorda com o sujeito a que se refere. O relógio bateu três horas. Os relógios bateram três horas. Pessoa Aponta as três pessoas do circuito da comunicação: emissor, receptor ou referente. Estudo todos os dias. (eu) Não chegues tarde. (tu) Meu filho decidiu viajar.(ele) Modo Indicativo – expressa um fato certo, concreto Os artistas deram as mãos. Subjuntivo – expressa um fato hipotético Se eu for com você,... Imperativo – expressa ordem, pedido Fique quieto! Presente – expressa um fato que ocorre no momento atual A corrupção aumenta a cada dia. GABARITO59 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Tempo Pretérito perfeito – expressa um fato totalmente concluído no passado Ele recebeu o prêmio de melhor ator. Pretérito imperfeito – expressa um fato interrompido ou continuado no passado Ela foi presa quando tentava furtar a carne. Pretérito mais-que-perfeito – expressa um fato passado, concluído antes de outro também passado O povo sabia quem mandara aramar aquela confusão. Futuro do presente – expressa um fato vindouro Não se sabe quem ganhará a competição. Futuro do pretérito – expressa um fato posterior a um acontecimento passado Se tivéssemos chegado a tempo, não teríamos perdido o ônibus. 6.2 Classificação dos verbos Os verbos podem ser classificados em regulares, irregulares, anômalos, defectivos, abundantes, auxiliares e pronominais. a) Verbos regulares São verbos que, ao serem conjugados, não apresentam alteração em seu radical, e mantêm a mesma desinência do verbo paradigma (verbos terminados em –AR, primeira conjugação, -ER, segunda conjugação e –IR, terceira conjugação). Ex.: cantar, vender, partir b) Verbos irregulares Ao contrário dos verbos regulares, os verbos irregulares, ao serem conjugados, apresentam alteração em seu radical ou têm desinência diferente da apresentada pelo verbo paradigma. Observe os exemplos: medir meço O radical –med altera-se para –meç. fazer faço O radical –faz altera-se para –faç. c) Verbos anômalos São verbos que, ao serem conjugados, sofrem profundas alterações no radical. ir vou, fui, ia, fora, irei, fosse etc. ser sou, fui, era, fora, serei, fosse etc. d) Verbos defectivos São verbos que apresentam conjugação incompleta, ora devido à eufonia (bom som) ou à homofonia (som igual) com outras formas verbais, ora à impessoalidade. Exemplo: 60 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Pessoas do discurso Presente do indicativo falir adequar precaver-se Eu - - - Tu - - - Ele / Ela - - - Nós falimos adequamos nos precavemos Vós falis adequais vós vos precaveis Eles / Elas - - - Exemplos de verbos defectivos: aturdir, brandir, carpir, colorir, delir, demolir, exaurir, explodir, extorquir, aguerrir, combalir, empedernir, esbaforir, florir, entre outros. Obs.: Pode-se suprir as deficiências de um verbo defectivo pelo uso de formas verbais ou de perífrases sinônimas. Considerando-se o verbo falir, por exemplo, pode-se usar a expressão abrir falência. d) Verbos abundantes São verbos que, em determinadas conjugações, apresentam mais de uma forma. Exemplo: ter / haver ser Exemplos: matar tinha / havia matado foi morta O rapaz tinha / havia matado a barata. A barata foi morta pelo rapaz. pagar tinha / havia pagado foi pago (a) O rapaz tinha / havia pagado a conta. A conta foi paga. eleger tinha / havia elegido foi eleito (a) O povo tinha / havia elegido o homem errado. O homem errado foi eleito. e) Verbos auxiliares Os verbos auxiliares são aqueles que se unem a um outro verbo, denominado principal, que pode estar no infinitivo, particípio ou gerúndio. A essa combinação dá-se o nome de locução verbal. f) Verbos pronominais Os verbos pronominais aparecem acompanhados de pronomes oblíquos da mesma pessoa do sujeito, como por exemplo, zangar-se, arrepender-se, enganar-se, mudar-se, pentear-se, queixar-se. 6.3 Vozes do verbo Ex.: Vou trabalhar (auxiliar ir + verbo principal no infinitivo) Sou querido (auxiliar ser + verbo principal no particípio) Estou estudando (auxiliar estar + verbo principal no gerúndio) Ex.: Queixou-se de dor de dente o dia inteiro. 61 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Vozes do verbo As vozes do verbo indicam se o sujeito gramatical é agente ou paciente, ou seja, se pratica ou se sofre a ação. Há quatro vozes verbais: ativa, passiva, reflexiva e reflexiva recíproca. Apresentaremos as diferenças entre cada uma delas. Voz ativa Na voz ativa, o sujeito pratica a ação expressa pelo verbo, ou seja, é agente. Voz passiva Na voz passiva, por outro lado, o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo, isto é, ele é paciente. A voz passiva pode ser analítica ou sintética. Estrutura Exemplo Voz passiva analítica verbo auxiliar + verbo transitivo direto ou verbo transitivo direto e indireto no particípio Essa questão foi anulada pela banca examinadora. Voz passiva sintética verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto na 3ª pessoa do singular ou do plural + pronome apassivador se Anulou-se esta questão. Voz reflexiva Na voz reflexiva, o sujeito pratica e, ao mesmo tempo, recebe a ação verbal. Uma das características dessa voz é a presença obrigatória de um pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito a que ele se refere. Ex.: A multidão gritava enlouquecida. sujeito agente Ex.: Os artistas eram aplaudidos pelos fãs. sujeito paciente Ex.: Ricardo cortou-se com a tesoura. (cortou a si próprio) sujeito agente e paciente 62 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Voz reflexiva recíproca Na voz reflexiva recíproca, a ação é mútua entre os elementos do sujeito. O pronome oblíquo, nesse caso, tem o sentido de um ao outro, uns aos outros. 7. Advérbio Advérbio é a palavra invariável que modifica o verbo, o adjetivo, outro advérbio e até mesmo uma frase inteira. Considere os exemplos a seguir: Não gostaria de participar da festa. (advérbio modificando verbo) Ela estava bastante feliz naquela ocasião. (advérbio modificando adjetivo) Depois que recebeu a notícia, ele ficou muito mal. (advérbio modificando outro advérbio) Infelizmente, ainda existe a possibilidade de que ocorra o pior. (advérbio modificando a frase inteira) 7.1 Classificação dos advérbios e das locuções adverbiais Circunstâncias Advérbios e locuções adverbiais afirmação sim, certamente, realmente, deveras, efetivamente, por certo, de fato, sem dúvida etc. dúvida acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez etc. intensidade assaz, bastante, bem, demais, mais, menos, muito, pouco, tão, quase, quanto, demais, meio, todo, apenas, demasiadamente, em excesso, em demasia, por completo etc. lugar abaixo, acima, adiante, aqui, ali, aquém, além, atrás, fora, dentro, acolá, através, perto, longe, à direita, à esquerda, a (à) distância, de longe, de perto, ao lado, por dentro, por fora, por aqui, por ali, para onde etc. modo assim, bem, debalde, depressa, devagar, mal, bem, melhor, pior, alerta, à toa, às claras, às ocultas, às pressas, ao léu, lado a lado, frente a frente etc. e quase todos terminados pelo sufixo –mente (calmamente, alegremente etc.) negação não, de modo algum, de jeito nenhum, de forma alguma etc. tempo agora, ainda, amanhã, anteontem, antes, breve, cedo, tarde, depois, hoje, então, nunca, jamais, logo, sempre, outrora, já, raramente, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de súbito, em breve, de quando em quando etc. (ALMEIDA, N.T. Gramática da Língua Portuguesa para concursos, vestibulares, ENEM, colégios técnicos e militares..., São Paulo: Editora Saraiva, 2010) Ex.: Os torcedores encaravam-se friamente. (encaravam um ao outro) sujeito agente e paciente 63 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Há também os chamados advérbios interrogativos. Eles recebem essa denominação por serem usados para formular perguntas direta e indiretas. São eles: Circunstâncias Advérbios interrogativos Exemplos causa por que Por que ela chegou tão cedo? Não sabemos por que ela chegou tão cedo. lugar onde Onde você mora? Ignoro onde você mora. modo como Como ele descobriu o número da senha? Não sesabe como ele descobriu o número da senha. tempo quando Quando será o início do curso? Ainda não sei quando será o início do curso. 7.2 Grau dos advérbios Assim como ocorre com os adjetivos, alguns advérbios (de modo, de tempo, de lugar e de intensidade) também admitem a flexão de grau comparativo e superlativo. Grau comparativo a) de igualdade: Jonas corre tão rápido quanto o irmão. b) de inferioridade: Jonas corre menos rápido do que o irmão. c) de superioridade: Jonas corre mais rápido do que o irmão. Grau superlativo a) absoluto analítico: Jonas corre muito rápido. b) absoluto sintético: Jonas corre rapidíssimo. Obs. 1: Vale notar que a repetição do advérbio denota valor aproximado de superlativo. Ex.: Meus tios moravam longe, longe. Obs. 2: Quando os advérbios bem e mal estiverem modificando particípios, deve-se usar as formas analíticas mais bem e mais mal no lugar de melhor e pior, respectivamente. Ex.: Os alunos do Focado no Edital são mais bem preparados do que os outros. 8. Preposição Preposição é uma classe de palavras invariável que liga duas outras palavras, subordinando a segunda à primeira, estabelecendo entre elas uma relação de dependência. Ex.: Júlio veio de Tocantins. Ex.: Com o calor, a demanda de energia será maior. A preposição estabelece uma relação de lugar entre as duas palavras. A preposição estabelece uma relação de causa entre as duas palavras. 64 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 8.1 Preposições essenciais e acidentais As preposições podem ser classificadas em essenciais ou acidentais. a) preposições essenciais – são aquelas palavras que somente funcionam como preposição: a, ante, até, após, de, desde, em, entre, com, contra, para, por, perante, sem, sob e sobre. b) preposições acidentais – são palavras de outras classes gramaticais que, em certas frases, funcionam como preposição: como, conforme, segundo, durante, fora, exceto etc. Ex.: João foi o segundo colocado no concurso. João agiu segundo sua consciência. 8.2 Locução prepositiva As locuções prepositivas são grupos de palavras que apresentam valor e emprego de preposição. Seguem alguns exemplos: Vale ressaltar que as preposições não exercem função sintática na oração. Elas são meros conectivos. 9. Conjunção Conjunção é a palavra invariável que relaciona duas orações ou duas palavras que exercem a mesma função sintática na oração. Considere os exemplos: Ex.: Fui à feira e comprei laranjas e bananas. Ex.: O livro é bom, mas custa muito caro. Ex.: Não sabemos se o equipamento ainda funciona. numeral ordinal preposição acidental atrás de, através de, embaixo de, a fim de, de acordo com, por causa de, longe de, perto de, ao redor de, junto a, ao lado de, apesar de, por trás de, acerca de, cerca de, em favor de, de conformidade com A conjunção “e” liga dois elementos de uma única oração: laranjas e bananas. A conjunção “mas” liga duas orações de sentido completo (coordenadas). A conjunção “se” liga duas orações dependentes, ou seja, a segunda depende sintaticamente da primeira (subordinadas). 65 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 9.1 Locuções conjuntivas Locuções conjuntivas são expressões que exercem o mesmo papel de uma conjunção. Elas são formadas pela palavra que antecedida de advérbios, preposições ou particípios. Seguem alguns exemplos É importante destacar que, assim como as preposições, as conjunções não exercem função sintática na oração. Elas são meros conectivos. No capítulo 5, quando estudarmos as orações coordenadas e subordinadas, falaremos um pouco mais sobre as conjunções. 10. Interjeição Interjeição é uma palavra (ou locução) por meio da qual exprimimos sentimentos de dor, admiração, alegria, irritação, entre outros. 10.1 Classificação das interjeições A classificação das interjeições é realizada de acordo com o sentimento que expressam. Seguem alguns exemplos: Circunstâncias Interjeição alegria ou satisfação ah!, oh!, oba! animação coragem!, avante!, eia!, vamos! aplauso bis!, bem!, bravo!, viva! desejo oh!, oxalá!, tomara! dor ai!, ui! espanto ou surpresa ah!, chi!, ih!, oh!, ué!, uai!, caramba! apelo alô!, ei!, socorro! silêncio psiu!, silêncio, calada! suspensão alto!, basta! advertência cuidado!, atenção! 10.2 Locuções interjetivas Locuções interjetivas são expressões que apresentam valor de uma interjeição. antes que, desde que, já que, até que, para que, sem que, dado que, posto que, visto que, uma vez que, à medida que etc. Nossa senhora! Valha-me Deus! Credo em cruz! Alto lá” Ora bolas! Ai de mim! Obs.: Não confunda a palavra ó com a interjeição oh! A primeira serve para invocar, interpelar alguém. É usada no vocativo e não vem seguida de ponto de exclamação. Ex.: Ó vida! Por que me maltratas assim? 66 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. Na frase "As negociações estariam meio abertas só depois de meio período de trabalho", as palavras destacadas são, respectivamente: a) adjetivo, adjetivo b) advérbio, advérbio c) advérbio, adjetivo d) numeral, adjetivo e) numeral, advérbio 1. B Capítulo 5 – Frase, oração e período. Período composto (coordenação e subordinação) Neste capítulo, abordaremos as relações que se estabelecem entre as palavras de uma frase ou entre as orações em um período, ou seja, começaremos a tratar da parte da gramática denominada sintaxe. 1. Frase, oração, período Preliminarmente, é importante distinguir os conceitos referentes à frase, oração e período, pois nem sempre esses termos podem ser tratados como sinônimos. 1.1 Frase A frase é um enunciado linguístico de sentido completo. Ela não precisa apresentar verbo na sua constituição e pode ser formada por apenas uma palavra ou por um conjunto de palavras. Considere os exemplos: 1.2 Oração A oração, por sua vez, também é um enunciado linguístico, mas, diferentemente da frase, pode não apresentar sentido completo. Ademais, ela é construída em torno de um verbo (explícito ou subentendido) ou de uma locução verbal. Ex.: Socorro! O dia está lindo! Ex.: Pessoas carentes necessitam de ajuda. O preço dos combustíveis deverá subir novamente. HORA DE PRATICAR GABARITO 67 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1.3 Período Por fim, o período é um enunciado linguístico organizado em uma ou mais orações. Ele se classifica em: a) simples – formado por apenas uma oração (oração absoluta) Ex.: O paciente estava muito doente. (um verbo – uma oração) b) composto – formado por duas ou mais orações. Ex.: A ideia é boa, mas a medida é prematura. (dois verbos – duas orações) 2. Termos da oração Termos da oração são as palavras ou grupos de palavras que exercem determinadas funções sintáticas dentro da oração. Eles podem ser classificados em essenciais, integrantes e acessórios. Observe a tabela a seguir: Termos da oração essenciais integrantes acessórios sujeito complemento verbal adjunto adnominal predicado complemento nominal adjunto adverbial agente da passiva aposto 2.1 Termos essenciais da oração Os termos essenciais da oração são o sujeito e o predicado. a) sujeito – palavra (ou conjunto de palavras) sobre a qual se enuncia alguma coisa. b) predicado – o que é enunciado sobre o sujeito, por meio de um verbo, na oração (salvo nas orações sem sujeito, em que há apenas predicado). Tipos de sujeito O sujeito pode ser definido como: simples, composto, oculto, indeterminado ou inexistente. a) sujeito simples – apresenta apenas um núcleo. Ex.: O artista agradecia os aplausos.b) sujeito composto – apresenta dois ou mais núcleos. Sujeito Predicado O professor concordou com a minha opinião. Meus filhos viajarão comigo. 68 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: A esposa e a sogra chegaram primeiro. c) sujeito oculto – não aparece explicitamente na oração, mas pode ser identificado com facilidade por meio da desinência verbal ou pelo contexto. É também conhecido como sujeito elíptico. Ex.: Conseguimos terminar o trabalho a tempo. d) sujeito indeterminado – não aparece expresso na oração porque não se deseja que ele seja conhecido ou porque não é possível explicitá-lo. Isso acontece em duas situações: Sujeito indeterminado Verbo na 3ª pessoa do plural, não se referindo a nenhuma pessoa determinada pelo contexto. Disseram que a queima de fogos foi um grande espetáculo. Verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação na 3ª pessoa do singular acompanhado da partícula se (índice de indeterminação do sujeito). Precisa-se de funcionários. e) sujeito inexistente – ocorre nas chamadas orações sem sujeito, em que se empregam verbos impessoais. Observe no quadro a seguir as características dessas orações. Características Exemplos verbos que exprimem fenômenos da natureza Choveu a noite toda. verbo haver no sentido de existir ou na indicação de tempo decorrido Há muitos problemas a serem resolvidos. Há dias ela não aparece por aqui. verbos fazer ou estar no sentido de tempo ou clima Faz dez dias que não durmo direito. Faz muito calor nesta época do ano. Está cedo. Está muito calor hoje. verbo ser empregado em relação a datas, horas ou distâncias Hoje é dia 9 de abril. Já é meio-dia. São cinco quilômetros daqui até lá. verbos bastar e chegar acompanhados da preposição de Já basta de tanta enrolação! Chega de mentiras! Obs.: Nas locuções verbais, sendo o verbo principal impessoal, ele transfere essa impessoalidade para o verbo auxiliar. Ex.: Não deve haver ciúmes em um relacionamento saudável. Vai fazer dois meses que eles se casaram. sujeito oculto = nós 69 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Tipos de predicado Diferentemente do sujeito, que pode ser indeterminado ou até mesmo inexistente, o predicado é indispensável em uma oração. Ele pode ser de três tipos: verbal, nominal ou verbo- nominal. a) predicado verbal – é o predicado em que o núcleo significativo é um verbo que indica ação (intransitivo ou transitivo) e não há predicativo na frase. Ex.: O entrevistado ofendeu a repórter. b) predicado nominal – é o predicado em que o núcleo significativo se concentra em um predicativo do sujeito. Neste tipo de frase, o verbo é sempre de ligação. Ex.: Nossos alunos são mais preparados. c) predicado verbo-nominal - é o predicado em que o núcleo significativo se concentra em um verbo que indica ação (intransitivo ou transitivo) e em um predicativo do sujeito ou predicativo do objeto. Ex.: O soldado parou atento. Ex.: O aluno achou o raciocínio exato. 2.2 Termos integrantes da oração Os termos integrantes da oração são os complementos verbais, o complemento nominal e o agente da passiva. Complementos verbais Complemento verbal é o termo da oração que completa ou integra o sentido de verbos transitivos. Eles podem ser de dois tipos: a) objeto direto – integra o sentido do verbo sem o auxílio de preposição obrigatória. VTD Predicado verbal OD VL PS Predicado nominal VI PS Predicado verbo-nominal VTD OD PO Predicado verbo-nominal 70 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Comprei os ingressos ontem. b) objeto indireto – integra o sentido do verbo com o auxílio de preposição obrigatória. Ex.: Ainda não me acostumei com as novas regras. Complemento nominal Assim como acontece com os verbos transitivos, alguns nomes (substantivo, adjetivo e advérbio) também precisam de complementos para integrar o seu sentido. Como completam o sentido de nomes, eles são chamados de complementos nominais. Esses complementos são regidos de preposição, e por essa razão, podem ser confundidos com objetos indiretos. Todavia, não se pode esquecer de que os objetos indiretos completam o sentido de verbos, ao passo que os complementos nominais integram o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios. Veja os exemplos a seguir: Ex.: Tenho orgulho das suas conquistas. Ex.: Eles estavam conscientes de todos os problemas. Ex.: O juiz agiu favoravelmente ao réu. Agente da passiva Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação expressa pelo verbo na voz passiva analítica. Ele é obrigatoriamente regido pela preposição por, mas em raras ocasiões pode ser regido pela preposição de. Ex.: Este relatório foi elaborado por Ricardo. VTD OD VTI OI substantivo complemento nominal complemento nominal complemento nominal sujeito paciente agente da passiva adjetivo advérbio Obs.: por + a = pela por + as = pelas por + o + pelo por + os = pelos 71 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 2.3 Termos acessórios da oração Os termos acessórios da oração são os adjuntos adnominais, os adjuntos adverbiais e o aposto. Adjunto adnominal Adjunto adnominal é o termo da oração que tem a função de caracterizar, delimitar o significado de um substantivo. Ele pode ser expresso por artigo, pronome adjetivo, numeral adjetivo, adjetivo e locução adjetiva. a) artigo (definido ou indefinido) Ex.: A artista deu um autógrafo à fã. b) pronome adjetivo Ex.: Aquela professora acredita em seus alunos. c) numeral adjetivo Ex.: Dois candidatos disputaram o primeiro lugar. d) adjetivo Ex.: Belas praias são calmantes naturais. e) locução adjetiva Ex.: No canto da sala havia uma cadeira de balanço. Como distinguir um adjunto adnominal de um complemento nominal? Observe o seguinte esquema para não mais se confundir: Obs.: Um único substantivo pode vir acompanhado de vários adjuntos adnominais. Ex.: Estas três belas esculturas de mármore são minhas. 72 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br No exemplo acima, ao diretor é complemento nominal, já que o diretor é o alvo da ação indicada pelo substantivo crítica. Por sua vez, do diretor é adjunto adnominal, pois, nesse caso, o diretor é o agente da ação indicada pelo substantivo. Adjunto adverbial Adjunto adnominal é o termo da oração que tem a função de denotar a circunstância expressa pelo verbo ou intensificar o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. O adjunto adverbial (função sintática) é representado morfologicamente por advérbio ou locução adverbial. Sim Não Complemento nominal A crítica ao diretor foi necessária. A crítica do diretor foi necessária compl. nom. adj. adn. O substantivo é concreto? Sim Não Adjunto adnominal O termo pratica a ação expressa pelo substantivo? 73 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Aposto Aposto é o termo da oração que exemplifica ou explica outro termo da oração, de mesma função sintática, já anteriormente mencionado. Com efeito, caso seja retirado da oração o termo a que o aposto se refere, este passará a exercer a mesma função do termo retirado. Observe: Ex.: Joaquina, a filha do vizinho, foi estudar na capital. A filha do vizinho foi estudar na capital. Tipos de aposto a) aposto explicativo – detalha, explica, amplia o sentido do termo ao qual está ligado. Apareceentre vírgulas, travessões ou parênteses. Ex.: Chico Buarque, um dos principais artistas brasileiros, nasceu no Rio de Janeiro. b) aposto especificativo – especifica um substantivo de uso genérico, ao qual se liga sem vírgula. Ex.: O poeta Vinícius de Moraes gravou belas canções. c) aposto enumerativo – tem como objetivo enumerar as partes constitutivas do termo fundamental. Pode ser pontuado por vírgula, travessão ou dois-pontos. Ex.: Li dois excelentes livros: Dom Casmurro e Grande sertão veredas. d) aposto resumidor – é também chamado de recapitulativo. Tem a função de resumir, por meio de um pronome, algo que foi expresso pelo termo fundamental. Circunstâncias expressas pelo adjunto adverbial: tempo – lugar – modo – causa – intensidade – afirmação – negação – meio – assunto – finalidade – dúvida – companhia – instrumento – condição – concessão – preço (Ver capítulo 4 – advérbios) sujeito aposto sujeito 74 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Dedicação, treino, força de vontade, foco, tudo isso é necessário para a formação de um bom atleta. e) aposto de oração – refere-se a uma oração completa, sendo geralmente representado pelo pronome demonstrativo o ou por substantivos, tais como fato, episódio, acontecimento, situação etc. Ex.: Você não se dedicou o suficiente, o que é lamentável. 3. Período composto Como vimos no início deste capítulo, o período pode ser simples (formado por apenas uma oração) ou composto (formado por duas ou mais orações). Nesta seção, o nosso enfoque será no período composto. Primeiramente, é preciso compreender que o período pode ser composto por coordenação, por subordinação e por coordenação e subordinação. Vamos tratar de cada um desses tipos de período a partir de agora. 3.1 Período composto por coordenação O período composto por coordenação apresenta orações independentes entre si. Isso quer dizer que elas não exercem qualquer função sintática em relação a nomes, verbos ou pronomes de outra oração, ou seja, são sintaticamente completas, visto que possuem todos os termos de seu modelo estrutural, seja de forma expressa, seja de forma elíptica. Considere o exemplo a seguir: Ex.: Os sócios discutiram as pautas do dia, votaram o orçamento e encerraram a reunião. As orações que fazem parte do período composto por coordenação podem se apresentar justapostas e separadas por pontuação (vírgula ou ponto e vírgula) ou ligadas por uma conjunção, a chamada conjunção coordenativa. No primeiro caso, as orações serão chamadas de assindéticas e no segundo, de sindéticas. Considerando mais detalhadamente o exemplo acima, percebe-se que há três orações coordenadas. A primeira oração é assindética, na medida em que ela não é iniciada por conjunção. Entre a primeira e a segunda oração ocorre a coordenação assindética, tendo em vista que elas não são ligadas por uma conjunção, mas apenas por uma vírgula. Por sua vez, entre a segunda e a terceira oração há coordenação sindética, uma vez que elas estão conectadas por meio da conjunção e. Orações coordenadas sindéticas Para proceder à classificação das orações coordenadas sindéticas, é preciso levar em consideração a conjunção coordenativa que introduz cada oração. Dessa forma, elas podem ser classificadas como aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas. Observe, na tabela a seguir, a classificação das conjunções, e consequentemente das orações sindéticas, mais comumente cobradas nas provas da PR-4. 1ª oração 2ª oração 3ª oração 75 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Classificação das orações coordenadas sindéticas aditivas soma: e, nem, mas também, mas ainda Helena não vendeu o carro nem a casa. Helena não só vendeu o carro, mas também a casa. adversativas oposição: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto Gostaria de ter ido à praia, mas choveu. alternativas alternância: ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer Ou você pega a estrada logo, ou ficará preso no engarrafamento. conclusivas conclusão: logo, portanto, por isso, assim, pois Estudei o suficiente, logo tive êxito na prova. explicativas explicação: pois, porque, visto que, porquanto, que Ele deve estar dormindo, pois a luz do quarto está apagada. 3.2 Período composto por subordinação O período composto por subordinação é assim chamado porque é formado por orações que exercem uma função sintática em relação a algum termo presente em outra oração, denominada oração principal. A oração principal pode iniciar o período, finalizá-lo ou ser interrompida por uma oração subordinada a ela. Considere o exemplo a seguir: Ex.: Ninguém sabia que a encomenda chegaria hoje. No exemplo acima, pode-se observar que a segunda oração (oração subordinada) é sintaticamente dependente da primeira (oração principal), tendo em vista que exerce a função de objeto direto do verbo saber presente na primeira oração. A depender da função sintática que exercem, as orações subordinadas podem ser classificadas em substantivas, adjetivas ou adverbiais. Confira, na tabela abaixo, as funções desempenhadas por cada um desses tipos de orações: orações subordinadas substantivas sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito e aposto adjetivas adjunto adnominal (adjetivo) adverbiais adjunto adverbial (advérbio) Orações subordinadas substantivas As orações subordinadas substantivas, como o próprio nome sugere, são aquelas que desempenham o papel de um substantivo. Considere os dois exemplos a seguir: Ex.: Aguardamos a sua colaboração. No exemplo acima, o substantivo colaboração exerce a função de núcleo do objeto direto do verbo aguardar. Esse objeto direto pode ser substituído por uma oração que desempenhe a mesma função sintática. Observe: oração principal oração subordinada substantivo 76 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Aguardamos que você colabore. As orações subordinadas substantivas, por sua vez, podem ser classificadas em subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e apositivas. Orações subordinadas substantivas subjetivas sujeito É importante que você estude. objetivas diretas objeto direto Ninguém esperava que você viesse. objetivas indiretas objeto indireto Joana não gosta de que a chamem de senhora. completivas nominais complemento nominal Nós temos esperança de que tudo volte ao normal. predicativas predicativo O pior é que ela não virá. apositivas aposto Só desejo uma coisa: que vocês sejam felizes. Obs.: A palavra que presente nas orações subordinadas substantivas é conjunção integrante. Orações subordinadas adjetivas As orações subordinadas adjetivas exercem a função de um adjetivo (adjunto adnominal) de um termo expresso na oração principal. Analise os dois exemplos a seguir: Ex.: Os trabalhadores grevistas foram convocados para uma reunião. No exemplo acima, o adjetivo grevistas exerce a função de adjunto adnominal do substantivo trabalhadores. Esse adjetivo pode ser substituído por uma oração que desempenhe a mesma função sintática. Observe: Ex.: Os trabalhadores que fizeram greve foram convocados para uma reunião. Obs.: As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por pronomes relativos (que, o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas etc.). Essas orações podem ser de dois tipos: restritivas ou explicativas. a) orações subordinadas adjetivas restritivas – restringem ou especificam a significação do termo antecedente. Não são isoladas por vírgulas. Ex.: Meu irmão que mora na Irlanda virá ao Brasil no próximo mês. Neste exemplo, o autor da oração tem mais de um irmão e está falando especificamente doirmão que mora na Irlanda. Observe que não é possível suprimir essa oração adjetiva sem prejudicar o sentido do período. oração subordinada substantiva adjetivo oração subordinada adjetiva oração subordinada adjetiva restritiva 77 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br a) orações subordinadas adjetivas explicativas – explicam ou ampliam a significação do termo antecedente. São isoladas por vírgulas. Ex.: Meu irmão, que mora na Irlanda, virá ao Brasil no próximo mês. Neste exemplo, o autor da oração tem apenas um irmão e está simplesmente acrescentando uma informação acessória sobre ele. Neste caso, a oração adjetiva pode ser suprimida sem prejudicar o sentido do período. Assim, o emprego ou não da vírgula é de extrema importância nas orações adjetivas, uma vez que o significado do período muda com essa pontuação. Orações subordinadas adverbiais As orações subordinadas adverbiais são aquelas que expressam uma circunstância em relação a um fato presente na oração principal, ou seja, cumprem a função de um adjunto adverbial. Compare os dois exemplos a seguir: Ex.: À tarde, iremos para o aeroporto. No exemplo acima, a locução adverbial à tarde exerce a função de adjunto adverbial. Essa locução pode ser substituída por uma oração que desempenhe a mesma função sintática. Observe: Ex.: Assim que entardecer, iremos para o aeroporto. As orações subordinadas adverbiais são sempre introduzidas por conjunções subordinativas (que não sejam conjunções integrantes) e podem ser classificadas em nove grupos, a saber: causais, consecutivas, finais, temporais, condicionais, concessivas, comparativas, conformativas e proporcionais. Orações subordinadas adverbiais causal Já que o trabalho não ficará pronto hoje, voltarei amanhã. consecutiva José é tão alto que bate com a cabeça na porta. final Revisei todo o trabalho para que não houvesse falhas. temporal Quando sair, feche a porta. condicional Caso tenha alguma dúvida, é só me chamar. concessiva Ainda que tenha vindo, não resolveu o problema. comparativa Ele tem trabalhado como um obstinado (trabalha). conformativa Você deve preencher o documento conforme a secretária lhe orientou. proporcional À medida que o tempo passava, mais nervoso ele ficava. Obs.: Tanto as orações subordinadas adjetivas quanto as orações subordinadas adverbiais podem aparecer na forma reduzida. oração subordinada adjetiva explicativa locução adverbial oração subordinada adverbial 78 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br No que tange às orações adjetivas, basta eliminar o pronome relativo e empregar o verbo no particípio, no gerúndio ou no infinitivo. Observe os exemplos a seguir: Ex.: Encontrei os rapazes chegados da Dinamarca. (que chegaram da Dinamarca) Ex.: Naquela rua, há moradores de rua pedindo esmolas. (que pedem esmolas) Ex.: Meu vizinho tem um cachorro de meter medo. (que metem medo) Já para formar orações subordinadas adverbiais reduzidas, é preciso eliminar o conectivo e colocar o verbo no particípio, no gerúndio ou no infinitivo. Veja: Ex.: Terminada a festa, os convidados se retiraram. Ex.: Dizendo a verdade, você será perdoado. Ex.: Ao receber sua mensagem, lembrei-me do que deveria fazer. 1. Analise o período abaixo e responda ao que se pede. “Ela e outros cientistas da conferência riram da situação, mas ela ficou desconfortável com o acontecido.” Trata-se de um período composto: a) Por coordenação, com duas orações independentes, sendo a segunda oração classificada como sindética adversativa. b) Por subordinação, com duas orações dependentes entre si, sendo a primeira subordinada à segunda. c) Por coordenação, com duas orações independentes, sendo a segunda oração classificada como sindética aditiva. d) Por subordinação, com duas orações independentes entre si. e) Por coordenação, com duas orações independentes, sendo a segunda oração classificada como assindética. 2. Assinale a alternativa que corresponde à classificação CORRETA da oração em destaque no excerto a seguir: Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. oração subordinada adjetiva reduzida de particípio oração subordinada adjetiva reduzida de gerúndio oração subordinada adjetiva reduzida de infinitivo oração subordinada adverbial temporal reduzida de particípio oração subordinada adverbial condicional reduzida de gerúndio oração subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo HORA DE PRATICAR 79 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br a) Oração subordinada adverbial causal. b) Oração subordinada substantiva completiva nominal. c) Oração subordinada adverbial final. d) Oração subordinada substantiva apositiva. 1. A 2. C Capítulo 6 – Sintaxe de concordância Em uma frase, as palavras determinantes precisam se adaptar àquelas palavras das quais dependem. A esse princípio dá-se o nome de concordância. A concordância pode ser de dois tipos: concordância nominal e concordância verbal. 1. Concordância nominal No que diz respeito à regra geral, artigos, pronomes, adjetivos e numerais devem concordar em gênero e número com o substantivo que modificam. Ex.: Estas duas obras fantásticas estavam esquecidas na estante. No exemplo acima, como se pode observar, o pronome (estas), o numeral (duas) e o adjetivo (fantásticas) concordam em número e gênero com o substantivo (obras). 1.1 Casos especiais de concordância nominal Há casos especiais de concordância nominal e, normalmente, eles são os mais cobrados em provas de concursos. Por essa razão, é preciso estar atento (a) a eles. a) Substantivo composto – caso ambos os substantivos sejam do mesmo gênero e estejam no singular, o adjetivo pode ficar no plural (concordância gramatical) ou no singular (concordância atrativa). Ex.: Comprei vestido e casaco pretos. Ex.: Comprei vestido e casaco preto. (Obs.: Neste caso, os dois continuam sendo pretos.) b) Substantivo composto – caso os substantivos sejam de gêneros diferentes e estejam no singular, o adjetivo concordará com o mais próximo ou irá para o masculino plural. GABARITO 80 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Ela usava gorro e blusa amarelos. Ex.: Ela usava gorro e blusa amarela. (Obs.: Neste caso, os dois continuam sendo amarelos.) c) Substantivo composto – se o adjetivo estiver anteposto aos substantivos, ele deverá concordar sempre com o mais próximo. Ex.: Conheci estranhos rapazes e moças. Ex.: Conheci estranhas moças e rapazes. d) Substantivo composto (nomes de pessoas) – se o adjetivo estiver anteposto a nomes de pessoas, ele deverá ficar no plural. Ex.: Refiro-me aos ilustres Caetano Veloso e Chico Buarque. e) Substantivo composto – caso a frase seja iniciada por verbo de ligação, há duas possibilidades de concordância. Ex.: Eram raros a escultura e o quadro. Ex.: Era rara a escultura e o quadro. f) Expressões um e outro e nem um nem outro – quando essas expressões são usadas, o substantivo deve permanecer no singular, mas o adjetivo deve ir para o plural. Ex.: Abordamos um e outro assunto interessantes. Ex.: Nem um nem outro deputado reeleitos foram encontrados. g) Numerais ordinais – se todos os numerais estiverem precedidos de artigo, o substantivo pode ficar tanto no singular como no plural. Todavia, se apenas o primeiro numeral estiver precedido de artigo, o substantivo deve ficar no plural. Ex.: Elas perderam a primeira e a segunda aula. 81 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Elas perderam a primeira e a segunda aulas. Ex.: Elas perderam a primeira e segunda aulas. h) Mesmo, próprio,quite, leso, incluso, anexo, obrigado – essas palavras concordam com o termo a que se referem. Ex.: Ele mesmo fará o trabalho. Ex.: Ela mesma fará o trabalho. i) Bastante, caro, meio, barato, só – essas palavras só variam quando forem adjetivos. Ex.: Temos bastantes alunos. (bastante – adjetivo) Ex.: As alunas falam bastante. (bastante – advérbio) j) Sujeito sem determinante – se o sujeito não estiver determinado, o adjetivo permanece invariável. Ex.: Sopa é bom para a saúde. Ex.: A sopa é boa para a saúde. k) Pseudo, alerta, monstro e menos – essas palavras são invariáveis. Ex.: Vi uma barata monstro na cozinha. 2. Concordância verbal Consoante a regra geral, o verbo concorda em número e pessoa com o sujeito a que se refere. 2.1 Concordância com o sujeito simples a) Sujeito constituído de pronomes de tratamento: o verbo concorda com o pronome na terceira pessoa. b) Sujeito expresso com nomes próprios só usados no plural – se o nome próprio plural não estiver precedido de artigo, o verbo fica no singular. Por outro lado, se estiver precedido de artigo, o verbo vai para o plural. Ex.: Ivo e Liz fazem um belo casal. Eu sinto sarcasmo neste sorriso. Você está muito mudada, Tereza. Ex.: Vossa Excelência já assinou o tratado com os cidadãos? Vossas Senhorias se enganaram. Ex.: Minas possui montanhas e abismos. (Carlos Drummond de Andrade) As Minas Gerais me encantam a imaginação. 82 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br c) Sujeito coletivo – regra geral, em caso de sujeito coletivo, o verbo fica na terceira pessoa do singular. Todavia, se o substantivo coletivo estiver seguido de adjunto adnominal no plural, o verbo pode ir para o plural ou ficar no singular. d) Sujeito representado por expressões partitivas (a maioria de, a maior parte de, a metade de, uma porção de etc.) – nesse caso, o verbo pode concordar tanto com o núcleo dessas expressões como com o substantivo que as segue. e) Sujeito representado pela expressão mais de um – regra geral, o verbo fica no singular. Contudo, se a expressão mais de um vier repetida ou se estiver associada a um verbo que indique reciprocidade, é obrigatório o emprego do plural. f) Sujeito realçado pela palavra que – o verbo deve concordar com o antecedente dessa palavra. g) Sujeito representado pelo pronome quem – o verbo pode ficar na terceira pessoa do singular ou concordar com o antecedente desse pronome. h) Sujeito representado por porcentagem – o verbo pode concordar com o numeral ou com o substantivo a que se refere a porcentagem. Contudo, o plural será obrigatório se o numeral vier com determinantes no plural. 2.2 Concordância com o sujeito composto a) Se o sujeito composto estiver anteposto ao verbo, este irá para o plural. Ex.: Somos nós quem tomará a iniciativa. Somos nós quem tomaremos a iniciativa. Ex.: A boiada ruminava as pontas do capim. Um bando de pássaros voava / voavam em direção ao norte. Ex.: A maioria dos professores compareceu à cerimônia de posse do novo reitor. A maioria dos professores compareceram à cerimônia de posse do novo reitor. Ex.: Mais de um atleta recebeu cartão amarelo. Mais de um policial, mais de um bandido foram mortos. Mais de um torcedor se agrediram. Ex.: Sou eu que tomo as decisões aqui. Fomos nós que a levamos para casa. Ex.: 45% da turma apoiam a decisão do diretor. 45% da turma apoia a decisão do diretor. Os 45% da turma apoiam a decisão do diretor. Ex.: O técnico e os jogadores chegaram ontem. 83 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) Se o sujeito composto estiver posposto ao verbo, este pode concordar com o núcleo mais próximo ou ficar no plural. c) Sujeito composto formado por pessoas diferentes – o verbo fica no plural da pessoa predominante. 1ª pessoa, 2ª pessoa, 3ª pessoa → plural da 1ª pessoa (nós) 2ª pessoa, 3ª pessoa → plural da 2ª pessoa (vós) 3ª pessoa → plural da 3ª pessoa (eles) 2.3 Casos especiais de concordância verbal a) Sujeito ligado por ou – o verbo pode ficar no singular ou no plural, a depender do valor semântico do ou. Se o ou for de exclusão, o verbo fica no singular. Caso ele seja de alternância, o verbo vai para o plural. Por fim, se o ou for de retificação, o verbo concorda com o substantivo mais próximo. b) Sujeito ligado por com – o verbo concorda com o antecedente do com ou vai para o plural. Note que, em cada caso, a ideia é diferente. Ex.: O professor, com os alunos, resolveu o problema. Ex.: O professor com os alunos resolveram o problema. c) Sujeito ligado por nem... nem – se o fato expresso se ligar a todos os núcleos, o verbo deverá ir para o plural. Todavia, havendo exclusão de um dos elementos do sujeito, o verbo fica no singular. Ex.: Chegou ontem o técnico e os jogadores. Chegaram ontem o técnico e os jogadores. Ex.: Eu, você e os alunos iremos ao museu. Tu, ela e os peregrinos visitareis o santuário. Cátia, Veridiana e eles farão um jantar mexicano. Ex.: Carlos ou Celso casou com ela. (exclusão) Um sorriso ou uma lágrima o tirariam daquela incerteza. (alternância) O policial ou os policiais prenderam o perigoso assassino. (retificação) sujeito simples adjunto adverbial de companhia sujeito composto 84 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br d) Sujeito representado por um e outro ou nem um nem outro – o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural. e) Sujeito representado por um ou outro – o verbo fica no singular, dada a ideia de exclusão. f) Sujeito representado por infinitivos – caso não haja determinante, o verbo fica no singular. Se houver determinante, o verbo vai para o plural. Quando os infinitivos indicarem ações opostas, o verbo também irá para o plural. 3. Concordância ideológica Na concordância ideológica, também chamada de silepse, faz-se a concordância nominal ou verbal com a ideia contida na frase. Há três tipos de silepse: silepse de gênero, de número e de pessoa. a) Silepse de gênero – a concordância se faz com o gênero gramatical implícito. Ex.: Não via a hora de chegar à sua amada Belo Horizonte. Observe que o adjetivo amada concorda com o substantivo implícito cidade, uma vez que Belo Horizonte está no gênero masculino. b) Silepse de número – a concordância se faz com o número gramatical implícito. Ex.: A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade de Salvador. Nesse exemplo, o verbo está no plural porque concorda com a ideia contida no termo procissão. c) Silepse de pessoa – a concordância se faz com a pessoa gramatical implícito. Ex.: Os brasileiros somos hospitaleiros. Já nesse exemplo, o verbo ser está no plural, pois o emissor inclui-se entre os brasileiros. Ex.: Nem a riqueza nem o poder lhe trouxeram felicidade. Nem o Brasil nem o Paraguai será o vencedor da próxima Copa. Ex.: Um e outro decidiu / decidiram ficar. Nem um nem outro comentou / comentaram o assunto. Ex.: Um ou outro receberá a promoção. Ex.: Lutar e vencer constitui a minha meta. O lutar e o vencer constituem a minha meta. Rir e chorar são inevitáveis. 85 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. Indique a alternativa em que os verbos indicados estão flexionados adequadamente: 1) Naquele dia ___ vários alunos à aula de revisão. (faltar) 2) Amanhã ___ trinta anos que nos conhecemos. (fazer) 3) ___ dez pessoas para concluira obra. (bastar) 4) Os Estados Unidos ___ várias mercadorias. (exportar) a) faltaram - fazem – Bastam – exporta b) faltaram – faz – Bastam – exportam c) falta – faz – Bastam – exportam d) faltaram – fazem – Basta – exportam e) faltaram – faz – Basta – exportarão 2. Assinale a opção em que o texto foi transcrito com erro de concordância verbal: a) Um delegado mal-intencionado pode perseguir um cidadão ou uma empresa ou, da mesma forma, proteger um sonegador. Por isso, essas indicações sempre foram olimpicamente disputadas pelos partidos. b) A partir de 1994, a Receita Federal passou a nomear todos os delegados e superintendentes do órgão nos Estados, sem nenhuma interferência política. Esses cargos compõe o sistema nervoso da Receita. c) Há casos de funcionários, como inspetores alfandegários de aeroportos e portos, que há anos eram escolhidos por políticos. O resultado é que a fiscalização ganhou mais independência. d) As mudanças surtiram, de imediato, efeitos práticos. O primeiro é que o raio de ação dos fiscais cresceu consideravelmente. e) Os auditores passaram a visitar empresas e pessoas que antes se sentiam seguras graças às amizades que tinham em determinados postos. 1. B 2. B (compõem) Capítulo 7 – Sintaxe de regência A sintaxe de regência trata do estudo dos tipos de dependência existentes entre um verbo (regência verbal) ou nome (regência nominal) e seus complementos. Denominam-se termos regentes ou subordinantes aqueles que precisam de um complemento, e termos regidos ou subordinados aqueles que complementam o sentido dos termos regentes. 1. Regência verbal Regência verbal quer dizer uso, emprego dos verbos na língua portuguesa. Pensar ou refletir sobre esse assunto, portanto, nada mais é que observar o comportamento sintático de um determinado verbo na construção de orações em língua portuguesa. HORA DE PRATICAR GABARITO 86 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Nas relações que se estabelecem entre os verbos e seus complementos, percebe-se que estes podem vir ligados diretamente àqueles ou ligados a eles indiretamente, ou seja, por meio de uma preposição. Há verbos que admitem mais de uma regência. Geralmente, essa diversidade de regência corresponde a uma diversidade de significados do verbo. É muito importante conhecer a regência correta de um verbo, pois a mudança de regência pode alterar o sentido da frase. Observe os exemplos a seguir. Vamos conhecer, a partir de agora, os regimes verbais que mais oferecem dúvidas. Esses são, geralmente, os mais cobrados em concursos também. a) Agradar transitivo direto = acariciar transitivo indireto = ser agradável a b) Agradecer transitivo direto (usado para objetos) transitivo indireto (usado para pessoas) transitivo direto e indireto (usado para coisas e pessoas) c) Ansiar transitivo direto = angustiar, causar mal estar transitivo indireto = desejar ardentemente (não admite lhe(s) como complemento. Em seu lugar deve-se usar a ele, a ela, a eles, a elas.) d) Aspirar transitivo direto = sorver o ar transitivo indireto = almejar, pretender (não admite lhe(s) como complemento. Em seu lugar deve-se usar a ele, a ela, a eles, a elas.) Ex.: A menina sempre implica com seu irmão. (implicar com = perturbar) O acusado implicou seu vizinho no crime. (implicar em = envolver) Fazer mudanças implica assumir riscos. (implicar = resultar) Ex.: A menina agradava o gatinho. Suas canções agradaram ao público. Ex.: Ele agradeceu a ajuda recebida. Ele agradeceu aos amigos. Ele agradeceu aos amigos a ajuda recebida. Ex.: O espaço apertado do elevador ansiava a senhora. Anseio por sua volta. 87 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br e) Assistir transitivo direto ou indireto = prestar assistência, socorrer transitivo indireto = ver, presenciar (não admite lhe(s) como complemento. Em seu lugar deve- se usar a ele, a ela, a eles, a elas.) transitivo indireto = favorecer, pertencer (admite lhe(s) como complemento) intransitivo = morar, residir (acompanhado de adjunto adverbial de lugar introduzido pela preposição em) f) Custar transitivo indireto = ser custoso, ser difícil transitivo direto e indireto = acarretar intransitivo = ter o valor de (acompanhado de adjunto adverbial de preço) g) Esquecer / Lembrar Esses dois verbos admitem três construções: h) Informar transitivo direto e indireto (admite duas construções) i) Pagar / Perdoar transitivo direto (usado para objetos) transitivo indireto (usado para pessoas) transitivo direto e indireto (usado para coisas e pessoas) Ex.: Informaram o devedor das / sobre as formas de pagamento. Informaram as formas de pagamento ao devedor. Ex.: Constatou-se que a vítima aspirara o gás. É notório que a vítima só aspirava ao enriquecimento. Ex.: O médico assistia os acidentados. / O médico assistia aos acidentados. Nós assistimos ao jogo ontem. Assiste ao aluno o direito de reclamar? Assisto no Rio de Janeiro. Ex.: Custou-me entender a explicação. (Obs.: é errada a construção: Eu custei a entender a explicação.) A imprudência custou lágrimas ao rapaz. Esta bebida custa vinte reais. Ex.: Esqueci o documento em casa. / Lembrei a letra da música. Esqueci-me do documento em casa. / Lembrei-me da letra da música. Esqueceram-me os fatos. / Lembraram-me os fatos. 88 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br j) Preferir transitivo direto = dar primazia à, escolher transitivo direto e indireto = decidir entre uma coisa e outra Obs.: Na linguagem formal, é errado usar o verbo preferir reforçado por expressões ou palavras que indiquem intensidade (antes, mais, muito mais, mil vezes mais, menos etc. bem como a preposição de que ou do que). Ex.: Prefiro mil vezes dançar do que fazer ginástica. (frase totalmente incorreta) k) Proceder intransitivo = ter fundamento, portar-se, conduzir-se transitivo indireto = realizar, dar início l) Querer transitivo direto = desejar, pretender transitivo indireto = amar, estimar, ter afeto m) Suceder intransitivo = ocorrer, acontecer transitivo indireto = vir depois, acontecer algo com alguém Ex.: Paguei o boleto hoje. Perdoarei as suas dívidas. Pague ao credor imediatamente. A esposa perdoou ao marido. Vou pagar o aluguel ao dono do imóvel. A mãe perdoou os erros ao filho. Ex.: Prefiro filmes estrangeiros. Prefiro frio ao calor. Ex.: Aquelas teorias não procedem. O delegado procedeu ao interrogatório. Ex.: Quero sorvete. Ela queria muito a seus avós. Ex.: A doença sucedeu repentinamente. A noite sucedeu ao dia. 89 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br n) Visar transitivo direto = dirigir o olhar para, apontar arma de fogo contra, pôr o sinal de visto em transitivo indireto = ter em vista, pretender, objetivar 2. Regência nominal Regência nominal é a relação que se estabelece entre os substantivos, adjetivos e advérbios com seus complementos. Normalmente, essa relação entre o nome e o complemento é dada por uma preposição. Assim, é imprescindível conhecer as preposições para que a regência nominal seja feita e identificada de forma correta. Segue a regência de alguns nomes: substantivos adjetivos advérbios bacharel em resistente a favorável a amigo de alheio a contrariamente a resolução de alienado de relativamente a ódio contra / a curioso por analogamentea admiração a / por acostumado com / a semelhantemente a 1. A única frase que NÃO apresenta desvio em relação à regência (nominal e verbal) recomendada pela norma culta é: a) O governador insistia em afirmar que o assunto principal seria “as grandes questões nacionais”, com o que discordavam líderes pefelistas. b) Enquanto Cuba monopolizava as atenções de um clube, do qual nem sequer pediu para integrar, a situação dos outros países passou despercebida. c) Em busca da realização pessoal, profissionais escolhem a dedo aonde trabalhar, priorizando à empresas com atuação social. d) Uma família de sem-teto descobriu um sofá deixado por um morador não muito consciente com a limpeza da cidade. Ex.: O menino visou o alvo, mas não conseguiu acertá-lo. As novas medidas de segurança visam ao bem-estar de todos. Obs.: Verbos que apresentam regências diferentes não devem receber o mesmo complemento. Dessa forma, construções como a seguinte devem ser evitadas: Entrei e saí rapidinho de casa. O correto é: Entrei em casa e saí dela rapidinho. HORA DE PRATICAR 90 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br e) O roteiro do filme oferece uma versão de como conseguimos um dia preferir a estrada à casa, a paixão e o sonho à regra, a aventura à repetição. 1. E Alternativa a – A regência do verbo “discordar” requer o uso da preposição “de”; quem discorda, discorda de alguma coisa. Logo, a frase correta seria: O governador insistia em afirmar que o assunto principal seria “as grandes questões nacionais”, das quais discordavam líderes pefelistas. Alternativa b – A regência do verbo integrar requer o uso da preposição; quem se integra, se integra a algo (se adapta a algo como membro). Assim sendo, para estar correta de acordo com a norma culta, a frase deveria ser: Enquanto Cuba monopolizava as atenções de um clube, ao qual nem sequer pediu para integrar, a situação dos outros países passou despercebida. Alternativa c – A regência do verbo “priorizar” não requer preposição, logo o uso de “à” é incorreto; quem prioriza, prioriza alguma coisa (não se usa preposição). Outro erro da frase é o uso de “aonde”. O verbo “trabalhar” não indica movimento e, por isso, deveria ter sido usada a palavra “onde”. Assim sendo, veja a frase reescrita de acordo com a norma culta: Em busca da realização pessoal, profissionais escolhem a dedo onde trabalhar, priorizando empresas com atuação social. Alternativa d – “Consciente” é um nome que exerce função de adjetivo. Sua regência requer a preposição “de”; quem é consciente, é consciente de algo. Para estar em conformidade com a norma culta, a frase deveria ser escrita da seguinte forma: "Uma família de sem-teto descobriu um sofá deixado por um morador não muito consciente da limpeza da cidade." Capítulo 8 – Colocação pronominal É a parte da gramática que cuida da correta colocação dos pronomes oblíquos na frase. Esses pronomes podem ocupar três posições, a saber: a) antes do verbo – próclise (pronome proclítico) Ex.: Isso me lembra algo. b) no meio do verbo – mesóclise (pronome mesoclítico) Ex.: Orgulhar-me-ei dos meus alunos. c) após o verbo – ênclise (pronome enclítico) Ex.: Fiz-lhe a pessoa mais feliz do mundo. 1. Próclise É obrigatório o uso da próclise nos casos seguintes: GABARITO 91 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br a) orações negativas (presença de um advérbio de negação ou de um sujeito cujo núcleo é um pronome indefinido negativo) b) pronomes indefinidos ou demonstrativos. c) orações subordinadas (iniciadas por conjunção subordinativa, pronome relativo, pronome interrogativo ou advérbio interrogativo) d) verbos antecedidos por advérbios ou adjuntos adverbiais e) Verbo no gerúndio precedido da preposição em f) Orações exclamativas (iniciadas por pronomes ou advérbios exclamativos) e orações que exprimam desejo (com sujeito anteposto ao verbo) g) Orações interrogativas (iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos) h) verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição 2. Mesóclise A mesóclise deve ocorrer com verbos no futuro do presente e no futuro do pretérito, salvo se houver algum fator de próclise. Ex.: Em se tratando de esporte, prefere o futebol. Ex.: Tudo me levava a crer que o pior havia acontecido. Aquilo lhe agradava profundamente. Ex.: Ele ainda não sabe quando lhe dará um aumento. A maneira como a comunicaram da dívida foi desrespeitosa. Ex.: Certamente nos disseram a verdade. Ex.: Ninguém o havia informado da festa. Ex.: Quanto me custa dizer adeus! Deus te abençoe! Ex.: Como você a conhece? Ex.: Sua permanência aqui é para nos ajudar. 92 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Obs. 1: Caso o verbo no futuro venha precedido de pronome reto, ocorrerá a próclise. Obs. 2: Caso o sujeito anteposto ao verbo no futuro não seja pronome reto, ocorrerá facultativamente a próclise ou a mesóclise. 3. Ênclise A ênclise sempre ocorrerá, desde que não haja fatores para a próclise ou para a mesóclise. Todavia, ela será obrigatória em alguns casos: a) verbo no início do período b) verbo no imperativo c) verbo no gerúndio (desde que não seja antecedido pela preposição em) d) verbo no infinitivo impessoal regido da preposição a e) orações interrogativas (iniciadas por palavras interrogativas com verbo no infinitivo impessoal) 4. Colocação dos pronomes oblíquos átonos nas locuções verbais Primeiramente, é importante destacar que, em uma locução verbal, o verbo principal pode estar no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Assim, tendo em vista que a colocação pronominal se faz presente também nas locuções verbais, precisamos entender como essa colocação acontece. a) Caso a locução verbal não venha precedida de um fator de próclise, o pronome oblíquo átono pode ficar depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. Ex.: Como era muito competente, pagar-lhe-iam muito bem. Dir-vos-ei amanhã o que sucederá. Ex.: Tu me farias um favor? Ex.: O presidente contar-me-á o ocorrido amanhã. O presidente me contará o ocorrido amanhã. Ex.: Meus caros, digam-me a verdade. Ex.: Lembro-me daqueles dias. Ex.: Puseram a criança de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. Ex.: Uma palavra de ternura bastava a comovê-lo. Ex.: Como convencer-te da verdade? 93 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) Caso haja fator de próclise, o pronome deve ficar antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal. c) Caso o verbo principal esteja no particípio e não haja fator de próclise, o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. d) Se houver fator de próclise, o pronome deve ficar antes do verbo auxiliar. 1. Indique a alternativa em que há erro de colocação pronominal. a) Ninguém viu-o sair para o trabalho. b) Alguém o viu sair esta manhã. c) Não o vejo desde ontem. d) Foram eles que o viram. e) Certamente o viram sair esta manhã. 2. Corrija as orações em que há erro de colocação pronominal. a) Lhe cantei lindas canções ao ouvido. b) Aquilo diz-te algo? c) Atrever-me-ia a dizer que a carta foi escrita por ele. d) Assim como nos disse, cumpriu com a sua palavra. e) Quisera nos trouxessem boas notícias. 1. A 2. Há erro de colocação pronominal nas alternativas a) e b). a) Cantei-lhes lindas canções ao ouvido. O pronome é colocado depois do verbo (ênclise) quando as orações são iniciadas por verbos. Ex.: Devo-lhe ajudar no que for preciso. Devo ajudar-lhe no que for preciso. Estava-lhedizendo o que fazer. Estava dizendo-lhe o que fazer. Ex.: Não lhe devo ajudar com os seus exercícios. Não devo lhe ajudar com os seus exercícios. Não lhe estava dizendo o que fazer. Não estava lhe dizendo o que fazer. Ex.: Havia-lhe dito o que fazer. Ex.: Não lhe havia dito o que fazer. HORA DE PRATICAR HORA DE PRATICAR 94 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) Aquilo te diz algo? O pronome deve vir antes do verbo (próclise) quando a oração contém pronome demonstrativo, tal como “aquilo”. As orações em c), d) e e) estão corretas, porque: c) Atrever-me-ia a dizer que a carta foi escrita por ele. A mesóclise (pronome no meio do verbo) é usada com verbos no futuro do pretérito, tal como “atreveria”. d) Assim como nos disse, cumpriu com a sua palavra. A próclise (pronome antes do verbo) é usada nas orações que contém conjunções subordinativas, tal como “assim como”. e) Quisera nos trouxessem boas notícias. Deve ocorrer a próclise sempre que a oração contiver palavras que expressem desejo, como a palavra “quisera”. Capítulo 9 – Crase Crase é o nome que recebe o fenômeno em que ocorre a fusão entre dois sons vocálicos idênticos (a + a). Emprega-se o acento grave, indicativo de crase, nos seguintes casos: a) quando há a fusão entre a preposição a e o artigo definido a; Ex.: Quero bem à colega. b) quando há a fusão entre a preposição a e o a inicial dos pronomes relativos aquele, aquela e aquilo. Ex.: Dirigiu-se àquela praça. Ex.: Referiu-se àquele assunto. Ex.: Dedicou-se àquilo. c) quando há a fusão entre a preposição a e o pronome demonstrativo a ou as. Ex.: Chamou as sobrinhas e entregou os documentos à mais velha. Quero bem a a colega. Dirigiu-se a aquela praça. Referiu-se a aquele assunto. Dedicou-se a aquilo. ...entregou os documentos a a mais velha. 95 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Nos exemplos anteriores, pode-se observar que o termo regente pede a preposição a e o termo regido não repele o artigo definido feminino, por essa razão ocorre o fenômeno da crase. Vale ressaltar que o termo regente pode ser um verbo, um substantivo, um adjetivo ou até mesmo um advérbio: 1. Sempre haverá crase: a) diante de palavras femininas que não repelem artigo. Ex.: Não iremos à festa. / Eram insensíveis à dor alheia. Em caso de dúvida, basta substituir a palavra feminina por uma palavra masculina que pertença à mesma classe gramatical. Caso ocorra a combinação ao (preposição a + artigo definido o), haverá crase diante da palavra feminina. Ex.: Não iremos à festa. (Não iremos ao encontro.) / Eram insensíveis à dor alheia. (Eram insensíveis ao problema alheio.) Obs.: Ocorrerá crase mesmo que a palavra feminina esteja oculta. Ex.: Ouviu-se o hino à uma. (= a uma voz) b) diante das expressões à moda de, à maneira de. Ex.: Fez uma série de gols à (moda de / maneira de) Neymar. / Usavam sapatos à (moda de / maneira de) Luís XV. Obs.: As expressões à moda de, à maneira de podem ser suprimidas. c) na indicação de horas. Ex.: Chegaram às duas horas. / Começarão o trabalho à uma hora. d) diante de nomes de lugar que admitirem o artigo Ex.: Vou à Argentina. / Ele foi diversas vezes à Alemanha. Verbo Referia-me à aula de ontem. Substantivo A volta às aulas é sempre motivo de alegria para os alunos. Adjetivo Era dedicada à mãe. Advérbio O diretor pronunciou-se favoravelmente à proposta. Obs.: os termos antecedidos pelo fenômeno da crase podem exercer a função sintática de complementos (objeto direto, objeto indireto, complemento nominal) ou de adjuntos adverbiais. 96 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Para saber se o nome de lugar admite artigo, é possível lançar mão da seguinte estratégia: Vou a, volto da crase há Vou a, volto de crase para quê? Assim: Vou à China. Volto da China. Vou a Brasília. Volto de Brasília. e) diante de locuções adverbiais femininas A crase é obrigatória diante de locuções adverbiais compostas por palavras femininas. Considere os exemplos: Quando chegar ao final da rua, vire à direita. Às vezes é preciso recomeçar do zero. À medida que o tempo passava, mais nervoso ele ficava. O barco ficou à deriva por muitas horas. 2. Não ocorrerá crase: a) diante de substantivos masculinos Não ocorre crase diante de substantivos masculinos em virtude de não ser possível o uso do artigo definido feminino (a, as) antes dessas palavras. Ex.: Isto cheira a vinagre. b) diante de verbos Ex.: Estamos dispostos a trabalhar para o bem da comunidade. c) diante de pronomes que rejeitam o artigo (maioria dos indefinidos e relativos e boa parte dos demonstrativos) Obs.: se o nome de lugar não admitir artigo, a crase não ocorrerá. Ex.: Cheguei a Salvador hoje mesmo. Contudo, caso o nome de lugar venha acompanhado de um determinante, isso dará ensejo à crase. Ex.: Cheguei à Salvador dos meus sonhos (dos meus antepassados) hoje mesmo. Preposição somente Preposição somente 97 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Ex.: Escrevi a todas as (a algumas, a muitas, a várias) empresárias. Não ligo a essas (a tais) questões. Diariamente chegam turistas a esta localidade. d) diante de numerais cardinais que se refiram a substantivos não determinados pelo artigo, usados em sentido genérico Ex.: Ela assistirá a duas sessões (ou a uma só sessão). A chácara fica a quatro léguas da cidade. Daqui a três semanas muita coisa terá acontecido. O número de candidatas aprovadas não chega a dez. e) quando a preposição estiver diante de palavras femininas no plural Ex. Vou a festas todos os fins de semana. f) entre palavras repetidas 3. Usos facultativos da crase A crase será facultativa em todos os casos nos quais o artigo definido também o for. a) diante de nomes próprios femininos cara a cara frente a frente dia a dia boca a boca semana a semana mês a mês Obs.: há pronomes que admitem o artigo. Nesses casos, ocorrerá a crase. Ex.: Não fale nada às outras funcionárias. Eles assistiam sempre às mesmas cenas. Diga à tal pessoa que não venha mais aqui. Estou pronta para todas as perguntas, às quais responderei sem hesitar. Quanto aos pronomes de tratamento, somente ocorrerá crase diante dos pronomes: dona, senhora, senhorita e madame. Ex.: Fale à senhora o que lhe aflige. Obs.: pode ocorrer crase diante de palavras femininas no plural, se o artigo definido também estiver no plural Ex.: Vou às festas todos os fins de semana. 98 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br O artigo definido não é obrigatório diante de nomes próprios femininos. Assim, estão corretas as seguintes frases: Obedeça à Tereza. / Obedeça a Tereza. b) após a preposição até A crase também é facultativa após a preposição até quando esta estiver antecedendo palavras femininas. Vamos até a praia? / Vamos até à praia? c) diante de pronome possessivo feminino Após pronome possessivo feminino (minha (s), tua (s), sua (s), nossa (s) etc.) o uso da crase também é facultativo. Isso porque o uso do artigo definido antes desses pronomes também é facultativo (assim como acontece com os nomes próprios). Ex.: Referiu-se à minha conquista. / Referiu-se a minha conquista. 4. Casos especiais a) antes da palavra distância Antes da palavra distância, só irá ocorrer a crase se a distância estiver evidenciada. Observe os seguintes exemplos: Ex.: Ensinoa distância O escritório fica à distância de 200 metros. b) antes da palavra terra Quando a palavra terra tiver o sentido de chão firme, em oposição a bordo, não haverá crase. Ex.: Eles foram a terra logo cedo. Todavia, caso a palavra terra apareça acompanhada de um determinante, haverá crase. Ex.: Eles foram à terra de seus antepassados / de seus avós / de seus sonhos / procurada. Se a palavra terra tiver o sentido de planeta, a crase também ocorrerá. Neste caso, a palavra deverá ser grafada com letra maiúscula. Ex.: Os astronautas retornaram à Terra em segurança. c) antes da palavra casa Regra geral, não ocorre crase diante da palavra casa. Ex.: Cheguei a casa cedo ontem. 99 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Contudo, se a palavra casa vier acompanhada de um determinante (assim como acontece com a palavra terra), a crase ocorrerá. Ex.: Cheguei cedo à casa de meus pais. 1. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto ao lado: "Recorreu ___ irmã e ___ ela se apegou como ___ uma tábua de salvação." a) à - à – a b) à - a – à c) a - a – a d) à - à – à e) à - a – a 2. Sentou-se ___ máquina e pôs-se ___ reescrever uma ___ uma as páginas do relatório. a) à - à - a b) a - à - à c) à - à - à d) à - a – a 3. Assinale a frase em que à ou às está mal-empregado. a) Amores à vista. b) Referi-me às sem-razões do amor. c) Desobedeci às limitações sentimentais. d) Estava meu coração à mercê das paixões. e) Submeteram o amor à provações difíceis. 1. E 2. D 3. E Capítulo 10 – Pontuação A pontuação reproduz a intencionalidade da fala; sem pontuação, um texto escrito pode ser incompreensível para o leitor. Ela também marca diferentes tipos de frases (interrogativas, exclamativas, afirmativas), organizando o texto e garantindo, dessa forma, sua coerência e coesão. Por ter sido organizada de forma artificial, isto é, por ser uma convenção entre os falantes, a pontuação apresenta regras específicas. É sobre elas que falaremos neste capítulo. HORA DE PRATICAR GABARITO 100 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. Ponto final É o sinal que indica maior pausa. Ele é usado: a) para marcar o término de oração absoluta ou de período. b) nas abreviaturas 2. Ponto e vírgula O ponto e vírgula marca uma pausa maior que a vírgula, porém menor que a do ponto final, sem, contudo, encerrar o período. Ele é usado: a) para separar orações de um período extenso que já apresente vírgula em seu interior. b) para separar vários incisos de um artigo de lei ou itens de uma lista. 3. Dois pontos Os dois pontos marcam uma sensível suspensão da melodia da frase. São usados: a) quando se quer dar início à fala ou citação de outrem. b) antes de uma enumeração Ex.: Quero me esquecer do que aconteceu. O senhor está errado. Não devia ter feito o que fez. Ex.: av. (avenida) sr. (senhor) Ex.: Eu defendo o devedor principal; meu amigo, o fiador. Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Ex.: Segundo Rui Barbosa: “A Política afina o espírito”. Ex.: “Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz.” (Pe. Antônio Vieira) 101 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br c) quando se vai iniciar uma sequência que explica, identifica, discrimina ou desenvolve uma ideia anterior 4. Travessão O travessão pode ser usado: a) para indicar a fala de personagens no discurso direto b) evidenciar palavra, expressão ou frase bem como separar orações intercaladas, fazendo as vezes de vírgula ou parênteses. 5. Reticências As reticências marcam uma interrupção da sequência lógica do enunciado, com a consequente suspensão da melodia da frase. São usadas: a) para indicar dúvida, hesitação b) supressão de trechos de texto com fonte. Nesse caso, as reticências devem vir entre parênteses. 6. Aspas As aspas são usadas para: a) indicar uma citação b) destacar palavras e expressões que não pertençam à língua culta (gírias, estrangeirismos, neologismos etc.). Ex.: Foram escritos três artigos: um sobre Direito Previdenciário e dois sobre Legislação Trabalhista. Ex.: – Como se chama? – Helena. Ex.: “Os Estados Unidos e a China – os maiores poluidores do planeta – não são signatários dos principais tratados de preservação ambiental.” Ex.: Escute-a ... Deixe-a falar... Ex.: “(...) e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, (...)” Ex.: “Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo.” 102 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 7. Parênteses Os parênteses são usados para: a) isolar explicações, indicações ou comentários acessórios. b) encerrar o nome do autor e as informações referentes à fonte no caso de citações e referências bibliográficas. 8. Vírgula A vírgula marca uma pausa de curta duração. Ela não deve ser usada para separar ideias ou palavras que estão interligadas sintática e semanticamente numa sequência lógica, sem interrupções. A vírgula é usada: a) para separar ou intercalar o vocativo e o aposto. b) separar um adjunto adverbial (antecipado ou intercalado). Obs.: Se o adjunto adverbial for um simples advérbio, a vírgula é facultativa. Ela só obrigatória quando o adjunto adverbial é longo (apresenta três ou mais palavras). c) isolar algumas conjunções intercaladas Ex.: O advogado ficou “grilado” com o depoimento da testemunha. Ex.: Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. Ex.: “Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro.” (Fernando Sabino, O homem nu.) Ex.: Não quero que você continue alheio ao que se passa a sua volta. Percebemos que as pessoas são encantadoras quando acreditamos nelas. Ex.: Pietra, você acompanhou o seu irmão? Duarte Nogueira, Líder do PSDB na Câmara Federal, usou um assessor parlamentar como motorista de seus filhos em Ribeirão Preto (SP). Ex.: Em nosso país, as normas costumeiras figuram como fonte supletiva da lei. Ex.: Era domingo; não havia nada, pois, que pudéssemos fazer. Um dia, porém, voltarei a minha terra. Ex.: O estudo sempre traz bons resultados. 103 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br d) antes do e quando os sujeitos das orações que compõem o período forem diferentes. e) antes do e quando este for uma conjunção adversativa. f) em caso de elipse de um verbo por estar subentendido na frase. g) para separar elementos que apresentam a mesma função sintática. h) para separar orações coordenadas assindéticas. i) para separar orações coordenadas sindéticas adversativas, alternativas e conclusivas. j) separar orações adverbiais explicativas. k) separar orações adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas). l) para isolar expressões explicativas, corretivas ou continuativas (isto é, ou seja, ou melhor,a saber, aliás, é claro, por exemplo, digo, além disso etc. m) isolar um complemento pleonástico antecipado ao verbo. Ex.: Os tenistas brasileiros vencem algumas partidas de tênis, e o Brasil tenta recuperar prestígio na copa Davis. Ex.: Lutou, lutou, e nada conseguiu. Ex.: Os políticos frequentam o Congresso Nacional, e os pesquisadores, os centros de pesquisa. Ex.: Eliana não entregou as certidões, o CPF, o RG e o formulário. Ex.: O juiz ouviu as testemunhas, analisou os argumentos da defesa, ponderou sobre as provas apresentadas e decidiu condenar o acusado. Ex.: Márcia correu muito, porém não chegou a tempo. Ora ria dos problemas, ora chorava. Decepcionou os amigos, portanto sabe que não receberá mais ajuda. Ex.: Temos certeza de que ventou muito, porque as árvores estão quebradas. Ex.: Apesar de ter chegado a tempo, não conseguiu assistir ao jogo. Ao regressar a casa, não encontrei ninguém. Ex.: Trabalharemos em prol dos oprimidos. Isso, é claro, se nos permitirem reformular todos os conceitos de opressão. 104 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br n) isolar nomes próprios de lugar seguidos de data. 1. Tendo em vista que o uso da vírgula também se relaciona a fatores de ordem sintática, corroborando assim para uma perfeita estruturação do pensamento, justifique o emprego do referido sinal mediante os enunciados subsequentes: a) Parabéns, querido! b) Naquela tarde, todos haviam saído. c) O Rio de Janeiro, que é considerada a cidade maravilhosa, irá sediar um dos grandes eventos esportivos. d)Viajarei nestas férias, isto é, se houver possibilidade. e) Hoje o clima está ameno, pois choveu durante a noite. 2. Coloque vírgulas nos lugares corretos. a) É necessário ir ao supermercado ao açougue à farmácia e à padaria. b) A Camila a Letícia e a Luísa foram as responsáveis pelo despedimento da Ana Paula da Lúcia e da Alice. c) A verdade minha querida amiga é que já não sou a mesma pessoa. d) Lavar passar limpar aspirar e cozinhar são atividades que nunca acabam. e) Bom dia André! f) Todos esperavam por um milagre embora soubessem ser impossível. 3. Assinale as hipóteses que indicam funções corretas da vírgula. a) Separar elementos coordenados em enumerações com a mesma função sintática. b) Isolar o aposto e outros elementos explicativos. c) Separar os advérbios sim e não em respostas. d) Separar o sujeito do predicado e o objeto direto do objeto indireto. e) Isolar orações subordinadas adjetivas explicativas. 1. O emprego da vírgula manifesta-se de forma adequada, tendo em vista que se trata de: a – Um aposto; b – Adjunto adverbial de tempo; c – Oração subordinada adjetiva explicativa; Ex.: Os casos mais importantes, já os apresentei. Ex.: Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2021. HORA DE PRATICAR GABARITO 105 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br d - Uma expressão corretiva “isto é”; e – Oração coordenada explicativa. 2. a) É necessário ir ao supermercado, ao açougue, à farmácia e à padaria. b) A Camila, a Letícia e a Luísa foram as responsáveis pelo despedimento da Ana Paula, da Lúcia e da Alice. c) A verdade, minha querida amiga, é que já não sou a mesma pessoa. d) Lavar, passar, limpar, aspirar e cozinhar são atividades que nunca acabam. e) Bom dia, André! f) Todos esperavam por um milagre, embora soubessem ser impossível. 3. a) Separar elementos coordenados em enumerações com a mesma função sintática. b) Isolar o aposto e outros elementos explicativos. c) Separar os advérbios sim e não em respostas. e) Isolar orações subordinadas adjetivas explicativas. Capítulo 11 – Acordo ortográfico: ortografia e acentuação gráfica vigentes Uma comunicação escrita eficaz muito se deve à ortografia. Com efeito, o conhecimento das regras que regem a ortografia de nossa língua implica maior probabilidade de proficiência na modalidade escrita e maior acerto nas questões de concursos. 1. Ortografia É a parte da gramática que versa sobre a escrita correta das palavras. Há palavras que podem ser identificadas por meio de uma regra, mas não podemos nos esquecer de que há aquelas que constituem exceções e outras para as quais simplesmente não há explicação ou a explicação está na origem da língua. Dessa forma, as melhores estratégias para internalizar a forma como determinadas palavras são escritas ainda são a leitura e a resolução de questões. Nesta seção, apresentaremos algumas regras que podem ser úteis. 1.1 Emprega-se a letra X: a) depois de ditongos: Exceções: guache, caucho (e derivadas: recauchutar, recauchutagem) b) depois da inicial en: caixa – baixa – faixa – peixe - trouxa enxerto – enxada – enxotar – enxergar 106 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Exceções: c) depois da inicial me: Exceções: mecha, mechar, mechoação 1.2 Empregam-se as letras C e Ç: a) depois de ditongos b) em formas correlatas de palavras terminadas em –to ou –ter c) nos sufixos –ação, -aço (a) e –iço aspiração ricaço barcaça sumiço pontuação balaço barbaça carniça 1.3 Emprega-se o SS: a) nos substantivos relacionados a verbos com o radical –ced- aceder acesso ceder cessão b) nos substantivos relacionados a verbos com o radical –met- submeter submissão intrometer intromissão c) nos substantivos relacionados a verbos com o radical –tir- permitir permissão discutir discussão cheio encher, enchimento chiqueiro enchiqueirar chumaço enchumaçar charco encharcar ereto ereção correto correção deter detenção México – mexerico – mexerica – mexilhão eleição – traição – coice – ouço 107 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br d) nos substantivos relacionados a verbos com o radical –prim- reprimir repressão comprimir compressão e) nos substantivos relacionados a verbos com o radical –gred- agredir agressão regredir regressão 1.4 Emprega-se a letra S: a) no sufixo –ês (origem, procedência) b) nos sufixos –esa e –isa (feminino) c) nos sufixos –oso e –osa (adjetivos) d) depois de ditongos 1.4 Emprega-se a letra Z: a) nos verbos formados pelo sufixo –izar Obs.: Todavia, usa-se S, e não Z, quando se acrescenta o sufixo –ar a palavras que já tenham S no radical. atual + izar atualizar civil + izar civilizar fiscal + izar fiscalizar friso + ar frisar análise + ar analisar pesquisa + ar pesquisar japonês, chinês, calabrês, montês marquesa, profetisa, duquesa, diaconisa gostoso, amorosa, apetitoso, pomposa lousa, deusa, coisa, náusea 108 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) nos substantivos abstratos derivados de adjetivos c) nos sufixos formadores de aumentativo e diminutivo Obs.: Todavia, usa-se S, e não Z, na derivação, se a palavra primitiva contiver S. 1.5 Emprega-se a letra G: a) nos substantivos terminados em –agem, -igem e –ugem b) nos substantivos terminados em –ágio, -égio, ígio e –úgio 1.6 Emprega-se a letra J: a) Nas conjugações de verbos terminados em –jar ou –jear b) Nas palavras de origem africana, indígena ou árabe c) Nas palavras que se originam de outras que já são grafadas com J rígido rigidez gentil gentileza viúvo viuvez corpo corpanzil cão canzarrão flor florzinha mesa mesinha casa casinha rosa rosinha barragem – vertigem – penugem – fuligem – ferrugem pedágio – colégio – prestígio – relógio – refúgio arranjar (arranjo, arranjas, arranjarei etc.) - despejar (despejo, despejaria, despejava etc.) jiboia – jiló – pajé – canjica – acarajéarranjar (arranjo) - cerejeira (cereja) - lojista (loja), trejeito (jeito) - varejista (varejo) 109 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1.7 Formas variantes Há palavras que apresentam dupla grafia. Eis algumas delas: abdômen ou abdome degelar ou desgelar afeminado ou efeminado dependurar ou pendurar aluguel ou aluguer estralar ou estalar assobiar ou assoviar hidrelétrico ou hidroelétrico assoprar ou soprar imundície ou imundícia bêbado ou bêbedo infarto ou enfarte cãibra ou câimbra loiro ou louro catorze ou quatorze maquiagem ou maquilagem chipanzé ou chimpanzé nenê ou neném cumular ou acumular percentagem ou porcentagem 1.8 Uso do hífen Emprega-se o hífen nos seguintes casos: a) nas palavras compostas, que não contêm elementos de ligação, quando o 1º termo está representado por forma substantiva, adjetiva, numeral ou verbal. Obs.: As palavras que perderam a noção de composição são grafadas sem hífen: passatempo, rodapé, paraquedas, mandachuva etc. b) em todas as palavras que indicam espécies de plantas ou animais. c) quando o prefixo ou falso prefixo termina pela mesma vogal com que se inicia o segundo elemento da palavra. d) nas expressões consagradas pelo uso. e) nas palavras formadas com os prefixos inter-, hiper- e super- quando a esses prefixos seguirem-se palavras iniciadas por h ou r. f) nas palavras formadas com os prefixos pré-, pró- e pós-, desde que estes sejam seguidos de palavras de vida autônoma na língua. guarda-civil – conta-gotas – segunda-feira – azul-escuro couve-flor – pimenta-do-reino – erva-cidreira – beija-flor anti-inflamatório – micro-ondas – micro-ônibus água-de-colônia – arco-da-velha – cor-de-rosa inter-helênico – hiper-humano – super-racional pré-escolar – pró-educação – pós-graduação 110 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br g) nas palavras formadas com os advérbios bem e mal quando a esses elementos seguirem-se palavras iniciadas por vogal ou h. 1.9 Uso dos porquês POR QUE a) Usa-se por que (separado) quando a frase encerrar uma pergunta direta ou indireta. Se o porquê estiver no final da frase, ele recebe acento circunflexo. b) Usa-se por que (separado) quando a expressão puder ser substituída pela expressão pelo qual e suas flexões. PORQUE a) Porque (junto) é usado para introduzir uma explicação. b) Porque (junto) é usado para introduzir uma causa. PORQUÊ a) O porquê (junto e com acento) é usado como substantivo; é sinônimo de motivo, razão. Obs.: É o único caso que pode ir para o plural. bem-amado – bem-estar – mal-humorado – mal-alinhado Por que você não veio à aula ontem? Você não veio à aula ontem. Por quê? Não sei por que você fez isso. Não me esqueci do vexame por que passei. A estrada por que andei não tinha fim. Não reclames, porque é pior. Faltou ao trabalho porque estava doente. Não sei o porquê disso tudo. (Não sei a razão disso tudo.) Não entendo os porquês da vida. 111 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. Na frase, “...olha para a xícara fumegante...”, vê-se que a grafia correta da palavra destacada é com a letra x. Em que item a seguir há uma grafia errada? a) enxame / mexer b) chuchu / chávena c) vexame / colcha d) xale / chalé e) engraxate / fachina 2. Assinale a alternativa cujos vocábulos estão grafados corretamente e completam, respectivamente, as lacunas do texto a seguir: A política de _____ de gastos fez com que os trabalhos de _____ _____ em muitas universidades. a) contenção – pesquiza – paralizassem b) contensão – pesquiza – paralisassem c) contensão – pesquisa – paralizassem d) contenção – pesquisa – paralisassem e) contensão – pesquiza – paralizassem 3. Complete com as formas por que, por quê, porque ou porquê: a) Você não saiu, __________? b) __________ ela perdeu, fiquei triste. c) A estrada __________ andei não tinha fim. d) Não entendi o __________ de tanto medo. e) Não sei __________ fui mal na prova. f) Cheguei atrasado __________ o carro quebrou. g) Você vai embora? __________ ? h) __________ devo fazer o trabalho sozinho? i) Diga-me os __________ de sua revolta. j) Ninguém sabe ___________ ele faltou. 1. E 2. D 3. a) Você não saiu, por quê? b) Porque ela perdeu, fiquei triste. c) A estrada por que andei não tinha fim. d) Não entendi o porquê de tanto medo. e) Não sei por que fui mal na prova. f) Cheguei atrasado porque o carro quebrou. g) Você vai embora? Por quê? h) Por que devo fazer o trabalho sozinho? i) Diga-me os porquês de sua revolta. j) Ninguém sabe por que ele faltou. HORA DE PRATICAR GABARITO 112 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 2. Acentuação gráfica A maior parte das palavras, em língua portuguesa, é acentuada, isto é, apresenta uma sílaba tônica. A sílaba tônica é aquela que recebe a mais alta intensidade na pronúncia. Todavia, apenas algumas palavras recebem o chamado acento gráfico (acento agudo, acento circunflexo, crase), o que ocorre de acordo com algumas regras que levam em consideração aspectos, como a tonicidade da palavra, sua terminação e a reforma ortográfica de 2009. Assim, conclui-se que: Antes de estudarmos as regras de acentuação gráfica, é muito importante conhecermos a classificação das palavras da língua portuguesa quanto ao número de sílabas e à sua tonicidade. 2.1 Classificação das palavras quanto ao número de sílabas A sílaba pode ser definida como um grupo de fonemas expresso numa só emissão de voz. Há duas informações muito importantes sobre a sílaba: I. não há sílaba sem vogal; II. em cada sílaba há somente uma vogal. Portanto, pode-se afirmar que a base de uma sílaba é a vogal. No que diz respeito ao número de sílabas, as palavras podem ser classificadas em: MONOSSÍLABAS apresentam apenas uma vogal e uma sílaba. Ex.: pé, só, mel, pá DISSÍLABAS apresentam duas vogais e duas sílabas. Ex.: casa, caju, filé TRISSÍLABAS apresentam três vogais e três sílabas. Ex.: cadeira, boneca, história POLISSÍLABAS apresentam quatro ou mais vogais e sílabas. Ex.: apartamento, brasileiro 2.2 Classificação das palavras quanto à tonicidade As sílabas podem ser tônicas (pronunciadas com mais intensidade) ou átonas (pronunciadas com menos intensidade). Há apenas uma sílaba tônica por palavra e esta pode ser encontrada em três posições diferentes: no último, no penúltimo ou no antepenúltimo grupo de fonemas da palavra. Dependendo de onde estiver a sílaba tônica, as palavras serão classificadas como: Fonema: menor unidade sonora de uma língua Acento prosódico (tônico) Acento gráfico 113 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br OXÍTONAS a sílaba tônica é a última Ex.: café, mulher PAROXÍTONAS a sílaba tônica é a penúltima Ex.: repúdio, paquera PROPAROXÍTONAS a sílaba tônica é a antepenúltima Ex.: crepúsculo, ônibus Há palavras que, quando não acentuadas graficamente, mudam de sentido e podem até mesmo mudar de classe gramatical. Muitas questões de provas são elaboradas com base nessas palavras a fim de verificar se o candidato está atento à importância da acentuação gráfica para a clareza de um texto. Observe a tabela a seguir: fabrica (verbo) fábrica (substantivo) sabia (verbo) sabiá (substantivo) fluido (substantivo e adjetivo) fluído (verbo) secretaria (substantivo) secretária (substantivo) numero (verbo) número (substantivo) publico (verbo) público (substantivo ou adjetivo) medico (verbo) médico (substantivo) contribui (verbo) contribuí (verbo) magoa (verbo) mágoa (substantivo) doido (adjetivo ou substantivo) doído (verbo) Dessa forma, é evidentea importância de estudarmos a fundo as regras de acentuação gráfica. É o que faremos a partir de agora. 2.3 Regras de acentuação gráfica A acentuação gráfica diz respeito à adequada colocação de acentos gráficos nas palavras. Isso pode parecer óbvio à primeira vista, mas existe uma diferença entre acentos gráficos e sinais gráficos. Ambos são sinais diacríticos ou notações léxicas. Observe no quadro a seguir quais são os sinais diacríticos e sua subdivisão em acentos gráficos e sinais gráficos: Obs.: Atente para a pronúncia correta das seguintes palavras: noBEL misTER aRÍete graTUIto ureTER ruIM reCORde cateTER iBEro Alguns exemplos de palavras que aceitam mais de uma pronúncia: XÉrox / xeROx RÉPtil / repTIL proJÉtil / projeTIL aCRÓbata / acroBAta boÊmia / boeMIa oceÂnia / oceaNIa 114 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br SINAIS DIACRÍTICOS (NOTAÇÕES LÉXICAS) ACENTOS GRÁFICOS SINAIS GRÁFICOS acento agudo (´) til (~) acento circunflexo (^) cedilha (ç) acento grave (`) apóstrofo (’) trema (¨) hífen (-) É importante atentar para essa nomenclatura, pois ela pode aparecer na sua prova. a) palavras monossílabas São acentuadas todas as palavras monossílabas tônicas, terminadas em A, E e O, seguidas ou não de S bem como as terminadas nos ditongos abertos ÉU, ÉI, ÓI, seguidos ou não de S. A (s): pá (s) E (s): fé, mês O (s): dó, pôs ÉU: céu, céus ÉI: méis ÓI: dói, sóis (plural de sol) Obs.: Caso a palavra venha acompanhada de um pronome oblíquo, este não deve ser contado como sílaba. Ex.: Dá-se é acentuada por ser palavra monossílaba tônica terminada em A. Observe que apenas as palavras monossílabas tônicas são acentuadas. Elas possuem autonomia fonética e semântica, isto é, são proferidas com força e mantêm o seu significado próprio, independentemente de virem inseridas numa frase ou isoladas. As monossílabas átonas não são acentuadas, visto que não têm autonomia fonética e se apoiam em outras palavras. Pode haver modificação prosódica de seus fonemas (alteração na forma como são pronunciados): O (= U) menino me (= mi) perguntou quando lhe (= lhi) entregarei o (= U) pedido. MONOSSÍLABOS ÁTONOS artigos o, a, os, as, um, uns preposições a, com, de, em, por, sem, sob (e contrações) pronomes oblíquos átonos o, a, os, as, lo, la, los, las, nos, nas, me, te, se, nos, vos, lhe, lhes (e contrações) pronome relativo que (salvo se estiver em final de frase ou imediatamente antes de pontuação) advérbio não conjunção e, nem, mas, ou, que, se formas de tratamento frei, dom, seu e são 115 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br b) palavras oxítonas São acentuadas todas as palavras oxítonas terminadas em A, E e O, seguidas ou não de S, as terminadas em EM e ENS bem como as terminadas nos ditongos abertos ÉU, ÉI, ÓI, seguidos ou não de S. A (s): retroagirá, atrás E (s): você, pajés O (s): pivô, após EM: ninguém, também ENS: parabéns, reféns ÉU: chapéu, troféu ÉI: anéis, fiéis ÓI: herói, corrói Obs.: As palavras que apresentarem ditongo aberto na penúltima sílaba (palavras paroxítonas) não serão acentuadas. Obs.: Assim como ocorre com as palavras monossílabas, caso a palavra oxítona venha acompanhada de um pronome oblíquo, este não deve ser contado como sílaba. c) palavras paroxítonas Há diferentes regras para a acentuação gráfica das palavras paroxítonas e, por essa razão, essas palavras costumam ser as mais cobradas nas provas de concursos. Regra das vogais São acentuadas todas as palavras paroxítonas terminadas em I e U, seguidas ou não de S bem como as terminadas em UM e UNS (u nasalizado), OM e ONS (o nasalizado), Ã, ÃO, seguidos ou não de S. I (s): júri, grátis U (s): bônus, ônus UM: fórum, álbum UNS: fóruns, parabéluns OM: rândom, iândom ONS: elétrons, prótons à (s): ímã, órfãs ÃO (s): órgão, sótãos herói – heroico Comprá-los é acentuada por ser palavra oxítona terminada em A. 116 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Regra das consoantes São acentuadas todas as palavras paroxítonas terminadas em R, X, N, L e PS. R: revólver, * Méier (neste caso o ditongo aberto é acentuado porque a palavra é paroxítona terminada em R) X: tórax, ônix N: hífen, líquen L: fácil, ágil Obs.: Neste caso, para serem acentuadas, essas palavras não podem ser seguidas de S. Assim, a palavra hífen tem acento gráfico, ao passo que a palavra hifens não tem. Regra dos ditongos e tritongos São acentuadas todas as palavras paroxítonas terminadas em ditongos e tritongos. ditongo: história, cárie tritongo: jóquei Caso você tenha esquecido o que são ditongos, tritongos e hiatos, segue um esquema para ajudar: d) palavras proparoxítonas Esta é a regra mais fácil de ser assimilada, pois todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. Seguem alguns exemplos: máscara pérgula gráfico trópico bálsamo •Há uma vogal e uma semivogal na mesma sílaba. Ex.: cai - xa Ditongo •Há uma vogal entre duas semivogais. Ex.: a - guei Tritongo •Há duas vogais em sílabas diferentes. Ex.: pi - a - da Hiato 117 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br É preciso ressaltar que essa regra prevalece sobre outras. Assim, caso alguma alternativa de questão afirme que a palavra “friíssimo”, por exemplo, é acentuada pela regra dos hiatos (I e U tônicos), isso estará errado, pois a palavra é proparoxítona; por essa razão, entende-se que ela é acentuada por ser proparoxítona. Obs.: É preciso ter cuidado com as proparoxítonas aparentes ou falsas esdrúxulas. Alguns gramáticos entendem que palavras, tais como mistério, cárie, série, tênue, glória, espontâneo, entre outras, podem ser consideradas proparoxítonas (esdrúxulas). Neste momento você poderia se perguntar: Exatamente! São paroxítonas terminadas em ditongo, mas há quem entenda que nesses casos não há ditongo no final da palavra, mas sim hiato. De acordo com esse entendimento, a divisão silábica de tais palavras seria: mis-té-ri-o, cá-ri-e, sé-ri-e, tê-nu-e, gló-ri-a, es-pon-tâ-ne-o Assim, os encontros vocálicos terminais, também chamados de postônicos (-ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -ue, -uo), são considerados, via de regra, ditongos crescentes (mis-té-rio, cá- rie, sé-rie, tê-nue, gló-ria, es-pon-tâ-neo), todavia há a possibilidade, em última instância, de serem entendidos como hiato. Dessa forma, tais palavras seriam entendidas como proparoxítonas aparentes ou falsas esdrúxulas: mis-té-ri-o, cá-ri-e, sé-ri-e, tê-nu-e, gló-ri-a, es- pon-tâ-ne-o. Obs.: Não descuide do fato de que isso é só uma possibilidade! e) regra do hiato Devem ser acentuados o I e o U tônicos, que formam hiato com a vogal anterior, seguidos ou não de S. Todavia, não devem ser acentuados o I e o U tônicos do hiato quando estes vierem seguidos de outra letra (diferente de S), na mesma sílaba, ou de NH, na sílaba seguinte. Também não se acentuam o I e o U tônicos quando estes formam hiato com um ditongo anterior: Essas palavras não são paroxítonas terminadas em ditongo? juízo, viúvo, país constituinte, ruim,cairmos, juiz, rainha feiura, baiuca 118 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Obs.: caso o I e o U tônicos estejam formando hiato com um ditongo anterior, mas apareçam em posição final (palavras oxítonas), eles devem levar acento. Não se acentuam os hiatos –oo e –ee das palavras paroxítonas: f) Acento diferencial O acento diferencial foi excluído da maioria das palavras após o acordo ortográfico de 2009. Ele se mantém apenas nas quatro palavras a seguir: 1. Justifique a acentuação de cada grupo de palavras, conforme o modelo: Modelo: café / cipó / sofás / pés / já / dó / crê / lê Todas são acentuadas por serem oxítonas terminadas em a, e ou o, seguidos ou não de S. a) céu / fiéis / herói / dói b) também / parabéns / ninguém / porém c) táxi / ônus / bônus d) impossível / tórax / álbum / hífen / dólar / órfã / bíceps e) fáceis / série / jóquei f) árvore / trêmulo / dinâmica g) juízes / conteúdo / país / juiz / ruim / rainha / atraí-lo / baú h) feiura / baiuca i) tem / têm /vem / vêm j) heroico / ideia / colmeia / jiboia k) voo / enjoo / creem / leem l) dê (v.) / de (prep.) m) pôde (v. passado) /pode (v. presente) / pôr (v.) / por (prep.) 2. Assinale a alternativa em que a palavra destacada deveria ter sido acentuada. a) Colmeia é o nome dado à habitação das abelhas. b) Halux é o nome dado ao primeiro dedo das patas traseiras dos animais. c) Androide é o autômato que tem figura de homem e imita os movimentos humanos. d) Hifens são pequenos traços horizontais usados para unir os elementos de palavras compostas, separar sílabas em final de linha e marcar ligações enclíticas e mesoclíticas. creem, voo, leem, perdoo HORA DE PRATICAR Piauí, teiú PÔDE (verbo poder no tempo passado) / PODE (verbo poder no tempo presente) PÔR (verbo) / POR (preposição) VEM (verbo vir na 3ª pessoa do singular) / VÊM (verbo vir na 3ª pessoa do plural) (verbos derivados seguem a mesma regra: advém – advêm; provém – provêm etc.) TEM (verbo ter na 3ª pessoa do singular) / TÊM (verbo ter na 3ª pessoa do plural) (verbos derivados seguem a mesma regra: mantém – mantêm, contém – contêm etc.) 119 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 3. As duas palavras que recebem acento gráfico por razões diferentes são: a) homicídio / média; b) país / juízes; c) histórico / pública; d) secretários / relatório; e) está / é. 1. a) Todas são acentuadas por serem oxítonas terminadas em ditongo aberto. b) Todas são acentuadas por serem oxítonas terminadas em EM e ENS. c) Todas são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em I e U seguidos ou não de S. d) Todas são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em L, X, M, N, R, à e PS. e) Todas são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em ditongo. f) Todas são acentuadas por serem proparoxítonas. g) Todas são acentuadas pela regra do I e U tônicos, formando hiato, salvo a palavra rainha, pois nessa palavra o hiato aparece seguido de NH. h) As palavras não são acentuadas, pois o I e U tônicos, formando hiato, são precedidos por ditongo. i) Acento diferencial – singular / plural j) As palavras não são acentuadas, pois o ditongo aberto está na penúltima sílaba de cada uma delas, ou seja, as palavras são paroxítonas. k) As palavras não são acentuadas, pois há ditongo com as vogais -oo e -ee. l) A primeira palavra é acentuada por ser monossílaba tônica. A segunda não é acentuada por ser monossílaba átona. m) Acento diferencial. 2. B 3. E Está – palavra oxítona terminada em a É – palavra monossílaba tônica (e) Capítulo 12 – Prova comentada Assistente em administração – UFRJ – 2022 – PR-4 LEIA E CONSIDERE O TEXTO 1 PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 1 A 10. TEXTO 1 O ano de 2022 será marcado por grandes decisões no Brasil. Além de ser ano eleitoral, em que serão decididos os ocupantes dos cargos de presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais, há a previsão de revisão da Lei 12.711/12, conhecida como Lei de Cotas. Essa regulação prevê a reserva de vagas nas universidades federais e instituições federais de ensino técnico de nível médio para alguns grupos socialmente minorizados. Ela é, por definição, uma ação afirmativa − estabelecida dentro de uma política pública. As políticas públicas, que têm como objetivo solucionar alguma questão da sociedade, são processos desenvolvidos pelo Estado. GABARITO 120 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br Há quem pense que, para defender a ideia de igualdade, deve posicionar-se contra as ações afirmativas. Porém, antes de tudo, é preciso entender o que é igualdade. Existem dois tipos de igualdade: a formal e a material. A formal é ligada ao sentido de tratar todos de maneira igual, como se não houvesse diferença entre os cidadãos. Já a material vai em direção a tratar todos de forma igual, mas de acordo com suas essenciais desigualdades. Sendo assim, possibilitar ações afirmativas e políticas públicas que respeitem as diferenças em uma sociedade cheia de abismos sociais, como a brasileira, é uma forma de garantir a igualdade material entre os indivíduos. A Constituição Federal de 1988 assegura, em vários artigos, o respeito às diferenças. O artigo 3º define “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” como objetivos fundamentais do Brasil. Da mesma forma, o artigo 37, em seu inciso VIII, garante a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas com deficiência. Esses artigos são alguns dos que embasam o combate à crença de que as ações afirmativas são inconstitucionais, ilegais e desfavorecem a igualdade, entre tantas outras falas que tentam deslegitimá-las. As ações afirmativas são frutos de um longo caminho trilhado pelos movimentos sociais para a garantia de direitos civis básicos. Dyego de Oliveira Arruda, professor do curso de mestrado em Relações Étnico-Raciais (PPRER) do Cefet-RJ e dos cursos de mestrado e doutorado em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) da UFRJ, afirma que essas ações decorrem de um movimento histórico de luta e reivindicação dos movimentos sociais negros, o que deve ser marcado a todo momento nas falas sobre o assunto. “Elas são direitos historicamente conquistados. Isso é importante demarcar. Não são dádivas, não surgiram ao acaso”, completa ele. Sobre a longa trajetória que tornou possível a implementação da Lei de Cotas, é importante ressaltar que o Estado não é nem deve ser o único responsável pela implementação de políticas públicas e que o movimento negro sempre esteve presente nas atividades e lutas para que esta e outras ações afirmativas fossem aprovadas. Grupos de interesse e/ou movimentos sociais são outros segmentos que se envolvem em suas formulações, por exemplo, por meio de pressões realizadas para que certos temas − como geração de emprego e renda − entrem na agenda pública. Denise Góes, coordenadora da Câmara de Políticas Raciais da UFRJ, afirma: “É preciso que a gente pontue essas questões para que não haja deturpações ao acreditar-se que existe um privilégio negro. Houve luta do movimento negro brasileiro”. E a Lei em si, como funciona? Ela estabelece que 50% das vagas nas universidades federais por curso e turno sejam reservadas para estudantes que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. Dessas vagas, 50% são reservadas a estudantes oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita. Dentro dessas vagas, encontra-se a reserva para pretos, pardos e indígenas e pessoas com deficiência, de acordo com a proporção da população em que esteja instalada a instituição. O que muitos ainda não sabem é que na Lei 12.711/12 as cotas são sociorraciais, já que o primeiro recorte é feito para os candidatos quetenham estudado em escolas públicas. “Uma primeira questão que a gente precisa compreender é que a Lei 12.711 é uma lei de cotas sociorraciais. Eu acho que isso é importante a gente ponderar, porque a dimensão racial entra na implementação da legislação como uma subcota. O primeiro recorte para reserva de vagas é o recorte de escola pública. Então primeiro reservam-se vagas para egressos de escola pública. Na sequência, vem o recorte de renda e aí sim entra a dimensão racial”, explica Dyego. Sendo assim, as cotas sociais já existem. Com tantas incertezas no meio político, é urgente que o debate sobre as ações afirmativas se amplie cada vez mais. SILVA, Vanessa; FIGUEIREDO, Eliabe. A Lei de Cotas nas universidades federais do Brasil e sua primeira década. In: Conexão UFRJ. 25 mar 2022. (Disponível em <https://conexao.ufrj.br>. Acesso em 10 abr 2022. Adaptado.) 121 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 1. Pode-se afirmar que o objetivo central do TEXTO 1 é: A) Repreender os críticos ao sistema de ações afirmativas, que permite o acesso de mais estratos sociorraciais brasileiros à graduação. B) Estabelecer um panorama geral sobre as ações afirmativas organizadas em torno da Lei de Cotas, que completa dez anos. C) Clamar por ampliação do debate sobre ações afirmativas no Brasil, discussão ainda incipiente em território nacional. D) Elucidar que há dois tipos de igualdade que o Brasil precisa desenvolver: a formal e a informal. E) Estigmatizar os alunos que ingressam pelo sistema de ações afirmativas, originalmente formatado pela Lei de Cotas, ainda que outras instituições já tivessem institucionalizado o programa de ações afirmativas no país. 2. No decorrer do TEXTO 1, há um duo central de estratégias textuais para consolidação de seu objetivo principal. Marque a alternativa que apresenta essas estratégias. A) Diálogo implícito com o leitor e uso de marcadores do discurso. B) Comparações sistematizadas e polarização intratextual. C) Uso de frases diretas e utilização expressiva de figuras de linguagens ocultas. D) Citação de dispositivos legais e uso de depoimentos. E) Ideação consolidada em dados e uso de primeira pessoa. 3. Quanto ao gênero textual, o TEXTO 1 pode ser classificado como: A) reportagem. B) notícia. C) conto. D) carta. E) crônica. 4. Na frase “O ano de 2022 será marcado por grandes decisões no Brasil” (1º parágrafo), tem- se agente da passiva. Assinale a opção que apresenta uma possibilidade de reescrita correta da frase, quanto à norma culta da Língua Portuguesa, sem agente da passiva. A) Será marcado, por grandes decisões no Brasil, o ano de 2022. B) No Brasil, o ano de 2022 será marcado por grandes decisões. C) Por grandes decisões, no Brasil, o ano de 2022 será marcado. D) Grandes decisões marcarão o ano de 2022 no Brasil. E) O ano de 2022, no Brasil, será marcado por grandes decisões. 5. Sobre o 2º parágrafo do TEXTO 1, é INCORRETO afirmar, segundo a norma culta da Língua Portuguesa, que: A) há ocorrência de agente da passiva. B) as expressões verbais estão empregadas no modo indicativo. C) o termo “essa” deveria ser substituído por “esta”. D) as vírgulas utilizadas na última frase isolam aposto. E) há uso de pronomes indefinidos. 6. No trecho “Porém, antes de tudo, é preciso entender o que é igualdade” (3º parágrafo), o termo sublinhado estabelece sentido de: A) gradação. 122 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br B) antecipação. C) retificação. D) explicação. E) contraposição. 7. Em “Existem dois tipos de igualdade: a formal e a material” (3º parágrafo), há uso de dois- pontos para: A) iniciar uma enumeração. B) introduzir uma explicação. C) citar a fala de alguém. D) antecipar uma elucidação. E) justapor alguns elementos textuais. 8. “A Constituição Federal de 1988 assegura, em vários artigos, o respeito às diferenças” (4º parágrafo). Assim como na frase, todas as sentenças abaixo registram ocorrência(s) e/ou ausência(s) correta(s) quanto ao acento grave indicativo de crase, EXCETO em: A) Os coeficientes de rendimento dos estudantes cotistas estão à disposição para consulta. B) À toda forma de ignorância quanto à reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas responderemos com conhecimento. C) No que se refere a cotas, é preciso destacar que o Congresso Nacional deve continuar o debate e ampliar a discussão com a sociedade. D) A democratização do acesso à universidade pública é um processo que ainda está em movimento no país, mas que já avançou bastante. E) Não podemos ficar indiferentes àquela realidade triste de reduzir os bancos acadêmicos como privilégio para poucos. 9. Anulada 10. Anulada 123 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 11. O TEXTO 2 tem como propósito: A) Tecer elogio público à UFRJ, o que fica evidenciado ao realçar que é uma das mais importantes universidades da América Latina. B) Utilizar-se de ofício para possibilitar publicidade governamental, já que alega que Educação é um dos eixos centrais de governo. C) Convidar a reitora da UFRJ a participar de plenária sobre Lei de Cotas, que será realizada em Brasília/DF. D) Celebrar os dez anos da Lei de Cotas no país, o que se comprova pelo desejo institucional da realização de plenária sobre o tema que marca efeméride. E) Avisar reitores de universidades federais sobre evento acerca da Lei Federal nº 12.711/12. 12. Geralmente, no gênero textual ofício, é possível identificar diversos elementos, EXCETO: A) fecho. B) cumprimento inicial. C) identificação do signatário. D) local e data. E) endereçamento. 13. Sobre o TEXTO 2, é possível afirmar que: A) o corpo do texto é inaugurado com sujeito elíptico. B) a palavra “paralisar” deveria ser grafada como “paralizar”. C) a identificação do expediente é facultativa. D) a palavra “pespectiva” apresenta dupla grafia com “perspectiva”, assim como ocorre em “loiro” e “louro”. E) na repetição de “Magnífica Reitora”, o autor comete falha coesiva. 14. No trecho “Além disso, gostaria de contar com sua participação” (1º parágrafo), o conectivo sublinhado exerce sentido de: A) disjunção. B) explicação. C) adição. D) adversidade. E) conclusão. 15. Em “Certamente sua participação mesmo que de forma híbrida será importante […]” (1º parágrafo), a palavra sublinhada é classificada, quanto à classe, como: A) advérbio indefinido. B) pronome afirmativo. C) advérbio de modo. D) pronome modalizado. E) advérbio de afirmação. 16. Considere as afirmativas a seguir sobre o TEXTO 2. I - Quanto à coerência intratextual, o texto apresenta incorreções. II - O uso repetido de “Universidade Federal do Rio de Janeiro” poderia ser evitado utilizando- se a sigla “UFRJ” a partir da segunda ocorrência no corpo do texto, por exemplo. III - Na última frase do primeiro parágrafo do corpo do texto, há incorreção pela ausência de vírgulas. 124 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br IV - Quanto à concordância verbal, o texto não apresenta incorreções. Assinale a opção contendo a(s) afirmativa(s) correta(s): A) I, II e III, apenas. B) II e III, apenas. C) I, II e IV, apenas. D) II, apenas. E) I, II, III e IV. 17. No trecho [...] “sua participação mesmo que de forma híbrida será importante para todo o conjunto de universidades federais e para a alta administração do MEC” […] (1º parágrafo), há ocorrência de conjunção concessiva. A expressão tem o mesmo valor que: A) consoante. B) entretanto. C) tal qual. D) embora. E) à medida que. 18. O TEXTO 2 apresenta marcas linguísticas que apontam a presença de autoria. É possível identificar uma dessas marcas na seguinte passagem: A) “O evento do MEC têm a intenção única de legitimar a Educação como elo fundante do Brasil.” B) “Além disso, gostariade contar com sua participação para uma apresentação de 50 minutos sobre os resultados obtidos até então na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) […]”. C) “[...] considerando que a Universidade Federal do Rio de Janeiro sempre aparece na lista das universidades mais renomadas da América Latina.” D) “O evento, será realizado no dia 17 de junho de 2022, às 14 horas, no Auditório Central do MEC, em Brasília.” E) “[...] sua participação mesmo que de forma híbrida será importante para todo o conjunto de universidades federais e para a alta administração do MEC […]” 19. Sobre o trecho “O evento, será realizado no dia 17 de junho de 2022, às 14 horas, no Auditório Central do MEC, em Brasília” (1º parágrafo), é INCORRETO afirmar que: A) “14 horas” poderia ser grafado como “14h”, pois, para além de agilizar a leitura do texto, não comprometeria o teor institucional que o documento tem. B) A expressão “será realizado” poderia ser substituída por “acontecerá”, sem prejuízos de sentido. C) Segundo a norma culta da Língua Portuguesa, a vírgula que separa o sujeito e o verbo tem uso facultativo em documentos administrativos, tais como ofícios e memorandos, possibilitando maior atenção ao texto quando o recurso é empregado. D) Apesar de a expressão “Ministério da Educação” aparecer apenas no cabeçalho, infere-se que sua sigla seja “MEC”, exigindo conhecimento prévio do leitor. E) Há mais de uma ocorrência de adjunto adverbial, auxiliando no entendimento do contexto em que a ação verbal ocorre - no caso, o evento. 20. Em “[...] será importante para todo o conjunto de universidades federais e para a alta administração do MEC para que possamos aperfeiçoar as políticas públicas educacionais vigentes no país […]” (1º parágrafo), as ocorrências sublinhadas da preposição “para” propiciam sentido, respectivamente, de: A) indicação de destinatário e apontamento de objetivo. 125 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br B) apontamento de objetivo e indicação de destinatário. C) indicação de destino e oposição implícita. D) apontamento de propriedade e aspecto modal. E) explicação de origem e explicação de afirmativa. GABARITO COMENTADO 1. B A letra A está incorreta, porque apesar de os autores mencionarem no terceiro parágrafo que: “Há quem pense que, para defender a ideia de igualdade, deve posicionar-se contra as ações afirmativas”, o objetivo central do texto não é repreender os críticos ao sistema de ações afirmativas, tanto que esse assunto não é retomado ao longo do texto. A letra B é a alternativa correta. O objetivo central do texto é realmente estabelecer um panorama geral sobre as ações afirmativas organizadas em torno da Lei de Cotas, que completa dez anos. A letra C está incorreta, porque apesar de os autores mencionarem no último parágrafo que: “Com tantas incertezas no meio político, é urgente que o debate sobre as ações afirmativas se amplie cada vez mais”, esse assunto não é tratado ao longo do texto, ou seja, esse não é objetivo central do texto. A letra D está incorreta, porque apesar de os autores mencionarem no terceiro parágrafo que: “Existem dois tipos de igualdade: a formal e a material”, não é o objetivo central do texto tratar desse assunto. A letra E está incorreta, porque “estigmatizar” significa julgar, condenar alguém ou marcar alguém de forma negativa. Certamente, o objetivo do texto não é esse. 2. D No texto há citação de dispositivos legais no quarto parágrafo (“A Constituição Federal de 1988 assegura, em vários artigos, o respeito às diferenças. O artigo 3º define “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” como objetivos fundamentais do Brasil. Da mesma forma, o artigo 37, em seu inciso VIII, garante a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas com deficiência”) e uso de depoimentos no sexto e no sétimo parágrafos (“Elas são direitos historicamente conquistados. Isso é importante demarcar. Não são dádivas, não surgiram ao acaso”, completa ele” e “É preciso que a gente pontue essas questões para que não haja deturpações ao acreditar-se que existe um privilégio negro. Houve luta do movimento negro brasileiro”). 3. A A letra A está correta, porque a reportagem é um gênero textual cujo teor é opinativo, ou seja, apresenta fatos sobre determinado assunto com base no posicionamento do repórter, sendo certo que este assina o texto. A letra B está incorreta, porque a notícia é um gênero textual informativo e impessoal, o qual apresenta somente os fatos de um determinado acontecimento. 126 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br A letra C está incorreta, porque o conto é um gênero textual que apresenta uma narrativa curta e um único conflito em seu enredo. A letra D está incorreta, porque a carta é um gênero textual dialógico, ou seja, ela tem como principal objetivo estabelecer uma conversa entre dois interlocutores específicos. A letra E está incorreta, porque a crônica é um gênero textual que busca retratar o cotidiano e está ligado ao jornal. 4. D A Letra A está incorreta, pois apresenta o agente da passiva “por grandes decisões” intercalado. A letra B está incorreta, visto que o agente da passiva “por grandes decisões” também está presente. A letra C está incorreta pela mesma razão. O agente da passiva “por grandes decisões”, embora deslocado para o início do período, também está presente. A letra D está correta, tendo em vista que “Grandes decisões” não é agente da passiva, mas o sujeito do período. A letra E está incorreta, pois o agente da passiva “por grandes decisões” está presente. 5. C Aqui é preciso marcar a alternativa INCORRETA. A Letra A está correta, pois “pelo Estado” é agente da passiva”. A Letra B está correta, pois todas as expressões verbais estão no modo indicativo. A Letra C está incorreta, pois o pronome demonstrativo “essa” retoma a Lei 12.711/12 do parágrafo anterior, portanto, não pode ser substituído pelo pronome “esta”. A Letra D está correta, pois a oração subordinada adjetiva explicativa (que têm como objetivo solucionar alguma questão da sociedade) funciona como aposto explicativo. A Letra E está correta, pois há o uso dos pronomes indefinidos (alguns, alguma). 6. E A conjunção “porém” é adversativa e estabelece o sentido de contraposição. 7. A Os dois-pontos, nesse caso, foram usados para introduzir uma enumeração explicativa, ou seja, uma sequência que explica ou exemplifica o que foi dito anteriormente. 8. B A letra B está incorreta, pois, regra geral, não se usa o acento grave indicativo de crase diante de pronome (toda). 9. Anulada 10. Anulada 127 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br 11. C A alternativa correta é a letra C, em consonância com o início do texto: “Convido Vossa Excelência a participar de plenária (...)” 12. B O gênero textual ofício deve conter as seguintes partes: a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede b) local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita c) assunto: resumo do teor do documento d) destinatário: o nome, o cargo e o endereço da pessoa a quem é dirigida a comunicação. e) texto f) fecho g) assinatura do autor da comunicação; e h) identificação do signatário 13. A O sujeito elíptico é também conhecido como sujeito implícito ou desinencial. Nesse caso ele só pode ser identificado por meio da desinência do verbo (convido; gostaria; não podemos; aguardamos) 14. C “Além disso” é uma locução adverbial que tem o sentido de “em adição a”. 15. E “Certamente” é um advérbio de afirmação. O advérbio de afirmação serve para afirmar ou confirmar alguma coisa. 16. A I - Quanto à coerência intratextual, o texto apresenta incorreções. CertoInicialmente, é dito que há apenas um único objetivo: “a participar de plenária cujo objetivo único é debater os resultados e as perspectivas” Posteriormente, é solicitado uma apresentação de 50 minutos: “Além disso, gostaria de contar com sua participação para uma apresentação de 50 minutos”. II - O uso repetido de “Universidade Federal do Rio de Janeiro” poderia ser evitado utilizando- se a sigla “UFRJ” a partir da segunda ocorrência no corpo do texto, por exemplo. Certo Perfeito. O mais correto seria o uso abreviado, pois se trata de uma comunicação oficial, em que a objetividade e clareza devem predominar. III - Na última frase do primeiro parágrafo do corpo do texto, há incorreção pela ausência de vírgulas. Certo Certamente [1] sua participação mesmo que de forma híbrida será importante para todo o conjunto de universidades federais e para a alta administração do MEC [2] para que possamos 128 SUGESTÕES, CRÍTICAS | contato@focadonoedital.com.br aperfeiçoar as políticas públicas educacionais vigentes no país considerando que a Universidade Federal do Rio de Janeiro sempre aparece na lista das universidades mais renomadas da América Latina. A vírgula em [1] é facultativa. Por outro lado, a vírgula em [2] é obrigatória. IV - Quanto à concordância verbal, o texto não apresenta incorreções. Errado Apresenta sim: “O evento do MEC têm o objetivo único de legitimar” – o verbo deveria ficar no singular. 17. D As conjunções concessivas são aquelas que indicam uma oração em que se admite um fato contrário à ação principal, mas incapaz de impedi-la: Embora, conquanto, ainda que, mesmo que, posto que, bem que, se bem que, apesar de que, nem que, que. 18. B Presença de autoria é quando o autor se insere de forma proposital no texto. Acontece com o uso de pronomes ou nas conjugações dos verbos. Letra B: “Além disso, (eu) gostaria de contar com sua participação para uma apresentação de 50 minutos sobre os resultados obtidos até então na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) […]”. 19. C Nunca se separa o sujeito do verbo. 20. A “para todo o conjunto” – a preposição “para” indica a quem é o destinatário. “MEC para que possamos aperfeiçoar as políticas públicas educacionais” – “para que” forma uma conjunção subordinada de finalidade, a qual expressa o sentido de finalidade ou objetivo.