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CRIMES MILITARES EM TEMPO DE PAZ

Material sobre crimes militares em tempo de paz: texto introdutório da Faculdade de Minas que analisa as alterações do Código Penal Militar pela Lei nº 13.491/2017, seu impacto na competência das justiças militares e nos critérios de definição (ratione legis, art. 9º).

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CRIMES MILITARES EM TEMPO DE PAZ 
 
CRIMES MILITARES EM 
TEMPO DE PAZ 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
2 
 
 
Sumário 
INTRODUÇÃO ................................................................................................. 4 
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................... 25 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
3 
 
 
FACUMINAS 
 
A história do Instituto Facuminas, inicia com a realização do sonho de um grupo 
de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a Facuminas, como entidade 
oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A Facuminas tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
O Código Penal Militar, responsável por enumerar as circunstâncias definidoras do 
crime militar, foi recentemente alterado pela Lei nº 13.491, de 13 de outubro de 2017. 
As mudanças operadas pela nova Lex estabelecem, nitidamente, um alargamento da 
competência das justiças militares da União e dos Estados, bem como, por 
consequência, da atribuição da polícia judiciária militar, visando adequar a legislação 
penal à realidade brasileira, na qual se apercebe cada vez mais frequente o emprego 
das Forças Armadas em operações de garantia da lei e da ordem, dentre outras. 
De fato, a motivação da alteração legislativa operada pela Lei nº 13.491/2017 foi 
regular a competência para julgamento de crimes praticados por militares federais 
durante a execução de missões de garantia da lei e da ordem, entre outras na área 
da segurança pública e da segurança nacional. Contudo, ao dar nova definição ao 
crime militar, alterou também a competência das Justiças Militares dos Estados, e 
aqui reside o móvel da presente reflexão. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
5 
Nesta seara, não se olvida que a doutrina tenha estabelecido uma gama de critérios 
para classificar determinado delito como militar, e, assim, distingui-lo do crime 
comum, a saber, os critérios processualista, ratione materiae, ratione 
personae, ratione loci, ratione temporis e ratione legis (LOBÃO, 2011). 
Porém, essa multiplicidade de critérios definidores, capaz de impossibilitar uma exata 
compreensão do conceito de crime militar, levou o legislador penal de 1969 a adotar 
todos os critérios antes enumerados, sem prevalência de qualquer deles. Dessa 
forma, o critério adotado no Brasil para a configuração do crime militar foi, na verdade, 
o ratione legis, isto é, crime militar é aquele delineado como tal na lei penal militar. 
Esse, a propósito, é o critério eleito desde a Constituição de 1946 e foi mantido na 
atual Carta Magna, evidenciado em seus artigos 124 e 125, §4º. Perceptível, que a 
lei penal militar se utiliza dos critérios antes enumerados para eleger pontualmente 
em que situações uma conduta será considerada crime militar (NEVES; 
STREIFINGER, 2012). 
Assim, “a classificação do crime em militar se faz pelo critério ratione legis, ou seja, é 
crime militar aquele que o CPM diz que é, ou melhor, enumera em seu artigo 9º” 
(ASSIS, 2010, p. 45). 
Conforme ensina Saraiva (2009, p. 44): 
[...] o artigo 9.º carrega consigo a mesclagem de várias características que 
adornam este especial modelo de delito. Por vezes, é a qualidade dos 
sujeitos (ativo ou passivo) que transforma um crime (que seria) comum em 
militar. Por outras, é o local da infração ou ter sido o fato praticado em 
detrimento da Administração Militar que os singulariza. De qualquer sorte, as 
exigências contidas neste artigo consubstanciam o primeiro passo na 
adequação típica de qualquer comportamento humano que se pretenda tratar 
como crime militar. 
E, de forma geral, embora destaque a dificuldade com que os doutrinadores sempre 
se depararam para definir o crime militar, Lobão (2011, p. 31) assevera que o: 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
6 
[...] crime militar é a infração penal prevista na Lei Penal Militar que lesiona 
bens ou interesses vinculados à destinação constitucional das instituições 
militares, às suas atribuições legais, ao seu funcionamento, à sua própria 
existência, no aspecto particular da disciplina, da hierarquia, da proteção à 
autoridade militar, e ao serviço militar. 
Merece destacar, porém, que a infração penal militar é doutrinariamente dividida em 
duas grandes categorias, os crimes propriamente militares e os 
crimes impropriamente militares, espécies distintamente definidas pela teoria 
clássica e pela teoria topográfica. 
Conforme a teoria clássica, sempre se disse que o crime propriamente militar é aquele 
que, previsto no CPM, específico e funcional do ocupante de cargo militar, ofende 
bens ou interesses das instituições militares, no aspecto da disciplina, da hierarquia, 
do serviço e do dever militar, e que o crime o impropriamente militar era aquele que, 
previsto no CPM, não sendo específico e funcional do militar, ofende bens ou 
interesses afetos à destinação constitucional e legal das instituições castrenses, cujo 
sujeito ativo poderia ser militar ou civil (LOBÃO, 2011). 
A seu turno, a teoria topográfica sempre distinguiu as espécies de delito, se comum 
ou militar, levando em conta o diploma legal em que estivesse tipificado, se no Código 
Penal Comum ou no Código Penal Militar, e, neste último caso, se com ou sem 
equivalente na Lei Penal Comum. Adepto da teoria topográfica, assim como outros 
notáveis penalistas, Rosa (2012, p. 32) apresenta as espécies de crime militar da 
seguinte maneira: 
[...] os crimes propriamente militares [...] são aqueles que se encontram 
previstos apenas e tão somente no Código Penal Militar, como, por exemplo, 
a deserção, a insubmissão, o motim, o desacato a superior, entre outros, e 
os crimes impropriamente militares, que são aqueles que se encontram 
previstos tanto no Código Penal Brasileiro como também no Código Penal 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
7 
Militar, como exemplo, o furto, o roubo, a lesão corporal, o homicídio, a 
corrupção, a concussão, entre outros. 
 
 
 
 
 
Em síntese, sempre se disse que crime propriamente militar é aquele previsto apenas 
no Código Penal Militar, e que o crime impropriamente militar era aquele que, previsto 
tanto no Código Penal Militar quanto no Código Penal Comum, seria considerado 
militar em razão de certas circunstâncias eleitas pelo legislador. 
Ocorre que o inciso II do artigo 9º do Código Penal Militar sofreu sensível alteração, 
forçando, necessariamente, à readequação do conceito do crime impropriamente 
militar. 
Antes da alteração promovida pela Lei nº 13.491/2017, o artigo 9º, inciso II, do Código 
Penal Militar, era assim redigido: “Art. 9º Consideram-se crimes militares, em 
tempo de paz: [...] II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam 
com igual definição na lei penal comum, quando praticados:” (BRASIL, 1969,). 
Hoje, entretanto, com a redação que lhe deu a lei em comento, o artigo 9º, inciso II, 
do Código Penal Militar, passou a preconizar que: “Art. 9º Consideram-secrimes 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
8 
militares, em tempo de paz: [...] II – os crimes previstos neste Código e os 
previstos na legislação penal, quando praticados:” (BRASIL, 1969,). 
A alteração em questão, embora possa, à primeira vista, parecer singela e pontual, é, 
em verdade, bastante significante, na medida em que trouxe para a esfera dos crimes 
militares, quando praticados nas circunstâncias definidas nas alíneas do inciso II do 
artigo 9º do CPM, toda e qualquer conduta delitiva prevista no ordenamento pátrio. 
A lege lata, implicou, pois, em nova definição ao crime impropriamente militar, ou seja, 
aquele praticado em circunstâncias específicas eleitas pelo legislador com base em 
critérios como tempo, local, pessoa, matéria ou natureza da atividade, pouco 
importando se previsto ou não no Código Penal Militar, como até então ressaltava a 
teoria topográfica. 
Passaram a ser crimes impropriamente militares toda e qualquer conduta delitiva 
tipificada em lei penal, comum ou militar, quando levadas a efeito na presença de 
circunstâncias específicas. Em suma, todos os crimes previstos em leis penais 
extravagantes, ainda que não estejam igualmente tipificados no Código Penal Militar, 
quando cometidos por militar em situação de atividade e nas condições do inciso II do 
artigo 9º do referido codex, em especial, estar ele em serviço ou atuando em razão 
da função, independentemente do local, ou, ainda, estando de folga, mas em local 
sujeito à administração militar, passaram a ser imediatamente considerados crimes 
militares. 
De fato, a redação anterior do artigo 9º era mais restritiva e de abrangência limitada, 
já que os crimes previstos no CPM deveriam ter igual definição no Código Penal 
Comum e ser praticados naquelas situações ali decorridas para, então, ser 
considerados crimes militares impróprios. 
Ao dar nova redação ao inciso II para, agora, preconizar “os crimes previstos neste 
Código e os previstos na legislação penal”, a Lei nº 13.491/2017 arrastou o Código 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
9 
Penal Comum e a legislação penal extravagante para dentro da definição de crime 
militar em tempo de paz, se presentes as já mencionadas circunstâncias. 
Neste diapasão, dada a expressão “legislação penal”, corolário que se englobe na 
esfera dos crimes militares todo e qualquer delito previsto na legislação penal 
extravagante, v.g., lei dos crimes de tortura (Lei nº 9.455/97); lei dos crimes de drogas 
(Lei nº 11.343/2006); lei dos crimes de abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65); e 
Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003). 
Percebe-se que os crimes previstos na legislação extravagante somente serão 
considerados crimes militares se atrelados às circunstâncias previstas nas alíneas do 
inciso II do artigo 9º do Código Penal Militar, em especial: o militar estadual estar em 
serviço ou de folga atuando em razão da função (em qualquer local), ou, ainda, de 
folga, mas dentro de local sujeito à administração militar. 
Assim, não se pode perder de vista que a Lei nº 13.491/2017, ao dar nova redação 
ao artigo 9º do Código Penal, não incluiu no rol de possíveis infrações penais militares 
as contravenções penais previstas Decreto-Lei nº 3.688/1941. Veja-se que o referido 
dispositivo continua a referir-se tão somente a crimes, de modo que as contravenções 
penais, espécies de infração penal, continuam excluídas da esfera das infrações 
penais militares. 
Lado outro, uma vez definido aquilo que se considera crime militar segundo o 
ordenamento jurídico nacional, necessário beber na fonte da Constituição Federal 
novamente, pois, além dela estabelecer que os crimes militares são os definidos em 
lei (artigos 124 e 125), também estabelece que compete à Justiça Militar processar e 
julgar os crimes militares. 
Logo, tanto a Justiça Militar da União como as dos Estados, reflexamente, tiveram 
suas competências ampliadas pela Lei nº 13.491/2017, porquanto, agora, os delitos 
previstos na legislação penal comum podem, também, ser considerados crimes 
 
 
 
 
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10 
impropriamente militares, se praticados nas circunstâncias do inciso II do artigo 9º do 
CPM. E, em sendo considerados crimes militares, dadas as circunstâncias do caso 
concreto, a exemplo de ser praticada por militar da ativa durante o serviço, devem as 
condutas tipificadas na legislação penal comum ser processados e julgados pela 
Justiça Militar, da União ou dos Estados, conforme o caso. 
É fundamental compreender que o crime militar está previsto constitucionalmente nos 
artigos 124 (para os militares federais) e 125 (para os militares estaduais). A lei que 
estabelece os crimes militares não é, portanto, uma lei de exceção, estando em 
perfeita consonância com o Estado Democrático de Direito consolidado na 
Constituição Federal de 1988: 
[...] 
Artigo 124. à Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares 
definidos em lei. 
Artigo 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios 
estabelecidos nesta Constituição. 
[…] 
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos 
Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra 
atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri quando a vítima 
for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do posto e da 
patente dos oficiais e da graduação das praças. 
§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar, 
singularmente, os crimes militares cometidos contra civis e as ações judiciais 
contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a 
 
 
 
 
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11 
presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares 
(BRASIL, 1988,). 
Estabelecido constitucionalmente qual a Justiça competente, e, redefinido o que vem 
a ser crime militar, resta compreender a quem incumbe a atribuição investigativa para 
essa espécie delitiva, isto é, a quem incumbe desvelar autoria e materialidade para 
formação da opínio delicti pelo titular da ação penal. 
Em relação ao assunto, Lima (2011) aduz prevalecer na doutrina e na jurisprudência 
a utilização da expressão polícia judiciária como sendo a atividade de apuração da 
infração penal, ou seja, função repressiva realizada após a prática de uma infração 
penal com o objetivo precípuo de coletar elementos de informação quanto à 
materialidade e à autoria do delito, proporcionando ao titular da ação a possibilidade 
de iniciar a persecução penal em juízo. Com efeito, a atribuição de polícia judiciária é 
determinada, em princípio, pela natureza da infração penal praticada. 
E, segundo Lima (2011, p. 122): 
[...] em se tratando de crime militar, a atribuição para as investigações recai 
sobre a autoridade de polícia judiciária militar, a quem compete determinar a 
instauração de inquérito policial (IPM), seja no âmbito das Polícias Militares 
ou dos Corpos de Bombeiros, nos crimes de alçada da Justiça Militar 
Estadual, seja no âmbito da Justiça Militar da União [...]. 
Na dicção de Assis (2009) o artigo 144, § 4º, da CF, ao estatuir que às Polícias Civis 
incumbem as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto 
as militares, está, neste último ponto, referindo-se à polícia judiciária militar por 
exclusão, retirando da autoridade policial civil a atribuição para apurar infrações 
penais castrenses. 
 
 
 
 
 
 
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12 
 
 
 
 
 
Com efeito, a exclusividade da polícia judiciária militar é vislumbrada no artigo 144, 
§4º, haja vista não possuir, a polícia civil, atribuição para apuração de infrações 
penais militares, preceito constitucional do qual decorre, a propósito, a previsão 
implícita da polícia judiciária militar, senão vejamos: 
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, 
incumbem, ressalvada a competência da União, as funções depolícia 
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. 
Rosa (2000), Juiz de Direito da Justiça Militar de Minas Gerais, reforça a norma de 
regência constitucional, além de traçar um paralelo com as Forças Armadas: 
Por força do artigo 144 § 4.º da Constituição Federal, a Polícia Civil é o órgão 
responsável pela a apuração das infrações penais comuns excetuadas 
àquelas que sejam de competência da Polícia Federal. Com base no texto 
constitucional, não cabe a Polícia Civil ou a Polícia Federal apurar as 
infrações criminais de natureza militar. 
Sendo assim, os autos de inquérito policial que porventura estejam em curso, versem 
sobre crime militar na forma da nova definição aqui estudada e tramitem em instituição 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
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diversa da constitucionalmente atribuída, v.g., Polícia Federal e Polícia Civil, devem 
ser enviados à polícia judiciária militar, pois, do contrário, tratar-se-á de investigação 
em descompasso com texto da Carta Magna e a da lei processual de regência, o 
Código de Processo Penal Militar. 
A propósito, no plano constitucional as alterações operadas pela Lei nº 13.491/2017 
não aparentam qualquer afronta aos preceitos da nossa Lei Maior, quer por preservar 
a diretriz dos artigos 124 e 125 da Constituição Federal quanto à definição do crime 
militar, quer por manter, conforme estabelecido em 2004 pelo poder constituinte 
reformador (artigo 125), o Tribunal do Júri como o órgão competente para julgar os 
crimes dolosos contra a vida de civil cometidos por militares estaduais em serviço ou 
agindo em razão da função. 
Neste especial, necessário desmistificar ventos de doutrina que apontam ofensa à 
Carta Política no pertinente à instalação do Tribunal do Júri na Justiça Militar, como 
se fosse algo alienígena ao ordenamento jurídico nacional, na medida em que, a 
despeito da existência de qualquer previsão constitucional específica neste sentido, 
temos Tribunal de Júri na Justiça Comum Estadual, na Justiça Comum Federal, e na 
Justiça Especial Eleitoral. Porque não na Justiça Especial Militar, quando nítido que 
o regramento dado pelo constituinte reformador foi o de tirar da competência do 
Conselho de Justiça o julgamento de crimes dolosos contra a vida de civil, do mesmo 
modo que retirou do colegiado o julgamento de qualquer crime militar praticado contra 
civil, impondo que aqueles, a partir da reforma (EC nº 45/2004), fossem julgados pelo 
Júri e estes pelo Juiz Singular. Em nenhum momento, pois, o constituinte reformador 
disse que tais julgamentos não poderiam ocorrem na Justiça Especializada, disse tão 
somente que deveriam ser procedidos pelo Júri ou pelo Juiz Singular, conforme o 
caso. 
O texto do artigo 125, § 4º, da Constituição Federal, em outras palavras, não diz que 
a Justiça Militar Estadual é incompetente, nem mesmo que o Júri ali mencionado deva 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
14 
ser o da Justiça Comum, estabelece apenas que os crimes militares dolosos contra a 
vida de civil devam ser julgados pelo Tribunal do Júri, do mesmo modo que, por 
paralelismo, o artigo 109 da Constituição Federal não prevê que haverá Tribunal do 
Júri da Justiça Federal, mas, sendo possível a existência de crime doloso contra a 
vida que ofenda bens, serviços ou interesses da União, procedeu-se à instalação 
desse especial órgão de julgamento no âmbito dessa Justiça. 
No mesmo sentido, Rocha (2007), Juiz Civil do Tribunal de Justiça Militar de Minas 
Gerais, corrobora a nítida ausência de vedação à criação do Tribunal do Júri nas 
Justiças Militares: 
Ao preservar a competência do Tribunal do Júri, quando a vítima for civil, a 
Constituição Federal não estabeleceu uma nova Justiça especializada: uma 
justiça do júri. O Tribunal do Júri não materializa nenhuma Justiça 
especializada, mas apenas um órgão jurisdicional que compõe a organização 
judiciária da justiça competente para o julgamento dos crimes dolosos contra 
a vida. A única conclusão a que se pode chegar é que a Emenda 
Constitucional determinou que se institua o Tribunal do Júri na Justiça Militar 
Estadual, que é a competente para o julgamento dos crimes militares 
praticados por militares estaduais. Fica muito claro que a finalidade da 
ressalva foi impedir expressamente que o juiz de direito do juízo militar julgue 
singularmente os crimes militares dolosos contra a vida cometidos contra 
civil. Conforme a norma do § 5º do art. 125 da CF/88, a regra geral é que o 
juiz de direito do juízo militar julgue singularmente os crimes cometidos 
contra civil. O dispositivo anterior (§ 4º) excepciona esta regra para preservar 
a garantia fundamental do Tribunal do Júri. 
Aliás, é preciso notar que a redação atual do § 1º do artigo 9º do CPM, com a redação 
que lhe deu a Lei nº 13.491/2017, é, na verdade, mais harmoniosa para com o texto 
constitucional, e corrobora o que abalizada doutrina já mencionava quanto à 
possibilidade de instalação de Tribunal do Júri no âmbito de qualquer Justiça com 
competência criminal, na medida em que o novo texto legal não mais menciona que 
os crimes militares dolosos contra a vida de civil serão de competência da Justiça 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
15 
Comum, como na redação que possuía por força da Lei nº 9.299/1996, para agora 
estabelecer que serão julgados pelo Tribunal do Júri, exatamente como preconiza a 
Constituição Federal (artigo 125). 
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios 
estabelecidos nesta Constituição. 
(...) 
Agiu acertadamente o legislador, dado o rigor técnico da nova redação, já que a Lei 
Maior (artigo 125) não menciona ser ou não competente a Justiça Comum ou a Justiça 
Militar para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida de civis, mas que o Júri o 
é, e, como se disse, há Tribunal do Júri, instituto soberano e independente, no âmbito 
das mais diversas Justiças, Justiça Comum Estadual, Justiça Comum Federal, Justiça 
Especial Eleitoral, sem qualquer impeditivo legal ou constitucional para sua instalação 
no âmbito da Justiça Especial Militar. 
Aliás, veja-se que a Constituição Federal não prevê nem proíbe, em nenhum 
dispositivo, a criação de Tribunal do Júri nesta ou naquela Justiça, mas tão somente 
o reconhece no inciso XXXVIII do art. 5º, dando lhe a competência para o julgamento 
dos crimes dolosos contra a vida, e, no tocante à seara militar, estabelece que os 
crimes dolosos contra a vida de civil não serão julgados nem pelo Colegiado nem pelo 
Juiz Singular, mas pelo Júri (§ 4º, artigo 125), sem afirmar que a Justiça Militar é 
incompetente para o processamento da ação penal. 
O fato de ser julgado pelo Tribunal do Júri, como determina a Constituição, e, agora, 
pelo novo texto, o Código Penal Militar (§1º do artigo 9º), não retira a natureza de 
crime militar do homicídio doloso contra a vida de civil praticado por militar estadual 
em serviço ou atuando em razão da função. Como já mencionado, o que define um 
crime como militar ou não é a presença de circunstâncias eleitas pelo legislador, as 
 
 
 
 
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16 
quais se encontram nas alíneas do inciso II do artigo 9º do Código Penal Militar, e, 
dentre elas, não existe qualquer uma que utilize o órgão julgador como parâmetro. 
Com efeito, o legislador constituinte originário e reformador optou pelo critério ratione 
legis para definição do crime militar (são os definidos em lei – artigos 124 e 125 da 
CF), e o legislador ordinário, dentre os vários critérios possíveis para assim proceder, 
elegeu diversos deles (local, matéria, pessoa, etc.), mas não adotou, contudo, o 
critério processualista (baseado no órgão julgador) para dar natureza militar ou 
comum aos delitos. 
O artigo 125, §4º, da Constituição Federal não retira a natureza militar do crime doloso 
contra a vida de civil (quando em serviço ou atuando em razão da função), e, também, 
não diz que a Justiça Militar é incompetente,diz, ao revés, que o Júri é competente 
(são abordagens distintas), sendo plenamente possível sua instituição no âmbito das 
Justiças Militares. 
No tocante à aplicabilidade, pela teoria da norma jurídica, a Lei nº 13.491/2017 deve 
ser classificada como norma heterotópica de caráter substantivo (material) e adjetivo 
(formal), ou seja, trata-se de norma híbrida na medida em que dá nova concepção ao 
crime militar, o que revela sua natureza material, e atinge o processo ao definir por 
via reflexa qual a Justiça competente para processamento do delito, o que denota sua 
natureza formal. Assim, tendo nítida dimensão processual, opera de imediato seus 
efeitos, na forma do artigo 2º do CPP. Em suma, as alterações aqui estudadas tem 
aplicabilidade imediata, inclusive sobre processos e procedimentos em andamento 
sobre crimes que, agora, são considerados militares, conforme referido. 
A propósito, com o advento da Emenda Constitucional nº 45/2004, quando a Justiça 
Militar Estadual passou a ter jurisdição cível, na medida em que recebeu competência 
para julgar as ações contra atos disciplinares militares, e o Juiz de Direito atuante em 
Vara da Justiça Militar teve sua jurisdição ampliada, na medida em que passou a ter 
competência para julgar monocraticamente os crimes militares praticados contra civis, 
 
 
 
 
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17 
houve a necessidade de se adequar o rito previsto para julgamento dos crimes 
militares, antes colegiado (Conselho de Justiça), de modo a ser procedido pelo Juiz 
Singular, e, igualmente, de se remeter os processos que antes tramitavam em varas 
da Justiça Comum (ações cíveis contra atos disciplinares militares) para a Justiça 
Militar Estadual, e assim ocorreu. Deste modo, por simetria de tratamento e 
respeitando as regras de competência, notadamente a dimensão processual da 
norma em exame, todo procedimento investigatório ou ação penal que apura crime 
que, pela nova definição, passou a ser militar, devem ser imediatamente remetidos à 
autoridade de polícia judiciária militar atribuída ou à Justiça Militar competente, 
respectivamente. 
Além disso, a nova lei faz emergir questões como tratamento mais ou menos gravoso 
a condutas que, antes crimes comuns, passaram a consubstanciar crimes militares, 
e, como tais, a ser regulados por dispositivos do Código Penal Militar, ainda que 
havendo dispositivo equivalente no Código Penal Comum. 
Assim, em relação à prescrição tem-se um exemplo desse novo tratamento 
diferenciado, uma vez que o Código Penal Militar (art. 125, VII), para crimes com pena 
máxima inferior a um ano, prevê que a prescrição da pretensão punitiva ocorra em 
dois anos, enquanto que o Código Penal Comum (art. 109, VI) prevê que a prescrição 
sobrevenha, nestes casos, em três anos. Em sendo a conduta caracterizadora de 
crime militar por força da Lei nº 13.491/2017, ainda que previsto na lei penal comum, 
a exemplo do crime militar de abuso de autoridade, o prazo de dois anos do CPM 
passa a ser o aplicável ao caso, ante à especialidade das regras gerais do CPM em 
relação às regras gerais do CP quando o delito é militar. 
O mesmo raciocínio é válido para o apenamento do crime tentado, mas neste aspecto 
o novo tratamento é mais gravoso, já que, na forma do Código Penal Militar (art. 30, 
parágrafo único), a tentativa pode ser punida mais severamente, chegando-se, em 
caso de excepcional gravidade, a ser aplicada a sanção do crime consumado, 
 
 
 
 
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enquanto que, na regra do Código Penal Comum (art. 14, parágrafo único), é sempre 
determinada uma redução de pena (de um sexto a dois terços), sem possibilidade de 
aplicação da pena do crime consumado ao crime tentado. 
Não é diferente em relação ao crime continuado que, no âmbito militar (art. 80, CPM), 
recebe um tratamento mais severo, na medida em que as penas são unificadas, e, 
sendo elas da mesma espécie, a pena única é a soma de todas, e, quando de 
espécies diferentes, aplica-se a pena mais grave com aumento correspondente à 
metade do tempo das menos graves, enquanto pelas regras gerais da lei penal 
comum aplica-se tão somente a pena de um dos crimes aumentada de um sexto a 
dois terços (art. 71, CP). 
Assim, tem-se a aplicabilidade, ou não, do instituto da fiança, já que, quando se toma 
determinada conduta como crime comum, são, o procedimento investigatório e a ação 
penal, regulados pelo Código de Processo Penal Comum, o qual estabelece a 
possibilidade de liberdade provisória com fiança, em muitos casos aplicada pela 
própria autoridade policial, ao passo em que, quando se toma determinada conduta 
como crime militar, são, o procedimento investigatório e a ação penal, disciplinados 
pelo Código de Processo Penal Militar, que, a seu turno, não prevê o instituto da 
fiança, nem pela autoridade policial, nem pela autoridade judiciária. 
Vê-se, neste aspecto, maior rigor por parte da legislação em face de condutas que 
outrora seriam consideradas crimes comuns e que, com o advento da Lei nº 
13.491/2017, passaram a configurar crimes militares, e, como tais, a ser regulados 
pelo CPM e pelo CPPM, mais benéficos em relação ao prazo prescricional, porém, 
maios gravosos em relação à pena do crime tentado, à pena do crime continuado e à 
concessão da liberdade provisória. 
Nem sempre, vale frisar, esse tratamento diferenciado e mais rigoroso, prima 
facie desarrazoado, poderá ser assim considerado, pois os crimes que outrora seriam 
apenas comuns e atualmente podem se revestir de natureza militar, ao adentrar na 
 
 
 
 
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esfera das infrações penais castrenses passam a ter como bens jurídicos tutelados, 
mediatos é bem verdade, a hierarquia, a disciplina, o dever militar, a regularidade do 
serviço militar, a administração militar, entre outros intrinsecamente ligados à caserna, 
notadamente porque, embora previstos em lei penal comum, serão, no mais das 
vezes, considerados militares por terem sido praticados dentro de local sob 
administração militar ou fora dele durante o serviço (ex vi do art. 9º, II, do CPM). 
Aliás, a regularidade das instituições militares cria um sistema singular tal a ponto do 
próprio Supremo Tribunal Federal reconhecer que Direito Penal Militar pode albergar 
determinados bens jurídicos que não se confundem com aqueles do Direito Penal 
Comum, e, dessa forma, não aplicar, por exemplo, o princípio da insignificância em 
relação às hipóteses amoldadas no art. 290, CPM. 
Outro ponto que se reveste de notável importância ao tema, reside na confrontação 
das mudanças promovidas pela Lei nº 13.491/2017 com o regramento dado às 
infrações de menor potencial ofensivo pela Lei nº 9.839/1999 ao incluir o artigo 90-A 
na Lei nº 9.099/1995, segundo o qual as disposições da Lei dos Juizados Especiais 
não se aplicam no âmbito da Justiça Militar. Assim, necessário perquirir se aos delitos 
recentemente incluídos na esfera dos crimes militares poderão, acaso preenchidos 
os demais requisitos, ser ou não aplicados os institutos despenalizadores da Lei dos 
Juizados Especiais. 
Como já mencionado, o artigo 90-A da Lei nº 9.099/1995 preceitua que “as 
disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça Militar”, e, diante dessa 
vedação, algumas Varas da Justiça Militar, tal qual a Vara de Direito Militar 
Catarinense durante largo período, distinguiram o tratamento dado aos crimes 
propriamente militares do tratamento dado aos crimes impropriamente militares, 
deixando-se de aplicar a transação penal aos crimes militares próprios, mas 
aplicando-se-á aos crimes militares impróprios, e, no caso da suspensão condicional 
do processo, aplicando-se a ambas as espécies de delito militar, haja vista o artigo 
 
 
 
 
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89 da Lei 9.099/95 disciplinar que o sursis processual é aplicável às infrações penais 
cuja pena mínima seja igual ou inferior a um ano, “abrangidas ou não por esta lei”. 
Aproibição de institutos despenalizadores, inexistentes em ambas as codificações 
penais, comum e militar, somente no âmbito da Justiça Castrense, aparenta, em um 
primeiro momento, ofensa aos princípios da isonomia e da razoabilidade, porquanto 
não raras eram as vezes em que os militares dos estados se encontravam diante de 
uma conexão entre crime de competência da Justiça Comum e crime de competência 
da Justiça Militar, sendo beneficiados na primeira e não concedido o benefício na 
segunda, mesmo tendo, ambas as infrações penais, pena máxima não superior a dois 
anos – para a transação penal – ou mínima igual ou inferior a um ano – para o sursis 
processual. 
Grinover (2002, p. 216-217), Jesus (1999, p. 23) e Rosa (1999, p. 03) endossam esse 
entendimento e discorrem acerca da inconstitucionalidade dessa distinção legal por 
ferir os princípios da isonomia e da razoabilidade. 
A dialética do tema, já amplamente debatido desde a Lei nº 9.839/1999, ressurge com 
as situações trazidas pela Lei nº 13.491/2017, pois, acaso um policial militar em 
serviço cometa um crime de abuso de autoridade, antes processado na Justiça 
Comum com os benefícios despenalizadores da Lei nº 9.099/1995, poderá, agora, a 
depender do tratamento dado à matéria, deixar de ser beneficiado com tais institutos, 
uma vez que o crime de abuso de autoridade, embora infração de menor potencial no 
aspecto da pena cominada, passou a ser crime impropriamente militar, na forma e 
nas condições do inciso II do artigo 9º do Código Penal Militar. 
E, neste aspecto, em que pese a louvável discussão doutrinária, tem-se que, além 
do assunto ser sumulado no verbete nº 09 do STM (esfera federal), e de haver 
manifestação do Pleno do STF pela constitucionalidade do art. 90-A da Lei nº 
9.099/1995, com consequente manutenção da vedação aos institutos 
despenalizadores na Justiça Militar, é preciso observar que a Lei nº 13.491/2017 
 
 
 
 
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afastou talvez o principal paradigma argumentativo até então utilizado para defender 
a inconstitucionalidade do referido artigo 90-A. 
Realmente, a conexão entre crime comum e crime militar praticados por militar 
estadual em um mesmo contexto fático e o tratamento diferenciado recebido nas 
distintas Justiças competentes para um e outro era utilizado para argumentar haver 
ofensa à isonomia e à proporcionalidade, e, com isso, afastar a regra de vedação. 
Entretanto, com o advento da Lei nº 13.491/2017 os então crimes comuns conexos a 
crimes militares passaram a ser, no mais das vezes, crimes militares por 
arrastamento, sendo, agora, todos de competência de uma mesma Justiça, a Justiça 
Militar, caindo por terra este paradigma argumentativo até então utilizado, e, com isso, 
vindo a Lei 13.491/2017 a reforçar a validade e aplicação do art. 90-A da Lei nº 
9.099/1995, ou, ao menos, expurgar a razão pela qual se lhe atribuía 
inconstitucionalidade. 
Outro paradigma argumentativo utilizado para sustentar ofensa constitucional pelo 
artigo 90-A da Lei nº 9.099/1995, a saber, tratamento diferenciado que recebia e 
continuará recebendo o civil que pratica infração penal com pena máxima igual ou 
inferior a dois anos em relação ao tratamento que recebia o militar que pratica crime 
com idêntica cominação legal, na medida em que aquele poderá ser beneficiado com 
a transação penal na Justiça Comum, e este não poderá ser beneficiado na Justiça 
Militar, é também destituído de arrimo. Neste aspecto, é preciso rememorar que o 
tratamento diferenciado entre o civil e o militar – com maior rigor para este – já foi alvo 
de diversas análises jurisprudenciais, inclusive pelo STF, conforme abordado no 
presente estudo, e, quanto a isso, prevaleceu a proteção dos bens jurídicos tutelados 
direta e indiretamente pelo direito castrense, notadamente os deveres e valores 
militares. 
Percebe-se, pois, face ao exposto, que as alterações recentemente promovidas pela 
Lei em comento, em relação aos militares estaduais passam longe da relevância 
jurídica de menor importância, ainda que a razão de ser da lei visasse aos militares 
 
 
 
 
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federais. Ao revés da pontualidade que parece ter quanto aos militares estaduais, é, 
a nova lex, em verdade, norma com variados e imediatos reflexos, tais quais o 
alargamento da clássica definição de crime impropriamente militar, a aplicabilidade 
imediata a processos em andamento, devendo ser remetidas da Justiça Comum para 
a Justiça Militar, a não incidência sobre as contravenções penais, o reforço à não 
vedação à instalação do Tribunal do Júri no âmbito da Justiça Militar, dada a redação 
utilizada no § 1º do artigo 9º do CPM, e o reforço à impossibilidade de aplicação dos 
institutos despenalizadores da Lei nº 9.099/1995 (à exceção do sursis processual) 
aos crimes que, pela nova definição, passaram a ser militares impróprios. 
Difícil, compreender manifestações que, prematuramente, apontam a ampliação da 
competência da Justiça Militar como algo antirrepublicano ou contrário ao Estado 
Democrático de Direito, quando as alterações se revertem em maior certeza da 
punição, celeridade e eficiência, dado o maior grau de especialização com que será 
tratada a matéria. Também necessário destacar que os Conselhos de Justiça 
existentes na Justiça Militar não julgam crimes praticados por militares contra civil, 
competência essa exclusiva e singular dos Juízes de Direito atuantes no Juízo Militar. 
Assim, destituídas de arrimo constitucional as afirmações de que a existência de 
Tribunal Militar em tempo de paz constitui violação ao Juiz Natural. Sabe-se que o 
Juiz Natural é aquele prévia e constitucionalmente estabelecido como competente 
para o julgamento de determinada matéria, e é exatamente o que ocorre com os 
Tribunais e Justiças Militares de Primeiro Grau existentes no país. Funcionam, pois, 
com arrimo constitucional, tratando-se, justamente, do Juízo Natural dos crimes 
militares. Cuida-se, pois, de opção do legislador constituinte, e qualquer afirmação 
em contrário se reveste, pois, mais de conteúdo valorativo do que de análise jurídica 
baseada nas fontes do Direito, notadamente a Constituição Federal, de onde retiram 
suas competências os Juízos Militares. 
No mesmo norte, manifestações como as de que teria incorrido em erro o legislador 
ao alterar a redação do inciso II do art. 9º do CPM, pois, agora, crimes como os 
 
 
 
 
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previstos na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) passariam para a esfera de 
competência da Justiça Militar Estadual quando praticado por policial ou bombeiro 
militar. 
Não há, contudo, como referendar tal assertiva. A uma, porque a Lei Maria da Penha, 
a rigor, não prevê crimes. A duas, porque os crimes previstos na legislação penal 
comum em circunstâncias de violência doméstica, v.g., lesão corporal culposa na 
forma do artigo 129, § 9º, do Código Penal Comum, somente serão considerados 
crimes militares se praticados em uma das hipóteses do inciso II do artigo 9º do 
Código Penal Militar, entre elas estar em serviço ou dentro de local sob administração 
militar, e, nestes casos, além do bem jurídico diretamente tutelado, a integridade 
corporal da vítima imediata, ter-se-á violação de deveres funcionais (hierarquia e 
disciplina) e, no mais das vezes, conexão com crimes militares próprios. Assim, não 
há qualquer motivo para ser arvorar quanto à caracterização de conduta como essa, 
lesão corporal em circunstâncias de violência doméstica por militar em serviço ou 
dentro de local sob administração militar, como crime impropriamente castrense. 
Ainda sobre as críticas tecidas à reforma operada pelo legislador ordinário, 
especialmente no tocante ao denominado corporativismo a que estarão expostos os 
delitos que passaram a ser militares, a conclusão não pode ser outra senão a de que 
a tese se mostra destituída de comprovação científica e, também, empírica,na 
medida em que diversas outras categorias recebem, sem contestação, o mesmo 
tratamento: magistrados sendo investigados pelo seu Tribunal; membros 
do parquet sendo investigados pela sua entidade; policiais civis sendo investigados 
pela Polícia Civil; entre outros exemplos. 
Ademais, a investigação dos delitos que doravante passaram a ser considerados 
militares será feita sim pela polícia judiciária militar, mas, na esteira do 
constitucionalismo, não se confundirão as funções de investigador, acusador e 
julgador. Os delitos serão investigados pela polícia judiciária militar, leia-se, a 
corporação a que pertence o suposto autor do fato, mas a acusação caberá a 
 
 
 
 
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Promotor de Justiça de Carreira e o julgamento a Juiz Civil de Carreira, pois, na forma 
do artigo 125 da Constituição Federal, o Colegiado Militar, composto por um Juiz de 
Carreira e outros Juízes Militares designados (Oficiais da Polícia Militar), não julgam 
crimes cometidos contra civis, estes se restringem ao Júri ou ao Juiz Singular. 
A sistemática adotada para a investigação desses crimes é, pois, a mesma adotada 
para outras carreiras, e, além disso, não haverá julgamento por pares (Oficiais de 
Polícia), de modo que as assertivas de corporativismo, são, no mínimo, carregadas 
de cunho valorativo dirigido às instituições militares, mas, como se viu, destituídas de 
fundamento e comprovação. 
Afinal, sem adentrar em celeumas classistas, soluções simplistas ou discursos 
valorativos, mas atendo-se estritamente aos aspectos legais e constitucionais, a nova 
dicção do artigo 9º do Código Penal Militar traduz o anseio social de que o sistema 
penal no Brasil seja remodelado, na medida em que, ao se alterar o 
referido código para, com isso, ampliar e remeter à polícia judiciária e Justiça 
especializadas a investigação, processamento e julgamento de delitos castrenses, 
vislumbra-se a intenção de promover maior celeridade e efetividade à proteção aos 
bens jurídicos tutelados pela legislação castrense, bem como aos jurisdicionados e 
sujeitos do processo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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