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0 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA 1 SUMÁRIO 1 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA ............................................................................... 2 1.1 A relação entre estratégia e globalização ................................................ 4 1.2 Uma questão estratégica de foco ............................................................. 6 1.3 Gestão de pessoas de uma equipe de inteligência estratégica ............... 7 1.4 Três práticas ligadas .............................................................................. 18 1.5 Principais vantagens da Inteligência Estratégica ................................... 18 2 O QUE A IE NÃO É ................................................................................................ 20 3 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA ANTECIPATIVA E COLETIVA ............................ 24 4 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA NAS EMPRESAS ................................................ 33 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 36 2 1 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA https://abre.ai/dqlh A inteligência estratégica é definida como uma atividade que envolve a geração sistêmica de informações uteis no assessoramento dos processos de planejamento estratégico e tomada de decisão. Fundada nos princípios da oportunidade e pró- atividade, a inteligência estratégica favorece a atuação segura de países e organizações em contextos adversos, por meio da antecipação de ameaças, da diversificação de alternativas, e do delineamento de cenários futuros. A Inteligência Estratégica ou Competitive Intelligence como também é designada é atualmente uma das práticas emergentes mais procuradas neste momento em vários tipos de organizações, desde multinacionais e empresas de grande, média e pequena dimensão, até organizações com perfil público (fundações, instituições não lucrativas, governos), nas economias mais desenvolvidas em todo o mundo, e já a emergir também em países em vias de desenvolvimento. A Inteligência Estratégica é o conjunto de ações e processos de análise de informações relevantes para formulação de concepções ambientais que impactam, de modo amplo, na gestão estratégica das organizações. Neste sentindo, essa ideia que um Governador de um Estado do Brasil deveria de ter a preocupação aliada com a habilidade de escolher os meios certos de governar junto com a consciência de que um governo moderno e organizado só tem a dar bons resultados para o setor público, desta forma vamos encontrar um pequeno conjunto do grande potencial que o gestor tem a sua disposição para fazer a devida condução de sua equipe de governo. Embora seja um conceito menos difundido que o de inteligência competitiva, a inteligência estratégica mostra-se mais adequada a apoiar modelos de gestão superior, visto que a inteligência competitiva está mais veiculada às análises de informações de caráter do mercado. O principal foco da inteligência estratégica é o de oferecer um https://abre.ai/dqlh 3 embasamento de informações para a adequada formulação e implantação de estratégias, utilizando, de forma mais eficaz, os recursos da organização e aprimorando o processo decisório. Um conceito muito usado para falar sobre inteligência estratégica se resume em ter todas as informações disponíveis de forma rápida e segura e confiável, para acompanhar o planejamento e poder realizar simulações de cenários e possibilidades de negócios, torna-se indispensável uma ferramenta ágil e eficaz para conduzir a administração pública por exemplo. A atividade de inteligência estratégica não deve ser sazonal, ela deve ser continua e de forma evolutiva. A história da estratégia na literatura mundial é bem conhecida pelos estudiosos e assim é tida como a arte do general, ela nasceu com a função de governar nações ou comandar tropas diante de batalhas onde o inimigo se mostrava no mesmo nível de inteligência ou preparo tecnológico e bélico. O vocábulo teve sua origem na Grécia Antiga, significando, inicialmente, “a arte do geral”, adquirindo, posteriormente, uma conotação voltada para a guerra, denotando “general, arte e a ciência de conduzir um exército por um caminho”. Neste momento a diferença entre o vencedor e o perdedor surge com o desenvolvimento e o uso de estratégias de soluções de problemas para a vantagem sobre o oponente se tornar concreta e evidente, desprezar o avanço tecnológico é abrir mão da vitória, mas não podemos esquecer que a maior vantagem sobre o inimigo ainda é a inteligência. Onde ser inteligente é saber escolher a melhor alternativa entre outras opções. O termo estratégia assumiu o sentido de habilidade administrativa na época de Péricles (450 a.C.), quando passou a significar habilidades gerenciais (administrativas, de liderança, de oratória, poder). Mais tarde, no tempo de Alexandre (330 a.C.), adquiria o significado de habilidades empregadas para vencer um oponente e criar um sistema unificado de governabilidade global. Nos dias atuais fazer essa escolha requer um complexo nível de conhecimento de informações, elas devem ser filtradas e cruzadas afim de minimizar as margens de erro e originar estratégias novas e eficazes para aquele momento único. A história nos ensina que os estrategistas da antiguidade organizavam um conjunto de recursos disponíveis no momento e o transformavam em ferramentas impulsoras para alcançar seus objetivos assim como um jogador de xadrez escolhe a melhor jogada para derrotar seu oponente. Sendo assim, estratégia significava inicialmente a ação de comandar ou de conduzir exércitos em tempo de guerra para um esforço de guerra. Fazer algo diferente do previsto com a tecnologia e informações pode trazer duas possibilidades imediatas, derrota ou vitória inesperada. Abrir mão das informações externas e internas do meio de interação é abrir mão da vitória, uma boa estratégia requer entendimento sobre o assunto, o bom gestor tem capacidade de gerenciar uma equipe por que conheci bem o 4 trabalho a ser feito e conheci bem as habilidades das pessoas que a executam. Os desenvolvimentos tecnológicos e competitivos já interligam muitos negócios e estão criando novas possibilidades para a vantagem competitiva. 1.1 A relação entre estratégia e globalização A globalização é um fenômeno multidimensional que envolve a mudança na organização da atividade humana e no deslocamento do poder de uma orientação local e nacional no sentido de padrões globais, com uma crescente interconexão na esfera global. E por que não globalizar os conhecimentos e esforços para alcançar a governabilidade planejada por uma gestão inteligente que dá valor ao capital humano que foi composta para assessorar a cadeia hierárquica governamental. A tendência mundial de orientação ao mercado, o fenômeno da globalização, a busca por maior produtividade e qualidade, menores custos, e a intensidade com que surgem novas tecnologias, tornam necessário estar bem informado. Hoje em dia, estar bem informado significa muito mais do que possuir uma quantidade significativa de informações. Significa receber uma informação interessante, útil, de certa forma triada, justamente para não se encontrar atolado num oceano de informações e se "perder" no meio delas. Além disso, não basta ser algo interessante se não é atualizado, organizado e acessível. Assim, a sua pertinência é definida a partir de uma série de critérios ou características que farão com que uma determinada informação seja útil. E assim um paradoxo se estabelece: pouca ou muita informação? O que privilegiar? Como encontrar? Como selecionar aquelas de fato pertinentes? A carga de informação e a quantidade de eventos que ocorrem a cada ano é tal que quando tentamos lembrar um evento, no espaço de tempo dessa buscaem nossa mente, imaginamos ou tentamos localizar o evento bem para trás no tempo, quando, surpreso, damo-nos conta que de fato se trata de algo ocorrido muito recentemente. Todo tempo, cada vez mais, informar-se é preciso! Devemos estar atentos, escutar e conhecer o mercado, antecipar as expectativas do cliente e adaptar nossos produtos e serviços, definir procedimentos saudáveis de pós-venda. É necessário comunicar internamente, organizar e capitalizar a experiência adquirida, avaliar o desempenho, entre diversas outras atividades. Enfim, mais do que quantidade, é necessário rapidez, seletividade e qualidade na informação, que precisa ser coletada, armazenada, processada e difundida. Deve-se zelar para que a informação produzida nesse processo todo seja atual, correta, confiável e de fácil compreensão. Isso exige e pressupõe processo de trabalho, método, enfim. 5 Nós não podemos fugir das tendências mundiais de melhoria da sociedade civil, muito pelo contrário, devemos acompanhar as evoluções e propor ideias de melhorias compartilhadas, países desenvolvidos já usam a inteligência estratégica dentro do contexto civil e não mais só no ambiente militar, o mesmo deveria ser feito por nações que almejam um desenvolvimento equiparado. Pois um setor assessorado especificamente pela agência brasileira de inteligência corre o risco de ter o foco errado do problema ou escala inadequada para observação dos fatos, faltando assim uma visão regional e pontual dos fenômenos sociais exemplificando com uma agência nacional. A globalização é uma poderosa força que impulsiona o mundo na direção de uma convergência para a uniformização e essa força é a tecnologia. Ela proletarizou as comunicações, os transportes e as viagens. Ela fez de locais isolados e de povos empobrecidos em entidades ansiosas por usufruírem dos atrativos da modernidade. E assim podemos nos valer de modelos previamente testados em outras épocas e em outros lugares para usar na gestão estratégica de um município por exemplo. A tarefa de ajustar tais modelos a uma nova realidade não é obra para um homem só mas para uma equipe onde cada profissional colabore com os conhecimentos de sua área de atuação, uma verdadeira força tarefa para governar de forma descentralizada. Para muitos programas governamentais, a descentralização foi uma proposta que adquiriu relevância na maneira de implementação das políticas públicas, uma vez que o poder local se torna protagonista da articulação entre organizações governamentais, empresariais e sociais, ampliando a rede de ação pública por meio da inclusão de novos atores políticos. Com a ferramenta certa um Estado tem sua soberania de tomadas de decisões e acima de tudo pautadas em teorias de administração atualizadas e eficazes, para se falar em atualidade podemos sem medo algum falar de relacionamento social em redes. Que parece seu um assunto novo, mas não podemos esquecer que esta conexão já existia há muito tempo só que de uma forma mais lenta e mais fechada ou exclusiva como por exemplo, universidades de renomes internacionais que trocam conhecimento de alto valor científico entre si ou profissionais que restringiam o conhecimento da sua área através de linguagem técnica e especifica. E hoje em dia a internet vem como via expressa de conhecimento multifacetado onde encontramos vários níveis de informação, desde as falsas informações até as informações de classificação secreta ou oriunda de pesquisa de ponta. A inteligência coletiva é a nova forma de produzir conhecimento em rede, através de conexões sociais e de ações dirigidas por comunidades que utilizam e se apropriam de ferramentas interativas disponíveis nos ambientes de rede. Agora imagine a importância estratégica de acessar e de trabalhar com as redes sociais de hoje, este cenário virtual já existe e só está esperando ser organizado ou 6 polarizado de uma forma que seja propício aos três pilares da gestão estratégica, que são recolher informação, analisar os dados e tomar as decisões. Simplesmente não dá para comparar a competitividade do conhecimento produzido dentro das comunidades em rede com aquele ainda gerado pelos moldes antigos. A inteligência é fator decisivo na sociedade do conhecimento, será inexoravelmente mais competitivo se estiver em rede. 1.2 Uma questão estratégica de foco Saber identificar o problema é ponto fundamental para fazer as escolhas corretas das ações de acordo com as possibilidades do cenário organizacional e fazer o filtro adequado de informações, principalmente quando o uso da inteligência estratégica é necessário. O processo de gestão do conhecimento, é uma atividade independente, mas, quando ligada ao processo decisório, está fortemente ligado ao processo de gestão da informação e ao trabalho e análise da informação. A inteligência estratégica pode ser considerada síntese do processo de trabalho da informação e do conhecimento, gerando conhecimento novo capaz de indicar novos caminhos para a empresa, a inovação em si é inteligência também. Os fatos do ambiente externo são o mais difíceis de focalizar pois são problemas de natureza ativa e o interno é reativo, um exemplo dos problemas externos são as flutuações de mercado financeiro, opinião pública e crises. O exemplo do ambiente interno são as relações dos membros da equipe, mas todos os dois exemplos influenciam as deliberações das decisões e que em outros lugares adjacentes afetam a dinâmica do espaço de ação do grupo de inteligência. A estratégia não deve ser tomada por uma definição simples e determinista, de forma a não limitar a avaliação das escolhas. Uma estratégia pretendida, durante sua implantação pode em parte ser alcançada e em parte não realizada, durante o processo podem emergir novas estratégias, sendo assim a organização tem como parte de sua estratégia, moldar seu próprio plano de ação a fim de se adequar as constantes mudanças no cenário organizacional. De certo o fator externo serve como um balizador de mudanças necessárias e que o setor de inteligência deve estar atento para fazer os devidos ajustes pois este fator é ditador de mudanças deliberadas, pois as informações coletadas estão repletas de personalidades das fontes obtidas, sendo que a melhor fonte é de origem não publicada. A expressão, tudo é para ontem e se não for assim não serve representa uma situação típica de vários empresários e executivos que conhecemos. Esse enfoque é chamado de miopia estratégica, pois nessa situação as pessoas não são capazes de focar e de vislumbrar o médio nem o longo prazo, ou o que está fora de sua cidade, da sua região ou do seu país de onde poderiam estar vindos os maiores problemas ou as maiores oportunidades para a instituição. 7 1.3 Gestão de pessoas de uma equipe de inteligência estratégica Tudo começa com a composição da equipe de inteligência sendo a preocupação principal a ser buscada é a eficiência, aliada com a redução de números de integrantes, diminuindo assim o fator de descontrole interno causado pelas multiplicidades de personalidades inerentes ao psicológico humano. Outras instituições fazem o controle minucioso da vida particular e profissional de seus funcionários, diminuir essa preocupação é um problema a menos para o controle dos profissionais envolvidos. A gerência de recursos humanos consiste em atividades envolvidas no recrutamento, contratação, treinamento, desenvolvimento e compensação de todos os tipos de profissional e a condução deste departamento afetam a vantagem competitiva em qualquer empresa, através de seu papel na determinação das qualificações e da motivação dos empregados e dos custos da contratação e do treinamento. Nos dias de hoje é muito comum às pessoas terem mais de uma graduação ou especialização expandindo assim o horizonte de atuação do profissional em questão, podemos imaginaro quanto seria interessante para o grupo contar com um nível erudito e multidisciplinar elevado de sua equipe de trabalho. Quem sabe o mercado acaba desenvolvendo uma necessidade por profissionais multi-gabaritados reduzindo assim número de componente na equipe, mas não sacrificando o recurso técnico de administração e solução de problemas. As práticas estratégicas ao longo da história mudaram por completo o rumo que a sociedade humana tomou. Desta forma podemos perceber que a complexidade da sociedade altera continuamente as relações políticas mundiais, por exemplo temos as guerras Napoleônicas, as duas grandes guerras mundiais, e posteriormente a guerra fria e entre outras mais nas quais o maior artefato bélico sem dúvida é a inteligência humana, essa sim faz o diferencial incontestável diante do inimigo no campo de batalha. A estratégia é basicamente um curso de ação escolhido pela organização a partir da premissa de que uma futura e diferente posição poderá oferecer ganhos e vantagens em relação à situação presente. A estratégia e ao mesmo tempo uma arte e uma ciência, reflexão e ação ou simplesmente pensar para agir e não pensar antes de agir. Na área da gestão estratégica que está havendo um equilíbrio e uma uniformização mundial nas formas e parâmetros de como lhe dar com a informação na era da computação avançada, onde ás câmeras se tornaram presentes em celulares, leituras biométricas de digitais, e banco de dados consultáveis através de aparelhos móveis tornaram-se tão comuns quanto ás tarefas mais rotineiras do dia-a-dia. Temos que perceber que somos produtos da evolução da sociedade e estar cientes de que quanto mais capacitados somos, temos a obrigação de nortear as transformações do restante da sociedade, sempre intencionando a melhoria das práticas políticas e sociais. 8 Essas atividades são muito difíceis de serem postas em prática pelo grau de complexidade de sua natureza, mas com as ferramentas certas é possível atuar de forma eficaz diante desta tarefa especial. Quando trabalhamos sós tudo parece mais difícil, mas quando trabalhamos em equipe tudo se torna possível. Traduz-se numa prática, e num conjunto de processos através dos quais é recolhida e analisada informação sobre temas que afetem a vida das instituições (organizações, comunidades ou territórios) sejam esses temas de perfil político, social, cultural, científico e tecnológico, económico, ambiental o outro. A sua crescente popularidade advém justamente desse facto: ser uma ferramenta que consegue antecipar eventos com impacto estratégico nas organizações, comunidades e territórios. Desse modo é um instrumento de apoio à liderança e que permite tomar decisões mais preparadas, em contextos de elevada Complexidade e Mudança como aqueles que marcam hoje a dinâmica das sociedades contemporâneas". O uso da informação como fonte de tomadas de decisão é muito antigo, utilizado principalmente e com grande eficácia nas batalhas e nas guerras que assolaram a humanidade ao longo da história. No passar dos tempos, o conhecimento que tem como base o desenvolvimento da inteligência humana em seus diversos campos do saber, habilitamos a utilizá-lo em ações mais pacíficas, principalmente quando se alia a este processo o uso da inteligência. A inteligência está presente em todo o conhecimento humano, fato bem explicitado na Era da Informação, onde esta, deixou de ser gerada somente pelos cidadãos possuidores de bens e pertencentes às classes mais elitistas da sociedade, que antigamente possuíam todo o conhecimento em círculos cada vez mais fechados. No mundo atual, todos que possuam acesso a um computador conectado à internet, pode deixar sua “impressão do mundo” e esta informação poderá ser acessada por qualquer um em qualquer parte do mundo. A inteligência estratégica é essencial para que as empresas não percam tempo nem dinheiro diante da agressividade do mercado, e da necessidade de velocidade nas tomadas de decisão. Já para a área empresarial ou de gestão, a grande dificuldade na informação não é consegui-la, mais sim como “tratá-la” adequadamente e essa deficiência é responsável por mais de 70% dos fechamentos das empresas. A importância da informação como fonte criadora de mais informação e por consequência o conhecimento, sendo que por sua vez, a mais conhecimento, transformando em um ciclo cada vez mais produtivo, sendo um fator diferencial para qualquer órgão. Na área de saúde pública, como uma Política Pública essencial para a sociedade e seu desenvolvimento, o uso das informações e dados ganha uma importância ímpar, 9 pois o seu uso devidamente adequado poderá resultar em uma prestação de serviço com maior qualidade e adaptada às várias realidades encontradas no Brasil. Essa mudança torna-se cada vez mais necessária, pois ao verificar a prestação de serviço ao cidadão, evidenciamos uma realidade cruel e caótica, retratada quase que diariamente nos meios de comunicação de massa. Um dos fatores que colaboram com essa situação é falta de cultura dos gestores e da existência de métodos que primem pela qualidade dos serviços prestados pelos hospitais e centros de saúde públicos em nosso país. Com essa subutilização das informações, propomos verificar como isso pode interferir na gestão e o quanto a implantação de um Núcleo Estratégico, que trabalhará com as informações geradas, pode colaborar com a melhora desse panorama. É necessário apresentar a importância de se utilizar os conhecimentos relativos à Inteligência Estratégica nos processos decisórios da Administração Pública, principalmente nos órgãos responsáveis pelas políticas públicas e conhecer os principais fatores que dificultam a utilização por seus gestores. Como também diagnosticar como as informações são tratadas em uma Coordenação de Saúde no Distrito Federal e demonstrar a importância da análise dos dados para que fomente a criação de uma área de inteligência em ambas as esferas do poder público. Há que conhecer alguns conceitos sobre a importância do uso da informação na inteligência estratégica aplicada na Administração Pública. Para que se possa utilizar com qualidade as informações obtidas por qualquer organização, há que implantar dentro da estrutura ou através de uma assessoria um setor que trate tais informações de forma coesa e efetiva, daí surge à necessidade dos setores de inteligência. A informação só será considerada estratégica se ela contiver uma coerência e que seja útil a quem utilizá-la, seja ela na tomada de decisão, que o tempo de resposta a uma determinada ação fará total diferença na eficiência do serviço, como verificamos na área de Saúde, ou pela área de planejamento, monitoramento e avaliação ao desenvolver os Planejamentos Estratégicos. O processo de Inteligência Estratégica é percebido, por que não é possível chegar à inteligência pelo acesso passivo à informação ou apenas com o próprio conhecimento, pois a inteligência deve ser criada, com uso dos ciclos da inteligência, do processo de gestão da informação e do conhecimento, pelo qual vai se elaborando um sistema útil às instituições e ao país, integrado em sua cultura e seus cenários voltados ao futuro. No Brasil a área de inteligência está atuante desde 1927, tendo sua íntima ligação com propósitos militares, como vimos acima, tendo sua institucionalização em 1999 com a criação da Agência Brasileira de Inteligência – ABIN. 10 Com a revolução tecnológica, as informações conquistaram um local de destaque, as ciências que envolvem a informática receberam um grande impulso e a expressão “Tecnologia da Informação” passou representar todo este conhecimento gerado por meio do uso sistemático de computadores e sua importância no dia-a-dia da sociedade. Ao se obter a informação ou conhecimento e transformá-lo em inteligência, é explicado esse fluxo: 1) A obtençãodo dado, 2) A Interpretação, 3) A transformação do dado em informação, 4) A Estruturação da informação, 5) O conhecimento e 5) A aplicação do conhecimento que gerará a inteligência. O desenvolvimento dos conceitos de inteligência para a obtenção de vantagens competitivas é antigo tratando para fins militares. Após a segunda guerra mundial, o setor privado passou a utilizar-se do conhecimento estratégico no direcionamento de seus negócios. Na atualidade, a inteligência estratégica é considerada importante meio para a obtenção de conhecimento sensível por parte de Estados e empresas, que se equipam com os conhecimentos e as competências necessárias para superar as ameaças e explorar as oportunidades dos cenários internos e externos. O desenvolvimento dos conceitos de inteligência como forma de obtenção de vantagens competitivas é antigo, e trata inicialmente da inteligência para fins militares. A arte de Guerra, de Sun Tzu, datado de 500 A.C., é citada como um dos primeiros trabalhos onde a inteligência foi desenvolvida. Para definir o conceito de inteligência estratégica faz-se necessário entender a forma como a inteligência é gerada. Pode-se pensar em um processo composto por dois mundos: o físico e o mental. O processo inicia com a observação dos fenômenos reais e sua transformação em dados, os quais possuem estrutura e definição determinada (mundo físico). Na sequência há a produção de informações, as quais possuem um grau de estruturação superior que os dados gerados. A próxima etapa é a geração de conhecimento, que ocorre quando os dados já estão agregados, correlacionados e há algum significado neles. A partir deste ponto trata-se do mundo mental, onde diferentes significados para o mesmo conjunto de informações podem ser observados. As etapas seguintes consistem em transformar esses dados em informações com significado genérico, que ambientadas ao contexto e com influência de fatores pessoais adquirem significado e compreensão pessoal, formando, dessa forma, a inteligência. A sequência apresentada: dados - informação – conhecimento - inteligência pode ser entendida como um processo de comunicação, onde diferentes etapas estão envolvidas, mas devem estar encadeadas para que o fluxo seja mantido. Esta sequência pode ser aplicada a qualquer situação cujo objetivo seja desenvolver inteligência. O desafio está em decidir que informações e conhecimentos – e em que forma – são necessários. Atribuir valor à informação e transmiti-la é o maior propósito das iniciativas 11 da inteligência, tanto que os responsáveis que trabalham no desenvolvimento da inteligência nas organizações fazem parte de um grupo de profissionais que cada dia mais tem seu trabalho reconhecido devido à crescente necessidade de desenvolver vantagens competitivas nas organizações. Em uma análise da dinâmica das informações na comunicação organizacional, foram relacionados a geração da inteligência em todos os níveis à necessidade de distribuição de informações e colaboração de todos. Para eles, “a possibilidade de uma inteligência coletiva é, portanto, um dos grandes diferenciais da contemporaneidade” que só está sendo possibilitada pelas ferramentas tecnológicas modernas. Pela abrangência da inteligência organizacional, a mesma será utilizada como sendo sinônimo da inteligência estratégica, a qual pode ser definida como sendo o uso do conhecimento estratégico no processo de tomada de decisão quanto à formulação ou redefinição de estratégias adotadas por uma organização. Está baseada na economia de forças e liberdade de ação, ou seja, deve objetivar o uso e o rendimento dos recursos disponíveis e diversificar alternativas, possibilidades de iniciativa e antecipação. Definiram a Inteligência Estratégica Antecipada como sendo um sistema de monitoramento do ambiente, que visa “auxiliar as organizações na sua capacidade em antecipar alterações de seu ambiente socioeconômico, e a considerá-las na definição dos eixos estratégicos que ela deseja implantar” e tem por objetivo criar oportunidades de negócios e reduzir riscos e incertezas em geral. A inteligência estratégica tem sua conceituação baseada nos princípios da inteligência competitiva, a qual tem sido definida como sendo o conjunto de atividades através das quais as organizações determinam e compreendem o setor, identificam e compreendem os concorrentes juntamente com suas forças, fraquezas e antecipam seus movimentos. Em resumo, a inteligência competitiva consiste em analisar a concorrência através do acompanhamento de informações que possam de alguma forma impactar na sua competitividade. Inteligência competitiva é um tema em expansão na literatura de negócios na atualidade. Compreendida como um processo composto pelas etapas de planejamento, coleta, análise e disseminação, a mesma tem se tornado em um importante campo de pesquisa na atualidade, especialmente quando se analisa as suas contribuições para o processo estratégico das organizações instaladas em ambientes caracterizados por uma intensa e dinâmica competição. Buscando-se avançar a base de conhecimento existente sobre o mesmo, neste artigo verifica-se os fatores internos que são críticos para o sucesso da etapa de planejamento do respectivo processo, especificamente na tarefa de identificação das necessidades de inteligência das respectivas organizações. O planejamento é uma das principais etapas do processo de inteligência e que a identificação rápida e eficaz das necessidades de inteligência é mais complexa do que 12 se imagina, uma vez que pode envolver diversos ruídos de comunicação entre produtores e usuários dos produtos de inteligência competitiva. Constatou-se, também, que para minimizar tais ruídos, os autores têm sugerido a realização de reuniões constantes entre os mesmos, manutenção de canais de comunicação para a troca de informações e de feedbacks e a adoção de um comportamento mais proativo da equipe responsável pela geração da inteligência competitiva demandada, além de um maior envolvimento dos respectivos usuários. A Inteligência Competitiva (IC) tem sido abordada por muitos acadêmicos contemporâneos como um processo composto pelas etapas de planejamento, coleta, análise e disseminação de produtos de inteligência para os tomadores de decisões alocados em diversas unidades funcionais, especialmente nos departamentos de marketing e de planejamento estratégico. Em decorrência do aumento e da modernização da competição, percebidos em praticamente todos os setores econômicos mundiais nessas últimas décadas, observa- se que a IC tem ganhado força nos meios acadêmicos e organizacionais pela importância da mesma para o processo de formulação de estratégias competitivas, especialmente pela “promessa” de disponibilização instantânea de produtos de inteligência com alto valor agregado para a eficácia decisória. E nesses tempos de turbulência e hostilidade competitivas fatores como rapidez e eficácia decisórias podem ser determinantes para que as organizações consigam obter vantagens competitivas sustentáveis em seus respectivos mercados consumidores e setores industriais. Finalmente, para a Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva (ABRAIC) a IC é um processo informacional proativo que conduz às organizações a uma melhor tomada de decisão, seja a mesma estratégica ou operacional. Para a respectiva associação, os esforços de inteligência realizados devem permitir a descoberta das forças que regem os negócios, a redução dos riscos envolvidos no processo decisório estratégico e o condicionamento dos tomadores de decisões a agirem antecipadamente, além da proteção do conhecimento gerado, também chamado na literatura de contra inteligência. O foco da inteligência estratégica é mais amplo que o da inteligência competitiva, de mercado, tecnológica, econômica, social, etc. Consisteem relacionar o monitoramento do ambiente com as características e objetivos da organização, ou seja, considerar a estruturação dos processos de inteligência a partir das estratégias da empresa e do que se encontra na essência da estratégia. Não se trata então apenas do monitoramento da concorrência e dos clientes, mas também de outros atores e ambientes que podem interferir nos resultados da empresa, com destaque para a etapa de análise. Existem muitas definições de inteligência, todas levando em conta seleção ética e legal, coleta, processamento, interpretação e análise e distribuição de informação 13 específica e no tempo correto, sobre concorrentes e sobre o ambiente externo da Inteligência estratégica lida com analisar fontes de informações e suas técnicas analíticas apropriadas para organizar toda esta informação – que se torna inteligência somente após ser analisada. A inteligência estratégica pode ser percebida como o conhecimento sobre o ambiente de negócios da organização que tem implicações para o seu sucesso no longo prazo. Os propósitos e benefícios obtidos com a implantação de sistemas de inteligência estratégica podem ser muitos. Foram destacados como propósitos o melhor entendimento dos clientes, regulamentos, concorrentes e outros para criar novas oportunidades e prever mudanças nas buscas pela vantagem competitiva sustentável. Gerenciar e reduzir os riscos, criar conhecimento rentável, evitar excesso de informações desnecessárias, garantir privacidade e segurança da informação e entender as forças que agem no ambiente do negócio para desenvolver planos que tenham sucesso. Também são destacados determinar as competências, a estratégia e os objetivos dos concorrentes atuais e potenciais, e estudar possíveis ações futuras; identificar e definir as oportunidades e ameaças de um setor ou área; vigiar e alterar as mudanças relevantes nos mercados, clientes, tecnologia, legislação e elementos relacionados. Ressalta-se que o objetivo neste processo nunca é entender fenômenos passados, mas sim poder prever fenômenos futuros. A inteligência estratégica é baseada em dois fundamentos: um é a habilidade de encontrar a informação estratégica certa e outro é a habilidade de ver rompimentos nos padrões de comportamento e, através disso, interpretar eventos imparcialmente. A Inteligência Estratégica é o processo informacional coletivo e contínuo pelo qual um grupo de indivíduos que buscam (de forma voluntária) e utilizam informações relacionadas às mudanças susceptíveis de se produzirem no ambiente exterior da empresa, com o objetivo de criar oportunidades de negócios e de reduzir riscos e incertezas em geral. Nas últimas décadas do Século XX, a intensificação do fenômeno da globalização trouxe muitos desafios a atividade de inteligência estratégica de atores governamentais ou não em todo mundo. Os países tornaram cada vez mais interdependentes e suas fronteiras mais “porosas”. Com a revolução Cientifico-tecnológica, houve significativa mudança nas noções de tempo e espaço. Ao mesmo tempo, acirrou-se a competitividade, diversificaram-se as ameaças globais e surgiram novos temas na área de segurança internacional. O atentado de 11 de setembro de 2001 tornou mais evidente o perigo terrorista, uma entre as diversas ameaças identificadas, das quais são exemplos o crime organizado e o tráfico ilegal de armas, drogas e pessoas. É importante que a inteligência estratégica seja coerente com o seu tempo, sendo assim, na atualidade, deve adequar-se as pertinências da “Era do conhecimento”, em que a informação é considerada o recurso mais valioso. Sua gestão, que envolve coleta, 14 analise e utilização estratégica dos conhecimentos uteis a segurança do Estado e a condução dos negócios, deve ser direcionada aos fins de prevenir surpresas e conseguir vantagens diante de um cenário complexo, volátil e incerto. Diante da complexidade dos contextos nacional e internacional, exigem-se as capacidades de previsão de tendências, respostas rápidas e flexibilidade diante das mudanças. Para que a inteligência estratégica consista em poderosa aliada na condução dos negócios e da soberania estatal é preciso redefinir conceitos e métodos empregados, delimitar prioridades entre assuntos de interesse expandir as áreas de atuação na medida mais adequada a um contexto de pluralidade, capacitar a atividade em recursos materiais e humanos, entre outras urgências. A capacidade de adaptação lei da vida, dos negócios e da guerra é a habilidade destacada para o enfrentamento dos desafios do novo século. A Inteligência Estratégica (IE) está associada ao processo de análise de informações para construção de cenários macro ambientais que impactam, de modo amplo, na gestão estratégica das organizações. Embora seja um conceito menos difundido que o de Inteligência Competitiva (IC), a IE mostra-se mais adequada a apoiar modelos de gestão no ensino superior, visto que a IC está mais direcionada às análises de informações de caráter mercadológico. O principal objetivo da IE é o de oferecer um suporte de informações para a adequada formulação e implementação de estratégias, utilizando, de forma mais eficaz, os recursos da organização e aprimorando o processo decisório. A adoção de práticas de IE caracteriza a orientação da gestão de algumas organizações. A compreensão de tais práticas implica na abordagem de temas como: a) planejamento e gestão estratégica, já que as práticas de IE apoiam esses processos nas organizações; b) o conceito de Inteligência Competitiva (IC); c) a utilização de sistemas de informação; e d) o processo de tomada de decisões. A qualificação desses processos está no centro da prática de IE nas organizações e são discutidos a seguir. O planejamento estratégico exerce papel essencial na gestão organizacional, centrado primariamente na identificação de fatores competitivos de mercado e de potencial interno, com vistas a atingir objetivos e implementar planos de ação que possam vir a gerar vantagem competitiva sustentável para a organização. O planejamento estratégico é um processo gerencial que permite aos gestores estabelecer objetivos a serem alcançados por meio de todas as estruturas da organização, tendo em vista sua integração ao seu ambiente e a obtenção de alto nível de qualidade em seu desempenho. Trata-se de um processo desenvolvido em etapas, que se inicia com o diagnóstico do posicionamento estratégico da organização em relação ao mercado, procurando (a) analisar o momento atual e identificar tendências internas e externas; (b) avaliar seu impacto para a organização; e (c) definir objetivos, 15 metas e planos de ação. A fase seguinte é a da efetiva implementação, quando o que foi definido nos planos passa a ser executado. O planejamento estratégico envolve a análise das atividades no macro e micro ambientes das organizações, a fim de apoiar o processo de tomada de decisões sobre os objetivos e estratégias. O desenvolvimento e a execução do plano são de responsabilidade dos executivos da organização, após sua aprovação e validação por parte da administração superior. O planejamento estratégico é um método que se inicia pela análise do ambiente de uma organização, criando a consciência de oportunidades e de ameaças, de seus pontos fortes e fracos para o cumprimento da sua missão e, por meio dessa consciência, estabelece o propósito de direção que organização deverá seguir. As estratégias de mercado auxiliam as organizações a desenvolverem ações que beneficiem sua tomadade decisão e, por consequência, também são importantes aliadas da IE. É definida a estratégia de mercado como uma ação estruturada e desenvolvida pela organização para alcançar, de forma adequada e preferencialmente diferenciada, os objetivos idealizados para o futuro, buscando o melhor posicionamento da empresa em seu ambiente. Seguindo lógica similar, sustentam que a estratégia de mercado identifica o conjunto de negócios, mercados ou setores em que a organização compete e a distribuição de recursos entre esses negócios. O planejamento estratégico e as estratégias de mercado, portanto, são baseados fortemente em análises de micro e macro ambientes e em diagnósticos internos, bem como na definição de cenários prospectivos de mercado. A prática de IE, por seu lado, auxilia nas análises e reflexões sobre as conjunturas e mudanças do ambiente que envolve as organizações. Tais análises e reflexões são a base de uma postura de gestão estratégica, orientada a antecipar-se às mudanças, ao invés de reagir a elas. Diferindo do processo tradicional de planejamento estratégico, a gestão estratégica permite à organização adaptar sua maneira de ser, entendendo, aproveitando e antecipando as transformações em seu ambiente. Em oposição ao processo tradicional, a moderna gestão estratégica é uma forma de acrescentar novos elementos de reflexão e ação sistemática e continuada, conduzida e suportada pelos gestores da organização, a fim de avaliar a situação, elaborar um projeto e acompanhar e gerenciar os passos de implementação. As principais dificuldades de implementação das mudanças estratégicas não dizem respeito à qualidade do plano em si, mas à forma pela qual se conduz o processo de pensar e renovar a organização e à maneira de implementar e acompanhar a execução. Gestão estratégica é, portanto, um conceito muito mais amplo que o de planejamento estratégico. Engloba avaliações de diagnósticos, estruturação do processo de planejar e formular um propósito compartilhado para a organização, a escolha de 16 estratégias, a fixação de metas e desafios, até a atribuição de responsabilidades para o detalhamento dos planos e projetos e para a condução e acompanhamento das etapas de sua implantação. A gestão estratégica trata-se, de fato, de um processo sistemático, planejado, gerenciado, executado e acompanhado sob a liderança da alta administração da organização, envolvendo e comprometendo todos os gestores e colaboradores. Por meio da contínua adequação da estratégia, da capacitação e da estrutura a gestão estratégica possibilita à organização enfrentar e antecipar-se às mudanças observadas ou previsíveis em seu ambiente externo, procurando assegurar seu crescimento, continuidade e sobrevivência. Essencial à gestão estratégica é o processo de IE, baseado na coleta, no tratamento e no uso da informação para apoiar as decisões que impactam no ambiente interno e no desempenho das organizações. Ao examinar esse aspecto, apresentam uma discussão bastante completa sobre o compartilhamento da informação e do conhecimento no ambiente de pesquisa e desenvolvimento. Esses autores classificam esse processo como fonte de obtenção de vantagens competitivas. Igualmente importante para compreensão da IE é o conceito de Inteligência Competitiva (IC). De acordo com a SCIP (2005), a IC é um processo sistemático e ético para reunir, analisar e administrar informações que podem afetar planos, decisões e operações de uma empresa. Se concorda também com essa ideia, pois a IC como um processo sistêmico resultante da coleta, avaliação, análise e interpretação de dados e informações disponíveis no ambiente interno e externo, que possuam uma conexão com as características de uma determinada organização ou de áreas que subsidiam a tomada de decisão. Ou seja, a principal função da IC é apoiar a decisão gerencial. A IC permite ao gestor visualizar as alterações do mercado, os avanços dos concorrentes e compreender a estratégia proposta, com a finalidade de definir ações antecipadas com esse conhecimento. Se o conceito de IC remete a um agir estratégico com foco no ambiente de negócios, mercado e concorrência, o conceito de IE, conforme visto anteriormente, surge na literatura para demarcar um campo de integração entre a IC e Gestão Estratégica. Os processos de IE devem ser apoiados por sistemas de informação (SI) que facilitem a coleta, a análise e a disseminação dos dados e informações pela organização. Sistemas de informação são mecanismos com a função de coletar, armazenar e distribuir informações para apoiar funções gerenciais e operacionais das organizações, que precisam estar totalmente inteiradas sobre seu ambiente. A busca de conhecimento sobre clientes, fornecedores, colaboradores, legislações e concorrentes é prática essencial para a sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo como o atual. Um sistema de informações pode ser definido como um conjunto de componentes inter-relacionados trabalhando juntos para coletar, processar, armazenar, recuperar e 17 distribuir informações com a finalidade de facilitar o planejamento, o controle, a coordenação, a análise e o processo decisório em empresas. A utilização de sistemas de informação é, portanto, fundamental na análise, organização e disseminação das informações que irão apoiar o processo de tomada de decisão nas organizações. A tomada de decisão organizacional pode ser vista como o fechamento de todo esse ciclo. Após os esforços de coleta, tratamento e organização de informações gerenciais com o apoio de sistemas, por meio de um processo de IE, os gestores dispõem de subsídios para escolher a melhor orientação estratégica para sua organização. A tomada de decisão apoia-se nas informações disponíveis sobre um dado problema, de forma a propiciar ao decisor um razoável número de alternativas, dentre as quais deverá ser escolhida uma como a melhor ou a mais favorável. A tomada de decisão nada mais é, portanto, do que uma seleção entre alternativas de escolha com base em informações gerenciais. Para a execução de uma tomada de decisão eficaz é preciso que sejam disponibilizadas informações adequadas e oportunas que possuam total relevância para o processo. Portanto, independentemente do nível organizacional, o uso inteligente da informação é fundamental para a tomada de decisão qualificada, visando formular estratégias empresariais e reforçar a capacidade de competir em um ambiente de constantes mudanças. Nesse sentido, deve-se destacar que, seja no caso de IE ou de IC, a inteligência deriva de uma cultura empresarial proativa. O trabalho de inteligência é de responsabilidade e oportunidade de todo gestor, devendo estar presente nas suas ações. A primeira parte da definição nos mostra que a IE é uma “ação coordenada”: que é um processo consciente, pensado e organizado para aproveitar as informações disponíveis. A gestão da informação útil compreende três fazes “busca”, “tratamento”, “distribuição” que serão explicadas no conceito de ciclo da inteligência que será apresentado mais na frente nesse documento. Outro aspecto muito importante revelado na primeira frase é o “para uso”, em efeito, o objetivo da IE é a ação: apoiando-se sobre as informações transmitidas pelo processo, a empresa tem que tomar decisões para reagir às mudanças continuas que estão acontecendo. A segunda parte destaca que a IE é um esforço totalmente legal que respeita todas as leis dos países onde é aplicada. Outro ponto contemplado pela IE é a proteção da informação da empresa. Algumas considerações básicas permitem melhorar rapidamente os aspectos de segurança informacional. Geralmente, uma tomada de consciência já permite baixar muito esse risco: por exemplo, não trabalhar nos aeroportos sobre um assunto sensível. 18 Em seguida, a definição introduz o conceito de “informaçãoútil”, uma informação a valor agregado que é precisada a diferentes níveis da empresa para facilitar a tomada de decisão. O caráter útil de uma informação depende do contexto, falaremos desse aspecto quando abordarmos o conceito de informação estratégica. Enfim, a IE é um ciclo contínuo que gera uma visão compartilhada dos objetivos. Ponto muito importante é que a inteligência estratégica se pratica em grupo e no dia-a- dia. É importante que todos os funcionários se deem conta que têm muitas informações a ser captadas, mas que não são, simplesmente, porque as pessoas não estão atentas. De modo geral, todo mundo já faz IE nas organizações, mas sem se dar conta, sem ser um processo consciente e estruturado. A troca de informação dentro da organização e também com o exterior (com algumas precauções) é muito importante, pois, permite avaliar e dar mais valor agregado à informação. 1.4 Três práticas ligadas Inteligência Estratégica: Gestão da informação estratégica. Trata essencialmente com o ambiente exterior, pratica-se no tempo da informação que é muito veloz. Gestão do conhecimento: O “Knowledge Management” é relacionado principalmente com o ambiente interno da empresa, pratica-se com o tempo do conhecimento que é mais lento. Inteligência Competitiva: Traduzido do inglês “Competitive Intelligence” uma sob parte da Inteligência Econômica que é mais focalizado sobre o mercado e os concorrentes. 1.5 Principais vantagens da Inteligência Estratégica Estruturando um processo de IE a organização vai experimentar várias vantagens que vão chegar com o tempo. Lidando com o intangível, informação, essas vantagens são difíceis de valorar financeiramente para as empresas. Antecipar e reagir rapidamente às mudanças do ambiente Sendo informada logo, a organização tem uma capacidade de reação muito maior. Ela pode adaptar-se à mudança que está ocorrendo, ou tentar influenciar a mudança num sentido mais favorável para ela (normas, lobying...). Resumido, a IE permite adotar uma atitude realmente proativa. Identificar oportunidades / ameaças Ficando atenta e fazendo circular a informação, a organização poderá identificar mais facilmente novas oportunidades e ameaças. 19 Redução dos riscos A tomada de decisões num ambiente mais conhecido e mapeado é menos arriscada. Cabe nessa vantagem ao lado de proteção das informações da organização. Independência A IE é alimentada por várias reflexões estratégicas: grau de dependência a um Fornecedor, grau de independência tecnológica... Transversalidade A IE é um conceito que necessita de troca de informações dentro das empresas, em particular, entre funções diferentes. Ela pode facilitar uma mudança cultural progressiva para uma organização mais aberta. Funcionários implicados O fator humano é central na IE. Ela se apoia e permite formar funcionários abertos, pragmáticos que sabem em que jogo global eles estão atuando. A IE é uma filosofia que pode se compartir entre todos. 20 2 O QUE A IE NÃO É https://abre.ai/dqlT Começamos a mostrar na sessão precedente que o conceito da IE é geralmente mal-entendido e presta-se a confusão. Queremos nessa sessão quebrar algumas ideias falsas que podem ser veiculadas sobre a matéria. Espionagem A IE trabalha unicamente com informação obtidas de uma maneira totalmente legal. Os profissionais da IE se comprometem a respeitar uma ética profissional irrepreensível. Sobre a espionagem queremos acrescentar que apesar do caráter totalmente antiético da atividade, as empresas que cogitam praticá-la correm riscos demasiadamente grandes que podem conduzir à morte da organização. A propagação da paranoia A IE não procura a desenvolver a paranoia na organização bem pelo contrário. O objetivo é de ter pessoas abertas, curiosas, pragmáticas que tem consciência de estar num ambiente competitivo sem virar paranoica. É importante definir com os funcionários o que se pode falar sobre a empresa. Uma filha do marketing A IE não se interessa somente em trabalhar sobre os concorrentes e o mercado. A IE se aplica a todas as funções da empresa, cada funcionário qual seja sua função participa do processo de IE: comercial, jurídica, pesquisa e desenvolvimento... As questões colocadas pela empresa não são necessariamente vinculadas ao mercado. “Business Intelligence” A IE não é uma matéria que vem da informática. Evidentemente, a IE se pratica com ferramentas (softwares, sistemas de informações, portais de informações...) que facilitam o processo. Ressaltamos de novo a importância fundamental do fator humano 21 na IE que pode ser vista como um estado de espírito que cada um pode praticar e divulgar. A inteligência estratégica tem precisamente como objetivo o de captar, interpretar e dar valor a esses sinais. A empresa precisa estruturar e organizar essa busca que todos já fazem inconscientemente. Nesse processo o fator humano tem um papel fundamental e a tomada de consciência dos funcionários sobre esse potencial é uma necessidade. A IE é uma atitude caracterizada pela curiosidade, pela abertura e pelo pragmatismo. A implantação dessa prática nas organizações mexe com a cultura existente; consequentemente a implicação dos líderes é fundamental. No Brasil a inteligência competitiva é um pouco mais recente, mas está se desenvolvendo. A relação franco-brasileira contribuiu desde o início ao desenvolvimento da prática no país por intermédio de cursos de IE realizados em parceria. Ainda não existe no Brasil uma verdadeira ação coordenada e de grande porte para desenvolver a IE no país, mas é possível perceber que o interesse sobre o tema cresce a cada dia. Várias ações estão sendo estudadas para manter a dinâmica franco-brasileira em IE. Existe uma vontade de se apoiar sobre a lógica dos polos de competitividade franceses e dos polos tecnológicos brasileiros no sentido de trabalhar com os vértices de um triângulo formado por empresas, instituições governamentais e universidades. A CCFB criou uma comissão IE que servirá de base para as próximas iniciativas que visarão a dar prosseguimento à divulgação e ao entendimento do tema. Enfim, a Embaixada da França no Brasil tem um projeto de portal França-Brasil que também poderá servir de ferramenta de cooperação sobre o assunto. O interesse na utilização da inteligência estratégica é crescente e emerge com relação as necessidades de as organizações evoluírem e inovarem constantemente, pois a inteligência está baseada nos princípios de geração do sentido a partir da coleta de informações de clientes, fornecedores, sociedade e da própria organização, entre outros atores. Desta forma, a inteligência estratégica tem sido explorada com o objetivo de auxiliar as organizações a definirem a estratégia e a tomada de decisão adequada em um contexto de rápidas mudanças. Muitas são as estratégias, mas quais realmente são as estratégias inteligentes e como são desenvolvidas? O mundo evoluiu, as religiões, as ciências e inclusive a administração, que por conta das rupturas de paradigmas e outros fatores inumeráveis, evoluíram chegando a interminável “atualidade”. Saímos da era industrial e em apenas um século saltamos para a era do conhecimento. Portanto pessoas e organizações, novamente como em um processo cíclico, se adaptam as regras do novo jogo. Dado esse cenário e a importância que a Inteligência Estratégica possui nesse novo modelo de mundo, as organizações buscam alcançar vantagens competitivas por meio das teorias/constructos/ferramentas de gestão que estão ao seu alcance para 22 atingirem seus objetivos e melhorar sua performance. Assim, a organização pública (mais especificamente as prefeituras e secretarias municipais) também podem e devem usufruir da Inteligência Estratégica para melhorar o desempenhofrente às novas demandas e ao “novo” cidadão que surge com as mudanças de paradigmas. As atividades de inteligência que vão desde a inteligência militar, policial, estratégica, financeira, e empresarial ou competitiva, são por si só, um dos instrumentos mais estratégicos que a direção de um Estado ou de uma empresa tem em seu rol de atividades assessoriais. Pela sua natureza a inteligência é o instrumento que apresenta o rol de cenários, sempre buscando o menos crítico, para a tomada de decisões do dirigente ou Chefe de Estado. A globalização, a necessidade dos países em garantir seus mercados, produtor e consumidor, o estabelecimento de novos blocos econômicos, as redes terroristas, a espionagem promovida pelas empresas transnacionais, à dependência da alta tecnologia, e outras diversas ameaças globais, são a mola mestra na concepção dos valores de ações da Inteligência Estratégica. Assim a atividade de inteligência, seja ela Estatal ou não, possui a responsabilidade de produzir informações estratégicas para a tomada de decisões, através de uma estrutura de coleta, análise e distribuição dessas informações relativas a todo o processo decisório. A Inteligência estatal hoje, no âmbito estratégico envolve diversas áreas. Ela atua sobre temas globais, como por exemplo, o narcotráfico, o tráfico de armas, as questões ambientais e o terrorismo. Já a inteligência estratégica empresarial busca antecipar e reagir rapidamente às mudanças do ambiente corporativo, através da identificação de oportunidades ou ameaças, com a redução dos riscos, suporte a comercialização e melhoria da competitividade. A Inteligência, no universo das empresas, beneficiou-se grandemente das práticas e conhecimentos da Inteligência estatal. Muitos dos pioneiros da comunidade de inteligência empresarial, em todos os países, são originários das várias organizações governamentais que atuam neste mister. A Inteligência Estratégica deve conferir os estrategistas estatais e corporativos as condições necessárias de atuar nas diversas variáveis, objetivando alterações e modificação de meios, os quais possam permitir a construção do futuro e a realização das metas visualizadas. Entre as medidas fundamentais para a garantia da segurança estatal e/ou corporativa encontram-se na manutenção de um sistema de Inteligência estratégico eficiente e eficaz, capaz de assessorar o processo decisório e garantir a preservação do 23 Estado, da sociedade e das empresas contra ameaças reais ou eventualmente potenciais. Um dos grandes desafios da atividade de Inteligência estratégica atual é provar que ela tem razão, que os perigos são reais e existem, e que ela possui um papel imprescindível dentro da estrutura de um Estado soberano, ou de uma organização empresarial. Uma atividade de Inteligência Estratégica pode ser muito útil para a organização, pois permite: Adaptar-se às mudanças, incertezas e turbulências de seu ambiente. Definir/conduzir estratégias da organização em acordo com seu ambiente. Auxiliar a organização a integrar informações e conhecimentos em seus produtos, serviços e decisões. Utilizar os recursos da organização de forma mais adequada. Alimentar diretores com informações úteis à tomada de decisão. Informar o processo de decisão da organização: « informar a decisão » (a intenção de decisão precede a busca pela informação) e « decidir a partir de uma informação (a atenção precede a decisão). Antecipar mudanças para se beneficiar de oportunidades e proteger-se de ameaças. 24 3 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA ANTECIPATIVA E COLETIVA https://abre.ai/dqlH As organizações sempre enfrentaram a necessidade de adaptar-se às constantes mudanças de seu ambiente de negócios. Mas a abertura de mercados, a mundialização dos negócios, o crescimento da concorrência, e a aceleração das descobertas tecnológicas e das evoluções socioculturais, maximizaram tal condição. Para poder adaptar-se e viabilizar sua competitividade durável, a organização deve estar, de forma antecipada e organizada, preparada às mudanças. Para tal, é condição essencial conhecer seu ambiente e aceitar seu nível de incerteza, buscando estar atenta às mudanças que nele ocorrem, e desenvolver sua capacidade de pro ação visando um diferencial competitivo. É a oportunidade para que se estruture a atividade de Inteligência Estratégica Antecipativa e Coletiva (IEAc) de uma dada organização. Dentre os diversos desafios enfrentados pelos gestores que se encontram face às constantes mudanças em seu ambiente de negócios (sejam estas alterações advindas das relações comerciais, tecnológicas, com fornecedores ou concorrentes, etc.), está a necessidade de adaptação (gradual, evolutiva, e até mesmo uma ruptura), a qual se vê rapidamente complexa pela carga de informação e pela quantidade de eventos a serem tratados a cada espaço de tempo. Na tentativa de conduzir pelo melhor as suas decisões face a essa constante necessidade de adaptação aos problemas e desafios enfrentados diariamente, os gestores buscam, em escala que varia em função do grau de autonomia e flexibilidade gerencial, apoiar-se nas informações e opiniões de valor disponibilizadas pelo seu ambiente direto. Contudo, não raro, uma potencial efetividade decisional é influenciada pela iminente necessidade de reação, e pode transformar o momento de decisão em escolhas enviesadas pela urgência de tal resposta, impactando diretamente na solução/alternativa adotada. 25 Desta forma, a efetividade de decisão pode potencialmente encontrar-se reduzida/limitada devido à necessidade de uma rápida reação. Acredita-se que tais situações poderiam ser melhor equacionadas se os gestores pudessem responder às demandas do ambiente de negócios através de uma melhor condição de conhecimento a respeito deste. As mudanças observadas no ambiente organizacional são fortemente ligadas às novas tecnologias de informação e comunicação. No centro destas mudanças, encontra- se a organização, posicionada num ambiente representado pelos fatores tecnológicos, físicos e sociais e por um conjunto de relações entre os diferentes atores do ambiente. Neste ambiente, diversas são as relações estabelecidas (organização ↔ clientes, organização ↔ fornecedores, concorrentes ↔clientes, entre outros), as quais podem representar forças significativas se estivermos em condições de observar nelas alguns sinais anunciadores potencialmente perceptíveis ao observador atento. Através destas relações, circulam informações que podem auxiliar a organização a possuir uma melhor percepção de seu ambiente e assim se adaptar às mudanças do mercado. No método IEAc, a palavra estratégia ou estratégicca, se aplicada a uma decisão em qualquer área gerencial, significa que esta decisão possui as seguintes características: ela não é repetitiva, então o decisor é relativamente desmunido; ela não pode se apoiar em modelos já conhecidos em experiências anteriores; ela pode causar ter consequências (boas ou más) importantes e interferir gravemente na continuidade da organização; - ela é decidida em situação de incerteza. Na expressão “Inteligência Estratégica Antecipativa e Coletiva”, a palavra “estratégica” é utilizada para indicar que a IEAc tem como missão fornecer aos decisores, as informações úteis para a tomada de decisão. Essas informações são às vezes qualificadas de informações estratégicas. Por exemplo: a escolha de um novo fornecedor pode ter uma importância estratégica para uma organização industrial, enquanto que o pedido de uma comanda (algo repetitivo) não tem provavelmente uma importância estratégica em si. Inteligência: A palavra inteligência vem do latim e significa: (ligere ou legere) saber discernir elementos, fazer escolhas (eleger) dentre estes elementos(ou coletá-los); (intelligere) saber estabelecer ligações entre os elementos para formar um conjunto significativo. Este significado é exatamente o que convém no método IEAc. E este mesmo sentido pode ser utilizado para inteligência de negócios. A palavra « inteligência » é geralmente aplicada a uma pessoa considerada individualmente. No método IEAc, essa 26 palavra é aplicada a um grupo de pessoas que aceitam, voluntariamente, compartilhar (em coletivo) suas capacidades distintas de detectar eventos, de falar sobre eles, de interpretá-los em conjunto e de agir em função deles. Nestas condições, falamos então de Inteligência Coletiva: as aptidões da Inteligência Coletiva são múltiplas: captar e interpretar sinais novos, decidir como reagir, julgar se novos esquemas de ação e de raciocínio aparecem como necessários em função das novas informações, criar novas representações e novos esquemas e optar pelo mais criativo dentre aqueles imaginados. Enfim, a inteligência coletiva permite criar sentido àquilo que o sistema percebe. A IEAc envolve vários atores e seu objetivo é a ação desses atores. Trata-se de um processo de aprendizado coletivo. Onde estarão localizados os conhecimentos e a capacidade de aprendizado da organização senão nos homens que a compõem? É exatamente na inteligência e postura dessas pessoas que está a capacidade da empresa de fazer a concatenação de fatos e dados, criando representações que permitam compreender eventos futuros. Ou seja, não será o suporte propiciado pela Tecnologia da Informação o motor deste processo, mas sobretudo o comportamento de cada pessoa da organização e da organização como um todo. De fato, as informações que interessam à IEAc são aparentemente sem significado, quando vistas ou analisadas isoladamente. Entretanto, a visão que se pode ter em relação a uma situação, ou a um conjunto de informações inicialmente sem sentido, muda completamente se adotarmos uma sistemática coletiva de coleta e interpretação de informações. A questão de coletividade em IEAc representa um esforço fundamental, pois todo o processo de análise de informações exige intervenção de diversos membros da empresa, em função de suas atividades, experiências e competências. Trata-se efetivamente de um processo de aprendizagem organizacional coletivo e de gestão de conhecimentos. Enfim, a palavra "Coletiva" ligada ao conceito de Inteligência significa que várias pessoas de experiências, formação e competências e áreas diversas contribuem, com parte variável de seu tempo, para a implantação e realização de um processo de Ingeligência Estratégica. A questão de coletividade, em Inteligência, representa um esforço fundamental, pois a pesquisa, interpretação e uso das informações não pode ser uma atividade individual. Muito pelo contrário, exige intervenção de diversos membros da empresa em função de suas atividades, experiências e competências. Quando falamos de ambiente no contexto de Inteligência, de qual ambiente estamos falando? Trata-se especialmente de ambiente externo à organização. 27 Além disso, o ambiente não é um conceito abstrato e ou um objeto estático. Os atores que constituem o ambiente alvo são "nominalmente" designáveis, ou seja, constituem verdadeiros atores que são normalmente conhecidos pelos responsáveis da organização, e podem ser encontrados nos seguintes tipos de grupos: nos concorrentes, nos clientes, nos fornecedores, nos parceiros, nos patrocinadores, nos poderes públicos, nos grupos de pressão, etc. A etapa do método IEAc que permite identificar e nomear concretamente o ambiente prioritário da IEAc é a Definição de Alvo, motivo pelo qual chamamos de "público alvo". A Inteligência Estratégica visa informar os responsáveis da organização a respeito das mudanças que podem ocorrer no ambiente. Podemos classificar as mudanças em função de seu grau de continuidade: mudanças progressivas e contínuas em relação ao passado (uma tendência, por exemplo); mudanças descontínuas em relação ao passado, mas pouco supreendentes; ruptura evidente com passado, podendo constituir uma « catástrophe » em certos casos. A Inteligência Estratégica busca priorizar atenção às descontinuidades e às rupturas. As mudanças também podem ocorrer à diferentes ritmos: mudanças lentas; mudanças em aceleração, mas numa mesma direção; mudanças numerosas e em todos os sentidos, caóticas. A Inteligência Estratégica busca priorizar atenção às acelerações e às mudanças desordenadas. Descontinuidades, rupturas, aceleração de ritmos, caos... são características da incerteza que pode caracterizar o ambiente da organização no qual decisões estratégicas são tomadas. A incerteza pode traduzir diversas situações possíveis e não exclusivas. Por exemplo: O indivíduo não possui informações necessárias. A solução seria então procurar novas informações. 28 O indivíduo está submerso em informações. A solução seria definir um alvo para então selecionar informações. As informações disponíveis são ambíguas. A solução estaria principalmente na interpretação coletiva da informação. Certos autores falam mais de incerteza percebida do que de incerteza objetiva. Mas uma percepção não é um dado, e sim um construto por parte do indivíduo, mesmo se ele não tiver consciência disto. Dentre os elementos desta construção, aparecem os conhecimentos e as informações que o indivíduo dispõe num determinado momento. E é por isto que certos autores falam de « incerteza informacionalmente percebida », para assinalar o papel essencial da informação disponível naquele momento e a forma como ela é utilizada na percepção da incerteza do ambiente organizacional. Isto é essencialmente válido para os responsáveis, pois quanto maior for a incerteza percebida, maior seria a necessidade de busca de informações no ambiente. Dizer que um responsável encontra-se "mergulhado na incerteza" significa que ele dispõe de informações com as seguintes características: informações fragmentadas, incompletas, imprecisas, incertas, ambíguas, pouco confiáveis. Dentre essas informações podem existir, eventualmente, alguns sinais fracos. Estas características de informações são fundamentais no método IEAc, especialmente nas etapas de Criação Coletiva de Sentido e Seleção de Informações. Dizemos que a IEAc é um processo Proativo e Voluntário porque se trata de uma atividade especial. Tomando como exemplo a contabilidade da organização, que também é um dispositivo informacional, podemos dizer que se trata de algo obrigatório, imposto pela lei e regido por diversas regulamentações. Ou seja, não se trata de um esforço voluntário, e sim de algo que deve ser realizado. Por visar um objetivo criativo, a IEAc não poderia ser um ato passivo, limitado a um simples monitoramento do ambiente. Ao contrário, trata-se de um ato voluntário, que exige curiosidade ativa e um comportamento proativo na direção de informações antecipativas, de forma a ficar atento para poder captar informações. Por vezes é mesmo possível provocar tais informações. A IEAc não pode ser imposta por nada nem ninguém. Ele somente pode existir se houver uma vontade voluntária dos responsáveis da organização; uma vontade que deve estar acompanhada de atos efetivos. Ela resulta de um ato proativo de responsáveis que desejam estar à frente e não se deixar conduzir pelos eventos de seu ambiente. A vontade proativa é de fato um fator crítico de sucesso (ou de fracasso, de acordo com o caso) da IEAc. A tendência mundial de orientação ao mercado, o fenômeno da globalização, a busca por maior produtividade e qualidade, menores custos, e a intensidade com que surgem novas tecnologias, tornam necessário estar bem informado. Hoje em dia, estar 29 bem informado significa muito mais do que possuir umaquantidade significativa de informações. Significa receber uma informação interessante, útil, de certa forma triada, justamente para não se encontrar atolado num oceano de informações e se "perder" no meio delas. Além disso, não basta ser uma informação interessante se ela não é atualizada, organizada e acessível. Assim, a pertinência de uma informação é definida a partir de uma série de critérios ou características que farão com que uma determinada informação seja útil. E assim um paradoxo se estabelece: pouca ou muita informação? O que privilegiar? Como encontrar? Como selecionar aquelas de fato pertinentes? A carga de informação e a quantidade de eventos que ocorrem a cada ano é tal que quando tentamos lembrar um evento, no espaço de tempo dessa busca em nossa mente, imaginamos ou tentamos localizar o evento bem para trás no tempo, quando, surpreso, damo-nos conta que de fato se trata de algo ocorrido muito recentemente. Todo tempo, cada vez mais, informar-se é preciso! Devemos estar atentos, escutar e conhecer o mercado, antecipar as expectativas do cliente e adaptar nossos produtos e serviços, definir procedimentos saudáveis de pós-venda. É necessário comunicar internamente, organizar e capitalizar a experiência adquirida, avaliar o desempenho, entre diversas outras atividades. Enfim, mais do que quantidade, é necessário rapidez, seletividade e qualidade na informação, que precisa ser coletada, armazenada, processada e difundida. Deve-se zelar para que a informação produzida nesse processo todo seja atual, correta, confiável e de fácil compreensão. Nas organizações tem sido valorizada a criação de sistemas, representados no ciclo da inteligência estratégica, a fim de otimizar a utilização de informação informal que contribui com conteúdo inovador, tendo o auxílio da informação formal. Ressaltam que o uso de sistemas de inteligência estratégica em organizações proporciona, dentre outros: “antecipar mudanças no ambiente de negócios; descobrir concorrentes novos ou potenciais; antecipar as ações dos atuais concorrentes e aprender sobre mudanças, regulatórias ou legislativas que possam afetar seu negócio”. A criação de um sistema de inteligência estratégica obedece às seguintes etapas do ciclo de inteligência estratégica definido por Herring: a) avaliação das necessidades: identificar tópicos de inteligência ou necessidades, isto é, planejamento e condução; b) planejamento: criação da base de conhecimento, isto é, processamento e armazenamento da informação; c) coleta de dados: coleta e registro da inteligência, isto é, coleta de informações; d) análise: transformação da inteligência em algo acionável e compreensivo, isto é, análise e produção; apresentação de resultados: e) disseminação do trabalho de inteligência, isto é, apresentação de resultados para tomada de decisão. Esse ciclo é formado por cinco etapas semelhantes à apresentada por Herring: a) identificação das necessidades de informação, em que são definidos os setores e atores do ambiente externo que mais afetam o negócio da organização; b) coleta das 30 informações para se levantar as fontes de informação, a coleta das informações e seu tratamento; c) análise das informações, em que se transformam as informações coletadas em avaliação significativa, completa e confiável; d) disseminação, para entregar a informação avaliada aos tomadores de decisão; e) avaliação que deve ser realizada em cada fase do sistema e junto aos usuários do sistema. Observa-se, portanto, que agrupam a segunda e terceira fases e são sugeridos como a quinta fase a avaliação, não adotada por Herring. Nesse caso, destaca-se a importância da avaliação no processo de inteligência estratégica, para verificar o andamento das metas ou ações, a fim de rever e/ou alterar no que for preciso, além de saber se a inteligência está sendo efetivada de fato. Esse ciclo de inteligência estratégica, apontando como fases para um sistema de Inteligência: o planejamento – para identificar ameaças em relação às ações da concorrência; a coleta – processo de buscar dados que possam ser utilizados para tomada de decisão; a análise – observando a fonte e a veracidade dos dados, esses são avaliados e detalhados para fazer sentido aos tomadores de decisão; a difusão – diz respeito ao fornecimento das informações pertinentes para monitorar a concorrência e atuar com inteligência no setor. Ressalta-se que as etapas estabelecidas no sistema de inteligência estratégica buscam interpretar o ambiente interno e externo do setor, com o objetivo de reduzir as incertezas, servindo de base para as decisões a serem tomadas,o problema não está no acesso à informação, mas em como “decifrar o seu valor estratégico para utilizá-la no momento apropriado”. São percebidas pequenas diferenças entre as propostas dos autores citados, sendo que a importância recai na transformação das informações em inteligência, marcada na fase de análise da informação, considerada como “gerador de inteligência”. Na prática da inteligência estratégica (IE) é necessário que se faça um diagnóstico do setor em relação às informações, isto é, a análise da situação atual, identificando as informações, as oportunidades e desafios, diretrizes para o uso da informação estratégica. Isso deve ser estabelecido em um plano de ação, descrito a seguir, ressaltando-se a necessidade de implementação desse plano: a) identificar as informações – pensando o setor; b) identificar oportunidades e desafios para a aplicação de IE no setor; c) definir diretrizes para o uso de IE no setor, incluindo o estabelecimento de prioridades; d) elaborar plano de ação para implementar a IE no setor; e) estabelecer os “próximos passos” para a implementação. Na identificação das informações, questiona-se: o que é o setor? Como atua? Como é o ambiente externo (conhecer); Como a IE ocorre? Quais as estratégias e objetivos? O que fazer para que aconteça efetivamente? As oportunidades e desafios para aplicar a inteligência estratégica são investigados por: o que se conhece do 31 ambiente externo? A coleta de informações desse ambiente é eficaz? Qual a relevância das informações coletadas? As prioridades para estabelecimento de diretrizes para o uso de inteligência estratégica são respondidas pela questão: quais as informações que ajudam a entender melhor as ações no setor (de forma positiva: oportunidades; de forma negativa: ameaças)? Na implementação da inteligência estratégica é elaborado plano de ação, com informações do ambiente interno (potencialidades e fragilidades) e do externo (oportunidades e ameaças) do setor, sendo para os próximos passos, questionado sobre: quem será responsável pela coleta de informações? O que será coletado? Por que esta informação é importante? Quando esta informação será coletada? Onde esta informação será encontrada? Como esta informação será encontrada? Quanto custa esta informação? Ter informação, portanto, é imprescindível, principalmente quando se considera as demandas da sociedade, ressaltando-se que essa informação deve ser adequada e de qualidade, permitindo a competitividade e a eficiência nos setores privado e público, com a criação e monitoramento de sistemas de inteligência estratégica nas diversas políticas públicas setoriais. São identificados diferentes tipos de produtos de inteligência estratégica, de acordo com as necessidades estabelecidas no sistema, servindo para apoiar os tomadores de decisão, com resultado de técnicas e modelos aplicados na coleta de dados e da interpretação dos fatos para a organização. Para se conseguir gerar bons produtos de inteligência é necessário observar alguns dos problemas que devem ser enfrentados como: fonte de informação desatualizada, dispersa e de baixa confiabilidade, além da grande oferta de informação. Para verificação de que esteja ocorrendo ação de inteligênciaestratégica, são apontadas como indicadores: a economia de tempo, a poupança nos custos, formas de evitar algum custo e a melhoria da receita. Além desses indicadores, outros podem ser adotados para o alcance de ações governamentais pautadas na inteligência estratégica, por exemplo, a institucionalização, o planejamento e as estratégias do setor. Os indicadores relativos à institucionalização perpassam pela necessidade de integração dos organismos governamentais ou não, buscando evitar o que ocorre atualmente, com a dispersão excessiva de papéis por diversos atores envolvidos quando da definição de políticas de um determinado setor. No planejamento do setor, a preocupação se volta às reais necessidades dos tomadores de decisões desse setor, identificando-se, então, a especificidade de cada região, ressaltando-se os interesses coletivos e não os individuais. 32 Desenvolver estratégias para o setor público, apresentado a seguir, remete usar a inteligência que contribui agregando valor à coleta, obtenção, sistematização, análise e disseminação de informação estratégica, bem como ao planejamento estratégico, que fundamentará nas melhores ações. Pelo exposto, percebe-se a necessidade de se fazer uso da inteligência estratégica para a tomada de decisão no saneamento básico, visando melhorar a qualidade da informação hoje disponibilizada, para, assim, aumentar os índices de atendimento do setor, os quais afetarão outros setores como o da saúde e meio ambiente. 33 4 INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA NAS EMPRESAS https://abre.ai/dqlM Os contextos econômicos, políticos, regulatórios, tecnológicos ou sociais estão estreitamente interconectados, e uma má interpretação desta complexa realidade pode levar empresas e organizações a decisões equivocadas. Para evitar esta situação, devemos melhorar nossa capacidade de estabelecer uma imagem autêntica da realidade e, sobretudo, de como esta pode afetar o futuro da companhia. A história de inúmeras companhias, algumas desaparecidas por não terem interpretado corretamente a informação e o contexto competitivo, e outras que souberam manter-se, frente a mudanças vertiginosas, fazendo uso da informação como fator de transformação, nos demonstram que o conhecimento e a antecipação durante a tomada de decisões possui, na atualidade, um valor incalculável para toda organização que deseja competir nas melhores condições. Mas não tenha dúvida: a empresa precisa ser capaz de elaborar decisões inteligentes, que consistem em inserir suas decisões nos contextos sociais, políticos, econômicos e culturais onde irão obter os maiores benefícios, entendidos não apenas em sua acepção estritamente material ou monetária, mas ainda em termos muito mais amplos, que são os de gerar valor compartilhado. A inteligência das empresas consiste na acumulação de conhecimentos de diferentes naturezas, em seu processamento e análise e na adoção de decisões coerentes com as conclusões que possa ter sido obtido deste processo de reflexão. Para garantir o sucesso de implementação e institucionalização da inteligência estratégica são necessários o alinhamento com os objetivos estratégicos da empresa/ organização, a forte mudança cultural, a implementação de novos processos formais e 34 práticas informais, o uso de tecnologias de informação e comunicação, a governança bem articulada e estruturada e a medição de resultados. Para o alinhamento com os objetivos estratégicos da organização, são definidos tópicos e questões chave de inteligência, a fim de se atingir o foco das necessidades de inteligência dos gestores e do planejamento estratégico da empresa, o que facilita o processo de coleta, análise e disseminação de informações de acordo com o interesse da empresa, assim como o compartilhamento de conhecimento. Os mercados abrigam mais novidades pela entrada e saída de novos agentes do que pela transformação das empresas que já estão nele. A vantagem mais sustentável que cabe aspirar é a superioridade no processo de tomada de decisão e a alimentação destas com a melhor inteligência. A boa inteligência – conhecimento vinculado à tomada de decisões – é uma combinação afortunada de absorção e de ação, orientada a apoiar a empresa na execução do seu objetivo alimentando sua capacidade de adaptação. Terão melhor inteligência aquelas empresas cujos membros sejam todos captadores e usuários de inteligência, onde esta é distribuída para aqueles que podem fazer bom uso dela, e onde se priorize o necessário em cada momento para armazenar o potencialmente interessante no futuro. O valor da inteligência é dado pela contundência com que reforça a capacidade da empresa de tomar medidas necessárias para enfrentar o futuro e evoluir. Há pelo menos três falhas de inteligência que podem acometer as empresas, ainda que não falte informação: que não cheguem ao lugar certo, que mesmo estando no lugar certo não se empreenda a ação necessária ou que não seja realizada a tempo. Até o final dos anos 70, o foco se limitava à captação de dados. Na década de 80, surgiu a análise setorial. Uma década mais tarde, se incorporaria o estudo do processo de tomada de decisão e seu impacto sobre os resultados corporativos. Finalmente, foi incorporado o estudo do comportamento humano e seu impacto sobre a geração e a circulação da informação capaz de ser transformado em inteligência. Deslocou-se a atenção dos dados brutos para a geração de perguntas. A potência das respostas vem determinada pela pertinência de nossas perguntas, pois estas delimitam o campo de nossa compreensão da realidade que, por sua vez, vem condicionada pela qualidade da nossa inteligência prévia. Esta sensibilidade ao fator humano é apenas uma das razões pelas quais a inteligência competitiva vai muito além dos estudos de mercado. Ela é um processo cíclico e interativo, que embora se alimente de informação, busca identificar lacunas de conhecimento e captar sinais do ambiente. Aspira identificar oportunidades e reduzir incertezas. Onde estudos de mercado se concentram no presente, a inteligência competitiva projeta-se em direção ao futuro, mas sem deixar de rever o passado. Observam que a inteligência estratégica é um trabalho que precisa de coordenação técnica e especializada, mas que envolve, principalmente, de mudança 35 cultural, engajamento dos membros da empresa/organização/ setor em sua missão e objetivos. A inteligência estratégica bem definida e documentada implementa novos processos formais e práticas informais no setor, uma vez que há pouco foco na aplicação do conhecimento gerado ou compartilhado e não ocorre o benefício das informações e conhecimentos existentes na organização de forma otimizada. A governança bem articulada e estruturada é necessária para o sucesso das iniciativas de inteligência estratégica. Dessa forma, são definidos as atribuições, papéis e responsabilidades dos vários atores e stakeholders que estão envolvidos no sistema de inteligência. Ressalta-se, no entanto, que a implementação dessas atividades de inteligência estratégica é imprescindível e necessária, pois a medição dos resultados do sistema é avaliada, constantemente, a fim de conhecer os benefícios ou restrições nas ações de inteligência. Portanto, as organizações e os países que compreendem a importância da informação e do conhecimento tanto do ponto de vista econômico como social, estabelecem em suas políticas gerenciais e políticas a prioridade desses recursos, ressaltando a utilização de ferramentas como a gestão do conhecimento e a inteligência estratégica. 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEAL, Adriana. Gestão estratégica da informação: como transformar a informação e a tecnologia da informaçãoem fatores de crescimento e de alto desempenho nas organizações/ Adriana Beal; - 3 reimpr. São Paulo: Atlas,2008. CAVALCATI, Marcos, 1958- O conhecimento em rede: como implantar projetos de inteligência coletiva. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. CHIAVENATO, Idalberto. Planejamento estratégico/ Idalberto Chiavenato, Arão Sapiro. - 2ª ED.- Rio de Janeiro: Elsevier, 2009- 6ª reimpressão. COUTINHO, André Ribeiro; KALLÁS, David. Estratégia em ação: uma ideia que deu certo. In: COUTINHO, André Ribeiro; KALLÁS, David (Org.). Gestão da estratégia.5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p. 3 – 14. FULD, Leonard M. Inteligência competitiva: como se manter à frente dos movimentos da concorrência e do mercado. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. FROTA, Luiz Carlos Miranda. Inteligência nas organizações públicas de saúde: Soluções e informações estratégicas para gestão. 2009. 108 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. JANISSEK-MUNIZ, R.; FREITAS, H.; LESCA, H.; CARON-FASAN, M.L. Inteligência Estratégica Antecipativa e Coletiva (IEAc): transferência e adaptação de conhecimentos metodológicos visando propor soluções e promover a IEAc no Brasil. In:ENANPAD, 2005, Brasília, AnaisS Brasília/DF: ANPAD, 2005. RELATÓRIO MARTRE “Intelligence économique et stratégie des entreprises”. In Seminário Internacional Inteligência Estratégica, 2007, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba. Disponível em http://www.cendotec.org.br/pdf/dossierinteligencia.pdf SANTOS, Raimundo Nonato Macedo. Métodos e ferramentas para a gestão de inteligência e do conhecimento. Obtido via internet WWW. Acesso em 10 de mar. De 2012. Fonte http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/125/322. 37