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AULA 2 GESTÃO DE COMPLIANCE Prof. Alexandre Francisco de Andrade 2 TEMA 1 – FUNÇÃO DE COMPLIANCE Muitas empresas realizam estudos de risco de compliance, para obter informações sobre as diferentes estratégias que outras empresas estão buscando para criar suas funções de compliance, principalmente, que atendam às demandas de um setor financeiro que muda constantemente. Ao longo dos últimos anos, observamos instituições financeiras iniciando um ciclo de mudanças com reestruturações estratégicas, envolvendo toda a organização e as tecnologias aplicadas, para solidificar a imagem da empresa diante de seus clientes e fornecedores. Assim, a importância da função de compliance é de proteger, aprimorar o valor e a reputação das empresas. Nesse processo, a função de compliance entra nos pilares da gestão organizacional, principalmente na área financeira, que, em direção às estratégias impulsionadas pela inovação, precisam alinhar seus processos, cumprir com as normas e os procedimentos no mercado em que atuam e, assim, entregar os resultados de gerenciamento de riscos necessários. Pensando nos elementos principais para um programa ou mecanismos de compliance que tenham efetividade, Veríssimo (2017) passa à análise dessa efetividade do compliance pela verificação em que extensão: a identificação e a avaliação dos riscos (internos e externos) é adequada; as medidas e procedimentos de compliance estão adequadas aos riscos de corrupção e à natureza, escala e complexidade das atividades da empresa; existe uma cultura de compliance; há comprometimento da alta direção da empresa, demonstrado por meio de manifestações e atos gerenciais concretos; a política anticorrupção é claramente articulada e continuamente comunicada a todos os empregados, agentes e terceiros; os danos causados são reparados; há devida diligência (prévia e posterior) nos processos de fusões, aquisições e reestruturações societárias para verificar irregularidades, ilícitos ou vulnerabilidades nas pessoas jurídicas envolvidas; programa de compliance é continuamente monitorado e aperfeiçoado; o montante dos recursos (pessoal, estrutura e financeiro) dedicados à função de compliance é suficiente para o exercício de suas tarefas; 3 há independência na função de compliance, havendo um acompanhamento e controle por um ou mais executivos em posições altas na hierarquia da empresa; treinamentos periódicos são realizados, alcançando todos os empregados, de forma adequada a sua compreensão e a suas funções na organização; há confidencialidade dos canais de denúncia, proteção aos denunciantes de boa-fé, e formas de acompanhar o resultado das denúncias; há casos de violação ao programa detectados; há investigações internas realizadas; houve aplicação de medidas disciplinares; mudanças e melhorias foram feitas no programa ou nas rotinas ou procedimentos da empresa em decorrência dos fatos ocorridos. Para refletir Como está a função de compliance na sua empresa? O compliance está envolvido em treinamentos e decisões relevantes para uma possível conduta imprópria? As funções de compliance ou controle internos relevantes, por exemplo, o jurídico, as finanças ou a auditoria, levantam preocupação na área em que ocorre uma má conduta? Com as mudanças atuais ocorendo nesta era de transformação digital, o compliance se ajustou, permanecendo como uma importante função de consultoria, e também adotou as responsabilidades de gerenciamento de riscos. As empresas estão vivenciando uma rápida evolução, com um tempo entre os principais eventos em constante diminuição, o compliance precisa sempre de abordagens novas e de uma visão de futuro quanto ao monitoramento contínuo para avaliar e melhorar sua capacidade em um cenário de serviços que está sujeito a interrupções e mudanças. Dessa maneira, a função de compliance, do ponto de vista do órgão regulador, é assistir aos gestores no gerenciamento do risco de compliance, quanto ao risco de sanções legais ou regulatórias, perdas financeiras ou até a perda da reputação como resultado do não cumprimento de disposições legais, regulamentares, códigos de conduta etc. (Silva, 2015). Determinadas empresas enfrentam muitos obstáculos na função de compliance, pois à medida que procuram aprimorar suas habilidades e 4 capacidades exigem-se mais elementos importantes, e as empresas acabam deparando com determinadas barreiras, como: O compliance já não pode contar com a adição de pessoal para aumentar a sua eficácia. Os gastos em compliance aumentam com a transformação e a implantação da tecnologia para apoiar e melhorar a eficiência nos processos. Para obter retornos em investimentos em tecnologia, o compliance precisa realizar treinamentos, para melhorar habilidades necessárias para atender a novos riscos, e os investimentos planejados em tecnologia podem ter um retorno limitado se os responsáveis pelo compliance não o implantarem com eficácia, provendo efetividade com as ferramentas adquiridas. A qualidade de dados apurados pode impactar no andamento do negócio e no uso das capacidades tecnológicas, pois abordagens diferentes sem conhecimento do compliance criaram novas barreiras. O compliance pode estar muito focado nos principais riscos que um setor da empresa enfrenta, atualmente, como: risco cibernético, crimes financeiros e fraudes. E acaba não se concentrando nos riscos que estão surgindo, como: a proliferação de moedas virtuais, novas preocupações sobre conduta corporativa e uma abordagem responsável para o uso da inteligência artificial. A função de compliance deve estar atenta e tomar uma postura mais cautelosa por meio do gerenciamento de compliance em relação à inovação, pois as mudanças das regras mudam o caminho das organizações; e o foco nos setores de atuação em meio à crescente volatilidade e complexidade pode identificar as mudanças necessárias no modelo operacional e tecnológico. A função de compliance não é exclusiva do setor financeiro, pois vai muito além, por exemplo, de um crime financeiro; essa função deve ter recursos humanos especializados com equipes alto gerenciáveis e com conhecimento. Dessa maneira, determinados fatores relativos a uma função de compliance mantêm um programa de compliance eficaz e ético, são eles: os recursos da empresa devem ser dedicados ao compliance; a qualidade e a experiência dos envolvidos no compliance devem entender e identificar transações ou atividades que representam risco potencial; 5 autoridade, independência e disponibilidade de apresentar todo o conhecimento de compliance para a alta gestão; a compensação e a promoção dos envolvidos no compliance, com base em seus papéis, responsabilidades, desempenho e demais fatores; uma estrutura de relatórios que os envolvidos no compliance ou os contratados pela empresa devem usar. Não teremos empresas com uma função de compliance específica, mas elas deixaram com alguma já existente. Para De Cicco (2017), ao atribuir a responsabilidade pela gestão de compliance, convém assegurar que a função de compliance não tenha conflito de interesses e tenha demosntrado: integridade e comprometimento com o compliance; comunicação eficaz e habilidades de influência; uma capacidade e legitimidade para comandar a aceitação de aconselhamento e orientação; e competência pertinente. TEMA 2 – O COMITÊ O comitê de compliance é responsável pela avaliação e priorização periódicas das áreas de risco de compliance, pelas melhores práticas do programa de compliance e pelo desenvolvimento de ferramentas e mecanismos de monitoramento corporativos para aumentar a eficiência e a eficácia das atividades de conformidade da empresa. Dessa maneira, é primordialter um profissional dedicado para desenvolvê-lo, operá-lo e monitorá-lo (Cruz, 2017). A equipe do comitê é formada de especialistas no assunto que atuam na área de risco; são gerentes sêniores com responsabilidade de compliance, focados nas áreas de risco; estes são nomeados como comitê de ética e compliance, que atuam na base dos negócios e com participação ativa por meio de reuniões. O comitê de compliance se reúne para analisar as atividades do programa de compliance, e seus membros apresentam relatórios de progresso sobre a situação dos esforços de compliance para as áreas de risco especificadas, como mudanças na área de risco ou novas avaliações do nível de risco. Nessa reunião, discutem-se todos os temas e as necessidades de possíveis enforcement ao compliance para implementação de medidas que sejam necessárias da forma adequada (Cruz, 2017). Os relatórios apresentados pelo responsável do cômite (compliance officer) como parte do processo de avaliação periódica de riscos são fornecidos por 6 escrito sobre as áreas de risco de compliance, abrangendo a adequação das políticas corporativas, instruções, procedimentos, entres outros importantes. Dessa maneira, definem e implementam programas para qualquer mudança regulatória, política ou legal significativa das áreas de responsabilidade do negócio da empresa; e qualquer novo risco que precise ser abordado. Para Cruz (2017), o responsável do cômite de compliance deve reportar ao cargo mais alto da empresa, para indicar revisões e alterações na estrutura da empresa, coordenar e implementar programas de treinamento, liderar investigações de supostas infrações e garantir as medidas corretivas necesárias. O corpo executivo de ética e compliance alinhado ao negócio da empresa e ao cômite fornece planos de treinamentos de compliance e avaliação anual para qualquer elemento adicional defenido em suas atividades (Figura 1) necessário ao processo da empresa, além de cursos básicos de compliance, pois a efetividade de um programa de compliance requer a participação efetiva de todos os níveis da empresa, e todos devem entender os objetivos individuais e coletivos – envolvimento e cumprimento das normas (Cruz, 2017). Figura 1 – Atividades principais Fonte: Cruz, 2017. O comitê de compliance é um órgão consultivo que cumpre com suas responsabilidades, tendo autonomia na empresa sobre as questões legais, de risco e compliance. Dessa maneira, o compliance, o direito e a ética estão apoiados nas responsabilidades administrativas, como um conselho administrativo e seus diretores ou uma assembleia formada. O comitê de compliance atenderá às seguintes responsabilidades: Supervisão das regras Supervisão dos controles Supervisão dos procedimentos internos Mitigar riscos operacionais, regulatórios, reputacionais e legais 7 definir, divulgar e revisar os procedimentos de manuais, do código de ética e políticas; rever todos os aspectos de compliance; fornecer orientação aos colaboradores sobre o compliance; rever as informações para o cumprimento das normas e processo de compliance; apurar e tomar decisões de risco, de compliance, conflitos de interesse pessoal e profissional, da prevenção de erros e fraudes; identificar e discutir problemas relacionados à implementação e ao cumprimento efetivo das medidas de conservação e gestão de compliance; promover a divulgação e a aplicação dos conceitos de ética nas atividades dos processos da empresa; garantir o sigilo e preservar as informações de qualquer denunciante e das infrações contra as políticas e condutas da empresa; ter o apoio da auditoria interna ou externa; aplicar sanções aos colaboradores e aplicar as penalidades sob a avaliação da alta direção. Saiba mais Você sabia que, um comitê de auditoria deve assegurar que a organização implemente mecanismos práticos para receber, reter e tratar informações e denúncias? E que estes mecanismos devem garantir sigilo e assegurar o anonimato daqueles que tomam a iniciativa do uso do canal? (Neves, 2018). O comitê de compliance tem como objetivos principais conduzir as discussões técnicas, preparar avaliações e documentos, ou seja, ter uma carga de trabalho que lidará dentro da estrutura de compliance; nesse processo, o comitê apresenta suas conclusões para o conselho administrativo da empresa, para possíveis deliberações com a equipe de compliance. Para que um programa de compliance seja efetivo, o comitê deve atuar em conjunto com os governantes corporativos, os auditores internos, a equipe de compliance e o comitê de ética, para delinear e complementar seus trabalhos dentro das diretrizes da empresa. 8 TEMA 3 – COMPLIANCE OFFICER O compliance officer tem um papel responsável no programa de compliance, em algumas empresas é conhecido como gerente de conformidade; ele busca garantir que uma empresa esteja conduzindo seus negócios em total conformidade com todas as leis, regulamentos nacionais e internacionais pertinentes ao seu setor específico, buscando o cumprimento das regras e efetua testes de aderência (Assi, 2018). Em conjunto com a auditoria, o compliance officer atua nas práticas e padrões internos como suporte ao processo de negócio de uma empresa, ou seja, para que uma empresa esteja em conformidade com o compliance, todos devem fazer a proteção da empresa, e o compliance officer já é uma solução que atua nos canais de comunicação e nas questões de políticas de conduta e ética (Assi, 2018). Figura 2 – Competências do compliance officer Fonte: Assi, 2018. Os responsáveis pelo compliance devem ter certo conhecimento e intuitivo dos objetivos e da cultura da empresa, políticas e padrões de conformidade. Estes cobram de todos um perfil de conformidade para salvaguardar a imagem e a reputação da organização (ASSI, 2018). O compliance officer e os demais envolvidos em o compliance são cobrados não apenas por manter os negócios da empresa eficazmente sólidos e legalmente intocados, mas também por treinar os funcionários e inserir práticas que garantam o mais alto nível de conformidade. De acordo com Assi (2018), o compliance officer é a solução dos problemas de governaça, pois faz cumprir as regras e testa a aderência para auxiliar a gestão de processos, em conjunto com a auditoria, e isso pode ser aplicado em qualquer negócio. COMPLIANCE OFFICER Componente ético para o compliance Gerenciamento de riscos Mantém reputação positiva Evita ações judiciais 9 O compliance officer delegado como titular da empresa, citado por Silveira (2015), sendo funcionário, um diretor ou um resposnsável pelo controle interno, tem por missão a implementação, cumprimento dos códigos e das diretrizes de acordo com as regulamentações da empresa. Dessa maneira, “o compliance officer pode e deve fazer o impossível para evitar qualquer tipo de conduta ilícita ou indesejada”. Para Silva e Covac (2015), as estruturas organizacionais dos programas de compliance preveem em geral a figura do compliance officer: [...] termo em inglês que significa, ipsis litteris, “oficial de conformidade”. O compliance officer é um profissional altamente qualificado, nomeado pela instituição para supervisionar o cumprimento das leis e dos regulamentos da organização, seguindo as estratégias de compliance adotadas. (Silva; Covac, 2015) Figura 3 – Termos que resumem as funções do compliance officer Fonte: Silva; Covac, 2015. Quando tratamos dos níveis de responsabilidades nas áreas da empresa, os responsáveis pelo compliance são componentes importantes para governança corporativa, pois determina como uma organização é gerenciada, dirigida e Garantir a conduta das empresas e de sua equipe, de acordo com os requisitos legais Atuar como conselheiro Assumir papel de fiscalizador Agir como auditor interno Monitorar, vigiare avaliar os riscos legais de gestão Fazer que a lei, as políticas e os regulamentos sejam cumpridos Participar da elaboração, acompanhar e controlar os processos, procedimentos e normas praticadas 10 controlada, inclui os relacionamentos entre todos os funcionários e a estrutura pela qual os objetivos empresariais são definidos e seguidos. Um dos níveis de responsabilidade se refere ao compliance com as regras externas que são impostas a uma organização como um todo. Outro nível de responsabilidade se refere ao compliance com os sistemas internos de controle que são impostos para alcançar a conformidade com as regras externas. Figura 4 – Elementos da missão do compliance officer Fonte: Silva; Covac, 2015. Um aspecto do trabalho de um compliance officer é comunicar os problemas referentes à conformidade em todas as divisões da organização, e isso exige entender as leis ou as condutas éticas confusas ou abstratas; dessa maneira, é necessário ter excelentes habilidades pessoais e ser capaz de se comunicar e cooperar com todos, buscando a compreensão no próprio negócio. De acordo com Silveira (2015), uma das etapas da prática para um programa efetivo de ética e compliance é a estruturação organizacional da área de compliance, sua descrição se baseia na: Definição do executivo responsável pela centralização das atividades de conformidade. [...] a figura do diretor de compliance. [...] o funcionamento e as atribuições do comitê de compliance ..., bem como o modo de prestação de contas e reporte do gestor de compliance á diretoria e conselho. [...] alocados recursos humanos, financeiros e tecnológicos compatíveis com a importância do tema para a empresa. (Silveira, 2015) E quais seriam as qualidades de um compliance officer? ética e princípios; justo e modesto; proativo; inteligente e disposto a continuar aprendendo; diligente; uma constituição forte e uma convicção forte. Essas qualidades são muito importantes para um compliance officer, pois, quando há uma violação regulamentar, é importante que este responsável apresente as medidas disciplinares adequadas para evitar uma recorrência futura, Conscientização sobre risco Treinamento e aconselhamento Elementos críticos da missão do compliance officer 11 assegurando o monitoramento contínuo e a revisão dos procedimentos de conformidade. Esse profissional deve fornecer uma visão objetiva das políticas e diretrizes da empresa, pois a influência de outros funcionários, incluindo gerentes e executivos que ignorarem esta visão, resultará em multas ou sanções que levam as empresas a grandes perdas financeiras ou até mesmo ao fechamento do negócio. TEMA 4 – GESTÃO DE CRISES O gerenciamento de crises é a identificação de ameaças a uma empresa e a seus stakeholders e é o método utilizado para lidar com essas ameaças, pois em razão das causas imprevisíveis de eventos globais, as empresas devem ser capazes de lidar com potenciais mudanças drásticas na maneira como conduzem os negócios. Para Assi (2018), existem pontos a serem implementados ou revisados em processos para que seja possível a prevenção de fraude e corrupção nas empresas, são eles: gestão de incidentes; gestão de riscos corporativos; gestão de risco de mercado e liquidez; revisão do ambiente de controle; revisão dos processos de governança corporativa; gestão de crises e contingências. O gerenciamento de crises geralmente requer decisões tomadas dentro de um curto prazo de tempo, após um evento ter ocorrido e, para tanto, as empresas, para reduzirem a incerteza no caso de crise, criam um plano de gerenciamento de crise, pois qualquer empresa pode ter problemas que podem afetar negativamente suas operações. Quais seriam os possíveis eventos que afetariam os processos de uma empresa? Temos, por exemplo, crises devido a um incêndio; a morte de um CEO; um possível ataque terrorista; uma violação de dados; um desastre natural que acarreta altos custos tangíveis e intangíveis em termos de vendas perdidas para determinados clientes; e até uma redução considerável no lucro líquido. 12 Então, as empresas precisam efetivamente implementar um plano de ação que dê continuidade aos negócios em caso de negativas contingências imprevistas, ou seja, colocar em prática o gerenciamento de crise. Assim, o início se dará pelas análises de risco em todas as operaões específicas. Figura 5 – Contingências imprevistas Fonte: Assi, 2018. Essas análises se utilizam de simulações e variáveis aleatórias aplicadas por modelos de risco, obtêm-se tabelas com cenários, pois um responsável pelo compliance pode avaliar a probabilidade de ocorrência de algum evento de risco futuro, dependendo do resultado (melhor cenário ou o pior cenário) um gestor de risco verificará os possíveis danos que causaria aos negócios da sua empresa. Por exemplo, estimar uma alta probabilidade de um possível cenário com um incêndio na área onde atuam as operações de uma empresa. Esse cenário seria o pior de todos, pois, com a destruição de todos os sistemas internos da empresa (computadores e infraestrutura de dados), perderiam-se todas as informações de clientes, fornecedores e de projetos em andamento. Na prática, o gerente de risco saberá como lidar com a situação de possíveis riscos, com o desenvolvimento de um plano pela sua equipe de gerenciamento de crises, que conterá as emergências a serem tomadas para os cenários gerenciados. Por exemplo, na situação de cenário catastrófico de um possível incêndio, a empresa criará um sistema de backup em todos os sistemas de computadores. Dessa maneira, todos os registros de dados e de processos dos trabalhos em andamento estarão a salvo. Mesmo nesse cenário, os negócios da empresa vão desacelerar por um curto prazo de tempo, até que a empresa consiga novos equipamentos e inicie novamente suas operações que ficaram interrompidas. Claro que a gestão de crises não é necessariamente a mesma coisa que gestão de riscos, pois o gerenciamento de riscos envolve o planejamento de eventos que podem ocorrer no futuro, e o gerenciamento de crises envolve a reação a eventos negativos durante e depois de terem ocorrido. Análise de risco Processo de identificar qualquer evento adverso Probabilidade de ocorrência dos eventos 13 Outro exemplo que podemos verificar é a de uma companhia de petróleo que tem um plano para lidar com a possibilidade de um derramamento de óleo. Se tal desastre realmente ocorrer, a magnitude da tragédia na extensão do derramamento, a reação da opinião pública e o custo da limpeza podem variar muito e podem exceder as expectativas. E quais são as formas de classificar as crises? Para Senna (2017), as crises podem ter as seguintes categorias: crises de eventos climáticos extremos (chuvas e secas); crises de eventos naturais extremos (terremotos e tsunamis); crises de acidentes industriais; crises de acidentes com veículos; crises políticas; crises econômicas; crises de gestão; crises de agentes biológicos. Figura 6 – Procedimento para identificar crises Fonte: Senna, 2017. Uma crise interna pode ser gerenciada, mitigada ou evitada nas empresas, se forem aplicadas diretrizes e protocolos de compliance rígidos em relação a ética, políticas, regras e regulamentações entre os funcionários. A importância de simular uma crise para uma empresa que é conduzida por compliance e de estar preparada é revelar os pontos cegos de uma organização e testar seus protocolos Dois grupos importantes Identificando crises Crises que não conseguimos evitar Crises que podemos evitar com ações preventivas apropriadas 14 já existentes. As etapas a seguir podem auxiliar para uma boa gestão de crises, são elas: ter um plano (incluir objetivos, probabilidade dos riscos identificados,considerar as ações específicas a serem tomadas, quem precisa ser informado em diferentes cenários); identificar um porta-voz (caso o risco chame atenção da mídia social ou outra incidência); monitorar as informações nas mídias sociais (avaliação on-line da reputação da empresa); aplicar a honestidade e transparência com os clientes (demonstra nível de confiabilidade); manter os funcionários informados (garantir que informações corretas sejam divulgadas); comunicar clientes e fornecedores (atualizar a situação de crise). TEMA 5 – PRINCIPAIS ELEMENTOS A área de compliance deve ser independente como função e não fixa; deve incluir elementos amplamente reconhecidos por todos na empresa de forma eficaz; é por meio de princípios que as atividades são recomendadas para as ações de negócios de uma empresa. Os principais elementos associados a esses princípios são a base de um programa eficaz de compliance e ética nos negócios, por exemplo: As políticas e procedimentos escritos. Um sistema oficial com comitê de compliance. Sistema de treinamento e educação eficazes. Linhas efetivas de comunicação. Monitoramento interno e auditoria. Aplicação de normas por meio de diretrizes. Resposta imediata a problemas detectados. Métricas das conformidades revisadas pelo comitê (eficácia do programa). Liderança de compliance (avaliações de desempenho). Decisões imediatas, eficazes e equilibradas (atividades de compliance). O elemento importante para a organização – as políticas escritas – que descreve as expectativas de um programa de compliance são incorporados em um código de conduta ou código de ética amplamente aplicável a todos os funcionários, que interagem ou atuam no conselho da organização. De acordo com Blok (2017), é por meio de princípios que um agente de compliance atua no dia a dia no contexto de cultura organizacional com as atividades de compliance, são eles: 15 1. O conselho de administração é responsável por acompanhar o gerenciamento do risco de compliance da instituição financeira devendo aprovar sua política. 2. A alta administração da instituição financeira é responsável pelo gerenciamento do risco. 3. A alta administração é responsável por estabelecer e divulgar a política de compliance da instituição, de forma a assegurar que ela está sendo observada e deve manter o conselho informado. 4. A alta administração é responsável por estabelecer uma área de compliance permanente e efetiva como parte da sua política. 5. A área de compliance deve ser independente com os elementos: status formal; existência de um coordenador pelos trabalhos; ausência de conflitos de interesse; e acesso a informações e pessoas no exercício de suas atribuições. 6. A área de compliance deve ter os recursos necessários ao desempenho de suas responsabilidades de forma eficaz. 7. A área de compliance deve ajudar a alta administração no gerenciamento efetivo do risco, por meio de: atualizações e recomendações; manuais de compliance (leis e regulamentos); identificação e avaliação do risco (novos produtos e atividades); responsabilidades estatutárias em relação ao combate à corrupção, à lavagem de dinheiro, ao financiamento ao terrorismo, a relações com reguladores e à implementação do programa de compliance. 8. O escopo e a extensão das atividades da área de compliance devem estar sujeitos à revisão periódica por parte da auditoria interna. 9. As instituições devem atender às exigências legais e regulamentares aplicáveis nas jurisdições em que operam, à organização e à estrutura da área de compliance, bem como suas responsabilidades, devem estar de acordo com as regras de cada localidade. 10. O compliance deve ser encarado como uma atividade central para o gerenciamento de risco em um banco (terceirização). Algumas empresas mantêm um segundo documento que detalha toda a operação e a implementação do programa de compliance, fornecendo orientação sobre governança, estrutura organizacional e processos para lidar com questões específicas de compliance. Entretanto, para atender a uma auditoria ou à 16 solicitação de um órgão do governo, é preferível consolidar essas informações em um único documento. A ideia é facilitar e simplificar a revisão anual de políticas e procedimentos, garantindo que os programas de compliance sejam avaliados e atualizados regularmente. Um programa de compliance efetivo é capaz de identificar problemas antecipadamente, detectando condutas prejudiciais e praticadas por seus funcionários (Mendes, 2017). Saiba mais Quer conhecer um exemplo de Manual do Programa de Compliance? Acesse o link a seguir: FIBRIA. Manual do programa de compliance. abr. 2014. Disponível em: <https://www.sebraeprevidencia.com.br/wp-content/uploads/2013/07/Manual- Programa-de-Compliance-Previd%c3%aancia-Complementar.pdf>. Acesso em: 3 dez. 2018. Para a efetividade desse programa de compliance, seus planos e seus documentos relacionados devem ser aprovados por um corpo diretivo da organização e, também, pela alta gerência, com essa aprovação registrada por meio de uma resolução, atas de reuniões ou assinaturas na política escrita (com revisão das políticas e procedimentos uma vez por ano, pelo menos, e as versões anteriores devem ser arquivadas). Políticas de compliance são as regras subordinadas às políticas corporativas e ditam as regras da atividade de compliance (Silva, 2018). Um segundo elemento, o responsável pelo Compliance e supervisão, este responsável está em um cargo sênior com autonomia, ou seja, na prática um diretor de compliance, com suas funções atualizadas e mantidas por uma supervisão ativa da função de compliance. As suas atividades são exercidas por meio de relatórios, de qualidade e monitoramento de reclamações, relatados ao comitê (auditando ativamente as atividades operacionais para garantir a conformidade). O terceiro elemento, treinamento e educação, no ponto de vista da educação, é trabalhar as questões gerais de compliance; fraude, desperdício e abuso; demais relacionamentos inadequados com fontes de referência que poderiam colocar a empresa em risco. Todo o treinamento deve ser documentado, para criar uma cultura de compliance, pois o treinamento deve fazer parte do 17 processo de integração, com exposição vi comunicação interna, reforçando as melhores práticas. O quarto elemento, linha direta de denúncia, permite receber relatórios confidenciais e anônimos sobre os problemas de compliance; nesse ponto, a organização auxilia na divulgação e opções de relatórios aos seus funcionários. O quinto elemento, monitoramento, auditoria e relatórios internos, determina uma avaliação anual de riscos, podendo incorporar entrevistas com as equipes para identificar os riscos específicos e analisar um histórico dos controles internos. Dessa maneira, a avaliação será usada para identificar tendências, apoiar revisões das atividades operacionais, envolver terceiros e determinar se falta alguma especialização, avaliar os fornecedores e rastrear as chamadas de linha direta. De acordo com Silva e Covac (2015), o compliance agrega valor às organizações com o aprimoramento de determinados procedimentos, como: melhora na qualidade e na velocidade das interpretações políticas e regulatórias e nos procedimentos a elas relacionados; melhora no relacionamento com os órgãos reguladores; melhora no relacionamento entre acionistas, sócios, clientes e partes relacionadas; maior velocidade de novos produtos e serviços em conformidade; disseminação de padrões ético-culturais de compliance pela organização; acompanhamento da correção de deficiências (não conformidade); decisões de negócios baseadas em compliance. Os benefícios do compliance podem ser medidos pela análise dos custos de não conformidade (Silva; Covac, 2015). O sextoelemento, a não retaliação e não intimidação, é crucial para a efetividade do programa de compliance, pois o responsável pelo compliance deve garantir que as políticas sejam estritamente aplicadas sem causar temor aos funcionários. O sétimo elemento, investigação e remediação, mostra que é essencial responder de forma rápida e completa aos problemas de compliance. As investigações devem ser realizadas por funcionários qualificados e com escopo definido para determinar “quem, o quê, quando e como”, pois as causas principais são identificadas, reveladas e corrigidas nas áreas de alta vulnerabilidade do sistema, garantindo que não haja mais risco (aplicar ações corretivas). 18 O oitavo elemento, políticas disciplinares, são aplicadas de maneira consistente a todos os níveis e posições (qualquer indivíduo) que tenha se envolvido em ações ilegais ou antiéticas, e a efetividade nesse processo, em caso de identificação de qualquer má conduta, é de membros da diretoria removidos, de fornecedores e de funcionários desligados. Dessa maneira, a criação de uma cultura de compliance é uma métrica de avaliação de desempenho, junto com os programas de compensação de incentivo por meio de uma cultura de ética e de compliance. Com base em elementos principais e em estar em conformidade, as empresas cumprem e fazem cumprir os regulamentos internos e externos, pois estar em compliance é uma obrigação de cada indivíduo. 19 REFERÊNCIAS ASSI, M. Massi consultoria e treinamento. Disponível em: <http://www.marcosassi.com.br/tag/compliance>. Acesso em: 13 dez. 2018. BLOK, M. Blok consultoria legal. Disponível em: <http://blokconsultorialegal.com/compliance-e-governanca-corporativa/>. Acesso em: 13 dez. 2018. COVAC, J. R.; SILVA, D. C. Compliance como boa prática de gestão no ensino superior privado. São Paulo: Saraiva, 2015. CRUZ, M. Fazendo certo a coisa certa – como criar, implementar e monitorar programas efetivos de compliance. Porto Alegre: Revolução eBook, 2017. DE CICCO, F. A norma ISO 19600:2014, sistemas de gestão de compliance, diretrizes. São Paulo: Risk Tecnologia, 2017. MENDES, F. S. Compliance: concorrência e combate à corrupção. São Paulo: Trevisan, 2017. NEVES, E. C. 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