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PRIMEIROS SOCORROS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Pedro Henrique de Almeida 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Abordagem às urgências comuns – parte 1 
Como visto anteriormente, a maneira mais prática, rápida e segura de 
fazer um atendimento de urgência é seguir a abordagem sistematizada com 
seus cinco passos: 1) avaliação primária, 2) primeira tomada de decisão, 3) 
avaliação secundária, 4) segunda tomada de decisão e 5) reavaliação contínua. 
Cada um desses passos tem suas respectivas etapas e estas com seus próprios 
quesitos a serem avaliados. Para facilitar o aprendizado, nesta aula as 
urgências mais comuns serão abordadas por sistemas vitais. 
TEMA 1 – SISTEMA NEUROLÓGICO 
Caso Clínico 1 
“Você é plantonista do SBV - Suporte Básico de Vida do SAMU e foi 
acionado para atender em domicílio um senhor de 70 anos cuja cuidadora 
percebeu que parou de falar no momento que iria começar a almoçar, há 30 
minutos, não conseguindo segurar o talher com a mão direita. Ao chegar na casa 
você percebe agulhas de insulina e vários outros medicamentos para 
hipertensão na cabeceira da cama. A cuidadora lhe recebe bem, apesar de um 
pouco aflita. A casa está limpa e organizada, bem como o paciente parece estar 
bem cuidado”. 
Resolução do Caso Clínico 1 
Passo 1 - Avaliação primária 
 Etapa 1 – Avaliar a cena 
 Quesito 1 - Segurança: a cena está segura? Resposta: sim, 
cuidadora que aparenta estar ansiosa, mas sem agressividade. Equipe usando 
Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para precaução padrão. 
 Quesito 2 – Ambiente: o que o ambiente nos dá de informação? 
Resposta: medicamentos presentes na cena podem indicar paciente com 
comorbidades (diabetes mellitus e hipertensão arterial?). Casa limpa indica bons 
cuidados gerais. 
 
 
 
 
3 
 Etapa 2 – Avaliar o paciente 
 Quesito 1 – Estado geral: como o paciente se apresenta 
visualmente? Resposta: aparentando a idade, com vestes limpas e com boa 
aparência geral. Ao entrar no quarto, fixa o olhar em você, tentando balbuciar 
algumas palavras e apontando com a mão esquerda para a boca e para o braço 
direito, demonstrando certa ansiedade. 
 Quesito 2 – Queixa principal. Qual é o problema relatado pelo 
paciente ou seu acompanhante? Resposta: a acompanhante confirma que há 
cerca de 30 min, enquanto ele iniciava o almoço, ouviu o garfo da mão direita 
cair, além da incapacidade de falar. 
 Quesito 3 – Sistemas vitais (NABC) N: paciente está alerta, mas 
você percebe que há alterações na fala e no braço direito. A/B: sem alteração, 
exceto pela babação excessiva, pois não consegue engolir a saliva 
adequadamente. C: a pele está quente, com TEC – Tempo de Enchimento 
Capilar menor que dois segundos (alterado quando maior que três segundos). 
Passo 2 – Primeira tomada de decisão 
 Estou diante de uma emergência, isto é, há a necessidade de parar a 
abordagem sistematizada para realizar uma intervenção imediata sob risco de 
haver morte se não o fizer imediatamente? Resposta: apesar de haver 
comprometimento do sistema neurológico, as funções vitais da sequência ABC 
(A: Airways/ Vias aéreas pérveas; B: Breathing/Ventilação; e C: Circulação) 
estão normais, logo, não há necessidade de suporte nem de via aérea, de 
ventilação ou de circulação que precise ser instituída neste momento, 
descaracterizando uma emergência, e passando a ser considerada uma 
urgência, podendo avançar nos passos da Abordagem Sistematizada. Neste 
momento o avaliador deve elaborar o diagnóstico sindrômico que melhor se 
encaixa no caso, tentando ser o mais abrangente e descritivo possível, evitando 
usar o nome de doenças. Neste caso seria adequado colocar como diagnóstico 
sindrômico: déficit neurológico focal (mão e fala) súbito com início há 30 minutos. 
Então deve-se listar as possíveis causas para isso, do mais para o menos 
provável: 1) AVC – Acidente Vascular Cerebral em curso, 2) hipoglicemia, 3) 
intoxicação medicamentosa, 4) Crise convulsiva em estado pós-ictal1 e 5) 
infecções. 
 
1 Estado pós-ictal: período de recuperação tipicamente encontrado após crise convulsiva, 
caracterizado por recuperação lenta e progressiva das funções neurológicas. 
 
 
4 
Passo 3 – Avaliação secundária 
 Etapa 1 - Anamnese estruturada 
 Quesito 1 - Doença atual (OPQRST): O início: aconteceu 
enquanto almoçava. Piora/Melhora: está igual desde o início. Qualidades dos 
sintomas: perda do controle de movimentos musculares e de fala, sem dor. 
Região: membro superior direito e boca. Severidade: perda total da capacidade 
nesses locais. Tempo/Duração: há cerca de 30 minutos. 
 Quesito 2 – Doença pregressa (SAMPLER): Sintomas anteriores: 
batedeira e palpitação esporádicas. Alergias: nega. Medicamentos: Enalapril, 
Carvedilol (parou de tomar por conta há 30 dias), Metformina XR 500 12/12 e 
insulina NPH 10u noite. Passado de saúde: fez avaliação de uma arritmia 
cardíaca há seis meses, quando foi prescrito o carvedilol. Lanches: ingeriu 
apenas uma garfada de comida. Eventos de saúde importantes: nega ser 
epilético ou internamentos. Riscos (fatores de): diabetes, hipertensão e arritmia 
cardíaca não tratada. 
 Etapa 2 – Exame físico 
 Quesito 1 – Sinais Vitais (colhidos enquanto faz as perguntas da 
etapa anterior): pressão arterial (PA): 190x110, pulso variando entre 60 e 80 no 
oxímetro, saturação (Sat) 95%, frequência respiratória (FR) 16, Temp. 36 ºC, 
glicemia capilar de 100 mg/dl. 
 Quesito 2 – Exame segmentar: Glasgow estimado em 15 (apesar 
de não conseguir falar, é por uma questão motora e não de consciência!), 
incapacidade de abraçar, de sorrir e de falar corretamente, demais segmentos 
do copo normal. 
 Etapa 3 – Exame complementar: 
Quesito 1 – Laboratório: exceto a glicemia capilar, não há outros 
disponíveis na sua maleta. 
Quesito 2 – Imagem: não há na ambulância. 
Quesito 3 – Outros: Escala de Cincinnati2 com três pontos (não 
abraça, não sorri e nem fala corretamente). Tem laudos de eletrocardiografia 
(ECG) antigos com a descrição de fibrilação atrial paroxística. 
 
 
2 Escala utilizada para avalição de probabilidade de um Acidente Vascular Cerebral estar 
acontecendo. 
 
 
5 
Passo 4 – Segunda tomada de decisão 
 Há risco à vida imediata? Resposta: não, pois apesar de haver o 
comprometimento do sistema neurológico, as funções vitais ABC (via aérea, 
ventilação e circulação) estão preservadas, porém, o paciente ainda é 
considerado com risco potencial, portanto, devendo continuar no atendimento de 
urgência. Neste momento o profissional de saúde deve reconsultar a sua 
hipótese sindrômica formulada no Passo 2 e revisar qual a principal etiologia 
para o quadro. A avaliação secundária sustenta a hipótese de AVC. 
Passo 5 – Reavaliação periódica 
 Como é uma lesão potencialmente grave, está indicada a remoção. Para 
tanto, deve-se realizar a MOV (Monitorização/Oxigênio/Veia), colocar a 
cabeceira elevada para não engasgar com a saliva e acionar a regulação do 
SAMU para indicar qual a unidade de AVC mais próxima, com reavaliação do 
quadro a cada cinco minutos. 
TEMA 2 – SISTEMA VENTILATÓRIO 
Caso Clínico 2 
“Masculino, 46 anos, com vestes em mau estado de conservação e 
visivelmente emagrecido, aparentando mais envelhecido que a idade faria supor, 
chega ao Pronto Atendimento (PA) em que você trabalha andando com ajuda de 
familiares, contando de maneira ofegante, porém, de forma organizada, que está 
com falta de ar, tosse com catarro, fraqueza, febre intermitente e perda de peso, 
com um mês de evolução. Refere ser etilista 100 ml pinga/dia e 40 cigarros/dia 
desde os 16 anos. Você sente o cheiro de cigarro assim que se aproxima dele e 
os acompanhantes disseram que tiveram que trazê-lo à força, pois não gosta de 
ir ao médico”. 
Resolução do Caso Clínico 2 
Passo 1 - Avaliação primária 
 Etapa 1– Avaliar a cena 
 Quesito 1- Segurança: a cena está segura? Resposta: sim, você 
está num local de trabalho seguro, o paciente e os acompanhantes estão calmos 
e você está usando os EPIs para precaução-padrão. 
 Quesito 2 – Ambiente: o que o ambiente nos dá de informação? 
Resposta: quesito prejudicado, pois não conhecemos o ambiente do paciente. 
 
 
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 Etapa 2 – Avaliar o paciente 
 Quesito 1 – Estado geral: como o paciente se apresenta 
visualmente? Resposta: paciente masculino adulto jovem, porém, aparentando 
estar envelhecido, emagrecido, ofegante e com vestes/ higiene corporal em mau 
estado de conservação, com pele acinzentada e forte cheiro de cigarro ao seu 
redor aparentando estar realmente adoecido. 
 Quesito 2 – Queixa principal: qual é o problema relatado pelo 
paciente ou seu acompanhante? Resposta: falta de ar, tosse, perda de peso, 
fraqueza e febre. 
 Quesito 3 – Sistemas vitais: (NABC) N: paciente está alerta e 
lúcido. A/B: ofegante, fala frases curtas. C: a pele está quente, com tempo de 
enchimento capilar (TEC) < 2s. 
Passo 2 – Primeira tomada de decisão 
 Estou diante de uma emergência, isto é, há a necessidade de parar a 
abordagem sistematizada para realizar uma intervenção imediata sob risco 
haver morte se não o fizer imediatamente? Resposta: apesar de haver 
comprometimento do sistema ventilatório, as funções vitais da sequência ABC 
estão normais, logo, não há uma emergência, mas sim uma urgência. Neste 
momento o avaliador deve elaborar o diagnóstico sindrômico que melhor se 
encaixa no caso. Para este caso, seria adequado “sintomático respiratório febril 
crônico (mais de três semanas de evolução)”. Na lista das possíveis causas para 
o quadro sindrômico, do mais para o menos provável, temos: 1) tuberculose, 2) 
neoplasia de pulmão, 3) Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), 4) 
Pneumonias e 5) outras infecções. Observação: como a principal causa 
elencada é uma doença contagiosa, neste momento deve-se acrescentar a 
precaução condizente e colocar o paciente em isolamento. 
Passo 3 – Avaliação secundária 
 Etapa 1 - Anamnese estruturada 
 Quesito 1 - Doença atual (OPQRST): O início: piorando aos 
poucos, gradativamente. Piora/Melhora: falta de ar piora com o esforço físico. 
Qualidades dos sintomas: primeiro a tosse, depois a febre e sudorese noturna, 
depois a falta de ar e o emagrecimento. Refere um pouco de dor ao respirar. 
Região: lado direito do tórax. Severidade: fraca intensidade, mas aumenta 
quando tosse. Tempo/Duração: há aproximadamente 30 dias. 
 
 
7 
Quesito 2 – Doença pregressa (SAMPLER): Sintomas anteriores: 
sempre teve falta de ar quando tinha que fazer grande esforço físico, como correr 
ou subir escadas. Alergias: nega. Medicamentos: nega. Passado de saúde: 
nega, pois se recusa a ir à unidade básica de saúde (UBS). Lanches: não se 
alimenta desde ontem (>12 horas). Eventos de saúde importantes: nega. Riscos 
(fatores de): alta carga tabágica, etilismo, mau estado de higiene pessoal e 
provavelmente ambiental. 
 Etapa 2 – Exame físico 
 Quesito 1 – Sinais vitais: PA 110x70 mmHg, Pulso 100, Sat. 93%, 
FR 23 ipm, Temp. 38 ºC, glicemia capilar 79 mm/dl. 
 Quesito 2 – Exame segmentar: Glasgow 15 (AO4, RV5, RM6) sem 
déficit neurológico focal, tórax simétrico, sem tiragem/ esforço, porém, expansão 
curta e rápida, com crepitantes no ápice direito, abdome escavado, membros 
com hipotrofia muscular generalizada. 
 Etapa 3 – Exame complementar: 
Quesito 1 – Laboratório: ainda não solicitado. 
Quesito 2 – Imagem: ainda não solicitado. 
Quesito 3 – Outros exames: ainda não solicitados. 
Passo 4 – Segunda tomada de decisão 
 Há risco à vida imediato? Resposta: não, pois, apesar de ter 
comprometimento do sistema ventilatório, no momento as funções vitais ABC 
estão estáveis, estando indicado no máximo iniciar oxigênio suplementar para 
manter a saturação acima de 95%. No entanto, o caso ainda é de risco em 
potencial e deve prosseguir em atendimento de urgência, com reconsulta à 
hipótese sindrômica elaborada no Passo 2, revendo qual a principal etiologia 
para o quadro. A melhor hipótese ainda está entre tuberculose ou neoplasia 
pulmonar, devendo ser solicitado os exames complementares para elucidação. 
Passo 5 – Reavaliação periódica 
Como é uma lesão potencialmente grave, está indicado solicitar os 
exames complementares e manter o paciente em observação para elucidação 
do caso. Para tanto, deve-se realizar a MOV (Monitorização/Oxigênio/Veia), 
colocar a cabeceira elevada para não broncoaspirar, com reavaliação do quadro 
a cada 15 minutos. 
 
 
 
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TEMA 3 – SISTEMA CARDÍACO 
 Caso Clínico 3 
“Masculino, 66 anos, chega à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por 
meios próprios, contando que está com desconforto no peito e com palpitação 
desde ontem à noite, com piora hoje há cerca de duas horas, após discussão 
familiar. É caminhoneiro, obeso e tem bigode e dentes amarelados pelo tabaco, 
ao chegar para atendê-lo você o encontra gemente e ele tem expressão de 
alívio/felicidade ao lhe ver”. 
Resolução do Caso Clínico 3 
Passo 1 - Avaliação primária 
 Etapa 1 – Avaliar a cena 
 Quesito 1- Segurança: a cena está segura? Resposta: sim, você 
está num local de trabalho seguro, o paciente não demostra agressividade e 
você está usando os EPIs para precaução-padrão. 
 Quesito 2 – Ambiente: o que o ambiente nos dá de informação? 
Resposta: quesito prejudicado, pois não conhecemos o ambiente do paciente. 
 Etapa 2 – Avaliar o paciente 
 Quesito 1 – Estado geral. Como o paciente se apresenta 
visualmente? Resposta: paciente masculino adulto acima de 65 anos, obeso, 
com vestes/higiene corporal em bom estado, apresenta-se um pouco 
ansioso/gemente e expressa alívio ao ser atendido por você. 
 Quesito 2 – Queixa principal. Qual é o problema relatado pelo 
paciente ou seu acompanhante? Resposta: desconforto no peito e palpitação. 
 Quesito 3 – Sistemas vitais (NABC). N: está alerta e ansioso. A/B: 
fala frases longas sem esforço. C: a pele está quente, com TEC < 2s. 
Passo 2 – Primeira tomada de decisão 
 Estou diante de uma emergência? Resposta: não, pois as funções vitais 
da sequência NABC estão normais, descaracterizando uma emergência e 
passando a ser considerada uma urgência. Neste momento o avaliador deve 
elaborar o diagnóstico sindrômico que melhor se encaixa no caso, como 
exemplo: “desconforto/dor torácica aguda”. Agora deve-se listar as possíveis 
causas para o quadro sindrômico sugerido, do mais para o menos provável: 1) 
 
 
9 
isquemia cardíaca, 2) arritmia, 3) crise de ansiedade, 4) uso de substâncias 
estimulantes e 5) pneumotórax. 
Passo 3 – Avaliação secundária 
 Etapa 1 - Anamnese estruturada 
 Quesito 1 - Doença atual (OPQRST). O início: início ontem à noite 
de maneira insidiosa com a palpitação. Piora/Melhora: piora com esforço físico. 
Qualidades dos sintomas: desconforto tipo aperto. Região: retro-esternal que 
irradia para mandíbula. Severidade: grau 8 em 10 na escala da dor. 
Tempo/Duração: início da palpitação há aproximadamente 12 horas, mas com 
piora importante da dor há duas horas após discussão familiar. 
 Quesito 2 – Doença Pregressa (SAMPLER). Sintomas anteriores: 
já teve algumas vezes desconforto parecido, mas em menor intensidade e que 
passavam espontaneamente em até 30 minutos. Alergias: nega. Medicamentos: 
foi receitado medicamentos para hipertensão que ele não usa. Passado de 
saúde: disseram-lhe que a pressão arterial, o colesterol e o açúcar no sangue 
estavam altos em uma avaliação isolada em um posto de apoio ao caminhoneiro. 
Lanches: só jantou ontem. Eventos importantes de saúde: nega internamentos. 
Riscos (fatores de): alta carga tabágica, sedentário, obesidade, uso de rebites, 
estresse, dislipidemia e história familiar para IAM. 
 Etapa 2 – Exame físico 
 Quesito 1 – Sinais vitais: PA: 180x110 mmHg, Pulso 120, Sat. 94%, 
FR 20 ipm,Temp. 36 ºC, glicemia capilar 240 mg/dl. 
 Quesito 2 – Exame segmentar: Glasgow 15 (AO4, RV5, RM6) sem 
déficit neurológico focal, tórax simétrico, sem tiragem/ esforço, bulas cardíacas 
rítmicas e normo-fonéticas (BCRNF), porém, taquicárdicas, abdome globoso, 
membros inferiores com edema +/4. 
 Etapa 3 – Exame complementar: 
Quesito 1 – Laboratório: ainda não solicitado. 
Quesito 2 – Imagem: ainda não solicitado. 
Quesito 3 – outros exames: ECG apenas taquicardia sinusal. 
Passo 4 – Segunda tomada de decisão 
 Há risco à vida imediato? Resposta: não, pois apesar de ter 
comprometimento do sistema cardíaco, no momento as funções vitais ABC estão 
estáveis. No entanto, o caso ainda é de risco em potencial e deve prosseguir em 
atendimento de urgência, com revisão à hipótese sindrômica elaborada no 
 
 
10 
Passo 2 e reavaliando qual a principal etiologia para o quadro. A melhor hipótese 
ainda é isquemia miocárdica sem supra de ST (ou infarto sem supra de ST ou 
angina). 
Passo 5 – Reavaliação periódica 
 Como é uma situação potencialmente grave, está indicado realizar a MOV 
(Monitorização/Oxigênio/Veia) e as medidas para IAM sem Supra de ST, 
colocando o paciente na sala amarela, com a cabeceira elevada para não 
broncoaspirar, seriar ECG e enzimas cardíacas e acionar a regulação 192 para 
transferência para uma unidade de dor torácica (UDT), enquanto é reavaliado a 
cada 15 minutos. 
TEMA 4 – SISTEMA CIRCULATÓRIO 
Caso Clínico 4 
“Feminino, 14 anos, comparece na UBS acompanhada dos pais que 
relatam sangramento intenso vaginal há oito dias com palidez progressiva. Hoje, 
tontura ao se levantar pela manhã. Pais relatam que começaram os ciclos 
menstruais recentemente e que ainda não iniciou acompanhamento com 
ginecologista”. 
Resolução do Caso Clínico 4 
Passo 1 - Avaliação primária 
 Etapa 1 – Avaliar a cena 
 Quesito 1- Segurança. A cena está segura? Resposta: sim, você 
está num local de trabalho seguro, nem paciente nem acompanhantes 
demostram agressividade e você está usando os EPIs para precaução-padrão. 
 Quesito 2 – Ambiente. O que o ambiente nos dá de informação? 
Resposta: quesito prejudicado, pois não conhecemos o ambiente do paciente. 
 Etapa 2 – Avaliar o paciente 
 Quesito 1 – Estado geral. Como o paciente se apresenta 
visualmente? Resposta: paciente feminino iniciando fase fértil, com 
vestes/higiene corporal em bom estado, apresenta-se calma, mas comunica-se 
pouco, com fala arrastada. Chama a atenção a palidez da pele. 
 Quesito 2 – Queixa principal. Qual é o problema relatado pelo 
paciente ou seu acompanhante? Resposta: menstruação prolongada com 
grande fluxo associada à palidez e tontura. 
 
 
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 Quesito 3 – Sistemas vitais (NABC) N: paciente alerta, mas 
lentificada. A/B: fala frases curtas, com respiração rápida. C: a pele está fria, 
com TEC > 4s, pulsos radiais finos. 
Passo 2 – Primeira tomada de decisão 
 Estou diante de uma emergência? Resposta: Não, pois as funções vitais 
da sequência ABC estão presentes, logo, descaracterizando uma emergência, 
passando a ser considerada uma urgência, sendo seguro avançar para os 
passos seguintes da Abordagem Sistematizada. Neste momento o avaliador 
deve elaborar o diagnóstico sindrômico que melhor se encaixa no caso, como 
“fluxo menstrual anormalmente alto em pessoa em idade fértil”. Agora deve-se 
listar as possíveis causas para o quadro sindrômico sugerido, do mais para o 
menos provável: 1) metrorragia, 2) abortamento espontâneo, 3) abortamento 
provocado, 4) distúrbio de coagulação, 5) neoplasia sanguínea. 
Passo 3 – Avaliação secundária 
 Etapa 1 - Anamnese estruturada 
 Quesito 1 - Doença atual (OPQRST). O início: há oito dias. 
Piora/Melhora: tontura piora ao se levantar, progressivamente ao longo da 
semana. Qualidades dos sintomas: parece que vai escurecer a vista. Região: 
não avaliado. Severidade: troca de dez absorventes íntimos ao dia. 
Tempo/Duração: ininterrupto há oito dias. 
 Quesito 2 – Doença pregressa (SAMPLER). Sintomas anteriores: 
nega sangramentos anteriores. Última menstruação há 45 dias, ciclos são 
irregulares, nega ter vida sexual ativa. Alergias: nega. Medicamentos: nega, 
ainda não iniciou método anticoncepcional. Passado de saúde: nega outas 
doenças. Lanches: tomou leite com achocolatado antes de ir à UBS. Eventos 
importante de saúde: nega. Riscos (fatores de): primeiros ciclos menstruais, não 
ter feito a consulta com ginecologista, não usar método contraceptivo. 
 Etapa 2 – Exame físico 
 Quesito 1 – Sinais vitais PA 100x60 mmHg (deitada) e 80x50 
mmHg (sentada), Pulso 130 bpm, Sat. 92%, FR 26 ipm, Temp. 35 ºC, glicemia 
capilar 80 mg/dl. 
 Quesito 2 – Exame segmentar: Glasgow 15 (AO4, RV5, RM6) sem 
déficit neurológico focal, tórax simétrico, sem tiragem/ esforço, BCRNF porém 
taquicárdicas, abdome flácido e indolor, pele e mucosas hipocoradas +++/4. 
 
 
 
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Etapa 3 – Exame complementar: 
Quesito 1 – Laboratório: não tem na UBS. 
Quesito 2 – Imagem: não tem na UBS. 
Quesito 3 – outros exames: não tem na UBS. 
Passo 4 – Segunda tomada de decisão 
 Há risco à vida imediato? Resposta: pode considerar que sim, pois 
apresenta quadro de choque circulatório, devendo imediatamente iniciar com 
monitorização + oxigênio + acesso venoso (MOV) e infusão de solução 
cristaloide3 20 ml/kg de peso em bolus para estabilizar a PA. Após estabilizar a 
PA e pulso, o caso ainda é de risco em potencial e deve prosseguir em 
atendimento de urgência, com revisão à hipótese sindrômica elaborada no 
Passo 2 e reavaliando qual a principal etiologia para o quadro. Neste caso, houve 
mudança da hipótese sindrômica, pois a paciente apresentou instabilidade 
hemodinâmica durante a avaliação secundária, que melhorou com expansão de 
volume intravenoso, então deve-se mudar para uma a hipótese de “choque 
hipovolêmico responsivo a volume por perda sanguínea via vaginal”, mantendo 
a lista das causas mais prováveis. 
Passo 5 – Reavaliação periódica 
 Enquanto ocorre a estabilização do quadro, deve-se acionar a regulação 
192 para transferência para uma unidade que tenha serviço de 
ginecologia/obstetrícia, enquanto é reavaliado a cada cinco minutos. 
TEMA 5 – SISTEMA GASTRO-INTESTINAL 
 Caso Clínico 5 
“É troca do plantão pela manhã, uma mulher de 55 anos comparece ao 
PS trazida pelo esposo, com queixa de dor abdominal intensa, tipo cólica abaixo 
das costelas à direita, que a acordou esta madrugada. Não consegue comer 
nada, pois tem muita ânsia, mas sem conseguir vomitar. Está pálida, com 
expressão de dor e curvada com a mão na barriga”. 
 
 
3 São soluções isotônicas, como por exemplo o soro fisiológico, utilizadas para expansão 
volêmica. 
 
 
13 
Resolução do Caso Clínico 5 
Passo 1 - Avaliação primária 
 Etapa 1 – Avaliar a cena 
 Quesito 1- Segurança. A cena está segura? Resposta: sim, você 
está num local de trabalho seguro, o paciente nem acompanhantes demostram 
agressividade e você está usando os EPIs para precaução-padrão. 
 Quesito 2 – Ambiente. O que o ambiente nos dá de informação? 
Resposta: quesito prejudicado, pois não conhecemos o ambiente do paciente. 
 Etapa 2 – Avaliar o paciente 
 Quesito 1 – Estado geral. Como o paciente está visualmente? 
Resposta: paciente feminino fora da fase fértil, com vestes/higiene corporal em 
bom estado, apresenta-se gemente, ansiosa por ajuda. 
 Quesito 2 – Queixa principal. Qual é o problema relatado pelo 
paciente ou seu acompanhante? Resposta: dor tipo cólica abdominal e ânsia de 
vômitos. 
 Quesito 3 – Sistemas vitais (NABC) N: paciente alerta. A/B: fala 
frases completas, mas gemente. C: a pele está quente e com TEC <2s. 
Passo 2 – Primeira tomada de decisão 
 Estou diante de uma emergência? Resposta: não, pois as funções vitais 
da sequência NABC estão presentes, logo, descaracterizando uma emergência, 
passando a ser consideradauma urgência, podendo avançar para os passos 
seguintes da Abordagem Sistematizada. Neste momento o avaliador deve 
elaborar o diagnóstico sindrômico que melhor se encaixa no caso, como “dor 
abdominal alta em mulher fora da idade fértil”. Agora deve-se listar as possíveis 
causas para o quadro sindrômico sugerido, do mais para o menos provável: 1) 
cólica de vesícula, 2) cólica de rim, 3) úlcera gástrica, 4) distúrbio de coagulação, 
5) neoplasia sanguínea. 
Passo 3 – Avaliação secundária 
 Etapa 1 - Anamnese estruturada 
 Quesito 1 - Doença atual (OPQRST). O início: a acordou esta 
madrugada. Piora/Melhora: cheiro de comida piora as náuseas. Qualidades dos 
sintomas: dor tipo cólica. Região: abaixo das costelas direita. Severidade: dor 9 
em 10 pela escala visual de dor. Tempo/Duração: constante desde o início. 
 
 
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 Quesito 2 – Doença Pregressa (SAMPLER). Sintomas anteriores: 
história de cálculos de vesícula. Alergias: nega. Medicamentos: nega. Passado 
de saúde: nega outras doenças. Lanches: jantou lasanha aos quatro queijos. 
Eventos importantes de saúde: três partos por cesariana. Riscos (fatores de): 
obesa, multípara, história de pedra na vesícula e refeição gordurosa. 
 Etapa 2 – Exame físico 
 Quesito 1 – Sinais vitais PA 130x90 mmHg, Pulso 90 bpm, Sat. 
95%, FR 18 ipm, Temp. 36 ºC, glicemia capilar 90 mg/dl. 
 Quesito 2 – Exame segmentar: Glasgow 15 (AO4, RV5, RM6) sem 
déficit neurológico focal, tórax simétrico, sem tiragem / esforço, bulhas cardíacas 
rítmicas e normo-fonéticas, abdome globoso, flácido, porém, doloroso em 
hipocôndrio a direita. 
 Etapa 3 – Exame complementar: 
Quesito 1 – Laboratório: ainda não solicitado. 
Quesito 2 – Imagem: ainda não solicitada. 
 Quesito 3 – Outros exames: não solicitado. 
Passo 4 – Segunda tomada de decisão 
 Há risco à vida imediato? Resposta: não, pois apresenta estabilidade dos 
sistemas vitais. No entanto, o caso é muito sintomático para dor e deve 
prosseguir em atendimento de urgência, com revisão à hipótese sindrômica 
elaborada no Passo 2 e reavaliando qual a principal etiologia para o quadro. 
Neste caso, a hipótese de “dor abdominal alta por cólica de vesícula” permanece 
como o mais provável. 
Passo 5 – Reavaliação periódica 
 Enquanto se medica a paciente para a cólica, deve-se manter a 
reavaliação a cada 15 minutos por estar com dados vitais estáveis. Exames de 
imagem e sangue podem confirmar o diagnóstico. 
NA PRÁTICA 
 Ao final desta aula, esperamos que você se familiarize com a Abordagem 
Sistematizada em diferentes tipos de cenários de urgência, como nos casos 
neurológicos, ventilatórios, cárdio-circulatórios e abdominais, pois são os mais 
frequentes no dia a dia dos serviços de urgência, sendo capaz de, ao final da 
 
 
15 
sequência da Abordagem Sistematizada, identificar rapidamente os pacientes 
que estão efetivamente em emergência ou risco de vida dos que não estão. 
FINALIZANDO 
 Nesta aula vimos a abordagem sistematizada para o atendimento às 
urgências em diferentes cenários, especialmente nos que atendem as urgências, 
pois, nestes casos, tempo é vida. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
LIMA, L. B. et al. AMLS. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2017. 
MARTINS, H. S. et al. ATLS. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014. 
SALOMONE, J. P. et al. PHTLS. 9. ed. Rio de Janeiro: Mosby Elsevier, 2010.

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