Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Todos os direitos reservados
Copyright © 2022 by AllBook Editora.
Direção Editorial: Beatriz Soares
Tradução: Alline Salles
Preparação e Revisão: Clara Taveira, Rapahel Pellegrini e Allbook Editora
Projeto Gráfico e Diagramação: Cristiane [Saavedra Edições]
Capa: LA Design de Capas
Todos os direitos reservados e protegidos pela lei 9.610 de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro,
sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida sejam quais
forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Os
direitos morais do autor foram declarados.
Esta obra literária é ficção. Qualquer nome, lugares, personagens e incidentes são produto da
imaginação do autor. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, eventos ou
estabelecimentos é mera coincidência.
Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
(Decreto Legislativo nº 54, de 1995)
 
https://www.saavedraedicoes.com.br/
CIP - BRASIL. C���������� �� P���������
S�������� N������� ��� E������� �� L�����, RJ
G������� F���� F������� L���� - B������������ - CRB-7/6643
A877b
Aston, Jana
Boa garota [recurso eletrônico] / Jana Aston ; tradução Alline Salles. - 2.
ed. - Rio de Janeiro : Allbook, 2022.
Tradução de: Good girl
Modo de acesso: word wide web
ISBN: 978-65-86624-82-3 (recurso eletrônico)
1.Romance americano. 2. Livros eletrônicos. I. Salles, Alline. II. Título. III.
Série.
22-76876
CDD: 813
CDU: 82-3(73)
DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À ALLBOOK EDITORA
contato@allbookeditora.com
HTTPS://ALLBOOKEDITORA.COM
https://www.allbookeditora.com/
Sumário
CAPA
CRÉDITOS
CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
CAPÍTULO 18
CAPÍTULO 19
kindle:embed:0009?mime=image/jpg
CAPÍTULO 20
CAPÍTULO 21
CAPÍTULO 22
CAPÍTULO 23
CAPÍTULO 24
CAPÍTULO 25
CAPÍTULO 26
CAPÍTULO 27
CAPÍTULO 28
CAPÍTULO 29
CAPÍTULO 30
CAPÍTULO 31
CAPÍTULO 32
CAPÍTULO 33
EPÍLOGO
AGRADECIMENTOS
LEIA TAMBÉM...
ALLBOOK EDITORA
Lydia
— NÃO VAMOS EMBORA DESTE BAR ATÉ VOCÊ BEIJAR ALGUÉM — PAY
estivéssemos no meio de uma conversa sobre eu beijar alguém. E não
estávamos.
Assinto mesmo assim, porque somos melhores amigas e estou
acostumada ao seu jeito repentino.
— Então você quer que eu beije alguém, depois podemos ir embora? —
Coloco meu copo no balcão do bar e me viro um pouco no assento, como se
analisasse o ambiente para procurar opções. Não estou analisando, não de
verdade, mas fico feliz em brincar com isso.
— É. Assim que você tiver pelo menos beijado alguém, podemos ir
embora.
— Pelo menos beijado? — Eu me volto para ela, rindo. — Até onde
quer que eu chegue? Em um bar? Com um estranho?
Estou rindo por essa conversa ser ridícula, mas ainda assim… a ideia me
atrai. A ideia de que eu posso escolher qualquer homem do bar e pedir que
ele me beije. Ou talvez até que me agarre no corredor. Talvez ele assuma o
comando e me pressione contra a parede. Coloque o joelho entre minhas
coxas enquanto me beija na mandíbula, e depois cubra meus lábios com os
dele.
É, isso é estranhamente específico. Coloco uma mecha de cabelo atrás
da orelha e permito que meus olhos vejam, além de Payton, os dois homens
sentados do outro lado dela. Eu estive discretamente os observando a noite
inteira. Um deles tem sotaque britânico. Está bêbado e obcecado com uma
mulher com quem acabou de terminar. Ou que terminou com ele — não
tenho certeza e não me importo realmente. O objeto do meu desejo é o cara
número dois.
O cara número dois é perfeito. Tão perfeito, que nem consigo olhar para
ele diretamente, por isso os olhares discretos. É completamente fora da
minha alçada. Cabelo escuro despenteado, com uma onda. Perfeitamente
cortado, e eu simplesmente sei que seria macio sob meus dedos, e não cheio
de produto seboso de cabelo. Ele tem pelos faciais aparados, como se ele
não conseguisse decidir entre uma barba por fazer e uma barba de verdade;
e os olhos castanhos muito escuros, que me deixam com falta de ar quando
encaram os meus. Seus antebraços são bronzeados e delineados com
músculos. Eles serão o foco das minhas fantasias por, no mínimo, um mês.
Ele esfrega a ponta do polegar na ponta do dedo indicador enquanto seu
amigo fala, mas não de um jeito ansioso. Lentamente, como se fosse algo
que ele fizesse quando pensa, ou talvez seja algo que faz quando escuta.
Suas unhas são curtas e bem cortadas. Eu chutaria, com base em suas mãos,
que ele trabalha em um escritório, mas, diante do que posso ver de seu
corpo, seu hobby é a academia.
Seu dedo indicador se esfrega de novo, devagar, em seu polegar, e ah!
Jesus amado, estou imaginando algo totalmente diferente agora.
Preciso transar.
— Você precisa transar — Payton diz no exato instante em que o olhar
do homem se ergue do balcão do bar até meus olhos.
Morro dez mil vezes, mas Payton não percebe que acabei de morrer,
então continua falando sobre encontrar alguém para eu beijar antes de irmos
embora. Os olhos do Sr. Perfeito ainda estão em mim.
— Eu cuido disso — ele diz.
Oh, meu Deus. Espere, ele está falando comigo? Isso está acontecendo?
Com certeza entendi mal. Entendi errado. Ele está conversando com alguém
atrás de mim, ou com o garçom ou com o cara britânico bêbado. Dou uma
rápida olhada por cima do ombro para ver quem está atrás de mim.
Não tem ninguém atrás de mim.
— Eu cuido disso — ele repete, e, por um segundo, meu cérebro sofre
um curto-circuito.
É um sim, é o que estou pensando. É um sim. Onde vamos beijar? Não
quero que seja aqui, seria estranho. Creio que deveríamos ir para a casa
dele, ele é um completo desconhecido. Ele poderia ir para minha casa. Isso.
Payton poderia passear na Target, ou algo assim, e nos dar privacidade.
Penso se ele vai se importar que só tenho uma cama de solteiro. Sabia que
deveria ter comprado uma cama maior, mas era mais dinheiro, e meu quarto
é minúsculo — e eu precisava de espaço para minha máquina de costura.
Puta merda, vai acontecer. Esse homem, que é gostoso demais para se olhar
diretamente, quer transar comigo.
Pisco e, então, ele termina de falar com um sorrisinho no rosto:
— Eu te beijo.
Oh. Certo. Não é como se ele estivesse tão atraído por mim — uma
mulher aleatória em um bar —, que quisesse fazer sexo comigo baseado em
nada mais do que ouvir minha amiga dizer que preciso transar. Burra. Sou
muito idiota. Até parece.
— Ela aceita — Payton diz e me expulsa do meu banquinho.
Na verdade, ela realmente me empurra, uma cena parecida com o que
imagino que mães façam com os filhos no primeiro dia de escola ao
colocarem as crianças para fora pela porta da frente. O homem se vira no
banquinho, e o observo me analisar agora que estou em pé. Seus olhos
sobem lentamente por minhas pernas nuas, e eu quero matar Payton por me
trazer para esse bar. Acabamos de passar o fim de semana nos mudando
para nosso novo apartamento e pensei que fôssemos sair para comer um
hambúrguer, então estou de short jeans e uma blusinha. Eu deveria ter
percebido. Assim que saímos do apartamento, Payton insistiu que
precisávamos ver o que rolava ali, e aqui estou eu, de short, com meus
joelhos ossudos, observando um homem que parece mandar em tudo me
analisando.
Flexiono um joelho e bato os dedos no pé no chão enquanto penso se ele
estava mudando de ideia, mas ele se levanta. Presumo que vá se aproximar
e me beijar bem ali, diante de todo mundo, mas não o faz. Em vez disso, ele
para à minha frente. Preciso jogar a cabeça para trás, de modo a encontrar
seus olhos, porque ele é meio metro mais alto que eu. No máximo, minha
cabeça chega em seus ombros.
Ele usa jeans e mocassins, com uma camisa com a manga enrolada até
os cotovelos. Desconfio que seus sapatos custem mais do que qualquer
coisa que possuo. Sinceramente, isso também vale para a calça e a camisa.
Estou lutando contra o desejo de enfiar as mãos nos bolsosde trás e me
encolher sob seu olhar quando ele fala.
— Como se chama?
— Lydia.
— Lydia — ele repete com os olhos nos meus.
Ouvi-lo dizer meu nome deve ser algum tipo de preliminar para mim,
porque meu coração está prestes a sair do peito. Sua voz é baixa e tranquila,
autoritária e sexy pra caramba.
— Aqui não — ele declara e pega minha mão na dele.
Sua mão está quente, envolvida na minha, e o simples contato provoca
arrepios em minha pele. Então ele se move, minha mão na dele, conforme
nos guia para além do bar.
— Brady, vou usar seu escritório por um minuto — ele grita para
alguém atrás do bar. Não para, a fim de esperar uma resposta, e, um instante
mais tarde, estamos sozinhos.
A primeira coisa que vejo é que o escritório é melhor do que eu
esperava para um bar. Há uma mesa grande arrumada, com um notebook
fechado em cima e uma única caneta ao lado. Um divã de couro com um ar
caro, mas bem usado, se encontra ao longo da parede.
A segunda coisa que percebo é o silêncio. Não era excessivamente
barulhento no bar, mas, por trás de uma porta fechada, percebo o quanto
esse escritório é silencioso sem o som de gelo e o encontro de garrafas.
Apenas nossa respiração e a batida do meu coração ecoavam em meus
ouvidos.
Esse é todo o tempo que tenho para observar, porque ele se vira para me
encarar e ergue meu queixo com a ponta de seu dedo. Ok, chega de
observar. O cheiro dele é maravilhoso. Tem cheiro de alguém em quem
quero me deitar com a cabeça apoiada no peito enquanto ele enrola mechas
de meu cabelo em seus dedos. Sei que isso não é tecnicamente um cheiro,
mas acredite em mim. Ele tem cheiro de roupa limpa, especiarias e
virilidade. Quero subir nele.
Seus olhos estão baixos, seu olhar se move de meus olhos para meus
lábios e volta com uma confiança calma. Não percebo que estou prendendo
a respiração até ele me lembrar de respirar. Sua expressão é uma
combinação de excitação e diversão.
Respiro e molho os lábios com a língua. Resisto a me balançar, mas
quase o faço. Há um sinal de sorriso em seus lábios quando ele segura
minha mandíbula com uma mão, a outra, se apoiando em minha cintura.
Sua mão é tão quente através do fino tecido de minha blusinha, que quase
parece encostar em mim diretamente. Então ele abaixa a cabeça em direção
à minha e me beija.
Suavemente. A mão em minha cintura permanece ali. A pressão de seus
dedos é firme, segura. Uma âncora desnecessária, mas bastante apreciada,
porque não vou a lugar nenhum. Coloco a palma das mãos em seu peito,
emocionada com a sensação do tecido pressionado contra a ponta de meus
dedos. Com a firmeza de seu corpo, seus músculos e seu calor.
Seus lábios deixam os meus, mas apenas o suficiente para ele inclinar
um pouco a cabeça, e depois pressioná-los nos meus de novo. Seu polegar
acaricia minha face, e eu murmuro, ou gemo, em resposta. Não sei qual dos
dois, mas sou recompensada com outro beijo suave conforme seus lábios
persuadem os meus a se abrirem. Seus pelos faciais pinicam minha pele, e
isso só me excita mais. O leve arranhar contra minha pele faz minha
atenção se focar em seus lábios, em sua força, na potência de seu efeito em
mim. Ele mordisca meu lábio inferior entre os dentes e, então, me beija de
novo; a pressão mais firme, as línguas se encontrando, meus joelhos
cedendo e o coração acelerando.
Quando ele se afasta, precisa me equilibrar, porque me inclinei tanto
para ele, que teria caído sem o apoio. Estou sem fôlego, como se tivesse
acabado de correr em volta do prédio. Com exceção de passar o polegar em
seu lábio inferior, ele parece não ter sido afetado. Ele dá um passo para trás
e faz outra análise lenta de mim, da cabeça aos pés, e eu me pergunto o que
ele vê. Será que vê uma mulher pela qual se sente atraído? Ou uma garota
que ele beijou como um favor? Ele parece centenas de vezes mais centrado
do que eu.
— Você teve seu beijo. Pode ir para casa agora, boa garota.
Lydia
O FIM DE SEMANA PASSA EM UMA NÉVOA DE CAIXAS DE PAPELÃO 
sendo abertas e descartadas no lixo reciclável do condomínio de nosso
apartamento. Idas à Target para diversos suprimentos e WinCo para
mantimentos. Descobrir Del Taco pela primeira vez e provar quase tudo do
cardápio de até um dólar deles. O tempo todo, eu revivo aquele beijo em
minha mente, de novo e de novo.
Amanhã, começo em meu primeiro emprego. Bom, não meu primeiro
emprego, claro. Tive empregos, muitos deles. Empregos de verão,
empregos depois da escola e empregos de meio-período.
Mas amanhã é meu primeiro emprego após a faculdade, em período
integral. É meio que uma grande coisa, certo? Um rito de passagem, o
primeiro dia da minha vida adulta.
Estou tão surpresa quanto qualquer um por ser em Las Vegas.
Em um cassino.
Mas, na verdade, cassinos têm um monte de empregos, principalmente
cassinos luxuosos novinhos que nem abriram ainda. O Windsor vai
empregar cinco mil pessoas quando suas portas abrirem no fim deste mês, e
eu sou uma delas.
Eu me formei em Recursos Humanos porque gosto de ajudar. Amo
ajudar pessoas. Payton também gosta de ajudar pessoas, mas ela se formou
em Marketing porque não há graduação em Planejamento de Festas na
Universidade do Estado de Louisiana. Palavras dela, não minhas. Ela gosta
de ajudar as pessoas a se divertir, enquanto eu gosto de ajudar as pessoas
com coisas como se certificar de que seus impostos sejam pagos no prazo.
Na infância, eu era o tipo de criança que preenchia todas as linhas do
formulário de encomenda de cookie Girl Trooper e escrevia o X
seguramente no meio da coluna, para que não houvesse nenhuma confusão
entre uma encomenda de cookies de chocolate com pasta de amendoim e
uma de cookies de menta.
Não conhecia Payton antes da faculdade, mas uma vez ela me disse que
foi expulsa das Girl Troopers. Algo sobre um esquema de pirâmide por
distintivos. Nunca conheci a história inteira porque, sem querer, admiti que
fui uma das Girl Troopers até o fim do ensino médio, e ela riu tanto, que
cruzou as pernas e depois caiu.
Tento manter essa informação para mim agora. Digo, não era algo que
eu sempre compartilhava voluntariamente, simplesmente meio que saiu
quando ela mencionou algo sobre Girl Troopers um dia. E as Girl Troopers
preenchiam um vazio maternal em mim, por crescer sem outra mulher em
casa. Mas, que seja, eu arrasava nas Girl Troopers. Vendi 36 mil caixas de
cookies em meu último ano.
Não se preocupe, normalmente guardo esse fato para mim.
A questão é que gosto de seguir regras. Gosto de pôr os pontos nos is e
traços nos tês, então Recursos Humanos é uma área perfeita para mim. Fiz
estágios em Recursos Humanos nos últimos dois verões, então não sou
totalmente nova nisso. É um cargo de entrada, claro, mas estou animada em
trabalhar na área que escolhi.
Quando a ideia de mudar para Las Vegas surgiu, acho que Payton nos
imaginou morando em um arranha-céu na Strip, mas consegui convencê-la
de que morar na Strip não é exatamente realista para duas garotas com
quase uma década cada uma de financiamentos estudantis, então estamos
em Henderson. Também conhecida como os subúrbios. Nosso apartamento
é ótimo. Temos academia, piscina, um parque de cachorros e quadras de
jogos de bocha. Não tenho cachorro e não conheço ninguém que joga
bocha, nem realmente sei o que é, mas é algo legal de ter. O corretor de
imóveis ficou realmente empolgado sobre isso quando nos mostrou o lugar.
Além disso, Del Taco é tão perto, que eu poderia ir andando até lá se
quisesse. Provavelmente não quero, já que está uns cem graus do lado de
fora, mas talvez no outono. Mais importante, é a uns vinte minutos de carro
do trabalho e, por dividir um apartamento de dois quartos, é
financeiramente acessível.
Payton também vai trabalhar no Windsor, já que nós duas tivemos sorte
de sermos contratadas durante uma feira de profissões que aconteceu no
campus durante nosso último ano. Eu cresci em um estado cristão,
Tennessee, e fui à escola em outro, Louisiana, então nunca me imaginei
mudando para o centro do pecado, mas aqui estou. E, até agora, é
simplesmente igual a qualqueroutro lugar. Normal, na verdade. Legal.
Além disso, não há impostos no estado de Nevada, então posso tentar pagar
meu financiamento estudantil gigante muito mais rápido. Todo mundo
ganha.
Minha mente se lembra da noite de sexta-feira. Do bar. Daquele cara.
Boa garota. Por que fiquei tão excitada quando o cara me chamou de boa
garota? Aquele cara. É assim que tenho que me lembrar do homem mais
atraente que já beijei, ou que provavelmente vou beijar, porque não soube
de seu nome. Esperta, não? A hora educada e normal de ter pedido essa
informação teria sido quando ele perguntou o meu. Mas eu perguntei? Não.
Estava distraída demais com a ideia de que ele iria me beijar para pensar em
perguntar o nome dele.
Que egoísta, né? Estava tão concentrada em colocar os lábios nos dele,
que nem perguntei seu nome. Nada disso importa. Ele me beijou e me
mandou embora, não foi? Suas últimas palavras ecoam em minha mente
repetidamente. Pode ir para casa agora, boa garota. É uma coisa
condescendente de se dizer, mas seu tom não foi protetor. Foi rude. Baixo.
Rouco. Sexy pra caramba.
Estou cansada de ser boa. A única coisa boa em que estou interessada
em fazer com aquele homem é estar de joelhos, com meus lábios
envolvendo seu pau enquanto ele me diz como sou boa. Boa garota, ele
sussurraria, e eu iria gostar. Pelo menos gosto na minha imaginação. Gosto
bastante. Há algo bem atraente em ser chamada de boa quando está sendo
muito, muito má. Ou quando se está pensando em ser má, no meu caso.
Devo ser a vadia menos vadia do país. Sou uma aprendiz de vadia, o que
é meio triste, não é?
Passei meus anos de faculdade esperando me apaixonar pelo cara
perfeito. Não, isso é mentira. Não sou iludida, não existe essa coisa de cara
perfeito. Sei disso, sim. Mas esperava me apaixonar por alguém que valesse
a pena. Valesse a pena entregar minha virgindade. O que foi? Claro que não
pensou que tinha perdido a virgindade no ensino médio. Era muito ocupada
no ensino médio, com os cookies e tudo. Não quero me gabar nem nada,
mas aqueles cookies me mandaram para a Costa Rica. Na verdade, foram
duas semanas trabalhando em projetos, então não foi uma viagem de praia
nem nada parecido, mas mesmo assim.
De qualquer forma, eu não tinha tanto interesse em meninos no ensino
médio. Sei que para muitos adolescentes o ensino médio era sobre chegar
aos limites e sair escondido para festas, mas eu não tinha interesse nisso.
Festas soavam perigosas para mim. Coisas ruins aconteciam em festas.
Como socializar. Ou menores beberem. Ambos assustadores. Boas coisas
acontecem quando você estuda e trabalha duro e doa seu tempo para ajudar
os outros.
Formar na faculdade e continuar virgem não estava em meus planos.
Nem de perto. É que minha bondade ia longe demais. Eu realmente
esperava que tivesse conquistado o distintivo por perder a virgindade
quando me formasse.
Eu me imaginava o tipo de garota que se casaria com o namorado de
faculdade, um casamento dois meses após a formatura. Mas não aconteceu.
Não me imaginava como o tipo de garota que ficaria excitada com um
estranho em um bar. Nunca. Mas aquele homem, ele acordou algo em mim.
Luxúria, eu acho. Não foi somente o beijo, foi ele. A verdade é que eu
fiquei observando-o a noite toda, minha imaginação cheia de coisas que ele
poderia fazer comigo. As coisas que eu queria que ele fizesse comigo.
Como disse, uma aprendiz de vadia. Quem fica sentada imaginando um
estranho em um bar deflorando-o?
NA SEGUNDA DE MANHÃ, PARO NO ESTACIONAMENTO DO WINDSOR
barriga em relação ao meu primeiro dia de trabalho. Payton veio com outro
carro, porque está em um grupo diferente e não sabíamos se terminaríamos
na mesma hora ou não.
Então estou sozinha, assim como uma adulta de verdade, o que sou. Sou
adulta. Sorrio tanto, que tenho que morder a parte interna de minha
bochecha para controlar. Não que seja necessário, estou sozinha no carro,
então ninguém consegue me ver sorrindo como uma idiota.
Batuco a ponta dos dedos no volante conforme sigo as placas que me
indicam as áreas do estacionamento para funcionários. O resort abrirá em
menos de um mês, e novas contratações em massa começarão nas próximas
quatro semanas. Sou contratada para os bastidores, o que significa que não
lidarei diretamente com os hóspedes. Vou desaparecer na seção corporativa
do resort na qual você nunca pensa. Recursos humanos, jurídico, marketing,
TI, contabilidade: é tudo lá dentro, escondido da vista.
Encontrando uma vaga, estaciono e verifico de novo meu batom no
espelho retrovisor, depois tranco o carro e memorizo onde estacionei, para
encontrar meu carro depois do trabalho.
Ok, é isso. Primeiro dia, aí vou eu. Ocorre-me que será um grande ano
de primeiras coisas para mim. Primeiro apartamento de adulta. Primeiro
emprego. Primeiro pagamento do financiamento estudantil.
E vou absoluta e positivamente perder minha virgindade antes deste ano
terminar, então será uma grande primeira coisa para riscar da minha lista de
vida.
Não que eu não tivesse tido chance de perdê-la antes, é só que não
estava interessada. Cresci com pais liberais em uma cidade conservadora, e
eu fiquei meio que presa no meio desses dois mundos. Além disso, eu
simplesmente não estava com muita pressa para isso. No primeiro ano,
namorei um cara que não gostava tanto por muito mais tempo do que
deveria porque adorava seu gato. E, não, não é um eufemismo para algo
mais legal. Era um gato de verdade. Um gato enorme, preto, de pelos
compridos, com patas brancas como luva, que atendia pelo nome de Sr.
McGee, e eu o amava.
O cara, não tanto. Não estou dizendo que tinha razão ou lógica, mas era
isso.
Ainda estava esperando algo, sabe? Alguma coisa que me fizesse ter
vontade de rasgar a calcinha, e esse sentimento nunca veio. Mas, que seja,
este é meu ano de rasgar a calcinha. Ou talvez seja meu ano de tirar a
calcinha? Provavelmente não vou rasgar minha calcinha, vou? Não, seria
esquisito. Vou tirá-la, com certeza. Estou aberta para um cara rasgá-la de
mim, mas nunca usei o tipo de calcinha que se rasgaria sob as mãos de um
homem.
Caramba. Eu preciso de calcinha nova. Se este é meu ano, vou precisar
da calcinha adequada para quando acontecer. Faço uma nota mental para
me dar de presente novas calcinhas quando receber meu primeiro
pagamento. Outro primeiro! Meu primeiro pagamento como adulta! Uhuuu!
Entro no prédio pela entrada de funcionários, confiante de que
embarcarei no melhor ano da minha vida.
Uma hora mais tarde, tenho certeza disso.
Lydia
EU O VEJO ENQUANTO ESTOU NO TOUR PELO RESORT. AQUELE CARA
que me beijou, mas cujo nome não peguei. Ele é simplesmente tão perfeito
quanto eu me lembrava. Faz meu coração acelerar e meu pulso bater ainda
mais rápido do que eu me lembrava. Puta merda, acho que ele deve
trabalhar aqui. O que, basicamente, significa que vou dormir com ele,
certo? Certo. Vai acontecer, certeza. É para acontecer. Está escrito. É o
destino.
Se ele estiver interessado, claro. Mas ele me beijou, então deve estar
interessado em transar comigo. Eu acho. Não sei muito bem como funciona
para homens. Eu beijei homens com quem não queria dormir, obviamente,
mas acho que homens são menos exigentes do que mulheres. Não são?
Deus, espero que ele seja menos exigente do que eu, porque ele é o cara
certo.
É com ele que gostaria de transar, não o cara certo, certo mesmo. Não,
claro que não. Não sou tão louca que já estou planejando casamento e filhos
com um homem que não conheço baseado em um beijo perfeito. Ainda
quero me apaixonar pelo homem perfeito, quem quer que seja, e viver feliz
para sempre com ele. É só que não sei quando ele chegará, esse cara. E se
eu fizer trinta anos antes de ele aparecer? Não deveria ter que esperar até ter
trinta para vivenciar o sexo.
Então, não, não planejo me casar com ele. Só quero lhe dar minha
virgindade, porque acho realmente, com base naquele beijo perfeito, que ele
seria bom mesmo em me deflorar. Porque sinto algo quando o vejo. Algo
com que não estou familiarizada, mas que classificaria como luxúria
desenfreada.Um desejo. Um despertar, se me entende.
Deflorar. Que palavra ridícula. Faço uma nota mental de não a usar
quando pedir para ele transar comigo.
— Acho que vi aquele cara — conto à Payton quando a vejo na
lanchonete dos funcionários no almoço.
Com lanchonete, quero dizer a lanchonete mais pretensiosa em que já
estive. Há um balcão de saladas, uma estação de sanduíche, uma estação de
pizza e uma variedade de seleções quentes que parece que eles trocavam
diariamente, baseado no cardápio impresso. E é de graça! Louco, não é? Os
benefícios de funcionários são de primeira qualidade, o que foi parte do que
me atraiu para este emprego. Embora tenham sido mais a previdência
privada colaborativa e o plano de saúde do que os almoços gratuitos para
funcionários, mas mesmo assim. É um privilégio superlegal. A equipe
inteira também tem acesso a esta lanchonete. Os que ficam no balcão, nos
bastidores, não importa. O gerente geral e o camareiro, todos usam a mesma
lanchonete, o que penso ser maravilhoso e igualitário, e todas essas coisas.
É um espaço enorme, mas como um buffet, na verdade, que será necessário
para acomodar a quantidade de funcionários que trabalharão aqui assim que
estivermos com todas as vagas preenchidas.
— Que cara? — Payton pergunta antes de dar uma mordida gigante em
um pedaço de pizza.
Ela é magrela e pequena, porque, apesar de comer muito, tem o
metabolismo de um menino no ensino médio.
— O cara do bar. Da outra noite.
— Fala sério! — Ela deixa a pizza no prato e dá um sorriso que
orgulharia o gato de Cheshire. — Aqui? — ela pergunta, uma sobrancelha
arqueada de alegria com o potencial divertimento que isso lhe forneceria.
— Lógico que aqui. Não estive em mais nenhum lugar hoje, além de
aqui. — Corto o peito de frango da minha salada em pedacinhos, depois
pego um com o garfo, me certificando de pegar uma porção perfeita de
alface e molho junto.
— Então ele trabalha aqui? Conversou com ele?
— Acho que sim, e não. Eu o vi quando estava andando pelo lobby do
hotel com meu grupo de orientação. É bem legal estar aqui antes de abrir,
não é?
Realmente é superlegal. Você já esteve em um cassino em Vegas
fechado? Não. Não esteve, não, porque, uma vez que abrem, eles ficam
abertos. Vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias por
ano. Quantas pessoas têm a oportunidade de ver um lugar como este antes
de abrir? Não muitas, aposto.
O lobby estava agitado. Trabalhadores da obra em andaimes fazendo
ajustes na iluminação enquanto outro grupo revestia uma fonte decorativa
do tamanho de uma piscininha. Entregas estavam sendo feitas nas lojas de
varejo do lobby conforme caixas de papelão vazias estavam sendo
desmanchadas e descartadas.
O andar do cassino estava bem parecido. Mesas de aposta no lugar, mas
vazias. Fileiras de caça-níqueis estavam acesas, mas em silêncio, e o piso
inteiro estava vazio de pessoas, com exceção de um bar no centro, que
ainda estava em construção.
Sinto o cheiro de tinta e tapete novos, mas alguma outra coisa também.
Tem cheiro de primeiro dia. Tipo energia em potencial e guardada e a
promessa sussurrada de uma aventura iminente.
É estranhamente legal.
— Lydia, foco. — Payton chacoalha o gelo em seu copo, depois bebe
um gole. — Preciso de detalhes!
— Eu o vi no lobby. Acho que trabalha aqui? — digo, mas é mais uma
pergunta do que uma afirmação, porque não faço ideia. — Ele estava em pé
perto das portas da frente com mais dois caras. Estavam olhando para uma
mesa e apontando diferentes locais no teto do lobby. Oh! Talvez ele seja da
segurança ou algo assim? Caramba, não sei mesmo, mas ele parecia
pertencer a este lugar. Acho que é possível que ele seja um engenheiro e
que eu nunca cruze com ele de novo. — Enrugo o nariz e dou de ombros.
Vai ser uma droga se aquela tiver sido minha única chance e eu a tenha
arruinado. Mesmo que ele trabalhe aqui, será que nossos caminhos vão se
cruzar? Este lugar é equivalente a uma cidadezinha. Com milhares de
empregados, haverá muita gente que raramente, se acontecer, vou ver.
Lydia
NÃO O VI DE NOVO NAQUELE DIA, OU NO SEGUINTE. MAS EU PRATIC
dizer que tenho conversas imaginárias com ele, para estar pronta para uma
conversa de verdade quando o vir de novo. Ei, lembra de mim? Digo a mim
mesma no espelho enquanto seco o cabelo pela manhã. Oh! Você! Trabalha
aqui? Eu trabalho aqui! Repito várias vezes durante o caminho para o
trabalho até soar natural. Se estou parada em um semáforo, adiciono um dar
de ombros e um gesto com a mão à cena. Ei, cara, acredita que não sei seu
nome?
Essa última precisa ser praticada, admito. É um saco que eu precise
chamá-lo de Ei durante essas práticas fantasiosas, mas tem que ser assim.
Pensei em inventar um nome para ele até descobrir seu nome, mas não
queria me apegar ao nome errado. Tipo, e seu o chamar de Sam
temporariamente, mas o nome grudar em algum lugar do meu cérebro e,
então, durante o sexo, eu chamá-lo de Sam sem querer? Pode imaginar?
Eu posso imaginar. Imaginei, na verdade, e me encolhi mil vezes.
Imaginei que estava indo bem — o sexo —, e eu estava curtindo, e ele
estava curtindo, e eu estava fazendo um ótimo trabalho no sexo, e então,
bam! Chamei-o pelo nome errado e estraguei tudo. Se você quer os
detalhes, ele estava em cima de mim, no meio do caminho, meu tornozelo
enganchado em suas costas, quando gemi mais forte, Sam. Então ele parou,
como alguém faz quando é chamado pelo nome errado durante o sexo. E eu
fiquei de milhares de tons de vermelho, em completa humilhação, enquanto
ele se vestia e ia embora.
E eu nem gozei. Então Ei vai ter que servir até descobrir o nome dele.
Imagino que, se chamá-lo de Ei sem querer durante o sexo, posso pelo
menos salvar a situação antes de ofendê-lo. Então eu aguardo, mantenho os
olhos abertos e trabalho em minhas conversas imaginárias.
Estou confiante de que dará certo, porque, em minha experiência,
quando você trabalha duro e tem uma atitude positiva, dá certo. Pelo menos,
a prática leva à perfeição, então estarei preparada quando o vir de novo.
NA SEXTA, RECEBO MINHA PRÓPRIA MESA. NUNCA TIVE UM ESPAÇO 
além de um armário no qual eu jogava minha bolsa. Na verdade, é um
cubículo. Tenho um espaço inteiro de 1,5m por 1,5m para chamar de meu;
completo, com uma plaquinha com nome, grudada na parede externa do
meu cubículo.
Lydia Clark. Passo a ponta do dedo nas letras e sorrio antes de verificar
meu novo espaço. Tenho uma mesa em formato L, com um monitor de tela
plana já no lugar sobre a superfície. Há três blocos de papel alinhados, um
pacote de canetas e seis pacotinhos de Post-It embrulhados em celofane ao
lado do teclado. As paredes do cubo são cobertas de um tipo de tecido taupe
de classe industrial, mas ele se duplica como quadros de avisos, então vou
poder pendurar recados para uma visualização mais fácil.
Own! Mal posso esperar para comprar um porta-canetas fofo neste fim
de semana. Talvez compre uma prancheta também, e pastas de arquivo
coloridas. Deixo minha bolsa na gaveta do armário de arquivo debaixo da
mesa e envio uma mensagem para Payton.
Compra de material para escritório neste fim de semana?! 
Mal posso esperar! 
Oh, uau. Não achei que ela fosse querer. Ela quase não tinha dado
opinião sobre as coisas que compramos para nosso apartamento. Imagino se
conseguirei levá-la à Ikea comigo de novo.
Sério??? Quer ir à Ikea comigo depois do trabalho?? 
Não, não mesmo, nerd. É nosso segundo fim de semana em Vegas. Não
vamos passar a sexta à noite na Ikea.
Oh. Bom, talvez no sábado, então.
Eu tenho uma reunião de equipe em cinco minutos, então guardo meu
celular no bolso e vou até a sala de reunião. O segundo dos quatro andares
deste hotel é para os escritórios. Estes andares não podem ser acessados
pelos elevadores de hóspedes, então estamos meio escondidos, como se
tivesse um prédio dentro de outro prédio. Temos elevadores separados da
entrada de funcionários que levam a apenas estes três andares e as salas
executivas no trigésimo quarto. Não que as tenha visto — são para
funcionários maisantigos que moram lá. Dá para imaginar?
Meu departamento — de Recursos Humanos — fica no quarto andar
junto com os escritórios jurídico, contábil, de segurança e o executivo. Sou
uma associada de Recursos Humanos, que responde ao diretor de Recursos
Humanos, que responde ao vice-presidente de Recursos Humanos. Se
parece ter um monte de gente, é porque tem mesmo. Sou um dos sete
associados. Todos começamos juntos nesta semana e vamos, em certo
momento, ser divididos e designados como o contato para cada
departamento. Limpeza, serviços de alimentação, de recepção e concierge,
entretenimento, varejo e jogos. Esses são funcionários que são o primeiro
contato com os hóspedes.
Este lugar realmente é um mundo em si. Há uma sala de descanso em
cada andar com café grátis, então paro lá a caminho da sala de reuniões.
Tem uma daquelas máquinas chiques de café que fazem cappuccino,
expresso, chocolate quente e até café normal. Deus, trabalhar aqui é como
um dia na Disney para mim! Há frutas e salgadinhos e garrafa de água
também e — oh, meu Deus. Quero morrer. Aquele cara. A sala de descanso
também tem aquele cara. Digo, ele está aqui, na sala de descanso. Não que
ele faça parte da sala de descanso, como um pacote grátis de amendoim, o
que de fato tem na sala de descanso. Aff, Lydia! Foco!
Dei dois passos para dentro da sala, meus saltos clicando no linóleo e
anunciando minha presença antes de eu mesma fazê-lo. Ele está prestes a
abrir uma garrafa de água, e eu tenho meio segundo para observá-lo antes
que ele me veja. Meio segundo para confirmar que ele simplesmente é o
cara para mim. Por quê? Tudo que fiz foi beijá-lo. Por que ele causa esse
efeito em mim? Não sou tão inocente que um beijo me faça cambalear. Já
beijei outros caras, e nenhum deles me fez sentir assim. Eles me faziam
sentir, se for ser sincera, apática. Por isso que ainda sou virgem. Pois por
que se incomodar? Se um cara não te faz sentir nada de especial, por que se
incomodar?
Mesmo assim, o cara me faz sentir como se eu pudesse ser ativamente
promíscua. É. Quando o vejo, tenho quase certeza de que aflora meu
potencial de vadia. Por tudo que é mais sagrado, por que ele é tão atraente?
Quase dói olhar diretamente para ele. Eu me sinto inteira quente, excitada e
estranha.
Ele me nota, e vejo o sinal de reconhecimento ou surpresa em seus
olhos. Presumo que seja um misto de ambos, mas significa que ele se
lembra de mim, não é? Com certeza.
Ele não fala nada, mas seus olhos permanecem em mim conforme ele se
vira para me encarar. Leva a garrafa até os lábios e bebe, parecendo não ter
pressa, só me observando. Sua expressão não dá sinal de nada e, se eu não
tivesse flagrado aquele breve olhar quando me viu pela primeira vez,
pensaria que ele não se lembrava de mim, mas lembra. Sei que lembra.
Estamos sozinhos. Apenas nós dois, uma sala de descanso vazia, o
zumbido da geladeira e o aroma do café permeando o ar.
Esta é minha chance.
— Oh, ei, hum, então você trabalha aqui? — Foi isso que planejei para
meu grande momento. — Nos conhecemos outro dia. No fim de semana
passado. Enfim. — Adiciono um aceno rígido à pilha de bizarrice que
acabou de sair da minha boca.
— É verdade — ele responde, assentindo de leve.
Fecha a garrafa de água sem olhar para ela porque seu olhar não desvia
de mim. Aff, seus olhos malditos. Eles fazem coisas comigo. Coisas safadas,
pelo menos na minha mente. Seu olhar dança por meu rosto, e me sinto
ruborizar em todo lugar. Dou alguns passos arriscados para a frente, meus
saltos clicando no chão. Ele tem olhos espertos. Inteligentes. Perspicazes.
Parece ser um homem capaz de decisões rápidas. Parece ser um homem
que não deixa de notar os detalhes.
— Então você trabalha aqui? Eu trabalho aqui. — Soo um pouco sem
fôlego ao dizer isso.
Expiro e tento me recompor.
— É. Parece que nós dois trabalhamos aqui.
Acho que estou me repetindo. Preciso sair disso enquanto tenho chance,
antes que alguém entre ou que ele saia.
— Então, foi legal — ofereço. — Quando nos conhecemos.
— Legal?
Acho que seu lábio se curva no sinal mais brando de sorriso quando ele
fala, uma sobrancelha erguida em dúvida ou diversão. Desejo poder passar
a ponta do dedo naquela testa. Analisar a linha minúscula por sua testa e
tocar os dedos em sua mandíbula.
— A coisa do beijo — esclareço. — No caso de você um dia querer de
novo.
Ele arregala os olhos e ergue as sobrancelhas, parando de sorrir. Então
balança a cabeça um pouco e sorri. Estou divertindo-o. Merda. Devo soar
como uma adolescente, ele com certeza está acostumado a propostas além
de beijos.
— E qualquer coisa que quiser — complemento rapidamente. — Digo,
se estiver interessado.
— Jesus Cristo.
Ele diz isso lentamente e não necessariamente de uma forma respeitosa.
A mão que não está segurando a garrafa de água se ergue e passa por sua
mandíbula, depois ele inclina a cabeça um pouco, como se estivesse
aliviando um tipo de estresse no pescoço. Para de sorrir.
Espere. Será que entendi isso tudo errado? Ele me beijou. Não que me
beijar fosse uma grande declaração de interesse, mas deve ter me achado
atraente o bastante para beijar. Certamente sugerir que fizéssemos de novo
seria tão horripilante para ele?
Ele abaixa a mão da boca. A garrafa de água em sua outra mão balança
na ponta de seus dedos, e ele a bate contra sua coxa. Não classificaria suas
ações como nervosas. Nem um pouco. Agitadas, talvez. Sua expressão é de
um pouco de tortura, se eu tivesse que identificá-la. Mas seus olhos… seus
olhos pareciam interessados. Posso não ser a garota mais experiente do
mundo, mas acho que ele me olha com interesse.
— Rhys! — uma voz chama de trás de mim e meus olhos se arregalam.
Esqueci de perguntar o nome dele. De novo. Mas é Rhys. Rhys, Rhys,
Rhys.
Entoo o nome na cabeça e gosto dele. Gosto muito. Um sorrisinho curva
meus lábios antes que eu perceba que quase perdi, pela segunda vez, a
chance de saber seu nome. Simples. Bem simples. Sou uma maldita
amadora.
Viro a cabeça em direção à voz para ver que a fonte é um homem bonito
alto entrando na sala de descanso. Não tão bonito quanto Rhys, pelo menos
não para mim, mas consigo ver o atrativo. Ele dá um tapa nas costas de
Rhys conforme abre a geladeira e pega uma garrafa de água para si. Está
bem vestido — percebo agora que ambos estão. Ternos. Ternos caros.
Tenho familiaridade suficiente com tecidos para enxergar a qualidade
naqueles ternos sem encostar neles. São bem-feitos, ambos. Gravatas com
nós bem-feitos, sapatos engraxados, relógios robustos. Eles são gostosos.
Andam e falam de um jeito atraente.
Espere. O que acabei de falar para Rhys? Qualquer coisa que quiser?
Oh, meu Deus. Não. Sinto meu rosto começar a esquentar e rapidamente
abaixo o olhar para o piso de linóleo e me viro na direção da cafeteira
chique. Pego uma caneca da prateleira aberta e a coloco no lugar na
máquina, minha mão está trêmula conforme pressiono os botões. Não
pratiquei isso. Minha prática para quando o visse de novo não incluía minha
proposta de “qualquer coisa que quiser”. Não pratiquei para ser
interrompida também. Por que não tinha planos de contingência para me
envergonhar e ser interrompida? O que faço agora?
Mordo o lábio e viro a cabeça o suficiente para ver por cima do ombro.
Os olhos de Rhys se movem do homem para mim e de novo. Eu me volto
para a máquina de café e aperto os botões até a máquina chiar e derramar
líquido na caneca. Então seguro na bancada diante de mim até os nós dos
meus dedos ficarem brancos.
Talvez não fosse ruim? O que eu disse? Era ruim. E ele não reagiu,
reagiu? Não mesmo. O que isso significa? Talvez ele tenha namorada? Mas
ele me beijou! Há uma semana, ele me beijou!
Atrás de mim, escuto o outro homem dizer a Rhys que eles vão se
atrasar e, então, passos se movendo em direção à porta. Mantenho as mãos
onde estão e observo seja lá o que selecionei enquanto cai na caneca. Então,
eles se vão. Escuto minha nova supervisora, Bethany, cumprimentando-os
enquanto eles se cruzam nos corredores, um instante antes de ela entrarna
sala de descanso conforme eles saem. Tiro minha caneca da cafeteira
chique, coloco-a no balcão e pego um palitinho enquanto Bethany coloca
uma caneca nova na máquina e sorri para mim.
— Ohh, o que você fez? — ela pergunta, assentindo para minha caneca.
— Alguma coisa com leite — digo e forço um sorriso antes de dar um
gole.
Quero jogá-lo na pia porque não estou em condições de carregar uma
caneca cheia de líquido quente e não preciso mais da energia da cafeína,
mas seria estranho jogar fora com ela ali, parada, me observando. Abro um
pacotinho de adoçante e o adiciono à minha caneca antes de falar de novo.
— Ei, você conhece aquele cara que acabou de sair daqui? Rhys? —
consigo perguntar, tão casualmente, que devo merecer um prêmio de atriz.
— Sabe onde ele trabalha?
— Rhys? — Bethany se vira para mim com um olhar confuso.
— Sei que ele trabalha aqui — esclareço. — O que ele faz?
Eu me lembro de que meu departamento divide este andar com o
jurídico e o da segurança. E contábil. Mas ele parecia mais um advogado do
que contador.
Sou uma idiota. Como se alguém parecesse contador ou advogado.
— Ele é o gerente geral — Bethany responde, e eu pauso, com o
palitinho suspenso na ponta dos meus dedos acima da lata de lixo.
Isso é ruim. Lá no fundo, tenho quase certeza de que existe apenas um
gerente geral na estrutura administrativa, mas tento mesmo assim.
— De qual departamento?
Consigo manter a voz estável, meus olhos no palitinho. Caiu em cima de
uma casca de banana dentro da lata de lixo. Há uma lata de refrigerante ao
lado dela, e fico irritada com seja lá quem não a jogou no lixo reciclável. Só
demora um segundo.
— Da propriedade — Bethany diz, e eu perco uma década de vida útil
naquele instante.
Lydia
SOBREVIVI AO RESTO DO DIA, EMBORA NÃO TIVESSE IDEIA DE COMO
só que morte por humilhação não deve ser um jeito rápido de ir.
Fiquei parada na sala de descanso com minha nova chefe enquanto ela
esclarecia que Rhys é o gerente geral — do resort inteiro.
Isso era ruim. Piorou. O resort é propriedade da Sutton Travel
Corporation, o que eu sabia — claro que eu sabia disso. Fiquei animada por
conseguir um emprego em uma empresa enorme com benefícios excelentes
e fiz minha pesquisa. Sutton tem sede na Grã-Bretanha e opera em mais de
cinquenta países. Hotéis, grupos turísticos, cruzeiros e agora um resort de
luxo na Las Vegas Strip. Eles estão no mercado há décadas. São conhecidos
por desenvolver talentos e promovê-los internamente.
A empresa foi fundada por William Sutton. O avô de Rhys. Então.
Então isso o torna sócio-proprietário, não é? Serei demitida.
Completamente demitida. Sou do Recursos Humanos e propus sexo ao
chefe do chefe da minha chefe. O que há de errado comigo? Sério. Sou
melhor que isso. Não sou esse tipo de garota. Sou boa! Coloco os pingos
nos is e cruzo os tês! Pago minhas contas antecipadamente. Reciclo! Não
proponho sexo para meu chefe. Aff. Sou nojenta.
Aperto os olhos toda vez que me lembro do desastre que eu era tentando
flertar. Minha primeira semana em meu primeiro emprego, e serei demitida.
Passo a tarde me perguntando se eu mesma devo me demitir. Será que
simplesmente devo seguir em frente e ajustar a papelada? Falamos sobre o
processo da empresa em cortar emprego de treinamento ontem, então sei
como fazê-lo.
Não sei o que fazer. Então levo minha caneca com qualquer coisa de
leite dentro pelo corredor até a sala de reunião 4C. Mantive os olhos para
baixo enquanto me sento para uma reunião com minha equipe sobre o
treinamento que começaria na segunda. Com a abertura do resort se
aproximando, os funcionários que lidavam diretamente com hóspedes estão
escalados para começar em grupos nas próximas três semanas. Significa
papelada infinita. Infinitos formulários que precisam ser preenchidos.
Checklists longos multiplicados por muitos milhares de novas contratações,
as quais precisam todas começar, teoricamente, ao mesmo tempo. Cedo o
suficiente para garantir que sejam treinados nos padrões da companhia, mas
não tão cedo para que tivéssemos funcionários na folha de pagamento antes
que as portas se abrissem. Fácil. Anoto tudo, minha mente cheia de uma
legião de pensamentos, não todos focados em regulamentações do estado e
reuniões beneficentes.
Então volto à minha mesa, aguardando o machado cair. Pulo toda vez
que alguém passa por meu cubo, esperando que seja Bethany com um
sorriso triste no rosto enquanto pergunta se pode dar uma palavrinha
comigo.
Não aconteceu. Até fico meia hora a mais para dar a ela toda
oportunidade de me despedir antes do fim de semana. Sabe, no caso de ela
estar atrasada na agenda? Mas, em certo momento, percebo que a luz de seu
escritório está apagada, então presumo que ela foi embora e, se eu ia ser
demitida, não aconteceria até segunda-feira. Pego minha bolsa e deixo
minha caneca suja em cima da mesa para o fim de semana todo, porque só
de pensar em voltar para a sala de descanso me dá um estresse pós-
traumático. Estressa um pouco deixar uma caneca suja em cima da minha
mesa também, mas você precisa escolher suas batalhas.
Assim que estou seguramente trancada em meu carro, envio uma
mensagem à Payton e digo que tenho tarefas a fazer e chegarei em casa em
algumas horas. Preciso de tempo em meu lugar feliz antes de me preparar
para falar sobre o dia de hoje.
Então, no celular, abro o aplicativo para procurar uma Goodwill em Las
Vegas. Percebo que não é o lugar feliz costumeiro para uma mulher de vinte
e dois anos, mas não sou como a maioria das mulheres de vinte e dois anos.
Só demoro um instante para perceber que me mudei para a terra sagrada
das lojas Goodwill. Há muitas delas! Havia apenas algumas perto da casa
dos meus pais em Memphis, mas há, no mínimo, doze aqui! E o que é isso,
outlet da Goodwill? Até parece! Espere. Droga. A outlet só abre em dias da
semana durante o horário comercial. Bom, pelo menos tenho algo para o
qual ansiar quando for demitida. Conseguirei comprar na outlet da
Goodwill o quanto quiser.
Há duas localizações entre o trabalho e meu apartamento. Insiro o
endereço da primeira e saio da garagem do estacionamento para a Las
Vegas Boulevard. Minha experiência limitada nesta cidade é que o trânsito
é sempre ruim na Strip, mas, felizmente, só tenho menos de quatrocentos
metros ali, depois posso cortar para a Convention Center Drive e sair desta
bagunça. Quinze minutos depois, estou estacionando em um shopping a céu
aberto de Maryland Parkway. Encontro uma vaga perto da porta e vejo a
loja por fora. Parece uma boa — às vezes, você simplesmente consegue
prever essas coisas, sabe?
Suspiro enquanto desligo meu carro e o tranco. É tão bonito aqui. Sei
que muitas pessoas não acham isso de Vegas, mas é. Assim que você sai da
Strip, é adorável, paisagens com palmeiras e deserto. Espero que consiga
ficar. Não estraguei tudo. Espero que não precise ligar para meus pais e
dizer a eles que vou voltar para casa.
Entro pelas portas automáticas e inspiro, sentindo o cheiro de naftalina e
pó enquanto pego um carrinho. Claro que vou precisar de carrinho. Vejo
que a cor da semana é azul, o que significa que qualquer coisa com uma
etiqueta azul tem cinquenta por cento de desconto. Batuco os dedos no
carrinho enquanto analiso a loja antes de ir à primeira arara de roupas de
adulto. O tamanho não importa porque vou lavar tudo e customizá-las. Nem
me importo, particularmente, se é roupa feminina. Já transformei ternos
masculinos em todo tipo de coisa. Cachecóis, bolsas, uma capa. Uma vez,
fiz um vestido com um paletó.
Às vezes, encontro uma peça ótima, mas a maior parte é porcaria que
preciso desmanchar e refazer. Gosto disso. Acho muito gratificante pegar
algo que foi descartado e transformar em algo novo.
Minha antiga líder Girl Trooper, a sra. Barnes, me ensinou a costurar.
Não é uma habilidade que a maioria das jovens aprende atualmente. Já faz
um tempo que não é. Eu poderia usar tecido novo, mas tecido é caro pra
caramba. Além disso, é bem mais divertido ir em busca da peça, como um
tesouro. Expiro e começo no fimda fileira, rapidamente movendo os
cabides. O barulhinho que eles fazem conforme deslizam contra a barra de
metal me acalma. Desliza, desliza, desliza. Pausa. Analisa. Repete. Três
fileiras, estou calma. O estresse do dia se esvai enquanto me concentro em
nada além de verificar etiquetas e preços, olhando se um item terá tecido
útil suficiente para fazer algo com ele.
Estou na metade da sessão de roupas femininas quando olho para cima e
vejo lençóis pendurados. Lençóis de estampa antiga, dobrados e pendurados
em cabides de calça. Abandono as araras de roupas conforme tenho uma
ideia. Pijamas. Eu poderia cortar os lençóis e fazer partes de baixo de
pijamas. Poderia usar as beiradas largas das fronhas e a parte de cima do
lençol como bainha das calças. Poderia fazer shorts com a parte menor que
sobrasse. Caramba, aposto que poderia conseguir, no mínimo, um short,
uma calça e até uma blusinha de alcinha com cada lençol! Tenho um molde
em casa, e elástico e todo o resto de que preciso. Posso passar o fim de
semana inteiro medindo, alfinetando, cortando e costurando.
E não pensar em Rhys. Não pensar em como ele me fez sentir quando
me beijou no fim de semana anterior. Não pensar na reação que eu tinha
com ele. Uma reação que nunca senti, não daquele jeito. Não pensar no fato
de que ele é chefe do chefe da minha chefe. Não pensar em como ele
simplesmente me encarou naquela tarde quando eu praticamente me joguei
nele.
O que será impossível. Tenho certeza de que as palavras e seja lá o que
você queira ainda passarão repetidas vezes em minha mente quando eu tiver
oitenta anos.
Payton me manda mensagem enquanto estou olhando tudo. Ela não sabe
sobre meu hobby da Goodwill, então evito responder à pergunta dela sobre
onde estou e lhe digo que já estou indo para casa. Consegui passar duas
horas naquela loja então não terei tempo de parar em outra antes de fechar,
de qualquer forma. Ela me fala para encontrá-la na piscina quando eu
chegar em casa. Diz que a hidromassagem está cheia de homens gostosos.
Digo a ela que preciso lavar roupa, o que não é mentira. Tenho que lavar
lençóis para começar a cortá-los.
VOCÊ NÃO SERÁ DESPEDIDA, RELAXE.
Essa mensagem de sabedoria vem de Payton. Estou em casa há algumas
horas, lavando e secando lençóis. Payton voltou da piscina e me viu
passando-os e simplesmente enlouqueceu. Ela tentou instituir uma regra de
colega de quarto banindo o ato de passar lençóis sexta à noite. Ou em
qualquer dia da semana. Expliquei que eu precisava passar os lençóis,
quando a história do meu dia muito ruim, terrível, horroroso saiu de mim.
— Certeza de que vou ser demitida. Trabalho em Recursos Humanos e
fiz uma proposta ao gerente geral.
Minhas bochechas ainda se esquentavam quando eu dizia isso em voz
alta. Ou pensava nisso.
— Provavelmente você fez o dia dele.
Payton tomou banho e colocou calça de ioga e uma blusinha. Seu cabelo
loiro ainda está molhado enquanto ela se senta em um banquinho de nossa
cozinha e me observa trabalhar. Monopolizei nossa mesa de jantar com
minha tábua de corte e itens de costura, perfeitamente alinhados ao meu
lado enquanto trabalho. Não olho para cima ao deslizar o cortador giratório
por uma camada de tecido, fazendo um perfeito corte no que, em breve, se
tornará um short de pijama.
— Fiz o dia dele? Não acho que assediá-lo sexualmente tenha feito o dia
dele.
Tiro a estampa do material e enfio alfinetes em minha almofadinha de
alfinetes, garantindo que nenhum deles saia do lugar e acabe no chão.
— Calma. Você não o assediou sexualmente. Além disso, ainda não
entendo o que está acontecendo aqui — ela diz, acenando a mão para a
mesa. — Você está transformando lençóis velhos em pijamas?
— Estou. Quer um?
— Ahn, não.
Ela une as sobrancelhas, e sua expressão fica confusa.
— Vai querer quando eu terminar — garanto.
— Se é o que diz. Agora, vamos voltar a Rhys.
— Não há o que voltar. Eu te contei tudo e serei despedida na segunda.
Deveria estar fazendo as malas, não pijamas.
— Primeiro de tudo, você não vai ser despedida. Segundo, não vai se
mudar mesmo se for demitida.
— Você acabou de falar que não serei demitida! — chio.
— Não vai. Mas sei que gosta de pensar no pior cenário, então vamos
fazer isso.
Verdade. Gosto mesmo de pensar em todas as opções possíveis.
— Ok — concordo, me afundando em uma cadeira da cozinha.
Brinco com a almofadinha para manter as mãos ocupadas e aguardo
Payton começar.
— Ok, então vamos dizer que você chega na segunda e é demitida.
Ela se levanta enquanto fala e vai até nossa despensa, voltando com uma
caixa de salgadinho.
— É — assinto.
Já tinha visualizado pelo menos quatro maneiras de como isso poderia
acontecer.
— Então você vai voltar para seu carro, dirigir até em casa e chorar. Eu
vou pegar pizza depois do trabalho e nós vamos chorar mais um pouco.
Depois, na terça, você vai conseguir outro emprego.
Ela joga um salgadinho na boca e ergue um ombro, como se isso
resolvesse tudo.
— Payton — resmungo e reviro os olhos. — Não funciona assim.
— Funciona exatamente assim. Estamos em Las Vegas. Há empregos
em todo lugar — ela diz, abrindo a tampa de seu laptop. — Há trezentos e
trinta e quatro listas de emprego nesse site de emprego usando a palavra-
chave “recursos humanos”. Digamos que duzentos deles sejam relevantes, e
que você seja qualificada para cinquenta deles. São cinquenta empregos
para os quais você poderia se candidatar esta noite!
Bom. Dou de ombros.
— Não significa que seria contratada em algum deles.
— Não significa, não — Payton concorda, fechando o laptop. — Mas
você poderia ser garçonete. É uma mulher de vinte e dois anos, gostosa,
com um ótimo corpo, você arrasaria com as gorjetas. Provavelmente
ganharia o dobro do que estão te pagando no Windsor.
— Você acha?
— Acabei de conversar com uma menina na piscina. Ela disse que saiu
do emprego de professora porque ganha o dobro como uma garçonete de
drinques no Wynn.
— Fala sério!
— É verdade.
— Tem certeza de que ela não era prostituta?
— Ela não era prostituta. Mas sempre tem uma segunda opção para você
— Payton diz isso com total sinceridade e me faz gargalhar. — Você está
bem agora? Não posso ir dormir até saber que você não vai ficar a noite
inteira fazendo pijamas com lençóis.
— Ainda estou envergonhada, Payton — resmungo e apoio a cabeça nas
mãos, meu cabelo caindo em uma cortina através de meus dedos abertos. —
Apenas fiquei lá, parada, balbuciando sobre como foi nosso beijo e depois
propus… nem sei o que propus. Acho que lhe dei carta branca, porque o
que a palavra “qualquer coisa” inclui? Meio que implica qualquer coisa e
tudo, não é? Talvez eu tenha oferecido espancamento e anal, até onde sei.
— Oh, você definitivamente propôs espancamento e anal.
— Aaargh — resmungo por trás das mãos.
— Você fez o dia dele, sua apressadinha. Vai por mim. Além disso, eu vi
o cara, você não pode ser a única mulher que já fez uma proposta a ele. Ele
é gostoso pra caralho.
— Então, talvez, ele esteja tão acostumado a mulheres se oferecendo
para ele, que nem vai se lembrar de hoje?
— Certeza. — Ela assente seriamente e joga outro salgadinho na boca.
— Duvido, mas agradeço por mentir para mim para me consolar.
Rhys
QUALQUER COISA QUE QUISER.
Batuco os dedos na mesa de reunião e tento me concentrar na reunião
que Canon está mediando sobre segurança, mas não consigo. Não consigo
porque minha mente está em Lydia.
Isso me irrita porque não sou o tipo de homem que se distrai por boceta.
Principalmente não a boceta de uma boa garota. Droga. Essa garota me
faz sentir algo. Irritação, principalmente, porque estou pensando nela em
vez de na reunião.
Qualquer coisa que quiser. Se estiver interessado. Devo ter resmungado
alto, repassando aquelas palavras em minha mente, porque Canon me lança
um olhar antes de concentrar de novo sua atenção no presidente da empresa
da qual adquirimos nosso equipamento de vigilância. Eles estão falando
sobre um pacote de tecnologia que desvenda conexões entre pessoas —
conexões que poderiam ser usadas em jogos fraudulentosna casa. No
instante em que você aparece em uma das nossas câmeras, a imagem será
jogada nos dados e começa a fazer as conexões, significando que, quando
um cliente se senta a uma mesa, o sistema vai imediatamente tentar
encontrar uma conexão entre o cliente e o negociante. Também verifica
todas as bases de dados conhecidas para procurar fotos de identificação,
pessoas desaparecidas e proprietários de armas de fogo registradas. Sites de
mídias sociais, claro. Anuários, qualquer foto postada em uma base de
dados pública. Se o sistema de segurança não conseguir identificar quem
você é em catorze segundos, um alerta é enviado à equipe de segurança
porque significa que não há imagem registrada de você em nenhum lugar na
internet. E isso é questionável pra caralho.
Lawson interrompe com uma sequência de perguntas legais, questões
nas quais eu deveria estar pensando também, mas não estou. Que bom que
Lawson é bom no que faz.
Minha atenção está em outra coisa. Está em uma coisa doce de vinte
anos que faz meu pau ficar duro. Mais duro do que deveria, baseado nas
interações limitadas que tivemos. Bem mais duro do que deveria para uma
garota como ela. Mesmo assim, minha mente vai para a lembrança de como
foi sentir os lábios dela nos meus, tão macios, tão ansiosos. O cheiro de luz
do sol dela e o gosto de lip balm de menta. Em como seus cílios bateram
contra suas faces antes de ela voltar aqueles olhos grandes e verdes em
minha direção, olhando para mim como se eu fosse de outro mundo. Suas
pupilas diminuíram com excitação conforme ela piscava quando eu me
afastei do beijo, segurando-a para se equilibrar e não tropeçar.
Para eu não ficar tentado em pressionar minha excitação em sua barriga.
Uma excitação por um simples e maldito beijo.
Não me envolvo com boas garotas. Não mais. Nem nunca, na verdade.
Meu tipo são as temporárias. Mulheres temporárias, lindas, rápidas. O
que tornou Vegas perfeita para mim. É um reabastecimento infinito de
mulheres buscando seus momentos de “o que acontece em Vegas fica em
Vegas”. Depois elas vão embora e voltam às suas vidas tranquilas, ou seus
empregos poderosos, ou seus namorados. Não sei, e não me importo.
Quando não são turistas, são strippers. Gosto de prostitutas também.
Isso é grosseiro, eu sei. Sou um merdinha, eu sei. Posso fazer melhor, eu
sei.
Eu sei, eu sei, eu sei. Não sou infeliz com minha vida. Não estou à
procura de nada ou ninguém. Não estou. Simplesmente aprendi que há
algumas mulheres a quem você pode pedir certas coisas e outras a quem
não pode. “Abra suas pernas. Abaixe. Engula. Saia.” Esse tipo de coisa.
Porra. Lydia estava usando a sala de descanso mais próxima do meu
escritório, então ela deve trabalhar no quarto andar. Simplesmente ótimo
pra caralho.
Qualquer coisa que quiser. Nós não queremos as mesmas coisas, Lydia.
Lydia
— QUE HORAS VOCÊ QUER IR À IKEA?
Payton boceja enquanto passa por mim a caminho da cozinha.
— Você quer ir à Ikea comigo?
Olho surpresa enquanto ergo o pezinho da minha máquina de costura e
tiro o tecido de lá. Corto os fios que sobram e me levanto, segurando a parte
de baixo do pijama pronta diante de mim, para analisar.
— Claro que não quero ir, só sou uma amiga boa.
Payton faz gracinha ao se servir de café. Ela se vira, com a xícara na
mão, e me observa analisar o pijama.
— Ei, ficou muito fofo.
Ela coloca a xícara no balcão e pega a calça de mim, segurando-a contra
seus quadris.
— Rá! Eu disse que iria querer um quando tivesse terminado!
— Então você é uma ninja costureira secreta ou algo assim? — Ela
afasta a calça do quadril e analisa a bainha larga que fiz com a beirada de
um par de fronhas. — Estou começando a achar que você estava
aprendendo habilidades para a vida enquanto eu estava ficando com
meninos no banco de trás de carros.
— Acho que vou fazer um vestido depois.
— Ok, não vamos exagerar. — Payton dobra a calça de pijama ao meio,
depois a pendura em uma cadeira da cozinha. — Espere, quantas calças
você já fez? Você dormiu à noite, certo? — Ela franze o cenho ao pegar um
short de pijama com laço de cetim.
— Só estou acordada há umas duas horas. É que são fáceis de fazer.
Olha, fiz uma blusinha combinando para esse. — Ergo uma blusinha
simples com alcinhas e um pedaço de renda adicionado ao decote.
Payton pega a blusinha de mim e a examina, as alças penduradas por
seus dedos.
— Huh. O que mais você sabe fazer? Faz manteiga? Sabe tricotar um
vestido? Oh, meu Deus, aposto que você sabe como se assa um peru para o
Dia de Ação de Graças, não é? — Ela se senta à mesa e coloca uma mão em
meu antebraço. — Lydia, você ganhou o distintivo de dona de casa dos anos
1950? — Ela pisca, os olhos arregalados curiosos.
— Pfft, não existe distintivo de dona de casa dos anos 1950, o que você
saberia se não tivesse sido expulsa. Mas eu ganhei o distintivo de
organização de jantar.
— Oh, puta merda. — Ela abaixa a mão e encosta na cadeira, me
olhando de um jeito quase horrorizado. — Eu estava brincando. Tem
distintivo de organização de jantar? Pare.
— Tem. Além disso, tricô está na moda de novo, só para você saber. E
não, não sei tricotar. Talvez possamos fazer uma aula juntas? — Estou
zoando porque acho que não há nenhuma chance de Payton se inscrever
para uma aula de tricô comigo.
— Não acho que essa seria minha xícara de Coca — ela responde.
— Xícara de Coca? Você não quer dizer xícara de chá?
— Não. Eu não gosto de chá. — Ela boceja e analisa outro short de
pijama.
— É só modo de dizer, Payton. Você não precisa substituir chá por algo
de que goste.
— Humm. Acho que isso não é certo. Enfim, Ikea?
— Eu realmente mereço novos acessórios de escritório se vou ser
demitida?
— Aff, chega com essa coisa de ser demitida — Payton resmunga em
sua xícara de café. — Isso não vai acontecer. E passar o fim de semana
fazendo pijamas de lençóis também não vai rolar. Vamos para a piscina,
depois vamos à Ikea e depois jantamos.
PAYTON É ESPERTINHA. E É POR ISSO QUE NÃO PERCEBI QUE IR À
realmente apenas um truque para me arrastar para fora e socializar. Oh, nós
fomos à Ikea. Ela até foi dirigindo. Depois, ela nos levou ao bar.
— Sério, Payton? — pergunto quando ela estaciona em uma vaga no
Hennigan’s. Você disse que iríamos jantar.
— O que foi? Podemos pedir porção de frango aqui. Isso conta como
jantar. — Ela abaixa o espelho, tira um batom da bolsa e o destampa. —
Alguns caras da piscina vão nos encontrar aqui.
— Isso é um encontro? Você arranjou um encontro para mim?
Eu me viro para ela, confusa, enquanto tento entender como conseguiu
fazer planos para esta noite enquanto eu estava com ela na piscina.
Claramente, ela é muito melhor do que eu nesse tipo de coisa. Quais caras?
Ninguém que vi hoje se comparava a Rhys, mas talvez seja hora de eu parar
de ser tão exigente. Talvez meu problema seja esse! Será que não tenho
razão?
— Ahn, não. Não é um encontro. — Ela balança a cabeça, erguendo
uma sobrancelha cética na minha direção. — São dois caras que moram em
nosso condomínio e vão nos encontrar neste bar, que é a menos de um
quilômetro de onde moramos.
— Oh, ok.
— Relaxe, apressadinha. É só para tomar uma.
— Ótima ideia.
— Sério? — Agora ela está obviamente em dúvida, sem fazer nada para
esconder seus olhos estreitos e lábios franzidos.
— Sério. — Viro meu próprio espelho para baixo e analiso meu reflexo.
— Planejou bem, só me avise da próxima vez para eu usar algo sem ser
uma camiseta que diz “Vamos falafel sobre isso”. — Tiro o lacinho de
cabelo e chacoalho o cabelo, penteando-o com os dedos. Tomei um pouco
de sol hoje e passei rímel antes de sairmos, está bom. — Mas amanhã eu
vou fazer pijamas o dia inteiro — digo a ela, balançando as mãos no ar,
chacoalhando os dedos —, e não quero ouvir uma palavra sobre isso.
— Certo. Mas isso foi decepcionantemente fácil. Eu já estava me
preparando para arrastar você para dentro — Payton diz enquanto saímos
do carro.
O calor me encontra no instante em que coloco uma perna para fora do
carro. Estão uns vinte graus às oito da noite, mas, sim, é um calor quente,como dizem.
— Desculpe te decepcionar — digo a ela quando bato a porta do
passageiro. — Se ajuda, não vou ficar com ninguém desta vez. E não é um
desafio. Não vai acontecer.
— Por que não? A melhor forma de dar a volta por cima por alguém é
ficar embaixo de outro.
— Nunca fiquei embaixo de Rhys.
— Acho que é no sentido figurado.
Assim que entramos, pegamos uma mesa e pedimos duas cervejas. Não
amo cerveja particularmente, mas, que saco, quem não tem cão, caça com
gato. Será que alguém caça com gato? Talvez não seja uma ótima analogia.
Talvez eu devesse ter pedido vinho? Não tenho certeza se porção de frango
combinava com vinho. Bom, que seja — minha cerveja chegou.
Josh e Dan também chegaram. Eu os reconheço da piscina, Payton me
lembra quem é quem antes de eles chegarem à nossa mesa. Um terceiro
cara chega alguns minutos, e eu não o reconheço, mas parece ser amigo
deles. Não ouço seu nome, e ele não parece muito interessado no meu,
então não me incomodo. De qualquer forma, Payton não estava mentindo.
Isso não é uma armação ou um encontro. São só algumas pessoas se
reunindo para beber, fazer amigos. Talvez mais, quem sabe?
Socializar é difícil. Não tenho nenhuma fobia em particular sobre
socializar, nada disso. Sou muito boa em etiqueta social e fazer amigos.
Ganhei todos os distintivos de habilidade na vida que alguém pode obter
durante meus dias de Girl Trooper.
Mas bares são diferentes. Distribuir porta-copos para evitar marcas de
copo no balcão não é considerado uma qualidade social, por exemplo.
O que é ridículo, mas, enfim. Molho um pedaço de frango em ramequim
de plástico com mostarda e mel e escuto o que Josh está me contando sobre
seu emprego. Ele parece interessado em mim. Não agressivamente
interessado, apenas normalmente interessado, o que é legal.
Ele é atraente.
Ele é atencioso.
Ele está disponível.
Eu não sinto nada.
Mas talvez eu vá sentir alguma coisa, se tentar bastante. Talvez seja
assim que funciona. Talvez não seja sempre um desejo instantâneo, cego e
inexplicável.
Como foi com Rhys. Por que foi tão instantâneo com Rhys? Tão
irritantemente instantâneo. Na primeira vez em que o vi, eu o desejei antes
mesmo de ele olhar para mim.
Foco em Josh. Peço outra bebida e foco. Em Josh. Josh gente boa. Josh
com idade apropriada. Não o Josh chefe do meu chefe do meu chefe.
Fiquei admirada com Rhys ontem à noite. Claro que fiquei. Depois que
Payton arrancou a régua de corte da minha mão e me mandou ir para a
cama, fiquei deitada no escuro fazendo pesquisas na internet sobre Rhys
Dalton. Não sei o que eu estava procurando exatamente, não é como se
fosse encontrar um artigo sobre outra garota que se envergonhou diante dele
de uma maneira pior que eu.
Ok, sim, eu procurava esse artigo. Não existe, obviamente. Depois,
procurei “me envergonhando diante do crush” no Google só para me
divertir. Após ler duas histórias, decidi que era melhor parar de ler, no caso
de eu estar subconscientemente armazenando formas adicionais de me
envergonhar.
Enfim, não encontrei muita coisa sobre Rhys. Algumas coisas chatas de
negócios. Não consegui encontrar uma esposa ou namorada, mas ele não
tinha uma página no Facebook para eu investigar. A única coisa social que
consegui encontrar dele foi no LinkedIn, e aquele site não era realmente
designado para dar em cima de seu chefe. Não de uma forma significativa,
pelo menos.
Ele tem trinta e quatro anos. Meio velho para mim, provavelmente. Mas
eu não tenho preconceito, então acho que está tudo bem. Tive dois pais ao
crescer. Dois pais que me amavam e amavam um o outro. Minha infância
foi o contrário de disfuncional. Foi completamente funcional, de uma forma
não convencional. Então não, não tenho nenhuma necessidade de ser
cuidada e, se quiser perder minha virgindade com um homem
possivelmente meio velho para mim, é minha decisão, na verdade, não é?
— Lydia? — Josh está perguntando alguma coisa, e não estou prestando
a menor atenção. Porque estou pensando no maldito Rhys.
— Sim? — Sorrio para Josh e renovo meu esforço para prestar atenção
nele.
Ele tem um cabelo bonito. E é legal. E está conversando comigo e
provavelmente responderia se eu lhe perguntasse qualquer coisa que ele
quisesse em vez de simplesmente me encarar como se eu não tivesse
acabado de fazer uma proposta muito generosa.
— Dardos? — Ele assente para uma placa de dardo perto de nossa mesa.
Ele tem olhos gentis e parece genuinamente interessado em minha
resposta, em que eu diga sim.
— Claro. — Coloco minha cerveja em cima de um porta-copos e dou
um tapinha no balcão. — Vamos lá.
Com isso, eu quero dizer dardos, não sexo. Por enquanto. Mas talvez vá
mudar de ideia. Não tipo esta noite, não vamos enlouquecer. Mas talvez
Josh dê em cima de mim. Talvez viremos amigos. Ele é meio engraçado, e
eu gosto mesmo dele. Talvez o desejo mágico e ilusório vá chegar, nunca se
sabe.
Rhys
— POR QUE ESTAMOS EM UMA PORRA DE BAR EM HENDERSON? — CA
e balança a cabeça, confuso, enquanto eu estaciono em uma vaga em frente
ao Hennigan’s.
— Meu amigo é dono do lugar. Disse a ele que vou entrar para ver como
é.
— É. É, foi o que disse. E é por isso que trouxe seu primo aqui no fim
de semana passado.
Porra. Esqueci que ele sabia disso.
— É só uma bebida rápida, Canon — digo, convencendo-o. — Vamos
ao Strippers Strippers Strippers assim que acabarmos.
— Não seja babaca. Você sabe que se chama Double Diamonds, não
Strippers Strippers Strippers. E também sabe que é minha boate preferida
de strip. Respeite meus hobbies.
Eu paro, encontrando Canon no para-choque do meu carro assim que
pego a chave para trancar o carro. Ele não está errado. Também não faço
ideia do que estamos fazendo em um bar em Henderson. Não mesmo. Será
que estou esperando vê-la de novo? Sei que vou vê-la de novo. Na segunda,
no trabalho. Onde vou me controlar com beijos e meus pensamentos
obscenos porque ela tem vinte e dois anos, porra. E é minha funcionária.
É. Vinte e dois. Sou um pervertido por simplesmente pensar nela. Um
babaca por usar a ficha de funcionária dela para descobrir isso, em primeiro
lugar. É só que… por que ela teve que propor aquilo? Qualquer coisa que
quiser. Eu quero. Claro que quero. Não sou um santo, pelo amor de Deus.
Seria um mentiroso, além de depravado, se não admitisse que a
inexperiência relativa que acompanha a idade dela dá um tesão gigante.
Muita confiança do caralho em minha capacidade de ser melhor do que
qualquer coisa que ela viveu até agora.
— Canon, o que é aquela regra sobre limites de idade?
— Qual regra?
Guardei no bolso meu chaveiro e passei a mão na nuca, agitado.
— O negócio de até que idade pode ir? É metade da sua idade mais
cinco, certo? Deus, por que estou perguntando a você? — Estalo o pescoço
e encaro a entrada de Hennigan’s.
O olhar que ele me dá me faz arrepender de ter tocado no assunto.
Deveria ter perguntado ao meu primo — aquele desgraçado britânico
pretensioso teria a resposta.
— É metade mais sete, não cinco. E é para encontros, não sexo. Não há
regras para sexo, só ela ser maior de dezoito. Embora dezoito seja bem,
bem questionável e, se você for foder uma adolescente, preciso que pare e
avalie sua vida.
— Certo. Metade mais sete. — Assinto como se não importasse, já me
arrependendo de ter falado nisso com Canon.
— Me diga que estamos falando de uma de vinte e um anos. Me diga
que não tem coragem de transar com uma adolescente.
— Jesus, relaxe. Não tenho. Esqueça, não vamos falar disso. — Assinto
em direção à porta do pub e começo a andar.
— É por isso que escolho Double Diamonds. Vince não contrata a
menos que tenham vinte e um.
— O quê?
— Ótimos benefícios também.
— O quê? — Paro para poder olhar para Canon. — De que porra está
falando?
— As strippers no Double Diamonds. Pacote com benefícios
compreensivos. Plano de saúde, reembolso de matrícula. Sem taxas de
estágio. Sabia que a maioria das boates cobram as dançarinas só para
trabalhar? — Ele cospe essa última parte, seu tom indicando desgosto com
o patriarcado da trabalhadora moderna de boate destrip.
— Como…? — Hesito, enquanto o encaro, sem palavras. — Por que
sabe disso?
— Joguei golfe com Vince na semana passada.
— Ótimo. Que bom ouvir que está fazendo novos amigos.
— Não fique com ciúme. Você estava ocupado. — Canon checa seu
relógio e olhar para Hennigan’s. — Deus. Espero que sua adolescente não
esteja em um bar.
— Pode calar a porra da boca? Ela não é adolescente. E não é minha.
Não é minha, e não está no bar. Percebo isso assim que passamos pela
porta, como se esperasse que ela estivesse no mesmo assento que estava
semana passada, me esperando. Possivelmente porque sei muito bem, após
minha pesquisa em seu arquivo de funcionária, que ela mora no fim da rua.
Só queria confirmar de qual departamento ela era, uma ponta de
esperança que ela simplesmente estivesse no quarto andar para uma reunião
e que vê-la não seria um acontecimento comum. Mas não. Ela é do
Recursos Humanos, designada ao cubículo 4W-28, do lado oeste do quarto
andar. Perto demais do meu escritório para ficar confortável.
Caramba, fui embora por um motivo. Não transei com ela no escritório
de Brady no fim de semana passado, apesar de querer, porque não sou
acostumado a tomar decisões ruins. Então a mandei para casa, para onde ela
pertencia. Longe de um homem como eu, um homem interessado em uma
coisa, e quando o brilho suave de seus olhos se transformou em um olhar
arregalado, me disse que ela estava interessada em algo diferente. Então ela
aparece em meu escritório. Quase duzentas mil pessoas empregadas pelo
Vegas Strip, e ela está trabalhando em meu cassino. Sentada a vinte metros
da minha sala.
Caralho.
Não preciso da distração, e ela, com certeza, não precisa de mim. Abrir
esse resort é meu foco. Nada mais, nada mais. Este é meu momento. Esta é
a minha vez de fazer uma contribuição duradoura para a empresa da
família. Esse empreendimento era minha ideia. Fui eu que o levei ao
conselho. Fui eu que organizei o dinheiro para investimento. Fui eu que
passei os últimos quatro anos comendo, vivendo, respirando com o único
objetivo de tornar Windsor o ramo mais lucrativo do negócio da família.
Eu. Além disso, eu fodo. Não levo mulheres para jantar e as acompanho
até em casa até Connecticut a fim de conhecer meus pais.
Focado. Sou um privilegiado filho da puta. Não, isso não está certo. Sou
o privilegiado filho de uma herdeira. Meu bisavô criou uma empresa que
garantiu estabilidade financeira por gerações. Cada geração, desde então,
em vez de descansar, aumentou ainda mais a empresa. Aumentou,
melhorou, desenvolveu.
Minha mãe administra a divisão norte-americana da Sutton Corporation
por duas décadas. Ela é poderosa e, com seus cinquenta, não está preparada
para abdicar. Meu primo assumiu como CEO da empresa há dois anos.
Eu poderia ter fodido pelo resto da vida e não importaria. A empresa
teria continuado funcionando sem mim. Não sou uma parte integral, não
como minha mãe, ou meu primo, ou meu tio, que administra os cruzeiros.
Meus vinte foram uma dificuldade para encontrar meu lugar nesse
conglomerado. Um lugar que importaria, um cabeçalho em vez de uma nota
de rodapé.
O Windsor é meu cabeçalho, meu legado.
Não deixei passar que minha contribuição duradoura para a humanidade
será a abertura autoindulgente de um hotel luxuoso na Las Vegas Strip, e
não uma caridade ou reforma do plano de saúde ou a abolição da
disparidade racial ou o financiamento da educação pública.
Brady está atrás do balcão, mais observando do que servindo, então,
quando nos vê chegar, ele dá a volta, e nós nos cumprimentamos
obrigatoriamente com um tapa nas costas.
— Dois fins de semana seguidos. Uau. — Brady cruza os braços e se
apoia no balcão. — Você está impressionado com a minha microcervejaria
ou voltou pela garota.
Obrigado, Brady.
— Com certeza não viemos até Henderson pela cerveja — Canon
murmura quando se senta em um banquinho. — Você passa cartão aqui,
certo?
Estou prestes a dizer para Canon não encher o saco quando Brady
inclina a cabeça para o outro lado do ambiente. Então ela está aqui. Sou
inundado por uma onda de adrenalina, e algo mais, algo diferente. Há uma
sensação de exultação ao vê-la de novo, um sentimento perdido para um
homem que só está querendo foder. Como se eu fosse um adolescente e esta
fosse a primeira vez que enfio a mão na calça de uma garota, quando não
sou e isso não está acontecendo.
Talvez eu só precise esquecê-la. Talvez só provar uma vez, uma foda
rápida. Um bom momento para nós dois e, então, seguiríamos em frente. Na
segunda, voltaríamos aos negócios. Eu me viro no banquinho, olhando o
bar conforme Brady coloca duas bebidas diante de nós. Eu a localizo,
atirando dardos de um alvo de cortiça, seu cabelo escuro espalhado pelas
costas, a luz destacando as luzes em seu cabelo. Ela está de saia jeans, o
tecido aconchegado à curva de sua bunda, e a visão faz meus dedos
ansiosos apertarem o vidro em minha mão. Não ajuda quando ela se ergue
na ponta dos dedos do pé para pegar um dardo que está fora de seu alcance,
sua bunda se erguendo muito mais conforme ela se estica.
Ela é pequena, e me faz sentir vontade de protegê-la de uma forma
babaca e antiquada. Como se ela precisasse que eu a carregasse para não
pisar em uma poça ou que comprasse algo bonito para ela. Ela não precisa
de nada disso. Mas seria fácil de erguê-la, suas pernas envolvidas em meus
quadris conforme eu me enfio nela, minhas mãos segurando sua bunda
enquanto eu a balanço para cima e para baixo em volta de meu pau, suas
mãos puxando meu cabelo enquanto ela implora por mais, mais e mais.
Em minha mente, ela implora. Choraminga. Por favor, Rhys. Mais,
Rhys.
Ela se vira, abrindo um sorriso para alguém atrás dela. Seu sorriso é
largo, uma mecha de cabelo caindo em sua face, e seus olhos brilhando com
a risada. Seu rosto está livre de qualquer maquiagem visível, o que só serve
para fazê-la parecer mais jovem e menos interessada em alguma arte da
sedução.
Como se seus objetivos fossem muito menos intencionais do que a
maioria das mulheres. Menos ensaiados. Ou talvez ela simplesmente não
faz ideia de que afeta homens, mas não pode ser.
Meus olhos pairam para o que ela está sorrindo. Ou quem. Um homem.
Por que estou surpreso? Como se ela fosse esperar desde — ontem —
quando ela me ofereceu qualquer coisa que eu quisesse com ela? Sério, que
porra era aquela?
Bufo e me volto para minha bebida. Depois volto para Lydia. Canon me
observa e revira os olhos.
— Ok, uau.
— Não enche.
Levo o copo aos lábios e dou um gole, com os olhos na minha boa
garota conforme ela lança um dardo. Ela diz algo que faz o homem rir, e me
pergunto se eles vieram juntos. Onde está a loira incentivadora com quem
ela estava semana passada? Presumi, como o babaca arrogante que sou, que
ela estaria aqui com a amiga. Apenas me esperando chegar e repetir a
“coisa do beijo”, como ela chamou. Dou outro gole e analiso o bar até
encontrar a loira. Ela está em uma mesa com dois caras. O que significa que
estão em cinco e não é um encontro. Ou é uma porra de orgia.
— Lydia Clark. Recém-graduada da Universidade do Estado de
Louisiana. Nova contratada do Windsor. Vinte e dois. — Canon me dá uma
piscadinha dramática com esse detalhe antes de continuar. — Teve um
cachorro chamado Scout na infância…
Paro de observar Lydia a fim de interromper Canon.
— Como sabe disso?
— Você me paga pela segurança, lembra? Sei de tudo. — Ele me dá um
olhar sábio, como se fosse um tipo de vidente.
É assustador.
— Além disso, acabei de tirar uma foto dela e passar pelo software que
estamos usando no cassino — ele complementa, o que me faz muito mais
sentido do que ele ser um ser onisciente.
— É, mas como sabe sobre o cachorro dela? Isso não estava no arquivo
de contratação.
— Não, está em um post do Instagram da semana passada — ele diz,
olhando para seu celular. — Hashtag TBT — ele lê em voz alta. — É um
post de Throwback Thursday com uma foto de uma Lydia de dez anos e seu
cachorro. Está vendo?
Ele vira seu celular na minha direção, e eu o arranco de sua mão com
mais agressividadeque o necessário, mas ele está me provocando para seu
próprio divertimento. Lá está ela. Lydia criança com um cachorro. Está com
uniforme de Girl Trooper. Jesus Cristo. Jogo o celular de Canon no balcão
com desgosto.
— Sabe, quando você tiver quarenta anos, ela terá vinte e oito.
— É, já entendi, sou velho. Ela é jovem.
Eu me pergunto se eles estão mesmo em um encontro para orgia. Talvez
seja isso que as crianças façam agora.
— Não, cuzão. Estou dizendo que, quando você tiver quarenta, metade
da sua idade mais sete é vinte e sete. Quando você tiver quarenta, Lydia terá
vinte e oito.
— Então se eu conseguir não encostar nela por seis anos, não serei
pervertido? Obrigado, ajudou.
— Estou dizendo que tudo vai compensar nos próximos anos, então por
que atrasar a gratificação agora?
— Não sou especialista em moralidade, mas não acho que esteja certo.
Do outro lado do bar, o cara jogando dardo com Lydia está parado atrás
dela e coloca uma mão em sua cintura e a outra na mão que segura o dardo.
As habilidades dela de jogar dardo são boas, então é uma atitude cretina da
parte dele.
Eu me pergunto se ela vai beijá-lo. Eu me pergunto se ela vai lhe propor
mais. Eu me pergunto por que me importo. Eu me pergunto se estou tendo
algum tipo de crise maldita de meia-idade. Desafia toda a lógica. Por que
preciso ficar com essa garota, em particular? O que importa? Não há menos
de dez mulheres no Double Diamonds que iriam para casa comigo esta
noite — mulheres que foram para casa comigo no passado. Mulheres a
quem pago para poder expulsá-las cinco minutos após eu gozar.
Mulheres que não olham para mim como se esperassem mais de mim.
Caralho.
— É melhor irmos embora — murmuro, mas ainda estou observando
Lydia.
— Vamos — Canon concorda, mas ele não se mexe para se levantar. Ele
nem tira os olhos do jogo que está passando em uma das TVs do bar.
Ela deve me sentir ao seu lado antes de me ver, porque se vira um
instante antes de eu pegar sua mão. Seus olhos se arregalam de surpresa,
seus cílios batendo contra as faces conforme ela pisca com rapidez. Seus
lábios se separam, se juntam de novo enquanto um sorriso se forma. Ela
ruboriza, a cor forte em suas bochechas, e lá está aquele olhar de novo.
Expectativa. Deus me ajude, ela olha para mim com esperança.
O que estou fazendo? Ela precisa inclinar a cabeça para trás a fim de me
olhar porque estou bem perto dela, com sua mão macia envolvida na minha,
maior, mais áspera. Eu aperto, e sua respiração acelera, seus olhos
brilhando, um olhar de pura ansiedade no rosto.
— Rhys? — ela pergunta, e ouvir meu nome em seus lábios faz minha
pulsação acelerar e meu pau endurecer.
Em vez de responder, puxo sua mão e nos guio até o escritório de Brady.
Quando passamos pela porta, já estou nela, uma junção de lábios e língua, e
puxando seu cabelo.
Até a cadeira de Brady arranhar o chão. Lydia se afasta de mim com um
gritinho.
— De novo em meu escritório. Vou sair — Brady murmura conforme
passa por nós, a porta se fechando atrás dele.
Dou risada, e Lydia ruboriza.
— Quem é o cara?
— Quem?
Ela pisca para mim com uma confusão repentina, e fico grata por ela
não se lembrar do homem com quem estava conversando há dois minutos.
— Dardos — lembro a ela, e ela olha para baixo para sua mão, que
ainda está segurando os dardos para sua vez.
Ela abre a mão e os encara, depois se volta para mim.
— Josh? — ela responde, mas diz isso como uma pergunta, como se
possivelmente já tivesse esquecido o nome dele. Boa garota. — Só um cara
do meu condomínio. Nos conhecemos na piscina hoje.
Ela tomou sol hoje, eu percebo, há algumas sardas cobrindo seu nariz e
sua face, e estou irritado com a ideia do idiota do Josh vê-la molhada e
coberta por uma tira de tecido.
— Nós temos piscina no hotel — conto a ela.
— É, e eu tenho uma piscina em meu condomínio — ela responde com
uma risadinha, como se estivéssemos simplesmente comparando, seus olhos
buscando em minha expressão alguma dica do que eu queria.
Não sei, então a beijo. Pego os dardos dela e os jogo na direção da mesa
do Brady.
Eu a beijo de novo, e ela se inclina para mais perto, colocando as mãos
em meu peito. Seu toque é leve, tímido? Mas seus lábios são sedentos. Seus
lábios são flexíveis, macios e doces. Seus beijos parecem uma prévia de
como seria o sexo com ela. Faminto. Íntimo. Explorador.
Levo-nos de costas para o sofá, rezando um agradecimento a Brady por
ter a visão de ter um sofá no escritório. Ela cai em meu peito, seu corpo
macio e leve em cima de mim, mas são seus olhos que me interessam. Eles
se arregalam, como se ela estivesse surpresa por onde se encontra, o que
não deveria estar depois de me fazer aquela proposta ontem. Mas talvez não
seja um comportamento normal para ela. Talvez haja algo em mim
especificamente que a faz fazer coisas fora do normal.
Vejo que gosto dessa ideia.
O olhar de surpresa dura apenas um segundo, substituído por um sorriso
lento que aumenta e toma seu rosto todo. Se eu pensava que ela era bonita
antes, não é nada comparado a este instante. Sua língua aparece para lamber
os lábios e, então, ela abaixa a cabeça, uma risadinha escapando antes de
olhar para cima de novo. Ela me observa por baixo de seus cílios, e há um
brilho de empolgação em seus olhos agora, suas mãos deslizam para cima
de meu peito, seus dedos abertos para exploração, a ponta deles
massageando como um gatinho muito feliz.
Então ela flexiona o quadril. Deus me ajude, ela flexiona o quadril. Um
movimento minúsculo de rebolado empurra a pélvis dela contra minha
coxa, buscando fricção, buscando mais. Deslizo a mão até seu quadril para
segurar sua bunda e ela faz de novo. Mais forte dessa vez, mais deliberado,
mas não acho que ela tenha consciência de que está fazendo tudo isso. Suas
mãos estão ocupadas sentindo meu corpo através do tecido da minha
camiseta e seus olhos estão ocupados analisando os lugares que ela segue
com um beijo. Meu pescoço. Minha sobrancelha direita. Meu lóbulo
esquerdo. Ela para ali, puxando minha pele entre seus dentes com um puxão
delicado, depois segue com a língua.
Outra flexão de seu quadril. Coloco a mão na dela e a deslizo para baixo
até passar a bainha da minha camiseta e a deslizo por debaixo, colocando-a
em minha barriga. Seus olhos se movem para os meus, de novo com aquele
breve olhar de surpresa seguido de um arregalado e o sorriso entusiasmado,
sua marca registrada.
Ela se ergue do meu peito o suficiente para erguer minha camiseta até a
metade do meu peito e, no mesmo movimento, ela abre as pernas. Abre
para ficar montada em minha coxa direita. O movimento faz sua saia subir
em volta do quadril, então a única coisa separando-a da minha perna é sua
calcinha.
Algodão. Consigo sentir sob minha mão. Trilho a ponta de meu dedo
pela costura em volta de sua coxa e na beirada de sua calcinha, e ela se
arrepia, depois sorri, mordendo o lábio em um sorrisinho. Isso faz a pele de
seu nariz se enrugar, as sardas do sol da tarde se acumularem
adoravelmente.
Outra flexão do quadril. Posso sentir o calor de sua boceta através de
minha calça, e é surreal pra caralho. É surreal porque ainda estou de calça.
Que porra está acontecendo? Nós estamos… roçando? Esta mulher adulta
— jovem demais para mim, sim, mas adulta ao mesmo tempo — está se
esfregando na minha perna?
Seus lábios se partem arfando, seu cabelo é um monte de mechas caídas
em volta de seu rosto. Algumas delas, grudadas em seus lábios, então estico
o braço e as tiro, colocando-as atrás de sua orelha. Meus dedos se demoram,
traçando a concha de sua orelha, descendo pela lateral de seu pescoço, por
sua clavícula. Ela sorri e se esfrega em minha perna, ambas as mãos
espalmadas em meu peito nu para se equilibrar.
Acho que não roço assim desde que tirei minha carta de motorista, então
faz… um tempo.
E, ainda assim, estou duro. Dolorosamente duro observando-a balançar
para trás e para a frente na minha perna. Chocado por meu pau ainda estar
em minha calça, mas duro.
Baixo as mãos até as coxas dela, nuas com sua saia acumulada em suacintura. Sua pele é macia e lisa sob minhas mãos e tocá-la é melhor do que
deveria. Melhor do que qualquer coisa que senti em um bom tempo.
Seus olhos se lançam para onde minhas mãos estão acariciando sua pele.
Ela deve gostar do que vê, porque lambe os lábios, e quando seus olhos
encontram os meus de novo, eles estão ardentes. Com expectativa e
arregalados e no tom mais lindo de verde, o tipo de verde geralmente
associado a uma floresta ou um festival irlandês. O tom de verde reservado
a homens que se importam com tal detalhe. Eles flertam, são questionadores
e docemente interessados no que ela está olhando — que sou eu.
Quero dizer para ela não se importar. Que ela não gostaria do que
encontrasse se passasse mais tempo comigo. Que não valho a pena qualquer
fantasia de mim que ela esteja pensando. Quero lhe dizer isso.
Eu quero.
Eu deveria.
Eu vou.
Mas também quero ver se ela consegue gozar simplesmente roçando
para a frente e para trás em minha perna, ou se precisa de uma ajudinha.
Quero deslizar minha mão para dentro de sua calcinha de algodão e ver
o quanto ela está molhada. Quero saber o quanto seu clitóris está rígido. O
quanto está com tesão e molhado. Quero saber se ela gosta de pequenos
círculos provocantes feitos pela ponta do dedo ou a firme pressão de um
polegar no momento certo.
E, Deus me ajude, não quero que ela pare de me olhar assim.
Ela sorri e aquela língua cor-de-rosa perfeita sai para outra lambida em
seu lábio inferior. Então ela se apoia nos cotovelos o suficiente para me
beijar. Eu deixo. Mantenho as mãos em suas coxas enquanto ela roça contra
mim de novo e enquanto me dá beijos delicados nos lábios. Quando ela tira
a mão debaixo da minha camiseta para passar na minha ereção, eu deixo.
Eu deixo, quando o que quero fazer é assumir o controle. O que quero é
abrir minha calça, me massagear, colocar sua calcinha para o lado e me
enfiar dentro de sua boceta quente, molhada e apertada. Mas, se eu assumir
o comando, não posso observá-la me usar para gozar. E essa merda é sexy
pra caralho. Mais sexy do que é razoável para alguém da minha idade. Ou
da idade dela, que seja. Ainda assim, ela está fazendo isso comigo nesta
sessão para maiores, então, se ela quer brincar comigo depois da escola,
estou dentro. Além disso, estou bem curioso para ver até onde isso vai.
Lydia
EU ME INCLINO SOBRE RHYS E O BEIJO. ELE TEM CHEIRO DE HOMEM E
couro que eu esteja sentindo o cheiro seja do sofá em que estamos nos
pegando no momento, porque sou esse tipo de garota agora. A garota que
dá uns amassos em sofás no escritório dos fundos de um bar. Para ser
sincera, me sinto bem com esse desenvolvimento da minha vida. Enfim, ele
cheira bem, e seu corpo é bom, e ele parece, bem, ele parece muito, muito
bom.
E ele é tão gentil. Tipo, nem tentou tirar minha blusinha ainda, o que eu
deixaria completamente ele fazer se quisesse, mas acho que ele está indo
devagar. Será que eu deveria tirar minha própria blusinha? Não pode ser. E
se eu simplesmente arrancasse minha blusinha agora e ele ficasse tipo, Uau,
Lydia. Só gosto de você para beijar, não para tirar a blusinha?
Seria terrível. Seria a pior coisa. Ele realmente gosta de mim para beijar,
então não quero estragar. Subo meus dedos por seu pescoço, e ele me beija
de novo. Suas mãos estão acariciando a parte de trás de minhas coxas,
longas carícias da metade da coxa até a bunda, mas ele para ali, a ponta de
seus dedos trilhando ao longo da costura da minha calcinha na bunda. Então
desliza as mãos para baixo. Suas mãos parecem enormes na parte de trás de
minhas pernas, sua pele quente contra a minha, seus dedos apertando
enquanto ele arrasta as mãos para cima e para baixo, e tudo isso está me
deixando louca.
Do tipo molhada, e com tesão, e muito perto de perder a cabeça. Sinto
como se todas as terminações nervosas em meu corpo se moveram para um
lugar, e eu só quero me pressionar nele para aliviar. Estou com a
necessidade de ser preenchida, de tê-lo dentro de mim, então estou
compensando ao me esfregar em sua perna. Será que estou apertando sua
coxa muito forte?
Baixo os lábios até seu pescoço e o beijo. Ele tem o pescoço mais
gostoso do mundo e ele raspa na minha bochecha e na ponta de meu nariz
conforme passo os lábios em sua pele. Lambo a lateral de seu pescoço
também, porque simplesmente preciso prová-lo. Ele geme e usa uma mão
para me puxar mais para perto contra sua perna e a outra segura meu
cabelo.
O ato de puxar meu cabelo quase me faz gozar. Estou muito perto.
Baixo a testa em seu pescoço e, então, ele está sussurrando em meu ouvido.
Adoro o som de sua voz independente do que esteja dizendo, mas os
sussurros baixos podem ser minha perdição.
— Você é safada, boa garota?
— Talvez — respondo, dando de ombros, afinal quem realmente sabe?
Mas acho que posso ser safada. Se o puxar cabelo é alguma indicação,
então sim. Bastante sim. Reserve para mim uma passagem de ida para a
Safalândia.
— Está molhada?
Espere, ele acabou de perguntar isso mesmo? E se eu responder “muito
molhada, Rhys”, e ele não fizer ideia do que estou falando porque o que ele
realmente disse foi “Estou entediado, saia de cima”? Logicamente, uma
coisa não parece em nada com a outra, mas nunca se sabe, não é? Além
disso, não estou acostumada a esse tipo de conversa safada. Uma vez, na
faculdade, eu estava dando uns amassos com um cara e ele disse que ia
enfiar o pau nos meus lábios. Essa é uma frase de verdade, não interpretei
errado. Sei disso porque pedi a ele para repetir. E ele o fez. Palavra por
palavra. Não sei se aquela frase funcionara para ele no passado, mas foi
inútil comigo. Enfim, a questão é que eu tenho uma habilidade limitada em
conversas de sacanagem e não quero estragar isso, então mantenho a cabeça
enterrada em seu pescoço e passo as mãos em seus mamilos enquanto
espero para ver o que acontece.
— Consigo te sentir na minha perna — ele complementa.
Seus lábios estão no local macio atrás de minha orelha, e sua voz é
rouca. Sua respiração sussurra em meu pescoço e eu arrepio. Só que…
Oh, meu Deus. Estou molhando a calça dele? Vou morrer.
— Você sempre fica molhada assim, Lydia? Está me encharcando
através da calcinha. Montada em minha perna como se eu fosse seu
brinquedo pessoal de foda. Me usando para gozar. — Ele puxa meu cabelo,
então preciso erguer a cabeça e encontrar seu olhar. — Não está?
Vou derreter. Minha respiração para na garganta, e estou
impossivelmente mais quente e molhada, e levemente mais humilhada, e
tudo no que consigo pensar é no quanto minha calcinha está molhada contra
sua perna, e no quanto é gostoso ali, e em como preciso de só mais um
pouquinho. Só um pouco.
— Me fale, Lydia. Diga.
Não consigo. Então simplesmente assinto e desvio os olhos quando um
som esquisito sai da minha boca que é meio envergonhado e meio vou-
morrer-se-não-gozar-logo.
— Sabe como está gostosa? Como está me deixando maluco? Como
está me deixando duro?
— Não. — Balanço a cabeça, voltando a olhar para seus olhos. —
Estava esperando que soubesse, mas não tenho certeza absoluta, sabe?
Ele olha para mim, um sinal de confusão passa por sua expressão antes
de ele sorrir como se eu tivesse sido engraçada. Sorrio de volta porque ele é
lindo.
— Você é uma figurinha, não é? Sabe exatamente o que está fazendo
comigo.
Bom, posso senti-lo pressionando minha perna, então não estou
totalmente absorta. Além disso, acho que isso significa que ele gosta mais
de mim do que só para beijar, então sorrio em resposta.
— Você adoraria ser preenchida com pau, não é? — ele pergunta, mas é
mais uma declaração do que uma pergunta.
Meus olhos se alargam e posso sentir o rubor cobrindo minhas faces.
Sugo meu lábio inferior entre os dentes por falta do que dizer a isso.
— Aposto que você é apertada pra caramba. Provavelmente, precisa
ficar molhada assim para receber um pau, não é? Aposto que você seria tão
apertada em volta de meu pau, que eu teria que me esforçar para não gozar
no instante em que entrasse em você.
Bom Deus. Ninguém nunca falou comigo assim. Sentoum pouco e
trilho os dedos no caminho suave de pelos de seu umbigo até a parte de
cima de sua calça. Então movo a mão para o contorno de seu pau, que está
preso contra minha perna, e o acaricio. Eu o quero dentro de mim. Eu me
sinto… vazia. Não tem outro jeito de explicar. Estou vazia e desejando ser
preenchida com ele.
Ele solta um gemido quando o toco, e soa como o paraíso. O som de
baixo timbre, nem uma palavra. Suas mãos se moveram para cima de
minhas pernas agora que estou sentada de novo. Seus polegares estão na
parte interna de minhas coxas, suas mãos em cima, e ele está repetindo o
movimento de carícia que estava fazendo na parte de trás das minhas
pernas. Minha saia está acumulada na cintura, permitindo que suas mãos
deslizem até em cima, seus polegares descansando nos músculos tensos da
parte interna de minha coxa onde estou esticada por cima de sua perna.
Suas mãos param, seus polegares massageiam minha pele aquecida, depois
passam pela costura da minha calcinha. Sei que o tecido está molhado.
Posso imaginar como meus pelos estão molhados, o tecido molhado
grudado e transparente. Calcinha rosa-claro. Foi essa que coloquei hoje
quando saí do banheiro depois da piscina. Uma calcinha de algodão rosa-
claro de tirinha com listras brancas. Bem diferente do branco liso que
sempre considerei sexy. Não consigo imaginar que isso seja melhor do que
as calcinhas minúsculas de renda e seda que ele deve estar acostumado a
ver as mulheres usarem.
Seus olhos estão focados no lugar molhado entre minhas pernas quando
ele fala.
— Quer que eu te faça gozar, Lydia?
— Posso morrer se não fizer — solto a resposta sem pensar, e minha
boceta palpita de ansiedade quando ele sorri de novo, como se eu estivesse
sendo engraçada.
Ele usa um polegar para enganchar minha calcinha para o lado e
massageia o outro através do triângulo de pelo exposto pelo movimento.
Mantenho os olhos em seu rosto enquanto os dele estão no lugar
necessitado entre minhas pernas.
Ele desliza o polegar por minha pele molhada, depois passa em meu
clitóris e — oh, Deus. Sinto suas mãos em mim, observo sua expressão
enquanto ele me toca, é intoxicante. E me faz querer mais. Mais dele, mais
do que seja lá que ele possa fazer. Mais de suas palavras obscenas e dedos
habilidosos. Mais, mais, mais. Então ele pressiona o polegar firmemente
contra meu clitóris, e eu gozo. Não acho que foram nem três segundos de
pressão e, se eu estivesse com algum controle de mim mesma, teria
segurado mais tempo, porque a sensação dele me tocando ali é diferente de
tudo que já senti. Já aconteceu de garotos enfiarem a mão dentro de minha
calcinha antes, toques hesitantes e dedos tateando, e não fizeram muita
coisa para mim.
Não é igual. Nada igual. Ele não para, e o orgasmo continuou de uma
forma com a qual não estou acostumada quando faço sozinha. Estou
acostumada a uma explosão rápida de alívio que me faz tirar a mão logo
que alcanço. Rhys mantém o polegar no lugar, roçando firmemente para um
lado e outro pela protuberância molhada, embora eu esteja apertando seus
antebraços e me contorcendo. É demais, e quero me afastar. Quero ficar.
Quero que a palpitação paradisíaca pare. Quero que nunca acabe. Minha
cabeça cai para a frente, enquanto uma sequência de “oh, oh, oh” sai de
meus lábios.
Quando acaba, eu caio em seu peito, aconchegada debaixo de seu
queixo enquanto meu peito sobe e desce e minha respiração volta ao
normal. Rhys sussurra em meu ouvido, palavras de como sou linda quando
gozo, do quanto ele gostou de me observar. Sinto uma sensação esquisita de
orgulho por tê-lo agradado.
— Você é bom mesmo nisso, hein? — murmuro em seu pescoço.
Ele definitivamente cheira bem, eu decido. Não é apenas o sofá. Ele
cheira como um dia de outono no Tennessee. Fresco, limpo, terroso e
masculino.
Seu peito se mexe quando ele ri, sua respiração aquecendo o topo de
minha cabeça.
— Bom no que, exatamente? Mal encostei em você.
— Bom com o polegar, acho. Não sei — murmuro em seu pescoço de
novo porque estou ocupada trilhando os dedos em sua pele, a ponta de meus
dedos ocupada com a determinação de memorizar a sensação de seu
pescoço. A pele livre de barba, macia. Os músculos de seu pescoço. Acho
tudo nele bem, bem interessante.
— De onde você surgiu, caralho? — ele diz enquanto entrelaça uma
mecha de meu cabelo nos dedos.
— Knoxville. — Eu me sento e olho para ele. — Tennessee — adiciono
quando ele simplesmente me encara.
Demoro alguns minutos para perceber que a pergunta foi retórica e,
então, me sinto idiota, assim, pergunto a ele de onde veio. Não melhora em
nada, mas é tudo no que consigo pensar.
— Connecticut — ele responde, porque a minha pergunta não foi
retórica.
Um pequeno franzido marca sua testa enquanto ele analisa meu rosto.
Depois ele passa o polegar que acabou de tirar de mim na língua, seus olhos
não deixam os meus. Prendo a respiração, porque uau. E agora estou me
perguntando o que ele pode estar pensando. Qual é meu gosto. Se gostou.
Também me lembro de que apenas um de nós gozou.
— Você ainda está duro — digo, acariciando o comprimento dele por
cima do jeans.
Está mesmo. Duro. E grande. Aperto-o gentilmente por cima da calça.
— Quem não estaria? — ele responde exalando longamente.
Olho para ele, sem saber o que quer dizer. Significa que sou um tipo de
tentação sexual capaz de deixar qualquer homem duro? Humm, seria bem
legal se isso fosse verdade. Ou significa que acabei de gozar enquanto ele
não gozou e eu deveria fazer algo para consertar isso?
— Você, hum, quer?
É, saiu assim. Nem sei exatamente o que acabei de propor.
Masturbação? Sexo? Quem saberia? Por que ele não está assumindo o
comando? Na minha fantasia, ele me fala o que fazer, então não fico
confusa. Ele diz coisas como “Lydia, quero te foder. Vamos para minha casa
foder”. Digo, obviamente soa melhor quando ele diz — eu te disse que
minhas habilidades de conversa de sacanagem precisam ser trabalhadas.
— Quero o quê?
Ele está me olhando por baixo dos cílios, sua voz baixa e sexy pra
caramba. Seu olhar baixa para meus lábios antes de voltar aos meus olhos e
parece uma carícia a forma como ele me olha. Parece que ele está passando
a mão em minha face e me puxando mais perto dele em vez de
simplesmente passar os olhos por meu rosto.
— Quero foder? Quero aliviar essa ereção que você me deu? Quero
descobrir o quanto sua boceta é apertada? O quanto está molhada e quente?
Quero enfiar o dedo em você para ver se está pronta para foder neste exato
momento, ou se vai precisar de um segundo dedo e um pouco de
aquecimento para eu conseguir entrar em você? Quero saber como é seu
orgasmo palpitando contra meu pau enquanto estou enterrado até as bolas
dentro de você?
Ele pausa.
— Quem não iria querer isso, Lydia? — Ufa. Ok, estamos pensando a
mesma coisa então. — Ou talvez eu queria provar essa boca linda antes.
Mas espero que você engula tudo. Eu apertaria sua mandíbula para abrir
com uma mão e te alimentaria com meu pau com a outra até você se
engasgar. Depois o deslizaria por sua garganta enquanto você sufocava
comigo. Tudo bem para você, Lydia? Você faz boquetes delicados com seus
lábios lindos envolvidos apenas na cabeça? Ou você engole até seu nariz
estar pressionado contra a barriga de um homem e sua próxima respiração
depender de quando ele te levantar?
Oh. Bom. Ele teria que me ensinar essa parte, obviamente.
— Aqui não, né?
Olho para a porta e depois me volto para Rhys. Ele não pode querer tudo
isso aqui, em um escritório de bar onde qualquer um poderia entrar. E este
sofá não é meu, ou dele. E se sujar? E se… eu sangrar nele? Eu me sinto
ruborizar de vergonha e sugo o lábio inferior entre os dentes.
— Por que não aqui?
Hum. Porque não.
— Porque não.
Dou de ombros e olho para a porta de novo. Porque não quero ser
deflorada em um sofá em um bar, Rhys. O que me lembra que estou
pensando em uma palavra melhor do que deflorar. Desvirginar? Eu me
pergunto se é uma palavra de verdade ou só uma palavra que tem no Urban
Dictionary.
— Minha casa é perto daqui — sugiro como que espero que seja um
tom prestativo, decidindo que não é a hora nem o lugar para vomitar tudo,
que ainda sou virgem, você se importaria de me livrar disso?
Ele ergue uma sobrancelha em resposta.
— Você só transa em camas, boa garota? Tem vinte e dois anos, com
certeza já fodeu no banco de trás uma ou duas vezes.
— Quer ir para o estacionamento?
Ele não pode estar falando sério, não é? Não consigo esconder a
surpresa na voz e tenho certeza de que a expressão em meu rosto combina
porque ele dá risada.
— Você é fofa. E isso não vai acontecer. — Então ele me tira de seu
colo e sai pela porta.
Lydia
— “ISSO NÃO VAI ACONTECER?” — ESTOU ANDANDO DE UM LADO PAR
me repetindo. — “Isso não vai acontecer” é ainda pior do que “qualquer
coisa que quiser”!
— Ótimo. Então você está até agora falando coisas idiotas.
Payton suga o milkshake que ela nos fez comprar no caminho de volta
para casa. Para ser sincera, nós paramos em um drive-thru no Del Taco,
então não foi um desvio enorme. Além disso, devorei, devido ao estresse,
um taco de queijo antes de chegarmos ao apartamento, então não tenho
direito de reclamar sobre a parada.
— Qual é o problema com ele e suas mensagens subliminares de merda?
— Abano os braços antes de me jogar na mesa, desesperada.
— Oh, uau. Você está desembalando os xingamentos agora. Uau —
Payton murmura com as sobrancelhas erguidas. — A merda está ficando
séria.
— Viu, por isso que ainda sou virgem! Homens são complicados pra
caramba. E idiotas. Eu os odeio. Todos eles.
— Está dando uma de lésbica para cima de mim agora? Olha, respeito
suas escolhas, blá blá blá, mas não acho que me sinta atraída por você. Se
quer saber. Mas talvez em uma situação de irmã-esposa em três? Eu
compartilharia um pênis com você, certeza. Pode dar certo.
— O quê? — Pisco para ela algumas vezes. — Está dando em cima de
mim?
— Não. — Ela balança a cabeça, sua expressão perplexa como se isso
tudo estivesse perfeitamente claro. — Estava propondo compartilhar um
homem com você. Teoricamente. Se chegasse a esse ponto — ela
complementa, dando de ombros. — O que é uma proposta bem generosa.
Você deveria ser um pouco mais grata.
— O quê? — repito devagar. Ela ficou doida? — Como isso daria certo?
— Compartilhando o tempo. Eu o teria às segundas, quartas e sextas. E,
então, você ficaria com ele às terças, quintas e sábados! — Ela dá outro
gole no milkshake e olha para mim com expectativa, como se eu fosse
responder alguma coisa a esse compartilhamento de namorado. — Fui
gentil em te oferecer o sábado, não fui? — Ela olha para mim de novo, com
a cabeça inclinada para o lado, o milkshake na mão.
— Claro — respondo embora nada daquilo fizesse sentido. — E o que
aconteceria aos domingos? Ele pegaria mulheres aleatórias aos domingos?
— Não! Não seja nojenta. — Payton me lança um olhar de desgosto,
como se eu a tivesse ofendido só de pensar nisso. — Ele nunca pega
mulheres aleatórias. É completamente fiel a nós. Os domingos seriam para
nós três. Ou ele poderia tirar folga. Qualquer coisa.
Eu a encaro por muitos segundos sem falar nada enquanto processo isso.
— Saia. — Aceno para o assento em que ela está. — Preciso da mesa
para fazer pijamas. — Pego uma almofadinha de alfinete e uma calça meio
terminada e me sento. — Hum, obrigada pela proposta generosa. Vou
manter essa ideia em standby.
— Sem problemas. Sou uma amiga muito boa mesmo.
— Isso você é. E modesta.
— É uma pessoa que sabe compartilhar. Não se esqueça disso. Você
sabe que eu realmente penso que o estilo de vida irmã-esposa é
subutilizado.
— Aham.
— Tipo, imagine se Chris Hemsworth estivesse a fim de nós duas e
quisesse se casar com a gente.
— Chris Hemsworth já é casado.
— Lydia. — Payton resmunga meu nome com um suspiro demorado. —
Não seja tão literal. Imagine se trombássemos com um Chris Hemsworth
solteiro.
— Ok.
— E imagine que ele é ainda melhor do que você tinha imaginado. Mais
gostoso, mais legal, melhor na cama.
— Aham.
— E depois imagine que ele quisesse nós duas. Que ele quisesse se
casar com a gente e comprar casas vizinhas para nós, em que criaríamos
nosso monte de filhos juntas. Quem recusaria isso? Quem? — ela repete,
com os olhos arregalados e as mãos para cima, sua expressão me dizendo
que ela não conseguia imaginar quem poderia recusar.
— Acho que a maioria das mulheres recusaria isso.
— Bom, isso é burrice. — Ela abaixa as mãos e acena, desdenhando. —
Eu aceitaria. Felizmente, minha irmã-esposa teria a mente mais aberta do
que você.
— As pessoas podem ter esperança.
— Também seria ótimo se ela gostasse de cozinhar, porque eu não
gosto. Ela poderia cozinhar, e eu, lavar roupa. Sinceramente, não entendo
como isso não acontece — ela murmura para si mesma.
— Não é meio sexista da sua parte presumir que a comida e a roupa
sejam cuidadas por você e sua irmã-esposa? Não seria uma versão perfeita
de Chris Hemsworth se também cozinhasse, limpasse e lavasse roupa?
— Ohhh, bem pensado. — Payton parece genuinamente interessada por
um instante, depois balança a cabeça. — Só que na minha versão da
fantasia, o cara está muito ocupado na administração de um império
bilionário de aplicativo, então não sei se ele teria tempo de cozinhar, limpar,
administrar os negócios e manter duas mulheres sexualmente satisfeitas.
— Pensei que sua fantasia fosse Chris Hemsworth.
— Era, mas segui em frente quando estabelecemos que ele já é casado.
Você tem retalhos? — ela pergunta, assentindo na direção da minha pilha de
lençóis picotados.
Aparentemente, ela mudou de assunto quanto a se preocupar com como
as tarefas de casa serão divididas em seu futuro de ficção.
— Claro.
Assinto automaticamente na direção dos pedaços que não vou mais usar.
Payton se levanta rápido e, então, volta com uma mão cheia de canetinhas.
Na maior parte do tempo, eu a ignoro porque ainda estou pensando em
Rhys e como consegui perdê-lo em meros minutos após gozar. Na mão
dele. Em um minuto, estamos negociando onde vou ser sufocada por seu
pau, no outro, ele está me expulsando de seu colo e saindo pela porta.
Estou muito confusa. Obviamente, não o conheço muito bem, mas ele
parece ser uma pessoa sensata, então não consigo imaginar que ele foi
embora simplesmente porque eu não quis transar em um sofá. Não era
como se eu estivesse negando transar no sofá para sempre, só negando
transar no sofá naquele exato instante, naquele sofá, naquele escritório.
Talvez ele realmente gostasse de sofás? Ou quisesse que eu me apoiasse no
encosto dele? Não sei. Mas estou completamente aberta ao futuro potencial
dos sofás.
Teria deixado isso claro se ele tivesse ficado mais para conversar sobre
isso. Babaca.
Mas estou quase certa de que negaria mesmo no banco de trás de um
carro. Estou velha demais para isso, não estou? Acho que essa fase já
passou. Tenho meu próprio apartamento — bom, quase meu próprio
apartamento. Tenho meu próprio quarto, então não consigo imaginar
qualquer necessidade razoável de transar em um carro. Além disso, não
tenho garagem, e Rhys provavelmente parou o carro no estacionamento do
Windsor então, tipo, onde iríamos fazer isso?
Ele provavelmente estava só dando um exemplo com o comentário do
banco de trás, de qualquer forma.
Ele pensa que sou boa demais para ele. E não de uma forma “Sou uma
pessoa boa”. Mas de uma forma “sexualmente incompatível”. O que é
muito muito injusto, porque tenho certeza de que sou bastante sexualmente
compatível. Sei que nunca transei e não faço ideia do que estou falando,
mas posso sentir isso. Sei que seríamos bons juntos, simplesmente sei. Mas
desejo é uma coisa bem verdadeira e palpável. Deve ser esse o motivo de eu
enlouquecer perto dele. Desejo. Porque não é como se eu não tivesse tido
acesso a homens antes de conhecê-lo. Não morava em um convento. Nem
estive em coma. Até namorei um pouco.
Mas ninguém me fez sentir como Rhys faz. Ninguém nunca me
provocou a ponto de eu propor carta branca. Sinceramente, manter minha
calcinha no lugar até hoje não foi muito desafiador. Antes de conhecer
Rhys, estou dizendo. Depoisque o conheci, me transformei em uma vadia
completa. Uma triste aprendiz de vadia com uma imaginação obscena e
uma aversão a perder a virgindade em um sofá.
Perdedora.
— Tesoura — Payton pede, tirando-me do meu estado de vítima ao
estender a mão como se ela estivesse em cirurgia e exigindo um bisturi.
Suspiro, coloco na mesa minha almofadinha de alfinetes e faço uma
cena dramática colocando a tesoura na palma da mão dela. Então observo
quando ela coloca a canetinha na mesa e, com cuidado, começa a cortar.
— O que está fazendo?
— Fazendo um distintivo para você.
— Hum. — Tento olhar melhor, mas não consigo entender conforme ela
gira o tecido e continua a cortar. — Ok — digo por falta de nada melhor.
— Pronto! — Payton coloca a tesoura na mesa, depois o pega e coloca
na mesa diante de mim, um sorriso enorme cobrindo seu rosto. Ela parece
estar genuinamente orgulhosa de sua criação.
Ela desenhara uma caneca com cerveja e espuma em um pedaço de
retalho em forma de coração. Olho para o objeto e depois de volta para ela.
— O que é isso?
— Um distintivo de bar! — ela anuncia com, é, vou arriscar dizer
orgulho.
— Você fez um distintivo para mim. Por um bar. — Passo os dedos nele.
Tenho que admitir que ela fez um bom trabalho. — Um distintivo em forma
de coração. Qual nível usa distintivos de coração? — Estou brincando
porque não existem distintivos em formato de coração.
— O nível divertido. — Franzo o cenho para ele, desconfiada.
— O que fiz para ganhar este distintivo?
— Você teve um orgasmo em um bar — ela diz essa parte como se
presumisse que o critério para o distintivo de bar fosse óbvio.
— Você é muito doida — murmuro.
— Eles não me expulsaram do Girl Troopers por nada. Agora
precisamos de uma faixa. Vamos ver o que podemos usar. — Ela pula e
começa a procurar em minha pilha de tecidos de lençol.
— Ei, o que quer dizer com “precisamos de uma faixa”?
— Para seu distintivo — ela responde, de novo com a testa franzida
como se eu simplesmente não estivesse entendendo. — Onde vamos
pendurar todos seus distintivos se você não tiver uma faixa?
— Quais todos distintivos?
— Todos os distintivos divertidos que você vai ganhar — ela diz sem
olhar para mim enquanto tira um tecido com estampa floral da pilha. —
Posso usar este?
Ok, o negócio é o seguinte: eu realmente gosto de ganhar distintivos.
Acho bem gratificante.
— Que outros distintivos você tem em mente? — tento perguntar
casualmente, como se fosse uma piada, mas não sei se consigo ter sucesso
nisso.
Enrolo uma mecha de cabelo na ponta do meu dedo e tento parecer
indiferente. Faz muito tempo que não ganho distintivo.
— O próximo distintivo é o distintivo de “não fode”.
— Já não ganhei esse? Por não fazer sexo?
— É mais um distintivo de “que se foda qualquer um”.
Payton abre o tecido em meu local de corte e pega meu cortador de
acrílico, alinhando-o perfeitamente ao longo da beirada do tecido.
— Payton, eu te disse que sexo grupal não faz meu tipo. Normalmente,
acredito em provar algo antes de decidir que não é para você, mas
simplesmente não acho que orgias sejam algo que alguém tenta a não ser
que tenha um interesse predisposto.
— Hum, uau. — Ela se inclina sobre o tecido, alisando os vincos com a
mão, mas para e se ergue. — Você realmente é literal. — Ela me entrega o
cortador e aponta para a cadeira. — Troque de lugar comigo.
— Pensei que fosse fazer uma faixa.
— Eu ia, mas depois percebi que costurar é bem complicado e quero
fazer um bom trabalho, então acho que você deveria fazer.
— Eu deveria fazer a faixa porque você quer fazer um bom trabalho —
repito enquanto me levanto e troco de lugar com ela. — Então muitas coisas
estão fazendo sentido agora.
— Certifique-se de fazer um bom trabalho, porque sinto orgulho de meu
trabalho.
— Claro que sente.
Realinho o tecido no local de corte, em seguida coloco a régua e passo
rapidamente pelo tecido o cortador rotativo, antes de mover a régua para
fazer um segundo corte, de modo que eu tenha cinco tiras de tecido de cinco
centímetros de largura. Então pego minha almofadinha de alfinete e começo
a prender as faixas juntas para poder alinhavar.
— Enfim, vamos chamar seu próximo distintivo de distintivo da
confiança — Payton diz ao começar a trabalhar com as canetinhas. — Já
que chamar de “foda qualquer um” parece um pouco arriscado para você.
Ainda nem ganhou esse, mas vou fazê-lo e pendurar na geladeira para você
ter um objetivo.
— Acha que isso é meio inadequado?
— Não. Acho que isso é ser adulto.
Eu gosto de ter objetivos, então decido que ela deve ter razão.
Lydia
NO FIM, POSSO GANHAR O DISTINTIVO DA CONFIANÇA AO IR TRABA
pouco mais complicado do que isso, mas esse é o ponto. Payton disse nova
semana, nova eu. Ela disse que tenho que ser corajosa, ir trabalhar e não me
demitir.
Também disse que, já que Rhys se agarrou comigo, significa que ela
tinha razão de que propor sexo a ele fez o dia dele. Eu a lembro de que ele
se recusou a transar comigo, e ela insistiu que era porque ele tem disfunção
erétil. Ela é mesmo uma boa amiga em dizer isso, mas não acho que seja
verdade. Acho que ele me rejeitou porque não queria transar comigo. O que
é direito dele, obviamente. Totalmente.
Payton disse que Rhys precisa parar de me beijar se não vai transar
comigo. Eu disse a ela que igualdade de gêneros funciona dos dois lados e
que é ofensivo que ela insinue que um homem é provocador por querer
parar no beijo. Mas não acho que ela tenha ouvido porque dormiu enquanto
eu estava falando. Ela estava segurando um salgadinho, jogada no sofá
como as crianças que eu costumava cuidar no ensino médio. Peguei o
salgadinho dela e a cobri com um cobertor antes de ir para minha cama,
onde fiquei deitada, acordada por um bom tempo, pensando em Rhys.
Pensando na minha reação a ele. Pensando em meus sentimentos. Pensando,
pensando, pensando.
Porém, acordei na segunda mais confiante do que dormi na sexta.
Um pouco.
O suficiente para concordar que não é provável que eu seja demitida,
mas não o suficiente para ter alguma ideia do que preciso fazer em relação a
Rhys. Realmente não entendo por que ele está tão determinado em me
ignorar. Senti quanto ele gostou de mim no sábado — literalmente, senti na
minha perna. Então qual é o problema? Não estou pedindo para ele se casar
comigo e ser o pai de meus filhos, pelo amor.
A menos que…
Merda.
Talvez seja isso? Talvez ele esteja cansado de as mulheres usarem-no
para o sexo. Deve acontecer muito — olhando para ele, posso ver como
seria. Não posso ser a única mulher que enlouquece ao vê-lo. Aposto que
ele está cansado de mulheres tratando-o como um objeto para o sexo.
Principalmente quando ele tem muito mais a oferecer. Tipo, provavelmente
ele faz todo tipo de coisa além de sexo. Deve jogar golfe e… me deu um
branco no que ele poderia ter interesse. Porque sou uma pessoa terrível
usando-o para o sexo. Aff, não me impressiona ele ter me expulsado de cima
dele e ido embora do bar.
Mas eu gosto de como ele me beija. E sei que isso se incluiria em algo
sexual, e se inclui. Mas também se inclui na questão de coisas que eu
simplesmente gosto nele. Coisas que me mostravam quem ele é quando está
comigo. Gostei de como ele me segurou na primeira vez em que me beijou.
A maneira como sua mão segurou meu quadril e o fato de ele não ter me
pressionado por mais ou deslizado as mãos a lugares que poderiam ter me
assustado no momento. A forma que me senti quando ele me respeitou,
embora eu fosse uma estranha que ele estava beijando em um bar. Gostei de
ele ter me levado para o escritório nos fundos em vez de me beijar diante de
todo mundo do jeito que muitos homens poderiam ter feito.
E na segunda vez — bom, gostei de tudo. O músculo em sua mandíbula
quando ele parou à minha frente enquanto eu jogava dardos com Josh. A
maneira possessiva com que ele pegou minha mão e nos levou para os
fundos. Talvez eu devesse ter ficado irritada com isso — e acho que, se
estivesse interessada em Josh, poderia ter ficado incomodada. Mas não
estava incomodada, estava empolgada.Empolgada por ver Rhys de novo.
Empolgada por ele segurar minha mão. Empolgada em tê-lo só para mim.
Gostei do jeito que ele nos ajeitou no sofá para que eu não ficasse presa
debaixo dele. Gostei do jeito que ele me olhava, como estava fascinado por
mim, como queria me devorar, como ele disse que eu era linda. Gostei de
como ele ria para mim, sua expressão relaxando, as linhas minúsculas por
seus olhos franzidos por uma eternidade de repetição. Gostei, gostei, gostei.
Mas essas coisas são todas sexuais? Tudo isso o torna um objeto?
Resolvo que devo tentar descobrir mais coisas de que gosto nele. Coisas
que não tenham nada a ver com toque, sexo e sentimentos. Respeitá-lo por
quem ele é como pessoa.
Bom plano. Mentalmente, me dou tapinhas nas costas enquanto o
elevador se abre no quarto andar e eu vou até minha mesa. Cumprimento
meus novos colegas de trabalho quando passo e decido que esta será uma
ótima semana. Caramba, já ganhei um novo distintivo só por entrar aqui
hoje e sei que Payton está fazendo mais deles.
Fico momentaneamente desorientada pela caneca de café suja que fui
obrigada a deixar na minha mesa quando fugi do prédio na sexta, mas me
recuso a ser assombrada por uma caneca. Não. Não vai acontecer. Então
coloco minhas coisas na mesa e levo a caneca ofensiva para a sala de
descanso. Eu a lavo completamente e, então, a coloco na máquina de lavar
louça para lavar melhor. Pegando uma caneca limpa, uso a máquina de café
chique para fazer uma bebida. Viu? Hoje já está melhor do que sexta, já que
consigo prestar atenção à máquina e realmente sei o que vou beber.
Será que Rhys gosta de café? Só o vi beber água e cerveja daquela
primeira vez no bar. Mas ele bebe água de forma bem elegante, então isso é
algo não sexual, além de seu rosto, do qual eu gosto. Marquei outro ponto
na coluna de vitórias de hoje.
Só que… merda. Será? Porque isso meio que me deixou excitada —
observá-lo beber um gole de água. Mas isso conta como algo de que gosto
nele ou como algo que o torna um objeto?
Porém desconfio de que tudo que descobrir dele vai me deixar excitada,
então não sei se consigo separar as coisas de que gosto nele das coisas que
me excitam. Tipo, se eu descobrisse que ele telefona para a mãe todo
domingo, isso me excitaria e seria algo de que gosto nele.
É estranhamente complicado.
Decido que vou perguntar a Payton mais tarde como ela diferencia
coisas de que gosta em um homem versus coisas que ela acha sexualmente
atraentes sobre ele.
De volta à minha mesa, inicio minha semana de trabalho, verificando e-
mails e verificando duplamente meu calendário de reuniões. A grande
inauguração é em três semanas, o que significa que o novo processo de
contratação e orientações começam de verdade hoje para os funcionários
que lidam com os hóspedes. Limpeza, concierge, negociantes, serviços de
comida, recepção, recreação etc., etc., etc. A maior parte da contratação está
feita, o processo de entrevista e as verificações de currículo, completas. A
papelada das novas contratações, nem tanto. Minha vida, no próximo mês,
será apenas orientações, treinamento e papelada.
Fico tonta só de pensar.
Sabe como algumas crianças brincam de trabalhar em mercado? Com
suas maquininhas registradoras de plástico e dinheiro de brinquedo?
Obrigando os pais a comprar laranjas de plástico e caixas vazias de cereal
para que eles possam empacotar o pedido e dar troco para uma nota falsa de
vinte dólares?
Eu não fui essa criança.
Acho que foram os cookies. Nunca precisei brincar de mercado porque
fazia as vendas verdadeiras de cookies. A diversão de verdade para mim
eram os formulários. Eu amava a papelada. Amava calcular quantas caixas
eu precisava vender mais para atingir minha meta. Amava me certificar de
que todas as encomendas estivessem organizadas corretamente e fazer um
risco com marca-texto no formulário de encomenda a cada pedido entregue.
Amava essa parte.
Então estou animada para que o dia continue. Animada, quando abro
minha agenda e percebo que fui designada para o treinamento da política.
Realmente não estava prestando atenção na sexta-feira, não é? Eu amava
políticas. Políticas são a minha área!
Essa vai ser a melhor semana de todas.
Lydia
NÃO FOI A MELHOR SEMANA DE TODAS. TAMBÉM NÃO VALEU A PENA
ansiosa em trombar com Rhys. Assustada por isso, aterrorizada, diria.
Ficava com frio na barriga sempre que pensava que poderia encontrá-lo.
Constantemente olhando em volta para ver se o via, como uma adolescente
apaixonada obcecada esperando ter um vislumbre do rei da escola voltando
para a sala nos corredores, entre as aulas. Idiota. Era tortura. Agonia.
Patética. Eu o vi quatro vezes. Ele me ignorou todas as quatro. Bom,
para ser justa, ele só me viu duas vezes. Não acho que tenha me notado as
outras duas vezes. Como eu disse, patética. Eu deveria desistir. Como se
aquele homem estivesse pensando duas vezes sobre mim durante o que
deveria ser o melhor período de sua carreira — abrir o resort. Como se ele
tivesse pensado duas vezes em mim em uma terça aleatória.
Então faço meu trabalho. Conduzo orientação após orientação após
orientação. Respondo questões infinitas sobre seguros de vida e pacotes de
benefício e o número correto de desconto para um funcionário ali. Dou
umas olhadas para Rhys toda vez que tenho chance e arquivo tudo que
descubro sobre ele. Ele fica bem com gravatas listradas. E lisas. Bebe o
expresso da máquina de café chique na sala de descanso. E me deixa
molhada e necessitada só de estar a metros dele. Acho que essa última não
foi realmente uma revelação.
Fora do trabalho, eu conheço umas doze lojas Goodwill e seus estoques
sempre rotativos de velhos lençóis. Payton me surpreende ao chegar em
casa uma noite com uma mala Jo-Ann Fabrics cheia de feltro, lantejoulas,
botões e canetas de glitter. Ela está levando a criação de distintivos com
mais paixão do que eu pensara ser possível, e com uma habilidade
invejável. E é por isso que acabo em um app de encontros conversando com
caras com quem realmente não quero conversar. Mas Rhys também não
quer conversar comigo, então talvez eu também ganhe o distintivo de app
de encontros, certo? É um distintivo muito legal também. Payton se
empolgou com a caneta de glitter e alguns botões, e tudo que precisei fazer
para ganhá-lo era instalar o app no celular e abrir as mensagens.
O que eu fiz, e pesquisas dizem que nunca vou perder minha virgindade.
Sinceramente, pensei que virgens tivessem uma demanda mais alta do que
esta. Se eu soubesse que seria tão difícil me livrar disso, teria simplesmente
dado para Mark Novak depois da festa de formatura, porque estou
começando a me sentir uma caixa de leite perto do vencimento. Aquela que
as pessoas vasculham para encontrar uma embalagem melhor, ou
simplesmente deixam na prateleira em favor dos leites mais chiques e
vigaristas, de amêndoas.
O lado bom é que se um dia eu decidir me tornar uma stripper, meu
nome de stripper será Amêndoa. É bom ter outros planos, e strippers nunca
usam o nome verdadeiro, então acho que esta revelação era uma que valia a
pena ter. E eu poderia usar Amy, como apelido, quando precisar de algo um
pouco mais brincalhão. Amêndoa para os clientes sérios com problemas de
comprometimento.
Será que Rhys sabe o que é um app de encontros? Decido que
provavelmente não. Ele não parece um cara que precisaria deslizar para a
esquerda, para a direita, para cima ou para baixo para conseguir um
encontro. O que torna o fato de eu ter me oferecido para ele em uma
bandeja de prata mais frustrante ainda. Ou talvez devesse torná-lo menos
frustrante? Deveria torná-lo menos, eu acho. Se ele estivesse desesperado
para transar e ainda não quisesse transar comigo seria bem pior do que ele
ter infinitas opções e não querer transar comigo. De alguma forma, isso não
me faz sentir melhor.
Faço meu melhor para testar a teoria de que estou erroneamente
apaixonada por Rhys e poderia querer outra pessoa tão fácil quanto ele.
Nunca acontecera, mas talvez se eu tentasse bastante… então eu tento.
Mantenho a menteaberta naquele app de encontros. Abro as mensagens
que me mandam. Leio. Penso em responder. Quando Josh — lembro de seu
nome agora — quando Josh pergunta se pode me levar para jantar, eu não
digo não. Não digo sim também. Fujo do convite com um “talvez no
próximo fim de semana”, porque não sei, talvez? Talvez eu saia desse
feitiço que me tomou. Talvez meu coração pare de bater mais rápido
quando Rhys está por perto. Talvez eu pare de criar cenários imaginários
em que Rhys e eu estamos sozinhos no elevador. Talvez, talvez, talvez.
Talvez não. Eu quero Rhys. E ele deve me querer pelo menos um pouco.
Ele me fez gozar, afinal. Não consigo imaginar que homens façam mulheres
gozarem se não estiverem pelo menos um pouco interessados. Além disso,
uma das vezes em que ele me viu, seu olhar se demorou em meus lábios. Eu
acho. Não consigo exatamente passar credibilidade quando o assunto é
Rhys, então não tenho certeza, mas quase certeza de que aconteceu.
— PRECISO DE UM DISTINTIVO RHYS — DECLARO QUANDO COLOCO M
me sento ao lado de Payton na lanchonete dos funcionários. Faz duas
semanas desde que ele me expulsou do colo e me deixou de palavras de
despedida que não iria acontecer. Ainda acho que vai.
— Tem certeza de que é disso que precisa? — Payton responde,
brincando com um embrulho de canudo e evitando meus olhos.
— Bom, eu preciso de um plano, e reforços positivos sempre fizeram
maravilhas para me motivar. Por que acha que eu vendia tantos cookies?
— Porque você é toda certinha?
— É — concordo, apontando para ela com meu garfo —, isso é verdade.
Mas acho o sistema de recompensa por distintivo muito gratificante e tenho
certeza de que quando você fizer um distintivo Rhys, vou pensar em um
plano. — Sorrio e enfim um monte de purê de batata na boca.
Hoje é o dia do lixo. Foram duas semanas malucas. Tivemos uma prévia
de inauguração esta semana, isso significa que as portas se abriram e os
primeiros hóspedes fizeram o check-in, mas a maioria é jornalista e
executivos da indústria de viagens com quartos oferecidos pelo hotel. É
permitido que os funcionários comecem antes da inauguração oficial em
duas semanas. Já reservamos mais de noventa por cento da capacidade para
essa semana, então eles não têm muito tempo para se acostumar com a
rotina e planejar algo.
— Preciso te contar uma coisa — Payton diz, e acaba que eu também
preciso planejar umas coisas.
Lydia
— ENTÃO ELE GOSTA DE PAGAR POR ISSO? É COM ISSO QUE ESTOU LID
Senhor, ele não está facilitando mesmo para mim. Sei que dizem que
nada que vale a pena vem com facilidade, mas isso é pedir demais de uma
virgem. Ainda assim… estou estranhamente atraída pela ideia. Mas isso é
fodido? Estar excitada pela ideia de ele me pagar por isso?
Provável.
Mas eu estou. Imaginar Rhys me pegando me aquece, me faz escorrer
em lugares que eu não deveria. A ideia de que eu poderia controlar a
experiência. O quando e onde. A ideia de me entregar a Rhys, deixá-lo abrir
minhas pernas e me foder, sem sequer me levar para jantar primeiro... me
excita.
Está tudo tão para trás. De cabeça para baixo, e confuso, e errado. Mas
elimina a dúvida, não é? Se ele me escolher, se ele pagar por mim, significa
que ele me quer. E isso é emocionante, libertador e de formas que eu não
teria pensado. Eu não vou ter que questionar se ele está interessado. Se eu
sou do faço o tipo dele, se está sexualmente atraído por mim. Se meus
peitos são muito pequenos ou minha inexperiência também é
decepcionante.
Talvez minha luxúria esteja me deixando delirante, mas faz sentido para
mim. É tão estranhamente claro assim. Parece certo para mim, isso me
excita, e isso é tudo que realmente importa, não é?
— Ele adora pagar por isso. Supostamente. De acordo com minha fonte
— Payton diz, baixando a voz em um sussurro de conspiração, embora
estivéssemos sozinhas.
— Sua fonte é um porteiro que usa sua chave para que as mulheres
possam acessar o elevador do piso executivo.
— Eu confirmei a história com minha nova amiga na limpeza! —
Payton para de falar com calma, claramente ofendida por minha avaliação
de sua informação. — Não te contei essa história sem confirmar. Isso não é
Watergate.
— Não. — Balanço a cabeça. — Concordo, isso não é nada como
Watergate. Nem um pouquinho.
Payton assente presunçosamente enquanto dá uma mordida em seu
almoço e eu penso.
Passo o resto do almoço perdida em pensamentos — o resto do dia, se
for para ser sincera. Depois crio um plano. Um plano totalmente maluco.
— VOCÊ TEM CERTEZA DE QUE QUER FAZER ISSO? — PAYTON PERG
pela terceira vez desde ontem à noite. — Ou de que essa sua ideia é ao
menos factível? Talvez você pudesse tentar propor de novo a ele primeiro?
Parece que seria muito mais fácil. E mais sensato. Sinto que podemos ter
nos empolgado um pouco com esse seu plano.
— É provável. Mas sou uma pessoa bem orientada por objetivos e quero
perder minha virgindade neste século. De preferência com Rhys.
Definitivamente, há química entre nós, e ele claramente é do tipo sem
vergonha, então ou ele me rejeitou porque tem algum tipo de fetiche para
pagar por isso ou alguma mania que ainda não descobri. Ou ele pensa muito
que sou uma boa garota para se interessar no que é interessado. — Spoiler,
Rhys, não sou tão boa.
Além disso, li um romance uma vez sobre um leilão de virgens, e eles
acabaram felizes para sempre. Mas guardo isso para mim porque é muita
maluquice falar isso em voz alta, até para Payton.
Payton tira seu Del Taco do suporte para copos em meu carro e dá um
gole. O café gelado deles é uma afirmação da vida, o valor é apenas um
dólar e tem menos de cento e cinquenta calorias, então posso tomar um sem
culpa de engordar ou de ficar pobre. Além disso, nós merecemos a cafeína
nesta manhã porque estamos a caminho do Double Diamonds, que dizem
ser uma boate de escolha frequente para Rhys.
— Tem certeza de que esse lugar abre antes do meio-dia em um sábado?
— pergunto de novo, afinal por que uma boate de strip abriria antes do
almoço?
Não estou em posição de julgar as escolhas de vida de alguém, mas
estou com dificuldade em visualizar um cenário em que alguém precisasse
de uma dança no colo antes do meio-dia. E é precisamente por isso que
estamos indo tão cedo, assim não vamos encontrar Rhys sem querer antes
de eu estar pronta.
— Vinte e quatro horas. Verifiquei o site deles.
— Eles têm site?
— Quem não tem site?
Humm.
— Acha que eu deveria ter me inscrito on-line?
Payton se engasga com o café gelado, depois o coloca de volta no
suporte de copo.
— Não, não acho que deveria ter se inscrito on-line para ser uma
prostituta. Acho que esse é o tipo de inscrição que se faz ao vivo.
— Ok.
— Além disso, o site deles é só para as dançarinas. Acho que as
prostitutas são todas meio às escondidas.
— Parece certo.
— Totalmente.
— Mas sabe o que não entendo?
— O quê?
— Ele não consegue encontrar mulheres para transar com ele de graça?
Claramente eu transaria. Olhe para ele.
— Bom, sabe o que dizem.
— O que dizem?
— Homens assim não estão pagando pelo sexo. Estão pagando para ela
ir embora logo depois.
Uau. Isso é bem triste.
— Você sabe que ele vai querer anal, certo? — Payton complementa.
— Presumi isso — respondo, dando de ombros.
— Não se preocupe — Payton diz tranquilamente. — Vou fazer um
distintivo de “bunda” para você.
— Você é uma boa amiga.
— Sou mesmo — Payton concorda, chacoalhando o gelo em sua bebida.
QUANDO CHEGAMOS AO DOUBLE DIAMONDS E ENTRAMOS, NÃO É O Q
um pouco. É tão constrangedor quanto eu esperava duas mulheres entrando
em uma boate de strip antes do meio-dia. Perguntaram imediatamente se
gostaríamos de nos inscrever.
— Gostaria de falar com o proprietário — respondo, dando meu melhor
para soar confiante.
— Eu também — Payton adiciona, e eu a olho de canto de olho porque
não sei se ela vai me apoiar ou se realmente quer se inscrever.
É meu dia de sorte, porque o proprietário, Vince, está aqui. E está
disposto a nos conceder quinze minutos.
Conforme andamos pela boate até o escritório de Vince, observo meus
arredores. Esperava quefosse escuro, com um palco elevado no meio do
ambiente delineado com luzes neon. Há um palco, claro. Há três deles,
menores do que eu imaginava. As cadeiras são muito mais próximas aos
palcos do que eu imaginava também. Em geral, o lugar parece mais um
barzinho do que uma casa de má reputação. Se barzinhos tivessem poles,
obviamente. Tem uma loira bonita dançando para um homem sentado
sozinho. Ele está bebendo café, seus olhos não saem de seu corpo conforme
nós passamos. Penso no que o trouxe a uma boate de strip antes do almoço,
mas, já que estou aqui por meus próprios motivos nefastos, não estou em
posição de julgar.
Assim que nos sentamos no escritório de Vince, Payton quebra o gelo
com seu bate-papo característico enquanto meu coração acelera um milhão
de quilômetros por hora. Eu me concentro no ambiente e respiro fundo
enquanto reúno a coragem de pedir o que quero pedir. O escritório tem um
clima estranhamente reconfortante. Seguro. Não precisa e nem tem luz
neon, já que feixes de luz natural entram pelas janelas enormes, decorando
a parede inteira. A decoração do escritório é de corporação indefinida. Eu
pensaria que tinha acabado de entrar em um escritório de advocacia, se
escritórios de advocacia tivessem lobbies com poles.
— Então, você tem múltiplas namoradas? — Payton já entra em seu
próprio assunto depois que uma mulher, que deve ter seus sessenta anos,
nos oferece café.
Fugazmente, eu me pergunto se eles anunciaram aquele cargo em um
quadro de empregos ou se a promoveram lá dentro.
— Como disse? — Vince responde, com as sobrancelhas erguidas em
dúvida, claramente confuso se tinha ouvido errado ou simplesmente
avaliado mal a audácia da qual Payton era capaz.
— Sabe, como Hugh Hefner tinha?
— Eu administro uma boate para cavalheiros em Vegas, não uma revista
de estilo de vida.
— É a mesma coisa. Enfim, você tem? Porque Rhys vai se apaixonar
por Lydia e eles vão morar juntos e blá blá blá. Eu vou ter uma nova colega
de quarto e não sei se estou a fim de analisar alguém no momento. Então
estaria aberta a ser a namorada número três. Não quero ser a namorada um
ou dois, parece ser muita responsabilidade, sabe? Também gostaria do meu
próprio quarto. É assim que você faz? As namoradas têm seus próprios
quartos? Era assim que Hef fazia. Você tem uma casa legal? Porque não vou
te compartilhar se morar em um apartamento de merda com uma lavanderia
operada por moeda.
— Está falando sério?
Vince estreita os olhos para ela, como se não conseguisse saber se
Payton está de fato falando sério ou simplesmente zoando com ele, e Vince
não parece um homem acostumado a ser zoado. Acho que a maioria das
pessoas têm essa reação com ela, então estou acostumada. Para ficar
registrado, ela raramente está brincando quando diz algo ridículo.
— Mais sério do que tubarão — ela responde sem piscar.
— Isso nem existe. — Vince leva a xícara de café aos lábios, olhando-a
por cima da xícara. — O ditado é “mais sério do que defunto”.
— Tipo, tubarão não é sério? — Ela se inclina para a frente com os
olhos semicerrados. — Tente nadar com um tubarão e me conte o quanto
eles não são sérios.
— Você sabe que ele dormia com todas elas, certo?
— Dã — Payton responde, totalmente confusa com os acordos de
dormir juntos de um homem e suas múltiplas namoradas.
— Você é uma figura, não é? — Vince pergunta, ainda olhando para ela
como se não soubesse o que pensar dela.
— Sou muitas coisas. É verdade.
Payton sorri como se ele tivesse acabado de elogiá-la. Sinceramente,
não sei quais são os sentimentos dele, porque sua expressão não está
passando muita coisa. Mas, se tivesse que adivinhar, ele não vai convidar
Payton para ser sua namorada número um, dois ou três em breve.
— Vince — digo, endireitando os ombros e interrompendo antes que
Payton nos faça ser expulsas. Respiro fundo. Eu consigo fazer isso. Eu
consigo, eu consigo, eu consigo. — Tenho uma proposta para você.
Ele tira os olhos de Payton e me encara com força total, e eu tenho uma
preocupação breve sobre com quem exatamente estou lidando. Ele poderia
ser mafioso, não poderia?
É dono de uma boate de strip — uma boate de cavalheiros, que seja —
no coração de Las Vegas. Pode ter conexões com o crime organizado. Ou
agiotas ou assassinos. Não conheço este homem ou no que ele está
envolvido. Duvido que ele lidere um grupo jovem de igreja aos fins de
semana, presumo até isso. E tenho certeza de que não é alguém com quem
se pode brincar. Não que eu esteja brincando com ele, não estou. Estou
falando sério. Mas não significa que não esteja me excedendo.
— Estou ouvindo, srta. Clark — ele diz, com os olhos desviando para
seu monitor de mesa e de volta aos meus. — Você tem mais nove minutos.
Se quiser algo, é melhor começar. Rápido.
Então eu vomito meu pedido, porque não tenho nada a perder. Porque
não sou uma desistente. Porque tenho um plano.
Há um momento de silêncio quando termino. Um longo momento.
Vince me encara, quieto, seus dedos batucando em seu computador. Payton
dá um gole em seu café gelado, mas não há mais nada no copo, então o
cômodo se enche com aquele barulho de sugar o vazio que ocorre ao se
criar um túnel de vento em um recipiente vazio. Ela chacoalha o gelo, como
se isso fosse criar mais uma ou duas gotas a mais, e bebe de novo.
— Estão falando a real? — Vince para de me encarar para se dirigir a
Payton.
— Bem real. Assim como meus peitos.
Os olhos dele baixam lentamente para o peito dela, depois ele balança a
cabeça e se volta para mim.
— Aqui não é um bordel — ele diz, e tenho medo de que ele esteja
prestes a me expulsar do escritório, meu tempo já era. — Prostituição não é
legal em Clark County.
— Claro que não. Double Diamonds é um negócio, não é, senhor…?
— Vince — ele responde, impassível.
— Certo. Sr. Vince, você é um homem de negócios, não é? Então vamos
fazer um acordo. Eu farei seu tempo valer a pena, juro.
— Palavra de escoteira — Payton complementa e, quando me viro para
olhar para ela, dá uma piscadinha para ele, uma piscada bem dramática,
com uma inclinação de cabeça e um pequeno “tsc” que ela faz com a
língua. — Do tipo Urban Dictionary, grandão.
Eu nem quero saber o que isso significa, então lhe lanço um olhar para
fazê-la calar a boca e me volto para Vince.
Ele se recosta na cadeira, passando dois dedos pelos lábios enquanto nos
observa com um interesse recém-descoberto.
— Então você trabalha no Windsor. Vocês duas?
Assinto, sentindo como se estivesse quase fazendo-o mudar de ideia.
— Vamos falar de detalhes.
Rhys
— VAI APRESENTAR SUA NAMORADA AOS SEUS PAIS QUANDO ELES 
inauguração? — Canon pergunta ao entrar em minha suíte como se tivesse
todo o tempo do mundo para socializar.
Ele se joga em uma cadeira do outro lado da poltrona em que estou
sentado e ergue as sobrancelhas como se esperasse uma resposta de
verdade.
— Não enche, Canon.
— O fato de você nem questionar a quem estou me referindo é triste.
— Estou ocupado, Canon — digo a ele, assentindo para meu laptop. —
Não tenho tempo ou interesse em comentar a merda que sai da sua boca em
um dia bom, que dirá hoje. E se você pudesse parar de usar a chave-mestra
para entrar em meu apartamento de residência, eu ficaria agradecido.
— Por que você não cresce e a chama para sair? — ele pergunta,
ignorando meu comentário em relação ao seu uso frequente da minha porta
da frente.
— Espere. — Desisto dos relatórios diante de mim e dou toda atenção a
Canon. — Está me dando conselhos para as escolhas da minha vida agora?
Você fez um ménage com duas strippers ontem à noite.
— É, e a culpa disso é de quem? Uma delas era para você, mas você
disse que estava ocupado demais para transar. O que eu deveria fazer com
ela? Mandá-la para casa sem transar?
— Fazer o que com quem? — Lawson entra em minha suíte como se ele
tivesse bastante tempo também.
— O que é isso? Vamos dar uma festa? Vocês não têm nada para fazer?
Nossa grande inauguração é em — verifico meu relógio — duas semanas.
— Não tenho merda nenhuma para fazer. — Lawson passa uma mão no
cabelo, deixando-o bagunçado.— Vai demorar no mínimo duas semanas e
um dia para o primeiro processo frívolo chegar. Além disso, é sábado,
otário — ele complementa com um sorriso. — Viva um pouco.
Estou prestes a falar para ele que vou viver assim que passar a
inauguração e para dar o fora do meu apartamento, mas ele já está me
ignorando, jogando-se na cadeira ao lado de Canon.
— Eu estou bem também — Canon diz. — Mas obrigado. — Ele vira o
celular na direção de Lawson. — Girafas ou elefantes?
— Girafas. — Lawson se alonga como se estivesse ficando confortável
para ficar um tempo ali, suas pernas esticadas, totalmente tranquilo, e pega
o controle da minha mesa de centro.
— Concordo. Quer entrar comigo em um carrinho? Merda, essas coisas
são caras — Canon murmura enquanto mexe na tela de seu celular.
— Claro. Mas compre um carrinho Bugaboo, não vou entrar em um
carrinho simples.
— O que estão fazendo?
Paro de trabalhar — de novo — para prestar mais atenção em Canon e
Lawson, meus olhos semicerrando quando me lembro até onde Canon pode
ir para se divertir.
— Fazendo um cadastro de bebê para você e Lydia.
— Saiam daqui. Vocês dois.
— Você parece um pouco estressado, cara. Talvez, se tivesse aceitado a
proposta de Peaches ontem à noite, conseguisse se concentrar melhor.
Esfrego a testa com a mão, depois respondo.
— Já passou pela sua cabeça que o nome dela não é Peaches?
— Jesus Cristo, Rhys. O nome dela é Claire. Eu estava tomando
liberdades cômicas, se liga.
Claire. Meghan. Sara. Christine. Staci. Susan. Amy. Penny. Jessica. Etc.
Tem alguma mulher do Double Diamonds que não fodi? Lembrar o
nome delas quando as vir de novo em vez de chamá-las de “docinho” me
torna menos babaca? Estou começando a desconfiar que não. E apenas
semanas atrás eu teria dado risada de toda essa conversa. Semanas atrás eu
teria fodido Peaches, dado uma boa gorjeta e não me importado com isso.
Porque semanas atrás eu não tinha beijado uma garota em um bar. Uma
garota que olha para mim com seus olhos grandes e inocentes e o rosto
cheio de esperança. Uma garota que pensa que eu ligaria, lembraria de seu
aniversário e do sabor de sorvete favorito dela, ou que ela prefere chocolate
ao leite em vez de amargo. Coisas que eu não lembraria, coisas que nunca
lembro. Uma garota que não faz ideia do quanto sou pervertido, ou quantas
mulheres vieram antes dela. Quantos relacionamentos eu estraguei, quantas
mulheres eu paguei para me fazer sentir bem quando não estava a fim de
namorar uma mulher — ou até de levá-la para jantar — por tempo
suficiente para chegar à troca de orgasmos.
Abro um novo relatório no laptop e tento me concentrar.
— Vocês alguma hora se preocupam de tudo que fazemos ser trabalhar e
foder? — pergunto em voz alta, sem saber realmente a quem estou me
dirigindo ou se espero uma resposta.
Eles estão comigo desde o início desta jornada. Estavam entre as
primeiras pessoas que chamei para trabalhar após encontrar esta
propriedade quatro anos atrás, um resort pela metade que tinha sido
abandonado quando acabou o dinheiro do grupo de investimento anterior no
meio da construção.
Administramos as fases iniciais do projeto remotamente, voando para
Vegas conforme a necessidade. Apenas menos de um ano atrás nos
mudamos oficialmente para Vegas, mudando-se para nossas suítes
executivas no trigésimo quarto andar como um lembrete de que o hotel
ainda estava passando por obras. Vivemos como solteirões pervertidos em
um bordel desde então.
— Não, na verdade — Canon responde, tocando seu celular. — Você vai
com a gente na boate esta noite?
— Vou, talvez — digo mais para ele parar de perguntar.
Talvez eu vá, não sei. Não consigo pensar direito. A inauguração está
muito próxima. Muito próxima mesmo. Anos de trabalho prestes a se
materializar, e precisam ser perfeitos. Se essa aventura falhar, será colossal
para a empresa. Para a empresa da minha família. Está mexendo com a
minha cabeça. Este hotel, este resort, é meu momento. Meu. Meu primo
Jennings já assumiu o cargo de CEO da empresa da família. Minha mãe é
líder da divisão norte-americana da empresa desde que eu estava na escola,
sem sinais de renunciar.
Verdade seja dita, eu não queria nenhum desses cargos. Nunca quis.
Queria algo meu. Algo virgem e inexplorado que eu pudesse construir
desde o começo. Ou desde a metade, como era o caso. Algo novo, que
somaria ao legado da empresa, um projeto que faria crescer o império da
família em vez de simplesmente contribuir com ele.
— Vince vai fazer alguma coisa hoje na sala dos fundos — Canon
persuade.
A maldita sala dos fundos. Oficialmente, é o equivalente à sala de elite.
Danças caras.
Não oficialmente, você não está pagando pela dança. Está pagando
pelos extras. Masturbação, boquetes, sexo. Está pagando para levar a festa a
outro lugar. Uma hora, uma noite, um fim de semana. Não oficialmente,
claro.
Quantas vezes estive na sala dos fundos? Pedindo algo mais do que uma
dança? Escolhendo a partir de uma seleção de mulheres dispostas como se
estivesse selecionando uma refeição valiosa no drive-thru de um fast-food?
Não sou bom o suficiente para ela. Eu a arruinaria. Partiria seu coração,
esmagaria aquele otimismo nos olhos arregalados que irradiava dela, do
topo de sua cabeça até a ponta dos dedos de seus pés. Eu a foderia como
uma prostituta e esqueceria de ligar, porque é isso que faço. Esse sou eu.
Ela pensa que sou um homem bom. Posso ver em sua expressão quando
ela acha que não estou olhando. Posso ver em sua expressão quando ela
sabe que estou olhando. Quando ela roçou sua boceta quentinha contra
minha coxa. Quando ela mordeu o lábio e abriu as mãos em meu peito.
Quando ela me observa fazer um expresso na máquina de café industrial.
Acho que ela quase gozou na semana passada quando coloquei minha
própria xícara de café na máquina de lavar louça da sala de descanso.
Fácil demais. Fácil demais de impressionar, fácil demais de arruinar.
Otimista demais, quando o que gosto é do olhar satisfeito na expressão de
uma mulher após tê-la feito gozar, depois ver sua bunda saindo pela porta
com um monte de dinheiro enfiado na bolsa que me garante que ela entende
o que foi aquilo. Que não houve falta de comunicação sobre meu interesse
nela além de gozar.
Além disso, mesmo se eu quisesse algo diferente, não tenho tempo.
Duas semanas até a inauguração. Duas. Semanas. Minha família inteira virá
para a grande inauguração. Meus pais. Meu primo Jennings e sua nova
noiva. Minha avó. Minhas tias e tios e uma penca de primos.
Quero que eles sintam orgulho do que minha equipe e eu fizemos aqui
em Vegas e não, não passa despercebido por mim que, pessoalmente, eles
não têm por que sentir orgulho de mim.
— Como sabe o que Vince planejou para esta noite? Jogou golfe com
ele de novo hoje?
— Não. Recebi um e-mail.
— Você está na lista de correspondência do Double Diamonds? —
pergunto devagar, sem saber se é verdade. — Por que eles precisam enviar
e-mails? Para avisar os clientes quando eles estão com baixa em solteiros?
— Todo mundo tem newsletter, Rhys. Não seja otário. Além disso, isso
é só para clientes da sala dos fundos, não para todo mundo.
— Para nos avisar do quê? Danças pela metade do preço?
— Leilões.
— É a mesma coisa.
— Não é um leilão para danças pela metade do preço, Rhys. É um leilão
de virgem.
— Jesus Cristo, Canon. — Balanço a cabeça.
— Não brinca, sério? — Lawson tira o olho do jogo com interesse e
começa a mexer em seu celular. — Eu não recebi esse e-mail — ele
murmura.
— Provavelmente foi para spam — Canon diz a ele como se fosse uma
conversa normal. — Veja seu lixo. Então você vai?
Canon me olha com expectativa, não perturbado pelo conceito, e não
posso culpá-lo. Não posso dizer que a ideia não me deixa com um pouco de
tesão.
— Eu disse a Brady que iria passar lá esta noite. Preciso confirmar uns
números com ele sobre aquela ideia que tivemos de abrir um local à parte
do Hennigan’s dentro do Windsor.
— Lydia não estará no Brady esta noite — Canon me diz.
— Como sabe disso?
Se ele estiver fazendo umas de suas perseguiçõesassustadoras com ela,
vou ficar bravo. Às vezes, ele hackeia pessoas só porque pode, ou porque
está entediado. Ou curioso. Ou simplesmente porque é quarta-feira. Canon,
com tempo nas mãos, não é bom para ninguém.
— Porque ela estará no Double Diamonds — ele diz, entregando o
celular para mim.
Suas palavras me atingem em câmera lenta. Logicamente, sei que estou
processando o que ele está dizendo com um piscar de olhos, mas, sem
lógica, parece que demoro alguns minutos para chegar lá.
Lydia. Inscrita para o leilão. Na sala dos fundos do Double Diamonds.
Um leilão de virgem. Uma maldita virgem? O que eu disse para ela no bar?
Que tipo de safadeza sussurrei em seu ouvido? Perguntei a ela como
gostava de foder, pelo amor de Deus. Disse a ela que queria que ela
sufocasse com meu pau. Falei com ela como se fosse uma prostituta
experiente, não uma virgem inocente.
Ela me respondeu? Ou só sorriu e baixou a cabeça? Mordeu o lábio e
sugeriu que fôssemos para seu apartamento? Pensava nela como uma
provocação doce, muito provável de querer mais de mim. Como jantar ou
transar de novo. Ou pior, meu tempo.
Pensei em por que ainda estava de calça e por que ela estava roçando na
minha perna como se fosse caloura no ensino médio. Mas uma virgem?
Uma virgem de vinte e dois anos, pelo amor. Esse pensamento nunca
passou por minha cabeça.
Por que ela ia fazer isso? Se vender? Ela tem um emprego e um lugar
para morar, então qual seria a porra do objetivo dela? Dinheiro? É tudo
sobre dinheiro para ela? O que eu era? Uma diversão? Uma experiência?
Um potencial?
Pensei que ela fosse diferente. Real. Real demais para mim era minha
preocupação, não era? Quando, no fim, ela era exatamente meu tipo —
estava à venda. Pensar nisso me deixa inquieto, preocupado com o que mais
me enganei à minha volta. Meus dedos se apertam em punho, imaginando-a
sair daquele leilão com um imbecil qualquer que pode pagar por ela.
Alguém que vai sussurrar safadeza no ouvido dela e fodê-la como uma
prostituta. Alguém como eu.
— Quanto? — pergunto a Canon com a mandíbula tensa.
Sei que sou fodido, porque um bom homem não teria os pensamentos
que estou tendo agora.
— É um leilão, não é para comprar agora — ele responde. — A oferta
começa em cem mil.
Lydia
— VAI MESMO FAZER ISSO, LYDIA? TIRANDO TODA A DIVERSÃO, É M
drástico. Não precisa fazer isso. Tem certeza?
Nunca tinha visto Payton nervosa, e isso me faz questionar o quanto me
desviei da terra da sanidade. Mesmo assim, tenho certeza. Certeza de que
vou fazer isso. Tenho razoável certeza de que Vince vai seguir o que
combinamos e trazer Rhys. Meia certeza de que Rhys estará interessado.
Semicerteza de que Vince não vai me passar a perna e me vender para um
lugar sexual subterrâneo, para nunca mais terem notícia de mim.
Isso é bem idiota. Mas tenho Payton, então não é como se estivesse aqui
sozinha. E se nós duas desaparecermos, ela deixou instruções para seu
primo sobre onde nos procurar. Ele trabalha com a lei, o que não nos
ajudará em nada se estivermos mortas.
Uau. Este plano pareceu muito melhor antes de eu pensar nele. Tenho
um leve ataque de pânico, e com “leve”, quero dizer um soco no estômago.
Como exatamente vim parar aqui? Aconteceu tudo rápido demais. Ontem,
Payton me contou sobre Rhys e as prostitutas e, nesta manhã, inventei esse
plano insano e esta noite vou a leilão.
Ainda assim, o pensamento de ir embora, de sair correndo daqui, de ir
para casa, de abrir aquele app de encontros que Payton me ajudar a instalar
e responder a qualquer homem que tenha me enviado mensagem… não é o
que quero. Eu quero Rhys. E preciso saber se ele me quer também. Mesmo
que pelo meio menos ortodoxo já planejado.
— O negócio é o seguinte, Payton, ele simplesmente é para mim. Acho
que ele pode ser meu cisne.
Brinco com o robe de seda cobrindo a lingerie que estou usando.
Branca. Staci insistiu que fosse branca. Assim que combinamos tudo, Vince
me enviou para falar com Staci a fim de me orientar. Orientar — palavra
dele, não minha. Eu não sabia se ele estava me zoando ou não, mas, de
qualquer forma, Staci me disse tudo que eu precisava.
Fomos ao shopping, no caso de estar se perguntando. Ela disse que não
tínhamos tempo de fazer uma encomenda on-line, então me levou na
Victoria’s Secret. Eu lhe disse que de jeito nenhum iria desfilar com uma
calcinha fio-dental diante de alguém. Ela piscou para mim e depois deu
risada, um pouco desacreditada, depois escolheu um baby-doll plissado com
alcinhas e bastante decotado. Mas ela me deixou escolher calcinhas de
renda que combinavam e cobriam minha bunda. A metade superior da
minha bunda, na verdade. Minhas nádegas estão definitivamente de fora,
mas pelo menos não é calcinha fio-dental.
— O que cisnes têm a ver com isso?
— Eles são parceiros para a vida toda.
— Mas você não é a parceira dele ainda.
— Eu sei — digo, arrastando a palavra —, mas cisnes não escolhem
aleatoriamente outro cisne e acasalam, Payton. Eles escolhem com cuidado
para não ficarem a vida toda com algum cisne idiota aleatório que cruza seu
caminho. Eles escolhem. Cuidadosamente.
— Uau.
— É, não é?
— Não, digo, uau, você é nerd. Você ganhou um distintivo de cisne?
— Não existe distintivo de cisne — retruco, revirando os olhos. — Era o
distintivo “animais na natureza” — resmungo. — A questão é que eu quero
ficar com ele. Quero que Rhys me desvirgine.
— Pensei que tivéssemos concordado que você não iria mais usar essa
palavra.
— Eu sei, mas é uma palavra de verdade, Payton. Uma palavra legítima
do dicionário, não do Urban Dictionary.
Há uma pausa enquanto Payton simplesmente me encara.
— Você sabe que nós não teríamos virado amigas se nos conhecêssemos
no ensino médio, certo?
— Não era tão ruim! — protesto. — Até que eu era legal no ensino
médio.
— Vou ter que acreditar na sua palavra, tigresa — Payton responde, mas
sua expressão não indica que ela acredita em mim. — Olha, precisamos
conversar.
— O que foi?
Olho para Payton pelo espelho. Estamos no camarim no Double
Diamonds esperando para a grande venda. Tenho que dizer que este lugar
não é nada como eu imaginava. O camarim é bem legal, muito parecido
com o estilo do escritório de Vince. Parece mais um camarim de spa do que
um lugar de má reputação. Armários, chuveiros, um balcão enorme cheio
de espelhos para fazer cabelo e maquiagem. Há uma estação de café
também, mas só com café normal. Eles não têm uma daquelas máquinas
chiques de café como temos no Windsor. Eu deveria dizer para Vince
comprar uma, acho, depois começo a sorrir. Como se eu trabalhasse aqui
agora e pudesse fazer sugestões. Rá.
Payton se vira para mim e pega minhas mãos, esperando até eu lhe dar
toda atenção.
— Você sabe como um pênis é, certo?
— Payton! Oh, meu senhor. Não sou totalmente sem noção.
— E sabe que ele vai querer colocá-lo dentro de você, certo?
— Pare de me zoar. — Sei que estou vermelha igual uma beterraba, um
fato confirmado quando me volto para o espelho. — Eu sei o que é sexo. —
Analiso meu reflexo.
— Ok, só me certificando. Nunca enviaria minha garota para a batalha
sem um mapa.
— É um plano — murmuro. — Você nunca me enviaria para a batalha
sem um plano.
— Claro, que seja. Nunca te enviaria para a batalha sem saber como é
um pênis, ponto final. Falando nisso, você tem alguma pergunta?
Ahn, não?
— Acho que não.
Droga, deveria? Ter perguntas? Que perguntas deveria ter? Sei o que é
sexo. Não sou desinformada, apenas inexperiente. Analiso minhas unhas,
pintadas de rosa-claro durante minha manicure desta tarde. As unhas do pé
também. Fui esfregada e polida, secaram meu cabelo e um profissional me
maquiou. Estou usando mais maquiagem do que normalmente usaria, mas
estou gostando. Pareço uma versão mais dramática de mim. Com a lingerie
de virgem, estou me sentindo um pouco como uma noiva no dia do
casamento.
Mas não é o dia do meu casamento. Definitivamente, não.
— Não, não tenho nenhuma pergunta, mas talvez te envie mensagem
mais tarde. Se pensar em algo.
— Ok. Sinta-se à vontade para me perguntar qualquer coisa ou meenviar fotos de Rhys nu. E/ou. Só me avise quando puder.
— Está bom. Vou te avisar, quero dizer. Não vou te enviar fotos de Rhys
nu.
— Ok, uau. Estou realmente começando a pensar que só eu me doo
nesta amizade, mas hoje é sua grande noite, então podemos discutir sobre
nossos objetivos de amizade depois.
— Combinado.
— No caso de não conversarmos depois — Payton me puxa em um
abraço, cuidadosa para não estragar meu cabelo ou maquiagem —, só quero
que saiba que tenho orgulho de você, Lydia. Por mais estranho que seja
estar orgulhosa por isso, eu estou.
— Não tenha orgulho ainda. Nem sabemos se isso funcionou. Isso pode
acabar com Vince me vendendo para um empresário decadente de Iowa.
Não sabemos ainda, não é?
Uma tosse me alerta para o fato de que não estamos sozinhas. Eu me
viro para o som e vejo que Vince havia entrado, com as mãos nos bolsos e o
que penso que é uma expressão divertida no rosto. O que é meio
impressionante, porque, pelo que ouvi falar de Vince, ele não é de expressar
seus sentimentos.
— Iowa é um lugar bem legal. É com os que vêm de Maryland que você
deve tomar cuidado.
Oh, droga. Ele ouviu.
— Ha-ha, você é brincalhão.
Tento acabar com o assunto porque não tenho total certeza de como
lidar com Vince.
— Estou falando sério — ele responde, seus olhos desviando para
Payton. — Como um paraquedista.
Há uma pausa conforme Payton olha para ele, sua testa franzida
enquanto o observa. Então ela sorri.
— É, essa foi boa. Segurança de paraquedas não é brincadeira.
Vince inclina a cabeça, depois se volta para mim.
— Deu certo — ele diz. — Ele está aqui.
Deu certo. Deu certo? Deu certo! Estou pronta para rebolar, subir e
descer em meus saltos de stripper mas… talvez ele não esteja aqui por
mim? Talvez ele esteja aqui para uma dança aleatória ou algumas coxinhas
quentes? Eles têm dez sabores diferentes de molho de coxinha e eu sou
apenas um sabor.
— Ele fez uma oferta antecipada.
Uma oferta antecipada? Então… ele deu um lance? Vou sair daqui com
ele? Deu certo? Deu certo de verdade?
— A oferta é por mim?
Preciso confirmar. Preciso das palavras. Preciso da confirmação antes de
ficar empolgada demais. Preciso de cem por cento de garantia de que a
oferta não é para um combo de refeição antes de me fazer de boba.
— É, você.
Eu me viro para Payton com os olhos arregalados e dou um gritinho,
saltitando. Mas com cuidado, porque sou mais do tipo de saltos baixos do
que saltos altos, e não seria bom quebrar o tornozelo no momento e acabar
na sala de emergência em vez de na cama. Transando. Com Rhys!
— Você aceitou, não é? A qualquer oferta que ele tenha feito? Eu te
disse que o lance de início que você sugeriu foi estupidamente alto.
Quando Vince e eu conversamos sobre números esta manhã, eu sugeri
dez mil e ele riu da minha cara. Então sugeriu cem, o que pensei que era um
pouco baixo até ele esclarecer que queria dizer cem mil dólares, então eu ri
tanto que tive de me curvar com uma mão na boca para me conter.
Não é como se eu fosse habilidosa, sabe? Além disso, fiz uma pesquisa
na internet quando criei este plano, e o custo médio para o sexo em Nevada
fica entre algumas centenas e alguns milhares de dólares. Sei que virgens
são uma novidade idiota, mas cem mil? Por favor.
— Ele ofereceu dez mil, como sugeri? — pergunto, me contendo de
revirar os olhos na cara de Vince por estar certa. Quase o fiz. Se ele não me
assustasse um pouco, eu teria revirado os olhos.
— Ele ofereceu duzentos e pediu para eu cancelar o leilão.
— Dólares, certo? Duzentos dólares? — É um pouco decepcionante
porque eu estava realmente esperando dez mil, mas o dinheiro não era o
principal. — Então é isso, certo? Não preciso ir lá desfilar agora?
Sou inundada por alívio com a ideia de poder pular a humilhação do
desfile nesta camisola. Meus dedos já estão coçando para vestir de volta a
roupa em que cheguei e sapatos que não exigem equilíbrio de bailarina.
— Duzentos mil dólares, Lydia. E eu disse a ele que outra oferta
insultante como aquela iria fazê-lo ser acompanhado para fora de minha
boate.
Eu escuto Vince, mas demora um instante para entender o que ele está
dizendo, meu coração batendo fora do normal quando olho nervosa para
Payton. Quanto ele acabou de dizer? E por que ele recusou? No que fui me
meter?
— Hum, Vince. — Engulo em seco antes de continuar. — Por que você
recusou? Nós tínhamos um plano.
— Porque eu tenho meu próprio plano, Lydia, e duzentos mil não é bom
para mim. Não chega nem perto.
Oh, Deus. Fiz um acordo com um cafetão e está acontecendo
exatamente como alguém imaginaria que um acordo com um cafetão
acontecesse.
Lydia
— HORA DE TIRAR O ROBE E CAMINHAR.
Caminhar. Eu pego a faixa do meu robe de seda que me cobre e viro o
tecido nas mãos. Ele quer dizer no palco da sala VIP. Staci a mostrou para
mim mais cedo, então eu sei aonde vou, sei o que me espera. A sala VIP é
privada, obviamente. Separada do andar principal por um lance de escada.
O camarim é no segundo andar também e ligado à sala VIP por um corredor
curto. Ou um corredor bem comprido, dependendo do seu estado mental.
É uma sala íntima. Eu a imagino na minha cabeça conforme tiro o robe
dos ombros e o entrego a Payton. Sigo Vince para o fim do corredor, com a
minha pulsação e o clique dos meus saltos no piso laminado fazendo
barulho em meus ouvidos.
Há um palquinho na sala VIP, e é mais em formato de passarela do que
os do piso inferior. Um pouco mais parecido com o que eu originalmente
imaginava da boate, mas em uma escala bem menor. Há uma cortina no fim
da passarela por onde as dançarinas entram — ou foi o que me disseram.
Ninguém estava usando aquela sala mais cedo hoje, quando Staci me
mostrou. Ela me mostrou por onde eu entraria, andamos pelo palco juntas,
as luzes acesas e a sala vazia. Parecia uma amostra de um espaço de
eventos, não um ensaio para a maior noite da minha vida.
— Ele está definitivamente aqui? — pergunto quando paramos atrás da
cortina, observando uma dançarina que conhecemos mais cedo no palco.
Será que ela está fazendo o ato de abertura? Acho que está. Não sei o que
pensei que eles estariam fazendo até chegar minha vez, mas não esperava
ter que aguardar alguém sair do palco. Ela é realmente uma dançarina
talentosa. Forte. Flexível, obviamente. Ela está subindo muito o nível para
mim, e não sei se gosto disso. Não em relação à dança, mas à flexibilidade.
É barulhento. O lugar todo é barulhento, muitos decibéis a mais do que
quando estive aqui antes.
— Ele está aqui — Vince me garante.
Não consigo ver os clientes de onde estou atrás da cortina. Os assentos
estão na sombra de onde estou olhando. Não é uma sala grande, não tem
muitas cadeiras. Irradiava exclusividade e privacidade quando eu a vi mais
cedo. Quando me convenci de que isto seria fácil. Eu pensaria no palco
como uma passarela e me imaginaria uma modelo, em vez de uma
prostituta.
Estou pensando um pouco diferente agora.
— Por que os homens precisam ser tão barulhentos para conseguir
transar? — pergunto.
O barulho de lá de baixo está estremecendo o chão, e desejo poder
ajustar o volume tão facilmente como faço em meu iPod.
Vince balança a cabeça e ri.
— Vamos abaixar o volume durante o leilão. Vai acabar rápido.
Rápido para ele, talvez. A música termina, a dançarina sai do palco,
passando por nós. A música muda, como uma deixa para eu entrar, e me
sinto enjoada. Está mais baixa e hipnótica e sexy e aterrorizante.
— Ele está à esquerda — Vince diz. — Vamos.
Então ele passa pela cortina, segurando-a aberta para eu não ter escolha
a não ser seguir. Seguir ou virar e correr pra caramba.
Eu sigo, porque não há como correr nestes saltos. As luzes me cegam
por um instante conforme meus olhos se adaptam, embora certamente não
fosse algo que eu chamaria de brilhante no palco. Vejo que há um holofote.
Estou à mostra como algo belo em uma vitrine de loja. Vince está falando,
mas eu não conseguiria te dizer o que ele está dizendo. Estou ocupada
demais piscando, respirando e colocando um pé na frente do outro.
Foco no objetivo,Lydia. Olho para a esquerda e — e não vejo Rhys.
Vejo o chefe do departamento legal do Windsor, Lawson McCall. Meus
passos vacilam e estico o braço, segurando o pole a fim de me equilibrar.
Ao lado dele está Canon Reeves, chefe da segurança. E então Rhys. Por que
não me ocorreu que ele traria seus amigos? Por que simplesmente não
pensei? São homens que terei de ver de novo. No trabalho. Parece que meus
joelhos vão ceder, então me equilibro, agarrando o pole tão forte que os nós
dos meus dedos ficam brancos.
Talvez Rhys não esteja aqui porque me quer. Talvez esteja aqui para me
demitir. Eu reúno a coragem para arrastar meu olhar para cima e lanço outro
olhar na direção dele.
Ele está olhando diretamente para mim. Não parece feliz. Parece bravo.
Bem bravo. Vou ser demitida, certeza. Uma voz à direita grita algo, e eu
viro a cabeça, sendo lembrada que não estou sozinha nesta sala com Vince,
Rhys e seus amigos. Há outros participantes. Oh, Deus. O som que ouvi era
alguém dando um lance, por mim. O homem é mais velho. Mais velho que
meus pais. Lindo, cabelo grisalho nas têmporas. Um terno adequado.
Então Rhys está dizendo algo, e minha atenção se volta para ele. Ele
também está usando terno, percebo na segunda vez que olho, porque agora
ele está em pé, tirando o paletó. Eu me pergunto se ele se vestiu para o
leilão. Para mim.
O homem mais velho está falando de novo. Ele está gritando números,
números absurdos para meus ouvidos. Rhys late “Chega” e, então, sobe no
palco para ficar ao meu lado, me envolve em seu paletó e fisicamente me
vira. Sua mão está firmemente em minhas costas, empurrando até meus pés
se mexerem, até eu estar fora do palco, até a cortina se fechar atrás de nós.
— Vista-se — é tudo que Rhys fala antes de a cortina se abrir de novo,
Vince e Canon chegando logo atrás de nós. — Agora — Rhys
complementa, seus olhos brilhando quando eu continuo simplesmente ali
parada, encarando.
O corredor para o camarim é bem mais curto na volta do que foi na ida
ao palco, mas pode ser porque estou quase correndo por ele, nem me
importando com os saltos ou meus tornozelos agora. Eu abro a porta e,
então, me jogo nela quando se fecha.
— Paletó legal. — Payton está sentada de lado em uma poltrona macia
de couro, pernas penduradas para um lado, sua cabeça loira para o outro,
segurando uvas acima de sua cabeça. Ela morde uma do cacho e ergue as
sobrancelhas para mim. — Foi rápido.
— Payton. — Eu me empurro da porta, ainda tremendo um pouco. Tiro
os saltos, e eles caem no chão com um barulho de uma vez só. — Foi
horrível.
— O que aconteceu? — Ela se senta, os olhos arregalados. — Lawson
está lá. E Canon!
— Oh. — Ela se recosta na poltrona. — Bom, é. Eles são amigos, então
faz sentido.
— Por que não me ocorreu que eles poderiam estar aqui? Estou com
tanta vergonha. — Aperto o paletó de Rhys em volta de mim, então me
lembro de suas instruções para me vestir, mas o paletó tem o cheiro dele e
estou relutante para tirá-lo.
— Rhys ganhou ou não?
— Não sei.
— Como pode não saber?
— Porque não sei. Um minuto, eu estava parada no palco sob um
holofote e, no seguinte, ele estava me cobrindo com seu paletó e me falando
para me vestir.
— Parece que você vai embora com Rhys.
— Talvez — concordo enquanto coloco a calça jeans. — Sou tão doida,
Payton.
— Concordo. Mas me diga por que é doida, para ver se estamos
pensando a mesma coisa.
Eu lanço um olhar desafiador, depois me viro para tirar o traje de seda e
colocar um sutiã de renda chique que combina com a calcinha que estou
usando. Não acho que já tive um conjunto antes. Tipo, conjunto
combinando. Conjunto normal é um sutiã branco e calcinha que tem
bolinhas branca ou listras ou algo parecido. Coloco uma camisa pela
cabeça, então me viro de volta para Payton conforme liberto meu cabelo do
colarinho da camisa.
— Porque isso me excita. A ideia de sair daqui com ele quando ele
pagou por isso. Embora tenha odiado estar naquele palco, gostei quando ele
me arrastou de lá e me disse para me vestir. Mas, sério, quem é ele para me
falar para me vestir, sabe? Eu tenho comando de mim. Posso usar uma
camisola em público se quiser. Posso transar com quem eu quiser, quando
quiser. Sei que não preciso me justificar por querer que Rhys assuma o
comando, mande em mim, me guie. Mas será que estou contribuindo com
um tipo de modelo antiquado patriarcal sobre sexo por gostar disso?
— Uau.
— Estou certa, não é?
— Não — ela diz com um grande suspiro. — Pensei que fôssemos falar
de pijamas.
A porta se abre, e nós duas nos viramos. É Vince. Vince com um real
sorriso no rosto.
— Após uma pequena guerra de lances, eu consegui quinhentos dele.
— Conseguiu quinhentos de quem?
— Rhys — Vince diz, me olhando como se eu fosse louca. — Não era
esse o objetivo, Lydia?
Eu repasso aquelas palavras na cabeça conforme me afundo em uma das
poltronas de couro no camarim. As poltronas eram outro detalhe que eu não
estava esperando, junto com uma bandeja de frutas frescas da qual Payton
estava comendo, mas agora não é hora de me concentrar em nada disso.
— Quinhentos mil dólares, Vince?
— Eu poderia facilmente tê-lo levado a um milhão, mas o considero
como um amigo, então quebrei a dele em quinhentos. — Vince dá de
ombros, um sorriso curvando em seu lábio, como se encantado pela ideia da
amizade ou da negociação de meio milhão de dólares, não sei exatamente
de qual dos dois. — Você realmente o fisgou pelas bolas, não foi?
— Não o fisguei por nada! — grito. — Se eu tivesse noção de como tê-
lo, não estaria aqui agora conversando com você! — Inspiro antes de
continuar. — Ele sabe que não tenho nenhuma habilidade sexual secreta,
certo? Você não fez propaganda enganosa de mim, fez? O que prometeu a
ele? Que guerra de lances? O que ele acha que vai ter por quinhentos mil
dólares? — Minha voz fica cada vez mais alta quando repito tudo isso,
porque é insano e agora estou em pânico. — Ele acha que vai ser uma
festa? Porque eu não vou ficar com os amigos dele ou nada bizarro assim.
Não vou.
— Eu ficaria — Payton se intromete. — Só se vive uma vez, certo?
— Não faço ideia do que esse cara gosta — Vince diz. — Ele queria
muito você. — Ele dá de ombros como se não fosse muito importante do
que Rhys gosta. — Lydia, relaxe. Que tipo de monstro acha que sou?
Há uma pausa desagradável, porque não sei, na verdade, o que
responder, sei? Não faço ideia de que tipo de monstro Vince é ou não é.
Ele ergue uma sobrancelha para meu silêncio e balança a cabeça.
— Você quer que eu fale? Boceta. Bunda. Boca. Eu disse a ele que você
toma pílula. Quanto ao resto, você vai falar para ele o que é demais ou o
que é desconfortável. Não sou um maldito agente do sexo, pelo amor. Não
estou te fazendo um favor.
Ele não está errado. Então ele adiciona duas palavras que me deixam
tonta.
— Um mês.
Um mês? Mordo meu lábio inferior, maldito batom, e encaro Vince sem
falar. Balanço os joelhos e mexo na bainha da minha camisola enquanto
penso. Um mês? Nunca conversamos sobre o tempo porque eu presumira
que prostitutas faziam tudo por hora.
Mas, aparentemente, isso é negociável. E, logicamente, um mês é uma
vitória enorme para mim.
— Pensei que fosse só uma noite — digo finalmente, inclinando a
cabeça para trás a fim de olhar para Vince. — De onde você tirou um mês?
— Você precisa ceder e cobrar quando está negociando, Lydia. Nós
demos um mês, cobramos meio milhão.
Aquele meio milhão idiota. É ridículo e me deixa um pouco enjoada.
Talvez, em média, não seja tão ruim? Faço uma conta rápida e determino
que chega a quinze ou dezesseis mil por noite. O que ainda é demais,
demais mesmo. Espero que Rhys não seja sempre irresponsável
financeiramente assim. Mas, de qualquer forma, ainda uso a conta do
Netflix dos meus pais, então não deveria julgar tanto.
— Estamos realmente falando disso? Esta conversa vai mesmo
acontecer? — Payton olha entre Vince e eu com um olhar desacreditado no
rosto. — Ela aceita — Payton diz a ele e, então, se vira para mim. — Você
aceita. É hora de ganhar seu distintivo Rhys.
LydiaRHYS ESTÁ DO LADO DE FORA ME ESPERANDO. DO LADO DE 
estacionando o carro na entrada dos fundos.
Não tenho certeza se deveria ficar ofendida por ele usar a entrada dos
fundos ou se é assim que ele pega todas suas garotas.
Vince e Payton me levam até a porta, Vince a abre e segura a porta
aberta para eu passar.
— Divirta-se — ele diz.
Enquanto eu saio, Payton adiciona:
— Quebre um pau!
Há um carro em frente, esportivo e baixo, o motor roncando e os faróis
iluminando amplamente o estacionamento. A porta do passageiro está do
meu lado, então não preciso andar muito, e fico agradecida, porque até com
sapatos baixos meus joelhos estão um pouco fracos.
Está friozinho, o que, para Vegas, significa que está menos de quinze
graus. O único casaco que tenho comigo é o paletó de Rhys, dobrado por
cima de meu braço. Espero que ele não vá a lugar nenhum, porque não
tenho um casaco. Mas já é tarde, e não consigo imaginar que Rhys esteja
pensando em caminhar no parque esta noite. Espero que ele não esteja
pensando em caminhar no parque esta noite. Quando chego ao carro, abro a
porta do passageiro e me abaixo, olhando lá dentro para me certificar de
que é Rhys antes de entrar. Pode imaginar se eu entro no carro errado após
tudo?
É Rhys. Eu entro e fecho a porta. Ele está olhando para a frente, e o
carro se move antes de eu ter a chance de pôr o cinto. Coloco minha bolsa
no chão, seu paletó amassado no colo e pego o cinto de segurança,
colocando-o no lugar enquanto ele acelera para fora do estacionamento e
entra no trânsito.
Ele ainda não me olhou.
— Oi — tento, porque não sei mais o que dizer e ele está esquisito.
Ele grunhe em resposta. Eu aliso o paletó dele de novo, alisando-o com
cuidado para não vincar. Então brinco com a barra da minha camisa,
amassando o tecido nervosamente com os dedos porque não me importo em
vincar minha própria roupa. Quando estremeço, Rhys aperta um botão no
painel e o ar quente começa a soprar levemente.
— No que estava pensando, Lydia?
Ok, então vamos conversar agora.
— O que estava pensando?
E ele está bravo. Bem bravo.
— É o dinheiro? — pergunto. — Porque… — Não chego muito longe
porque ele me corta.
— Não, não é o dinheiro, Lydia. Meio milhão nem cobririam os ganhos
do cassino na inauguração. Você custa menos que presentes, então não se
preocupe com o dinheiro.
Uau. Ele arregaça as mangas da camisa até o cotovelo e os músculos de
seu antebraço se tensionam conforme ele mexe no volante. Sua mandíbula
se aperta e ele ainda não está me olhando.
— Só me diga, esse sempre foi seu plano?
O quê?
— Não, claro que não. — Este plano tem menos de dois dias, então não.
Quase nem é um plano, é mais uma ideia maluca irracional.
— Uma porra de uma virgem. Pensei que você fosse diferente, mas,
porra, Lydia.
— Espere, está bravo comigo por algo que não fiz? Isso nem é justo. É
discriminação. Não pode me discriminar por ser inexperiente.
— Você me deixou sussurrar safadezas em seu ouvido pensando que
sabia de que porra eu estava falando.
— Eu gostei da safadeza!
— Jesus Cristo. — Ele tira uma mão do volante e passa pela mandíbula
como se estivesse estressado.
— Ok. — Minha voz falha e eu me controlo para não chorar. — Você
está bravo. Desculpe. Só pensei que… — Eu me impedi de dizer mais. —
Apenas me leve de volta. Obviamente, você não está interessado em mim.
Não sei por que deu lance por mim. Apenas me leve de volta.
Vince vai me matar. Talvez literalmente, não sei. Ele vai precisar
reembolsar Rhys e provavelmente vai me fazer reembolsá-lo com o
dinheiro que perdeu, o que eu nunca, nunca mesmo, conseguirei fazer. Vai
cobrar juros, e a dívida vai simplesmente ficar cada vez maior — como
acontece quando você deve dinheiro para a máfia — até eu ser obrigada a
fazer um acordo que envolva eu enterrando um corpo ou mentindo para os
policiais federais.
Literalmente não consigo acreditar no esforço que fiz por esse otário.
— Te levar de volta? — Ele dá risada, mas não me importo
particularmente com o tom dele. — Eu paguei à vista. Vou ficar com você.
— Que seja! Certo, se é o que quer.
— Se é o que quero? — Ele expira como se eu o tivesse deixado exausto
nos poucos minutos que estamos no carro juntos. — Não tenho tempo para
isso agora, Lydia. No caso de você não ter percebido, estou lidando com
muita coisa agora.
— Eu sei, mas pesquisei na internet e li que, em média, a maioria dos
casais transam por sete a treze minutos, e não me importo se for mais
próximo de sete minutos. Podemos ser rápidos.
Estamos em um semáforo, e ele, finalmente, se vira para olhar para
mim.
— O quê? — Seus olhos brilham no escuro, confusos, as linhas
minúsculas nos cantos se enrugando conforme ele inclina a cabeça por um
milímetro na minha direção.
— Você disse que não tinha tempo — digo lentamente, sem saber o que
ele não está entendendo. — Mas vai demorar só sete minutos.
Ele não fala nada, então continuo falando, pensando se entendi errado o
que li.
— Talvez você possa tirar sete minutos do sono esta noite e ainda
chegará no horário. — Acho que é uma solução muito razoável, mas ele se
debruça sobre o volante e ri tanto, que tenho medo de ele não ver o
semáforo. — Ou podemos esperar até depois da inauguração — sugiro e
dou de ombros, tentando fingir que não estou decepcionada, como se não
fosse importante. Mas é importante. Nunca vou perder minha virgindade.
Tipo nunca.
— Este deve ser o meio milhão mais bem gasto — ele murmura, mas
não sei se está falando comigo. — O que vai fazer com ele, de qualquer
forma? O dinheiro? — Os dedos de sua mão direita batucam rapidamente
no volante como se ele estivesse impaciente. Não sei se é comigo ou com o
semáforo vermelho.
— Financiamentos estudantis — respondo, cruzando os braços ao
mentir.
Não estou a fim de conversar com ele sobre o dinheiro. Eu nunca o quis,
só queria Rhys. Só queria mais tempo com ele. Uma oportunidade de
entendê-lo um pouco melhor, de explorar a conexão que senti com ele no
bar, a conexão que sei que ele também sentiu. Talvez ele não estivesse tão
apaixonado por mim quanto eu estava por ele, porém sei que ele sentiu
algo.
Além disso, meus planos para o dinheiro eram pequenos. Meu acordo
com Vince era de cinquenta por cento. Eu estava pensando em cinquenta
por cento de dez mil, não cinquenta por cento de quinhentos mil. Meus
planos vão precisar ser reorganizados.
— Sabe como é. As taxas de juros não são brincadeira — complemento,
olhando para fora pela janela, evitando olhar para ele.
— Ok — ele diz, mas seu tom indica que sabe que estou mentindo. Que
não acredita em mim. Que sou uma aproveitadora interessada apenas em
dinheiro.
Chegamos ao Windsor e Rhys leva o carro para o estacionamento de
funcionários, mas a uma área em que nunca estive. Nós a acessamos,
embora um portão tivesse uma placa de “particular”, e ele entra em uma
vaga numerada e desliga o motor. Ficamos sentados em silêncio por alguns
minutos, Rhys encarando a parede à frente, eu olhando de canto de olho
para ele do banco do passageiro.
— Ok, então.
Tiro o cinto e abro a porta. Rhys faz o mesmo, e nos encontramos no
porta-malas do carro, frente a frente. Olho para cima sob meus cílios, mas
ele já está se virando, andando na direção dos elevadores.
Ele digita uma série de números em um teclado, e as portas do elevador
se abrem. Entramos, e eu percebo que este elevador só para em alguns
andares: o estacionamento, os andares dois ao quatro e trinta e quatro, onde
ficam as suítes executivas. Nem sei aonde o elevador sai no quarto andar.
Claramente, é particular e um elevador pessoal para os funcionários
executivos.
As portas se abrem no trigésimo quarto andar e é bem parecido com o
resto dos andares de hóspedes que já vi. Rhys vai na frente, seus passos são
quase silenciosos no tapete macio, depois para em um par de portas duplas.
E entramos em um vestíbulo enorme de mármore. Logo à frente, passando
uma sala de estar com um sofá grande, há janelas do chão até o teto com
uma vista da Strip. É bonito. Também um pouco triste. Parece uma
combinação de casa modeloe uma suíte de hotel. Não parece muito
aconchegante.
— Há quanto tempo mora aqui? — pergunto.
— Há pouco menos de um ano.
— Cadê suas coisas?
— Que coisas?
— Livros? Enfeites? Algo que seja seu?
— É tudo meu. Sou dono do hotel.
Acho que esse é um ponto de vista.
— Obrigada pelo paletó — agradeço, segurando-o para ele pegar de
mim.
Seus olhos baixam para o tecido em minhas mãos como se ele não
tivesse percebido que eu estava carregando algo. Ele o pega de mim, junto
com minha bolsa, e se vira, desaparecendo no fim de um corredor que
imagino levar para o quarto dele.
Continuo parada no mesmo lugar porque nunca vendi minha virgindade,
então não sei qual é o protocolo adequado ou o que é para fazer.
Rhys reaparece e passa por mim sem me olhar, seguindo para um bar
situado na área mais distante da sala de estar. Eu o sigo lentamente, ficando
do lado oposto do bar conforme ele se serve de uma bebida. Um shot de
alguma coisa, não sei bem do quê. Não sou muito conhecedora de álcool
também, para falar a verdade. Só tenho vinte e dois anos e não bebia muito
quando era menor de idade. Muito quer dizer nada.
— Posso tomar um?
— Você precisa de um? — Sua resposta é curta, seus olhos nos meus
enquanto ele bebe sua bebida de uma vez.
— Por que está sendo tão maldoso?
— Maldoso? — Ele ergue as sobrancelhas surpreso. — Maldoso? — ele
repete com uma risada. — Eu acabei de te salvar do assustador Stan, e sou
maldoso? — Ele balança a cabeça. — Agora você vai ficar com o
assustador Rhys — ele murmura para si mesmo.
— Não te acho assustador — digo, balançando a cabeça, discordando.
Eu não achava Stan assustador também, presumindo que ele estivesse se
referindo ao cara mais velho dando lances por mim, mas não acho que seria
apropriado mencionar isso no momento.
Ele era supervelho, e eu não queria transar com ele, mas parecia um cara
legal.
— Acabei de te comprar, Lydia. Para transar.
— Você compra muitas garotas para transar — respondo porque não sei
por que é tão importante o fato de ele ter pagado por mim. Não é como se
ele nunca tivesse feito isso, mas seus olhos se estreitam, e ele parece
irritado de novo. — Não foi contra minha vontade — complemento, no
caso de não ter ficado claro para ele. — Foi minha ideia. O leilão foi minha
ideia. Não devo dinheiro à máfia. Ainda não, de qualquer forma.
Ele coloca um segundo copo no balcão e enche os dois, deslizando um
para mim quando termina. Eu o pego e coloco o copo em meus lábios e,
embora não tenha muito no copo, dou um gole em vez de beber de uma vez
como ele fez.
— Isso é horrível — falo cuspindo, colocando o copo no balcão.
— É uísque — ele responde. — Você sempre quer coisas de que acaba
não gostando, Lydia?
— Geralmente não. Mas uma vez eu comprei um lençol feio na
Goodwill pensando que ficaria bonitinho quando transformasse em calça de
pijama, mas me enganei. — Segurei minhas mãos no ar em um gesto de
derrota. — A calça ficou simplesmente tão feia quanto o lençol era. Mas
não sei se isso inclui em algo que eu queria. Foi mais uma situação de
compra ruim, mas comprei ele com cinquenta por cento de desconto porque
estava marcado com uma etiqueta rosa e era a semana da etiqueta rosa,
então foi mais um experimento do que uma compra ruim — termino,
apressada. Acho que estou nervosa. Será que deveria dar outro gole daquele
uísque horroroso? Enquanto estou pensando nisso, outra coisa me ocorre.
— Talvez eu seja uma compra ruim? Por que estou aqui? Pensei que
estivesse ocupado demais para transar. Eu poderia ter apenas pegado uma
carona para casa com minha colega de quarto.
Rhys tinha dado a volta no bar enquanto eu balbuciava e agora estava
parado exatamente na minha frente. Coloca um dedo sob meu queixo e
inclina minha cabeça para cima, dando um beijo suave em meus lábios.
— Por que está fazendo isso comigo? — ele sussurra em meu ouvido.
Não parece mais estar bravo.
— Vai acontecer agora? Vamos transar?
— Definitivamente vamos transar — ele confirma e pega minha mão.
Lydia
— É ISSO QUE VOCÊ QUER?
— É. — Assinto rápida e repetidamente. — É, é, é.
Vamos ao quarto dele, mais janelas do chão ao teto, outra vista
impagável da Strip. Uma cama king-size perfeitamente arrumada com os
lençóis colocados para baixo para a noite. Será que ele tinha serviço de
empregada ou ele arrumava a própria cama todos os dias?
Ele me beija de novo, uma pressão leve de seus lábios nos meus e,
então, ele está se movendo pelo quarto enquanto eu permaneço enraizada
no lugar, logo depois da porta. Ele tira o relógio, deslizando-o do punho e
colocando-o dentro da primeira gaveta da cômoda. Faz igual com a carteira
e, então, desenrola as mangas.
— Medo não é bem meu estilo, Lydia.
Não estou com medo, só insegura. Insegura do que fazer comigo
mesma. Insegura do que ele quer. Insegura se é para ficar totalmente nua e
me deitar na cama ou apenas tirar a roupa até ficar com sutiã e calcinha para
que ele possa tirá-los.
— Não estou com medo, só não sei o que tenho que fazer. E estar no
comando não é meu estilo, Rhys.
— Então quer que eu te diga o que fazer?
— Poderia? — Expiro. Finalmente ele está entendendo. — Me guie. Me
ensine. Fale safadezas para mim. Gosto de tudo isso. Sou boa com
instruções. E regras. Amo regras. Elas são tão claras, diretas e sensuais
Ele se move para ficar diante de mim, parando perto o bastante para eu
precisar inclinar a cabeça para trás a fim de olhar para ele.
— Não podemos ser nada mais do que isto, Lydia. Um mês. Não estou
procurando nada além disso. Não será um tipo de fantasia felizes-para-
sempre. — Ele passa a mão em meu braço, e arrepio. Seus olhos estão
travados nos meus, garantindo que estou ouvindo. — Apenas sexo. Essa é a
regra.
— Relaxe, Rhys. Não vou me apaixonar por você só porque é meu
primeiro. — Acho que não. Talvez. Há provavelmente cinquenta por cento
de chance de isso acontecer. No máximo.
— Seu primeiro — ele repete as palavras devagar, sua respiração quente
contra minha têmpora. — Vou te arruinar para quem vier depois — diz isso
baixinho, e não sei se é uma promessa ou um alerta.
Ele me leva andando de costas para a cama, suas mãos em meus quadris
me guiando, seus lábios nos meus, na minha mandíbula, trilhando até meu
pescoço. Minha camisa é erguida, levanto os braços, e ela é puxada por
cima da minha cabeça conforme a parte de trás da minha perna encosta no
colchão. Ele desabotoa minha calça e abaixa o zíper, e eu acho que estou
um pouco assustada. Mas do tipo hilariante, tipo aquela sensação que você
tem quando uma montanha-russa faz a subida com o barulho clique-clique-
clique até o topo, e você não consegue ver quando é a descida, mas sabe
que está próxima, sabe que, a qualquer instante, vai chegar ao ápice e o
tempo vai parar por um segundo, um segundo que parece dez, e então vai
voar, girar e subir a velocidades tão altas, que tudo que pode fazer é segurar
na barra de segurança e curtir o passeio, embora seja aterrorizante e você
não tenha absoluta certeza de que não vai morrer.
Tipo assim.
Ele puxa minha calça nos quadris e a tira por minhas pernas, abaixando-
se para tirá-las pelos tornozelos. Apoio uma mão em seu ombro e saio dela,
um pé de cada vez.
— Sente-se — ele me diz, e eu me sento.
Ele ajoelhou no chão aos pés da cama, meus joelhos abertos permitindo
que ele ficasse no meio.
— Isso é bom — ele diz, passando a ponta de um dedo em meu seio, no
novo sutiã de renda.
— Obrigada — digo, meus olhos em seu dedo conforme ele passa por
um seio e, então, mergulha em meu decote e sobre, repetindo o caminho no
outro. — A calcinha combina — complemento no caso de ele não ter visto
e porque é meio que importante.
— Combina mesmo — ele murmura, concordando, e então beija o lugar
abaixo da minha orelha direita. Sua respiração sussurra em meu pescoço
enquanto sua barba arranha levemente, e essa combinação me deixa bem
louca. — Vamos dar uma olhada, podemos? — Ele me dá um empurrão
gentil para eu apoiar nos cotovelos enquanto passa um dedo no meio de
minha barriga até chegar ao destino. — Muito bom.
Elenão está errado. São muito bons mesmo. Então ele abaixa a cabeça e
me beija. Bem ali. Bem na calcinha de renda chique, e acho que vou morrer.
Porque é vergonhoso. Porque é bom. Porque quero que ele faça de novo, e
de novo, e de novo. Rhys pressiona o nariz na minha calcinha e inspira,
seus olhos nos meus, e oh meu Deus, os homens fazem isso? Rhys faz.
Aposto que Rhys faz muitas coisas, e ele vai fazê-las comigo. Mordo o
lábio quando Rhys engancha seu polegar nas laterais da calcinha e puxa
para baixo. Seus dedos acariciam os lugares sensíveis atrás dos joelhos e
depois nas panturrilhas até o tecido sair por meus tornozelos.
— Você está depilada — ele diz, passando o polegar no lugar da pele
lisa no meu osso púbico. — Não estava antes.
— Você viu a roupa que eu estava usando. Pensei que era melhor tirar
tudo, porque a luz, e tal. No palco.
Sua mandíbula fica tensa.
— Você raspou ou tirou com cera?
— Raspei — respondo e não sei por que é tão difícil emitir algumas
palavras, mas estou meio sem fôlego, meu coração está batendo bem
rápido.
— Da próxima vez, vai me deixar fazer isso — ele diz, seu polegar
continuando sua análise.
— Por quê? Esqueci algum lugar? — Tento fechar as coxas, mas ele
está no meio delas e seus ombros são muito largos, então o movimento não
faz fechar muito.
— Não. — Ele usa seu outro polegar e me abre, e me lambe, e oh,
caramba. Minha cabeça cai para trás com um gemido e aperto as coxas em
seus ombros.
— Então por que quer fazer?
— Porque vai me excitar. Abrir suas pernas lindas. Passar creme de
barbear em você. Deslizar uma lâmina cuidadosamente por cada centímetro
de sua boceta enquanto você ruboriza da cabeça aos pés.
Ele me lambe de novo, uma lambida lenta com a língua da parte de
baixo até o topo, finalizando chupando meu clitóris. Agarro a coberta da
cama e tento não esfregar a pélvis na cara dele. Puta merda — não, não sei
o que é para sentir, mas oh, meu Deus. A língua dele é quente pra caramba e
macia, e a barba por fazer no queixo segue e é levemente abrasiva, e a
mistura de sensações está provocando todo tipo de coisa em mim.
— Vou demorar um pouco fazendo isso também — ele continua, desta
vez colocando o nariz na parte interna da minha coxa e beijando de volta
até o centro. — Vou me demorar. Vou examinar cada centímetro de você.
Vou fazer de um jeito que você nunca mais vai conseguir se raspar sem
sentir tesão ao se lembrar de como foi quando eu fiz para você.
Não consigo responder porque está muito difícil de respirar. Gosto
muito dessa ideia.
— Minha boa garota tem uma boceta bem molhada, não é? Quer que eu
brinque com ela? Que molhe meus dedos?
Quero. Oh, Deus, quero. Ele rodeia a ponta do dedo em minha entrada,
circula e circula, e então brinca com meu clitóris, e estou excitada. Depois
faz de novo e de novo. Quando finalmente desliza o dedo para dentro de
mim, estou mais do que molhada, mas a intrusão ainda é estranha para mim,
e fico tensa. Tensa em todo lugar, minhas coxas, joelhos e punhos ficam
tensos contra a coberta, mas mais especificamente onde seu dedo está. Mas
ele não para, chupa meu clitóris até eu relaxar, então faz algo mágico com o
dedo até eu gozar. Consigo me sentir flutuando ao redor daquele dedo e, oh,
puta que pariu, um orgasmo é diferente com penetração, e eu quero mais.
Eu o quero. No instante em que ele retira aquele dedo, eu o quero de volta,
quero mais do que um dedo. Eu me sinto vazia, necessitada, e preciso dele
dentro de mim logo, ou vou explodir.
Ele me puxa para ficar em pé e me beija, e tem o meu gosto, e é obsceno
e chocante e meio que estranhamente excitante e primitivo. Ele abre meu
sutiã. As alças deslizam para meus braços até ele cair no chão, e estou nua.
Estou nua com Rhys. Este é o melhor dia da minha vida. Só que ele não
está nu.
— Você ainda está vestido. É para eu — gesticulei para sua camisa —, é
para eu ou para você? Ou quer ficar de roupa para transar?
Ele dá risada, seus olhos dançando e se divertindo conforme desabotoa
sua camisa e a tira.
— Não, não vou te foder de roupa, Lydia.
— Oh, ainda bem. Quero muito te ver nu. Por um bom tempo. Tipo
semanas. Desde o bar. Da primeira vez no bar, não da segunda. Posso tirar
sua calça? — Meus dedos pairam em seu cós, prontos para desabotoar e
abrir o zíper, mas precisando do empurrãozinho da permissão.
— Por favor — ele diz e, então, meus dedos se movem, abrindo o cinto,
desabotoando, abrindo o zíper.
É mais difícil de fazer isso ao contrário, tirar a calça de outra pessoa em
vez da sua própria, mas eu consigo. Conseguiria mesmo se fosse um
quebra-cabeça de mil peças em vez de apenas um zíper e um botão, porque
quero vê-lo sem calça logo.
Quando abro a calça, elas caem no chão e, então, a única coisa me
separando do sexo é uma cueca, portanto faço um trabalho rápido com ela.
Ele é lindo. Da cabeça aos pés. Poderia passar a noite inteira olhando
para ele, o mês inteiro, a eternidade. Mas não tenho a eternidade ou nem a
noite inteira, já que Rhys está preocupado com sua agenda, então olho o
máximo que posso e o mais rápido que consigo.
Porque, oh, puta merda, sei como Rhys Dalton é nu. O pouco de pelo
em seu peito. Seu abdômen tonificado, e a barriga chapada, e a trilha de
pelo de seu umbigo até seu pau. A marca de nascença em seu quadril
esquerdo e a definição das linhas que compõem seu abdômen. Faço uma
oração mental para Jesus que vou dar uma boa olhada na bunda dele antes
de isto acabar, porque preciso saber exatamente como ela é debaixo daquela
calça de terno. E então, rápido demais, ele está me guiando para a cama,
porque é isso. Isso é sexo.
Só que não.
Lydia
AINDA NÃO, PORQUE ELE PASSA MUITO TEMPO — BEM MAIS TEMPO D
— apenas me beijando. Beijando e acariciando. Meu pescoço, meus seios,
meu quadril, minhas coxas. Carícias longas e tranquilas de suas mãos,
passadas gentis da ponta de seus dedos até ele descer por meu corpo e estar
entre minhas pernas de novo. E, então, está fazendo o negócio da língua e
do dedo de novo, e eu estou tão, tão molhada e lisa, mas, quando ele
adiciona um segundo dedo, parece que é muito apertado e vi em primeira
mão que ele é bem maior do que dois dedos, então não sei como isso vai dar
certo.
— Você é bom mesmo com línguas — consigo dizer após ter gozado
uma segunda vez. E ele está beijando a parte interna de minhas coxas como
se elas fossem interessantes.
— Alguém já te fez sexo oral, Lydia?
— Não. Está bom? Estou fazendo errado?
Será que estou gozando rápido demais? Devagar demais? Alto demais?
Baixo demais? A preocupação se agarra em mim conforme penso se outras
garotas são melhores ao gozar do que eu, o que é idiotice. Sei que é idiotice,
mas não tenho nenhuma comparação. Talvez ele tenha feito oral uma
segunda vez porque queria uma reação diferente? Nem imagino.
Então o sinto sorrir contra minha coxa, o que é uma sensação estranha,
mas adorável.
— Você está perfeita — ele diz, beijando de novo minha coxa, seu lábio
inferior se arrastando em minha pele, a sensação de sua barba me afetando
em lugares bizarros.
Ele beija minha barriga, diretamente abaixo do meu umbigo, e me fala
de novo que estou perfeita e acredito nele. Ajuda o fato de eu conseguir
sentir seu pau roçando em minha perna quando ele fala, e está duro. Está
duro em todos os lugares, na verdade. Seu corpo é muito firme, e
tonificado, e quente, e perfeitamente pesado em cima do meu, como um
cobertor pesado de homem. Ele volta para cima por meu corpo, beijando,
acariciando e fazendo meu corpo palpitar com mais ansiedade do que
montanhas-russas em parques de diversão já causaram em mim. Então me
beija de novo, nossas pernas entrelaçadas e seu pau descansando
pesadamente em minha barriga. Eu quero tocá-lo. Deveria tocá-lo, certo?
Tipo tocar tocar?
— Me diga o que fazer — peço, passando as mãos para cima e para
baixo em seus antebraços.
— Faça o que quiser — ele diz, dando outro beijo suave em meus
lábios.
Ele está deitado tão perto de mim, que consigo ver as linhas minúsculas
em volta de seus olhos e a pulsação batendo em seu pescoço.Passo a ponta
do dedo em sua sobrancelha apenas porque posso, porque ele está aqui na
cama, comigo. E então passo a ponta dos dedos em seu comprimento. Suas
pálpebras tremem e se fecham, e ele cerra a mandíbula, um pequeno chiado
de respiração escapa quando o toco, então me sinto encorajada a fazer mais.
Envolvo o dedo e o polegar nele — o máximo que consigo — e deslizo a
mão da base até a cabeça. Ele é impossivelmente comprido e grosso e estou
ansiosa para ajustá-lo dentro de mim, mas com medo ao mesmo tempo.
Estou molhada, necessitada, desesperada e ansiosa. E nervosa — isso
também.
— Estou indo bem?
Envolvi a mão no comprimento dele e estou massageando lenta, mas
firmemente. Estou fascinada com a cabeça, o leve cume de pele me
avisando que cheguei à ponta, com como a pele é um pouco mais macia ali.
A minúscula fenda no topo, um pouco escorregadia do pré-gozo que
encontrei e esfreguei entre o dedo e o polegar para usá-lo a fim de
massagear a cabeça.
— Perfeitamente — ele diz em outro chiado de respiração.
Olho para ele debaixo dos cílios e, então, me inclino para a frente e
beijo seu peito.
— Eu deveria usar a boca também?
— Porra, não — ele diz, e seu pau fica tenso na minha mão.
Oh. Minha mão para, incerta, até ele a cobrir com a dele e aumentar a
pressão, continuar a rotação da carícia para cima e para baixo. Apertando
mais forte, indo mais rápido, virando nossos punhos juntos.
— Agora não. Qualquer hora, menos agora.
— Ok.
Sorrio para ele e tento me esfregar em sua coxa porque também não
quero realmente seu pau em minha boca agora. Quero que ele avance para o
próximo passo.
Desta vez, ele avança. Abre minhas coxas e se ajoelha entre elas,
colocando um travesseiro debaixo dos meus quadris.
Oh, Deus, isso vai acontecer. Meu peito se ergue e desce com minha
respiração conforme Rhys me posiciona, enganchando minhas coxas sobre
seus braços, prendendo-me bem aberta. Ele passa as mãos para baixo na
parte interna de minhas coxas, depois se posiciona em minha entrada.
Consigo sentir a cabeça de seu pau nos meus lábios, consigo ver tudo
também, com a maneira que ele nos posicionou. Aperto meus olhos e
prendo a respiração conforme ele faz um barulho, uma combinação de
risada e expiração.
— Relaxe, Lydia.
— É, está bom.
Expiro e abro os olhos. Balanço os quadris no travesseiro. Estou
relaxada.
Ele bate a cabeça de seu pau em mim, como um tapa. Gostei. Aperto, e
ele deve gostar disso porque geme, seus olhos no lugar em que está
tentando nos unir. Passa as mãos em minhas coxas de novo, o gesto é
reconfortante. Então circula meu clitóris com seu polegar, e é muito bom. É
maravilhoso, até ele encaixar a cabeça de seu pau dentro de mim e fico
tensa de novo, prendo a respiração.
— Relaxe, Lydia — Rhys repete, com a mandíbula tensa, assim como os
músculos do pescoço.
O negócio é o seguinte, eu realmente quero isso, de verdade. Mas
também nunca me machuquei de propósito, e não vejo outro jeito de fazer
isso sem doer. Ele desliza a cabeça de seu pau para dentro e, então, para
fora de novo, e estou tão molhada, lisa e pronta, que não dói, parece que
quero mais, mas quando ele empurra mais, fico tensa. Meus ombros,
minhas pernas, meu tudo.
Sou a pior prostituta na história da prostituição.
— Me… — Desculpe, é o que estou prestes a dizer, mas não consigo
terminar porque Rhys belisca a parte interna de minha coxa, forte.
E quando ele faz isso, é como se todo meu foco de terminações nervosas
fosse para esse lugar, e não conseguisse me concentrar em tensionar mais
nenhum outro lugar, então não o faço, relaxo e me concentro naquela dor na
coxa e, nesse instante de distração, ele entra em mim com uma estocada
brusca de seus quadris. Ele está dentro, ele está dentro, e puta merda, isso
dói. Com distração ou sem isso dói. Como se dilacerasse, como se eu fosse
cortada ao meio, e queima, e ele está tão fundo e tenso à minha volta, sem
se mexer, respirando pesado, se segurando, esperando eu fazer alguma
coisa, eu acho, mas não sei o que ou como me sinto e penso que posso
chorar, então cubro o rosto com as mãos.
Ele solta minhas pernas, debruçando-se sobre mim e se suportando com
os antebraços ao lado da minha cabeça, o movimento altera o ângulo de
meus quadris e a forma como o sinto dentro de mim e — oh, Deus — é
melhor ou pior? Não sei. Ele tira minhas mãos e beija minha têmpora.
— Você está bem?
— Não sei.
Talvez?
— Estou te machucando?
— Está! — Dã.
Ele começa a se mexer, imediatamente se erguendo de cima de mim,
saindo de mim.
— Não! — Penduro meu braço em volta de seu pescoço e o puxo de
volta para mim. — Não vá. É uma dor normal. Eu acho. Não faço ideia.
Seus lábios se curvam em um sorriso, embora haja tensão perto de seus
olhos, como se estivesse sendo doloroso para ele ir devagar, ficar parado.
— Me diga como se sente.
— Como me sinto, tipo, neste momento?
— Sim. Por favor — ele diz, e é tanto uma ordem quanto um pedido.
Ele beija minha mandíbula e o movimento causa outro leve ajuste na
posição, outra nova sensação com a qual se acostumar.
— Como me sinto com você dentro de mim? — Ruborizo ao dizer isso.
Posso sentir a cor cobrir minhas bochechas conforme as palavras saem
da minha boca.
— Isso, exatamente isso. Me diga.
— É como se você estivesse me quebrando, mas, ao mesmo tempo, eu
gosto.
Ele parece fascinado com minha resposta. Seus olhos analisando todo
meu rosto. Seu olhar intenso.
— Cheia. Me sinto bastante cheia. É gostoso, tenso e beliscante. Existe
a palavra beliscante? É como alongar após uma longa corrida, e doloroso.
Mas também bom. A sensação de estar cheia é bem boa, tipo, não faço ideia
de como vivi sem ela.
Coloco as mãos em seus quadris e passo em sua pele, meus dedos
apertando sua bunda enquanto eu rebolo debaixo dele, me ajustando à
penetração e percebendo que a dor diminuiu em uma dor entorpecente, mas
também em uma dor de necessidade. Como se eu quisesse mais.
— O que mais? — ele pergunta.
Ele beija o canto da minha boca, um toque suave de seus lábios, e não
sei por que isso me deixa com tesão, mas deixa.
— Parece uma pressão. Como se toda essa pressão estivesse ali se
formando ou pulsando. Posso dizer pulsando? E, tipo, que eu gostaria que
você se mexesse? — É uma pergunta-barra-declaração porque não tenho
absoluta certeza. — Não para fora de mim! — complemento, segurando
mais forte seus quadris, temendo que eu tivesse acabado de dar
direcionamentos ruins. — Não para fora de mim. Dentro de mim. — Mexo
os quadris o máximo que consigo de onde estou, debaixo dele.
Rhys segura minha cabeça com as mãos e me beija — um beijo
demorado e molhado, cheio de língua e mordidas em meu lábio inferior —
e, então, se afasta, de novo se apoiando nos joelhos, ainda enterrado dentro
de mim conforme reposiciona minhas coxas abertas por cima das dele, seus
antebraços sob meus joelhos me apoiando e mantendo-me bem aberta.
Consigo ver onde estamos unidos deste ângulo. Minha pélvis está
erguida da cama, minhas mãos voltaram a segurar a colcha com punhos
cerrados. Ele sai de mim, e sinto imediatamente a perda. O movimento
lento de seu corpo abandonando o meu, a sensação de completude se
esvaindo e se tornando vazia. Ele pausa, com apenas a cabeça de seu pau
dentro de mim, e nós dois podemos ver sangue. Seu pau está molhado,
coberto de mim e de sangue escorrido, e prendo a respiração porque é meio
estranho, meio básico, meio primitivo, e meus sentimentos sobre tudo isso
são primários, mas Rhys não parece nada assustado. Parece estar gostando
bastante, então expiro e tento relaxar.
Depois, ele flexiona os quadris e volta para dentro de mim, e não me
importo muito com o que seu pau está coberto, contanto que ele não pare de
fazer isso. Repete o movimento, saindo lenta e demoradamente, depois
voltando a deslizar para dentro, e eu decido que gosto muito de sexo.
— Boa garota — ele me elogia quando ergo os quadris para encontrar os
dele, e gosto de ouvir isso tanto quanto gosto de sexo.
Reforço positivo é meu estilo, e ser chamada de boa garota enquanto seu
pau está dentro demim é uma mudança safada de reforço positivo que
descubro que cabe muito bem a mim.
— Estou feliz que é você — digo baixinho. — Estou feliz por fazer isso
com você.
Seus olhos se fecham por um instante, e ele engole em seco. Uma gota
de suor escorre por seu peito, e dou um aperto experimental em volta de seu
pau, que está enterrado profundamente dentro de mim, e tudo fica
impossivelmente mais apertado e aquela sensação de pressão e calor fica
mais intensa.
— Isso é bom — ele geme, abrindo os olhos apenas um pouco.
Então ele se inclina para cima de mim de novo, apoiando-se com uma
mão e usando a outra para flexionar meu joelho até meu peito. Fica
diferente, mas não tenho tempo para pensar ou me ajustar muito, porque ele
está estocando em mim agora. Rápido. Depressa e profundamente. Forte.
Meus peitos balançam das estocadas, e o som de sua pele batendo contra
mim ecoa pelo quarto. As luzes da Strip iluminam, e brilham, e cintilam nas
janelas, e eu sinto que estou perto de fazer todas aquelas coisas também.
Bem perto.
Rhys flexiona mais minha perna para que meu joelho fique praticamente
na minha orelha e, oh meu Deus, ele fica ainda mais profundo e forte e
maior desse jeito e, então, seu polegar volta ao meu clitóris, e, sim, um
firme sim, gosto de sexo. Arqueio as costas e enfio a ponta dos dedos nos
antebraços de Rhys, e ele sussurra o negócio de boa garota de novo em meu
ouvido, e toda a pressão e fricção incendeiam, e minhas pernas ficam
tensas, e estou gozando, e tudo está muito apertado e quente, e aperto os
olhos, e uma sequência de ohs sai da minha boca.
Rhys geme quanto me aperto em volta dele, ficando parado em cima de
mim, e então se mexe de novo, fazendo movimentos curtos com os quadris
até ele gozar também, a tensão deixando sua mandíbula, e ele é lindo, tão
lindo, e não consigo acreditar que consegui fazer isso com ele.
— Foi como uma onda — digo a ele, quando ele termina, caindo em
cima de mim, respirando com dificuldade. — Como uma onda intensa e
quente, ou talvez a melhor parte de uma montanha-russa, ou como voar. —
Passo os dedos em suas costas, explorando as linhas com a ponta dos dedos,
raspando as unhas levemente em sua pele. — O orgasmo foi diferente com
você dentro de mim. Diferente de como foi com seu polegar ou sua boca. E
molhado. Pareceu mais molhado. Acho que provavelmente é porque você
acabou de gozar dentro de mim. Parece um pouco sujo, mas tipo uma
sujeira após uma boa festa que você ainda não quer limpar. — Ele está em
silêncio, com exceção do som de sua respiração. — Desculpe, não sou boa
em falar safadeza.
— Está tentando me matar? — Ele arfa a pergunta em meu ouvido.
— Não. — Balanço a cabeça contra o travesseiro debaixo de mim. —
Claro que não. Quero fazer de novo.
Ele sai de mim, e sinto o vazio instantâneo da perda. E dor, sinto dor,
exposição e vulnerabilidade. Rhys se levanta da cama e passa por uma porta
aberta, acendendo uma luz quando entra no banheiro. A bunda dele é
perfeita, exatamente como pensei que fosse. Dura e musculosa e tem uma
convinha que preciso explorar da próxima vez.
Eu me sento na cama, sem saber exatamente o que fazer agora. Deveria
ir embora? É por isso que ele me pagou, certo? Para que eu saísse quando
ele terminasse? Será que posso usar o banheiro dele primeiro? Suas
mulheres de sempre normalmente simplesmente vão embora, certo? Vejo
minha bolsa em uma cadeira do outro lado do quarto, então me levanto, me
encolhendo ao fazê-lo. É, vou sentir amanhã. Estou tirando uma camiseta
da bolsa, quando Rhys retorna.
— O que está fazendo?
— Pensei que agora fosse a parte em que você dá um tapa na minha
bunda e me fala que é hora de ir, docinho.
— Sente-se — ele diz, assentindo para a cama.
Ele não parece se divertir com minha avaliação de como a noite termina,
então solto minha camiseta e volto para a cama. E é quando percebo que
acabei de perder minha virgindade em um edredom branco fofo e não há
como salvar o edredom fofo branco e fico mortificada. Quinhentos mil
dólares, e arruinei sua roupa de cama. Sou uma prostituta muito horrível.
Começo a puxar o edredom da cama quando ele me faz parar.
— O que está fazendo? — ele pergunta de novo, colocando uma mão
em meu braço. Parece confuso, e me pergunto se estou me comportando
racionalmente.
— Arruinei sua cama.
— Lydia, quem se importa?
Eu me importo. Todo este apartamento é intocado e perfeito, e eu sou
tipo um cachorrinho resgatado e bagunceiro.
— Vou ligar para o pessoal da limpeza e pedir para mandarem um novo
— ele diz baixinho, passando a mão em meu braço. — Vá tomar um banho.
— Quando você diz que vai ligar para o pessoal da limpeza, quer dizer
que vai encontrá-los na porta e, depois, se livrar desta roupa de cama, não
entregar a alguém que vou encontrar na lanchonete dos funcionários na
segunda, certo?
— Vou cuidar disso.
— Ok.
Assinto algumas vezes e, então, Rhys gentilmente me empurra na
direção do banheiro enquanto ando. Tomo um banho obscenamente
demorado e penso em meus sentimentos enquanto uso o xampu e sabonete
dele, porque é tudo o que ele tem no chuveiro.
Quando volto, Rhys está sentado na cama, com as costas na cabeceira e
um laptop no colo. O apartamento inteiro está escuro, com exceção de um
abajur ao lado da cama e o brilho vindo de seu laptop. A vista da Strip foi
bloqueada com algum tipo de sistema de cortinas blackout. A roupa de
cama havia sido substituída, e arrumada, e afofada, e me pergunto de novo
se ele arruma a própria cama normalmente ou se a camareira vem todos os
dias.
Estou enrolada em uma toalha porque não pensei em levar nada para o
banheiro comigo. Meu cabelo ainda está úmido, e estou segurando nas
pontas da toalha bem mais forte do que o necessário, já que Rhys já me viu
nua.
Ele está usando calça de pijama de algodão, suas pernas estendidas para
a frente e o peito nu. Ele não parece estar planejando me levar para casa,
mas esse não é realmente o trabalho dele, é?
— Devo chamar um Uber? — pergunto, me aproximando da minha
bolsa.
— O quê? — Ele olha por cima de seu laptop, um olhar confuso em sua
expressão.
— Um Uber — repito. — Ou um táxi?
— Pode ficar — ele disse, assentindo para a cama ao seu lado.
Ok.
— O que devo vestir? — pergunto, abrindo a bolsa e tirando o traje
branco que usei no palco mais cedo. — Quer que eu vista isto? — Vejo que
minhas roupas foram resgatadas do chão, dobradas e penduradas na cadeira
com minha bolsa.
— Não — ele responde. — Isso não. — Acho que o estou irritando
agora. — O que normalmente usa para dormir?
Pijamas de lençol, penso. Nada que ele iria querer ver.
— Não trouxe nada que normalmente vestiria para dormir — é o que
digo a ele, a camisola ainda pendurada em minha mão.
Seus olhos desviam para ela e, então, baixam para seu laptop.
— Pegue uma camisa da gaveta do meio — ele diz, já digitando de
novo.
Descubro que a gaveta do meio tem camiseta normal e macia. Escolho
uma azul e volto ao banheiro para me trocar em uma necessidade esquisita
de privacidade.
Depois entro debaixo das cobertas, minhas pálpebras já estão pesadas.
Acho que vou dormir em questão de minutos, o que é estúpido, porque
estou na cama de Rhys e deveria estar aproveitando a experiência. Mas hoje
foi um dia cheio e Rhys está trabalhando, então acho que ele não quer
dormir de conchinha nem nada.
Estou prestes a cair no sono com os sons estranhamente calmantes de
Rhys digitando em seu laptop quando me lembro de uma coisa.
— Desculpe ter demorado tipo dez vezes mais do que sete minutos —
digo a ele, e depois apago.
Rhys
ACORDO COM UMA EREÇÃO RÍGIDA E A BUNDA DE LYDIA PRESSIO
Porque estou de lado com o braço em volta da cintura dela. Porque estou
dormindo de conchinha. Estou dormindo de conchinha. Porra. Eu me viro
de barriga para cima, decepcionado comigo mesmo.
Por muitos motivos. Deus, o olhar no rosto dela quando viu o cobertor
ontem à noite, como se eu desse a mínima para a roupa de cama? Malditas
virgens.
Nunca tinha fodido uma virgem. Nunca fui o primeiro de ninguém e
penso se isso foi um erro. Um enormee maldito erro. Esfrego as mãos no
rosto e encaro o teto. Ela é a única coisa perfeita neste apartamento, e está
preocupada em arruinar minha roupa de cama? Foda-se a roupa de cama. A
única coisa que está sendo arruinada neste apartamento é ela, porque sou
um cretino depravado que comprou uma virgem.
Lembrar de seu sangue em meu pau está me deixando
desconfortavelmente duro. O rubor doce em suas faces, Jesus. Será que isso
é para me excitar? Porque excita. Tirar sua inocência.
Saber que isso é tudo novo para ela. Seus dedos hesitantes, pedindo uma
direção. Pedir para eu ensiná-la. Deus me ajude. Ensiná-la. Posso pensar em
centenas de coisas que gostaria de ensiná-la porque eu sou o maldito
prostituto, não ela. Então por que ela se vendeu? Acho que as pessoas
fazem qualquer coisa por dinheiro. Talvez não consiga me identificar
porque sempre tive dinheiro. Nasci com ele, ganhei mais dele. Nunca tive
que tomar decisões difíceis para ganhá-lo. Nunca estive desesperado. Ela
está desesperada? Viro a cabeça e a observo dormir. Seu cabelo tem o
cheiro do meu xampu.
Quantas mulheres me quiseram pelo dinheiro? O suficiente para o fato
de pagar por sexo parecer a forma mais sincera de conduzir um
relacionamento. E é como cheguei até aqui, não é?
Que porra vou fazer com ela por trinta dias? Pensei que essa armação
fosse por uma noite e, então, Vince me disse para devolvê-la em trinta dias,
como se fosse um aluguel de carro. Devolvê-la onde? Ela tem um emprego,
um emprego de verdade, trabalhando para mim no Windsor. Será que está
planejando fazer isso como um segundo emprego depois de mim?
Conseguir outro… cliente? A parte dela de quinhentos mil não é suficiente
para seja lá o que ela precise? Maldito dinheiro. Preciso que Canon
pesquise sobre ela e descubra que tipo de dívida ela tem. Não pode ser
insuperável. Se os quinhentos mil já não cuidarem disso, eu pagarei o resto.
Só que… isso é loucura. Ela não é minha para eu cuidar. É temporária. Isto
é temporário. Mesmo assim, estou curioso.
Imagino qual será a parte dela. Imagino de quanto mais ela precisa.
Imagino que é muito cedo para fodê-la de novo. Provavelmente cedo
demais. É possível que esteja dolorida. Será? Malditas virgens, inferno. Por
que pedi a ela para me contar como se sentia? Vou me torturar repensando
em suas palavras pelo resto da minha vida. Como se você estivesse me
quebrando, mas, ao mesmo tempo, eu gosto. Estou feliz que esteja fazendo
isto com você. Desculpe, não sou boa em falar safadeza.
Jesus. Cristo. Preciso me afastar dela. Tiro as cobertas, pretendendo ir à
academia do hotel até ter queimado toda energia para me impedir de foder
Lydia como um animal. Estou vestido, saio e chego a uma esteira na
academia em pouco menos de sete minutos, um dos benefícios de se morar
em um hotel. A academia está vazia quando chego. Provavelmente vai
permanecer vazia, já que o hotel ainda não inaugurou e há menos de vinte
funcionários morando no local — e não estou esperando ver nenhum deles
na academia do hotel tão cedo em um domingo.
Escolho uma esteira e corro até estar coberto de suor, aumentando a
inclinação e a velocidade na tentativa de espairecer cansando meu corpo.
Trinta dias. Quando foi a última vez que fodi a mesma mulher por um mês?
É uma pergunta retórica, porque sei exatamente quando foi a última vez —
e sei que não foi recente. Sei que minha vida sexual se transformou em
variedade. Sei que posso foder quase qualquer mulher que eu queira — e eu
quis.
Lydia presumiu que deveria ir embora ontem à noite. Não há uma única
mulher que dormiu aqui desde que me mudei para Vegas, então seu
pensamento de eu querer que ela desse o fora foi correto. Também me
irritou pra caralho porque não queria que ela fosse embora — o que só
serviu para me irritar ainda mais.
Corro oitocentos metros, fazendo nada além de observar cada metro
passar na tela da esteira enquanto corro com a semana que vem na cabeça.
Mentalmente, verifico minha lista de afazeres e procuro algo que estou
esquecendo. Zoneamento, permissões, funcionários, entretenimento,
comida, bebida. Eletricidade. Precisei fazer uma reunião sobre a porra da
parte elétrica semana passada porque tinha que ser atualizado com os planos
de contingência no caso de falta de energia. No caso de dois sistemas de
backup separados falharem, tínhamos um plano, e eu tinha uma
compreensão rudimentar sobre o maldito plano que deveria precisar ser
implementado?
Agora tenho. Observo outra centena de metros se passar.
Eu que estou no comando aqui, lembro a mim mesmo. Não é como se
precisasse ficar com ela todos os trinta dias. Poderia terminar tudo hoje, se
quisesse — paro de pensar nisso assim que começo. Como se não fosse
fodê-la de novo? Por favor. Vou fodê-la de novo hoje, muitas vezes,
provavelmente. Mas vê-la o tanto que quiser no próximo mês, essa é a
questão. Eu sou o cliente. Fui eu que paguei. Sou eu que estou no controle
aqui. Vou mandá-la para casa hoje. Mais tarde. Quando a quiser de novo,
vou pedir para me encontrar na minha suíte depois do trabalho — e não
deveria me sentir mal por isso porque paguei a ela para usar seu tempo e
seu corpo de acordo com minha agenda.
Corro mais dois quilômetros até ficar exausto para não pensar na porra
da Lydia de novo — pelo menos até o almoço —, depois me enxugo com a
toalha ao voltar para minha suíte. Quando entro, ela está vestida e sentada
no sofá, torcendo os dedos. Literalmente torcendo, sentada e torcendo os
dedos no colo. Sem celular. Sem televisão. Apenas sentada ali. Sua bolsa
está ao seu lado no sofá, fechada e aguardando como se ela estivesse pronta
para ir. Tudo muito estranho.
— O que está fazendo?
Tenho uma cozinha nesta unidade. Uma cozinha quase intocada, mas
totalmente equipada, a geladeira cheia da maioria das bebidas. É aberta para
a sala de estar, então entro e pego água gelada da geladeira, depois me
apoio no balcão e a observo enquanto bebo metade da garrafa em um gole.
Ela separa as mãos e as alisa nos joelhos antes de falar.
— Eu não sabia se não tinha problema eu ir embora ou não.
Claro que não sabia. Porque eu a paguei para ficar aqui. E também
porque sou tão cretino que não deixei um recado antes de ir para a
academia.
— Está esperando há muito tempo?
— Hum, um pouquinho. — Ela balança o joelho antes de falar de novo.
Será que está nervosa? Eu a deixo nervosa ou é apenas a situação? — Meu
celular descarregou e não trouxe o carregador. E não consegui descobrir
como mexer na sua TV. Estava passando um jogo de basquete e não
consegui descobrir como mudar de canal, então fiquei só esperando — ela
termina com outro balançar dos joelhos e outra alisada das mãos no jeans.
— O que normalmente faz aos domingos? — pergunto, de repente
curioso.
Curioso para saber o que ela estaria fazendo agora se eu não fosse um
cretino e ela não estivesse sentada em meu apartamento entediada me
esperando.
— Oh. — Ela pisca, parecendo surpresa com a pergunta. — Coisas
normais. Lavo roupa ou fico na piscina. Tomaria um café gelado do Del
Taco ou iria à Goodwill.
— O que é Goodwill?
— Uma loja.
— Ok. Vou tomar um banho e aí nós vamos — digo, indiferente,
enquanto jogo a garrafa de água no lixo reciclável da cozinha.
Talvez, se eu puder descobrir mais sobre ela, descobrir no que ela gasta,
posso entendê-la. Talvez ela tenha um cartão da loja Goodwill com uma
dívida enorme. Talvez eu consiga descobrir por que me importo tanto, por
que fico curioso pra caralho quando o assunto é ela.
— Precisamos pegar suas coisas, de qualquer forma — complemento,
porque acabei de ter uma ideia melhor.
— Que coisas? — Seus joelhos param de balançar, e as pontas de seus
dedos congelam em suas patelas.
— Suas coisas. Roupas e tal? O que for precisar.
— Precisar para quê? Para hoje? — Suas sobrancelhas se uniram com
preocupação ou confusão ou ambos.
— Para o mês. Você vai ficar aqui.
— O quê?
Ela parece um pouco horrorizada com a ideia de morar comigo por um
mês inteiro, e não posso evitar me sentir um pouco ofendido. Poderia falar o
nome de, no mínimo,vinte strippers que ficariam aqui felizes por um mês.
Estou pensando nisso quando ela fala de novo:
— Tipo ficar ficar? Tipo morar aqui? Ninguém disse nada sobre…
— Você deveria provavelmente ler o contrato antes de fazer um pacto
com o diabo, Lydia — eu a interrompo e sou um pouco mais grosseiro do
que pretendia.
Balanço a cabeça, irritado comigo mesmo e com ela, embora seja sem
motivo, depois me aproximo dela e pego o controle remoto. Ligo a TV e
mudo para a TV aberta e, então, entrego para Lydia, dizendo que voltarei
em vinte minutos. Consigo me aprontar em sete, mas preciso de mais tempo
para bater uma no chuveiro porque, após observá-la balançar os joelhos e
puxar a calça de maneira nervosa, estou duro de novo.
Quando volto, Lydia está deitada no sofá, com as pernas flexionadas
para trás enquanto assiste a um programa de decoração de casa. Ela me olha
conforme me aproximo, me analisando de cima a baixo de um jeito que é
óbvio, mas ainda desconfio de que ela não percebe o fato de estar me
secando tão abertamente.
— Você tem gravador? — ela pergunta, voltando-se para o programa. —
Estou morrendo de curiosidade de ver como vai ficar essa reforma. Talvez
pudesse gravar para mim?
Ela volta a olhar para mim, seus olhos grandes verdes arregalados com
otimismo e fé de que eu poderia, tranquilamente, cuidar desse detalhezinho
para ela. Ela baixa o queixo um pouco e pisca, um sinal de dúvida cobrindo
o rosto como se tivesse pedido muito. Uma mecha tratante de cabelo cai
sobre uma face, e isso a faz parecer totalmente verdadeira demais para estar
perto de mim.
Eu pego o controle e coloco para gravar enquanto ela se levanta e coloca
a bolsa no ombro. Está usando uma camiseta que diz “Eu amo Jesus e
tacos”. Jesus me ajude com essa garota é o primeiro pensamento que vem à
minha mente, e um sorriso ergue o canto de minha boca.
— Foi isso que você trouxe para usar em casa após uma noite de
devassidão? — pergunto, assentindo para a camiseta dela com uma risada
enquanto desligo a TV e jogo o controle no sofá.
Ela olha para sua camiseta e de volta para mim, e eu a deixei
desconfortável, percebo imediatamente.
— Eu não sabia. — Ela brinca com as alças de sua bolsa ao falar. —
Não sabia se iria ficar ou… sei lá. Eu não sabia — ela diz baixinho.
Eu a deixei insegura por causa de uma camiseta. Muito bem, babaca.
— É engraçado — lanço ao abrir a porta para ela e seguirmos para meu
carro.
Estamos na Strip na direção da Tropicana Avenue, então toco no
assunto.
— Então, tacos? — pergunto a ela.
— O quê?
— Você deve gostar mesmo de tacos.
— Acho que sim. Mas quem não gosta de tacos?
Justo.
— E Jesus. Você também gosta de Jesus — complemento e,
imediatamente, penso em como um dia transei sem pagar por isso. Pareço
um maldito idiota.
— Acho que sim — ela murmura, mas sua cabeça está enterrada em seu
celular, trabalhando de novo agora que está conectado ao carregador do
meu carro.
— Está se sentindo bem hoje? — pergunto para mudar de assunto.
— Sentindo? — ela pergunta, virando-se no banco para me encarar.
Estamos na esquina da Las Vegas Boulevard e Tropicana, aguardando
para virar à esquerda.
— Tipo emocional ou fisicamente? O que quer saber?
O sinal da seta clica como uma bombinha-relógio no silêncio que se
segue enquanto tento sondar seu humor. Olho-a de canto de olho e decido
que não é uma pergunta de pegadinha, que ela realmente espera que eu
esclareça.
— Fisicamente — respondo. — Você está bem? — Fui muito agressivo
com ela ontem à noite? — Está dolorida?
Porque se você não está, vai ficar antes do dia acabar.
— Estou bem — ela diz.
Mas responde dando de ombros, o que me diz que estou perdendo algo.
— Você está bem mas o quê?
— Mas nada. — Ela se volta para o celular e responde uma mensagem
de texto.
Faço a curva na Tropicana e batuco os dedos no volante, incomodado.
Incomodado com ela por se conter e incomodado comigo mesmo por me
importar. Qual é a diferença?
— Não acho que possa me ajudar — ela adiciona. — É vergonhoso.
Esqueça que eu disse algo. — Ela se ajeita no banco. — Mas, na verdade,
não disse nada realmente. São só coisas de garota. Esqueça.
Assinto levemente com a cabeça e permaneço quieto. Está bom, então.
— Estou meio que molhada — ela solta quando eu paro em outro
semáforo na Tropicana.
Porra.
— Não molhada como se quisesse transar agora, molhada como se você
ainda estivesse escorrendo de mim de ontem. O que é bem esquisito e nada
do que me ensinaram sobre educação sexual no ensino médio, e eu fiquei
preocupada… Não sei com que fiquei preocupada. Mas pesquisei e vi que é
bem normal e pode durar de um minuto até um dia depois do sexo e não há
com que se preocupar ou motivo para isso. Foi só que, você sabe, eu não
sabia e isso me deixou assustada por um minuto, mas estou bem agora.
Porra, isso é excitante.
— O semáforo está verde, Rhys.
Pigarreio e acelero o carro.
— Então pode se acostumar com isso, porque vou te foder todos os dias.
— Sério? — A pergunta está envolvida com surpresa genuína. — Não
estará ocupado demais?
— Eu vou encontrar tempo.
— Oh. Ok, legal.
Viro à direita no estacionamento do Del Taco e entro no drive-thru.
— Vamos comer Del Taco mesmo? — Os olhos de Lydia se iluminam
como se eu a tivesse levado em um brunch de champagne.
— É o seu domingo — digo a ela e me pergunto como isso se tornou o
domingo dela.
Eu sou uma negação. Eu fui uma negação mesmo com a garota de vinte
e dois anos do bar. A garota de vinte e dois anos que trabalha na minha
empresa. A garota de vinte e dois anos que eu sabia que causaria problema
para mim.
Negação. Mesmo.
— O que você quer? — pergunto a ela conforme avanço um pouco com
o carro, pensando que pergunta pesada é essa. Como fui de “negação
mesmo” para pagar meio milhão pelo prazer de sua companhia? Como?
Fodi com minha vida. Estou tão distraído com a grande inauguração se
aproximando, que não consigo enxergar direito.
— Ohhh — ela diz enquanto bate as mãos nos joelhos como se fosse
uma decisão muito empolgante. — Um café gelado pequeno e um burrito
de ovo e queijo. — Ela encosta no banco por um instante e cruza os braços,
balançando os joelhos no meu carro. — Espere, não — ela diz, balançando
a cabeça. — Quero dois burritos de ovo e queijo. Estou faminta. Acho que
queimei muitas calorias ontem à noite.
Faço seu pedido vezes dois, entregando a comida para ela conforme é
passada para mim pela janela. Então paro o carro em uma vaga no
estacionamento, deixando-o ligado. Lydia me entrega um burrito antes de
abrir os canudinhos para nós dois e inseri-los nos copos de plástico,
colocados nos suportes de copo.
— Posso te perguntar uma coisa? — ela pergunta ao tirar um burrito do
saco para si.
— Claro. — Eu dou uma mordida no que ela me entregou. Não é
horrível.
— Já que você me perguntou — ela complementa, e eu penso no que lhe
perguntei. Ela desembrulha o pacote do burrito antes de continuar. — Como
se sentiu? Transando comigo? — Ela dá uma mordida no próprio burrito e
emite um sonzinho de felicidade quando a comida chega à sua língua.
— Foi bom pra caralho. — Eu a observo mastigar, estranhamente
fascinado com essa garota.
— Sério?
— Sério.
Ela dá outra mordida, sendo cuidadosa para não deixar cair, e me
observa, em silêncio. Dou um gole do café gelado e encolho, colocando-o
de volta no suporte do carro.
— Isso não é bom — digo a ela e observo seus olhos se arregalarem de
surpresa, depois se estreitam em julgamento, com sua sobrancelha direita
erguida, desafiando. — É doce demais — protesto.
— Você é doido.
Ela revira os olhos e dá outra mordida cuidadosa no burrito. Eu termino
meu segundo e ando com o carro. Vou pegar à direita para voltar à
Tropicana quando ela fala de novo.
— Eu te falei muito mais do que isso. Quando me perguntou — ela
argumenta, não incorretamente.
Ela estava virada para mim enquanto comíamos, mas termina seu
primeiro burrito e se encosta no banco de novo, voltada para a frente
enquanto procura no saco seu segundo.
Coloco os óculos de sol para bloquear os intrusos. O sol, as perguntasdela, meus pensamentos. Se for um desses três, já ajuda.
— Foi uma pergunta estranha? — ela questiona quando paramos no
semáforo na Spencer a menos de meio minuto depois de voltar à Tropicana.
— As pessoas não se perguntam isso? Você me perguntou, então eu
pensei… — Ela para de falar, um pequeno suspiro sai de seus lábios. —
Deixa quieto. Sou muito ruim nisso.
— Humilde — finalmente digo quando o semáforo fica verde. — Me
senti humilde por estar dentro de você. E molhado. Liso e quente e
apertado. Era macio, perfeito. Você estava perfeita pra caralho, cada
centímetro. Sua boceta apertada, a pressão de seus dedos em meus braços
quando estava muito apertado para você, suas unhas arranhando minhas
laterais quando o tamanho se ajustou. Quando você teve orgasmo, ficou
ainda mais apertado, e molhado, como se sua boceta estivesse ordenhando
meu pau, o que me fez sentir ainda maior e mais duro e como se eu fosse
perder a circulação de meu pau, mas teria valido a pena.
Diferente. Eu me senti diferente de um jeito que me confundia, mas me
fazia querer mais ao mesmo tempo. Real e primitivo. Primário.
— Então, bem normal.
— É, bem normal.
Rhys
PASSAMOS POR UNS DOIS SEMÁFOROS E UM WAL-MART QUANDO VE
Goodwill e entro na galeria.
— Oh, meu Deus, nós vamos mesmo à Goodwill? — A pergunta é feita
com bem menos empolgação do que eu estava esperando.
Pensei que teria a empolgação do Del Taco, mas sua reação foi mais
receosa do que animada.
— Você disse que é isso que faz — respondo, confuso.
— Acho que Goodwill não é o que você pensa que é e não será seu
estilo. Nem preciso de nada hoje, então não precisamos fazer isso.
Eu a ignoro e estaciono. Ela pega seu café gelado com um pequeno
resmungo e abre a porta do carro.
— Loja de varejo e centro de doação — leio a placa assim que encontro
Lydia no capô do carro. — Estamos em um brechó?
Ela hesita, a ponta de seu tênis se arrastando no cimento e seu corpo
meio virado para trás na direção do carro.
— Você é ocupado demais para isto, Rhys. Não preciso mesmo ir hoje.
Só vamos embora.
— Já estamos aqui.
Aponto para as portas e começo a andar sabendo que ela vai seguir —
mais porque já havia trancado o carro. Quando chego à porta, eu a seguro
aberta para Lydia e a sigo para dentro.
Coisas usadas. Esse é meu primeiro pensamento ao entrar. Esta não é a
fonte de sua dívida. Lydia ergueu o copo de café gelado aos lábios e está
dando um longo gole, o canudinho pressionado entre seus lábios. Eu me
pergunto por que estamos em um brechó em vez de voltando ao hotel com
meu pau entre seus lábios, mas vir aqui foi minha ideia. Eu acho. Ela está
parada em um pé só, a ponta do outro de novo circulando no chão, desta vez
no linóleo em vez de no asfalto, e agora que estamos dentro da loja, o pavor
em sua expressão abriu caminho para um olhar de ansiedade.
— A cor da semana é azul. Eu sempre tenho sorte com azul — ela diz, e
me pergunto se estou tendo um infarto de algum tipo porque nada, nem uma
única coisa nas últimas vinte horas ou mais faz sentido.
Lydia pega um carrinho e o leva para os fundos da loja, passando
prateleiras industriais organizadas com pilhas de porcaria. Eu a observo
analisar rapidamente as prateleiras enquanto passa, mas claramente ela tem
algum tipo de estratégia ou destino já em mente porque continua se
movendo, mesmo quando um abajur de cerâmica laranja em formato de
gato chama sua atenção. Está opaco e é medonho. Ainda estou encarando-o
e pensando no que teria possuído alguém para comprá-lo em primeiro lugar,
pensando se foi uma produção em massa ou se era uma horrível peça única,
quando vejo que Lydia chegou aonde queria. Está colocando um lençol
usado no carrinho quando a alcanço. Um lençol usado que parece que saiu
da casa de um animador de Vegas dos anos cinquenta.
— Quando Vince vai te pagar? — eu pergunto, porque não consigo
entender o que está acontecendo neste exato instante.
Ela está precisando de dinheiro? Os lençóis não estão identificados até
onde consigo ver, então como ela sabe que vai caber na cama dela? Acho
que ela nem pegou um conjunto, apenas um aleatório de cima da prateleira
com um passado sombrio desconhecido.
Que eu nem posso julgar, porque ela está dormindo comigo e não
duvido de que meu pau tem um passado ainda mais sombrio do que esse
lençol.
— O quê?
Ela para e olha para mim. Está segurando um cabide de calça com uma
fronha pendurada nos pregadores, alisando o material com a ponta dos
dedos da outra mão.
— Quando Vince vai te pagar? — insisto. — Você precisa de dinheiro?
— Oh. — Ela pisca e baixa os olhos dos meus, um brilho de mágoa ou
desconforto passa por sua expressão. — Não sei. — E, então, após uma
pausa: — Não. Não quero mais dinheiro de você. Obrigada.
O que ela quer dizer falando que não sabe? Aquele otário me fez
transferir o dinheiro para ele antes de sair, como se eu não fosse bom o
bastante. Babaca.
— Então você não recebeu ontem à noite?
— Não. Temos que ver as coisas dos impostos primeiro.
Coisas dos impostos? Penso nisso e tenho certeza de que minha cara
expressa minha confusão, porque ela para, sua mão passando por uma
estante de fronhas, e se vira para mim.
— Desculpe, isso não faz parte de seu fetiche? Não deveria ter
mencionado os impostos?
— Que fetiche?
— Hum, o negócio de pagar por sexo. Não sei como você faz
normalmente. É a visão do dinheiro que te excita? Porque, se quiser deixar
um pacote de dinheiro na mesa de cabeceira toda manhã, posso devolver na
sua gaveta quando não estiver olhando e, então, pode colocar de volta na
mesa de cabeceira após gozar. O que precisar.
Quer saber qual é a parte mais bizarra desse discurso? Não acho que ela
esteja me zoando. Nem um pouquinho. Não havia um milímetro de
reprovação em seu tom, apenas total aceitação.
— Não é bem um fetiche, Lydia. É mais uma conveniência. Como frete
de dois dias.
Caralho. Acabei mesmo de compará-la com a conveniência de receber
um desodorante em menos de vinte e quatro horas? Não sou
emocionalmente apropriado para ela. Ela é do tipo profunda-emocional-
apegada, não uma garota de expectativas mínimas.
— Oh, ok. — Ela pisca algumas vezes e coloca uma fronha no carrinho.
— Posso ser conveniente.
— Ótimo. — Estou irritado com toda essa conversa e não sei bem por
quê.
— Ótimo — Lydia responde, e não sei se ela está irritada com alguma
coisa.
Ela dá outro gole em seu café gelado e sorri para mim, chupando o
canudinho, e eu quero beijá-la. Ou fodê-la. Ou levá-la de volta para Vince e
esquecer que tudo isso aconteceu. Foi isso que ela disse ontem, não foi?
Apenas me leve de volta. Apenas me leve de volta, Rhys.
Levá-la de volta para Vince? Para o Double Diamonds? Para começar,
quando foi que ela se envolveu com ele?
Quando tudo isso ficou tão distorcido? Eu tenho responsabilidades. Um
hotel para inaugurar. Um legado para construir. Sou ocupado demais para
complicações no momento. E é por isso que pago strippers, e dança, e
boquetes, e sexo. E é por isso que dei meio milhão para uma garota colocar
um abajur de gato laranja em um carrinho de compras neste instante.
Minha vida é fodida. Estou sob muito estresse, eu decido. Estresse que
Lydia vai me ajudar a aliviar no próximo mês. O que quer que seja isso que
temos, sairá do meu sistema até lá. Esse pensamento alivia um pouco da
tensão de meus ombros e deixo pra lá o resto.
Parece que Lydia acabou de fazer compras com a adição do abajur —
um abajur que só posso presumir que é uma piada —, então, assim que ela
paga onze dólares e setenta e quatro centavos por sua compra, nós vamos
embora. Ela menciona algo sobre o ótimo achado que foi o abajur enquanto
destravo o carro. Não respondo porque não faço ideia de que porra ela está
falando.
Ela fica quieta a caminho de seu apartamento, com exceção de perguntar
se pode beber o resto do meu café. Parece bem satisfeita com o silêncio,
feliz bebendo seu segundo café e dando direções para sua casa. Já sei que
ela mora perto do Hennigan’s, mas não conto, em vez disso, sigo seus
direcionamentos para pegar a 515 até a Hendersonvillesem comentários.
Quando saímos da rodovia na Galleria, ela começa a falar. Mais ou menos.
— O negócio é o seguinte — ela começa, depois para, mexendo o
canudinho no copo a fim de distribuir o gelo ou procrastinar, não sei qual
dos dois.
— Qual é o negócio? — incentivo.
— O negócio é que não sabia que isso era para durar um mês — ela diz.
— Sei que fiz um acordo com o diabo e é problema meu, não seu, blá, blá,
blá.
Blá, blá, blá. Esse é um ponto de vista.
— Mas não sei o que espera de mim.
— Espero que esteja disponível para quando eu quiser transar.
— Digo, sim. Isso eu entendi. Essa é meio que a descrição do meu
trabalho, dã.
— Você acabou de falar “dã” para mim?
— Com certeza.
— É uma prostituta horrível.
— Eu sei! — Ela dá um tapa em seu joelho e se vira para mim no banco.
— Não consigo acreditar que você pagou tanto por alguém sem referências
ou experiência. Nem é lógico! Você é que está me educando sexualmente e
está me pagando pelo privilégio. Deveria realmente trabalhar suas
habilidades de negociação, porque acho que Vince te enrolou. — Ela
termina o discurso balançando um pouco a cabeça, depois continua: — Não
acho que me comprar foi uma aquisição financeira boa. Aposto que seu
contador ficará bem decepcionado quando ele descobrir.
Olho para ela para sondar se está falando sério agora. Meu palpite é de
que é cem por cento sério.
— Tenho certeza de que Anthony vai lidar adequadamente com sua
decepção.
— Talvez ele consiga encontrar um jeito de me colocar em seus
impostos como uma despesa. Tipo gastos. Arquivado junto com o
entretenimento da grande inauguração ou algo assim? Certeza que Vince te
dará um recibo, certo? Se ele faturar isso como entretenimento, não seria
mentira. Sexo por si mesmo é um tipo de entretenimento.
Minha certeza se ela estava me zoando ou não acabou de cair oitenta por
cento, então fico calado, o que ela toma como um convite para continuar
falando. Sinto falta da Lydia quieta. Gostei dela nos cinco minutos em que a
conheci.
— Uma coisa seria você ser terrível no sexo e precisar pagar para
alguém fingir gostar, mas você é superbom no sexo! Não precisei fingir
nada.
— Obrigado — respondo sem expressão.
— Oh, droga, isso foi grosseiro? Aposto que você é bom em outras
coisas também. Deve ser, você é muito bem-sucedido. Aposto que é bom
em coisas de CEO.
— Com exceção de negociar.
— É — ela diz com um pequeno suspiro. — Com exceção disso. Mas,
sabe, provavelmente você só não está pensando com clareza agora, com a
grande inauguração chegando. Tenho certeza de que você é um negociador
muito melhor quando não está sob muito estresse. Mas tudo bem, porque
você é bom em muitas outras coisas, tipo malhar, e arrumar sua própria
cama, e reciclar. — Ela está contando nos dedos conforme lista minhas
conquistas, pausando depois do terceiro dedo. — E compartilhar. Você é um
compartilhador excelente. — Ela mexe o café gelado com uma mão e ergue
o quarto dedo com a outra. — E… — Ela pausa de novo, claramente não
sabendo mais com qual conquista pode me elogiar, o que vagamente me
decepciona. Também me faz pensar que tipo de conquistas poderiam
impressioná-la o bastante a fim de ganhar seu respeito. — Você, por um
acaso, tem algo a ver com a máquina de café na sala de descanso? Porque
ela é fenomenal.
— Qual é a questão, Lydia? Para começar? Me lembre por que estamos
tendo esta conversa?
— Oh! Verdade. O negócio é que não percebi que isso era por um mês,
então só comprei um conjunto de lingerie sexy. Minhas coisas de sempre
são todas de algodão. Nem são fio-dental porque prefiro calcinha que cubra
minha bunda.
A ideia de Lydia com uma gaveta cheia de calcinhas de algodão
entediantes que ela não espera que ninguém veja me deixa duro de novo.
Será que tem algo errado com meu pau? Algum tipo de semi-ereção
permanente induzida pelo estresse? Não parece certo.
— E não tenho nenhum pijama sexy também. Então não sei o que
espera que eu pegue. É por isso que estou tentando te perguntar suas
expectativas. Entendi a parte do sexo, só não sei o que espera de mim nas
outras vinte e três horas e meia do dia.
— Ontem à noite foi bem mais do que meia hora — resmungo quando
paramos em outro semáforo.
— Eu sei! Desculpe! Mas você ficou fazendo oral em mim, e me
beijando, e todas essas coisas que não eram colocar seu pênis dentro de
mim. Acho que aquele artigo que li não estava contando todas essas outras
coisas quando concluíram a média de sete a treze minutos, e ainda não sei
sobre essas outras coisas ou por quanto tempo você iria querer fazê-las.
Vou precisar que Jesus assuma o volante deste carro se ela não ficar
quieta logo.
— Enfim, podemos ser mais rápidos, tenho certeza. Sei que você é
ocupado, então, talvez, possamos fazer umas rapidinhas e isso irá baixar
nossa média. Tipo se transarmos umas duas vezes por cinco minutos e uma
vez por uma hora, então é uma média de tipo vinte ou vinte e cinco minutos
por sexo. Droga, ainda é muito tempo? Talvez três rapidinhas para uma
demorada? É você que tem horário, então você que sabe.
Jesus. Volante. Ajusto meu pau conforme ela continua falando.
— Enfim, não era bem essa a questão — ela diz, respirando.
Obrigado por pequenos favores.
— A questão era que eu não tenho nada sexy, mas posso sair e comprar
algo hoje. Só preciso saber do que você gosta, porque essas coisas são
caras, e você não pareceu impressionado com a lingerie, e não sei ler
mentes.
A lingerie que ela estava usando no palco diante de outros homens. Ela
tem razão. Eu a detestei.
— Apenas pegue o que você normalmente usaria, Lydia.
— O que eu normalmente uso não é o que você pensa, Rhys. Tem
certeza de que não quer que eu saia e compre umas coisas? Ou poderia
pedir à minha nova amiga Staci para me ajudar. Provavelmente, ela poderia
me dizer onde comprar on-line se você quiser algo mais ousado do que
consigo encontrar no Fashion Show. Quer que eu compre couro ou rendado
ou que vista alguma fantasia? É só me falar.
Ela leva o canudo até os lábios e dá outro gole, piscando para mim em
uma curiosidade inocente e sem um sinal de julgamento.
— Eu te quero exatamente do jeito que você é.
— Oh.
Uma linha minúscula se forma em sua testa como se fosse confuso para
ela. Ou talvez ela estivesse esperando que eu gostasse de brincar de escrava
ou alguma merda assim, é difícil dizer.
— Estava esperando viver uma experiência extrema, Lydia? Queria que
eu colocasse um plug com um rabo na sua bunda e pedisse para você se
arrastar por meu apartamento? Beliscasse seus mamilos? Batesse em você?
— Não particularmente. Só quero ser boa para você. Gosto quando você
me diz que sou uma boa garota. Isso realmente me excita.
— Excita?
— Uhumm — ela murmura e se ajeita no banco.
Digo a ela que preciso de um pouco de silêncio depois disso. O
condomínio em que ela mora é bacana. Um complexo de luxo a apenas
vinte minutos da Strip, perto o bastante para ser conveniente, mas longe o
bastante para ter uma sensação residencial relaxada. Ela mora em uma
unidade perto da área de lazer que deve ter uma academia, porque um
babaca coberto de suor passa por nós ao sair.
Ele grita “Oi, Lydia” ao passar, o que me irrita pra caralho.
— Seu amigo? — pergunto ao segui-la até a porta, carregando o abajur
de gato laranja.
— Eu o encontrei na piscina uma vez — ela diz, mostrando-me um
sorriso envergonhado por cima do ombro. — Mas não consigo me lembrar
do nome dele, então sempre faço tipo “Ei, e aí?” quando ele tenta conversar
comigo.
Eu ia dizer que ele não daria a mínima em lembrá-la de seu nome se ela
estivesse disposta a lhe dar seu tempo, mas foda-se. Não estou pagando
Lydia para lhe dar dicas de como conseguir outros homens.
Ela abre a porta do apartamento e grita por sua colega de quarto, que
não parece estar em casa.
— Estranho, pensei que ela estivesse aqui — Lydia diz. Ela parece triste
por não a ver. — Acho que vou vê-la amanhã — ela diz, dando de ombros.
— Vocês são próximas? — pergunto por falta de mais coisa para
conversar.
— Ela é minha melhor amiga.
— Você a conhece há muitotempo?
— Alguns anos. Nos conhecemos na faculdade, depois nós duas fomos
contratadas pelo Windsor, então decidimos nos mudar e morar juntas.
— Ah.
Eu não tinha percebido que sua colega de apartamento era funcionária
também, mas faz sentido. Sei que contratamos muitas pessoas de
universidades. Porra, detesto o lembrete de que Lydia estava na faculdade
recentemente.
— Me dê isso — ela diz, pegando o abajur da minha mão.
Eu tinha até me esquecido de que estava segurando aquela coisa
horrorosa. Ela desaparece em um dos quartos, então eu dou uma olhada no
apartamento. Acho que este é um empreendimento relativamente novo. O
apartamento em si não é enorme, mas é conceito aberto e os
eletrodomésticos parecem novos. O sofá parece novo, assim como as mesas
de canto e abajures. Abajures normais, eu percebo, não em formato de gato
ou unicórnio ou qualquer porra de que ela gostasse. Há uma antiga cômoda
pintada de azul-petróleo sendo usada para apoiar a televisão e uma mesa de
cozinha com cadeiras variadas que desconfio que vieram da Goodwill. Há
uma faixa de algum tipo pendurada em uma placa de cortiça perto da mesa
de cozinha. Como uma faixa de concurso, só que mais feia. Eu me
aproximo para olhar quando Lydia grita do quarto que está pegando suas
roupas de sempre.
Esta faixa é ainda mais ridícula do que o abajur. Há algo chamado
distintivo de bar costurado nela. Um distintivo de app de encontros. Um
distintivo de confiança. Pregado à placa, mas não costurado à faixa, está o
distintivo Rhys. E um distintivo de sexo. E um distintivo de bunda.
Meu pau lateja com a ideia de foder a bunda de Lydia, mas minha mente
está presa ao distintivo Rhys. Sou um tipo de jogo para ela?
A porta da frente se abre, e Payton aparece. Eu me afasto do quadro
enquanto Lydia sai de seu quarto com uma expressão feliz com a chegada
de sua amiga. Ela nos apresenta e, então, pausa, olhando melhor para sua
amiga.
— Payton, por que ainda está usando a mesma roupa de ontem à noite?
— Ahn — Payton responde, olhando para baixo para si mesma, confusa.
— Estou? Chega de falar de mim. Como foi o sexo ontem à noite?
— Payton! — Lydia arregala os olhos e olha para mim, com a expressão
mortificada. — Não vou te contar como Rhys é na cama com ele parado
bem aqui.
— Ok, então amanhã no almoço? — Payton parece completamente
desorientada com a réplica de Lydia.
Os olhos de Lydia se lançam entre mim e Payton.
— Provavelmente também não, Payton.
— Ohhh — Payton fala pausadamente, olhando entre nós. — Claro que
não. Nunca falaríamos dessas coisas. Piscadinha, piscadinha.
Ela realmente fala “piscadinha, piscadinha” em voz alta.
— Já está quase pronta? Tenho bastante trabalho para fazer esta tarde.
— Incluindo fazer Lydia gozar múltiplas vezes para ficar fresco em sua
memória quando ela recapitular durante o almoço. Porque impressionar
essa virgem, de alguma forma inexplicável, se tornou meu objetivo.
Lydia
RHYS DESAPARECE EM SEU ESCRITÓRIO QUASE ASSIM QUE VOLTAM
seu quarto e o cômodo que ele usa como escritório, há um quarto extra, mas
Rhys coloca minha mala em seu quarto e me fala para desfazê-la. Então eu
desfaço. Arrumo meu xampu e condicionador ao lado do seu no chuveiro.
Penduro minhas roupas ao lado das suas no armário e finjo que isso é tudo
normal e que ele gosta de mim. Que gosta como se fosse namorada, não
prostituta, o que é ridículo porque nenhuma namorada mora junto após um
encontro.
Verifico a geladeira e a vejo vazia, com exceção de garrafas de água,
cerveja artesanal Hennigan’s, suco de laranja, uma caixa de ovos e uma
bisnaga de mostarda. Há uma cesta de frutas frescas no balcão, então me
sirvo de uma pera e, então, encaro a vista da Vegas Strip enquanto a como.
Depois disso, acaba oficialmente as coisas para fazer, e acho que faz
apenas meia hora desde que cheguei aqui, então duvido que Rhys saia de
seu escritório em breve. Assim, recorro à minha atividade normal de
domingo à tarde: pijamas e programas de reforma de casa. Estou com
minha calça preferida de pijama de lençol e uma blusinha, deitada no sofá
de Rhys esperando descobrir qual casa um casal de Downers Grove,
Illinois, escolhe em sua busca de casas, quando a porta da frente abre, e
Canon entra.
— Oh, oi, não percebi que você estava aqui — ele diz, me notando no
meio do caminho até o cômodo em que Rhys está trabalhando.
Estou jogada no sofá com os pés na mesa de centro e o celular na mão,
jogando um jogo de palavras enquanto espero descobrir se a localização
supera o espaço do quintal para o casal de Illinois.
— Você se mudou para cá? — Canon pergunta com um sorriso amplo,
observando como estou jogada no sofá de pijamas.
— Basicamente — digo, dando de ombros, como se não fizesse ideia de
como isso aconteceu também.
Sobretudo, desvio meu olhar porque ele me viu ontem usando uma
lingerie leiloando minha virgindade e isso é supervergonhoso.
— Uau. Isso é muito melhor do que eu pensava — ele diz, rindo sozinho
ao continuar pelo corredor a fim de encontrar Rhys.
O casal de Illinois escolhe a casa com o quintal bom e a cozinha
antiquada. Eu marco trinta e quatro pontos soletrando a palavra
“abespinhado”. Nem sei o que essa palavra significa. Praticamente apenas
mudo as letras de lugar até conseguir uma palavra que valha uma pontuação
decente e, então, aperto play.
Rhys e Canon saem do escritório, Canon nos diz boa-noite e vai embora.
Rhys tranca a porta quando ela se fecha, anda até onde estou sentada e para.
— Jantar?
Oh.
— Quer que eu me vista?
Eu me descubro, coloco os pés no chão e me levanto. Ter de me vestir
de novo em um domingo não é minha ideia de diversão.
— Não, vamos comer aqui.
— Comer o quê? Você não tem nenhuma comida.
Eu me jogo de volta no sofá com meu cobertor, aliviada por não precisar
me vestir.
— Vamos pedir para a cozinha. O que você quer?
— Você pede todas suas refeições para a cozinha?
— Praticamente — ele diz como se isso não fosse estranho.
Penso em como vou sobreviver sem Del Taco. Aposto que posso fazer
Payton me trazer um café gelado a caminho do trabalho.
— O que você quer?
Ele fora até a cozinha e pegara um tipo de aparelho de tela smart que vi
mais cedo em um suporte de carregador ao lado do fogão. O fogão que
ainda continha o manual de instruções dentro.
— Não sei. O que eles têm? Você tem um cardápio?
— Eles têm o que você quiser.
— O que eu quiser?
— É.
— Então eu poderia pedir… — Busquei em meu cérebro algo bem
distante, e não consegui pensar em nada. Com certeza eles conseguem fazer
um cheeseburger ou uma pizza de pepperoni ou uma salada com frango ou
um sanduíche de peito de peru. — Poderia pedir torta de limão de jantar e
eles trariam?
— Não faço ideia do quanto demoraria, mas, sim, trariam. Você queria
torta de limão?
Ele está mexendo na tela, e espero que não tenha acabado de pedir uma
torta de limão, porque não gosto realmente de torta de limão. Foi apenas a
coisa mais esquisita em que pude pensar em pouco tempo, o que é bem,
bem idiota.
— O que você vai querer?
— Frango grelhado, batata assada e brócolis.
— Oh! Já sei o que quero.
Estou meio que empolgada, porque é minha coisa preferida da vida, mas
eu mesma fazê-lo exige a compra de muitos ingredientes que não são
economicamente viáveis. Ele ergue a sobrancelha, questionando, então eu
continuo:
— Gostaria de uma salada com frango desfiado, milho, feijão preto,
abacate, tomate, queijo e molho de coentro.
Rhys digita meu pedido.
— Sem torta?
— Ahn, não. Estava brincando quanto à torta — digo isso
supercasualmente, como uma garota que nunca pediria torta. Mas a ideia de
uma cozinha mágica para a qual eu possa pedir qualquer coisa é muito
tentadora. — Eles têm sorvete com sabor de bolo de aniversário?
— Isso não é somente baunilha?
— Não! Não, não é só de baunilha. — Bufo e balanço a cabeça. — Você
vive mesmo na sua bolha, Rhys. Tem doze anos inteiros a mais do que eu e,
ainda assim, há muita coisa que você não sabe.
Rhys me encara por cima do tablet sem falar, depois balança a cabeça
como se estivesse deletando seus pensamentos.
— Se elesnão tiverem, alguém vai sair para comprar — ele diz ao
terminar de digitar nosso pedido, depois joga o aparelho no sofá.
— Você tem uma vida e tanto aqui — digo a ele. — Camareiros.
Serviço de quarto. Vista matadora.
— É alguma coisa — ele diz, sentando-se no sofá ao meu lado e
puxando minhas pernas para cima de seu colo.
Eu congelo por um instante porque é uma coisa tão “de casal” de se
fazer, mas Rhys não parece perceber, sua atenção está na televisão.
— O que nós estamos assistindo?
Nós. Eu nunca fui um “nós”. Sempre quis ser um, até no ensino médio,
quando estava ocupada demais e tímida demais para fazer muita coisa sobre
isso. Lembro que, no primeiro ano, na segunda-feira após um baile a qual
eu não tinha ido, outra garota olhou para mim no corredor e disse:
— Oh, vejam, ali está aquela menina que não conseguiu um par para ir
ao baile.
Ela era do segundo ano, alguém que eu só conhecia de vista, mas suas
palavras me devastaram por… bom, por um bom tempo. Mas aqui estou eu,
com o homem mais atraente que já vi, deitada em seu sofá com as pernas
em seu colo enquanto aguardamos o serviço de quarto. E daí que era falso?
Poderia ser verdadeiro. Parece um pouco verdade. Rhys começa a
massagear os arcos dos meus pés e fica bem verdadeiro. A menos que ele
tenha um fetiche por pé, e eu finalmente o tivesse entendido.
— House Hunters — respondo finalmente.
— O que é House Hunters?
Eu o encaro, sem saber se ele está brincando ou não. Não está.
— Você não sabe o que é House Hunters?
— Não.
— Está tipo na centésima temporada.
— Centésima?
— No mínimo. Você é a única pessoa do universo que não viu House
Hunters. Precisa mesmo viver um pouco, Rhys.
— Então o que estou perdendo?
— Ok, então, cada episódio tem um casal que quer comprar uma casa.
Em uma cidade diferente dos Estados Unidos. A menos que você esteja
assistindo ao House Hunters International e aí eles podem estar comprando
uma casa em qualquer lugar! Tipo Paris ou Praga ou Edimburgo ou
Heidelberg.
— Heidelberg?
— É na Alemanha. Você saberia se assistisse ao House Hunters
International.
Sou mais do que um pouco arrogante sobre meu conhecimento de
cidades aleatórias da Europa.
— Eu sei onde é Heidelberg.
Oh.
— Por que é interessante assistir a alguém comprar uma casa?
— Como não seria?
Rhys ri da expressão em meu rosto, mas eu realmente não entendo o que
ele não está entendendo.
— Todo casal tem um orçamento diferente, prioridades diferentes, em
uma cidade diferente. E você consegue ver que tipo de casa eles podem
comprar com aquele orçamento naquela cidade. Eles visitam três casas e,
então, escolhem uma. Mas, antes de escolherem, eles recapitulam as três e
você tenta adivinhar qual eles vão escolher.
— Aham.
— É muito interessante. Você vai ver.
— Você não poderia simplesmente olhar algumas casas no Zillow e
economizar vinte e cinco minutos?
— Pffft. Não é a mesma coisa.
— Ok. — Rhys assente. — Então, que cidade vamos ver agora?
Seu polegar continua a massagear a parte de baixo do meu pé, e esse
deve ser o momento de mais satisfação da minha vida. Bom, o segundo.
Aqueles orgasmos que ele me deu ontem à noite definitivamente estão em
primeiro lugar.
— Você, meu amigo, vai assistir a um programa especial.
— Vou? — Seus lábios se curvam de divertimento. Ele pode se divertir
o quanto quiser porque não faz ideia do quanto está prestes a ter sorte. — É
bonita, aliás — ele diz, mexendo no tecido da minha calça de pijama.
Ainda não sei se ele está falando sério sobre isso de “usar o que
normalmente eu usaria”, então guardo para mim mesma o fato de eu ter
feito a calça de um velho lençol.
— Vai. O próximo episódio é de House Hunters Renovation. O que
significa que vamos ver qual casa eles vão escolher e a reforma. Uau! — Eu
me abano com a mão como se precisasse esfriar a cabeça. Estou brincando.
Mais ou menos. É meu House Hunters preferido.
Estamos na metade do episódio — um casal em Austin, Texas,
selecionou a casa deles, e a reforma está só começando — quando nossa
comida chega. Rhys se levanta para chegar à porta e um cara do Serviço de
Quarto entra com um carrinho exatamente como fazem em filmes.
Provavelmente é exatamente como fazem na vida real também, mas nunca
vi um serviço de quarto antes. Já estive em muitas férias de família com
meus pais, mas nunca fomos de pedir serviço de quarto.
O cara do Serviço de Quarto é um cavalheiro mais velho chamado
Mitchell. Ele estava em um dos meus grupos de orientação há algumas
semanas, e eu sei que ele me reconhece ao mover as bandejas para o balcão
da ilha na cozinha a mando de Rhys, porque ele diz:
— Boa noite, srta. Clark.
— Oi, Mitch. — Aceno do sofá. — Como está sendo seu dia?
— Sem reclamações. Não estamos muito ocupados, pois o hotel ainda
não foi oficialmente inaugurado. Desconfio de que está prestes a mudar
rapidamente.
— É melhor mudar — Rhys concorda.
Ele acompanha Mitchell até a porta e, então, me diz que vai colocar o
sorvete no freezer.
— Ok. Espero que haja espaço lá — zombo.
— Oh, você se acha engraçada, não é?
— Você tem uma geladeira top de linha enorme cheia de água e
ketchup, então sim.
Ele coloca nossa comida na mesa de centro e volta para meu lado e, sem
querer, eu o vejo olhando a televisão. Ele nunca admitiria, mas aposto que
ele está tão curioso quanto eu para ver se aquela parede da cozinha pode ser
demolida facilmente ou se o casal de Austin vai precisar de uma viga cara.
— Então, hum, como vamos fazer isso com o trabalho? — pergunto a
ele durante o próximo intervalo comercial.
— Como assim? — Ele coloca um pedaço de frango na boca. Sei que é
um pouco maluco, mas ele mastiga de um jeito bem sexy.
— Vou meio que morar aqui.
— Por um mês.
— Ou até você se entediar comigo.
Ele vira a cabeça e me olha quando digo isso, um brilho de algo passou
por sua expressão, depois ele se volta para a televisão.
— Sei que Sutton Travel tem uma política de relacionamento bem
liberal — digo, me referindo à matriz que é dona do Windsor, e tentando
guiar a conversa de volta à questão do momento —, mas as pessoas vão me
ver aqui, como Mitchell acabou de fazer. Ou me ver indo e vindo ou usando
o elevador executivo para chegar ao trabalho de manhã. Vão presumir que
sou sua namorada, a menos que queira que eu entre e saia escondido?
Poderia pegar o elevador, descer até a garagem e, depois, ir até a entrada de
funcionários e pegar aquele elevador para o quarto andar. Daria certo. —
Prendo a respiração e me pergunto se é agora que ele percebe que só gostou
de mim por uma noite, não um mês todo, e me fala para ir embora.
Eu realmente gosto dele para durar um mês. No mínimo. Talvez até
muitos meses. Sei que meu gosto parece um pouco presunçoso, um pouco
ingênuo, mas sabe como alguns homens têm aquele quê? Uma presença?
Aquela coisa que suga o ar do ambiente quando eles entram, quando seus
olhos flutuam na direção deles antes de você saber que chegam lá? Essa
atração não é normal — não pode ser, porque conheci muitos e muitos
homens durante minha vida e só senti isso com Rhys.
Não sei o quanto esse quê dura. Obviamente, é minha primeira vez
vivenciando isso, mas não pode simplesmente desaparecer ou acabar em um
mês. Já faz um mês desde a primeira vez em que senti isso, naquela
primeira noite no bar, quando ele estava com seu amigo britânico bêbado
(que recentemente fiquei sabendo que é o CEO de Sutton Travel e primo de
Rhys, então deveria provavelmente parar de me referir a ele como o amigo
britânico bêbado no caso de um dia conhecê-lo) e o quê não diminuiu. O
quê só ficou mais forte. E agora sinto coisas por ele como uma pessoa
adicionada ao quê, o que, claramente, é algum tipo de atração sexual por
vodu.
Mas talvez este seja o momento em que Rhys perceba que não se sente
igual. Talvez nem um pouco, ou talvez não o suficiente para me querer aqui.
Talvez ele esteja cheio de mim e pronto. Deve haver um motivo para ele
não ter namorada, certo? Um motivo pelo qual ele prefere dançarinas,
strippers, qualquer que seja sua preferência de sempre. Talvez ele goste da
variedade.— Não, eu não quero que entre escondido em lugar nenhum. Entre e
saia como quiser. Vou cuidar do escritório pela manhã.
Espeto um pouco de frango desfiado na minha salada, que está deliciosa,
bem melhor do que quando eu mesma faço, e penso no que significa “vou
cuidar do escritório”. Quero fazer perguntas sobre isso, mas ele voltou sua
atenção para a televisão, e sua expressão não combina muito bem com
perguntas. Além disso, acredito nele quando diz que vai cuidar disso. As
perguntas são realmente de xeretice, então decido que vou esperar até
amanhã.
Nós assistimos ao resto do episódio em silêncio. A parede da cozinha é
demolida, mas precisa de uma viga de apoio de três mil e quinhentos
dólares para tornar realidade a cozinha dos sonhos deles. Então, eles são
pegos de surpresa com um vazamento inesperado do teto, e o orçamento de
contingência explode. Mas tudo acaba bem, quando encontram uma
promoção de azulejos para o banheiro da suíte e chamam um amigo para
ajudá-los a aplicá-los a fim de não estourar o orçamento. A reforma termina
no tempo certo e apenas com sete mil dólares a mais do orçamento original
de oitenta mil dólares.
— O que achou? — pergunto a ele quando o episódio acaba.
— Humm — ele responde, como se precisasse refletir.
Tínhamos terminado de comer e, de alguma forma — realmente não
conseguia explicar como aconteceu —, em algum momento dos últimos dez
minutos do episódio, acabei deitando a cabeça no peito de Rhys, ambos
reclinados no sofá.
— O que tem nele que te atrai?
Ele está mexendo em meu cabelo, e é tão bom quanto a pequena
massagem no pé que recebi antes. Decido que Rhys é bom no toque
também. É muito reconfortante, tranquilizante de uma forma que não
consigo explicar. Além disso, talvez haja uns trinta por cento de chance de
eu estar me apaixonando por ele.
— Adoro ver o que é possível. À primeira vista, aquela casa era tão
antiga e escura. Mas era um diamante bruto, sabe? Só precisava da pessoa
certa para vir e descobrir seu potencial. Com apenas um pouco de trabalho,
realocar a lavanderia e reformar a cozinha, de repente, transformou a casa
em um lar espaçoso e iluminado do jeito que sempre deveria ter sido.
— Está mais para bastante trabalho.
— Às vezes, o trabalho vale a pena — digo isso baixinho, um pouco
mais para mim mesma do que para ele.
Estou brincando com o ilhós do cós de sua calça jeans, alisando-o com
meu indicador e polegar, meus olhos na televisão.
— Eles poderiam simplesmente ter comprado uma casa pronta para
morar e pular toda a sujeira.
— Talvez. Mas talvez eles realmente quisessem essa casa em particular
e nenhuma das que eram prontas para morar os empolgou.
Ele ainda está debaixo de mim, sua mão pausa em meu cabelo.
— Talvez eles tivessem um fetiche imobiliário por aquele local ou algo
assim. Esqueça — termino com pressa. Acho que minhas analogias
imobiliárias podem ser muito reveladoras, ainda assim, não consigo parar.
— Além disso, todo episódio tem um final feliz.
— Uma procura de casas feliz para sempre?
— Isso. É uma experiência bem gratificante. Você sabe que eles vão
escolher uma das três casas, porque eles sempre escolhem uma das três
casas. Você tem garantia virtual no fim de cada episódio de que em uma
casa eles terão a melhor vida com uma nova família.
— E as duas casas que eles não escolheram?
— Não gosto de pensar nelas.
— Claro que não.
— Tenho certeza de que foram escolhidas — complemento, após um
minuto, porque é um detalhe incômodo. — Fora da gravação. Só porque
não aconteceu durante o episódio não significa que nunca deu certo para
aquelas casas.
— Talvez as outras casas fossem muito prejudicadas para merecer uma
família. Talvez estivessem cheias de mofo e precisassem ser niveladas. —
Ele está brincando com meu cabelo de novo enquanto fala.
— Não. Mofo pode ser retirado. Elas só precisam do comprador certo
que veja o potencial delas.
Começa um novo episódio, e Rhys não faz nenhum movimento para se
levantar do sofá. Desta vez, é um episódio de Beach Hunters, no qual
possíveis compradores estão procurando suas casas dos sonhos com acesso
à praia.
Nunca fui muito de praia.
— Você tem mais trabalho para fazer esta noite? — pergunto, olhando
para ele por debaixo dos cílios.
Não sei quanto tempo tenho com ele ou como perguntar o que quero.
— Você queria que eu voltasse a trabalhar?
— Não. — Balanço a cabeça contra seu peito, o tecido de sua camiseta
contra meu queixo.
— Acabei de trabalhar por hoje.
— Que ótimo.
— Por quê?
Passo a mão por seu peito e me pergunto como posso fazer o sexo
acontecer de novo.
— Talvez possamos trabalhar em nosso TMS — sugiro.
— TMS?
— Tempo Médio de Sexo. Lembra que precisamos trabalhar em nossas
eficiências porque você é muito ocupado?
Seus olhos se fecham por um instante e seus lábios emitem um pequeno
gemido. Mas não consigo decifrar o gemido. É interesse? Desespero?
Excitação? Não tenho certeza. Olho o relógio, pensando que horas ele
planeja começar a trabalhar de manhã. Talvez seja hora de ele dormir, não
faço ideia.
— Poderíamos ser rápidos para baixar a média — complemento, no
caso de ele estar considerando usar meia hora de sono para transar. — Ou
eu poderia te fazer um boquete. Mas não acho que contaria para o TMS.
Mas acho que li algo sobre boquetes ajudarem a dormir, então ainda seria
um uso eficiente de seu tempo, não acha?
Ele solta o ar e abre os olhos, olhando para mim com uma cara de
espanto.
— Você já fez um boquete, Lydia?
— Não. — Balanço a cabeça. — Masturbei um ex-namorado algumas
vezes, mas ele gozava bem rápido sem eu realmente fazer muita coisa. É
por isso que pensei que sete a treze minutos era uma meta razoável porque
só demorava tipo uns dois minutos para aquele cara gozar.
Rhys para de brincar com meu cabelo e usa aquela mão para alisar as
linhas de sua testa, então temo que possa estar perdendo interesse.
— Mas sei como fazer — adiciono rapidamente. — Assisti a alguns
vídeos para pegar o básico e aprendo rápido. — Sempre tive orgulho da
minha capacidade em aprender rapidamente. — Não esqueci que você quer
que eu sufoque com seu pau, mas vai precisar me ensinar essa parte porque
em nenhum dos vídeos vi se as mulheres simplesmente nasceram sem o
reflexo de se engasgar, ou, se não, como elas conseguiram superar isso.
Além disso, algumas delas simplesmente engoliam o pênis sem emitir um
som e outras eram bem barulhentas ao fazê-lo, e não sei qual que você quer.
— Lydia — ele fala entre dentes cerrados.
— Sim?
— Por favor, pare de falar.
Oh, direto. Mordo o lábio para disfarçar minha decepção. Sobre não
transar esta noite e não saber quando que ele perdeu o interesse. Repasso a
conversa na minha mente tentando identificar exatamente onde o perdi para
que possa remover esse trecho do meu depósito de técnicas sedutoras.
Mas espere. Ele está interessado. Sei que está interessado porque posso
sentir seu interesse crescente em minha barriga e é um interesse novo, não
estava ali durante os últimos dez minutos da reforma da casa quando eu
estava deitada nele e os balcões de quartzo estavam sendo apresentados.
Então, talvez, “por favor, pare de falar” significa “comece a trabalhar”?
Estou aqui a trabalho, afinal. Quando era uma Girl Trooper, nossa líder, sra.
Barnes, costumava nos dizer “menos falatório, mais trabalho” quando
estávamos verificando nossas encomendas, mas acho que não é nem um
pouco parecido.
Mesmo assim. Poderia ser similar. Olho para os olhos dele e deslizo a
mão do peito dele para seu crescente interesse e aplico um pouco de
pressão. Quando ele não me impede, me levanto do sofá e me ajoelho entre
suas pernas abertas e me movimento para abrir o zíper de sua calça, mas ele
me impede.
— Lydia, pare. Levante-se.
Rhys
— FIZ ALGUMA COISA ERRADA? AINDA NEM COMECEI.
Lydia parece confusa, e possivelmente decepcionada. Ela está
decepcionada por ser impedida de me pagar um boquete? Minha vida é
fodida. Em vez de se levantar, como lhe digo, ela se senta nos calcanhares e
olha para mim, um sinal de mágoa em seus olhos.
— Não, você não feznada errado.
Balanço a cabeça e belisco a ponte do nariz. Jesus. Ela é tão ansiosa.
Ansiosa para me agradar, e eu não mereço. Não a mereço, mesmo que eu
tenha pagado para ela estar aqui, pagado para ela me dar prazer.
— Está preocupado que eu seja ruim nisso? Porque, em minha cabeça,
eu sou bem boa nisso, mas não posso confirmar se não tentar. Além disso,
eu quero. Quero tentar. Quero saber como é fazer isso para você.
— Vou deixar você tentar. Só não hoje.
— Ok, quando?
— Na quarta — falo qualquer dia porque perdi totalmente a cabeça.
Nem sei de onde tirei quarta-feira, mas Lydia ainda está de joelhos
diante de mim, e eu não quero reprimir seu entusiasmo natural por sexo, e
não é que eu não queira um boquete. Claro que quero. Porra.
Ela morde o lábio inferior e sorri, assentindo uma vez, como se quarta-
feira fosse uma resposta razoável para quando ela pode chupar meu pau.
Suas mãos estão espalmadas em suas coxas, sobre a calça fofa de pijama
que está usando. Seu cabelo está puxado para trás em um rabo, e posso ver
seus mamilos debaixo da blusinha, e isso tudo parece muito normal. Normal
demais tê-la aqui, como se ela sempre estivesse aqui, como se sempre fosse
para ela estar aqui.
Pego o controle e desligo a televisão, me levanto, estendendo a mão a
fim de levantá-la do chão. Ela me dá a mão e se levanta de joelhos antes de
colocar um pé no chão para se erguer. Quando fica de pé, eu a puxo e a
beijo. Um gritinho se perde em sua garganta, já que, claramente, ela não
esperava o beijo. Então, ela se apoia em mim e abraça meu pescoço para me
puxar para mais perto. Seus mamilos estão pressionados contra meu peito,
seus lábios bem macios sob os meus, e seus dedos estão puxando mechas
curtas do meu cabelo na nuca e isso — isso está me deixando duro como
uma pedra.
Levo as mãos para a parte de trás das suas coxas e ergo até ela envolver
as pernas em minha cintura. Dá uma sensação esquisita de paz conforme
ando pela sala apagando as luzes com Lydia pendurada em mim, uma
segurança fodida em saber que ela estará aqui a noite toda, saber que ainda
estará aqui de manhã. Por que não é sufocante? Deveria ser, não deveria?
Mesmo assim, Lydia está literalmente pendurada em mim, e eu gosto.
Gosto de tê-la aqui. Gosto da companhia. Gosto dela, e de suas camisetas
temáticas de taco, e seu amor por fast-food barato, e seus hábitos de
compras estranhos, e sua alegria por assistir alguém que ela nem conhece
escolher uma casa em uma cidade a qual ela nunca pisou.
Quero saber tudo que ainda não sei sobre ela. Tudo.
Só preciso desvendar seu envolvimento com Vince. O que quer que seja,
posso consertar. Ela tem vinte e dois anos e pensa que compras em brechó
são divertidas, de quanto pode ser a dívida dela? Canon me prometeu um
relatório até amanhã. Vou começar por lá.
— Vamos transar agora, certo?
Ela ficou me beijando na lateral do pescoço enquanto eu andava.
Esfregando sua pélvis contra mim em seu roçar característico. Também
gosto disso. Sei que não deveria. Sei que a ansiedade dela é devido à falta
de experiência, e essa falta de experiência, devido à sua idade e, de alguma
forma, devido à sua total falta de noção em relação a homens, mas adoro
pra caralho isso nela. Ela ainda não está entediada. Não sabe nada sobre
sedução. Ruboriza quando eu apenas olho para ela e ela me diz que é
demais. Como neste instante. Neste instante, enquanto ela se balança em
meu braço e me afasta o suficiente para me olhar no olho e perguntar se
vamos transar. A dúvida de mais cedo se foi e deu lugar ao seu brilhante
entusiasmo.
Eu já transei pra caramba e tenho certeza de que nem uma única mulher
um dia me perguntou se estávamos prestes a transar.
— O beijo e sua mão em minha bunda e essa progressão ao quarto
significa que vamos transar, certo? Você vai pular o boquete porque tem
tempo para sexo de verdade?
Quando não respondo imediatamente, seus olhos se arregalam e, então,
ela pisca e diz em uma voz muito mais baixa que pode ser significativa para
ela:
— Por favor, diga que sim.
— Sim, vamos transar, Lydia.
— Eba!
Ninguém nunca disse isso para mim. Escutei todo elogio conhecido
enquanto fodia, mas nunca eba. E, Jesus me ajude, acho que esse é o
mesmo eba que ela reserva para o café gelado do Del Taco, então sei que é
genuíno.
— Me conte uma coisa, Lydia.
— Ok. — Ela inclina a cabeça para o lado, os olhos arregalados e
ansiosos.
— Me conte como se formou na faculdade ainda virgem.
— A questão, Rhys, é que… — ela começa, mas pausa como se
buscasse as palavras corretas.
— Qual é a questão?
— Sei que isso pode ser surpreendente, então se prepare. A questão é
que eu era meio nerd no ensino médio.
— Não me diga. — Mantenho a expressão neutra.
— É. — Ela assente. — É verdade. E meio que espirrou na faculdade.
Eu queria transar, queria mesmo. Mas queria realmente sentir. Sentir a
conexão. Sentir que queria arrancar a roupa, mas nunca senti. Transar era
meio divertido, mas de um jeito “Tudo bem, você pode ficar de calça”.
— Então decidiu que vendê-la era o caminho? — pergunto, confuso.
Ela desvia o olhar e morde o lábio inferior, franzindo um pouco a testa.
— A questão é que eu estava me tornando uma solteirona. — Ela me
olha de novo para ver qual é minha reação.
— Uma solteirona. Uma solteirona de vinte e dois anos?
— É. Podemos falar sobre isso depois?
Eu a coloco nos pés da minha cama e tiro sua blusinha em um
movimento. Desamarro o laço de cetim que está segurando sua calça de
pijama na cintura e a tiro também. Então fico de joelhos e ergo uma de suas
pernas em cima de meu ombro.
— Por que você pode fazer oral, e eu tenho que esperar até quarta para
fazer?
— Porque eu estou no comando e eu que digo o que fazer.
— Humm, eu gosto de você estar no comando. Sua confiança me faz
sentir confiante. E desejada. E eu só tenho que meio que seguir ordens.
Sua respiração acelera enquanto fala, e seu peito está vermelho. Ela tem
seios pequenos. São verdadeiros e perfeitos, e gosto de observá-los subir e
descer deste ângulo. Gosto de ver sua cabeça cair para trás quando chupo
seu clitóris e adoro sentir seus dedos apertando meus ombros para ela não
cair e como ela rebola os quadris para se aproximar da minha boca.
Agarro sua bunda com as mãos a fim de equilibrá-la e deslizo a ponta do
dedo pela faixa de pele de sua boceta até a bunda. Isso chama sua atenção.
Sua cabeça se volta para a frente com um pequeno “oh” saindo de sua boca
conforme círculo seu ânus com a ponta do dedo. Ela fica tensa, depois
relaxa quando chupo mais forte seu clitóris. Seu calcanhar aperta minhas
costas e ela se ergue com um pé quando o círculo de novo.
Ela é perfeita pra caralho. Tiro o pé dela de meu ombro e a empurro de
costas na cama, assim posso abrir mais suas pernas. Gosto de acesso
irrestrito enquanto estou trabalhando, embora este seja mais um hobby do
que um trabalho.
— Me diga o que gosta — instruo ao passar as mãos para cima e para
baixo na parte interna de suas coxas.
Beijo sua barriga, logo abaixo de seu umbigo, e seguro suas panturrilhas
conforme posiciono seus joelhos onde os quero.
— Gosto de tudo até agora — ela expira em um suspiro alegre, e eu dou
risada.
— Digo bem especificamente, boa garota, já que não tem nenhuma
comparação.
Abro com os polegares e trilho a língua entre seus lábios enquanto
continuo olhando para ela. Ela está com uma mão na barriga e a outra
agarrando o cobertor acima de sua cabeça. Seus peitos estão subindo e
descendo e sua cabeça está virada para o lado, de frente para as janelas, mas
seus olhos estão bem fechados.
Porra, ela é tão bonita aqui. Molhada, rosa e lisa, e a estou fodendo.
Poderia olhar para ela e sentir seu gosto a noite inteira.
Passo a língua de sua base até o topo de leve. E depois com mais
pressão.
— Qual você preferiu?
— Oh. — Seus olhos se abrem, e ela se contorce. — Não sei. Gostei dos
dois jeitos.
Faço de novo. E mais uma vez antes de ela arquear o pé e me dizer que
gostou mais do mais suave.
Então envolvo o clitóris com a boca e chupo. Suavemente primeiro.
Depois commais sucção. Ela gosta da sucção mais forte aqui.
Lambo e chupo e mordo e incluo dedos, todo o tempo pedindo a ela que
verbalize de qual gosta mais. Tenho uma boa ideia do que exatamente ela
gosta baseado no subir de seu peito e no arquear de seu pé. Em como seus
dedos apoiados na barriga ficam tensos e relaxam e como os músculos de
suas coxas se flexionam e suas pernas se abrem ou se apertam em meus
ombros.
Mas gosto de ouvir dela.
— Mas e se eu não gostar disso do mesmo jeito toda vez? — ela
pergunta após gozar duas vezes.
Suas coxas estão molhadas, e ela está um pouco sem fôlego, já que
acabei de fazê-la dizer exatamente de quanta pressão gosta de meus dedos
acariciando aquele perfeito lugar dentro dela.
— E se estou te ensinando hábitos ruins baseado no que estou gostando
neste segundo?
Deus me ajude, ela é demais.
— Sou muito melhor em me adaptar do que negociar — respondo.
Consigo fazê-lo sem sorrir.
— Oh. Ok.
Ela assente e solta a respiração. Eu me levanto e puxo a camisa com
uma mão pela nuca e tiro. Então baixo a calça e puxo Lydia para uma
posição em pé antes de me deitar de costas na cama.
— Venha por cima — digo a ela, segurando meu pau com uma mão.
Estou tão duro, que sinto que poderia gozar agora mesmo. Pego o pré-
gozo da cabeça e o uso para me masturbar. Os olhos de Lydia se alargam
com a instrução, depois ela escala na cama e joga uma perna por cima da
minha, colocando a mão em meu peito para se equilibrar e apoiando o peso
em minhas coxas com seu quadril.
Ela assume por mim, deslizando a mão para cima e para baixo no meu
comprimento, seus olhos se desviando para meu pau e para meu rosto, sua
língua saindo de seus lábios em concentração.
— Ainda não entendo como isto cabe dentro de mim — ela diz, com os
olhos arregalados ao se erguer nos joelhos um pouco para me erguer até sua
entrada.
— Coube perfeitamente ontem à noite — eu a lembro, e ela ruboriza.
— Meu corpo deve produzir algum tipo de lubrificação mágica para
possibilitar isso.
Ela acaricia a cabeça do meu pau em sua entrada, e eu chio com o calor
e a umidade, e preciso de um considerável controle para não assumir e
entrar com tudo nela. Em vez disso, passo as mãos no topo de suas coxas,
encorajando-a conforme ela me põe para dentro.
Apertada pra caralho. Ela deve ter razão em relação à mágica. Ela
consegue me enfiar um centímetro mais ou menos, mas sua expressão está
tensa e sua boceta, mais tensa ainda. Ela se ergue e se senta de novo,
soltando a respiração enquanto lhe digo para relaxar. Eu a toco em todo
lugar. Acaricio suas coxas, passo as mãos para suas laterais, seguro seus
peitos e aperto seus mamilos com o polegar tudo enquanto ela expira e enfia
de novo um ou dois centímetros, depois se ergue de novo nos joelhos para
impedir que a gravidade faça seu trabalho.
— Não consigo, Rhys. Ainda não consigo fazer isso. Desculpe. — Ela
solta meu pau e passa a perna por cima e sai de mim, sentando-se no
colchão ao meu lado. — Desculpe — ela repete, e eu franzo o cenho, afinal
o que é isso? Escutar “desculpe” saindo de sua boca é a última coisa que
quero no momento. — Você é grande demais e fica muito apertado desse
jeito. Não sou muito boa nisso. É cedo demais, preciso de mais prática para
fazer desse jeito. É melhor para mim se você fizer. Já pagou Vince? Deveria
pedir um reembolso ou uma taxa reduzida, ou algo parecido, já que não
consigo fazer tudo do jeito que você quer. Desculpe. Podemos fazer de um
jeito diferente em que você assume o controle? Tipo de quatro? Então você
estará no comando, e eu sou melhor nisso quando você assume o comando
e está por cima.
Ela balança as mãos ao falar, e eu seguro uma e a puxo para cima de
mim.
— Lydia. — Pauso até ter sua atenção.
— O quê?
— Não quero que se desculpe.
— Ok — ela concorda ao baixar os olhos, mas seus ombros ainda estão
tensos.
— Não precisamos fazer em uma posição que te deixe desconfortável.
Nunca.
— Ok.
— Mas eu te juro que montar em mim como uma cowgirl safada é uma
posição de que você vai gostar muito quando tiver um pouco mais de
confiança.
— Humm, talvez. — Ela dá de ombros, mas está desenhando círculos
em meu peito com a ponta do dedo e olhando para mim sob os cílios, um
rubor de novo colorindo sua pele.
— E até lá, há muitas e muitas mais posições que podemos tentar.
Dá certo.
— Quantas? — Seu interesse volta, e ela se aproxima mais.
Seus olhos estão brilhando para mim de um jeito que me faz sentir como
se fosse o centro da porra do universo.
— São tantas. Mas vamos pular ir de quatro por enquanto, por mais que
seja uma sugestão adorável, e por mais que eu queira você de quatro
enquanto puxo seu cabelo e meto em você por trás.
— Oh. — Ela faz beicinho, sem tentar esconder a expressão, sua testa
franzida e seus lábios para baixo. — Por que não podemos fazer essa agora?
Gosto de como parece ser.
— Porque não consigo ver seu rosto desse jeito. E quero ver seu rosto
enquanto estou te fodendo.
— Ohhh, ok. — Ela arrasta o “oh”. — Gosto do seu rosto também. —
Seus lábios se curvam em um sorriso safado. — Mas gosto de ver seu rosto
o tempo todo. Estou especificamente ansiosa para ver seu rosto na quarta.
— Você — digo a ela, depois nos giro para que ela fique debaixo de
mim — é bem atrevida para uma boa garota.
Beijo-a até estar relaxada e apertando um calcanhar em minha bunda na
tentativa de me puxar para mais perto. Eu me ajoelho na cama e coloco seus
joelhos em seu peito, mantendo-os unidos e colocando ambos os
calcanhares, também unidos, em meu ombro esquerdo. Então me enfio nela.
Deus, ela é boa. Eu observo seus olhos se arregalarem e seus quadris se
retraírem. Ela pisca rapidamente, depois sorri.
— Oh, uau. Não fazia ideia. — Ela balança a cabeça contra o travesseiro
e segura meus antebraços com as mãos. — Sempre achei que minhas pernas
precisassem estar abertas para transar. Quanto mais você sabe, hein? — Ela
aperta os olhos e balança a cabeça de novo. — Que coisa idiota de se dizer.
Movo um de seus tornozelos para poder beijar a sola de seu pé e
flexiono meus quadris até estar enfiado tão fundo, que minha visão fica
embaçada por um instante. É a porra do tesão, cada centímetro de mim está
abraçado por ela. Deslizando quente e apertado.
— Não é idiota.
A ignorância dela é uma porra de tesão, e sei que sou um desgraçado por
me sentir assim, mas foda-se. Ela tem vinte e dois anos, não dezesseis, e
estou gostando pra caralho de apresentar o sexo a ela. Observá-la se
encolher e ruborizar. Responder suas perguntas e ampliar seus horizontes.
Ela está muito convencida de que eu tenho um fetiche misterioso, mas acho
que meu fetiche é ela. Ensiná-la.
— Bom, sou bem esperta para resolver problemas — ela diz com um
sorriso que parece um segredo. Então aproxima mais os joelhos do peito,
mudando a penetração, e seus olhos se arregalam.
— Como se sente? — pergunto. — Você está bem?
Ela está assentindo antes de eu terminar de perguntar.
— É bom. Isso é bom. Mais disso, por favor.
Ela me esmaga e tudo fica impossivelmente mais apertado e mais
gostoso, e ela está tão lisa, e suscetível, e perfeita, que entro e saio dela
facilmente. Deslizes longos para dentro e para fora. Ela é perfeita. Perfeita
demais para mim, mas afasto isso da minha mente porque tenho o suficiente
no que pensar no momento e minha única prioridade agora é escutar “Rhys,
Rhys, Rhys” sair de seus lábios.
É assim que ela faz quando goza. Toda vez. “Oh, oh, oh” seguido de
“Rhys, Rhys, Rhys, Rhys”.
— Eu quero você mais perto — ela diz agora, seus braços se esticando
para alcançar meu pescoço.
Ela abaixa os joelhos e abre as coxas para meus quadris se encaixarem
ali. Então me puxa para ela, peito com peito. Seus seios pequenos e
perfeitos estão pressionados em meu peito, nossa barriga está pressionada
pele com pele, e eu seguro sua cabeça com as mãos e a beijo.
— Você é bom — ela sussurra, mas não pode estar certo.
Eu não sou bom. Estou pagando para fodê-la, pelo amor. Ela só está
fazendo seu trabalho. Um trabalho que ela não pode precisar e é terrível
nisso ouótima, dependendo do seu ponto de vista. Adiciono isso ao monte
de merda no que pensar mais tarde, porque Lydia está passando as mãos em
minha bunda e rebolando debaixo de mim, então foco em não aumentar
aquela média de tempo de sexo pelo qual é tão obcecada e garantir que ela
sinta isto o dia inteiro amanhã.
Após chegarmos ao “Rhys, Rhys, Rhys”, digo a mim mesmo que
deveria pegar meu laptop e enviar um último e-mail para o escritório de
Londres, assim terei uma resposta quando acordar, mas a bunda de Lydia
está pressionada contra minha lateral e seu cabelo está esparramado em meu
travesseiro, então foda-se. Só foda-se. Vou enviar o e-mail pela manhã.
Lydia
SERÁ QUE ESTOU DIFERENTE? QUE TODO MUNDO VAI SABER QUE TRA
semana só de olhar para mim? Eu me olho no espelho do banheiro de Rhys
e ruborizo. Esse é o pensamento mais vergonhoso da vida. E idiota.
Ninguém vai olhar para mim e simplesmente saber. Além disso, eles
provavelmente fizeram a mesma coisa o fim de semana inteiro, porque todo
mundo transa. Até eu.
Por exemplo, não vou encontrar Rhys no escritório hoje e imaginar
como ele é nu. Não vou. Se trombar com ele na sala de descanso no quarto
andar, só vou ter pensamentos normais sobre ele. Pensamentos
completamente normais, cobertos de roupas. Porque sou uma mulher adulta
e uma pessoa profissional.
Se, por um acaso, acontecer de passar por ele no corredor, não vou
imaginar como ele fica de toalha na cintura enquanto está diante de mim se
barbeando no espelho. Não. Absolutamente não. Na verdade, vou parar de
encará-lo neste instante e tentar retirar esta lembrança do meu cérebro para
ela não aparecer sem querer mais tarde.
— O que foi? — ele pergunta enquanto eu me olho no espelho sem
olhar para ele.
Acabei de acordar e vim cambaleando até aqui para fazer xixi e o
encontrei já de banho tomado e — pelo que parece — quase acabando de se
barbear. Eu teria me virado e usado um dos outros banheiros, mas o
sanitário aqui é separado do resto do banheiro, o que é a melhor invenção
do mundo porque nunca vou gostar de Rhys no nível de fazer-xixi-na-
frente-dele. Acho que não. A menos que nos casemos e tenhamos filhos e
ele me veja dando à luz. Talvez, depois disso, não tenha problema fazer xixi
na frente dele. Mas talvez.
— Nada.
Dou de ombros e pego minha escova de dente, porque tenho uma escova
de dente no banheiro de Rhys. Apenas uma manhã de segunda normal.
Coloco pasta de dente e a coloco na boca para me impedir de falar. Então
olho de canto de olho para Rhys ainda naquela toalha, só que ele terminou
de se barbear, jogou a toalha em um cesto e está andando nu até seu
armário, e como uma garota não pode se lembrar exatamente de como é sua
bunda nua? Como? Não sou mágica, pelo amor de Deus. Não posso
simplesmente fazer aquela visão desaparecer de meu cérebro. Além disso,
não quero. Quero fazer um relatório detalhando exatamente como é a bunda
dele para toda mulher infeliz — e qualquer homem interessado, sem
preconceitos — que não teve a sorte de ser abençoada por isso em primeira
mão. O que me lembra…
— Então, hum, o escritório. Isto — digo, balançando um dedo entre nós
quando ele volta totalmente vestido, fazendo um nó em uma gravata no
pescoço. — O escritório — repito com outro aceno enquanto enxáguo
minha escova de dente.
— Vou cuidar disso — ele diz e, então, dá uma piscadinha para mim e
me fala “bom almoço” e sai. Meu Deus, ele começa a trabalhar cedo.
Espere. Almoço?
Oh, Deus, ele está se referindo ao meu almoço com Payton. Referindo-
se a ouvir Payton me perguntar por um relatório do sexo durante nosso
almoço.
Isso é… embaraçoso. Mas ele pareceu que estava se divertindo, então
acho que não se importa. Além disso, ele trabalhou bem mais no sexo
ontem à noite, então, talvez, me lembrou do almoço porque está esperando
uma boa crítica.
Tomo um banho demorado e enrolo para me arrumar porque tenho
tempo. Acordei mais cedo do que o normal e não preciso pegar o carro, o
que é conveniente, mesmo que morar em um hotel seja meio estranho.
Estranho, mas bem legal. Diferente de não ter comida. Isso é
simplesmente bem estranho, independente do que Rhys pense sobre o
serviço de quarto ser conveniente, não vou pedir serviço de quarto toda vez
que quiser comer, então vou consertar a situação da comida se vou
sobreviver um mês aqui. Além disso, ele tem cafeteira e café, mas não tem
creme nem adoçante orgânico natural, então por que tem os outros dois?
Não sei. Ainda bem que tem a máquina de café chique na sala de
descanso. Vai funcionar para hoje enquanto tomo conta do resto.
Assim que me apronto, saio do apartamento — ou suíte; não sei bem
como me referir a ele — e pego o elevador particular até o quarto andar.
Rhys me deu uma chave ontem que abre a porta de seu apartamento e
acessa o elevador particular. Também me mostrou onde o elevador
particular sai no quarto andar, para eu não me perder hoje. Acho que ele
sabia que iria trabalhar mais cedo do que eu. O que não tem problema, não
é como se eu esperasse que ele pegasse o elevador junto comigo para
trabalhar. Não estamos dando carona um para o outro nem nada, apenas
morando juntos e transando. E nos dando muito bem e curtindo a
companhia um do outro. É isso. Não estou nem um pouco apaixonada por
ele. Só há, talvez, cinquenta por cento de chance de isso acontecer.
Assim que chego ao trabalho, coloco a bolsa na minha mesa. Ainda a
trouxe para o trabalho porque seria estranho deixá-la lá em cima, mas meio
que parecia desnecessário trazê-la quando não preciso das chaves do carro
nem carteira e já tenho um brilho labial extra na gaveta da minha mesa.
Essa coisa de morar em hotel realmente tem seu próprio conjunto de
complicações. Então sigo para a sala de descanso a fim de me abastecer
antes de começar a trabalhar. Cedo, como a funcionária produtiva que sou.
Minha chefe, Bethany, também é produtiva, porque ela já está na sala de
descanso usando a máquina chique quando eu chego. Ela sorri, diz bom dia
e comenta sobre como cheguei cedo esta manhã, o que agradeço porque o
reconhecimento verbal é quase tão bom quanto um distintivo.
— Teve um bom fim de semana?
Tive. Tive, sim.
— Tive, obrigada. — Mentalmente dou um tapinha nas minhas costas,
porque tenho certeza de que disse isso em um tom normal eu-não-transei.
— Você parece diferente — ela comenta ociosamente ao pegar uma
barra de granola da parte de petiscos gratuitos organizada com vidros
abertos no balcão.
Oh, meu Deus. Estou com um brilho. Estou com o brilho de eu-transei.
Eu sabia que estava. Sabia que seria totalmente óbvio, e agora as pessoas
vão me imaginar como devo ser nua.
— Tomou um pouco de sol?
Ou elas só vão pensar que tomei um pouco de sol.
— Hum, não este fim de semana, não. Mas peguei uma cor desde que
me mudei para cá. Provavelmente é isso. — Coloco minha xícara no lugar
do café enquanto Bethany tira a dela e aperto o botão para selecionar uma
opção. — E você? — pergunto quando a máquina murmura e a primeira
gota de café cai em minha xícara. — Fez algo divertido este fim de semana?
— Cortei o cabelo — ela responde, dando de ombros. — Não algo que
muda a vida exatamente. Só um corte — complementa, segurando as pontas
de seu cabelo.
— Legal — digo por falta de algo melhor para dizer.
Bethany espera até minha bebida ficar pronta e, então, voltamos juntas
às nossas salas. Ela tem um escritório no fim do meu corredor, então me
deixa em minha sala, dizendo para ter um bom dia, enquanto continua até a
sua.
Eu tenho. Completo uma lista inteira de verificações de currículo para
um grupo de funcionários para comida e bebida que vão começar esta
semana, depois me entretenho em preparar uma orientação especializada
para os funcionários do spa que começarão amanhã. Estou tendo o melhor
dia da minha vida, até meu computador apitar com um alerta de reunião da
qual eu não sabia que estava agendada.
Um alerta de reunião que começa em cinco minutos. No escritório de
Rhys. Desconfiei que ele estava me chamando para um tipo de sexo safado
na mesa dele, só que, quando abro oícone da reunião, vejo que não somos
os únicos participantes. Além disso, ele nunca se portou diferente de
profissional comigo no escritório — mesmo após eu lhe propor na sala de
descanso, antes de saber quem ele era.
E isso, pensando agora, não foi nem de perto tão ruim quanto me
prostituir para ele após saber quem ele era.
Então. É isso. Vou ser demitida. Bethany está listada como participante
da reunião. Assim como seu chefe, Harrison, o vice-presidente dos recursos
humanos. E, finalmente, Lawson McCall, chefe do departamento jurídico
do Windsor — e testemunha da minha venda no Double Diamonds.
Expiro o ar grandiosamente e me lembro do número de empregos
disponíveis em minha área em Las Vegas. Ou poderia ser garçonete, como
Payton disse. Provavelmente ganharia mais dinheiro e ficaria com as pernas
bem torneadas de toda a correria. Isso é simplesmente muito confuso.
Pensei — pensei que estivesse seduzindo Rhys. Que ele estivesse sentindo
as mesmas coisas que eu.
Talvez seu fetiche seja partir corações, e nesse caso, que se dane ele.
Endireito os ombros e me levanto, empurrando minha cadeira perfeitamente
perto da minha mesa, porque não há necessidade de ser desorganizada em
tempos de estresse.
Estou pensando em qual Goodwill deveria passar a caminho de casa,
quando Bethany aparece em minha mesa e diz que vai me acompanhar. Ela
não é muito mais velha do que eu, e me pergunto se um dia já teve que
demitir alguém. Então penso se demitir alguém é igual a sexo, e você
sempre se lembra do seu primeiro. E, então, penso se ela não está me
acompanhando, mas me escoltando até a reunião e, então, paro de me
importar tanto com o quanto isso pode ser difícil para ela.
Somos as últimas a chegar. Nunca estive na sala de Rhys. Nunca estive
em nenhuma sala executiva. Eu sabia onde eram, perto da minha no
departamento de recursos humanos, mas no fim de um corredor pelo qual
nunca tive a necessidade de andar. Passamos o elevador particular que
peguei para ir trabalhar esta manhã, localizado em uma alcova logo depois
do corredor executivo, e dou uma olhada triste.
A sala de Rhys é previsivelmente enorme. Há uma mesa, uma sala de
estar com um sofá e uma mesa de centro e uma mesa de reunião
posicionada diante de janelas do chão ao teto com uma vista da Las Vegas
Boulevard. Lawson e Harrison estão na mesa de reunião, com a postura
relaxada. Penso ter ouvido algo sobre pontuação no golfe. Empatados? Não
sei, mas parece que eles estão falando de golfe. Rhys está em sua mesa,
ignorando ambos, revisando uma e outra coisa em um monitor de sua mesa.
Ele deve ver que entramos na sala porque olha em nossa direção com
instruções de fechar a porta, então se levanta e vai para a mesa de reuniões,
sentando-se à ponta.
O Rhys profissional não é tão bom, na verdade. Ele é meio que focado e
frio, e decido que vou me lembrar dele como o Rhys do bar. Ou o Rhys do
Del Taco. Ou o Rhys da Goodwill. O Rhys que assistiu ao programa de
reforma comigo. O Rhys a quem dei minha virgindade e por quem nunca
me arrependerei de ter passado por tantos apuros.
Bethany se senta e me sento ao lado dela. Estamos diretamente à frente
de Lawson e Harrison, a vista da Strip às costas deles.
Então Rhys começa a falar.
Lydia
— DE ACORDO COM A POLÍTICA DA EMPRESA, EU PRECISO NOTIFIC
Clark e eu recentemente nos envolvemos em um relacionamento romântico.
Devido ao meu cargo, o conselho também foi notificado.
Oh, meu Jesus. Fico vermelha, ninguém diz uma palavra, e os olhos de
Bethany se arregalam quando ela vira um pouco a cabeça a fim de olhar
para mim, com uma expressão surpresa, a qual rapidamente tenta disfarçar.
Seus olhos se desviam para Rhys e de volta para mim e, com certeza, ela
está pensando na gente transando. Agora ela sabe que não estou com um
brilho de bronzeada, estou com um brilho de sexo. Aposto que todos estão
pensando na gente transando. Todos exceto Rhys, porque esse ainda é o
Rhys profissional e não o Rhys que ama-fazer-oral-em-mim.
Oh, Deus. Agora eu estou imaginando isso. Todo mundo está
imaginando isso.
— Não estamos namorando! — solto. — Só estamos…
Rhys ergue uma sobrancelha do outro lado da mesa de reunião, sua
expressão fria, com exceção do músculo tenso em sua mandíbula. Tá bom,
tá bom.
Este é nosso disfarce e estou estragando tudo. Ele não quer dizer nada
disso, está falando com sua voz de Rhys profissional. É disso que ele estava
falando quando disse que cuidaria de tudo, e eu estou atrapalhando.
— Só estamos apaixonados, foi isso que quis dizer. — Oh, Deus. Isso
foi corrigir demais, mas agora abri a boca e não consigo parar. — Ele é
louco por mim. É embaraçoso na verdade, o quanto ele gosta de mim. Gosta
entusiasmadamente de mim. — Finalizo dando de ombros como se
estivesse simplesmente tão surpresa quanto qualquer um por esse
acontecimento. Então foco toda minha energia em não bater a testa na mesa.
Gosta entusiasmadamente de mim soou uma coisa sexual, certo?
Ninguém fala que alguém gosta entusiasmadamente de outra pessoa por
causa de uma ida à Goodwill. Uma olhada rápida em volta confirma que eu
posso ter exagerado porque todos estão encarando a própria perna, com
exceção de Rhys, que está me olhando sem piscar, sua cabeça inclinada
para o lado e uma expressão que não consigo muito bem identificar.
— Qualquer promoção, rebaixamento, mudança de salário ou ação
disciplinar envolvendo a srta. Clark vai precisar ser submetida por escrito
com uma cópia para Harrison, Lawson e o conselho — Rhys continua após
pigarrear como se eu não tivesse falado uma palavra. — Assim como os
feedbacks dela, quando ocorrerem.
Quando ocorrerem? Mas nosso relacionamento acabará antes de eu ter
um feedback. A menos que ele também esteja sentindo algo? A menos que
ele finalmente esteja apaixonado.
— Obviamente, essas exigências vão continuar ao longo do emprego da
srta. Clark independente de qualquer futuro envolvimento comigo.
Oh. Então, assim que terminarmos, ainda estou protegida de qualquer
retaliação no local de trabalho. É disso que esse discurso fala. Ele não está
contando a todos que estamos namorando. Está contando a todos que
estamos transando.
Por enquanto. Transando por enquanto.
Enquanto eu estou contando a todos que estamos apaixonados.
Meu Senhor, ele é muito trabalhoso. Outra olhada em volta confirma
que todos ainda estão encarando as próprias pernas, exceto por Lawson.
Estou quase certa de que acabei de vê-lo revirar os olhos para Rhys.
Há um momento de silêncio mortal doloroso e, então, Rhys nos dispensa
de sua sala. Eu não me demoro, e ele não pede que eu o faça. Pelo
contrário, sou a primeira a levantar, educadamente volto minha cadeira para
o lugar e saio voando da sala.
Estou começando a desconfiar de que este meu grande plano não foi tão
grande, afinal de contas. Quando chego à minha mesa, tenho outra reunião,
mas, felizmente, essa é só uma reunião que Payton inseriu em minha
agenda para me dizer para encontrá-la na lanchonete, o que é a hora perfeita
porque preciso desabafar. Além disso, realmente espero que ela tenha
trazido um novo distintivo para mim, porque poderia usar o encorajamento
da confiança.
Rhys
— CADÊ O RELATÓRIO QUE PEDI DA LYDIA? — PERGUNTO AO ENTRAR
Passo por sua mesa sem parar ou cumprimentá-lo, só com minha
cobrança brava, e sigo para a porta que conecta o escritório dele
diretamente à sala de segurança. Há espaço para mais de vinte pessoas
trabalharem naquele espaço, com um centro de comando coberto por vidro
em uma plataforma elevada que os observa de cima. É para lá que vou.
Paro diante do monitor maior. Está pendurado na parede, rodeado por
monitores menores todos focados em diferentes áreas da propriedade.
Canon entra atrás de mim conforme estou encarando os controles, tentando
descobrir como conseguir o que quero no monitor maior.
— Olá para você também, babaca — Canon afirma, sarcástico.
— Me ajude com as câmeras. — Ignoro sua piadinha com minha falta
de habilidades sociais e gesticulo para a parede de monitores.
— Finalmente, você se interessou pela segurança.— Canon mexe no
painel de vidro, e um controle digital aparece. — O que gostaria de ver? O
andar do cassino? O depósito? Um dos cofres? — Canon mostra imagens
no monitor grande conforme fala.
Eu me jogo em uma cadeira e passo a mão no maxilar.
— A lanchonete dos funcionários. Temos câmera lá, certo?
— A lanchonete — Canon repete. — Claro. Queria saber o que vão
servir de almoço hoje? Vamos ver se conseguimos ver o cardápio daqui.
Que uso fantástico do meu tempo — ele complementa, sarcástico. — Posso
calcular a capacidade de hóspedes no piso do cassino ou ler a placa do carro
do caminhão armado do banco chegando, mas, claro, vamos dar uma olhada
na lanchonete.
Canon pega um dispositivo portátil e se senta, a lanchonete aparece em
não menos do que seis monitores diante de nós, sob diferentes ângulos. A
carteirinha de funcionário de Lydia aparece no monitor principal, Canon
digita algo no dispositivo e, um instante mais tarde, a imagem muda para
uma filmagem ao vivo de Lydia. Ela está sentada a uma mesa para quatro
pessoas na lanchonete com sua amiga Payton.
— Presumo que esteja procurando isto.
— Merda, como a encontrou tão rápido?
— Eu sincronizei as carteirinhas dos funcionários com o software de
reconhecimento facial, depois criei um programa que guarda as fotos nas
imagens de segurança. Posso te dizer onde qualquer um está, a que horas
chegou na propriedade e que horas saiu.
— Humm — murmuro. Não estou interessado em nada disso, mas é
porque eu sei que Canon dá conta disso e eu não preciso ficar preocupado.
— Aproxime.
Canon aproxima e todos os outros monitores redirecionam para
diferentes ângulos das câmeras na mesa de Lydia.
— Temos áudio?
— Na lanchonete? — Canon olha para mim como se eu fosse burro. —
Não, não investimos em áudio em nenhuma das câmeras da lanchonete.
Posso pedir para instalarem, se seu novo hobby for perseguir Lydia
enquanto ela está almoçando.
— Não, tudo bem.
No monitor à nossa frente, Payton está com as mãos erguidas, unidas e
afastando-as, depois unindo-as de novo conforme Lydia ruboriza e cobre os
olhos com uma mão.
— Payton é bem linda — Canon diz.
— Como conhece Payton?
— Do Double Diamonds. Ela estava lá no sábado. É bem legal.
— Alguma coisa aconteceu naquela noite?
— O que não aconteceu? — Canon expira com um assobio baixo. —
Mas isso é problema do Vince, ainda bem.
— É. — Penso se quero que ele explique isso. Decido que não. — Está
com meu relatório?
— Mandei por e-mail para você enquanto estava em sua reunião.
— O que sabe sobre minha reunião?
— Lawson me mandou uma mensagem. Disse que foi um show de
merda.
— Foi tudo bem.
— Ele disse que é um milagre você um dia ter transado sem pagar por
isso e que Lydia está apaixonada por você e você está fodendo com tudo.
— Primeiro de tudo, eu estou pagando por isso. Segundo, Lydia não está
apaixonada por mim.
— Claro.
No monitor de vigilância, Payton tira algo de sua bolsa e coloca na
mesa, empurrando na direção de Lydia.
— Aproxime nisso — digo a Canon, mas ele tinha trocado o ângulo da
câmera para uma visão diferente antes de eu terminar de falar.
— Boquete — Canon lê a palavra do objeto.
Parece um pacote de sementes. Um pacote de semente de pepino colado
a um pedaço de feltro com “boquete” escrito em cima em glitter.
Depois, Payton coloca na mesa um círculo de jeans com “bunda” escrito
com tinta preta e, finalmente, um pedaço de lona cortada na forma de
escudo com “sexo” escrito na superfície. Com lantejoulas azuis.
— Essas coisas são — Canon soa um pouco, inacreditavelmente,
impressionado, o que não é comum — distintivos de safadeza das Girl
Troopers?
— Acho que sim.
Observo Lydia ruborizar no monitor dois e pegar o distintivo de sexo e
puxá-lo para perto dela no monitor um. Ela balança a cabeça e devolve os
distintivos de “boquete” e “bunda” para Payton.
Canon olha de lado para mim. Na lanchonete, a mão de Lydia pausa
sobre o distintivo de boquete e ela o desliza de um lado a outro com a ponta
do dedo. Posso ver que ela está falando no monitor dois e fazendo gestos
com a outra mão. Imagino que ela esteja perguntando se pode ficar com o
distintivo ou se precisa esperar até quarta-feira. Não faço ideia do que ela
realmente está dizendo, claro, mas posso imaginar isso bem claramente.
Payton balança a cabeça e coloca dois dos três distintivos de volta na bolsa.
— Merda. Você tem algum tipo de fetiche com gratificação? Era aquela
criança que esperava até o jantar para abrir os presentes do Papai Noel?
Você guardava seu Dia das Bruxas até a Páscoa?
— Por que todo mundo acha que eu tenho um fetiche? Sou só um
babaca normal. E Lydia não é uma bala.
No monitor, Payton pergunta algo a Lydia. Lydia ruboriza de novo e
passa o distintivo de sexo na ponta dos dedos. Então sorri e faz uma mímica
de desmaiar.
Eu pego o celular e encontro o e-mail de Canon. Leio — rapidamente —
porque não há quase nada aqui.
— O que devo fazer com isso? — pergunto a ele.
— Não sei. Foi você que pediu.
— Pensei que encontraria algo útil.
— Tipo o quê? Uma afiliação secreta com os russos?
— Não sei. Dívida de cartão de crédito ou algo assim.
— Não. Ela paga uns trezentos dólares por mês de financiamento
estudantil.
Presumindo que ela divida o aluguel com a colega de quarto, está
pagando uns oitocentos por mês de aluguel. Adicionando suas despesas,
celular e utilidades, ela fica com uma renda disponível restante de mil e
quinhentos todo mês.
— Então ela não está desesperada.
— Não.
— Então por quê? Por que o leilão?
— Não consigo imaginar por quê — Canon fala enquanto eu encaro o e-
mail de novo.
— Ela foi uma Girl Trooper até o terceiro ano do ensino médio? —
Olho para Canon para ver se isso é algo que ele inseriu para me zoar. —
Quem fica na Girl Troopers por tanto tempo?
— Virgens.
Verdade. Então como uma boa garota igual a ela se envolveu com
Vince?
— Os pais dela estão passando por problemas financeiros? Irmãos?
— Filha única. Dois pais. Eles têm uma casa, não têm dívida e têm
contas saudáveis de aposentadoria.
Canon está me ignorando enquanto fala, ajustando as câmeras no andar
do cassino em um dos monitores menores. Lydia e Payton ainda estão
aparecendo no principal. Payton está falando, e Lydia, rindo. Imagino o que
a está divertindo.
Penso em como ela entrou na minha vida e me fez sentir coisas por ela.
Coisas que não quero e para as quais não tenho tempo, um fato de que sou
lembrado quando meu celular toca com outra ligação que preciso atender.
Vou ter que lidar com meus malditos pensamentos mais tarde. Agradeço a
Canon enquanto me levanto, o celular já pressionado na orelha ao sair.
Rhys
ESTOU TÃO OCUPADO, QUE NÃO CONSIGO PENSAR DIREITO. ENTÃO N
vivendo a semana. Na segunda, chego em casa só depois das nove. Nunca
tinha pensado na suíte em nada além de um lugar para dormir antes de
Lydia morar lá, mas ela mudou as coisas.
Na quarta, derrubei café na manga da minha camisa e, quando corri para
o apartamento a fim de me trocar, estava com cheiro de alguém cozinhando.
Só que era no meio do dia, e minha cozinha nunca é usada. Além disso, eu
tinha acabado de ver Lydia sentada em uma das salas de reunião no quarto
andar, então sabia que não era ela. Mas era. Ela tinha obtido uma panela de
barro de Deus sabe onde — não, não, eu sei exatamente de onde. Baseado
na estampa de flores marrons da panela de barro, ela é mais velha do que
Lydia, e sei muito bem que a comprou na Goodwill. Meio milhão de dólares
não parecem tê-la influenciado em seus hábitos de compras.
Carne de panela. Ela tinha feito carne de panela em uma panela de
barro. Quando lhe perguntei sobre isso depois do trabalho, ela disse que não
tinha problema, que havia pedido as compras para o serviço de quarto e não
era mais fácil ter o jantar pronto quando chegássemos em casa? Então ela
me fez o boquete mais inexperiente que já recebi desde o ensino médio, e
gostei.
Mais do que gostei. Foi o melhor, menos habilidoso boquete da minha
vida. Ela começou perguntando se não tinha problema ela usar lubrificante.
— É de mirtilo — ela disse,acenando o tubo na mão, os olhos
arregalados em dúvida.
Como se o sabor cobrindo meu pau fizesse diferença para mim. Então
ela explicou que precisava do lubrificante porque não queria cuspir. Que as
mulheres nos vídeos que ela assistiu — para pesquisa — cuspiram, mas ela
pensava que havia um jeito melhor, porque, enquanto ela estava realmente
empolgada para chupar meu pau, ela não queria cuspir nele, se não tivesse
problema para mim.
Ela realmente pausou para esclarecer.
— A menos que cuspir seja a melhor parte? Posso cuspir, se você quiser.
Após confirmar que o lubrificante era novo e não comprado em uma
promoção pela metade do preço, dei a ela minha permissão e lhe disse que
não tinha opinião sobre cuspir ou não. Ela sorriu e abriu a tampinha. Não
foi um sorriso sedutor, nem um pouco. Ela não tentou me olhar por baixo
dos cílios enquanto lambia os lábios. Não ronronou como uma gatinha
safada. Não. Ela sorriu como se eu tivesse acabado de abrir a porta para ela
e chacoalhou os dedos com uma ansiedade empolgada como se não
soubesse por onde começar. Então abriu totalmente a tampa e colocou o
dobro da quantidade necessária na palma da mão e a envolveu em meu pau,
seu nariz franzindo quando ela percebeu que o exagero no lubrificante fez
bem mais sujeira do que ela tinha pensado.
Quase gozei bem ali.
— Oh — ela murmurou. — Ok, um segundo. Posso consertar isso.
Então se levantou, retornando com uma toalha de mão do banheiro.
Assim que ela limpou a mão, ajoelhou-se de novo, desta vez o olhar mais
sincero no rosto ao olhar para mim, ajoelhando-se entre minhas coxas
separadas.
— Pronto? — ela me perguntou, me envolvendo com a mão de novo e,
notando que o lubrificante estava mais do seu gosto, deslizou a mão até a
base e de volta para a cabeça antes de se inclinar para a frente e envolver os
lábios na cabeça, um pouco da língua lambendo a ponta.
Foi aí que uma mecha de cabelo dela grudou no lubrificante. Ela parou
de novo, tentando tirá-la antes de eu assumir e segurar o cabelo longe de
seu rosto em um rabinho, contendo-me em ditar o ritmo para ela. Ela me
lambeu, da raiz à ponta, com a língua na parte de baixo do meu pau.
Conseguiu enfiar três centímetros, e olhe lá, chupando e girando a língua.
Então se sentou e disse:
— Ok, agora me sufoque com ele.
Ela sorriu, como se pedir para sufocá-la com meu pau fosse um favor
para ela, em vez de para mim.
Eu disse a ela que não e expliquei o motivo, o que nos rendeu uma
segunda conversa. Não acho que um mês será tempo suficiente para ensiná-
la a sufocar com meu pau. Não acho que um mês será tempo suficiente,
ponto final.
Então ela me perguntou se poderia engolir — claro que perguntou — e,
depois, nós comemos a carne de panela em frente à televisão assistindo a
um programa sobre simulador de casas.
Carne de panela caseira. De uma panela de barro.
Parece que ela obteve um Tupperware tão histórico quanto a panela de
barro, porque encheu um recipiente com sobras e o colocou em minha
geladeira. Uma geladeira que agora continha creme de café e homus, uvas,
queijo e não sei mais o quê.
No domingo, eu ia pegar algo de meu home office quando passei pelo
quarto de hóspedes e dei uma segunda olhada. Não tinha percebido que ela
tinha colocado algo neste quarto, mas ela colocou. Tinha posto uma
máquina de costura na mesa. A máquina parecia relativamente nova, o que
significa que é da década passada, então pensei que não era uma aquisição
recente da Goodwill, mas algo que ela voltara ao seu apartamento para
pegar. Havia pilhas de lençóis cortados em cima da cômoda e rolos de
elástico e fita. Dobrados no encosto da poltrona estavam duas calças de
pijama feitas. Deduzindo o óbvio, elas foram feitas de lençóis.
Ela faz os próprios pijamas de lençóis velhos. Não sei se contratei uma
prostituta ou uma dona de casa. Tenho certeza de que sou um canalha. Eu a
fiz se mudar e a deixei sozinha todas as noites desta semana. Só consegui
jantar com ela duas vezes. Nas outras noites, cheguei em casa tarde, entrei e
fiz amor — fodi. Eu a fodi e depois dormi, levantando de manhã para ir à
academia enquanto ela ainda dormia. Eu me juntei a ela no chuveiro
algumas manhãs, ou desci para minha mesa antes de ela acordar em outras.
Ainda assim, olhar para esse hobby dela, do qual eu não sabia, me fez
sentir um babaca. Mas ela me faz querer tentar. Tentar ser diferente. Tentar
ser melhor. Tentar ir mais devagar e me importar com o que é de verdade e
com o que é importante. E acho que ela é de verdade.
E ela me faz rir. Durante o intervalo comercial de um dos programas de
procura de casas, começou um comercial de máquinas de lavar, fazendo
propaganda de seus ciclos profundos. Ela passou a mão na minha coxa e
disse:
— Eu gosto quando você entra fundo em mim, Rhys.
Dei risada, sem perceber que era uma tentativa de sedução, não uma
piada. Ela piscou, aquele olhar levemente magoado que ela tem quando
pensa que está sendo rejeitada passou por seu rosto. Então a beijei e usei as
analogias da máquina de lavar para falar safadezas até ela sorrir de novo.
Jesus Cristo. Pode ser que a ame.
Lydia
RHYS TRABALHA MUITO, MAS TENHO UMA SENSAÇÃO ESTRANHA D
arrumar tempo para mim. Como se tentasse me impressionar, o que acho
que significa que gosta de mim. Talvez de um jeito ainda mais-do-que-
trinta-dias. Sem querer parecer convencida ou sem humildade, mas achava
que ele poderia. Eu pensei que, se ele apenas me desse uma chance, poderia
gostar de mim do tipo de muitos-meses em vez de dois-dias-de-duração.
Afinal de contas, esse era o plano. Era meio que o plano. Eu me
apaixonar por ele não estava nos planos. E também é contra as regras.
Somente sexo, ele disse. Essa é a regra, ele disse.
Ele me disse que não havia felizes-para-sempre para nós, mas eu não
ouvi e agora há uma chance de sessenta por cento de eu estar apaixonada
por ele. O que realmente será um problema se ele decidir que trinta dias de
mim é mais do que suficiente para ele. Problema para mim, de qualquer
forma. Mas não perdi a esperança, porque ainda tenho duas semanas. A
grande inauguração oficial do Windsor é esta noite e também marca a
metade do tempo de nosso… acordo.
Mas tenho motivo para ter esperança, porque, por exemplo, no domingo
passado, ele me acordou com um café gelado do Del Taco e dois burritos de
ovo e queijo. Na cama. Ele me trouxe Del Taco na cama. Então acho que
realmente gosta de mim, porque isso é cortejar. Você não pega o elevador
para o estacionamento, entra no carro, dirige, espera no drive-thru e se
lembra do café da manhã de uma garota a menos que sinta alguma coisa.
Certo?
Além disso, outro exemplo, continuamos transando por bem mais tempo
do que sete a treze minutos. Embora uma manhã tenhamos feito uma
rapidinha no chuveiro, mas até isso demorou, no mínimo, dez minutos. Já
que a internet acabou sendo uma fonte estranhamente não confiável de
informação nesse assunto, perguntei a Payton sobre isso. Ela me explicou
que a maioria dos caras consegue gozar em aproximadamente três minutos
se eles não estiverem preocupados com o prazer da mulher, então acho que
isso é porque Rhys está profundamente preocupado com meu prazer.
No domingo passado, após me trazer café na cama, ele demonstrou sua
preocupação. Múltiplas vezes. Então tomamos banho juntos e fomos à
Goodwill. É. Goodwill! Dois fins de semana seguidos. Se isso não é
cortejar, não sei o que é. Claro, algumas garotas podem preferir um jantar
chique, mas eu não sou uma delas. E nem pedi que ele me levasse! Foi ideia
dele. Após nosso banho, ele disse para eu me vestir para que pudéssemos
sair. Pensei que ele quisesse ir ao mercado, porque tinha parecido realmente
perplexo quando eu lhe disse que estava pedindo as compras para o serviço
de quarto, mas ele me levou à Goodwill. E… e! Foi uma diferente da que
tínhamos ido no fim de semana anterior. O que significa que ele teve que
usar o app deles para encontrar a loja. O que significa — sinceramente
significa: esqueça os sessenta por cento de chance. Tenho setenta por cento
de confirmação de queestou apaixonada por ele.
Após nossa ida à Goodwill (comprei um conjunto de lençóis vintage
bordados), nós fomos ao Forum Shops na Caesars. O que confirmava que ir
até a Goodwill na Sahara era completamente fora do caminho e provava
ainda mais que Rhys poderia, de verdade, estar entusiasmadamente
gostando de mim. Comprei um vestido para usar na grande inauguração e,
então, almoçamos tarde no Palm. Exatamente como um encontro de
verdade. Ele até conversou comigo o tempo todo sem olhar para o celular
nem uma vez. Perguntou há quanto tempo eu costurava e não riu de mim
quando expliquei sobre os pijamas de lençol.
É quase como se Rhys tivesse esquecido que me pagou para eu estar
aqui. Da minha parte, eu fizera meu melhor para fingir que esqueci como
cheguei até aqui.
Vince, no entanto, não tinha esquecido. Nem chegara perto de esquecer.
Na verdade, ele estivera bem ocupado. E prestativo, já que estamos
pensando em outra… ideia. Eu o estive enrolando porque não estou pronta
para tomar nenhuma decisão sobre o que vem em seguida porque estou em
uma bolha no momento. Estou feliz na bolha e não quero que a bolha seja
estourada por nada. Então, na realidade, estive ignorando Vince um pouco.
Mais porque ele fica me perguntando coisas estranhas como se falei com
Payton hoje, o que não entendo, porque já expliquei a ele que não estou
sendo mantida presa e converso com Payton quando quero. Mas é legal da
parte dele estar preocupado comigo, e ele me fez um favor terrivelmente
grande, então eu deveria ser mais educada. Ignorar alguém é um
comportamento bem grosseiro e não é de uma Trooper. Eu me sinto
castigada só de pensar nisso.
Lydia
A GRANDE INAUGURAÇÃO É UM POUCO DESESPERADORA, PORQUE P
de Rhys em público. Claro que as duas últimas semanas no trabalho podem
ser consideradas públicas, mas nós não interagimos no escritório. Tipo
nunca. Eu o vejo passar, mas mantenho minha síncope guardada onde deve.
Mas esta noite, na grande inauguração, todos vão nos ver juntos e nos
imaginar nus. Certo? Ou talvez seja apenas eu. Talvez seja apenas eu que
faço isso.
Enfim. Esta manhã foi o corte de fita oficial. O prefeito de Las Vegas
estava no local para ajudar com o corte de fita. Uma tesoura enorme foi
usada e pensei de onde ela saiu e se todo cassino em Las Vegas tinha sua
própria tesoura ao alcance ou se era só uma tesoura que era repassada pela
cidade para eventos especiais. Também pensei onde tesouras gigantes eram
compradas porque nunca vi uma tesoura na Goodwill e, se todos em Vegas
tivessem sua própria tesoura, você pensaria que mais cedo ou mais tarde
haveria muitas delas, com todas as grandes inaugurações e os eventos
especiais que acontecem aqui normalmente.
Decidi que vou dar uma olhada melhor durante minha próxima ida às
compras. Conheci os pais de Rhys e sua avó no jantar ontem à noite. Ele me
apresentou como sua namorada, o que obviamente faria. Não iria me
apresentar à sua mãe como uma acompanhante. Mas foi difícil, porque a
mãe dele me adorou, então senti uma culpa enorme bem profunda de
Trooper por enganá-la. Mas talvez não conte como uma fraude de verdade,
já que estou realmente oitenta por cento apaixonada pelo filho dela. Essa é
uma situação difícil. Mas ela mostrou entusiasmadamente que gostou de
mim, aliás. Também disse que adoraria nos receber em Connecticut no
Natal. Eu não fazia ideia do que era para responder a isso, porque claro que
queria ir a Connecticut para o Natal, mas não tinha noção se ainda estaria
com Rhys no Natal porque natal é bem mais longe do que a bolha de trinta
dias.
— Está pronta?
Rhys sai de seu closet fazendo o nó em sua segunda gravata do dia.
Depois do corte da fita, do qual participei, e um tour para a imprensa, do
qual não participei, nós dois voltamos ao apartamento para nos trocarmos
para as atividades noturnas. Também transamos no banho de novo. Transei
apoiada em um pé só porque Rhys me prendeu na parede com uma das
pernas erguidas e por cima de seu ombro. Preciso conversar com Payton,
porque sinto que aquela manobra pode valer um distintivo.
— Pode fechar o zíper? — pergunto, virando-me de costas para ele.
Só consegui fechar o zíper pela metade sem ajuda.
— Preferiria abrir o zíper — ele murmura em meu ouvido, um único
dedo trilhando o caminho do fecho contra minha pele. — Mas você já
parece que acabou de foder o suficiente para meu gosto — ele
complementa, fechando o vestido com suavidade.
Olho para nós no reflexo do espelho, um pouco alarmada. Eu sabia que
estava certa. Todo mundo vai pensar na gente transando. É inevitável. E,
olhando para ele, não posso culpar as pessoas. Também foi a primeira coisa
que imaginei quando o vi pela primeira vez.
— Parece mesmo que acabei de transar? Como pode ver? — Eu me
aproximo do espelho e analiso meus olhos. — Obviamente, entendo que
todos presumiriam que eu transo com você a toda oportunidade que tenho,
mas como podem saber que foi há uma hora ou ontem à noite?
Rhys pausa no ato de colocar uma abotoadura na manga de sua camisa e
me encara. Ele semicerra um pouco os olhos, daquele jeito que faz quando
não tem certeza se estou falando sério ou não.
— Vamos parar de pensar nisso agora — ele diz, mas eu continuo me
encarando no espelho, enrugando o nariz e virando a cabeça de um lado a
outro, tentando descobrir o que me denuncia para poder parar de emitir o
aviso de acabei-de-transar.
— Não se preocupe com isso — Rhys diz após colocar a segunda
abotoadura. — Eu estava brincando. Vou contar a todo mundo que você
ainda é virgem.
— Como se eu tivesse passado por tudo isso para não transar com você
— bufo.
— O que isso significa? — Rhys está semicerrando os olhos de novo.
— Hum… — Droga. — Vamos parar de pensar nisso agora também. —
Coloco meus saltos e pego minha clutch. — Vamos chegar tarde.
— É um evento à noite. Tecnicamente, não dá para chegar tarde.
Aham.
— Gostou da minha clutch? — Ergo a bolsa para ele ver. — Comprei na
Goodwill. É fofa, não é? Quer que eu carregue seu chiclete ou algo assim?
— É uma clutch preta com dois cisnes de lantejoula na frente.
— Eu não masco chiclete. Olha, sei que estive ocupado, mas não
podemos continuar assim. Precisamos conversar.
Espere, o quê?
— Sim, sim, podemos continuar assim. Por mais duas semanas podemos
continuar assim. Exatamente assim.
— Exatamente assim? — Sua mandíbula fica tensa quando ele diz isso.
— É!
Por que ele está tentando tirar minhas duas últimas semanas com ele? É
metade do meu tempo comprado! E eu sei que ele gosta de mim, sei que
gosta. E gosta de mim mais do que só gostar. Apenas precisa entender isso
ou algo assim.
O celular de Rhys toca e, quando ele olha a tela para silenciá-lo, eu
passo por ele para sair do banheiro e quase saio correndo pela porta da
frente.
— Lydia. — Ele está logo atrás de mim, mas eu continuo andando. —
Espere.
Eu o ignoro e abro a porta, quase trombando em Canon.
— Ei! — Coloco um sorriso enorme no rosto, o que não é difícil porque
fico muito grata pela interrupção.
— Eu ia bater — Canon diz com um toque de sarcasmo, mas parece
estar direcionado a Rhys, não a mim, então continuo sorrindo e saio no
corredor.
O elevador executivo não vai direto para o andar do cassino, então
temos que pegá-lo até o estacionamento e, então, mudar para um elevador
diferente a fim de chegar nas áreas dos hóspedes. Rhys está quieto. Eu estou
quieta. Canon está distraído, verificando seu celular, até reparar no silêncio.
Ele olha para cima, seu polegar se movendo pela tela, e olha para nós dois.
— Está tudo bem?
— Claro — respondo.
— Está? — Rhys diz ao mesmo tempo.
Os olhos de Canon se desviam entre nós de novo, e ele murmura:
— Ok, então.
E as portas do elevador se abrem, e nós encontramos uma multidão.
Canon guia o caminho enquanto Rhys pega minha mão e meu coração para
com o gesto. Ele me mantém bem perto dele, mas não sei se é por causa da
multidão ou por causa das aparências ou porque ele simplesmente me quer
perto.
Espero que seja porque me quer perto.
A hora seguinte é uma chuva de apresentações e socialização. Desorrisos e apertos de mão e fingimento. Sou apresentada ao primo britânico
de Rhys, Jennings. Ele também é o CEO da matriz dona do Windsor, então
acho que isso o torna chefe do chefe do chefe da minha chefe. Felizmente,
ele não se lembra nada de mim; ele estava lá naquela noite em que conheci
Rhys no bar. Estava bêbado e declarando amor naquele momento, então não
espero que ele se lembre. Parece que ele resolveu suas questões amorosas,
porque sou apresentada à sua noiva Violet. Ela é americana, então pergunto
como ela conheceu Jennings assim que ficamos sozinhas, Rhys e Jennings
foram requisitados para cumprimentar um ou outro mandachuva.
— Bom, eu estava me fingindo de minha irmã gêmea idêntica. Que era
funcionária da empresa no setor de excursões.
— Oh.
— Jennings estava de férias com a avó e acabou em minha excursão.
Bom, a excursão da minha irmã.
— Aham.
— Então se transformou nessa coisa de Chefe Disfarçado — ela diz,
acenando a mão livre. A outra está segurando uma taça de vinho. — Porque
ele nunca me contou que era dono da empresa.
— Certo.
Pensei se era uma história real ou um tipo de invenção estranha. Ela não
parece estar nada bêbada, então não pode ser.
— Mas nós demos certo — ela finaliza com um grande sorriso. —
Então, como você e Rhys se conheceram?
— Hum, em um bar.
Do jeito normal, penso. Claro que a coisa toda do leilão de virgem não
me dá muito crédito para ser uma Senhora Julgadora. Então, penso em outra
coisa.
— O Rhys sabe dessa história?
Talvez ele não pense que o que fiz foi tão estranho, comparado à história
dela. Não é como se eu estivesse me passando por ninguém.
— Oh, tenho certeza. Eles são bem próximos. Ei, esses sapatos são LK
Bennett Sledge?
— Hum. — Olho para meus pés e depois de volta para Violet. — Acho
que sim? Comprei na LK Bennett quando comprei o vestido. Não tenho
certeza do nome deles.
— É o sapato preferido da Princesa Kate — ela me conta.
— Oh. Ok.
— Desculpe, sou um pouco anglófila.
— Acho que ter um noivo britânico realmente é bom para você então,
hein?
— É. É muito. Além disso, posso ouvir esse sotaque sexy britânico
quando quiser. Às vezes, faço perguntas a ele só para ouvi-lo falar. Na
semana passada, pedi que ele explicasse a história da União Europeia para
mim. Ele ficou meia hora falando antes de perceber que eu só queria escutá-
lo usar palavras como “plebiscito” e “organização”.
Não posso culpar a lógica dela. Jennings volta para recuperar Violet
assim que Payton vem para perto de mim, olhando por cima do ombro.
— Ei! — Eu a puxo em um abraço rápido. — Que bom te ver. Agora me
diga quem você está evitando.
— Vince.
— Ele está aqui?
— Ele está em todo lugar.
Huh.
— Acho que ele é amigo de Canon — menciono. — Canon
provavelmente o convidou para o evento VIP.
— Claro — ela diz rapidamente. Muito rapidamente. — Provavelmente
é por isso que ele está aqui.
Um garçom para diante de nós com uma bandeja de canapés. Balanço a
cabeça recusando enquanto Payton pega um tipo de mini-folhado e coloca
na boca. Colocar comida na boca é uma de suas táticas diversionárias
preferidas. Ela deve estar usando um tipo de batom mágico que permanece
intacto por horas, porque consegue comer sem borrar nada.
— Está envolvida em alguma encrenca?
— Claro que não. — Ela acena a mão enquanto balança a cabeça ao
mesmo tempo, mas não olha para mim. — Estou cuidando disso.
— Cuidando do quê? — Estreito os olhos, desconfiada.
Pensando bem, ela está agindo meio estranho desde o leilão. Foi fácil
não perceber até agora, porque estive morando com Rhys e distraída com
toda a coisa do sexo, mas tem algo errado.
— Do negócio. Vou consertar. É que está sendo um pouco mais
complicado do que alguém poderia pensar. E não percebi que ele estaria
aqui esta noite. Pensei que o trabalho fosse uma área segura, mas aqui está
ele.
Ela está segurando uma taça de champanhe, e bebe um gole, e analisa de
novo o ambiente, depois gira a taça nos dedos. Seu cabelo loiro está
arrumado humildemente em um penteado, e ela está usando um vestido
rosa-claro com mangas três quartos e uma saia modesta-para-ela até a coxa.
Isso a faz parecer um anjo inocente, mas é mentira.
— Que negócio, Payton? O que está havendo?
— Nada. Depois eu te conto — ela complementa quando lhe dou uma
olhada questionando, mas não estou acreditando em nada que ela diz. Ela
olha além de mim e seus olhos se arregalam. — Olha, preciso ir. Te amo!
Conversamos depois.
Ela começa a passar por mim sem esperar uma resposta, mas fica presa
entre um garçom ponderando com uma bandeja cheia de taças de
champanhe e uma atriz tirando uma selfie com não sei quem. Ela gira,
procurando outro modo de escapar, quando Vince para diretamente à nossa
frente.
Ele está vestido com um terno preto em uma camisa branca
perfeitamente passada e parece valer um milhão de dólares. Mais alto,
moreno e italiano do que semicafetão e proprietário confirmado de uma
boate de strip. Também parece irritado.
Com Payton. Isso fica bem claro porque ele não está olhando para mim,
está olhando para ela. Payton está tentando encontrar um espacinho para
sair correndo.
— Sra. Rossi — ele diz. — Pare. Bem. Aí.
Oh. Talvez ele não esteja olhando para Payton. Rossi é o sobrenome
dele. Não sabia que ele era casado. Viro a cabeça para olhar para sua
esposa, mas não há ninguém. A atriz e o tirador de selfie sumiram. Só
sobraram Payton e o garçom, e o garçom já está se afastando. Payton
arranca uma taça de champanhe da bandeja dele no último segundo e bebe
tudo em um único gole.
Olho de Vince para Payton e de volta para ele. Vince ainda está
encarando Payton. Payton olha para mim e dá de ombros antes de seus
olhos se desviarem para Vince e, então, para o outro lado.
— Você se casou com ele? — Quase gritei.
Na verdade, acho que gritei, mas o andar do cassino está barulhento o
suficiente para disfarçar meu ataque.
— Estamos em Las Vegas, não é?
Payton ergue sua mão livre e levanta a sobrancelha como se dissesse
que a cidade de Las Vegas é totalmente responsável por seu estado de
casada. Como se fosse a mesma coisa que reclamar do trânsito da Las
Vegas Boulevard ou da temperatura no verão.
Ela está totalmente indiferente.
— Quando? — pergunto. — Quando isso aconteceu? Como isso
aconteceu? Você só o conhece há duas semanas! Payton! E… — aponto o
dedo para ela, depois cutuco meu peito — … e nem me convidou?
— Eu teria convidado — Payton responde devagar como se eu estivesse
sendo irracional — se soubesse o que iria acontecer. Com certeza, teria te
convidado. Você teria sido uma dama de honra muito melhor do que Canon,
isso é certeza. Meu cabelo estava horrível, e ele nem me disse. As fotos do
casamento ficaram horríveis.
— Tem foto?
— Tem. Acho que vinha com o pacote. Vinha com o pacote, Vince? —
Ela se vira para ele como se não tivesse acabado de tentar se esconder dele
e como se ele não quisesse mais matá-la com os olhos. — Quase certeza —
ela diz de novo. — Mas bem pensado. Talvez Canon tenha tirado umas com
o celular que ficaram melhores do que as profissionais.
— Claramente não foi isso que pensei.
— Oh.
— Quando aconteceu?
— Hum, um tempo depois do leilão, mas antes da manhã seguinte. —
Ela acena a mão em um arco. — Nesse meio-tempo. As coisas ficaram —
ela pausa — um pouco malucas. Não quero desperdiçar tempo contando
porque você perdeu, mas foi uma noite bem legal.
Olho entre ela e Vince de novo. Confusa.
— Então por que está evitando Vince agora? — pergunto. — Vince,
também conhecido como seu marido.
— Calma. Todo mundo sabe que o que acontece em Vegas não é
juridicamente válido.
— Isso não é verdade — respondo quando Vince expira alto e se
aproxima de Payton, colocando a mão em sua lombar em uma tentativa bem
óbvia de prevenir que ela fuja.
— Chega. Precisamos conversar — Vince diz a ela.
— Aff. Conversar é a pior coisa — Payton resmunga, arrastando a
palavra “aff” e jogando a cabeça para trás em desespero. Ela bate um pé em
protesto.
Pela primeira vez, tenho que concordar com Payton. Também estou
pensando se eles já transaram.Rhys
LYDIA ESTÁ CONVERSANDO COM VINCE, E ELA ESTÁ CHATEADA. A
estou preso conversando com o governador de Nevada, um membro do
conselho do Reino Unido e um magnata de Hollywood cujo nome não
consigo me lembrar embora tenhamos sido apresentados há cinco minutos.
Porque estou distraído. A única coisa que eu queria evitar durante esta
inauguração eram distrações, e acabei tendo a maior distração da minha
vida.
Estou irritado por permitir que isso tenha acontecido. Permitir que Lydia
entrasse em minha vida e perturbasse tudo.
Estou mais incomodado por não conseguir escutar o que eles estão
falando. Por não saber por que ela está chateada ou o que a está fazendo
arregalar os olhos e fazer beicinho.
Porra de Vince. Vou dar um fim nisso esta noite. Por que ainda convivo
com pessoas assim? O que estou fazendo? O acordo com Lydia não pode
continuar assim. Nem por mais um dia.
Só que vai ter que continuar, porque Vince desaparece logo após eu vê-
lo conversando com Lydia. E não tenho oportunidade de conversar com
Lydia sobre o motivo de ela estar chateada porque ficamos em locais
totalmente opostos o resto da noite, ou rodeados por um monte de gente.
Todos a adoram. Entendo, de verdade, mas não quero compartilhar. Eu a
quero toda para mim como o canalha egoísta que sou. Quero levá-la para
cima e descobrir o que Vince queria, depois fazer amor com ela até ela falar
“oh, oh, oh” e “Rhys, Rhys, Rhys”.
Mas não acontece. Quando, finalmente, vamos subir, sou afastado para
falar com a presidente de uma empresa enorme de bebidas, uma mulher que
voou da França para participar da grande inauguração, então preciso falar
com ela. Lydia sobe sem mim e está dormindo quando me junto a ela trinta
minutos depois.
No domingo de manhã, me levanto e vejo que Lydia acordou antes de
mim, o que nunca aconteceu.
— Precisamos conversar — digo a ela quando vou para a sala.
Acabei de sair do banho, uma toalha ainda enrolada na cintura. Sinto
cheiro de padaria, e Lydia está cortando bananas na ilha da cozinha. Está
acordada e vestida e, de alguma forma, já estou me sentindo bem atrasado
no dia de hoje. Verifiquei minhas mensagens antes de tomar banho, então
sei que não dormi demais. Também sei que não tenho menos de doze
mensagens de voz que exigem resposta e Jennings quer me encontrar às dez
para verificar os relatórios de previsão para o próximo trimestre.
E é domingo. E estou cansado pra caralho. E tudo que quero é tomar
café da manhã no sofá com Lydia e assistir a qualquer programa de casa
que esteja passando às nove da manhã.
— O que está havendo com você e Vince?
— O quê? — Lydia olha para mim, confusa. — Oh, aquilo. Maluquice.
Fiz torrada com Nutella e bananas caramelizadas. Na panela de barro, viu
como é útil? Só tenho que grelhar estas bananas para pôr em cima e está
pronto.
A panela de barro. Deve ser por isso que está com cheiro de alguém que
se importa aqui.
— De quanto mais você precisa?
— O quê?
— Quero que você fique. De quanto mais você precisa? Vou conversar
com Vince e cuidar disso.
Ela pisca lentamente para mim por muitos segundos conforme meu
celular apita com outra maldita mensagem.
— Tenho que fazer um monte de ligação, mas quero cuidar disso. Hoje.
Então qual é seu preço?
Lydia se vira de costas e coloca uma frigideira que não sabia que eu
tinha no fogão. Esqueça, tenho certeza de que não tenho frigideira. Ela deve
ter comprado em algum lugar. Me pergunto se ela pediu para o serviço de
quarto junto com as compras. Será que um dia vou parar de achá-la
infinitamente fascinante?
Lydia está mexendo no fogão, me ignorando, então volto para o quarto e
pego meu celular, digitando uma mensagem conforme retorno à cozinha.
— Me fale alguma coisa, Rhys. Me fale alguma coisa que não seja o que
acabou de falar.
— Não sei o que quer que eu fale.
Quero saber que porra ela estava conversando com Vince ontem à noite.
Quero saber o que ela sente por mim. Quero resolver toda essa incerteza.
Meu celular apita de novo, e olho para ele, depois mando a chamada para a
caixa de mensagens.
— Sabe de uma coisa, Rhys? Acho que você tem tanto medo de algo
verdadeiro, que se esconde atrás de trabalho e boates de strip e estupidez
em geral.
O quê? Ok. Solto a respiração. Ok, posso ter entendido tudo isso errado.
— Espere, então…
— Não, não quero esperar. Não sou uma garçonete, Rhys. No caso de
não ter percebido. Sou uma recrutadora e tenho feito tudo. Você é uma
década mais velho que eu. É você que tem toda a experiência e confiança e
habilidades de vida e, mesmo assim, sou eu que estou fazendo tudo.
Fazendo. A coisa. Toda. — Ela diz essa última parte devagar, como se
estivesse pontuando as palavras.
— Ok. Vamos com calma. Se isso é sobre o café da manhã, sempre
podemos pedir o serviço de quarto.
— Oh, meu Deus. — Ela desliga o fogo e solta uma colher de pau. Eu
não sabia que tinha isso também. — É, Rhys. É sobre quem faz o café da
manhã. Você tem trinta e quatro anos. Acorde. Preste atenção no que está se
passando na sua vida por meio segundo. Que tal isso?
— Eu estou — respondo. — Prestei atenção na sua conversinha com
Vince ontem à noite. E é por isso que…
— Acha que estou tendo reuniões secretas com Vince, Rhys? — ela me
interrompe de novo. — No meio da grande inauguração na frente de todo
mundo? É. Certeza. Eu estava alinhando meu próximo contrato antes de
subir para procurar receitas em panelas de barro para o café da manhã.
— Não quero você com mais ninguém, Lydia.
— Mas não me quer para você também, não é? Não de verdade. — Ela
balança a cabeça e aperta os lábios, depois respira fundo. — Me pergunte
como me sinto, Rhys.
Desconfio que acordei do lado errado esta manhã.
— Esqueça. Eu vou te dizer. Me sinto… tipo vazia. — Ela dá de ombros
quando diz isso, mas é um dar de ombros triste, talvez até beligerante. —
Me sinto como se chegasse em um parque de diversão e visse que está
lotado e não posso entrar. Parece que alguém acabou de me contar que o
Papai Noel não existe antes de eu estar preparada. Parece que está chovendo
dentro do meu coração.
Percebo, meio tarde demais, que ela pegou a bolsa e passou a alça por
cima da cabeça enquanto vai até a porta.
— Só para constar, eu estava noventa por cento apaixonada por você.
Deduzi cinco por cento por ser financeiramente irresponsável, porque
poderia ter ficado comigo de graça se não tivesse tanto medo de seus
sentimentos idiotas. E dois por cento por ser um babaca. Provavelmente
estou contando em dobro as porcentagens idiotas em relação às
porcentagens do dinheiro, mas sabe de uma coisa: não me importo.
— Lydia, espere.
Tento segurar a porta com a mão, para impedi-la de abrir, o que é
simplesmente uma merda, e ela me recompensa com um olhar que diz
exatamente isso. E então ela vai embora.
Porra. O que acabou de acontecer?
Rhys
EU FODI COM TUDO. FODI COM TUDO E NÃO FAÇO IDEIA DE PARA OND
Canon enquanto me vestia, uma mão no celular e a outra enfiando a camisa
pela cabeça, e pedi que ele a rastreasse da porta da minha suíte, esperando
que ela estivesse em algum lugar no hotel. Sabendo que não estaria.
Ela não estava. Pegou o elevador até o estacionamento, entrou em seu
carro e saiu da propriedade menos de dois minutos depois. E não vai
atender se eu ligar porque seu celular está na mesa de cabeceira ao lado da
minha cama, carregando.
Caralho. Provavelmente ela não teria atendido de qualquer forma, mas
odeio que ela esteja sem celular. E se seu carro quebrar ou acabar o
combustível ou ela quiser ligar para alguém que não seja eu?
Nem sei quem são seus amigos, além de Payton, ou se ela fez amigos
desde que se mudou para Vegas. Digo a Canon para falar para Payton e
instruí-la que me ligue se Lydia voltar para seu apartamento. Então, abro o
app Goodwill no celular ao entrar em meu carro. Será que ela iria para
aquela entre o Windsor e seu apartamento? Acho que seu carro não tem
GPS, então ela não vai conseguir encontrar as lojas às quais ela ainda não
foi, mas isso não elimina uma única loja porque provavelmente ela já foi
em todas elas.
Porque há tantas malditas Goodwill em Las Vegas? Saio com o carro e
sigo para a loja na Tropicana. É a primeira a que fomos juntos, duas
semanas atrás, e fica entre minha casa e a dela. O estacionamento está
muito lotado para fazer uma busca rápida por seu carro, então eu entro. Ela
não está lá. Claro que não está lá, afinal por que deveria ser fácil? Eu não
mereço que seja fácil. Ligo para Canon e pergunto se ele consegue hackear
as câmeras de segurança da cidade para rastreá-la desde quando saiu do
estacionamento.
Ele ri de mim e desliga. Ligo de volta e digo para ele me cobrir porque
vou tirar o dia de folga. Porque Lydia tem razão sobre tudo. Porque eu não
prestei atenção na minha própria vida e agora a melhor parte dela se foi.
Coloco o celular no banco do passageiro, volto ao carro e penso se ela teria
ido à loja na Maryland ou na Sahara, onde a levei semana passada. Ou ela
teria ido para uma das seis em Henderson, mais perto de seu apartamento?
Jesus. Decido dar uma chance à que fica na Maryland. É mais perto do
hotel do que a da Tropicana, então talvez ela tenha ido nessa primeiro. Ou
talvez eu passe o dia todo atrás dela de um centro de doação ao outro.
Vou atrás dela o quanto precisar. O quanto ela me deixar. Ela não está na
de Maryland.
Não está em seu apartamento. E não voltou ao hotel.
É hora de fazer uma visita a Vince.
Rhys
— CADÊ A LYDIA?
Encontrei Vince em seu escritório no Double Diamonds e pulei as
formalidades. Passei da fase de ser educado com esse babaca.
— Eu a enviei para olhar umas propriedades — Vince responde sem se
incomodar com minha chegada ou minha atitude. Ele nem está olhando
para mim, ocupado demais com seu laptop para se importar. Provavelmente
está calculando a receita da noite ou fazendo uma encomenda de
desinfetante de poles, maldito canalha. — Você a quer de volta?
Digo a mim mesmo que matá-lo só vai atrasar meu encontro com Lydia.
— Sim, eu a quero de volta, babaca. O que você tem sobre ela, Vince?
Quanto ela te deve? Fale seu preço para podermos acabar com essa
brincadeira.
— Outro milhão mudaria as coisas — ele diz lentamente, encostando-se
na cadeira ao me analisar com interesse.
— Certo. Vou fazer a transferência hoje, e então você não tem mais nada
com ela. Agora me diga onde posso encontrá-la.
— Você é um idiota. — Ele se inclina para a frente na cadeira de novo e
me encara. — E nunca mais falar com Lydia será um problema para mim.
— Por quê?
— Estou casado com sua melhor amiga, para começar.
Eu o encaro, esperando que as palavras façam sentido.
— Você se casou com Payton?
Sinto que estou perdendo algo aqui. Eu me sento na cadeira à frente de
Vince e desvio o olhar um pouco. Só um pouco. Ainda não estou preparado
para estar errado sobre Vince. Além disso, ele ainda é um babaca,
independentemente de qualquer coisa.
— Sim. Me casei com Payton, Deus me ajude. Até onde Lydia sabe,
você é a única pessoa que não consegue enxergá-la direito se não descobriu
isso até agora.
— O que quer dizer com isso?
— Ela é transparente pra caralho. Você nem sabe o quanto tem sorte.
Queria eu que Payton fosse tão transparente. Não faço ideia em que porra
ela está pensando ou onde ela está na maior parte do tempo.
— O que está dizendo exatamente?
— Aquele leilão foi todo para você. Prostituição nem é legal em Clark
County, Rhys. A coisa toda foi uma armação. Acha que estou adicionando
meio milhão em meus registros pela venda de uma virgem? Aqui é uma
boate de cavalheiros, não um bordel, seu otário.
— É, como se não houvesse prostituição em Las Vegas — contra-
argumento. — Nós dois sabemos que não é esse o caso.
— Com certeza. Mas não comigo. Eu administro um negócio legítimo.
Caralho. Nós nos encaramos separados pela mesa dele e sei que ele está
dizendo a verdade, tenho quase certeza. Mas, porra. Será que eu prestei tão
pouca atenção assim?
— E aquele cara com quem eu estava competindo no leilão? Stan?
— Stan é o cara da manutenção aqui e aquele terno me custou uma nota.
Vou te mandar a conta dele, aliás.
— Teve um e-mail — contra-argumento. — Uma newsletter.
— Uma newsletter — ele repete de volta para mim como se eu fosse um
idiota. — Claro que vendo sexo por uma newsletter, Rhys. Ganho inscritos
pela newsletter como todos os outros bordéis do estado — ele solta e, é,
agora estou enxergando. Sou um idiota. — Nos reunimos no Starbucks e
pensamos em formas de nos promover — ele continua. — Você nos
descobriu. Bom trabalho.
— Já entendi. A newsletter foi falsa — eu completo, mas é
desnecessário, porque Vince não está me escutando.
— Foi ideia de Canon. Eu disse a ele que era idiota demais para alguém
acreditar, mas ele disse que…
— É, sou um idiota. Já entendi — interrompo, ansioso para chegar à
parte em que descubro onde encontrar Lydia e consertar isso. Aceno para
ele continuar.
— Ele disse que você andava bem distraído — Vince continua. — E que
a visualização iria te ajudar a vir aqui.
Canon sempre adorou visualização.
— Espere. Como Canon se envolveu nisso? Ainda não entendo de onde
essa conspiração toda saiu, em primeiro lugar.
— Lydia — Vince responde como se eu fosse especialmente lento. —
Foi tudo ideia de Lydia. Pelo que ela me disse, vocês dois tiveram um lance
em um bar, mas ela pensou que você tivesse um fetiche de pagar-por-isso
porque não pôde avançar com ela.
Vince não poderia estar menos impressionado comigo neste momento.
Ele simplesmente ergueu dois dedos e os flexionou no gesto universal de
aspas quando disse “fetiche de pagar-por-isso”.
— Eu não…
— Não quero saber — ele interrompe, balançando a cabeça. — Liguei
para Canon para descobrir se alguma coisa que ela estava dizendo era
verdade ou se ele precisava que eu ligasse para a polícia para denunciar que
você tinha uma doida te perseguindo. Canon confirmou que vocês dois
tiveram um lance. — Ele faz aspas de novo quando diz “um lance” como se
fosse ridículo para ele. — E ele ficou bem atraído pelo grande plano de
Lydia em te seduzir e para você admitir que estava interessado nela ao
fingir um leilão. Eu estava me sentindo especialmente caridoso naquele dia,
então nós pensamos no melhor jeito de te trazer até aqui.
Faço uma nota mental para cortar a equipe de Canon. Ele realmente tem
tempo demais sobrando.
— Então o dinheiro foi para quê? Por que você me incitou até meio
milhão se tudo isso é falso? — pergunto, mas minha mente está pensando
em como estraguei tudo epicamente com Lydia.
— Não sou contrário a doações beneficentes, Rhys. Fazer você financiar
uma causa beneficente era o mínimo que você poderia fazer para me
reembolsar pelo meu tempo.
— Você é um otário mesmo, sabe disso?
Vince dá de ombros.
— Foi por uma boa causa.
— E qual seria a causa? — pergunto. — Tapa mamilos folhados a ouro
para todo mundo?
— Lydia não queria o dinheiro — Vince responde, ignorando minha
ironia ao passar um dedo pelo mousepad em seu laptop. — Eu estava te
incitando para meu próprio divertimento. E pela causa, claro — ele
complementa, abrindo um sorriso sarcástico para mim.
— Certo. A causa. Que é?
— Um novo local de camping — Vince responde, virando seu laptop
para eu olhar. — Para as Girl Troopers da Grande Las Vegas. Encontrei
uma propriedade ótima na Red Rock, mas a propriedade não tem uma
cabana adequada. Tem uma lá, mas foi abandonada há uma década e o
corretor disse que está inabitável. Além disso, você sabe como é quente
aqui — ele diz, erguendo a sobrancelha. — Uma piscina seria um
complemento legal. Para as acampantes.
— Era para isso que você precisava de meio milhão?
— Era. Presumindo que Lydia goste da propriedade. Vou colocar a
propriedade na garantia, então contratar um empreiteiro para verificar a
cabana existente e construir algo melhor. Adicionar uma piscina, talvez uma
quadra de tênis. Depois vamos doar para as Girl Troopers.
— Ela vai querer reformar. — Suspiro. — Ela vai querer salvar qualquer
estrutura em ruínas que existir com alguma visão romântica de seu charme
histórico. Mesmo que seja um monte de merda dos anos 1980. Vamos
precisar contratar alguémque possa reformar ou usar o que restar para
construir um balanço na varanda ou alguma merda assim. Isso a deixará
feliz.
— Por mim, tudo bem. — Ele dá de ombros. Ele tira um Post-It da
gaveta da mesa e rascunha o endereço do camping, depois me entrega. —
Acabamos aqui? Vou te mandar um recibo da doação beneficente. Não
espere muito para sair e ainda pode encontrá-la lá.
— Obrigado, Vince.
— Ela é boa demais para você.
— Eu sei. Eu a quero mesmo assim.
Se não for tarde demais. Não pode ser tarde demais porque não posso
voltar a viver sem Lydia.
Rhys
RED ROCK É SAINDO DE VEGAS E, DE ACORDO COM O GPS DO MEU C
ao camping a que Vince me mandou em pouco mais de meia hora. O que
significa que tenho meia hora sentado no carro para pensar no quanto sou
babaca. São dois quilômetros e meio reto pela Charleston até fazer curva, e
começo a acelerar até o camping.
Demora mais dez minutos e quase uma entrada perdida para chegar ao
meu destino, e fico aliviado ao ver dois carros parados do lado de fora da
cabana, que deveria, com certeza, estar condenada. Estaciono ao lado do
carro de Lydia e observo o local, em dúvida se elas estão lá dentro ou
andando pela propriedade. Não há porta na cabana, nem um teto de
verdade. Não vejo ninguém, então vou para a porta. Ou o que seria a porta.
Escuto a voz dela assim que passo pela soleira. Ela está em pé com a
corretora encarando uma janela na lateral da cabana, sem vidro. Há uma
vista do Cânion Red Rock no fundo, mas nem chega aos pés do brilho de
Lydia.
— Eu escolhi um cisne ruim — ela está contando à mulher. — Escolhi
um cisne ruim e acasalei com ele e agora estou presa a ele porque estou
noventa e três por cento apaixonada por ele, embora ele seja um idiota. —
Ela balança a cabeça, depois para abruptamente, inclinando-se na direção
da corretora. — Não o acasalamento do tipo que engravida, só do tipo
divertido. Posso falar? Fui uma Trooper por treze anos, sabe? Ganhei todos
os distintivos de saúde, então sei como é um acasalamento de reprodução e
me preveni. Provavelmente vou ganhar um distintivo “não engravidou sem
querer”.
— Hum… — a corretora responde, inclinando a cabeça para o lado,
claramente sem saber como responder a qualquer coisa que acabou de sair
da boca de Lydia. Então ela me vê e o alívio toma sua expressão. — Bom,
veja só. Parece que seu cisne veio atrás de você.
Lydia se vira e seus olhos brilham de surpresa. Um olhar de confusão
em seguida.
— Rhys. — Ela suspira um pouco ao falar isso, e soa como uma
pergunta.
— Vou deixar vocês dois sozinhos. — A corretora sorri e, dando um
olhar entre nós dois, se vira para sair.
Seus saltos clicam no chão até ela chegar à varanda, Lydia e eu ficamos
quietos até que ela saia. Então me aproximo dela, andando lentamente em
sua direção enquanto observo o interior da cabana.
— Lugar legal — digo para começar.
— É. — Ela assente. — É mesmo. Tem muito potencial. — Ela ergue
um pouco o queixo. — Com a visão certa, poderia ser bem especial.
— Desculpe.
Ela pisca rapidamente e respira, mas eu continuo antes que ela diga
algo.
— Desculpe por tudo. Exceto por aquele primeiro beijo no bar. Aquela
foi a melhor decisão que já tomei. Desculpe por tudo que veio depois.
— Você está se desculpando? — Ela pisca de novo. — Desculpando do
tipo “deseja que não tivesse acontecido”?
— Deus, não. — Balanço a cabeça. — Desculpando do tipo “estou
apaixonado por você”. Do tipo “espero que não tenha fodido tudo”. Do tipo
“espero que me dê outra chance”.
— Oh.
— Desculpe por ter te dado sinais confusos. Desculpe por abandonar
você no bar e desculpe por colocá-la em uma posição para pensar em um
plano totalmente maluco a fim de chamar minha atenção.
— Também peço desculpa. Minha hora não foi boa. Deveria ter
esperado até depois da grande inauguração, mas fiquei com medo de você
se apaixonar por uma prostituta de verdade em vez de por mim.
— Não é possível. — Balanço a cabeça.
— Claro que é. Tudo é possível.
— Você é a única mulher para mim, Lydia. Não sei o que posso te
oferecer — digo baixinho, colocando uma mecha de cabelo atrás de sua
orelha e levando suas mãos aos meus lábios. — Mas estou apaixonado por
você e quero tentar.
— O que está fazendo? — Ela parece assustada e dá um passo para trás,
tirando a mão de mim. — Vai me pedir em casamento neste instante?
— Não ia, na verdade. Mas posso. Me caso hoje com você, se precisar.
— Não!
— Ok, uau. Foi um não bem espirituoso. Então não quer se casar
comigo?
— Nos conhecemos há menos de dois meses, Rhys. Quero ser cortejada.
Paquerada. Pedida de uma forma romântica. Em algum lugar que não seja
Del Taco. Não, isso é mentira. Del Taco é legal, na verdade.
— Quer ser cortejada com café gelado do cardápio?
— É muito bom, Rhys. Independentemente do que diga.
— Muito bem.
— Aqui vai um spoiler, Rhys: eu vou me casar com você. Algum dia.
Mas isto — ela gesticula entre nós com seu dedo — não é meu pedido.
Você vai pedir um dia, quando nós dois estivermos prontos, e vai fazer
direito. Me entendeu? Que bom. As palavras “não ia, na verdade, mas
posso” não sairão da sua boca nesse momento. Entendido?
— Sim, senhora.
— Que bom. — Ela semicerra os olhos para mim como se não soubesse
se meu sim era sincero ou não.
— Posso falar uma coisa?
— O quê? — ela solta.
— Esse negócio de você ser mandona é excitante.
Um sorriso lento se abre em seu rosto junto com um pouco de rubor.
— Posso falar outra coisa?
— Ok — ela concorda, desta vez sorrindo.
— Você tinha razão quando disse que estava fazendo todo o trabalho e
quero consertar isso. Vai me deixar? Porque realmente preciso ganhar esses
setenta por cento de volta.
— Humm — ela murmura enquanto pensa. — Eu tenho alguns
distintivos ainda para ganhar. Talvez possa me ajudar com eles.
— Eu adoraria.
Rhys
Sete anos depois...
— ERA UMA VEZ UMA GAROTA QUE ENTROU EM UM BAR E SEQUESTR
eu era burro demais para ver o que estava acontecendo. Felizmente para
mim, ela era do tipo de garota muito bem orientada por um objetivo e que
decidiu ir contra toda a lógica de que eu valia a pena. Eu não valia, mas isso
não a impediu. Graças a Deus que isso não a impediu.
— Rhys! — Lydia chia. — Não conte isso a ele! Não é uma versão
correta de conto de fadas. Nem uma versão apropriada.
— Shhh. É nossa história preferida para dormir. Além disso, ele é um
cachorro, e não acho que se importe com qual versão eu conte.
Nós dois nos viramos para olhar para nosso novo cachorro, Trooper. Ele
bate o rabo contra o chão e inclina a cabeça para o lado, olhando para cima
conforme tenta identificar se Lydia está prestes a lhe fazer um carinho extra
na barriga antes de dormir. Ele é um vira-lata com mistura de Labrador que
pegamos com um grupo de resgate, mas não acho que deveria ser surpresa
para alguém. Lydia ama resgatar coisas. Pessoas, lençóis velhos, turistas
perdidos, um casal de cisnes que precisavam de patrocínio — sinceramente,
não perguntei os detalhes sobre esse último. Trooper é um cão adulto e
malcomportado. Bem parecido comigo quando Lydia me encontrou. Ela diz
que ele tem potencial.
— Ele precisa dormir no canil dele?
Trooper abana o rabo em resposta. Ele sabe como me convencer.
— Sim. Precisa, sim. Até ele ganhar o distintivo de bom comportamento
de que precisa para dormir em seu cesto.
— Ele só comeu dois de seus sapatos — argumento. Trooper baixa a
cabeça e emite um grunhido dramático. — E um era um chinelo. Nem
conta.
— Conta, Rhys. Assim como conta comer duzentos gramas de bife do
balcão após me distrair virando sua tigela de água.
Trooper fica de barriga para cima e balança o rabo de novo.
— E se o melhor cachorro que ele consegue ser ainda for terrível? —
Estico o braço e faço carinho em sua barriga.
— Então vou comprar sapatos novos.
— Ou você poderia simplesmente andar por aí descalça e grávida,
afirmando que sapatos são irrelevantes.
— Você gostaria que eu andasse descalça e grávida? Parece
terrivelmente inconveniente.
— Qual dos dois? Estar descalça ou grávida?
— Descalça enquanto grávida. Imagine cortar o pé enquantoanda
descalça, mas estar tão grávida, que não consegue alcançar o próprio pé
para cuidar dele.
— Lydia.
Eu me levanto e aponto para Trooper ir para seu canil. Ele o faz sem
reclamar, girando antes de apoiar a cabeça nas patas da frente.
— O quê?
— Acho que deveríamos falar sobre o acasalamento do tipo reprodutivo.
Ter uns filhotes de cisne.
Lydia sorri.
— Você sabe que bebês de cisnes são chamados de filhotes?
— Claro que sei. — Certo. Prestei um pouco de atenção no pacote de
patrocínio dos cisnes.
— Baby. Isso é tão sexy. — Lydia está me olhando e lambendo os lábios
como faz quando volto da academia, com a camisa pendurada no ombro.
Ela ainda é fácil demais.
— Poderíamos comprar uma casa. Trooper precisa de um quintal. As
crianças vão precisar de um quintal. E eu poderia estar enganado, mas tenho
quase certeza de que nenhum ônibus escolar faz uma parada na Strip.
— Poderíamos comprar uma casa que precise de reforma! — Lydia
exclama.
Ela foi para a cama e está sentada de pernas cruzadas em cima da cama,
usando calça de pijama e uma blusinha.
— Ou poderíamos construir — sugiro. — Encontrar o terreno perfeito
com uma vista da Strip de um lado e as montanhas do outro. Construir
como queremos.
— Ou poderíamos comprar uma casa que precise de reforma!
— Ou poderíamos comprar uma casa que precise de reforma —
concordo. Porque, desde quando parei de ser egoísta, não sou mais tão
burro.
— Será exatamente como um episódio de House Hunters — Lydia diz,
sonhadora. — Só que eu vou poder ver todas as casas, em vez de apenas
três.
— Será exatamente assim — concordo. — Só que melhor.
Eu passava todos os dias, desde quando pensei que havia estragado tudo
com ela, apreciando-a. Apreciando o que temos juntos. Passamos fins de
semana explorando Vegas. Fins de semana viajando. Noites fazendo nada e
dias fazendo tudo. Fomos a Austin para os foodtrucks de taco e San
Antonio para os tacos recheados. Quando fomos a Paris, em lua de mel,
comemos crepes, e ela os chamou de tacos franceses. Depois ela riu de si
mesma até quase ficar sem fôlego. Eu me apaixonei por ela de novo.
Lydia torna toda experiência melhor. Estar com ela parece ser sorte,
destino e ganhar na loteria. É como ter confiança e amizade e um lar. Seu
amor é como uma surpresa tão boa, que você nunca ousaria ganhar, mas,
quando ganha, você a segura forte.
E é o que vou fazer. Vou segurar minha boa garota para sempre.
ESTE PRECISOU DE UMA VILA… DE PESSOAS PARA ME CONVENCER DO
Liv Morris, obrigada me contar a história mais fofa da sua filha beijando
um homem no bar e me contar que eu poderia contá-la porque seria
estranho se você usasse material da sua própria filha. Leitores, por favor,
lembrem-se: a Lydia da vida real beijou o garçom. Ela não fez nada das
maluquices que a Lydia da ficção fez.
Kayti McGee, obrigada por pensar que este livro é a coisa mais
engraçada do mundo e me enviar mensagens de voz que às vezes eram
incompreensíveis porque estava rindo ao mesmo tempo, mas sempre eram
um incentivo enorme à minha confiança frágil. Você é a melhor, e seu apoio
foi inestimável!
Staci Hart, obrigada pelas mensagens tarde da noite nas quais
trocávamos frases sem parar, como: “Meu livro é horrível!… Meu livro é
muito bom!… É oficial. Esta é a pior coisa que já escrevi… Consertei tudo
e acho que vai ficar tudo bem!… Meu livro é muito ruim!… Acho que
preciso de um emprego novo… Este livro é meu preferido de todos!”
Raine Miller, Amy Daws, Sierra Simone, Laurelin Paige, CD Reiss,
Jade West, obrigada por sua amizade.
Lauren Lascola-Lesczynski, obrigada pela amizade, e pelo apoio, e por
me fazer rir tanto, que fiz xixi na calça. Gosto muito de você e amo sua
amizade!
Candi Kane, Sarah Piechuta, obrigada pela ajuda com este lançamento.
Não sei como agradecê-las por me ajudar com o montante de trabalho.
Letitia Hasser, Kari March, obrigada pela capa e a arte!
Jean Siska, Melissa Gaston, Beverly Gardner Tubb, Mila Tracey,
Melissa Panio-Peterson, obrigada por serem os primeiros leitores e lerem
quando não estava terminado e ainda bagunçado e, mesmo assim, quererem
mais. Não fazem ideia do quanto isso significa.
LEITORES, obrigada por aguardarem pacientemente e por continuarem
comigo. Obrigada, obrigada, obrigada.
 
LEIA TAMBÉM
Casar com um estranho lidera a lista de coisas que você nunca
deve fazer em Las Vegas, mas eu fiz mesmo assim.
A noite toda foi ideia minha. Fui eu quem sugeriu uma noite tipo
“acordar ao lado de um tigre”. Em vez disso, acordei com um anel
no dedo e Vince Rossi na minha cama.
Vince, que não era nada como eu achava que era e era tudo o que
eu nunca imaginei que precisava.
De repente, eu estava me apaixonando que nem uma louca pelo
meu marido acidental, e a ideia de acabar com essa união era a
última coisa que eu queria. Eu queria o para sempre.
Estatisticamente falando, nossas chances eram tão boas quanto as
de qualquer um.
Até que os papéis da anulação caíram no meu colo.
 
 
 
 
Siga as nossas redes sociais e fique por dentro dos próximos
lançamentos:
 
✔ ������: https://www.tiktok.com/@allbookeditora
✔ ��������: https://www.facebook.com/AllBookEditora
✔ ���������: https://www.instagram.com/allbookeditora/
✔ �������: https://twitter.com/AllBookEditora
Após a leitura, não deixe de avaliá-la.
E não esqueça de se cadastrar na nossa newsletter para não
perder nenhuma novidade.
	CRÉDITOS
	CAPÍTULO 1
	CAPÍTULO 2
	CAPÍTULO 3
	CAPÍTULO 4
	CAPÍTULO 5
	CAPÍTULO 6
	CAPÍTULO 7
	CAPÍTULO 8
	CAPÍTULO 9
	CAPÍTULO 10
	CAPÍTULO 11
	CAPÍTULO 12
	CAPÍTULO 13
	CAPÍTULO 14
	CAPÍTULO 15
	CAPÍTULO 16
	CAPÍTULO 17
	CAPÍTULO 18
	CAPÍTULO 19
	CAPÍTULO 20
	CAPÍTULO 21
	CAPÍTULO 22
	CAPÍTULO 23
	CAPÍTULO 24
	CAPÍTULO 25
	CAPÍTULO 26
	CAPÍTULO 27
	CAPÍTULO 28
	CAPÍTULO 29
	CAPÍTULO 30
	CAPÍTULO 31
	CAPÍTULO 32
	CAPÍTULO 33
	EPÍLOGO
	AGRADECIMENTOS
	LEIA TAMBÉM...
	ALLBOOK EDITORA

Mais conteúdos dessa disciplina