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Questão 1/10 - Literatura Brasileira “A Praça da Alegria apresentava um ar fúnebre. De um casebre miserável, de porta e janela, ouviam-se gemer os armadores enferrujados de uma rede e uma voz tísica e aflautada de mulher, cantar em falsete a ‘gentil Carolina era bela’, doutro lado da praça, uma preta velha, vergada por imenso tabuleiro de madeira, sujo, seboso, cheio de sangue e coberto por uma nuvem de moscas, apregoava em tom muito arrastado e melancólico: ‘Fígado, rins e coração!’. Era uma vendedora de fatos de boi. As crianças nuas, com as perninhas tortas pelo costume de cavalgar as ilhargas maternas, as cabeças avermelhadas pelo sol, a pele crestada os ventrezinhos amarelentos e crescidos, corriam e guinchavam, empinando papagaios de papel. Um ou outro branco, levado pela necessidade de sair, atravessava a rua, suado vermelho afogueado, à sombra de um enorme chapéu-de-sol. Os cães, estendidos pelas calçadas, tinham uivos que pareciam gemidos humanos, movimentos irascíveis, mordiam o ar querendo morder os mosquitos. Ao longe, para as bandas de São Pantaleão, ouvia-se apregoar: ‘Arroz de Veneza! Mangas! Macajubas!’ Às esquinas, nas quitandas vazias, fermentava um cheiro acre de sabão da terra e aguardente”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: AZEVEDO, A. de. O mulato . Domínio Público, p. 2. <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua00023a.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2017. A passagem acima reproduz parte do segundo parágrafo do romance O mulato , de Aluísio de Azevedo. Publicado no mesmo ano da edição em livro de Memórias póstumas de Brás Cubas , em 1881, foi um sucesso de público. Ligado à estética realista-naturalista no Brasil, no trecho acima é possível perceber algumas das características centrais dessa escola, características que criam efeitos de objetividade e realismo buscados por essa escola literária. Considerando a passagem acima e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira , entre as características da estética realista-naturalista que ajudam a criar o efeito de objetividade e realismo temos: Nota: 10.0 A a descrição e a redução das peripécias. Você assinalou essa alternativa (A) Você acertou! Para produzir este efeito de objetividade os escritores da escola realista-naturalista procuravam descrever minuciosamente os espaços e ambientes em que suas personagens desenvolviam suas ações. Estas não deviam encobrir a representação objetiva do real, ou seja, a narração de muitas reviravoltas ou peripécias, base do melodrama e do folhetim, tende a chamar muita atenção e tirar o foco das condições de realidade em que as personagens estão postas: “Em linhas gerais, a prosa buscava a representação de uma realidade em seus detalhes de modo a deslindar as vicissitudes da sociedade contemporânea. [...] O romance realista-naturalista [...] tende a diminuir o papel da peripécia e apostar mais nas descrições da realidade representada – prefere descrever a narrar [...]. O romance, no afã da busca pela objetividade pela realidade, aposta nos detalhes (livro-base, p. 131, 132). O narrador intruso chama a atenção para si e para seu ponto de vista, expresso geralmente pela digressão. O narrador naturalista esconde-se atrás da narrativa. O fluxo de consciência leva o foco da história para os sentimentos e ideias do narrador e também não foi empregado pelos escritores naturalistas. B a narração e grande número de peripécias. C o narrador intruso e a digressão. D grande número de peripécias e a descrição. E redução das peripécias e fluxo de consciência. Questão 2/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de texto a seguir: “A grande noite do poeta seria, porém, a de 7 de setembro de 1868, quando recitou, com voz vibrante e, mais do que nunca, arrebatado de emoção, ‘Tragédia no mar’, que depois tomaria o nome de ‘O navio negreiro’. [...] O poema foi escrito para ser recitado em voz alta. [...] E é em voz alta que esse poema em seis movimentos, cada um deles a pedir uma inflexão diferente, trabalha em nós e nos comove e nos revolta”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: SILVA, Alberto Costa e. Castro Alves . São Paulo: Cia. das Letras, 2006, p. 98 (Coleção Perfis Brasileiros). E leia um fragmento de “O Navio Negreiro”: ‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço Brinca o luar – dourada borboleta; E as vagas após ele correm… cansam Como turba de infantes inquieta. ‘Stamos em pleno mar… Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro… O mar em troca acende as ardentias, – Constelações do líquido tesouro… ..........................................................”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: ALVES, C. O navio negreiro. In: RAMOS, F. J. S. da. Grandes poetas românticos do Brasil . São Paulo: LEP, 1952, p. 795. Conhecido como poeta dos escravos, porque defendia a abolição da escravidão, Castro Alves difundiu seus versos em teatros, nas ruas e em salões literários ou íntimos. Suas apresentações provocavam forte impacto nos auditórios por que passava. Considerando os fragmentos de texto, o poema acima e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira, sobre a poesia de Castro Alves é correto afirmar que: Nota: 10.0 A a obra de Castro Alves se desenvolveu por um grande período, e dividiu-se em três fases: amorosa, sacra e satírica. B o grande traço de sua poesia é o desalento, que transparece nos poemas em que critica a escravidão. C seus versos apresentam uma visão pessimista do futuro, o que explica a dureza e rigidez de seus versos. D a eloquência é o ponto forte de seu estilo, que expressa o entusiasmo com que via a experiência humana e a natureza. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Esta alternativa está correta porque o “principal traço estilístico de sua obra (Castro Alves) é a eloquência verbal de sua poesia [que] deriva [...] do consórcio entre música e a poesia elaborada pelos poetas românticos anteriores e amplifica-se pelos problemas políticos do momento. [...] Castro Alves opunha à poesia do desalento, da geração de Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, uma poesia nascida do ‘entusiasmo’ perante os dramas da vida humana e os espetáculos da natureza. É com sua obra [...] que essa poesia entusiasmada assume problemas sociais e políticos no calor da hora” (livro-base, p. 106, 108). As demais alternativas estão erradas porque Castro Alves morreu muito jovem, aos 24 anos, e sua poesia não foi classificada em fases; porque, como se viu, não havia traço de contenção ou melancolia em sua poesia, muito pelo contrário. E inconformado com a escravidão, Castro Alves escreveu uma obra melancólica, que o inseriu na segunda geração romântica. Questão 3/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de texto a seguir: “O pré-modernismo foi uma questão mal resolvida. O termo pré-modernismo foi criado por Alceu de Amoroso Lima, na Contribuição à história do modernismo [...] para referir-se à produção literária do primeiro vintênio do século XX. A definição e a delimitação mais precisa do termo seria, entretanto, empreendida por Alfredo Bosi (1966), já na década de 1960, ao apontar os dois sentidos possíveis para a interpretação da literatura do período: 1. “dando ao prefixo ‘pré’ uma conotação meramente temporal de anterioridade’ 2. ‘dando ao mesmo elemento um sentidoforte de precedência temática e formal em relação à literatura modernista’”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: LEITE, Sylvia H. T. de A. O pré-modernismo em São Paulo. Revista de Letras , v. 35, pp. 167-184, 1995, p. 167. O pré-modernismo abrangeu um período literário compreendido entre 1902 e 1922. Nessa fase de transição coexistiram tendências opostas. Em grande medida, a literatura deu ênfase às questões da realidade nacional, com preocupações socioculturais. Considerando o fragmento de texto acima e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira, relacione os autores pré-modernistas abaixo às suas respectivas obras: 1) Lima Barreto 2) Euclides da Cunha 3) Monteiro Lobato 4) Graça Aranha ( ) Clara dos Anjos ( ) Canaã ( ) Os sertões ( ) Urupês Agora, marque a sequência correta: Nota: 10.0 A 1, 2, 3, 4 B 1, 4, 2, 3 Você assinalou essa alternativa (B) Você acertou! 1. Lima Barreto – Clara dos Anjos 2. Graça Aranha – Canaã 3. Euclides da Cunha – Os sertões 4. Monteiro Lobato – Urupês As obras e seus respectivos autores foram trabalhados no item 4.1 denominado O pré-modernismo e corresponde às páginas 165 a 173 do livro-base. C 2, 3, 4, 1 D 3, 2, 4, 1 E 3, 1, 2, 4 Questão 4/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de texto a seguir: “D. Glória não conhecia S. Bernardo, e essa ignorância me ofendeu, porque para mim S. Bernardo era o lugar mais importante do mundo. — Uma boa fazenda! Não há lá essa água podre que se bebe por aí. Lama. Não senhora, há conforto, há higiene. Glória retificou a espinha, ergueu a voz e desfez o ar apoucado: — Não me dou. Nasci na cidade, criei-me na cidade. Saindo daí, sou como peixe fora da água. Tanto que estive cavando transferência para um grupo na capital. Mas é preciso muito pistolão. Promessas... — Ah! É professora? — Não. Professora é minha sobrinha. — Aquela moça que estava com a senhora em casa do dr. Magalhães? — Sim. — E como é a graça de sua sobrinha, d. Glória? — Madalena. Veja o senhor. Fez um curso brilhante... [...] Essa conversa, é claro, não saiu de cabo a rabo como está no papel. Houve suspensões, repetições, mal-entendidos, incongruências, naturais quando a gente fala sem pensar que aquilo vai ser lido. Reproduzo o que julgo interessante. Suprimi diversas passagens, modifiquei outras. [...] É o processo que adoto: extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: RAMOS, Graciliano. São Bernardo . Rio de Janeiro: Record, p. 75-78. Com o romance São Bernardo , de 1934, Graciliano Ramos consolidou o que se chamou de “romance de 30”. Tendo como referência o fragmento acima, retirado da obra São Bernardo , e sua leitura do livro-base Literatura Brasileira sobre o romance São Bernardo, leia as sentenças abaixo: I – Proprietário da fazenda São Bernardo , Paulo Honório é personagem e narrador do romance. Narrando em primeira pessoa, Honório conta a história quando se encontra solitário na fazenda. II – No romance, Paulo Honorário conta a história de seu casamento com Madalena, o suicídio dela e a decadência da fazenda. III – O romance tem um narrador em terceira pessoa, onisciente, que mostra ao leitor o que se passa com Paulo Honório e, ao mesmo tempo, as expectativas de Madalena sobre o casamento. IV - O romance pode ser compreendido como uma crítica ao capitalismo. Paulo Honório, por exemplo, em vários momentos sobrepõe seus interesses pessoais e financeiros aos de camaradagem e sentimentos afetivos. Estão corretas apenas as afirmativas: Nota: 10.0 A I e II. B II e III. C I, II e IV. Você assinalou essa alternativa (C) Você acertou! As afirmativas I, II e IV estão corretas porque Paulo Honório é o narrador da história, cujos eventos se deram antes do momento em que narra, quando já está sozinho, viúvo e decadente; porque de fato o romance pode ser entendido como uma crítica ao capitalismo, uma vez que Paulo Honório coloca os interesses comerciais, produtivos e financeiros acima dos demais. A afirmativa III está errada porque o narrador do romance é o próprio Paulo Honório, que o narra em 1ª pessoa. Trata-se de um romance memorialista, de um homem solitário. (Livro-base, p. 214 e 215) D I, III e IV. E I e III. Questão 5/10 - Literatura Brasileira Leia a passagem abaixo: “Pelo hábito de frequentar a igreja tomara conhecimento e travara estreita amizade com um pequeno sacristão que, digamos de passagem, era tão boa peça como ele; apenas se encontravam limitavam-se a trocar olhares significativos enquanto o amigo andava ocupado no serviço da igreja; assim porém que se acabavam as missas, e que saíam as verdadeiras beatas, reuniam-se os dois, e começavam a contar suas diabruras mais recentes, travando o plano de mil outras novas. Por complacência, ou antes por prova de decidida amizade, o companheiro confiava ao nosso gazeador um caniço, e faziam juntos o serviço e as maroteiras: a mais pequena que faziam era irem de altar em altar escorropichando todas as galhetas, o que lhes incendia mais o desejo de traquinar”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: ALMEIDA, Manuel A. de. Memórias de um sargento de milícias . Domínio Público , p. 32. < http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000235.pdf>. Acesso em 07 de ago. 2017. A passagem acima foi extraída do romance Memórias de um Sargento de Milícias , de Manuel Antônio de Almeida. Romance de costumes, a obra trouxe para a ficção os ambientes mais populares do Rio de Janeiro e seus moradores, escolhendo como protagonistas os homens pobres, mas livres, do século XIX. Nesse romance é possível enxergar um modo de sociabilidade que Antonio Candido percebeu como estrutural daquela sociedade e da sociedade brasileira em geral. Considerando o fragmento de texto e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira, Candido chamou esse tipo de sociabilidade de: Nota: 10.0 A malandragem. Você assinalou essa alternativa (A) Você acertou! “A grande contribuição desse romance de costumes está na aposta de ficcionalizar o mundo popular do Rio de Janeiro. [...] Ao enquadrar essa população sem eira nem beira , Memórias de um sargento de milícias revela certo tipo de sociabilidade local até então não percebida por Teixeira e Sousa ou Macedo e que Antonio Candido, a certa altura, denominou de malandragem (livro-base, p. 100-101). B marginal. C aristocrática. D convencional. E civilizatória. Questão 6/10 - Literatura Brasileira Leia a citação a seguir: “Enquanto nos textos de um Cláudio Manuel da Costa ou de um Gonzaga o nativismo, que aos coloridos exaltadores barrocos das grandezas do país sugeria descrições grandiloquentes para uso dos estrangeiros, torna-se pena sutil de consumo local. Nasce com os árcades, indubitavelmente sob influência das ideias da França e da América do Norte, mas como uma precisa referência aos problemas locais, aquela consciência pátria que com os românticos irá desaguar na vontade de independência”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponívelem: STEGAGNO-PICCHIO, Lucia História da literatura brasileira . 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar/Lacerda Editores, 2004, p. 127. Considerando a citação acima e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira sobre o Arcadismo, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A A estética árcade no Brasil Colônia descarta as tendências neoclássicas, de origem francesa, e opõe-se às ideias Iluministas. B O Arcadismo é uma releitura do barroco brasileiro, empregando sobretudo as formas cultistas. C Um dos principais traços da estética árcade é a adesão à razão e às teses do iluminismo. Você assinalou essa alternativa (C) Você acertou! As alternativas a, b, d e e estão incorretas A alternativa c está correta porque a estética árcade é racionalista. “A estética árcade no Brasil Colônia combina as tendências neoclássicas, de origem francesa, e os ideias da Ilustração, difundidos pela Europa do século XVIII [ ]. Para os poetas árcades, a imaginação era o elemento a ser dominado pela razão. Cabia ao poeta elaborar a expressão adequada, mais a partir da lógica e do estudo do que da inspiração. Por isso não podiam ser cultistas, nem usar a alegoria como faziam os barrocos. Realismo e determinismo são correntes posteriores ao arcadismo, fortes no século XIX. (Livro-base, p. 56). D Entre as características da estética árcade, destacam-se o uso da imaginação e o emprego exagerado das alegorias. E Os poetas árcades eram realistas e extraíam do determinismo geográfico e biológico a base ideológica de seus versos . Questão 7/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de texto a seguir: “Não assustava ao sertanejo a imobilidade da moça; durante a corrida, apesar do estrépito do incêndio e do esforço que empregava para arrancá-la às chamas, não cessara um instante de ouvir sobre o peito a palpitação do coração de D. Flor, a princípio violenta, mas que foi moderando-se gradualmente. Conheceu que não passava isso de um simples desmaio causado pelo vapor do incêndio. Com o repouso e a inspiração do ar mais vivo e fresco, a donzela não tardaria a voltar a si. Mas se não receava já pela vida preciosa que salvara, todavia não se desvaneceu completamente a inquietação do mancebo pelas consequências que podia ter aquele susto para a saúde e tranquilidade de D. Flor”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: ALENCAR, José de. O sertanejo . Domínio Público, p. 7. <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000140.pdf> Acesso em 10 de ago. 2017. O trecho acima foi destacado do romance O sertanejo de José de Alencar. Figura central do romance do século XIX brasileiro, o escritor cearense consolida o romance brasileiro como principal gênero literário do Oitocentos. A tradição crítica classificou as obras de Alencar em quatro frentes: romance histórico, urbano, regionalista e indianista. A partir do fragmento acima e do livro-base Literatura Brasileira , relacione as obras de José de Alencar abaixo aos seus respectivos estilos: 1) Romance urbano 2) Romance regionalista 3) Romance histórico 4) Romance indianista ( ) Iracema ( ) O sertanejo ( ) Lucíola ( ) Minas de prata Agora, marque a sequência correta: Nota: 10.0 A 4, 2, 1, 3 Você assinalou essa alternativa (A) Você acertou! 4) Romance indianista - Iracema 1) Romance urbano - Lucíola 3) Romance histórico – Minas de prata 2) Romance regionalista – O sertanejo As obras e seus respectivos estilos foram trabalhados no capítulo dois e corresponde à página 101 do livro-base. B 1, 3, 2, 4 C 2, 3, 1, 4 D 3, 2, 4, 1 E 1, 2, 3, 4 Questão 8/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de poema abaixo: “Vozes veladas, veludosas vozes Volúpia dos violões, vozes veladas Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas ...........................................................”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: CRUZ e SOUSA, J. Violões que choram. In: CRUZ E SOUZA, J. Obra completa . Rio de Janeiro: José Aguilar, 1961. p. 124. A poesia do poeta catarinense Cruz e Souza faz parte do cânone simbolista nacional. Esse movimento estético buscou reagir à objetividade em arte que fundamentava tanto o parnasianismo como o realismo-naturalismo. Considerando os versos acima e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira sobre o simbolismo, é correto afirmar que: Nota: 10.0 A os simbolistas buscaram tanto prosa quanto na poesia representar a realidade da forma mais exata possível. B os simbolistas procuraram por meio do uso de metáforas e outras figuras de linguagem representar o que se passava em seu mundo interior. Você assinalou essa alternativa (B) Você acertou! A alternativa b está correta, porque os simbolistas buscavam uma “linguagem sugestiva [...] que fundiu a palavra, a imagem e a sonoridade. Daí o símbolo ser o recurso por excelência utilizado pelos poetas desse movimento. ‘O símbolo significaria a tentativa de representar [...] por meio de metáforas polivalentes todo o conteúdo vago e multitudinário do mundo interior do poeta’” (livro-base, p. 147). As demais alternativas são inválidas pois os simbolistas não visavam à representação exata da realidade; nem manifestavam engajamento político em seus versos, nem usavam uma linguagem literal, muito pelo contrário; tampouco buscavam elaborar explicações detalhadas de objetos do mundo (livro-base, p. 141-147). C entre as principais características dos poetas simbolistas estava o engajamento político, que se manifestava em seus versos. D os simbolistas empregavam uma linguagem literal, concisa, de modo a representar fielmente os traços do meio rural. E a paráfrase era um dos recursos retóricos mais empregados pelos simbolistas, pois prezavam a explicação detalhada dos objetos do mundo. Questão 9/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de texto abaixo: “No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava: – Ai! que preguiça!... e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau da paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: ANDRADE, M. Macunaíma . 26. ed. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Editoras Reunidas/ Vila Rica, 1990, p. 9. Tendo como referência as informações acima e a leitura do livro-base Literatura Brasileira sobre a obra Macunaíma , de Mário de Andrade, leia as afirmativas abaixo e assinale V para as afirmativas verdadeiras e F paras as afirmativas falsas I. ( ) O “herói sem nenhum caráter”, Macunaíma, nasce indígena e negro, depois se transforma em homem louro de olhosazuis. Desde criança, na tribo, revela-se preguiçoso, malicioso e espertalhão. II. ( ) Segundo Mário de Andrade, Macunaíma é mais uma “rapsódia” do que um romance. III. ( ) Macunaíma é um herói que, partindo do Amazonas em direção a São Paulo, salva o Brasil das interferências europeias. IV. ( ) O romance usa recursos de linguagem humorística, misturados a elementos trazidos de mitos, fábulas e lendas e a registros da língua oral. Agora, marque a sequência correta: Nota: 10.0 A V – V – V – F B F – V – V – V C V – V – F – V Você assinalou essa alternativa (C) Você acertou! As afirmativas I, II e IV são verdadeiras porque a personagem passa pela metamorfose descrita na afirmativa; porque o autor considera o livro uma rapsódia, que segundo ele é uma soma de temas tirados das histórias populares levados para a literatura por um escritor culto; porque “mistura lendas e expressões de diferentes partes do país em uma mesma história, saturando-a de elementos contraditórios, com o fim de destacá-los de sua realidade etnográfica. Do ponto de vista da influência estrangeira, embora tenha se baseado em pesquisas europeias e, até mesmo, tirado seu personagem de uma dessas fontes, o tom parodístico leva-o, segundo a autora francesa Pascale Casanova (2002, p. 348), a ‘uma postura dupla muito refinada: enquanto reúne e enobrece explicitamente um patrimônio cultural até então monopolizado pela etnologia, adota um tom irônico e parodístico que, em um modo literário, denega e sabota os fundamentos do empreendimento’” (livro-base, p. 187 e 188). A afirmativa III é falsa, pois o livro, entre outros aspectos, faz uma paródia da história do Brasil ao mesmo tempo uma afirmação da “estabilização de uma consciência criadora nacional” (livro-base, p. 189). D F – V – F – V E F – F – V – V Questão 10/10 - Literatura Brasileira Leia o fragmento de texto a seguir: “A grande noite do poeta seria, porém, a de 7 de setembro de 1868, quando recitou, com voz vibrante e, mais do que nunca, arrebatado de emoção, ‘Tragédia no mar’, que depois tomaria o nome de ‘O navio negreiro’. [...] O poema foi escrito para ser recitado em voz alta. [...] E é em voz alta que esse poema em seis movimentos, cada um deles a pedir uma inflexão diferente, trabalha em nós e nos comove e nos revolta”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: SILVA, Alberto Costa e. Castro Alves . São Paulo: Cia. das Letras, 2006, p. 98 (Coleção Perfis Brasileiros). E leia um fragmento de “O Navio Negreiro”: ‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço Brinca o luar – dourada borboleta; E as vagas após ele correm… cansam Como turba de infantes inquieta. ‘Stamos em pleno mar… Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro… O mar em troca acende as ardentias, – Constelações do líquido tesouro… ..........................................................”. Após esta avaliação , caso queira ler o texto integralmente, ele está disponível em: ALVES, C. O navio negreiro. In: RAMOS, F. J. S. da. Grandes poetas românticos do Brasil . São Paulo: LEP, 1952, p. 795. Conhecido como poeta dos escravos, porque defendia a abolição da escravidão, Castro Alves difundiu seus versos em teatros, nas ruas e em salões literários ou íntimos. Suas apresentações provocavam forte impacto nos auditórios por que passava. Considerando os fragmentos de texto, o poema acima e os conteúdos do livro-base Literatura Brasileira, sobre a poesia de Castro Alves é correto afirmar que: Nota: 10.0 A a obra de Castro Alves se desenvolveu por um grande período, e dividiu-se em três fases: amorosa, sacra e satírica. B o grande traço de sua poesia é o desalento, que transparece nos poemas em que critica a escravidão. C seus versos apresentam uma visão pessimista do futuro, o que explica a dureza e rigidez de seus versos. D a eloquência é o ponto forte de seu estilo, que expressa o entusiasmo com que via a experiência humana e a natureza. Você assinalou essa alternativa (D) Você acertou! Esta alternativa está correta porque o “principal traço estilístico de sua obra (Castro Alves) é a eloquência verbal de sua poesia [que] deriva [...] do consórcio entre música e a poesia elaborada pelos poetas românticos anteriores e amplifica-se pelos problemas políticos do momento. [...] Castro Alves opunha à poesia do desalento, da geração de Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, uma poesia nascida do ‘entusiasmo’ perante os dramas da vida humana e os espetáculos da natureza. É com sua obra [...] que essa poesia entusiasmada assume problemas sociais e políticos no calor da hora” (livro-base, p. 106, 108). As demais alternativas estão erradas porque Castro Alves morreu muito jovem, aos 24 anos, e sua poesia não foi classificada em fases; porque, como se viu, não havia traço de contenção ou melancolia em sua poesia, muito pelo contrário. E inconformado com a escravidão, Castro Alves escreveu uma obra melancólica, que o inseriu na segunda geração romântica.