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UNIDADE 1

Unidade sobre bases da reprodução humana: apresenta sistemas reprodutores masculino e feminino, gametogênese, regulação hormonal, relações forma–função, causas de infertilidade e técnicas reprodutivas. Descreve detalhadamente a morfologia feminina (ovários, tubas, útero, vagina, vulva, clitóris).

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08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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Autoria: Dra Carolina Galvão Sarzedas
Revisão técnica: Dr Vinicius Canato Santana
REPRODUÇÃO ASSISTIDA
BASES DA REPRODUÇÃO
HUMANA
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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Introdução
Nessa unidade vamos ter a oportunidade de conhecer os sistemas reprodutores masculino e feminino, e, a partir deles,
desenvolver nosso conhecimento sobre os processos de produção de espermatozoides e óvulos e a participação dos
hormônios sexuais na fertilidade humana. 
Vamos propor algumas re�exões para auxiliar no aprendizado, como: o que as diferenças morfológicas mostram sobre a
função dos espermatozoides e dos óvulos? Os hormônios do eixo hipotálamo-hipó�se são importantes para o processo
reprodutivo humano? Todos os problemas de infertilidade precisam ser solucionados com a mesma técnica reprodutiva?
Inicialmente iremos mostrar as semelhanças e diferenças entre os sistemas reprodutores masculino e feminino, seus
respectivos gametas, e como a forma vai determinar sua função no processo de reprodução humana. Assim como suas
semelhanças e diferenças morfológicas e funcionais. A partir dessas informações construiremos a base para entender os
problemas que podem levar a infertilidade, e, em seguida, veremos as técnicas mais usadas como tratamentos da
infertilidade. 
Bons estudos!
Tempo estimado de leitura: 50 minutos.
Se tem uma atividade biológica que nós podemos dizer que é vital para a preservação e a perpetuação das espécies é a
reprodução, certo? Alguns animais e nós, humanos, para nos reproduzirmos dependemos da união de duas células
germinativas:  espermatozoide (gameta masculino) e óvulo (gameta feminino).
Em machos, os espermatozoides são produzidos pelos testículos, e nas fêmeas, os ovários produzem os óvulos, contudo,
podemos dizer que independente do sexo, essas gônadas têm mais de uma função no processo de reprodução, sendo
responsáveis tanto pela gametogênese quanto pela secreção de hormônios sexuais. 
Em fêmeas, as funções reprodutivas podem ser divididas na preparação do corpo para a concepção e o período da
gravidez, propriamente dito. Nas mulheres, a produção de células germinativas pelos ovários ocorre apenas durante a vida
intrauterina, com redução gradativa da quantidade ao longo da fase reprodutiva e com interrupção na menopausa. 
O trato reprodutor feminino tem como órgãos principais: ovários, tubas uterinas, útero e vagina, que se localizam na
cavidade abdominal, na porção inferior. 
Os ovários têm formato de amêndoa e são consideradas glândulas reprodutivas. Estão localizados próximo à parede
lateral da pelve em cada lado do útero. São responsáveis pela produção de ovócitos, que são liberados durante a
ovulação. Os ovócitos secundários liberados passam pelas tubas uterinas e vão até o útero, que vai proteger e nutrir o
embrião e o feto até o nascimento. Os ovários também produzem os hormônios estrogênio e progesterona que vão regular
a gravidez e auxiliar no desenvolvimento de características sexuais secundárias. 
As tubas uterinas medem em torno de 10 cm de comprimento por 1 cm de diâmetro, se estendendo lateralmente a partir
dos cornos do útero. As tubas têm como função o transporte dos ovócitos e dos espermatozoides desde os ovários até o
local de fertilização. Assim como, transportam o zigoto durante o processo de divisão celular para a cavidade uterina. 
O útero tem o formato de pera e é constituído de paredes espessas. Pode ser dividido em corpo (sua parede é constituída
pelo perimétrio, miométrio e endométrio) e colo.
As funções da vagina são o recebimento do pênis durante o ato sexual e a passagem do �uido menstrual, além de ser a
parte inferior do canal de nascimento. 
O conjunto de órgãos sexuais externos nas mulheres é chamado de vulva. A vulva é formada por pregas externas da pele
contendo tecido adiposo chamada de grandes lábios, que encobrem a abertura da vagina. Dentro dos grandes lábios,
existem duas pregas menores formadas por membrana mucosa, são os pequenos lábios, onde na junção superior dessas
pregas, encontramos um pequeno órgão erétil chamado de clitóris, como observado na �gura a seguir. 
1.1 Bases morfofisiológicas da reprodução humana
1.1.1 Morfofisiologia do sistema reprodutor feminino
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Figura 1 - Anatomia do trato reprodutor feminino e seus principais órgãos: vagina, tubas uterinas, ovários e útero, visto de maneira frontal.
Fonte: CURI, 2009, p. 807.
#PraCegoVer
Na figura são mostradas imagens do sistema reprodutor feminino em um
corte lateral e frontal, com a identificação das estruturas que o compõe,
como útero, ovários, vagina, uretra e canal vaginal.
A reprodução se inicia com o processo de maturação das células germinativas nos ovários, quando na metade de cada
ciclo menstrual, um folículo ovariano é expelido para a cavidade abdominal, onde as fímbrias da tuba uterina o capturam
e inicia seu transporte em direção a cavidade uterina. A fecundação entre o ovócito e o espermatozoide ocorre no terço
proximal da tuba uterina.
O sistema reprodutor feminino se desenvolve no feto após a 6ª semana de vida, antes disso, a gônada formada é
indiferenciada, podendo originar tanto testículos quanto ovários. As células germinativas presentes no embrião se
distribuem em duas regiões, o córtex e a medula, no caso das fêmeas o córtex se diferencia em ovários, enquanto a
medula regride. 
Após 5 a 6 semanas de gestação, ocorre migração das células germinativas primordiais do saco univitelino para a crista
genital. Após o desenvolvimento dos ovários, as células germinativas primordiais sofrerão mitose e darão origem às
oogônias. 
Entre 8 e 9 semanas do desenvolvimento embrionário, algumas oogônias vão fazer meiose e originar ovócitos primários. O
número máximo de oogônias (em torno de 7 milhões de células) será atingido em torno da 24ª semana, e a partir daí até
os 6 meses depois do nascimento praticamente todas as oogônias serão convertidas em ovócitos primários.
A maior parte dos ovócitos primários vão acompanhar a mulher durante toda a sua vida fértil. 
Após o nascimento, tanto o sistema reprodutor feminino, quanto o masculino, permanecem adormecidos, até ser ativado
pelas gonadotro�nas hipo�sárias durante a puberdade. A puberdade, ou seja, aquela fase onde observamos muitas
modi�cações morfológicas e �siológicas nos corpos das meninas e dos meninos, dá início às funções endócrinas e
gametogênica, e prepara o corpo para a reprodução. 
Enquanto a mulher não tem capacidade de produzir novas oogônias, o homem continua produzindo espermatozoides até o
�nal da vida. Com a entrada da mulher na menopausa, ou seja, com o �m da sua capacidade reprodutora, apenas alguns
poucos folículos primordiais permanecem nos ovários, e após algum tempo, se degeneram. 
VOCÊ SABIA?
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Todos os processos de maturação se devem ao sistema hormonal, através da liberação dos seguintes hormônios:
Hormônio liberador de gonadotro�nas (GnRH); Hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH):
secretados em resposta ao GnRH; Estrogênio e progesterona: secretados pelos ovários em resposta à liberação de FSH e
LH. 
Geralmente, entre 9 e 12 anos a hipó�se começa a secretar mais FSH e LH, dando início aos ciclos menstruais. O folículo
maduro e os hormônios secretados são responsáveis pelo fornecimento de nutrientes para o ovócito em desenvolvimento,
liberação do ovócito para a cavidade abdominal (ovulação), preparação do endométrio para a implantaçãodo blastocisto
e posterior manutenção da produção de hormônios estrógeno e progesterona até que a placenta assuma essa função,
assim como a preparação de todo o trato genital feminino para a concepção. 
Você já deve ter ouvido falar que as diferenças sexuais entre machos e fêmeas dependem das diferenças em seus
cromossomos. Em grande parte das espécies de mamíferos, o macho possui um cromossomo sexual X e outro Y, além
dos 22 cromossomos autossômicos. Nos machos, os hormônios produzidos pelos testículos desenvolvem o saco escrotal
e o pênis, dando um fenótipo masculino.
O trato reprodutor masculino é composto pelas seguintes estruturas: testículos, epidídimo, sistema de ductos, uretra, pênis,
próstata e glândulas seminais e bulbouretrais. Podemos agrupar essas estruturas por função, sendo que os testículos
correspondem às gônadas masculinas e são secretores de hormônios e produtores de gametas.
E vamos detalhar cada uma dessas estruturas para facilitar a sua aprendizagem.
O escroto é uma pele solta com aparência de bolsa, dividida em dois sacos, cada um contendo um testículo. A regulação
da temperatura dos testículos é controlada pela localização do escroto e pela contração de suas �bras musculares. O
escroto é mantido fora da cavidade pélvica, porque a temperatura ideal para a produção normal de espermatozoides é, em
torno, de 2 a 3 graus Celsius abaixo da temperatura corporal. 
Os testículos são um par de glândulas de formato oval e se localizam na cavidade do escroto. Cada testículo tem em torno
de 5 cm de comprimento e é composto por até 900 túbulos seminíferos que produzem os espermatozoides. Os testículos
se desenvolvem na parte posterior do abdome, perto dos rins, e descem para o escroto em torno do 7º mês de
desenvolvimento fetal. 
O epidídimo é um órgão com formato de vírgula com 4 cm de comprimento que �ca localizado à margem posterior de
cada testículo. Sua função é a de maturar os espermatozoides, momento em que eles adquirem motilidade e capacidade
de fecundação. O epidídimo é constituído por ductos bem enrolados, são os ductos deferentes e eferentes. Durante a
excitação sexual, o epidídimo contribui impulsionando os espermatozoides através dos ductos deferentes para serem
ejaculados. Espermatozoides armazenados e não ejaculados no epidídimo por algum tempo, acabam sendo reabsorvidos.
O sistema de ductos tem como função o transporte dos espermatozoides. O ducto deferente transporta os
espermatozoides durante a excitação sexual, do epidídimo em direção à uretra. Os ductos ejaculatórios terminam na parte
prostática da uretra, onde os espermatozoides e as secreções das glândulas seminais são ejetados antes que a uretra
libere o sêmen na ejaculação. 
A uretra é compartilhada pelos sistemas reprodutivos e urinário, servindo para a passagem tanto do sêmen como da urina.
Mede em torno de 20 cm, passando através da próstata, através dos músculos profundos do períneo e do pênis. 
O pênis tem uma forma cilíndrica e é composto por um corpo, uma glande e uma raiz. Por dentro do pênis passa a uretra
por onde a urina é excretada e o sêmen é ejaculado. O corpo esponjoso possui sua extremidade distal um pouco
aumentada, chamada de glande do pênis e sua raiz é a porção proximal de inserção. A ereção do pênis é o resultado do
aumento do �uxo sanguíneo com a dilatação dos seios sanguíneos. 
1.1.2 Morfofisiologia do sistema reprodutor masculino
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A próstata é uma glândula em forma de rosca com tamanho semelhante a uma bola de golfe. A próstata aumenta de
tamanho lentamente desde o nascimento até a puberdade, logo após se expande rapidamente até os 30 anos e se
mantém estável até os 45 anos de idade, quando novos aumentos podem ocorrer. A glândula está localizada na região
inferior da bexiga urinária e secreta um líquido de aspecto leitoso que constitui em torno de 25% do volume do sêmen,
contribuindo na motilidade e na viabilidade dos espermatozoides.  
As glândulas seminais estão presentes em par e se apresentam como estruturas enroladas com formato de bolsa.
Possuem aproximadamente 5 cm de comprimento e se localizam na região posterior à bexiga urinária, anteriormente ao
reto. As glândulas seminais possuem ductos que secretam um líquido alcalino (pH básico) com função de neutralizar o
meio ácido da uretra. O líquido seminal constitui aproximadamente 60 % do volume total do sêmen. 
As glândulas bulbouretrais também se apresentam em par, porém seu tamanho é semelhante ao de ervilhas. Estão
localizadas na parte inferior da próstata, na parte interior dos músculos profundos do períneo, tendo seus ductos abertos
dentro da uretra. Sua função se relaciona com a liberação de um líquido alcalino que neutraliza os ácidos da urina
presente na uretra, assim como secreta um lubri�cante na ponta do pênis.
Figura 2 - Anatomia do trato reprodutor masculino e seus principais órgãos e glândulas: os testículos, epidídimo, ducto deferente, ducto ejaculatório, vesícula
seminal e glândula bulbouretral.
Fonte: CURI, 2009, p. 797.
#PraCegoVer
Na figura, a representação do sistema reprodutor masculino em um corte
transversal, identificando as principais estruturas como, escroto, testículo,
pênis, uretra, bexiga, glândulas e próstata.
A circuncisão é um procedimento cirúrgico em que uma parte ou todo o prepúcio do pênis é removido. Geralmente é realizada
alguns dias após o nascimento, e é feita por diversos motivos. Fazendo com que a cabeça do pênis �que mais sensível,
contudo, é uma sensação que passa com o tempo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 38% dos homens em
todo o mundo são circuncidados, sendo que na América Latina, esse percentual é bem inferior à média global, por não ser
uma prática muito difundida. 
Embora a maioria dos médicos não encontre uma justi�cativa clínica para a circuncisão, alguns acham que ela tem
benefícios, como menor risco de infecções urinárias, proteção contra o câncer de pênis e, possivelmente, um menor risco de
DSTs.
Contudo, a 15 Square (instituição britânica de auxílio à saúde masculina) luta contra a circuncisão desnecessária, pois
problemas de dor contínua e falta de sensibilidade são frequentemente relatados em homens que passaram pelo
procedimento. 
ESTUDO DE CASO
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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O que caracteriza o corpo masculino é a presença do hormônio testosterona. Mesmo durante o período fetal, os testículos
do feto sofrem estímulos da gonadotropina coriônica da placenta da mãe, para produzirem testosterona. Essa produção é
moderada e ocorre desde o desenvolvimento fetal até mais ou menos a 10 primeiras semanas de vida, após esse período
a testosterona só volta a ser produzida na puberdade. A produção de testosterona, sob estímulo dos hormônios
gonadotró�cos da hipó�se, aumenta durante a puberdade e se mantém assim durante a maior parte da vida, diminuindo
apenas após os 50 anos e caindo para apenas 20 % em torno dos 80 anos.
Tanto espermatozoides quanto ovócitos (ou oócitos) são células germinativas, altamente especializadas, produzidas pela
gametogênese. Por sofrer um processo de meiose, essas células possuem metade do número de cromossomos de uma
célula somática (23 ao invés de 46). 
A divisão meiótica é realizada somente na gametogênese e garante o número constante de cromossomos com o passar
das gerações, assim como permite que haja uma distribuição aleatória dos cromossomos paternos e maternos entre os
gametas.
Desde a formação do embrião observam-se como as células germinativas primordiais migram para os testículos para se
tornar espermatogônias, que posteriormente na puberdade, sofrem mitose, se proliferam e se diferenciam de maneira
contínua para formar o espermatozoide. 
Os tubos seminíferos, localizados nos testículos, têm a função de produzirespermatozoides e em homens adultos esses
túbulos constituem mais ou menos 80% da massa testicular. Já vimos que os espermatozoides começam a ser
produzidos durante o desenvolvimento do feto e �cam em estado latente até a puberdade, então vamos seguir desse
ponto. 
Na puberdade, em torno dos 12 anos, as espermatogônias ou células germinativas primordiais indiferenciadas, sob
in�uência dos hormônios gonadotró�cos se dividem através da mitose, se multiplicam, crescem e se transformam em
espermatócitos primários, que, assim como as espermatogônias, contém 46 cromossomos (2n). 
Logo após, cada espermatócito primário passa por uma divisão meiótica (reducional) e dá origem aos espermatócitos
secundários, que são haplóides (n) e possuem cerca de metade do tamanho dos espermatócitos primários. 
Os espermatócitos secundários passam por uma segunda meiose e dão origem às espermátides, que se transformam em
espermatozoides maduros. Para esse processo damos o nome de espermiogênese ou espermiação. 
O processo inteiro de espermatogênese, que vai desde a multiplicação da espermatogônia até a formação dos
espermatozoides, demora aproximadamente entre 64 e 70 dias. As espermátides, que são arredondadas, sofrem um
processo de metamorfose onde ocorre condensação do núcleo e formação do acrossomo, para se transformarem em
espermatozoides alongados.
A espermatogênese pode ser melhor observada na �gura a seguir.
1.2 Formação de gametas
1.2.1 Espermatogênese e o controle hormonal
Lavoslav Ružička foi um químico de origem croata que em entre 1934 e 1935 descobriu que a androsterona e testosterona
(hormônios masculinos) podem ser produzidos a partir de um esterol neutro, como o colesterol, o que solucionou o problema
da produção sintética de hormônios. Pelo seu feito, foi condecorado com o Nobel de Química em 1939.
VOCÊ O CONHECE?
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Figura 3 - Divisões celulares durante a espermatogênese
Fonte: GUYTON; HALL, 2011, p. 1026.
#PraCegoVer
Nessa figura, o esquema da produção de espermatozoides desde as células
primordiais até a diferenciação dos espermatozoides.
É preciso estar muito claro que na espermiogênese não ocorre divisão celular, cada espermátide sofre metamorfose (uma
espécie de diferenciação celular) e dá origem a um espermatozoide único. Durante este processo, as espermátides
esféricas se transformam no espermatozoide delgado e alongado. 
Os espermatozoides maduros possuem aproximadamente 60 µm (micrómetro) de comprimento e são constituídos por
uma cabeça e uma cauda. 
Na cabeça, que é pontiaguda e achatada encontra-se o núcleo condensado da célula com os 23 cromossomos. Cobrindo o
núcleo tem-se o acrossomo, um “capuz” formado principalmente por aparelho de Golgi. O acrossomo é uma grande
vesícula composta por enzimas líticas que auxiliam o espermatozoide na hora de penetrar na zona pelúcida do ovócito.
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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Entre enzimas, podemos citar proteases e hialuronidases. A cauda do espermatozoide é subdividida em colo
(imediatamente atrás da cabeça, contém centríolos), peça intermediária (rica em mitocôndrias, fornece energia para
locomoção e mantém o metabolismo dos espermatozoides), peça principal (mais alongada) e peça terminal (parte mais
�na da cauda). 
Figura 4 - Estrutura de um espermatozoide
Fonte: TORTORA, 2016, p. 1428.
#PraCegoVer
Na figura, o esquema de um espermatozoide, com indicações de cabeça na
parte de cima, composta por acrossomo e núcleo, e a região da cauda, com
representações de mitocôndrias e um final filamentoso para locomoção.
Depois de maturados, os espermatozoides deslocam-se para o epidídimo, onde se tornam funcionalmente maduros e são
armazenados. 
Todo o processo de espermatogênese demora em torno de 2 meses para ser concluído, e a cada dia em torno de 300
milhões de espermatozoides o �nalizam. E ainda depende de uma série de hormônios para ocorrer. A seguir vamos
mostrar como alguns deles têm papel essencial na espermatogênese.
Os hormônios gonadotró�cos folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH), produzidos pela adeno-hipó�se, controlam a
espermatogênese e a esteroidogênese, respectivamente. Na puberdade, células neurosecretoras localizadas no hipotálamo
vão aumentar a secreção do hormônio liberador de gonadotro�na (GnRH), que por sua vez, estimula a liberação dos
hormônios luteinizante (LH) e foliculoestimulante (FSH).
Quando o grau de espermatogênese é alcançado para a manutenção das funções de reprodução masculina, ocorre
liberação do hormônio inibina, que inibe a secreção de FSH. 
Estimula a secreção de testosterona, e por feedback negativo, suprime a
secreção de LH, que suprime a secreção de GnRH.
Estimula diretamente a espermatogênese e atua sinergicamente com a
testosterona, ativando a secreção da proteína de ligação a androgênos
(ABP), e juntas vão manter as concentrações de testosterona elevadas. 
LH
FSH
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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Em caso de espermatogênese ocorrendo de maneira lenta ocorre menos liberação de inibina, que aumenta a secreção de
FSH e, consequentemente, aumenta a espermatogênese.  
A testosterona é o hormônio mais conhecido quando falamos de reprodução masculina, produzido pelos testículos é
responsável por desenvolver o sistema reprodutor, assim como as características sexuais, tendo efeitos anabólicos nos
ossos e na musculatura esquelética masculina.
Durante a puberdade são observados os seguintes efeitos causados pela ação da testosterona: crescimento peniano e
testicular, crescimento ósseo e da massa muscular, aparecimento de pelos pubianos, faciais e axilares, assim como,
engrossamento da voz, aumento da libido e da agressividade.
O produto �nal do processo de espermatogênese é o sêmen, um �uido ejaculado pelo pênis durante o ato sexual
masculino que contém espermatozoides e secreções provenientes das vesículas seminais, glândulas bulbouretrais e da
próstata. O sêmen ejaculado tem aproximadamente 3 ml e contém em torno de 100 milhões de espermatozoides por ml. 
Dentro do trato genital feminino, os espermatozoides não estão com sua capacidade imediata de fertilização e têm entre 4
e 6 horas para passar por essa capacitação. O processo de capacitação remove fatores inibitórios presentes no líquido
ejaculado, colesterol da membrana celular dos espermatozoides e as proteínas marcadoras de superfície são
redistribuídas. Durante a capacitação também ocorre a fusão da membrana acrossômica com a membrana externa do
espermatozoide, gerando poros por onde as enzimas proteolíticas e hidrolíticas deixam o acrossomo, para criar uma via
que facilitará a penetração do espermatozoide no óvulo. 
A fertilidade masculina depende da qualidade do sêmen, ou seja, do número e da motilidade dos espermatozoides. A
oligospermia (baixa produção de espermatozoides) é uma causa comum de infertilidade, onde um número menor do que
20 milhões de espermatozoides por ml são incompatíveis com a fertilidade. 
A testosterona é um hormônio esteroide presente principalmente nos homens. Está diretamente  relacionado com a
masculinidade, pois não só desenvolve o trato reprodutor masculino, como também, estimula a produção de
espermatozoides, o aumento da massa muscular, controla a lipólise, desenvolve os genitais e a distribuição de pelos pelo
corpo. 
Assinale a a�rmação que apresenta onde a produção de testosterona ocorre.
a) Hipó�se, glândula localizada na base do cérebro.
b) Próstata: glândula localizada próxima a bexiga.
O processo de fecundação se dá quando um espermatozoide consegue entrar em um óvulo e forma um zigoto. É um
fenômeno que ocorre no interior das trompas, e o óvulo depois defecundado se encaminha para o útero. Nesse vídeo
podemos acompanhar de um jeito divertido o processo de fecundação, desde a liberação do esperma no ato sexual até que
ele encontre o óvulo e consiga fecunda-lo.
Acesse (https://www.youtube.com/watch?v=mhmcTP_rz2M)
VOCÊ QUER VER?
(ATIVIDADE NÃO PONTUADA)
TESTE SEUS CONHECIMENTOS
https://www.youtube.com/watch?v=mhmcTP_rz2M
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Ovulogênese ou oogênese é a formação de gametas nos ovários femininos e,  ao contrário da espermatogênese, que
começa na puberdade masculina, a ovulogênege começa antes do nascimento. O processo de ovulogênese, assim como a
espermatogênese, ocorre via meiose e os óvulos sofrem um processo de maturação antes de serem liberados para a
fecundação.
Ainda durante o desenvolvimento fetal, as células germinativas primordiais (primitivas) migram do saco vitelínico para os
ovários, onde se diferenciam em oogônias. 
Oôgonias são células-tronco diplóides (2n) que por mitose se dividem para produzir milhões de células germinativas.
Ainda antes do nascimento, grande parte dessas células se degenera pelo processo de atresia, contudo as células
mantidas se desenvolvem em oócitos primários. 
Os oócitos primários entram na prófase da meiose I ainda durante o desenvolvimento fetal, porém essa fase só se conclui
na puberdade. 
Da puberdade até a menopausa, mensalmente, os hormônios FSH e LH estimulam o desenvolvimento de vários folículos
primordiais, porém apenas 1 alcança a maturidade. Cada um desses folículos consiste em um oócito primário, circundado
por várias camadas de células granulosas. À medida que o folículo principal vai crescendo, ocorre formação da zona
pelúcida (camada de glicoproteína transparente) entre o oócito primário e as células granulosas. 
O processo de maturação converte o folículo primário em secundário, e a teca folicular (camada de células estromais ao
redor da membrana basal) se diferencia em teca interna, que secreta estrogênios e teca externa, composta por �bras
colágenas e células estromais.  
Posteriormente, o folículo secundário aumenta de tamanho e torna-se um folículo maduro. Antes da ovulação, apenas 1
oócito primário completa a primeira divisão da meiose, porém a divisão do citoplasma é desigual. Enquanto o oócito
secundário, agora haplóide (23 cromossomos), recebe quase todo o citoplasma, o primeiro corpúsculo polar recebe quase
nenhum citoplasma e se degenera em pouco tempo. 
O núcleo do oócito secundário inicia a segunda divisão meiótica somente até a metáfase, em um processo chamado
ovulação. 
Se o oócito secundário for fertilizado por um espermatozoide, a segunda divisão da meiose se completa e forma o
segundo corpúsculo polar. Os núcleos do espermatozoide e do óvulo se fundem formando um zigoto diploide, como
podemos acompanhar na �gura a seguir. 
c) Vesícula seminal: estão localizadas próximas à próstata. 
d) Testículo: localizado dentro do saco escrotal, atrás do pênis.
e) Epidídimo: canais que recobrem a parte posterior dos testículos.  
VERIFICAR
1.2.2 Ovulogênese e o controle hormonal
No momento do nascimento, as mulheres possuem entre 200 mil e 2 milhões de oócitos primários em cada ovário. Destes, 40
mil ainda permanecerão durante a puberdade, porém apenas 400 vão amadurecer durante a vida fértil, todo o restante sofrerá
atresia. Segundo os estudos apresentados, aos 30 anos, 95% das mulheres possuem apenas 12% da sua reserva de óvulos e,
aos 40, apenas 3%. 
Acesse (https://www.bbc.com/portuguese/ciencia/2010/01/100128_reservaovulosestudofn)
VOCÊ QUER LER?
https://www.bbc.com/portuguese/ciencia/2010/01/100128_reservaovulosestudofn
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Figura 5 - Eventos da oôgenese e da fecundação.
Fonte: TORTORA, 2016, [s. p.].
#PraCegoVer
Nessa figura, esquema representando as 6 etapas do processo da oôgenese,
com a sequência: oôgonia e oócito primário, ambos diploides, oócito
secundário e óvulo, haploides e na presença do espermatozoide forma o
zigoto diploide.
A partir da primeira menstruação (menarca) em diante, as mulheres têm ciclos reprodutivos mensais, que prepara o
sistema reprodutor para a gravidez. Esses ciclos são regulados pelo hipotálamo, hipó�se e ovários. 
O hormônio liberador de gonadotropina (GnRH) estimula a liberação dos hormônios folículo estimulante (FSH) e hormônio
luteinizante (LH) que vão agir nos ovários. Juntos promovem o ciclo ovariano, com o desenvolvimento dos folículos,
ovulação e formação do corpo lúteo. Em cada ciclo, o FSH promove o crescimento de diversos folículos primários, porém
apenas 1 se desenvolve até formar um folículo maduro, que se rompe e libera o oócito.  O FSH, além de estimular o
crescimento folicular, também estimula a produção de estrogênios pelas células foliculares, enquanto o LH estimula tanto
a ovulação quanto a produção de progesterona por parte das células foliculares e do corpo lúteo.  
Os estrogênios secretados pelos folículos ovarianos possuem várias funções, onde podemos citar: promovem o
desenvolvimento e a maturação dos órgãos e estruturas reprodutivas femininas, como as mamas e as características
secundárias (aumento da distribuição do tecido adiposo, crescimento de pelos, entre outras); aumentam o metabolismo de
proteínas; mantém baixos os níveis de colesterol.
A progesterona tem ação cooperativa ao estrogênio e também prepara o corpo para a manutenção do endométrio em uma
possível implantação do óvulo fertilizado, assim como prepara as glândulas mamárias para a produção de leite. A
secreção de LH e GnRH é inibida quando os níveis de progesterona estão altos.
Um hormônio pouco falado, mas importante mesmo em pequena quantidade, é a relaxina produzida pelo corpo lúteo. Sua
função está relacionada com a inibição das contrações do miométrio e com o relaxamento do útero. Esse hormônio é
mais produzido pela placenta durante a gestação, para manter o músculo liso do útero relaxado. Em contrapartida, ao �nal
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da gestação, a relaxina aumenta a �exibilidade da sín�se púbica, ajudando a dilatar o colo do útero para facilitar a
passagem do bebê na hora do parto. 
A inibina, secretada pelas células granulosas e pelo corpo lúteo, inibe a secreção de FSH e de LH.
Figura 6 - Eixo hipotálamo-hipófise-ovários
Fonte: CURI, 2009, p. 835.
#PraCegoVer
A figura mostra três círculos representando hipotálamo, hipófise e ovários, e
os respectivos hormônios produzidos GnRH, FSH e LH e estrogenios, inibina e
progesterona. Setas saem de cada círculo indicando o feedback positivo e
negativo.
Quando o sistema reprodutor feminino está totalmente desenvolvido, está apto a exercer suas funções endócrina e
reprodutora de maneira cíclica e regular, com alterações no útero, nos ovários e em outras estruturas reprodutivas. Esse
ciclo que prepara o corpo para uma gravidez é chamado de ciclo menstrual, e tem duração média de 28 dias, podendo
variar entre 20 e 45 dias. 
VAMOS PRATICAR?
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Com base no seu aprendizado sobre hormônios masculinos e femininos, assim como, nas diferenças anatômicas de casa
sexo, redija um texto de 1 lauda pelo menos, sobre as diferenças na liberação de hormônios sexuais ao longo da vida de
homens e mulheres. Ao �nal, compartilhe seu resultado com seus colegas.
Podemos dizer que a infertilidade é a di�culdade que um casal encontra para conseguir engravidar dentro do período de
um ano tendo relações sexuais regulares, sem uso de contraceptivos. Enquanto a esterilidade éa impossibilidade do
indivíduo em produzir gametas, sejam eles óvulos ou espermatozoides. 
Por mais que a infertilidade não seja uma doença letal, do ponto de vista emocional e social pode ter consequências
devastadoras para casais que possuem o sonho de uma gravidez. 
A infertilidade feminina se deve à insu�ciente ovulatória em 40% dos casos, outros 40% são causadas por problemas nas
tubas uterinas ou no endométrio, e outros 10% podem ser resultados de doença da tireoide, e infelizmente, 10% pode
permanecer sem nenhum tipo de explicação.
As causas da infertilidade feminina são variadas, mas podemos dividi-las em cinco grandes grupos para facilitar nosso
processo de aprendizagem. Os grupos apresentados abaixo podem ser coincidentes ou provenientes de múltiplos fatores. 
Nas causas ovulatórias, a disfunção ovariana pode ser resultado de distúrbios do hipotálamo ou da hipó�se, que
estimulam inadequadamente a secreção dos hormônios gonadotró�cos dos ovários, resultando em níveis insatisfatórios
dos hormônios e falha na ovulação. 
A primeira parte da avaliação do crescimento/qualidade folicular ou da ovulação da paciente é feita através do seu
histórico menstrual. Mesmo que a paciente tenha uma menstruação regular, com ovulação em 95% dos ciclos, não é
garantida a qualidade dos óvulos. Ciclos curtos (menos de 23 dias) ou muito longos (maiores que 36 dias), geralmente,
são anovulatórios. 
Grande parte dos casos anovulatórios é resolvida com a correção da causa, ou seja, a administração de gonadotro�nas
exógenas vai estimular os ovários, promovendo o crescimento do folículo. Se esta for a única causa para a infertilidade, o
casal conseguirá uma gestação entre 3 e 6 meses de correção da anovulação. 
Um distúrbio ovariano muito comum é a diminuição da reserva ovariana e está relacionado com a idade, havendo perda
acelerada de folículos com a aproximação da menopausa. Com a ausência de folículos, ocorre aumento dos níveis de FSH
e produção inadequada de inibina, resultando em queda nos níveis de hormônio anti-mülleriano. 
1.3 Infertilidade e esterilidade
1.3.1 Infertilidade feminina
É importante falar sobre a liberação de hormônios masculinos (testosterona)
e femininos (estrogênios), bem como sobre sua regulação pelo eixo
hipotálamo-hipó�se-gônadas. Nos homens, a testosterona age diretamente
nas gônadas, estimulando a produção de espermatozoides, que começa na
puberdade e continua por toda a vida. Já em mulheres, o FSH e o LH agem
diretamente nos ovários, estimulando o amadurecimento de apenas um
folículo por mês. O amadurecimento dos oócitos por estimulação natural de
hormônios começa na puberdade e vai até a menopausa, quando a mulher
para de produzir óvulos maduros e, com isso, não pode mais engravidar
naturalmente.
Feedback
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No fator uterino são encontrados problemas de di�culdade de implantação do embrião e abortamentos de repetição
podem estar relacionados com alterações na cavidade uterina (problemas anatômicos ou associados à receptividade
endometrial), não sendo exatamente um problema de infertilidade. 
Entre as causas de problemas anatômicos e estruturais podemos citar: miomatose uterina, adenomiose, polipose uterina,
malformações müllerianas e sinequias uterinas decorrentes de curetagens prévias. 
O pior quadro reprodutivo está relacionado com uma malformação mülleriana denominada útero septado. 
No fator tubário ou pélvico, problemas relacionados com o fator tubário estão relacionados com doença in�amatória
pélvica (DIP) anterior, endometriose, abortamentos, cirurgias abdominais, apendicite, doença in�amatória intestinal,
tuberculose pélvica ou gravidez ectópica. Portanto, infecções pélvicas podem resultar em falha no transporte dos oócitos
ou dos espermatozoides, ocasionando incapacidade de implantação ou implantação ectópica. 
Mas é preciso �car claro que em torno de metade das mulheres com alterações tubárias NÃO apresenta patologias
passadas, precisando de um diagnóstico diferencial. 
Em torno de 50% dos casos de infertilidade feminina está relacionado com a endometriose, que ocorre devido à
proliferação e à descamação cíclica do tecido endometrial ectópico, resultando em in�amação e formação de aderências.
A endometriose causa distorção anatômica e produção de citocinas e fatores de crescimento, que podem prejudicar os
processos normais de ovulação, fertilização e implantação. 
O fator cervical está relacionado com a presença de malformações congênitas, como septos ou cicatrizes no colo em
decorrência de algum procedimento prévio, podendo levar ao comprometimento anatômico da fertilidade.
As alterações no colo do útero podem levar à di�culdade da passagem dos espermatozoides para o interior do útero. Entre
as causas, podemos relacionar fatores infecciosos (fungos, vírus ou bactérias), anatômicos ou imunológicos (formação
de anticorpos contra os espermatozoides no muco cervical). 
O hormônio anti-mülleriano (HAM) exerce funções reguladoras sobre a ovulogênese. O HAM apresenta estabilidade durante
períodos de mudança hormonal, como nos ciclos menstruais e declina gradualmente com a idade da mulher. É um hormônio
marcador da reserva ovariana usado em técnicas de reprodução assistida com o objetivo de predizer a resposta inadequada à
estimulação ovariana controlada.
VOCÊ SABIA?
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Figura 7 - Gravidez
Fonte: Galeria DTCOM, 2021.
#PraCegoVer
Nessa figura, uma mulher de vestido vermelho, com as mãos na barriga de
grávida.
Há outros fatores que podemos ainda falar como causa da infertilidade feminina, os fatores imunológicos, genéticos e
aquele ainda sem explicação. 
Quando aos fatores imunológicos temos a síndrome anti-fosfolípides (SAF) que parece se relacionar com a rejeição
imunológica no início da gravidez ou à danos placentários. Mesmo mostrando uma associação entre SAF e perda
recorrente da gravidez, não há indícios de que a SAF esteja relacionada com a infertilidade. 
Dentre as causas genéticas, há maior prevalência de anomalias do tipo trissomias, mosaicos e translocações, porém antes
de relacionar com a infertilidade, é preciso analisar o histórico médico da paciente. 
A aneuploidia mais comumente relacionada com a infertilidade é a síndrome de Turner.
O excesso de peso ou a magreza extrema também podem ser considerados fatores que comprometem a fertilidade, assim
como o tabagismo, a atividade física, uso de drogas, excesso de cafeína. 
Estima-se que aproximadamente 15% dos casais apresentam alguma di�culdade na concepção do primeiro �lho, e 30%
dos casos de infertilidade é masculina. A maior parte das causas de infertilidade masculina pode ser tratada através de
uma análise na história clínica, no exame física e complementada com exames laboratoriais. 
Para haver concepção é preciso observar alguns fatores: 1) normalidade da espermatogênese; 2) produção dos líquidos
seminais pelas glândulas acessórias seminais; 3) ductos de transporte de espermatozoides desobstruídos; 4) ejaculação
próxima ao colo do útero da mulher.   
A partir daí, precisa acontecer o transporte dos espermatozoides através das tubas uterinas e alterações funcionais para
que eles possam se fundir com a membrana do ovócito. 
A infertilidade será caracterizada por defeitos em quaisquer dos mecanismos mencionados acima. Contudo, alguns outros
registros também precisam ser analisados, pois tratamentos de saúde realizados anteriormente, uso de hormônios,
antibióticos, cirurgias de correção de varicocele ou nos ductos do sistema reprodutor também podem interferir na
fertilidade. 
Para facilitar o processo de aprendizado, vamos dividir os problemas de fertilidade nas formas pré-testicular, testicular e
pós-testicular.
Na fase pré-testicular falamos de alterações hormonais queinterferem no eixo hipotálamo-hipó�se, resultantes de
mutações nos genes envolvidos na síntese dos hormônios, nos fatores de crescimento ou receptores e vias de transdução
de sinais. 
Como resultado, tem-se perda da produção de testosterona intratesticular e consequente interrupção da espermatogênese. 
1.3.2 Infertilidade masculina
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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Na fase testicular, a causa mais comum de infertilidade é a varicocele, uma dilatação anormal nas veias escrotais. Ocorre
em cerca de 15% da população masculina e pode ser causada por uma má con�guração da anatomia da veia espermática
interna esquerda, pela ausência ou incompetência de válvulas ou pela compressão parcial da veia renal esquerda. 
A varicocele compromete a espermatogênese porque aumenta a temperatura do escroto, altera o �uxo sanguíneo e reduz o
tamanho dos testículos, além de produzir de maneira excessiva esteroides suprarrenais, tendo como consequência
alterações no eixo hipotálamo-hipó�se-gônadas, diminuindo os níveis de testosterona. 
Quando os testículos, durante o desenvolvimento, não descem para o escroto e permanecem na cavidade abdominal ou
na virilha, chamamos de criptorquidismo. Esse distúrbio acontece em apenas 1 ou 2% dos bebês com 6 meses de idade. 
Quando a descida de 1 ou dos 2 testículos não ocorre, o resultado é o comprometimento da espermatogênese. 
Entre 50 e 70% dos homens com criptorquidismo unilateral apresentam oligospermia ou azoospermia, enquanto homens
com criptorquidismo bilateral são quase 100% azoospérmicos.
Na fase pós-testiculares, o sistema reprodutor masculino é composto por muitos ductos, por isso, pode ocorrer uma
obstrução em qualquer parte ao longo do caminho. A obstrução é localizada a partir da análise do sêmen.  Por exemplo:
obstrução completa do ducto ejaculatório resulta em pouco volume de sêmen ácido e negativo para frutose; obstrução dos
vasos ou do epidídimo resulta em sêmen com volume normal, porém alcalino e positivo para frutose. 
Homens, cuja única causa da infertilidade seja obstrução de ductos, apresentam níveis normais de FSH e testosterona. 
A obstrução congênita pode ser causada por estreitamento dos ductos ejaculatórios, e pela presença de cistos do utrículo
ou dos ductos de Müller ou de Wolf. 
A obstrução adquirida pode ser resultado de vasectomia ou causada por cirurgia pélvica ou inguinal. Cirurgia de escroto e
in�amação no trato urinário masculino podem causam obstrução do epidídimo.  
Uma das causas mais comuns de infertilidade masculina é a obstrução do ducto ejaculatório, podendo ser congênita ou
adquirida. Os sintomas mais comuns incluem infertilidade, pouco volume e redução da força do ejaculado,
hematospermia (presença de sangue no ejaculado), dor ao ejacular e ao urinar. 
A infertilidade masculina ainda pode ser causada por distúrbios da ejaculação. São incomuns, porém importantes e são
divididos em: ejaculação precoce, que é a incapacidade de controlar a ejaculação durante a relação sexual, provoca
angústia como disfunção sexual, porém raramente leva à infertilidade; anejaculação, que é a ausência completa de sêmen
e está relacionada com disfunções do sistema nervoso central, periférico ou fármacos; ejaculação retrógrada, nessa
condição o ejaculado �ui para dentro da bexiga por conta do fechamento do colo da bexiga, é diagnosticada pela
presença de espermatozoides na urina da bexiga após a ejaculação.   
A investigação da infertilidade começa com uma anamnese, seguindo por exames físicos direcionados e análise seminal
(espermograma). Se for necessário, podem ser solicitadas dosagens hormonais, exames de urina e de imagem e exames
mais especí�cos, como pesquisa genética e biópsia testicular. 
O diagnóstico de infertilidade deve ser buscado quando em um período de 12 meses de tentativas, com relações sexuais
regulares e sem métodos contraceptivos, não ocorre gravidez. Ou em menos de 12 meses em casos de fatores de risco
para a infertilidade do homem ou da mulher. 
O tema infertilidade é tão antigo quanto a história da humanidade, tendo sido abordado em escritos bíblicos. Ter �lhos
sempre foi considerada uma obrigação para todos os casais e ainda na atualidade é um problema que afeta os
sentimentos de homens e mulheres. Enquanto na mulher a infertilidade costuma ser associada de maneira errada à
desvalorização e incapacidade, para o homem se relaciona com a falta de masculinidade e virilidade. 
A investigação das causas da infertilidade ou esterilidade é um processo que envolve o casal e os possíveis limites de
reprodução devem ser estudados de maneira simultânea e integral. É fundamental que haja uma sintonia entre plano e
ação, desejo e vontade, sendo essa a base de sustentação do processo. Ressaltamos a necessidade de uma intervenção
1.3.3 Infertilidade conjugal e possibilidades de tratamento
O criptorquidismo pode ser corrigido com cirurgia via inguinal ou via escrotal para correto posicionamento do testículo dentro
da bolsa escrotal. A cirurgia não só otimiza a função do testículo, como reduz a chance do desenvolvimento de tumores, além
de evitar complicações como hérnias e torções testiculares. 
Indica-se que a cirurgia de correção seja realizada entre 6 e 12 meses de idade, não devendo passar dos 18 meses. 
VOCÊ SABIA?
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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psicológica associada aos processos de reprodução assistida.
A medicina reprodutiva apresenta diversas opções de tratamento, levando em consideração a causa da infertilidade, a
idade da mulher, a preservação de gametas por motivos oncológicos ou sociais, ou, ainda, levando em consideração
novas constituições familiares como monoparentais, homoafetivas e transexuais. 
Figura 8 - Espermatozoides indo em direção à um óvulo
Fonte: Yurchanka Siarhei, Shutterstock, 2021.
#PraCegoVer
A figura mostra a representação de vários espermatozoides indo em direção
ao óvulo.
As técnicas de reprodução assistida passaram a ser uma possibilidade de resolução do problema de infertilidade, pois
seus métodos e técnicas têm o objetivo de viabilizar a gestação, incluem a inseminação arti�cial in vitro (FIV), injeção
intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), indução da ovulação, transferência intratubária de gametas e inseminação
intrauterina.
A fertilização in vitro (FIV) é realizada através da estimulação ovariana onde a mulher produz maior quantidade de óvulos
para serem coletados por aspiração folicular. Em laboratório, em torno de 40 mil espermatozoides saudáveis são
separados e colocados em cultura com cada óvulo, para fecundação espontânea. Após o desenvolvimento dos óvulos
fecundados, os embriões podem sem transferidos para o útero da paciente ou congelados. É um método que depende da
idade da mulher, indicado para casais que já tentaram outras técnicas ou em casos de endometriose ou fator tubário
moderado ou grave, baixa reserva ou insu�ciência ovariana, fator masculino grave, casais sorodiscordantes ou
homoafetivos, útero de substituição ou infertilidade sem causa aparente.
A Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) não deixa de ser uma técnica de FIV, onde as etapas iniciais são
estimulação ovariana, aspiração, coleta de óvulos e tratamento dos espermatozoides. O que diferencia a ICSI é a injeção
de espermatozoide direto dentro do óvulo em um processo chamado micromanipulação. A indicação da técnica se dá
para casos severos de infertilidade masculina ou em caso de idade avançada da mulher.  
A Indução da ovulação com namoro prolongado é uma técnica utilizada em mulheres com algum tipo de problema
ovulatório, então é feita a indução da ovulação e estimula-se o namoro prolongado durante esse período, com relações
sexuais diárias ou a cada 2 dias. 
Na técnica de transferência intratubária de gametas, espermatozoidese óvulos são inseridos dentro das tubas uterinas
para serem fertilizados de maneira natural. Um ou mais óvulos podem ser fecundados. 
Já a inseminação intrauterina (arti�cial) é uma das técnicas menos invasivas, mais acessível economicamente e com
menos complicações, onde ocorre a inserção de espermatozoides dentro do útero. É contraindicada para pacientes com
obstrução tubária, endometriose, oligozoospermia ou baixa reserva ovariana. 
E ainda podemos citar outras técnicas como:
Ovodoação (doação de óvulos), quando a mulher, por algum motivo, não produz mais óvulos ou
quando já se submeteu a outros tratamentos com os próprios óvulos e não teve sucesso ou em caso
de casais homoafetivos masculinos. A doação de óvulos é feita de maneira anônima e �ca em um
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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No Brasil, os acordos de barriga de aluguel são considerados ilegais, por isso, para que uma mulher possa ser doadora
temporária de útero precisa ser parente em até 4º grau do casal ou amiga próxima e não pode haver recompensas
�nanceiras. Em caso da barriga solidária ser uma amiga, o Conselho Federal de Medicina decidirá a realização ou não do
procedimento. 
A infertilidade pode ter causas multideterminadas, portanto, todos os tratamentos de fertilidade oferecidos aos indivíduos
não podem deixar de fora o contexto emocional e ambiental da infertilidade. O tratamento não é direcionado a curar
enfermidades, mas sim, gerar uma nova vida, precisando ser multidisciplinar, com médicos e pro�ssionais de saúde
mental. 
banco de óvulos. Quando o óvulo é selecionado pelos interessados, segue o processo da FIV.
Banco de sêmen (doação de espermatozoides), uma técnica utilizada quando o homem é
azoospérmico ou em casais homoafetivos femininos. Assim como a doação de óvulos, a doação de
espermatozoides é anônima e armazenada em um banco de sêmen, onde podem ser selecionados e
utilizados para inseminação arti�cial ou FIV.
Doação temporária de útero/Gestação de substituição (Barriga de aluguel), é uma opção quando a
mulher apresenta alguma condição que impeça a gestação ou a implantação de um embrião, ou em
casais homoafetivos masculinos.
A exposição prolongada à radiação ionizante causa alterações em células biologicamente importantes, podendo levar ao
desenvolvimento de câncer e mutações que podem afetar as próximas gerações. Suspeita-se que a radiação “desligue” o
mecanismo de reparo, causando erros no DNA passados para a prole. 
Assinale a alternativa correta sobre as estruturas afetadas pela radiação que causarão danos nas próximas gerações:
a) A hipó�se afetada pela radiação não sinaliza a produção de hormônios essenciais para a reprodução.
b) No homem, as mitocôndrias presentes nos espermatozoides perdem a capacidade de gerar energia
para o seu deslocamento. 
c) O DNA dos espermatozoides e dos óvulos sofre mutações que vão levar a formação de um zigoto
com má formação.
d) A produção de testosterona �ca prejudicada, levando a diminuição da espermatogênese. 
e) Os folículos produzidos pela mulher não se dividem corretamente por meiose, sendo mantido
diploides. 
VERIFICAR
(ATIVIDADE NÃO PONTUADA)
TESTE SEUS CONHECIMENTOS
08/05/2023 20:00 Reprodução Assistida
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Concluímos essa unidade tendo abordado a forma e a função dos órgãos reprodutores masculino e feminino, onde
pudemos observar sua localização e importância para o processo de formação de gametas. Pudemos perceber que,
através de sinais hipotalâmicos, hormônios são secretados para que espermatozoides e óvulos sejam produzidos.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
CONCLUSÃO
conhecer �siologicamente os sistemas reprodutores feminino e masculino, com sua
anatomia e hormônios envolvidos na no processo reprodutivo;
analisar as diferenças essenciais entre a espermatogênese e a ovulogênese sob o ponto de
vista da morfologia e da função de cada gameta no processo de fecundação; 
aprofundar o conhecimento acerca das causas da infertilidade feminina e masculina, com as
possibilidades de tratamento;
apresentar técnicas de tratamento de infertilidade como fertilização in vitro, injeção
intracitoplasmática de espermatozoides, indução da ovulação, inseminação arti�cial e
transferência de gametas. 
Clique para baixar conteúdo deste tema.
CURI, R. Fisiologia Básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogam, 2009. 
GUYTON, A.C.; HALL, J.H. Tratado de �siologia médica. 12ª edição, Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
HAMMER, G.D. Fitopatologia da doença: Uma introdução à clínica médica. 7ª edição, Porto Alegre: AMGH,
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SILVA, C. H. M.; SABINO, S. M.; CRUZEIRO K. D. C. Manual SOGIMIG de reprodução assistida. 1ª edição, Rio
de Janeiro: Medbook, 2018. 
TORTORA, G.J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e �siologia. 14ª edição, Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2016. 
YAMAKAMI, l.Y.S. et al. Condutas práticas em infertilidade e reprodução assistida: mulher. 1ª edição, Rio de
Janeiro: Elsevier, 2017. 
Referências

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