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Sumário Guia de estudos..............................................................................................................................................2 O que é Liderança..........................................................................................................................................3 Funções do Líder............................................................................................................................................9 Estilos de Liderança.....................................................................................................................................12 Chefe, gerente, líder... Tem diferença?........................................................................................................17 Leitura Complementar.................................................................................................................................21 Perfis de necessidades dos liderados versus perfis de estilos dos líderes......................................21 Trecho do filme: Ensaio de Orquestra...........................................................................................24 Sobre o filme: Ensaio de Orquestra...............................................................................................25 LIDERANÇA GUIA DE ESTUDOS Neste módulo iremos tratar da necessidade de você, chefe de cartório, exercer a sua capacidade de liderança. Liderança aqui será tratada como a capacidade do chefe favorecer a organização das tarefas e a excelência dos resultados alcançados, ao mesmo tempo em que promove um ambiente de trabalho agradável para a sua equipe. Assim, a função de cuidar das pessoas, que antes era vista como atribuição única e exclusiva da área de recursos humanos, passa a ser vista como responsabilidade do líder de cada unidade de trabalho. Serão apresentados ainda os diferentes estilos de liderança, os quais têm a ver menos com as características pessoais de cada líder e muito mais com as variáveis situacionais presentes no comportamento de qualquer pessoa em posição de liderança. Por fim, faremos um breve resgate histórico do serviço público, traçando a diferenciação entre chefe, gerente e líder. Convidamos você a refletir bastante sobre o que será dito e, principalmente, sobre o que você vai fazer com o que for dito. Bom trabalho!! Conteudistas do curso LIDERANÇA MÓDULO I – LIDERANÇA INTRODUÇÃO Observe uma orquestra. Seja ela uma orquestra de câmara, uma sinfônica ou filarmônica, é constituída por diversos músicos e variados instrumentos, cada qual produzindo isoladamente um som característico, mas todos contribuindo para o êxito final, ou seja, a “sinfonia”, a música. Este objetivo é alcançado graças a mediação de um personagem em particular: o maestro. Trata-se daquele que permanece em destaque durante toda a apresentação, tem sua foto estampada na capa de CD’s e DVD’s, profere palestras e concede entrevistas, mas que, geralmente, não toca instrumentos durante as apresentações, e sim coordena a todos, motiva, marca o ritmo. Numa palavra: lidera. Talvez a orquestra consiga tocar sem maestro uma obra simples e sem grandes reviravoltas ou altos e baixos. Toca com menos qualidade, mas toca. Agora imagine uma dessas sinfonias complexas, em que tudo muda rapidamente, entram instrumentos e saem instrumentos, o ritmo acelera, pára, volta lento, dispara febril e assim por diante. Sabe o que acontece se não existir um bom maestro? Um desastre! Na dinâmica com que as coisas acontecem, dificilmente todos serão capazes de se manter no passo. O grande mestre do cinema italiano Federico Fellini, propôs uma reflexão sobre isso no cultuado filme Ensaio de Orquestra, de 1978. Na obra, um grupo de músicos rebelam-se contra os métodos do maestro e resolvem depô-lo de sua função substituindo-o por um grande metrônomo. Os músicos acreditavam que eram suficientemente competentes em seus ofícios e que, por isso, não necessitavam de ninguém para gerí-los e importuná-los com cobranças e críticas. Instaurada a rebelião, o caos se apossa do ambiente de ensaio culminando com episódios dramáticos de destruição e ferimentos para os músicos. É nesse ínterim, em meio à desordem e perplexidade, que o maestro retoma seu lugar de liderança junto ao grupo e é por todos seguido. Esse filme teve durante décadas muitas interpretações, inclusive políticas, que não são alvo de nossas reflexões nesse curso. Aqui, interessa-nos pensar em como o filme é uma metáfora para a complexidade das relações entre líder e liderados, tendo como pressuposto sua importância para o desempenho de um grupo de trabalho e para o alcance dos resultados almejados. Clique aqui para assistir a um trecho do filme ENSAIO DE ORQUESTRA. Clique aqui caso não consiga assistir ao trecho do filme ENSAIO DE ORQUESTRA. Conheça a ficha técnica, a sinopse e o resumo do filme, clique aqui. A orquestra é feita de músicos com talentos individuais e coletivos divididos entre os diversos naipes de instrumentos. Para haver música, é preciso que haja integração entre eles e que todos saibam que obra tocar, quando, onde, para quem e como. E aí o maestro cumpre um papel fundamental. Poderíamos dizer que os princípios que regem o funcionamento de uma organização são os mesmos de uma orquestra: diferentes músicos e instrumentos que, juntos, devem produzir uma melodia coesa. Para que todos mantenham o mesmo passo há um maestro na batuta. As instituições são feitas por colaboradores com talentos individuais e coletivos que precisam estar em sintonia sistêmica e estratégica. A maneira como se integrarão e influenciarão uns aos outros será regida por uma pessoa chave dentro da instituição – o líder. Nos tempos atuais, a atuação do líder tem mudado muito. Mas ainda muitas pessoas só conseguem entender o poder SOBRE o outro, não o poder COM o outro. Nas relações em que os líderes adotam como princípio o "manda quem pode e obedece quem tem juízo", eles acreditam que a prática de centralizar poder em suas mãos, assumida por eles, é que terá mais efeito e dará a contribuição decisiva para os resultados individuais, grupais e da organização. Essas pessoas não fazem necessariamente por maldade ou má-fé, mas sim, por hábito, costume ou falta de conhecimento. A verdade é que muita coisa precisa ser aprendida, valorizada e praticada pelos chefes de cartório, notadamente em assuntos relacionados ao uso do poder, resolução de conflitos, motivação, desafio, participação, desenvolvimento de pessoas, delegação e confiança. Os líderes de hoje não têm mais o poder de vida e morte e não vêem o funcionário como mera mão de obra. A idéia é esta: se a equipe não estiver integrada e comprometida, pode-se produzir música com erros ou algo que não seja música, mas ruídos. Segundo a Harvard Business Scholl Press (Editora da Universidade de Harvard, EUA, responsável por publicações acadêmicas e de pesquisas), 45% do desempenho organizacional pode ser atribuído aos efeitos da liderança. MAS O QUE É LIDERANÇA? Veja algumas definições: A palavra Liderança, segundo Marco Aurélio Vianna, tem origem anglo-saxônica e significa conduzir (to lead), ir/viajar junto. Para o dicionário Michaellis: líder é chefe, guia Indivíduo que chefia, comanda e/ou orienta em qualquer tipo de ação, empresa ou linha de idéias. (Dicionário Aurélio) Líder é aquele que tem uma visão, consegue compartilhá-la com seus liderados e motivá-los para chegar aos objetivos definidos.(Marco Aurélio Vianna) Os líderes desenvolvem visão de futuro. Compartilham esta visão com as pessoas ao seu redor e inspiram-nas a superar os obstáculos para realizarem essa visão. (Robbins) Liderar, portanto, é construir pontes.Pontes que nos ajudam a ir de onde estamos para onde precisamos estar. Pontes feitas de esperanças e de oportunidades. Podemos ver na frase de Joel Baker a simplicidade, a riqueza, a possibilidade de mudança da realidade e a responsabilidade compartilhada que o conceito de liderança envolve: “O LÍDER É ALGUÉM QUE VOCÊ ESCOLHE SEGUIR PARA IR A UM LUGAR EM QUE VOCÊ NÃO IRIA SOZINHO”. (Joel Baker, em seu vídeo “Leadershift : cinco lições para os líderes no seculo XXI”) Em suma, liderança significa agir para obter os resultados esperados cuidando para fortalecer as relações interpessoais. Observe que o conceito de liderança apresenta uma dimensão de futuro. Muitas vezes, os gerentes têm dificuldades para lidarem com essa dimensão porque o presente se tornou cômodo. Mas, para nascer a liderança no gerente, ele deve começar a inquietar-se com o já conhecido, com o já estabelecido e o estável, lançar um olhar interrogativo sobre o seu presente, perguntar-se sobre coisas e procedimentos aparentemente óbvios, ainda que sugiram que a eficiência máxima foi atingida. Não haverá um amanhã se enxergarmos o hoje como eterno e pronto. Líder, então, é o papel que uma pessoa assume quando se compromete a apoiar alguém a atingir determinadas metas. Ele não se compromete apenas com os resultados, mas também com o ser humano. A diferença fundamental é que o líder não é valorizado só pelo seu potencial individual, mas pelo que ele consegue que as pessoas façam e a sua capacidade para descobrir o talento oculto das pessoas. Muitas pessoas têm potencial para ser líder. Contudo dificuldades podem surgir impedindo que essa competência potencial seja desenvolvida ou mesmo exercida no cotidiano. Liderança, portanto, não é necessariamente um dom inato. Ela pode ser aprendida e desenvolvida. Sabendo, então, que as organizações de hoje não mais vêem líderes como pessoas iluminadas e raras que emergem numa multidão de trabalhadores, veremos, a seguir, que a liderança pode ser aprendida. LIDERANÇA APRENDIDA Liderança é essencialmente o resultado de competências humanas aprendidas por pessoas comuns e, portanto, perfeitamente tratável na dimensão de um curso de desenvolvimento gerencial. Existem líderes que são pessoas naturalmente carismáticas. Entretanto, a grande maioria é composta por pessoas comuns, que se destacam pela sua capacidade de relacionamento e interação com as demais pessoas, o que pode vir até a torná-las pessoas carismáticas. Segundo pesquisadores, há alguns traços pessoais que, embora não determinem, podem contribuir para que a pessoa se torne um líder: ambição e energia, desejo de liderar, honestidade e integridade, autoconfiança, inteligência, conhecimento técnico e principalmente, automonitoramento, isto é, flexibilidade para ajustar seu comportamento a diferentes situações. Liderança é muito mais um processo de dar poder às demais pessoas do que um ato de posse de poder, ou seja, líderes eficazes lideram inspirando outras pessoas, e não dando ordens. Eles inspiram e movem as pessoas a usarem sua própria iniciativa, criatividade e experiência. Este ponto é tão marcante que alguns teóricos afirmam que se conhece um verdadeiro líder pela quantidade de talentos que ele consegue fazer emergir. Liderança demanda conformidade entre líder e liderado. Não é uma condição passiva, mas produto de confiança, participação, envolvimento, comunicação, cooperação, negociação, responsabilidade e, principalmente, comprometimento. Liderança, então, é a capacidade de influenciar um grupo em direção ao alcance de objetivos institucionais, os objetivos da organização da qual fazem parte. Para isso, o líder deve buscar o alinhamento dos objetivos do próprio grupo de trabalho e dos objetivos individuais com os da organização. Buscar valorizar as particularidades do grupo de trabalho e de seus integrantes, para que deles surjam contribuições para as próprias pessoas, para o trabalho e para a organização. A liderança diz respeito à busca da melhoria contínua, do desenvolvimento, da mudança. Mas talvez você possa estar pensando: aqui no cartório as coisas vão indo bem... não há nenhuma ocorrência significativa ... as eleições têm acontecido a tempo e a hora... Em time que está ganhando não se mexe, não é mesmo? Talvez as coisas não sejam bem assim... Na nossa realidade há sempre algo para pensar. Que outras perguntas podemos fazer? O que você escreveria no balão em branco? Registre a sua pergunta no fórum "O que você escreveria no balão em branco?" Se você já se viu às voltas com uma ou mais dessas questões ou acrescentou alguma na lista, talvez certas mudanças precisam ser processadas em seu cartório, sejam para melhorar a qualidade dos processos e da organização do trabalho, sejam para melhorar as relações interpessoais, a cooperação e a produtividade. A liderança é normalmente constituída por 7 competências, das quais destacamos abaixo palavras ou frases-chave que nos possibilitam melhor especificar o significado de cada uma. 1- Orientação estratégica: Ter visão sistêmica e integrada sobre a organização. Focar as ações no cliente interno e externo. Utilizar o "poder de referência" no relacionamento com seus colaboradores. Nesse caso, os exemplos do líder são fundamentais, pois ele é fonte de inspiração para os membros da equipe. 2- Comunicação: Assegurar objetividade e clareza. Transmitir segurança e confiança. Ouvir ativamente. Dar e receber " feed-back". 3- Autodesenvolvimento: Estar comprometido e atualizado sobre os assuntos relacionados à sua área de atuação. Estar permanentemente atualizado sobre questões gerenciais, notadamente quanto à gestão de pessoas e grupos. Admitir, respeitar e conviver com diferenças individuais e sociais (flexibilidade). 4- Motivação: Energia para criar ambientes desafiadores e estimulantes, orientados para resultados e produtividade. 5- Trabalho em Equipe: Princípios da interdependência e da cooperação entre as pessoas. Busca da sinergia. 6- Eficácia Interpessoal: Desenvolver rede de relacionamentos produtivos. Negociar com pré-disposição para o "ganha/ganha", ou seja, de forma que todas as partes possam ser beneficiadas ao máximo. Administrar conflitos/divergências. 7- Orientação para Mudanças: Identificar e estimular novas maneiras de solucionar problemas. Algumas dessas competências serão melhor desenvolvidas nos módulos seguintes. Identifique qual competência gerencial é o eixo central na condução adequada das situações ou problemas apresentados no exercício "Identificação de competências". LIDERANÇA FUNÇÕES DO LÍDER Uma das funções mais básicas de um líder é a função de comando. Dar ordens, disciplinar e orientar a equipe são tarefas fundamentais para o bom andamento do trabalho e cabe ao líder realizá-las. O líder deve ser a referência, o guia da equipe. Se necessário for, caberá a ele também advertir e punir os membros de sua equipe que resistirem às suas orientações. Mas o papel do líder não é apenas conquistar e exercer poder, mas tornar os outros poderosos. Permitir aos seus colaboradores que se transformem num novo tipo de ser, migrando do individual para o coletivo, de um ser isolado para um ser conectado. O líder, como o regente, é o arquiteto das possibilidades do grupo. Sua missão é facilitar o desenvolvimento dessas possibilidades. É inspirar para nutrir o entusiasmo e a motivação, cultivar o brilho nos olhos, estimular a criatividade e promover a excelência. Alguns estudos têm demonstrado que a melhor forma de motivar uma pessoa no ambiente de trabalho é oferecer-lhe uma atividade que se constitua num desafio e pelo qual ela se responsabilize. Isso pode ser feito por meio de um processo de enriquecimento de cargo, incluindo fatores que possam gerar motivação para aqueleservidor. É fundamental que o líder reconheça os objetivos a serem alcançados pelo servidor, delegue responsabilidade para realizar suas tarefas e apresente desafios para suas habilidades e conhecimentos. É importante que o líder se preocupe com a promoção de oportunidades para que o servidor possa alcançar seus objetivos pessoais, desde que compatíveis com os institucionais. O trabalho de enriquecimento de cargo deve ser uma preocupação contínua dos líderes para que seus liderados possam manter um nível de motivação elevado. A essas alturas você pode estar se perguntando: como posso aplicar tudo isso à realidade do cartório? Será que ser líder é na verdade um super-homem do qual se exige resultados mágicos e mirabolantes? Que tipo de enriquecimentos, de estímulos e de desafios posso propor para a minha equipe? Na verdade, as coisas podem ser bem mais simples do que tudo isso. Pensemos, por exemplo, em um servidor que procura você, chefe de cartório, para se queixar de uma situação e solicitar uma solução. Você poderá discutir com ele a situação e levá-lo a refletir o quão ele mesmo está implicado na questão e o quanto ele também é responsável pela mudança da situação indesejada. A partir daí você poderia pedir que ele dê sugestões para um plano de intervenção, a ser construído coletivamente, para a realização da mudança necessária. Essa simples atitude que você pode adotar no seu dia-a-dia não tem a ver com o papel de líder que estamos descrevendo aqui? Podemos pensar ainda que o chefe pode pedir à sua equipe que elabore um plano de ação para enfrentar o problema da enorme fila que recorrentemente acontece no cartório em período de alistamento eleitoral. Ou ainda, ele pode sugerir a um servidor antigo, que se encontra desmotivado com o trabalho, que ensine o serviço ao servidor recém- chegado. Não são bons desafios?!!! A partir de sua experiência, descreva no fórum “Desafios” outras situações em que o chefe pode desafiar, estimular e motivar os seus servidores, exercendo a sua liderança. A função do líder é dar poder para que cada pessoa produza, transforme suas intenções em ações e as traduza em resultados. É essencialmente para que o outro adquira competências, promova as mudanças necessárias e, principalmente, transforme-se. É um compromisso com a pessoa, acompanhando sua evolução, dando-lhe suporte nos momentos difíceis e estimulando-a a avançar. O líder tem que estar preocupado tanto com as tarefas, com os resultados, com a produtividade, com a qualidade do produto, quanto com as pessoas, com os relacionamentos interpessoais. A responsabilidade pela gestão de pessoas, antes entregue a um departamento de pessoal, é hoje entendida como de responsabilidade da liderança de cada unidade de trabalho. Os setores especializados em gestão de pessoas dentro da instituição passam a cumprir funções normativas, de assessoramento, de consultoria. Líder é a pessoa chave dentro da equipe, é o elemento de ligação entre a equipe e elementos externos: administração superior, outras equipes. O líder tem a função de criar sinergia entre os membros da equipe onde a combinação das potencialidades individuais provoque um resultado multiplicador. Além disso, o líder representa a equipe diante de outros grupos, busca assegurar os recursos necessários, esclarece as expectativas dos outros acerca da equipe, colhe informações de fontes externas e as compartilha com os membros da equipe. Outra função do líder é ser referência para resolução de problemas. Quando os membros da equipe enfrentam dificuldades, o líder deve reunir com eles em busca de soluções e procurar recursos internos e externos, se necessário. A administração de conflitos é outra função importante do líder. Quando surgem desavenças, o líder deve orientar a equipe no sentido de processar o conflito. Qual é a fonte do conflito? Quem está envolvido? Quais são as questões envolvidas? Quais as opções de soluções disponíveis? Quais as vantagens e desvantagens de cada uma? Outra função importante a ser desempenhada pelo líder é a de representar a instituição à qual está vinculado perante sua equipe e perante a comunidade onde está localizada a sua unidade de trabalho. É ele quem personifica os valores, a imagem e a missão da instituição. Cuidar, portanto, de apresentar uma postura adequada frente aos demais servidores, demais órgãos públicos e frente à comunidade na qual o cartório está localizado é uma exigência fundamental para os chefes de cartório. Por fim, destacamos ainda que o líder deve exercer a função de contribuir para o fortalecimento da cidadania, direcionando o seu trabalho para ações éticas e cidadãs, tanto em relação à sua própria equipe de trabalho quanto aos usuários dos serviços prestados pelo cartório e à comunidade em geral. Por exemplo, ter o cidadão como foco do trabalho, não aceitar subornos, engajar-se em projetos de responsabilidade sócio-ambiental, etc. O cartório que você gerencia tem alguma experiência em projetos dessa natureza? LIDERANÇA ESTILOS DE LIDERANÇA Além de ser um atributo da pessoa, liderança é um conceito relacional e dinâmico, isto é, só existe e só é validada no processo de relacionamento entre líder e liderado. Não há como um chefe se afirmar, unilateralmente, líder de sua equipe se esta não o legitima como tal. Como dito por Tom Coelho: “liderar não é verbo intransitivo. Se o líder está sozinho, ele não está liderando ninguém.” Os estudos recentes preferem referir-se, portanto, não a características pessoais, ou individuais, ao se remeter à liderança, mas ao estilo do líder. LIDERANÇA SITUACIONAL Paul Hersey, criador do modelo da liderança situacional, explica que liderança é uma tentativa de exercer influência sobre alguém. Pela definição de Hersey, todos podem ser líderes, incluindo o pessoal operacional. A liderança situacional viabiliza a combinação de estilos de liderança segundo os níveis de maturidade dos subordinados, considerando cada situação e cada tarefa específica. Por isso é uma técnica para ser praticada todos os dias. No conceito de liderança situacional, os líderes desenvolvem habilidades básicas e o conhecimento necessário para compreender, predizer e influenciar o comportamento dos outros. Sendo assim, segundo Hersey, ela está fundamentada em três pilares: diagnosticar, identificar a tarefa específica que se deseja realizar; avaliar, definir o que é preciso para executar essa tarefa; e comunicar, deixar claro o que se espera de cada um. A seguir você encontrará 12 situações hipotéticas de liderança. Para cada situação, há quatro alternativas de solução. Seu trabalho consiste em escolher apenas uma alternativa, dentre as quatro de cada situação, que seja a mais representativa de seu comportamento habitual. Isto não é um teste de conhecimentos nem uma avalição! Portanto, não se preocupe em encontrar a resposta certa ou a melhor. Marque aquela que espelha o que você faria, de fato, diante de cada situação apresentada. Lembre-se que esse exercício deve ser feito sem ajuda ou comentários de outras pessoas. Ao final, você verá a interpretação de seu perfil. Clique aqui para iniciar o teste e Bom trabalho! Em meados da década de 40 acreditava-se que os líderes se distinguiam em dois estilos de liderança: os autocráticos e os democráticos. No autocrático o líder determina idéias e o que será executado pelo grupo. Segue-se a lei da obediência. No democrático, todo o grupo é considerado nos momentos de tomada de decisão, não apenas o líder. Atualmente foi introduzido o conceito de liderança situacional que baseia-se no princípio de que o estilo de liderança a ser utilizado deve depender mais da situação do que da personalidade do líder. Qualquer estilo, quando utilizado no momento e de forma correta,apresenta bons resultados. A utilização da liderança situacional está baseada em duas variáveis: comportamento com ênfase nas tarefas e comportamento com ênfase nos relacionamentos. No primeiro tipo, o líder fala e o seguidor ouve. O líder, aqui, fala como, quando, quem e onde a tarefa deve ser feita. Já na influência pelo comportamento, existe uma relação de compartilhamento entre líder e liderado. Existe uma comunicação ativa entre eles; o líder oferece total apoio emocional ao seu liderado. Estudo realizado por Hersey revelou que, no Brasil, grande parte dos líderes acredita que precisa utilizar um estilo de liderança com um nível elevado de determinações e orientações para que seus subordinados realizem com eficácia suas tarefas. Por outro lado, os subordinados se consideram dentro de um nível de prontidão (capacidade, confiança, disponibilidade, disposição, compromisso e motivação para executar suas tarefas) bem mais elevado do que a avaliação dos seus líderes. Essas divergências possivelmente são fontes de conflitos entre chefias e servidores. Quem estará com a razão? Todos temos um padrão de comportamento que é percebido por nós mesmos e um outro percebido por aqueles com os quais nos relacionamos. O que determina meu estilo de liderança não é o que eu penso sobre o meu comportamento, mas sim o que os outros pensam. Por este motivo, Hersey faz um alerta aos líderes, ou a quem pretende se tornar um: “tenha um radar que o torne capaz de perceber tudo o que se passa em sua volta. A realidade é aquilo que o mundo enxerga.” As situações e os grupos variam; os líderes, também. Por isso, é bastante comum que o sucesso do líder e dos seus seguidores esteja diretamente relacionado ao estilo de liderança empregado em cada contexto. Hersey destaca que o importante é diagnosticar o quanto a pessoa está pronta para assumir a tarefa que o líder pretende delegar a ela. E essa prontidão depende de duas coisas: capacidade e disposição. Isso significa que não existem pessoas 100% eficientes ou 100% ineficientes. Existe a pessoa certa, no momento certo, para certa tarefa. Isso sem falar na maneira como o líder conduzirá essa pessoa para que os resultados sejam os melhores. Se o liderado for um iniciante ou sem conhecimento na atividade, recomenda-se que o líder adote uma postura semelhante a de um professor: ensine, treine, oriente, mostre o caminho. Mas não necessariamente essas tarefas serão executadas pelo próprio líder, podendo ser delegadas a outro servidor. Se o liderado já tiver conhecimento sobre a tarefa ou experiência para a execução da mesma, o mais indicado é que o líder atue distribuindo funções e monitorando. Neste sentido, pelo modo como se posicionam, as pessoas demonstram o quanto estão prontas ou amadurecidas para enfrentar uma situação. Se a situação exigir maior diretividade do líder, este deve fazer com que os liderados saibam o que se espera deles, organizar o trabalho a ser feito e fornecer instruções precisas sobre como as tarefas devem ser realizadas. Se exigir maior apoio do líder, este deve se mostrar amigável e demonstrar sensibilidade às necessidades de seus colaboradores. Já se a situação exigir maior participação, o líder deve consultar os liderados e se valer de suas idéias antes de tomar decisões. Qual estilo de liderança deve ser adotado em cada situação? É fundamental, portanto, que o líder se dedique a conhecer as pessoas que compõem sua equipe de trabalho: as competências, interesses, experiências e desenvolvimento profissional de cada um. Além disso, é importante que esteja atento ao que se passa no mundo: os valores e costumes que constituem a cultura local num determinado momento. Como exemplo, lembremos que a nova geração de profissionais não se comporta da mesma maneira que as gerações passadas. De modo geral, já chegam com mais conhecimento técnico, senso competitivo e aspirações individuais. Estes fatores, os diferentes aspectos da motivação humana, influem significativamente na forma do líder lidar com as pessoas. E o chefe de cartório deverá estar atento para isso no dia-a-dia do trabalho, buscando um entendimento crítico sobre a realidade à sua volta e as expectativas em questão, tanto do TRE quanto das pessoas que ali executam suas atividades. Esse assunto será melhor discutido no "Módulo Relacionamento Interpessoal". Por fim, mas não menos importante, o líder deve se dedicar ao seu auto-conhecimento: refletir sobre sua relação com o seu trabalho, a sua motivação, os seus valores. Se os líderes não estiverem, eles mesmos, motivados, comprometidos com o trabalho, confiantes nos resultados como poderão motivar e inspirar seus liderados? Além do mais, as pessoas só podem dar aos outros aquilo que eles tem em si mesmos. Ninguém pode dar aos outros o que não tem. Se alguma possibilidade existe na mudança comportamental de todas as outras pessoas com quem você se relaciona, essa possibilidade começa em você, ou melhor, na sua capacidade de mudar, primeiro, o seu próprio comportamento no relacionamento com os outros. Se conseguir isto, aí talvez o comportamento do outro comece a mudar. O desafio deve iniciar com você , não com o outro. Ser ou não ser competente no uso de tais estilos é uma função da capacidade do líder em diagnosticar as situações e assumir o estilo apropriado a cada situação, posto que não há um estilo adequado a priori. Não podemos esquecer que sua competência deve ser sempre considerada em relação à eficácia do estilo aplicado, ou seja, deve ser checada posteriormente pela avaliação de quais os reais impactos causados sobre as pessoas envolvidas, em suas relações, em seu trabalho. Apesar disso, deve ser evitada a postura comumente chamada de linha-dura, ou seja, aquele chefe que usa apenas a coerção, ameaças e intimidações. Concentra todo o poder de decisão em sua pessoa e costuma ser subserviente em relação a quem está em posição hierárquica superior. Inspira medo e ressentimento na equipe. Na verdade, o chefe que adota este estilo não é um líder e sim um tirano porque se as pessoas o obedecem e colaboram com ele é pela opressão, e não pela disciplina e motivação interior. Outra postura que deve ser evitada sempre é a de fazer o estilo omisso - oposto do linha- dura. Caracteriza-se por dificuldade de se posicionar claramente sobre as demandas, fuga das responsabilidades, gerando desamparo, insegurança e desorientação na equipe. Querer apenas os bônus advindos da posição de poder (status, remuneração) e evitar os ônus (desgastes emocionais, conflitos, decisões desagradáveis ou de alto impacto). O trabalho de um líder muitas vezes inclui tarefas penosas (punir, modificar horários, cortar benefícios, etc) que contrariam desejos, opiniões e interesses da maioria dos liderados, mas que, no entanto, precisam ser realizadas. Desse modo, aquele que se omite nas situações difíceis também não é um verdadeiro líder porque a conseqüência dessa conduta na equipe é desorganização, queda de produtividade, condutas irregulares e, muitas vezes, ilegais. Autoridade é uma instituição fundamental para a vida social. A capacidade de coordenação, de comando e controle são importantes para regular a convivência democrática em qualquer instituição e não pode ser confundida com o autoritarismo, isto é, com condutas tirânicas e truculentas que vão contra todo e qualquer anseio democrático. Chefes indecisos, paternalistas e incapazes de mostrarem pulso firme, quando necessário, geralmente são vistos pelos seus colaboradores como fracos e inábeis. É o caso, por exemplo, do chefe que protela a correção de um servidor indisciplinado ou com baixa produtividade por medo de se posicionar formalmente frente à instituição. Em última instância essa postura prejudica suagestão, a equipe, a organização, os cidadãos usuários dos serviços do cartório e, principalmente, o próprio servidor, pois perde uma preciosa oportunidade de obter feedback sobre seu trabalho e aprimorar seu desempenho. EM QUE SITUAÇÃO A LIDERANÇA FAZ-SE MAIS NECESSÁRIA? Você já observou que é mais fácil nos lembrarmos dos governantes das épocas de guerra do que dos líderes dos tempos de paz? O mesmo se aplica aos líderes nas organizações. Segundo Michael Useem, Diretor do Center for Leadership and Change Management, The Wharton School, a liderança organizacional é mais importante em períodos de tensão e incertezas. As decisões e as ações acima, ao lado e abaixo de você também são mais importantes quando a organização está enfrentando turbulências e questionamentos, pressões externas de qualquer natureza, ou quando precisa de redirecionamento estratégico. São os momentos em que as necessidades de aglutinação e orientação dos integrantes do grupo mais põem à prova as capacidades do líder. Os períodos de normalidade – quando as estratégias estão funcionando e os ganhos são mais fáceis – por sua vez, são propícios ao desenvolvimento da liderança, embora sua necessidade, pelo contrário, seja menos evidente. Portanto, construa e desenvolva agora sua liderança para melhor enfrentar os desafios que virão! Partindo de sua experiência no cartório, relate, no fórum “Liderança fundamental”, uma situação vivida por você em que perceba que o exercício da liderança foi fundamental para os resultados alcançados. LIDERANÇA CHEFE, GERENTE, LÍDER... TEM DIFERENÇA? Em toda instituição, cada chefe ocupa um cargo dentro de uma hierarquia. A autoridade formal é o mecanismo que dá ao ocupante de um cargo a prerrogativa de tomar decisões e ser obedecido. A autoridade formal é, portanto, um atributo do cargo. A autoridade dada pela ocupação do “cargo de chefia” permite ao chefe que dê ordens, coordene e cobre a realização daquilo que determinou aos seus servidores. Esse modelo de gestão, chamado burocrático tem sua legitimidade e racionalidade. Todavia, historicamente, observamos distorções deste modelo, favorecidas por vários fatores políticos e sociais, que prejudicaram muito as organizações.Esta distorção se refere à prática dos chefes se valerem somente do poder da hierarquia para se fazerem obedecidos, tendo sempre que se remeterem ao seu cargo formal para justificar sua autoridade. Restritos apenas a função de comandar, os chefes muitas vezes tornavam-se tiranos que reinavam pela intimidação, pela ameaça e pela truculência. E acabavam rejeitados por aqueles a quem pisoteavam. Nessa perspectiva, nada mais cabia aos subordinados dessa chefia do que cumprir ordens, executar, sem perguntar qualquer coisa a respeito, sem obter informações sobre aquilo que executa, sem pensar e sem entender o processo de trabalho, sem ter a possibilidade de levantar questões a respeito dele e, consequentemente, sem contribuir. Assim, o trabalho passou a ter um caráter fragmentário, monótono e com perda de sua significação para as pessoas, segundo Georges Lapassade. A pessoa do chefe se confundia com o cargo por sempre poder e saber mais do que os subordinados. Se em algum tempo essas situações do trabalho, descritas acima, eram admissíveis, corriqueiras e entendidas como “normais”, hoje é difícil pensar que isso seja inevitável e que não possa ou deva mudar. Com o passar do tempo, as organizações começaram a perceber que era preciso avançar. Chefiar é importante, mas não o bastante. Sobretudo as instituições públicas, impulsionadas pelo processo de democratização, de fortalecimento da sociedade civil, da cidadania, e da consequente necessidade de melhor servir ao cidadão, começaram a descobrir um novo modelo de administração. E O QUE PODEMOS DIZER DO GERENCIAMENTO? Gerenciar tem relação com o cargo de chefia na medida em que a organização espera, ainda que tacitamente, que o ocupante desse cargo desempenhe funções gerenciais. Gerenciar, portanto, tem estreita relação com uma função, enquanto que chefiar deve ser entendido como a atribuição de ocupar um lugar na estrutura da organização. Podemos dizer, então, que chefe é um lugar na organização e gerente é a função que desempenha aquele que ocupa esse lugar na organização. Além disso, gerenciar tem a ver também com a necessária capacidade de comando, de controle, que descrevemos ao referirmos ao conceito de chefe. Mas abrange, também, outros aspectos. Gerenciar significa operacionalizar, realizar, alocar os recursos necessários e tornar alcançáveis os resultados esperados, sejam eles previamente determinados pelos altos dirigentes, ou não. Significa ter o encargo ou a responsabilidade de conduzir processos (ser tecnicamente competente, conhecer o negócio da instituição, saber fazer) e pessoas. Inclui cumprir um ciclo de ações como planejar, organizar, distribuir tarefas, controlar a execução, e avaliar o que se atingiu e a sua qualidade. Das avaliações, novas proposições para a melhoria desse processo de trabalho sairão para o próximo planejamento e assim sucessivamente. MAS E O LÍDER? Até recentemente, a literatura administrativa, assim como a prática das organizações, preconizavam que, para que fossem alcançados os resultados almejados, a trinca planejar, organizar e controlar seria basicamente as funções dos gerentes, além daquelas pertinentes ao cargo como comandar, determinar e fazer cumprir. Mas, ao longo do tempo, acrescentou-se àquelas as de coordenar, dirigir, comunicar, motivar, tomar decisões, etc. A urgência de certos problemas que, volta e meia, se interpuseram aos dirigentes das organizações, como a especialização, racionalização do trabalho, organização administrativa, distribuição de tarefas, e reestruturação da função de direção ultrapassaram a dimensão do aspecto técnico do trabalho e se articularam a outros mais específicos da dimensão humana, das relações interpessoais, da gestão de pessoas. Esses problemas se manifestavam como falhas no trato de informações, precariedade da comunicação, diminuição da motivação, da disposição para o trabalho cooperativo, do envolvimento dos trabalhadores com as questões da organização, dentre outros. A complexidade crescente das demandas tornou premente a necessidade de os chefes-gerentes assumirem nova função: a liderança. Diferentemente da chefia, exercer liderança sobre um grupo é algo que independe de cargo. Liderança é, portanto, um atributo da pessoa e não do cargo. Liderança e autoridade formal nem sempre andam juntas... Um servidor que não possui cargo de chefia pode exercer mais liderança sobre a equipe do que o próprio chefe... Desse modo, o que comumente se vê são organizações com bom gerenciamento, mas que deixam a desejar quanto à liderança. Elas podem ser excelentes na capacidade de lidar com rotinas diárias e processos de trabalho, e ainda assim nunca serem capazes de se perguntar se essas rotinas deveriam ou poderiam ser melhoradas, modificadas ou, mesmo, continuar existindo. Nem, ainda, refletirem sobre o impacto da organização do trabalho sobre as pessoas que o executam, os custos físicos e mentais para atingi-lo e a motivação para realizá-lo. Nada há de depreciativo na função de chefiar nem de gerenciar. Mas não devemos ignorar que uma nova realidade acena para todas as organizações – públicas e privadas – e demanda nova postura das pessoas, dos grupos de trabalho e dos dirigentes. Parafraseando João Alfredo Biscaia, do Instituto MVC, podemos dizer, sinteticamente, que: Chefiar é fazer com que as pessoas façam o que é preciso. Gerenciar é fazer com que as pessoas façam o que é preciso, mas de uma determinada maneira, objetivando-se osresultados. Liderar é fazer com que as pessoas estejam motivadas a fazer tudo isso. O desafio hoje é fazer com que os dirigentes das instituições realizem uma revisão de seus papéis e, para além do poder advindo do cargo que ocupam e da função gerencial, também incorporem a necessidade de desenvolverem sua capacidade de liderança. Ou seja, desenvolver habilidades sofisticadas de influenciar pessoas e grupos que não impliquem apenas imposição de sua vontade por força do cargo que ocupam. Sendo assim, os chefes da atualidade devem, ao mesmo tempo, operar na direção, orientação, apoio e facilitação dos processos de trabalho, além do favorecimento da motivação e do espírito cooperativo nas equipes, procurando superar os obstáculos existentes na organização para que isso se realize. De tudo o que vimos até aqui, temos que para o exercício da liderança é preciso desenvolver algumas competências que serão abordadas de maneira mais aprofundada nos próximos módulos. A primeira e mais importante delas, devido ao caráter eminentemente relacional da liderança, diz respeito à comunicação e será tratada no módulo seguinte. LIDERANÇA PERFIS DE NECESSIDADES DOS LIDERADOS VERSUS PERFIS DE ESTILOS DOS LÍDERES O professor Américo Marques Ferreira, Consultor Sênior do Instituto MVC, trabalha numa perspectiva que considera que o processo humano de aprendizagem se dá em dois estágios diferentes e complementares, espelhados nos níveis de desenvolvimento dos liderados, quais sejam, mais com a sua experiência concreta da execução de tarefas (D1 e D2 ), ou mais com a experiência abstrata de assumir responsabilidades (D3 e D4). D1- NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO BAIXO Pouca competência Rara disposição D2- NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO MODERADO Razoável competência Disposição variável D3- NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO MODERADO Boa Competência Frequente disposição D4- NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO ALTO Competência plena Disposição constante AS NECESSIDADES DE UM D1 Obter o reconhecimento do seu entusiasmo e de suas habilidades transferíveis. Objetivos claros. Saber como é um trabalho bem feito. Saber como serão colhidos e compartilhados com ele, os dados relativos a seu desempenho. Conhecer as regras não escritas do tipo “como as coisas funcionam aqui”. Informações a respeito da tarefa e da organização. Treinamento prático. Prazos. Prioridades. Fronteiras, limites de autoridade e responsabilidade. Planos de execução – instruções sobre como, quando, onde e com quem executar o trabalho. Feedback freqüente sobre os resultados. O QUE DEVE FAZER UM LÍDER NO E1 Um líder, ao usar um estilo de liderança de Direção: Reconhece o entusiasmo do liderado. Reconhece as habilidades transferíveis e o progresso alcançado até o momento. Identifica os resultados esperados, os objetivos e os prazos. Define o que é um bom trabalho e como o desempenho será acompanhado e documentado. Elabora um plano para que o liderado aprenda novas habilidades. Toma a iniciativa no planejamento da execução. Toma a maior parte das decisões sobre o que, como, quando, onde e com quem o trabalho será feito. Fornece diretrizes e instruções específicas. Toma a iniciativa na resolução de problemas. Faz um acompanhamento freqüente e fornece feedback sobre o desempenho. AS NECESSIDADES DE UM D2 Objetivos claros. Perspectiva. Feedback freqüente sobre os resultados. Elogios pelo progresso alcançado. Saber que não é proibido errar: Todo erro é uma oportunidade de aprendizagem. Justificativas (explicação do porquê). Oportunidades de discutir suas próprias preocupações. Envolvimento na resolução de problemas e tomada de decisões. Encorajamento. O QUE DEVE FAZER UM LÍDER NO E2 Um líder, ao usar um estilo de liderança de Treinamento: Envolve o liderado na identificação de problemas e no estabelecimento de objetivos. Fornece apoio, conforta e elogia. Escuta e oferece ao liderado uma oportunidade de discutir suas preocupações e compartilhar idéias. Envolve o liderado na resolução de problemas e tomada de decisões. Toma decisões finais a respeito de planos de execução, após ouvir as idéias e auscultar os sentimentos do liderado. Fornece a direção e o treinamento para continuar a desenvolver e a aperfeiçoar habilidades do liderado. Explica porque uma determinada abordagem está sendo proferida. Fornece uma perspectiva sobre quanto tempo a tarefa deveria levar e o feedback sobre se o desenvolvimento e o desempenho estão dentro do esperado. Define como é um trabalho bem feito e como o desempenho será acompanhado juntamente com o liderado. Continua fornecendo um acompanhamento e feedback freqüentes. AS NECESSIDADES DE UM D3 Ter um mentor ou um orientador acessível. Ter oportunidade de manifestar suas próprias preocupações. Receber apoio e encorajamento para desenvolver habilidades de resolução de problemas. Ajuda para encarar as habilidades objetivamente, de modo a desenvolver a autoconfiança. Elogios e reconhecimento pelo alto grau de competência e elevado desempenho. A remoção de obstáculos à realização de objetivos. O QUE DEVE FAZER UM LÍDER NO E3 Um líder, ao usar um estilo de liderança de Apoio: Compartilha com o liderado, a responsabilidade pela identificação dos problemas e pelo estabelecimento dos objetivos. Pede ao liderado que assuma a iniciativa no planejamento da execução e na resolução de problemas. Serve como caixa de ressonância, encorajando o liderado a discutir decisões por conta própria. Fornece apoio, conforta, encoraja e elogia. Mostra maneiras de tornar o objetivo ou tarefa mais interessante e desafiador, se a motivação estiver baixa. Ajuda nas resoluções de problemas, dando contribuições, se solicitado. Trabalha em conjunto com o liderado na avaliação do trabalho deste. AS NECESSIDADES DE UM D4 Variedade e desafio. Ter um líder que seja mais um mentor e colega do que propriamente um chefe. Reconhecimento de suas contribuições. Autonomia e autoridade. Confiança. O QUE DEVE FAZER UM LÍDER NO E4 Um líder, ao usar um estilo de liderança de Delegação: Habilita o liderado a assumir a responsabilidade. Define problemas e os resultados desejados juntamente com o liderado. Tem a expectativa de que o liderado assumirá a iniciativa na definição de objetivos, no planejamento da execução e na tomada de decisões. Encoraja o liderado a avaliar seu próprio trabalho. Dá oportunidades ao liderado para ele compartilhar e celebrar sucessos e ser um mentor para outros. Reconhece as contribuições do liderado para a Organização, valoriza essas contribuições e recompensa o liderado. Desafia o liderado a alcançar níveis de desempenho ainda mais elevados. LIDERANÇA TRECHO DO FILME ENSAIO DE ORQUESTRA (FREDERICO FELLINI, 1978) Num ambiente de destroços, provavelmente de uma igreja, os músicos de uma orquestra estão inertes. O maestro, olhando ao redor, se dirige a eles com palavras que chamam a atenção de todos para o papel de cada um: "Vocês estão aqui. E eu estou aqui. Cada um deve cuidar de seu instrumento. É o mínimo que podemos fazer." E se abaixa, dizendo: "Alguém poderia me ajudar, por favor?" Alguns músicos se entreolham. Um deles se abaixa para ajudá-lo, momento em que ele diz:: "As notas nos salvam." Os dois levantam o púlpito caído no altar. "A música nos salva." - completa o maestro. Os outros começam a se aproximar ouvindo-o, atentos, com os instrumentos nas mãos. "Liguem-se às notas." Todos começam a se posicionar em seus lugares, como numa apresentação. "Sigam as notas. Uma após outra. Tal como a minha mão lhes indica. Nós somos músicos. Vocês são músicos. E estamos aqui para ensaiar. Não tenham medo. O ensaio continua. Aos seus lugares, senhores.Aos seus lugares, por favor." Um homem se abaixa, pega a batuta que estava caída no chão e a entrega ao maestro. "Obrigado." Após três batidinhas elese posiciona. Os músicos também se posicionam. O maestro começa a reger. A orquestra toca em harmonia. SOBRE O FILME ENSAIO DE ORQUESTRA (FREDERICO FELLINI, 1978) Sinopse: Neste filme Fellini usa uma orquestra sinfônica como metáfora da Humanidade e explora as alegrias, tristezas, ressentimentos, frustrações e conquistas dos músicos. Cada pessoa é como que refletida no seu instrumento e na sua localização na orquestra, sendo através deles que vai revelar a sua vida pessoal. Resumo Fellini traça magistralmente o retrato da relação amor-ódio (mais ódio do que amor) de uma banda para com o seu maestro. A ação ocorre num reduzido espaço, não superior a uma capela transformada em auditório, devido a uma alegada excelente acústica. O espaço revela-se um elemento primordial, porquanto permite articular finamente com a câmara a interacção estreita existente entre os risíveis personagens, fazendo sobre eles abater o seu insondável espectro. Mesmo em tão pouco tempo de filme, parece haver uma definição quase perfeita do carácter irrepetível de cada um dos elementos que compõem a banda, os mesmos que a lançam numa anárquica e contestatária avalanche de emoções e gestos irracionais. A emotividade acelerada da banda lança dúvidas sobre a exequibilidade da empreitada musical, e ainda mais da hierarquia e do respeito pelos quais por convenção se pautam este tipo de coletivos. A lição de Fellini surge então sob a forma de acalmia, depois da inesperada derrocada de uma das paredes da igreja, durante a qual a harpista sai ferida. Todos se apercebem da necessidade da ordem e da harmonia, que apenas podem ser trazidas pela direcção de um maestro competente e sério. O final é soberbo, com toda a orquestra a tocar sublimemente dentro de um conspurcado cenário de uma igreja parcialmente destruída. Parte do texto escrito por João Gil Freitas em outubro de 2008 Fonte: Portal 1128 Consultado em 22/04/2009 Ficha técnica Ensaio de Orquestra Direção: Federico Fellini Ano: 1978 País: Itália, França, Alemanha Gênero: Drama, Musical Duração: 70 min. / cor Título Original: Prova d'Orchestra Título em inglês: Orchestra Rehearsal Elenco: Balduin Baas, Clara Colosimo, Elizabeth Labi, Ronaldo Bonacchi, Ferdinando Villella, Giovanni Javarone, David Maunsell, Francesco Aluigi, Andy Miller, Sibyl Mostert Guia de Estudos O que é Liderança Funções do Líder Estilos de liderança Chefe, Gerente, Líder... Te.. Leitura Complementar Perfis de necessidades dos liderados versus perfis de estilos dos líderes Trecho do filme: Ensaio de Orquestra Sobre o filme: Ensaio de Orquestra