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UNIVERSIDADE PAULISTA
CAMPUS ALPHAVILLE
Bruna Karen Mota Neves – G49GCH-7
Elisangela De Freitas Oliveira – T86890-4
Geovanna Mendes De Souza – G096CJ-1
PSICOLOGIA SOCIAL
Alphaville
2023
Bruna Karen Mota Neves – G49GCH-7
Elisangela De Freitas Oliveira – T86890-4
Geovanna Mendes De Souza – G096CJ-1
TEMA
Preconceito e Desigualdade de Gênero
Trabalho da disciplina Psicologia Social
do curso de Psicologia da Universidade
Paulista - UNIP Professor: Pedro
Checchetto.
Alphaville
2023
SUMÁRIO
1- INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 4
2- ESTERIÓTIPOS E GÊNERO ............................................................................................ 6
2.1- DESIGUALDADE DE GÊNERO ................................................................................... .8
2.2- DESIGUALDADE DE GÊNERO NO BRASIL .............................................................. 10
3- CONTEXTO HISTÓRICO ................................................................................................ 12
4- CONCLUSÃO ................................................................................................................ .13
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 14
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1 INTRODUÇÃO
A sociedade é constantemente caracterizada por mudanças de pensamento. Coisas que
antes eram consideradas tabus ou definidas como verdades absolutas, passaram a ser mais
debatidas ultimamente. Nesse contexto de autorreflexão, vale destacar um importante tema que é
discutido diariamente no mundo todo: o preconceito e suas terríveis consequências.
Seja dentro de um ônibus ou através da mídia, falar e combater o preconceito é essencial
para uma sociedade mais justa e igualitária. Tais ações são de extrema importância porque todos
sabemos que episódios de preconceito (principalmente motivados pelo ódio) já evidenciaram o
infeliz fato da história, desde a escravidão até a xenofobia contemporânea.
O preconceito é um julgamento preconcebido, caracterizado principalmente pela falta de
lógica ou base crítica. Geralmente se manifesta como uma atitude discriminatória em relação a
outras pessoas, tendências comportamentais, crenças e sentimentos. Em outras palavras, o
significado de preconceito é um juízo pré-concebido, que vem de pessoas que se limitam a ver o
mundo única e exclusivamente do seu ponto de vista (equivocado e distorcido).
Além de todos esses problemas, ainda existem outros piores, infelizmente a maioria dos
preconceitos são ignorados e excluídos, e com eles vem a hostilidade e o ódio. Portanto, é preciso
aprofundar o debate sobre esse tema, para que seja mais fácil reconhecê-lo e combatê-lo a cada
dia.
O presente trabalho tem o objetivo de adentrar à uma análise histórica sobre a luta
incansável feminina em busca de direitos e de igualdade de gênero. Assim como direitos humanos
conquistados por elas e sua evolução no tempo e na sociedade. Tem também o intuito de enfatizar
suas conquistas em marcos importantes não só em nosso país como no mundo, trazendo assim
uma perspectiva sobre a real importância do papel feminino na sociedade, assim como a
importância que se teve em conquistar seu espaço em meio ao patriarcado.
Por meio do método dedutivo, se criou considerações acerca da conquista pela
independência, econômica, política e sexual, desobjetificando a mulher de um papel doméstico em
que sempre foi colocada. E por fim, apresentaremos o contexto social peculiar em que se estabelece
a incompletude da tutela da figura feminina, ao longo da história e atualmente, visto que a mulher
ainda é vítima de violência nos mais variados contextos sociais.
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O preconceito está presente desde os primórdios, e faz parte de um sistema sócio-histórico
que sempre colocou a mulher numa posição de inferioridade. E isso deve-se principalmente aos
estereótipos criados e disseminados geração após geração como se fossem algo normal, sem nos
dar o direito de questionar, ou julgar positiva ou negativamente.
Neste trabalho trataremos o assunto através da análise e correlação com o filme “Estrelas
além do tempo”, artigos relacionados ao Preconceito e leitura do Livro “Psicologia Social.
(Aroldo Rodrigues, Eveline Maria Leal Assmar, Bernardo Jablonski Editora Vozes . 2022)”.
Baseado em fatos reais, o filme Estrelas Além do Tempo (2016) conta a história de três
cientistas negras, no meio de uma disputa entre a Rússia e os Estados Unidos sobre qual pais
enviara o primeiro homem ao e espaço, mulheres afro-americanas provam serem cruciais para a
vitória dos Estados Unidos. Contudo, até serem as heroínas tiveram muita dificuldade por essa
trajetória, enfrentando racismo e machismo, mas isso não impediu de entregar seu trabalho com
excelência.
Viúva e mãe de três filhos, a brilhante matemática negra Katherine Johnson (atriz Taraji P.
Henson) é selecionada para trabalhar em uma equipe de missão espacial que planeja enviar o
primeiro homem ao espaço (e depois à lua). Os computadores ainda não eram usados para fazer
cálculos complexos, então ela mesmo precisava calcular rapidamente e verificar as contas para que
os astronautas possam entrar e sair do espaço com segurança. Katherine é a única mulher e a
única negra daquele grupo e sofre de desconfiança e desvalorização. Seu trabalho está bloqueado
e ela não pode assinar os relatórios que escreve. Além disso, ela tem que andar quase um
quilômetro para usar o banheiro reservado para negros, e seus colegas se recusam a compartilhar
a mesma cafeteira com ela.
Dorothy Vaughan (a atriz Octavia Spencer) trabalha como instrutora dos "computadores
negros" (grupo responsável pelos cálculos), mas não recebeu oficialmente esse título por ser mulher
e negra. Ao saber que a NASA comprou um novo computador poderoso da IBM, ela descobre que
ele pode realizar 2.000 cálculos por segundo, o que pode colocar em risco seu trabalho e o de seus
colegas. Dorothy então decide aprender e ensina as mulheres a programar para que não sejam
demitidas assim que a máquina comece a funcionar.
Mary Jackson (a atriz Janelle Monáe) sonha em se tornar uma engenheira, mas sua
inscrição para o programa de treinamento em engenharia da NASA é rejeitada (os requisitos foram
alterados apenas para que ela não pudesse competir). Determinada, ela decide entrar na Justiça
para se tornar a primeira mulher negra a frequentar a Universidade da Virgínia. Ela consegue, torna-
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se a primeira engenheira da NASA e trabalha na construção da cápsula que levou um homem ao
espaço.
2 ESTERIÓTIPOS E GÊNERO
Quando um homem comete uma asneira, dizem: "Como ele é
idiota!" Quando uma mulher a comete, dizem: "Como as mulheres
são idiotas!" Anônimo. (p.211. P Social Rodrigues, 2015)
Existem muitos experimentos nos mostrando os estereótipos de gênero, artigos acadêmicos
em termos de competência, estilo e profundidade. Como prova da difusão desse fenômeno, vale
citar a pesquisa de Patrícia Arés (1998), da Universidade de Havana, que relata suas experiências
com os "Grupos de reflexão para homens" como um estereótipo que une homens e mulheres. Os
homens vistos “herói" e a mulher como "mãe" estão profundamente enraizados na cultura cubana,
apesar dos esforços em contrário desde a Revolução Cubana de 1959., impenetrável e ousado.
Qualquer desvio desse padrão pode significar fracasso, fraqueza ou sinal de homossexualidade.
Arés nos lembra o papel das próprias mulheres nesse processo, pois muitas vezes elas se
comportam de forma ambivalente: como mães, reforçam nos filhos o que criticam nos homens.
Outro experimento, especificamente,pedia-se às crianças que indicassem, por exemplo,
qual a boneca mais bonita, a branca ou a preta. A maioria das crianças optou pela branca,
endossando de alguma forma a superioridade desta sobre a outra. Desta maioria, cerca de 70%
eram crianças negras. Quando o oposto era solicitado - qual a boneca feia ou má - quase 80% das
crianças negras apontavam para a boneca de cor preta.
Como visto no exemplo anterior, o declínio da autoestima pode começar cedo. Como
Aronson et al. (2009), uma pessoa com baixa autoestima pode se convencer de que não merece
uma boa educação, um emprego e moradia decentes, e um sentido distorcido e fragmentado de
inferioridade, que, acompanhado de culpa, o leva a um estado de impotência e sofrimento.
De fato, algumas mudanças foram observadas, ainda que experimentalmente. Porter e
Washington (1979) encontraram mudanças para crianças negras no sentido de que agora elas
estão mais satisfeitas com bonecas negras do que há 30 anos. No entanto, um estudo
encomendado pela rede de televisão americana CNN (dados publicados no noticiário Anderson
Cooper 360 em 18 e 19 de maio de 2010) mostrou que os resultados obtidos por Clark e Clark há
60 anos ainda eram válidos, embora ligeiramente enfraquecidos.
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Devemos olhar esses desenvolvimentos com cautela. Os preconceitos podem ter se tornado
mais sutis, menos claros. Hutz (1988) tentou determinar experimentalmente se a tendência
observada em crianças americanas de desprezar negros ou animais seria encontrada em crianças
brancas e negras de diferentes níveis socioeconômicos no Brasil (Rio Grande do Sul). Dados
obtidos de testes de crianças de 4,2 a 5,8 anos mostraram que quase todas as crianças, sejam elas
negras ou brancas, sistematicamente deram atribuições positivas a animais brancos e atribuições
negativas a animais pretos. Não houve diferenças significativas entre os participantes por raça,
gênero ou status socioeconômico (embora as crianças brancas fossem mais uniformemente
preconceituosas). Segundo a autora, tais dados mostram que crianças de todas as cores têm ideias
estereotipadas sobre trapos desde cedo e, mais grave, que os negros já desenvolveram tais
pensamentos prejudiciais a si mesmos e à autoestima.
Há também exemplos da vida real: um estudo de 1998 do IBGE (Pesquisa de Padrão de
Vida) em seis grandes cidades do Brasil comparou entre outros dados, os salários médios de
homens e mulheres, brancos e negros. Constatou que os brancos ganhavam o salário mensal mais
alto em média; por segundo as mulheres brancas, os homens negros em terceiro e as mulheres
negras. Um novo estudo do mesmo IBGE (2009) comparando dados de 2003 a março de 2009
mostrou que segundo ocupação, escolaridade e renda, os rendimentos reais dos pretos e pardos
foram de R$ 690,30 e R$ 847,70, enquanto os brancos passaram de R$ 1.443,30 para R$ 1.663,90,
mostrando que época já havia grande diferença salarial entre negros e brancos. Embora o benefício
econômico não possa ser reduzido pela comprovação da existência de preconceito, os números
apresentados indicaram claramente a desigualdade racial e também de gênero. Segundo estudo
do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, em 1992 os homens ganhavam
50% a mais que as mulheres, um ano depois essa diferença cairia para 30% e (reportagem do
Jornal do Brasil, edição de 3 de março de 2002, p. A19). Atal et al. (2009) em 18 países latino-
americanos mostraram a prevalência desse fenômeno, com os homens deslocando as mulheres
em termos de renda salarial em até 27%.
Para alguns autores (DOVIDIO e GAERTNER, 1986, LIMA e VALA, 200; MCCONAHAY,
1986), o desenvolvimento se limitou ao que chamam de racismo moderno (ou racismo sutil ou ainda
racismo vergonhoso). As pessoas oprimidas por normas sociais mais liberais que pregam a
tolerância da diferença podem suavizar seu comportamento discriminatório, mas internamente
mantêm seus preconceitos, resultando em uma óbvia mudança para uma sociedade menos
discriminatória.
No entanto, esses autores apontam que em um clima diferente, onde os mesmos indivíduos
estão mais dispostos a expressar seus sentimentos, o preconceito e a discriminação voltariam aos
níveis anteriores. Mesmo esses "racistas desavisados" podem usar explicações alternativas de raça
ou sexismo e disfarçar suas verdadeiras origens ("Não dei uma oportunidade, não porque era
negra/mulher, mas porque não tinha a formação necessária, traços de personalidade, etc...”) Com
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base no mesmo raciocínio, Camino et al. (2001) na opinião de que no Brasil, uma vez que qualquer
comportamento socialmente discriminatório é proibido, pessoas preconceituosas apenas controlam
suas atitudes e/ou comportamentos mantendo suas crenças racistas. Neste estudo, os autores
chegaram às mesmas conclusões de Rodríguez et al. No estudo de 1998, os entrevistados
reconheceram o viés de preconceito no Brasil, mas não se consideraram preconceituosos.
A teoria de aprendizagem social, diz que estereótipos e preconceitos fazem parte de uma
maior de normas sociais, que por sua vez seriam o conjunto de crenças de uma dada comunidade
acerca de comportamentos tidos como socialmente corretos, aceitáveis e permitidos. As normas
sociais aprendidas em casa, na escola, nas instituições religiosas com colegas e através da mídia
e das artes, passadas de geração a geração, nos instruem aberta ou sutilmente sobre o que pensar
como agir afetivamente ou como agir no mundo. Daí surge a conformidade que e um caso especial
ou exposto, as pessoas de tanto perceberem e viverem relações de desigualdade entre grupos,
sexos, etc.… passam a considerar tais tratamentos diferenciados como naturais.
2.1 DESIGUALDADE DE GÊNERO
A desigualdade existe desde os primórdios da humanidade, porém ainda é um problema
atual. Costuma ser um modelo transposto do âmbito familiar para o âmbito público, o que faz a
mulher ser excluída dos trabalhos fora do âmbito doméstico (o que acontece muito no filme “estrelas
além do tempo”). “ Gênero é uma espécie de performasse do que é ensinado e esperado do
comportamento do homem e da mulher na sociedade” (Francisco Porfirio). Ornando com a
assimilação aprendida em aula, ser mulher na sociedade é um processo de assimilação dos
padrões comportamentais, assim como homem também tem essa assimilação. Atualmente apesar
do movimento feminista ter ganhado voz nas redes sociais a desigualdade persiste, é tratada de
maneira desigual nos espaços políticos, acadêmicos e científicos espaços que são dominados por
homens. Todos os tipos de desigualdades afetam a sociedade, quando uma sociedade privilegia
uns e descrimina outros há perda nos aspectos sociais, políticos, intelectuais e etc.
Como dito anteriormente, a desigualdade de gênero vem atribuindo à mulher papeis sociais
em função do gênero em diversos contextos, tais como a “função” de construir uma família, cumprir
tarefas domésticas e suprir os desejos sexuais do homem.
Os primeiros relatos de direitos humanos surgiram durante o século XVIII, trazendo consigo
um aspecto revolucionário à condição humana.
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Foi só em 1919, com a criação da 1ª República Alemã de Weimar, vinda de influências de
outras Constituições, Revoluções, assim como das consequências da Primeira Guerra Mundial, que
surgiram alguns direitos equiparados entre homens e mulheres, tanto na relação conjugal, como no
aspecto político e social; trouxe melhores condições de trabalho, garantiu o direito ao voto feminino,
e teve como principal característica o estabelecimento de distinções entre as diferenças e
desigualdades entre os indivíduos.
Previa que as diferenças eram essencialmente biológicas entre os seres, não havendo a
inferioridade advinda de cor, raça e sexo por exemplo; sendo hoje apenas um documento de cunho
histórico.
Essa foi apenas uma tentativa de fixar na prática o ideal teórico de igualdade, mas que, no
entanto,não passaram de tentativas até então, sendo afastadas pelos homens, que insistiam que
a mulher não poderia ser sujeito de direito, qualquer que fosse ele; e qualquer tentativa para
contrariá-los e alcançá-los, era considerada ameaça ao poder e a república.
E dentro dessa tentativa de diminuir o papel social da mulher em diversos contextos, temos
como causas do preconceito os fatores culturais, as crenças e os estereótipos que são
disseminados de forma cruel até os dias atuais.
Os religiosos afirmavam que se Deus se fez caracterizado de gênero masculino, se a mulher
foi feita a partir da costela de um homem devia, portanto, obediência a ele.
Assim como os adeptos das teorias científicas também criaram suas explicações acerca do
assunto; como por exemplo Pitágoras, matemático grego que afirmou: “Há um princípio bom, que
criou a ordem, a luz e o homem; e um princípio mau, que criou o caos, as trevas e a mulher”,
Mas principalmente tem-se acreditado e preconizado na sociedade há muito tempo, a teoria
de Aristóteles, criados do Direito Natural e que afirmou o seguinte: “A relação do macho em face a
fêmea é naturalmente a do superior para o inferior; o macho é governante, a fêmea o súdito”.
Portanto o homem ser superior a mulher é uma coisa absolutamente natural.
A partir disso, entendemos por que foi e ainda é tão difícil a construção de uma sociedade
justa, igualitária e democrática. Tendo visto a importância da luta dessa classe de minorias, a
Organização Mundial das Nações Unidas (ONU),¹ tem como uma das metas a ser cumprida até
2030 a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas.
Atualmente o Brasil está na 78° posição no ranking que mede igualdade de gênero em 144
países, segundo dados coletados para o relatório da Equal Measures 2030,² usados pela ONU.
Historicamente, a transformação e a inserção da mulher no mercado de trabalho tiveram início com
a Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX) e a busca por mão-de-obra nas indústrias. Ainda assim
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a mulher era tratada com inferioridade em relação aos homens, tratando-se de cargos, salários,
além de jornada de trabalho mais extensas.
Sendo assim, no dia 08 de março de 1857, na cidade de Nova York, um extenso grupo de
mulheres marcharam por melhores condições de trabalho, tendo sido a primeira vez que
demonstravam sua força quanto às questões trabalhistas. (PEREIRA, 2016). Essa data, hoje, é
considerada o Dia Internacional da Mulher, sendo um dos mais importantes marcos do movimento
feminista.
A partir daí começa um dos movimentos mais importantes para a luta das mulheres no
âmbito trabalhista, político e social, o feminismo.
O grande embasamento do feminismo é a questão da igualdade de direitos com o principal
intuito de colocar um fim na hierarquia de gêneros, onde o homem manda, organiza, sustenta e
opina, enquanto a mulher é submissa à todas suas vontades e ações. E assim, a partir de ações
esparsas por mulheres corajosas, as quais muitas delas deram até mesmo sua vida na luta por
algum desses direitos, foram surgindo movimentos coletivos, organizados, pautados no objetivo
daquele velho ditado: “A união faz a força”; e assim conseguiram, ao decorrer da história, com vários
movimentos, conquistar espaço e poder diante aos homens na sociedade.
2.2 DESIGUALDADE DE GÊNERO NO BRASIL
Atualmente os direitos de igualdade de gênero estão descritos no Artigo 5 da Constituição
Federal de 1988, prevê que todas as pessoas, independente do seu gênero, são iguais pela ótica
da Constituição. Este instrumento deveria ser responsável por assegurar os direitos, as
oportunidades e uma vida digna, livre e igualitária a todos os cidadãos do nosso país, no entanto,
muito ainda precisa ser feito.
O movimento feminista por exemplo, teve um papel fundamental para a conquista de
importantes direitos pelas mulheres, tanto no âmbito trabalhista, político, quanto no âmbito social.
Esse movimento teve início a partir dos pilares ideológicos da Revolução Francesa
(Liberdade, igualdade e fraternidade), visto que esses preceitos não eram destinados a toda a
sociedade, apenas aos homens. Isso serviu como ponto de partida para a busca das mulheres por
direitos igualitários.
No Brasil, a publicação do livro “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”, da
educadora feminista brasileira Nísia Floresta, em 1832, representa a “chegada” e a estruturação do
feminismo no Brasil.
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Desde o período colonial os direitos políticos eram restritos aos homens, de modo que todos
os poderes e decisões ainda se mantinham exclusivamente em suas mãos. Então, ainda no século
XIX, a mulher brasileira, antes mesmo de reivindicar seus direitos civis e políticos, lutou pela
conquista ao acesso à educação superior, proibida para sua classe até 1879. Pois o acesso à
educação, traz junto a independência necessária para se posicionar perante a sociedade e muitas
vezes a tirania do próprio marido opressor.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), as mulheres
representam mais da metade da população brasileira, compondo 51,8% do total de brasileiros.
Porém, isso não impede que façam parte da minoria social. Elas ainda têm menos oportunidades
de emprego, recebem salários menores em comparação com homens que ocupam o mesmo cargo,
percorrem caminhos mais longos até conquistarem cargos de liderança e gestão dentro das
empresas, desdobram-se em jornada tripla, que compreende trabalhar fora cuidar da casa e dos
filhos e têm menos representatividade na política, além de estarem exposta a diversos tipos de
violência.
Atualmente os direitos de igualdade de gênero estão descritos no Artigo 5 da Constituição
Federal de 1988, sendo o responsável por assegurar uma vida digna, livre e igualitária a todos os
cidadãos do nosso país.
Voltando um pouco no tempo, no Brasil, até 1962 as mulheres eram proibidas de trabalhar
ou de abrir conta bancária sem a autorização do marido, pois eram consideradas incapazes de fazer
tais funções. Só a partir da criação do Estatuto da Mulher Casada, de autoria da deputada Carlota
Pereira de Queiroz, que a mulher acabou com essa dominação legal do homem e representou um
marco para as mudanças na legislação conservadora do país.
A inserção da mulher na política é uma das principais lutas dos movimentos feministas no
Brasil desde a Proclamação da República em 1888, quando elas acharam que teriam direito de
reivindicar os próprios direitos.
No entanto, as mulheres conquistaram o direito ao voto somente em 1932, promulgado por
Getúlio Vargas, presidente da República na época e sendo estendido esse direito as mulheres
analfabetas em 1988. O movimento sufragista foi uma grande conquista feminina tanto no Brasil
quanto nos EUA e na Europa.
Dentre as lutas diárias que envolvem os direitos das mulheres no âmbito social, devemos
citar também a sujeição do corpo feminino. Assuntos relacionados á reprodução, ao aborto, a
violência doméstica, importunação sexual.
Portanto se pode constatar, que a vida da mulher ainda depende muito da sociedade, não
só pela sujeição do que fazer ou não fazer com seu corpo, mas também com o estereotipo de que
a mulher é frágil, vitimizada, objeto de prazer ou apenas um instrumento de reprodução e controle
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doméstico. O poder está intimamente ligado ao controle do corpo feminino, assim como com o
controle da sexualidade. Controle que sempre existiu, inicialmente partindo da igreja, depois Estado,
e até do próprio homem em sociedade.
Frequentar a escola para além do ensino primário, cursar ensino superior, criar um partido
político, votar, candidatar-se a cargos políticos, poder se divorciar, praticar qualquer esporte e dispor
de leis que criminalizam todos os tipos de violência de gênero, são alguns dos direitos que as
mulheres brasileiras, por meio de muita luta, conquistaram desde o século 19 até a atualidade.E
apesar das conquistas e das leis vigentes, a luta pelo cumprimento desses direitos precisa ser
exigida diariamente pelas mulheres.
Levando em consideração a estrutura social atual do mundo, o Global Gender Gap Report
2020³ produziu um relatório que concluiu que a igualdade de gênero entre homens e mulheres em
todas as áreas sociais não ocorrerá antes dos próximos 99 anos. Essa análise foi feita em 153
países, baseada na paridade de gênero em diversos contextos sociais, tais como participação
econômica, realização educacional, saúde e sobrevivência e empoderamento político.
Houve muitas conquistas pelos direitos de igualdade de gênero ao longo dos anos, mas as
mulheres ainda têm um longo caminho de lutas que envolvem muito mais do que somente políticas
públicas e leis, é necessário a mudança de cultura, de crenças, as quais estão enraizadas desde o
Brasil colonial.
3 CONTEXTO HISTÓRICO
Analisando o contexto histórico do filme, cujo se passa nos anos 60, identificamos com
facilidade algumas leis de segregação racial ainda vigorantes nos Estados Unidos. Como um dos
exemplos, as leis de Jim Crow aplicadas até 1964, que exigiam instalações separas para brancos
e negros em locais públicos.
Katherine Johnson, uma das três protagonistas do longa, retrata bem o racismo promovido
por essas leis discriminatórias quando precisou ir ao banheiro e descobriu que só havia unidade
para mulheres de sua cor em um outro prédio sem ser o que trabalhava. Além de banheiros,
pessoas negras estudavam em escolas separadas, não podiam se hospedar em hotéis e muitas
das suas instalações eram inferiores em comparações as instalações para pessoas brancas.
Essa herança de práticas discriminatórias ajuda a identificar e entender o fenômeno de
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desigualdade. Visto que, a população segregada torna-se um grupo socialmente fragilizado e com
dificuldades de ascensão devido ao acesso precário a moradia, emprego, educação e saúde.
No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estáticas (IBGE), os negros
representam 70% do grupo abaixo da linha da pobreza, nos mostrando que as condições podem
sim serem desiguais conforme a cor. Essa disparidade pode influenciar também no aumento de
violência, criminalidade e moradias irregulares dentro de uma cidade/município.
Além da questão racial, o filme aborda também questões de gênero ao colocar suas
protagonistas em um ambiente majoritamente masculino, onde não valorizam seus trabalhos e
duvidam de seus potenciais. Tal trama nos traz a concepção de que o gênero feminino é
constantemente colocado em prova para que seus direitos e equidade sejam de fato acolhidos em
uma sociedade de essência machista e hierárquica, onde há o favorecimento do homem em
detrimento a mulher.
O comportamento machista pode ser visto e reforçado em diversos âmbitos sociais como
trabalho, família, escola e outros. Muitas vezes sustentando pela estereótipização do que é
considerado adequado para o gênero feminino e masculino dentro de um meio social.
4 CONCLUSÃO
Concluímos que ser negra, principalmente naquela época, era muito difícil. Katherine,
Dorothy e Mary sofrem preconceito de todos os lados. Tanto de homens e mulheres brancas, como
de homens negros que se sentem superiores apenas por serem homens. Apesar disso, o filme dá
a entender que, sem essas três protagonistas, os Estados Unidos teriam demorado muito mais para
enviar um homem ao espaço. Se elas tivessem sido avaliadas e incluídas nos programas de
missões espaciais anteriormente, o país poderia ter superado a União Soviética. É impossível
assistir ao filme e não admirar a determinação e a força de vontade dessas mulheres para superar
os desafios que enfrentam todos os dias no trabalho. Elas nos ensinam três lições inspiradoras que
todos precisamos aprender, que são:
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Encontre o seu propósito, não há nada pior nesta vida do que uma vida sem propósito. Nos
faz seguir em frente e lutar para sermos sempre os melhores.
Não desista, os desafios estão aí para nos tornar melhores. Por isso é preciso muita força
para não desistir do que se quer no meio do caminho.
Não tenha medo da mudança e da inovação, aprenda com elas, porque há tanta mudança
acontecendo hoje em dia que muitas pessoas temem que a mudança prejudique seu trabalho,
embora na maioria das vezes a inovação leve a melhorias.
O preconceito e tão antigo quanto a humanidade, começou a ser visto como principalmente
a questão racial. Qualquer grupo social pode ser vítima de preconceito e os efeitos do preconceito
pode apresentar níveis distintos em termos de agressividade exibida.
Preconceito e uma ideia mental influenciada por normas e processos de categorização social
que divide as pessoas em grupos, com a consequência de despertar respostas discriminatórias
contra um grupo que não e o seu.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/trabalho-
renda-e-moradia-desigualdades-entre-brancos-e-pretos-ou-pardos-persistem-no-pais.
- https://novaescola.org.br/conteudo/477/o-que-o-filme-estrelas-alem-do-tempo-tem-a-ver-com-a-sua-
aula.
- Psicologia Social. Aroldo Rodrigues, Eveline Maria Leal Assmar, Bernardo Jablonski Editora Vozes, Jul
13, 2022.
- https:/brasilescola.uol.com.br/sociologia/desigualdade-de-genero.htm.
- http://intertemas.toledoprudente.edu.br/index.php/Direito/article/view/706.
- Sustainable Development Goal 5: Igualdade de gênero https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/5
- https://equalmeasures2030.org/wp-content/uploads/2022/03/SDG-index_report_FINAL_EN.pdf
- https://www.weforum.org/reports/gender-gap-2020-report-100-years-pay-equality
- Portal da Câmara dos Deputados https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1910-1919/lei-3071-1-
janeiro-1916-397989-norma-pl.html