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16/10/21, 20:40 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385252_1/overview/attempt/_15009507_1/review/inline-feedback?… 1/6 Conteúdo do exercício Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Pergunta 1 -- /1 Em relação ao nível de organização biológica: Resposta corretaOs níveis de organização biológica se iniciam pela célula Órgãos são formados pelos mesmos tipos de tecidos. Incorreta: Os sistemas são formados pela união de várias populações. Os níveis de organização biológica de iniciam pelo neurônio. Os tecidos são formados pela união de células não especializadas. Pergunta 2 -- /1 Assinale a alternativa correta em relação à ecologia e acontecimentos atuais: Queimadas e desmatamento ilegais ocasionam perda de biodiversidade, mas possui baixa emissão de gás carbônico. Gases de efeito estufa não são intensificados pelas atividades antrópicas. 16/10/21, 20:40 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385252_1/overview/attempt/_15009507_1/review/inline-feedback?… 2/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Resposta correta Poluição é qualquer degradação das condições ambientais do habitat de uma coletividade humana. Renovação de pastagens e preparo de novas áreas para cultivo não causam perda de biodiversidade. A mata atlântica tem cerca de 93% da sua cobertura vegetal preservada. Pergunta 3 -- /1 No âmbito jurídico, é possível optarmos por um conceito estrito de ambiente. Assinale a alternativa correta: O meio ambiente humano envolve o aspecto social. O meio ambiente humano tem característica de construção. O meio ambiente humano envolve o aspecto ético. Resposta corretaO meio ambiente humano trata do ambiente construído e natural. O meio ambiente humano é todo aquele que podemos usufruir. Pergunta 4 -- /1 É importante não confundir os termos meio ambiente e ecologia porque: O meio ambiente é o conjunto do meio físico e dos fenômenos naturais, pois a vegetação e animais são estudados pela biologia. 16/10/21, 20:40 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385252_1/overview/attempt/_15009507_1/review/inline-feedback?… 3/6 Ocultar opções de resposta O meio ambiente é o conjunto de vegetação e animais, pois os fenômenos naturais são parte da meteorologia. O meio ambiente é o conjunto da vegetação, animais, solos, rochas e fenômenos naturais, pois a atmosfera e fenômenos físicos são estudados pela física. Resposta correta O meio ambiente é o conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural. Meio ambiente e ecologia diferem por conta do estudo da interação entre os seres entre si. Pergunta 5 -- /1 Em relação aos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), assinale a alternativa correta: A política nacional dos resíduos sólidos urbanos foi extinta para dar lugar a outra ainda em tramitação. Resíduos radioativos são dispostos de forma devida por qualquer indivíduo. Os resíduos de serviços de saúde são todos potencialmente perigosos. Resposta corretaLixo e resíduos para saneamento são expressões diferentes. Os resíduos líquidos são as emissões de flúidos como fumaça de chaminés. Pergunta 6 -- /1 Entre os principais objetivos da gestão dos resíduos sólidos urbanos estão: I – Diminuir a quantidade de resíduos sólidos gerados. II – Diminuir a quantidade de material aterrado. 16/10/21, 20:40 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385252_1/overview/attempt/_15009507_1/review/inline-feedback?… 4/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta III – Aumentar a incineração de resíduos perigosos. IV – Aumentar a emissão de gases provenientes de aterros (risco de explosão). V – Manter a absorção de chorume de aterros para filtragem natural pelo solo. Estão corretas: II e III V e II III e V Resposta corretaI e II I e IV Pergunta 7 -- /1 Em relação às interações ecológicas: Resposta corretaRelações interespecíficas desarmônicas são aquelas onde ocorre predatismo. Relações extraespecíficas harmônicas são aquelas em que ocorre o esclavagismo. Relações interespecíficas harmônicas são aquelas onde acontecem colônias As relações intraespecíficas harmônicas são aquelas que existe sociedade, mas não existe colônia. Relações intraespecíficas desarmônicas são relações entre espécies diferentes onde há prejuízo para pelo menos um dos lados. Pergunta 8 -- /1 16/10/21, 20:40 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385252_1/overview/attempt/_15009507_1/review/inline-feedback?… 5/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta São vantagens do gerenciamento ambiental em indústrias: I - Proteger o meio ambiente para as futuras gerações. II - Proteger os ecossistemas, com a preservação de áreas representativas. III - Planejar e fiscalizar o uso dos recursos ambientais. IV - Garantir a qualidade dos recursos renováveis. V - Racionalizar o uso do solo, do subsolo, da água e do ar. VI - Proteger áreas ameaçadas de degradação. Estão corretas: I e IV Resposta corretaI, II, III, IV, V, VI II, III, IV, V, VI Apenas IV II, III, V, VI Pergunta 9 -- /1 No estudo do saneamento, a compreensão da abordagem entre seres vivos e meio ambiente é imprescindível. Por esse motivo, estuda-se a ecologia, que: É aplicada desde a época dos dinossauros, pois já encontraram traços de diversos fósseis que mostram como eram os descendentes dos humanos de milhões de anos atrás. Levam a estudos ligados à história artificial, por se tratar de um ambiente modificado pelo ser humano e precisar de intervenções ecológicas. Resposta correta Significa o estudo das “casas naturais”, que são os diversos ambienteis da natureza, além das relações dos seres vivos entre si com o ambiente. 16/10/21, 20:40 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385252_1/overview/attempt/_15009507_1/review/inline-feedback?… 6/6 Ocultar opções de resposta Se popularizou por conta dos animais que começaram a entrar em extinção em todo o planeta, desequilibrando assim ecossistemas. Ganhou notoriedade por conta da primeira viagem do homem à lua, e observar que era provável que existisse vida em outros planetas. Pergunta 10 -- /1 De acordo com o gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais: Um resíduo classe II é o que apresenta extrema periculosidade. Resposta corretaUm resíduo classe l é o que apresenta periculosidade. O licenciamento ambiental não necessita de PGRS para obtenção das LI, LP e LO. Pode-se obter LI, LO ou LP para que determinada indústria possa funcionar. Um PGRS só é obrigado quando o resíduo é classificado como de limpeza urbana. 16/10/21, 20:32 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385259_1/overview/attempt/_15010265_1/review/inline-feedback?… 1/6 Conteúdo do exercício Ocultar opções de resposta Pergunta 1 -- /1 Em relação às redes de abastecimento, assinale a alternativa incorreta: A rede ramificada malhada possui um cálculo mais complexo de distribuição. O dimensionamento de uma rede ramificada em grelha deve ser feito de jusante para montante. A rede ramificada malhada forma anéis e são canalizações interligadas. A rede ramificada em grelha permite estabelecer o sentido do escoamento da água. Resposta corretaA rede ramificada em grelha tem abastecimento independente do ramo principal. Pergunta 2 -- /1 Em relação às fontes de poluição do solo nos centros urbanos, corresponde a estas fontes de poluição: I - Aplicação de pesticidas agrícolas. II - Presença de dejetos de animais. III - Despejos incorretos de resíduos sólidos. IV - Lançamento de resíduos líquidos. V - Desmatamento e queimadas. 16/10/21, 20:32 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385259_1/overview/attempt/_15010265_1/review/inline-feedback?…2/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Resposta corretaI, II, III, IV e V II, III, IV e V I, III, IV e V I, II, III e IV III, IV e V Pergunta 3 -- /1 As fontes de poluição dos recursos hídricos podem ser de dois tipos: Exclamativas e Confusas. Exclamativas e Adversativas. Resposta corretaPontuais e Difusas. Pontuais e Confusas. Adversativas e Difusas. Pergunta 4 -- /1 Não é uma medida apresentada pela Organização Mundial Da Saúde (OMS) para promoção do saneamento básico: 16/10/21, 20:32 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385259_1/overview/attempt/_15010265_1/review/inline-feedback?… 3/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Drenagem de águas pluviais. Coleta De Lixo e sua adequação. Instalação e manutenção de esgotos sanitários. Administração do nível de poluição do meio ambiente. Resposta corretaAbastecimento da população com água servida. Pergunta 5 -- /1 Qual a vazão de distribuição, vazão em marcha e vazão específica para uma população de 10000 habitantes vivendo numa região de 100ha, que consomem por dia 200l, numa rede com 10km de extensão? Considere valores de k1 = 1,2 e k2=1,5. Resposta correta41,67l/s; 0,0042l/s.m e 0,417l/s.ha 20,83l/s; 0,0021l/s.m e 0,208l/s.ha 10,41l/s; 0,0011l/s.m e 0,104l/s.ha 5,20l/s; 0,0005l/s.m e 0,052l/s.ha 83,34l/s; 0,0084l/s.m; 0,834l/s.ha Pergunta 6 -- /1 Não é uma vantagem no uso de bioindicadores: 16/10/21, 20:32 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385259_1/overview/attempt/_15010265_1/review/inline-feedback?… 4/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta São muito eficazes, com resultados rápidos. Identificação rápida de causas e efeitos de problemas ambientais. Resposta corretaÉ um método que envolve alto investimento, mas resultados garantidos. É um método simples e rápido. Avalia a efetividade de ações mitigadoras. Pergunta 7 -- /1 De acordo com as diretrizes nacionais os quatro eixos do saneamento básico são: Resposta correta Abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Tratamento de resíduos de classe I, resíduos de classe II, resíduos de classe III e resíduos de classe IV. Educação ambiental, gestão ambiental, planejamento ambiental e engenharia ambiental. Abastecimento sanitário, esgotamento de água, limpeza de águas superficiais e drenagem urbana. Abastecimento industrial, abastecimento público, abastecimento privado e abastecimento rural. Pergunta 8 -- /1 16/10/21, 20:32 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385259_1/overview/attempt/_15010265_1/review/inline-feedback?… 5/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta As águas possuem características que devem ser observadas de acordo com a finalidade do seu uso. Assinale a alternativa errada. Sabor e odor são uma característica física da água. Condutividade térmica é uma característica física da água. Demanda de oxigênio é uma característica química da água. Presença de gases dissolvidos na água são uma característica química da água. Resposta corretaCor é uma característica química da água. Pergunta 9 -- /1 Os solos apresentam cinco funções básicas no ambiente: I - Sustentar o crescimento das plantas. II - Determinar o destino das águas na superfície da terra. III - Reciclagem de nutrientes (decomposição). IV - Esterilização de microrganismos. V - Fundação, base para construções. Estão corretas: I, II, IV, V II, III, V I, II, III, IV e V Resposta corretaI, II, III e V I, III, IV e V 16/10/21, 20:32 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385259_1/overview/attempt/_15010265_1/review/inline-feedback?… 6/6 Ocultar opções de resposta Pergunta 10 -- /1 Para manter o funcionamento do sistema de drenagem e melhor manejo das águas pluviais urbanas: Deve-se descartar o lixo dentro das unidades residenciais. Deve-se manter as áreas impermeáveis nos lotes. Deve-se fazer ligação de esgoto na rede pluvial. Resposta corretaDeve-se manter as áreas permeáveis nos lotes. Deve-se descartar o lixo dentro de bocas de lobo. 16/10/21, 21:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385266_1/overview/attempt/_15010664_1/review/inline-feedback?… 1/6 Conteúdo do exercício Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Pergunta 1 -- /1 Qual a constituição de uma rede coletora? Ligações públicas, coletores privados, coletores especiais e acessórios tronco. Ligações industriais, coletores residenciais, coletores públicos e acessórios tronco. Resposta corretaLigações prediais, coletores de esgoto, coletores tronco e órgãos acessórios. Ligações residenciais, coletores industriais, coletores comerciais e acessórios tronco. Ligações de esgoto, coletores prediais, coletores acessórios e órgãos tronco. Pergunta 2 -- /1 Em relação ao enquadramento das águas doces superficiais, assinale a alternativa incorreta: A classe 3 pode ser usada para consumo humano. A classe especial é a situação ideal para consumo humano. 16/10/21, 21:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385266_1/overview/attempt/_15010664_1/review/inline-feedback?… 2/6 Ocultar opções de resposta Resposta corretaA classe 4 possui a melhor qualidade, para usos mais exigentes. A classe 2 possui mais qualidade que a classe 3. A classe especial é para um uso mais exigente que a classe 1. Pergunta 3 -- /1 Assinale V para afirmações verdadeiras e F para afirmações falsas sobre os eixos que o plano municipal deve englobar: ( ) Abastecimento de água. ( ) Esgotamento sanitário. ( ) Drenagem urbana. ( ) Limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. ( ) Manejo das emissões atmosféricas. F, V, V, V, V V, V, F, V, V V, F, V, F, V F, V, F, V, F Resposta corretaV, V, V, V, F Pergunta 4 -- /1 Não é órgão acessório utilizado ao longo do sistema de coleta e transporte de esgoto: 16/10/21, 21:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385266_1/overview/attempt/_15010664_1/review/inline-feedback?… 3/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Poço de visita. Terminal de limpeza. Resposta corretaEstação elevatória. Sifão invertido. Caixa de passagem. Pergunta 5 -- /1 Poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de algumas atividades. Não corresponde a um efeito da poluição (direto ou indireto): Criar condições adversas às atividades socioeconômicas. Resposta corretaIntensificar as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente. Prejuízo à saúde, segurança e bem-estar. Afetar desfavoravelmente a biota. Lançar matérias ou energia em desacordo aos padrões ambientais. Pergunta 6 -- /1 Para o cálculo do volume gerado de esgoto é necessário considerar: I - O esgoto doméstico, que é o esgoto gerado pela população nas suas tarefas diárias em residências. 16/10/21, 21:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385266_1/overview/attempt/_15010664_1/review/inline-feedback?… 4/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta II - O esgoto industrial, que é o despejo gerado por indústrias, desde que respeitados os padrões de lançamento na rede. III - As águas de infiltração que acabam penetrando nas canalizações. Estão corretas: Resposta corretaI, II e III I e III III II e III I e II Pergunta 7 -- /1 O Ministério das Cidades define saneamento ambiental como o conjunto de ações técnicas e socioeconômicas que, quando aplicadas, resultam em maiores níveis de salubridade ambiental. Assinale a alternativa errada sobre a necessidade de obras e serviços para a garantia destas ações: Para a drenagem urbana é necessária a construção de redes de coleta pluviais. Respostacorreta Para coleta de esgoto, são necessárias construções de estações de tratamento de água. Para a destinação adequada de resíduos sólidos é necessário a construção de aterros sanitários. Para a drenagem urbana é necessária construção de obras que amenizem o efeito de chuvas intensas e inundações. O abastecimento d’água compreende a escolha de um manancial de qualidade e volume adequado. 16/10/21, 21:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385266_1/overview/attempt/_15010664_1/review/inline-feedback?… 5/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Pergunta 8 -- /1 Quais são os princípios da Lei do Saneamento Básico? Universalização, integralismo, equidade, participação e controle social, titularidade estadual, intersetorialidade, gestão popular. Resposta correta Universalização, integralidade, equidade, participação e controle social, titularidade municipal, intersetorialidade, gestão pública. Universalização, Integração, equação, partição e controle social, titularidade estadual, intersetorialidade, gestão privada. Universidade, integralismo, equação, controle e domínio social, municipalidade titular, intrasetorialidade, domínio público. Universidade, integralidade, equidade, participação e controle social, titularidade da união, intersetorialidade, gestão participativa. Pergunta 9 -- /1 Qual a sequência correta das etapas de tratamento da água bruta até as residências? Água bruta; cloração e fluoretação; filtração; decantação; coagulação e floculação; reservatório; residências. Água bruta; reservatório; cloração e fluoretação; coagulação e floculação; decantação; filtração; residências. Água bruta; cloração e fluoretação, reservatório; coagulação e floculação, decantação; filtração; residências. 16/10/21, 21:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385266_1/overview/attempt/_15010664_1/review/inline-feedback?… 6/6 Ocultar opções de resposta Água bruta; decantação; filtração, cloração e fluoretação; filtração; decantação, reservatório; residências. Resposta correta Água bruta; coagulação e floculação; decantação; filtração; cloração e fluoretação, reservatório; residências. Pergunta 10 -- /1 A adição de poluentes pode tornar a água inadequada para certos usos. Os principais poluentes são: Poluentes orgânicos, e inorgânicos, metais, nutrientes, microorganismos, sólidos dissolvidos, calor e relatividade. Poluentes inorgânicos biodegradáveis, poluentes orgânicos não biodegradáveis, metais, proteínas, organismos patogênicos, sólidos em suspensão, calor e transmissividade. Resposta correta Poluentes orgânicos biodegradáveis e não biodegradáveis, metais, nutrientes, organismos patogênicos, sólidos em suspensão, calor e radioatividade. Poluentes inorgânicos, poluentes orgânicos, ametais, proteínas, microorganismos, sólidos decantados, frio e reatividade. Poluentes orgânicos e inorgânicos, gases nobres, minerais, microorganismos, sólidos em dispersão, calor e proatividade. 16/10/21, 21:08 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385272_1/overview/attempt/_15010862_1/review/inline-feedback?… 1/6 Conteúdo do exercício Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Pergunta 1 -- /1 Em relação ao lodo proveniente de estações de tratamento, assinale a alternativa incorreta: O adensamento consiste em concentrar os sólidos presentes no lodo para reduzir sua umidade. A estabilização pode ser realizada por digestão anaeróbia, aeróbia, tratamento térmico ou ainda estabilização química. Entre os mais usados métodos de higienização estão a adição de cal e a compostagem. Resposta correta A adubação é a utilização convencional do lodo como nutriente para crescimento vegetal. A desidratação pode ser realizada por processos naturais ou mecânicos. Pergunta 2 -- /1 Qual o volume útil total do tanque séptico para uma residência que possui 8 moradores, com contribuição por indivíduo de 100l/dia, contribuição de lodo fresco de 1l/dia, tempo de detenção de 24 horas e taxa de acumulação de esgoto de 57? 16/10/21, 21:08 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385272_1/overview/attempt/_15010862_1/review/inline-feedback?… 2/6 Ocultar opções de resposta 1256l. Resposta correta2256l. 1571256l. 1128l. 47400l. Pergunta 3 -- /1 Qual a área do sumidouro necessária para infiltração de 640 litros de esgoto diários para um solo composto por uma argila arenosa com coeficiente de 50l/m².dia? Resposta correta12,8m². 256m². 128m² 25,6m² 6,4m² Pergunta 4 -- /1 O volume útil do filtro anaeróbio numa residência que possui 6 habitantes, onde cada um gera uma contribuição diária de 160l esgoto e tempo de detenção de 22 horas e 4,8 minutos é: 16/10/21, 21:08 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385272_1/overview/attempt/_15010862_1/review/inline-feedback?… 3/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta 33792l 1513l. Resposta correta1413,12l. 16896l. 2826l. Pergunta 5 -- /1 Qual a quantidade aproximada de contribuintes de uma fossa séptica com volume útil de 3600l, com contribuição de esgoto diário de 70l por indivíduo, contribuição de lodo de 0,30l por indivíduo, tempo de detenção de 24horas e valor da taxa de acumulação de lodo de 105? 30 hab. 14 hab. 22 hab. Resposta correta26 hab. 18 hab Pergunta 6 -- /1 Em relação à fossa séptica, assinale a alternativa incorreta: 16/10/21, 21:08 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385272_1/overview/attempt/_15010862_1/review/inline-feedback?… 4/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta A diluição deve satisfazer as exigências, tanto para o efluente quanto para o corpo receptor. Vala de infiltração consiste em uma vala preparada para receber e infiltrar o efluente sobre o solo. Vala de filtração consiste em uma vala preparada com tubulações de coleta, onde o efluente é despejado na superfície e coletado pelas tubulações. O sumidouro é um poço absorvente onde o efluente se infiltra no solo. Resposta correta A retenção do esgoto na fossa pode variar de 24 a 12 meses, dependendo das condições do esgoto. Pergunta 7 -- /1 Efluente da ETE deve ser adequado ao corpo receptor, ou seja, não pode interferir na qualidade da água a ponto de prejudicar os usos que dela são feitos. Qual condição necessária não condiz com a realidade? Ausência de materiais flutuantes. Máximo de 120 mg/litro de DBO. Temperatura inferior a 40° C. Resposta corretaPH entre 7 e 14. Presença de no máximo 1 ml/litro de materiais sedimentáveis. Pergunta 8 -- /1 16/10/21, 21:08 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385272_1/overview/attempt/_15010862_1/review/inline-feedback?… 5/6 Ocultar opções de resposta Ocultar opções de resposta Sobre os processos gerais e estação de tratamento de esgoto, assinale a alternativa incorreta: DBO varia conforme o tipo de despejo e serve como parâmetro indicador do potencial poluidor de certas substâncias biodegradáveis em relação ao consumo de OD. A autodepuração é a capacidade de um curso d’água se recuperar por meio de mecanismos puramente naturais. Esgoto nada mais é do que a água transportando sólidos que são despejados de residências e indústrias todos os dias. Resposta correta Quando o esgoto é lançado sem tratamento, acaba produzindo grande parte do oxigênio dissolvido na água nos processos de degradação da matéria prima. Durante o processo de autodepuração, pode-se distinguir duas etapas principais: decomposição e recuperação do oxigênio dissolvido (OD). Pergunta 9 -- /1 O que pode ser considerado esgoto sanitário? I – Esgoto doméstico. II – Esgoto industrial. III – Esgoto nuclear. IV – Água de infiltração. I, II e III. I e II. Resposta corretaI, II e IV. I eIV. II, III e IV. 16/10/21, 21:08 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4385272_1/overview/attempt/_15010862_1/review/inline-feedback?… 6/6 Ocultar opções de resposta Pergunta 10 -- /1 O grau de tratamento em uma ETE pode variar. O nível de tratamento pode ser classificado, segundo grau de eficiência, em: I – Tratamento preliminar. II – Tratamento setorial. III – Tratamento primário. IV – Tratamento secundário. V – Tratamento terciário. VI – Tratamento finalizador. Assinale a alternativa correta: Resposta corretaI, III, IV, V III, IV, V, VI II, III, V, VI I, II, III, IV, V e VI I, III, V, VI Conteúdo do exercício Pergunta 1 A Lei nº. 11.445/2007 define como funções essenciais da gestão dos serviços públicos de saneamento básico o planejamento, a regulação, a prestação e a fiscalização dos serviços e o controle social. O plano de saneamento básico será revisto periodicamente, em prazo não superior a quatro anos. Qual afirmação não representa uma diretriz da Fundação Nacional de Saúde — FUNASA? Universalização do acesso com integralidade, segurança, qualidade e regularidade na prestação dos serviços; Promoção da saúde pública, segurança da vida e do patrimônio, proteção do meio ambiente; Articulação com as políticas de desenvolvimento urbano, saúde, proteção ambiental e interesse social; Adoção de tecnologias apropriadas às peculiaridades locais e regionais; Promoção da lucratividade sobre sustentabilidade, considerando quando e se possível a capacidade de pagamento dos usuários. Pergunta 2 O cálculo do volume gerado de esgoto é uma etapa importante do início do projeto. Assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: • O esgoto ______________ é o esgoto gerado pela população nas suas tarefas diárias. Já _______________ são aquelas que acabam penetrando nas canalizações. Doméstico; as águas de infiltração. Comercial; as águas de escoamento. Urbano; as águas de infiltração. Industrial; as águas de vazamento. ADRIANO DELL Destacar ADRIANO DELL Destacar Residencial; as águas de retorno. Pergunta 3 A distribuição de água numa cidade contribui para se atingir uma das metas da universalização do saneamento básico. Qual é a vazão específica e a vazão em marcha para uma cidade com 1,6 milhão de habitantes, numa área de 1600 hectares e consumo per capita de 160 L/hab.dia? considerar que existem 16km de rede instalados: 0,33 L/s.m e 3,33 L/s.ha 0,11 L/s.m e 1,11 L/s.ha 0,66 L/s.m e 6,66 L/s.ha 1,32 L/s.m e 12,32 L/s.ha 2,64 L/s.m e 24,64 L/s.ha Pergunta 4 Associe a segunda coluna de acordo com a primeira em relação a qualidade da água: ( A ) Características físicas da água. ( B ) Características químicas da água. ( ) DBO. ( ) Turbidez. ( ) Cor. ( ) Impurezas orgânicas. ( ) Sabor e odor. ( ) Temperatura. B, A, A, B, A, A B, B, A, A, A, A B, B, B, A, B, B A, A, A, A, A, A B, B, B, B, B, B ADRIANO DELL Destacar ADRIANO DELL Destacar ADRIANO DELL Caixa de texto POSSIVEL ERRO Pergunta 5 Em relação ao dimensionamento de redes de distribuição de água, associe a segunda coluna de acordo com a primeira sobre as características das redes de tubos: (S) Condutos em série. (P) Condutos em paralelo. ( ) Mais de um trecho partem de um nó e chegam até outro nó. ( ) O fim de um trecho (extremidade a jusante) é conectado ao início de outro. ( ) a perda de carga total de uma rede de tubos é 20 mca. As tubulações que fazem parte desta rede tem, cada um, 10mca, 5mca e 5mca. ( ) A vazão total que passa numa rede de tubos é igual a 20m³/s. as tubulações que fazem parte desta rede de tubos tem, cada uma, vazão de 20m³/s. ( ) Uma rede de tubos tem entre os pontos A e B uma perda de carga de 10mca. As tubulações que fazem parte dessa rede de tubos tem, cada uma, perda de carga de 10mca. ( ) Numa rede de tubos, entra uma vazão de 30m³/s que se divide entre três tubulações. Posteriormente as três tubulações se unem, saindo o total de 30m³/s. Assinale a alternativa com a sequência correta: P, S, S, S, P, P. P, S, P, S, P, S. S, P, S, P, S, P. P, P, P, S, S, S. S, S, S, P, P, P. Pergunta 6 Em relação ao meio ambiente como bem jurídico, não representa a realidade: I - Essa noção de bens comuns, no entanto, advém de uma impossibilidade fática de apropriação desses bens naturais, uma vez que não é possível estocar o ar, conter a água corrente e o oceano por suas proporções; ao mesmo tempo que se reconhecem como direitos de uso comum pela influência desses elementos naturais como condicionantes da vida humana, tal como compreendemos atualmente. II - O Estado não possui autonomia de tutela administrativa e tutela penal para buscar a cessação de comportamentos lesivos a esse bem jurídico. III - O Poder Público passa a figurar não como proprietário de bens ambientais — das águas e da fauna —, mas como um gestor ou gerente, que administra bens que não são dele e, por isso, deve explicar convincentemente sua gestão. Apenas I. ADRIANO DELL Destacar Apenas II. Apenas III. Apenas I e III. Apenas I e II. Pergunta 7 Em relação à política básica de saneamento e indicadores microbianos: qualidade da água e do solo, assinale qual alternativa completa adequadamente as sentenças abaixo, respectivamente: • ______________ - Esses serviços, conforme o art. 4º, são indispensáveis para a elevação da qualidade de vida das populações urbanas e rurais. • ______________- O acesso aos serviços de saneamento básico deve ser garantindo a todos os cidadãos mediante tecnologias apropriadas à realidade socioeconômica, cultural e ambiental. • ______________- Considera-se que todos os cidadãos têm direitos iguais no acesso a serviços públicos de saneamento básico de boa qualidade. Gestão pública; Universalidade; Igualdade. Universalidade; Gestão pública; Igualdade. Universalidade; Igualdade; Gestão pública. Gestão pública; Igualdade; Universalidade. Igualdade; Universalidade; Gestão pública. Pergunta 8 Defina os aspectos do meio ambiente em físico (1) ou populacional (2): ( ) Massapê. ( ) Protozoário. ( ) Oceano Atlântico. ( ) Ipê Amarelo. ( ) Troposfera. 1,2,1,2,1 2,1,2,1,2 ADRIANO DELL Destacar ADRIANO DELL Destacar ADRIANO DELL Destacar 1,1,1,1,1 2,2,2,2,2 1,2,2,1,1 Pergunta 9 Em relação ao tratamento de esgoto e sua importância no saneamento ambiental, assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: Sólidos presentes no esgoto são responsáveis pela __________________ de um corpo d’água quando lançados nele sem um tratamento adequado. Já a _________________é a capacidade de um curso d’água se recuperar por meio de mecanismos puramente naturais. deterioração da qualidade; autodepuração autodepuração; deterioração da qualidade melhora da qualidade; autodepreciação autodepreciação; melhora da qualidade estabilização da qualidade; requalificação Pergunta 10 Preencha a segunda coluna de acordo com a primeira: ( I ) Classe I — Resíduos perigosos (II) Classe II — Resíduos não perigosos ( ) Característica de Inflamabilidade. ( ) Característica de biodegradabilidade. ( ) Característica de corrosividade. ( ) Característica de solubilidade. ( ) Característica de reatividade. ( ) Característica inerte. ( ) Característica de toxicidade. ( ) Característica de patogenicidade. I, II, I, II, I, II, I, I II, I, II, I, II, I, II, II I, I, I, I, I, I, I, I ADRIANO DELL Destacar ADRIANO DELL Destacar II, II, II, II, II, II, II, II I, I, I, I, II ,II ,II, I 29/11/2021 22:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/outline/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15820937_1/review/inline-feedback?… 1/5 As respostas certas são exibidas em 17/12/21 às 00:00 As pontuações para a pergunta em 17/12/21 às 00:00 Conteúdo do exercício Pergunta 1 As características químicas verificam os teores qualitativos e quantitativos de certas substâncias na água que podem, extrapolando certoslimites, ser inadequadas ao consumo. Assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: São características químicas da água: ____________________, ____________________ e ____________________. oxigênio dissolvido; matéria orgânica; micropoluentes inorgânicos. oxigênio dissolvido; sabor e odor; temperatura. matéria orgânica; coliformes totais; turbidez. micropoluentes inorgânicos; temperatura; demanda biológica de oxigênio. 6/6 Tentativa 1 Enviado: 29/11/21 21:44 (BRT) 29/11/2021 22:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/outline/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15820937_1/review/inline-feedback?… 2/5 matéria orgânica; sólidos totais dissolvidos; cor. Pergunta 2 Em relação as diretrizes nacionais para o saneamento básico, a União deve respeitar estas afirmações abaixo. Assinale qual alternativa completa adequadamente as sentenças abaixo, respectivamente: • A união deve dar prioridade para as ações que promovam a ___________ e territorial no acesso ao_______________, melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais e de saúde pública. • A união deve também dar garantia de meios adequados para o atendimento da _________________, inclusive mediante à utilização de soluções compatíveis com suas características econômicas e sociais peculiares. equidade social; saneamento básico; população rural dispersa. população rural dispersa; emprego nas grandes cidades; imigração. desconstrução social; emprego e renda; emigração. igualdade racial; saneamento privado; minoria. política ambiental; emprego e renda; migração. Pergunta 3 O que não constitui numa rede coletora? Ligações prediais Coletores de esgoto. Coletores tronco Órgãos acessórios Canais de escoamento. Pergunta 4 Com relação à classificação de resíduos sólidos, qual não corresponde à realidade? I - Efluentes industriais: constituem os resíduos sépticos, que podem conter organismos patogênicos e veicular doenças de outras cidades, estados e países; 29/11/2021 22:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/outline/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15820937_1/review/inline-feedback?… 3/5 II - Resíduos de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários: gerados pela atividade industrial. Podem ser orgânicos ou inorgânicos; III - Resíduos radioativos (lixo atômico): são resíduos provenientes dos combustíveis nucleares. Seu gerenciamento é de competência exclusiva da CNEN — Comissão Nacional de Energia Nuclear; IV - Resíduos da construção civil: resíduos de demolições, restos de obras, solos de escavações, entre outros. I e II I, II, III e IV II, III e IV Apenas IV Apenas II Pergunta 5 Em relação ao tratamento de esgoto e sua importância no saneamento ambiental, assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: Sólidos presentes no esgoto são responsáveis pela __________________ de um corpo d’água quando lançados nele sem um tratamento adequado. Já a _________________é a capacidade de um curso d’água se recuperar por meio de mecanismos puramente naturais. deterioração da qualidade; autodepuração autodepuração; deterioração da qualidade melhora da qualidade; autodepreciação autodepreciação; melhora da qualidade estabilização da qualidade; requalificação Pergunta 6 Em relação as unidades do sistema das redes coletoras, assinale qual alternativa completa adequadamente as sentenças abaixo, respectivamente: _________________ - Permite introdução de equipamentos de limpeza na rede. _________________ - É uma câmara que permite a visitação para limpeza ou manutenção. _________________ - É o mais simples entre os acessórios de interligação, por isso é instalado no início de coletores. 29/11/2021 22:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/outline/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15820937_1/review/inline-feedback?… 4/5 Tubo de inspeção e limpeza; Poço de visita; Terminal de limpeza. Tubo de inspeção e limpeza; Terminal de limpeza; Poço de visita. Poço de visita; Terminal de limpeza; Tubo de inspeção e limpeza. Poço de visita; Tubo de inspeção e limpeza; Terminal de limpeza. Terminal de limpeza; Tubo de inspeção e limpeza; Poço de visita. Pergunta 7 A economia do país (boom econômico e recessão), o número de habitantes da região, a área relativa de produção, as variações sazonais e condições climáticas, os hábitos e costumes da população, o nível educacional e poder aquisitivo são exemplos de fatores que influenciam o quê? A geração de resíduos sólidos urbanos. A geração de resíduos hospitalares. A geração de resíduos industriais. A geração de resíduos nucleares. A geração de resíduos não renováveis. Pergunta 8 Em relação as funções básicas do solo, analise as alternativas: I - O solo sustenta o crescimento das plantas, além de fornecer suporte mecânico, água e nutrientes para as raízes que, por sua vez, distribuem para a planta inteira e são essenciais para sua existência; II - As características dos solos determinam o destino da água na superfície da Terra, essencial para a nossa sobrevivência. A perda de água, sua utilização, contaminação e purificação estão relacionadas à qualidade do solo; III - O solo desempenha um papel essencial na reciclagem de nutrientes e na destinação dos corpos de animais (incluindo o homem) e restos de plantas que morrem na superfície da Terra; IV - O solo é desprovido de organismos. Um punhado de solo pode conter bilhões de grãos de areia, silte e argila, que influenciam as características do solo, como a porosidade, que é responsável pelo movimento e pela manutenção de água e ar no solo. Apenas I Apenas II 29/11/2021 22:09 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/outline/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15820937_1/review/inline-feedback?… 5/5 Apenas III Apenas IV I, II, III e IV Pergunta 9 O cálculo do volume gerado de esgoto é uma etapa importante do início do projeto. Assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: • O esgoto ______________ é o esgoto gerado pela população nas suas tarefas diárias. Já _______________ são aquelas que acabam penetrando nas canalizações. Doméstico; as águas de infiltração. Comercial; as águas de escoamento. Urbano; as águas de infiltração. Industrial; as águas de vazamento. Residencial; as águas de retorno. Pergunta 10 Os solos apresentam funções básicas no ambiente: I Sustentar o crescimento das plantas II Determinar o destino das águas na superfície da terra III Dispersão de contaminantes (poluição) IV Esterilização de microrganismos V Fundação, base para construções Estão corretas: I, II, IV, V I, II, III e V I, II e V I, III, IV e V I, II, III, IV e V 24/11/2021 11:18 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15746220_1/review/inline-feedback?… 1/6 As respostas certas são exibidas em 17/12/21 às 00:00 As pontuações para a pergunta em 17/12/21 às 00:00 Conteúdo do exercício Pergunta 1 Qual destes é um órgão acessório utilizado ao longo do sistema de coleta e transporte de esgoto: Estação elevatória. Poço de acúmulo. Terminal de limpeza. Caixa de bloqueio. Sifão camuflado. 4,2/6 Tentativa 1 Enviado: 24/11/21 11:12 (UTC-3) 24/11/2021 11:18 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15746220_1/review/inline-feedback?… 2/6 Pergunta 2 Em relação ao conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico, assinale qual alternativa completa adequadamente as sentenças abaixo, respectivamente: • O meio ambiente humano abarca os conceitos de meio ambiente ___________ e meio ambiente construído, de modo que o conceito de meio ambiente para o Direito é híbrido entre aspectos físicos, populacionais, éticos, culturais e sociais. • O meio ambiente não é composto apenas por elementos_________,como o ar, o solo, a terra e os aspectos climáticos; ele também é composto pelos aspectos____________, ou seja, da presença de seres vivos que representam a flora e a fauna e também os aspectos artificiais criados pelo homem como expressão de sua cultura ou pelas necessidades criadas pela civilização. Natural; naturais; populacionais. Desconstruído; ecológicos; artificiais. Geral; químicos; ambientais. Específico; físicos; complementares. Natural; convencionais; suplementares. Pergunta 3 Em relação aos tratamentos em locais sem coleta pública de esgoto, assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: Um dos tratamentos mais utilizados em residências é a ______________. Antes da destinação final, o efluente da fossa ____________________. fossa séptica; pode receber tratamento complementar. compostagem; pode ser descartado num rio. tecnologia UASB; pode ser reutilizado para descarga. lagoa aerada; pode ser usado como adubo orgânico. passagem para sarjeta da rua; pode ser descartado no oceano. Pergunta 4 Em relação ao meio ambiente como bem jurídico, não representa a realidade: 24/11/2021 11:18 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15746220_1/review/inline-feedback?… 3/6 I - Essa noção de bens comuns, no entanto, advém de uma impossibilidade fática de apropriação desses bens naturais, uma vez que não é possível estocar o ar, conter a água corrente e o oceano por suas proporções; ao mesmo tempo que se reconhecem como direitos de uso comum pela influência desses elementos naturais como condicionantes da vida humana, tal como compreendemos atualmente. II - O Estado não possui autonomia de tutela administrativa e tutela penal para buscar a cessação de comportamentos lesivos a esse bem jurídico. III - O Poder Público passa a figurar não como proprietário de bens ambientais — das águas e da fauna —, mas como um gestor ou gerente, que administra bens que não são dele e, por isso, deve explicar convincentemente sua gestão. Apenas I. Apenas II. Apenas III. Apenas I e III. Apenas I e II. Pergunta 5 Analise as afirmativas sobre as interações ecológicas. Em seguida indique qual delas não corresponde à realidade: Relações intraespecíficas harmônicas: sociedade (organização de indivíduos da mesma espécie) e colônia (agrupamento de indivíduos da mesma espécie com graus de dependência entre si). Relações intraespecíficas desarmônicas: canibalismo e competições intra e interespecíficas (seleção natural). São relações entre espécies iguais, porém há um prejuízo para, pelo menos um dos lados. Relações interespecíficas harmônicas: mutualismo (ou simbiose), protocooperação, inquilinismo (ou epibiose) e comensalismo. Relações interespecíficas desarmônicas: amensalismo (ou antibiose), herbivorismo, predatismo, parasitismo e esclavagismo intra e interespecífico. Relações neutras: sem nenhuma interação ou relação entre indivíduos (apatia entre indivíduos de mesma espécie). Pergunta 6 Em relação ao dimensionamento de redes de distribuição de água, associe a segunda coluna de acordo com a primeira sobre as características das redes de tubos: 24/11/2021 11:18 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15746220_1/review/inline-feedback?… 4/6 (S) Condutos em série. (P) Condutos em paralelo. ( ) Mais de um trecho partem de um nó e chegam até outro nó. ( ) O fim de um trecho (extremidade a jusante) é conectado ao início de outro. ( ) a perda de carga total de uma rede de tubos é 20 mca. As tubulações que fazem parte desta rede tem, cada um, 10mca, 5mca e 5mca. ( ) A vazão total que passa numa rede de tubos é igual a 20m³/s. as tubulações que fazem parte desta rede de tubos tem, cada uma, vazão de 20m³/s. ( ) Uma rede de tubos tem entre os pontos A e B uma perda de carga de 10mca. As tubulações que fazem parte dessa rede de tubos tem, cada uma, perda de carga de 10mca. ( ) Numa rede de tubos, entra uma vazão de 30m³/s que se divide entre três tubulações. Posteriormente as três tubulações se unem, saindo o total de 30m³/s. Assinale a alternativa com a sequência correta: P, S, S, S, P, P. P, S, P, S, P, S. S, P, S, P, S, P. P, P, P, S, S, S. S, S, S, P, P, P. Pergunta 7 O cálculo do volume gerado de esgoto é uma etapa importante do início do projeto. Para quantificar o esgoto sanitário gerado em uma região, o que não é necessário considerar? I - O esgoto doméstico, que é o esgoto gerado pela população nas suas tarefas diárias em residências; II - O esgoto agropecuário, que é gerado por atividades agropecuárias e são coletadas das zonas rurais para tratamento adequado; III - O esgoto industrial, que é o despejo gerado por indústrias, desde que respeitados os padrões de lançamento na rede; IV - As águas de infiltração que acabam penetrando nas canalizações. Apenas I. Apenas II. Apenas III. Apenas IV. Apenas II e IV. 24/11/2021 11:18 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15746220_1/review/inline-feedback?… 5/6 Pergunta 8 As características químicas verificam os teores qualitativos e quantitativos de certas substâncias na água que podem, extrapolando certos limites, ser inadequadas ao consumo. Assinale qual alternativa completa adequadamente a sentença abaixo, respectivamente: São características químicas da água: ____________________, ____________________ e ____________________. oxigênio dissolvido; matéria orgânica; micropoluentes inorgânicos. oxigênio dissolvido; sabor e odor; temperatura. matéria orgânica; coliformes totais; turbidez. micropoluentes inorgânicos; temperatura; demanda biológica de oxigênio. matéria orgânica; sólidos totais dissolvidos; cor. Pergunta 9 Em relação ao lodo proveniente de estações de tratamento: I) Adensamento consiste em concentrar os sólidos presentes no lodo para reduzir sua umidade. II) A estabilização pode ser realizada por digestão anaeróbia, aeróbia, tratamento térmico ou ainda estabilização química. III) A desidratação pode ser realizada por processos naturais ou mecânicos. IV) A adubação é a utilização convencional do lodo como nutriente para crescimento vegetal. V) A higienização; entre os mais usados estão a adição de cal e a compostagem. I está incorreta II e III estão incorretas IV está incorreta V está incorreta I, II, III, IV e V estão incorretas Pergunta 10 Para o cálculo do volume gerado de esgoto é necessário considerar: 24/11/2021 11:18 Comentários https://sereduc.blackboard.com/ultra/courses/_74012_1/grades/assessment/_4455811_1/overview/attempt/_15746220_1/review/inline-feedback?… 6/6 O esgoto comercial, que é o esgoto gerado pelo comercio nas suas tarefas diárias em uma cidade. O esgoto público, que é o despejo gerado por instituições governamentais, desde que respeitados os padrões de lançamento na rede. As águas de infiltração que acabam penetrando nas canalizações. O esgoto hospitalar, que é todo material de rejeito produzido em instituições de saúde. O esgoto particular, que é o material líquido produzido pelas instituições privadas. Introdução à Ecologia APRESENTAÇÃO Seja muito bem-vindo ao estudo de Ecologia. Nesta Unidade de Aprendizagem introdutória, identificaremos a área de estudo de Ecologia e como ela se relaciona com o nosso dia-a-dia. Bons estudos! Ao final desta unidade você deve apresentar os seguintes aprendizados: Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a área de estudo da Ecologia;• Caracterizar os níveis de organização biológica na escala de abrangência da Ecologia;• Relacionar a área de Ecologia com acontecimentos atuais.• DESAFIO Selecione uma reportagem atual (últimos seis meses) em jornais ou revistas que trate de ecologia. Analise e identifique a qual nível de organização biológica se refere a reportagem.Justifique a sua resposta com base no seu entendimento das relações que ocorrem em cada nível de organização. Você deverá apresentar uma cópia digital (retirada da internet ou obtenção por scanner ou máquina fotográfica) de toda a reportagem e das informações do periódico em que está contida a reportagem, como o nome e a data de publicação. Apresente também uma lauda contendo a sua análise sobre a reportagem. A lauda deve conter: - a identificação do objeto de estudo; - a identificação dos fatores relacionados com o objeto de estudo; - a identificação do nível de organização do estudo; - a justificativa da sua interpretação / escolha para tal nível. Para isso, embase teoricamente sua resposta com as informações contidas nesta Unidade de Aprendizagem e nas leituras complementares. INFOGRÁFICO Veja, a seguir, os níveis de organização biológica no campo de estudo da Ecologia. CONTEÚDO DO LIVRO O estudo da ecologia integra as áreas de pesquisa biológica e auxilia na tomada de decisões ambientais. Leia o capítulo a seguir e aprofunde seus conhecimentos. Boa Leitura. ECOLOGIA Ronei Tiago Stein Introdução à ecologia Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer a área de estudo da ecologia. � Caracterizar os níveis de organização biológica na escala de abran- gência da ecologia. � Relacionar a área de ecologia com acontecimentos atuais. Introdução A ecologia é a parte da biologia que aborda as relações estabelecidas entre os seres vivos e o meio ambiente em que vivem. Neste texto, você vai ver a área de estudo da ecologia e como ela se relaciona com o nosso dia a dia. Também verá, de forma detalhada, seus níveis de organização biológica. Ecologia — definições gerais A ecologia é a ciência que procura entender os organismos e suas relações com o meio ambiente, as populações, as comunidades, os ecossistemas e a biosfera (LOPES, 2006). As raízes da ecologia levam aos estudos ligados à história natural, algo que, em essência, é tão antigo quanto o homem. Os egípcios e os babilônios, por exemplo, já aplicavam métodos ecológicos para combater as pragas que assolavam suas culturas de cereais no vale do rio Nilo e na Mesopotâmia (PINTO-COELHO, 2007). A palavra ecologia foi criada há mais de 100 anos pelo biólogo e naturalista alemão Ernst Heinrich Haeckel (1834-1919), que uniu dois termos gregos: oikos, que significa “casa”, e logos, que significa “estudo”. Logo, a ecologia é a ciência que estuda as “casas naturais”, ou seja, os diversos ambientes da natureza, incluindo as relações dos seres vivos entre si e com o ambiente. Mesmo sendo um campo da ciência distinto e reconhecido desde os anos 1900, aproximadamente, foi somente nas últimas décadas que a ecologia se tornou parte do vocabulário geral da população mundial. Ela se popularizou muito devido à crescente preocupação com questões relacionadas ao meio ambiente; após o homem ir ao espaço e tirar as primeiras fotografias da Terra, ele teve a real noção do tamanho do nosso planeta e de quão solitário e frágil ele é, pairando no espaço (Figura 1). Principalmente após a década de 1970, houve uma maior preocupação com questões como poluição, áreas naturais, crescimento populacional, consumo de alimentos e energia e diversidade biótica (ODUM; BARRETT, 2015). Figura 1. A exploração espacial dos anos 1960 e 1970 impulsionou também os estudos da ecologia. Fonte: BEST-BACKGROUNDS/Shutterstock.com. Atualmente, a ecologia é uma das ciências de maior interesse público e científico, e seu estudo é fundamental para a preservação do meio ambiente e de todos os organismos vivos. Para a área da ecologia, o meio ambiente é Introdução à ecologia2 o panorama animado ou inanimado onde se desenvolve a vida de um orga- nismo. No meio ambiente, existem vários fatores externos que influenciam os organismos. A ecologia tem como objeto de estudo as relações entre os organismos e o ambiente envolvente. É importante não confundir os termos meio ambiente e ecologia. O meio ambiente é um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural, e inclui toda a vegetação, animais, microrganismos, solo, rochas, atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Também compreende recursos e fenômenos físicos, como, por exemplo, ar, água e clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica e magnetismo. De acordo com Pinto-Coelho (2007), os enfoques da ecologia moderna são dois: � Enfoque descritivo (história natural): consiste em levantamentos da fauna e da flora. � Enfoque experimental: baseia-se em testes de hipóteses por meio de uma abordagem experimental, que pode conter experimentos tanto de laboratório quanto conduzidos no campo. A questão central em ecologia é determinar as causas da distribuição e da abundância de organismos. Isso pode ser avaliado em nível da comunidade e em nível das populações, por isso, a ecologia pode também ser dividida segundo seu objeto central de estudo: � Autoecologia: ecologia de populações. � Sinecologia: ecologia de comunidades. Por razões históricas e metodológicas, bem como por limitação de co- nhecimentos, o estudo ecológico esteve inicialmente restrito ao estudo de associações de plantas ou de animais, como segue: � Ecologia vegetal: apresenta o problema da restrição a apenas um nível trófico. � Ecologia animal: neste caso, os produtores autótrofos não são considerados. 3Introdução à ecologia Interações ecológicas A ecologia estuda os processos, as dinâmicas e as interações entre todos os seres vivos de um ecossistema. As interações ecológicas são caracterizadas pelo benefício de todos os seres vivos (harmônicas) ou pelo prejuízo de um deles (desarmônicas), e podem ocorrer entre seres da mesma espécie (intra- específicas) ou espécies diferentes (interespecíficas). � Relações intraespecíficas harmônicas: sociedade (organização de indivíduos da mesma espécie) e colônia (agrupamento de indivíduos da mesma espécie com graus de dependência entre si). � Relações intraespecíficas desarmônicas: canibalismo e competições intra e interespecíficas (seleção natural). São relações entre espécies iguais, porém há um prejuízo para pelo menos um dos lados. � Relações interespecíficas harmônicas: mutualismo (ou simbiose), protocooperação, inquilinismo (ou epibiose) e comensalismo. � Relações interespecíficas desarmônicas: amensalismo (ou anti- biose), herbivorismo, predatismo, parasitismo e esclavagismo intra e interespecífico. Os elementos que compõem os ecossistemas estão intimamente relacio- nados entre si, de modo que um interfere nas propriedades do outro e cada um é necessário para a manutenção da vida na Terra. Os ecossistemas são, portanto, unidades funcionais básicas em que os componentes bióticos e abióticos interagem e estão inseparavelmente relacionados (LOPES, 2006). Cada espécie pertence a um determinando ecossistema, fazendo parte de uma biocenose ou de uma comunidade, e pode sofrer efeitos distintos, como: � Fatores bióticos: interação entre os seres vivos (predação, cadeia alimentar, entre outros). � Fatores abióticos: interação com o solo, a água, o ar, entre outros. Introdução à ecologia4 O Brasil é conhecido mundialmente por suas belezas naturais, sendo o país mais rico em número de espécies de seres vivos do mundo. Além da beleza de suas praias, rios e mares, ele detém a parte mais extensa da maior planície inundável do mundo, o Pantanal, e da maior floresta úmida do mundo, a Floresta Amazônica (BARSANO; BARBOSA, 2013). Níveis de organização biológica A ecologia busca compreender a importância de cada espécie na natureza e a necessidade de preservar os vários ambientes naturais que a Terra abriga. Barsano e Barbosa (2013) descrevem que não são apenas a fauna e a flora que merecem cuidados: há outros fatores que também devem ser observados visando ao equilíbrioda natureza, entre eles o espaço físico, a temperatura e a localização. O termo biodiversidade (ou diversidade biológica) refere-se à riqueza e à variedade de plantas e animais que são encontrados nos mais diferentes ambientes. As plantas, os animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano. Para melhor compreensão do mundo vivo, a biologia, a ecologia e muitas outras áreas utilizam níveis de organização biológica em seus estudos. As estruturas biológicas organizam-se hierarquicamente desde o nível de or- ganização mais baixo até ao nível de organização mais elevado, ou seja, da célula até a biosfera. Os níveis mais elevados (acima do nível “população”) são frequentemente referidos como organização ecológica. De acordo com Begon (2007), Townsend, Begon e Harper (2010), Cain, Bowman e Hacker (2011) e Nicolau (2017), cada nível de organização biológica é composto, principalmente, pelas unidades estruturais do nível organizacional imediatamente inferior, somado a um aumento da complexidade organizacional. Um conceito básico associado à organização biológica é o da emergência, ou surgimento, de caraterísticas e funções novas nos níveis organizacionais sucessivamente mais elevados, não presentes nos níveis de organização mais baixos. Isso significa que, na hierarquia, os níveis sucessivamente mais ele- vados apresentam caraterísticas e funções novas, que resultam do respectivo 5Introdução à ecologia aumento de complexidade. Assim, teoricamente, uma alteração na organização da estrutura biológica de um nível inferior acarreta alterações na organização das estruturas biológicas superiores — por exemplo, alterações na estrutura de um átomo conduzem, ou podem conduzir, a alterações na organização biológica de níveis superiores, indo da célula para o organismo até a biosfera. Os níveis de organização biológica são uma das melhores formas de deli- mitar a ecologia moderna, segundo Odum e Barrett (2015). Veja uma repre- sentação dos níveis de organização na Figura 2. Figura 2. Hierarquia dos níveis de organização biológica. Fonte: Adaptada de Odum e Barrett (2015). Evolução Diversidade IntegraçãoBiosfera Bioma Paisagem Ecossistema Comunidade População Organismo Sistema de órgãos Órgão Tecido Célula Desenvolvimento Regulação Os níveis de organização biológica iniciam pela célula, a qual é definida como a unidade básica, estrutural e funcional da vida. Ela é a menor unidade dos níveis de organização biológica que se classifica como ser vivo. Alguns Introdução à ecologia6 seres vivos são constituídos por uma única célula (seres unicelulares como bactérias, fungos, algas, entre outros), e outros são constituídos por conjuntos de células (seres multicelulares, como animais, plantas e o homem), conforme ressalta Nicolau (2017). Os tecidos são formados pela união de células especializadas. Eles estão presentes em apenas alguns organismos multicelulares, como as plantas e os animais. Quando organizados e juntos, os tecidos formam os órgãos, que são formados por vários tipos de tecidos — por exemplo, o coração é formado por tecido muscular, sanguíneo e tecido nervoso (nervos). Já os sistemas, por sua vez, são formados pela união de vários órgãos que trabalham em conjunto para desempenhar determinada função corporal — por exemplo, o sistema digestivo, que é formado por vários órgãos como boca, estômago, intestinos, entre outros. O conjunto de órgãos que constituem um ser vivo é denominado organismo. As características principais dos organismos são a capacidade de extrair energia a partir de nutrientes, de se adaptar às mudanças ambientais e de se reproduzir. A ecologia se preocupa de forma ampla, mas não total, com os níveis de sistema além do organismo. O termo população, originalmente cunhado para um grupo de pessoas, foi ampliado para incluir grupos de indivíduos de qualquer tipo de organismo. A população corresponde ao conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que ocorrem juntos em uma mesma área geográfica no mesmo intervalo de tempo (LOPES, 2006; ODUM; BARRETT, 2015). Já a comunidade (também denominada biocenose ou biota), inclui todas as populações que ocupam uma certa área. Sobre a comunidade atuam vários fatores físicos, químicos e geológicos do ambiente, como a luz, a umidade, a temperatura, os nutrientes, o solo e a água. Esses são os componentes abióticos, enquanto que os seres vivos são os componentes bióticos. A comunidade e o ambiente não vivo (abiótico) funcionam juntos, que eles correspondem ao ecossistema — também denominado biocenose ou biogeo- cenose em algumas bibliografias. Em relação à paisagem, ela se refere à área heterogênea composta de um agregado de ecossistemas em integração, que se repetem de maneira similar por toda a sua extensão. Uma bacia hidrográfica é um bom exemplo de unidade de paisagem, porque geralmente tem limites naturais identificáveis. 7Introdução à ecologia A bacia hidrográfica, de acordo com Brandão (2006), é uma região sobre a terra, na qual o escoamento superficial, em qualquer ponto, converge para um único ponto fixo. É a área abastecida por meio das águas das chuvas, das montanhas, subterrâneas ou de outros rios, as quais escoam em direção a um determinado curso d´água, abastecendo-o. Veja um exemplo na Figura 3. Figura 3. Esquematização de uma bacia hidrográfica. Fonte: Crystal Eye Studio/Shuttestock.com. O bioma designa uma área geográfica onde são encontradas flora, fauna e condições climáticas especificas. Em outras palavras, biomas são um conjunto de vida vegetal e animal, constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e que podem ser identificados em nível regional, com condições de geologia e clima semelhantes e que, historicamente, sofreram os mesmos processos de formação da paisagem, resultando em uma diversidade de flora e fauna própria. Introdução à ecologia8 No Brasil há seis tipos de biomas continentais: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Além disso, há também um bioma marinho ou aquático. Juntos, os biomas da Amazônia e da Mata Atlântica ocupam 100% de oito estados brasileiros, mas, devido ao desmatamento, atualmente a Mata Atlântica corresponde a 7% de sua área original. Já o bioma da Amazônia e do Pantanal ocupam juntos mais de metade do Brasil. A biosfera se refere ao conjunto de todos os ecossistemas da Terra, ou seja, a camada da Terra que contém seres vivos. Parcelas da biosfera de diferentes tamanhos podem ser consideradas ecossistemas, desde que haja intercâmbio de matéria e de energia entre os elementos abióticos e bióticos. Dessa forma, pode-se considerar ecossistema uma pequena lagoa ou um oceano inteiro. A biosfera toda pode ser vista como um grande ecossistema. Embora a distribuição dos organismos no planeta não seja homogênea, pois depende de fatores abióticos que variam de região para região, em linhas gerais, os limites da biosfera podem ser definidos com base nos regimes extremos de ocorrência de seres vivos: cerca de 7 mil metros de altitude, onde voam algumas aves migratórias, e por volta de 11 mil metros de profundidade nos oceanos, onde se encontram bactérias e alguns animais (LOPES, 2006). Ecologia e acontecimentos atuais Até o início do século XIX, o crescimento da população mundial foi relativa- mente lento, resultado do equilíbrio que existia entre as taxas de natalidade e de mortalidade, pois ambas se apresentavam bastante lentas. Isso acontecia porque era muito comum a ocorrência de grandes catástrofes sociais, como fome e pestes, que ocasionavam a morte de um grande número de pessoas. Porém, o relativo equilíbrio entre as taxas de natalidade e mortalidade foi rompido (primeiro nos países desenvolvidos e posteriormente nos países subdesenvolvidos) no final do século XIX, principalmente devido ao resul- tado das transformações provocadas pela industrialização e pelo avançoda medicina (ALMEIDA, 2007). 9Introdução à ecologia Esses benefícios para o homem vêm resultando em uma série de malefícios para o meio ambiente. Entre eles, a geração de resíduos sólidos, a poluição (da água, do solo e da atmosfera), o aumento do efeito estufa, o aquecimento global, as mudanças climáticas, entre outras. Além desses fatores já interferem no meio ambiente, o homem ainda faz uso da caça, pesca, desmatamento e queimadas para beneficiamento próprio, o que coloca uma enorme lista de animais e plantas em risco de extinção. O estudo da ecologia ganhou importância no cenário mundial atual em grande parte pelas ameaças destrutivas do homem à biosfera. Ecossistemas inteiros estão sendo ameaçados pelas mais diversas atividades humanas, muitas vezes de forma pouco racional. Gases de efeito estufa Embora o clima tenha sempre variado de modo natural, pesquisas e simulações sofisticadas vêm sinalizando um processo gradual de aumento das temperaturas médias. Somando-se ao processo natural, as atividades do homem, também denominadas atividades antrópicas, estão contribuindo para a produção de gases de efeito estufa, acentuando a concentração desses gases na atmosfera e, consequentemente, ampliando a capacidade de absorção de energia que naturalmente já possuem. As emissões antrópicas de dióxido de carbono, o gás que mais contribui para a intensificação do efeito estufa “antrópico”, decorrem principalmente da queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural (Figura 4), e de processos de modificação do uso do solo (desmatamento e queimadas), conforme menciona Almeida (2007). Introdução à ecologia10 Figura 4. Exemplo de emissão antrópica de dióxido de carbono. Fonte: Toa55/Shuttestock.com. Poluição Poluição é qualquer degradação das condições ambientais do habitat de uma coletividade humana. Abiko e Moraes (2009) descrevem que os principais tipos de poluição são: � poluição do solo; � poluição do ar; � poluição da água; � poluição acústica; � poluição visual. Esses tipos de poluição dificilmente ocorrem de forma isolada, em geral ocorrendo conjuntamente, com várias relações de interdependência entre eles. Os autores exemplificam essa interdependência da seguinte maneira: a dispo- sição inadequada de lixo em terrenos baldios pode causar, simultaneamente, a poluição do solo, da água, — por meio do líquido gerado pelo resíduo, que percola pelas camadas do solo, podendo atingir o lençol freático —, do ar — por meio da queima do lixo ou dos gases gerados na sua decomposição — e poluição visual, pelo aspecto desagradável dos resíduos. 11Introdução à ecologia Queimadas e desmatamento As queimadas e o desmatamento ilegais são outros vilões que ocasionam em uma enorme perda de biodiversidade. Eles respondem por mais de 75% das emissões de gás carbônico, sendo responsáveis por colocar o Brasil entre os dez maiores emissores de gases de efeito estufa. As queimadas, mesmo sendo irregulares, são comuns no país, para a renovação de pastagens e o preparo de novas áreas para agropecuária. Veja um exemplo na Figura 5. Figura 5. Desmatamento e queimadas geram uma enorme perda de biodiversidade. Fonte: Adaptada de Fedorov Oleksiy e Vladimir Melnikov/Shuttestock.com. O desmatamento ocorre em todo o planeta. Para você ter uma ideia da situação, há 10 mil anos, 55% do planeta Terra era coberto por florestas. Isso equivale a cerca de 70 milhões de quilômetros quadrados; entretanto, restam atualmente apenas 20 milhões de quilômetros quadrados de florestas. A situação mais grave é a da Mata Atlântica, que já tem cerca de 93% da sua cobertura original desmatada. Além disso, cerca de 30% do Cerrado e 15% da Floresta Amazônica estão irremediavelmente perdidos (SITUAÇÃO..., [2013?]). As florestas tropicais são as que mais sofrem na questão do desmatamento, pois são o alvo predileto das queimadas e também da extração de madeira. Um dado alarmante é que entre 1960 e 1990 cerca de 1/5 das matas tropicais foi destruído, uma velocidade realmente assustadora (SITUAÇÃO..., [2013?]). Introdução à ecologia12 Outro grande problema ambiental que o país vem sofrendo é o tráfico de animais silvestres, um dos principais comércios ilegais do mundo, perdendo apenas para as drogas e as armas. Somente no Brasil, são 38 milhões de animais silvestres retirados de seus ecossistemas todo ano para abastecer o mercado negro (SITE..., 2016). Todos esses problemas ambientais são responsáveis por uma enorme perda de biodiversidade. Somente no Brasil, no final de 2016, tínhamos 3.286 espé- cies ameaçadas de fauna e flora, das quais 698 eram de espécies de animais terrestres e, dessas, 165 estavam na categoria “criticamente em perigo”, a mais grave de todas, com altíssimo risco de extinção. Isso representa cerca de 27% de todas as espécies analisadas. Além disso, tínhamos 475 espécies ameaçadas de animais aquáticos e marinhos (153 delas “criticamente em perigo”) e 2.113 espécies ameaçadas de plantas (467 delas “criticamente em perigo”), conforme o WWF (2016). A missão dos ambientalistas é estudar e compreender as consequências que a poluição e a perda de espécies pode ocasionar no planeta Terra. 13Introdução à ecologia ABIKO, A.; MORAES, O. B. Desenvolvimento urbano sustentável: texto técnico. São Paulo: Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil, 2009. Disponível em: <http://www.pcc.usp.br/files/text/publications/TT_00029.pdf>. Acesso em: 19 jun. 2018. ALMEIDA, D. H. C. Mudanças climáticas: premissas e situação futura. São Paulo: LCTE, 2007. BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Meio ambiente: guia prático e didático. 2. ed. São Paulo: Érica, 2013. BEGON, M. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. BRANDÃO, V. S. et al. Infiltração da água no solo. 3. ed. Viçosa, MG: UFV, 2006. CAIN, M. L.; BOWMAN, W. D.; HACKER, S. D. Ecologia. Porto Alegre: Artmed, 2011. LOPES, S. Bio. São Paulo: Saraiva, 2006. v. 3. NICOLAU, P. B. Organização biológica. Portugal: Universidade Aberta, 2017. Disponível em: <https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/6134/1/texto_apoio_2_ Organiza%C3%A7%C3%A3o%20biologica.pdf>. Acessado em: 19 jun. 2018. ODUM, E. P.; BARRETT, W. G. Fundamentos de ecologia. São Paulo: Cengage Learning, 2015. PINTO-COELHO, R. M. Fundamentos em ecologia. Porto Alegre: Artmed, 2007. SITE traz informações sobre o tráfico de animais silvestres. Jornal da USP, São Paulo, 17 jun. 2016. Disponível em: <http://jornal.usp.br/atualidades/site-traz-informacoes- sobre-o-trafico-de-animais-silvestres/>. Acesso em: 19 jun. 2018. SITUAÇÃO atual do desmatamento no Brasil. [2013?]. Disponível em: <http://meio- ambiente.culturamix.com/natureza/situacao-atual-do-desmatamento-no-brasil>. 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C) As relações entre os organismos e entre os fatores do meio. D) O estudo do ambiente. E) O estudo das relações do ambiente. 2) Qual dos níveis de organização abaixo NÃO compreende a áreade estudo da ecologia? A) Organismos individuais. B) Fluxo de energia e matéria entre vários organismos de diferentes espécies. C) Vários organismos de diferentes espécies. D) Movimento de energia e matéria em torno dos planetas. E) Movimento de energia e matéria através do conjunto de vários ecossistemas. 3) O estudo da reprodução do mosquito da dengue deve levar em conta fatores ambientais em nível de: A) Organismo. B) Comunidade. C) População. D) Ecossistema. E) Biosfera. 4) Dentre as situações abaixo que tratam da área de ecologia, tem uma que é característica do movimento ambientalista. Qual das alternativas refere-se ao ambientalismo? A) O governo da Suíça construiu pontes verdes, que são passarelas sobre estradas, imitando a vegetação local, para permitir o trânsito livre e seguro dos animais do ecossistema. B) Pesquisadores da área florestal estudam a influência da temperatura e da umidade no desenvolvimento das espécies típicas do bioma Mata Atlântica ao longo da costa litorânea brasileira. C) A população de macacos bugios está ameaçada pela falta de alimento no seu habitat natural. D) Com o aquecimento global, as estações do ano não estão mais bem definidas, causando florada das árvores nativas brasileiras em épocas distintas. E) Ao longo do tempo, tem-se identificado a diminuição da população de abelhas no Brasil. Estudos atuais apontam que a principal causa é o uso de agrotóxicos. 5) Um produtor de trigo testa quatro fungicidas em pequenas áreas, e sua produção é um pouco maior quando os quatro fungicidas são usados em conjunto do que quando são utilizados separadamente. Sob uma perspectiva evolutiva, qual seria a provável consequência de longo prazo da aplicação dos quatro fungicidas em conjunto? A) A população total de fungos diminuirá e promoverá o surgimento de bactérias. B) Os fungos desenvolverão resistência a todos os fungicidas mais rapidamente. C) A prática impedirá o desenvolvimento de novas populações de fungos. D) Nos próximos anos, a população de fungos diminuirá. E) O desenvolvimento de resistência pela população de fungos será retardado. NA PRÁTICA No mundo vivo não há área tão pequena nem tão grande que não contenha uma ecologia. Em escala muito pequena, podemos observar o estudo ecológico em nível de célula individual, onde duas populações de patógenos podem competir pelos recursos que ela oferece. Em uma escala espacial ligeiramente maior, um intestino de cupim é habitado por bactérias, protozoários e outras espécies, todos obtendo condições perfeitas de sobrevivência. Figura 2 No outro extremo, numa escala ampla, podemos citar o tema atual sobre mudanças climáticas. O entendimento dos processos que conduzem a essas mudanças é puramente ecológico no nível de organização da biosfera. Como exemplo, veja este texto publicado no site da WWF-Brasil, uma ONG brasileira participante de uma rede internacional e comprometida com a conservação da natureza dentro do contexto social e econômico brasileiro. WWF-Brasil. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Fundamentos em Ecologia Autores: Pinto-Coelho, Ricardo M. Fundamentos em Ecologia Autores: Townsend, Colin R.; Begon, Michael ; Harper, John L. Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico APRESENTAÇÃO O meio ambiente, bem protegido pelo ordenamento jurídico, é o conjunto de aspectos naturais, físicos e populacionais e de interações entre estes. Também são aspectos culturais e artificiais criados pelo homem. Esses conceitos são provenientes de estudos científicos e de convenções internacionais, como a noção de "meio ambiente humano" decorrente da Conferência de Estocolmo, em 1972. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender o conceito de meio ambiente natural e as modalidades artificial e cultural. Além disso, você vai ver o conceito de meio ambiente como bem jurídico e suas repercussões práticas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever o conceito de meio ambiente.• Analisar os conceitos de meio ambiente natural, artificial e cultural.• Aplicar o conceito de meio ambiente como bem jurídico.• DESAFIO O meio ambiente não é composto apenas por elementos naturais, como o ar, o solo, a terra e os aspectos climáticos; ele também é composto pelos aspectos populacionais. Seu escritório foi procurado para prestar consultoria à empresa de construção A, para responder às seguintes perguntas: 1. Os artefatos históricos encontrados fazem parte do meio ambiente do município? 2. Caso afirmativo, qual a modalidade de meio ambiente que este integra? 3. Quais os dispositivos constitucionais que protegem essa espécie de meio ambiente? De acordo com os eventos narrados e conceitos aprendidos nesta Unidade de Aprendizagem, responda aos questionamentos da empresa de construção A. INFOGRÁFICO O meio ambiente natural é composto por aspectos físicos e populacionais, sendo os primeiros aqueles relacionados ao ar, à terra, às águas e à luz. Neste Infográfico, você vai ver as legislações vinculadas a cada um desses aspectos do meio ambiente e os respectivos bens tutelados por elas. CONTEÚDO DO LIVRO As diversas concepções de meio ambiente natural, artificial e cultural são conceitos-chave para a compreensão do meio ambiente como bem jurídico. O primeiro conceito é relacionado aos aspectos físicos e populacionais dos ecossistemas; o segundo, relacionado às criações do homem; já o terceiro, um grupo especial de construtos físicos e imateriais do ser humano que caracterizam sua evolução e conceituação como ser civilizado e culto. Acompanhe, agora, um trecho do capítulo Conceito de meio ambinete e meio ambiente como bem jurídico, parte do livro Direito e legislação ambiental, produzido para esta Unidade de Aprendizagem, que relaciona os conceitos-chave de meio ambiente como bem jurídico. Boa leitura. MEIO AMBIENTE Magnum Koury de Figueiredo Eltz Revisão técnica: Vanessa de Souza Machado Mestre e Doutora em Ciências Graduada em Ciências Biológicas Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB – 10/2147 M499 Meio ambiente [recurso eletrônico] / Ronei Tiago Stein ... [et al.]; [revisão técnica : Vanessa de Souza Machado]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. ISBN 978-85-9502-573-8 Engenharia de produção. 2. Meio ambiente. I. Stein, Ronei Tiago. CDU 502 Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar meio ambiente. � Diferenciar os conceitos de meio ambiente natural, artificial e cultural. � Aplicar o conceito de meio ambiente como bem jurídico. Introdução O meio ambiente, bem protegido pelo ordenamento jurídico, é o conjunto de aspectos naturais, físicos e populacionais e o conjunto de interações entre esses aspectos. Também são aspectos culturais e artificiais criados pelo homem. Esses conceitos são provenientes de estudos científicos e de convenções internacionais, como a noção de meio ambiente humano, decorrente da conferência de Estocolmo em 1972. Neste capítulo, você vai ler sobre o conceito de meio ambiente natural e as modalidades artificial e cultural. Além disso, verá o conceito de meio ambiente como bem jurídico e as suas repercussões práticas. Conceito de meio ambiente O meio ambiente, tal como descrito nas ciências naturais, a exemplo do trabalho de Linhares (1998, p. 435), é retratado pelo: [...] meio físico formado pelo ar, pela luz, pela temperatura, pela umidade, pelo tipo de solo, pela água e pelos sais minerais, chamados de fatores abióticos ou biótipo; sendo que a reunião e a interação da comunidade com o ambiente físico formam um sistema ecológico ou ecossistema. Assim, umafloresta — com sua vegetação, seus animais, seu tipo de solo e seu clima característico — forma um ecossistema. O mesmo podemos dizer de um lago, um oceano, um tronco de árvore e até mesmo um simples aquário. A palavra ecologia vem dos termos gregos oikos — que significa casa e, por extensão, ambiente — e logos — que significa estudo —, sendo o ramo da biologia que trata das interações entre o meio físico (ar, solo, luz e clima) e as populações (fauna e flora). Conforme Canotilho (1998), é possível, no âmbito jurídico, optarmos por um conceito estrito de ambiente, centrado nos componentes ambientais naturais descritos, ou por um conceito amplo de ambiente, também conhecido como conceito holístico, centrado nos componentes ambientais humanos e ambientais não humanos (isto é, não apenas o ambiente natural, mas também o construído). A Conferência de Estocolmo de 1972 trouxe como conceito o meio am- biente humano, em que: O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu o poder de trans- formar, de inúmeras maneiras e em uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar do homem e para o gozo dos direitos huma- nos fundamentais, inclusive o direito à vida mesma (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1972). Dessa forma, o meio ambiente humano — cujo conceito é previsto na Conferência de Estocolmo de 1972, da qual o Brasil é signatário — abarca os conceitos de meio ambiente natural e meio ambiente construído, de modo que o conceito de meio ambiente para o Direito é híbrido entre aspectos físicos, populacionais, éticos, culturais e sociais. Esses aspectos são reiterados pela Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico16 Conferência Rio-92, também ratificada pelo Brasil e que compõe parte dos direitos fundamentais pátrios por força do § 2º do art. 5º da Constituição Federal, que equipara os princípios e direitos provenientes de tratados inter- nalizados pelo Brasil como direitos fundamentais. Nesse sentido, devemos interpretar, de maneira sistêmica, o art. 225, caput, da Constituição Federal, que trata do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, de modo que os aspectos físicos, populacionais, culturais e sociais humanos integram o conceito meio ambiente, e a parcela ecologicamente equilibrado trata das relações entre esses diferentes elementos (BRASIL, 1988a). Também devem ser alargados os dispositivos do art. 3º da Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, I, que restringem o conceito de meio ambiente ao conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Devemos interpretar o dispositivo a partir de uma leitura integrada em relação ao conceito de poluição como degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente (BRASIL, 1981): � prejudiquem o bem-estar da população; � e/ou criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; � revelem uma amplitude maior do que é possível extrair da própria lei da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA). Nesse sentido, é pertinente a lição de Farias (2007, p. 444): O inciso I do art. 3º da Lei nº 6.938/81 define o meio ambiente como “o con- junto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. A doutrina desdobrou o conceito de meio ambiente em quatro aspectos: meio ambiente natural, meio ambiente artificial, meio ambiente cultural e meio ambiente do trabalho. O meio ambiente natural ou físico é o constituído pelos recursos naturais propriamente ditos e pela correlação recíproca de cada um destes em relação aos demais. O meio ambiente artificial é o construído ou alterado pelo ser humano, sendo constituído pelos edifícios urbanos e pelos equipamentos comunitários. O meio ambiente cultural é o patrimônio histórico, artístico, paisagístico, ecológico, científico e turístico e constitui-se tanto de bens de natureza material quanto imaterial. E o meio ambiente do trabalho é o conjunto de fatores que se relacionam às condições do ambiente de trabalho. Dessa forma, ainda que a legislação pátria não tenha definido, de maneira expressa, a opção por uma conceituação ampla de meio ambiente, a doutrina 17Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico assim o entende com base no disposto nas Conferências de Estocolmo de 1972 e Rio-92, ambas ratificadas pelo ordenamento jurídico brasileiro. O meio ambiente não é composto apenas por elementos naturais, como o ar, o solo, a terra e os aspectos climáticos; ele também é composto pelos aspectos populacionais, ou seja, da presença de seres vivos que representam a flora e a fauna e também os aspectos artificiais criados pelo homem como expressão de sua cultura ou pelas necessidades criadas pela civilização. Meio ambiente natural, artificial e cultural Uma vez compreendida a amplitude do conceito geral de meio ambiente, englobando as modalidades de meio ambiente natural, artificial e cultural, passaremos à caracterização dessas classificações de sistemas relacionais entre aspectos físicos, populacionais e metafísicos. De acordo com Milaré (2013, p. 161): Em toda a superfície do globo terrestre encontramos elementos ou ambientes naturais, cuja composição e concentração variam conforme as diferentes regiões. Apesar dessas diferenças, são estreitamente relacionados e, exata- mente por isso, constituem ecossistemas. Tais componentes são: o ar, a água, o solo, a flora e a fauna. Assim, o meio ambiente natural, como visto em seu aspecto ecológico, trata dos componentes físicos (ar, água, solo) e populacionais (flora e fauna) que compõem determinada região. Por exemplo, em uma unidade de conservação (UC), como é o caso do Parque Nacional Aparados da Serra, situado no Estado do Rio Grande do Sul, o meio ambiente é composto pelos aspectos geológicos do local (com solo basáltico caracterizado por histórico vulcânico associado àquele ambiente, consequentemente restringindo o crescimento de vegetação e impossibili- tando a penetração das raízes na rocha, o que resulta em população vegetal de gramíneas e arbustos no local), pela presença de aves e espécies de porte médio e baixo especializadas para o convívio com esse tipo de vegetação e Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico18 pela presença de espécies de invertebrados e aves que se apresentam nesse local. A Figura 1 mostra um exemplo de solo vulcânico. Figura 1. Vulcão Teide, localizado na África. Fonte: Ondacaracola/Shutterstock.com. Dessa forma, é possível vislumbrar a complexidade do conceito de meio ambiente natural, que considera aspectos meteorológicos, geológicos, geográ- ficos, paleontológicos, zoológicos, fitológicos, histológicos e suas diversas interações, compondo características de determinadas regiões chamadas de biomas (macroambientes) — quando são consideradas regiões amplas, como Pampa, Cerrado, Amazônia, entre outras — e microambientes — ao serem observadas localidades específicas. Os aspectos populacionais, em relação à flora e à fauna, possuem tratamento especial no nosso ordenamento jurídico a partir da proteção da diversidade das espécies que as compõem. Nesse sentido, Milaré (2013, p. 209) refere que: Além do termo biodiversidade, usa-se igualmente a expressão diversidade biológica. Segundo a Convenção da Biodiversidade, “ diversidade biológica significa a viabilidade de organizamos vivos de todas as origens e os com- plexos ecológicosde que fazem parte: compreendendo ainda a diversidade dentro das espécies, entre as espécies de ecossistemas”. A importância da inter-relação entre as espécies e o próprio meio físico que habitam e transformam é o próprio fundamento da criação de parques, como o 19Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico mencionado Aparados da Serra, que constituem as chamadas UCs, espécie de santuário para a livre manifestação do meio ambiente natural. Esses santuários estão previstos na Lei nº. 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). No entanto, o meio ambiente natural e suas características, em geral, são protegidos, mesmo nas cidades ocupadas pelo homem, uma vez que este compõe parte da população dos ecossistemas urbanos e rurais e também depende do equilíbrio dessas relações para sua própria sobrevivência, daí a noção de meio ambiente equilibrado de que trata o art. 225 da Constituição Federal. O conceito de meio ambiente, no entanto, não se limita às interações eco- lógicas, como visto no conceito de meio ambiente humano da Conferência de Estocolmo de 1972, abrangendo também as modificações realizadas pelo homem em seu processo de civilização e realização de sua cultura. Dessa forma, Milaré (2013, p. 272) defende que: A visão holística do meio ambiente leva-nos a considerar o seu caráter social, uma vez que é definido constitucionalmente como um bem de uso comum do povo, Caráter ao mesmo tempo histórico, porquanto o meio ambiente resulta das relações do ser humano com o mundo natural no decorrer do tempo. Essa visão faz-nos incluir no conceito de ambiente — além dos ecossistemas naturais — as sucessivas criações do espírito humano que se traduzem nas suas múltiplas obras. Por isso, as modernas políticas ambientais consideram relevante ocupar-se do patrimônio cultural, expresso em realizações signifi- cativas que caracterizam, de maneira particular, os assentamentos humanos e as paisagens ao seu entorno. Dessa forma, fazem parte do conceito de meio ambiente, protegido em nossa legislação, as criações do homem, que compõem um bem metafísico ligado à sua identidade, ética e construção social. Como ensina o autor: Esses espaços trabalhados pela cultura (que é o produto mais significativo da nossa espécie) acumulam incontáveis artifícios do homo sapiens, que também compõem a sua ambiência resultante da “interação do conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciem o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas”, como ensina José Afonso da Silva. Uma vez aceito o caráter holístico do meio ambiente como produto das intera- ções e relações da sociedade humana como mundo natural, o meio ambiente construído ou artificial, passa a ser objeto das políticas ambientais. Sendo assim, por decorrência ele cai sob a alçada do Direito, não apenas do Direito do Ambiente, mas ainda de outros ramos da ciência jurídica, nomeadamente o Direito Urbanístico e regulamentações específicas (MILARÉ, 2013, p. 291). Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico20 O meio ambiente é composto pelo meio ambiente artificial, construído pelo ser humano, ao mesmo tempo que constitui um meio ambiente cultural, pois advêm de sua criatividade e construção civilizatória os construtos físicos (como prédios residenciais, comerciais e construções institucionais, como bancos, escolas, creches, clubes, entre outras) e as construções metafísicas culturais (como música, artes cênicas, artes plásticas e literatura). Dessa forma, o meio ambiente artificial e cultural criado pelo ser humano reflete a própria noção de civilização que herdamos da Grécia helênica, na qual a construção de teatros, congressos e espaços de convivência pública definem a própria civilização. Esses espaços aumentaram durante o período romano clássico (com a inclusão de casas de espetáculos populares, estradas pavimentadas, aquedutos e sistema cloacal) e os períodos medievais (com a expansão dos templos religiosos, muros protetivos e outras características físicas que marcam a presença do homem enquanto dominador e criador do próprio meio ambiente). Com isso, toda forma construída pelo ser humano, reconhecida como exemplo da sua evolução histórica e cultural, é compreendida como patrimônio de um meio ambiente cultural. Assim, como o restante das construções físicas humanas efêmeras no tempo, esses espaços são considerados parte de um conceito mais amplo de meio ambiente construído ou artificial. Assim, em que pese a Conferência de Estocolmo de 1972 servir como alerta ao ser humano do que seu desenvolvimento civilizatório exacerbado estaria causando graves desequilíbrios ao meio ambiente natural, com o qual possui relação biológica indissociável, a conceituação de meio ambiente equilibrado contempla tanto os aspectos naturais a serem protegidos quanto a própria noção de civilidade humana enquanto bem ambiental a ser tutelado, buscando-se uma harmonia entre o estilo de vida humano e o meio ambiente que ele integra. Meio ambiente como bem jurídico Uma vez compreendido o conceito de meio ambiente e suas modalidades natural, artificial e cultural, passaremos à compreensão desses conceitos como bens jurídicos. Historicamente, como ensina Milaré (2013, p. 119-120), o Direito Romano determinava os bens naturais físicos como de uso comum: Et quidem naturali iure comunia sunt omnium haec: aër et aqua profuens et mare et per hoc litora maris (“Por direito natural são comuns todas as coisas seguintes: o ar, a água corrente, o mar e o seu litoral”). Essa noção de bens comuns, no entanto, 21Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico advém de uma impossibilidade fática de apropriação desses bens naturais, uma vez que não é possível estocar o ar, conter a água corrente e o oceano por suas proporções; ao mesmo tempo que se reconhecem como direitos de uso comum pela influência desses elementos naturais como condicionantes da vida humana, tal como compreendemos atualmente. No ordenamento jurídico brasileiro, o Código Civil de 1916 já havia inserido a noção de bem de uso comum do povo (art. 66, I), com a inclusão, no mínimo, dos seguintes bens (BRASIL, 1916): � mares; � rios; � estradas; � ruas; � praças. As praias foram também incluídas nessa categoria pela Lei nº. 7.661, de 16 de maio de 1988, de modo que foram apenas reafirmados valores civiliza- dos romanos já presentes em nosso sistema jurídico por influência de nossa colonização portuguesa (BRASIL, 1988b). Uma evolução conceitual dessa proteção viria justamente com o advento da Constituição Federal de 1988, com a proteção do direito fundamental ao meio ambiente equilibrado (art. 225) e a função social e ambiental da propriedade (arts. 5º, XXIIII, e 170, III e VI), complementados com a inclusão da função social da propriedade no Código Civil de 2002, que relativiza os bens privados em relação aos interesses difusos e coletivos tutelados pelo Estado. Segundo Canotilho (1998), conforme vimos, é clara e crescente a preo- cupação da sociedade contemporânea com os problemas provocados pelo desenvolvimento; conforme exposto nas Conferências de Estocolmo (1972), Rio (1992) e mais recentemente na Rio+20 e na Conferência de Paris sobre o Clima de 2015. Segundo o autor: A generalização dessa convicção — operada a nível não apenas nacional, mas internacional, dada a inevitável propensão para a “mundialização” dos problemas ambientais — está na base da emergência recente do ambiente como bem digno de proteção ou tutela jurídica, o mesmo é dizer, na base da sua transmutação de mero interesse socialmente relevante em autêntico bem jurídico (CANOTILHO, 1998, p. 25). Sobre o conceito de bem jurídico, o autor lembra que se trata da noção de se pretender: “[...] abranger valores ou interesses que se apresentam em estreita Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico22conexão com os interesses gerais da sociedade, tomados enquanto tais e não enquanto valores de cunho estreitamente individual” (CANOTILHO, 1998, p. 25). O autor reforça que o bem jurídico, ainda que possua (como é o caso) di- mensões individuais, deve sempre ser visto como bem jurídico da coletividade: É esta “socialização” do conceito que para nós tem mais interesse, já que o ambiente (apesar de também ser um direito fundamental pertencente a todos e a cada um de nós) é, sem dúvida, um interesse coletivo, com uma dimensão social que nunca poderá ser esquecida (CANOTILHO, 1998, p. 25). Dessa forma, conforme Milaré (2013, p. 120): O Poder Público passa a figurar não como proprietário de bens ambientais — das águas e da fauna —, mas como um gestor ou gerente, que administra bens que não são dele e, por isso, deve explicar convincentemente sua gestão. A aceitação dessa concepção jurídica vai conduzir o Poder Público a melhor informar, a alargar a participação da sociedade civil na gestão dos bens am- bientais e a ter que prestar contas sobre a utilização dos bens “de uso comum do povo”, concretizando um “Estado Democrático e Ecológico de Direito” (arts. 1º, 170 e 225). Assim, ao tutelar o meio ambiente equilibrado como um bem jurídico em seus aspectos naturais, culturais e artificiais, o ordenamento jurídico figura como garantidor do equilíbrio entre esses aspectos a partir da fiscalização das atividades privadas, de sua limitação quando necessário e da tutela do desrespeito a esses direitos a partir de suas ferramentas de responsabilidade. Os bens jurídicos são conceitos especialmente protegidos pelo ordenamento jurídico. Alguns de seus exemplos clássicos são a vida, a liberdade, a propriedade e a igual- dade. Sua proteção, no entanto, é configurada de acordo com um caso concreto. Por exemplo, para proteger o bem “meio ambiente”, é necessária uma situação concreta ou hipotética que possa feri-lo. Como é o caso da contaminação de rios por uma determinada indústria. Nesse caso concreto, o Estado possui ferramentas, como a ação popular, em caso de ato de empresa pública, ou ação civil pública, em caso de contaminação por empresa de direito privado, para buscar a reparação por meio do devido processo legal. Além disso, o Estado possui instrumentos de tutela administrativa e tutela penal para buscar a cessação de comportamentos lesivos a esse bem jurídico. 23Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico Conforme complementa Canotilho (1998, p. 26): O enorme relevo que assume a consideração do ambiente como bem jurídico autônomo não é, todavia, suficiente para dar a compreender toda a importância que a disciplina jurídica do ambiente assume em ordenamentos jurídicos — como o português — que consagram clara e inequivocamente um direito dos cidadãos ao ambiente. Isso porque o direito a um meio ambiente equilibrado não figura um simples bem jurídico previsto no ordenamento jurídico, mas sim é integrante da categoria de direitos fundamentais ou cláusulas pétreas constitucionais em determinados países: É por exemplo esse o caso do Brasil, cuja Constituição de Outubro de 1988 dispõe expressamente “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (CANOTILHO, 1998, p. 27). Assim, ao mesmo tempo que o meio ambiente equilibrado como um bem jurídico aponta-o como um valor especial protegido pela sociedade, seu alçamento a direito fundamental caracteriza a importância dos aspectos que o compõem para a própria existência da humanidade tal como a concebemos, uma vez que integra o quadro formado por direitos de liberdade, igualdade, à vida e ao de- senvolvimento econômico. Isso porque todos os demais direitos dependem desse equilíbrio essencial à própria saúde e mesmo à vida do ser humano como parte de um ecossistema integrado e aperfeiçoado por sua evolução cultural e civilizatória. 1. Leia o que segue e assinale a alternativa correta. O conceito de meio ambiente, como previsto na literalidade do art. 3º da Lei nº. 6.938/1981 — “Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I — meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” —, compreende a(s) conceituação(ões) de: I. meio ambiente natural; II. meio ambiente construído; III. meio ambiente cultural. Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico24 a) Apenas a afirmativa I está correta. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. d) Apenas as afirmativas II e III estão corretas. e) Apenas a afirmativa III está correta. 2. Leia o que segue e assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna. O meio ambiente _________________ é o conjunto de interações entre aspectos físicos, climáticos e populacionais dentro de construções artificiais onde se estabelecem relações de labor. a) Natural. b) Cultural. c) Urbano. d) Rural. e) Do trabalho. 3. Leia o que segue e assinale a alternativa correta. O meio ambiente artificial é composto por construções humanas, de forma distinta do conceito de meio ambiente natural concedido pelas interações físicas, químicas e biológicas naturais. Dessa forma, compõem o meio ambiente artificial: I. elementos de infraestrutura; II. biomas; III. zoológicos. a) Apenas a afirmativa I está correta. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) Apenas a afirmativa III está correta. d) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. e) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. 4. O meio ambiente natural é composto por elementos físicos (como o ar, a terra, a luz e o clima) e elementos populacionais (como a flora e a fauna), que são sujeitos do bem jurídico meio ambiente equilibrado. Enquanto a flora representa as populações vegetais, a fauna representa a população de: a) insetos. b) aracnídeos. c) invertebrados. d) anelídeos. e) animais em geral. 5. Leia o que segue e assinale a alternativa correta. A flora compõe o meio ambiente como bem jurídico, como previsto no art. 225 da Constituição Federal, e é parte do meio ambiente natural, junto com os seus aspectos físicos e populações representadas pela fauna. São exemplos desse componente do meio ambiente natural: I. gramíneas; II. hortaliças; III. bactérias. a) Apenas a afirmativa I está correta. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) Apenas a afirmativa III está correta. d) Apenas as afirmativas I e II estão corretas. e) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. 25Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico BRASIL. Lei nº. 3.071, de 1º de janeiro de 1916. Código Civil dos Estados Unidos do Brasil. 1916. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm>. Acesso em: 20 dez. 2017. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988a. BRASIL. Lei nº. 7.661, de 16 de maio de 1988. Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências. 1988b. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l7661.htm>. Acesso em: 20 dez. 2017. BRASIL. Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providên- cias. 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>. Acesso em: 20 dez. 2017. CANOTILHO, J. J. G. et al. Introdução ao Direito do ambiente. Lisboa: Universidade Aberta, 1998. FARIAS, T. Q. Meio ambiente do trabalho. Revista Direito e Liberdade, Mossoró, v. 6, n. 2, jan./jun. 2007. LINHARES, S. et al. Biologia: programa completo.São Paulo: Ática, 1998. MILARÉ, E. Direito do ambiente. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração de Estocolmo sobre o ambiente humano. 1972. Disponível em: <http://www.silex.com.br/leis/normas/estocolmo. htm>. Acesso em: 20 dez. 2017. Leitura recomendada NARDY, A. et al. Princípios de Direito Ambiental: na dimensão internacional e comparada. Belo Horizonte: Del Rey, 2003. Conceito de meio ambiente e meio ambiente como bem jurídico26 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O meio ambiente é composto por aspectos naturais e artificiais, sendo o segundo grupo composto de construções humanas civilizatórias e culturais. Nesta Dica do Professor, vamos explorar o meio ambiente artificial e suas espécies, bem como a legislação, onde encontra "eco" em nosso ordenamento jurídico. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O conceito de meio ambiente, está previsto na sua literalidade no art. 3o da Lei no 6.938/81, na sequinte maneira: "Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas". Considerando o texto do art. 3o Lei no 6.938/81, defina qual(ais) conceitos compreende, na sua literalidade, o conceito de meio ambiente: I – Meio ambiente natural. II – Meio ambiente construído. III – Meio ambiente cultural. A) Apenas I está correta. B) Apenas II está correta. C) I e III estão corretas. D) II e III estão corretas. E) Apenas III está correta. 2) Conjunto de interações entre aspectos físicos, climáticos e populacionais dentro de construções artificiais em que se estabelecem relações de labor. O enunciado anterior expressa o conceito de meio ambiente: A) natural. B) cultural. C) urbano. D) rural. E) do trabalho. 3) O meio ambiente artificial é composto por construções humanas, de forma distinta do conceito de meio ambiente natural, que lhe é concedido pelas interações físicas, químicas e biológicas naturais. Dessa forma, compõe o meio ambiente artificial: I – Elementos de infraestrutura. II – Biomas. III – Zoológicos. A) Apenas I está correta. B) Apenas II está correta. C) Apenas III está correta. D) I e II estão corretas. E) I e III estão corretas. 4) O meio ambiente natural é composto de elementos físicos, como o ar, a terra, a luz e o clima, e de elementos populacionais, como a flora e a fauna, que são sujeitos do bem jurídico meio ambiente equilibrado. Enquanto a flora representa as populações vegetais, a fauna representa a população de: A) insetos. B) aracnídeos. C) invertebrados. D) anelídeos. E) animais em geral. 5) A flora que compõe o meio ambiente como bem jurídico, tal como previsto no art. 225 da Constituição Federal, é parte do meio ambiente natural, juntamente com seus aspectos físicos e populações representadas pela fauna. São exemplos desse componente do meio ambiente natural: I – Gramíneas. II – Hortaliças. III – Bactérias. A) Apenas I está correta. B) Apenas II está correta. C) Apenas III está correta. D) I e II estão corretas. E) I e III estão corretas. NA PRÁTICA O meio ambiente como bem jurídico e a sua extensão conceitual têm repercussões práticas muito interessantes, em especial na área da tutela de seus aspectos. Um bom exemplo encontra- se na responsabilidade civil por danos ao patrimônio cultural. Caso o conceito de meio ambiente seja compreendido de maneira restrita, se aplicariam aos danos ao patrimônio as regras gerais de responsabilidade civil, em que o indivíduo ou a organização que não gere, pela natureza de sua atividade, risco a esses bens jurídicos incorreria em responsabilidade por culpa. Seria então prerrogativa do Estado a comprovação de conduta imperita, negligente ou imprudente do cidadão ou pessoa jurídica para que este indenizasse os prejuízos causados. Compreendendo o patrimônio cultural como parte do "meio ambiente equilibrado", aplica-se a regra do § 3º do art. 225 da Constituição Federal, que rege a aplicação da responsabilidade independente de culpa em relação aos danos causados ao meio ambiente. Dessa forma, a amplitude do conceito de meio ambiente afeta de forma direta a aplicabilidade da responsabilidade objetiva por danos ao patrimônio cultural. O STJ, em entendimento reiterado em jurisprudência, defende a aplicação da incidência desse dispositivo, bem como do art. 14, I, da Lei nº 6.938/81, que reitera a responsabilidade objetiva do poluidor aos casos de ofensa ao patrimônio cultural. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Afinal, o que é Meio Ambiente? O vídeo a seguir apresenta mais sobre o conceito alargado de meio ambiente, tal como contemplado em nosso ordenamento jurídico. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Construção Sustentável E Meio Ambiente Do Trabalho O artigo a seguir analisa as práticas dos atores sociais quanto às condições de trabalho no contexto de sustentabilidade, urbanização, cidade e meio ambiente. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Meio ambiente cultural, regulação, poder administrativo sancionador e responsabilidade civil do Estado O artigo a seguir discute sobre o patrimônio cultural imaterial e a possibilidade de utilização dos instrumentos do poder de polícia sobre este. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerenciamento de Resíduos Sólidos APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem você vai analisar conceitos, tecnologias e desafios no gerenciamento de resíduos sólidos. Os resíduos sólidos são gerados por todos nós, que somos responsáveis pela sua separação e pela participação na coleta seletiva. Você vai estudar, além da coleta seletiva, que é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, outros princípios importantes para a gestão dos resíduos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Classificar os resíduos sólidos.• Refletir sobre a atual forma de gestão dos resíduos sólidos urbanos.• Identificar possíveis formas de tratamento de resíduos sólidos.• DESAFIO Você foi contratado pelo poder público municipal para auxiliar na organização do sistema de gestão dos resíduos sólidos, de forma a atender aos critérios técnicos que constam em normas e legislações. Para tanto, o trabalho inicial é elencar as principais tipologias de resíduos sólidos quanto à sua origem e aos responsáveis pelo seu manejo, lembrando que deve haver um embasamento legal para que o trabalho de fato seja posto em prática. INFOGRÁFICO A reciclagem dos resíduos sólidos é fundamental para a sua gestão. CONTEÚDO DO LIVRO Para saber o conceito de resíduo, sua origem e classificação, as principais formas de gestão, as técnicas de tratamento e a legislação correspondente ao tema, leia o capítulo a seguir e apronfunde seus estudos. Boa Leitura! SANEAMENTO Magnum Eltz Gerenciamento de resíduos sólidos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Classificar os resíduos sólidos. � Refletir a atual forma de gestão dos resíduos sólidos urbanos. � Identificar possíveis formas de tratamento de resíduos sólidos. Introdução Neste texto, você vai analisar conceitos, tecnologias e desafios no geren- ciamento de resíduos sólidos. Os resíduos sólidos são gerados por todos nós, que somos responsáveis pela sua separação e pela participação na coleta seletiva. Você vai estudar, além da coleta seletiva, que é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, outros princípios importantes para a gestão dos resíduos. Resíduos sólidos — definições gerais Os materiais sempre fizeram parte da história da humanidade, e a relação dos povos com eles muitasvezes foi determinante. O desenvolvimento da área de pesquisa de materiais acompanhou as novas necessidades da população, cujo dia a dia ficou mais complexo. A maioria da população está concentrada em aglomerados urbanos e precisa ter suprida sua necessidade de água, alimentos e uma infinidade de outros produtos e serviços. Além disso, há a necessidade de atender uma população mundial estimada em 7,5 bilhões de pessoas, o que significa que temos de explorar cada vez mais o planeta para garantirmos a própria sobrevivência (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012). Antes de iniciarmos a discussão a respeito de resíduos sólidos urbanos (RSU), é importante diferenciar as expressões “lixo” e “resíduos”. Segundo Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (2012) estabelecem as seguintes definições: � Lixo é todo e qualquer produto ou material que não tenha serventia; assim, o lixo deve ser disposto. � Resíduo é todo e qualquer produto ou material, proveniente de um processo, que ainda pode ter serventia, podendo ser reaproveitado por meio de reutilização ou reciclagem. � Resíduo sólido é o resíduo cuja composição não permite o escoamento livre. A quantidade de resíduos gerados é enorme, ocasionando a poluição das águas (superficiais e subterrâneas), do solo e do ar, já que, em muitos casos, esses materiais não são dispostos de forma ambientalmente correta. Veja na Figura 1 um aterro, que exemplifica a quantidade de resíduos sólidos gerada nas cidades. Figura 1. Exemplo da quantidade de resíduos sólidos urbanos gerados. Fonte: vchal/Shutterstock.com. Gerenciamento de resíduos sólidos2 Entre os fatores que influenciam na geração de resíduos sólidos urbanos, pode-se mencionar a economia do país (boom econômico e recessão); o número de habitantes da região; a área relativa de produção; as variações sazonais e condições climáticas; os hábitos e costumes da população; o nível educacional e poder aquisitivo; o tipo de equipamento e frequência de coleta; a segregação na origem; as leis e regulamentação específicas; e a tecnologia. Classificação de resíduos sólidos Os resíduos podem ser classificados quanto ao seu estado físico em resíduos gasosos, líquidos ou sólidos. Os resíduos gasosos são gerados pela queima de combustíveis ou materiais diversos, ou pelos processos produtivos. Os resíduos líquidos, por sua vez, são divididos da seguinte maneira: � Efluentes domésticos: efluente líquido gerado na atividade urbana, com carga poluidora essencialmente orgânica (como por exemplo os esgotos). � Efluentes industrias: gerados pela atividade industrial. Podem ser orgânicos ou inorgânicos. Os resíduos sólidos compõem o maior grupo de resíduos e são classificados conforme listado abaixo. � Resíduos sólidos industrias: gerados pela atividade industrial. Podem ser orgânicos, como os resíduos sólidos gerados em indústrias alimen- tícias, ou inorgânicos, gerados em indústrias que produzam metais, plásticos, entre outros. � Resíduos urbanos: incluem o resíduo domiciliar gerado nas residências; o resíduo comercial, produzido em escritórios, lojas, hotéis, supermer- cados, restaurantes e em outros estabelecimentos afins; os resíduos de serviços, oriundos da limpeza pública urbana; além dos resíduos de varrição das vias públicas, limpezas de galerias, terrenos, córregos, praias, feiras, podas, capinação. 3Gerenciamento de resíduos sólidos De acordo com o Senado Federal (BRASIL, 2018), os cerca de 7 bilhões de seres humanos espalhados pelo mundo produzem anualmente 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), o que gera em média de 1,2 kg por dia per capita. Quase a metade desse total é gerada por menos de 30 países, os mais desenvolvidos do mundo. Se o número parece assustador, um cenário ainda mais sombrio é traçado por estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial: daqui a 10 anos, serão 2,2 bilhões de toneladas anuais. Na metade deste século, se o ritmo atual for mantido, teremos 9 bilhões de habitantes e 4 bilhões de toneladas de lixo urbano por ano. � Resíduos de serviços de saúde: são os resíduos produzidos em hos- pitais, clínicas médicas e veterinárias, laboratórios de análises clíni- cas, farmácias, centros de saúde, consultórios odontológicos e outros estabelecimentos afins. Esses resíduos podem ser agrupados em dois níveis distintos: ■ resíduos comuns: compreendem os restos de alimentos, papéis, in- vólucros, etc.; ■ resíduos sépticos: constituídos de restos de salas de cirurgia, áreas de isolamento, centros de hemodiálise, etc. O seu manuseio (acon- dicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final) exige atenção especial, devido ao potencial risco à saúde pública que podem oferecer. � Resíduos de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviá- rios: constituem os resíduos sépticos, que podem conter organismos patogênicos e veicular doenças de outras cidades, estados e países, como materiais de higiene e de asseio pessoal, restos de alimentos, etc. � Resíduos agrícolas: correspondem aos resíduos das atividades da agricultura e da pecuária, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, esterco animal. A maior preocupação, no momento, está voltada para as embalagens de agroquímicos, pelo alto grau de toxicidade que apresentam, sendo alvo de legislação específica. � Resíduos da construção civil: resíduos de demolições, restos de obras, solos de escavações, entre outros. � Resíduos radioativos (lixo atômico): são resíduos provenientes dos combustíveis nucleares. Seu gerenciamento é de competência exclusiva da CNEN — Comissão Nacional de Energia Nuclear. Gerenciamento de resíduos sólidos4 Segundo a ABNT (NBR 10.004/2004), os resíduos sólidos são resíduos nos estados sólidos e semissólidos que resultam de atividades da comunidade. Essas atividades são de origem industrial, doméstica, de serviços de saúde, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Consideram-se também resíduos sólidos os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos, cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpo d’água, ou exijam, para isso, soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). Gestão dos resíduos sólidos urbanos O Brasil tem uma série de problemas associados aos resíduos sólidos urbanos (RSU). A sua geração tem crescido de forma acentuada em função da urbani- zação crescente nas últimas décadas, o aumento da renda e do consumo e de mudanças nos hábitos de vida da população. Os problemas são os mais diversos, como a falta de coleta seletiva em determinadas localidades e, principalmente, a destinação inadequada dos resíduos sólidos na maior parte do território nacional. Uma parcela significativa dos resíduos gerados é disposta de forma inadequada em “lixões” ou aterros controlados, gerando diversos problemas ambientais, além de problemas sociais e de saúde para as famílias que vivem nesses ambientes (TONETO JÚNIOR; DOURADO; SAIANI, 2014). Em consonância às crescentes preocupações ambientais relacionadas à preservação dos recursos naturais e aos impactos e sociais ocasionados pelo crescimento econômico e pela geração de resíduos, foi sancionada, em 2 de agosto de 2010, a Lei nº. 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Essa legislação contém instrumentos importantes para per- mitir o avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Entre os principais objetivos da gestão de resíduos sólidos urbanos, estão: � diminuir a quantidade de resíduos sólidos gerados; � diminuir a quantidade de material aterrado. 5Gerenciamento de resíduos sólidos Mas comoesses dois objetivos podem ser atingidos? Basicamente, eles podem ser atingidos coma redução da geração de resíduos sólidos, promovendo o reaproveitamento por meio da reciclagem e da reutilização de materiais (com artesanato, por exemplo). Temos com isso uma série de benefícios, que incluem: � conscientização sobre a não renovação de recursos naturais e a neces- sidade de proteção ambiental; � menor exploração de recursos naturais; � economia de importação de matérias-primas; � geração de emprego e renda; � menor consumo de energia e água na fabricação; � custos de produção mais baixos na produção; � diminuição da poluição do ar, das águas e dos solos; � menor quantidade de resíduos aterrados e aumento da vida útil de aterros; � menor ocorrência de problemas ambientais. A Lei nº. 12.305/2010 estabelece a prevenção e redução da geração de resíduos pro- pondo a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação am- bientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado). Ela institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, cidadãos e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na logística reversa dos resíduos e embalagens pré- -consumo e pós-consumo (BRASIL, 2010). A Lei nº. 12.305/2010, em seu artigo 10, incumbe ao Distrito Federal e aos municípios a gestão integrada dos resíduos sólidos gerados nos respectivos territórios, sem prejuízo das competências de controle e fiscalização dos órgãos federais e estaduais do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente), do SNVS (Sistema Nacional de Vigilância Sanitária) e do Suasa (Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária). Também incumbe ao ge- rador do resíduo sólido a responsabilidade pelo gerenciamento de resíduos (BRASIL, 2010). Gerenciamento de resíduos sólidos6 Coleta seletiva A coleta seletiva é a forma de gestão dos RSU mais utilizada no Brasil. Ela consiste em um mecanismo de recolha dos resíduos, os quais são classificados de acordo com sua origem e depositados em contentores indicados por cores. Dessa forma, os materiais que podem ser reciclados são separados do lixo orgânico (restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos). O lixo orgâ- nico é descartado em aterros sanitários ou usado para a fabricação de adubos orgânicos (BARBOSA, 2014), conforme veremos mais adiante neste capítulo. A Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº. 275, de 25 de abril de 2001, estabeleceu um código de cores para diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva. No padrão das cores dos contentores, os materiais que cada um deles recebe são (BRASIL, 2001): � azul: papéis e papelões; � verde: vidros; � vermelho: plásticos; � amarelo: metais; � marrom: resíduos orgânicos; � preto: madeiras; � cinza: materiais não reciclados; � branco: lixos hospitalares; � laranja: resíduos perigosos; � roxo: resíduos radioativos. A coleta seletiva representa a maneira ecológica mais adequada para o descarte de lixo. Associada à educação ambiental e ao desenvolvimento sus- tentável, a coleta seletiva evita a poluição do solo e das águas. O princípio que rege a coleta seletiva são os três Rs — reduzir, reutilizar e reciclar. Esse princípio ficou mundialmente conhecido pela sua aparição na Agenda 21, um documento elaborado por 179 países durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), conforme menciona Barbosa (2014). � reduzir: mudança de hábitos de consumo, reduzindo assim a prolife- ração de lixo; � reutilizar: reutilização de materiais, como sacolas de supermercado, potes de vidro e plástico, entre outros; 7Gerenciamento de resíduos sólidos � reciclar: com processos artesanais ou industriais, transformam-se ma- teriais usados em novos produtos. A Figura 2 apresenta a base de uma boa gestão de resíduos. Figura 2. Base de prioridades para uma boa gestão de resíduos. Redução da geração de resíduos Reutilização dos resíduos Reciclagem dos resíduos Destino Final correto De modo geral, a reciclagem tem por objetivo o reaproveitamento de um material beneficiado como matéria-prima para um novo produto. Entre as vantagens dessa prática, tem-se a diminuição do uso de recursos naturais (água e energia) que seriam consumidos na nova produção desses materiais, o aumento da vida útil dos aterros, a diminuição gastos públicos e a geração de renda para os catadores de material reciclável. Reciclagem Como os materiais são reciclados? Veja, a seguir, uma pequena descrição dos principais tipos de materiais que compõem os RSU, conforme menciona Barbosa (2014). � Vidro: este material pode ser reciclado ilimitadamente. Inicialmente, recebe uma lavagem para retirada das sujidades e, em seguida, passa por um processo de trituração. Os cacos são então aquecidos e fundidos a uma temperatura acima de 1.300°C. Após esse processo, garrafas, copos, entre outros, podem ser moldados e utilizados novamente. � Plástico: após a coleta, o plástico é lavado e enviado a um processo de descontaminação, permitindo a sua granulação. Os processos de seleção, moagem, lavagem e descontaminação seguem padrões específicos. Gerenciamento de resíduos sólidos8 � Metais: normalmente são 100% recicláveis, e o alumínio é o principal exemplo. O processo de seu reaproveitamento consiste na retirada de impurezas, como areia, terra e metais ferrosos, remoção das tintas e vernizes e, por fim, fundição do metal. Em um forno específico, ele fica em estado líquido, para depois se tornar laminado. São essas chapas que são transformadas em novas latas/produtos. � Papelão/papel: os papéis recicláveis são separados por tipo e vendidos para os “aparistas”, que transformam os papéis em aparas que são enfardadas e vendidas para as indústrias, onde o papel é cortado em tiras, colocado em um tanque de água quente e mexido até que forme uma pasta de celulose. Posteriormente, drena-se a água e retiram-se as impurezas. Em seguida, ele é despejado sobre uma tela de arame, a água passa e restam as fibras. O material é seco, prensado por pesados cilindros a vapor, alisado por rolos de ferro e enrolado em bobinas, passando então a ser papel novamente. � Pneus: ocorre inicialmente a separação da borracha vulcanizada de outros componentes, como metais e tecidos. Os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. O produto obtido pode ser então refinado em moinhos até́ a obtenção de uma manta uniforme ou extrudado para a obtenção de grânulos de borracha. O plástico é o resíduo mais abundante de todos, provoca diversos impactos ambientais e leva séculos para se de- compor. Existem inúmeras pesquisas que buscam encon- trar maneiras de acelerar a decomposição desse material; em uma pesquisa promissora, cientistas já determinaram a estrutura de uma enzima bacteriana que pode produzir plásticos biodegradáveis. Se quiser entender mais esse estudo, acesse e leia o artigo disponível no link a seguir. https://goo.gl/D9Mxkp 9Gerenciamento de resíduos sólidos Tratamento dos resíduos sólidos urbanos De acordo com Jardim, Yoshida e Machado Filho (2012), o manejo dos resíduos sólidos depende de vários fatores, entre os quais devem ser ressaltados a forma de geração, o acondicionamento na fonte geradora, a coleta, o transporte, o processamento, a recuperação e a disposição final. Portanto, deve-se criar um sistema dirigido pelos princípios de engenharia e técnicas de projetos, que possibilite a construção de dispositivos capazes de propiciar a segurança sanitária às comunidadescontra os efeitos adversos dos resíduos. Veja a seguir os tipos de tratamento mais usuais dos resíduos sólidos urbanos que não podem ser reciclados. Aterros sanitários: consistem na forma de disposição final de resíduos sólidos urbanos, construídos dentro de critérios de engenharia e normas operacionais específicas, proporcionando confinamento seguro dos resíduos. A degradação da matéria orgânica ocorre de forma anaeróbica (sem presença de oxigênio). As etapas de construção e funcionamento de uma aterro sanitário são estas: � o lixo (material sem serventia) é lançado sobre o terreno e recoberto com solo do próprio local, de forma a isolá-lo do ambiente, formando câmaras/células; � pela própria movimentação das máquinas de terraplanagem na execução do aterro, o lixo é compactado e seu volume substancialmente reduzido; � nas câmeras ou células, a degradação tem início com a fase aeróbia. A biodegradação aeróbia cessa com o esgotamento do pouco oxigênio existente; � processa-se então a biodegradação anaeróbia, com a liberação de gás e uma substância escura, constituída pelos resíduos orgânicos apenas parcialmente biodegradados, denomina chorume; � o chorume se acumula no fundo das câmaras e tende a se infiltrar-se no solo, podendo alcançar o lençol freático, o que pode ocasionar sua contaminação. Assim, é fundamental realizar o revestimento adequado das câmaras; � a decomposição da matéria orgânica gera gás metano, que se acumula nas porções superiores das câmaras. Logo, deve-se instalar tubulações responsáveis pela drenagem e posterior queima ou beneficiamento e utilização do gás. Gerenciamento de resíduos sólidos10 Para a construção de aterros sanitários, existem normas específicas que tratam da captação e tratamento de gases e chorume. A Figura 3 ilustra o funcionamento um aterro sanitário. Figura 3. Exemplo de um aterro sanitário. Após os resíduos passarem por uma triagem, os resíduos não recicláveis são colocados em células/ câmeras (a) e o chorume (líquido proveniente da decomposição dos resíduos) é drenado para outros células, passando por tratamento (b). Fonte: Arquivo pessoal do autor (2018). (a) (b) 11Gerenciamento de resíduos sólidos Devido ao enorme volume de resíduos gerados no Brasil, atrelados aos altos custos financeiros para a implantação de um aterro sanitário, é muito comum o uso de aterros controlados como forma de disposição final dos resíduos sólidos. Conforme a NBR 8849, de 30 de abril de 1985, da ABNT, a qual acabou sendo cancelada em 15 de junho de 2015, aterro controlado é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais. Esse método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de trabalho (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1985). Com essa técnica de disposição é produzida, em geral, poluição localizada, não havendo impermeabilização de base (comprometendo a qualidade do solo e das águas subterrâneas), nem sistema de tratamento de percolado (chorume mais água de infiltração) ou de extração e queima controlada dos gases gerados. O aterro controlado é preferível ao lixão, mas apresenta qualidade bastante inferior ao aterro sanitário. Compostagem: é mais uma técnica idealizada para se obter mais rapidamente e em melhores condições a desejada estabilização da matéria orgânica (KIEHL, 1985). De acordo com Fernandes e Silva (2006), a compostagem pode ser definida como uma bioxidação aeróbia exotérmica de um substrato orgânico heterogêneo, no estado sólido, caracterizado pela produção de CO2, água, liberação de substâncias minerais e formação de matéria orgânica estável. Portanto, é um processo biológico e, para que se realize de maneira satisfa- tória, é necessário que alguns parâmetros físico-químicos sejam respeitados, permitindo que os microrganismos encontrem condições favoráveis para transformarem a matéria orgânica. A Figura 4 apresenta uma ilustração das células de um sistema de compostagem. Gerenciamento de resíduos sólidos12 Figura 4. Exemplo de um sistema de compostagem. Os resíduos orgânicos ficam em células para serem decompostos (a); o chorume (líquido proveniente da decomposição dos resíduos) é drenado para outras células, passando por posterior tratamento (b); os resíduos, após determinado período, resultam em adubo (a). Fonte: (a) e (b) Arquivo pessoal do autor (2018) e (c) MR. KHATAWUT/Shut- terstock.com. (a) (b) (c) 13Gerenciamento de resíduos sólidos Levando-se em conta que mais da metade dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil são orgânicos, a compostagem apresenta diversas vantagens, como, por exemplo, a economia do aterro sanitário, o aproveitamento agrícola da matéria orgânica, a reciclagem de nutrientes para o solo e a eliminação de agentes patogênicos. Além disso, é considerado um processo ambientalmente seguro. Existem dois métodos de compostagem: � método natural: o material é disposto em pilhas e a aeração é realizada por revol- vimentos periódicos; o tempo de compostagem varia entre 4 a 6 meses; � método acelerado: a aeração é forçada por tubulações perfuradas ou em reatores rotatórios; o tempo de compostagem varia de 2 a 3 meses. Incineração: os resíduos são reduzidos a cinzas e gases decorrentes de sua combustão (queima). Por meio de instrumentação e controle, a combustão pode ser otimizada, de modo a diminuir a quantidade de matéria parcialmente oxidada, reduzindo os inconvenientes da disposição dos resíduos sólidos restantes, das emissões gasosas e da fuligem. É muito importante conhecer a carga que alimentará o sistema e cuidar as emissões atmosféricas. O vídeo disponível no link a seguir apresenta um caso de incineração como forma de tratamento de RSU, confira: https://goo.gl/oq9MK1 1. No que tange aos resíduos sólidos, analise as alternativas e marque o item correto. a) Os resíduos são caracterizados como tudo aquilo que não tem mais utilidade e não apresenta nenhum valor. b) A maior parte dos resíduos produzidos pela população de alta renda é de origem orgânica. Gerenciamento de resíduos sólidos14 c) A crescente produção de resíduos não é prejudicial ao meio ambiente, visto que ocorre a coleta desse material. d) O resíduo recebe classificação de acordo com sua fonte geradora e composição do material, havendo a necessidade de tratamento específico para cada tipologia. e) A população não deve se preocupar em reduzir a produção de resíduos, visto que esse material é reciclado. 2. No artigo 33 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, fica obrigatória a logística reversa para agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes e eletroeletrônicos. Considerando as informações acima e o contexto da situação dos produtos após o uso pelo consumidor, a logística reversa recomenda, em relação a esses produtos, que se faça o: a) envio para aterros sanitários sem a atuação do poder público. b) envio para aterros sanitários sem a participação dos fabricantes e comerciantes. c) envio para o serviço público de limpeza urbana. d) encaminhamento para aterro de resíduos perigosos. e) envio por parte dos consumidores para os comerciantes ou distribuidores, os quais deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e das embalagens. 3. A maioria das cidades brasileiras não adota soluções apropriadas para a destinação final dos resíduos sólidos, o que causa muitos problemas para a saúde da população e para o meio ambiente. Com relação aos diferentes métodos de tratamento de resíduos sólidos urbanos, é correto afirmar: a) os aterros sanitários podem ser um abrigo de transmissores de doenças, como ratos e moscas. b) a incineração tem como vantagem o baixoinvestimento. c) a grande vantagem de um aterro sanitário é que o lixiviado percola no solo, evitando contaminação das águas. d) a decomposição aeróbia da matéria orgânica no aterro sanitário resulta em elevada produção de metano. e) a biodigestão anaeróbia é o processo de decomposição de matéria orgânica por bactérias em meio onde há ausência de oxigênio. 4. Assinale a alternativa que NÃO condiz com os tipos de coleta. a) Coleta seletiva é o termo utilizado para a coleta dos materiais que podem ser reciclados. b) A coleta convencional deve coletar apenas os rejeitos e o material orgânico. c) É necessária a segregação dos resíduos na origem. d) O rejeito deve ser encaminhado juntamente com a coleta seletiva. e) A coleta seletiva é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. 5. A Política Nacional de Resíduos Sólidos apresenta a classificação dos resíduos sólidos. Aponte a categoria de resíduos que está INCORRETA. 15Gerenciamento de resíduos sólidos a) Resíduos domiciliares são originários das residências urbanas. b) Resíduos de limpeza urbana são aqueles originados da varrição de ruas. c) Resíduos sólidos urbanos engloba os resíduos domiciliares, de serviços de limpeza urbana e os gerados em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. d) Resíduos de serviços de saúde são aqueles gerados em estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. e) Resíduos de construção civil incluem os gerados em reformas e demolições. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8849: apresentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos: procedimento. São Paulo: ABNT, 1985. Cancelada em 15 jun. 2015. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10004: classificação de resíduos. São Paulo: ABNT, 2004. BARBOSA, R. P. Resíduos sólidos: impactos, manejo e gestão ambiental. São Paulo: Érica, 2014. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA nº. 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. DOU, Brasília, DF, 117-E, seção 1, p. 80, 19 jun. 2001. BRASIL. Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 06 jun. 2018. BRASIL. Senado Federal. Aumento da produção de lixo tem custo ambiental. Em discussão, Brasília, DF, n. 22, set. 2014. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/ emdiscussao/edicoes/residuos-solidos/mundo-rumo-a-4-bilhoes-de-toneladas-por- ano>. Acesso em: 27 maio 2018. FERNANDES, F.; SILVA, S. M. C. P. Manual prático para a compostagem de biossólidos. Londrina, PR: UEL, 2006. Disponível em: <https://www.finep.gov.br/images/apoio-e- financiamento/historico-de-programas/prosab/Livro_Compostagem.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2018. JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; MACHADO FILHO, J. V. Política nacional, gestão e gerenciamento de resíduos sólidos. Barueri, SP: Manole, 2012. Gerenciamento de resíduos sólidos16 KIEHL, E. J. Fertilizantes orgânicos. Piracicaba, SP: Agronômica Ceres, 1985. ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. (Org.). Meio ambiente e sustentabi- lidade. Porto Alegre: Bookman, 2012. TONETO JÚNIOR, R.; DOURADO, J.; SAIANI, C. C. S. (Org.). Resíduos sólidos no Brasil: oportunidades e desafios da Lei Federal n 12.305 (Lei de Resíduos Sólidos). Barueri, SP: Minha Editora, 2014. Leituras recomendadas IBRAHIN, F. I. D. Análise ambiental: gerenciamento de resíduos e tratamento de efluen- tes. São Paulo: Érica, 2015. NASCIMENTO NETO, P. Resíduos sólidos urbanos: perspectivas de gestão intermunicipal em regiões metropolitanas. São Paulo: Atlas, 2013. 17Gerenciamento de resíduos sólidos Conteúdo: DICA DO PROFESSOR A Política Nacional de Resíduos Sólidos indica as diretrizes e metas a serem adotadas para a gestão integrada dos resíduos sólidos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) No que tange aos resíduos sólidos, analise as alternativas e marque o item CORRETO. A) Os resíduos são caracterizados como tudo aquilo que não tem mais utilidade e não apresenta nenhum valor. B) A maior parte dos resíduos produzidos pela população de alta renda é de origem orgânica. C) A crescente produção de resíduos não é prejudicial ao meio ambiente, visto que ocorre a coleta desse material. D) O resíduo recebe classificação de acordo com sua fonte geradora e composição do material, havendo a necessidade de tratamento específico para cada tipologia. E) A população não deve se preocupar em reduzir a produção de resíduos, visto que esse material é reciclado. No artigo 33 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, fica obrigatória a logística reversa para agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes e eletroeletrônicos. Considerando as informações acima e o contexto da 2) situação dos produtos após o uso pelo consumidor, a logística reversa recomenda, em relação a esses produtos, que se faça o: A) Envio para aterros sanitários sem a atuação do poder público. B) Envio para aterros sanitários sem a participação dos fabricantes e comerciantes. C) Envio para o serviço público de limpeza urbana. D) Encaminhamento para aterro de resíduos perigosos. E) Envio por parte dos consumidores para os comerciantes ou distribuidores, os quais deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e das embalagens. 3) A maioria das cidades brasileiras não adota soluções apropriadas para a destinação final dos resíduos sólidos, o que causa muitos problemas para a saúde da população e para o meio ambiente. Com relação aos diferentes métodos de tratamento de resíduos sólidos urbanos, é CORRETO afirmar: A) Os aterros sanitários podem ser um abrigo de transmissores de doenças, como ratos e moscas. B) A incineração tem como vantagens o baixo investimento. C) A grande vantagem de um aterro sanitário é que o lixiviado percola no solo, evitando contaminação das águas. D) A decomposição aeróbia da matéria orgânica no aterro sanitário resulta em elevada produção de metano. E) A biodigestão anaeróbia é o processo de decomposição de matéria orgânica por bactérias em meio onde há ausência de oxigênio. 4) Assinale a alternativa que não condiz com os tipos de coleta. A) Coleta seletiva é o termo utilizado para a coleta dos materiais que são possíveis de serem reciclados. B) A coleta convencional deve coletar apenas os rejeitos e o material orgânico. C) É necessária a segregação dos resíduos na origem. D) O rejeito deve ser encaminhado juntamente com a coleta seletiva. E) A coleta seletiva é um dos instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos. 5) A Política Nacional de Resíduos Sólidos classifica o resíduo sólido de acordo com sua origem e o tipo de material. Aponte a categoria de resíduos que está INCORRETA. A) Resíduos sólidos industriais podem ser orgânicos ou inorgânicos. B) Resíduos de limpeza pública urbana são aqueles originados da varrição de ruas. C) Resíduos sólidos urbanos engloba apenas os resíduos domiciliares e de serviços de limpeza urbana. D) Resíduos de serviços de saúde são aqueles gerados em estabelecimentos prestadores de serviços de saúde. E) Resíduos de construção civil incluem os gerados em reformas e demolições. NA PRÁTICA O Brasil, através da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, nos trouxe muitos desafios. Entre esses está a logística reversa que se refere a um conjunto de ações com objetivo de viabilizar o retorno dos resíduos sólidos ao ciclo produtivo. As estratégias para a implementação da logísticareversa ocorrem através de acordos setoriais. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O maior aterro sanitário da América do Sul Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O que é coleta seletiva? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerenciamento e Tratamento de Resíduos Sólidos Industriais APRESENTAÇÃO Os resíduos industriais são gerados nos processos de produção de bens de consumo, sendo que seu gerenciamento, tratamento e destinação final são um dos desafios que empresários e técnicos enfrentam em suas rotinas diárias. Nesta unidade você vai verificar quais as normas usualmente utilizadas para a classificação dos resíduos industriais. Conhecendo as classes de resíduos, é possível definir os princípios de gerenciamento e o tratamento que se aplica a eles. Você vai ainda analisar os aspectos de classificação, gerenciamento e tratamento de resíduos industriais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as normas relacionadas à classificação de resíduos gerados em indústrias.• Identificar as etapas para a elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos industriais. • Analisar as vantagens da implementação de sistemas de gerenciamento ambiental em indústria. • DESAFIO Você foi contratado por uma empresa para ser o responsável técnico pelo setor de meio ambiente. Entre os novos desafios da sua função está o de implementar um plano de gerenciamento de resíduos sólidos desta empresa. Sendo assim, seu diretor solicita que você elabore e apresente quais as etapas que devem constar no plano e o objetivo de cada uma delas. INFOGRÁFICO A escala de prioridade do gerenciamento de resíduos deve ser considerada na elaboração do plano de gerenciamento. Acompanhe no infográfico a ordem de prioridade. CONTEÚDO DO LIVRO Em virtude das características dos resíduos industriais, diferentes tecnologias podem ser empregadas para seu tratamento. Leia o capítulo Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais da obra Saneamento e aprofunde seus conhecimentos. Boa leitura. GESTÃO AMBIENTAL Ronei Tiago Stein Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer as normas relacionadas à classificação de resíduos gerados na indústria. � Identificar as etapas para a elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos industriais. � Analisar as vantagens da implementação de sistemas de gerencia- mento ambiental na indústria. Introdução Os resíduos industriais são gerados nos processos de produção de bens de consumo, e seu gerenciamento, tratamento e destinação final são um dos desafios que empresários e técnicos enfrentam em suas rotinas diárias. Neste capítulo, você vai verificar quais as normas usualmente utilizadas para a classificação dos resíduos industriais. Conhecendo as classes de resíduos, é possível definir os princípios de gerenciamento e o tratamento que se aplica a eles. Você vai ainda analisar os aspectos de classificação, gerenciamento e tratamento de resíduos industriais. Classificação dos resíduos gerados na indústria As atividades industriais geram diferentes tipos de resíduos, originados dos mais diversos ramos, como metalurgia, celulose e papel, setor alimentício, mineração, entre outros (JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012). O artigo 13, da Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), define resíduos industriais como aqueles gerados nos processos produtivos e instalações industriais. Entre os resíduos industriais, inclui-se também grande quantidade de material perigoso, que necessita de tratamento especial devido ao seu alto potencial de impacto ambiental e à saúde. De acordo com ABNT NBR 10.004, de 30 de novembro de 2004, os resíduos sólidos são classificados da seguinte maneira (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004): Classe I — Resíduos perigosos: são aqueles que apresentam periculosidade. A periculosidade de um resíduo se encontra em suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas, que apresentam riscos à saúde pública (pro- vocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices) e ao meio ambiente (quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada). Esses resíduos exigem tratamento e disposição especiais em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. A periculosidade dos resíduos em geral depende dos seguintes fatores: natureza (inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, sendo es- sas definidas pela ABNT NBR 10.004:2004); concentração; mobilidade; persistência e bioacumulação; degradação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004). A NBR 10.004/2004 ressalta ainda que os resíduos perigosos podem ser classificados assim (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNI- CAS, 2004): � Inflamabilidade: um resíduo é classificado como inflamável quando: ■ é líquido e tem ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado con- forme ABNT NBR 14598, de 4 de dezembro de 2012, ou equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume; ■ não é líquido e é capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm), produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas; quando inflamada, Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais2 tem queima vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo; ■ é um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material; ■ é um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos perigosos (Portaria nº. 204, de 20 de maio de 1997, do Ministério dos Transportes). � Corrosividade: um resíduo é classificado como corrosivo se: ■ for aquoso e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou superior ou igual a 12,5, ou se sua mistura com água, na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a 12,5; ■ for líquida ou, quando misturada em peso equivalente de água, pro- duzir um líquido e corroer o aço (COPANT 1020) a uma razão maior que 6,35 mm ao ano, a uma temperatura de 55°C, de acordo com USEPA SW 846 ou equivalente. � Reatividade: um resíduo é classificado como reativo se apresentar as seguintes propriedades: ■ ser normalmente instável e reagir de forma violenta e imediata, sem detonar; ■ reagir violentamente com a água; ■ formar misturas potencialmente explosivas com a água; ■ gerar gases, vapores e fumos tóxicos em quantidades suficientes para provocar danos à saúde pública ou ao meio ambiente, quando misturados com a água; ■ possuir em sua constituição os íons CN− ou S2− em concentrações que ultrapassem os limites de 250 mg de HCN liberável por quilograma de resíduo ou 500 mg de H 2 S liberável por quilograma de resíduo, de acordo com ensaio estabelecido no USEPA — SW 846; ■ ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a ação de forte estímulo, ação catalítica ou temperatura em ambientes confinados; ■ ser capaz de produzir, prontamente, reação ou decomposição deto- nante ou explosiva a 25°C e 0,1 MPa (1 atm); ■ ser explosivo, definido como uma substância fabricada para produzir um resultado prático, por meio de explosão ou efeito pirotécnico, esteja ou não esta substância contida em dispositivo preparado para esse fim. 3Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais � Toxicidade: um resíduo é classificado como tóxico se apresentar estas propriedades: ■ quando o extrato obtido da amostra, segundo a ABNT NBR 10.005, de 30 de janeirode 2004, contiver qualquer um dos contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F; ■ quando possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C da NBR 10.004/2004 e apresentar toxicidade. � Patogenicidade: o resíduo será patogênico se houver suspeita de conter micro-organismos patogênicos, proteínas virais, ácido desoxirribonu- cleico (ADN) ou ácido ribonucleico (ARN) recombinantes, organismos geneticamente modificados, plasmídeos, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir doenças em homens, animais ou vegetais. Classe II — Resíduos não perigosos: os resíduos não perigosos, por sua vez, dividem-se em duas subclasses: � II A — Não Inertes: apresentam como propriedades principais a biode- gradabilidade e a combustibilidade ou solubilidade em água. � II B — Inertes: tipo de resíduo que, devido as suas características e composição físico-química, não sofre transformações físicas, químicas ou biológicas de relevo, mantendo-se inalterados por um longo período de tempo. De acordo com a legislação, os resíduos inertes estão aptos a ser depositados em aterros sanitários. Toda movimentação de resíduos de um empreendimento ou empresa deve ser do- cumentada. Uma planilha de movimentação de resíduos atua como meio de registro de toda a remessa de resíduos que está sendo destinada. É importante que as empresas disponibilizem lixeiras devidamente iden- tificadas para cada tipo de resíduo. A resolução CONAMA nº. 275, de 24 de abril de 2001, dispõe do código de cores para os diferentes tipos de resíduos a ser adotado na identificação de coletores e transportadores (BRASIL, 2001). Os recipientes utilizados no acondicionamento deverão estar etiquetados, seguindo o código de cores: Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais4 � azul: papel/papelão; � vermelho: plástico; � verde: vidro; � preto: madeira; � amarelo: metal; � laranja: resíduos perigosos; � roxo: resíduos radioativos; � marrom: resíduos orgânicos; � cinza: resíduo geral não reciclável, ou misturado, ou contaminado, não passível de separação. Exemplos: papel (embolado, etiquetas e toalhas), embalagens (chicletes, balas e alimentos), clipes e grampos, caneta e pincel atômico, luvas, borracha. O armazenamento dos resíduos sólidos Classe I (perigosos) deve ser con- forme a norma ABNT NBR 12.235/1992. Essa norma dispõe que o armazena- mento deve ser feito de modo a não alterar a quantidade/qualidade do resíduo. O resíduo deve ser acondicionado até reciclagem, recuperação, tratamento e/ou disposição final, em contêineres, tambores, tanques e/ou a granel. A norma exige que seja feita uma análise das propriedades físicas e químicas do resíduo antes de ele ser armazenado (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1992). O local utilizado para o armazenamento de resíduos sólidos deve ser proje- tado de modo que o perigo de contaminação ambiental seja minimizado; que sejam respeitadas as distâncias indicadas pela legislação vigente no que se refere a mananciais hídricos, lençol freático, núcleos habitacionais, logradouros públicos, rede viária, atividades industriais que poderão gerar faíscas, vapores reativos, umidade excessiva, etc.; que sejam evitados os riscos potenciais de fenômenos naturais como chuva, ventanias, inundações, marés altas, queda de barreiras, deslizamentos de terra, afundamento do terreno, erosão, etc. O local também deve ser isolado de forma que impeça o acesso de pessoas estranhas e sinalizado de forma que indique o risco presente no local. Veja alguns exemplos de sinalização de risco na Figura 1. 5Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Figura 1. Algumas sinalizações utilizadas para indicar risco. Fonte: Cool Vector Maker/Shutterstock.com. Risco de incêndio Risco de choque elétrico Cuidado, risco de radiação Cuidado, risco de corrosão Cuidado, risco de exposição a produtos tóxicos Cuidado, risco de explosão A norma aplicável ao armazenamento de resíduos Classe II (não perigosos) é a NBR 11.174/1990. Essa norma dispõe que o armazenamento deve ser feito de maneira que minimize o risco de contaminação ambiental. O local deve ser aprovado pelo órgão ambiental do estado e atender a legislação específica. Os resíduos de Classe II não devem ser armazenados com resíduos de Classe I. O armazenamento pode ser realizado em contêineres e/ou tambores, em tanques e a granel (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1990). Etapas para a elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos — PNRS (Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010), regulamentada pelo Decreto nº. 7.404, de 23 de dezembro de 2010, os geradores de resíduos sólidos que não sejam qualificados como de limpeza urbana são obrigados a elaborarem seus devidos Planos de Geren- ciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) para demonstrar a sua capacidade de dar uma destinação final ambientalmente adequada aos seus resíduos (BRASIL, 2010). Na grande maioria dos casos, o PGRS é exigido pelo órgão ambiental competente quando o empreendimento solicita a licença ambiental. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais6 O gerador do resíduo, o tipo de atividade, a quantidade gerada de cada resíduo, a qualidade ou o tipo de resíduo que é gerado e a localidade da ge- ração dos resíduos sólidos são condições de contorno para a sua elaboração (JARDIM; YOSHIDA; MACHADO FILHO, 2012). O relatório de movimen- tação de resíduos e de registro de armazenamento pode seguir os modelos das Tabelas 2 e 3 do anexo referente à ABNT NBR12.235, de 30 de maio de 1992, (Armazenamento de Resíduos Perigosos) e do Anexo A e B referente à ABNT NBR 11.174, de 30 de agosto de 1990, (Armazenamento de Resíduos Classe II). O relatório deve conter as seguintes informações: � Descrição do empreendimento e da atividade: devem ser informados o nome da empresa, CNPJ e quais atividades/serviços são exercidos pela empresa. � Diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados: devem ser descritos a origem dos resíduos, o volume e a caracterização dos resíduos, incluindo os passivos ambientais a eles relacionados. Observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama (Sistema Na- cional do Meio Ambiente), do SNVS (Sistema Nacional de Vigilância Sanitária) e do Suasa (Sistema Único de Atenção a Sanidade Agropecuária) e, se houver, o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, deve-se incluir: � explicitação dos responsáveis por cada etapa do gerenciamento de resíduos sólidos; � definição dos procedimentos operacionais relativos às etapas do geren- ciamento de resíduos sólidos sob responsabilidade do gerador; � identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores; � ações preventivas e corretivas a serem executadas em situações de gerenciamento incorreto ou acidentes; � metas e procedimentos relacionados à minimização da geração de resíduos sólidos e, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à reutilização e reciclagem; � se couber, ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, na forma do art. 31 da Lei nº. 12.305/2010; � medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos; � periodicidade de sua revisão, observado, se couber, o prazo de vigência da respectiva licença de operação a cargo dos órgãos do Sisnama. 7Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Dessa forma, os PGRS devem estabelecer os tipos e as quantidades de resíduos gerados em determinado empreendimento. Também devem apontar e descrever as ações relativas ao manejo de resíduos sólidos, que corresponde às etapas de segregação, acondicionamento, armazenamento provisório, transporte e destinação final dos resíduos gerados na operação da empresa. O PGRS deve especificar medidas alternativas para o controlee a mini- mização de danos causados ao meio ambiente e ao patrimônio quando da ocorrência de situações anormais envolvendo quaisquer das etapas do geren- ciamento do resíduo. Assim, além dos itens citados anteriormente, o PGRS industrial deve apresentar um plano de contingência, no qual deverão constar a forma de acionamento (telefone, e-mail, pager, etc.), os recursos humanos e materiais envolvidos para o controle dos riscos, a definição das competências, responsabilidades e obrigações das equipes de trabalho, e as providências a serem adotadas em caso de acidente ou emergência. Normalmente, o PGRS será apresentado mediante o preenchimento de três tabelas, I, II e II, anexas ao termo de referência. Será acompanhado de texto descritivo do plano de gerenciamento e será devidamente assinado pelo responsável técnico, o qual deverá apresentar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Na Tabela I deve ser apresentada a identificação do gerador, com os seguin- tes itens: razão social; número do CNPJ; nome fantasia (se houver); endereço completo; telefone; e-mail; área total; número total de funcionários (próprios e terceirizados); responsável legal; responsável técnico pelo PGRS; tipo de ativi- dade. Veja no Quadro 1 um exemplo de planilha de identificação do gerador. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais8 Tabela I — Identificação do gerador Razão social: Padaria do João CNPJ: XXXXXXXX/XXXX-XX Nome fantasia: não possui nome fantasia Endereço: Rua XX, nº. XX, Município: XXXXXXXXXXX UF: XX CEP: XXXXX-XXX Telefone: XX XXXXXXXXX Fax: XX XXXXXXXXX E-mail: XXX@XXX.com ÁREA TOTAL: 450,00 m2 NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS: 05 PRÓPRIOS: 05 TERCEIRIZADOS: 0 RESPONSÁVEL PELO PGRS: Eng. Ambiental XXX RESPONSÁVEL LEGAL: João DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: Padaria e Confeitaria Quadro 1. Exemplo de planilha de identificação do gerador A Tabela II refere-se aos resíduos gerados; nela devem ser apresentados o resíduo (plástico, vidro, metal....); a classe; a unidade e equipamento gerador; o acondicionamento/armazenagem; o tratamento adotado; a frequência de geração; o estoque. Quadro 2 apresenta um exemplo de como essas informa- ções devem ser apresentadas em um PGRS. É importante definir essas tabelas com o número de folha, caso elas ocupam mais de uma página, dependendo da quantidade de resíduos gerados por uma determinada empresa/indústria. Por fim, na Tabela III deve-se apresentar o plano de movimentação de resíduos, contando com as seguintes informações: tipo de resíduo; data de entrada; quantidade; local de estocagem temporária; data prevista para saída; quantidade; transporte a ser utilizado; destinação final. O Quadro 3 apresenta um exemplo desse tipo de tabela. 9Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais T a b e la I I — R e sí d u o s tr ia d o s N O M E D A E M P R E S A : P ad ar ia d o J o ão F O L H A n °: 0 1 Ite m Re sí d u o C la ss e U n id ad e g er ad o ra A co n d ic io n am en to / A rm az en am en to Tr at am en to ad o ta d o Fr eq u ên ci a d e g er aç ão Es to q u e In te rn o Ex te rn o 01 Pl ás ti co s II– B Pr o ce ss o p ro d u ti vo Sa co p lá st ic o Re co lh id o p el a em p re sa X D iá ria In te rn o 02 Re sí d u o s o rg ân ic o s II– B Pr o ce ss o p ro d u ti vo Re ci p ie n te s p lá st ic o s C o m p o st ag em D iá ria Ex te rn o 03 Ó le o d e co zi n h a I Pr o ce ss o p ro d u ti vo Re ci p ie n te s p lá st ic o s Re co lh id o p el a em p re sa X D iá ria Ex te rn o R E S P O N S Á V E L P E L O E M P R E E N D IM E N T O : J o ão A S S IN A T U R A : Q u a d r o 2 . Ex em p lo d e p la n ilh a co m o s p rin ci p ai s re sí d u o s g er ad o s p o r u m a em p re sa Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais10 T a b e la I II — P la n o d e m o v im e n ta çã o d e r e sí d u o s N O M E D A E M P R E S A : P ad ar ia d o J o ão F O L H A n °: 0 1 Ite m Re sí d u o C la ss e Es to ca g em t em p o rá ria D es ti n aç ão fi n al O b se rv aç õ es D at a d a en tr ad a Q u an t. Lo ca l D at a d a sa íd a Q u an t. D es ti n o fi n al N °. d a lic en ça am b ie n ta l 01 Pa p el / p ap el ão II– B D iá ria 1 Kg Sa co s M en sa l 10 K g N o m e e C N PJ d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta . N º. d a lic en ça am b ie n ta l d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta 02 Pl ás ti co s II– B D iá ria 1 Kg Sa co s Se m es tr al 10 K g N o m e e C N PJ d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta . N º. d a lic en ça am b ie n ta l d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta 03 Ó le o d e co zi n h a I D iá ria 1 L Bo m b o n as M en sa l 20 L N o m e e C N PJ d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta . N º. d a lic en ça am b ie n ta l d a em p re sa re sp o n sá ve l p el a co le ta R E S P O N S Á V E L P E L O P G R S : E n g . A m b ie n ta l X X A S S IN A T U R A : F ig u r a 8 .1 R ep re se n ta çã o e sq u em át ic a d o c ic lo c el u la r.Q u ad ro 3 . E xe m p lo d e p la n ilh a co m o p la n o d e m o vi m en ta çã o d e re sí d u o s 11Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais Existem algumas abreviações que podem ser utilizados no preenchimento da Tabela II e da Tabela II, como, por exemplo: CATE = catalisador exaurido; U = unidade; BB = “big-bags”; Tb = tambores; Sc = sacos; AG = a granel; Bb = bombonas; PRN = pátio de resíduos enquadrado na NBR 12.235/1987; PR = pátio de resíduos não enquadrado na NBR 12.235/1987; ACA = a céu aberto; GP = galpão de produtos/matérias primas, B = baias; entre outros. Relação entre PGRS e licenciamento ambiental O licenciamento ambiental é um procedimento técnico-administrativo pelo qual o órgão ambiental competente avalia os empreendimentos potencialmente causadores de impacto ambiental, autorizando, ou não, sua instalação e opera- ção. A avaliação envolve o estudo da localização do empreendimento, do seu porte e dos processos construtivo e produtivo utilizados, a fim de verificar se suas características podem provocar interferências negativas no meio ambiente, como poluição do ar, geração de resíduos, intervenção em cursos d’água e supressão de vegetação nativa. Sendo assim, o processo de licenciamento estabelece regras, condições, restrições e medidas de controle ambiental que devem ser cumpridas tanto na fase de instalação do empreendimento quanto na sua fase de operação. A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981), em seu art. 10, estabelece que [...] a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento por órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente — SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis — IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis (BRASIL, 1981, documento on-line). Existem diferentes tipos de licenciamento ambiental, e eles são expedidos pelo poder executivo. A Resolução Conama nº. 237, de 22 de dezembro de 1997, art. 8º, precedida pelo Decreto nº. 99.274, de 6 de junho de 1990, art. 19, desdobra as licenças em três subespécies: Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais12� Licença ambiental prévia (LP): concedida na fase preliminar do planejamento da atividade ou empreendimento, aprovando a sua loca- lização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de implementação (FIORILLO, 2014). � Licença ambiental de instalação (LI): de acordo com Fiorillo (2014), obrigatoriamente é procedida pela licença prévia, sendo definida como a licença que autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condi- cionantes. Nesta etapa, o órgão ambiental competente poderá solicitar o PGRS, referente à geração e ao destino dos resíduos de construção civil. � Licença ambiental de operação (LO): sucede a licença de insta- lação, tendo como finalidade autorizar a “operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinadas para a operação”, conforme dispõe o art. 8º, III, da Resolução Conama nº. 237/1997 (BRASIL, 1997). O PGRS é exigido pelo órgão ambiental tanto na licença de instalação (LI) como na licença de operação (LO). Na LI, o órgão ambiental pode solicitar o PGRS dos resíduos da construção do empreendimento, descrevendo o que será feito com os resíduos e quem (empresa devidamente licenciada) será o responsável pelo recolhimento dos mesmos. Já durante a LO, deve-se apresentar o PGRS descrevendo quais serão os resíduos gerados no processo produtivo e qual a destinação e quantidade dos mesmos. Além disso, o órgão ambiental pode solicitar que, de tempos em tempos, sejam apresentados recibos de destinação desses resíduos. A elaboração de planos de resíduos sólidos deve ser feita pelo setor público em nível federal, estadual e municipal e por empresas públicas ou privadas. Além disso, o PGRS é um documento com valor jurídico, que comprova a capacidade de uma empresa de gerir todos os resíduos que eventualmente venha a gerar. O objetivo central desse documento é garantir que haja segurança nos processos produtivos, e que eles sejam controlados para evitar grandes 13Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais poluições ambientais e consequências para a saúde pública e o desequilíbrio da fauna e da flora. Conforme o art. 20º, da Lei Federal nº. 12.305/2010, as empresas que estão sujeitas à elaboração do PGRS são aquelas que, em suas atividades, geram resíduos perigosos ou resíduos não perigosos que, por sua natureza, composição ou volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal (BRASIL, 2010). Vantagens do gerenciamento ambiental em indústrias O principal objetivo do licenciamento ambiental é promover o desenvolvi- mento (da sociedade e da economia) sem impactar de forma negativa no meio ambiente, para que tanto as gerações do presente como as futuras desfrutem de um ambiente equilibrado. Nesse contexto, todas as atividades que, de uma forma ou outra, estão sujeitas a impactos ambientais deverão estar munidas do licenciamento ambiental. O licenciamento é uma exigência legal. Mas quais são exatamente as van- tagens/benefícios do licenciamento ambiental? Não é apenas o meio ambiente que sai ganhando com o licenciamento de determinada atividade, mas também toda a sociedade. Entre alguns dos principais benefícios do licenciamento ambiental para o meio ambiente, pode-se citar: � proteger o meio ambiente para as futuras gerações; � proteger os ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; � planejar e fiscalizar o uso dos recursos ambientais; � garantir a qualidade dos recursos renováveis; � racionalizar o uso do solo, do subsolo, da água e do ar; � proteger áreas ameaçadas de degradação. Em se tratando das vantagens que empresas/corporações poderão obter com a implantação de um PGRS, pode-se citar: � Benefícios estratégicos: diferenciação no mercado; demonstração do compromisso da empresa com o meio ambiente e com o futuro; confiança oferecida às partes interessadas; melhoria na imagem perante órgãos regulamentadores; facilidade na obtenção de licenças e autorizações; Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais14 simpatia de clientes e usuários; facilidade no acesso ao mercado in- ternacional; atração de parceiros; antecipação à tendência de caráter mandatário e às exigências dos clientes, entre outros. � Benefícios operacionais: melhoria na gestão de riscos ambientais atuais e futuros; melhoria dos procedimentos operacionais; melhoria da produtividade; melhoria nas condições de saúde e segurança no trabalho; redução de acidentes que impliquem responsabilidade civil; estabele- cimento de rotina para análise das áreas do negócio que possam afetar o meio ambiente; estímulo ao desenvolvimento e compartilhamento de soluções ambientais; facilidade na transferência de tecnologia; melhoria no desempenho dos funcionários e dos equipamentos, entre outros. � Benefícios financeiros: diminuição dos riscos de incorrer em infrações legais e regulamentares; redução potencial nas despesas com seguros, produtos e serviços adquiridos, além do comportamento global no mercado; possibilidade de redução de custos; possibilidade de economia de despesas no consumo de água, energia e matéria-prima. Os principais objetivos do PGRS são a minimização da geração de resíduos; a destinação correta dos resíduos; a diminuição dos impactos ambientais e visuais; a preservação dos recursos naturais renováveis e não renováveis; a receita na venda de materiais recicláveis; a redução dos gastos de disposição; a diminuição da quantidade de resíduos destinados aos aterros sanitários; o marketing positivo, em virtude da imagem de responsabilidade social e ecológica da empresa adepta de tais práticas; a satisfação da sociedade; o cumprimento da Legislação em vigor; a melhoria da qualidade de vida, tanto das pessoas como dos seres vivos. Em relação às vantagens que empresas poderão obter com práticas de gerenciamento ambiental, a norma ISO 14.001 (sistema de gestão ambiental) descreve que, além de responder às exigências da comunidade mundial e do consumidor-cidadão, elas também oferecem às organizações vantagens com- petitivas matematicamente mensuráveis, como (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004): � maior satisfação dos clientes, pois o consumidor esclarecido hoje valoriza muito mais as empresas e produtos que demonstrem bom desempenho ambiental; � melhoria da imagem da empresa junto a clientes, governo, comunidade, vizinhos, ONGs e mídia; 15Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais � conquista de novos mercados, pois a preocupação ambiental é um fator de competitividade, facilitando a expansão em novos mercados, e a empresa que souber explorar bem esse aspecto conseguirá cativar novos clientes; � redução de custos pela eliminação de desperdícios, obtida com uma análise cuidadosa do uso de água e energia e da geração de resíduos, pelo menor risco de ter de arcar com multas ou ações legais por descum- primento da legislação e pelo menor passivo ambiental, com menores riscos para administradores e acionistas; � conscientização ambiental de toda a empresa, do pessoal da produção, do setor ambiental, de todos os seus diretores, gerentes, projetistas e operários, que perpetuam isso pela comunidade em que habitam; � maior permanência no mercado, por não ocorrerem reações negativas dos consumidores; � maior facilidade na obtenção de financiamentos, pois uma empresa com um bom desempenho ambiental tem mais facilidade de conseguir financiamento junto a bancos e órgãos ambientais, além de desfrutar de uma melhor imagem; � maior interesse da empresa em demonstrar à sociedade que ela tem um sistema de gestão ambiental estruturado e que as açõespreventivas têm prioridade sobre as corretivas, ou seja, que a empresa adota todas as medidas necessárias para evitar impactos ambientais, qualquer que seja sua relevância. A gestão ambiental em organizações, de acordo com Jabbour (2013), quando implantada, pode gerar vários benefícios. Quanto mais evoluída a gestão ambiental de uma organização, mais intensos e mais diversificados poderão ser os benefícios auferidos. Geralmente, essas vantagens estão associadas a dois tipos de benefícios: � Benefícios internos: estão relacionados a melhorias observadas nas diversas dimensões do desempenho organizacional, como o desempenho operacional, o desempenho em inovação e o desempenho de mercado. � Benefícios externos: podem ser entendidos como contribuições que se estendem à sociedade de forma mais ampla, como a influência sobre as regulamentações ambientais, as contribuições para o desenvolvimento sustentável e as parcerias com outras organizações. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais16 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 14001: sistemas da gestão ambiental: requisitos com orientações para uso. São Paulo: ABNT, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11174: armazenamento de resíduos classes II — não inertes e III — inertes. Rio de Janeiro: ABNT, 1990. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12235: armazenamento de resíduos perigosos. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004: classificação de resíduos. São Paulo: ABNT, 2004. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA nº. 275, de 25 de abril de 2001. Estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva. DOU, Brasília, DF, 117-E, seção 1, p. 80, 19 jun. 2001. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº. 237, de 19 de dezembro de 1997. Brasília, DF, 1997. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/ res/res97/res23797.html>. Acesso em: 07 jun. 2018. BRASIL. Decreto nº. 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Regulamenta a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/ decreto/d7404.htm>. Acesso em: 07 jun. 2018. BRASIL. Decreto nº. 99.274, de 6 de junho de 1990. Regulamenta a Lei nº. 6.902, de 27 de abril de 1981, e a Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõem, respecti- vamente sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e dá outras providências. Brasília, DF, 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/d99274. htm>. Acesso em: 07 jun. 2018. BRASIL. Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília, DF, 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938. htm>. Acesso em: 07 jun. 2018. 17Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais BRASIL. Lei nº. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 06 jun. 2018. FIORILLO, C. A. P. Curso de direito ambiental. 15. Ed. São Paulo: Saraiva, 2014. JABBOUR, A. B. L S. Gestão ambiental nas organizações: fundamentos e tendências. São Paulo: Atlas, 2013. JARDIM, A.; YOSHIDA, C.; MACHADO FILHO, J. V. Política nacional, gestão e gerenciamento de resíduos sólidos. Barueri, SP: Manole, 2012. Leituras recomendadas IBRAHIN, F. I. D. Análise ambiental: gerenciamento de resíduos e tratamento de efluen- tes. São Paulo: Érica, 2015. NASCIMENTO NETO, P. Resíduos sólidos urbanos: perspectivas de gestão intermunicipal em regiões metropolitanas. São Paulo: Atlas, 2013. Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos industriais18 DICA DO PROFESSOR O gerenciamento de resíduos industriais engloba aspectos relacionados à sua classificação, bem como o planejamento de seu manejo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Resíduos perigosos, de acordo com a NBR 10.004 (ABNT, 2004), são aqueles resíduos que possuem as seguintes características: A) Combustibilidade, corrosividade e reatividade. B) Corrosividade, reatividade e solubilidade em água. C) Inflamabilidade, toxicidade e patogenicidade. D) Inerte, patogenicidade e toxicidade. E) Biodegradabilidade, reatividade e toxicidade. 2) Considerando o artigo 9 da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que trata da escala de prioridade da gestão de resíduos sólidos, podemos afirmar que: A) A disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos é prioritária na escala de gerenciamento. B) A reutilização não pode ser considerada como uma estratégia prioritária no gerenciamento de resíduos sólidos, visto que esses não têm mais utilidade em um processo industrial. C) Reduzir, reutilizar e reciclar são três conceitos que não podem ser aplicados ao meio industrial, visto que são necessárias matérias-primas virgens na maioria dos processos. D) A não geração é a etapa mais difícil de ser alcançada na escala de prioridades de gerenciamento de resíduos industriais, portanto é difícil de ser atingida. E) Conciliar os princípios de não geração, redução, reutilização, reciclagem é um desafio às empresas, mas trazem uma série de vantagens à empresa. 3) Sobre as etapas para elaboração de um plano de gerenciamento de resíduos industriais, indique a sentença ERRADA. A) O plano de gerenciamento deve ser elaborado considerando somente a realidade da empresa, e não as diretrizes municipais. B) No plano de gerenciamento de resíduos industriais devem ser apresentadas as metas de minimização da geração de resíduos sólidos. C) O diagnóstico do manejo de resíduos sólidos na empresa é etapa fundamental para a indicação das melhorias em seu gerenciamento. D) Algumas empresas possuem passivos ambientais, sendo que esses devem ser descritos no plano, bem como as medidas saneadoras que serão adotadas. E) As ações preventivas e corretivas relacionadas a acidentes ou manejo inadequado dos resíduos sólidos devem estar descritas no plano de gerenciamento. 4) Qual das afirmações NÃO caracteriza uma vantagem da adoção de um sistema de gerenciamento de resíduos industriais? A) Contribui para a diminuição de danos ambientais. B) Atende aos critérios de legislação ambiental em vigor. C) Diminui as possibilidade de reciclagem de resíduos sólidos. D) Reduz desperdícios do processo industrial. E) Contribui para a melhoria da imagem da empresa. 5) O aterro de resíduos industriais é uma das tecnologias para o tratamento e disposição final ambientalmente adequada. A construção e a operação desse sistema devem atender aos critérios definidos em normas (NBR 10.157 – para aterros de resíduos perigosos). Indique a sentença que apresenta uma condição de operação do aterro INADEQUADA: A) Implantação, operação e monitoramento de sistema de tratamento de gases. B) Monitoramento das águas subterrâneas durante o período de operação do aterro industrial. C) Impermeabilização com camadas de argila e material polimérico de alta densidade. D) Adoção de sistema de tratamento de líquido percolado. E) Implantação de sistema de drenagem. NA PRÁTICA Em cada cena da história fica evidente o quão importante é gerenciar e tratar resíduos sólidos. Com atitudes como essa, ganha o meio ambiente, ganha o consumidor eganha o empresário que, ao pensar na sustentabilidade, agrega valor à sua marca e gera economias para a empresa. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Fundamentos de projeto de edificações sustentáveis Elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos de empresas de fundição de ferro fundido de pequeno porte Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A indústria química no contexto da ecologia industrial Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projeto Série 100% Seguro | Gerenciamento de resíduos (Versão Completa) – SESI Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Coprocessamento de resíduos da Fundação Proamb - Transformação de resíduos industriais em energia Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, serão discutidas as diretrizes nacionais do saneamento básico. Essas diretrizes são orientadas pela lei no 11.445/2007 e estão diretamente vinculadas aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir saneamento básico, segundo a Lei Federal no 11.445/2007.• Identificar as diretrizes nacionais para o saneamento básico.• Nomear quais atividades e estruturas estão contempladas no abastecimento de água, no esgotamento sanitário, na limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e na drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. • DESAFIO Você é gestor ambiental de um município e precisa convencer o prefeito quanto à implantação de políticas públicas voltadas ao saneamento básico. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir demonstra alguns dos principais pontos relacionados ao saneamento básico conforme a Lei no 11.445/07: CONTEÚDO DO LIVRO O capítulo a seguir, trazerá maior enriquecimento teórico sobre o assunto, contribuindo para o gestor ambiental relacionar o seu dia a dia com os aspectos do saneamento básico. Boa leitura! SANEAMENTO Ronei Stein Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir saneamento básico segundo a Lei Federal nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007 Identificar as diretrizes nacionais para o saneamento básico. Nomear quais atividades e estruturas estão contempladas no abas- tecimento de água, no esgotamento sanitário, na limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e na drenagem e manejo das águas pluviais urbanas Introdução Neste capítulo, serão discutidas as diretrizes nacionais do saneamento básico. Essas diretrizes são orientadas pela Lei nº. 11.445/2007 e estão diretamente vinculadas aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Importância da Lei nº. 11.445/2007 para o saneamento De modo geral, saneamento é o conjunto de medidas que buscam preservar ou modifi car o meio ambiente para prevenir doenças e semear saúde. Com saneamento, é possível melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a produtivi- dade do indivíduo e otimizar a atividade econômica. No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei nº. 11.445/2007, a Lei Federal de Saneamento Básico. A Lei nº. 11.445/2007 trouxe novas diretrizes nacionais e definiu o plane- jamento dos serviços básicos como instrumento fundamental para se alcançar o acesso universal ao saneamento básico. Todas as cidades devem formular as suas políticas públicas visando à universalização, sendo o plano municipal de saneamento básico (PMSB) o instrumento de estratégia e diretrizes. Os componentes do saneamento básico são o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e a dre- nagem e manejo das águas pluviais urbanas (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2018). Saneamento é um fator essencial para o desenvolvimento econômico e social de um país. Os serviços de água tratada, de coleta e tratamento dos esgotos levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na saúde infantil, com redução da mortalidade infantil e melhorias na educação. Tembém levam à expansão do turismo, valorização dos imóveis, melhoria da renda do trabalhador, despoluição dos rios e preservação dos recursos hídricos, etc. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta algumas medidas para promover o saneamento básico: instalação e manutenção de esgotos sanitários; drenagem das águas pluviais; administração do nível de poluição do meio ambiente; planejamento para ocupação dos territórios levando em conta o saneamento; abastecimento da população com água potável; administração da quantidade de insetos e animais nocivos à saúde humana; coleta de lixo e sua adequação; saneamento dos lares, locais de trabalho e de lazer. Aspectos relevantes da Lei nº. 11.445/2007 A Lei nº. 11.445/2007 cria as diretrizes básicas para a organização dos serviços de saneamento básico no Brasil. Entre as quais, pode-se destacar (BRASIL, 2007): Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II2 a) Definição: a lei define saneamento básico como o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: ■ abastecimento de água potável, compreendendo desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; ■ esgotamento sanitário, compreendendo a coleta, o transporte, o tra- tamento e a disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente; ■ limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo a coleta, o transporte, o transbordo, o tratamento e o destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; ■ drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, compreendendo o transporte, a detenção ou a retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. b) Titularidade: a lei não aborda diretamente a questão da titularidade dos serviços de saneamento básico. A esse respeito, determina apenas que o titular deve prestar os serviços diretamente ou deve: ■ delegar a organização, a regulação, a fiscalização dos serviços a outros entes da federação por meio de consórcios públicos e convênios de cooperação entre os entes federados; ■ delegar a prestação dos serviços a ente que não integre a adminis- tração do titular por meio de contrato, sendo vedada a disciplina mediante convênios, termos de parceria ou outros instrumentos de natureza precária. c) Entidade Reguladora: a lei prevê a criação de uma entidade regula- dora, que deve editar normas sobre as dimensões técnicas, econômicas e sociais de prestação dos serviços. A entidade reguladora deve ter autonomia administrativa, orçamentária e financeira para que possa atuar com independência decisória e transparência. Além disso, de acordo com Pereira Júnior (2008), a Lei nº. 11.445/2007 apresenta alguns dispositivos quanto à regularização dos serviços de sanea- mento básico: Reconhecimento da necessidade de que os serviços de saneamento tenham sustentabilidade econômica. Visão equilibrada da função social do saneamento. O saneamento é importante para a saúde pública, para o meio ambiente e para o bem- 3Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II -estar geral da sociedade, mas, como um “serviço público”, tem de ter sustentabilidade econômica para garantir sua prestação com qualidade, confiabilidade e continuidade. Possibilidade de resolução gradual dos problemas ambientais decorrentes da deficiência ou ausência de serviços de saneamentobásico. Regulamentação da prestação regionalizada de serviços de saneamento básico, criando condições legais estáveis para a atuação de entidades e empresas estaduais, municipais e privadas em vários municípios, com ganhos de escala e otimização de recursos logísticos, administrativos, técnicos e operacionais. Elaboração de planos de saneamento básico, compatibilizando os quatro serviços que o compõem, além da elaboração de mecanismos de controle social e de sistema de informações sobre os mesmos. Formalização por contrato de toda relação entre titular e prestadores de serviços e entre prestadores de etapas complementares do mesmo serviço. Planejamento e regulação de todos os serviços. A lei fornece o conteúdo mínimo da regulação e permite que o planejamento seja elaborado mediante cooperação de outras entidades, inclusive prestadores de serviços. Também permite e delegação da regulação a outras entidades, inclusive de outros entes da federação, e a consórcios de municípios. Estabelecimento de diretrizes econômicas e sociais, as quais incluem as regras gerais para a cobrança dos serviços de saneamento — tarifas, taxas e tributos, além das formas de quantificação dos serviços, como o volume de água consumida e de esgoto coletado e a quantidade de lixo coletado. Estabelecimento de diretrizes técnicas para a prestação de serviços de saneamento básico: requisitos mínimos de qualidade, regularidade e continuidade. A lei centraliza na União a definição de parâmetros mínimos de potabilidade da água para o abastecimento público, o que já é feito pelo Ministério da Saúde. Estabelece condições específicas para o licenciamento ambiental de unidades de tratamento de esgotos e de resíduos gerados pelos processos de tratamento de água. Torna obrigatória a ligação de toda edificação nas redes públicas de água e de esgotos. Controle social dos serviços de saneamento básico, remetendo aos titulares dos serviços a definição da forma como esse controle será organizado e exercido. Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II4 Diretrizes nacionais para o saneamento básico A superação das desigualdades sociais no acesso aos serviços públicos de saneamento básico é questão fundamental para alavancar a área e cumprir seu objetivo de universalização no atendimento à população, conforme esta- belecido nas diretrizes nacionais e na Política Federal de Saneamento Básico (BRASIL, 2007). Conforme art. 48 da Lei nº. 11.445/2007, a União deve respeitar as seguintes diretrizes (BRASIL, 2007): prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao saneamento básico; aplicação dos recursos financeiros, de modo a promover o desenvolvi- mento sustentável, sua eficiência e eficácia; estímulo ao estabelecimento de adequada regulação dos serviços; utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento so- cial no planejamento, implementação e avaliação das suas ações de saneamento básico; melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais e de saúde pública; colaboração para o desenvolvimento urbano e regional; garantia de meios adequados para o atendimento da população rural dispersa, inclusive mediante à utilização de soluções compatíveis com suas características econômicas e sociais peculiares; fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, à adoção de tecnologias apropriadas e à difusão dos conhecimentos gerados; adoção de critérios objetivos de elegibilidade e prioridade, levando em consideração fatores como nível de renda e cobertura, grau de urbanização, concentração populacional, disponibilidade hídrica, riscos sanitários, epidemiológicos e ambientais; adoção da bacia hidrográfica como unidade de referência para o pla- nejamento de suas ações; estímulo à implementação de infraestruturas e serviços comuns a mu- nicípios, mediante mecanismos de cooperação entre entes federados. estímulo ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de equipamentos e métodos economizadores de água. 5Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Em relação ao Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), ele deve ser elaborado obrigatoriamente pelo titular dos serviços municipais de sa- neamento básico. Trata-se de instrumento fundamental para que os gestores públicos possam controlar ou conceder os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas e limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. A Lei nº. 11.445/2007 define como funções essenciais da gestão dos serviços públicos de saneamento básico o planejamento, a regulação, a prestação e a fiscalização dos serviços e o controle social. O plano de saneamento básico será revisto periodicamente, em prazo não superior a quatro anos. O PMSB é o documento básico do planejamento, contemplando os modelos de gestão, as metas, os projetos e as respectivas tecnologias e as estimativas dos custos dos serviços. Ele deverá ser elaborado de acordo com os princípios/diretrizes da lei. Estas diretrizes são, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde — FUNASA (BRASIL, 2012): universalização do acesso com integralidade, segurança, qualidade e regularidade na prestação dos serviços; promoção da saúde pública, segurança da vida e do patrimônio, proteção do meio ambiente; articulação com as políticas de desenvolvimento urbano, saúde, proteção ambiental e interesse social; adoção de tecnologias apropriadas às peculiaridades locais e regionais; uso de soluções graduais e progressivas e integração com a gestão eficiente de recursos hídricos; gestão com transparência baseada em sistemas de informação, processos decisórios institucionalizados e controle social; promoção da eficiência e sustentabilidade econômica, considerando a capacidade de pagamento dos usuários. Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II6 O Quadro 1 apresenta os princípios de uma política básica de saneamento. Princípio Definição Universalidade As ações e serviços públicos de saneamento básico, além de serem, fundamentalmente, de saúde pública e de proteção ambiental, são também essenciais à vida, um direito social básico e um dever do Estado. Assim, o acesso aos serviços de saneamento básico deve ser garantindo a todos os cidadãos mediante tecnologias apropriadas à realidade socioeconômica, cultural e ambiental. Integralidade das ações As ações e os serviços públicos de saneamento básico devem ser promovidos de forma integral, em face da grande inter- relação entre os seus diversos componentes, principalmente, o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, o manejo de águas pluviais, o manejo de resíduos sólidos e o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças. Muitas vezes, a efetividade, a eficácia e a eficiência de uma ação de saneamento básico dependem da existência dos outros componentes. Igualdade A igualdade diz respeito aos direitos iguais, independentemente de etnia, credo, situação socioeconômica. Ou seja, considera-se que todos os cidadãos têm direitos iguais no acesso a serviços públicos de saneamento básico de boa qualidade. Participação e controle social A participação social na definição de princípios e diretrizes de uma política pública de saneamento básico, no planejamento das ações, no acompanhamento da sua execução e na sua avaliação constitui-se um ponto fundamental para democratizar o processo de decisão e implementação das ações de saneamento básico. Essa participação pode ocorrer com o uso de diversos instrumentos, como conferência e conselhos. Quadro 1. Princípios e elementos para a realização do plano municipal de saneamento básico (Continua) 7Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Fonte: Adaptado de Brasil (2012). Princípio Definição Titularidade municipal Uma vez que os serviços públicos de saneamento básico são de interesselocal e o poder local tem a competência para organizá- los e prestá-los, o município é o titular do serviço. Uma política de saneamento básico deve partir do pressuposto de que o município tem autonomia e competência para organizar, regular, controlar e promover a realização dos serviços de saneamento básico de natureza local, no âmbito de seu território; pode fazê-lo diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, associado com outros municípios ou não, respeitando as condições gerais estabelecidas na legislação nacional sobre o assunto. A gestão municipal deve se basear no exercício pleno da titularidade e da competência municipal na implementação de instâncias e instrumentos de participação e controle social sobre a prestação dos serviços em âmbito local, qualquer que seja a natureza dos prestadores, tendo como objetivo maior promover serviços de saneamento básico justos do ponto de vista social. Gestão pública Os serviços públicos de saneamento básico são, por sua natureza, públicos, prestados sob regime de monopólio, essenciais e vitais para a vida humana, em face da sua capacidade de promover a saúde pública e fazer o controle ambiental. Esses serviços, conforme o art. 4º, são indispensáveis para a elevação da qualidade de vida das populações urbanas e rurais. Contribuem também para o desenvolvimento social e econômicos. Sendo um direito social e uma medida de saúde pública, a gestão dos serviços deve ser de responsabilidade do poder público. Articulação ou integração institucional As ações dos diferentes componentes e instituições da área de saneamento básico são, geralmente, promovidas de forma fragmentada no âmbito da estrutura governamental. Essa prática gera, na maioria das vezes, pulverização de recursos financeiros, materiais e humanos. A articulação e integração institucional representam importantes mecanismos de uma política pública de saneamento básico, uma vez que permitem compatibilizar e racionalizar a execução de diversas ações, planos e projetos, ampliando a eficiência, efetividade e eficácia de uma política. A área de saneamento básico tem interface com as de saúde, desenvolvimento urbano e rural, habitação, meio ambiente e recursos hídricos, entre outras. A conjugação de esforços dos diversos organismos que atuam nessas áreas oferece um grande potencial para a melhoria da qualidade de vida da população. Quadro 1. Princípios e elementos para a realização do plano municipal de saneamento básico (Continuação) Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II8 Atividades e estruturas contempladas no saneamento básico Mesmo que nos dias atuais tenhamos uma lei para reger o saneamento básico, é direito e dever de cada cidadão atentar às boas práticas e formas de garantir o avanço do desenvolvimento de uma vida saudável e que abranja não só uma parte da população, mas o todo. De acordo com a Lei nº. 11.445/2007, entre as ações de saneamento há aquelas que nós chamamos de “básicas”, compre- endendo o abastecimento de água, a acesso a rede coletora e tratamento de esgoto, o acesso a coleta e destinação de resíduos sólidos e a drenagem de águas pluviais. Cada um desses serviços tem peculiaridades próprias, e devem ser tratados com tecnologias atualizadas e compatíveis com o grau de desenvolvimento de cada município. Independentemente do estágio socioeconômico, o zelo e os cuidados pela boa funcionalidade desses sistemas indicam o estágio cultural, organizacional e de desenvolvimento de seus habitantes. A ausência desses serviços tem como resultados condições de saúde precárias e incidência de doenças, principalmente de veiculação hídrica. Mas o que engloba essas categorias? A seguir, você vai ver um pequeno resumo de cada uma. Distribuição de água potável A água é um componente essencial do nosso corpo e desempenha um papel vital na manutenção do nosso equilíbrio. De acordo com Von Sperling (2005) e Marengo (2008), entre os principais usos da água estão o abastecimento doméstico, o abastecimento industrial, a irrigação, a dessedentação do homem e dos animais, a preservação da fl ora e da fauna, a recreação e lazer, a criação de espécies, a geração de energia elétrica, a navegação, a harmonia paisagística e a diluição e transporte de despejos. Na América Latina, a agricultura se destaca como principal consumidora de água. A área industrial ocupa o segundo lugar, seguida do uso doméstico. O consumo diário de água é muito variável ao redor do globo. Além da dis- ponibilidade do local, o consumo médio de água está fortemente relacionado ao nível de desenvolvimento do país e ao nível de renda das pessoas. Uma pessoa necessita de, pelo menos, 40 litros de água por dia para beber, tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos, cozinhar, etc. 9Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II Em território brasileiro encontram-se 12% da água doce do mundo, porém ela não está igualmente distribuída. No Norte encontram-se 68,5% dos recursos hídricos, já no Nordeste, apenas 3,3% de água são encontrados, Sudeste 6%, Sul 6,5% e Centro-oeste 15,7% (TOMAZ, 2001; BOTEGA, 2007). No Brasil, a região hidrográfica amazônica detém 73,6% dos recursos hídricos su- perficiais. Ou seja, a vazão média dessa região é quase três vezes maior que a soma das vazões das demais regiões hidrográficas. A segunda maior região, em termos de disponibilidade hídrica, é a do Tocantins/Araguaia, com 13.624 m3 /s (7,6%), seguida da região do Paraná, com 11.453 m3 /s (6,4%). As bacias com menor vazão são, respecti- vamente: Parnaíba, com 763 m3 /s (0,4%); Atlântico Nordeste Oriental, com 779 m3 /s (0,4%) e Atlântico Leste, com 1.492 m3 /s (0,8%). Coleta e tratamento de esgoto Esgoto consiste em resíduos líquidos provenientes de diversas atividades que, em sua maioria, utilizam água em áreas como cozinha e sanitários. Os esgotos domésticos contém aproximadamente 99,9 % de água, sendo o restante (0,1 %) composto de sólidos orgânicos e inorgânicos, bem como de microrganismos (bactérias, fungos, protozoários, vírus e helmintos). Apesar da baixa porcen- tagem de poluentes, necessitam ser tratados antes de serem lançados no meio ambiente (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012). As unidades de tratamento de esgoto são conhecida como ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), onde a água suja passa por vários tipos de tratamento, que variam de empresa para empresa. O sistema de coleta é caracterizado pelas instalações prediais de esgotos sanitários e pelos componentes de uma rede pública de coletores de esgotos (Figura 1). Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II10 Figura 1. Sistema de esgoto sanitário. Fonte: HIDROSAM (2018). Muitas zonas rurais ou imóveis isolados das grandes cidades ainda sofrem com a falta de tratamento correto de esgoto. A fossa séptica pode ser uma importante aliada para solucionar esse problema. dela é um reservatório subterrâneo para o qual o esgoto é destinado. Essa unidade trata o esgoto, realizando a separação físico-química da matéria sólida e, posteriormente, conduz os materiais, já livres de contaminação, a um sumidouro — poços profundos que permitem a entrada dos efluentes. Coleta e manejo de resíduos sólidos A coleta seletiva é o primeiro e o mais importante passo para encaminhar os vários tipos de resíduos para reciclagem ou destinação fi nal ambientalmente correta, pois o resíduo separado corretamente deixa de ser lixo. A coleta seletiva de lixo é de extrema importância para a sociedade. Com ela, todos os resíduos são devidamente descartados e evita-se a poluição do solo e dos lençóis 11Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II freáticos, além da poluição das ruas e esgotos, que pode causar enchentes e, consequentemente, grandes prejuízos aos cofres públicos e aos moradores das cidades (ROSA; FRACETO; MOSCHINI-CARLOS, 2012). Drenagem e manejo das águas pluviais urbanas O sistema de drenageme manejo de águas pluviais urbanas pode ser defi nido como o conjunto de obras, equipamentos e serviços projetados para receber o escoamento superfi cial das águas da chuva que caem nas áreas urbanas. A água da chuva é coletada nas ruas, estacionamentos e áreas verdes e encaminhada aos córregos, lagos ou rios. Para manter o sistema em funcionamento, algumas ações simples são essenciais: evitar o descarte de lixo nas ruas; não fazer ligações de esgoto na rede pluvial; manter áreas permeáveis nos lotes. A Figura 2 ilustra uma possível consequência da ineficiência da drenagem de águas pluviais urbanas. Figura 2. As enchentes podem ser uma consequência da drenagem de águas pluviais urbanas ineficiente. Fonte: AMFPhotography/Shutterstock.com Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II12 Segundo Castro et al. (2003), a principal causa das enchentes é a ocor- rência de chuvas intensas e concentradas. Entretanto, também podem estar relacionadas com causas indiretas, como o assoreamento dos rios, a redução da capacidade de infiltração do solo, o estrangulamento dos leitos dos rios e o rompimento de barragens. Frank e Sevegnani (2009) comentam que não são apenas os eventos intensos que provocam enchentes — elas estão relacionadas também com a saturação de umidade do solo, devido a precipitações com intensidades menores. 1. Conforme o art. 2º da Lei nº. 11.445/07, os serviços públicos de saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios fundamentais: a) utilização de tecnologias apropriadas, considerando apenas a capacidade de pagamento dos usuários. b) abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente. c) disponibilidade, em todas as áreas rurais, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado. d) integração das infraestruturas e produtos com a gestão eficiente dos recursos hídricos. e) adoção de métodos, técnicas e processos que considerem apenas as peculiaridades locais. 2. Para efeitos da Lei nº. 11.445/2007, considera-se saneamento básico o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável, constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e os respectivos instrumentos de medição. b) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e de vias públicas. c) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, sendo o conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. d) a universalização, sendo a ampliação progressiva do 13Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II acesso de todos os domicílios ocupados ao saneamento básico, localizados em zonas rurais. e) localidades de pequeno porte, como vilas, aglomerados rurais, povoados, núcleos, lugarejos, exceto as aldeias, assim definidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 3. Para efeitos da Lei nº. 11.445/2007, assinale a alternativa que define corretamente esgotamento sanitário. a) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. b) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. c) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. d) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de tratamento dos esgotos sanitários desde as ligações prediais até a metade do processo. e) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações de transporte desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. 4. Conforme Capítulo IV, Do Planejamento, da Lei nº. 11.445/07, art. 19, a prestação de serviços públicos de saneamento básico observará o plano, que poderá ser específico para cada serviço e terá a seguinte abrangência: a) o plano não poderá ser específico para cada serviço, e deve sim abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessários para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências e contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficácia das ações programadas. b) o plano poderá ser específico para cada serviço, e deve sim abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II14 socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências e contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. c) o plano poderá ser específico para cada serviço, e deve, sim, abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para contingências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. d) o plano deve incluir o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto prazo para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências; os mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. e) o plano deve incluir o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas; os objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; os programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; as ações para emergências e contingências; osmecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. 5. Conforme Capítulo IX, Da Política Federal de Saneamento Básico, da Lei nº. 11.445/07, art. 48, a União, no estabelecimento de sua política de saneamento básico, observará as seguintes diretrizes: a) adoção de uma referência para o planejamento das ações, exceto a bacia hidrográfica. b) prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao saneamento básico. c) melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais. d) utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento das suas ações de saneamento básico. 15Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II e) fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico e à adoção de tecnologias apropriadas. BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Política e plano municipal de saneamento básico. Brasília, DF: FUNASA, 2012. BRASIL. Lei nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências. Brasília, DF, 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/ l11445.htm>. Acesso em: 13 jun. 2018. BOTEGA, G. C. C. Estudo e proposta de reciclagem das águas em indústria alimentícia. Lajeado, RS: Centro Universitário Univates, 2007. CASTRO, A. L. C. et al. Manual de desastres: desastres naturais. Brasília, DF: Ministério da Integração Nacional, 2003. v. 1. FRANK, B.; SEVEGNANI, L. (Org.). Desastre de 2008 no Vale do Itajaí: água, gente e política. Blumenau, SC: Agência de Água do Vale do Itajaí, 2009. HIDROSAM. Saneamento básico e sua relação com o meio ambiente. 2018. Disponível em: <http://www.hidrosam.com.br/noticias/detalhe/saneamento-basico-e-sua- relacao-com-meio-ambiente>. Acesso em: 13 jun. 2018. INSTITUTO TRATA BRASIL. A importância da política de saneamento básico. 2018. Dispo- nível em: http://www.tratabrasil.org.br/blog/2016/06/06/a-importancia-da-politica- de-saneamento-basico/. Acessado em: 19 de maio de 2018. MARENGO, J. A., Água e mudanças climáticas. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2008. PEREIRA JÚNIOR, J. de S. Aplicabilidade da lei 11.445/2007: diretrizes nacionais para o saneamento básico. Brasília, DF, 2008. Disponível em: <http://www.daaerioclaro. sp.gov.br/arquivos/regulacao/04-A-aplicacao-da-Lei-de-Saneamento-2.pdf>. Acesso em: 21 maio 2018. ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. (Org.). Meio ambiente e sustentabi- lidade. Porto Alegre: Bookman, 2012. TOMAZ, P. Economia de água: para empresas e residenciais. São Paulo: Navegar, 2001. VON SPERLING, M. V. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed. Belo Horizonte: UMFG, 2005. (Princípios do tratamento biológico de águas residuárias, 1). Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico – Parte II16 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta tópicos importantes preconizados na Lei no 11.445/07 e relacionados aos quatro eixos do saneamento: abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e drenagem de águas superficiais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Conforme o Art. 2o da Lei 11.445/07, os serviços públicos de saneamento básico serão prestados com base nos seguintes princípios fundamentais: A) utilização de tecnologias apropriadas, considerando apenas a capacidade de pagamento dos usuários. B) abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente. C) disponibilidade, em todas as áreas rurais, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado. D) integração das infraestruturas e produtos com a gestão eficiente dos recursos hídricos. E) adoção de métodos, técnicas e processos que considerem apenas as peculiaridades locais. 2) Para os efeitos da Lei no 11.445/2007, considera-se saneamento básico o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: abastecimento de água potável, constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações A) necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e os respectivos instrumentos de medição. B) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e de vias públicas. C) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, sendo o conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. D) a universalização, sendo a ampliação progressiva do acesso de todos os domicílios ocupados ao saneamento básico, localizados em zonas rurais. E) localidade de pequeno porte, como vilas, aglomerados rurais, povoados, núcleos, lugarejos, exceto as aldeias, assim definidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 3) Para os efeitos da Lei no 11.445/2007, assinale a alternativa que define corretamente esgotamento sanitário. A) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. B) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. C) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. D) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de tratamento dos esgotos sanitários desde as ligações prediais até a metade do processo. E) O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações de transporte desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente. 4) Conforme Capítulo IV - Do Planejamento - Lei no 11.445/07, Art. 19, a prestação de serviços públicos de saneamento básico observará plano, que poderá ser específico para cada serviço, o qual abrangerá, no mínimo: A) O plano não poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve sim abranger no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; Objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; Programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; Ações para emergências e contingências; Mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficácia das ações programadas. B) O plano, poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve, sim, abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto e longo prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos eas metas; ações para emergências e contingências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. C) O plano poderá ser específico para cada serviço, sendo que deve, sim, abranger, no mínimo, o diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para contingências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. D) O diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto prazo para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para emergências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e da eficácia das ações programadas. E) O diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, utilizando sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos e apontando as causas das deficiências detectadas; objetivos e metas de curto, médio e longo prazos para a universalização; programas, projetos e ações necessárias para atingir os objetivos e as metas; ações para emergências e contingências; mecanismos e procedimentos para a avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações programadas. 5) Conforme Capítulo IX - Da Política Federal de Saneamento Básico - Lei no 11.445/07, Art. 48. A União, no estabelecimento de sua política de saneamento básico, observará as seguintes diretrizes: A) Adoção de uma referência para o planejamento das ações, exceto a bacia hidrográfica. B) Prioridade para as ações que promovam a equidade social e territorial no acesso ao saneamento básico. C) Melhoria da qualidade de vida e das condições ambientais. D) Utilização de indicadores epidemiológicos e de desenvolvimento social no planejamento das suas ações de saneamento básico. E) Fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, à adoção de tecnologias apropriadas. NA PRÁTICA Veja o exemplo, na prática, de um projeto viável, que traça diretrizes a respeito da limpeza urbana de um município, começando, primeiro, por um grande bairro, a fim de testar a eficiência da iniciativa: O descarte irregular será proibido tanto em áreas públicas quanto em particulares. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Lei no 11.445, de 5 de janeiro de 2007: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! LEITE, Carlos. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes: desenvolvimento sustentável num planeta urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012. Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo APRESENTAÇÃO A qualidade da água e do solo é fator importante para a saúde da população e do meio ambiente, uma vez que todas as formas de vida existentes na Terra dependem da água, que é recurso fundamental para a existência da vida. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o uso de indicadores biológicos no monitoramento da qualidade da água e do solo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar a importância da qualidade da água e do solo.• Reconhecer a legislação aplicada à qualidade da água e do solo.• Indicar fatores importantes na escolha de uso de indicadores para o monitoramento da qualidade da água e do solo. • DESAFIO Você é gestor ambiental e está trabalhando em uma estação de tratamento de água (ETA) para posterior distribuição de um dado do município à população. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir apresenta um esquema sintético do funcionamento do biomonitoramento da qualidade da água e do solo. O biomonitoramento feito por meio do uso de macroinvertebrados bentônicos como bioindicadores é perfeitamente aceito como ferramenta na avaliação da qualidade da água. CONTEÚDO DO LIVRO "Poluição da água" é o título do capítulo 7 do livro "Química ambiental" (9ª edição), obra utilizada como base teórica para esta Unidade de Aprendizagem. É neste capítulo que você vai iniciar sua leitura: desde a natureza e os tipos de poluentes aquáticos até os tipos de semimetais e metais que poluem a água. O último tópico indicado para leitura é o 7.5: "Os metais e semimetais organicamente ligados". Boa leitura. Ronei Tiago Stein MEIO AMBIENTE Revisão técnica: Vanessa de Souza Machado Mestre e Doutora em Ciências Graduada em Ciências Biológicas Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB – 10/2147 M499 Meio ambiente [recurso eletrônico] / Ronei Tiago Stein ... [et al.]; [revisão técnica : Vanessa de Souza Machado]. – Porto Alegre : SAGAH, 2018. ISBN 978-85-9502-573-8 Engenharia de produção. 2. Meio ambiente. I. Stein, Ronei Tiago. CDU 502 Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Explicar a importância da qualidade da água e do solo. � Reconhecer a legislação aplicada à qualidade da água e do solo. � Indicar fatores importantes na escolha de indicadores para o moni- toramento da qualidade da água e do solo. Introdução A qualidade da água e do solo é um fator muito importante para a saúde da população e do meio ambiente, uma vez que todas as formas de vida existentes na Terra dependem da água. O fato de a maioria das cidades estarem localizadas junto a rios e ma- nanciais gera aumento na poluição dessas águas devido ao uso intenso, à destinação imprópria dos esgotos e ao lançamento de resíduos indus- triais nesses efluentes. Também é importante ressaltar a importância da qualidade dos solos para a distribuição, manutenção e qualidade da água dos reservatórios. Para fiscalizar e estabelecer os parâmetros adequados de qualidade das águas e dos solos, contamos com leis específicas, a fim de padronizar métodos de tratamento e de classificação. Neste capítulo, além de compreender a importância da qualidade da água e do solo, você vai estudar o uso de indicadores biológicos no monitoramento da sua qualidade. Importância da qualidade da água e do solo É essencial proteger a água das fontes poluidoras, já que vida e água possuem uma importante dependência relacionada ao dia a dia da sociedade. Na prática, a água é uma substância fundamental para os seres vivos, atuando como veículo de assimilação e eliminação de muitas substâncias pelos organismos, além de servir para manter estável a temperatura corporal (TELLES; COSTA, 2007). Embora o planeta tenha três quartos de sua superfície coberta por água, é necessário considerar que apenas uma parcela dessa quantidade pode ser aproveitada para atividades humanas, ou seja, apenas uma pequena parte desse total refere-se à água doce (MIERZWA; HESPANHOL, 2005). A água pura é um líquido incolor, inodoro, insípido e transparente. Con- tudo, por ser considerada um dos melhores solventes existentes, raramente é encontrada em estado absoluto de pureza. Dos elementos químicos que se tem conhecimento, a maioria é encontrada em águas naturais de alguma maneira. Em relação às fontes de poluição das águas, é importante mencionar que um dos fatores que mais impacta essa problemática é a concentração da maioria das cidades próxima a rios e mananciais, desencadeando um duplo impacto negativo para os recursos hídricos: a intensificação do uso e o aumento da poluição. Os recursos hídricos (como rios, reservatórios, praias e baías) nas proximidades das áreas urbanas encontram-sepoluídos, principalmente, em decorrência do destino inadequado dado a esgotos, efluentes industriais e resíduos sólidos. Grandes rios, e mesmo pequenos córregos, que atravessam as áreas urbanas são, muitas vezes, usados como receptores de águas servidas e depósitos de lixo. Além de problemas de poluição e de proliferação de vetores, por ocasião de chuvas intensas, esses cursos de água costumam transbordar, ampliando os problemas sanitários e ambientais. As fontes de poluição dos recursos hídricos podem ser de dois tipos distintos, segundo Meybeck (2004): � Pontuais: o lançamento dos resíduos domésticos e industriais restrin- gem-se a um simples ponto, facilitando o sistema de coleta por meio de redes ou canais. � Difusas: são caracterizadas por apresentarem múltiplos pontos de descarga resultantes do escoamento em áreas urbanas (ou mesmo rurais/ agrícolas), e ocorrem durante os períodos de chuva, atingindo con- centrações bastante elevadas dos poluentes. A redução dessas fontes, geralmente, requer mudanças nas práticas de uso da terra e na melhoria de programas de educação ambiental. Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo128 Richter e Neto (1991) comentam que a água possui características físicas, químicas e bacteriológicas, determinadas por uma série de parâmetros. Antes de analisar e identificar os parâmetros, é preciso saber para qual fim será utilizada esta água. Características físicas da água: cor, turbidez, sabor e odor, temperatura e condu- tividade térmica. Características químicas da água: pH, presença de gases dissolvidos na água (como O 2 e CO 2 ), alcalinidade, acidez, dureza, cloretos, sulfatos e sólidos totais, impurezas orgânicas e nitratos, oxigênio dissolvido, demanda de oxigênio. Antes de discutirmos sobre a importância da qualidade dos solos, é ne- cessário compreender o que são solos. O solo pode ser definido como um material solto e macio que recobre a superfície da terra, porém, apresenta muitas variações, tanto em relação à espessura como em relação às suas características, como cor, quantidade e organização das partículas que o compõe como, por exemplo, areia, silte, argila, entre outros. O solo é composto basicamente de minerais provenientes da degradação das rochas e de material orgânico de origem vegetal e/ou animal. O processo de origem dos solos é chamado de pedogênese. Todo o processo de formação do solo começa com a desagregação e a decomposição de rochas. Em contato com a atmosfera, as rochas têm sua composição química e suas características físicas alteradas pela ação do calor do sol, da água das chuvas, dos ventos e de outros fatores ambientais. Em outras palavras, as rochas sofrem intemperismos físicos e químicos. 129Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo Segundo Coelho et al. (2017), os solos apresentam cinco funções básicas no ambiente, que são: 1. O solo sustenta o crescimento das plantas, além de fornecer suporte mecânico, água e nutrientes para as raízes que, por sua vez, distribuem para a planta inteira e são essenciais para sua existência. As caracte- rísticas dos solos podem determinar os tipos de vegetação que neles se desenvolvem, sua produtividade e, de maneira indireta, o número e tipos de animais (incluindo pessoas) que podem ser sustentados por essa vegetação. 2. As características dos solos determinam o destino da água na superfície da Terra, essencial para a nossa sobrevivência. A perda de água, sua utilização, contaminação e purificação estão relacionadas à qualidade do solo. Se pensarmos que grande parte da água doce existente no planeta (rios, lagos e aquíferos) ou já escorreu na superfície do solo ou já viajou através dele, percebemos a importância dos solos na distribuição, manutenção e qualidade da água dos nossos reservatórios, bem como na manutenção da vida na Terra. 3. O solo desempenha um papel essencial na reciclagem de nutrientes e na destinação dos corpos de animais (incluindo o homem) e restos de plantas que morrem na superfície da Terra. Se esses corpos e resíduos não tivessem sido assimilados pelo solo, reincorporados e convertidos em matéria orgânica ou húmus do solo (reciclagem), plantas e animais teriam esgotado seus alimentos anos atrás. 4. O solo é o habitat de muitos organismos. Um punhado de solo pode conter bilhões de organismos vivos e mortos, que influenciam as carac- terísticas do solo, como a porosidade, que é responsável pelo movimento e pela manutenção de água e ar no solo. 5. Os solos não fornecem apenas o material (tijolos, madeira) para a construção de nossas casas e edifícios, mas proporcionam a fundação, a base para todas as estradas, aeroportos, casas e edifícios erguidos pelo homem. Apesar de a utilização mais evidente do solo ser o cultivo de plantas para a produção de alimentos, ele tem outras funções na manutenção da sustentabili- dade. Ele retém água, regula recursos hídricos e atua como meio de filtração e condução de água da precipitação para os aquíferos subterrâneos; tem papel Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo130 na reciclagem de matérias-primas e nutrientes, além de ser habitat para uma variedade de organismos, sobretudo os fungos e as bactérias. Outro aspecto é sua interface com a antroposfera, onde representa uma variável importante na engenharia, pois é escavado, transferido e terraplanado para a construção de estradas, barragens e outras obras (MANAHAN, 2014). O autor menciona que, em relação à poluição, os solos são receptores de grandes quantidades de poluentes como, por exemplo, o material particulado lançado pelas chaminés de usinas termelétricas de energia. Fertilizantes, pesticidas e outros materiais aplicados ao solo, muitas vezes, contribuem para a poluição da água e do ar. Portanto, o solo é um componente-chave nos ciclos químicos ambientais e parte importante do capital natural da Terra. Santos e Daibert (2014) descrevem que a poluição do solo ocorre devido à contaminação por substâncias capazes de provocar alterações significativas em sua estrutura natural. Para que os alimentos colhidos sejam de qualidade e em quantidade suficiente para atender às necessidades da população, o solo deve ser fértil, ou seja, deve ser saudável e produtivo. Quando o solo é poluído, os alimentos nele cultivados ficam contaminados. Ainda de acordo com Santos e Daibert (2014), o solo tem em sua composição: ar, água, matéria orgânica e mineral. Essa estrutura possibilita o desenvolvimento das mais diversas espécies de plantas que conhecemos. Do solo é retirado, direta ou indiretamente, a maior parte dos alimentos consumidos pela humanidade e, se estiver contaminado, certamente a saúde das pessoas e dos animais também estará́ em risco. De acordo com Barsano, Barbosa e Viana (2014), existem muitas doenças que, direta ou indiretamente, estão relacionadas com o solo. As mais conhecidas são: tétano, ancilostomose (amarelão), teníase, ascaridíase (lombriga) e oxiúricas. É importante ressaltar que existe diferença entre uma área degradada e uma área contaminada. A área degradada é uma área onde ocorreram processos de alteração das propriedades físicas e/ou químicas de um ou mais compartimentos do meio ambiente. Uma área contaminada é aquela que contém: 131Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo […] substâncias ou resíduos em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana, ao meio ambiente ou a outro bem a proteger, que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural (BRASIL, c2018, documento on-line). Assim, uma área contaminada pode ser considerada um caso particular de uma área degradada, onde ocorrem alterações, principalmente, das proprie- dades químicas. A Figura 1 apresenta um exemplo de uma área contaminada e uma área degradada. Figura 1. (a) Área degradada. (b) Área contaminada devido à deposição de resíduossobre o solo. Fonte: Adaptada de (a) Alf Manciagli/Shutterstock.com; (b) Mikadun/Shut- terstock.com. Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo132 Os maiores cuidados referem-se à contaminação do solo, pois estão rela- cionados com os seguintes problemas: � Riscos à saúde humana: exposição a poluentes químicos perigosos; acúmulo de gases em residências a partir de solos e águas subterrâneas contaminadas por substâncias voláteis. � Danos aos ecossistemas: contaminação das águas superficiais e sub- terrâneas, utilizadas para abastecimento público e dessedentação de animais. � Limitações dos usos possíveis do solo: restrições ao desenvolvimento urbano/agrícola e redução do valor imobiliário das propriedades. Em relação às fontes de poluição do solo nos centros urbanos, Abiko e Moraes (2009) descrevem que a poluição ocorre, basicamente, de duas formas: devido às atividades humanas que provocam alterações em suas características e ao lançamento de resíduos no solo. Entre essas fontes de poluição, temos: � aplicação de agentes químicos (p. ex., defensivos e pesticidas agrícolas); � presença de dejetos oriundos de animais; � despejos de resíduos sólidos que, em muitos casos, são lançados no ambiente de forma incorreta; � lançamento de resíduos líquidos, domésticos ou industriais; � atividades que possam resultar em erosão do solo (p. ex., desmatamento e queimadas). Legislação aplicada para garantir a qualidade da água e do solo A qualidade da água está relacionada diretamente com a qualidade de vida das pessoas e com o meio ambiente. Se a água estiver inadequada ao consumo humano, poderá se comportar como um dos principais veículos de transmissão de doenças (PRATTE-SANTOS; TERRA; BARBIÉRI, 2008). Outro fator importante é que a qualidade das águas é fundamental para a manutenção dos sistemas aquáticos. Qualquer alteração que ocorra poderá causar prejuízos ambientais e econômicos enormes, como a redução da atividade pesqueira, o aumento do custo de aquisição da água e do tratamento, além de perdas sociais, como a proibição de atividades de recreação em recursos hídricos (BILICH; LACERDA, 2005). 133Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo De acordo com o Artigo 7º da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) nº 357/05 (BRASIL, 2005), os padrões de qualidade das águas visam estabelecer limites individuais para cada substância em cada classe. Não poderão conferir às águas características capazes de causar efeitos letais ou alteração de comportamento, reprodução ou fisiologia da vida, bem como, de restringir os usos preponderantes previstos. As variáveis que determinam a qualidade requerida das águas estão defi- nidas nas concentrações máximas permitidas para determinadas substâncias, conforme especificado nas Resoluções CONAMA nº 357/05, 396/08 (BRA- SIL, 2008) e 430/2011 (BRASIL, 2011), que dispõem sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e super- ficiais, e estabelecem as condições e os padrões de lançamento de efluentes. Os indicadores da qualidade da água são separados sob os aspectos físicos, químicos e biológicos. O Quadro 1 apresenta os principais parâmetros que devem ser investigados em águas, a fim de determinar sua qualidade. Sobre a legislação que garante a qualidade dos solos, é imprescindível mencionar a Resolução nº 420/09. Essa resolução dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas. Além disso, descreve que, na ocorrência comprovada de concentrações na- turais de substâncias químicas que possam causar risco à saúde humana, os órgãos competentes deverão desenvolver ações específicas para a proteção da população exposta (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2009). Porém, é preciso destacar a importância do plano diretor, instituído pela Constituição Federal de 1988 que o define como “instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana”, regulamentado pela Lei Federal n.º10.257/01, mais conhecida como Estatuto da Cidade (BRASIL, 2001), pelo Código Florestal — Lei n.º4.771/65 (BRASIL, 1965) e pela Lei de Parcelamento do Solo Urbano — Lei n.º 6.766/79 (BRASIL, 1979). O Plano Diretor é o eixo da política de desenvolvimento do Município. Sua principal finalidade é orientar a atuação do poder público e da iniciativa privada na construção dos espaços urbanos e rurais na oferta dos serviços públicos essenciais, visando assegurar melhores condições de vida para a população. Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo134 Os Estados e Municípios podem apresentar legislações mais restritivas em comparação às legislações federais, tanto para a qualidade dos solos como da água. Além disso, podem haver legislações específicas para algumas atividades, como a mineração. O estado de São Paulo possui três legislações importantes: � Resolução SMA nº 42/96: disciplina o licenciamento ambiental das atividades mine- rárias de extração de areia na Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul (BRASIL, 1996). � Resolução SMA nº 69/97: dispõe sobre a extração de areia e argila vermelha na bacia hidrográfica do rio Jaguari Mirim (BRASIL, 1997). � Resolução SMA nº 3/99: dispõe sobre procedimentos para o licenciamento am- biental de atividades minerárias (BRASIL, 1999). Fatores importantes na escolha de bioindicadores para água e solo A crescente degradação ambiental tem impulsionado a busca por indicadores sensíveis de qualidade do solo, tanto para a avaliação pontual de um ecossis- tema, como para predizer quais práticas podem favorecer a recuperação do solo (SANTOS; MAIA, 2013). De acordo com Manahan (2014), os bioindicadores de poluição aquática são organismos que vivem ou estão intimamente associados a corpos hídricos, e fornecem evidências de poluição, tanto pela acumulação de poluentes aquáticos, ou seus metabólitos, quanto pelos efeitos devidos à exposição a esses poluentes. De acordo com Zamoner (2007, documento on-line): [...] bioindicadores são fatores bióticos empregados para o reconheci- mento de condições (passadas, presentes ou futuras) de ecossistemas. As espécies estão adaptadas para sobreviver, se reproduzir e realizar relações ecológicas em condições ambientais específicas. Desta forma, a presença de cada tipo de ser vivo indica características físicas, químicas e estruturais do ambiente em que ele se encontra. 135Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo C a ra ct e rí st ic a s P a râ m e tr o s Á g u a s p a ra a b a st e ci m e n to Á g u a s re si d u á ri a s C o rp o s re ce p to re s Á g u a s u p e rf ic ia l Á g u a s u b te rr â n e a B ru ta T ra ta d a R io L a g o B ru ta T ra ta d a B ru ta T ra ta d a P a râ m e tr o s fí si co s C o r X X X X X X Tu rb id ez X X X X X X Sa b o r e o d o r X X X X Te m p er at u ra X X X X X P a râ m e tr o s q u ím ic o s p H X X X X X X X A lc al in id ad e X X X A ci d ez X X D u re za X X Fe rr o e m an g an ês X X X X C lo re to s X X N it ro g ên io X X X X X X X X Q u a d r o 1 . Pr in ci p ai s p ar âm et ro s a se re m in ve st ig ad o s em u m a an ál is e d e ág u a (C o n ti n u a ) Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo136 F o n te : A d ap ta d o d e Vo n S p er lin g (2 0 05 ). C a ra ct e rí st ic a s P a râ m e tr o s Á g u a s p a ra a b a st e ci m e n to Á g u a s re si d u á ri a s C o rp o s re ce p to re s Á g u a s u p e rf ic ia l Á g u a s u b te rr â n e a B ru ta T ra ta d a R io L a g o B ru ta T ra ta d a B ru ta T ra ta d aFó sf o ro X X X X O xi g ên io d is so lv id o X X X M at ér ia o rg ân ic a X X X X M ic ro p o lu en te s in o rg ân ic o s (d iv er so s) X X X X X X X X M ic ro p o lu en te s o rg ân ic o s (d iv er so s) X X X X X X X X P a râ m e tr o s b io ló g ic o s O rg an is m o s in d ic ad o re s X X X X X X X X A lg as (d iv er sa s) X X X Ba ct ér ia s d ec o m p o si to ra s (d iv er sa s) X Q u a d r o 1 . Pr in ci p ai s p ar âm et ro s a se re m in ve st ig ad o s em u m a an ál is e d e ág u a (C o n ti n u a çã o ) 137Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo Os bioindicadores mais utilizados são aqueles capazes de diferenciar os- cilações naturais (p. ex., mudanças fenológicas, ciclos sazonais de chuva e seca) e estresses antrópicos. Os peixes são os bioindicadores mais comuns da poluição de ambientes aquáticos, e seus tecidos adiposos (gordura) são os mais analisados para detectar poluentes orgânicos persistentes nesses ambientes. Existem tipos diferentes de bioindicadores: � Sentinelas: introduzidas para indicar níveis de degradação e prever ameaças ao ecossistema. � Detectores: são espécies locais que respondem a mudanças ambientais de forma mensurável. � Exploradoras: reagem positivamente a perturbações. � Acumuladoras: permitem a verificação de bioacumulação. � Sensíveis: modificam acentuadamente o comportamento. Todos os grupos podem ser bioindicadores, mas os melhores organismos para o monitoramento biológico são os macroinvertebrados por serem de simples amostra e extrema eficácia e por apresentarem tolerâncias e sensibi- lidades variadas. Macroinvertebrados bentônicos são organismos (insetos) aquáticos (fase de larva ou adulto), Annelidas (p. ex., minhocas) e moluscos (p. ex., caramujos) de hábito bentônico, ou seja, que habitam o fundo (sedimento) de rios e lagos aderidos a pedras, cascalhos e folhas ou enterrados na lama ou areia. São exemplos de macroinvertebrados bentônicos larvas de mosquitos (insetos), como os pertencentes à família Chironomidae (Ordem: Diptera), e minhocas d’água, pertencentes à classe Oligochaeta (Annelida). São exemplos de organis- mos sensíveis à poluição ou à degradação dos ecossistemas aquáticos, insetos aquáticos pertencentes às Ordens Plecoptera, Ephemeroptera e Trichoptera e, por serem sensíveis, são utilizados como bioindicadores para avaliar a qualidade de água. Os macroinvertebrados bentônicos são classificados quanto à sua tolerância a mudanças na qualidade das águas, e podem ser encontrados em ecossistemas aquáticos naturais, alterados e/ou impactados. Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo138 O uso de bioindicadores tem as seguintes vantagens: � são um método simples, rápido e de baixo custo; � são muito eficazes, pois fornecem resultados rápidos caso haja algum problema ambiental; � apresentam resultados rápidos na identificação das causas e dos prováveis efeitos de um problema ambiental; � permitem avaliar a efetividade de ações mitigadoras tomadas para contornar os problemas criados pelo homem. De acordo com a Moura e Silva (2017), o biomonitoramento só pode ser aplicado depois que as ferramentas que serão utilizadas forem selecionadas, ou seja, deve-se escolher os bioindicadores com cuidado. Os macroinvertebrados bentônicos são animais que vivem associados ao fundo de rios, lagos, lagoas e reservatórios em, pelo menos, uma fase de seu ciclo vital, e são retidos por tamanho de malha, de 200 a 500 micrômetros. Esse grupo é composto por vermes, crustáceos, moluscos e insetos. Eles constituem uma importante fonte alimentar para os peixes, são valiosos indicadores da degradação ambiental, além de influenciarem a ciclagem de nutrientes, a produtividade primária e a decomposição. Por apresentarem vantagens sobre a avaliação físico-química, como o fato de serem relativamente sedentários, de estarem localizados nos sedimentos, por serem capazes de registrar um longo tempo de impactos e de testemunhar os efeitos de diversos poluentes, esses animais têm sido amplamente utilizados como bioindicadores de qua- lidade de água no monitoramento de reservatórios, trechos de importantes bacias hidrográficas, sob diferentes níveis de impacto antrópico e na saúde de ecossistemas (MOURA E SILVA, 2017, documento on-line). Pode-se citar como principais bioindicadores: � Para a qualidade da água: protozoários, pois são abundantes, apre- sentam breve tempo de multiplicação, sensibilidade a alterações na cadeia trófica e fácil manutenção em laboratórios. � Para poluentes do solo: bactérias, fungos e invertebrados que desem- penhem o papel de bioindicador — tais organismos colaboram para a verificação da qualidade do solo quanto a seus atributos físicos, químicos e biológicos necessários. 139Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo A avaliação por meio do biomonitoramento deve ser feita em conjunto com a avaliação físico-química (tanto da água como do solo), uma vez que os organismos respondem a fatores abióticos. 1. Qual função a seguir não se relaciona com as funções do solo? a) Proteger as águas superficiais e subterrâneas. b) Agir como filtro seminatural e como meio de adsorção, degradação e transformação de substâncias químicas e organismos. c) Servir como meio básico para a sustentação da vida. d) Servir de habitat para pessoas, animais, plantas e outros organismos vivos. e) Manter o ciclo da água e de nutrientes. 2. Com base na legislação CONAMA nº 420/2009, qual é o conceito de avaliação preliminar? a) Uma avaliação inicial, como o nome já caracteriza, realizada com base nas informações históricas e na inspeção do local. b) Uma avaliação em que são identificadas as áreas contaminadas. c) Uma etapa do processo de gerenciamento de áreas contaminadas. d) Uma etapa em que se faz a medição ou a verificação dos contaminantes, que pode ser contínua ou periódica. e) Uma das ações de intervenção para a reabilitação de área contaminada. 3. Conforme a legislação, são definidas classes de qualidade dos solos de acordo com a concentração de substâncias químicas. Qual caracterização a seguir está relacionada à Classe 1? a) Solos com concentrações de pelo menos uma substância química maior do que o valor de investigação. b) Solos com natureza alterada pelas condições de contaminação causadas pelas diversas substâncias presentes na água. c) Solos com concentrações de, pelo menos, uma substância química maior do que o valor de referência de qualidade (VRQ) e menor ou igual ao valor de prevenção. d) Solos com concentrações de substâncias químicas menores ou iguais ao VRQ. e) Solos com concentrações de, pelo menos, uma substância Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo140 ABIKO, A.; MORAES, O. B. Desenvolvimento urbano sustentável. Texto Técnico, São Paulo, n. 26, 2009. Disponível em: <http://www.pcc.usp.br/files/files/alex/TT26De- sUrbSustentavel.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2018. BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P.; VIANA, V. J. Poluição ambiental e saúde pública. São Paulo: Érica, 2014. BILICH, M. R.; LACERDA, M. P. C. Avaliação da qualidade da água do Distrito Federal (DF), por meio de geoprocessamento. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 12., 2005, Goiânia. Anais..., Goiânia, INPE, 16-21 abr. 2005, p. 2059-2065. Dispo- nível em: <http://marte.sid.inpe.br/attachment.cgi/ltid.inpe.br/sbsr/2004/11.18.18.26/ doc/2059.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 357.000, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Ministério do Meio Ambiente. Disponívelem: <http:// www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 396.000, de 3 de abril de 2008. Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências. Ministério do Meio Ambiente. Dispo- nível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res08/res39608.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 420.000, de 28 de de- zembro de 2009. Dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerencia- mento ambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em decorrência de atividades antrópicas. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.mma. gov.br/port/conama/res/res09/res42009.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2018. química maior do que o valor de prevenção e menor ou igual ao valor de investigação. 4. Qual bactéria pode causar infecções cutâneas quando está presente na água? a) Staphylococcus aureus. b) Leptospira. c) Pseudomonas aeruginosa. d) Vibrio cholerae. e) Salmonella spp. 5. Qual microrganismo a seguir não está relacionado com a medição de potabilidade da água? a) Estafilococos. b) Clostrídios. c) Baixas concentrações de leveduras. d) Enterococos. e) Bactérias heterotróficas. 141Indicadores microbianos: qualidade da água e do solo BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 430.000, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, comple- menta e altera a Resolução n o 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/port/conama/res/res11/res43011.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Constituição (1988). Casa Civil - Presidência da República. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/Ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965. Institui o novo Código Florestal. Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012. Casa Civil - Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l4771.htm>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979. Dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano e dá outras Providências. Casa Civil - Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l6766.htm>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras pro- vidências. Casa Civil - Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/Ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10257.htm>. Acesso em: 27 jun. 2018. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Áreas contaminadas. c2018. 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B) Agir como filtro seminatural e como meio de adsorção, degradação e transformação de substâncias químicas e organismos. C) Servir como meio básico para a sustentação da vida. D) Servir de habitat para pessoas, animais, plantas e outros organismos vivos. E) Manter o ciclo da água e de nutrientes. 2) Com base na legislação CONAMA no 420/2009, o conceito de avaliação preliminar é: A) Uma avaliação inicial, como o nome já caracteriza, realizada com base nas informações históricas e na inspeção do local. B) Uma avaliação em que se identificam as áreas contaminadas. C) Uma etapa do processo de gerenciamento de áreas contaminadas. D) Uma etapa em que se faz a medição ou a verificação dos contaminantes, que pode ser contínua ou periódica. E) Uma das ações de intervenção para a reabilitação de área contaminada. 3) Conforme legislação, são definidas classes de qualidade dos solos segundo a concentração de substâncias químicas. Qual caracterização a seguir está relacionada à Classe 1? A) Solos com concentrações de pelo menos uma substância química maior do que o valor de investigação. B) Solos com natureza alterada pelas condições de contaminação causadas pelas diversas substâncias presentes na água. C) Solos com concentrações de pelo menos uma substância química maior do que o valor de referência de qualidade (VRQ) e menor ou igual ao valor de prevenção. D) Solos com concentrações de substâncias químicas menores ou iguais ao VRQ. E) São solos com concentrações de pelo menos uma substância química maior do que o valor de prevenção e menor ou igual ao valor de investigação. 4) Qual bactéria pode causar infecções cutâneas quando está presente na água? A) Staphylococcus aureus. B) Leptospira. C) Pseudomonas aeruginosa. D) Vibrio cholerae. E) Salmonella spp. 5) Qual microrganismo a seguir NÃO está relacionado com a medição de potabilidade da água? A) Estafilococos B) Clostrídios C) Baixas concentrações de leveduras D) Enterococos E) Bactérias heterotróficas NA PRÁTICA Uma unidade de tratamento da água para consumo humano utilizabioindicadores. Um exemplo prático é o controle de microrganismos do grupo coliforme. Para exemplificar, há uma metodologia que está exposta na Portaria nº 518/MS/05, que recomenda a detecção de Escherichia coli. Nesse sentido, a referida portaria cita dois níveis que devem ser seguidos para a determinação de águas potáveis: Portanto, periodicamente a análise de Escherichia coli determina a potabilidade da água de abastecimento público. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Dimensionamento de Redes de Distribuição de Água APRESENTAÇÃO A água é essencial para toda espécie de ser vivo no planeta terra. Ela está tão inserida no nosso dia a dia que é praticamente impossível imaginar nossa vida sem ela. Buscando facilitar o acesso à água aos humanos, são desenvolvidos sistemas de abastecimento de água, que servem para suprir a necessidade que temos dela de forma prática. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender como os condutos se associam, possibilitando abastecer uma comunidade com água; como a rede de distribuição está inserida dentro do sistema de abastecimento de água e como dimensionar uma rede de distribuição de água. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Associar condutos em série e em paralelo.• Calcular a vazão de dimensionamento.• Dimensionar uma rede de distribuição de água.• DESAFIO Ao se deparar com sistemas existentes de abastecimento de água ou concepções de projeto, o mais importante é saber a vazão e a perda de carga em cada trecho. Este Desafio apresenta uma situação hipotética e complexa em que o objetivo é saber a vazão e a perda de carga em todos os trechos de uma grande associação de condutos. Esta é uma situação pertinente e também é o primeiro estudo a se fazer em qualquer rede de abastecimento de água que necessite de alguma melhoria ou análise. Então, sabendo que a vazão que entra no sistema a seguir é de 0,015 m3/s, calcule a vazão e a perda de carga em todos os demais trechos. Desconsidere a perda de carga localizada. INFOGRÁFICO Tanto para cálculos teóricos quanto para substituições reais, o conceito de conduto equivalente é importante. Um conduto é equivalente a outro se ele transportar a mesma vazão com a mesma perda de carga. Isso significa que é possível substituir três (ou mais) trechos de um sistema em paralelo por um único conduto de apenas um diâmetro. Por exemplo, caso minha rede esteja velha, a nova instalação gastará menos material e ocupará menos espaço. CONTEÚDO DO LIVRO No capítulo selecionado a seguir, veja o que é necessário saber para poder dimensionar uma rede de distribuição de água. O acesso à água é um direito de todo cidadão, e cabe ao engenheiro civil que isso se cumpra de forma eficaz, econômica e sem prejudicar a natureza. É uma responsabilidade e tanto! Boa leitura! SANEAMENTO Lélis Espartel Dimensionamento de redes de distribuição de água Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Associar condutos em série e em paralelo. � Calcular a vazão de distribuição. � Dimensionar uma rede de distribuição de água. Introdução A água é essencial para toda espécie de ser vivo no planeta Terra. Ela está tão inserida no nosso dia a dia, que é praticamente impossível imaginar nossa vida sem ela. Para facilitar o acesso à água aos humanos, são de- senvolvidos sistemas de abastecimento de água, que servem para suprir, de forma prática, a necessidade que temos de água. Neste capítulo você vai ver como os condutos se associam para permitir o abastecimento de água a uma comunidade. Você também vai aprender a como dimensionar uma rede de distribuição de água. Associação de condutos O primeiro passo para você entender uma rede de distribuição de água (RDA) é conhecer as duas formas nas quais diferentes condutos podem se associar: em série ou em paralelo. Condutos em série Um conduto está em série quando ele é formado por trechos que diferem pelo diâmetro, pela rugosidade, ou por ambos. O fim de um trecho (extremidade a jusante) é conectado ao início de outro (extremidade a montante), conforme você pode ver na Figura 1. Figura 1. Conduto em série, escoamento fluindo de A para B através de 3 trechos que diferem no diâmetro. Fonte: White (2010, p. 404). 1 2 3 BA Hidráulica aplicada2 O que você precisa saber em uma associação de condutos em série é que a vazão que passa em cada trecho é constante. Logo, na Figura 1, temos que: Q TOTAL = Q 1 = Q 2 = Q 3 Sabemos, pela equação da continuidade, que Q = VA. A área A é função do diâmetro D, que é diferente em cada seção. V 1 A 1 = V 2 A 2 = V 3 A 3 Para manter a vazão constante, a velocidade do escoamento se altera, sendo inversamente proporcional à área. Assim, se a área da seção transversal aumenta, a velocidade diminui, e vice-versa. Dessa forma, é possível garantir que será transportada sempre a mesma vazão, independentemente do trecho. A perda de carga (h p ) de um conduto em série é igual ao somatório da perda de carga de cada trecho. Portanto: h p TOTAL = h p1 + h p2 + h p3 Para calcular a perda de carga, você deve considerar a parcela linear e a parcela oriunda das singularidades. Existem singularidades, como reduções, que são responsáveis pela troca de diâmetro entre um trecho e outro. Essas singularidades devem ter seu h p SINGULAR calculado sempre em função da maior velocidade, ou seja, do menor diâmetro. 3Dimensionamento de redes de distribuição de água Condutos em paralelo Um conduto está em paralelo quando mais de um trecho partem de um nó e chegam até outro nó, conforme a Figura 2. Figura 2. Conduto em paralelo, escoamento fluindo através de 3 trechos que partem, ao mesmo tempo, do nó A e se reencontram no nó B. Fonte: White (2010, p. 404). 1 3 B 2 A O que você precisa saber em uma associação de condutos em paralelo é que existe uma perda de carga entre A e B. Essa perda de carga é constante, independentemente do trecho pelo qual o escoamento flui. Logo: h pAB = hp1 = hp2 = hp3 A vazão que parte do nó A se divide em função das características da tubulação e do escoamento, como diâmetro, rugosidade e velocidade. Logo: Q A = Q 1 + Q 2 + Q 3 = QB Hidráulica aplicada4 Em resumo: as perdas de carga em trechos paralelos são iguais entre si. Já a vazão é resultante da soma das vazões em cada trecho. Vazão de distribuição A pergunta essencial que você tem de responder para dimensionar uma rede de abastecimento é: quantos litros de água você precisa distribuir para essa população? A resposta real dessa pergunta não é um número exato, pois a necessidade das pessoas varia ao longo do dia, de acordo com suas rotinas. Normalmente se gasta mais água lá pelas 7 horas da manhã, por causa da necessidade de se arrumar para sair de casa; ao meio-dia, pois é o momento da realização da principal refeição do brasileiro; e, principalmente, por volta das 19 horas, que é quando a maioria da população retorna para suas casas. O cálculo da vazão que circula pela rede respeita a seguinte equação: Qdist = k1 ∙ k 2 ∙ q ∙ P 86400 Sendo: k 1 é o coeficiente de majoração referente ao dia de maior consumo; o valor utilizado é 1,2; k 2 é o coeficiente de majoração referente à hora de maior consumo; o valor utilizado é 1,5; q é o volume de água que uma pessoa consume por dia, dado em [l/hab ∙ dia]; e P é o número de habitantes a serem abastecidos. 5Dimensionamento de redes de distribuição de água A quantidade de segundos que um dia possui é 86400. Esse valor está na equação para que o resultado de Q dist seja dado em [l/s]. Ao dividir a vazão de distribuição pelo comprimento da rede (L), você obtém a vazão em marcha (q m ), que indica quantos litros por segundo você precisa por metro de rede. q m= Q dist /L dado em [l/s ∙ m] Ao dividir a vazão de distribuição pela área a ser abastecida (A), você obtém a vazão específica (q d ), que indica quantos litros por segundo você precisa por área abastecida. Geralmente o valor de A entra em hectares. q d = Q dist /A dado em [l/s ∙ ha] A vazão também é limitada pela norma 12218, em função do diâmetro. A Tabela 1 aponta as vazões e as velocidades máximas por diâmetro de tu- bulação. O diâmetro mínimo a ser utilizado é de 50 mm. Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (1994). Diâmetro (mm) Vmáx (m/s) Qmáx (1/s) Diâmetro (mm) Vmáx (m/s) Qmáx (1/s) 50 0,50 1,0 300 1,20 84,8 75 0,50 2,2 350 1,30 125,0 100 0,60 4,7 400 1,40 176,0 150 0,80 14,1 450 1,50 238,0 200 0,90 28,3 500 1,60 314,0 250 1,10 53,9 600 1,80 509,0 Tabela 1. Hidráulica aplicada6 Redes de abastecimento Ramificada e em grelha Essas redes permitem estabelecer o sentido de escoamento da água. São mais utilizadas em pequenas comunidades, e seus cálculos são os mais simples. O único porém é que o abastecimento fica condicionado ao bom funcionamento de um ramo principal, conforme a Figura 3. Para dimensionar esse tipo de rede, basta você aplicar os conceitos apren- didos para a associação de condutos em série e em paralelo. A vazão em cada nó é igual à soma das vazões dos nós a jusante. O dimensionamento deve ser feito de jusante para montante, de acordo com a necessidade de vazão em cada ramo. 7Dimensionamento de redes de distribuição de água Malhada As canalizações formam anéis e são interligadas. A exata vazão que passa em cada trecho é definida por um cálculo mais complexo. No entanto, existe, ao mesmo tempo, um equilíbrio e uma independência maior na rede de abaste- cimento, pois a água consegue realizar diversos caminhos para chegar a um mesmo ponto. Esse é o traçado costumeiro para a RDA de municípios com uma área urbana significativa. Para o cálculo de redes malhadas, você precisa levar em consideração que a vazão que entra em cada nó deve ser igual à vazão que sai, e que o somatório de perda de carga de um anel fechado deve ser zero. Hidráulica aplicada8 Defina o diâmetro e a velocidade de uma rede ramificada para um bairro hipotético com a seguinte configuração, considerando que cada habitante consome 300 l/dia. 100 hab. 100 hab.80 hab. 120 hab. Reservatório RESPOSTA 100 hab. 120 hab. A B C D E F RES 100 hab.80 hab. G H I 9Dimensionamento de redes de distribuição de água Q AD = (k1·k2·300 l/hab ·50 hab) / (86400 s/dia) = 0,31 l/s DN = 50 mm V = 0,16 m/s Q BE = (k1·k2·300 l/hab ·(50 + 60) hab) / DN = 50 mm V = 0,35 m/s (86400 s/dia) = 0,69 l/s Q CF = (k1·k2·300 l/hab ·60 hab) / (86400 s/dia) = 0,38 l/s DN = 50 mm V = 0,19 m/s Q DG = (k1·k2·300 l/hab ·40 hab) / (86400 s/dia) = 0,25 l/s DN = 50 mm V = 0,13 m/s Q EH = (k1·k2·300 l/hab ·(40 + 50) hab) / DN = 50 mm V = 0,29 m/s (86400 s/dia) = 0,56 l/s Q FI = (k1·k2·300 l/hab ·50 hab) / (86400 s/dia) = 0,31 l/S DN = 50 mm V = 0,16 m/s Q EF = Q CF + Q FI = 0,69 l/s DN = 50 mm V = 0,35 m/s Q DE = Q EF + Q BE + Q EH = 1,94 l/s DN = 75 mm V = 0,44 m/s Q RES-D = Q DE + Q AD + Q DG = 2,5 l/s DN = 100 mm V = 0,32 m/s Todos os valores estão de acordo com a ABNT NBR 12218:1994. Hidráulica aplicada10 1. Qual é a perda de carga em um conduto de 300 metros com rugosidade de 0,26 mm e diâmetro de 100 mm, que se conecta em um conduto de 240 metros com rugosidade de 1,0 mm e diâmetro de 150 mm, que, por sua vez, se conecta a um conduto de 100 metros, rugosidade de 2,5 mm e diâmetro de 75 mm? Considere que o Número de Reynolds do fluido que escoa é 10000 e que a vazão que entra no primeiro conduto é de 8 l/s. a) 5,5 b) 0,66 c) 13,93 d) 20,08 m e) 17,83 2. Qual é a vazão que escoa em um trecho de tubulação com 500 metros de comprimento, rugosidade de 3,0 mm e diâmetro de 150 mm e em um trecho de tubulação com 300 metros de comprimento, rugosidade de 0,26 mm e diâmetro de 100 mm? Sabe-se que ambos os trechos iniciam e terminam no mesmo ponto e que a perda de carga entre esses dois pontos é de 3 metros. a) 0,008 l/s e 0,008 l/s, respectivamente. b) 0,010 m³/s e 0,0059 m³/s, respectivamente. c) 0,010 l/s e 0,0059 l/s, respectivamente. d) 0,008 m³/s e 0,008 m³/s, respectivamente. e) 0,0059 m³/s e 0,010 m³/s, respectivamente. 3. Quais são a vazão em marcha e a vazão específica para uma cidade com 250.000 habitantes, área de 1250 ha e consumo per capita de 275 l/hab.dia? Considere que existem 12 km de rede instalados. a) q m = 0,12 l/s.ha e q d = 1,15 l/s.m b) q m = 1,15 l/s.ha e q d = 0,12 l/s.m c) Q = 1,43 m³/s d) q m = 1,15 l/s.m e q d = 0,12 l/s.ha e) q m = 0,12 l/s.m e q d = 1,15 l/s.ha 4. Qual é a vazão necessária na tubulação que sai do reservatório em uma rede ramificada para um loteamento com a seguinte configuração? Considere que cada habitante consome 400 L/dia. 11Dimensionamento de redes de distribuição de água a) 8,67 l/s b) 16,42 l/s c) 2,63 l/s d) 17,33 e) 6,96 l/s 5. Qual número mínimo de habitantes a mais esse bloco deveria ter para que fosse necessário um diâmetro maior na tubulação que sai do reservatório? a) 2356 habitantes b) 500 habitantes c) 552 habitantes d) 600 habitantes e) 652 habitantes 250 hab. 150 hab.380 hab. 260 hab. A B C D E F G H I RES Hidráulica aplicada12 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 12218:1994. Projeto de rede de distribuição de água para abastecimento público – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. WHITE, F. M. Mecânica dos fluidos. 6. ed. Porto Alegre: AMGH, 2010. 13Dimensionamento de redes de distribuição de água Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Depois de aprender de que forma os diferentes condutos se associam, mas antes de dimensionar uma rede de distribuição de água (RDA), é necessário entender que esta está inserida dentro de um sistema de abastecimento de água (SAA), que é composto por diversos componentes, que influenciam no cálculo das vazões das canalizações que irão compor a RDA. Na Dica do professor, veja onde a RDA está inserida dentro de um SAA. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O primeiro passo para você entender uma rede de distribuição de água (RDA) é conhecer as duas formas nas quais diferentes condutos podem se associar: em série ou em paralelo. Quanto aos condutos em série e paralelo pode-se dizer que as afirmações a seguir: I) Para manter a vazão constante, a velocidade do escoamento se altera, sendo inversamente proporcional à área. Assim, se a área da seção transversal aumenta, a velocidade diminui, e vice-versa. II) O que você precisa saber em uma associação de condutos em paralelo é que existe uma perda de carga entre A e B, ou seja, o início e final de um segmento. Essa perda de carga é constante, independentemente do trecho pelo qual o escoamento flui. III) Quando em paralelo, a vazão que parte do nó A se divide em função das características da tubulação e do escoamento, como diâmetro, rugosidade e velocidade, quando chega em B, houve alteração nesta vazão a variação da velocidade diferenciada em cada um dos caminhos ao qual fora dividida. Pode-se dizer que: A) I e III estão corretas B) Somente III está correta C) Somente I está correta D) I e II estão corretas E) Todas estão corretas 2) A pergunta essencial que você tem de responder para dimensionar uma rede de abastecimento é: quantos litros de água você precisa distribuir para essa população? Quanto às redes de abastecimento podemos afirmar que: A) O coeficiente de majoração k1 aplicado no cálculo da vazão que circula na rede, se refere ao fator de correção quanto ao dia de menor consumo B) Pode-se obter o diâmetro mínimo da tubulação, dos condutos, ajudando a dimensionar as redes de distribuição em funçãodas velocidades máximas e vazões máximas conforme normas técnicas C) O coeficiente de majoração k2 aplicado no cálculo da vazão que circula na rede, se refere ao fator de correção quanto a hora de menor consumo D) Ao dividir a vazão de distribuição pelo comprimento da rede (L), você obtém a vazão específica E) A rede de abastecimento, e distribuição para uma região pode ser configurada em ramificada, em grelha, em cela e em diagonais 3) Qual a vazão em marcha e específica para uma cidade com 250.000 habitantes, área de 1.250 ha e consumo per capta de 275 L/hab.dia? Considere que existem 12 km de rede instalados. A) qm = 0,12 L/s.ha e qd = 1,15 L/s.m. B) qm = 1,15 L/s.ha e qd = 0,12 L/s.m. C) Q = 1,43 m3/s. D) qm = 1,15 L/s.m e qd = 0,12 L/s.ha. E) qm = 0,12 L/s.m e qd = 1,15 L/s.ha. 4) Qual a vazão necessária na tubulação que sai do reservatório em uma rede ramificada para um loteamento com a seguinte configuração, considerando que cada habitante consome 400 L/dia? A) 8,67 L/s. B) 16,42 L/s. C) 2,63 L/s. D) 17,33 L/s. E) 6,96 L/s. 5) Qual o número de habitantes se deve atingir para que um bloco populacional que hoje é atendido pela tubulação de 150 mm de diâmetro, e cada habitante consome em média 300 L/dia, tendo uma vazão no sistema de 6,5 L/s, ao qual ainda consegue atender bem atualmente? Busque consultar a tabela da norma ABNT que indica a vazão máxima para cada diâmetro de tubulação Diâmetro (mm) Vmáx (m/s) QMax (L/s) Diâmetro (mm) Vmáx (m/s) QMáx (L/s) 50 0,50 1,0 300 1,20 84,8 75 0,50 2,2 350 1,30 125,0 100 0,60 4,7 400 1,40 176,0 150 0,80 14,1 450 1,50 238,0 200 0,90 28,3 500 1,60 314,0 250 1,10 53,9 600 1,80 509,0 A) 5000 habitantes B) 5520 habitantes C) 3000 habitantes D) 652 habitantes E) 2256 habitantes NA PRÁTICA Na prática, as modelagens de rede tomaram grandes proporções. Com o avanço da tecnologia, cálculos que antes eram realizados à mão, e posteriormente em planilhas eletrônicas, agora possuem softwares especializados. O Epanet é um software livre especializado em dimensionamento de sistema de abastecimento de água e, por conseguinte, de rede de distribuição de água. A maioria dos projetos de rede atualmente são reforços em redes já existentes, pois as cidades não estão expandindo tão rápido e o boom de instalações já tem mais de 25 anos, que é cerca do horizonte de projeto utilizado geralmente. O Epanet é capaz de simular redes existentes. Ele pode ser vinculado a arquivos de sistema geográfico de informações, como modelos digitais de terreno, e, com base nas falhas apontadas pelo software, realizam-se os reforços na rede. As falhas geralmente são pontos onde a pressão da água não alcança o mínimo estabelecido por norma ou onde a vazão é insuficiente. Condutos mais antigos têm maior perda de carga devido ao seu envelhecimento, que contribui para o aumento da rugosidade, além de possíveis vazamentos. Essas áreas podem ter novas tubulações instaladas em paralelo ou até mesmo a troca de tubulações antigas por novas. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Apresentação do Epanet Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Download do software Epanet Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Manual em português Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Site oficial do Epanet (em inglês) Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Redes coletoras APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, serão abordados os conceito de redes coletoras, interceptores e emissário, unidades básicas de um sistema de esgotos sanitários. Será estudado o modo de funcionamento de cada uma dessas unidades (tubulações), auxiliando o desenvolvimento das atribuições adequadas ao gestor ambiental. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir rede coletora, interceptores e emissário.• Reconhecer as unidades básicas de um sistema de esgotos sanitários.• Explicar funcionamento de um sistema de esgoto sanitário.• DESAFIO Você, como gestor ambiental, foi convocado para participar de uma equipe que preparará um projeto para um sistema de esgoto de um município em Minas Gerais, o qual precisará prever canalização para conduzir os efluentes da estação de tratamento de esgotos até o corpo receptor, neste caso, um rio. INFOGRÁFICO No infográfico a seguir, há uma síntese do sistema de esgotamento com as redes coletoras, tratamento e lançamento do efluente tratado. CONTEÚDO DO LIVRO Leia o capítulo a seguir, que aborda o tratamento de água e de efluentes líquidos, além dos padrões de qualidade e de classificação das águas. SANEAMENTO Eliane Conterato Redes coletoras Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir rede coletora, interceptor e emissário. � Reconhecer as unidades básicas de um sistema de esgotos sanitários. � Explicar o funcionamento de um sistema de esgoto sanitário. Introdução Desde que o ser humano passou a viver de forma fixa em uma área, ele começou a se preocupar com o afastamento dos resíduos gerados para manter o ambiente limpo e saudável. Contudo, essa remoção deve ser realizada de forma correta, e um destino ambientalmente correto deve ser dado ao material. Um sistema de coleta de esgoto é composto por diferentes estruturas e serviços que garantem a coleta, transporte e destinação final adequada do esgoto gerado em nossas residências. Neste capítulo, serão abordados os conceitos de redes coletoras, interceptor e emissário — unidades básicas de um sistema de esgotos sanitários. Será estudado o modo de funcionamento de cada uma dessas unidades (tubulações), auxiliando o desenvolvimento das atribuições adequadas ao gestor ambiental. Definições básicas e órgãos acessórios O sistema de coleta e transporte de esgoto sanitário é projetado, em sua grande parte, por gravidade, ou seja, adaptando-se à topografia da região para escoar naturalmente. Durante o transporte, dependendo das condições físicas, é necessária a construção de estações elevatórias ou trechos que funcionam sob pressão para transpor obstáculos topográficos. O sistema, portanto, é composto não apenas por tubulações, mas também por órgãos acessórios (unidades) que permitem a interligação e o funcionamento do sistema como um todo. Para entender o funcionamento do sistema de coleta e transporte de esgoto, é necessário definir os principais componentes. A seguir, serão apresentadas as definições que serão importantes para o entendimento do restante do capítulo. Rede coletora Segundo Nuvolari (2011), a rede coletora é constituída por ligações prediais, coletores de esgoto, coletores tronco e seus órgãos acessórios. A ligação predial interliga o sistema de esgoto do imóvel (propriedade particular) ao sistema de coleta público. A construção dessa parte do sistema é de responsabilidade do usuário e deve seguir instruções técnicas do órgão responsável local. A delimitação entre o coletor predial e a parte pública do sistema é feita através da caixa de inspeção, instalada geralmente do limite do terreno. A caixa de inspeção é interligada ao coletor público de esgoto por ligação domiciliar. A Figura 1 mostra um esquema de ligação predial ao coletor público de esgoto. Figura 1. Corte esquemático de uma ligação domiciliar ao coletor público de esgoto sanitário. Fonte: Nuvolari (2011, p. 44). Alinhamento predial Passeio Rua Ligação domiciliar Caixa de inspeção Coletor predial (manilha DN 100) Coletor público de esgoto Segundo Azevedo Netto et al. (1998), o coletor público de esgoto é a canalização que recebe efluentes de coletores prediais em qualquer ponto de sua extensão. Os de maior extensão são chamados de coletores principais. O autor ainda define coletor troncocomo canalização de maior diâmetro que recebe apenas contribuições de coletores de esgoto, despejando o efluente Redes coletoras2 em um interceptor ou emissário. O esgoto escoa por gravidade nos coletores, portanto, em uma mesma cidade, o traçado dos coletores é realizado por bacia de contribuição. O efluente de cada bacia pode ser conduzido para outra bacia, por meio de recalque ou despejo na tubulação principal que leva ao destino final. Os coletores podem ser construídos em diversos materiais. Conforme Bevi- lacqua (2006), nas redes coletoras, vem sendo utilizado o PVC, principalmente devido à sua praticidade na instalação, manuseio e redução de manutenção. Interceptor e emissário Os coletores tronco despejam o efluente em uma grande tubulação, chamada de interceptor; por sua vez, o interceptor segue para o destino final recebendo contribuições em pontos específicos. O interceptor não recebe contribuições de ligações domiciliares ao longo de seu trecho. A Figura 2 mostra um esquema de coletores e interceptor. O esgoto escoa por gravidade em um interceptor. Figura 2. Esquema mostrando coletor de esgoto, coletor tronco e interceptor. coletor de esgoto ligação domiciliares coletor de esgoto co le to r tr o n co interceptor vai para estação de tratamento de esgoto O emissário de esgoto é o conduto final do sistema, que leva o efluente para o destino final (tratamento). Essa tubulação recebe contribuição apenas à montante, ou seja, não recebe nenhuma contribuição ao longo de sua extensão. Portanto, o último trecho de um interceptor pode ser considerado um emissário. O esgoto pode escoar por gravidade ou ser bombeado nesse tipo de tubulação. Em relação aos materiais dessas tubulações, Bevilacqua (2006), coloca que, em coletores e interceptores, a fibra de vidro, o PEAD e o concreto de alta resistência para a cravação estão sendo empregados; nas linhas de recalque 3Redes coletoras (emissários), há uma predominância de ferro fundido dúctil. O autor salienta que a escolha do tipo de material das tubulações de esgoto deve ser feita com estudos técnicos e econômicos que relacionem custos do material, hidráulica das tubulações, custos de construção, interferências existentes, facilidade no transporte, manuseio, estocagem, tipo de solo, profundidade do assentamento, disponibilidade e periodicidade de manutenção. A Figura 3 mostra um dos maiores emissários já instalados no Paraná para transportar esgoto doméstico. A tubulação, construída pela Sanepar na cidade de Cascavel, tem 13,3 quilômetros de extensão em trechos aéreos e subterrâneos (em túnel), enterrados em diversos níveis de profundidade. A rede possui diâmetros que variam de 400 a 700 milímetros. Figura 3. Interceptor de esgoto construído em Cascavel, PR. Fonte: Paraná (2011). Redes coletoras4 Para o funcionamento do sistema, é preciso projetar unidades específicas para possibilitar interligação, transposição de obstáculos, inspeção, ou limpeza da rede. A seguir, serão apresentadas definições de algumas dessas unidades. Unidades do sistema Órgãos acessórios são utilizados ao longo do sistema de coleta e transporte de esgoto para permitir interligações, transpor obstáculos ou facilitar a inspeção e limpeza da rede em geral. A norma brasileira NBR 9649, de 30 de novembro de 1986, que fixa as condições exigíveis na elaboração de projeto hidráulico- -sanitário de redes coletoras de esgoto sanitário, descreve os seguintes órgão acessórios (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986): � poço de visita (PV); � tubo de inspeção e limpeza (TIL); � terminal de limpeza (TL); � caixa de passagem (CP); � sifão invertido; � passagem forçada. O poço de visita (PV) é uma câmara que permite a visitação para limpeza ou manutenção. Ele pode ser construído em qualquer singularidade ou na reunião de coletores. Em alguns casos, ele pode ser substituído por TIL ou TL. A Figura 4 apresenta uma seção transversal (corte) de um PV, que mostra a chaminé utilizada para a descida e um balão, que possibilita a entrada para inspeção. 5Redes coletoras Figura 4. Seção transversal esquemática de um PV (sem escala). Fonte: Nuvolari (2011, p. 44). Balão com diâmetro interno Φi = 1,00m Tampão de ferro fundido Nível do pavimento Chaminé com altura variável Balão com altura máxima de 2,00 m A utilização de PV é obrigatória na reunião de 3 ou mais entradas (união de coletores); quando a interligação de um coletor em outro provoca um des- nível de mais de 50 cm; nas extremidades de sifões invertidos ou passagens forçadas; e na união em profundidades maiores que 3 m. Redes coletoras6 O terminal de inspeção e limpeza (TIL) não permite a visitação, mas permite a inspeção e introdução de equipamentos de limpeza na rede. A Figura 5 mostra uma seção transversal de um TIL — veja que não existe o balão, como no PV. Figura 5. Seção transversal esquemática de um TIL (sem escala). Fonte: Nuvolari (2011, p. 46). Tampão de ferro fundido Nível do pavimento TIL - com profundidade máxima de 3,00 m O terminal de limpeza (TL) permite apenas a introdução de equipamentos para limpeza. É o mais simples entre os acessórios de interligação, por isso é instalado no início de coletores (cabeceira), já que esses pontos são menos suscetíveis a danos que necessitem de inspeção. A Figura 6 mostra uma seção transversal de um TL. 7Redes coletoras Figura 6. Seção transversal esquemática de um TL (sem escala). Fonte: Nuvolari (2011, p. 45). Tampão especial Nível do pavimento Coluna Rede Curva O sifão invertido é um trecho projetado para funcionar sob pressão, ou seja, trabalhando com a tubulação totalmente cheia. É utilizado para transpor obstáculos como travessias em avenidas, córregos, etc., onde não é possível escavar ou instalar um trecho de rede com esgoto escoando por gravidade. O esquema da Figura 7 mostra uma seção transversal de um sifão invertido que serve como travessia da rede por baixo de um rio, que não seria possível por rede normal. Na figura percebem-se duas câmaras, que são dois PVs que interligam o sifão à rede de chegada e saída. Figura 7. Seção transversal esquemática de uma travessia por sifão invertido. Fonte: Adaptado de Nuvolari (2011, p. 69). Tubulação N.A. do rio Câmara de jusante Coletor Câmara de montanteColetor Redes coletoras8 A caixa de passagem é uma singularidade simples, utilizada em alguns pontos por necessidade construtiva, mas sem acesso. É utilizada, por exemplo, em mudança de direção sem a necessidade de acesso para inspeção ou limpeza. As passagens forçadas são trechos da rede que escoam sob pressão, sem rebaixamento proposital, como no caso do sifão invertido. Podem existir alguns trechos especiais atuando nessas condições quando outras soluções não forem possíveis. Além dos acessórios acima, cabe citar também as estações elevatórias de esgotos, que são estruturas contendo conjuntos motor-bomba responsáveis por bombear o esgoto quando não é possível escoar por gravidade. Elas podem ser necessárias ao longo da rede, por exemplo quando ocorre aprofundamento excessivo e é preciso bombear o esgoto para a superfície para continuar esco- ando por gravidade. Podem ser necessárias também para bombear o esgoto coletado de várias bacias para o destino final. Noções de dimensionamento e manutenção de um sistema de esgotamento sanitário O dimensionamento e a manutenção adequados de um sistema de esgotamento sanitário são fundamentais para evitar a contaminação da população ou do meio ambiente. O sistema deverá ter capacidade para escoar o efluente dentro das condições exigidas por norma até o final do seu horizonte de projeto. Considerações sobre projeto Segundo a NBR 9649/1986, são necessários os seguintes requisitos para o projeto de um sistema de esgotamento sanitário (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986): � estudo de concepção (relatório) que deve conter definições importantes para a continuidade do projeto,como estudo populacional, abrangência espacial e temporal do projeto; � levantamento planialtimétrico da área de projeto e das zonas de expan- são, para proceder com estudo de traçado de rede; � planta contendo as bacias de esgotamento da área de projeto, para definir os pontos que receberão o maior volume de efluente e, se necessário, a transposição entre as bacias; 9Redes coletoras � levantamento de interferências (obstáculos) que possam interferir no traçado e execução e rede; � levantamento da rede de esgoto existente (área de abrangência e con- dições de funcionamento da rede); � estudo para reconhecimento da natureza do terreno e do nível do lençol freático, já que os métodos construtivos dependem dessas condições. Ainda segunda a norma, o relatório de apresentação do projeto deve conter, no mínimo: � comparação em relação às diretrizes da concepção básica (estudo que antecede projeto final, denominado executivo); � cálculo hidráulico das redes e seus componentes; � aspectos construtivos; � definição de materiais e quantidades; � especificações de serviços; � orçamentos; � aspectos de operação e manutenção; � desenhos com detalhamentos. Contribuições de esgoto O cálculo do volume gerado de esgoto é uma etapa importante do início do projeto. Para quantificar o esgoto sanitário gerado em uma região, é necessário considerar: � o esgoto doméstico, que é o esgoto gerado pela população nas suas tarefas diárias em residências; � o esgoto industrial, que é o despejo gerado por industrias, desde que respeitados os padrões de lançamento na rede; � as águas de infiltração que acabam penetrando nas canalizações. Redes coletoras10 O conhecimento populacional e a correta projeção para estimar seu cresci- mento ao longo dos anos é fundamental para quantificar o volume de esgoto doméstico gerado, que está relacionado ao consumo per capita de água, cor- rigido por um coeficiente de retorno. A geração de esgoto per capita pode variar de acordo com as condições socioeconômicas, culturais, climatológicas e geográficas. O esgoto industrial poderá ser lançado na rede pública desde que garanta a integridade da mesma e dos processos de tratamento do esgoto. Para saber mais sobre esgoto industrial, leia a norma que estabelece critérios para o lançamento de efluentes líquidos industriais no sistema coletor público do esgoto sanitário, NBR 9800, de 30 de abril de 1987. Além do volume de esgoto gerado pela população e indústrias, deve ser considerada também uma taxa de infiltração no dimensionamento de redes. Essa taxa é referente a um volume que se infiltra na tubulação e depende de condições com nível do lençol freático, natureza do solo, material e qualidade da execução da rede. Utilização e manutenção de rede de esgoto Segundo o Instituto Trata Brasil, mesmo tendo redes coletoras disponíveis, mais de 3,5 milhões de brasileiros das 100 maiores cidades do Brasil despejam esgoto irregularmente em fossas ou diretamente em córregos (INSTITUTO TRATA BRASIL; REINFRA CONSULTORIA, 2015). A falta de informação e a conscientização é um aliado para o descaso com a infraestrutura de esgoto, além de ser um risco para a saúde da população. 11Redes coletoras Você pode ler o relatório completo feito pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a OAB sobre ociosidade de redes de esgoto acessando o link a seguir. https://goo.gl/MpB2cM A manutenção da rede coletora é importante para evitar infiltrações exces- sivas na tubulação e também para evitar a contaminação do solo por vazamento do esgoto transportado. Em várias regiões, as companhias responsáveis pelo sistema de esgotamento relatam casos de lançamento de objetos, de óleo de cozinha e de água da chuva na rede de coleta de esgoto, causando obstrução e transbordamento da rede. A água da chuva nunca deve ser lançada na rede de coleta de esgoto, pois causa sobrecarga e até rompimento das tubulações. A capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, foi contemplada com o Programa Integrado Socioambiental (Pisa), o maior conjunto de obras de saneamento da história dessa cidade. O programa conta com obras de coleta, transporte e tratamento de esgoto e foi inaugurado em 2014, ampliando de 18% para 66% o tratamento de efluentes na cidade. Para a coleta e transporte de esgoto, foram construídas redes de coleta (nos bairros Cavalhada e Restinga) estações de bombeamento, interceptores e emissários que levam o esgoto para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Serraria. O efluente tratado é lançado no lago Guaíba por meio de emissário subaquático. A Figura 8 mostra um mapa com o traçado dessas tubulações. Observe que os trechos pontilhados são trechos subaquáticos. Redes coletoras12 Figura 8. Traçado das obras de esgoto do Projeto Integrado Socioambiental (Pisa), desde o Centro Histórico de Porto Alegre, com a implantação das redes coletoras de esgoto cloacal e emissários terrestre e subaquático, até a futura ETE Serraria, na zona sul. Fonte: Porto Alegre ([201-?]). 13Redes coletoras A Figura 9 apresenta uma obra do Pisa na cidade de Porto Alegre. Figura 9. Obra do PISA em Porto Alegre Fonte: Matos (2016). 1. Imagine-se como o gestor ambiental de uma indústria que libera seus efluentes na rede coletora de esgoto. Para que esse procedimento continue sendo realizado, você decide realizar uma avaliação do efluente, a fim de identificar possíveis conflitos que impeçam a continuidade dessa prática. Indique qual das opções a seguir deverão compreender critérios presentes no seu processo de avaliação. a) O efluente não pode oferecer riscos à segurança na operação da rede coletora. b) O efluente não pode interferir no sistema de tratamento. c) O efluente não pode promover a obstrução de tubulações. d) O efluente não pode conter elementos que afetem a resistência ou a durabilidade da rede coletora. e) O efluente tem que poder ser utilizado depois de tratado. 2. A ausência de rede coletora pode trazer impactos no meio socioeconômico ao comprometer a qualidade de vida das pessoas que vivem em um município abastecido com água captada em poços tubulares profundos. Ao se considerar essa afirmação, pode-se concluir que a causa associada e Redes coletoras14 esse impacto está presente em qual das alternativas a seguir? a) Contaminação das águas subterrâneas. b) Contaminação das águas superficiais. c) Contaminação do solo. d) Redução de volume de água disponível. e) Alteração da vazão do corpo receptor. 3. Imagine-se como um gestor ambiental atuante em processos de elaboração de Planos Municipais de Saneamento. Obviamente, será necessário compreender uma série de conceitos relacionados a essa temática. Escolha, entre as opções a seguir, uma que represente o conceito de rede coletora. a) Conjunto de ligações coletoras e de órgãos acessórios destinados a receber e a conduzir o esgoto até uma estação de tratamento. b) Conjunto constituído por ligações coletoras, coletores de esgotos e órgãos acessórios destinados ao recebimento e tratamento do esgoto. c) Conjunto constituído por ligações coletoras capazes de lançar o efluente em um corpo receptor. d) Conjunto constituído por estruturas capazes de coletar e de armazenar o efluente. e) Ligações coletoras destinadas à depuração dos esgotos e seu tratamento. 4. Como futuro gestor ambiental, haverá a possibilidade de você atuar em uma empresa de saneamento. Nesse cenário, você poderá ser responsável pelo monitoramento de possíveis impactos ambientais provocados pela rede coletora. Indique qual dos impactos a seguir poderia ocorrer no momento que houver algum problema na rede coletora. a) Contaminação do lençol freático. b) Desgaste do material que compõe a rede coletora. c) Liberação de efluente tratado fora dos parâmetros especificados. d) Aumento na rigidez do solo. e) Entupimento da rede coletora.5. Ao definir as especificações técnicas de uma rede coletora, deve-se atentar para algumas características socioambientais presentes no local da sua instalação. Essas características subsidiarão a elaboração de um projeto de engenharia assertivo, minimizando a chance de ocorrer algum problema capaz de promover um impacto ambiental. Como gestor ambiental, você poderá se deparar com o desafio desta caracterização ambiental. Indique qual das opções a seguir NÃO compreende um tópico relacionado à caracterização ambiental do local de instalação de uma rede coletora. a) Topografia do terreno no qual a rede coletora será instalada. b) Número de famílias atendidas pela rede coletora. c) Métodos construtivos adotados na instalação da rede coletora. d) Acidez do solo no qual a rede coletora será instalada. e) Estabilidade do solo no qual a rede coletora será instalada. 15Redes coletoras AZEVEDO NETTO, J. M. et al. Manual de hidráulica. 8. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9649: projeto de redes coletoras de esgoto sanitário. Rio de Janeiro: ABNT, 1986. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9800: critérios para lançamento de efluentes líquidos industriais no sistema coletor público de esgoto sanitário: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. BEVILACQUA, N. Materiais de tubulações utilizadas em sistemas de coleta e transporte de esgotos sanitários: estudo de caso da área norte de São Paulo. 191 fls. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia)- Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. INSTITUTO TRATA BRASIL; REINFRA CONSULTORIA. Ociosidade das redes de esgotamento sanitário no Brasil. 2015. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estu- dos/ociosidade/relatorio-completo.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2018. MATOS, E. Porto Alegre tratou 76 bilhões de litros de esgoto desde inauguração do Pisa. 2016. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noti- cia/2016/12/porto-alegre-tratou-76-bilhoes-de-litros-de-esgoto-desde-inauguracao- -do-pisa-8751551.html>. Acesso em: 06 jun. 2018. NUVOLARI, A. (Coord.). Esgoto sanitário: coleta, transporte, tratamento e reúso agrícola. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2011. PARANÁ. Sanepar constrói em Cascavel um dos maiores emissários de esgoto do Pa- raná. 2011. Disponível em: <http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article. php?storyid=62897&tit=Sanepar-constroi-em-Cascavel-um-dos-maiores-emissarios- -de-esgoto-do-Parana>. Acesso em: 06 jun. 2018. PORTO ALEGRE. Projeto Integrado Socioambiental. Mapas. [201-?]. Disponível em: <http://www2.portoalegre.rs.gov.br/pisa/default.php?p_secao=15>. Acesso em: 06 jun. 2018. Leituras recomendadas TSUTIYA, M. T.; SOBRINHO, P. A. Coleta e transporte de esgoto sanitário. 3. ed. São Paulo: Editora ABES, 2014. ALEM SOBRINHO, P.; TSUTIYA, M. T. Coleta e transporte de esgoto. São Paulo: USP, 2004. Redes coletoras16 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR No vídeo a seguir, são abordados alguns tópicos para um melhor entendimento em relação às redes coletoras, vindo ao encontro dos objetivos propostos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Imagine-se como o gestor ambiental de uma indústria que libera seus efluentes na rede coletora de esgoto. Para que este procedimento continue sendo realizado, você decide realizar uma avaliação do efluente, a fim de identificar possíveis conflitos que impeçam a continuidade desta prática. Indique qual das opções a seguir deverão compreender critérios presentes no seu processo de avaliação. A) O efluente não pode oferecer riscos à segurança na operação da rede coletora. B) O efluente não pode interferir no sistema de tratamento. C) O efluente não pode promover a obstrução de tubulações. D) O efluente não pode conter elementos que afetem a resistência ou a durabilidade da rede coletora. E) Possibilidade do uso do efluente tratado. 2) A ausência de rede coletora pode trazer impactos no meio socioeconômico ao comprometer a qualidade de vida das pessoas que vivem em um município abastecido com água captada em poços tubulares profundos. Ao considerar esta afirmação, pode-se concluir que a causa associada e este impacto está presente em qual das alternativas a seguir? A) Contaminação das águas subterrâneas. B) Contaminação das água superficiais. C) Contaminação do solo. D) Redução de volume de água disponível. E) Alteração da vazão do corpo receptor. 3) Imagine-se como um gestor ambiental atuante em processos de elaboração de Planos Municipais de Saneamento. Obviamente, será necessário compreender uma série de conceitos relacionados a esta temática. Escolha, dentre as opções a seguir, uma que represente o conceito de rede coletora. A) Conjunto de ligações coletoras e de órgãos acessórios destinados a receber e a conduzir o esgoto até uma estação de tratamento. B) Conjunto constituído por ligações coletoras, coletores de esgotos e órgãos acessórios destinados ao recebimento e tratamento do esgoto. C) Conjunto constituído por ligações coletoras capazes de lançar o efluente em um corpo receptor. D) Conjunto constituído por estruturas capazes de coletar e de armazenar o efluente. E) Ligações coletoras destinadas à depuração dos esgotos e seu tratamento. Como futuro gestor ambiental, haverá a possibilidade de você atuar em uma empresa de saneamento. Neste cenário, você poderá ser responsável pelo monitoramento de 4) possíveis impactos ambientais provocados pela rede coletora. Indique qual dos impactos a seguir poderia ocorrer no momento quando houver algum problema na rede coletora. A) Contaminação do lençol freático. B) Desgaste do material que compõe a rede coletora. C) Liberação de efluente tratado fora dos parâmetros especificados. D) Aumento na rigidez do solo. E) Entupimento da rede coletora. 5) Ao definir as especificações técnicas de uma rede coletora, deve-se atentar para algumas características socioambientais presentes no local da sua instalação. Estas características subsidiarão a elaboração de um projeto de engenharia assertivo, minimizando a chance de ocorrer algum problema capaz de promover um impacto ambiental. Como gestor ambiental, você poderá se deparar com o desafio desta caracterização ambiental. Indique qual das opções a seguir NÃO compreende um tópico relacionado à caracterização ambiental do local de instalação de uma rede coletora. A) Topografia do terreno no qual a rede coletora será instalada. B) Número de famílias atendidas pela rede coletora. C) Métodos construtivos adotados na instalação da rede coletora. D) Acidez do solo no qual a rede coletora será instalada. E) Estabilidade do solo no qual a rede coletora será instalada. NA PRÁTICA Você, sendo um dos técnicos licenciador de um município com aproximadamente 100.000 habitantes, e tendo a gestão ambiental como um conjunto de procedimentos para a conciliação entre desenvolvimento e qualidade ambiental, terá de promover uma fiscalização dirigida, conforme denúncia anônima, em uma empresa que está lançando efluentes diretamente no solo, poluindo o solo e as águas superficiais e subterrâneas e constituindo-se em perigosos focos de disseminação de doenças. Você verifica que a denúncia procede e emite uma notificação para que o empreendedor regularize a situação. Para isso, deverão ser instaladas tubulações da empresa geradora até a estação de tratamento. Somente após esse tratamento, o efluente será lançamento em um corpo receptor. Essas tubulações devem contar com poços de visitas, possibilitando inspeção e introdução de equipamentos de limpeza. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Resolução CONAMA nº 377/2006: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!Saneamento Ambiental e sua importância socioambiental APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, serão estudados o saneamento ambiental e a sua importância socioambiental. As ações de saneamento são de fundamental importância para o desenvolvimento da saúde e da qualidade de vida da população, bem como para a proteção do meio ambiente. Por este motivo, tal conhecimento torna-se fundamental para os futuros gestores ambientais, assim como para o desenvolvimento mais sustentável dos centros urbanos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o que é saneamento ambiental.• Reconhecer a importância do saneamento básico para a população.• Relacionar o desenvolvimento social com ações de saneamento ambiental.• DESAFIO O saneamento ambiental compreende um processo fundamental para a manutenção da qualidade de vida. Ao saber disso o prefeito solicita para você, gestor ambiental da prefeitura, o detalhamento de todos os passos que serão necessários para que o município construa o seu Plano Municipal de Saneamento. - Capa - Sumário - Introdução(breve contextualização do seu município) - Plano de mobilização social (descrever a metodologia) - Diagnóstico técnico-participativo (descrever a metodologia) INFOGRÁFICO O infográfico a seguir contempla os objetivos e os principais problemas com respeito ao saneamento ambiental. CONTEÚDO DO LIVRO O livro Saneamento Ambiental e sua Importância Socioambiental é a base teórica para esta Unidade de Aprendizagem e proporciona melhor compreensão dos conteúdos apresentados aqui. SANEAMENTO Eliane Conterato Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar o que é saneamento ambiental. � Reconhecer a importância do saneamento básico para a população. � Relacionar o desenvolvimento social com as ações de saneamento ambiental. Introdução Você já parou para pensar o quanto o saneamento interfere no desen- volvimento social e ambiental da sociedade? O quanto a falta desse serviço interfere na qualidade de vida da população? Conforme Ataide e Borja (2017), pensar em justiça social é pensar no impacto socioam- biental que representa o acesso a bens e serviços de um cidadão. A falta de saneamento, que é um serviço básico que deve ser oferecido a um cidadão, pode trazer diversos impactos como poluição dos recursos hídricos, transmissão de doenças, aumento da mortalidade infantil, baixa do rendimento escolar, entre outros. As ações de saneamento são de fundamental importância para o de- senvolvimento e bem-estar da sociedade, bem como para a proteção do meio ambiente. Neste texto, você vai estudar o conceito de saneamento ambiental e sua importância socioambiental. Saneamento ambiental Segundo Rosen (2006), o saneamento — considerado, em seu aspecto físico, uma luta do homem em relação ao ambiente — existe desde o início da huma- nidade, ora se desenvolvendo ora retrocedendo, de acordo com o surgimento, evolução, queda e renascimento das civilizações. Jordão e Pessoa (2014) enfatizam que o instinto e a necessidade levaram o homem a se fixar próximo às fontes de energia, mas não de medir a ne- cessidade de afastar ou condicionar os resíduos refugados por ele. Com isso, historicamente, verifica-se a poluição das fontes de energia pelo homem até se tornarem, nos piores casos, inadequadas à vida. Figura 1. Energia – Homem – Resíduos. Fonte: Adaptada de Jordão e Pessoa (2014, p. 02). LIXO ESGOTO A LI M EN TO Á G U A AR HOMEM Em resumo, desde que o ser humano passou a viver por longos períodos em um mesmo espaço, passou também a conviver com a poluição causada por seus rejeitos e as consequências disso para a saúde e o meio ambiente. A Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei Federal nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, define poluição como a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que, direta ou indiretamente: Saneamento ambiental e sua importância socioambiental2 a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado de completo bem-estar físico, social e mental, e não apenas a ausência de do- enças. A organização define ainda o saneamento ambiental como o controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre a saúde. O Ministério das Cidades define saneamento ambiental como o con- junto de ações técnicas e socioeconômicas que, quando aplicadas, resultam em maiores níveis de salubridade ambiental. Essas ações compreendem o abastecimento de água em quantidade e em qualidade adequada; a coleta, o tratamento e a disposição adequada dos resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas; o manejo de águas pluviais; o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças; a promoção sanitária e o controle ambiental do uso e ocupação do solo; e a prevenção e controle do excesso de ruídos. Para o desenvolvimento dessas ações, são necessárias diversas obras e serviços: � O abastecimento de água compreende a escolha de um manancial que tenha qualidade e volume suficiente, a construção de adutoras e estações de tratamento de água e a construção de reservatórios e redes que levem a água potável até as residências. � Para a coleta de esgoto, são necessárias construções de redes de coleta e acessórios, interceptores, emissários e estações de tratamento de esgoto. � Para a destinação adequada de resíduos sólidos, é necessário um sistema de coleta adequado e a construção e aterros sanitários. � Para a drenagem urbana, é necessária a construção de redes de coleta pluviais e obras para amenizar o efeito de chuvas intensas e inundações. Além dessas obras, também é necessária a gestão adequada de todos esses serviços, seja pelo poder público, seja por concessionária. Como você pode observar nessas definições, o saneamento ambiental compreende uma gama de ações visando desde a conscientização da população até a elaboração e execução de políticas públicas. 3Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Saneamento e desenvolvimento A existência de saneamento adequado é uma condição primordial para o desenvolvimento de uma nação, sendo um fator essencial para o país ser cha- mado de “desenvolvido”. A falta de saneamento afeta as áreas de preservação, turismo, trabalho, saúde, educação e cidadania. Segundo o Instituto Trata Brasil, em estudo realizado em 2015, as perdas de água devido a condições insatisfatórias de funcionamento de redes e desvios de água atingem 38,1% no Brasil, ou seja, de toda a água tratada para a distri- buição, quase 40% se perdem antes de chegar ao consumidor (INSTITUTO TRATA BRASIL, 2015). Essa perda demonstra um descaso com o meio am- biente, uma vez que a água é retirada dos mananciais, tratada e desperdiçada antes mesmo de ser utilizada. No setor de turismo, o instituto indica que, em 2015, deixaram de ser gerados R$ 5,8 bilhões de renda do trabalho por conta da degradação ambiental de áreas por falta de saneamento básico. Em relação ao trabalho, o investimento no setor de saneamento gera renda que movimenta diversos setores, como construção civil e comércio. Em re- lação à saúde, o investimento gera economia, já que diminui as internações causadas, principalmente, por doenças de origem ou transmissão hídrica. Segundo informações do Trata Brasil, a cada R$ 1 investido em saneamento é gerada uma economia de R$ 4 em saúde. Existem estatísticas que mostram tambémque doenças vinculadas com a falta de saneamento geram prejuízos por afastamentos das atividades diárias de trabalhadores no mercado de trabalho. Outro índice importante que cabe apresentar é a mortalidade infantil. O gráfico da Figura 2 mostra uma relação entre a população com acesso ao esgotamento sanitário e a taxa de mortalidade infantil (dados da UNICEF e OMS). A educação é outra área afetada diretamente pela falta de saneamento. Conforme o Instituto Trata Brasil (2017), moradores de áreas sem acesso à rede de distribuição de água e de coleta de esgotos têm um aumento do atraso escolar Uma menor escolaridade implica em perda de produtividade e de remuneração das gerações futuras. Somente o custo desse atraso escolar devido à falta de saneamento alcançou R$ 16,6 bilhões em 2015. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental4 Figura 2. Relação entre saneamento e mortalidade infantil (dados de 2015). Fonte: Instituto Trata Brasil (2017). 180 150 120 90 60 30 0 0 20 40 60 80 100 População com acesso ao esgotamento sanitário (%) Ta xa d e m o rt al id ad e in fa n til * (% ) Brasil Outro dado importante disponibilizado é a falta de saneamento básico nas escolas: na zona rural, 14,7% das escolas de ensino fundamental não têm esgoto sanitário e 11,3% não têm abastecimento de água. Na zona urbana, esses percentuais são 0,3% e 0,2%, respectivamente. Esse dado é preocupante considerando-se que a escola deveria ser exemplo para o aluno, o que, mais uma vez, demostra a importância do saneamento. Em relação à cidadania e à informação da população, os dados são preo- cupantes no Brasil. Pesquisas mostram que parcela significativa da população desconhece o que é saneamento e não sabe o destino do esgoto que produz; 75% das pessoas entrevistadas disseram nunca ter cobrado do órgão responsável uma providência em relação à falta de saneamento. 5Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Pelo link e código a seguir, você pode acessar o site do Instituto Trata Brasil e conhecer mais sobre as principais áreas afetadas pela falta de saneamento e as estatísticas sobre elas. https://goo.gl/EpMq9k Ações voltadas para o saneamento Para falarmos de ações voltadas para o saneamento, é necessário primeiro entendermos como são avaliadas as condições do município pelo gestor mu- nicipal para verificar quais ações devem ser realizadas. Para uma correta análise dessa situação, o gestor precisa ter indicadores reais. O estudo que embasou a proposta do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), cuja elaboração é prevista na Lei do Saneamento Básico (Lei nº. 11.445, de 5 de janeiro de 2007), considera, além da infraestrutura implantada, aspectos socioeconômicos e culturais e a qualidade dos serviços prestados. A população que conta com oferta de serviço coletivo nem sempre recebe esse serviço em condições adequadas. Por exemplo, a oferta de água tratada deve ser feita dentro dos padrões e de forma ininterrupta; contudo, existem casos de cidades que passam por frequentes interrupções, seja por problemas no sistema ou por racionamento. Nessa parcela da população, ainda existe quem não utiliza o serviço público, mesmo o tendo disponível, como no caso de faltas de ligações prediais na rede coletora de esgoto. A parcela de população sem oferta de serviço, ou ainda que não usa o serviço público disponível, em parte tem solução individual. Esse tipo de solução conta, por exemplo, com coleta de água em poços (dentro dos padrões de potabilidade) e descarte de esgoto após tratamento em sistema individual adequado, como fossa e filtro. A pior das situações é a que não utiliza situação sanitária alguma, ou seja, que não tem garantia de qualidade da água que ingere, não possui descarte adequado dos resíduos e, muitas vezes convive com a própria poluição. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental6 Conhecer a parcela da população que se encontra em cada um dos casos citados acima é o primeiro passo para propor ações visando a regulação dos serviços de saneamento. A Lei nº. 11.445/2007 coloca o município como competente por legislar sob o amparo da Constituição Federal. A lei define quatro funções básicas para a gestão (BRASIL, 2007): � planejamento; � prestação de serviços; � regulação; � fiscalização. A função planejamento é de responsabilidade do município. Ele que formu- lará a política municipal de saneamento básico e elaborará o plano municipal de saneamento básico, fundamental para contratar ou conceder os serviços. As demais funções de regulação, fiscalização e prestação de serviços são de responsabilidade do titular do serviço de saneamento, com o município atuando de forma direta (concessão ou permissão) ou indireta (cooperação e contrato). A Figura 3 mostra os principais princípios da Lei do Saneamento Básico, que devem ser abordados na política municipal. Figura 3. Principais princípios da Lei do Saneamento Básico. Universalização Integralidade Equidade Participação e controle social Titularidade municipal Intersetorialidade Gestão pública 7Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Perceba que a universalização pressupõe que toda a população tenha acesso de forma igual aos serviços de saneamento. A integralidade requer interseto- rialidade, ou seja, diferentes setores dentro do município atuando em conjunto. A equidade possibilita igualdade e justiça, alcançadas com a prestação de serviços. A participação e o controle social devem estar presentes em todo o processo, a fim de democratizá-lo. A titularidade municipal estabelece que o município tem autonomia e competência para organizar, regular, controlar e promover a realização dos serviços dentro de seu território. A intersetorialidade permite compatibilizar e racionalizar diversas ações, aumentando a eficácia. Em relação à gestão pública, entende-se que os serviços de saneamento são essenciais para a elevação da qualidade de vida e da salubridade ambiental, por isso as ações e serviços de saúde pública são considerados de obrigação do estado. Veja o texto completo da Lei do Saneamento Básico, Lei nº. 11.445/2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico acessando o link ou o código a seguir. https://goo.gl/Bt55F O plano municipal, que é elaborado pelo município, deve englobar os 4 eixos descritos a seguir: � abastecimento de água; � esgotamento sanitário; � drenagem urbana; � limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos. O planejamento deve ser integrado com todas as políticas e planos do município, e deve ser feito para um período de 20 anos, considerando revisão a cada 4 anos. O plano municipal deve assegurar a correta aplicação dos recursos e usar indicadores de saneamento para a elaboração e o acompanhamento do processo de implantação. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental8 Um plano municipal de saneamento básico deve conter pelo menos o diagnóstico da situação do município, os objetivos e metas, os programas, as projeções e ações para o alcance dos objetivos e o mecanismo para avaliação sistemática e eficácia das ações. A situação do saneamento no Brasil ainda é preocupante, mas existem municípios que vêm se destacando como exemplos positivos. Um deles é o município de Jundiaí, no interior de São Paulo. Conforme indicadores do Instituto Trata Brasil, o município vem mostrando, ano a ano, evolução nos índices de coleta e tratamento de esgotos. Atualmente, a cidade é referência no tratamento de esgotos, com 100% do esgoto coletado tratado e com abastecimento de mais de 97% da população com água tratada. Veja a seguir os índices apresentados pela cidade no período de 2008 a 2015. Indicador de atendimento total de água (%) Indicador de atendimento total de esgoto (%) Indicador de esgoto tratado por água consumida (%) 2008 95 91 95 2009 97 98 912010 100 100 88,94 2011 98,28 98,30 91,38 2012 98 97,71 97,71 2013 98,28 98,30 98,28 2014 97,80 97,80 91,94 2015 97,80 97,80 100 A boa classificação de Jundiaí é resultado de investimentos realizados ao longo dos anos. É um exemplo de cidades de aderiram a um planejamento para o desenvolvi- mento de saneamento e assim melhoraram o abastecimento de água, a coleta e o tratamento dos esgotos e, principalmente, a qualidade de vida da população. 9Saneamento ambiental e sua importância socioambiental 1. Sobre saneamento ambiental, assinale a alternativa correta. a) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas pelo poder público. b) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e por técnicos. c) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público, com participação popular e de técnicos. d) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e com participação popular. e) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas por técnicos especializados. 2. Marque a alternativa INCORRETA quanto às causas da degradação ambiental das águas superficiais, imprescindível para o adequado saneamento básico. a) O crescimento populacional e o aumento da pobreza. b) O uso de fertilizantes na agricultura. c) Lançamento de efluentes industriais. d) A retirada da mata ciliar. e) Lançamento de resíduos sólidos. 3. Marque a alternativa INCORRETA quanto à destinação de resíduos: a) O lixão é a técnica adequada de disposição de resíduos sólidos urbanos. b) A queima de resíduos a céu aberto é proibida. c) Uma das principais ações de saneamento ambiental é a limpeza urbana e o manejo adequado de resíduos sólidos. d) Uma das principais dificuldades para a construção de uma política de saneamento ambiental sustentável é a baixa conscientização ambiental da população. e) O despejo irregular de efluentes industriais provoca a poluição e a contaminação das águas e é considerado crime ambiental. 4. São exemplos de obras com a finalidade de melhorar o saneamento básico: a) sistema de gestão ambiental, sistema de abastecimento de água e sistema de esgoto. b) recomposição da mata ciliar e aterros sanitários. c) sistema de esgoto, sanitários públicos e lixão. d) pavimentação pública e sanitários públicos. e) sistema de esgoto, sanitários públicos e aterros sanitários. 5. A eutrofização é um processo acelerado pela poluição hídrica. A esse respeito, qual das alternativas a seguir é consequência desse processo e contribui para a diminuição da qualidade da água disponível para consumo? a) O despejo de efluentes industriais. b) A proliferação de zooplâncton. c) A proliferação de algas unicelulares e cianobactérias. d) O despejo de efluentes domésticos. e) O despejo de fertilizantes oriundos da agricultura. Saneamento ambiental e sua importância socioambiental10 ATAIDE, G. V. de T. L.; BORJA, P. C. Justiça social e ambiental em saneamento básico: um olhar sobre experiências de planejamento municipais. Ambiente & Sociedade, v. 20, n. 3, p. 61-78, set. 2017. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/asoc/v20n3/ pt_1809-4422-asoc-20-03-00061.pdf>. Acesso em: 21 maio 2018. BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Lex: Legislação federal, Brasília, DF, p. 1-2, 5 jan. 2007. JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 7. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2014. INSTITUTO TRATA BRASIL. Casos de sucesso: Jundiaí é referência no tratamento de esgotos. 2017. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/blog/2017/07/27/casos- de-sucesso-jundiai/>. Acesso em: 10 jun. 2018. INSTITUTO TRATA BRASIL; REINFRA CONSULTORIA. Ociosidade das redes de esgotamento sanitário no Brasil. 2015. Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estu- dos/ociosidade/relatorio-completo.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. ROSEN, G. Uma história da saúde pública. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. Leituras recomendadas BORJA, P. C. Procedimentos metodológicos para elaboração de planos municipais de saneamento básico. In: BRASIL. Ministério das Cidades. Peças técnicas relativas a planos municipais de saneamento básico. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2011. p. 53-85. Disponível em:<http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosSNSA/ Arquivos_PDF/Pe%C3%A7as_Tecnicas_WEB.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. NUVOLARI, A. (Coord.). Esgoto sanitário: coleta, transporte, tratamento e reúso agrícola. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2011. PROJETO Acertar Manual de Melhores Práticas de Gestão da Informação sobre Sa- neamento. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2017. Disponível em: <http://www. snis.gov.br/downloads/arquivos/Manual-de-Melhores-Praticas-dos-Prestadores-de- Servicos-Agua-e-Esgoto-MARCO2018.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. UNITED NATIONS CHILDREN’S FUND; WORLD HEALTH ORGANIZATION. 25 years: Pro- gresso n Sanitation and Drinkig Water. Geneva, Suíça, 2015. Disponível em: <http://files. unicef.org/publications/files/Progress_on_Sanitation_and_Drinking_Water_2015_ Update_.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. 11Saneamento ambiental e sua importância socioambiental Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta uma contextualização relacionada ao saneamento ambiental e a sua importância socioambiental. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Sobre saneamento ambiental, assinale a alternativa correta. A) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas pelo poder público. B) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e por técnicos. C) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público, com participação popular e de técnicos. D) É um conjunto de ações realizadas de forma coletiva, pelo poder público e com participação popular. E) É um conjunto de ações realizadas individualmente, apenas por técnicos especializados. 2) Marque a alternativa INCORRETA quanto às causas da degradação ambiental das águas superficiais, imprescindível para o adequado saneamento básico. A) O crescimento populacional e o aumento da pobreza. B) O uso de fertilizantes na agricultura. C) Lançamento de efluentes industriais. D) A retirada da mata ciliar. E) Lançamento de resíduos sólidos. 3) Marque a alternativa INCORRETA quanto à destinação de resíduos: A) O lixão é a técnica adequada de disposição de resíduos sólidos urbanos. B) A queima de resíduos a céu aberto é proibida. C) Uma das principais ações de saneamento ambiental é a limpeza urbana e o manejo adequado de resíduos sólidos. D) Uma das principais dificuldades para construção de uma política de saneamento ambiental sustentável é a baixa conscientização ambiental da população. E) O despejo irregular de efluentes industriais provoca a poluição e a contaminação das águas e é considerado crime ambiental. 4) São exemplos de obras com a finalidade de melhorar o saneamento básico: A) sistema de gestão ambiental, sistema de abastecimento de água e sistema de esgoto. B) recomposição da mata ciliar e aterros sanitários. C) sistema de esgoto, sanitários públicos e lixão. D) pavimentação pública e sanitários públicos. E) sistema de esgoto, sanitários públicos e aterros sanitários. 5) A eutrofização é um processo acelerado pela poluição hídrica. A esse respeito, qual das alternativas a seguir é consequência desse processo e contribui para a diminuição da qualidade da água disponível para consumo? A) O despejo de efluentes industriais. B) A proliferação de zooplâncton. C) A proliferação de algas unicelulares e cianobactérias. D) O despejo de efluentes domésticos. E) O despejo de fertilizantes oriundos da agricultura. NA PRÁTICA Locais sem saneamento básico transformam a população dos arredores em uma população condenada à contaminação de todo e qualquer tipo.Observe o ciclo básico que ocorre nesses lugares. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Relações entre saneamento, saúde pública e meio ambiente: elementos para formulação de um modelo de planejamento em saneamento: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Qualidade da água para consumo humano APRESENTAÇÃO Você sabia que, para que a água seja considerada potável, ou seja, adequada ao consumo humano, é preciso passar por tratamento para eliminação de diversas substâncias? Inclusive de organismos patogênicos, que podem causar diversos males à saúde? Nesta Unidade de Aprendizagem, você aprenderá que a água, para ser considerada ideal para consumo, precisa seguir um padrão, chamado padrão de potabilidade, e seguir parâmetros físicos, químicos e biológicos definidos pela legislação brasileira. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar a qualidade das águas superficiais da água potável.• Reconhecer o processo de tratamento de água para consumo humano.• Identificar os microrganismos utilizados para verificar a potabilidade da água.• DESAFIO João, é técnico em controle de qualidade e trabalha na estação de tratamento de água de seu município. Todos os responsáveis da estação foram engajados para elaborar um plano de controle operacional. O controle operacional compreende todas as ações necessárias ao bom andamento do processo de tratamento da água, garantindo assim a qualidade da água de abastecimento. Para a próxima reunião, foi solicitado que cada responsável indique, no mínimo, duas ações para contribuir para o plano de controle, inferindo também quais são os riscos associados à não realização daquela determinada ação. Você deverá elaborar essas ações para apresentação na próxima reunião. INFOGRÁFICO No infográfico a seguir, você observará ilustrado o caminho da água, desde a captação no manancial até a sua casa. O tratamento da água é uma etapa fundamental no processo, pois oportuniza as condições de potabilidade ideais para consumo humano. CONTEÚDO DO LIVRO No trecho do material disponível, o autor aborda a importante informação acerca da qualidade da água para consumo. Nesse sentido, águas superficiais, em sua maioria, não podem ser utilizadas para consumo diretamente, precisam ser tratadas antes do abastecimento público. Leia os tópicos do livro "Ambiente: Tecnologias". Inicie seus estudos no tópico: Tratamento da água e siga até o tópico Outros métodos de desinfecção. Boa leitura! SAÚDE COLETIVA Eliane Conterato Qualidade da água para consumo humano Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Diferenciar a qualidade das águas superficiais da água potável. � Reconhecer o processo de tratamento de água para consumo humano. � Identificar os microrganismos utilizados para verificar a potabilidade da água. Introdução A poluição das águas vem acontecendo desde que o homem passou a viver de forma fixa, cultivando e criando animais. Nos dias de hoje existe a preocupação com o tratamento dos efluentes e do lixo antes de ser lançado no meio ambiente, mas a as ações ainda estão abaixo do neces- sário para garantir qualidade dos recursos naturais. A água disponibilizada para a população brasileira hoje é, em grande parte, proveniente de mananciais superficiais que, após passar por diversos processos, torna-se adequada ao consumo humano. Neste capítulo, você aprenderá que a água, para ser considerada ideal para consumo, precisa seguir um padrão, chamado padrão de potabilidade, e seguir parâmetros físicos, químicos e biológicos, definidos pela legislação brasileira. A água e sua classificação O Brasil é um país privilegiado, com o maior volume de água doce do mundo. Segundo dados da plataforma do Sistema de Autoavaliação da Eficiência Hídrica (2016), desse total de volume de água doce, 75% distribuem-se pela Bacia Amazônica, que engloba menos de 5% do total da população brasileira. No entanto, tão importante quanto a disponibilidade é a qualidade da água. A escassez pode se dar pela falta de qualidade da água ofertada, como ocorre hoje em lugares sem saneamento básico. O problema se agrava quando existe pouca disponibilidade com baixa qualidade. Qualidade da água De acordo com a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente — CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, a condição de qualidade das águas é a “[...] qualidade apresentada por um corpo d’água, num determinado momento, em termos dos usos possíveis com segurança adequada, frente às Classes de Qualidade”; cada classe de qualidade representa um “[...] conjunto de condições e padrões de qualidade de água necessários ao atendimento dos usos preponderantes, atuais ou futuros.” (BRASIL, 2005, documento on-line). Para entender melhor a definição acima é preciso saber que padrões são formas de exigências legais dos critérios estudados e fixados por meio de um dispositivo legal — são eles que regulam a qualidade da água. A qualidade da água pode variar com a origem, as condições climáticas, geográficas, geológicas e a composição e ocupação do solo. É importante também salientar que água quimicamente pura não existe na natureza, pois, por sua condição de solvente natural, ela adquire impurezas ao longo de sua precipitação e escoamento. Essas impurezas influenciam no grau de tratamento que deve ser dado conforme o uso a que se destina a água. Os usos podem ser os mais diversos, como, por exemplo, abastecimento humano, dessedentação animal, recreação, irrigação, navegação, etc. Qualidade da água para consumo humano2 Figura 1. Diversos usos da água. Fonte: Adaptada de Sothorn/Shutterstock.com, Panida Supo/Shutterstock.com, Summer Photographer/ Shutterstock.com e leungchopan/Shutterstock.com. O uso mais nobre, ou seja, que requer o mais elevado nível de qualidade, é o abastecimento para consumo humano. Para esse uso, a água deve ser considerada potável, ou seja, inofensiva à saúde, agradável aos sentidos e adequada aos usos domésticos. A adição de poluentes pode tornar a água inadequada para certos usos. Conforme Braga (2005), os principais poluentes são classificados de acordo com a sua natureza e os principais impactos que causam ao serem lançados no meio aquático. Os principais poluentes são: � Poluentes orgânicos biodegradáveis: constituídos principalmente por proteínas, carboidratos e gorduras. A degradação da matéria orgânica causa consumo de oxigênio, podendo afetar a vida aquática. � Poluentes orgânicos não biodegradáveis: os principais são detergen- tes, defensivos agrícolas, petróleo. Esses poluentes causam prejuízos devido à sua toxidade. 3Qualidade da água para consumo humano � Metais: os metais presentes em quantidades inadequadas podem ser tóxicos. � Nutrientes: o excesso de nutrientes pode levar ao crescimento excessivo de certos organismos aquáticos, prejudicando determinados usos e até mesmo o desenvolvimento de certas espécies. � Organismos patogênicos: bactérias, vírus, protozoários podem trans- mitir doenças. � Sólidos em suspensão: aumentam a turbidez da água, dificultando a penetração da luz. � Calor: a temperatura afeta a tensão superficial, velocidade das reações, metabolismo dos organismos, entre outras características. � Radioatividade: apenas se existir naturalmente no meio ambiente; em excesso, a radioatividade pode causar sérios problemas de saúde e até mesmo levar a morte. É importante salientar também que a água é um dos grandes veiculadores de doenças, que podem ser de transmissão ou origem hídrica. As doenças de transmissão hídrica são “transportadas” pela água, e doenças de origem hídrica são aquelas causadas por certas substâncias presentes na água em teor inadequado e que originam doenças. Enquadramento das águas superficiais Paragarantir segurança aos usuários, é preciso estabelecer limites para cada substância presente na água, para cada uso que será feito dela. No Brasil, a classificação das águas é feita pela Resolução CONAMA 357/2005, para águas doces, salobras e salinas. A resolução classifica as águas segundo a qualidade requerida para seus usos principais. As águas doces são classificadas em cinco classes: especiais, classe 1, classe 2, classe 3 e classe 4. A classe especial é a água com melhor qualidade e a classe 4 é a água com menor qualidade. Para consumo humano, após tratamento, pode ser utilizada água até a classe 3.Veja a Figura 2, que relaciona qualidade, usos e classes das águas doces. Qualidade da água para consumo humano4 Figura 2. Classes de enquadramento e respectivos usos e qualidade da água. Fonte: Portal da Qualidade das Águas ([201-?]). Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4 QUALIDADE DA ÁGUA EXCELENTE QUALIDADE DA ÁGUA RUIM USOS MENOS EXIGENTES USOS MAIS EXIGENTES O enquadramento das águas superficiais é importante não apenas para garantir a segurança dos usuários, mas também para auxiliar no planejamento e gestão desse recurso. Veja mais sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento lendo a Resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, disponível no link ou no código a seguir. https://goo.gl/MpB2cM Tratamento da água A água para abastecimento humano deve estar dentro dos padrões de potabili- dade, ou seja, respeitar alguns limites de tolerância das substâncias presentes na água de modo a garantir-lhe as características de água potável. Antes de ser disponibilizada para a população, a água deve passar por tratamentos 5Qualidade da água para consumo humano adequados, visando a adequação de padrões físicos, químicos e biológicos (adequação de suas características). Característica da água Conforme Von Sperling (2005) a qualidade da água pode ser representada por diferentes parâmetros, que traduzem as suas principais características físicas, químicas e biológicas. As características físicas da água verificam em especial o aspecto estético da água. As principais, segundo o autor, estão listadas a seguir: � Cor: a cor indica a presença de substâncias dissolvidas na água, preju- dicando principalmente seu aspecto estético. De acordo com a Portaria nº 2.914 do Ministério da Saúde, o valor máximo permissível de cor na água é de 15 uC (unidades de cor) � Turbidez: a turbidez na água é causada pela presença de partículas em suspensão na água, que prejudicam a passagem da luz. Portanto, turbidez representa o grau de interferência da passagem da luz através da água. Além do aspecto estético, a turbidez prejudica a fotossíntese no meio aquático. A portaria estabelece como máximo admissível para água distribuída o valor de 5 uT (unidades de turbidez). � Sabor e odor: o sabor é a interação entre o gosto e o odor. É importante principalmente pela aceitação da população, já que, uma água com gosto ou sabor pode ter sua confiabilidade questionada. � Temperatura: a variação de temperatura implica em mudanças na velocidade de reações físicas, químicas, biológicas, interferem na so- lubilidade e taxas de transferência dos gases. As características químicas verificam os teores qualitativos e quantitativos de certas substâncias na água que podem, extrapolando certos limites, ser inadequadas ao consumo. As principais características químicas de interesse, ainda de acordo com Von Sperling (2005), são: � pH: o potencial de hidrogênio representa a concentração de íons de hidrogênio, dando noção sobre a condição de acidez, neutralidade ou alcalinidade da água. A faixa de pH varia de 0 a 14, em que a neutralidade ocorre em pH = 7, condições ácidas em pH < 7 e condições básicas em pH > 7. A adequação do pH é importante durante o tratamento da água Qualidade da água para consumo humano6 e na distribuição também. A faixa adequada para distribuição situa-se entre 6 e 9,5 (Sabesp). � Alcalinidade: é a quantidade de íons na água que reagirão para neu- tralizar os íons de hidrogênio. Não tem significado sanitário para a água potável, mas, em concentrações elevadas, pode conferir sabor amargo para a água. � Acidez: é a capacidade da água de resistir às mudanças de pH causadas pelas bases. Águas com acidez mineral são desagradáveis ao paladar. Causa corrosão de tubulações e materiais. � Dureza: concentração de cátions em soluções. Em quantidades elevadas, tem efeito laxativo e causa incrustações em tubulações. Conforme a portaria de potabilidade, o valor máximo admissível é de 500mg/L na distribuição de água. � Ferro e manganês: essas substâncias se encontram nas águas naturais. Não representam risco, em pequenas concentrações causam cor na água, em concentrações mais elevadas podem causar sabor e odor. Conforme a portaria de potabilidade, o valor máximo admissível é de 0,3mg/L para o ferro e 0,1 mg/L para o manganês na distribuição de água. � Cloretos: os cloretos são provenientes da dissolução de sais, e todas as águas possuem cloreto, em maior ou menor escala. Em quantidades elevadas, imprimem um sabor salgado à água. Conforme a portaria de potabilidade, o valor máximo admissível é de 250mg/L na distribuição de água. � Nitrogênio: o nitrogênio pode se encontrar em diferentes formas no meio aquático. Em elevadas concentrações, pode trazer prejuízos para a vida aquática, como a proliferação excessiva de algas em lagos ou represas. Conforme a portaria de potabilidade, o valor máximo admissível para o abastecimento público nas formas nitrito é 1mg/L e para nitrato é 10mg/L na distribuição de água. � Fósforo: o fósforo pode estar presente em diferentes formas no meio aquático. Em elevadas concentrações, pode conduzir a um crescimento elevado de algas em lagos e represas. � Oxigênio dissolvido: O oxigênio dissolvido é essencial para a sobrevi- vência dos organismos aeróbios (que vivem na presença de oxigênio). Na estabilização da matéria orgânica, ocorre o consumo de oxigênio, podendo causar uma redução em sua concentração no meio que, nas si- tuações mais críticas, pode prejudicar a vida de diversos seres aquáticos. � Matéria orgânica: é a causadora do principal problema de poluição das águas, que é o consumo de oxigênio pelas bactérias que estabilizam 7Qualidade da água para consumo humano a matéria orgânica. É importante na caracterização da qualidade de corpos d’água e água residuárias. � Micropoluentes inorgânicos: grande parte desses micropoluentes são tóxicos. Entre eles estão os metais. A concentração da maioria dos metais em águas naturais é pequena, não resultando em perigo para a saúde. Na portaria de potabilidade é possível verificar os limites máximos admissíveis para diferentes tipos de metais. Os parâmetros biológicos consideram os micro-organismos de interesse para o controle da qualidade da água. Conforme Von Sperling (2005), são consideras algas, bactérias e organismos indicadores. Conforme Braga (2005), as bactérias usadas como indicadores de poluição da água por matéria fecal são os coliformes fecais, que vivem normalmente no organismo de animais de sangue quente. A bactéria Escherichia Coli, que faz parte desse grupo, desenvolve-se exclusivamente no intestino desses animais, sendo um organismo utilizado como indicador de presença de material fecal. O autor salienta que essas bactérias não são patogênicas, mas apenas indicadoras de que a água recebeu material fecal e pode, portanto, conter material patogênico. Se quiser se aprofundar no assunto dos procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, leia a Portaria nº 2.914 do Ministério da Saúde, disponível no link a seguir. Ainda, para saber sobre os limites de cada substância, acesse os anexos da portaria, no mesmo link. https://goo.gl/PE9Ud Processos de tratamentoda água O processo de tratamento de água, conforme Ferreira Filho (2017), pode ser visto como um conjunto de manipulações da água de modo a torná-la apta ao abastecimento público, atendendo aos padrões de qualidade definidos por agências reguladoras. Qualidade da água para consumo humano8 Conforme Richter (2015), o tratamento de água para abastecimento público surgiu da Escócia, com a construção de filtros lentos (filtros que passam água lentamente por uma camada filtrante). No Brasil, ele se iniciou em 1880, em Campos, Rio de janeiro, com a primeira instalação com filtros rápidos (capazes de filtrar água em uma velocidade maior que os lentos, geralmente utilizados após a decantação em ETAs). Hoje o Brasil possui algumas das maiores ETAs (estações de tratamento de água) do mundo. A Figura 3 mostra um esquema que ilustra desde a captação da água em uma manancial (que pode ser um rio, lago, represa), o bombeamento, quando necessário, o tratamento, até a reservação para posterior distribuição para a população em um sistema convencional. Figura 3. Resumo do sistema de captação, tratamento e distribuição de água para a população. captação bombeamento Estação de tratamento Reservatório Rede de distribuição Quando a água bruta que vem do manancial entra na ETA, passa por diversos processos para a água se tornar potável. Esses processos variam de acordo com a classe da água do manancial. Águas da classe 3 são as que necessitam de tratamento mais complexo. O tratamento se resume a duas etapas: � Clarificação: conjunto de processos destinados à remoção das impu- rezas presentes na água. � Desinfecção: processos para eliminação dos microrganismos que pro- vocam doenças. Toda água destinada ao consumo humano deve passar por desinfecção. Diferentes processos são realizados para cumprir as duas etapas citadas acima. O processo tradicional está resumido na Figura 4. 9Qualidade da água para consumo humano Figura 4. Processo do tratamento de água. Fonte: Wiki Toque (2017). Tratamento da água Água bruta Coagulação e floculação com sulfato de alumínio Decantação Filtração areia e seixos Cloração e fluoretação Reservatório Residências ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA Segundo Heller e Pádua (2006), a cor, a turbidez e diversos outros tipos de contaminantes orgânicos e inorgânicos presentes na água geralmente estão associados a partículas suspensas ou dissolvidas, que podem requerer a coagulação química para facilitar a remoção. A coagulação é o processo de adição de um coagulante, geralmente sul- fato de alumínio ou sulfato ferroso, que tem a finalidade de desestabilizar as partículas de impurezas presentes na água, permitindo que as impurezas se aglutinem em processos posteriores, formando flocos possíveis de serem removidos. O processo de mistura do coagulante na água é extremamente rápido, variando de 1 a 20 segundos, por isso o processo é chamado também de mistura rápida. Para auxiliar na mistura são utilizados misturadores rápi- dos hidráulicos ou mecânicos. A calha Parshall é um exemplo de misturador hidráulico muito utilizado. Conforme Ferreira Filho (2017), a etapa de floculação é uma das mais importantes no processo de tratamento de água. O autor define floculação como o processo físico no qual as partículas coloidais são postas em contato umas com as outras, de modo a viabilizar o aumento de seu tamanho físico, alterando, assim, sua distribuição granulométrica. Visualize esse processo na Figura 5. Qualidade da água para consumo humano10 Figura 5. Apresentação do processo de floculação: agregação das partículas coloidais. Fonte: Ferreira Filho (2017, p. 12). Portanto, a floculação consiste no processo de aglutinação das partículas que foram desestabilizadas no processo anterior, formando flocos. Esse processo é chamado de mistura lenta, pois deve manter uma velocidade baixa, não ultrapassando 0,3 m/s, para evitar quebra dos flocos. A velocidade também não deve ser inferior a 0,1 m/s, para evitar deposição dos flocos já formados no tanque de floculação. No link e no código a seguir, você encontra um artigo da Revista TAE sobre os tipos de floculadores. https://goo.gl/jVLt6f Ferreira Filho (2017) define a decantação como o processo físico no qual as partículas coloidais são removidas da fase líquida por meio de processos de sedimentação gravitacional. 11Qualidade da água para consumo humano Portanto, a decantação é a separação das impurezas sólidas, em forma de flocos, da água pela ação da gravidade. Normalmente são utilizados tanques retangulares onde o escoamento passa lentamente, facilitando o depósito dos flocos gerados no processo anterior. Existem também decantadores de alta taxa. Essas estruturas têm por finalidade melhorar a eficiência de decantação, ou seja, decantar um volume maior na mesma área. Ferreira Filho (2017) define a filtração como o processo físico-químico no qual as partículas coloidais são removidas da fase líquida mediante sua percolação por um meio granular, garantindo-se a produção de água filtrada com características estéticas adequadas aos fins de potabilidade. Em estações de tratamento de água são utilizados os chamados filtros rápidos, que possuem uma taxa de filtração maior em relação aos filtros lentos. Os filtros lentos têm caído em desuso, mas eram utilizados para tratamento de águas pouco poluídas, em que era necessária apenas a filtração e desinfecção. Conforme Ferreira Filho (2017), não é possível garantir a segurança mi- crobiológica da água tratada somente por sua remoção física (processos de coagulação, floculação, sedimentação e filtração), portanto, é necessário que haja um processo adicional que possibilite a inativação de microrganismos patogênicos presentes na fase líquida. A desinfecção é um processo que emprega agente físico ou químico (de- sinfectante) com a finalidade de eliminar organismos patogênicos que possam transmitir doenças pela água. No Brasil, o agente desinfectante mais empregado é o cloro, na forma gasosa (cloro gasoso), granular (hipoclorito de cálcio) ou líquida (hipoclorito de sódio). Sua importância está diretamente ligada ao combate das infecções hídricas. Conforme a Portaria nº 2.914 do Ministério da Saúde, é obrigatória a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre ou 2 mg/L de cloro residual combinado ou de 0,2 mg/L de dióxido de cloro em toda a extensão do sistema de distribuição. Esse resíduo deve assegurar a não contaminação da água ao longo de sua distribuição. (BRASIL, 2011). A fluoretação é uma etapa adicional que se integra ao tratamento após o processo convencional. Consiste na aplicação de flúor na água já tratada e tem função de combater a incidência de cárie dentária, principalmente entre crianças e adolescentes. A concentração ótima ideal do íon de fluoreto varia de 0,7 a 1,2 mg/L, dependendo da média das temperaturas máximas diárias, conforme o Manual de Fluoretação da Água para Consumo Humano da Fundação Nacional da Saúde (BRASIL, 2012). Qualidade da água para consumo humano12 Algumas águas têm presença natural de flúor, sendo necessária apenas adequação da concentração. Concentrações altas de flúor podem trazer problemas para a saúde, como fluorose e complicações ósseas. Além desses processos básicos, existem tratamentos complementares e avançados para correção ou redução de acidez, alcalinidade, sabor e odor. Eles podem ser adotados pelas ETAs de forma sistemática ou eventual, dependendo das características da água bruta e sua adequação aos padrões de potabilidade e exigências do consumidor. Após a passagem pela estação de tratamento, a água é levada para os reservatórios e distribuída. Para garantir a qualidade até a distribuição final, são necessários testes visando ao monitoramento, desde a captação até a distribuição da água nas residências. A Portaria nº 2.914 do Ministério da Saúde orienta também a quantidade de amostras e a frequência de monitoramento, tanto domanancial (cianobactérias) quanto dos pontos da rede (BRASIL, 2011). A quantidade e a frequência da amostragem deve ser realizada de acordo com o tipo de manancial, a popu- lação atendida e o ponto de amostragem. Os parâmetros, segundo a portaria, são: turbidez, cloro residual livre, cloraminas, dióxido de cloro, pH, fluoreto, gosto e odor, cianotoxinas, produtos secundários da desinfecção, além de outros parâmetros específicos como radioatividade a presença de agrotóxicos. Também são realizadas analises buscando a concentração de coliformes totais e Escherichia Coli. As estações de tratamento de água (ETAs) da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) funcionam como verdadeiras fábricas para produzir água potável. Das 237 estações, 28 abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, e as outras 209 fornecem água aos municípios do interior e litoral do estado. Atualmente, são tratados mais de 111 mil litros de água por segundo. É um número bem expressivo, mas que ainda pode aumentar. 13Qualidade da água para consumo humano A Sabesp adota processos além dos convencionas: � Pré-cloração: o cloro é adicionado assim que a água chega à estação, facilitando a retirada de matéria orgânica e metais. Esse processo é adotado devido às carac- terísticas da água e para melhorar a eficiência dos demais. � Pré-alcalinização: depois do cloro, a água recebe cal ou soda, que servem para ajustar o pH aos valores exigidos. Quando o pH não está adequado na entrada da ETA, é necessário fazer essa correção para garantir a eficiência nos processos seguintes. � Coagulação: é adicionado sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante, seguido de uma agitação violenta da água. Assim, as partículas de sujeira ficam eletricamente desestabilizadas e mais fáceis de agregar. � Floculação: após a coagulação, há uma mistura lenta da água, que serve para provocar a formação de flocos com as partículas. � Decantação: a água passa por grandes tanques para separar os flocos de sujeira formados na etapa anterior. � Filtração: depois, a água atravessa tanques formados por pedras, areia e carvão antracito. Eles são responsáveis por reter a sujeira que restou da fase de decantação. � Pós-alcalinização: em seguida, é feita a correção final do pH da água, para evitar a corrosão ou incrustação das tubulações. Essa fase somente é necessária quando a água não apresenta o pH ideal ao final do tratamento. � Desinfecção: é feita uma última adição de cloro no líquido antes de sua saída da ETA. Ela garante que a água fornecida chegue isenta de bactérias e vírus até a casa do consumidor. � Fluoretação: o flúor também é adicionado à agua. A substância ajuda a preve- nir cáries. Essa fase não é obrigatória e deve ser adicionada após comprovada a necessidade. Figura 6. Imagem da estação e tratamento Guaraú, integrante do Sistema Cantareira. Fonte: São Paulo ([2018?]). Qualidade da água para consumo humano14 15Qualidade da água para consumo humano BRAGA, B. et al. Introdução à engenharia ambiental. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n° 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Brasília, DF, 2005. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. BRASIL. Fundação Nacional da Saúde. Manual de fluoretação da água para consumo humano. Brasília, DF: FUNASA, 2012. Disponível em: <http://www.funasa.gov.br/site/ wp-content/files_mf/mnl_fluoretacao_2.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 2.914, de 12 de dezembro de 2011. Dispõe sobre os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para o consumo humano e seu padrão de potabilidade. Brasília, DF, 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude. gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html>. Acesso em: 17 maio 2018. FERREIRA FILHO, S. S. Tratamento de água: concepção, projeto e operação de estações de tratamento. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. Disponível em: <https://www.tratamento- deagua.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Tratamento-de-%C3%81gua-E-sample. pdf>. Acesso em: 17 maio 2018. HELLER, L.; PÁDUA, V. L. Abastecimento de água para consumo humano. Belo Horizonte: UFMG, 2006. PORTAL DA QUALIDADE DAS ÁGUAS. Enquadramento: bases conceituais. [201-?]. Disponível em: <http://portalpnqa.ana.gov.br/enquadramento-bases-conceituais. aspx>. Acesso em: 10 jun. 2018. RICHTER, C. A. Água: métodos e tecnologia de tratamento. São Paulo: Blucher, 2009. SÃO PAULO. Companhia de Saneamento Básico do Estado. Tratamento de água. [2018?]. Disponível em: <http://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=47>. Acesso em: 10 jun. 2018. SISTEMA DE AUTOAVALIAÇÃO DE EFICIÊNCIA HÍDRICA. A disponibilidade de água no mundo e no Brasil. 2016. Disponível em: <https://saveh.com.br/artigos/a-disponibili- dade-de-agua-no-mundo-e-no-brasil/>. Acesso em: 18 maio 2018. VON SPERLING, M. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2005. (Princípios do tratamento biológico de águas re- siduárias, 1). Qualidade da água para consumo humano16 WIKI TOQUE. Tratamento de água. 2017. Disponível em: <http://pt- br.toque105.wikia. com/wiki/Arquivo:Tratamento_da_%C3%81gua.gif>. Acesso em: 10 jun. 2018. Leituras recomendadas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12216: Projeto de Estação de Tratamento de Água para Abastecimento Público. Rio de Janeiro: ABNT, 1989. RUBIN, C. Ação dos floculadores. Revista TAE, 05 fev. 2013. Disponível em: <http:// www.revistatae.com.br/5464-noticias>. Acesso em: 18 maio 2018. DICA DO PROFESSOR A qualidade da água para consumo humano está diretamente associada à saúde da população. O vídeo a seguir auxiliará você a saber mais sobre a qualidade da água para consumo humano. Assista ao vídeo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As águas superficiais precisam de tratamento prévio antes da disponibilização para o consumo humano. As assertivas a seguir estão corretas, EXCETO: A) Antes do consumo, a água é levada até uma estação de tratamento de água (ETA). B) As águas dos mananciais apresentam resíduos orgânicos, partículas em suspensão, metais pesados e microrganismos. C) Nas estações de tratamento de água, são realizados processos para atender as exigências higiênicas (como a remoção de substâncias tóxicas, redução de impurezas, redução de resíduos orgânicos, microrganismos). D) A água potável é aquela cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade, conforme especificado por lei. E) A PORTARIA No 2.914, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2011 dispõe, na atualidade, sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. 2) Constituem etapas básicas do tratamento de água para abastecimento. EXCETO A) Clarificação. B) Cloração. C) Decantação. D) Desinfecção da água. E) O zonização. 3) O conjunto de ações adotadas regularmente pela autoridade de saúde pública para verificar se a água consumida pela população apresenta risco à saúde humana, chama-se: A) Água potável. B) Sistema de abastecimento de água para consumo humano. C) Controle da qualidade da água para consumo humano. D) Vigilância da qualidade da água para consumo humano. E) Padrão de potabilidade. 4) Quanto ao padrão de potabilidade, assinale a alternativa INCORRETA. Devem ser adotadas ações corretivas quando detectados resultados positivos para A) coliformes totais. B) É realizada apenas a detecção de Escherichia coli para avaliar a potabilidade da água. C) Quando o padrão de potabilidade for violado, os responsáveispelo sistema devem informar à autoridade de saúde pública as medidas corretivas tomadas. D) A contagem de bactérias heterotróficas deve ser realizada em 20 % das amostras mensais. E) Na seleção dos locais para coleta de amostras para monitoramento da potabilidade, devem ser priorizadas as pontas de rede. 5) São padrões de potabilidade aceitáveis para a água, EXCETO: A) Arsênico: 0,1 mg/L. B) Alumínio: 0,1 mg/L. C) Turbidez: 3 uT. D) Xilenos: 0,2 mg/L. E) Ferro: 0,1 mg/L. NA PRÁTICA Você é responsável pela estação de tratamento de água (ETA) para abastecimento de uma população de 5.000 habitantes, todo mês, o departamento recebe escolas e universidades com foco na educação ambiental. Confira! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Tratamento da água é realizado através de diversas etapas Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Processos gerais e estações de tratamento de esgoto APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, serão abordados os conceitos e o processo de tratamento de esgoto. O tratamento, basicamente, reproduz um processo natural, porém de maneira mais rápida e eficaz, considerando a capacidade de suporte e os resultados alcançados. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir tratamento de esgoto.• Descrever quais são os processos usualmente utilizados.• Indicar as funções de cada nível dentro do processo de tratamento.• DESAFIO Imagine-se atuando como gestor ambiental em uma estação de tratamento de esgoto de um município no Norte do Estado. O processo contemplado no tratamento é o de lodo ativado e você foi solicitado pelo prefeito para apresentar um relatório a respeito das vantagens e das desvantagens da aplicação desse método de tratamento. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir demonstra os principais níveis dos processos de tratamento de esgoto apresentados nesta Unidade de Aprendizagem. CONTEÚDO DO LIVRO O capítulo indicado para leitura, Processos gerais e estações de tratamento de esgoto da obra Saneamento, proporcionará um enriquecimento técnico sobre o assunto, colaborando para formação e garantindo melhor atuação como gestor ambiental. SANEAMENTO Eliane Conterato Processos gerais e estações de tratamento de esgoto Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir tratamento de esgoto. � Descrever quais são os processos usualmente utilizados. � Indicar as funções de cada nível dentro do processo de tratamento. Introdução Todos os dias, milhões de litros de esgoto são gerados no Brasil, e grande parte desse esgoto ainda é jogado na natureza sem tratamento. O esgoto não tratado tem uma grande quantidade de sólidos e organismos como vermes, bactérias, vírus e protozoários, que contaminam os recursos hídricos e prejudicam o desenvolvimento da vida aquática e da vida no seu entorno, inclusive transmitindo inúmeras doenças. As impurezas presentes no esgoto podem e devem ser removidas em grande parte pelos processos de tratamento, antes do efluente ser lançado na natureza, em córregos e rios. Neste capítulo, você estudará os principais métodos utilizados no tratamento de esgoto, que são capazes de tornar o efluente adequado para posterior lançamento na natureza. O tratamento de esgoto e sua importância Esgoto nada mais é do que a água transportando sólidos que são despejados de residências e indústrias todos os dias. Esses sólidos presentes no esgoto são responsáveis pela deterioração da qualidade de um corpo d’água quando lançados nele sem um tratamento adequado. Quando o esgoto é lançado sem tratamento, acaba consumindo grande parte do oxigênio dissolvido na água nos processos de degradação da matéria orgânica. Conforme Von Sperling (2005), o consumo se deve aos processos de estabilização da matéria orgânica realizados pelas bactérias decompositoras, que utilizam o oxigênio disponível no meio líquido para sua respiração. Essa redução de oxigênio dissolvido tem diversas implicações do ponto de vista ambiental, sendo um dos principais problemas de poluição das águas. Conforme menciona o autor, a autodepuração é a capacidade de um curso d’água se recuperar por meio de mecanismos puramente naturais. O tempo necessário para a autodepuração depende do corpo receptor: em um rio ou mar, o fenômeno pode durar menos que em lagos, pois a agitação favorece a aeração do escoamento, acelerando o processo. Um fator importante a con- siderar na autodepuração é a capacidade de assimilação do corpo d’água. O autor coloca que, sob uma visão prática, a capacidade de um corpo d’água de assimilar despejos é um recurso a ser explorado, desde que não apresente problemas do ponto de vista ambiental. Esse lançamento de cargas poluidoras não pode ser admitido acima do limite aceitável, ou seja, acima da capacidade de assimilação do corpo d’água. Durante o processo de autodepuração, pode-se distinguir duas etapas principais: decomposição e recuperação do oxigênio dissolvido (OD). Durante a decomposição, existe uma demanda por oxigênio. Conforme Braga et al. (2005), essa quantidade de oxigênio dissolvido na água, necessária para a decomposição da matéria orgânica, é chamada de demanda bioquímica de oxigênio (DBO); ela é a quantidade de oxigênio que vai ser respirado pelos decompositores aeróbios para a decomposição completa da matéria orgânica lançada na água. A DBO varia conforme o tipo de despejo e serve como pa- râmetro indicador do potencial poluidor de certas substâncias biodegradáveis em relação ao consumo de OD. A segunda etapa, recuperação do OD, representa o período em que o consumo de oxigênio torna-se menor que a reposição, então, o oxigênio volta a aumentar no corpo hídrico. Essa reposição, segundo Braga et al. (2005), acontece pelas trocas atmosféricas, devido à turbulência no curso de água, e pela fotossíntese. Durante o processo de decomposição, o consumo normalmente é maior que a reposição por ambas as fontes, e, apenas quando o processo de decomposição cessa, a quantidade de oxigênio volta a aumentar. O processo de autodepuração é apresentado na Figura 1. É possível ob- servar as zonas características desse processo: zona de águas limpas, zona de degradação, zona de decomposição ativa, zona de recuperação e zona de águas limpas novamente. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto2 Figura 1. Regiões características do processo de autodepuração. Fonte: Adaptada de Braga et al. (2005, p. 90). O2 Vida aquática superior Zona de águas limpas Descarga de calor ou despejo T ip o s d e o rg a n is m o s C o n ce n tr a çã o Tempo ou distância Zona de águas limpas Zona de degradação Zona de decom- posição ativa Zona de recuperação Vida aquática superior Organismos mais resistentes Organismos mais resistentes Bactérias e fungos (anaeróbicos) DBO Direção ou fluxo Na Figura 1 também se pode observar que o oxigênio dissolvido (repre- sentado pela linha tracejada), encontra-se em uma concentração mais elevada antes do lançamento do efluente, passando a diminuir na zona de degradação e atingindo o menor valor na zona de decomposição ativa. Na zona de recu- peração, volta a aumentar até atingir uma concentração satisfatória. Braga et al. (2005) enfatiza que o nível de oxigênio reestabelecido não significa que a zona esteja livre de organismos patogênicos. Em relação à DBO, ela é baixa antes do lançamento do efluente, passando para valores máximos no momento do lançamento e decaindo até atingir o nível satisfatório. Sem dúvida, esse processo natural de tratamento de um esgoto lançado gera consequências ao meio ambiente. Quando existe a sobrecarga de nutrientes na água, ocorre um fenômeno conhecido como eutrofização, no qual há uma grande proliferação de algas e cianobactérias, que impedem a penetraçãoda luz solar no ambiente aquático. Sem luz, muitos organismos que dependem de fotossíntese acabam morrendo. A quantificação de DBO e OD durante o processo de autodepuração pode ser realizada através de modelos de qualidade de água. Segundo Von Sperling (2005), um dos primeiros modelos foi desenvolvido por Streeter e Phelps, em 1925, e representou um marco na história de Engenharia Sanitária e Ambiental. Posteriormente, vários outros modelos foram desenvolvidos, aumentando o número de variáveis e a complexidade, como o modelo de Camp (1954) e o 3Processos gerais e estações de tratamento de esgoto modelo QUAL2E, desenvolvido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Para que o afeito do lançamento in natura de esgotos seja minimizado, o esgoto deve passar por estações de tratamento de esgoto (ETE), onde ocorre o mesmo processo que naturalmente aconteceria em um corpo d’água, porém em condições controladas, que garantem qualidade na remoção de poluição. No tratamento de esgoto, são utilizadas como agentes bactérias aeróbias ou anaeróbias que, quando encontram condições favoráveis, reproduzem-se em grande quantidade, degradando a matéria orgânica presente no meio. Para que as condições ideais sejam reproduzidas, deve ser feito um correto dimensionamento do sistema, considerando as características do esgoto que chega à ETE (afluente) e as características do corpo receptor que receberá o esgoto depois de tratado (efluente). O efluente da ETE deve ser adequado ao corpo receptor, ou seja, não pode interferir na qualidade da água a ponto de prejudicar os usos que dela são feitos. No Brasil, a Resolução nº. 430, de 13 de maio de 2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente dispõe sobre condições, parâmetros, padrões e diretrizes para a gestão do lançamento de efluentes em corpos de água receptores. Conforme a resolução, para o lançamento direto de efluentes oriundos de sistemas de tratamento de esgotos sanitários, devem ser obedecidas condições como: � pH entre 5 e 9; � temperatura inferior a 40° C, e que a variação de temperatura não exceda 3° C na zona de mistura; � presença de no máximo 1 ml/litro de materiais sedimentáveis, sendo que, para o lançamento em lagos e lagoas, esses materiais deverão ser virtualmente ausentes; � máximo de 120 mg/litro de DBO, sendo que esse limite somente poderá ser ultrapassado no caso de ser efluente de sistema de tratamento com eficiência mínima de 60% na remoção de DBO ou mediante estudo de autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às metas do enquadramento do corpo receptor; � presença de óleos e graxas no limite máximo de 100 mg/litro; � ausência de materiais flutuantes. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto4 Pelo link a seguir, você pode acessar o texto completo da Resolução nº. 430/2011 e ler mais sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, em diferentes condições. https://goo.gl/E3zLSj Para adequar o efluente ao corpo receptor, o grau de tratamento em uma ETE pode variar, podendo existir diversas configurações e processos que alcancem a eficiência necessária. Conforme Braga et al. (2005), o nível de tratamento pode ser classificado, segundo o grau de eficiência, em: � tratamento preliminar; � tratamento primário; � tratamento secundário; � tratamento terciário. Veja a seguir detalhadamente cada um desses tratamentos. Processos de tratamento de esgoto No Brasil, a NBR 12.2009/1989 fixa as condições exigíveis para a elaboração de projeto hidráulico-sanitário de estações de tratamento de esgoto sanitário (ETE). Veja a seguir quais são os principais processos de tratamento dentro de cada nível. Tratamento preliminar Nesse primeiro nível, são retirados do esgoto os sólidos grosseiros, como lixo jogado indevidamente na tubulação de esgoto, folhas secas, restos de vegetais e tudo mais que pode ficar retido em sistema de gradeamento e sedimentado em caixa de areia. Esse procedimento preliminar permite melhorar a eficiência dos processos seguintes, evitando a danificação de equipamentos, como abrasão de bombas e tubulações, entupimento de tubulações ou desgaste da estrutura. 5Processos gerais e estações de tratamento de esgoto Entretanto, a matéria orgânica não é retida nesse primeiro processo. Veja um esquema do tratamento preliminar na Figura 2. Figura 2. Processo preliminar de tratamento do esgoto. Gradeamento Caixa de areia Medidor de vazão Tratamento primário Após passar pelo processo primário, o esgoto ainda contém sólidos em sus- pensão. Conforme Nuvolari (2011), a função dessa etapa é clarificar o esgoto, removendo os sólidos que podem sedimentar pelo seu próprio peso. Esse primeiro lodo formado é chamado de lodo primário bruto. O processo de decomposição de parte desse lodo ocorre de forma anaeróbia no fundo do decantador. Posteriormente, esse lodo é removido com bombas, raspadores ou tubulações e tratado adequadamente, já que nem todo o volume retirado se encontra estabilizado (segundo a NBR 12.209/1989, o lodo estabilizado é um lodo que não está sujeito à putrefação). Nesse processo, também podem ser removidos sólidos flutuantes (óleos e graxas). Veja um esquema do tratamento primário na Figura 3. Figura 3. Processo primário de tratamento de esgoto. Esgoto afluente Esgoto efluente (já decantado) Lodo primário Partícula em suspensão Processos gerais e estações de tratamento de esgoto6 Tratamento secundário O tratamento secundário remove a matéria orgânica e os sólidos em suspensão por meio de processos biológicos. Esses processos utilizam reações bioquími- cas, realizadas por microrganismos, que podem ser bactérias aeróbias, aeróbias facultativas, protozoários e fungos. A participação dos microrganismos é fundamental nesse processo. Os principais poluentes removidos são a matéria orgânica em suspensão, os sólidos não sedimentáveis, os nutrientes e patógenos — esses dois últimos, parcialmente. Existem diferentes processos que são considerados tratamento secundário. A escolha do mais adequado depende, basicamente, das caracte- rísticas do esgoto, das características climáticas do local, da disponibilidade de energia, da disponibilidade de espaço, entre outros fatores. Estas são as características de alguns dos processos mais utilizados. Lodos ativados: segundo Jordão e Pessoa (2014), lodo ativado é o floco produzido em um esgoto bruto ou decantado pelo crescimento de bactérias ou outros organismos, na presença de oxigênio dissolvido, e acumulado em concentração suficiente devido ao retorno de outros flocos previamente formados. Basicamente, o lodo recircula logo após ser separado do es- goto por sedimentação. O excesso de lodo é descartado (após tratamento adequado) e a maior parte retorna para o sistema, entrando em contato novamente com o esgoto bruto. O esgoto tratado é coletado por canaletas na superfície, onde passa para a próxima etapa. Visualize esse processo na Figura 4. Filtros biológicos: conforme Jordão e Pessoa (2014), o contato do esgoto afluente com a massa biológica contida nos filtros biológicos realiza uma oxidação bioquímica. O mecanismo do processo é caracterizado pela percolação contínua do esgoto através do meio suporte. A Figura 5 mostra um esquema de filtro biológico, no qual se pode observar o sistema de aspersão e o meio filtrante. A coleta é realizada por tubulações localizadas no fundo do filtro. 7Processos gerais e estações de tratamento de esgoto Figura 4. Esquema do tratamento de esgotos por lodo ativado convencional. Fonte: Nuvolari (2011). Figura 5. Representação esquemática de filtro biológico. Fonte: Von Sperling (2005). Biofilme Meio suporte Esgoto percolando Processos gerais e estações de tratamento de esgoto8 Reatores anaeróbios: essas estruturas são dimensionadas para que o trata- mento do esgoto seja realizado por microrganismos presentes em um manto de lodo formado no interior dos reatores anaeróbios. Conforme Jordão e Pessoa(2014), essas estruturas têm, basicamente, as seguintes partes: � câmara de digestão: onde se localiza o manto de lodo e onde se processa a digestão anaeróbia; � separador de fases: dispositivo que separa as fases líquida e gasosa da fase sólida (é, na verdade, um defletor de gases); � zona de transição: se encontra entre a zona de digestão e a zona de sedimentação superior; � zona de sedimentação: o esgoto, com uma velocidade ascensional, verte pelas aberturas superiores, permitindo que os sólidos ainda presentes sedimentem e retornem para as zonas de transição e digestão; � zona de acumulação de gás: zona onde o gás se acumula para ser co- letado posteriormente. Conforme os autores, um bom projeto de reator costuma obter um efluente com eficiência da ordem de 70% de remoção de DBO. No caso de esgotos domésticos, geralmente, pode-se obter um efluente com concentração má- xima de DBO inferior a 120 mg/litro e de sólidos suspensos inferior a 80 mg/ litro. Esses valores são influenciados pelo tempo de detenção hidráulico que, tipicamente, está entre 6 a 10 horas. O tempo de detenção hidráulico é o tempo que o efluente é retido no reator. A Figura 6 mostra um reator anaeróbio de fluxo ascendente (RAFA), conhecido também por sua sigla em inglês, UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket). 9Processos gerais e estações de tratamento de esgoto Figura 6. Representação esquemática de um reator tipo RAFA ou UASB. Fonte: Adaptada de Jordão e Pessoa (2014, p. 832). Saída de biogás Separador trifásico Defletor de gases Bolhas de gás Partículas de lodo Compartimento de digestão Compartimento de decantação Abertura para o decantador Manta de lodo Leito de lodo Afluente Coleta do efluente Lagoas de estabilização: conforme Jordão e Pessoa (2014), lagoas de estabili- zação são sistemas de tratamento biológico em que a estabilização da matéria orgânica é realizada pela oxidação bacteriológica e/ou redução fotossintética das águas. De acordo com a forma predominante pela qual se dá a estabilização da matéria orgânica, as lagoas podem ser classificadas em: � lagoas anaeróbias: nelas predominam processos de fermentação anaeró- bia; imediatamente abaixo da superfície, não existe oxigênio dissolvido; � lagoas facultativas: nelas ocorrem simultaneamente processos de fer- mentação anaeróbia, oxidação aeróbia e redução fotossintética; � lagoas de maturação: elas têm como objetivo principal a remoção de organismos patogênicos — bactérias, vírus, protozoários e ovos de helmintos. A redução de sólidos em suspensão e de DBO é praticamente nula, sendo esse tipo de lagoa utilizado no tratamento terciário. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto10 A lagoa é basicamente um sistema onde o esgoto entra em uma extremidade e é coletado na extremidade oposta. Esse processo demora vários dias, e o tempo de permanência (tempo de detenção) depende do tipo de lagoa. A Tabela 1 resume algumas características das principais lagoas utilizadas atualmente: Fonte: Adaptada de Von Sperling (1995). lagoas facultativas lagoas anaeróbias lagoas de maturação tempo de detenção (dias) 15 a 45 3 a 6 * profundidade (m) 1,5 a 2 3 a 5 0,8 a 12 relação comprimento/ largura 2 a 4 1 a 3 ** relação comprimento/ largura 2 a 4 1 a 3 ** * depende do formato da lagoa e da eficiência requerida; ** em lagoas de maturação chicaneadas em célula única >10 e em série de mais de 3 lagoas, varia de 1 a 3. Tabela 1. Resumo das características das principais lagoas utilizadas As lagoas, apesar de demandarem uma área grande em relação a outros processos, apresentam boa eficiência, principalmente em regiões com clima quente. A Figura 7 mostra um esquema de funcionamento de uma lagoa fa- cultativa e de um sistema australiano, que é a utilização em conjunto de lagoa anaeróbia e lagoa facultativa. Esse sistema é bastante utilizado, pois, com a remoção de DBO na faixa de 50 a 70% na lagoa anaeróbia, o efluente entra em uma lagoa facultativa requerendo uma área menor. De acordo com Von Sperling (1995), esse sistema requer cerca de 45 a 70% da área em comparação a uma única lagoa facultativa. 11Processos gerais e estações de tratamento de esgoto Figura 7. Esquema mostrando o funcionamento de (a) lagoa facultativa e (b) lagoa anaeróbia seguida de facultativa (sistema australiano). Fonte: Adaptada de Von Sperling (1995, p. 19 e 62). Grade Caixa de areia Fase sólida Medidor de vazão Lagoa facultativa Lagoa facultativa Lagoa anaeróbica - lagoa facultativa Corpo receptor Grade Caixa de areia Fase sólida Medidor de vazão Lagoa facultativaLagoa anaeróbica Corpo receptor a) b) Além dos processos citados, existem alternativas para o tratamento se- cundário, que são utilizadas em tratamentos de volumes menores. Uma das experiências em maior escala no Brasil é a estação de tratamento ecológica de Juturnaíba, que faz parte do sistema de coleta e tratamento de esgoto dos municípios de Araruama, Saquarema e Silva Jardim, no Rio de Janeiro. Essa estação utiliza plantas para a absorção de nutrientes, principalmente nitrogê- nio e fósforo, como última etapa do tratamento. A Figura 8 mostra o sistema utilizado na estação de Juturnaíba. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto12 Figura 8. Plantas usadas no lugar de produtos químicos na ETE ecológica de Juturnaíba (RJ). Fonte: Como será (2015). No link a seguir, você encontra um artigo sobre a utilização de plantas no tratamento de esgoto, “Componentes do sistema de tratamento de esgoto com plantas”. https://goo.gl/7na43W Tratamento terciário Este tratamento é utilizado quando se deseja obter um tratamento de qualidade superior para os esgotos. Nele são removidos poluentes específicos (micro- nutrientes e patógenos), além de outros poluentes não retidos no tratamento primário e secundário. No tratamento terciário, removem-se compostos como nitrogênio e fósforo, além da remoção completa da matéria orgânica. 13Processos gerais e estações de tratamento de esgoto Entre os principais métodos de tratamento terciário estão as lagoas de maturação e os processos de desinfecção por cloração, raios ultravioleta ou ozonização. A lagoa de maturação é uma alternativa mais barata a outros métodos, pois a desinfecção é possibilizada basicamente pela penetração da luz solar, elevado pH (devido à atividade fotossintética) e elevada presença de oxigênio dissolvido. Tratamento do lodo O lodo proveniente de estações de tratamento deve ser corretamente descar- tado. Conforme o Brasil (2008), as etapas de tratamento de lodo de ETEs são quatro: adensamento, estabilização, desidratação e higienização. Mas nem todo resíduo gerado durante o tratamento necessita passar por todas essas etapas. O adensamento consiste em concentrar os sólidos presentes no lodo para reduzir sua umidade. Pode ser realizado por gravidade ou por flotação, que consiste na adição de um polímero que facilita o arraste e o acúmulo do lodo na superfície do tanque. A estabilização pode ser realizada por digestão anaeróbia, aeróbia, tratamento térmico ou ainda estabilização química. A desidratação pode ser realizada por processos naturais ou mecânicos (leito de secagem, como exemplo de desidratação natural, e prensa desaguadora, como exemplo de desidratação mecânica). Existem diferentes métodos para a higienização; entre os mais usados estão a adição de cal e a composta- gem. A necessidade de higienização depende da destinação final, já que a incineração ou a disposição em aterro sanitário requerem uma higienização menos rigorosa. Veja na Figura 9 um esquema mostrando o método utilizado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) até o destino final do lodo gerado nas ETEs da companhia. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto14 Figura 9. Processo de secagem e destinação final do logo gerado em ETEs da Sabesp. Fonte: São Paulo ([201-?]). Tratamentos em locais sem coleta públicade esgoto Existem locais onde não há coleta pública, então, deve ser dado um tratamento individual adequado ao esgoto gerado. Esses casos se aplicam principalmente 15Processos gerais e estações de tratamento de esgoto em áreas rurais. Um dos tratamentos mais utilizados em residências é a fossa séptica. De acordo com Jordão e Pessoa (2014), a fossa séptica consiste em uma câmara construída especialmente para reter os esgotos por determinado tempo, de modo a permitir a sedimentação dos sólidos e a retenção de materiais graxos, transformando-os em compostos mais simples e estáveis. Esse processo pode obter uma eficiência entre 30 e 65% na remoção de DBO. A retenção do esgoto na fossa pode variar de 24 a 12 horas, dependendo das condições do esgoto. Nesse período de retenção ocorre a sedimentação e a decomposição anaeróbia do lodo. O autor ainda cita os processos mais eficientes e econômicos de disposição do efluente da fossa séptica: diluição, sumidouro, vala de infiltração, vala de filtração e filtro de areia. A diluição deve satisfazer as exigências, tanto para o efluente quanto para o corpo receptor. O sumidouro é um poço absorvente onde o efluente se infiltra no solo. A vala de infiltração consiste em uma vala preparada para receber e infiltrar o efluente sobre o solo. A vala de filtração consiste em uma vala preparada com tubulações de coleta, onde o efluente é despejado na superfície e coletado pelas tubulações (pode ser usado como um tratamento complementar, podendo chegar a uma eficiência de 95% na remoção de DBO). Antes da destinação final, o efluente da fossa pode receber tratamento complementar; nesse caso, geralmente são utilizados filtros anaeróbios de fluxo ascendente, que consistem em uma câmara com camadas de material filtrante. A utilização de fossa e filtro em conjunto chegam a uma eficiência de 70 a 85% na remoção de DBO. A estação de tratamento de esgoto de Barueri é uma das maiores da Sabesp. Localizada no município de Barueri, ela serve a maior parte da cidade de São Paulo. Também atende aos municípios de Jandira, Itapevi, Barueri, Carapicuíba, Osasco, Taboão da Serra, Santana do Parnaíba e partes de Cotia, Embu e Itapecerica da Serra. Veja algumas características dessa ETE. � data de início da operação: 11 de maio de 1988; � pessoas beneficiadas: 5,76 milhões de habitantes; � vazão média de projeto: 12 mil litros por segundo; � vazão atual: 9.906 litros/segundo (média de 2016). O processo de tratamento empregado é o de lodo ativado convencional e em nível secundário, com grau de eficiência de cerca de 90% de remoção de carga orgânica. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto16 Os esgotos são transportados para a estação através de um sistema de esgotamento constituído por coletores-tronco, emissários, interceptores e linha de recalque, totali- zando aproximadamente 251 quilômetros de extensão. Figura 10. Imagem da estação e tratamento de esgoto de Barueri (SP). Fonte: São Paulo ([201-?]). 1. Quais são os níveis de tratamento para o esgoto? a) Preliminar, primário, secundário, secundário complementar e terciário. b) Preliminar, primário, secundário e terciário. c) Primário, secundário e terciário. d) Preliminar, secundário e terciário. e) Secundário, preliminar, terciário e preliminar. 2. Quais são os efeitos positivos do saneamento básico? a) Melhoria da saúde da população e redução dos recursos aplicados no tratamento de doenças. b) Melhoria do potencial produtivo das pessoas; dinamização da economia e geração de empregos; eliminação da poluição estético-visual e desenvolvimento do turismo. c) Eliminação de barreiras não tarifárias para os produtos exportáveis das empresas locais; conservação ambiental; melhoria da imagem institucional; reconhecimento dos eleitores. d) Diminuição dos custos de tratamento da água. e) Todas as alternativas estão corretas 3. Os investimentos em esgoto sanitário têm um forte impacto positivo sobre a economia dos municípios, com valorização dos imóveis residenciais e comerciais. Além desse impacto, podem-se citar: a) a viabilização da instalação de novos negócios e o crescimento dos já instalados. b) o crescimento da atividade de construção civil para atender o aumento da procura 17Processos gerais e estações de tratamento de esgoto de imóveis; a criação de novos empregos a partir da dinamização da construção civil, da abertura de novos negócios ou do crescimento daqueles já existentes; o aumento da arrecadação municipal de tributos. c) a viabilização da instalação de novos negócios e o crescimento dos já instalados; o crescimento da atividade de construção civil para atender o aumento da procura de imóveis; a criação de novos empregos a partir da dinamização da construção civil, da abertura de novos negócios ou do crescimento daqueles já existentes; o aumento da arrecadação municipal de tributos. d) a criação de novos empregos a partir da dinamização da construção civil, da abertura de novos negócios ou do crescimento daqueles já existentes. e) a abertura de novos negócios ou do crescimento daqueles já existentes. 4. As características dos esgotos, de uma forma geral, são determinadas pelas impurezas incorporadas à água em decorrência do uso para o qual ela foi destinada. Considerando o esgoto doméstico, quais parâmetros devem ser analisados? a) Sólidos, indicadores de matéria orgânica, nutrientes e indicadores de contaminação fecal. b) Indicadores de matéria orgânica e indicadores de contaminação fecal. c) Indicadores de matéria orgânica, nutrientes e indicadores de contaminação fecal. d) Sólidos, indicadores de matéria orgânica e indicadores de contaminação fecal. e) Nutrientes e indicadores de contaminação fecal. 5. Quais são os principais impactos gerados pelo lançamento de poluentes nos cursos d’água? a) A contaminação pelos organismos patogênicos e a eutrofização. b) A redução da concentração de oxigênio dissolvido e a eutrofização. c) A redução da concentração de oxigênio dissolvido e a contaminação pelos organismos patogênicos e a eutrofização. d) A redução da concentração de oxigênio dissolvido e a contaminação pelos organismos patogênicos. e) Nenhuma alternativa anterior. Processos gerais e estações de tratamento de esgoto18 BRAGA, B. et al. Introdução à engenharia ambiental. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. BRASIL. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (Org.). Transversal: lodo gerado durante o tratamento de água e esgoto: guia do profissional em treinamento: nível 2. Brasília, DF: Ministério das Cidades, 2008. BRASIL. Resolução nº. 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e pa- drões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução nº. 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. DOU, Brasília, DF, n. 92, p. 89, 16 maio 2011. COMO SERÁ. Estação de tratamento usa plantas no lugar de produtos químicos. 2015. Disponível em: <http://redeglobo.globo.com/como-sera/noticia/2015/07/estacao- de-tratamento-usa-plantas-no-lugar-de-produtos-quimicos.html>. Acesso em: 20 jun. 2018. JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de esgotos domésticos. 7. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2014. NUVOLARI, A. (Coord.). Esgoto sanitário: coleta, transporte, tratamento e reúso agrícola. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2011. SÃO PAULO. Companhia de Saneamento Básico do Estado. Estação Barueri. [201?]. Disponível em: <http://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=49>. Acesso em: 20 jun. 2018. VON SPERLING, M. V. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed. Belo Horizonte: UMFG, 2005. (Princípios do tratamento biológico de águas residuárias, 1). VON SPERLING, M. V. Lagoas de estabilização. 2. ed. Belo Horizonte: UFMG, 1995. Leituras recomendadas BARROS,