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TÉCNICAS DE MAQUIAGEM, VISAGISMO E DESIGN DE SOBRANCELHAS (Unidade 2) Leticia Chaves; Jucelma da Silva Cardoso; Flávia Garramone; Francisca Kelcia de Sousa Lima; Kelly Nara Grego Correa; Caroline Borges Azevedo; Lucimar Fernandes de Lima; Bruno César de Albuquerque Ugoline. Organizadora: Cynthia de Cássia. Técnicas de Maquiagem, Visagismo e Design de Sobrancelhas © by Ser Educacional Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Imagens e Ícones: ©Shutterstock, ©Freepik, ©Unsplash, ©Wikimedia Commons. Diretor de EAD: Enzo Moreira. Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato. Coordenadora de projetos EAD: Jennifer dos Santos Sousa. Equipe de Designers Instrucionais: Carlos Mello; Gabriela Falcão; Isis Oliveira; José Felipe Soares; Márcia Gouveia; Mariana Fernandes; Mônica Oliveira; Nomager Sousa. Equipe de Revisores: Emily Pacífico; Everton Tenório; Lillyte Berenguer; Nathalia Araujo. Equipe de Designers gráficos: Bruna Helena Ferreira; Danielle Almeida; Jonas Fragoso; Lucas Amaral; Sabrina Guimarães; Sérgio Ramos e Rafael Carvalho. Ilustrador: João Henrique Martins. Chaves, Leticia; Cardoso, Jucelma da Silva; Garramone, Flávia; Lima, Francisca Kelcia de Sousa; Correa, Kelly Nara Grego; Azevedo, Caroline Borges; Lima, Lucimar Fernandes de; Ugoline, Bruno César de Albuquerque. Organizador(a): Cássia, Cynthia de. Técnicas de Maquiagem, Visagismo e Design de Sobrancelhas: Recife: Editora Grupo Ser Educacional e CENGAGE- 2023. 42 p.: pdf ISBN: --- Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com Iconografia Estes ícones irão aparecer ao longo de sua leitura: ACESSE Links que complementam o contéudo. OBJETIVO Descrição do conteúdo abordado. IMPORTANTE Informações importantes que merecem atenção. OBSERVAÇÃO Nota sobre uma informação. PALAVRAS DO PROFESSOR/AUTOR Nota pessoal e particular do autor. PODCAST Recomendação de podcasts. REFLITA Convite a reflexão sobre um determinado texto. RESUMINDO Um resumo sobre o que foi visto no conteúdo. SAIBA MAIS Informações extras sobre o conteúdo. SINTETIZANDO Uma síntese sobre o conteúdo estudado. VOCÊ SABIA? Informações complementares. ASSISTA Recomendação de vídeos e videoaulas. ATENÇÃO Informações importantes que merecem maior atenção. CURIOSIDADES Informações interessantes e relevantes. CONTEXTUALIZANDO Contextualização sobre o tema abordado. DEFINIÇÃO Definição sobre o tema abordado. DICA Dicas interessantes sobre o tema abordado. EXEMPLIFICANDO Exemplos e explicações para melhor absorção do tema. EXEMPLO Exemplos sobre o tema abordado. FIQUE DE OLHO Informações que merecem relevância. SUMÁRIO UNIDADE 2 Método de linha � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 15 Pinça � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 16 Métodos e técnicas de remoção dos pelos: epilação e depilação � � 17 Métodos epilatórios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �18 Métodos depilatórios � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �19 Métodos e técnicas de camuflagem de sobrancelhas � � � � � � � � � � � �20 Camuflagem � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 23 Camuflagem temporária � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 24 Henna � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 25 Fatores que influenciam na durabilidade da coloração � � � � � � � � � � � � � 27 Aplicabilidade da teoria dos fototipos e dos tipos cromáticos de pele � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �29 Teste cromático � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 34 Coloração dos pelos das sobrancelhas� � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 34 Coloração dos pelos das sobrancelhas – introdução à micropigmentação � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 35 Correção � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 40 Visagismo – princípios da linguagem visual � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 41 Contexto histórico � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �41 Linguagem visual � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �42 Cores no Visagismo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 44 História da imagem pessoal � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 44 Beleza e estilo – histórico e conceitos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �45 Conceito de estilo � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 46 Personalidade e temperamento – conceitos � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �47 Apresentação Olá, estudante! Seja bem-vindo(a) à disciplina de Técnicas de maquiagem, Visa- gismo e Design de Sobrancelhas. Esta disciplina tem como obje- tivo apresentar as principais técnicas de maquiagem, modelagem dos pelos e valorização da beleza facial, levando em consideração a biossegurança. Ao longo dos materiais, você irá conhecer e se aprofundar acerca dos princípios e conceitos do visagismo, maquiagem e valo- rização do olhar. Está animado(a)? Temos certeza de que os conteú- dos abordados auxiliarão você em seu desenvolvimento profissional e prática clínica. Bons estudos! Autoria Leticia Chaves. Formada em Letras Francês/Português pela PUC-SP, possui pós- -graduação em Docência no Ensino Superior. É sócia e diretora da Agência Boucle, uma empresa com foco na educação/capacitação de profissionais da área da beleza. Atua como docente do Curso de Es- tética e Cosmética da Universidade Cruzeiro do Sul, onde também é coordenadora do curso de Formação Profissional. Cabeleireira for- mada pela Soho Hair Academy, também possui formação em aca- demias como o Instituto LLongueras, Vidal Sasson Academy e Pivot Point Academy, além de ser revisora técnica dos livros “Spa e salões de beleza” e “Tricologia e a química cosmética”, ambos da editora Milady. Jucelma da Silva Cardoso. Graduada em Estética e Cosmética pela IESP. Possui pós-graduação em Terapias Naturais e Holística pela Faculdade Estratego (Núcleo Avançado de Pós-graduação), da Paraíba. Atuou como professora na área Capilar e Podologia no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e Senac do Rio Grande do Norte; no Senac da Paraíba, atuou como docente na área Capilar, Podologia, Depilação Corporal e Facial. Atualmente trabalha em uma clínica de estética em João Pessoa, PB, e atua na administração de cursos livres. Currículo Lattes Currículo Lattes Flávia Garramone. Especialista em Docência no Ensino Superior pela Universidade Ca- tólica Dom Bosco (UCDB) e em Acupuntura pela Faculdade de Me- dicina Chinesa (FTEBRAMEC); também é tecnóloga em Estética e Cosmetologia pela Universidade Anhembi Morumbi. Possui expe- riência em estética clínica, Spa e docência desde 2006. Ministrou aulas de estética facial, corporal e eletroterapia, atuando também como auxiliar de coordenação pedagógica. Atualmente é professora conteudistaem EaD. Francisca Kelcia de Sousa Lima. Bacharel em Estética e Cosmetologia, formada pela Universidade Anhembi Morumbi, e pós-graduanda em Docência de Ensino Supe- rior e Tutoria em EaD. Atua na área da estética em vários segmentos há quase 10 anos, como clínicas de estética, cirurgia plástica e Spas. Como consultora, produz, desenvolve e implementa projetos rela- cionados à estética em clínicas. Docente de diversos cursos na área da estética, já ministrou aulas em instituições de renome como Cruz Vermelha, Senac e Universidade Braz Cubas como tutora do curso de estética EaD, além de produzir conteúdos relacionados à área da beleza e bem-estar para cursos de estética. Currículo Lattes Currículo Lattes Kelly Nara Grego Correa. Graduada em Estética Facial, Corporal e Capilar pelo Centro Uni- versitário Anhanguera, e em Pedagogia - Formação Pedagógi- ca para Portadores de Diploma pela Faculdade Unigran Capital. É pós-graduada em Estética e Imagem Pessoal pela Faculdade Uni- gran Capital, e em Ludopedagogia Infantil pela Faculdade Famart. Atuou como supervisora de práticas assistidas no curso de Estéti- ca no Centro Universitário Unigran Capital entre os anos de 2017 e 2019. Atualmente trabalha com atendimentos estéticos particulares e clínicos. Caroline Borges Azevedo. Graduada em Estética e Cosmetologia, e em Química Industrial; as- sim como é mestre em Ciências, todos pela Universidade de Franca, SP. Atuou como docente em cursos técnicos e tecnológicos em Es- tética na Universidade de Franca e na Unilago, em São José do Rio Preto – SP. Foi docente em cursos de Engenharia nas disciplinas na área de química, na Unilago. Foi professora substituta no Insti- tuto Federal de São Paulo, Campus Catanduva, no curso técnico de Química integrado ao Ensino Médio. Atualmente é doutoranda na Universidade de Franca, SP, bolsista Fapesp, com projeto na área de química voltada à saúde. Currículo Lattes Currículo Lattes Lucimar Fernandes de Lima. Graduada em Estética e Cosmética pela Universidade Potiguar – RN; especialista em estudos em Tricologia pela Faculdade de Paraíso do Norte; e mestre em Ciência, Tecnologia e Inovação pela Universi- dade Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente é doutoranda em Biotecnologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Bruno César de Albuquerque Ugoline. Farmacêutico Industrial graduado pelo Centro Universitário New- ton Paiva, MG, (2006); Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Pitágoras, MG, (2012); Mestre e Doutor pelo Progra- ma de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Ouro Preto (2012 e 2017). Trabalhou no mercado farma- cêutico por cerca de 8 anos, com principal atuação no setor magistral e em programas institucionais de controle do uso de entorpecentes. Experiência em docência do ensino superior desde 2012 em Institui- ções como UNEC (Caratinga/MG) e UNIBH. Professor convidado de pós-graduação em Controle de Qualidade de Medicamentos (Univi- çosa, 2012). Foi professor substituto nas disciplinas de Farmacotéc- nica, Introdução às Operações Unitárias e Estágio na Universidade Federal de Ouro Preto (2017 a 2019). Atualmente, é Coordenador da área da saúde e professor titular da Faculdade Santa Rita (FaSaR/ MG) e membro do banco nacional de avaliadores de instituições de ensino superior do INEP/MEC. Currículo Lattes Currículo Lattes Organizadora Cynthia de Cássia. Olá, estudante! Sou a professora Cynthia de Cássia. Sou tecnóloga em Estética e Cosmética e docente do Grupo Ser Edu- cacional há alguns anos, lecionando para o curso de Estética, Cos- mética e Podologia. Sou especialista em Metodologia do Ensino a Distância e pós-graduanda em Estética e Cosmética. Além disso, sou graduanda em biomedicina pelo Grupo Ser Educacional. Possuo experiência profissional na área de maquiagem social e artística há dezoito anos, tendo trabalhado na equipe de cabelo e maquiagem das cerimônias de abertura e encerramento dos jogos olímpicos e paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Além disso, lecionei tem- porariamente no SENAC Paulista em Pernambuco para o curso téc- nico de Estética, além de realizar atendimentos pós-operatórios e terapêuticos até hoje e ministrar palestras e cursos dentro da minha área de atuação. Currículo Lattes UN ID AD E 2 Visagismo e design de sobrancelhas Objetivos 1. Conhecer as técnicas de linha, pinça e micropigmentação; 2. Compreender os princípios da linguagem visual; 3. Conhecer os conceitos de beleza e estilo; 4. Identificar e analisar os temperamentos de acordo com o visagismo. 12 Introdução Olá, estudante! Neste momento, iremos aprender sobre as técnicas de linha, pinça e henna, além de introdução à micropigmentação e princípios da lin- guagem visual, bem como conheceremos sobre a História da ima- gem pessoal e análise do temperamento. Posteriormente, serão abordados os principais conceitos sobre equilíbrio e harmonia, análise dos rostos e suas proporções, além da dinâmica das linhas. Por fim, entenderemos sobre análise da cor da pele, História da beleza e maquiagem, colorimetria, visa- gismo, biossegurança e correção das maquiagens. As técnicas de embelezamento do olhar incluem o método de linha, pinça e henna, além da micropigmentação, uma vez que permite preencher as sobrancelhas com diferentes técnicas, valo- rizando o olhar. Além disso, é necessário que o profissional entenda sobre os princípios da linguagem visual, imagem pessoal, beleza, estilo e co- nheça os temperamentos do Visagismo. Está animado(a)? Tenho certeza de que os conteúdos aborda- dos auxiliarão você em seu desenvolvimento profissional e prática clínica. Sendo assim, vamos dar início ao nosso conteúdo. 13 Método de linha A linha é uma técnica inovadora e supervalorizada para alinha- mento dos fios, garantindo uma pele mais clara, pois faz o efeito de lifting. Por ser a sobrancelha uma área delicada e sensível, use a técnica com atenção para não correr riscos graves. Diferente de outras técnicas, a linha extrai os fios da raiz ou seja (bulbo), deixa a sensação de pele macia e lisa com uma durabi- lidade maior para os clientes. Simples e natural e muito valorizada, chegando a ser até mais cara que o designer de sobrancelha com a pinça. Figura 1 – Aplicação da técnica de linha. Fonte: privetik (2019). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/ br/foto/corre%C3%A7%C3%A3o-da-sobrancelha-com-uma-linha- branca-gm1179452341-330038255?phrase=eyebrow+threading+wom an>. Acesso em: 19 set. 2023. A linha é envolvida entre duas mãos, lembrando uma tesou- ra, tracionando os fios quando o passa na pele, retirando o pelo e eliminando as células mortas, deixando a pele mais claras e dando a pele um efeito de lifting clareador. A linha também elimina as car- ruagens (pelinhos pequenos que ficam em volta das sobrancelhas e que precisam de uma técnica mais precisa) que, com uma pinça se torna mais demorado. 14 Para aplicação do método de linha, é necessário fazer um curso es- pecífico, no intuito de melhor compreender as ferramentas a serem usadas e a melhor forma de utilizá-las! Pinça O método da pinça é um dos mais utilizados e conhecidos pelos pro- fissionais. A técnica consiste em utilizar pinças de tamanhos e for- matos variados para retirar os pelos existentes em desconformidade com o desenho e marcação feitas para a modelagem das sobrance- lhas. Por retirar o pelo desde a raíz, é considerado um método epila- tório. Você verá mais sobre esses métodos nos próximos tópicos. As pinças podem ser retas, chanfradas e de ponta fina. As pinças retas são utilizadas para limpar o contorno das sobrancelhas e retirar o excesso de pelos; as pinças chanfradas são mais recomendadas para a parte inferior das sobrancelhas e pelos encravados, pois retira pe- los longos e cutros; por fim, a pinça de ponta fina, também chamada de agulha, auxilia no acabamento e assertividade do desenho, pois, remove pelos muito pequenosou póximos daqueles que não devem ser removidos. Isso impede falhas no desenho. Com relação à biossegurança, é necessário que, caso não se- jam descartáveis, as pinças sejam esterelizadas na autoclave antes e após seu uso. DICA 15 Figura 2 – Tipos de pinça. Fonte: Pavel Vozmischev (2018). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/br/foto/ferramentas-de- artista-e-sobrancelha-maquiagem-corte-o-fundo-e-flatley-tesouras- gm1077060808-288479258>. Acesso em: 19 set. 2023. Métodos e técnicas de remoção dos pelos: epilação e depilação Os métodos de remoção das sobrancelhas dividem-se em dois tipos, sendo eles: Tabela 1 - Métodos depilatórios e epilatórios. EPILAÇÃO DEPILAÇÃO Remoção e/ou extração integral dos pelos, incluindo o folículo piloso. Remoção e/ou extração superfi- cial dos pelos, não alcançando o folículo piloso, que se encontra em sua estrutura interna. Fonte: elaborado pela autora (2023). 16 Métodos epilatórios Dentre os métodos mais usados de epilação na aplicação do design de sobrancelha, destacam-se os procedimentos que utilizam a pin- ça e os que utilizam a cera. Cera: consistem em substâncias vegetais, destinadas à re- moção total dos pelos, por possuir sua capacidade de extrema ade- rência aos mesmos. A cera pode-se apresentar em dois tipos: a cera quente, que depende de aquecimento prévio da cera e para sua uti- lização e a cera fria, que já vem pronta para o uso. A cera quente é adquirida em blocos rígidos e precisa ser aquecida para ganhar flexibilidade e amolecimento, facilitando, desse modo, a aplicação nas regiões que se pretendem remover os pelos. Após a aplicação, a cera esfria e volta ao seu estado rígido e duro, aderindo-se completamente ao pelo, permitindo que, desse modo, o profissional remova os pelos. Elas podem ser aquecidas em aquecedores especiais e o profissional deverá consultar o seu fabricante para saber quais são as especificações, de acordo com a sensibilidade da região da sobrancelha e do rosto. Já a cera fria se encontra em seu estado flexível e, por este motivo, já vem aplicada em tiras de bandas de papel específicos para epilacão, onde o profis- sional pode aplicar diretamente na pele. Para utilização de ambos os tipos de cera, o profissional deve priorizar casos em que os pelos estejam longos para, assim, obter melhores condições de aderência da cera aos mesmos. Em design, a cera quente é a mais indicada, uma vez que a temperatura mais elevada auxilia na abertura dos poros, facilitando a retirada dos pelos indesejados. Já a cera fria é a mais comum e fácil de se utilizar, sendo considerada uma alternativa caseira, destinada ao consumidor final. 17 Figura 3 - Cera quente utilizada no design de sobrancelhas. Fonte: CasarsaGuru (2020). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/pt/foto/applying-gold-colored-wax- with-spatula-on-womans-face-stock-photo-gm1219595426-356803893>. Acesso em: 20 set. 2023. Uma das principais desvantagens de uso desta técnica está associada ao desconforto que ela promove, pois trata-se de um procedimento que é doloroso, não sendo indicado para clientes que possuem muita sensibilidade à dor. Como alternativa para esse pú- blico, pode-se utilizar a cera de baixa temperatura, que também é aquecida previamente, mas ao aplicar, ela forma uma fina película que facilita a sua remoção, diminuindo o impacto de dor do cliente. Esse tipo de cera é indicado para peles sensíveis. Pinça: a técnica de epilacão com pinça é destinada, em geral, para a região facial, em pequenas localidades e/ou para a remoção de pelos mais resistentes. A ferramenta é comumente utilizada para a remoção dos pelos sobressalentes, após depilação com cera ou li- nha e, ainda, é muito utilizado para a remoção de pelos, demarcan- do o contorno das sobrancelhas. Métodos depilatórios Os métodos de depilação removem os pelos superficialmente tendo a sua durabilidade de resultado um pouco reduzida. Como principais 18 vantagens, destacam-se o baixo custo para o profissional, sua pro- priedade antialérgica, sua rapidez e eficácia, além de não encravar os pelos. Dentre os métodos mais usados de depilação, na aplicação do design de sobrancelha, a linha egípcia é, sem dúvida, a mais utiliza- da técnica da atualidade. Depilação egípcia com linha: técnica que se utiliza de uma linha, que possui o comprimento aproximado de 80cm e 1m, e é ma- nobrada com as mãos, com o intuito de entrelaçar a linha ao pelo, cortando-o rente a pele. Nesse caso, não há a remoção total do pelo apenas seu corte rente. Utiliza-se uma linha fina de costura, 100% algodão, que será torcida em forma de oito, onde o profissional vai deslizando a linha sobre a pele, para cortar o pelo rente a pele. A técnica possibilita o corte mais eficiente dos pelos do ros- to e das sobrancelhas, por meio de uma sequência de movimentos firmes. Uma das grandes desvantagens deste método diz respeito à sensibilidade, pois trata-se de um procedimento dolorido. Nesse caso, é comum o uso de calmantes após o processo. Além disto, deve ser realizada com intervalos de aproximadamente 40 dias, onde há a possibilidade de diminuição progressiva de crescimento dos pelos na região, sem o risco de engrossar ou aumentar a sua quantidade. Métodos e técnicas de camuflagem de sobrancelhas Atualmente, muitas pessoas recorrem ao design de sobrancelha para tornar seu visual mais harmônico e atingir um padrão estéti- co. Assim, o designer deve estar preparado para melhor orientar o cliente e atingir seu objetivo. Seu trabalho é realizado em etapas e o seu fluxo é dividido da seguinte maneira: Quadro 1 - Etapas de execução do design de sobrancelhas. definição da simetria facial e/ou personalização da sobrancelha; definição do desenho; 19 definição das etapas de execução. Fonte: elaborado pela autora (2023). Dentre as etapas de execução, é importante destacar que o profissional sempre irá se deparar com três demandas distintas, são elas: • sobrancelhas com implantação natural dos pelos, que bus- cam um desenho mais harmonioso e personalizado; • correção e camuflagem de falhas, para indivíduos com al- gum tipo e/ou nível de perda dos pelos da sobrancelha; • retificação de procedimentos anteriores de design, que não obtiveram o resultado esperado. Para atender tais demandas de execução, o designer irá apli- car os métodos de camuflagem ou de correção, sendo a camuflagem definida pela arte ou efeito criado, com o intuito de dissimular e/ ou disfarçar falhas e aspectos indesejados da sobrancelha, aperfei- çoando-a. Já a correção, é definida pela retificação do que está er- rado ou imperfeito na sobrancelha, oriundo de falhas técnicas e de procedimentos malsucedidos anteriormente. Uma das principais causas que impulsionam a procura pelos serviços de camuflagem está associada aos problemas que acome- tem o desenvolvimento normal dos pelos, fazendo com que as so- brancelhas apresentem falhas e imperfeições. A origem genética e as patologias são apontadas como as grandes responsáveis por tais problemas. A origem genética impacta diretamente os tipos de pelos das sobrancelhas e essa é uma característica inata. Dentre a tipolo- gia natural dos pelos, fatores como espessura, densidade e a pig- mentação são determinantes. É possível traçar as seguintes relações entre as características das sobrancelhas: • sobrancelhas com variação de espessura grossa ou mediana são mais comuns, com densidade sólida e de coloração/pig- mentação escura; 20 • sobrancelhas de variação de espessura fina ou extremamen- te fina são mais raras e possuem densidade falhada ou es- parsa, além de coloração/pigmentação natural clara. Em relação às patologias que desencadeiam a perda dos pe- los, pode-se destacar quatro grandes grupos que merecem a nossa atenção, são eles: Quadro 2 - Patologias que causam a perda dos pelos. Displasias congênitas: consistem em alterações na constituição dos pelos humanos, que são ocasiona-das geneticamente. Doenças raras, como a moniletrix e a síndrome de netherton são exemplos de patolo- gias que promovem a degeneração da matriz do pelo e formação de fios finos e fracos. A moniletrix se apresenta desde o nascimento e pode melhorar com a idade do indivíduo, porém não há tratamen- to efetivo. Em geral, pode envolver todo o couro cabeludo, sobrance- lhas e pelos secundários do corpo. Doenças causadas pela falta de nutrientes ou mal funcionamen- to do organismo: tais como os distúrbios metabólicos, a anemia e a obesidade, que também atacam o desenvolvimento não apenas do cabelo, mas dos pelos, de um modo geral, incluindo as sobrancelhas, que vão se tornando cada vez mais ralas e com falhas significativas. Destacam-se, ainda, nessa catego- ria, as patologias associadas ao mal funcionamento do organismo, tais como o hipotireoidismo, a sífilis e a hanseníase. Doenças inflamatórias da pele: em geral, também ocasionam em problemas que acometem o desen- volvimento dos pelos, onde desta- cam-se as dermatites e a psoríase. Doenças específicas que atingem o crescimento dos pelos: a princi- pal é a alopecia frontal fibrosante que, em geral, promove a rarefação das sobrancelhas. Não podemos esquecer que as doenças de fundo psicossomático atacam igualmente, e de modo silencioso, o desenvolvi- mento dos pelos, podendo agravar, ainda mais, qualquer um dos qua- dros citados anteriormente. Fonte: elaborado pela autora (2023). 21 Esse conhecimento é de suma importância para que você, aluno, possa avaliar com maior segurança, dentre os clientes que irá atender, quais são os casos nos quais deve optar pela aplicação dos métodos de camuflagem e/ou correção. Deste modo, fica evidente que tanto os indivíduos que têm propensão genética quanto os que possuem quaisquer das patologias que impactam na qualidade das sobrancelhas, são potenciais consumidores dos métodos de camu- flagem e correção. Camuflagem A camuflagem se dá por meio do disfarce feito através da pigmen- tação das áreas em que há falta de pelos da sobrancelha ou, ainda, pela coloração dos pelos finos e de pigmentação muito clara. Logo, a camuflagem pode ser classificada de duas maneiras distintas, são elas: Tabela 2 - Classificação da camuflagem. Quanto a sua durabilidade Quanto ao efeito criado Diz respeito aos tipos de pigmentos e mecanismos, na região que se pre- tende atingir para obter o disfarce. Diz respeito ao estilo de efeito pro- duzido, a fim de se obter o disfar- ce das imperfeições e falhas das sobrancelhas. Fonte: elaborado pela autora (2023). A durabilidade da camuflagem está diretamente relaciona- da com a capacidade de permeação do corante artificial/natural na região que se pretende atingir. Deste modo, pode-se elencar, tan- to a relação por área afetada como também pela variedade de co- rantes que são utilizados e dos seus respectivos perfis de reação. Assim, com base nas possíveis regiões de disfarce da sobrancelha, distinguem-se: Área de pelos das sobrancelhas: destinado aos casos em que o cliente possui pelos finos e/ou claros (brancos), impactando na percepção do desenho da sobrancelha. Nesse caso, a atenção deve ser redobrada na avaliação da densidade e intensidade das falhas, 22 caso existam, pois, essa técnica não promove disfarce onde a pele está aparente, tendo sua atuação limitada apenas à pigmentação dos pelos. Área de pele aparente das sobrancelhas: destinado aos casos em que o cliente possui sobrancelha falhada ou esparsa, necessitando de preenchimento, por meio de pigmentação da pele, com o intuito de preencher e cobrir tais regiões. Com base nos mecanismos de ação dos corantes na área a ser disfarçada, distinguem-se duas possibilidades: Camuflagem temporária: consiste na deposição de corantes na su- perfície da pele, garantindo sua fixação temporária. Camuflagem permanente: consiste na implantação de pigmentos no interior da pele (derme), garantindo sua fixação à longo prazo e/ ou permanente. Camuflagem temporária Aplicação por deposição de corantes naturais/artificiais, que per- meiam superficialmente na pele (estrato córneo), comprometen- do, deste modo, a fixação e durabilidade dos resultados obtidos. São considerados tipos de camuflagem temporária: maquiagem para sobrancelhas e henna. A Maquiagem de sobrancelhas é destinada aos clientes que desejam obter uma camuflagem mais rápida e de resultado imedia- to. Pode, ainda, ser indicado a clientes que possuem algum tipo de restrição médica em relação aos procedimentos invasivos. 23 Figura 4 - Exemplo de aplicação de henna. Fonte: dimid_86 (2019). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/br/foto/maquiador-aplica- henna-pintura-em-sobrancelhas-em-um-sal%C3%A3o-de-beleza-cuidado- gm1140170054-305014537>. Acesso em: 20 set. 2023. A maquiagem de sobrancelhas pode ser desenvolvida com sombras, canetas específicas para essa finalidade, além do lápis, que é o mais comum. A sombra deve ser aplicada com pincel chan- frado, para evitar muito atrito na região. A opção pelo uso da camuflagem com maquiagem garante uma baixa durabilidade, em comparativo com outras técnicas, tor- nando-se cansativa a realização dos retoques, já que a durabilidade máxima é de apenas 24 horas, em caso de a maquiagem ser à prova d’água. Henna A henna é um corante originário de uma planta chamada lawso- nia inermis e é muito eficiente, tanto para colorir o cabelo quanto DEFINIÇÃO 24 o corpo, sendo utilizada, tradicionalmente, na prática da tatuagem das mãos e do corpo entre os povos hindus. A henna possui grande afinidade, tanto com a pele quan- to com os pelos, aderindo-se a essas superfícies e conferindo cor a elas. Possui sua ação por deposição, que se caracteriza pelo depósito dos corantes na superfície da pele, escurecendo-a gradativamente, de acordo com o tempo de exposição da solução na superfície. Deste modo, sua durabilidade é de curta duração, variando de 7 a 15 dias. A prática de aplicação da henna nas sobrancelhas se tornou popular no Brasil nos últimos anos e tem se tornado um dos recur- sos mais utilizados para camuflar pequenas falhas, de modo rápido e prático, tornando-se um recurso muito atrativo para os consumi- dores que desejam visualizar o design antes de partir para soluções de efeito mais duradouro ou permanente. Quase não há contraindicação do uso da henna nas sobrance- lhas, sendo aconselhado, apenas, evitar a sua utilização em gestan- tes, uma vez que há maior probabilidade de reações alérgicas, além dos riscos de deposição de substâncias químicas e de metais (hen- nas compostas) sobre a pele, que não é recomendado, nesses casos. O teste de toque, ou prova de alergia, é considerado ideal para evitar riscos com o acontecimento de possíveis reações alérgicas que não foram previstas durante a aplicação da anamnese. O teste de toque é obrigatório e deve ser incluído nos protocolos de execução dos serviços de design das sobrancelhas. As etapas de aplicação da henna são expostas abaixo. Quadro 3 - Etapas de aplicação da henna. Higienize as sobrancelhas, com o auxílio de um algodão embebido em solução adstringente específica para o tipo de pele de seu cliente; Deposite no recipiente de vidro, de acordo com quantidade indicada pelo fabricante, a henna, juntamente com a água e o creme fixador, misturando bem, até obter uma pasta homogênea; 25 Com o auxílio do pincel, deposite a henna sobre a pele, nas áreas dese- jadas, tomando muito cuidado para não borrar; Aguarde o tempo indicado pelo fabricante do produto; Após o tempo de ação, remova o excesso de produto com o auxílio de um algodão molhado com água; Descarte, em caso de sobra de produto, pois a henna não pode ser reuti- lizada e tão pouco armazenada, após a sua preparação. Fonte: elaborado pela autora (2023). Fatores que influenciam na durabilidade da coloração O tempo de ação da henna e a variação de intensidade da cor pode modificar, de acordocom os seguintes aspectos, que devem ser pre- viamente observados: a produção de oleosidade da pele; a definição de intensidade da cor; o tempo de ação. Em relação à oleosidade da pele, esse é um aspecto que inter- fere diretamente na deposição e fixação do corante da henna na pele e, portanto, o designer deve saber avaliar corretamente quais são os diferentes tipos de pele para promover a higienização mais adequa- da a cada caso. Assim, quanto a produção da oleosidade a pele possui os seguintes tipos: Tabela 3 - Relação entre o biotipo cutâneo e a fixação do pigmento na pele. BIOTIPO CUTÂNEO FIXAÇÃO DOS PIGMENTOS Pele seca Possui maior permeabilidade, en- tão, a penetração e intensidade da cor pode se intensificar, caso o tem- po de ação seja estendido. Pele mista Possui permeabilidade moderada, necessitando de um tempo de pau- sa maior do produto. No entanto, mantém uma boa fixação. 26 Pele oleosa Esse é o tipo que apresenta maior dificuldade de permeabilidade do corante na pele, exigindo que o designer tenha que deixar por um tempo maior, para uma cor mais intensa. Fonte: elaborado pela autora (2023). A relação estabelecida entre a intensidade da cor e o tempo de ação do produto na pele deve ser sempre avaliada pelo designer, com muita parcimônia. Pode-se afirmar que o tempo mínimo de ação é de 10 minutos, enquanto o seu tempo máximo é de 25 minu- tos, independentemente da cor escolhida. Para que esse diagnóstico seja o mais harmonioso possível, o designer deve considerar as avaliações da tonalidade de pele, con- juntamente com a tonalidade dos pelos das sobrancelhas. Tendo como regra geral que a tonalidade das sobrancelhas deve estar um tom acima da tonalidade de pele do cliente. Tenha em conta que existe no mercado uma infinidade de co- res de henna disponíveis, a fim de se obter a combinação ideal para cada tom de pele. Assim, de um modo geral, as variações de cor da henna apre- sentam-se da seguinte maneira: preto; castanho escuro; castanho claro; loiro escuro; loiro vermelho. Como referência de avaliação, o profissional deve levar em conta que as tonalidades de sobrancelhas nas cores escuras, tais como o preto, o castanho médio e o escuro, harmonizam mais com indivíduos que possuem pele mais pigmentada e escura, enquanto que as tonalidades de sobrancelhas de cores mais claras, tais como o loiro e o castanho claro, são indicadas para indivíduos que possuem pele clara, garantindo, deste modo, um aspecto mais natural. 27 É preciso avaliar, caso o cliente de pele oleosa não deseje um efeito de cor intensa, o uso de tom mais claro, para atenuar a intensidade, pois a escolha da diminuição do tempo de ação impactaria direta- mente na qualidade da fixação da henna na pele. Aplicabilidade da teoria dos fototipos e dos tipos cromáticos de pele Em camuflagem e correção de sobrancelhas, é bastante comum a utilização de tabelas de cor para identificação dos tons de pele do cliente. Esse tipo de ferramenta facilita e agiliza o processo de exe- cução do design, além de economizar muito no uso dos produtos cosméticos. No entanto, o designer deve, por excelência, treinar o seu olhar para conseguir identificar corretamente os mais variados tipos de pele. A identificação do tom da pele consiste em uma das etapas mais difíceis e complexas de todo o processo, onde o principal cri- tério para tal avaliação é o da origem racial e, portanto, você deverá considerar os tipos raciais para obter uma identificação correta. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra etnia está associada ao grupo de pessoas que compartilham da mesma origem cultural, tais como história, língua, costumes, religião, entre outros. Portan- to, é equivocado e errado o uso do termo para se referir as seme- lhanças raciais e biológicas existentes entre os indivíduos. Quando se trata das variações na tonalidade de pele e sua pigmentação, um aspecto muito importantes que deve ser conside- rado é a capacidade de pigmentação da pele quando exposta ao sol. A classificação das variações de tonalidade da pele, de acor- do com a origem racial dos indivíduos, segue algumas subdivisões, tanto a pele branca quanto a pele negra. VOCÊ SABIA? 28 Assim, destacam-se duas das principais teorias de classifica- ção dos tipos de pele, amplamente utilizadas entre os profissionais, são elas os fototipos e as marizes de acordo com a temperatura da cor. Figura 5 – Fototipos. Fonte: Anastasia Usenko (2022). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/br/vetor/cuidados-com-a-pele-de-ver%C3%A3o-e- conceito-de-prote%C3%A7%C3%A3o-de-protetor-solar-vetor-flat-gm1399137658-453081281?ph rase=combination+skin>. Acesso em: 20 set. 2023. O termo “fototipo de pele” foi criado em 1976, pelo médi- co americano Thomas B. Fitzpatrick e diz respeito às variações de bronzeamento, sensibilidade e vermelhidão dos mais variados tipos de pele, quando ela está exposta ao sol. Fitzpatrick denominou como constitutiva as características da pele quanto a sua coloração inata e como facultativa as reações da pele à exposição solar. Assim, a cor constitutiva da pele é determinada pela melani- na herdada geneticamente, enquanto que a cor facultativa é induzi- da por meio da exposição ao sol e, com base nessa equação, o médico definiu a classificação de seis fototipos de pele distintos. Como não se tem uma indicação em cor, por parte dessa teoria, segue abaixo a indicação dos fototipos: Tabela 4 - Fototipos e suas características. FOTOTIPO CARACTERÍSTICAS I Consiste em indivíduos de origem racial cauca- sóide, que possuem pele branca. Esse tipo de pele sempre queima porque são muito sensíveis à ex- posição solar e, por esse motivo, nunca bronzeia. 29 II Consiste em indivíduos de origem racial cauca- sóide, que possuem pele branca. Esse tipo de pele sempre queima, por ser muito sensível ao sol, po- rém bronzeia muito suavemente. III Consiste em indivíduos de origem racial miscige- nada, que possuem pele morena clara. Esse tipo de pele queima e bronzeia moderadamente porque possui sensibilidade normal à exposição solar. IV Consiste em indivíduos de origem racial miscige- nada, que possuem pele morena. Esse tipo de pele queima muito pouco e sempre bronzeia, por pos- suir sensibilidade normal à exposição solar. V e VI Consistem em indivíduos de origem racial negra e miscigenada, que possuem pele morena escura e negra. As peles de tipo V, morena escura, rara- mente queimam, por serem pouco sensíveis ao sol, enquanto que as peles de tipo VI, negras, nun- ca queimam, por serem totalmente pigmentadas e insensíveis ao sol. Fonte: elaborado pela autora (2023). Na década de 30 do século XX, Robert Dorr consolidou a ca- tegorização das matizes de cor, de acordo com a teoria da tempe- ratura da cor. Inspirada nesse trabalho, em 1942, Suzanne Caygill catalogou as variações dos tipos de pele de indivíduos de origem racial caucasóide e miscigenada, resultando na identificação de 32 variações de tons de pele branca, os quais ela subdividiu em quatro categorias, que foram denominadas pelas quatro estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Apenas em 1991, o americano Jean Patton desenvolveu um sistema eficaz de classificação das peles de indivíduos de origem racial negróide e miscigenada, resultando na identificação de 38 variações de tons de pele negra, os quais foram subdivididos em seis categorias: calipso, saara, spike, nilo, jazz e blues. Veremos, a se- guir, cada uma delas, juntamente com o tom ideal de henna indica- do para cada uma, começando pelas subcategorias de pele branca: 30 Tabela 5 - Coloração das peles brancas e suas características. COLORAÇÃO DAS PELES BRANCAS CARACTERÍSTICAS Primavera Pele quente, de fundo dourado/ amarelo, que é luminosa e reve- la um bronzeado dourado quando exposta ao sol. A henna ideal, nesse caso, é a de cor loiro e loiro escuro. Verão Pele fria clara, com fundo rosado e bastante sensível, quese queima facilmente com a exposição ao sol Outono Pele quente de fundo azulado que quando exposta ao sol apresenta um tom avermelhado e cobre. A henna ideal, para este caso, é de tom cobre ou avermelhado. Inverno Pele fria e avermelhada, de fundo roxo que, quando exposta ao sol, mancha com facilidade. A henna ideal, para este tipo de pele, é de tem castanho claro e castanho escuro. Fonte: elaborado pela autora (2023). Vejamos agora as subcategorias de pele negra: Tabela 6 - Coloração das peles negras e suas características. COLORAÇÃO DAS PELES NEGRAS CARACTERÍSTICAS Calipso Pele negra de predominân- cia quente e de fundo dourado. A combinação ideal de cor da henna é o castanho claro. Saara Tom de pele neutra, morena de fundo amarelado e roxo. A com- binação ideal de cor da henna é o castanho claro. 31 Spike Pele negra quente avermelha- da com fundo verde terracota. A combinação ideal de cor da henna é o preto e o castanho escuro. Nilo Pele morena clara de fundo neutro. A combinação ideal de cor da henna é o castanho claro. Jazz Pele negra fria de fundo verde. A combinação ideal de cor da henna é o preto e o castanho escuro. Blues Pele negra e fria muito escura de fundo azulado. A combinação ideal de cor da henna é o preto e o castanho escuro. Fonte: elaborado pela autora (2023). Tabela 7 - relação entre o tipo de pele e pausa da henna e tempo de aplicação e intensidade da cor. TIPO DE PELE X PAUSA DA HENNA TEMPO DE APLICAÇÃO X INTENSIDADE DA COR Pele seca 8 minutos 10 minutos Intensidade suave Pele mista 12 minutos 15 minutos Média intensidade Pele oleosa 20 a 25 minutos 20 minutos Alta intensidade 25 minutos Cor muita intensa ou chapada Fonte: elaborado pela autora (2023). 32 Teste cromático O teste cromático é uma técnica que permite ao profissional iden- tificar qual é a tonalidade da pele do cliente e auxilia a definição de qual é o tom ideal de sobrancelha indicado para cada tom de pele. Essa prática possibilita que o profissional estabeleça combi- nações personalizadas de acordo com a necessidade de cada cliente e os materiais necessários são: tecidos cortados nas cores represen- tativas de cada tipo de pele, turbante ou tecido branco para cobrir o cabelo do cliente. O teste segue os seguintes passos: Passo 1: identifique o tipo racial do cliente (se é pele branca ou negra). Passo 2: cubra o cabelo do cliente com um pano branco ou turbante da mesma cor. Passo 3: aproxime duas cores de tecido de cores quentes e observe se as marcas de expressão do rosto do cliente ficam evidenciadas ou atenuadas. Passo 4: verifique se as suas impressões estavam corretas ao apro- ximar a pele do cliente das cores frias. Passo 5: defina o tipo de tonalidade da pele do cliente e, com base nesta análise, defina qual é o tom de sobrancelha mais harmônico. Coloração dos pelos das sobrancelhas Destinada a colorir as sobrancelhas de pelos claros ou brancos, substitui com eficácia, a utilização da maquiagem e do lápis. Este procedimento consiste no uso de uma coloração permanente oxi- dativa que possui baixíssimo teor de amônia, destinado exclusiva- mente para a coloração dos pelos da sobrancelha e cílios. É comum a substituição dessa categoria de produto pelo uso da coloração capilar convencional, sendo importante destacar que essa prática não é recomendada, uma vez que os percentuais de 33 amônia desses produtos são extremamente elevados, pois desti- nam-se ao cabelo, que é mais espesso que os pelos da sobrancelha. Para este procedimento, são necessários os seguintes materiais: tinta na cor desejada, oxidante, recipiente pequeno de vidro, pin- cel número 0, creme ou gel de proteção da pele, cotonete, algodão e água. Para realizar o procedimento, segue-se os passos abaixo. • Higienize as sobrancelhas com o auxílio de um algodão em- bebido em solução adstringente específica para o tipo de pele de seu cliente; • Proteja a pele que circunda as sobrancelhas, utilizando o cre- me ou gel de proteção, a fim de evitar manchas na pele; • Deposite, no recipiente de vidro, o oxidante, na quantidade indicada pelo fabricante, misturando bem, até obter um cre- me firme e homogêneo; • Com o auxílio do pincel, deposite a coloração sobre os pelos das sobrancelhas, tomando muito cuidado para não borrar; • Aguarde o tempo indicado pelo fabricante do produto adotado; • Após o tempo de ação, remova o excesso de produto, com o auxílio de um algodão molhado com água; • Descarte, em caso de sobra de produto, pois o produto não pode ser reutilizado e tão pouco armazenado, após a sua preparação. Coloração dos pelos das sobrancelhas – introdução à micropigmentação A coloração dos pelos das sobrancelhas ou Camuflagem Perma- nente, é o procedimento de implantação, por deposição de corantes artificiais, através de microcortes da pele, que permeiam na cama- da subdérmica (derme), resultando na pigmentação duradoura da pele, que pode ser permanente ou de longa duração. 34 São considerados tipos de camuflagem permanente: • micropigmentação: permeação intermediária que promove resultado de longa duração. • tatuagem estética: permeação mais profunda que consiste na utilização de tipos específicos de corantes, garantindo o efeito permanente na pele. Na atualidade, o processo de micropigmentação tem ganhado muita visibilidade, possibilitando a inovação de sua aplicação, tais como preenchimento/correção labial e o delineado dos olhos, no couro cabeludo e barba para camuflar falhas e calvície. A durabi- lidade da micropigmentação varia de acordo com o tipo de técnica utilizada, porém, em geral, seu tempo médio de duração varia de 8 meses até, no máximo, 2 anos. Já a tatuagem estética tem sido mui- to utilizada para camuflar cicatrizes e estrias, na reconstituição de aréolas de mamilos de mamas reconstituídas. Os corantes utilizados para a prática da camuflagem perma- nente são comumente chamados pelo mercado de pigmentos e são totalmente diferentes dos utilizados na camuflagem temporária, sendo classificados de duas maneiras distintas: • pigmentos orgânicos: são sintetizados em laboratório, atra- vés da extração de elementos de origem natural (madeira, pa- pel, plantas etc.) e possuem partículas minúsculas. Por esse fato, tendem a possuir mais brilho e melhor fixação da pele. • pigmentos inorgânicos: extraídos a partir de elementos na- turais, como rochas, minérios, pedras (principalmente óxido de ferro). Esse tipo possui um processo de fixação mais cus- toso e aparência fosca (sendo preferência de alguns designers para dar um efeito natural), devido às suas partículas maiores. Quanto às cores, não há, no mercado, um consenso em ter- mos de nomenclatura para definir as tonalidades dos pigmentos. O ideal é que o profissional conheça previamente os resultados dos produtos e faça as adequações de uso para cada cliente de acordo com a anamnese. 35 Garantir a boa qualidade dos pigmentos é fundamental. As- sim, pode-se ressaltar alguns aspectos importantes tais como: • viscosidade: uma boa viscosidade facilita a aplicabilidade do produto. • granulometria: trata-se da medição de peso, tamanho e con- figuração geométrica dos elementos que constituem o pig- mento, ou seja, quanto menor, mais fácil será a permeação, consequentemente atingindo um resultado mais uniforme. Procure por marcas que apresentem seus métodos de moagem dos pigmentos ou que apresentem algum selo de qualidade na produção. Esse cuidado lhe dará um respaldo adicional em sua atuação como profissional. • pH: Todos os produtos utilizados durante o procedimento de- vem ter pH equilibrado. Caso não tenham essa característica, podem alterar a fixação dos pigmentos na pele ou provocar algum tipo de dano a saúde do cliente. Assim como nos procedimentos de camuflagem temporária, na camuflagem permanente também existem alguns aspectos que podem interferir, tanto na fixação da cor, como durantea execução do processo. A qualidade e especificidade da pele da sua cliente pode alterar os fatores de fixação da cor durante a execução do processo. Deste modo destacam-se: • a relação da oleosidade da pele; • diagnóstico das tonalidades da pele; • a influência dos fatores de envelhecimento da pele. A produção de oleosidade da pele impacta diretamente na fixação dos pigmentos utilizados na camuflagem permanente. Des- te modo, podemos destacar as principais características: • pele seca: tipo de pele onde há grande probabilidade de se ob- ter menor durabilidade, pois é um tipo de pele que promove constantemente descamações, gerando a saturação da cor. 36 • pele mista: tipo de pele ideal para esse tipo de aplicação técni- ca, apresentando poder de fixação satisfatório. • pele oleosa: tipo de pele que dificulta a implantação dos pigmentos na pele, sendo indicado a aplicação de técnicas compactas, que tendem a gerar melhores resultados que as técnicas fio a fio. A camuflagem permanente trata de uma série de procedi- mentos invasivos, onde se faz de suma importância conhecer os ní- veis de tolerância média dos mais variados tipos de pele. De acordo com a classificação dos fototipos de pele, pode-se afirmar que os indivíduos de pele branca possuem maior sensibilidade do que os indivíduos de pele negra. Sendo assim, é possível afirmar que pessoas de pele clara exi- gem um cuidado maior no momento de implantação dos pigmentos, além desse tipo de pele ser muito vascularizada, podendo ocasionar em lesões e extrema dor, podendo atingir os capilares, ocasionan- do muito sangramento, em caso de uma perfuração maior do que a necessária. Figura 6 – Micropigmentação. Fonte: dimid_86 (2020). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/br/foto/maquiagem-permanente- para-sobrancelhas-de-linda-loira-em-sal%C3%A3o-de-beleza-esteticista- gm1287025622-383344068>. Acesso em: 21 set. 2023. 37 Já nos indivíduos negros e miscigenados, de pele escura, há maior resistência cutânea para permeação dos pigmentos, não sen- do indicado a utilização de agulhas extremamente finas. Em geral, é comum, a troca de material por perda de sua capacidade de perfu- ração durante o processo. As peles maduras tendem a ter um ciclo de renovação celu- lar mais lento, devido a todo processo de desaceleração do próprio metabolismo, gerado pela idade, apresentando, por sua vez, maior fixação da camuflagem permanente. Uma das fragilidades desse tipo de pele, que merece a atenção dos profissionais, diz respeito à extrema flacidez que se apresenta, em geral, na região das sobrancelhas, fato esse que pode interferir no desenho prévio ou mesmo na qualidade do resultado final, pois o efeito cicatricial pode ser mais lento também. Outro ponto a ser levantado trata do depósito de pigmento na pele madura, que deve ser feito de forma efetiva, para que a agulha perfure as camadas da pele, depositando os pigmentos, sem correr o risco de retirá-los ao se retrair a agulha. Por isso, a velocidade do profissional terá que sempre estar adequada à velocidade da máquina, para implantar pigmento de forma correta. Logo, caso o profissional tenha a mão rápida e a ve- locidade da máquina for lenta, ele não implantará pigmento sufi- ciente com essa prática. Do mesmo modo, se a mão do profissional for lenta, ou seja, caso ele não tenha muita habilidade e prática, e a máquina for rápida, haverá a implantação excessiva de pigmento na pele. A camuflagem ainda pode ser classificada de acordo com o tipo de arte ou efeito criado pelo designer. Deste modo, apresenta-se as seguintes possibilidades: • cobertura: define-se pelo ato de promover o preenchimento de imperfeições e falhas de modo uniforme. • sombreado: define-se pelo efeito degrade, ou seja, desenvol- ve-se escala de tom gradual, com o objetivo alcançar um efei- to mais suave e sutil. 38 • fio a fio: define-se pela elaboração de desenho fio a fio, preen- chendo, deste modo, falhas e imperfeições das sobrancelhas de modo a conferir um efeito ultra realista e extremamente natural. Correção A correção consiste em retificar erros técnicos obtidos através de procedimentos malsucedidos. Dentre os mais comuns desta cate- goria, destacam-se as técnicas: • correção: destinada a corrigir pequenas assimetrias ou erros no desenho, sem saturação da cor. • despigmentação: destina-se a remoção de pigmentos, pro- movendo a regressão do processo de saturação da cor • neutralização: destina-se aos casos onde a cor presente está alterada ou é indesejada. O Microblading consiste em uma variação mais moderna e realista da micropigmentação. Popularmente chamada de técnica 4D ou so- brancelhas realistas, ela confere um aspecto ultrarrealista e muito natural aos seus adeptos. A escolha das cores é personalizada para cada cliente, resultando em um nível de realismo nunca visto antes no design de sobrancelhas. O microblading é a grande inovação do momento no mercado de de- sign de sobrancelhas, portanto não deixe de se atualizar! VOCÊ SABIA? 39 Visagismo – princípios da linguagem visual A palavra visagismo vem de visage que em francês significa “rosto” e surgiu em Paris, no ano de 1937, através do francês Fernand Au- bry, que foi um cabeleireiro e maquiador muito conceituado. Aubry definiu o visagismo como arte, através do seu trabalho que buscava combater a uniformização da imagem, indo contra a imposição da moda e das tendências. Porém, sabe-se muito pouco a respeito, pois ele não deixou quase nada escrito, não tem matérias ou livros, ape- nas algumas frases escritas, ou seja, temos pouco conteúdo literário referente às suas ideias frente à essa arte. Existem nas literaturas várias definições para o termo Vi- sagismo e, dentre elas, podemos conceituá-lo, de maneira breve, como a arte de se criar imagem personalizada de uma pessoa, atra- vés da aplicação de técnicas específicas capazes de traçar as diversas características pessoais com o intuito de promover o embelezamen- to e bem-estar nas pessoas através de uma promoção da conexão com o seu interior e exterior. No decorrer do nosso estudo, vamos nos aprofundar no conhecimento dessas técnicas, por meio da aná- lise de alguns conceitos importantes, pertinentes ao visagismo, como a história da imagem pessoal, conceitos de beleza e estilo, de personalidade, temperamento, pessoas e, também, da análise mais focada do temperamento, que é fundamental para o sucesso no re- sultado final da aplicação desta arte, o Visagismo. Contexto histórico O contexto histórico da prática do visagismo surge a partir das in- fluências da era da Modernidade, que compreende os séculos XVIII, XIX e XX, período esse que foi marcado pela introdução do movi- mento tecnológico, como o telefone, o automóvel, a fotografia, en- tre outros, mas, principalmente, aqui no contexto do nosso estudo, pela inserção do cinema. As grandes cidades em seus contextos com seu cená- rio voltado para o crescimento da cultura em massa, diretamente 40 relacionados ao aumento da produção industrial e ao capitalismo, isto é, o contexto das grandes cidades com suas fábricas e circulação de produtos e de pessoas, possibilitaram uma “audiência em massa, juntamente com a atmosfera de excitação visual e sensorial” (Char- ney; Schwartz, 2004 apud Nunes, 2015, p. 2). Em meio a todas essas mudanças, surge, então, um grupo de pessoas considerado detentor dos poderes sociais, educacionais e culturais, constituído pelos artistas e intelectuais da época, geral- mente comunistas e socialistas, eram também considerados extre- mamente materialistas. Essa classe começou a se posicionar contra a cultura, ou seja, apresentavam ideias que iam contra a classe dominante, questionando qual o estilo eles iriam ter, expressan- do seus próprios princípios e valores, diferenciando-os da classe dominante. Assim, com o passar do tempo, o visagismo começou a ser empobrecido, banalizado, sendo visto apenas comoum simples conceito estético, baseado apenas no corte de cabelo, na maquia- gem, ou seja, o visagismo passou a ser visto superficialmente. Um dos principais nomes entre os autores da arte do Visagismo, atual- mente, é o artesão plástico Philip Hallawell, considerado o maior especialista no Brasil. Linguagem visual A linguagem visual teve seu início no século VI a.C. pelos gregos da Antiguidade, que buscavam algo a mais além das imagens simbó- licas usadas nos rituais pelos egípcios. Os artistas europeus foram os primeiros a utilizarem os novos conhecimentos, os italianos do Quattrocento (período referente ao século XV). Logo após, os artis- tas florentinos como Leonardo da Vinci (1452-1519), Michelangelo (1475-1564) e Rafael Sanzio (1483-1520), com a arte do realismo, através de novas descobertas: cor, luz e anatomia, criando pela pri- meira vez imagens com muito realismo, volume e profundidade. Um dos conceitos principais do Visagismo envolve a lingua- gem visual por meio da possibilidade da leitura da imagem humana, imagem essa que podemos observar através das linhas da face de 41 cada pessoa, em comparação as formas geométricas já existentes na cultura. O autor Jung (2008) afirma que “as relações entre deter- minadas formas geométricas como, por exemplo, o círculo, o qua- drado e o triângulo são como símbolos constitutivos e presentes na psique humana”. Classificação dos tipos de rosto: • rosto oval; • rosto redondo; • rosto quadrado e retangular; • rosto triangular; • rosto hexagonal; • rosto em losango. Figura 7 - Exemplos de formatos de rostos. Fonte: melazerg (2019). Disponível em: <https://www.istockphoto.com/br/vetor/ jogo-de-formas-da-face-da-mulher-gm1166315267-321245098>. Acesso em: 20 set. 2023. 42 Cores no Visagismo Outro conceito importante da linguagem visual é o das cores. A construção da harmonização de um indivíduo é construída a partir do estudo relacionado às cores, as tonalidades de maquiagem, aos tons de pele e de cabelo, o corte do cabelo e sobrancelhas. Segun- do Hallawell (2009), “existe uma relação entre o tom de pele, a cor natural dos cabelos, a cor dos olhos, o temperamento da pessoa e, ainda, o formato do rosto, que na consultoria de beleza, sugere-se que se faça” (s. d.). No visagismo, a classificação das cores foi baseada no traba- lho de Johannes Itten (1888-1967). Seu esquema de cor Color Star (Estrela de Cor) e suas teorias são as mais importantes referências de cor e foram criadas enquanto docente da Bauhaus, na Alemanha. Posteriormente, Robert Door (1905-1980) criou outro siste- ma de cor, denominado Color Key (1930), classificando as cores no visagismo em duas categorias de temperatura: a quente e fria. No entanto, essa classificação serve apenas para peles claras. Para as peles negras, essa classificação de cores deve ser adaptada. Em seu livro, Jean Patton classifica a pele negra em seis grupos: nilo, blues e saara (frias), calipso, jazz e spike (quentes). História da imagem pessoal A imagem pessoal expressa nossas características, no geral, atra- vés do nosso comportamento, da maneira como nos apresentamos ao mundo (esteticamente), do uso da maquiagem, tipo de cabelos, roupas (moda), de como nos relacionamos socialmente. Hallawell (2009) afirma que os profissionais que mexem com a imagem, especialmente na área da imagem pessoal, não têm es- colha; seu trabalho afetará as pessoas psicologicamente, podendo mudar até o seu comportamento, de forma positiva ou negativa. Desde o início do século XXI, o culto pela beleza vem se ampliando significativamente pelas mulheres e passa a ser tam- bém desenvolvido pelos homens que buscam cada vez mais os 43 estabelecimentos de beleza e de estética para melhorar sua imagem pessoal. Adolescentes e crianças, em número também crescente, aumentam as estatísticas do culto à beleza e à estética (Silva et al., 2007). Dentro do visagismo, o profissional da área da beleza como os maquiadores, cabeleireiros, designers de moda precisam adaptar e trabalhar a imagem humana sempre focado na personalização e na harmonização da imagem pessoal e beleza de seu cliente, cujos parâmetros fundamenta-se em princípios que regem os estudos em imagem, design, linguagem visual etc. Beleza e estilo – histórico e conceitos Na antiguidade, os dois grandes filósofos que mais trataram da questão daquilo que é belo foram Platão e seu aluno, Aristóteles. Para Platão, a beleza está relacionada ao mundo das ideias. Para ele, o belo é tudo o que é justo, bom e verdadeiro. Por sua vez, Aristóteles discorda de Platão, pois, para ele, o conceito de belo está relacionado à proporcionalidade, claridade e simetria, ou seja, belo é tudo aquilo que não é desproporcional, tudo que é claro e simétrico. Já na era Medieval, temos o filósofo Santo Agostinho, que entende o belo assim como Platão, mas de maneira adaptada ao cristianismo: considera tudo que é belo aquilo que se aproxima do divino, ou seja, quanto mais próximo de Deus mais se reflete a bele- za do divino, e quanto mais longe de Deus menor o reflexo. O escritor italiano Tomás de Aquino foi um filósofo cristão, que entendia o belo da mesma forma que Aristóteles: belo é tudo o que é completo, simétrico, nítido ou claro. No século XVIII, Immanuel Kant afirma que o belo é o que agrada universalmente, sem depender de um interesse ou de um conceito. Não são as coisas que são belas, o belo está nas razões in- ternas do sujeito, por oposição à experimentação. Apesar de subjeti- vo, todo o belo nasce de um sentimento humano de prazer universal. (Kant, 2007) 44 Para Kant, o conceito do belo é inquestionável, ele diferencia o belo do sublime, ou seja, o belo não depende da minha interpre- tação, é belo em si mesmo, para todo mundo é algo inquestionável. Uma das características do Romantismo é a ideia de que exis- te um espírito de cada lugar e o espírito de uma época. Seguindo es- ses traços, temos o filósofo George W. Hegel, que afirma que o belo se manifesta de acordo com o espírito da época, ou seja, cada época vai ter o seu conceito de belo. Para Hegel, a beleza muda de tempos em tempos, e o belo manifesta o espírito de cada época; o que é belo em uma época, talvez não seja belo em outra época. Segundo Goossens (2005), a beleza é um conjunto em har- monia e, antes de tudo, é um estado de espírito. Afirma que para que se alcance a beleza completa, depende essencialmente do compor- tamento, do jeito de ser e de como se enfrenta as circunstâncias da vida. Ser bonito significa, diz ele, saber ressaltar suas qualidades, aceitar-se, valorizar-se, ter autoestima. Conceito de estilo O conceito de estilo tem origem no termo latim stills. Pode ser usa- da em vários conceitos, reportando-se ao desenho, à arte, ao modo de se expressar, moda, decoração, manifestações culturais (hippie, rock), informática, arquitetura (estilos de construções). A linguística apresenta a disciplina conhecida pelo nome de estilística, onde se estuda o uso artístico ou estético da linguagem nas obras literárias e na língua comum, com as suas formas indivi- duais ou coletivas. Em outras palavras, estilo pode ser caracterizado por uma característica, um traço ou uma escolha; é um conjunto de tendên- cias em uma época específica, porém não são obrigatórias, podendo essas tendências serem constantemente revistas e adaptadas à cada pessoa. 45 Personalidade e temperamento – conceitos A arte do Visagismo é baseada no princípio que a beleza existe quan- do as qualidades interiores de uma pessoa (cliente) são reveladas e, a partir disso, existem dois conceitos importantes a se analisarem neste estudo: a personalidade e o temperamento. A personalidade e o temperamento são conceitos diferentes entre si que expõem a nossa imagem pessoal e inconscientemente expressamos isso o tempo todo. O temperamento é formado a partir da nossa herança genética, influenciando em tudo o que decidimos e nas escolhas que fazemosem nossa vida. Desde o nosso nascimento, o nosso temperamento não muda, ficando “enraizado” no nosso subconsciente como, por exemplo, quem nasce com um temperamento calmo, continuará sendo calmo por toda a sua vida e assim acontece com quem tem um tempera- mento mais agitado. A personalidade é a maneira como nos expressamos ao mun- do e diferentemente do temperamento, não tem relação com a nos- sa herança genética, pois ela é formada de acordo com as nossas experiências de vida, envolvendo nossos princípios, crenças, nossas ações. É o que as pessoas captam do nosso exterior e é formada ao longo da nossa vida, ou seja, a personalidade vem sendo construída e está sempre mudando conforme a fase da vida em que estamos vivendo. Na infância, por exemplo, vivemos uma fase de aprendiza- do, onde adquirimos conhecimento, aprendendo várias coisas dife- rentes. Já na fase adulta, nossa personalidade muda, afinal já temos experiências vividas, então o nosso modo de pensar e comporta- mental, nessa fase, muda inevitavelmente, tornando-nos pessoas completamente diferentes em comparação à fase da infância ou adolescência. Segundo Hallawell et al. (2009), os temperamentos são con- ceitos fundamentais na prática do visagismo na caracterização das pessoas. Entre os conhecimentos desta área existe um específico, que caracteriza as pessoas em tipos cromáticos, cuja nomencla- tura está ligada às estações do ano − classificação esta, realizada 46 conforme algumas características físicas. Cada tipo cromático, por sua vez, é relacionado com um determinado temperamento (san- guíneo, colérico, melancólico e fleumático). Através desta relação, é possível particularizar as características individuais e facilitar o trabalho do visagista ao expressá-las através da imagem. Analisar a personalidade humana é uma tarefa complexa de- vido à falta de substância nas teorias com comprovação científica, causando controvérsia. No entanto, parece que há realmente uma correlação entre a aparência de uma pessoa e sua personalidade. Tanto que, como já foi visto, o sistema de classificação das cores das pessoas em tipos quentes e tipos frios surgiu da observação de Johannes Itten de que as pessoas geralmente pintam com as cores que correspondem ao seu tipo físico. (HALLAWELL, 2009). Hallawell, (2009) ainda afirma que na antiguidade, os gregos foram os primeiros a fazer uma classificação da personalidade das pessoas e essa classificação é usada por muitos psicólogos atual- mente, sobretudo, os que trabalham com a antropofosia. Eles iden- tificaram quatro tipos básicos de temperamento, relacionados aos quatro elementos básicos: Sanguíneo (ar) − é basicamente extrovertido, comunicativo, alegre e cheio de vida; sua cor é o amarelo, cabelos castanho, casta- nho claro ou loiro não muito claro; seu grupo é das cores quentes e sua estação é a primavera, saara e calipso. Colérico (fogo) − é determinado, objetivo e explosivo; sua cor é o vermelho-alaranjado, também grupo das cores quente, o cabe- lo é ruivo, castanho-médio ou marrom - avermelhado; seu grupo também é o das cores quentes e sua estação é o outono, spike. Melancólico (terra) − é organizado, detalhista e perfeccionis- ta, sua cor é o azul, portanto, é do grupo dos frios, classificado como o tipo verão ou nilo. Fleumático (água) − é diplomático, pacificador, místico e com tendência a ser bonachão; é o tipo que menos se importa com a sua aparência, sua cor é o roxo, também do grupo das cores frias, sua classificação é no tipo inverno, jazz ou blues. 47 Ao classificarmos as pessoas em visual, cinestésica e auditiva, per- ceba que há uma relação entre essa classificação e as cores de pele. Os tipos frios – verão e inverno – podem ser considerados intelec- tuais, no tipo visual; enquanto os tipos quentes – primavera e ou- tono – são intuitivos ou emocionais, o que corresponde aos tipos auditivos e cinestésico. Parabéns, estudante! Você concluiu esta etapa! Neste momento de aprendizagem aprendemos que as sobrancelhas podem ser modeladas de acordo com diversas técnincas, desde a linha, pinça e cera. Com relação à coloração, podem ser utilizados pigmentos com durabilidade temporária, como a henna, ou pro- longada, como na micropigmentação. Além disso, o biotipo cutâneo está diretamente ligado ao tempo de permanência desses pigmen- tos na pele. O visagismo utiliza da linguagem visual para analisar as linhas, co- res e formas que compõem nosso rosto, corpo e temperamento, nos auxiliando a suavizar ou destacar determinados traços. Isso auxilia o indivíduo na construção de sua imagem pessoal e estilo. Para isso, leva em consideração também a cartela cromática das peles brancas e negras e as principais características de cada temperamento. Espero que tenha conseguido assimilar todo o conteúdo, até à próxima! SAIBA MAIS SINTETIZANDO 48 Referências UNIDADE 2 CURY, M. C. F. da S. Guia técnico para profissionais: beleza com segurança. São Paulo: Prefeitura da Cidade de São Paulo, 2005. FEIJÓ, A., TANURI, I. Depilação: o profissional, a técnica e o mercado de trabalho. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2009. FIGUEIREDO, D. F. Tecnologia a serviço da beleza. 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