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RENASCIMENTO CULTURAL E CIENTÍFICO Cidades da Península Itálica como Veneza, Gênova, Florença Pisa e Roma enriqueceram com o desenvolvimento comercial da Quarta Cruzada que passou a abastecer o mercado europeu com produtos orientais, especiarias, sedas porcelanas, tecidos finos etc. Famílias enriquecidas, os nobres e o alto clero tornaram-se mecenas, isto é benfeitores das artes, patrocinando e financiando artistas e intelectuais para justificar seu modo de vida e mostrar seu poder. Origem e características do Renascimento Em 1453, o Império Bizantino caiu nas mãos dos turcos otomanos, provocando a fuga de muitos sábios bizantinos para a Itália, os quais levaram as obras clássicas que haviam sido preservadas em Constantinopla. O termo “renascimento” marcou o retorno à cultura clássica, greco-romana e provocou uma profunda transformação nas artes e no pensamento europeu cuja característica mais importante foi a laicização da cultura, ou seja, a Igreja deixou de ditar as normas artísticas. O homem tornou-se o centro do Universo e das explicações. A sociedade medieval, baseada no coletivismo e na esperança da salvação eterna, cedeu lugar ao individualismo. O humanismo enfatizou a dignidade e a independência do espírito humano. Era necessário um conhecimento científico baseado em experiências para se conhecer o mundo em que se vivia. Antropocentrismo- valorização do homem. Racionalismo- valorização da razão. O homem tornou-se a chave das explicações sobre as relações humana, transformando esse período em atmosfera de criação, investigação e experiências científicas. O Renascimento Cultural e Científico foi favorecido pela invenção da prensa de Gutenberg. Pintura e escultura Na Itália destacaram-se Botticelli, Da Vinci, Michelângelo e Rafael. Sandro Botticelli (1445—1510) Contou com a proteção da família Médici, que era a mais poderosa da cidade e uma das mais influentes da Península Itálica. O RENASCIMENTO NAS ARTES PLÁSTICAS Sandro Botticelli A Primavera Nascimento de Vênus Além de pintor, destacou-se em vários campos do saber. Leonardo da Vinci (1452-1519) Pintou os afrescos no teto da Capela Sistina (papa Sisto IV) Pietá Michelangelo (1475-1564) Moisés e Davi Michelangelo Virgem de Alba – Rafael Sanzio (1483-1520) Albrecht Durer (1471-1528) Tinha como fonte de inspiração a mitologia pagã greco-romana e episódios bíblicos. Adoração dos magos Norte da Europa: Durer e Holbein Albrecht Durer Hans Holbein, o Jovem (1498-1543) Mestre na arte dos retratos. Imortalizou personalidades políticas e intelectuais da inglaterra e Países Baixos. Jane Seymor ( terceira esposa de Henrique VIII) Henrique VIII e Hans Holbein Jan Van Eyck (1390-1441) Quadro- O casamento de Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami Países Baixos: Jan Van Eyck Pieter Bruegel, o Velho (1526-1569) Festa de casamento e Baile de casamento No século XIV, surgiram na Itália, Dante Alighieri (1265-1321) autor de A Divina Comédia, Francisco Petrarca, autor de Sonetos e Laura, e Giovanni Boccaccio (1323-1375), autor de Decameron. Nessas obras, o homem foi colocado como centro das atenções e a visão do mundo medieval e teocêntrica foi criticada. LITERATURA Dante Alighieri e a Divina Comédia A Divina Comédia foi inspirada nos poemas clássicos de Homero e Virgílio. O primeiro foi autor de Ilíada e Odisséia, que contam a Guerra de Tróia e as viagens de Ulisses ou Odisseu, enquanto o último á autor de Eneida, que narra a fundação de Roma por um príncipe troiano. Dante dividiu sua obra em três partes: O Paraíso, o Purgatório e o Inferno, analisando a sociedade então vigente, que estava passando por profundas transformações sob o ponto de vista da razão. Francisco Petrarca Giovanni Boccaccio e Decameron Decameron, escrito por Boccaccio são cem novelas contadas para moças e rapazes que se refugiaram no campo, nas imediações de Florença, para fugir da peste negra que se alastrava na cidade. Escreviam essas obras em italiano, num confronto com a Igreja, rompendo com o costume de utilizar o latim e valorizando a língua nacional. Nasceu em 23 de abril de 1564. Chegou a Londres em 1587. Em 1591, escreveu sua primeira peça, Henrique IV, depois Sonhos de uma noite de verão, Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet, Henrique V. William Shakespeare (1564-1616) Maior nome do Renascimento espanhol, lutou em inúmeras batalhas. Tornou-se um dos maiores nomes da literatura mundial com a obra Dom Quixote de La Mancha. Satiriza a cavalaria medieval, criticando os costumes da época. D. Quixote se apresenta como um visionário, magrelo, sem o garbo dos cavaleiros medievais que as novelas de cavalaria difundiam. Seu cavalo é um animal fraco e de cor amareladaindefinida, o oposto dos belos cavalos dos romances. Seu fiel companheiro é Sancho Pança, gordo, desajeitado, mas que representa a ligação entre a vida real e os sonhos de D. Quixote. Cervantes morreu em 1616, em Madri. Miguel de Cervantes (1547-1616) Um dos maiores poetas de Portugal, era de família nobre, mas empobrecida. Sua vida pessoal foi marcada por amores turbulentos. Um desses amores o obrigou a sair de Portugal. Como soldado, lutou na África contra os muçulmanos, onde perdeu um olho. Depois foi para a Índia, Moçambique e Macau na China, onde se enamorou de Dinamene, que morreu num naufràgio. Após dezessete anos, Camões retornou a Portugal e públicou o poema épico Os Lusíadas, narrando a viagem de Vasco da Gama às Índias e glorificando os feitos do povo português. Luiz Vaz de Camões Erasmo de Roterdam Nasceu na Holanda em 1466. É considerado um dos maiores humanistas do Renascimento. Na Inglaterra hospedou-se na casa de seu amigo Thomas Morus, que era chanceler da corte de Henrique VIII, e lá escreveu sua obra prima, O elogio da loucura, fazendo críticas ao clero, atacando o luxo e a vida desregrada que o clero vivia e a hipocrisia da sociedade num mundo governado pela loucura. FILOSOFIA Thomas Morus (1478-1535) Durante o reinado de Henrique VIII da Inglaterra, Morus foi nomeado chanceler do governo, mas acabou entrando em choque com o rei porque opôs-se ao divórcio do rei com Catarina de Aragão. O pedido de divórcio não foi aceito pelo papa e Henrique VIII aproveitou-se do fato para romper com a Igreja Católica e aderir ao movimento da Reforma Religiosa. Seu chanceler Thomas Morus, permaneceu fiel ao papa e foi condenado a morte. Escreveu Utopia, na qual ele descreve uma sociedade ideal em que todos trabalhavam e viviam felizes, sem miséria e exploração, condenando o desejo pelo poder e a ganância. Nicolau Maquiavel (1469-1527) Itália estava subdividida em vários reinos e ducados. Maquiavel escreveu “O Príncipe” que foi dedicado a Lourenço de Médici, o Magnífico, obra em que Maquiavel defende a formação de um Estado independente da Igreja. Ele coloca o processo político alél da moral, porque nas ações do príncipe (governante) o que se considera é o resultado. Refletiu o espírito do novo homem: racionalista e crítico. As respostas para os problemas só poderiam ser formuladas por investigação racional e de experiências. Muitos cientistas enfrentaram os Tribunais da Santa Inquisição. RENASCIMENTO CIENTÍFICO Galileu Galilei (1564-1642) Considerado um dos páis da física moderna, ao defender a tese de que a Terra girava em torno do Sol, foi convocado a comparecer ao Tribunal da Santa Inquisição. Nicolau Copérnico (1473-1543) Defendeu a teoria Heliocêntrica, na qual o Sol era o centro do Universo, contestando a teoria de Ptolomeu, aceita pela Igreja, que defendia a teoria Geocêntrica, isto é, a Terra era o centro do Universo. Defendia ainda que a Terra realizava dois movimentos simultâneos: um em torno de seu próprio eixo, com duração de 24 horas, e outro em torno do Sol, com duração deum ano. Sua teoria influenciou Galileu, que passou a defendê-la até enfrentar a Inquisição. Ambroise Paré (1510-1590) Participou de várias guerras como cirurgião-mestre. Suas experiências foram relatadas no livro método de tratar feridas por arcabuzes, descrevendo a técnica de ligadura dos vasos sanguíneos nas amputações. É considerado um dos fundadores da moderna cirurgia. Leonardo da Vinci Considerado o homem renascentista completo. Foi contratado por Lourenço, o Magnífico, para projetar o jardim da Praça de São Marcos. Mais tarde foi enviado para Milão onde apresentou ideias e esboços de máquinas de guerra a Ludovico Sforza. Mas não havia na época ninguém que pudesse construir seus inventos: helicóptero, para-quedas, aeroplano, metralhadora. Em Roma, Da Vinci dissecava cadáveres penetrando nas salas de autópsias, a noite para estudar a anatomia humana. Morreu em 1519 na França, deixando obras inacabadas em vários lugares.