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-
SUMÁRIO
,
01. ATESTADO MEDICO •••..•.••••.•....•...................••••.•••••••••..•••....•............•••••••••. 5
- ,
02. DECLARAÇAO DE OBITO •.•.•.........•••.......••.••••••••••...•••••••••............•.•••••.. 16
03. DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA .............................. 36
-04. EVOLUÇAO HOSPITALAR ......•...•.•.•••••••••...••••......................•••...••••••••••• 52
05. PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR ............................................... 77
ATESTADO MÉDICO
ATESTADO MÉDICO
1. INTRODUÇÃO
Atestado ou certificado é um instru-
mento que tem a finalidade de fir-
mar a veracidade de certo fato ou a
existência de determinado estado,
ocorrência ou obrigação.
O atestado ou certificado médico, por
sua vez. é um relato escrito - físi-
co ou eletrônico- de uma dedu-
ção médica e seus complementos.
É uma declaração pura e simples,
por escrito, de um fato médico e
suas consequências. Tem a finalida -
de de sintetizar. de forma objetiva, o
que resultou do exame feito em um
paciente, sugerindo um estado de
sanidade ou um estado de doença,
anterior ou atual, para fins de licen-
ça, dispensa ou justificativa de fal-
tas ao serviço, entre outros.
A utilidade e a segurança do atesta-
do estão necessariamente vinculadas
à certeza de sua veracidade. Sua
natureza instituciona l e seu conteú-
do de fé pública é pressuposto de
verdade e exatidão do documento
emitido.
Legalmente todo e qualquer médico
possui a chamada fé-pública. O ho-
mem. por exigência prática e jurídica,
diante da multiplicidade das relações
sociais. elevou à categoria de impera-
tivo de convivência a necessidade da
crença na legitimidade e autentici-
dade dos documentos. Daí a aceita-
ção geral de que os documentos, até
7
prova em contrário, são autênticos.
A isso. dá-se o nome de fé pública.
Objetivamente, indica a autentici-
dade documental; subjetivamente,
aponta a confiança a priori que os
cidadãos depositam na legitimida-
de dos sinais, documentos, objetos.
etc.. aos quais o Estado, por intermé-
dio da leg islação pública ou privada.
at ribui valor probatório".
\
-&-.. ~ ~
~ ~
~ .CONCEITO! A fé pública representa
uma presunção legal de autenticida-
de dos atos praticados pelos médicos.
Em âmbito médico. possui duas moda-
lidades: a primeira - objetiva - repre-
senta a própria veracidade dos docu-
mentos emitidos por um profissional
regularmente habilitado, no exercício
regular de sua prática profissional e.
como segunda modalidade - subjetiva -
existe a confiança que a sociedade e o
Estado depositam no conteúdo verí-
dico de tais documentos.
SE LIGA! Esta fé pública dos médicos
vale para todo o território nacional e
mais. independem do cargo. atribu ição
ou função exercida. mas se limita ape-
nas ao seu exercício profissional em Me-
dicina. não se estendendo a nenhuma
outra área. Caracteristicamente esta fé
pública é presumida portanto. admite
contestação e até prova em contrário.
ATESTADO MÉDICO
2. CONSIDERAÇÕES
SOBRE FORMA E
CONTEÚDO
O Conselho Federal de Medicina
(CFM) emitiu a Resolução CFM N°
1.658, de 13/12/2002 que trata es-
pecificamente do Atestado Médico
nos seguintes termos:
• Art. r O atestado méd ico é par-
te integrante do ato médico, sendo
seu fornecimento direito inaliená-
vel do paciente. não podendo im-
portar em qualquer majoração de
honorários.
SE LIGA! Além do valor da consulta ,
o médico não pode cobrar um valor
adicional para emissão do atestado
médico. Vale lembrar que a consulta é
condição indispensável para expedição
deste documento. tendo em vista o ne-
cessário exame clínico do paciente. Por
isso. o ato de expedir o atestado j á está
incluído no valor da consulta. sendo este
ato integrante do ato médico, consequ -
ência da própria consulta.
• Art. 2° Ao fornecer o atestado, de-
verá o méd ico registrar em ficha
própria e/ou prontuário médico os
dados dos exames e tratamentos
real izados. de maneira que possa
atender às pesquisas de informa-
ções dos médicos peritos das em-
presas ou dos órgãos públ icos da
Previdência Social e da Justiça.
SE LIGA! O Atestado Médico é uma
espécie de "Documento Bumerangue".
uma vez que é direcionado a uma ter-
ceira pessoa que se encontra fora da
relação médico-paciente. Sendo assim.
eventualmente. o médico que expede o
atestado poderá ser requisitado a pres-
tar esclarecimentos sobre a veracidade
do documento emitido. seja pelo Con-
selho Regiona l de Medicina. pelo em-
pregador do paciente ou até mesmo por
órgãos público da Previdência Social -
INSS- e da Justiça
8
• Art. 3° Na elaboração do atestado
médico. o médico assistente obser-
vará os seguintes procedimentos:
I - Especificar o tempo concedi -
do de dispensa à atividade, ne-
cessário para a recuperação do
paciente;
SE LIGA! Sugere-se escrever o período
concedido para dispensa em numeral e
por extenso. a fim de evitar qualquer tipo
de adulteração.
11 - Estabelecer o d iagnóstico,
quando expressamente autori-
zado pelo paciente;
111- registrar os dados de maneira
legível;
IV - Ident ifica r-se como em issor.
mediante assinatura e carimbo
ou número de registro no Conse-
lho Regional de Medicina.
ATESTADO MÉDICO
Parágrafo único. Quando o atesta-
do for solicitado pelo paciente ou
seu representante legal para fins
de perícia médica deverá observar:
I -o diagnóstico;
11 - os resultados dos exames
complementares;
111 - a conduta terapêutica;
IV - o prognóstico;
V- as consequências à saúde do
paciente;
VI -o provável tempo de repouso
estimado necessário para a sua
recuperação, que complemen-
tará o parecer fundamentado do
médico perito. a quem cabe le-
galmente a decisão do benefício
previdenciário, tais como: apo-
sentadoria, invalidez definitiva,
readaptação;
VIl - registrar os dados de manei-
ra legível;
V III -identificar-se como emissor,
mediante assinatura e carimbo
ou número de registro no Conse-
lho Regional de Medicina. (Reda -
ção dada pela Resolução CFM no
1851, de 18.08.2008).
' • Art. 4° E obrigatória, aos médicos,
a exigência de prova de identida-
de aos interessados na obtenção
de atestados de qualquer natureza
envolvendo assuntos de saúde ou
doença.
9
§ 1 o Em caso de menor ou interdito,
a prova de identidade deverá ser
exigida de seu responsável lega l.
§ 2° Os principais dados da pro-
va de identidade deverão obriga-
toriamente constar dos referidos
atestados. a. especificar o tempo
concedido de dispensa à atividade,
necessário para a completa recu -
peração do paciente;
• Art. 5° Os méd icos somente po-
dem fornecer atestados com o
diagnóstico codificado ou não
quando por justa causa. exercício
de dever legal. solicitação do pró-
prio paciente ou de seu represen-
tante legal.
Parágrafo único: No caso da soli-
citação de colocação de diagnós-
tico, codificado ou não, ser feita
pelo próprio paciente ou seu re-
presentante legal, esta concor-
dância deverá estar expressa no
atestado.
• Art. 6° Somente aos médicos e aos
odontólogos, estes no estrito âmbito
de sua profissão, é facultada a prer-
rogativa do fornecimento de ates-
tado de afastamento do trabalho.
§ 1 o Os médicos somente devem
aceitar atestados para avaliação de
afastamento de atividades quando
emitidos por médicos habil itados e
inscritos no Conselho Regional de
Medicina. ou de odontólogos. nos
termos do caput do artigo.
ATESTADO MÉDICO
§ 2° O médico poderá valer-se,
se julgarnecessário, de opini-
ões de outros profissionais afe-
tos à questão para exarar o seu
atestado.
§ 3° O atestado médico goza da
presunção de veracidade, de-
vendo ser acatado por quem de
direito. salvo se houver divergên-
cia de entendimento por médico
da institu ição ou perito.
§ 4° Em caso de indício de falsi-
dade no atestado. detectado por
médico em função pericial, este
se obriga a representar ao Con-
selho Regional de Medicina de
sua j urisdição.
SE LIGA! Em muito atestados observa-
-se a seguinte expressão ""Atesto para
' os devidos fins [ ... .]". E de bom tom es-
pecificar a que fim se dirige o atestado
médico: afastamento do trabalho. afas-
tamento das atividades escolares. entre
outros.
3. CONSEQUÊNCIAS
Absenteísmo trabalhista
A emissão de um atestado médico
envolve uma série de consequências.
sendo a mais conhecida o afasta-
mento das atividades laborais. Pelo
impacto que a ausência de um profis-
sional gera em seu ambiente de traba-
lho - atraso nas entregas, sobrecarga
de outros colegas. etc - o médico que
expede tal documento méd ico deve
10
estar ciente da seriedade e relevân -
cia do documento que emite, deven-
do ser fiel em todas as informações
que reg istra a fim de não prejudicar
terceiros. Vale lembrar que a emissão
de um atestado médico não pode ser
feita por "bondade" ou para "angariar
a simpatia do paciente". O atesta -
do médico é um documento médico.
como tal, deve ser emitido somente
para o fim a que se propõe, qual seja
sintetizar um estado de sanidade ou
um estado de doença, anterior ou
atual, para fins de licença, dispensa
ou justificativa de faltas ao serviço,
entre outros.
SE LIGA! Atestado/Declaração de
Comparecimento é diferente de Ates-
tado Médico. Enquanto o primeiro é um
documento administrativo que apenas
registra a presença/acompanhamento. o
segundo é um documento médico. feito
por um profissiona l habilitado - médi-
co -, que atesta uma cond ição clínica e
a eventual necessidade de repouso do
paciente. Ex: Pais que acompanham os
filhos em consulta com o Pediatra não
devem receber atestados médicos. vez
que estes sequer foram examinados. O
que se pode emitir para os pais é um
atestado de comparecimento. Em hi-
pótese alguma deve o médico fornecer
atestado médico para registar presença/
acompanhamento. vez que assim esta -
ria desvirtuando a função do atestado
médico.
ATESTADO MÉDICO
Ganhos Secundários
Ao emitir o atestado, deve o médico
registrar fided ignamente o estado de
saúde do paciente, evitando assim,
corroborar com qualquer intenção
"desleal" do paciente de obter vanta-
gens indevidas, como um afastamen-
to desnecessário de suas atividades
laborais. Deve o médico ficar aten-
to às intenções dos pacientes, sob
pena de prejud icar indevidamente o
empregador ou a Previdência Social,
tendo em v ista que com o atestado
o trabalhador é dispensado, tendo
suas fa lt as abonadas e seu salário
mantido integralmente, sem contudo,
exercer as atividades para as quais foi
contratado.
' E necessário entender que a função
do atestado é garantir o repouso para
um paciente que necessita deste para
reestabelecer sua saúde. Assim como
a prescrição de um remédio, o repou-
so é condição necessária para o trata-
mento méd ico, não à toa . o atestado
médico tem fé-pública - presunção
de veracidade- e vincula o emprega-
dor - que deve acatar o afastamen-
to de seu empregado por motivos de
saúde.
Responsabilidade Penal
A conduta de emitir atestado médico
falso é tipificada como crime no artigo
302 do Código Penal, podendo levar
11
o médico a responder penalmente
por seu ato.
Falsidade de atestado médico
Art. 302 - Dar o médico, no exercício
da sua profissão, atestado fa lso:
Pena - detenção, de um mês a um
ano.
Parágrafo único - Se o crime é co -
metido com o fim de lucro. apl ica-se
também multa.
O atestado falso seria aquele dado
quando se sabe do seu uso indevido
e criminoso. tendo por isso o caráter
doloso. Se é fato que alguns médicos
resistem, igualmente certo é também
que, em alguns casos. o profissional
é induzido por questões de amizade
ou de parentesco. e assim, sem uma
anál ise ma is acurad a, fornece um
atestado gracioso ou falso. mesmo
que seu Código de Ética diga que t al
atitude é il ícita e o Código Penal veja
como inf ração punível.
Tais sa nções são justas porquanto o
Estado tem o direito de resguardar o
bem juríd ico da fé pública, cuja fina li-
dade é sempre proteger uma verda-
de. A fals idade do atestado médico
está na sua f alsidade ideológica. Está
fraudado na sua substância, no seu
conteúdo. A sua irregularidade, por-
tanto, está no seu teor, na sua nature-
za intelectua l, praticada por um agen -
te especial que é o médico, quando
ATESTADO MÉDICO
subverte o exercício regular de um
direito.
SE LIGA! Não confundir o crime de
falsidade de atestado médico com o
crime de exercício ilegal da medici-
na. Quando alguém que não é médico
produz um atestado. o crime não é de
falso atestado médico. mas de exercí-
cio legal de medicina. conforme o Art.
282- Exercer. ainda que a título gra-
tuito. a profissão de médico. dentista
ou farmacêutico. sem autorização le-
gal ou excedendo-lhe os limites: Pena
- detenção. de seis meses a dos anos
Parágrafo único - Se o crime é pratica-
do com o fim de lucro. aplica-se também
multa.
Responsabilidade Administrativa
/
O Cód igo de Etica Méd ica (Resolu-
ção CFM No 2217 DE 27/ 09/2018)
discipl ina a responsabil idade sobre a
exped ição de atestados tanto em seu
capítulo 111 . que trata da Responsabi-
lidade Profissiona l. quando em seu
capítulo X. que t rata especificamente
dos documentos méd icos.
• Art. 11 Receitar. atestar ou emiti r
laudos de forma secreta ou ileg ível.
sem a devida identificação de seu
número de registro no Conselho
Reg ional de Medicina da sua juris-
dição, bem como assinar em bran-
co folhas de receituários, atesta-
dos. laudos ou qua isquer out ros
documentos médicos.
• Art. 80 Exped ir documento médico
sem ter praticado ato profissional
12
que o j ustifique, que sej a tenden -
CIOSO ou que não corresponda à
verdade.
O termo "documentos méd icos" é gê-
nero que eng loba todo e qualquer t ipo
de decla ração emitida por um médico.
durante o seu exercício profi ssional
na Med icina. Exemplificativamente.
são documentos médicos: atestados.
certificados. declarações, laudos, pa-
receres. homologações. relatório. re-
ceitas. evolução. prescrições diversas.
com unicações internas, etc.
SE LIGA! Se você expediu o atestado
médico para um paciente. você deve
ter atendido ele. logo, é obrigatório a
existência do prontuário deste paciente.
Todo atestado médico deve estar an-
corado em um prontuário.
• Art. 81. Atestar como forma de
obter vantagem.
Atestar significa declarar ou certifi-
car alguma coisa. Com base neste
fundamento. o termo "atestar" do
presente artigo deve ser enten -
dido em sentido amplo, como se
fosse "emitir qualquer documento
médico".
Mais que tipo de vantagem seria
essa? A resposta é simples. En-
globa toda e qualquer tipo de be-
nef íc io possível e imaginável, in-
cluindo até a mera captação de
cl ientes (ou pacientes). Pode ser
ATESTADO MÉDICO
uma vantagem financeira, políti-
ca, social ou administrativa, para
o médico ou terceiros, tais como
amigos e familiares.
Comete infração a este artigo
o médico-político que usa seus
atestados como instrumento de
campanha eleitoral, enviando. por
exemplo, documentos sugerindo
benefícios previdenciários. nota-
damente aposentadorias por inva-
lidez. visando manter sua vis ibili -
dade "eleitoreira" na comunidade.
No mesmo tipo de infração, se
enquadra o médico que derrama
atestados médicos sugerindo os
mesmos tipos de benefícios, visan-
do não fins políticos eleitorais, mas
apenas incrementar sua clientela e
suas receitas.
13
ATESTADO MÉDICO 14
---------------•--------------~
ATESTADO MÉDICO
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS15
Código de Ética Médica: Resolução CFM no 2.217. de 27 de setembro de 2018. modificada
pelas Resoluções CFM no 2.222/2018 e 2.22612019 I Conselho Federal de Medicina- Bra-
sília: Conselho Federal de Medicina. 2019.
Barros Júnior. Edmi lson de Almeida. Código de ética médica: comentado e interpretado I Ed-
milson de Almeida Barros Júnior.- Timburi. SP: Editora Cia do eBook. 2019.
FRANÇA. Genival. Direito médico- 15. ed.- Rio de Janei ro: Forense. 2019
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
A declaração de óbito (DO) é um do-
cumento muito importante e o único
profissional de saúde que pode pre-
enchê-la é o médico.
1. EXTINÇÃO DA
PERSONALIDADE
JURÍDICA:
O ser humano passa a ser pessoa.
sujeito a direitos e obrigações. quan-
do nasce com v ida. O preenchimento
da declaração de óbito de um deter-
minado indivíduo. do ponto de vis-
ta jurídico. culmina na extinção da
personalidade do mesmo. ou seja. a
pessoa passa a não mais existir. Essa
extinção gera desdobramentos não
apenas ao indivíduo. mas para toda a
sociedade.
A morte implica na extinção de todas
as responsabilidades que o indiví-
duo possuía. Portanto. caso a pessoa
fosse casada o (a) seu cônjuge passa
a ser v iúvo (a). ocorrendo a extinção
do matrimônio, não havendo mais
vinculações legais entre esses indi-
víduos. Caso o indivíduo que veio a
18
óbito tenha filhos. pode ser que esse
venha a receber herança. pensão por
morte do INSS (Instituto Nacional do
Seguro Social) ou de outro sistema
de aposentadoria e pensões. Portan-
to. a declaração de óbito implica na
criação de uma engrenagem secu-
ritária, com despesas para a previ-
dência social ou para seguradoras
privadas. A lém disso. a DO tam bém
informa ao Tribunal Superior Elei-
toral (TSE) que esse indivíduo não
votará mais. informação essa passa-
da atra~és do Sistema de Informação
sobre Obito (SISOB). entidade que
conecta os cartórios de registro civil,
o INSS e o TSE. Esse processo difi -
culta o acontecimento de fraudes nos
processos eleitorais.
2. DISPONIBILIDADE:
A DO é um formulário autocarbo-
nado em 3 vias. chamado de "Kit"
de DO. composto por uma via bran-
ca, uma via amarela e uma via rosa.
Lembrando que, por serem autocar-
bonadas. não há necessidade de uti li -
zar um carbono no meio! O preenchi-
mento da v ia branca (a primeira) gera
o preenchimento das conseguintes.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 19
,,.18 1 -
-
--... =
r --
Figura 1. A declaração de óbito e as suas 3 vias. (Fonte: CREMEB. 20 17)
Esse formulário é único no mode-
lo decidido pelo Ministério da Saúde
(MS) em TODO o território nacional.
não havendo quaisquer mudanças
em unidades federativas específicas.
Cada DO já vem numerada. Essa
numeração é única e exclusiva
para cada DO. ou seja, não existem
DO's gêmeas. com a mesma nume-
ração. Portanto. caso haja rasuras
importantes ou erros a DO não deve
ser descartada. jogada no lixo ou ex-
traviada. Nesses casos. deve-se inu-
tilizar o documento. deixando claro
através de palavras como "Inutilizada.
Sem Efeito. Cancelada", grampeando
as 3 vias e reencaminhando-as para
a Secretaria Municipal de Saúde
(SMS) . Cada DO emitida pela SMS
deve retornar para a mesma. para
que o sistema de informação seja ali-
mentado e repassado para os níveis
estaduais e federais.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
Número de
Identificação da DO
20
República Federativa do Brasil
Minist6rio de Saude
I'VIA· SECRETARIA DE SAUDE
Declaração de Óbito
7 Notnt 6a Mie
1=-:fiL.,-COI,_J,I""-::.,-:'d:;i.,t (,--,:UIH..,.MI~I ... :-,:-1 ;~J -· O[]Stm..w.n~~~M 30U•diO(WIIIIQOrorau) •~ 10FvMMntA!til (!"~o~4" .. 11•) 40SuPtt•!c. ,..,,.,,..,.._, D
2(J Funda'nenlal I cs- a a• ~) 50 SupenQt çorn~ 9
Figura 2. Numeração da Declaração de Óbito (DO). (Fonte: Adaptado de CREMES. 2017)
Nos serviços de saúde em que é es-
perado que ocorram mortes de forma
eventual ou constante. como Hospi-
tais. UPA's, UTI's, é provável que o di-
retor técnico dessas instituições sem-
pre garanta a disponibilidade da DO
nesses locais.
Pa ra que o diretor técnico da institui-
ção consiga pegar mais documen-
tos de DO na SMS, ele precisa levar
as vias brancas já preenchidas. Por-
tanto. cabe aqui elucidar que quando
um paciente vem a óbito a via branca
é reencaminhada para a SMS. a via
amarela fica sob a responsabilidade
da família (que serve para resolver as
questões burocráticas com o cartó-
rio. para que possa ocorrer o sepul-
tamento do indivíduo) e a via rosa é
anexada ao prontuário na instituição
de saúde que prestou atendimento
ao indivíduo. fluxo que será mais de-
talhado a seguir.
Caso o profissional médico atue nas
áreas em que há atendimento do-
miciliar constante, suporte e aten -
dimento a pacientes em situação de
vulnerabilidade e até em pal iação,
como a geriatria. o médico como
Pessoa Física pode ter em sua pos-
se documentos de DO para quando
necessite. resgatando-as da mesma
maneira na SMS.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
~~------------------------------------------
OU4 I I I I I_J,
~·----------------------------------------~~ 00
dDaMnCr'l1:l dR lct!f1'111!dt tfl '--' I I I l_I_J_._.!,
't'Qlira:ia IJI ~w:rtolõ vais,. Dochj;ill e ~ nlo T~ Mnflrac'la N IY. ~
Cà!LC J71, SD .-. ~ dlt Dllr:b~. ÔbUD {DO).
~lllX~ e O:IUCICliDnlldl ~ I:JIW lQÇiD 6) dar:umuiiD de idwitdlde ~ p: ;;g• IIIUIJI::ada Klma
cnsa .
0U111mi!~ l:õ:suta:> tl..,ral t....,...tgN'iA1t peo uoo cbs ~ de 00 ~ à
pe::SII)a ~ Cllm) pdo CDTg6cm • cr:mm - lllll5 ra tl::mliX do
CÓC\9" de E!b NMlcJ ~ 39, HQ, u•. 1!5) e ~ (tâ 6SIIl,. dia l1.l2.72, q.aa
RQT.~cma a fita~ ~e Ar·~ ct.1 !iaí1'dl rv"n. ~ sn. e o cddiQO ·Perli:ll
ro.-.102).
A&litDrta;Ju scne• penSai ~ Wlrtdt ••* s'd'JçS.> f'll'mll
crc:amilrtQ:~ I f'fi#Nai\'5/MV, can • CI!"Miii:D cSiql.dl ~
CD.. == - - D - Jzb.. • .. át mêdiiJII&Cr.::a=.
21
Figura 3. Exemplo de Termo de Autorização para retirada de formulários de Declaração de Óbito, emitidos pela Secre-
taria Municipal de Saúde de Porto Alegre. (Fonte: Adaptado de Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre)
3. AUTORIA:
A autoria é a última sessão a ser pre-
enchida da DO. onde há um campo
para o "nome do médico" e outro
campo para o "CRM". O carimbo é.
assim como em outros documentos
médicos. facultativo. O médico que
preenche a DO pode ser o médico as-
sistente (atendeu o paciente). médico
substituto (não acompanhou o caso.
mas esteve presente no momento do
óbito. exemplo: médico plantonista).
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
médico legista (em casos de morte
por causa externa). médico patolo-
gista nos Serviços de Verificação de
I
Obito (SVO) .
~~ -- ~·mRA DA REVISÃO! O Instituto Mé-
x dico Legal (IML) está subordinado à
Superintendência da Polícia Técnico-
-Científica e foi criado com o intuito de
fornecer bases técnicas em Medicina
Legal para o julgamento de causas cri-
minais. A mais conhecida de suas fun-
ções é a necropsia em mortes de etio-
logia violenta. No entanto. esse tipo de
exame const itui apenas 30% de suas
funções. A maior parte de seus atendi -
mentos é dada a indivíduos em vida,
vítimas de acidentes de trânsito, de
agressões, acidentes de trabalho, en-
tre outras causas externas.
O Serviço de Verificação de Óbito
(SVO). por sua vez. se constitui no local
onde é realizado o exame dos corpos de
pessoas que morrem sem terem sido
assistidas, ou por causas naturais
desconhecidas. excetuando-se aqueles
que morreram por causas externas.
22
I
E obrigatório a disponibilização de um
meio de contato. para que a SMS
possa entrar em contato caso ocor-
ram eventuais dúvidas. O número ut i-
lizado pode ser institucional, como da
clín ica. hospital ou consultório em que
o méd ico esteja atuando. A lém disso.
devem constar a data de preenchi-
mento da DO e a sua assinatura.
podendo essa ser a assinatura habi -
tual reg ist rada em cartório.
SE LIGA! Em localidades SEM profis-
sionais médicos, é possível que dois
cidadãos não médicos possam teste-
munhar em Cartório de RegistroCivil
a morte de um indivíduo. Não há preen-
chimento do diagnóstico. nesse caso.
Autcr;~,
Identificação
Médica
Preenchimento
em causas
externas
~enchimento
1 em localidades
~mmédicos
-- --------------- ----------------------------------------
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VIII
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_SE AOCXlRRí:NCIA FOR EM VIAPUBliC~ ANOTAR 0 ENDEREÇO
...... l.QO~OúiO ifrl.lil, PQt;to . .-...nlóa. .-e.)
• I " """"'""
'-- -·-···-·-
Figura 4. Autoria da Declaração de óbito em mortes por causas naturais, mortes por causas externas e em localidades
sem médicos. (Fonte: Adaptado de CREMEB. 20 17)
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
' E comum que médicos sejam solicita-
dos em localidades onde não há aten-
d imento médico emergencial, princi-
palmente em interiores e localizações
rurais, para assinar a DO de um pa-
ciente que já fo i inclusive sepultado,
por exemplo aos finais de semana. A
declaração de óbito possui natureza
de atestado, e o médico não pode
atestar um ato sem o ter realiza-
do! Esse preenchimento é, portanto,
incorret o.
E LIGA! O Código de Ética Médica
Art. 114 explícita: É vedado ao médi-
co: "Atestar óbito quando não o tenha
verificado pessoalmente. ou quando
não o tenha prestado assistência ao
paciente salvo. no último caso. se o fi-
zer como plantonista , médico substituto
ou. em caso de necrópsia e verificação
médico-legal"
23
~~~-----------------------------------~..z:;.
~ .. SAIBA MAIS!
Como a declaração de óbito possui natureza de atestado. o profissional médico que emitir
uma declaração de óbito falsa está susceptível a cumprir um mês a um ano de detenção. bem
como pagar uma multa. caso tenha emitido a DO para fins lucrat ivos.
4. IDENTIFICAÇÃO:
Com relação a identificação do indiví-
duo que veio a óbito, deve consta r na
DO o seu nome completo, o nome
de seus genitores, a data de nasci-
mento, a idade no momento do óbi-
to, o sexo biológico, a cor da pele,
o estado civil, a escolaridade e, por
fim, a sua ocupação. Lembre-se que
"aposentado" e desempregado" não
são ocupações! Preencha sempre a
ocupação que o indivíduo exercia
enquanto ativo em seu ofício. Esse
dado é importante para a elucidação
sobre se houve ou não alguma contri-
buição negativa do trabalho do indiví-
duo em sua morte.
O primeiro campo da DO questiona se
o óbito foi fetal ou não fetal. Para a
morte feta l, basta o preenchimento da
declaração de óbito. Por outro lado, a
morte não fetal exige a Declaração
de Nascido Vivo, necessitando que o
ind ivíduo possua nome, pois chegou
a t er personalidade j urídica.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 24
[ Identificação l
Classificação do óbito
em Fetal ou Não Fetal Repubhca federativa do Brasil
Momst4no da ~ii<M
.....
Anllt (.Qf'CIIIo~
I butatlde•• (vllm. ••"- conelvoCU.) .... ,
<(:J &•I"'M(dlf":h4t JC)"'tcco(iti'GO 2"9'(11.1)
t(J FIII"'t.::m.'11'"'111•1••••s.""l •0S..perarii"CCII;W!1)~tto
Cl r~ .. • ,,. • r Sfr>e) sC)Sut'N'I'JOf conPtf'lo
Declaração de Óbito
1 lt~co,..l ' ...... ·o~::.~.,.._.
JO<•~ "CC·!f'Uo_. -.a-
C6dlgo CGO 2002
Figura 5. Campo de identificação do indivíduo falecido. além de classificação do tipo do óbito em fetal ou não fetal.
(Fonte: Adaptado de CREMEB. 20 17)
~~-----------------------S-A-1-BA __ M_A_I_S_! ________________________ ___
É importante ressaltar que se o produto da concepção expelido possuir menos de 500g ou
menos de 22cm ou menos de 20 semanas gestacionais. sendo configurado como aborto.
NÃO é necessário o preenchimento da DO. Passada dessa idade gestacional (>20 semanas).
quando há morte intrauterina considera-se a morte como fetal e quando há morte extrauteri-
na. após algum sinal de vida. é considerada uma morte não fetal.
5. RESIDÊNCIA E
OCORRÊNCIA:
Em alguns casos. o indivíduo é re-
sidente em um lugar, porém vem a
óbito em outro. muitas vezes por im-
portação e exportação de óbitos.
Muitos locais não possuem um siste-
ma de saúde preparado para assisti-
-lo. acabando por recorrer a capitais e
cidades mais capacitadas, com maio-
res recursos. Outras vezes o contrário
ocorre, com indivíduos em v1agens.
por exemplo.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
Local onde o
indivíduo residia
Local onde o
indivíduo veio a
óbito
r·
1 ...... 2 0\Mol ...... _.. ' o-..
.. w ...... 5 ow.. • ..,_...,
IV
l
25
,, t.· t' ., ~ •••110
lZ UF
Figura 6. Campo de Residência do indivíduo e da ocorrência do óbito. (Fonte: Adaptado de CREMEB. 2017)
~
'-"" ~ " ~
~ . ONCEITO! Cabe aqui elucidar os con-
ceitos de Importação e Exportação de
óbitos. A importação de óbitos é o con-
ceito utilizado do ponto de vista da lo-
calidade em que ocorrem os óbitos de
indivíduos residentes em outra localida-
de. De forma antagônica. a exportação
de óbitos é avaliada do ponto de vista
da loca lidade de residência do indivíduo
que vem a falecer em outro local.
Esse dado tem sua importância jus-
tificada pela avaliação do perfil de
morbimortalidade das localidades
específicas, de forma a aval iar quais
são os problemas de saúde especí-
ficos de uma região, possibilitando a
elaboração pelos gestores em saúde
de polít icas de saúde direcionadas e
mais eficazes. Dessa forma, podemos
perceber o quanto esse documen-
to extrapola a burocracia. tornando-
-se essencial em diversas esferas da
saúde pública!
6. CRIANÇAS E
MULHERES:
O falecimento de indivíduos em seu
primeiro ano de vida configu ra como
mortalidade infantil.
Falecimento de mulheres em idade
fértil (na menacme) pode configurar
como mortalidade materna.
Existem diversos campos que não po-
dem deixar de ser preenchidos com
relação à mortalidade perinatal, ou
seja, a mortalidade do feto no final
da gravidez, do recém-nascido e da
,
gestante ou puerpera.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 26
~rrência de óbitos em
I ~;~·os ou crianças com
PREENCHIMENTO EXCt.U$1\'0 PAAA 00.TO$ FETAl$ e DE ME.NORE$ DE 1 ANO
Nf:ORMAÇOES S08RS: AMAE
i)31clad• Gol ~IAnd~ (Eft'l-~--~)
1 ~ 2 0.1<13 Jt:l o. •• 7
menos de 1 ano
(Mortalidade Infantil)
,.,._ " o.•• 11 ~ 12•~"~•• • 10,.._.0
( Ocorrência de óbitos em
mulheres (Principalment e
1 em casos de mortalidade
L_ materna)
o;rOI.nç6o~~ {Em~)
I ~cr.22 2 , O.l2•21
3 10.2t•ll • OtU•JI . ~-- . -
) [ - . -
------~--~=~~-------------ÁSSfSTE:HC&A Mt04CA
. ·~ •LJ - . -
Figura 7. Campo de preenchimento em caso de óbitos fetais e crianças menores que 01 ano, ou óbito de mulheres. São
campos de extrema importância para a avaliação da mortalidade perinatal. (Fonte: Adaptado de CREMEB. 2017)
~~ . .
\..,:.:. CONCEITO! Mortalidade permatal =
Mortalidade do feto no final da gravi-
dez, do recém-nascido e da gestante ou
' puerpera.
Nesse âmbito, é importante lembrar
que existem diversos casos subnoti-
ficados de mortalidade materna por
abortamento clandestino. Como
sabemos, o Abortamento é crime
no Brasil. Entretanto, também sabe-
mos que diversas gestantes se sub-
metem diaria mente a abortamentos
clandestinos. muitas vezes evoluin-
do com complicações e vindo a óbito.
Por conta das subnotificações. não se
sabe exatamente qual é o panorama
real da mortalidade materna, dificul -
ta ndo a criação de políticas públicas
em prol dessa população.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
Totalmente Proibido: As leis dos
países nesta categoria não
permitem o aborto sob
nenhuma circunstância1 inclusive
quando a vida ou a saúde da
mulher estão em risco. 26 países
globalmente se enquadram
nessa categoria.
--
27
Sob solicitação (os limites
gestacionais variam):
67 paísesglobalmente se
enquadram nessa
categoria.
O limite gestacional mais
comum para países nessa
categoria é de 12 semanas.
Figura 8. Leis que regem a prática de abortamento a nível mundial. (Fonte: Center For Reprodutive Rights- The World's
Abortion Laws. 2020)
7. CAUSA MORTIS
Para muitos, pode ser considerada a
parte mais importante da DO, pois é
onde se encontra a causa/motivo da
morte.
De imediato, podem-se observar na
DO as linhas A, 8, C e O, perten-
centes à Parte I da Causa Morte. ou
seja, re lacionadas a doença ou esta-
do mórbido que levou diretamente
ao óbito. Não é necessário a util iza-
ção de todas, desde que as causas
da morte sejam elucidadas da causa
base (o mais abaixo possível entre
as opções) até a causa imediata (A,
o mais acima possível), havendo as
causas intermediárias em sequên-
cia ent re elas. A causa base do óbito
é a etiologia que culmina com a se-
quência de eventos que possibil ita a
morte do indivíduo. A lém disso, de-
ve-se também investigar e elucidar o
tempo decorrido, aproximadamen-
te, entre o início de cada diagnósti-
co e a morte do paciente.
SE LIGA! O CID (Classificação Interna-
cional de Doenças) relativo a cada diag-
nóstico é preenchido pelos codificadores
da SMS responsável, não devendo ser
preenchido pelo médico!
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
A Parte 11 do campo de Causas da
Morte diz respeito a outros aspectos
patológicos do indivíduo que podem
ter contribuído a longo prazo com a
morte. mas não estão relacionados
CAUI-AI OA MOI':TE ~._...._,,,.,.~._. "011''-'"-
PART'E I •I Causa imed ata ou terminal
c..... ........... ~·--
.. 1 C<1usa intermediária c.....- ................... ..,.. .... ,...... ...... .. ~---MJ........ .... .. ...... ...... .............. ._ ...... o..... ................. . ... •I C<1usa intermedián a
28
com o estado patológico que a pro-
duziu. Por exemplo. um paciente que
veio a óbito por um Choque hipovolê-
mico. mas possuía como doenças de
base a Hipertensão Arterial Sistêmi-
ca (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM).
r. . . ...... .... ...... . ,..... ..
~,, • ..,. CbD
I
----------------- d~lc_ .. _u_sa __ bi_s_ic_a_d_a _m_or_t•------------------------~----~----~
Outros est.ados patológicos s gniticativos que contr tbuÍr.llm
PARTE I
OW...• .......... ~-- .... I C -.................... -........ --- . . 1 com o est<~Oo patotóg co que a produziu.
Figura 9. Causas da Morte. Divisão do campo de preenchimento das causas da morte em Parte I (Refere ao estado
mórbido que levou diretamente à morte) e Parte 11 (Patologias outras. não relacionadas à causa aguda de morte). (Fonte:
Ministério da Saúde. 3" Ed. 2009)
A causa imediata pode auxiliar na
preparação técnica e instrumental
para lidar melhor com causas agudas
habituais de morte. Entretanto. as
políticas de saúde podem ser melhor
direcionadas para as causas base. le-
vando a uma prevenção e promoção
de saúde de forma mais acurada.
Vamos treinar? Como você preenche-
ria essa DO?
Caso 01: Paciente diabético. 45
anos. Deu entrada no PA com histó-
ria de vômitos sanguinolentos há 04
horas. cursando há 2 horas também
com tonturas e desmaio. Ao exa-
me físico. descorado +++/4+. PA de
80x50mmHg. A família conta que é
portador de esquistossomose man-
sônica há 5 anos. tendo sido interna-
do há 2 anos por hematêmese. rece-
bendo então o diagnóstico de varizes
esofágicas. 2 horas após a entrada no
PA. cursou com parada cardiorrespi -
ratória e teve o óbito verificado pelo
médico plantonista. após insucesso
das manobras de reanimação.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
CAUSAS OAIIOitT! UOt'C~-...-.noo,_..--.
PAIITf I
CAUIAI Allnct:DilWTIU
~~scc~4W:~•
CDU-~--- &NU...,. ....
IU;:••ca,..u.lóa
•I Choque hipovolêmtco
on.-~ de.
11 I Rotura de vanzes esofageanas
o;:;;;.~ ...
c I Htpertensão porta
O.... wamo o*--
29
---.nft O..NC» .. ClO' ..-p•ai""''1a
I 2 horas
16 horas
12 anos
-----------------a~IE_s_q_u•_st_o_ss_o_m_os_e_m_a_n_so_·n_ic_a ____________________ ~ls_a_n_o_s __ L_ __ ~
PAliTE a
OUI:t:as cordçkl 14'""'*-..... - ~
Clll'l: a "!!Df''r e_. MO.,.,.... ,.,... aa
aoõ .ldiJiia..
I Dtabetes mellitus
Figura 10. Preenchimento correto da DO no Caso 01. (Fonte: Ministério da Saúde. 3• Ed. 2009)
E nessa próxima DO, como você preencheria os campos de causa da morte?
Caso 02: Paciente masculino. 65 anos. Há 35 anos fo i diagnosticado com HAS
(Hipertensão Arterial Sistêmica) mas nunca fez o tratamento correto. Há 2 anos
começou a apresentar dispneia aos médios esforços, como ao subir poucos lan -
ces de escada. Foi diagnosticado com Cardiopatia Hipertensiva, tendo seu tra-
tamento iniciado. Há cerca de 2 meses foi diagnosticado com uma insuficiência
cardíaca congestiva. Hoje, chegou ao PA com dispneia intensa, tendo sido diag-
nosticado um Edema Agudo Pulmonar, com o paciente evoluindo a óbito em
cerca de 5 horas. A família também informou que o mesmo foi diagnosticado
com câncer de próstata há 2 meses atrás.
CAUSAS DA IIIO"Tf ,..,,r...unw~noo ii'OA._...
PAliTE I
•I Edema agudo do pulmão
CAUIAIANTIClOINTII
~ ..... _....,
tfWI O~IdO-
~t.l~ QD"'
I 5 horas
E.:s:s»rn t!"tttb""' se cQar't"'. euc 1111 G loiZt"W •
u:.c:s xfrõJ rt'Q':!::rotd.a mt'IC!on~u t.!'l'l o t-'1'0
WGw • CMK.l o,a:.o
11 lnsuf1c1ência cardíaca hipertensiva 2 meses
OU Coti'!O coruLliiHnt[;J. Gt.
c I Cardiopatia hipertens v a 12 anos
ortídõ ou como coru;eQut.'ICfa ot~
-----------------...a~I H_i_pe_r_te_n_sã_o_a_r_te_ri_al __________________________ ~l_3_5_a_no_s __ L---~
PAliTE ll
()u!n" cen01~8u t.'QII"I""at'Y» wc cOtllri:M.*Im
p.lr'll • ft'lCf'tt:, ~ qYf' nto ~·""' ~ tLa
~·-
I Neoplasia maligna de próstata I 2 meses
Figura 11. Preenchimento correto da DO no Caso 02. (Fonte: Ministério da Saúde. 3• Ed, 2009)
E essa última DO. o que você coloca-
ria na causa da morte?
Caso 03: Paciente Chagásico. com
comprometimento cardíaco. foi in-
ternado com história de distensão
progressiva do abdome. Há dois dias
vem apresentando fraqueza. febre
alta, e dor intensa e difusa no ab-
dome. o que dificulta o exame físico
desse segmento. Relata estar sem
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
evacuações há 3 dias. Refere diag-
nóstico colonoscópico de megacólon
há 5 anos. Na visita médica da ma -
nhã (08:00) foi percebido que o pa-
ciente suava muito, apresentando
PA sistólica de 20 mmHg. O médico
diarista. após avaliação do hemogra-
ma, realizou a troca do Antibiótico e
CAUIA& OA WOitn ..,...........wa~......._,.._.._._....
PA-RTE I -
~----~· .. "I P-.ritonite agud~ r....e • ..,....,.. •• ·"""*- ................ . ,..._..,. ,llltl~ . .. .... .. _ ....... . ...,. • &:a.-.·-- a-... ....... 00: ........ •I Volvo do s1gmoidl!
~-........ IWiio& • ._
30
ajustou diversas vezes ao longo do
dia o gotejamento da dopamina. O
paciente apresentou uma parada car-
diorrespiratória às 16:00, tendo o óbi-
to confirmado pelo médico substituto
após o insucesso das manobras de
. -rean1maçao.
,......... . .. ..,.,. .........
....... ...._ 0.;)0-
1 8 horas
12 d i.u
13di.U
________ dl ~l•g~colon ch~gásico crôn1co 15 ~nos
1 c~rd•op~, ,~ chagásica
I'AitTE •
0... .......... ~.- ... ......._
~·-.u .................... ,. --
Figura 12. Preenchimento correto da DO no Caso 03. (Fonte: Ministério da Saúde. 3• Ed. 2009)
SE LIGA! Existem diversos erros mui-
to comuns no preenchimento da DO.
que você deve se atentar para não aca-
bar reproduzindo durante a sua prática
médica!
Deve-se evitar a utilização de diag-
nósticos imprecisos como cau-
sa imediata. sem o esclarecimen-
to sobre a causa básica da morte.
Exemplo: Causa Imediata - Parada
cardiorrespiratória.
,
A Falência Múltipla de Orgãos é um
diagnóstico no capítulo das causas
mal definidas, sendo. portanto. um
diagnóstico impreciso, devendo-se
precisar as afecções que desenca-
deiam a série de eventos. culminando
em uma falência de órgãos e morte.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 31
CAUIAIANTlCfDtWTtl
~I'Ul'~ lttc::t'\4'.C~') I
~ 0'1 ~~ :n:t. ,.C'ÓIII'.Itdi>IH'I w :-.1 b
'r,WICIJ:.Jt.l~a "c;;;;D;ic;;iiiifã~;;-"------------L--.l_-_j a-Cll CCI'lll 03'~1 ~
c
PARTE 11
0W» cwt~lt$ ~;ril'a':'m qJit COIIITIIIh!l
PIIU II'OI'It t ~ ~ etiiTW J)CIII" na
cteelalà"a
Figura 13. Exemplo de Preenchimento Incorreto da DO. (Fonte: Ministério da Saúde. 3° Ed. 2009))
8. FLUXO DA DO
Cada via da Declaração de óbito pos-
sui um fluxo específico nas institui-
ções públicas ou privadas.
A via Branca é preenchida pela ins-
tituição que presta o atendimento.
sendo ela o hospital. clínica. IML (Ins-
tituto Médico-Legal) ou SVO. as quais
encaminham para a SMS. A SMS,
por sua vez. digita, analisa e enca-
minha a DO para a DIRES (Diretoria
Regional de Saúde). A DIRES é res-
ponsável pela sua análise e encami-
nhamento via web para instância
estadual (SES - Secretaria de Estado
da Saúde) e federal (MS- Ministério
da Saúde).
A via Amarela é entregue para a
família, que em sua posse a encami-
nha para o Cartório de Registro Ci-
vil. de forma a poder prosseguir com
as questões burocráticas do sepul-
tamento, cremação. entre outros. A
segunda via permanece arquivada
nesse local.
A via Rosa fica arqu ivada no local de
prestação de atendimento médico,
em conjunto com o prontuário do
paciente fa lecido. seja essa instituição
um hospital. clín ica ou ambulatório.
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 32
FLUXOGRAMA: FLUXO DE DESTINAÇÃO INSTITUCIONAL PARA CADA UMA DAS 3
VIAS DA DECLARAÇÃO DE ÓBITO. (FONTE: AULA SANARFLIX)
Declaração de Óbito
SE LIGA! Não custa lembrar que as 3
Vias da DO devem ser utilizadas para
o mesmo indivíduo. sempre em con-
junto. Caso contrário. há a perda de sua
validade'
9. CASOS ESPECIAIS
Existem algumas situações especiais
no preenchimento da DO. que va lem
a pena lembrar.
Em caso de cremação, é necessá -
rio que a DO seja assinada por dois
profissionais médicos, em vez de
apenas um.
Em caso de morte violenta, a DO só
pode ser preenchida no IML, não
devendo sob hipótese alguma ser
preenchida pelo médico assistente,
apenas pelo médico legista!
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
--~ ,i~~
,....-:::- ' SAIBA MAIS!
33
A lei n° 62 16 de 30/06/75. que corrigiu a lei n° 6015/73. a qual dispõe sobre os Registros
Públicos. no artigo 77. parágrafo 2. preconiza: Em se tratando de corpo para ser cremado. a
DO deverá ser firmada por 2 (dois) médicos. ou por 1 (um) médico- legista e. no caso de morte
violenta. depois de autorizada pela autoridade judiciária.
~~ORA DA REVISÃO )( ::::::=::
Os médicos-leg istas investigam a cronologia dos fatos e a ação dos eventuais agentes
que contribuíram para o aparecimento de uma lesão ou da morte. Seu conhecimento plu-
ral é utilizado para a produção de provas. no âmbito da investigação policial e judiciária.
São peritos oficiais do Estado. aprovados em concurso público, que passam por avaliação
e treinamento. O CFM determina que, em caso de morte ou suspeita de causa externa.
independentemente da condição social, financeira ou política da vítima. cabe APENAS ao
médico leg ista emitir o atestado de óbito
DECLARAÇÃO DE ÓBITO 34
MAPA MENTAL GERAL: DECLARAÇÃO DE ÓBITO
Dívidas
dia nóstico!
DECLARAÇÃO DE ÓBITO
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
35
Cons. Henrique Oliveira Filho. A declaração de óbito. CREMEB, 2017. Disponível em: http://
www.cremeb.org.br/wp-content/uploads/20 17 /09/A-DECLARACAO-DE-OBITO-HENRI-
QUE-OLIVEIRA.pdf
Maria Madalena dos Santos. Declaração de Óbito: Direitos e Deveres. Conse-
lho Federal de Medicina. 1999. Disponível em: http://portal.cfm.org.br/index.
php ?option=com content&id= 20413 :decla racao-de-obito-direitos-e -deveres-
Ministério da Saúde. A declaração de óbito: documento necessário e importante. Ministério
da Saúde, Conselho Federal de Medicina. Centro Brasileiro de Classificação de Doenças. 3a
ed.- Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO
COMPULSÓRIA
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
1. DOENÇAS DE
NOTIFICAÇÃO
COMPULSÓRIA
As primeiras intervenções estatais no
campo da prevenção e controle de
doenças. desenvolvidas sob bases
científicas modernas. datam entre o
final do século XIX e início do século
XX e foram orientadas pelo avanço da
era bacteriológ ica e pela descoberta
dos ciclos epidemiológicos de algu-
mas doenças infecciosas e parasitá-
rias. Essas intervenções consistiram
na organização de grandes campa-
nhas sanitárias e visavam controlar
doenças que comprometiam a ati-
vidade econômica. a exemplo da fe -
bre amarela, peste e varío la. A ideia
de vigilância como um instrumen-
to de saúde pública foi concebida
no final do século XIX como uma
ferramenta de coleta, compilação,
avaliação e divulgação de dados
para as autoridades de saúde e o
público em geral a fim de permitir a
detecção precoce de doentes com
objetivando o seu isolamento. No
entanto este termo foi utilizado pela
primeira vez apenas em 1955. na de-
nominação do Programa Nacional de
Vigilância da Poliomielite. criado pelo
coe americano para coletar. conso-
lidar e disseminar informação epide-
miológ ica sobre essa doença.
Foi apenas a partir da 21 a Assembleia
da Organização Mundial de Saúde,
em 1968. que a expressão Vigilância
38
Epidemiológica passou a ser internacio-
nalmente usado. tendo sido conceitua-
do como o "estudo epidemiológico de
uma enfermidade considerada como
um processo dinâmico que abrange
a ecologia dos agentes infecciosos. o
hospedeiro. os reservatórios e vetores.
assim como os complexos mecanis-
mos que intervêm na propagação da
infecção e a extensão com que essa
disseminação ocorre".
No Brasil. o primeiro órgão a uti lizar
os conceitos e as práticas modernas
da vigilância foi o Centro de Investi-
gações Epidemiológicas vinculado à
Fundação de Serviços de Saúde Pú-
blica. tendo estabelecido assim o pri-
meiro sistema nacional de notificação
de doenças.
Em 1989 a Lei N° 8.080. que é cha-
mada Lei Orgânica da Saúde. incluiu
como uma das atribuições do Sistema
Único de Saúde as ações de vigilância
sanitária; vigilância epidemiológica e
de saúde do t rabalhador. O conceito de
Vigi lância em Saúde que passou a ser
ut ilizado. representa uma abordagem
mais ampla. tal como foi efetivamente
construído o SUS. passou a incluir a vi -
gilância das doenças transmissíveis. a
vigilância das doenças e agravos não
transmissíveis e seus fatores de risco.
a v igi lância ambiental em saúde e a v i-
gi lância da situação de saúde.
Assim foram determinados aspectos
fundamentais de um programa de vi-
gilância em saúde:
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
• Caráter permanente. contínuo
e sistemático (diferente dos es-
tudos e levantamentos. feitos
ocasionalmente).
• Foco dirigido para determinados
resultados específicos (estabele-
cendo objetivos e metas a serem
atingidos).
• Uti lização de dados diretamente
relacionados com práticas de saú-
de pública (principalmente as infor-
mações relacionadas a morbidade e
mortalidade para que se possa en-
tender a situação de determinadas
doenças e seus fatores de risco).
• Sentido utilitário, pragmático da
atividade (no final das contas visa
estabelecer o controle de doenças
e não apenas ampliar o conheci-
mento sobre as mesmas).
A vigilância epidemiológica tem,
portanto, como propósito forne-
cer orientação técnica permanente
para os profissionais de saúde, que
têm a responsabilidade de decidir so-
bre a execução de ações de controle
de doenças e agravos, tornando dis-
poníveis, para esse fim, informações
atualizadas sobre a ocorrência dessas
doenças e ag ravos. bem como dos fa-
tores que a condicionam. numa área
geográfica ou população definida.
Notificação compulsória é um regis-
tro que obriga e universaliza as no-
tificações, visando o rápido controle
39
de eventos que requerem pronta in-
tervenção. Para a construir o Sistema
de Doenças de Notificação Compulsó-
ria (SDNC), criou-se uma Lista de Do-
enças de Notificação Compulsória
(LDNC) , cujas doenças são seleciona-
das através de determinadoscritérios
como: magnitude, potencial de disse-
minação. transcendência, vulnerabili-
dade. d isponibi lidade de medidas de
controle, compromisso internacional
com programas de erradicação etc.
Devido as alterações no perfi l epide-
miológico, a implementação de outras
técnicas para o monitoramento de
doenças, o conhecimento de novas
doenças ou a reemergência de ou-
t ras, tem a necessidade de constan-
tes revisões periódicas na LDNC no
sentido de mantê-la atualizada.
SE LIGA! Notificação compulsória tem
por finalidade levar ao conhecimento
das autoridades sanitárias o surgimento
de enfermidades que podem prejudicar
ou ameaçar a saúde da população.
Como e por que são escolhidas as
doenças de notificação compulsória?
Os parâmetros para inclusão de do-
enças e agravos na lista de notifica-
ção compulsória devem obedecer a
alguns critérios:
• Magnitude - aplicável a doenças
de elevada frequência, que afe-
tam grandes contingentes popu -
lacionais e se traduzem por altas
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
taxas de incidência, prevalência.
mortalidade e anos potenciais de
vida perdidos.
• Potencial de disseminação - re-
presentado pelo elevado poder
de transmissão da doença, atra-
vés de vetores ou outras fontes
de infecção. colocando sob risco a
saúde coletiva.
• Transcendência - expressa-se
por outras características que con-
ferem relevância especial à doença
ou agravo. destacando-se: taxas
de letalidade, de hospitalização
e de sequelas; relevância social
(avaliada. subjetivamente. pelo
valor imputado pela sociedade à
ocorrência da doença, e que se
manifesta pela sensação de medo.
de repulsa ou de indignação); e re-
levância econômica.
• Vulnerabilidade - medida pela
disponibilidade concreta de inst ru-
mentos específicos de prevenção e
controle da doença. propiciando a
atuação efetiva dos serviços de saú-
de sobre indivíduos e coletiv idades.
• Compromissos internacionais -
Metas continentais ou mundiais
de controle. de eliminação ou de
erradicação de doenças. previs-
tas em acordos firmados pelo go-
verno brasileiro com organismos
internacionais.
• Emergências de saúde pública,
epidemias e surtos-são situações
40
que impõe notificação imediata de
todos os eventos de saúde que im-
pliquem risco de disseminação de
doenças, com o objetivo de delimi-
tar a área de ocorrência, elucidar
o diagnóstico e deflagrar medidas
de controle aplicáveis.
.. ,:? .~
~ ~ ~ ' ·C: NCEITO! Notificação compulsória
comunicação obrigatória à autoridade de
saúde, realizada pelos médicos, profis-
sionais de saúde ou responsáveis pelos
estabelecimentos de saúde, públicos ou
privados. sobre a ocorrência de suspei-
ta ou confirmação de doença, agravo ou
evento de saúde pública, descritos no
anexo, podendo ser imediata ou semanal.
Quais são os marcos legais sobre a
notificação compulsória de doenças?
A Lei no 6.259, de 30 de outubro de
1975, que dispõe sobre a organiza-
ção das ações de V igilância Epide-
miológica. sobre o Programa Nacional
de Imunizações. estabelece normas
re lat ivas à notificação compulsória de
doenças. Sobre essa lei vale citar al-
guns artigos importantes:
Art 7°: São de notificação compul-
sória às autoridades san itárias os
casos suspeitos ou confirmados:
1- de doenças que podem implicar
medidas de isolamento ou qua-
rentena, de acordo com o Regu-
lamento Sanitário Internacional.
11 - de doenças constantes de
re lação elaborada pelo Ministé-
rio da Saúde. para cada Unidade
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
da Federação. a ser atualizada
periodicamente.
SE LIGA! O que isso quer dizer? Os
agravos de notificação compulsória ou
são doenças que podem necessitar de
medidas sanitárias de isolamento ou
quarentena OU são condições de inte-
resse em saúde pública.
Art 8°: É dever de todo cidadão
comunicar à autoridade sanitária
local a ocorrência de fato. compro-
vado ou presumível. de caso de
doença transmissível. sendo obri-
gatória a médicos e outros pro-
fissionais de saúde no exercício
da profissão. bem como aos res-
, . . -
ponsave1s por organ1zaçoes e esta-
belecimentos públicos e particula-
res de saúde e ensino a notificação
de casos suspeitos ou confirmados
das doenças relacionadas em con-
formidade com o artigo 7°.
LIGA! O que isso quer dizer? Qual-
quer pessoa tem o dever de notificar.
não só os profissionais de saúde! A co-
municação de doença. agravo ou evento
de saúde pública de notificação compul-
sória pode ser realizada à autoridade de
saúde por qualquer cidadão que deles
tenha conhecimento.
Art 10°: A notificação compulsória
de casos de doenças tem caráter
sigiloso. obrigando nesse sentido
as autoridades sanitárias que a te-
nham recebido.
41
Parágrafo único. A identificação
do paciente de doenças referidas
neste artigo. fora do âmbito médi-
co sanitário. somente poderá efeti-
var-se. em caráter excepcional. em
caso de grande risco à comunida -
de a juízo da autoridade sanitária
e com conhecimento prévio do pa-
ciente ou do seu responsável.
SE LIGA! O que isso quer dizer? O pa-
ciente terá sua identidade mantida sob
sigilo a não ser que haja grande risco à
saúde pública caso isso não seja feito.
Como por exemplo para identificar e iso-
lar um caso-fonte, afim de evitar a dis-
seminação de uma doença contagiosa.
Art 11°: Recebida a notificação. a
autoridade sanitária é obrigada
a proceder à investigação epide-
miológica pertinente para elucida -
ção do diagnóstico e averiguação
da disseminação da doença na po-
pulação sob o risco.
Parágrafo único. A autoridade po-
derá exigir e executar investigações.
inquéritos e levantamentos epide-
miológicos junto a indivíduos e a
grupos populacionais determinados.
sempre que julgar oportuno visando
à proteção da saúde pública.
SE LIGA! O que isso quer dizer? Quan-
do a autoridade sanitária recebe a notifi-
cação fará uma investigação do caso (se
oportuno).
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
LIGA! É importante ressaltar que a
não notificação é passível de punição
e está prevista no Código Penal (lei
2848/1940):
Art. 269 - Deixar o médico de denun-
ciar à autoridade pública doença cuja
notificação é compulsória:
Pena - detenção. de seis meses a dois
anos. e multa.
2. LISTA NACIONAL DE
NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
DE DOENÇAS, AGRAVOS
E EVENTOS DE SAÚDE
PÚBLICA
Definida pela Portaria No - 204, De
17 de Fevereiro de 2016. ela traz
quais são as condições de saúde que
devem ser notificadas.
• Agravo: qualquer dano à integri-
dade física ou mental do indivíduo.
provocado por circunstâncias no-
civas. ta is como acidentes. intoxi-
cações por substâncias químicas.
abuso de drogas ou lesões decor-
rentes de v iolências interpessoais.
como agressões e maus tratos. e
lesão autoprovocada.
• Doença: enfermidade ou estado
clínico. independente de origem
ou fonte. que represente ou possa
representar um dano significativo
para os seres humanos.
• Epizootia: doença ou morte de ani-
mal ou de grupo de animais que pos-
sa apresentar riscos à saúde pública;
42
• Evento de saúde pública (ESP):
situação que pode constituir poten-
cial ameaça à saúde pública. como
a ocorrência de surto ou epidemia.
doença ou agravo de causa desco-
nhecida. alteração no padrão clíni -
coepidemiológico das doenças co-
nhecidas. considerando o potencial
de disseminação. a magnitude. a
gravidade, a severidade. a t rans-
cendência e a vulnerabilidade. bem
como epizootias ou agravos decor-
rentes de desastres ou acidentes;
Existem tipos de notificação
compulsória:
• Notificação compulsória ime-
diata (NCI): realizada em até 24
horas. a partir do conhecimento
da ocorrência de doença, agravo
ou evento de saúde pública. pelo
meio de comunicação mais rápido
disponível.
• Notificação compulsória sema-
nal (NCS): real izada em até 7
dias. a partir do conhecimento da
ocorrência de doença ou agravo.
• Notificação compulsória negati-
va: comunicação semanal realiza-
da pelo responsável pelo estabe-lecimento de saúde à autoridade
de saúde. informando que na
semana epidemiológica não foi
identificado nenhuma doença,
agravo ou evento de saúde pública
constante da Lista de Notificação
Compulsória.
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 43
No que se refere às autoridades de
saúde, o Ministério da Saúde e as Se-
cretarias de Saúde dos Estados, Dis-
trito Federal e Municípios, responsá-
veis pela vig ilância em saúde em cada
das doenças ou agravos constantes
no anexo. Em outras palavras: se for
feita uma notificação imediata, to-
das as demais esferas de gestão do
SUS devem ficar sabendo! ,
esfera de gestão do Sistema Unico As tabelas a seguir contém todas as
doenças e agravos que são de notifi -
cação compulsória no território nacio-
nal. É importa nte que o médico tenha
em mente e se lembre de conferir se o
seu paciente se enquadra numa situ -
ação de notificação compulsória.
de Saúde (SUS) , se receberem algu-
ma notificação compulsória imediata,
esta autoridade deverá informa- la,
em até 24 horas desse recebimento,
às demais esferas de gestão do SUS,
o conhecimento de qualquer uma
LISTA DE DOENÇAS OU AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA SEMANAL (EM ATÉ 07 DIAS)
Acidente de trabalho com exposição a material biológico (08S se óbito, torna-se de notificação imediata!)
Dengue - Casos suspeitos ou confirmados
Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)
Doença aguda pelo vírus Zika (08S: se em gestantes ou óbito, torna-se notificação imediata!)
Esquistossomose
Febre de Chikungunya (08S: se caso fora de área endêmica ou óbito, torna-se notificação imediata!)
Hanseníase
Hepatites virais
HIV/AIDS
Infecção pelo HIV em gestante, parturiente ou puérpera e Criança exposta ao risco de transmissão vertical do
HIV
Intoxicação Exógena (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados)
Leishmaniose Tegumentar Americana
Leishmaniose Visceral
Malária na região amazônica (08S: se fora da região amazônica, torna-se notificação imediata!)
Óbito:
a.lnfantil
b. Materno
Sífilis:
Adquirida
b. Congênita
c. Em gestante
Toxoplasmose gestacional e congênita
Tuberculose
Violência doméstica e/ou outras violências (08S: se violência sexual ou tentativa de suicídio, torna-se notifi-
cação imediata!)
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 44
LISTA DE DOENÇAS OU AGRAVOS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA IMEDIATA (EM ATÊ 24H)
MINISTÉRIO
SES SMS
DA SAÚDE
Acidente de trabalho: grave, fatal e em crianças e adolescentes X
Acidente por animal peçonhento X
Acidente por animal potencialmente transmissor da raiva X
Botulismo X X X
Cólera X X X
Coqueluche X X
Dengue (óbitos) X X X
Difteria X X
Doença de Chagas Aguda X X
Doença lnvasiva por Haemophilus influenzae X X
Doença Meningocócica e outras meningites X X
Doenças com suspeita de disseminação intencional:
Antraz pneumônico
X X X
Tularemia
Varíola
Doenças febris hemorrágicas emergentes/reemergentes:
Arenavírus
E bola
X X X
Marburg
L assa
Febre purpúrica brasileira
Doença aguda pelo vírus Zika em gestante X X
Óbito com suspeita de doença pelo vírus Zika X X X
Evento de Saúde Pública (ESP) que se constitua ameaça à saúde pública X X X
Eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação X X X
Febre Amarela X X X
Febre de Chikungunya em áreas sem transmissão ou óbito X X X
Febre do Nilo Ocidental e outras arboviroses de importância em saúde pública X X X
Febre Maculosa e outras Riquetisioses X X X
Febre Tifo ide X X
Hantavirose X X X
lnfluenza humana produzida por novo subtipo viral X X X
Malária na região extra Amazônica X X X
Poliomielite por poliovirus selvagem X X X
Peste X X X
Raiva humana X X X
Síndrome da Rubéola Congênita X X X
Sarampo e Rubéola X X X
Sfndrome da Paralisia Flácida Aguda X X X
Sfndrome Respiratória Aguda Grave associada a Coronavírus
SARS-CoV X X X
MERS- CoV
Varicela - caso grave internado ou óbito X X
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
LIGA! Como dica para entender essa
extensa lista. sempre que se deparar
com alguma doença contagiosa rara.
nova no território em que se encontra,
que seja grave e não t enha tratamen-
to. que seja imunoprevenível (vacina),
que tenha grande importância pra saú-
de pública. ou que já não deveria mais
existir. lembre-se de conferir se não é
uma doença ou agravo de notificação
compulsória.
Falemos um pouco da dengue como
um exemplo concreto da importância
da notificação:
A dengue é uma doença febril agu-
da. de etiologia viral e que se mani-
festa de maneira bastante variável.
vai desde uma forma assintomática
ou oligossintomática com sintomas
semelhantes a um resfriado comum
até quadros graves e hemorrágicos,
podendo levar ao óbito.
Figura 1. Exantema típico de um caso de dengue. Fon-
te: retirado de http://www.jornaldanoticia.com.br/2018/
noticia.php?codigo=12039 em 30/05/2020
45
O agente etiológico é constituído por
quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2,
DENV-3, DENV-4. A transmissão
ocorre pela picada da fêmea de mos-
quitos Aedes aegypti infectados. os
quais possuem hábito domiciliar e es-
tão adaptados a se reproduzirem nos
ambientes domésticos e no entorno.
uti lizando-se de recipientes que ar-
mazenam água potável e aqueles
que acumulam água de chuvas, co-
mumente encontrados nos lixos das
cidades.
Figura 2. Vetor de transmissão do vírus da dengue.
Fonte: retirado de https://infonet.com.br/noticias/saude/
um-caso-de-dengue-hemorragica-e-notificado-em-la-
garto/ em 30/05/2020
A pri meira epidemia. documentada
clínica e laboratorialmente no Brasil,
ocorreu em 1981- 1982. em Boa Vis-
ta-RR, causada pelos sorotipos 1 e 4.
Em 1986. ocorreram epidemias. atin-
gindo o Rio de Janeiro e algumas capi -
tais da região Nordeste. Desde então,
a dengue vem ocorrendo no Brasil
de forma continuada, intercalando-
-se com a ocorrência de epidemias.
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
geralmente associadas com a intro-
dução de novos sorotipos em áreas
anteriormente indenes ou alteração
do sorotipo predominante. Durante
a década de 90. ocorreu um aumen-
to sign ificativo da incidência. ref lexo
da ampla dispersão do A. aegypti
no território nacional. A presença
do vetor associada à mobilidade da
"' o
"O
"' u
t;:
·~
c
"' o
"' e
350.000-1
300.000
250.000
200.000
150.0001
100.000
50.000
01 04
46
população levou à disseminação dos
sorotipos 1 e 2. para 20 dos 27 esta-
dos do país. Entre os anos de 1990 e
2000, vá rias epidemias foram reg is-
tradas, sobretudo nos grandes cen-
tros urbanos das regiões Sudeste
e Nordeste. responsáveis pela maior
parte dos casos notificados.
07
18.000
16.000
14.000
12.000
"' Ql
•O
10.000 i(
.~
~
1
8.000 I
6.000
4.000
2.000
- Casos notificados - Hospitalizações
Figura 3. Casos notificados e internações por dengue por mês. Brasil. 2000 a 2008. Fonte: Ministério da Saúde: Se-
cretaria de Vigilância em Saúde: Guia de vig ilância epidemiológica; 2009.
ANO 1 REGIÃO 2 REGIÃO 3 REGIÃO 4 REGIÃO SREGIÃO O IGNORADO/
NOTIFICAÇÃO
TOTAL
NORTE NORDESTE NORDESTE SUL CENTRO-OESTE EXTERIOR
Total 141.031 829.263 2.281.815 149.094 647.075 14 4.048.292
2013 135 158 360 66 391 - 1.110
2014 48.302 90.489 312.181 23.062 117.094 - 591.128
2015 32.347 328.951 1.051.700 52.110 232.693 - 1.697.801
2016 38.621 326.071 864.899 71.325 217.928 14 1.518.858
2017 21.626 8 3.594 52.675 2.531 78.969 - 239.395
Tabela 3. Casos prováveis de dengue notificados ent re os anos de 2013 e 2017 por região do país. Fonte: informações ext raí-
das do DAT ASU S-SI NA N (http://tabnet.datasu s.gov. br/cg i/tabcgi .ex e ?si n ann et/cnv/deng uebbr.def)
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 47
Atualmente. a dengue constitui-se
como um dos principais problemas
de saúde pública, principalmente em
países cujas características ambien-
tais. sociais e climáticas favorecem a
sua disseminação. A notificação in-
dividual dos casos. o conhecimento
do padrãode transmissão na área e
o acompanhamento da curva epidê-
mica são atividades essenciais para
se evitar um possível agravamento
da situação epidemiológica da den-
gue nos municípios do país. Como
sabemos todo agravo e doenças de
notificação compulsória têm uma fi-
cha de notificação e/ou investigação
que deve ser preenchida no nível lo-
cal. e seu conteúdo é posteriormente
inserido no Sistema de Informação de
Agravos de Notificação (SINAN). nas
Secretarias de Saúde e consol idado
no nível federa l.
SINAN
República Fect...tlva do er .. u ... ?\De i .. DftiMÇAO De AGRAVO. De NOT•tcAQAG
Mlnls* lo da S aúde N•
, a. ·• DENGUE E FEBRE DE CHIKUNGWf:ÇJ~'A"'---::---:-:---:------..
Caso suspeito de dengue: pessoa que viva ou tenha viajado nos últimos 14 d1as para área onde esteja ocorrendo
transmissao de dengue ou tenha presença de Ae.aegypti que apresente febre, uwalmente entre 2 e 7 dias, e
apresente duas ou mais das seguintes manifestações: náuseas, vômitos, exantema, mialg1as, cefaléia, dor
retroorbttal, petéqUiaS ou prova do laço positiva e leucopenia.
Caso suspeito de Chikungunya: febre de inicio súbito e artralgia ou artrite intensa com início agudo, nao explicado
por outras cond1çOes, que resida ou tenha viajado para áreas endêmicas ou epidêm1cas até 14 d1as antes do
mioo dos smtomas, ou que tenha vinculo epidemiológico com um caso 1m portado confirmado.
I 1 I TIPO de NoiJ1lcaçao
f-' 2 • lndlwU!I J
j [!) Agralddoença 1- DENGUE 2- CHIKUNGUNYA 0 (CID10 fil Da1a da ~oc:acao
i ~~-=~------------------~A~~~A~9~2 c: I I I I I I I J i l::J tJ Munoc:Jplo de NOC.façlo I CódlQO (IBGE) . I I I I I
f:l Untc:lade de Saüde (ou outrll fonte nollficadora)
1
CódlgoffiData dos Primeiros Sintomas
t:~------------------~._.1 _.1 _.1~1~1~1~~- 1 I I I I I I
~ane do Paclen18 J fil Data de Naad"*lto J c .C I I I I I I I .
J
J
Figura 4. Exemplo de ficha de notificação de Dengue e Chikungunya. Fonte: retirado de https://portalsinan.saude.gov.
br/imagesldocumentos!Agravos/Dengue/Ficha_DENGCHIK..FINAL.pdf em 29/05/2020
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 48
Dados clínicos e laborat oriais )
J
r== ~Sinais cllnlcoa 1-51m 2- Nao
, O Feóre 0Cefaleoa O VOmito O 0.:. nas costas O Artrite O Petéquoas 0 Prova do laço
~ O Mlalg;a O Exantema O Náuseas 0 ConjuntlVIte O Artratgla Intensa O L.euco9enta OPOSlbva 0.:. retroorbílal ..,
~
~ J34J Doenças Pf'6•xlatent .. 1-51m 2- Nlo
.! O Diabetes O Hepatopatias O Hiperter>sao artenal O Doenças a uto-imunes
!=
O Doencas hematolóoicas 0Doenca rena l crOruca O Doença âcldo-pépbca
Sorologla {lgM) Chikungunya Exame PRNT ~Resultado @!] Data da Coleta da 1• """*"' ~ Data da Coleta da 2" Amostra ~Data da Coleta S10 S2 o PRNTO (S1) (S2)
1 11 1 111 1 1 1 1 111 I r I I I I I 1 • Rtoegenle
2 - ~Reagenle 3 -
tnconciU..,\0 • • Nao R ealizado
1 Sorologia (lgM) Dengue !•oi Resultado Exame NS1 ~ Resultado O @!] Data da Coleta o l•1l Data da Coleta l I I I I 1- f>oeltillo 2- Negadllo I r I J' I I 1· Pa.ltillo 2- NegMM> J .!! I I I 3- lncone!Usl\0 4 • Nao realizado I 3- tnconc!Usl\0 • • Nao reot~lzado
~
J43J isolamento o f45J RT-PCR ~ Resultado O .a 11" 1 Resultado .. c Da ta da ~oleta 1 • Pos~i110 2 • Negativo 3 Dai da Coreta 1 • Poaltivo 2 • N egMIIIO 3J
I "j I I I I • 4 - NÃoR _l I I I I • lnconclusl\0 4 - N ao Realizado
~Sototlpo
2- 0ENIIÇJ J ~ Hlstopatologia O ~unohistoqulmia{ • OEN\11 1- Comp•J~.W 2-lnoornpallvet 1 \0 2· Neg•t\10 ~
3- OEN\13 4 • OEN\14 3- lnoonclusillo 4 • Nao rea~zado :\... lnr.nnt"JJIANn • - NAn , ...... ll'A111\
~ {7 Oco,.,..u HoapiUIU-çAo? ~~Data da lntornaçAo ~ UF ll!!l MunJclplo do Hoeplt.l COCIIgo (IBGE) I I ,; 1- Sim 2 • N 80 8 · lgnor- 0 J I i I ·1 I I I .J I Ji I I I I I
;== Local Provavel de lnfo<:çao (no pertodo do 15 dias)
IC6dl-
l I I
[!J (DDD) Te,.fon• J
I I I I I I I I I I
~ O c aso 6 eutócton. do rnunlc:Jplo de resJd•ncla? o Jl!!l UF l{iã] Pala J , -s.m 2--Nao s..tnc~«erminac:to l I J
-!
f=:=J Muntc fDio ' Código (IBGE) Jtleoi Diatrito J 1•11Balrro
J I I I I .!!
~ Ciaaamc.c::ao ~Crlt6rlo- ~ Apre_..ntaç.Ao c:Uniea i o ConfinnaçAoiO..carte o '-' ... ~ t(). o.ngu. 1 t - o.ngue com &naia de A..ktz • • oe 1 - Lal:loc;;ot'MOI10 2 - Cll~ o 1 - ,11\guda
12-~o.- 1 S. Chikuf"'..ft)le Ei W1 •g ~ 3-Em~tg 2 · CrOnlca
~ Evoluçao do C.ao 0 } JM (Da.ta do Ót>Oto !•TI Dat.e do Encen"aJ"nento
1 ..cura 2 - 00..0 pelo~ ~ Obtto pcw- oulrae causas
I I I I I 1 I r I I I I I ~to .-n ~l:ig.eÇrlo •9101Wh I
Preencher oa sina la clínicos oara Dengue com Sinais de Alanne e Oe'!Jlue Grave
I
_~ Dengue con> aln•ls de •••,.,• g llômotos pe<'Sistentes 0 Aumento progr-"'0 I!!] 0 dO hematócnt o • Date de: fnfc:-lo dos
.:!! 1-5lrn 2 ... NAo Doi" abdofninal D Hepatomegaha >• 2CtT &Inala ele alarme:
~ O Hopotens&o PQ<Sturel olou hpotlmla R intensa e continua O
I
Letatg•a ou irrtta bihd ade AcUmulo de Uquldoa
ooueda abrupta do plaquetas Sangrarne nto de mucosa/outras hemor~ia· _L _l _L _l _L _L _L
< !701 Dengue g,..ve ~ 1 -Sim 2- NAo Sang.ratnento greve: .. O M otrorragJa volumosa = Extravasamento grave de pa..srne: OHematêma.e ... -! 5 O Pulso d6bll ou lndetoctllovcl B Taqulcardia Q Metena O Sang.ramento dO SNC
11 D P A convergente c- 20 mmHg Extramídades. f rias Compromantlmanto grava da órgAo•: ., B Tempo da enchimento capilar O H ipotensao aneri.aJ em fase 0 AST /AL T > 1.000 0 Miocardito Q Aitorac;ao da .3
Acúmulo do llqu~dos com tard•a
consciência
11 Doutros Org.Qo•. eapeclficart J ~
lnsuflcléncle res~ratOf"la li!!] Dele de lnlelo doa I 11 "11 alnala do gravldado: .. I I I I I I I
Figura 4. Exemplo de ficha de notificação de Dengue e Chikungunya. Fonte: retirado de https://portalsinan.saude.gov.
br/images/documentos/Agravos/Dengue/Ficha_DENGCHIK_FINAL.pdf em 29/05/2020
Uma vez notificado um caso sus-
peito ou confirmado de dengue,
dá-se início a uma cadeia de ações,
que para muitos pode passar des-
percebida, mas é de fundamental
import ância no combate à esta do-
ença. A integração das atividades de
vigilância epidemiológica e controle
vetorial são de fundamental impor-
tância para o sucesso do cont role da
doença. Ações de esclarecimento à
população, por intermédio de meios
de comunicação de massa (rádio e
televisão). visitas domiciliares pelos
agentes de endemias/saúde e pa -
lestras nas comunidades. devem ser
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
organizadas. Conhecimento sobre o
ciclo de transmissão. gravidade da
doença e situação de risco devem ser
veiculadas. assim como medidas de
proteção individual, como uso de re-
pelentes e de telas nas portas e jane-
las. A depender da situação entorno-
lógica (se a área de notificação está
infestada pelo mosquito ou não) e de
circulação prévia do vírus da dengue
em cada área . fazem-se necessárias
condutas de vigilância e controle di-
ferenciadas. que exigem roteiros e
cond utas de investigação específicas.
Todas essas ações só são possíveis
e eficazes, se baseadas nos dados
epidemiológicos que são prove-
nientes das fichas de notificação
que infelizmente tantos profissio-
nais de saúde negligenciam e veem
apenas como uma burocracia.
Outro exemplo de importância da
notificação que pode salvar vidas. A
Lei No 10.778, de 24 de Novembro
de 2003 estabeleceu a a notificação
compulsória. no território nacional. do
caso de violência contra a mulher
que for atendida em serviços de
saúde públicos ou privados. Enten-
dendo violência contra a mulher como
violência física. sexual e psicológica e
49
que tenha ocorrido dentro da família
ou unidade doméstica ou em qualquer
outra relação interpessoal. em que o
agressor conviva ou haja convivido
no mesmo domicílio que a mulher e
compreendendo. entre outros. estu -
pro, violação. maus-tratos e abuso se-
xual. Ou que ocorrido na comunidade
e seja perpetrada por qualquer pes-
soa e que compreende. entre outros.
v iolação, abuso sexual. tortura. maus-
-tratos de pessoas. tráfico de mulhe-
res. prostituição forçada. sequestro e
assédio sexua l no lugar de trabalho.bem como em instituições educacio-
nais. estabelecimentos de saúde ou
qualquer outro lugar. A notificação
compulsória dos casos de violência
contra a mulher tem caráter sigiloso.
obrigando nesse sentido as autorida-
des sanitárias que a tenham recebido.
A identificação da vítima de violência
referida nesta Lei, fora do âmbito dos
serviços de saúde, somente poderá
ser feita, em caráter excepcional, em
caso de ri sco à comunidade ou à ví-
t ima. a juízo da autoridade sanitária e
com conhecimento prévio da vítima
ou do seu responsável.
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA 50
•
DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
51
Ministério da saúde; PORTARIA NO- 204, DE 17 DE FEVEREIRO DE 2016; disponível em
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/20 16/prt0204_17 _02_20 16.html
LEI N° 6.43 7, DE 20 DE AGOSTO DE 1977; disponível em https://www.camara.leg.br/
proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=333492
LEI N° 10.778, DE 24 DE NOVEMBRO DE 2003; disponível em http://www.planalto.gov.br/
ccivii_03/LEIS/2003/L10.778.htm
A Trajetória Histórica e Conceitual da Vigilância em Saúde; disponível em http://www.rio-
comsa ude. rj .gov.br/Pu bl ico/Mostrar A rquivo.aspx?C=cHwr5dw AJ PA o/o 3D
Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Guia de vigilância epidemiológica;
2009.
Ministério da Saúde, Secretaria de Vig ilância em Saúde, Coordenação-Geral de Desenvol-
vimento da Epidemiologia em Serviços; Guia de Vigilância em Saúde: volume único; 38 . Ed
2019
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
1. INTRODUÇÃO
Por definição. documentos médicos
são informações obrigatoriamente
emit idas por profissionais habilita-
dos. responsáveis pelos atos médicos
54
específicos de acordo com a legisla -
ção vigente. Podem ser divididos em
documentos médicos simples. do-
cumentos médicos legal e docu-
mentos médicos judiciais.
FLUXOGRAMA- CLASSIFICAÇÃO DOCUMENTOS MÉDICOS
Receita médica
Prontuário médico
Laudo
Atestado
Notificação compulsória
Relatório médico
Laudo
Parecer
Ofícios
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Entre os documentos médicos sim-
ples. o prontuário médico é um dos
mais utilizados e importantes. sendo
definido pelo Conselho Federal de
Medicina como sendo "o documen-
to único constituído de um conjunto
de informações. sinais e imagens re-
gistradas. geradas a partir de fatos,
acontecimentos e situações sobre a
saúde do paciente e a assistência a
ele prestada. de caráter legal, sig ilo-
so e científico. que possibilita a co-
mun icação entre membros da equi-
pe multiprofissional e a continuidade
da assistência prestada ao indivíduo"
(Resolução no 1.638/2002) e con-
siderado de elaboração obrigatória
pelo Código de Ética Médica. O sigilo
das informações do prontuário é um
dever do médico. definido pelo Có-
digo de Ética Médica. Código Penal,
Código Civil e Resoluções do Conse-
lho Federal de Medicina.
Por ser constituído do registro de to-
das as atividades executadas pela
equipe de saúde ao paciente, durante
55
o período de internamento do mes-
mo, o prontuário torna-se, então, ne-
cessário para elucidação de ques-
tões jurídicas. éticas e de evolução do
paciente.
Por todos esses motivos, o prontuário
é um elemento valioso e útil para di-
versos segmentos, como o paciente,
a instituição. o médico, bem como
para o ensino, a pesquisa e os servi-
ços de saúde pública, servindo tam -
bém como instrumento de defesa
legal.
A partir da publicação da a Resolução
CFM 1.821/07, ficou estabelecido que
os prontuários médicos devem ser ar-
mazenados pelo período mínimo de
20 anos. Tem como objetivos facilitar
a assistência ao paciente. promover
meios de comunicação entre os pro-
fissionais de saúde. assegurar a con-
tinuidade do atendimento e oferecer
suporte para a área administrativa do
hospital. nos aspectos financeiros e
legais.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 56
FLUXOGRAMA- FUN ÕES DO PRONTUÁRIO MÉDICO
Assistência
PRONTUÁRIO MÉDICO
Epidemiológicos:
internos e externos
Apoio diagnóstico
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/atualizacao/exLpediatria/prontuario.pdf
"~Y.~ ~ ~ 7 oNCEITO! Segundo a Resolução
1331/89, o prontuário do paciente é o
conjunto de documentos padronizados
e ordenados, destinados ao reg istro dos
cuidados profissionais, prestados ao pa-
ciente pelos serviços de saúde públicos
ou privados.
Com relação ao seu papel legal. o
prontuário médico é um documen-
to de valor probatório e serve tanto
como defesa ética profissional quan-
to prova administrativa e financeira.
como nos casos de auditoria realiza -
da pela instituição médica.
O prontuário bem organizado é im-
portante para facilitar o entendimento
da história clín ica e da evolução dos
pacientes. auxil iar no fornecimento
de atestado ou relatório. além de pos-
sibilita r pesquisas científicas
Há diversas formas de organiza r o
conteúdo do prontuário. de acordo
com as características de atendimen-
to de cada hospital e com a cultura
médica local. Dessa forma. sua com-
posição em geral é compreendida por:
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 57
FLUXOGRAMA- COMPONENTES BÁSICOS DO PRONTUÁRIO
https://www.medicinanet.eom.br/conteudos/revisoes/5795/prontuario_de_pacientes_
finalidad es_preenchimento_e_questoes_eticas_e_legais.htm
Destes itens abordados. dois são co-
muns a todas as atividades assisten-
ciais e devem estar no início da pasta:
os dados de identificação e lista de
problemas. A identificação é formada
por informações cadastrais necessá-
rias para comunicação da equipe com
o paciente. familiares ou responsá-
veis bem como para a elaboração de
trabalhos científicos e levantamentos
epidemiológicos.
LIGA! Em geral, esses dados pes-
soais são colhidos pelo pessoal admi-
nistrativo da Instituição. cabendo aos
profissionais da equipe de saúde alertar
no caso de verificação de erros ou incor-
reções nessas informações.
Por conseguinte. a lista de problemas
é uma síntese dos problemas atuais e
ativos ou passados do paciente e des-
tina -se a fornecer uma visão geral da
situação clínica do paciente e permitir
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
a integração da equipe multidiscipli-
nar. Deve ser elaborada em ordem nu -
mérica crescente e com o menor grau
de abstração possível. Podem ser in-
cluídos na lista: sinais ou sintomas,
58
diagnósticos, perturbações fisio-
lógicas, emocionais, síndromes,
achados morfológicos e sinais ou
anormalidades laboratoriais.
De acordo com o Artigo 87. do Código de Ética Médica, é vedado ao médico: deixar de ela-
borar prontuário legível para cada paciente. E o prontuário deve conter os dados cl ínicos
necessários para a boa condução do caso. sendo preenchido, em cada avaliação, em ordem
cronológica com data. hora, assinatura e número de registro. Deve estar sob a guarda do mé-
dico ou da instituição que assiste o paciente e cabe ao médico assistente ou a seu substituto
elaborar e entregar o sumário de alta ao paciente ou. na sua impossibilidade. ao seu repre-
sentante legal.
Modelo SOAP
O SOAP é um acrônimo utilizado em
prontuário orientado por problemas e
evidências para registro da evolução
dos problemas das pessoas aten-
didas na prática médica diária . Esse
método foi criado por Dr. Lawrence
Weed, na década de 60, é constituído
por quatro letras que refere-se ao um
tipo de informação: Subjetivo, Obje-
tivo, Avaliação e Plano.
Tem como função a objetividade. pra-
t icidade, organização e maior facilida-
de ao acesso das informações para
tomada de decisões e dos planos
diagnósticos e terapêuticos durante o
acompanhamento do paciente.
FLUXOGRAMA- MÉTODO SOAP
O- ObJetivo
A Aval1ação
P - Plano
Achados do exame físico e dos exames complementares
Conclusões sobre a situação do paciente. pensamentos relativos ao
diagnóstico e a resposta ao tratamento
Cuidados ou condutas que serão tomados em relação ao
problema ou necessidade avaliada
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade15m/unidade15m.pdf
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
LIGA! Este método permite ordenar
as informações do atendimento em uma
sequência lógica para rápida consulta
quando necessário, inclusive no próxi-
mo encontro com o paciente. quando
o médico pode questionar se o mesmo
colocou em prática o Plano proposto no
último item do registro. o "P", como uso
de fármacos prescritos ou realização de
exames solicitados.
Na ava liação, as informações são
fundamentadas sobretudo através
dos pensamentos re lativos ao diag-
nóst ico e a resposta ao tratamento.
tomando por base os achados subje-
tivos e objetivos.
59
Caso não haja elementos para ela-
borar um diagnóstico preciso durante
a consulta. podem ser reproduzidos
novamente os sinais/sintomas mais
pertinente para sua linha de raciocí-
nio clínico. como por exemplo: cefaleia
hemicraniana pulsáti l há 24 horas.
A proposta terapêutica inclui exames
a serem solicitados. as razões para
inclusão. modificação de doses ou
ret irada de itens da terapêutica e as
informações prestadas aos pacien-
tes e famil iares v isando orientação e
educação. Os planos podem ser di-
vididos em alguns subtipos, como
descrito na tabela:
FLUXOGRAMA - TIPOS PRINCIPAIS DE PLANOS TERAPÊUTICOS
Planejamento de provas diagnósticas
necessárias para elucidação
do problema
Indicações terapêuticas para
a resolução ou manejo do
problema: medicamentos,
dietas ou mudanças de hábitos
Estratégias de seguimento longitudinal e
continuado do paciente e do problema
Registros das informações e orientações
apresentadas e negociadas com o
paciente e familiares
https://www.unasus.unifesp.br/bibl ioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/
unidade 15m/unidade 15m.pdf
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
O SOAP não funciona com um sim-
ples instrumento de organização de
dados. mas principalmente como
meio de qualificar o raciocínio clíni-
co e o cuidado oferecido. Sendo um
processo que exige método. habilida-
de e competência na sua elaboração.
O método considera "problema"
tudo aqu ilo que requer uma ação da
60
equipe de saúde e como consequên-
cia motivará um plano de intervenção.
Para ter um melhor aproveitamento
e encontrar os dados rapidamente.
preconiza-se para as anotações na
evolução uma forma simplificada. O
fluxograma a seguir traz um exemplo
de evolução pelo método SOAP.
FLUXOGRAMA- EXEMPLO DE SOAP
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/
unidade 15m/unidade15m.pdf
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
2. EVOLUÇÃO MÉDICA
Formando também parte do prontuá-
rio. a evolução médica é caracteriza-
da como o registro das informações
obtidas do paciente e dos familiares
sobre o estado geral do paciente e
dos problemas.
~ ~ ~ONCEITO! Com base na resolução N°
1.638, do Conselho Federal de Medici-
na. a evolução médica deve ser com-
posta por data e hora. discriminação de
todos os procedimentos aos quais o pa-
ciente foi submetido e identificação dos
profissionais que os realizaram. assina-
dos eletronicamente quando elaborados
e/ou armazenados em meio eletrônico.
Na evolução as informações devem
ser registradas de forma precisa. para
deixar evidente as razões de conti -
nuar ou alterar as condutas diagnós-
ticas ou terapêuticas. assim como,
o planejamento do seguimento do
atendimento.
SE LIGA! Além da evolução médica,
existem as evoluções multiprofissionais
no prontuário. como o controle da enfer-
magem. da nutrição ou da fisioterapia.
No âmbito hospitalar. a evolução mé-
dica é feita diariamente pelos médi-
cos da enfermaria que acompanham
o paciente. na maioria das vezes é
computadorizada e tem uma estrutu-
ração básica. defin ida pela instituição
médica.
61
O acompanhamento médico diário
deve ser feito com entrevista com
o paciente e/ou seus responsáveis.
questionando sobre intercorrências.
sinais de melhora ou outros achados
relevantes ao paciente. Prossegue-se
com exame fís ico completo.
A estrutura da evolução medica pode
variar de acordo com a Instituição re-
gente, tendo assim, sua conforma -
ção básica composta por cabeçalho,
queixa principal, história da doença
atual, evolução diária, exame físico,
exames complementares, lista de
problemas e a conduta.
Cabeçalho
Devem conter os dados de identi-
ficação com as informações cadas-
trais básicas do paciente do hospi-
tal. essenciais para o contato com o
paciente, famil iar ou responsável, a
elaboração de t rabalhos científicos e
a análise dos dados epidemiológicos
e podem ser colhidos por auxiliares
administrativos.
No in ício. deve-se colocar a identifi -
cação do paciente com informações
básicas. como nome. sexo, idade, es-
tado civil, cor. profissão. religião. natu-
ralidade. e procedência.
Além dos dados pessoais, é impor-
tante conter a informações referen-
tes a internação, como motivo da
internação (queixa principal), du-
ração da queixa, data de início da
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
internação do paciente e qual dia da
internação.
Na breve apresentação da paciente.
pode-se incluir também comorbida-
des prévias que influenciam o esta-
do do paciente. como doenças crôni -
cas. oncológicas e degenerativas. Por
exemplo:
·-----------------------·
I
ID: S.M.A.S, sexo feminino, 80
anos. viúva, parda, aposentada,
evangélica, natural e proceden-
te de Feira de Santana-BA.
Motivo: Paciente portadora de
DPOC, hipertensa e diabética
há 4 dias com febre e tosse
produtiva (escarro amarelado)
Data da internação:
24/04/2020
Data de hoje: 27/04/2020 (D3)
I
I
I
I
I
~-----------------------~
62
História da moléstia atual (HMA)
Parte que contém mais informações
sobre o processo saúde-doença atu-
al do paciente. mas também são as
mais difíceis para serem obtidas cor-
retamente. Deve conter a totalidade
e os detalhes dos sintomas per-
tinentes ao caso de forma resumi-
da. caracterizados adequadamente.
Além de identificar a ocorrência do
fato que levou o paciente a procu-
rar o atendimento. todos os procedi-
mentos terapêuticos adotados até o
momento. situações que atenuam ou
agravam os sinais e sintomas.
A HMA deve ser escrita de forma
organizada e obedecendo a uma
ordem temporal de instalação dos
sintomas, do mais antigo para o
mais recente. Deve-se ter o cuida-
do para se descrever cada sintoma
individualmente. sendo interessan-
te que toda a evolução de um
sintoma. inclusive resposta
a tratamentos efetuados.
estejam incluídos em um
mesmo parágrafo.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 63
FLUXOGRAMA - CARACTERIZAÇÃO DOS SINTOMAS
Lista de problemas
Um problema pode ser um sinal, um
sintoma, um diagnóstico, uma sín-
drome, bem como problema de or-
dem psicoativa, socioeconômica. que
esteja causando o agravo atual ao
paciente. É importante ident ificar os
problemas ativos e inativos e fazer
uma lista em ordem de gravidade
para ajudar no raciocínio clínico.
Tem como objetivos analisar ampla -
mente o contexto. melhorar gestão do
tempo, permitir fácil acesso a dados
para planejar ações preventivas e re-
dução de custos. facilitar para avaliar
tentativas de tratamento anteriores e
qua1s pensamentos o profissiona l já
teve diante daquele caso e auxil iar o
trabalho em equipe, expandindo essa
forma de reg istro para diversas cate-
gorias profissionais.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Durante o regist ro da lista de proble-
mas. deve-se priorizar os sintomas
graves (para o médico) ou muito
preocupantes (pa ra o paciente). de
forma que, o méd ico possa garantir
o cuidado centrado na pessoa e es-
tabeleça o melhor plano de maneJO
para o paciente.
Evolução diária
Contém dados para demonstrar o
estado atual do paciente nas últimas
64
24 horas, para garantir a estabil ida-
de clín ica e hemodinâmica do mes-
mo. A lém da ocorrência de intercor-
rências verificadas pela equipe de
enfermagem, assim como os dados
vitais. eliminações fis iológ icas. per-
das. Todas essas informações devem
ser adicionadas ao prontuário méd ico
diariamente. Segue sua composição
básica:FLUXOGRAMA - COMPOSIÇÃO DA EVOLUÇÃO DIÁRIA
SE LIGA! Se o paciente tiver apresen-
tado febre. deve-se anotar o número de
episódios febris e horários.
Em re lação aos dados vitais, a ano-
tação deve conter os valores míni-
mos e máximos e horários de cada
mensuraçao, através do controle de
enfermagem.
As informações diárias sobre o pa-
ciente devem ser organizadas de
forma sistemática. podem incluir ain-
da os procedimentos realizados,
resultados de exames e novas in-
formações sobre o caso. Deve-se
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
transcrever os exames laboratoriais e/
ou radiológicos aos quais o paciente
foi submetido. para posterior interpre-
tação clín ica e conduta frente aos re-
sultados. Importante ressaltar a che-
cagem do andamento de exames
de culturas e anatomopatológicos.
SE LIGA! Durante o exame físico diário
parâmetros como saturação, tempera -
tura. frequência cardíaca e respiratória e
pressão arterial podem ser acrescenta -
das e atualizadas ao prontuário.
Exemplo de evolução:
65
·--------------------------------------------------·
Paciente evolui na enfermaria clín ica e hemodinamicamente estável. res-
pirando bem em ar ambiente. com saturação de 97%. sem desconforto
respiratório. Sem episódios de febre nas últ imas 24 horas. em uso de an-
t ibioticoterapia. Apresenta melhora do quadro da tosse e redução da se-
creção amarelada. Refere episód io de cefaleia fronta l. de intensidade 7/10.
sem irrad iação. na última noite. fazendo uso de analgésico. Relata apet ite
preservado com boa aceitação da dieta por via oral. Diurese e dejeções
presentes. nega alterações. Ciclo sono-vigíl ia preservado.
Controle (últimas 24 horas):
Temperatura axilar: 36.2°(- 3rC
Frequência cardíaca: 88-102 bpm
Frequência respiratória: 16-24 irpm
Saturação: 95-98% (em ar ambiente)
Exames complementares:
Pode conter exames laboratoriais. anatomopatológicos. rad iológicos e
ult rassonog ráficos
Nome do exame (data da real ização do exame): resultado do exame
Conduta do caso:
Pode conter solicitação de inter-consulta com outras especialidades,
pedido de exames, alteração na medicação, novas propostas de pro-
pedêutica e terapêuticas ou pendências.
~--------------------------------------------------~
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Febre Anafilaxia Perdas
____ I __
Vômitos e diarreia
FLUXOGRAMA- EVOLUÇÃO DIÁRIA
Curva térmica
Frequência
cardíaca e
respiratória
Pressão arterial
Saturação de
oxigênio
Novas
Mudanças
Persistência
Evacuações
I
Aspecto,
consistência e
quantidade
Anafilaxia
66
Volume em
ml/m2/hora ou
mi/Kg/min
Aspecto
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Exame físico
Após a checagem de dados importan-
tes do paciente segue o exame físico
do dia, que se inicia com a coleta dos
dados vitais. Dados antropométricos
como peso e circunferência abdominal
'
são uteis em alguns casos específicos.
Dados novos e importantes podem sur-
gir enquanto se rea liza o exame físico.
O exame físico gera l consiste na ava-
liação do estado geral, como nível
de consciência. fácies. fala. confusão
menta l, mobilidade. entre outros. O
paciente pode estar em bom esta-
do geral (BEG), regular estado geral
(REG) ou mau estado geral (MEG;
avaliação do grau de palidez: impor-
tante observar mucosa palpebral da
conjuntiva. mucosa oral. leito ungueal
e palma das mãos (caso se encont re
67
descorado. classificar o grau em cru-
zes); avaliação do grau de hidrata-
ção: observar umidificação da muco-
sa oral. globo ocular e turgor da pele
(caso se encontre desidratado. clas-
sificar o grau em cruzes); avaliação
da presença de icterícia: observar
coloração da palma da mão, esclera
e f re io da língua; avaliação da pre-
sença de cianose e do padrão res-
piratório: observar se há dificu ldades
para respirar ou se está usando força
excessiva (uso de musculatura aces-
sória) para inspirar.
Seguido da avaliação da cabeça e pes-
coço. sistema cardiovascular. sistema
pulmonar. região abdominal. sistema
osteoarticular. sinais neurológicos e
extremidade. Todos os registros de-
vem ser anotados ao prontuário.
FLUXOGRAMA - AVALIAÇÃO DO ESTADO GERAL
Adaptado de https://semiologiamedica.ufop.br/anamnese-
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Medicações
Durante o exame físico. pode-se ve-
rificar a dieta prescrita. quais os me-
dicamentos em uso (especialmente
os de uso venoso). a rotulagem de
hidratação venosa e de medicamen-
tos em curso. Trata-se de importante
ferramenta de conferência para a se-
gurança ao paciente.
Como deve-se conter o registro de
todas as medidas necessárias ao tra-
tamento do paciente. as medidas de
reabil itação e interação com as equi-
pes multidisciplinares e sua adesão
devem ser anotadas ao prontuário.
SE LIGA! É essencial verificar o dia de
antibiótico, dia do acesso venoso e dia
das medicações não usuais com tempo
de término.
Condutas
São feitas de acordo com os proble-
mas identificados, explicações e pl a-
nejamento após a anál ise do caso
pelo médico especialista. Todos os
manejos. como plano diagnóstico e
plano terapêutico devem ser descri-
tos de forma clara e objetiva.
CONCEITO: A conduta é um conjunto
de alternativas terapêuticas definidas
pelo médico. a partir da avaliação de
cada caso. com enfoque multiprofissio-
nal e interdisciplinar (no decorrer dos
exames e/ou internação). que visa obter
maior adesão do paciente e de seus res -
ponsáveis ao tratamento.
3. PACIENTES GRAVES E
COMPLEXOS - FAST HUG
68
O FAST HUG, expressão inglesa
que pode ser traduzida como Rápido
Abraço. corresponde a um mnemô-
nico que se destina principalmente a
servir como lembrete ao profissional
médico responsável por unidades de
terapia intensiva a respeito de pon -
tos-chave no manejo de pacientes
críticos e atualmente passou a ser
usada pela medicina interna de forma
geral.
O checklist FAST HUG. quando em-
pregado com critério pelos profissio-
nais de saúde, resulta em melhoria da
qua lidade do cuidado oferecido. São.
a seguir. listados os componentes do
" . mnemon1co:
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
FLUXOGRAMA - FAST HUG
https://pebmed .com.br~a-fez-o-fast-hug-no-seu
paciente-hoje/
69
Alimentação
Nesse item. chama-se atenção para
a evidência de que a nutrição do pa-
ciente, quando inadequada, con-
corre sobremaneira para um maior
risco de complicações clínicas e,
consequentemente, para um pior
prognóstico. Não é incomum a che-
gada de pacientes em ambiente de
UTI já com algum grau de compro-
metimento nutricional, principalmente
aqueles portadores de afecções crôni-
cas. como neoplasias malignas do tra-
to gast rintestinal em estado avançado.
Por outro lado, há também aque-
les que, em decorrência de um es-
tado prolongado de sepse grave,
apresentam síndrome consumpt iva
significativa.
O suporte nutricional merece ser re-
visto diariamente e o jejum deve ser
reservado nas horas que antecedem
um exame ou ci rurgia e nos pacientes
muito graves. com dose alta de amina
e/ou disfunção orgânica múltipla.
SAIBA MAIS!
Metas de necessidade diária: 25 Kcai!Kg/dia (50-60% de Carboidratos e 25-35% de Lipí-
deos), 0,8-1 g/Kg/dia de Proteínas, com possibilidade até 1,2-1,6 g/Kg/dia e 30-35 ml!Kg/
dia de água.
Nos casos de vítimas de trauma ou
portadores de sepse, situações em
que o estresse metabólico e as ne-
cessidades nutricionais são mais
importantes. a dieta deve ser plane-
jada de modo a garantir em média o
dobro do teor energético.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Quando a via oral não se encontra dis-
ponível para a administração da dieta.
a enteral e. posteriormente. a paren-
teral podem ser utilizadas. O deses-
calonamento. isto é. o retorno de die-
ta parenteral para enteral ou mesmo
para oral é recomendável sempre que
possível.
SE LIGA! Contraindicação à alimenta-
ção enteral: Obstrução gastrointestinal.
Contraindicações relativas: fleo paralíti-
co. hemorragia digestiva alta. náuseas e
vômitos refratários à medicação. instabi-
lidade hemodinâmica, isquemia mesen-térica. fístula gastrointestinal de alto dé-
bito e anastomose gastrointestinal distai
à infusão.
Analgesia
A dor é um das causas mais impor-
tantes de desconforto do paciente
crítico internado em UTI. seja ela ad-
vinda da própria doença de base. seja
de procedimentos inerentes à rotina
do serviço. como aspirações traque-
ais. banhos. mudanças de decúbito.
coleta de sangue para exames labo-
ratoriais. dentre outros.
Deve-se adequar uma sequência
lógica para os analgésicos. sempre
ponderando risco e benefício. pois
sua ocorrência pode repercutir em
piora hemodinâmica. aumento do
metabolismo. depressão imunológi-
ca e distúrbios da coagulação. Dessa
forma. desvencilhar o paciente desse
tipo de problema não só torna mais
70
humanizado o atendimento. mas
também acelera a sua recuperaçao
fisiológica.
Sendo um parâmetro de difícil men-
suração. a avaliação subjetiva da
expressão facial e dos movimentos
merece ser realizada. além do acom-
panhamento de parâmetros como
pressão arterial e frequência cardía -
ca. que geralmente são alterados nos
episódios álgicos.
Assim. emprega-se tratamento far-
macológico com classes diversas de
analgésicos. como AINEs. acetami-
nofeno. opióides (morfina. fentanil.
remifentanil). devendo-se optar pela
infusão contínua em detrimento da
aplicação repetida de bolus.
SE LIGA! Vale ressaltar que o efeitos
colaterais dessa abordagem podem
ser esperados. dentre eles depressão
respiratória. constipação. hipotensão e
alucinações.
Sedação
Este é um item importante. pois a se-
dação excessiva aumenta o tempo de
ventilação mecânica e o risco de com-
plicações infecciosas e níveis baixos
podem levar a agitação e ansiedade.
Entretanto. não existem regras bem
definidas sobre a quantidade e a fre -
quência de administração de drogas
sedativas em pacientes críticos.
A sedação não pode ser usada como
substituta à analgesia. mas sim como
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
complementar. Como preceito geral,
adota-se a CCC rule - que almeja a
manutenção do paciente em um es-
tado calmo. confortável e cooperativo.
A escala de Ramsay é uma das mais
populares e é empregada no sentido
de melhorar a precisão da 'profundi-
dade' de sedação em que o paciente
se encontra.
1 Ansioso, agitado ou inquieto
2 Cooperativo, orientado e tranquilo
3 Sedado, porem responde às ordens
verbais
4 Sedado, com resposta lenta ao leve estí-
mulo glabelar ou forte est ímulo auditivo
6 Não responsivo
Tabela 1. Escalas de Ramsay. Fonte: Marcos L. Mi-
randa. Carlos D. A. Bersot. Nivaldo R. Villela. Sedação.
analgesia e bloqueio neuromuscular na unidade de
terapia intensiva. Revista Hospital Universitário Pedro
Ernesto. 2013;12(3) 102- 109
e ge-
ralmente cursa com aumento do risco
de trombose venosa. menor motilidade
intestinal. hipotensão, queda da taxa de
extração de oxigênio tecidual, aumento
do risco de polineuropatia do paciente
crít ico e prolongamento da estadia na
UTI.
Profilaxia de tromboembolismo
Essa medida costuma ser eventual-
mente esquecida. mesmo nas pres-
crições feitas por profissionais expe-
rientes no lida r com pacientes críticos,
o que resulta em um aumento de 13-
31% do risco de tromboses venosas
71
profundas, índice ainda mais signi -
ficativo quando se tem em vista pa-
cientes vítimas de trauma.
A profilaxia pode ser feita com me-
didas não farmacológicas, como
deambulação precoce. meias de
compressão, colchão pneumático e
mudanças de decúbito. ou farma-
cológicas. Todos. sa Ivo exceções em
que o risco supera o benefício da me-
dida, merecem receber pelo menos
heparina subcutânea.
SE LIGA! Estudos ainda não apresen-
tam consenso no que diz respeito ao
melhor tipo de droga a ser usada na
profilaxia. Deve-se atentar para a chan-
ce de sangramentos!
Head of bed elevated - Cabeceira
elevada do leito
Essa intervenção fo i pensada como
uma medida barata. simples e eficaz
em reduzir a principal complicação
infecciosa da hospitalização: pneu-
monia. Contudo. ela deve ocorrer no
contexto do cuidado como um todo e
pode envolver outros protocolos de
prevenção, como da infecção urinária
e do cateter venoso profundo.
A manutenção do tronco elevado a
30°-45°, também reduz a incidência
de refluxo gastresofágico em pacien -
tes sob ventilação mecânica. Usada
principalmente em pacientes idosos.
debilitados ou recebendo nutrição
enteral.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
LIGA! A medida é formalmente con-
traindicada em pacientes cuja perfusão
cerebral encontra-se ameaçada.
Stress ulcer prevention -
Prevenção de úlcera de estresse
Influenciada por fatores como pres-
são e fricção, idade, estado cogniti-
vo/medular, capacidade de mobili-
dade, estado nutricional, umidade/
incontinência, temperatura corpo-
ral e histórico de tabagismo.
Trata-se de uma profilaxia importan-
te. sobretudo se há concomitância de
insuficiência respiratória aguda. coa-
gulopatia. corticoterapia, histórico de
úlcera gastro-duodenal.
Provavelmente. não faz-se necessá-
ria para todos os pacientes de UTI,
incluindo aqueles politraumatizadas
72
ou em pós-operaório. Opções far-
macológicas para a profilaxia são os
antiácidos. o sucralfato. os anti-hista-
mínicos. os inibidores de bombas de
prótons.
A úlcera de decúbito e a de córnea
são também frequentemente negli-
genciadas na prática. fato que provo-
ca maior morbidade.
Glucose control - Controle
glicêmico
De um modo gera l, quando compa-
radas as repercussões negativas ad-
vindas da hipoglicemia e da hipergli-
cemia (leve}. sabe-se que a primeira
apresenta maior risco de danos ime-
diatos ao paciente. devendo ser pre-
ferencialmente evitada. Uma meta
entre 140-180mg/dl é razoável para
a maioria dos pacientes.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR 73
FLUXOGRAMA - RESUMO DO FAST HUG
Metas de
necessidade diária
Analgésicos
Infusão contínua
Complementar a
analgesia
Farmacológicas
Não farmacológicas
__ Manutenção do tronco
elevado a 30°-45°
Farmacológicos
Não farmacológicos
Meta entre
140- 180mg/dl
25 Kcai/Kg/dia (50-60%
de Carboidratos e
25-35% de Lipídeos)
0.8 -1 g/Kg/dia de Proteínas, com
possibilidade até 1,2- 1,6 g/Kg/dia
30-35 mUKg/dia de água
AINEs, acetaminofeno, opioides
:-- Antiácidos. os anti-histamínicos e
os inibidores de bombas de prótons
Adaptado de: https://pebmed.com.br/ja -fez-o-fast-hug-no-seu-paciente-hoje/
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
4. DOCUMENTOS MÉDICOS
NA ÉTICA MÉDICA
Para elaboração dos documentos
médicos devem ter cuidados acerca
da ética médica. dessa forma. o ca-
pítulo X do Código de Ética Medica
decreta que é vedado ao médico:
Art. 80. Expedir documento médi-
co sem ter praticado ato profissio-
nal que o justifique. que seja ten-
dencioso ou que não corresponda
à verdade.
Art. 81. Atestar como forma de ob-
ter vantagem.
Art. 82. Usar formulários institu-
cionais para atestar. prescrever e
solicitar exames ou procedimentos
fora da instituição a que pertençam
tais formulários.
Art. 83. Atestar óbito quando não
o tenha verificado pessoalmen-
te. ou quando não tenha prestado
assistência ao paciente. salvo, no
último caso. se o fizer como plan-
tonista. médico substituto ou em
caso de necropsia e verificação
médico-legal.
Art. 84. Deixar de atestar óbito de
paciente ao qual vinha prestando
assistência, exceto quando houver
indícios de morte v iolenta.
Art. 85. Permitir o manuseio e o
conhecimento dos prontuários
por pessoas não obrigadas ao si-
gilo profissional quando sob sua
responsabilidade.
74
Art. 86. Deixar de fornecer laudo
médico ao paciente ou a seu repre-
sentante legal quando aquele for
encaminhado ou transferido para
continuação do tratamento ou em
caso de solicitação de alta.
Art. 87. Deixar de elaborar prontu-
ário legível para cada paciente.
Art. 88. Negar ao paciente ou. na
sua impossib ilidade. a seu repre-
sentante legal. acesso a seu pron-
tuário, deixar de lhe fornecer có-
pia quando solicitada, bem como
deixar de lhe dar explicações ne-
,. \
cessanas a sua compreensão. sal-
vo quando ocasionarem riscos ao
I • .
propno pac1ente ou a terceiros.
Art. 89. Liberar cópias do prontuário
sob sua guarda exceto para atender
a ordem judicial ou para sua própria
defesa. assim como quando autori-
zado por escrito pelo paciente.
§ 1 o Quando requisitado judicial-
mente. o prontuário será enca -
minhado ao juízo requisitante.
§ 2° Quando o prontuário for apre-
sentado em sua própria defesa. o
médico deverá solicitar que seja
observado o sigilo profissional.
Art. 90. Deixar de fornecer cópia do
prontuário médico de seu pacien-
te quando de sua requisição pelos
Conselhos Regionais de Medicina.
Art. 91. Deixar de atestar atos exe-
cutados no exercício profissional,
quando solicitado pelo paciente ou
por seu representante legal.
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
Dados de
identificação do
paciente
Motivo da
internação
_ I __ _
Queixa principal e
duração
Data da
internação
FLUXOGRAMA 13. RESUMO EVOLUÇÃO MÉDICA
Dados vitais
Queixas e
atualizações
Intercorrências
Diurese e dejeções
Apetite e ciclo
sono-vigília
Exames
complementares
75
Geral Plano diagnóstico
Plano terapêutico
EVOLUÇÃO HOSPITALAR
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CFM. Código de Ética Médica. Brasília: CFM. 2019
76
Prática clínica na Estratégia Saúde da Família - organização e registro. https://www.unasus.
unifesp.br/
http://www.medicina.ufba.br/educacao_medica/atualizacao/exLpediatria/prontuario.pdf
Gusso. Gustavo; Lopes. J.M.C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade . Porto Alegre.
Artmed. 2012.
https://pt.slideshare.net/alcindoneto/pucpr-aspecleg-aula-8 -e-9 -documentos-mdico-legais
http://www.cremesp.org.br/pdfs/eventos/eve_ 11112013_102947 _PRONTUARIOo/o20ME-
DICOo/o20Eo/o20PRONTUARIOo/o20ELETRONICO.pdf
Prontuário de pacientes finalidades preenchimento e questões éticas e legais. Disponível:ht -
tps://www. medicina net.com. br/conteudos/revi soes/5 79 5/prontu a rio_de_pacientes_fina lida -
des_preenchimento_e_questoes_eticas_e_legais.htm
Barros E. Albuquerque G. Pinheiro C. Czepielewski MA. Exame clínico. Consulta rápida - 2°
ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.
https://semiologiamedica.ufop.br/soap
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http://www.digimed.ufc.br/wiki/index.php/FasL Hug
Rosane S. Goldwasser; Cid Marcos David. Weaning from mechanical ventilation: let's per-
form a strategy - Rev. bras. ter. intensiva vol.19 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2007
Marcos L. Miranda. Carlos D. A. Bersot. Nivaldo R. V il leia. Sedação. analgesia e bloqueio neu-
romuscular na unidade de terapia intensiva. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto.
2013;12(3):102- 109
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
1. INTRODUÇÃO
A prescrição médica permeia a rela-
ção médico-paciente. É fruto da boa
anamnese e do adequado exame fí-
sico, possibil itando o alcance da hi-
pótese diagnóstica mais precisa. com
adoção de intervenção terapêutica
mais eficaz. Para tanto, é imprescindí-
vel o estabelecimento de uma relação
de confiança, reciprocidade, empatia
e respeito a autonomia do paciente.
79
A prescrição pode ser entendida tan -
to como o início de um processo, de-
fin indo fluxos e responsabilidades.
como o fim, o produto obt ido a partir
da re lação médico-paciente. Consis-
te em uma espécie de manual, o qual
explicita como proceder com a tera-
pêut ica do paciente, objetivando sua
melhora. A prescrição é um ato mé-
dico. mas envolve o trabalho de toda
equipe mult idiscipl inar. que se ocupa -
rá da execução dos comandos apon-
tados (Fluxograma 1).
Prescrição_ ato médico; define quais e como os medicamentos serão ofertados para o paciente
Administração
Administração - corresponde à aplicação do medicamento no pa~iente p:la
enfermagem, vindo a anotar na folha da prescrição que a etapa f01 conciUida
Fonte: Pazin-Filho, 2013
Fluxograma 1. A dispensação de medicamentos no a~biente hosp ital~r envolver as etapas da prescrição.
transcrição. dispensaçao e admm1straçao.
Criamos uma espécie de FAQ (Fre-
quently Asked Questions) acerca
da prescrição para t e ajudar a enten-
der este componente:
Por que a prescrição é tão
importante?
A prescrição hospitalar orienta a ação
de toda equipe envolvida no cuidado
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
ao paciente. Serve ainda para que
outros médicos e internos saibam o
que já foi feito, orientando o raciocínio
clínico. Funciona também como um
recordatório para o médico prescritor,
evitando o esquecimento de itens.
Quem utiliza?
Todos os profissionais envolv idos no
cuidado ao paciente. Enfermeiros,
técn icos de enfermagem. nut ricionis-
tas. fi sioterapeutas. farmacêuticos.
médicos e estudantes.
Quantas vias são necessárias?
Diferentemente da evolução. são de-
mandadas a impressão de duas vias!
Uma. seguirá para a farmácia do hos-
pital. que dispensará o medicamento
do paciente. conforme a prescrição. E
outra. será anexada no prontuá rio do
paciente. Esta auxi liará a enfermagem
a organiza r as condutas descritas.
Onde e quando utilizamos?
A prescrição se dá a parti r da entra-
da do paciente no serviço. em qual -
quer loca l que receba o paciente para
internamento. incluindo UPA. UTI e
hospitais.
Qual serviço precisa estar
prescrito?
Serviços de prestação passiva, como
por exemplo. leito, roupa de banho.
80
alimentação. água para banho, não
precisam ser prescritos. Estes. que
fazem parte da hotelaria. já são natu-
ralmente oferecidos pelo hospital no
internamento de um paciente. Porém.
serviços classificados como de pres-
tação ativa. devem constar no docu-
mento. Gases. diálise. medicação en-
dovenosa. sangue e hemoderivados.
e acesso central . são ordens de servi -
ços. que se não estiverem na prescri -
ção. não serão ofertados ao paciente.
Como organizar?
Discuti remos em detalhes mais à
f rente. Embora possa variar estetica-
mente de hospital para hospital, ge-
ralmente a prescrição é organizada
em 3 componentes: Segurança do
paciente; Esquema terapêutico; Se-
gurança do profissional.
Lembre-se que não estamos tratando
aqui da prescrição ambulatorial, a re-
ceita simples. A discussão baseia -se
na prescrição hospitalar do paciente
internado!
2. GESTÃO HOSPITALAR
Antes de discutirmos sobre os ele-
mentos da prescrição. é importante
ter em mente alguns aspectos des-
te documento. Ele determina gastos
hospitalares. direciona o trabalho da
equipe e sofre influência das condi-
ções do meio. ou seja, dos serv iços
disponíveis. desde mão-de-obra a
1nsumos.
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
Dessa forma. o médico é um ordena-
dor de serviços e de despesas. de-
vendo sua prescrição estar baseada
em evidências científicas. gerindo os
recursos da melhor forma. É reco-
mendado que se questione se exis-
te evidência científica subsidiando a
solicitação de determinado exame
ou medicamento, visto que envolve-
rá a mobilização da equipe, podendo
ainda onerar desnecessariamente o
sistema.
Por exemplo. uma curva térmica. Em-
bora estejamos diante de um pacien-
- I I • te com febre, esta nao e necessana
para todo paciente. Porém. tratan-
do-se de uma gestante. com ruptura
prematura de membranas ovulares, a
curva térmica pode ser um marcador
importante para determinar se está
ocorrendo ou não uma corioamnioni-
te secundária.
SE LIGA! Nem sempre é necessário
assinalar na prescrição a solicitação
do médico plantonista. É bem sabido
pela enfermagem em quais demandas
é necessário chamar este profissio-
nal. Sugere-se então que se escreva
esta demanda na prescrição em casos
muito objetivos. em que a não presen-
ça do plantonista coloque em risco a
segurança do paciente e o sucesso da
terapêutica.
81
A depender do suporte ofertado pelo
hospital. a prescrição poderá ser fei-
ta à mão ou de modo eletrônico. Em
hospitais mais novos. as prescrições
são feitas de maneira de eletrônica.onde cada médico possui seu token
(uma espécie de pen drive especial),
conectando-o nos computadores.
constando na prescrição a assinatu-
ra eletrônica dele. visto que há cert i-
ficação digita l. Assim. as prescrições
não precisam ser impressas. sendo o
prontuário digital e de acesso a toda
equipe por meio do token pessoal de
cada membro.
A maioria dos hospitais. no entanto.
embora apresentem suporte para a
prescrição eletrônica. não apresen-
tam certificação digital. Desta forma.
I I · • no fim do processo. e necessano Im-
primir o documento e assiná-lo no
final.
Para que você comece a se famil iari-
zar com a prescrição, vamos te apre-
sentar ao modelo aba ixo:
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
-FOLHA DE PRESCRJÇAO E
Nome.
Seror.
ITEM PRESCRiçAO
I
• Nesta área você 2
J deverá prescrever
5 as condutas
6 terapêuticas do
7
paciente
Doto I I
EVOLUçAO
Esta área
geralmente é de
preenchimento da
enfermagem.
Também poderá
aparecer com o
nome "observações
da enfermagem"
82
Figura 1. Observe a localização dos componentes da prescrição:
A segurança do paciente: 8 , esquema terapêutico: C, segurança do profissional. Fonte: SANAR.
3 ELEMENTOS DA
PRESCRIÇÃO
COMPONENTE A: Segurança do
Paciente
Este elemento se destina a identifica-
ção do paciente alvo da prescrição e
da hora e data em que esta foi feita,
além do dia e horário que o paciente
fo i admitido. Apresenta nome com-
pleto do paciente. setor. leito e nú-
mero de prontuário. Lembre-se que
é comum em uma mesma enfermaria
ter pacientes como o mesmo nome.
sendo importantíssimo a distinção
destes para que se evite erros. Nesta
área ainda, costuma-se destacar as
alergias do paciente.
SE LIGA! O horário da prescrição impac-
ta na dinâmica da enfermaria! Lembre-
-se que as condutas a serem tomadas
dependem do que será prescrito, e só
mediante este documento, poderão ser
executadas pela equipe. Assim, nada de
colocar o despertador no modo soneca,
porque não vai dar para atrasar!!]
COMPONENTE 8: Esquema
terapêutico
Trata-se do preenchimento das con-
dutas propriamente ditas: repouso,
dieta. medicamentos, controles gerais
e cuidados específicos. Deve ser pre-
enchida com clareza. evitando siglas.
jargões ou abreviaturas.
Para facilitar os processos. os elemen -
tos prescritos seguem uma hierarquia
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
(Tabela 1). Inicia -se com o repouso,
seguido da dieta, oxigenoterapia (se
necessário), medicamentos endove-
nosos (iniciando pelos soros), medi-
camentos orais, demais vias e, por
fim. cuidados gerais. Não muda se o
1
2 A limentação (Dieta)
3
4
5 EV -
83
medicamento oral vier antes do en-
dovenoso; o que se pretende é que os
medicamentos sejam agrupados de
acordo com sua via de administração.
Para facilitar a memorização, pense:
6 VO - Medicações por Via Oral
7 OUTRAS - por Outras Vias
8 Controles Gerais
9 Cuidados Específicos
Tabela 1. A seta vertical ilustra a sequência da prescrição. A seta na horizontal define as características do medica-
mento (DDVI: D - droga. D - dose. V - via. 1- intervalo). Fonte: PAZIN-FILHO. 2013.
A tabela a seguir traz as princi-
pais características que devem ser
observadas acerca dos medica-
mentos (DDVI - Droga, Dose. Via,
Intervalo).
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 84
CARACTERÍSTICA CONSIDERAÇÕES
DROGA
Nome do medicamento
Apresentação
DOSE
Quantidade
VIA DE ADMINISTRAÇÃO
Via
Cuidados especiais na administração
INTERVALO
Intervalo entre doses
Quando iniciar a primeira dose
- É preferível prescrever o nome genérico da medicação;
- Cuidado com nomes parecidos ao prescrever no computador;
- Descreva qual a unidade da medicação prescrita e quanto há dispo-
nível do medicamento nesta unidade. Por exemplo: uma ampola de
cloreto de sódio 20% - 10 ml por ampola.
- Determinar a quantidade a ser administrada do medicamento. Por
exemplo: 1 comprimido (10 mg) de enalapril de 12 em 12 horas.
- Especificar qual a via- endovenosa. via oral, subcutânea, aerossol
etc.;
- Cuidados que podem interferir com o efeito da medicação, por exem-
plo, velocidade na aplicação de adenosina endovenosa em taquicardias
supraventriculares;
- Evitar misturas de substâncias em soros que precipitem quando inte-
ragem ent re si.
- Determinar o intervalo entre as doses. É importante conhecer se há
horários padronizados de aplicação de medicação pela equipe de en-
fermagem para facilitar o trabalho;
- Tome cuidado ao prescrever várias medicações para que elas sejam
aplicadas conjuntamente se possível. Por exemplo, se prescrever duas
medicações, uma com intervalo de 8/Bh e outra com intervalos de
12/12h. veja se é possível conciliar pelo menos um dos horários para
facilitar o trabalho e facilitar a adesão do paciente após a alta;
- As instituições têm diferentes horários para quando a Prescrição
começa a valer. Por exemplo, para medicações feitas no período da
manhã. as instituições estabelecem que a prescrição começará a valer a
partir das 16:00h. Se alguma medicação precisar ser iniciada imediata-
mente, isso deverá ser assinalado na prescrição.
Tabela 2. Caracleríslicas a serem observadas na prescrição Fonte: PAZIN-I-ILHO. 20 13.
Descrição dos itens
Item 1. Repouso
Você deve definir aqui o tipo de re-
pouso: absoluto. em situações gra -
ves; ou relativo. na maioria dos casos;
a posição no leito (diversos decúbitos)
e a posição da cabeceira (sem ou com
elevação). Neste último caso. deter-
mine o grau: 30° ou 45°. uma vez que
elevações acima de 45° apresentam
o risco de fechamento da v ia aérea.
Neste item. ocorre também a deter-
minação se o paciente deverá ficar
ou não em isolamento. Este que de-
pende da doença em questão. por
exemplo. paciente com meningite
bacteriana em tratamento exige 24h
de isolamento; coqueluche exige 5
dias. Recomenda -se ainda que todo
paciente transferido de outra unidade
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
hospitalar, onde tenha passado mais
de 24h, seja internado em isolamen-
to. até que se obtenha os resultados
de cultura (cultura de vigilância) .
Item 2. Dieta
Devido a sua complexidade, a dieta é
um dos itens inicia is. Pode variar na
forma de sua administração, se ente-
ra l (associada ou não ao uso de son-
da enteral nasogástrica ou nasoenté-
rica), ou se parenteral (endovenosa) .
Varia ainda na apresentação (líquida,
branda, pastosa ou gera l), na compo-
sição (quando para diabéticos. hiper-
tensos ou intolerantes à lactose) e no
fracionamento (número de refeições.
ou ainda ênfase em alguma refeição,
como por exemplo, lanche noturno
para diabéticos). O nutricionista deve
sempre ser consultado para casos
mais complexos.
Atente-se ainda que o idea l é não dei-
xar o paciente em dieta zero por mais
de 12h, ou no máximo, por 24h. De-
pois disso, diante da impossibilidade
de via oral. uma out ra v ia deve seres-
colhida (sonda nasogástrica. nasoen-
teral ou parenteral). Considere ainda
a capacidade gástrica de 20 a 40 ml/
kg, iniciando a dieta com quantidade
mínima. escalonando-a conforme a
necessidade do paciente (o que torna
possível aumentá-la ou reduzi-la).
SE LIGA! Pacientes com alteração no
sensório (irritabilidade. sonolência. tor-
por. coma) ou ainda com frequência
respiratória (FR) acima de 60 rpm. para
crianças de até 5 anos. e pacientes > 5
anos de idade com FR > 40 rpm, não de-
vem receber alimentar por via oral. uma
vez que estas condições aumentam o
risco de broncoaspiração.
85
As opções para rea limentação de um
paciente após dieta zero incluem:
• Via oral progressiva: aqui, inicia-
-se a re introdução alimentar com
alimentos de diferentes consistên-
cias: líquido, pastoso e sólido.
• Sonda nasogástrica: empregada
quando a sonda nasoenteral não
está disponível. O paciente pode
permanecer com a sonda por 3 a 5
dias. sendo 4 dias o ideal.
• Sonda nasoenteral: é mais util iza -
da, pois o paciente pode uti lizá-la
por mais tempo (até 8 semanas).
Deve ser considerada quando o
paciente se encontra em dieta
zero por 12h a 24h, e a condição
que delimita sua restrição alimen-
tar não será solucionada em bre-
ve. Recomenda-se a realização
de radiografia após a passagem
da sonda, para verificação do seu
posicionamento pós-pilórico. Esta
apresenta uma ponta de mental,
o que facilita sua visualização ao
exame de imagem. A sonda deve
estar localizada 4 vértebras acima
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
da cúpula diafragmática e deve
passar 2-4 em da linha média.
• Nutrição parenteral total: reserva-
da para pacientes muito graves.
Item 3. Oxigenoterapia
A oxigenoterapia deve ser adminis-
trada apenas se necessário. Você
FI02 de até 35%
86
deve se basear em dados clínicos do
paciente. além da oximetria pulso e
gasometria. Esta terapêutica deve ser
instituída para pacientes com satura-
ção< 93%.
Algumas opções de administração de
medicamentos são (Tabela 3):
FI02 de 24-40% FI02 de 95-100% FI02 de até 100%
3-5L/min FI02 de 24-50%
3-5L/min 10-15L/min
3-15L/min
10-15L/min
Quadros
Quadros Quadros muito Quadros de PCR, Gasping,
moderados Quadros graves
moderados apneia graves
Tabela 3. Opções para administração de oxigênio. Fonte: SANAR.
• Cateter nasal: Inicia com o máxi-
mo, diminuindo progressivamente.
Indicado para doentes em quadros
moderados, já que a oferta máxi-
ma de oxigênio é de 35%.
• Cânula nasal: Indicada também
para pacientes com quadros
moderados.
• Máscara de Venturi: Quanto menor
for o orifício da máscara, menor é o
F102. Inicia-se com 50%, reduzin-
do o fluxo progressivamente. Usa -
da em pacientes graves.
• Máscara não reinalante: Melhor
opção para pacientes muito gra-
ves. Para pacientes com saturação
< 90% ou cianose central na emer-
A • • • • I ,.,.
genoa. 1n1c1a -se com mascara nao
reina lante. enquanto se prepara o
material para IOT.
• Máscara de admin istração de
oxigênio com pressão positiva
(AMBU): Indicada nos casos de
PCR. apneia. gasping e outros.
Doente muito graves. em curso de
falência cardiopulmonar. ventila-
-se com pressão positiva, e intuba
posteriormente.
Os próximos dois itens dependem de
venóclise. por isso, vamos nos dedi-
car brevemente a discutir sobre aces-
so (Tabela 4).
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 87
CENTRAL PERIFÉRICO INTRAÓSSEO
Veias jugulares internas ou Veias basnica, antecubital, cefálica
Realizado na parte plana da tíbia
subclávias e safena
Permanecer por no máximo 4 Permanecer por no máximo 3-4
Permanecer por no máximo 6 horas
semanas dias
Tabela 4 .. Vias de acesso venoso
Destacamos
importantes:
alguns pontos
• Opte pelo Gelco 24, para crian-
ças de até 5 anos; Gelco 22. para
aquelas de 5 a 10 anos e Gelco 10.
para todos os pacientes acima de
10 anos.
• Lembre-se que do risco de flebite
aumenta com a maior duração do
acesso periférico.
• O acesso central deve ser escolhi-
do em pacientes graves. sem con-
dições de realizar acesso periféri -
co, ou naqueles em que é preciso
administras medicações de con-
trole geral.
• O acesso intraósseo geralmente
é empregado em pacientes nos
quais não se conseguiu rea lizar os
outros dois acessos.
Atente-se ao tempo de infusão das
drogas injetáveis. Lembre-se que
algumas delas precisam ser admi-
nistradas de forma muito lenta e
Item 4. Hidratação
O primeiro elemento administrado por
via endovenosa a ser prescrito é o soro.
As soluções empregadas nos casos de
desidratação variam conforme a clas-
sificação desta. No caso de choque,
administra-se soro fisiológico/ringer
lactato: 20 mL/Kg a cada 10-20 min, e
para reposição de perdas. a escolha é o
soro fisiológico 0,9o/o ou ringer lactato.
Itens 5,6,7. Medicação
endovenosa, oral, e por outras vias
Como dito anteriormente. os medi-
camentos são prescritos na seguin-
te ordem: aqueles administrados por
v ia endovenosa, via oral e por outras
v ias. Para facilitar o trabalho da equi -
pe, é aconselhado que as medicações
sigam a ordem de prescrição. onde
primeiro tem-se os antibióticos. se-
guidos pelos corticoides. medicações
prévias e medicações para controle.
controlada, de modo que. em alguns
casos. é necessária uma bomba de
infusão contínua (BIC) para melhor
controle (Tabela 5).
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 88
Bolus Administrada em tempo de 1 min
Rápida Administrada entre 1-30 min
Lenta Administrada EV entre 30-60min
Contínua Administração em tempo > 60 min ininterruptos
Intermitente Administrada de forma não contínua
Tabela 5. Formas de administração das drogas injetáveis
Na prescrição de antibióticos, o pri-
meiro dia em que o paciente recebe a
med icação é tido como DO; o segun-
do, Dl e assim, sucessivamente. Esta
medida fo i instituída para que haja
melhor controle da quantidade de do-
ses e no período de uso desta classe
medicamentosa. Quanto à corticote-
rapia. pontuamos que após 14 dias
de uso. é necessário realizar o des-
mame do paciente gradativamente.
Reduz-se 25o/o da dose inicial a cada
5- 7 dias.
Prescreve-se então os medicamentos
prévios. que o paciente fazia uso. e/ou
outras medicações que sejam neces-
sárias. Por exemplo. em caso de febre,
o antitérm ico seria adicionado neste
momento. Dipirona ou paracetamol
são as drogas de escolha. mas lem-
bre-se de certificar se o paciente não
FC
apresenta doença hepática, antes do
emprego desta última droga. Analgé-
sicos também devem ser adicionados
nesta etapa da prescrição.
Itens 8 e 9. Cuidados gerais e
específicos
Aqui, você deve apontar os cuidados
gerais e específicos do paciente. indi-
cando. se necessário, a monitorização
dos dados vitais, controle glicêmico e
balanço hídrico. além de fisioterapia
respiratória e motora, fonoaudiologia.
profilaxia para tromboembolismo (de-
ambulação, meias de compressão ou
medicamentos). prevenção de úlce-
ra (mudança de decúbito ou solicitar
uso de medicamentos) e antiemético/
laxante. As tabelas abaixo trazem os
valores de alguns controles.
FR
RN 120- 160 60
Lactente 100- 140 40
Pré-escolar 90-130 30
Escolar 80- 120 20
Adolescente 60-100 14-20
Tabela 6. Valores normais de FC e FR pela faixa etaria.
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
No paciente adulto internado, con-
sideramos como hipoglicemia valo-
res de glicemia capilar inferiores a
60. Quanto a diurese consideramos
como:
• Normal: 1 a 2ml\kg\h
• Oligúria: 0.5 a 1ml\kg\h
• Anúria: menor que 0.5ml\kg\h
COMPONENTE C: Segurança do
profissional
Este último componente é represen-
tado pela identificação do profissio-
nal responsável pela prescrição. Deve
conter sua assinatura. com letra legí-
vel. não havendo recomendação for-
mal para uso do carimbo. A prescrição
é um ato médico, e deve ser realizada
apenas por profissionais registrados
no Conselho Federal de Medicina.
Conforme o apresentado. nossa pres-
crição ficaria:
4. ESTRATÉGIAS PARA
EVITAR O ERRO AO
PRESCREVER
Além da sistematização apresentada,
para prevenir a ocorrência de erros.
seguem alguns pontos importantes
que você deve se atentar:
1 - Não considerar o questionamento
de uma prescrição como crítica. mas
como auxílio. em que o objetivo final é
89
a beneficência e não-maleficência do
paciente;
2 - Ao atualizar uma prescrição que
tenha sido feito no dia anterior. con-
verse com a equipe! Converse com o
enfermeiro chefe acerca de novas in -
formações do paciente. pergunte ao
farmacêutico sobre protocolos e me-
dicamento disponíveis na instituição
ou ainda sobre possíveis interações
medicamentosas;
3 - Ao terminar a prescrição. cheq ue
se todos os itens necessários foram
escritos. Ao imprimir. ana lise se todas
as folhas estão presentes.
4 - Pergunte ao paciente sobre seu
antecedente medicamentoso; recal-
cule as doses; questione sobre aler-
gias. Se o paciente não estiver em
condição de responder. contacte com
familiares e acompanhantes;
5 - Explique ao paciente sobre as me-
dicações que utilizará. e os horários
que as receberá. Muitos pacientessaem do hospital sem saber qual me-
dicamento estava em uso. o que tem
implicações diretas sobre sua adesão
medicamentosa pós-a lta. Este pode
ser ainda um momento para educa r
o paciente acerca da necessidade de
novos hábitos;
6 - Mantenha um registro. em agen-
das. celulares. cadernos. de todos os
medicamentos que já teve contato.
Dose. diluição. via e problemas po-
tenciais. Isto lhe auxiliará a se familia-
rizar e memorizar os fármacos;
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
7 - Considerar a possibilidade de in-
teração entre as drogas prescritas.
Ao terminar de prescrever. reavalie as
drogas e veja se elas podem interagir
entre si.
8- Conheça o período de início e tér-
mino da validade da prescrição da
instituição em que você se encontra.
As prescrições fe itas até determ inado
horário, são incluídas na rotina de ad-
ministração do mesmo dia. mas a pri -
meira dose será administrada apenas
90
a partir do início de vigência da pres-
crição. Caso queira inserir uma me-
dicação de modo imediato. sinalize
"PARA USO IMEDIATO" e comunique
a enfermagem sobre o fato.
9 - Tenha calma! Enquanto estiver
prescrevendo, concentre-se nesta
atividade. e além disso. tenha paci-
ência consigo mesmo! Esta atividade
demanda prática e. em breve. será
um hábito para você.
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR 91
MAPA MENTAL: PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
No de prontuário
1. Repouso
Alergias
2. Dieta
3. Oxigenoterapia
4. Hidratação
5. Medicação EV
6. Medicação VO
7. Medicação por outras vias
8. Controles gerais
9. Controles específicos
Converse com o paciente Em duas vias
Mantenha calma Hora limite
Escreva um "diário" de medicações que já utilizou Não prescrever serviços de hotelaria
Converse com a equipe
Cheque a prescrição ao final
PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRAFICAS
92
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Iniciais
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SUMÁRIO
1. ATESTADO MÉDICO
2. DECLARAÇÃO DE ÓBITO
3. DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA
4. EVOLUÇÃO HOSPITALAR
5. PRESCRIÇÃO MÉDICA HOSPITALAR