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Necropsia médico-legal

Material sobre necropsia médico-legal, abordando definição legal (Art.162), erros comuns, técnica de inspeção externa e interna, necropsia branca, exumação e pós-exumação, mortes coletivas, identificação, diagnóstico da morte, fenômenos pós-morte e putrefação.

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Necropsia Médico-Legal 
Conjunto de operações que tem como meta fundamental 
evidenciar causa mortis, quer sob o ponto de vista 
médico, quer jurídico. Artigo 162 do código penal: “A 
autópsia será feita pelo menos 6 horas depois do óbito, 
salvo se os peritos, pela evidência de sinais de morte, 
julgarem que possa ser feita antes daquele prazo”.“No 
caso de morte violenta, bastará o simples exame externo 
do cadáver, quando não houver infração penal que 
apurar, ou quando as lesões externas permitirem 
precisar a causa da morte.” 
 
ERROS MAIS COMUNS 
• Exame externo sumário e omisso 
• Interpretações por intuito 
• Falta de ilustração 
• Entendimento errado dos fenômenos post mortem 
• Necropsias incompletas 
• Exames à noite 
• Falta de exames subsidiários 
• Incisões desnecessárias 
• Obscuridade descritiva 
 
TÉCNICA: 
Inspeção externa: 
– Exame de conjunto 
– Exame dos grandes segmentos 
– Exame das vestes 
 
Inspeção interna: 
– Cavidade craniana 
– Cavidade torácica 
– Cavidade abdominal 
– Cavidade vertebral 
– Órgãos do pescoço 
– Cavidades acessórias da cabeça 
 
“NECROPSIA BRANCA” 
Causa da morte não é determinada; Limitação da ciência; 
Fenômenos transformativos do cadáver. 
 
EXUMAÇÃO 
É sempre feita em caráter especial, sendo executada 
somente por sérias e imperiosas razões. 
Esclarecimento de um detalhe ou atender às 
necessidades sanitárias. Estar acompanhado do policial, 
familiares do morto e testemunhas para identificação da 
cova. 
 
NECROPSIA PÓS-EXUMAÇÃO 
Realizar mesma técnica do exame cadavérico comum. 
Realizar raio-X e exames histopatológicos, quando 
necessário. Coletar terra e retalhos de roupa, para 
exame toxicológico. Não utilizar desinfetantes ou 
desodorantes. O corpo retorna a sepultura após 
necropsia 
 
MORTE COLETIVA OU CATASTRÓFICA 
Causas decorrentes de forças naturais: 
– Terremotos e maremotos 
– Erupções vulcânicas 
– Inundações e enchentes 
– Ciclones 
– Avalanches e desabamentos 
– Trombas d’água e temporais 
– Seca 
– Fulguração e fulminação 
 
Causas decorrentes do emprego humano de forças 
naturais ou da inventiva humana 
– Incêndios e explosões 
– Intoxicações coletivas 
– Desabamentos 
– Acidentes aeroviários 
– Acidentes rodoviários 
– Acidentes ferroviários 
– Acidentes marítimo 
– Eletrocussão 
– Acidente de radiação ionizante 
 
Outras causas: 
– Causas combinadas 
– Pânico com pisoteio 
 
ATENÇÃO E PREVENÇÃO DE CATÁSTROFES 
• Identificação de riscos potenciais 
• Adoção de medidas preventivas 
• Criação de sistema de alarme 
• Elaboração de um plano de assistência imediata 
• Administração de medidas sanitárias 
 
IDENTIFICAÇÃO 
• Procedimentos de exame 
• Ficha datiloscópica e odontológica 
• Prova do material da identidade 
• Relatório médico-legal 
• Morte presumida 
• Atestado de óbito 
 
DIAGNÓSTICO DA REALIDADE DE MORTE 
Cessação dos fenômenos vitais pela parada das funções 
cerebrais, circulatória e respiratória 
 
Processo gradativo: 
1. Morte anatômica - Cessação das atividades 
orgânicas 
2. Morte histológica - Morte tecidual 
3. Morte aparente – Suspensão aparente de algumas 
funções vitais, sendo possível recuperá-las dentro 
de algumas hoas 
4. Morte relativa – Abolição efetiva e duradoura de 
algumas funções vitais, sendo possível a 
recuperação de algumas delas 
5. Morte intermediária – Relatos de quase-morte 
6. Morte absoluta – Suspensão total e definitiva de 
todas as atividades vitais, com início dos fenômenos 
pós morte 
 
Constatação da morte faz-se necessária a observação 
dos fenômenos que surgem no corpo 
 
FENOMENOS ABIÓTICOS 
1. Imediatos 
a. Não são diagnósticos de óbito 
b. Reversíveis 
2. Consecutivos 
a. Caracterizam o óbito 
b. Quando isolados, não têm valor 
absoluto 
 
FENÔMENOS ABIÓTICOS IMEDIATOS: 
• Perda de consciência 
• Perda de sensibilidade 
• Abolição da motilidade e do tono muscular 
• Cessação da respiração 
• Cessação da circulação 
• Cessação da atividade cerebral 
• Midríase 
 
FENÔMENOS ABIÓTICOS CONSECUTIVOS 
 
Desidratação cadavérica: Decréscimo do peso (18g/Kg 
nas primeiras horas). Pergaminhamento da pele. 
Dessecamento das mucosas dos lábios. Modificação dos 
globos oculares 
 
Esfriamento cadavérico (algor mortis): Temperatura 
retal < 20°C 
 
Manchas de hipóstase cutânea (livor mortis): Iniciam-se 
após 2 horas. Tornam-se fixas após 12 horas. 
 
Rigidez cadavérica (rigor mortis): Inicia-se 1 a 2 horas 
após a morte. Máximo após 8 horas 
 
Espasmo cadavérico 
 
 
 
FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS 
1. Destrutivos: 
- Autólise 
- Maceração 
- Putrefação 
 
2. Conservadores: 
- Mumificação 
- Saponização 
- Calcificação 
- Corificação 
 
 
FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS DESTRUTIVOS 
 
Autólise: Destruição celular caracterizado por ações 
enzimáticas levando à acidificação 
 
Putrefação: Marcha da putrefação: Período cromático; 
Período gasoso ou enfisematoso; Período coliquativo ou 
de liquefação; Período de esqueletização 
 
Bacteriologia da putrefação: Inicia com as bactérias 
aeróbias → bactérias aeróbias facultativas → germes 
anaeróbios 
 
[HIDROGÊNIO SULFURADO] 
 
 
Maceração: Destacamento de amplos retalhos de 
tegumento. Classificação: 
• Primeiro grau: flictenas contendo líquido 
serossanguinolento 
• Segundo grau: rotura das flictenas, líquido 
sanguinolento e epiderme arroxeada 
• Terceiro grau: deformação craniana, infiltração 
hemoglobínica das vísceras, friabilidade e 
tonalidade marrom escura 
 
 
FENÔMENOS TRANSFORMATIVOS CONSERVADORES 
Mumificação: Natural, artificial ou misto; 
Artificial: embalsamamento 
Natural: Condições que propiciem desidratação 
rápida 
Misto: Embalsamamento + condições propícias 
 
Cadáver mumificado: Redução do peso; Pele seca, dura, 
enrugada e de tonalidade enegrecida; Vísceras 
transformam-se em pó; Dentes e unhas preservados 
 
Saponificação: Transformação do cadáver em 
substância de consistência untuosa, mole e quebradiça. 
Acontece em solo argiloso e com água estagnada. 
Contato dos ácidos graxos com os minerais da argila 
 
Calcificação: Caracteriza-se pela calcificação ou 
petrificação do corpo. Ocorre mais frequentemente em 
fetos. 
 
 
Corificação: Evento raro; Cadáveres acolhidos em urnas 
metálicas hermeticamente fechadas. Apresenta-se com 
pele de cor e aspecto de couro curtido. Mostra líquido 
viscoso de tonalidade castanho-amarelado 
 
Congelação: Cadáver submetido a baixíssimas 
temperaturas. Temperaturas menores que - 40°C pode 
se obter preservação indefinida. 
 
 
 
ESTIMATIVA DO TEMPO DE MORTE 
Esfriamento do cadaver: 
– Três primeiras horas: 0,5°C 
– Após quarta hora: 1,0 °C 
– H=N - C/1,5°C 
Livores de hipóstase 
– Surgem entre 2 a 3 horas após a morte 
– Tornam-se fixas após 12 horas 
Rigidez cadavérica 
– Pode ser tardio ou precoce 
– 1ª a 2ª hora – maxila e nuca 
– 2ª a 4ª hora – membros superiores 
– 4ª a 6ª hora – tórax e abdômen 
– 6ª a 8º hora – membros inferiores 
# Flacidez reaparece após 36-48 horas 
 
Gases da putrefação: 
– 1º dia – gases não-inflamáveis 
– 2º ao 4 º dia – gases inflamáveis 
– 5º dia em diante – gases não-
inflamáveis 
Perda de peso 
– 18g/Kg de peso/h nas primeiras 24 
horas 
Mancha verde abdominal: 
– Inicia de 24 a 36 horas após o óbito 
– Do 3º ao 5º dia se estende para o corpo 
todo 
Crescimento dos pêlos da barba 
– Taxa de crescimento da barba: 
0,021mm/h 
Conteúdo estomacal 
– Alimentos inteiros: 1 a 2 horas 
– Alimentos digeridos: 4 a 7 horas 
– Estômago vazio: mais de 7 horas 
 
# Concentração pós-morte do potássio no humor vítreo 
# Fauna cadavérica

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