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No âmbito da literatura, o Romantismo do início do século XIX fará uma defesa da liberdade estética, da arte governada pela inspiração e pelo gênio individual, na qual o sujeito e a sua originalidade passam a ser a medida de todas as coisas; e a diversidade, o ideal a ser atingido. No campo da lírica, podemos citar as seguintes obras como definidoras do Romantismo francês: Meditações poéticas de Lamartine e as Odes de V. Hugo. Alfred de Vigny. Émile Deschamps procura inspirar-se na Espanha e dá a conhecer na França, com o Roman du roi Rodrigue (s/d.), as belezas do romanceiro espanhol. Théophile Gautier publicou, em 1830, seus primeiros versos, com os quais se revelou um mestre da forma. Alfred de Musset publicou Contes d'Espagne et d'Italie (1830), eminentemente romântico, com seus versos deslocados de rimas ricas e imprevistas. Em 1848, com o fracasso do socialismo utópico, os ecos da batalha romântica se acalmaram. Victor Hugo agora reina sozinho, prolongando o Romantismo. O Segundo Império, que o expulsou da França, também forneceu um leque de temas perfeitos para a sátira lírica e um abundante derramamento de poesia individualista, variedade de emoções e pensamentos íntimos. Por este tempo, a poesia se transforma. O tempo das exaltações apaixonadas do Romantismo na França está acabado, ainda que sua imensa influência ainda se faça sentir na poesia brasileira. O simbolismo e o parnasianismo na França do séc. XIX A fins do século XIX, vê-se uma reação contra a concepção do Realismo/Naturalismo que se deu especialmente na poesia, gênero posto de lado pelo Realismo. Tal procura por uma modernidade poética caracterizou-se por: As principais correntes dessa vontade inovadora são o Parnasianismo e o Simbolismo. Reação ao Realismo e ao Positivismo filosófico; Reação aos costumes burgueses, defesa de uma vida aventureira, boêmia e rebelde; Estética refinada e elegante (na figura do dândi ou do poeta maldito); Defesa da Arte pela Arte e da beleza artística; Uma poesia da sugestão; simbólica e metafórica. O Parnasianismo surge a partir de 1861 em torno da figura de Téophile Gautier e Leconte de Lisle e da revista O Parnaso contemporâneo (1866). Eram fieis à Arte pela Arte e à repulsa ao compromisso social e político. Sua poética se caracteriza pela perfeição formal e pelo culto à beleza e ao equilíbrio. O Simbolismo pode ser tido como o grande movimento poético de fins do século XIX. Surge na França e teve, como principais representantes: Verlaine, Rimbaud e Mallarmé. Em 1886, Jean Moreás publica o Manifesto do Simbolismo, definindo-o como inimigo do ensino, da declamação, da falsa sensibilidade e da descrição objetiva. Literatura Comparada A in�uência da narrativa francesa no séc. XIX Unidade 2 – Seção 3 O simbolismo é um estilo essencialmente poético, que entende a poesia como algo misterioso e que busca, por meio da sugestão, refletir a realidade usando imagens, símbolos e etc. São suas características: abandono da métrica, o cultivo do verso livre e do poema em prosa; A livre associação de ideias e o uso de paralelismos e de sinestesias; A concessão de uma extrema importância à música. As vanguardas modernistas do �m do séc. XIX As manifestações Modernistas (ou de renovação) de fins do século XIX e início do século XX, são marcadas por certa tendência de manifestação do alusivo, do sugestivo até o enigmático, renovando aspectos da língua de modo a referir-se aos objetos de modo indireto, como que por meio de jogos de reflexos, de impressões desconexas, de recriações metafóricas inéditas e de uma sintaxe desconjuntada, com tipografia e pontuação surpreendentes. De tudo isto, desprende-se a impressão geral de que se trata de uma poesia obtusa, obscura e incompreensível. O Modernismo de fins do século XIX, como designação de um período que é referenciado por um tempo que é, antes de tudo, um projeto, representa uma história da literatura, um momento que corresponderia à constituição de uma ruptura total. Uma apreensão dessa ruptura talvez advenha de uma vocação especial para emitir juízos de valor. Tal poesia, que levará ao final do século XIX, começará com Lautréamont e Mallarmé. Contudo, o poeta que de alguma maneira, atravessou toda a segunda metade do século XIX e imprimiu sua marca nesse momento de busca por uma revolução da forma, foi Baudelaire. Charles Baudelaire (1821-1867) foi um poeta precursor do simbolismo e um dos mais importantes poetas do século XIX e início do século XX. Seu modo de conceber a vida se encaixa na condição de "poeta maldito"; termo cunhado para se referir aos escritores que se distanciam da sociedade em que vivem e mostram uma atitude de rebeldia, desordem e provocação. Charles Baudelaire, 1821-1867 Em sua carreira poética, há uma evolução contínua, que o leva a compartilhar, de modo simultâneo, características estilísticas de movimentos estéticos como Romantismo, Parnasianismo e Simbolismo. Exemplo da poesia de Baudelaire em uma tradução brasileira dos anos 1990: Correspondências A Natureza é um templo onde vivos pilares Deixam sair às vezes palavras confusas: Por florestas de símbolos, lá o homem cruza Observado por olhos ali familiares. Tal longos ecos longe lá se confundem Dentro de tenebrosa e profunda unidade Imensa como a noite e como a claridade, Os perfumes, as cores e os sons se transfundem. Perfumes de frescor tal a carne de infantes, Doces como o oboé, verdes igual ao prado, – Mais outros, corrompidos, ricos, triunfantes, Possuindo a expansão de algo inacabado, Tal como o âmbar, almíscar, benjoim e incenso, Que cantam o enlevar dos sentidos e o senso. (BAUDELAIRE, 1991, p. 89) A este momento, correspondem duas importantes influências que cruzaram as fronteiras da França para alcançar outras poéticas: a do latino-americano Rubén Darío, de língua espanhola e, especialmente, a do português Fernando Pessoa, assíduo leitor da obra de Mallarmé. A partir dos assuntos tratados aqui, tivemos uma amostra da influência da poesia francesa do século XIX em sua posição de vanguarda para a Modernidade. Vídeo de encerramento Para visualizar o vídeo, acesse seu material digital.