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Aula 5 – Interrupção da Gestação e Indução do Parto Interrupção da gestação ou abortamento é quando o feto é incompatível com a vida, na indução do parto esse filhote já tem capacidade de sobreviver. Métodos contraceptivos → Castração • Vantagens o controle populacional • Desvantagens o Risco cirúrgico, obesidade, dermatopatias, endocrinopatias, incontinência urinária, cardiopatias, alterações comportamentais. Cadelas • A indução médica do abortamento na cadela deve ser feita quando houver comprometimento da saúde materna, como nos casos de toxemia gravídica (↑corpo cetônico). • Deve também ser indicada quando ocorrerem coberturas indesejáveis, fêmeas muito jovens ou muito velhas. • Há a necessidade da confirmação do diagnóstico de gestação antes da realização do tratamento. Em média, 50% das fêmeas cobertas ficam gestante; 65% das fêmeas encaminhadas para interrupção da gestação estão realmente prenhes. • Realizar citologia vaginal para a pesquisa de espermatozoides (em até 48h). Para a escolha da conduta a ser adotada é fundamental o conhecimento preciso dos aspectos fisiológicos da gestação. • Na cadela, a gestação pode ser dividida em 3 fases: o 0 a 20/22 dias: período préimplantação, difícil saber se está gestante. Neste período o corpo lúteo (CL) é independente de estímulos e suporte luteotrófico (eficaz para o aborto →PGF em doses muito altas); o 20/22 a 40/44 dias: período de estabelecimento de hormôniodependência entre o CL e os hormônios luteotróficos, embriogênese a fase inicial de préossificação do desenvolvimento embrionário (eficaz para o aborto →PGF + inibidores da prolactina); o 40/44 a 65 dias: período de dependência hormonal total, ossificação e desenvolvimento exponencial do feto. Indução do abortamento: • Estrógeno O estrógeno age como contraceptivo e abortivo na primeira fase da gestação (0 a 20/22 dias), na qual o CL é relativamente autônomo; o abortamento deve ser induzido por substâncias que detenham o zigoto ou embrião no oviduto, retardando a movimentação e a descida do embrião, levando à morte ou à degeneração. O mecanismo provável por meio do qual o estrógeno previne a gestação é o prolongamento da passagem do embrião pelo oviduto. Existem riscos graves de desequilíbrio hormonal com sinais clínicos de hiperestrogenismo e intoxicação por estrógeno, pode dar piometra, persistência do cio. • Prostaglandina (dinoproste) A prostaglandina de maior interesse na indução de aborto em cadelas é a PGF2α, que lisa o CL, levando, consequentemente, à diminuição das concentrações de progesterona. Este fármaco pode ainda levar à contração da musculatura lisa uterina, auxiliando na expulsão dos fetos. Na cadela, o CL é refratário a PGF2α nos 30 primeiros dias de diestro, sendo que a administração de prostaglandina neste período pode levar à luteólise parcial e à manutenção do desenvolvimento de alguns fetos até o final do período gestacional. Muito bom associado com inibidor da prolactina. • Análogos da prostaglandina (Cloprostenol, mifepristona e epostane) As opções de tratamento são boas, pois parecem ter maior atividade luteolítica e ecbólica em doses relativamente mais baixas, levando a menor ocorrência de efeitos colaterais. • Inibidores da prolactina (cabergolina e bromocriptina) A prolactina é um agente luteotrófico e, portanto, a inibição de sua secreção a partir da segunda fase gestacional (20/22 dias) causa luteólise com diminuição da concentração de progesterona no soro e finalização da gestação. • Corticosteroides (dexametasona) A dexametasona foi relatada como um finalizador eficiente da gestação em cadelas, com resultados sendo observados entre 2 e 16 dias após o início do tratamento. O mecanismo de ação envolve, aparentemente, a estimulação da produção de PGF2α endógena pelo aumento do corticoide, a exemplo do que acontece durante o parto, pois neste caso também ocorre diminuição significativa nos níveis de progesterona. • Antagonistas da progesterona (Aglepristone) Esteroides sintéticos têm sido desenvolvidos com propriedades de ligação aos receptores da progesterona, bloqueando sua ação. Estas substâncias podem ser utilizadas desde a primeira fase da gestação (0 a 20/22 dias), em que impedem a implantação embrionária por alteração do ambiente uterino (↓ P4). Indução do parto: A partir dos 55 dias (ideal 57-58) pelo feto já ter viabilidade respiratória, hipotálamo desenvolvido. Sinas de maturidade (dilatação gástrica, peristaltismo, FC: 120-180). • Ocitocina A administração de ocitocina aumenta a pressão intrauterina em cadelas prenhes e deve ser administrada na última semana de gestação, quando a progesterona está diminuindo. A ocitocina é capaz de estimular as contrações uterinas em cadelas prenhes e favorecer a expulsão fetal. o Gliconato de cálcio 10% promover aumento da força de contração uterina, enquanto a ocitocina promove aumento da frequência das contrações. A administração de cálcio deve ser feita de forma intravenosa lenta. realizar monitoramento cardíaco da mãe durante a infusão. Gata • Gestações não desejadas podem ser finalizadas em felinos utilizando-se prostaglandina e/ou inibidores da prolactina. o O tratamento deve ser iniciado após os 30 dias de gestação ▪ A gestação deve ser confirmada por palpação abdominal ou ultrassonografia antes do início do tratamento. • As gatas são mais tolerantes ao tratamento com PGF2α (cloprostenol) do que as cadelas, os efeitos colaterais dependem da dose utilizada. • Os inibidores de prolactina (bromocriptina e cabergolina) são utilizados em formulações orais e causam menos efeitos colaterais do que a PGF2α. Animais de produção • Condução do manejo Principais fármacos indutores do parto • Prostaglandina A prostaglandina (PGF2α) é sintetizada na mucosa uterina pela via ciclooxigenase e sua função principal é a regressão morfológica e funcional do CL; também atua para estimular as contrações uterinas, aumentar a pressão sanguínea, além de apresentar ação broncoconstritora e estimular a contratilidade da musculatura lisa. Efeitos colaterais: Broncoconstrição, musculatura lisa, efeitos cardiorrespiratórios. o Análogos sintéticos são modificações da molécula natural, o que lhes confere características importantes como metabolização mais lenta, aumentando assim a sua meia- vida, e maior afinidade pelos receptores ovarianos e uterinos. Por essa razão, o efeito luteolítico é mais completo, possibilitando a utilização de doses menores e diminuindo o risco de efeitos colaterais. • Ocitocina É frequentemente utilizada na prática veterinária para estimular a atividade contrátil uterina e/ou a função mioepitelial da glândula mamária. Os efeitos por ela produzidos são de curta duração, uma vez que são rapidamente inativadas por peptidases, razão pela qual se torna difícil escolher doses. o Carbetocina Análogo sintético de longa ação da ocitocina, com maior estabilidade química e metabólica, meia-vida prolongada e efeito vasoconstritor diminuído Equinos Deve ser realizada no caso de coberturas indesejáveis (garanhão errado ou época errada de cobertura), em gestações gemelares e em trabalhos de pesquisa. Indução do abortamento Pode ser realizada por meio de infusões intrauterinas de solução salina, antibióticos ou soluções iodadas e repetidas com 24 h, caso o abortamento não aconteça. O ideal é esperar ao menos 7 dias após a cobertura para que o embrião já esteja no útero e não mais de 38 a 40 dias para evitar a formação dos cálices endometriais e secreção de gonadotrofina coriônica equina (eCG). A prostaglandina F2α e seus análogos podem ser administrados uma única vez 5 dias após a ovulação (período derefratariedade do CL) até 38 a 40 dias (período de formação dos cálices endometriais) com a função de lisar o CL, diminuindo os níveisde P4, levando ao abortamento, e o retorno ao cio em 3 a 5 dias. Na necessidade de administrar a PGF2α após os 35 dias de gestação, esta deve ser feita diariamente por 4 dias, sabendo que a égua não vai retornar ao cio antes que os cálices endometriais parem de funcionar. A correção manual da gestação gemelar dificilmente pode ser feita antes do 11o dia de gestação, devido ao pequeno tamanho das vesículas. O ideal é realizar esta manipulação entre 13 e 15 dias, quando as vesículas ainda são móveis e mais distantes uma da outra. Após o 17º dia de gestação a fixação unilateral dos embriões pode dificultar a manipulação. No caso de fixação bilateral, o esmagamento pode ser feito sem riscos até o 25o dia. Aconselhase o uso de antiprostaglandínicos (flunixino e meglumina) cerca de 1h antes da manipulação para evitar o risco de eliminação dos dois produtos. Quando se optar pelo abortamento de ambos os fetos, o fármaco de eleição é a PGF2α, que deve ser administrada, preferencialmente, antes dos 35 dias de gestação. Indução do parto Conveniência, evitar complicações, gestações de risco, iminente ruptura do tendão pre-púbico, privação de colostro (isoeritrólise). O feto tem maturação hipotalâmica 4 dias antes do parto, risco de fazer antes e ainda não ter a produção de surfactante. Observar o colostro, se ela está produzindo e aparece 3 – 4 dias antes do parto o leite seco no teto, um bom sinal de maturidade do feto. É necessário ter a dilatação cervical de pelo menos 3 – 4 cm de dilatação, será um parto mais seguro. 30 dias antes precisa levar essa égua para piquete maternidade para se adaptar, se acostumar ao novo ambiente, e para que os anticorpos que vão ser passados da mãe para o filhote, sejam aqueles que ele será exposto quando nascer. A ocitocina é o fármaco preferido para indução de parto em equinos, doses menores trazem mais conforto e segurança. Prostaglandina causa contrações muito intensas podendo fraturar a costela no potro, descolamento precoce de placenta. Corticosteroides induz o parto, ajuda na maturação pulmonar, pode aplicar 1x dia/4dias → parto acontece em 6 – 7 dias. Bovinos Não usar para ter aumento no numero de partos, não vai ser bom para o filhote se não estiver pronto para nascer. Deve ser realizado A induzir abortamento ou parto prematuro deve ser feito quando tiver feto mumificado, morto retido, hidropsia, gestação prolongada. Feto mumificado → não tem ação da placenta, o que ainda está mantendo a “gestação” é o CL, porque não teve a liberação do cortisol fetal, que transforma a P4 em E2 sensibilizando as glândulas endometriais a produzirem PGF e causar a luteólise, então é necessário fazer a aplicação de PGF. Enucleação no CL (manual), mas tem o risco de hemorragia e ter formação de aderência, tendo problemas reprodutivos, melhor utilizar PGF para a luteólise. Evitar opções manuais. Usar PGF de 180 – 200 dias porque depois a origem da P4 é placentária, sendo necessário associar com cortisol (antes de 270 dias). Caprinos Indução do abortamento ou parto prematuro → transmissão de doenças pelo colostro, artrite-encefalite caprina (CAE) e micoplasmose. A cabra tem P4 de origem luteal → utilizar PGF, e depois de 30h entrar com ocitocina para ajudar na contração. Ovinos Antes de 140 dias, borregos morrem por imaturidade. Em 50 dias a P4 é produzida pela placenta, usar cortisol, as vezes se utiliza o estrógeno para sensibilizar, e isso aumento o comportamento materno, utilizado para facilitar aceitação de borregos órfãos. Suínos Sincronização, adoção de leitões de leitegadas grandes ou de agalaxia. Cerca de 75% das mortes de leitões é no período periparto hipoxia nos últimos a nascer), 5-7% de natimortalidade. Quanto maior o tempo de parto = maior natimortalidade (principalmento os últimos leitões, um meio para baixar essa taxa, é a aplicação de estrógeno 24 h antes aumenta relaxamento da cérvix e ajuda na expulsão e melhorar a contração uterina, depois fazer a indução com prostagrandina também 24h antes; depois de 24h induzir com ocitocina para aumentar a frequência e acelerar o parto, perdendo menos filhotes.